Revista Bipolar 35

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editorial

SÍNTESE DO ESTATUTO EDITORIAL
Editoriais temáticos; Publicação de documentos técnicos e científicos sobre as doenças mentais em geral, e em especial sobre a doença Unipolar e Bipolar; Informação pedagógica de modo a contribuir para a Reabilitação, Educação e Prevenção daqueles que sofrem da doença Unipolar e Bipolar; Entrevistas, artigos de opinião e documentários; Divulgação e testemunhos de pacientes e familiares; Relatório das actividades sociais desenvolvidas pela ADEB; Consultório jurídico abrangendo todos os ramos do Direito; Espaço para divulgação das potencialidades dos associados no campo cultural, recreativo e social;

Editorial
Há sonhos que se tornam realidade, há verdades que viram ilusão frustrando o olhar da razão das pessoas pelas causas solidárias e espírito de missão!
É de realçar a atitude e decisão politica do Ministério da Saúde, (M.S), ao legislar e publicar o Decreto-Lei nº 186/2006, de 12-09-2006, o qual veio estabelecer, pela primeira vez, no seu (Artigo 1.º), candidaturas com princípios e normas ao “regime de atribuição de apoio financeiros do Estado, através dos serviços e organismos do M.S., a pessoas colectivas sem fins lucrativos”. Este quadro jurídico regulado pela Portaria n.º 1418/2007, de 30 de Setembro, veio estabelecer regras e igualdades de oportunidades na apresentação de projectos ao Alto Comissariado da Saúde, (ACS), cujos critérios de avaliação e selecção não têm sido os mais justos para as associações com história na prossecução de trabalho comunitário na área da saúde mental, com provas dadas e resultados apresentados no campo associativo e no campo da Reabilitação Psicossocial de utentes e familiares, os quais reconhecem nas suas associações o único reduto onde complementarmente ao diagnóstico e terapêutica medicamentosa podem obter mais conhecimento, educação, prevenção e consciencialização sobre a doença, habilitação para a vida, mais ganhos de saúde e qualidade de vida. Tendo sido membro do Conselho Nacional durante seis anos (2000/2006), e um dos fundadores e dirigente das Federações (FENERDM) e FNAFSAM), sempre pugnei e defendi princípios democráticos, justiça social, o direito à cidadania das pessoas com desvantagens e equidade na divisão do “BOLO”, ou seja o parco orçamento proveniente dos Jogos promovidos e geridos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Nesta sequência, ao ACS cumpre definir contemplar e princípios e critérios de avaliação das candidaturas, mais efectivos e valorativos, (embora inovadores) tendo em consideração que as instituições sem fins lucrativos, vêm demonstrando sustentação técnica e científica na implementação dos seus objectivos e desenvolvimento das respectivas valências, com dados e resultados em ganhos de saúde para os seus associados

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Assim, como a ADEB, e a maioria das instituições, sem fins lucrativos, com fins de saúde foram constituías na década de noventa, umas ficaram pelo caminho, outras de porta aberta, outras em porta giratória, a maioria delas resistiram, cresceram têm feito um bom trabalho, sem incentivos ou apoios financeiros, sendo os dirigentes associativos os pilares, em prol da causa e espírito de missão e solidariedade com seus e a comunidade, por isso esperam do Governo, mais consideração,

“A fábula da manta curta…!”
consignando verbas no Orçamento de Estado, para que a saúde mental, de modo a que as reformas em curso previstas no PNSM, 2007/20016, traga mais e melhor saúde mental em Portugal. Constata-se, uma verdade nua e crua, as verbas disponibilizadas para as instituições com fins de saúde e sociais, ainda, são uma “MANTA CURTA”.
Delfim Augusto Oliveira Presidente da Direcção Nacional da ADEB delfim@adeb.pt

Índice
Comemoração 10 anos da Saúde Mental Como vai a Saúde? Um bocadinho mal obrigada! Novas políticas de Saúde e velhas políticas Novos horizontes da Saúde Mental Em portugal que saúde mental? Pensamentos... Políticas e práticas para a Saúde Mental na Europa Plano Nacional de Saúde Mental 2007 - 2016 Ser... Bipolar - testemunho LÍTIO, my old friend - testemunho O filme “A porta amarela” e a Doença Bipolar Poesia Familiares dedicam 10 horas semanais a cuidar dos seus doentes Breves Livros

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Comemoração 10 anos da Saúde Mental
Reportagem “nua e crua” e opinião
A Lei da Saúde Mental, Decreto Lei nº 36/98, de 24 de Julho, veio revogar a Lei nº 2118, de 3 de Abril de 1963. Para assinalar esta efeméride o Alto Comissário da Saúde e a Comissão Nacional de Saúde Mental, promoveram um ciclo de conferências a fim de assinalar e comemorar os 10 anos da sua promulgação, tendo o primeiro evento sido realizado no passado dia 27 de Janeiro de 2009, nas instalações da INFARMED. A Sessão de abertura esteve a cargo da Exma. Professora Maria do Céu Machado, Alta Comissária da Saúde e Professor Caldas de Almeida, Coordenador Nacional de Saúde Mental. Como representante da OMS Europa, esteve presente o Assessor Regional de Saúde Mental, o Dr. Matthias Muijen, o qual fez uma apresentação subordinada aos temas – “Legislação e Políticas de Saúde Mental na Europa e Contribuições da Lei da Saúde Mental Portuguesa para a Organização dos Serviços de Saúde Mental”, sendo a sua apresentação, em resumo, com base no estudo e dados constantes e reveladas no Site http:/www.euro.who.int/document/E9172.pdf, em Inglês e em versão traduzida, em síntese, para Português, publicada no Site da ADEB: www.adeb.pt, com a denominação “Políticas e Práticas para a Saúde Mental na Europa -conhecer desafios…” Tendo em conta o que de relevante e importante foi veiculado pelas entidades representantes do Ministério da Saúde sobre o Plano Nacional de Saúde Mental 2007/2016, no que concerne à participação dos utentes e familiares nas políticas de saúde mental, constatei e registei “in loco” que as associações, sem fins lucrativos, com fins de saúde e sociais, embora convidadas a fazerem parte destes ciclos de eventos, as suas vozes nos últimos dois anos têm sido informalmente auscultadas. Embora o Exmo. Senhor Presidente da Comissão de Saúde Mental, em teoria política evoque a necessidade da participação dos utentes e familiares nas reformas em curso, na prática constata-se existir ainda, no Século XXI uma visão minimalista, “Nós iluminados pelos deuses”; e “donos da sabedoria” às pessoas com capacidades e autonomia. Contudo, às pessoas com desvantagens físicas e psicológicas ou psiquiátricas, só lhes é concedida visibilidade e participação para fazer de “coro ou bater palmas”. Tendo em consideração o valor de todas as acções na divulgação e implementação do PNSM-2007/2016, sendo um dos fundadores e actual Presidente da Direcção da ADEB, torna-se necessário que o Conselho Nacional de Saúde Mental, como órgão representativo e consultivo da tutela, seja constituído e eleito ou cooptados os seus membros, em conformidade com o estabelecido no D.L. n.º 35/99, de 5 de Fevereiro.

“Nós iluminados pelos deuses”; e “donos da sabedoria” às pessoas com [...] desvantagens físicas e psicológicas ou psiquiátricas, só lhes é concedida visibilidade e participação para fazer de “coro ou bater palmas”

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Nesta sequência, devem ser reactivadas as Comissões ou Grupos de Trabalho Associativo, com a participação de utentes, familiares e técnicos, das instituições mais representativas e com mais valias demonstradas na promoção da saúde mental, reabilitação psicossocial, educação para a saúde e habilitação e inserção na vida activa dos seus associados. Assim, sendo importantes estes ciclos de eventos programados e realizados pela C.N.S.M., também os representantes das associações devem ser tidos e ouvidos no seu admirável mundo de trabalho comunitário, tendo em vista constarem e identificarem as virtualidades e dificuldades e o nobre sentimento de quem faz trabalho e apresenta resultados em ganhos de saúde para os seus filiados, sem terem o encanto e engenho de viver e gastar à conta do O.E. Assim, representantes das associações de utentes e famílias presentes neste evento constataram, pelas declarações veiculadas pelo Coordenador da Nacional para a Saúde Mental, que ao fim de uma década a Lei da Saúde Mental não foi posta em prática conforme revela o Jornal Tempo e Medicina, de 2/2/2009, e ainda a título de balanço admitiu que: “o problema foi a distância entre a lei e o que não se fez” ou seja “continuamos a não ter centro de responsabilidades”. Contudo, era a forma de organização pensada na legislação de 1999, para os serviços de Psiquiatria dos hospitais gerais que também continuam “sem ter orçamento próprio” e à espera da autonomia financeira e organizacional. Cumpre salientar que nem tudo está mal, segundo o CNSM, também houve avanços “notáveis” como a “definição de mecanismos reguladores do internamento involuntário” e a desactivação progressiva dos hospitais psiquiátricos, bem como a publicação do Despacho Conjunto nº 407/98, entre o Ministério da Saúde e o MTSS, o qual veio criar e regular a identificação de respostas às necessidades de grupos alvo considerados que podem revestir as seguintes formas de intervenção:

a) Apoio Social; b) Cuidados de Saúde Continuados; c) Respostas Integradas desenvolvidas no âmbito de

apoio social; Serviço de Apoio Domiciliário, (...) Unidade de Vida Apoiada, (...) Unidade de Vida Protegida, (...) Fórum Sócio-Ocupacional, entre outras constantes do Despacho Normativo 407/98 (...) Há que reconhecer que nos últimos dez anos os serviços de saúde mental, tiveram melhorias assinaláveis; contudo ao ser salientado como um grande feito a aplicação restrita da Lei, no que toca aos “internamentos compulsivos”, embora necessário em situações limite dos portadores de anomalia psíquica, as metodologias e procedimentos usados no que concerne à condução do internando pelas forças policiais, causa sofrimento e traumas às famílias e ao utente, e revolta pela exposição pública, assim como o estigma e exclusão social por parte da comunidade onde estão inseridos e residem. Este dilema é comumente vivido e sentido, por isso as tutelas têm o dever de iniciativas políticas de modo a cumprir e fazer cumprir a legislação ou reformar e inovar, o que não se coaduna com a realidade e os novos tempos, no campo da saúde e saúde mental, tendo sempre presente que as leis só vingam se os parceiros estiverem envolvidos e considerados como pilares da sua aplicação e concretização de novas políticas, novas estratégias e novos horizontes, em prol de mais e melhor saúde, das pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas e psicológicas, que face à crise mundial cada vez mais necessitam de apoio na comunidade.

Coordenação Nacional para a

Saúde Mental

“Há que reconhecer que nos últimos dez anos os serviços de saúde mental, tiveram melhorias assinaláveis...”

Delfim Augusto Oliveira
Director da revista Bipolar

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Como vai a Saúde?

Um bocadinho mal, obrigada!
Li algumas notícias sobre a saúde e dei comiQuando, segundo estudo elaborado pela go a reflectir sobre a respectiva definição. Federação Mundial para a Saúde Mental, no ano transacto, cada doente gasta só em tratamenDe acordo com o Dicionário de Língua tos, em média, 263,24 Euros por mês. Portuguesa, saúde significa "do que é são; Quem ouve falar em 5 milhões de euros para ausência de doença; (…)". a área da saúde mental pensa: - Fantástico! Por reflexão simplista e lógica, quando as Porque, creio eu, a maioria dos portugueses mentes oficialmente superiores delineiam o não sabe bem para que dão 5 milhões de euros, Programa Nacional de Saúde seria, supostaespecialmente na saúde. mente, no sentido de proporcionar aos utentes, Além de mais, no mesmo pacote propõe-se sobretudo aos necessitados (que na actual encerrar os últimos redutos da saúde mental do vigência crescem, em número, a olhos vistos) a país - os grandes hospitais psiquiátricos que, saúde ou o aproximar dela, o mais possível. embora com muitos pontos negros, já valeram a Mas será mesmo isso que se verifica? As taxas muitos dos que agora prestam contribuição válimoderadoras aumentam, as comparticipações da à sociedade. nos medicamentos diminuem, os descontos As doenças mentais são, frequentemente, obrigatórios aumentam, a saída de médicos de encaradas como um "incómodo" para a família dos Centro de Saúde, levam a que milhasociedade em geral, para a qual, valores maiores res de utentes fiquem sujeitos às listas de vagas se levantam, especialmente, agora. (que por vezes nem existem), fecham-se Os problemas psiHospitais que bem cológicos são tantas vezes Perdoem a minha ignorância! É suposto ou mal serviam poconsiderados discutíveis ou pulações em áreas os cuidados públicos de saúde serem mesmo caprichos do de dezenas de rentáveis? Eu acreditava que eles paciente, inclusive, por quilóme-tros, com a garantiam uma alínea dos direitos médicos, o que, na minha justificação de que humilde opinião, constitui humanos, vejam lá a minha ingenuidade! erro grave. não são "rentáveis", Num momento em que tanto se fala da crise como se se tratasse de empresas privadas. e das suas consequências e em que até os espePerdoem a minha ignorância! É suposto os cialistas salientam as psicológicas, não estarecuidados públicos de saúde serem rentáveis? Eu mos a descurar algo importante para toda uma acreditava que eles garantiam uma alínea dos sociedade futura? direitos humanos, vejam lá a minha Se não se tomarem as devidas medidas, que ingenuidade! possibilidades terá esta geração que, já avançaMas até aqui, falei em saúde em geral. da na idade, perde a esperança em melhores Se tentarmos falar seriamente de como vai a dias ou as novas gerações, que vão certamente saúde mental, provavelmente ficaremos "loucos". encontrar dificuldades para as quais não foram Começam a formatar-se algumas medidas formatadas? que à vista desarmada até se afiguram positivas, Todo este panorama, assim analisado, parece sobretudo para quem conhece pouco do assunmuito negro, mas a verdade é que num sistema to, o que me preocupa é como essas medidas democrático, todos nós temos acesso a mecavão ser agilizadas, na prática. nismos para expor a nossa opinião, é a conVejamos: 3% do Orçamento de Saúde/2009 tribuição de muitos que faz a diferença. foi atribuído à área da Saúde Mental. O laxismo dos portugueses perante as Quando se estima que, em Portugal, haja decisões superiores, neste país, tem colocado a cerca de 300 mil pessoas a sofrer de duas das nossa realidade num patamar perigoso. doenças mentais mais comuns (esquizofrenia e Está, penso eu, na altura de, com racionalidistúrbio bipolar), já sem contar com os dade, devidamente informados e pelos veículos números da depressão, sobre os quais nem adequados, intervirmos na nossa sociedade, de sequer existem estatísticas actuais fiáveis. forma construtiva. O respeito pelas instituições implica o reverso, Quando o próprio Coordenador do Plano que é o respeito pelos cidadãos que as mantêm. Nacional de Saúde Mental prevê que 2 milhões Até breve, amigos e tentemos acordar a de portugueses venham este ano a sofrer de percidadania em nós, pela saúde de Portugal! turbações psiquiátricas, devido à famigerada crise económica.

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Sócia n.º 190

Ana Dinis

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Novas políticas de Saúde e velhas políticas
Muita tinta tem corrido sobre as políticas de saúde mental. Tema muito falado, objecto de resoluções governamentais e de iniciativas legislativas. A União Europeia nos seus areópagos emana princípios, regras e normas para uma nova "saúde mental".
Uma coisa é certa, ninguém pode hoje subestimar a importância da saúde mental para a vida das sociedades. Mais, será completamente errado separar a saúde mental da saúde em geral. Não somos nós a espécie HOMO Sapiens, cuja particularidade parece ser precisamente a predisposição para a doença "mental", para a "perturbação mental"? Seja a doença de base genética, incidindo sobre a estrutura e função do Sistema Nervoso Central, o portentoso cérebro do sábio Homem, sejam as perturbações consequência dos mil e um factores sociais e psicológicos que afectam a psique do ser humano e alteram a sua capacidade de adaptação e autonomia. Na Classificação Internacional das Doenças, 10ª edição, enumeram-se, na rubrica das perturbações mentais e do comportamento nada menos do que 99 grupos distintos de afecções. Essas rubricas subdividem-se, por sua vez, o que leva a um número de transtornos mentais assaz numeroso. É o preço que o Homo Sapiens, a espécie que está no cume da evolução das espécies, neste ano em que se comemora o bicentenário do nascimento de Darwin, paga pela complexidade da sua natureza biopsicossocial. É de espantar que sendo as doenças psiquiátricas as que mais espelham a fragilidade da natureza humana no que tem de mais específica, sejam os transtornos mentais objecto de vergonhas, estigmas e de fracos investimentos em recursos nos serviços de saúde dedicados ao seu tratamento. A consciência destes factos é hoje voz corrente, mas não se materializou na maior parte dos países em medidas consistentes que modifiquem de facto a realidade do atraso dos serviços de psiquiatria e saúde mental e os recursos que tanta falta fazem. Neste momento temos de salientar um ponto de importância máxima. É errado reduzir a questão da Saúde Mental aos problemas da assistência psiquiátrica e da psiquiatria enquanto especialidade médica. Mas é erro grosseiro também minimizar o papel da medicina da mente na luta contra as doenças psiquiátricas, tanto no diagnóstico, como no tratamento e na reabilitação. Separar as políticas de saúde mental da psiquiatria eis um erro grave para o qual tendem por vezes alguns técnicos de saúde e políticos menos avisados. A saúde mental depende de muitos factores: da saúde materno-infantil, da saúde geral da população em todas as idades, dos hábitos e costumes (por exemplo o uso de substâncias que agem no cérebro, incluindo o abuso do álcool), da qualidade de vida, das relações humanas, enfim de inúmeros parâmetros que não estão directamente relacionados com a psiquiatria. O que não quer dizer que os especialistas de psiquiatria não tenham uma palavra a dizer sobre o que pode ser vantajoso para a saúde mental em geral e numa situação concreta.

“É errado reduzir a questão da Saúde Mental aos problemas da assistência psiquiátrica e da psiquiatria enquanto especialidade médica.”

