por Vagner “Duff” Giacomazzi

Por pura falta de pautas mais interessantes resolveram manter esta humilde coluna na fanzine. Como diria o Velho Lobo: “Vocês vão ter que me engolir!!!”. Vamos ao que interessa!

VOCÊ SABIA QUE... Danger Mouse é o produtor do próximo álbum do U2? E que provavelmente será lançado ainda no ano que vem? Então corre no u2br.com pra ficar por dentro, ow! VOCÊ VIU? Bono só no marasmo lá no sul da França... não se sabe se está vermelho de sol ou de cachaça. Mas o pior de tudo é aquela calça amarela. Será que ele tá curtindo Restart?

WATCH MORE TV
Quem aqui não achou que a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres era, na verdade, a abertura do show do U2? Rolou Space Oddity, Muse... sem contar o mala do Russell Brand cantando I’m The Warlus, remetendo - de longe, é verdade - ao Bono interpretando o Dr. Robert em Across The Universe.

EVERYTHING YOU KNOW IS WRONG FALANDO NISSO...
Muitas pessoas acham que o U2 é idolatrado na irlanda - especialmente em Dublin. Sim! Só que não. Com a mudança fiscal da banda pra Holanda, as pessoas passaram a olhar torto pra Bono, Adam, Larry e Edge! Uma dica: se for pra Irlanda, fica meio na moita! Que atire a primeira pedra quem não fez o seguinte comentário: “O George Michael está fantasiado de Bono nesta cerimônia”. CONSELHO DE AMIGO Já conhece a nossa loja virtual? Dá uma olhada no loja.u2br.com e confira os produtos exclusivos e originais do U2! THIS IS NOT GOODBYE: Em Agosto tivemos o aniversário do grande The Edge, mais conhecido por “Beiradinha”. Na próxima edição da fanzine vai rolar uma monte de data legal a ser lembrada. Fiquem atentos e até lá!!! E aí, o que acharam? Envie suas críticas, elogios ou sugestões para vagner@u2br.com e me ajude a fazer esta coluna!

I FEEL NUMB
Boatos diretamente de Curitiba! Integrantes do U2BR perderam a linha no Bar do Alemão. Estima-se que “afundaram” mais Submarinos do que a II Guerra Mundial toda! Inclusive um deles está à procura de um tal de “Porco Pereira” até hoje... WAS A BEAUTIFUL DAY Ainda sobre Curitiba, que evento foi aquele??!! A banda U2 Cover Curitiba fez do Nacional Batel um verdadeiro palco U2niano. Mesclaram uma produção mezzo Vertigo, mezzo 360° que agitou os fãs do começo ao fim. Parabéns!!!

Vagner Giacomazzi é estudante de Engenharia e está na equipe do U2BR desde 2005. Escreva para ele: vagner@u2br.com ou @duffu2

Em abril de 2011 , o Brasil - mais especificamente a cidade de São Paulo e Estádio do Morumbi - foi presenteado com presença de uma das melhores bandas do mundo. Confesso que naquele momento não sabia muito sobre o U2, só as músicas mais famosas como “Beautiful Day” e “Vertigo”, mas minha irmã acabou por me convidar para ir ao show, e claro, não recusei. Alguns dias antes, tentei me atualizar mas, convenhamos que com mais de 12 álbuns, torna-se uma tarefa nada fácil.

Assim que entrei no estádio, antes mesmo de começar a apresentação, senti uma magia que nunca havia sentido. O palco em 360º, conhecido como Garra, Os músicos são por si só um show. Felizmente, conmostrou-me tudo o que o U2 representa, e isso era só segui ficar no lugar mais desejado: a grade e pude vê-los de perto. Adam, passava diante do público, as o começo. vezes só para sorrir para nós. Não vi de forma alguma No início do show, eu não acreditei no poder da mú- apelação diante dos músicos. A mídia os transforma sica, das luzes e do talento dos músicas. Adam, Bono, em algo tão grandioso, quase deuses, mas não vi esse Larry e The Edge. Entretanto, isso não foi o auge comportamento no show, pelo ao contrário, eles são da noite para mim. Oque chamou de verdade minha simples e não fazem esforço algum para “subir o níatenção foi o respeito para com os fãs. A estrutura do vel”. Esta é a mágica.

palco foi especialmente feita para comportar mais pessoas, e consequentemente derrubar o preço dos ingressos. A iluminação foi um espetáculo à parte. As arquibancadas foram constantemente iluminadas, como se a banda dissesse: “Nós não esquecemos de vocês!”Para outros grupos musicais, arquibancada é apenas arquibancada. O palco também foi democrático. Não se via apenas uma miniaturade nenhum dos músicos ali presentes, independente do lugar onde você estava. O som era coisa inimaginável, s caixas de som estavam instaladas tanto no palco, para dar uma boa audição aos que estavam na pista, quanto suspensos no alto da garra, para os demais setores.

