Revista Brasileira de Ensino de F´ ısica, v. 29, n. 2, p. 161-173, (2007) www.sbfisica.org.

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Artigos Gerais

A f´ ısica dos quarks e a epistemologia
(Quark physics and epistemology)

Marco Antonio Moreira1
Instituto de F´ ısica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil Recebido em 27/6/2006; Revisado em 23/11/2006; Aceito em 28/11/2006 O objetivo deste trabalho ´ o de apresentar, conceitualmente, a f´ e ısica dos quarks como um assunto acess´ ıvel e motivador que ilustra, de maneira inequ´ ıvoca, a rela¸ao teoria e experimenta¸ao em f´ c˜ c˜ ısica. Conta-se a hist´ria o dos quarks e utiliza-se essa hist´ria para exemplificar quest˜es epistemol´gicas. Ao longo dessa narrativa, em o o o nenhum momento faz-se uso de imagens de part´ ıculas elementares porque acredita-se que, nessa ´rea da f´ a ısica, as imagens apenas refor¸am obst´culos representacionais mentais que, praticamente, impedem a aprendizagem c a significativa. Palavras-chave: f´ ısica dos quarks, epistemologia, ensino de f´ ısica. The purpose of this paper is to present, conceptually, the physics of quarks as an accessible and motivating subject that shows unequivocally the relationship between theory and experimentation in physics. The quarks’ story is told and this story is used to exemplify epistemological issues. Throughout this narrative images are never used because of the author’s belief that in this area of physics the use of images may just reinforce mental representational obstacles that can almost hinder meaningful learning. Keywords: quark physics, epistemology, physics education.

1. Introdu¸˜o ca
Pelo que sabemos hoje, l´ptons e quarks s˜o as e a part´ ıculas fundamentais constituintes da mat´ria. e L´ptons s˜o part´ e a ıculas de spin2 1/2, sem cor,3 que podem ter carga el´trica ou n˜o (neutrinos). O el´tron e a e ´ o l´pton mais familiar. Os demais l´ptons s˜o o m´on, e e e a u o tau e os trˆs neutrinos (neutrino do el´tron, neutrino e e do m´on e neutrino do tau). Seriam, ent˜o, seis os u a l´ptons, mas para cada um deles existe um antil´pton,4 e e de modo que o n´mero total de l´ptons deve ser igual u e a doze. L´ptons parecem ser part´ e ıculas verdadeiramente elementares, quer dizer, aparentemente n˜o tˆm estrua e tura interna. As part´ ıculas que tˆm estrutura interna e s˜o chamadas h´drons – vem do grego, de hadros que a a significa maci¸o, robusto, forte. Essa estrutura interna c ´ constitu´ de quarks. H´ dois tipos de h´drons: os e ıda a a b´rions, formados por trˆs quarks ou trˆs antiquarks, a e e
1 E-mail:

e os m´sons, formados por um quark e um antiquark. e Pr´tons e nˆutrons s˜o exemplos de b´rions. o e a a Assim como os l´ptons, quarks parecem ser part´ e ıculas verdadeiramente elementares. Por isso dissemos, no in´ ıcio, que a mat´ria ´ constitu´ fundamentalmente e e ıda por l´ptons e quarks. e Quarks tˆm carga el´trica fracion´ria, (+ 2/3)e para e e a alguns tipos e (- 1/3)e para outros, mas nunca foram detectados livres, est˜o sempre confinados nos h´drons. a a Al´m disso, as combina¸˜es poss´ e co ıveis de quarks e antiquarks para formar h´drons s˜o tais que a carga da a a part´ ıcula resultante ´ sempre um m´ ltiplo inteiro de e u carga el´trica (e) do el´tron. Quer dizer, o quantum e e da carga el´trica continua sendo a carga do el´tron (e) e e mesmo que os quarks tenham carga fracion´ria. a Mas os quarks tˆm outras propriedades, e uma e hist´ria muito interessante do ponto de vista episteo mol´gico. O objetivo deste trabalho ´ o de apresentar o e tais propriedades e contar um pouco dessa hist´ria. o

moreira@if.ufrgs.br.

2 Spin ´ o momentum angular intr´ e ınseco de uma part´ ıcula. O spin das part´ ıculas elementares ´ sempre um n´ mero inteiro (0, 1, 2, e u 3,...) ou meio inteiro (1/2, 3/2, 5/2, ...) de (h/2π onde h ∼ 6,6.10−34 J.s ´ a chamada constante de Planck). e = 3 Cor ´ uma propriedade da mat´ria, assim como carga el´trica tamb´m ´ uma propriedade da mat´ria. N˜o tem nada a ver com e e e e e e a significado de cor na ´ptica ou no cotidiano. Algumas part´ o ıculas tˆm essa propriedade outras n˜o. L´ptons n˜o tˆm cor, s˜o “brancos”. e a e a e a 4 Antil´pton ´ a antipart´ e e ıcula do l´pton. Uma antipart´ e ıcula tem a mesma massa e o mesmo spin da part´ ıcula em quest˜o, por´m a e carga oposta. N˜o s˜o, portanto, part´ a a ıculas completamente diferentes.O antiel´tron, por exemplo, ´ o p´sitron ou el´tron positivo, tem e e o e a mesma massa e o mesmo spin do el´tron, por´m sua carga el´trica ´ positiva. Analogamente, quarks e antiquarks n˜o s˜o part´ e e e e a a ıculas totalmente diferentes.

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Moreira

1.1.

Antes dos quarks: m´ ons, m´sons e outros u e h´drons a

No come¸o dos anos trinta do s´culo passado, a estrutuc e ra do ´tomo estava bem estabelecida e a estrutura do a n´cleo estava sendo muito investigada. Acreditava-se u que os componentes b´sicos da mat´ria seriam el´trons, a e e pr´tons, nˆutrons e neutrinos – postulados por Wolfo e gang Pauli, em 1931, para explicar uma perda anˆmala o e de energia no decaimento5 de nˆutrons, e detectados diretamente apenas em 1956. O nˆutron, detectado em e 1932, havia sido sugerido um pouco antes para explicar a massa nuclear. Antes, pensava-se que o n´ cleo u poderia ser constitu´ de pr´tons e el´trons, com exıdo o e cesso de pr´tons para explicar sua carga positiva. Cono tudo, medi¸˜es do spin nuclear descartaram essa possico bilidade. No caso do n´cleo de nitrogˆnio, por exemplo, u e seriam necess´rios 14 pr´tons para dar a massa nuclear a o e 7 el´trons para dar a carga l´ e ıquida desse n´cleo. Mas u esse n´ mero total ´ u ımpar de part´ ıculas ´ inconsistente e com o n´ mero par necess´rio para explicar o spin inu a teiro resultante das medi¸˜es. Por´m, se 7 el´trons co e e e 7 pr´tons fossem substitu´ o ıdos nesse modelo por 7 nˆutrons, a massa e a carga seriam as mesmas de ane tes e o spin inteiro seria explicado se o spin do nˆutron e fosse /2 idˆntico ao do pr´ton.6 e o Mas a hip´tese e a detec¸˜o do nˆutron colocaram o o ca e problema da estabilidade do n´cleo: sendo este composu to de pr´tons e nˆutrons, como reconciliar a existˆncia o e e de um grande n´mero de pr´tons, particularmente nos u o elementos pesados, em um espa¸o t˜o pequeno? A rec a puls˜o el´trica entre eles seria t˜o grande que levaria o a e a n´cleo a explodir. u Entretanto, em 1935 Hideki Yukawa propˆs a o existˆncia de uma nova part´ e ıcula que seria a mediadora da intera¸˜o que manteria nˆutrons e pr´tons coesos ca e o no n´cleo. A intera¸˜o entre pr´tons e nˆutrons deveu ca o e ria ser mediada por alguma part´ ıcula, ou seja, pr´tons o e nˆutrons interagiriam trocando uma part´ e ıcula. Esta part´ ıcula foi denominada m´son π, ou p´ e ıon. Um p´ ıon poderia ser emitido por um nˆutron e absorvido por um e pr´ton, ou vice-versa, fazendo com que o nˆutron e o o e pr´ton exercessem uma for¸a um sobre o outro. Essa o c outra for¸a foi chamada de for¸a nuclear e a corresponc c dente intera¸˜o de intera¸˜o forte. ca ca Pela previs˜o te´rica de Yukawa, o p´ seria mais a o ıon pesado do que o el´tron e mais leve do que o pr´ton. e o Portanto, ao passar atrav´s de uma cˆmara de bolhas e a onde houvesse um campo magn´tico deveria ter uma e trajet´ria menos curva do que a de um el´tron, por´m o e e mais encurvada do que a de um pr´ton. o Em 1936, os f´ ısicos C.D. Anderson e S.H. Neddermeyer encontraram tal trajet´ria em uma cˆmara de o a bolhas, por´m a part´ e ıcula que a havia deixado n˜o era a
5 Decaimento 6 Ref.

