A situação da Finança Ética na Europa

A Situação da Finança Ética na Europa

Relatório elaborado pela área de RSE e Investimentos Éticos de «Economistas Sin Fronteras» e oikos - cooperação e desenvolvimento

Este trabalho representa apenas o ponto de vista dos seus autores e não pode, em qualquer circunstância, ser considerado a posição o cial ou um compromisso formal por parte da Comissão Européia.

ÍNDICE:

1. A FINANÇA ÉTICA NA EUROPA. SIGNIFICADO, DEFINIÇÃO E PERCEPÇÕES 1.1 O Mosaico Europeu: ISR, Microfinanças e Banca Ética 2. O INVESTIMENTO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL (ISR) COMO MOTOR DA FINANÇA ÉTICA NA EUROPA 2.1 O Contexto Legal e Regular do ISR 2.2 Auto-Regulação no Ãmbito do ISR 2.2.1 As Directrizes sobre Transparência da Eurosif 2.2.2 Factores e acontecimentos que dinamizaram o ISR 2.3 A emergência do movimento ISR na Europa 2.4 A Situação Actual do ISR: na Europa 2.4.1 O Mercado ISR Institucional na Europa 2.4.2 Tendência no Mercado ISR 2.5 Conclusões 3. MICROCRÉDITO, INSTRUMENTOS DE CRÉDITO E DE ECONOMIA ÉTICA 3.1 Actividade Microfinanceira 3.2 Escala territorial e idade das IMF analisadas 3.3 Os clientes 3.4 Produtos e serviços 3.5 Solvência 3.6 Fontes de financiamento 4. BANCOS ÉTICOS 4.1 Evolução dos bancos éticos na Europa 4.2 Contexto legislativo e político europeu 4.3 Filosofia e cultura dos bancos éticos na Europa 4.4 Funcionamento e Actividades dos Bancos Éticos na Europa 4.5 Produtos de economia e investimento dos bancos éticos na E uropa 4.6 Produtos de crédito dos bancos éticos na Europa 4.7 Âmbitos de acção dos bancos éticos na Europa 4.8 Transparência dos bancos éticos na Europa 4.9 Elementos Quantitativos 4.10 Conclusões 5.FINANÇA ÉTICA EM PORTUGAL 5.1 Investimento Socialmente Responsável (ISR) em Portugal 5.2 Actores Portugueses nas Microfinanças 5.3 Conclusões 6. METODOLOGIA DO ESTUDO 7. BIBLIOGRAFIA 8. ANEXO 1: Principais Fundos ISR na Europa 9. ANEXO 2: Principais Bancos Éticos na Europa

LISTA DE TABELAS, GRÁFICOS E FIGURAS TABELA 1 : Um Amplo Entendimento da Responsabilidade Social TABELA 2: Directrizes de Transparência da Eurosif TABELA 3: Factores de dinamização do ISR na Europa TABELA 4: Repartição do Mercado Institucional ISR na Europa (mil milhões de Euros) TABELA 5: ISR como % do Total de Activos Geridos TABELA 6: Destinatários das Instituições Microfinanceiras TABELA 7: Taxas de Juro das Instituições Microfinanceiras TABELA 8: Principais Bancos Èticos na Europa TABELA 9: Fundos ISR em Portugal TABELA 10: Distribuição do Microcrédito por sexo/ANDC TABELA 11: Distribuição por Grupos Etários/ANDC TABELA 12: Distribuição por nível de escolaridade/ANDC TABELA 13: Distribuição por actividades/negócios/ANDC TABELA 14: Condições das linhas de microcrédito da CGD GRÁFICO 1: Evolução do Nº de Fundos ISR entre 1980 e 2004 GRÁFICO 2: Evolução dos Activos ISR domiciliados na Europa (milhões de Euros) GRÁFICO 3: Activos por país relativos aos fundos ISR (domiciliados, milhões de Euros) em 30 de Junho de 2004 GRÁFICO 4: Idade das Instituições Microfinanceiras (IMF) GRÁFICO 5: Instituições Microfinanceiras segundo o volume de crédito concedido (em euros) GRÁFICO 6: Instituições Microfinanceiras segundo as carteiras de risco GRÁFICO 7: Instituições Microfinanceiras segundo a taxa de inadimplência GRÁFICO 8: Número de Instituições Microfinanceiras segundo as suas fontes de entrada GRÁFICO 9: Número de bancos éticos por década FIGURA 1: Repartição do Mercado Institucional ISR por Quota de Mercado/País (34 mil milhões de Euros) FIGURA 2: Comparação do Mercado Institucional ISR em Países Europeus

1.A FINANÇA ÉTICA NA EUROPA. SIGNIFICADO, DEFINIÇÃO E PERCEPÇÕES
1.1. O mosaico europeu Como na maioria das análises realizadas sobre os aspectos económicos do panorama europeu, a finança ética oferece um mosaico de percepções, definições e “modus operandi”. De forma geral, a finança ética baseia-se na ideia de um investidor/consumidor que munido de um determinado nível de cultura financeira e motivado por uma sensibilização social questiona o destino do seu próprio dinheiro. A sua primeira reacção será, precisamente de se opôr ao financiamento de quaisquer actividades consideradas inaceitáveis do seu ponto de vista ético. No entanto, em termos europeus o que se destaca é a diferença na maneira de se olhar para o que poderá ser financeiramente ético: • No Norte da Europa (Escandinávia e Holanda) dá-se relevância aos valores ambientais e à ecologia. Em simultâneo, nestes países, a pessoa surge no centro da actividade económica e são valorizadas especialmente a educação, a medicina e as terapias alternativas. • Nos países anglo-saxónicos, principalmente o Reino Unido, promove-se o desenvolvimento comunitário, em particular de zonas marginalizadas e excluídas do País. Fomenta-se também a criação de emprego e apoiam-se as organizações que na sociedade britânica têm um papel muito activo e influente na definição das políticas públicas. • Nos países mediterrãnicos, os valores mais representativos são os da solidariedade, da acção social e da inserção dos grupos marginalizados. Além disso, é preciso sublinhar o papel e o poder da Igreja Católica e dos valores que ela representa, enquanto elemento homogéneo que une esta zona. • Finalmente, em países como a França, a Bélgica a a Áustria, conjugam os valores das zonas nórdica e mediterrãnica, com algumas características próprias, como a sensibilização para os direitos do trabalhador e a forte participação dos sindicatos no espaço público. Em termos de desenvolvimento da finança ética identificam-se diferenças consideráveis na Europa. Há países pioneiros que alcançaram um elevado nível de desenvolvimento neste campo, como o Reino Unido ou a Holanda. Por vezes encontramos países onde só agora começam a afirmar-se ideias como a responsabilidade social das empresas, especialmente na zona mediterrânica. Contudo, tem-se assistido nesta zona a progressos consideráveis, como o grande crescimento da Banca Ética em Itália e as possibilidades de regulamentação e promoção pública da Responsabilidade Social das Empresas (RSE) e do Investimento Socialmente Responsável (ISR) em Espanha. Na Europa, as diferentes visões e valores regionais estão a contribuir para a criação de perspectivas diferentes e alternativas do que se entende por finança ética. Neste sentido, cabe distinguir três grandes áreas de intervenção da finança ética: Investimento Socialmente Responsável (ISR), Microfinanças e Banca Ética.

4

2. O INVESTIMENTO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL COMO MOTOR DA FINANÇA ÉTICA NA EUROPA
O ISR tem o seu exemplo mais evidente na recente evolução dos mercados financeiros, onde se evidencia de forma progressiva, a incorporação de políticas de RSE na gestão empresarial e na composição e comportamento dos fundos presentes nos mercados de capitais.1 O ISR que incorpora considerações sociais e ambientais à análise financeira tradicional, está a ganhar uma crescente aceitação no mundo financeiro. Com as suas origens na comunidade Quaker do século XIX nos Estados Unidos, e nas comunidades religiosas ligadas à Igreja Metodista dos anos 1920 no Reino Unido, o ISR começou por ser um movimento de boicote ao investimento em empresas “não-éticas” (como a indústria de armamento, as tabaqueiras, jogo e álcool). A partir de 1960, várias comunidades religiosas começam a seguir este exemplo, um pouco por toda a Europa. A partir de 1990 o ISR começa uma nova fase de desenvolvimento, ligada às preocupações expressas, em torno do desenvolvimento sustentável, por ONG, grupos de activistas e alguns empresários de vanguarda. A emergência do ISR na América do Norte e na Europa começa assim a ser encarado como um sistema de investimento paralelo a outros movimentos como o do “consumo verde” e o do “comércio justo”, e, eventualmente com maior impacto do que estes. Com a orientação do ISR para os objectivos do desenvolvimento sustentável, o ISR deixou de ser um pequeno nicho de negócio, que só interessa a um número limitado de activistas sociais e ambientalistas. A título de exemplo, veja-se o lançamento por parte do Financial Times britânico de um índice de responsabilidade social, o FTSE4GOOD2, que tem em consideração factores sociais e ambientais das empresas constituintes. Este exemplo tem os seus antecedentes no índice norte-americano lançado pelo Dow Jones, o Dow Jones Sustainability Group Index3. O ISR abrange um vasto número de critérios não-financeiros no âmbito da responsabilidade social das empresas (RSE). As várias iniciativas neste sector vão do simples respeito passivo de alguns critérios até uma abordagem na qual os investidores promovem directamente a responsabilidade social nas empresas em que investem. Tabela 1: Um amplo entendimento da Responsabilidade Social Governação corporativa Sustentabilidade e respectivos relatórios Envolvimento político Propriedade intelectual Análise de risco do negócio + análise do risco de reputação da empresa Política e prática de compras (procurement) Impacto social e ambiental dos produtos e Questões de ética social Conformidade (Compliance) com as normas e Performance social e ambiental Gestão dos Recursos Humanos Direitos dos trabalhadores/sub-contratados Impacto socio-económico nos países em desenvolvimento Envolvimento na comunidade

1

Este sub-capítulo é baseado em grande parte no trabalho de João José Fernandes em RSE - O Estado da Arte, Fundação Avina, no prelo. 2 http://www.ftse4good.com 3 http://www.djsgi.com 5

serviços Gestão social e ambiental Source: Eurosif Analysis

leis relevantes para as questões éticas, sociais e ambientais.

O ISR é aplicável a qualquer produto financeiro (acções, obrigações, títulos da dívida pública, etc.) embora na prática seja mais usado nos mercados accionistas (equity securities). O mercado ISR divide-se habitualmente entre retalho e investimento institucional. O retalho abrange a poupança e investimento individual, enquanto o institucional abrange o restante mercado. Existe outra grande diferença entre o retalho e o ISR institucional. O ISR a retalho reflecte as escolhas financeiras e não-financeiras de um indivíduo, o que significa que é possível compatibilizar os investimentos de um indivíduo com os seus valores (embora condicionadas à oferta existente). Já o investimento institucional, que movimenta maiores volumes, apresenta um quadro mais complexo, no que respeita ao ISR: A visão mais restrictiva do investimento institucional aplica-se às empresas que investem com os seus próprios fundos, tais como bancos, companhias de seguros, empresas, etc. A esta categoria podemos acrescentar grupos de pessoas organizados em torno de uma visão ética própria e, de alguma forma, “individualizada”: igrejas, fundações, organizações sem fins lucrativos, etc. A terceira categoria é composta por investidores que aplicam e gerem o investimento em nome de outros: principalmente os fundos de pensões e outros esquemas de poupança para a reforma. Ao contrário da categoria anterior, a decisão de investimento é geralmente consensualizada por múltiplos stakeholders, que têm interesse nos fundos. A decisão de investimento não é tomada por um director financeiro, mas por um grupo de pessoas – que pode incluir representantes dos participantes no fundo (ex: sindicatos) – a quem foi delegada a função de gerir o portfolio de investimento.

2.1 O Contexto Legal e Regulador do ISR A legislação na Europa em matéria de investimentos socialmente responsáveis é ainda muito reduzida, embora haja países como o Reino Unido, a Holanda e a Alemanha que apresentam já um certo desenvolvimento, sobretudo orientado para a promoção de ISR na área ambiental. Por outro lado, nos países do Sul da Europa a legislação está longe de acompanhar as evoluções em termos de iniciativas ISR. O Reino Unido distingue-se por ser o país onde mais rapidamente se desenvolveu o ISR e o RSE e onde tem havido uma evolução normativa considerável sobre ISR e o apoio institucional ao ISR. Em Março de 1998, o Ministro do Comércio e da Indústria modificou as leis fundamentais sobre a empresa e elaborou um relatório final chamado "Modern Company Law for a Competitive Economy" publicado em Julho 2001 e que acabou por

6

trazer numerosas revisões das regulamentações relativas ao impacto dos investimentos na sociedade e no ambiente.4 A Holanda também demonstra ser um país onde a legislação acompanhou o desenvolvimento do ISR. Isto resulta essencialmente de duas grandes características do país: as preocupações ambientais e a capacidade de mobilização da sociedade. Em 1995 investidores socialmente responsáveis, instituições públicas e outros organismos reuniram-se sob a denominação VBDO (Association of Investors for Sustainable Development) para actuarem como um grupo de pressão, estabelecer um diálogo com as empresas e promover estratégias de mudança no seu comportamento no sentido de uma maior responsabilidade social e ambiental.Após a sua primeira intervenção pública na assembleia anual dos accionistas da Royal Dutch Shell, a VDBO participou em numerosas campanhas nos anos seguintes, com um interesse particular pela investigação sobre os comportamentos das empresas. O activismo do VDBO acabou por levar em 1998 à criação de um fórum nacional sobre o ISR. Além do desenvolvimento sustentável, a VDBO interessou-se em assuntos como a evolução do mercado, as estratégias de emprego e os códigos de conduta para os fundos de ISR.5. . Na Alemanha, o ISR tem uma clara orientação ambientalista, favorecendo o investimento directo em sectores de particular interesse, como a produção de energia eólica. Todavia, os incentivos mais claros para o ISR na Alemanha provêm da regulamentação da transparência contida na legislação sobre a reforma dos fundos de pensões. Os planos de poupança para a reforma privados têm que declarar se investem segundo procedimentos éticos, ecológicos ou sociais. Em França, a regulamentação tem evoluído no sentido de prever disposições sobre a informação extra-financeira para a promoção do ISR e de práticas de gestão sustentável.6 Em países do sul da Europa como a Espanha, o desenvolvimento do ISR tem um período relativamente curto, quase de uma década, acompanhado de uma evolução legislativa mínima. As primeiras iniciativas de regulamentação nesta área são devidas ao crescimento dos fundos ISR em Espanha. De facto, trata-se do sector mais avançado de todo o panorama da finança ética em Espanha. O ISR é uma ideia relativamente recente também em Portugal. O Estado português ainda não tomou a iniciativa de promover o ISR como forma de aproximação do mesmo para uma cidadania mais activa e participativa. O maior desenvolvimento legislativo em matéria de regulação do ISR na Europa registou-se nos últimos dez anos e está relacionado com os apelos à transparência e o acesso à informação. As leis de acesso à informação (Disclosure laws) obrigam as empresas cotadas em bolsa a tornarem transparentes as suas políticas sociais, éticas e ambientais. No sector de gestão de fundos, os investimentos também estão sujeitos a políticas de transparência e acesso à informação, como é o caso do Statement of Investment Principles (SIP) no Reino Unido, seguido por legislação similar na França e na Alemanha.
Acesso à Informação sobre ISR nos Fundos de Pensão do Reino Unido Publicada em Julho de 2000, UK’s Pensions SRI Disclosure Regulation, exige que os gestores dos fundos de pensão comuniquem no Statement of Investment Principles em que medida são tidas em consideração questões sociais, ambientais ou éticas na sua estratégia (no caso de existir alguma preocupação deste género). Como consequência os fundos de pensão começaram a exigir mais informação das empresas nas quais investem, o que levou muitas dessas empresas a publicarem informação acerca da respectiva performance social e ambiental. A Bélgica, a Alemanha, a França e a Suécia adoptaram legislação idêntica relativa aos fundos de pensão. A legislação pode ser consultada em: http://www.legislation.hmso.gov.uk/si/si1999/19991849.htm ( Consulta em Abril de 2005)
4 5

Veja-se este projecto em: www.dti.gov.uk/cld/review.htm. Vereniging van Beleggers voor Duurzame Ontwikkeling (Netherlands) http://www.vbdo.nl/ 6 European Social Investment Forum, www.eurosif.org. Legislação na França. 7