Outro ponto relevante para mim foi a democratização da turnê como um todo. A América Latina se fez presente e não houve quaisquer diferenças. A estrutura usada aqui foi a mesmo dos EUA, da Inglaterra ou de qualquer país pelo qual a banda tenha passado. Em relação a outras bandas, a América Latina tem o pior palco e os preços mais altos. Uma fala do Bono me chamou muito a atenção - claro que não foram exatamente nestas palavras “Não deixem que ninguém fale que o Brasil é pobre, e que sempre será assim. Não se acomodem,vocês sabem que aqui é o melhor país do mundo, orgulhem-se disto!”. Utilizar a música para promover a paz; isso eles fazem. E não só a paz, mas o conhecimento, os fatos que nos escondem. “Sunday Bloody Sunday” retratao conflito entre soldados ingleses e manifestante que se encontraram em um domingo durante atos realizado na Irlandado Norte; “Walk On” nos apresenta Aung San Suu Kyi, uma líder política que luta pelos direitos humanos e democráticos de seupaís, Birmânia. Fazê-la conhecida é, não só apoiar a causa de Suu, mas introduzi-la ao mundo e mostrar que existe uma nação precisando de ajuda. Há mais músicas escritas por eles falando de temas sociais, que nos fazem perceber que esse mundo que vivemos é grandioso e cheio de desafios. O U2 ganhou uma admiradora. Seus atos sociais, sua preocupação com o próximo é tocante. Acredito que, se você tem dinheiro e fama, deve sim utilizar-se sim delas, mas para fazer algo bom, algo que modifique a vida das pessoas, fazendo com que elas não acreditem em tudo o que dizem. “Um amor Um sangue Uma vida Você tem que fazer o que deve Uma vida Um com o outro Irmãs e Irmãos Uma vida Mas não somos os mesmos Temos que carregar um ao outro Carregar um ao outro” One – U2, letra - Bono por Fernanda Nunes

Nessa coluna iremos trazer para você alguns fatos, curiosidades e personalidades da Terra Natal de nossa tão amada banda: a Irlanda. E para abrir o trabalhos, se você já acha que o Bono e o U2 são simplesmente a cara daquela distante Ilha, depois dela passará a ter certeza.
por Vivianne Nunes O verde, remontando as tradições celtas e também a bandeira usada inicialmente pela “United Irishmen Union”, um dos primeiros grupos a lutar pela independência do país em meados de 1790. A direita, o laranja, representando os protestante, e remetendo à herança dos que apoiaram Guilherme de Orange, e a continuidade do domínio britânico sobre a Ilha Esmeralda. No meio, unindo a todos o branco, representando a paz. Presenteada aos irlandeses em 1848 por um grupo de franceses simpatizantes a causa e a situação que o país já se encontrava naquela época, sendo parte do então mais poderoso e rico império – O Império Britânico – só foi oficialmente hasteada pela primeira vez em 1916, quando os insurgentes após uma sangrenta disputa – sangrenta, porém não definitiva – a hastearam no topo do Prédio Central dos Correios, no centro de Dublin, na manhã seguinte ao domingo de Páscoa,

