Temporada 02 Capítulo 28

Desencanto
By We Love True Blood

I wish you'd stop talking. I wish you'd stop prying and trying to find things out. I wish you were dead - no I don't mean that. That was silly and unkind. But I wish you'd stop talking.

Sookita notou que Eric abriu a porta a contragosto, não respondeu a pergunta que ela fez, em vez disso ele caminhou até a cozinha. Ela adentrou com cuidado naquele ambiente hostil, fechou a porta pesada de madeira antes de continuar. Observou curiosa o loft onde ele morava, por mais estranho que parecesse, havia uma cozinha equipada com eletrodomésticos caros, obviamente para as visitas femininas que ele recebia constantemente. Saindo da cozinha que ficava embaixo do segundo andar, já se encontrava a sala com móveis escuros, iguais os que via nas novelas, muito impessoal para o gosto dela. Ele sentou-se no banquinho em frente ao balcão que ficava no meio da cozinha, mantinha-se de costas para Sookita, de vez em quando tomava um gole de TruBlood. Ela ficou surpresa por encontrá-lo sozinho numa sexta à noite e mais ainda por não estar na boate. Não sabia como iniciar a conversa, o frio em sua barriga demonstrava o quanto estava arrependida do que tinha feito. Deveria ter confiado nas palavras de Pam e jamais tê-lo procurado novamente, ele não ouviria nada do que ela tinha para dizer. Pigarreou tentando chamar a atenção enquanto se apoiava no ombro do sofá de maneira desajeitada. “Fale de uma vez.”, ele disse virando de repente e cruzando os braços com uma expressão zangada. “Quero saber primeiro o que aconteceu ontem a noite.”, ela disse com a voz firme, não deixaria ele perceber que estava apavorada. “Fui agraciado novamente com sua presença em minha cama.” “Eu não controlo essas coisas, não tenho culpa por aparecer na sua cama.” “Deveria aprender a controlar de uma vez por todas e me deixar em paz.”, ele

frisou a última palavra como se sentisse nojo. “Se você não tivesse me machucado, talvez estivesse livre da minha presença.”, ela disse friamente. “Por que me mordeu?” “Foi você quem pediu. Mas, para sua sorte, conseguiu se salvar antes de ser completamente drenada.”, ele soltou uma risada debochada. “Eu não sou eu nessas alucinações... nem ao menos lembro o que aconteceu.”, ela disse sentindo o suor escorrendo pela testa. “Será que não entende?” “Eu só quero me ver livre de sua presença, não estou pedindo muito.”, ele terminou de beber o sangue num gole só. “E por que? Vai me matar se eu chegar mais perto? “, ela perguntou levantando a cabeça em desafio. “Você fez isso antes do que eu. Obrigado por tentar me matar ontem a noite. Se eu não fosse imortal, estaria presa nesse momento.”, Eric olhou para o meio da sala onde a mesinha de vidro estava anteriormente que foi quebrada por conta da queda que ele levou do mezanino. “Como disse, não era eu. Sem contar que eu não teria a menor chance contra você.” “Eu não sei o que você é, mas sua força foi equivalente a minha.” “E só com você, eu não entendo...”, tinha pensado nisso o dia todo, não sabia o que eram essas alucinações e também os motivos de ser com ele. “São seus desejos reprimidos...”, ele disse franzindo o cenho. “Não irei satisfazê-los.” “Meu único desejo agora é que você tire esta coisa horrível do meu pescoço, não posso ficar desse jeito.”, Eric poderia ter razão sobre os desejos, mas não iria discutir com ele sobre isso. “Venha até aqui.”, ele fez um sinal para ela se aproximar. Sookita caminhou lentamente na direção dele, não arriscaria encará-lo para encontrar novamente aquele sorriso cínico que ele exibia sempre que tinha chance. Ela parou perto dele mostrando o pescoço machucado. “Só me cure...”, ela disse baixinho enquanto olhava para o outro lado focando

na geladeira para evitar a tentação de fixar a visão no peito dele através da regata preta que estava usando. Eric observava o machucado no pescoço de Sookita imaginando o que aconteceria se ele a atacasse ali mesmo, o cheiro do sangue era inebriante. Não esperava que ela fosse a sua casa, e muito menos como tinha descoberto o endereço, a mordida em seu pescoço não precisava de explicações, ela havia pedido por isso. Continuou encarando a telepata por mais alguns segundos, em seguida exibiu as presas. “Como conseguiu meu endereço?”, a voz dele soou rouca. “Isso importa? Não irei mais perturbá-lo, se é isso que te preocupa.”, estava tão próxima dele que conseguia sentir seu cheiro, novamente aquele perfume amadeirado. “Me persegue em sonhos e na vida real. Qualquer pessoa diria que estamos apaixonados.”, ele mordeu o dedo indicador, o sangue começou a escorrer, sem perder tempo passou no machucado dela. Ao sentir o toque, Sookita fez uma careta de dor, o que fez com que ela se afastasse bruscamente dele. Eric usou seu reflexo e conseguiu segurá-la pelo braço com firmeza, continuou passando o dedo no machucado até curá-la completamente. “Não sabia que uma simples mordida poderia machucar tanto.”, ela disse passando a mão no pescoço. “Por que mentiu, Sookita?” Ela engoliu em seco, seu próximo tópico na conversa seria justamente o assunto delicado envolvendo Jason. Agora que ele estava perguntando, ela não sabia como responder. “Eu só queria protegê-lo.”, disse com a voz baixa. “Jason é meu único irmão.” “Protegê-lo com atitudes estúpidas uma atrás da outra? É isso que queria?”, ele perguntou muito próximo do rosto dela. “Não sabia o que fazer. Principalmente depois de vê-lo matando tantas pessoas sem piedade.”, ela apontou para Eric. “De que forma eu poderia reagir?” “Por que eu devo ter piedade com seu irmão? É um traficante como qualquer

outro.” “Jason é estúpido, isso eu não posso negar. Não merece morrer nas suas mãos, mas sendo preso pelos erros que cometeu.” “Humanos...”, ele se afastou dela. “As leis de vocês estão ultrapassadas.” “A Autoridade não permite que mate humanos, as leis dos vampiros mudaram.”, Sookita sentia as mãos geladas, sabia que não seria fácil convencê-lo. “Foi Bill quem te disse sobre esse conto de fadas?” Sookita se aproximou um pouco mais, sabia que era perigoso, mas não teria outra alternativa. Tocou no braço dele levemente e disse num sussurro: “Eu não queria mentir, não queria enganá-lo... não foi minha intenção.” “Não pense que me seduzir irá salvar o teu irmão.”, ele segurou o braço dela com força. “Não quero te seduzir, só estou tentando me desculpar de alguma forma.” “Tarde demais. Já curei o seu pescoço, agora poderá se casar sem ter que explicar onde foi mordida.”, ele disse levando-a em direção a porta. “Eric, por favor. O que vai fazer com Jason?”, disse enquanto tentava se soltar, não poderia ir embora sem ter certeza do que ele pretendia fazer. “Vou casar com ele.”, ele deu uma risada e a puxou para perto de si. “Você e Bill o esconderam bem, mas logo ele saíra da toca.” “Diga que não vai matá-lo, por favor. Eu não tenho mais ninguém.”, ela disse com os olhos marejados. “Você terá seu amado Bill, cara Sookita.” “É totalmente diferente, eu cuidei de Jason minha vida inteira.”, ela disse com a voz embargada. “Meus pais morreram, depois minha avó. Ele só tem a mim e eu a ele.” Ele apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, abriu a porta e a empurrou sem delicadeza para fora.

“Não gosto de melodramas, deveria saber bem disso.”, ele disse fechando a porta. Sookita ignorou o comentário arrogante de Eric, passou as mãos nos olhos evitando que as lágrimas caíssem. Caminhou as cegas até ele, reuniu toda a força que tinha empurrando a porta. A força usada foi tanta que atingiu o rosto de Eric que cambaleou para trás por conta do impacto. Sookita adentrou novamente no apartamento empunhando as mãos na frente do rosto, sem pensar desferiu um golpe diretamente no nariz, pegando o vampiro desprevenido. “Vamos, seu covarde. Aja como um homem. Venha.”, ela sentia a adrenalina percorrendo o seu corpo, ainda mais quando viu o sangue escorrendo do nariz dele. “Está louca? O que deu em você?”, colocou a mão no nariz por causa da dor. “É tão macho querendo matar meu irmão. É tão macho me atacando em sonhos... quero ver se é macho agora.”, ela tentou acertá-lo novamente, mas Eric desviou sem dificuldade. “Se continuar me provocando, além de matar Jason, serei obrigado a terminar o que comecei ontem.” “Quer me morder de novo? Me drenar completamente? Oh, por favor, senhor vampiro, me morda.”, ela disse afastando o cabelo para mostrar o pescoço. “Sookita, estou avisando. Pare!”, ele disse fechando o punho com força. “Aproveite e me mate também. O que está esperando?” Ele cobriu a distância entre os dois com apenas um passo, com uma das mãos segurou o rosto de Sookita e a outra apoiou perto do pescoço. Com um movimento rápido as presas surgiram novamente e Eric a mordeu violentamente como fez na noite anterior. A mão que estava nos ombros desceu para a cintura forçando o quadril dela de encontro ao corpo dele. Ela agarrou o cabelo dele com firmeza enquanto sentia o sangue sendo drenado sem carinho ou gentileza como da outra vez. Um tufo de cabelo loiro ficou na mão dela quando Eric pressionou mais ainda as presas na pele fina. Apesar da dor quase insuportável, Sookita ficou estranhamente excitada pelo que estava acontecendo. Talvez fosse até ele desejando exatamente isso, procurando uma punição pelo sentimento perigoso que nutria. Ou uma maneira de escapar do casamento usando a opção mais rápida, se entregando para

