INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM – ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

ÉTICA NA GRÉCIA CLÁSSICA

2º ANO/ 1º SEMESTRE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO MULTIMÉDIA

ÉTICA E DEONTOLOGIA DA COMUNICAÇÃO 22-11-2012 Docente: Ramiro Marques Discentes: Daniela Louraço Tiago Caldeira

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

ÍNDICE

Introdução ............................................................................................................... 2 Capítulo 1 - A ética de Sócrates .............................................................................. 3 Capítulo 2 - A ética de Platão ................................................................................. 3 Capítulo 3 - A ética de Aristóteles .......................................................................... 6 Conclusão ................................................................................................................ 7 Bibliografia ............................................................................................................. 8

Educação e Comunicação Multimédia

1

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

ÉTICA NA GRÉCIA CLÁSSICA
ÉTICA DE SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES
INTRODUÇÃO

“Chamamos Ética ao conjunto das coisas que as pessoas fazem quando todos olham. O conjunto das coisas que as pessoas fazem quando ninguém olha chama-se Carácter.” (Wilde) Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda1, ética é: "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto". A palavra ética provém do grego Ethikós, que significa "modo de ser". Esta analisa o comportamento humano de uma perspetiva moral, do que é correto ou errado, justo ou injusto. É também denominada por filosofia moral, uma vez que analisa os valores morais sociedade, isto é, do comportamento humano aferido pelo valor moral. Esta ciência tem como objetivo refletir sobre os problemas morais que nos rodeiam, mediante um conjunto de regras de conduta consideradas como universalmente válidas. A ética não deve ser confundida com a lei, apesar de a lei, muitas vezes, ter em consideração os princípios éticos. Ao contrário da lei, nenhum indivíduo pode ser imposto, pelo Estado ou por outros, a cumprir os princípios éticos, nem sofrer qualquer castigo pela desobediência das mesmas; contudo, a lei pode ser negligente no que toca aos princípios éticos. "Se imaginais que, matando homens, evitareis que alguém vos repreenda a má vida, estais enganados; essa não é uma forma de libertação, nem é inteiramente eficaz, nem honrosa; esta outra sim, é mais honrosa e mais fácil: em vez de tapar a boca dos outros, prepare-se para ser o melhor possível." (Palavras atribuídas a Sócrates por Platão, ao final do seu julgamento)

Popularmente conhecido como Dicionário Aurélio ou apenas Aurélio, é um dicionário da língua português, editado e lançado em 1975, o qual vendeu com a primeira edição mais de um milhão de exemplares até 1987, data da segunda edição.

1

Educação e Comunicação Multimédia

2

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

CAPÍTULO 1 - A ÉTICA DE SÓCRATES

“O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o carácter.” (Sócrates) Sócrates é o fundador da ciência moral, mediante a máxima de que a ética significa racionalidade, ação racional. Para este filósofo, os indivíduos agem de acordo com os princípios éticos, porque sabem o que vão ou estão a fazer, pensaram e entenderam o significado e as consequências dos seus atos. Portanto, se um individuo sabe o que é correto através do pensamento, então irá agir no sentido de concretizar o mesmo. Por outro lado, há quem proceda incorretamente, porque não pensa antes de agir. Sócrates considera haver uma relação direta entre o pensamento e a ética, sendo aquele pressuposto desta. É igualmente possível concluir que a busca pelo conhecimento possibilita uma ação ética que, consequentemente, leva à felicidade. Sócrates ligava a razão à ética, todavia, como a “teoria” carecia de uma explicação lógica, de um conteúdo racional nunca foi totalmente provada. Se o fim do homem for o bem - realizando-se o bem mediante a virtude, e a virtude mediante o conhecimento Sócrates não sabe, nem pode precisar esta felicidade que advém do conhecimento e da virtude. Contudo, foi ele que descobriu o caminho que seria, posteriormente, percorrido por Platão e acabado por Aristóteles. A ética de Sócrates, que liga a razão ao bom comportamento, é uma herança que nos enriquece. Só o pensamento racional leva à busca da verdade; só a busca da verdade permite a felicidade.
CAPÍTULO 2 - A ÉTICA DE PLATÃO

“Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.” (Platão) Segundo Platão, ética é uma característica do ser humano, um elemento importante da vida em sociedade, todos os indivíduos têm uma consciência ética e por conseguinte avaliam e julgam as ações que praticam mediante essa consciência.

