FORMAÇÃO DE PROFESSORES, MIGRAÇAO, E A ESCOLA NA AMAZONIA

Rosangela Hilario* Januario Amaral ** Valeria Oliveira***

RESUMO: O presente texto objetiva compartilhar reflexões preliminares sobre processos de formação de professores para atuarem em contextos complexos e multifacetados, no território de disputa de diferentes “tribos”, espaço em que se transformou a escola pública em todas as regiões do Brasil, mas que emerge com muita intensidade nos Estados que por força da impulsão econômica acolheram em seu território número representativo de migrante. A reflexão será ancorada nos textos produzidos por Arendt, Bobbio, Fischmann e Gofmann, os quais buscam conceituar as teorias para analisar e problematizar que educação e quais questionamentos são necessários para evitar que a intolerância com a diversidade que nos constitui seja a marca da sociedade contemporânea: que paradigma educacional é necessário para despertar consciências e um vigiar permanente contra a ditadura do “padrão” contra a coexistência pacifica e respeitosa com o diferente. Palavras Chaves: Formação de professores – diversidade – pluralismo cultural – intolerância.

* - Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR; e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia - rosangelah@usp.br; ** - Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia - UNIR; e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia - januarioamaral@hotmail.com; *** - Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR; e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail.com;

com. catarinenses . conforme AMARAL 2004.” Neste contexto a escola como instituição que abriga em seu interior sujeitos que representam as mais diversas expressões de pensamento e de perspectiva cultural. há uma permissividade impensável * .. apertado e suando em bicas e as oligarquias nos camarotes.UNIR. pensar e com a cultura nortista. Assim.br. Ou como escreveu Millor Fernandes: “(. Tentam reproduzir e sedimentar por meio dos centro de tradições a cultura sulista. num espaço onde a miscigenação e aglutinação de culturas e diversas maneiras de interpretar contextos é a regra. admirando os detalhes do espetáculo e tomando uísque doze anos. sociedade. craques do futebol escandalosos.Breve nota a titulo de introdução: da escola que temos para a escola que precisamos para garantir o direito de tratar aos desiguais com desigualdade na perspectiva da igualdade de oportunidades.januarioamaral@hotmail. pensávamos saber em termos de educação. Nestas cidades há uma lógica muito particular para entendimento dos dogmas religiosos e apropriação dos mesmos pelas lideranças políticas locais: a religião é utilizada como meio de controle social. preconceito e desrespeito a toda forma de expressão que não esteja num padrão “Macunaíma” esperado para o povo brasileiro: machista por “natureza”. ao sentido de humanidade que o conhecimento parece agregar. *** . A colonização já surge com dupla dimensão rural e urbana. E ao chegar em Rondônia vão procurar reproduzir seus modos de vida que aprenderam ao logos de suas vidas herdadas dos antigos migrantes europeus que se estabeleceram nas regioes meridionais do País. moças do bem para constituir família. cidadãos que sejam capazes de compreender o grau de comprometimento necessário para mudar as estruturas e construir um novo modelo de sociedade menos excludente e mais respeitosa com sua diversidade. Temos hoje uma nova escola ocupada por sujeitos que só tiveram acesso aos seus espaços por força das políticas públicas de universalização da escola. manifestando todo seu desconforto com o modo de alimentar-se. Muito dos conceitos e teorias que nós. Mas na Amazonia Brasileira parece não ter mudado as manifestações de intolerância. pseudo tolerante com o sincretismo religioso. cultura. cidadania e escola parecem não nos servir mais: estamos no meio de transformações incomensuráveis no tecer da trama que compõe o tecido social e que nos constitui como sociedade formalmente organizada. cerveja gelada. ** . gaúchos. como num estado constituído a partir da migração patrocinada pelo Estado brasileiro por meio da doação de terras aos agricultores pobres do sul e sudeste do Brasil como é o caso do Estado de Rondônia.) O povo na geral. Mudou a sociedade. mudaram os paradigmas para relacionamento. portanto. temos uma migração eminetemente do sul do Brasil para Amazônia formada por paranaenses. teria de modificar-se para formar com sabedoria. São cidadãos que sempre tiveram negados seus direitos a cidadania completa. A colonização Agrícola é o elemento fundamental que constitue as políticas que viabilizaram os fluxos migratórios nos últimos quarenta anos. professores. trabalhar.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR.Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . São sujeitos nascidos e adentrados na sociedade em um tempo onde tudo parece estar por se adaptar aos contextos e as novas relações necessárias para conviver com respeito em meio às diferenças que constituem a riqueza e as contradições de viver em espaços onde campeia o pluralismo cultural. . mudaram as formas de expressão da fé e até mesmo das relações com a natureza. mudaram as leis e a constituição legal das famílias.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. mulheres “boazudas” “rebolativas” e mestiças..rosangelah@usp.com. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . “sujeitos homens” e “mulheres fêmeas” . cordato. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .

uma voz se insurge contra este comportamento. para o plano meramente político. o poder espiritual que lhe é atribuído pela religião. Igreja Universal do Reino de Deus.para as religiões protestantes tradicionais: os homens podem ter mais de uma mulher desde que mantenha a vida em ordem (leia-se obrigações religiosas e financeiras “em dia”) e a segunda família literalmente em paralelo (regra inclusive aos pastores das novas denominações religiosas que têm se formado).br. nos parece que o pensamento de Bobbio sobre a intolerância do tolerante foi cunhado numa forma especifica para as autoridades escolares. imediatamente é taxada de não compreender a cultura e tradições locais. (FISCHMANN. a associação e relações entre o poder político e as igrejas evangélicas criaram um modelo de escola e de educação que passa longe do ideal de laicismo e acolhimento que se pensa para um espaço público onde todas as “tribos” deveriam conviver com respeito: há símbolos religiosos espalhados desde a entrada da escola (bíblias. as escolas incluem momentos de oração como fundamento de suas atividades pedagógicas em seus projetos políticos pedagógicos. “rebeldes” que ousam reivindicar direitos a uma vida de fato e de direito) e se por acaso. nos parece que a mensagem que se quer manter por meio de ações materializadas na instituição passam por um entendimento enviesado do que seja ocupação da escola como espaço público: é aquele pelo qual o agente público imbuído das facilidades que a política local lhe confere. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . 2010. No entanto.rosangelah@usp. O estigma do padrão global de comportamento parece ter se apropriado dos espaços públicos em toda a sua manifestação de pasteurização e homogeneização. a capital de Rondônia.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. para exposição pública de meninos e meninas fora do “padrão” (leia-se homossexuais. . e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. para os que crêem neste ou naquele culto. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . já que a única verdade possível é aquela que permita a manutenção do estabelecido como ideal. Nesta perspectiva.januarioamaral@hotmail. a bebida alcoólica é permitida se não for dia de culto. o sexo é permitido entre meninas mal chegadas a menarca e homens de mais de quarenta anos. *** . com pequenas nuances para que tudo permaneça como está: * .Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . A escola é utilizada para cultos. Festa da Flor de Maracujá.UNIR. acredita que possui a verdade absoluta e se escora na exploração da fé como possibilidade de ampliação de poder para manutenção dos privilégios e da tal “ordem” na sociedade.com. no Estado de Rondônia e particularmente em sua capital. Praticamente todas as reuniões e comemorações escolares são precedidas de atividades religiosas onde aparecem denominações como as evangélicas pentecostais e neopentecostais (Igreja Mundial. mês do folclore. com facilidade pode ocorrer de buscarem transbordar.com. jovens pais que não se casaram em alguma denominação religiosa são incitados a fazê-lo por meio de “orientação” espiritual (não solicitada) feita por orientadores e diretores da escola pública. ** . crucifixos. as meninas convivem maritalmente com seus parceiros até “terem idade” para casar. Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias entre outras). É certo que as relações das religiões com os poderes terrenos são assuntos delicado e polêmico. reduzindo ou buscando reduzir o direito a diversidade e a cultura locais a eventos datados como dia do índio. como instituição humana. mensagens bíblicas pintadas nos muros e paredes).Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR. os jovens que manifestam uma opção sexual “diferente” são constrangidos em conselhos de escola e têm suas vidas expostas em público. Missão para Cristo. Investidos de aura suprahumana. FSP) Nas escolas de Porto Velho. Igreja do Evangelho Quadrangular.

