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LAVAGEM DE CAPITAIS: Lei 9.613/98

1. 1. Histórico da Lei 9.613/98:

A

comunidade

internacional

chegou

à

conclusão

de

que

o

combate

a

determinados tipos de criminalidade, como o tráfico de drogas e o crime organizado, somente pode ser feito de forma eficaz se houver medidas estatais que persigam o lucro decorrente desses crimes. Desse modo, a criminalização da lavagem de dinheiro está diretamente relacionada com o combate ao tráfico de drogas, ao crime organizado, aos crimes contra a ordem tributária, aos crimes contra o sistema financeiro, aos crimes contra a administração pública e a outros delitos que geram para seus autores lucros financeiros. O objetivo, portanto, é o privar as pessoas dedicadas a certos crimes do produto de suas atividades criminosas e, assim, eliminar o principal incentivo a essa atividade. Nesse contexto, o Brasil assinou um tratado internacional no qual se comprometeu a reprimir a lavagem de capitais. Trata-se da chamada Convenção de Viena: Convenção contra o tráfico ilícito de entorpecentes e substância

psicotrópicas (Convenção de Viena) Assinada em Viena, em 20 de dezembro de 1988. Promulgada pelo Brasil por meio do Decreto 154/1991. Estabeleceu de drogas. que os países signatários deveriam adotar medidas para

tipificar como crime a lavagem ou ocultação de bens oriundos do tráfico

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1.2. A expressão “Lavagem de capitais”:

O termo “lavagem de dinheiro” surge nos EUA, sendo lá chamada de “money laundering”. A origem do termo remonta a cidade de Chicago, na década de 20, quando vários líderes do crime organizado abriram lavanderias de fachada nas quais superfaturavam os lucros a fim de justificar seus ganhos ilícitos e seu padrão de vida. Os criminosos, portanto, lavavam pouca roupa, mas muito dinheiro. Outras terminologias adotadas no mundo: Em alguns países da Europa o crime de “lavagem de dinheiro” é conhecido como “branqueamento de capitais”, o que não é uma terminologia adequada considerando que poderia gerar discussões sobre eventual concepção racional preconceituosa. 1.3. Conceito de Lavagem de capitais: Por meio da lavagem de capitais, bens, direitos e valores obtidos com a prática de crimes são integrados ao sistema econômico-financeiro, com a aparência de terem sido obtidos de maneira lícita. Ou seja, determinados crimes geram vultuosas quantias para os criminosos, e eles precisam de alguma forma mascarar a origem desses valores. Ai é que surge a lavagem de capitais. Ex.: locadora de filmes ou cinema que sejam usados para lavagem de capitais (é muito difícil verificar qual a quantia de dinheiro que um estabelecimento desses movimentou por mês). Pergunta: para se falar em lavagem de capitais, é preciso que tenha sido movimentado uma quantia vultuosa, ou um simples cheque já pode configurar o crime? O depósito de um único cheque pode configurar o crime? São poucos os casos desse tipo que chegam aos Tribunais Superiores, mas o STF já entendeu que não é necessária a complexidade das operações, nem tampouco um vulto assustador das quantias envolvidas. Um simples depósito

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de cheque já é suficiente para caracterizar o delito de lavagem de

capitais. Lavagem de dinheiro é: - a conduta segundo a qual a pessoa; - oculta ou dissimula; a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou

propriedade; - de bens, direitos ou valores; - provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal; - com o intuito de parecer que se trata de dinheiro de origem lícita. Em palavras mais simples, lavar é transformar o dinheiro “sujo” (porque oriundo de um crime) em dinheiro aparentemente lícito.

1.4. Gerações de leis de lavagem de capitais: A lavagem de capitais surgiu, como vimos, na Convenção das Nações Unidas. Quando a lavagem de capitais surgiu, ela estava ligada ao tráfico de drogas. Com o passar dos anos, percebeu-se que era interessante expandir a lavagem de capitais para outros delitos. Foi assim que surgiram as gerações de leis de lavagem de capitais. a) A 1ª geração de leis trazia a idéia de que o único crime antecedente do qual resultaram bens, direitos e valores era o tráfico de drogas. b) Nas leis de 2ª geração houve uma ampliação do rol de crimes

antecedentes, porém, permanece um rol taxativo. Nessas leis o tráfico já não é o único crime antecedente. Existem outros delitos, mas em numerus clausus.

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c) As legislações de 3ª geração, por sua vez, consideram que qualquer crime grave pode figurar como delito antecedente do crime de lavagem de capitais. A Lei nº 12.683/2012 da alterou nº a Lei n.º como 9.613/98 crime para tornar mais

eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. Agora, o artigo primeiro Lei 9.613/98 antecedente qualquer infração penal, abarcando, agora, crimes e contravenções. Art. 1º Ocultar ou dissimular ou a natureza, de bens, origem, direitos localização, ou valores

disposição,

movimentação

propriedade

provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. Antes: a lei brasileira listava um rol de crimes antecedentes para a lavagem de dinheiro fazendo com que o Brasil, segundo a doutrina majoritária, estivesse enquadrado nas legislações de segunda geração. Agora: qualquer infração penal pode ser antecedente da lavagem de

dinheiro. A legislação brasileira passa a ser a terceira geração. “A eliminação do rol apresenta vantagens e desvantagens. Por um lado facilita a criminalização e a persecução penal de lavadores profissionais, ou seja, de pessoas que se dedicam profissionalmente à lavagem de dinheiro. Por outro lado, a eliminação do rol gera certo risco de vulgarização do crime de lavagem, o que pode ter duas consequências negativas. A primeira, um apenamento por crime de lavagem superior à sanção prevista para o crime antecedente, o que é, de certa forma, incoerente. A segunda, impedir que os recursos disponíveis à prevenção e a persecução penal sejam focados na criminalidade mais grave. Podemos citar um exemplo esclarecedor sobre o assunto: Se um grupo estáel de quatro pessoas, formado para a prática de crimes, realizasse, por exemplo vários estelionatos e, com isso, arrecadasse uma grande quantia em dinheiro que seria dissimulado por meio de lucro ficto de empresas de fachada, tal conduta não seria punida como lavagem de capitais.

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Com a alteração trazida pela Lei nº 12.683/12, para os casos posteriores à sua vigência, não é necessário mais discutir se existe ou não definição legal de organização criminosa no Brasil considerando que, como visto, o dinheiro “sujo” obtido com qualquer crime, se for ocultado ou dissimulado, configurará delito de lavagem de capitais. Perde, assim, relevância a longa e acirrada discussão se era válida ou não a definição de organização criminosa estabelecida pelo Decreto 5.015/04, que promulgou a Convenção das Nações Unidas contra os Crimes Organizado Transnacional – Convenção de Palermo. Esse debate terá ainda importância nos casos anteriores à Lei nº

12.683/12 que, neste ponto, não é retroativa por ser lei penal mais gravosa.

1.5. Fases da lavagem de capitais: Aqui vamos trabalhar com essas fases da lavagem de capitais de acordo com o chamado GAFI – Grupo de Ação Financeira sobre lavagem de dinheiro. Trata-se de um grupo que foi criado pelos países mais ricos e que tem exatamente essa idéia de punir a lavagem de capitais. Fases: 1ª) Colocação: expressão em inglês “placement” – consiste na introdução do dinheiro ilícito no sistema financeiro, dificultando a identificação da procedência dos valores. É uma fase em que o dinheiro é introduzido. Essa primeira fase, talvez seja a melhor fase para a descoberta do delito, pois nela o dinheiro ainda está muito próximo de sua origem. Aqui são utilizadas algumas técnicas, como por ex. a técnica do “smurfing” que consiste no fracionamento de grandes quantias em pequenos valores. art. 10, LLC: “Da Identificação dos Clientes e Manutenção de Registros”. Esta lei tenta combater aquele antigo brocado segundo o qual “dinheiro não tem cheiro”, dinheiro não tem origem. A lei quer, então, impor uma

1. Um único depósito de cheque. o dinheiro volta. Nessa dissimulação se começa a fazer uma série de movimentações financeiras.6 nova metodologia de trabalho ao sistema financeiro. colocado numa conta.000. os bens são formalmente incorporados ao sistema econômico. Ele é. que as é utilizada de seria vídeos. Não é necessária a ocorrência dessas 3 fases para que o delito de lavagem esteja consumado (RHC 80. a as utilização lavanderias. Ai é que entra o Sistema bancário. 2ª) Dissimulação: expressão em inglês “layering” (no sentido de colocar camadas) – nessa fase é realizada uma série de negócios ou movimentações financeiras. Essa corrente até seria interessante quando estivéssemos diante das leis de 1ª geração (só o . transferindo o dinheiro de uma conta para outra.00. já com a aparência lícita. Normalmente pega-se o dinheiro e não se questiona de onde ele veio. Assim. que precisam ser colocados no sistema financeiro. para que o delito de lavagem de capitais esteja configurado. então. já seria lavagem. como vimos.Uma primeira corrente diz que o bem jurídico tutelado é o mesmo bem jurídico tutelado pelo crime antecedente. Bem jurídico tutelado: Sobre o bem jurídico tutelado há 4 correntes na doutrina: I. temos uma determinada quantia. Uma ex. para dificultar o conhecimento da sua origem. geralmente por meio de investimentos no mercado mobiliário ou imobiliário. Depois das diversas transferências bancárias. não é preciso que estejam preenchidas as 3 fases.816). muitas vezes até mesmo para refinanciar os crimes antecedentes. de os estabelecimentos comerciais que trabalhem com dinheiro em espécie. O depósito de cheque está na 1ª fase. 3ª) Integração: expressão em inglês – “integration” – nessa fase. Mas existe sim a obrigação de se identificar quem são os clientes da instituição financeira. segunda temos os técnica cinemas.: R$ 500. Num primeiro momento.6. ex. Como locadoras doleiros. a fim de impedir o rastreamento e encobrir a origem ilícita dos valores.