exatamente a prevista por Yukawa e n˜o era mediadora a da for¸a entre pr´tons e nˆutrons (for¸a forte). Tratavac o e c se de outra part´ ıcula, que foi chamada de m´on, basu tante semelhante ao el´tron por´m 200 vezes mais pee e sada. A detec¸˜o dessa part´ ca ıcula foi um tanto inesperada e permaneceu n˜o explicada por cerca de 40 anos.7 a O mesmo f´ ısico C.D. Anderson havia detectado no Caltech (California Institute of Technology), em 1932 (o mesmo ano da detec¸˜o do nˆutron), juntamente com ca e P. Blackett, na Inglaterra, a primeira antipart´ ıcula, o p´sitron, ou antiel´tron. Antipart´ o e ıculas haviam sido previstas por Paul Dirac em 1928. Anderson e Blackett ganharam o Prˆmio Nobel alguns anos depois. e A part´ ıcula de Yukawa, o m´son π ou p´ e ıon, foi finalmente detectada, em 1947, com a massa por ele prevista, em um laborat´rio na Universidade de Bristol, em o emuls˜es fotogr´ficas sobre as quais incidiam part´ o a ıculas c´smicas. Em 1948, m´sons π + e π − foram produzidos o e em aceleradores de part´ ıculas, na Universidade de Bere keley, e em 1950 foi produzido o m´son π 0 , tamb´m em e colis˜es provocadas em aceleradores. O brasileiro C´sar o e Lattes (1924-2005) teve um papel destacado na descoberta do m´son π. Para os brasileiros, foi ele quem dese cobriu o p´ ıon, em Bristol, em 1947. Mas para outros8 foi C.F. Powel, f´ ısico inglˆs, chefe do laborat´rio onde e o Lattes fazia seus experimentos. Tamb´m a produ¸˜o e ca artificial de m´sons π no acelerador da Universidade e de Berkeley, no ano seguinte, foi obra de Lattes juntamente com o norte-americano Eugene Gardner. Mas quem ganhou o Nobel pelo p´ ıon, em 1949, foi Yukawa que o previu corretamente anos antes. De qualquer forma, Lattes ´ o brasileiro que j´ esteve mais perto e a da conquista do Nobel de f´ ısica. Nessa ´poca, eram ent˜o conhecidas as seguintes e a part´ ıculas: el´trons, pr´tons, nˆutrons, neutrinos, e o e p´sitrons, m´ons e p´ o u ıons. No entanto, a medida que ` continuaram as pesquisas com raios c´smicos e acelerao dores de part´ ıculas, o n´mero de part´ u ıculas proliferou e come¸aram as tentativas de organiz´-las em fam´ c a ılias com propriedades comuns. Uma dessas classifica¸˜es ´ a mencionada no in´ co e ıcio deste texto: a dos l´ptons (como os el´trons e os neue e trinos) que n˜o experimentam a intera¸˜o forte (for¸a a ca c nuclear) e os h´drons que a experimentam; h´drons a a se subdividem em duas subcategorias, a dos m´sons e (como o p´ ıon) e a dos b´rions (como o pr´ton). Nesta a o classifica¸˜o pode-se considerar que o crit´rio b´sico ´ ca e a e o peso. As part´ ıculas mais pesadas, como o pr´ton o e o nˆutron, s˜o chamadas h´drons, subdivididas em e a a b´rions e m´sons (peso m´dio) e as mais leves, como o a e e el´tron, s˜o denominadas l´ptons – do grego, leptos que e a e significa leve, fino, delgado. Tal crit´rio, no entanto, ´ e e anacrˆnico. N˜o ´ exatamente o peso que distingue o a e

pode ser interpretado como a passagem de um estado inst´vel para outro mais est´vel. a a [5] p. 21 7 Ref. [5] p. 51 8 E.g., Ref. [5], p. 51.

A f´ ısica dos quarks e a epistemologia

163 el´trica, outras n˜o.12 . Mas admitindo que existe tal e a propriedade, ´ poss´ explicar, modelar, prever v´rios e ıvel a processos f´ ısicos. Analogamente, h´ outras propriedaa des da mat´ria que n˜o sabemos exatamente o que s˜o, e a a mas que admitindo sua existˆncia os f´ e ısicos podem, por exemplo, prever o resultado de certos processos. A suposi¸˜o da estranheza permitiu aos f´ ca ısicos prever, com sucesso, se determinadas part´ ıculas seriam produzidas em certas rea¸˜es, se decairiam em determinado tempo. co (A cor, ou carga cor, conceito a ser retomado mais adiante neste texto, ´ tamb´m uma propriedade da mat´ria e e e que algumas part´ ıculas tˆm e outras n˜o. Tamb´m e a e neste caso, ´ uma quest˜o de nome; o significado n˜o ´ e a a e o do cotidiano). Vejamos agora um exemplo da classifica¸˜o octal, ca ` como indica a Fig. 1. A esquerda h´ um sistema de a eixos, onde a estranheza est´ no eixo das ordenadas e a a ` carga el´trica no eixo das abcissas. A direita, o mesmo e sistema preenchido com m´sons K (kaons) e m´sons π e e (p´ ıons). Abaixo, na mesma Fig. 1, uma fam´ octal ılia de b´rions constitu´ pelo nˆutron, pelo pr´ton e pelas a ıda e o part´ ıculas Λ, Σ e Ξ. Neste caso, foi acrescentada uma unidade no eixo da estranheza. A menos do fato de que no padr˜o dos m´sons h´ a e a apenas uma part´ ıcula no centro e no dos b´rions h´ a a duas, os padr˜es seriam idˆnticos. Para que ficassem o e idˆnticos seria necess´rio um m´son com carga e estrae a e nheza zero. Esse m´son chamado eta (η 0 ), com massa e de 550 MeV, sem carga e sem estranheza, foi descoberto em 1961. Esse padr˜o, uma esp´cie de tabela peri´dica a e o para as part´ ıculas elementares ´ chamado de caminho e o ´ctuplo. O caminho ´ctuplo foi proposto por Gell-Mann e o Ne’eman, pouco mais de dez anos ap´s a descoberta o da primeira part´ ıcula estranha, usando m´todos mae tem´ticos conhecidos como teoria de grupos. a 1.3. Quarks

h´drons e el´trons, mas sim o fato de experimentarem a e ou n˜o a intera¸˜o forte, como foi dito no in´ a ca ıcio do par´grafo. a Contudo, a popula¸˜o de part´ ca ıculas continuou a crescer e uma nova maneira de organiza¸˜o se tornou ca necess´ria. a 1.2. A classifica¸˜o octal ca

Em 1960-61, Murray Gell-Mann, um f´ ısico do Caltech, e Yuval Ne’eman, um f´ ısico do Imperial College de Londres, desenvolveram, independentemente, uma classifica¸˜o que foi considerada a primeira tentativa bem ca sucedida de evidenciar a conex˜o b´sica existente entre a a part´ ıculas de diferentes fam´ ılias. Eles verificaram que muitas part´ ıculas conhecidas podiam ser agrupadas em fam´ ılias de oito part´ ıculas com caracter´ ısticas similares. Todas as part´ ıculas dentro de uma fam´ tinham spin e n´mero bariˆnico9 ılia u o iguais, e todas tinham aproximadamente a mesma massa. Muitos h´drons podiam ser agrupados em cona juntos de oito. Essa maneira de classificar part´ ıculas foi chamada de classifica¸˜o octal.10 ca De certo modo, eles fizeram para as part´ ıculas elementares o que Mendeleev fez cerca de um s´culo ane tes para os elementos qu´ ımicos: criaram uma tabela peri´dica. o Antes de passarmos a um exemplo dessa classifica¸˜o, ´ preciso falar em estranheza. Nos estudos ca e com raios c´smicos a velocidade de decaimento de cero tas part´ ıculas n˜o correspondia `s previs˜es te´ricas e, a a o o al´m disso, tais part´ e ıculas tinham a peculiaridade de serem sempre produzidas em pares. Eram consideradas part´ ıculas estranhas.11 Murray Gell-Mann, o mesmo f´ ısico que mais tarde proporia a classifica¸˜o octal, sugeriu, em 1953, que ca certas part´ ıculas subatˆmicas teriam uma propriedade o ´ chamada estranheza. E uma propriedade que governa a velocidade com que elas decaem. A estranheza ´ uma propriedade da mat´ria, e e an´loga ` carga el´trica, que algumas part´ a a e ıculas tˆm e e outras n˜o. a Estranho talvez seja o nome estranheza. Mas ´ apee nas uma quest˜o de nome. Poderia ser outra a paa lavra que representasse tal propriedade. Carga el´trica e tamb´m ´ uma propriedade que n˜o se sabe exatamente e e a o que ´ mas sabe-se que algumas part´ e ıculas tˆm carga e
9 N´ mero u

Buscando refinar a classifica¸˜o octal, ou os padr˜es do ca o caminho ´ctuplo incorporando n˜o s´ octetos, mas mulo a o tipletos de um modo geral, Murray Gell-Mann e outro f´ ısico chamado George Zweig conclu´ ıram, independentemente, que tais padr˜es resultariam naturalmente se o algumas das part´ ıculas fundamentais do atomo fossem ´ formadas por part´ ıculas ainda mais fundamentais que ficaram conhecidas como quarks.13

bariˆnico ´ o n´ mero total de b´rions presente em um sistema menos o n´ mero total de antib´rions (Fritzsch, 1983, p. 275). o e u a u a [3], p. 239. 11 O adjetivo “estranhas” para essas part´ ıculas era devido a que, sendo h´drons, eram produzidas por processos de intera¸˜es fortes, a co ent˜o seus decaimentos seriam tamb´m devido a essa intera¸ao. Mas, nesse caso a sua vida m´dia deveria ser muito pequena, da ordem a e c˜ e e ıstico das intera¸˜es fortes. Elas tamb´m eram produzidas aos pares. Para explicar este co e dos 10−24 segundos, que ´ o tempo caracter´ ultimo fato, primeiro foi introduzido o conceito da “produ¸˜o associada” e depois o esquema da estranheza (que tamb´m explica a n˜o ´ ca e a observa¸˜o de outros decaimentos). Acontece que experimentalmente era medida uma vida m´dia 1014 a 1016 vezes maior. Depois ficou ca e claro que os decaimentos eram produzidos pelas intera¸˜es fracas e que estas violavam a estranheza. co 12 E preciso ter cuidado com essa analogia, quer dizer, a estranheza n˜o ´ bem um an´logo da carga el´trica, pois esta est´ associada ´ a e a e a a uma das intera¸˜es fundamentais (a intera¸˜o eletromagn´tica) e a estranheza n˜o. co ca e a 13 Zweig chamou essas novas part´ ıculas de ases, mas o nome dado por Gell-Mann, aparentemente tirado de um romance de James Joyce, foi o que se popularizou.
10 Ref.

