QUARTA-FEIRA, 6 DE SETEMBRO DE 2006

Santo de Casa Faz Milagre

Em Tucanolândia, as coisas estavam ficando muito esquisitas para Gerardim. O seu grupo de apoio político tinha feito duas pesquisas eleitorais, por amostragem, a uma semana das eleições. A primeira foi feita com pesquisa telefônica e, a propalada diferença de votos entre o Rei Lulinha e o Gerardim, apresentava-se bem menor do que as apresentadas pelos institutos de pesquisa. O pessoal do contra, como alguns jornalistas dos “governistas” O Estado de Saint Paul e a Folha de Saint Paul, argumentou que essa pesquisa estaria viciada, pois a penetração de Gerardim era maior entre as elites econômicas do reinado, portanto, donas da maioria das linhas telefônicas. A outra pesquisa, essa inédita, mostrava o crescimento assustador da candidatura Gerardim, dando um empate técnico entre os dois candidatos, coisa de mais ou menos quarenta por cento para cada um. Essa pesquisa é a mola propulsora para que os marqueteiros da candidatura tucana tenha maior garra e, como se sabe, garra é coisa que não falta aos tucanos. Gerardim, depois que soube desses resultados, ainda não divulgados, ficou extasiado, sendo visto comendo numa churrascaria, entre brindes e sorrisos. Na noite passada, dormiu e sonhou. Sonhou com o país todo privatizado, livre dessas estatais deficitárias e atrasadas. Parou num posto de gasolina, Shell, é claro, já que a Petrobrás tinha sido privatizada; passou no Banco de Boston, ex-Banco do Brasil, BB do mesmo jeito, sacou um dinheiro extra, foi com Dona Lu, comprar umas roupinhas da Dasulu. Fez uma fezinha na loteria, numa dessas agências da Caixa Econômica Multinacional, pegou o Metrô, reparou como tinha ficado bonita a nova decoração do mesmo, homenageando a francesa Metraux, que tinha adquirido o metropolitano paulista. Deu um real para um mendigo que pedia esmola em frente ao Palácio da Alvorada. Receberia , naquela tarde, os presidentes dos EUA e do México, para tentar incluir reiniciar as negociações da ALCA depois teria um encontro com os representantes do FMI, para solicitar um emprestimozinho bobo, coisa de quarenta bilhões de reais. Só neste empréstimo, daria um salto de quatro por cento no PIB, depois outro é que pagasse a dívida...

Iria se encontrar com o grupo de golfistas baianos capitaneado por Tonim Bondadeza. À noite iria discutir a melhor forma de se evitar uma queda da produção energética com o seu vice, e iria cair nos braços de Lu. Esta prometera usar um vestido diferente dessa vez, um dos quase quatrocentos malocados no closet do quartinho de empregada do pequeno apartamento funcional que tinham conseguido enquanto se fazia a reforma do palácio. Claro que dona Lu não iria conviver com aquelas coisas bregas da antiga ocupante. A churrasqueira já tinha sido desativada; agora somente comidas leves. A sala de acupuntura estava preparada para uma sessão no dia seguinte com o seu amado mestre japonês Mifu... Aí, nesse instante, era anunciada a nova pesquisa: Lulinha tinha aumentado a vantagem. Gerardim, irado mandou que se divulgasse a pesquisa bomba que lhe deixava empatado com seu opositor. Assim, a pesquisa feita entre os filiados do partido de Gerardim foi mostrada para toda a imprensa...
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SEGUNDA-FEIRA, 4 DE SETEMBRO DE 2006

Alquimistas tucanos - Ouro vira titica, titica vira ouro...

Nas eleições que se aproximam em Tucanolândia, houve um fato que chamou a atenção dos mais atentos. Um grupo de ex-aliados de Fernando Caudaloso passou a apoiar o Rei Lulinha, o que causou uma série de reclamações e uma posição um tanto quanto incoerente dos aliados de Gerardim, ex-Dom Gerald Aidimin. Entre eles, temos alguns que, realmente já à época do antigo rei, não eram flor que se cheirasse mas tinham todo o carinho e rapa pés contumazes pela forma de governar do ex-rei. Acontece que, pelo simples fato de não estarem mais do lado do antigo monarca, passaram a ser vistos como possíveis maculadores da candidatura oficial à reeleição. Por outro lado, um antigo desafeto de Dom Fernando Caudaloso, o velho rei Topete Primeiro, a quem se deve, justiça seja feita, o plano de estabilização econômica logo usurpado pelo Tucano Mor, dom Fernando, o que justifica a fama de roubar ovos alheios da espécie, pelo simples fato de ter optado pela candidatura de Gerardim, passou a ser cantado em verso e prosa pelos ascetas tucanóides.

Gerardim, inclusive, passando por cima do Tucanão Fernando, passou a dar a paternidade do plano econômico ao verdadeiro pai. Tardia medida e até certo ponto hipócrita, mas justa. Agora, muito interessante essa maneira de se conviver com as pessoas. O que era ouro passou a ser titica, e o que era titica vira ouro. Esta é a forma dos alquimistas tucanos tentarem fazer de Gerardim um candidato dourado...
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Tucanolândia - Joga pedra...

Obviamente, como mudara de nome e de personalidade, Gerardim resolveu se esquecer de suas origens tucanas e passou a omitir totalmente o fato de ser ligado visceralmente ao antigo rei, de triste memória, Dom Fernando Caudaloso. Mas, como tudo na vida tem duas faces, principalmente se não tem princípios muito fortemente consolidados, houve um fato inusitado. Numa reunião de bacana, oops desculpe, de empresários para arrecadação de fundos para a campanha de Gerardim ao cargo de dirigente mor do Reinado, adivinhem quem estava lá? Ele, o famoso e consagrado pop star da sociologia neoembromatoriológica, o propulsor da filosofia lazaroniana e luxemburguesa no reinado tucanolês: Dom Fernando. Como, no mesmo dia, havia uma pesquisa de opinião demonstrando a queda visível da popularidade de Gerardim, o antes abandonado e esquecido urucubaquiano Dom Fernando teve voz e microfone à disposição. E baixou a burduna. O mínimo que fez, dono da perdoável insensatez da senilidade, (embora sensatez nunca tenha sido seu forte mesmo), foi mandar incendiar o país. É emocionante ver o velho professor, homem expulso pela ditadura militar, ter seus momentos de adolescente, nos remetendo à época dos movimentos estudantis. Senti-me em 1968, com dom Fernando por pouco não repetindo palavras de ordem, como “

arroz, feijão, e privatização” ou “burguês unido, jamais será vencido”! Interessante foi a divulgação desses alaridos juvenis do velho senil, emergindo do seu mundo ostraniano, e nos dando essas pérolas de insanidade e inconseqüência. Pobre Fernando, depois de tentar salvar a cidade, no dia seguinte, voltou ao velho ostracismo. Cantava então um refrão de uma música de Chico Buarque que dizia, na última estrofe: “Mas nem bem amanhecia Partiu numa nuvem fria”...
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Tucanolândia - O Retorno

Antes de continuarmos a nossa explanação sobre o Reino da Tucanolândia, temos que falar sobre algumas coisas que aconteceram enquanto a minha principal fonte de informações sobre tal reinado tirou umas merecidas férias. As campanhas políticas para os governos provinciais e para a sucessão do Reino da Tucanolândia estavam correndo soltas com muito disseme-disse e muito bafafá. Dom Gerald Aidimin, ao perceber que não estava sendo muito aceito pela população do Reino, resolveu usar uma tática diferente. Ao invés de mudar de estratégia política usando, por exemplo, uma forma mais popular de comunicação, decidiu-se por uma coisa inusitada: mudou de nome. A partir de um certo dia, acordou e resolveu ser apresentado com o nome de Gerardim. Diminutivo de seu pomposo nome, no interior da província de Saint Paul. Gerardim pra cá, Gerardim pra lá, conseguiu, a princípio, convencer meia dúzia de incautos. Mas, com o tempo, as pessoas começaram a reparar mais de perto e perceberam que o novo candidato era como aquela lenda do lobo – cara de lobo, focinho de lobo, rabo de lobo e nome de cordeiro! Obviamente, houve uma queda nas pesquisas a patamares idênticos aos anteriores. Havia, no Reino, um fato interessante. A mídia era visceralmente ligada aos antepassados de Gerardim, (vulgo Dom Gerald), fato inclusive comprovado por uma simulação de eleição feita entre os jornalistas tucanolandeses.

Tal fato proporcionou uma série de ataques diários e repetidos da tal imprensa sobre o rei atual, Seu Lulinha. Lula, é o apelido de Luis, no Nordeste tucanolandês, região mais pobre e faminta do reino, por isso dom Gerald achava que, com a simples mudança de nome, poderia mudar todo um passado de contradições e de privatizações dos bens públicos ou seja, do povo. A fim de atualizarmos umas coisas que ficaram para trás, temos alguns fatos interessantes: Uma das coisas afirmadas com veemência e repetidas vezes por Dom Gerald é a crítica ao fato de que Seu Lulinha não sabia de falcatruas acontecidas, segundo denúncias ainda não totalmente elucidadas, no Palácio do Governo. A história nos fala de vários conchavos e traições arquitetados nos palácios de reinos mais avançados na Europa e em todas as partes do mundo; mas querem imputar a Seu Lula o poder da onipresença e onisciência, o que, realmente, não faz parte das características pessoais do atual Rei. Acontece que, pelo que consta, a moradia de Gerard não é assim, um palácio tão grande não mas, a sua esposa, tendo por hábito o gosto de andar bem vestida, recebera de presente cerca de trezentos a quatrocentos vestidos . Haja closet, é muita raça de vestido e, por incrível que pareça, isso passou despercebido do nosso querido Gerardim, o que não nos parece ser impossível já que um homem tão assoberbado como nosso Dom Gerard não iria ficar perdendo tempo em reparar na reforma do guarda roupa do quarto. Claro que o novo guarda vestido deve ter tido um acréscimo de mais ou menos uns seis a sete metros de comprimento; mas o nosso herói é muito distraído... Realmente ele não sabia de nada... Um comentário que ouvi outra semana demonstra o quanto soava verossimilhante e bem sucedida a mudança de Dom Gerald para Gerardim. A dona Maricota, vizinha de longa data; disse-me o seguinte: -Moço, aquele Gerardim que tá na televisão num é aquele moço, filho do seu Juca que é Gerente de Banco lá na Capitár? Se num é,parece...
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SEGUNDA-FEIRA, 7 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia - capítulo 33 - A MELHOR SAÍDA

Esses professores reclamam de barriga cheia.

Isso é uma verdade insofismável, ainda mais em Tucanolândia, principalmente na província de Saint Paul. Imaginem o que é gastar 30 por cento do orçamento de uma província em Educação, mesmo que sejam os 33% que Dom Gerald afirma. Não contentes com isso, esses deputados provinciais estão ficando malucos. Imaginem só o que significa aumentar em quatrocentos e setenta milhões de reais a já polpuda fatia que vai para os ensinos superior e técnico. Nada mais lúcido do que nosso querido Dom Gerald cortar, para o bem de todos, esses gastos. Assim, como poderia sobrar dinheiro para coisas muito mais salutares e inteligentes, como salvar bancos quebrados, por exemplo. O povo vive é de pão e não de caneta. Tenta ver se você consegue comer um lápis ou um caderno, não vai dar boa digestão não. Aliás, intragável é esse pessoal que vive dizendo que a saída do país é a educação; qualquer analfabeto sabe que a melhor saída é Nova York...
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DOMINGO, 6 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia capítulo 32 - da justa aplicação dos impostos.

Mantendo a coerência, Dom Gerald Aidimin, numa atitude exemplar, extinguiu um programa absurdo: o Pró –Universitário. Vamos e venhamos, nada mais injusto do que um curso pré vestibular gratuito, independente de ser para quem quer que seja. Quem tem competência que se estabeleça, e o sol nasceu para todos. O sentido igualitário de Dom Gerald serve de exemplo para todos; as injustiças começam aí; Por que a classe média e os súditos mais abastados que, na verdade, são os maiores contribuintes em impostos no reino ,deveriam pagar as mensalidades caríssimas cobradas pelos cursinhos particulares e aqueles que, por um simples fator econômico, que não pagam os mesmos impostos, teriam cursinho de graça? É um abuso isso. Se pararmos para pensar, os impostos devem retornar em benefícios para o cidadão, confere? Pelo raciocínio lógico de Dom Gerald, quando o rico paga impostos, esses nunca poderiam se reverter para contribuir com o aumento da competitividade dos que pagam menos impostos com os filhos dos que pagam mais. Esse negócio de pagar para o “adversário” ficar mais forte não cabe na cabeça de ninguém com bom senso.

