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CARREIRAS JURÍDICAS - 2012 Direito Ambiental Frederico Amado

GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS A gestão de florestas públicas abarca: - concessão florestal, - criação de florestas nacionais, estaduais e municipais

distritais,

modalidades de uso sustentável (reservas do desenvolvimento sustentável, reservas extrativistas, reservas da fauna e áreas de relevante interesse ecológico), nos termos do artigo 11, III, da Lei 11.284/2006. No entanto, será possível a concessão dessas áreas quando expressamente admitidas no respectivo plano de manejo. LIMITES - A concessão não transferirá a titularidade imobiliária ou direito de preferência na aquisição, o acesso ao patrimônio genético, o uso dos recursos hídricos e minerais, a exploração da fauna e a comercialização de créditos decorrentes da emissão evitada de carbono em florestas naturais. LICITAÇÃO - O processo licitatório tem regras especiais, apenas aplicando-se supletivamente a Lei 8.987/1995 (Lei Geral de Concessões) e a 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos). Assim, por exemplo, é condição de habilitação a inexistência de débitos inscritos em Dívida Ativa em órgãos do SISNAMA, bem como a não condenação transitada em julgado em crimes ambientais ou tributários. É vedada a inexigibilidade de licitação, assim como, no julgamento das propostas, serão combinados os critérios do maior preço ofertado como pagamento ao poder concedente e melhor técnica (menor impacto ambiental, maiores benefícios sociais diretos, maior eficiência e maior agregação de valor ao produto ou serviço florestal na região da concessão), consoante parâmetros editalícios. Outrossim, o edital da licitação deverá ser apresentado em audiência pública. PRAZO - Regra geral, o prazo mínimo da concessão será o equivalente a um ciclo de corte, e o máximo de 40 anos. Caso a concessão seja de serviços florestais, a exemplo do turismo ou outras ações que não envolvam o consumo de produtos florestais, o lapso de tempo será entre 5 e 20 anos. LICENCIAMENTO AMBIENTAL - A Licença Prévia será requerida pelo órgão gestor,

- destinação de florestas públicas às comunidades locais, conforme conteúdo do artigo 4.º, da Lei 11.284/2006, tendo esta norma sido parcialmente regulamentada pelos Decretos 6.063/2007 e 7.167/2010. O Poder Público poderá exercer a gestão direta das florestas nacionais, distritais, estaduais e municipais mediante a celebração de contratos, convênios ou termos de parceria, pelo prazo máximo de 120 dias, observados os procedimentos licitatórios. Outrossim, caso as florestas públicas estejam ocupadas por comunidades locais, deve o Poder Público, antes de abrir edital de licitação para a concessão florestal, instituir reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável, assim como efetuar a respectiva concessão de uso. Deveras, as populações tradicionais devem ser respeitadas, sendo este o desiderato da norma. Concessão florestal - É contrato de concessão oneroso celebrado por entidades políticas com pessoas jurídicas, consorciadas ou não, precedido de licitação na modalidade concorrência, visando a transferir ao concessionário o direito de explorar de maneira sustentável os recursos florestais por prazo determinado. Apenas pessoas jurídicas instituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no Brasil poderão celebrar este ajuste. A concessão poderá ser feita para uma floresta pública (natural ou plantada, de propriedade da Administração Direta ou Indireta) ou floresta nacional, distrital, estadual ou municipal (unidade de conservação prevista no artigo 17 da Lei 9.985/2000), vedada a subconcessão. Observe-se que, em regra, não poderão ser objeto de concessão florestal as unidades de conservação de proteção integral e quatro

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de correntes não navegáveis.284/2006. 12. AUTORIZAÇÃO DO CONGRESSO ? Uma questão que vem trazendo polêmica é a necessidade ou não de autorização do Congresso Nacional para a concessão de florestas públicas com área superior a 2.. e 20. “Art. sendo os custos ulteriormente repassados ao concessionário. cobrada à devida contraprestação (arts. ÁGUAS COMUNS (de domínio público. de 03. POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS TITULARIDADE DOMINIAL NO CÓDIGO DE ÁGUAS. a aprovação do manejo substitui a Licença Prévia. fluentes. Se for significativa a degradação ambiental.433/97 não se limitou a regular o regime jurídico das águas. rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio. nos moldes do artigo 7º) e ÁGUAS PARTICULARES (nascentes e todas as águas situadas em terrenos particulares. FUNDAMENTOS DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS. emergentes e em depósito. indo além ao instituir uma Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). Além disso. órgão integrante do Ministério do Meio Ambiente. ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham. será exigido prévio EIA-RIMA. bens sem dono.2004).2012 Direito Ambiental Frederico Amado mediante a apresentação de relatório ambiental preliminar ao órgão licenciador. excluídas as eventuais áreas de preservação permanente. 1. ressalvadas. SFB .. da Lei n. passando-se direto para a Licença de Operação.ª Região (Informativo 505). II.643/1934 (Código de Águas).º da Lei n. bem como os terrenos marginais e as praias fluviais. O Presidente do STF. existiam ÁGUAS PÚBLICAS (dominiais ou de uso comum do povo. ou que banhem mais de um Estado. listadas no artigo 2º). apenas.433/1997).a água é um bem de domínio público.º 9. São bens da União: [. o direito à exploração das águas subterrâneas mediante autorização do Poder Público. na forma da lei. as decorrentes de obras da União”. motivo pelo qual é insuscetível de apropriação pelo particular. VIII – os potenciais de energia hidráulica. VI – o mar territorial. XVII. o início da execução pressupõe PMFS – Plano de Manejo Florestal Sustentável previamente aprovado pelo órgão ambiental competente. conforme determina o artigo 49.433/1997)” (REsp 518. neste caso. que é uma modalidade de estudo ambiental que prima pelo uso sustentável dos recursos florestais. Incluem-se entre os bens dos Estados: I – as águas superficiais ou subterrâneas. 26. Art. nos termos do artigo 8º). conforme a titularidade da propriedade das águas. quando não se enquadrarem como públicas ou comuns. 5. na STA (suspensão de tutela antecipada) 235.º 9.500 hectares. cassou a tutela antecipada concedida pelo TRF da 1. estadual. STJ: “4. 2 . aduzindo que a aquiescência do Congresso Nacional não é necessária para a concessão florestal. A legislação excluiu a Licença de Instalação.CARREIRAS JURÍDICAS . que tem como fundamentos (artigo 1º): “I . sirvam de limites com outros países. De acordo com o Decreto 24. da Lei 11. distrital ou municipal.02. 20. O particular tem.744.O artigo 54.] III – os lagos. recentemente. No caso de concessão em floresta nacional. Ressalte-se que pelo menos 5% do total da área concedida (reserva absoluta) deverá ser objeto de conservação da biodiversidade e monitoramento. não podendo ser objeto de exploração econômica de qualquer espécie. da CRFB. A Lei 9.. A água é bem público de uso comum (art. criou o Serviço Florestal Brasileiro – SFB. a quem foi confiada a tarefa de gerir as concessões florestais na esfera federal.

a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público.a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos. da Lei 9. 5º São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I . normalmente um grande rio. salinas classificadas em 13 classes. Paraguai. Art. através da adoção de ações preventivas permanentes. o diagnóstico atual e futuro etc. 3 . tratados ou não. a dos rios Paraíba. quando for o caso. ou insumo de processo produtivo. II .a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas. o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais. a utilização da água exige outorga.a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos.a água é um recurso natural limitado. incluindo o transporte aquaviário. Ou seja. ficando condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte aquaviário.2012 Direito Ambiental Frederico Amado II . com vistas ao desenvolvimento sustentável. consoante determinação do artigo 13. Tem como objetivo assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos de água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Resolução CONAMA 357/05 Visa assegurar águas com qualidade compatível com os usos mais exigentes. transporte ou disposição final.em situações de escassez.a utilização racional e integrada dos recursos hídricos. inclusive abastecimento público. São Francisco. C) lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos.assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água. II . A outorga do uso da água terá prazo de até 35 anos. normalmente vários cursos de água convergem para um rio principal. a exemplo das prioridades para a outorga. E) outros usos que alterem o regime. As águas doces.D) aproveitamento dos potenciais hidrelétricos. V . devendo ser elaborados por bacia hidrográfica. as metas para racionalização. o planejamento.o enquadramento dos corpos de água em classes. Art. VI . III . A bacia hidrográfica é a área onde ocorre a drenagem das águas destinadas a um curso de água. III . Em regra.433/97. dotado de valor econômico. IV . a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I . segundo os usos preponderantes da água.CARREIRAS JURÍDICAS . formando uma bacia hidrográfica. nas seguintes hipóteses: A) derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo final. Disciplinarão o regime jurídico da bacia. No Brasil. as principais são a Amazônica. devendo ser onerosa. com o fim de sua diluição. Paraná. B) extração de água de aquífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo. por Estado e nacionalmente. renovável. a Araguaia-Tocantins.a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. e salobras são III .os Planos de Recursos Hídricos. Paraíba do Sul e Uruguai. dos usuários e das comunidades. assim como diminuir os custos de combate à poluição. São planos diretores que visam fundamentar e orientar a implementação da PNRH e o seu gerenciamento.

captações e lançamentos considerados insignificantes. temporária ou definitivamente. que “o ato administrativo de outorga não exime o outorgado do cumprimento da legislação ambiental pertinente ou das exigências que venham a ser feitas por outros órgãos e entidades competentes”).planejar. O prazo de validade máximo de três anos. Objetiva.reunir. independe de outorga o uso da água para acumulação de volumes. inexistindo fontes alternativas.CARREIRAS JURÍDICAS . IV . assim como o uso para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais rurais. da Lei 9.deixe de utilizá-la por três anos consecutivos (caducidade). .fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos”. 32.984/2000 ainda prevê que a ANA poderá perpetrar outorgas preventivas. II . 33. a preservação e a recuperação dos recursos hídricos. estaduais.coordenar a gestão integrada das águas. com os seguintes objetivos: I . III . Integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos: I – o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. V . derivações.atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos em todo o território nacional. II – os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal. da Resolução CNRH 16/2001. Art. Fica criado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. .433/97. possibilitando aos investidores o planejamento de empreendimentos que necessitem desses recursos. I-A. Excepcionalmente. total ou parcialmente. III .a compensação a municípios.haja necessidade de atendimento de uso prioritário. . V . V – as Agências de Água Ainda será possível que as organizações civis de recursos hídricos componham o SINGREH. III – organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos hídricos. II . – a Agência Nacional de Águas. desde que legalmente constituídas e sejam (art. Art. caso: . locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos. não conferindo direito de uso de recursos hídricos e se destinando a reservar a vazão passível de outorga.ocorra necessidade de prevenir ou reprimir grave degradação ambiental. III – os Comitês de Bacia Hidrográfica.haja situação de calamidade pública. (vetado o artigo 24 que o regulamentava) VI .promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos.o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil. do Distrito Federal e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos.para a manutenção da navegabilidade do corpo de água.arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos. 4 . . IV – os órgãos dos poderes públicos federal. 47): “I – consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas. . “I . de acordo com o artigo 27. regular e controlar o uso. com a finalidade de declarar a disponibilidade de água para os usos requeridos. II – associações regionais. cabível prorrogação.2012 Direito Ambiental Frederico Amado Poderá ser suspensa a outorga. A concessão da outorga não dispensa o prévio licenciamento ambiental (Pontifica o artigo 30.o outorgado descumpra os seus condicionantes.implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos.º da Lei 9. O artigo 6.