Durante o mesmo período, em países como a Holanda e a França, os sindicatos conseguiram um maior protagonismo no âmbito do ISR, seja através da criação de selos de qualidade ou da influência no domínio da definição de políticas de ISR, próximas dos seus interesses.
Comité Intersindical de Poupança Salarial (França) O Comité Intersyndical de l’Épargne Salariale (França) é uma iniciativa criada em Janeiro de 2002 por quatro sindicatos franceses (CFDT, CGC, CFTC, CGT) com os seguintes objectivos: - Controlar a forma como a poupança salarial dos empregados é investida; - Guiar os gestores no investimento seguro e socialmente responsável. O Comité lançou um selo de qualidade para produtos financeiros em França que certifica a sua qualidade financeira, social e ambiental. Em 2002, existiam sete produtos financeiros com o selo, sendo já 12 em Maio de 2004. Mais informação disponível em:http://www.cfdt.fr/actualite/economie/epargne_salariale/epargne_salariale_0005.htm
(Link consultado em Abril de 2005)

A Directiva sobre fundos verdes na Holanda é outro exemplo de uma legislação que favorece o ISR.
Directiva do Investimento Verde (Holanda) Estabelecida em 1995, esta directiva pretende promover o acesso ao financiamento por parte de projectos com impacto ambiental positivo (energias renováveis, construção eco-eficiente, etc). A directiva estabelece que o retorno (pagamento de juros e dividendos) dos chamados intermediários verdes estão isentos de impostos. De salientar que normalmente o imposto complementar (sobre os rendimentos) na Holanda pode situar-se entre os 30% e os 60%. Os projectos verdes são financiados através de taxas de juro inferiores à média. O governo holandês qualifica uma instituição financeira como “verde” quando respeita o estabelecido nesta directiva. Por razões de gestão de risco é permitido aos intermediários verdes aplicarem um máximo de 30% dos seus activos em projectos “não-verdes”. Mais informação disponível em: http://www.eurosif.org/pub2/lib/ref/ctry/nl/legi.shtml (Consulta em Abril de 2005)

Um outro factor que tem impulsionado o ISR nos anos mais recentes é a gestão de risco, cuja necessidade se tornou evidente depois de vários escândalos, entre os quais o da Enron e da Parmalat. Estes escândalos acabaram por levar os investidores a prestarem maior atenção aos factores de transparência e governação corporativa. Como consequência, a gestão e a responsabilidade dos accionistas ganhou importância na agenda política. Em países como a Suiça, foi já publicada uma legislação acerca da obrigação de relatar o uso do direito de voto nas assembleias de accionistas. 2.2 Auto-regulação no âmbito do ISR A auto-regulação desempenha também cada vez mais um papel de relevância em países como a Holanda ou o Reino Unido. Estas iniciativas surgiram ou pela falta de regulação local, ou simplesmente como uma contribuição voluntária adicional ao arsenal de regras existentes nos mercados ISR. A regulação de acesso à informação dos fundos de pensões do Reino Unido, de Julho de 2000, exige que os administradores dos fundos de pensões tornem público em que medida as considerações sociais, ambientais ou éticas, são tidas em consideração nas suas estratégias e políticas de investimento, bem como durante o exercício dos direitos (incluíndo direito de voto) vinculados aos investimentos. Como consequência, os fundos de pensões começaram a exigir, das empresas nas quais investiam, mais informação acerca do
8

desempenho social e ambiental. A Bélgica, Alemanha, França e Suécia adoptaram regulamentos similares na gestão dos fundos de pensões, no que respeita ao acesso à informação. Para mais informação: www.legislation.hmso.gov.uk/si/si1999/19991849.htm

2.2.1 As Directrizes sobre Transparência da Eurosif 7 A Eurosif (European Social Investment Forum) é um grupo pan-Europeu, com sede em França, cuja missão consiste em encorajar e desenvolver o investimento socialmente sustentável e socialmente responsável, e a boa governação. Actualmente é constituída por uma grande diversidade de membros, fundos de pensões, prestadores de serviços financeiros, instituições académicas, associações de investigação, sindicatos e ONG. É uma associação sem fins lucrativos, representando actualmente activos de valor superior a 600 mil milhões de Euros, detidos pelo conjunto dos seus membros. Em 2004, a Eurosif publicou um conjunto de directrizes sobre a transparência, orientadas para os fundos de ISR da área de retalho. Baseadas nas “Directrizes sobre Transparência dos Fundos de Investimento Sustentável”, criadas em 2002 pelo Dutch Social Investment Forum (www.vbdo.nl), estabelecem um conjunto de critérios de transparência dos fundos ISR. Pela sua abrangência e carácter inovador, reproduzimos na tabela 2, os critérios presentes nas directrizes da Eurosif. Tabela 2: Directrizes de Transparência da Eurosif Detalhes Básicos 1  Os signatários devem informar claramente sobre quem são e fornecer informação acerca do fundo, e do gestor do fundo. 1a  Fornecer o nome do fundo e do gestor do fundo a quem estas directrizes se aplicam 1b 1c 1d  Fornecer os contactos para informações posteriores sobre os fundos  Qual é o volume/tamanho do fundo? (Em moeda numa data especificada)  Onde é que pode ser encontrada informação histórica sobre a performance financeira do fundo? 1e  Fornecer detalhes sobre o conteúdo, frequência e formas de comunicar informações aos investidores
Adicional

 Descrever de forma sumária as políticas de responsabilidade social da organização que gere e promove o fundo, ou indicar direcções sobre como obter esta informação

7

EUROSIF (2004), The Eurosif Transparency Guidelines. Disponível em http://www.eurosif.org .

9

ISR: Critérios de Investimento 2  Os signatários devem ser claros sobre o seu propósito e critérios de investimento 2a 2b 2c  Como é que o fundo define ISR?  Quais são os critérios de investimento ISR do fundo?  Como é que são definidos os critérios? Com que frequência e por quem é que são revistos estes critérios? 2d  Como é que as mudanças nos critérios são comunicadas aos investidores?

Processo de Investigação 3  Os signatários devem fornecer informação sobre o seu processo de investigação. 3ª 3b  Descrever o processo e metodologia de investigação do seu ISR  O gestor do fundo utiliza uma equipa de investigação interna e/ou uma equipa de investigação externa? Por favor, justificar. 3c  Existe um processo de controlo ou verificação externa para o processo de investigação? No caso de existência de uma comissão consultora, indicar por favor as suas responsabilidades. 3d  O processo de investigação inclui consultas junto dos stakeholders? Em caso afirmativo, por favor fornecer detalhes do processo de consulta. 3e  As empresas/companhias têm a oportunidade de verem os seus perfis ou análise a que são sujeitas? Em caso afirmativo, por favor fornecer detalhes deste processo.
3f 3g

 Qual a frequência de revisão do processo de investigação?  Quais são os resultados do processo de investigação que são abertos ao público? Como?

10

Avaliação e Implementação 4  Os signatários devem fornecer informação sobre a forma como a investigação é usada para construir e manter o seu portfolio. 4a  Como é que os resultados da investigação são integrados no processo de investimento, incluindo a selecção e aprovação de companhias onde investir? 4b  Quais são as medidas internas e externas existentes para assegurar que as participações do portfolio cumprem com os critérios de investimento ISR? 4c  Quais são as políticas e procedimentos para o desinvestimento com base em questões ISR? 4d  Os investidores são informados sobre desinvestimentos com base em questões ISR? Em caso afirmativo, com que frequência e por que meios? 4e  O gestor de fundo informa as companhias sobre exclusões do portfolio ou desinvestimentos devido ao não-cumprimento com as políticas e critérios de ISR?
Adicional

 Até que ponto quaisquer resultados de actividades de diálogo empenhado (engagement) contribui para a selecção de companhias?

Política de Diálogo Empenhado (engagement) 5  Os signatários devem explicar a sua política de diálogo empenhado se o fundo tiver esse tipo de política. 5ª 5b  Quais são os objectivos da política de diálogo empenhado?  Como é que o fundo define as prioridades quanto às companhias com que irá ter um diálogo empenhado? 5c 5d 5e  Quem é que é responsável pela política de diálogo empenhado do fundo?  Quais são os métodos de diálogo empenhado que são adoptados?  Como é que é monitorizada a efectividade da actividade de diálogo empenhado?
5f

 Quais são os passos que se tomam, caso existam, se a política de diálogo empenhado não tiver sucesso?

5g

 Como, e com que frequência, são as actividades de diálogo empenhado comunicadas aos investidores e outros stakeholders?

11

Políticas de Votação 6 6a  Os signatários devem ser claros sobre as suas políticas de votação  O fundo tem uma política de votação? Em caso afirmativo, por favor explicá-la. 6b  O fundo tem à disposição do público as práticas de votos e as razões para as suas decisões? Em caso afirmativo, por favor indicar onde é possível obter esta informação. 6c  O fundo patrocina ou co-patrocina resoluções de accionistas?

Actividades Periódicas 7  Os signatários devem tornar público de forma periódica as suas actividades. Isto deve ser feito pelo menos uma vez por ano. 7a  Listar as participações do fundo numa data específica num período de 6 meses. 7b  Qual foi a actividade de diálogo empenhado (engagement) assumida em nome do fundo e que foi prosseguida no ano passado? 7c  Quais foram as acções de votação que ocorreram e que foram relacionadas com os critérios de investimento ISR?
Additional

 Quais foram os desinvestimentos que ocorreram no ano passado relacionados com os critérios de investimento ISR?

Additional

 Qual foi o valor das doacções e a percentagem das comissões de gestão que foram oferecidas a organização sociais sem fins lucrativos no ano passado?

Fonte: Eurosif (www.eurosif.org) 2.2.2 Factores e acontecimentos que dinamizaram o ISR Os factores que dinamizam o avanço do ISR variam nos vários países europeus, dependendo das tradições e peso relativo dos vários stakeholders. Na tabela 3 apresentam-se alguns dos factores de dinamização (drivers) mais importantes nos países europeus onde o ISR apresenta uma maior dinâmica.

12

Tabela 3: Factores de dinamização do ISR na Europa Países RU Legislação/Regulação Acesso à Informação corporativa Acesso à Informação no investimento (Fundos de Pensões ou equivalente) Reporting ou direito de voto Governação corporativa Acção dos Sindicatos Directrizes de Associação Empresarial ou similar (Trade Body) Códigos sindicais Fonte: Eurosif. RU = Reino Unido; HL = Holanda; FR = França; AL = Alemanha; IT = Itália; ES = Espanha; SE = Suécia Para concluir esta breve análise sobre os factores de dinamização do ISR, apresentam-se alguns acontecimentos dos últimos anos que mais contribuiram para o desenvolvimento da RSE e do ISR8: X X X X X X X X X X X X X X X X X X X HL FR AL IT ES SE

2000 Reino Unido Entrada em vigor da regulação sobre acesso à informação nos fundos de pensões ISR (SRI Pensions Disclosure Regulation). 2001 Bégica Regulação que exige aos fundos de pensões um relatório sobre de que forma têm em consideração aspectos sociais e ambientais nas suas decisões de investimento. França Os relatórios anuais do Planos de Poupança dos Trabalhadores passam a informar as considerações de domínio ético, social e ambiental. Legislação indica que as reservas dos fundos de pensões passarão a tomar em consideração os aspectos sociais, ambientais e éticos.
8

CSR Europe, Deloitte & Euronext. Investing in Responsible Business: The 2003 survey of European fund managers, financial analysts and investor relations officers. Disponível em http://www.csreurope.org 13

-

Lei sobre a nova regulação económica introduz exigências de informação não financeira para os relatórios anuais das empresas cotadas em bolsa.

Alemanha Entra em vigor a legislação sobre as pensões de reforma. Sistemas privados e ocupacionais certificados terão de reportar tendo em consideração os aspectos éticos, ambientais e sociais. Reino Unido A Associação Britânica dos Seguradores publica novas directrizes ISR para as empresas, solicitando-lhes que informem nos seus relatórios riscos de carácter ético, social e ambiental relevantes para a sua actividade de negócio. Suécia Os fundos de pensão controlados pelo Estado deverão incluir considerações éticas e ambientais na sua política de investimento e nos relatórios a entregar anualmente ao governo. União Europeia Publicação do Livro Verde da Comissão Europeia sobre a “Promoção de um Enquadramento Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas”. Lançamento do www.sricompass.org e do Eurosif

Internacional Lançamento dos Índices ASPI (Advanced Sustainability Performance Index). Lançamento dos Índices FTSE4GOOD.

2002 França Criação do Comité Intersindical de Poupança Salarial por quatro sindicatos para atribuição de selos de responsabilidade social aos planos de poupança dos trabalhadores. União Europeia Comunicação da Comissão Europeia “Responsabilidade Social das Empresas: um contributo das empresas para o desenvolvimento sustentável”. Criação do Fórum Europeu Multistakeholder sobre Responsabilidade Social das Empresas.

Estados Unidos Entrada em vigor do “Sarbanes-Oxley Act”.

Internacional Lançamento do Índice Ethibel Sustainability Index. Publicação das Novas Directrizes da Global Reporting Initiative. Cimeira Mundial do Desenvolvimento Sustentável (Joanesburgo) inclui o lançamento dos “Princípios de Londres” para a finança sustentável.

14

2003 Reino Unido O Governo anúncia os planos de reformar a lei das companhias, incluindo a implementação do “Operating and Financial Review” para as grandes empresas. Irá permitir uma maior acesso à informação em matéria de desempenho não financeiro. União Europeia Publicação da Comunicação da Comissão Europeia sobre a “Modernização da Lei das Empresas e Fortalecimento da Governação Corporativa na União Europeia – Um Plano para Avançar”. Internacional A iniciativa do Carbono (Carbon Disclosure Project) é lançado e advoga a publicação de informação relevante para o investimento relacionada com emissões de gás de estufa. Lançamento da AA1000 (Assurance Standard).

2.3 A emergência do movimento ISR na Europa O caso do Reino Unido é paradigmático do desenvolvimento transversal da finança ética na Europa. Ela começa com os valores vitorianos de condições justas de emprego e por isso o desenvolvimento local e a criação de emprego tiveram uma importância considerável no seu início. Posteriormente, os valores ambientais passaram também a serem importantes. O primeiro instrumento financeiro ético emerge sob a forma de banco ético em 1974, o Mercury Provident. Nos anos 80 consolidaram-se iniciativas ligadas à finança ética, como a criação da agência de certificação EIRIS em 1983 e o lançamento de fundos de investimento socialmente responsáveis como Friends Provident Stewardship em 1984. Em 1992, foi fundado o banco ético mais representativo do País: o Co-Operative Bank. Entretanto, durante os anos 90 anos criou-se o Forum para o Investimento Responsável do Reino Unido e em 1997 aparece o principal fundo de pensões socialmente responsável europeu: Universities Superannuation Scheme (USS), crucial no movimento do activismo accionário britânico e que foi precedido de novas leis aprovadas em 2000 e destinadas a gerar uma maior transparência dos fundos de pensão. Entretanto em países como a Alemanha, Áustria e Suiça, o desenvolvimento da finança ética foi marcado por uma orientação de tipo ambiental, nascida dos movimentos ecologistas e pacifistas dos anos 70, através da acção da agência financeira Kommunalkredit (Áustria) que financiava os organismos públicos que procurassem melhorar o ambiente. Os fundos para estes créditos eram alcançados pela colocação de títulos ambientais entre investidores públicos e privados. Desta forma, novos modos de entender a economia e o comércio começaram a surgir e que acabaram por se concretizar na criação do banco alternativo alemão GLS Gemeinschaftsbank (1974) destinado a promover projectos com benefícios sociais e ambientais e excluídos pelo financiamento convencional. O mesmo aconteceu na Suiça, onde a crescente consciência ambiental e associativa dos cidadãos levou à criação de bancos éticos nos anos 80: o GLS Gemeinschaftsbank e o Alternative Bank Schweiz (ABS). No fim da década de 80 nasce na Alemanha mais um banco socialmente responsável, o Oekobank, 1988, e o primeiro fundo de ISR: o BfG ÖkoRent (actualmente SEB ÖkoRent), 1989, ambos com uma orientação claramente ambientalista. Em 1991 nasce na Áustria a primeira sociedade de gestão de activos (asset management) chamada TOKOS, em simultâneo com a primeira revista dirigida ao
15