1998.. mas porque não dá a menor importância à verdade.algumas vezes ele também é considerado um defeito. (GOFFMAN. especialmente quando o seu efeito de descrédito é muito grande . relegados aos guetos onde podem (?) manifestar sua identidade sexual. Enquanto a sociedade mundializada pelos avanços da informação e comunicação discute punições para crimes digitais. A homofobia vem disfarçada de interesse humanitário numa sociedade injusta: os jovens homossexuais que freqüentam a escola são chamados a promover um ajuste de conduta por meio de orientação religiosa. que por paradoxo. que muitos acabam desistindo da escola e assumindo a única identidade que lhes resta socialmente: a de párias sociais.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. A mudança nas atitudes parece ir a reboque das mudanças tecnológicas e científicas.rosangelah@usp.br. reduzindo-o a uma pessoa estragada e diminuída. . e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .com.com. ** . ao desrespeito as diferenças e o bullyng que atormenta a todo aquele que não se enquadra no “padrão” estabelecido. materializando-se em acesso ao conhecimento o ideológico e o possível..Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . uma desvantagem – e constitui uma discrepância especifica entre a identidade virtual e a identidade social real. uma fraqueza. Os homossexuais que freqüentam a escola (pública ou não) como alunos ou professores são estigmatizados e a pressão social é tão grande. aos crimes de ódio racial. mas por más razões.) Assim deixamos de considerá-lo criatura comum e total. julgando-a historicamente e não de modo prático – político.12) Este descompasso parece se tornar um problema para as instituições educacionais. a uma cultura da tolerância. possibilidades concretas de acesso ao conhecimento como forma de emancipação e direito a convivência com a diversidade para enriquecimento cultural? * . *** . p. Não seria tolerante porque estivesse seriamente empenhado em defender o direito de cada um a professar a própria verdade. uma vez que cria uma dissonância entre a mudança e nossa capacidade de nos apropriarmos e dar-lhes sentido. mas. o tolerante seria frequentemente tolerante não por boas razões. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. excluídos de toda e qualquer manifestação de humanidade e humanização. Tal característica é um estigma. Somente o acesso aos espaços escolares não nos garante a formação de novas mentalidades para o combate a intolerância de qualquer natureza. lugar onde sofrem toda sorte de abuso e humilhações : as saídas da BR 364.UNIR. (. criando sérias dificuldades para coordenar a formação de valores com as novas circunstâncias. nas escolas rondonianas a menção a etnia causa desconforto e homens e mulheres negras são denominados de gente “morena”. tratamento psicológico e até mesmo por exposições públicas de seu “problema”.januarioamaral@hotmail. Nesse contexto de mudanças aceleradas qual a função da escola e do professor? E no tocante a política de formação de professores: quais os saberes e atitudes que são requeridas. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . novas formas de pensar a organização formal da escola como prevenção a barbárie. desejadas na perspectiva de criação da cultura da tolerância que aproxima e cria mais do que verdades absolutas. no caso em que tenha uma. Há necessidade de uma nova organização que impulsione escolas e professores a se articularem em torno de possibilidades para o acesso de fato ao conhecimento produzido e sistematizado pela e para a escola.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR.intolerância.Em suma para o intolerante ou para quem se coloca acima da antítese tolerância.