III. porém. Rodolfo Tigre Maia. ordem econômico-financeira. c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. diante da diversidade de bens jurídicos tutelados pelos crimes antecedentes. 1. porém. presença Com relação à União. considerando delito . Esta é a posição do prof.A última corrente.Uma terceira corrente entende que o bem jurídico tutelado é a ordem econômico-financeira. porque o cometimento da lavagem torna difícil a recuperação do produto do crime. está condicionado vale à uma observação de 4 importante: a doutrina entende que é cabível a aplicação do Princípio da Insignificância pressupostos: a) mínima ofensividade da conduta. prevalece. Alberto Silva Franco. IIUma segunda corrente diz que o bem jurídico tutelado seria a Administração da Justiça. a posição que prevalece. e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. Agora. IV. do prof.7. Essa é a posição que. entende que a lavagem de capitais ofende dois bens jurídicos: pelo crime o sistema econômico-financeiro Essa é a posição e o bem jurídico tutelado antecedente. sem dúvida alguma.00. Tutelada que é a que. já não é mais possível sustentar essa corrente. Não é. porém. pacificou-se o entendimento de que a quantia limite é R$ 20. dentre outros.000. Crime antecedente: A lavagem de dinheiro é classificada que se trata como de um crime que acessório pressupõe ou a parasitário. b) ausência de periculosidade social da ação. por sua vez.7 tráfico seria o crime antecedente).

a lavagem de dinheiro continua a ser um crime derivado. é preciso visualizar que o dinheiro é resultado de um dos crimes antecedentes. Não é necessária a tramitação conjunta dos processos. Logo. com essa quantia compravam imóveis e carros em nome das esposas. os chamados “bicheiros” ganhavam muito dinheiro e.8 ocorrência de uma infração penal anterior. nos termos do novo art. Desse modo. Temos. mas agora depende de uma infração penal antecedente. direitos ou valores provenientes de um crime ou de uma contravenção penal. 51 do DecretoLei nº 3. basicamente.688/41. Mas. . Importância no caso do “jogo do bicho”: O chamado “jogo do bicho” não é previsto como crime no Brasil. que funcionavam como “laranjas” ou então abriam empresas de fachada apenas para “esquentar” as quantias recebidas com a contravenção penal. A lei alterada afirma que a lavagem de dinheiro depende de uma infração penal antecedente. dois crimes: o tráfico de drogas e a lavagem de capitais. Ex. a lavagem depende agora de uma “infração penal antecedente” Ante: somente havia lavagem de dinheiro se a ocultação ou dissimulação de bens. Infração penal é um gênero que engloba duas espécies: crime e contravenção. 1º da Lei nº 9.: tráfico de drogas. Logo.603/98. direitos ou valores proveniente de um crime antecedente. sendo considerado apenas contravenção penal tipificada no art. Outro exemplo seria o seguinte: para que se possa falar em lavagem. Agora: haverá lavagem de dinheiro se a ocultação ou dissimulação for de bens. tanto melhor. se ela for possível. Pergunta: os dois processos (o de lavagem e o de tráfico) precisam tramitar juntos? Não. que pode ser um crime ou uma contravenção penal. Tal conduta de ocultação ou dissimulação do dinheiro “sujo” passa agora a ser punida com lavagem. A doutrina chamava essa infração penal anterior de “crime antecedente”. parentes amigos.

837). A comprovação da ocorrência do crime antecedente figura como uma questão prejudicial homogênea (do mesmo ramo do direito) do mérito da ação penal relativa ao crime de lavagem. Deve ele então ser absolvido pelo crime capitais? Inicialmente devemos fundamento da absolvição.A condenação pelo crime antecedente não é pressuposto para a condenação pelo crime de lavagem (STJ. 386. desde que reconheça: I . mencionando a causa na parte dispositiva. . com fundamento na inexistência do fato.Para a caracterização do delito de lavagem de capitais.. saber o que gerou a absolvição do crime antecedente. de maneira incidental. 386. HC 36. deverá ocorrer.9 Pode de acontecer. Na hora de julgar alguém por lavagem. afirmar que o dinheiro que foi lavado seria proveniente do crime antecedente. Assim: o processo e julgamento do crime de lavagem de capitais não precisa tramitar obrigatoriamente em um simultaneus processus com o crime antecedente. o juiz precisa. que o agente seja absolvido analisar pelo qual crime foi o antecedente (tráfico de drogas). . . .Caso haja a absolvição do autor do crime antecedente. não se exigindo a culpabilidade (Princípio da Acessoriedade Limitada). não constituir o fato infração penal ou existir circunstância que exclua o crime. o fato anterior previsto como crime antecedente deve ser típico e ilícito. O juiz absolverá o réu. não será possível a punição do delito de lavagem de capitais. É preciso. mas.estar provada a inexistência do fato. pois. Art. lavagem de por ex. daí não se pode concluir que a reunião dos processos seja obrigatória. Se isso for possível. CPP: Art.

21. nada impede a condenação pelo crime de lavagem de capitais. de 2008) existir ter penal. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. .690. IV V – – estar não provado prova que de o réu o não réu concorreu concorrido para para a a infração infração penal. III . Pergunta: e se o crime antecedente ficar na modalidade tentada. Por outro lado. Exceções: há duas causas extintivas da punibilidade que impedem que o agente seja condenado pela lavagem de capitais: a abolitio criminis e a anistia. 20.) . dificilmente ocorre na prática).. mas desde que tenham sido produzidos bens aptos a serem lavados (o que. todos do Código Penal)..Presente uma causa extintiva da punibilidade. de 2008) VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: (. e possível a condenação pelo crime de lavagem de capitais? No que toca ao crime antecedente tentado. nada impede a condenação do agente pelo crime de lavagem. 23. (Redação dada pela Lei nº 11.não constituir o fato infração penal.não haver prova da existência do fato.690. porém. subsiste a possibilidade de punição pelo crime de lavagem de capitais. 28. (Redação dada pela Lei nº 11. em relação ao crime antecedente. (Redação dada pela Lei nº 11.690. 22. se o autor do crime antecedente for absolvido com base em uma causa excludente da culpabilidade. 26 e § 1 o do art. de 2008) VII – não existir prova suficiente para a condenação.10 II .

bastando que existam indícios de sua prática.Evasão de divisas (art.343/06) .492/86). que praticados competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento. infrações cabendo penais ao juiz antecedentes. o julgamento da infração antecedente e do crime de lavagem não precisa ser feito. Por essa razão. Quantos crimes praticou: .603/98).Lavagem de dinheiro (art. Outra pergunta: é necessário que esses três crimes sejam julgados pelo mesmo juízo? O julgamento das três infrações precisará ser em conjunto? . da Lei nº 7. traficante internacional de drogas. Registre-se que não exige condenação prévia da infração penal antecedente para que seja iniciada a ação penal pelo delito de lavagem de dinheiro. pelo mesmo juízo. parágrafo único. para um paraíso fiscal. 1º da Lei nº 9.Tráfico transnacional de drogas (art. Exemplo: Jaime. por meio de doleiros. . no mínimo. envia o lucro decorrente do comércio ilícito de drogas. 33 c/c art. 22. I da Lei nº 11. deve haver. indícios da prática da infração penal antecedente. 40.11 II - independem ainda do processo e julgamento em outro das país. Para que seja oferecida a denúncia por lavagem de dinheiro não é necessário que haja condenação prévia por tráfico ou evasão de divisas (infrações penais antecedentes). Para que seja recebida a denúncia pelo crime de lavagem. necessariamente.

Antes: a lei de lavagem afirmava que havia autonomia entre o julgamento da lavagem e do crime antecedente. deixou claro o que a jurisprudência e a doutrina majoritária já sustentavam: o julgamento do crime de lavagem de dinheiro e da infração penal antecedente podem ser reunidos ou separados. AGORA: a alteração deixou claro que a autonomia entre o julgamento da lavagem e da infração penal antecedente é relativa. O julgamento da lavagem de dinheiro não precisa ser. cabendo ao juiz competente para os crimes de lavagem decidir sobre a unidade ou separação dos processos. de modo que a lavagem e a infração antecedente podem ser julgadas em conjunto ou separadamente.7.12 Não.Sujeito passivo: é o Estado. é o juiz quem irá analisar se é conveniente ou não a reunião dos processos. conforme se revelar mais conveniente no caso concreto. 2º da Lei de lavagem.683/12 ao alterar o inciso II do art. 1. A intenção original da Lei nº 9.603/98 era consagrar uma autonomia absoluta entre o processo e o julgamento do crime de lavagem de dinheiro e o da infração penal antecedente. necessariamente. feito pelo mesmo juízo que irá julgar a infração penal antecedente. o crime é comum. Ocorre que a jurisprudência afirmou que essa autonomia é relativa.Sujeito ativo: qualquer pessoa. não esclarecendo se esta autonomia era absoluta ou relativa nem o juízo responsável por decidir a unificação ou separação dos processos. conforme se revelar mais conveniente no caso concreto. . cabendo ao juiz competente para o crime de lavagem decidir sobre a unidade ou separação dos processos. de acordo com as circunstâncias do caso concreto. Sujeitos do crime: . A lei nº 12. ou seja. .

13 1. aplica-se a regra do art. a ocultação dos valores seria considerada mero exaurimento da conduta anterior. Um outro argumento também interessante é o de que a punição pelo delito de lavagem de capitais seria a violação do Princípio que veda a auto-incriminação. Não é a corrente que prevalece. Alguns doutrinadores afirmam que o princípio consunção analisar bens como lavagem seria mero exaurimento. de Não que há a ocultação falar seria que a exaurimento não é possível. É a posição que prevalece. há uma conduta autônoma que vai lesar bem jurídico distinto. Pergunta: O autor do crime antecedente também responde por lavagem? Quanto a isso temos duas correntes: 1ª) não é possível que o autor do crime antecedente responda pelo delito de lavagem de capitais. quando praticamos um crime.813 A tendência hoje é cada vez mais que ocorra essa terceirização da lavagem: o próprio traficante não realiza o processo de lavagem. Se se punisse o agente pela lavagem de capitais. existem .1. se ela se refere a bem jurídico autônomo. STJ. Pergunta: para responder por lavagem de capitais é preciso que o agente tenha praticado o crime antecedente? Não. desde que tenha conhecimento quanto à origem criminosa dos valores. A partir do momento em que o dinheiro é investido e aplicado no mercado. 2ª) nada impede que o autor do crime antecedente também responda pelo crime da de lavagem deve de capitais. Quando se pratica um crime é óbvio que esse dinheiro não ficará simplesmente guardado e parado. Neste caso. CP: responde o agente pelo delito antecedente e pela lavagem de capitais.7. O argumento jurídicos. RMS 16. A participação no crime antecedente não é condição sine qua non para que o agente responda por lavagem de capitais. da mesma forma que acontece com os crimes de receptação e favorecimento real. 69. Na verdade. é como se ele fosse obrigado a revelar os valores obtidos com o crime antecedente.

responderá o agente normalmente pelo delito. 711. 1. Súm. Esse tipo de crime em que temos vários verbos denomina-se crime de ação múltipla ou de conteúdo variado.14 pessoas que são contratadas especialmente para isso (inclusive advogados). caso essa ocultação se prolongue no tempo (04/03/98 – data da vigência da lei).1. ou seja. . responderá por crime único o agente que praticar mais de uma conduta dentro do mesmo contexto fático.Dissimular: significa disfarçar. Temos neste tipo objetivo dois verbos. Dissimulação significa ocultação com fraude. . aquele cuja consumação se prolonga no tempo. dissimulando a posse. Assemelha-se ao crime de tráfico (só que no tipo objetivo de tráfico temos vários verbos. A relevância desta informação está no Princípio da alternatividade: nos crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado.8. temos aqui um ex. Atenção: a partir do momento em que a lei usa o verbo ocultar.8. o agente visa garantir a ocultação. Caso depósitos tenham sido efetuados antes da vigência da lei. Tipo objetivo: 1. e não apenas dois). Conceituação dos dois verbos utilizados: Ocultar: significa esconder a coisa. Ocorre quando alguém pratica algum tipo de conduta objetivando dificultar ou impedir que alguém encontre uma coisa. STF: “A lei penal mais grave (neste caso. de crime permanente. a lavagem de capital) aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”.

movimentação propriedade provenientes. .. Já no caso do caput.os converte em ativos lícitos. a redação diz apenas “ocultar ou dissimular”. dá ou recebe em garantia. Esse seria o melhor entendimento. Ocorre que o tipo penal do caput é diverso do crime do §1º. tem em depósito. negocia. um crime formal. direta ou indiretamente. → Natureza do crime de lavagem de capitais: é crime material ou crime formal? art.. a intenção (a finalidade) do agente é ocultar ou dissimular. guarda. como a redação traz o termo “para ocultar ou dissimular”. II os adquire. de acordo com a doutrina. o que quer dizer que nesse caso é necessária a produção do resultado. de bens. origem. pois depende da prática do crime antecedente (e remete a este crime antecedente). Assim. de crime: (. direitos localização.”. movimenta ou transfere. troca. mas não fala em finalidade. de um crime diferido ou remetido (ou acessório). assim. As redações são muito diversas. tratase de crime material. 1º e §1º. ou valores disposição. O tipo penal fala em “ocultar ou dissimular. da LLC: Art. tanto no caput como no §1º. direitos ou valores provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo: I . 1º Ocultar ou dissimular ou a natureza. Há. podemos afirmar que no §1º. para ocultar ou dissimular a utilização de bens. sem que haja necessidade de que isso ocorra..15 A lavagem de capitais é exemplo.) § 1º Incorre na mesma pena quem. recebe. III importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. Assim.. mas apenas no verbo.

