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UM ANO DEPOIS RETROSPECTIVA DUM IMPASSE E UMA ESTRATÉGIA CONDUCENTE À SUA POSSÍVEL SUPERAÇÃO
1. Fez, no passado dia 17 de Agosto, um ano que a GCTANGOLA foi notificada, pelo PRESILD, através do ofício nº 147/GAB.C.PRESILD/2010, datado de 12 de Agosto, de que o Contrato de Gestão Integrada por Objectivos (CGIO) tinha sido considerado “…absolutamente ineficaz…” arguindo-se, como tal “e para que conste, subsidiariamente, a respectiva nulidade”. Apesar de estarmos perante uma posição, arbitrária e discricionária, mormente, tendo em conta o histórico do processo de implementação do CGIO, ocorrido desde a data da sua assinatura, em 10.10.2007, consequentemente, ao longo de 34 meses, entendeu por bem a GCTANGOLA, uma vez ponderados os prós e contras, dever adoptar uma postura construtiva, a qual assentava, conforme consta na sua refª ADM.0173/2010, de 19 de Agosto, endereçada ao PRESILD, fundamentalmente, em três vertentes, a saber: A) No reconhecimento de que se tratava duma decisão soberana do Estado Angolano e que, nessa circunstância, seria acatada; B) Na não aceitação, contudo, dos argumentos e pressupostos de direito e de facto apresentados para fundamentar a rescisão unilateral do CGIO; C) Na presunção de que, em nome do princípio da protecção de confiança que rege o Estado Angolano, o mesmo teria o correspondente dever de assumir as suas responsabilidades inerentes e decorrentes da cessação do CGIO. 3. Cientes da importância e do interesse público de que se revestiam os 4 Subprogramas do PRESILD, cuja execução e gestão tinham sido cometidos, contratualmente, à GCTANGOLA, e entre os quais, convirá destacar, pelo seu significado, alcance e impacto social, se encontrava a Rede de Lojas “Poupa Lá”, nessa mesma comunicação era, ainda, manifestada a sua disponibilidade para assegurar e garantir uma transição harmoniosa. Pretendia-se, assim, salvaguardar a continuidade do serviço público que o PRESILD, como projecto de iniciativa presidencial, no âmbito do qual tinham sido levados a cabo significativos investimentos, com recursos financeiros provenientes do Orçamento de Estado, visava prosseguir. Para o efeito, preconizava-se que fosse estabelecido, de acordo com o prazo de 30 dias, constante na notificação do PRESILD, um programa de transferência de responsabilidades e de obrigações, como é usual, em situações desta natureza, principio esse que, aliás, se encontrava consubstanciado no próprio CGIO.

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Mau grado o posicionamento colaborante evidenciado e reiterado, nas diversas diligências levadas a cabo, jamais obteve a GCTANGOLA qualquer resposta, em relação ao “modus operandi” sugerido, por parte do Coordenador do PRESILD, o que não deixa de ser sintomático. Como corolário dessa decisão, eminentemente, politica, assumiu o PRESILD, em 30 de Agosto de 2010, a posse efectiva da Rede de Lojas “Poupa Lá”, bem como dos seus activos, ainda que a sua gestão e consequente exploração tenha sido transferida, de imediato, para a Rede “Nosso Super”, situação essa, presumidamente, transitória, que se mantém, até à presente data, com todos os inconvenientes daí inerentes, visto tratar-se de duas redes de comércio de retalho de características bem diferentes, sob a mesma tutela. Uma vez consumada tal situação, à revelia dos princípios e das boas práticas pelos quais deveria ser pautado um processo de transição, necessariamente, complexo, ademais, estando em causa a preservação do interesse público, e confrontados com uma posição intransigente de recusa em relação a qualquer cooperação, não restava à Administração da GCTANGOLA mais nenhuma outra solução que não fosse a de proceder à entrega dum conjunto de “dossiers”, contendo o acervo patrimonial e documental dos 4 Subprogramas do PRESILD constantes no CGIO. Este processo, iniciado em meados de Setembro, envolveu a entrega dos activos e dos passivos, em relação aos quais a GCTANGOLA se assumia, como fiel depositário, e culminou com o envio, em 23 de Novembro de 2010, do Relatório de Execução Final do CGIO. O seu objectivo foi o de poder habilitar o Estado Angolano, através do PRESILD, com uma informação fidedigna, circunstanciada e fundamentada sobre o estado de execução em que se encontravam aqueles 4 Subprogramas e que representou um esforço considerável e meticuloso, visto ter coincidido com a desactivação duma parte significativa das estruturas da GCTANGOLA. Também, nesse contexto, e apesar de haver um ambiente de crispação, claramente, persecutório, eivado de críticas infundadas e de calúnias atentatórias da dignidade e do bom nome dos responsáveis e accionistas da Empresa, cumpriu a GCTANGOLA, em circunstâncias, particularmente, difíceis, as suas mais elementares obrigações para com o Estado Angolano, incluindo o dever de informar. Esse dever e essa obrigação, para além de estarem, contratualmente, previstos, devem ser, ainda, entendidos, como um procedimento ético e processual adequado, nos termos das boas práticas de gestão e dos princípios da transparência. Todavia, e não obstante dispôr de todas as informações julgadas indispensáveis para assegurar e garantir um “processo de transição civilizado”, conforme tinha sido, superiormente, recomendado, jamais o PRESILD evidenciou qualquer disponibilidade para agir de acordo com tais princípios, recusando-se, sistematicamente, a honrar os compromissos assumidos para com os fornecedores de bens e serviços relativos aos Subprogramas que, à data da sua posse efectiva, se encontravam em plena execução, com todas as implicações daí inerentes.

