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APOSTILA DE ELETRÔNICA AUTOMOTIVA

18.

Baterias

A bateria tem uma importância fundamental nos automóveis, principalmente nos dias atuais onde cada vez mais utilizam-se de recursos elétricos para acionamento de ventiladores, lâmpadas, motores elétricos, sistema de injeção e ignição eletrônica, etc. A bateria também é conhecida como acumulador, pois, fornece energia elétrica para o veículo mesmo que o motor não esteja em funcionamento. Atualmente, a bateria automotiva sofreu grandes modificações na sua estrutura interna. A bateria é composta por dois bornes (pólos), sendo um positivo e outro negativo. O pólo positivo é ligado ao sistema elétrico enquanto que o negativo é ligado ao chassis do automóvel, formando o "terra". Na figura ao lado temos uma bateria utilizado nos veículos atuais, muito mais moderna do que as utilizadas a dez anos atrás. Uma das inovações das baterias foi a bateria selada, não possuindo as famosas tampas para se completar o seu nível. Jamais poderemos inverter os pólos de uma bateria durante a sua instalação. Deve-se prestar atenção nas inscrições ( + e - ), positivo e negativo. Ou observar o diâmetro dos seus bornes, que, para o pólo positivo é o de maior diâmetro. Veja a comparação:

Quando for adquirir uma bateria para o seu veículo, preste bastante atenção para o posicionamento dos pólos. Basicamente as baterias são classificadas em três tamanhos diferentes, para facilitar, usaremos as expressões: pequena, média e grande. Para cada uma dessas baterias, existem dois tipos, a "D" e a "E", que corresponde ao lado em que se encontra o pólo positivo. Para determinar os lados, a bateria deve ser vista pela sua frente. A frente é o lado onde estão localizados os pólos da bateria.
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Vejamos um exemplo: A bateria utilizada num Ford Versailles, VW Santana e alguns outros veículos é a do tipo E2. Observe na figura acima que o tipo E2 é uma bateria média, com o pólo positivo voltado para o lado esquerdo. Uma bateria é classificada pela sua tensão nominal e sua capacidade de carga. Atualmente, todas as baterias para automóveis possuem uma tensão nominal de 12 volts. O que varia é a sua capacidade de carga. Quanto maior for a capacidade de carga, maior será a bateria. Por exemplo, uma bateria "pequena" possui uma capacidade inferior a 40A/h enquanto que a média fica entre 54 a 60A/h. Como podemos observar, nos automóveis de passeio somente são utilizados as baterias do tipo 1 e 2, ou seja, D1, E1, D2 e E2, ficando a do tipo 3 para os veículos mais pesados (ônibus, caminhões, etc). A capacidade de uma bateria é determinada pelo consumo do automóvel, ou seja, pelo número de equipamentos elétricos utilizados e pelo "peso" do motor durante o seu acionamento. No primeiro caso, um veículo equipado com travas e vidros elétricos, ar-condicionado e outros acessórios devem utilizar uma bateria de maior capacidade, enquanto que os mais "pelados" utilizam baterias de menor capacidade. No segundo caso, "peso" durante o acionamento do motor, refere-se diretamente ao tipo de combustível utilizado, uma vez que os motores a álcool são mais pesados para acionar que os motores a gasolina, devido a maior taxa de compressão. Os motores diesel são mais pesados que os a gasolina e os à álcool. A tensão normal de uma bateria totalmente carregada varia entre 12,7 a 13,5V. Uma tensão muito abaixo ou acima desses valores é sinal que algo incorreto está ocorrendo. Já a capacidade de carga não tem como ser medida, para especificar se é de 36 ou 54A/h. O que podemos verificar é que cada par de placas possui aproximadamente 14A/h de capacidade. Como é constituído uma bateria

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A bateria automotiva é constituída de um conjunto de placas (positivas e negativas) mergulhadas numa solução aquosa (eletrólito). O eletrólito é uma solução de água bi-destilada e ácido sulfúrico, o que torna o seu manuseio um pouco perigoso. Os gases produzidos durante a carga de uma bateria podem causar explosões.