Além disso, se observarmos que isso implica num gasto anual de três milhões de reais, que criariam somente cinco mil matrículas, a relação custo e benefício seria muito baixa. Afinal, para um Reino pobre como o da Tucanolândia, três milhões de reais aplicados em Educação é muito, se compararmos com o que foi gasto com outros setores, como a cultura e a facilitação para a sobrevivência do setor produtivo; muito mais importantes para os súditos tucanolandeses...
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SÁBADO, 5 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia capítulo 31 - Da tecnologia e da cultura

Dom Gerald Aidimin, grande empreendedor tucanolandês, tinha como característica principal um amor gigantesco à cultura e a arte, além de um interesse exemplar em relação à tecnologia e ciência. O maior problema é que, havendo uma cultura em Tucanolândia de que tudo aquilo que fosse importado era melhor; lucidamente, Dom Gerald, tão admirador da cultura européia e norte americana quanto Dom Fernando Henrique Caudaloso, achou por bem diminuir os investimentos em pesquisas tecnológicas. Havia um instituto, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Tucanolândia), que durante mais de cem anos financiava pesquisas para o desenvolvimento econômico e fortalecimento da indústria saintpaulina. Pois bem, tal Instituto começou a agir contrariamente à filosofia de Dom Gerald. Estava começando a criar uma tecnologia tipicamente tucanolandesa o que, como todos sabemos, significa produtos de qualidade inferior ou, pelo menos, sem o charme dos produtos importados ou com tecnologia importada. Não deu outra, dom Gerald, coerente com sua filosofia de tentar dar ao povo tucanolandês cultura e arte, como vimos no apoio a Dasdu, cortou pela metade os investimentos no tal IPT. Obviamente não haveria necessidade de tantos funcionários, portanto, dom Gerald reduziu em dez por cento a quantidade de empregados. Aliás, contasse a boca pequena, e isso parece mais intriga da oposição, que um outro motivo impulsionou dom Gerald na sua decisão. IPT parece coisa daquele pessoal da periferia saint-paulina, aqueles socialistazinho de mèrde. Se ainda fosse IPSDB ou IPFL, ainda dava pra aturar, mas IPT...
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QUINTA-FEIRA, 3 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia capítulo 30 - Da agressão à cultura e ao bom gosto em Tucanolândia

No Reino da Tucanolândia, como vimos acima, tínhamos uma elite econômica e social de dar água na boca aos paises mais ricos do mundo. A Tucanolândia chegou a ser chamada de Belíndia; ou seja, uma parte do reino tinha uma qualidade de vida comparável à Bélgica e a outra parte não suplantava nem os lugares mais pobres da Índia. Pois bem, uma boa parte de Bélgica tucanolandesa vivia na província de Saint Paul. Uma coisa que não podemos negar é o bom gosto de Don Gerald Aidimin, candidato a Rei. Quando governava a província de Saint Paul, Gerald era assediado por muitas das personalidades mais ricas e poderosas da província, inclusive por colunistas sociais, entre eles o famoso Amaurycinho Netto, famoso puxa-saco das autoridades do Reino. Volta e meia tínhamos a bela imagem de Don Gerald e sua jovial e esbelta senhora Du Alckmin, conhecida nos meios sociais como uma das mais bem vestidas da capital. Num destes momentos inesquecíveis, tivemos o prazer de ver o casal cortando a fita inaugural da famosa loja de grifes importadas e famosas, a Dasdu. A Dasdu é o maior símbolo da riqueza e do bom gosto no Reino, vendendo desde camisinha de Vênus importada até iates de vários e longos pés. Uma das principais funcionárias da rica loja de Conveniências é, não por acaso, filha de Dom Gerald, aprendiz de miliardária. Pouca gente tem noção do bem que essa loja traz ao país; a partir do dia de sua inauguração, nossos socialistas, digo socialites, não precisavam mais ter o trabalho de ir até Paris, Londres, Roma ou Nova Iorque em busca das novidades da moda, nem ter que passar pelo dissabor de serem pegos na alfândega com mercadoria de primeiro mundo e ainda por cima, correrem o risco de serem chamados de “muambeiros”. A partir desse dia, Saint Paul passara a se integrar no primeiro mundo, coisa verdadeiramente salutar e importantíssima para a cultura e para o desenvolvimento do povo belga da província. Inclusive, num ato de verdadeiro amor à cultura, Dom Gerald garantiu um regime de fiscalização especial, a nível de Secretaria Estadual de Fazenda, o que permitiria um pouco mais de paz para os proprietários da loja, verdadeiro centro cultural do Reino. Mas, por uma dessas pilantragens que soem ocorrer no Reino, motivados pela inveja natural destes indianos tucanolandeses, a Polícia Federal, num ato de total agressão à cultura, invadiu o templo sagrado do consumo dos belgas tucanolandeses.

Motivo: evasão de divisas e sonegação fiscal. Segundo a plebe rude, o negócio funcionava desse jeito: Peguemos uma Camisinha de Vênus da marca Pior, a famosa marca francesa; digamos que ela custasse 5 euros, pois bem, era faturada como se custasse cinqüenta centavos de real e era vendida por 30 dólares. Isso pode até parecer um crime, mas muito mais criminoso e cruel para a cultura e a dignidade do nosso país, é permitir que a mesma camisinha seja vendida nas lojas comuns por menos que isso, uma verdadeira agressão à cultura e ao bom gosto, ou permitir que uma reles falsificação chinesa ou paraguaia seja arrematada na rua 25 de Março, por um real. Um real! Isso é coisa de indiano mesmo... Que povo mais sem cultura e bom gosto esse que governa Tucanolândia nos dias de hoje. Ao invés de erguerem uma estátua em homenagem aos patriotas Dasdulianos, mandam invadir a loja e ainda por cima, pasmem, prendem os pobres proprietários. Eu, se fosse eles, sairia deste Reino em protesto e abriria uma loja em Asuncion , com certeza seria muito mais bem tratado que neste reinozinho de segunda...
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QUARTA-FEIRA, 2 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia - capítulo 29 - Uma homenagem feita ao nosso rei pela Nossa Caixa

Uma das maiores festas populares de Tucanolândia é o carnaval. Nessa época do ano, a maioria do povo tucanolandês se reúne para dançar, se divertir e “botar pra quebrar”, Na verdade, milhares de turistas do mundo inteiro chegam no Reino, procurando, principalmente, pela província fluminense e pela baiana. Saint Paul, como a locomotiva do reino, não podia ficar atrás e, como desejo de seu povo, resolveu fazer um carnaval riquíssimo. Isso contrariava o poeta que dizia Saint Paul era “o túmulo do samba”. Pois bem, um dos admiradores e correligionários de Dom Fernando Henrique Caudaloso era presidente de uma Escola de Samba, a Leonardo de Jaera. No carnaval de 2006, coincidentemente ano eleitoral em Tucanolândia, sem nenhum propósito eleitoreiro, é claro, o tema da Escola de Samba foi uma exaltação às obras de Dom Gerald Aidimin no Rio Tifedê, extremamente poluído. Como forma de agradecimento pela obra gigantesca, o povo de Jaera construiu dois gigantescos bonecos, um representando Dom Gerald,

candidato ao Governo do Reino, e o outro representando Dom Joseph Mountain, candidato à presidência da província de Saint Paul. Nada demais, embora a questão ética do momento e da oportunidade de tal homenagem tenha sido muito discutida, se não tivesse tido um pequeno detalhe: O banco da província de Saint Paul aprovou uma verba enorme para o patrocínio do carnaval deste ano, a toque de caixa. Obviamente isso foi mera coincidência, ainda mais se observarmos a folha corrida dos nossos heróis tucanolandeses. Claro que o patrocínio de camarotes VIPs para 350 pessoas e arquibancadas populares para mais de quatro mil e quinhentas, denota o sentido social do Banco, em concordância com o estilo de Dom Gerald governar. Além disso, num belo ato de amor à província, a Escola de Samba fez a doação de cem fantasias para funcionários do Banco “Nossa Caixa”, desfilarem. Mas tem uma coisa entalada na minha garganta: A ingratidão! Não é que depois dessa atitude de amor à Província e seus maravilhosos e honestos administradores, a Escola caiu para o segundo Grupo! Essa ação só pode ter sido política, pois a oposição a Aidimin é uma corja tão inominada que até um monte de CPIs quiseram armar para o pobre? Mas isso são outros 69, fica para outro capítulo, a posteriori...
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Tucanolândia - Capítulo 28 - Do Espírito Olímpico de Dom Gerald Aidimin

Tucanolândia era um exemplo de divisão de riqueza, conseguira sempre uma medalha nas Olimpíadas das Injustiças Sociais, quando não era de ouro, faturava, no mínimo, uma de bronze. Outros esportes que davam destaque ao desempenho tucanolandês eram o futebol e o voleibol, além do automobilismo e do iatismo. A começar por aí, dá para perceber o quanto havia uma salutar diversidade social no Reino. Essas conquistas esportivas davam um orgulho gigantescos aos súditos do Reino e isso era uma das molas propulsoras do “orgulho de ser tucanolandês”.

Frases como “Tucanolândia: ame-a ou deixe-a”, “O tucanolandês é, antes de tudo, um forte”, criaram um sentimento de amor à pátria invejável. Isso era histórico, desde a conquista da Copa do Mundo de Futebol, na década de cinqüenta, todas as vitórias do Reino era motivo de orgulho nacional. Um dos campeonatos tinha sido perdido, fazia algum tempo, o da mortalidade infantil, o que decepcionara um pouco os orgulhosos tucanolandeses. Dom Gerald Aidimin sabia desse sentimento nacional e não queria atrapalhar nem impedir que o povo de Saint Paul ostentasse, com alegria, a pecha de, junto com as outras províncias, Superastros da Desigualdade Social. Durante o período entre 2001 e 2004, quando presidente da província de Saint Paul, Gerald obteve um excesso de arrecadação que beirou, na soma, o total de doze bilhões de reais. Mas, altruísta como ele só e pensando na alegria e orgulho do seu povo, deixou de investir o que havia sido previsto em ações sociais. Percebe-se, sutilmente, o quanto esse homem ama seu povo. Venhamos e convenhamos, imagina só se ele tivesse gasto mais com as áreas sociais da província. Isso poderia ter tirado do Reino de Tucanolândia ou, pelo menos, da província de Saint Paul, a chance de ser campeoníssimo no campeonato mundial de Injustiça Social, para desespero de seu povo. É por essas e outras ações que imagino a maravilha de Gerald Aidimin no Governo do Reino da Tucanolândia. O povo faminto do reinado poderá, com todo o orgulho do mundo, ostentar, no peito tuberculoso ou na barriga cheia de vermes, a medalha de ouro. A barriga vai, com seus roncos de fome, cantar de alegria...
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TERÇA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2006

Tucanolândia - capítulo 27 - misturando TVs, calcinhas, chuchu e picolés

O reino da Tucanolândia é um dos maiores Estados livres da face da Terra, apresentando diversas províncias, como dissemos em outros capítulos dessa longa novela. Como essas províncias apresentam diversidades gigantescas entre si e dentro delas próprias, haveria necessidade de planejamentos para o desenvolvimento diversos dentro das províncias. Era dessa forma que a maioria dos especialistas imaginavam, já que é muito difícil aplicar o mesmo remédio para várias doenças. As necessidades de uma região são bem diferentes de outra, por aspectos culturais, econômicos, geográficos ou mesmo históricos. Essa realidade foi colocada para Dom Gerald que, prontamente, acatou-a. Bem, pelo menos prometeu acatá-las. O governo tucano, em 2003, resolveu que haveria necessidade de 40 Agências de Desenvolvimento Regional, o que poderia minimizar, pelo menos um pouco, as grandes diferenças regionais. A província de Saint Paul apresenta algumas das regiões mais ricas do Reino, em contraste com outras, quase miseráveis. O conflito agrário na região Oeste da Província, por exemplo, é um dos maiores do reino. Pois bem, Dom Gerald, por vício de ofício e características pessoais que devem ser respeitadas, aceitou, acatou, mas...