investidor socialmente responsável, e principalmente ecológico: a Oeko-Invest. Seria esta mesma revista, que em conjunto com a alemã Natur & Kosmos, que estaria por detrás do aparecimento do primeiro índice de sustentabilidade no âmbito alemão, o NaturAktien Index (NAI). À medida que o ISR ficou mais popular na década de 90, especialmente pela acção dos fundos de investimento “verdes”, surgiram agências de certificação, como as alemãs Oekom, Suedwind, Imug ou Scoris, ou as numerosas nascidas na Suiça, entre as quais se sobressai a Centre Info (1990) como pioneira. O suiço SAM Sustainability Group contribuiu também para a criação do índice financeiro Dow Jones Sustainability Index em 1998. Finalmente, é preciso sublinhar o papel importante desempenhado pelas instituições religiosas como interlocutores institucionais cruciais no fomento do ISR na Alemanha. Outras instituições como a Ethos foram também importantes, principalmente a partir de 1997, na promoção de critérios de ISR para os fundos de pensão. Ao mesmo tempo, serviços de informação e notícias sobre a finança ética na Alemanha e na Áustria desenvolveram-se relativamente cedo, como o site www.ecoreporter.de , activo desde 1999, ou a feira do investimento sustentável “Dinheiro Verde”, celebrada pela primeira vez no mesmo ano. Por seu lado, os primeiros passos da finança ética na Holanda remontam aos anos 60, e materializam-se na fundação de bancos como o ASN Bank em 1960 e o Triodos Bank em 1980, orientado claramente para produtos de economia socialmente responsável. Até 1991, o mercado dos fundos ISR permaneceu pouco activo, mas desenvolveu-se rapidamente a partir do momento em que o Estado começou a desempenhar um papel cada vez mais activo na promoção dos investimentos ambientalmente sustentáveis através dos incentivos fiscais do Plano de Poupanças e Investimento Verde (Green Savings and Investment Plan). A situação holandesa é parecida com a britânica no que diz respeito à importância do activismo accionista, com a criação em 1995 por parte de investidores institucionais e privados da VBDO (Associação de Investidores para o Desenvolvimento Sustentável). Esta organização acabou por estimular já em 1998 a criação do Fórum Nacional do ISR. Em França, o Comité Catholique contre la Faim et pour le Développement (CCFD), nascido com a apoio do Crédit Coopératif nos princípios dos anos 80 e com a vocação de financiar com parte dos seus fundos mutualistas projectos empresariais em países em desenvolvimento, pode ser considerado o precursor natural no país do ISR. Na mesma época nasceu o primeiro fundo de investimento ético, baseado no respeito pelos direitos humanos. Desde então, a evolução do ISR em França foi ligada a critérios como a promoção do emprego e a luta contra a exclusão social, com os sindicatos a desempenharem um papel muito activo na introdução da responsabilidade social nos fundos de pensão desde 1998. O segundo factor em ordem de importância no desenvolvimento da finança socialmente responsável foi o ambiente. Ao mesmo tempo, as organizações e as redes não financeiras a favor da finança ética e da responsabilidade social de empresa experimentaram um considerável desenvolvimento, com o aparecimento dos “observatórios” do comportamento empresarial como o Centro Francês para a Informação sobre as Empresas (Centre Français d'Information sur les Entreprises CFIE) em 1996, do CSR Europe em 1997, do Observatório sobre a Responsabilidade Social das Empresas (Observatoire sur la Responsabilité Sociale des Entreprises - ORSE) em 1999, e especialmente o Fórum para o Investimento Responsável (Forum pour l'Investissement Responsable - FIR) também em 1999 (embora só apresentado oficialmente em 2001. Os serviços de certificação social e ambiental começaram a difundir-se em França com Arese (actualmente Vigeo) em 1997, assim como a primeira certificação dos produtos financeiros solidários criada pela ONG FINANSOL.

16

Em Itália, tal como em Espanha, as pequenas instituições italianas de crédito (muitas delas de origem cooperativa, como as caixas de poupança) desempenharam tradicionalmente um papel relativamente parecido ao do banco ético: financiamento a comunidades locais, zonas rurais e/ou subdesenvolvidas, microempresas e necessidades familiares, e também grupos excluídos pelo sistema financeiro convencional. Em geral, as ditas instituições não pertenciam a privados, mas a entidades locais e/ou públicas e portanto os benefícios repercutiam-se na sociedade. Já nos anos 80 surgiram em Itália numerosas sociedades mutualistas autogeridas (MAG), estreitamente ligadas ao movimento associativo do Norte do País, que diferenciavam o panorama em relação a outros Países do sul da Europa, como Espanha e Portugal. Este movimento reflectiuse na criação da Banca Etica italiana, primeiro banco orientado em direcção a grupos “economicamente marginalizados”.A partir de 1997, começa o desenvolvimento dos fundos de ISR, quer em Itália quer na Espanha, e nos dois países por bancos convencionais. A evolução foi sem dúvida desigual e o volume patrimonial alcançado pelos fundos de ISR italianos, entre os maiores de Europa, afasta-se dos modestos resultados alcançados na Espanha. Igualmente diferente é o desenvolvimento do carácter solidário do ISR. Enquanto que em Itália só um quarto dos fundos são solidários, em Espanha é maior o número dos fundos exclusivamente solidários que o dos fundos que prevêm só alguns critérios éticos, e também a maioria deles tem carácter solidário. Em Portugal, como no caso da Grécia, investigações realizadas pelo SiRi Group em 2003 observaram a inexistência ou quase inexistência de ISR nestes países, quer sob forma de fundos quer de outros produtos.Contudo,e após a realização de um projecto europeu de 1998 sobre a promoção da microfinança para o desenvolvimento local, este sector começa a emergir através do trabalho de várias associações e entidades financeiras, entre as quais se salienta a ANDC (Associação Nacional para o Direito ao Crédito). A partir de 2000 difundiram-se também os programas de microcrédito realizados por instituições financeiras portuguesas em alguns países em desenvolvimento como Moçambique. As diferenças no desenvolvimento da finança ética em Itália, Espanha e Portugal dizem respeito também à existência, no primeiro País, a partir de 1997, de uma agência de certificação social: Avanzi, e a criação de uma rede de ISR chamada SiRi. Actualmente, nem em Espanha nem em Portugal há agências de certificação propriamente chamadas, à excepção do caso de algumas organizações em Espanha como ECODES ou Economistas sin Fronteras que de vez em quando realizam serviços de investigação sobre a responsabilidade social das empresas. No caso da Espanha, a criação nos fins dos anos 90 de redes como REAS e de diferentes movimentos de apoio a bancos éticos não tiveram a mesma importância dos seus similares em Itália. O contexto legislativo não se pode considerar favorável ao desenvolvimento da finança ética em Itália, Portugal e Espanha. Quer neste último país quer em Itália a participação pública e política na finança ética está aparentemente a aumentar, assim como o debate sobre os accionistas activos, especialmente pelos investidores institucionais, basicamente fundos de pensão e de investimento. Finalmente, no caso dos países que pertencem ao ex-bloco socialista, não se dispõe de informações anteriores aos anos 90, se bem que seja possível afirmar com alguma certeza que até então a ideia de finança ética utilizada no resto da Europa estava pouco difundida. Sucessivamente, à excepção de financiamentos pontuais de outro tipo por bancos éticos, o aspecto mais relevante nestes Países foi a microfinança como meio de desenvolvimento.

17

2.4. Situação Actual do ISR na Europa No sentido de averiguar qual o tamanho real do mercado de fundos de investimento socialmente responsável, procede-se a uma análise das tendências europeias, quer ao nível do mercado de retalho, quer ao nível do mercado institucional. Em Novembro de 2004, a Avanzi SRI Research e a SiRi Company publicaram um estudo relativo aos fundos verdes, éticos e sociais. O estudo reporta-se até à data de 30 de Junho de 2004.9 Para efeitos do estudo foram considerados os fundos que: usam um escrutínio ético, social e ambiental na selecção do portfolio; são comercializados como produtos ISR; estão disponíveis para o público (fundos de retalho); são fundos UCITS (“Undertaking Investment in Transferable Securities”), de acordo com a directiva nº 85/611/EEC, podendo ser comercializados em toda a Europa. Não foram considerados: fundos solidários que apenas fazem uma doação de parte das comissões de gestão ou dos lucros para ONG ou “boas causas”; fundos especializados apenas no investimento em tecnologias do ambiente ou na indústria ambiental (tratamento de resíduos, tratamento de água); fundos e outros produtos de investimento apenas disponíveis para investidores especializados.

Para efeitos de atribuição dos fundos a um determinado país: Considerou-se o critério da domiciliação. Quando um produto está domiciliado na Suiça mas é também comercializado na Alemanha, considera-se como fundo suiço. Número de Fundos Identificados: 354, representando um aumento de 13% em 12 meses (Junho de 2003 – Junho de 2004).10 Os países que lideram o movimento são o Reino Unido, Suécia, França e Bélgica, representando 64,4% dos fundos europeus. Entre 2003 representavam 63%. O peso relativo do Reino Unido mantém-se elevado, permanecendo próximo dos 21% relatados em meados de 2003. Os mercados de retalho mais dinâmicos são a Aústria e a França, com um crescimento em termos de número de fundos, na ordem dos 25% em 12 meses. Em Portugal e na Grécia não foram detectados quaisquer fundos.

9

10

Avanzi SRI Research e SiRi Company, Green, Social and ethical funds in Europe 2004 (Milan, October 2004) Ver anexo 1 para lista dos principias fundos ISR na Europa

18

Evolução do Nº de Fundos ISR entre 1980 a 2004

O montante total de activos ISR cresceu em 57%, passando dos 12,2 mil milhões de euros, para 19,0 mil milhões no segundo trimestre de 2004.

19

GRÁFICO 2 Evolução dos Activos ISR domiciliados na Europa em Milhões de Euros*

* Não inclui os portfolios institucionais. GRÁFICO 3 Activos por país relativos aos fundos ISR (domiciliados) em milhões de Euros (30 Junho 2004)

20

No que respeita à distribuição dos activos, o Reino Unido aparece bastante destacado, representando 36,2% do total de activos do ISR de retalho. A Itália e a Suécia surgem respectivamente em segundo e terceiro lugar, com percentagens superiors a 10%. Em termos de peso relativo, o estudo revela que os activos dos fundos ISR representam 0,47% do total de activos dos fundos UCITS, contra 0,36% em 2003. Os países onde os fundos ISR representam um maior peso relativo são a Bélgica, com 1,75%, a Holanda, Reino Unido e Suiça, que ultrapassam os 1,45%. 2.4.1 O mercado ISR Institucional na Europa11

Não existe uma definição única de ISR de um ponto de vista pragmático. Podem, contudo, identificar.se três níveis: • O primeiro nível, central, é constituído por práticas de escrutínio; este pode ser positivo (por exemplo: “melhor-na-sua-classe”), e com extensas exclusões. • O segundo nível integra algumas exclusões simples (escrutínio negativo), muito próximo a uma noção de gestão de risco. Habitualmente inclui critérios como exclusão do tabaco, ou actividades na Birmânia. A quase totalidade dos fundos de pensão usa este tipo de escrutínio. • O terceiro nível consiste em práticas de diálogo empenhado (engagement). Aqui não existe a aplicação de critérios de escrutínio, mas o exercício de poder sobre a governação corporativa dos fundos, pressionado para a inclusão de aspectos relacionados com a RSE . Por vezes, o engagement pode ser combinado com o escrutínio. Esta segmentação torna-se notória ao verificarmos o tamanho do mercado institucional ISR na Europa. Tabela 4: Repartição do Mercado Institucional ISR na Europa (em mil milhões €) Nível Central 34 Fonte: Eurosif Como se pode constatar na tabela anterior, o tamanho do mercado ISR no sentido lato do termos é quase dez vezes maior que no sentido estricto. ~ Visão 1: O ISR permanece um nicho, apesar do seu crescimento No seu sentido mais estricto, o ISR institucional representa cerca de 34 mil milhões de Euros. Esta abordagem não inclui as práticas de engagement ou as exclusões simples. Na ausência de uma visão comum, assente em legislação, é muito difícil medir o engagement. Frequentemente esta estratégia não consegue demonstrar um impacto efectivo na alteração das práticas sociais, económicas e ambientais das empresas objecto do investimento, tornando-se difícil, nestes casos, classificar o ISR. Como mostra a tabela 4 se considerarmos a abordagem mais restrita, o Reino Unido é o mercado institucional de ISR mais desenvolvido na Europa. Seguem-se a Alemanha, Holanda, Suiça e França, todos com tamanhos
11

Exclusões simples 218

Engagement 336

EUROSIF (2004). Social Responsible Investment among European Institutional Investors 2003 Report. Disponível em http://www.eurosif.org 21

muito próximos. Finalmente a Áustria, Itália e Espanha, estão entre os mercados menos desenvolvidos. Em Portugal e na Grécia não existe um mercado ISR.

Figura 1: Repartição do Mercado Institucional ISR por Quota de Mercados/País (34 mil milhões €) Holanda: 8%, França: 5%, Itália: 0.5%, Alemanha: 8%, Suiça:8%,Áustria: 1%, Espanha: 0.5% e Reino Unido: 69%

Fonte: Eurosif Visão 2: O ISR começa a massificar-se (Mainstreaming) Num entendimento mais alargado do ISR institucional na Europa, a Eurosif calcula um valor de mercado em torno dos 336 mil milhões de euros. A figura 1 sugere que o ISR já entrou nos principais mercados financeiros (mainstreaming) em países como o Reino Unido e a Holanda. Esta abordagem mostra que as práticas de exclusão simples e o diálogo empenhado (engagement) têm uma crescente aceitação junto da generalidade da comunidade financeira.

Figura 2: Comparação do Mercado Institucional do ISR em Países Europeus
Holanda: 54%, Reino Unido: 44%, Alemanha: 0.9%, França: 0.6% e Itália: 0.1%

22

Fonte: Eurosif O documento da Eurosif apoia qualitativamente esta visão. Num estudo recente realizado pela Thomson Extel & UKSIF12, e baseado numa sondagem de âmbito europeu efectuada aos gestores de fundos, à pergunta sobre qual a percentagem do seu negócio que estava orientado para o ISR, os gestores responderam da seguinte forma: Tabela 5: ISR como % do Total de Activos Geridos Percentagem do ISR face ao Total de Activos 0-2% 2-5% 5-10% Mais de 10% Fonte: Eurosif Noutra questão, 92% dos gestores responderam que tinham a expectativa de um maior envolvimento no mercado ISR no futuro. Outra constatação interessante registou-se quando foi perguntado a alguns gestores a razão que levava as empresas a encarar elementos de responsabilidade social e ambiental. Enquanto 81% concordou com a afirmação “para apoiar o valor da marca e a reputação”, houve um muito maior consenso em relação à afirmação “para melhorar a capacidade de apelo aos investidores”. 2.4.2 Tendências no Mercado ISR A liderança dos Fundos de Pensões no Crescimento do Mercado de ISR Apesar de as organizações sociais sem fins lucrativos (charities) terem desempenhado um papel impulsionador no arranque do mercado institucional de ISR no Reino Unido, uma evidência crescente indica que os fundos de pensões desempenham actualmente o papel de liderança no desenvolvimento deste
12

Percentagem de Respostas

31,91% 8,51% 14,89% 44,68%

Thomson Extel and the UK Social Investment Forum’s Social Responsible Investment Survey, July 2003. Disponível em http://www.uksif.org 23

mercado na Europa. Ao mesmo tempo que os fundos de pensões se expandem na Europa Continental, os sindicatos começam a desempenhar um papel mais activo. O papel das Igrejas, associações de carácter social e fundações, que podem ser descritas como instituições “com agendas” (tal como no caso do envolvimento dos sindicatos no âmbito dos fundos de pensões), continuará a ser fundamental, mas com menor relevância do que os fundos de pensões. A sua liderança permanecerá, contudo, no âmbito da visibilidade do ISR. A sua atitude de advocacia social em torno de causas sociais, continuará a chamar a atenção dos actores externos para alguns temas relacionados com o ISR.

Atitudes culturais face ao ISR Cada País teve e continua a ter um ponto de partida no que diz respeito ao problema social, ético e ambiental. Sem dúvida, a maturação do mercado, a sensibilização da sociedade e a evolução de produtos de ISR contribuem para a ampliar o conjunto dos interesses nacionais. Adicionalmente, a questão da governação corporativa (corporate governance) começa a ter repercussões em toda a Europa. Desta forma, o ISR e a sua gestão estão crescentemente a lidar com assuntos que ultrapassam as fronteiras nacionais, contribuindo para a formação progressiva de uma visão comum do ISR na Europa.

Evolução das estratégias de ISR, mas nem sempre na mesma direcção.