Na figura acima temos a montagem das placas de uma bateria de 12 volts. As placas positivas são identificadas pela cor vermelha e as negativas pela cor azul. A parte em verde corresponde ao material isolante das placas. 19. Constituição de uma bateria

Montagem e o funcionamento de uma bateria muito comum e a mais utilizada até o momento é a do tipo chumbo-ácido. Muitas pessoas acham que a bateria é um gerador de corrente elétrica, outros, acham que se trata de um acumulador de cargas elétricas. Se pararmos para analisar a fundo, nenhuma das duas explicações anteriores estão corretas. Na realidade, a bateria é um transformador de energia química em energia elétrica e vice-versa, ou seja, trata-se de um dispositivo eletroquímico. A bateria de chumbo-ácido é composta de uma caixa (recipiente) que é um isolante elétrico, resistente aos produtos que vão ser armazenadas no seu interior, placas positivas e negativas e uma solução, denominado eletrólito. As placas são de chumbo e o eletrólito é ácido, daí o nome bateria de chumbo-ácido. As placas positivas são revestidas com dióxido de chumbo, que as deixa mais escuras que as negativas. As placas negativas são revestidas de chumbo poroso. O eletrólito é composto por água bi-destilada (H2O) e ácido sulfúrico (H2SO4) numa proporção aproximada de 7 : 4 (sete para quatro), ou seja, para cada sete partes de água teremos quatro de ácido. Como podemos observar, cerca de 36% do eletrólito é ácido, o que nos leva a tomar muito cuidado no manuseio de uma bateria. Iremos analisar agora como ocorre a liberação de energia nesse tipo de bateria. Observe a figura abaixo:
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Quando a bateria entra em processo de descarga, o ácido contido na solução reage quimicamente com as placas, liberando elétrons na placa negativa que tende a ocupar um lugar na placa positiva. Quando isso ocorre, o ácido ataca as placas produzindo nelas o sulfato de chumbo. Com isso, o eletrólito vai enfraquecendo, pois ocorre uma diminuição do ácido na solução. O ácido, adicionado à solução aumenta a densidade da água, que sem mistura alguma é de 1,00ud. Isso significa que um litro de água tem exatamente um peso de 1kgf. Com a adição do ácido, a água fica mais "pesada", em função da densidade ser maior. A densidade numa bateria totalmente carregada é de aproximadamente 1,25ud para um clima tropical, como é o caso do Brasil. A medida em que a bateria vai se descarregando, a densidade do eletrólito vai diminuindo, até aproximadamente 1,10ud para uma bateria quase que totalmente descarregada. Observe que mesmo nesta condição, a densidade do eletrólito ainda é maior do que a água pura, indicando que ainda existe uma pequena quantidade de ácido na solução. Talvez, analisando esse processo a aluno estaria se perguntando: "Se uma bateria descarregada possui uma densidade baixa em função da perda do ácido, para carregá-la novamente seria necessário adicionar mais ácido?". A resposta é: não. Como vimos, no processo de descarga o ácido "sai" da solução e vai para as placas. Para torná-na carregada novamente, basta que se faça o processo inverso, ou seja, devemos fazer com que o ácido que está contido nas placas "sai" e retorne novamente para a solução. Para que possamos reverter esse processo, basta que se inverta o sentido da corrente na bateria. Durante o processo de descarga, a corrente sai do pólo negativo e vai para o positivo (sentido real da corrente). Basta agora forçar a circulação no sentido oposto, ou seja, a corrente deverá sair do pólo positivo e ir para o negativo. Para forçar essa circulação oposto, utilizamos uma aparelho denominado "carregador de bateria". Esse aparelho pode ser bastante simples para uso doméstico, mas muito mais robusto para uso profissional. Vamos estudar agora como a sua construção influencia na sua tensão e capacidade de carga. Lembre-se, a tensão é dada em volts e a capacidade de carga em A/h (ampères por hora).

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Uma bateria de 12 volts (nominal) possui seis elementos (conhecidos por vasos) que estão ligados numa associação série. Seria como se tivéssemos seis mini-baterias ligadas nessa associação. Cada elemento possui uma tensão nominal de 2,1 volts aproximadamente. Como na ligação série as tensões são somadas temos: 2,1 x 6 = 12,6V. Nas baterias mais antigas era fácil localizar os elementos, pois, para cada um deles, há uma tampa. Se alguém se lembrar disso, verá que a mesma possui seis tampas.

