AS ATITUDES

Teorias de alteração das Atitudes
Resumo
Este trabalho tenta transmitir de uma forma concentrada vários conhecimentos necessários sobre as atitudes no âmbito da Psicologia Social. Com especial foco no processo de Alteração das mesmas.

Fernando Campos
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Conteúdo
A Natureza das Atitudes ................................................................................................................ 2 Verificação das Atitudes ................................................................................................................ 3 Teorias de Formação de Atitude.................................................................................................... 4 A Teoria Funcionalista ............................................................................................................... 5 A Teoria da Aprendizagem......................................................................................................... 5 a. b. A aprendizagem por condicionamento ............................................................................. 5 A aprendizagem por observação ....................................................................................... 5

A teoria da Auto percepção ...................................................................................................... 5 A Teoria da dissonância cognitiva ............................................................................................. 5 Teorias de Mudança de Atitude .................................................................................................... 6 Teoria da Persuasão................................................................................................................... 6 Características do Alvo .......................................................................................................... 6 Características da Fonte ........................................................................................................ 6 Características da Mensagem ............................................................................................... 6 Teoria da Dissonância Cognitiva ............................................................................................... 7 Premissas Teóricas ................................................................................................................. 7 Fontes de Dissonância ........................................................................................................... 8

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A Natureza das Atitudes
A pesquisa sobre as atitudes tem sido muito popular em várias disciplinas, no entanto, esse estudo é considerado central para a Psicologia Social, mais do que qualquer outra área académica. “O conceito de atitude é provavelmente o traço mais característico e indispensável à psicologia social americana” (Allport, 1935) Este conceito é especialmente importante hoje em dia. Quase todos os trabalhos da área de Psicologia Social falam delas. Sendo um conceito difícil de definir, principalmente porque já foi tão definido, mas também devido aos usos e conotações da palavra. Com (Znaniecki, Thomas, 1918) o estudo das atitudes foi muito focado em conceitos como a propaganda. “Um estado mental e neural de prontidão, organizado através de experiência, enxertando a directiva ou influência dinâmica nas respostas individuais a todos os objectos e situações com que está relacionado” (Znaniecki, Thomas, 1918) Muito recentemente, (Zimbardo, Leippe, 1991) definiram as atitudes como um mecanismo avaliador de alguns objectos baseados em cognições, reacções afectivas, intenções comportamentais e comportamentos antigos, que podem influenciar cognições, respostas afectivas e intenções e comportamentos futuros. As atitudes estão latentes e não são directamente observáveis per se, mas agem de forma a organizar e/ou providenciar direcção a acções e comportamentos que são observáveis. Muitos referem-se as atitudes como “predisposições de resposta” (Zimbardo, Leippe, 1991). Sendo relacionadas com a percepção das situações a nível individual e a forma como o indivíduo se apercebe da situação em que se encontra.

As Atitudes podem ser categorizadas segundo: - Direcção (Positivas ou Negativas) - Grau (de positividade ou negatividade) - Intensidade (quantificação do empenho nessa tomada de posição)

As posições de atitude são então o sumário agregado de quatro componentes, as respostas afectivas, as cognições, os comportamentos e as suas intenções comportamentais. Sendo que o componente afectivo da atitude consiste da avaliação do indivíduo, ou da sua resposta emocional perante alguma situação traduzindo-se em sensações de contentamento, tristeza ou outros níveis de excitação física. O componente cognitivo da atitude é no entanto conceptualizado, à medida que o conhecimento factual da situação, objecto, ou pessoa ou mesmo do ego, cresce no indivíduo. A componente comportamental da atitude pelo seu lado atende no comportamento exposto do indivíduo dirigido à situação, objecto ou pessoa. Por fim, a intenção comportamental atenta ao que o indivíduo tem como objecto de comportamento, mesmo que por vezes esses planos continuem apenas isso.

