UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO FACULDADE DE CIENCIAS HUMANAS E SOCIAIS

RAFAEL CASSONI FERRARI BATISTA DE SANTANA

HISTÓRICO DE CONSTITUIÇÕES NO BRASIL

FRANCA 2012

................................................................................................................................................................................. 5 3....................................................................................................................................... 7 5 CONSTITUIÇÃO DE 1967 . 5 3..................... 6 4 CONSTITUIÇÃO DE 1946 ................................................................................................. 10 8 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................. 3 3 CONSTITUIÇÃO DE 1891 .......................................................2 CONSTITUIÇÃO DE 1937 ..............................................................................1 CONSTITUIÇÃO DE 1934 .................................................................................................................................................... 3 2 CONSTITUIÇÃO DE 1824 .................... 8 5 CONSTITUIÇÃO DE 1988 ............................................. 12 . 9 7 CONCLUSÃO ...

desde a independência até os dias atuais. as diretrizes permanentes da vida nacional. deve ter uma Constituição juridicamente estruturada que represente não só a consciência jurídica. Pedro I e outra por Getúlio Vargas . onde os delegados diretos do povo e por ele eleitos discutam o texto modelar e nele incluam aquilo que o povo quer e de que precisa. 1937. quatro foram promulgadas por assembleias constituintes. mas. ora impostas. sem maiores discussões sociais. 1891. fazemos uma importante revisão sobre conteúdos de nossa história. eis que o próprio imperador determinou a instituição de um Conselho de Estado. sociais e políticos do Brasil de cada época. ou seja.e uma aprovada pelo Congresso por exigência do regime militar. O presente estudo tem por objetivo realizar uma breve análise das constituições já adotadas no Brasil. Os contextos econômicos. com a respectiva repercussão na aprovação das Cartas. e suas principais emendas. que tinha por objetivo criar os textos legais constitucionais. Ao estudarmos as constituições que o Brasil já teve. com seus direitos e deveres claramente definidos e preservados. Das sete Constituições. Uma Constituição pode ser mais ou menos perfeita. ora aprovadas por assembleias constituintes.uma por D. Constituição de 1824 (Brasil Império) A primeira Carta Magna do cenário brasileiro foi concebida na época do Império de Dom Pedro I. imposto aos cidadãos. As Constituições anteriores à de 1988 são as de 1824. 1934. 1946 e 1967. duas foram impostas . e caracterizou-se por determinar forte centralismo .Introdução Um Estado em que todos são cidadãos. Na história das Constituições brasileiras. mas satisfaça as aspirações permanentes de seu povo. há uma alternância entre regimes fechados e mais democráticos. a sua legitimidade só resultará do trabalho constituinte. Referido diploma foi outorgado. estão refletidos nas linhas mestras de nossas cartas magnas. respeitando a vontade do poder moderador.

Ainda acerca da primeira Carta Maior de nossa histórica. gerido apenas pelo Imperador. Nesse sentido. Lembre-se também. firme no sufrágio censitário). podendo através do mesmo. cujo Presidente era nomeado pelo Imperador. que o utilizava com exclusividade. cite-se que a forma de Estado adotada à época: Estado Unitário. tangente à Organização dos Poderes. Por fim. Por isso.político e administrativo. do Judiciário. eis que o Império tinha a católica apostólica romana como religião oficial. composta do Senado (com membros vitalícios e escolhidos pelo Imperador) e da Câmara dos Deputados (cujos cargos eram temporários e escolhidos por eleições indiretas. A divisão geográfica da época fragmentava o Brasil em Províncias. verdadeira força do Imperador. porquanto foi a única de nossa história que possuiu quatro. e em segunda instância pelas chamadas “Relações”. tendo como aliado os Ministros. 16. representado pela Assembléia Geral. fato mais marcante deste período histórico constitucional brasileiro. Este último. . que podia intervir na vida pública do País. o Imperador estava “acima da lei e de todos”. fiscalizar e rever os atos dos demais poderes. embora outras fossem permitidas em lugares restritos. ou “Município da Corte”. do Poder Moderador. com a edição do Ato Adicional n. a cidade do Rio de Janeiro foi transformada em “Município Neutro”. entidade territorial para a sede da Monarquia. Em 1834. a forma de Governo: Monarquia. havia previsão do Legislativo. do Executivo. e ainda. marcante fator do diploma em análise. composto em primeira instância por juízes e jurados. concretizando a possibilidade de moderação prevista na Constituição. lembre-se do aspecto religioso. e não três “Poderes”. aos doze dias do mês de agosto. aliado ao absolutismo monárquico em decorrência do poder da “Majestade Imperial”.

. O projeto escolhido vigorou como Constituição Provisória da República até as conclusões da Constituinte. eliminou-se o vice-presidente da República. é que foi eleita a Assembléia Constituinte que redigiu a nova constituição. separação entre a Igreja e o Estado. por ilegalidade ou abuso de poder). criação do sufrágio com menos restrições. datada de 24 de fevereiro de 1891. As principais inovações dessa nova Constituição. em São Paulo. Permitiu-se que os ministros comparecessem ao Congresso para esclarecer ou solicitação de medidas. estabelecimento da independência dos Poderes Executivo. o deslocamento de pessoas do meio rural para centros urbanos e também o surgimento da inflação. O marechal Deodoro da Fonseca. e instituição do habeas corpus (garantia concedida sempre que alguém estiver sofrendo ou ameaçado de sofrer violência ou coação em seu direito de locomoção – ir. a ampliação da indústria. conservando o exercício monocrático desse Poder pelo presidente da República. Só em 1933. houve mudanças significativas no sistema político e econômico do país. proclamador da República e chefe do governo provisório. seu vice. após a derrota da Revolução Constitucionalista de 1932. nomearam uma comissão de cinco pessoas para apresentar um projeto a ser examinado pela futura Assembleia Constituinte. vir. em 15 de novembro de 1889. No Executivo. com a abolição do trabalho escravo. impedindo ainda o voto aos mendigos e analfabetos. são: instituição da forma federativa de Estado e da forma republicana de governo. não sendo mais assegurado à religião católica o status de religião oficial. Outra mudança foi o abandono do modelo do parlamentarismo francobritânico.Constituição de 1891 (Brasil República) Após a proclamação da República. Legislativo e Judiciário. permanecer –. Constituição de 1934 (Segunda República) Os primeiros anos da Era de Vargas caracterizaram-se por um governo provisório (sem constituição). em proveito do presidencialismo norte-americano. e Rui Barbosa.

chegavam em grande número ao Brasil. O texto de 1934 sofreu três emendas. deu-se a integração das Justiças Militar e Eleitoral como órgãos desse Poder. cuja explicação oficial é de inspiração na autoritária Constituição da Polônia. viram-se forçadas à prostituição. ao oficial das Forças Armadas que participasse do movimento subversivo ou praticasse ato subversivo das instituições político-sociais. apelidar a Constituição de polaca. em idênticas condições à dos oficiais. Além disso. O intervencionismo econômico conferiu à União a faculdade de monopolizar determinada indústria ou atividade econômica. eis que.No Judiciário. O direito de propriedade passou a sofrer o contraste do interesse social ou coletivo. Referido diploma foi outorgado. A Carta em estudo ficou conhecida como “Polaca”. mulheres polonesas. reduzindo a plenitude asseguradora da Constituição de 1981. a segunda permitia a perda da patente e posto. para sobreviverem e sustentarem seus filhos. por motivo de interesse público. Constituição de 1937 (Estado Novo) O grande marco da Constituição de 1937 foi o golpe de Estado que o então Presidente Getúlio Vargas realizou. Tais emendas foram: a primeira equiparava o estado de comoção intestina grave ao estado de guerra. em dezembro de 1935. reforçando a segurança do Estado e as atribuições do Poder Executivo. permitia a demissão de funcionário civil. à época. de maneira que. determinando um período histórico marcado pela forte centralização política e pelo autoritarismo. A instituição do mandado de segurança ampliou a proteção dos direitos individuais. a terceira. . sem prejuízo de outras penas. com justificativa em suposta intentona comunista. refugiados das más condições econômicas e das perseguições naquele país. fixando-se em São Paulo. para coibir “movimento subversivo das instituições políticas e sociais”. e concentrou poderes no Executivo. sem prejuízo de outras penas.

devolvendo-se a autonomia aos Estados e redemocratizando-se o país. inaugurada em 21 de abril de 1960. Juízes e Tribunais Militares. em razão das arbitrariedades do Presidente. como é sabido. já que na prática o Legislativo e o Judiciário foram “esvaziados”. traduzido no jargão “50 anos em 5”. Quanto aos demais aspectos. Quanto ao Judiciário. fora determinado um mandato de cinco anos. mantendo o Brasil um país laico. que perdurou até os meados da década de oitenta. diferente dos diplomas anteriores. no entanto. O detalhe é que. e em janeiro de 1946. estabeleceu a nova Constituição que era composto elos seguintes órgãos: Supremo Tribunal Federal. ocorreu o golpe militar. a Carta outorgada não trouxe religião oficial. A organização dos poderes e a estrutura do Estado se mantiveram. aliada a fortes marcas de repressão e arbitrariedades. ao menos formalmente. passando a ser a nova capital federal. foi promulgada nova Constituição.para os paulistas. não durou muito. O Presidente seguinte foi o general Eurico Gaspar Dutra. A experiência democrática. . já que no início da década de sessenta. tais como a igualdade e a liberdade. Tribunal Federal de Recursos. implementou a construção de Brasília. mergulhando o país numa ditadura intensa. de Juscelino Kubitschek. Juízes e Tribunais Eleitorais e Juízes e Tribunais do Trabalho. Constituição de 1946 Tamanha a centralização político-administrativa promovida por Getúlio Vargas. que seu governo perdeu força política. culminando-se o fim da “Era Vargas” em 1945. Além de suas importantes realizações econômicas. Importante nota histórica da época tange ao famoso “Plano de Metas”. refletia a conotação pejorativa de uma “Constituição prostituta”7. ao Presidente e Vice da República. Foi restabelecida a harmonia e o mútuo controle entre os poderes. desta vez baseada em idéias liberais e democráticas. mantendo-se a estrutura tripartite.

o AI-5. rotulados de subversivos. que serviram de mecanismos de legitimação e legalização das ações políticas dos militares. De 1964 a 1969. com expansão da União. Mais sintética do que sua antecessora. Essa Constituição foi emendada por sucessiva expedição de Atos Institucionais (AIs). censura aos meios de comunicação. suspensão do habeas corpus para os chamados crimes políticos. mas dominava e controlava o Legislativo.Constituição de 1967 (Regime Militar) O contexto predominante nessa época era o autoritarismo e a política da chamada segurança nacional. ao teatro e ao cinema. Um deles. O Judiciário também sofreu mudanças. e foram suspensas as garantias dos magistrados. e adotou a eleição indireta para presidente da República. deputados e vereadores. por meio de Colégio Eleitoral formado pelos integrantes do Congresso e delegados indicados pelas Assembleias Legislativas. Entre outras medidas do AI-5. decretação do estado de sítio pelo presidente da República em qualquer dos casos previstos na Constituição. e autorização para intervenção em estados e municípios. essa Constituição manteve a Federação. de 13 de dezembro de 1968. o Executivo encaminhou ao Congresso uma proposta de Constituição que foi aprovada pelos parlamentares e promulgada no dia 24 de janeiro de 1967. foi um instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano e o recesso dos mandatos de senadores. estendendo-se à música. regulamentados por 104 atos complementares. Instalado em 1964. que passaram a receber somente a parte fixa de seus subsídios. destacam-se: suspensão de qualquer reunião de cunho político. dando a eles poderes extra-constitucionais. o regime militar conservou o Congresso Nacional. foram decretados 17 atos institucionais. Dessa forma. . que visava combater inimigos internos ao regime.

do Poder. A Constituição de 1988 não se limitou à consolidação e ao aprimoramento das instituições. dentro de concepção mais avançada sobre os fins do Estado. adotou a expressão “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”. procurando dar ao tema. Ainda não é uma Constituição socialista. logo em sua abertura. consagrou cláusulas transformadoras com o objetivo de alterar relações econômicas. no Título II. acompanhando o constitucionalismo europeu. destaque especial. Esse processo se acelerou a partir do governo Sarney no qual o Congresso Nacional produziu nossa atual constituição. mais as regras socializantes são abundantes. compatíveis com sua função de órgão ativo na elaboração legislativa e no controle do Executivo e da Administração Federal. Concebeu nova repartição de competências entre a União. políticas e sociais. da Sociedade e da Economia. Conferiu ao Município poder de auto-organização. pois a técnica formal das anteriores Constituições. Desde logo. Os Direitos e Garantias Fundamentais expandiram-se nos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. O Congresso Nacional recebeu amplas atribuições. No Judiciário. prestigiando uma tendência processual da ação coletiva. visando a descentralização jurisdicional e o descongestionamento dos Tribunais. dando-lhe precedência sobre a Organização do Estado e dos Poderes. novos órgãos passaram a integrá-lo. aumentando o conteúdo material desse campo constitucional. invertendo. de forma assegurar a prestação jurisdicional.Constituição de 1988 (Constituição Cidadã) Desde os últimos governos militares (Geisel e Figueiredo) nosso país experimentou um novo momento de redemocratização. . e nos Direitos Sociais. Saliente-se que a Constituição. conhecido como abertura. os estados e o Distrito Federal. de maior alcance social. Regras de idêntica inspiração foram endereçadas à Justiça dos Estados.

como já . Na Ordem Social. os temas relativos à Ciência e Tecnologia. Isto posto. materialmente. o tratamento dispensado aos povos indígenas e os recursos. mas a qualquer dos operadores do Direito. não sendo diferente o diploma atualmente vigente. a temática inovadora acha-se distribuída no capítulo da Seguridade Social e Assistência Social. sociais e políticas de cada época estão refletidas nas linhas mestras de cada uma de nossas Cartas Magnas. Conclusão Ao analisar o histórico das Constituições brasileiras. Meio Ambiente. tema sempre importante tange ao estudo dos acontecimentos pretéritos. faz-se importante revisão sobre o conteúdo e os acontecimentos fáticos da época de cada texto constitucional. o que é essencial não só aos discentes. por igual. com o propósito de fortalecer financeiramente os Estados e Municípios. bem como para a firmeza dos ideais de concretização dos direitos trazidos na Constituição de 1988. Lembramos que é função da Constituinte captar e depositar na estrutura normativa da Constituição as aspirações coletivas da época de sua elaboração. A permanência da Constituição dependerá do êxito do constituinte na recepção das aspirações de seu tempo.No sistema tributário. ou servirem de meros indicativos. Na Ordem Econômica introduziram-se as regras e os novos títulos que designam a Política Urbana. a Política Agrícola e Fundiária e o Sistema Financeiro Nacional. de modo a estabelecer a coincidência entre a Constituição normativa e a Nação que ela deverá servir. do Império até os dias de hoje. o conteúdo material da Constituição ampliou-se consideravelmente pela inclusão de temas novos. Constituem matéria nova. vez que contribui para o entendimento dos diplomas atuais. as conjecturas econômicas. eis que se possibilita a correta compreensão e interpretação de muitos dos dispositivos da hodierna Carta Maior. Comunicação. conforme apresentado neste trabalho. Criança. Adolescente e Idoso. Note-se que. sob pena de ornarem-se meras utopias. Por outro. promoveu-se profunda reformulação na distribuição dos impostos e na repartição das receitas tributárias federais. Alargou-se.

que se tenta construir. o que se afasta da noção de sociedade justa e digna.acontecera em nossa história recente. e que deve ser mantida e evoluir a cada período histórico. após a redemocratização do país. .

1997. LENZA. 18ª ed. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. 12ª ed. Pedro. 2002. 21ª edição. Celso Ribeiro. Direito Constitucional Esquematizado. Curso de Direito Constitucional Positivo. 2007. São Paulo: Editora Malheiros Ltda. BASTOS. Curso de Direito Constitucional. José Afonso. .REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: SILVA.