Não cumpriu. Hoje, decorridos três anos, de todas as Agências prometidas, foram instaladas, no total, ZERO. Acontece que, por princípios, o Gerente Aidimin prefere dirigir todas as filiais do loja com os mesmos métodos, embora um loja seja de eletrodomésticos, outro de hortifrutigranjeiros, outro de roupas, outro um boteco e assim por adiante. Afinal, dinheiro é dinheiro e prejuízo é igual em toda parte...
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Tucanolândia - capítulo 26 - Caçando os Marajás

Houve um rei, em Tucanolândia, conhecido pela promessa de caça aos grandes salários do funcionalismo público, aos quais denominara de Marajás, numa alusão aos ricos donos do petróleo árabe.Esse rei, Dom Fernando Collo Melloso, conseguira o apoio dos seus súditos com esse programa de governo. Algo genial para quem pretendia assumir um reinado tão importante quanto Tucanolândia.No primeiro ato de governo, confiscou as riquezas da grande maioria dos súditos, que depositavam suas fabulosas fortunas nas cadernetas de poupança e em outras aplicações financeiras. Com esse ato, caçou todos os marajás do reino, inclusive as empregadas domésticas, pequenos comerciantes, aposentados, toda sorte de marajás...Collo Melloso descobriu, então, que os maiores responsáveis pela miséria do país eram os funcionários públicos, multimilionários e preguiçosos, que abundavam no reino. Abundavam e desbundavam, passeando com seus carros importados pelas estradas maravilhosamente bem cuidadas de Tucanolândia.Criou-se o mito de que “funcionário público” é sinônimo de marajá; no que Dom Gerald Aidimin concorda sob inspiração de Dom Fernando Henrique Caudaloso.Sob esta inspiração, além de venderem várias estatais a preço de saldão, resolveram fazer um congelamento de salários que durou todo o reinado de Dom Fernando e o Governo de Dom Gerald, à frente da província de Saint Paul.Como podemos observar, isso teve um aspecto extremamente benéfico para o povo, constituído em sua maioria por investidores nas afamadas Cadernetas de Poupança confiscadas, com justiça, por Dom Fernando Collo Melloso.Se analisarmos com cuidado, veremos que o congelamento de salários afetou somente setores de menor importância para o reino; assim como:Educação, Saúde, Segurança Pública, Setores de Serviço, etc.Realmente, a evasão de vários professores e médicos para o setor privado, abandonando o setor público, foi extremamente salutar para o miliardário povo tucanolandês.Em outra coisa, Dom Gerald foi extremamente coerente: tendo como ídolo Fernando Brant, aquele irmão do Roberto, o mineiro do PFL, tinha como música de cabeceira o sucesso – Canção da América; principalmente na parte onde dizia “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito”.A coerência se dá, principalmente, quando as contratações suplantaram em muito, os concursos públicos.Aliás, concursos para quê?Sabemos todos que um amigo trabalha bem melhor do que um estranho, sendo essa a principal justificativa para o salutar hábito do nepotismo.A defasagem do salário entre o começo e o final dos mandatos dos tucanos, tanto a nível federal quanto estadual, minimizou, pelo menos em parte, o problema tão bem focalizado por Dom Fernando Collo Melloso.Hoje, os antigos Marajás podem ser considerados, no máximo, como uns paxazinhos de meia tigela.Dom Gerald, assim que assumir o poder como Rei da Tucanolândia, deverá colocar esse pessoal do funcionalismo público no seu devido lugar.Em pouco tempo a meia tigela virará tigela vazia, para regozijo de todos aqueles milionários das cadernetas de poupança.Ah, falando nisso, o governo devolveu, claro que defasado, o dinheiro confiscado; mas, os empréstimos compulsórios da gasolina...Para quem gosta de estatísticas os números que comprovam a história são esses: Em 1998, o gasto com ativos e inativos representava 42,51% das despesas totais do Estado. Em 2004, este gasto caiu para 40,95%, resultado da política de arrocho salarial e redução das contratações via concurso público, porém com aumento dos cargos por nomeação do governador.
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DOMINGO, 30 DE JULHO DE 2006

Tucanolândia - capítulo 25- Salário e Congelamento

Esse pessoal da oposição não tendo o que falar, difama. Dom Gerald Aidimin, como todos sabemos, é um excelente vendedor e, tendo como origem sírio libanesa, tem fama de ser pão duro. Me desculpe quem se sentir ofendido, isso é apenas uma crença popular que, muitas vezes é desmentida no dia-a-dia. O problema é que, com a venda das estatais, esperava-se um aumento nos investimentos públicos, já que a principal motivação para que se fizessem estas privatizações era esse, segundo a propaganda oficial. Mas, o temperamento de Dom Gerald é muito forte, a ponto de ser conhecido como “Picolé de chuchu”e chuchu, para quem não conhece é um legume conhecido pelo paladar forte e apimentado. Por conta deste temperamento, ninguém conseguia fazer com que ele mudasse de idéia. E a economia nos gastos era um de seus mais fortes dons e características. Isso viera desde os tempos de infância quando, menino criado no interior, economizava as moedinhas que ganhava e que encontrava no porquinho que sua avó tinha lhe dado no Natal. No Natal do outro ano, quebrava o cofrinho e comprava o seu presentinho. Teve um Natal inesquecível, onde ele conseguiu comprar um velocípede, tão bonito que nunca mais se esqueceu... E essas lembranças fizeram de Dom Gerald um homem seguro, famoso mão de vaca, avaro, parecendo que anda com um escorpião no bolso, pão duro... E, por conta disso, nada o fazia mudar de idéia, economizar! A ordem é economizar. Tanto que, apesar de todas as reclamações desse pessoal da Educação, da Saúde, da Segurança Pública, ele passou a economizar nos investimentos públicos. Para se ter uma idéia, em 1998 os investimentos perfaziam 5, 39% do gasto total. Já em 2003 e 2004, passaram a ser de 3,75%. Agora tem camarada safado da oposição dizendo que essa economia, santa economia, pode ter sido uma das causas do aumento da violência no Estado, só porque o salário dos policiais se manteve congelado nestes anos todos. Ora bolas, salário vem de sal, e com o que esse pessoal ganha, dá pra comprar quantos quilos de sal em um mês? E congelamento é um dos princípios básicos para se fazer um bom picolé, mesmo que seja do picante chuchu...
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Tucanolândia - capítulo 24 - Socialismo em Tucanolândia
“Sujeito bacana é esse Dom Gerald Aidimin”. Onze entre dez devedores de tributos, na província de Saint Paul dizem isto.

Os devedores de impostos estão todos animados com a possibilidade da sucessão do reinado de Tucanolândia ir parar nas mãos de Dom Gerald. Para se ter uma idéia, entre 1998 e 2004, houve uma queda de cinqüenta e dois por cento na arrecadação junto aos devedores. Isso representa somente um bilhão de reais, ou seja, quase nada. Com essa grana doada, de boa vontade, poderíamos ter alguns benefícios para a camada mais pobre da população do reino. Mas súdito é súdito e amigo é amigo, nada mais bonito do que uma verdadeira amizade, isso é fato e irrefutável. Se a gente parar para pensar, os súditos, realmente não precisam de dinheiro. A pobreza dignifica o ser humano, e isso é uma das coisas mais realistas que existe. Um súdito educado, com saúde, com condições de moradias mais dignas é um mal agradecido em potencial. Nada melhor do que a gente investir naqueles que, por uma questão de princípios, vai nos agradecer, imensamente. Principalmente em tempos mais bicudos. Ninguém sabe o dia de hoje e, nada melhor do que perdoar para ser perdoado, mesmo que sejam dívidas ou tributos. E, ninguém pode negar, quem gera empregos e impostos tem o direito de sonegar, de vez em quando, senão, como fica? Cada empresário que falir, são empregos a menos que deixam de ser gerados. E emprego é coisa primordial para o bem estar do cidadão, confere? E, por último, temos que analisar o seguinte: aqueles impostos que todos pagam no consumo, idênticos para todos os cidadãos, são a mais perfeita demonstração de socialismo, igualdade entre todos, ricos e pobres. Se o rico paga quando compra, o pobre tem, por princípios socialistas, que pagar o mesmo. Afinal, Deus é Pai de Todos e todos somos iguais perante a Ele...
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SÁBADO, 29 DE JULHO DE 2006

Tucanolândia capítulo 23 - Tudo por amor aos súditos

Lena Azevedo Na tentativa de privatizar, a qualquer custo, o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), o governo se envolveu num dos maiores escândalos da administração pública. Telefonemas gravados pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, mostraram o balcão de negócios na Assembléia Legislativa para aprovar a matéria que permitia ao governo leiloar o banco. A prisão do empresário Carlos Guilherme Lima, no dia 12 de dezembro deste ano, trouxe à tona a negociação nebulosa entre governo e Assembléia, com a intermediação de Lima. No dia seguinte à sua prisão, a missão especial federal, que apura a ação do crime organizado no Espírito Santo, divulgou as 24 primeiras gravações de conversas entre Carlos Guilherme Lima, deputados, dois secretários de governo (João Luiz Tovar, da Fazenda, e Jorge Hélio Leal, de Transportes e Obras), a assessora da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefa), Lenise Batista, e o subsecretário da pasta José Mário Bispo. A polícia afirma que Carlos Guilherme Lima é o operador financeiro do crime organizado, com atribuição de organizar concorrências fraudulentas em várias prefeituras, cuidar das finanças de vários deputados estaduais e ainda fazer lobby na Assembléia para aprovação de matérias de interesse do governo. A tentativa de privatização do Banestes iniciou-se no final do ano passado, quando o governo enviou para a Assembléia o projeto. Era final de mês, véspera de feriado. José Ignácio Ferreira (sem partido) queria pegar deputados oposicionistas de surpresa e tentar passar a matéria sem alarde. Não conseguiu. O que seguiu depois, foram inúmeras ações judiciais impetradas pelo Sindicato dos Bancários - argumento de erros no edital e desobediência à Constituição Federal -, passeatas contra a venda do banco. Mas o que mais chamou a atenção de Organizações Não Governamentais (ONGs) e entidades de classe foi o excesso de gastos com consultorias para privatizar a instituição. O governo gastou quase R$ 5 milhões com empresas contratadas sem licitação, o que equivale ao lucro líquido do banco em um ano. Apesar do processo ser duramente questionado pela sociedade (pesquisas apontavam uma rejeição de 74% à proposta do governo), o Executivo ignorou pressões e seguiu em frente em sua intenção. Às vésperas do leilão, marcado para 13 de dezembro, a Justiça impediu o processo de privatização.

A prisão de Carlos Guilherme e a divulgação das gravações enterraram de vez as intenções de um governo que julgava estar acima da lei e da Constituição. Deputados, secretários de Estado e assessores vão ser indiciados pela Polícia Federal por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e fraudes licitatórias. O delegado Rogério Marcus Gonçalves Gomes afirmou que todos os envolvidos na cobrança de propina para a aprovação da privatização do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) vão ser intimados a prestarem depoimentos e podem ser indiciados. O delegado Gonçalves, que está coordenando os trabalhos de investigação da missão especial federal, disse ainda que outras prisões devem ocorrer nas próximas semanas. Um dos que devem ser indiciados pela PF é o secretário de Estado de Obras e Transportes, Jorge Hélio Leal. O superintendente interino da Polícia Federal no Estado, o delegado Wallace Tarcísio Pontes, afirmou que o secretário sabia do esquema de corrupção. "Jorge Hélio se omitiu, cometendo o crime de prevaricação", ressaltou Wallace. O superintendente se baseou numa entrevista na televisão, onde o secretário de Obras e Transportes disse que tinha ouvido uma conversa do empresário Carlos Guilherme Lima, seu amigo pessoal, sobre a negociata. Na ocasião, Jorge Hélio chegou a dizer que orientou o empresário a sair do esquema. Wallace ressaltou que como secretário de Estado, Jorge Hélio tinha a obrigação de denunciar todo o esquema de propina para a aprovação da privatização do Banco do Estado. O secretário de Obras e Transportes do Estado foi procurado para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado. Foi informado que ele está em Brasília sem celular. As gravações que vieram à tona depois da prisão do empresário Carlos Guilherme Lima, no dia 12 de dezembro, revelam todo o esquema. As gravações telefônicas ligam o empresário a políticos e um secretário de Estado. Em uma delas, o empresário oferece ao líder do governo na Assembléia Legislativa, o deputado Gumercindo Vinand (PGT), dinheiro para que fosse aprovado o projeto de privatização do Banestes. As fitas apreendidas revelam que Lima fazia parte do esquema do governador José Ignácio e do presidente da Assembléia Legislativa José Carlos Gratz (PFL), que se empenharam na venda da instituição. Em uma das gravações Carlos Guilherme conversa com o secretário estadual de Transportes e Obras, Jorge Hélio Leal. O lobista reclama com o secretário que os parlamentares pediam garantia de pagamento do suborno. "Eles queriam cheque rapaz, 16 cheques: Eu falei: rapaz, vocês estão parecendo crianças. Quem é que vai dar cheque a essa altura da vida". Além de Gumercindo Vinand (PGT) e dos secretários de Estado Jorge Hélio e João Luiz Tovar (Fazenda), estão envolvidos Robson Neves (PFL), Paulo Loureiro (PFL), Luiz Pereira (PFL), José Ramos (PFL). Os funcionários da Secretaria da Fazenda, Lenice Batista e José Mário Bispo também são citados nas gravações. Os deputados Gumercindo Vinand, José Ramos, Paulo Loureiro e os dois secretários não foram localizados para comentarem sobre a possibilidade de indiciamento. Robson Neves alegou que só vai comentar sobre o assunto quando tiver acesso ao material gravado. "Eu requisitei as gravações ao Ministério Público Federal. Fiz a solicitação através de certidão. Vou tratar do assunto dentro da lei".