poluição. Qualquer que seja a qualificação jurídica do degradador. como na proteção do 5 . 37 da Constituição Federal. é subjetiva ou por culpa. § 2º . da reparação in integrum. LEI 6. por danos causados ao meio ambiente. entre as quais se inclui a inversão do ônus da prova em favor da vítima ambiental. independentemente da existência de culpa. responsável. de 24.degradação da qualidade ambiental. de direito público ou privado. por omissão. É o quarto instrumento que visa reconhecer a água como bem econômico e dar notoriedade ao seu real valor à vida. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal. sendo regida pelos princípios do poluidor-pagador.As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. é o poluidor obrigado. de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente. ARTIGO 14. Nesse sentido. público ou privado. Ordinariamente. a sanções penais e administrativas. LEI 6. enfrenta duas exceções principais. RESPONSABILIDADE CIVIL ARTIGO 3º.CARREIRAS JURÍDICAS . ARTIGO 225. no Direito brasileiro a responsabilidade civil pelo dano ambiental é de natureza objetiva. a pessoa física ou jurídica. bem como incentivar a racionalização do seu uso e obter recursos financeiros para o financiamento de programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos. na forma da lei. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. da prioridade da reparação in natura. Os últimos precedentes do STJ. a responsabilidade civil do Estado. IV .03. 5. c) afetem desfavoravelmente a biota.938/81: § 1º . e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. afetados por sua atividade. assentado no art. III . pessoas físicas ou jurídicas. direta ou indiretamente. Precedentes do STJ.Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado.2012 Direito Ambiental Frederico Amado IV – organizações não-governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade. quando a responsabilização objetiva do ente público decorrer de expressa previsão legal. este último a legitimar uma série de técnicas de facilitação do acesso à Justiça.Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo. a alteração adversa das características do meio ambiente.a cobrança pelo uso de recursos hídricos. em microssistema especial. vale colacionar passagem do julgamento do REsp 1. solidária e ilimitada. DA CONSTITUIÇÃO § 3º . INCISO XXIII: d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa. a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros.ª Turma.2009: “4. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas.071. a segurança e o bem-estar da população. Primeiro. por atividade causadora de degradação ambiental. regime comum ou geral esse que.938/81 IV . e do favor debilis. declararam a responsabilidade objetiva do Estado por danos ambientais. inclusive da sua 2.poluidor.741. II . mesmo em se tratando de omissão na fiscalização ambiental. ARTIGO 21. V – outras organizações reconhecidas pelo Conselho Nacional ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos”.

IV. Legitimidade passiva do ente estatal. consoante acertada jurisprudência do STJ (REsp 802. injusta oneração da sociedade. 50 do Código Civil" (REsp 1. Litisconsórcio facultativo.CARREIRAS JURÍDICAS .] 5. o direito de regresso (art..071.741-SP. 6.741/SP. [. deu-se provimento ao recurso. é obrigado a indenizar e reparar o dano causado ao meio ambiente (responsabilidade objetiva). em matéria de proteção ambiental. sempre. por qualquer razão.º.764-MG.08. Art.10. Contudo. com isso. a atual jurisprudência dominante no STJ (1. cuja execução poderá ser promovida caso o degradador direto não cumprir a obrigação. quando as circunstâncias indicarem a presença de um standard ou dever de ação estatal mais rigoroso do que aquele que jorra.. 3. A jurisprudência predominante no STJ é no sentido de que. há responsabilidade civil do Estado quando a omissão de cumprimento adequado do seu dever de fiscalizar for determinante para a concretização ou o agravamento do dano causado pelo seu causador direto. Dano causado ao meio ambiente.2005. ainda que indireto (Estadorecorrente) (art. 13. c/c o art. 3.2007. consoante a construção doutrinária e jurisprudencial. preferencialmente no despacho saneador. § 1. após a reparação deverá regressar contra o poluidor direto. REsp 1.