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1. INTRODUÇÃO
O desenvolvimento da máquina térmica, no século XVIII contribuiu para a expansão da indústria moderna. Até então, os trabalhadores utilizavam-se somente da força manual, da energia animal, do vento ou da água. Uma única máquina a vapor realizava o trabalho de centenas de cavalos. Fornecia a energia necessária para acionar todas as máquinas de uma fábrica. Uma locomotiva a vapor podia deslocar cargas pesadas a grandes distâncias em um único dia. Os navios à vapor ofereciam transporte rápido, econômica e seguro (http://www.fisica.ufpb.br). A partir da criação das máquinas térmicas elas foram estudadas e surgiram as teorias dos ciclos termodinâmicos. Qualquer série de processos termodinâmicos tais que, ao transcurso de todos eles, o sistema regresse a seu estado inicial é um ciclo termodinâmico, ou seja, que a variação das grandezas termodinâmicas próprias do sistema seja nula. O francês Sadi Carnot enunciou o que ficou conhecido como ciclo de Carnot ou ciclo ideal onde o rendimento é máximo (Wylen, 1973). Utilizaremos os conceitos citados no trabalho para elaborar um pré-projeto de máquina térmica a vapor simples que iremos abordar a seguir.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 CICLOS TERMODINÂMICOS Segundo Gaspar (2002), os ciclos termodinâmicos são processos que um sistema realiza a fim de se obter trabalho do sistema ou de se realizar trabalho sobre o sistema. Cada tipo de motor, por exemplo, tem um processo diferenciado para que se obtenha trabalho do sistema. Assim o ciclo que rege o funcionamento do motor a diesel é diferente do ciclo que rege o motor a gasolina ou álcool. Estes dois ainda são diferentes do ciclo a vapor e estão longe de ser um ciclo ideal. Os dispositivos termomecânicos transformam o calor gerado em potência e/ou eletricidade e baseiam-se no princípio termodinâmico de ciclos, que operam entre fontes em diferentes temperaturas, gerando energia quando trabalham no sentido da temperatura mais alta para a mais baixa (http://coralx.ufsm.br/revce/).

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Os ciclos termodinâmicos mais empregados são os de Rankine (usa como fluido térmico o vapor), e de Brayton (gás em expansão), além dos usuais motores térmicos, Diesel e Otto, com queima de combustíveis diversos como: óleo diesel, gasolina, álcool etílico, óleos vegetais, álcool metílico, gás natural, biogás, GLP e gás pobre. A Figura 1.2 mostra esquematicamente os processos que compõem cada ciclo (Bejan, 1997).

A

geração

térmica caracteriza-se,

entre outras, pelo

baixo

rendimento

termodinâmico de conversão do potencial existente no combustível em energia final e,

3 como em vários outros processos, as perdas constituem-se em calor residual, o que pode ser verificado na Tabela 1.1, onde diferentes processos estão listados com seus respectivos usos e perdas (http://coralx.ufsm.br/revce/).

2.2 CICLO BRAYTON Também denominado ciclo de Joule, é o processo teórico dos motores de turbina a gás. A Figura abaixo dá o esquema básico.

Figura 2.1 - Fonte: http://www.mspc.eng.br/termo/termod0530.shtml

Entre 1 e 2 o ar é comprimido de forma adiabática por um compressor tipo axial. Ao passar pelo queimador ou câmara de combustão (de 2 a 3), o ar se expande devido ao fornecimento de calor pelo processo de combustão. Isso ocorre supostamente sob pressão

4 constante porque a forma construtiva da câmara oferece pouca resistência ao fluxo. O ar aquecido pela combustão movimenta uma turbina num processo teoricamente adiabático (de 3 a 4). Saindo da turbina, o ar troca calor com o ambiente num processo claramente isobárico (http://www.mspc.eng.br). As Figuras 01 e 02 exibem, respectivamente, os diagramas (aproximados e sem escalas) pressão x volume específico e temperatura x entropia para o ciclo de Brayton, em conformidade com a operação teórica vista no tópico anterior.

Figura 2.2 - O ciclo-padrão de ar Brayton. Fonte: Wylen (1973). p249.

