Paraíba - História Geografia e Cultura

O estado da Paraíba situa-se na região Nordeste, onde ocupa uma área de 56.585km2 - 98% da qual localizam-se no chamado Polígono das Secas. Limita-se a leste com o oceano Atlântico, ao norte com o Rio Grande do Norte, a oeste com o Ceará e ao sul com Pernambuco. Na costa paraibana fica o ponto mais oriental das Américas, o cabo Branco. A capital é João Pessoa. Do território estadual, 82% encontram-se entre 200 e 900m de altura e 18% abaixo de 200m. Três unidades compõem o quadro morfológico: a baixada litorânea, o planalto da Borborema e o peneplano ocidental. A baixada litorânea compreende uma extensão de tabuleiros de arenito, a leste, e uma estreita faixa de terrenos cristalinos, deprimidos e muito planos. Cortam a baixada litorânea vales largos, com amplas planícies aluviais, as várzeas. O planalto da Borborema, com 800m de altitude média, ocupa, com seus terrenos cristalinos, toda a parte central do estado e estende-se para norte e sul através do Rio Grande do Norte e Pernambuco, respectivamente. A oeste, seu rebordo apresenta-se tortuoso, em virtude do grande esporão que se lança naquela direção, ao longo da divisa com Pernambuco. Sobre essa projeção do planalto ergue-se o pico do Jabre, com 1.090m de altitude. A leste, o planalto é delimitado por uma escarpa bem marcada, grosseiramente paralela à linha da costa. Os rios que por aí descem, em direção ao Atlântico, cavaram na escarpa profundas indentaçÍes, especialmente o Paraíba, cujos formadores abrem uma ampla depressão no seio do planalto. O peneplano ocidental, dominado pela escarpa ocidental da Borborema, abrange o terço oeste do estado. Consiste numa grande área de terrenos cristalinos, plana e deprimida, da qual despontam pequenas cristas paralelas e numerosos picos isolados. Três tipos climáticos ocorrem na Paraíba: o tropical úmido, com chuvas de outono-inverno (As'), e semiárido quente (BSh) e o tropical com chuvas de verão (Aw). O primeiro ocorre na baixada litor‚nea e no rebordo oriental da Borborema. As temperaturas médias anuais oscilam entre 24º C, na baixada, e 22º C no topo do planalto. A pluviosidade, de mais de 1.500mm junto à costa, no interior cai até 800mm, no rebordo do Borborema. Aí, em torno da cidade de Areia, volta a subir e chega a ir além de 1.400mm. O trecho mais úmido da Borborema, chamado Brejo, é uma das melhores áreas agrícolas do estado. O clima semi-árido domina todo o planalto, com exceção da margem oriental. A pluviosidade reduz-se bastante e seus totais caem abaixo de 600, 400 e mesmo 300mm. Em Cabaceiras registra-se a menor

As chuvas escassas ocorrem no outono e em certos anos deixam de se produzir. aparece a floresta tropical. a densidade populacional cai bastante. sementes de oiticica e urucu. Todo o território estadual se encontra na zona de influência da cidade de Recife PE. que deu o nome de zona da mata à região litorânea. o agreste dá lugar à floresta. Pombal. Patos. São limitados os recursos vegetais: razÍes de ordem climática. em virtude da maior pluviosidade. que lhe são contíguas. . Como parte das medidas de combate à seca. a cidade de Campina Grande tem sob seu domínio direto a parte central do estado e a porção sudoeste do Rio Grande do Norte. sobretudo. com espécies das duas formaçÍes. não possibilitam um revestimento florístico mais rico. Cajazeiras. O primeiro abrange os rios que descem da Borborema e correm para leste: o Curimataú. só fluem na estação chuvosa. A devastação das matas para obtenção de lenha foi considerável. Para o interior. o Mamanguape. tiveram os leitos interrompidos pela construção de açudes. além do centro regional de Patos. o que dá origem à seca. atravessando o Rio Grande do Norte.pluviosidade de todo o Nordeste. Por aí escoam as águas da metade oeste do estado. que corre para norte. todos os demais são intermitentes. Todas essas formas de vegetação apresentam-se hoje bastante modificadas por interferência do homem. numerosos rios do sertão. Trata-se de uma vegetação intermediária entre a caatinga e a floresta. Na baixada costeira e na escarpa do Borborema. As chuvas. Com exceção dos rios do litoral. As temperaturas médias anuais são as mais elevadas do estado: 26º C. surge o agreste. À população de João Pessoa devem-se acrescentar as das cidades de Bayeux e Cabedelo. Campina Grande e João Pessoa. que ocupa cerca de 85% da superfície estadual. 278mm. Pouco mais de metade da população economicamente ativa se ocupa da agricultura e da pecuária. Embora menos populosa. domina a caatinga. O segundo é constituído pela bacia superior do rio das Piranhas ou Açu. mas nelas ainda se coletam cascas de angico. A rede hidrográfica compreende dois sistemas. o Paraíba e outros. alcançam totais de 800mm por ano e ocorrem no semestre do verão. No restante do interior. Três formações vegetais revestem o território paraibano. Sapé. e castanha-de-caju. Há apreciável quantidade de carnaubeiras. O clima tropical ocorre na área rebaixada do peneplano ocidental. Mamanguape. Guarabira. Itabaiana. Na faixa de transição entre o clima tropical úmido e o clima semi-árido. Sousa. Outras cidades importantes no estado: Santa Rita. A maior parte da população se concentra na parte leste do estado. mais abundantes que no planalto. Na região do Brejo. isto é. que atua na Paraíba por intermédio das capitais regionais. na zona litor‚nea. dos quais o maior é o de Coremas.

No transporte marítimo. de minerais não-metálicos. enquanto os franceses se limitavam ao comércio. chumbo. É importante também o sisal ou agave. O principal gênero de indústria é o têxtil. Duas importantes rodovias asfaltadas cortam o estado: a BR-101. faz-se especialmente no vale do rio Curimataú e no extremo oeste. Estes empreendiam a conquista e ocupação. principal atividade econômica do estado. suínos. foi a baía da Traição (a Acejutibiró dos índios). Essas terras eram constantemente visitadas pelos franceses. atual Paraíba. o calcário e a betonita são os minerais mais importantes. o açúcar. Campina Grande e João Pessoa são os maiores centros industriais do estado. A cumplicidade entre os índios e os franceses muito dificultou a ação colonizadora dos portugueses. fluorita. caprinos. cassiterita. a que se seguem as indústrias de produtos alimentícios. metalúrgica e química. Em 1980. Cabedelo e o rio denominado São Domingos. onde se acham as usinas a que se destina o produto. Outro produto de destaque é o milho. descobriu-se ouro em Catingueira e Itajaju. cristal de rocha. Pombal e Cajazeiras. e a BR-230. Também há plantações no agreste. Existem ainda fontes de água mineral e jazidas de amianto. inicialmente recebidos como amigos. Levavam peles e pau-brasil. a partir da década de 1960. com bovinos. Salientam-se entre seus produtos o cimento. ovinos. plantado sobretudo no extremo oeste. Na atividade extrativa.A agricultura. As atividades fabris implantaram-se lentamente e. que cruza o estado de leste a oeste e passa por João Pessoa. comum em todo o estado. columbita. sem . Os franceses mantinham um tráfego de vinte a trinta naus entre a baía da Traição. que acompanha toda a costa brasileira. tem como produto mais importante a cana-deaçúcar. assim chamada por aí haverem sido trucidados pelos silvícolas vários portugueses. Patos. do Rio Grande do Sul a Natal. mármore e quartzo. coríndon. O primeiro ancoradouro da expedição exploradora enviada por Portugal ao território brasileiro. o que inspirou planos de novas pesquisas minerais e de organização das cooperativas de garimpeiros. Seguem-se o abacaxi. Conduziam também algodão. Campina Grande. ferro. bauxita. com distribuição regional semelhante à do algodão arbóreo. granito. apatita. o óleo de caroço de algodão e os materiais plásticos. principalmente no agreste e no brejo. A criação de gado. com intuitos comerciais. berilo. o estado conta com o porto de Cabedelo e há aeroportos em João Pessoa e Campina Grande. para suprimento de pequenos engenhos de aguardente e rapadura. em 1501. cujas plantações se desenvolvem nas planícies aluviais da zona da mata. que tem suas maiores áreas de cultivo no sertão. inclusive na área de tantalita e xelita. o feijão e a mandioca. óleos vegetais e muitos bichos da terra. equinos e asininos.