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A que se deve o atraso dos Serviços de psiquiatria e saúde mental? O problema não é nacional, acontece um pouco por todo o lado, salvo algumas honrosas excepções. Os países que investem em políticas de saúde mental a sério não têm orçamentos tacanhos. Gastam em "saúde mental" uma percentagem do orçamento para a saúde que ronda os 10%. Um das grandes ilusões que parece existir por cá é a crença de que é possível uma nova política de saúde mental feita de alguns remendos e das chamadas reestruturações. Na intervenção feita recentemente, por ocasião do 10º aniversário da aprovação da Lei de Saúde Mental, pelo técnico da OMS para a Europa, Mattys Muijen, foi feito um diagnóstico da nossa situação com base em dados comparativos entre os países europeus dos diferentes tipos de serviços de psiquiatria e saúde mental. Pareceu-nos uma avaliação muito mais competente do que a que foi realizada pela nossa Comissão da Reorganização dos Serviços de Saúde Mental. Ao diagnóstico desta última faltou poder comparativo, essencial para avaliar a nossa realidade. Os dados do Dr. Mattys Muijen (pesquisa na Internet: www.who. int) põem em evidência que estamos na cauda da Europa em quase todos os itens: número de psiquiatras e outros técnicos de saúde mental, psiquiatria hospitalar (camas de psiquiatria para todos os tipos de doença e situação), serviços forenses, psiquiatria comunitária e tudo o resto. Qual foi o erro da Comissão de Saúde Mental que elaborou o Plano da reestruturação, aprovado pelo governo como resolução do Conselho de Ministros? O erro principal foi acreditar que poderia fazer a "reforma" dos serviços de psiquiatria como uma simples "reestruturação". Assim, não é de estranhar que uma política que se pretendia de largo alcance peque desde logo por uma insuficiência clamorosa: onde está a fonte de financiamento para a implementação da nova política de saúde mental? No Orçamento Geral do Estado nada consta. Falou-se numa verba concedida caritativamente pelo "euromihões", mas nada se viu ainda. E seria muito estranho que uma reforma na qual o governo se empenhou a valer ficasse dependente do auxílio ocasional e momentâneo do jogo… Outra grave lacuna, ligada à anterior, está na completa omissão sobre os recursos humanos devotados para a implementação da almejada "reestruturação". Porque, naturalmente, envolve verbas. Onde estão? A doutrina sem substância palpável, eis o que, entrando no jogo, poderemos chamar uma espécie de bluff.

O erro foi esconder o que era importante. Gastamos em "saúde mental" cerca de três por cento do orçamento da saúde. Precisamos de investir para arrancar para novos serviços. Para que o pivot da Saúde Mental passem a ser os Serviços baseados na Comunidade tem de se investir muito mais, em meios e recursos humanos. A saúde mental de "pé descalço" não dá… Não foi por acaso que Mattys Muijen, pessoa que conhece bem a realidade europeia, advertiu que a psiquiatria na comunidade envolve despesas substancialmente maiores. Queremos a verdade ou vamos para uma mitomania comunitária? Uma fantasia colectiva da saúde mental a marcar passo e a fingir que faz grandes avanços… Já que a política de saúde mental na comunidade não tem ainda meios para ser levada à prática, na dimensão razoável que se exige, para não ser um faz de conta, então, para compensação, aplica-se uma política radicalmente contra os hospitais psiquiátricos públicos. É moderno, é fixe… Dá para poupar também, a médio prazo. Podemos não ter serviços na comunidade, mas temos "a" comunidade sem serviços… Então, precisamos de facto de Serviços Comunitários, articulados com Serviços hospitalares (que podem ser em hospitais psiquiátricos) e com os Cuidados primários. Precisamos de ter serviços ocupacionais para colocar as pessoas que sejam reabilitadas. Precisamos de Serviços residenciais. Precisamos de tudo o que temos, não devemos fechar serviços. Tivemos sempre carências em todos os níveis. Precisamos de um movimento associativo de familiares e utentes na saúde mental com apoios consistentes e continuados, e não as migalhas da praxe.

“... onde está a fonte de financiamento para a implementação da nova política de saúde mental?.”

Lisboa, 21 de Fevereiro de 2009 Médico Psiquiatra Presidente do Conselho Científico e Pedagógico da ADEB

Dr. José Manuel Jara

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Novos horizontes da Saúde Mental
A loucura sempre existiu, é inerente à espécie humana. Penso que há duas grandes manifestações inerentes ao Homem: A loucura e a arte.
Por um lado o Homem é "bestia cupidíssima rerum novarum" (Santo Agostinho) - animal avidíssimo de coisas novas; Por outro lado é um animal social. Assim o Homem é mais do que Homo Sapiens Sapiens, é Homo Habiles, Symbolizans (criador de símbolos) e Homo Communicans. A Loucura é justamente uma falha da articulação destas potencialidades. Pensar em saúde mental é pensar no Homem na sua condição de ser e de estar no mundo. De facto, sem uma reflexão antropológica e social, não é possível encarar seriamente as medidas que devem orientar sociólogos, psicólogos, psiquiatras ou quem quer que se preocupe com os novos horizontes da saúde mental. A psiquiatria como especialidade médica, se tivermos como marco Pinel (1745-1826) tem perto de duzentos anos. No século XIX Freud tenta dar ao conceito de inconsciente um status científico. No século XX, no período pós-guerra surgem os psicofármacos e com eles o esvaziamento das estruturas asilares e o primado da psiquiatria comunitária. (A psiquiatria tinha nascido dentro dos asilos pela necessidade de abrigar, proteger, cuidar, investigar, diagnosticar e tratar os indivíduos que da loucura fossem acometidos). Por outro lado, tende-se para uma evolução isolada científica ainda pouco articulada com as reais necessidades do Homem. No século XXI, em plena sociedade pós-moderna importa voltarmos a focar o Homem, a Sociedade e a Ciência de forma interdisciplinar. Assim, importa dizer que o Homem da sociedade pós-moderna não é o mesmo do século XIX. Ainda com cicatrizes do pós-guerra, o Homem viu-se inundado pela sociedade de comunicação. A informação em massa deixou pouco espaço para o Homo habiles (de Santo Agostinho). Os Homem viu-se progressivamente impedido de sonhar, os sonhos são substituídos por "imagens fantásticas" mas elaboradas fora dele. O símbolo do conhecimento já não é o livro mas o computador. Este tira espaço à capacidade criativa e assim impedem o homem de imaginar de acordo com a sua ontogenia. Todo um trabalho de reelaboração fica comprometido. Na sociedade da “...o Homem é mais comunicação, paradoxalmente o do que Homo Sapiens Homem diminuiu Sapiens, é Homo muito a sua comuniHabiles, Symbolizans cação inter-humana. (criador de símbolos) Está mais só e nem sequer está consigo e Homo Communicans.” próprio. Importa dizer que, sendo a ontogenia uma recapitulação da filogenia, estamos perante o risco de um impasse evolutivo. Por outro lado, a perda de valores de referência que se iniciou pela queda dos regimes totalitários quer de esquerda quer de direita, atingiu as crenças religiosas e mais recentemente o capitalismo. A própria democracia é pouco mais do que tolerada.

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se a encontrar factores etiológicos e conseSó mas sem referencias, na sociedade pósquentemente intervenções terapêuticas. moderna o Homem adopta de forma anárquica, Contudo, apesar do reconhecimento da o narcisismo e o espectáculo. Nesta sociedade, o importância dos avanços científicos nesta área, Homem vai perdendo a capacidade de se reinimporta não esquecer que o Homem é, cada um, ventar. Vive-se um período de estagnação artístifenómeno histórico-biográfico e como tal deve ca. Os que se adaptam remetem-se a um pensaser encarado do ponto de vista do seu sofrimenmento operativo e vivem um "espectáculo de norto psicológico. malidade". Outros, "impedidos" da diferença, Acresce que numa ciência pós-moderna os enlouquecem em silêncio. Desta maneira temos saberes científicos devem ser considerados assistido ao "trágico cenário para a implosão e faixas do espectro da luz, ao encontrarem-se, explosão da violência que marcam a actualidade" poderemos aproximarmo-nos duma realidade (Birman) e a uma "crescente volatilização da solimais "inteira". dariedade". Como se compreende, qualquer política de Na ciência moderna o conhecimento avançou saúde mental que não tenha em conta a realipela especialização. O saber científico dividiu-se dade social e comunitária será "estéril". em demasiadas parcelas cada uma chamando a Numa sociedade que se diz democrática si demasiado protagonismo. Foi este também o não basta assegurar os caso da psicofarmacolodireitos humanos. Antes é gia. O abuso do uso dos Como se compreende, qualquer psicofármacos considerapolítica de saúde mental que não fundamental um igual direito á educação e à dos como pedra fundasaúde. A montante, tornamental na saúde mental tenha em conta a realidade social se importante um movitem e terá consequências e comunitária será "estéril". mento comunitário que nas próximas gerações estude os aspectos sociais e comunitários preque importa não subestimar. cipitantes de doença mental. Com efeito, quando o Homem adoece, adoece todo. Não é tanto a doença que está em causa, - Uma assistência comunitária abrangente. mas o "desequilíbrio". As neurociências propõemNa abordagem terapêutica, um plano de saúde mental para o futuro tem de ter em conta: a prevenção da doença mental, nomeadamente pela educação e sensibilização comunitária aos factores de risco, bem como pela triagem de situações de risco. a promoção da saúde mental das populações, nomeadamente pela facilitação de acesso a uma intervenção atempada. A promoção de um adequado número de intervenientes terapêuticos de forma a assegurar uma humanização dos cuidados de saúde mental. Neste ponto cabe valorizar e apoiar as organizações comunitárias para a educação e prevenção na saúde. Uma articulação interdisciplinar sem por em causa a relação terapêutica.
Dr. António Sampaio
Médico Psiquiatra

