Usando o Twitter para aumentar a participação dos estudantes em sala de aula

Estevon Nagumo1 (Unb) Lucio Teles2 (Unb)

Resumo: Neste trabalho apresentamos a utilização do Twitter em um curso presencial. O objetivo foi utilizar esta rede social na sala de aula como forma de suporte pedagógico, potencializando a interação aluno-professor e aluno-aluno. Em duas aulas expositivas foram realizadas a projeção das mensagens dos alunos com a palavra-chave #arteeducação em que todos da sala podiam ver. Na primeira aula os alunos puderam mandar mensagens de forma espontânea, já na segunda houve atividades em grupo antes do envio dos tweets. Notou-se que para um melhor aproveitamento do Twitter é necessário um planejamento pedagógico de como este instrumento será utilizado em sala de aula. Palavras-chave: Twitter, rede social, professor. Abstract: This work presents the use of Twitter in a classroom course. The goal was to use this social networking in the classroom as a way to support teaching, increasing the student-teacher and student-student interaction. In two lectures were held projection of students' messages with the keyword #arteeducação where everyone could see. In the first lesson the students could send messages spontaneously, in the second there were group activities before sending tweets. It was noted that for a better use of Twitter requires a pedagogical planning of how this instrument will be used in the classroom. Keyword: Twitter, social network, teacher

Introdução
O objetivo deste trabalho foi aplicar uma ferramenta virtual em uma aula presencial para analisar sua dinâmica e efetividade. Levando em consideração o uso cada vez mais frequentes de redes sociais, optou-se pelo Twitter para verificar como este poderia ter uma apropriação pedagógica.

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A disciplina escolhida foi a de Fundamentos da Arte em Educação da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília que tem por objetivo aprofundar os conhecimentos e praticas escolares de arte-educação para estudantes de graduação que no futuro poderão estar lecionando nesta área. Tratase de uma disciplina não obrigatória na qual participam alunos, em sua maioria, do curso de pedagogia e artes. Ela está dividida em três unidades: fundamentos da arte-educação, práticas na sala de aula e introdução à ciberarte. Na primeira unidade, o foco está em leituras de caráter mais teórico. Muitas vezes os alunos apresentam dificuldade com a compreensão desta primeira unidade sobre fundamentos, dado que as leituras são densas e tocam temas como a “reprodutibilidade técnica da obra de arte”. No primeiro semestre de 2012, o artigo indicado foi “O que é arte-educação”, de Herbert Read. Com o intuito de melhorar a interação na aula para que houvesse uma maior participação dos estudantes, pensou-se em trabalhar com o hábito dos jovens de conectar-se a internet e utilizar as redes sociais. Para tal, foi escolhido o Twitter, um microblog em que o usuário pode enviar mensagens de até 140 caracteres. Em agosto 2011 esta rede marcou 14,2 milhões de usuários únicos no Brasil, segundo o IBOPE Nielsen Online. Em julho de 2011 foi anunciado que o Twitter possui 200 milhões de usuários registrados no mundo. Nesta rede de informações os usuários escolhem quem seguir, ou seja, quem lhes interessa receber informações. Trata-se de uma rede em que as mensagens são de fácil envio e reenvio, possibilitando uma disseminação rápida de informações. Santaella (2010) aponta que o Twitter tem 2 características fundamentais: a tônica da interação e a formação de laços sociais não baseada em vínculos preexistentes, mas sim na penetração individual em fluxos de ideias. Estas características fazem do Twitter um espaço de dinâmicas sociais de inteligência coletiva. Desta forma, o Twitter foi escolhido por ser uma rede composta por mensagens curtas e possibilidades de interações variadas. Todas as mensagens dos alunos no Twitter com a palavra-chave #arteeducação foram projetadas durante a

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aula para que todos pudessem vê-las com o objetivo de aumentar a participação em sala. Na educação online são distinguidas três modalidades de oferta de educação: presencial, online, e híbrida que combina presencial e online (HARASIM et al, 2005). Este é um caso hibrido, pois trata-se de uma disciplina presencial, na qual foi introduzida uma tecnologia online. O Twitter é utilizado, em geral, para trocar mensagens, receber informações, participar de debates, etc. Desta forma, dialogar com esta cultura online no ambiente presencial foi o desafio destas aulas.
A utilização de redes sociais, de jogos online, e de vários outros modelos de trabalho colaborativo é bastante importante para os estudantes de hoje que deverão ser capazes de utilizar as novas tecnologias no processo de aprendizagem continuo. (THOMAS & BROWN, 2011).