Educação e Comunicação Multimédia

3

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

Tal como Sócrates, a ética de Platão tem um fim prático e moral, é uma ciência que deslinda o dilema da vida. As principais qualidades morais citadas por este filósofo são a sabedoria, a coragem, a moderação e a justiça na qual cada uma desempenha uma função ética em relação ao bem comum. Todavia, em contraste com Sócrates, que se limitava à pesquisa filosófica, conceptual, antropológica e moral, Platão estende a mesma ao campo metafísico, isto é, à realidade em geral. A Ética de Platão, tal como a sua política, depende da metafísica2 e da sabedoria da alma3 (princípio que anima ou move o ser humano e consta de três partes: razão, vontade ou coragem, e apetite; a razão que contempla e quer racionalmente é a parte superior, o apetite, que está relacionado com as necessidades corporais, é a inferior) ". Perante o mal e a desordem do homem, Platão vê o corpo como inimigo do espírito, uma vez que este se opõe ao pensamento, “a paixão contrasta com a razão”. Assim, Platão olha para a alma humana como uma forasteira no mundo e prisioneira do corpo. Na Ética de Platão, transparece o desprezo pelo trabalho físico e, por isso, os artesãos entre outros com ofícios corporais ocupam um grau social inferior em comparação com as classes dedicadas às atividades superiores (a contemplação, a política e a guerra). Todavia, não há lugar no Estado ideal para os escravos, porque estes são desprovidos de virtudes morais e de direitos cívicos. Com estas limitações de classe, encontramos na Ética de Platão a estreita unidade da moral e da política, dado que, para ele, o Ser humano se forma espiritualmente somente no Estado e mediante a subordinação do indivíduo à Comunidade. O conhecimento sensível, particular, mutável e relativo, não pode explicar o conhecimento intelectual, que tem por base a universalidade, a imutabilidade, o absoluto e ainda menos pode o conhecimento sensível explicar o dever ser, os valores de beleza, verdade e bondade, que estão efetivamente presentes no espírito humano. Segundo Platão, o conhecimento humano fica dividido em dois graus: o conhecimento sensível, particular, mutável e relativo, e o conhecimento intelectual, universal, imutável, absoluto, que ajuda a entender o conhecimento sensível, mas não deriva do mesmo. A diferença está em que o conhecimento sensível, embora verdadeiro, não sabe que o é, e pode cair no erro sem o saber; enquanto o conhecimento intelectual, além de verdadeiro, sabe que o é, e não pode ser substituído por um conhecimento errado. “Poder-se-ia também dizer que o primeiro sabe que as coisas estão assim, sem saber porque o estão, ao passo que o segundo sabe que as coisas devem estar
Dualismo do mundo sensível e do mundo das ideias permanentes, eternas, perfeitas e imutáveis, que constituem a verdadeira realidade e têm como pico a Ideia do Bem ou da divindade.
3 2

Teoria da Almas

Educação e Comunicação Multimédia

4

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

necessariamente assim como estão, precisamente porque é ciência, isto é, conhecimento das coisas pelas causas.” Sendo Platão discípulo de Sócrates, este reafirma a tese de que o conhecimento verdadeiro leva ao Bem, pois faz com que as pessoas ajam de forma correta. Portanto, os sábios tornam-se felizes, pois não se iludem e não agem de modo incorreto. A ética de Platão, todavia, torna-se mais intrínseca se considerarmos que pressupõe a Teoria da Alma (já referida anteriormente). De acordo com esta teoria, a alma está dividida em três partes, em que cada uma cuida de determinadas funções do organismo: o Alma apetitiva – esta cuida da manutenção e da reprodução do corpo humano. Situada na região abdominal, causa, por exemplo, as sensações apetitivas de fome, de sede e de desejo sexual. Alma colérica – esta cuida da segurança do corpo. Situada na região do tórax, causa sensações de medo, de fúria ou coragem. Alma racional – esta alma, situada na cabeça, corresponde à capacidade intelectual do ser, colocando-o em contacto direto com o mundo das ideias permitindo assim a descoberta da verdade.

o o

Assim, cada alma corresponde a uma necessidade do ser humano. Enquanto a alma apetitiva e colérica cuidam de manter e proteger o corpo, são mortais, a função racional é imortal. O ideal, para Platão, seria que a parte racional da alma governasse as outras duas, impedindo que o indivíduo agisse motivado por razões coléricas ou apetitivas. O controlo exercido pela razão perante a alma apetitiva é a moderação; no que toca ao controlo exercido sobre a alma colérica é a prudência. Os humanos devem ser moderados e prudentes, permitindo à parte racional procurar nas ideias o conhecimento e assim determinar a concretização da ação. De um modo socrático, poderíamos dizer: identifica os impulsos coléricos e apetitivos e controla-os com a razão.

Educação e Comunicação Multimédia

5

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

CAPÍTULO 3 - A ÉTICA DE ARISTÓTELES

“É ao fazer que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.” (Aristóteles) Aristóteles foi um dos filósofos com maior influência na antiguidade e contínua a exercê-la na ética actual; a sua obra mais conhecida, e de grande influência, é a Ethica Nicomachea4, que expressa o pensamento ético de um Aristóteles maduro, a partir da tese: “O Bem é aquilo a que todas as coisas tendem”. A característica fundamental da ética deste filósofo é a preocupação pelo bem do ser humano, possível através do racionalismo e da virtude. A virtude provém da razão, a qual exige um conhecimento absoluto, metafísico, da natureza e do universo. Aristóteles expõe três Éticas, das quais falou na obra Ethica Nicomachea. Todos os indivíduos necessitam de alguma realização pessoal, é aqui que se encontra a razão, o bem, a felicidade e a lei. Como a razão é a essência do homem, esta facilita a compreensão da natureza do homem. Assim, o homem consegue atingir a felicidade e a virtude, ou seja, consegue atingir a felicidade mediante a virtude, sendo esta última dependente da razão, atividade que pressupõe o conhecimento racional. Logo, o fim último do homem é a felicidade, à qual é necessária a virtude, e a esta a razão. A razão aristotélica domina as paixões e não as destrói. A virtude ética não se limita apenas à razão, mas aplica a mesma; “ não é apenas ciência, mas uma ação com ciência”. A Ética não é uma ciência exata, esta trabalha matérias que se alteram constantemente. Para determinar o bem que caracteriza os humanos, Aristóteles analisa as funções do ser humano. A primeira é a vida, que é comum tanto a homens, animais e plantas. A segunda é sentir, que é comum a humanos e animais. A terceira é a razão, sendo que esta distingue os seres humanos de todos os outros seres. Logo, a razão é a principal característica do ser humano, e estes devem viver mediante a mesma. É isto que caracteriza a vida virtuosa. E, para Aristóteles, a finalidade da vida virtuosa é ser feliz, consoante o uso correto da razão.

É a principal obra de Aristóteles sobre ética, dividida em dez livros que confrontam variados temas éticos.

4

Educação e Comunicação Multimédia

6

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

CONCLUSÃO

Existem conceitos que ligam a ética de Sócrates, na qual basta saber o que é o bem para praticá-lo, já Platão defende que é essencial conhecer a ideia geral do bem, e Aristóteles por seu lado diz que o bem equivale à comedimento das paixões. Os três estabelecem como a essência da ética a noção de que a felicidade era a recompensa dos virtuosos. Estes filósofos procuraram construir uma teoria ética que consiste numa ética objectiva e na ideia de que o homem só pode ser feliz se seguir determinados princípios. No que toca ao tratamento dado, este varia de autor para autor, ou seja, varia mediante a forma que cada um interpreta o mundo. Sócrates liga a razão ao bom comportamento. Só o pensamento racional leva à busca da verdade; só a busca da verdade permite a felicidade. A sua essência reside no poder do conhecimento comparado com a hipocrisia. É através deste conhecimento, que cada indivíduo é capaz de chegar à compreensão do que é o Bem. Mediante as ideias de Sócrates, Platão procura a definição de ética, definindo aquilo que Sócrates não ousou definir, isto é, a ideia geral de ética. Esta ideia de ética diz que humanos devem ser moderados e prudentes, permitindo à parte racional procurar nas ideias o conhecimento e assim determinar a concretização da ação. A ideia do bem comum e o bem individual torna-se para Aristóteles algo que não de interliga. A razão é a essência do homem, esta facilita a compreensão da natureza do mesmo. Portanto, o homem consegue atingir a felicidade e a virtude, ou seja, a felicidade mediante a virtude, sendo esta última dependente da razão, atividade que pressupõe o conhecimento racional. A finalidade do homem é a felicidade, à qual é necessária a virtude, e a esta a razão.

Educação e Comunicação Multimédia

7

Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior de Educação

BIBLIOGRAFIA

 Costa, A. (2010). A Ética aristotélica. Acedido a 30 de Outubro de 2012: http://www.arcos.org.br/artigos/curso-de-filosofia-do-direito/ii-de-volta-as-origensetica-e-direito-na-filosofia-grega/4-a-etica-grega/3-a-etica-aristotelica/  Ferreira, A. (2011). Sócrates: ética e julgamento. Acedido a 30 de Outubro de 2012, em: http://filosofiadodireito.info/wpfd/?p=95  Gómez-Lobo, A. (1998). La ética de Sócrates. Espanha, Editorial Andres Bello  Lopes, P. (2005). Ética platônica - Modelo de ética da boa vida. LOYOLA  Marcondes, D. (2007). Textos Básicos de Ética de Platão e Foucault. Zahar  Madjarof, R. (2010). Sócrates. Acedido a 30 de Outubro de 2012: http://www.mundodosfilosofos.com.br/socrates.htm#ixzz2B12ITbBX  Madjarof, R. (2010). Platão. Acedido a 30 de Outubro de 2012:

http://www.mundodosfilosofos.com.br/platao.htm#ixzz2BvSScDmV  Madjarof, R. (2010). Aristóteles. Acedido a 30 de Outubro de 2012: http://www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles.htm#ixzz2B119UzuU  Perine, M. (2006). Quatro lições sobre a ética de Aristóteles. LOYOLA  Sassatelli, F. (2009). Histórico da Ética. Acedido a 30 de Outubro de 2012: http://www.edt.edu.br/textosgerais/Hist%C3%B3rico%20da%20%C3%89tica.pdf

Educação e Comunicação Multimédia

8

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful