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Agency Theory na Pesquisa Contábil
Autor: Antonio Lopo Martinez Resumo: Este artigo discorre sobre o uso da Teoria do Agenciamento (Agency Theory) pela pesquisa contábil. Inicialmente, discute-se aspectos conceituais e históricos, para num momento posterior direcionar o estudo para a sua aplicabilidade na Teoria Contábil. Nesse ponto, a Teoria Positiva da Contabilidade é revisada, expondo suas premissas e teses fundamentais. A Teoria do Agenciamento proporciona um sistema de referência para a descoberta de relações intrínsecas entre o objeto da contabilidade e seus diversos usuários, ofertando uma estrutura lógica importante para a compreensão do papel e relevância da contabilidade. Texto: I – Delimitando o Tema O foco deste trabalho é discorrer sobre a importância da Teoria do Agenciamento (Agency Theory) para o aprimoramento da Teoria Contábil. Os pesquisadores contábeis encontram um campo fértil na teoria do agenciamento, pois esta oferece um modelo racional para explicar e justificar a relevância da contabilidade no contexto das grandes corporações. Na perspectiva da Teoria do Agenciamento, os sistemas de informações contábeis são vistos como sistemas de monitoramento que produzem informações no qual o principal (proprietário) e o agente (gerente) baseiam suas relações. Ao discorrer sobre a teoria do agenciamento aplicada ao campo contábil, não será possível privar-se de discutir as bases sobre as quais esta ganhou notoriedade na pesquisa contábil dos últimos anos. Logo, a Teoria Positiva da Contabilidade, linha de pesquisa fortemente influenciada pela abordagem da economia neoclássica, tornar-se-á objeto central de apreciação. Num enfoque de natureza eminentemente construtiva, sem enaltecer ou questionar excessivamente as contribuições dessa teoria, será exposto em linhar gerais algumas de suas diretrizes elementares. Finalizando, são apresentadas algumas situações práticas em que a Teoria do Agenciamento explica determinados critérios, métodos e procedimentos adotados pelos profissionais que exercem suas funções no campo contábil. II - O que é a Agency Theory A Agency Theory, ou teoria do agenciamento, tem sido usada pelos acadêmicos em várias áreas do conhecimento das ciências sociais e comportamentais, entre as quais poder-seia destacar : economia, finanças, marketing, ciências políticas, psicologia, sociologia e na contabilidade. Constitui-se num referencial e instrumento de grande valor para o desenvolvimento do conhecimento nestas três últimas décadas, sendo amplamente investigado e analisado, surgindo várias pesquisas empíricas no sentido de validar suas hipóteses implícitas.

Gerentes Acionistas . Em termos simples uma relação do tipo Principal-Agente.Agente O que o Principal espera do Agente ? Acionistas. muitas vezes estabelecem-se relações que não pressupõe existência física (ou tangível) de um contrato. Qualidade (maior). Auditores Externos atestem a validade das demonstrações financeiras (foco na rentabilidade e na eficiência) Auditores Externos atestem a validade das demonstrações financeiras ( foco na liquidez e no endividamento) Auditores Internos avaliem as operações na ótica de sua eficiência e eficácia. o qual a teoria consagra com o nome de Principal e como sujeito passivo. gerando recomendações que agregem valor. Tempo (menor). o Agente. nas quantidades requisitadas.Gerentes Gerentes maximizem o retorno do Debenturista Credores . É mister que se observe que esses contratos não são necessariamente formalizados.Auditores Internos Gerentes .Gerentes Gerentes assegurem o cumprimento dos contratos de financiamento Gerentes assegurem a entrega de produtos de valor para o Cliente. existindo tão somente no plano informal. Esse modelo é flexível. adequando-se a diferentes relações.Gerentes Comunidade . meio ambiente etc. A firma é visualizada como um grande feixe (teia) de contratos que se intercalam e cruzam em vários sentidos e entres diferentes partes da organização. surge a figura de um sujeito ativo. valores. atendendo as expectativas dos mesmos. Serviço(maior) e Custo (menor) Gerentes assegurem o cumprimento das obrigações fiscais. QUADRO 1 Relações Principal . Mediante esses contratos definemse as relações entre partes dispares e independentes. No quadro 1 são esboçadas situações onde há um relação do tipo principal agente. A literatura organizacional consagra como principal. presume que o agente realizará algo pelo principal.2 A teoria do agenciamento possui como sistema de referência as relações contratuais.Gerentes Gerentes maximizem a riqueza do Acionista ( ou o valor das ações) Debenturistas . trabalhistas e previdenciárias da Empresa Gerentes assegurem a preservação dos interesses comunitários. Clientes .Auditores Externos Gerentes . recebendo como contraprestação uma suposta compensação. que administra o negócio para os proprietários da empresa (principal). Entretanto.Auditores Externos Credores .Empregados Gerentes .Fornecedores . Fornecedores supram as necessidades de materiais dos Gerentes no momento necessario. o acionista ou o proprietário dos recursos econômicos. Como parte integrante dessa relação contratual. já no papel de agente encontra-se o gerente. Empregados trabalhem para os gerentes com o melhor de seus esforços.Gerentes Governo . a relação principal agente não se estabelece apenas entre proprietários e gerentes. cultura.