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+1

+1

κ0

κ+

+1

n

p

Estranheza +1

Estranheza

0

-1

0

+1

0

π

π0

π+

0

Σ-

Σ0 ?0

Σ+

-1 carga elétrica

-1

κ

κ0
carga elétrica

-1

Ξ-

Ξ0
carga elétrica

Figura 1 - Padr˜es hexagonais para m´sons e b´rions, a partir das propriedades estranheza e carga el´trica, constituindo o chamado o e a e e o caminho ´ctuplo. A descoberta do m´son eta (η 0 ), em 1961, deixou idˆnticos os dois padr˜es.15 o e

Hoje aceita-se que os quarks, assim como os el´trons, s˜o as part´ e a ıculas verdadeiramente elementares da mat´ria, uma esp´cie de tijolos b´sicos para a e e a constru¸˜o de toda a mat´ria, inclusive dos nˆutrons e ca e e pr´tons. o Mas em 1964, quando os quarks eram ainda entidades hipot´ticas propostas por Gell-mann e Zweig a cone jetura era ousada e pouca gente a levou a s´rio. Ao que e parece o pr´prio Gell-Mann n˜o estava muito confiante o a tanto ´ que n˜o tentou publicar no peri´dico mais ree a o conhecido da ´rea o artigo que propunha essa part´ a ıcula elementar hipot´tica. Submeteu-o a outro peri´dico e o que talvez n˜o fosse t˜o exigente.16 a a O problema com a teoria dos quarks era que tais part´ ıculas tinham propriedades muito peculiares, para n˜o dizer misteriosas: sua carga el´trica seria a e fracion´ria (± 1/3e, ± 2/3e), n˜o existiriam como a a part´ ıculas livres, e constituiriam os h´drons sempre em a pares quarks-antiquarks (q q , m´sons) ou em tr´ ¯ e ıades de quarks (qqq, b´rions). Por que n˜o existiriam coma a bina¸˜es qq (diquarks) ou qqqq (tetraquarks), por exemco plo? Por outro lado, comparando o mundo dos h´drons e a o dos l´ptons, notava-se que havia apenas seis l´ptons e e e muitos h´drons. Isso refor¸ava a hip´tese de que estes a c o seriam part´ ıculas compostas de outras mais elementares. A teoria original dos quarks previa a existˆncia de e trˆs tipos, ou sabores, de quarks: o quark up (u), o e quark down (d) e o quark estranho (s). Os quarks u e d seriam suficientes para construir a mat´ria comum – e o pr´ton seria constitu´ de dois quarks u e um quark o ıdo d e o nˆutron seria feito de um quark u e dois quarks d. e Observe-se que a carga do pr´ton continuaria sendo +e o pois o quark u teria carga +2/3e e o quark d teria carga -1/3e (logo, 2/3e +2/3e -1/3e = +e, carga do pr´ton), o enquanto que o nˆutron continuaria desprovido de carga e
15 Ref. 16 Ref.

(2/3e− 1/3e - 1/3e = 0). O quark estranho foi proposto para incluir o n´mero u quˆntico da estranheza, explicando, assim, porque cera tas part´ ıculas criadas em colis˜es provocadas em aceo leradores de alta energia teriam a estranha propriedade de existir por per´ ıodos de tempo mais longos que os previstos teoricamente. A evidˆncia experimental dos quarks foi considerada e convincente apenas na d´cada de 1970, a chamada e d´cada de ouro da f´ e ısica de part´ ıculas, atrav´s de e rea¸˜es de altas energias em aceleradores/colisores de co part´ ıculas como o acelerador Linear de Stanford, o Tevatron do Fermilab, em Batavia, Illinois e o Grande Colisor El´tron-P´sitron do CERN (Centro Europeu e o de F´ ısica de Part´ ıculas). Nos aceleradores/colisores, as part´ ıculas s˜o primeiro aceleradas, atingindo energias a muito elevadas e velocidades pr´ximas a da luz, e depois o levadas a colidir frontalmente com outras part´ ıculas que se deslocam em dire¸˜o oposta. Dessa colis˜o, ou exca a plos˜o, podem resultar part´ a ıculas ex´ticas que podem o ser analisadas e cujas propriedades, em certos casos, podem ser comparadas com as propriedades previstas teoricamente de modo a detect´-las. (Claro que, na a pr´tica, as coisas n˜o s˜o t˜o simples assim, mas a id´ia a a a a e ´ essa.) e Mas os quarks n˜o foram detectados como part´ a ıculas livres, assim como n˜o foram descobertos h´drons a a que n˜o fossem formados por trˆs quarks (b´rions) ou a e a por um par quark-antiquark (m´sons), tal como previa e a teoria original. Voltando a d´cada de 1960: um segundo neutrino, ` e o neutrino do m´on, foi detectado experimentalmente, u em 1962, confirmando previs˜o te´rica. Havia, ent˜o, a o a u quatro l´ptons: o el´tron (e− ), o m´on (u− ), o neutrino e e do el´tron (ve ) e o neutrino do m´on (vu ). e u Por que n˜o quatro quarks tamb´m? F´ a e ısicos est˜o a sempre buscando simetrias na natureza, ou tentando

[5], p. 63-64. [3], p. 243.

A f´ ısica dos quarks e a epistemologia

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explicar as assimetrias. Se de fato havia uma certa analogia entre quarks e l´ptons, como sendo part´ e ıculas verdadeiramente elementares, a assimetria trˆs quarks e versus quatro l´ptons n˜o fazia sentido. A maneira mais e a simples de resolver isso era supor a existˆncia de um e quarto tipo de quark com carga (2/3)e. Esse quarto quark, denominado quark c ou quark charme, foi evidenciado experimentalmente em 1976, indiretamente, atrav´s da descoberta de um h´dron e a chamado part´ ıcula psi que era uma combina¸˜o de ca quark e antiquark de tipo inteiramente novo. Mas antes, em 1975, f´ ısicos experimentais no Acelerador Linear de Stanford observaram certos efeitos que seriam incompreens´ ıveis sem a existˆncia de um e quinto l´pton carregado e com massa praticamente o e dobro da do pr´ton. Esse l´pton foi chamado de tau. o e Em 1978, resultados experimentais sugeriram que ao l´pton tau estaria associado um novo neutrino, o neue a e trino do tau.17,18 Havia, ent˜o, seis l´ptons. Em 1977, pesquisadores do Fermilab anunciaram o descobrimento do quinto quark o quark bottom. O sexto quark, o quark top, postulado pelos f´ ısicos te´ricos h´ o a

muito tempo, s´ foi encontrado pelos f´ o ısicos experimentais, tamb´m do Fermilab, em 1995. A equipe que dese cobriu o quark top inclu´ brasileiros, sob a lideran¸a ıa c de Alberto Santoro, f´ ısico que continua liderando uma equipe de pesquisadores do CBPF, da UERJ e de outras universidades brasileiras que colaboram em experimentos do CERN e do Fermilab.19 Ali´s, cabe registrar que a as descobertas dos anos 70 em diante introduziram uma nova forma de organiza¸˜o das pesquisas nessa ´rea pois ca a elas passaram a ser feitas por grandes equipes de f´ ısicos, de v´rias nacionalidades, uma vez que o processamento a de dados cient´ ıficos ´ feito cada vez mais em um formato e computacional que permite esse tipo de colabora¸˜o. ca Completou-se, assim, uma busca de aproximadamente 30 anos, desde a proposta de Gell-Mann e Zweig, em 1964, at´ a descoberta do quark top em 1995. e Recapitulando, h´ seis l´ptons (el´tron e neutrino do a e e el´tron, m´on e neutrino do m´on, tau e neutrino do e u u tau) e seis quarks (up, down, estranho, charme, bottom e top), cada um tendo a antipart´ ıcula correspondente. A Tabela 1 apresenta, a t´ ıtulo de exemplo, alguns h´drons a (m´sons e b´rions) e sua estrutura de quarks. e a

Tabela 1 - Alguns b´rions e m´sons e sua estrutura de quarks. a e B´rions I a p (pr´ton) I o n (nˆutron) e o Ω− (ˆmega menos) Σ+ (sigma mais) Σ0 (sigma zero) Σ− (sigma menos) Estrutura uud udd sss uus uds dds M´sons e π + (pi mais) π 0 (pi zero) π − (pi menos) J/ψ (jota psi) κ− (κ menos) κ0 (κ zero) Estrutura ¯ du uu/dd ¯ ¯ ud ¯ cc ¯ us ¯ sd ¯

Mas esta hist´ria n˜o acaba com a descoberta do o a quark top. Ao contr´rio, ela ainda vai longe. Veremos a que os quarks se apresentam em trˆs “cores” poss´ e ıveis e que para explicar como se mantˆm confinados no ine terior dos h´drons foi preciso supor uma nova intera¸˜o a ca fundamental (a intera¸˜o forte) e, conseq¨entemente, ca u uma nova part´ ıcula mediadora (o gl´on). A intera¸˜o u ca forte mediada por gl´ons ´ dita fundamental enquanto u e que a mencionada antes, aquela mediada por m´sons, ´ e e considerada residual. Antes disso, no entanto, fa¸amos uma breve dic gress˜o epistemol´gica. a o 1.4. Quarks e epistemologia

Muitas vezes se pensa que as teoria f´ ısicas s˜o elaboraa das para explicar observa¸˜es. Parece l´gico: observaco o se, faz-se registros (medi¸˜es, por exemplo) que geram co dados e destes induz-se alguma teoria, alguma lei.
17 O 18 Ref.