Em alguns países, o escrutínio positivo vai crescendo mais que em outros. Já desempenha um papel importante no mercado francês e italiano e, segundo Eurosif, o seu peso vai continuar a aumentar na Europa continental. Trata-se de uma aproximação atraente pois coloca-se bem no meio da cultura financeira global ao incentivar a competição “sustentável” entre empresas que tentam ser as melhores quanto ao comportamento socialmente responsável,e assim atrair investimentos. Há contudo quem considere o escrutínio positivo como sendo ineficiente uma vez que é aplicado em pequenas doses comparado ao mercado institucional ou também ao mercado dos fundos de pensões (quer dizer, aplicam-se critérios positivos a menos de 1% dos fundos de pensões em França, a 0,3% no Reino Unido e a 0,17% na Holanda). Os críticos do escrutínio positivo acreditam que existem um maior potencial no diálogo empenhado (engagement). A pergunta chave em relação a esta prática é se se conseguirá exportá-la do Reino Unido, onde está mais difundida, para outros países europeus. Por exemplo, a Holanda tem revelado algum sucesso na aplicação deste método na gestão dos fundos de pensão, embora a sua práctica continue a ser limitada. Provavelmente, a difusão do diálogo empenhado será afectada a breve prazo pela falta de visibilidade e de resultados ponderáveis. Finalmente, muitas pessoas não consideram a exclusão simples como uma estratégia de ISR, mas como um instrumento mínimo e simples de gestão dos riscos para um grande número de investidores institucionais.

2.5 Conclusões

24

Podemos concluir que este mercado possui um potencial enorme para continuar desenvolver-se na Europa. Por exemplo, o ISR representa só 2,1% do total dos fundos de pensões europeus.13 O futuro dos ISR institucionais depende da forma como aspectos de sustentabilidade conseguirem ser integrados com sucesso na gestão financeira de fundos públicos a longo prazo. A força dos debates sobre a governação corporativa (corporate governance), transparência, entre os outros assuntos, leva-nos a pensar que as questões sociais, éticas e ambientais podem chegar a ser um factor de análise importante para os mercados financeiros.

13

European Pension Fund Managers Guide 2002 by Mercer Investment Consulting and Eurosif research

25

3. MICROFINANÇAS, INSTRUMENTOS DE CRÉDITO E DE ECONOMIA ÉTICA Actualmente, o sector das microfinanças na Europa apresenta-se complexo e pouco homogêneo. Na realização deste estudo, houve uma grande dificuldade em encontrar informações pormenorizadas sobre as instituições microfinanceiras (IMF) na Europa, sobretudo na Europa central e do Leste. A maioria dos estudos realizados neste assunto baseiam-se no contacto directo com as instituições microfinanceiras. Dada a ampla atomização deste sector dificultando, desta forma, uma análise mais completa, este capítulo baseou-se em relatórios mais actualizados já existentes de modo a oferecer uma visão mais homogénea do sector das microfinanças a nível europeu. Os seguintes estudos serviram de referência a este capítulo:
“UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL” Baseado no Estudo de 32 Organizações14 Autor: The New Economics Foundation (Membro da Rede Europeia de Microfinança, EMN) Data: Agosto 2004

“MICROFINANÇA 2003 (ESTUDO MFC-OVERVIEW OF THE MICROFINANCE INDUSTRY IN THE ECA REGION IN 2003)” Autor: Microfinance Centre for Central and Eastern Europe and the New Independent States, MFC. Data: Dezembro 2004

3.1.Actividade microfinanceira. Como revelam os seguintes gráficos, o maior número de entidades microfinanceiras dos países examinados da Europa Ocidental concentra-se na Alemanha e no Reino Unido. A sua actividade não se realiza a nível nacional, mas sim a nível local ou regional, sendo os mercados mais fragmentados que os de outros sectores. Segundo dados de 2003, é em França que encontramos o maior volume de microcréditos, com uma única IMF (ADIE) responsável por mais de metade do total dos microcréditos analisados .Também na Finlândia é bastante difundida, enquanto só uma pequena parte dos microcréditos tem lugar no Reino Unido e na Alemanha.

Relativamente à Europa central e de leste (Bulgária, República Checa, Hungria, Moldávia, Polónia, Roménia, Eslováquia), as IMF mais importantes são as cooperativas de crédito quer em termos de créditos concedidos quer em número de beneficiários. As IMF são importantes sobretudo na Roménia e na Polónia. Na região operam três bancos especializados em microfinança: ProCredit Bank Bulgaria, MEC Moldavia, MIRO Bank Rumania.

14

Adie / France, AIRDIE / France, ALMI Företagspartner AB / Sweden, Aspire Microfinance / Uk, Associação Nacional de Direito ao Crédito – ANDC / Portugal, Behörde für Wirtschaft und Arbeit Hamburg / Germany, CREDAL / Belgium ,Derby Loans / UK, DSL / UK ,East End Microcredit Consortium / Uk, East Lancashire MoneyLine / UK, Enigma Siebte Säule Microlending GmbH / Germany ,EXZET Existenzgründerzentrum Stuttgart e.V. / Germany, Finnvera Plc / Finland, First Step ltd / Ireland, Fonds de Participation / Belgium, Fundacion Laboral WWB en España / Spain, Fundacio Un Sol Mon, Caixa Catalunya / Spain ,GOLDRAUSCH-Frauennetzwerk Berlin e.V. / Germany, Head for Business / UK, Incredit / UK, Investitionsbank Berlin / Germany ,Landeshauptstadt München Referat für Arbeit und Wirtschaft / Germany, Magistrat Stadt Kassel, Sozialamt, ProGES (Pro Existenzgründung, Pro Existenzerhaltung / Germany, Network Credit Norway - NCN (em Norueguês: Nettverkskreditt BA) com seu empréstimo Fund Microinvest (separate trust) / Norway ,Portsmouth Area Regeneration Trust (agora conhecida como South Coast MoneyLine) / UK, Salford MoneyLine / UK Street (UK) / UK, The Enterprise Fund Ltd / UK,WEETU - Full Circle Fund / UK 26

3.2.- Escala territorial e idade das IMF analisadas

Na Europa Ocidental, quase metade das entidades analizadas opera em escala pequena: 47% opera em escala local, 33% a nível nacional e 20% em escala regional. Os organismos analizados foram fundados entre 1982 e 2003, se bem que a maioria date da última década.. O sector da microfinança na Europa ocidental é jovem, o que explica a existência de uma diversidade de comportamentos e modelos organizacionais.

GRÁFICO 4 IDADE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS microfinanceiras)
ç A n c i a n i d a d e d a s i n s t i t u i ç õ e s m i c r o f i n a n c e i r a s

(tirar ancianidade das instituições

%

I

M

F

5

0

%

4

0

%

3

0

%

2

0

%

1

0

%

0

%

1982-1984

1985-1989

1990-1994

1995-1999

2000-2004

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL A evolução importante observada entre 2000 e 2004 é devida ao facto que entre as 13 IMF criadas, 10 têm a sua origem no Reino Unido. Isto é devido a vários factores, em particular ao interesse recente revelado pelo governo britânico pelo sector da microfinança.

3.3- Os clientes Os principais destinatários dos microcréditos na Europa ocidental são, na maioria, pessoas com ordenados muito baixos, mulheres e desempregados, tornando evidente que o microcrédito está a ser utilizado como um meio de luta contra a pobreza, o desemprego e a exclusão financeira. Ao mesmo tempo, serve para apoiar a criação e o desenvolvimento de emprego próprio .

27

TABELA 6: DESTINATÁRIOS DAS IMF Destinatários Sem especificar Pobres Mulheres Minorias étnicas Desempregados Exclusão Bancos Tradicionais Empresas Sociais Jovens 5 7 7 5 5 3 1 1 Nº IMF Percentagem de IMF 19% 27% 27% 19% 19% 12% 4% 4%

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL No caso da Europa central e do leste, só 1% dos créditos concedidos do total da carteira é destinado ao sector agrícola. O resto representa créditos para a criação de empresas. A tipologia de destinatários dos créditos distribui-se geograficamente da seguinte forma: 59% empresários das zonas urbanas, 41% beneficiários das zonas rurais. A maioria das IMF acha que a avaliação deve procurar ter mais atenção às características pessoais de cada solicitante do que ao plano de negócios apresentado. Com o propósito de medir o impacto das suas actividades,as IMF procuram respostas para os seguintes indicadores: empregos criados/mantidos, número de novas actividades, taxa de sobrevivência das empresas criadas, mudança da autoestima, impacto sócioeconómico na comunidade e rentabilidade da actividade. 3.4. Produtos e serviços Em geral, os termos de restituição dos microcréditos oscila entre 6 meses e 10 anos. A média actual situa-se entre 4 meses e 8 anos e a maioria por volta de 29 meses. Quanto à taxa de juros: a média situa-se por volta de 8%. TABELA 7: TAXAS DE JURO DAS IMF Taxas deJuro 0 1.0 a 5.0 % 5.1 a 10.0% 10.1 a 15.0% 15.1 a 20.0% 2 7 10 1 6 Nº IMF Percentagem de IMF 8% 27% 38% 4% 23%

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL

28

Na Europa, qualquer crédito inferior a 25 mil euros è considerado microcrédito. O nível mínimo de empréstimo vai de 50 a 5 mil euros, e o máximo de 2 mil a 300 mil euros e a média se situa à volta de 12 mil euros. Além disso, pode-se afirmar que há dois grupos claramente diferenciados: os que concedem microcréditos até 5 mil euros e os que o fazem entre 7 mil e quinhentos e 10 mil euros. Na Europa ocidental: dominam os microcréditos individuais, mas começa-se a conceder créditos de grupo para se chegar a certas minorias. Metade das IMF estudadas concedem créditos progressivos no sentido em que as quantidades emprestadas vão aumentando à medida que os beneficiários recorrem a novos empréstimos depois de pagarem os anteriores. Na Europa central e do leste prevalecem também os microcréditos individuais. A maioria das IMF oferecem outros serviços financeiros como a consultoria aos próprios clientes ou o apoio para o desenho do seu próprio plano de negócios.

3.5.-Solvência Em 2003, na Europa ocidental, a distribuição por número de microcréditos concedidos revela que dominam as IMF com menos de 20 microcréditos por ano, seguidas por aquelas que concederam entre 51 e 100 empréstimos. No que respeita às quantidades concedidas:

GRÀFICO 5:
I n s t i t u i ç õ e s m i c r o f i n a n c e i r a s s e g u n d o o v o l u m e d e c r é d i t o

c

o

n

c

e

d

i

d

o

(

e

u

r

o

)

4

0

%

3

0

%

2

0

%

1

0

%

0

%

0

a

2

0

.

0

0

0

2

0

.

0

0

1

a

1

0

0

.

0

0

0

1

0

0

.

0

0

1

a

5

0

0

.

0

0

0

5

0

0

.

0

0

1

a

1

m

i

l

h

ã

o

1

a

5

m

i

l

h

õ

e

s

m

a

i

s

d

e

5

m

i

l

h

õ

e

s

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL

Em relação à carteira de microcréditos concedidos pelas 15 IMF da Europa ocidental que forneceram estes dados para o estudo da New Economics Foundation, em 31 de Dezembro de 2003 o volume total ascendia a cerca de 1.5 milhões euros, com mais de metade das IMF com menos de 50 clientes. Na Europa central e do leste, as IMF do tipo ONG têm em média microcréditos no valor de 1.97 milhões de dólares e cerca de 1.023 beneficiários. O volume total do volume ascende a mais de 45 milhões de dólares e o número total de devedores atinge os 23.536. O volume de créditos vai de um leque de 10 mil a mais de 8 milhões de dólares. A taxa de reembolso dos empréstimos (ou taxa de adimplência) na Europa ocidental das IMF contactadas e que responderam ao estudo foi de 91%.Segundo os dados sobre as carteiras em risco a média é de 16,3% (créditos atrasadosmorosos/total dos créditos vivos).
29

GRÁFICO 6: Instituições Microfinanceiras segundo as suas carteiras em risco (retirar título da caixa)
I n s t i t u i ç õ e s m i c r o f i n a n c e i r a s s e g u n d o a s p a s t a s a r i s c o

%

I

M

F

4

0

%

3

0

%

2

0

%

1

0

%

0

%

0 a 5%

6 a 15%

16 a 25%

Mais de 25%

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL

A taxa de inadimplência (isto é, de quem falha o pagamento do empréstimo) é de 7%). O gráfico 7 dá a conhecer a distribuição por instituições desta taxa. GRÁFICO 7: IMFs segundo a taxa de inadimplência (alterar título na caixa)
I n s t i t u i ç õ e s m i c r o f i n a n c e i r a s s e g u n d o o s j u r o s d o s c r é d i t o s

i

n

s

o

l

v

i

d

o

s

%

I

M

F

4

0

%

3

0

%

2

0

%

1

0

%

0

%

0 a 3%

4 a 6%

7 a 9%

Mais de 10%

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL

3.6.Fontes de financiamento O gráfico seguinte mostra os dados fornececidos por 24 das 32 IMF da Europa ocidental sobre as suas fontes de entrada:

30

Gráfico 8: Número de IMF segundo as próprias fontes de entrada Azul: Público Bordeaux: Privado Amarelo: Doações/Voluntariado Verde: Entradas Próprias
14 12 10 8 6 4 2
0

Sector público Sector privado Doações/voluntariado Entradas próprias

1 a 25%

26 a 50%

51 a 75%

76 a 100%

Fonte: NEF, UMA PERSPECTIVA GERAL DO SECTOR MICROFINANCEIRO NA EUROPA OCIDENTAL

31

3.7. Alguns exemplos de Microfinanças Portugal: (aqui adicionar mais uma coluna, logo após as associações envolvidas, intitulada destinatários: pessoas desempregadas e socialmente excluídas) JURO ASSOCIAÇÕES INICIATIVAs ANDC (Associação Nacional para o Direito Crédito) e ao 372 o ASSOCIAÇÕES LOCAIS CONCEDIDOS ORGANIZAÇÕES ESTRANGEIRAS AGÊNCIAS ESTADO DO 1,609 MILHÕES € 5% PRAZO MÁXIMO: 36 MESES FUNDO GARANTIA DE ENVOLVIDAS CONTRIBUIÇÕES SÓCIOS ANDC DE 1999 A 2003: PROJETOS CONDIÇÕES GERAIS € EMPREGOS CRIADOS 2003: 443 CRIADOS RECUPERAÇÃO <90% DE

CAPITAL MÁX. 5000 DE 1999 AL

MICROCRÉDITOS TAXA DE JURO < EMPREGOS

MILLENIUM BANK

Espanha: ENTIDADES UN SOL MÓN DESTINATÁRIOS Pessoas desempregadas ou em situação precariedade de emprego TERMOS E CONDIÇÕES REQUISITOS CARACTERÍSTICAS Máximo média grupos empreendedores entidades Entidades para a para inserção no emprego. Taxas de Juro: 6% Projecto com estabilidade de 2% do ICO. anuais. meses e os três anos emprego. pessoal do empreendedor: contribuição monetária, referências, etc. Prefere-se que três pessoas assinem uma declaração de apoio ao projecto. experiência, Reembolso entre os 6 Empenho inserção no emprego de 15.000€ Apresentação uma uma 8.000€. apoio. de e a entidade através social de 98% do fundo dado pela de Caixa 2000) Catalunya (3.005.060,52 € no ano de aprovados, com E PROVENIÊNCIA FUNDOS

Máximo de 30.000 € para

32

4. BANCOS ÉTICOS O banco ético é o instrumento financeiro mais completo no sistema da finança ética. Tratando-se de instituições financeiras reguladas pelos bancos centrais de cada País, podem receber as poupanças dos privados, das organizações ou de empresas, e conceder créditos para projectos que têm a ver com os seus ideais e a sua política ética. Desta forma, podem adoptar todos os produtos e serviços acima mencionados, isto é, podem criar fundos de investimentos, acções e títulos éticos, e lançar linhas de microcréditos para projectos social ou ecologicamente responsáveis.15O desenvolvimento dos bancos éticos na Europa é bastante diverso e a assimetria pode ser justificada pela acção de vários factores. Em primeiro lugar, as diferentes culturas que compõem o puzzle europeu, deram forma a algumas preocupações éticas com características diferentes. Assim , no norte da Europa, prevalece o interesse pela defesa do ambiente, o que levou os bancos éticos nesta região a operarem exclusivamente no sector ecológico. No sul da Europa, os bancos éticos que aqui emergem preocupam-se mais com assuntos sociais como o desenvolvimento social das comunidades marginalizadas, a luta contra o desemprego e a exclusão social, uma perspectiva que alguns chamam finança solidária. A nível cultural convém também sublinhar que a cultura anglo-saxónica, diversamente da continental, experimentou desde o início uma grande evolução associativa, o que fez com que a sociedade civil do Reino Unido seja hoje muito mais activa em unir-se na defesa dos próprios interesses e que represente um ponto de referência para o resto da Europa neste ponto de vista. Em segundo lugar, e ligado ao ponto anterior, o desenvolvimento legislativo em matéria de regulação bancária e de ISR, tem sido diferente de país para país. Actualmente, a maioria dos países que legislaram sobre esta matéria, limitam-se a disciplinar os fundos de pensões e a RSE.No que diz respeito, ao capital social mínimo para constituir um banco, ele também difere de um País para o outro. Assim, enquanto em Itália para criar um banco local é necessário um milhão de euros, na Holanda pedem-se cinco milhões de euros (embora em 1980, tenham sido apenas necessários 200,000€ para criar o Triodos Bank ).