debenturistas e os gerentes. se a empresa possui liquidez. e com diferentes posturas perante este.3 O problema central de análise na Teoria do Agenciamento (agency problem) é a possibilidade do agente assumir um comportamento oportunista no tocante as suas ações (ou omissões). visando aumentar sua satisfação pessoal. Sabe-se que os acionistas de modo geral possuem um portfolio de aplicações diversificadas. caso a empresa não possua liquidez o debenturista perde. Nesse contexto o acionista está submetido exclusivamente a um risco sistemático (beta). no relativo aos acionistas. vai mais além. evita o risco e está primariamente orientado para seus próprios interesses. QUADRO 2 Objetivos/Riscos dos Acionistas x Gerentes x Debenturistas Gerentes * Maximizar a compensação * Preocupação com os riscos totais: Beta + Risco não Sistemático Acionistas * Maximizar os Preço da Ação (Riqueza /Valor da Empresa) * Preocupação somente com o Beta (Risco sistemático) Debenturistas * Minimizar o risco total garantias do retorno pactuado * Enfrenta risco de crédito (sem ganhos extraordinários) Além de diagnosticar a natureza dos problemas existentes no bojo das relações contratuais. . e as aplicações em determinada corporação são tão somente uma das várias empresas em que se pode investir. enfrentando portanto um risco sistemático (beta) e o risco não sistemático. O principal e o agente estão submetidos a riscos distintos. O gerente por sua vez investiu muito na sua educação (capital humano) e no geral não possuí um portfolio diversificado de aplicação. Por exemplo. A Teoria do Agenciamento. o agente está procurando maximizar o seu bem estar (utilidades pessoais). Em outras palavras. o debenturista ganha. Entre as hipóteses implícitas no modelo. observa-se que o agente é racional. sugerindo e propondo mecanismos de como assegurar a construção de contratos que sejam o mais eficiente possíveis para a solução de problemas. exclusivo do negócio. O detentor de uma debênture enfrenta exclusivamente o risco de crédito.

FAMA (1980) discutindo o papel dos mercados de capitais e de trabalho eficientes.Histórico da Agency Theory Nas últimas três década tem-se presenciado a emergência e o crescimento de uma nova classe de teorias sobre a organização econômica. destacaria : JESEN & MECKLING (1976). Inspirada pela economia da informação. explorando a estrutura patrimonial das empresas. tais como trocas de mercado e seus desvios. No modelo decisorial. O instrumental conceitual da economia da informação (information economics) pode ser utilizado para definir como novas informações podem afetar as decisões gerenciais e. Enfoca-se a informação como um commoditie que possui valor e preço num mercado imperfeito. assumindo que as decisões mudem. As principais conclusões tendem a conduzir a soluções de equilíbrio. Elas desenvolvem um estudo da organizações em termos de contratos. ii) natureza da incerteza . 1 . que implica numa divisão dos riscos entre os contratantes. Essas teorias questionam a microeconomia tradicional na sua visão da organização e das funções de produção. qual será o benefício líquido esperado da implementação de um novo sistema de informação contábil. Geralmente. por pertinente. A Agency Theory tem sua origem nos estudos desenvolvidos na área da economia da 1 informação . a teoria do agenciamento desenvolveu-se em duas principais linhas : a) positivistas e b) agente/principal a) a Teoria Positivista do Agenciamento está preocupada em identificar as situações na qual o 2 principal e o agente provavelmente terão conflitos de objetivos . b) a Teoria do Agente/Principal procura através de um abordagem matemática o efeito dos três fatores que integram os contratos entre o principal e o agente. A estrutura de capital da empresa.4 III . no desempenho de executivos e FAMA & Jensen (1983) descrevendo o papel do comitê de diretores como um sistema de informações. Enquanto pela microeconomia tradicional estava se concentrado especialmente nas transações econômicas. 2 Entre os artigos clássicos na área da teoria positiva. convencendo particularmente pelo apelo pragmático de seus argumentos. onde o tomador de decisões processa novas informações. o valor de uma nova informação é mensurado em termos do benefício líquido obtido após a mudança da última decisão ótima em relação a nova decisão ótima. referidas e conhecidas como “the New Institucional Economics”. quais sejam:i) estrutura de preferência das partes contratantes. são variáveis que influenciam as relações contratuais e a necessidade do sistema de informação contábil. e iii) estrutura de informações da organização e do seu ambiente. mediante o cálculo de utilidades entre as diferentes estruturas de informações e seus custos. Acrescente-se. Nessa abordagem a teoria do agenciamento tem seu foco principal na divisão dos resultados. que esta teoria possuí um perfil mais retórico. estudando o modo mais eficiente de defini-los e monitorá-los. As novas teorias concentram-se na rede de contratos que fundamentam as modernas organizações. os custos de informação e os mercados de fatores de produção. particularmente devido a existência de assimétria de informações. o grau de especialização dos seus ativos.

O principal é incapaz de determinar se as ações do agente são as ótimas ou não. Entre os problemas fundamentais do agenciamento surge a questão de observar e de julgar o comportamento dos agentes. aspectos mediante o qual a contabilidade pode auxiliar a resolve-los: i) Problemas na Criação : como estruturar um relação principal agente. existe um volume de informações distintas entre o agente e o principal. a contabilidade contribui oferecendo o critério mais coerente para se definir a compensação (remuneração) futura do agente. que mediante um contrato eficiente assegure que as atitudes do agente sejam em prol dos interesses do principal. Na realidade no contexto da seleção adversa surge o problema da informação oculta. a contabilidade oferece um pool de conhecimentos comuns de informações verificas para os participantes da relação contratual para facilitar a negociação e o rompimento do contrato. a contabilidade mensura a contribuição de cada agente. Preocupação crítica volta-se a engenharia desses contratos. Nesse sentido definimos quatro principais momentos críticos que demandam especial atenção. evitando a existência de informações e ações ocultas a contabilidade identifica mecanismos para supervisionar e monitorar as atividades do agente iii) Problemas do Desempenho : estar mensurando o desempenho do agente. Perigo Moral (Moral Hazard) O perigo moral surge quando o principal não é capaz de controlar todas as ações do agente. evitando riscos de potenciais confrontos em momentos posterior entre o agente e o principal. Seleção Adversa (Adverse Selection) A seleção adversa surge quando a informação não é igualmente distribuída entre o principal e o agente e. Ou seja. como resultado surge uma assimetria de informações. iv) Problemas da Conclusão : encontrar a melhor maneira para que ocorra o rompimento da relação entre o principal e agente de modo harmonioso .Os Problemas Fundamentais do Agenciamento As relações principal . simultaneamente. apresentando. 4 3 . e criando mecanismos para verificar o esforço implementado pelo agente. sem esquecer-se que nos encontramos em um cenário de Perigo Moral3 e de Seleção Adversa4. e suas ações tem diferentes valores para o agente quando comparado para o principal. visando encontrar uma compensação para o agente diretamente associada ao resultado do principal.5 IV . ii) Problemas do Controle : encontrar mecanismos que monitorem e acompanhem o desempenho do agente.agent criam grandes desafios para o principal no sentido de monitorar as atividades do agente. visando resguardas que os interesses do principal estão sendo seguidos e que efetivamente as melhores ações estão sendo realizadas. Portanto no contexto do chamada moral hazard deve-se tratar com as ações ocultas.

