ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES
VOLUME UM Das Especificações Primárias da Consolidação dos Estudos Analíticos Concernentes ao Espírito do Homem

Ibiúna, sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 A André Felipe, E a Lucas Vivot; Cuja consideração manifesto efusivamente. Caros companheiros, Diante de tantas condutas, vejo-me imerso em leituras diversas. São artigos de própria escrita, coisas que implicam valor pessoal de estima tão grande que nem o dinheiro possa comprar. Não que eu diga que, na verdade, queira nestes fundamentos aqui apresentados, obter qualquer valor monetário, embora minha parca condição de necessitado dos tempos modernos peça a mim que essas condutas altruístas sejam extintas, de modo a suprir algum intento pessoal de sobrevivência. Mas saibamos que a Filosofia, com os atributos etéreos entre os homens, e coisas pensantes da qual não possuímos qualquer conhecimento, nunca a tenhamos encarado com uma total seriedade, e ainda digo mais, com uma total serietude – um atributo total, de maior amplitude que a seriedade – apresento-me aqui, sob a iluminação de um espírito humano, ora que por momentos me informa em meu caráter de vigília, ora os manifesta no meu caráter de sono, e do qual apresento a vós e a pessoas convenientes como propositor, ao qual por intento possam adicionar-me questionamentos, adições e observações necessárias para que delas faça proveito e adicione considerações ou refaça análises e correções que sejam justas e de caráter adicional, que fundamentem as questões aqui apresentadas. Óbvio que, como primeira viagem nesse âmbito que a Filosofia me fornece, talvez alguns termos não estejam certamente apropriados para situações específicas, mas o que possa importar é que eu possa levar em consideração o vosso auxílio para constituir toda a tese apresentada e que, pessoalmente, aconselharei que possam verificar ao menos alguns minutos de vosso dia para compor as necessidades dantes apresentadas. Também levo em consideração que o Sr. André está mais bem munido das ferramentas que compõem a sistemática de construção da tese, conforme a

seqüência que me fora elucidada pelo propositor, e que dele partam proposições cartesianas melhor fundamentadas. No entanto, solicito o imenso e sincero auxílio de meu companheiro, Sr. Lucas, para complementar a sistemática da lógica com adições de cunho dialético, a fim de não constituir apenas um estudo onomástico, mas um trabalho que nos leve – todos os que colaborarem nesse projeto – a um ponto tal que, não constituam nossa fama ou glória necessariamente, mas a realizações pessoais tais que, insertos nas implicações que o ingresso ao círculo filosófico nos confira, possamos estar munidos de caminhos aos quais possamos trabalhar, posto que conheço as aspirações profissionais do Sr. Lucas como filósofo, e as mesmas pessoais do Sr. André. Ademais, pondo fim a esta carta, apresento-vos as teses aqui descritas. Peço, com carinho que reconsiderem os erros ortográficos aqui apresentados e que, conscientes da missão à qual vos sugestiono, possam, de todo o carinho e atenção, resguardar todos os cuidados que vos ofertei, e que espero, animadamente, uma resposta positiva de ambos e de terceiros que possam contribuir ainda mais com estes trabalhos. E, por garantias expressas que o mundo que nos apresenta hoje, manterei uma cópia, sempre disponível a vocês para consultas, no caso da perca desta, de forma que vossos trabalhos, se aceitos, não sejam interrompidos por ocasiões diversas. Minhas estimas, O Prenunciador, Douglas Lopes de Melo.

SUMÁRIO
1. 2. 3. Prefácio ................................................................................................................. 9 A Obtenção da Quérer ideal ................................................................................ 10 A análise da primeira Quérer ............................................................................... 12 1. A Quérer é a Váol verdadeira e a Exêstens verdadeira ....................................... 13 2. A Quérer é a Váol verdadeira e a Exêstens falsa................................................. 15 3. A Quérer é a Váol falsa e a Exêstens verdadeira................................................. 16 4. A Quérer é a Váol falsa e a Exêstens falsa .......................................................... 16 4. A análise da segunda Quérer .............................................................................. 17 5. A Quérer é a Guedúldia verdadeira e a Angemesso verdadeira .......................... 20 6. A Quérer é a Guedúldia verdadeira e a Angemesso falsa ................................... 20 7. A Quérer é a Guedúldia falsa e a Angemesso verdadeira ................................... 21 8. A Quérer é a Guéduldia falsa e a Angemesso falsa ............................................. 22 5. 6. As Premissas das Quéreres parciais ................................................................... 23 A Quérer-alvo de nosso estudo ........................................................................... 26

7. Considerações do estudo das operações lógicas contidas nos estudos das Quéreres..................................................................................................................... 26 8. Estudo sintético da Quérer alvo ........................................................................... 29 9. Primeira parcela da (ou): a Guedúldia e a expressão de ou-não-exculsivo entre a Váol e a Exêstens ....................................................................................... 30 10. Segunda parcela da (ou): A não-Guedúldia e a não-Angemesso e a expressão Váol ou a Exêstens. ............................................................................... 31 11. 9. Terceira parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso............................ 31

A Quérer auto-suficiente ...................................................................................... 33 12. Primeira parcela da (ou): a Váol e a expressão (ou) entre a Exêstens e a não-Guedúldia...................................................................................................... 34 13. Segunda parcela da (ou): a Exêstens e a não-Guedúldia ............................. 34

14.

Terceira parcela da (ou): a não-Váol e a não-Exêstens e a Guedúldia ......... 35

10. A Quérer instanto-momentânea ........................................................................... 36 15. 16. Primeira parcela da (ou): a ou-não-exclusivo entre a Váol e a Exêstens....... 36 Segunda parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso........................... 37

11. A Quérer de auto-posse....................................................................................... 38 17. 18. Primeira parcela da (ou): a não-Guedúldia e a não-Angemesso ................... 38 Segunda parcela da (ou): a Váol e a Guedúldia............................................ 39

12. A Quérer libertária ............................................................................................... 40 19. 20. 21. Primeira parcela da (ou): a Exêstens e a Guedúldia ..................................... 41 Segunda parcela da (ou): a não-Guedúldia e a não-Angemesso .................. 41 Terceira parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso ............................ 42

13. O Confronto das Quéreres parciais com a Quérer principal ................................. 43 22. O confronto entre a Quérer principal e a libertária através da ouexclusivo ................................................................................................................. 45 23. O confronto entre a Quérer principal e a de auto-posse através da ouexclusivo. ................................................................................................................ 47 24. O confronto entre a Quérer principal e a instanto-momentânea através da ou-exclusivo. ...................................................................................................... 48 25. O confronto entre a Quérer principal e a de auto-suficiência através da ou-exclusivo ............................................................................................................ 49 14. Confrontos compostos entre Quéreres ................................................................ 50 15. Epifânia ............................................................................................................... 51

1. Prefácio
A exemplo do filósofo determinista de si mesmo, o propositor funda por iniciativa do espírito de busca pelo metafísico, mesmo que possa ser epistemológico, ou quer que seja resolutamente sistemático e lógico em suas premissas, conceitos acerca da mecânica pessoal frente às conjeturas dos processos que envolvem suas categorizações do pensamento humano diante da sua interpessoalidade ao mundo. Como, fundamentado pelas máquinas de estudo diversos acerca da realitificação do virtual, ou da virtualificação do real, como dois sistemas onde as expressões das dimensões incorporadas, tanto na sua extensão, quanto na sua proporcionalidade, sua escalaridade ou vetorialismo, denominações e afixadas teses, proposições, postulados e axiomas já conhecidos dos tempos, convém que parcialidades propostas no estudo subseqüente possam ser eliminadas, a título de não influenciar o leitor a aceitá-las como o propositor sugere como posição própria, mas que em um sistema dialético-sistemico-cartesiano possam ser postas as conseqüências encadeadas, considerando-se posições dualistas, ou seja, propõe-se a resolução dos problemas como binários e se, num oportuno momento futuro ser possível, desdobrar as ambigüidades propostas entre esse verdadeiro ou falso para cada proposição, que o propositor assim o faça, o quanto for possível e na medida de sua Filosofia. O que desencadeia este estudo, no entanto, são as várias análises, cada qual na sua individualidade, feitas justamente nas parcialidades às quais queríamos evitar. Mas o todo – diga-se, ao menos, de duas delas – permite que elas possam ser aproveitadas, na plenitude de sua exposição, como livrepensar. Assim sendo, constituem caráter de cunho filosófico, na medida em que for possível ser apresentada. Deparar-se com o estudo dessas variantes – num modelo perfeitamente condizente com a Matemática – sugere possíveis diligências, a partir do uso da sabedoria para estudar o princípio de certas condições que regem a vida do homem, ao qual iremos expor com mais profundidade no decorrer deste volume e ao qual chamaremos, para fins de simplificação, de Vega. O Vega é um conceito amplo, porém estático, das variantes que influem ou são influenciadas por outrem a um ser pensante, a um res Cogitans – pois nunca se saberá, na 9

DOUGLAS LOPES DE MELO nossa terrena e vã Filosofia, a existência de outros seres pensantes aos moldes que conhecemos – e que são fixas. Ela pode ser estruturada, para melhor visualização, em um diagrama de Veitch-Karnaugh, e seus princípios básicos podem ser resolvidos com base num sistema binário de tantas variáveis quanto for preciso. No entanto, o estudo analítico do Vega nos fornece nada mais do que uma simples distração para a mente, aos entendidos em lógica. Logo, nada mais seria que propor um problema aberto, ao qual somente o entendido propositor poderia permitir prosseguir. Entretanto, a partir do momento em que o Vega constitui, a partir dos resultados lógicos, uma superposição das diferentes análises parciais e a interpolaridade entre elas, muitas possibilidades surgem, dinâmicas, extensivas em sistemas dialéticos, os quais poderiam, inclusive, felicitar a névoa filosófica do dialeticista ideal, com seu sistema de teses e antíteses confrontando-se. Dadas as variáveis que constitui o Vega, elas fornecem a Quérer, fator que influencia, se não, determina, as opiniões da res Cogitans, delimitando sua conduta frente a si mesmo, frente a outros e outras coisas, frente ao inexistente e até frente à sua própria Quérer. A Quérer, no entanto, pode ser mutável quando se principia que ela parta das parcialidades. A mutabilidade da Quérer pode comprometer sua veracitude, o que não implica que possa ser uma falsa Quérer, mas uma Quérer que desvirtue suas finalidades em favorecimento ou detrimento de qualquer ciência, relativa ao homem ou não.