Há exemplos de utilização do Twitter em trabalhos com a língua portuguesa na criação de microcontos1. Houve um estudo do uso do Twitter para o ensino da língua inglesa (BARCELLOS & PEREIRA, 2011). Além de uma dissertação de mestrado da Universidade Estadual do Ceará que investigou as potencialidades do uso deste microblog na área educacional como possível recurso didático (VASCONCELOS, 2010). No estudo “O Twitter como ferramenta de discussão acadêmica” no qual há uma análise das possibilidades e limitações da utilização desta ferramenta na graduação e pós-graduação, apontam que:
Os resultados de nossa análise apontam para o fato de que o Twitter, então, ultrapassa os limites do espaço virtual quando torna-se também um canal de comunicação e uma extensão dos ambientes de sala de aula, pois o(a) professor(a) pode utilizar essa rede social para discutir suas aulas, divulgar e comentar congressos, usar como um mural de avisos para seus(suas) alunos(as) ou até como banner textual de informações instantâneas das aulas para alunos(as) à distância. Este aspecto nos faz sugerir que o Twitter pode ser um recurso educacional eficaz, considerando seus limites e possibilidades. (OLIVEIRA & ARAÚJO, 2011)

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http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,twitter-chega-a-sala-de-aula-como-ferramenta-para-aprender-tecnica-literaria,626165,0.htm

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Metodologia
Foi solicitado aos alunos com aparelhos como laptops, netbooks, tablets, smarthphones que os trouxessem para a aula para acessar a internet. Como nem todos tinham aparelhos, alguns trabalharam em grupos de dois, três, ou quarto estudantes. A dinâmica pretendida deveria acontecer na sala de aula, por isso a sala de informática não foi o espaço escolhido para a aula. O objetivo foi que cada aluno utilizasse o mesmo aparelho de seu cotidiano para acessar a internet. Os estudantes poderiam interagir no Twitter com comentários, perguntas, manifestações durante a palestra do professor colocando a hashtag #arteeducação para que todos pudessem ler as mensagens projetadas. A hashtag deveria ter relação com a disciplina e, se possível, uma utilização pequena dentro do Twitter para facilitar a identificação dos tweets dos alunos em sala. Por exemplo, se fosse escolhido #arte, muitos tweets sem relação com a aula apareceriam na projeção, por isso foi decidido por uma hashtag mais restrita. Nas 2 aulas pesquisadas todos os tweets com #arteeducação eram referentes aos alunos estudados. A metodologia foi utilizada em duas aulas expositivas da disciplina de Fundamentos da Arte em Educação nos dias 24/03/2012 e 04/04/2012. O professor utilizou slides para guiar sua fala sobre arte-educação e um segundo datashow projetou os tweets. O site utilizado para projetar a hashtag #arteeducação foi o Hootsuite2. Na primeira aula as duas projeções ficaram lado a lado, o que facilitou a visão dos alunos, mas dificultou o acompanhamento do professor. Na segunda aula, a tela da aula foi projetada na parede em frente aos alunos, e a tela do Twitter na parede lateral. No dia 24/03/2012 houve a gravação do experimento com uma câmera da faculdade com o objetivo registrar a reação e a atenção dos alunos durante a aula. Neste dia houve uma breve introdução ao Twitter sobre a essência e o
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http://hootsuite.com/

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funcionamento desta rede social. O conteúdo da aula neste dia foi a discussão sobre “O que é arte?”. Na aula do dia 04/04/2012, o texto base foi “A Educação pela Arte” (READ, 2011) com discussão mais específica sobre o conceito de imagens eidéticas. Foram formados grupos que deveriam utilizar a internet para procurar definições de imagem eidética. Depois de discutidos e selecionados os conceitos mais pertinente ao grupo, os alunos adequavam a definição em 140 caracteres para poder enviar a mensagem do grupo.

