Consílio dos Deuses no Olimpo – Canto I

(estrofes 20 a 23) Esta 1ª parte descreve-nos o espaço e a organização dos deuses no consílio. Os deuses deixaram os seus locais de governação, vindos do Norte, do Sul, do Nascente e do Poente, para se dirigirem ao Olimpo para um consílio convocado da parte de Júpiter pelo jovem Mercúrio. O poderoso pai dos deuses aguardava os seus súbditos sentados num trono de estrelas. Como determinava a ordem, os deuses sentavam-se em cadeiras marchetadas de ouro e pedrarias e em lugares determinados consoante a antiguidade. Júpiter situava-se em lugar mais alto, seguido, mais abaixo, pelos deuses mais velhos e, ainda mais abaixo, pelos deuses mais novos.

O plano da viagem e o plano mitológico
Repara Em toda a narração estão presentes dois planos - O Plano da Viagem e o Plano dos Deuses. Esta associação revela que a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia depende do parecer favorável dos deuses. Os deuses, ao dificultarem ou facilitarem a viagem dos portugueses, permitem que a ação se desenvolva. O Plano dos Deuses ou Mitológico era fundamental numa epopeia, mas nesta obra os deuses não têm apenas a função de embelezar a ação, eles são elementos geradores da própria ação.

(estrofes 24 a 29) Depois de caracterizado o espaço onde se vão reunir os deuses, o consílio inicia-se com o discurso de Júpiter. O pai dos deuses refere que o valor dos portugueses é tão grande que pode obscurecer a
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fama dos antigos impérios dos assírios, persas, gregos e romanos. Júpiter faz uma descrição enaltecedora da nação portuguesa, forte, capaz de atos grandiosos e que revela o propósito de navegar até ao Oriente como o destino “Fado eterno” - lhes prometeu. Depois dos portugueses terem passado por “tão ásperos perigos”, das tripulações estarem extenuadas pelos trabalhos da viagem, Júpiter determina, então, que os navegadores sejam recebidos e “agasalhados” na costa africana. O discurso de Júpiter é apresentado através do discurso direto.

(estrofes 30 a 35) Esta terceira parte consiste na apresentação das opiniões dos outros deuses, destacando-se os pareceres de Baco e de Vénus. Depois de apresentada a decisão de Júpiter, os deuses vão dando as suas opiniões. Destas destacam-se a de Baco, que é contra os portugueses, pois considera que eles se tornarão superiores a si no Oriente, e a de Vénus, que defende com amor os portugueses, pois via neles as virtudes romanas - a valentia, as vitórias no norte de África e o idioma tão parecido com o latim. Assim, Baco, com receio de perder a glória no Oriente, e Vénus, com desejo de a ganhar, pois sabe que será celebrada onde quer que os portugueses cheguem, entram em discussão e levanta-se um grande tumulto entre os deuses. As opiniões destes deuses são transmitidas em discurso indireto. Se leres a estrofe 35, apercebes-te que a confusão gerada entre os deuses foi grande, até os próprios verbos sugerem essa confusão: “rompendo”, Brama”, “murmura”, “Rompem-se”, “ferve”. O tom utilizado nesta estrofe é hiperbólico, há um exagero intencional da realidade para enfatizar a confusão.

(estrofes 36 a 40) Esta quarta parte expõe o discurso de Marte, deus da Guerra. No meio da confusão gerada pelos deuses, Marte, “dando uma pancada penetrante” com o cabo da lança no trono, apresenta a sua opinião favorável aos portugueses. Marte apoiava os portugueses provavelmente porque estes eram protegidos por Vénus, por quem Marte “morria” de amores, ou então porque reconhecia os feitos
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lusitanos, considerando que era um povo que merecia proteção. Marte aconselha Júpiter a não voltar atrás na decisão de apoio aos portugueses.

(estrofes 41) Decisão final de Júpiter e conclusão do Consílio. Depois de Marte apresentar a sua opinião favorável aos portugueses. Júpiter concordou, com uma inclinação de cabeça, e deu por terminado o consílio. Os deuses partiram de regresso às suas moradas. Resumindo, Júpiter e os deuses consentiram a paragem e o descanso dos portugueses na costa africana para recuperarem forças e, posteriormente, seguirem viagem rumo ao desconhecido, à Índia.

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