2. .: “para o fim de”. e o tipo subjetivo é querer matar alguém (o chamado animus necandi). Tipo subjetivo: . Ex. Nele temos um tipo objetivo. de tipo congruente (não exige nenhuma finalidade específica). sendo que o tipo subjetivo é acrescido de um dolo específico (ou especial fim de agir). Pergunta: o crime de lavagem é um crime congruente ou incongruente? .Tipo congruente ou congruente simétrico é o tipo em que há uma perfeita adequação entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo penal. CP). de tipo incongruente (exige a finalidade específica “para uso próprio”). 158.9. é o tipo em que não há uma perfeita adequação. 1. Atenção para esse tema (tipo congruente ou incongruente) na Lei de Drogas! Muito provável que caia em concursos: o tráfico é ex. que é ex. a doutrina majoritária entende que ambas as figuras (caput e §1º) trazem um crime formal.Tipo incongruente ou congruente assimétrico.16 Não obstante. Quando nos deparamos com um tipo incongruente. 121 é matar alguém. 1º. em que há um especial fim de agir – diferentemente do crime de seqüestro (art. de crime de tipo congruente. de tipo congruente. caput. Atenção: o art. enquanto o crime do art. de um tipo incongruente. 1. clássico de tipo congruente: homicídio – a conduta incriminada pelo art. 28 é ex. da LLC é um ex. por sua vez. enquanto que o §1º é ex. já não conseguimos fazer o encaixe. “com o fim de”). mas o tipo subjetivo será acrescido do chamado dolo específico (ex. Ex. de tipo incongruente: crime de extorsão mediante seqüestro (art. CP).8. 159. No tipo congruente é como se disséssemos que o tipo objetivo é absolutamente ao tipo subjetivo.

. 339. CP – receptação (traz a expressão “coisa que sabe ser produto de crime”) – o legislador diz que para ser punido é preciso saber que aquilo era produto de crime (se o agente apenas assumir o risco. não basta que ele tenha conhecimento de que está ocultando valores. 1º. Ou seja. direitos. Vejamos alguns exemplos: Ex. É preciso que ele saiba que os valores são provenientes de crime.participa de grupo. II . CP – denunciação caluniosa (traz a expressão “de que o sabe inocente”) – o legislador restringe o tipo à figura do dolo direto. Todas as condutas do art. Outro ex. ainda. Pergunta: o crime é punido apenas a título de dolo direto ou também é punido a título de dolo eventual? Alguns doutrinadores dizem que o delito de lavagem de capitais somente seria punido a título de dolo direto. na atividade econômica ou financeira. o fato é atípico). Para que o agente responda por lavagem de capitais. quanto a título de dolo eventual – salvo no caso do §2º. em que as condutas somente são puníveis a título de dolo direto: § 2º Incorre. direitos ou valores que sabe serem provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo. associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. Mas sabemos que quando o legislador quer afastar o dolo eventual ele o faz de maneira expressa. 1º são puníveis tanto a título direto. o crime de lavagem de capitais somente é punido a título de dolo. 180. bens. Em alguns países da Europa o crime é punido a título de culpa. Voltando para a LLC: somente no §2º é que o legislador restringiu o tipo ao dolo direto. na mesma pena quem: I . é indispensável que o agente tenha conhecimento de que os bens.: art.17 No Brasil.: art.utiliza. direitos ou valores ocultados são provenientes dos crimes antecedentes previstos no art. bens.

: na corrupção passiva. R$ 164. e foi pago tudo em dinheiro. Atenção: quando o agente deliberadamente evita a consciência quanto à origem ilícita dos bens.755. Surge ai a chamada “Teoria da Cegueira Deliberada”: tem origem nos EUA e é também conhecida como “Teoria ou Instruções da Avestruz” (em inglês fala-se em “Wilfull Blindness” ou “Ostrich instructions”). Ela surgiu inicialmente no crime de tráfico de drogas.10.18 Problema: se cada vez mais a lavagem passa por um processo de terceirização e profissionalização. assume o risco de produzir o resultado. O objeto material do crime de lavagem de capitais são os bens. 1.: caso do Banco Central de Fortaleza – dois empresários venderam 11 veículos para os autores da subtração. mas passou a ser trazida também para o crime de lavagem de capitais. 1º. Esta teoria traz a idéia de que a pessoa deliberadamente evita a consciência da origem do dinheiro. da LLC.00 foram subtraídos nesse golpe.150. Assim. A doutrina distingue o produto direto de crime (ou producta sceleris) do produto indireto: o produto direto do crime é o resultado imediato do delito (ex. respondendo pelo delito de lavagem de capitais a título de dolo eventual. Ex. direitos ou valores provenientes direta ou indiretamente dos crimes antecedentes definidos no art. o produto indireto ou proveito da infração (também conhecido como fructus . nos casos de lavagem é cada vez mais comum que o lavador profissional evite conhecer a origem do dinheiro. Objeto material: Aqui basta que saibamos que o objeto material não se confunde com o bem jurídico. O crime antecedente aqui foi praticado por uma organização criminosa. E eles não procuraram saber a origem dos valores. o que a empresa de lavagem vai querer saber sobre a origem dos valores? Nada. é a vantagem indevida que se recebe).

de qualquer vantagem. ou seja. direta ou indiretamente.de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins. VIII – praticado por particular contra a administração o pública estrangeira (arts. direitos localização. 337-C e 337-D do Decreto-Lei n dezembro de 1940 – Código Penal). 1º Ocultar ou dissimular ou a natureza. Pena: reclusão de três a dez anos e multa. II – de terrorismo e seu financiamento. inclusive a exigência.11. 337-B. VI . como condição ou preço para a prática ou omissão de atos administrativos. de bens. 1º. Tanto o produto direto como o produto indireto dos crimes antecedentes é objeto da lavagem.de extorsão mediante seqüestro. de crime: I .contra o sistema financeiro nacional. é o proveito obtido pelo criminoso como resultado da utilização do produto direto do delito (ex. munições ou material destinado à sua produção.de contrabando ou tráfico de armas.: a compra de um veículo com o dinheiro obtido com o tráfico).848. III . 1. de 7 de . movimentação propriedade provenientes.contra a Administração Pública. VII . IV . LLC: Art. para si ou para outrem. vemos que dele não consta: 2. art. direta ou indiretamente. Crimes antecedentes: A legislação brasileira adota um rol taxativo (numerus clausus). ou valores disposição. V .praticado por organização criminosa. origem.19 sceleris) é o resultado mediato do crime. Lendo esse rol.

contravenções penais (e deveria ter constado pelo menos o jogo do bicho). o ideal é dizer que os crimes de tráfico são os previstos nos seguintes dispositivos: . o nome do crime. a jurisprudência sempre considerou como crime de tráfico o art. que à época trazia a associação para o tráfico. e onde ele está previsto? O art. Problema: o §2º traz a figura de quem induz. 35 (associação) deve ser excluído desse rol – e da mera associação não resulta dinheiro. a figura do crime de tráfico de drogas. o indulto e a fiança para alguns crimes. não era equiparado a crime hediondo. então não é possível que haja lavagem de capitais dela proveniente. direito ou valor a ser lavado.crimes contra a ordem tributária. O art. Ocorre que o crime do art. de acordo com a jurisprudência majoritária. . mas o art. o art. assim como o CP (ex.: art. Assim. 14. Análise dos crimes antecedentes: 1.11.crimes ambientais. ele indica que tais crimes sejam crimes de tráfico de drogas. a anistia. 12 e o art. Na lei antiga (Lei 6368/76). O art. não traz o nome do crime. 44 da Lei de drogas dá uma dica do que seja o crime de tráfico. Essa conduta caracteriza tráfico? Dela não resulta nenhum bem. 33 traz. instiga ou auxilia alguém ao uso indevido de drogas. 121 – homicídio). A partir do momento em que ele restringe a liberdade provisória. 33 da Lei de drogas não traz.20 . 13 da lei. a graça. . Na lei nova.1 Tráfico ilícito de drogas: Pergunta: qual é o crime de tráfico de drogas. sem dúvida alguma.

A legalidade do art. 20 da Lei 7. .21 . que este delito não está definido no ordenamento jurídico. não é possível saber se é ou não terrorismo. ser equiparado ao crime de tráfico para fins de lavagem de capitais. Alguns doutrinadores. cuja compreensão demanda um juízo de valor. um outro exemplo de elemento normativo. 34. O art. Ex. todavia. pois. Atos de terrorismo é. 233. . a tortura. então. porque não se sabe quais são os atos de terrorismo. Ou seja. O que seria essa tortura a que se refere esse art. ECA foi questionada perante o STF.2. que traz os chamados crimes políticos. Problema: quando esse dispositivo fala em “atos de terrorismo”. da Lei 8.11. guarda ou vigilância. que concluiu por sua constitucionalidade. dentre eles Antonio Scaranze Fernandes. 1.art. Terrorismo e seu financiamento: Pergunta: existe o crime de terrorismo no ordenamento jurídico? A maioria da doutrina entende que não. sustentam que o delito estaria previsto no art. 233. Essa mesma discussão já existiu antes. Tortura aqui é um elemento normativo. no ECA: art. caput e §1º.069/90 (ECA): submeter criança ou adolescente sob sua autoridade. 33. esta expressão funciona como um elemento normativo. 36 da lei de drogas é o crime de financiamento para o tráfico.arts.: mulher honesta (quando ainda existia no CP). 36 e 37.170/83 (lei de Segurança Nacional). Esse financiamento pode. 233? Uma coisa pode ser tortura para alguém e não ser para outrem. sob o argumento de que o conceito de tortura poderia ser apreendido a partir das convenções internacionais das quais o Brasil fosse signatário. que é um elemento constante do tipo penal.