com a montagem de sistemas de informações e outros custos diretos ao qual a empresa deve arcar para evitar uma postura oportunista do agente. visando avaliar e restringir o comportamento do Agente àquelas ações que atendem melhor o interesse do Principal. Entre os percursores na tentativa de efetuar uma classificação cabe destacar o histórico trabalho de JESEN e MECKLING (1976) que classifica os custos de agency em (1) Despesas de monitoramento do Principal. i) Despesas de monitoramento são todos aquele gastos incorridos pelo Principal.Custos de Agency Os custos associados a contratação entre as partes. Na literatura várias tem sido as tentativas de classificação dos custos de agenciamento. .6 No quadro a seguir é evidenciado os problemas do agenciamento em um organograma de propósitos didáticos : QUADRO 3 Problemas de Agenciamento Problema em observar o comportamento do Agente Dificuldade de julgar o comportamento do Agente Seleção Adversa (Adverse Selection) Problemas na criação Problemas controle Problemas desempenho Perigo Moral (Moral Hazard) Problemas conclusão Considerações sobre a contratação Problemas do lado do “Principal” * especificação * desenvolvimento de sistema de remuneração * monitoramento * controle Problemas do lado do “Agente” * aquisição de informações pelo agente * preferências e riscos diferentes * esforço Questões legais V . recebem a denominação de custos de agency. (2) Despesas com Cobertura de Seguros e (3) Perdas Residuais. perante a teoria do agenciamento. Entre esses custos poder-se-ia citar os gastos com auditoria.

Sem ignorar o valor dessa classificação por ser precursora. negociação e de garantias do acordo efetuado. montagem. Dentro deste item podem encontrar aqueles custos (ônus) para o principal assumidos por uma atitude ou decisão do agente. outras que demonstraram ser mais úteis. Entre os custos Ex ante incluí-se os custos de desenvolvimento. Representando. É de certo modo paradoxal a relação dos custos de agency com a contabilidade. a despeito de outras considerações. Portanto haveriam os custo ex ante e ex post os contratos. A contabilidade. Neste ponto mais uma vez a contabilidade mediante seu relatórios pode prestar informações no sentido de realizar-se decisões estratégicas no sentido de reduzir o custos de agenciamento. contrária aos interesses do principal. A priori são de difícil mensuração.7 ii) Despesas com Cobertura de Seguros são aqueles gastos incorridos pela firma para criar mecanismos de seguro do Principal quanto qualquer atitude oportunista por parte do Agente. Nos ex post haveriam : (1) custos de incorridos pela não realização do que havia sido definido (2) custos dos esforços bilaterais para resolver eventuais conflitos entre as partes. em muitas vezes o mais importante categoria de custos. 5 . como instrumentos de accountability . Nesse contexto. encontramos uma justificativa racional para a existência da 5 contabilidade e a auditoria. Logo. entretanto. Em WILLIANSON (1985) define-se uma abordagem de custos de agency concentrado em sua unidade básica que seriam os contratos. Lembra algo semelhantes aos estoques para uma empresa. acredito ser possível encontrar. desempenha duas funções fundamentais no contexto de uma empresa: a) proporcionar informações para facilitar os processos decisoriais e b) prestar-se como instrumento para o controle das atividade patrimoniais (“Accountability”). iii) Perdas Residuais (residual loss): são todos os demais custos que não estão associados aos itens anteriores. visa-se o desenvolvimento de contratos ótimos que simultaneamente minimizem os custos de Agency. Cabe observar que por razões de bom senso. Exclusivamente pela perspectiva dos custos de agency. Sujeitos a restrição de que em termos racionais os custos de agency em monitoramento fossem inferiores a economia residual em termos de custos de oportunidade (residual loss). pelo outro lado menor será o risco de incorrer em um custo de oportunidade (ou residual loss) por uma ação oportunista do agente. maior serão os custo de agency com despesas de monitoramento. mas não posso viver sem eles”. mais certamente não podem ser desprezados. o principal encara a contabilidade (e a auditoria) como um “mal” necessário. “não quero viver com eles. um dos objetivos traduzidos do bom entendimento da Teoria do Agenciamento é buscar a eficiência contratual. Quanto maior forem as despesas com a contabilidade.

A sua obra obteve um grau de aceitação sem precedentes no campo contábil. onde sobre o título de Positive Accounting Theory (PAT). auditoria) Despesas de Cobertura de Seguros Custo de Oportunidade (Residual Loss ) Despesas de Estruturação Restrições a Atividades do Agentes Altruísmo Reputação Controles Burocráticos e do Cliente VII . e feita uma revisão do principais pontos apresentados sobre a teoria do agenciamento. no auge da Reaganomics. pretendia explicar “ como o mundo é ” com a regulamentação da prática contábil e “como o mundo seria” sem essa regulamentação. o tipo de discurso que gostariam de ouvir.8 VI . respaldando seus argumentos em renomadas teorias econômicas neoclássicas. Contratos entre o Principal e o Agente • • • • • • • • Interesses Pessoais Racionalidade Aversão ao Risco Conflito de Metas parciais entre os participantes Eficiência como critério de efetividade Assimetria de Informações entre Principal e Agente Agente responsável pelas atividade delegadas pelo Principal Informação como uma commoditie comprável (valor) Hipóteses Organizacionais Hipóteses Informacionais Problemas Contratuais Problema dominante Custos de Agency Agency (Perigo Moral e Seleção Adversa) Compartilhamento de Riscos Relação em que o Principal e o agente possuem objetivos e preferências ao risco distintas • • • • Despesas de Monitoramento (sistemas de Informações. 6 chegando esse fenômeno a denominar-se de “PA Cult” .Revisão dos Conceitos da Agency Theory No quadro a seguir inspirado no survey de EISENHARDT (1989). Em um ambiente de crescente desregulamentação e liberalização econômica. 6 . QUADRO 5 Idéias Chaves Unidade de Análise Hipóteses Humanas As relações entre Principal-Agente devem refletir uma organização eficiente (equilíbrio) de informações e de ricos entre as partes. criando uma veneração a sua hipóteses fundamentais. Muitos atribuem ao PAT uma nova postura da ciência contábil no conjunto das áreas de conhecimento. Nessas circunstâncias a sua obra foi muito eficaz em oferecer a acadêmia e ao campo profissional. A grande aceitação do PAT (Positive Accounting Theory) é atribuído a um conjunto de circunstâncias favoráveis que colaboraram para seu sucesso. Watts & Zimmerman defendem o fim da regulamentação contábil.Agency Theory na Contabilidade A introdução do modelo da agency theory na contabilidade pode ser atribuída a obra de WATTS & ZIMMERNAM (1986) .

são candidatas a modificação ou eventualmente a substituição. Existe um contrato implícito entre a gerência e os acionistas que limitam posturas oportunistas do gerente 3. É nesse conjunto de hipóteses auxiliares que é introduzida a Agency Theory. iv) Unidades e agentes econômicos apresentam um comportamento estável v) A firma é considerada um nexo de contratos (explícitos e implícitos) entre partes de interesses próprios. dos quais passamos a reproduzir alguns : i) O tomador de decisões tem um conhecimento correto de sua situação econômica . Surge a demanda por serviços de Auditoria. Existem custos de Agency. b) Modelo do CAPM (Capital Asset Pricing Model) c) Teoria das Expectativas Racionais e d) Teoria dos Processos Políticos Urge observar que os chamados axiomas do PAT não são expostos a qualquer espécie de teste. iii) O tomador de decisões é motivado pelos seus próprios interesses e não apenas pelo interesse público. entre as quais a Agency Theory. as denominadas hipóteses auxiliares.9 A PAT está edificada sobre proposições emanadas da escola neoclássica de economia (Versão Chicago). de onde justamente podemos extrair todos os axiomas da PAT. Implicitamente. A necessidade de monitorar explica a demanda pela Contabilidade 5. ii) O tomador de decisões prefere a melhor alternativa disponível dado seus conhecimentos sobre sua situação e dos recursos que dispõe. Além da Teoria do Agenciamento. Como hipótese auxiliares na PAT. A simples produção de relatórios financeiros pela gerência não satisfaz os acionistas. . podemos construir o argumento de WZ conforme o quadro 6: QUADRO 6 ARGUMENTOS CENTRAIS DE WATTS E ZIMMERMAN NO TOCANTE AO PROBLEMA DE AGENCY 1. por que o relatório do auditor oferece credibilidade para a informação contábil disponibilizada pela Gerência. Existe uma relação de Agency (Principal -Agente) entre o Acionista e a Gerência 2. 4. Entretanto . se necessário para manter a coerência interna da PAT. W&Z apresentam uma série teorias que são discutidas com o propósito de explicar a prática contábil. Concentrando-nos apenas na abordagem da Agency Theory aplicada a contabilidade. 6. observa-se que a PAT (W&Z) teve como inspiração a obra do Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman “ The methodology of Positive Economics”. Atividades de monitoramento ajudam a diminuir os custos de Agency pela redução da desconfiança dos acionistas para com os gerentes. Perda de confiança entre as Partes Ineficiência. também são tratadas : a) Hipótese da Eficiência de Mercado.

