You are on page 1of 405

THATYML

T HATYML

INSS

TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL

LÍNGUA PORTUGUESA RACIOCÍNIO LÓGICO INFORMÁTICA MATEMÁTICA ATUALIDADES ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO REGIME JURÍDICO ÚNICO PREVIDÊNCIA - CONJUNTURA E ESTRUTURA CONHECIMENTOS COMPLEMENTARES

- CONJUNTURA E ESTRUTURA CONHECIMENTOS COMPLEMENTARES RIO DE JANEIRO SÃO PAULO ALCÂNTARA : Rua Manoel João
RIO DE JANEIRO SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO

SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO SÃO PAULO

ALCÂNTARA: Rua Manoel João Gonçalves , 414 / 2º andar * (21) 2603-8480 CINELÂNDIA: Praça Mahatma Gandhi, 2 / 2º andar * (21) 2279-8257 CENTRO: Rua da Alfândega, 80 / 2º andar * (21) 3970-1015 COPACABANA: Av. N. Sra. Copacabana, 807 / 2º andar * (21) 3816-1142 DUQUE DE CAXIAS: Av. Pres. Kennedy, 1203 / 3º andar * (21) 3659-1523 MADUREIRA: Shopping Tem-Tudo / Sobreloja 18 * (21) 3390-8887 MÉIER: Rua Manuela Barbosa , 23 / 2º andar * (21) 3296-8857 NITERÓI: Rua São Pedro, 151 / Sobreloja * (21) 3604-6234 TAQUARA: Av. Nelson Cardoso, 1141 / 3º andar * (21) 2435-2611

ALPHAVILLE: Calçada das Rosas, 74 * (11) 4197-5000 GUARULHOS: Av. Dr. Timóteo Pentado, 714 - Vila Progresso * (11) 2447-8800 SÃO PAULO: Rua Barão de Itapetininga, 163 / 6º andar * (11) 3017-8800 SANTO ANDRÉ: Av. José Cabalero, 257 * (11) 4437-8800 SANTO AMARO: Av. Santo Amaro, 5860 * (11) 5189-8800 OSASCO: Av. Deputado Emílio Carlos, 1132 * (11) 3685-2123

T

HATYML

T HATYML 00_rosto.pmd 2 INSS TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL EDITORA EXECUTIVA Andréa Martins GERENTE DE EDITORAÇÃO

00_rosto.pmd

2

INSS

TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL

EDITORA EXECUTIVA Andréa Martins

GERENTE DE EDITORAÇÃO Rodrigo Nascimento

SUPERVISÃO DIDÁTICA E PEDAGÓGICA Claudio Roberto Bastos Marceli Lopes Rosangela Cardoso

DIAGRAMAÇÃO

Marcella Prata

Mariana Gomes

CAPA

Marcelo Fraga

Igor Marraschi

E-MAIL

apostilas@degraucultural.com.br

Proibida a reprodução no todo ou em partes, por qualquer meio ou processo, sem autorização expressa. A violação dos direitos autorais é punida como crime: Có­ digo Penal, Art nº 184 e seus parágrafos e Art nº 186 e seus incisos. (Ambos atualizados pela Lei nº 10.695/2003) e Lei nº 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais.

30/9/2010, 09:45

T HATYML

Prezado(a) candidato(a),

A equipe pedagógica da Degrau Cultural elaborou esta apostila preparatória com o objetivo de auxiliar a todos aqueles que pretendem prestar concurso para o cargo de Técnico do Seguro Social do INSS.

Neste material, você encontrará noções de Língua Portuguesa, Raciocínio Ló­ gico, Informática, Matemática, Atualidades, Ética no Serviço Público, Regime Jurídico Único, Previdência - Conjuntura e Estrutura e Conhecimentos Com­ plementares, de acordo com o edital do último concurso.

Esperamos que nosso material possa ser útil na conquista da tão sonhada vaga e, desde já, lhe desejamos sucesso nesta empreitada.

Aproveitamos o ensejo para solicitar-lhe a gentileza de, ao término de seus estudos, preencher a carta-resposta que se encontra na última folha da apos­ tila e entregar em qualquer agência dos Correios, pois sua opinião é funda­ mental para que possamos trabalhar de modo a atender, cada vez mais, às suas expectativas.

Sumário

0

05

Língua Portuguesa

0

73

Raciocínio Lógico

0

87

Informática

193

Matemática

233

Atualidades

263

Ética no Serviço Público

271

Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90)

295

Previdência - Conjuntura e Estrutura

317

Conhecimentos Complementares

337

Exercícios

00_rosto.pmd

3

Atenciosamente,

Os Editores

30/9/2010, 09:45

T HATYML

00_rosto.pmd

4

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Língua

Portuguesa

07

Interpretação de textos e Tipologia textual

18

Fonética, ortografia e acentuação gráfica

24

Emprego das classes de palavras

34

Crase

35

Sintaxe da oração e do período

39

Pontuação

42

Concordância verbal e nominal

46

Regência verbal e nominal

48

Significação das palavras

51

Redação de correspondência oficial

65

Novo Acordo Ortográfico

Degrau Cultural

5

00_Sumário_Port.pmd

5

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

6

Degrau Cultural

00_Sumário_Port.pmd

6

30/9/2010, 09:45

T

HATYML www.baixebr.org

Língua Portuguesa

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS TIPOLOGIA TEXTUAL

I. Tipologia Textual

DE TEXTOS TIPOLOGIA TEXTUAL I. Tipologia Textual Obs.: Às vezes, um fragmento pode apresentar
DE TEXTOS TIPOLOGIA TEXTUAL I. Tipologia Textual Obs.: Às vezes, um fragmento pode apresentar

Obs.: Às vezes, um fragmento pode apresentar características que o assemelham a uma descrição e também a uma narração. Nesse caso, é interessante observar que em um fragmento narrativo a relação entre os fatos relacionados é de anterioridade e posterioridade, ou seja, existe o fato que ocorre antes e aquele que ocorre depois. Em uma narração ocorre a progressão temporal. Já na descrição a relação entre os fatos é de simultaneidade, ou seja, os fatos relacionados são concomitantes, não ocorrendo progressão temporal.

Degrau Cultural

7

01_Interpretacao de Textos.pmd

7

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Classifique os trechos abaixo. Marque: Texto para a questão 07. (A) Narração (B) Descrição 1
Classifique os trechos abaixo. Marque:
Texto para a questão 07.
(A)
Narração
(B)
Descrição
1
(
)
em volta das bicas era um zunzum cres­
(C)
Dissertação
01.
Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem,
em um apartamento de propriedade do Sr. Marcos
da Fonseca. No local habitavam o proprietário, sua
esposa e seus dois filhos. O fogo despontou em
um dos quartos que, por sorte, ficava na frente do
prédio.
cente; uma aglomeração tumultuosa de machos e
fêmeas. Uns após outros, lavavam a cara, incomo­
damente, debaixo do fio de água que escorria da
5
altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As
mulheres precisavam já prender as saias entre as
coxas para não as molhar, via-se-lhes a tostada
nudez dos braços e do pescoço que elas despiam
suspendendo o cabelo todo para o alto do casco;
02.
O mundo moderno caminha atualmente para sua
própria destruição, pois tem havido inúmeros con­
flitos internacionais, o meio ambiente encontra-se
ameaçado por sério desequilíbrio ecológico e,
além do mais, permanece o perigo de uma catás­
trofe nuclear.
10
os homens, esses não se preocupavam em não
molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem
debaixo da água e esfregavam com força as ventas
e as barbas, fossando e fungando contra as pal-
mas das mãos. As portas das latrinas não descan­
15
03.
Qualquer pessoa que o visse, quer pessoalmente
ou através dos meios de comunicação, era logo
levada a sentir que dele emanava uma serenida­
de e autoconfiança próprias daqueles que vivem
com sabedoria e dignidade.
savam, era um abrir e fechar de cada instante, um
entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá
dentro e vinham ainda amarrando as calças ou sai­
as; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir,
despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fun­
20
dos, por detrás da estalagem ou no recanto das
hortas. (Aluísio Azevedo, O Cortiço)
04.
De baixa estatura, magro, calvo, tinha a idade de
um pai que cada pessoa gostaria de ter e de quem
a nação tanto precisava naquele momento de de­
samparo.
07.
O fragmento acima pode ser considerado:
a)
narrativo, pois ocorre entre seus enunciados uma
progressão temporal de modo que um pode ser
considerado anterior ao outro.
05.
Em virtude dos fatos mencionados, somos leva-
dos a acreditar na possibilidade de estarmos a
caminho do nosso próprio extermínio. É desejo de
todos nós que algo possa ser feito no sentido de
conter essas diversas forças destrutivas, para po­
dermos sobreviver às adversidades e construir um
mundo que, por ser pacífico, será mais facilmente
habitado pelas gerações vindouras.
b)
um típico fragmento dissertativo em que se obser­
vam muitos argumentos.
c)
descritivo, pois não ocorre entre os enunciados
uma progressão temporal: um enunciado não pode
ser considerado anterior ao outro.
d)
descritivo, pois os argumentos apresentados são
objetivos e subjetivos.
08.
Filosofia dos Epitáfios
06.
O homem, dono da barraca de tomates, tentava,
em vão, acalmar a nervosa senhora. Não sei por
que brigavam, mas sei o que vi: a mulher imensa­
mente gorda, mais do que gorda, monstruosa, er­
guia os enormes braços e, com os punhos cerra­
dos, gritava contra o feirante. Comecei a me as­
sustar, com medo de que ela destruísse a barraca
— e talvez o próprio homem — devido à sua fúria
incontrolável. Ela ia gritando e se empolgando com
sua raiva crescente e ficando cada vez mais ver­
melha, assim como os tomates, ou até mais.
1
Saí, afastando-me dos grupos e fingindo ler
os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são,
entre a gente civilizada, uma expressão daquele
pio e secreto egoísmo que induz o homem a ar­
rancar à morte um farrapo ao menos da sombra
que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolá­
vel dos que sabem os seus mortos na vala co­
mum; parece-lhes que a podridão anônima os al­
cança a eles mesmos.
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
5
8
Degrau Cultural

01_Interpretacao de Textos.pmd

8

30/9/2010, 09:45

T HATYML

www.baixebr.org

Língua Portuguesa

 

Do ponto de vista da composição, é correto afir­ mar que o capítulo “Filosofia dos Epitáfios”

 

miniatura, a visão prefigurada do paraíso que san­ tos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida

a)

é

predominantemente dissertativo, servindo os

 

20

humana, foi o que encontrei. Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. E ten­ tei apreender a força pitagórica pela qual o núme­

se mantém acima do fluxo. Um pouco disso,

ro

dados do enredo do ambiente como fundo para a digressão.

 

b)

é

predominantemente descritivo, com a suspen­

são do curso da história dando lugar à construção do cenário.

 

25

c)

equilibra em harmonia narração e descrição, à

 

não muito, encontrei. Amor e conhecimento, até onde foram possí­ veis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Ter­

medida que faz avançar a história e cria o cenário de sua ambientação.

d)

predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua saída.

é

 

30

ra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu co­ ração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos – odiosa carga para seus filhos – e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformaram em arremedo o que

II.

ROTEIRO PARA LEITURA DE TEXTOS

 

ler atentamente o texto, tendo noção do conjunto

compreender as relações entre as partes do texto

 

35

a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro. Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivi­ da e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida.

sublinhar momentos mais significativos

 

fazer anotações à margem

III.

ENTENDIMENTO DO TEXTO

O

que deve ser observado para chegar à melhor

 

(RUSSEL, Bertrand, Revista Mensal de Cultura, Enciclopédia Bloch, n. 53, set.1971, p.83)

compreensão do texto?

1.

PALAVRAS-CHAVE

 

O

texto é constituído de cinco parágrafos que se

Palavras mais importantes de cada parágrafo, em torno das quais outras se organizam, criando uma ligação para produzirem sentido. As palavras­ chave aparecem, muitas vezes, ao longo do texto de diversas formas: repetidas, modificadas ou re­ tomadas por sinônimos. As palavras-chave formam

encadeiam de forma coerente, a partir das pala­ vras-chave vida e paixões do primeiro parágrafo:

palavras-chave

1º parágrafo vida / paixões

2º parágrafo - amor

3º parágrafo - conhecimento

o

alicerce do texto, são a base de sua sustentação,

4º parágrafo - compaixão

levam o leitor ao entendimento da totalidade do tex­ to, dando condições para reconstruí-lo.

5º parágrafo – vida

 

As palavras-chave vida e paixões prolongam-se em:

atenção especial para verbos e substantivos;

amor, conhecimento e compaixão. Cada parágrafo irá ater-se a cada uma dessas paixões.

o título é uma boa dica de palavra-chave.

Observe o texto de Bertrand Russel, “Minha Vida”,

 

Leia o texto abaixo para responder às questões 9 e 10.

a

fim de compreender a forma como ele está cons­

 
 

truído:

 

1

É universalmente aceito o fato de que sai mais cara a reparação das perdas por acidentes de tra­ balho que o investimento em sua prevenção. Mas, então, por que eles ocorrem com tanta freqüência?