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Verificação das Atitudes
Estes quatro componentes formam um sistema de atitudes, não sendo isoladas mas interrelacionadas, produzem e organizam uma estrutura ou representação mental da atitude construída. A pesquisa Behaviorista apoia o conceito que as acções levam a formação de esquemas cognitivos, que por si levam à criação das atitudes. Sendo que o contrário também se mostra verdadeiro, podendo as atitudes interferir na formação de relações cognitivas, que por sua vez condicionam comportamentos. O estímulo situacional ou eventual que existe no ambiente influencia directamente o comportamento e a formação de atitudes. Não estabelecendo comparações entre as diferentes teorias, teremos que mencionar o paradigma tradicional behaviourista e o modelo de aprendizagem indirecta proposto por Zimbardo & Leippe. (Zimbardo, Leippe, 1991). Situações que incluam a alteração de uma componente comportamental de determinada atitude leva a alterações nas mesmas, mas o recíproco também se verifica. Sendo que os componentes de um sistema de atitudes são interrelacionados a alteração no gosto (afecto) pode resultar numa alteração de comportamentos (Smith, 1982). Por exemplo, o conceito popular de aprendizagem cognitiva é baseado na ideia de que os instruendos que aprendem fazendo são em muito valorizadas por eles. As actividades cognitivas de aprendizagem produzem de forma favorável estudantes motivados e muitas vezes desejosos de aprender mais. Em suma, as atitudes, são de facto, um fenómeno complexo que tem sido estudado por dezenas de cientistas sociais e educadores que estão a começar a compreender e organizar os processos de aprendizagem e os seus resultados. Sendo as atitudes “predisposições de resposta” tomadas por indivíduos que tornam quase certo que irão agir de uma certa forma ou determinada maneira. Não sendo observáveis, servem para produzir acções observáveis de pessoas. As atitudes são então padrões de crença e opinião duradouros, que condicionam reacções a objectos, eventos e pessoas. As atitudes podem também servir como um pequeno concentrado das crenças do individuo. Sendo quantificadas usando “escalas de atitudes” como a famosa Escala de Likert” na qual os sujeitos são perguntados quão fortemente concordam ou discordam com cada um dos assuntos.

Figura 1 – Exemplo de Escala de Likert, de análise Qualitativa de um produto.

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Um resultado total é derivado das somas das medições. Sendo que outra aproximação á avaliação emprega técnicas camufladas, observações de comportamento assim como expressões faciais, tom de voz e linguagem corporal. Tais medidas, que podem detectar respostas que o individuo possa estar a esconder, são obtidas á medida que o individuo houve material verbal que tem o objectivo de produzir estados de excitação psicológica que possa indicar a sua real opinião. Os componentes das atitudes são então de natureza cognitiva, comportamental e afectiva. - Os cognitivos são as crenças do individuo em relação a um objecto, acontecimento ou pessoa. Por exemplo, a crença que todos os brancos são racistas. - As comportamentais, que consistem nas respostas predefinidas de uma certa forma, facilmente reconhecíveis como preconceitos. Por exemplo, tratar um idoso como se de uma criança se tratasse. - As afectivas, que consistem nas emoções levantadas pelo objecto, pessoa ou evento em relação ao qual acontece a atitude. Por exemplo, ter pena de um negro, por se negro.

Teorias de Formação de Atitude
Assim como existem várias teorias de aprendizagem, existem muitas teorias de formação de atitudes. Mas estas podem ser aplicadas também á alteração de atitudes. Iremos distinguir aqui aquelas que para além da alteração, explicam claramente como é que elas são formadas inicialmente.

Segundo (Crisp & Turner, 2007), estas podem ser definidas por 5 categorias: - Mera exposição - Aprendizagem por condicionamento - Aprendizagem por observação - Teoria da Auto Percepção - Teoria Funcional

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A Teoria Funcionalista
Proposta por Daniel Katz, vê as atitudes como determinadas pelas funções que servem ao individuo. O sujeito terá determinadas atitudes porque essas atitudes o ajudam a alcançar um objectivo básico. Oferece também uma explicação ao porque da alteração das atitudes, pois de acordo com Katz, as atitudes mudam quem não servem mais o seu propósito ou função e o individuo se sente bloqueado ou frustrado. Isto é, de acordo com Katz, a mudança de atitude é conseguida não tanto pela informação ou percepção que o individuo tem em relação á pessoa, acontecimento ou objecto, mas mais pelos desejos e motivações intrínsecas á personalidade.

A Teoria da Aprendizagem
a. A aprendizagem por condicionamento i. Acontece quando dois estímulos são associados repetidamente, condicionando o individuo a responder a eles de uma determinada forma, ou com uma determinada emoção. Através de associações repetidas, uma resposta normalmente neutra começa a levantar emoções diferentes relativas a um estímulo, sem a necessária presença do outro. Esta teoria explica o porque da persistência de alguns comportamentos, mesmo quando o reforço é retirado, explicando ao mesmo tempo o auto-reforço. b. A aprendizagem por observação i. Acontece quando o individuo observa outro na realização de uma tarefa (objecto, atitude ou comportamento) e a repete sem questionar ou mesmo raciocinar. Isto é, as observações determinam as respostas que aprendemos, mas o reforço determina as respostas que exprimimos.