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Essa mesma indisponibilidade fez-se, também, sentir quanto à não regularização dos “fee’s” de execução e de gestão e que, nos termos do Artigo 73º, do CGIO, eram devidos à GCTANGOLA. Confrontados e manietados por um impasse, manifestamente, lesivo dos interesses e das expectativas da GCTANGOLA, providenciou-se, então, em meados de Outubro de 2010, no sentido de poder vir a ser encontrada uma solução de compromisso negocial razoável. O seu propósito era, naturalmente, o de privilegiar o diálogo com o Estado Angolano, como forma de poder ser evitado o recurso à arbitragem, aliás, previsto no próprio CGIO e, em última circunstância, à via judicial. Ora, é dentro dessa postura dialogante, que se enquadram os contactos preliminares promovidos com o Professor Raul Araújo, mas que por um conjunto de vicissitudes da mais variada natureza não evoluíram a contento, pese embora a sua abertura e disponibilidade, mau grado tratar-se dum “dossier” complexo, devido aos seus pressupostos e implicações politicas. Na realidade, o único impedimento referido pelo Professor Raul Araújo, incidia no estrito âmbito da emissão dum parecer jurídico, face à existência de um potencial conflito de interesses decorrente das relações societárias recentes da sua Sociedade de Advogados. Esse parecer, tal como sempre tem vindo a ser defendido, desde Agosto de 2010, destinar-se-ia a analisar a fundamentação e sustentabilidade das razões invocadas, pelo Estado Angolano, quanto à ineficácia e consequente nulidade do CGIO, na medida em que poderá constituir, por certo, um instrumento essencial, no que concerne a qualquer iniciativa ou acção que, porventura, venham a ser intentadas, pela GCTANGOLA. Mas eis senão quando, surgiu, em finais de Dezembro de 2010, o inquérito da IGAE, em relação ao qual foram notificados alguns accionistas angolanos e o próprio Administrador Delegado da GCTANGOLA, ainda que, como parte signatária do CGIO, em representação do Grupo GCT/PARKSTAR. Na sua resposta remetida ao IGAE, em 20.01.2011, antecipadamente, designada por aquela entidade, como “pronunciamento contraditório”, para além de terem sido prestados todos os esclarecimentos solicitados, era sublinhado, com especial ênfase, que se encontrava a GCTANGOLA a aguardar que a rescisão unilateral do CGIO fosse acompanhada da justa indemnização, aliás, prevista no mesmo Contrato, por se tratar dum direito constitucional indeclinável. Neste contexto específico, era ainda referida a disponibilidade da GCTANGOLA para que o apuramento das responsabilidades das partes, conducente à definição do valor da indemnização devida, fosse feita, com recurso à arbitragem, conforme se encontra preceituado no Artigo 97º, do CGIO.