Eric de uma vez por todas, nem que isso significasse a morte. Podia sentir a ereção dele conforme movia o corpo sendo guiada pela mão dele em sua cintura. Será que isso tinha acontecido ontem à noite? Ou ela estava alucinando novamente? Pensou enquanto as pernas amoleciam pela falta de sangue no corpo. Eric deixou Sookita cair no chão após se afastar batendo sem perceber no pilar perto da cozinha. Limpava a boca com as costas da mão ainda saboreando o intenso sabor do sangue dela, para sua surpresa parecia até que respirava de tanta excitação que emanava de seu corpo. Colocou as mãos na bochecha sentindo o rosto quente. Pela primeira vez em centenas de anos certas células reagiam dentro dele, como se estivessem acordando de um longo sono. Não havia presenciado essa sensação quando experimentou o sangue dela anteriormente, mas dessa vez algo havia mudado. “Por que não terminou o serviço?”, Sookita perguntou tentando ficar em pé, mas se deixou cair novamente no chão pela fraqueza. “Não precisei, já estou satisfeito com o que tive.”, ele se aproximou dela tentando bloquear as sensações incríveis em seu corpo, apoiou um joelho no chão, mordeu o pulso estendendo o braço. “Beba para se recuperar.” “Jamais. Me dê agua e uma bolacha. Já doei sangue antes.”, Sookita deu um tapa raivoso na mão que ele ofereceu. Lembrou-se que não se sentiu tão mal assim quando deu seu sangue para ele naquela vez. “Vai demorar a se recuperar desse jeito. Melhor beber logo.”, disse com irritação. “Não.”, ela meneou a cabeça várias vezes. “Você ia mesmo me matar.”, Sookita sentia uma vontade incontrolável de chorar. Por mais que o tivesse provocado, não achou que ele levaria a cabo a promessa de matá-la. Sentia-se culpada pelo prazer que tomou conta de seu corpo junto ao dele, sabendo que a possível morte dela o excitou daquela maneira. Algo havia se quebrado dentro dela, a ilusão que tinha de Eric finalmente encontrou a realidade, o pano caiu. “Não entendo a sua surpresa.”, ele disse arqueando a sobrancelha. “Custei para acreditar, mas agora tive certeza. Você é mesmo um monstro.” “Sou o que sou, nada mais do que isso.”, ele levou o pulso perto dos lábios dela. “Beba de uma vez, está mais branca do que um fantasma.”

Sookita pegou o pulso dele e bebeu sem vontade, precisava ir embora daquela casa o mais rápido possível, se continuasse do jeito que estava, não teria forças nem para andar. Esta seria a última coisa que aceitaria dele porque depois dessa noite não esperava nunca mais vê-lo pelo resto da vida. Ela se levantou com dificuldade ignorando a mão estendida dele. Caminhou até a porta cambaleando, se apoiou no batente sentindo calafrios pelo corpo, uma dor no estômago fazendo com que sentisse vontade de vomitar. Tentou criar coragem para continuar andando, mas caiu pesadamente no chão, tudo ficou escuro. ---------------------------------Sookita abriu os olhos encarando o teto, mas não era o teto gasto de sua casa para seu susto. Olhou para o lado e se deparou com Eric dormindo calmamente, ela levantou de uma vez observando o quarto. A última coisa que lembrava era ter quase saído da casa dele, depois tudo se apagou. Haviam dormido mais uma vez juntos, e mais uma vez não se lembrava, só que dessa vez ele não tirou a roupa dela, respirou aliviada. Passou a mão no pescoço, não tinha mais as marcas da mordida. Se não tivesse certeza de que foi até a casa dele, juraria que tudo não passou de mais uma alucinação. A cama dele era espaçosa, provavelmente nem tinham se encostado enquanto dormiram juntos. Em frente à cama havia uma televisão de tela plana na parede, uma das maiores que ela tinha visto, logo embaixo um móvel com livros e outras bugigangas que ela não se importou em olhar. Lançou um último olhar para ele deitado na cama, parecia tão calmo e tão diferente do que normalmente era quando estava acordado. Ela desceu a escada de madeira apoiando no corrimão, era bem alta. Pegou a echarpe que ficou em cima do sofá, sentia-se muito melhor agora, o sono tinha sido o suficiente para se recuperar. Sookita dirigiu de volta para casa, notou as milhares de mensagens de Bill deixadas em seu celular. Incrivelmente ela não estava mais nervosa com o casamento que aconteceria em algumas horas. Estacionou em frente à casa, havia várias mulheres esperando do lado de fora. Ela não tinha dúvidas quem eram a maquiadora e a cabeleireira e logo mais estaria vestindo o belo vestido de noiva que Bill escolheu. A festa aconteceria novamente na mansão de Bill, mas com poucos convidados, diferente da enorme festa de noivado. Tanto ela quanto Bill não queriam convidados indesejados, inclusive Jessica recebeu vários avisos. Sookita não queria se deparar com uma nova visão de Eric para estragar o casamento. Passou a mão no vestido de noiva de cor marfim, era bem simples,