A teoria da Auto percepção (Bem, 1972)
Diz-nos que inferimos nas nossas atitudes desde o nosso comportamento. Não existindo tensão, mas sim um propósito informativo. Calmamente observamos o nosso comportamento e tiramos inferências razoáveis dele, assim como da observação de outros.

A Teoria da dissonância cognitiva
Foi desenvolvida por Leon Festinger (Festinger, 1957), proclama claramente que um estado psicológico desconfortável acontece quase sempre que existem duas cognições incompatíveis. Estas criam tensões, que o individuo tenta aliviar, com o objectivo de encontrar a “paz” (consonância psicológica)

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Teorias de Mudança de Atitude
Sendo que as atitudes dos indivíduos são indicadores gerais do seu comportamento, é importante compreender como as atitudes podem mudar e ser mudadas de maneira a alterar o comportamento do mesmo. Existem varias teorias sobre a mudança de atitudes. Iremos de Seguida mencionar algumas, para mais tarde pegarmos naquela que é o foco do trabalho.

Teoria da Persuasão
Esta teoria baseia-se na premissa que as atitudes dos indivíduos assim como as suas opiniões podem ser modificadas pelo uso directo de comunicação persuasiva. Esta teoria diznos que a mudança existe através da criação da incerteza nas mentes daqueles que fortemente se opõem ao ponto de vista do persuasor, reduzindo a resistência da audiência, alterando ou amplificando as suas atitudes, através da Acão estimulante para com aqueles que já concordam com o persuasor (McGaan, 2010). Existem seis princípios base desta teoria (Straker, 2010): 1) Intenção: Apesar da persuasão poder ocorrer acidentalmente, a maior parte é intencional (consciente ou não). 2) Coerção: Enquanto a mudança de comportamento ou o seu condicionamento podem existir graças a coerção, as alterações nas atitudes ou cognições internas podem não ocorrer. 3) Contextualização: Uma alteração num comportamento pode ser limitada a um contexto em particular. 4) Pluralidade: A persuasão pode influenciar o próprio, um individuo, ou vários. 5) Presença: Não temos que estar fisicamente presentes para usar a persuasão. 6) Meio: Um largo leque de meios pode ser usado como ponte de comunicação. Relativamente às capacidades persuasivas da mensagem foram identificadas três facetas centrais, sendo elas o alvo, a fonte e a mensagem em si.

Características do Alvo
Elas referem os traços dos indivíduos que vão receber e processar a mensagem, uma das qualidades sendo o grau de consciência individual para resistência á persuasão. Sendo que algumas pessoas são naturalmente mais argumentativas que outras e podem mais facilmente resistir a tentativas de persuasão, pela simples vontade de reterem a sua opinião própria e/ou liberdade de escolha (Baron, Branscombe, & Byrne, 2008). Outras como a inteligência, Auto estima e predisposição emocional também afectam directamente a capacidade de impacto de uma tentativa de persuasão.

Características da Fonte
São as qualidades do comunicador, que ajudam a tornar a mensagem mais ou menos persuasiva. Os indivíduos são mais passiveis de ser persuadidos por alguém credível, confiável e atractivo.

Características da Mensagem
São a moldura do argumento. A quantidade de emoção induzida e as intenções (ocultas ou não) do comunicador. Aquelas mensagens que não parecem intencionalmente colocadas com o objectivo de mudar as nossas atitudes são as que tendem a ter mais sucesso. Explicando o porquê da linguagem cuidada ou dos objectivos ocultos.

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Teoria da Dissonância Cognitiva
A Dissonância cognitiva aparece quando um individuo experiencia duas crenças contraditórias ou inconsistentes, que causam desconforto e tensão psicológica. A dissonância é também criada quando o comportamento de um individuo é incompatível com os seus ideais (Coon & Mitterer, 2010). De acordo com Festinger, a dissonância cognitiva cria a motivação eterna para eliminar a dissonância, pois é um resultado de um desejo natural por consistência nas nossas cognições, que nos levam a mudar de atitudes. O Diagrama seguinte tenta explicar o modelo de dissonância cognitiva.