11. CP. O rol não comporta o crime militar. 159.. munições ou material destinado à sua produção: O legislador não deveria ter utilizado a expressão “contrabando”. seria melhor que ele tivesse dito apenas tráfico de armas. O que importa aqui é que esse mesmo argumento do STF pode vir a ser utilizado pelo STF no caso do crime de terrorismo. 12 da Lei 7. Mas e se o crime for praticado fora do país e os valores sejam aplicados aqui no Brasil? O crime de lavagem de capitais pode ser punido aqui no Brasil? Não. entende a doutrina capitais que não será em possível a punição nacional. foi revogado pela Lei de Tortura. 17 e 18 da Lei 10.3. só se refere ao crime comum. munições ou material destinado à sua produção. 1.11. 1. Extorsão mediante seqüestro: Este crime está previsto no art. Atenção: o crime de extorsão mediante seqüestro previsto no CPM não é crime antecedente de lavagem de capitais. Caso o delito de terrorismo seja praticado em outro país. porém. além disso. pelo sob delito pena de de lavagem violação de ao praticado território Princípio da dupla incriminação.170/86 (Lei de segurança nacional). Obs. Crime contra a Administração Pública: . a doutrina também aponta o tráfico de armas no crime do art.11.4. 1. Contrabando ou tráfico de armas. O tráfico ou comércio de armas está previsto nos arts.22 Esse art.: dissemos que para a maioria da doutrina o terrorismo não estaria previsto no ordenamento pátrio.5.826/03 (Estatuto do Desarmamento) e.

Pergunta: e o ato de improbidade administrativa. se o ato de improbidade também constituir crime. não será mais prevaricação.11. pois não tem dinheiro. não pode figurar como antecedente da lavagem de capitais.11. ainda. 312 e 359-H. para satisfazer interesse pessoal. 1. A parte final do dispositivo legal é redundante. bem ou valor envolvido (se houver o recebimento de algum valor. se não é crime. Crimes contra o sistema financeiro nacional: Esses crimes estão previstos na Lei 7. do CP.385/76. e. obviamente. Assim. mas desde que resulte proveito econômico a ser lavado.6. pode figurar como antecedente do delito de lavagem de capitais? Não. 1.23 O legislador aqui colocou quase que um capítulo inteiro do CP. e sim corrupção passiva). a prevaricação não pode ser crime antecedente. na Lei dos crimes de Responsabilidade de Prefeitos e Vereadores (DL 201/67). ou praticá-lo contra expressa previsão legal. pois concussão é crime contra a AP.492/86 e também na Lei 6. Assim. Ato de improbidade administrativa não é crime e. aqui entram os crimes contra a AP.7. na Lei de Licitações. Salvo. Pergunta: o delito de prevaricação pode figurar como crime antecedente do delito de lavagem de capitais? Prevaricar é retardar ou deixar de praticar ato de ofício. Crime praticado por organização criminosa: Pergunta: Existe conceito legal de organização criminosa no nosso ordenamento jurídico? . Os crimes contra a AP estão previstos entre os arts.

onde tramitam pelo menos 3 projetos de lei que visam definir o que seriam organizações criminosas. Quadrilha ou bando são expressões sinônimas. previsto no art.034/95. da Lei Elas por estão ex. Por fim. associação prevista na lei do genocídio 2. Esse dispositivo exige mais Existem associações.24 Esse problema vai surgir por conta da Lei 9.223. 16 e 24 da Lei 7. . por ex. como. CP. não existe conceito legal de organizações criminosas no Brasil. O grande problema sobre Organizações é saber se existe um conceito de organizações criminosas no ordenamento jurídico brasileiro. (art. isso significaria que não existe ainda o conceito no Brasil. que é conhecida como Lei das Organizações Criminosas.170/83 (Lei de segurança nacional). 2º. organização criminosa é caracterizada pela presença de pelo menos 3 das seguintes características: . a previstas no art. . De acordo com o projeto de lei 7.Para uma primeira corrente. não se confundem outras com quadrilha.889/56).uso de meios tecnológicos avançados. 35 da Lei de Drogas. Associações duas ou criminosas pessoas. I. Essa lei disciplina meios de prova e procedimentos investigatórios relativos a crimes praticados por quadrilha ou bando. organizações ou associações criminosas. .planejamento empresarial. Se estão tramitando no CN projetos de lei para definir o que seja organização criminosa. Essa primeira corrente ganha um reforço de uma análise do próprio CN. Também existe delito de associação nos arts.hierarquia estrutural. Consuma-se o delito de quadrilha independentemente da prática dos delitos para os quais os agentes se associaram. É um crime autônomo. o conceito de organizações criminosas: este será visto na próxima aula. 288. Quadrilha é a associação estável e permanente de mais de 3 pessoas com o fim de praticar uma série indeterminada de crimes.

alta capacitação para a prática de fraude.conexão estrutural ou funcional com o poder público ou com um agente do poder público. conexão local. por sua vez.recrutamento de pessoas. pessoas conhecida com essa 15/12/2000. . é outra coisa.divisão funcional das atividades. com a intenção de obter benefício econômico ou moral. dá a eles um status normativo supralegal. nacional ou internacional com outra organização criminosa. regional. Em verdade. ninguém nega a importância dos Tratados Internacionais de direitos humanos. daí a entender que um tratado internacional pudesse definir crimes e estabelecer penas. Convenção de mais de Palermo. Para o prof. enquanto a lei brasileira não fornecer um conceito legal de organizações criminosas. qual .oferta de prestações sociais. LFG. das em em Nações Palermo criminosa Unidas (e é por De o contra isso acordo grupo é o Crime Organizado como de 3 a ou Convenção Transnacional. essa definição de crime por um tratado internacional violaria o Princípio da Legalidade. inclusive. Mas. é possível a utilização do conceito dado pela Convenção realizada Palermo. . exatamente em uma de suas garantias (ou facetas).015/04. inclusive. . . O Capez concorda com essa segunda corrente.auto-poder de intimidação.divisão territorial das atividades ilícitas. que também vem ganhando corpo. Esta convenção foi ratificada pelo Decreto legislativo nº 231 e pelo Decreto 5.25 . O STF. . II. afirma que.Uma segunda corrente. organização estruturado existente há algum tempo e atuando concertadamente com o fim de cometer infrações graves. .

1. 337-C e 337-D. 1º.26 seja. Afinal de contas. 1º. se o crime for cometido de forma habitual ou por intermédio de organização criminosa. Tentativa: É possível a tentativa no crime de lavagem de capitais? Sem dúvida que sim. CP. trata-se de crime plurisubsistente. art. §3º. 1º. §4º: a lei aqui diz que a pena será aumentada de 1/3 a 2/3 nos casos previsto nos incisos I a VI. Crime praticado por particular contra a administração pública estrangeira: É o último crime do rol. por isso a doutrina faz esta crítica. LLC: . Porém.467/02. Atenção então: se o crime antecedente for o do inciso VIII. art. foi incluído pela mesma Lei 10. .467/02. 1. a denominada lex popoli: crimes e penas só podem ser estabelecidos com a participação dos representantes do povo na elaboração e aprovação do texto final. ela não incide se o crime for o do inciso VIII.12. mesmo que seja cometido de forma habitual.8. 337-B. A causa de aumento de pena do art.LLC. o CN não pode alterar o tratado ao votá-lo. atenção: qual será a regra e qual será o benefício do agente no caso da tentativa? art. Aqui vale a pena ficar atento a duas observações: . não incide a causa de aumento de pena.Esses crimes foram inseridos no CP pela Lei 10. A lei é de 1998 e o inciso VIII foi incluído por lei posterior (2002) e esqueceram de atualizar o §4º para incluí-lo. Por mais que a convenção internacional passe pela ratificação do CN.11. VIII.

e não da infração penal. §4º. Na habitualidade criminosa. exige-se do agente uma prática reiterada da conduta a fim de restar caracterizado o delito. CP (exercício ilegal da medicina. CP. portanto. é preciso que a conduta seja praticada de forma reiterada. 12. O crime de lavagem.27 §3º. Habitualidade criminosa é sinônimo de reiteração delituosa. pois pratica muitos crimes.13. 1. ou seja. tem-se uma seqüência de atos típicos que demonstram um estilo de vida do autor. que a habitualidade não é uma elementar do crime de lavagem. segundo o qual as regras gerais do CP aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial. . Diante do art. A pessoa faz do crime o seu estilo de vida. ou de criminoso habitual. Aqui não basta uma única conduta. §4º. a prática de um ato isolado não gera tipicidade. 1º. 1º. conclui-se. em virtude daquilo que preceitua o art. Habitualidade: Essa habitualidade será importante por conta do art. se esta não dispuser de modo diverso. já que vai incidir uma causa de aumento se ele for habitual.: art. não é um crime habitual. Atenção para não confundir crime habitual com a chamada habitualidade criminosa. portanto. Esse dispositivo era absolutamente desnecessário e redundante. LLC. arte dentária ou farmacêutica). 14 do Código Penal. sendo a habitualidade uma característica do agente. Ex. A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. que fala em crime cometido de forma habitual (caso em que será aumentada a pena). Na habitualidade criminosa há pluralidade de crimes.No crime habitual. 282. São conceitos distintos: .

art. no caso do crime de extorsão mediante seqüestro cometido em concurso de agentes. 1. a descoberta de delituosa. §4º (Atenção para não confundir com o crime continuado. substituída por restritiva de direitos. nada mais é do que o reconhecimento por parte do Estado de que precisa da colaboração do agente. §4º. que significa apontar comparsas. da Lei 8.492/86 (Lei dos crimes contra o sistema financeiro nacional). toda a mediante trama a denúncia a de seus comparsas do produto às do autoridades. .U. crime. 25.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos). CP (extorsão mediante seqüestro). Delação vem do verbo delatar. que exige essa homogeneidade)! STJ.: dizer a localização da vítima seria colaboração e não delação (pois ai não se estaria apontando o comparsa). Delação premiada: A delação premiada. §2º. também conhecida como “Chamada de co-réu”. ou até mesmo extinta. consiste na possibilidade de o participante e/ou associado de infração penal ter sua pena reduzida. 8º. ainda sobre o §4º: não é necessária uma homogeneidade de circunstância de tempo.1. localização facilitação da libertação do seqüestrado. Delação premiada.14. HC 19902. lugar e modus operandi para a incidência da causa de aumento de pena do art. art. então. 159. da Lei 7.14. ou a possibilitando o desmantelamento do bando ou quadrilha. Ex.28 Obs. Pergunta: quando surgiu a delação premiada e onde ela está prevista? Art. LFG entende que colaboração premiada seria o gênero do qual seria espécie a delação premiada.. P. 1º. 1.