nem um pouco suntuoso, exatamente como ela é. Nesse ponto Bill escolheu perfeitamente, um tomara que caia plissado com uma saia bufante um pouco abaixo dos joelhos, ideal para se casar ao ar livre, mesmo que fosse a noite. Ela estava maquiada, os cabelos parcialmente presos e era o momento de ir para o grande momento de sua vida, mesmo que não fosse como esperava. O carro estacionou em frente à mansão que estava tomada por carros estacionados no entorno. O motorista de Bill lançou um olhar encorajador para Sookita através do espelho retrovisor. Ela agradeceu com um aceno de cabeça, apertava fortemente o buquê de rosas de várias cores. Desceu do carro tremendo de nervoso, não iria ser conduzida por ninguém até o altar montado no jardim. Baixou o delicado véu em frente ao rosto, ergue a cabeça e começou a caminhar para dentro da casa. Havia treinado várias vezes durante a semana como seria a entrada, a música que tocaria seria a tradicional de todos os casamentos. Bill a observava sorridente parado no altar florido, Sookita caminhava com o pensamento distante entre os convidados que estavam sentados de cada lado da passarela. Não havia padrinhos no altar, nem Jason, nem Sam e muito menos Tara. Apenas alguns rostos conhecidos, o sorriso maldoso de Jessica sentada na primeira fila e o padre que era vampiro com uma expressão bondosa. Sookita quase cometeu a loucura de sugerir que Santiago celebrasse o casamento, afinal, ele era um monge franciscano, apesar de não exercer por longos anos. Mas, acreditou que Bill não iria aceitar e talvez fosse provocativo demais. Bill não andava em bons termos com a Autoridade, inclusive estava agindo contra os princípios das leis dos vampiros ajudando um humano fugitivo, no caso Jason. “Sim.”, ela respondeu perto do fim da cerimonia fingindo alegria. Ela não poderia negar que o momento no qual a padre disse se alguém impedia esse casamento alguma coisa iria acontecer para salvá-la, mas nada aconteceu, tudo transcorreu sem problemas. Agora era a Senhora de La Vega, mulher do prefeito da cidade, uma simples garçonete. “Está feliz, Senhora de La Vega?”, ele disse após terminar de beijá-la nos lábios, ao fundo era ouvido os aplausos dos convidados. “Muito.”, sorriu tentando demonstrar um pouco de alegria, pena que a realidade era outra. “Onde esteve na noite passada? Fui até a sua casa para saber se estava tudo bem.”, ele sussurrou enquanto passavam pela passarela entre os convidados.

“Estava na igreja, precisava agradecer por tudo que estava acontecendo comigo.”, tentou soar o mais sincera possível, agora além de trair, também usava o nome de Deus em vão, pensou desolada. “Até de madrugada?”, ele perguntou apertando o braço dela enquanto a guiava até a festa. “Perdi a hora.”, disse distraída. “Gostaria de agradecer pelo vestido, muito bonito.”, sorriu para ele. “Agradeça Jessica também, ela quem me ajudou a escolher.”, ele a beijou na testa. “Quando mudará para nossa casa?”, ele fez um movimento mostrando a propriedade. “Os dois tem muito bom gosto, e posso me mudar hoje mesmo, se você quiser.”, ela respondeu baixinho, procurou não pensar na noite de núpcias durante os dias que passaram, a sensação incomoda havia voltado e ela agora não saberia como reagir diante da situação. “Mandarei meus empregados empacotarem o que for importante. Nem precisa se preocupar com móveis, apenas os seus pertences pessoais.” Fez um sinal positivo com a cabeça, só de pensar que daqui algumas horas ela estaria consumando seu casamento com Bill, a deixava em pânico. Não que tivesse medo, era um processo natural da vida, a única coisa que ainda não conseguia digerir era que tudo isso seria sem amor. Nem estava pensando em Eric, o encanto havia acabado. Mas, acreditava que com o tempo amaria Bill novamente. Os dois chegaram à tenda da festa, dessa vez bem menor, havia no máximo 60 convidados essa noite. Receberam cumprimentos de todos, Sookita ficou feliz quando Santiago a beijou no rosto, mas não havia sinal de Bastian para seu desapontamento. Jessica se aproximou e a abraçou como se fossem amigas de longa data. “Sei o que andou aprontando.”, ela sussurrou no ouvido de Sookita apertando o abraço. “Engana-se pensando que vou me incomodar com isso.”, até na hora mais importuna Jessica gostava de provocar. “Claro que irá se incomodar. Como fará agora que está casada com meu ingênuo pai? Estou tão curiosa para saber.”

“Fazer o que? Você não sabe o que está falando.”, Sookita soltou a vampira. “Encontrar-se com Eric... nos sonhos.”, ela abraçou Sookita novamente. “Isso não é da sua conta.”, tentou se soltar novamente dela. “Me deixe em paz, Jessica.”, Sookita sentiu um nó na garganta por Jessica saber das alucinações com Eric, ele havia contado esse segredo. “Agora é minha mamãe querida, Sookita. Jamais te deixarei em paz.”, Jessica deu um beijo estalado na bochecha dela. “Fala que Bill é ingênuo por casar comigo, sendo que ele também não conhece esse seu lado.”, disse com desprezo. “Alcide ainda está sofrendo por sua causa.” “Graças que me livrei daquele lobo fétido. O está consolando através de sonhos também?” “Ele gosta de você, Jessica. Mesmo tendo te acobertado, ainda o trata dessa forma.” “Acobertado o que?”, Jessica disse entre dentes. “Que me atacou aquela noite, sei que foi você.”, ela disse com um sorriso de triunfo. “Pena que não fui até o final.” “Mesmo que fosse, não teria escapado da punição. Sua sorte foi ter me deixado viva.” “Por que não me delatou?”, Jessica perguntou sorrindo para os convidados que passavam perto das duas. “Seu pai não merecia saber disso, ficaria muito decepcionado.”, ela disse fingindo conversar normalmente. “Mas, não pense que não tenho coragem de te entregar para Santiago.” “Faça isso agora.”, Jessica olhou em volta procurando por ele. “Vou chamá-lo para você contar tudo em detalhes.” “Não te darei a satisfação de estragar o meu casamento.”, Sookita respondeu dando de ombros.

Ela se afastou de Jessica caminhando para perto de Bill, não queria ter a sua noite estragada com as provocações da vampira. Não tinha mais dúvidas de quanto Eric era um canalha em contar as alucinações, será que Pam também sabia? Cravou as unhas na palma da mão por causa do ódio que estava sentindo. Ultimamente suas emoções estavam à flor da pele, qualquer coisa a deixava extremamente irritada. Lembrou-se rapidamente do soco que desferiu em Eric, não conseguiu evitar em abrir um leve sorriso. “Senhorita Montenegro?”, um dos seguranças de Bill bateu levemente no ombro dela. “Algum problema?”, ela perguntou preocupada olhando em volta. “Um rapaz pediu para falar com a senhorita. Está esperando na entrada.”, ele disse confirmando com a cabeça. “Muito obrigada, irei vê-lo o mais rapidamente.”, Sookita sentiu uma felicidade imensa invadindo seu corpo, Jason tinha arranjado um jeito de aparecer em sua festa. Caminhou ansiosamente para dentro da mansão, quase bateu de frente com um garçom que saiu apressado da cozinha, ele ficou vermelho de vergonha quando viu que era a noiva. Ela passou pelo longo corredor que levava até a entrada, teria que se acostumar com aquela casa enorme, os vários quartos e cômodos. Ainda não se via morando ali e cuidando de tantos empregados, parecia outra realidade. Ela abriu a porta da frente esperando se deparar com o rosto sorridente de seu irmão, mas em vez disso viu dois guardas de Bill caídos desacordados em frente à porta. Sookita ficou confusa com a cena, aquilo era sinal de perigo, uma armadilha. Fechou a porta, mas foi impedida por uma mão que agarrou o seu braço. -----------------------------------Jessica bebeu várias taças de sangue sintético, tentava se recompor depois da discussão que teve com Sookita. Sua vontade era ter arrancado à cabeça da outra ali no meio de todo mundo para depois mandar empalhar e colocar como troféu na sala. Desde a conversa com Eric, procurava desesperadamente informações sobre o que seriam esses seres que buscam a luz. Mas, não havia encontrado ainda nada importante, nem na biblioteca enorme que seu pai mantinha na casa. Ela tinha certeza de que Sookita carregava algo ruim dentro de si, ainda mais por ter tentando matar Eric, não considerava isso uma atitude normal.

Tentou obrigar Eric a vir na festa, mas ele recusou com veemência. O jeito foi vir sozinha, odiando cada segundo do que presenciou. A burrice de seu pai foi feita, e levaria tempo para reverter alguma coisa. Não queria Sookita com seu pai e nem com Eric, muito menos com Eric, ela pensou irritada. Admitia que não fosse mais só sexo com ele, esses dois últimos meses de convívio tinham sido interessantes. Ela havia esquecido Sam completamente, era apenas algo ruim de seu passado, ficou triste por ele não ter ficado preso numa cadeira de rodas. Se isso tivesse acontecido, Sookita talvez tivesse deixado Bill para cuidar do pobre Sam. Mas, tudo voltou rapidamente ao normal. “Senhorita Los Mares? É uma vampira difícil de encontrar.” “O que quer comigo, Santiago?”, ela disse revirando os olhos. “Quero que me acompanhe até a Autoridade.”, ele a encarou por trás dos óculos. “E por que?”, olhou para ele balançando a cabeça. “Não tenho o que fazer naquele lugar.” “Infelizmente não é um convite, mas uma ordem.”, ele disse friamente. “Não vou a lugar nenhum com você se não falar o que está acontecendo.”, respondeu no mesmo tom. “Não está numa posição para barganhar, Senhorita Los Mares. Peço que venha comigo calmamente, sem alarde.”, ele fez um sinal, Leroy e um outro vampiro ladearam Santiago. Jessica olhou para os vampiros assustada, um deles era enorme. Não estava entendendo nada, seria levada a força para a Autoridade sem saber o motivo. “E se eu não quiser?” “Eu recomendaria que não reagisse. Nossa intenção não é machucá-la.”, ele juntou as mãos diante do peito. “Vejo que não tenho escolha.”, caminhou lentamente até ele. “Mas, preciso avisar ao meu pai antes de ir com vocês.” “Ele será avisado no devido tempo. Não pretendemos estragar uma festa tão bonita.”, ele estendeu a mão para ela.