Já Luiz Pereira, preferiu não entrar em detalhes sobre a questão, dizendo apenas que vai "acatar a lei". A funcionária da Sefa, Lenice Batista, afirmou que vai aguardar a notificação da Polícia Federal para poder esclarecer e tentar provar o contrário. "Continuo trabalhando, cumprindo com o meu dever", finalizou. José Mário, que também trabalha na secretaria não foi localizado.

Na onda de liquidação do patrimônio público, no reino da Tucanolândia, a província da Santíssima Trindade, sob o governo de José Icrécio Olho, aliado histórico de Dom Fernando Henrique Caudaloso queria, a todo custo, privatizar o Banco do Estado. O desenrolar da história está descrito acima. No final de tudo, para desespero do Governador da Província, o Banco acabou não sendo privatizado. Agora, uma pergunta não quer calar, por que haveria tão grande interesse na venda desse Banco? Certamente e coerentemente, acredito que seja por amor aos súditos...
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QUINTA-FEIRA, 27 DE JULHO DE 2006

Tucanolândia - capítulo 22 - Negócios? Sim. Negociatas? Nunca!

Uma das coisas mais admiráveis dos governos da Tucanolândia é a honestidade. Podem comprar qualquer mercadoria que venha de lá que a garantia é absoluta. Não se compra carro com documentos atrasados, muito menos estatais com problemas de dívidas. O sistema financeiro do reinado, antes de Dom Fernando Henrique Caudaloso, comportava vários bancos estatais, inclusive bancos das províncias. Um dos maiores era o Banco de Saint Paul, conhecido como Banespa; uma das mais importantes instituições do reino. Constava sempre entre os maiores bancos do reinado, tanto em capital quanto em depósitos. Mas, vítima de tantos e tantos desgovernos, as suas dívidas eram gigantescas. Quem vai querer comprar um Banco falido e endividado? Sabiamente, Dom Gerald Aidimin, pensou no assunto e resolveu, num ato inspirado e coerente, sanear as contas do Banco para depois vendê-lo. Isso, obviamente, era uma saída genial e que manteria, a todo custo, a fama de honestidade do reinado. Porém, as dívidas do Banco com a União eram gigantescas, e os compradores não poderiam esperar muito tempo. A brincadeira ficou relativamente barata. Nada que cinco bilhões de reais não resolvessem. O banco espanhol que fez a compra não reclamou muito não. Agora, os milhares de subnutridos, analfabetos e desassistidos da província não gostaram muito da idéia. Mas Dom Gerald Aidimin, codinome “O Gerente”, mais uma vez demonstrou a sua gigantesca capacidade de fazer bons negócios. Segundo a maléfica oposição, “negociatas”...
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Tucanolândia capítulo 21 - Bom vendedor, com certeza, mas gerente...

No Reino da Tucanolândia, de repente, da noite para o dia, ocorreu um surto de privatizações inéditas na História da Humanidade, uma verdadeira liquidação, tudo a preço de banana.

Uma queima de estoque que trouxe compradores de todas as partes do mundo, negócio de pai pra filho, uma verdadeira mamata... Melzinho com chupeta, como diziam os comerciantes da 25 de março, rua famosa em Sampa, capital de Saint Paul. Assim como na 25 de março, os preços das mercadorias eram absurdamente mais baixos do que os de mercado, num milagre típico da Tucanolândia, assim como o “milagre econômico” da década de 70, tivemos o milagre da queima de estoque. Bancos, empresas de Telefonia, distribuidoras de energia elétrica, estradas de rodagem, tudo entrava no mostruário da lojinha de Dom Fernando. Dom Gerald Aidimin não poderia ficar para trás, tinha que fazer umas negocinhas em Saint Paul. Ter mercadoria, eu vender, afirmava com o sorriso aberto, nosso mascate paulistano. Pois bem, em cinco anos de vendas, o Governador obteve um lucro muito bom, com trinta e dois bilhões e novecentos milhões de reais de faturamento sendo que, somente o setor energético deu uma receita de quase vinte e quatro bilhões de reais. Essa grana toda, deixou todo mundo alvoroçado e feliz da vida com dom Gerald, inegavelmente um bom vendedor. Mas, como nada é perfeito e não se pode exigir a perfeição de ninguém, ao frigir dos ovos, a realidade que se mostrava era bem outra... Ao se constatar a dívida pública, motivo para o qual se fizeram as liquidações, essa estranhamente aumentou!

A dívida crescera de trinta e quatro bilhões de reais em 1994 para cento e trinta e oito bilhões de reais em 2004. Se descontarmos a inflação, o aumento foi de 33,5%!. Isso, apesar de Dom Gerald ter liquidado dois terços do patrimônio público da província. Agora, Dom Gerald argumenta que é um excelente gerente... Pobre Dom Gerald, a gente quando tem uma deficiência deve escondê-la e não tentar fazer a apologia dela. Dom Gerald, como demonstrado acima, é um EXCELENTE VENDEDOR mas, gerente... Aí é outra história...
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Tucanolândia capítulo 20 - vagabundo é o próprio mundo...

Vivíamos, na Tucanolândia de Dom Fernando Henrique Caudaloso, um dos momentos mais difíceis de sua História. Havia necessidade de se fazer uma reforma na Previdência Social, já que o povo tucanolandês, teimosamente, contra todas as previsões, passara a viver mais. Paralelamente a isso, tínhamos um aspecto interessante e peculiar, coerente com o temperamento disseminado entre a população e , principalmente, entre os governantes: A sonegação. Sonegação de um lado, aumento do tempo de vida do outro, o que tínhamos era um déficit cada vez maior, o que geraria, indubitavelmente uma quebra no sistema. Don Fernando não tinha outra opção: tinha que fazer uma reforma o mais rápido possível. Claro que, se melhorasse o sistema arrecadatório e passasse a punir com mais rigor os sonegadores, isso poderia ter sido resolvido de uma forma mais branda mas, isso seria querer demais do famoso Sociólogo e Monarca. Pois bem, não havendo outra solução, Dom Fernando alterou as regras do jogo. Um adendo se faz importante, Sábio e famoso Professor, Dom Fernando havia sido exilado à época da ditadura militar, e isso conferira a ele uma aposentadoria bem mais precoce do que a que estabelecia a nova lei. Isso não importa, mas ao observar a reação da oposição e dos aposentados, Dom Fernando foi taxativo: Quem aposenta antes da velhice é vagabundo! A maioria dos professores e professoras, inclusive o próprio Rei se aposentavam antes de chegar à velhice, o que ocorria também com os profissionais de saúde e, pior, os presidentes todos, mesmo que tivessem tido somente alguns dias de mandato, se aposentavam com salário integral, os deputados se aposentavam e se aposentam com um tempo de “serviço” muito menor do que a maioria da população do reino. A declaração, um verdadeiro ato falho do rei, demonstra o quanto que o inconsciente da elite tucanolandesa é claro. A nobreza de caráter de um homem como FHC não permite que ele se aposente antes de morrer, os seus proventos são cumulativos, de professor, senador e presidente da república. Para alegria do povo tucanolandês, ainda lúcido e coerente como sempre, Dom Fernando ainda tem participação ativa no tão amado reinado. Foi um dos principais artífices da candidatura de Gerald Aidimim, que teve a sorte de aposentar antes da reforma da previdência, aos precoces e vagabundescos 42 anos de idade...
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Tucanolândia - Capítulo 19 - Não quero outra vida pescando no rio de Jereré

Como dissemos no capítulo anterior, a província de Saint Paul experimentava no governo de Dom Gerald Aidimin, aliado de Dom Fernando Henrique Caudaloso, uma queda importante no percentual de participação econômica no Reino; fruto da dobradinha tucana nos Governos do Reino e da Província. Isso fez com que a gigantesca locomotiva, por questões de economia de energia, diminuísse a potência usada para carregar os vagões, ou seja, as outras províncias.

O crescimento cavalar que se anunciava ia rabo abaixo, formando uma bela cauda, como se fosse um cometa, às avessas. Pois bem, paralelamente a isso, obviamente as oportunidades de trabalho diminuíram vertiginosamente, havendo em dez anos, um crescimento do desemprego em 33, 6 por cento, sendo que a taca de desemprego chegou a dezessete e meio por cento contra uma média de 10,9% do Reino. Paralelamente a isso, Dom Gerald Aidimin reduziu o orçamento das frentes de trabalho em nove milhões. Isso é uma demonstração da capacidade administrativa de Don Gerald Aidimin que, a continuar desta forma, prometendo repetir a nível federal o que fez com a província teremos um novo Reinado, a Desempregadolândia. Aliás, já no reinado de Don Fernando Henrique Caudaloso, o desemprego aumentava em todo o reino, numa demonstração de que o real, realmente valia muito, já que o povo não queria nem precisava trabalhar, sendo que um biscatezinho aqui e outro acolá, bastavam para sustentar a família. Se vocês não se recordam dos símbolos do plano real, escolhidos por Dom Fernando Henrique Caudaloso, vamos a eles: Em primeiro lugar, o frango a um real, ou seja um dólar o quilo, embora hoje esteja a um real e meio, ou seja setenta e cinco centavos de dólar. Depois, a dentadura, a que boa parte da população passava a poder ter acesso, desmentindo a música dos Titãs, que nos chamava de um país de banguelas. Claro que hoje, a assistência odontológica mais ampla poderá minimizar esse grande feito de Dom Fernando, mas esse fato é histórico.
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Tucanolândia capítulo 18 - Crescimento cavalar, começando pelo rabo...