º da Lei n.ª e 2. seja por impossibilidade ou incapacidade. eis que preenchidos os requisitos para a configuração da responsabilidade civil (ação ou omissão. Rel. REsp 604. deve o Estado – que não provocou diretamente o dano nem obteve proveito com sua omissão – buscar o ressarcimento dos valores despendidos do responsável direto. sem prejuízo da responsabilidade solidária. com a desconsideração da personalidade jurídica. independentemente da existência de culpa.08.º 6.2007. RESPONSABILIDADE POLUIDORES: SOLIDÁRIA ENTRE “Ação civil pública.577-SP. Nesse sentido. nexo de causalidade e dano).12. Herman Benjamin. não sendo surpreendido com a desconsideração decretada apenas na sentença. do texto constitucional”. e REsp 647. Com esses fundamentos.938/1981). 2. Súmulas 282 e 356 do STF. todavia. inclusive técnica. o poluidor. 14. LEI 9605/98 Art. de responsabilidade subsidiária.2012 Direito Ambiental Frederico Amado meio ambiente (Lei 6. Ausência.ª Turma) é no sentido de que a responsabilidade civil do Poder Público é de execução subsidiária. na hipótese de omissão de cumprimento adequado do seu dever de fiscalizar que foi determinante para a concretização ou o agravamento do dano causado pelo seu causador direto: 1. 267. em respeito ao Princípio do Contraditório. 934 do Código Civil).493-SC. Fixada a legitimidade passiva do ente recorrente.071. Segundo.12. Min. Responsável direto e indireto.938/1981. DJe de 16. conforme preceitua o art. do CPC. DJ 22.ª T. j. Vale destacar que a desconsideração da personalidade jurídica não deverá se proceder apenas por ocasião da sentença. DJ 02. colaciona-se passagem do Informativo 388 do STJ: Assim. "seja por total ou parcial exaurimento patrimonial ou insolvência. e sim anteriormente.º).2010).2008. julgado em 24/3/2009”. AgRg no Ag 822. apesar de ser solidária. IV.2011).832. de cumprimento da prestação judicialmente imposta. Solidariedade. DJ 19.04. Mesmo que o Estado se enquadre como poluidor indireto por sua inércia em evitar o dano ambiental. Assim. para que o réu saiba perfeitamente que terá a missão de desconstituir a presunção de veracidade dos fatos declinados pelo autor. Prequestionamento. Herman Benjamin. 6 . Responsabilidade objetiva. assegurado. DJ 22.725-PR. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Trata-se. Precedentes citados: AgRg no Ag 973.. art. Min. evitando.

.398/1981 – IRRETROATIVIDADE DA LEI – PREQUESTIONAMENTO AUSENTE: SÚMULA 282/STF – PRESCRIÇÃO – DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO: SÚMULA 284/STF – INADMISSIBILIDADE. Impede salientar que o STJ passou a admitir a inversão do ônus da prova nas ações de reparação dos danos ambientais. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. Precedentes do STJ. bastando a constatação do dano e do nexo de causalidade. Precedente: (AgRg no REsp 1206484/SP. A obrigação de reparação dos danos ambientais é propter rem. conforme realizado pelo Ministério Público (litisconsórcio facultativo)” (RESP 604.2012 Direito Ambiental Frederico Amado ressalta-se. que tal responsabilidade (objetiva) é solidária. ou.08. este não foi de sua autoria. Precedente do STJ: REsp 343. unicamente.] 3. DJ de 07. aliás. que adere ao título de domínio ou posse. DA LEI 6. imputa-se ao novo proprietário a responsabilidade pelos danos. a denunciação da lide.771/1965) que estabelecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. Excetuam-se à regra. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS “2. DJe 29. Tal obrigação.171/1991 vigora para todos os proprietários rurais. de 23. da Lei 9. de 25. de 25. como tal. a relação jurídica referente à proteção do meio ambiente e das suas conseqüências pela violação a ele praticada. mas decorre de obrigação propter rem.060. sendo necessário se verificar se o dano ambiental causado foi previsto ou não no EIA-RIMA. independentemente de ter sido ele ou o dono anterior o real causador dos estragos. Humberto Martins. em prol do interesse coletivo.03. deve ser discutido em ação própria” (REsp 232. REsp 1. 