mas envolve também aspectos afetivos e valorativos que precisam ser sentidos. 1994.195) A construção e a consolidação de uma cultura em Direitos Humanos no Brasil. *** . do pluralismo cultural e para escolhas no que tange a identidade sexual sinaliza com três dimensões para desenvolvimento ( BRASIL:SEB.rosangelah@usp. 2000. o que nos dá sentido de pertencimento a raça * . nacionalidades. implica desse modo.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR.”(BOBBIO. opinião política. mas respeito com a diversidade constituinte de nossa riqueza cultural poderíamos articular o documento a Declaração Universal dos Direitos Humanos: esses direitos são comuns a todos os seres humanos. no entendimento de que a tolerância é limitada e se constrói a partir de escolhas excludentes em beneficio do respeito a outrem. cultural e do direito a escolha.) Não é que a tolerância seja ou deva ser ilimitada. indivisibilidade e interdependência. para que se consiga difundi-los do ponto de vista da variedade lingüística. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. vivenciados. Nos primeiros anos do século XXI a noção de Direitos Humanos com a qual (ainda) se trabalha vem abarcar todas as gerações de direitos. de acordo com o documento o entendimento destas diferenças não tem o sentido de homogeneização da cultura e nem adesão.com. vencer a homogeneização de currículos escolares que reduzem a aprendizagem a processos meramente cognitivos que se processam do mesmo jeito para todas as pessoas. atitudes que podem ser consideradas como de manifestação de preconceito e intolerância.Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . principalmente. b) Conhecimento das desigualdades socieconômicas e a critica às relações sociais discriminatórias e excludentes que permeiam a sociedade brasileira.br. 19): a) Valorização das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que convivem no território nacional. A tolerância é sempre tolerância em função de alguma coisa e exclusão de outra. considerados igualmente fundamentais tais como o pluralismo que advém da diversidade cultural. Considera-se.p. a educação para a diversidade como uma educação permanente e plural. a partir de uma postura ativa do Estado como garantidor desses direitos. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . que não trabalha apenas com a dimensão da razão e da aprendizagem cognitiva. ou seja. sem distinção alguma de etnia. c) Oferecimento aos alunos da possibilidade de conhecimento do Brasil como um país complexo. Visto que. à justiça e à dignidade para entender o que significam e..com. multifacetado e algumas vezes paradoxal. aqueles direitos que decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca de todo o ser humano. à igualdade. orientação sexual. Nenhuma forma de tolerância é tão ampla que compreenda todas as idéias possíveis. prevalecendo sua universalidade.UNIR.januarioamaral@hotmail. sexo. segundo essa orientação. “ (. . O documento que orienta a elaboração de práticas pedagógicas para uma cultura da diversidade. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .Os desafios da educação para a diversidade: o entendimento da função da escola como mediadora da educação para a plena assunção dos direitos humanos. É preciso experimentar o direito à liberdade. p. nível de instrução. enfrentar essa série de desafios e contradições ainda presentes em nossa sociedade como a de vencer o preconceito e o eurocentrismo que muitas vezes passam despercebidos em nosso cotidiano como professores. sexual e religiosa sem hierarquizações. legitimando como diferenças culturais “normais” num país de dimensões continentais. classe social. ** .Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR. ou de qualquer tipo de julgamento moral. sensorial. étnica.. religião. independente de sua cultura e de suas referências. Necessário também.

O entendimento da sociedade do que seja educar para a diversidade reflete a interação complexa de valores. em conseqüência. mais justas. portanto. *** . afastando-se dos preconceitos. reconhecendo a igualdade dos direitos. assim cada um tende a achar que a sua forma de agir e pensar são as melhores.com. atitudes e comportamentos de seus membros. Valores são crenças gerais que defendem o que é certo ou errado a partir de um contexto especifico que sintetizam as crenças e preferências gerais. Ela é sinônimo de diálogo e de valores compartilhados. a diversidade cultural referia-se apenas e simplesmente. emprego e a representação política. uma condição para o diálogo. deixando desprotegido este grupo humano. nos dias de hoje. é tudo aquilo que é desejado para um indivíduo ou grupo e que influência a seleção de modos. a diversidade não se define tanto por oposição à homogeneidade quanto pela oposição à disparidade. É preciso entender as culturas de minorias. modos de falar e se relacionar com a natureza marcam as diferenças entre homens e mulheres.rosangelah@usp. garantindo a toda a humanidade os direitos a não discriminação. como uma disparidade. Reconhecer a complexidade destas discussões de valores que permeiam o desenvolvimento da humanidade. é notória. provocam estranhezas. quer dizer. conflitos e rejeições. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .humana e nos aproxima como iguais em direitos. segregação ou exclusão. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . gestos. . uma variação. por sua vez. que. acima de tudo. à multiplicidade de culturas ou de identidades culturais. pois a ética na opinião é primordial.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. ** . Tentar esquecer como foram constituídas as histórias de muitas sociedades modernas é negar a contribuição de vários povos na sua formação. Mas. para a construção de uma união mais ampla de pessoas diferentes. A diversidade é percebida. e a marginalização de grupos que seguem ideologias que não correspondem à classe dominadora. para inúmeros especialistas.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR. gostos. com freqüência. é tarefa delicada. meios e fins para a ação. uma pluralidade. A diversidade das culturas existentes acompanha a história da humanidade e toda a sua variedade de conceitos. sonhos e deveres para com o outro.januarioamaral@hotmail. Não entendidas como leis naturais na formação da diversidade humana. Os valores são elementos centrais da cultura. para a paz mundial e. esta visão está ultrapassada pois. gerando assim as minorias e os preconceitos. O reconhecimento das diferenças é. conceituando assim tudo o que lhe estranha como inaceitável. que nos impele a manutenção da ordem como sinônimo de luta indelével contra a barbárie que nos reduz em nosso sentido humanista e humanitário.UNIR. Em seu sentido primeiro e literal. o contrário da uniformidade e da homogeneidade.com. A estes grupos de minoria são negados de “forma sutil” os direitos a educação. A atenção a estas questões preocupa e deve ser redobrada. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. grupos sociais. orientam o comportamento considerado apropriado a partir do seu entendimento sobre esses direitos “humanos”.br.Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . sobre direitos humanos trás registros de vida social organizada e registra graus e formas diferentes de domínio humano sobre os direitos humanos. no que chamamos de direito e que vão aos poucos afetando as atitudes das pessoas. Diferentes jeitos. A * . dúvidas. A complexidade da situação da diversidade mundial hoje reclama ações em diferentes direções. bem como ao conhecimentos que liberta e emancipa. seja qual for seu modo de vida e valores seguido sem o esquecimento que todos os humanos são iguais em direitos.

mineiros. (FISCHMANN.Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . seja por meio da educação escolar já a partir da educação básica ou pela educação não. paulistas. por meio da atuação de organizações da sociedade civil. um dos entraves para a disseminação de uma pedagogia pluricultural é a falta de atenção dada ao tema no currículo (entendido em sentido amplo) dos cursos de formação de professores. cohabitando de forma nem sempre não conflituosa. social e econômico. p. tem uma riqueza heurística insubstituível para nosso trabalho.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR. sobretudo das escolas públicas.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. desde que haja um movimento estudado. populações indígenas de diferentes etnias com suas línguas e culturas específicas. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . Não obstante. contribuindo para a difusão de atitudes. culturas caboclas e mestiças como os ribeirinhos. baianos. ** . Fischmann (2005) aponta que as questões da pluralidade cultural e seus impactos sobre o processo de ensino (ainda) não tem sido incluídas de maneira sistemática nos cursos de formação docente e nem na pesquisa educacional. onde são apresentados juntamente com suas aplicações e através delas”. gaúchos. Khun(1987. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. encontrados numa unidade histórica e pedagogicamente anterior. . paraenses.com. inseparável do respeito à dignidade humana.com. 1994. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . o desafio de educar pela diferença para igualdade de oportunidades é ainda maior. onde tende a haver domínio de grupos cujos padrões étnico-culturais são dominantes do ponto de vista cultural. com suas diferentes experiências e manifestações culturais. O caleidoscópio cultural está explicito nas salas de aula.br. tal qual a concebemos. pII) No contexto rondoniano. Entretanto. leis e teorias de uma forma abstrata e isoladamente. O termo “paradigma”. pela mídia e os sistemas de justiça e segurança afinados com uma concepção que compreenda a cultura como uma dimensão * . nãoconflituosa. *** . paranaenses. construindo a cultura do hegemonicamente globalizado. tal como utilizado por Khun. pois se caracteriza por uma comunidade formada quase que em sua totalidade por migrantes nordestinos. Servimo-nos de uma transcrição sobre o “Paradigma do Outro” conceito elaborado pela pesquisadora para explicitar a discriminação como muro a impedir a perfeita compreensão do significado (neste contexto.formal. Em lugar disso. o estudo do pluralismo e da diversidade cultural pode contribuir para a superação da intolerância que está se tornando a marca deste tempo de pós-modernidade. valores e práticas coerentes com esses princípios. esses instrumentos intelectuais são. em condições de aprendizagem idênticas e deixando para fora da sala de aula as marcas de suas diferenças. manifestando-se nem sempre de forma pacifica e respeitosa. tem papel decisivo para manutenção da desigualdade excludente: Preliminarmente esclareço que conceituo “Paradigma do Outro” apoiandome em Thomas Khun e Emamanuel Lévinas. diferença e desigualdade no qual a escola.januarioamaral@hotmail.71) ressalta que “os cientistas nunca aprendem conceitos. A escola é um local marcado pela tensão das relações sociais desiguais. Analisando a organização do mundo cientifico. pode vir a ser um espaço privilegiado para a promoção da cultura de direitos humanos.rosangelah@usp.defesa da diversidade cultural é um imperativo ético. trabalhadores rurais e imigrantes de várias nacionalidades que habitam e convivem no campo e no garimpo. na escola de educação básica) de exclusão. divergindo do desejo manifesto de docentes e gestores educacionais de que fosse homogênea. refletido e planejado para valorização dos grupos e culturas não dominantes. A Escola embora se apresente como um local de reprodução das marcas e características dos grupos étnicos que impõem pelo poder econômico seus hábitos.UNIR. desde o inicio.

talvez. Nossas reflexões são resultados da investigação sobre o impacto dos diversos fluxos migratórios na estruturação da cultura escolar rondoniense e ousamos apresentar nossas primeiras percepções calcadas no entendimento do pensamento de Adorno e Arendt : a concretização de políticas de massificação e obscurantismo da identidade dos estudantes do norte do País (tanto no ensino superior como na educação básica) visto e ratificado por meio de políticas públicas de educação ao longo dos primeiros anos do século XXI parecem perpetuar uma crise de identidade que se reflete nos processo pedagógicos. Acreditamos que grave também é o fato de que com o argumento de sermos cientistas sociais. nordestinos. Perdem-se as referências.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. Numa perspectiva freiriana de entendimento da cultura escolar como possibilidade de desvelamento do sentido de humanização necessário e esperado na função docente. não cumprindo para tanto seu papel de libertadores e provocadores da emersão da consciência que leve a humanização e. renegam suas raízes culturais e adotam como padrão de comportamento aqueles praticados nas novelas cujos enredos se passam em uma fictícia São Paulo ou hipotética e idealizada capital carioca.com. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . sua capital. formalizadas as possibilidades de universalização aos espaços da escola pública: “(.humana socialmente construída a partir de referências locais ampliadas pelo conhecimento e leitura de mundo oportunizada pelo conhecimento da palavra no texto para leitura de contextos. a escola do pluralismo cultural como estratégia pedagógica aproximaria pessoas diferentes por meio do reconhecimento da diversidade como possibilidade do desenvolvimento da cultura de solidariedade que faça frente ao desmantelamento da barbárie. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . ** . sulistas e sudestinos.. não reconhece a diversidade como fator de enriquecimento da cultura: adolescentes morenas e descendentes do caldeirão étnico que miscigenou índios.rosangelah@usp. identificadas com o padrão “rede globo” chapam cabelos tingidos de louro. muitas vezes. bolivianos.br.) O Brasil não conhece o Brasil” (Elis Regina.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR.januarioamaral@hotmail. * . desenvolvemos pesquisas e construímos conhecimento que não circulam. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail.UNIR. quando parecia iminente a imersão na complexidade da brasilidade e finalmente. como professores da universidade pública. *** .. Porto Velho. assume-se como “natural” os processos massificantes da globalização e é esquecido que o entendimento do conceito de diversidade leva ao conhecimento e a igualdade de oportunidades. POUCAS PALAVRAS A TÍTULO DE CONSIDERAÇÕES FINAIS Poderíamos concluir esta reflexão com as palavras contidas no refrão de uma música popular tocada a exaustão nos anos finais da década de 70 e que nos reporta a adolescência e ao começo da agonia da ditadura militar. esquecem expressões idiomáticas próprias de sua região.1979). Em Rondonia. possa minimizar ou desaparecer com a barbárie e a intolerância e seus efeitos perversos no desenvolvimento de consciências.com. .