Resultados
Uma primeira constatação é que estudantes de graduação possuem laptops, netbooks, smartphones ou tablets e, em geral, os levam e usam durante as aulas da faculdade. A possibilidade de utilização destes aparelhos para interagirem durante a aula com um fim didático foi bem vista por eles. Houve um número significativo de tweets enviados, conforme quadro abaixo.
Tabela 1: Dados relacionados aos tweets com a hashtag #arteeducação 24/03/2012 33 12 3 4 9 31 04/04/2012 19 8 2,4 0 3 22

Tweets Perfis Média tweets por perfil RT (retuites) @ (menções) Alunos presentes

Nota-se uma maior participação no primeiro dia, em parte decorrente da novidade e da maior presença de alunos. Na segunda aula houve um trabalho de grupo em que os tweets deveriam ser discutidos no grupo antes de serem postados, o que gerou um menor número de manifestações, porém mais qualificadas. Analisando os tipos de interação, na primeira aula houve mais retuites (RT), ou

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seja, mais pessoas compartilharam um tweet que acharam interessante com seus seguidores. Isso ocorreu menos na segunda aula, pois os grupos ficaram mais focados em comentar em sala sobre um tweet de outro grupo. Além disso, houve mais citações e respostas no primeiro dia. Em parte, este número se deve a indicação de que as pessoas podiam citar a conta do professor no Twitter (@loteles) nas mensagens, seja para direcionar o tweet a ele, ou para dizer que estava na aula dele. Grande parte dos retuites e menções foram realizados por pessoas que já tinham experiência nesta rede, e que possuem o hábito de tuitar frequentemente. Ou seja, quanto mais habituado ao Twitter, maiores as chances do usuário utilizar todas suas funcionalidades. O perfil geral dos que mandaram mensagens no Twitter com a hashtag #arteeducação está apresentado no quadro abaixo.
Tabela 2: Perfil dos que tweetaram Médias Seguidores Seguindo Tweets 24/03/2012 111,8 145,6 1410 04/04/2012 105,4 136,4 1108

Dentro destas médias, foram identificados dois perfis gerais: aqueles com maior e menor número de tweets. Para estabelecer um parâmetro, foi escolhido o numero de 1.000 tweets para separar este 2 grupos, pois notou-se uma distinção a partir deste corte. Aqueles que possuem mais de 1.000 tweets, em geral, possuem mais de 100 seguidores e foram os que participaram mais ativamente durante as aulas. Os que possuem menos de 1.000 tweets possuem menos de 100 seguidores e escreveram um número menor mensagens durante as aulas. A partir do parâmetro selecionado há a seguinte divisão:

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Tabela 3: Perfil de acordo com o número de tweets Perfil Mais de 1.000 tweets Menos de 1.000 tweets 24/03/2012 4 8 04/04/2012 2 6

A partir do conteúdo dos tweets, foram gerados nuvens de palavras a partir do site Many Eyes3 para identificar as palavras que mais apareceram nas mensagens. Ou seja, as palavras maiores são as mais frequentes. Como a hashtag #arteeducação estava em todas as mensagens, foram feitas nuvens de palavras sem o termo para refinamento da análise. Da primeira aula (24/03/2012) temos a seguinte nuvem.
Figura 1 - Nuvem de palavras dos tweets de 24/03/2012 sem o termo “arteeducação”

A partir desta nuvem nota-se que o tema “arte” foi o que mais apareceu. Isso decorre da pergunta do professor aos alunos do que era arte para eles, o que motivou a maior parte dos tweets da aula. A conta do professor (@loteles) foi bastante mencionada e alguns termos relacionados à definição de arte que estavam em mais de uma mensagem como “sentimentos” e “expressão” também apareceram nesta nuvem. Já na aula do dia 04/04/2012, as nuvens de palavras foi:
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http://www-958.ibm.com/software/data/cognos/manyeyes