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Face à pertinência dos testemunhos e esclarecimentos prestados, por parte de todos aqueles que tinham sido notificados, existia, pois, a presunção que o inquérito, promovido pelo IGAE, seria levado a concluir não terem sido cometidas quaisquer ilegalidades ou irregularidades, pela GCTANGOLA, como sociedade de direito angolano, nem tão pouco pelos accionistas, fossem eles estrangeiros ou nacionais. No entanto, mau grado as perspectivas existentes, não receberam os inquiridos qualquer informação sobre o resultado do inquérito realizado, pelo IGAE, por instruções superiores, nem tão pouco no que se refere ao despacho proferido sobre o mesmo. Com o passar dos tempos, e não podendo nem devendo a GCTANGOLA continuar a assistir, impávida e serena, ao arrastar inexorável dum processo bastante penalizador para todos os seus intervenientes, foi, então, equacionada a hipótese do exercício do recurso à arbitragem. Nesse sentido, e por se tratar duma iniciativa, perfeitamente, legítima e legal, que mereceu o consenso prévio generalizado dos seus accionistas, um projecto de notificação chegou a ser elaborado, em Março de 2011, com o apoio dum prestigiado jurisconsulto, ainda que esse mecanismo jamais tenha sido accionado. Com efeito, e conforme foi, então, salientado por alguns accionistas, tal poderia ser entendido, pelo Estado Angolano, como um gesto inamistoso, no momento em que tinham sido criadas expectativas acrescidas, quanto à possibilidade da GCTANGOLA vir a posicionar-se, como uma potencial solução para o relançamento das Lojas “Poupa Lá”, devido à sua situação, particularmente, crítica em que as mesmas se encontravam. Entretanto, foram tomadas, pelo Governo, no decorrer do primeiro trimestre de 2011, importantes decisões politicas sobre o PRESILD, entre as quais sobressaem a sua transferência para a tutela do Ministério do Comércio, sem que daí tenha resultado qualquer efeito prático relevante. Em boa verdade, e apesar de, em Maio de 2011, a GCTANGOLA, no decorrer duma reunião realizada com a Senhora Ministra do Comércio, se ter disponibilizado para assumir a gestão e exploração da Rede de Lojas “Poupa Lá”, nos termos e condições a acordar, nenhum progresso foi registado, enquanto se continua a assistir ao definhamento irreversível daquele Subprograma do PRESILD, isto, pese embora a sua reconhecida aceitação e impacto social causado, junto das populações e dos cidadãos consumidores. Consequentemente, decorrido mais de um ano sobre a notificação da rescisão unilateral do CGIO e da posse efectiva da Rede de Lojas “Poupa Lá”, e independentemente do mérito das reflexões que têm vindo a ser levadas a cabo, ainda que inconclusivas, a problemática da situação actual poderá ser caracterizada, como segue: A) Ausência reiterada de resposta, por parte do PRESILD e das competentes autoridades angolanas, em relação às inúmeras comunicações que lhe foram dirigidas, pela GCTANGOLA;

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B) Manifesta indiferença relativa às nefastas consequências provocadas por tão arbitrária decisão, não só no que concerne aos fornecedores de bens e serviços, como também no que diz respeito à própria GCTANGOLA que, num dia para o outro, se viu privada dos seus proveitos, mantendo os seus custos; C) Inequívoca ineficácia, em termos de resultados práticos, quanto às diligências promovidas, por accionistas de referência da GCTANGOLA, junto de personalidades politicamente influentes, com vista a poderem ser reconhecidos, pelo Estado Angolano, as suas razões, no que se refere a uma resolução harmoniosa do processo a ao direito a uma indemnização justa; D) Inexistência, desde a entrega do Relatório de Execução Final do CGIO, em 23 de Novembro de 2010, de qualquer diligência formal, junto do PRESILD ou do Governo, a reclamar os direitos que assistem à GCTANGOLA, decorrente da rescisão unilateral daquele Contrato, com excepção da recente comunicação endereçada, em 14 de Julho de 2011, à Senhora Ministra do Comércio, alertando para o facto de, ainda, não ter sido efectuado qualquer pagamento referente aos “fee’s” de execução e de gestão que, contratualmente, lhe são devidos. E) Não accionamento do recurso à arbitragem, aliás, consagrada no CGIO, isto, apesar de tal iniciativa ter sido anunciada no “pronunciamento contraditório” remetido ao IGAE. F) Não prossecução das diligências levadas a cabo, em Outubro de 2010, junto do Professor Raul Araújo, quanto à busca duma solução de compromisso negocial razoável. 31. Nesse entendimento, estamos, pois, por uma ou por outra razão, perante um impasse que ameaça eternizar-se e que, salvo melhor opinião, não aproveita à GCTANGOLA, nem sequer aos seus accionistas, isto, para além dos graves prejuízos, entretanto, sofridos, inclusivé, em termos de imagem e de reputação. Essa posição, aparentemente, conformista e que, na prática, se vem traduzindo na ausência de decisões objectivas, em termos de implementação imediata, constitui um factor penalizador das legitimas expectativas da GCTANGOLA. A manter-se esta inércia e não obstante a GCTANGOLA ter sido vitima duma arbitrariedade, isto, tendo em conta os fundamentos de incompetência orgânica invocados para a ineficácia e consequente nulidade do CGIO, caminhará este “dossier”, necessariamente, incómodo, inexoravelmente, para o esquecimento. Além do mais, importa sublinhar e ter presente que, como diz o adágio popular: quem cala, consente!.... Noutra perspectiva não menos negligenciável, convirá recordar o facto de ter sido afirmado na comunicação endereçada pela GCTANGOLA, ao PRESILD, em 19.08.2010, de que se espera do mesmo Estado que exerceu o seu poder soberano de revogar um Contrato, livremente, celebrado, de acordo com os princípios da boa fé e da confiança, o concomitante e correspondente dever de assumir as responsabilidades inerentes pela sua cessação unilateral.

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Assim sendo, um ano depois… não pode nem deve a GCTANGOLA pactuar, por omissão, com tal postura, pelo que se me afigura ser, então, expectável que, pelo seu Conselho de Administração sejam tomadas, a curto prazo, e dentro das suas competências e atribuições, as decisões que as circunstâncias parecem aconselhar. Caracterizada a presente problemática, a única forma, salvo melhor opinião, que a GCTANGOLA possui para fazer valer, junto do PRESILD e do Estado Angolano, os direitos que lhe assistem, resultantes da rescisão unilateral do CGIO, e em relação aos quais não pretende prescindir, é o de accionar o recurso à arbitragem. Com efeito, num Estado de Direito não pode nem deve a GCTANGOLA, como sociedade de direito angolano, coibir-se de pugnar, perante o mesmo Estado, pelos seus legítimos direitos. Como consequência lógica dessa reflexão, recomenda-se pois que, sem seja requerido, nos termos do Artigo 97º, do CGIO, a constituição Arbitral, com vista à resolução dum conflito que foi desencadeado, 147/GAB.C.PRESILD/2010, de 12 de Agosto, que veio considerar o CGIO e, como tal, inválido e nulo. mais delongas, dum Tribunal pelo ofício nº como ineficaz

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Sem que esse formalismo seja cumprido, qualquer outra acção que, porventura, venha a ser intentada contra o PRESILD, corre o risco de vir a ser considerada como improcedente, visto não terem sido respeitados os mecanismos estabelecidos no próprio CGIO, para a resolução de conflitos. Em simultaneidade, não deverá ser negligenciada, por razões óbvias, a busca duma solução de compromisso negociada razoável, quer reiterando diligências, anteriormente, promovidas num passado recente, quer através de interlocutores credíveis e que, pelo seu prestígio, possam constituir uma mais valia acrescida. Em qualquer circunstância, e independentemente da linha de rumo que venha a ser seguida, creio não dever ser descurada a obtenção prévia dum parecer jurídico fundamentado que sustente as pretensões da GCTANGOLA, quanto à iniquidade dos argumentos invocados pelo PRESILD, no ofício nº 147/GAB.C.PRESILD/2010, de 12 de Agosto. As medidas ora preconizadas, como forma de poder contribuir para ultrapassar o impasse e a inércia em que nos encontramos, um ano depois…, enquadram-se todas elas, sem excepção, nas atribuições e competências específicas do Conselho de Administração da GCTANGOLA, pelo que nada parece obstar a que as mesmas possam vir a ser implementadas, no mais curto espaço de tempo. Tal não invalida, importa precisar, a oportunidade e conveniência do “modus operandi”, ora em apreço, bem como a razão de ser dos seus fundamentos, poderem ser compartilhados com os accionistas da GCTANGOLA, isto, numa perspectiva de transparência de processos que muito se preza, através duma Reunião de Accionistas ou duma Assembleia Geral Extraordinária a convocar para o efeito.

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Em todo o caso, não se perspectivando que existam, na actual conjuntura, alternativas viáveis às iniciativas sugeridas, com excepção, claro, do recurso à litigância, ab initio, não desejável, a sua implementação deveria ser, de imediato, entendida por todos, em termos de mobilização e empenhamento, como um compromisso assumido. Doutra forma, depois de antecipadamente condenados e humilhados, sem qualquer audição prévia, continuaremos confinados às nossas angústias, desencantos, omissões e indefinições, incapazes de reagir e lutar, com objectividade e firmeza, pelas nossas convicções e pela salvaguarda dos legítimos direitos da GCTANGOLA e dos seus accionistas. Assim, tão pouco a história nos poderá absolver!...

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Palmela, 31 de Agosto de 2011

José A. Telles Gomes
Administrador Delegado

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