em Tibiri. com o rio Sanhauá aos pés. Mais tarde. os potiguaras atacaram a cidade e. local onde os índios domesticados seriam presa fácil do trabalho escravo nos engenhos e nas lavouras. Os normandos conseguiram captar a simpatia dos indígenas e despertar-lhes ódio contra os portugueses. A 4 de novembro. em Cabedelo. Influiu muito para essa expulsão a resistência contra a mudança da aldeia de Pirajibe para o interior. a arrecadação do imposto do pau-brasil subia a 1. A guerra contra os franceses ainda continuava. Foram feitas grandes plantações de cana-de-açúcar e determinada a construção. da baía da Traição. A cidade. de tal forma era o comércio desenvolvido. onde desembarcaram cerca de 350 homens. e de sobrado. a expensas do estado. que no dia de sua fundação contava apenas com trinta famílias. da serra da Copaoba e Mamanguape. a 18km da foz do Paraíba. pouco a pouco aumentou o número de seus arruados. cumprindo essa promessa patriótica por muitos anos. Em 5 de agosto de 1585. Em 1596. às vezes eram encontrados vivendo naturalmente nas aldeias dos potiguaras. por ser seu dia. por ordem do governador. Quando entravam no interior. eram apenas comerciantes cordiais. feito o acordo. . que agora fustigavam mais abertamente a Paraíba.pretensões políticas. que provocou a intervenção do rei. Foram expulsos. 13 navios franceses investiram contra a fortaleza de Santa Catarina. Havia ainda uma divergência grave entre os religiosos da Companhia de Jesus e os da Ordem de Santo Antônio. no ano seguinte. A indocilidade dos potiguaras encontrou decidido apoio na ação dos franceses.que foi chamada Filipéia. Os jesuítas acabaram por ser expulsos da Paraíba. do primeiro engenho paraibano. em virtude da guerra contra a Espanha. vinte.600 réis. em geral. em virtude da dissensão entre os índios que apoiavam os franceses. foi escolhida padroeira da nova terra Nossa Senhora das Neves. Em 1585 se efetivou a conquista da Paraíba. foi oferecido "a cada edificador de casas térreas de pedra e cal a quantia de dez mil réis. Para isso muito concorreu a constante desavença entre o comando português e o espanhol. sucessivamente. pouco depois a mesma divergência iria surgir entre o capitão-mor e os frades franciscanos. Expulsos os jesuítas. Os franceses. em homenagem a Filipe II -. do forte Velho. apesar dos constantes ataques dos índios. fundou-se a cidade no alto de uma colina. sem outro proveito que o de ver a nova cidade aumentada". enquanto os guerreiros da tribo carregavam os navios. repelidos pela guarnição de apenas vinte soldados e cinco pequenas peças de artilharia. No ano seguinte ao da fundação da cidade .

Mas. com 1. Em fevereiro de 1634. do Mamanguape e seus afluentes. não impediu o desembarque e a conquista. posição que durou até a invasão holandesa. superada apenas por Pernambuco e Bahia. Começavam a surgir novos canaviais nas várzeas úmidas e também lavouras de subsistência. a outra para Lucena. uma armada de vinte velas. As produções principais eram o pau-brasil. O frustrado ataque à Bahia fez com que a esquadra fugitiva aportasse à baía da Traição. onde também foi repelida. com 2. influiu grandemente o surto de varíola que acometeu a todos com extraordinária mortandade entre os índios. da mesma maneira que fora Filipéia. novamente. por falta de consumo. em novembro de 1634. Calabar fez surtidas até . em 1642. não se limitou ao litoral. Foi época de grande carnificina.354 homens. Os engenhos de açúcar aumentavam em número e fazia-se menos absorvente o interesse pela extração do pau-brasil. Para o restabelecimento da paz. Mil e quinhentos homens bem armados surgiram em Cabedelo. A primeira visitação do Santo Ofício aceitou 16 denunciações e foi realizada em 1595.000 cruzados. com destruição de aldeias inteiras e massacre da população. o açúcar.500 homens. ainda que heróica. A Paraíba foi ocupada e o primeiro ato holandês consistiu em mudar o nome da cidade para Fredrikstad. dividiu-se no cabo Branco. A resistência. nova investida foi realizada contra a Paraíba. em propagação de espantosa rapidez. onde a fortaleza de Santa Catarina resistiu aos invasores. pois. Certos terrenos adequados passariam a servir à criação de gado vacum. consolidou o domínio e a colonização da Paraíba. A conquista do Rio Grande do Norte e da paz com os potiguaras. A epidemia atingiu cerca de dois terços da população indígena. para glória da Espanha. Depois de vários encontros. a Paraíba era a terceira capitania do Brasil em ordem de grandeza. Com apenas 15 anos de fundada.Foi consolidada a conquista da Paraíba pela paz firmada com os potiguaras. a capitania arrecadava mais de 12. A primeira tentativa de invasão holandesa na Paraíba ocorreu em 1624. e uma parte foi para Cabedelo. os holandeses retornaram ao Recife. Em 1616. em 1599. Foram batidas. dificultou a resistência. sola e couro curtido e seco. Após a conquista de Pernambuco. no início do século XVII. A queda do Rio Grande do Norte. A ação holandesa. O capitão-mor levou os índios de vencida até as margens do Potenju. no entanto. em dezembro do mesmo ano. para glória da Holanda. o que muito ajudou a conquista do Rio Grande do Norte. no episódio da conquista. surgiu no cabo Branco uma esquadra de 29 navios.

quando houve a capitulação geral. a fim de evitar o congraçamento entre indígenas e portugueses. no entanto. além dos 10% de alfândega. Elias chefiou a expedição holandesa que alcançou a região da atual cidade de Areia. praticamente. primo de Filipe Camarão. As riquezas locais. já em marcha. os índios. e começou por localizar os aldeamentos mais para o interior. mantiveram-nos na posse de seus bens e eximiram-se de impor-lhes novos tributos. a segunda. A conspiração. O brasão da Paraíba foi concebido com "três pães de açúcar". os resultados não se fizeram esperar. Em 1601 a Paraíba rendia o dízimo de seis a sete mil arrobas de açúcar. inclusive ao levar índios à Holanda. as fazendas mal chegavam a Mamanguape e as lavouras não tinham grandes áreas determinadas. As terras de açúcar ficavam nas áreas úmidas. não sofreu nenhuma grande alteração durante o domínio holandês. como aconteceu ao índio Poti. a quinta. essa produção valia quatro contos de réis e. pouco além do litoral. a acreditar-se nos cronistas da época. em 1639. amizade estreita com outros grupos. e destruiu embarcaçÍes de açúcar. se bem que ficasse o forte de Cabedelo em poder dos holandeses até o ano de 1654. atacaram o engenho de André Dias de Figueiredo e mataram quantos encontravam pela frente. que apresentava a descrição da cidade. em seus Diálogos das grandezas do Brasil. a quarta. O fisco arrecadava. eram as que descreve o saboroso linguajar de Ambrósio Fernandes Brandão. em 1616. desde os tempos da conquista. rios. estaria nas ruas em 2 de setembro. a sexta e última. e dízimo de miunças. em pleno domínio holandês. com sucessivas vitórias. Os holandeses fundaram raros engenhos. Um engenho exigia cinquenta escravos e de vinte a trinta juntas de bois. sisas de propriedade. apesar da ação dos naturais. No ano da Restauração. Em 1639. para prestigiar o que era tido como o melhor pão de açúcar da América. sem dúvida bem orientada. o pau a que chamam de brasil. Com relação aos índios. Dessa política holandesa. . a mercancia. pelo holandês Elias Herckman. fertilidade e costume dos índios. os algodões e madeiras. a tática dos holandeses foi variada. inclusive religiosa. à exceção de uma moça de rara beleza. a lavoura do açúcar.000 florins. engenhos. A economia regional. a quarta parte de toda a produção industrial e agrícola. Fizeram. Foi a mais longa exploração realizada pelos batavos. Os holandeses garantiram a liberdade dos habitantes. livro escrito na Paraíba: "A primeira. criação de gados". sempre dispostos à luta. chefiados pelos holandeses. a terceira. a lavoura de mantimentos.Mamanguape. três mil réis por cabeça de escravo africano. foi concluída a primeira monografia da Paraíba. 1645. no início do século XVII. 54.