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em portugal que saúde mental?
O Estado Português ignora e investe pouco na saúde mental dos portugueses. O ex-ministro contabilista da saúde, Correia de Campos, defendia a necessidade de reduzir drastricamente os internamentos nos hospitais psiquiátricos(!). Actualmente, ter doentes em hospitais psiquiátricos é caro, e, a Reforma da Psiquiatria e da Saúde Mental visa, em primeiro lugar, poupar dinheiro(!). Os hospitais públicos, destinados a prestar serviço nacional de saúde aos cidadãos - e contribuintes - portugueses, não devem visar dar lucro. Todos consideramos que a gestão hospitalar pública deve ser cuidadosa e rigorosa, eficiente, profissional, regida com critério. Deve cortar-se nas despesas supérfluas, racionalizarse as despesas para adquirir-se poupanças, devem moralizar-se certos abusos inaceitáveis: privilégios excessivos de algum pessoal de topo e viver-se com austeridade assente na dificílima situação que o país atravessa. Mas, em contrapartida, não vejo que se possa cortar em despesas essenciais à boa prestação de cuidados de saúde mental. A lógica de um serviço público é servir adequadamente os cidadãos e sobretudo os mais débeis economicamente, porque, no caso dos hospitais psiquiátricos têm uma outra fonte de receita indirecta, que serve precisamente para cobrir as diferenças ente as despesas e as receitas: OS NOSSOS IMPOSTOS. Os hospitais psiquiátricos, dentro do actual modelo de Serviço Nacional de Saúde, destinam-se a prestarem serviço na perspectiva social. A doença é um bom negócio - a doença mental um "negócio da china"- mas serviço público psiquiátrico não é um negócio, não pode ser, não deverá ser.

Portugal não responde aos doentes mentais
Não resisto em contar aos meus dilectos leitores da revista "Bipolar": Sou doente bipolar, e, quando estou articulado, com força, visito os meu irmãos de infortúnio nos hospitais psiquiátricos. Nas minhas duas últimas aparições, numa ao Hospital Júlio de Matos e outra ao Hospital Miguel Bombarda, fiquei desagradavelmente surpreendido. Nos dois, entrei portas como faca em manteiga no verão… ninguém da portaria me perguntou: "P’ra onde vai?"- seria lógico. Numa enfermaria mista do H.J.M., deparei-me com mulheres e homens muito carentes. Rodearam-me, tocaram-me e abraçaram-me. Dirigi-me à mesa das "actividades " e… alguns doentes forrados de medicamentos faziam uns riscos sobre papel com lápis sem bicos (!), porque…não havia apára-lápis?! Perguntei a uma auxiliar, a um enfermeiro e à enfermeira chefe - Porquê? - "Não há dinheiro para comprar apára-lápis…" (!) No Hospital Miguel Bombarda, fiquei estarrecido. Pareceume mais asilo que hospital. Escuro. Sujo. Paredes deslavadas. Não tive coragem para entrar nalguma enfermaria. Os doentes, vestidos pobremente, deambulavam, pedintes, gesticulavam, estavam entregues a si mesmo… Também estive internado uma vez no H.M.B. e nessa altura recordo que além de ter sido bem tratado pela equipa do Dr. Manuel Guerreiro, tinha o tempo ocupado com actividades. Perguntei a um doente - Vocês têm ocupação?, Actividades? "Qual ocupação! Andamos de trás para a frente, e é um pau!". A Psiquiatria não pode ser bastarda da Medicina. Os psiquiatrizados não podem ser duplamente bastardos…

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PENSAMENTOS EM PERÍODO ESTABILIZADO

"A saúde mental é tão ou mais importante, que a saúde física!"
Delfim Oliveira Presidente da Direcção Nacional da ADEB

”Não conseguirei evitar uma crise. Contudo posso com ela apreender e a crescer psicologicamente" ”Robotizei-me por via da mecanização da vida. Porém meu coração continua a ser humano"

PENSAMENTOS EM PERÍODO DEPRESSIVO
"Sou um pedaço de uma coisa, que se transformou numa coisa aos pedaços" "Dizem-me para continuar a lutar. Mas esquecem que não possuo as mesmas armas que eles"

Dois milhões de portugueses vão sofrer de perturbações psiquiátricas no corrente ano, há um psiquiatra para cada 20.000 habitantes, gasta-se menos de 4% para a saúde mental! Existem pouco mais de 20 camas por cada 100.000 habitantes! Sei de Psiquiatras - excelentes profissionais - que estão "pelos cabelos", devido à falta de condições. Querem sair. São perdas irreparáveis. À atenção da Ministra da Saúde, Ana Jorge, que deve fazer algo para que tal não aconteça. O meu Psiquiatra, Dr. Manuel Guerreiro, diz: " Um doente bipolar que tome sempre, SEMPRE, os medicamentos, pode levar uma vida normal" e: "No Serviço Público, trabalhamos num stress enorme. Queremos responder a todos o melhor possível. A todas as situações…". Acredito piamente que os psiquiatras fazem tudo o que é possível para melhorar a situação, mas é preciso investir e dotar de mais meios os hospitais, o que não aconteceu ao longo dos anos. Investir na saúde mental dos portugueses é lutar por mais saúde e qualidade de vida para diminuir o sofrimento das pessoas com diagnóstico psiquiátrico. Assim, seria a melhor forma de poupar dinheiro. MUITO!

PENSAMENTOS EM PERÍODO EUFÓRICO
"O saber implica persistência., determinação e muito querer, daí serem poucos aqueles que sabem" "Estava a passar uma vida de sonho…o pior foi quando acordou" "Não sei se a felicidade é verde, azul ou vermelha, mas que às vezes desbota, lá isso desbota" "Errar é humano. O Problema é que eu sou humano vezes demais"

António Azevedo
Sócio da ADEB

Vítor Colaça Santos

Sócio n.º 2518

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Políticas e práticas para a Saúde Mental na Europa
- conhecer os desafios
A maior parte dos países europeus reconheceram a saúde mental como uma área prioritária nos últimos anos. As doenças neuropsiquiátricas são a segunda maior causa de incapacidade na região europeia. De acordo com os dados mais recentes (2002), as doenças neuropsiquiátricas são as principais causadoras de anos vividos com incapacidade na Europa, totalizando 39.7% do total de todas as causas identificadas. Só a doença unipolar é responsável por 13.7%, sendo, desta forma, a maior causadora de estados crónicos na Europa (Global burden of disease estimates - OMS, 2004). A doença de Alzheimer e outras formas de demência são a 7ª causa de condições crónicas na Europa (3.8%). A esquizofrenia e a doença Bipolar são, cada uma, responsáveis por 2.3%. Os níveis de suicídio são elevados na Europa. A prevalência média de suicídio é de 15.1 por cada 100.000 habitantes, com os valores mais elevados nos Estados independentes da Commonwealth (22.7 por cada 100000 habitantes), seguida dos países que se juntaram à União europeia desde 2004 (15.5 por cada 100000). Em Helsinquia, em 17 de Janeiro e 2005, os ministros da saúde dos Estados Membros na área Europeia da OMS, criaram a Declaração da Saúde Mental para a a Europa: "Enfrentando os desafios, Construindo soluções", também conhecida como a Declaração de Helsinquia. Nesta declaração, os ministros responsáveis pela área da saúde comprometeram-se a, "sujeitos às estruturas constitucuionais e responsabilidades nacionais, reconhecer a necessidade de politicas comprovadas na área da saúde mental e ao desenvolvimento de formas para uma maior implementação destas politicas nos seus países". A avaliação do compromisso de implementação desta declaração e sua eficácia consta do Relatório elaborado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), acerca das Políticas e Práticas na Saúde Mental na Europa. Este estudo veio evidenciar uma visão abrangente de uma Europa muito diversificada e com diferentes formas e modelos de intervenção, que tende, cada vez mais, a uma convergência na sua forma de intervenção, prevenção e tratamento dos seus doentes mentais. Os dados relativos ao financiamento na área da Saúde mental, referentes principalmente ao período entre 2004 e 2006, referem que Portugal tinha uma percentagem de 3% para a Saúde Mental do total do Orçamento para a Saúde em geral. O Reino Unido apresentava o valor mais elevado na Europa ((13.8%) e a Bulgaria o orçamento mais reduzido (2%). Igualmente com 3% podemos contabilizar países como a Albania, Azerbeijão e a Roménia.
Orçamento ou despesa da saúde mental como proporção do total do orçamento ou despesa de saúde nos países:

Este relatório co-financiado pela Comissão Europeia mostra que os países na região europeia da OMS estão empenhados em transformar os seus programas de saúde mental, visando mudar de práticas institucionais para cuidados comunitáriios centrados no indivíduo. A grande maioria dos países fizeram um progresso significativo nos últimos anos e muitos são lideres mundiais em áreas como a promoção da saúde mental, actividades de prevenção de doenças mentais, reforma de serviços e direitos humanos. No entanto, este relatório também identifica fraquezas na Europa, algumas sistemáticas, tais como a falta de consenso acerca da definição e ausência de recolha de dados compatíveis, como outras situações, que evidenciam um alto nível de variação, tal como a necessidade de desenvolvimento e de investimento em diversas áreas. Este relatório antecipa que os próximos anos serão de grande progresso rumo à visão e objectivos da Declaração de Saúde Mental da Europa e a OMS está comprometida a dar assistência neste processo. O resumo da informação mais relevante, traduzida, do conteúdo deste documento pode ser encontrada no nosso site www.adeb.pt. Caso deseje consultar o documento original, pode fazê-lo em: http://www.euro.who.int/document/E91732.pdf

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Texto extraído do documento "Policies and practices for mental health in Europe - meeting the challenges" da World health organization - Europe e traduzido pela Dr.ª Renata Frazão, Psicóloga da ADEB. Seleccionado e autorizado pelo Director da Revista Bipolar.

