Etiologia da micotoxicose

Estudos epidemiológicos desenvolvidos em alguns países têm demonstrado uma associação entre incidência de câncer hepático humano e aflatoxina B1 ingerida nos alimentos. A verificação da existência de aflatoxina B1, em excretas, auxilia a constatação de episódios de intoxicação. Na prática, com relação à espécie humana, comprovação é difícil, pois sabe que a metabolização da aflatoxina B1 é muito rápida, desaparecendo, praticamente, após uma semana de sua ingestão. Devido ao fato de os achados clínico-patológicos serem apenas sugestivos de micotoxicoses, é fundamental a detecção e quantificação da toxina no alimento suspeito e, quando possível, a detecção de resíduos nos tecidos, leite, urina, soro, fezes e sangue.

Patogenia da micotoxicose
A ingestão de alimentos ou rações contaminados com micotoxinas ou pela inalação destas em forma de partículas suspensas, principalmente em locais onde os alimentos contaminados são tratados ou manipulados, causa a micotoxicose. O grau das micotoxinas depende da toxicidade da micotoxinas, da extensão da exposição, do estado nutricional do indivíduo e dos efeitos sinérgicos com outros agentes químicos ou biológicos. As aflatoxinas são encontradas em alimentos contaminados pelos fungos Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus. O amendoim, por exemplo, transporta na sua casca grande quantidade de inóculo de A. flavus a partir do contato com o solo. A deterioração da vagem possibilita a penetração do fungo na semente, aumentando a contaminação pela aflatoxina. Algumas medidas preventivas podem controlar os níveis de aflatoxinas, como a secagem rápida dos alimentos e o armazenamento sob condições controladas de umidade relativa. A secagem posterior de um alimento embolorado não afeta o teor de aflatoxinas já produzidas, porque elas são resistentes inclusive à torrefação.

Prevenção contra a micotoxicose

Prevenir a contaminação pelo fungo Aspergillus continua sendo a melhor medida para evitar a presença de aflatoxina em alimentos. Deve haver a prevenção do desenvolvimento desses fungos em grãos e outros vegetais, com base, principalmente na secagem rápida desses alimentos, seguida de armazenamento com condições controladas de umidade relativa do ambiente, é sabido que a redução da atividade de água é uma das medidas preventivas que aumentará a segurança do produto e a inibição do desenvolvimento dos fungos micotoxigênicos. A remoção de lotes contaminados, com a remoção de unidades danificadas, minimiza a presença de aflatoxina no produto final quando destinado à industrialização. A exposição dessas toxinas à luz ultravioleta provoca sua degradação parcial. O tratamento com luz ultravioleta em amendoim contaminado não tem efeito, mas em leite contendo aflatoxina M1, a destruição é quase total. A adição de pequena quantidade de água oxigenada ao leite (0,05%) aumenta a deficiência da destruição, e a combinação de luz ultravioleta com riboflavina elimina grande parte do princípio ativo

da aflatoxina M1. Em amendoim, a prevenção da contaminação com aflatoxina tem sido obtida com uso de cultivares resistentes, com a adoção de algumas práticas que controlam a colonização de fungos com potencial aflatoxigênico, tais como calagem, secagem e escolha do tipo de solo ou que interferem na biossíntese de aflatoxina, e com procedimentos para a remoção dos grãos contaminados com base em cor e flutuação, ou ainda utilizando peróxido de hidrogênio.

Micotoxicoses por Aspergillus ssp.
As aflatoxinas são as micotoxinas mais estudadas. São produzidas principalmente pelo A. flavus e A. parasiticus. São conhecidas as aflatoxinas B1 e B2, que recebem essa denominação por emitirem fluorescência azul (blue) quando exposta à luz ultravioleta de ondas longas, as aflatoxinas G1e G2, que apresentam fluorescência verde (green) nessas condições, e a aflatoxina M, isolada do leite (milk). A produção de aflatoxinas é favorecida pela temperatura de 23°C a 26°C, sendo produzida em maior quantidade quando o substrato é rico em carboidratos, gorduras e proteínas. As aflatoxinas são comumente encontradas no amendoim, semente de algodão, castanhas e grãos de outros cereais como milho. As aflatoxinas podem ter atividade tóxica aguda em diversos animais (patos, coelhos, cachorros), e pequenas quantidades são suficientes para causar danos hepáticos e hemorragias no trato gastrintestinal. Além disso, as aflatoxinas têm propriedades hepatocarcinogênicas. O emprego do calor na forma em que costuma ser utilizado no processamento de alimentos não causa inativação completa das aflatoxinas. Assim, quando amendoins são torrados, a atividade das aflatoxinas B1 e B2 pode ser reduzida em 70% e 45%, respectivamente. O emprego de agentes químicos inativadores pode ser eficiente. As ocratoxinas são produzidas principalmente pelo A. alutaceus, sendo mais importantes as ocratoxinas A e B. O A. alutaceus é um contaminante comum de nozes, castanhas, grãos de cereais (cevada, milho, trigo, aveia, soja, arroz e amendoim), frutas cítricas, algodão, pimenta-do-reino e alguns produtos fermentados à base de peixe. A ocratoxina A causa lesões renais e hepáticas em animais. No fígado causa acúmulo de gorduras e alterações nas mitocôndrias. Nos rins, seu efeito se dá por obstrução tubular. Poucas são as informações a respeito da ocratoxina B. Sabe-se que é menos tóxica que a ocratoxina A e que raramente é detectada em cereais.