e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia . . medidas e leituras de mundo que fazem parte de sua cultura. tal parcialidade é condição para que sejam estabelecidos relações no contexto em que este texto será lido.Mas. e que não guardam similaridades com escolas do norte do Brasil. sem se voltar para as especificidades locais e para as contradições que constituem os seres humanos. Segundo Hilário. Fazer valer o direito a igualdade sempre que a diferença nos inferiorize e reivindicar a diferença sempre que a igualdade nos descaracteriza (SANTOS. Neste sentido a formação encontra-se amalgamada junto às alternativas viáveis e mais prováveis que venha a contribuir para o desenvolvimento de uma cultura da paz. E precisamos considerar estes saberes e sua cultura na hora de formarmos o profissional da docência que vai iniciá-lo na aventura do conhecimento. temos de nos ater aos rigores metodológicos da construção do conhecimento.] Não podemos nos esquecer. de seu “estar sendo “ no mundo..com. de certo modo.Professora do Departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de Rondônia -UNIR. que ao analisar considera contextos em que se formou e que lhe foram benéficos. projeto pedagógico padrão numa proposta de escola que seja de fato inclusiva e emancipadora. Exige. experiências. Todos os espaços. manter a objetividade ao tratar de tema tão delicado quanto este da elaboração de um currículo voltado para o pluralismo cultural como valor a ser agregado aos currículos das escolas de educação básica não é fácil.Profesora do Deparatemnto de Psicologia da UNIR.com. 294) A manutenção do totalitarismo e da intolerância se constrói a partir do entendimento da diferença como diminuição do outro. A Universidade Pública não deve continuar entendendo o “estar sendo” como único e acabado.. [. 2000) é razão suficiente para um repensar de nossa condição humana. Entretanto. * .rosangelah@usp. do mestre Paulo Freire: a leitura da escola precisa completar e ampliar a leitura do mundo. nesta perspectiva. ** .UNIR. como possibilidade impar de ter acesso a liberdade de escolha por meio do conhecimento. pensadores em processo de consolidação. (.januarioamaral@hotmail. Mas. que urge iniciarem-se nos ambientes recém-facultados as camadas populares. incluindo-se aqueles anteriores a escola.. são espaços formativos e precisam ser entendidos como tal. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia – valeriaoliveira@hotmail. *** . histórias. ou seja. premente na sociedade contemporânea. (p. para que sejam estabelecidas articulações que permitam refletir sobre as implicações do pensar “padrão” sobre as práticas desenvolvidas na escola.. a assunção de uma parcialidade no que se diz ou explicita: toda a minha elaboração mental advém de um olhar estrangeiro. Não é possível pensar em “escola padrão”. mais uma vez.) Conhecimento que não circula perde o valor. e membro do Grupo de Pesquisa Políticas Publicas e Sustentabilidade na Amazônia .br.Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia . Os processos de desumanização são o primeiro passo para destruição da cultura da paz. Todos os alunos trazem junto com suas expectativas em relação à função da escola e do conhecimento formal em seu projeto de vida.

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