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Plano Nacional de Saúde
O Plano Nacional de Saúde Mental tem como objectivo assegurar a toda a população portuguesa o acesso a serviços habilitados a promover a sua saúde mental, prestar cuidados de qualidade e facilitar a reintegração e a recuperação das pessoas com esse tipo de problemas. O Plano orienta-se pelos valores e princípios seguintes:
01 Saúde mental indivisível

Mental 2007 - 2016

06 Participação comunitária

As pessoas com perturbações mentais devem ser envolvidas e participar no planeamento e desenvolvimento dos serviços de que beneficiam Os familiares de pessoas com perturbações mentais devem ser considerados como parceiros importantes na prestação de cuidados, estimulados a participar nesta prestação e a receber o treino e educação necessários

da saúde em geral Os cuidados devem ser prestados no meio menos restritivo possível A decisão de internamento só deve ser tomada quando esgotadas todas as alternativas de tratamento na comunidade

07 Protecção dos grupos

especialmente vulneráveis As necessidades dos grupos especialmente vulneráveis (ex: crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com incapacidade), devem ser tomadas em consideração.

02 Direitos humanos 08 Acessibilidade e equidade

As pessoas com perturbações mentais devem ver respeitados todos os seus direitos, incluindo o direito a cuidados adequados, residência e emprego, assim como protecção contra todos os tipos de discriminação

Os serviços devem ser acessíveis a todas pessoas, independentemente da idade, género, local de residência, situação social e económica.

03 Cuidados na comunidade

09 Recuperação (recovery)

Os cuidados devem ser prestados no meio menos restritivo possível A decisão de internamento só deve ser tomada quando esgotadas todas as alternativas de tratamento na comunidade

Os serviços de saúde mental devem criar condições que favoreçam a auto-determinação e a procura de um caminho próprio por parte das pessoas com problemas de saúde mental. As respostas específicas dos cuidados continuados integrados no âmbito da saúde mental constituem um segmento especializado da Rede Nacional de Cuidados Integrados, criada pelo Decreto-Lei nº 101/2006, de 6 de Junho, regendo-se pelos pricipios aí definidos, com as devidas adaptações a definir no diploma próprio previsto para a área de saúde mental. De acordo com este diploma, a prestação de cuidados continuados integrados de saúde mental é assegurada por: Unidades de convalescença; Residências de treino de autonomia, residências de apoio máximo, residências de apoio moderado e residências autónomas; Unidades Sócio-Ocupacionais; Equipas de apoio domiciliário;

04 Coordenação e integração de cuidados

Os serviços em cada área geo-demográfíca devem ser coordenados e integrados, de modo a facilitar a continuidade de cuidados

05 Abrangência (comprehensiveness)

Os serviços em cada área geo-demográfíca devem incluir um leque diversificado de dispositivos e programas, de modo a poder responder ao conjunto de necessidades essenciais de cuidados de saúde mental das populações

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Ser…Bipolar
Ficar no quarto como se fosse o melhor sítio do mundo, o mais aconchegante, o mais fechado possível! Deixar de querer até comer ou beber qualquer coisa que seja! Não conseguir ver ninguém, nem mesmo quem mais gosta de nós… aliás nem já isso fui capaz de ver! Nessa altura, quis simplesmente partir e o mais rapidamente possível, deixar este pedaço de terra, porque sentia que estava a mais! Fui à Internet pesquisar como se fazem os nós das cordas, ou até mesmo caminhar na noite para a estação de caminho de ferro, com o intuito de acabar com o sofrimento… ali mesmo! Passar o dia inteiro de pijama e arrastarem-me para o banho à força! Depois… passar pela fase dos medos, manterme em casa e não sair para nada, não querer enfrentar nenhuma cara! Passar algum tempo a ouvir as visitas dizerem: - Porque é que estás assim? - Não vês que tens uma filha para criar? - Põe-te boa! A seguir vem mais um internamento, onde fui parar sem saber como, por mais uma toma exagerada de medicamentos! Conheci outras pessoas com a mesma patologia, cujos comportamentos achava no mínimo bizarros. Comia uma caixa de queijadas de uma só vez, que o meu pai me levava! Depois, veio a fase da Euforia isto é, compras e mais compras, dar sinal para um apartamento para uma filha de dois anos apenas, reservar um estabelecimento comercial para um primo que estava na Suiça, por achar que este deveria regressar a Portugal! Andar de alças em pleno Novembro, andar a pé às 3 da manhã no sentido de visitar um amigo, foram alguns dos episódios que me lembro… Também me lembro do primeiro dia em que diagnosticaram a doença, não percebi muito bem! A seguir, chegou o acreditar de que era capaz de simplesmente rejuvenescer, pois um anjo na terra o provocou, aceitando-me como me encontrava e incentivando-me para lutar a pouco e pouco, pois com ele e a sua força, iria conseguir! Lembro-me de pesar mais ou menos 100kg e nem mesmo isso o demoveu! De amigo, passou a namorado, depois a companheiro na vida! Com ele, ganhei raízes fortes o suficientes para voltar a gostar de mim própria, reaprender a amar um homem, amar minha filha, os meus pais e amigos! Há já quatro anos que estou estável, a trabalhar, reconstruí uma família, enfim, a tentar ser feliz, como todos vós! Ser… Bipolar, foi, é e será um desafio dia a dia e…- Eu cá estarei para o enfrentar!
Rosa Carvalho
Jan 2009

Deste modo, a Unidade Sócio-Ocupacional caracteriza-se da seguinte forma: A unidade sócio-ocupacional localiza-se na comunidade, em espaço físico próprio, destinada a pessoas com moderado e reduzido grau de incapacidade psicossocial, clinicamente estabilizadas mas com disfuncionalidades na área relacional, ocupacional e de integração social; A unidade sócio-ocupacional tem por finalidade a promoção de autonomia, a estabilidade emocional e a participação social, com vista à integração social, familiar e profissional; A unidade sócio-ocupacional funciona, no mínimo, oito horas por dia, nos dias úteis; A capacidade da unidade sócio-ocupacional é, no máximo, de 30 lugares diários. O projecto de Decreto-Lei sobre cuidados continuados na área da Saúde Mental, após discussão pública, aguarda publicação, em Diário da República. Dado contemplar, entre outros princípios, normas juridicas sobre o funcionamento das unidades Sócio-Ocupacionais, reproduzem-se as valências a seguir identificadas, as quais dão suporte e estão em consonância com os objectivos implementados e desenvolvidos pela ADEB, constantes da Declaração de registo da ADEB publicado no Diário da República nº 267 de 16/11/99, com a inscrição 18/93, como IPSS de utilidade pública, com fins de Saúde. A unidade sócio-ocupacional assegura, sob a direcção de um técnico da área psicossocial, designadamente: Reabilitação Psicossocial; Apoio Sócio-Ocupacional; Apoio na gestão da medicação; Apoio Psicossocial, incluindo aos familiares e outros cuidadores; Educação e treino dos familiares e outros cuidadores; Apoio de Grupos de Auto-Ajuda incluindo familiares e outros cuidadores; Apoio na reitegração familiar; Apoio na alimentação e higiene; Apoio e encaminhamento para serviços de formação e de integração profissional; Promoção de actividades sócio-culturais e desportivas em articulação com as autarquias, associações culturais, desportivas e recreativas ou outras estruturas da comunidade; Convívio e lazer.
Texto retirado do Resumo Executivo do Plano Nacional de Saúde Mental 2007/2016, aprovado na Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2008.

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testemunho

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LITIO, my old friend
Tás aí? Mas tás mesmo?
É que já não concebo viver sem ti. Logo eu que agora gosto tanto de estar sozinha! Não sou nenhuma eremita mas confesso que acho a minha companhia assaz interessante! Entraste na minha vida há anos e anos e lá te foste insinuando quase sem eu dar por ela. Embora já sentisse alguns efeitos da tua presença no meu ser, a angústia continuava a emergir no meu turbilhão de sentimentos. É curioso, comparo-te a um espírito bom que vai subliminarmente murmurando mensagens de paz e serenidade a uma mente inquieta. E depois tu nunca desististe de mim! Fui eu quem um dia te abandonei pois achei que a tua presença já não se justificava. Queria estar sozinha e independente. Enganei-me e peço-te desculpa por te ter desprezado. Afinal a minha independência e auto-controle passavam por te ter incorporado em mim, amante fiel e estabilizador dos meus contraditórios humores. Mas que isto não te suba à cabeça! Não foste só tu que me fez evoluir e readquirir aos poucos a identidade, a auto-estima e a alegria de viver. Fui também eu quem assim o quis! Porque fui à luta e porque lá bem no fundo sempre senti que estamos cá para ser felizes. Sem forçar! Integrando as frustrações mas sabendo dar-lhes a volta! Nessas batalhas constantes em que estiveste (quase) sempre comigo, surgiram muitas conversas com pessoas que sabiam do que eu estava a falar. A isso chama-se psicoterapia e as pessoas que estão ali não dão conselhos mas ouvem e de quando em quando lançam uma ou outra pista que funciona muitas vezes como tábua de salvação para um náufrago à deriva num mar de incertezas.