Falta, evidentemente, fiscalização. Constatar tal fato exige apenas o trabalho de observar obras de engenharia civil, ao longo de qualquer trajeto por ônibus ou por carro na cidade. E quem poderia suprir as deficiências da fiscalização oficial – os

sindicatos patronais ou de empregados – não o faz; se não for por um conformismo cruel, a tomar por fatalidade o que é perfeitamente possível de prevenir, terá sido por nosso baixo nível de organi­ zação e escasso interesse pela filiação a entida­

des de classe, ou por desvio dessas de seus inte­ resses primordiais. Falta também a educação básica, prévia a qualquer treinamento: com a baixíssima escola­ ridade do trabalhador brasileiro, não há compre-

1

Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso do amor, a procura do conhecimento e a insupor­ tável compaixão pelo sofrimento da humanidade.

Essas paixões, como os fortes ventos, levaram­ me de um lado para outro, em caminhos capricho­ sos, para além de um profundo oceano de angús­ tias, chegando à beira do verdadeiro desespero. Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase –

êxtase tão grande que sacrificaria o resto de mi­ nha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, porque abranda a solidão – aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o in­

 
 

5

5

 
 

10

10

 
 

15

15

sondável e frio abismo sem vida. Procurei-o, final- mente, porque na união do amor vi, em mística

 

T

HATYML

Língua Portuguesa

20

25

09.

a)

b)

c)

d)

e)

ensão suficiente da necessidade e benefício dos equipamentos de segurança, assim como da mais simples mensagem ou de um manual de instruções. E há, enfim, o fenômeno recente da terceiriza­

ção, que pode estar funcionando às avessas, ao propiciar o surgimento e a multiplicação de em­ presas fantasmas de serviços, que contratam a primeira mão-de-obra disponível, em vez de sele­ cionar e de oferecer mão-de-obra especializada. (O Estado de S.Paulo – 22 de fevereiro de 1998 – adaptado)

Assinale a opção que apresenta as palavras-cha­ ve do texto.

aceitação universal – constatação – benefício – escolaridade.

investimento em prevenção – deficiências – enti­ dades – equipamentos.

falta de fiscalização – organização – benefício – mão-de-obra.

prevenção de acidentes – fiscalização – educa­ ção – terceirização.

crescimento – conformismo – treinamento – em­ presas.

10. Assinale a opção INCORRETA em relação aos ele­

mentos do texto.

a)

O pronome “eles” (l.4) refere-se a “acidentes de trabalho” (l.2 e 3).

b)

A expressão “tal fato” (l.5-6) retoma a idéia antece­ dente de “falta de fiscalização” (l.5).

c)

Para compreender corretamente a expressão “não o faz” (l.10 e 11), é necessário retomar a idéia de “suprir as deficiências da fiscalização oficial” (l.9).

d)

A palavra “primordiais” vincula-se à idéia de “bási­ cos, principais”. (l.17)

e)

“dessas” refere-se a “deficiências da fiscalização oficial” (l.9).

2.

IDÉIAS-CHAVE

Se houver dificuldade para chegar à síntese do texto só pelas palavras-chave, deve-se buscar a idéia-chave, que deve refletir o assunto principal de cada parágrafo, de forma sintetizada.

A partir da síntese de cada parágrafo, chega-se à idéia central do texto.

Observe o texto:

Existem duas formas de operação marginal: a que toma a classificação genérica de economia informal, correspondente a mais de 50% do Pro­ duto Interno Bruto (PIB), e a representada pelos trabalhadores admitidos sem carteira assinada. Ambas são portadoras de efeitos econômicos e sociais catastróficos. A atividade econômica exercida ao largo dos registros oficiais frustra a arrecadação de re­ ceitas tributárias nunca inferiores a R$ 50 bi­ lhões ao ano. A perda de receita fiscal de tal

porte torna precários os programas governa­ mentais para atendimento à demanda por saú­ de, educação, habitação, assistência previden­ ciária e segurança pública. Quanto aos trabalhadores sem anotação em carteira, formam um colossal conjunto de excluí­ dos. Estão à margem dos benefícios sociais ga­ rantidos pelos direitos de cidadania, entre os quais vale citar o acesso à aposentadoria, ao seguro-desemprego e às indenizações repara­ doras pela despedida sem justa causa. De outro lado, não recolhem a contribuição previdenciária, mas exercem fortes pressões sobre os serviços públicos de assistência médico-hospitalar. A reforma tributária poderá converter a expres­ sões toleráveis a economia informal. A redução fiscal incidente sobre as micro e pequenas em­ presas provocará, com certeza, a regularização de grande parte das unidades produtivas em ação clandestina. E a adoção de uma política consis­ tente para permitir o aumento do emprego e da renda trará de volta ao mercado formal os milhões de empregados sem carteira assinada. É preci­ so entender que o esforço em favor da inserção da economia no sistema mundial não pode pa- gar tributo ao desemprego e à marginalização social de milhões de pessoas.

(Correio Braziliense – 13.7.97)

1º parágrafo:

palavras-chave: economia informal e trabalha­ dores admitidos sem carteira assinada o último período do primeiro parágrafo apresenta uma informação que vai nortear todo o texto: “Am­ bas são portadoras de efeitos econômicos e soci­ ais catastróficos.”

Idéia-chave: Economia informal e trabalhadores admitidos sem carteira assinada trazem prejuí­ zos econômicos e sociais.

2° parágrafo:

palavra-chave: economia informal efeitos econômicos - perda de receitas tributárias efeitos sociais - precariedade dos programas sociais do governo

Idéia-chave: A perda de receitas tributárias cau­ sada pela economia informal prejudica os pro- gramas sociais do governo.

3° parágrafo:

palavra-chave: trabalhadores admitidos sem car­ teira assinada efeitos econômicos - não recolhem contribuição previdenciária efeitos sociais – não têm garantia de direitos sociais

Idéia-chave: Trabalhadores admitidos sem car­ teira assinada causam prejuízos econômicos por não recolherem contribuição previdenciária e so­ frem os efeitos sociais, por não terem seus direi­ tos assegurados.

T

HATYML

Língua Portuguesa

4º parágrafo:

há uma proposta de solução para cada um dos problemas apresentados no texto:

para a economia informal: reforma tributária – redução fiscal para micro e pequenas empresas para os trabalhadores sem carteira assinada:

política consistente para aumento do emprego e da renda

Idéia-chave: A reforma tributária poderá minimi­ zar os efeitos da economia informal e uma política consistente para aumento do emprego e da renda pode provocar a formalização de contratos legais para milhões de empregados.

Idéia-central do texto:

A economia informal tem efeitos econômicos e so­ ciais prejudiciais ao indivíduo e ao sistema, mas ações políticas, como a reforma tributária, pode­ rão estimular a regularização de empresas, bene­ ficiado, também, os trabalhadores.

3.

COERÊNCIA Coerência é perfeita relação de sentido entre as diversas palavras e/ou partes do texto. Haverá co­ erência se for mantido um elo conceitual entre os diversos segmentos do texto.

4.

COESÃO Quando lemos com atenção um texto bem cons­ truído, percebemos que existe uma ligação entre os diversos segmentos que o constituem. Cada frase enunciada deve manter um vínculo com a anterior ou anteriores para não perder o fio do pen­ samento. Cada enunciado do texto deve estabele­ cer relações estreitas com os outros a fim de tor­ nar sólida sua estrutura. A essa conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto dá­ se o nome de coesão. Diz-se, pois, que um texto tem coesão quando seus vários enunciados es­ tão organicamente articulados entre si, quando há concatenação entre eles.

11.

Numere o conjunto de sentenças de acordo com o primeiro, de modo que cada par forme uma se­ qüência coesa e lógica. Identifique, em seguida, a letra da seqüência numérica correta (Baseado em Délio Maranhão).

(1) Cumpre, inicialmente, distinguir a higiene do tra­ balho da segurança do trabalho.

(2)

Na evolução por que passou a teoria do risco pro-

(3)

fissional, abandonou-se o trabalho profissional como ponto de referência para colocar-se, em seu lugar, a atividade empresarial. Há que se fazer a distinção entre acidentes do tra­

(4)

balho e doença do trabalho. O Direito do Trabalho reconhece a importância da

função da mulher no lar. (5) Motivos de ordem biológica, moral, social e eco­ nômica encontram-se na base da regulamenta­ ção legal do trabalho do menor.

(

)

A culminação desse processo evolutivo encontra­ se no conceito de risco social e na idéia correlata de responsabilidade social.

(

)

Daí as restrições da jornada normal e ao trabalho noturno.

(

)

A necessidade de trabalhar não deve prejudicar o normal desenvolvimento de seu organismo.

(

)

Enquanto esta é inerente a determinados ramos de atividade, os primeiros são aqueles que ocor­ rem pelo exercício do trabalho, provocando lesão corporal.

(

)

Constitui aquela o conjunto de princípios e regras destinados a preservar a saúde do trabalhador.

A seqüência numérica correta é:

a)

1, 3, 4, 5, 2.

b)

3, 2, 1, 5, 4.

c)

2, 5, 3, 1, 4.

d)

5, 1, 4, 3, 2.

e)

2, 4, 5, 3, 1.

12.

As propostas abaixo dão seguimento coerente e ló­ gico ao trecho citado, EXCETO uma delas. Aponte-a:

“Provavelmente devido à proximidade com os perigos e a morte, os marinheiros dos séculos XV

e

XVI eram muito religiosos. Praticavam um tipo

de religião popular em que os conhecimentos teo­

lógicos eram mínimos e as superstições muitas.” (Janaína Amado, com cortes e adaptações)

a)

Entre essas, figuravam o medo de zarpar numa sexta-feira e o de olhar fixamente para o mar à meia-noite.

b)

Cristóvão Colombo, talvez o mais religioso entre todos os navegantes, costumava antepor a cada coisa que faria os dizeres: “Em nome da Santíssi­ ma Trindade farei isto”.

c)

Apesar disso, os instrumentos náuticos represen­ taram progressos para a navegação oceânica, fa­ cilitando a tarefa de pilotos e aumentando a segu­ rança e confiabilidade das rotas e viagens.

d)

Nos navios, que não raro transportavam padres, promoviam-se rezas coletivas várias vezes ao dia e, nos fins de semana, serviços religiosos especiais.

e)

Constituíam expressão de religiosidade dos ma­ rinheiros constantes promessas aos santos, indi­ viduais ou coletivas.

Leia o texto para solucionar as questões 13 e 14.

1 Cientistas de diversos países decidiram abra­

çar, em 1990, um projeto ambicioso: identificar todo

o código genético contido nas células humanas

(cerca de três bilhões de caracteres). O objetivo

5 principal de tal iniciativa é compreender melhor o funcionamento da vida, e, conseqüentemente, a forma mais eficaz de curar as doenças que nos ameaçam. Como é esse código que define como somos, desde a cor dos cabelos até o tamanho 10 dos pés, o trabalho com amostras genéticas co­ lhidas em várias partes do mundo está ajudando

T

HATYML

Língua Portuguesa

também a entender as diferenças entre as etnias humanas. Chamado de Projeto Genoma Huma­ no, desde o seu início ele não parou de produzir

15 novidades científicas. A mais importante delas é a confirmação de que o homem surgiu realmente na África e se espalhou pelo resto do planeta. A pesquisa contribuiu também para derrubar velhas teorias sobre a superioridade racial e está provan­

20 do que o racismo não tem nenhuma base científi­ ca. É mais uma construção social e cultural. O que percebemos como diferenças raciais são apenas adaptações biológicas às condições geográficas. Originalmente o ser humano é um só. (ISTO É – 15.1.97)

d) As amostras para a pesquisa do Projeto Genoma Humano estão sendo colhidas em diversas par­ tes do mundo.

e) O racismo não tem fundamento científico; é um fenômeno que se forma apoiado em estruturas sociais e culturais.

15. Indique a ordem em que as questões devem se organizar no texto, de modo a preservar-lhe a coe­ são e coerência (Baseado no texto de José Onofre).

(

)

O País não é um velho senhor desencantado com

 

a

vida que trata de acomodar-se.

(

)

O Brasil tem memória curta.

(

) É mais como um desses milhões de jovens mal nascidos cujo único dote é um ego dominante e predador, que o impele para a frente e para cima, impedindo que a miséria onde nasceu e cresceu lhe sirva de freio.

( )

( ) Lembra o personagem de Humphrey Bogart em Casablanca, quando lhe perguntaram o que fizera na noite anterior.

Mas esta memória curta, de que políticos e jornalis­ tas reclamam tanto, não é, como no caso de Bo­ gart, uma tentativa de esquecer os lances mais penosos de seu passado, um conjunto de desilu­ sões e perdas que leva ao cinismo e à indiferença.

( )

“Não lembro”, responde, “faz muito tempo”.

a)

b)

c)

d)

e)

1, 2, 6, 5, 4, 3. 2, 5, 4, 6, 3, 1. 2, 6, 1, 3, 5, 4. 1, 5, 4, 6, 3, 2. 2, 5, 4, 1, 6, 3.

13. Assinale o item em que não há correspondência entre os dois elementos.

a) “tal iniciativa” (l.5) refere-se a “projeto ambicioso”.

b) “ele” (l.14) refere-se a “Projeto Genoma Humano”.

c) “delas” (l.15) refere-se a “novidades científicas”.

d) “A pesquisa” (l.18) refere-se a “Projeto Genoma Humano”.

e) “É mais” (l.21) refere-se a “Pesquisa”.