Na figura acima, temos um exemplo de ligação dos elementos numa bateria. Veja que em cada um dos elementos existe um par de placas (placa positiva e negativa) e que esses seis vasos se interligam por meio de uma placa. O que se pode notar claramente é que a placa negativa de um vaso está ligado na placa positiva do outro vaso, dando-se uma ligação série. Numa bateria, a ligação está em série quando é ligado uma placa positiva com uma negativa, observe que restam duas placa livres (extremidades) que serão os pólos da bateria. Para cada par de placas tem-se uma capacidade de aproximadamente 14A/h, ficando portanto, esta bateria com uma tensão de 12,6V (2,1 x 6 ) e uma capacidade de carga de 14A/h. Observação - Numa ligação série, somam-se as tensões e dar-se-á a carga de maior valor. Como todos os pares possuem a mesma capacidade, o de maior valor é a mesma para todos os elementos. Não se somam as capacidades dos vasos e sim as mantêm. Se em cada um dos vasos houvesse 2 pares de placas, teríamos uma capacidade de 28A/h. Com três pares 42A/h e com quatro pares 56A/h. Quanto maior for o número de placas, maior terá que ser a caixa da bateria, por isso, temos baterias de tamanhos diferentes. Processo de carga e recarga de uma bateria Quando a bateria está fornecendo corrente elétrica para um consumidor, significa que a mesma está sendo descarregada. Com isso, o ácido presente na solução reage quimicamente com as placas o que irá formar de forma gradativa uma camada de sulfato de chumbo sobre as mesmas. É durante o processo de descarga que o conteúdo ácido da solução vai se reduzindo. Com isso, a densidade da solução também irá se reduzir.

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No processo de carga, o efeito ocorre de forma contrária, ou seja, revertendo-se o sentido da corrente elétrica na bateria, o sulfato de chumbo se desfaz, o que provoca o retorno do ácido à solução. Neste processo, a densidade do eletrólito vai aumentando gradativamente até que a bateria esteja totalmente carregada. Na tabela a seguir, compare os valores da densidade do eletrólito, o estado de carga da bateria (em porcentagem) e a sua tensão. VOLTS 12,7V 12,4V 12,2V 12,0V 11,9V DENSIDADE 1,26ud 1,23ud 1,19ud 1,15ud 1,12ud ESTADO DE CARGA 100% 75% 50% 25% 0%

Pergunta-se: Como uma bateria pode estar totalmente descarregada se a mesma possui 11,9V conforme a tabela acima? Bom, digamos que: - para uma bateria estar com carga, a mesma deve ser suficiente para acionar todos os componentes do automóvel. Talvez com uma tensão de 11,9V ela acenda uma lâmpada, ligue um rádio, mas não mantém os faróis ligados com a mesma intensidade, ou seja, capaz de acionar o motor de partida. Portanto, uma bateria só é considerada com carga, quando a mesma tem a capacidade de acionar todos os dispositivos elétricos do automóvel. Para medir a densidade de uma bateria é utilizado um instrumento chamado densímetro. A sua tensão pode ser medido com um multímetro (escala em voltstensão contínua). Na figura ao lado temos um densímetro, um equipamento de baixo custo e fácil de ser encontrado em qualquer casa de ferramentas. Esse instrumento possui na sua parte interna um bulbo flutuante com uma escala de densidade impresso. Essa escala normalmente se divide em três cores, verde, amarelo e vermelho (carregado, meia-carga e descarregado). Para medir a densidade do eletrólito de um vaso, retire sua tampa e introduza a ponta do densímetro na bateria. Aperte a parte superior e solte para que possa ser sugado o líquido. Verique que quanto maior for a densidade, mais o bulbo interno irá subir. Leia a escala e compare com a tabela. É importante que durante a medição, a proveta esteja bem preenchida para que não ocorram erros na leitura. Tome muito cuidado com a solução, pois, é altamente corrosivo.
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A leitura deve ser feito em todos os vasos. Caso algum esteja abaixo do nível (pelo menos 1cm acima das placas), complete-a somente com água destilada. Jamais utilize água de chuva, de bica ou qualquer outra procedência. Os sais minerais danificam as placas de forma irreversível. Com relação a água destilada, quando uma bateria está sofrendo um processo químico (carga ou descarga) ocorre a eletrólise, onde o oxigênio e o hidrogênio se separam, formando vapores de água que são expelidos pelo respiro da bateria. Numa bateria convencional, o respiro é um pequeno orifício localizado na tampa dos vasos. Isso significa que a bateria pode perder água, não o ácido, portanto, não utilize solução de bateria, somente água. Analisando uma bateria Ao lado temos um multímetro, equipamento utilizado para se medir a tensão numa bateria. Se você for adquirir um multímetro, dê preferência para um automotivo que possui muito mais recursos que um convencional.