“Não pode me dizer ao menos o por que disso tudo?”, Jessica começava a ficar preocupada, se Bill não seria avisado, era algo que só envolvia ela. “Acredito que sabe o que fez. É inteligente o suficiente para perceber o que é.” “Não fiz nada e não sei do que está falando.” “Não deve produzir provas contra si, as leis dos humanos pregam isso. Sabemos que atacou Sookita Montenegro.”, ele disse limpando os óculos embaçados com um lenço. “Isso é mentira! Não ataquei ninguém, muito menos Sookita... ela é minha madrasta.”, ela disse tentando demonstrar indignação, sua cabeça estava a mil por hora. Sookita teria mesmo contado a verdade para Santiago? Pensou com ódio. “Só saberemos conforme a investigação avançar. Mas, peço que venha conosco sem criar comoção.” “Saiba que está pegando a pessoa errada. Vai se arrepender por isso, Santiago.” “Espero que tenha razão.”, ele a segurou no cotovelo enquanto a conduzia na direção da mansão. ---------------------------------Bill caminhava entre os convidados, parava para conversar com alguns, outros apenas trocava poucas palavras. Dessa vez evitou contratempos com convidados indesejados como Eric, não queria a festa de casamento arruinada como foi a de noivado. Ainda mais as descobertas que fez ao ouvir a conversa de Jessica com Eric. Sua filha gostava de brincar com fogo, o problema é que corria o risco de se queimar. Não tentou proibi-la de sair com Eric, se o fizesse seria o suficiente para criarem atritos, e não era isso que queria com ela. Reparou que fazia certo tempo que não via sua esposa e muito menos sua filha, começou a procurá-las entre os convidados. O problema era que a tenda estava um pouco mais escura, com luzes para todos os lados, o DJ começou a tocar e a pista de dança estava lotada. Mesmo assim não tinha sinal nem de Jessica ou Sookita. Talvez as duas estivessem juntas conversando dentro de casa ou passeando no labirinto. Apesar de que fez questão em deixar dois guardas fazendo vigilância na entrada do labirinto, não queria os mesmos acontecimentos da outra festa.

Um de seus assessores surgiu ao seu lado e cochichou sobre uma visita inesperada que esperava no escritório. Bill ficou confuso por alguns segundos, não imaginava quem poderia ser. Seus amigos mais importantes estavam na festa, e a Autoridade não iria interromper alguma coisa nessa noite. Correu velozmente até a mansão, abrindo a porta do escritório num estrondo. Quando se deparou com a última pessoa que imaginava ver naquele momento. “Espero não ter interrompido a bonita festa em seu jardim.”, o Senador Morales disse levantando da cadeira em que estava sentado e estendendo a mão para Bill. “Senador Morales, a que devo a honra da sua presença em minha festa?”, ele disse apertando a mão do senador apreensivo. “Alguns assuntos pendentes que desejo dar um fim.”, ele se sentou novamente cruzando as pernas. “Continue...”, Bill disse indo em direção a poltrona do escritório onde sentou. “Onde está a sua bela noiva?”, ele perguntou com um estranho brilho nos olhos. “Estava procurando por ela antes de vir aqui.”, Bill respondeu sério. “Que assuntos têm a tratar comigo?” “Como pode deixar uma flor delicada como ela sozinha? Não tem medo de que algo possa acontecer?”, ele se inclinou para frente encarando Bill. “O que está insinuando?”, ele sentiu o perigo nas palavras do senador. Não era coincidência essa visita inesperada. Os dois nunca tinham se encontrado antes, inclusive o senador era anti-vampiro e considerado grande inimigo da Autoridade. “Oh, Senhor de La Vega, pensei que soubesse as consequências em mexer com quem não se deve.” “Acho melhor você parar com os rodeios e dizer logo o que fez com ela. Onde está minha noiva?”, ele perguntou entre dentes. “Já estamos tão nervosos.”, Morales colocou as mãos para cima. “No momento está segura, mas irá depender do quanto irá cooperar, Senhor de La Vega.” “O que você quer?”

“Bom menino, é assim que gosto.”, o senador se aproximou de Bill dando um tapinha no rosto dele. “Quero que me diga por que tentaram me matar?” “Não sou eu quem cuida desses assuntos, não sei o que te responder.”, mentiu, não poderia entregar os planos sigilosos da Autoridade. “Quero que me diga onde está Sookita, o que fez com ela?”, encarava o senador intensamente enquanto o hipnotizava. “Sinto decepcioná-lo, mas sou imune aos truques baratos de vocês vampiros. Fui bem treinado.”, ele piscou para Bill. “Por que querem me matar?”, ele repetiu com o rosto sereno. “Já disse, Senador. Não posso falar do que não tenho acesso.” O senador tirou o celular do bolso da calça, discou várias vezes um número, Bill não conseguiu ver quais foram. Enquanto esperava a pessoa atender do outro lado, Morales sorria cinicamente para Bill. “Sim, sou eu. Se daqui a cinco minutos eu não ligar, corte um dedo da moça.”, ele desligou em seguida. “Como posso ter certeza que ela está mesmo com você?”, uma ponta de medo percorreu seu corpo, mas não poderia se deixar levar pelas chantagens do senador. Morales discou novamente no celular, demorou alguns segundos para ser atendido do outro lado. “Não desligue o celular. Corte a moça.”, ele estendeu o celular para Bill ouvir. Do outro lado podia-se ouvir vários homens falando, algumas risadas, de repente todos se calaram. Bill ouviu nitidamente o choro baixo de Sookita, depois foi aumentando gradativamente e se tornando desesperado. Em seguida o som de algo cortante, e os gritos apavorados dela tomaram conta do escritório. “Não me machuque, pelo amor de Deus.” O lamento de Sookita pedindo clemência para o sequestrador foi o suficiente para deixar Bill fora de si. “Eu conto tudo o que quiser, por favor, não a maltrate.”, Bill quase ajoelhou aos pés do senador.