137/90 (Lei que dispõe sobre os crimes contra a ordem tributária). Outras hipóteses de delação premiada: Art.613/98 (LLC): § 5º A pena será reduzida de um a dois terços e começará a ser cumprida em regime aberto. Detalhe importante: em todos esses dispositivos legais supra citados a delação premiada traz como benefício uma diminuição da pena de 1/3 a 2/3. 1º. que vão variar de acordo com o grau de colaboração: 1) diminuição da pena de 1/3 a 2/3 e fixação de regime inicial aberto. co-autor ou partícipe colaborar espontaneamente conduzam à com as das autoridades.29 art. infrações prestando e de esclarecimentos sua autoria ou que à apuração penais localização dos bens. podendo o juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la por pena restritiva de direitos.2. A delação premiada na Lei de lavagem de Capitais pode trazer para o acusado 3 benefícios. 1.. 3) perdão judicial como causa extintiva da punibilidade. direitos ou valores objeto do crime. P. 16.U. da Lei 8.14.034/95 (Lei das Organizações Criminosas). da Lei 9. Além da lei de lavagem. art. §5º. também vai haver delação premiada nos seguintes dispositivos legais: . da Lei 9. 6º. se o autor. 2) substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.

da Lei 8. Cumprido o acordo de leniência pelo agente. também conhecido como acordo de brandura ou acordo de doçura. Nos crimes contra a ordem econômica. de ofício ou a requerimento das partes. 13 e 14.(. tipificados na Lei 8. A União. poderá celebrar acordo de leniência. se cumprido..a obtenção de informações e documentos que comprovem a infração noticiada ou sob investigação.137. de 27 de novembro de 1990. Ele pode ser inclusive uma causa impeditiva do oferecimento da denúncia e. extinguirá a punibilidade do agente.a identificação dos demais co-autores da infração. Arts. nos termos desta Lei. nos termos deste artigo. conceder o perdão judicial e a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. 35-C. determina a suspensão do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento de denúncia. Parágrafo Único. desde que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo e que dessa colaboração resulte: I. Poderá o juiz. esta lei ficaria valendo como uma regra geral de delação premiada.884/94 (Lei que dispõe sobre crimes contra a ordem econômica) – ela possibilita o chamado “Acordo de Leniência”.) Art. 13. sobretudo para as leis anteriores: Art. a celebração de acordo de leniência. 35-B e 35-C.: Art. com pessoas físicas e jurídicas que forem autoas de infração à ordem econômica. por intermédio da SDE.. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a . 35-B. e II. com a extinção da ação punitiva da administração pública ou a redução de uma dois terços da penalidade aplicável. extingue-se automaticamente a punibilidade dos crimes a que se refere o caput deste artigo. conforme se depreende da redação de tais arts. da Lei 9. Para muitos doutrinadores.30 arts. sendo primário.807/99 (Lei de proteção às testemunhas).

a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa. na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime. 41. 14. Porém. Nesse caso o benefício deverá ser concedido através de uma revisão criminal. circunstâncias. III. no caso de condenação. Art. a delação premiada poderia ser feita mesmo após o trânsito em julgado da sentença condenatória. Momento para a concessão da delação premiada: para a doutrina. desde que a delação fosse objetivamente eficaz. a delação premiada pode ser acordada com o criminoso desde a fase investigatória até o momento da sentença. 41. terá pena reduzida de um terço a dois terços. da Lei 11. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a natureza. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime. Art. II. desde que dessa colaboração tenha resultado: I. 621.a recuperação total ou parcial do produto do crime. terá pena reduzida de um a dois terços. para alguns doutrinadores. CPP: Art. no caso de condenação. III. gravidade e repercussão social do fato criminoso.31 investigação e o processo criminal.343/06 (Lei de Drogas): Art. 621. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime. com fundamento no art. A revisão dos processos findos será admitida: .a localização da vítima com a sua integridade física preservada. Parágrafo Único.

mas desde que essa oitiva seja necessária. a ação penal pública. se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena. 129.quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos.688 e AP 470 A publicidade do depoimento do delator somente irá ocorrer quando ele for ouvido formalmente no processo. após a sentença.32 I . São funções institucionais do Ministério Público: I . na forma da lei. nem mesmo para os advogados dos demais acusados delatados. privativamente. Valor probatório de uma delação premiada: para a jurisprudência. exames ou documentos comprovadamente falsos. II . Proposta alertar virtude da delação: e tanto a autoridade sobre a policial possível haja quanto pena a o que MP devem indiciados de uma acusados estarão ser sujeitos em caso de condenação e sobre os benefícios que poderão obter em efetiva colaboração. da Constituição Federal: Art. Caso consenso.quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos. inciso I. poderá lavrado um acordo sigiloso entre acusação e defesa a ser homologado pelo juiz. nem se tornar público. ou seja. 129.promover. RE 213937 Benefício pessoal: a delação é um benefício pessoal. Esse acordo de delação premiada tem fundamento nos dispositivos legais acima citados e também no art. III . devendo estar corroborada por outros elementos probatórios. Esse acordo não deve constar dos autos. HC 90.quando. não é possível que seja aplicada aos demais co-autores ou partícipes do fato . a delação premiada por si só não pode fundamentar uma condenação.

Não é aplicável a quem não colaborou. 2º. Por fim. Ocorre que esse procedimento. será aplicável a todas as contravenções e crimes cuja pena máxima seja igual ou inferior a 2 anos. fala que o procedimento do crime de lavagem vai ser o procedimento comum dos crimes punidos com reclusão. I. mas sim por conta do máximo de pena privativa de liberdade cominada. que seria o procedimento comum sumaríssimo. Procedimento: Art.33 delituoso (só poderá ser aplicado ao delator). Agora o procedimento já não é mais determinado por conta da espécie de pena. da competência do juiz singular: Art. que alterou os procedimentos. 2º e ss. por sua vez. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: I – obedecem às disposições relativas ao procedimento comum dos crimes punidos com reclusão. cumulada ou não com multa e submetidos os crimes ou não a procedimento especial. então. Agora nós temos então o chamado procedimento comum ordinário e ele será aplicável em relação aos delitos cuja pena máxima cominada seja igual ou superior a 4 anos. o procedimento dos Juizados. da LLC (Lei 9. 1. O procedimento sumário. .719/08.15.613/98) trata das disposições processuais do crime de lavagem de capitais. A lei aqui nesse dispositivo. que outrora era definido pelo código de acordo com a espécie de pena (reclusão ou detenção) sofreu uma alteração por força da Lei 11. faz menção a um procedimento: o procedimento comum dos crimes punidos com reclusão. será aplicável aos crimes cuja pena máxima cominada for inferior a 4 e superior a 2 anos. O art. da competência do juiz singular.

mas não há obrigatoriedade disso. que dizia que nos casos de conexão e continência entre os crimes definidos naquela lei. imaginando que os processos sejam reunidos. A nova lei não trouxe nenhum dispositivo que trate dos crimes conexos. qual seria o procedimento? A reunião desses dois processos não é obrigatória.34 A pena do delito previsto no art.343/06. nesse exemplo de conexão valeria sempre o procedimento da Lei de Drogas.: Vicente Greco Filho) que dizia que não se pode estabelecer o procedimento em razão da gravidade do delito. ele já era bastante criticado pela doutrina (ex. qual será o procedimento a ser usado nesses casos de crimes conexos? Em verdade. o procedimento será o previsto para a infração mais grave. 1º da LLC é de 3 a 10 anos. Se puder acontecer. 28. Assim. Pergunta: a nova lei de drogas trouxe dispositivo semelhante ao antigo art. Assim. 28 da Lei 6368/76. agora. tanto melhor. Ocorre que. se a pena máxima cominada é superior a 4 anos. diante da duplicidade de procedimentos. e sim porque o seu máximo é superior a 4 anos). quando ainda estava em vigor o antigo art. Se hoje esta regra estivesse em vigor. desde antes. 28. ressalvados os da competência do júri e das jurisdições especiais. podemos concluir que o procedimento aplicável será mesmo o procedimento comum ordinário (mas não porque a pena é de reclusão. qual deles seria aplicável? É preciso que nos lembremos do que dizia a antiga lei de drogas (Lei 6368/76). e outras infrações penais. . com a conseqüente reunião dos processos de lavagem e de tráfico de drogas. que traz hoje uma pena de 5 a 15 anos de reclusão. 28? Não. Ocorre que este art. Pergunta: E se houver conexão probatória. Mas então. e a própria lei foram revogados pela Lei 11. que tinha um dispositivo específico sobre o assunto: o art. haverá um problema: a lei de drogas tem um procedimento especial e a LLC tem um procedimento comum.

O procedimento mais amplo é assegure exercício processuais. II. em tudo o procedimento comum ordinário é mais amplo. buscar o procedimento que seja aquele mais que amplo. diante de crimes conexos. procedimento mais demorado.15. LLC: Art. mas. tirando isso. Autonomia do processo: Essa autonomia do processo que aqui vamos trabalhar. porque possibilita um maior nº de testemunhas. além de possibilitar que o juiz conceda memoriais. e diante dos dois procedimentos mais amplo? Sem dúvida alguma. 2º. possibilita diligências. Pergunta: diante dessa regra trazida pela doutrina. vem citada no art. ainda que praticados em outro país.35 É preciso sempre. . faculdades necessariamente. II independem do processo e julgamento dos crimes antecedentes referidos no artigo anterior. etc. Na verdade. da competência do juiz singular.1. que a sentença saia em 10 dias. será o procedimento comum ordinário. mais E procedimento às partes o mais amplo de não suas significa. para a doutrina. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: I – obedecem às disposições relativas ao procedimento comum dos crimes punidos com reclusão. em conflito (procedimento comum ordinário da LLC e procedimento especial da Lei de Drogas). a única vantagem que a Lei de Drogas tem é a previsão da chamada “defesa preliminar”. qual deles será o procedimento 1.

que não precisa tramitar em conjunto com o processo pelo crime antecedente. II. a independência do processo de lavagem de capitais. de Município. obrigatoriamente.os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República. também estaria sujeito à lei brasileira (extraterritorialidade condicionada da Lei Penal brasileira – art. §2º. de empresa pública. não significa dizer que a reunião dos processos seja proibida. CP).36 Esse dispositivo consagra a autonomia. no caso do art. “a”. sociedade de economia mista. 7º. o que no entanto. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. embora cometidos no estrangeiro: I . a lavagem sendo praticada fora do país? Mesmo que o delito de lavagem de capitais fosse praticado em outro país. . O processo pelo crime de lavagem de capitais não precisa tramitar. CP será necessário o implemento das condições do art. d) de genocídio. 7º Ficam sujeitos à lei brasileira. com o processo em relação ao crime antecedente. de Estado. Pergunta: e se ocorrer o contrário. do Distrito Federal. Atenção. Mesmo que o crime antecedente seja praticado em outro país. b) contra o patrimônio ou a fé pública da União. “a”. II. se a lavagem for cometida no território nacional. o agente responderá aqui pelo crime de lavagem. na medida em que tal crime está previsto em tratado ou convenção internacional. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público. Tudo vai depender do caso concreto. 7º. de Território. CP: Extraterritorialidade Art. por quem está a seu serviço. STJ. c) contra a administração pública. HC 48300 e HC 59663 (este último diz expressamente que não vige nem a regra da obrigatória reunião e nem a da obrigatória separação). 7º.

Nos casos do inciso I. CR: Art. o agente é punido segundo a lei brasileira. ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional. b) ser o fato punível também no país em que foi praticado. contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira.os crimes: a) que. segundo a lei mais favorável.37 II .os crimes contra a organização do trabalho e. Competência criminal: Quem vai processar e julgar o delito de lavagem de capitais? Justiça estadual ou Justiça federal? Devemos ficar atentos ao que nos diz o art. § 1º . mercantes ou de propriedade privada. o Brasil se obrigou a reprimir. d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena. por outro motivo. por tratado ou convenção. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: VI .Nos casos do inciso II. nos casos determinados por lei. 109. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. 1. . c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição. § 2º . b) praticados por brasileiro.15. c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. não estar extinta a punibilidade. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. VI.2.

613/98). art. III – diz os casos expressos em que os crimes serão da competência da Justiça Federal. Isso significa que nos demais casos a competência será da Justiça estadual: III . b) quando o crime antecedente for de competência da Justiça Federal. III. empresas públicas ou autarquias (federais). . A competência. portanto.são da competência da Justiça Federal: a) quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômicofinanceira. para julgar o crime de lavagem de capitais deve ser retirada da própria LLC (Lei 9. 2º. for praticado ou contra o sistema da financeiro suas ou em detrimento serviços interesses União. A competência será da Justiça Federal somente nas seguintes hipóteses: a) quando o e crime bens.38 Conclusão: crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico- financeira somente serão de competência da Justiça Federal quando a lei assim o determinar. conclui-se: em regra. 2º. b) quando o crime antecedente for de competência da Justiça Federal. serviços ou interesses da União. Atenção para as hipóteses! Diante do art. ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas. ou em detrimento de bens. compete à Justiça estadual o processo e julgamento do crime de lavagem de capitais.

1. mas não podemos dizer que esta é a regra. pois é uma das mais intensas discussões em relação ao crime de lavagem de capitais. e muitos deles afirmaram que nunca haviam conduzido em processo ninguém pelo crime de lavagem de capitais.3 Criação de Varas Especializadas para o julgamento de crimes de lavagem de capitais: Esse tema é bem interessante para cair em uma segunda fase de concurso. Muitos advogados afirmam que essa criação de varas violaria o princípio do juiz natural. na grande maioria dos casos a competência será mesmo da Justiça Federal. e inclusive. dizia que isso feito (tamanha existia). Concluiu-se que não havia um preparo suficiente dos julgadores para o processo e julgamento desses crimes.39 Atenção: é bem verdade que na prática. CC 96678 e HC 11462. os TRF´s começaram a especializar varas. .15. surge a Resolução 314/03 do Conselho da Justiça Federal. por meio de Resoluções e Provimentos: Esse assunto provocou tanta polêmica porque alguns desses provimentos determinaram que os processos em andamento nas demais varas fossem remetidos (redistribuídos) às Varas Especializadas. Em 2003. Evolução histórica do tema: Em 2001. Obs. A partir daí então. salvo se já estivem com a instrução encerrada. foi feita uma pesquisa com juízes federais.: 90% da jurisprudência sobre esse crime de lavagem de capitais está relacionada à essa criação de varas especializadas para julgamento desses crimes. STJ. que determinava que deveria ser os Tribunais no prazo Regionais federais de 60 dias deveriam especializar a preocupação que varas no combate à lavagem de capitais.

que não tem mais esta atribuição. da Lei 5. pois na verdade.010/66 (Lei que organiza a Justiça Federal – é velha. . poderá o Conselho da Justiça Federal fixar-lhes sede em cidade diversa da Capital. 12. tal atribuição passou a ser dos próprios TRF´s.40 Surgiram então dois questionamentos: O Tribunal pode especializar Vara? Há previsão legal para essa especialização em Varas? . Assim. diante da CR/88. especializar Varas e atribuir competência por natureza de feitos a determinados juízes.Essa alteração da competência aos processos penais que já estavam em andamento não viola o princípio do juiz natural? Analisemos cada um desses questionamentos: Existe sim previsão legal para a especialização de Varas federais: art. 12 dizer que o Conselho da justiça federal pode especializar varas. a e própria CR assegura podendo ao Poder à Judiciário sua autonomia administrativa administrativa. financeira. 12. Nas Seções Judiciárias em q houver mais de uma Vara. mas continua em vigor): Art. proceder auto-organização Porém. tem um detalhe importante que não pode passar despercebido: quem é que poderá especializar as varas? Com a CR/88 o Conselho da justiça federal já não tem mais esta legitimidade. Além disso. ele hoje é um mero órgão de regulamentação interna. apesar de o art.

salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. CPC processos surgindo. que diz quais são as atribuições do Conselho da justiça federal (e dentre elas não inclui a especialização de varas). 105. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente. é isso que deve ser aplicado (então não há problema algum em que . Art. é como se tivesse havido uma alteração de competência em razão da matéria. portanto. Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta. salvo quando houver a extinção do órgão judiciário ou quando houver a alteração da competência em razão da matéria ou da hierarquia (nesse ultimo caso – hierarquia – o ex. II. os processos deveriam ir para uma ou para outra vara. CR. Não. CPC diz que se o processo começou perante um juiz. pois eles criaram Varas Especializadas que fossem do STJ? passaram o art. valer não 87. CPC. é o de alguém que está respondendo por um processo é eleito senador da República). e. Pergunta: isso teria violado entendimento porque aplicável subsidiariamente. estas com só o Provimento a 238. 87. jurisprudência. 87. na medida em que teria ocorrido uma alteração da competência em o razão CPC da matéria ser (e de sim acordo ao com a ampla penal. Quanto à segunda questão: quanto à redistribuição dos processos que estavam em andamento nas demais varas às varas especializadas. Essa regra do art. Mas para é existiram os novos o tribunais que não atuaram da mesma maneira que em SP. P.41 Art. terminará perante este mesmo juiz (é a idéia de perpetuação da jurisdição). pode aplicado processo subsidiariamente). entendeu o STJ não ser possível a aplicação da regra da perpetuação da jurisdição prevista no art..U. O STJ entendeu que a partir do momento em que a 2ª e a 6ª Varas de SP se tornaram Varas Especializadas. Isso as é o que aconteceu em e SP. então se o próprio provimento do Tribunal já deu uma solução. 87.

Mas o legal.4. se que essa especialização de forma contrária. o tema organização judiciária não está restrito ao campo de incidência exclusiva da lei. contaminou resoluções provimentos dos TRF´s. 2º. uma vez que depende da integração de critérios estabelecidos na Constituição. ao definir não entanto. sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei. como também em relação ao crime antecedente.613/98): §1º. 628673. nas leis e nos Regimentos Internos dos tribunais.: o gato e o rato entram num compartimento e só sai o gato. STF entendeu pois. temos o indício ou a prova indireta de que o gato comeu o rato). STJ. Posição do STF: já se aguardava uma posição do STF sobre isso há algum tempo. competência jurisdicionais.42 alguns tribunais tenham mantido os antigos processos em suas Varas originais. Justa causa duplicada: deve o MP trazer um lastro probatório não só em relação à lavagem. Requisitos da denúncia: Art. LLC (Lei 9. ☺ também STF. ainda que desconhecido ou isento de pena o autor daquele crime. HC 85060.15. aquela com uma capacidade persuasiva . Ele então decidiu. pois o Conselho de as teria órgãos e extrapolado atribuições que. que a Resolução nº 314 do Conselho da Justiça Federal suas o seria no inconstitucional. CC 57838 e Resp. A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência do crime antecedente. Para o STF. portanto. é sinônimo de uma prova semi-plena (e não de prova indireta. varas é teria perfeitamente que anular os entendesse de processos. Indícios. o que não aconteceu. de acordo com regramento próprio). ou seja. §1º. aqui no §1º. no HC 86660. como em geral entendemos – ex. 1.

CPP na LLC: . o que basta na hora de se oferecer a denúncia. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. 366. CPP. Se o acusado. Além de suspender o processo e a prescrição. da decretação da prisão preventiva (desde que preenchidos os seus pressupostos). se for o caso. será então aplicado ao cidadão citado por edital quando. Art. preservar o direito à ampla defesa. em decorrência dessa citação. o acusado não tenha comparecido e nem tenha constituído defensor. → Aplicação do art.5 Suspensão do processo: Essa suspensão do processo é a suspensão do processo prevista no art. 1. esse mesmo art. A conseqüência desses 3 requisitos é a suspensão do processo e da prescrição. se for o caso. Este art. nos termos do disposto no art. decretar a prisão preventiva. seja para ele mesmo se defender (auto-defesa). seja ele ministrar seu elementos que possam auxiliá-lo em sua defesa. a prescrição fica suspensa por prazo indeterminado. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. 366. Ela visa. Ou seja. citado por edital. basicamente. nem constituir advogado.15. não comparecer. Pergunta: por quanto tempo a prescrição fica suspensa? Para o STF (já há alguns julgados caminhando para essa posição).43 atenuada. 312. é que tenhamos alguns elementos comprovando a origem da lavagem (crime antecedente). CPP ainda prevê a possibilidade de produção de provas consideradas urgentes e. Isso ocorre em razão da preservação para da ampla defesa: ao a presença advogado do os acusado no processo penal é muito importante. 366. 366.

366. ou representação da autoridade policial. LLC: de acordo com esse dispositivo. 125 a 144 do Decreto-Lei nº 3. objeto dos crimes previstos nesta Lei. Porém. 4º. 366. 2º. Esse art. cuidado porque apesar do teor deste dispositivo. CPP. esse alguém é substituído por outro). 4º. ouvido o Ministério pÚblico em vinte e quatro horas. 2º e 3º. §3º: Art. O juiz. a apreensão ou o seqüestro de bens. No processo por crime previsto nesta Lei. 366. CPP. a interpretação mais favorável ao acusado). 4º. as “peças” são muito facilmente substituíveis (assim que se prende alguém. 4º. 4º: . de ofício. no curso do inquérito ou da ação penal. §3º da mesma lei. §2º. na dúvida entre qual dispositivo deve ter prevalência. poderá decretar. Ou seja. não se aplica o disposto no art. apreensão e seqüestro dos bens objeto da lavagem. §2º da LLC e o art. Hoje no Brasil existe uma política de que o processo só surte efeito se houver a prisão (em razão do que é veiculado na mídia. Assim.: para as provas de concurso o que se deve afirmar é que não se aplica o art. do art.689. a doutrina usa o princípio do favor rei (deve prevalecer. procedendo-se na forma dos arts. Ocorre que no crime de lavagem interessa muito mais do que a prisão da pessoa. existiria um conflito aparente de normas existentes na mesma lei. §3º diz que é cabível a aplicação do art. a requerimento do Ministério Público. direitos ou valores do acusado. O art. CPP. §2º. porque ali nesse tipo de organização criminosa. fala de medidas patrimoniais assecuratórias que são muito importantes. 2º. ou existentes em seu nome. Obs. havendo indícios suficientes. de 3 de outubro de 1941 – Código de processo Penal. as pessoas acham que o processo só surte efeito se a pessoa estiver presa). há uma segunda corrente que entende que existe uma antinomia entre o art. na lei de lavagem de capitais não se aplica o art. além disso a doutrina também conjuga aqui o princípio da ampla defesa. §§1º. 366 do Código de Processo Penal. para afirmar que deve prevalecer o disposto no art.44 art. a identificação. diante da dúvida.

contados da data em que ficar concluída a diligência. direitos e valores apreendidos ou seqüestrados quando comprovada a licitude de sua origem. As medidas assecuratórias previstas neste artigo serão levantadas se a ação penal não for iniciada no prazo de cento e vinte dias. Liberdade provisória: Liberdade prisão em provisória flagrante. CPP e outro diz que se aplica. condições. 1. Se a prisão for ilegal. e ai ficarei com esses bens. mas se a prisão for legal. podendo ou é uma desde não medida que ficar de o contra-cautela indivíduo ao que substitui de a preencha determinados certas requisitos. 366.6. nos casos do art. 366. praticando atos necessários à sua conservação até o dia em que ele comparecer pessoalmente. §2º. CPP são aqueles em que o acusado é citado por edital e não comparece e nem constitui advogado. 366. Atenção.45 §1º. direitos ou valores.15. Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado. Esse dispositivo (§3º) diz que eu posso apreender os objetos do indivíduo citado por edital. O juiz determinará a liberação dos bens. Contradição da lei: um dispositivo diz que não se aplica o art. Comparecendo pessoalmente e comprovando a licitude dos bens ai sim será possível devolver tais bens. . podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à conservação de bens. §3º. o caminho é a liberdade provisória. sujeito cumprimento É a resposta que o acusado pode conseguir quando preso em flagrante. esse prazo de 120 dias também já vem sendo relativizado. do Código de Processo Penal. o caminho é o relaxamento da prisão. Os casos do art.