Ao se medir a tensão e a densidade da bateria, caso estejam abaixo do especificado, devemos colocá-la para recarregar. Para isso, iremos utilizar um carregador de baterias. No mercado existem diversos tipos de carregadores para bateria, desde uso doméstico até para uso profissionais. Os aparelhos domésticos oferecem cargas de até 5A (valor fixo) enquanto que os profissionais podem chegar até 100A, com opção de regulagem. Ao lado temos a figura de um carregador de uso profissional. 21. Processo de carga e descarga de uma bateria II

Num automóvel, a corrente elétrica da bateria vai sendo consumida por diversos aparelhos, como o rádio, limpador de pára-brisas, faróis, etc. Com isso, a tendência da mesma é descarregar-se. Para compensar esse inconveniente, existe um dispositivo que se encarrega de repor a carga na bateria, no caso o gerador. Atualmente, o gerador empregado no automóvel é o alternador (antigamente utilizavase o dínamo). Durante o funcionamento do motor, o alternador produz carga para a bateria. Essa carga é fornecida no sentido inverso da descarga da bateria. Adotando-se o sentido
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convencional da corrente elétrica, digamos que durante a descarga, a corrente sai do pólo positivo da bateria, passa pela carga e retorna para o pólo negativo. Veja a figura abaixo.

O exemplo acima mostra uma lâmpada consumindo carga de uma bateria. Como o motor está desligado, o alternador não produz carga. Seguindo as setas verdes, observe que a corrente elétrica sai do positivo, passa pela lâmpada e retorna para o negativo da bateria. Com o passar do tempo, o nível de carga da bateria cai muito, necessitando de uma reposição. Ao funcionar o motor, o alternador iniciará seu trabalho, fornecendo carga para a lâmpada e ao mesmo tempo repondo a bateria.

Como o alternador possui uma capacidade muito maior de fornecer carga do que a lâmpada pode consumir, vai se atingir um estágio que a bateria entra em saturação, ou seja, sua carga está completa. Com isso, o alternador passa exclusivamente a gerar carga para a lâmpada.

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Muito bem. Agora já sabemos como é o processo de recarga de uma bateria. Iremos agora, analisar como isso pode ser feito com aparelhos. Um carregador de bateria atua como um gerador do automóvel, ou seja, produz uma carga que irá atuar no sentido inverso da descarga da bateria. Para retirar a bateria de um veículo: - Solte o primeiro o cabo negativo da bateria, depois o positivo; - Solte a fixação da bateria que se localiza no suporte da mesma; - Remova a bateria e não a incline mais do que 45o; - Caso a bateria esteja úmida, não encoste-a na roupa. Veja agora os riscos: Ácido sulfúrico: É um líquido venenoso e corrosivo, que pode causar queimaduras ou irritações na pele e nos olhos, podendo ainda, estragar as roupas; Gases: Durante o processo de recarga, são produzidos gases explosivos, devido a eliminação do hidrogênio, portanto, faça isso sempre em local bem ventilado. Não fume e nem produza faíscas na sua proximidade. Tenha certeza que o aparelho esteja desligado ao conectar os cabos. Energia elétrica: A tensão elétrica de uma bateria é muito baixa (12V) para que o usuário tome um choque. Porém, tome cuidado para não fechar curtos em seus pólos (juntar o positivo com o negativo). Isso provocaria uma descarga muito intensa onde podem provocar sérias queimaduras. Em caso de acidentes:  Em caso de contato com a solução de bateria, lave imediatamente o local afetado com água corrente e tire a roupa contaminada pelo ácido;  Em contato com os olhos, lave-os imediatamente com água corrente durante pelo menos 10 minutos;  Em caso de ingestão, beba bastante água ou leite;  Em caso de explosão, procure um médico urgente. Lembre-se que o ácido sulfúrico pode ser esparramado, contaminando partes do corpo. 22. Procedimentos de recarga

Quando se for aplicar uma carga na bateria proceda da seguinte forma: - Recarregar a bateria em temperatura ambiente; - Mantenha limpo os pólos da bateria e os cabos do carregador. Se necessário, limpeos com água e bicarbonato de sódio; - Acompanhe atentamente o processo de carga;