2. A Obtenção da Quérer ideal
Quando a res Cogitans for capaz de realizar a análise sintática da Quérer fazendo absolutamente nenhum uso da sua parcialidade no trabalho das superposições do Vega e de seus cruzamentos, obtendo um modelo de estudo tal que sua abrangência independa de culturas, crenças, posições políticas ou sociais e outras parcialidades que impeçam seu estudo ou o tornem desvirtuoso, obter-se-á uma Quérer ideal e absoluta. Mas como essa Quérer ideal poderá ser identificada? Eis que o propositor define alguns postulados para sua identificação:

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES 1. O Estudo de toda Quérer irá exigir uma análise de todos os pontos e contrapontos que cada uma das afirmações fornecidas dentro do Vega, independentemente de serem verdadeiras, falsas ou indefinidas, de suas implicações, e por fim dos enlaces entre as pontas soltas que ela fornece. a. A Quérer ideal possuir-se-á o menor número de proposições, subproposições, subproposições a estas, ad infinitum... podendo ser facilmente legível. b. Em conseqüência a 1.a., o estudo completo da Quérer ideal terá o menor número de níveis possível. 2. A Quérer ideal não poderá negar-se entre quaisquer níveis de suas proposições, bem como colocar-se em contra-posição ou qualquer outro artifício que a faça entrar em conflito consigo própria. 3. A Quérer ideal deverá ser capaz de abranger estudos de Quéreres parciais, de forma que nenhuma de suas afirmações individuais contidas no Vega, quando superpostos todos os Quéreres, sejam sempre verdadeiras, sempre falsas, ou sempre indefinidas, no caso de uma terceira, quarta, et coetera opção. 4. A Quérer ideal deverá constituir-se de tantas variáveis do Vega quanto forem possíveis. a. Todas as variáveis do Vega, o quanto for possível, serão sempre binárias – verdadeiras ou falsas. b. Cada variante do Vega deverá ser totalmente independente, através de prova que não irá influir em qualquer outra totalmente, de forma a reduzir ambas a uma única. 5. A Quérer ideal nunca será totalmente verdadeira, totalmente falsa ou totalmente indefinida. 6. A Quérer ideal pode ser construída a partir de duas vias: da análise de um sistema matemático-lógico a um estudo dialético-sintático ou viceversa. Assim, por dizer, uma Quérer ideal se compõe de n afirmações binárias contidas no Vega, onde nenhuma seja unânime quando evidenciada e que, cujos resultados de seu estudo causal e final constituam uma síntese-lei fechada e auto-explicativa, sem margem a erros e contradições de qualquer espécie. Talvez o conceito acima se enquadre apenas em uma utopia, mas o propositor confia que, a partir do estudo de um Vega contendo quatro variáveis,

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DOUGLAS LOPES DE MELO possamos perceber a estrutura básica de uma Quérer, suas implicações analíticas, sintáticas, sua exegese e gênese e, talvez, constituir um enlace definitivo. Feitos outros estudos com quatro Quéreres parciais – mais adiante o processo de construção destas Quéreres será elucidado – perceber-se-á como, das interpolações diversas entre todas essas Quéreres, pode partir um estudo novo – ou complementar – com base no Vega proposto ou na sua ampliação.

3. A análise da primeira Quérer
O Vega, assim chama-se pelo seu primeiro uso, pela usualidade das quatro variantes que constituirão seu universo, a saber, a Váol, a Exêstens, a Guedúldia e a Angemesso. Não vou entrar nas implicações do propositor pela escolha dos termos, se existentes ou não no rico léxico português transitório, para não os significar unicamente expressões únicas das vicissitudes humanas ou sobre-humanas, mas serão, por si, neologismos idiossincráticos que expressarão dimensões do nosso universo, a relação entre o homem ou a res Cogitans a si próprio, a algo pré-julgado inferior ou superior a este res Cogitans, e até mesmo na existência etérea de um ding-an-sich genérico que possa manter vivo e constante esta Quérer que a partir do Vega será montada. Noutro momento oportuno, o caminho inverso poderá ser composto, a partir de premissas diversas que constituir-se-ão, pelas regras da Lógica, senão a mesma Quérer com um mesmo Vega, outra cuja estrutura a partir da mesma análise sintática possa chegar-se ao resultado inicial do primeiro estudo. Para elucidarem-se à sabedoria os termos em estudo, faremos, no entanto, certas observações quanto à sua finalidade. O propositor crê que, este Vega em questão no primeiro momento, relacione-se no tocante ao principal quesito da res Cogitans, que é sua capacidade de inserção de seus atributos sobre sua res Extensa. A Váol, que não será a primeira, nem a última das variáveis elementares do estudo, prima pela imprevisibilidade do acto. Por acto, denominaremos toda e qualquer ação e inação que o res Cogitans faz, seja na sua physis, por meio do enlace das atividades concretas que não estão dentro do domínio pleno do Cogito; seja na sua metaphysis, que constitui o caminho inverso.

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES A Exêstens compreende todas as questões da integridade do Espírito na esfera etérea dos línques entre a physis e a metaphysis; a physismundus e o phenomemundus. Já foi provada, pelo filósofo, a integralidade do Espírito em si própria, no concernente à res Infinita, e que dela deriva naturalmente sua integralidade com a res Extensa. No entanto, essa res Extensa, por considerações de hipóteses que o propositor fornecerá, será finita e, portanto, sujeita a um enlace, que não permite que uma das categorias inerentes ao Espírito manifeste-se de forma plena, em qualquer estado de sua presença na physismundus e, determinadas vezes, no phenomemundus. A limitação do Espírito imposta por parcialidades, ora transitórias, ora imutáveis, deve-se à res Cogitans buscar continuamente sua plenitude e, assim, confirmar a Exêstens, como objeto de auto-satisfação, assim, formando uma Quérer consistente. Muitas res Cogitans, no entanto, não visualizam a exegese das dualidades como elementos complementares entre si, abnegando uma, outra ou, ignorantemente mais ainda, ambas, utilizando-se de um sistema arbitrário da Váol mutante, que, por condições favoráveis, não anula nem a Váol, nem a Exêstens. Uma rápida análise a partir de um Vega contendo apenas duas variáveis e considerando o binarismo como solução definitiva para todas as possibilidades de cada variável do Vega nos oferece quatro quadros:

1. A Quérer é a Váol verdadeira e a Exêstens verdadeira
1.a. Com essa condição, o Espírito torna-se hiper-multi-vetorial. Isso implica em dizer que, quando o mesmo deseja ascender à sua finalidade, ele constitui-se de vetores elementares que transcorrem em significativos planos dimensionais da res Infinita. 1.b. No entanto, gerenciar todos os elementares demanda controle absoluto de suas finalidades, para que o Espírito não se desvirtue de si mesmo. Toda desvirtualização do Espírito implica na absorção de parcialidades morais. Logo, surge o Espírito bom e o Espírito mal, e então este atributo do Espírito invalida a primeira condição – assim postula o propositor – fazendo com que a primeira deixe de ser aplicável. 1.c. No entanto, 1.b. não ocorre, pois há, no mínimo, um 1. que não se extingue, que é a própria res Infinita, demonstrada pelo filósofo. O Silogismo de estudo desta hiper-multi-vetorialidade 13

DOUGLAS LOPES DE MELO pode ser estudado, para visualização da res Cogitans desprevenida acerca do assunto, por um sistema cartesiano de três eixos, contendo um vetor elementar para cada eixo e cada um destes vetores não sendo influenciados, em sua extensão, por quaisquer eixos que não àquele à qual ela se relaciona. Sua direção é bem definida, seu sentido é único e sua medida compõe-se de uma unidade básica e compreensível. Assim sendo, digamos que a res Infinita possa ser resumida num sistema de três dimensões e sua dimensão possa ser dada em números reais. Ela resultará em três vetores-padrão, conforme descritos a seguir: a

1i

0j

0k , b 0i 1 j 0k , e

c 0i 0 j 1k . Por base desse estudo, podemos estendê-lo a
outras dimensões: tempo, super-tempo1, et coetera... sendo que, a cada adição de dimensão, adiciona-se um vetor-padrão cuja medida seja referente a uma unidade básica, sua direção seja paralela a do vetor canônico daquela dimensão e seu sentido seja coincidente com o daquele, com início na origem elementar de todos os sistemas. A res Infinita, hiper-multi-vetorialmente, possui esse atributo em todas as dimensões existentes. 1.d. Análogo a 1.c., todo Espírito que está associado à res Cogitans possui seus vetores-padrão posicionados em tantas dimensões quanto lhe forem possíveis e alcançáveis, mas seus valores poderão ser variáveis, não coincidindo com os da res Infinita. 1.e. Assim se, por exemplo, cada dimensão além do super-tempo, for determinante para eventos aleatórios, ditos arbitrários, para um mesmo instante infinitesimal, um ponto infinitesimal, houver uma conseqüência para uma causa, e for possível estar ali dois Espíritos distintos entre si, a res Cogitans associada a cada um deles atuará conforme as equações vetoriais-padrões impostas pelo Espírito. 1.f. Por 1.e., percebe-se por que, para situações coincidentes, duas res Cogitans possuem soluções distintas.

Por super-tempo, entende-se a dimensão dos sonhos, por designar épocas atemporais à da existência do sujeito.

1

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES 1.g. Retomando 1.a. com base no Silogismo de 1.c. e implicações, o Espírito inerente à condição em 1. sempre agirá de acordo com a Lógica, pois cada dimensão não será afetada por outras, mesmo que sua medida seja diferenciada do padrão proposta pela res Infinita. 1.h. Por 1.g., o Espírito não será necessariamente uma res Infinita, mas sua Quérer será plena por estar em sintonia com o imposto pela res Infinita. 1.i. 1.h. implica nesta Quérer verdadeira.

2. A Quérer é a Váol verdadeira e a Exêstens falsa.
2.a. O Espírito nessa condição estará sujeito às várias implicações que a ele são propostas pelo meio, pois ele não se comunica com todas as dimensões que a res Infinita fornece. Em algumas delas, ele estará anulado. 2.b. Por 2.a., suponhamos que o Espírito possui nulidade em seus vetores-padrão nas primeiras três dimensões, que pertencem a physismundus. Logo, seu corpo não pode ser constituído com base nos vetores-padrão e, assim, os vetores elementares não são constituídos frente à res Infinita. 2.c. Logo, 2.b. constitui um Espírito inexistente no mundo físico, mas atuante em outras dimensões do phenomemundus, influindo em outros Espíritos e, assim, atuando na res Cogitans atribuído a cada um destes. 2.d. Pela mesma 2.a., suponhamos que o Espírito possui nulidade em seus vetores-padrão na quarta e/ou na quinta dimensão, transitórias entre a physismundus e o phenomemundus. Este estará congelado no physismundus, mas estará atuante no phenomemundus, esperando efusivamente que algum fator externo desencadeie o início de seu tempo. 2.e. 2.d. implica que este Espírito ainda não foi criado, portanto, sua res Cogitans é inexistente. Isso prova que a physismundus e o phenomemundus são elementos héteros entre si e, embora influam um sobre o outro, nunca se “misturam” ou se confundem, o que prova a dicotomia do filósofo onde a res Cogitans reside com um pé na physismundus, inerte ou

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DOUGLAS LOPES DE MELO dinamicamente, e outro no phenomemundus, sempre em movimento. 2.f. Logo, 2.e refuta 2.d, portanto de 2.a. a 2.c., vemos o ser, apesar de não existente na physismundus, livre para influir em outras res Cogitans. Logo, sua Quérer é plena consigo próprio, enquanto existente no phenomemundus. 2.g. 2.f. implica nesta Quérer verdadeira.

3. A Quérer é a Váol falsa e a Exêstens verdadeira
3.a. O Espírito é consciente de sua presença na res Extensa, portanto, deseja ser uma res Cogitans nas duas esferas existenciais. No entanto, a falta de Váol regula seu caminho a uma direção fixa. 3.b. Se esse Espírito não é pleno de seu destino, sentir-se-á solitário por não poder fazer uso de suas atribuições próprias para conduzir seu caminho em uma das esferas na res Extensa, ou em ambas. 3.c. Por 3.b., podemos sugerir um res Cogitans que tem um poder de decisão, o que invalidaria qualquer outra possibilidade de escolha para si mesmo, tornando o sistema estático. 3.d. 3.c. implica numa Quérer não-condizente com a vontade da res Cogitans, pela ausência da Váol no Espírito a ele associado. 3.e. 3.d. implica nesta Quérer falsa.

4. A Quérer é a Váol falsa e a Exêstens falsa
4.a. Como disposto em 3.a., o caminho do Espírito está vinculado a uma direção fixa. 4.b. 4.c. Mas pelo disposto em 2.a., o Espírito está sujeito às várias implicações que o meio lhe propõe. Como o filósofo propôs que a res Extensa fornece o línque entre a res Cogitans e a res Infinita, a supressão de dimensões do Espírito não acarreta prejuízo à sua vontade. Portanto, 4.a. e 4.b. não se contradirão nesta situação. 4.d. 4.c. designará uma Quérer de satisfação do Espírito, mesmo que este não esteja certo de sua Exêstens, pois sua res Cogitans não irá implicar na reflexão de si mesmo, e seu Espírito será confortado por essa ausência de auto-reflexão. 4.e. 4.d. implica nesta Quérer verdadeira. 16

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES Assim sendo, o Vega constituído destas duas variáveis constitui na Quérer que é verdadeira, quando, a Váol ou a não Exêstens, é verdadeira2. Esta expressão lógica, designa a Quérer em todas as possibilidades da Vega. Assim, a análise das Quéreres compostas por este sistema diz que, se for garantida a imprevisibilidade do acto ou a não-consciência de seu próprio Espírito, sua própria integridade na res Extensa – ou ambas juntas – a vontade de satisfação da res Cogitans será verdadeira. De fato, o que isso quer dizer é que a res Cogitans deseja sentir-se livre, sem necessariamente saber se isso possa ser realmente possível. O res Cogitans busca, a partir da condição em que enlaça a metodologia cartesiana do filósofo, dentro destas suas possibilidades, pelo que ele possa perceber, sua liberdade de atuação de Espírito pelo qual busca, incessantemente, garantir na nova dimensão de sua existência, a plena liberdade que antes havia constatado gozar na etapa anterior. Enquanto possuidor desta conseqüência, a res Cogitans será feliz. Do contrário, sua busca será sempre uma odisséia em busca de tornar possível o impossível. Nisto residiu todas as premissas das ciências humanas até os dias presentes e assim permanecerão enquanto houver pessoas que busquem a Quérer tal como o propositor apresentou. Ademais, nota-se que um simples sistema de duas variáveis dispostas pelo Vega não explicam os usos corriqueiros do pensamento da res Cogitans. Para tanto, uma análise de mais duas variáveis precisa ser considerada para compreender-se, ao nível primário que o propositor constatou, do próprio funcionamento esquemático de sua ordem, daquilo que constitui a Quérer Principal. A primeira da qual fizemos a análise imediata de todas as suas possibilidades nada mais é do que a Quérer Fundamental, portanto a notação conveniente.

4. A análise da segunda Quérer
Pela diligência de seqüenciar os estudos aqui desenvolvidos, far-se-á necessário elucidar as outras duas variantes que aqui ainda não foram

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Esta expressão, em lógica, constitui-se de Q f

W

E , para fins de

mapeamento em um diagrama de Veitch-Karnaugh.

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DOUGLAS LOPES DE MELO dispostas, a fim de que a análise do Vega fosse facilitada. Enquanto que a Váol e a Exêstens são atribuídas às necessidades da res Infinita sobre a res Cogitans, a Guedúldia e a Angemesso são atribuídas às necessidades da res Cogitans sobre a res Infinita. Dizemos isto, fato posto que, após uma análise profunda de um Vega de quatro variáveis, e desmembrando um Vega contendo todas as possibilidades binárias da Guedúldia e da Angemesso, descobre-se uma tabela com, também, três Quéreres verdadeiros e um falso, assim como o estudo da Quérer Fundamental. Porém, como ainda não elucidamos os conceitos primários destas duas variáveis, segundo o propositor deseja explicitar, deixemos reservados os estudos deste mapa do Vega para um momento oportuno. A Guedúldia se manifesta na res Extensa como a percepção fenomenológica do tempo e do super-tempo, bem como as dimensões espaciais dos sentidos da physis da res Cogitans, mas de forma síncrona com a res Infinita. O filósofo falava em dois relógios dicotômicos da existência que eram sincronizados, mas o propositor postula que, enquanto a res Infinita incessantemente exerce força para que essa sincronia seja mantida, a res Cogitans exerce força para que haja assincronia nos relógios dicotômicos e um passe a superar o outro, havendo, portanto um ritmo diferente para cada um em um suposto tempo final; isso, de forma que, aquele que estava adiantado antes, esteja atrasado depois, e este vice-versa. Assim, a res Cogitans procura delinear seu tempo físico de maneira assaz diferenciada com o tempo fenomenológico, mas desejando manter as outras proporções da physismundus e da phenomemundus. Ou reduzindo o espaço, dobrando-o pelo tempo e pelo super-tempo. Daí, os prováveis buracos-negros ontológicos das ciências humanas abrirem brechas, por exemplo, com respeito às suas finalidades. A Angemesso constitui fator importante que delineia a mudança das variantes dos vetores-padrão, ou não. Ele permite que, ao mesmo tempo em que a res Cogitans obtenha sempre o mesmo resultado de suas observações empíricas; que a previsibilidade do acto possa ser adiada ou adiantada; ou que, ainda, a constância do Cogito possa ser configurada novamente a partir de premissas iniciais que antes dadas, nunca foram exploradas – um novo conhecimento sintetizado, uma nova dimensão estudada – ou a partir de outras 18

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES Angemessos já postuladas. No entanto, a Angemesso, dito evidência, é de posse da res Cogitans conforme uso da res Extensa para sua satisfação, ao passo que uma provável Angemesso da res Infinita sobre a res Extensa para sua satisfação, ou sobre a res Cogitans não constitui Angemesso, mas sim, na verdade, uma negação do Váol. Assim, tanto a Angemesso quanto a Guedúldia, são dadas de posse à res Cogitans, quando da possibilidade mínima binária da Quérer Fundamental. A Quérer constituída apenas dessas duas últimas variáveis elucidadas é dada como Complementar. Entretanto, ao se sobrepor em cruzamento estas duas Quéreres, obtém-se a Quérer Principal, cujo estudo analítico-sistemático feito pelo propositor será nosso alvo de estudo. Dela, foram desenvolvidas quatro Quéreres parciais, que hipotetizam as visões parciais das quatro variáveis elementares do Vega, quando aplicadas em situações particulares da Filosofia humana. Partamos, então, da epistemologia analítica, no tocante à Quérer Complementar, e atalhemos seu estudo básico. Analisando as estruturas na Quérer Principal, fazendo as médias nos quartetos que compõem a Quérer em estudo, obteve-se a seguinte expressão: A Quérer é verdadeira quando, a nãoGuedúldia ou a Angemesso, é verdadeiro3. Ou seja: a satisfação da vontade da res Cogitans se dá através da não-aceitação da sincronia dicotômica physisphenomem, ou da satisfação conveniente do destino que este toma – ou ambas. A análise individual das quatro possibilidades oferecidas ao Quérer de estudo será realizada a seguir, mas dessa pode-se adiantar que, como sabemos que a res Cogitans prefere sentir-se livre, deseja este manejar livremente todos os âmbitos da existência conforme sua vontade, desejando obter resultados imediatos. O não-alcance deste com relação a estes objetivos torna a res Cogitans, em sua própria visualização, incompleto em si, subjugado pelo ambiente externo ao qual se submete. Nisso, ele não goza de sua condição de Cogito e “destrói” para si a afirmação do filósofo. O ceticismo paira sobre sua cabeça e seqüenciam-se inverdades que o desvirtuam da condição da Váol e da Exêstens à qual lhe concerne.

3

A expressão lógica concernente é

Qc

G A.
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DOUGLAS LOPES DE MELO

5. A Quérer é a Guedúldia verdadeira e a Angemesso verdadeira
5.a. Apesar de a Guedúldia apresentar-se discordante da res Cogitans, como já foi elucidado, o mesmo têm a garantia de que suas vontades estarão de acordo consigo próprio. 5.b. A Angemesso dessa res Cogitans, quando bem influenciado pelo meio em que se dispõe, organiza suas variáveis extensas e, dependendo das suas condições da Quérer Fundamental, pode tornar-se virtuoso. Isso se garante pela Guedúldia que lhe, apesar de não comprazer-lhe o Espírito, faz com que seus intuitos, se divergentes da res Infinita, sejam regulados pela ordenação casual de correção de sua physis-phenomem. 5.c. Dito que 5.b. confere ao Espírito a garantia específica em 1.a. de que com sua Vontade seja elucidada, mesmo conforme a atuação das dimensões em que o Espírito da res Cogitans precede. 5.d. Assim, mesmo que as implicações de 5.b. não se cumpram, a res Cogitans terá para si, pela Angemesso, o controle de auxiliares que possam alterar seus vetores-padrão, mesmo que isso possa implicar uma nulidade temporária nos vetorespadrão, não-concernentes às cinco primeiras dimensões da res Extensa, salvo caso contrário exemplificado por uma Quérer Fundamental em específico. 5.e. E mesmo que 5.c. e 5.d. possam engendrar-se em contradição, a consciência da res Cogitans não deixa com que ela se extíngua. Quando, a res Cogitans oferece-se disposição para observar a casualidade do propositor, oferece uma solução, mesmo que parcial, para que sua condição de Quérer Complementar seja satisfeita. De toda forma, a Angemesso garante a satisfação, quando do atingir sua condicional. 5.f. Por 5.c. e 5.e., implicam nesta Quérer verdadeira.

6. A Quérer é a Guedúldia verdadeira e a Angemesso falsa
6.a. A Guedúldia será determinante para que o Espírito espere uma condição favorável à sua Vontade.

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES 6.b. No, entanto, usando-se da afirmação em 5.c., pelas características que a Angemesso oferece à res Cogitans, seu Espírito não será capaz de alcançar essa Vontade, porque, na realidade não a terá. 6.c. 6.b. ocorre porque a Angemesso nessa situação não será capaz de mover os vetores-padrão da res Cogitans nas dimensões que ele possa se encontrar. O conformismo que essa situação oferece permite que outros estudos de Quéreres diversas resultem, nessa condição, em nulidades, unanimidades ou padrões fixos que, combinados com Quéreres parciais, recaiam na condição postulada na qual uma Quérer nunca pode ser exposta, se deseja ser a ideal. 6.d. Logo, o Espírito estará descontente por saber que 6.a. não é possível e 6.c. é sempre verdade. Assim, sua Quérer será inconsistente, e até desconsiderável. 6.e. 6.d. implica nesta Quérer falsa.

7. A Quérer é a Guedúldia falsa e a Angemesso verdadeira
7.a. O Espírito, mesmo gozando das condições semelhantes a 6.c., tem a certeza que não precisa apoiar-se na crença de condição semelhante a 6.a. 7.b. Isso significa que, mesmo sabendo que sua Quérer não será plena, irá buscar, e alcançará uma Quérer que satisfaça suas necessidades provisórias e temporárias. 7.c. Sabendo das condições de Guedúldia que possui, irá influir, com todo o seu esforço para que, enquanto res Cogitans que recicla sua posição de si mesmo possa, tentar influenciar o meio em que se encontra, podendo, de resposta desta res Extensa que ele permite-se absorver, engendrar-se na sua virtuosidade. 7.d. Apoiado em 7.b. e 7.c., sua Quérer será favorável conforme o tempo e super-tempo que ele possui, sendo apenas impelido pela extensão das equações que movem seus vetores-padrão no physismundus e no phenomemundus, e assim seus vetores elementares podem alcançar amplitudes certas vezes maiores. 7.e. 7.d. implica nesta Quérer verdadeira.

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8. A Quérer é a Guéduldia falsa e a Angemesso falsa
8.a. Apesar de sua Angemesso não satisfazer nunca a Vontade do Espírito, a Guedúldia não irá fornecer a crença em 6.a. para a res Cogitans. 8.b. Assim, o Espírito será abnegado por um pseudo-Espírito, que será nada mais do que o contrário do primeiro, sempre alimentado pela res Cogitans, mas nunca pela res Infinita, por ser fruto apenas daquela primeira. 8.c. Por 8.b., mesmo que, a primeiro momento, não haja uma Quérer satisfatória para a res Cogitans pelo seu Espírito, seu pseudo-Espírito irá construir uma Quérer mascarada, porém sempre satisfatória, a partir de outras condições de variáveis diversas que o Vega fornecer. 8.d. Implicações em 8.c. implicam em uma Quérer verdadeira.