Os crimes disciplinados nesta Lei são insuscetíveis de fiança e liberdade provisória e. porque a prisão de qualquer indivíduo antes do trânsito em julgado de sentença condenatória depende de decisão fundamentada da autoridade judiciária competente. LXVI. 44. criando-se hipótese de prisão obrigatória àquele que foi preso em flagrante. De acordo com esse art. pelo STF na ADI 3. é porque não cabe e pronto. 3º. Posição doutrinária (LFG. art.art. Eugênio Pacelli): parte da doutrina entende que não é dado ao legislador vedar de maneira absoluta a concessão da liberdade provisória. II. da Lei 11. Outro ponto importante a ser tratado aqui diz respeito à alteração da Lei 8. porque tal vedação violaria o princípio da presunção de inocência. A uma. em seu art. Lei 9. Pergunta: poderia o legislador vedar o cabimento da liberdade provisória? O legislador pode.. jamais de liberdade provisória! Pergunta: cabe liberdade provisória na LLC? Art. . dizer que a liberdade provisória não é cabível em um ou outro crime? Pela leitura da Constituição. assim de maneira abstrata.112. dizia que crimes hediondos e equiparados são insuscetíveis de .072/90 pela Lei 11. em caso de sentença condenatória. 5º. 2º. e se o legislador disse que não cabe.464/07: a lei dos crimes hediondos.46 Liberdade provisória é só para prisão em flagrante! Não vale para quem foi preso preventiva ou temporariamente. não seria cabível liberdade provisória com ou sem fiança no crime de lavagem de capitais.613/98: Art. A duas. que diz “quando a lei admitir a liberdade provisória” fica parecendo que ao legislador cabe dizer se cabe ou se não cabe.343/06 (Lei de Drogas). o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. 3º. Prisão preventiva ou temporária é caso de revogação ou cassação.

à exceção de algumas decisões do Min. . se é cabível LP sem fiança para crimes hediondos. 3º.7 Recurso em liberdade: A LLC. art. o juiz decidirá fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. implicitamente teria vedado a concessão da LP. Para a doutrina. Celso de Mello. o mesmo raciocínio deve ser aplicado às demais leis que vedam a LP. se o juiz entender que se a pessoa solta estivesse não teria motivo para ser presa. diante do caso concreto. Assim. pelo menos em tese. A jurisprudência. Para o STF. não seria cabível LP ao crime de tráfico de drogas sob o seguinte argumento: se a Constituição disse que tais crimes são inafiançáveis. do CPP – quando o juiz verificar a inocorrência de qualquer hipótese que autorize a prisão preventiva). Em 2007 entra em vigor a Lei 11. 1. não caminha nesse sentido. então o juiz concederá a ela a LP sem fiança. parte final. agora temos pelo menos a possibilidade de o juiz analisar. 310.464 que consolida um entendimento que já era firme na jurisprudência. que é o mais grave dos delitos. 3º.U.47 liberdade provisória com fiança (e isso é óbvio. Os crimes disciplinados nesta Lei são insuscetíveis de fiança e liberdade provisória e. Se o juiz verificar que se solta a pessoa seria presa preventivamente.15. em seu art. apagando a vedação da liberdade provisória sem fiança. Ou seja. então. em caso de sentença condenatória. crimes hediondos admitem. porém. Nesse sentido: STF. a vedação da Constituição. HC 93302 e STJ. P. a liberdade provisória sem fiança (aquela do art. diz textualmente que o juiz decidirá se o réu poderá apelar em liberdade. Só vale. HC 85682. pois a própria CR já diz isso) e também de liberdade provisória sem fiança. se há ou não motivo para a pessoa ter a prisão preventiva decretada. o juiz indeferirá a LP sem fiança e automaticamente estará convertendo a prisão em flagrante em preventiva.

719. de 2008) .. fundamentadamente.689. 347: O conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão. do STF. Surgiu então uma nova súmula do STJ – Súm. sobre a manutenção ou. no qual entendeu o STF que pelo fato de o a Convenção Americana da apelação de ao Direitos Humanos à assegurar o direito ao duplo grau de jurisdição. Eis que surge o HC 88420.U. Art. 492. 387. de 2008) I – no caso de condenação: (Redação dada pela Lei nº 11. § 3o anteriormente O juiz decidirá. o presidente proferirá sentença que: (Redação dada pela Lei nº 11. Tanto é verdade que tínhamos a súmula do STJ de nº 09 que dizia “A exigência da prisão provisória para apelar não ofende a garantia da presunção de inocência”. §3º. O juiz decidirá. tratando-se de acusado solto. 413. CPP e durante muitos anos este art. (Incluído pela Lei nº 11. I. sobre a condicionar conhecimento recolhimento revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade necessidade da decretação da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código. e 492. “e” do CPP: Art. decretada e. Atenção para a nova redação dos arts. motivadamente.48 O que temos aqui nesse dispositivo é o que a doutrina chama de recolhimento à prisão para apelar. no caso de manutenção. um julgado histórico. Esse recolhimento à prisão para apelar também estava previsto no art. não poderia o legislador ordinário prisão. 413. sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser interposta. (Incluído pela Lei nº 11. de 2008) Art. imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar.689. 387.689. Em seguida. esteve em vigor. 594. Parágrafo único. de 2008). se for o caso. P.

Associamos sempre o resultado do processo eficaz com a prisão. o seu recurso será conhecido. Até porque os sujeitos que praticam este crime são regularmente substituídos. alterada que foi pela Lei 11.719/08. Diante das alterações do entendimento jurisprudencial e das Leis 11. diz que independentemente do juiz ter decretado a prisão e de o acusado ter sido recolhido. . conclui-se que não é mais possível condicionar o conhecimento da apelação ao recolhimento do acusado à prisão. LLC permanece válido? É claro que não.719. A pena privativa de prisão não cumprirá o efeito prático de acabar com o crime. muito mais importante do que prender a pessoa é a recuperação dos objetos.insuficiência e ineficiência das penas privativas de liberdade. Pergunta: será que o art. HC 83868. o processo é terceirizado.8 Recuperação de ativos e Medidas Cautelares: Há uma idéia generalizada de que o processo penal somente é eficaz se a pessoa estiver presa. 1. . Mas. (Incluído pela Lei nº 11.15. pelos seguintes motivos: o confisco de bens e valores promove a asfixia da organização criminosa. em se tratando de lavagem de capitais.689 e 11.689. STF. de 2008) Agora a própria lei. é óbvio que a prisão deve ser mais rigorosa. 3º. se presentes os requisitos da prisão preventiva.49 e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra. Um dos principais objetivos da criminalização da lavagem de capitais é o ataque ao braço financeiro das organizações criminosas. Em se tratando de organizações criminosas.

nos casos do art. → Medidas Cautelares importantes: a) Apreensão: trata-se de medida cautelar decretada com o objetivo de apreender coisas. quando a sua execução imediata possa comprometer as investigações. 4º. § 2º O juiz determinará a liberação dos bens. LLC: Art.rápida substituição dos administradores das organizações criminosas. precisará de . ouvido o Ministério Público. § 1º As medidas assecuratórias previstas neste artigo serão levantadas se a ação penal não for iniciada no prazo de cento e vinte dias.50 . 4º O juiz.689. objeto dos crimes previstos nesta Lei. § 4º A ordem de prisão de pessoas ou da apreensão ou seqüestro de bens.capacidade de controle das organizações criminosas do interior dos presídios. direitos e valores apreendidos ou seqüestrados quando comprovada a licitude de sua origem. procedendo-se na forma dos arts. . 125 a 144 do Decreto-Lei nº 3. contados da data em que ficar concluída a diligência. 366 do Código de Processo Penal.Código de Processo Penal. ou existentes em seu nome. ouvido o Ministério Público em vinte e quatro horas. havendo indícios suficientes. objetos e documentos de interesse para a instauração do processo. Art. ou representação da autoridade policial. de ofício. poderá decretar. a requerimento do Ministério Público. a apreensão ou o seqüestro de bens. direitos ou valores do acusado. direitos ou valores. podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à conservação de bens. § 3º Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado. direitos ou valores. no curso do inquérito ou da ação penal. Se realizada no interior de um domicílio. poderá ser suspensa pelo juiz. de 3 de outubro de 1941 .

f) apreender cartas. instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso. 240. CPP: Art. quando fundadas razões a § 1o Proceder-se-á autorizarem. mesmo as Autoridades Fazendárias dependem de autorização judicial para ingressar no domicílio. d) apreender armas e munições. desde que a autoridade que faz a apreensão tenha algum indício de que o sujeito esteja portando arma ou qualquer objeto criminoso. quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato. g) apreender pessoas vítimas de crimes. § 2o Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior. . à busca domiciliar. Assim. abertas ou não. destinadas ao acusado ou em seu poder. c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos. h) colher qualquer elemento de convicção. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. é considerado pela Constituição como domicílio. ☺art.51 autorização da autoridade judiciária. Busca e apreensão em escritórios de advocacia: o escritório de advocacia. e não as partes abertas ao público). assim como o consultório de um médico ou um estabelecimento comercial (do balcão para dentro. para: a) prender criminosos. Se em via pública não. e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu. b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos.

porém. 125 e art. a busca e apreensão não ficará condicionada a isso. É preciso cientificar a OAB que o mandado será cumprido. terceiro. CPP: Art. nada impede que se prolongue durante a noite. a ser cumprido na presença representante também vedada utilização como documentos ou objetos pertencentes a clientes do advogado averiguado. OAB indicar representante. salvo se tais clientes estiverem investigados partícipes coautores pela prática do mesmo crime que deu origem ao mandado de busca e apreensão (☺art. fundada no interesse público.: o mandado deve ter seu início durante o dia. e antecipativa do perdimento de bens como efeito da condenação. “b”. já outros doutrinadores entendem que é o período compreendido entre as 6 e a 18 horas. Para a decretação do seqüestro.52 Caso de específico do da escritório OAB. Obs. II. ☺art. sendo sendo de advocacia: a o mandado de de busca e e apreensão deve ser específico e pormenorizado. Mas. Art. 132. . 7º. Pode haver seqüestro de bens imóveis e também de bens móveis. b) Seqüestro de bens e valores: segundo Vicente Greco Filho. 125. se não for cabível a busca e apreensão. o mandado será cumprido normalmente. ainda que já tenham sido transferidos a indícios veementes da proveniência ilícita dos bens. 91. O mandado de busca e apreensão deve ser cumprido durante o dia. 126. a e ela então designa se a um representante se negar de a OAB para o acompanhar diligência. bastará a existência de Caberá o seqüestro dos bens imóveis. é uma medida assecuratória. no caso de bens que sejam produto do crime ou adquiridos pelo agente com a prática do fato delituoso. CP. Art. iniciado durante o período diurno. do EOAB). adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração. Há doutrinadores que entendem que dia é o período compreendido entre o nascer e o pôr do sol.

terceiro. por sentença transitada em julgado. a quem houverem os bens sido transferidos a título oneroso. 131. O seqüestro será levantado: I .pelo acusado. poderá ordenar o seqüestro. II . Art. o juiz ordenará a sua inscrição no Registro de Imóveis. a requerimento do Ministério Público ou do ou mediante representação da autoridade policial. III . prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art. em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa. Realizado o seqüestro. 130. a quem tiverem sido transferidos os bens. O seqüestro poderá ainda ser embargado: I . Art. II . II. do Código Penal. segunda parte. contado da data em que ficar concluída a diligência. O seqüestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de Art. 129.se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu.se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias.pelo terceiro. . sob o fundamento de não terem os bens sido adquiridos com os proventos da infração. ofendido. Parágrafo único. b. Art.se o terceiro. 127.53 Art. 128. 74. de ofício. O juiz. sob o fundamento de tê-los adquirido de boa-fé. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória.