Tucanolândia era um Reino formado por várias províncias, e a disparidade econômica e social destas, era gritante. Tínhamos algumas Províncias com padrões de vida próximos aos da Europa, no sul do reinado, outras com padrão de vida iguais aos dos países mais pobres da África. Dentro destas províncias havia, também, a maior desigualdade social do mundo. Alguns poucos ricos exploravam os muitos pobres, num sistema de relação entre capital e trabalho que beirava a escravidão. Dom Fernando Henrique Caudaloso, como vimos nos capítulos anteriores, tinha se “livrado” dos maiores problemas do reinado, causadores imediatos desta disparidade; ou seja, as grandes empresas públicas, já que era impossível para o povo do reinado administrar sem falcatruas ou trambicagens qualquer coisa que fosse. Dom Fernando, como sociólogo de formação, achava que o gene da pilantragem estava embutido nos cromossomas do “povo caboclo”, sendo essa a origem de sua paixão pela Europa, para onde ia e ainda vai quando quer “descansar” do contato com os aposentados vagabundos e com o povo ignaro e pobre. A principal província do Reinado era a de Saint Paul, a conhecida locomotiva nacional. Saint Paul, historicamente, representava o maior centro econômico do Reino, com suas indústrias, e agropecuária de porte gigantesco. Um verdadeiro pólo para onde migravam grande parte dos miseráveis e famintos do Nordeste, expulsos pelos governos incompetentes e pela fome, sendo atraídos como mariposas pela luz, na procura de uma sobrevivência mais digna. Interessante disto tudo, é dizermos que, com a extinção da SUDENE e a falta de uma política para a melhoria da qualidade de vida deste povo, o inchaço da megalópole paulista se tornava, cada vez mais evidente. Pois bem, desde 1995, o Governo do Estado paulista estava nas mãos de aliados de Dom Fernando, ou seja, com apoio integral do reinado para que pudesse não somente manter, como expandir as suas riquezas. Se analisarmos que esta província era a mais populosa e rica do país, e que esta contava com apoio integral do Reinado, podemos imaginar que o crescimento desta seria consistente e evidente. No Governo provincial tínhamos tido Sir Mário Corvos, respeitado político local, homem que detinha a admiração de grande parte dos súditos, tanto da província quanto a nível nacional. Depois da morte deste, assumiu Dom Gerald Aidimin, médico anestesista que tinha sido prefeito de uma cidade do interior da Província; homem apático e sem carisma. Mas, ao contrário do que se imagina, mesmo com todo o apoio do Rei, famoso pela máxima “aos meus amigos tudo, aos meus inimigos, meu desprezo”, a economia da província entrou em decadência. Como prova da qualidade administrativa da dupla Corvos/Aidimin temos os seguintes números: Em 1995, quando os tucanos assumiram o poder na província, a participação desta, percentualmente, era de 37 por cento do PIB nacional, já em 2004, nove anos depois, tivemos, sob o mesmo governo tucano, uma queda para 32,6 por cento. Com um decréscimo de doze por cento da economia em nove anos. Se continuarem no poder por mais cinqüenta anos, nesse ritmo, teremos uma bela competição pelo cargo de locomotiva, entre a província paulistana e a grande província das Lagoas, governado no passado pelo ex-Rei Dom Fernando Colo Melado, de triste memória...
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Tucanolândia - capítulo 17 - De fazendas e invasões

Estávamos no ano de 2002. No reino da Tucanolândia, havia uma desigualdade social gigantesca e os conflitos agrários se tornavam repetitivos e cada vez mais agressivos. Tínhamos tido episódios de massacres e mortes, desde os tempos mais primordiais da História do Reino. A grilagem de terras por um lado e as invasões de propriedades se tornaram assunto de dia-a-dia, sendo que a Reforma Agrária prometida nunca vinha de forma a contentar nenhuma das partes envolvidas. A partir dos movimentos de base da Igreja Católica, a Pastoral da Terra, surgiu um movimento coordenado de ação para a tentativa de execução da Reforma Agrária, o MST. Como era de se esperar, as punições aos grileiros eram extremamente raras, e as terras griladas, na maioria das vezes, passaram a pertencer, oficialmente e extra-oficialmente, aos poderosos invasores. No mês de março de 2002, o MST invadiu uma propriedade particular do Rei Dom Fernando Henrique Caudaloso. Pela Constituição, os bens privados não poderiam ser tratados como bem público e, pelo que me consta, a propriedade do cidadão Fernando Henrique Caudaloso não era e nunca seria um Bem público, pois se fosse, com certeza, ele teria privatizado-a ou, pelo menos tentado... Mas, esquecendo-se da Constituição, Dom Fernando, convocou o Exército para efetuar a desapropriação. Topete primeiro que, naquela altura do campeonato, era o Governador da Província das Gerais, e já estava de relações cortadas com Dom Fernando, motivada pelo que acusava de ser “apropriação indébita” do seu plano econômico, o Real, não gostou muito disso não. A utilização de tropas federais para a defesa de propriedade privada era um abuso de autoridade inconteste, o que levou à reação da

oposição, a quem Dom Fernando acusava de ser a mentora de tal invasão. Depois de muito disse me disse, com ameaças, inclusive, da utilização da policia militar pelo Governador Topete primeiro, a situação foi superada. Mas, para muita gente, ficou a impressão de que, para Dom Fernando Henrique, todo o país era propriedade sua, onde poderia fazer o que bem entendesse. Fato esse comprovado pela venda “a toque de caixa e a preço de banana”, dos bens públicos, ou seja de Don Fernando...
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Tucanolândia capítulo 16 - quem tem amigo, não morre pagão

Capo capixabaTestemunha diz que ex-PM matou sócio do Bingo Arpoador no Rio a mando de José Carlos Gratz Dono de um império de jogatina e indiciado pela CPI do Narcotráfico, o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, deputado José Carlos Gratz (PFL), está sendo acusado agora de ser o mandante do assassinato do empresário Albérgio Alexandre Araújo, sócio do Bingo Arpoador, em Copacabana, no Rio de Janeiro. As investigações conduzidas pelo delegado de homicídios do Rio, Paulo Passos, apontam como um dos pistoleiros o ex-PM José Renato Maia, integrante do DOI-Codi durante a ditadura e matador a serviço de banqueiros do jogo do bicho. Depois de contar em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público que Gratz teria mandado matar Albérgio Araújo, a testemunha Geraldo Luiz Ribeiro de Almeida – empregado em Vitória de uma empresa do PM Josias Rodrigues de Oliveira, membro da Scuderie Le Cocq e segurança do deputado – também reconheceu José Renato como participante do Esquadrão da Morte capixaba. A polícia suspeita que a causa do assassinato esteja ligada à exploração das máquinas caça-níqueis por Albérgio no bingo. “O deputado José Carlos Gratz também é proprietário de todas as máquinas caça-níqueis existentes no Espírito Santo, e em cada cidade existe um dono de fachada”, acusou Geraldo de Almeida, que foi incluído pelo Ministério Público no programa federal de proteção à testemunha. “Conforme apuramos, Gratz controla várias casas de bingo como sócio oculto, sempre com contratos de gaveta”, reforça o chefe da Procuradoria da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo Em depoimento gravado e filmado pelos federais, Almeida descreveu como aconteceram 15 assassinatos no Espírito Santo a mando de Gratz e do coronel PM Walter Gomes Ferreira, apontado pela CPI do Narcotráfico como chefe do esquadrão da morte capixaba. Almeida diz também que integram a rede de jogatina de Gratz cinco bingos em São Paulo. No Rio de Janeiro, além da parceria com o banqueiro de bicho Capitão Guimarães, o deputado seria sócio do Bingo Arpoador – formalmente seu nome não aparece na relação dos 21 proprietários da empresa. Poder paralelo – Mesmo com todas as denúncias, Gratz está aproveitando o enfraquecimento do governador José Ignácio, enrolado com as denúncias de corrupção no Estado, para ampliar sua força no governo. Na primeira semana de julho, ele emplacou Edgard Rocha Filho na presidência da recém-criada Loteria do Estado do Espírito Santo (Loteres). Na sexta-feira 13 de julho, o Diário Oficial do Espírito Santo publicou uma resolução do presidente da Loteres em que libera a instalação de máquinas caça-níqueis no Estado, apesar de elas serem proibidas em todo o território nacional por legislação federal. Na noite da quinta-feira 26, ISTOÉ ouviu o governador José Ignácio, que deixou o PSDB após intervenção do diretório nacional do partido no Estado que o ameaçava de expulsão. “Eu não sabia disso, estou abismado”, reagiu o governador. “Isso é uma loucura, foi feito à nossa revelia”, endossou o secretário da Fazenda, José Luiz Tovar, chefe de Rocha. Na sexta-feira 20, a resolução foi revogada. O episódio serve para mostrar que Gratz comanda um governo paralelo no Espírito Santo em que seus apadrinhados obedecem apenas a ele. Gratz, no entanto, está enfrentando um cerrado cerco das instituições federais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, só autorizou o funcionamento do Bingo Camburi, em Vitória, depois que o deputado foi excluído da sociedade. O problema de ser dono oculto de um império é na hora de prestar contas à Receita Federal. O Fisco apurou que, nos últimos cinco anos, a evolução patrimonial de Gratz não bate com sua renda declarada. Além de ter sido multado, ele vai responder a processo por crime de improbidade administrativa. Como a situação de José Ignácio está cada vez mais complicada com a descoberta de que o caixa dois de sua campanha alimentava suas contas, o vice-governador, Celso Vasconcellos, poderia encomendar o terno da posse. Mas Vasconcellos – segundo avaliação de políticos capixabas de todas as tendências – não resistiria a investigações. O terceiro na linha sucessória no Espírito Santo é justamente Gratz. Por causa desse complicadíssimo imbróglio, o presidente Fernando Henrique Cardoso encomendou à Advocacia-Geral da União um estudo sobre as possibilidades de intervenção federal no Espírito Santo. O deputado José Carlos Gratz (PFL), presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, foi à tribuna, na quarta-feira 1º, a pretexto de se defender da acusação da testemunha Geraldo Ribeiro de Almeida, que, em depoimento à Polícia Federal, o apontou como mandante do assassinato de um sócio do Bingo Arpoador, no Rio de Janeiro. Dono de um império de jogatina e indiciado pela CPI do Narcotráfico, Gratz distribuiu agressões ao chefe da Procuradoria da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo, ao prefeito de Vitória, Luiz Paulo Veloso Lucas, e a ISTOÉ. Inspirado em He-Man, personagem de desenho animado, abusou de baboseiras, como “sou invencível” e “sou mais forte que a fortaleza”. Mas o capo perdeu a força por causa da implosão de seu grupo político: um dia depois, três deputados estaduais se desligaram do PFL. Foi um racha pragmático. Com o aval de Gratz, eles fecharam um acordo com o vice-governador Celso Vasconcelos (PSDB). Aderiram à proposta de impeachment do governador José Ignácio, envolvido em um esquema de propina. Mas Gratz passou uma rasteira na própria turma e se acertou com o governador em troca da colocação de apadrinhados na Secretaria de Educação e nas presidências do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo e da Loteria do Estado. Fechada a barganha, Gratz mostrou serviço. Vetou a prorrogação dos trabalhos da CPI da Propina, o que fará com que a comissão encerre as apurações antes de receber o rastreamento dos cheques do caixa dois da campanha de José Ignácio em 1998. E escalou para a Comissão do Impeachment apenas deputados dispostos a salvar o governador. A sessão da Assembléia quase acaba em pancadaria e a aprovação da comissão foi adiada para a segunda-feira 6. Mesmo fazendo o jogo do governador, Gratz tem como plano B a conquista do governo, estendendo o impeachment ao vice-governador. “Aí a Assembléia elegeria o deputado Robson Neves”, diz a deputada Fática Couzi. Gratz e Neves dividem um escritório no Palácio do Café, em Vitória. O cerco contra José Ignácio está se fechando. Seu cunhado, coordenador de campanha e ex-secretário de governo, Gentil Ruy Ferreira foi preso, a pedido do MP, na segunda-feira 30. Outro ex-caixa de campanha, Raimundo Benedito, está foragido. Com pena, a primeira-dama Maria Helena Ferreira, pivô das denúncias, usou um carro alugado pela Secretaria de Governo para visitar Gentil num quartel da PM.

Havia uma província, em Tucanolândia, governada por um aliado do Rei Dom Fernando Henrique Caudaloso, onde a máxima mais usada era a de que a “única coisa organizada em Santíssima Trindade era o crime”. As reportagens feitas acima pela revista Isto É, demonstram a que ponto chegou o reinado de Dom Fernando Henrique Caudaloso. Após estas denúncias comprovadas, e confirmadas, o resultado foi a não intervenção no Estado, o término do mandato pelo governador, e a certeza de que, no reinado de Dom Fernando, quem era amigo não ficava pagão... O desligamento do Governador foi somente, como diz o povo da Tucanolândia, “prá inglês ver”; já que ele, a primeira dama e o genro, saíram todos impunes, felizes da vida... Observem que o deputado “amigo” do Governador, era do mesmo partido que sempre apoiou Dom Fernando e que hoje apóia Dom Gerald Aidimim...
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Tucanolândia - capítulo 15 - No escurinho é muito melhor...