Mas tu, meu querido, foste a estrutura onde pedra a pedra se foi consolidando o castelo. Se há fortes correntes de ar, se há relâmpagos que penetram pelas frinchas das pedras de granito, que os haja desde que o castelo continue de pé! Sei que nem toda a gente - cujo humor é uma montanha russa - te recebe da mesma maneira mas lembra-te que cada ser humano tem uma forma particular de reagir. Sei também que tens uma data de primos, sobrinhas e parentes afastados que desempenham o mesmo papel que tu, só que para outras pessoas. E agora - para não ficares demasiado vaidoso e como não há belo sem senão - quero lembrarte que não és perfeito. Provocas-me aquelas quebras bruscas de energia durante o dia que me deixam temporáriamente "imprópria para consumo". Mas mesmo esse facto eu já fui aprendendo a aceitar melhor, considerando essa "quebras" como parte da minha natureza. Para acabar com a solenidade que mereces, digo-te com plena consciência que se não fosses tu, esta tua amiga já não estaria entre os seres que pisam o Planeta Terra.
Joana Plácido
Sócia n.º 1600

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O filme "A porta amarela"
"A porta amarela" é um romance em que um homem se apaixona por uma mulher numa viagem no tempo feita durante um sonho na cama dum hospital psiquiátrico.

e a Doença Bipolar
FILME
Sócio n.º 3184

A aventura da psiquiatria, vivida para lá da porta amarela, a vida inteira para nos encontrarmos. Talvez um dia me encontre. Eu encontreime para lá da porta amarela, com a minha doença bipolar e contei a minha história de vida no filme "A porta amarela", que é um romance em que um homem se apaixona por uma mulher numa viagem no tempo feita durante um sonho na cama dum hospital psiquiátrico. Antigamente, em tempos que já lá vão, pensavase que os de dentro eram diferentes, na verdade são dife-rentes mas com muito mais pinta. Quantos de nós, os ditos "normais", dizem os loucos, os malucos aqueles que se encontram para lá da porta amarela. Mas a verdade é que os que estão dentro da porta amarela, ou passaram por lá são possuidores duma magia que é cada vez mais rara, tem o brilho nos olhos e magia na alma. E lembrem-se as pessoas que tem a mania que são muito normais: As doenças mentais entram sem bater a porta. O filme "A porta amarela" lembra isso tudo e pretende mostrar a todas as pessoas que a porta da psiquiatria está sempre aberta para todos. O que todas as pessoas desejam na vida é apenas amar e sonhar, ninguém vive sem estes 2 elementos essenciais, Eu também passei pela porta amarela e descobri que também precisava de amar e sonhar, mas depois que entrei pela porta

descobri isso e muito mais coisas, que gostava de contar, mas "são coisas que só o coração pode entender", as verdades da porta amarela sentem-se, e espero que ao ver o filme tente ver toda a aventura que é viver num mundo em que ainda se descrimina quem é diferente, a verdade, e que eles têm muito mais apuradas as capacidades de amar e sonhar. Com este filme apenas o queremos ajudar a lembrar que a porta da psiquiatria está aberta para todos, e a qualquer momento se pode abrir para entrar num mundo que para muitos ainda é estranho. O mundo dos bipolares, ou dos maniaco/depressivos, um mundo em que os doentes têm mania e depressão e precisam de ser medicados mas, afinal os outros doentes doutra coisa qualquer também não precisam de ser medicados? Afinal a diferença está apenas na caixa dos medicamentos. E uma coisa vos digo: Nunca se riam dos de dentro. A psiquiatria é um mundo aberto a todos. E nunca se sabe quando a porta se abre para ti. Que ate já te riste. Dos que se encontram para lá da porta amarela. E NÃO SE ESQUEÇA NUNCA, A DOENÇA BIPOLAR NÃO É CONTAGIOSA
Victor Frade

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OESIA

POESIA

PURO TERROR DE EXISTIR
Existência sem energia Energia com existência, Onde é que eu estou? O barulho do meu Eu Está adormecido na minha consciência Que já foi consciência inconsciente. Mas aquilo que eu não queria Tornou-se realidade E realidade ignóbil Nos muros que me cercam E me cortaram as asas, Onde eu podia voar! Num voo alegre; Num voo de borboleta de cor! Mas, quando sofreu uma longa metamorfose Sentiu-se sem dor. Num mundo com dor, Mas de uma dor lânguida.
Isabel Saavedra, Sócia nº 2219, Menina Poema Poema Mulher, Papiro Editora. Junho 2008

poesia

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NÃO SEI DE AMOR SENÃO

POESIA

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Não sei de amor senão o amor perdido o amor que só tem de nunca o ter procuro em cada corpo o nunca tido e é esse que não pára de doer. Não sei de amor senão o amor ferido de tanto te encontrar e te perder. Não sei de amor senão o não ter tido teu corpo que não cesso de perder nem de outro modo sei se tem sentido este amor que só vive de não ter o teu corpo que é meu porque perdido não sei de amor senão esse doer. Não sei de amor senão esse perder teu corpo tão sem ti e nunca tido para sempre só meu de nunca o ter teu corpo que me dói no corpo ferido onde não deixo nunca de doer não sei de amor senão o amor perdido. Não sei de amor senão o sem sentido deste amor que não morre por morrer o teu corpo tão nu nunca despido o teu corpo tão vivo de o perder neste amor que só é de não ter sido não sei de amor senão esse não ter. Não sei de amor senão o não haver amor que dure mais que o nunca tido. Há um corpo que não pára de doer só esse é que não morre de tão perdido só esse é sempre meu de nunca o ser não sei de amor senão o amor ferido. Não sei de amor senão o tempo ido em que amor era amor de puro arder tudo passa mas não o não ter tido o teu corpo de ser e de não ser só esse é meu por nunca ter ardido não sei de amor senão esse perder. Cintilante na noite um corpo ferido só nele de o não ter tido eu hei-de arder não sei de amor senão amor perdido.
Poesia de Manuel Alegre, Extraído do livro "Português errante"

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DO LESTE
Do leste, de África, do Brazil Recebemos todos os que queiram vir Os nossos que desistem de viver no funil Partem na esperança de à angústia fugir Dançamos kizomba com Angola Dizemos: venham, filhos do Carnaval! Damos jogos de primeira liga sem ter bola Fundamos reinados de miséria actual Estamos em desgraça, mas felizes Desempregados, mas em crescimento Afinal, se olharmos as nossas raízes Portugal atingiu grande desenvolvimento! Devemos muito a bancos que nada têm Gastamos mais em impostos que em comida Mas sem telemóvel já não há ninguém Nada há a perder, na vergonha perdida
Cristina Dinis

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PAIXÃO
É o desejo que se vai consumindo por dentro É o mais belo sono adormecido É o olhar existente Que se sente sem palavras nem gentes É o toque que se anseia É o suspiro mais profundo É a união da pele molhada O beijo mais demorado O carinho mais desesperado É a vontade de querer mais querer parar o mundo Deixá-lo sem andar É o momento mais precioso Amado saturado É uma razoa para viver demoradamente sem parar É uma louca emoção Um coração acelerado Um momento mais que desejado São as sensações mais apetitosas Os gostos, os cheiros mais apurados E os instintos mais aguçados
Lina Cortegaça

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Inquérito

Familiares dedicam 10 horas semanais

a cuidar dos seus doentes

Cerca de 100 famílias portuguesas fazem parte de um estudo internacional que procura mostrar quais as suas necessidades, que tipo de tratamento está a ser aplicado ao seu familiar doente e como é a acessibilidade aos recursos disponíveis para reabilitação.
Das 932 famílias inquiridas, 76% dos cuidadores afirmam que os médicos se devem centrar num tratamento de longo prazo, em vez de se centrarem apenas nas situações de crise. O tratamento de manutenção é o mais importante, sendo que 98% afirmam que o objectivo do tratamento deverá passar por manter o bemestar dos doentes e prevenir as recaídas. Alemanha, Reino Unido, Austrália, França, Itália, Canadá, Espanha e EUA foram os países que já participaram na primeira fase do estudo. Portugal vai entrar nesta investigação tendo como coordenador o médico Psiquiatra João Marques Teixeira, Professor da Universidade do Porto e Coordenador da Unidade de Investigação em Saúde Mental e Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde Ferreira. "O inquérito em Portugal terá duas fases. Em primeiro lugar será aplicado um inquérito às famílias portuguesas e, numa segunda fase, aos psiquiatras. Em relação aos familiares procuraremos perceber quer o tipo de tratamento que está a ser aplicado ao seu familiar doente, quer a sua acessibilidade aos recursos disponíveis para a sua reabilitação. Os psiquiatras serão questionados, entre outras coisas, sobre "as boas práticas médicas em doentes mentais graves", explica Marques Teixeira. "Para que os cuidadores possam ajudar os seus familiares doentes, temos que providenciar apoio e infra-estruturas para tal. Cada vez mais, os cuidados prestados aos doentes mentais deixam de ser um papel exclusivamente dos hospitais e instituições de saúde para passar a ter um maior envolvimento das comunidades. Os membros da família têm um papel preponderante no dia-a-dia destes doentes, e por isso, queremos encorajar as pessoas a falarem sobre as suas necessidades e trazer os seus problemas à discussão", diz Marques Teixeira. "É muito difícil gerir situações em que o doente leva 10 anos a ser diagnosticado ou em que tem que experimentar mais do que um tipo de medicação até chegar à que mais se adequa ao seu perfil. Ou mesmo terem necessidade de determinados tratamentos para serem incluídos socialmente e não terem acesso a eles. Estes são problemas reais que destabilizam as famílias, o seu bem-estar e retiram qualidade de vida a todos os envolvidos", refere Marques Teixeira O estudo, "Keeping Care Complete", foi realizado pela Federação Mundial para a Saúde Mental (WFMH) e contou com a participação de 1.000 famílias em todo o mundo. Este é o primeiro estudo neste âmbito que traz para a discussão as experiências e as necessidades dos familiares de pessoas com doenças mentais graves. Em Portugal este estudo tem a patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) e o patrocínio institucional da Federação Nacional das Associações de Famílias Pró-Saúde Mental (FNAFSAM) e da Lilly Portugal.

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RESULTADOS DO ESTUDO INTERNACIONAL "Keeping Care Complete"
(resultados globais dos países onde já foi realizado)

Características dos familiares dos doentes:
31% dos cuidadores são a mãe ou o pai do doente 24% é filho ou filha 17% é marido ou mulher 16% é irmão ou irmã

Prioridades no tratamento:

Envolvência no tratamento do doente:
69% acompanham o familiar doente durante as visitas ao médico 58% afirmam ser o cuidado principal/primário 56% estão envolvidos nas decisões sobre o tratamento 53% dedica 10 horas semanais a cuidar do familiar doente 30% administram a medicação

Os familiares dos doentes vêm a medicação como uma prioridade no tratamento: 91% afirma que a eficácia é a sua principal preocupação aquando da escolha da medicação 90% afirmam que uma medicação que controle os sintomas do doente deve vir em primeiro lugar 58% gostariam que as equipas médicas dessem mais atenção ao bem-estar físico e mental dos seus doentes

Consequências das recaídas:
69% dos cuidadores afirmam que o seu familiar foi hospitalizado em resultado de uma recaída 22% afirmam que o seu familiar tentou cometer suicídio, em resultado de uma recaída 20% afirmam que o seu familiar foi internado em consequência de uma recaída Para 61% dos cuidadores, a recaída do doente é o que mais os preocupa Descontinuar a medicação é o que, em 77% dos casos, põe em causa as relações do doente com os outros, levando à depressão e a comportamentos erráticos

O diagnóstico do doente:
49% afirmam que o seu familiar sofre de esquizofrenia 45% dizem que o seu familiar sofre de doença bipolar 6% respondeu perturbação esquizoafectiva 48% afirmam que o seu familiar demorou mais de 10 anos a ser diagnosticado 46% vive com o seu familiar doente e 30% dos doentes vive sozinho

O estigma das doenças mentais
84% dos cuidadores afirma que o estigma e a discriminação tornam mais difícil o bem-estar dos doentes 63% concordam que o estigma social sobre as doenças mentais pode influenciar negativamente a decisão de deixar de tomar a medicação

Consequências das recaídas para a família:
63% dos familiares afirmam que as recaídas destabilizam a sua vida e o seu bem estar de uma forma geral. Tanto ao nível emocional, como ao nível financeiro, os cuidadores vêm a sua situação piorar

A medicação:
A maior parte dos doentes experimenta diferentes tipos de medicamentos até encontrar o mais adequado às suas necessidades Dos 756 cuidadores que afirmam estar relativamente satisfeitos com a medicação actual, 56% afirmam ter demorado dois anos até encontrar a medicação correcta; 85% afirmam ter experimentado mais que dois tipos diferentes de medicação; 36% afirmam que o seu familiar doente teve que experimentar mais do que 5 tipos de medicação

O impacto de um tratamento bem sucedido:
756 dos cuidadores questionados afirmam que o seu familiar doente está satisfeito com a sua medicação e que o seu tratamento levou a resultados positivos. 79% conseguem lidar com as tarefas do dia-a-dia de uma forma independente 42% conseguem manter um emprego 81% conseguem reconhecer os seus familiares e amigos 74% conseguem ficar em casa e não no hospital 48% conseguem aprender uma nova tarefa ou assistir a um curso

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Desenho do estudo:
Este estudo foi realizado em 982 famílias de pessoas que sofrem de doença bipolar, esquizofrenia ou perturbação esquizoafectiva. O inquérito envolveu 8 países em todo o mundo: A Alemanha (100 famílias); França (100 famílias); Reino Unido (100 famílias); Austrália (100 famílias); Itália (100 famílias); Canadá (199 famílias); EUA (200 famílias) e Espanha (83 famílias), entre Novembro de 2005 a Junho de 2006. Os dados foram recolhidos através de entrevistas telefónicas com a duração de 30 minutos
Fonte: Pharmaedia

Custos
Um custo em média de 263,24€/mês em tratamentos

Enquadramento social
56% dos familiares estão muito preocupado com o futuro dos seus doentes após falecerem 81% dos familiares concordam que o estigma da doença mental pode levar à descontinuação do tratamento

INFORMAÇÃO À IMPRENSA PRESTADA PELO COORDENADOR DO ESTUDO "KEEPING CARE COMPLETE", PROFESSOR MARQUES TEIXEIRA
Sobre o Estudo:
O estudo denominado "Keeping Care Complete", é uma iniciativa da Federação Mundial para a Saúde Mental (WFMH), realizado em nove países, que envolveu 1082 famílias e 697 psiquiatras e é o primeiro neste âmbito que discute as experiências e as necessidades dos familiares de pessoas com doenças mentais graves. Em Portugal este estudo tem o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM)) e o patrocínio institucional da Federação Nacional das Associações de Famílias Pró-Saúde Mental (FNAFSAM) e da Lilly Portugal.

RESULTADOS DO ESTUDO AOS MÉDICOS PSIQUIATRAS:

Tempo para equilíbrio medicamentoso
52% afirmam que levou menos de 1 ano e apenas 21% entre 2-5 anos para estabilizar o doente 83% afirmam que os doentes precisaram entre 2-5 medicamentos até equilibrarem Um tratamento eficaz é aquele que: para 95% conduz à melhoria dos sintomas; 88% melhoria na qualidade de vida; 73% melhoria no contacto social; 75% maior autonomia; 76% dormir melhor

Efeitos do tratamento
Para 85% o tratamento eficaz diminui as tensões na família Para 91% o tratamento eficaz diminui os níveis de stress Para 85% a mudança de medicação levou a recaída 100% afirmam que os doentes que interrompem a medicação tiveram recaídas Cerca de 50% afirma que até 39% dos doentes interrompem a medicação sem consulta prévia com o médico

RESULTADOS DO ESTUDO ÀS FAMÍLIAS:

Tempo para equilíbrio medicamentoso
48% dos cuidadores dizem que foram necessários 2 ou mais anos até encontrarem a medicação apropriada 5% dos cuidadores estão ainda à procura de medicação que se adeqúe melhor ao perfil do doente

Objectivos do tratamento
97% dos psiquiatras estão muito preocupados com a recaída Para 95% a eficácia é o objectivo principal do tratamento

Efeitos do tratamento
Um tratamento bem sucedido melhora a funcionalidade geral diminuindo a sobrecarga da doença na família Medicação ineficaz, alterada ou descontinuada pode levar ao reaparecimento da insónia, irritabilidade e depressão 68% dos cuidadores dizem que os seus familiares doentes não descontinuaram a medicação nos últimos 5 anos

Custos
Para 27% as famílias diminuiriam a pressão financeira com a melhoria dos doentes

Enquadramento social
64% afirmam que os seus doentes desistem da medicação por pressão dos media, e pelo estigma associado aos doentes mentais 72% afirma que menos de 10% dos doentes está envolvido em grupos de apoio social e 43% afirmam que esta situação de fraco apoio preocupa os familiares.

Objectivos do tratamento
Bem-estar e preservação de uma boa saúde devem ser os objectivos do tratamento Os médicos devem focar-se mais nos resultados a longo prazo

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A Deontologia do Sócio
Na qualidade de sócia da ADEB, tenho vindo a colaborar, mais ou menos assiduamente, de acordo com a minha disponibilidade pessoal, com a revista Bipolar desde os primeiros tempos da sua publicação, com textos de prosa e poesia. Também dentro das minhas possibilidades, contribuo nos Corpos Gerentes da Associação e com o pagamento das quotas, que considero o mínimo que se pode fazer quando somos sócios de qualquer Entidade. Particularmente, tenho os meus problemas e não me tem sido muito fácil cumprir essa obrigação mas considero que esta é mais uma despesa de saúde e que é, como tal, importante. Como frequentemente tem sido referido, quer nas Revistas quer nas Assembleias da ADEB, uma dos maiores contributos para além dos subsídios (que não são nunca uma fonte garantida de rendimento, quer na durabilidade quer no valor) são, efectivamente, as quotas dos sócios, que sustentabilizam os custos básicos duma Associação. Penso que é opinião geral dos mesmos, pois de outra forma não concebo que se faça parte do Corpo Societário duma entidade, que o trabalho que a Associação vem desenvolvendo tem sido meritório e crescentemente respeitado (o que não é nada fácil em Portugal!) no âmbito da saúde pública e privada, pelo que esta contribuição (quotas) é um aval a toda uma performance que tem evoluído ao longo dos mandatos de forma que, caso duvidem, basta consultar os primeiros Planos Anuais de Trabalhos e o actual e comparar as mais valias.