Micotoxicoses por Penicillium ssp.
Inúmeras toxinas diferentes produzidas por fungos do gênero Penicillium são conhecidas. A rubratoxina produzida pelo P. rubrum, provoca doenças hemorrágicas em animais (aves, suínos, bovinos). Sua produção está associada à produção de pigmentos vermelhos. O cereal mais comumente envolvido é o milho.

A patulina, produzida pelo P. expansum, P. claviforme e P. urticae, tem ação antibiótica. Sua produção ocorre principalmente em frutas em deterioração. Esta micotoxina é estável em condições ácidas, razão pela qual tem sido encontrada em sucos de frutas, principalmente maçãs. O ácido penicílico é também uma micotoxina de interesse e é produzida pelo P. puberulum, envolvendo principalmente o milho. Sua ação biológica é semelhante à da patulina.

Micotoxicoses por Fusarium ssp.
Os bolores do gênero Fusarium (F. gramineum, F. tricinctum e F. moniliforme) podem produzir pelo menos três tipos de micotoxinas: os tricotecenos, as fumonisinas e a zearalenona. Os tricotecenos são produzidos principalmente no trigo, cevada, aveia, centeio e milho, e sua produção é dependente das condições climáticas, ocorrendo principalmente quando a colheita é feita nos meses de inverno, quando a temperatura é mais baixa. É necessário frizar que normalmente os tricotecenos são produzidos por Fusarium sob temperaturas abaixo de 15°C. Portanto, deve-se dar atenção a uma possível presença dessas micotoxinas quando o milho for originário da Argentina, Estados Unidos ou da região sul do Brasil. Vários casos de micotoxicoses dessa natureza foram relatados após a II Guerra Mundial. Um desses casos ocorreu na Rússia em 1940 e provocou a morte de centenas de pessoas devido ao consumo de produtos assados preparados com milho armazenado por longo tempo a baixa temperatura. Estas micotoxinas são responsáveis por uma síndrome denominada ATA (aleucia tóxica alimentar). A ATA é uma doença grave que pode levar a morte do indivíduo afetado. A taxa de mortalidade é bastante elevada (80%). Os tricotecenos não são destruídos pelo aquecimento a 100°C. Tratamentos com ácidos e álcalis também não afeta a atividade dessas toxinas. A zearalenona, produzida pelo F. graminearum, é uma micotoxina que constitui um sério problema em rações à base de milho, representando um sério risco à criação de animais. Apesar de a zearalenona não afetar, por exemplo, o desempenho de aves em contaminações naturais, convém salientar que autoridades sanitárias de alguns países importadores de carne de frango estão em alerta quanto aos resíduos de zearalenona na carne dessas aves, pois esta micotoxina, em determinadas concentrações, pode induzir a um efeito anabolizante em humanos e outros mamíferos. A produção de zearalenona no milho e em outros cereais é favorecida por temperaturas alternadas (dias quentes, noites frias) e pelo excesso de umidade durante o armazenamento de grãos.

Introdução:
Micotoxicose é a doença causada pelos metabólitos tóxicos dos fungos, os quais afetam animais e humanos. Fungos toxinogénicos são relativamente comuns e podem germinar, crescer e elaborar suas toxinas em uma grande variedade de substratos quando a humidade, a temperatura e a arejamento são favoráveis.
No trabalho serão apresentadas a etiologia, patogenia, prevenção e também micotoxicose causadas por fungos do gênero Aspergillus ssp. e do gênero

Penicillium ssp., que serão um auxilio para o melhor entendimento da doença.

Conclusão: