DÉCIO

PIGNATARI

I a éd., Editora Perspectiva, 1971 2 a éd., Editora Perspectiva, 1973 3 a ed., Ateliê Editorial, 2004

Ficha catalográfica elaborada pelo Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP Pignatari, Décio. Contracomunicação / Décio Pignatari. - 3. ed. rev. - Cotia: Ateliê Editorial, 2004. 272 p. Inclui índice onomástico. ISBN 85-7480-207-7 1. Comunicação. 2. Literatura. 3. Arte. I. Título. CDD 302.2 Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto N° 1825, de 20 de dezembro de 1907.

SUMÁRIO

GUISADO DE PREFÁCIO

11

1 . ENTREVISTAS E DEPOIMENTOS

Entrevista Depoimento 1 ... . Depoimento 2 A Comunicação Pensada (Entrevista)
2. COMUNICAÇÃO

19 27 31 33

Uma Escola de Comunicação Código & Repertório Formação e Informação
Inaugural)

43 53

Universitárias (Uma Aula
. ?Í\VV/V. ^M'?. 61

Mensagem e Massagem de Massa
TV Cultura no Ar - Canal 2, São Paulo Um Novo Gênero Literário 75 81

69

3.

Literatura

A Situação Atual da Poesia no Brasil
Vanguarda como Antiliteratura Qorpo-Santo Antologia Sincrônica? Apor o . T X T 1 3&L-Ç, cXo f=-£.gft;TS H 0 PtiS^QO I fy o
4. Tripé k j j r /

99
121 127 131 137 (ç j í,
*

n » « < «

Marco Zero de Andrade Teoria da Guerrilha Artística
A Vida em Efígie (Caos, Caso e Acaso)

149 167
177

5.

Terceiro Tempo: O n z e

Crônicas de Futebol

(1965)

Flama não se Paga Bola Carijó . . Ademirável da Guia Bolítica Sem Piedade, Mané! Ama Dor Rivelino e o Dragão Grosso & Fino - 1 Grosso & Fino - 2 . 500 A.C. Chega de Campeões! - 1 Chega de Campeões! -2

189 193 . . . . 195 199 . 203
207

211 213 215
219

223 227

. 253 265 . Volpi O Que Acontece quando o Happening Acontece Antiarte Artística Metacinema-. ARTES..6. 233 239 241 247 . Mad in Brazil ÍNDICE ONOMÁSTICO.

.

rede aberta. eventualmente. E porque é assim. quase tudo e seu etc. a epígrafe-prefácio do Coat of many colours à guisa de posfácio de prefácio. Mr. Ilustrado. essa pequena guerra sem frentes e só de frentes. esse agora. Um trencb coat.Este é meu coat of many colours. autocorretivo. Em tudo. Diz Herbert Read que Henry James fez do prefácio um novo gênero literário. museu orgânico do homem. dos desbotamentos. umas tantas lutas. A explosão porno-erótica não foi apenas contestação à repressão sexual cristã. transcrevo. mas também ao dinheiro cristão . vida.G U I S A D O DE PREFÁCIO .. camuflar até o que se quer captar. uma vez. um sincronismo. pontos e pespontos de certa contemporaneidade. planejamento aberto. traduzida.... Rosa sabe. poesia. a cultura. Um outro nome para este livro seria Guisado de Prefácios. Texto têxtil. mais de uma década. neutralizando os desprodutos do assalto predatório ao homem biológico. prefácios a. Read. o novo como processo de recuperação viva e crítica do passaturo. tinto. desordem mais ou menos cronológica. uma espécie de meia-idéia. coerência com retábulo de retalhos. como poderia dizer Augusto de Campos. 0 lucro exige um tempo linear. cameraeye.e . Un livre comme je ne les aime pas/Mallarmé.

de Eisenstein. Em A linha geral. para deus-e-o-mundo. muito tudo. perceber. Separação forma/conteúdo. espalhará. Tarefa para jovens: recuperar o passado que os velhos querem enterrar. assim como há graus de comunicação . O Packard serviu de modelo ao desenho industrial dos carros soviéticos. não . os números se impõem ao corpo e à tecnologia: nos Estados Unidos.e o "significado" flutua pela cravelha: é o n + 1 do mundo dos signos. body expiatório. Há graus de incomunicação. anti-"progresso". A linguagem é a tecnologia das tecnologias. a automação desloca cerca de 40000 empregos por semana. ora signo. idealismo. 1987.adeus ao mais direto. Marx e Pietro Ubaldi no mesmo cordão. Henry James/Pound. diversos graus. Mas os grandes formalistas russos foram decapitados: a arte acadêmica dos salons burgueses europeus do século XIX tinha muito mais "conteúdo". A Banda e a protofonia de O Guarany. como Valéry viria a descobrir. Sem o incomunicável. para seu inteiro espanto e revolta. Muita gente. visão linear. Uma questão de tema. com uma caneta-tinteiro e um bloco de papel. corpo. E Napoleão foi derrotado pelos misteriosos estilhaços de um obus recém-inventado pelo coronel inglês Shrapnell. presente. Para haver comunicação. demais ou demasiado pouca comida. Um novo antilinear. o trator é Ford. As diferenças são o incomunicável. é preciso haver diferenças. a pretexto de "humano" e "realidade brasileira". O primeiro sputnik 93% brasileiro. Einstein criou a teoria da relatividade. O mundo da linguagem. 1905. a matemática é a metalinguagem das linguagens. para gáudio dos culturólogos burocráticos do subdesenvolvimento. vida indireta. deles. recuperar o futuro que desejam igual ao seu. como viriam a descobrir os stalojdanovistas. Os que desejam o lucro ideológico à vista acabam por arreglar-se com os que aspiram aos psicosmovisionarismos a prazo.

para o escritor do realismo socialista. canta-se menos e mal. Caetano Veloso. vida. O signo é contra a vida. 10!=3 628 000 chaves diferentes. a informação original. Quando os aedos populares partem. "O canto é que faz cantar" / F. Read. Foi por volta de 1900 que a palavra "beleza" começou a ceder lugar à palavra "vida".há comunicação. as questões formais são de primeira importância" / Ralph Fox. Eu sou muito comunicativa. ob.. . "Quanto menos explícitas as opiniões políticas de um escritor. cit. tanto melhor para a obra de arte" / Engels. não acha?" . O que pode ser imitado não é informação principal. o Sr. Pessoa.disse a moça. nem os gêmeos.. viver não é preciso "/um general grego. N u m mundo em que todos sejam artistas. memória na carne. O exemplo da chave Yale (o código genético é mesmo digital. Jakobson?): permutando-se 10 elementos. "Acho que vou cursar Comunicação. "A obra de arte é primeiro obra.o kit já é um começo de abertura. depois obra de arte"/ F. E o kitsch salvaguardará a beleza da vida atrás de um delicioso mau-gosto. E a qualidade da vida decai. observou Valéry. coisinha de candura. Fernando Pessoa. um tanto desconsolado. a arte pretende ser um signo de recuperação da vida. morreu lutando na Guerra Civil Espanhola . Pessoa. "Faço parte da oposição chamada vida'VBalzac.e. "Navegar é preciso. O incomunicável é o signovo. como no futebol um mundo sem "arte" . forma e conteúdo estão inextricavelmente ligados e inter-relacionados pela dialética da vida . N ã o há duas pessoas iguais na loteria do código genético. "E completamente estranho ao espírito do marxismo negligenciar o lado formal da arte. crítico marxista inglês. Comunicação de massa sem massificação.apud H. Para Marx.

A beleza irreconhecível é maior nos começos. é um pensamundo concreto. não seria um filme" / Antonioni. Quando alguém pergunta: "Que quer dizer isto?" diante de um quadro. sem dela desprender-se. "Grande arte é notícia que permanece notícia" / Pound. elementar. Toda revolução é uma invenção-recuperação de estruturas. porque labora ao nível das estruturas da linguagem. que fosse uma base para a construção de acréscimos sucessivos . Seria preciso que o homem se acrescentasse à criança. Quando guaraná for coca-cola. planejada ou não. devir e não apenas ser: 1 . como acontece.para ter-se consciência dos processos intersemióticos.. diante do elementar. porque nós nos parecemos e nos repetimos.não só de língua . tudo se parece e se repete. tudo se torna igual ao que somos. ante tudo o que é novo: pois tudo é novo para quem é novo. que é usura progressiva.. Pessoa. As coisas informam mais em seus inícios.que não a destruíssem. ser capaz de. E tende a incorporar as explicações como sendo o "significado" do quadro. Permanecer "primeiro" em presença das coisas primeiras. é design da linguagem. que a criança subsistisse dentro do homem. e tudo se torna poeirento e cinza. Poesia é um tudo. Un coup de dés. criadora do Destino: "ou tudo ou o seu nada" / F. continuar a ser novo. "Se o meu filme pudesse ser explicado. sempre. uma significação de tudo. Continuar a espantar-se. por exemplo. A hora do lobo / Bergman / é a hora terrível da defrontação com a linguagem. Toda poesia refaz o nascimento da linguagem. Veja-se Edgar Poe e a revolução tecnológica e industrial norte-americana. e até o fim. mas é preciso ser também um primitivo. do homem e das coisas . está pedindo explicações verbais.ou seja. e grande arte é know-how insuperável: não sofre o processo da obsolescência.Arte original é prenuncio ou acompanhamento de knowhow original. Arte é know-how de linguagem. Não basta ser apenas um primitivo. E preciso ter consciência de linguagem . Não ceder ao hábito. a propósito de Blow-up.

. ob. 33. n.não imóvel.apud H. 1944 . em contato incessante còm o que se transforma. F. transformando-se a si próprio. mas com esse retorno a si mesmo. Kamuz. . que a criança não tem. em meio ao que é móvel. como a criança. mas em movimento. C. Fontaine. cit. Read. "Pages de Journal". em direção a um interior onde se recolhem e se ordenam as coisas. entregue totalmente ao exterior.

A palavra falada: as sagas da tribo. A escrita: os poemas épicos. Os quadrinhos: Flash Gordon. A "realidade cambial" chega também para os deuses e heróis: o Super-Homem chorando. Wagner. Os processos intersemióticos. A pitografia: Altamira. Eisenstein. A orquestra: Beethoven. funcionando como metalinguagem de outro. . Televisão: homem na lua. Um meio. Batman. Griffith. Depois vem a sátira. essa forma de metalinguagem. primeiro epos da aldeia global. Da Bíblia para a grande urbe do capitalismo protestante norte-americano: Super-Homem.Toda linguagem se inaugura. esse épico da gravura. Alex Raymond inspirando-se em Gustave Doré { e este em Miguel Ângelo . O cinema: Méliès. O Príncipe Valente. veículo ou linguagem.a épica do afresco). épica do além. se re-forma e/ou reafirma em epos. A Música: ritual dos mortos.

ENTREVISTAS E DEPOIMENTOS .1 .

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Os ingleses batizaram de poemas semióticos. ser concreto histórico. por exemplo.Que futuro vê para o concretismo? R . Qual poesia concreta? Urge aplicar os índices de Korzibski. delimitar. vindo de sua grandeza. . sem atentar para o seu presente". vale. vai mudar. para maior clareza: Poesia Concreta 1956. Besteira do Augusto. todo mundo se preocupa com o seu futuro. Há nove anos nos fazem essa pergunta! A poesia concreta mudou.Alguém já disse: "Quando surge uma coisa nova. tem mudado. Poesia Concreta 1958. E assim mesmo distinguindo peculiaridades individuais . selecionar o que estamos falando. Poesia Concreta 1962.. É preciso saber. no que se refere à sobrevivência e à independência criativas. Luiz Ângelo Pinto. se vem fazendo poesia concreta sem palavras: Wlademir Dias Pino. Poesia Concreta 1965. Mas se os chamou..ENTREVISTA P . Augusto de Campos e eu. Há três anos. N ã o é um ismo.embora nosso duradouro trabalho em equipe seja uma experiência e um fenômeno dos mais notáveis em nossa ou em outras literaturas. Ronaldo Azeredo. Augusto prefere chamar os dele de popcretos. Pois a poesia concreta só pode mudar.

ainda.. o anúncio linguagens novas. quando um general pouco mais italiano se lembrou: Ma quello no conosce strategia. sobre uma garganta. Verdade que não se vê presença de poesia nenhuma. em seu estudo sobre Camões. esfarrapado. Sinal de que está sumindo de vez o que chamamos tradicionalmente de poesiá.P . da militância e da vida . Tudo é possível! O insulto a Oswald de Andrade é típico . digestos. cinema. enlatados). Você viu aquele troço do Ledo Ivo. provoca um certo alívio em todos os críticos. 0~jrrrniÇ-õ-seíííanário. da prosa. chutão. do pensamento bruto. E o livro. que ameaçam voltar? Passeata crepuscular de zombies.A pouca presença quantitativa da poesia concreta na imprensa e em obras publicadas.esses márioandradinos. Televisão. Estavam traçando planos de combate. fosse um gênio da poesia. está nos fundamentos da linguagem em relação aos meios de comunicação de massa e à compressão_da informação_( iriformação sintética. não está favorecendo o retorno da "poesia do amolecimento?" R .. de Garibaldi. Os moles retornam sempre. Admitir que aquele palhaço. Ezra Pound já dizia isto mesmo: poesia está do lado da música..não é literatura. Lembro uma história que Volpi conta.muito duro. por onde deveria passar o povo em luta. E os goza agora. da pintura. inculto. certamente. Poesia. O EstadoMaior dos exércitos papalinos ítalo-austríacos reunidos na montanha. Coisa chata. está. O que eu acho ótimo. Oswald sempre os gozou. chanta. chata. na Manchete? A revalorização do soneto e de Coelho Neto como conquistas de 45! Grande terra. Há quase meio século atrás. Garibaldi tinha que passar por ali. hoje. Ci pensi: sbaglia . Pela lógica obviedade estratégica. rádio.E. fiados na perenidade do sistema literário. para mim hoje. a literatura . Você se refere a alguns de 45. O que. da escultura . poesia. para a massa.. esta. professores e leitores do sistema.pA poesia concreta tem pouco que ver com as noções literárias de poesia e literatura...chão.

de Augusto. P . N a publicidade. Sua grande contribuição foi a tentativa de quantificar a infor- . na música. SP). Ninguém quer compreender o significado da atuação em âmbito internacional? Não falemos da influência. por Gilberto Mendes. é um bem necessário: redundância que propicia informação (invenção). Falemos. que ninguém mais se lembra de suas origens. desse tempo.strada . A sua teoria do texto já está no planopiloto para a poesia concreta. O nascemorre. também. declarada ou sonegada. Livros e cadernos escolares. Na evolução dos jovens músicos de vanguarda. O diabo é que o mundo está acontecendo à revelia do Brasil: se organizássemos hoje uma exposição da influência e repercussão da poesia concreta em todo o mundo . com o salto participante. Mas. uma exposição em Oxford. Sua classificação dos textos considerou largamente as realizações concretas.nas outras artes? R . Algumas letras de músicas populares. se pudessem.e fa ofèssa a noi! Oswald não conhecia estratégia: errou o caminho e estrepou todo o sistema. como queira .o sistema cairia de queixo e costas. Bense elaborava sua teoria do texto quando a poesia concreta já partia para uma poesia de contexto. A poesia concreta ortodoxa. de 1961 (II Congresso de Crítica e História Literária. é grande. respectivamente. e uma nova antologia na Alemanha.ou poesia concreta. de Haroldo de Campos. já é o texto bensiano. Os poemas em cores.E a influência do concretismo .Particularmente. aqui. Agora mesmo.conquistas hoje já tão assimiladas. um trabalho de cooperação: meus poemas organismo e movimento. na evolução do pensamento de M a x Bense. sim. nas artes gráficas . musicados por Rogério Duprat e Willy Correia de Oliveira. de 1958. Assis. até hoje. M a s os diluidores se apossariam até do primeiro rabisco do homem das cavernas. no decisivo influxo da poesia concreta teórica e prática. já em 1955. oralizados pelos músicos. Isto de influência.

neo-realismo socialista que repontava. eu me lançara o desafio: chegar a uma poesia de vanguarda e participante. Produzi uma tese-destampatório. em 1956. meus poemas Terra (1956). surgiram os CPCs. P .das as formas caboclas de estalinismo-jdanovismo. Quando tudo ficou menos simples e mais quente. dentro do grupo de artistas concretos (também já pintei. Zipf e vários outros. redundância e informação). com o estampido do XX Congresso do PCUS_na cabega. na sua opinião.não à inimizade . a experiência tentada por Wlademir Dias Pino e outros poetas?* R . o manifesto Por uma Arte Popular Revolucionária. e os violões de rua. viu-se o carreirismo desenfreado de quantos realistas-socialistas! Desta vez não! NÃO.com ele. As violentas disputas com Waldemar Cordeiro.Um pouco de história longínqua. que é de três anos depois. o grupo de Cordeiro (eu no meio) lutava ao lado deles. escrita em dois dias. quando este ainda integrava o movimento concreto . 1956)..).mação estética por meios estatísticos-informacionais (cálculo de entropia. Já em colóquios-discussões com o músico Pierre Boulez (1955). para o III Congresso de Crítica. . entre os quais o brasileiro Tulo Hostílio Monténégro (Análise Estatística do Estilo. realizado em João * Pela própria data da entrevista (1965). em prosseguimento aos trabalhos de Fuchs. e Coca-Cola (1957). neo-jdano-vismo. dando conteúdo participante à arte de vanguarda (grande contribuição de Cordeiro). Após o salto participante (1961).e não do rebatizado poema-processo. IBGE.Que vem a ser. Sentir-se pressionado à má-consciência era uma chantagem oportunista. Em plena fase ortodoxa. mesmo. Voltei da Europa. para a coisa terminar sempre em decisões de reboque. que talvez caiba. de Carlos Estevam. Era o neo-estalinismo. disposto a investir ç()ntra-to. Durante anos. levar-me-iam ao rompimento . vê-se que se trata dos primeiros poemas-código de Wlademir Dias Pino..

.mas não foi publicada. Acontece que. Paulis* Correio da Manhã. da Universidade de São Paulo.Edgard Braga é alagoano.. paranaenses. 1 i " • 1 1 i m lidade da máquina e dos meios de comunicação de massa. acho que não se perdeu grande coisa. Pediram-me para publicação no Tempo Brasileiro . José Lino Grünewald e Ronaldo Azeredo. Ng_ssa_b a n d e i r a foi JVlaiakóvski: Não há arte revolucionária sem forma revolucionária. em maior número. publicados pela primeira vez neste jornal*. dois anos antes! Ele não conhecia estratégia. junto com outras e novas experiências concretas (Edgard Braga e Augusto de Campos.) e da Teoria da Informação e da Comunicação.e agora. Em todo caso. no Suplemento Literário de O Estado de S.Como explica a posição de Ferreira Gullar na poesia nacional? E a sua própria e dos demais componentes do grupo paulista em relação à realidade brasileira? R . Pedro Xisto. Paulo . de Londres. mato-grossense.. P . Luiz Ângelo Pinto (engenheiro e poeta. cariocas. especialmente). na revista Invenção 4. ' l i .. 1962.. . 24 anos) e eu trabalhamos juntos. Durante ano e meio. O proElemada comunicação não poderia ser resolvido em termos demagógico-artesanais . Não sei por quê. Surpresa nossa: chegamos a uma nova linguagem concreta: são os poemas-código ou semióticos. em seguida no suplemento literário do Times. pernambucano. Wlademir. Importância desses trabalhos? Mas é o ideograma projetado! Possibilidades inimagináveis de compressão da informação por sintaxe analógica bidimensional. Um ter-ro-desse_íipo é um erro ideológico.. na hora da descoberta.contra a linguagem e a reail ' .. inclusive realizando modestas pesquisas com o computador eletrônico do Centro de Cálculo Numérico.Pessoa. lembrei-me de que Wlademir Dias Pino já havia chegado lá.. Parti para o estudo mais detido da linguagem (não língua... que está nas livrarias. Leminski e Paulo Paes.

Sbows participantes: quem lhes nega a repercussão na elite. Fascinante peripécia. Artes plásticas! Horror. • Redimensionou-se e voltou à carga: renovação de símbolos. forma de luta válida para as classes altamente artesanais? Mas a revista Capricho e a revista Seleções tiram meio milhão de exemplares por mês.. barbaridade. de explosão de objetos poéticos . Porque ele parou no meio do processo e ficou girando a vácuo.da qualidade e da estética. Eu também não entendia.. destruição física da poesia (projetado espetáculo. Caiu no engodo ^. Ataca pelo avesso: faz versos para acabar com a poesia. apenas levo em conta a linguagem dos próprios meios de reprodução. Ferreira Gullar foi um excelente poeta.tas. Que pouca gente entendeu. agora. partir para a grossura. Caiu no visgo artesanal . A poesia concreta veio mostrar que o que se acabara fora apenas o verso.no artesanato ideológico ou na ideologia artesanal. naturalmente. Mas se equivocou de avesso. Sem contar Oswald de Andrade. Consumo em massa. ainda que pelo avesso? A poesia concreta está voltada para o consumo. Luiz Ângelo e eu. Hoje julga poder deixar de sê-lo . apesar de onipresente. só no Rio? Quantos rádios? Não há posição nem atuação revolucionárias efetivas sem a radical consciência da nascente realidade industrial e dos meios de comunicaçãp^Ésmiassa. Haroldo.para poder sê-lo. Não percebe que isto é religião. Na verdade. Confundiu poesia com verso (A luta corporal): a poesia acabou. Mas agora entendo . y Gullar_ainda parece acreditar na coisa-em-si. pelo menos. como queiram. E a .ou lá que nome tenha .. Quantos televisores há. não-objeto. É uma posição tática: ele não pode fingir que não conhece estratégia.que infelizmente não se realizou). Faz crítica de artes plásticas para acabar com as artes plásticas.. Eu. só estes pobres sujeitos: Augusto.que não possa ser reproduzida. Só há quantidades. mesmo. Acho que ele ainda acredita na Grande Arte. não faço poesia . n o i ^ ^ ^ ^ ^ ^ v l a s não h á j n a i s cqisa_em si.e não concordo.

.Quantidade é qualidade. ou seja. Agora. Só que pelo avesso errado.. acho que alguma resposta já dei no que disse mais atrás. sobre Vivre sa vie.hf ACOMUNICAÇÂO'i 25. também publicado no último número de nossa revista** e onde citamos uma excelente observação de Bense. 2 O belo é o significado.O uso é a comunicação. nova.pois como é que essa gente pensa que se cria uma nova indústria ou uma nova linguagem? E como uma linguagem desse tipo. 4 . E eis o meu Brevíssimo Tratado de Antiestética Semântico-quantitativa: 1 . C o t ^ v H K Aft O q ? P . nessa fase.Estaria a poesia concreta condenada a se omitir diante dos graves problemas econômico-sociais do País? Ou acha que o concretismo é um movimento atuante dentro de sua sistemática. 3 . • ** Fevereiro de 1965. Eu só~me smtcTínclinado a atacar pelo avesso como Ferreira Gullar. passamos ao consumo. Luiz Ângelo e eu desenvolvemos o tema em nosso trabalho Crítica. é prova de sua ação perturbadora. Informação (que levou à poesia semiótica). de Goda rd?U~âproTfe~íe Walter Benjamin. pode ser uma linguagem majoritária? A sua radicalização marginal. inquietante. Só que eu quero atacar industrialmente e n a d a faço ou digo que n ã o me envolva em consciência * N 2 4. e até mesmo "inquietante" para a sociedade burguesa? R . Em resumo: os valores da classe dominante se fixam na linguagem dominante. Bem entendido: Gullar está certo. Como não podia deixar de ser. como você diz. _que-é-0-níy-el-da_produção . dezembro de 1964.O significado é o uso. primeiro trabalhamos _ao nível sintático. Maldito artesanato. Quanto à segunda.' luta toda está nisto: preciso 1er e reler o artigo de José fcin'^^^îtSR^MgïKP^ de Invenção*. à semântica e à pragmática.Q u a n t o à primeira pergunta. Criação. A perturbação dessa linguagem constitui uma ação inquietante.

e estado de massa. Acho que a associação . layout-men é desenhistas de produção de-filmes. criadores_de-histór-ia~em_. daqui. ^Só^se.nova. visando à linguagem e aos meios de comunicação adequados. Cordeiro e Gullar foram para o artesanato artístico. Chance & choice.quadrinhos e de fotonovelas. como na vida.. comunicação e vida .de comunicação cJe/mass as^-que estão demiindo^essa j u k u r X j ^ z s e l g c i g n a d ^ Q ^ n t i d a d e s | massa. com a Escola Superior de Desenho Industrial. Mesmo porqüe a massa e os meiqs .deve incentivar e congregar.Associação Brasileira de Desenho Industrial. acaba de levar a cabo. Linguagem. J ^ o j i n o j 3 a ^ d o . ajerrudo m e r a m g n t e j s ^ c o . . de resto (especialmente a de Augusto . N a lingua-gem. Augusto topou . também. especialmente aquela pop-precária e antigaleria.que.fox^m plena Rua São Benele procurou Augusto. Ou melhor: antiarte de galeria. Teoria da Informação e da Comunicação. um sério Seminário sobre o Ensino do Desenho Industrial . Invenção.a r t í s t i c o ^ N a d a de impingir à massa o que chamamos cultura. tenho lutado pelo Desenho Industrial. _ C O T 4 e [ r o j t ^ procurou para fazer mos algo.máquina. Nestes quatro ou cinco anos.e ëlês~fizeram arte de galeria. de tremenda contundência social. linguagem. Tampouco a antiarte . Ajudei a fundar a ABDI .a não ser como tática localizada de ataque pelo avesso errado. Interessantíssima. mas com meios inadequados). Engraçado é que os realistas-socialistas são contra a pop art.eis o que ha^de novo. como^na. A arte não me interessa.a suacapacidade^de criãrTAcaso e escolha. E só tenho proferido palestras e aulas sobre desenho industrial. pãrã~qüe ela^^envo!? va a sua c a p a c i d l S i ^ ^ ^ p ç a ó ^e seleção . publicidade.

DEPOIMENTO 1 & já que não há mais nada a fazer com Drummond de Andrade & João Cabral de Mello Neto & Bandeira & nem falemos de outros & se não aprenderam com eles naquilo que têm de mais didático e radical como se_chega ao fim do que se costuma chamar de poesia & se não perceberam que poesia é linguagem & se não aprenderam com Poe & Mallarmé que poesia é linguagem & se não perceberam com Sousândrade & C Oswald (João Miramar &c Poesias Reunidas finalmente de novo na praça . .m anggtejop os seus narizes eorotóti.pag.que vocês estão esperando?) ôí com os poetas concretos que poesia é ÜnguagemJ&^não língua) & se não perceberam que poesia é linguagem e não língua &c que o que se costuma chamar de poesia chegou ao fim & se sequer perceberam que a palavra escrita é apenas uma codificação convencional da palavra' falada &c se ainda se preocupam com a correção ortográfica & não se aperceberam das novas realidades gráficas tipográficas magnetofônicas audiovisuais & se não perceberam isso muito menos vão perceber que a nova poesia nasceu há mais_de dez anos sob os seus narizes 8c a poesia concret-aínasceu sob os seus nan-zes por um descuido do sister X ma & est^E£^íÚ!ÇãeLafir.^ dã"lingu^gamoc .

vio_&c.a.b..noxO-é.usca dcTbelõ" conduz ao estetismo 8c á busca do eidos belo é coisa de idiotas jg alienados Sc o belo se existejsó_existe útil e momentaneamente nà sociedade de consumo em massa por uma lógica estatística da preferência Sc se vocês quiserem as coisas muito bem explicadinhas nos seus mínimos detalhes eu não vou fornecer Sc nós não temos feito outra coisa há mais de dez' anos agora chega Sc se vocês quiserem para começar leiam a Teoria da Poesia Concreta provavelmente na Biblioteca Municipal de São Paulo Sc e se vocês detestam a poesia concreta procurem o verbete semantics na enciclopédia britânica para saber por que a poesia é sempre concreta 8c os velhos dispõem de mil formas de corromper os moços vide Pirandello Os Velhos e os Moços 8c uma delas é a defesa do verso 8c os moços defenderão o verso até a morte tudo serve para defender o verso a começar pela psicologia ah o mistério da criação 8c a psicologia experimental que é a única que conta já partiu para a linguagem S^a "puesi"ã~experimental que e a única que conta é a linguagem das linguagens ao nível sensível como a matemática o é ao nível da lógica 8c lançam mão de tudo para salvar o verso ritmo linear lógica aristotélica discursiva inerentes aos sistemas lingüísticos não-isolantes (as coisas muito bem explicadinhas.) 8c lançam mão do folclore outra vez que chato 8c se necessário lançarão mão da palavra nacionalismo 8c o que estamos vendo de novo em processo é a provincianização da cultura 8c não é à toa que certos trechos do Bicho lembram o Juca Mulato 8c que na capa da Revista Civilização Brasileira aparece aquele pescador típico dos__velhos-.bons-tempQS-&-a~rede_de_m'/ow não apodrece .ób.chegou ao fim o que se costuma chamar de poesia concreta que eles tendem a não chamar de poesia 8c é explicável 8c ainda bem 8c Nathalie Sarraute chegou aqui disse uma coisa-px^ padrões 8c já estas coisas vão por minha"contaoc vocês n â t r reconheceram oJ)Jelo-no-signo..

.. . _e st ú d i o s_d e_£el e vi s ã o 8c esperemos nas futuras faculdades de comunicação de massas 8c enquanto os chamados poetas se comprazem na angústia na luta pela expressão e na crise da poesia mando meu abraço a Paulo Leminski em Curitiba 8c a Luiz Ângelo Pinto que aceitou o extremo risco de cursar ciências sociais 8c a esse de repente Pedro Bertolino na ilha barriga verde 8c aos companheiros da revista Invenção cujo número 5 se deus quiser sai este mês 8c etc.onLMrcgs^yfábrica ^e sonar para localizar carduT" mes são qsprimeiros interessados em financiar o nosso fo lclore.hoje nos deliciamos com A Banda &c Disparada 8c é claro que o consumo busca o seu jeito naturalSíãjmdía comunicativa 8c Oswald mostrou que é possível radicalizar-se a média com Sócrates 8c Tarzan '8c que são revoluções'senão radicalizações da média? 8c tudo serve para salvar o verso 8c é preciso pensar em termos de VERSUS 8c Erik Satie realizou ao nível semântico-pragmático o que Webern realizou no sintático 8c os poetas não viram o quase milagroso espetáculo Satie no Teatro Pesquisa tão por fora estão 8c da f orma nasce a idéia disse Flaubert 8c a teoria da informação e Marshall McLuhan estão comprovando 8c é preciso distinguir entre conteúdo e significado para não parafrasear conteúdos já catalogados Scjjmi c r 1 ar_S IG NI fic a dos.eta 8c certa vez um consagrado poeta nos disse: o arco não pode permanecer tenso o tempo todo um dia tem de afrouxar 8c eu: na geléia geral brasileira alguém tem de exercer as funções de medulãlTõss(78c a cultura de massa é crítica em relação à dita cultura superior 8c onde estão os novos poetas? nas agências de publicidade nas redações de jornais_nos. 8c mais a praga do neocolonial dos móveis e imóveis 8c João Gilberto foi mandado às favas 8c.não precisa secar pesa setevezes menos & os grandes países Pg^ugjíosjg. n oyx^íürT" ÍloIflíLpo.

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totem geral. onde se travarão as grandes lutas. chegam a um tal requinte dos sentidos que só podem suportar a grossura do paladar. Sociedade cada vez mais rica. Textítulos. É tempo de massa e de síntese. . de Poe. A tecnologia chega a um tal ponto de requinte que passa a requerer o marco zero de uma NOVA BARBÁRIE para desobstruir os poros. O mundo do consumo substituído pelo mundo da informação. não de centralização. A colagem é a montagem da simultaneidade. Só a NOVA BARBÁRIE abre a sensibilidade aos contatos vivos. O estudante é o operário da informação. Os modelos do consumo de hoje são os modelos da produção de quarenta anos atrás: vide Oswald de Andrade e o tropicalismo do grupo baiano. Não há mais tempo para textos. E tempo de PRODUSSUMO. 1969. O estudante está para a universidade como o operário para a fábrica. NOVA BARBÁRIE: campo * O Cruzeiro. Os estudantes repetem na superestrutura os modelos das lutas operárias infra-estruturais do passado. PRODUSSUMO. Os Ushers. O dinheiro é a leucemia. só para títulos. sintaxe de massa.DEPOIMENTO 2* A colagem é a sintaxe provisória da síntese criativa. textículos. vida cada vez mais pobre.

aberto para os novos modelos da batalha informacional. particularmente as do ensino. ainda que marginalizado . . E contra os cifrões. Além das cifras.e especialmente. o mundo dos signos para a cultura. E a guerrilha artística. É a NOVA BARBÁRIE. N ã o é necessário que cada indivíduo possua um automóvel para que se produza uma nova cultura. O mundo das coisas é para a posse. Atrás de cada mito freudiano se esconde um cifrão. O artista é um designer da linguagem. estão podres de burrice: qualquer novo bárbaro sabe mais do que eles. As elites. A alegria coletiva é a prova dos nove: contatos em profundidade.

Dentro de poucos anos o sexo só terá alguma graça na vida dos sete aos vinte anos. tanto os signos como a vida. E a vida no Ocidente virou Museu. novos sistemas de comunicação etc. Sexo. o Lance de Dados de Mallarmé colocou em xeque a obra: não é nem obra nem nãoobra. ainda no sentido de salvar a idéia de obras. . .A C O M U N I C A Ç Ã O PENSADA (Entrevista) Jornal do Escritor: Do ponto de vista da atual conjuntura . invxnçõesjfu turas. Passou à categoria dos comforts. entram o u } na era da linguagem intersemiótica. isto é. A única coisa que importa. o sexo virou bem de consumo. Mesmo a idéia de obra aberta. hoje. isto é. Enfim. Embora alguns tenham c o n t i n u a d o a fazer obra. ra. Fazem parte da compra. como se situam a obra e o produtor? Décio Pignatari: N ã o há obra. É uma coisa nova. Com a pílula. O computador é o grande instrumento para esse tipo de indagações. Quero dizer que as vanguardas hoje pertencem ao consumo.— Z S j g m o s falando de inven£ão.reprodução em massa. das info rmações de^ gtrjff TS^fr f rlf primeico era**-. coisa como outra.

ser associado e receber a publicação. E está se transformando violentamente. Basicamente. divulgar as pesquisas no campo da semiótica. recusou o posto. quem não viu. E ela visa justamente a incentivar. Ela vai deixar de existir. investigar. O automóvel está destruindo a Europa. não existe mais. Solicitando o apoio financeiro da Unesco. Nesse Congresso será eleita uma diretoria efetiva. Décio Pignatari (Brasil) e um italiano. a ser designado. elegeu-se um comitê diretor permanente composto de um presidente e cinco vice-presidentes. vai ter uma publicação. logo de saída. Essa ABS. Com sede em Paris. que vai ser editada pela editora Mouton. já que Umberto Eco. a AIS comporta dois representantes oficiais por país. em 22 de janeiro. viu. JE: E a Europa? DP: A Europa está se americanizando contra a vontade. Para isso há determinadas mensalidades. Eles recomendam que se formem as associações regionais. este comitê (o que está formado) está encarregado de preparar o I Congresso Internacional de Semiótica. Ludskanov (Bulgária).JE: Associação Internacional de Semiótica??!! DP: A Associação Internacional de Semiótica foi fundada em Paris. chamada Semiótica. Qualquer pessoa pode participar da Associação. a Associação Brasileira de Semiótica. quem viu. dentro de cinco anos. este ano*. Loitman (URSS). Como diz um amigo meu: "Em matéria de Europa. Tal como a idéia que a gente tem dela. Benveniste e os vice-presidentes foram Roman Jakobson (EUA). não vê mais". etc. Nessa data. O presidente eleito foi E. como todas as grandes cidades. na ocasião. segundo recomendações. . eu quero dar para os jovens. filiada à Associação Internacional de Semiótica. E eu estou encarregado de organizar.

Só em Quito. Numa pesquisa realizada pelo prof.eu documentei por fotografia . no Ciespal. é a parte viva da cidade.é a biblioteca ao ar livre de revistas de estórias em quadrinhos. O ambiente aqui no Brasil ficou tão pobre. embora aquelas sejam transportes de notícias deste. Ao contrário.JE: Quais as objeções que faz ao trabalho de Augusto e Haroldo de Campos? DP: Nenhuma. o índio. Esta escola é um órgão da Unesco. É impressionante como o pes- * Cerca de $0. que fazer qualquer diferenciação a estas alturas é besteira. Eu dei um curso sobre Teoria da Informação & Marshall McLuhan no Ciespal (Centro Internacional de Estúdios Superiores de Periodismo para América Latina). A cidade é dividida em partes sul e norte.05. Mas o que é mais bacana ainda é o povo. paga dois reales* pela leitura da revista. JE: Que tal o Equador? DP: A altitude altera realmente o comportamento do sujeito. Nas bancas rodeadas de bancos. o camarada chega. nas classes populares. . vê-se claramente que. A parte sul. tão miserável. senta no banco e a lê. Duas coisas curiosas pude observar no Equador. Há 400 anos ele está esperando a vez dele. auditiva. que existe como nunca. sobre os índices de credibilidade de notícias. Samaniego. Uma outra coisa muito curiosa . eles acreditam muito mais nas notícias transmitidas pelo rádio do que nas de jornal. há 28 emissoras de rádio. O rádio transistor tem uma importância de status: o tamanho do rádio é que confere. O contrapeso da cultura dos índios é ultra-auricular. dos índios. alguns até cobertos. E vai chegar.

é a ideologia de MarsbâlÍMdLuhan servadora? ' 1 con- DP: É simplesmente uma abertura mística>©-qtíe ele dá é uma abertura para o misticismo da Era Eletrônica. J . ^^JE. na mulher normal. evitam ver as "cenas deprimentes da zona sul". JE: Por que vive em São Paulo e não no Rio? DP: Nestes cinco anos tenho vivido cá e lá. tendem a se masculinizar e perder a feminilidade? Porque a palavra escrita é um meio quente. impede a participação e rebaixa os sentidos que. Há duas provas contundentes de que ojrieio_é_a. E estã^isâ^e^strünjralTnaâ^em nada a ver com ideologia.:M-oJTereeiro~Mün~dÕ? ~ "— ——" DP: Acho que a própria idéia do Terceiro Mundo é uma idéia que está se esfacelando.mensagern. que de resto é a visão de M a r ^ B ^ m i m . veículo. Mas tem dois ou três bons jornais. Mas como basicamente meu mercado de trabalho é lá. JE: Politicamente. JE: Qual o melhor jornal do Brasil? DP: O Brasil não tem melhor jornal. gringos e brancos. mas isto não importa nele. ^ que o pessoal detesta e ter que jogar forTWulíW^ecM^rviços dos veículos semânticos. ligadas aos livros. Marx. Primeira: o homem entendido como meio.^ ^ t i M a U s t a . Estaremos sempre em busca de . são mais equilibrados do que no homem. Nesse sentido é conservador.i m . Além de outras ligações. eu fiquei em São Paulo.soai da zona norte.. O que o pessoal odeia ver no McLuhan é que ele transpôs para-Q-veículo ( médiumIj Lvisão mallarma-ica_J~istcrõ~que o" pessoaTdetesta. Como separar a sua forma do seu conteúdo? Segunda prova: por que as mulheres intelectuais.

é preciso incentivar a criatividade. . não existe.um enésimo mundo. Computador é um superveículo ou é a estrutura de todos os veículos. quando a ação atual e próxima dos computadores já começar a se fazer sentir em larga escala. E um livro que eu estou ditando ao meu gravador. em relação aos dois outros. Mas no fundo são projetos de prosa. é um novo livro sobre comunicações. Terceiro. Mas como todos os veículos. para tentar fugir à inevitável subserviência ao know-how de primeira mão. Estamos entrando na era dos grandes números. São duas ou três idéias de um sentido de prosa. em todos os campos. . quando posso.^^-JE: Quais-as previsões para os próximos 50 anos? DP: E engraçado. selecionando. como opção. Em parte se enquadra no que se chama de obra e que eu disse que não existe mais. ou de outro. sua ação só começa a se fazer sentir quando se manifesta em grandes números. vindo das principais potências de um campo. JE: Está fazendo alguma coisa atualmente? DP: Eu estou fazendo três coisas. Vou juntar com alguns outros trabalhos inéditos e publicar um livrinho de ensaios. fazendo a triagem. O que se chama Terceiro Mundo é um mundo que luta por industrializar-se. Resumindo os meus artigos publicados nos últimos quatro anos. Segundo. Definitivamente. É o que se chama de prosa mas de que só esbocei um fragmento e que na verdade não é uma coisa só. E para que ele realmente exista como terceiro. Sobre Comunicação Pensada. que é o mais importante. ou seja. para mim toda e qualquer prosa é uma diluição de poesia. E um longo período de redundâncias mais ou menos aceitas e que formarão a linguagem comum universal do fim do século. Eu vejo para o futuro um certo cessar das transformações.

dos grupos muito reduzidos. A saída deles [do Brasil] provocou uma espécie de hipnotismo baboso da imbecilidade como se pode ver neste IV FIC. Ou seja. Com a televisão acontece o mesmo. Atingiu o pico da criação com o Grupo Baiano [Décio refere-se a Caetano Veloso e Gilberto Gil]. isso se chamaria de que as coisas mais importantes são as que vão ocorrer com as grandes massas. para o Conselho Estadual de Literatura de São Paulo. sobre o Pedro Kilkerry. Só se altera quando o número de televisores já é de quantidade. o trabalho de pesquisa que ele realizou na Bahia. o Mallarmé baiano.JE: Isto não se chamaria de envolvimento? DP: Não. JE: Algum outro recado. uma queda vertical e uma espécie de autoflagelação no sentido de engolir infinitamente o gosto médio intermediário e medíocre da Canção Popular Ocidental. . Quando o número é ainda pequeno não altera o comportamento da cidade. com os grandes números ou no âmbito dos pequenos grupos. Décio? DP: O livro de Haroldo de Campos deve sair logo: A Arte no Horizonte do Provável e o Augusto já entregou. JE: Que tal o IV Festival Internacional da Canção? DP: O ano de 68 foi fantástico.

as aliterações em "Ib". depois... e mais ouvia. e em lânguido repouso. o deus misterioso. Milhões d'olhos de um vago olhar aflito Cobrem-lhe o corpo. um Rubens do soneto! . enfim. A socos e floreios... a cbave-de-oura como informação máxima do sistema-soneto. instigado. Aqui.. são os que avançam recuperando o passado. Começa em retórica boba e. comuns em outros sonetos de Algas e Musgos. ânsia soberana: assim se "comunica" o incomunicável. não deve deixar de 1er Tentanda Via: odisséia no espaço.. Menos falava o deus que não falava. tudo isso olhava Do fundo de uma orelha. adorava o Egito O deus sem voz. porque dizer não ouso: Seguindo estância e estância o antigo rito. afresquista condenado à miniatura. Luís D e l f i n o (1834-1910) Poesia. bons.. E esse deus. do Kitsch ao raro.. Se o leitor. humor cósmico. que o envolvia: E aos seus pés vendo a turba imbele e escrava..do ouve.. vai-se ver. ojDlfiouui.. conseguir encontrar algo do último Luís Delfino perdido por alguma biblioteca. Esse sujeito Luís Delfino fazia versos com pás. os homens como deuses. Porém. Guardando um gesto altivo e desdenhoso.. onde vai. linguagem. picaretas e bilros. Pousava à boca um dedo de granito. N o templo de ísis. informação básica sobre o homem: ruins são os poetas mecânicos de uma época. informação básica sobre linguagem. quanto mais via. E como um olho só. O mudo olhar inquieto ardia em lava.O Deus d o Silêncio Não sei por que.

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2.

COMUNICAÇÃO

U M A ESCOLA DE

COMUNICAÇÃO

Quando, em 1965, Pompeu de Souza apresentou à Congregação da Universidade Nacional de Brasília a proposta de regulamentação da Faculdade de Comunicação de Massa, de que era coordenador e que já estava com os cursos de Jornalismo e Cinema em pleno funcionamento, os juristas consultados houveram por bem horrorizar-se ante o subversivo nome. De nada valeram as argumentações de que a expressão norte-americana mass communication já estava universalmente consagrada e que, em Paris, a Escola Prática de Altos Estudos não se sentia curvar ante o poderio ianque ao manter um Centro de Comunicações de Massa, responsável pela edição da revista Communications, hoje mundialmente famosa. A faculdade foi cautelosamente batizada de-Escola.deX.omunicação Coletiva. Dois anos depois, criou-se, em São Paulo, dentro do esquema de nossas faculdades de filosofia, a Escola de Comunicações CULTURAIS. Isto representou, então, uma calamidade tripla (que poderá vir a ser neutralizada na reestruturação da Universidade): 1 ) representou um retrocesso em relação à Universidade de Brasília, estruturada segundo o sistema das universidades norte-americanas (já em fase de superação, de resto), com a

progressão dos alunos segundo os créditos obtidos, com cursos semestrais e com um dispositivo de integração que muito contribuía para o encanto e vivacidade daquele campus (alunos de química estudando música, alunos de letras estudando cinema etc.); 2) a estrutura de nossas faculdades de filosofia - derivada do mecanismo, do cientificismo e do industrialismo europeus do século passado - já está decrépita; 3) por simples razões de bom senso, de economia e de eficiência, quando já era mais do que evidente a obsolescência das estruturas universitárias em todo o Brasil e no mundo inteiro, um novo instituto de ensino superior (ainda mais uma escola de comunicação!) tinha por obrigação inaugurar e experimentar estruturas novas, a fim de .conter a explosão jlejiepartamentos,_currículos,e_disciphnas, trabalhar^ojno sentido da imp/osão,.,da_.integração,.da-concentraçã,o_ejda síntese. As "traduções" de um nome novo para um nome velho e de uma coisa_noym_para_uma-estrutura-antiga_implicamã~3egradação do significado do ensino da comunicaçãq_e_da_fprmação das elites num campo novo de atividade. A incapacidade de criar e experimentar estruturas novas é o índice mais seguro do baixo repertório de nossas elites dirigentes. E esta degradação do significado da comunicação ameaça contaminar as escolas do gênero que surgem ou venham a surgir nesta conservadora pátria.

O "Lastro Cultural"
Julgam os responsáveis pela organização de escolas de comunicação que é necessário dar aos alunos - no primeiro ou nos dois primeiros anos, principalmente - o que chamam de --^lastro-cultural"v.p.ara_que_eles. ppssam r mais tarde, já profis-

sionais, elevar o "baixo nível" cultural dos veículos de comu..nicação de massa. Lamentável-equívocoTMesmo um professorbem intencionado, como é o caso do prof. João Carlos Lisboa, que ora organiza a Escola de Comunicação da Guanabara, não se dá conta de que a palavra - escrita e falada - já é um médium, já é um meio, um veículo de comunicação, e de que o tal lastro cultural não passa de um empachamento livresco, de uma prisão de ventre verbosa e "literária^, que faz pender a balança da linguagem (que possui muitos pratos) para um lado só, viciando-a com o chumbo do código verbal e provocando efeito justamente contrário àquele que se desejava obter. Intoxicados pelo código verbal, os alunos tenderão a traduzir para o verbal os demais códigos e linguagens (televisão, cinema, jornalismo etc.), com a absurda conseqüência de que não compreenderão a natureza da linguagem para a qual se estão preparand£ profissionalmente! Pergunte-se a um profissional traquejado no jornalismo, na publicidade ou no cinema, o que acha dos alunos formados nas escolas, mesmo superiores, destinadas a preparar profissionais para aquelas atividades - e ele responderá que só a prática ensina... se o aluno tiver talento. De resto, o slogan não declarado da universidade brasileira, como o sabem os professores mais conscientes, assim se expressa: " O aluno só aprende verdadeiramente depois que sai da escola". N o artigo de capa de recente revista Time (7.6.1968), dedicado ao problema dos formandos desse ano, assim se exprime um deles: "A maior parte da educação universitária é insultuosa: despejam-nos em cima um bolo de fatos sem maior importância e depois nos obrigam a vomitá-lo". Vê-se por esse artigo que duas queixas amargas são constantes entre os universitários: a falta de criatividade no âmbito da universidade e o dramático divórcio entre o campus universitário e a vida lá fora. Desabafa um outro estudante: "Só há duas reações possíveis a uma sociedade inumana - a criação ou a destruição". E

vale dizer. dos códigos e das linguagens). da fragmentação. um referindo-se a funções e finalidades. o estudante de comunicação irá diplomar-se em comunicação e tornar-se um especialista em incomunicabilidade. I . lá fora. mas nunca desapareciam.um terceiro: "Senti que estava numa prisão cujas grades apenas se afastavam. Foi-se o tempo da divisão. Era como que um sentimento físico: deste lado. mas um especialista crítico. um profissional que possua^ conhecimento e visão crítico-criativa de outros setores além do 'seu. A continuar as coisas como estão. a universidade com seus portões de ferro. o aluno não deverá perder contato com outros setores. tendo em vista a formação de um novo profissional da cultura: o especialista geral das linguagens e dos meios de comunicação. Os Princípios Dois princípios elementares e básicos devem reger a estruturação de uma nova escola de comunicação. a comunidade". Princípio II (operacionalidade) . do parcelamento e da compartimentação da cultura e do ensino.Integração dos "Media" (ou meios de comunicação) Os primeiros semestres ou os dois primeiros anos se destinam a promover a integração dos media (pronúncia: "mídia"). não apenas o profissional especializado de velho estilo. outro norteando a operacionalidade e ambos intimamente interligados: Princípio I (escopo) . comxursos. departamentos e disciplinas correndo por trilhas e tubula- . Mesmo durante o período de formação profissional.INTEGRAÇÃO DOS "MEDIA" (integração dos meios e veículos de comunicação.O ALUNO TAMBÉM FAZ PARTE DO CORPO DOCENTE (corolário: O professor também faz parte do corpo DISCENTE).

Welles desenvolveu uma técnica especial de montagem. teatro. canto. York. pitografia. o Canal Um. pintura. N . o fragmento de uma sentença. Juntas em rápida sucessão. Quem compreende apenas um médium tornase" um b u r o c r a tir s e rvil^dFss^ mêázM m. Mallarmé. Chaplin: música e dança. fotografando os diversos locutores em primeiro piano contra um fundo neutro. Prêmio Nobel 1965) e Philippe L'Heritier (geneticista) . pintura.) A 20 de fevereiro deste ano*. 1957. música. tipografia. este fenômeno ocorreu também no rei- . telégrafo. música. James Joyce: cinema. as tomadas davam a impressão de uma cidade inteira falando e . Godard. o maior poeta depois de Dante: música. para a incomunicabilidade. utilizando um crescendo de vozes.e os quatro encontraram. Levou isto para o filme. Oswald de Andrade: jornalismo. cinema. em boa parte. da fotografia e da televisão. artes gráficas. escultura. fotografia. Alain Resnais: ópera e histórias em quadrinhos. Kubrik. Roman Jakobson (lingüista). Eisenstein: ideograma chinês. pintura. pintura. Na rádio. Orson Welles veio do rádio. jornalismo. poesia. às vezes. {The Liveliest Art. cada qual emitindo uma sentença.ções separadas. uma linguagem e interesses comuns. Arthur Knight. Inicialmente. dos códigos e das linguagens que contribui. dança. música. Pound: ideograma chinês.o que era igualmente importante do que a cidade inteira estava falando. canto. justamente ao nível de uma compreensão atualizada dos códigos e das linguagens! É a multiplicação explosiva dos meios. emitiu um programa baseado num encontro extraordinário: Lévi-Strauss (antropólogo). Piscator: cinema. ou. François Jacob (biólogo. Mentor Book. Grãndês~criã3ores modernos sempre se chegaram com interesse a outros media. com surpreendente facilidade. quase tudo. da Rádio-Difusão Televisão Francesa.

mais do que nunca. da quai j j j x o f e s s o r j . não é difícil ter consciência do atentado cultural que representa uma escola de comunicação que.Cj3m__ajgum_empenho a fenômenos e bibliografia atuais e af u~ár .muito é3_òlic(TmlisTkT^ em face da explosão da informação.-0-prÕfêssors'g sente como que paralisado e tende a afundar cada vez mais na "rotinas ~~ ü Eis por que o aluno de nossos dias pode "saber mais" do que o professor. II . é a Indústria da Informajjãú. pode acompanhar sequer os títulos das obras que se publicam em todo o mundo sobre a sua própria especialização. com relativa facilidade. importa relativamente pouco "saber muito". Os novos computadores já começam a deter essa explosão por meio de dispositivos "implosivos" de tradução e integração.. que permite a um computador operar na "língua" do outro.s. Quanto mais lê-los! Ele precisa contar com a classe para essa tarefa de atualização geral do conhecimento7de:modoa desenvolver em tojdos-um_agudo-sense-d<£|gy|g nando como um verdadeiro pro-cessador de dados (com'puta=. em lugar de promover a integração dos media. O que importa é saber v r e lac i o n a r liyc~ól sãsTO~cjuê~im porta é_saber onde estão as irF formações adequadas para o processo de relacionamento (mform^iôn'fWtYie'i^^^^^jl peraçào da informa ção). o _ ç o o r d ê n a ^ ü f r T ^ j v g r s j j ^ d e .aber.no dos computadores ("cérebros eletrônicos"). por mais genial e dedicado que seja. Nenhum professor.O aluno faz parte do carpo docente .e s t e. desde que se dedique .dor). Perpié 7 rxojmte a massa de inf ormacões_que o assalta. hoje. Depois disto. Hoje.jLpreciso partir para a reversão da informação explosiva. p_o i s. favorecendo a smtese.Uma classe deve ser uma equipe de trabalho criativo. incentiva precisamente o seu divórcio. onde se notava uma multiplicação babélica de "línguas" e "dialetos" (códigos)._a_implosão. a concentrarão da informar ã o .

6. Teatro 9 10 C) Núcleo de Programação Criativa . cesso autocorretivo e auto-alimentajjQiyxofessor e aluno interTãrnbi and o^se jyttualiz a n d^ilTfõrm a"ç ôë"s._É-prêeis0-que-e-&Hsiao_se_estruture segundo um pro-. Documentação. 2. Teoria da Informação e da Comunicação Comunicação Verbal -. 6. pois. a saber: A) Núcleo Informacional 1. 2. Televisão Cinema Imprensa Rádio Publicidade e Propaganda Recuperação da Informação (Biblioteconomia. Tradução 8. 3. Comunicação Visual l Comunicação Audiovisual Comunicação Sonora J Cultura dos Meios de Reprodução Sociologia da Comunicação (Cultura de Massas) Bf Núcleo Formacional 1. 3. 5. Esboço a Lápis de Estrutura A estrutura básica de uma escola de comunicação deverá articular-se organicamente em cinco setores fundamentais. 4.s e.'Tr a t a . 5. pelo q u a J s ë j ^ s s a T r i ^ ' ao mesmo tempo. o ensino e a'côi¥âëiïsinada.lizadas. 4. de um experimentalismo criativo sistemático.) 7. Filmoteca etc.

) O Núcleo Informacional é de natureza mais teórica. A especializa— . passando o Coordenador (professor). cabendo a suplementação da informação ao Núcleo de Cursos. com entrecruzamento de aulas. que cederão seus lugares a outros alunos. Cabe ainda a esses alunos incentivar e coordenar as sugestões de programações das classes. e cada Coordenador de Molécula se reveza na Coordenação do Núcleo respectivo. Ambos se fundem no Núcleo de Programação Criativa. sempre acompanhado de um aluno-subcoordenador de cada célula ( I a caso) e de um aluno-subcoordenador de cada molécula (2 a caso). As moléculas substituem os atuais departamentos. E é dessa forma que também comporão o Núcleo de Programação Criativa. de composição variável (representantes de cada Núcleo). Cada Coordenador de Célula se reveza na Coordenação da Molécula respectiva. de natureza mais prática. desejavelmente. para posterior triagem e autocorreção no Núcleo de Programação Criativa. no máximo). que ativará cursos compactos. de modo que. a funcionar como subcoordenador (aluno). aqui. Ficam para um próximo "esboço a lápis" a discriminação das células possíveis e a graduação dos cursos. em número controlado (três ou quatro. para efeito de alimentação das programações de todo o sistema. em número variável.D) Núcleo de Cursos (Extensão e Especialização) E) Núcleo de Laboratórios (Estúdios. Isto vale tanto para as células teóricas como para as práticas. após um certo tempo-tarefa. Cada uma das moléculas dos Núcleos de Informação e Formação comporta células (disciplinas). Equipamentos etc. o Núcleo Formacional. conforme as programações parciais ou globais. inclusive proferir aulas. Cada Coordenador de Célula contará com pelo menos dois alunos subcoordenadores. de uma célula à outra. todos tenham a oportunidade de exercer a função junto a todas as células. com professores convidados.

por segurança e para copiá-la. Internamente: programações propostas pelos alunos. esta possibilidade deve vir acompanhada.ção. em que necessidades galopantes passarão por cima de mil portarias. Quanto à Molécula-Tradução. Para finalizar: Claro que sabemos que mil leis e regulamentos logo formarão clamor na boca de mil interessados passadistas. por exemplo. Externamente: os cursos compactos organizados pelo Núcleo de Cursos. do estudo da possibilidade de assimilá-la a alguma célula já existente ou de um reagrupamento destas. tem início após conhecimento e alguma experiência em relação aos demais media. em ligação com o Núcleo de Programação Criativa. E em função dessas pressões que se verá da conveniência de criar novas células.. a próxima reestrutura-/ ção da Sorbonne. sempre.sem dúvida uma de suas funções mais importantes . porém. / . não se limitará à tradução lingüística . nos últimos semestres.mas comportará também uma Célula de Tçadução_ Intersemiótica (tradução de um sistema de signos para outro: do sistema sonoro para o sistemTvisüãl7p5gxêní r " pJoJJPara efeito de atualização.. Dia virá. A não ser que fiquemos aguardando. o\sistema deve sofrer pressões tanto internas como externas. numa autêntica invasão inf ormaclõ"-" nal de estudantes "bárbaros".

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a baixa capacidade de manipulação acarreta um repertório mais redundante. . um maior teor possibilístico de informação. entre o previsível e o imprevisível. mas uma relação estatística entre o que se conhece e o que não se conhece. C e D.vincula-se à capacidade de manipulação do código. que tendem a coincidir com a divisão da sociedade em classes sociais (A. baseado nas rendas individuais ou de unidades familiares). que. O grau de imprevisibilidade dos sinais . antagônicos e não-antagônicos. mais previsível e ambíguo. O problema da cultura reside justamente nos conflitos. entre os diversos repertórios.da informação.das revistas de fotonovelas. conforme o critério dos pesquisadores de mercado. estão na dependência da informação. Uma grande capacidade de manipulação do código implica um repertório mais alto. B. Informação não é uma "coisa". portanto . por exemplo). menos preciso: quer-se informar mais do que os sinais comportam (vejam-se os nomes. por sua vez.C Ó D I G O & REPERTÓRIO Código Central ou Básico A comunicação é uma função do código e do repertório.

que o código central da maioria das sociedades "civilizadas" é a palavra escrita. se encararmos o repertório como função de um código hegemônico . é que o repertório está sempre relacionado a um código hegemônico e padrão.a palavra escrita. onde a alfabetização. . o sistema verbal lógico-discursivo. um país de baixo repertório. pois. Este código unificador é também um código "tradutor". a um repertório reduzido. ainda é privilégio de apenas metade da população alfabetizável. know-how básico. decodificador ou metalingüístico . em função do qual o repertório se define.este o postulado básico da Teoria da Informação e da Comunicação. O Brasil é. um código central ou básico. de maneira genérica. agora. Este fenômeno é evidente no Brasil. uma audiência mais ampla . Mas o que interessa observar. Podemos dizer.A um repertório mais amplo corresponde uma audiência mais reduzida.vale dizer: é através dele que os demais códigos se tornam inteligíveis.

crítica de cinema etc. de onde emergem as chamadas elites culturais. podemos observar que as classes populares . cinema.exibem um repertório superior ao das elites.a música popular brasileira se tem mostrado culturalmente mais importante. A transposição intersemiótica (tradução) já constitui uma operação crítico-interpretativa. música etc. Exemplos É o caso da dança. e mesmo ao iê-iê-iê . e. se medido por um código lateral subsidiário. desenvolver e consolidar nenhuma dança que substituísse o balé clássico). singular ou coletiva. Aqui. Na música. de crítica e/ou história da arte. metalingüística. uma superior capacidade de manipulação do código e de criação de linguagem (a elite não conseguiu criar. pode-se observar como as manifestações ou informações vazadas em outros códigos (pintura. em alguns casos. se os repertórios amplos se definem em relação a um código privilegiado. Ora. reduzido em relação a este. se definido em função de um outro código que não o código central. tato e visão (áudio-hapticovisual). Mas pode dar-se que este repertório reduzido não seja assim tão restrito. "escritura" corporal. o mesmo se dá no que toca aos repertórios baixos. algo semelhante. qualitativamente superior.do candomblé ao samba. pode ser amplo. que exerce função de decodificador geral.Códigos Laterais ou Subsidiários Nas faixas ou classes de repertório mais amplo (A e B). simbólico ou para-simbólico e que envolve pelo menos três sentidos: audição.) só adquirem "sentido" quando "traduzidas" para o código central sob forma. jogo de estruturação espacial pelo movimento. ou seja. por exemplo. assim classificados com relação ao código central.de Donga a Caetano Veloso . à música . Em meio século de criatividade e de desenvolvimento . crítica musical.

Nas agências de publicidade. Os artistas lhes dão o troco. a cortextura de Volpi é de altíssimo repertório. Os criadores de quadr estórias. os redatores novatos ficam possessos quando descobrem que os layout-men não só não "entendem" como mal lêem os seus textos. Villa-Lobos.de Carlos Gomes. E é sabido que as pessoas afeitas aos 1 i v r os_eJ o r n a i s se n t em^Tfi eu tdãdêrd e~~e n t e n dër" a s a n e d o t a s dos comics. já os redatores se sentem à vontade na escalada da pirâmide: especialistas do código central. Camargo Guarnieri ou Cláudio Santoro. partindo de um baixo repertório técnico. enquanto os "brancos" mandaram (Fluminense.até que os negros o transformaram em dança e lhe conferiram o traço criativo e distintivo que o tornou famoso em todo o mundo. N o en- . Os ingleses o criaram como combate simulado. dizendo que os redatores não entendem nada de arte ou são uns escritores frustrados. Ao nível de seu código. logo passam a contatos ("boys de luxo" . O futebol também mostra a superioridade relativa dos repertórios vinculados a códigos subsidiários ou laterais (em confronto com o repertório do código central). numa agência. ele se introduziu e se firmou entre nós. chegaram a um repertório artístico de tal sofisticação que acabaram por influenciar a arte erudita de vanguarda ( p o p art).dizem os artistas) e a cargos diretivos. hapticovisual. N o caso do barroco mineiro. Volpi conseguiu acesso a esse mercado porque os críticos lhe impuseram o labéu de "primitivo". Paulistano) . tal como os bluejeans puídos e desbotados da moçada zona-sul de hoje. raramente atingem os mais altos escalões da administração: alergia por papel escrito. Os diretores de arte. é notavelmente sofisticado. —-_ Os chamados artistas plásticos demonstram uma característica aversão pela palavra escrita. os mulatos de Vila Rica é que quase chegaram ao nível de Mozart. a elite letrada gosta de "primitivos". E com este "conteúdo". Face às linguagens de outros códigos.

Claro é que. E talvez seja por perceber essas contradições que o crítico Mário Schemberg demonstra uma curiosa preferência pelo que poderíamos chamar de "primitivos de vanguarda".sexto sentido feminino que só existe. semiótica. os sentidos da mulher são mais integrados. O "primitivismo" radical tem sempre função metalingüística.. A mulher vê de modo diferente do homem: seu olhar é mais táctil.tanto. O nu artístico masculino só passará a despertar maior atenção das mulheres a partir do momento em que as revistas erótico-culturais começarem a mostrar a tipologia do falo. Mulher & Amenidades Felizmente para uma futura cultura cósmica da humanidade. na mulher. no código central: Oswald de Andrade é o exemplo mais escandaloso. .. forçam uma abertura extralingüística. desvenda o código e seus valores. estamonos referindo à escritura linear. O ideograma oriental e o poema concreto. a mulher permanece relativamente analfabeta. quando falamos de palavra escrita. as mulheres terão dado mais um passo rumo à igualdade dentro da desigualdade. pintor de repertório hapticovisual inferior. essa mesma elite não admite "primitivos" no seu código. para o homem letrado do mundo ocidental. Talvez devido às funções gestativas. priapicamente. à palavra escrita enquanto estrutura discursiva. como o órgão sexual feminino não é passível de tipologia meramente visual. esta se transfere para os seios e nádegas. Foram os letrados que promoveram a pintura letrada e temática de Portinari. introduzindo e alimentando uma contradição antagônica no discurso. com leis e lógica próprias. Então. vale dizer. Nem é outro o "segredo" do chamado "sexto sentido" feminino . Daí que o chamado "nu artístico" é criação do sexo masculino.

hão por bem ficar perplexos ante o trágico fim do Visconde de Valmont. nas Liaisons Dangereuses. . criando a história enquanto diacronia. a informação decrescente (repertório) ao longü~do~eixõ"d'êTínr^ para códigos lateràis e a que estamos as/ s i s t i h d l ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ T ^ O T ^ ^ ^ ^ ^ w m i e n t o de poderosos _____ Z^™ . A contestação autodestrutiva de Ema Bovary permitiria a Gilka Machado escrever "Sinto pêlos no vento". Quixote de saias. A saturação de um código implica uma operação de metalinguagem semiótica. talvez se possa estabelecer uma relação direta entre o surgimento do código alfabético. deus). os franceses. e a queda do matriarcado. ao corolário da proposição inicial referente ao repertório alto ligado a um código hegemônico: a informação crescente (repertório) ao longo do eixo de um código conduz à individualização crescente (até chegar à abstração da informação absoluta. D.Como tese e palpite.sucessão e herança. no Ocidente. . letrados incuráveis. solidão absoluta que reverte em participação também absoluta . pelo consumismo ou pela socialização. A linha e linhagem da primogenitura se impuseram ao sincronismo coletivista do matriarcado . para finalizar.iogos. Mas acham bastante "lógico" o fim muito mais surpreendente de Ema Bovary. a empapar a túnica translúcida: denúncia da instituição do casamento enquanto do homem para a mulher. Conclusão & Corolário O que nos leva. e a ísadora Duncan dançar com o leite escorrendo dos peitos. verbo. . esta pseudo-alienada.^ J ^ S E S ^ ^ codigos laterais demãrtianação ! „em.que ora volta a agitar as sociedades. Contrariamente.massaÂmass*media)*J]m comgo~so"se satura-em-êutrõ . Até hoje.mudando de significação. O código operou uma revolução no tempo.

p o r isto. multissígnicas o u semióticas. Abelardo "Chacrinha" Barbosa é o primeiro grande clown da TV brasileira: a verve da palavra falada e a verve táctil da roupa. A professora-bibliotecária clássica: sex-repeal. "concurso da maior pizza".. A cultura vista do livro. institucionalizado por Picasso e pelos demais nostálgicos do século XIX. .. como prê- .. Quando a Sociedade Protetora dos Animais protestou contra o fato de distribuir animais. a o l o n g o d o eixo d o código verbal a escalada sisífica r u m o à informação a b s o l u t a . já aceito pela "cultura" (dos livros).E foi M a l l a r m é q u e m e m p r e e n d e u . Q u e m sabe. da qual resulta a d i s r u p ç ã o das " s a g r a d a s escrituras" e o esboço das "escrituras p r o f a n a s " . As paronomásias do Chacrinha: "concurso do maior pão". as escrituras de u m a n o v a cultura. A cultura sem humor nem amor.. Por isso mesmo. em lugar da mímica tradicional do palhaço do circo. . Michel Butor o considere u m " p r i m i t i v o " .

Ser alguém. pelos cânones ^ÒMrgMçses. Chacrinha é cultura de massa para as massas: iniciação urbana. Chacrinha pôs avental de médico em seu assistentetratador-de-animais e fez escrever no bolso do uniforme: "Dr. é a televisão. Como pode ser alienação do povdparticipar d-e\algo que é criação do priòpriõ~põvõ?" ~ ' " ——-———~ - . Agora. Quando o governo começou a impor restrições aos programas de Dercy Gonçalves e Abelardo "Chacrinha" Barbosa. os intelectuais esquerdistas se sentiram vexatoriamente atendidos em seus reclamos de combater "programas de alienação do povo^f :Cë>m~o. Kildare". Depois. carteira de identidade social pelo vídeo. a mesma coisa. J^er^conhecido^ por gente que ajíenU~nãp conhece nem^ conhecerá^ntes..futebol.mios. foi a vez do cinema: "Para ser artista do nosso cinema" /Noel Rosa. ao público. essa virtude peftenci<Tãò jornal: ver conto de Artur Azevedo sobre o pretendente que só seria aceito pela amada se tivesse o nome publicado no jornal.

e poderia ser traduzida em termos de ensino e pesquisa. dentro da expectativa de uma aula inaugural*. Ciências e Letras de Marília. . outro tema predileto dessa mesma crise. Pois assim como me recuso a separar forma e conteúdo. em minhas rápidas análises e proposições. pois nos levam à ilusão de que.FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO UNIVERSITÁRIAS (Uma Aula Inaugural) Serei breve. Costuma-se colocar o problema da crise universitária em termos de organização e de dinheiro: mais certo seria colocá-la * Faculdade de Filosofia. no entanto. conhecendo os males e os medicamentos. experimentação ou criação à pesquisa. e de informação. o repertório universitário vigente. Evito. assim acredito nas equivalências estruturais entre uma e outro e assim acredito que ensino e pesquisa são etiquetas de remédios e mezinhas por demais consabidas e em si mesmas viciadas. embora nem breves nem amenas seriam as discussões e debates que elas poderiam provocar. 1-3-1968.e mundial . se não puder ser ameno. O tema geral que propus e me propus toca certamente a já famosa crise universitária brasileira . tudo não passa de uma questão de dosagem e aplicação. E eu quero dizer que as doenças são outras. São Paulo. chamando de formação ou instrução ao ensino.

e já cumpriu a sua missão forçosamente transitória.e muitas universidades européias estão em crise. que é preciso trocar a epiderme e as entranhas aristocráticas pelo pêlo democrático e de massas. A universidade brasileira procura resolver sua crise intra muros.. Nós . Juntamente com a massa. que passa a caminhar no rumo da integração. A estrutura universitária tradicional visava a uma elite . A conseqüência foi a explosão das massas e da informação. a sua antimatéria.e os europeus. Os americanos e russos também se defrontam com uma crise. A universidade brasileira .em termos de economia do organismo. no seu mais singelo sentido. quando supérfluas se tornam as janelas em paredes de vidro. se assim podemos dizer. vem anunciando que os universitários acabariam por constituir-se numa massa cada vez mais excedente! E isto é o que se chama de democracia. quando seria muito mais simples e universitário abrir as janelas para o mundo. mas a relações entre coisas e fenômenos. portanto: "viver efetivamente é viver com a informação adequada". .e renovar-se. Um organismo é tanto mais forte quanto maior a sua capacidade de absorver. há mais de século e meio. ainda mais nos tempos que correm. a explosão para dentro. que se exprime pela implosão da informação. mas que se refere antes a métodos de integração do que à falta de vagas.temos de enfrentar ambos os problemas a um só tempo. o fundador da cibernética. mesmo porque a Revolução Industrial. que só vêm conhecer a verdadeira massa a partir do Mercado Comum . aquela justamente que é a mais difícil de absorver. Esta implosão significa a mudança de sentido da especialização. interrelacionar e criar informações novas . diz Norbert Wiener.. vieram os meios de comunicação de massas. porque se recusam a compreender que chegaram à época da muda. pois não se limita a coisas e fenômenos isolados. Os computadores surgiram para controlar a explosão da informação e este fenômeno provocou o seu avesso. E a informação de primeiro grau é uma informação estrutural. ou seja.

o princípio segundo o qual nenhum ser penetra e conhece verdadeiramente senão aquilo que ele mesmo cria. Marshall McLuhan. criação.e mesmo nos Estados Unidos . O campo do nosso saber não se estende nunca além dos limites de nossa própria criação. Uma habilidade para aprender nunca foi sinal de gênio" (citado por Herbert Read. internos ou externos. como bons americanos. nonagenário: "O que um artista aprende importa pouco. às vezes já é velho de uma década lá fora! Por que razão. E o quanto basta para jogar por terra o que costumamos chamar de ensino e de pesquisa. aqui . em seu âmbito.o. especialmente no campo das ciências humanas. em Ciências da Cul tu r<3 j7"E"Em i F N o 1 d e. É preciso restituir a pesquisa ao seu sentido original.a maioria das teses universitárias. afinal? Sejamos pragmáticos e antropófagos. a resolver. Para dizermos em termos mais brutais: muita coisa que a universidade produz e considera original. . informa menos do que um artigo de revista ou de jornal versando sobre o mesmo assunto? Um dos slogans quase secretos da universidade brasileira é o de que "o aluno só aprende verdadeiramente depois que sai da escola". O que ele mesmo descobre é que tem real importância para ele e lhe dá o necessário incentivo ao trabalho. e este sentido é um só: experimentação. quando não há mais dificuldades ou problemas. que somos: derrubemos os muros de nossas fortalezas e reconheçamos que informações decisivas estão sendo produzidas fora dos muros da universidade e que sua estrutura atual é incapaz de absorvê-las. declara que é preciso substituir a instrução pel^experimentação) e pela^nvên'çãa^E~ nãõ~esta~3izendõ"maís" do que jaTfíssfTGÍambattista Vico7*Ka dois séculos e meio: "A suprema norma do conhecimento é. descoberta. latino-americanos. O homem só compreende enquanto cria" (apud Cassirer. Quando essa atividade criativa cessa. o pintor expressionista alemão. o chamado "profeta das comunicações" de nossp-temp. para Vico.Que significa tudo isto. então o fogo se extingue rapidamente. morto há alguns anos.

e não é nada desprezível o dado biométrico recentemente^divulgado pelos jornais. que a universidade não se destina a formar gênios. da qual o professor fosse^o^coorde nador . Para não dizer que seria uma pena que assim não fosse. hoje.um c o o r dénador ~q ué'ap rend esse juntamente com seus alunos na . Qire""significa explosão da informação? Significa que. ninguém consegue "saber". Cumpre-nos acabar com noções obsoletas de uma sociedade oportunista: as massas de estudantes não acorrem às uni—. pelo qual se constata que as crianças da classe média. sequer todas as coisas importantes de sua própria especialização: . Nós somos eles. Estamos assistindo a uma verdadeira invasão de estudantes "bárbaros".. meter na cabeça.. um diploma de doutor_o. para p^tgrem as inf ormações que lhes permitam sobreviver .o_que4mpQrta_é saber onde estão as informações adequadas às suas indagações.medida mesma em que experimentasse e coordenasse. versidadesjgara conseguir.O. nos dias atuais. onde estão as informações.e esta é uma mensagem do próprio organismo social. destinadas a colher as informações-víveres necessárias à subsistência e ao desenvolvimento desse mesmo organismo. inclusive. Alguém poderá objetar. coordenasse a experimentação de métodos. isto é. A oposição entre estudantes e professores é absurda. eu responderia que tampouco se destina a formar medíocres e burocratas da cultura.u_por vocação: : elas o fazem. que lhe permitam criar os pensamentos brutos. com igual franqueza. que possuem uma capacidade d e " ^ s H ? v ^ ^ ^ ^ a P ^ ^ n t u a d a m e n t e i maior do que a dos estucknt^s_de há uma_geração.e da qual a universidade é ^pax. Mesmo porque a universidade tem uma altíssima função: atuar como antenas do organismo social. simplesmente.em Art now).telêljpãítÍGipeCEles são nós.. um_S. aqueles pensa- . ou seja. como que biologicamente. são cinco centímetros mais altas (em média) do que as de trinta anos atrás! Uma classedeveria ser uma equipe de trabalho.S_daprópria sociedade a ela mesma .

que teve lugar em Assis. E ninguém tem dúvidas de que é graças à experimentação que as ciências exatas avançam firmemente. defesa de redutos muitas vezes puramente Que s i g n i f l c a ^ ^ ^ ^ ^ ^ á a ^ f o r ^ ^ ^ i Significa que so. no dizer de AbrahajgMglës. Para falar a verdade. rural. é claro.1 mos c o n t i n u a m en t^lSSahar dê à d õ s ^ õ j ^ i M a massa heterogê-' nea de informações qu^^^^^gfimge^pressi onam a.. a professores . criam conceitos e fazem-avançar a ciência. a título de ilustração. acho que a universidade já dispõe de meios para realizar muito mais do que vem realizando. é umxonvite-e_um.mentos que. bastante restritos. desde que se reestruture no sentido da experimentação e da convergência e não no da formação e da divergencia que a vem caracterizando até agora. dentro e fõrà de nosso'campo específico de ativi7/ a p s f ã i ^ s i i f e ^ — • — ' — r r 1 dades. Há sete anos atrás*._uma_rede. ^^ A" experimentação. Certas lacunas e carência da universidade não são facilmente compreensíveis. inclusive) . a descoberta e a invençã® devem constituir a forma moderna do ensino universitário. enquanto as chamadas ciências humanas se perdém~e-mur-cKam~na. que lhe permite ligar-se imediatamente ao grande com-.de relações. Cito dois casos. no II Congresso de Crítica e História Literária. a universidade é o lugar adequado para esse empreendiM mento. administrativo. _seguida e renovadamente.utu-" . a criação. então. íecer relações.per-ceber-estr.comando a.Jjuscardhes^uHa raí20. . uma dinamização do equipamento e dos quadros já existentes (alunos. p s ^ e toda estrutura é síntese. plexo industrial.sem exclusão de novos. Com todas as suas insuficiências. social e cultural da sociedade. Poderemos ter. A implosao da informaçao nos convida e torça a estabe.significante : . de sua instrução e de sua formação.pondo à prova continuamente o ediTP" ^SÍ^SlimmmmmkmSÊÊÊ^ £______-————— cio dos conhecimentos adquiridos e legitimados.

no teatro. Sim. A versão brasileira também teve êxito .universitários de todo o Brasil reunidos em conclave.LI ) pr que os escritoren5r2sP' leiros.a sua peça Pigmalião. Bernard Shaw valeu-se justamente dos novos recursos fonoelétricos. não sei da existência dcTum laboratório desse tipo. sobremodo. ^griação^ literária.. Quem teve a oportunidade de assistir à transposição cinematográfica de My fair lady. mas nós temos de começar. transformada em revista musical. fundamental "pira os es^^Õs~lingmSiçp.letras. para compor. para maior eficácia e profundidade das atuações^do professor.perfeição essa que só se tornou possível graças aos longos anos de experimentação científica no campo. Salvo provável ignorância minha. sabemos que os Estados Unidos gastam em pesquisa o correspondente ao produto bruto brasileiro. no cinema.mas era totalmente empírica: acho que os seus realizadores. não sabem o que seja um laboratório dessa natureza.. que inquietou. algum dia! ._np_ rádio e na televisão. se não irritou. a eminente assembléia. que sao a razaò de sér dos cursos de letras . pois a questão lhes pareceu perfeitamente impertinente. fiz uma pergunta ingênua. Nos inícios do século. Recentemente..continuam a sair das faculdades de Direito e Medicina . moderno e atuante. alcançou grande sucesso nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. A pergunta era „nasxhamadas.e também deste congresso .ou de faculdade nenhuma? Propunha eu a organi^^zaçãojd^entwsjixperimentai^de criação de textos junto aos ^cursos d^^^as^com^jdupl^finalid. até hoje. em nossas universidades. que então surgiam.íaculdades~5e.ade de incentivar a criação' 1 i t e rária e d e p ro pi c ia r o conhecimento direto dos grocessõs^dF. sem dúvida se terá maravilhado com a perfeição sonora e de dicção da película .dp^çrít^^d^nsSistãTPropunha também a criação de um laboratório de fonologia e fonética. dirigida por George Cukor. e que não teve nenhum seguimento prático ou útil.s^e_de inestimável valia na orientar ã o prática da dicção nas escolas.

Antes de concluir a aula com uma frase de efeito. "A educação moral é impossível sem uma visão constante de grandeza.ou seja. filósofo e professor. Se não somos grandes. farei algumas citações do matemático. A única utilidade do conhecimento do passado é a de equipar-nos para o presente. aquelas idéias que a mente recebe passivamente.e não ensiná-lo. "Qualquer mudança fundamental na visão intelectual da sociedade humana deve ser necessariamente acompanhada de uma revolução educacional". A descoberta que ela tem de fazer é a de que as idéias gerais fornecem uma compreensão daquele fluxo de acontecimentos que se despeja em sua vida . de um sistema divorciado do contato imediato com a atmosfera intelectual existente". extraídas de sua obra The aims of éducation . Nenhum mal é mais mortal às mentes jovens do que a depreciação do presente". "Não é possível a existência de um eficaz sistema educacional no vácuo. a criança deveria experimentar a alegria da descoberta. ou."Os objetivos da educação": "Ao exercitar uma criança na atividade de pensar. Alfred North Whitehead. pouco importa o que fazemos ou debatemos e o sentido da grandeza é uma intuição imediata e não a conclusão de uma argumentação lógica".e que constitui a sua vida". . ou postas à prova. sem que sejam utilizadas. vale dizer. "Desde os primeiros passos de sua educação. Nós precisamos criar um Brasil . "Eu observaria ainda que à compreensão que desejamos é a compreensão do presente insistente.articuladas em novas combinações". acima de tudo devemos precaver-nos contfã o qüe chama rei de idéias inertes .

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mas foi com J Jnder standing Medi a. Canadense. veio do setor das letras..M E N S A G E M E MASSAGEM DE M A S S A Marshall McLuhan. os prognósticos pessimistas dé^seu^próprio editor. publicou A Noiva Mecânica (The Mechanical Bride) e A Galáxia de Gutenberg (The Gutenberg Galaxy). Joyce e Pound.contrariando. por conter JZ5% de informação nova.. alias. Passando à abordagem dos meios de comunicação de massa. Passando da capa dura para a capa mole. por •exemplo. graças a estudos sobre Mallarmé. formado que é em Literatura Inglesa. nos inícios da década de 50. dedicou-lhe um artigo de capa) e certas expressões sua'S7com5T/?e médium is the message (o meio é a mensagem) acabaram entrando para o acervo crítico-cultural dos últimos anos. . que o considerou um livro "difícil". o livro vendeu às pampas e foi ganhando fama na proporção mesma em que provocava polêmicas. que chegou ao nívél~3ourado ád^ est-selle^ . estudos esses ainda hoje dignos de consulta. agora traduzido em português com o título Os Meios de Comunicação copioJLxtensões-dsx Home m. "o profeta das comunicações". destacou-se nos meios literários de vanguarda dos Estados Unidos. Chegou afinal às revistas não-especializadas (a revista Newstpeek.

particularmente. Pode parecer estranho. a estrutura do átomo. os alienados da linguagem e os ansiosos do chamado "conteúdo".O Meio é a Mensagem/Massagem O livro de McLuhan tem o condão de irritar. e não um estruturalist a . à nossa tradição livresca. america^ no. Por isto.t. em livro e disco. A ilusão de que se trata da mesma mensagem nasce da lógica linear inerente à nossa cultura escrita. Por esta razão. num jornal ou numa revista. na TV. também. a "mensagem". Posteriormente. não é nem pode ser a mesma: sua lógica estrutural e o efeito_que produz no receptor são diversos. Drummond ou João Cabral.um estruturalista pragmático. é a chamada "mensagem". cuja tendência é a de só encontrar significado nas coisas que possam ser "traduzidas" em palavras. os intelectuais e artistas de "linha francesa".s£mânticp_je_sis. está melhor preparado para entender este livro do que aquele que. A "mesma''mensag£m r íra«sfflmda-por-dc^ c ferentes. assim como "não se pode separar o dançarino da dança". embora não se sintam muito à vontade nesse mister mutilante diante de certos fenômenos onde ele se torna bastante inoperante. como diria Yeats. N ã o conseguem pensar o mundo sem a prática constante da separação entre forma e fundo. o amor. Para eles. também não se pode separar a mensagem do veículo que a transmite. não percebem que Understanding Media é uma brilhante e original defesa de arte na era do consumo. mas quem já se esforçou por compreender certos fenômenos de linguagem (não de língua) que se manifestam em certos poemas de Pessoa. Com o meio é a mensagem. tais como um poema. McLuhan desenvolveria uma variante de sua formulação: o . num poema. da eletrônica e dos vôos espaciais. uma peça musical^ uma casa ou um automóvel. canibal. parece óbvio que o que conta.emático à la européia. ele quer significar que. uma geladeira. não percebem que McLuhan é um estruturalista . busca apenas o "conteúdo".

roupas e maquilagens só para a vista (e não para o tato). um semanário ilustrado. PeliTmesma razão.Isto porque a TV é um veículo "frio". nos Estados Unidos . participando muito mais intensamente da natureza do próprio veículo. que. um semanário noticioso. rádio. que repele as posturas rígidas ou pessoas falando de maneira formal (lendo um discurso. de alta definição. deixando dé ser TV. que permite pouca participação do espectador.se ocorrer . um carro compacto. Convém lembrar.a TV se terá transformado. os programas ao vivo e a improvisação são mais adequados a esse meio.explosão de fúria popular. o telespectador tende a "preencher" as imagens. semelhança da estrutura dos mosaicos (para McLuhan. uma consciência em profundidade.meio é a massagem. por exemplo). dos fatos e fenômenos. o assassinato do presidente Kennedy teria desencadeado uma . . Daí a bobagem de se elogiar a imagem de um televisor. por meios. Em oposição. Outros meios "quentes": o livro. nesta altura. a caricatura. Outros meios "frios": meias femininas de malhas largas.afirma McLuhan. o gravador ou a TV. . a retícula do televisor não permite o delineamento nítido das imagens. A TV "esfria" o ânimo do telespectador. Pela maior dispersão de seus pontos. para significar que os meios se desenvolvem e se transformam pelo constante atrito entre eles. não-linear. Meios Frios e Quentes Se não existisse a TV. a TV é um veículo audiovideotáctil). roupas "brutalistas" de textura rude. ele entende tanto a roupa como o dinheiro. dizendo que "parece uma fotografia". Em conseqüência. a valsa. um meio de "baixa definição". como se pode observar nos planos gerais e na preferência pelos primeiros planos. em contrapartida. quando isto ocorrer . à. Segundo o canadense. dando-lhe. uma fotografia normal é um veículo "quente". um poema.

que é a era da eletricidade e da eletrônica. a escultura é uma extensão do tato (extensões hápticas do homem).. o militarismo. o tato. gerando desníveis de repertório (que deixou de ser comum a toda a sociedade). fenômenos esses que se criaram ou se manifestaram mais claramente após a invenção da imprensa. mais "frios". O código alfabético é uma extensão altamente fragmentada e especializada do olho. como se pode observar nas culturas e pessoas pré-letradas. Vai daí que o código alfabético fragmentou e destruiu a tribo. o individualismo. para entrarmos na Era da Instantaneidade. a palavra escrita e a fotografia são extensões do olho. Destribalizada e narcotizada pelo novo meio . ao fim da hegemonia da palavra escrita.A Volta à Tribo Estamos chegando ao fim da Era Gutenberg. da recuperação e integração da sensibilidade e. a palavra falada e a música são extensões do ouvido. onde todos possam exercer papéis e não ofícios e empregos especiali- . Trata-se de unidades "insignificantes". em prejuízo da natureza inclusiva dos demais sentidos.a sociedade humana (a ocidental. da Consciência Universal. o olfato e o paladar são mais "inclusivos". A audição. que se compõem linearmente em unidades maiores. O código alfabético tende a traduzir todas as coisas numa uniformidade linear geral e exclusiva.e desprezando as seculares lições e advertências "integrativas" de seus artistas . com todas as suas riquíssimas gamas e correspondências (sinestesia). que tende para a alta definição. significantes (palavras e frases). desligadas de conjuntos fonéticos (letras).. Os meios são extensões do homem: a roda são os pés em rotação. o perfume uma extensão do olfáto etc. do que o sentido da visão. especialmente) teve de esperar pela eletricidade e pela televisão para poder dar início a um lento processo de retribalização e integração social. o nacionalismo e a produção industrial em cadeia de montagem. quem sabe.

assistindo ao fim da era das especializações mecânicas. Arte como Antiambiente Os media em sucessão e em atrito criam um ambiente irritante. em New York. ou seja. pois ela previne e prepara a sensibilidade para as mudanças e os efeitos causados pelos novos meios de comunicação. os meios com que criticar e salientar os desmandos provocados pelas novas tecnologias. Para neutralizar a pressão do ambiente.conseqüência da indústria eletrônica de nosso século. a arte exerceria uma função de metalinguagem.zados tão-somente. quase abrasivo. amaciando os seus efeitos de hipnose e alienação. o integrado e o sintético se chocam com o explosivo. um contra-irritante. fragmentadas. urge um antídoto. Assim como nosso sistema nervoso central integra todos os sentidos instantaneamente. Estamos. de velho estilo (fruto da indústria mecânica do século passado) e vamos entrando na era em que o melhor especialista é aquele que mais coisas conhece fora do campo de sua própria especialização . esse antiambiente. o fragmentado e o analítico. especialmente agora. em relação à tecnologia. uma função da consciência crítica. "Os artistas são as antenas da raça" . Poderíamos mesmo dizer que. Contradições Canadenses Embora tenha proferido um curso sobre Teoria da Informação e da Comunicação. que produz o stress e a irritação. A arte é esse contra-irritante. no ano passado (fi- . pois. quando sentimos que o implosivo. o circuito elétrico integra instantaneamente os meios e os homens. extraindo dos próprios meios os meios com que criticá-los e compreendê-los.já dizia o grande poeta Pound.

. na Escola Superior de Desenho Industrial. Os primeiros implicam um repertório mais baixo . . é que o slogan que o tornou famoso otmejo e\a mensagem . oTiome^WíinêrTrão j/errcr itlá^urna única vez.é uma transposição direta. data da primeira edição deste seu livro: acusava-a de perder-se em itens e tópicos despidos de maior importância. Marshall McLuhan não formava boa opinião da Teoria da Informação. Sílvia Ferreira. para o e s t u S ^ d o S ^ e i o s de comunicação. lhe disse já ter aprendido tudo aquilo dois anos atrás. de uma das afirmações fundamentais^^M^rbert Wiener. Os meios de baixa definição são meios mais redundantes. Mas isto não impediu que a sua noção de meios de baixa definição (frios) e de alta definição (quentes) derivasse diretamente de noções básicas da referida teoria. em todo o livro. portanto.cou surpreso quando uma aluna brasileira. ^©maísjmrioso. mais ambíguos e mais abertos à interpretação e à participação. e.e audiências mais largas. da Guanabara).e audiências mais reduzidas. os segundos implicam repertórios mais altos . com taxa de informação mais baixa. com os meios de alta definição. porém. o contrário é que se dá.. em 1964. que freqüentava o curso. o pai da cibernétiëï^Sçguntio o qual o e \ a ^ mensa^èm' ï M^titsKto.

no campo do ensino. Dessa forma. uma implosão. José Bonifácio Coutinho Nogueira. granjear grandes audiências. e principalmente. A explosão da informação de nosso tempo está a exigir uma síntese. afinal. em quase todas as partes do mundo. televisão. presidente da Fundação Anchieta. SÃO PAULO A grande revolução que hoje vemos processar-se. da educação e da cultura. mas também. cinema.T V CULTURA NO A R CANAL 2 . O computador e a televisão são alguns dos meios mais importantes para que ela se realize. Antes. para a grande decepção do povo que. nossa TV Cultura poderá. rádio. parece assegurar um futuro promissor às televisões culturais. é necessário que nos compenetremos de que uma TV Cultura não é apenas cultura.). sala de aula. as televisões comerciais. num contato que o designer Fernando Lemos e eu mantivemos com o Dr. porém. Violentar um meio como a televisão. Há mais de um ano. pelo consumo dos produtos anunciados. assim como sustenta. a fim de que seja o menos televisão possível. sala de concertos etc. em poucos anos. forçando-o a comportar-se como outros meios (livro. é um erro básico de comunicação e uma cincada pedagógica que podem acarretar sérios prejuízos à função cultural a que se pretende o Canal 2. paga e sustenta a TV Cultura de São Paulo. e com o .

à vontade. na TV. de São Paulo. lembro-me de haver-lhes dito que. o que essas pessoas desejam é introduzir na TV um outro veículo anterior à TV e no qual formaram a sua cultura (o livro. antes de mais nada. Que se conclui dai? QUE PARA ELEVAR. é um veículo-síntese. por um lento processo de feedback (autocorreção). E podemos acrescentar: sendo a televisão . É FUNDAMENTAL NÃO APENAS PERMITIR COMO TAMBÉM INCENTIVAR A EXPERIMENTAÇÃO NO ÂMBITO DO CÓDIGO TELEVISUAL. no máximo. 10 minutos são demais para uma aula de mesmo tipo. Antônio Soares Amora. em primeiro lugar). mal se suporta uma aula expositiva de 50 minutos. O NÍVEL DA TELEVISÃO. pára continuar a defender aquela posição. Ensino e Cultura: Observações Gerais • A televisão é um veículo de veículos. pode ajudar-nos no raciocínio. o tempo. a pretexto de "conteúdo". necessário se tornava. 60 segundos). N a escola. Por isso. Se definirmos repertório como a capacidade de manipular códigos para efeito de comunicação. A noção de repertório. é um tempo de alta concentração (um comercial. Sinto-me. para fazer da TV um veículo de cultura. pois. no vídeo. certo de que. a TV Cultura. Na verdade. atingirá uma linguagem mais dinâmica e adequada (coisa que não está fazendo). constatamos que a TV Cultura pretende introduzir um alto repertório livresco num baixo repertório televisual. Ressalve-se que a crítica que se segue leva plenamente em conta o fato de que a TV Cultura está apenas começando. derivada da Teoria da Informação. responsável pelo setor de ensino da TV Cultura. Julga-se elevar o nível da TV elevando o seu conteúdo (ou o que as pessoas letradas chamam de conteúdo). falar a própria linguagem do veículo.Prof. na televisão. REALMENTE. atinge.

disco.) . rádio. provavelmente por sentir-se condenado a ficar de olho duro na carteia de texto colocada atrás da câmera (temos aqui todos Os erros num só).Para que despejar. . Ensino e Cultura: Observações e Sugestões Miúdas 1.bloqueio da comunicação. mesmo com a melhor das intenções. todos os professores e apresentadores aparecem vesgos no vídeo. de modo tranqüilo e natural. portanto . O ERRO .TV não é rádió.um metaveículo. revista. cinema.e se apresentou arfante e contrafeito. já calcularam o preço de uma informação que não se comunica pelo menos com o número mínimo desejável de telespectadores? 2. N u m programa sob a rubrica Cultura em Questão. E depois.A palavra "cultura" parece ter transformado em estátuas de sal (ou sem sal) todas as pessoas da TV Cultura. Será tão humilhante assim aprender com os noticiaristas da TV comercial como isto se faz.Com esse método de cartelas.cabe-lhe instigar o gosto e a curiosidade pelos demais veículos (livro. Paulo Planet Buarque virou estátua ao lado de uma estátua do Aleijadinho. O ERRO .um veículo de veículos . Kliass?" A SUGESTÃO . Sob a rubrica Recital. Estelinha Epstein interpretou ao piano inumerável programa. não saber falar olhando para a lente da câmera é um erro palmar. E dizia coisas assim: " O grupo desafiante aduziria alguma coisa à explanação do Prof. Nestes casos. SUGESTÃO .e não apresentá-los prontos como pratos requentados. que acarreta fatalmente o. Gilberto Amaral era o apresentador . artes etc. a aparência arrogante de uma cultura aristocrática sobre a massa incauta dos telespectadores? Deixem o Paulo Planet desenvolver aquele desembaraço e aquela informalidade que sabe mostrar em Alianças para o Sucesso e que vão tão bem com a linguagem da TV.

de.textos na mão e olhar na câmera? E em dez professores e apresentadores diferentes. Ressalve-se. da cabeça quadrada do boneco-símbolo da TV Cultura. E para variar. 3. sim. como se faz no Canal 9. os produtores da TV Cultura ainda não se aperceberam da relação entre tempo e movimento na televisão.Que tal ura copydesk para os textos? Que tal um verdadeiro diálogo informal. com coisas que tais: "consoante os costumes da época". de resto. programas estáticos devem ser breves.) 4. Numa aula do Curso de Madureza sobre a civilização dos antigos egípcios. um rápido trecho da ópera Aida. o casal de professores-apresentadores estava tão rígido. no final. De um modo geral (com as exceções de impacto). se é que ouvi bem. não se observou a mais leve descontração. a cultura séria na TV deve ser breve e leve.e fala-se demais. . Ah. aliás).Verdi! Foi o único sorriso (involuntário) em toda a programação.Cenografia e iluminação gélidas como uma enfermaria. sem grave perda da informação (com maior eficácia. a rádio. "consubstanciado no deus AmonrRa". que a marca-símbolo foi criada para utilização dinâmica e está sendo utilizada estaticamente. à hora do almoço? Que tal abrandar a idéia de que a cultura toda cabe em perguntas e respostas certinhas e quadradinhas? (Não gosto. O programa Recital poderia ter sido levado por uma rádio-emissora. O ERRO ... porém. em dez diversos programas.Tudo é longo e lento . que mal se distinguiam das estátuas e múmias mostradas em diapositivos! E despejavam sobre os madurandos um texto incrível. Por motivos que não consigo explicar. E a REGRA DE TEMPO N 2 1 pode ser assim formulada: Programas dinâmicos podem ser mais longos. O ERRO . "a cultura saítica". de pescoço tão duro (os olhos pregados na famosa carteia). extraído direitinho de um livro. SUGESTÃO . A iluminação é do cinema de Hollywood de 1940. não se observou um sorriso sequer! E nós que julgávamos que o tempo da cultura como ritual fúnebre-soturno fosse coisa de outras eras!.

a libertação dos movimentos. ACERTO . vale dizer. Falou bem.A excelente intervenção do Prof.Os filmes. a experimentação e a criatividade participante das massas na cultura. ACERTO . E uma câmera não pode captar nem a sombra da outra! SUGESTÃO . em particular. em geral. a parte mais viva da TV Cultura.Romper a barreira pré-brechtiana da TV coisa que a TV comercial já fez há muito tempo. colete e tudo). . a vida e a cultura urbanas. sobre questões atualíssimas e difíceis.mesmo com a pesada cenografia escultural. Cultura em Questão. E os câmeras? Parece que têm medo de chegar perto das pessoas. Mover e mostrar as câmeras no vídeo.N ã o é necessário que TODOS os p r o g r a - mas de uma TV Cultura se destinem à massa. Expressou-se bem. N ã o escondeu suas fichas de consulta. E infelizmente estava mui rigidamente sentado e vestido (com gravata. para mensagens de alto repertório televisual . Por que a TV Cultura parece sentir vergonha de ser TV? 5. E é absolutamente necessário que se reserve um tempo para a TV Cultura EXPERIMENTAL. falou prá-frente. N o entanto. e da televisão brasileira.Um vazio. Nestor Goulart Reis Filho. justamente. A TV Cultura de São Paulo pode e deve estabelecer gradações para as diversas faixas de público. muito bem. a preservação e a ativação do patrimônio histórico. em Caixote de Opinião. quais sejam o urbanismo. 6. SUGESTÃO FINAL . o excelente equipamento sonoro permite. A TV tem de mostrar que é TV. a cenografia e os móveis eram tão pesadões que obrigavam todo mundo a ficar sentado hieraticamente. Mas falou demais. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. N o desafio entre músicos.atividade didáticocriativa da maior importância para o desenvolvimento da linguagem da TV Cultura. Defendeu o informalismo. umà solidão em tudo .

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UM NOVO

GÊNERO

LITERÁRIO

Há muitos anos, já, vem o cineasta Lima. Barreto reclamando para o roteiro cinematográfico o título de novo gênero literário narrativo, ao lado dos gêneros tradicionais: o conto, a novela e o romance. E Guimarães Rosa utilizou elementos da técnica do script, em Cara de Bronze. Dando seguimento a essa idéia, publicamos o script de um novo gênero de espetáculo narrativo: a audiofotonovela, que fez parte de um show em multimídia levado num teatro de São Paulo, em janeiro de
1970.

A fotonovela é um prolongamento sintético do folhetim clássico, uma extensão para outro médium, a meio caminho entre o folhetim escrito e o cinema (mudo). As estruturas narrativas permanecem em combinações mais ou menos previsíveis, com seus pontos-chave de satisfação da expectativa. Na fotonovela, em geral, a estrutura é centrada em torno de uma figura feminina, cujos anseios e sentimentos se bifurcam: primeiramente, em direção ao amor-sonho, que ao depois se revela amor-frustração ou amor-vilão; em seguida, dirige-se ao amor-fiel, ao amor-segurança e ruma para o happy end: vence a disposição de sistemarsi - como dizem os italianos - ou seja, inserir-se no contexto (via matrimônio).

Neste processo de hibridização de media (meios de comunicação), a audiofotonovela é um médium a meio caminho entre a fotonovela e o cinema falado; entre a baixa definição da imagem daquela e a alta definição deste. As fotos, em cores, são de alta definição, e estáticas: a trilha sonora modula a dinâmica. Manteve-se o estático da imagem novelesca, seu "conteúdo", mas os tempos são prolongados, para que o espectador possa consumir a imagem de alta definição. Evitou-se a multiplicação de efeitos, evitou-se a simples e mera linguagem de desmoralização, de modo que, se a metalinguagem é evidente para as pessoas de alto repertório, o mesmo não se dá para as pessoas de médio e baixo repertório, que podem absorvê-la como normalidade verossímil. Trata-se, pois, ao mesmo tempo, de uma operação kitsch e de uma operação meta-kitsch. Enquanto possível gênero literário, acrescente-se que muitos efeitos podem ser obtidos mediante um adequado tratamento verbal, tanto nas indicações de "áudio", como nas indicações de "vídeo". Na versão que ora se dá a público, várias indicações foram amenizadas, mesmo porque ela também se destina a uma dupla função didática: aos que não têm idéia de como se preparam roteiros para fotonovelas, películas de cinema, novelas e comerciais de TV, e aos alunos de Comunicação (para efeitos de exercícios de découpage e visualização, por exemplo - sem falar no interesse que possam vir a ter na produção concreta de fotonovelas e audiofotonovelas).

DESATINOS DO DESTINO

audiofotonovela
I a apresentação Teatro Galpão (Ruth Escobar) - São Paulo 2 de janeiro de 1970 Principais Intérpretes Tania Taterka Rogério Duprat Damiano Cozzella Décio Pignatari Narrador Voz
de M a r g h e r i t a :

Margherita Paolo Andréa Umbetto Solano Ribeiro Ana Regina (do Grupo OEL) Luís Carlos Autuori Eduardo Ribeiro Damiano Cozzella Franklin Horylka

Equipe Técnica Fotografia Trilha Sonora Letreiros

VÍDEO LETREIRO: . plug e marda movimento de arregimentação radical em defesa da arte apresentam LETREIRO: Desatinos do Destino audiofotonovela première cósmica
Cast

ÁUDIO 1 Música de abertura LOC. - Plug e Marda apresentam:

2

3

LOC. - Desatinos do Destino Música grandíloqua. Tema. Continua tema musical.

Margherita Vilmaria Vilmonte Funicolare Paolo Ruggiero Crescinbene Umbetto Umberto Mangiabiggole Ecco Andréa Damiano Piccinterra e apresentando Ferdy Coglione Busto no papel de Doutor Biondino Calvo no papel de Jessuíno
Narrador

4

5

Giancarlo Spuffo
Fotografia 6

Sandro Luigi Scattabottone Edoardo Vittorio dei Edu
Trilha Sonora

Aristide Cazzincullo Mario Del Soffio Trombetta
Letreiros

S. Fumetti Cigari
Argumento, Roteiro e Regia

7 8

Decio Leone Nasinbestia
Copyright

Bestemio Cèpostopertutti Casa Editrice San Paolo 1969

VÍDEO PG {Plano Geral). Cena de alameda. MARG. de uniforme e livros chegando em casa. CLOSE quadris, por trás CLOSE busto CLOSE orelha CLOSE olhos

ÁUDIO MÚS. - ...passando para BG (background: música de fundo)... NARRADOR - Margherita é uma jovem normalista romântica... MÁRGHERITÀ {pensando) - Que solidão - ...que tristeza... - ...Finalmente, o Paolo veio falar comigo... - ...Me deu um poema concreto sobre os meus olhos... lindo de morrer... - ...Eu estava de calcinha nova... - ...tinha usado o"Avanço" de Andréa... - ... Mas não adianta... - ...Ele também não chegará ao ponto... Não é pelo hálito, não... Meu hálito até que está bacana... - ... Eu sei que é por causa de Andréa!... Mas hoje eu fujo!... Vou encontrar com ele!... MÚS. - Beethoveniana. NAR. - E os jovens namorados se encontram naquela noite. Não conseguiam reprimir a emoção que tomava conta de seus corações. PAOLO (voz embargada) - Margherita, aceite esta rosa. Que

CLOSE quadris, de frente CLOSE axila CLOSE cabeça se agitando, de frente CLOSE boca (na vertical)

PM (Plano Médio) MARG. entrando em casa, porta entreaberta. Noite. PM herma Beethoven, em praça ou jardim público. PM MARG., de mini, e PAOLO, de terno azul-marinho, com uma rosa na mão. Mãos dadas.

.. .VÍDEO PG MARG. precipitandose para UMB.Oh. . abrindo zíper do vestido. dando para o sinistro. CLOSE Mãos de UMB.Paolo. JES. .Venha cá.De "comercial" de TV. (Pensando) . meu amor!.. TÉCNICA . PG PAOLO. Tem que ser na marra!. UMB. parado diante do casal. entrando em .Trim! UMB.. Umbetto! UMB. . BG. um carro estridente freia diante do jovem casal de namorados. CLOSE UMB. enquanto seu companheiro. CLOSE Mãos tentando soltar sutiã.. Eu me sinto tão segura ao seu lado.Freada de carro. que vai saindo do carro.Trim! MARG..Pode deixar o bolha comigo.. seu bruto! MÚS. MÚS. PAOLO . CLOSE UMBETTO.. essa paquera de florzinha não dá pé!.. PG Carro esporte.Eh.. Paolo!. .Vamos lá... Você é tão bom!... PG JES. . fazendo gesto de horror.. . atracando-se com MARG.Nesse instante. dirigindo-se para MARG. não!.Solte-me.De ação. recostada em PAOLO.. com 2 caras dentro. . Cada sutiã é de um jeito. MÚS.. ÁUDIO ela diga o que as minhas palavras jamais conseguirão exprimir. Não há padronização de know-how.. MARG. UMB. NARRADOR . .. E isso que dá viver em país subdesenvolvido. . ar cínico. biscoitinho! MARG. tão generoso!. .. cara fora da porta.. por trás. PG Busto Beethoven... meu chapa. . JESSUÍNO.Ai.. PM UMB... PAOLO . . Sentados nos degraus. meu braço! UMB.. Jessuíno! Estamos na nossa! MARG. raivoso.Malditos colchetes!. UMB.. sob a herma. sai pela outra porta. atracando-se com PAOLO..Seu cafajeste! UMB.Nada e ninguém no mundo nos hão de separar. MARG... aplicando golpe de judô no braço de MARG.Beethoveniana.. ..

.Margherita!. Estou toda dolorida. Margherita. errando caminho. inclusive pela voz. Boa noite. por detrás da herma. Sexo indefinido.... recomposta. descomposta. MUS. acertando.... PG MARG. Eu lhe telefono. surpreendida ao pé da escada por ANDREA cuja silhueta escura. boa noite. Margherita' desperta para a triste realidade. MARG.. Paolo. PG MARG..De suspense. Fui atacada por um vampiro!. entrando em casa. ÁUDIO CLOSE Tronco corpo MARG. . MARG. SEGUNDA PARTE PM Táxi parado à porta da casa de MARG. Passar do tempo. NARRADOR . Balão de pensamento em UMB. busto riu. . . Que foi que aconteceu?.Depois de se abluírem num lavatório público. Você não conhece Andréa. de pé. MÚS. . passando sobre o seio esquerdo. O que não vai dizer Andréa?!. sobre moça deitada. Você está bem? Vamos sair daqui!. entrando em BG. NARRADOR . PAOLO .Paolo! PAOLO ...Beethoveniana. começando no pescoço.... MARG.. cambaleante. à procura de PAOLO. Andréa!. Paolo conduz Margherita para casa.. chicote na mão..De clímax. você vai aprender a obedecer-me! PM De dentro para fora: MARG.. inconsciente.Sua cadela vadia.Meu Deus!.. . E Paolo. MÚS.Não. destaca-se em PRIMEIRO PLANO..Andréa! ANDR. . . MARG.Ai!.. PG MARG. que se despede de Paolo (fazendo menção de sair do carro).. perdendo-se ventre abaixo. apreensiva.VÍDEO PM UMB. . que surge todo amarfanhado.. Uma trilha de marcas duplas de dentes. onde estará? MARG. .. e letreiro: "QUE SARRO!" CLOSE Busto Beethoven.. .Deixe-me ir com você.Depois de longos minutos de inconsciência. despertando.

CLOSE Estetoscópio sob o seio. desmaiada escada acima.Nada n o mundo nos há de separar. se o senhor soubesse! MÉD. . VISÃO UMB.Traumatizada pelos acontecimentos. dentes de vampiro... Pelo amor de Deus. Tema de Love letters ou algo pelo estilo. MARG. CLOSE Rosto velho médico.Sua natureza é jovem e sadia..Chega. CLOSE rosto MARG. protegendo o rosto com o braço. estou saindo de um pesadelo.Oh. . calcinhas à mostra. parecia recusar-se a viver. NARRADOR . nádegas e coxas com vergões.Quando Margherita abre os olhos: MED. prostrada. (sussurro arfante) .. ÁUDIO MARG. Trilha de dentadas entrevista pelo robe entreaberto.VÍDEO ENQUADRAMENTO anterior.Não tenha medo. MUS.. . MARG.Biscoi-ti-nho! GRITO DE HORROR DE MARG. ... junto à janela.Sou o seu médico. Margherita ficou gravemente enferma.Meu Deus.. brandindo chicote. redinada em sofá. Margherita.Calma. Silhueta de ANDR. ou entrando nele?.. PM Silhueta de Andréa carregando MARG. olhar perdido. (EM OFF) NARRADOR . MARG. . doutor. vestes rasgadas. MÉD. Não se excite.Violinos. . Alheada de tudo e de todos. chega!... olhos cerrados. TERCEIRA PARTE PG MARG.Quem é o senhor? MED. Em flou. de bruços. . Até que um dia. MARG. minha filha.. ANDR.. MARG. minha filha. (sussurrante) . Vamos examinar o seu estado geral. Você está se recuperando muito bem. soerguida. Chove. Andréa!.... .. CLOSE rosto demoníaco de UMB. ...

PM MARG. entrando e sendo saudados. . PG PLONGÉ.Seu Português ainda está um pouco fraco. Carro parado diante de MARG. em PP. Amanhã me encontro com Paolo. e moça adolescente. .. NAR. ao portão de uma casa. MARG. MARG. Médico guardando estetoscópio na valise. mi^ a . para apanhar a condução. Não hei de decepcioná-la. (pensando) . o Beto! _ Manson. . MARG.. come with me! PG MARG.. A seu lado. de onde sai um alarido de vozes e de música. . MÚS. ar satânico.Seus devaneios foram bruscamente interrompidos pelo ruído estridente de uma freada de automóvel.Poucos dias depois. UMB. e MARG. como que desvanecida. .. ao volante. Gente seminua. _ o Beto. UMB. UMB.Param diante de uma casa de campo.VÍDEO PG MÉD. .Ruído de carro brecando.Ruídos e guinchos de carro célere em curvas. Festa hippiesca.(voz sufocada) .. NAR.. seu trabalho . Susana. Vou caminhar até a avenida. PM'UMB. .e a vida normal.. MÚS.. Como foi bom ouvir a sua voz!. .Está uma noite gostosa. . Precisamos dar uma puxadinha em concordância e análise lógica. cínico-sorridente.. MARG. olhos arregalados. que parte em doida carreira. ÁUDIO MÉD. agora. biscoitinho!... TÉC. PM Interior carro. . Até amanhã. TÉC. cabeça fora da porta. cabeça jogada para trás do encosto.Olá... é retomar seus estudos.O que é preciso. Margherita se despede de uma de suas alunas particulares. . NAR. . e MARG. vindo pela alameda.. Margherita é arrastada para o interior do carro.Como que hipnotizada.Até amanhã. SUS.De clímax e horror. PM MARG. PG Interior. Margherita. . estática.Primaveril.. . à noite. NAR. PG Carro parado diante de casa entre árvores.Ele!.

Margherita submeteu-se a toda sorte de devassidões.. . exausta.VÍDEO ÁUDIO .Gritaria.. PG MARG. sobre o ..Réquiem-sinistra. . . MOÇO 2 . . com as cabeças metidas sob a saia da moça. .Pare.Caminhando como uma sonâmbula. parada a um batente de porta. senão eu atiro! . . dois sujeitòs ajoelhados. NAR. garota de Hippinema !.. à beira da estrada. minha gente! TEC. Não sei como contar-lhe. enquanto o som e a fúria da confusão se cruzavam no ar. À frente e atrás. . A Beira do Caminho (E.Trouxe um biscoitinho fresco.Me dá uma puxadinha aí. Carlos).A polícia! Fuja. NAR.Ao amanhecer Margherita está diante da porta do apartamento de Paolo.Estamos entubados! ...O que não vai dizer meu noivo? . caminhando pela estrada.Como que alucinada pelo ambiente e pelos tóxicos. PM MARG. . ar de mártir. . idéias contraditórias pareciam guiar os seus passos. NAR. de gatinhas. (pensando) . oh Paolo!.Padre. MOÇO 1 . como que a rezar. que horror! Paolo. gatinha do papai.Andréa. Margherita se viu escondida atrás de uma sebe.Gloria in exsexus Dei! MOÇO 3 . MARG. ..Isto são horas de chegar? . sonambulicamente.Sem saber como. Pânico geral. Vê-se MARG. sirenes. de pé.. estou muito nervoso. PG Moço gritando de fora para dentro.... atropelos. atrás de uma sebe. Se eu ao menos pudesse pôr fim aos meus dias! MUS.Venha cá. pela porta entreaberta. PG MARG. PG Orgia. NAR.Vamos lá.

PAOLO . Descanse..Você é tão bom. PAOLO (off) . Motorista botando malas no porta-malas. PG PAOLO e MARG. Paolo. tão nobre. caindo nos braços de PAOLO. MARG. e visão vampiresca do rosto de UMB.VÍDEO ÁUDIO MARG.. PAOLO (off) . MARG. PAOLO . Alguns dias depois. minha querida. segurando as mãos de MARG. rosto entre as mãos.. eu aprenderei a amá-lo também.Saiba o quê. .. se.De suspense e clímax... MARG. eu já terià me matado. Não molestará mais você..Que eu já teria me matado.. Só você pode me salvar.N ã o diga isso. PAOLO ... MARG. meu anjo! MÚS.... ..Primaveril.. ar feliz.Margherita! MARG. Porta aberta. se.Um mês!.Paolo! PM Interior.. PAOLO (off) .... eu não estivesse grávida!... .Paolo dedicou-se a Margherita com desvelo. . CLOSE Superposição olhos de MARG..Aquele sem-vergonha vai ser condenado a uns seis anos de prisão por tráfico de entorpecentes.. . Margherita. MARG. Tudo isto passará. reclinada na poltrona..Eu deveria ficar feliz com isso. Mas é preciso que você saiba.Aquele canalha! PAOLO . EPÍLOGO FINAL PG PAOLO entrando na sala. se. . PM PAOLO ajoelhado... MARG. Você precisa mesmoficar fora todo esse tempo? CLOSE MARG. MÚS. meu amor. soluçando..Sim.Se o seu filho a fez viver. (soluçando) -Paolo!.. diante de um táxi. . . jornai à mão. Paolo!. .Não se emocione. Paolo.. NAR. meu bem? MARG. . Eu nem sei dizer quanto.

Burburinho. experimentando a maçaneta. PAOLO (pensando) . NAR.Estou ansioso por rever Margherita. todo maquilado.. Mas é claro! Margherita não me esperava.. Titínha.. . A porta está travada por dentro. diante da porta de entrada. Depois de inspecionar a última agência. Você me pertence.. Paolo deparou-se com uma cena atroz. PM MARG. Esta viagem representa um passo muito importante para a minha carreira e para as nossas vidas.. PM Silhueta de Paolo entreabrindo a porta. a saia levantada até à cintura: CLOSE Cara ANDREA: um homem.Entreabrindo a porta. Paolo dirige-se ao quarto.. .. TÉC. . Margherita. para.Paolo foi tão eficiente em sua viagem de inspeção.. ANDR. Até breve.Sem fazer ruído. de quatro no chão.. Vou entrar pela porta de serviço. PG PAOLO com malas. Ela vai ficar contente.É estranho. . Adeus. despida. NAR.Suspense..Tenha coragem e paciência.. E suas precauções são bem justificadas.Gemidos. n ã o PG Estação de estrada de ferro..não assustar Margherita.VÍDEO ÁUDIO PAOLO .. Titinha.Sou o seu bichagay. Ela pode estar repousando. peludo. me demorarei nem um dia a mais. PAOLO (pensando) .. . para não perturbá-la.. ruídos.. com um fichu à cabeça. meu amor. Upa! Upa! . MUS. PAOLO desembarcando de um noturno. NAR. TEC. cavalgando ANDREA. . PG PAOLO subindo escada. . que conseguiu terminar todo o serviço com alguns dias de antecedência. saudações...

Margherita.Não. do pescoço ao púbis. CLOSE Pé de PAOLO esmagando cara de ANDR..Suave. você poderá completar as disciplinas didáticas. cobrindo-se com uma peçà íntima. . Paolo! PM PAOLO cobrindo MARG. E assim começaremos uma vida nova e normal. de frente. PM PAOLO e MARG. ANDR. com fim brusco. PAOLO . MARG. .Ainda bem que você veio livrar-me deste suplício. Paolo. Manta entreaberta de MARG.-Paolo! PAOLO .Verme! Desapareça da minha frente se não quiser morrer esmagado como um verme nojento! MARG.VÍDEO PG PAOLO precipitando-se. tentando deter a mão de PAOLO. MARG.Nossa Senhora. formarse e lecionar. PG PAOLO empunhando um castiçal para abater ANDR. . Já iremos casados.Oh. PAOLO .Serei nomeado gerente da agência de Botucatu. ÁUDIO MARG. . com uma manta. que olha firme e confiante.Seu canalha! ANDR. que protege o rosto com o braço. Lá mesmo. só agora posso avaliar o quanto o amo! MÚS.. . entremostrando marcas de dentes. Paolo! PAOLO . como deve ser a vida daqueles que se amam. meu amor. olhando aterrado. .. ela recostada nele.O pesadelo acabou. MARG. que vexame! PAOLO .Vou matar esse depravado! MARG.

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grosso e fino. certas sutilezas. escorrendo em palavras. O pranto meu. morre. alto teor de invenção no último terceto. queria Dar-te a beber em vaso primoroso. que já conter não ouso. e aquele "amor teu/morre". vírgulas. enfim. virgulágua. repele consumo grosso. de líquidos. Singular objeto. acentos não-verbais escandindo. Poesia. que não há mais hoje em dia. nos últimos trinta anos.. ter-se-ão dado à curiosidade de voltar a contemplar esta aparente chinoiserie de um poeta menor? Um show.. e o amor teu mais frio. que de ti viria. Vendo um cisne. iria. e outra paisagem que lhe corre junto. acaso. uma bordadura sintática surpreendente. vários.Ó Fchitrá. antilinear. e quase alegre. Eu lentamente. gole e gole. Ocasionais. um rio ao vento a arfar. Haurindo o aroma. favorece paisagem em xícara de chá. choro mal contido. esse beber lágrimas. Do caulim. machucada. e um golfinho atrás. Enquanto a luz prateada e mole escorre D'âgua azul. e gozo e gozo. em pregas. teu brando Olhar.Ocasos Tu-Fu pensava: . Na pintura da taça. quando Frio o sol. Luís D e l f i n o (1834-1910) Quantos. percorre. nadando. virgulágrimas. pregueando um fluxo. corpo e chá. E um chá cor do teu corpo saboroso. Junto a ti. digamos. Delfino e Delgrosso? .

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3- LITERATURA .

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7 são titulados dentro do esquema de dois substantivos relacionados lírica. soam eles gratuitos-ou sim- . conseguem ainda ser editados comercialmente §. e necessariamente. acaba de lançar suas poesias completas .§ Permanece obscuro o processo pelo qual os poetas. afetivo-simbólica. ainda que relativa.A SITUAÇÃO ATUAL DA POESIA NO BRASIL Preliminarmente. novos ou consagrados. nessa acidentada superfície horizontal. de todos os 9 livros de poemas lançados neste ano. A verdade é que.§ Coincidência ou não. tipo balanço ~mTrès"enha. mágica. selecionar uma faixa de operação com passado e futuro . . incontinente. por meio da copulativa e: " O mar e a praia". mantém-se fiel a seus temas mas incorpora recursos da poesia espacial.situar o atual. p ^ e ^ r ^ u ^ ^ m e n o s j i j j m a va 1 oração. sugestiva e/ou cosmicamente.§ O poeta B. de que serviriam de exemplos cômputos desta ordem: § O poeta A. por meios estatísticos e classificatórios. "Os passos e o caminho" etc. . impõe-se dar ao termo atual uma determinada espessura de tempo histórico. enfim. É claro que o atual comporta um agora e que este. da poesia de hoje. " O ser e a vida". ainda que ocorram juízos de valor. do que uma aproximação à sua " c o m oi e-x-i d a d e-h o riz o n t a 1 ". " O ar e o vento".

como numa ossada ou numa notícia de jornal. —--——•—-—— r salto qualitativo bem definido. porque neles. ou de língua portuguesa.ro e a necessidade de informação. a invenção a partir de uma situação bem definida._ em qualquer dos aspectos que a tomemos. sobra . O que é importante esclarecer. o empirismo antropof ágico brasilei. um campo de possíveis orig i n a i i ^ r a t r ^ ^ õ n t S ^ l m i v ê r s a l . Creio poder situar com razoável clareza a poesia atual. considerando-a jituaLa partÍ£_do pós-guerra ou mesmo um pouco antes.o presente-c-cacassein o tempo. sistematizados pela poesia concreta num .c. dos ismos que se vêm sucedéndo e/ou imbricando de há um século a esta parte. detém-se num setor dela: nas bordas. Nessas malhas"âssinrdëlïn u t ã B p ^ ^ b e í f r v o z e F fora-de-campo. há várias décadas. o aparecimento do verso livre. desde logo. as ramificações permanecem abertas ainda que fora de foco. de uma única e mesma crise. por lhe estar próximo. a guêrra fri a e D r u m m o n ^ ^ ^ ^ ^ m ^ ^ ^ ^ o c o n t e ú dÒ"^COÍTStrução e o conteúdo-expressáõ. por exemplo.plesmente ininteligíveis. âfe ITO m e n o íl) g i a. como se trata. Mallarmé e o projeto.ciência crítica que. posto que as provas estão ao nível da evidência mesma. a arquitetura.à crise do verso. complexidade vertical de uma situação. tratando-se. de "crise da poesia". quando comecam_a manifestar-se aqueles caracteres de»autp. social e ideológica). N ã o é necessário aduzir muitas provas ou indícios para confirmar o que vem sendo chamado. é" básica a intervenção daquela dimëïïsacTKîstôrica que configura" g. Se o olho. Lembramos. Para situa-los-ëfp o r t a n t o". vale dizer: nao estão situados. corresponde isomorficamente . ela mesma parcela de uma crise muito mais vasta: a crise do artesanato f ace à revoluçã^ industrial (econômica. iriam projetar para a poesia brasileira. que se manifestou e . poder" julgar tanto a coisa julgada como o própriõ~jüízo dê~vãlor.e simplesmente . não pode abranger o todo de uma rede. do poema em prosa. é que a crise da poesia.õns. para usar terminologia de cinema: a revolução industrial.

deseja "conservar". E. I n s t a l a m ^ nele a mauuais. por verdade superior e supra ou a-fiistorica. Interioriza a crise e a exterioriza no próprio fazer-a-sua-arte. o verso e/ou a poesia. tópico e texto) .. que o advento da burguesia ao poder. E a arte e o artista são obrigados a defrontar-se com a ciência e a indústria.e conscience e a aü^de. título. Seria ingênuo pensar. e q u a n t o mais deseja conservar. resistindo-lhes. a exacerbação contraditória do individualismo lastreadcrnaTclivisão da propriedade e dos interesses. subtítulo. no entanto. talvez. e a arte. Temos então Leconte de Lisle a afirmar que o processo da arte é o mesmo da ciência. Mais elucidativo. para ficarmos. A crise do ^ffês'arîâïôTWysecÛlo^ gjgf a crise do artista. Essas realidades configuram uma crise sem precedentesjii^tóricos. apenas neste terreno. destinado a localizar os inventos e as invenções na poesia). a esse . não só diante da própria o b ^ C m m o d a ^ ^ ^ ^ E r e m ^ ^ S c í e n o v a s fo rmasconteúdos.iria refletir-se na obra máxima de g O ^ i ^ ^ g m i ^ á ^ ^ H ã M ^ ã f e ' a ™mlrstíüáção.ainda se manifesta em todos os setores artísticos. ideogrâmica (manchete. aliás. Na areia movediça. a revolução industrial. total e universal. como que num instinto de defesa "artesanal". que não encontra mais a função na sociedade utilitária. mais parece acelerar a dissolvência da própria obra. por ora. e os seus conteúdos herdados. descontínuOnãsVimultânea^Q jornal surge comõ^mT dos principais instrumentos de informação e comunicação dessa descontinujdadee dessa simultaneidadFê a sua"~particular fi sionomia v e r b ov_o c o_y i sua 1.. combatendo-as e adotando-adaptando-lhes os métodos e processos.renexiya. noção que Pound também adotaria em sua crítica comparativa e experimental (um método heurístico à sua moda. os avanços da ciência e da técnica e a consciencialização da luta de~clãssei~deixariamintatos. isto não impede que ambos ainda possam ser considerados poetas "artesanais".j:xític'()-analítica.

mas que aqui não calham. com cuja obra maior apresenta mais de uma relação interessante. Certo é que seu artisanat furieux constitui uma reação e um desafio à máquina e ao assoberbante mundo industrial. com apuro e rigor. como a querer mostrar quejosjjrodutos deste não podem competir. que" vêjl^leT^^^^^^ Este conflito se generalizou e se desenvolveu .um dos mestres de Pound.de uma oportunidade. ou prescindir.^encerra o ciclo_da_poesia ocidentaLiniciado com Dante. muitos dos problemas fundamentais que a ciência e a filosofia iriam abordar anos depois: a intervenção do acaso. Este foi Mallarmé.e chega até nós. propriamente dita). e mesmo levando-se em conta que uma das coisas novas de hoje é a mudança de ritmo da própria mudança (Oppenheimer). em percurso psicanalítico. ao nível sensível. Quem se dispõe a levar alguma coisa "às suas últimas conseqüências". sessenta e tantos anos depois de sua perplexante performance do Lance de Dados. aqui e hoje. para sentir-se (ou provar que era) um profissional útil à sociedade a que pertencia (e assim apaziguar sua consciência e suas dúvidas).proposito. abordagem ao "homem concreto" Flaubert. já levantada por outrem. Da última vez. abrindo outro (o da poesia contemporânea. a noção de estrutura substituindo a de . resultado de um rigoroso. como antecipa. a descontinuidade e a probabilidade no mundo físico. alias. seja Flaubert . lento e longo descascamento fenomenológico da coisa-poema. de que Flaubert trabalhava "duro" e metodicamente. em busca de seüs eidos . porém. acaba por superá-la. O Un coup de dés não só já é do século XX. destinado a iluminar por mais um lado os motivos que o levaram ao "culto da forma". é a indicação. Mais interessante. a verdade é que o nosso homem da Rue de Rome ainda não foi "engolido".^ ^ e ^ tos.obra que. em sua triagem sobre a responsabilidade social e humana do artista. dos " o b j e t o g ^ d o ^ g ^ g ^ . Com toda a ânsia de síntese de nosso tempo. Sartre abordou Flaubert errTmais.

réfus et réalisation tout ensemble. . Drummond. le projet retient et dévoile la réalité dépassée. João Cabral de Mello Neto. mesmo quando não tem completa consciência. . a simultaneidade. Mas resignou-se: não era d' "os que na força de irem põem tudo". Esta é a melhor poesia que se faz no Brasil.na-ptóprja.. de um modo ou de outro. mas em circunstâncias históricas concretas: único modo de ser concreto e produzir resultados concretos. e fenomenológico da poesiadescoberta. A poesia que. é uma poesia-onça^t^z. Em Mallarmé. Cummings. Pessoa foi raro e claro. A poesia de Mallarmé. Guimarães Rosa. Outros lá chegaram. . São os empíricos. como a que dela advém. pela primeira vez na história da poesia moderna. réfusée par le mouvement même qui la dépasse.pegadas^J^ela se reconhece o processo heurístico. tem no Coup de dés o seu marco zero: "sans présumer de l'avenir qui sortira d'ici. as correspondências estruturais (isomorfismo). por caminhos outros da rede ramificada do processo heurístico (para usar a expressão de Abraham Moles): Ezra Pound. Oswald de Andrade. rien ou presque un art". a topologia. podemos detectar claramente a idéia dialética de projëK to. os poetas concretos.] Fuite et bond en avant. a entropia. incluindo boa parte da poesia concreta. da poesia-invenção.gekjisjtias.forma. a dimensão tempo e as suas relações com o espaço. o principal destes problemas é o das relações entre a arte e a ciência. se aeterminer a la fois par rapport aux facteurs reels et présents qui la conditionnent et par rapport à un certain objet à venir qu'elle tente de faire naître [.. no sentido-sartnano: la conduite la plus ruaimentaire ãõit gs%r. Fernando Pessoa. Quem lhe arrancou o livro que ele quis ter sem acabar? . ou quase (mas depois). Mallarmé lançou os seus dados não "dans des circonstances éternelles". no que nos toca.. que vai dizendo a sua descoberta na medida mesma em que a faz. Mas. A estirpe mallarmaica: James Joyce.

assim como começará a ganhar "inconsciência" da crise da poesia quando se manifesta a "guerra fria" . sua poesia aparece engomada com o amido de diversos autores . que organizou em 1956 para os Ca- dernos de Cultura.e isto é válido inclusive para a apreciação do valor poético de sua obra. a mauvaise conscience criativa e o que nele é conteúdo-construção (secura da quadra de versos curtos. Ainda desse poema: "Não me procurem que me perdi eu mesmo". a Guerra Civil Espanhola e a Guerra Mundial obrigam os homens a se situar. 1935-1942). nos mostra o conflito já maduro. com trechos de poemas tirados todos do "Sentimento do mundo" e "José" (Poesias. em Claro Enigma (1951). constatar que começa a tomar consciência da crise da poesia. humildemente vos peço que me perdoeis. como os versos para caixas de bombons. É fundamental. tanto é sensível o isomorfismo forma-conteúdo nesse poeta. de Mallarmé. justamente quando a Guerra da Abissínia. E de perguntar-se se hoje ainda se podem fazer impunemente. E assim que. - (Sentimento do Mundo) . do Serviço de Documentação . para o seu entendimento. exceto o último. "poemas de espera". que João Cabral levaria até à dissolução): Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento.Ministério da Educação e Cultura. Uma rápida montagem ideogrâmica do verso-prosa "jornalístico" de Drummond. constante da confusa antologia de seus versos. Sinto-me disperso."espelho de projeto não vivido". anterior a fronteiras. que é de A Rosa do Povo (1945) (quando o poeta dá o "salto participante"). como diria no poema "Elegia". no projeto.Drummond foi o primeiro homem no Brasil.

Sim. N o teu tempo nem haverá beijos Os lábios serão metálicos. uma fascinação quase me obriga a pular a janela. Ou talvez seja eu próprio que me despreze aos olhos dele. bebemos cerveja e olhamos o mar.. (Congresso Internacional de Poesia) Neste terraço mediocremente confortável. (Privilégio no Mar) Os beijos não são importantes.. e mais nada. nunca foi meu irmão. o medo dos democratas cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Tenho vergonha e vontade de encarálo.Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é. será o amor dos indivíduos perdidos na massa e só uma estrela guardará o reflexo do mundo esvaído (aliás sem importância) (Canção de Berço) . sustar-lhe a marcha. pelo menos implorar-lhe que suste a marcha. depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. que não nos entenderemos nunca. a cair em frente dele. civil. Sabemos que nada nos acontecerá. quem sabe se um dia o comprenderei? (O Operário no Mar) cantaremos o medo dos ditadores. E me despreza. O edifício é sólido e o mundo também.

sem mistificação. A vida apenas. N o cimento. dinamitar a ilha de Manhattan. o desemprego e a injusta distribuição porque não podes. Aceitas a chuva.Chegou um tempo em que não adianta morrer chegou um tempo em que a vida é uma ordem. Adeus. (Os Ombros Suportam o Mundo) de âmbar! de âmbar! fantásticas dentaduras.. os problemas te dispensam de morrer. . Salta o edifício da areia da praia. ( Madrigal Lúgubre) e sabes que. até outra vida. princesa. (Elegia 1938) Na areia da praia Oscar risca o projeto. Coração orgulhoso. mastigando lestas e indiferentes a carne da vida! (Dentaduras Duplas) lagarta mole que escreves a história escreve sem pressa mais esta história: O chão está verde de lagartas mortas. dormindo. a guerra. nem traço da pena dos homens. sozinho. admiráveis presas.. tens pressa em confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva.

(Edifício Esplendor) Lutar com palavras parece luta vã. Não têm carne e sangue. Entretanto lutamos mal rompe a manhã.. meu poema. O povo. Entretanto.. Tamanha paixão e nenhum pecúlio. Luto corpo a corpo. Lutar com palavras parece sem fruto. O elevador sem ternura expele. absorve num ranger monótono substância humana. te atravessa.As famílias se fecham em células estanques. luto todo o tempo. . (O Lutador) Essa viagem é mortal e começá-la Tal uma lâmina. luto. sem maior proveito que o da caça ao vento.

numa consciencialização geral do problema que constitui justamente a primeira totalização da situação. fenomenologia (e fisiognomia). sucessivamente. uma certa mecânica devoradora. O Drummond autobiográfico é antes autográfico: escreve-se a si mesmo para ser. tudo em Drummond é palavra (especialmente no período 1935-1945). Drummond. assim como em Cabral será a psicologia da composição. tomou o bastão de Mallarmé. Itabira é para Drummond o que Dublin é para Joyce. e nos concretos. o ser e estar na noite. por exemplo). essa repetição obcecada. da solidão. matemática e . do poeta e do mundo. em busca da situação da poesia. Apenas.concreção da composição.enfim . formando a estrutura móvel de um sempre mesmo poema a fazer que é a sua poesia. afinal. neste sisífico descascamento concreto da poesia. como a dar prosseguimento ao livro que o poeta francês concebera {"rien ou presque un art") e de que o Lance de Dados não seria mais do que um prefácio . em situações históricas determinadas. (A Rosa do Povo) Nesta corrida de revezamento. Como bom mallarmaico. geometria. Et pour cause: essa reincidência. sem termo definido mas com objetivo.Os temas passam mas tu resistes. brasileiro do século XX. conflito irresoluto da "comunicação incomunicável"). essa reiteração autobiográfico-itabirana é a espiral semântica isomórfica de processos formais recorrentes (a quadra como unidade blocai e a estranha dicção epistolar de certos poemas. embora pareça estar falando sempre de outra coisa: as memoráveis e imemoráveis parafernálias familiares e torrãonatalinas. o que em Mallarmé é metafísica hegeliana ("subdivisions primatiques de l'Idée ") da composição. sensível.prenuncio. em D r u m m o n d é angústia da composição (fenomenologia poética. .

ce n'est donc plus le succès. mais il passe de la magie blanche à la magie noire. le poète fait front commun avec le prosateur pour la déclarer invivable. d'introduire arbitrairement la défaite et la ruine dans le cours du monde. et qui permettra le passage au mythe.. l'échec est masqué par l'État ou récupéré par la Religion.. ses désinences masculines et féminines.. l'indignation sociale. on comprendra facilement la sottise qu'il y aurait à réclamer un engagement poétique. la haine politique . la passion même . l'émotion.] Après l'avènement de la société bourgeoise. c'est à la poésie de le récupérer. Em conseqüência "sa sonorité.] S'il en est ainsi. Mais elles ne s'y expriment.. a palavra é coisa e não mera portadora de significados.. À noter aussi que ce choix confère au poète une fonction très précise dans la collectivité: dans une société très intégrée ou religieuse.sont à l'origine du poème.et pourquoi pas la colère. como na prosa. f u n d a m e n t a l . d'ailleurs. comme sont nos démocraties. s e d u ç ã o . onde o leitor a atravessa "como um raio de sol atravessa um vidro" (Valéry). mais l'échec [. comme dans un pamphlet ou dans une confession [. Ce qui est à l'arrière-plan de son acte. son aspect visuel lui composent un visage de chair qui représente la signification plutôt qu'il ne l'exprime [.. mais plutôt de n'avoir d'yeux que pour elles [. O m u n d o n ã o nasceu o n t e m : Joyce t u d o fez p a r a livrar-se d o " p e s a d e l o da H i s t ó r i a " .necessidade. sa longueur. Sans doute. c'est qui perd gagne.. dans une société moins intégrée ou laïque... Et le poète authentique choisit de perdre jusqu'à mourir pour .P a u l Sartre: Na poesia (contemporânea).] Il ne s'agit pas. o p r i m e i r o a enfrentar a d u r a luta: o subjetivo d o i n c o m u n i c á v e l se exterioriza n o o b j e t i v o p o e m á t i c o d o êchec-réussite da poesia. Il s'agit toujours pour lui de créer le mythe de l'homme..E e m D r u m m o n d surge o fator n o v o : a q u e s t ã o engagement do . La poésie. p a r a emp r e g a r a fórmula terrível. mais par la réussite de son entreprise il s'enlise dans une collectivité utilitaire.] la valorisation absolue de l'échec [. desafio e impossibilidade p a r a a poesia (até a g o r a ) .] me paraît l'attitude originelle de la poésie contemporaine. D r u m m o n d é o p r i m e i r o p o e t a brasileiro " e m s i t u a ç ã o " . L'homme est toujours présenté comme la fin absolue. de J e a n .

de cette malédiction dont il se réclame toujours et qu'il attribue toujours à une intervention de l'extérieur. que p o d e m constituir unidades blocais complexas (sem exclusão forçosa da frase) relacionadas estruturalmente . neste sentido. que constitui a mais radical divisão de águas entre poesia e prosa. est présente. que é tipicamente não discursiva. la poésie devient prosaïque.. Julguei básico repô-la em curso. na literatura contemporânea.] Il va de soi que. l'eidos "prose" se brise et nous tombons dans le galimatias. foi a não-compreensão desta verdade que levou os chamados poetas neoconcretos ao despropósito do chamado "poema-objeto".e o Lance de Dados. "menor" na poesia (fracasso).. [. [. c'est-à-dire de réussite. toutefois. Je répète qu'il s'agit de la poésie contemporaine. onde o discurso verbal é substituído por um "dis- . é prototípico. C'est le sens profond de ce guignon.] Si donc l'on veut absolument parler de l'engagement du poète disons que c'est l'homme qui s'engage à perdre. nem o problema superado.. qu'on peut passer de la poésie à la prose par une série continue de formes intermédiaires. impures mais bien délimitées. A mensagem..] Il n'en faudrait pas conclure. explique ou enseigne. ainda mais quando incorpora elementos da comunicação não-verbal. mas também relações semânticas concretas. c'est-à-dire une certaine forme d'échec [.gagner. Il s'agit de structures complexes. Mas. et réciproquement la prose la plus sèche renferme toujours un peu de poésie. provavelmente. é "maior" na prosa (êxito). entendida como carga de significados. Aliás. une certaine forme de prose. il a perdu la partie. Poesia concreta não é apenas palavra concreta. também esquecida.. isto é. Si le prosateur veut trop choyer les mots. L'histoire présente d'autres formes de la poésie. tal como acontece na poesia concreta. é menos entrópica. A contraposição sartriana fracasso/êxito encontra correspondência na teoria da informação. alors que c'est son choix le plus profond. Mas a questão não é tão simples. non pas la conséquence mais la source de sa poésie.. e mais entrópica. Si le poète raconte. dans toute poésie. A citação é longa e certamente conhecida.

em geral. cresce a prosa. o fracasso se exibe. (Mãos Dadas) Cresce o "índice" participante. Decresce o animus participante. a vontade de ação quer o presente. Não nos afastemos muito O tempo é a minha matéria. E como a obra só se completa na interpretação. a vida presente. os homens presentes. (Soneto da Perdida Esperança) O presente é tão grande. regride a prosa.e ela está em A Rosa do Povo (1945): participa e/ou não participa com a mesma convicção: Áporo e Carta a Stalingrado. Pulsam eles em Drummond de diversos modos: a eternidade afinal expelida estamos todos presentes (Edifício Sãó Borja) Entretanto há muito tempo nós gritamos: sim! ao eterno. não nos afastemos.curso" cenográfico (cenografia para a palavra). este segundo hemisfério do conflito. o tempo presente. Em Drummond. E para esse total conflito. O conflito poesia / prosa é paralelo ao conflito contemplação / ação e também ao conflito eternidade / presente. A guerra-fria . a contemplação quer o eterno (enraizado no passado). os versos curtos e o duro enquadramento de sua quadra caracterizam. tal como certos túmulos com certos epitáfios. a cenografia é também simbólica. aumenta o êxito. a simples trégua já é euforia .

dedicado a Carlos Drummond de Andrade. projetando-se. entregá-lo embrulhado ao misticismo (recuperação do fracasso).ambos mortosvivos. sob a forma de palavras . ou .Flor é a palavra flor.tal como ainda em Drummond. foram cortadas as raízes da tentação de fazer correr pelo gargalo do presente um passado que se sabe morto. na Psicologia da Composição. É a consciência de homem que nasce do poema. face à situação dos homens: Como um ser vivo Pode brotar De um chão mineral? É o poema. onde parece perder os fios do projeto e do concreto: formalismo e subjetivismo tòmam conta de sua poesia e ameaçam aliená-lo. Acabou-se aqui a autobiografia.como subtitularia sua Anti-ode. e só por isso pode ser inscrita ou escrita no poema. em termos de projeto. o único de seu tempo que o entendeu todo: João Cabral de Mello Neto publica O Engenheiro. Entendeu-o todo e o superou. justamente. seu amigo. (1947). e só por isso TODAS as palavras o podem. A seleção fenomenológica rigorosíssima atinge a extrema indiferenciação. firmava-se outro grande poeta. passado e poema . na sua condição de poeta. da poesia . Homem em situação que projeta o poema. João Cabral é o primeiro poeta nitidamente de conteúdo-construção em nossa poesia. Mas em 1945. E já aqui chegaria ao fulcro e ao ápice da questão: flor não é símbolo ou procuradora do canto. em oposição à poesia de conteúdo-expressão (sem projeto). à poesia dita profunda . Diferença que poder ir entre a estrutura de uma árvore e a estrutura de um prédio.vai lançá-lo numa longa noite tartamuda. radicalizando e iluminando o conflito com extrema lucidez e com uma sensibilidade só comparável à grande responsabilidade que soube assumir.

então vai-se fazer outra coisa: as ilhas ou o engagement puro e simples. é o fim. Aparentemente. palavras impossíveis de poema. fezes. Não dá o salto. Opta pela fidelidade e pela responsabilidade. as fezes vivas que és. Sua poesia começa a ganhar em prosa. mas lançam-se sempre. dá-o: para trás. Sei que outras palavras és. Te escrevo cuspe. embora o poeta tente valer-se do benefício da dúvida: Poesia. desdiferenciação. Nessa dispnéia conteudístico-formal. sem falar eu: no feito. chega ao limiar da poesia concreta. Neste poema. aparentemente a única forma pela qual se apresenta a fome-alimento: . Ou antes. O absoluto. nesse poeta) que é. a rarefação da informação começa a dissolver a unidade blocai da quadra. através e além da mosca azul (outro mallarmaico!) se dissolve num échec absoluto. não mais. que põe em xeque o prosseguimento-cometimento formal da poesia. que se julgava ver na. em busca de víveres informacionais concretos nas coisas que existem e conhece. cuspe. tão cuspe como a terceira (como usá-la num poema?) a terceira das virtudes teologais. o eidos poesia. Ou. Os dados não estão lançados. te escrevo agora. em seu mais alto grau. tal como acontece com as células cancerígenas. que herdou de Drummond. Ou antes: em busca de uma nova fome que alimente o projeto e o conflito. fora de si e do poema.melhor. poema auto-(in)formativo (como todos.

ou talvez por isso mesmo. que descer é o homem. João Cabral. supremo acaso e arbitrário. É Dante e é Mallarmé. Sua démarche tem muito da de um cientista e aqui se apresenta um novo aspecto da participação do poeta: . selecionando suas opções na medida mesma em que as descreve e organiza. única maneira de renunciar a ela. Da flor passa à faca. E vai descascando a realidade sub specie de paisagens e fatos. única renúncia possível à condição humana. para dizer sim numa sala negativa. embutindo-se no tempo (ato da leitura). Fracasso genial do mestre da poesia contemporânea. dispnéia. Desembutidos (no espaço) formam o poema. mas apenas como o experimentador que faz parte do sistema experimental.). onde a integral liberdade se ganha renunciando-se totalmente à vontade de ser livre . e " O Rio" (1953).situação absoluta do defunto. Veja-se o poema "De um Avião" (Quaderna.. ordem absoluta.. com sua epígrafe tirada de Berceo: Quiero que compongamos yo y tu una prosa.obsessão tão óbvia como a do poema: o homem. só que Deus é a Idéia . Começa tudo de novo. de onde salta o centro. até o estrangulamento. isto é. o fulcro. se são coisas. o absoluto só o é (concreto e absoluto) enquanto poema-homem: a constelação.e também a dúvida. quanto mais sobe. o núcleo do núcleo de seu núcleo . são também signos que transferem sentido. caracterizam-se mais claramente pela telescopagem: círculos e cilindros que. um dos raros ém que fala eu. o acaso é concreto. de país subdesenvolvido (mesmo fisicamente ausente em Espanha ou França ." O Cão sem Plumas" (1950). Sobe descendo. desparticipando-se: entra na realidade nacional. Cruza-se com Drummond no campo de possíveis do projeto: entra na participação quando o poeta mineiro dela vai saindo. vão estreitando de diâmetro. 1959). O primeiro subindo na espiral purificadora até atingir e integrar-se no olho de Deus. caos recuperado e indiferenciado. desce. A partir de " O Rio". único modo de poder saber diferenciar novamente as palavras que. Mallarmé também vai para o alto.

e ao projeto. pode conduzir à responsabilidade integral do poeta empenhado em construir. tendo em vista o que se poderia chamar de uma antropologia poética: dar conta de fatos e situações sociais e humanas ao nível da apreensão sensível. L'image du monde n'est contenue que par fragments dans le cerveau des savants. de que fala Moles: Dans le processus de création.se assim podemos falar .corresponde ao "sentimento estético" do cientista. ou este "sentiment to científico" . "literária". mas incorporar elementos das ciências. l'accord (ou le désaccord) entre le parcours effectué [na rede ramificada do processo heurístico] et tout le bagage du subconscient constitué par les archétypes. de que João Cabral é a expressão mais perfeita em nossa poesia. Este poeta. isto é. mas ainda abstrata e subjetiva.não fabricar metáforas ilustrativas para uma ideologia. em forma de poema. substitut de celui de la "valeur vérité" utilisé par l'édifice de la science achevée comme critère de solidité. direta. por conta do autor. détermine un sentiment esthétique interne qui joue un rôle essentiel dans la découverte. Em sua última obra. e da arquitetura tout court em . Dois Parlamentos. retoma a "prosa" e algo do esquema de Morte e Vida Severina. Essa atitude. e a resultados poéticos positivos. obra boa e simpática. Capaz de pedra e a paio seco. E mais uma vez estamos dentro do problema da poesia didática.aquela que está sempre a perguntar "que é poesia?" alimentando indefinida e concretamente as suas contradições. Cette esthétique (aistbesis sens) interne trouve son expression la plus explicite dans la conception philosophique qui possèdent le savant comme l'artiste. para fins de catequese. Só a atitude radical na poesia . João Cabral vai dando cumprimento ao seu projeto . na medida em que identifica o coletivo medieval europeu ou os nossos primeiros índios com o atual coletivo rural do Nordeste. que começou em plena consciência da era industrial e da imposição u r b a n a dos edifícios (ver influência da arquitetura ortogonal em O Engenheiro. tirada este ano em Madri.

sua poética tenha algo da mecânica repetitiva de rodas dentadas. em primeiro lugar. Não construíram: quiseram restaurar formalismos subjetivos superados. João Cabral de Mello Neto. embora seja inegável que tenham suscitado. por conseqüência direta do Congresso de Praga (só escapando a arquitetura. na época. Oswald de Andrade.).a resposta ao apelo construtivo foi mofina. ainda mais que. um grande interesse pela poesia e seus problemas daqui e do exterior. quando não de reforma ou revolução. e as contradições ainda não bem definidas e todo o mundo praticamente desconhecendo a prosa de seu teatro e o . do outro lado.Anfion e Psicologia da Composição). e as obras não reeditadas.. de informação correta e de disposição participante nas coisas do mundo . cuja história tem sido mal contada. como o desses moedores de cana que vemos em bares e pastelarias.' Ainda que. para poder dar conta da realidade também "artesanal" do Nordeste.cuja motivação mais funda (alienação burguesa e conjugai pelo bem-estar material.. Essa maquinaria de mastigação. que salvaram a situação e sustentaram a idéia da poesia criativa. Foram os que na poesia mesma sentiram as contradições do mundo a cada palavra. outra forma de reação artística também se fixava. a pretexto de acabar com a suposta pouca seriedade da poesia de 22. por exemplo) está a merecer investigação maior . já vem indicada também em Drummond (muitas vezes em ligação com a decadência mecânica ou orgânica de edifícios). mesmo nos países não diretamente abalados pelo conflito. O pós-guerra se caracterizou por uma vontade generalizada de reconstrução e construção. da parte de todos aqueles intelectuais e artistas que pretenderam maior "rigor" formal na poesia. por uma notável carência vivencial. Fixaram uma posição reacionária. Manifestação da contradição cidade/campo. mesmo nas obras mais participantes. aliás. acabou por adaptar e adotar recursos mais artesanais. No Brasil. de mecanismos elementares e alimentares. primitivistas. a cada relação de palavras.

De qualquer forma. do seu "fracasso" da Anti-ode. o pulo conteudísticosemântico-participante.não se sabe. Até onde pulará para trás. Drummond hesitou. seduziu-se e deu o lance: seu resultado poético não foi tão grande quanto seu êxito discursivo. na medida mesma em que se reaproximam. A onça vai dar o pulo. Considerando-se projeto a mediação entre dois momentos de objetividade. O projeto é coletivo também no tempo. Carlos Drummond de Andrade que há poucos meses publicou. numa sociedade onde a poesia. Quando . pelo menos. para prenunciar o fim da "poesia contemporânea" (e este pode ser o grande desafio ao seu poder de invenção)? A poesia concreta vai dar. A diferença que ia entre o poema em prosa e o poema em versos é hoje a mesma que vai entre este e o poema concreto. é clandestina. onde se reconhece no projeto e cuja última palavra é justamente o sinete mallarmaico: ptyx. o suficiente.a única poesia conseqüente de nosso tempo (a contar do simbolismo francês e.e quem . Isso é Aquilo. do Lance de Dados para cá). A poesia concreta deslocou a linha divisória entre poesia e prosa. surpreendente e esperado. que formaram o grupo Noigandres em 52 e lançaram a poesia concreta em 56. ainda sua melhor obra.vasto diário confessional que dizem ter deixado. num suplemento literário de São Paulo. especialmente. A poesia concreta é a primeira grande totalização da poesia contemporânea. Rigorosamente falando. Os inconformistas de 48. para a poesia concre- ta é todo e qualquer poema em versos que hoje se faça. só tem de dar. Deu-o João Cabral sem muitas hesitações. para o êxito do verso? Ou conseguirá levantar a maldição sartriana. Nem se será percebido. enquanto poesia "projetada" . semanticamente enriquecidas. um poema como não se vêem muitos. prosaico. hesitou. sobre ser gratuita. e as soluções que vem apresentando constituem um grande avanço. . a poesia concreta se encontra atualmente na situação em que se achava a Anti-ode. poética e esteticamente falando. é preciso jogar os dados novamente.

York. Amigos da Poesia. Routledgg__&.~K-. edição do autor. . 1958. Livraria José Olympio Editora. 1955. 1951. Lisboa. M e l l o N e t o . Um e Dois. 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. J. 1952. N. Ronaldo. Fernando. 1956. Rio de Janeiro. Paulo. in Suplemento Literário de O Estado de S. São Paulo. C a m p o s . Livraria José Olympio Editora. P e s s o a . The open mind. Les quanta et la vie. 1960. Edameris. Braga. 1952. Rio de Janeiro. B r i t o . Livraria Martins Editora. P o u n d . Rio de Janeiro. Tempo Espanhol. São Paulo. Robert. 1945. Dois Parlamentos. Andrée. Kegan Paul Ltd. Guimarães Editores.1 9 3 5 ) . 1942. A Rosa do Povo. Duas Águas. Rio de Janeiro. 1955. Lisboa. "Que sais-je?". Biografia. edição do autor. M o l e s . York. Universo. s/data. Rio de Janeiro. G r ü n e w a l d . Rio de Janeiro. Perspectiva.3. 1950. A Luta Corporal. O p p e n h e i m e r . 1957. Livraria Morais Editora. Mário da Silva. Poesias Inéditas ( 1 9 3 0 . Poesias. 1971. 1961. 1958. edição dos autores. "Cadernos de Cultura". Madri. N. Poemas. 18. Augusto e Haroldo de. João Cabral de. 1945. Éditions René Kister. Livraria José Olympio Editora. edição do autor. G u l l a r . Abraham A. 1959. Genève. Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura. 1961. Rio de Janeiro. La création scientifique. Noigandres 4 (incluindo um "Plano piloto para poesia concreta").. Carlos Drummond de. Tradução brasileira: São Paulo. London.1961. São Paulo. São Paulo. Murilo. Rio de Janeiro. 1959.-Pr-ineiples~&f-GestalLPs ychology. Décio & A z e r e d o . Livraria José Olympio Editora. Claro Enigma. Ezra. P i g n a t a r i . Quaderna. 1960. Col. Livraria Martins Editora. New Directions. Simon & Schuster. Ferreira. José Lino. íÍowka. ABC ofreading. São Paulo. Edições Ática. edição do autor. G o u d o t . Lisboa. Isso é Aqui- lo. M e n d e s . Edgard.Bibliografia ANDRADE. 1956. Presses Universitaires de France. 1954. Paris. Extralunário. O Engenheiro.

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Paronomásia. ou: as afinidades eletivas da linguagem. . estruturas que comandam os significados. Isto é: função poética da linguagem: poder / Poher.

não se pode mais pretender manter a intangibilidade. a continuidade ou o continuísmo do que se chama "literatura" (história da): sistema perempto. mendiante seleção_çrítica. segundo o qual o "acervo literário" se enriquece vegetativamente por agregação de "autores e obras de qualidade".VANGUARDA COMO ANTILITERATURA Em plena segunda revolução industrial (automação). acadêmico-universitário de transmissão de conhecimentos literários acabados.o método heurístico. ^transmissão passiva_de conhecimentos adquiridos é uma falácia: só se coiihece^verdadeiramente. ainda que se possa tratar de "sistema de vanguarda" porventura em vias de fixar-se. Quando a ciência e a arte gassam do certo para o provável e parajLBer' c ë b i d ^ ^ c o m o quer Moles . Sistema ainda apoiado na língua. todo sistema prévio. parcial ou totalmente.se existe alguma . Ela é criativa na medida mesma em que abala. . nas pressupostas virtualidades e/ou domínio do idioma. de modo criativo. Arte experimental é a que põe em causa a própria arte: confina necessariamente com a não-arte. o método da I f œ S é r t ^ é o único que interessa ao espírito criador. Arte viva de nosso tempo .é arte experimental. naquilo que tem de "pensamento bruto" oposto a "sistemas formalizados segundo normas catalogadas" (Abraham Moles).

ainda que lentamente. planejamento) . base revolucionária (depois diluída e distorcida) do modernismo brasileiro. a nova realidade universal. . Entramos na era da linguagem. sob certos aspectos. Época canibal de todas as épocas . a y ^ ' S " —— — ^ ^ ^ -—f AW^SSsmS^ ^^^SS^SSa^' A poesia revolucionária dos últimos^eem-anos se vem fazendo à margem do "sistema". de Ezra Pound. Continua pouco conhecido. A linguagem é a nova realidade objetiva de nosso tempo. foi talvez o primeiro "antipoeta" das Américas. Os irmãos Campos acabam de repô-lo em circulação*. enquanto vai estacionando . A obra de arte verdadeiramente nova e inovadoraã t u a no campo dajinguagem criativa e criadora desrealidaaesj (entendidas como nov^-r^laeões-conteúdo^ransf oíveis)T°"A" poesia nova cria a r i t e s ^ u a n t i d a d e s ^ que é antes criadora d e ^ ^ ^ s ^ ^ M q u e ' ^ ^ O T ^ ^ ^ ^ ^ ^ b . que amaneirou a visãç» oswaldiana. das coisas-em-si.O mundo dos objetos. As línguas são apenas manifestações particulares da linguagem. é um mundo em fase de superação. através de heróica edição crítica (com antologia)._3) aDoesia^concret^poesiâ^fîïn^ clamentalmente de linguagem. permanece totalmente desconhecido. São Paulo. precursor. Cada vez mais é tempo presente na era documentária. Mas a sua importância cresce.mesmo as futuras (projeto. Criador da "poesia pau-brasil" e da "antropofagia" .e felizmente. 2) Oswald de Andrade (18901954). p í o v o c o u a ira dos "críticos * Revisão de Sousândrade. 1964. Tempo de signos. personalidade fascinante que não distinguiã entre' arte e vida.sub specie signorum. "homem da língua". D o código e da mensagem.um dos projetos culturais anticolonialistas mais originais e radicais do pragmatismo latino-americano. Ed. tentando um sincretismo cultürãl~con=* servadòr de regionalismos. Da informação e da comunicação. N o Brasil: 1) Joaquim de Sousândrade (1833-1902). Invenção. que é a nossa. em certo sentido a de Mário de Andrade.

literárias para publicações mais atuais e^uãnte>. inclusive buscando forjar para ela uma classificação especial fora da "literatura".a que se referiu certa ocasião . os quais tentaram e tentam amolecer o seu impacto renovador com as mais variadas artimanhas. é exemplar nesse sentido. há umaíinha da língua. mais radical. e há uma linhagem da linguagem. de código.na qual estão empenhados. que vem de Oswald de Andrade à poesia concreta. a curto e a longo prazo. jlesenhoJndustrial. Luiz Ângelo Pinto. de informação e de comunicação. Embora sabendo o quanto é perigoso presumir sobre os rumos da criação poética de um artista como João Cabral. como ele a entende).ou seja. ainda em sua fase inicial. 1956. um novo e duro golpe é assestado contra aqueles que rosnam "Isto já foi feito!". de Ronaldo Azeredo. que vem de Mário de Andrade a Guimarães Rosa. enfrentou e resolveu de modo claro e conciso: o poema ro.. Nem é por outra razão que a poesia concreta pouco a pouco vaLemigrando-das-chamadas publicações. ^ Na literatura brasileira moderna.. semióticaj. João Cabral de Mello Neto se inseriria nesta última. de artes gráficas. fascinado talvez pela "imprevisibilidade da linha curva de Mirò" . E agora que surge uma nova modalidade de poesia concreta. Ronaldo Azeredo e eu . onde a fenomenologia faz o jogo de um prólogo interminável à coisa^em-si.Dias Pino..reincidiu numa didática discursiva de conservação de certos valores (a "poesia".do sistema". poesia de signos . arquitetura. em Noigandres 3. não posso reprimir a impressão de que ele só poderá deter a tediosa fuga do concreto que o vem caracterizando nestes últimos anos. desde já. Mas.agora que passamos para a criação de novas linguagens. poesia sem palavras. para publicações onde se debatem~os~prõBlemas de linguagem. Problema que a poesia concreta. . só para poderem continuar a fazer tranqüilamente o que de fato já foi feito. Wlademir . se considerássemos principalmente O Engenheiro e Psicologia da Composição.

que. não-linear e não-discursiva. da prosa-linguagem de Oswald de Andrade. ^Cljeal^enquanto conteúdo rioyojxjmunicável. Depois. neste novo tipo de poesia concreta que nasceu há poucos meses. a partir de 1930 . E continua sendo. a texto . entendida esta como ato decisório e executivo no campo da informação e da comunicação sensível. _o_pensamento bruto. Poesia de posse contra poesia de propriedade. no seu Manifesto Antropófago (1928). não é aprenias criadojielajinguagem.o princípio estatístico da criação. primeiro.) . Cabral propõe . por ligação direta. mestre das sutilezas fisiognômicas e das grandes transcendências adivinhadas no vácuo. é L coi^^^resentifica-as mediante seleção e colagem-montagem? Enquanto Cabral busca atingir o íntimo do ovo. possuindo uma avançada educação visual.^ A lição de Oswald de Andrade . naturalmente. (Penso.Oswald põe.h• mediante a radicalização daquilo que em sua poesia anterior foi situação-limite: ljmiar cinde a "poesia" pode ganhar-se. Este canibal genial praticou.vítima de diluições e autodiluições.não pode ser esquecida. "Somos concretistas" . Estranho fenômeno o deste grande poeta. permanece preso à linearidade lógico-discursiva.e simultaneamente com a minha "redescoberta" do "verdadeiro" projeto oswaldiano. a antipoesia e. Poesia ready-made. Oswald inventa o óbvio e desmistifica a poesia carnivoramente. passando. direto: sua poesia incorpora. que ainda é o de digressar em torno de coisas "últimas". sem prolegômenos: estraçalhando as "regras do jogo". como é justo. dominantemente. em Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). depois. Meros esquemas numérico-permutacionais para os seus versos não resolverão o impasse.dizia ele. depois de dois anos de pesquisas com Luiz Ângelo Pinto .conjunção de signos prováveis oferecidos à seleção_criativãrC^i3^ce & choice . deglute'. Quanto a Guimarães Rosa. continua sendo a melhor prosa literária brasileira.

Tenho para mim que há uma ideologia da composição. ideológica.Só há um modo de impedir que diluidores freiem o movimento da poesia concreta. Só ki • anti-arte levará a arte às massas. . ETprêciso cuidado com os intermediários.. semântica. Talvez sobre uma constelação quixotesca. artística.frase de Juan Ramón Jimenez: "El más.podem dar'^ se ao luxo de aperfeiçoar e aprimorar conquistas e contribui-A ~çõ"es-de-p"aíses-desenvolvidos7n"o aguardo de um suposto placèt\ ^ n i e s t a um c a m i n h o : devorar á ..só há um modo: é radicalizá-la tetanicamente até extremos inequívocos geradores de novos extremos. Eles não sabem criar o verdadeiramente novo e praticam a usura do já conquistado...IM1 ir .como não existe "concretismo"). a fim de fazer o que costumam chamar de "a obra" com as migalhas-recursos da vanguarda .de so-« brar. sua grande contribuição. IMI. j ó se atinge as massas sendo-se humanamente radical.. Os países subdesenvolvidos. Para terminar com uma.radicalidade útil que possam discernir no que se lhes oferece^] e devolver ao mundo criiçoésTTõvas^originaispnvençõesr" •• ' ' ' •• ' . que não existe . Sobre . Um desafio à capacidade de criação.camino único de la sabiduría". os que dizem combater "a novidade pela novidade". assim o comprêendo. Assim o compreendeu Oswald. Esta a grande descoberta de Dada (e não "dadaísmo". comojxBrasil^não. el más .

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G.QORPO-SANTO Ouvi seu nome pronunciado pela primeira vez em fevereiro. para que em breve nos possa oferecer um generoso trabalho** sobre o subitâneo poeta e dramaturgo gaúcho. . Cioso dos dados que detém sobre o estranhíssimo José Joaqim de Qampos Leão. Guilhermino César preferiu prosseguir em paz suas laboriosas pesquisas . mas um véu misterioso parecia embaraçar as tentativas de contato . Esforçaram-se por remeter-me a uma fonte mais rica de informações. Ao vê-lo impresso. que encenaram três peças inéditas suas em agosto-setembro do ano passado*. Fui-lhe no rastro e dei com os rapazes do Teatro do Clube de Cultura. em Porto Alegre.no que só podemos aplaudi-lo. que ora emerge do passado para tonificar um pouco a anêmica corrente sangüínea de nossa literatura dramática e poética. duplicou-me o espanto: Qorpo-Santo. Soou-me seu tanto estranho. segundo me relataram com entusiasmo justificado. Guilhermino César. do Sul. sob a direção de Antônio Carlos de Sena e com apreciável êxito. ** Foi publicado em 1969 pela Universidade Federal do R. * 1966. E pedir-lhe que à paz acrescente uma certa dose de sofreguidão.que afinal não se deu.

do destrambelhamento mental. da apresentação do catálogo. A seu propósito. Qorpo-Santo. em poucas horas de um mesmo dia. Maio 12 de 1866 / Beco do Rosário. aos 37 anos de idade / Em quatro ou cinco horas de trabalho". Nos volteios e volutas de uma revelação mística. se o for. sob vários aspectos. quem sabe. desde a redação até a composição e impressão. apelando particularmente para os grupos e organizações teatrais. mestre-escola. Possuiu também um jornal. Tinha uma telha a menos (ou a mais) e terminou seus dias num manicômio. possuía casas na Rua da Praia. não apenas a autenticidade de suas idéias como também a pureza de sua bizarra reforma ortográfica. internado por parentes . sobrado de 3 janelas. José Joaqim de Qampos Leão (1833-1883) foi comerciário.no que também foi precursor. no sul. quem sabe. que editava sozinho.Valho-me. As analogias não são difíceis de ser localizadas. A peculiaridade da grafia vem do fato de haver elaborado um código ortográfico para uso próprio . Consta que era homem de posses.à força. assim. buscava preservar. Mas bem rara. ou melhor. ao que parece. firmada pelo próprio Guilhermino César. pois. O final de sua comédia Matheus e Matheusa leva as seguintes anotações: "Porto Alegre. 21 / Pelo Rio-Grandense José Joaqim de Qampos Leão. N ã o era raro que desse o espetáculo de surrar a esposa em plena via pública. a obra que contém suas dezessete comédias até agora conhecidas: Enciclopédia ou Seis Meses de uma Enfermidade. Cada uma delas escrita em apenas um dia. pode ser tido por primitivo. pois em . rebatizou-se de Qorpo-Santo. vereador e jornalista. com sua encenação pioneira. e de informações esparsas que me foram fornecidas pelos moços do Clube de Cultura. no sentido de tentarem trazer para o Rio o grupo teatral do Clube de Cultura de Porto Alegre. já pelo título. n. Por força. lembram Ionesco e o teatro do absurdo. não é do tipo ingênuo comum. para espicaçar o interesse dos leitores pela figura e obra de QorpoSanto.

suas peças (pelo menos nas três que pude 1er) é inequívoco o comando da meta-linguagem. já Linda. Dá a impressão de um teatro de costumes que tivesse sofrido desregulagem de registro: o resultado é um tonus geral sinistro. mais que à própria cama?! . na pele de um personagem-marido. mas com inesperadas erupções do "vulgar": LINDO . a violência e o ódio entre os casais. O marido de direito comparece. e o outro. a mulher fatal e dominante comparece na figura de Linda. um casal de velhos de 80 anos parece atrair-se e repelir-se por uma espécie de ódio erótico que conduz ã mutilação física.Ah. Em Eu Sou Vida: Eu não Sou Morte. de alusão e crítica à linguagem romântica e ao teatro de costumes da época. de antiversos. minha adorada prenda. ama e despreza a ambos por igual. O dueto prossegue em diálogo em prosa. que pedes? como pedes àquele que tanto te ama. tu que fostes a ofrenda que me fez o Creador. particularmente quando se desencadeia a guerra dos sexos. em dias do mais belo amor. no final. parece um louco em busca da ordem e em defesa das instituições. mas com rimas internas. entre metafísico e surrealista. que faz valer contra o rival. Em Matheus e Matheusa. a resposta da mulher é sempre concreta e física: atira-lhe com volumes da Constituição do Império e da história sagrada na cara. A peça se abre com um dueto em quadrinhas rimadas entre Linda e Lindo (o amante): tratase. para que prevaleça o império da lei. fardado militarmente e armado de espada. dentro dos chavões românticos. N o triângulo amoroso apresentado. ambos os personagens masculinos se julgam e reclamam o direito de maridos: o amante. marido por propriedade. dentro do maior desprezo pela lei escrita ("papéis borrados"). Qorpo-Santo. e é inútil tentar avaliá-los de outro modo. entortando-lhe o nariz e mutilando-o de uma orelha. marido por posse. na verdade. sob as vistas de suas três graciosas filhas adolescentes e/ ou meninas. que reclama e pratica a liberdade do adultério.

depois de Kilkerry. Algumas marcações suas são do tipo Erik Satie. por espaço de 5 minutos). por sinal" . de Ezra Pound. Narrativa de sua longa doença . A recuperação da informação (information retrieval). que corresponde ao make it new. e passa a derramar lágrimas. passando a entrar e sair da residência pela janela do andar superior. Se lembra Ionesco.LINDA . popular. no Maranhão.narra-se . O teatro de Qorpo-Santo é antiteatro. que cindia e remontava palavras: botelas de fivinas.e também versos. ou melhor. na Bahia . pois Lindo declara possuir dois corações. Personagens surgem e desaparecem sem maiores explicações.declara Guilhermino César. lembrará também Antonin Artaud. é tão importante quanto a criação da informação nova para a vida do organismo. e tendo como referente-repertório o teatro de costumes de seu tempo. com os braços nos ombros dela. quanto me deste! quanto me felicitaste com as maviosas expressões desses teus bofes ou pulmões . E este: (. Depois de Sousândrade..Qorpo-Santo. Sua linguagem é pop: labora num vocabulário restrito. Ao que a cerebral mulher replica: ".. Por exemplo: (Entra um criado. no Rio Grande do Sul. Dizem alguns. O plural aí cabe. além das peças. são um convite à encenação inteligente. "Mui maus.e eu tenho duas cabeças por fora dos largos seios".. .trancou a porta de sua casa. à qual encostara uma escada. metateatro. E suas comédias são abertas e breves. passados alguns minutos: terminadas as gargalhadas que sem dúvida devem desenvolver-se por algum tempo). Qorpo-Santo deixou obra numerosa. certa vez .Ha! ha! ha! meu queridinho. Ao final.envoltórios dos corações.. no entanto. Tal como. As Relações Naturais se passam num bordel que calha ser também uma casa de família. a dona da casa e suas filhas enforcam em efígie o marido-pai-cliente.

a pre-textcujeJ^rasileiridacÍF. Espantoso sistema brasileiro! Que capacidade de maneirar! Os movimentos mais radicais. têm selecionado sistematicamente mal. estendendo- . através dos tempos. defend eu o tipocontra o_protótipo. E quando um Oswald. insípida e insalubre. para metê-la dentro dos ossários da história da literatura. Alves e Mário de Andrade. é também "atuado" por ele. o mais brasileiro de todos os pintores (nascido em Lucca). enriqueceu Portinari e subestimou Volpi. e está aguardando que o tempo "legitime" a poesia concreta.e os nossos presentes. enterrou Sousândrade por noventa anos.ANTOLOGIA SINCRÔNICA? O passado é know-how. de algum modo. O presente seleciona seuj>assadoJinstrument a l . As elites.insossa. descobre e assume o insólito absurdo desse sistema e o erige em sistema de anti-sistema. geradas pelo sistema e encarção estrutur ai N à o œ ^ A mesma lîflxuïur a aristocrático-rural que levou Mauá à falência. Atua sobre o presente. tirou Oswald de Andrade da jogada durante décadas. exaltou Castro. as concepções mais revolucionárias são tranqüilamente absorvidos pela gelatina verde-amarela . genialmente.

é capaz de termos algo de realmente novo: vão desabar as estatuãT*jpíu 1 e s ' í ° P ri m e 1 r o.o à totalidade da vida brasileira ("odaliscas no Catumbi"). mas ele próprio.o que tem a utilidade de encher compêndios para uso dos universitários. depois vieram os psicologóides marioandradinos. elevando-o à máxima antropofágica. um dia iria desencavar poesia de prosa alheia). ginasianos e grupos-escolares. prerrogativas nitidamente colonializantes e aristocratóides: o Brasil (e os americanos em geral) deve curvàr-se ante a Europa (França).são exaltados pelo que têm de pior ou "médio". nem o mais . Dizem (Pound) que Confúcio reduziu 3 000 odes a trezentas. Manuel Bandeira não inclui poemas de Sousândrade ou Oswald em sua apresentação de poesia brasileira (Oswald.importante. Vai daí que os bons e sutis mestres do sistema literário brasileiro Machado de Assis. Antes. Quantas megatoneladas de besteira gelatinosa se têm escrito sobre Machado. Bandeira. sem mais. Guima•rães Rosa .. por todas as forças em conflito. As elites brasílico-francesas não abrem mão de suas prerrogativas de filtragem. foram os gramaticóides. hoje são os socioligóides. é excluído. se este apreendeu alguma coisa do pífio enciclopedismo do "homem que sabia javanês" do modernismo ("É PRECISO EVITAR MALLARMÉ!"). por isso. nós espichamos meia dúzia de bons autores a 600 escrevinhadores . colegiais. Enquanto isso. Mário de Andrade. sobre os traços psicológicos dos "tipos" que criou!... e Oswald Começa a ser "grande" pelo Rei da Vela. Se os estruturalistas nãó se transformarem (gelatina) em estruturalóides. odiado e odiento. certamente apreendeu muito mais do que o pseudomestre lhe tentou ensinar: tornou-se. porque acha que não é poesia. Mário de Andrade dedicou A Escrava que Não E Isaura a Oswald. . taticamente acordadas. como João Cabral é severinamente elogiado. Drummond. o norte-americano Charles Sanders Peirce veio antes e é melhor..

único alimento que o > podres e requintadíssimos Ushers suportavam comer. dizer alguma coisa sobre a e s t r ú í i õ r ã r ^ o ^ o e i n ã ^ % ã K o B Í ^ ^ quiTdetèctõú^f^^^^^^tc^^^^^^^ãàõi^^^^^^^ tico" propriamente. passado.. Diante do Lance de Dados. ordem é seleção e diferenciação. Necessário se torna. Está na hora de que se comecem a organi- . não apenas de lingüistas tipo JaEõbson. incolor.^ ~~ Quando se parte passado é~õbrigado a dizer a que vem. foram compelidos a cobrir também o campo da crítica e da teoria literária. mas quando se parte da "eqüidistância". ao mesmo ^èmpo-hqfflifáe-ê-erg ülK^ poefãS muitas. o aparecimento. que vão aparecende^gp^fido o mundo. presente e futuro se transformam naquele bolo indefinido.. muda de fulcro valorativo. e com meia dúzia de poemas de Drummond. para serem julgados por um repertório estrutural à altura de sua criação.eLpretensão! N ã o é à toa que o único crítico moderno quéTconseglte.para darem conta dcTs-poemas-nãcPvérbais e não-inteiramente-verbais. A indiferenciação é o caos. João Cabral de Mello N e t o e poetas concretos . uma e s t r u t u w w e Q v w a z valer o seu know-bow. toda a prosa inglesa.l o s n o ofíci of Os poetas. com Oswald.A poesia brasileira continua a ser analisada pelo seu "conteúdo" (e não pela sua estrutura significante): já se viu coisa mais ridícula ? São as realizações radicais que redimensionam toda a literatura. agora. do presente e do futuro.coisas sobre a sua própria espéciâjidâdF'^â^ting^stf^a. desde Poe.abomináv. para ensinarem os críticos . para criticarem a crítica. mas^fn~lingüista que confessa. de Mallarmé. diante do Ulysses e do Finnegans Wake. o próprio Rimbaud passa para um segundo plano. O gabarito brasileiro deveria ter-se elevado com Sousândrade..mas^Q§-£ríticos^ professores e historiadores preferem o purê "eqüidistante"! A famosa "eqüirfi stânnã^nns"rr ftirris giiq_só serve ^ a r a m a n t ê . insípido e insosso . do passado.tipo_Jalcõb^on. mas de seOT/oí/a£tós.

não de poetas.zar antologias sincrônicas da poesia brasileira. . "poesia brasileira". no "contexto universaj^JPj^jTüi Sf *j a . mas de poemas. . como já sugeriu Haroldo de Campos . como tecnologia útil para um projeto cultural brasileiro de vanguarda. para^ que comecemos objetivamente a nos perguntar sobre o que significaria. realmente.

em contato com gibis do Japão. com desenhistas como Cláudio Seto. perfeitamente inofensivas. Temo que a censura. de resto. Fernando Ikoma e outros. argumento e desenhos de Cláudio Seto. a pretexto de acabar com a "pornografia" nas revistas populares. em Estórias Adultas. Estados Unidos. colaboração de Kazuko.Um inesperado passo à frente renovador na quadrinização brasileira: o pessoal da Editora Edrel. acabe aviltando ou eli- . "Este Mundo de Chacais Prontos para Devorar Carniças Humanas ". Certos "excipientes" ajudavam a vender a revista: nus artísticos e piadas sexy. Europa. A simultaneização da narrativa. Atualização. « 2 2. novembro de 1969.

minando a melhor equipe de quadrinização que já possuímos (adianto que não conheço pessoalmente nenhum deles).. . E depois a "elite" vem pregar cultura de massas à gente..

sozinha. Mat. áporos). . como o da quadratura do círculo. C a r l o s D r u m m o n d de Andrade • ' Áporo 1. Que fazer. em país bloqueado enlace de noite raiz e minério? Eis que o labirinto (oh razão mistério) presto se desata: em verde. Problema de resolução impossível. m. s. antieuclidiana uma orquídea forma-se.ÁPORO Um Inseto Semiótico Um inseto cava cava sem alarme perfurando a terra sem achar escape. exausto. (do gr.

. Mat. Designativo das madréporas em que se encontram reunidos um aparelho sedimentar muito desenvolvido e uma muralha muito compacta. Gênero da família das orquidáceas dendrobíceas. cujo tipo é o áporo-bicolor. pobreza.) Gênero de insetos himenópteros. IIF. ordinariamente esverdinhadas. do gr. Problema de difícil solução. Aporismo. Aporo. "aporia". // 2. todas herbáceas. embaraço. (Gr. falta de recursos. . aporos + ismo. possível de resolver. Problema difícil ou im- . . s. m. privação. Mat. adj: Bot. Problema difícil de resolver. s. dificuldade. indigência. falta de alimentação. m. O mesmo que aporismo. embaraço. .Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa (Laudelino Freire). incerteza. da família dos cavadores. Gr.Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. sem saída). Inseto himenóptero. Secção do gênero dendróbio. gr.Áporo 2. m. a + poros. ansiedade (de doente). o fato de não adquirir qualquer coisa (pelo lat. s.Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa (Caldas Aulete). dificuldade em passar.) Problema difícil ou impossível de resolver // (Bot.Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (José Pedro Machado). Aporos (difícil. Entom. m. "aporia". . i Aporo. Aporo. aporos). embaraço.Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Morais). composto de várias espécies. numa discussão. falta. Aporo. Gr. m. Gênero de esfingeanos himenópteros. necessidade. // 3. .) Gênero de plantas da família das orquidáceas. Inseto himenóptero. dúvida). Planta das orquidáceas. (Didát. // Zool.Grande Dicionário (Cândido de Figueiredo). // (Zool. de flores quase solitárias. particularmente numa investigação. s. Aporia.

ícone sutil de inseto e verme. couper. de insecare.Lat. in-se-to. aquele à trama-de-suas-linhas-se-tramando. de in. por isomorfismo.) Percurso: inSEto / SEm /. a palavra IN-SE-TO desencadeia um processo de aliter ações verticais.este referindo-se à configuração visual do poema olhado como um todo. es). en. logo de início. section).inseto que. à medida que o percorre e faz. perfura e perfaz. Proposição Descritiva Inserto no bastidor verbal (suporte). Seccionada em seus três anéis-sílabas. conforme a tricotomia in-se-to. EScape / faZEr / EXausto / enlaCE / Eis / prESto SE dESata / forma-SE. ainsi dit à cause des étranglements du corps. se apresenta sitiado em si mesmo. Macroestratura Dois aspectos da macroestrutura do poema: interno e externo . a que chamaremos: percurso-inseto e percurso-orquídea. vemos o inseto-florpoema formando-se formado. (Observem o desenho. o poema ganharia com um design tipográfico caprichado. ideográfico e ideofônico . se fisicaliza e se metamorfoseia em flor-poema. com dois percursos principais. um texto-têxtil. se (com sua principal variante espelhada. . Percurso-Inseto Comporta três pistas. > .Dictionnaire de la Langue Française (Émile Littré). couper (voy. É a trilha das fricativas. signo-inseto que. Sábia e encliticàmente expelido da forma. insectum. et secare. A pista que leva à saída do labirinto é a central.

A outra pista lateral segue a trilha das oclusivas linguodentais. o ritmo deste verso rompe com a andadura do poema até ali. a partir de inseTO. mas numa outra persona do mesmo: a palavra . e continuando: / TErra / exausTO / noiTE / labirinTO / misTÉrio / presTO / desaTA. como veremos mais adiante. metade do poema). Eis a pista completa: UM / INseto / sEM / alarME / perfurANdo / sEM / EM / ENlace / MINério / labirINto / EM / sozINHa / ANtieuclidiANa / UMa / forMA-se. anuncia a orquídea. De outra parte. EM. abrem e introduzem versos: UM in- seto. o desenho tipográfico não servindo tão-somente de veículo-suporte de sons e significados. comparecendo. O Percurso-Orquídea Paralelamente ao percurso-inseto. várias das quais. ENlace. observar que há momentos em que duas trilhas se cruzam em pequenas unidades vocabulares . desenvolve-se o percurso-orquídea. UM. Não por coincidência.EN-CE-TE. assim como a unidade nasal inicial do primeiro verso. anuncia a entrada do IN. mudando de gênero. que se inicia hipostasiado no primeiro. produzindo "ENlaCE de noiTE" . Lembrando uma vez mais: computam-se aqui não apenas as unidades de fonação. não na palavra inseto. em forMA-se.Uma das pistas laterais segue a trilha das nasais. EM verde. eco estocástico de INSETO. UMA orquídea. a unidade inicial do verso final. também. Num ponto-evento extraordinário (7 a verso. o himenóptero num estágio ou estado particular de sua operação de "cavar" o poema. mas também unidades e parentescos tipográficos. áudio-visual. unidade metonímica de IN-SE-TO. UMA. caracteristicamente. Ao nível das microestruturas.como em SEM. as três pistas se cruzam. por exemplo.país. Vale dizer: a "escritura" do poema é fono-gráfica.

mas do inseto cavador cavando.) até o nível das unidades verso e estrofe-. dentro da palavra "antiEUCLIDIAna": euclídia / orquídea. ar/ra. diria Mallarmé. Microestruturalmente. como se em substituição à consonância das rimas . o segundo dos quais anuncia a abertura. signo-fisiológico. se enleia e desenleia . difusão e infusão das unidades que compõem uma matriz aliterante e que denominei aliteração vertical. desde o espelhamento de letras (al/la. reduplicada e adentrando a terra-poema-labirinto. transubstanciado."prESto SE dESata" . o bicho avança. ao mesmo tempo em que. assim. sob a nova máscara da expressão oh razão mistério. que o poema não está construído em aliterações simples. por exemplo). estocasticamente.cava. . dentro dele. mas antes na dispersão. como predicado de base . O que não exclui outras linhas de apoio (uma variada gama da vibrante r. em "forma-SE"."rastilhos de luz em pedrarias". se/es. posicionalmente. pois o poema todo é uma composição em variações toantes. an/na etc. extrapolada da prosa para a poesia . para libertar-se. Fechar-Abrir Vê-se.para empregarmos uma noção de Todorov. o pertinaz "inseto" se apresenta encerrado não só dentro do parêntese como também dentro dos outros dois versos do terceto. O percurso-orquídea segue a trilha das oclusivas velares: CAva / CA va / esCApe / QUE / bloQUEado / eis QUE / antieuCLldiana / orQUÍdea.mas ainda preso. não se trata apenas do verbo cavar.está presente em diversos níveis. o sentido de fechar-abrir. Neste poema autofecundante e autogestatório. o fenômeno mais notável que se pode observar neste percurso é o fato de a palavra orquídea já se apresentar em formação.

Nos metros curtos. em particular. A configuração ideogrâmica e a aliteração vertical contribuem para romper com a diacronia da estrutura do verso. analógica. parodística.Macroestrutura Externa A configuração ideogrâmica da macroestrutura externa se constitui em algo assim como um índice-ícone (tal uma impressão digital) da forma do soneto. propriamente poética. técnica nipônica para produzir árvores-anãs. para produzir um inseto-soneto de pentassílabos. mas que acaba resultando numa antilógica. diria mesmo. Sérgio Buarque de Holanda lançou mão de uma diferenciação entre ritmo e compasso . Oh razão. E. por bonsaização. euclidiana.. ou seja. quando ainda militava na critica literária. naquelas expressões do primeiro terceto que aludem à altiloqüência do pseudocastiço: Eis que. A metalinguagem crítica. Ritmo Em 1950. breves (é fácil observar neste poema não só a importância funcional e fisiognômica dos . Algo assim como um soneto de versos decassílabos rasgado ao meio longitudinalmente. dentro de uma lógica teorêmica Q. da configuração externa apresenta também certas correspondências simbólicas na estrutura interna. a saber. semilongos. e neste poema. em geral. E não deixa de ser curioso o fato de INSETO ser um quase-anagrama de SONETO. -vem bem a propósito.. Presto. se assim podemos dizer (corte para a gradativa introdução de informações) e do fato de fazer incidir vários acentos secundários.que. impondo-lhe um parâmetro sincrônico. que é antes um corte informacional. em monossílabos átonos. aqui. parodiado por miniaturização. D. aparentemente "prosaico" e desossado. parece decorrer de dois fatores principais: do corte dos versos. o peculiar ritmo drummondiano.

monossílabos, como também o teor de surpresa, de informação, que o poeta extrai ,da variação do comprimento das palavras). Paradoxalmente, o ritmo do poema se revela mais claramente quando o traduzimos em termos de compasso, marcando como longos ou fortes os acentos secundários ou semilongos. Ouvimos, então, predominar a cadência binária, trocaica (longo/breve), de marcha batida e persistente, com disrupção nos 6 a , 7 a e 1 2 a versos, onde se passa para um esquema binário/ternário, jâmbico-anapéstico (breve-longo/breve-brevedongo) - compassos de uma valsa surpreendente e irônica, más plenamente isomórficos à denotação de enlace de noite / raiz e minério e que também pode funcionar como comentário de humor à forma do soneto. (Cf. mesmo esquema em Letra para uma valsa romântica, de Manuel Bandeira.)

Interpretação
Quanto a outros níveis do poema, o jogo fica aberto à interpretação - que nada pode acrescentar-lhe de essencial. Em todo caso, alguma coisa sempre conta saber que Aporo surge na coletânea de um Drummond-ápice, A Rosa do Povo (1945), ano da agonia do nazifascismo e do Estado Novo ("em país bloqueado"), ano da soltura de Luís Carlos Prestes ("presto se desata"...), ano de todas as auroras.

Didática do Poema
Ou: Como o poema gera o seu próprio dicionário verbal e não-verbal, antidicionário, a partir de um dicionário. Drummond tornaria a fazê-lo, muitos anos depois e em igual nível,

com Isto é Aquilo.

Método Deveríamos valorizar mais o que eu chamaria de método, indicativo: aquele que conduz à obra analisada - e não ao próprio método.

Apreciação do Poema Uma das peças de poesia mais perfeitas e mais criativas, em âmbito internacional e dentro da tradição do verso pósMallarmé.

O homem perplexo ante a máquina do mundo. Zíper, pequena maravilha da idade mecânica. As cosmogonias inesperadas: o geométrico e o orgânico. A melancolia das situações para-oníricas de Juarez. Sempre melhor no preto-e-branco que em cores. Aqui estão expressionismos (observar a mão da figura chaplinesca) e surrealismo. Sugestão de pensamento para a figura: "Parece que tenho um imitador superior

4-

TRIPÉ

.

é quase certo que venha ^ S e ? isolado como um corpo estranho ou um enclave exótico.Sabes o que : medo? O H i e r o f a n t e . " M a r c o Zero *>Sãe--0s"tíiadores originais. internacional. Brasil. e o país. proponcR) Rroj etaygerais de criação e cultura. radicais. É o caso de José Oswald de Sousa Andrade. i. d a dç nnde se comera.M A R C O ZERO DE A N D R A D E A E n f e r m e i r a . irreversível aos termos de um regime anterior. de uma linguagem nova. "Pau-Brasil". simplesmen- . Q u a n d o o setor é o da literatura. que o organismo procura ignorar para poder suportar. É o caso do seu quase homônimo do século passado. pois. e quando o poeta-inventor se encoraja a t é ^ a g d â e i o s a e surpreendente veleidade de pensar. Por isso mesm o que exigem uma nova metalinguagem crítica. Joaquim de Sousândrade "exótico". I a quadro. mais adeq u a d a à sua análise e apreensão.é. A orta. ÀlguP c t^m-a-Koljûgia e a coragem dojzpm. e.é o sentimei to inaugural. abstruso demais para o bom andamento evolutivo de nossa história literária. "Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade". ininteligível mesmo em meio a uma linguagem preexistente já estratificada em código. O s w a l d de Andrade.

. vol."Eu iniciara em dialeto ítalopaulista as "Cartas d'Abaxo Piques" que encontraram um sucessor em Juó Bananere". E assim.o que pode conduzir a rompantes definitivos e bizarros. "Raízes do Miramar". Um Homem sem Profissão . o folclorista Alceu Maynard de Araújo (e não sem certo desdém): "Oswald está em Juó Bananere!" 1 A graça da tirada está em que ela poderia ser oswaldiana. "desigual". O Estado de S.. Livraria José Olympio Editora.. Linguagem. . como um intruso a que o tempo. se encarregou de fazer justiça. Evolução.especialmente quando o estudioso se chama Haroldo de Campos ou Antonio Cândido. e insensivelmente. Antonio Cândido. o maior elogio que se pode fazer a um autor se refere ao seu domínio do idioma. 2. os paralelos entre obras de dois ou mais autores . há alguns anos. Não que a abordagem dentro dessa faixa seja de somenos . São Paulo. que fazem também excelentes abordagens ao nível da linguagem 2 . evidente- 1. efetuado por Haroldo de Campos 3 . Paulo. O Estado de S. 106. Língua. 1. 17/24/31-8-63. Deste ponto de vista.. Haroldo de Campos. supl. Sob as Ordens de Mamãe. como o que me manifestou. Também assim são estudados os influxos. O preciso cotejo de certos aspectos das obras de Oswald e Mário de Andrade.Memórias e Confissões. a obra de Oswald de Andrade é tachada de "fragmentária". Haroldo de Campos. "Miramar e Macunàíma". lit. tal como Nietzsche elogiava Heine (e se elogiava). Oswald de Andrade. 3. por exemplo.te excluído dela. lit. as semelhanças. "Estouro e Libertação". põe em relevo semelhanças. mecanicamente. a crítica costuma analisar a obra literária segundo o parti pris da língua. em Brigada Ligeira. 1954. Martins Edit. Revolução Normahnente. anulando-o. Paulo. Pseudônimo de Alexandre Marcondes. s/d (1945). Liv. supl. p. 27/7 e 3/8-1963.

' gem. sobrenomes dos estudados. uma manifestação particular de lingua. sem esquecer a nouvelle vague do cinema francês. é uma linha revolucionária. Mas só o enfoque do ponto de vista da linguagem pode detectar as "diferenças" reais. E aí está: "semelhanças". para citar um caso. anti-"literatura". até a poesia concreta. da linguagem 4 . prefaciando os poemas pau-brasil.mas não é o momento de nos determos neste tópico. objetivas . Paulo Prado. em sentido amplo. seus manifestos e suas Memórias Sentimentais de João Miramar . no caso. a segunda.mente menos fruto de mera coincidência do que os. estabelecem a informação nova. qualquer conjunto de signos e o modo de relacioná-los. Dentro de uma língua. de Mallarmé. isto é. E possível que essa dualidade de enfoque seja mais. e língua. de Oswald de Andrade . Observe-se apenas que a linha que se pode traçar entre Macunaíma e Grande Sertão: Veredas. por exemplo). desde o "rien ou presque un art". Entendo por linguagem.à poesia concreta. em função da revolução industrial . é uma linha evolutiva que penetra sem maiores tropeços na "literatura". . As autênticas vanguardas artísticas contemporâneas têmse caracterizado por sua "antiarte". Mas a linha que vai. passando pelo movimento Dada e por Oswald de Andrade. bem mais. por exemplo. os aspectos microlinguísticos (métodos gramaticais) se detêm no idioma. os aspectos macrolingüísticos (métodos estatísticos) levam à linguagem.sua poesia. analogias de dicção e mesmo de processos (a paródia. a originalidade de Oswald de Andrade. do que uma comodidade analítica e resulte de profundas contradições geradas no bojo da arte contemporânea. A primeira está na faixa da língua. chegou a percebê-lo: 4. ou seja. no sistema tradicional de incorporação à história literária. o atual movimento da pop art norte-americana (setor das artes visuais) e o desenho industrial (forma do produto).as diferenças que.

é um risco . concertos etc. o lado citações. Sem mais nada. A contribuição milionária de todos os erros. Min.. dez. Ruy Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Negras de jóquei. Este ser antiarte está intimamente vinculado ao estabelecimento de uma linguagem. e sobretudo das duas inimigas do verdadeiro sentimento poético . Tudo revertendo em riqueza.mas simplesmente os utiliza e/ou transcreve.. N ã o utiliza a falação altissonante (Machado Penumbra) ou os malapropismos (Minão da Silva). O quixotismo. que é de natureza classeconsumista. A poesia existe nos fatos. ou os documentos dos primeiros cronistas como "recursos" para efeitos literários . Deus nos livre de todos os ismos parasitas das idéias novas.preocupação de Mário de Andrade e outros. antropófago pragmático e internacional.a Literatura e a Filosofia. e de comunicação com a massa por via imediata e direta. Como falamos. Ed. A riqueza dos bailes e das frases feitas. impondo os ditames de seus interesses às fontes de criação artística. museus. Como somos. n. 1959. Sem ilações. para utilizar um termo oswaldiano. nada tem a ver com o suposto problema de forjar uma "língua brasileira" . e alimentício. . Comovente.necessário. portanto. em toda vanguarda genuína. conforme diz no "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" 5 .A poesia pau-brasil é o ovo de Colombo. Falar difícil. Envolve um problema de comunicação. o lado autores conhecidos. 16. E x p o s i ç ã o do sentido p u r o mediante a inocência construtiva.se o for . exposições. Odaliscas no Catumbi.). Marginalização pelo Realismo: O Poeta Iminente Oswald de Andrade. 5.ou de um roteiro. Em oposição. de um projeto geral . Revista do Livro.. ensino. e Cult. O lado doutor. ao sistema vigente de administração da cultura (complexo editorial.

Ezra Pound afivelava máscaras. personae: Guido Cavalcanti. et pensée brute. todo ato criativo ou decisório se faz por probabilidade e seleção . abandona a "pesquisa alta". Oswald de Andrade. que acabou desaguando na moral bom-tom do "homem cordial" e submergindo o projeto oswaldiano original. e com a aplicação decorativa de motivos e língua indígenas. montagem. de fato. Antiliterariamente. Génève. As personae-heterônimos de Oswald: Machado Penumbra. onde. . Uma corrente de incompreensões e equívocos terríveis. Fernando Pessoa. ele o chantara vinte anos antes! De fato. uma certa moral oportunista e "sem caráter". Arnault Daniel.chance & choice . o canibal. na década de 30. 1957. Éditions René Kister." . heterônimos. em Marco Zero: seu verdadeiro marco zero. com sua "língua brasileira". "No jornal anda todo o presente. quando desceram os "Búfalos do Nordeste trazendo nos cornos a questão social". qualquer autor de um secretário de amantes qualquer. acabar quase por imitar seus pseudoimitadores. Minão da Silva. 'mise en forme'. La création scientifique. pela Teoria da Informação e da Comunicação.É o que eu chamaria de. "Aussi poserons-nous de façon précise la contradiction entre science achevée. no momento ou na memória." Mário de Andrade não entendeu a profundidade e/ou não quis comprometer-se com a radicalidade de Oswald de Andrade. juntou suas águas a uma diluição anterior: a do grupo "Anta". a ponto.Abraham Moles. Ruy Barbosa. Bem vistas as coisas.de ele próprio. Recorte. para efeitos de uma cosmologia mítico-folclórico-moderna. suivant des normes parfaitement cataloguées. Propércio.pensamento bruto 6 . O processo documentário. colagem. a diluiu e destorceu. créatrice de concepts. Assim como. esmagado por "uma espécie de sentimento 6. embora temesse e julgasse imitá-lo em Macunaíma.o processo criativo de Oswald consiste basicamente num processo de seleção do já existente.

agressivo contra o habitat do homem histórico . pois em Oswald de Andrade nunca estiveram separados. . Organismo em pânico permanente. usa o nós. supl. incluindo Mário de Andrade. -como poeta.. . Daí a rebeldia dos que não aceitam a ordenação média dos atos pela socie7.conforme seu depoimento a Heráclio Sales. vive e cria em estado de iminência. de quem declara ter nascido e dizendo-se inferior. 20-10-57. Obra citada. Por isto. certamente. Nunca esteve interessado no aproveitamento da língua ou da literatura tupi para efeitos estilísticos óu formais: só se lhe conhece a transcrição de umas poucas palavras tupis. 8. Vida ou romance? Ambos. no "Manifesto antropófago". e fez do romance e da poesia um apêndice da vida. O propalado "indianismo" de Oswald nada tem de "indianista" . direta. Rio de Janeiro. publica as suas memórias. gordo Quixote procurando conformar a realidade ao sonho. O selvagem significou para ele o que Confúcio significou para Pound: a visão de uma nova moral. Como um organismo que cria para poder viver. ideogrâmica. Diário de Noticias. no "Prefácio inútil" às memórias oswaldianas 9 : Um escritor que fez da vida romance e poesia. dominical de O Jornal do Brasil. Quem. e a única maneira correta de entender a sua vida. que é obrigado a pensar e pensar-se para não perecer. Oliveira Bastos. as "Memórias" esclarecem a aventura lírica de Oswald de Andrade. 9.a sociedade. como Oswald de Andrade. Não come rotineiramente seu roteiro é o já-e-aqui: devora.de culpa" . não cristã.como já esclareceu o crítico Oliveira Bastos 8 . Na entrevista. em estado de réplica sobrevivencial a desafios que considera fatais. 24-1-1954. Como diz Antonio Cândido. não distingue entre viver e criar. no ano de sua morte 7 . "Oswald de Andrade e a Antropofagia". a sua obra e estas "Memórias" é considerá-los deste modo. aos que se lhe seguiram. e de uma nova linguagem..

foi cruelmente mal entendido por Carlos Drummond de Andrade . por isso mesmo. como tentei mostrar em "Situação da poesia atual no Brasil" 1 0 . O poeta iminente Oswald de Andrade.Ribeiro Couto). l 2 trimestre 1962. 1963. A posição inaugural é uma posição crítica. por acrescentamento de obra . 1. Este fenômeno ajuda a compreender o rictus clownesco que vinca tanto uma como outra: quando quer falar "sério". como o vemos neste livro. porém. ambos os "desencostos" se deram em luta acesa entre si e constituem o cerne de sua vida e de sua obra. A denúncia de um sistema artístico vem de par com a denúncia da infra-estrutura social . nunca se mostrou capaz de programar o êxito cumulativamente.a ponto de despertar a suspeita de amadorismo ("Tem o túmulo de Tutan-Kamen sob as areias dum aparente amadorismo" . n. revelação. Em Oswald de Andrade. Fil. Nisto. onde não cresceu segundo a dimensão do imaginário.dade. do realismo crítico-criativo. São Paulo. Anais. Visto de dentro. Republicado neste volume. Fac. e revista Invenção. que criou em torno dele.e a desidentificação ideológica ocorre com a mesma brutalidade. Este amadorismo é o estigma da marginalização. é antes o menino inconsolável em face do mundo. por 10. . De um imaginário que fosse o modelo real das coisas. se desenvolveu num processo bastante semelhante. invenção e em violenta desidentificação (desalienação) com o sistema vigente . como represália. Oswald alça o tom do discurso. Drummond. entremostrando o fácies de um Machado PenumbraRuy Barbosa sem alegria. Ciências e Letras de Assis. afinal. sempre teve vias de acesso ao sistema e. amendoeira". fruto "poético" forçoso da descida às raízes. nunca se mostrou capaz de carreira literária. implica em desvendamento. contra todos. a aura do maluco atirado contra tudo.abrindo-se para a ação de mudança do estado de coisas.não falemos de outros numa croniqueta-elogio fúnebre que lá está em "Fala.

irracional. mas com o último reduto-núcleo insolúvel. porém. Dada 3. Monografia de um Movimento". edição trilíngüe (alemão. ainda empreendeu uma última cavalgada quixotesca. peça teatral de 1934. Arthur Niggli Verlag. N a década de 30. notre foi dans l'instinct 11. no imediato pósguerra. Brevíssima Montagem "Dada" "Je ne veux même pas savoir s'il y a eu des hommes avant • moi. Em O Homem e o Cavalo. Suíça. . ces disciples de Jung et Adler prirent des notes sur notre cas: Étions-nous des schizoïdes ou bien nos fichions-nous de leur tête? La soirée terminée. a tentativa de Oswald de Andrade de codificar a antropofagia em termos marxistas redundou em fracasso (não sem brilho . apontando com a lança trêmula. sob a denominação de sentimento órfico. trois autos s'arrêtèrent devant le cabaret. inexplicável." Descartes 1 1 . 1918.a ela retornou. nous nous assîmes à boire un verre et à leur exposer notre crédo. 1957. estava no ponto mais lamentavelmente baixo de sua capacidade criativa. "un soir. intransferível. inglês e francês). in "Dada. Fiel a si mesmo. Zurique. Invasion inattendue: une douzaine de gens accompagnés de quelques professeurs viennois étaient venus nous étudier. do homem. intraduzível. durante o processo de autodesestalinização .mais um auto-da-fé purificador de que foi pródiga a sua vida .veja-se o seu teatro). Carnets en main. julgou ter dado cabo da magia. A desidentificação com o stalinismo não lhe foi menos dolorosa. Willy Verkauf. pela boca do personagem-cineasta Eisenstein. que acabou por identificar não tanto com o absurdo existencial. para uma constelação de utopias.ocasião da morte de Oswald.

op.Es lebe die neue Maschinenkunst Tatlins" 1 3 (A arte morreu . Berlim.. 13. organique comme celui des primitifs et des enfants. versão francesa de Alegra Shapira.créateur en art direct. saisis de peur. mirent bas leurs crayons et prirent la fuite" 1 2 . Willy Verkauf.Viva a nova arte maquinai de Tatlin) "le cubisme construit une cathédrale en pâté de foie artistique. . Que fait Dada? l'expressionisme empoisonne les sardines artistiques Que fait Dada? le simultanéisme en est encore à sa première communion artistique Que fait Dada? le futurisme veut monter dans un lyrisme ascenseur artistique Que fait Dada? l'unanimisme embrasse le tourisme et pêche à la ligne artistique Que fait Dada? le néo-classicisme découvre les bienfaits de l'art artistique 12. ibidt m. 1920. Ils se jetèrent des regards singuliers. foto onde aparecem George Grosz e John Heartfield segurando um cartaz. "Die Kunst ist tôt . magique. puis. cit. Idem.

Idem.A Morta. . em meio ao ruído. ao entulho e ao silêncio com que 14. fim do 2 f l quadro. primeira. de Oswald de Andrade. . Horácio Descobrir a mensagem original.Insensato! Poeta! Guardar-te-ão para sempre os dentes fechados da morte! • . ibidem.Que fait Dada? le paroxysme fait le trust de tous les fromages artistiques Que fait Dada? l'ultraisme recommende la mélange de 7 choses artistiques Que fait Dada? le créationnisme le vorticisme l'imagisme proposent aussi quelques recettes artistiques Que fait Dada? Que fait Dada? 50 francs de récompense à celui qui trouve le moyen de nous expliquer Dada ( ) Méfiez-vous des contrefaçons! Les imitateurs de Dada veulent vous présenter Dada sous une forme artistique qu'il n'a jamais éu L'IDIOTIE PURE réclamée par D a d a " 1 4 ( ) O Cadáver Renitente .

assimilara e transfundira para nosso roteiro e uso. Nasceu na Suíça. e Brasil. que soltaram o 15. não foi outro: nem Mário de Andrade. não é apenas tarefa de paciência justiceira. Alemanha. lit.data de há 10 anos.tentam sufocá-lo. a última que dele se editou .que constituem. . E sempre aparece um prático audaz disposto a conjurar o çachopo minaz. acontece que. não existe "dadaísmo". é preciso uma identificação de propósitos e um entendimento do papel significante das pontas-de-lança da arte as vanguardas . 21-12-1963. Sim.o volume de memórias . Estados Unidos. quando se leva em conta a precedência da Paulieéia Desvairada.. A linhagem da linguagem. Cassiano Ricardo induziu-se nos erros de praxe. Tem-se uma idéia clara da situação oswaldiana quando se vê que as suas obras não são reeditadas. a compreendera. foi Oswald. num artigo intitulado " O Neo-indianismo de Oswald de Andrade". Salvam-no talvez a lembrança de um fato e uma observação. Toda vez que vem à tona. como os do grupo "Anta". de validade internacional. O Estado de S. Como superarmã de uma "civilização original. rigorosamente falando.sob o aspecto formal (ou informal?) . Para tanto. o seu experimento . em estado de legítima defesa" (observação de Cassiano Ricardo). "tábula rasa" de ismos. Ora. O que existe é Dada. nem outros menos sapientes. o cadáver de Oswald de Andrade assusta. Recentemente. Supl. O fato (palavras do articulista): O grupo "Anta" se opôs ao "Pau-Brasil" alegando que. a verdade é que Oswald captara a informação certa. durante a I Guerra Mundial e fez mancha de óleo no pós-guerra: França.não estava sendo mais do que a "importação" do dadaísmo francês 15 . uma história literária paralela à história oficial.. Paulo. Ao contrário do que se possa pensar. embora Oswald preconizasse uma "poesia de exportação". em nossa época.

movido por uma vontade de compreensão e apaziguamento .. Comissão de Literatura. por mais que o negasse Plínio Salgado. quem sabe. O antagonismo era evidente. já em 1928 1 7 . desde o dadaísmo". nasce o pragmatismo brasileiro de esquerda. "mais pelo prazer do debate do que por antagonismo". Antologia do Ensaio Paulista. cit. súcubo incômodo e desconhecido que acabou degenerando em discurso patafísico: "E velho refrão. no artigo citado. brasileiros. Ambas as posições predispunham e incitavam à ação. ideológica. cuja bifurcação foi tanto mais clara quanto inevitável: de Oswald. n.. Conselho Estadual de Cultura. 163. p. a virtude. Revista do Livro. cultural. Mário de Andrade: no meio. política. Nem se fale em concretismo: o que existe é poesia concreta.manifesto "Nhengaçu verde-amarelo" 16 . Idem. José Aderaldo Castelo. Dois roteiros-manifestos. 18. sente-se. Pobre Obra Depois de Sousândrade. p. 17. . da "Anta". Ambas representavam a tomada de consciência do pragmatismo brasileiro. Oswald não gerou nenhum ismo. que não é o dadaísta" 1 8 . dois 16. os grupos "Anta" e "Verde-Amarelo" decerto não sabiam que estavam importando e imitando Dada. revolução clandestina. contrafacção tupi-nacionalista dos manifestos oswaldianos que redundou num "patriotismo a priori". o de direita. Resultado: o verde-amarelo virou verde-amarelismo. Ao se declararem contra os "ismos".mas que não condiz com os fatos. 160. Quando'Cassiano Ricardo declara. temos o nosso estado de espírito. que a arte corresponde a um estado de espírito. São Paulo. Acredito que nós. literária. que o grupo "Anta" se opôs ao "Pau-Brasil". tivemos em nossa literatura a revolução manifesta (depois'diluida e abafada) de Oswald de Andrade.

artigo citado de Haroldo de Campos. às vésperas do início do movimento Dada e do primeiro conflito mundial. naquilo que tem de pura estrutura descritiva aberta. desforços. na Riviera italiana. A guerra mundial revoluciona por dentro a neutralidade suíça do Dada inicial. Em 1923. O certo é que. de Joyce.e isto é fundamental para entender-se a prosa- linguagem de Memórias Sentimentais de João Miramar 19. em 1922. contradições. onde as lembranças selecionadas são fragmentos montados que se transitivam uns aos outros. em 1923. por meio de que contatos e leituras. 1912: Oswald na Europa. arte. autodiluições.não se sabe como. à cata de novos víveres e confrontos (trouxera futurismo e cubismo da primeira viagem) e trava conhecimento com Dada . a revolução. Oswald volta à Europa. escreveu o seu João Miramar. . O que mais de perto tocou Oswald não foi isto nem aquilo da literatura: foi o cubismo . "Raízes do Miramar". confusão de caminhos e desalento se dispersam nas demais. um ano após a Semana de Arte Moderna e o lançamento da Paulicéia Desvairada.volumes-cadernos de poemas e um livrinho de prosa consubstanciam. Seqüelas. numa nova dinâmica da percepção e da lembrança . para o epicentro das contradições. Cf. sem alusões e arcaísmos. ao certo. Dada parte para o centro internacional de Paris. o bobo-dacorte. coisas e fatos. inclusive em relação ao próprio Ulysses. recuperações parciais. prosa sintética inovadora.prosa cubista que somente através de uma mirada superficial pode ser confundida com uma certa prosa surrealista: 19. naquilo que tem de estatística da memória. publicado em Paris. Também não se sabe se botou os olhos no Ulysses. o boneco-de-molas de uma civilização voraz e idiota. conferindo-lhe os conteúdos violentos da rebeldia aberta contra a arte: os chamados valores espirituais eram zero face à irracionalidade material. basicamente.

. Idem. Mário de Andrade. simultaneidade real/ simultaneidade psicológica. edição do autor. citada. para ele. estaria 20.fordes quilometraram açafrões de ocaso 2 0 . Vinham motivos como gafanhotos para eu e Célia comermos amoras em moitas de bocas 2 1 . 24. 45. 21. amarrando-o com um preconceito musical acadêmico . p. que já chamara a atenção de Oswald). segundo ele. São Paulo. 22. Mário de Andrade era o homem dos "distinguos" embasbacantes: simultaneidade/polifonia. Sobre o cubismo . p. 1924. se resolvia em psicologia. Ignorava artes visuais. Expressionista que sempre foi. e passava por cima da poesia espacial (sem falar na técnica jornalística e publicitária.referindo-se à tendência de despojamento que. Antologia do Ensaio Paulista. Observação: não ocorreu a Mário de Andrade que o trocadilho e a palavra-montagem constituem realmente fenômenos de simultaneidade na palavra escrita e falada. p. correspondentes ao acorde musical. citando um magote de autores secundários de suporte. o-homem-que-sabia-javanês do modernismo. e descartava o futurismo. metendo tudo no saco do subconsciente. nenhuma outra arte realiza 'realmente' a simultaneidade". elevando Luís Aranha a paradigma "simultaneísta". 68 23. 14. p. Idem. Idem. a fim de evitar tropeços à sua discreteação: "a não ser música e mímica. Rosas vermelhas buscaram Madame Rocambola na gare cautelosa do Brás 22 . 44. deitou falação para explicar a simultaneidade 2 4 . Levaram-me para uma casa velha que fazia doces e nos mudamos para a sala do quintal onde tinha uma figueira na janela 23 .e injustiçando clamorosamente a Oswald de Andrade. tudo. Memórias Sentimentais de João Miramar.

tais quais. Já é a teoria do texto.) . que M a x Bense e os poetas concretos desenvolveriam. Poesia por contato direto-Setn-ex-pliGaçães^sem andaimes._não a idéia da c o i s ^ O J i m da arte de representação. de verso livre ou metrificado. Ou melhor: com "Poesia Pau-Brasil". os textos adquirem novo conteúdo: de lugares-comuns se transformam em lugares incomuns. O senti- . Claes Oldenburg reproduz. A poesia de Oswald de Andrade é uma poesia ready-made. Uma arte antropófaga. Realismo sem tema ou temática realista» jpcnaü u Jiisptãnte"cío existente. na hora existem como arte . Aliás. Faz estatística. Os ready-made. em lugar de "Ordem e Progresso". trazia a reprodução de uma bandeira brasileira.3 -fffó^M^m ^^erdo em crise o verso: um prosaísmo d e l i B S i ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ r o r a contínua ao próprio verso. 40 anos depois de Oswald. Sua poesia é um realismo auto-expositivo.fac-símiles únicos de coisas produzidas em quantidade. de Man Ray.e eis o poema "Nova Iguaçu". pop artist. ^ j n l p ^ l ã B u l o s . Um polígrafo. Lembrar que a capa da primeira edição da Poesia Pau-Brasil (1925). "Somos concretistas". em papier maché. _ A.. Alguns poemas são simples transcrições de anúncios da época.a mais torta tolice a que poderia atingir uma orientação direita". nunca se colocou tal problema. sem mais nada. um polígrafo!.o u ^ Com versos que não eram versos• ji^y. A coisa. Exatamente como acontece com a atual pop art norte-americana (também batizada de "neodadaísta". copia nomes de casas comerciais . diz Oswald. Algumas manifestações da pop art são chamadas de happenings-.é_a^ p o e s i a jd a possg_çontra _ a propriedade.poesia-de-Qswâ-ld-d e-Andr ade. livre ou preso.e fim.. Jasper Johns. na época Dada. em seu manifesto canibal. pinta bandeiras norte-americanas. sorvetes e bolos .caracterizando a decoração teatral: "A influência cubista .. na hora se fazem.o primeiro movimento autêntico de vanguarda dos Estados Unidos para o mundo: também uma rebelião contra a cultura européia.. Destacados do contexto.

do puro, a que se referia Oswald, em Dada era a idiotie pure. Textos - não literatura. O cartão-postal como arte. O clichê do clichê como arte. O problema do kitsch, a chamada pseudoarte - como a chamou o prof . Anatol Rosenfeld, que inaugurou a questão entre n ó s 2 5 . A chamada arte de mau-gosto. "Abrimos caminho para uma coisa que não existia até então entre nós: uma literatura de pobres. Nunca tivemos uma literatura de pobres" 2 6 . Pop art: arte de estalo, espocarte. Os poemas de Oswald de Andrade, da década de 20, formam um exemplário didático. Didática que, depois, Drummond, João Cabral de Mello Neto e os poetas concretos da primeira fase passaram a limpo, fenomenologicamente, com poemas sobre o poema.

Antropofagia: Confrontos Curiosos
Jacopétti, em seu filme documentário Mondo cane, mostra o sucedido numa ilha de aborígines, quando lá se instalou um moderno campo de aviação. Os selvagens iam ver. N o alto de uma colina, construíram um simulacro de avião e de pista de pouso: para que os deuses se dessem conta da injustiça e do engano e ali fizessem aterrissar a estranha ave que, por direito de terra, lhes pertencia - e não aos brancos. A antropofagia de Oswald de Andrade teve antecessores em Dada - e um sucessor em Marinetti. Num manifesto programa de espetáculo Dada, (Paris, 1920), o pintor Francis Picabia preparou o texto e a música de um "Manifeste cannibale dans l'obscurité", lido por André Breton, acompanhado ao piano por Mlle Marguerite Buffet 27. Em II Club dei Simpatici, de 1931 (Palermo, Hodierna Editrice), Marinetti propõe uma nova moral canibal. O magistra-

25. "No Reino da Pseudo-Arte", supl. lit. O Estado de S. Paulo, 31-3-63. 26. Depoimento citado a Heráclio Sales. 27. Willy Verkauf, op. cit.

do Paranza e outros membros do clube propugnador dirigemse, de hidroavião, a uma ilha de canibais. Depois de uma identificação geral de pontos de vista, os selvagens totemizam o aparelho, devorando-o:
(o canibal Curreno) - Stiamo allargando alie macchine europee la nostra morale antropofaga. Addenteró, dopo le ali, il carburatore che, spero, trasmetterà la sua capacita vorace al mio stommaco imperfetto. Tokkamatok lavorava coi denti nella carlinga, strillando: - Cosa ne dici, Paranza saggissimo, delia mia idea de mangiare lo stabilizzatore per equilibrare il mio corpo che oscilla troppo quando bevo sangue fermentato? (p. 164).

Oswald de Andrade, como Sousândrade antes dele, não ficou esperando pelo beneplácito dos deuses da cultura mundial para produzir obras originais, destinadas ao confronto e ao julgamento internacional: deglutiu o avião, anticolonialmente, e produziu, de fato, uma poesia de exportação.

TEORIA DA GUERRILHA

ARTÍSTICA

Quando o guerrilheiro Oswald de Andrade - guerrilheiro da idade industrial - faz um discurso sobre a política cafeeira, pinta um quadro assinado Bostoff, faz "pesquisa alta" em antiliteratura e liga a Paulo Mendes de Almeida, para que este lhe "resuma Proust" ao telefone, pois precisa preparar com urgência uma tese universitária, está procedendo como um homem dos novos tempos, antropófago retribalizado devorando a divisão do trabalho e a especialização. A aceleração do processo de informação e comunicação vai arrebentando os sistemas lineares e instaurando sistemas de informação instantânea, que tendem à implosão (compressão da informação, síntese) assim como os primeiros tendiam à explosão e à expansão (Marshall McLuhan). Nos processos lineares, os nexos de causa e efeito são vinculados à lógica aristotélica verbal. Já nos processos constelacionais ou abertos - onde o que importa são as propriedades de totalidade, como diz Wolfgang Wieser - "uma causa e um efeito podem, para quem olhasse a totalidade do universo, ser tomados um pelo outro, como que trocando seus papéis" (Valéry, sobre o Eurêka, de Edgar Poe). Pecado maior que os literatos atribuíam a Oswald: era um homem que "não lia".

Ainda bem! Lema de Paul Valéry para uma biblioteca: "Plus élire que lire". Nada mais parecido com uma constelação do que a guerrilha, que exigê7^ür^üã^inâlmici7uma e s trut u r ã a Bérta dêlrP" formação plena, onde tudo parece reger-se por coordenação (a própria consciência totalizante em ação) e nadi"por subordinação. Em relação à guerra clássica, linear, a guerrilha é uma estrutura móvel, operando dentro de uma estrutura rígida, hierarquizada. Nas guerrilhas, a guerra se inventa a cada passo e a cada combate num total descaso pelas categorias e valores estratégicos e táticos já estabelecidos. Sua força reside na simultaneidade das ações: Abrem-se e fecham-se frontes de uma hora para outra. É a informação (surpresa) contra a redundância (expectativa). Nas guerrilhas, a estrutura parece confu ndir-se com os próprios eventos que_propicia ^,e-a--gstratégia_corn_a tática. É uma estruturajque se rege p e í o j s i n c r o n i s m o ^ uma gpjagemjsimultaneísta miniaturizada de todãslS~bata'lhas de uma grande guerra. Nas guerrilhas, as tropas, se de tropas se pode falar, não tomam posição para o combate; elas estão sempre em posição, onde quer que estejam. E faíscam nas surpresas dos ataques simultâneos, num cálculo de probabilidades permanente que éluda a expectativa do inimigcuEstrutural mente, ^guexf-ilh^jã^e^^ojfito^prospecto, j ^ ^ ^ ^ ^ S q ú i - t e m - . p õ i r ' ^Maroldo'tle'Camjîo'srno-iSongresso do Pen, em New York (1966): "Acabou-se o tempo dos literatos!" Augusto de Campos lembrando o lema valéryano para o "Esboço de uma serpente": "Je mords ce que je puis". E o poeta Pedro Bertolino, lá de Florianópolis, citando Heidegger de permeio: "A vanguarda artística só se impõe e só pode ser concebida como antiarte, isto é, como investigação que origina para si a base em que se baseia, constituindo a sua própria negação e, portanto, superando-se indefinidamente para ser sempre presente."

vivem a to. N o entanto. entregue que está aos azares da ignorância. Constelação da liberdade sempre se formando. e sim "humanística".que lhes fala com o maior desembaraço de Mallarmé. Já repararam como as toupeiras lineares do sistema concedem em dar importância teórica à poesia concreta. Fingem.que f õ i~ i n tïo duzí d a como disciplina no ensino brasileiro pela Escola Superior de Desenho Industrial.tas. N a guerrilha. Joyce. da burocratização e da política tacanha da carreira e do carreirismo universitários..)."tudo ^mosquito. Ffumiíde^nteJE^ sistema universitário. E há^uma = palavra que para eles é a mais científica de t o d a s í T ^ u ^ ^ d ^ ^ ^ ^ p r e c i s o ^ t e r 4rwniLiadei^preciso primeiro d o rrfi i s t e m a s filosóficos.mar„no. de se transformar num incrível compósito de psicologismo. da Guanabara. aprendem a adotar uma postura "científica".. a lei dos quanta e a "Teoria da Informação". em outras faculdades. por exemplo.Foucault. psicólogos e sociólogos ainda não têm formação matemática e científica. Só a guerrilha é de fato total (excluindo-se a atômica. para rój^tão„cx»meçar_ j j i l f î ^ ï â i ^ p J i ^ ^ i ^ à F F â ' ^ û c m l ô g i z a r . psicológicos e sociológicos.-E. N ã o sabendo como lhe fazer as perguntas vivas do debate.mas são literatos. Por exemplo. Nada mais parecido com a guerrilha do que o processo da v an guaixla^T-tísjtjga x o nsç ie nte* d e : s irm e s m a. E cada gesto. Mas eis que de repente lhes surge pela frente um pensador europeu da nova geração . em 1964. por exemplo . Em conseqüência. a Teoria da Informação e da Comunicação . já nos bancos universitários.Os_nossos filósofos. para logo .áryore. hoje já vai correndo o risco. tudo conduz* aó ensino morto e nada à criação. aguardando o grande momento.cada. relações públicas e métodos audiovisuais. menosprezar a literatura . e para a qual preparei o primeiro programa. solhes rêstatomar notas.

o. realizando as "obras" que os poetas concretos teriam deixado de realizar! Incapazes de perceber estruturas. A quantidade de .esia concreta é tudo: A visão de e/a vida. que continuamos a chamar de vanguarda. A informação_e&tá_do_lado-da estrutura.o que corresponde à distinção que se possa fazer entre estratégia e tática.a_redundânria_ do lado do evento. não per<^b£m^i^%a^qb^§^^ r p. pois não se m a n i f e ^ ^ ^ j p a i a s como e v e n t o / ^ * á ^ e í l a g r o u um processo no c a n ^ p o ^ ^ ^ ^ ^ g g ^ a f t í s t j ç ^ ^ ^ ^ e j T O c e s s o ainda está longe de se es^otar^p'oï^ ^s^^t^^^dg'mformaçâo ainda é alta em relação à redundância do sistema existente. Vanguarda já nâ'o-pôSeSweefrsid'erada como vanguarda de üm~s i s te n^p£eexrétente»^de que ela seria ponta-de-lança ou c a b e ç a .\Tenm^-se uma visão sincrônica a^WocessõT~ívIãilãrmé ainda' é vajijuarda. E por isso que o establishment absprye mais facilmente . acreditam um dia suprir a "lacuna"._que sempre teve a experimentação^ como processo inerente à sua própria estrutura e desenvolvimento. para a arte. Num sistema. séculos de atraso em relação à ciência. a visão de eventos (obras) e o n d u ^ à ^ ^ k ^ í d i f l a n e r a m e n t o da vida. que assim recupera.ma : .ismos gerou uma nova qualidade. mas que é algo novo.é^mfl a rt-ísticar-Vale^ djzei^onfig u r a .c ^ p ^ j g l a se volta contra^» siste. pois"séTírataHa vanguardá como sistema. ' ~ ~ ARTE .em seguida reclamar de sua falta de "resultados"? Oportunismo do sistema em busca de equilíbrio: como milhafres no restolho ou albatrozes na esteira alimentar de um barco.se como metavanguardSnlmiedida em que~toma œnsfcie^cia de si mesma como noroeji arajanguarda permarignte. convém distinguir entre^struuirif e ppipiciados^por essa mesma estrutura ..Comunicação de controle analógico.

todas as tentativas de institucionalização (absorção) da arte moderna . A sua peça O Rei da Vela será montada por José Celso Corrêa. O" ^'Projeto Zumbi" se inserêTno processo geral "da^vanguarda. em geral. A difusão de estruturas é sempre a mais difícil. N o entanto. se alguém conta ninguém canta esse Zumbi. Segundo me informou Pompeu de Souza. Já na década de 40. a proposta de Oswald era historicamente correta e trazia no seu bojo a possibilidade de uma verdadeira "revolução cultural". Cantarão. Mas. sabe-se que Murilo Mendes respondeu a "Zumbi" com uma blague: "Seria mais revolucionário fundar novamente a Academia Brasileira de Letras".homemj^a. Oswald de Andrade desejou lançar no Rio de Janeiro um novo projeto ou movimento artístico. simultânea e não cronológica. pelo qual propunha uma espécie de frente ampïa~dôs artistas modernos. Andrade). por ora.até o último. ou seja. que. dada a sua taxa máxima de informa ção. que ficou encarregado da redação final do Manifesto Zumbi (não sabemos se foi sequer publicado) e que serviu de mediador nas tratativas.eventos do que estruturas. destinada a impedir a sedimentação e a diluição 7 das conquistas de 22 e a desentorpecer os seus membros. Vai sem dizer que. processo esse que vem estabelecendo um desenvolvimento marginal da arte em relação ao sistema artístico esta^ — • " _ _ _belgcido e em oposição a ele. a sua absorção ameaça de destruição a estrutura absorvente. diga-se de passagem). . deflagrado no século passado sob a pressão da revolução industrial. De outra parte. a frente ampla não pôde ser formada porque os intelectuais solicitados a julgaram uma manobra de Oswald para se reaproximar e fazer as pazes com Mário de Andrade (já bem composto com o sistema.se denominaria algo assim como "Projeto Zumbi". creio. porém: A massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico (O. Sua estrutura dinâmica só é significante dentro de uma visada sincrônica e não diacrônica. no sentido de organizarem uma resistência sistemática .

na riqueza e~ na eficácia de um simples comercial de apenas trinta segundos! N a televisão. Bem misturadas com algumas idéias antecipadoras de Nietzsche (sem esquecer o afilhado Spenglet). • . Moles) e não das milícias do conhecimento já codificado. . . da escolha que deles se faz. Veja-se como a crítica de cinema é mais aberta do que a teatral. como conjunto sensorial e como instancia superior.em agosto próximo*. por exemplo. por isso mesmo. ela é somente um meio de comunicação. que são atos criativos. hoje sistematicamente estudados pela Heurística. Estes dois últimos aspectos envolvem atos decisórios. em consideração aos interesses de relação. A televisão avança sobre o cinema: re_çursos cornqueirosdajelevisãoseriam_çonside rados deextrej a vanguarda no cinema: pense-se. como se envolve mais na análise da linguagem (estrutura) e menos na da língua (eventos). . para espanto e escarmento de todos os lineares teatrais. principalmente. E vanguarda do pensamento bruto gerador deJTQVX>S_ conceitos (A. ou Teoria da Decisão e da Descoberta. e. Os conhecimentos já codificados nutrem o impulso por meio da information retrieval e a recuperação da informação depende dos dados armazenados. río^eníafíto. Mosaico de informaçoèsT"— O controvertido e fascinante livro de Marshall McLuhan.:=^Nada existe fora do todo" . dos projetos ou critérios de operação. ."Geralmente se considera a consciência. Understanding media (Compreendendo os Veículos) se apóia numa das idéias básicas da cibernética (Wiener): a organização é a mensagem. deixam à mostraj^sua estrutura." A^vanguarda_nega_o preexistente para criar uma nova tonalidade. A ampliação do reper- . a compressão da infor mação vai de par com a quantidade e multiplicidade de eventos que. A vulnerabilidade do sistema se acentua sob o impacto dos novos media (veículos ou meios de comunicação). que se desenvolveu nas relações.

sobre o Teatro Sintético Futurista. Contrariamente aos que julgam estar aderindo ao óbvio ululante. . não depende apenas do número de dados armazenados. tal como é comumente entendido. Ora. às suas custas.çomplementos. À divisão clássica do corpo humano . mas da capacidade de decisão e invenção sobre a sua seleção e operação. ainda que o futurismo servisse de mera^pretexto. Não as coisas. O professor Bizzarri teve de aprender. Ou seja. a figura.se exig£ uma tomada de posição reflexi va fundamenta l. N o momento_. mas as relações entre as_çpjsas. tronco e membros . a revolução de. da sua capacidade de linguagem.os críticos teatrais somente o são na medida em que deixem claro aos seus leitores que já sabem o que seja teatro. visto como o mêtateatro l u t u r ® r a f ^ l a extrema compressão. Tentou tirar-lhe a contundência. não é "conteúdo". sob os mais variados pretextos. apresentando-o como "documentário ilustrado" e fiando-se no coxim amortecedor de meio século de decalagem. estrutura s marginaliza. não sendo tatus. como diz o velho Sartre e que. talvez.ue-. há poucas semanas..corresponde a tripartição do discurso: sujeito. pois. O adido cultural italiano desejava que a crítica de teatro se manifestasse sobre o seu espetáculo. Era de ver. se mancam e se mandam. que_hnguagemj. em São Paulo. é óbvio que. N ã o os eventos. mas a estrutura. em arte como alhures. predicado-e.em-q._gr<2xis. mas sistema linear de estruturar a mensagem. Por . a surpresa de Edoardo Bizzarri.cabeça.. provoca a mutação de quantidade em qualidade. ante o absenteísmo da crítica e do público em relação ao espetáculo que montou.deles. mais do que a revolta. Talvez tenha aprendido que a van-_ se presta a pretextos. acabando com o teatro.tório. reservando-se como principal função o julgamento da qualidade do espetáculo e a distribuição de méritos e deméritos.jobrigando-os à indagação "que é teatro?". na arte ocidental._gue os engaja no próprio processo de teatro.

eIo^quenao. Entramos na era da desverbalização que.. como destruiu o verso e a melodia: o q. po r_ex em p 1 a)_tenh a únplicado a destruição da figura.Que.. A colagem não é senão cubismo readymade levado à faixa da simultãneiclãde semântica: é uma arte cubista eventual.se. em Terra em Transe. .e linguagem também é tecnologia . ^ Comunicar é codificar a realidade.isso.do_p.conhece. para conferir . se conhece e . que rejeite a revolução de estruturas é. Enquanto a imagem .na revolução das estruturas é o mesmo que considerar o surgimento de Marx durante a revolução industrial como uma aparição surrealista. Dizem Marx. Assim como.figura. O equívoco de Glauber_Rocha.afirmaçao que implica"oreconhecimento da enorme torça e significado da redundancia em qualquer sistema e. da dificuldade de introdução do signo novo . inclusive a participante.deseja_e..luta„p.Por quê? . não é mera coincidência que a aparição_de_estruturas simultâneasna a rte m o derna ( c u bjsmo. tanto para Oswald de Andrade como para Marshall McLuhan. o L significado como função do repertório (conhecimento).assim também toda arte.defend e .N ã o entendi nada. um pouco mais perspicazes.só.. a "poesia" se organiza.f i. O.Gostou do„fil me? .N ã o . já começam a considerar o Brasil como "universo industrial". reside no fato de que não soube criar o hibridismo entre dois veículos.ue_se destruiu foi a lógica discursiva e todo o seu embasamento verbal.oeta serve de "fio condutor".se. peloJinearismo.gosta£como fun ção do significado (reconhecimento). por defini ção^reacionária. é a era da retribalização do homem (sistemas lineares separam. sistemas mosaicos ou simultâneos agrupam). Lênin & Wiener: só a estrutura é informaçao.se estrutura pelo simultaneísmo (liquidação de princípio-meiò-fim). N ã o compreender a função da tecnologia . O problema comum da comunicação artística: . Ainda bem que alguns dos nossos políticos e ideólogos de esquerda.sg. A.nao se. daí.

Nem é outra a preocupação dos artistas mais avançados (dgjlQssg tempo."significado" à mensagem.no sentido de temperatura informacional). As mentalidades lineares BuscãnT^risüÍtados^ onde eles não podem ser enccmtrad^fpois^gsggutjura simultânea deslo-. a maior parte das quais em "esboço" . a voz convida à participação "quente" . nos corpos das mulheres. _ ^ . numa poesia puramente oral. Observe-se que a poesia.mas está na raiz de toda música de vanguarda.(áenadas. tem apenas 19 páginas. de que o próprio título do filme é exemplo. como Dib Lufti fez com asTfaces. e deixou apenas 32 obras de curta duração . à la Mallarmé. no filme.mas volta e meia encontramos "resultados" de Seurat nas fotos em cores das revistas de grande tiragem. O Lance de Dados. couísBas_CÜOr.stmlénja heresia i ^ ^ O ^ ^ T ^ ^ n e deixou um número d i m i ^ t ç r d r ^ o b r a s " . de Mallarmé. Procuram tipo^huahdo deveriam busjf^s^SÈsSgjAN J^rtj^—-—11— . c u r a t r e v o l u g i o j i o i a o / r n p c e s s i o n i s m o (pintava "den^íte . simultaneizando-a (veículo "frio" que é. Superando o tipo (obra em desenvolvimento linear). Esta foi também a preocupação de Klee: passar do tipo ao protótipo (obra cuja estrutura prevê sua própria reprodução). Quantas obras deixou Mondrian? Alguns de seus "resultados" são encontrados na rua. mas eqüivale à Divina Comédia. Glaiiber_deveria ter exercido sua criação na VOZ. para obter efeitos oper rísticos de grotesco e m p o 1 a d o/QuãrrtõlTp oe s ra^el a~s~ë~v i n c u 1 a a uma certa lírica vigente há uns cinco lustros. esses artistas prenunciarno advento do prototipo do desenho industrial. é poesia escrita e não lida ou oral. sob a forma de vestidos. por meio de superposições e distorções. Webern destruiu a melodia. Exemplo mais do que evidente de que o código verbal (verbalismo) lógico-discursivo ainda comanda aquilo que se costuma chamar de "o mundo dos significados". funcionando como verdadeira ideologia.

a g u e r fã*c lãs sic a.mesmo tempo uma arte deproduçãçLe„uma„arte de côïîsïïmbrRespondi que. não éTpraticavél pelãs~forças radicais minoritárias. estranhou que eu defendesse. como um escriba a todo risco e escrevendo com muitas penas ao mesmo tempo... aluno do curso de pós-graduação. Que.) ~ ~ Só a estrutura nova é significado novo.funcionando eu.sem ordem.ao.er. assim. — ^ ^-f^J^.Qpiaimedida de desordem de um sistema" " ? Esta teoria (se for uma) é tanto minha quanto de Augusto de Campos.-que. erfTcultura. não há\totalidade" fW. necessariamente. Infõ rmàçãormédida 4 e o r d e m de um v sistema. E ação nova. pode não subscrever. —. não há ordem . . mita ações_simultâneas. Wièser).ru-. .tQ. Ordem: dife renciação de formas e ii^JiÇÍÍê^--^^^ 1 ^ esdifereneiação-cle-formas _e-f üíõç"õSs3( tenxlénci a' entrópica-e-redundante')r-Entr. Estrutura: malha de relações entre elementos ou entre processõs elementares.itfg ção): Paul McCarthney interessando-se pela música eletrônica de Stockhausen! O jovem arquiteto. uniformizada" e de desenvolvimento linear.Os Beatles indo dolevento (consumo) à estrutura (produzi -. tudo o que aqui vai .». no entanto. "Sem comunicação.p_er. Ataca-se onde se deve e pode (desde que se tenha um projeto_ab.

The raven (O Corvo). latente em toda poesia: enclave analógico dentro da lógica verbal). Dos campos extra-artísticos. Edgar Poe foi o primeiro a perceber o fenômeno e a tirar dele as primeiras conseqüências de importância: o código Morse é de 1834. de Mallarmé. A linguagem assim detectada em sua natureza de código define o campo operacional da atividade poética. fotografia para a pintura) vêm os novos instrumentos de desnudamento da natureza formal da linguagem.A V I D A EM EFÍGIE (Caos. dos meios e técnicas de comunicação e reprodução (código Morse e telégrafo.. para a literatura. de 1842. finalmente. Caso e Acaso) A revolução industrial é a grande revolução. de 1845. em milênios e não apenas a linguagem lhe sofre o impacto. inevitavelmente. e Valéry diga com todas as letras: poesia é linguagem. The gold bug (O Escaravelho de Ouro). a base lingüística. que passa a ser. E porque o sistema verbal. até que. campo experimental.. funciona como verdadeira ideologia . de resto.e aqui começa a denúncia da lógica discursiva (denúncia. N o campo do sistema verbal. Pelo approach código-estatístico da linguagem pode-se perceber a sua estrutura probabilística . o discurso comece a esfacelar-se com o Lance de Dados. A linguagem se volta contra e sobre si mesma: tem início a era da metalinguagem.

entre tantos: Vivre sa vie.. de Godard. vida dos tempos modernos. Em . do qual o resultado mais palpável é a split personality.Instala-se o tema d ^ f ^ ^ u ^ ^ t t i l ^ d e Elbehnon. instauram-se o caos e o acaso. Destribalização que Marshall McLuhan atribui ao código alfabético e à imprensa. os pseudônimos. Os signos já não pousam mais sobre as coisas. vai caracterizar muitas das obras mais importantes de nosso tempo . Vemos então multiplicarem-se as máscaras. ainda hoje.caracteriza-se a ruptura arte/._No-xorm5jr^é^^ (O Retrato OvaD. se radicalizam na destruição-produção da linguagem. que pennitgm uma nova visão do_homem.. São esses artistas. N a passagem da fissão à ficção. em todos os campos. e que tendera~ã~s'er neutralizada pela televisão. o deslocamento do indivíduo em relação ao corpo social: The man in the crowd~(0~ffcr~mem na Multidão). o velho-velhice. À cisão da matéria verbal.deFqeJl 842). o filósofo. a matéria psíquica também se torna físsil.. e toda a sua tumultuada galeria de dissidentes. João Cabral de Mello Neto? Na medida em que os artistas.em relação aos signos não-verbais. o traído. Edgar Poe anteviu.e muitos (especialmente nas culturas marcadamente literárias) não conseguirão sair desse novo cárcere-labirinto. Em Pessoa. d ^ ^ ^ ^ ^ n n ^ j d a j o u c u r a em-busca-dè^novo-sistèmã^ ~mufrõ"Aires fíãcTsãõ senão máscaras heteronímicas de Machado: o galante. como Einstein e Heisenberg permitiram uma nova visãodcTmundo físico. de Drummond. as personaSpos^tieteiônimos. Em Pirandello: Mattia Pascal. estes também começam a acusar fissuras. em busca do eidos.etiqueta que Croce e outros pespegaram a Pirandello. vão sendo tidos por "frios" e "cerebrais" . inclusive. cerne de toda a sua obra? E que mais faz. Um exemplo recente. ao contrário: descolam-se delas. A fenomenologia da composição. onde um personagem lê um fragmento do referido raconto de Poe. no entanto.. os heterônimos: "drama em gente". E que outra coisa é o Apor o.

do Curso de Jornalismo (Faculdade de Comunicação Coletiva). Em Oswald de Andrade. em 1965/na Universidade de Brasília. nãcTé" senão a crise da lógica clássica inerente ao sistema verbal. eu volto ao emplasto / Eu deixo-me estar entre o poeta e o sábio / se não era bonita. esse teatrólogo frustrado. tive a oportunidade de mostrar aos alunos esse aspecto fundamental da obra machadiana. De qualquer forma. Exemplos colhidos ao acaso: Decida o leitor entre o militar e o cône- go. fenômen o pequenoburguês. Machado de Assis. Digo mostrar porque apenas o destaquei pelo método estatístico elementar. Serafim Ponte Grande. fundador da Semântica Geral. o conduto predTcãtivo torça como que um mesmo grau de certeza tanto na afirmação de algo verificável como na afirmação de algo apenas provável (Fulano é alto/ Fulano é safado). tudo ocorre por necessidade e não por acaso. o ETC parecem ficar excluídos. Com a^dialética hegeliana-marxistâp abre-se a "terceira frente" . Dentro desse sistema. Oswald). Nelson Rossi. Instala-se o tema do adultério entendido como traição-subtração à personalidade-propriedade do marido. Machado. o meio-termo. o acaso. o meio. titular da cadeira de Língua e Literatura de Língua Portuguesa.e só no Brás Cubas . também não era feia / se era uma criança com fumos de homem. Instala-se o tema da devoração e da autodevoração (Pirandello. se um homem com ares de menino / nem dócil nem rebelde à proposta / espécie de garganta .alinhei mais de trinta expressões que tornam manifesta a "terceira posição".Pound: as personae. entre duas coisas ou entre duas palavras. como diria o conde Korzibski. embora os lógicos ainda se perguntem se Aristóteles falava de relação entre uma coisa e uma palavra. Abelardo. de modo a confundir os "graus de abstração". Em aula que ministrei sobre o surpreendente mulato. --— Em^íristóteles^e um membro de um par de sentenças contraditórias é verdadeiro e o outro falso. Num levantamento perfunctório . João Miramar. a convite do prof.

não me recorda bem o nome. cujo percurso. que se esgarça ou é reduzida a esqueleto.como se diz de -certos medicamentos. O cosi è (si vi pare) pirandelliano não é. mas já não é a frescura etc. por um impasse. como disse alguém). requestada por dois pretendentes. Veja-se que. entrefechada rosa: frustra-se. vira do avesso. Os humaníssimos personagens de Pirandello são bonecos-de-letras que imitam viver. mais parece o dos movimentos brownianos. diverso.entre o passado e o presente / vacilava entre um querer e um não querer / foi um certo Jacó Medeiros Valadares. basicamente. a fabul ação. o signor Ponza e a signora Frola consolam-se como duas premissas irremediavelmente contraditórias e verdadeiras: saem de cena como duas partes~3e um discurso que não se conclui (^ue não se "resolve". a mocinha. anti-silogisticamente. O excipiente permite a "õbrã!^ (quantidade) e se manifesta sob a forma de estórias o u œ a l p i k . Apenas Mallarmé dispensou oexcipientei_é puro princípio ativojsua obra está ao abrigo da própria glória. porém. como se diz de~um acorde musical).e sim: "Não era branco nem preto". Inútil falar de cerebralismo . a expectativa do público e da lógica clássica que. em Dom Casmurro. além de uma terceira / não é ainda a invalidez. por aí. todavia. Na peça que leva aquele nome. a Verdade em novo estilo. em A Mão e a Luva. Talvez fosse Jacó Rodrigues / Não me tratou mal nem bem não era dor nem prazer / duas forças.concluindo o terceiro. casa-se com um terceiro.mas é útil falar de experimentação semântica. assim. é entreaberto botão. Persiste. Machado de Assis nunca diria: "Fuíano de Tal era mulato" . pois a signora Ponza.^funcionando como excipiente de um princípio ativo . talvez sáHia mãneinã^^ BãlTTT Mas é desta microcélula q u P M l d í i d o parte pafa~ã**èstrutu= ração do "grau de surpresa" de suas narrativas. E é neste lusco-fusco que a dialética-vira Oportunismo brasileiro". Sua preferência pelos três atos não é casual . pois através dela a crise atinge também o enredo.

São atores qüe _rept£S£ntam papéis escritos. um "humano" romântico. E tudo aceitam. Defendem. Os personagens de Pirandello são personagens escritos. escaninhos e compoteiras onde conservam.com a nova realidade_ejconsigo mesmos. desde que não se destruam as suas formas . para que neles o mundo se_ ordene à revelia. frascos. Espera-se que agora. no caso de Machado (cf. puramente emblemático. todas). a poesia sempre se avilta ao valor de uma fosca ex-mosca azul. Brás Cubas e o conto Alparcas de Titané) e o cinema. anterior à revolução^ industrial e condicionado pelodiscurso.us_prezados "significados ". e a Lingüística estrutural (de um Jakobson) comecem eles. donde o' ridículo das encenações pirandellianas realistas e expressionistas (no Brasil. de qüèpõucos. e muito menos aqueles que se dedicam ao estudo ou ao desfrute das chamadas artes literárias. a formol. a compreender ou a desconfiar. em que os intérpretes pretendam entrar na pele dos personagens.que se somam às centenas em Pirandello e Machado. ameaçam esse verbalismo. se. Salutar desconfiança. no entanto.os sistemas filosóficos não são. a Teoria da Informação. São gentedeletras. Outros meios de comunicação. E quantas toneladas de papel se encheram para estudar os "tipos" machadianos e pirandellianos.os potes. senão sistemas de escrituras. infelizmente. pelo menos. em agoniado^conflito . no caso de Pirandello. no fundo. a física newtoniana e a geometria euclidiana em travestis subjetivos e burgueses (daí o escândalo com a afirmação de "FtaubeítT^^Qrmajiasce aJdéia). se têm beneficiado. fichados e catalogados. Entendam-se por personagens aque- . na verdade. pela lógica aristotélica. sub specie economiae: a publicidade. que não existem: estrabismo da visão "realista"! Já Paul Valéry desconfiava de que . sistemas dcsignos lógico-aristotélicos "casificados". sem atentar para o sistema de signos que lhes fornece as possibilidades de estruturas analógico-significantes. com a Semiótica (Peirce). Nas mãos destes.

a ele. transformando-o..s.sjJje_u!a máquina infernal chamada lógica. de repente. para ver a sua carroça ultrapassar o . N ã o é outra coisa o que diz Luigi Bàccolo (Pirandello . esta "máquina" vira coisa.é inexorável e rápida como um drama antigo. "A tragédia do herói . São.. em qualquer parte do palco ou fora dele.. de Poe par lui même.e.les que se autorepresentam no palco. Para cada personagem de Pirandello deveria haver dois intérpretes gêmeos. para horror de Pirandello operatore. os demais comparsas. Frankenstein criando um franquistém que lhe ameaça o discurso... (Si gira. alterando-se nas marcações e nas falas. operador. Milão. câmara cinematográfica.. em "una mano che gira la manovella". 1949.uma vez presa da engrenagem das deduções .. referindo-se ao homem pirandelliano: " O homem é um animal que não vive. 1919 romance depois rebatizado de Quaderni di Serafino Gubbio operatore). esses personagens.assim como os demais personagens pirandellianos são apêndices da pazzia ragionante como se manifesta a revolta de Serafino Gubbio? Pela literatura! E põe-se a escrever contra a máquina.).. extensão do homem. contra o cinema: Pirandello sentiu logo que uma nova linguagem ameaçava a sua cultura verbal: o prazer com que Gubbio faz girar um filme de trás para diante. Fratelli-Bocca Ed. inclusive nos contos e romances. Tal como naquela fotomontagem em que aparecem Pirandelloescritor ditando a Pirandello-datilógrafo..é. contra as regras do jogo! Enjaulados dentro de u r n a i ^ c a l m e a r .. dr.. começam a raciocinar.ersatEay. representam o público (concessão pirandelliana aos "tipos"). como peças de xadrez que. utilizam as próprias gra^" des para tentar escapar da prisão. mas .diz Jacques Cabau. 2 a ed. cada qual assistindo ao e assistindo o outro. Fratelli Treves Ed. N u m dado momento.. E os produtos desta máquina são conceitos". A lógica é o seu Destino" .assistejgiy. O dissídio verbal se vincula ao dissídio da personalidade. Milão. excetuado um ou outro personagem-coro. Apêndice da máquina ..

Ainda bem que o lema de Valéry para umjj. assim fazendo. pela fissão conceito/referente: "O monte é monte porque eu digo: Aquele é um monte. embora Pirandello o tenha também levado. per una stupida finzione. de Pirandello (que contém. de seu voraz lobo mecânico-imagético. postada à sua frente. de Flaubert. na Educação Sentimental. porém. cenas de objetos inanimados tipicamente futuristas)..) E a diva Nestoroff de explicar a Serafino que qualquer besta podia ser ator de cinema. já decadente. suspendeu ou superou a fenomenologia teatral. em certa medida. o desprezo de Serafino-Pirandello pelo cinema só pode ser igualado pelo ódio que os intelectuais ( 1 i teratos)"Võtãm"Kõje' à~tëIëvisâo: "E qua. la donna.gre_era "SANS PHRASES". è vera nequizia. e a empresa Arte Industrial.automóvel que o ultrapassara. do distanciamento provocado pela ruptura. no romance citado). tudo no cinema parecia falso e fingido. pois "não precisava de palavras". caduta dall'arte nel cinematògrafollUm exemplo claro do distacco. à linguagem cênica. che passa la parte!" (Um dia. que o sistematizou. in una caccia finta. o público aceita o fu- . já "Accademico D'Italia". que caracteriza o teatro pirandelliano ao nível verbal.. Não. o "distanciamento" não é pura criação de Brecht. Ao comparar os sublimes retratos da diva com a própria. nessa obra. demonstra como. Paralelismo entre a empresa cinematográfica Kosmagraph. O que significa: Eu sou o monte" (o personagem Simone Pau discursando a Serafino. transpondo-o à própria linguagem teatral. caduta da quel sogno. in un bosco finto. para apoiá-la moralmente na caça ao Leão de Judá. nos campos reais da Etiópia. vítima de sua "aranha sobre um tripé". mesmo a morte real de um tigre: "Ma ucciderla cosi. ao lado de torrentes filosóficas e psicológicas ultrapassadistas. Pirandello regressará às pressas de New York à pátria. com certeza por influência do Teatro Sintético Futurista: " O sucesso de Seis Personagens em Busca de um Autor. Para o pobre Gubbio.

incorporando-o. arrazoam enquanto sofrem e sofrem_por. o que significa que. Fernando Pessoa se emparelharia com Pirandello. Se não quisermos recuar mais. Prisioneiros de uma forma que perdeu a capacidade de ordenar o caos para congelar a v\dz~stano' male entre o Caos e o A~ca"so~( Caso . fiquemos com o mestresíntese de todo-o-problema. Denunciando o "mito da unidade da personalidade". Toda unidade está na relação dos elementos entre si. sendo imprescindíveis . o mínimo que seja. que já abordara em Arte e Scienza (1908).-ela mesma. noi inventiamo il Teatro Antipsicológico Astratto. com suas "constelações" que organizam o acaso. em 1924). Pirandello lança um olhar aguçado. que antecede de cerca de trinta anos sua obra máxima e que tem a seguinte nota de abertura: "Este Conto é endereçado à Inteligência do Leitor que. Sentem-se mal porque não podem estar fora nem dentro. aliás . "Doppo il Teatro Sintético e il Teatro a Sorpresa. porque o mundo dos signos tende a insensibilizar as relações humanas. Sobre o problema da unidade psíquica individual. Mallarmé.e à parte o fato de haver deixado notas para uma "estética não-aristotélica". 1922). que é o drama-conto Igitur ou La folie d'Elbehnon. N ã o apenas neste ponto. variando as relações. assistem-se viver. em italiano). põe as coisas em cena". como diria Bàccolo. e com esse primeiro escorço-esforço do Lance de dados. Compare-se o seu famoso "o que em mim sente está pensando" com esta declaração de Pirandello: "Uma das novidades que eu dei ao drama moderno consiste em converter o intelecto em paixão" (conferência pronunciada em Barcelona. Pudera: da linhatronco mallarmaica não podem sair subliteratos! Os personagens de Pirandello vivem em ef ígie. em Ultimatum (1917).que e quandp arrazoam: bá uma flor-na-boca do discurso. di Puri Elementi e il Teatro Tattile". varia necessariamente a unidade". através de Serafino Gubbio: "Temos um falso conceito de unidade individual.turismo em suas formas moderadas" (Marinetti.

disse Pirandello. para escondê-lo. Eu. Era uma arte que chegava a tocar no problema da estrutura da linguagem. hoje . apesar do entulho dos seus psicofilosofismos e da redundância de seus casos-enredo (que ainda podem ser examinados com interesse. num momento em que e j s ^ h ^ u a ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ i ^ n ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ t e . Pirandello é um diluidor de elevado nível: "casifica" Mallarmé. en poète. "Nietzsche dizia que os gregos erguiam estátuas brancas contra o abismo negro. e um Acaso. num de seus últimos pronunciamentos.licamente. ponho-as abaixo.compreende-se bem. onde não se distinguem formas e funções (nascera numa aldeia siciliana chamada "Il Caos"). E mereceu o interesse de um Joyce: "Há qualquer coisa de novo e de vital nesse escritor". o caso humano (dentro de circunstâncias históricas). Entre um Caos. Como um jornal.e fora deles é o abismo do Acaso rondando uma gaiola onde um pássaro agoniza. pois surgia com razoável dose de informação em relação à arte codificada. Afinal. pois todos eles se enquadram dentro de um "sistema de expectativa").e ison^>d|c^jente. para revelá-lo" . segundo a linguagem. ^ . que Pirandello tenta superar pela arte.incriminarão de antiarte. que permitiu a vida como pode destruí-la. Pirandello tenta diagnosticar e expor um caso fundamental de vida e ordem. por uma arte que tenta renovar e que vários . também em relação ao sistema verbal.para essas mesmas relações . de comunicação". C^srelaciünã^ImmfêrAíítl^istote . ou seja. ao contrário. dentro dos novos dados de uma literatura de massas. é preciso aprender a 1er aos pedaços. Não é pouco.

nada fazem para estimular a técnica e a criatividade dos comics entre nós . Não são estórias em quadrinhos.e se dão por satisfeitos com os quadrinhos chato-estáticos da História do Brasil.Os planos de cor forte não podem ser aqui reproduzidos. O ambiente é substituído por um plano de cor (verde). Dick Tracy. uma versão classicizante da atual fase tardia das estórias em quadrinhos. Abril). baseados numa iconografia acadêmica do século passado. mas histórias em quadradinhos. E obra recente.do que em todas as Histórias do Brasil em quadrinhos feitas até agora. Há mais História Americana nos quadrinhos clássicos americanos Flash Gordon. Lil Abnèr . . Super-Homem. da Walt Disney Productions (Ed. Mas o governo e os "responsáveis pela cultura" não compreendem isto. o friso no chapéu do tirano é laranja. Batman. mas a ninguém escapará a sóbria força deste quadrinho.

TERCEIRO TEMPO: O N Z E CRÔNICAS DE FUTEBOL .5 .

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muito poucos. Mas não se imita Pelé. por estranho que pareça. Esse erro é excepcional em Pelé^Sua^noção -perfeita de posição. o campo não é estático e sim uma estrutura dinâmica. Pelé como que carrega o campo consigo.. em função da meta. O campo é um verdadeiro prolongamento de sua pele: para onde vai. teve ou tem tanta sensibilidade e inteligência criativa para a relação básica do futebol: a relação bola-homem-campo.o tempo fracionado em piques e lances que dão a precisão e o ritmo das jogadas e do jogo. errarem no cálculo de um rush. Poucos. móvel. relacionada às contínuas deslocações da bola e dos homens e envolvendo sempre uma questão de tempo . talvez ninguém. com Pelé. raríssimos.mesmo em lances agudoseuitra-rápidos : : 7 õ m 0 ^ é ' s a b e r também onde estará provavelmente (e onde os demais estarão) no lance ime- . É comum ver bons jogadores.para não falar já de um lançamento. de um deslocamento . O crioulo inimitável deve toda a grandeza e toda a beleza de seu futebol à sua inesgotável capacidade de criação. Isto porque ele sabe que. Aprende-se. e até craques consumados. talvez. de um pique. de uma antecipação..naçrp d o i a í o de não só saber perfeitamente^ onde está~]e onde os demais estão) a cada momento . raros. de um impulso.FLAMA NÃO SE PAGA.

algo que se conquista. um outro moreno pintou de Pelé. Que achou a ambos.f a b i ^ s .no quadro principal do Santos. Injustiça.do_coração.senão a primeira .lêmbrar^se^^ïï^iJTîFnegrinho correndo doido pelo campo. Rei. Há alguns anos. como um novilho negro saindo do touril. Ao ser lançado no time. qjje^criqa|'^ ambos. do. viu"sêlogo nos~jogos seguintes. Aquele sentir-se_ern e s t a d p d e . Antes de correr qualquer risco.e_apaga. çloidojjioido faminto à procur^teçbc^la e dejnmesmo.. Pelé cria. Chamaram-no de mascarado. ao mesmo tempo.^q uele impeto_carnívoro-dejde vqr ar a Bola eucaristicamente. que não se paga. Quem se lembre de tê-lo visto numa de suas primeiras aparições .barriga_e. Vale dizer: sua p o s i ç ã o ^ s e m p r e boa. = = . titular. ou melhor. no Pacaembu. N o entanto. mas q. o problema e a solução. Apresentou qualidades inegáveis . essa lucidez física tem a animá-la uma flama que nem a luz poderosa da glória conseguiu ofuscar. Foi criado e alimentado como craque. é gemprFlTméîhor possível porque é ele próprio quem a cria. aquela certeza de que^nãp-se-iogajutebol pela = = = cartilha: bo-la._ com ou sem bola. esse gênio. essa inteligência.diatamente seguinte. craque de nascença e sabença. em fins de 1956 ou começos de 57 (entrou no 2 a jjemp©-=4Í^me jogo? nãojaae^Êgrdo).mas não acima da média. nos quadros inferiores do Corinthians.. é ele próprio quem cria as condições favoráveis à sua melhor posiçaõTTanto no posicionamento geral. n e cessidade_d_e-lutgbgl.ue_s. Viu-se também que o futeboLüje era um absflJS^estadõ7le"necessidade. foi vacinado.be-la. etiquetado e carimbado de craque. como no desempenho de cada lance individual. Mais do que o^gostcx o risco da(aventura^eçessária . aquela flama que precede a f ama e a cama. O que lhe falta é flama. que se alimenta dentro da. lembrar-se-á de quelp público ^riu^ap ouvir o ([bizarro norm^anunciado através d o ^ l ' t o . já vinha com um Certificado de Garantia de Craque.

Talvez a encontre de novo e a reavive. Ou talvez .tenha de correr o risco de encontrá-la (ou não) em outra parte. na Guanabara quem sabe (useira em revelações paulistas. pirazinha já quase cinzas.feliz ou infelizmente . R a s g ^ o certifica^loecrÍ£oseu futebol. ultimamente). em outra agremiação. . Nei. agonizando perdida pelo gramado de Parque São Jorge.

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preta-e-branca. Vê-se que o desenhista que bolou o projeto levou na devida conta o fato de o futebol ser jogado tanto com os pés quanto com os olhos. preta-ou-branca. o interesse pela função do olho.bola-de-tróia? Não conheço. branca-e-preta. A cogitação pode ter sido sagaz. hipnótica. louvável . Que diabo de nembola é essa. branta. que os altíssimos mentores da FIFA oficializaram para o Mundial de 66. . o parecer da FIFA que justificou a adoção dessa redonda carijó.BOLA CARIJÓ Já estou começando a ficar encafifado com essa pelota malhada. Embora corintiana também. camuflada. com esse couro branco pintalgado de preto. preta-não-preta. afinal? Caleidoscópica. que funcionam como decodificadores de informações (estímulos) para a adequação dos reflexos (respostas). E cinza. prenca. mesmérica . mas me pergunto de que ilustre e maligna cabeça terá nascido tão caprichoso desenho de alta costura: seis gomos negros e seis gomos brancos entrelaçando-se em labirinto. nem sei se existe. olho-a com suspeição e desconfiança a rolar enganosamente pelo gramado: bolanão-bola. quando em alta rotação. branca-não-branca. como eu.mas o resultado ainda não me convenceu. branca-ou-preta. ou preto salpicado de branco.

informal. porque essa bola infernal tem "lado". Sim. em tiros sem pontaria. esta bola não é mais redonda: a maquilagem que lhe impuseram destruiu a sua forma necessária.se se pode dizer .especialmente quem joga . Sem dúvida.. em "muita finta falha. porém. Este aspecto negativo se refere à destruição visual e visível da forma da pelota.) muito pique.tem a impressão de que ela varia de tamanho a cada instante e não sabe direito de que lado pegá-la. azulejo ou mural .Querendo beneficiar o olho. que passou a ser . . ele percebe mais facilmente se ela vem (ou vai) com ou sem efeito.pela face oculta dessa lua alvinegra sem São Jorge.e o jogador brasileiro é bem capaz de extrair da bicha novos recursos de malícia e solércia. de modo a preparar os reflexos do jogador para o controle do efeito: à distância e à vista.um esforço extrà de adaptação. por incrível que pareça: meteram-lhe na fachada uma decoração de ladrilho.e ela virou mapamúndi em projeção esférica! A bola carijó exige um esforço extra dos nervos e dos olhos do jogador .porque essa galinha-de-tróia não está com jeito de favorecer os malabarismos pessoais de nossos craques. diurna e noturna. E é bom que se adapte logo a esse couro tatuado . vai enroscar-se em muito controle. vai perder (misteriosamente.. Mas esse aspecto positivo é francamente anulado e superado pelo lado negativo . muita matada de bola. em furadas sensacionais. Até lá. Visualmente. ela "informa" sobre o sentido e a velocidade de sua própria rotação. É possível que se adapte a ela .e em muito penosa carijó no galinheiro de três paus (se for guarda-metas). E teria sido tão mais simples a bola-bola branca. em erros sutis de cálculo de tempo . e sim o jogo quadrado das triangulações esquematizadas européias. a bola carijó prejudica o-pé. O camarada .

. preferindo . para os palestrinos. para o Palmeiras: ainda que com consciência carregada e aperto no coração. basta uma derrota. ele não hesita em vaiar o seu próprio time em campo. Basta o time cair de produção. entre os Cr$ 500 das gerais e os Cr$ 2. A faixa de povo situada entre a pequena burguesia mais ou menos remediada e a burguesia mais ou menos enriquecida contribui com o maior contingente alviverde: não é por acaso que.500 das numeradas. no Pacaembu. ò palmeirense se torna um elemento de alta periculosidade. quase corintiano. lobisômica: ele fica um fanático furioso. E o quanto basta para produzir no palmeirense uma transformação brutal. Mais eis que o time melhora e colhe algumas vitórias. das chinelás e do video-tape. os alvi-esmeraldinos ocupam de preferência o setor das arquibancadas. da família. Torcer.quando muito .. é melhor ir tratar dó emprego.o conforto doméstico da poltrona.uma torcida típica da classe média paulista.ADEMIRÁVEL DA G U I A A torcida palmeirense também é uma torcida de massa .500 / Cr$ 3. Neste período de depressão e bile. uma vitória expressiva que seja. dos negócios. a suar e salivar e enxergar verde verde verde. com se estivesse intoxicado por duas arrobas de lasanha preparada com clorofila! . E começa a desertar dos estádios. é um investimento. e ele já começa a achar que futebol é atraso de vida.

tradicional e gloriosamente armados de tacape. à luz dos refletores e sob as vistas perplexas de 30000 espectadores.Anteontem. soberano e sobranceiro. criticado. .. Saiu num estado que não é o seu normal.. um pelotaço no travessão (traçado a sextante e astrolábio. à saída . .. num estado intermédio entre um desgosto suportável e um mal contido acesso de icterícia d'alma. o moço loiro que é mulato-aço. indolência solar de casa-grande . que quase esgota a categoria de Dino Sani.é que reside o segredo. xingado . saiu ele do Pacaembu achando que o jogo e a sorte lhe ficaram devendo qualquer coisa. é capaz de ímpeto. Que essa preguiça caprichada.a sua proclamada moleza . Um gol de mestre de balística . . com minúscula margem de erro) e a maquinação geral no meio-campo. Ao ultrapassar dois deles. digna de uma matemático decadente da corte de Luís XVl.de compasso. esquadro e tira-linha.dois deles nos seus verdes anos captei este fragmento de conversa.E quanto que você xingou aquele homem. deixando bufando os quatro mastodontes da defesa alvinegra.não ganhou. Justamente naquilo em que é atacado.Ademir é um craque por desfastio e joga o seu futebol sutil como quem. viu-se na quarta-feira última. frente aos pitecantropos corintianos. albino. o sinete inconfundível de sua grandeza de craque. e que mais parece um pardo com o cabelo empoado.. no ano passado! "Aquele homem" é Ademir Da Guia. Sinuosidade de cobra e elegância de dançarino de minueto.. por ocasião da estréia do Palmeiras no RioSão Paulo.. mas não fico chateado: o time está bom. um gol que deixou de consignar por absoluto tédio (noblesse oblige): quis concluí-lo fielmente de acordo com o desenho que trazia na cabeça. a marca. constituíram um espetáculo dentro do espetáculo belíssimo que foi esse jogo de futebol. está matando tempo balneariamente no gramado.

nem a assistência decepcionante. .Nada fazia prever essa beleza: nem o tempo chuvoso. Nada fazia prever que o fleumático Ademir Da Guia estivesse fria e admiravelmente empenhado em lutar por um lugar na seleção brasileira. E ele está. nem o gramado escorregadio.

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sinistramente convidando a embrulho-de-estômago e a vômitos. exibia sua carteira de filiação. Com não menor orgulho. mostrando um certo orgulho e uma certa irritação na necessidade que sentia de afirmar sua nova nacionalidade. lascadas. nas lutas pela independência de seu país. Passou o tempo todo contando piadas mais do que irreverentes sobre o . no exército de sua majestade britânica. N ã o era judeu . no começo da primavera. datada de 1935.era israelense. atravessei a Mancha rumo à Inglaterra. a barcaça começou a jogar. de ágate. fazia questão de frisar. o israelense não podia manter-se de pé. em companhia de um inglês e um israelense. o inglês e eu. com as suas três pernas mecânicas (uma sobressalente que carregava numa caixa) e voltamos para cima. espalhadas pelo chão. entre solavancos e bacias desbeiçadas. N o meio da travessia. velho e bemhumorado militante do Partido Comunista inglês. rumo a um estranho bate-papo. O outro era um operário de volta das férias. O velho súdito de Sua Majestade era uma bola. Este lutara contra os nazistas. no convés: penoso demais.BOLÍTICA Há dez anos atrás. Ajudamo-lo a descer para o bar. e perdera as duas pernas dando combate aos árabes.

em inglês. isto é . a uma observação minha.o eminente Rio Barbosa. E acaba de comunicar ao dr.N ã o adianta: você dorme.como dizia mestre 1 Ruy Barbossa. rebolando no meio da multidão: duas garrafas de um-quarto. Esportiva.o desbocado. simplesmente porque o dr. A última visão que tive dele. futricas. politicagens e politicalhas . Já o sr.o dr. digo . presidente da CBD. Falcão não encontra novas datas para um XV de Novembro vs. enfim -• o Águia de Haia e Mucama.. coloco "ama" onde ele. que não cederá jogadores paulistas para o selecionado nacional que deverá enfrentar o da União Soviética nos dias 4 de julho e 14 de novembro próximos. melhor . na hora do desembarque. Sabemos todos que o trivial da vida esportiva é condimentado por fofocas. de cujo teor não me recordo . vale dizer . Isto significa que a seleção brasileira terá de se apresentar desfalcada naqueles importantíssimos ensaios internacionais (o time da URSS pode ser um sério desafiante às nossas tripretensões).o dr. Alega õ referido mentor da FPF que não pode alterar a tabela do campeonato paulista e. você ama. Retribuí o prazer da companhia e a lição cedendo-lhe os meus direitos sobre a garrafa de uísque a baixo preço.o legalíssimo Rui Barbosa. foi a de duas saliências nas nádegas. Ferroviária . que .sem falar nos grandes clássicos. Ruim Verbosa. Medo da Onça Faisão: digo — o nobre deputado Emenda Onça Falação: enfim . João Havelange. ou um Juventus vs. não pode encontrar datas que permitam a cessão dos craques paulistas para aqueles compromissos. já na Victoria Station.casal real e . tudo é política! Por motivos óbvios. politiquices.a certa altura. Rui Barbo Ousa. você come. colocou a palavra certa e concreta . portanto.respondeu: .. Mendonça Falcão prefere librar-se nas altas esferas do que ele julga ser a política internacional.o dr. uma em cada bolso traseiro da calça.

. . Afinal de contas. brasões e brasis toda vez què~jõòesmendonças-falcões se afoitarem a rasteiríssimas bolitiquices. preparadores. Imaginem agora se calha de o Brasil vir a ser derrotado pela URSS. nem outra coisa. quivoticontá. um tal de futebol "altamente comunizante". Pode ser que o meu anônimo amigo comunista inglês não tivesse razão de todo: mas tinha senso de humor. em nosso futebol.conduz ao caiporismo. massagistas e roupeiros. na Inglaterra. O dr. O caipirismo mental . nada mais dará sorte nem certo. Mendonça já teve a sua oportunidade de conduzir a nossa delegação numa excursão que ficou famosa pelos resultados deprimentes.tários: mandaremos brasas. João Mendonça Falcão não tem nem uma. Se as coisas começam desse jeito.político e esportivo . assim que chova um pouco mais!. ninguém tem culpa se o dr..e um tal de reeleições. em 1966 . Pode ser um_patriótimo : Isto não nos obriga a ser patrio-.já pensaram no bode que vai dar? Será um tal de IPMs para cima de jogadores.são transferidos. por acordo mútuo. um tal de "em defesa dos mais altos princípios morais e cristãos da família brasileira" . O tempo de fazer média com a bándeira nacional já passou.

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dão-se ao luxo de deixar apodrecer 300 quartos de boi. Mas o amor que cantava . o sr. com o passe na mão. Neciedade? Generoso Nilton Santos! "Liberte o Garrincha. como está o seu futebol.que desejou e teve. dê-lhe o passe de presente!" Nilton sabe que isto é inviável. A piedade é a mais feroz assassina do amor. Se nos tempos da fúria amorosa da platéia.a grande Eisa Soares! . Quando da primeira grande crise. Nei Cidade. E o vexame de Garrincha.SEM P I E D A D E . vai-se ver. os 300 milhões pretendidos pelo sr. viran- . resistiu ao temporal. M A N E ! O filho varão não veio. Quando xingados. Como está Garrincha. Tal como preferem deixar Garrincha apodrecer de maduro. são uns calhordas do negócio: move-os o orgulho irracional. digo. em tempos de piedade 150 milhões é muito: quem vai pagar. o Santos quis comprar o seu passe. pondo-se em leilão. Recusou a oferta o orgulho bobo dos dirigentes de General Severiano: só trocando por Pelé! Dizem que os próceres do futebol são bons negociantes. por uma incógnita. mataram o seu mainá. o joelho não tomou jeito e o seu futebol não voltou. como estará? Um enigma. em lugar de vendê-los a preço de gente. Garrincha valia 500 milhões.

os dirigentes botafoguenses poderão fazer nova oferta.e o . doutor. tenho mulher e oito filhas que já não posso sustentar . fingirão que não viram. já recebi abraço de rei. no que se mostra previdente e os bons resultados colhidos até agora. operação e injeção.e não sou cigarra para viver só de cantada. Recuse a piedade assassina. se não são brilhantes. é encarar a questão a frio: convencer os dirigentes do Botafogo de que eles se mostrarão generosos simplesmente fazendo um bom negócio. Por mais que vejam. bastam para demonstrar o acerto de sua política. está a bom preço . porém. neste momento.está barato. certamente assustados pelas informações e rumores sobre o atual futebol de Garrincha. Já dei copas ao Brasil. Compre o passe. não está? .mas este momento passará". a maior humanidade. já fui alegria do povo e até apareci em fita . mais realista .se você se recuperar! Tal como vejo as coisas. talvez os manda-chuvas de General Severiano tenham feito um lance para italiano ou mexicano ver. Solicitando 300 milhões à vista. o estado do meu joelho: não melhora e não desincha. O Botafogo está tentando renovar o seu plantei. Invocando. mas se me tratar e me curar.do mendigo de porta de igreja ou pedinte de fila de ônibus e cinema? . Meu nome é Mané Garrincha: já fiz mandinga. volto a ser bom como no único ofício que tive e tenho .e quem sabe vou de novo receber abraço de rei. porém. eu compreendo. A vergonha não passa nunca .o doutor não acredita? Não faz mal.e que é trabalhar com a bola. seu Mané! O que você desa-prendeu4Jode_secaprendido_de_nOT^ Corisco diabólico do filme genial de Glauber Rocha! "Mais fortes são os poderes_do povo!" Onde a Comissão Técnica da Seleção vai arranjar quatro pontas-direitas iguais a você? Três? Dois? Um? Nenhum . os espíritos dá sensatez.: "Veja. Eu preciso me curar para voltar a trabalhar: eu não sou mais tão moço.

pois Santos e Corinthians se interessam pelo famosíssimo craque: o Santos. ao mesmo tempo em que o sr. Um bom negócio. Piedade para Garrincha se chama apenas: bom negócio. é tudo que você pode e deve exigir! . Garrincha-.negócio se fará em três tempos. e o Corinthians porque está desesperadamente necessitando melhorar o seu plantei. Wadih Helou precisa de um golpe teatral desse porte para fortificar a sua situação às vésperas das eleições da nova diretoria. para maior elasticidade de dólares nas barganhas de jogos no exterior (ficará com a linha campeã mundial. praticamente). um bom negócio para o Botafogo e para você.

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o profissional. Por isto mesmo. e abrir novas possibilidades de contatos e debates nacionais e internacionais. de um modo ou de outro. isto é: que o melhor profissional deve receber a melhor recompensa monetária possível. pudessem redundar em benefício de . após ter atingido um nível de ganho adequado ao pleno exercício de suas atividades. esclareci. com profissionais de sua e de outras especializações (técnicas.AMA DOR O assunto que hoje abordo é dos que mais me atiçam o sangue das idéias. Conversando com um arquiteto relativamente jovem e já bem posto em sua carreira. artísticas e científicas). quais fossem: lutar por condições de pesquisa e invenção criativas. Segundo o meu modo de ver as coisas. em equipe ou isoladamente. Muita gente acha que já disse tudo de alguém. deveria poder dedicar-se a outra sorte de preocupações. tendo em vista a criação de novas concepções que. sem prejuízo das necessárias horas de lazer. para grande espanto seu: nunca lhe havia passado pela cabeça que alguém pudesse pensar diferente em matéria tão óbvia. ao dizer que "se trata de um bom profissional" ou que "tem consciência profissional". quero evitar a tentação e a tentativa de dizer tudo de uma só vez. Discordei de cara e escrachadamente. dizia-me ele que a remuneração deve ser a medida da capacidade do profissional.

suas realizações. a que nós outros denominamos "prédios". nem se compreende. O que não se admite. Por desgraça. Um destes é a garantia do mercado de trabalho.... com a'pele da alma . É justo e normal que busquem alijar de seu seio..e o técnico Geninho. caluniando e deturpando suas idéias. Nei Cidade Palmério. picaretas apadrinhados ou apaniguados que venham deslealmente tornar mais aguda a concorrência.todos.. Pois. aliás. é que tentem fazer o mesmo com profissionais que se neguem ceder à rotina majoritária e não se julguem obrigados a bitolar suas idéias e sua linguagem pelas esquadrias do "sistema". sob a pecha de "amador". a Nilton Santos.. o çjue parece amadorismo é amor pe 1 a criaç ã o j i aj : oisa realmente nova. suas tentativas.ara. Pelo sorriso de ceticismo e complacência que me concedeu. em caráter irrevogável.que os profissionais picaretas (também os há) e principalmente os donos da vida não se acanham de tentar liquidá-lo uma segunda vez. sr. Muitas coisas há a contar nesta história . conforme se depreende da dolorosa carta que endereçou ao presidente do Botafogo. às vezes..comunidades inteiras. mordendo indevidamente preciosos nacos desse bolo-mercado. esse "amador" criativo costuma pagar com a própria pele a sua audácia e a sua ingenuidade. seus esforços. em parte. e às vezes. falando a mesma linguagem. não . na qual solicita. isto teria muito mais importância e significado do que alguns milhões a mais no orçamento doméstico. para defesa de seus interesses. com a sua idéia fixa de liquidar craques de renome. a rescisão de seu contrato com a agremiação da estrela solitária. É o que vem de acontecer..s_p. Afinal de contas. Os profissionais de um certo campo. é a chama mal vista que busca na escuridão do conformismo clarear perspectivas nova. de um bom profissional. se agrupam em entidades de classe. percebi que ele preferia continuar a projetar seus caixotes-de-morar bem-comportados. Trata-se.

torno a dizer: flama não se paga. Vamos a ver se.. mas acho que só agora aprendeu a conhecer a alma monetária. a um profissionalismo sem compromissos. Nilton Santos. dentro do puro dinheiro. Declara Nilton que aprendeu a conhecer a alma humanà. nem futuro e nem memória: só presente. sem concessões . Dinheiro.está a coberto de acusações. ao conclamar os profissionais do futebol a um enrijecimento de posições. nossos dirigentes terão habilidade e alma para conseguir dos craques o mesmo futebol que temos conseguido até aqui. ao fim. numa recompensa de amargas desilusões. não tem passado. Embora isto se tenha con^ vertido. graças ao gênio e à dedicação de um admirável número de "amadores".. mas se apaga. . "um profissional com espírito de amador". Mas o que me comoveu na missiva-libelo do grande craque foi a sua declaração de que se orgulha de haver sido.sem tréguas. E as conseqüências que o grande campeão derivou desta lição foram as mais corretas possíveis. Disse uma vez aqui. durante 18 anos no Botafogo.

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para o qual as excelentes jornadas de Dias e Bellini melhor serviram de palco-pedestal. à toa e dolorosamente: a estrela não nasce na testa do moço. que vai encolhendo e desaparecendo. Não se revelou .ou melhor: revelou-se negativamente. Revelou-se craque^^craquissimo^em^todas as dimensões da alma e do corpo: . não há agremiação. joga maldoso. Muitos são tratados a aveia. algum garoto com pinta de craque. descobrir e catar. E muita platéia èstronda e uiva em vão.mas principalmente.RIVELINO E O DRAGÃO O futebol sobrevive e vive de renovação . vitamina e pão-de-ló.quando é mais feliz . perceber. o teste final diante das platéias. Mas não é o caso de Rivelino. a hora da verdade. até confundir-se . Rivelino joga duro.até o momento azado. N ã o há clube. que ontem deu um esplendoroso e monstruoso show de bola no Pacaembu. são protegidos e resguardados das intempéries do tempo .com a maioria normal e medíocre. no Corinthians. joga o fino . muitos piam de craque. não há dirigente nem preparador que não esteja sempre de olho aceso para adivinhar.magistralmente: lição de bola do menino entre doutores. distinguir. Muitos pintam de craque. É o caso de Nei. na sua chocadeira. de revelação.

ardentemente. N ã o vai encolher nunca mais. sua maldade gelada e a sua fúria no comando do meio-campo são realmente demoníacas .são de jeito a provocar a agressão física por parte do adversário (reconhecimento de sua grandeza). O Corinthians não ganhou (Dias estava lá. em plena corrida. à qual aliás.. Rivelino é mais do que a Esperança.milagre! . Depois de onze anos de fel e são-jorge.só os quatro lançamentos que fez (três a Flávio e um a Bazzani) bastariam para elevá-lo à altura dos maiores. a fiel torcida acabou por desejar.que constitui o único. no Pacaembu. é a v ï ^ a n ç a dos "sofredores" corintianos. Sua genialidade de tal maneira brilhou em campo que acabou por iluminar até o cérebro de Flávio: o admirável. dentro da equipe alvinegra de Parque São Jorge. depois de deixar de marcar em duas rivelínicas oportunidades. dentro do futebol paulista. e Cabeção não estava). Sua estrela sobe.e Rivelino é a labareda que sai da sua goela.sozinho diante de Suli. A torcida corintiana é o dragão . Petulante e sinuoso. a vitória do dragão. simplesmente seguiu a direção do braço do mestre (que lhe apontou. sua inteligência e seus nervos. encobrindo Bellini. com a qual se identifica e confunde. autêntico e verdadeiro reconhecimento do gênio. o local do lançamento). .. Rivelino: estrela com nome. seu controle de bola-e suas fintas. seus piques e lançamentos. dribloú-o e assinalou um gol de paralisar pássaro no ar. grandiosa e solitária. no céu do futebol bicampeão mundial. mas não importa: a fiel torcida. que sé postara no centro do arco! Rivelino revelou-se. pôde soltar o seu generoso e portentoso bafo^_de^abaÍQjie_grarideza . ontem. majestoso troglodita gaúcho. viu-se . ele revida com prazer maligno.

enquanto meu chefe opta pelo desenvolvimento decidido da linha sofisticada. Assim. ser gordo e magro. À guisa de epígrafe. pois que magro e grosso sou.vou desenvolv e r p o s s a n t e~feoíiã~deãu t oa e f e s a. espero. aproveite imponderavelmente ao futebol. companheiros ou simples interessados se têm traduzido de maneira contraditória sobre o teor ou a linguagem destes bicudos terceiros-tempos .l "Como Ser Fino Através da Grossura" . um chofer de táxi me pede que escreva "coisa que se entenda". Conclui-se dessas bondosidades todas que o ideal é ser grosso & fino a um só tempo e lugar. mais ou menos rampeiros. Stan Hardy e Oliver Laurel. este é o certo: a carapuça se me calça como uma luva. começo com Charles Cros (Cros = Gros = Grosso): "On devient très fin / Mais on meurt de faim". o paciente leitor não perde nada e eu ganho alguma coisa . sugestões e opiniões de amigos. Gastarei duas crônicas nesta brincadeira que.Cartas e telefonemas de leitores. prenhe de citações de nomes mais ou menos célebres. outros o fino crônico. gume fino que veio da grossura dà escravidão. .como diria o velho mestre epiléptico Machado de Assis. palpites.uns preferindo o grosso. conversas. Em abono de minha tese . Pensando bem. mais ou menos conhecidos. De qualquer modo.

uma Louise de Valmorin. infere-se que os aristocratas russos desprezaram o sábio conselho do experiente conde.. Os peles-finas das 13 últimas posições devem apresentar-se e comportar-se sempre de maneira absolutamente impecável. C. é o caso do Santos F. ou melhor. esporas e estribos de minha tese: 1) Segundo estudo de um jornalista norte-americano para a revista Esquire. E acima dos acimas estão os legítimos aristocratas. trajando blue-jeans remendados no derrière e fumando uma fedorenta cigarrilha . nem precisam diferençar-se de ninguém.nem que achassem péssimo. às escoras. devia ele cobrir uma sangüínea camponesa de sólidas patas de elefoa. que morreu como nascera. relativamente aos demais integrantes da Divisão Especial. Literalmente: "Fica-se bem fino / Mas se morre de fome". Assim. porque ninguém jamais os confundirá com qualquer outra pessoa de qualquer outra classe.são intraduzíveis.. com ou sem título de nobreza. os autênticos "cascas-de-limão": estes não imitam nem se sujeitam a norma alguma porque criam suas próprias normas. Espessamente comparando.de onde se exala até um vago perfume de estrume . Pelos sucessos ulteriores da História. E ela não dá bola .Os trocadilhos metidos dentro destes dois versos . E vamos às provas. Esse incrível sujeito.. 2) Tolstói aconselhava o aristocrata russo a abastardar-se para sobreviver: vez por outra. Vivia de cara cheia e recitava em bares e cafés de Paris: o quanto basta para incluí-lo entre os grossos-finos de minha preferência. pode atravessar um salão onde esteja acontecendo uma recepção "bem". . Em tradução grosseira: "a gente se refina / Mas a gente definha". a classe alta francesa se divide numas 14 gradações de gente bem. descobriu o fonógrafo antes de Edison e os princípios fundamentais da fotografia em cores. cada qual buscando pautar-se pelas normas e etiquetas da faixa que lhe fica imediatamente acima. na miséria. em 1888. poetisa e atriz de cinema.que todo mundo acha ótimo.

que tem por lema "Pró Grossura Fiant Eximia" (mal vertendo e mal versando.o que é intoleravelmente cômico . um lúbrico. viola os símbolos da classe (que prefere o corte chamado "meio-americano"): é um renegado. mas .Prosseguindo no meu "fundo" e profundo arrazoado. dá: "Tornam-se Finos em Prol da Grossura"): 3) Por incrível que pareça. Vai-se ver. naturalmente detestam Os Besouros. consomem exatamente 17 minutos POR ANO da chamada boa música. segundo estatísticas prováveis. de vêlo ficaria pasmado e entusiasmado. a fita sobre The Beatles está em a 1 2 lugar na Bolsa de Cinema da Folha. N ã o tanto pela música. Um filme de vanguarda. um filme que só os espíritos "cascasde-limão" podem apreciar devidamente. se estivesse vivo. Eisenstein (e não "Einstein".por condenarem moralmente seus bastos cabelos. ou o grosso da finura . O fino da grossura. Onde estão os jovens? Já se aburguesaram e partiram para música mais fina? Seus pais que.como quiserem. um libidinoso de costumes inconfessáveis. . um obsceno. Quem não anda com a juba pelo menos aparada. Os Reis do lê lê lê (A hgzd-day's night) é uma das mais finas películas dos últimos tempos. um imoral. ó revisor de excelsa visão!). a gente não dá a filhinha da gente para casar com ele.

genialíssimo: aquela tomada do posto Esso nos dizendo que. num poema. Sem desdouro nem deslouro para nenhuma das partes.4) Sabemos todos que Edgar Allan Poe jamais foi corintiano. Graves lacunas da parte dele. 1 S^afim. inclusive um poema sobre futebol . Depois.uilherme para o refinamento legião-de-honra. nhas de piano e comoventes alunos dos Cursos de Madureza em 1 Ano.-ggc[uer interessou-se por futebol. Nas próprias palavras do POEta: "Sofria de uma agudeza mórbida dos sentidos. chegaram mesmo a es^ crever peças de teatro a quatro mãos. e em meu benefício. um conto onde conta como o último varão da estirpe dos Ushers. .. somente podia tolerar as comidas insípidas. G. Fotonovela. Só que eu dé minha modesta e grossa parte. "traseiro" em lugar de "nádegas".. nos inofensivos tempos da Primeira Grande Guerra.excursão do Paulistano à Europa .E5hte.assim mesmo. prefiro J. Em troca. 6) Voltando ao cinema: O^Guar das.que espero poder comentar na próxima crônica.r^ât Jacques Demy. no duro. que teve a sublime audácia de escrever.. de Araújo Jorge. Oswald partiu p a r a a grossura (incluindo seis ou sete casamentosLe_G. Roderick. conta uma belíssima história de fotonovela. mesmo a luz esbatida era uma tortura para os seus olhos. Oswald de Andrade escreveu outra coisa. escreveu A Queda da Casa de Usher. de instrumento de corda .G^ pliando sua torcida entre comovidas normalistas e professora^. e apenas alguns sons especiais . 5) Para citar um caso brasileiro: Oswald de Andrade e GuiJherme de Almeida começaram juntos.Amo. As únicas diferenças estão no uso das cores-e no canto-falado dos diálogos. E também no final.. os odores das flores oprimiam-no. em francês.Hoje. somente trajar roupas de uma certa textura.não lhe inspiravam horror". havia chegado a um refinamento tão extremo que só a grossura lhe era suportável.Chuvas-do. só os paladares mais seletos sabem degustar~ãHpõêsiã"lTã prosa TjoãcTMiramar.

em que pese a opinião contrária dos corruptos e subversivos. goleiro do Botafogo carioca. só lê bola: é um troglodita erudito no assunto.. aprender fulgurosamente sua lição de grego. Todos os críticos de cinema ficaram furiosos porque Dem)yiãO-£lejuj^ chegou" a dizer que o filme é "superficial. Aliás. viu tudo em matéria de grosso e fino. E não preciso dizer mais. uma coisa que até eu entendo.na sociedade em que vivemos. doloroso. meu exemplo é Flávio.o qu^prova^iJ^jele está^rái s ^ or s c a f a n dr" 1 stijTõ üeserto ou escoteiro em bordel. nobre. nüm rasgo em que teve de pensar até com as tripas. depois de perder dois lançamentos primorosos. não compreendendo o ocorrido. . o clube da estrela solitária é o que possui a melhor orientação no que se refere à combinação do grosso e fino. Quem o viu no jogo contra o Palmeiras. trágico quinguecongue alvinegro. quem sabe na impiedade dos holofotes e das vaias uma pequena luz de entendimento que esclarecesse a inocência do seu cérebro. é analfabeto dos cinco sentidos: não entende nem apito de juiz. N o Corinthians. mais ou menos: Manga. sim senhor . Quod Eramus Demonstrandum.quem viu. 7) Para concluir. para marcar aquele gol inesquecível . quem tornou a vê-lo contra o São Paulo. ocluso e obtuso. o dinheiro traz a felicidade. lacrimejante e piegas" . que Corinthians vem da Grécia e da Inglaterra. pilhado pela sexta vez em impedimento (em menos de 10 minutos). parado no meio do campo enquanto o jogo prosseguia. ó fino revisor. tentando farejar no ar. além da Penha). Só vê a bola. tentando decorar a helênica lição de Rivelino e. a não ser aquilo que queria dizer desde o começo: Viva o Corinthians! (com H.

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o luso baqueou no combate como rui uma torre. mas frustrou-se-lhe o intento. Quem primeiro começou a matar foi Ismael. Os guerreiros defrontam-se. baralham-se. afrontam-se. num abraço de espantoso furor. calcam já o mesmo terreno. E o poderoso Mengálvio o tomou pelos pés e o ia arrastando debaixo dos dardos. e os peitos abroquelados rangem. furou-lhe o osso frontal com a ponta de bronze. estreitam-se arca por arca. Ismael atirou-lhe ao capacete de poupa de crinas.C. porque o generoso Ditão. "Os dois exércitos. além. toldou-lhe o olhar a sombra da morte. N ã o chegou o . Aqui obliquando-se para a frente. Foi neste lance que Lima atacou o famoso jovem Ivair. Em torno do cadáver de Mengálvio. meteu-lhe pelo vazio o pique de bronze e o matou.500 A. que se distinguia na vanguarda. desejoso de lhe arrebatar as armas. o Mulato. como lobos. vendo-o curvado a puxar o cadáver e que o escudo lhe deixava a descoberto o flanco. rubroverdes e alvinegros envolveram-se em luta mui renhida: cada guerreiro queria matar outro guerreiro. por toda a parte se picam e cortam com as pontas e gumes de bronze. na arrancada de um contra o outro. Aluísio. arremessam-se uns para os outros e estrondeiam as rijas pancadas dos escudos. e o primeiro a morrer foi um luso.

relampejava-lhe sobre a fronte o capacete de bronze e na mão vigorosa refulgia a lança. investiu Pelé com grande fúria a multidão dos lusos.companheiros. mas de Coutinho furou a virilha: puxava Coutinho o cadáver de Ivair quando se lhe meteu e subiu por entre as pernas o dardo. não acertou em Lima o virote. junto do mamilo direito. Ferido no peito. Era Góutinho de Pelé grande amigo. Expirando. a bruta pedra empastou totalmente os dois tendões e os dois ossos. e férvidas aclamações aos seus heróis. lusitanos! Quem cavalos doma fugir não deve! Não cedais em ofensiva aos peixeiros! Tampouco deles a pele é pedra ou ferro insensível aos golpes do cortante bronze! Então o destino apoderou-se de Edilson: ficou com o tornozelo direito esmagado por uma angulosa pedra que lhe arremessou Olavo. Mui sentido e exasperado com a morte do camarada. Edilson caiu de costas na poeira. começou a gritar aos rubroverdes: .infeliz moço a realizar as esperanças e amorosas vistas de seus pais. matou. a ponta do bronze saiu-lhe pela espádua. Saltou sobre ele o mesmo que o tinha ferido e com a lança furou- . Rodopiaram num instante os lusos. revestido de esplêndida couraça. A lança de Pelé apanhou Vilela. Sobre Lima correu Edilson. e não lhe agradava nada o que via. mas nem todos fugiram a tempo. e caíram lado a lado dois cadáveres. morrendo trespassado pela hasta do animoso Lima.Para a frente. e a morte do homem foi assim: a lança entrou por um lado da cabeça e saiu pelo outro. depois correram para a frente e ganharam muito mais terreno. Por isso. Mas Aimoré estava a ver do alto de Pérgamo tudo que se passava. arremessou um acerado virotão. porque pouco tempo viveu. e. Foi este a quem Pelé. enfurecido pela morte do amigo. escorregou-lhe das mãos o cadáver. Grande surriada fizeram os de Vila Belmiro ao inimigo. retiraram do campo de batalha os mortos. estendendo ainda as mãos para os .

na última quarta-feira. provavelmente. bondoso padre M.lhe o ventre pelo umbigo. as tripas desatadas saíram. desenrolaram-se." Eis como. para a coleção "Clássicos Sá da Costa". vs. correram e alastraram pela terra. Tudo mais ou menos de acordo com fragmentos do Livro IV. na horrível tradução do. Lisboa. C. ferida dentro dos muros do Pacaembu. os olhos velaramse de sombra. da Ilíada. . digamos. Alves Correia. 1951. Homero teria descrito a pugna Santos F. Portuguesa de Desportos.

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Eder Jofre era para todos nós: qualquer humilde servidor da vida podia ir vê-lo lutar. nada de destaque. "Galo de Ouro". logo o perdemos de vista.e olhe lá . no qual só se coloca o título em jogo uma vez por ano . Os dólares não estão aqui: estão lá longe. Tudo o que é bom. Um campeão mundial deveria aceitar três ou quatro desafios . nos Estados Unidos. logo não somos mais merecedores de vê-lo e desfrutá-lo. terra desgraçada. vira ouro. aqui. incentivá-lo na disputa do título máximo dos gaios. Terra infeliz. no Japão.talvez não o vejamos mais. encher-se de sua grandeza. Mas não é para nós: é para os outros. encher o ginásio do Pacaembu ou do Ibirapuera. Não podemos ter nada de bom. nada de projeção e qualidade internacionais: assim que conseguimos algo. Enquanto não foi campeão do mundo. "Berimbau de Ouro". povo desgraçado. engrandecê-lo. terra desgraçada.CHEGA DE CAMPEÕES! - 1 Terra infeliz. "Seleção de Ouro".quantas vezes o vimos? Duas vezes. Depois que choveu sobre ele a chuva de ouro da glória . Povo infeliz. no México. Dentro do sistema ignominioso do monopólio pugilístico internacional.

Povo infeliz. desde que se consagrou? Nós nos contentamos de a ver. Povo desgraçado. subindo ou descendo escadas de avião. recém-formado em Ereiburg.como Damiano Cozzella. que ganhou na Austrália. sorridente. o Carlos Gomes do Estado Novo. já se deu o prazo máximo de seis meses para conseguir fazer alguma coisa: nada obtendo. músicos de verdade . O jovem maestro Júlio Medaglia. pouca coisa se salva no contexto-de-renov.acão-da-música. o único que se interessa pela música revolucionária de nosso tempo . os irmãos Rogério e Régis Duprat. não era lá essas coisas. onde não lhe faltam convites e oportunidades para reger boas orquestras. Gilberto Mendes é Willy Correia de Oliveira. nos clichês dos jornais. que ganhou em Wimbledon. povo desgraçado. Eleazar de Carvalho é. que ganhou lá Onde-Judas-Perdeu-as-Botas. De suas 2000 obras. Maria Ester Bueno .mas vem ao Brasil a passeio: é regente titular de uma grande sinfônica ianque. Justamente porque tudo aqui está por da Promissão às avessas. após brilhante curso de quatro anos. Jovens músicos brasileiros. manda-se de novo para a Europa. Seus saques e voleios dourados não são para nós.não aluninhos premiados de maestros folclóricos . até há pouco tempo andavam por aí. Villa-Lobos. Boulez. terra infeliz. era o"que tínhamos de melhor: acabou encontrando nos Estados Unidos" um ambiente deTxãBãlho muito mais propício.de nosso séculõTMas.quem jamais a viu atuar nesta terra. Berio). que mantiveram contatos de alto nível com os grandes compositores da atualidade (Stockhausen. povo infeliz. Terra desgraçada. ostentando troféus e bandejas de ouro e prata. entre os regentes da velha guarda. com uma mão ! . PesterrcT dã"Desprõmissão.por ano: o que importa é o número de desafiantes aos quais resistiu e não o número de anos em que conservou o galardão.

para que não se arranquem desta terra. do que na São Paulo e na Guanabara de hoje. é bom lembrar que se ouvia mais e melhor música na Vila Rica do -século X V I I I . E já que estamos aqui. empobrecendo-a ainda mais. com raízes e tudo. Agora.na frente e outra atrás. ainda têm o topete de disputar para elas o título de "capital cultural do Brasil"! . O baiano João Gilberto está num paraíso de trabalho junto de Stan Getz: já importamos bossa nova dos Estados Unidos. Confiemos no destino em que os jovens criadores da nova música popular não se projetem em demasia e continuem entre nós. os três primeiros obtiveram um cantinho de trabalho na Universidade de Brasília. graças aos bons ofícios de Cláudio Santoro: é o caso cruel de não lhes desejar maior sucesso. E os cartolas de ambas estas cidades. será de admirar se um Jobim e um Baden Powell não se mandarem também. ridículos truões.

