Introdução Para entender um pouco sobre a Educação Brasileira, precisamos compreender o contexto histórico a partir de 1930, que foi

justamente neste período em que houve alguns passos significativos no sistema educacional brasileiro, ao ser criado as LDBs. A educação na Era Vargas foi muito importante para entendermos a situação atual do Brasil no quesito educacional e para percorrer sobre a política educacional do governo de Getúlio Vargas que se estende de 1930 a 1954 ano de seu suicídio. Getulio Vargas desenvolveu uma política voltada para várias classes sociais, ao qual o tornou como um governo populista e apelidado para sempre como o “Pai dos Pobres”, representando mudanças significativas no modelo de desenvolvimento nacional e na sociedade brasileira como um todo. Com essas mudanças no campo econômico, a área educacional acompanhou o desenvolvimento do país, principalmente no Governo do Estado Novo, ao qual a propaganda política apoiou o trabalho de Vargas na educação do país. Assim, Getulio além de ser “Pai dos Pobres” foi também o “Pai das Reformas” como a Reforma Francisco Campos e a Reforma Capanema, voltada para instrução dos trabalhadores do país que seriam a mão-de-obra especializada para o comercio e a indústria do Brasil.

Era Vargas Ao assumir o governo provisório, Getulio Dorneles Vargas criou o ministério da Educação e Saúde Pública, tendo como ministro Francisco Campos que conseguiu desenvolver em 1931, a Reforma Francisco Campos em meio ao contexto ideológico dos católicos e dos renovadores Escolanovista.

Com a substituição de Reforma de Francisco Campos pela Reforma de Gustavo Capanema, a educação passou a caminhar lado a lado com as questões socioeconômico, ou seja, voltada para o ensino profissionalizante.

A Reforma de Francisco Campos Com o retorno do ensino religioso nas escolas públicas de forma facultativa, Francisco Campos através do Conselho Nacional de Educação organizou também o ensino superior no Brasil, ensino comercial, o secundário além da regulamentação profissional do contador. Com isso, essa reforma caracterizou de forma nacional e organizada. Infelizmente, a educação primaria ficou esquecida durante um longo tempo, pois os maiores investimentos estavam voltados para a educação profissionalizante conforme o contexto histórico mundial, nesse período foi criado a Associação Brasileira de Educação que tinha como objetivo a sensibilização da classe dos trabalhadores e do poder público para os principais problemas da educação nacional, buscando medidas concretas para resolver as dificuldades da educação do país. Porém, houve uma critica fundamentada pelos renovadores que ocorreu através de um grande manifesto elaborado por Fernando Azevedo juntamente com outros 26 pioneiros da Educação Nova, ao qual destacaram a necessidade de uma construção de um programa educacional, embasado na gratuidade e obrigatoriedade. Os pioneiros da Escola Nova esteve relacionado diretamente com a sociedade brasileira, o que deu sustentação para a Constituição de 1934 do Governo Constitucional de Getulio Vargas. Um exemplo claro para esta argumentação é o Artigo 150 da Constituição de 1934 do Governo Constitucional de Getulio Vargas na alínea “a” um diz o seguinte: “Estabelecer como competência da

União a fixação do Plano Nacional de Educação que seja compreensivo de um ensino em todos os graus e especialidades; coordenar e fiscalizar a sua execução, em todo o território do país.”.

A Reforma de Gustavo Capanema Ao ser substituído em 1934, o ministro Francisco Campos deixou o ministério para Gustavo Capanema que deu continuidade ao processo de reforma educacional. Já em 1942, em pleno o Estado Novo, que embasado nas “leis orgânicas do ensino”, o novo ministro, implementou a sua reforma abrangendo os ensinos industriais e secundário, comercial, normal, primário e agrícola. Também criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) em 1946. Nesta reforma, Gustavo Capanema, estipulou que o curso secundário seria reestruturado passando a ser constituído por o ginásio de quatro anos e o ensino colegial por de três anos. O ensino colegial dividia-se em clássico e científico sendo que a grade curricular do primeiro ano com a área de humanidades. A própria “Lei Orgânica” do ensino profissional cria dois tipos de ensino no país: um ligado ao sistema oficial do governo de Vargas e outro mantido pelas empresas como o SENAI e SENAI. Já os cursos mantidos pelas empresas deveriam atendem os alunos de baixa renda que visassem se especializar com uma profissão. As leis que marcaram a administração durante a reforma, Gustavo Capanema: - Lei Orgânica do Ensino Industrial – Decreto-Lei n. 4.073 de janeiro de 1942 - Lei Orgânica do Ensino Secundário – Decreto-Lei n. 4.244 de abril de 1942

- Lei Orgânica do Ensino Comercial – Decreto-Lei n. 46.141 de dezembro de 1943 - Criação do SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial por meio do Decreto-lei 4.048, de janeiro de 1942 - Lei orgânica do Ensino Primário – Decreto-Lei 8529, de janeiro de 1946. - Lei Orgânica do Ensino Normal – Decreto-Lei 8530, de janeiro de 1946. - Criação do SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial por meio do Decreto-Lei 8621 e 8622 de janeiro 1946. Houve uma grande falta de articulação entre os níveis educacionais e ramos do ensino profissional, inviabilizando a mudança de curso por parte do aluno presos ao sistema político educacional; A dificuldade do ingresso da sociedade ao Ensino Superior; A Reforma Capanema também naturalizava as diferenças sociais como: Ensino Secundário para as elites e Ensino Profissional para as massas

A Educação na Constituição de 1934 A Constituição de 1934 foi redigida com objetivo de organizar o regime democrático, a unidade, a justiça, a liberdade e a questão socioeconômica do país. Porém, esta constituição foi a que menos demorou no Brasil, ou seja, 03 anos suspensa pela Lei de Segurança Nacional. A permanência da estrutura do Sistema Educacional anterior a essa constituição teve sua base mantida, ao qual a União continuaria responsável pela manutenção do ensino secundário e superior no Distrito Federal, no caso Rio de Janeiro e a ação “supletiva” na obra educativa de todo país. Com isso, a

responsabilidade da União em estabelecer as diretrizes da educação nacional, promovendo a articulação entre os diferentes sistemas de ensino do país. Ao fixar o Plano Nacional da Educação a União estabeleceu como meta o ensino primário integral e gratuito e com freqüência obrigatória, extensivo aos adultos e a tendência a gratuidade do ensino posterior ao primário. Além do Ensino Religioso que foi pauta de discussão referente à freqüência facultativa ou não. Outro item em debate foi a da Isenção Tributária aos estabelecimentos de ensino particulares considerados idôneos foi outro item colocado em prática, porém bastante questionada. Em 1935, o Secretário de Educação do Distrito Federal, Anísio Teixeira, cria a Universidade do Distrito Federal, com uma Faculdade de Educação na qual se situava o Instituto de Educação. Em função da instabilidade política deste período, Getúlio Vargas, num golpe de estado, instala o Estado Novo e proclama uma nova Constituição, também conhecida como "Polaca". A Educação na Constituição de 1937 ou o Estado Novo A Constituição de 1937, infelizmente marcou um retrocesso na educação brasileira na óptica de parte da população, justamente porque esta Constituição reforçou a dualidade entre a escola de ricos e pobres, ao qual a justificativa pode ser exemplificada por estar ligado ao contexto do nazi-fascismo mundial de raça superior que pregava esse tipo de ideologias. Ficou também por conta da União a competência de não apenas traçar diretrizes teóricas para a educação, mas determinantemente “fixar as bases e determinar os quadros da educação”, Mas, pensando também positivamente nas ações do governo durante o Estado Novo, o ato de manter a liberdade de ensino no país mesmo em um contexto ideológico conturbado chama a atenção dos pesquisadores por essa liberdade.

Agora, sobre o Ensino Religioso, tornou-se um pouco mais diferente do da constituição anterior, pois passou a ganhar um maior espaço no contexto educacional do país, justamente pela união da Igreja Católica com o Governo de Vargas. Exemplo clássico desta união foi à construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro neste período. Portanto, de todas essas obrigatoriedades, o primeiro dever do Estado deveria estar voltado para o ensino pré-vocacional e profissional, que marcou definitivamente a característica do Governo de Getúlio Dornelles Vargas.

Os índices na Educação da Era Vargas Os índices da educação brasileira abaixo, marca o antes e o depois da política nacionalista getulista, ao qual podem ser encontrados facilmente no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). - No início do Governo de Getúlio Dornelles Vargas, 2/3 da população do país em idade escolar estava fora da escola e o analfabetismo atingia mais de 65% da população de jovens maiores de 15 anos. - Educação passou a ocupar o sexto lugar das despesas no âmbito da União e o segundo, dos estados brasileiros. - Ampliação do número de escolas e de matrículas em todo país. Aperfeiçoamento no âmbito administrativo. - No período de 1935-1946, as matrículas no ensino fundamental passam de 2.413.594 para 3.238.940. - No Ensino Médio, passam de 202.886 para 465.612.

- Em 1940, o analfabetismo caiu para 56%. - Incapaz de eliminar a seletividade da educação brasileira e romper com a contradição entre trabalho manual e intelectual.

A primeira LDB A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) define e regulariza o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição. Foi citada pela primeira vez na Constituição de 1934. O primeiro projeto de lei foi encaminhado pelo Poder Executivo ao Legislativo em 1948, e levou treze anos de debates até o texto chegar à sua versão final. A primeira LDB foi publicada em 20 de dezembro de 1961 pelo presidente João Goulart, seguida por outra versão em 1971, em pleno regime militar, que vigorou até a promulgação da mais recente em 1996. Com a promulgação da Constituição de 1988, a LDB anterior (4024/61) foi considerada obsoleta, mas apenas em 1996 o debate sobre a nova lei foi concluído. A atual LDB (Lei 9394/96) foi sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da educação Paulo Renato em dezembro de 1996. Baseada no princípio do direito universal à educação para todos, a LDB de 1996 trouxe diversas mudanças em relação às leis anteriores, como a inclusão da educação infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação básica.