após a leitura da declaração oficial do manifesto da àquela destinada a levantar a nacionalidade irlandesa, independência do país. Foi o estandarte que guiou e a sua bandeira tricolor a todos os lugares. os que clamavam pela liberdade durante os três anos seguintes, e foi adotada pelo embrião do que seria a República da Irlanda, o Estado Livre Irlandês que existiu de 1922 a 1937, quando finalmente o governo, o estado livre se firmou, bem como a bandeira tricolor como símbolo oficial da nova nação que surgia. Apenas 13 anos depois, em 19 de Agosto de 1950, unidos pelo Reverendo Fergus Day, na igreja de São João Batista, em Clontarf, distrito localizado ao norte de Dublin, Iris Elizabeth Rankin e Brendan Robert Hewson casaram-se. Para quem já associou o sobrenome a estória que vamos começar a contar, espere, além de ter saído dessa união aquele que seria o filho O primeiro filho do casal Norman, nasceu após 3 anos mais ilustre – e mais amado por nós – da nação irlan- da união. E em que religião seria criado? Ficou acordado entre os Hewsons que o seu primogênito seria desa, o que mais teria de tão singular nesse fato?! batizado e criado de acordo com a fé protestante e o Iris, era de origem protestante, tendo assim assumido segundo, seguiria os preceitos religiosos do seu pai. a fé da Igreja da Irlanda, Bob, no entanto era católico. Acontece que com a chegada de Paul, em 1960, o pacUma comunidade em ebulição, recém saída de uma to acabou por não ser cumprido, e o segundo filho foi batalha, não tendo ainda fortemente estabelecido a também batizado na igreja protestante, o que teorisua nacionalidade, a sua força, diante do mundo – camente transformaria ele em seu irmão em memque também recém havia saído da II Guerra Mundial bros da Igreja da Irlanda como sua mãe. Porém, como – pequena, tendo que encarar algo que até então era parte da simbiose, adotada desde a origem, os filhos simplesmente contrário a tudo o que havia aconteci- acompanhavam ambos os pais em seus compromisdo por séculos e ao mesmo tempo deveria ser o mais sos, o que fez com que fossem criados sob o signo da sonhado por todos. Iris e Bob eram um casal que mes- tolerância e diversidade.

mo involuntariamente eram a síntese perfeita do país que surgia. Diferenças unidas, por amor, embaixo de Como tantos outros fatos, seja a morte de sua mãe um mesmo teto. Convivência pacífica, reconstrução, prematuramente, ou o momento em que entrou pra banda ou conheceu Ali. A origem da sua família, e a pais daquele que seria a nova geração, época do seu nascimento, são determinantes para que tenha sido formada a figura do Bono que conhecemos hoje em dia e que alcançou o mundo. A síntese perfeita do seu país, e do que todos buscavam. Alguém que nasceu menos de 50 anos após a independência de sua terra ter sido alcançada alguém que viveu a adolescência e o início de sua vida adulta as sombras do IRA e da violência que assustava e proibia a todos, independente de qual lado da situação estavam, de terem uma voz. Aquele que simplesmente, sintetizou em si o que os que costuraram a bandeira um século antes do seu nascimento tentaram simbolizar. Aquele que mesmo depois de tantos milhões, e de tantos lugares no mundo, ainda tem em sua Dublin o seu refúgio, e não deixa nunca de falar de sua pátria em toda e qualquer entrevista. O filho mais odiado, e mais amado.

General Post Office em Dublin, decorado com as cores do seu país em uma clássica cena do Saint Patrick’s Day.

Quando você fecha os olhos e imagina o início de uma banda de rock, qual a primeira coisa que vem a sua cabeça?! Um bando de adolescentes – rebeldes com causa, ou sem - em busca de fama, dinheiro, mulheres, trancados em uma garagem, infernando os vizinhos com covers mal executados das bandas que sonham em ser um dia. Pois bem, o primeiro ensaio do U2 – tirando a parte das desafinadas e dos covers ruins – foi bem diferente do que imaginamos, mostrando que sim, os 4 – que naquela época não eram só 4 – já estavam a frente de todos e fugindo dos clichês desde o primeiro dia. “Baterista procura músicos para formar uma banda” esse foi o anúncio respondido em 25/09/1976 que fez com que 6 pessoas com aparentemente nada em comum se reunissem em uma pequena cozinha , localizada em uma residência instalada na Rosemount Avenue, no bairro de Artane, localizado no norte de Dublin, capital da Irlanda. O anúncio havia sido colocado pelo jovem Larry Mullen – que até então ainda não tinha o Jr em seu nome – no quadro de avisos da escola onde ele então com 15 anos estudava: a Mount Temple Comprehensive School. Incentivado pelo seu então professor de bateria, Johnny Wadham, Larry, que estudava o instrumento há algum tempo, e havia iniciado seus estudos

musicais pelo piano, aos 8 anos. Não haviam expectativas, não haviam grandes ideias. O kit de bateria do filho do meio da família Mullen, estava montado em um canto da cozinha, a mesa havia sido encostada em uma parede com as cadeiras empilhadas sobre ela para que houvesse mais espaço. Peter Martin, um dos colegas de escola do dono da casa, havia emprestado uma guitarra e um amplificador – que tinha mas não sabia tocar – para o dono da casa. Larry, seus pais e sua irmã Cecilia, aguardavam os que iriam aparecer interessados em embarcar nessa aventura.