Figura 2.3 - Diagrama de eficiência teórica x p2/p1. Fonte: http://www.mspc.eng.br.

O resultado mostra que a eficiência teórica do ciclo de Brayton depende da razão de compressão do compressor e de x, que é a relação cp/cv do gás. O gráfico da Figura 03 dá uma visão aproximada da variação da eficiência do ciclo de Brayton com a relação p2/p1.

5 2.3 LEIS DA TERMODINÂMICA 2.3.1 1ª LEI DA TERMODINÂMICA A primeira lei da termodinâmica estabelece, que durante qualquer ciclo percorrido por um sistema, a integral cíclica do calor é proporcional à integral cíclica do trabalho. Podese medir igualmente calor e trabalho durante um ciclo, para uma grande variedade de sistemas para várias quantidades de trabalho e calor. Quando são comparadas as quantidades de trabalho e calor, verifica-se que elas são sempre proporcionais (Wylen, 1973). Basicamente a 1ª lei faz o balanço de energia no volume de controle.

2.3.2 2ª LEI DA TERMODINÂMICA O principal significado da segunda lei envolve o fato de que processos ocorrem em determinada direção e não na oposta. Uma xícara de café quente esfria em virtude da troca de calor com o meio, mas o meio não cederá calor para a xícara de café quente (Wylen, 1973). A segunda lei ainda mostra as possibilidades de trocas térmicas, e os cálculos de rendimento.

2.4 DETERMINAÇÃO DAS GRANDEZAS 2.4.1 VAZÃO A vazão é pré-estabelecida pelo fabricante do compressor do grupo (compressor Schulz, modelo MS-V-15/230). Deslocamento = 426 lts/min = 0,0071 m³/s.

2.4.2 ÁREA DAS MANGUEIRAS A área é determinada através da fórmula , o diâmetro das mangueiras foi

obtido na medição com um paquímetro mitutoyo série 530 (incerteza = ±0,05 mm), obtendo o diâmetro da mangueira de entrada 7 mm, e diâmetro da mangueira de saída 16 mm.

2.4.3 VELOCIDADE DE ENTRADA E SAÍDA Segundo Fox (1998), a velocidade é dada por: .

6 2.4.4 TRABALHO Para Wylen (2002), o trabalho pode ser determinado pela expressão: ,

Como a fonte térmica utilizada pelo grupo não fornece calor ao sistema, obteve-se: , desmembrando a variação de energia interna, encontra-se: . Admitindo que a variação de energia potencial gravitacional e a variação de energia química é igual a 0, pois a diferença de altura da entrada e saída do fluido é desprezível e pela diferença de temperaturas também ser desprezível, obtemos: A energia cinética é encontrada com ( ) ( . ) Por fim a massa (Sears, 1998).

de ar, considerando o mesmo gás ideal é mensurada por

Onde: P = 6,5 bar (pressão encontrada através do manômetro); V = 1,73x10-5 m³ (Volume do pistão); m = Massa de ar; M = 28,97 kg/kmol (Massa molar segundo: Wylen, 1973); R = 8314 J/kmol.K (Constante universal dos gases); T = 301,25 K (Temperatura obtida experimentalmente, medindo a mesma na saída de ar comprimido do compressor).

2.4.5 RENDIMENTO DO MOTOR O rendimento pode ser encontrado pela 1ª e 2ª lei da termodinâmica por Onde: rps = 30 (obtido experimentalmente, contando o número de voltas do virabrequim por segundo) e Potência do compressor = 2206,5 W (Préestabelecida pelo manual do compressor) e através do ciclo brayton como:
( )

onde: P = 6,50 bar e 1,01 bar (Pressão máxima e Mínima), k = Relação entre os

calores específicos (cp/cv) que é igual a 1,4 (Wylen, 1973).

3. OBJETIVOS
 Elaborar um projeto de uma máquina térmica;

   

Inferir o rendimento de um motor a ar comprimido. Utilizar conceitos de algarismos significativos. Aplicar as leis da termodinâmica. Estudar a utilização dos ciclos termodinâmicos
Apresentar em forma de trabalho escrito, nas normas da ABNT, os resultados obtidos.

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4. MATERIAIS E MÉTODOS
4.1 MATERIAIS A SEREM UTILIZADOS
               Motor a combustão dois tempos, modificado para funcionar à ar comprimido; Tubulações em cobre; Válvula de saída (Cilindro de aço); Pistões (feito em aço); Anéis de vedação do pistão; Juntas; Polia da válvula de saída; Compressor Schulz modelo MS-V-15/230; Mangueira de pressão; Paquímetro Mitutoyo série 530 (±0,05 mm); Manômetro Arprex; Termômetro Digital; Parafuso M06x30; Porca 6 mm; Base de madeira.

4.2 FUNCIONAMENTO Aciona-se um compressor à ar comprimido, ligando o mesmo a mangueira de pressão do motor, formando uma alta pressão interna, com a força da pressão exercida o pistão maior descerá e consequentemente unidos por um virabrequim o pistão menor sobe. Quando o pistão maior encontra-se totalmente encima, o pistão menor fecha a saída, assim o pistão menor funciona como uma válvula e quando o pistão maior estiver totalmente embaixo, o pistão menor tende em fechar a entrada de ar comprimido e abrir a saída, formando um ciclo termodinâmico.

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5. DADOS EXPERIMENTAIS
5.1 RENDIMENTO CÁLCULADO ATRAVÉS DAS LEI DA TERMODINÂMICA

5.1.1 CÁLCULO DA ÁREA DE ENTRADA E DE SAÍDA DA MANGUEIRA

5.1.2 CÁLCULO DA VELOCIDADE DE ENTRADA E SAÍDA DE AR

5.1.3 CÁLCULO DA MASSA DE AR CONTIDA NO PISTÃO
[ ] * + [ ] * +

= 1,30x10-4 [kg]

5.1.4 CÁLCULO DO TRABALHO

(

)

(

)

5.1.5 CÁLCULO DO RENDIMENTO

9 5.2 RENDIMENTO CÁLCULADO ATRAVÉS DO CICLO BRAYTON

[(

)

]

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6. CONCLUSÃO
A partir dos valores de rendimento obtidos pela equipe, através das leis da termodinâmica (2,90%) e pelo ciclo brayton (41,25%), pode-se interpretar como uma grande diferença entre ambos. O ciclo brayton diferencia-se em relação aos outros pela busca do rendimento máximo, entretanto entendemos que o rendimento encontrado através das leis da termodinâmica é mais adequado para a nossa máquina térmica, pelo seu cálculo envolver mais dados adquiridos experimentalmente e teoricamente pelo grupo.

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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SONNTAG, Richard Edwin; BORGNAKKE, Claus; VAN WYLEN, Gordon John. Fundamentos da termodinâmica / 2002 São Paulo, SP: E. Blucher, 2002.

VAN WYLEN, Gordon John; SONNTAG, Richard Edwin. Fundamentos da termodinâmica clássica - 2. ed / 1973 São Paulo, SP: E. Blucher, 1973.

DUBBEL, Heinrich. Manual da construção de máquinas. 13ª ed. Hemus editora limitada, 1974.

FOX, Robert W.; MCDONALD, Alan T.. Introdução à Mecânica dos Fluidos. 4. ed. Rio de Janeiro: Afiliada, 1998.

SEARS, Francis; ZEMANSKY, Mark W.; YOUNG, Hugh D.. Física 2. 2ª Rio de Janeiro: LTC, 1998. 508 p.

BEJAN, A., "Transferência de Calor", Ed. Edgard Blücher Ltda., 1997.

GASPAR, A. Física. São Paulo, v.2, Ática, 2002.

http://www.fisica.ufpb.br/~romero/objetosaprendizagem/Rived/15cOtto/materiais/ saiba_mais.pdf < Acessado em: 10/12/2011 >

http://www.mspc.eng.br/termo/termod0530.shtml < Acessado em: 10/12/2011 >

http://coralx.ufsm.br/revce/ http://coralx.ufsm.br/cenergia/arquivos_downloads/termodinamica.pdf < Acessado em: 10/12/2011 >