“Tarde demais... ela perdeu um dedinho.”, ele desligou o celular abafando os gritos dela. “Nós sabemos que você é um dos principais envolvidos com o tráfico de V. Também existem leis com os vampiros, não permitimos que usem nosso sangue para ganhar dinheiro sujo.” “Sempre a mesma ladainha, antes o problema era a cocaína, agora é o V. Se os humanos servem de alimento para sua raça, o sangue de vocês também deve ser usado como bem entendermos. Nós humanos ainda somos a raça dominante, caro Vampiro.” “As coisas mudaram, hoje já existe o sangue sintético. Não precisamos mais nos alimentar de humanos.” “Historinha da carochinha, acredita quem quiser. Quem comanda essa Autoridade?”, ele perguntou ao sentar na cadeira. “Poucos vampiros sabem, eu não sou um deles.” “Impossível, não imagino que sejam tão estúpidos assim. Ninguém é controlado por uma força invisível. Me dê um nome de alguém que comanda, algum você deve saber.” “O nome dele é Santiago.”, Bill colocou as mãos na mesa velozmente. “O que você quer em troca de Sookita? Já respondi tudo o que sei.” “Santiago... Santiago... esse ser tem sobrenome?” “Só Santiago, não existe outro na Autoridade.” “Eric Henrique Colunga trabalha para a Autoridade, não é?”, o senador perguntou coçando o queixo. “Sim, ele é um Agente da Autoridade.” “Ele realmente tem mais de mil anos de existência?” “Sim, ele é um vampiro muito antigo.”, Bill respondeu sem paciência. “Por que todas essas perguntas sobre Eric?” “Eu o quero em troca de sua amada esposa.”, ele disse calmamente cruzando os braços.

“Está é sua condição?”, Bill perguntou com curiosidade. “Posso saber o que irá fazer se eu não conseguir entregá-lo?” “Não... não... não, caro Vampiro.”, ele fez um sinal com os dedos. “Não é você que irá entregá-lo. Eric Colunga quem irá se entregar sozinho em troca pela moça.” “Então, Eric tem escolha. Ele pode escolher não se entregar, já pensou nisso?” “Ele se preocupa com a moça tanto quanto você.”, Morales encarou Bill intensamente. “Como tem tanta certeza disso?” “Vi a sua esposa passar a noite de ontem na casa dele. Acho que isso diz muito.”, ele soltou uma risada. “Estava nos vigiando esse tempo todo?”, ignorou o que ele disse, não queria pensar na traição de Sookita, no momento ela ser salva era mais importante que a raiva que estava sentindo. “Sim. Gostaria de avisar desde que despediu o lobo, sua segurança pessoal piorou.” “Sabia que não era uma boa ideia despedi-lo.”, ele disse pra si mesmo. “Vou falar com Eric hoje mesmo sobre suas condições, mas temo que não seja fácil convencê-lo.” “A situação é muito simples.”, o senador levantou e se aproximou de Bill. “Se Eric não se entregar em dois dias, ela morre. Se vocês pedirem ajuda a essa Autoridade, ela morre. Se ele for acompanhado, ela morre. Se a polícia descobrir, ela morre.” “Quero saber se ela está bem, por favor, me deixe falar com ela.” “Não. Só eu imponho condições. Ligarei para você daqui uma hora, espero que esteja com ele. Digamos que seria uma pequena ajuda para motivá-lo.”, o senador abriu a porta do escritório. “Estou indo agora.”, Bill disse se levantando. “Aguardo sua ligação.” ------------------------------------Bill parou em frente a boate de Eric que estava especialmente movimentada,

afinal, era sábado de madrugada, não seria diferente. A festa de casamento não foi interrompida, ele inventou uma desculpa dizendo que precisaria se retirar com Sookita, ela estava muito cansada. Para sua sorte a maioria dos convidados não deu à mínima, continuaram se divertindo na pista de dança. O leão de chácara que ficava parado na porta de entrada não fez menção de impedi-lo de entrar quando viu quem ele era. Ele sentiu o cheiro forte do sangue sintético misturado ao sangue verdadeiro de humanos assim que pisou na boate. Fora o cheiro de hormônios por toda a parte. Foi poucas vezes ao estabelecimento de Eric, não tinha motivo para se misturar com as pessoas comuns. Pertencia a outro círculo, inferninhos como esse não faziam a sua cabeça. “O que faz aqui, prefeito? Cansou de sua festa de casamento?”, Pam perguntou parando em frente a ele. “Não tenho tempo para discutir agora, Pam. Preciso falar com Eric.”, desviou da vampira e foi em direção ao escritório. “Eric não está.”, ela respondeu segurando o braço dele. “O segurança me disse que ele estava.” “Bill, ele não irá te atender, não perca seu precioso tempo. Vá tirar a virgindade de sua esposa.” “Ele não tem escolha, vou entrar naquele escritório de qualquer jeito.”, soltou o braço dela com um safanão. “É melhor você não me impedir.” “E irá fazer o que? Me atacar na frente de todo mundo?”, ela sorriu para ele. “Mato você se for preciso.”, Bill respondeu com os olhos faiscando de raiva. “Agora fiquei com medo.”, ela soltou uma sonora gargalhada. “Já sabe o caminho, querido.” Bill se dirigiu a porta onde ficava o escritório de Eric, nem fez questão de bater, entrou de supetão assim como o outro gostava de fazer quando ia visitá-lo. Eric levantou a cabeça ao ver Bill entrar, fechou rapidamente os vários livros que estavam em cima da mesa. “Preciso falar com você.”, Bill se virou para porta e girou a chave. “Ninguém poderá interromper.”