14. Marque o item que NÃO está de acordo com as idéias do texto.

a) O Projeto Genoma Humano tem como objetivo pri­ mordial reconhecer as diferenças entre as várias raças do mundo.

b) O ser humano tem uma estrutura única independen­ te de etnia e as diferenças raciais provêm da neces­ sidade de adaptação às condições geográficas.

c) O código genético determina as características de cada ser humano, e conhecer esse código levará os cientistas a controlarem doenças.

5.

CONEXÕES

Os conectivos também são elementos de coesão. Uma leitura eficiente do texto pressupõe, entre outros cuida­ dos, o de depreender as conexões estabelecidas pelos conectivos.

5.1. PRINCIPAIS CONECTIVOS

CONJUNÇÕES COORDENATIVAS

5.1. PRINCIPAIS CONECTIVOS CONJUNÇÕES COORDENATIVAS 12 01_Interpretacao de Textos.pmd 12 30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS

T HATYML Língua Portuguesa CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS PRONOMES RELATIVOS Degrau Cultural 13 01_Interpretacao de

PRONOMES RELATIVOS

Portuguesa CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS PRONOMES RELATIVOS Degrau Cultural 13 01_Interpretacao de Textos.pmd 13

Degrau Cultural

13

01_Interpretacao de Textos.pmd

13

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

16.

A

alternativa que substitui, correta e respectiva­

c) Mesmo que os deputados que deponham na CPI

ente, as conjunções ou locuções grifadas nos períodos abaixo é:

Visto que pretende deixar-nos, preparamos uma festa de despedida.

Terá sucesso, contanto que tenha amigos influ­ entes.

 

e

ajudem a elucidar os episódios obscuros do caso

I.

dos precatórios, a confiança na instituição não foi abalada.

II.

d) O ministro reafirmou que é preciso manter a todo custo o plano de estabilização econômica, sob

 

pena de termos a volta da inflação.

III.

Casaram-se e viveram felizes, tudo como estava escrito nas estrelas.

e) Antes de fazer ilações irresponsáveis acerca das medidas econômicas, deve-se procurar conhecer as razões que, por isso as motivaram.

IV.

Foi transferido, portanto não nos veremos com muita freqüência.

a)

porque, mesmo que, segundo, ainda que.

 

As questões 20 e 21 referem-se ao texto que segue.

b)

como, desde que, conforme, logo.

c)

quando, caso, segundo, tão logo.

 

Imposto

d)

salvo se, a menos que, conforme, pois.

 

e)

pois, mesmo que, segundo, entretanto.

 

A insistência das secretarias estaduais de

17.

Assinale a alternativa em que o pronome relativo “onde” obedece aos princípios da língua culta escrita.

 

Fazenda em cobrar 25% de ICMS dos provedores de acesso à Internet deve acabar na Justiça. A paz atual entre os dois lados é apenas para celebrar o fim do ano. Os provedores argumentam que não têm de pagar o imposto porque não são, por lei, considerados empresas de telecomunicação, mas apenas prestadores de serviços. Com o caixa que­ brado, os Estados permanecem irredutíveis. O Mi­ nistério da Ciência e Tecnologia alertou formal- mente ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que

a)

Os fonemas de uma língua costumam ser repre­ sentados por uma série de sinais gráficos deno­ minados letras, onde o conjunto delas forma a palavra.

b)

Todos ficam aflitos no momento da apuração, onde será conhecida a escola campeã.

c)

Foi discutida a pequena carga horária de aulas de Cálculo e Física, onde todos concordaram e dese­ jam mais aulas.

Não se pode ferir um direito constitucional onde visa

a

imposição da cobrança será repassada para o

d)

consumidor e pode prejudicar o avanço da Inter­ net no Brasil. Hoje, pagam-se em média 40 reais para se ligar à rede.

a

garantir a educação pública e gratuita para todos.

 

(Veja – 8/1/97, p. 17)

e)

Não se descobriu o esconderijo onde os seqües­ tradores o deixaram durante esses meses todos.

20.

Infere-se do texto que

 

a)

as empresas caracterizadas como prestadoras de

18.

Nos períodos abaixo, as orações sublinhadas es­ tabelecem relações sintáticas e de sentido com outras orações.

serviço estão isentas do ICMS.

b)

todas as pessoas que desejam ligar-se à Internet devem pagar 40 reais de ICMS.

I.

Eles compunham uma grande coleção, que foi se dispersando à medida que seus filhos se casa­ vam, levando cada qual um lote de herança. (PRO­

c)

os provedores de acesso à Internet estão proces­ sando os consumidores que não pagam o ICMS.

d)

os Estados precisam cobrar mais impostos dos provedores para não serem punidos pelo Ministé­ rio da Ciência e Tecnologia.

desenvolvimento da Internet no Brasil está sen­ do prejudicado pela cobrança do ICMS.

o

PORCIONALIDADE)

 

II.

Mal se sentou na cadeira presidencial, Itamar Fran­ co passou a ver conspirações. (MODO)

a)

III.

Nunca foi professor da UnB, mas por ela se apo­ sentou. (CONTRARIEDADE)

IV.

Mesmo que tenham sido só esses dois, (

)

já não

21.

A conjunção mas no texto estabelece uma relação de

se configuraria a roubalheira (

)

? (CONCESSÃO)

a)

tempo.

A

classificação dessas relações está correta so-

b)

adição.

mente nos períodos

 

c)

conseqüência.

a)

I,

II e III.

d)

causa.

b)

II

e IV.

e)

oposição.

c)

I e III.

   

d)

II,

III e IV.

22.

Assinale a única conjunção incorreta para com­ pletar a lacuna do texto.

e)

I,

III e IV.

 

A

partir do ofício enviado pelo fisco, começou-se a

19.

Os princípios da coerência e da coesão não foram violados em:

levantar informações sobre a sonegação de im­ posto de renda no mundo do esporte no Brasil. “O futebol já é o quarto maior mercado de capitais do mundo”, diz Ives Gandra Martins, advogado tribu­ tarista e conselheiro do São Paulo Futebol Clube, só agora a Receita começa a prestar atenção nos jogadores.

a)

O

Santos foi o time que fez a melhor campanha do

campeonato. Teria, no entanto, que ser o campeão este ano.

b)

Apesar da Sabesp estar tratando a água da Re­ presa de Guarapiranga, portanto o gosto da água nas regiões sul e oeste da cidade melhorou.

14

Degrau Cultural

01_Interpretacao de Textos.pmd

14

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Em outros países não é assim. Nos Estados Unidos, ano passado, a contribuição fiscal do astro do basquete Michael Jordan chegou a 20,8 milhões de dólares. (Exame – 27 de agosto de 1997)

a) todavia.

b) conquanto.

c) entretanto.

d) não obstante.

e) no entanto.

IV. PARÁFRASE Paráfrase é a reprodução explicativa de um texto ou de unidade de um texto, por meio de uma linguagem mais longa. Na paráfrase sempre se conservam basicamen­

te as idéias do texto original. O que se inclui são comen­

tários, idéias e impressões de quem faz a paráfrase. Na escola, quando o professor, ao comentar um texto, inclui outras idéias, alongando-se em função do propósito de ser mais didático, faz uma paráfrase. Parafrasear consiste em transcrever, com novas pala­ vras, as idéias centrais de um texto. O leitor deverá fazer uma leitura cuidadosa e atenta e, a partir daí, rea­ firmar e/ou esclarecer o tema central do texto apresen­ tado, acrescentando aspectos relevantes de uma opi­ nião pessoal ou acercando-se de críticas bem funda­ mentadas. Portanto, a paráfrase repousa sobre o tex­ to-base, condensando-o de maneira direta e imperati­ va. Consiste em um excelente exercício de redação, uma vez que desenvolve o poder de síntese, clareza e precisão vocabular. Acrescenta-se o fato de possibilitar um diálogo intertextual, recurso muito utilizado para efei­ to estético na literatura moderna. Como ler um texto Recomendam-se duas leituras. A primeira chamaremos de leitura vertical e a segunda, de leitura horizontal.

Leitura horizontal é a leitura rápida que tem como finalida­ de o contato inicial com o assunto do texto. De posse desta visão geral, podemos passar para o próximo passo. Leitura vertical consiste em uma leitura mais atenta; é

o levantamento dos referenciais do texto-base para a

perfeita compreensão. É importante grifar, em cada parágrafo lido, as idéias principais. Após escrever à parte as idéias recolhidas nos grifos, procurando dar uma redação própria, independente das palavras utili­ zadas pelo autor do texto. A esta etapa, chamaremos de levantamento textual dos referenciais. A redação fi­ nal é a união destes referenciais, tendo o redator o cuidado especial de unir idéias afins, de acordo com a

identidade e evolução do texto-base.

Exemplo de paráfrase

Profecias de uma Revolução na Medicina Há séculos, os professores de segundo grau da Sar­ denha vêm testemunhando um fenômenos curioso. Com a chegada da primavera, em fevereiro, alguns de seus alunos tornam-se apáticos. Nos três meses sub­ seqüentes, sofrem uma baixa em seu rendimento es­ colar, sentem-se tontos e nauseados, e adormecem na sala de aula. Depois, repentinamente, suas energi­ as retornam. E ficam ativos e saudáveis até o próximo mês de fevereiro.

Os professores sardenhos sabem que os adultos tam­ bém apresentam sintomas semelhantes e que, na re- alidade, alguns chegam a morrer após urinarem uma grande quantidade de sangue. Por vezes, aproximada­ mente 35% dos habitantes da ilha chegam a ser aco­ metidos por este mal.

O Dr. Marcelo Siniscalco, do Centro de Cancerologia

Sloan-Kedttering, em Nova Iorque, e o Dr. Arno G. Motul­ sky, da Universidade de Washington, depararam pela

primeira vez com a doença em 1959, enquanto desen­ volviam um estudo sobre padrões de hereditariedade e determinaram que os sardenhos eram vítimas de ane­ mia hemolítica, uma doença hereditária que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue se desintegrem no interior dos veios sangüíneos. Os pacientes urina­

vam sangue porque os rins filtram e expelem a hemo­ globina não aproveitada. Se o volume de destruição for mínimo, o resultado será a letargia; se for aguda, a doença poderá acarretar a morte do paciente.

A anemia hemolítica pode ter diversas origens. Mas na

Sardenha, as experiências indicam que praticamente todas as pessoas acometidas por este mal têm defici­ ência de uma única enzima, chamada deidrogenase fosfo-glucosada-6 (ou G-6-PD), que forma um elo de

suma importância na corrente de produção de energia para as células vermelhas do sangue. Mas os sardenhos ficam doentes apenas durante a

primavera, o que indica que a falta de G-6-PD da vítima não aciona por si só a doença - que há algo no meio ambiente que tira proveito da deficiência. A deficiência genética pode ser a arma, mas um fator ambiental é quem a dispara. Entre as plantas que desabrocham durante a primave­

ra na Sardenha encontra-se a fava ou feijão italiano ­

observou o Dr. Siniscalco. Esta planta não tem uma boa reputação desde ao ano 500 a.C. , quando o filóso­

fo grego e reformador político Pitágoras proibiu que seus

seguidores a comessem, ou mesmo andassem por entre os campos onde floresciam. Agora, o motivo de

tal proibição tornou-se claro; apenas aquelas pessoas que carregam o gene defeituoso e comiam favas cruas

ou parcialmente cozidas (ou inspiravam o pólen de uma

planta em flor) apresentavam problemas. todos os de­ mais eram imunes. Em dois anos, o Dr. Motusky desenvolveu um teste de

sangue simples para medir a presença ou ausência de G-6-PD. Atualmente, os cientistas têm um modo de de­ terminar com exatidão quem está predisposto à doença

e quem não está; a enzima hemolítica, os geneticistas

começaram a fazer a triagem da população da ilha. Lo­ calizaram aqueles em perigo e advertiram-lhes para evi­

tar favas de feijão durante a estação de floração. Como resultado, a incidência de anemia hemolítica e de estu­ dantes apáticos começou a declinar. O uso de marcado­ res genéticos como instrumento de previsão da reação dos sardenhos à fava de feijão há 20 anos foi uma das primeiras vezes em que os marcadores genéticos eram empregados deste modo; foi um avanço que poderá mudar o aspecto da medicina moderna. Os marcadores genéticos podem prever agora a possível eclosão de outras doenças e, tal como a anemia hemolítica, podem auxiliar os médicos a prevenirem totalmente os ataques em diversos casos. (Zsolt Harsanyi e Richard Hutton, publicado no jornal O Globo).

T

HATYML www.baixebr.org

Língua Portuguesa

23.

Assinale a opção que mantém o mesmo sentido do trecho sublinhado a seguir:

Uma das grandes dificuldades operacionais en­ contradas em planos de estabilização é o conflito entre perdedores e ganhadores. Às vezes reais, outras fictícios, estes conflitos geram confrontos e polêmicas que, com freqüência, podem pressio­ nar os formuladores da política de estabilização a tomar decisões erradas e, com isto, comprometer

c)

Os interesses capitalistas que buscavam ampliar o mercado para seus produtos industriais tiveram peso considerável na formulação da política anti­ negreira inglesa, mas teve-o também a consciên­ cia liberal antiescravista.

d)

Teve peso considerável na política antinegreira britânica, o abolicionismo. Mas as forças de mer­ cado tiveram também peso, pois precisavam dis­ por de consumidores para seus produtos.

e)

Ocorreu uma combinação de idealismo e interes­

o

sucesso das estratégias antiinflacionárias.

ses materiais, na primeira metade do século XIX, na formulação da política britânica de oposição à escravidão negreira.