Com esse estudo, que resultou na expressão lógica dantes apresentada, observa-se a existência de padrões externos que possam ser determinantes para que tal estudo possa ser fundamentado em sua morfologia sintética. Daí chamar-se Quérer Complementar. Fundir ambas as Quéreres, como já foi explicado anteriormente, constituirse-á, veridicamente, na exegese do termo Quérer. Deixarei que o termo original do qual foi cunhado este termo e outros que não possuam conotação latina sejam entendidos por si mesmo, e creio que, mesmo que o propositor tenha os concebido num momento com sua significação primeira, conforme sua literatura, vemos que, quanto mais fazemos sub-estudos e super-estudos a partir do Vega elementar que este nos fornece, os sentidos vão se tornando mais amplos. A Quérer, nada mais constitui no ponto de foco dos filósofos, no âmbito da Filosofia. Mas nunca serão as causas finais ou as idéias absolutas, pois para essa, dever-se-ia considerar a Quérer estendida como totalmente verdadeira, totalmente falsa ou totalmente incognoscível ou indefinida, devido às parcialidades que se verifica pela atuação constante da Quérer parcial. Daí, pelos postulados primeiros, nunca esta seria a ideal. Mas, praticamente, a Quérer não se constitui, a physis modus ou a phenomem modus, de uma coisa constante. Através da atuação de outras

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES Quéreres parciais, ou uma ideal sobre parciais, a Quérer em evidência torna-se mutável, não sobre o sistema do Vega, mas sobre a finalidade da res Cogitans, enquanto consciente dela.

5. As Premissas das Quéreres parciais
Obviamente, por diversas possibilidades que as relações entre a res Cogitans e a res Extensa fornecem, as influências entre Espíritos e a res Cogitans, estas com estas e aquelas com aquelas, já elucidadas neste estudo, as Quéreres que possuem de quatro a n variáveis Vega podem apresentar discrepâncias entre si devido ao ponto de estudo do seu propositor. As relações entre elas conferem Quéreres que podem ajudar a constituir a Quérer ideal, caso ela não exista. Ou complementar estudos de Quéreres parciais a partir de uma Quérer ideal. E embora, assumidamente, considere que haja futuros contestadores que digam que as Quéreres parciais prejudicar-se-ão o alcance da ideal, digo que isto nunca poderá ser possível a partir das seguintes premissas: 1. Todos os estudos de interseção de Quérer em evidência com uma mais genérica não poderá gerar uma Quérer sempre verdadeira, sempre falsa ou sempre indefinida em todas as possibilidades impostas pelo Vega. 2. Toda Quérer parcial não pode fornecer, se possuir, metade de suas possibilidades verdadeiras apenas com base em uma única variante. 3. Os estudos de interseção de todas as Quéreres devem fornecer, sempre, ao menos um resultado sempre verdadeiro em todos os casos e ao menos um sempre falso nestes mesmos casos4. Assim, para o estudo das Quéreres parciais, faz-se uso do seguinte método: 1. Faz-se a escolha de uma variável Vega em particular. 2. Opta-se pela sua afirmação, ou exclusivamente por sua negação. 3. Aplica-se a sua negação, ou a sua afirmação, não interferindo nos demais resultados da Quérer. 4. Obtém-se a expressão lógica que a tabela fornece com os Vega disponíveis.

4

As sempre-verdades e as sempre-falsidades.

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DOUGLAS LOPES DE MELO 5. Aplicam-se os estudos de interseção (e), (ou), (xou) e/ou (xnou) entre a Quérer parcial desenvolvida e a genérica ou ideal em evidência. 6. Excluem-se os estudos de interseção que resultem em nulidade ou unanimidade. Caso faça necessidade de se realizar um terceiro estudo, caso nenhuma das interseções satisfaçam a premissa elucidada, aplicase o método a outra variável distinta, ad infinitum... Até obter-se um resultado satisfatório. Assim, acredita o propositor, que o sistema de Quéreres seja capaz de, a partir de uma base lógica, explicar o comportamento de diversas situações de conseqüência e causa da res Cogitans. Da implicação do homem consigo próprio e frente aos outros, da interação entre a res Cogitans – mutável – com a res Extensa – condicionável – e a res Infinita – padronizadora, e de diversidades que poderiam ser aplicadas à inteligência artificial com o engendramento das categorias vetoriais de situação physis-phenomem. Talvez seja uma mera pretensão que o prenunciador, um iniciado em Filosofia possa alcançar o instante de máxima compreensão do sistema que o propositor apresenta, mas é certo que, de todo modo, ele se inspire nessa sua faceta exuberante de conhecimento, assim como observar todo um trabalho feito pelo filósofo, mas tanto este filósofo como o propositor não queiram ser levados em consideração única, sem serem questionados, pois pela imposição de sua Quérer ao seu influenciado, o homem fez seus erros serem perpetuados durante o decurso de sua história, de tal modo que sua idéia concernente às coisas assumissem parcialidades tomadas como generalidades, que ora pretextam a perpetuação destas mesmas idéias, como ora pretendem que se cesse a mudança do pensamento, a reinvenção deste, ou ainda a sua criação. Os filósofos – e nesta aqui falamos de todos os homens que não fizeram de suas parcialidades como humanos para detratarem certas ciências que estão em alcance do homem comum até o dia presente – sempre delineavam suas ações com base na imparcialidade, de modo que suas ações não pudessem ser designadas como “o filósofo do isso”, “o filósofo do aquilo”, “o filósofo que não aceita isso, ou aquilo, porque sua conveniência não lho permite” e outros tantos prejuízos que concernem à existência de seus impressos, pois que o filósofo – e aí podemos incluir o propositor – é mutável, e pode, dependendo das condições mais ou menos abrangentes, fazer-se a própria Quérer, mas o que ele afixa após sua passagem na existência da physismundus nada mais é do que sua parcela

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES do Vega, ao qual todas as suas variáveis são expostas, e postas a estudos posteriores por seus discípulos e também pelos seus detratores assíduos. O que, afinal, o propositor, enquanto não-filósofo consagrado, segundo os costumes dos rituais, procura-se diferenciar dos demais? Talvez ele queira – pelo que pude entender pelo meu acesso a uma condição tão próxima da dele – definir estes sistemas de pensamento, de forma a reduzi-los na binária condição do aspecto Booleano – é ou não é – e aos que o não são e não o não-são ao mesmo tempo, ou seja, nas sombras da dúvida, que sejam desveladas essas variáveis que permitem que o meio do caminho dessas dualidades sejam expressas. Sim, concordamos – eu, enquanto prenunciador, e aquele que lê esse estudo – o quão perigoso possa ser reduzir todas as facetas do conhecimento sobre o conhecimento, a um mapa prático, que possa servir, via de regra, desde aos casos mais genéricos aos mais particulares. Num mundo onde se sabe, cada dia mais, que a res Cogitans já não é, por único e exclusivo mérito, o ser humano, e que suas criações estão empenhadas em sempre ser virtuosas, conforme suas limitações, e aqui dizemos o Vega que lhes foram impostas como universo de possibilidades, não só como combinações lógicas de execução, mas como consciência viva de si próprias, desejando obter um Vega tão grandioso quanto o ser humano congrega, um Vega tão extenso quanto à res Cogitans é capaz de se consignar, ou um Vega pleno do qual a res Infinita goza, independente da gênese de seu tempo. Talvez por questões assaz ambíguas, pelo simples fato de não conhecêlas, o homem – e, não menos, a mulher – temem que a existência de outra res Cogitans que seja capaz de desconsiderar toda a sua filosofia, quer seja ela de origem orgânica, suborgânica, ou inorgânica possa refutar totalmente todo o extenso e milenar trabalho de eras e épocas tão distintas, que se complementam ou se repelem continuamente, a outros fatores fora do alcance imaginário dos seres comuns, aos quais só a res Infinita terá conhecimento, e aos quais nem mesmo o propositor, enquanto na condição primária de nossa análise sobre este seu sistema, possa permitir conhecer-se a elas. E, assim, a res Cogitans como a conhecemos, pode constituir-se, nesse ponto, da Quérer ideal que antes seria, numa Quérer parcialíssima, que desconsidere outras existências que não a sua própria. Daí o mistério do estudo 25

DOUGLAS LOPES DE MELO da Quérer ser contínuo, e das condições ideais serem abnegadas até pelo próprio propositor.

6. A Quérer-alvo de nosso estudo
Após expostas todas essas condições que implicam o estudo completo das diversas Quéreres, podemos contá-las, considerando nosso sistema binário, na forma de 2n possibilidades dentro do Vega que nos é apresentado, ou ainda em 3n considerando a indefinição, o que não faremos no momento. Assim, tomando com base as duas Quéreres básicas de nosso estudo anterior, e intercalando todas as suas possibilidades, obteremos um Vega – o elementar, que designa sua terminologia – que oferece dezesseis possibilidades da Quérer, à qual simplesmente denominaremos Quérer, por ter sido a primeira proposta, e por considerar todos os possíveis estudos parciais que nela existem. Elucidar aqui todas as dezesseis condições individuais serão por demais trabalhosas e tediosas a nós, mas o propositor, no ato de sua execução, estudou cuidadosamente as implicações com base nas interseções entre cada variável e compondo o Vega que constitui todo o universo dessas variáveis, obteve-se a seguinte expressão: a Quérer é verdadeira, quando a Guedúldia e a expressão ou-não-exclusivo entre a Váol e a Exêstens é verdadeira, ou a não-Guedúldia e a não-Angemesso e a expressão Váol ou a Exêstens é verdadeira, ou a nãoExêstens e a Angemesso é verdadeira5.

7. Considerações do estudo das operações lógicas contidas nos estudos das Quéreres
São observadas, no estudo da Quérer que vamos nos referir como alvo principal de estudo, algumas operações mais complexas que as referidas (não), (e) e (ou). Analisar além de suas significâncias na Lógica implica no uso de

A expressão lógica correspondente é Q G (WE W E ) AG (W E ) E A . A parcela correspondente à operação lógica (e) com G na primeira parcela também pode ser escrita como (W<E). Para fins de escrita com base nos mapas de Veitch-Karnaugh, a expressão pode ser mais facilmente compreendida apenas com as operações de (e), (ou) e (não) pela lógica descrita a seguir:

5

Q WEG W EG W G A E G A E A .
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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES convenções sintáticas que procederão uma sistemática das relações entre as variáveis que se observam no universo do Vega disposto. Por ordem de tratamento, vamos começar pelas implicações da operação (não), que atua, em sua basicalidade, em uma única variável. Quando o (não) é implicado sobre qualquer variável, seja ela uma das contidas no Vega elementar ou nos Vega diversos, ela caracteriza-se pela abnegação da definição proposta pela variável. Assim, rebuscando, por exemplo, o significado da Váol, a não-Váol é a previsibilidade do acto, ou seja, é estimada toda e qualquer ação e inação, desde a physis até sua metaphysis, de forma que se sabem quando ela irá ocorrer e de que forma será proposta. Assim, outra res Cogitans, ou a res Infinita nessa condição, pode se precaver, ou se pronunciar favorável ao acto que será desenvolvido. A não-Exêstens, portanto, resumidamente, seria a integralidade rompida entre as esferas etéreas da physismundus e da phenomemundus, de tal modo que o mesmo Espírito sentir-se-ia disposto diferentemente dentro dessas duas esferas, não se localizando certeiramente dentro de ambas, ferindo o conceito do Cogito dentro deste próprio conceito, e não se fazendo valer criticamente das Meditações que outrora foram apresentadas. A não-Guedúldia denotar-se-ia como o ato de não perceber as interações das dimensões na res Extensa de forma síncrona com a res Infinita. Ou seja, justamente reside nas condições de redimensionar o relacionamento destas variantes, fazendo com que, num sistema de 1n vetores-padrão de n dimensões inseridas, o Espírito concernente à res Cogitans busca alterar, por meio de constantes não pertencentes à res Infinita, os padrões que designam seus próprios vetores-padrão. A não-Angemesso constitui-se na aplicação da não-alteração dos vetorespadrão conforme as vontades do Espírito situado na res Cogitans, com referência a si própria. Assim, por si só, a vontade do Espírito torna-se incognoscível e até em alguns casos, ela se designa como contrária à satisfação que a res Extensa lhe oferta.