“Fique a vontade, meu escritório é o seu escritório.”, Eric respondeu cinicamente. “O Senador Morales está com Sookita.”, Bill continuou em pé. “O que tenho a ver com isso?”, Eric deu de ombros escondendo a surpresa em seu rosto. “Não entendeu o que eu disse? Sookita foi sequestrada!”, Bill se aproximou da mesa de Eric indignado. “Deveria procurar a polícia, veio no lugar errado.” “Os únicos que sabem disso são eu e você, não posso contar a mais ninguém. Ela está correndo risco de morte.”, tentava manter a calma, mas o cinismo de Eric o irritava profundamente. “Ele quer você.” “Como ele nos descobriu?”, Eric perguntou confuso. “Ele tem espiões por toda parte, sua boate não é segura.”, ele fez um gesto com as mãos indicando o local. “Assim como a minha mansão.” Eric desferiu um soco na mesa, passou as mãos nervosamente nos cabelos. Ficou quieto por alguns minutos imaginando quem poderia ser o espião em sua boate, o seu ódio só aumentava. “O que ele quer comigo?” “Ele quer você, em troca da vida dela.”, Bill respondeu com a voz baixa esperando a reação do outro. “Avisou a Autoridade?”, ele encarou Bill longamente. “Ninguém pode saber, ela morre.” “Não tentou hipnotizá-lo?”, Eric não gostava de fazer tantas perguntas para Bill, mas estava tão confuso e curioso, não conseguiu evitar. “Sim, mas ele é imune a hipnose, foi muito bem treinado.” “Pelo que entendi, terei que me sacrificar pela pobre Sookita.”, ele encostou-se na cadeira pensativo. “Não sei o que ele quer com você, e mesmo se perguntasse ele não me diria.

Mas, usando a lógica, Sookita não tem a menor chance contra ele, você sim.” “Se você não sabe lidar com covardes, eu sei muito bem. Se quiser, o senador virá até mim. Não irei até ele. A culpa disso tudo é da própria Sookita. Bastava eu tê-lo matado na missão e nada disso estaria acontecendo.” “Se você não aparecer em dois dias, ela morre.”, Bill tentava a todo custo convencê-lo, teria que apelar para meios extremos se fosse preciso. “Por acaso teve alguma prova de que ele está realmente com ela?” “Claro que sim, não sou idiota.”, respondeu com irritação. “O senador fez uma ligação quando estava comigo, consegui escutar a voz dela.”, ele tremeu ligeiramente. “Ela foi torturada...” “Ele irá matar nós dois.”, Eric disse com um olhar distante. “Não posso me expor ao inimigo dessa maneira.” “O que você sugere?” “Não irei até ele, é a minha palavra final.” “Vai deixar ela ser morta? Essa é sua palavra final?”, Bill gritou se aproximando perigosamente de Eric. “Ela quem procurou isso. Minha consciência está tranquila.”, ele não se incomodou com os gritos do outro. “Eu tenho algo que possa te interessar.” “Você não tem nada que possa ser do meu interesse.”, Eric dobrou os braços atrás da cabeça. “Sei onde está Jason. Se me ajudar em relação a Sookita, digo onde poderá encontrá-lo.” Eric levantou de uma vez, se aproximou rapidamente de Bill e o segurou pelo colarinho da camisa por baixo do terno que usava. “Eu sabia que estava envolvido com o sumiço dele. Além de covarde, é um traidor, Bill.” “Vou fazer sempre o que for preciso para proteger a minha esposa e a família dela”, retirou as mãos de Eric com um movimento rápido. “Mas, nesse

momento a vida dela é o que importa. E se para isso precisarei fazer essa troca, eu farei.” “Só que isso não é problema meu, só o traficante me interessa.”, Eric respondeu se afastando. “Apenas farei a troca se resgatar minha esposa.” “Se eu morrer, o paradeiro do rapaz não servirá de nada.”, ele cruzou os braços. “Você não vai morrer, infelizmente ainda não terei essa sorte.”, Bill disse com um sorriso cínico. “Acredite, minha intuição nunca falha.” “Não deveria provocar com a vida de Sookita em jogo. Eu sou muito difícil de convencer.”, Eric caminhou em direção a porta. “Se você ficar de joelhos e implorar... quem sabe.” “Eric, não tenho tempo para brincadeiras. Nós temos um trato? Se fizer isso, Jason será todo seu.” Antes de Eric responder, o celular de Bill começou a tocar de maneira insistente. Ele sabia o que isso significava, sua mão tremia quando atendeu. “Senador?”

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