Mas a esse prazo de 60 dias também não em tem caráter do absoluto. se o indivíduo pretender a restituição dos objetos apreendidos ou seqüestrados durante o curso do processo. 4º.Restituição de coisas apreendidas: ☺art. verificadas as condições previstas no art.54 Art. c) Arresto: é uma medida assecuratória fundada no interesse privado que tem por finalidade assegurar a reparação civil do dano causado pelo delito. com a conseqüente restituição dos bens. Atenção: No CPP esse prazo não é de 120 dias (como na Lei de Lavagem). não só deverá comparecer pessoalmente. O arresto recai sobre . a ação penal deverá ser iniciada dentro do prazo de 120 dias. 4º. LLC: § 2º O juiz determinará a liberação dos bens. 126. direitos e valores apreendidos ou seqüestrados quando comprovada a licitude de sua origem. como também comprovar a licitude de sua origem. Art. 132. o acusado deverá ser absolvido. e sim de 60 dias. contados da data em que ficar concluída a diligência. . Uma vez feito o seqüestro. LLC: § 1º As medidas assecuratórias previstas neste artigo serão levantadas (= afastadas) se a ação penal não for iniciada no prazo de cento e vinte dias. §2º. não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro. admitindo jurisprudência sua prorrogação virtude Princípio da Proporcionalidade. Proceder-se-á ao seqüestro dos bens móveis se. §1º. Mas. em favor do ofendido ou de seus sucessores. Esse dispositivo não estaria invertendo o ônus da prova? O ônus da prova no processo penal é da acusação. qual é o prazo para o início da ação penal? Decretada o seqüestro. Já se ao final do processo o MP não comprovar a ilicitude da origem dos bens.

Arts. 140. proceder-se-á na forma do § 5o do art. estas a reparação do dano ao ofendido. porém. de 2006). por irrecorrível. 139. 120.435. O processo de especialização da hipoteca e do arresto correrão em auto apartado. o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade.435. se. Se o responsável não possuir bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente. poderão ser arrestados bens móveis suscetíveis de penhora. Art. (Redação dada pela Lei nº 11.55 qualquer bem que integre o patrimônio do acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.435. desde que suficiente para garantir a futura recomposição patrimonial. nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos imóveis. 138. de 2006). (Redação dada pela Lei nº 11. tendo preferência sobre O depósito e a administração dos bens arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil. sentença O arresto será levantado ou cancelada a hipoteca. de 2006). § 1o Se esses bens forem coisas fungíveis e facilmente deterioráveis. revogando- se. para a manutenção do indiciado e de sua família. de 2006). O arresto do imóvel poderá ser decretado de início. 136. despesas As garantias do ressarcimento do dano alcançarão também as processuais e as penas pecuniárias.435. de 2006). CPP: Art. § 2o Das rendas dos bens móveis poderão ser fornecidos recursos arbitrados pelo juiz. 136 e 144. . 137. Art. (Redação dada pela Lei nº 11. se no prazo de 15 (quinze) dias não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal. Art. (Redação dada pela Lei nº 11. 141. Art.435. Art.

havendo indícios suficientes. 4º. 4º O juiz. ouvido o Ministério Público em vinte e quatro horas. quis o legislador se referir ao arresto. Os interessados ou. na medida em que faz menção aos arts 125 a 144. de ofício. poderá decretar. o Ministério Público poderão requerer no juízo cível. 143.Código de Processo Penal. de 2006). 134 e 137. O caput do art. 4º dispõe que somente podem ser indisponibilizados bens. direitos ou valores do acusado. contra o responsável civil. 144. de 3 de outubro de 1941 . 136 e 137. a apreensão ou o seqüestro de bens. a requerimento do Ministério Público. Pergunta: É cabível o arresto na Lei de Lavagem de Capitais? Vimos que a apreensão e o seqüestro são possíveis. É o entendimento do promotor de justiça William Terra. no curso do inquérito ou da ação penal. Art. 142. CPP – portanto. ou se o ofendido for pobre e o requerer.435. se houver interesse da Fazenda Pública. CPP. (Redação dada pela Lei nº 11. 134. 125 a 144. 4º. procedendo-se na forma dos arts. objeto dos crimes previstos nesta Lei. da LLC diz expressamente: Art. é cabível sim o arresto na LLC.56 Art. porque ao se referir à apreensão ele quis falar do arresto. 125 a 144 do Decreto-Lei nº 3. as medidas previstas nos arts. ou existentes em seu nome. 142. Passando em julgado a sentença condenatória. serão os autos de hipoteca ou arresto remetidos ao juiz do cível (art. A apreensão não está prevista nos arts. ou representação da autoridade policial. 2ª) como o art.689. Art. Caberá ao Ministério Público promover as medidas estabelecidas nos arts. 63). Será então que a lei quis falar em arresto e não em apreensão? Temos duas interpretações possíveis: 1ª) ao fazer menção no art. nos casos do art. direitos ou valores suspeitos de guardar vinculação com a lavagem de .

em favor da instituição à qual tenha deferido o uso.57 capitais. Consiste na venda antecipada de bens considerados instrumentos da infração penal. e a manutenção parado nas dependências do Estado é enorme). 62. 62 desta Não havendo prejuízo para a produção da prova dos fatos e Lei. seria inviável que essas medidas fossem adotadas em relação a patrimônio diverso. Parágrafo único. Daí então a importância . até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. §§ 4º. É mais um motivo para se decretar medidas cautelares. os bens apreendidos poderão ser utilizados pelos órgãos ou pelas entidades que atuam na prevenção do uso indevido. É o entendimento de Eugênio Pacelli (no inquérito 2. Art. mediante autorização do juízo competente. o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento. ou daqueles que constituam proveito auferido pelo agente coma prática do delito. na atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e na repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas. 61.: imaginemos um helicóptero apreendido de um traficante (as dele Corporações todas dessa utilização. razão pela qual somente seria cabível o seqüestro e não o arresto. encargos e tributos anteriores. 61. isso ocorre efetivamente. Lei 11. ressalvado o disposto no art. ouvido o comprovado o interesse público ou social. desde que haja risco de perda do valor econômico pelo decurso do tempo. 5º e 9º.248). embarcações ou aeronaves. Ex. Recaindo a autorização sobre veículos. exclusivamente no interesse dessas atividades. Ministério Público e cientificada a Senad. Não é o mais correto (não deveria ser uma justificativa para decretá-las).Alienação antecipada: tem expressa previsão legal na Lei de Drogas. .343/06: Art. mas em razão do descaso e da deficiência das Polícias. Art. da Lei de Drogas: ficam de olho no helicóptero. ficando esta livre do pagamento de multas.

de envolvidos prevenção interesse indevido de drogas e operações de repressão à produção não autorizada e ilícito drogas. é possível? Há doutrinadores que admitem. §4º e ss). Os veículos. o Ministério Público. excetuadas as armas. quando o quantia artigo. Na Lei será deste transferida ao Funad. mediante petição autônoma. utensílios. o requerimento de alienação deverá conter a relação de todos os demais bens apreendidos. com a descrição e a especificação de cada um deles. proceda à alienação dos bens apreendidos. qualquer natureza. exclusivamente dessas atividades. § 5o Excluídos os bens que se houver indicado para os fins previstos no § 4o deste artigo. utilizados para a prática dos crimes definidos nesta Lei. . José Paulo Baltazar Jr. como por ex. 62. Mas e na Lei de Lavagem de Capitais. ficarão sob custódia da autoridade de polícia judiciária. até o final da ação penal respectiva.58 Art. permanecerá depositada em conta judicial a apurada. por intermédio da Senad. aeronaves e quaisquer outros meios de os maquinários. embarcações. ações de no de órgãos ao de uso inteligência ao tráfico militares. e informações sobre quem os tem sob custódia e o local onde se encontram. § 4o Após a instauração da competente ação penal. portanto. após a sua regular apreensão. requererá ao juízo competente que. juntamente com os valores de que trata o § 3 de drogas. excetuados aqueles que a União. que serão recolhidas na forma de legislação específica. 62. pois há previsão legal (art. em caráter cautelar. instrumentos e objetos de transporte. o prof. § 9o Realizado o leilão. é perfeitamente possível a alienação antecipada. indicar para serem colocados sob uso e custódia ou da autoridade de polícia nas judiciária.

Obs. tanto para que o objeto não fosse deteriorado. O que a LLC na verdade prevê. II prestará. 5º e 6º não é a alienação antecipada. nomeará pessoa qualificada para a administração dos bens. que será satisfeita com o produto dos bens objeto da administração. mas sim a nomeação de um administrador dos bens apreendidos ou seqüestrados.343/06. A LLC prevê que o juiz nomeará um administrador que poderia. Parágrafo único. 5º Quando as circunstâncias o aconselharem. dos por determinação sob sua judicial. mas não com base na LLC e sim com base na Lei 11. em seus arts. Os atos relativos à administração dos bens apreendidos ou seqüestrados serão levados ao conhecimento do Ministério Público. Art.. e.59 Mas a LLC não tem dispositivo legal acerca da alienação antecipada. detalhamentos sobre investimentos e reinvestimentos realizados. a título de ex.: tramita no CN projeto de lei que visa regulamentar a alienação antecipada na LLC. mediante termo de compromisso. informações bem como periódicas explicações da e situação bens administração. bem como para que ele fosse por si só mantido. fixada pelo juiz. ouvido o Ministério Público. o juiz. assim. alugar o imóvel seqüestrado.fará jus a uma remuneração. direitos ou valores apreendidos ou seqüestrados. que requererá o que entender cabível. Atenção: se o crime antecedente for o crime de tráfico. Art. 6º O administrador dos bens: I . . poderíamos concluir que essa regulamentação ainda não existe. já caberá a alienação antecipada.