À medida que se avançava pelo interior. o morticínio indiscriminado dos indígenas. Já havia clima. Ao lado dessa revolta indígena. por ocasião do terremoto de Lisboa. Apesar de tudo. Em 1715. A capitania reclamava negros. A guerra durou vários anos. em decorrência principalmente da crise econômica. registrou-se também a dos pretos escravos. Em 1720. como os principais pilares da economia. fazia o monopólio do açúcar e terminara por entrar em falência e deixar sem barcas o porto de Cabedelo. útil como mantimento e também para feitura dos apetrechos da "civilização do couro". que se reuniram na Confederação dos Cariris. O movimento já um tanto nativista da guerra dos Mascates. . para uma ação desse tipo. A Companhia de Comércio. A brutalidade. A insatisfação era geral. seus bens seq¸estrados e fechadas suas escolas. Somente em 1766 foi criada uma cadeira de latim. os capelães eram os únicos mestres de letras. No campo educacional. surgiu do aldeamento dos ariús. a maior cidade do interior paraibano. as regiões de Boqueirão e Cabaceiras. faltava o braço escravo. Conquistaram-se os pastos largos do planalto dos Cariris Velhos e dos campos de Além-Borborema. os jesuítas foram expulsos. Esta provinha da descoberta do território. porém. provocaram a reação geral das tribos. Surgiram as fazendas que só teriam influência maior a partir do século XVIII. a escravidão. onde foram desbaratados. nem se prestavam ao cultivo de cana-de-açúcar. a que se seguiu a produção de açúcar. fora autorizada a importar trezentos pretos de Angola. a evolução econômica. Surgia a criação de gado. após um período de relativa prosperidade. Em 1755. passo a passo. os curemas. A renda da capitania era de 27 contos e assim continuou durante todo o século. durante essas ações de conquista do território. um profissional do crime matava um ourives por 120 réis. reunidos no Cumbe. A necessidade do braço escravo e de conquista favoreceu ainda mais as entradas para o sertão. e terminou na Paraíba. novos elementos acresceram ao progresso da capitania. Abriram aulas no convento e posteriormente no seminário. que tudo tirava. nova sangria se operou no magro erário da capitania. Um governador percebia 400 réis por ano. não se alastrou na Paraíba. porém. A evolução administrativa acompanhava.Antes de findar o século XVII. no sentido de prear o índio e criar os pontos avançados da criação do gado. Começou pela exploração do pau-brasil. os jesuítas voltaram e logo monopolizaram o ensino. No interior. que eclodiu em 1711 em Pernambuco. fundada pelo marquês de Pombal. as terras já não ofereciam tanto pau-brasil. Campina Grande. abrangeu o Rio Grande do Norte e Ceará. agravada pela cobiça e exigência da metrópole. Houve um acordo final com os derradeiros lutadores. sem nada repor. A crise prolongou-se. Em 1760.

mais tarde reunidas no Liceu Paraibano. A revolução de 1848 encerrou a época dos movimentos armados. foi publicado em 1826. que em 1807 arrecadara 29 contos de impostos gerais. criavam um irrefreável anseio de liberdade. em . conquistou a capital e quase todas as cidades interioranas. a democracia e a república. A revolução de 1817 foi. ambas vizinhas de També.668 réis e. Essa revolução logo dominou a Paraíba. vitoriosamente. de Pernambuco e Paraíba estabeleceu o monopólio para as colônias. com receio de ataques franceses. foi instalada a primeira escola primária do sexo feminino. alcançava 45 contos. apesar da quantidade do produto que se escoava pelo porto do Recife. antes dele. porém. em grande parte. no entanto. Proclamada a independência. solidariedade ao príncipe. Foi nessa época. sem deixar rendas na capitania. apareceram os primeiros sinais da contra-revolução. A Companhia do Comércio do Açúcar. o espírito nativista e revolucionário. Os governadores paraibanos. que se iniciou a revolução de 1817. As grandes secas empobreceram o sertão. O século XIX encontrou a Paraíba em más condiçÍes. O primeiro jornal. O imperador. de 1848. No mesmo ano da independência instalaram a iluminação da cidade e criaram algumas escolas. No fim de abril. como também pela abertura dos portos do Brasil . suprimindo-lhes a relativa liberdade de comércio.A crise econômica do século XVIII foi grave. Não se debelara de todo. Todas as relações eram com a companhia. algumas com influência direta na Paraíba. evidentemente. com a conquista da capital e do forte de Cabedelo.fatos que. A capitania. organizavam milícias com os moradores e infundiam-lhes o sentimento da pátria. O movimento teve caráter geral e estourou em toda parte: pregava a independência. O regime monárquico entrava em fase de consolidação. Os produtos paraibanos eram embarcados pelo Recife. Foi no interior. Foi esse também o tempo da instituição de academias em Pernambuco. que acolheu os refugiados de Pernambuco e ajudou-os a resistir. nas cidades paraibanas de Itabaiana e Pilar. no exercício de 1816. ao prestarem. em 1815 só do algodão obtinha 25. Uma casa inglesa estabeleceu-se na capital. marcada pelas idéias trazidas pelas revoluçÍes americana e francesa. do governo. Em 1828. que se iria efetivar. como a do Areópago de També. com a agricultura quase nula e o comércio reduzido. A revolução praieira. arrebatou a cidade de Areia. O partido liberal e o conservador militavam dentro da lei e da ordem. iniciaram uma fase de melhoramentos em benefício da terra. que o algodão se transformou no "ouro branco". os paraibanos que se haviam antecipado ao movimento.

substituídos pelos movidos a vapor. inclusive a do vigário de Campina Grande. a nova riqueza. visitou a província. De 1860 em diante. couros. padre Calisto Correia Nóbrega. a situação econômica passou a melhorar substancialmente. segundo autoridades da época. café e cera de carnaúba. Mas o algodão era. A agricultura ainda era a do algodão. gradativamente. grande seca. no entanto. e reagiu. A estrada de ferro foi a causa do declínio da cidade de Mamanguape. Tornou-se na época tristemente célebre o capitão Longuinho. O espírito popular. aguardente e. o saldo dos cofres da província era de 346 contos. Em 1864. sobrelevam dois fatos importantes: o início do tráfego ferroviário e a instalação de uma usina de açúcar. O mesmo fenômeno . movimento de nítidas características populares. A exportação da província. era constituída de algodão. açúcar. de fato. no entanto. em 1829 subiram.1859. a que não teria faltado. de capitais anglo-holandeses. a derrocada de todos os engenhos. Esse último acontecimento provocou. pouco a pouco. De qualquer modo. numa renda de 594 contos o algodão compareceu com 431. A verdade. Na última década do regime monárquico. Em 1855. Desenvolviam-se as fontes de riqueza e o estado equilibrava-se. o valor oficial do algodão exportado foi de 700 contos. além do açúcar. e o do açúcar. O drama viria a encontrar resson‚ncia nos romances de José Lins do Rego. Os engenhos de tração animal foram. pau-brasil. cuja renda não foi além de 27 contos. 513. no entanto. A Companhia de Engenhos Centrais. instalou-se na província em 1882. Em 1852. que em 1828 não atingiam 200 contos. As rendas provinciais. inventor de um suplício denominado "colete de couro". cocos. em pequena quantidade. Os impostos eram na maioria anômalos e obsoletos.683 réis. não deixou de manifestar-se em protesto contra medidas consideradas antipáticas. certa filiação e conspiração orientada pelo clero. em sua motivação e explosão espontânea. O suposto incentivo do clero à conspiração determinou numerosas prisões. é que o Quebra-Quilos foi flagrantemente popular. lavoura de mantimento e café. a mais próspera do interior do estado. a repressão foi cruel. que prejudicou sensivelmente a cultura do algodão. A modificação do sistema de pesos e medidas provocou um levante que se espalhou em diversas cidades das províncias e que ficou conhecido como Quebra-Quilos (1874). a lei do registro dos nascimentos e óbitos provocou a revolta do Ronco da Abelha. Em 1865. absorvidos pela usina. pois os comerciantes que a procuravam passaram a dirigir-se à capital. como os de passagem de rios e visitas de saúde. No ano da revolução praieira houve. em virtude da guerra da secessão nos Estados Unidos.

um major do Exército de 33 anos. líder político paraibano que se distinguira no governo Campos Sales como ministro da Justiça. As revoluçÍes acompanhavam as secas. já os municípios de Areia e Mamanguape haviam libertado os escravos. bandoleiro da caatinga. Era a sementeira fácil para estimular a presença do cangaceiro. Alagoa Grande e Campina Grande. mas a oligarquia dos Machados teve fim com a morte de Álvaro. em Cajazeiras. Decretada a nova constituição do estado. voltou a exercer o governo do estado. último presidente monárquico. com 150 teares. além de pequenos açudes nas caatingas e nos cariris. ao mesmo tempo que afastou Valfredo Leal e Coelho Lisboa. O prosseguimento da estrada até Sousa e o alto sertão abalou sensivelmente o movimento de Campina. de 1904 a 1905. como em 1817 e 1848. em 1912. preferiu ouvir a opinião de Epitácio Pessoa. 1890 e 1898. Mesmo. vez por outra. Para a sucessão de João Machado. As linhas telegráficas estenderam-se dos pontos terminais da estrada de ferro até Bananeiras. Castro Pinto não conseguiu encontrar um nome que unificasse todas as correntes. os "alvaristas" tinham como candidato monsenhor Valfredo Leal. Ambos haviam tido atuação em favor da república. que fora presidente no período 1905-1908. foi nomeado presidente provisório Álvaro Machado. juiz em Catolé do Rocha. João Lopes Machado. ao lado das de 1877. Epitácio optou pelo nome de Castro Pinto. contudo. principalmente entre "epitacistas" e "valfredistas". Nesse período. surgiram os colégios. para o período 1908-1912. nessas regiÍes castigadas pelo banditismo e pela seca. Dois dias depois da proclamação da república. Em seu governo. como o do padre Inácio de Sousa Rolim. foi eleito para o período 1892-1896.ocorreu mais tarde com a cidade de Itabaiana. construiu-se o trecho da estrada de ferro que liga a capital a Cabedelo e em 1892 inaugurou-se a fábrica de tecidos Tibiri. que alegou sua condição de "hermista da primeira hora". Após mandato de senador. ao lado de Maciel Pinheiro e Aristides Lobo. que se contam entre as mais terríveis. porém. que chamou Epitácio Pessoa para secretário e teve por chefe de polícia Coelho Lisboa. O predomínio de Álvaro Machado marcou uma etapa na revolução da Paraíba. O presidente Hermes da Fonseca. Em dezembro. os paraibanos constituíram seu primeiro governo. devastavam as plantaçÍes e aumentavam a miséria. A criação de gado ainda era a riqueza do sertão. Com a deposição de Ven‚ncio Neiva. optou . Antes da abolição. Álvaro Machado fez eleger o irmão. senador federal. As secas. República. Acabou por desistir da luta. quando a linha férrea se estendeu até Campina Grande. de 1912 a 1915. foi nomeado governador Ven‚ncio Neiva. que recebeu a administração das mãos de Francisco Luís da Gama Rosa. no entanto. dizimavam os rebanhos. para sua sucessão. existente desde as guerras índias e as guerras dos negros. mas contaram com a oposição de Coelho Lisboa.

pela renúncia e entregou o governo ao vice-presidente. e edificou-se o Instituto de Educação. chefe da revolução de l930 no Norte e no Nordeste. Assassinado João Pessoa em Recife. sendo que no período de Argemiro de Figueiredo o estado da Paraíba atravessou uma fase de grande progresso: deu seus primeiros passos o plano de urbanização da capital. A cidade de Princesa Isabel. de prestígio incontrastável. resolveu-se o abastecimento de água de Campina Grande. em grande parte. as safras de algodão foram as maiores até então verificadas. lutar contra Epitácio Pessoa.resultado. a capital da Paraíba passou a ter seu nome. isto é. os sucessivos governos estaduais procuraram dar redobrado impulso à educação e à cultura. Desde o governo Castro Pinto. último presidente da liderança de Epitácio e candidato à vice-presidência da república na chapa de Vargas e da Aliança Liberal (apoiada por Minas. João Suassuna e João Pessoa seriam ainda dois presidentes feitos pelo "epitacismo". Novos tempos. bem como se esforçaram no sentido de promover a política de planejamento. A redemocratização. iniciou-se . sobretudo após sua passagem pela presidência da república. deu grande impulso à capital. Em seu governo foi criada a Universidade da Paraíba. como a br-230 e o Anel do Brejo. levou ao governo o jurista Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Melo. para contrapor aos "goelas". Senador federal e depois presidente da república. porém.a cultura do sisal ou agave. . A energia elétrica de Paulo Afonso espalhou-se por toda a Paraíba. por José Américo de Almeida. Epitácio Pessoa tornou-se chefe absoluto no estado. e ambos morreriam assassinados. do que resultou sobretudo a construção de estradas. logo chamados "jovens turcos". em 1951. criou-se a Fundação de Saúde e completou-se o Anel do Brejo. eleito pela oposição e substituído. em 1947. do impacto emocional provocado pela morte de João Pessoa -. declarou-se território livre e resistiu às tropas do governo estadual. chefiada por José Pereira Lima. Com a revolução de 1930 . Posteriormente providenciou-se a criação do Centro Administrativo. Sob sua influência foram eleitos os presidentes Francisco Camilo de Holanda e Sólon Barbosa de Lucena. História recente. Na década de 1960. Rio Grande do Sul e Paraíba). respectivamente para os períodos 1916-1920 e 1920-1924. sucederam-se diversos interventores. Era difícil. Lucena começara a arregimentar um grupo de moços. aqueles que apoiavam todos os governos e se beneficiavam de todas as situaçÍes. Antônio da Silva Pessoa. irmão de Epitácio Pessoa. João Pessoa. embora envolvido em dura disputa política.com vasta propaganda .

XVII e XVIII. o Museu Walfredo Rodrigues. a capela da Ordem Terceira de São Francisco. Sobrevivem muitos folguedos populares.e o bumba-meu-boi. centro de convençÍes. biblioteca. a 23km da capital. no estado. iconográfico. a principal é a de Nossa Senhora das Neves. os cocos de praias. o turismo ganhou forte impulso na década de 1990. Turismo. Em Cabedelo. com dois teatros. que atinge quase todo o estado. porém. Ambas possuem praias afamadas. segundo se esperava. equipado para mostrar técnicas e ferramentas de plantio e colheita.nome que a chegança recebe no estado . anexos ao Convento de Santo Antônio. A cozinha paraibana tem alguns pratos típicos.) Cultura e turismo Há. as lapinhas e joão-redondo. de pintura brasileira. João Pessoa possui belas construçÍes dos séculos XVI. ver Datapédia. feita de sangue de porco coagulado e picado. e o Espaço Cultural José Lins do Rego.Nos governos seguintes. a seca intensa. de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Neves. em João Pessoa. Em Campina Grande. os distritos industriais de João Pessoa e Campina Grande assentaram as bases para o desenvolvimento de uma economia que. a Casa da Pólvora e o Teatro Santa Rosa. e o Museu do Algodão. bem como as desigualdades na distribuição de renda mantiveram o estado preso a estruturas econômicas tradicionais. . as cavalhadas. ambos realizados na época de Natal. construída em 1589. O principal centro turístico do estado é constituído pelas cidades vizinhas de João Pessoa e Cabedelo. a corrida das argolas. preparado em banha de porco com miúdos e servido com farinha de mandioca. deveria crescer com o apoio da Sudene e de outros organismos de incentivo. fica a Fortaleza de Santa Catarina. graças principalmente às belas praias do estado. como a panelada (sarapatel). como a igreja e convento de Santo Antônio. a mandioca com carne-de-sol assada na grelha e outros. as igrejas de São Bento. entre as quais a de Tambaú. tornando-se um dos esteios da economia local. No entanto. há o Museu Assis Chateaubriand. (Para lista de governantes. Como em outros estados do Nordeste. como a barca . Entre as festas do estado. Encontra-se em João Pessoa o Museu Escola e o Museu Sacro. duas universidades e vários estabelecimentos isolados de ensino superior. os desafios com cantadores e violeiros. mercado de artesanato e dois museus. principalmente nas cidades do interior. padroeira da capital. com moderno hotel construído sobre as areias da praia e batido pelas águas do mar.

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