Pode parecer l´gico, mas n˜o ´ assim. H´ uma ino a e a terdependˆncia, uma rela¸˜o dial´tica, entre teoria e e ca e experimenta¸˜o. Uma alimenta a outra, uma dirige a ca outra. A f´ ısica de part´ ıculas, em particular a teoria dos quarks, ´ um belo exemplo disso. e O que levou Gell-Mann e Zweig a postularem a existˆncia dos quarks foi uma quest˜o de simetria (o e a caminho ´ctuplo) e o que refor¸ou a aceita¸˜o de sua o c ca proposta foi uma quest˜o de assimetria – por que a t˜o poucos l´ptons (part´ a e ıculas leves) e tantos h´drons a (part´ ıculas pesadas)? Mas quando Gell-Mann propˆs o conceito de estrao nheza ele o fez para explicar o comportamento experimental estranho de certas part´ ıculas. Neutrinos foram postulados por Pauli, em 1931, para explicar resultados experimentais anˆmalos no deo caimento de nˆutrons, e foram detectados experimene talmente em 1956. Yukawa propˆs o p´ (m´son π) em 1935 e sua o ıon e

neutrino do tau foi observado diretamente apenas em 2000 no FERMILAB. [7], p. 62. 19 Ref. [16], p. 66.

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evidˆncia experimental foi obtida em 1947. Os quarks e charme e top foram previstos teoricamente e descobertos anos depois. A f´ ısica de part´ ıculas est´ cheia de exemplos a da interdependˆncia entre teoria e experimenta¸˜o. e ca Por um lado, postula-se novas part´ ıculas para explicar resultados experimentais imprevistos, por outro, procura-se experimentalmente certas part´ ıculas previstas teoricamente. Constroem-se m´quinas (acea leradores/colisores) para detectar experimentalmente part´ ıculas previstas na teoria das part´ ıculas. Esperase, por exemplo, detectar at´ 2010 uma part´ e ıcula prevista teoricamente chamada b´son de Higgs. Isso poro que somente em 2010 estar´ em pleno funcionamento a no CERN uma m´quina capaz de detect´-la, se de fato a a existir. Se n˜o existir, a teoria ter´ que ser modifia a cada.20 Outra quest˜o que poder´ levar a uma modifica¸˜o a a ca da teoria ´ a assimetria mat´ria-antimat´ria. A teoe e e ria prevˆ que para cada part´ e ıcula h´ uma antipart´ a ıcula e isso tem sido confirmado experimentalmente, mas no universo (pelo menos o que ´ de nosso conhecimento) h´ e a muito mais mat´ria do que anti-mat´ria e isso a teoria e e ainda n˜o explicou.21 a A hip´tese dos quarks feita por Gell-Mann e Zweig, o em 1964, ´ o que Karl Popper [18] chamaria de uma e conjetura audaz. Popper ´ o epistem´logo das conjee o turas e refuta¸˜es, para ele as teorias cient´ co ıficas s˜o a conjeturas, produtos do intelecto humano, necessariamente refut´veis. Segundo ele, pode-se aprender muito a mais da confirma¸˜o (sempre provis´ria) de conjeturas ca o audazes do que da corrobora¸˜o de conjeturas prudenca tes. A conjetura de Gell-Mann e Zweig foi audaz e os resultados experimentais que, por enquanto, a corroboram trouxeram enormes avan¸os na compreens˜o da c a constitui¸˜o da mat´ria. ca e Ali´s, a conjetura foi t˜o audaz que, como j´ foi a a a dito, Gell-Mann achou que seu trabalho poderia n˜o ser a aceito na revista de f´ ısica de maior prest´ ıgio e o encaminhou a outra. Zweig, por sua vez, relata a rea¸˜o da ca comunidade de f´ ısicos te´ricos da seguinte maneira:22 o A rea¸˜o da comunidade de f´ ca ısicos te´ricos ao modelo de um modo geral n˜o o a foi boa. Publicar o trabalho na forma que eu queria foi t˜o dif´ que acabei desistina ıcil do. Quando o departamento de f´ ısica de uma importante universidade estava considerando minha contrata¸˜o, o f´ ca ısico te´rico o mais sˆnior desse departamento, um dos e mais respeitados f´ ısicos te´ricos, vetou a o contrata¸˜o em uma reuni˜o de departaca a mento dizendo que o modelo que eu ha20 Ref. 21 Ref.

via proposto era trabalho de um charlat˜o. a A id´ia de que os h´drons eram feitos e a de part´ ıculas ainda mais elementares parecia um tanto rica demais. Essa id´ia, no e entanto, ´ aparentemente correta. e O que Zweig e Gell-Mann enfrentaram em 1964 ´ e o que o epistem´logo Stephen Toulmin [21] chama de o f´rum institucional. Esse f´rum ´ constitu´ pelos o o e ıdo peri´dicos cient´ o ıficos, pelas associa¸˜es cient´ co ıficas, pelos grupos de referˆncia e por eminentes cientistas como o e que vetou a contrata¸˜o de Zweig. O f´rum institucioca o nal desempenha um papel importante na consolida¸˜o ca de uma disciplina, mas funciona como filtro e pode bloquear, contrariar, restringir a difus˜o de, id´ias novas a e como a de Gell-Mann e Zweig. Zweig perdeu o emprego naquela ´poca, mas acabou e vendo sua hip´tese confirmada e certamente conseguiu o outras posi¸˜es em boas universidades. co Gell-Mann foi mais feliz. J´ era professor do Cala tech desde 1956 e n˜o foi demitido por suas hip´teses a o audazes (estranheza, classifica¸˜o octal, quarks). Ao ca contr´rio, ganhou o Prˆmio Nobel, em 1969, aos quaa e renta anos, quando os quarks ainda eram apenas hipot´ticos, demonstrados apenas matematicamente, toe davia n˜o detectados experimentalmente. a A f´ ısica dos quarks pode tamb´m ser usada para, e tentativamente, ilustrar conceitos propostos por Thomas Kuhn [11], talvez o mais conhecido epistem´logo o da ciˆncia no s´culo XX: paradigma e ciˆncia normal. e e e Segundo Kuhn,23 paradigmas s˜o “realiza¸˜es a co cient´ ıficas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e solu¸˜es exemplares co para um comunidade de praticantes de uma ciˆncia”. e ısica de Arist´teles, a astronomia de Ptoo Kuhn cita24 a f´ lomeu, a mecˆnica e a ´ptica de Newton e a qu´ a o ımica de Lavoisier como exemplos de paradigmas porque “serviram, por algum tempo, para definir implicitamente os problemas e m´todos leg´ e ıtimos de um campo de pesquisa para gera¸˜es posteriores de praticantes da co ciˆncia”. E assim foi porque partilhavam duas carace ter´ ısticas essenciais: suas realiza¸˜es foram suficienco temente sem precedentes para atrair um grupo duradouro de partid´rios e, ao mesmo tempo, suficientea mente abertas para deixar uma variedade de problemas para serem resolvidos por esse grupo. Ao que parece, a f´ ısica dos quarks ´ um bom exeme plo daquilo que Kuhn chama de paradigma. Provavelmente outro paradigma vir´, n˜o t˜o revolucionariaa a a mente como proporia Kuhn, mas sim de maneira evolutiva. A quest˜o ´ que as teorias f´ a e ısicas nunca s˜o a definitivas, est˜o sempre evoluindo. Certamente novas a id´ias, novas conjeturas, surgir˜o no campo da f´ e a ısica de

[19] p. 121. [19], p. 14. 22 Ref. [7], p. 75. 23 Ref. [11], p. 13. 24 Ref. [11], p. 30.

A f´ ısica dos quarks e a epistemologia

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part´ ıculas. A teoria dos quarks tamb´m serve para exemplifie car, de modo tentativo, o que Kuhn chama de ciˆncia e normal: ´ a atividade na qual a maioria dos cientistas e emprega, inevitavelmente, quase todo seu tempo, baseada no pressuposto de que a comunidade cient´ ıfica tem teorias e modelos confi´veis sobre como o mundo a ´.25 Segundo Chalmers,26 “o cientista normal trabalha e confiantemente dentro de uma ´rea bem definida dia tada por um paradigma. O paradigma que lhe apresenta um conjunto de problemas definidos juntamente com os m´todos que acredita serem adequados para a e sua solu¸˜o”. ca N˜o foi isso que os f´ a ısicos experimentais fizeram ao construir m´quinas cada vez mais potentes para deteca tar part´ ıculas previstas teoricamente? O m´todo que e acreditavam ser adequado ´ o das colis˜es em aceleradoe o res/colisores de alta energia. E continuam acreditando porque, como j´ foi dito, um novo acelerador est´ sendo a a constru´ e uma nova part´ ıdo ıcula, chamada b´son de o Higgs, prevista teoricamente em 1963, est´ sendo busa cada obstinadamente. Por outro lado, f´ ısicos te´ricos tamb´m tˆm feito o e e ciˆncia normal ao tentarem resolver problemas de nae tureza te´rica do paradigma buscando uma melhor aro ticula¸˜o dele com o objetivo de melhorar sua corresca pondˆncia com a natureza. e Segundo Kuhn, a emergˆncia de outro paradigma e levar´ a outro per´ a ıodo de ciˆncia normal. Mas deixee mos de lado, por enquanto, a vis˜o epistemol´gica e a o voltemos ` f´ a ısica dos quarks.