Duas cognições inconsistentes entre a attitude e o comportamento

Estado de Dissonância

Motivação para reduzir a dissonância

Mudança de Atitude

A Menos que
Sem Dissonância

Justificação para comportamento contra-atitude

Sem Mudança de Atitude

A Força da dissonância depende da importância do assunto, pessoa ou objecto; do quão conflituosos ou incompatíveis são as crenças e pensamentos e qual é a nossa habilidade para racionalizar e/ou justificar o comportamento ou atitude (Kearsley, 2010). A Teoria da dissonância cognitiva é então o sentimento de tensão que surge quando um individuo está simultaneamente consciente de duas cognições conflituosas. Por exemplo quando se age de forma contrária as atitudes, ou, quando se toma uma decisão em favor de uma alternativa quando se prefere outra. Tendo por base as Teorias de consistência, que hiposteniza que quando surgem inconsistências entre cognições, os indivíduos são motivados para repor a harmonia.

Premissas Teóricas
1. A Teoria da Dissonância Cognitiva diz que as relações entre duas cognições podem ser ou consonantes, ou dissonantes, ou irrelevantes 2. A Dissonância Cognitiva é um estado psicológico nocivo, que produz excitação física desagradável 3. Os Indivíduos vão tentar reduzir ou eliminar a dissonância e vão tentar evitar consciências adicionais que aumentem essa mesma dissonância 4. A Dissonância cognitiva pode ser reduzida ou eliminada apenas por: a. Adicionando novas cognições b. Alterando cognições existentes

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Fontes de Dissonância
1. Inconsistência de Informação. Quando recebemos informação contrária ou contraditória aquela que temos ou acreditamos 2. Expectativas não confirmadas. Os indivíduos preparam-se para um evento, pessoa ou objecto que nunca aparece ou acontece. 3. Justificação Insuficiente. Os indivíduos ainda assim fazem aquilo que não tem justificação para fazer. 4. Dissonância pós-atitude. Depois de cada decisão existe a dissonância, pela rejeição de algumas coisas boas e aceitação de algumas más. Mas então, se nem todas as inconsistências resultam em dissonância cognitiva, como é a final a inconsistência possível? As cognições encontram-se colocadas em escalas de necessidades e quando essa inconsistência existe numa prioridade baixa, não produzira desconforto. Podem mesmo nunca se encontrar ou ser chamadas á atenção, pois a atitude actual é consonante e o comportamento automático. Ainda que as consequências não sejam perceptíveis, de forma ao individuo incorrer em dissonância, o seu contacto tem que resultar de um ponto de vista contra atitude, para que a dissonância nunca se torne aversa ao individuo. Ainda assim para que as cognições sejam percebidas pelo individuo, ele tem que se sentir responsável ou afectado pelo evento, pessoa ou objecto. Não sendo um comportamento/atitude voluntário, só existe quando as consequências não são imprevisíveis. Ainda assim imprevisível é diferente de não vistas, quando nos esquecemos de pensar em alguma consequência, a dissonância acontece. É aqui que se torna difícil distinguir entre a Teoria da Auto percepção e a Teoria da Dissonância cognitiva, pois ambas fazem as mesmas previsões e chegam às mesmas conclusões. No entanto, existem provas que, como previsto pela Teoria da dissonância cognitiva, existem efeitos físicos que acompanham as condições dissonantes, aliás, quando esse desconforto é eliminado, a mudança de atitude não existe. No entanto a Teoria da Auto Percepção explicanos algo, que da Teoria da Dissonância cognitiva não consegue, que é quando somos recompensados por algo que já fazíamos, é mais provável começar-mos a faze-lo menos. Sendo os pontos de vista das teorias muito próximas, um fica a pensar se não é só uma questão de quão discrepantes são os factos ou atitudes dissonantes

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Referencias
Allport, G. (1935). Atitudes. Baron, R. A., Branscombe, N. R., & Byrne, D. R. (2008). Social Psychology (12th Edition ed.). Bem, D. (1972). The Self-Perception Theory. Coon, D., & Mitterer, J. O. (2010). Introduction to Psychology: Gateways to Mind and Behavior. Crisp, R. J., & Turner, R. N. (2007). Essential Social Psychology. Festinger, L. (1957). Teoria da Dissonância Cognitiva. Kearsley, G. (2010). Cognitive Dissonance. Obtido de The Theory Into Practice Database. McGaan, L. (2010). Introduction to Persuasion. Smith, J. M. (1982). Evolução e a Teoria dos Jogos. Straker, D. (2010). Persuasion. Zimbardo, Leippe. (1991). A psicologia da mudança de atitude ou influência social. Znaniecki, Thomas. (1918). The Polish Peasent in Europe and America.

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