Vivíamos o ano de 2001. Tucanolândia vivia, com seu rei, Fernando Henrique Caudaloso, famoso sociólogo e intelectual, o seu iluminismo cultural. Nunca, na história do reinado, houvera um homem mais culto, conhecedor profundo de vários idiomas, doutor honoris causa em diversas Universidades do mundo inteiro, até de Piriri do Norte, como falamos anteriormente. Pois bem, o rei Fernando Henrique Caudaloso primeiro, por uma questão política, coisas de aliança, nomeou para o Ministério das Minas e Energia, um famoso senador, Joseph George, conhecido no mundo científico como um dos maiores conhecedores sobre energia e afins, no reinado da Tucanolândia. Vários especialistas diziam que haveria necessidade de investimentos no setor de produção de energia. Mas, isso era coisa da oposição, como dizia o sábio Joseph George. Além disso, o Fundo Monetário Internacional, co-mandatário do reino, tinha ordenado que se economizasse dinheiro, tornando esses investimentos proibitivos e proibidos. Como bom cabrito não berra e, na hora que precisava de grana, o Rei Fernando corria para o Fundo e pegava mais e mais dinheiro para garantir a “governabilidade” do reinado, Dom Fernando não liberou a grana. Também para que precisaria se o Ministro afirmava que não seria necessário? Entretanto, não sei porque cargas d’água ou, mais precisamente, por falta d’água, a canoa virou, ou mais precisamente, afundou no barro, já que a fonte secou... Então, como era de se esperar, começaram a haver episódios de blecaute, o que levou o reinado a uma situação desesperadora. Afinal de contas, blecaute que o povo queria, infelizmente já tinha morrido, e fazia sucesso somente nos tempos de carnaval. Mas, Dom Fernando não se fez de rogado não. A culpa, obviamente foi transferida para São Pedro, senhor das águas e do tempo. O pato, mais uma vez foi pago pelos súditos, que tiveram que economizar energia, num ato patriótico emocionante e digno. Já as empresas que tinham comprado o sucateado sistema de distribuição de energia não podiam ficar no prejuízo. Solução – aumentar as tarifas energéticas. Quem paga – os súditos... Obviamente, os leilões de venda das distribuidoras de energia foram colocados sob suspeita, já que o preço pago pelas compradoras era bem menor do que o de mercado. Total da brincadeira de acende-apaga: 22 bilhões e meio de reais; pagos pelos súditos e transferidos para as empresas da área. Somente para completar temos que observar o seguinte: Joseph George ressurge hoje, como candidato a vice rei da chapa de Gerald Aidimin, para alegria de quem quiser comprar estatais a preço de banana, ainda temos algumas como a Petrobrás, a Eletrobrás, Furnas, entre outras...
publicado por marcos loures às 00:42 link do post | comentar | adicionar aos favoritos Adicionar ao SAPO Tags | Blogar isto

Tucanolândia - capítulo 14 - depois de aberta a porteira, desmancha-se a fazenda.
Havia, em Tucanolândia, duas regiões distintas onde era enorme a necessidade de se estimular o desenvolvimento econômico regional, pois a disparidade entre essas regiões e o restante do reino era gigantesca. Uma delas, a Região Norte, era marcada por uma dificuldade natural muito grande, pois a floresta equatorial, sendo a maior do mundo, era um obstáculo tanto ao desenvolvimento quanto ao próprio povoamento racional da região. Marcada pelo desmatamento descontrolado e pela grilagem das terras, desde o governo ditatorial, quando os militares eram senhores absolutos do poder em Tucanolândia, havia sido criada uma entidade para estimular o crescimento e o desenvolvimento da região, a SUDAM. Paralelamente a isso, tivemos a criação da SUDENE, outra entidade cujo objetivo era o de estimular o desenvolvimento da região nordeste do reino. Essa região era muito seca, com períodos de estiagem prolongados, marcada pela miséria e subdesenvolvimento. Pois bem, ambas as entidades tinham objetivos nobres e funcionavam custeando empréstimos e investimentos em projetos para a criação de divisas e de empregos, dando a estabilidade necessária para o desenvolvimento regional. A SUDAM emprestava dinheiro a juros abaixo do mercado para quem quisesse investir na região equatorial, e a SUDENE, subsidiava recursos para que estes investimentos fossem feitos na região Nordeste do reino. Para se ter uma idéia da disparidade entre o resto do reino e essas regiões, a mortalidade infantil da região Nordeste e a expectativa de vida eram compatíveis com as dos países mais pobres da África e da Ásia. Coisa triste de se ver e absurda num reino tão grande e, potencialmente, rico quanto o da Tucanolândia. Mas, havia no reinado um tipo de sanguessuga que enojava até os piores vampiros da história, especializado em sugar sangue de anêmico e faminto. Ao perceber que havia esse subsidio, essas sanguessugas tenebrosas começaram, sistematicamente, a pegar dinheiro emprestado para fazerem obras fantasmas ou que eram de porte muito inferior ao declarado. Com a falsificação de documentos, inclusive a emissão de notas fiscais frias, obtiveram fortunas em empréstimos vergonhosos. A quantia de dinheiro obtida através da SUDAM chegou a dois bilhões de reais, e através da SUDENE ultrapassou um bilhão e quatrocentos milhões de reais. Isso devidamente denunciado, provocou uma reação inteligente e enérgica do Rei Fernando Henrique Caudaloso. Ao invés de, como era de se esperar, tentar resgatar a quantia de dinheiro, pelo menos em parte, subtraída e punir os responsáveis, o Rei FECHOU AS SUPERINTENDÊNCIAS. A atitude sensata do rei de, mesmo se tendo a percepção da utilidade e da necessidade de se criarem mecanismos para a proteção e estímulo ao desenvolvimento dessas regiões, fechar e acabar com as entidades, nos faz crer o quanto era inteligente e sagaz nosso rei. A partir daquele dia; a porteira aberta, o gado fugindo, nosso querido mandatário mandou destruir a fazenda. Quem comeu, comeu, quem mamou, mamou... E o anêmico e faminto povo das regiões famélicas de Tucanolândia ficou a ver navios, ou o gaiola se preferir...
publicado por marcos loures às 00:41 link do post | comentar | adicionar aos favoritos Adicionar ao SAPO Tags | Blogar isto

Tucanolândia - capítulo 13 - NEGÓCIO DE PAI PARA FILHO...

O Rei Fernando Henrique Caudaloso queria ficar mais quatro anos à frente do Reinado da Tucanolândia, como vimos antes, e um dos principais fatores da sua boa popularidade entre os habitantes do Reino era o Plano Real, arquitetado pelo rei Topete Primeiro, seu antecessor. O mundo passava por uma crise econômica e o Reinado Tucanolândia não era exceção. Para se manter a paridade entre o real e o dólar, carro chefe da campanha presidencial de Dom Fernando Henrique Caudaloso, seria necessário uma mágica econômica que custaria aos

cofres públicos uma fortuna para manter o câmbio, artificialmente, em baixa. Obviamente, isso custou ao Reinado uma verdadeira fortuna, arrancada das reservas nacionais. Isso, obviamente, não preocupava nosso narcisista Rei, para quem o que importava era manter o poder. Até aí tudo bem, mas o que espantou a todos foi que, além de praticar essa mágica fantástica, assim que o câmbio foi corrigido, vários bancos e instituições financeiras, parece que o número cabalístico de vinte e quatro, obtiveram informações privilegiadas, o que permitiu que se comprasse dólar a um real e se vendesse pelo dobro do preço, poucos dias depois. Negócio de pai para filho, sendo que quem pagou o pato foi o povo de Tucanolândia, mas isso pouco importa... Tivemos também um caso muito interessante, havia dois bancos no reino da Tucanolândia, que tinham importância vital para a população do país: Um deles, era o Marka e o outro se chamava FonteCindam, eram extremamente populares sendo que, nove em cada dez habitantes do reinado tinham suas economias aplicadas nestes bancos... Pois bem, o Banco Central do Reino, injetou um bilhão e seiscentos milhões de reais nestas instituições financeiras tão importantes para a economia do povo, emprestando dinheiro a dólares com valores abaixo do mercado, lembrando-se que essa grana foi liberada em um só dia! A desculpa é que se esses bancos quebrassem, a economia do Reinado ia para o buraco... Interessante se dizer que, apesar do presentinho, os bancos faliram e o reino, por incrível que pareça, não. Aliás, os milhões de súditos que nunca tinham ouvido falar nos tais bancos, inclusive esse que vos fala, só souberam do rombo depois. Falando nisso, o presidente do Banco Central à época foi condenado, em primeira instância, a dez anos de cadeia. O dono dos Bancos, um italiano chamado Salvatore, e não é da pátria não, se mandou para a Itália e nunca mais vai esquecer sua aventura em terras tropicais, nem ele nem seus descendentes que têm o futuro garantido graças à bondade do Rei Fernando Henrique Caudaloso e seus amáveis e receptivos súditos... Em tempo, essa oposiçãozinha vagabunda não tem jeito não, pois imaginem que até falar que tinha um esqueminha de venda de informações privilegiadas dentro do Banco Central, havia... Vê se pode!!
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Tucanolândia - capítulo 12 - Vale o que está escrito

Uma das coisas que mais chamava a atenção no reinado de Fernando Henrique Caudaloso era o cumprimento da palavra dada, só comparável à máxima dos banqueiros do jogo do bicho: “vale o que está escrito”. Todos sabem que, em Tucanolândia, uma das coisas mais honradas é o jogo do bicho. Se você ganhar a aposta, pode ter certeza de que ganhará o prêmio, nada mais certo que isso. Falando em banqueiro, Fernando Henrique Caudaloso, inspirado nesse exemplo, fez um programa de salvação dos bancos, o famoso PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional). Este programa, de total interesse nacional, já que as economias do povo do reinado, principalmente as pequenas economias dos mais pobrezinhos, iam para as cadernetas de poupança, aplicações comuns no reino, estavam todas no sistema financeiro do país. Em um ato de total desprendimento e amor à pátria, com o sentimento verdadeiramente cristão, Dom Fernando Henrique Caudaloso primeiro, pensando no bem estar do povo, principalmente dos mais pobres, resolveu ajudar os pobres banqueiros que estavam tendo prejuízos enormes no reinado. Os bancos das províncias, todos estatais, deveriam ser privatizados, já que, como sabemos, o povo do reinado não estava preparado para administrar os seus bens e, embora os políticos locais fossem de uma integridade ímpar, era melhor sanear as dívidas desses bancos antes de vendê-los, com altos lucros, para a iniciativa privada. Pois bem, tal ato de heroísmo custou aos cofres públicos, segundo Fernando Henrique Caudaloso, somente cerca de dez bilhões de reais, embora para os presidentes do Banco Central de Tucanolândia tenha sido um pouquinho mais, cerca de trinta bilhões e para alguns economistas do Cepal, um outro tanto, cerca de cento onze bilhões, coisinha pouca, já que representam somente pouco mais de onze por cento de todas as riquezas nacionais. Mas a palavra de honra é mais importante que tudo, e isso não tem preço. A oposição ao Rei Fernando Henrique Caudaloso, essa oposição sem nenhum patriotismo e sem honradez, somente pelo fato de que um dos parentes do Rei ser casado com uma herdeira de um dos bancos ajudados, o Nacional, acusou o pobre rei de favorecimento. Com essa ação, as pobres economias do povo de Tucanolândia, principalmente as Cadernetas de Poupança foram salvas, num heróico ato do Amado Rei...
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Tucanolândia - capítulo 11 - eu assinei isso?

No reino da Tucanolândia, em 1998, a Presidência do Tribunal Regional do Trabalho do Estado de São Justo, achando que o prédio em que estava lotado era pequeno, resolveu construir um novo, grande e moderno. Como se sabe, a justiça trabalhista sempre foi um dos maiores orgulhos do reino, com uma justiça ágil e competente. O trabalho escravo, de há muito tinha sido erradicado do reinado, sendo extremamente raro um caso em que o trabalhador não tivesse as garantias trabalhistas. O presidente do Tribunal, tinha tido a brilhante idéia de fazer essa mudança e, ao contrário do seu homônimo mais conhecido por Papai Noel, resolveu “cobrar” pelos direitos autorais, afinal ninguém é de ferro e uma obra de tamanha importância e relevo não era, assim corriqueira. Pois bem, os royalties ficaram somente em cento e sessenta e nove milhões de reais, coisa bem pouca para um reino tão rico quanto o de Tucanolândia. Claro que uma ação assim não seria isolada, teria que ter tido o apoio de outros cidadãos influentes no reinado. Um deles, senador eleito pela capital do reinado, Tucanolandópolis, teve seu nome firmemente associado ao delito. No escândalo que se deu, não houve jeito, cassaram o senador e prenderam o juiz. Coisa rara àquela época, tivemos a punição dos dois. O problema é que, a obra tinha sido analisada e condenada pelo Tribunal de Contas do Reinado. E, para que fosse aprovada, tinha que passar pelo clivo do Rei Fernando Henrique Caudaloso Primeiro. Esse, como um dos maiores intelectuais do reino, surpreendentemente afirmou, num ato de auto crítica, que NÃO TINHA LIDO O QUE TINHA ASSINADO! Depois, um dos analistas mais conhecidos do reino, justificando o fato, afirmou que era compreensível que um homem como aquele, doutor honoris causa de várias Universidades Européias e Nacionais, como a Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas de Piriri do

Norte, uma província famosa de Tucanolândia, estava genialmente distraído... Uma outra coisa interessante ocorreu no julgamento do Senador de Tucanópolis: havia um painel, aparentemente inviolável, de votação; mas, dois senadores curiosos e amigos da turma que programara, eletronicamente, o painel de votação, tiveram acesso à lista de votação, afirmando que sabiam quem votou contra ou a favor da cassação do Senador. O interessante é que um deles, um baiano famoso, Toninho Bondadeza, disse que uma das maiores adversárias do Governo, uma senadora famosa da oposição, tinha votado CONTRA a cassação do senador. Depois disso, ambos renunciaram para não serem cassados, coisa em que foram imitados anos depois por outros políticos. Ah, em tempo, um dos maiores críticos da atitude desses parlamentares foi Patrick “Olha a faca”, neto de Toninho Bondadeza...
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Tucanolândia 10 - Disk denúncia – a grande sacada.