2.

Quarks tˆm cor e

Part´ ıculas com spin 1/2 como os el´trons, pr´tons, e o nˆutrons e quarks obedecem o Princ´ e ıpio da Exclus˜o a de Pauli segundo o qual duas part´ ıculas do mesmo tipo n˜o podem ocupar o mesmo estado quˆntico, ou seja, a a o mesmo estado de energia e spin. Isso significa que dois ou mais quarks do mesmo sabor (tipo), ou seja, idˆnticos n˜o podem ocupar o mesmo estado. e a Portanto, segundo essa regra uma part´ ıcula constitu´ ıda, por exemplo, por trˆs quarks idˆnticos n˜o e e a poderia existir. Mas uma part´ ıcula chamada Ω− (ˆmega menos), prevista teoricamente por Gell-Mann o e Ne’eman, em 1962, como elemento faltante de uma fam´ de dez (quer dizer, as fam´ ılia ılias n˜o eram s´ de a o oito membros como as da classifica¸˜o octal) foi mais ca tarde descoberta e era constitu´ de trˆs quarks estraıda e nhos idˆnticos. Ou seja, n˜o poderia existir com essa e a constitui¸˜o, mas existia. ca
25 Ref. 26 Ref.[4],

Para resolver esse problema, um f´ ısico chamado Oscar Greenberg sugeriu que os quarks possu´ ıam uma outra propriedade, bastante an´loga ` carga el´trica, mas a a e que ocorreria em trˆs variedades ao inv´s de duas (poe e sitiva e negativa). Mesmo n˜o tendo nada a ver com a o significado de cor na ´ptica, ou no cotidiano, essa o propriedade foi chamada cor, ou carga cor, e as trˆs vae riedades foram denominadas vermelho, verde (ou amarelo) e azul. Quarks tˆm cores positivas e antiquarks e tˆm cores negativas ou anticores (antivermelho, antie verde e antiazul). Cor, ent˜o, ´ uma propriedade da mat´ria, asa e e sim como a carga el´trica ´ tamb´m uma propriedade e e e da mat´ria. Algumas part´ e ıculas tˆm cor outras n˜o. e a L´ptons n˜o tˆm cor, s˜o “brancos”. Quarks tˆm cor, e a e a e s˜o “coloridos”27 . a O n´mero total de quarks ´, ent˜o, 36: os seis quarks u e a (up, down, estranho, charme, bottom e up) podem, cada um, apresentar trˆs cores totalizando 18, mas h´ e a tamb´m seis antiquarks, cada um podendo ter trˆs ane e ticores, totalizando tamb´m 18, de modo que o n´mero e u total de possibilidades ´ 36.28 e O conceito de cor como uma propriedade que os quarks tˆm resolve o problema da existˆncia de e e part´ ıculas formadas por quarks idˆnticos pois com tal e propriedade existindo em mais de uma variedade eles deixam de ser idˆnticos. e Mas surge outro problema te´rico: sabe-se na eletroo dinˆmica que trˆs el´trons nunca formar˜o um estado a e e a ligado, um sistema est´vel, mas trˆs quarks podem fora e mar um estado desse tipo, como o h´dron Ω− . Como a resolver isso? Deve haver uma for¸a atrativa entre os c quarks de modo que possam formar h´drons. a Essa for¸a ´ chamada for¸a forte29 e a teoria das c e c intera¸˜es entre quarks ´ a cromodinˆmica quˆntica asco e a a sim como a eletrodinˆmica quˆntica ´ a teoria das ina a e tera¸˜es entre el´trons. Mas h´ uma diferen¸a fundaco e a c mental: el´trons podem ser observados como part´ e ıculas independentes, por´m quarks n˜o. Como seria ent˜o a e a a for¸a entre os quarks? c

3.

Intera¸˜es fundamentais co

Objetos, corpos, coisas, exercem influˆncia uns sobre os e outros produzindo campos de for¸a em torno de si. H´ c a uma intera¸˜o entre eles. O campo de um corpo exerce ca uma for¸a sobre outro corpo e vice-versa. c Na natureza h´ distintas intera¸˜es consideradas a co fundamentais, ou distintos campos fundamentais, ou, ainda, distintas for¸as fundamentais. N˜o muitas, como c a veremos.

[11], p. 24. p. 129. 27 N˜o se deve imaginar, no entanto, quarks como bolinhas, e muito menos coloridas como aparecem nos livros did´ticos. Essa imagem a a dificulta a compreens˜o do que seja um quark. a 28 Considera¸oes te´ricas, fora do escopo deste texto, limitam esse n´ mero de possibilidades. c˜ o u 29 N˜o se deve aqui pensar que quarks sentem apenas a for¸a forte; eles sentem tamb´m as demais for¸as, pois tˆm a carga el´trica e a c e c e e a fraca e s˜o uma forma de mat´ria-energia. Contudo, experimentam tais for¸as em intensidades muito diferentes. a e c

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Comecemos com a conhecida intera¸˜o gravitacioca nal. Um corpo com massa cria em torno de si um campo gravitacional e exerce uma for¸a gravitacional c sobre outro corpo maci¸o, e vice-versa. c H´ tamb´m outra intera¸˜o bastante conhecida, a a e ca eletromagn´tica. Um corpo carregado eletricamente e produz em torno de si um campo el´trico e exerce uma e for¸a el´trica sobre outro corpo eletrizado, e vice-versa. c e Se esse corpo estiver em movimento aparece tamb´m e um campo magn´tico e uma for¸a magn´tica. Quer die c e zer, na verdade o campo e a for¸a s˜o eletromagn´ticos, c a e e a intera¸˜o ´ eletromagn´tica. ca e e Ou seja, a intera¸˜o entre corpos com massa ´ a graca e vitacional e a intera¸˜o entre corpos com carga el´trica ca e ´ a eletromagn´tica. Carga el´trica e massa s˜o propriee e e a dades fundamentais da mat´ria. Os quarks tamb´m e e tˆm uma propriedade fundamental, a cor. Como eles e est˜o sempre confinados, deve haver, ent˜o, uma for¸a a a c atrativa entre eles, deve haver um campo de for¸as que c ´ os mantˆm unidos nos h´drons. E a chamada intera¸˜o e a ca forte que se manifesta atrav´s da for¸a forte, ou for¸a e c c nuclear forte. Essa intera¸˜o, como j´ foi dito, tem orica a gem na proposta de Yukawa, em 1935. H´ ainda uma quarta intera¸˜o fundamental, a ina ca tera¸˜o fraca. Assim como h´ uma for¸a nuclear fraca ca a c e um campo fraco. Esta ´ a mais obscura das intera¸˜es fundamene co tais da natureza. Manifesta-se principalmente no decaimento beta, um processo no qual n´cleos atˆmicos u o inst´veis transformam-se atrav´s da emiss˜o de um a e a el´tron e um neutrino. (Por ser assim t˜o obscura, tale a vez seja a mais interessante de todas para a pesquisa em f´ ısica de part´ ıculas.) Resumindo, as quatro intera¸˜es fundamentais da co natureza s˜o: gravitacional, eletromagn´tica, forte e a e fraca. Cada uma delas devida a uma propriedade fundamental da mat´ria: massa no caso gravitacional, e carga el´trica na intera¸˜o eletromagn´tica, cor na ine ca e tera¸˜o forte (quarks) e no caso da intera¸˜o fraca uma ca ca propriedade chamada carga fraca. Ali´s, por que n˜o a a chamar estas quatro propriedades de cargas: carga gravitacional (ou carga massa), carga el´trica, carga cor e e carga fraca. Haveria ent˜o na natureza quatro intera¸˜es funa co damentais, quatro for¸as fundamentais e quatro cargas c (propriedades fundamentais). Apenas quatro. E talvez menos, pois teoricamente j´ se interpreta a for¸a eletromagn´tica e a for¸a fraca a c e c como manifesta¸˜es de uma s´, que ´ a eletrofraca, e co o e busca-se uma unifica¸˜o ainda maior. Mas fiquemos ca com as quatro e nos perguntemos quem media essas intera¸˜es, ou quem transporta essas for¸as. Haveria co c tamb´m quatro agentes mediadores? Sim, h´. S˜o as e a a part´ ıculas mediadoras ou part´ ıculas de for¸a ou, ainda, c part´ ıculas mensageiras.
30 Ref. 31 Ref.

4.