27

DOUGLAS LOPES DE MELO Os estudos dantes apresentados para as Quéreres básicas apresentam as interações que essas condições negadas aqui apresentadas designam sobre a res Cogitans e como, se fossem só por elas, definiriam a Quérer como condizente ou não; verdadeira ou falsa. A seguir, consideramos o valor do operador (ou). Como antes observado, ele atua, no mínimo entre duas variáveis distintas. As implicações que nele residem ditam como a interação de uma variável não interfere na outra, mas a falta de uma delas não implica necessariamente na falta da segunda, quando considerada isoladamente ambas as opções e a operação em questão. Assim sendo, basta uma única consideração verdadeira para que a operação resulte em verdade. Decerto dizer, ambas as variáveis são independentes e indeterministas entre si. O operador (e), no entanto, é mais restritivo. Este dita que, entre no mínimo duas variáveis, haja uma relação em que aspectos concernentes a uma impliquem em aspectos concernentes à outra, e que a recíproca entre elas atue da mesma forma. Portanto, num sistema de duas variáveis sob essa condicional, necessariamente ambas devem ser verdadeiras para que o resultado operacional seja verdadeiro. Assim, ambas as variáveis são dependentes entre si, porém indeterministas. Há, no entanto, casos especiais que o propositor analisou profundamente e que implicam em ocasiões que os resultados não condigam em suas premissas totais das operações (e) e (ou). São as dadas operações de exclusividade. Estas são dadas, logicamente, pelos nomes de ou-exclusivo (xou) e de ou-não-exclusivo (xnou). O ou-exclusivo compreende em um caráter em uma variável que, sinteticamente analisado, confere fatores que excluam a possibilidade de ocorrência no seguinte, e a análise vice-versa de ambos seja possível. Fatores ímpares entre as variáveis – uma ser verdadeira e a outra, necessariamente, sendo falsa – implicam no resultado desta operação como sendo verdadeira. Assim, ambas as variáveis são independentes entre si, porém uma acaba por determinar a outra a uma condição contrária a ela. O ou-não-exclusivo compreende em caráteres de, no mínimo, duas variáveis que, por fatores de excetuação, agem inversamente ao contrário de

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES outrem, por questões de incompatibilidade analógica. Ao contrário da operação (xou), os fatores pares das variáveis – ambos verdadeiros ou ambos falsos, necessariamente – conferem validade ao (xnou). Dito isso, podemos concluir que estas operações, por serem deterministas entre si, acabam por ser particularmente dependentes. Assim dados, (ou) acaba por ser irrelevante, nas condições das propriedades que oferece entre as variáveis; (e) por semelhanças necessárias; (xou) por caráteres opositórios e (xnou) por caráteres não-opositórios e, de certa forma, não ocorrenciais.

8. Estudo sintético da Quérer alvo
Outro caminho do qual se possam fazer as deduções concernentes ao Vega disposto para nosso estudo é o caminho das implicações que as variáveis constituem entre si, a partir da expressão lógica obtido pelo estudo. Se, porventura, os estudos de uma maneira concordar com o estudo das possibilidades isoladas – que se tornaria trabalhoso demais conforme aumentassem as variáveis postas em jogo – então se obtém a Quérer consistente em si. Mas, considerando – e isto vamos levar como suposição de que o propositor obteve êxito em seu labor – que sua análise das possibilidades isoladas da Quérer logrou concordância com o estudo que apresentamos a seguir, assim o façamos, podendo, se assim o desejar, cada um compor suas possibilidades de Quérer imparcial. Mas, talvez os argumentos aqui apresentados a partir desse estudo tornem esses distintos estudos particulares como nada mais que Quéreres constituídas de parcialidades. Vamos observar, primeiramente, a estrutura maior de nossa expressão, que é a operação (ou), composta de três parcelas. Ou seja, há três condições que criem uma Quérer verídica e condizente com a res Cogitans, sem que uma, duas ou todas as três se interfiram em uma nulidade.

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9. Primeira parcela da (ou): a Guedúldia e a expressão de ou-não-exculsivo entre a Váol e a Exêstens
9.a. Observamos, neste termo, que a veridicidade da Guedúldia é garantida pela presença de mais uma veracidade completa, ou da falsidade completa entre a Váol e a Exêstens. 9.b. Assim, observamos por 9.a. que, enquanto o Espírito não se considera subjugado pela previsibilidade do acto e não se considera íntegro em sua existência nas duas esferas das res Extensa, ou seja, não está plenamente consciente de sua res Cogitans em seu próprio Quérer, a atuação das sincronicidades da res Infinita permite que este faça com que sua percepção ganhe notoriedade sobre seu Espírito. 9.c. E também, por 9.a., observa-se que o Espírito, pleno dos seus vetores-padrão na esfera da res Extensa, porquanto íntegro nela e assegurada a imprevisibilidade do acto em si por outrem, sabe distinguir o tempo, o espaço que a Guedúldia lhe fornecem de limitação. Assim, enquanto obtida essa condição, a res Cogitans é pleno em sua condição na physis e na phenomem, em concordância com as limitações impostas pela res Infinita. 9.d. Observando o não-disposto em 9.a.6, apesar de uma das condições permitirem que a Quérer seja condizente com o indivíduo, no tocante à res Infinita, a Guedúldia interfere na falta da Váol ou da Exêstens, quando em si estão dissidentes7. Isso porque a Guedúldia relaciona-se com a plenitude ou a aparente plenitude que a res Cogitans se fornece através de seu Espírito, e dela se integra de forma a conduzir o Espírito segundo as atribuições que lhe são naturais, que são as impostas pelas limitações da res Extensa. A Quérer que se constitui dessa condição expressa acima implica na não-aceitação da res Cogitans por si própria, sendo necessário consultar para a

6

Ver o disposto nas proposições 2. e 3. Ou seja, quando uma é verdadeira e a outra, necessariamente falsa.

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES condição de sua Angemesso e de outras implicações com ela referidas. 9.e. Portanto, por 9.b. e 9.c. apenas, esta expressão do Vega garante a validade mínima da Quérer. Logo, implica nesta Quérer verdadeira.

10. Segunda parcela da (ou): A não-Guedúldia e a não-Angemesso e a expressão Váol ou a Exêstens.
10.a. Mesmo que haja uma Quérer aparente, de acordo com 8.c., ela dependerá da imprevisibilidade do acto ou da integralidade do Espírito no âmbito de sua res Cogitans. 10.b. 10.a. se dá pela necessidade de um Espírito, mesmo que seja um pseudo-Espírito proposto pela própria res Cogitans8, que saiba que não será autuado pelo acto sobre a res Extensa e outras res Cogitans, ou que possa delinear-se corretamente na physismundus e na phenomemundus ao mesmo tempo. 10.c. Se o Espírito for pleno, gozará de condições diversas a ponto de admitir que sua vontade realmente não será conveniente a ele, sabendo-se que seu tempo, super-tempo possa estar em constância tal que gere a impossibilidade do mesmo acto. 10.d. Por 10.a., esta expressão do Vega garante a validade mínima do Quérer. Logo, implica nesta Quérer verdadeira.

11. Terceira parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso.
11.a. A falta de integralidade do Espírito é compensada apenas pela possibilidade, mesmo que seja imediata, hipotética e duvidosa, das condições de mudança dos vetores-padrão nas esferas da res Extensa. 11.b. 11.a. ocorre por meio da natureza da res Cogitans de sempre realimentar seu Cogito, pelo princípio exposto pelo filósofo. 11.c. Assim, se 11.a. se cumprir, haverá uma Quérer, mesmo que seja transitória, que não leva implicações sobre o acto nem sobre a percepção da phenomem e da physis no âmbito da res Infinita.

8

Ver proposição 8.b.

31

DOUGLAS LOPES DE MELO 11.d. 11.a. e 11.c., se cumprindo, esta expressão do Vega garante a validade mínima do Quérer. Logo, implica nesta Quérer verdadeira. Observa-se, como no conjunto todo, que basta para a res Cogitans: 1. Ou o Espírito ter a percepção fenomenológica e ser pleno, ou se achar pleno; 2. Ou o pseudo-Espírito garantir não ser previsível ou ser incompleto na res Extensa; 3. Ou a vontade de mudar conforme o seu gosto suplantar um Espírito duvidoso de si mesmo e do todo que o cerca; Para que sua Quérer consiga ser satisfatória com o seu foco de vista. Assim formulou o propositor a respeito do estudo básico sobre a natureza mecânico-lógica da res Cogitans, que suas generalidades podem ser propostas na forma de um Vega que, cada vez mais, agrupe outras variantes sobre as já apresentadas, a fim de traçar uma sistemática do pensamento que constitua a res Cogitans. Com esta Quérer em particular, elucida-se o caráter majoritário que o homem – e a mulher – de bem buscam, observados prós e contras, mesmo que sem os conhecê-los a fundo como nos foi proposto, como inerentes ao seu Cogito. No entanto, as parcialidades – e estas, se o propositor o quisesse fazer, as colocaria no Vega como complementares, resolvendo atentamente cada uma das suas possibilidades isoladas – distorcem os resultados finais das Quéreres. Estes são elucidados pelo uso de uma variável complementar Vega, que enlaça o estudo da Quérer ideal e absoluta de toda res Cogitans. Esta, à qual por poeticidade chamaremo-la de Zerestrum, só pode ser alcançado pelo último estudo feito por um Vega composto. Pois ele interfere, arbitrariamente em todas as outras variantes, e somente um propositor que conheça todas as especifidades da res Cogitans a fundo pode elaborar uma Quérer que não seja absurda e considere a Zerestrum como um de seus atributos de forma bem distribuída, segundo as definições, axiomas e postulados da obtenção das Quéreres. 32

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES Assim, a Zerestrum atua como as premissas das Quéreres parciais: resgatando as origens das intercalações feitas no Vega completo, ela apresenta resultados unânimes falsos ou unânimes verdadeiros, por observarmos suas possibilidades isoladas. Assim, propomos, com base no Quérer alvo de nosso estudo, fazer quatro Quéreres parciais aos quais atribuímos à Zerestrum sua existência como causa primeira.

9. A Quérer auto-suficiente
Denominaremos como auto-suficiente a Quérer cujo a Angemesso será verdadeiro independente da Váol, Exêstens ou da Guedúldia, e a nãoAngemesso constituirá a mesma Quérer que a do propositor, que constituiu nossa base de estudo. Dada a convenção, a análise lógica forneceu a seguinte expressão: a Quérer auto-suficiente é verdadeira quando a Váol e a expressão Exêstens ou a não-Guedúldia é verdadeira, ou a Exêstens e a não-Guedúldia é verdadeira, ou a não-Váol e a não-Exêstens e a Guedúldia é verdadeira ou a Angemesso é verdadeira9. Não consideraremos, portanto, o estudo da última parcela (ou), já que basta que a possibilidade de controle dos vetores-padrão, da vontade de mudar a sua res Extensa que o circunda seja garantida, a Quérer será atribuída a res Cogitans que assim se apropria. Dizemos desta como auto-suficiente pelo fato de que sua própria satisfação torna-se caráter único para validar a Quérer relativa à res Cogitans. Quando esta possibilidade de controle e de vontade não é oferecida, temos ainda outras três condições, às quais a ocorrência de uma delas torne a Quérer como satisfatória e auto-suficiente à res Cogitans.

9

A expressão lógica equivalente é

Qas W ( E G) EG W EG A em sua

tradução mais simplificada. Para efeito de mapas de Veitch-Karnaugh, usa-se

Qas

WE W G EG W EG A .
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12. Primeira parcela da (ou): a Váol e a expressão (ou) entre a Exêstens e a não-Guedúldia
12.a. O Espírito, se livre da previsibilidade do acto, necessita da garantia de sua integridade na res Extensa ou a sua assincronidade para desdobrar a physis e/ou a phenomem. 12.b. Se, no mínimo, o Espírito atribuído à res Cogitans obter a integridade de si mesmo, será pleno, conforme a proposição 1. 12.c. Se, no mínimo, o Espírito obter a assincronidade para desdobrar a res Extensa em suas esferas, será consignado a si o poder de transpor a expectativa do seu devir. 12.d. Apesar da interdependência da Angemesso, as condutas do espírito pleno ou transpositor de suas variáveis constitui a autosuficiência necessária para suas condutas que lhe aprazíveis, embora não lhe sejam concernentes. 12.e. Por 12.a. e implicações, esta expressão do Vega garante a validade mínima da Quérer. Logo, implica nesta Quérer autosuficiente como verdadeira, em suas possibilidades.

13. Segunda parcela da (ou): a Exêstens e a nãoGuedúldia
13.a. A res Cogitans salienta a dependência da integralidade das condições do Espírito com a assincronicidade da percepção da phenomemundus e da physismundus. 13.b. Por 13.a., considera-se que, possuindo ambas, nessas condições, o Espírito consciente concede-se a possibilidade de atemporizar e espacializar a realidade ao seu alcance, desde que para isso, obtenha as condições específicas em 13.a. 13.c. Assim, a res Cogitans garante sua presença, apesar da nãopercepção síncrona com a res Infinita, que, por outra condição, emite falhas na percepção deste sistema, levando em consideração este fator isolado. Sua Quérer é auto-suficiente pelas garantias expostas em 13.a. 13.d. Por 13.c., esta expressão do Vega garante a validade mínima da Quérer. Logo, implica nesta Quérer auto-suficiente como verdadeira, em suas possibilidades.

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ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES

14. Terceira parcela da (ou): a não-Váol e a nãoExêstens e a Guedúldia
14.a. Por analogia à 9.b., a percepção ganha notoriedade sobre o Espírito referente à res Cogitans. 14.b. 14.a. implica que esta expressão do Vega garante a validade mínima da Quérer. Logo, implica nesta Quérer auto-suficiente como verdadeira, em suas possibilidades. Assim, a res Cogitans, para cumprir suas condições de auto-suficiência: 1. Ou é imprevisível sobre suas ações e inações e íntegra na res Extensa, portanto plena, ou desdobradora das dimensões em que está inserida; 2. Ou é integra no seu meio, desconsiderando as naturalidades impostas pelos aspectos naturais da res Extensa; 3. Ou julga-se hipoteticamente plena, considerando essas mesmas naturalidades; 4. Ou tem a possibilidade de mudar os vetores-padrão de sua existência conforme sua vontade. E, assim, julgar-se-á, decerto, concernente. Essa Quérer é aplicável em res Cogitans que primam para que suas expectativas frente a um foco, um objetivo em específico, sejam sempre cumpridas. A plenitude obtida com quaisquer dos resultados que a physismundus e a phenomemundus lhe concedem, desde que lhe sejam aprazíveis, relevam a condição de ser pleno a genericidades da própria res Cogitans. E talvez a busca de algo que se encontra melhor apoiado numa res Infinita clara e padrão gera Quéreres que possam, conforme arbitrariedades das condições que a res Extensa oferece, engendrar lacunas satisfatórias que são buscadas com outras arbitrariedades. Assim, dado o timing da temporalidade de sua Quérer, o Espírito se esnevoaça, se não levar em consideração as implicações que privilegiar a Angemesso lho concedem.

35

DOUGLAS LOPES DE MELO

10.

A Quérer instanto-momentânea

Levemos, agora, por estudo, uma Quérer em que a não-Guedúldia seja sempre verdadeira, e as Quéreres da Guedúldia sejam semelhantes às condicionais da Quérer dita padrão. Observadas as disposições do Vega, a expressão lógica equivalente obtida é: A Quérer instanto-momentânea é verdadeira quando, a expressão ou-não-exclusivo entre a Váol e a Exêstens é verdadeira, ou a não-Exêstens e a Angemesso é verdadeira ou a não-Guedúldia é verdadeira10. Ditamos como Quérer instanto-momentânea como aquela pertencente à res Cogitans que repudia a sincronicidade da percepção da physis e da phenomem da sua res Extensa, conforme as especifidades da res Infinita.

15. Primeira parcela da (ou): a ou-não-exclusivo entre a Váol e a Exêstens
15.a. O Espírito concernente à res Cogitans é pleno ou julga-se pleno, não o sendo11. 15.b. Pelas considerações do estudo de 1. e 4., a Quérer fundamental sendo verdadeira garante a Quérer instantomomentânea da res Cogitans. Isso se deve porque a busca do Espírito se dá pelo imediato, sempre se questionando sobre como perseverar este imediato. 15.c. 15.b. implica que esta expressão do Vega garante a validade mínima para a Quérer. Logo, implica nesta Quérer instantomomentânea como verdadeira, em suas possibilidades.

10

A expressão para fins lógicos é Qim

WE W E E A G . Assim como

aconteceu semelhantemente na Quérer alvo, os dois primeiros termos da ounão-exclusivo podem ser escritos como W<E.
11

Ver proposições 1., 4., e analogar a 9.b. e 9.c.

36

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES

16. Segunda parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso
16.a. 11.a. e 11.b., analogamente, garantem que o Espírito esteja sempre em busca da constante confirmação de sua vontade de mudar seus parâmetros na res Extensa. 16.b. Isso implica numa Quérer que, mesmo não garantida da integralidade que possui, busca, com afinco, a transformação de sua posição. 16.c. As considerações anteriores e as que elas foram implicadas garantem esta expressão do Vega com a validade mínima para a Quérer. Logo, implica nesta Quérer instanto-momentânea como verdadeira, em suas possibilidades. Assim sendo, em resumo, a res Cogitans, quando: 1. Ou é um ser pleno, ou assim se julga, mesmo não o sendo; 2. Ou a vontade de mudar conforme o seu gosto suplantar um Espírito duvidoso de si mesmo e do todo que o cerca; 3. Ou não considerar as implicações da physismundus e da phenomemundus; Será concernente a Quérer que se permite impor, mesmo que seja somente temporária. O que ocorre, na verdade, é que diversas variáveis que possam fugir do controle da res Cogitans influem em suas decisões. Na verdade, nestes, a Zerestrum atua de tal forma livre que manipula constantemente todos os vetorespadrão e elementares, além do controle que está ao alcance da res Cogitans. Normalmente, esta res Cogitans precisa ter certeza sempre que sua certeza não se extinguirá como um fogo que é constantemente alimentado pelo ar, que não vemos, dentro de um cubículo. Nisso os Espíritos que dele independem, se nada atuarem para lhe compor alguma implicação da Guedúldia, por mais restritiva que ela seja, sua condição de insustentabilidade se manterá. Fazendo-se uso dessa falta de Guedúldia, no entanto, o filósofo não deixou, por um momento, que toda a sua dúvida perecesse, e que uma 37

DOUGLAS LOPES DE MELO permanecesse. Ao menos, nesse acesso, digamos que a Zerestrum não compôs parte sua naquele momento, e fazendo uso das constantes lógico-geométricas que a res Infinita oferece nas facetas da Matemática, permitiu que sua própria Quérer, mesmo sendo hipotética, sustentasse por si só o seu engenho, porquanto o timing das idéias fosse alterado.

11.

A Quérer de auto-posse

Consideremos, agora, o estudo de uma Quérer em que a não-Exêstens é sempre falsa, e a Exêstens segue os parâmetros da Quérer principal. Consideremos por auto-posse como as características que fornecem a garantia da integralidade do Espírito na physismundus e phenomemundus e excluem toda a hipótese dela não o ser. Assim, observadas essas disposições, constata-se, pelo estudo lógico da Quérer de auto-posse que: a Quérer de auto-posse é verdadeira quando, a Exêstens e a expressão (ou) entre a não-Guéduldia e a não-Angemesso, e a Váol e a Guedúldia é verdadeira12. Como a expressão, acima dita, tem como operador final (e), cabe a nós implicarmos que é necessária a veracidade da Exêstens em todas as ocasiões descritas nas operações às quais a Exêstens faz evidência.

17. Primeira parcela da (ou): a não-Guedúldia e a nãoAngemesso
17.a. Análogo em 8., a parcial dessa operação resulta numa Quérer complementar satisfatória. 17.b. No entanto, é necessário confirmar, para satisfação da autoposse, que o Espírito, ou pseudo-Espírito inscrito na res Cogitans, seja definido nas esferas da res Extensa. 17.c. Se a Exêstens for verídica, o pseudo-Espírito ganha conotação para que possa encontrar sua proporção de constante satisfatoriedade, assim, realimentando-se das

12

A expressão lógica constitui-se de

Qap

E(G A WG) , ou de

Qap WEG EG A , para simplificações em mapas de Veitch-Karnaugh.
38

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES correções impostas pelo Angemesso e da assincronicidade com a res Infinita, o pseudo-Espírito corrige-se, tornando a se integrar ao Espírito, como se assim sempre o fosse. 17.d. Se 17.a. a 17.c. forem confirmadas verídicas, a expressão deste Vega garante a validade mínima para a obtenção da Quérer de auto-posse. Logo, implica nesta Quérer de autoposse verdadeira, em suas possibilidades.

18. Segunda parcela da (ou): a Váol e a Guedúldia
18.a. Análogo a 9.c., a res Cogitans, na imprevisibilidade de suas ações e inações na res Extensa, e sintonizado com as condições que lhe são sugeridas pela res Infinita, possui independência em seu Espírito para conduzir sua existência. 18.b. No entanto, para que 18.a. seja satisfatória, recorre-se à plenitude do Espírito para garantir-se de que essa independência consciente da res Cogitans não seja ilusória. 18.c. Por 18.b., recorre-se a uma solução estritamente idêntica à 9.c. Portanto, é necessário verificar a veracidade da Exêstens. 18.d. Se 18.c. for satisfatória, esta expressão do Vega fornece validade mínima para a obtenção desta Quérer. Logo, implica nesta Quérer de auto-posse verdadeira, em suas possibilidades. Assim, a res Cogitans que deseja ter plena consciência de que sua propriedade sobre si mesmo não seja usurpada por nenhum fator estranho a ela, deve: 1. Ou ser um Espírito que se encontre definidamente na res Extensa, apesar de estar assíncrono com o que a res Infinita lhe proporciona e sua vontade não seja executada; 2. Ou ser um Espírito veridicamente pleno, e consciente das limitações sugeridas pela res Infinita às dimensões às quais ele está inserido; Para que se compraza a sua Quérer de auto-posse. Decerto dizer, uma das certezas que o ser humano sempre desejou ter a própria posse de suas faculdades como autômatos de quaisquer outras faculdades não inerentes a si, enquanto res Cogitans. Sempre alvo de estudo de filósofos contemporâneos, a existência autônoma da res Cogitans é sempre bombardeada pelas Zerestrum

39

DOUGLAS LOPES DE MELO de pobres almas que nenhuma relação conjeturam com a Filosofia, maquinando suas pretensões de binarizar o mundo em favor dos números e entes geométricos, diferenciais e integrais; ao passo que o propositor confere a esta binarização a expansão dos vários comportamentos observados neste nosso âmbito, enquanto na busca da consciência plena e idônea. Ademais, devemos observar que, enquanto busca-se uma fórmula milagrosa para reduzir as várias premissas que constituem a res Cogitans, enquanto ser humano, numa única fórmula ou no máximo duas com poucas e genéricas variáveis, muitas vezes incompletas na sua amplitude de expressão, o homem propõe-se como modelo universal de conduta. Aí possamos deduzir o erro da referência, à qual prima por este primeiro erro, todos os seqüenciais. E o que se observa por erro? Segundo o propositor, observa-se por erro quando, num sistema Vega de consideráveis variáveis, uma condição isolada resulta numa Quérer verdadeira ou falsa que, em condições reais, seria justamente a sua não-Quérer como íntegra e, portanto, que constitua resultado satisfatório à res Cogitans, seja ele definitivo ou temporário. A Quérer que é condizente a res Cogitans, quando não o deveria ser, torna-se a abnegação das virtudes que conduzem o Espírito. Daí constituir-se um engano, e este engano, persistindo pela condição da Quérer, tornar-se uma desvirtude ao ser que a pratica, por ir contra o natural, quer seja este natural uma experiência consolidada como vivida, consolidada como prevista. Tomando-se a natureza, ou seja, a physis e a phenomem imediatamente perceptível da res Extensa, observa-se que dela dependemos para observarmos nossa condição de posse própria, sem que necessitemos forçar a situação para que a não-posse das próprias faculdades impliquem neste erro do qual desde tempos estudamos como evitar.

12.

A Quérer libertária

Tomemos, como último estudo dos fundamentais destas parciais, uma Quérer cuja não-Váol seja sempre falsa, e a Váol fique condicionada às mesmas implicações da Quérer principal. Feita a análise lógica, obteve-se a seguinte expressão: a Quérer libertária é verdadeira quando, a Váol e a expressão (ou)

40

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES entre a Exêstens e a Guedúldia; a não-Guedúldia e a não-Angemesso; e a nãoExêstens e a Angemesso, é verdadeira13. A Quérer libertária caracteriza-se pela negação total da previsibilidade de toda e qualquer ação e inação da res Cogitans por parte de atribuições maiores que a dele. Pode ser esta a res Infinita, ou uma res Cogitans de controle e amplitude maior em dimensões às quais a res Cogitans não está inserta. Assim como a Quérer de auto-posse, a Quérer libertária tem como a Váol caráter de influência decisiva para a validade da Quérer à res Cogitans que condiciona esta Zerestrum a si própria, sendo que sua complementar se dará pelas três parciais da operação (ou), evidenciada à Váol.

19. Primeira parcela da (ou): a Exêstens e a Guedúldia
19.a. Análogo a 18., o Espírito pleno e consciente de sua limitação sugerida pela res Infinita está em acordo com esta última. 19.b. Confiante nas implicações que esta “troca” lhe proporciona, a res Cogitans confere a si a plenitude de se sentir livre de quaisquer previsibilidades que julgue serem prejudiciais à sua existência. 19.c. Isso ocorre devido às características que a res Infinita possui, já demonstradas outrora pelo filósofo, e confirmadas em entrelinhas por muitas hipóteses elucidadas pelos seus estudos. 19.d. Assim, observadas 19.a. e 19.b. como verídicas, esta expressão do Vega confere validade mínima para a Quérer. Logo, implica nesta Quérer libertária como verdadeira, em suas possibilidades.

20. Segunda parcela da (ou): a não-Guedúldia e a nãoAngemesso
20.a. Análogo a 8., observa-se uma Quérer complementar satisfatória.

13

A expressão lógica é

Qlib

W ( EG G A E A) , ou

Qlib

WEG W EA W G A , para facilitações de mapeamento em Veitch-Karnaugh.
41

DOUGLAS LOPES DE MELO 20.b. No entanto, é preciso verificar, pelas condicionais da Quérer, que a Váol garanta a res Cogitans a certeza de que o acto que pratica não será previsível por outrem. 20.c. Assim, pelo pseudo-Espírito que é conferido por 8.b., sua origem, sendo independente da res Infinita, garante sua autonomia frente a ela e, conseqüentemente, frente a outras existências com menor amplitude de absolutidão. 20.d. Observado que 20.a. e 20.c. são verídicos, esta expressão do Vega confere validade mínima para a obtenção da Quérer. Logo, implica nesta Quérer libertária como verdadeira, em suas possibilidades.

21. Terceira parcela da (ou): a não-Exêstens e a Angemesso
21.a. 11.a. e 11.b. conferem a característica da res Cogitans de reafirmar constantemente e conservar seu Cogito. 21.b. Entretanto, para que a Quérer se cumpre, é necessário que a previsibilidade do acto por outrem e pela res Infinita, seja supressa, de forma a garantir as implicações da constatação do verdadeiro e do falso. 21.c. Ora, por 16.b., a possibilidade de transformação da sua situação enquanto res Cogitans confere autonomia das previsibilidades, garantindo as condições de 21.b. 21.d. Observados 21.a. e 21.c. como verídicos, esta expressão do Vega confere validade mínima para obtenção da Quérer. Logo, implica nesta Quérer libertária como verdadeira, em suas possibilidades. Assim, a res Cogitans que se submete a conveniência da Quérer libertária: 1. Ou é um Espírito pleno, consciente das suas limitações nas dimensões da qual está inserido; 2. Ou possui um pseudo-Espírito, satisfeito com as ocasiões que outrem lhe oferece, mas seguro da imprevisibilidade do seu acto; 3. Ou a vontade de mudar conforme o seu gosto suplantar um Espírito duvidoso de si mesmo e do todo que o cerca, mas que, mesmo assim, conhece sua autonomia frente a outras existências não-absolutas;

42

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES E assim, julga-se como livre e satisfeito pelas suas próprias interações. Decerto, esta Quérer mostra sua parcialidade, pois como o filósofo já havia demonstrado, há sempre a necessidade de que a res Cogitans busque uma existência e uma essência inseparáveis entre si, que garantam que sua plenitude seja completa. Assim, a res Infinita à qual ele atribuiu – e que, hipoteticamente, poderia ser outra que não fosse a que ele constituísse de primórdio – essa condição, satisfaz complementarmente as condições de plenitude que a res Cogitans se submete. Assim, não há uma interdependência “forçada” entre ambas, mas uma interdependência enquanto complementar: a presença da res Infinita subsiste com a presença da res Cogitans, e vice-versa. Daí esta Quérer ser altamente transitória, e por muitas vezes, só satisfazer res Cogitans que estão apoiadas nas Zerestrum que se permitem influenciar. Daí lança-se o engano, quando transitório, e o erro, quando persistente.

13.

O Confronto das Quéreres parciais com a

Quérer principal
Um estudo mais profundo das Quéreres apresentadas anteriormente consiste na interseção lógica de seus resultados com os resultados da Quérer que derivou seus estudos, através da mescla lógica dos resultados de ambas por meio de operadores lógicos. Observadas as disposições que previamente nos foram dadas, e fazendo as análises necessárias, observa-se que: Quando se confronta a Quérer principal com uma parcial por meio da operação (ou), prevalece a principal no tocante do uso da total falsidade para a afirmação, ou para a negação de uma variável do Vega; ou possui caráter inclusório, no uso da total veracidade para a afirmação, ou para a negação da mesma variável. Quando o confronto se dá por meio de (e), prevalece a parcial no uso da total falsidade; ou a principal, no uso da total veracidade. Assim, preferencialmente, o uso das operações de exclusividade – (xou) ou (xnou) – conferem análises mais significativas para o estudo das propriedades que implicam confrontar as Quéreres de um mesmo Vega. Como, pelos estudos de lógica, a operação (xou) é complementar à (xnou), o uso por

43

DOUGLAS LOPES DE MELO uma ou outra implica num resultado que se caracterize por atributos que se coincidam ou se diferenciem, conforme o confronto realizado. Resta-nos, portanto, realizar estes estudos, de forma a caracterizar como se comportam as particularidades de cada um desses confrontos, e deles obter resultados que nos ajudem a compreender a iniciativa do propositor para que engendrasse esses estudos conforme eles se apresentaram. Assim, observadas todas as implicações desse estudo, podemos compor as seguintes expressões a partir de confrontos entre a Quérer principal e as quatro Quéreres observadas nos títulos anteriores, através das seguintes expressões: O confronto ou-exclusivo entre a Quérer principal e a libertária é a nãoVáol e a expressão (ou) entre a Não-Exêstens e a sub-expressão Guéduldia ou a Angemesso, e a Exêstens e a não-Guedúldia e a não-Angemesso.14 O confronto ou-exclusivo entre a Quérer principal e a de auto-posse é a não-Exêstens e a expressão (ou) entre a ou-exclusivo, entre a Váol e a Guedúldia; e a Angemesso.15 O confronto ou-exclusivo entre a Quérer principal e a instanto-momentânea é a não-Guedúldia e a expressão (ou) entre a sub-expressão Exêstens e a Angemesso; e a sub-expressão não-Váol e a não-Exêstens e a nãoAngemesso.16

14

A expressão lógica concernente é

Q

Qlib

W ( E(G A) EG A) , ou

QQlib QQlib
15

W EG W EA W EG A para facilitar a compreensão do estudo feito

nos mapas de Veitch-Karnaugh. A expressão lógica concernente é Q

Qap

E((W

G) A) , ou

QQap QQap W EG W EG E A , para melhor entendimento.
16

A expressão lógica concernente é

Q

Qim

G( EA W E A) , ou

QQim QQim

EGA W EG A , para melhor entendimento.
44

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES O confronto ou-exclusivo entre a Quérer principal e a auto-suficiente é a Exêstens e a Angemesso e a expressão (ou) entre a não-Váol e a Guedúldia.17 Assim, obtidas todas as expressões lógicas, façamos um estudo detalhado de todas elas, confrontando-as com ambas as Quéreres e obtendo os resultados que sejam concernentes ou não-concernentes com elas. Rebuscando o significado da operação de ou-exclusivo, ela implica em fatores que, existentes em uma das variáveis, anulam sua contrária. Assim, análogo às Quéreres, obtemos características que são diferenciáveis entre as que são confrontadas.

22. O confronto entre a Quérer principal e a libertária através da ou-exclusivo
22.a. A não-Váol, ou seja, a previsibilidade do acto, constitui valor indispensável para validar as particularidades entre as duas Quéreres. 22.a.@a. Portanto, para que sejam negadas uma das arbitrariedades impostas pelas Quéreres em estudo, há condições às quais a previsibilidade do acto se submete. 22.a.@b. Observada a Quérer principal, há uma condição em que a não-Váol ocorre, que confere valor à Quérer, invalidando, neste confronto, a Quérer libertária: a ocorrência, em conjunto, da não-Exêstens e da Guedúldia. 22.a.@b.I. Análogo a 9.b., a observância da notoriedade espiritual sobre a res Cogitans é fator que constitui a inexistência do uso da Quérer libertária. 22.a.@b.II. Isso implica no uso de fatores que

necessariamente constituem fundamentos para que a res Cogitans não se considere autônoma, assim, recaindo numa Quérer ampla.

17

A expressão lógica concernente é

Q

Qas

EA(W G) , ou

QQas QQas W EA EGA , para melhor entendimento.
45

DOUGLAS LOPES DE MELO 22.a.@c. Observada a Quérer principal, há uma ocorrência da não-Váol que, entretanto, não submete a Quérer libertária à nulidade: a ocorrência mútua da Exêstens e da Guedúldia. 22.a.@c.I. Isso se dá, análogo a 9.d., pelo fato da res Cogitans renegar-se continuamente sua condição de ser pensante. 22.a.@c.II. Assim, considerando-se desse modo, nenhuma Quérer é satisfeita, por haver submissão da res Cogitans a qualquer fator externo e, não necessariamente, também como res Cogitans, à ela. 22.b. Outra parcela fundamental para garantir validade ao confronto em caráter mínimo, é a não-Exêstens e a expressão Guedúldia ou a Angemesso. Essas válidas, junto com 22.a., conferem veracidade ao confronto. 22.b.@a. Isso porque, no caso da Guedúldia ser verdadeira, análogo a 14., e portanto, análogo a 9.b, e conseqüentemente, validando 22.a.@b. e implicações imbricadas, a Quérer libertária suprime-se por uma mais ampla, no caso, a Quérer principal. 22.b.@b. No caso da Angemesso ser verdadeira, refuta-se 21.b., o que não confere validade, por este meio, da Quérer libertária, sendo visíveis outros fatores que a tornem favorável. 22.c. Assim, pelo mínimo de condições acima em 22.b., a Quérer libertária suprime-se por uma Quérer mais ampla, observadas as implicações dantes impostas no Vega. 22.d. Outra parcela fundamental para validar esse confronto em caráter mínimo é a Exêstens e a não-Guedúldia e a nãoAngemesso. 22.d.@a. Refutam-se as implicações em 17.c., pela ausência de uma Váol que assegure a imprevisibilidade do acto, conforme 22.a. 22.d.@b. Isso significa que, mesmo que o Espírito – ou pseudoEspírito – procure-se corrigir, ficará sempre sujeito aos actos de res Cogitans não inerentes a ele.