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- Após recarregar, teste a bateria. Observação- O tempo de carga de uma bateria depende da sua capacidade máxima, seu estado de carga e a quantidade de carga aplicada pelo carregador. Recomenda-se utilizar sempre carga lente na bateria (quando possível). Isso prolonga sua vida útil. A carga lenta corresponde a 10% da capacidade total da bateria, sendo assim, uma bateria de 56 A/h de capacidade utiliza uma carga lenta de 5,6 A/h. Carregadores profissionais permitem ajustes. Conecte o carregador na bateria como mostra a figura abaixo:

Tenha sempre o cuidado de não inverter os cabos. Eles já vem identificados qual é o positivo e o negativo. Agora observe que no aparelho existe um amperímetro. Há também um sistema de ajuste a qual você irá definir quanto de carga a bateria deve receber. Em carga lenta, como foi comentado, para uma bateria de 56 A/h é necessário uma carga de 5,6 A/h. Ajuste o carregador para esse valor. Note que, com o passar do tempo, o valor em ampères mostrado no aparelho vai diminuindo gradativamente. Isso significa: - a bateria está sendo recarregada e necessitando cada vez menos de carga do carregador; - quando o amperímetro chegar próximo de zero, é sinal que a bateria está totalmente carregada, ou seja, a mesma não aceita mais carga do amperímetro. Pronto, agora a bateria já recebeu a carga que tinha que ser reposta. 23. Utilizando um carregador de baterias

E se eu utilizar um aparelho portátil, que não possui um amperímetro. Como vou saber se a carga está completa?
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Alguns aparelhos portáteis possuem uma lâmpada indicadora de carga (led). Quando a mesma acender significa que a carga está completa. Agora se o seu aparelho for muito simples e não possuir nem um led, faça o seguinte procedimento: Verifique a densidade do eletrólito e confira na tabela abaixo a capacidade de carga da sua bateria ou utilize um multímetro com escala em volts.

VOLTS 12,7V 12,4V 12,2V 12,0V 11,9V

DENSIDADE 1,26ud 1,23ud 1,19ud 1,15ud 1,12ud

ESTADO DE CARGA 100% 75% 50% 25% 0%

Suponhamos que estamos utilizando uma bateria de 56 A/h e a sua carga corresponda a 50%, ou seja, a densidade do eletrólito está próximo de 1,19ud ou a tensão da bateria próximo de 12,2 volts. Muito bem, de posse dessas informações faremos um cálculo de acordo com a fórmula a seguir: Tempo = {[(100 - EC) x CB] : (100 x CC)} x 1,5 onde: 100 é uma constante; EC é o estado de carga da bateria em %; CB é a capacidade total da bateria em A/h; CC é a corrente de carga aplicado no carregador; Com isso teremos: Tempo = {[(100 - 50) x 56] : (100 x 5,6)} x 1,5 Tempo = {[50 x 56] :560} x 1,5 Tempo = {2800 : 560} x 1,5 Tempo = 5 x 1,5 Tempo = 7,5 horas Convertendo o valor de horas decimal para sexagesimal teremos 7 horas e 30 minutos. 24. Procedimentos de recarga II

Agora que conhecemos um pouco mais sobre processo de carga de um carregador e como calcular o tempo, podemos dizer que alguns carregadores, se é que podemos chamá-los assim, são totalmente ineficientes quanto ao seu trabalho. Existem alguns "carregadores", esses comprados em qualquer supermercado que só irá fazer a pessoa gastar dinheiro, pois, normalmente, esses carregadores geram em torno de 0,5 a 1A/h. Faça um cálculo e verifique quanto tempo seria necessário deixar uma bateria de 60A/h com 50% de capacidade.
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Como dissemos, um carregador ideal é aquele que possa lhe fornecer pelo menos 10% da capacidade de carga total da bateria, no caso de uma de 60A/h, pelo menos 6A. Bom, voltemos a falar sobre equipamentos ideais. Saiba que podemos ligar mais de uma bateria num único carregador, desde que o mesmo suporte essa ligação. Há três modos de ligação que podemos utilizar, a carga em paralelo, em série ou misto. Na carga em paralelo, devemos ligar os pólos positivos juntos. Fazer o mesmo procedimento com os cabos negativos. Veja a figura abaixo:

Neste método, a corrente que sai do carregador é dividida entre as baterias, não importa a capacidade das mesmas. Sendo assim, se ligarmos três baterias em paralelo e o carregador fornecendo uma carga de 15A, cada paderia irá receber 5A. Já na ligação em série, ligamos um dos cabos do carregador no positivo de uma das baterias e o outro no negativo de uma outra bateria. Os pólos que sobrarem são ligados o positivo com o negativo.

Neste tipo de ligação, a corrente que sai do carregador é a mesma para todas as baterias. Sendo assim, se o carregador estiver gerando uma carga de 5A, cada uma das baterias receberá 5A. A ligação mista é uma combinação da ligação paralelo e série, que é muito pouco utilizado. Não há nenhuma vantagem de um tipo de associação para outra. Isso fica a critério do eletricista. A única vantagem da ligação em série é a utilização de menos cabos, porém, há riscos de choques elétricos devido a soma das tensões. Veja, se você ligar 10 baterias em série, a tensão no circuito irá ultrapassar a casa dos 120 volts. Na ligação paralelo a tensão se mantém próximo de 12 volts. Após uma carga completa na bateria, devemos fazer uma análise da sua condição de funcionamento. Medindo-se a tensão da bateria ele deve estar superior a 12,6 volts e a densidade do eletrólito dentro da tabela de especificação. Após verificado esses dois itens,
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deveremos fazer um teste de descarga da bateria, para verificar a sua queda de tensão. Para realizar esse teste, deve ser utilizado um aparelho especial que é o analisador de baterias. Esse analisador nos permite simular uma carga regulável na bateria. Na figura ao lado temos um analisador de baterias. Provavelmente você já deve ter visto um em alguma oficina. Nesse aparelho você deverá encontrar um voltímetro, um amperímetro e um reostato para simulação de carga, além dos cabos de ligação. Teste de descarga de baterias deve ser feito sempre com esse aparelho. Jamais utilize o amperímetro do multímetro para esse fim, para não danificá-lo. O amperímetro deste aparelho pode chegar a medir até 600A. Existem no mercado analisadores de menor ou maior porte que o apresentado na figura. Veremos agora como proceder no teste. Embora haja diferentes tipos de aparelhos, o modo de utilização é similar. Iremos descrever como efetuar os testes no aparelho, sendo o ideal ler o manual de instruções que vem junto com o analisador. Ligue os cabos principais do aparelho nos pólos da bateria (vermelho no positivo e preto no negativo). Ligue a garra amperitimética (forma de uma pinça) no cabo negativo do aparelho com a seta (impressa na pinça) voltado para o aparelho. Se ligarmos a pinça no cabo positivo, a seta deve indicar para a bateria. No analisador há um botão giratório (reostato). Ao girara essa botão, o aparelho começará a consumir carga da bateria. Quanto mais você girar, maior será o consumo. Fique sempre atento as indicações do voltímetro e do amperímetro. Para fazer o teste de descarga, ajuste o reostato até que o amperímetro indique uma carga de 31/5 (três vezes e meio) a capacidade total da bateria. Quando isso ocorrer, fique atento ao voltímetro. Durante 15 segundos a tensão não poderá cair abaixo de 9,6V. Se isso ocorrer, troque a bateria. Observação- Somente condene a bateria se a mesma já tiver passado pelo processo de recarga. Se você fez o teste e a tensão cair abaixo do especificado, pode ser que a mesma esteja descarregada. Exemplo: Para um bateria de 60A/h utilize: 60 x 3,5 = 210A/h.
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Análise e teste de bateria

Uma outra forma de se verificar as condições de uma bateria (logicamente com menor precisão) é utilizar o próprio sistema de partida do automóvel. Proceda da seguinte forma: Desligue a bobina de ignição para impossibilitar que o motor entre em funcionamento. Instale um voltímetro na bateria e dê partida durante 10 segundos. Durante esse tempo, o valor da tensão não pode cair abaixo dos 9,6 volts. Como já estamos cientes, caso o valor da tensão seja inferior ao mencionado, significa que a bateria está sem carga. Dê uma carga e teste-a novamente. Se o defeito persistir, substitua a bateria. Partida com bateria auxiliar Muitas vezes, iremos nos deparar com a seguinte situação: O cliente ligou desesperado para você dizendo que o seu carro não quer pegar. Independente do problema, 90% dos casos ele já esgotou a bateria. Portanto, leve sempre uma bateria auxiliar para dar partida. A utilização de uma bateria auxiliar para partida chama-se "transferência de carga" ou "chupeta" como é muito conhecido. Trata-se de uma ligação em paralelo das duas baterias. Veja a ilustração a seguir:

Observe que neste tipo de ligação, o positivo da bateria auxiliar é ligado ao positivo da bateria do automóvel. O mesmo ocorre com o negativo, que também está ligado ao negativo da outra bateria ou no bloco do motor, chassis ou qualquer outro ponto de aterramento do automóvel. Numa ligação em paralelo de baterias, a tensão se mantém e ocorre a soma das cargas. Portanto, se ligarmos duas baterias de 12V e 60A/h, teremos uma tensão total de 12V e carga total de 120A/h (caso as duas baterias estejam totalmente carregadas). Vejamos um exemplo: Se a bateria do automóvel for de 12V e 60A/h e estiver com apenas 25% da sua capacidade, ao ligarmos uma outra bateria de 12V e 42A/h
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totalmente carregada, qual será a capacidade total? Muito simples, como a tensão se mantém o seu valor será 12V. A carga será somada, ou seja, 42A/h + 15A/h = 57A/h. (Lembre-se que o valor 15A/h corresponde a 25% de 60A/h).

Há algum problema em se fazer um paralelo entre baterias? Resp.: Bom, vamos fazer uma análise da situação: Muitos dizem que fazer qualquer tipo de ligação com baterias pode prejudicar a unidade de comando do sistema de injeção. Isso não é verdade, uma vez que o paralelo não altera a tensão do circuito elétrico. A ligação série sim, pois ocorre a soma das tensões. Há algum risco na ligação em paralelo? Resp.: Existe sim. Por exemplo, suponhamos que o automóvel possui uma bateria de 36A/h e esteja com 50% de carga e utiliza um gerador para 45A/h. Se pegarmos uma bateria de caminhão com 50% de carga também, teremos uma capacidade total de 120 + 36 = 156A/h. Como as duas estão com a metade da sua capacidade, este valor cai para 78A/h, suficiente para dar partida no automóvel. Muito bem, quem determina quanto de carga tem que ser reposta pelo gerador é a própria bateria. Sendo assim, o circuito irá exigir uma carga de 78A/h (o que está faltando). Observe que o gerador do automóvel tem uma capacidade máxima de geração de 45A/h o que irá sobrecarregálo, provocando a sua destruição. Posso fazer o carro pegar no tranco? Resp.: Não recomendamos fazer esse procedimento. Poderá provocar um salto nos dentes da correia dentada do motor impossibilitando o seu funcionamento ou até mesmo danificando as válvulas do cabeçote. Além do mais, se o motor estiver afogado e o automóvel possui catalisador, poderá danificá-lo com esse procedimento. Quais o cuidados que devo ter para utilizar uma bateria auxiliar? Resp- Certifique-se que a bateria auxiliar esteja completamente carregada, para evitar um pico de corrente muito elevado; Prenda os cabos firmemente na bateria do automóvel; Cuidado para não provocar curto-circuito na ligação; Assim que o motor entrar em funcionamento, aguarde de 4 a 10 minutos para desligar a bateria auxiliar. Verificação da corrente de fuga Corrente de fuga é o consumo de carga de uma bateria mesmo que todos os componentes elétricos do veículo estejam desligados. Admite-se esse valor entre 30 a 50 mA. Essa corrente é consumida pelo próprio circuito elétrico do veículo. Valores acima de 50 mA é sinal de alguma anomalia no veículo. Para verificar a corrente de fuga num automóvel, devemos desligar todos os acessórios que consomem corrente mesmo com o veículo parado, como alarmes, aparelhos de som com memória, unidade de comando do sistema de injeção (devido ao imobilizador eletrônico), computador de bordo, etc. Caso seja impossível desligar
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algum componente, lembre-se de acrescentar alguns miliampères a mais na tolerância. Após desligar os acessórios, desligue o cabo negativo da bateria e instale o amperímetro em série com o circuito para se fazer a leitura.

Veja na figura abaixo como fazer a ligação:

O multímetro deverá estar em escala de Ampères com o cabo preto ligado na saída COM e o vermelho em A. A ligação se faz conforme mostra a figura acima.

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