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O que me espanta, é as pessoas acreditarem na Instituição e não cumprirem a sua obrigação básica de sócios - pagar as quotas. É certo que, nós portugueses, temos fama de não ligarmos muito às nossas obrigações senão quando somos forçados - mas que Diabo! - fazer parte de uma Associação faz sentido apenas se acreditamos na sua utilidade pública e na ajuda que nos pode proporcionar, não? Então, só nos lembramos do que precisamos e esquecemos do que devemos fazer? Temos que ter em consideração que enfraquecemos a Associação de que fazemos parte e que nos apoia, se não cumprimos a nossa responsabilidade para com ela. Os números facultados pela Direcção da ADEB, em termos de sócios que não pagam as quotas continuam a não abonar muito em relação à nossa consciência associativa. Numa altura em que o mundo está cruel até para quem sempre se esforçou por assegurar estabilidade na sua vida, é tempo de pensarmos no bem global sob pena de, sozinhos, sermos muito mais frágeis. Apoios como os da ADEB, num sistema em que a saúde pública nos desampara cada vez mais, são preciosos, creio eu. Vamos lá a acordar, pessoal! Sem cotazinha não há dinheirinho e sem dinheirinho não se faz muito, não é verdade?
Sócio n.º 190

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Comunicação aos Associados sobre a Deliberação em AGO - Actualização da

QUOTA (ANUIDADE) A PARTIR DE JANEIRO DE 2009
Desde a Assembleia Geral Ordinária, de 08/12/2001, que a quota anual de 30,00 Euros assim como as comparticipações dos associados no apoio às valências e serviços prestados pela ADEB, não eram actualizados. Por tal facto, em reunião de Corpos Gerentes, do dia 22 de Novembro de 2008, foi feita uma avaliação sobre a actualização e aumento da quotização (anuidade), tendo a Direcção da ADEB decidido apresentar à Assembleia Geral Ordinária, do dia 29 de Novembro de 2008, uma proposta, tendo sido aprovada por unanimidade, a actualização da quota anual para 35,00 Euros, a implementar a partir de Janeiro de 2009. Foi, ainda, aprovado o pagamento da quota (anuidade), obrigatoriamente, por transferência bancária, podendo ser, excepcionalmente, paga por cheque, numerário ou vale correio, condicionado a uma pré-avaliação social e económica pelo técnico que acolhe a inscrição como associado da ADEB. Modalidade de pagamento de quota por Autorização de Débito em Conta (ADC) A formalidade bancária de desconto da quotização, a partir de 1 de Abril de 2009, vai passar a ser por Autorização de Débito em Conta, tendo por base o impresso abaixo identificado, no qual está definido os seguintes condicionalismos e verbas de Débito em Conta: “Por débito da minha/nossa conta abaixo indicada queiram proceder ao pagamento da anuidade de 35,00€ (trinta e cinco Euros); e das importâncias que lhe forem apresentadas por (Entidade que efectua a cobrança), após deliberação em Assembleia Geral, até ao limite de 50,00€ (cinquenta Euros)”. Os associados que não aderirem a esta modalidade de pagamento devem comunicar aos serviços administrativos e financeiros da ADEB, por escrito, a sua condicional activação da ADC. Mais se informa que esta forma de pagamento ou actualização de anuidade vem anular custos de serviços cobrados de entidades bancárias, as quais oneravam o orçamento as despesas com a modalidade de transferência bancária em uso. Assim, a transferência bancária, em vigor, deixará de existir passando todos os associados com as quotas em dia, até 31/03/09, a serem abrangidos por esta deliberação da Direcção, em reunião de 21/03/09.

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A Direcção da ADEB

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Convenção da Gamian - Europa
Um foco sobre Depressão e a Sociedade Europeia
Realizou-se nos dias 24 e 25 de Fevereiro, em Bruxelas, o “2º European Brain Policy Fórum”, sob o tema "A Focus on Depression and the European Society", onde esteve presente a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB) como membro da GAMIAN Europe.

Protocolos de Parceria
assinados pela ADEB
A Direcção da ADEB, durante o ano 2008, privilegiou estabelecer acordos de parceria com os hospitais (Departamentos de Psiquiatria), autarquias, entidades públicas e privadas, tendo sido captados apoios financeiros, apoio técnico especializado e apoio material para divulgação dos objectivos e valências da ADEB e promoção da saúde mental, especialmente a Doença Unipolar e Bipolar.

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PARCERIAS COM ENTIDADES PÚBLICAS:

Nos dois dias de trabalho na capital Belga, de várias perspectivas se abordaram os mais actuais temas sobre a Depressão, que é considerada uma das doenças mais penosas para a pessoa, de tal modo que pode conduzir a pessoa ao suicídio. A OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê que a Depressão, em 2020, seja a principal causa de incapacidade laboral a nível mundial. Perante estes dois factores - o sofrimento humano e os custos da doença, directos e indirectos (superiores a outras doença crónicas como a diabetes) - os profissionais envolvidos na área da saúde mental têm respondido com a atitude possível e muitas vezes capaz perante a problemática, apesar das dificuldades a nível de apoio financeiro, em especial para as IPSS's como é o caso da ADEB.

Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (H.JM e H.M.B) Centro Hospitalar de Lisboa Norte, EPE (H.S.M.) Hospital de São João, E.P.E. Hospital Magalhães Lemos Hospitais da Universidade de Coimbra, EPE. Hospital de Sobral Cid Hospital Espírito Santo E.P.E Autarquias: Lisboa, Sintra, Amadora, Oeiras, Matosinhos, Junta de Freguesia de S.ta M.ª dos Olivais, de Paranhos (Porto) Fundação Montepio

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PARCERIAS COM ENTIDADES PRIVADAS:

Lilly Portugal, Lda. GlaxoSmithKline Sanofi Aventis AstraZeneca Jansen Cilag Apraz realçar o patrocínio do Laboratório Pfizer, durante os anos 2006, 2007 e 2008 para a edição da Revista Bipolar.

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Relatório sobre a XI Convenção Educacional Anual da GAMIAN Europa 2008
Tema: "O Impacto da Cultura e Etnicidade na Saúde Mental"
Jerusalém, Israel, 18 de Setembro Hospedada em Jerusalém e celebrando o seu 30.º aniversário, a XI Convenção GAMIAN Europa foi assistida por 78 delegados de 47 organizações, entre as quais a ADEB, vindas de 36 países diferentes, não só da Europa mas também da Ásia, América do Norte e Sul e da África do Sul. A mensagem do Presidente da GAMIAN Europa - Dolores Gauci - foi seguida por uma apresentação do Director de Serviços de Saúde Mental do Ministério da Saúde de Israel, que explicou a situação da saúde mental israelita sublinhando os progressos feitos no sector e os resultados obtidos. Foram feitas apresentações, por parte de vários profissionais de saúde, relativas aos temas: "Resumo de como Cultura e Etnia têm Impacto na Saúde Mental", "O Impacto da Cultura diferenciada, etnia e posição social na doença mental, no Reino Unido", "O Impacto da migração sobre a Saúde Mental do "BetaIsrael"- a comunidade etiope judaica em Israel". Esta convenção anual será lembrada pela sua perfeita organização, e pela fascinante terra: Jerusalém. A próxima convenção, em 2009, será realizada em Malta.
Paola Pivano, Itália Gamian Europe Newsletter, Year 10, no 30, autumn 2008 (resumo)

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LIVROS

Existem à venda na ADEB os seguintes livros:

a projectos de financiamento
A Direcção da ADEB apresentou um projecto ao Instituto Nacional para a Reabilitação, IP, no início do ano 2008, ao Sub-Programa I, tendo sido aprovado o apoio financeiro às valências e actividades desenvolvidas no campo da deficiência e doença mental.

apresentadas pela ADEB

Candidaturas

Na sequência do projecto apresentado ao MTSS - Direcção Geral de Segurança Social, em 12/09/2008, este foi aprovado, em 19/12/2008, ao abrigo do D.L. N.º 247/98, de 11 de Agosto, com a denominação “ADEB no Apoio e Solidariedade à Família dos Doentes Unipolares e Bipolares”, pelo período de 19/12/2008 a 19/12/2009, para implementação de actividades constantes do Programa de Acção para o ano 2009.

Foi aprovado pelo Fundo Social Europeu do projecto POPH - Potencial Humano, o financiamento (de 42.893,20 Euros a ser atribuído e inscrito no Orçamento do ano 2009 da ADEB) para Capacitação e Qualificação dos Serviços da ADEB, com início em 01/12/2008 e fim em 30/10/3010.

Apoio:

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