46

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES 22.d.@c. Por 22.d.@b, a res Cogitans torna-se impossibilitada de atuar sobre si própria, dando preferência a uma Quérer parcial. 22.e. Por 22.d.@c., a Quérer libertária se extingue, dando origem a uma Quérer mais ampla, observadas as implicações impostas no Vega. Assim, por análises epistemológicas e sintáticas implicadas neste confronto, podemos conferi-lo como pendente para a Quérer principal, implicando nas particularidades que a Quérer libertária refuta. A evidência da não-Váol implica na significação da composição da Quérer libertária, já que é a condicional fundamental para conferir efeito para a definição desta própria Quérer, ou seja, não é admitida, fundamentalmente, a existência da previsibilidade do acto.

23. O confronto entre a Quérer principal e a de autoposse através da ou-exclusivo.
23.a. A não-Exêstens, ou seja, a indefinição da res Cogitans sobre a res Extensa é parcela fundamental para que seja dada a validade desse confronto. 23.b. A ocorrência exclusória da Váol sobre a Guedúldia, e viceversa, confere a outra parcela fundamental para a validade desse confronto. 23.b.@a. Nesta situação, há uma inconsistência entre o Espírito conduzível e o Espírito consciente de suas limitações dentro da res Extensa, ao qual se julga indefinido. 23.b.@b. Isso ocorre por fatores inerentes à própria res Cogitans, que não permitem que ambas as condições ocorram, insustentando o direito de garantir sua existência como verificada na amplitude de sua existência. 23.b.@c. Assim, a auto-posse é extinta por não haver condições sustentatórias para mantê-la invicta. 23.c. Por 23.b.@c. e implicações que nele decorrem, há um fator mínimo para que seja suprimida a Quérer de auto-posse por uma mais ampla, observas as implicações impostas no Vega.

47

DOUGLAS LOPES DE MELO 23.d. Em adicional, a Angemesso constitui outra parcela fundamental para que, com 23.a., constitua validade ao confronto. 23.d.@a. Isso porque, análogo a 11.a., a ocorrência da vontade é hipoteticamente temporária. 23.d.@b. Logo, extinguem a auto-posse pela nulidade de suas prerrogativas. 23.e. Observados os dispostos em 23.a. e 23.d., há um fator mínimo que subjugue a Quérer de auto-posse por uma mais ampla, observadas as implicações impostas no Vega. Assim, concluindo, o caráter deste confronto é pendente para a Quérer principal, bem como a evidência da não-Exêstens constitui fator determinista para a determinação desta Quérer de auto-posse.

24. O confronto entre a Quérer principal e a instantomomentânea através da ou-exclusivo.
24.a. A não-Guéduldia constitui fator fundamental para a ocorrência da validade do confronto. 24.b. A Exêstens e a Angemesso conferem autonomia da vontade do Espírito por si próprio apenas. Assim sendo, a transitoriedade que é assegurada somente quando não há a integralidade do Espírito na res Extensa, ou seja, a certeza da res Cogitans enquanto conservada em si, anula a propriedade transitória da Quérer instanto-momentânea. 24.c. Por 24.b. e 24.a. como válidas, há uma condição mínima para que a Quérer instanto-momentânea suprima-se por uma Quérer mais fixa, e, portanto, mais ampla, observadas as implicações impostas no Vega. 24.d. A não-Váol e a não-Exêstens e a não-Angemesso implicam num espírito não-satisfeito e que hipoteticamente seja pleno frente outra existência. 24.d.@a. A composição com a não-Guedúldia implica numa contradição que alimenta um espírito desesperançoso, anulando uma Quérer temporária. 24.d.@b. Assim, pelas implicações de 24.d. dispostas anteriormente, a Quérer instanto-momentânea é anulada. 48

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES 24.e. Por 24.d.@b., há uma condição mínima para que a Quérer instanto-momentânea seja substituída por outra Quérer, de preferência fixa e mais ampla, observadas as implicações impostas no Vega. Assim, o confronto evidencia caráter exclusório da permanência da condição de instanto-momentânea que a Quérer possui, bem como a evidência da não-Guedúldia condiciona os fatores aos quais, apesar de ser ela que constitua base de estudo de nossa Quérer confrontada, possibilite designar os parâmetros que permitem afixar ou não a permanência dos valores contidos na Quérer, consideradas as Zerestrum atuantes neste Vega. Através de fatores complementatórios que designem esta atribuição da temporalidade e da atemporalidade que complementem estes estudos, este confronto obtém caráter diferenciatório.

25. O confronto entre a Quérer principal e a de autosuficiência através da ou-exclusivo
25.a. A Exêstens e a Angemesso, análogo a 24.b., conferem autonomia, e portanto, auto-suficiência, desde que observadas outras condições, às quais, com ela, constituem parcelas fundamentais para obter a validade mínima do confronto. 25.b. A não-Váol ou a não-Guedúldia conferem valores de independência não condicionatórias entre si. 25.b.@a. A não-Váol constitui, com o Espírito autônomo, apesar de subjugá-lo a um caminho fixo, o caminho fixo de sua vontade. 25.b.@b. A não-Guedúldia confere, com o Espírito autônomo, capacidade plena de interferência nos valores de seus vetores-padrão, em sua existência, confirmando sua autonomia. 25.c. Por 25.b.@a. e 25.b.@c., com a validade de 25.a. confirmada, há a condição para que a Quérer auto-suficiente seja complementada com uma Quérer mais ampla, elucidando suas particularidades, através das implicações impostas pelo Vega. Assim, este confronto também se diferencia por elucidar características em que a complementaridade esta atrelada a outros fatores – no caso, a Exêstens e 49

DOUGLAS LOPES DE MELO a Angemesso, ambas evidenciadas – e que conferem a característica de condicionatória à variável. Decerto, os estudos referentes às Quéreres cuja total nulidade ou unanimidade é conferida a variáveis de caráter da res Cogitans conferem complementaridades ou diferenciações nos confrontos com a Quérer principal, ao passo que variáveis de caráter como atribuições da res Infinita à res Cogitans possuem caráter exclusório nos confrontos com a mesma dita Quérer.

14.

Confrontos compostos entre Quéreres

Conforme disposto na terceira premissa no estudo das Quéreres parciais, há a necessidade da análise das condições sempre verdadeiras e sempre falsas em todas as Quéreres amplas e parciais obtidas – excluem-se, portanto, os confrontos, que são operações de exclusividade – mas, para que esse estudo seja elucidado, é preciso verificar uma condição muito importante: não se pode fazer um confronto composto entre Quéreres cuja variável de estudo for utilizada mais de uma vez e, portanto, constituir duas Quéreres parciais. Observada a condição, designemos um método de obter as semprefalsidades e as sempre-verdades. No nosso campo de estudo de cinco Quéreres com quatro variáveis Vega em uso, visualizou-se o seguinte método: 1. Realiza-se a operação (e) entre todas as Quéreres, simultaneamente. Os resultados verídicos nas possibilidades em isolado constituem as sempre-verdades. 2. Realiza-se a operação (ou) entre todas as Quéreres, simultaneamente. Os resultados falsos nas possibilidades em isolado constituem as sempre-falsidades. Assim, observado o disposto, o confronto (e) simultâneo no universo de Quéreres gerou a seguinte expressão lógica: as sempre-verdades constituem-se da Váol e da Exêstens e da Guedúldia, ou da Váol e da Exêstens e da nãoAngemesso18. O que significa que o Espírito pleno e consciente das

18

A expressão lógica é Q1

verdades implicam em Q1

WE (G A) , ou Q1 WEG WE A . As sempreQ Qlib Qap Qim Qas .
50

ESTUDOS METAFÍSICO-ANALÍTICOS SOBRE AS SISTEMÁTICAS DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS QUÉRERES arbitrariedades das dimensões da res Extensa, e o Espírito pleno, porém consciente de sua inabilidade de mudança de seus vetores-padrão, são capazes de se permitir, em todas as ocasiões, uma Quérer condizente, dentro desse nosso universo. E, na ocasião do confronto (ou) simultâneo no universo de Quéreres gerou a seguinte expressão lógica: as sempre-falsidades constituem-se da Guéduldia e a não-Angemesso e a expressão ou-exclusivo entre a Váol e a Exêstens19. Por esta, observa-se que o Espírito, esperando por uma vontade que nunca terá, e com a Váol influindo na falta de sua Exêstens e sua Exêstens afetando numa falta de Váol. Por conseguinte, haverá um Espírito sempre inconformado com sua situação perante o que acredita ter em relação à res Infinita e com a que tem à res Extensa e res Cogitans que não garante serem mais absolutas que ele, condição à qual, no nosso universo de Quéreres, nunca é condizente com a res Cogitans. Ademais, observa-se que, nos confrontos individuais às quais compuseram nosso universo de análises, neles nunca se observou as mesmas condições das sempre-verdades como verdadeira, mas observaram-se constantemente as condições das sempre-falsidades como falsas. Fato igualmente interessante ocorre com os confrontos pela operação de ou-não-exclusivo: as mesmas condições de sempre-verdades são observadas como verdadeiras, mas as condições de sempre-falsidades, no entanto, também são vistas como verdadeiras. Fato este nos confere dizer que a operação (xou) elucida particularidades que podem nunca constituir uma Quérer sempre favorável ou sempre desfavorável ao res Cogitans, ao passo que a operação (xnou) elucida particularidades que sejam possíveis considerar tais argumentos.

15.

Epifânia

Para concluir esse pequeno estudo do qual o propositor nos concedeu, pelo menos como simples divertimento, levemos em consideração que ele possa ter verificado a plenitude dessa sistemática apenas em um minúsculo e

19

A expressão lógica é

Q0

G A(W

E) , ou Q0 W EGA W EG A . As

sempre-falsidades implicam em

Q0

Q Qlib Qap Qim Qas .
51

DOUGLAS LOPES DE MELO infinitesimal momento de sua Filosofia, ou ainda possa vir a verificá-la, se houver uma falta em todas as prerrogativas. No entanto, como prenunciador dessa tese que nosso propositor nos elucidou, confesso que as falhas tenham vindo mais de mim mesmo, ao passo que busquei, mesmo com o máximo empenho de toda a minha capacidade filosófica, tentar atar os nós que me foram possíveis de atar, restando outros para que o propositor, outra pessoa a ele confiada, ou uma res Cogitans que possa absorver e completar essa obra, assim que ela chegar a suas mãos, e dela desenvolver condições para, progressivamente, incluir mais e mais variáveis; nunca a ponto de subjugar qualquer coisa, animada ou inanimada, ser pensante ou não, mas de complementar características que a ajudem a compreender seu funcionamento, desde essas variáveis essenciais, até a Zerestrum, arbitrária e randômica em sua plena natureza. Conhecê-la, suprimi-la e conduzir a res Cogitans a uma condição de menos vulnerabilidade ao erro permitirá que o temor da maquinalização seja supresso, pelo – acreditamos – que um profundo, imparcial e não-tendencioso estudo obtido dessas Quéreres nos permita assegurar de que a máquina não subjugará o homem, pelo simples fato de que não deve favores a ele, mas porque se poderá constituir uma sociedade em que saiba solucionar as problemáticas próprias, e até, livre das parcialidades de qual ela é ser, solucionar nossas problemáticas, enquanto seres humanos não-livres de sua Zerestrum. O medo, portanto, não seria uma Zerestrum nossa, tão influente, a ponto de tornar sempre-verdades em verdades nunca sempre verídicas, ou semprefalsidades passíveis de serem verdades? Se, digamos, que ao homem, cabe a triste sina de conviver com este medo subjugando-o a coisas pequenas a ele, melhor lhe fora que uma máquina subjugasse sua existência e que ele desprezasse que poderia estar verdadeiramente acordado, vivendo de fato sua existência no âmbito mais concreto da res Extensa. Ou melhor lhe seria que uma máquina o hipnotizasse constantemente a ponto de que, todo o esforço filosófico em busca da própria condição de moral idônea fosse anulado. Caberia, então, a ele esta laboriosa tarefa? No entanto, talvez o propositor do momento possa não a conceder.

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