As reformas do periodo militar

A Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. O Regime Militarfoi um governo iniciado em abril de 1964, no Brasil, após um golpe articulado pelas forças armadas, em 31 de março do mesmo ano, contra o governo do presidente João Goulart. Seu slogan era "Brasil, ame-o ou deixe-o". Entende-se a política educacional do Estado brasileiro – no período de 19641985 – com a sociedade sob o domínio da Ditadura Militar aliada as determinações do capitalismo, que privou as necessidades da classe trabalhadora a favor de um crescimento econômico, preservando os interesses do capital e alimentando a exclusão social. Pode-se afirmar que o Estado Militar procurou atender aos interesses dos capitalistas atuando na escolarização direcionando-a para a tentativa de desenvolver uma mão-de-obra qualificada necessária à indústria nascente. Desta maneira, ocorreram as reformas dentre elas a Reforma do Ensino Superior em 1968 e, posteriormente, em 1971 a Reforma do Ensino Primário, com o intuito de evitar a participação da sociedade civil evitando possíveis mobilizações de outros setores que não o Militar dominante, para modificar a estrutura de ensino até então vigente. O Regime Militar procurou divulgar um discurso de exaltação e valorização da educação, denominando-a como uma via direta para se atingir o desenvolvimento de uma nação rica e forte. Porém, o Aparelho Educacional foi um instrumento utilizado pelos militares para atender a real finalidade de obtenção de consenso numa estratégia de luta pela hegemonia.

Havia uma distância entre o discurso e a prática da política educacional brasileira deste período, entre a fala e a ação no mundo concreto. No primeiro momento, os militares primaram pela valorização e pela necessidade de

incentivos ao desenvolvimento educacional do país, por outro lado, suas atitudes tornaram-se evidentes as “contradições”, pois o Estado destinou poucas verbas para área da educação pública, e, de certa forma, estimulou setores privados vinculados à acumulação de capital facilitando e direcionando para uma política de privatização do ensino. A classe ditatorial tinha uma preocupação de manter o controle político e ideológico, principalmente no ambiente das universidades que, apesar das duras repressões, foram centros de desenvolvimento do saber e da reflexão crítica.

IFET–INSTITUTO DE FORMAÇAO EM EDUCAÇÃO TEOLOGICA CURSO: LICENCIATURA EM HISTÓRIA DISCIPLINA: ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO ENSINO BÁSICO PROFESSORA: LUCINEIDE NASCIMENTO ALUNO: VALQUILENE, TEREZINHA, MARIA DALVA, MARINALVA, EUZENIR

A EDUCAÇÃO NO PERIODO VARGAS

LIMA CAMPOS 2012

A repressão foi fortemente exercida, vigiando professores e suas condutas, observando alunos e expulsando os subversivos, todos esses atos eram respaldados na ideologia de Segurança Nacional, na qual de certa maneira funcionava como um movimento antiintelectual em nome do comunismo. Outro elemento importante e determinante da política educacional do período militar brasileiro foi o de tentar vincular a educação liberal com a economia, desenvolvendo-se a “Teoria do capital humano”, fato que subordinava a educação às demandas da linha de produção, em outras palavras, às necessidades da indústria.

Considerações Finais A Educação na Era Vargas foi consolidada através de reformas parciais sem um plano de âmbito nacional de educação como almejava os Escolanovistas no manifesto de 1932, que causou a separação com o tradicionalismo Católico. Com isso, tanto o ministro Francisco Campos, com os decretos-leis de 1931 e o de 1932, como o ministro Gustavo Capanema, através das Leis Orgânicas de 1942, abordaram parcialmente as questões educacionais com interesses voltados para uma parcela da população, pois nem todos tinham condições de investir em estudos educacionais. Só apenas em 1946, no Governo do General Eurico Gaspar Dutra, que a Constituição Federal determinou que a União devesse ter a competência de “fixar as diretrizes e bases da educação nacional” possibilitando, portanto, no ano de 1961, a conclusão da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 4.024/61). Por outro lado, as mudanças realmente foram insuficientes, não atingindo as demandas desejadas pelos escolanovistas brasileiros, pois o governo não cumpriu um papel decisivo para o país, como um todo e manteve o

modelo dual de educação com a formação acadêmica através do Ensino Médio Secundário, que atendia as camadas médias de um lado e do outro o Ensino Profissional, que preparava alunos de baixa renda para ocupações nos setores modernos da economia. No entanto, constata-se que entre os anos de 1935 e 1950, enquanto o Ensino Médio Secundário brasileiro evoluiu sua matrícula em 333%, o Ensino Profissional evoluiu apenas em 142%. E ainda, em 1950, 50% dos jovens com 15 anos ou mais eram analfabetos Para finalizar, a expansão de oportunidades educativas, no período da Era Vargas, se caracterizou pelas desigualdades econômicas e sociais. Atendendo apenas às expectativas das camadas privilegiadas da sociedade em contrários com a das camadas populares.