Além do que vimos no capítulo anterior, tivemos outra situação genialmente bolada pelo Ministro Joseph Mountain. Como complemento á tática muito bem empreendida contra os Hospitais, Joseph resolveu achar mais um grande culpado pela situação em que se encontrava a saúde do reino. Com o sucateamento da tabela do SUS, congelada por vários anos, para consultas e procedimentos médicos, o que obriga os profissionais de saúde a acumularem vários empregos para manterem um certo padrão de vida, já que o preço do procedimento profissional era de dois reais e quarenta centavos, Mountain resolveu investigar a vida dos profissionais, ladrões e facínoras em potencial, com a artimanha de mandar cartas aos pacientes e solicitando que estes denunciassem os “bandidos” da máfia de branco. Realmente, um profissional que trabalha com uma arma terrível como o bisturi, e se aproveita de que a vítima está anestesiada para causar graves e profundas lesões corporais, além de se utilizar de drogas capazes de matar, é um bandido em potencial. O fato de exercer essas ações para tentar salvar vidas é de somenos importância, apenas um pequeno detalhe. Pois bem, partindo do pressuposto que os médicos eram as verdadeiras sanguessugas do erário público, capazes de, qual fossem morcegos hematófagos, sangrarem a exaustão o tão bem protegido e cuidado, dinheiro público, vemos que tinha suas razoes. Pena que a idéia não prosperou, imaginemos um disk denúncia para professores que não dessem a nota que os pais imaginassem que seus filhos merecessem, um disk denúncia para advogados que não conseguissem ganhar causas, para jogadores de futebol que perdessem pênaltis, para donas de casa que deixassem queimar o arroz, para policiais que não prendessem o ladrão. De Ministros que não conseguissem resolver os problemas ligados à sua pasta, de juizes de futebol que “roubassem” do meu time, de prostitutas que não dessem o prazer prometido, de maridos e

mulheres que não funcionassem a contento, e por aí adiante... Agora, a idéia mais fantástica seria um disk denúncia para políticos que não cumprissem os compromissos de campanha ou que inaugurassem obras inacabadas, que desviassem dinheiro público, que praticassem nepotismo, que contratassem funcionários sem concurso, baseados simplesmente em fatores eleitoreiros. Políticos que se utilizassem de influência para ganhar licitações, para conseguir tirar presos da cadeia, de utilizarem veículos públicos para proveito próprio, etc... É, acho que, nesse caso, as linhas disponíveis para o disk denúncia político, teriam teias de aranha, de tão poucas denúncias haveria...
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Tucanolândia capítulo 9 - de como não transferir verbas e transferir a culpa

No reinado da Tucanolândia, o sistema de saúde passava por um momento ímpar: com o plano real, um plano econômico muito bem feito pelo Rei Topete primeiro, a inflação estava quase que totalmente zerada. Mas, o real que estava equivalendo-se, no início, ao dólar, teve uma desvalorização de mais de cinqüenta por cento, sendo que o salário mínimo tinha tido um crescimento parecido. Tudo em Tucanolândia aumentava de preço, menos a tabela do SUS. Esta estava congelada desde o início do plano real, embora a inflação e os custos de manutenção dos hospitais aumentavam a cada dia. Joseph Mountain, em uma brilhante jogada de mídia, ao invés de aumentar a remuneração, tanto de médicos quanto dos prestadores de serviço, teve uma brilhante idéia. Esquivando-se da responsabilidade sobre a piora da situação da saúde pública, imaginou uma jogada genial: Passou a ranquear os hospitais, conforme pesquisa feita com os pacientes. Estes, longe da realidade que afligia os hospitais, passaram a ter a percepção de que, quem era responsável pela má qualidade não era o Ministério da Saúde que, na verdade, estrangulava economicamente os prestadores de serviço, mas sim estes, os estrangulados... Com essa fantástica jogada de Marketing, vimos os profissionais de saúde expostos a uma cruel “realidade”. Eram eles, e somente eles, os culpados pelos maus serviços prestados. Em última análise, tivemos uma situação extremamente “confortável” para quem atuava, inclusive este que vos fala, na saúde pública ou credenciada. A remuneração de uma consulta médica, passou de dois reais e quarenta centavo, num salário mínimo de sessenta e oito reais, para dois reais e quarenta centavos num salário de mais de cem. Desta forma, extremamente inteligente, Joseph Mountain passou para a população que os médicos e hospitais eram os verdadeiros culpados de faltarem medicamentos, e condições de atendimento. Essa foi mais uma genial jogada de marketing político de Joseph, idéia que nem os marqueteiros mais geniais poderiam sacar. Em tempo, os hospitais mais ricos, aqueles que não dependiam do SUS, passaram a ter propaganda gratuita do Ministério da Saúde; já os mais pobres, cuja renda era quase estritamente oriunda do SUS, foram os verdadeiros vilões da má gerência da saúde pública
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Tucanolândia capítulo 8 - Bom para otário, genericamente falando...

Havia no reino da tucanolândia, uma verdadeira máfia formada por alguns laboratórios ligados principalmente a produção de medicamentos de fundo de quintal, remédios similares aos produzidos por grandes laboratórios. Tinham um custo de produção menor, sem investimentos em pesquisas e qualidade na produção. Esses medicamentos apresentavam uma característica de comercialização ímpar. Eram chamados de “bonificados”, pois a venda destes produtos para as farmácias era associada ao fornecimento de vantagens para os donos destes estabelecimentos comerciais. Na gíria farmacêutica, esses produtos bonificados eram chamados de BOs ou seja “bons para otários”. Por exemplo, se você vendesse um BO, ganhava outro de brinde, ou tinha descontos gigantescos na compra de outro tipo de produto do mesmo laboratório, tipo “antigripais”, “pastilhas para garganta”, remédios para o “fígado”, etc. Como para Joseph Mountain, famoso ministro da saúde de Tucanolândia, o que importava era a propaganda a qualquer custo fazendo um lobby tão perfeito e com uma exploração midiática muito bem feita que lhe deu até premiação no exterior, bem merecida como estamos vendo, este resolveu fazer do limão, a limonada. Como o nome “bom para otário” ficaria muito pesado e, buscando uma forma genérica que desse bom resultado, teve a brilhante idéia de criar os Genéricos, nada mais nada menos do que os BOs disfarçados... A base de bajulação e puxação de saco do governo da Tucanolândia, formada, em sua maioria por quem teve acesso direta ou indiretamente às benesses do Governo Fernando Henrique Caudaloso nas privatizações “heróicas” que, segundo alguns boçais “salvaram” o país e livraram o povo da “difícil” carga de possuir bens de consumo ou de serviços, já que para a mentecapta gente que assim pensa, o

Estado não pode possuir nada, sendo mais difícil entender que uma empresa bem administrada pode dar lucro, sendo ou não estatal, mas isso é outro assunto; voltemos aos “Genéricos”. Pois bem, a partir de atitudes como essa, Joseph passou a se considerar “The best”. E a base de bajulação aplaudiu mais esse ato genial – oficializar o ‘Bom para otário” como se fosse uma grande idéia. os laboratórios de fundo de quintal se assanharam tanto que passaram a comandar as listas de lucratividade no setor. Ah, sem esquecer-se de que, nunca na história do reino, se falsificou tantos medicamentos como naquele tempo...
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Tucanolândia - capítulo 7 - Do dengo e da cólera

Um dos principais nomes do reinado de Fernando Henrique Caudaloso era o do seu genial ministro da saúde Joseph Mountain; famoso economista que, quando criança, se apaixonara pelo Almanaque do Biotônico Scott, conhecidíssimo em Tucanolândia como um dos maiores compêndios de medicina popular. Joseph tanto lera o dito almanaque que se considerava um expert em saúde. Pena que o vestibular para medicina era mais difícil, por isso se tornara economista. Grande perda para a saúde de Tucanolândia, que já contava com vários grandes especialistas, como Toninho Bondadeza e Geraldo Aidimin, cujos trabalhos publicados no mundo inteiro, enchiam de orgulho a ciência do reinado. Mountain pode demonstrar sua sapiência sobre o assunto no programa de televisão Show do Mouse, conhecido apresentador de TV que tinha como ponto forte a assistência social, distribuindo testes de paternidade para a população mais carente, ao responder sobre a epidemia “da” cólera e sobre “o” diabetes, sugerindo que se fervesse a água a sessenta graus. Mouse tentando corrigi-lo disse que a água fervia a noventa graus, ao que, dentro de toda a sua capacidade, Mountain respondeu que “quem fervia a noventa graus era o ângulo reto”. O reino da Tucanolândia estava passando por turbulências econômicas, quando o rei Fernando Henrique Caudaloso resolveu cortar os empréstimos às estatais e autarquias responsáveis pelo saneamento básico; pois tinha, como vimos anteriormente, um salutar apreço pelo dinheiro público. As estatais, como vimos, somente serviam para atrapalhar, então era melhor sucateá-las, reformá-las e, depois, vender. Esse jeito de governar já tinha surtido efeito nos casos da Telefonia e da produção mineral, porque não iria dar certo na saúde? Mountain aplaudiu a medida, sábia medida. Mas, como Deus era tucanolandês, mas estava de folga naqueles dias, não é que, por falta de saneamento, começaram a aparecer várias epidemias no reinado. Até doenças como o Tifo e o Cólera que estavam desaparecidas de há muito ressurgiram... A dengue, explicada depois ao Ministro Joseph que não significava preguiça, mas uma doença causada pela picada de inseto, assim como a leishmaniose visceral, começou a ter alguns casos notificados. Joseph, querendo saber mais sobre a doença e esclarecer à população sobre quem era ou o que era o dengo – dengo não! Dengue!, resolveu iniciar uma campanha de esclarecimento. Pois bem, o caso era de esclarecimento mas, como diria Osvaldo Cruz, também de ação direta, com agentes esclarecendo e atuando com a população. Mas, Joseph, confiante que o povo lia também o Biotônico Scott, como “só” tinha 85 milhões de reais, gastou 82 com a propaganda e três com os agentes. Propaganda muita, ação pouca, moral da história: somente num dos estados do reino da Tucanolândia, tivemos em quatro meses, duzentos mil casos com “apenas” sessenta e três mortes. Ah, em tempo, depois de algum tempo, o rei Fernando Henrique Caudaloso amante da medicina preventiva, como vimos acima, resolveu investir num programa cubano de saúde pública, maravilhoso, mas feito de maneira digamos, um pouco eleitoreira, mas isso é outra história. Quanto a Joseph, falaremos dele mais tarde, mas isso são outros quinhentos...
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Tucanolândia - capítulo 6 - Sobre como se reforma e se vende uma prestadora de serviços, à moda Tuca

Foi um verdadeiro ato de genialidade e de bom uso do dinheiro público a privatização do sistema de telecomunicações em Tucanolândia. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários "grampos" a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos "queridinhos" de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à "venda", o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada. A privatização do sistema Telebrás - assim como da Vale do Rio Doce - foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco de Tucanolândia, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco de Tucanolândia. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social de Tucanolândia foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa. Hoje, em pleno 2006, observamos que houve realmente uma melhora acentuada nos serviços de telecomunicações. Se observarmos, as empresas ligadas à telefonia são as campeãs em reclamações, demonstrando que valeu muito esse investimento altamente

coerente e insuspeito. Quanto aos amiguinhos de Don Fernando Caudaloso, como todos os outros, saíram impunes. É claro que tivemos outros probleminhas envolvendo a telefonia na Tucanolândia, inclusive o investimento de cinco milhões de reais em uma empresa, por acaso líder no mercado, com participação acionária nesta. Observa-se que esta mantém um programa de televisão, também líder de audiência no setor. O que, convenhamos é muito mais escandaloso e com perdas muito mais significativas que o ocorrido no tempo de Fernando Henrique Caudaloso, vulgo FHC, primeiro.
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Tucanolândia capítulo 5 - Vale muito mais do que pesa...