4. Min.187. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. não sendo possível uma nova responsabilização civil. E 14. de no mínimo 20% de cada propriedade. sob pena de bis in idem. j. 1056540. § 1º.2005).. “PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – DANO AMBIENTAL – CONSTRUÇÃO DE HIDRELÉTRICA – RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SOLIDÁRIA – ARTS. 17.TRADICIONAL 2.08.902. fica demonstrado que a compensação ambiental paga pelo proponente do projeto já abarcou o dano ambiental. se decorrente do fenômeno de violação ao meio ambiente.10. por essa afirmação.03.725.2000). Entende-se que a resposta demanda uma análise casuística. com base no interesse público da reparação e no Princípio da Precaução. REsp 972. 2. 1. consoante previsto no EIA-RIMA. 3º. nos casos de atividade apta a gerar significativa degradação ambiental.08. dispensando a prova do nexo de causalidade. Rel. Incabível.2009.2009). DJ 22. INC. 3. 7 . também. Uma questão que merece uma análise diferenciada é o regime jurídico de reparação do dano ambiental em unidades de conservação.ª T. pois poderá ser carreado ao suposto poluidor o ônus de comprovar que inexiste dano ambiental a ser reparado. se existente.985/2000.CARREIRAS JURÍDICAS .2002.2011). Caso a resposta seja positiva. 2. o que legitima a inclusão das três esferas de poder no pólo passivo na demanda.03. [. A Ação Civil Pública deve discutir. de 1º/12/2009. Direito de regresso. A responsabilidade por danos ambientais é objetiva e. Relator Ministro Franciulli Netto. nos casos em que o empreendedor já honrou previamente com o pagamento da compensação ambiental de que trata o artigo 36. a responsabilidade de adquirente de imóvel já danificado porque.2011. não exige a comprovação de culpa.753SP. Obrigação propter rem . IV.741/PR. (REsp. sendo uma ótima técnica de julgamento na hipótese de dúvida probatória (non liquet). por isso que a Lei 8. independe do fato de ter sido o proprietário o autor da degradação ambiental.

CARREIRAS JURÍDICAS . da Carta da República. REsp 1. responsável.º 6. „afetados por sua atividade‟. com base na mesma legislação. independentemente de não estar expresso em texto legal. não havendo bis in idem na cobrança de indenização. § 3. com profundas implicações na espécie de responsabilidade do degradador que é objetiva. por se tratar de direito inerente à vida. a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde. A indenização por dano ambiental. antecedendo a todos os demais direitos.2011). O montante da compensação deve ater-se àqueles danos inevitáveis e imprescindíveis ao empreendimento previsto no EIA/RIMA. nem lazer . a segurança e o bemestar da população. por atividade causadora de degradação ambiental. art. Execução fiscal. por seu turno. c) afetem desfavoravelmente a biota. está protegido pelo manto da imprescritibilidade. esta também foi a linha de pensamento seguida pelo STJ: 3. Dano ambiental.º. pois sem ele não há vida. O dano ambiental inclui-se dentre os direitos indisponíveis e como tal está dentre os poucos acobertados pelo manto da imprescritibilidade a ação que visa reparar o dano ambiental. fundamental e essencial à afirmação dos povos. dentro da logicidade hermenêutica. leis.863. a alteração adversa das características do meio ambiente.º. de 10. O poluidor. 5. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas. química e biológica. Para fins da Lei n. III – poluição. que permite.938. abriga e rege a vida em todas as suas formas. 8 . Os dois institutos têm natureza distinta. art. 3. independentemente da culpa do agente causador do dano. nem trabalho. Imposição de multa. Em matéria de prescrição cumpre distinguir qual o bem jurídico tutelado: se eminentemente privado seguem-se os prazos normais das ações indenizatórias. e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. não se incluindo aqueles que possam ser objeto de medidas mitigadoras ou preventivas.117. tem assento no artigo 225. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. 14 – „sem obstar a aplicação das penalidades administrativas‟ é obrigado. que cuida de hipótese de dano já ocorrido em que o autor terá obrigação de repará-lo ou indenizar a coletividade.11. se o bem jurídico é indisponível. A compensação tem conteúdo reparatório. de direito público ou privado. 19.2009 TEORIA DO RISCO INTEGRAL ? “Administrativo. influências e interações de ordem física. a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros. desde que nela não se inclua a compensação anteriormente realizada ainda na fase de implantação do projeto. Destarte. em que o empreendedor destina parte considerável de seus esforços em ações que sirvam para contrabalançar o uso de recursos naturais indispensáveis à realização do empreendimento previsto no estudo de impacto ambiental e devidamente autorizados pelo órgão competente. a reparação civil assume grande amplitude. é poluidor a pessoa física ou jurídica. IMPRESCRITIBILIDADE DA PRETENSÃO 5. 1.05. 2. (REsp 896. entende-se por: I – meio ambiente. Tratando-se de direito difuso. direta ou indiretamente. „independentemente da existência de culpa‟. fundada no simples risco ou no simples fato da atividade danosa. Sanção administrativa. por seu turno. 3. j. 6.112. considera-se imprescritível o direito à reparação. 7.2012 Direito Ambiental Frederico Amado Inclusive. fundamental. O direito ao pedido de reparação de danos ambientais. 4. Não há como se incluir nesse contexto aquele que foi previsto e autorizado pelos órgãos ambientais já devidamente COMPENSADO 6. II – degradação da qualidade ambiental. o conjunto de condições. nem saúde. 8. de 31 de agosto de 1981.

Dje 19/11/2009. Com isso.11. o entendimento do STJ.114. REsp 1. COMINAÇÃO DE PEDIDOS É plenamente possível a cominação de obrigação de reparação com a indenização pecuniária cumulativamente. 225. de 26. Depreende-se do texto legal a sua responsabilidade pelo risco integral. em regra. o que impõe a devolução dos autos ao tribunal de origem para que verifique existir dano indenizável e seu eventual quantum debeatur. discutir a culpa e o regresso pelo evento” (REsp 442. INDENIZAÇÃO.893-MG. poderá. se quem degradou promoveu a restauração imediata e completa do bem lesado ao status quo ante. ante a incidência da teoria do risco integral e da responsabilidade objetiva ínsita ao dano ambiental (art. Herman Benjamin. conforme o art. 9 . divulgado pelo Informativo 427: “MEIO AMBIENTE.2002) No dia 08 de fevereiro de 2012. responsabilizando o degradador em decorrência do princípio do poluidor-pagador” (REsp 1. Rel.CARREIRAS JURÍDICAS . caput. tal qual no caso. inter partes. em que se explorou garimpo ilegal de ouro em área de preservação permanente sem qualquer licença ambiental de funcionamento ou autorização para desmatamento. a Turma deu parcial provimento ao recurso para reconhecer. da Lei nº 6. julgado em 16/3/2010.398). Contudo. a obrigação de recuperar o meio ambiente degradado é compatível com a indenização pecuniária por eventuais prejuízos. até sua restauração plena. ao manter condenação de danos patrimoniais e morais contra a Petrobrás por derramamento de óleo que prejudicou um pescador. Min. até que haja a recuperação total do dano. como excludente de responsabilidade. da CF e do art. Com esse entendimento. O princípio da reparação in integrum aplica-se ao dano ambiental. Precedente citado: REsp 1. por isso que em demanda infensa a administração.117-AC.2012 Direito Ambiental Frederico Amado 4. a possibilidade de cumulação de indenização pecuniária e obrigações de fazer voltadas à recomposição in natura do bem lesado. 225. REPARAÇÃO. § 1º.120. Já os benefícios econômicos que aquele auferiu com a exploração ilegal do meio ambiente (bem de uso comum do povo. § 3º.938/81).586. da CF/1988) devem reverter à coletividade.114. 14. mais uma vez afirmou o STJ (2ª Seção) que a responsabilidade civil objetiva ambiental fundamenta-se na Teoria do Risco Integral: A alegação de culpa exclusiva de terceiro pelo acidente em causa. se possível. em tese. não se fala em indenização. deve ser afastada. Nesse sentido.