15

Ver anexo 2 para uma lista de Bancos Éticos Europeus

33

4.1 Evolução dos bancos éticos na Europa GRÁFICO 9: Número de bancos éticos por década
N ú m e r o d e b a n c o s é t i c o s p o r a n o

20 18 18 16 16 14 12 10 8 8 6 4 2 2 0 1920-1959 Década 60 Década 70 Década 80 Década 90 2000-2004
1

3

Fonte: Economistas Sin Fronteras

Como mostra o gráfico 9, até ao final dos anos 70, existiam apenas três bancos éticos na Europa, o alemão Bank für Sozialwirtschaft AG constituído em 1923, o holandês ASN Bank, criado em 1960 e um outro alemão GLS Gemeinschaftsbank, lançado em 1974. No princípio dos anos oitenta começa a observar-se um impulso para a constituição de bancos éticos. É neste período que emergem mais cinco bancos éticos, entre os quais o Triodos Bank na Holanda. Os anos noventa são, sem dúvida, a década onde ocorre o maior crescimento com a constituição do oito bancos, entre os quais a Banca Popolare Etica em Italia, o JAK na Suécia e a adopção de uma política ética por parte do Cooperative Bank no Reino Unido. Este processo continua também no novo século, com a criação no Reino Unido do Charity Bank em 2002 e da abertura de uma filial em Espanha do Triodos Bank em Setembro de 2004. Finalmente, em Abril de 2005, através da Fundação Fiare no País Basco, a Banca Popolare Etica entra em Espanha. 4.2Contexto Legislativo e Político Europeu Há apenas dois países europeus que realizaram iniciativas interessantes no que respeita aos investimentos em relação aos bancos éticos. De um lado, o Reino Unido com a redução fiscal aprovada em 2002, a Community Investment Tax Relief (CITR), que estabelece uma isenção de 5% para os investimentos sociais que apoiam o desenvolvimento local das comunidades marginalizadas. O Charity Bank foi o primeiro banco a ser acreditado
34

pelo Governo como community development financial institution ou CDFI (instituição financeira para o desenvolvimento da comunidade).E por outro lado, a Holanda que promulgou em 1995 a Green Investment Directive¨ para promover o acesso financeiro dos projectos que beneficiam e não prejudicam o ambiente. A iniciativa prevê que os benefícios (juros e dividendos) dos seus participantes chamados intermediários verdes (Green Intermediaries)¨ fiquem isentos de impostos sobre o rendimento. 4.3 Filosofia e Cultura dos Bancos Éticos na Europa Ainda que cada banco tenha uma filosofia e cultura organizativa próprias, há uma série de valores e objectivos que guiam o comportamento de todos os bancos éticos. Em geral, estes bancos concebem o dinheiro como um instrumento de solidariedade e colocam a pessoa no centro das decisões económicas e financeiras. Os seus objectivos são, acima de tudo, a intermediação financeira, e em alguns casos também consultoria financeira, a actividades económicas que gerem um valor acrescentado em termos sociais, ambientais e culturais, e assim oferecer uma opção de investimento alternativo ao aforrador socialmente responsável. Entre os seus princípios salienta-se, precisamente, a promoção de uma forma de vida sustentável, não só do ponto de vista ecológico, mas também social e cultural. Os valores destes bancos são a ética, a transparência, a solidariedade e a participação, mas também a eficiência e a competência. Isto significa que sem deixar de respeitar os seus objectivos sociais, tentam também obter um óptimo rendimento económico. No que respeita aos valores que os guiam, os bancos éticos são muito empenhados no desenvolvimento da responsabilidade social de empresa na própria organização. Um exemplo evidente para os reconhecimentos obtidos neste assunto é a Co-operative Bank. Cada banco elabora a própria política ética de maneira que há bancos que incidem mais no sector ecológico e outros mais no social e cultural, mas a maioria segue os três sectores ao mesmo tempo. 4.4 Funcionamento e Actividades dos Bancos Éticos na Europa As origens dos bancos éticos são várias, uma vez que existem casos de ONG ou redes de economia social que se transformam em entidades financeiras (como no caso do Charity Bank, Reino Unido), bancos tradicionais, que embora orientados para a economia social realizam a sua actividade segundo uma política ética (como o Co-operative Bank, Reino Unido), ou organizações independentes que nascem de experiências anteriores (ex, Triodos Bank, Holanda) ou pela iniciativa privada de um grupo de pessoas (la Nef, França). No que respeita ao tipo de instituição financeira que se constitui, trata-se quer de cooperativas ou de sociedades por acções. Em ambos os casos, prevêm-se instrumentos para impedir que um sócio ou um grupo de sócios possa adquirir um número excessivo de participações e dessa forma dominar a sociedade.As instituições constituídas como cooperativas promovem de forma particular a participação de todos os seus sócios, como no caso do Banca Popolare Etica, que deseja que todos os seus sócios olhem para o banco como sendo sua propriedade. Os membros da cooperativa e os sócios podem ser pessoas individuais, empresas ou instituições e redes da economia social. As actividades dos bancos éticos consistem, como mencionado acima, em oferecer financiamento aos projectos que tenham um impacto social positivo, graças aos recursos dos aforradores ou investidores socialmente responsáveis que desejam algo mais que o simples rendimento económico. As organizações que
35

recebem financiamentos destes bancos vão desde as organizações do terceiro sector ou empresas para projectos sem fins lucrativos a clientes do sector sindical. O que determina a concessão do financiamento são as características do projecto que têm que ir de encontro aos ideais do banco, em sintonia com a sua política ética e em respeito aos requisitos de viabilidade económica. As actividades financeiras dos bancos éticos podem dizer respeito a temas diversos: direitos humanos, cooperação internacional, luta contra o comércio de armas, responsabilidade social das empresas, organizações sociais, impacto ambiental, protecção de animais, projectos sociais e educativos, energias renováveis, agricultura biológica, comércio justo, produção sustentável, educação alternativa, cultura, projectos assistenciais para os idosos e deficientes, etc. Além de financiarem os projectos onde estão empenhados, os bancos éticos oferecem em muitos casos actividades de consultoria, procurando formar e oferecer assistência ao terceiro sector para que a sua actividade seja mais sustentável. Em alguns casos os lucros distribuem-se através de dividendos, mas normalmente são reinvestidos no banco para fortalecer a sua estrutura e possibilitar a realização de mais projectos. Estes bancos oferecem de costume produtos de investimento e de crédito, mas há também bancos que oferecem seguros e serviços de viagens.A tendência é para oferecerem cada mais um vasto leque de serviços, como o banco electrónico ou os cartões de crédito. 4.5 Produtos de economia e investimento dos bancos éticos na Europa A maioria dos bancos éticos oferece contas correntes, contas e depósitos de poupanças a longo prazo e adapta-os habitualmente aos diferentes tipos de aforradores, quer sejam pessoas individuais, empresas, organizações sem fins lucrativos, sindicatos etc. e em alguns casos oferece produtos especiais para reformados, crianças e habitação. Alguns bancos dispõem também de fundos de investimento, geralmente com critérios negativos em termos de avaliação, muitos dos quais são ecológicos, éticos, para a cooperação internacional etc. Exemplos de bancos que oferecem fundos de investimento são o GLS Bank für Sozialwirtschaft, Triodos Bank, ASN Bank, Co-operative Bank e Banca Popolare Etica . No caso do Triodos Bank, por exemplo, os fundos de investimento cobrem 17% do total dos recursos dos clientes. Além disso, muitos bancos oferecem a possibilidade de aquisição de acções ou participações do banco (entre estas GLS, La Nef, Charity Bank, Unity Trust Bank e Ekobanken,). No caso das cooperativas, os clientes tornam-se membros das mesmas. Em algum caso negociam outros produtos, como no caso do Bank für Sozialwirtschaft que oferece obrigações do Estado. Os produtos de poupança são oferecidos tanto de forma tradicional como através da internet. As taxas de juro são, normalmente, em linha com as practicadas no mercado. Em muitos bancos, o aforrador pode renunciar ao seu dividendo, e dessa forma aumentar o margem de acção do banco para a concessão de créditos para projectos excluídos pelo sistema bancário tradicional. A excepção é o JAK da Suécia cujos produtos não cobram juros. 4.7 Produtos de crédito dos bancos éticos na Europa Os bancos éticos oferecem vários instrumentos de crédito para que o cliente possa encontrar o produto mais adequado para o o seu projecto. Alguns exemplos de produtos são: créditos a médio prazo de 2 a 7 anos para a criação ou o desenvolvimento de actividades, créditos a longo prazo até 15 anos para operações relativas a
36

terrenos ou imóveis, créditos para investimentos imobiliários a médio e longo prazo – de 4 a 6 anos -, créditos para assegurar liquidez a organizações que dependem de subsídios e doações, flexibilidade de caixa, antecipações sobre os créditos, financiamento de activos. Alguns bancos, como o GLS da Alemanha, fornecem também outros produtos menos tradicionais e mais típicos do microcrédito como: os créditos garantidos por fundos constituídos por grupos de privados, grupos de empréstimo e doacções. As taxas de juro practicadas são parecidas com as do mercado e são adaptadas em função do projecto financiado: menores para projectos de interesse social particular ou para determinados grupos. Quando tem que se determinar o tipo de taxa de juro considera-se a situação económica do cliente. Quanto aos requisitos para concessão do crédito, todos os bancos éticos sublinham a importância de satisfazer os critérios de avaliação, requerendo, na maioria dos casos, a sustentabilidade ambiental. Alguns bancos, como o Charity Bank, concedem empréstimos só para aqueles projectos que não podem obter o financiamento por via tradicional. Outros como o Co-operative Bank, oferecem créditos pessoais, embora na maioria dos casos os créditos a pessoas individuais representem uma excepção ou sejam completamente inexistentes, não se enquadrando nos objectivos dos bancos. Alguns bancos impõem determinadas condições para a concessão de créditos. Por exemplo, o Ekobanken da Suécia exige que os beneficiários adquiram acções até 5% do valor do crédito concedido, enquanto o JAK também da Suécia estabelece que, para que um cliente possa aceder a um empréstimo básico, tem que ter tido uma conta JAK, pelo menos nos últimos seis meses. 4.7 Âmbitos de acção dos bancos éticos na Europa A maioria dos bancos opera nas fronteiras nacionais onde foram fundados e portanto recolhem poupanças a nível local, regional ou nacional, e utilizam estes recursos para projectos que podem ser locais, regionais ou nacionais, e também internacionais. Muitos deste bancos criaram empresas ou organizações que complementam a actividade do banco, quer através da oferta de consultoria ou da promoção de determinadas acções, quer da criação de fundos para projectos específicos. 4.8Transparência dos bancos éticos na Europa Em geral, a maioria dos bancos éticos europeus dispõe de páginas web para o público, e de boletins, revistas ou publicações periódicas para os clientes. Nestas publicações informam sobre as suas actividades, os seus produtos de poupanças e de crédito, sobre os projectos aos quais são destinados os seus recursos, etc. Além disto, dispõem também de informações financeiras à disposição, como as contas anuais dos últimos exercícios, ou, pelo menos, as quantias mais significativas, junto com os relatórios sociais e ambientais.Todavia, é preciso notar que, seguindo o princípio da transparência na sua governação e funcionamento, alguns destes bancos éticos carecem de informação financeira disponível ou actualizada, e não respondem à procura de informações. 4.9 Elementos quantitativos Na seguinte tabela aparece a dimensão dos bancos éticos mais relevantes da União Europeia em Dezembro de 2003, segundo as informações contidas nas páginas web. Alguns bancos não estão presentes pois
37

faltavam dados actualizados até aquela data, ou iniciaram a sua actividade mais tarde, como no caso do Triodos Bank espanhola. TABELA 8: Principais Bancos Éticos na Europa
BANCO Sócios Clientes Recursos clientes Créditos Balanço total Capital Resultados

GLS Gemeinschaftsbank eG mit Ökobank Triodos Bank- Bélgica Merkurbank La nef Triodos Bank- Holanda ASN Bank Co-operative Bank Charity Bank Unity Trust Bank Triodos Bank (UK) Banca Popolare Etica Ekobanken

12.900 1.535 1.968 9.067 6.345 n.d.

42.000 (1) 8.984 n.d. (1) 400.000 201.000

382.100 190.171 57.172 17.590 382.846

247.900 90.568 45.031 19.964 269.216

443.200 214.353 77.599 n.d. 478.135 1.553.800

25.400 18.746 10.435 6.253 78.666 74.400

n.d. 660 255 236 2.080 2.300 128.078 -1.057 4.115 287 n.d. 41

1.445.000 1.440.300

n.d. 2.310.000 11.749.485 9.950.915 13.654.955 165.681 n.d. n.d. 469 23.500 2.209 n.d. n.d. (1) n.d. 2.209 17.020 373.242 264.996 290.383 13.286 20.668 78.491 107.191 115.459 13.893 23.388 418.888 269.715 n.d. 17.632 5.622 23.669 1.757 16.817 2.328

(1) Os clientes que figuram em Triodos Bank (Holanda) são a suma dos clientes da Bélgica, Holanda e Reino Unido n.d. Dados não disponíveis na página web.

É possível notar que o Co-operative Bank, pela sua origem e o seu modo de operar claramente diferente do dos outros bancos, ultrapassa de muito os volumes dos restantes bancos. Segue-se em dimensões o ASN Bank, o GLS Gemeinschaftsbank, o Unity Trust Bank e o Banca Popolare Etica. As instituições financeiras éticas mais pequenas são a Ekobanken, o Charity Bank e o La Nef. No que respeita ao número dos trabalhadores, varia entre 20 e 80, sendo um caso excepcional os 4.138 do Co-operative Bank, e os 8 do Ekobanken. 4.10 Conclusões Os bancos éticos europeus começam a aumentar o volume de activos financeiros que movimentam o que representam um progressivo avanço da sua actividade: Conseguem recolher mais recursos dos clientes e de consequência destinar estes fundos para um número maior de créditos. Em vários países, os bancos éticos apoiam-se em organizações da economia social para desenvolver e extender a sua actividade. É o caso, por exemplo, da Espanha e da França com as Caixas de Poupança, organismos que são sempre mais envolvidos no investimento socialmente responsável. Um assunto chave no futuro dos bancos éticos é o desenvolvimento de um quadro legislativo favorável tal como tem vindo a acontecer para os ISR .

38

5. FINANÇA ÉTICA EM PORTUGAL
Em Portugal, o mercado da finança ética continua ainda por emergir. Entre os três instrumentos de finança ética acima mencionados – ISR, microfinanças e banca ética – é o segundo instrumento aquele que tem vindo a crescer nos últimos anos. Em Janeiro de 1988 introduziu-se o conceito de Microcrédito em Portugal, pela mão do programa europeu MECFIN , através de programas de identificação de mecanismos alternativos de financiamentos de algumas actividades económicas do Terceiro Sector. Este programa tinha como objectivo permitir que pessoas sem o acesso ao crédito tradicional pudessem obter um empréstimo no sentido de investirem em pequenas actividades económicas. Esta iniciativa partiu da Associação Nacional do Direito ao Crédito (ANDC), organizações não governamentais (ONG) e outros parceiros como a instituição financeira Millennium BCP e associações de desenvolvimento local (ADLs). 5.1. Investimento Socialmente Responsável (ISR) em Portugal O primeiro debate público em Portugal sobre ISR teve lugar em Novembro de 2003 em Lisboa, parte da Conferência Internacional sobre Responsabilidade Social e Globalização organizada pelo Fórum DC, um projecto de duas ONG portuguesas, oikos –cooperação e desenvolvimento e Instituto Marquês de Valle Flôr. Foi a oportunidade para a Fórum DC apresentar um estudo sobre a forma como as instituições financeiras com actividade no país encaravam o ISR. Das 15 instituições contactadas, 8 responderam ao questionário: ActivoBank 7, Banco Bilbao Vizcaya Argentina (BBVA), Banco Espírito Santo (BES), Banco Português de Investimento (BPI), Banco Comercial de Portugal (BCP), Banco Português de Negócios (BPN), Barclays Bank, Grupo Totta/ Santander. Entre os bancos que responderam, três indicaram que comercializavam já produtos ISR, outros dois disseram que o fariam caso houvesse mercado, e outros três afirmaram ser uma boa ideia, mas não havia ainda um mercado em Portugal. Para 63% dos bancos contactados, o melhor mecanismo para seleccionar um fundo ISR seria avaliação por uma agência de certificação social, enquanto para outros 25% tudo dependeria das administrações dos bancos. Em relação ao melhor argumento para começar a vender um fundo ISR, 38 por cento mencionaram a existência de algum estudo que revelasse o interesse do mercado neste produto financeiro, 38 por cento indicaram estudos de caso e boas práticas evidenciando bons retornos financeiros, e 25 por cento a consciência de que existia uma responsabilidade ética nos investimentos.16 Entre os fundos ISR comercializados em Portugal, encontra-se o Fundo do Consumidor Responsável Europeu (ERCF) lançado em 2003 pelo Banco Espírito Santo (BES), numa colaboração entre a Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF) e a CONSEUR, a maior associação de consumidores europeia. Segundo a ESAF, é um fundo com um portfolio misto constituido em partes iguais por acções e obrigações. Em termos de critérios de exclusão, o ERCF evita investimentosnas indústrias de tabaco. Em termos de critérios positivos, o ERCF investe em companhias que respeitam os direitos dos consumidores ou o ambiente.
16

Ver João José Fernandes, Investimento Socialmente Responsável e Fundos Éticos: Uma Aproximação à Realidade Portuguesa (Apresentado na Conferência Internacional sobre Responsabilidade Social e Globalização, Dezembro 2003) 39

A Tabela 8 inclui outros fundos ISR comercializados em Portugal: TABELA 9: FUNDOS ISR em Portugal
Fundos ISR Tipo Retorno financeiro (1 ano) 2,03 % Comissão Instituição financeira ActivoBank7

DWS Invest Sustainability Leaders Mellon European Ethical Tracker UBS Equity Fund Eco Performance CS Equity Fund Global Sustainability Picket European Sustainable Equities JP MF Global Socially Responsible Fund

Portfolio misto

2,20%

Só acções

2,01%

1,75%

Banco Big

Só acções

1,91%

2,04%

ActivoBank7

Só acções

0,58%

1,92%

ActivoBank7, Banco Best Banco Big Banco Best

Só acções

0,08%

1,60%

Só acções

-2,58%

2,10%

ActivoBank7 Banco Best

Embora o panorama do ISR em Portugal seja pobre, existem já algumas organizações que têm promovido a RSE junto das empresas portuguesas: • RSE Portugal: uma organização sem fins lucrativos que integra uma rede europeia sobre RSE, a

Corporate Social Responsability (CSR) Europe. A missão da RSE Portugal é tornar-se a referência nacional na área da RSE, promover e publicitar projectos RSE dentro e entre empresas, desenvolver instrumentos analíticos para a área da RSE e dar maior visibilidade pública às empresas socialmente responsáveis. Entre os seus associados contam-se o Millenium BCP, Novartis, Intertek, ou o Grupo Portucel. • BCSD Portugal: é a representação nacional do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), criada em 2001pelas 3 maiores companhias portuguesas - SONAE, GRUPO PORTUCEL e Cimpor –. Entre os seus maiores objectivos são a promoção de uma plataforma que junte empresas, sociedade civil e governo em apoio ao desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento de estratégias para melhor comunicar a temática do desenvolvimento sustentável. Entre os seus membros contam-se a EDP, Águas de Portugal, ABB e GALP. • GRACE: é uma associação sem fins lucrativos criada em 2000 e destinada a promover o conceito de Cidadania Corporativa e apoiar várias actividades sociais desenvolvidas por organizações nãogovernamentais. Entre as suas associadas contam-se a McDonalds, BP, IBM e Deloitte Consulting.

40

5.1 Actores Portugueses nas Microfinanças A Associação Nacional do Direito ao Crédito (ANDC), criada em 1998, foi a pioneira no desenvolvimento das actividades de microcrédito em Portugal tendo como grupo alvo um segmento de pessoas que não teriam o acesso ao crédito tradicional.17 O seu objectivo principal é lutar contra exclusão social, através de uma solução digna com recurso ao crédito para beneficiários que nunca teriam essa alternativa na banca tradicional. Impedida de fazer a intermediação financeira ela própria, a ANDC trabalha desde a sua criação em parceria com instituições financeiras nacionais, em particular com o grupo Millennium/BCP. O valor dos empréstimos concedidos é de 5 mil euros, reembolsáveis até 36 prestações mensais constantes e com uma taxa juro próxima dos 5%. Entre a sua criação e até 5 de Novembro de 2005, o número de microcrédito concedidos atingiram 349 projectos , tendo sido criados 420 de postos de trabalho e com o valor total do crédito concedido a chegar aos de 1.5 milhões de euros. A nível de concessão do Microcrédito, verifica-se na (tabela 8) que as Mulheres são as que mais beneficiaram deste produto financeiro.
Tabela 10 Distribuição do Microcrédito por sexo /ANDC

Mulheres 55%

Homens 45%
Fonte: www.microcredito.com

17

Para informações sobre ANDC, ver www.microcredito.com

41

DISTRIBUIÇÃO POR GRUPOS ETÁRIO
Tabela 11
Distribuição por grupos etários/ANDC

Fonte: www.microcredito.com

Na distribuição por grupos etários, predominam os beneficiários com idades compreendidas entre 26 e mais de 55 anos. Verifica -se na (tabela 9) que: • • • • • 5,8 % dos beneficiários tem menos de 26 anos. 22,3 % têm idade compreendida entre 26 e 36 anos. 30,9% têm idade compreendida entre 36 e 46 anos. 26% têm idade compreendida entre 46 e 55 anos. 15% têm idade superior a 55 anos.

A partir desta tabela, é possível verificar que a estratégia da ANDC passa por apoiar e conceder crédito a uma faixa etária entre os 36 e 46 anos, uma vez que são pessoas que a priori são chefes de agregados familiares, encontram-se mais desprotegidos, ou seja economicamente e socialmente excluídos e necessitam a todo custo criar e gerar rendimentos de forma a melhorar as suas condições de vida, estando dispostos a assumir o risco inerente a um negócio por mais pequeno que ele seja.
DISTRIBUIÇÃO POR NÍVEL DE ESCOLARIDADE
Tabela 12 Distribuição por nível de escolaridade/ANDC

Fonte: www.microcredito.com 42

No que diz respeito à concessão do Microcrédito por nível de escolaridade verifica-se na (tabela 3) que: • • • • • • 9,5% dos beneficiários são do Ensino Superior/ Universitário. 22% dos beneficiários têm o Ensino Secundário/ 12º Ano. 21,6% dos beneficiários têm 3º ciclo. 21,6% dos beneficiários têm 2º ciclo. 23,8% dos beneficiários têm 1ºciclo. 1,5% dos beneficiários não têm instrução escolar.

E bem visível neste gráfico que a ANDC privilegia um segmento de pessoas onde constam mais desempregados, iletrados e desocupados que não encontram resposta no mercado de trabalho porque não possuem as qualificações desejadas pelos empregadores ou por questões de idade, ou porque vivem em regiões de baixo dinamismo económico. Para estas pessoas o começo de um pequeno negócio pode ser um sinónimo de um percurso de integração social e melhoria das condições de vida.
DISTRIBUIÇÃO POR ACTIVIDADES/NEGÓCIOS

Tabela 13
Distribuição por actividades/negócios/ANDC

Restauração e Com ércio alim entar V estuário, Couro e calçado Artesanato e bijuteria Com ércio diverso Construção Civil Oficinas, reparações e Lim pezas Cabeleireiros Agricultura, pescas Jardinagem e Flores
0 % 5 % 1 0 % 1 5 % 2 0 % 2 5 %

Fonte: www.microcredito.com 43

Em relação as actividades geradoras de rendimentos, verifica-se que os beneficiários preferem aplicar os fundos do microcrédito em sectores de actividade onde haja retorno rápido do capital investido. Em Portugal o sector de actividade que reúne mais beneficiários é o da restauração e comércio alimentar, com mais de 20%. Isto deve-se ao facto de neste sector de actividade os pequenos negócios demorarem pouco tempo para passarem da economia informal a actividade formal e terem a oportunidade de desenvolverem os seus negócios de forma autónoma o que facilita a gestão do próprio negócio. Entre as instituições financeiras mais activas na área do microcrédito em Portugal encontra-se o Millennium/BCP. A sua primeira iniciativa nesta área emerge com a assinatura de um protocolo com a ANDC em 2000 através do qual o banco responsabiliza-se pela concessão do empréstimo ao beneficiários da ANDC. Em Novembro de 2005, o Millennium/BCP lançou um rede nacional de microcrédito tendo como segmento alvo pessoas desempregadas, licenciados, reformados, domésticas, jovens e proprietários de pequenas empresas, exigindo como condições básicas de acesso ao crédito a capacidade para gerar um negócio e ser uma pessoa séria. Existem duas modalidades de crédito: • • Independente (um empréstimo único) Crescimento (empréstimos faseados)

Actualmente, o Millennium/BCP tem realizado um esforço no sentido de alargar os seus serviços a outros segmentos do mercado que têm mais dificuldades a aceder ao crédito como a vasta comunidade de imigrantes em Portugal. A proposta do Millennium/BCP prevê a prestação de serviços de formação em conceitos básicos de gestão e assegurar parcerias com universidades. O apoio financeiro será dado pela Fundação Calouste Gulbenkian, enquanto a Cáritas assegurará o contacto com os mais pobres, potenciais clientes de microcrédito. A rede foi lançada em apenas três espaços Lisboa, Porto e Braga e os créditos serão concedidos a uma taxa de juro consentânea com o nível de risco. Para além do Millennium/BCP, duas outras grandes instituições financeiras nacionais têm vindo a revelar um interesse no mercado do microcrédito: Caixa Geral de Depósitos (CGD) e Banco Espírito Santo (BES) A Caixa Geral de Depósitos lançou em Junho de 2005, em parceria com o Serviço Jesuíta para os Refugiados, um produto financeiro no valor de 250 mil euros e destinado a imigrantes. Este protocolo tem como objectivo principal promover e facilitar o acesso à empréstimos bancários a refugiados e imigrantes, um grupo de pessoas com maiores dificuldades económicas e financeiras. Os empréstimos variam entre 500 e 7500 euros e podem ser reembolsados num prazo até 36 meses com condições especiais, com uma taxa de juro baixa. O Serviço Jesuíta para os Refugiados tem a seu cargo apoiar a gestão da linha de financiamento e criar mecanismos de proximidade junto das comunidades imigrantes. É uma linha de microcrédito que visa: • • • Apoiar a criação de auto – emprego. Criação de novos negócios. Contribuir para integração social dos imigrantes.

Em meados de Dezembro de 2005, a CGD voltou a estabelecer dois novos protocolos na área do microcrédito no valor de 750 mil euros, o primeiro com a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) e o segundo
44

com a ANDC. Com estes dois novos protocolos, a CGD declara o seu interesse em fomentar o empreendedorismo através de um instrumento de financiamento destinado a apoiar a cidadãos em situação de exclusão social ou profissional. O protocolo com a ANJE prevê uma linha de microcrédito de 500 mil euros e um financiamento até 80% das despesas totais até um prazo de 48 meses. Os beneficiários da ANDC terão acesso aos restantes 250 mil euros e um financiamento até 100% num prazo de 3 anos. A CGD dispõe actualmente de quatro agências, em Lisboa, Coimbra, Faro e Porto para análise e acompanhamento dos projectos de microcrédito. Quer a ANDC quer a ANJE ficam responsáveis pela análise, acompanhamento das propostas e verificação do cumprimento das prestações dos créditos. À CGD cabe fazer a intermediação financeira, emprestando o dinheiro, aprovando ou recusando as propostas. TABELA 14: CONDIÇÕES DAS LINHAS DE MICROCRÉDITO DA CGD

Protocolo

Beneficiários
Imigrantes residentes, sem dividas no Banco de Portugal, com necessidade de integração social e financeira, excluídos e sem capacidades de recorrer ao crédito bancário e com dificuldades em recorrer ao mercado de trabalho e com capacidade para promover a criação do seu próprio negócio ou emprego. Cidadãos sem dividas no Banco de Portugal, com necessidade de integração social e financeira, excluídos e sem capacidades de recorrer ao crédito bancário e com dificuldades em recorrer ao mercado de trabalho e com capacidade para promover a criação do seu próprio negócio ou emprego. Jovens sem dividas no Banco de Portugal, com capacidade para promover o seu próprio negócio.

Montante e prazo
De 500 euros até 7500 euros, com limite de 100% do valor do investimento. Prazo até 36 meses.

Protocolo com o JRS

De 1000 euros até 5000 euros, com limites de 100% do valor do investimento. Prazo até 36 meses.

Protocolo com a ANDC

Protocolo com a ANJE

Montante até 80000 euros com limite até 80% do investimento. Prazo até 48 meses

Fonte: www.cgd.pt O Banco Espírito Santo (BES) estreou-se no microcrédito em Abril de 2006 com o lançamento do seu serviço BES Boas Vindas18 e a criação de duas linhas de microcrédito destinadas a promover o empreendedorismo social. A linha de financiamento de 750 mil euros e o prazo de reembolso é de quatro anos.O BES assinou um protocolo de colaboração com 20 câmaras municipais e com a Casa da Rússia, em que se comprometeu a realizar um conjunto de acções e projectos, com vista a apoiar e desenvolver a capacidade empreendedora
18

Conjunto de iniciativas que têm como objectivo principal o apoio às comunidades de imigrantes em processo de integração na sociedade portuguesa, os novos residentes.

45

das comunidades de língua russa em processo de integração na sociedade portuguesa. O BES tem realizado um esforço no sentido de criar uma rede de apoio local as iniciativas empresariais, através de instrumentos de financiamentos à criação de pequenos negócios. Este novo serviço constitui uma nova ferramenta no combate a exclusão social, uma vez que os novos residentes legalizados em Portugal enfrentam grandes dificuldades no acesso ao crédito tradicional, e o facto de ser obrigatório trabalharem por conta de outrém ate a obtenção da autorização de residência. Segundo o BES, 127.000 imigrantes poderão candidatar-se e estarão em condições de obter uma autorização de residência podendo assim abrir o seu próprio negócio em Portugal. O objectivo do BES a curto prazo é captar uma linha de 100 mil clientes, dos quais 16 mil serão cidadãos residentes. Para além das iniciativas nacionais, o Millennium/BCP e o Montepio Geral têm estado envolvidos em actividades de microcrédito em países em desenvolvimento, nomeadamente Moçambique e Cabo Verde. Em Moçambique, o Millennium/BCP esteve na génese em Outubro de 2000 do NovoBanco-Banco de Microfinança em parceria com outras instituições internacionais e nacionais. O NovoBanco tem como objectivo providenciar microcréditos a micro, pequenas e médias empresas e a indíviduos que têm problemas em aceder ao crédito. No final de 2003, o total de microcréditos providenciados pelo NovoBanco chegou aos 4.6 milhões de euros com taxas de juro variando entre 5.5%/ mês (em empréstimos de seis meses a dois anos) e 3.2%/mês para pequenas e médias empresas. Actualmente o banco tem seis agências que cobrem essencialmente zonas urbanas: Maputo (4), Beira (1) e Nampula (1). Em Cabo Verde, o Montepio Geral estabeleceu uma parceria estratégica com a Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), um dos maiores bancos comerciais do país e o único a trabalhar na área do microcrédito. O Montepio Geral tem apoiado o CECV em termos de capacitação na área da gestão, recursos humanos e estratégias na área das empresas. Os programas de microcrédito são destinados a apoiar a criação e desenvolvimento de microempresas que beneficiem grupos sociais com baixo rendimento, em particular mulheres que são chefes de família e que se dedicam ao comércio ambulante. Outros programas são orientados para a modernização da agricultura local, das pescas e do artesanato. O CECV tem activos no total de 100 milhões de dólares e possui 10 agências em quatro ilhas. Ainda em termos de microcrédito nos países em desenvolvimento, a oikos – cooperação e desenvolvimento tem apoiado algumas iniciativas nesta área. A disponibilidade de financiamento é um requisito necessário, mas não suficiente, para que os pobres tenham acesso ao crédito. Neste sentido, a oikos tem vindo a promover vários instrumentos e iniciativas de microfinança e economia social, que disponibilizam recursos financeiros às famílias mais pobres dos países em desenvolvimento. Com estes recursos (microcrédito, capitalização de associações e cooperativas, constituição de negócios sustentáveis, etc.), tem sido possível quebrar o ciclo da pobreza de muitos milhares de famílias em países como Angola, Moçambique, Brasil, Peru, etc. Alguns exemplos de projectos que incluem componentes de microcrédito são:

PROSAM – Programa de Segurança Alimentar em Malange, Angola A oikos trabalha na província de Malange, em Angola, desde 1991. Desde então, foram realizados vários programas de ajuda de emergência durante a guerra, reinstalação de populações deslocadas, reinserção de ex-combatentes e segurança alimentar. Actualmente, a oikos está a implementar, com apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional e da Intermón Oxfam (Espanha) e em parceria com várias ONG e
46

igrejas locais, um Programa de Segurança Alimentar (PROSAM) em 30 aldeias do município de Caculama e Malanje, beneficiando 4.047 famílias, totalizando 18.501 pessoas. O programa visa contribuir para o reforço da capacidade produtiva e institucional das organizações locais (instituições parceiras locais e comunidades beneficiárias), com objectivo de criar mecanismos para a consolidação da sua auto-suficiência alimentar, maior participação nos processos de tomada de decisões em relação aos problemas que mais os afectam, assim como maior conhecimento sobre as problemáticas da HIV-SIDA, questão da terra, cidadania e etc.O programa apoia duas modalidades de crédito: a primeira é direccionada para créditos destinados a actividades agrícolas, sendo concedidos somente nos períodos referentes ao inicio das épocas agrícolas (Setembro, Outubro e Abril); a segunda destina-se a créditos para outras actividades de geração de rendimento e são concedidos por períodos intercalares ( 3 em 3 meses) . A implementação do programa de microcrédito é efectuada através de uma parceria com o Banco Sol. Após longas discussões, em Novembro de 2004 foi assinado um acordo de parceria entre a oikos e o Banco Sol, que visa facilitar a cedência por esta instituição de recursos financeiros para o desenvolvimento de pequenas acções de geração de rendimento pelas comunidades. Resultante do acordo, o BANCO SOL compromete-se a disponibilizar um fundo global anual estimado em USD 60 mil dólares/ano. Projecto de Segurança Alimentar em Mandimba, Moçambique Este projecto, a implementar por um período de 3 anos a partir de Junho de 2005, pretende consolidar os resultados obtidos por uma intervenção anterior, orientada para o incremento da produção agrícola no distrito de Mandimba, Niassa, em Moçambique (2001-2004). O projecto contribuirá para a melhoria da segurança alimentar do distrito de Mandimba, garantindo a auto-suficiência alimentar e o aumento das fontes de rendimento de 5.000 famílias, sendo 2.200 beneficiárias do projecto anterior e 2.500 novas famílias, correspondente a 20 mil pessoas, beneficiárias directas. As acções e os recursos do projecto organizam-se em torno de quatro resultados: (1) aumento e diversificação da produção; (2) organização dos produtores em associações; (3) acesso e ligação dos produtores ao mercado; (4) reforço institucional das estruturas locais. A estratégia do projecto passa pela introdução de novas opções tecnológicas, pela organização dos camponeses em associações e casas agrárias, pela articulação dos produtores com a rede comercial e pelo reforço da agro-indústria, para aumento dos rendimentos das famílias, aumento da capacidade de poupar e investir e ainda da redução de índices de pobreza existentes no distrito.O projecto conta com uma componente de microcrédito, no âmbito de uma parceria com a Amoder, ong local especializada em microfinança. A Amoder será colaboradora directa e terá como principal papel efectuar a concessão de crédito às uniões de camponeses institucionalizadas, como a união de Issa, Mitande e Mandimba Sede, e aos comerciantes, para a comercialização de produtos agrícolas, compra e venda de factores de produção, créditos para investimento na agro-indústria (prensas de óleo, moageiras) e na tracção animal. O projecto garantirá um fundo operacional para estas actividades e prestará assistência técnica aos beneficiários do programa de microcrédito na consolidação dos seus empreendimentos. Projecta-se que a componente de crédito do programa possa vir a contemplar no primeiro ano cerca de 10 empresários do Distrito de Mandimba, podendo este número crescer com seis novos empresários anuais. Em três anos prevê-se a possibilidade de beneficiar cerca de 22 pequenos empresários do distrito. O número de pequenos produtores beneficiários da componente de crédito será estabelecido após a identificação dos potenciais elementos a serem abrangidos. A componente de crédito tem já garantido um fundo de 15 mil euros no primeiro ano, devendo este fundo de crédito ter um crescimento anual de 10 mil euros. Num período de 3 anos o fundo de crédito atingirá assim os 35 mil euros.
47

Banco Comunitário de Huayao, Peru Huayao é uma pequena aldeia do distrito de Tambo, departamento de Ayacucho (Andes), no Peru. Situada a 3100 metros de altitude, tem 800 habitantes, agrupados em 200 famílias, que vivem da agricultura, criação de gado, pequenos negócios e trabalho temporário. A violência política das décadas de 1980 e 1990 marcaram a vida da comunidade, numa zona de influencia da guerrilha (Sendero Luminoso). Actualmente a comunidade está numa etapa de restabelecimento do seu tecido social e de reorganização da produção. Contudo, vários são os problemas que a comunidade enfrenta: fraca capacidade de criação de emprego;baixa produção e produtividade agro-pecuária; termos de troca comercial injustos e desfavoráveis; reduzida infra-estrutura de processamento e comercialização; os camponeses não são considerados sujeitos de crédito pela banca comercial por não apresentarem garantias e se encontrarem em zonas inóspitas e de difícil acesso.fraca rentabilidade das actividades que realizam; problemas de saúde, educação e habitação. Entre 1998 e 1999 a oikos, em parceria com a COPROFAM (ONG local), implementa um pequeno projecto de desenvolvimento comunitário, com as seguintes componentes: criação de pequenos ruminantes, cultivo de ervas aromáticas (orégão) construção de um centro de promoção da educação infantil (PRONOEI), e constituição dum pequeno banco comunitário (“Banquito Comunal de Huayao”). O objectivo da constituição deste banco comunitário foi permitir que mulheres e homens de Huayao passem a dispor de um capital mínimo de investimento, necessário para melhorar a rentabilidade das suas principais actividades. Além disso, pretendeu-se criar uma cultura de poupança e investimento e uma capacidade de gestão de fundos. Em Julho de 1999, o projecto outorgou um empréstimo de 3.5 mil novos soles (cerca de mil euros, ao câmbio da época). Com este fundo o banco comunitário inicia as suas acções, outorgando nove créditos, dos quais sete foram para mulheres. No ano seguinte, após uma primeira avaliação, o projecto aumentou o fundo de crédito para 7 mil novos soles (cerca de 2 mil euros). A intervenção directa da oikos e do parceiro local (COPROFAM) foi concluída em finais de 1999, início de 2000. Em meados de 2003, a oikos encomendou uma auditoria externa ao “Banquito Comunal de Huayao” (BCH), a fim de averiguar a evolução do mesmo e os resultados obtidos. Os resultados são extraordinariamente positivos, evidenciando que os camponeses pobres podem ser bons gestores. Até ao dia 15 de Julho de 2003, o BCH tinha gerado uma margem de lucro bruta de 22.284,80 soles (15.228,80 como capital actual e 7.056,00 de despesas durante os 4 anos), esta quantidade foi gerada a partir de um capital inicial de 9.560 novos soles (7 mil novos soles do empréstimo do projecto, 1.6 mil novos soles dos sócios e 900 soles de poupanças da comunidade). Os indicadores de avaliação são os seguintes: Taxa de morosidade Rotação da carteira Capitalização 104,0% 8% (em 4 anos) Custos administrativos 6,4% 2,80 vezes

RASME – Rede Angolana de Apoio ao Sector Microempresarial

48

Finalmente para o microcrédito seja correctamente aplicado, a oikos incide também no nível da “utilização”. O uso dos instrumentos de microcrédito está relacionado com dois aspectos: a capacidade dos indivíduos e/ou famílias aplicarem os recursos de forma segura, efectiva e eficiente e a capacidade institucional e de gestão das organizações promotoras do microcrédito.A oikos apoiou, por isso, a constituição da RASME – Rede Angolana de Apoio ao Sector Microempresarial. A RASME é uma rede constituída para influenciar as políticas públicas com relevância para o desenvolvimento do sector micro-empresarial e para a capacitação e reforço institucional das organizações sociais que actuam na área do desenvolvimento da micro-finança e das micro-empresas. A RASME foi constituída pela ADRA, CARE, DW - Development Workshop, oikos e SNV. Entre 2003 e 2004 o representante da oikos em Angola presidiu à rede e, actualmente, integra o conselho directivo da mesma. A RASME é membro da SAMCAF – Southern Africa Microfinance and Entreprise Capacity Ecement Facility. Para além da RASME, são membros da SAMCAF as seguintes redes: Association of Microfinance Institutions of Zambia (AMIZ) Zimbabwe Association of Microfinance Institutions (ZAMFI) Malawi Microfinance Network (MAMN) Microenterprise Alliance (MEA) of South Africa Joint Consultative Committee (JCC) of Namibia Os objectivos da RASME são os seguintes: Facilitar a capacitação de todos os intervenientes do Sector Micro – Empresarial (Implementadores, Bancos, Micro – Empresários e Doadores) Influenciar políticas favoráveis para o desenvolvimento do Sector Micro – Empresarial Divulgar e promover as melhores práticas do Sector – Empresarial Contribuir para a padronização melhores práticas do Sector Micro – Empresarial Reforçar as sinergias e fazer ligações com as organizações – membro. 5.3 Conclusões Este é uma breve apresentação do que pode ser visto como o cenário da finança ética em Portugal e que tem sofrido uma transformação acentuada nos últimos anos, principalmente das iniciativas na área do microcrédito. No entanto, quer o ISR - que tem vindo a crescer rapidamente nos outros países europeus quer a banca ética continuam a estar practicamente ausentes em Portugal. As razões para esta ausência podem passar por uma sociedade civil pouco activa e pelo pouco interesse/entusiasmo dos intermediários financeiros locais em promoverem uma área cujas características desconhecem ou de se lançarem num mercado ainda relativamente novo mesmo em termos internacionais. A recente inclusão de empresas portuguesas no índice RSE FTSE4Good permite antever que já existe no mercado nacional quem se preocupe em responder às crescentes exigências dos investidores internacionais em termos de responsabilidade social. Será que são os investidores internacionais a chave para o crescimento do ISR em Portugal? Quanto à banca ética, Portugal, ao contrário, por exemplo, de Espanha ou Itália dispõe até de uma legislação favorável - Caixas Económicas - para a criação de uma instituição financeira desta natureza. O passo seguinte passa por juntar as vontades de várias organizações/instituições sem fins lucrativos, tal como exige a lei, que mostrem um interesse e capacidade na fundação de uma futura banca ética nacional.

49

6.METODOLOGIA DO ESTUDO
Os países considerados neste estudo são todos os que neste momento fazem parte da União Europeia, tendo o estudo provavelmente favorecido as experiências mais significativas, e daqueles países com mais informação disponível. O estudo considera as informações relativas aos últimos 5 anos e tentou trabalhar as informações mais actualizadas. No que diz respeito ao processo de trabalho, foram seguidas quatro linhas: • Visita das páginas web das entidades financeiras e das organizações que operam no sector da finança socialmente responsável. Houve dificuldades na recolha de informações para o seu número elevado e pela falta de informações na Internet. • Devido à grande dificuldade em encontrar meios para contactar as fontes primárias de informação a nível europeu no âmbito da microfinança, a realização desta parte de trabalho baseou-se em diversos estudos realizados por organizações de alto prestígio. As principais fontes de informação estão citadas. • No âmbito do ISR, os Economistas sin Fronteras (EsF), como membro da principal rede europeia Eurosif, privilegiou as informações provenientes desta fonte, as quais derivam directamente da investigação das principais redes e organizações ligadas à finança socialmente responsável de cada País. • Utilizaram-se também os relatórios próprios de cada País oferecidos por outras organizações europeias envolvidas neste projecto. Este estudo não está estruturado por cada país, mas por experiências. Os países que não têm experiências consideráveis num determinado sector, não aparecem no mesmo. Pelo aspecto descritivo da situação europeia a nível geral, é possível que haja também alguns casos particulares que não estão representados.

50

7. BIBLIOGRAFIA
ALSINA, O. (2002): “La Banca Ética: Mucho más que dinero” FETS, Ed. Icaria AVANZI SRI RESEARCH, SIRI GROUP: “Green, social and ethical funds in Europe 2004”. DEL RÍO, N. (2003): “Rescata tu dinero. Finanzas solidarias y transformación social”, Madrid. Dossier Ethical Finance in England, 2004. (memorando) Dossier Ethical Finance in Holland, 2004.(memorando) Dossier Ethical Finance in Italy, 2004. Dossier Ethical Finance in Portugal, 2004. EUROSIF: “Socially Responsible Investment among European Institutional Investors 2003 Report”. FORO NANTIK LUM DE MICROFINANZAS (2005): “El Microcrédito en España, hoy: principales magnitudes 2004”, Obra Social “la Caixa”. GUTIÉRREZ NIETO, B: “El microcrédito. Análisis del caso español”, UNED, 2003. MERCER INVESTMENT CONSULTING y EUROSIF RESEARCH: “European Pension Fund Managers Guide 2002”. MICROFINANCE CENTRE FOR CENTRAL AND EASTERN EUROPE AND THE NEW INDEPENDENT STATES, MFC: “MFC-Overview of the Microfinance Industry in the ECA Region in 2003”, Dezembro de 2004. MICROFINANZA SRL: “FINANCING FOR DEVELOPMENT - ANALYSIS OF EUROPEAN BEST PRACTICES”. 2004. SETEM, 2005: “Finanzas éticas: la otra cara de la moneda”. THE NEW ECONOMICS FOUNDATION: “Una perspectiva general del sector Microfinanciero en Europa Occidental”, Agosto de 2004.

51

OUTRAS FONTES DE CONSULTA www.gemeinschaftsbank.de/ www.ethicalmoney.org www.ethicalinvestment.org.uk www.eiris.org www.eurosif.org/ www.sricompass.org www.dti.gov.uk/ www.vbdo.nl/ www.avanzi-sri.org www.cnmv.es www.europapress www.deputati.it www.uksif.org/ www.sozialbank.de www.triodos.es www.merkurbank.dk www.eko-osuusraha.fi/ www.alsace.banquepopulaire.fr www.credit-cooperatif.fr www.lanef.com www.inaise.org www.triodos.es www.triodos.co.uk www.asnbank.nl www.co-operativebank.co.uk www.unity.uk.com www.bancaetica.com www.febea.org www.cultura.no www.jak.se www.ekobanken.se www.bas-info.ch www.gemeinschaftsbank.ch www.finansol.org www.mercator.be www.fig-igf.org www.tise.com.pl www.microfinance.lu www.adie.org www.alterfin.be www.microcredito.com.pt http://cigales.asso.fr www.cordaid.nl www.credal.be www.creditosud.it www.blueorchard.ch www.etika.lu www.etimos.it http://obrasocial.caixacatalunya.es http://www.swwb.org www.novib.org www.oikocredit.org www.planetfinance.org www.sidi.fr

52

8. ANEXO 1: PRINCIPAIS FUNDOS ISR na EUROPA19.
PAÍS Áustria FUNDOS 1. 3 Banken Global Oeko Mix 2. Kepler Sustainability Aktienfonds 3. Klassik Oeko Trends 4. Oeko Star Best Equity 5. Superior 3 6. Trust Fund Institutional Eco Global Fund 7. Umwelt-Stock 1. AlterVision Balance Europe 2. Athena Responsible World Equity 3. Axa Ethi-Strategy Equities Europe 4. Bacob Open Life Schubert 5. Bacob Open Life Strauss 6. Bacob Open Life Stravinsky 7. BBL L Invest Sustainable Growth 8. BRG-Fund Ethiglobal 9. Cordius Allocation Sustainable Europe 10. Cordius Allocation Sustainable World 11. Cordius Capital Stimulus Europe Quality 12. Dexia Equities L World Welfare 13. Fortis L Equity Euro Job 14. IN. Flanders Index Fund 15. KBC Click Ethiclick 1 16. KBC Click Solidarity 1 17. KBC Eco Fund Ethi Equity Euroland 18. KBC Ecofund 19. KBC Equisafe Ethinvest 1 20. MERNO Top IN. Flanders 21. MERNO TOP Participatie-21 22. Participatie-21 23. Stimulus Invest Stimulus Accent Earth 24. Stimulus Invest Stimulus Accent Social 25. Stimulus Invest Stimulus EMU 26. Stimulus Invest Stimulus Europe 27. Stimulus Invest Stimulus European Balanced High 28. Stimulus Invest Stimulus European Balanced Low 29. Stimulus Invest Stimulus European Balanced Medium 30. Stimulus Invest Stimulus North America 31. Stimulus Invest Stimulus Pacific 32. Stimulus Invest Stimulus World Large Caps 33. Triodos Values International Equities 34. VMS Luxinter Ethifond 1. Afdeling Bæredygtig – Europa 2. Banco Humanfond 1. Gyllenberg Forum

Bélgica

Dinamarca Finlândia

19

Informação tirada do site internet de SiRi a 4 maio de 2005.

53

França

1. ACTIONS ETHIQUES 2. ACTISOCIA EUROPE 3. ATOUT VALEUR 4. AZUR GMF DEVELOPPEMENT DURABLE 5. CAPITAL EMPLOI 6. Capital Emploi Croissance 7. CDC EURO 21 8. CDC Meridian Tomorrow 9. CIC Global 10. CLAM DEVELOPPEMENT DURABLE/ HYMONOS 11. CM VALEURS ETHIQUES 12. DEXIA ETHIQUE GESTION ACTIONS 13. DEXIA ETHIQUE GESTION DIVERSIFIEE 14. DEXIA ETHIQUE GESTION OBLIGATAIRE 15. ECUREUIL 1,2,3,,,FUTUR 16. Elan Croissance Durable 17. Elan Croissance Durable 18. EPARGNE ETHIQUE ACTION 19. Ethiciel 20. ETHIS VALEURS 21. Etoile Développement Durable / Environnement 22. Etoile Développement Durable / Partenaires 23. Euro Mid Caps Expansion Durable 24. Europe Croissance Développement Durable 25. EUROPE ETHIQUE 26. EUROSOCIETALE 27. FEDERAL ACTIONS ETHIQUES 28. FONDS BRANICS 29. FRANCE EXPANSION DURABLE 30. FRUCTI CAPITAL ETHIQUE 31. GENERATION ETHIQUE 32. HSBC SELECTION VALEURS RESPONSABLES 33. Hymnos 34. INSERTION EMPLOI 35. MACIF CROISSANCE DURABLE 36. Macif Croissance Europe Durable 37. MG CROISSANCE DURABLE EUROPE 38. Multisicav Avenir Plus 39. NORD-SUD DEVELOPPEMENT 40. NOUVELLE STRATEGIE 50 41. OBJECTIF ETHIQUE 42. PLURIAL ETHIQUE 43. RG HOMMES TERRE EXPANSION

54

Alemanha

Itália

Luxemburgo

Holanda

Noruega Polónia

1. Activest Lux EcoTech 2. DAB Adviser I Funds - Meridio Green Balance 3. Fairway One-Universal-Fonds 4. Focus Umwelttechnologie Fonds Invesco 5. Fonds fuer Orden und Oekumene Invesco 6. Gerling Select 21 7. GreenEffects NAI-Wertefonds 8. H&A Lux DAC New-Technology Fund 9. KCD-Union-Aktien Nachhaltig DJSG-Index Fonds 10. KCD-Union-Renten Plus Nachhaltig DJSG-Index Fonds 11. KD Fonds Oeko-Invest 12. Liga-Pax-Balance-Union 13. OekoVision 14. Oppenheim Topic DJ Sustainability World Index-Equities 15. Sarasin-FairInvest-Universal Fonds 16. SEB Invest OekoLux 17. SEB Invest OekoRent 18. SEB Invest Responsibility Bonds 19. SEB Invest Responsibility Equity 20. Umweltaktiendepot Deutschland 21. Umweltaktiendepot Welt 1. BNL per Telethon 2. Ducato Ambiente 3. Ducato Civita 4. Euromobiliare green equity fund 5. Fondo Mondiale Roma Caput Mundi 6. Geo European Ethical 7. Sanpaolo Azionario Internazionale Etico 8. Sanpaolo Obbligazionario estero Etico 9. Sanpaolo Obbligazionario Etico 1. Pioneer Global Environmental & Ethical 2. Storebrand Principle Europe Fund 3. Storebrand Principle Global Fund 4. Storebrand Principle UK Fund 5. Strorebrand Principle European Bond Fund 1. abf het andere beleggingsfonds webefo n.v. 2. ABN AMRO Duurzame Wereld Fonds 3. ABN AMRO Groen Fonds 4. ASN Aandelen fonds N.V. 5. ASN Groenprojectenfonds 6. ASN Milieufonds 7. ASN Obligatiefonds 8. ASN-Novib Fonds 9. ING Bank Duurzaam Rendement Fonds 10. Postbank Duurzame Aandelenfonds 11. Robeco Group Duurzame Aandelen Fund N.V. 12. SNS Duurzaam Aandelenfonds 13. Triodos Groenfonds N.V. 14. Triodos Meerwaarde Aandelenfonds N.V. 15. Triodos Meerwaarde Mixfonds N.V. 16. Triodos Meerwaarde Obligatiefonds N.V. 1. Banco Humanfond Aksje 2. Skandia Miljöinvest 3. Storebrand Global Miljö 1. Otwarty Fundusz Emerytalny Pocztylion

55

Espanha

Suécia

1. Ahorro Corporación Arco Iris 2. Bankpyme Green Fund 3. BCH Solidaridad, FIM 4. BNP Fondo de Solidaridad, FIM 5. DWS Ecoinvest 6. Foncaixa Cooperación, FIM 7. Fondo Ético, FIM 8. Fondo Solidario pro UNICEF 9. Renta 4 Ecofondo 10. Santander Solidario 1. Aktie Ansvar Europa 2. Aktie Ansvar Sverige 3. Aktie-Ansvar Europa 4. Banco Etiska Globalfond 5. Banco Etiska Sverigefond 6. Banco Hjälpfond 7. Banco Human Pension 8. Banco Humanfond 9. Banco Ideella Miljö 10. Banco Kultur 11. Banco Samarit Pension 12. Banco Samaritfond 13. Cancerfonden 14. Carlson TCO:s Etiska fond 15. Carlson Världsnaturfond 16. Eldsjäl 1 17. Eldsjäl 2 18. Etisk aktiefond 19. Etisk blandfond 1 20. Etisk blandfond 2 21. Etisk räntefond 22. Etix 50 23. Folksam Globala Miljö 24. Humanix 175 Europe 25. Humanix 175 USA 26. Humanix 200 Global 27. Humanix 50 Sweden 28. Idrottsfonden 29. Länsförsäkringar Hjärnfond 30. Länsförsäkringar U-hjälpsfond 31. Nordbanken Olympia 32. Robur Gåvofonbd 33. Robur Miljöfond 34. Robur Sv Kyrkans Miljöfond Talenten 35. Robur SV Kyrkans Mixfond Mega 36. Salus Ansvar Öhman Etisk Index Europa 37. Salus Ansvar Öhman Etisk Index Japan 38. Salus Ansvar Öhman Etisk Index Pacific 39. Salus Ansvar Öhman Etisk Index USA 40. SalusAnsvar Öhman Hjärt&Lung 41. SalusAnsvar Öhman Resurs&Miljö 42. SEB Cancerfonden 43. SEB Lux Miljöfond 44. SEB Miljöfond 45. SEB Östersjöfond/WWF 46. SEBs och Svenska Läkaresällskapets Forskningsfond 47. Sjunde Ap-fonden Premieval 48. Skandia Idéer för livet 49. SPP Aktieindexfond Global Etisk 50. SPP/Storebrand Miljö 51. Svensk Miljöfond 52. Svenska Kyrkans Aktiefond MEGA 53. Svenska Kyrkans Värdepappersfond

56

Suiça

1. Auxvita 2. CS EF Global Sustainability 3. Ethosfund 4. MI-Fonds ECO 5. New Energy Fund 6. Pictet Sustainable Equities Switzerland 7. Prime Value 8. Raiffeisen Futura Global Bond 9. Raiffeisen Futura Global Stock 10. Raiffeisen Futura Swiss Franc Bond 11. Raiffeisen Futura Swiss Stock 12. SAM Sustainability Index Fund 13. SAM Sustainability Pionier Fund 14. Sarasin OekoSar Portfolio 15. Sarasin ValueSar Equity 16. Swissca Green Invest 17. Swissca Green Portfolio Fund Invest Balanced 18. Swissca Portfolio Fund Green Invest Equity 19. UBAM Générations Futures 20. UBS (Lux) EF Eco Performance

57

Reino Unido

1. Abbey Ethical Trust 2. AEGON Ethical Fund 3. AEGON Socially Responsible Equity Fund 4. AEGON Socially Responsible Income Fund 5. Allchurches Amity Fund 6. AXA Ethical Fund 7. Banner Real Life Fund 8. CF Berkeley Socially Responsible Trust 9. CF Ethical 10. CIS Environment Trust 11. Clerical Medical Ethical Fund 12. Clerical Medical Evergreen 13. Credit Suisse Fellowship Fund 14. Direct Line Ethical Index Tracker Fund 15. Eco Friendly Fund 16. Familiy Charities Ethical 17. FIS UK Ethical 18. Friends Provident Stewardship Income Trust 19. Friends Provident Stewardship International Trust 20. Friends Provident Stewardship Unit Trust 21. FTSE4Good UK Fund 22. Gerrard Ethical Fund 23. Halifax Equitable Ethical Fund 24. Health Fund 25. Henderson Ethical Fund 26. Jupiter Ecology Fund 27. Jupiter Environmental Opportunities Fund 28. Jupiter Global Green Investment Trust 29. Legal & General Ethical 30. Lincoln Green Life Fund 31. Minerva Green Discretionary Portfolio 32. Minerva Green Portfolio 33. Murray Ethical World 34. National Mutual Ethical Fund 35. Norwich Sustainable Future Absolute Growth Fund 36. Norwich Sustainable Future Corporate Bond Fund 37. Norwich Sustainable Future European Growth Fund 38. Norwich Sustainable Future Global Growth Fund 39. Norwich Sustainable Future Managed Fund 40. Norwich Sustainable Future UK Growth Fund 41. Norwich UK Ethical 42. NPI Global Care Growth 43. NPI Global Care Income 44. NPI Life Global Care 45. NPI Life Global Care Managed 46. NPI Pension Global Care 47. NPI Pension Global Care Managed 48. Parsoli Global Islamic Equity Fund 49. Royal Skandia/Barchester Best of Green Offshore Fund 50. Royal Skandia/Barchester Best of Green Offshore Fund 51. Scottish Amicable Ethical 52. Scottish Widows Environmental Unit Trust 53. Skandia Ethical Portfolio 54. Skandia/Barchester Best of Green Life Fund 55. Skandia/Barchester Best of Green Life Fund 56. Skandia/Barchester Best Of Green Pension Fund 57. Skandia/Barchester Best Of Green Pension Fund 58. Socially Responsible With-Profit 59. Sovereign Ethical Fund 60. Standard Life Ethical Fund 61. Standard Life Pension Ethical Fund 62. Standard Life UK OEIC Ethical Fund 63. Sun Life Global Portfolio Ecology Fund 64. The Ethical Cautious Fund

58

9. Anexo 2: PRINCIPAIS BANCOS ÉTICOS na EUROPA:
Alemanha GLS Gemeinschaftsbank Eg: Primeiro banco ético ecológico da Alemanha. Fundado em 1974 e fundido em 2003 com o Okobank. Financia actualmente 3.300 projectos sociais, ecológicos e culturais. Destes, a maioria dos créditos destina-se a habitação (18,7%), projectos sociais e educativos (13,6%), energia renovável (12,4%) junto com educação alternativa (11,8%). Bank für Sozialwirtschaft: Fundado em 1923, é um banco especializado em projectos sociais e sanitários; dirige-se sobretudo a organizações e instituições dos sectores cooperativo, mutualístico e não lucrativo Além disso, o BFS oferece consultoria aos bancos, para a gestão e o financiamento, em âmbito europeu. Os seus principais accionistas são as seis organizações de beneficência independentes da Alemanha. Dinamarca Merkurbank: Banco cooperativo constituído na Dinamarca em 1985 a partir de uma cooperativa de crédito criada em 1982. O seu objectivo principal é o de conceder financiamentos e oferecer consultoria financeira para projectos sem fins lucrativos. A sua política é também uma de oposição à especulação financeira. Mais de 80% dos créditos que concede é destinado para projectos sociais, ambientais e culturais. França La Nef: O projecto deste banco cooperativo, constituído em 1988, nasce de um pequeno grupo de pessoas que em 1979 fundaram uma associação para criar novas formas de solidariedade. Os membros da cooperativa são sobretudo privados, mas há também um bom número de instituições e redes da economia social. Holanda

Triodos Bank: Constituída na Holanda em 1980 como resultado de nove anos de trabalho da Fundação Triodos, é actualmente o banco ético mais difundido na Europa, com filiais na Bélgica, no Reino Unido e na Espanha. Financia empresas, organizações e projectos que ofereçam valor acrescentado em termos sociais, ambientais e culturais, com as poupanças e os investimentos de pessoas que desejam promover e favorecer actividades responsáveis e inovadoras. Apoia a economia social e a cooperação ao desenvolvimento. ASN Bank: Banco independente, que faz parte do SNS Real Group. Fundado em 1960, representa desde então o maior banco ético da Holanda. O grupo tem uma longa experiência na investigação sobre a sustentabilidade e na gestão de actividades sustentáveis. Financia projectos que promovem uma sociedade sustentável em sectores como o ambiente, a cooperação internacional e outros.

59

Reino Unido Cooperative Bank: Banco que faz parte da economia social cujas origens remontam ao Co-operative Movement criado em 1844. A partir de 1992 introduziu a sua política ética que determina os critérios segundo os quais o banco financia, investe ou empresta serviços. Esta política é reexaminada cada três anos com os clientes do banco. Tem um compromisso muito importante para com a responsabilidade social, como mostram os seus vários prémios. Opera em duas diferentes linhas de actividade: banco, seguros, investimentos e também serviços de viagens. Financia projectos ecológicos e éticos. Charity Bank: O banco foi fundado em 2002 , uma evolução da actividade de crédito iniciada em 1996 com a CAF (Charities Aid Foundation). Representa o primeiro caso aprovado como instituição financeira regulada pela FSA (Financial Services Authority), e como organismo de beneficência registado pela Charity Commission. Concede créditos para projectos de ONG (ou para empresas com projectos sem fins lucrativos) em diferentes áreas: saúde, educação, cooperação internacional, assistência social, construção, desenvolvimento sustentável. Tenta também apoiar o terceiro sector e oferecer-lhe consultadoria para que a sua actividade seja mais sustentável. Unity Trust Bank: Banco fundado em 1984 por e para os sindicatos. A sua força está em compreender os aspectos mais importantes das actividades desempenhadas pelos seus clientes do sector sindical e não lucrativo. Concede créditos a organizações ligadas à comunidade, organizações do movimento sindical e do sector não lucrativo, a quem fornecem o apoio e a consultadoria de que necessitam durante todo o processo. Itália Banca Popolare Etica: Nasce em 1998, como resultado do trabalho iniciado em 1995 com a “Cooperativa para o banco ético”, que por sua vez inspirou-se na experiência das MAG (Mútualidades de Auto Gestão) em Itália e também de muitos outros bancos alternativos estrangeiros.Trata-se de um banco cooperativo que promove a participação de todos os seus sócios. Concede créditos para projectos de cooperação social, cooperação internacional, associacionismo, defesa do ambiente e sociedade civil. Suécia Ekobanken: Banco ético fundado em 1998, que financia projectos sustentáveis que tenham em conta o ambiente e o ser humano. Um dos seus objectivos é tornar-se na companheira natural da economia social na Suécia. Financia projectos e organizações que trabalham para a renovação da sociedade num sentido amplo e que tenham uma economia e uma estrutura sólidas. Financia projectos que têm a ver com a agricultura e o ambiente, a saúde, a juventude e a infância, a cultura e a educação. JAK: O banco cooperativo JAK constituído em 1997, é o primeiro banco que concede empréstimos sem interesses na Suécia. Trata-se de um banco cooperativo que pertence a 27000

60

membros e é gerido pelos mesmos. JAK utiliza um sistema de empréstimos e economia livres de juros desde 1970. Financia projectos que são compatíveis com uma economia sustentável que tenha em conta todos os custos ambientais e consiga aumentar a prosperidade a longo prazo. Noruega Cultura Sparebank: Consolida-se como banco em 1996: antes dessa data tratava-se de uma organização de crédito e economia. Financia projectos que tenham uma contribuição positiva e sustentável para o ambiente e para a pessoa. Os sectores que apoia são principalmente a educação, a assistência médica, a agricoltura biológica e a habitação. Suiça Alternative Bank Suisse ABS ou Banque Alternative Suisse BAS: Criada em 1990, a BAS concebe a própria actividade como uma alternativa à lógica económica dominante. A sua política baseia-se na inovação e na responsabilidade. Na sua filosofia estão presentes critérios negativos e positivos sempre objecto de exame crítico e de adaptação. Concede créditos para projectos ecológicos, sociais e culturais. Freie Gemeinschaftsbank BCL-Banque Communautaire Libre-: O Banco Comunitário Libre foi constituído em 1984 como banco cooperativo. O seu objectivo é a promoção responsável dos projectos sem fins lucrativos sustentáveis, quer de tipo ecológico, quer social, quer pedagógico. Avalia estes projectos para que sejam sustentáveis em futuro e a sua actividade dê vantagem ao máximo os seres humanos.

61