Part´ ıculas virtuais

J´ foi dito, mais de uma vez, que l´ptons e quarks a e s˜o, segundo a teoria atual, os constituintes b´sicos da a a mat´ria. Ou melhor, os seis l´ptons e seis quarks (cada e e um com suas trˆs cores) e suas antipart´ e ıculas. Mas para construir outras part´ ıculas a partir dessas, ditas verdadeiramente elementares, ´ preciso mantˆ-las e e juntas de alguma maneira, e a´ entram as for¸as e a ı c id´ia de part´ e ıculas de for¸a ou part´ c ıculas mediadoras: f´tons, gl´ons, W e Z, e gr´vitons. o u a Os f´tons s˜o as part´ o a ıculas mediadoras da intera¸˜o ca eletromagn´tica. Suponhamos um el´tron e um pr´ton e e o interagindo. Sabemos que tˆm cargas el´tricas de sie e nais contr´rios, o el´tron ´ negativo e o pr´ton posia e e o tivo, portanto, h´ uma atra¸˜o entre eles, uma for¸a de a ca c atra¸˜o, mesmo que nessa intera¸˜o eles sejam apenas ca ca desviados de suas trajet´rias. Isso se chama espalhao mento e nesse processo h´ uma transferˆncia de energia a e e momento que pode ser descrita da seguinte maneira: uma das part´ ıculas, o el´tron, digamos, emite um f´ton e o e a outra, o pr´ton, absorve esse f´ton.30 o o Quer dizer, a intera¸˜o eletromagn´tica pode ser ca e explicada em termos de troca de f´tons. A rigor, o cada part´ ıcula carregada interage com o campo eletromagn´tico, mas este ´ um campo de f´tons. Ent˜o, uma e e o a part´ ıcula carregada interage com o campo sofrendo uma for¸a. Mas quem s˜o os “portadores”, ou os “mensac a geiros” dessa for¸a? S˜o os f´tons. Por outro lado, a c a o part´ ıcula carregada tamb´m exerce uma for¸a na outra e c part´ ıcula ou, se quisermos, esta part´ ıcula tamb´m intee rage com o campo sofrendo uma for¸a que ´ transmitida c e por f´tons. o Repetindo, ´ como se houvesse uma troca de f´tons e o e ´ nesse sentido que os f´tons s˜o part´ e o a ıculas mediadoras da intera¸˜o eletromagn´tica, ou part´ ca e ıculas portadoras da for¸a eletromagn´tica, ou, tamb´m, part´ c e e ıculas mensageiras dessa for¸a. c Nessa linha de racioc´ ınio, deve haver, ent˜o, a part´ ıculas mediadoras das demais intera¸˜es fundamenco tais. Sim, existem, ou deveriam existir; s˜o os gr´vitons a a na intera¸˜o gravitacional, as part´ ca ıculas W + , W − e Z 0 na intera¸˜o fraca e os gl´ons na intera¸˜o forte. ca u ca Essas part´ ıculas mediadoras s˜o chamadas de a quanta dos campos correspondentes. Assim como os f´tons s˜o os quanta do campo eletromagn´tico, as o a e part´ ıculas W + , W − , Z 0 s˜o os quanta da intera¸˜o a ca nuclear fraca, ou do campo da for¸a nuclear fraca. Os c ´ ındices +, - e 0 referem-se a sua carga el´trica. Todas e as trˆs foram detectadas pela primeira vez, em 1983, e no colisor pr´ton/antipr´ton do CERN. Em 1984, Carlo o o Rubia e Simon van der Meer ganharam o Prˆmio Nobel e por tais descobertas.31 O quantum do campo gravitacional, ou seja, a part´ ıcula mediadora da intera¸˜o gravitacional seria ca

[15], p. 55. [19], p. 120.

A f´ ısica dos quarks e a epistemologia

169

o gr´viton, por´m sua existˆncia ´, ainda, puramente a e e e especulativa. O gr´viton ainda n˜o foi detectado. Sea a ria uma part´ ıcula sem massa, com spin 2. Mas n˜o h´ a a ainda sequer uma teoria quˆntica da gravidade, quer a dizer, uma teoria que fa¸a uso do gr´viton para calcuc a lar for¸as gravitacionais. H´, ´ verdade, muitos f´ c a e ısicos te´ricos tentando.32 o No caso da intera¸˜o forte, a part´ ca ıcula mediadora ´ e o gl´on. H´ oito tipos de gl´ons. S˜o eles que mediam u a u a a for¸a forte, a for¸a que mant´m os quarks ligados e c c e confinados nos h´drons. De certa forma, os gl´ons s˜o a u a a cola da mat´ria. O campo da for¸a forte ´ um campo e c e gluˆnico. o A existˆncia dos gl´ons foi confirmada, em 1979, em e u um colisor el´tron/p´sitron, em Hamburgo, Alemanha. e o Na ´poca, esse colisor era o unico com energia sufie ´ ciente para detectar tais part´ ıculas. Gl´on ´ o termo u e gen´rico para os oito tipos existentes. Assim como os e quarks, gl´ons tˆm cor, e, assim como eles, est˜o semu e a pre agrupados, de modo que nunca se sabe quais dos oito poss´ ıveis quanta do campo da for¸a forte particic pam de uma dada intera¸˜o. Gl´ons s˜o part´ ca u a ıculas sem massa, com spin 1. Pode parecer estranho que essas part´ ıculas mediadoras possam n˜o ter massa. De todas, apenas as a part´ ıculas W e Z tˆm massa. Mas ´ preciso lembrar e e que h´ uma equivalˆncia entre massa e energia; massa a e ´ uma forma de energia. Ou seja, podem n˜o ter massa e a mas tˆm energia, ou s˜o pulsos de energia. e a Diz-se, ent˜o, que as part´ a ıculas mediadoras s˜o reais a ou virtuais. Part´ ıculas reais podem se deslocar de um ponto para outro, obedecem a conserva¸˜o da energia e ca fazem “clicks” em detectores Geiger. Part´ ıculas virtuais n˜o fazem nada disso. S˜o uma esp´cie de construto a a e l´gico. Podem ser criadas tomando energia “empreso tada” do campo e a dura¸˜o do “empr´stimo” ´ goverca e e nada pelo Princ´ da Incerteza de Heisenberg segundo ıpio o qual ∆E∆t , o que significa que quanto maior a energia (∆E) “emprestada” menor o tempo (∆t) que a part´ ıcula virtual pode existir para desfrut´-la.33 a As part´ ıculas mediadoras podem ser part´ ıculas reais, por´m mais freq¨entemente aparecem na teoe u ria como part´ ıculas virtuais, de modo que muitas vezes os dois termos s˜o tomados como sinˆnimos (ibid.). a o S˜o virtuais as part´ a ıculas que levam a mensagem da for¸a entre part´ c ıculas reais. Mas ´ preciso ter cuidado e com essa terminologia pois, se n˜o interagir com outras a part´ ıculas, uma part´ ıcula virtual pode ser real. F´tons, o por exemplo, podem ser reais desde que estejam sempre livres. Resumindo, segundo o que sabemos hoje, h´ quaa tro intera¸˜es fundamentais na natureza (gravitacional, co eletromagn´tica, fraca e forte) devidas a quatro proe priedades (cargas) fundamentais atribu´ ıdas ` mat´ria a e (carga gravitacional/massa, carga el´trica, carga fraca e
32 Ref. 33 Ref.

e carga cor), quatro campos de for¸a (campo gravitac cional, campo eletromagn´tico, campo da for¸a fraca e e c campo da for¸a forte), quatro for¸as fundamentais (grac c vitacional, eletromagn´tica, fraca e forte) e quatro tipos e de part´ ıculas virtuais mediadoras (gr´vitons, f´tons, W a o e Z, gl´ons), sendo que os gr´vitons s˜o ainda espeu a a cula¸˜o te´rica. ca o

5.

O modelo padr˜o a

O modelo que tenta descrever a natureza da mat´ria, e ou de que ´ feito o universo e como se aglutinam suas e partes, em termos de quatro for¸as, quatro part´ c ıculas (virtuais) mediadoras e doze part´ ıculas fundamentais ´ e o chamado modelo padr˜o. a As doze part´ ıculas fundamentais s˜o os seis l´ptons a e e os seis quarks; as quatro part´ ıculas mediadoras s˜o os a f´tons, os gl´ons, as part´ o u ıculas W e Z e os gr´vitons; a as quatro for¸as s˜o a eletromagn´tica, a forte, a fraca c a e e a gravitacional. As part´ ıculas fundamentais, ou part´ ıculas de mat´ria, s˜o chamadas de f´rmions. L´ptons e quarks e a e e s˜o, portanto, subclasses de f´rmions. L´ptons n˜o s˜o a e e a a influenciados pela for¸a nuclear forte, n˜o est˜o encerc a a rados dentro de part´ ıculas maiores e podem viajar por conta pr´pria. El´trons, m´ons e neutrinos s˜o l´ptons. o e u a e Quarks sofrem a for¸a forte e est˜o sempre confinados c a em part´ ıculas maiores (h´drons). a As part´ ıculas virtuais que transmitem as quatro for¸as da natureza s˜o chamadas b´sons. Enquanto c a o os f´rmions s˜o part´ e a ıculas de mat´ria, os b´sons s˜o e o a part´ ıculas de for¸a. c Para completar o modelo, falta ainda a antimat´ria: e part´ ıculas com massa e spin idˆnticos aos da mat´ria e e comum, mas com cargas opostas. Para cada part´ ıcula existe a antipart´ ıcula correspondente. O antipr´ton o ´ a antipart´ e ıcula do pr´ton, o antineutrino ´ a ano e tipart´ ıcula do neutrino e assim por diante. A antimat´ria ´ constitu´ de antipr´tons, antineutrinos e e ıda o e antiel´trons (p´sitrons). Part´ e o ıculas neutras como os a o f´tons e os m´sons π 0 , s˜o iguais as suas pr´prias antio e part´ ıculas.34 H´ na natureza uma assimetria mat´ria-antia e mat´ria. Embora j´ tenha sido produzida experimene a talmente, a antimat´ria ´ raramente encontrada na nae e tureza. Explicar esta assimetria ´ uma das dificuldades e da f´ ısica contemporˆnea. Conseq¨entemente, uma difia u culdade do modelo padr˜o que ´ a atual explica¸˜o da a e ca f´ ısica para a constitui¸˜o do universo. ca A Tabela 2 procura esquematizar a constitui¸˜o da ca mat´ria segundo o modelo padr˜o. A´ est˜o as doze e a ı a part´ ıculas fundamentais, as quatro for¸as e as quatro c part´ ıculas de for¸a. H´drons s˜o part´ c a a ıculas compostas. No universo h´ uma assimetria entre mat´ria e antia e mat´ria, ou entre part´ e ıculas e antipart´ ıculas.

[19], p. 121. [13], p. 278. 34 Ref. [7], p. 275.

170

Moreira

Tabela 2 - Uma vis˜o esquem´tica da constitui¸˜o da mat´ria segundo o modelo padr˜o. a a ca e a Mat´ria I e Part´ ıculas de mat´ria e

L´ptons (F´rmions)I e e El´tron e Neutrino do el´tron e M´ on u Neutrino do m´ on u Tau Neutrino do tau

I
Quarks (F´rmions) e

I

Quark up (u) Quark down (d) Quark charm (c) Quark estranho (s) Quark bottom (b) Quark top (t)

B´rions a

I I

H´drons a

I
M´sons e

I

trˆs quarks e For¸as (intera¸˜es) fundamentais I c co Fraca I Forte Part´ ıculas de for¸a (B´sons) I c o W&Z Gl´ ons u Part´ ıculas de antimat´ria (assimetria)I e Antimat´ria (assimetria)I e

pares quark-antiquark

Eletromagn´tica e Eletrofraca F´tonsI o

I

Gravitacional

Gr´vitons (n˜o detectados) a a

6.

Dificuldades do modelo padr˜o a

O modelo padr˜o das part´ a ıculas elementares n˜o ´ um a e simples modelo f´ ısico, ´ um referencial te´rico que incore o pora a cromodinˆmica quˆntica (a teoria da intera¸˜o a a ca forte) e a teoria eletrofraca (a teoria da intera¸˜o eletroca fraca que unifica as intera¸˜es eletromagn´tica e fraca). co e E a´ aparece uma grande dificuldade do modelo padr˜o, ı a talvez a maior: n˜o consegue incluir a gravidade pora que a for¸a gravitacional n˜o tem a mesma estrutura c a das trˆs outras for¸as, n˜o se adequa ` teoria quˆntica, e c a a a a part´ ıcula mediadora hipot´tica - o gr´viton - n˜o foi e a a ainda detectada. Outro problema do modelo padr˜o ´ o b´son de a e o Higgs. No modelo, intera¸˜es com o campo de Higgs co (ao qual est´ associado o b´son de Higgs) fariam com a o que as part´ ıculas tivessem massa. Por´m, o modelo e n˜o explica bem essas intera¸˜es e o b´son de Higgs a co o est´ ainda por ser detectado.35 a A assimetria mat´ria-antimat´ria tamb´m n˜o ´ e e e a e explicada pelo modelo padr˜o. Quando o universo a come¸ou, no big bang, a energia liberada deveria haver c produzido quantidades iguais de mat´ria e antimat´ria. e e Por que, ent˜o, atualmente, praticamente tudo ´ feito a e de mat´ria? Por que a antimat´ria ´ raramente encone e e trada na natureza?36 Al´m dessas, h´ v´rias outras dificuldades. Algue a a mas s˜o resultantes das limita¸˜es do modelo. Como a co toda teoria f´ ısica, esse modelo n˜o pode explicar tudo. a H´ coisas que o modelo nunca explicar´. Outras, como a a
35 Refs. 36 Ref.

a do b´son de Higgs, podem levar a modifica¸˜es na teoo co ria. Se a part´ ıcula, prevista teoricamente pelo modelo para explicar a massa das part´ ıculas, n˜o for detectada, a a teoria ter´ que ser modificada. a O importante aqui ´ dar-se conta que o modelo e padr˜o da f´ a ısica de part´ ıculas ´ a melhor teoria sobre e a natureza jamais elaborada pelo homem, com muitas confirma¸˜es experimentais. Por exemplo, o modelo co previu a existˆncia das part´ e ıculas Z e W , do gl´on, dos u quarks charme e top que foram todas posteriormente detectadas, com as propriedades previstas. Mas nem por isso, ´ uma teoria definitiva. Certamente ser´ subse a titu´ por outra que dar´ conta de algumas das difiıda a culdades apontadas, poder´ ter algumas confirma¸˜es a co espetaculares, mas ter´ suas pr´prias dificuldades. As a o teorias f´ ısicas n˜o s˜o definitivas, ainda que sejam t˜o a a a bem sucedidas como o modelo padr˜o. a

7.

Outra vez os quarks: o pentaquark

Pelo que vimos, as part´ ıculas elementares poderiam ser caracterizadas como constituintes (l´ptons e h´drons) e a e mediadoras. Os h´drons at´ agora conhecidos s˜o a e a formados por, no m´ximo, trˆs quarks. A novidade ´ a e e que, recentemente, v´rios grupos de f´ a ısicos experimentais tˆm anunciado evidˆncias da existˆncia de uma e e e nova part´ ıcula com cinco quarks (mais precisamente, quatro quarks e um antiquark, ou seja, um pentaquark que recebeu o nome de θ+ teta mais) [20]. N˜o se trata, no entanto, de nova dificuldade para a

[9], p. 62; e [10]. [6], p. 59.

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a teoria, no caso a cromodinˆmica quˆntica, pois n˜o a a a h´ nela nada que impe¸a a existˆncia de part´ a c e ıculas n˜o a t˜o simples como as formadas por trˆs quarks (b´rions) a e a ou por um par quark-antiquark (m´sons). Na verdade, e era at´ estranho que desde a d´cada de setenta n˜o tie e a vessem sido detectadas part´ ıculas mais ex´ticas que os o b´rions e m´sons. a e Para que uma part´ ıcula seja “catalogada” como tal ela deve ter uma vida m´dia (tempo m´dio que ela e e dura antes de se desintegrar) suficientemente grande para que dˆ lugar a efeitos que possam ser observados e e e medidos nos experimentos.37 Pois bem, al´m do pentaquark θ+ , novos resultados experimentais sugerem a existˆncia de outros pentaquarks (o que seria de se ese perar pois h´ v´rias combina¸˜es poss´ a a co ıveis de quarks e antiquarks). Contudo, nem todos os pesquisadores est˜o convencidos da existˆncia dos pentaquarks, pois a e h´ v´rios experimentos que n˜o encontraram evidˆncias a a a e dessas part´ ıculas.38 De qualquer maneira, a resposta definitiva sobre se existem ou n˜o pentaquarks dever´ a a vir dos dados experimentais.

tˆm massa. M´quinas est˜o sendo constru´ e a a ıdas para detectar o b´son de Higgs e a massa ´ hoje um t´pico o e o rotineiro de pesquisa em f´ ısica de part´ ıculas.40 Quem diria, a massa que no espectro epistemol´gico de Bao chelard [2] come¸a como uma aprecia¸˜o quantitativa c ca grosseira e ´vida da realidade e pode chegar at´ a a e e ısica massa negativa41 ´ agora objeto de pesquisa em f´ de part´ ıculas para saber sua pr´pria origem. Um proo blema emp´ ırico fascinante, um grande desafio para o modelo padr˜o. a Mas, e o gr´viton? Seria tamb´m um problema a e emp´ ırico s´rio para o modelo padr˜o? Bem, a´ o proe a ı blema parece ser mais conceitual do que emp´ ırico porque nesse caso a teoria n˜o consegue incluir a gravidade, a quer dizer, a for¸a gravitacional, uma das quatro for¸as c c fundamentais da Natureza, ainda n˜o est´ integrada a a ´ a ` teoria quˆntica. E bem verdade que o gr´viton at´ a a e hoje n˜o foi detectado, mas o problema parece n˜o ser a a apenas emp´ ırico. 8.1. Obst´culos epistemol´gicos e no¸˜es-obsa o co t´culo a

8.

Problemas conceituais e problemas emp´ ıricos

Para o epistem´logo Larry Laudan [12] a ciˆncia ´, eso e e sencialmente, uma atividade de resolver problemas e as teorias cient´ ıficas s˜o, normalmente, tentativas de rea solver problemas emp´ ıricos espec´ ıficos acerca do mundo natural.39 Para ele, se os problemas constituem as perguntas da ciˆncia, as teorias constituem as respostas. e As teorias podem, no entanto, ter dificuldades internas, inconsistˆncias. Tais debilidades, Laudan cone sidera como problemas conceituais. O modelo de Laudan aconselha preferir a teoria que resolve o maior n´mero de problemas emp´ u ıricos importantes ao mesmo tempo que gera o menor n´ mero de u problemas conceituais e anomalias (problemas n˜o rea solvidos pela teoria, mas resolvidos por uma teoria rival) relevantes. Mais uma vez podemos, ent˜o, usar a f´ a ısica dos quarks, ou o pr´prio modelo padr˜o, para exemplificar o a quest˜es epistemol´gicas. Trata-se, seguindo a linha de o o Laudan, de uma excelente teoria porque resolveu muitos problemas emp´ ıricos; todas as part´ ıculas previstas foram detectadas em raios c´smicos ou em aceleradoo res/colisores. Exceto o b´son de Higgs. Por´m os f´ o e ısicos continuam buscando essa que continua sendo procurada como part´ ıcula mediadora de um novo campo, o campo de Higgs, que explicaria porque as part´ ıculas
37 Ref. 38 Ref.

Podemos aproveitar o modelo padr˜o para ilustrar a tamb´m outra faceta epistemol´gica, com profundas e o implica¸˜es pedag´gicas: os obst´culos epistemol´gicos co o a o e as no¸˜es-obst´culo, de Bachelard [2]. co a Para ele, o problema do conhecimento deve ser colocado em termos de obst´culos epistemol´gicos. a o O pr´prio conhecimento atual deve ser interpretado o como um obst´culo para o progresso do conhecimento a cient´ ıfico. A experiˆncia nova deve dizer n˜o ` exe a a periˆncia antiga. Contudo, essa “filosofia do n˜o”surge e a n˜o como uma atitude de recusa, mas como uma posa tura de reconcilia¸˜o. Na perspectiva de Bachelard, ca certamente uma nova teoria de part´ ıculas surgir´ dia zendo n˜o ao modelo padr˜o, rompendo com ele, mas, a a dialeticamente, sem recus´-lo, sem neg´-lo. a a A id´ia de obst´culo epistemol´gico quando partie a o cularizada leva ao conceito de no¸˜o-obst´culo. Desca a tacaremos aqui duas no¸˜es-obst´culo: o coisismo e o co a choquismo. O coisismo, a tendˆncia que temos de coisificar os e conceitos nos leva a considerar as part´ ıculas elementares como corp´sculos, corpos muito pequenos, ocupando u um espa¸o muito pequeno, com uma massa muito pec quena. No entanto, part´ ıculas elementares n˜o s˜o a a corp´sculos, n˜o s˜o corpos muito pequenos. Segundo u a a Bachelard, n˜o se pode atribuir dimens˜es absolutas a o ao corp´sculo, somente se lhe pode atribuir uma oru dem de grandeza, a qual determina mais uma zona

[6], p. 39. [6], p. 40. 39 Ref. [6], p. 39. 40 Ref. [10], p. 57. 41 O que Bachelard chamava de massa negativa, seguindo a teoria relativ´ ıstica do el´tron formulada por Dirac, foi interpretado e ulteriormente como o p´sitron, a primeira das antipart´ o ıculas. 42 Ref. [2], p. 64.

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Moreira

de influˆncia do que de existˆncia. Ou, mais exatae e mente, o corp´ sculo s´ existe no espa¸o em que atua;42 u o c correlativamente, se n˜o podemos atribuir dimens˜es a o ao corp´sculo, tampouco podemos atribuir-lhe forma, u mas, nesse caso, tamb´m n˜o podemos atribuir-lhe um e a lugar muito preciso. Na microf´ ısica, o corp´sculo perde individualidade, u podendo, inclusive, anular-se. Essa anula¸˜o consagra ca ´ a derrota do coisismo. E preciso tirar da coisa suas ´ propriedades espaciais. E preciso retirar o excesso de imagem associado ao coisismo.43 Part´ ıculas elementares n˜o s˜o corp´sculos, n˜o s˜o a a u a a coisas, n˜o s˜o as imagens de “bolinhas coloridas” que a a aparecem nos livros did´ticos. Esse coisismo vistoso, a essa representa¸˜o de part´ ca ıculas elementares, quarks por exemplo, como corp´sculos (bolinhas, esferinhas), u funciona como obst´culo epistemol´gico para a coma o preens˜o do que s˜o part´ a a ıculas elementares. Representar part´ ıculas elementares como corp´ scuu los coloridos apenas refor¸a o coisismo que, naturalc mente, j´ funciona como obst´culo epistemol´gico para a a o conceptualizar o que seja um quark, ou, de um modo geral, uma part´ ıcula elementar. Quarks n˜o s˜o as “boa a linhas” que aparecem nos livros did´ticos. Como diria a Bachelard, o esp´ ırito cient´ ıfico deve dizer n˜o a esse tipo a de representa¸˜o. Quarks poderiam ser “cordinhas”, ca “membraninhas”, ou nada disso. Mas isso ´ tudo imae gismo, outro obst´culo epistemol´gico que nos leva a a o querer imaginar coisas que n˜o s˜o imagin´veis. Ser´ a a a a mesmo necess´rio imaginar, ou coisificar, um quark a para entender o que seja tal part´ ıcula? Associado ao coisismo atribu´ `s part´ ıdo a ıculas elementares est´ outro obst´culo epistemol´gico: o choa a o quismo. As representa¸˜es did´ticas dos choques entre co a part´ ıculas s˜o de choques el´sticos entre bolas (bolia a nhas, melhor dizendo) de bilhar. Uma representa¸˜o, ca no m´ ınimo grosseira do que ocorre em um acelerador/colisor de part´ ıculas. Para dar significado a cria¸˜o ` ca e aniquila¸˜o de part´ ca ıculas em um acelerador/colisor ´ e preciso dizer n˜o ao choque el´stico tipo bolas de bilhar. a a No entanto, os livros did´ticos e os aplicativos refor¸am a c essa imagem errada. Em resumo, para aprender significativamente o modelo padr˜o ´ preciso dizer n˜o `s representa¸˜es a e a a co pict´ricas cl´ssicas t˜o presentes nos livros, nas reviso a a tas de divulga¸˜o cient´ ca ıfica e nas aulas de f´ ısica. As part´ ıculas elementares n˜o s˜o corp´sculos e as rea¸˜es a a u co e colis˜es entre part´ o ıculas n˜o s˜o choques el´sticos ou a a a inel´sticos cl´ssicos entre corpos muito pequenos. a a

lay¨l-Neto [8] – procuram apresentar esse tema de forma e acess´ a professores e alunos. ıvel Mas ser´ mesmo poss´ ensinar/aprender f´ a ıvel ısica dos quarks no ensino m´dio? No ensino fundamental? No e ensino superior? Claro que sim! Em qualquer n´ ıvel, desde que no ensino n˜o se reforce os obst´culos epistemol´gicos naa a o turais do esp´ ırito humano e na aprendizagem se diga n˜o a tais obst´culos. E que se leve em conta que a a a aprendizagem significativa ´ progressiva. e Na verdade, n˜o tem sentido que, em pleno s´culo a e XXI, a f´ ısica que se ensina nas escolas se restrinja ` a ´ f´ ısica (cl´ssica) que vai apenas at´ o s´culo XIX. E ura e e gente que o curr´ ıculo de f´ ısica na educa¸˜o b´sica seja ca a atualizado de modo a incluir t´picos de f´ o ısica moderna e contemporˆnea, como a f´ a ısica dos quarks abordada neste trabalho. O argumento de que tais t´picos reo querem habilidades e/ou capacidades que os estudantes de ensino fundamental e m´dio ainda n˜o tˆm ´ insuse a e e tent´vel, pois outros t´picos que s˜o ensinados, como a a o a cinem´tica, por exemplo, requerem tantas ou mais caa pacidades/habilidades cognitivas do que part´ ıculas elementares.

Agradecimentos
O autor agradece aos Professores Eliane Angela Veit e Olival Freire Jr. pela revis˜o cr´ a ıtica de uma vers˜o prea liminar deste trabalho. Agradece tamb´m as valiosas e sugest˜es do ´rbitro que o revisou para a RBEF. o a

Referˆncias e
[1] M.C.B. Abdalla, F´ ısica na Escola 6(1), 38 (2005). [2] G. Bachelard, Epistemolog´ (Editorial Anagrama, ıa Barcelona, 1971). [3] R. Brennan, Gigantes da F´ ısica. Uma Hist´ria da o F´ ısica Moderna Atrav´s de Oito Biografias (Jorge Zae har Editor, Rio de Janeiro, 2000). ´ [4] A.F. Chalmers, O Que E Ciˆncia Afinal? e Brasiliense, S˜o Paulo, 1999). a (Editora

[5] F.E. Close, The Cosmic Onion: Quarks and the Nature of the Universe (American Institute of Physics Press, Nova Iorque, 1986). [6] G.P. Collins, Scientific American June, 57 (2005). [7] H. Fritzch, Quarks: The Stuff of Matter (Basic Books/Harper Collins Publishers, Nova Iorque, 1983). [8] J.A. Helay¨l-Neto, F´ e ısica na Escola 6(1), 45 (2005).

9.

Conclus˜o a

[9] G. Kane, Scientific American June, 56 (2003). [10] G. Kane, Scientific American July, 30 (2005). [11] T. Kuhn, A Estrutura das Revolu¸oes Cient´ c˜ ıficas (Editora Brasiliense, S˜o Paulo, 2001), 6a ed. a

Este trabalho, assim como outros sobre f´ ısica de part´ ıculas, publicados recentemente em F´ ısica na Escola – Ostermann [17]; Moreira [14]; Abdalla [1] e He43 Ref.

[2], p. 64.

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[12] L. Laudan, El Progreso y sus Problemas. Hacia una Teor´ del Crecimiento Cient´ ıa ıfico (Encuentro Ediciones, Madrid, 1986). Tradu¸ao para o espanhol do origic˜ nal Progress and its Problems (University of California Press, Berkeley, 1977). [13] L. Lederman, The God Particle (Dell Publishing/Bantam Doubleday Dell Publishing, Nova Iorque, 1993). [14] M.A. Moreira, F´ ısica na Escola 5(2), 10 (2004). [15] L.B. Okum, A Primer in Particle Physics (Harwood Academic Publishers, Reading, 1987). [16] M. Oliveira, Pesquisa FAPESP outubro, 64 (2005).

[17] F. Ostermann, F´ ısica na Escola 2(1), 13 (2001). [18] K. Popper, Conjecturas e Refuta¸˜es (Editora da Unico versidade de Bras´ ılia, Bras´ ılia, 1982). [19] B.A. Schumm, Deep Down Things: The Breathtaking Beauty of Particle Physics (The Johns Hopkins University Press, Baltimore & London, 2004). [20] N.N. Scoccola, Ciˆncia Hoje 35, 36 (2004). e [21] S. Toulmin, La Comprensi´n Humana - Volumen 1: El o Uso Colectivo y la Evoluci´n de los Conceptos (Alianza o Editorial, Madrid, 1977).