O rei Fernando Caudaloso, depois de conseguir se manter por mais quatro anos no poder, resolveu, não se sabe se por acaso ou não, inaugurar um novo modismo no reinado da tucanolândia. A partir do preceito de que é mais fácil destruir ou vender do que administrar com seriedade e competência, resolveu se desfazer dos bens do reino. Decisão tranqüila e fácil, já que um outro Fernando colocara a culpa de todos os desmandos do país nos funcionários públicos, muitos deles concursados e, com justiça, donos de seus postos de trabalho. Pois bem, depois de um tempo, começaram as “vendas” do patrimônio público, às duras penas criado, para quem quisesse comprar. Foi uma festa. Leilões e mais leilões, a liquidação chamou a atenção do mundo inteiro. Aceitara-se tudo como moeda de troca, inclusive papéis de dívidas públicas envelhecidos, sem valor de mercado, mas com grande valor na hora da compra do patrimônio, inclusive com superfaturamento de alguns. Com a desculpa de que a telefonia era obsoleta, o controle das linhas telefônicas que era um patrimônio particular, passou a ser das “concessionárias”. Vamos fazer uma analogia com a casa própria, a partir de agora, ninguém pode ser proprietário de uma casa, os imóveis passariam a ser desapropriados por preço pré estabelecido e quem recebesse “a concessão”, passaria a alugar todas as casas do país. Medida genial como essa, só no reino da Imbecilândia. Mas, o pior ainda estava por vir. A produção de energia continuaria sendo bancada pelo povo, mas a administração da venda dos serviços, passaria a ser dos “concessionários”. Havia no reino, uma empresa que era tida como o “orgulho nacional”, a menina dos olhos do povo. A Vale que, entre suas riquezas, tinha jazidas minerais incalculáveis, portos, ferrovias, rede de transportes, etc. A avaliação de seus bens chegava a mais de trinta bilhões de dólares, com faturamento trimestral de três bilhões. Advinha o que aconteceu? Fernando Caudaloso não se fez de rogado, aceitou os três bilhões dados... Peraí, de entrada? Não, de valor total. A pergunta que não quer calar é a seguinte : ISSO É SINAL DE INCOMPETÊNCIA OU DE CORRUPÇÃO, E DAS GROSSAS! O resto que sobrou; Furnas, Petrobrás, Eletrobrás, entre outras, estão na alça de mira de Geraldo Saidemim, candidato da ala tucana ao reinado da tucanolândia, mas isso é outro capítulo da história...
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Tucanolândia - capítulo 4 - Ainda bem que quem pagou não foi Fernando... Ou de como é gostoso ir pas

Na tucanolândia, a cada quatro anos, pela constituição vigente, haveria necessidade de eleição para a mudança do chefe de estado, sendo proibida a reeleição. Fernando Caudaloso, famoso pela sua maneira de governar, num escandaloso “toma lá dá cá” sem paralelo na história do pequeno reino tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, estava numa encruzilhada. Gostou de ficar ali, com suas mordomias, suas viagens ao exterior pagas pelos contribuintes do reinado. Inclusive, como o avião oficial do reino estava meio que meia bomba, velhinho como ele só, Fernando gostava de ir em aviões fretados, onde levava vários convidados para passearem na Europa ou nos Estados Unidos, motivo pelo qual ganhou o apelido de Viajando Caudaloso...

Essa oposição é fogo, o quê que tem umas voltinhas pela Europa, um cheirinho de civilização não faz mal e, além disso o rei gostava de matar saudades da belle France. Aquilo é que era país para se viver, que idioma fantástico, nada dessa coisa estranha falada em tucanolândia. Aliás, de vez em quando recebia um ou outro título ou comenda, e tinha que comparecer, isso fazia tão bem ao ego... Na Constituição do Reino, haveria necessidade de ter dois terços dos votos para uma mudança tão profunda... O que fazer? Se fosse menos que isso, a base de bajulação bastaria, pois essa já o tinha ajudado a fazer a “Abafadoria Geral” e os engavetamentos das encrencas anteriores. Mas, esse caso era diferente. Não bastavam as distribuições de favores do orçamento não, os parlamentares queriam mais. Quando soube da novidade, ficou assustado. Acostumado a dar milhões de dólares a banqueiros, acreditava que, dessa vez, a situação estivesse perdida. Conversa vai, conversa vem, teve uma grata surpresa. Ô povinho barato esse da tucanolândia. Menos de cem mil dólares para cada um. Saiu quase de graça, mais quatro anos para poder passear, poder fazer favores para os amigos, que maravilha! Mas, mal sabia ele que havia um grupo de curiosos e fofoqueiros, precursores de um famoso Senador da Terra dos coqueiros, o Bondadeza, que gravaram uma conversa entre dois tagaleras deputados. A casa parecia que ia cair, ainda mais que os dois, não agüentando a pressão caíram fora. Claro que depois de aprovada a mudança constitucional. Mas, como o nosso Fernando tem um pé na cozinha, fez promessa para Sete Flechas, entidade protetora dos partidários de Don Fernando Caudaloso, tudo deu certo no final. A que preço não sabemos, mas mais uma vez, conseguiram engavetar mais um escândalo. Acredita-se que ficou bem cara a reeleição de Fernando, mas quem pagou a conta foi o povo, então, usando o raciocínio dos fernandófilos, ficou barato...
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Tucanolândia - capítulo 3 - Lugar de pasta é na gaveta...

Em meio a um monte de irregularidades, Fernando Caudaloso primeiro, rei da tucanolândia, seguia seu reinado sem atropelos, já que o esquema armado para inibir qualquer investigação sobre as denúncias que fossem feitas, funcionava tranquilamente. Tudo bem que a oposição fizesse o maior berreiro, mas a retranca armada pelo comandante era mais forte do que o famoso ferrolho suíço. Falar em suíço, a gente se lembra de queijo e de bancos, bancos nos levam à praça e banqueiros. Os banqueiros “boa praças”, no entendimento do rei, foram acusados de bancarem as campanhas políticas dos aliados de Fernando Caudaloso primeiro. Haveria um dossiê, chamado de pasta lilás, que circulava no reino, denunciando o fato. A comprovação ou não de tal maracutaia, dependeria da investigação do Ministério Público, já que a retranca armada pelo rei, dentro do Parlamento, era insuperável. Fernando, homem sagaz e político inteligente, associado com os civis servis que serviram aos tempos negros do reinado, na ditadura que se estabelecera por mais de vinte anos em tucanolândia, não pestanejou: Nomeou Geraldo (mais um), como Procurador Geral do Reinaldo, Geraldo geral do reino, por suas características de fidelidade ao Rei, não permitiria nunca que se aprofundassem quaisquer investigações sobre as denúncias feitas. Com um procurador que não procura e, se encontra, finge que não vê, não poderia ter dado outro resultado: O dossiê foi parar numa Gaveta qualquer, de onde surgiu o apelido dado ao Procurador Geraldo, mais conhecido como Engavetador Geral do Reino. A pasta lilás nunca foi investigada profundamente, desbotando de tanto ficar na gaveta. A última notícia que temos é que as traças “traçaram” o documento, que cumpriu a sina de todos os inquéritos e investigações sobre o reinado de Caudaloso. Do pó vieram ao pó retornaram... Somente restou o gosto amargo de mais um escândalo abandonado sem a devida investigação. Mas, como disse um velho político do interior de Minas: “Nem sempre quem procura acha, ainda mais quando não se procura e, quando acha, nada melhor do que uma gaveta para que o assunto seja esquecido”
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Tucanolândia - capítulo 2 - Abafadoria Geral da União

Estamos em janeiro de 1995 no reino da tucanolândia. O antigo rei, Topete primeiro, de olho nas maracutaias e trambiques contumazes naquele reino beira mar, havia criado uma comissão de investigação, feita por representantes das mais variadas áreas do povo do reino. Entre os representantes da igreja, dos sindicatos dos advogados, dos órgãos de classe, havia tantos aliados como contrários ao Rei de Plantão. Pois bem, Fernando Caudaloso, o sucessor de Topete primeiro, ao sentir que não poderia agir com liberdade, em um momento bastante estranho e duvidoso, extinguiu essa comissão. A partir desse momento, a porta para as ilicitudes e ações suspeitas, como favorecimento de amigos, atos de corrupção passiva e ativa, entre outros, ficou escancarada. Depois disso, começaram a aparecer denúncias a cada momento, todas as operações feitas pelo Governo foram abafadas, perdendo o controle da sociedade sobre todos os atos, mesmo que os mais escandalosos, dos “amigos” e aliados de Caudaloso. Após seis anos de descontrole e sem nenhum órgão da sociedade que pudesse controlar os atos e operações ligadas ao governo, a sociedade resolveu reagir. Os parlamentares da oposição resolveram criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os atos de corrupção. Ao ver que a vaca ia para o brejo, Fernando criou um órgão de controle, a Controladoria-Geral que, ao contrário da anterior, não era composta por representantes universais da sociedade civil, mas sim ligada ao Governo, sendo conhecida como Abafadoria – Geral do Reino. Assim foi durante o Governo Fernando, onde os trambiqueiros e corruptos navegaram num mar de tranqüilidade comparável ao da calmaria de quinhentos anos antes. Com o final do mandato de Fernando Caudaloso, conhecido por esse nome pelo “mar” aberto nas fronteiras do reino, para a evasão de recursos, ao final do seu reinado, a Controladoria-Geral passou a ter uma importância enorme no controle da corrupção. O fato da extinção e da posterior substituição desfigurada de um órgão de autocontrole dos ilícitos feitos com o dinheiro público demonstra duas coisas: 1- o Rei não estava muito bem intencionado. 2- a porteira aberta fez um estrago no futuro do reinado. E, como diz o povo daquele lugar, arrombada a porteira, por onde passa um boi, passa uma boiada, mesmo que seja via Banestado..
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Tucanolândia - capítulo 1 - Projeto Sivam

O esquema já estava montado, não fora difícil convencer o embaixador a entrar com a influência que tinha sobre o Governo daquele Reino do terceiro mundo. Famoso pelas transações que envolviam sempre desvio de verba para corrupção do governo. Sempre, desde a década de sessenta, a tão falada “caixinha” era sistematicamente usada pelo sistema público, desde os mais baixos escalões, para que desse andamento aos processos até aos mais altos, com finalidades várias, desde ganho de processos sem licitação até construções, através de empreiteiras, de obras públicas e de projetos “de segurança nacional”. Esse era o caso, havia necessidade da proteção do espaço aéreo, já que a Grande Reino tinha uma vasta floresta e precisava de um sistema de vigilância abrangente. Obviamente, o ministro da aeronáutica daquele reino estaria envolvido nas negociações, embora não se possa afirmar que sabia de alguma coisa. O empresário em questão, chefe do cerimonial do Rei Dom Fernando Henrique Caudaloso utilizou-se do cargo, com ou sem o consentimento do rei, isso também são especulações, para fazer a negociata. A questão é que a empresa ganhou, sem licitação, o contrato que ultrapassava um bilhão de dólares. Isso mesmo, um bilhão de dólares, coisa de se espantar! O Rei, ao saber do fato, demitiu os envolvidos ou forçou-os a pedir demissão. Gesto nobre, porém, como veremos a seguir, um tanto estranho... Uma outra empresa ganhara o contrato para a instalação e desenvolvimento de softwares para o projeto, mas, como fraudara e falsificara guias de recolhimento da previdência social, foi afastada. Após isso, a empresa entrou em falência, mas ressurgiu com outro nome de fantasia e arrebatou tudo de novo.

Um bilhão de dólares para um reino pobre é dinheiro que não acaba mais, assustando até o presidente da maior economia do mundo, quando soube da “bagatela”. O que poderíamos esperar de um homem sério, desejoso de proteger o capital nacional? A apuração e punição dos fatos, obviamente... Ao se instalar uma comissão do congresso para analisar e punir, o que se viu, para espanto de todos, foi o esvaziamento dessa comissão. Ficando todos impunes... Somente os habitantes daquela terra “abençoada por Deus”, ficaram a ver navios. E, pior, em plena selva tuconalandesa...
publicado por marcos loures às 00:29 link do post | comentar | adicionar aos favoritos Adicionar ao SAPO Tags | Blogar isto

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