Os relatórios contábeis. os modelos de agenciamento poderão transparecer menos relevantes. Aos olhos dos incautos. a contabilidade e a auditoria transformam-se em instrumentos de monitoramento. Por sua vez num contrato de financiamento. VIII . o modelo de agency previne que firmas com índices de endividamento elevado tendam a escolher políticas contábeis que deverão aumentar o lucro corrente à custa dos futuros. ao contrário da maioria dos modelos de aplicação. que só é possível compreende-la mediante análise qualitativas. Nesse caso. Entre as aplicações contábeis dos modelos de Agency cabe destacar: a) Agency na análise da escolha do critério contábil De acordo com a agency theory. . monitoram a execução dos objetivos contratuais. a escolha das políticas contábeis dependerá dos termos do contrato entre o Principal-Agente. dado que a modelagem de comportamento constitui-se numa realidade tão complexa. influenciam sobre a escolha dos critérios contábeis. Se o contrato de um gerente prevê uma remuneração definida em termos de lucro. bem como os pareceres de auditoria. seus propósitos são os de prover uma estrutura lógica para a descoberta das relações intrínsecas entre o objeto e os sujeitos na contabilidade.10 No contexto da Agency Theory.Aplicações dos modelos de Agency na Pesquisa em Contabilidade Os modelos de agenciamento são ferramentas lógicas úteis para a descoberta de importantes relações no campo da contabilidade. Esses modelos não são desenvolvidos para uma aplicação direta. a pesquisa em termos de um modelo de agency procuram explicar por que as firmas adotam determinados critérios contábeis. como poderia ser o modelo CAPM (para precificação de ativos) ou o modelo Black-Sholes (para precificação opções). onde a abordagem quantitativa predomina. são questões que pretendem ser explicadas por um modelo de agency. ou como critério para compensação. O que levaria uma empresa a adotar um critério de depreciação linear ou acelerado ? É como se explica. o controle de empréstimos é realizado em termos de liquidez e de endividamento. Portanto. Em súmula. são os meios pelos quais as partes contratantes mensuram. os relatórios financeiros quando utilizados como benchmark para auferir o desempenho dos agentes. uma firma custear estoques pelo UEPS e outra pelo PEPS ? Essas e outras. Essas controles de modo geral são expressos em montantes contábeis e índices derivados das demonstrações financeiras. os critérios contábeis podem influenciar na identificação de uma situação de insolvência. e por extensão sua compensação. Nesse intuito. este estará propenso a adotar práticas contábeis mais “liberais” melhorando o resultado da empresa. validando e preservando as relações contratuais.

e porque é necessária a auditoria. Se partirmos do pressuposto que o desempenho de uma divisão. preocupando-se exclusivamente em justificar sua existência. para tornar eficientes o processo de contratar. d) Agency e a Compensação de Executivos Dentro do modelo de agency é necessária a descoberta de indicadores de desempenho que possam ser utilizados. Com base em explicações advindas da agency theory possível entender a crescente procura por novas espécies de parâmetros para mensurar desempenho.11 b) Agency na Auditoria Numa perspectiva de agency. ou de seu bem-estar. esse modelo não define exatamente o que deverá ser feito. depende desse preço de transferência. no caso em que de suas atitudes dependa a manutenção do cliente e do faturamento. c) Agency nos Preços de Transferência A aborgadem clássica do preço de transferência imaginava a empresa como uma firma divisionalizada. A escolha do indicador contábil seja este financeiro ou não possuí relevante impacto para a motivação do agente. a auditoria é relevante como instrumento para monitorar as atividades e esforços dos agentes. Uma teoria da auditoria baseada em modelos de agency. Observar o quadro 7 para se visualizar alguns parâmetros que 7 passam a ser monitorados contabilmente pelas organizações modernas . Outra aplicação da Teoria do Agenciamento é a visão do auditor como outro tipo de agente econômico que enfrenta suas próprias restrições e oportunidades. mediante a maximização dos lucros divisionais. define-se um contrato no qual o auditor poderá assumir uma postura oportunista. num menor. cria-se incentivo para que este adote uma postura oportunísta. 7 . baseados em indicadores não financeiros. encontramos nos modelos de agency uma explicação para a escolha dos critérios dos cost-drivers e identificação dos preços de transferência. Logo. O crescente uso de indicadores como o EVA e o Balance Scorecard podem ser explicados pela Agency Theory como a necessidade de ferramentas para monitorar e definir critérios mais coerentres para a compensação dos agentes. bem como a compensação do gerente divisional. Entretanto. seja esta uma auditoria interna ou externa. Nas relações do auditor com os proprietário. presta-se especialmente para explicar sua existência. Entendese o preço de transferência como uma tentativa de decompor o problema da maximização do lucro da firma. na qual cada gerente de divisão buscava maximizar seu lucro. mediante a manipulação dos direcionadores de custos (cost drivers). Os tradicionais indicadores financeiros cedem espaço para novos parâmetros que são mais compatíveis com a perspectiva da gestão para a criação de valor. No contexto da agency theory encontramos a explicação para o aumento no número de indicadores de desempenho. Deve-se identificar mecanismos que exteriorizem e revelem de modo adequado o esforço implementado pelo agente.