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Figura 2 - Nuvem de palavras dos tweets de 04/04/2012 sem o termo “arteeducação”

Nesta aula a discussão principal foi em torno da concepção de imagens eidéticas. Além de termo “imagens”, as definições de cada grupo determinou as demais aparições: cérebro, imaginação, alucinação. De uma forma geral, nota-se uma dispersão dos termos. Isso decorreu da indicação do professor de que eles deveriam consultar a internet para buscar as definições para este conceito. Vale destacar que algumas mensagens utilizaram a sigla “IE” para “imagens eidéticas”, esta forma de encurtar as palavras é usual nesta rede social de mensagens curtas. As gravações em vídeo apontam para uma considerável atenção dos alunos na tela de projeção do Twitter, além da novidade do uso do recurso, em parte, a atenção pode decorrer no interesse nas mensagens dos seus pares. Na primeira aula as participações presenciais foram em menor quantidade do que as do Twitter: 6 alunos se manifestaram em aula, enquanto houve 12 perfis tuitaram. Deve se ponderar que as falas presenciais foram mais longas, até com um debate entre 2 alunos. Nesta interação presencial, notou-se uma riqueza no debate que as manifestações no Twitter não apontaram. Contudo é importante destacar o fato de que mais alunos se manifestaram de forma online do que presencial, o que pode representar um ganho na diversidade de pontos de vista colocados em aula.

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Além do Twitter, foi solicitado aos alunos que respondessem um questionário divulgado no moodle (a plataforma on-line da disciplina) avaliando a experiência. Foram obtidas 14 respostas. Destaca-se aqui os principais resultados: A maioria dos alunos, 57%, disse que não houve dificuldade ao acompanhar as 2 telas (da aula e do Twitter), 29% apresentou um pouco de dificuldade e 14% apresentou dificuldade em acompanhar as 2 telas. 64% dos alunos avaliaram como positiva a experiência, 29% disse ser neutra em relação a experiência e não houve avaliações negativas. Alguns comentários dos estudantes indicam uma avaliação positiva do uso do Twitter na sala de aula são listados abaixo: • Acredito ser interesse a utilização da tecnologia na sala de aula, a aula fica mais dinâmica e com isso desperta maior interesse dos alunos. • Pessoas que podem ter dificuldade de falar em público podem se utilizar do recurso para expor suas ideias a respeito do conteudo em sala de aula. • É uma maneira interessante, diferente e divertida de interagir na aula; • Foi possível construir novos conhecimentos; Houve também comentários apontando aspectos negativos na utilização do Twitter na sala de aula: • Eu não sabia se digitava ou prestava atenção na explicação, optei por prestar atenção, mas a ideia foi interessante. • Algumas pessoas que não tem o Twitter ou mesmo um pc para acessar fica meio à margem. • Prefiro prestar atenção em apenas um lugar. Gosto de ter apenas um foco. Outro dado interessante é de que durante a aula, além do Twitter 3 responderam que acessaram o Facebook e um acessou o Gmail. O que denota que uma vez liberado o uso de um dispositivo com conexão a internet para fins

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didáticos, os alunos não necessariamente ficarão restritos ao uso indicado na aula. O fato da maioria que acessou outros sites terem ido para outro site de rede social (Facebook) denota a necessidade deste público de estarem conectados em rede.

TWITTER PARA ALÉM DA SALA DE AULA
Para além dos tweets com a hashtag #arteeeducacao foi feito um estudo das demais mensagens dos perfis dos usuários que participaram da aula. Ou seja, observou-se o que os alunos tuitaram durante a aula além das mensagens com #arteeducação. A intenção foi identificar o uso do Twitter pelos alunos, para além da utilização desta rede como instrumento didático. Para esta analise foram criadas as seguintes categorias: Vida = tweets de assuntos diversos não referentes à aula (comentário sobre filme, interação com outras pessoas que não estão na sala...) Ex: ontem, Jogos Vorazes... muito bom :) Aula = tweets que se referiam ao conteúdo aula ou algum comentário sobre ela Ex: A arte nao é só expressão de quem faz, mas provocação pra quem vivencia. O sentido da arte depende também do apreciador.#arteeducação Verificou-se também que havia um comportamento distinto dos perfis com mais e com menos de 1.000 tweets. A partir desta divisão há o seguinte resultado:
Tabela 4: Análise dos tweets durante as aulas dos perfis com mais e menos de 1.000 tweets Tweets Perfil com mais de 1000 tweets Perfil com menos de 1000 tweets 24/03/2012 Vida Aula 21 3 23 28 04/04/2012 Vida Aula 10 0 9 15

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Nota-se que os alunos com mais experiência no Twitter não ficaram tão restritos a aula quanto os alunos com menos prática nesta rede. Na primeira aula quase metade das mensagens daqueles com perfil com mais de 1.000 tweets não tinha relação com a aula. Estes tuitaram principalmente com outras pessoas que não estavam em sala, discutindo ou comentando algo. Pode se pensar que se trata de uma taxa alta de desatenção, mas também deve ser levado em consideração os hábitos culturais destes alunos. Será que estudantes de graduação de uma universidade pública não utilizam frequentemente seus smarthphones para se comunicar durante a aula? Será que eles já tuitavam antes, e ao menos desta vez parte dos tweets deles eram relacionados à aula em que ele estavam assistindo? No dia 04/04/2012 como a dinâmica era de responderem perguntas em grupo, houve uma maior concentração de mensagens da aula, principalmente do grupo com menos tweets que não postou nada além do conteúdo da aula. Neste dia só houve um caso de um aluno que tuitou sobre a vida do perfil de mais de 1.000 tweets. O que demonstra que a classe com um todo quando bem orientada pode focar suas atividades na aula.

Considerações finais
Estas duas aulas com a projeção do Twitter forneceram importantes de reflexões sobre a cultura digital na sala de aula. Nota-se que alunos com mais prática de uso desta rede social puderam aproveitar melhor esta oportunidade, seja tuitando por outra pessoa que não tinha um ponto de acesso, ou utilizando as diferentes funcionalidades de interação desta rede. Ao mesmo tempo, estes alunos não utilizaram o Twitter apenas para interagir na aula, mas continuaram suas interações sociais durante a aula. Este é um ponto importante de discussão, se a escola ou universidade deve proibir o uso de qualquer tipo de dispositivo eletrônico em sala, cessando qualquer possibilidade de comunicação durante a aula. Cada vez mais pessoas adquirem aparelhos que conectam a internet, e cada vez mais estes

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dispositivos entram na sala de aula. Isso pode ser visto pelos professores como uma oportunidade de uso pedagógico desta ferramenta. A utilização da internet durante as aulas, se bem orientada, pode trazer inúmeros benefícios. O ponto chave é saber como fazer isso. A projeção do Twitter em sala de aula demonstrou que a utilização de uma rede social conhecida pelos alunos é uma iniciativa interessante, por dialogar com algo inserido na cultura deles. Nota-se que o direcionamento de atividades, como solicitar que eles se reúnam em grupo para buscarem informações na internet e compartilhar no Twitter, foi uma experiência com melhores resultados do que apenas deixá-los livres para se expressarem quando quiserem por Twitter. Assim a simples inserção de uma nova tecnologia em sala de aula deve ser pensada de acordo como o objetivo pedagógico do professor. Se bem coordenada pode trazer uma boa dinâmica para aula.
A natureza das tecnologias de rede tende a democratizar a participação e permitir mais interação entre os alunos e entre estes e os facilitadores/professores. A aprendizagem em rede exige que se desenvolvam estruturas culturais e organizacionais para apoiar a colaboração e que os participantes, em especial os professores, sejam ensinados a planejar e implementar estratégias de aprendizagem em rede. (HARASIM, 2005)

Neste sentido, o professor deve estar atento nesta dinâmica para valorizar e aproveitar as manifestações no Twitter. Isso exige mais atenção deste porque ele deve estar com a atenção não só nos alunos quanto na tela de projeção das mensagens. Uma pessoa para auxiliar neste trabalho de avisá-lo das mensagens pode ser estratégico caso ocorram muitas mensagens. Algumas mensagens são respostas às outras e a localização destas exige um acompanhamento constante de todas elas. O professor também pode enfrentar a dificuldade de reconhecer quem é o aluno que está falando no Twitter, visto que as identificações no Twitter não são pelo nome completo, mas pelo nome do usuário criado pela pessoa. Para isto, ao

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ler uma mensagem o professor pode solicitar que o dono do perfil se identifique. Além disso, foi exigido do professor uma atenção para verificar se o conteúdo de uma mensagem poderia ser melhor explorado, seja pedindo para que o autor dela complementasse, seja solicitando que alguém comentasse a mensagem. Houve uma nova forma de participação do estudante através da interatividade do Twitter em um processo não verbal de comunicação em tempo real com o professor e colegas. Em geral os alunos se mostraram a vontade com forma de comunicação escrita. Tanto a palestra do professor como os constantes tweets fizeram com que eles prestassem atenção no tópico. O processo exigiu um pensamento rápido e a habilidade de se expressar de maneira concisa, postando mensagens com informação, questões, comentários, condensadas em 140 caracteres. Por fim, os principais benefícios identificados desta metodologia foram: • • possibilidade de um feedback imediato para o professor durante a aula; maiores chances de participação de alunos com vergonha de se expressarem oralmente; • • • expansão das possibilidades de interação; exercício dos alunos de uma escrita de objetiva (140 caracteres); valorização de uma prática social dos alunos para fins didáticos.

Dado os bons resultados e a avaliação positiva que os estudantes, considerase que a projeção do Twitter na sala de aula pode ser utilizada quando as circunstâncias permitirem, e se bem articulado proporciona mais interesse e interatividade dos estudantes nas aulas.

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Referências Bibliográficas
BARCELLOS, Ana Carolina Kastein; PEREIRA, Fernando da Silva Twitter na sala de aula: Considerações sobre a ação pedagógica e o professor reflexivo. In Apresentação Oral na 17º Congresso Internacional de Educação a Distancia, Araras, SP, 2011 Disponível em <http://www.abed.org.br/congresso2011/cd/215.pdf> Acesso em abril/2012 HARASIM, Linda et al.. Redes de Aprendizagem: Um Guia para ensino e aprendizagem online. São Paulo: Editora SENAC, 2005. 416 p. IBOPE Nielsen Online . Total de pessoas com acesso à internet atinge 77,8 milhões. 09/09/2011. Disponível em <http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj= PortalIBOPE&pub=T&db=caldb&comp=IBOPE+Nielsen+Online&docid=C2A2CAE41B62 E75E83257907000EC04F>. Acesso em abril/2012. OLIVEIRA, Robson Santos de; ARAÚJO, Júlio C. O Twitter como ferramenta de discussão acadêmica: possibilidades e limitações In: Anais do IV Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais, Sorocaba, SP, 2011 Disponível em <http://www.uniso.br/ead/hipertexto/anais/88_RobsonSantos.pdf> Acesso em abril/2012 READ, Herbert A Educação pela arte. São Paulo: Editora Martins, 2001. 426 p. SANTAELLA, Lucia; LEMOS, Renata. Redes sociais digitais: a cognição conectiva do Twitter. São Paulo: Editora Paulus, 2010. 137 p. THOMAS, Douglas; BROWN, John Seely A new culture of learning: cultivating the imagination for a world of constant change. Lexington: Thomas and Brown, 2001. 140 p. VASCONCELOS, Zorália Brito das Chagas. Uso do microblog Twitter como recurso didático na visão docente. Dissertação (Mestrado Integrado Profissional em Computação Aplicada) - Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza. 2010.

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Estevon Nagumo (Mestrando) Universidade de Brasília (Unb) / Faculdade de Educação estnagumo@gmail.com / Twitter: @enagumo Prof. Dr. Lucio Teles Universidade de Brasília (Unb) / Faculdade de Educação lucioteles@unb.br / Twitter: @loteles

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