Ivan McCormick, um ano mais novo do que Larry “Feedback” esse foi o nome escolhido após aquele enapareceu, ele possuía uma guitarra e já sabia tocar al- contro. A banda recém-formada passou a ensaiar as guns acordes. quarta-feiras, quando as aulas dos sues membros não tomavam o dia todo. O fato mais difícil é que eles não Adam Clayton acabara de ingressar na Mount Temple se conheciam, aparentemente não havia afinidade alhá semanas quando soube do anúncio? A sua quali- guma, e ainda a falta de técnica, eles precisavam acima ficação para ser aceito? Bem, ele tinha um baixo, não de tudo se conhecerem para que depois encontrassem que soubesse realmente toca-lo, mas tinha, além de seu ritmo e o caminho a ser trilhado para o mundo. um casaco de pele afegão, e a sua má fama de ter sido expulso de outra escola, viajado para África e um certo receio por parte dos seus professores por aquele garoto loiro que desfilava seu black power e tomava café o tempo todo durante as aulas Os Evans, irmãos David e Dick. Assim como Adam, não eram irlandeses, mas sim, naturais do País de Gales e haviam se mudado para aquele país quando o seu pai recebera uma oferta de emprego. Chegaram empunhando a guitarra amarela que Dick mesmo fizera e na qual ambos praticavam seus acordes. The Edge, ou simplesmente David naquela época, estudava em Mount Temple, e um dos outros ali presentes já o ouvira tocar pois ele era da mesma classe que a sua namorada. Essa foi a “The Larry Mullen Band por 10 minutos….”, Larry cita isso, foi então que apareceu Bono – que na época ainda era Vox – que podemos dizer já era uma espécie de “celebridade” na Mount Temple. Veio na garupa da moto de um dos garotos com quem andava na época Reggie Maniel, conhecido como Black Dog, que era quem o havia convencido a tentar entrar na banda. Não havia levado nenhum instrumento, apesar de agir como se fosse o guitarrista principal da banda, para Larry ficou bem claro naquele momento que ele seria o vocalista, não pela sua qualidade vocal, mas sim porque era o único que não tinha instrumentos, amplificadores, ou meio de transporte. 36 anos depois, 2 dos que estavam nessa fatídica cena descrita acima nem chegaram a figurar na formação definitiva do grupo e mesmo assim ao olhar para uma foto do U2, ao olhar para os 4 em cima do palco, felizmente ainda é possível ver o brilho nos olhos daqueles que há tanto tempo se aninharam em uma cozinha para sem pretender chegar a lugar algum, começarem a literalmente elaborar a que seria uma das maiores bandas da História. A cumplicidade entre Bono e Edge, a sincronia entre Adam e a Larry, saíram desse dia, desse sábado trancados em uma cozinha. Os erros, os acertos, a irmandade há tanto surgidos estão com eles até hoje e isso faz com que sejam a referência para tantos outros que em cozinhas, quartos, garagens querem começar sua própria carreira.

“Naquele momento, Bono não tinha ideia se iria cantar ou tocar guitarra. Pelo que me lembro nem ao menos tínhamos microfone. Tínhamos duas guitarras, uma bateria, um baixo e meio amplificador.” – define Vivianne Nunes é responsável pelas notícias e está na Adam. equipe do U2BR desde 2008. Escreva para ela: vivianne@u2br.com ou @vickyhewson “Larry e eu podíamos tocar um pouco, bem como Ivan, mas Adam realmente não sabia tocar, ele sabia como fingir. Mas em virtude dele ter uma baixo, não havia duvidas de que ele seria o baixista. Bono nem ao menos tinha uma guitarra, mas parecia pensar que ele era o guitarrista principal.” Relembra The Edge em uma das páginas do U2 by U2.

Outubro é o meu mês preferido. Além de ser o mês do meu aniversário, ser cheio de datas especiais e ter uma música do U2 com esse nome, é também aniversário do álbum Rattle and Hum lançando dia 10/10/1988, que também está em formato audiovisual. Segundo The Edge, o documentário que acompanha o disco tinha o objetivo de mostrar um pouco do processo de gravação das músicas e a banda em shows da turnê Joshua Tree, por isso é simples e natural na “atuação” dos integrantes. Na época do lançamento, o álbum teve críticas irônicas e a banda foi chamada de arrogante com intenções megalomaníacas. Apesar das críticas, o disco foi um sucesso de vendas e o filme não foi sucesso nem fracasso, mas é um registro autêntico e valioso daquele momento da banda. O material continua até hoje a saciar a fome musical dos fãs do U2, mostrando a repercussão e o seu alcance mundial.

São tantos rankings em países, continentes ou em apenas rádios locais que classificaram o álbum no top #10 e alguns hits top #1 que não vale a pena ficar preso a esses números hoje. O que importa que é o álbum se sustenta até os dias atuais. O U2 está longe de ser um grupo despercebido.

O estilo visual pode não agradar todos, mas quando se assiste o Rattle and Hum, percebe-se o Bono em uma das suas melhores vozes da sua carreira (especialmente perceptível em With of Without You), realçada pela excelente a qualidade de som e imagem do filme. [foto] O documentário tem a maioria das imagens em preto e branco. Contém gravações ao vivo, covers e músicas novas da época. Mostra a visita da Graceland e admiração do Larry Mullen Jr ao seu ídolo Elvis Presly, ao som da música Heartland. I Still Haven’t Found What

Críticas de lançamento costumam ser assim: ou reclamam porque não há nada de novo, ou a inovação não é bem recebida. O Rattle and Hum conseguiu trazer as duas vertentes e críticas bem confusas diante da pressão da mídia. Era um pouco de repetição por se trazer versões ao vivo do álbum anterior, The Josua Tree e também era ousado e sobressalente diante das parce- I’m looking For aparece na versão gospel acompanharias e referências aos mitos da música, como Beatles, da por um coral do Harlem, fazendo reverência aos ídolos do Blues (Miles Davis, Billie Holiday, John ColElvis, Bob Dylan, Billie Holiday, Hendrix, etc. train). Lembro muito do meu professor de inglês nos Mas aqui não falaremos de críticas de lançamento, e anos 90 ensinando o past tense com essa música, mas sim de uma crítica nostálgica de um disco que é essen- ele só conhecia a versão de estúdio do Joshua Tree. Foi cial. Diante da imensa e diversificada produção musi- quando eu apresentei a versão do Rattle and Hum e cal do U2 e do vasto material de shows pelo mundo, na hora que entraram as vozes do coral ele disse “Me o Rattle and Hum continua a agradar os fãs saudosos, arrepiei!”. principalmente aqueles que vivenciaram o final dos anos 80 e tiveram o prazer de abrir aquele “bolachão” As músicas continuam com a mesma energia dos disduplo de vinil. Nessa década de visuais extravagantes, cos e shows anteriores do U2. Where The Streets Have no Name e Pride arrancam a voz da multidão. Sunday penteados punks, cintura alta, susBloody Sunday mantém as intervenções de protesto de Bono, uma herança da era War. Sem esquecer do pensórios e coletes, discurso que critica a glória de morrer pela revolução: Bono aparece com “fuck the revolution”. Mais a frente, vemos mais disum dos cabelos mais legais da sua cursos Silver and Gold contra o Apartheid e em Bullet The Blue Sky, mesma ira respinga no disco The Joshua trajetória fashion. Tree. E por falar nele, há quem diga que o U2 estava Edge usa seu típico em um momento triste porque os rapazes aparecem chapéu de cowboy com rabo de cavalo, sérios na foto da capa. “O que ninguém percebe é que ali estávamos congelando no frio. Ponha alguém nesLarry com a jaquesas condições e veja se essa pessoa fica feliz”, retrucou ta de couro e Adam normalizou o cabelo oxigenado de volta a cor natural. a banda.

meras girantes na horizontal, mesmo princípio que veríamos mais tarde no clipe Even Better Than The Real Thing do album Achtung Baby, só que em giros verticais. U2 é um grupo entusiasta de inovações, seja em estilos, ritmos e vídeos. All I Want Is You era uma das músicas novas da época, umas das declarações de amor mais lindas do Bono. É, o Bono acredita no amor com a mesma intensidade que ele grita ao final da faixa God Part II. E fala mais do amor nas estrofes de Hawkmoon 269. Segundo Bono, a faixa tem esse número porque a música foi O Rattle and Hum pode ser mais monocromático, mixada 269 vezes, durante três semanas - confirma mas está longe de ser um disco triste. Pelo contrário, The Edge. ele eleva as canções do Joshua Tree nas versões ao vivo e evidencia bem a alegria da banda nos palcos e nos estúdios. O disco abre com a polêmica música Helter Skelter dos Beatles, termo Charles Manson se apropriou para inspirar assassinatos nos EUA. Fortemente influenciado pelo blues, R&H também tem a lendária participação de BB King em When Loves Comes To Town. BB King agradeceu ao U2 pela elevação do número de fãs após essa parceria, que o tornou mais conhecido. Van Diemen´s Land cantada por The Edge tem uma letra que já começa rasgando nossos corações “hold me now, oh hold me now”. Desire tem o vídeo em câ-

“Temos de ir embora e sonhar tudo outra vez” – disse Bono ao encerrar os shows da turnê. O Rattle and Hum encerra um ciclo musical do U2 e abre alas para o inovador Achtung Baby e a turnê Zoo TV, no início dos anos 90. Melhor que ficar apenas lendo sobre o Rattle and Hum é reunir os amigos à frente da TV, contemplar do

DVD e tentar desfrutar hoje de toda a emoção que ele trouxe aos jovens há 24 anos atrás, em outra época e outro contexto, mesmo que ainda continue a conquistar os fãs mais novos. Bom, agora vamos deixar o som invadir o saudosismo e terminar como o Bono disse: “Ok Edge, play the blues!”.

Filme Direção: Phil Joanou. Elenco: U2 (Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr.). Duração: 99 minutos. Distribuição: Paramount. Disco 6° álbum da banda Gravação Sun Studio, Memphis (entre 1987 e 1988) Duração 72 min 27 s Gravadora Island Records Produção Jimmy Iovine Faixas: Disco 1 1.”Helter Skelter” (Live) - (U2) 2.”Van Diemen’s Land” (U2) 3.”Desire” (Demo) - (U2) 4.”Exit” (Live) - (U2) 5.”I Still Haven’t Found What I’m Looking For” (Rehearsal) (U2 with The New Voices of Freedom) 6.”Freedom for My People” / “Silver and Gold” (Live) - (Satan and Adam) 7.”Angel of Harlem” (Demo) - (U2)

8.”All Along the Watchtower” (Live) - (U2) 9.”In God’s Country” (Live) - (U2) 10.” When Love Comes to Town” (Rehearsel /Live /Medley) (U2 with B.B. King) 11.”Heartland” (U2) Disco 2 1.”Bad” (Live) - (U2) 2.” Where the Streets Have No Name” (Live) - (U2) 3.”MLK” (Live) - (U2) 4.” With or Without You” (Live) - (U2) 5.”Star-Spangled Banner” - (Jimi Hendrix) / “Bullet the Blue Sky” (Live) - (U2) 6.”Running to Stand Still” (Live) - (U2) 7.”Sunday Bloody Sunday” (Live) - (U2) 8.”Pride (In the Name of Love)” (Live) - (U2) 9.”All I Want Is You” (U2)

Rose Gomes é responsável pelas notícias do site e está na equipe do U2BR desde 2011. Escreva para ela: rose@u2br.com ou @rosegomes

por Alessandra “aleh_” Mendonça

A resenha desta edição será acerca de um livro bem pouco conhecido, até mesmo entre os fãs da banda, mas que carrega um conteúdo bastante interessante e inédito. Este livro é o “Faraway, so close!”, escrito por BP Fallon

O autor:
BP Fallon é um DJ irlandês, e crítico musical, além de fotógrafo. Ele nasceu em 24 de agosto de 1946, e existem inúmeras ligações dele com a banda irlandesa U2. Sua amizade com a banda, o fez ter um papel de destaque no pré-show antes dos concertos da ZooTV. Sentando no Trabant todas as noites antes do show, ele era o DJ que animava a multidão antes do ato principal. Nota interessante, é que Fallon, um notório garoto – problema, se envolveu em algumas confusões durante a turnê. Entre brigas e abuso de álcool, foi dado a Larry o poder de decidir se ele continuaria ou não com a banda, em turnê. Posteriormente Larry decidiu que BP poderia ficar, desde que não causasse mais problemas para ele, e para a banda. E foi justamente durante essa turnê que BP teve a idéia para escrever um livro que seria um sucesso de crítica, denominado “Faraway, so close”.

e intricada em alguns pontos. Por outro lado, o livro é recheado de fotos interessantes, e muitas delas inéditas porque, como dito acima, além de DJ e autor, Beep também é fotógrafo. E as fotos são as mais variadas possíveis: membros da banda festejando, trabalhando, membros da equipe, e etc. Uma relíquia em forma de livro, um pedaço daquela que foi uma das mais aclamadas e inovadores turnês do U2.

O livro:

Mas nem só de fotos interessantes vive o livro de Fallon. Além das fotos, ele conseguiu capturar o clima Grande. E colorido. São essas as primeiras palavras da turnê em palavras, nos trazendo para dentro dos que vêem à sua cabeça quando se tem em mãos o li- anos 90, com histórias da banda, piadas, casos interesvro. Possivelmente “pesado” também. Logicamente, santes, levando o leitor para dentro dos bastidores, e nada como o U2 by U2, mas ainda sim diferente dos enriquecendo a leitura. Apesar da formatação não ser livros comercializados no Brasil. O livro de Fallon tem uma das melhores, e não haver uma linha temporal o tamanho um pouco menor do que uma pasta classi- bem definida, as histórias são tão boas, que o leitor ficadora, e muitas histórias interessantes ao longo de consegue abstrair tudo de desinteressante que há no suas páginas. Mas primeiramente, devo avisar: não é livro. uma leitura fácil. De fato, é uma leitura intricada, e mesmo uma pessoa com um nível de inglês avançado pode se ver perdida algumas vezes e procurar ajuda no google. Isso não porque Fallon é um Shakespeare e escreve de forma erudita, mas sim porque simplesmente o livro é recheado de gírias. O que pode tornar a leitura complicada

O veredito:
O livro consegue alcançar tudo aquilo a que se pretende: ser um livro despretensioso, quase como um diário, que leva o leitor para dentro da turnê junto com a banda e suas histórias de bastidores. Apesar de, em alguns ponto, intricada, é uma leitura leve, interessante e engraçada, o que por si só já faria com que estivéssemos tratando de um ótimo livro. As fotos engrandecem a publicação, e coloca o livro em um outro patamar, sendo uma aquisição certeira para todo o fã de U2.

Nota: 4 estrelas

por Alessandra “aleh_” Mendonça

Possivelmente, um dos grandes “mistérios” que rondam o U2, é a controvérsia envolvendo a possível evasão de taxas da banda na Irlanda. De fato, ninguém sabe bem como começou essa história, e talvez ela tenha sido distorcida com o tempo, mas a verdade é que se em alguma coisa que os críticos gostam de enfatizar, é justamente acerca disso. Os partidários contra o quarteto irlandês apontam uma grande contradição entre a faceta humanitária da banda, e especialmente seu frontman, com seus enga-

jamentos em campanhas anti-pobreza, e seus esforços em não pagar as taxas na cidade esmeralda. E se já existia uma crítica antes, tudo se intensificou após a crise que acometeu a Irlanda. E muitos, acreditem, culparam a banda por não apoiarem o seu país*, culminando com uma onda de protestos, e até mesmo com uma proposta de boicote ao show dos quatro irlandeses em Glastonbury.

Mas, e qual é a verdade nessa história? U2 realmente estaria se evadindo de pagar tributos à Irlanda? E caso positivo, seria essa uma atitude ilegal, ou uma atitude inteligente? É isso que tentamos buscar nesse artigo:

Foi no Glastonbury de 2010, que eclodiu uma das maiores tentativas de manifestação contra a atitude da banda irlandesa em seus negócios. Quando U2 subiu ao placo, ativistas de uma organização chamada Art Uncut, quiseram inflar um enorme balão, que continha a seguinte frase : “U Pay Your Tax 2” (em livre tradução: vocês paguem suas taxas também) . Felizmente, os policiais chegaram a tempo de esvaziar o balão e removê-lo. Antes disso, esses mesmos manifestantes apareceram em frente ao estúdio da banda em Hannover Quay, com as mesmas críticas referentes ao pagamento de impostos. O porta-voz da Art Uncut deu uma entrevista, no qual informou que Bono era hipócrita por professar que se importa tanto com os mais próximos, e evita contribuir para o crescimento de seu país. Assim disse “Bono é bem conhecido por sua campanha anti-pobreza, mas evitar o pagamento de taxas por companhias multinacionais e ricos proprietários é um problema grave para o mundo em desenvolvimento”

Quando se fala em negócio, não estamos falando apenas dos quatro integrantes e Paul McGuinness. Existem outras coisas por detrás do sucesso da banda, e tantas outras pessoas que fazem parte deste conglomerado. Essa decisão não foi feita arbitrariamente e visando somente um lucro no mercado capitalista. Provavelmente passou por diversas opiniões e aprovações até que fosse realmente considerada e aceita.

Toda a controvérsia teve início quando, em 2006, U2 mudou sua sede de negócios para a Holanda, ao invés da Irlanda, por ter uma menor incidência de impostos sobre os lucros, o que faz com que esses impostos não sejam revertidos para a Irlanda. Claro, de fato houve um prejuízo para o país, que deixou de receber um dinheiro de impostos que devia ser considerável, em virtude dos lucros da banda, mas, olhando de forma prática, sem favorecer a banda, tem-se que perceber que essa foi uma decisão de “negócios”. Claro, são coisas totalmente diferentes, se falarmos do ponto de vista monetário, pois o U2 arrecada dezenas de milhares de dólares, mas o que eu quero dizer é: será realmente que a banda tem o poder decisório em uma situação como essas? E como acusar alguém, se fazemos a mesma coisa? Nota: *Edge e Adam não são irlandeses.

Logicamente, não queremos dizer que U2 não sabia do que estava acontecendo, mas talvez a banda não tivesse tanto controle sobre essas decisões. De todas as formas, a mudança de um país para o outro não foi ilegal. Controversa, sim. Mas não ilegal. E se pensarmos bem, esta é uma prática recorrente entre nós, ainda que em escala muito menor. Explico: muitas vezes compramos fora e rezamos para que nosso produto não seja taxado. Mas, se pararmos para pensar, esse dinheiro de imposto está sendo revertido para o nosso País, então seríamos negligentes ao não querer pagar os impostos. É basicamente esse o pensamento para com o U2.

Virgínia de Sousa Venega
Gurupi-TO 22 anos

Lis Marie.

Niterói - RJ 17 anos.

“Enquanto grande parte dos acontecimentos atuais me fazem perder a fé na humanidade, o U2 é uma daquelas chamas de esperança que vêm e me diz: ‘Não desista!! Ainda existem pessoas do bem, com boas intenções e que não ligam só para benefício próprio...’ Eu amo U2. É quase como uma filosofia de vida, um jeito diferente de ver o mundo, de ouvir e sentir suas músicas. Eu os conheço a pouco tempo, só 10 anos, mas mesmo quando ouço Out of control de uns 30 anos atrás eu escuto uma música super atual e que daqui a 100 anos ainda será atual.. São poucos músicos que conseguem esse feito, e para mim foi uma Honra ter podido vê-los no dia do meu aniversário em abril desse ano... Vai ficar para sempre ;)”

“Me tornei fã em 2006, quando os vi pela primeira vez ao vivo aqui. Nunca tinha ouvido falar de uma banda chamada U2, mas posso dizer que foi amor a primeira vista. A atuação de palco da banda, as músicas e os músicos me deixaram eletrizada, nunca havia visto nada igual. No dia seguinte já fui ao jornaleiro comprar revistas e pôsters! Hoje, após ter presenciado aqueles 3 dias de shows em abril, tenho certeza de que o U2 não está na minha vida por acaso e agradeço a Deus todos os dias por isso tudo. Amo-os incondicionalmente, são minha filosofia de vida...”

Rita Rocha (rita@u2br.com) Tiago Trentini (webmaster@u2br.com) Vagner “Duff ” Giacomazzi (vagner@u2br.com) Juliano Trentini (julianotrm@hotmail.com) Alessandra Mendonça (alessandra@u2br.com) Armando Júnior (junior@u2br.com) Duílio Antonio (duilio@u2br.com) Rita Rocha (rita@u2br.com) Rose Gomes (rose@u2br.com) Sil Rigote (sil.rigote@gmail.com) Vagner “Duff ” Giacomazzi (vagner@u2br.com) Vivianne Nunes (vivianne@u2br.com) Juliano Trentini (julianotrm@hotmail.com)

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