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Caso ClíniCo

reabilitação orofacial

Interdisciplinaridade na reabilitação orofacial – Caso Clínico

Adriano Figueiredo, médico, especialista em cirurgia maxilofacial António pinhão Ferreira, médico dentista, curso de especialização em prótese fixa sobre implantes e convencional e membro do corpo clínico da Ortopóvoa Lda.

João Coimbra,
póvoa Lda.

médico dentista, mestre em periodontologia e membro do corpo clínico da Ortopóvoa Lda.

Maria de Fátima pereira, licenciada em prótese dentária e responsável pelo laboratório de prótese da OrtoAfonso pinhão Ferreira, médico dentista, professor catedrático, especialista em ortodontia e director clínico
da Ortopóvoa, Clínica de Ortodontia e Reabilitação Orofacial Lda.

Na sociedade atual, a imagem reveste-se de importância crescente, quer num contexto social, de afirmação entre pares, quer inclusivamente num meio profissional, como incontornável ferramenta comunicacional. Neste sentido, a importância atribuída ao sorriso, enquanto cartão de visita por excelência e elemento basilar na consolidação da auto estima no ser humano, leva a que a procura e a exigência dos nossos pacientes de tratamentos reabilitadores com resultados esteticamente sedutores e funcionalmente competentes sejam cada vez mais elevadas. Esta realidade exige da Medicina Dentária diversificação e diferenciação nas suas distintas vertentes e, da parte do Médico Dentista,

assinalável sensibilidade para identificar e ir ao encontro das expectativas do paciente e, simultaneamente, uma imprescindível capacidade de diálogo com colegas de especialidades diferentes, para que um plano de tratamento possa ser concretizado de forma dinâmica e eficiente. Apresentação do caso clínico Paciente do sexo feminino, 38 anos e 2 meses, dirigiu-se à consulta com a motivação principal de não se encontrar satisfeita com a sua aparência estética, principalmente com o seu sorriso e a sua imagem de perfil. Em acréscimo, estava ainda descontente com a prótese que usava e confessou sentir dificuldades na mastigação.

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Esteticamente, a paciente apresentava uma assimetria facial notória (laterognatia), com

desvio da linha média mandibular de 4mm para a direita, perfil côncavo e retrusivo.

O exame clínico permitiu registar a ausência dos dentes 17, 16, 15, 14, 12, 11, 21, 22, 24, 26, 28,

38, 37, 36, 35, 45, 46, 47 e 48.

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A relação cêntrica não se encontrava coincidente com a posição de intercuspidação máxima, tendo sido identificado um deslizamento mandibular anterior, com mordida cruzada anterior e mordida cruzada posterior bilateral.

Diagnóstico Deformidade dento-facial onde era patente uma má-oclusão de Classe III inscrita num quadro esquelético de Classe III (retromaxilia e promandibulia), agravada pela perda dos incisivos na adolescência. O overjet era de -4 mm e o overbite era de 3 mm. A atrofia alveolar maxilar e mandibular, verificada por perda de dentes, atestava a impossibilidade de reabilitação fixa implanto-suportada. plano de Tratamento A necessidade de reabilitação orofacial extensa e a complexidade do caso levou a que o plano de tratamento delineado contemplasse duas

valências distintas: a cirurgia maxilofacial para colocação de enxerto ósseo e posterior correção ortognática e o tratamento reabilitador com recurso a colocação de implantes e reabilitação com prótese fixa sobre dentes e implantes. O tratamento teve início com a realização de cirurgia para reconstrução maxilar e mandibular com autoenxertos ósseos colhidos na calote craniana e elevação do seio maxilar direito com o mesmo tipo de material. A necessidade deste procedimento prendeu-se com o objetivo de recriar a estrutura óssea alveolar maxilar e mandibular, para que os implantes pudessem posteriormente ser colocados nos locais pretendidos.

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A abordagem da calote craniana foi feita na área parietal, de onde foram retirados vários fragmentos ósseos que, depois de remodelados, foram colocados nas áreas alveolares atróficas da maxila e mandíbula e imobilizados com parafusos de osteossíntese.

Previamente, fez-se elevação do seio maxilar direito com abordagem clássica, tunelização e preenchimento do espaço conseguido com autoenxerto ósseo triturado. Veja-se a TAC correspondente aos 6 meses de pós-operatório.

Desta forma, mais tarde, procedeu-se à remoção dos parafusos de osteossíntese e à colocação de implantes dentários e reabilitação provisória, que possibilitasse uma oclusão estável para posterior execução de cirurgia ortognática de avanço maxilar.

Os implantes dentários foram colocados nos locais correspondentes aos dentes 16, 14, 12, 22, 24, 36, 35, 45 e 46. Foram ainda preparados os dentes 26, 27, 33, 34, 43 e 44, para reabilitação com coroas cerâmicas totais.

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Foi realizado o planeamento da cirurgia ortognática com estudos cefalométricos de previsão, estudo de modelos montados em

articulador e execução de cirurgia modelar, permitindo ter uma perspetiva do resultado final pretendido.

Na cirurgia laboratorial foram confecionados novos provisórios colocados em boca no dia da intervenção ortognática para simplificação e guia da mesma. Foi então realizada a cirurgia ortognática com osteotomia maxilar do tipo LeFort I com 5mm de avanço maxilar e ligeira rotação para

centrar as linhas médias – cerca de 4,5mm. O tipo de osteossíntese selecionado consistiu na fixação rígida interna com placas de osteossíntese dos fragmentos ósseos. De seguida, iniciou--se a fase ortodôntica, com alinhamento e nivelamento da arcada mandibular.

Finalmente, realizou-se a reabilitação final. Dado que os caninos superiores não eram determinantes para o suporte e estabilização da prótese a confeccionar e que existia também um acentuado desvio da linha média, foram extraídos no momento da execução da próte-

se definitiva. Conseguiu-se assim um melhor resultado oclusal e estético com prótese fixa sobre os dentes – 26, 27, 33, 34, 43, 44, – e sobre os implantes – 16, 14, 12, 22, 24, 36, 35, 45 e 46. A estrutura de toda a prótese final foi realizada em zirconia.●

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