Tópica Conclusiva Pelo que observamos os modelos de agency aparecem como uma hipótese auxiliar na Teoria Positiva da Contabilidade. cabe registrar que a Agency Theory começa a encontrar conflito e choque com a Stewarship Theory. Tendo em vista essa ponderação. O fato concreto é que nas análise já se começa a ponderar sobre um novo modelo de homem nas organizações. preconizam pontos de vista por vezes radicalmente opostos. STEWARDSHIP THEORY AGENT STEWARD Modelo de Homem “Economicus” Comportamento Voltado para Si. Essa abordagem teórica. Ainda que os resultados dos testes empíricos não tenham revelado com segurança a invalidade da Agency Theory.Ganho na Teoria da Restrições RSCE .No quadro 8 apresenta-se uma singela comparação entre o Agent e o Steward : QUADRO 8 AGENCY THEORY VS. Academy of Management - . Realização) Intrínsecas Orientada p/ envolvimento Estímulo ao desempenho Individualismo Coletivismo Orientada para Curto Prazo Orientada para Longo Prazo “DAVID & SCHOORMAN .12 QUADRO 7 Medidas Financeiras ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ Margem de Contribuição Throughput . ou mesmo comprovado a Stewardship Theory.Retorno sobre o Capital Empregado Valor Econômico Agregado ou EVA© Fluxo de Caixa Livre ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Medidas não Financeiras Qualidade e Retrabalho Satisfação do Cliente Investimentos em P&D Produtividade Crescimento no Mercado IX .Toward a Stewardship Theory of Management . Ambas ainda que voltadas para explicar o comportamento do elemento humano na organização. Motivação Filosofia Gerencial Objetivos Diferenças Culturais Necessidades Econômicas Extrínsecas Orientada para Controles Controle de Custos Homem “Self-Actualizing” Voltado para coletividade Necessidades de alto nível (Crescimento. com o propósito de explicar a prática contábil encontra na Agency Theory um importante referencial para a compreensão dos fenômenos contábeis. É desnecessário observar que uma teoria é a melhor para explicar um fenômeno até que surja outra que a supere.

Vol. . . EISENHARDT.8 . alguns argumentos da agency theory. SCHORMAN.2 .13 A despeito das críticas freqüentes que se estabeleçam a Teoria Positiva da Contabilidade. melhoraríamos o nível da atividade prática e simultaneamente revitalizaríamos a importância pelo método científico. E. ainda que simples e produtos do bom senso. No. R.Bibliografia ADAMS. Equity Ownership. pp. elaboraríamos ferramentas intelectuais mas úteis. DONALDSON Lex. DIANE K. Toward a Stewardship Theory of Management. Lex e DAVIS. The Nature of the Firm. David e RAJAN.Separation of Ownership and control. 1. mais na prática as coisas são diferentes”. Economica (1937). Contemporany Accounting Research. X . LARCKER. Vol. isto está muito bem na teoria. estivéssemos orientados para criticar a teoria a partir da prática (e vice-versa). Managerial Auditing Journal. Agency Theory and the Internal Audit. M (1983). 1994. pp. No.May 1995 Pp. James. Agency Problems. Michael B. Agency Theory: An Assessment and Review. Se no lugar de fazer críticas a divergência entre a teoria e a prática. 386-405 DAVID J.22.8-12. (1980). 288307 FAMA. James. Vol LII. 329-352. The Choice of Performance Measures in Annual Contracts. de logo fica-se preocupado com o futuro da ciência e lamenta-se o seu presente. Kathleen. 2 April 1997. F. Aquele que se refere a ciência desse modo está acostumado a trazar um limite ideológico entre a teoria e o entretenimento inútil dos intelectuais. estar focalizada exclusivamente nos contratos e padecer da característica de ser excessivamente retórica. Vol. Srikant. Rajiv e DATAR. 1993. Christopher. David . 1 . 72. GOLDBERG. 313-335. que mutatis mutanti poderiam ser aplicadas a agency theory.14. BANKER. Number 6. 9. Academy of Management Review. constituindo-se em ponto de partida para melhoria da prática contábil. No. Stewardship Theory or Agency Theory: CEO Governance and Shareholder Returns. Os modelos de agency podem se revelar bastante úteis para o processo de elucidação das verdades inerentes na contabilidade.. Na realidade. 1. Autralian Journal Management. Vol. DAVIS. Vol. COASE. Journal of Political Economy.March 1997. Moral Hazard. Madhav. John. 1997. e ATUALYA S. 16. . Deve-se entender uma teoria como sendo um esquema intelectual construído a partir da prática e dirigido a simplificar esta.30 No. 57-74 FAMA. 88. No. 1989.19. Tais como o fato de ser excessivamente baseada em um modelo de homem “economicus” (Teoria X de Macgregor). Executive Compesantion and Agency Effects. ampliar seu campo de ação e torná-la mais eficiente. DENIS. Adverse Selection and Reputation: A Synthesis. 301-325. June 1991. The Accounting Review. The Journal of Finance. 20-47. & JESEN. 26. Managerial Finance . e IDSON Todd L. Vol. DOBSON. 8. Academy of Management Review. são freqüentemente desprezados quando da estruturação de análises mais rigorosas no campo contábil. Optimal transfer pricing under postcontract information. No.1 . Lawrence G. ITTNER. De modo que se na prática as coisas são diferentes que na teoria. Causa estranheza quando se escuta a expressão “Sim. The Financial Review. and Corporate Diversification. Journal of Law and Economics. No.Agency problems and the theory of the Firm. pp. Vol. DONALDSON. H. E.2. isso implica que algo não funciona bem na teoria que a contrapõe. 231-255..

Incentive. 3. O. SHLEIFER. STROH. 1997.. Markets and Hierarchies. Vol. pp. The Journal of Finance. Professional as Agent: Knowledge Asymmetry in Agency Exchange. W. No. 751767. HAYEGREEVA Rao. W. 2 (Fall 1996). 1975 XIE. Vol. Journal of Financial Economics (1976).40. Andrei e VISHNY. The Free Press. Disaggregating the Agency Contract: the Effects of Monitoring . Jim. Henry. Joseph e REILLY Anne. June 1997. and the term in the Office on Agent Decision Making. and Ownership Structures. TOSI.14 JENSEN. 3 . 39 . Agency Theory and Uncertainity in Organizations: an Evaluation. e MACLING. Agents and the Economics of Accountability in the New Public Sector. LII. pp. 423-433 . No. pp. Accounting . Anurag. Academy of Management Review. Principals. David. 68-96. 1994. 3. 758-798. 13. 305-360 NILAKANT. WALLACE.3. No. Vol. 15/5 . Academy of Management Journal. agency cost. e BAUMANN. 584-602. Vol. Contemporany Accounting Research. International Accounting and Likely Approaches to Future Inquiry: An Overview of Research. KATZ Jeffrey e GOMEZ-MEJIA Luis R. 27. Agency Theory and Variable Pay Compensation Strategies. A. Academy of Management Journal . 649-672 MAYSTON. Accounting Research with Contracting Frictions. C. vol. Theory of Firm: managerial behaivor. H. 737-783. No. Linda K . 1993. Alignment . V.2. Vol. 1996.No. 1987/2 WILLIAMSON. BRETT Jeanne M. 1997. Auditing & Accountability Journal. SHARMA. Robert . A Survey of Corporate Governance. M. 6.22. Organization Studies. MIR. Vol. No.