 

(Folha de S.Paulo, 7/5/94)

a)

Estes conflitos, reais ou fictícios, geram confron­ tos e polêmicas que, freqüentemente, podem pres­ sionar os formuladores da política de estabiliza­ ção a tomar decisões erradas, sem, com isso, comprometer o sucesso das estratégias antiinfla­ cionárias.

V.

Perífrase

Observe:

O

povo lusitano foi bastante satirizado por Gil Vicente.

b)

O sucesso das estratégias antiinflacionárias pode ficar comprometido se, pressionados por confli­ tos, reais ou fictícios, os formuladores da política de estabilização tomarem decisões erradas.

Utilizou-se a expressão “povo lusitano” para substituir “os portugueses”. Esse rodeio de palavras que substi­ tuiu um nome comum ou próprio chama-se perífrase. Perífrase é a substituição de um nome comum ou pró­ prio por um expressão que a caracterize. Nada mais é do que um circunlóquio, isto é, um rodeio de palavras.

Outros exemplos:

c)

Os conflitos, às vezes reais, outras fictícios, que podem pressionar os formuladores da política de estabilização a confrontos e polêmicas, compro­ metem o sucesso das antiinflacionárias.

d)

O sucesso das estratégias antiinflacionárias pode ficar comprometido se os formuladores da política de estabilização, pressionados por confrontos e polêmicas decorrentes de conflitos, tomarem de­ cisões erradas.

astro rei (Sol) | última flor do Lácio (língua portuguesa) Cidade-Luz (Paris) Rainha da Borborema (Campina Grande) | Cidade Ma­ ravilhosa (Rio de Janeiro)

e)

Os formuladores da política de estabilização po­ dem tomar decisões erradas se os conflitos, ge­ rados por confrontos e polêmicas os pressiona­ rem; o sucesso das estratégias antiinflacionárias fica, com isto comprometido.

Observação: existe também um tipo especial de perí­ frase que se refere somente a pessoas. Tal figura de estilo é chamada de antonomásia e baseia-se nas

qualidades ou ações notórias do indivíduo ou da enti­ dade a que a expressão se refere.

 

Exemplos:

24.

Marque a opção que não constitui paráfrase do segmento abaixo:

A

rainha do mar (Iemanjá)

O

poeta dos escravos (Castro Alves)

 

O

criador do teatro português (Gil Vicente)

 

“O abolicionismo, que logrou pôr fim à escravidão nas Antilhas Britânicas, teve peso ponderável na política antinegreira dos governos britânicos du­ rante a primeira metade do século passado. Mas tiveram peso também os interesses capitalistas, comerciais e industriais, que desejavam expandir

VI.

SÍNTESE

A

síntese de texto é um tipo especial de composição

que consiste em reproduzir, em poucas palavras, o que

o

autor expressou amplamente. Desse modo, só de­

vem ser aproveitadas as idéias essenciais, dispensan­

o

mercado ultramarino, de produtos industriais e

do-se tudo o que for secundário.

viam na inevitável miséria do trabalhador escravo um obstáculo para este desiderato.” (P. Singer, A formação da classe operária, São Paulo, Atual, 1988, p.44)

Procedimentos:

1.

Leia atentamente o texto, a fim de conhecer o assun­

to

e assimilar as idéias principais;

 

2.

Leia novamente o texto, sublinhando as partes mais

a)

Na primeira metade do século passado, a despeito da forte pressão do mercado ultramarino em criar consumidores potenciais para seus produtos in­ dustriais, foi o movimento abolicionista o motor que pôs cobro à miséria do trabalhador escravo.

importantes, ou anotando à parte os pontos que devem ser conservados;

3.

Resuma cada parágrafo separadamente, mantendo

a

seqüência de idéias do texto original;

4.

Agora, faça seu próprio resumo, unindo os parágrafos,

b)

A política antinegreira da Grã-Bretanha na primei­ ra metade do século passado foi fortemente influ­ enciada não só pelo ideário abolicionista como também pela pressão das necessidades comer­ ciais e industriais emergentes.

ou fazendo quaisquer adaptações conforme desejar;

5.

Evite copiar partes do texto original. Procure exercitar

seu vocabulário. Mantenha, porém, o nível de lingua-

gem do autor;

16

Degrau Cultural

01_Interpretacao de Textos.pmd

16

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

6. Não se envolva nem participe do texto. Limite-se a sintetizá-lo.

Sem copiar frases, RESUMIR, o texto abaixo:

O QUINZE Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de reti­ rantes se arranchara: uma velha, dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.

O sol, no céu, marcava onze horas. Quando Chico Ben-

to, com seu grupo, apontou na estrada, os homens esfolavam uma rês e as mulheres faziam ferver uma lata de querosene cheia de água, abanando o fogo com

um chapéu de palha muito sujo e remendado. Em toda a extensão da vista, nenhuma outra árvore surgia. Só aquele juazeiro, devastado e espinhento,

verdejava a copa hospitaleira na desolação cor de cin­ za da paisagem. Cordulina ofegava de cansaço. A Limpa-Trilho gania e parava, lambendo os pés queimados. Os meninos choramingavam, pedindo de comer.

E Chico Bento pensava:

– Por que, em menino, a inquietação, o calor, o cansa­ ço, sempre aparecem com o nome de fome?

me dá um taquinho de rapa­

dura!

– Ai, pedra do diabo! Topada desgraçada! Papai, vamos comer mais aquele povo, debaixo desse pé de pau?

O juazeiro era um só. O vaqueiro também se achou no

direito de tomar seu quinhão de abrigo e de frescura.

E depois de arriar as trouxas e aliviar a burra, reparou nos vizinhos. A rês estava quase esfolada. A cabeça inchada não tinha chifres. Só dois ocos podres, mal cheirosos, donde escorria uma água purulenta. Encostando-se ao tronco, Chico Bento se dirigiu aos

esfoladores:

– De que morreu essa novilha, se não é da minha

conta?

Um dos homens levantou-se, com a faca escorrendo

sangue, as mãos tintas de vermelho, um fartum san­ grento envolvendo-o todo:

– De mal-dos-chifres. Nós já achamos ela doente. E vamos aproveitar, mode não dar para os urubus. Chico Bento cuspiu longe, enojado:

– E vosmecês têm coragem de comer isso? Me ripuna só de olhar

O outro explicou calmamente:

– Faz dois dias que a gente não bota um de-comer de panela na boca

Chico Bento alargou os braços, num grande gesto de

fraternidade:

– Por isso não! Aí nas cargas eu tenho um resto de

criação salgada que dá para nós. Rebolem essa por­ queira pros urubus, que já é deles! Eu vou lá deixar um cristão comer bicho podre de mal, tenho um bocado no meu surrão! Realmente a vaca já fedia, por causa da doença. Toda descarnada, formando um grande bloco sangren­ to, era uma festa para os urubus vê-la, lá de cima, lá da frieza mesquinha das nuvens. E para comemorar o achado executavam no ar grandes rondas festivas, ne­ grejando as asas pretas em espirais descendentes. Rachel de Queiroz

– Mãe, eu queria comer

MODELO Arranchados sob um juazeiro, em meio àquela desola­

ção, um bando de retirantes tentava aproveitar uma vaca

já em estado de putrefação, para combater-lhe a fome

de dois dias. Quando Chico Bento, com o seu bando, aproxima-se também em busca de abrigo e, compade­ cendo-se daquela situação, divide com os miseráveis

o resto de alimento que trazia, deixando o animal para os urubus.

VII. COMO RESUMIR UM TEXTO Ler não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber resumir as idéias expres­ sas em um texto não é difícil. Resumir um texto é repro­ duzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.

Para se realizar um bom resumo, são necessárias al­ gumas recomendações:

1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata.

2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou

palavras importantes. Isto ajuda a identificar.

3. Distinguir os exemplos ou detalhes das idéias prin­

cipais.

4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as

diferentes idéias do texto, também chamadas de co­

nectivos: “por causa de”, “assim sendo”, “além do mais”, “pois”, “em decorrência de”, “por outro lado”, “da mes­ ma forma”.

5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um

encerra uma idéia diferente.

6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma

estrutura coerente, isto é, se todas as partes estão bem

encadeadas e se formam um todo.

7. Num resumo, não se devem comentar as idéias do

autor. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu, sem

usar expressões como “segundo o autor”, “o autor afir­ mou que”.

8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de

assunto abordado. É recomendável que nunca ultra- passe vinte por cento da extensão do texto original.

9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálo­

gos, descrições detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes

e as ações mais importantes devem ser registrados.

GABARITO

01.

A

02. C

03. B

04. B

05. C

06.

A

07. C

08. A

09. D

10. E

11.

E

12. C

13. E

14. A

15.

B

16.

B

17. E

18.

E

19. D

20. A

21. E

22.

B

23.

D

24. A

THATYML

Língua Portuguesa

 
 

FONÉTICA, ORTOGRAFIA E ACENTUAÇÃO GRÁFICA

   
   

É

a parte da lingüística que

estuda os sons da fala

 

Ditongo: é a junção de uma vogal + uma semivogal (ditongo decrescente), ou vice-versa (ditongo cres­ cente), na mesma sílaba. Ex.: noite (ditongo decrescente), quase (ditongo cres­ cente).

Tritongo: é a junção de semivogal + vogal + semivogal, formando uma só sílaba. Ex.: Paraguai, argüiu.

(fones).

Fonemas São as entidades capazes de estabelecer distinção entre as palavras. Exemplos: casa/capa, muro/mudo, dia/tia

 

A

troca de um único fonema determina o surgimen­

to de outra palavra ou um som sem sentido. O fonema se manifesta no som produzido e é registrado pela le­ tra, é representado graficamente por ela. O fonema /z/,

por exemplo, pode ser representado por várias letras: z (fazenda), x (exagerado), s (mesa).

 

Hiato: é junção de duas vogais pronunciadas separa­ damente formando sílabas distintas. Ex.: saída, coelho

Atenção: Não se esqueça que só as vogais /i/ e /u/ podem funcionar como semivogais. Quando semivogais, serão representadas por /y/ e /w/ respectivamente.

Atenção: Os fonemas são representados entre barras. Exemplos: /m/, /o/.

Classificação dos fonemas Os fonemas da língua portuguesa classificam-se em vogais, semivogais e consoantes.

Dígrafos

É

a união de duas letras representando um só fone­

Vogais: são fonemas pronunciados sem obstáculo à passagem de ar, chegando livremente ao exterior. Exem­ plos: pato, bota

ma. Observe que no caso dos dígrafos não há corres­ pondência direta entre o número de letras e o número de fonemas. Dígrafos que desempenham a função de consoan­ tes: ch (chuva), lh (molho), nh (unha), rr (carro) e outros. Dígrafos que desempenham a função de vogais na­ sais: am (campo), en (bento), om (tombo) e outros.

Encontros consonantais Quando existe uma seqüência de duas ou mais con­ soantes em uma mesma palavra, denominamos essa seqüência de encontro consonantal.

Semivogais: são os fonemas que se juntam a uma vo­ gal, formando com esta uma só sílaba. Exemplos: cou­ ro, baile. Observe que só os fonemas /i/ e /u/ átonos funcionam como semivogais. Para que não sejam con­ fundidos com as vogais i e u serão representados por [y] e [w] e chamados respectivamente de iode e vau.

Consoantes: são fonemas produzidos mediante a re­ sistência que os órgãos bucais (língua, dentes, lábi­ os) opõem à passagem de ar. Exemplos: caderno, lâmpada.

O

encontro pode acorrer:

– na mesma sílaba: cla-ri-da-de, fri-tu-ra, am-plo.

– em sílabas diferentes: af-ta, com-pul-só-rio

Atenção: Nos encontros consonantais somos capazes de perceber o som de todas as conso­ antes.

língua, a vogal é o elemento

básico, suficiente e indispensável para a forma­ ção da sílaba. Você encontrará sílabas constitu­ ídas só de vogais, mas nunca formadas somen­ te com consoantes. Exemplos: viúva, abelha.

Dica: Em nossa

Sílaba

É

a unidade ou grupo de fonemas emitidos num só

 

impulso da voz.

 

Classificação das vogais 1- Quanto à intensidade

 

Classificação das palavras quanto ao número de sílabas Monossílabas - aquelas que possuem uma só sílaba:

dó, mão, cruz, etc. Dissílabas - aquelas que possuem duas sílabas: sa/ pé, fo/lha, te/la, etc. Trissílabas - aquelas que possuem três sílabas: fun/ da/ção, mé/di/co, etc. Polissílabas - aquelas que possuem mais de três síla­ bas: ve/te/ra/no, na/tu/re/za, pa/la/ci/a/no, etc.

A

intensidade está relacionada com a tonicidade da

vogal. a- tônicas: café, cama

b- átonas: massa, bote

 

2- Quanto ao timbre

O

timbre está relacionado com a abertura da boca

a- abertas: (sapo), (neve), (bola) b- fechadas: ê (mesa), ô (domador), i (bico), u (útero) e todas as nasais

 
 

Divisão silábica

Encontros vocálicos Há três tipos de encontros vocálicos: ditongo, hiato e tritongo.

 

A

fala é o primeiro e mais importante recurso usado

para a divisão silábica na escrita.

18

Degrau Cultural

02_Fonetica, Ortografia e Acent.pmd

18

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Regra geral:

Atenção: Não confunda acento tônico com acento gráfico. O acento tônico está relacionado com intensidade de som e existe em todas as pala­ vras com duas ou mais sílabas. O acento gráfico existirá em apenas algumas palavras e será usado de acordo com regras de acentuação.

Classificação das palavras quanto ao acento tônico As palavras com mais de uma sílaba, conforme a tonicidade, classificam-se em:

Oxítonas: quando a sílaba tônica é a última - coração, São Tomé, etc.

Paroxítonas: quando a sílaba tônica é a penúltima ­ cadeira, linha, régua, etc.

Proparoxítonas: quando a sílaba tônica é a antepenúl­ tima - ibérica, América, etc.

Os monossílabos podem ser tônicos ou átonos:

Tônicos: são autônomos, emitidos fortemente, como se fossem sílabas tônicas. Exemplos: ré, teu, lá, etc. Átonos: apóiam-se em outras palavras, pois não são autônomos, são emitidos fracamente, como se fos­ sem sílabas átonas.São palavras sem sentido quando estão isoladas: artigos, pronomes oblíquos, preposi­ ções, junções de preposições e artigos, conjunções, pronome relativo que. Exemplos: o, lhe, nem, etc.

Acentuação gráfica As palavras em Língua Portuguesa são acentuadas de acordo com regras. Para que você saiba aplicá-las é preciso que tenha claros alguns conceitos como tonici­ dade, encontros consonantais e vocálicos

Toda sílaba, obrigatoriamente, possui uma vogal.

Regras práticas:

Não se separam ditongos e tritongos. Exemplos:

mau, averigüei Separam-se as letras que representam os hiatos. Exemplos: sa-í-da, vô-o Separam-se somente os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc. Exemplos: pas-se-a-ta, car-ro, ex-ce-to Separam-se os encontros consonantais pronunci­ ados separadamente. Exemplo: car-ta Os elementos mórficos das palavras (prefixos, radi­ cais, sufixos), quando incorporados à palavra, obede­ cem às regras gerais. Exemplos: de-sa-ten-to, bi-sa­ vô, tran-sa-tlân-ti-co Consoante não seguida de vogal permanece na sí­ laba anterior. Quando isso ocorrer em início de palavra, a consoante se anexa à sílaba seguinte. Exemplos: ad­ je-ti-vo, tungs-tê-nio, psi-có-lo-go, gno-mo

Acento tônico / gráfico

1 - Sílaba tônica - A sílaba proferida com mais intensi­ dade que as outras é a sílaba tônica. Esta possui o acento tônico, também chamado acento de intensi­ dade ou prosódico:

Exemplos: cajá, caderno, lâmpada

2 - Sílaba subtônica - Algumas palavras geralmente derivadas e polissílabas, além do acento tônico, possuem um acento secundário. A sílaba com acento secundário é chamada de subtônica. Exemplos: terrinha, sozinho

3 - Sílaba átona - As sílabas que não são tônicas nem subtônicas chamam-se átonas. Podem ser pretônicas (antes da tônica) ou postôni­ cas (depois da tônica), Exemplos: barata (átona pretônica, tônica, átona postônica); máquina (tônica, átona postônica, áto­ na postônica).

Para você acentuar uma palavra:

);

1º Divida-a em sílabas; 2º Classifique-a quanto à tonicidade (oxítona, paroxítona

3º De acordo com sua terminação, encaixe-a nos quadros abaixo.

Você deve acentuar as vogais tônicas das:

quadros abaixo. Você deve acentuar as vogais tônicas das: Atenção: não se acentuam as paroxítonas terminadas

Atenção: não se acentuam as paroxítonas terminadas em -ens. Exemplo: itens, nuvens

Degrau Cultural

19

02_Fonetica, Ortografia e Acent.pmd

19

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Acentuam-se:

1. Til Indica nasalidade. Exemplos: maçã, Irã, órgão 2. 3. 4. Hífen Emprega-se o hífen
1.
Til
Indica nasalidade.
Exemplos: maçã, Irã, órgão
2.
3.
4.
Hífen
Emprega-se o hífen nos seguintes casos:
amor-perfeito
Exemplos: dar-lhe, amar-te-ia
– para separar palavras em fim de linha.

Atenção: O verbo TER, VIR e seus derivados não possuem dois EE na 3ª pessoa do plural no pre­ sente do indicativo: ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele contém, eles contêm

Grupos gu, qu antes de e/i Quando o u é proferido e tônico, receberá acento agudo: averigúe, apazigúe, argúis, etc. Quando o referido u é proferido e átono, receberá trema: freqüente, tranqüilo, etc. Quando o u não for pronunciado, formará com q e g dígrafos, ou seja, duas letras representando um único fonema /k/ e /g /. Não apresenta nenhum tipo de acento.

Sinais Gráficos Sinais gráficos ou diacríticos são certos sinais que se juntam às letras, geralmente para lhes dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.

Acento diferencial O acento diferencial (que pode ser circunflexo ou agudo) é usado como sinal distintivo de vocábulos ho­ mógrafos (palavras que apresentam a mesma escri­

ta). Alguns exemplos:

ás (carta de baralho, piloto exímio) - as (artigo femini­ no plural)

Trema Indica que o u dos grupos gue, gui, que, qui é profe­ rido e átono. Exemplos: lingüiça, tranqüilo

côa, côas (verbo coar) - coa, coas (contrações com + a, com + as)

péla, pélas (substantivo e verbo) - pela, pelas (contra­ ções de per + a, per + as)

pára (verbo) - para (preposição)

Apóstrofo Indica a supressão de uma vogal. Pode existir em palavras compostas, expressões e poesias. Exemplos: caixa-d’água, pau-d’água etc.

• pêlo (substantivo) - pelo (per + o)

• pólo, pólos (extremidade, jogo) - pôlo, pôlos (falcão)

pêra (fruta) - péra ou péra-fita (grande pedra antiga, fincada no chão)

em palavras compostas. Exemplos: beija-flor,

• pôr (verbo) - por (preposição)

• porquê (substantivo) - porque (conjunção)

para ligar pronomes átonos às formas verbais.

quê (substantivo, pronome em fim de frase) - que (con­ junção)

para ligar algumas palavras precedidas de prefi­ xos. Exemplos: auto-educação, pré-escolar

20

Degrau Cultural

02_Fonetica, Ortografia e Acent.pmd

20

30/9/2010, 09:45

THATYML

www.baixebr.org

Língua Portuguesa

Observação: o uso do hífen é regulamentado pelo Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portugue­

sa. Por se tratar de um item extremamente complexo, contraditórios quando tratam do assunto. Procuramos prefixos mais comuns.

com regras confusas e extensas, os autores são sintetizar em um quadro o uso do hífen com os

autores são sintetizar em um quadro o uso do hífen com os 5. Acento agudo Indica

5. Acento agudo Indica vogal tônica aberta: pó, ré;

6. Acento circunflexo Indica vogal tônica fechada: astrônomo, três;

7. Acento grave Sinal indicador de crase: à, àquele;

8. Cedilha Indica que o c tem som de ss: pança, muçulmano, moço

Atenção: O cedilha só é acompanhado pelas vogais a, o, u.

Ortografia Palavra constituída das partes:

orto (correta) +grafia (escrita).

A ortografia é a parte da gramática que trata da correta

escrita das palavras.

Nosso alfabeto é composto de 23 letras:

a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, x, z

Observação: Você deve estar se perguntando pelas letras W, Y e K.Elas não pertencem mais ao nosso alfabeto.São usadas apenas em ca­ sos especiais:

Nomes próprios estrangeiros (Wellington,Willian ), Abreviaturas e símbolos de uso internacional (K- potássio,Y-ítrio ), Palavras estrangeiras (show, play )

Emprego de letras

Letra H Por que usar a letra H se ela não representa nenhum som? Realmente ela não possui valor fonético, mas continua sendo usada em nossa língua por força da etimologia e da tradição escrita.

Etimologia: estudo da origem e da evolução das pala­ vras; disciplina que trata da descrição de uma palavra em diferentes estados de língua anteriores por que passou, até remontar ao étimo; origem de um termo, quer na forma mais antiga conhecida, quer em alguma etapa de sua evolução; étimo. Ex: fidalgo é a locução filho de algo (Dicionário Houaiss)

Emprega-se o H:

– Inicial, quando etimológico: horizonte, hulha, etc.

– Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh: cha­ mada, molha, sonho, etc.

– Em algumas interjeições: oh!,

– Em palavras compostas unidos por hífen, se algum

elemento começa com H: hispano-americano, super­ homem, etc. – Palavras compostas ligadas sem hífen não são es­ critas com H. Exemplo: reaver

– No substantivo próprio Bahia (Estado do Brasil), por

tradição. As palavras derivadas dessa são escritas sem H. Exemplo: baiano

hum!, etc.

Atenção: Algumas palavras anteriormente es­ critas com H “perderam” essa letra ao longo do tempo. Exemplos: herba-erva, hibernum-in­ verno, etc.

T

HATYML

Língua Portuguesa

Letras E / I

T HATYML Língua Portuguesa Letras E / I Letras G / J Letras S / Z

Letras G / J

T HATYML Língua Portuguesa Letras E / I Letras G / J Letras S / Z

Letras S / Z

Língua Portuguesa Letras E / I Letras G / J Letras S / Z (língua do

(língua do país).

Atenção: O verbo catequizar é derivado da palavra catequese deveria ser escrito com “s”, mas, como é deriva­

do do grego, já veio formado para nosso vernáculo

MAIZENA é um substantivo próprio, marca registrada.

Letras X / CH

é um substantivo próprio, marca registrada. Letras X / CH 22 Degrau Cultural 02_Fonetica, Ortografia e

22

Degrau Cultural

02_Fonetica, Ortografia e Acent.pmd

22

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Letras SS / Ç

Em frases afirmativas ou negativas, quando pode Para introduzir justificativas ou causas em frases Em
Em frases afirmativas ou negativas, quando pode
Para introduzir justificativas ou causas em frases
Em qualquer tipo de frase, desde que antecedido
Quando equivale a pelo qual (e suas flexões). Ex:
No início de perguntas. Ex: Por que ela não veio?

Uso dos porquês

Porque

ser substituído por pois. Ex: Venha porque precisamos de você.

declarativas, no início ou no meio de respostas. Ex: Ela não veio porque não quis.

Porquê

de artigo ou pronome. Ex: Não me interessa o porquê

de sua ausência.

Por que

Essa é a rua por que passamos.

Quando equivale a “por que razão”. Ex: Eis por que não te amo mais.

Por quê

No final de frases interrogativas. Ex: Ela não veio por quê?

Quando a expressão estiver isolada. Ex: Nunca mais volto aqui. Por quê?

Uso do Onde e do Aonde

Onde é o lugar em que se está. Usados com verbos que não indicam movimento. Observe: Onde você estava no sábado? Onde eu pode­ ria estar, estava na casa de vovó.

Aonde é o lugar a que se vai. Usado com verbos que indicam movimento. Observe: Aonde você vai esta noite? Eu vou ao restau­ rante mexicano, jantar com meu marido.

Degrau Cultural

23

02_Fonetica, Ortografia e Acent.pmd

23

30/9/2010, 09:45

T HATYML

Língua Portuguesa

EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS

Estudo da constituição das palavras e dos proces­ sos pelos quais elas são construídas a partir de suas partes componentes, os morfemas; parte da gramática que estuda as classes de palavras, seus paradigmas de flexões com suas exceções.

Estrutura das palavras

As palavras são constituídas de morfemas. São eles:

Radical É o elemento comum de palavras cognatas também chamadas de palavras da mesma família. É responsá­ vel pelo significado básico da palavra. Exemplo: terra, terreno, terreiro, terrinha, enterrar, ter­ restre

Atenção:

Às vezes, ele sofre pequenas alterações. Ex.: dormir, durmo; querer, quis As palavras que possuem mais de um radical são chamadas de compostas. Ex.: passatempo

Vogal Temática Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos. Fica entre dois morfemas. Existe vogal temática em verbos e nomes. Exemplo: beber, rosa, sala

Nos verbos, a VT indica a conjugação a que pertencem (1ª, 2ª ou 3ª ). Exemplo: partir- verbo de 3ª conjugação

Há formas verbais e nomes sem VT. Exemplo: rapaz, mato(verbo)

Tema Tema = radical + vogal temática Exemplo: cantar = cant + a, mala = mal + a, rosa = ros + a

Afixos São partículas que se anexam ao radical para for-

mar outras palavras. Existem dois tipos de afixos:

– Prefixos: colocados antes do radical.

Exemplo: desleal, ilegal.

– Sufixos: colocados depois do radical. Exemplo: folhagem, legalmente.

Desinências São morfemas colocados no final das palavras para indicar flexões verbais ou nominais.

Podem ser:

Nominais: indicam gênero e número de nomes (subs­ tantivos, adjetivos, pronomes, numerais). Exemplo: casa - casas, gato - gata

Verbais: indicam número, pessoa, tempo e modo dos verbos. Existem dois tipos de desinências verbais: de­ sinências modo-temporal (DMT) e desinências núme­ ro-pessoal (DNP). Exemplo: Nós corremos, se eles corressem (DNP); se nós corrêssemos, tu correras (DMT)

Atenção: A divisão verbal em morfemas será melhor explicada em: classes de palavras/ verbos. Algumas formas verbais não têm desinências como: trouxe, bebe

Verbo-nominais: indicam as formas nominais dos ver­ bos (infinitivo, gerúndio e particípio). Exemplo: beber, correndo, partido

gerúndio e particípio). Exemplo: beber, correndo, partido 24 03_MORFOLOGIA.pmd 24 30/9/2010, 09:45 Degrau

T

HATYML

Língua Portuguesa

Processos de formação de palavras

Maneira como os morfemas se organizam para formar as palavras.

DERIVAÇÃO

Prefixal: A derivação prefixal é um processo de for- mar palavras no qual um prefixo ou mais são acres­ centados à palavra primitiva. Exemplo: re/com/por (dois prefixos), desfazer, impa­ ciente.

Sufixal: A derivação sufixal é um processo de formar palavras no qual um sufixo ou mais são acrescen­

tados à palavra primitiva. Exemplo: realmente, folhagem.

Prefixal e Sufixal: A derivação prefixal e sufixal exis­ te quando um prefixo e um sufixo são acrescenta­ dos à palavra primitiva de forma independente, ou seja, sem a presença de um dos afixos a palavra continua tendo significado. Exemplo: deslealmente (des- prefixo e -mente sufixo). Você pode observar que os dois afixos são indepen­ dentes: existem as palavras desleal e lealmente.

Parassintética: A derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são acrescentados

à palavra primitiva de forma dependente, ou seja,

os dois afixos não podem se separar, devem ser usados ao mesmo tempo, pois sem um deles a palavra não se reveste de nenhum significado. Exemplo: anoitecer ( a- prefixo e -ecer sufixo), neste caso, não existem as palavras anoite e noitecer, pois os afixos não podem se separar.

Regressiva: A derivação regressiva existe quando morfemas da palavra primitiva desaparecem. Exemplo: mengo (flamengo), dança (dançar), portu­ ga (português).

Imprópria: A derivação imprópria, mudança de clas­ se ou conversão ocorre quando palavra comumen­ te usada como pertencente a uma classe é usada como fazendo parte de outra. Exemplo: coelho (substantivo comum) usado como substantivo próprio em Daniel Coelho da Silva; ver­ de geralmente como adjetivo (Comprei uma cami­ sa verde.) usado como substantivo (O verde do par- que comoveu a todos.)

COMPOSIÇÃO Processo de formação de palavras através do qual novas palavras são formadas pela junção de duas ou mais palavras já existentes. Existem duas formas de composição:

Justaposição

Aglutinação

A justaposição ocorre quando duas ou mais pala­

vras se unem sem que ocorra alteração de suas for-

mas ou acentuação primitivas. Exemplo: guarda-chuva, segunda-feira, passatempo.

A aglutinação ocorre quando duas ou mais pala­

vras se unem para formar uma nova palavra ocorrendo alteração na forma ou na acentuação.

Exemplo: fidalgo (filho + de + algo), aguardente (água + ardente)

NEOLOGISMO Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, a verbo teadorar. Intransitivo:

Teadoro, Teodora.

(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970)

HIBRIDISMO Consiste na formação de palavras pela junção de radi­ cais de línguas diferentes. Exemplo: auto/móvel (grego + latim); bio/dança (grego + português)

ONOMATOPÉIA Consiste na formação de palavras pela imitação de sons e ruídos. Exemplo: triiim, chuá, bué, pingue-pongue, miau, tique­ taque, zunzum

SIGLA Consiste na redução de nomes ou expressões empre­ gando a primeira letra ou sílaba de cada palavra. Exemplo: UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais, IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ABREVIAÇÃO Consiste na redução de parte de palavras com objetivo de simplificação. Exemplo: moto (motocicleta), gel (gelatina), cine (cinema).

CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS As palavras costumam ser agrupadas em classes, de acordo com suas funções e formas.

agrupadas em classes, de acordo com suas funções e formas. Degrau Cultural 03_MORFOLOGIA.pmd 25 30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Substantivo

É a palavra que dá nome aos seres, coisas e senti­

mentos. Classificam-se em:

nome aos seres, coisas e senti­ mentos. Classificam-se em: Os substantivos flexionam-se para indicar gênero, número

Os substantivos flexionam-se para indicar gênero, número e grau.

I – Gênero:

É a categoria gramatical que, no português, distribui os

nomes masculinos e femininos, não existindo corres­ pondência nenhuma entre gênero masculino e sexo

masculino, ou gênero feminino e sexo feminino.

a) BIFORMES – MASCULINOS, FEMININOS – regula-

res (menino e menina, gato e gata) e irregulares (bode

e

cabra, pai e mãe).

b)

UNIFORMES – EPICENOS (não aceitam a flexão do

determinante, referem-se somente a animais, vegetais,

aves e insetos – macho e fêmea), SOBRECOMUNS (não aceitam nem a flexão do elemento determinante – a testemunha, o cônjuge), COMUM DE DOIS GÊNEROS

(caracterizam-se pela flexão do elemento determinante

– o/a jovem, o/a poeta).

II – Número

a) SINGULAR – indica um só ser. Ex.: menino

b) PLURAL – indica mais de um ser ou mais de um

conjunto de seres. Ex.: meninos

III – Grau

a) AUMENTATIVO:

SINTÉTICO – usando sufixos. ANALÍTICO: poeta grande

Ex.: poetastro

b) DIMINUTIVO:

ANALÍTICO: corpo minúsculo SINTÉTICO – usando sufixos.

Adjetivo

VILA VELHA

Ex.: corpúsculo

“Do lado oposto às verdes colinas que se perdem no horizonte, gigantescas rochas formam paredões e desenham uma paisagem árida e silenciosa, num ce­ nário de terra vermelha e vegetação rasteira. Os índi­ os chegaram, olharam, batizaram de Itacueretaba – “ci­ dade extinta de pedras” – e trataram de se mandar para paragens mais animadas. Até hoje, os únicos ha­ bitantes destes vastos campos são lobos-guarás, ja­ guatiricas, perdizes e tamanduás-bandeiras. A principal atração do Parque Estadual de Vila Velha são 22 enormes blocos areníticos esculpidos pela chuva, pelo vento e movimentos de terra, ao longo de 350 milhões de anos. Neles, o tempo imitou a arte nas figuras de um ca­ melo, um leão, uma bota, um rinoceronte, a proa de um navio, a cabeça de um índio, uma taça, cogumelos.”

(Guia Turístico da Folha de S. Paulo)

O texto acima é descritivo. O autor tem como objetivo fundamental caracterizar Vila Velha, um dos pontos tu­ rísticos do Brasil. Para isso, citou alguns seres que com­ põem a paisagem, identificou características de alguns deles e atribuiu características a outros. As característi­ cas foram expressas pelos então chamados adjetivos.

Adjetivo é uma palavra variável que modifica substanti­ vos, atribuindo uma característica aos seres nomea­ dos por eles: Paisagem silenciosa.

LOCUÇÃO ADJETIVA

É o grupo formado de preposição mais substantivo,

com valor e emprego de adjetivo: A água da chuva.

Os adjetivos se classificam quanto:

I – À FORMA

PRIMITIVO não provém de outra palavra da lín­ gua: bonito, feio, alto, loiro etc.

DERIVADO provém de outra palavra da língua:

bondoso, amoroso, maldoso etc.

SIMPLES possui apenas um radical: povo japo­ nês, preocupações políticas, árvore nova etc.

COMPOSTO possui mais de um radical: estudos luso-ítalo-brasileiros, temas políticos-sociais, in­ divíduo rubro-negro.

II – AO GÊNERO

Uniformes apresentam forma única para ambos os gêneros: homem interessante, vinho quente.

Biformes apresentam duas formas, uma para o masculino, outra para o feminino: ator famoso/atriz famosa.

III

– AO NÚMERO

Os adjetivos simples fazem o plural seguindo as mes­ mas regras dos substantivos simples: livros utéis, car­ tões iguais.

T

HATYML

Língua Portuguesa

Os adjetivos compostos fazem o plural com flexão do último elemento: castanho-escuros. Se o último elemento for um substantivo, não have­

rá flexão, ou seja, ficará invariável: tapetes verde-es­

meralda.

IV – AO GRAU

Comparativo pelo qual se indica se o ser é superior,

inferior ou igual na qualificação.

Superior: Pedro é mais inteligente que Paulo.

Inferior:

Igualdade: Pedro é tão inteligente quanto Paulo.

Paulo é menos inteligente que Pedro.

Superlativo pelo qual uma qualidade é levada ao mais alto grau de intensidade.

Analítico: Pedro é muito inteligente.

Sintético: Pedro é inteligentíssimo.

Exercício

01. Retire, do texto abaixo, os substantivos e os adjetivos:

“A infância é generosa e tem sentimentos de digni­ dade que os interesses da vida adulta muitas vezes obscurecem. A infância aprende por símbolos. Colom­ bo não era só um grande navegador, mas um símbolo.

Não aprendemos com ele a arte de navegar: mas a de cumprir um desatino grandioso e amargo. E isso ainda

é maior que descobrir a América.” (Cecília Meireles)

Gabarito:

Substantivos: infância, sentimentos, dignidade, interes­ ses, vida, vezes, símbolos, Colombo, navegador, arte, desatino e América. Adjetivos ou locuções adjetivas: generosa, de dignida­ de, adulta, grande, de navegar, grandioso, amargo e maior.

Artigo

É a palavra variável que antecede o substantivo, indi­

cando seu gênero e número, além de defini-lo ou não.

DEFINIDO: que se trata de um ser já conhecido do leitor ou do ouvinte, seja por ter sido mencionado antes, seja por ser objeto de um conhecimento de experiência. São eles: O, A, OS, AS. O rapaz saiu de casa cedo. A mulher queria muito ter filhos.

INDEFINIDO: que se trata de um simples represen­ tante de uma dada espécie ao qual não se fez men­ ção anteriormente. São eles: UM, UMA, UNS, UMAS. Um cachorro atravessou na frente do carro. Uma mulher libertou-se do algoz.

Importante:

Embora o artigo sempre anteceda a um subs­ tantivo, não é necessário que ele esteja ime­ diatamente antes deste. Às vezes, aparece outra palavra, pertencente a outra classe gra­ matical, entre ambos: O novo carro.

Os artigos podem combinar-se com prepo­ sições: de + o = do, em + o = no, etc.

Numeral É a palavra que exprime quantidade, ordem, fração e multiplicação.

CLASSIFICAÇÃO

CARDINAIS: quantidade – um, dois, três

ORDINAIS: ordem – primeiro, segundo

FRACIONÁRIOS: fração – meio, terço

MULTIPLICATIVOS: multiplicação – duplo, triplo

Lembre-se: a grafia correta do numeral 50 é cin­ qüenta.

Pronome “Nicolau Fagundes Varela entregou-se a todos os te­ mas e aos versos de todas as medidas. Não é fácil, portanto, classificá-lo- nesta ou naquela modalidade poética. Qualquer rótulo para marcá-lo seria sempre incompleto. Sertanista, bucólico, lírico, paisagista, mís­ tico, épico, descritivo, patriótico, de tudo ele foi, um pou­ co de cada vez.

(CAVALHEIRA, E. Fagundes Varela. Ed. Rio de Janeiro, Agir, 1975. P. 6 [Nossos Clássicos]) .

Observe as palavras em destaque no texto: todos, todas, lo, esta, aquela, qualquer, ele, cada. As palavras lo e ele substituem o substantivo Fagundes Varela; as demais acompanham o nome. Todas essas palavras são pronomes.

Os nomes são palavras com conteúdo significativo, que simbolizam seres que temos em mente. Os prono­ mes têm pouco conteúdo significativo, exercendo no texto as seguintes funções:

Representar as pessoas do discurso:

No texto acima, o jornalista se refere a Fagundes Vare­

la, emprega o pronome ele, que alude à 3 a pessoa do discurso, aquela de quem se fala.

Remeter a termos já enunciados no texto:

“Qualquer rótulo para marcá-lo”, este pronome lo está

substituindo o nome de Fagundes Varela para não tor­ nar o texto repetitivo.

Pronome é a palavra que substitui o substantivo (pro­ nome substantivo) ou acompanha o substantivo (pro­ nome adjetivo). Quando acompanha o substantivo, de­ termina-o no espaço ou no contexto.

Degrau Cultural

27

03_MORFOLOGIA.pmd

27

30/9/2010, 09:45

T

HATYML www.baixebr.org

Língua Portuguesa

Os pronomes classificam-se em:

(O Estado de Em frente de ti = em tua frente Ao lado de mim
(O
Estado de
Em frente de ti = em tua frente
Ao lado de mim = ao meu lado
Em favor de nós = em nosso favor
Por causa de você = por sua causa

1. PESSOAIS

OBSERVAÇÕES

Os pronomes possessivos indicam aquilo que perten­ ce ou cabe a cada uma das pessoas gramaticais.

o pronome você, embora seja pronome de trata­ mento, tem substituído o pronome tu no português do Brasil.

tem substituído o pronome tu no português do Brasil. • na norma culta, os pronomes pessoais

na norma culta, os pronomes pessoais retos funci­ onam como sujeito.

os pronomes oblíquos podem ser:

a) átonos – empregados sem preposição – objeto di­ reto ou objeto indireto, sendo que, o, a, os, as serão sempre objetos diretos e, lhe, lhes sempre serão objetos indiretos;

Emprego ambíguo do possessivo de 3 a pessoa As formas seu, sua, seus, suas aplicam-se indiferen­ temente ao possuidor da 3 a pessoa do singular ou da 3 a pessoa do plural, seja este possuidor masculino ou feminino. O fato de concordar o possessivo unicamen­ te provoca dúvida a respeito do possuidor.

b) tônicos – sempre precedidos de preposição;

os pronomes oblíquos o, a, os, as podem assumir as seguintes formas:

a) lo, la, los, las depois de verbos terminados em r, s, z; quando vierem posposto ao designativo eis ou aos pronomes nos e vos: Vou recebê-lo como amigo.

b) no, na, nos, nas depois de verbos terminados em ditongo nasal (am, em, ão, õe): O lápis caiu. Peguem-no.

Para evitar qualquer ambigüidade, o português nos ofe­ rece o recurso de precisar a pessoa do possuidor com a substituição de seu (s), sua (s), pelas formas dele (s), dela (s), de você, do senhor, da senhora e outras expressões de tratamento.

Pronomes Pessoais de Tratamento São palavras ou expressões utilizadas para as pesso­ as com quem se fala. São, portanto, pronomes de 2 a pessoa, embora sejam empregados com verbo na 3 a pessoa. Esses pronomes, que aparecem apenas na linguagem

Substantivação dos possessivos No singular, o que pertence a uma pessoa: A moça não tinha um minuto de seu.

formal, expressam uma atitude cerimoniosa do emissor em relação ao interlocutor ou à pessoa de quem se fala. Ex.: Sua Santidade volta ao Brasil 17 anos mais velho

No plural, os parentes de alguém, seus companhei­ ros, compatriotas ou correligionários: Saudades a to- dos os teus.

desde que esteve aqui pela primeira vez S Paulo)

Emprego do possessivo pelo pronome oblíquo tônico Em certas locuções prepositivas, o pronome oblíquo tônico, que deve seguir a preposição e com ela formar um complemento nominal do substantivo anterior, é normalmente substituído pelo pronome possessivo correspondente. Assim:

Lembre-se que referindo-se à 2ª pessoa são acompanhados pela forma VOSSA, referindo-se à 3ª pessoa são acompanhados pela forma SUA

São eles: você, Vossa Alteza, Vossa Eminên­ cia, Vossa Excelência, Vossa Magnificência, Vossa Majestade, Vossa Meritíssima, Vossa Reverendíssima, Vossa Senhoria e Vossa San­ tidade.

2.

Estreitamente relacionados com os pronomes pesso­ ais estão os pronomes possessivos e os demonstrati­ vos. Os pronomes pessoais, como já vimos, denotam as pessoas gramaticais; os outros indicam algo deter­ minados por elas.

PRONOMES POSSESSIVOS

3. PRONOMES DEMONSTRATIVOS São palavras que situam a pessoa ou a coisa designa­ da relativamente às pessoas gramaticais. Podem si­ tuá-los no espaço ou no tempo. Ex.: Lia coisas incríveis para aquele lugar e aquele tempo.

T

HATYML

Língua Portuguesa

Mas os demonstrativos empregam-se também para lembrar ao ouvinte ou ao leitor o que já foi mencionado ou o que vai mencionar. Ex.: A ternura não embarga a discrição nem esta dimi­ nui aquela.

não embarga a discrição nem esta dimi­ nui aquela . As formas variáveis podem funcionar como

As formas variáveis podem funcionar como pronomes adjetivos e como pronomes substantivos: Este (PA) li­ vro é meu. Meu livro é este (PS).

Este (PA) li­ vro é meu. Meu livro é este (PS). Valores Gerais: • este, esta,

Valores Gerais:

este, esta, isto indicam o que está perto da pessoa que fala e o tempo presente em relação à pessoa que fala;

esse, essa, isso designam o que está perto da pes­ soa a quem se fala e o tempo passado ou futuro com relação à época em que se coloca a pessoa que fala;

aquele, aquela, aquilo denotam o que está afasta­ do tanto da pessoa que fala como da pessoa a quem se fala, e ainda um afastamento no tempo de modo vago, ou uma época remota. Veja:

no tempo de modo vago, ou uma época remota. Veja: 4. PRONOMES RELATIVOS É aquele que

4. PRONOMES RELATIVOS É aquele que se refere a termos já expressos e, ao mesmo tempo, introduz uma oração dependente. Ex.: Esta carta que recebi.

uma oração dependente. Ex.: Esta carta que recebi. 5. PRONOMES INTERROGATIVOS As palavras que, quem, qual
uma oração dependente. Ex.: Esta carta que recebi. 5. PRONOMES INTERROGATIVOS As palavras que, quem, qual

5. PRONOMES INTERROGATIVOS

As palavras que, quem, qual e quanto empregadas na formulação de perguntas são chamadas de prono­

mes interrogativos. Ex.: Quem seria ele?

de prono­ mes interrogativos . Ex.: Quem seria ele? O que distingue os interrogativos dos demais

O que distingue os interrogativos dos demais prono­ mes é sua função básica: a de inquirir algum interlocu­ tor. O interrogativo aponta para a pessoa ou coisa a que se refere mediante uma pergunta, direta ou indireta. Sua significação, assim como nos indefinidos é in­ determinada. Por isso, após seu uso o interlocutor es­ pera uma resposta que esclareça o que se perguntou.

6. PRONOMES INDEFINIDOS

É aquele que se refere à 3 a pessoa gramatical, tornan­ do-a vaga, indefinida, imprecisa.

gramatical, tornan­ do-a vaga, indefinida, imprecisa. LOCUÇÕES PRONOMINAIS São grupo de palavras cujo sentido

LOCUÇÕES PRONOMINAIS São grupo de palavras cujo sentido equivale ao dos pronomes indefinidos: cada um, cada qual, quem quer que, todo aquele, seja quem for, seja qual for, um ou outro, tal qual, tal e qual, etc.

Degrau Cultural

29

03_MORFOLOGIA.pmd

29

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

Verbo

“A Antigüidade greco-romana conheceu o amor quase sempre como uma paixão dolorosa e, apesar disso, digna de ser vivida e em si mesma desejável. Esta verdade, legada pelos poetas de Alexandria e Roma, não perdeu nem um pouco de sua vigência: o amor é desejo de completude e assim responde a uma ne­ cessidade profunda dos homens.”

(PAZ, O. A dupla chama: amor e erotismo. São Paulo, Siciliano, 1994. p. 69.)

As palavras em destaque em destaque no texto expri­ mem fatos, situando-os no tempo.

Verbo é a palavra que exprime ação, estado, mu­ dança de estado, fenômeno natural e outros pro­ cessos, flexionando-se em pessoa, número, modo, tempo e voz.

Flexão é o acidente gramatical que muda a forma do verbo para que este expresse mudança de voz, modo, tempo, número e pessoa.

expresse mudança de voz, modo, tempo, número e pessoa. TEMPOS VERBAIS O tempo verbal indica o

TEMPOS VERBAIS O tempo verbal indica o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo. Os três tempos básicos são o presente, o passado e o futuro.

Do Indicativo:

Presente enuncia um fato como atual: eu falo

Pretérito imperfeito apresenta o fato como ante­ rior ao momento atual, mas ainda não concluído no momento passado a que nos referimos: eu falava

Pretérito perfeito refere-se a um fato já concluí­ do em época passada: eu falei (forma simples) eu tenho/hei falado (forma composta)

Pretérito mais-que-perfeito expressa um fato anterior a outro fato que também é passado: eu fa­ lara (forma simples) eu tinha/havia falado (forma composta)

Futuro do presente enuncia um fato que deve realizar-se num tem vindouro em relação ao pre­ sente: eu falarei (forma simples) eu terei/haverei

falado (forma composta)

Futuro do pretérito expressa um fato posterior com relação a outro fato já passado; freqüentemen­ te, o outro fato já passado é dependente do primeiro e inclui uma condição: eu falaria (forma simples) eu teria/haveria falado (forma composta)

Do Subjuntivo:

Presente traduz um fato subordinado a outro e que se desenvolve no momento atual; expressa dú­ vida, possibilidade, suposição; pode ainda formar orações optativas: que eu fale

Pretérito perfeito refere-se ao fato passado su­ postamente concluído: que eu tenha/ haja falado (for­ ma composta)

Pretérito mais-que-perfeito indica uma ação anterior a outra, dentro do sentido eventual típico do subjuntivo: se eu tivesse/houvesse falado (forma composta)

Pretérito imperfeito refere-se a um fato passa­ do, mas posterior e dependente de outro fato pas­ sado: se eu falasse (forma simples)

Futuro expressa fato vindouro – condicional, tem­ poral ou conformativo – dependente de outro fato também futuro: quando eu falar (forma simples) quando eu tiver/houver falado (forma composta)

Do Imperativo:

Só aparece no discurso direto.

composta) Do Imperativo: Só aparece no discurso direto. Tempos primitivos e derivados Tempos priitivos são os

Tempos primitivos e derivados Tempos priitivos são os que dão origem a outros tem­ pos, chamados derivados. Existem dois tempos e uma forma nominal que dão origem a todos os tempos e formas nominais, inclusive a um modo, o imperativo. Tomemos por exemplo o verbo caber.

T

HATYML

Língua Portuguesa

T HATYML Língua Portuguesa Vozes verbais As vozes verbais indicam o relacionamento do su­ jeito com

Vozes verbais As vozes verbais indicam o relacionamento do su­ jeito com o processo verbal. São elas:

ATIVA quando o sujeito é agente da ação: Ber­ nardo feriu o colega.

PASSIVA quando o sujeito é o paciente da ação verbal: O colega foi ferido por Bernardo.

REFLEXIVA quando o sujeito é agente e paciente da ação verbal: Bernardo feriu-se.

Formação da voz passiva Vimos que na voz passiva o verbo indica a ação recebida pelo sujeito, sendo este denominado, então, paciente.

A voz passiva pode ser analítica (formada com os ver­ bos SER, ESTAR e FICAR, seguidos de particípio) ou sintética, também chamada pronominal (formada com um verbo transitivo direto acompanhado do pronome SE, que se diz pronome apassivador). Ex.: Um livro foi comprado por Pedro. (analítica) Comprou-se um livro. (sintética)

Tanto na transformação da ativa para a passiva, como vice-versa, os termos indicado abaixo se correspondem. Suj. passiva = OD ativa Suj. ativa = Ag. pass.

Quando o verbo ativo vem precedido de um verbo auxi­ liar, este não sofre transformação na passagem para a voz passiva (exceto a exigida pela concordância):

a) coloca-se o último verbo (o principal) no particípio;

b) conjuga-se o verbo ser na forma em que estava o

verbo principal;

c) repete-se o auxiliar, procedendo a concordância.

V. A.:

Os técnicos estão procurando uma solução.

V. P.: Uma solução está sendo procurada pelos técnicos.

Formas nominais do verbo

Infinitivo Impessoal terminado em r para qual­ quer pessoa, é o nome do verbo: falar, vender, partir

Infinitivo Pessoal além da desinência r, vem marcado com desinência de pessoa e número:

Falar - Falar - es Falar - Falar - mos Falar – des Falar – em As desinências de pessoa e número são um recur-

so para indicar, sem ambigüidade, ou para enfatizar, o sujeito do processo expresso pelo infinitivo.

Gerúndio funciona como adjetivo ou como advér­ bio: Vi a menina chorando.

Particípio é empregado na formação dos tem­ pos compostos. Fora disso, é um verdadeiro adjeti­ vo (chamado adjetivo adverbial), devendo ser flexio­ nado, como adjetivo, em gênero, número e grau:

Tínhamos estudado a lição.

Lembre-se:

a) Verbo auxiliar + particípio do verbo principal = forma composta Verbo auxiliar + gerúndio ou infinitivo = locução ver­ bal os particípios regulares são empregados com os verbos auxiliares TER e HAVER: O rapaz tinha entregado a pizza.

b) os particípios irregulares são empregados com os verbos auxiliares SER e ESTAR: A pizza foi entregue pelo rapaz.

c) GANHAR, GASTAR e PAGAR são abundantes: ga­ nhado e ganho.

d) Obs: as formas irregulares podem ser usadas com os verbos SER, ESTAR, TER e HAVER. CHEGAR apresenta apenas a forma regular: CHE­ GADO (chego NÃO existe).

T

HATYML

Língua Portuguesa

T HATYML Língua Portuguesa Advérbio Classificação dos verbos Classificação do advérbio “Invejo o ourives
Advérbio Classificação dos verbos Classificação do advérbio “Invejo o ourives quando escrevo: Imito o amor
Advérbio
Classificação dos verbos
Classificação do advérbio
“Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor.”
(Olavo Bilac)
Conjunção

“Os homens do cortiço quase sempre trabalham fora (serventes, carregadores, funcionários públicos hu­ mildes), salvo os adolescentes malandros e os doen­ tes. E, durante o dia, o cortiço é das crianças, inúmeras, que povoam o pátrio comum, e das mulheres, sempre às voltas com as tinas de roupas.” (A capital federal no início do século. Nosso século São Paulo, Abril Cultural, 1980. V. 1.)

REGULAR: é aquele cujo o radical não se altera e cujas terminações seguem o modelo da conjuga­ ção a que pertence. Cantar, vender, partir.

Observe as palavras em destaque no texto, todas elas são advérbios. Estes são palavras que modificam um verbo, um adjetivo, outro advérbio ou uma oração inteira. Advérbio modifica um verbo, quando ao verbo é acrescentado uma circunstância: Pedro constrói um muro ali. Advérbio modifica um adjetivo, quando o advérbio está intensificando o significado do adjetivo: Estradas muito ruins. Advérbio modifica outro advérbio, quando o advér­ bio está intensificando outro advérbio: As meninas vão muito bem. Advérbio modifica uma oração inteira, quando este indica uma circunstância para todos os elementos da oração: Lamentavelmente eu não te amo mais.

IRREGULAR: é aquele cujo radical se altera ou cujas terminações não seguem o modelo da conjugação a que pertence. Estar, ouvir.

ANÔMALO: é aquele que cuja conjugação inclui mais de um radical. Apresenta transformações profundas no radical: ser e ir.

DEFECTIVO: é aquele que não é conjugado em to­ das as formas; tem, pois, conjugação incompleta:

abolir, falir.

AUXILIAR: é aquele que, desprovido total ou parcial­ mente de sentido próprio, junta-se a outro verbo, formando uma unidade de significado e constituin­ do a chamada locução verbal: ser, estar, ter, haver.

Locução adverbial É um conjunto de palavras podendo exercer a fun­ ção de advérbio. Ex.: Nesse final de tarde todos saímos para passear.

Preposição

CONFORME, SALVO, TIRANTE, CONSOANTE, MEDI­ ANTE, EXCETO.

Obs.: QUE é preposição quando der para substituir por DE. Ex.: tenho que passar./ tenho de passar.

LOCUÇÕES PREPOSITIVAS São expressões que equivalem a verdadeiras preposi­ ções: abaixo de, acerca de, através de, em cima de, fora de, juntamente com, etc.

Preposição é a palavra invariável que relaciona dois termos. Nessa relação, um termo completa ou explica o sentido do outro. São essenciais as preposições propriamente ditas:

A, ANTE, ATÉ, APÓS COM, CONTRA, DE, DESDE, EM ENTRE, PARA, PER, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE E TRÁS.

“Sagitário – A lua volta você para as coisas práticas, mas evite desatenções para que tudo se resolva. Dica: restrinja seus gastos e perceba que despesas desnecessárias só servem para aquecer o consumo.

São acidentais as preposições que provierem de outras classes:

32

Degrau Cultural

03_MORFOLOGIA.pmd

32

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

as é, subordinam uma oração à outra.
as
é, subordinam uma oração à outra.

relações que estabelecem entre termos ou orações.

Conjunção é a palavra invariável que estabelece relação mesma função sintática.

Classificação

Coordenativas – são classificadas de acordo com

Subordinativas – ligam orações dependentes, isto

entre duas orações ou entre dois termos que exercem a

Interjeição

É a palavra que expressa estados emotivos. Como tem sentido completo, trata-se de uma palavra-frase. Cum­ prem, basicamente, duas funções:

sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, tristeza, dor, animação, etc. Ex.: Oh! Onde estou?

sintetizar uma frase apelativa. Ex.: Cuidado, Senhor Augusto!

Degrau Cultural

33

03_MORFOLOGIA.pmd

33

30/9/2010, 09:45

THATYML

Língua Portuguesa CRASE É fusão da preposição a com o artigo a ou com o
Língua Portuguesa
CRASE
É
fusão da preposição a com o artigo a ou com o a
inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquela,
aquilo
Na escrita é indicada por meio do acento grave (`). Para
que ela ocorra, é necessário que haja:
preposição e artigo, existirá crase.
Exemplo: Voltei da Espanha./ Fui à Espanha.
Voltei de Tiradentes./ Fui a Tiradentes.
a) um termo regente que exija a preposição a;
b)
Se o nome da cidade estiver determinado, a
b) um termo regido que seja modificado pelo artigo a
ou por um dos pronomes demonstrativos de 3ª pessoa
mencionados acima.
crase será obrigatória.
Exemplo: Fui à histórica Tiradentes.
c)
Em expressões formadas por palavras re­
REGRAGERAL
A
crase ocorrerá sempre que o termo anterior exigir a
petidas (uma a uma, frente a frente, etc.)
Exemplo: Olhamo-nos cara a cara.
preposição a e o termo posterior admitir o artigo a ou as.
5)
Vou a a praia.= Vou à praia.
Dicas: Para se certificar, substitua o termo femi­
nino por um masculino, se a contração ao for
necessária, a crase será necessária.
Exemplo: Vou à praia./ Vou ao clube.
Quando o a estiver no singular diante de uma pala­
vra no plural.
Exemplo: Como posso resistir a pessoas tão en­
cantadoras?
6)
Diante do artigo indefinido uma.
Exemplo: Isto me levou a uma decisão drástica.
EMPREGO OBRIGATÓRIO DA CRASE
Sempre ocorrerá crase:
1)
Nos casos em que a regra geral puder ser aplicada.
7) Diante de Nossa Senhora e de nomes de santos.
Exemplo: Entregarei a Nossa Senhora da Concei­
ção minha oferenda.
Exemplo: Dirigiu-se à professora.
8)
2) Nas locuções conjuntivas, adverbiais e prepositi­
vas (formadas por a + palavra feminina).
Exemplo: À medida que passa tempo a violência
aumenta.
O povo brasileiro vive à mercê de políticos muitas
das vezes corruptos.
Gosto muito de sair à noite.
Diante da palavra terra, quando esta significar ter­
ra firme, tomada em oposição a mar ou ar.
Exemplo: Os pilotos já voltaram a terra.
9)
Diante da palavra casa (no sentido de lar, moradia)
quando esta não estiver determinada por adjunto
adnominal.
Exemplo: Não voltarei a casa esta semana.
3)
Na indicação do número de horas, quando ao tro­
car o número de horas pela palavra meio-dia, obti­
vermos a expressão ao meio-dia.
Exemplo: Retornou às oito horas em ponto./ (Retor­
nou ao meio-dia em ponto.)
Dica: Caso a palavra casa venha determinada
por adjunto adnominal, ocorrerá a crase.
Exemplo: Não voltarei à casa de meus pais esta
semana.
4) Nas expressões à moda de, à maneira de mesmo
quando essas estiverem implícitas.
Exemplo: Farei para o jantar uma bacalhoada (à
moda de Portugal) à portuguesa.
10)Diante de pronomes que não admitem artigo: rela­
tivos, indefinidos, pessoais, tratamento e demons­
trativos.
Exemplo: Dei a ela oportunidade de se redimir./ So­
licito a V.Sª. a confirmação do pedido./ Convidei a
várias pessoas para a reunião.
Emprego facultativo da crase
1) Diante de pronomes possessivos femininos.
Vou a sua casa./ Vou à sua casa.
2) Diante de nomes próprios femininos.
Não me referia a Eliana./ Não me referia à Eliana.
3) Depois da preposição até.
Foi até a porta./ Foi até à porta.
11) Diante de numerais cardinais quando estes se refe­
rem a substantivos não determinados pelo artigo.
Exemplo: Daqui a duas semanas retornarei ao tra­
balho.
Casos em que nunca ocorre a crase
1) Diante de palavras masculinas.
Exemplo: Saiu a cavalo e sofreu uma queda.
2) Diante de verbos.
Exemplo: Ele está apto a concorrer ao cargo.
3) Diante de nome de cidade (topônimo) que re­
pudie o artigo.
Exemplo: Turistas vão freqüentemente a Tiradentes.
CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM OS PRONOMES DE­
MONSTRATIVOS
Preposição a + pronomes = à, àquilo, àquele(s),
àquela (s)
Exemplo: Assistimos àquela peça teatral.
Dicas: A crase da preposição a com o pronome
demonstrativo a ocorrerá sempre antes do prono­
me relativo que (à que) ou da preposição de (à de).
Exemplo: Esta não é a pessoa à que me referia.
Dicas:
a) Descubra se o nome da cidade aceita artigo:
use o verbo VOLTAR . Se houver contração de
34
Degrau Cultural

04_CRASE.pmd

34

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

 

Língua Portuguesa

SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO

 
 

Parte da gramática que estuda as palavras enquan­

 

to

elementos de uma frase, as suas relações de con­

   

Sujeito Composto Aquele que possui mais de um núcleo. Exemplo: Jogadores e torcedores reclamaram da arbi­ tragem. núcleos: jogadores, torcedores

cordância, de subordinação e de ordem; componente do sistema lingüístico que determina as relações for­ mais que interligam os constituintes da sentença, atri­ buindo-lhe uma estrutura.

Em uma análise sintática podemos ter:

Sujeito oculto, elíptico ou desinencial Aquele que não vem expresso na oração, mas pode ser facilmente identificado pela desinência do verbo. Exemplo: “Onde estou, o que quero da vida?” Apesar do sujeito não estar expresso, pode ser identifi­ cado nas duas orações: eu.

Sujeito indeterminado Aquele que não se quer ou não se pode identificar. Exemplo: Vive-se melhor em Paris do que em Londres. Roubaram o carro.

1- Frase

 
 

É

a reunião de palavras que expressam uma idéia

completa, constitui o elemento fundamental da lingua- gem, não precisa necessariamente conter verbos. Exemplo:”Hum! Que delícia esse bolo”.

2- Oração

 
 

É

idéia que se organiza em torno de um verbo.

Exemplo: “Todos estavam a sua espera para o jantar.”

   
   
 

Atenção: O sujeito pode ser indeterminado em duas situações:

 

Dica: O verbo pode estar elíptico (não aparece, mas existe) Exemplo: “Ana Carolina faz tanto sucesso quanto (faz) Ivete Sangalo.”

 

verbo na terceira pessoa do plural sem su­ jeito expresso: Telefonaram por engano para casa de vovó.

3- Período

verbo na terceira pessoa do singular acompa­ nhado do pronome SE (índice de indetermina­ ção do sujeito): Precisa-se de secretária.

 

É

o conjunto de orações. Ele pode ser constituído

por uma ou mais orações.

   
 

O período pode ser:

 

Sujeito inexistente ou oração sem sujeito

simples - constituído por apenas uma oração. Exemplo: “Machado de Assis é um dos maiores es­ critores da literatura brasileira”.

A

informação contida no predicado não se refere a

sujeito algum. Ocorre oração sem sujeito quando temos

um verbo impessoal. O verbo é impessoal quando:

composto - constituído por mais de uma oração. Exemplo: “Não podemos esquecer que todos esta­ vam aguardando a vaga”.

Indica fenômenos da natureza (chover, nevar, ama­ nhecer, etc.). Exemplo: Chovia muito naquela noite do acidente. Choveu muito em São Paulo este mês.

SUJEITO Elemento da oração a respeito do qual damos algu­ ma informação. Seu núcleo (palavra mais importante) pode ser um substantivo, pronome ou palavra substan­ tivada. Exemplo: “Ana Carolina faz tanto sucesso quanto (faz) Ivete Sangalo”.

Fazer, ser, estar indicarem tempo cronológico. Exem­ plo: Faz anos que ela não aparece. Já é uma hora da tarde. Está quente em Minas Gerais.

Haver tiver sentido de existir. Exemplo: Havia soldados por toda parte.

Atenção: Os verbos impessoais sempre ficarão

na 3ª pessoa do singular (havia, faz

)

Sujeito da 1ª oração: Ana Carolina Núcleo do sujeito: Ana Carolina (substantivo)

Termos ligados ao nome

Tipos de sujeito:

Existem alguns termos que se ligam aos nomes. São eles:

Simples

Adjunto adnominal

Composto

Complemento nominal

Oculto, elíptico ou desinencial

Predicativo

Indeterminado

Aposto

Inexistente ou oração sem sujeito

 
   

ADJUNTO ADNOMINAL

Sujeito Simples Aquele que possui apenas um núcleo. Exemplo: “Autores consagrados ganham as pratelei­ ras dos supermercados.” núcleo: autores

 

É

o termo que se liga a um nome ou palavra subs­

tantivada para qualificá-lo ou determiná-lo. É expresso geralmente por um adjetivo, locução adjetiva, artigo, pronome ou numeral. Exemplo: “Neste ano, estimule a inteligência de seus alunos”.

Degrau Cultural

 

35

05_SINTAXE.pmd

35

30/9/2010, 09:45

T

HATYML

Língua Portuguesa

ADJUNTO ADVERBIAL Toda palavra (ou expressão) pertencente à classe gra­ matical dos advérbios tem, na oração, a função sintáti­ ca de adjunto adverbial.

Exemplo:

As impressões foram feitas rapidamente. classe gramatical: adv de modo

rapidamente

função sintática: adj. adv. de modo

Os adjuntos adverbiais podem ser classificados em:

Afirmação: Estamos realmente felizes.

Assunto: Discutiram sobre religião.

Causa: As crianças morrem de fome.

Companhia: Fui ao teatro com meu irmão.

Concessão: Voltamos apesar do escuro.

Condição: Não dirija sem minha permissão.

Direção: Apontou para todos.

Dúvida: Talvez ele me deixe ir.

Efeito: Sua atitude redundou em prejuízos.

Exclusão: Todos saíram, menos Maria.

Finalidade: Saí à caça.

Instrumento: Cortou-se com o alicate.

Intensidade: Dançou muito.

Lugar: Estive na casa de Paulo.

Matéria: Bolo se faz com trigo.

Meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.

Modo: Correu incansavelmente.

Negação: Não vá à escola.

Oposição: Voltou contra o próprio partido.

Ordem: Classificou-se em primeiro lugar.

Preço: Comprei tudo por cem reais.

Tempo: Você chegou ontem?

COMPLEMENTO NOMINAL