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A ocupação das terras do Oeste foi a responsável direta da riqueza daquela grande nação.por uma reforma agrária. pois que lhe propiciou um potencial de consumo interno até hoje não igualado por qualquer outro país.. que permite a formação de um forte mercado interno de consumo.CHEGA DE CAMPEÕES! - 2 E agora os salvadores da pátria nos querem fazer crer que exportar é a solução. que virou "revisão agrária". que depois foi amenizada para "reforma agrária". Para não dizer que não tive- mos nada de uma vez. tivemos Brasília. E va- . Quem não tem cão. que vale evalerá^ quem_viver... Povo infeliz.. a alternativa para a inflação não é a exportação: é a reforma agrária. Até Fidel Castro teve de reconhecer esta verdade. que se transformou em "estatuto da terra" . . feita naquela base.Nós começamos com a idéia de "revolução agrária".que já não significa mais nada. que também pode passar por lebre. caça com gato. enquanto que nós. Só uma coisa não sabem fazer nossos geniosos economistas: é aprender as lições das grandes realizações do povo norte-americano. uma das quais é justamente a reforma agrária. da terra aberta aos pioneiros e seus carroções . verá . Ora.como costumamos ver nos filmes de far-west. terra infeliz.

Nós também queremos ver os grandes de outros países exibirem-se entre nós . por desventura. Agora vai o Santos também pelos descaminhos da exportação.para os outros.quão poucas vezes a vimos jogar em nossos gramados! Para nós. porque logo os clubes reclamam os direitos sobre os seus craques . Menos mal que alguns jogos de categoria terão de ser realizados aqui. obrigatoriamente. terra desgraçada.não esse deprimente futebol que vimos no Pacaembu contra os "universitários" . nem Pelé.vai-se embora. os primeiros jogos de entrosamento contra esparros de categoria inferior e média. no exterior). o osso . Terra desgraçada. campeões mundiais de futebol? Pois agora ainda é o momento de selecionar desafiantes da mais elevada categoria e trazê-los pra cá.e a esperança.mas para comprar carros estrangeiros usados e assim refrear o crescimento de nossa nascente indústria automobilística. Povo infeliz. Ver Pelé será privilégio de poucos brasileiros. Nossa "seleção de ouro" . só nos são dados assistir os primeiros ensaios. Terra infeliz.e vamos esperar até quando para fazê-lo? Quando não tivermos mais Eder.e a preços razoáveis. Aliás. o filé. Jogos de categoria . nem Santos FC e nem formos. o erro . povo desgraçado. já nos acostumamos a roer ossos. Assim que o quadro começa a tinir .mos exportar milhões de toneladas de ferro e manganês para expandir nossa indústria pesada e nossos conhecimentos tecnológicos? N ã o .e também contra o Flamengo. terra desgraçada. pois terão interesses em vir . E começamos tudo de novo: embora mais desdentados do que tamanduá. um vício.e a seleção se desfaz. neste último caso. as primeiras fofocas. os primeiros cortes. nem Esterzinha. Cobre-se de biglórias lá fora e volta para recepções apoteóticas e mal tem tempo para algumas exibições extras (a maioria. o desespero-é-umhábito . Para o p o v o brasileiro. A nós.

sem lhes ter visto os heróicos feitos? Quem quiser. de que vale tê-los apenas como medalhas de nossa prosápia. deveria ter enfiado um saco.. não vamos mais exportar nossa gente . nisto tudo. não vamos mais exportar coisa nenhuma. então .nem mesmo presidentes-da-república. que aceite o nosso bagulho: chega de campeões! N ã o vamos mais exportar campeões. É isto mesmo: não vamos exportar mais nada . e e desarmou desarmou a a equipe equipe moralmente moralmente.pelo menos enquanto guaraná não for coca-cola. dos dólares.chega de campeões! De que vale tê-los apenas como saltimbancos pelas estradas do mundo. Povo infeliz. gostariam de lembrar-me que.dos flamenguistas foi crasso: o Flamengo deveria ter esmagado o Santos. Se não soubermos nem pudermos fazê-lo de novo. sorrindo mentalmente. Acredito que os leitores. Não. impiedosamente.. voltei a esquecer do tutu. . Fadei Fadei preferiu preferiu sentir-se sentir-se pessoalmente pessoalmente afrontado afrontado e e humilhado humilhado pela pela ausência ausência de de Pelé Pelé. como tem sido nosso luxo e moda ultimamente. Mas o ilustríssimo sr. desgraçada terra. não esqueci .esquecer quem há-de? Mas relembro também que já fomos campeões do mundo de futebol antes de começarem a rolar as auríferas águas.

. Tão bóm ou melhor do que a popintura de um Roy Lichtenstein. Robin e o "batmóvel" como fenômenos da vida quotidiana.... na situação. A dona de casa pequeno-burguesa e o humor que adquire.. humor e absurdo. pelo enquadramento. pelo realismo. A precisão do garoto em matéria de automóveis. a advertência clássica: "Quantas vezes já lhe disse para não falar com estranhos?" . Batman.. da atual fase "metalingüística" dos quadrinhos americanos.Um quadrinho soberbo.

. ARTES.. .6.

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depois.VOLPI " O importante é ter o desenho. sala de jantar. aprendiz de decorador de paredes.promovido a decorador. Itália. Entalhador. mestre artesão por excelência. pouco depois. renascença ou bar* Em 1957. figurativos ou não. daqui e do mundo . diversificação: greco-romano. A execução. Esta fra se simples . palacetes e vilas de prósperos burgueses. .mas suficienteme nte irritante para a legião'de pintores modernos acadêmicos. Nascido em Lucca. de dez anos para cá. solipsistas. Volpi tinha ano e meio de idade quando sua família emigrou para o Brasil. místicometafísicas: mão teleguiada pelo falso humano." Alfredo Volpi. está sempre ligado a requintadas e torturadas contorções subjetivistas. em sua maioria. em 1896. N o entanto. Peculiaridades da decoração de seu tempo: sala de visitas^ sempre em estilo Luís XV. 61 anos*. é fácil. aos 16 anos . de casas. Este fato basta para sugerir a medida da singular revolução natural que Volpi operou em sua obra. de origem estrangeira. a frase é de Volpi. a idéia. encadernador.quando começou a pintar . se não sempre ligado à figura.resume em si a crise e a superação do artesanato. Esse artesanato que.

mas que provavelmente o atraía por sua natureza popular. em tempos bicudos. oficialmente: Minha Irmã ou Moça Costurando.e indicava o punho.("un bello artista. É reconhecido pintor. Nunca freqüentou escola de arte ou professor. Vende seu primeiro quadro. a duras penas (um conto por mês). Mas aí já se obse^SEaque^que daí por diante seria a sua maior preocupação: limpar a cor. mourisco. as gentes. O piso em xadrez. de Portinari. vendo o que via: o mundo das formas. do Cambuci a Santana. do Grupo Sattía. cinza e vermelho escu- . freqüenta amiúde Itanhaém. que "só tinha isto" . oposta à pintura de efeitos. Aprendeu sozinho.. tinha mais liberdade e então se comprazia nos motivos geométricos. embora habitando em São Paulo. pela cor e tonalidade. Fixase em sua atual casa do Cambuci. esguio e espesso a um tempo. não pertenceu. onde sua mulher convalesce. que conseguiria adquirir mais tarde. o problema da luz. conheceoutros pintores: Rebolo. a atmosfera lembram a conhecida obra de Vermeer. Maya Desnuda e Ensor.e "ataca" o expressionismo com vigor: é de 1945 um Nu violentíssimo.roco (anjinhos). N o período de 1934-1941. se dobra. se de origem árabe. impressionista. mas a técnica. no Palácio das Indústrias. Zanini. para executar uma pequena empreitada. expõe pela primeira vez: três obras. As ruas. Helena. O tema. Em 1924. Graciano. grotesco e funéreo. do quase impressionismo romântico de Monticelli. Conhece De Fiore . se o dono era de origem italiana. com as coisas e as gentes.que costumava dizer. sensual.Helena_Í2íSÚva chamado por terem seus ateliers no edifício onde se encontra o Cine Sta. ao qual.. a pé. Nas casas menos pretensiosas. o decorador se "rebaixava" a pintor de paredes e ia. com mais alguns companheiros.") . na Praça da Sé). em verdade. Há 30 anos. É dessa época a série de marinhas e casas que marca uma de suas fases: impressionismo cedendoJugar_ao_express ionismo. cinza e gesso. as humildes fachadas de casas continuam a servir de temas às suas telas . para significar: mera habilidade manual.

desse modo. Levou quarenta dias para executar a primeira: achou barbaridade. que Volpi só iria conhecer realmente três anos depois.ocres.. Embora prenunciado em obras anteriores. o manto-sudário azul-celeste e o estrado marrom-zarcão denotam essa preocupação. o rumo à bidimensionalidade se explicita de vez no Cristo Monumental de 1947. para viver. de sabor barroco e popular: o drapeado da cortina do teatrinho-nicho repete as ondulações do gesto. O mesmo pode ser visto na Nossa Senhora com o Menino. hiperacadêmicas e lambidas. de 1946: as arquiteturas da figura humana e da cadeira se correspondem quase que elemento por elemento. A partir da segunda encomenda. que o produtor-vendedor lhe oferecia. Volpi. Fez. já lembra os chamados primitivos italianos... olivas . reproduzidas aos milhares. em vinte dias.. A atmosfera^ que estará presente ainda em sua última série de casas e onde Mário Pedrosa quer ver a atmosfera das casas mal-assombradas e dos corvos de certas gravuras de Goeldi. já executava uma em apenas três dias. cerca de 50.: Cristo no Horto das Oliveiras). em seu genial discípulo Maso Di Banco. a mais importante. viu-se obrigado a pintar oleografias sacras (ex. não tão distante assim. é antes aquela atmosfera de maninconia mística. Essa parte. embora tonai ainda . para evitar acusações de plágio. Instintiva. São Silvestre Ressusci- . podem ser vistas em casas humildes e pequeno-burguesas desses brasis afora. A cor. é a Moça Sentada. passou à produção em série. que. dominando inteiramente a "técnica". não tinha mais tempo para pintar de verdade.). E dizer que nesse ano. Finalmente. copiadas de estampas-modelo (com alterações.ro. mas sólida. terras. com sucesso: quatro. tipicamente mediterrâneaj presente em'Giotto.se distribui em grandes planos articulares na parte arquitetônica que serve de background à figura do Cristo. mal chamado Giottino (cf. sua primeira obra de nítida tendência geométrica.

. segundo consta. membros do Júri. pois na Europa preferiu ver a pintar. o Primeiro Prêmio Nacional de Pintura (juntamente com Di Cavalcanti) . graças a uma prévia subscrição de 24 obras (Cr$ 72.para o que muito contribuiu. temos. na pintura metafísica e. bandeiras de portas). Volpi demonstrà um interesse relativo pela figura humana: sua preferência vai para a paisagem e. na paisagem. Santa Croce.Volpi acaba por agifc^pela_variacão de uns poucos elementos (janelas. a fejiz intervenção dos delegados estrangeiros.") reforçou e acelerou a evolução formal de sua obra.. giottesca fachad a de suas casas. para o seu autor.papeL Confirmando a revolução. a cor se purifica: um M o n d r i a n trecentesco.entoinha-de. que acabaria por se transformar numa das mais extraordinárias revoluções indi^uais-da-história. portas. num Carrà não-metafísico. Bellini. E a visão dos "primitivos" italianos ("Quelli sapevano._que-se-resolv. a calma. vai à Europa. branco e vermelho. pela movimentação barroco-impressionista de certos elementos (série Boogie-Woogie. Em 1950. onde um fenômeno de refração por interferência de elementos (que se reconciliam no centro do quadro re- .. a pura estrutura dinâmica de seu grande Xadrez. Em sua obra. caracterizada pela bidimensionalidade e pela cor pura. a seguir. a casa. pela primeira vez. Florença).. e como Calder transpõe o neoplasticismo de Mondrian para o dinâmicoplanetário de seus mobiles .00 . que só executaria quando de novo no Brasil. da última fase). E assim c o m o M o n d r i a n supera a ortogonalidade estática de sua obra neoplasticista propriamente dita. Poussin.tando Alguns Mortos. propondo-se úm prõBlgma-de-mo-VÍmento.da^pintura^Já na irBiênãl7 suas casas foram a grande surpresa e arrebataram. 1948 marca o início de sua última série àe Casas. mesmo. em Schiavo.eria-num-tema-típi^ co: a v.000.setenta e dois contos). À medida que a arquitetura visual da casa se vai confundindo com a do próprio quadro.

topologia e coisas que tais . O importante é saber que os problemas visuais de Volpi e dos concretistas são comuns . realizada no Museu de Arte Moderna do Rio. A isto se deve chamar. e a individual no MAM de São Paulo. Longe de desprezar o valor do estudo. fazem de Volpi um dos artistas mais conscientes e conseqüentes na evolução formal da própria obra. gestalt. Por tudo isto.se enquadra a sua última fase. é bastante curioso esse vício e necessidade de alguns espíritos de algemarem o "humano" ao figurativo. Esta obra é. Sua educação_e cultura_visuais.especialmente os da estrutura dinâmica .junda que a Volpi não interesse. é um dos raros artistas brasileiros que não só não decaiu depois dos 40. mas um dos grandes num confronto internacional. já que o Corão proíbe a representação da figura humana. como teve a sábia e justa coragem de dar um belíssimo salto qualitativo em plena maturidade.insistem em chamar a aten^ a o para o caso Volpi. além do mais. teoricamente..-uma-obra_có«.. um ingênuo ou um equivocadamente influenciado. que consideram não somente o maior pintor brasileiro. sua capacidade de rigor na organização das formas . saber em que ismo .mas nem por isso é um primitivo. toda a cultura árabe seria tachada de inumana ou desumana. provavelmente. Foram os concretistas os inspiradores das duas últimas mostras de Volpi: a de maio do ano passado. pois é primário e arbitrário fazer derivar a noção de humano meramente do anedótico figurativo. precisamente.. um pode aprender em cinco anos o que eu levei 30".justamente empenhados na fundação de uma tradição do rigoj. diz: "Hoje. .tangular: incidência do olho) confere ao mesmo branco duas tonalidades distintas. no mesmo ano. Volpi ignora o que sejam. os concretistas . s maiores.ainda que os meios de ataque à sua realização sejam 'diversos (Volpilixou-se na têmpera). retrospectiva. Por outro lado. Volpi. de humano._exatamente. De resto. nesta base.

. Mas essa gente não poderá furtar-se por muito mais tempo a uma grandeza que os esmaga.N o entanto. os responsáveis pela IV Bienal. não acataram a sugestão de incluir Volpi entre os concorrentes ao Prêmio Internacional de Pintura. que se inaugura no mês próximo.

É uma típica manifestação de contexto. É a própria estética que entra em crise. O happening é um acontecimento semântico-experimental. de linguagem e comportamento. de experimentação de novos significados (bem como de destruição de significados já codificados). reatando a posição crítica de Dada (a partir de 1915).O QUE ACONTECE Q U A N D O O HAPPENING ACONTECE O happening é uma criação da' pop art americana. Daí as reações do público: "Não gostei. trata-se de uma manifestação "artística". para dar lugar a uma possível . A rigor. de nãoreprodïïtibi lidade e de público restritõ7~Gãnharia maior amplitude se pudesse dispor de meios de comunicação de massas. ao vivo. Mesmo porque o happening já demonstra tendências à institucionalização (como novo gênero de espetáculo). N ã o entendi nada". objetos já prontos). Sua importância atual reside em que é uma experimentação. deixará de ser happening. e justamente por isto. naquilo que tem de artesanal. N o entanto. O significado que possa ter deriva do fato de ser uma manifestação "antiarte". deslocados de seu contexto habitual e postos em relação insólítãTprovocam conflitos dê~significações. isto é. se isto ocorrer. Os signos que utiliza (geralmente ready-made. como a televisão e o cinema.

Rogério Duprat. que o precursor do happening no Brasil foi Flávio de Carvalho.e num contexto totalmente diverso . no entanto.perdem o seu significado de uso corrente e se transformam em signos abertos a novos significados (muitas vezes preenchidos. em seus respectivos contextos habituais. contra arte de contemplação. com suas "experiências" da década de 30. Show. uma bomba de flite e um boné. um livro sobre "lições práticas de democracia". é uma arte do precário e do passageiro. 1965).mas foi o que mais se afastou da música. Estas coisas. O happening. são corriqueiras e de uso banal. Lembrar. os versos iniciais de uma poesia infantil de Bilac. de São Paulo. Arte de ação. de Damiano Cozzella. que seria a estética da sociedade de massa ou de consumo em massa. numa certa seqüência . Diogo Pacheco e Gilberto Mendes (Galeria Atrium e Faculdade de Arquitetura de São Paulo. 1964. Fazem exceção os realizados por Wesley Duke Lee (creio que anterior a todos os mencionados: começos de 1964) e o acontecido recentemente no Rio. por exemplo. Universidade de Brasília e Teatro Municipal de São Paulo. Arte-vida. pelas reações do público). se arte é. Willy Correia de Oliveira. arte cotidiana. Escosteguy e outros). . uma sineta. por ocasião da inauguração da Galeria G4 (exposição de obras de Antônio Dias.) N o Brasil. de qualquer lugar . Mas relacionadas entre si.contra toda arte que requer lugar especial para se manifestar ritualisticamente (salas de concertos. para o happening do Blota Jr. galerias. Canal 7. moedas. Eu. em sua maioria . Este nosso happening foi realizado por músicos. um urinol. montei o que denomino de "bateria semântica": um toca-discos. por inspiração."lógica de preferência". precisamente. museus etc. depois desenvolvido no João Sebastião Bar*. * Maio de 1966. principalmente. os happenings têm sido realizados em relação à música.

daqui e dalhures. Para a maioria. Dentro desse novo tempo. obras de há apenas três ou quatro anos já .forçando um pouco a mão .. que é o tempo da moda: o tempo precário é o seu tempo significante. Isto é o que se poderia chamar . N ã o vai nisso desdouro nem desdém pela arte que hoje se faz.os membros do Júri. são forçosamente retrospectivas . como um ano é suficiente para a moda.as obras das principais representações (para não falar das outras) podem ser facilmente etiquetadas com um déjà vu.e nisto reside o interesse que possam ter. por exemplo e por suposto . é o que a faz documentária e referencial. quando mais não fosse pelo simples fato de elas chegarem ao público através das revistas de grande tiragem ou das revistas especializadas antes de o atingirem pelas mostras tradicionais. esta IX Bienal será uma extraordinária novidade. Acrescido do instigante fato de se tratar de retrospectivas de vanguarda. para os que estão por dentro .de contradição paradoxal. pois que ela se propõe justamente entrar no tempo do consumo.ANTIARTE ARTÍSTICA Todas as bienais. uma vez que a arte contemporânea se vai regendo pelo signo da experimentação. O compasso bienal está descompassado: dois anos já é muito para a arte.

talvez. então. e retroativamente. que não lhes souberam 1er os signos: a arte. onde o "sistema'' só deixa de combater a vanguarda quando ela já está legitimada pelo consenso internacional (europeu). pelo menos para nós. Coisa curiosa: Hopper. uma tradição. abriram a brecha no consórcio artístico europeu e soaram o halali para o avanço geral dos bárbaros subdesenvolvidos e subdesarrolhados. Os membros do Júri Internacional. em que o mais~c>bscuro amador mandou a sua brasa. nessa época. nos vinha da Europa tão-somente.. mais positivo dessa IX Bienal. mais um estupor: quão artísticos e museológicos nos parecem agora os norte-americanos . Segai. esteve largamente representado na II Bienal. em 1953. se chegarem a olhar para os . E isto o que fascina e irrita os europeus. a maioria das peças da atual representação brasileira seria seguramente recusada: resta-nos o consolo de saber que. tostou e deglutiu sua tíbia ou seu artelho! Conte-se esse aspecto como o ponto. os ianques como que se vingam da Europa e dos seus (da Europa) satélites: graças a sua atual vanguarda vitoriosa. Hoje. Indiana. abstracionismo / concretismo. fazem-nos engolir toda uma tradição própria: firmam assim. na representação norteamericana.nos parecem clássicas: veja-se que. que foi na época praticamente desconsiderado por todos. peças como essas ainda não existiam. utilizando as armas européias de Dada. Há apenas três bienais atrás. o pioneiro.. e o debate era figurativismo / não-figurativismo. brasileiros. Em conseqüência. a partir e por força de uma vanguarda. se a memória não erra. é isto o que não se entende no Brasil. Foram os americanos que. a apresentação de Hopper constitui uma retrospectiva dentro da retrospectiva (ou vice-versa) das obras de Rauschenberg. quando os EUA mandaram-nos uma vasta representação do "realismo mágico"._É_um festim canibalesco.quão europeus. Lichtenstein. quase d i r i ã í ^ e m comparação com os Brasileiros! ^Ajgpresentação brasileira é uma quermesse herói-comovente.

não nos deixam de impressionar várias de suas características. a alienação.. O Quarto. não se trata de uma cópia. o casaco de pele de leopardo. desses tridimensionais que se penduram à parede e que transpostos para o tamanho natural adquirem um significado de gigantismo! E a kitschização do kitsch . Antes de mais nada. a encarregada norte-americana. ou seja. que ocorrem quando se desenvolve o processo coisa-signo-coisa (quarto-miniatura-quarto). a coberta dobrada. algo assim como uma miniatura ampliada à escala de um-por-um! Um quarto-quadro de bonecas. mas do modelo de um quarto. Imagine-se um casal deitado naquela cama de ângulos distorcidos em rigorosa perspectiva.aguda metalinguagem que mostra a deformação.. o que não parece ser o caso de nosso representante nessa alta corte artística. me informa ser de Oldenburg uma obra que só pode ser de outro: Tom Wesselman.nativos. em tamanho natural . o autor do Interiores . O kitsch em toda a sua crueza: os lençóis. N ã o o mau-gos- to. para gigantes infantis..e em plástico. Irônica crítica à representação perspectivista. é uma obraprima da antiarte. um modelo ampliado da miniatura de um quarto. como a do teatro ou da televisão presenciadas in loco. já se nos afiguram "clássicos". mesmo. . Na barbúrdia da montagem da mostra. Embora seja tarefa estranha descobrir peculiaridades na bizarria. A não ser que entre eles haja algum estruturalista tristetropical. o kitsch do kitsch. de Wesselman. como Wesselman. ou criançasgigantes: nós. É interessante observar como os nomes pouco ou nada conhecidos. à pressa.. já em fase de aperfeiçoamento de uma linguagem conquistada. ficarão entre a perplexidade e a gozação diante de uma gana tão altamente primitiva. a perda de informação. Era de Oldenburg.e prefiro correr o risco*. r e d u n d a n d o numa perturbadora cenografia coisa-signo.

só agora descobrem a so.. nem mais. um políptico de aproximação à Bandeira Nacional.ciedade de consumo. Mas Jacquet caricaturiza sobre objetos de plástico e em silk-screen. nem menos! Seu Transe é um super-Almeida Júnior traduzido para a terceira dimensão.por certo poderíamos alimentar a esperança de termos um dia uma fortíssima e autêntica arte popau brasileira.. os manifestos de Oswald de Andrade . O Jasper Johns das bandeiras não está*. e são. Se os artistas brasileiros se dessem ao trabalho de 1er. buracos na paisagem. a Wesselman. utilizando a retícula do off-set. na verdade. é o único que retoma com todo o peso e com invenção aquela tradição da vanguarda brasileira dos anos 20: a estupenda bandeira pau-brasil de Tarsila para o livro de Oswald (1925).Sobre os já clássicos americanos. . Sim. com sua surpreendente fenomenologia do auriverde pendão.PauBrasil e Antropófago . Brutal naco realista de um não-tempo viajando num formidável caixão de cimento para lugar nenhum (talvez num longo futuro alguém se atreva a ter essa "Preta Velha" em algum lugar!). ou melhor. figuras humanas de gesso perdem dimensão: passam da terceira para a segunda dimensão: são vazados. mas está o nosso Quissak Júnior. não nos propomos falar. obras da tradição pictórica france* Estava e até ganhou prêmio de aquisição. as brancas. sua genética do nosso pavilhão. um tanto primitivos diante da tecnologia e dos eletrodomésticos. Já Erika Steinberger superinfantofeminiliza o kitsch. Por certo. Mas em Segai. ou ainda: a bandeira brasileira em "série estocástica". Embora por via estadunidense. o antiamericanismo dos americanos (eat-hugerr-die) é mais "por dentro" do que o dos europeus. que praticam uma curiosa arte e um curioso antiamericanismo MCE (Mercado Comum Europeu): afinal. o nosso José da Silva. porém. Contraponha-se. pelo menos. José da Silva.

dá um contorno artístico ao seu primitivismo: vai ao olho com oscilômetros. nos degraus da escada. finalmente. Felícia Leirner reclama que enormes esculturas metálicas estragam a visão de suas obras- . De qualquer modo.ejimental: se não se salva a arte.j^que-não-deixa_de-ser~exp. no seu espremido e bracejante caos. nestes" tempos. que. artesaniza o industrial. através de painéis metalizados. com requintes de maneirismo renascentista: vejam-se as sombras de suas figuras recortadas em tábua. Quanto mais se vê não-arte.. E dizer que. O conteúdo se defi n^pgIõ^onfinèníEI(Sonjtêxtõ). que repete as palavras da gente quatro segundos depois. Waldemar Cordeiro. Seralli. a definição de arte~é bastantesimples e prática: arte é t u d o o^jueTigura em gatóríãs. Enquanto as coisas se montam.. onde também há rainhas. mais se encontra arte . em 1960.pesquisas nesse terreno: parou por falta de gás e de atrito informacional. seu cifrão com lantejoulas adquire certa dimensão oswaldiana. museus e bienais. quase-signo. E Pistoletti convida o homem comum. salva-se ao menos a sua história. quase-coisa.sa: Déjeuner sur l'herbe. da Alemanha. da Itália. redescobre certos aspectos elementares da linguagem: o tríptico "indivíduo/grupo" e a obra em que os indivíduos se desmassificam ao contato sensível da lente de aumento que os mostra: trabalhou modestamente. Os americanos descobriram a arte que existe na arte publicitária e Stampfli a traduz em europês e suicês. nesse campo restrito e a sua tampa de vidro sobre placa de vidro convida a idéias de raiz sobre o quase-nada. gravuriza o tipográfico). sem cor. Efísio. chega à poesia concreta: veja-se o seu bom Igor e mesmo todo o Codex Tipographicus (só. sendo "artista". parece. a representação brasileira fascina. E um técnico eletrônico. graças ao título (Folclore Urbano Paulista). à vida cotidiana. vai à não-arte metafísica. ao nariz com tubos ionizados que alteram o cheiro ambiental e ao ouvido com uma máquina gratuitamente bucal.não há fugirTMesníõ porquê. o brasileiro Fiaminghi dera início a. enquanto Reiçhert.

é invenção recente de um técnico paulista. . Amélia Toledo consulta Fernando Lemos sobre o melhor tapete para suas placas vergadas e Radá Abramo. Resta.ues. Efísio esclarece que um certo dispositivo eletrônico nada tem da estranja. E Volpi. encarregada geral da montagem. Para os brasileiros. segreda que procurou dispor as coisas brasileiras de modo a obrigar os membros do Júri a vê-las. que diz o grande Volpi? Está ausente.-q. esta bienal seria histórica. e por óculos "verdemelhos". que não é nosso. Júlio Le Parc.ue..vale por um cinema novo. quando Glauco Rodrigues faz surgir da concha de um petróleo. Escosteguy lamenta uma obra danificada. N ã o diz nada.a_q. Mas nós também já temos nossos clássicos de vanguarda.e entre faz er arte e/ou antiarte . Quissak explica a "formação da pátria". se na próxima não houvesse restauração e stop. de tudo. o grande premiado de Veneza.tão iá não.s.casas na varanda.mas entre fazer não-arte e não f azer arte. que suas obras não chegaram. a sua ipanêmica e multiforme Afrodite-Sulamita: . Guerchman se queixa do aperto para a sua Cidade.e_põ.

e soube .e se tornaria outra com a introdução da rotação "real" de 24 quadros/segundo. óu seja. como o rádio e a televisão. rodada à 16 quadros/ segundo. De outro lado iria sofrer o impacto de meios novos.METACINEMA Enquanto meio de comunicação.tirar o máximo proveito dos efeitos produzidos pela película "acelerada". Para esta velocidade criou sua mímica e sua dança puramente cinematográficas (incluindo as correrias de gentes e . Assim. o cinema produziu profundas modificações e reajustamentos nos demais meios existentes à época de seu aparecimento e afirmação (na imprensa. a linguagem do cinema era uma quando a película rodava a 16 quadros por segundo . Chaplin: A Mímica dos 16 Quadros Carlito realizou extraordinária obra criativa enquanto pôde . em termos de um desenvolvimento uniforme e contínuo . ou seja. Estamos acostumados a pensar na sétima arte em termos das demais artes.e talvez isto seja uma ilusão prejudicial à compreensão da arte. por exemplo). dos meios e da comunicação.

assim como em função dela. que a própria linguagem-objeto pode tornarse autocrítica.). o automóvel ainda não era o objeto "útil".e surgiu a nova velocidade dos 24 quadros/segundo. com a qual se estuda a linguagem-objeto. . de . que é a linguagem que se estuda. . costuma-se distinguir entre linguagem-objeto. entravam na dança e na mímica do cinema mudo. em cores. Com ela findava-se a grande arte de Chaplin. A mímica do real. o cinema se volta sobre si mesmo. prestigioso e massificante. estereofônico etc. todos os. porém. transfõnnindõ-se em. por aceleração. portanto.Ho.e sim um brinquedo que envolvia alegremente as pessoas como um bicho doméstico. rompendo a aparente linearidade lógica de seu desenvolvimento^ (mudo. criava o efeito de hilaridade e envolvência. nos dias de hoje. que acabara de realizar sua derradeira obra-prima: Em Busca do Ouro (1927). seus planos "lentos". a metalinguagem. tela larga. por contraste. Metalinguagem N o estudo da linguagem. é assim que ele nos reaparece sob a forma do calhambeque e é assim que Arthur Penn o recompôs em Bonnie and Clyde. incorporando.objetos). sem com esta se confundir..^lcinem_a_aberto"jp. . sob o impacto da televisão. que é uma linguagem crítica. seja de que tipo for. As vertigens hilariantes das quase-colisões de veículo^ do cinema mudo ainda hoje nos envolvem muito mais do que as vertigens técnico-reais do cinerama. recursos. . Acontece. tal como se revelaria nos Estados Unidos especialmente a partir da década de 30 (e tal como é hoje no Brasil) . sonoro.u-Hcinema_total". ganhavam enorme força lírica e dramática. arcaicos e novíssimos.. Nesse tempo. — •— — ardvento~do~som~impôs-se a necessidade "realista" de fazer corresponder som e imagem . Com o ^ _ _ .jê> quando. voltam a seintegrar nele. Como brinquedos. e metalinguagem..

linguagem-objeto. quando Marcel Duchamp expõe numa galeria um vaso sanitário com o nome de Fonte (1915). quando Belmondo. em metalinguagem de si mesma. um personagem "sai" do quadro. Edgar Allan Poe. o maior gênio da metalinguagem. ou seja. em Pierrot Le Fou (O Demônio das Onze Horas). . ou. que acabará por envolvê-la como uma jibóia.modo a transformar-se ela própria. NcTEnâsitrã gente de teatro costuma render preitos absolutos ao famigerado "efeito de distancia^ mento". num contínuo e contraditório envolver-se como num jogo de espelhos.não estamos senão diante do mesmo fenômeno da metalinguagem. em La Chinoise. numa estória em quadrinho. um-fenôme no metalingüístico njjjrigua^ gem teatral^. quando seu filho espiritual. escreve cygne (cisne) para significar também signe (signo). rompendo o fio que o delimita. sem perceberem que o distanciamento brechtiano é. indica que a heroína deve ser perseguida por um rolo de película. de natureza estrutural. pratica uma espécie de contra-trocadilho em seu conto A Queda da Casa de Usher (a casa termina por se afundar de fato num pântano). num de seus roteiros cinematográficos. quando. a câmara filma a câmara que aparenta filmar Jean-Pierre Léaud. fenôme no pelo qual ajinguagem_desvenda^ sua própria natureza. quando Erik Satie anota numa partitura "para tocar rangendo os dentes". Mallarmé. até agora. de Brecht. quando Maiakóvski. do distanciamento. é Stéphane Mallarmé. Ficarão naturalmente horrorizados se souberem que o primeiro e o maior pensador. Enfeitiçados pelo Filme. e criador. não uma inovação. se.. Quando o mestre-precursor da metalinguagem moderna. quando fazemos um trocadilho. antes de mais nada. dá uma piscadela para a platéia.uma sistematização. do último século e meio. Este é o fenômeno que vem caracterizando a arte da era industrial.. fazem-no de um ponto^de vista "conteudístico". ou quando nos defrontamos com os produtos da chamada "antiarte" .

dos problemas de linguagem e de metalinguagem. das relações e contradições entre o mundo da vida e o mundo dos signos. na era industrial e da automação.Metacinema Se foram necessários uns dois mil anos para que a literatura chegasse à metalinguagem. pelo menos. Ambos são "conteudistas".vale dizer que exercem poderosa função de metalinguagem. porque nãotêm_consciência da .seLapr-eendida-^pQrq-ue-nãxLse refere a "coisas em si"..u_sei a. das relações entre a película sensibilizada e as coisas que a sensibilizam.torna-se tabu quando se fala de arte. ^palavra escrita. provocando reajustamentos constantes . entre a vida e a linguagem. Isto. exercem contínua e aceleradamente pressões uns sobre os outros.as-coisas: ela envolve. É cunüsoobservar. Daí os carvões do projetor queimando no início do filme. a erguer-se para apalpar uma . o maior filme de Bergman. aparentemente. Isto porque. empregam em suas críticas. Trata-se de um filme sobre um filme . para o cinema bastaram 70. TpSoãdêírP. é tao ciaro~qü'a'n"d'õ"sê"fãlã"de fenômenos sociais _sem percepção de estruturas. A infoxm ação de estruturas é informação de primeiro grau .o. pois cada veículo é obrigado a reexaminar seguidamente a natureza de sua própria estrutura. precisamente de uma fita de cinema.muitas vezes-falsa. e necessariamente. do garoto estendido numa morgue. por exemplo. mas à relação entre. os meios e veículos de comunicação de massa se atritam uns aos outros. as yisõesxoniuntas.e é a mais difíc iLde. com toda a sua lógica discursiva de causazeefeito . as semelhanças de linguagem e de "conteúdo" entre um crítico de cinema "participante" e um crítico de cinema "psicologizante"..—Eis por que a crítica de cinema não compreendeu Persona (que quer dizer "máscara"). portanto. seu primeiro filme metalingüístico.de um filme sobre o cinema. que.natureza do próprio veículo_qjLie. o código verbal escritou-a.

. . A colagem e uma sintaxe de .e que os pensadore^. ortogonal (arte) e a avalancha orgânica das duas moças e do rapaz enrolando-se no papel do estúdio (vida). vermelho. ^ N o extraordinário 2001 . brincando. que congrega a limami||MMii«W[|iiiw>ii«ii .tela onde se exibe um filme. como por acidente de projeção ("distanciamento") e das personagens femininas que são uma e mesma pessoa cíclica e contraditória: vida e morte (e ressurreição?) do cinema. antropóide / cosmonauta. . O mesmo com Blow-Up. de Antonioni: a câmara filma a personagem que. útero / galáxia. Floyd perguntara. quase-trocadilhos. é como se o crime não tivesse existido. Estas analogias paranomásicas.Uma Odisséia no Espaço. placenta / planeta. E HAL. a subversão da linearidade e a introdução da simultaneidade introduzem a metalinguagem no^figma . na Lua. ...Eisenstein Sr é^Kesnais. E o ímã de Ezra Pound. E mais o conflito entre a construção geométrica. aos cientistas: What the hell did you got theref! (traduzido por: "Que demônios descobriram vocês lá?"). fotografa a vida: quando os signos do crime desaparecem. estão presentes no filme todo: roda / valsa.e a sua tragédia .mas apenas Godard a sistematiza. . . por sua vez.tage«^de.. a sigla do tremendo computador (HAL) tem uma sonoridade que a aproxima de "HELL" (inferno).^ ria por meio davçolagern Cinematográfica e não mais da mon-1 — '^MÉ^^^^xms^mm^Sism^^^^^mÍSSSSS»»®»^ . no qual o cinema se torna insubstituível por qualquer outro veículo. ao ser adentrado e morto por Dave...e. . Em Resnais de Hiroshima e Marienbad." " " " " ^ lha^ejerj^e^^ propõe novos^significad os .= . da película que começa a passar "em branco" e depois se queima. nave espacial / espermatozóide.conflitantes — siimultarteamente.•JÏ""» smtese?iajae relaciona coisas tragmeritarias .pois nela a bola são os seus próprios signos.. E como jogar tênis sem bola .&-hojgjen^ tam conceituar. ao visitar o monólito em Clavius... Em seqüência anterior.e esta é a natureza da arte . .

Surpreende o índice de "mau" dado como cotação ao filme. . Eles não entenderam o filme . para o que também contribuiu um largo contingente de crianças e adolescentes .e isto prejudicou enormemente a sua apreciaçaoTTTque mostra que. os quadrinhos e o iê-iê-iê. as crianças ainda estão sendo formadas dentro de esquemas de logicidade linear.o que não deixa de ser uma surpresa. malgrado a televisão.

de Salazar. que. não apenas há dois Brasis. em 1932. particularmente durante (e após) a II Guerra Mundial.pelo menos com aquela facilida- . Paradoxalmente. que novamente a favoreceu. que continuou a abominar o "caudilho" Vargas. ao fim da qual Vargas já estava mais próximo do New Deal do que da Carta dei Lavoro ou do Estado Novo. como também dois Brasis com as cabeças trocadas. O que não é de estranhar num país onde os yankees paulistas foram derrotados. por forças aparentemente reacionárias do latifúndio nortista e extremo-sulista lideradas por Vargas. como o faz até hoje. como se diz hoje. que veio na onda da grande crise de 1929. em boa medida. essas forças se mostraram forças "prá-frente". abafava. E tudo isto à revelia da oligarquia paulista. embora a revolução de 64. dando-lhe o comando político-administrativo do Estado mais industrializado da Federação. as potencialidades de diversificação e desenvolvimento industrial da unidade mais rica da federação. o operariado paulista tornou-se o maior esteio de Vargas e a cidade de São Paulo viria a tornar-se "a cidade que mais cresce no mundo" justamente durante o Estado Novo parafascista. não teria sido possível . Em conseqüência. ao abaterem a oligarquia paulista do café.MAD IN BRAZIL Quanto ao Desenho Industrial.

especialmente o Brasil do Rio para. Esta troca de cabeças. De outra parte. que pequénoaburgüesou o proletanadojsaufiitãlL. com a franca defesa dos valores artesanais em oposição aos valores industriais. . não vai sem conflito: o Desenho Industrial é mais um item que se inscreve na agenda geral de oposição entre as duas maiores cidades brasileiras. e provavelmente abrigará uma Bienal de Desenho Industrial.-durante doiTSeculos capital da cõloMa7d^imp'ériõ _ é~3a república. ainda permanecem vivas.de! . baseado na tipicidade das manifestações regionais. possivelmente a cidade mais civilizada .o norte. acabou ficando com aJEscolaJniperior de Des. à medida que Brasília se for firmando como centro das decisões nacionais. que delineou um nacionalismo mal empostado. a sua paulistificação.não fora o trabalho de Getúlio Vargas.de todo o mundo ibero-americano. por ora. ficou com a Bienal de ArteTEnquantcTque o Rio de Janeiro. Sirvam de exemplos anedóticos e pitorescos: a) a definição que o diplomata e poeta Jaime Ovalle deu de São Paulo. com seu reduzido parque industrial e onde tudo tende a se transformar em arte. no entanto. ou seja. A industrialização do país implicará uma espécie de ianquização. stalinista e jdanovista. Chegou a bom termo. se chegar a bom termo o convênio que ora se processa entre o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e o Museu de Arte Moderna local*. e o Rio de Janeiro a capacidade superestrutural de produção político-ideológica para todo o país. o Rio poderá sentir a necessidade de unir-se mais a São Paulo.ou menos provinciana . dentro do projeto geral de ressentimentos traçado na derrota paulista de 1932 e com o condimento especial que lhe trouxe a atuação do Partido Comunista. desde 1951. v — "Assim"é que~Saõ~Pa ulo. São Paulo representando a capacidade de organização infra-estrútural empresarial e industrial. aparando aquelas diferenças que.enho-Industrial^ desde 1963. é de ver-se.

Eis por que . um carioca típico: "a forma mais terrível de solidão é a companhia de paulista". do teatro e mesmo do cinema. poderoso centro industrial próximo a São Paulo (fundado nos fins do século passado pelo piemontês Antônio Agu).passaram a encarar o Brasil como um "universo industrial" .já. A partir da derrota de 64.mas por algum tempo ainda veremos a defesa do n a c i o n a l i s m o confundir-se com a defesa de valores artesanais. contra a televisão. hoje francamente industrializados. Em 1962.è não apenas brasileiro .a esquerda tende a proletarizar o lumpenproletariat das favelas e a " camponizar " ^ c a b o c l ^ . para um filme documentário que havia preparado juntamente com um amigo. norte e nordeste cuja obra ressoa . tais como padrões de tecidos. Historicamente: as primeiras iniciativas autônomas e conscientes no campo do desenho industrial partiram dos arquitetos. principalmente. A última e mais curiosa manifestação dessa oposição.. não consegui obter o apoio do sindicato dos metalúrgicos de Osasco. que ora se esboça no campo cultural. porém.c a m p o r n u m a . Ainda aqui. o .. é a defesa do livro. temos de distinguir entre o neoplasticismo dos paulistas e o neocolonial e neobarroco corbusieristas dos cariocas (incluem-se entre os "cariocas" os oriundos do centro.m e c â n i ^ ca de idèãliza"ções"de substituição. já por certas analogias estruturais com o projeto do espaço arquitetônico. em particular .pela abundância e variedade de madeiras.mas a sua análise e discussão escapam ao escopo do presente trabalho. móveis . os ideólogos de esquerda . na década de 30: elementos vazados ("combongós") e brise-soleils. ex-operário em cerâmica. b) a boutade do teatrólogo e cronista Nelson Rodrigues.há vinte anos. E um curioso fenômeno .os exilados. ou coisa assim: "São Paulo são os Estados IJnidos do Brasil". porque a película se destinava a desmistificar Vargas junto às massas operárias. e alguns equipamentos para interiores. luminárias e..como se pode observar através da música popular de intenções "participantes" .

e contou desde o início com um razoável mercado de consumo nos centros urbanos. portanto . em sua maioria quase absoluta. conjunto de utensílios de alumínio. que hoje concorre no mercado interno com os desenhos consagrados da Knoll International e da Herman Miller. mas executou numerosos projetos: marca para uma empresa metalúrgica. certamente por falta de maiores perspectivas no mercado de trabalho. então em formação. Um grande surto artístico e literário ca- . nesse período de pré-formação. de resto .arquitetos. nos inícios de 50. ^Algunsjjes/g-wgre-estrangeiros estiveram^entre nós. uma embalagem para sabonete. nos fins da década de 40. a sentir a necessidade de recorrer aos designers ."carioca". Ademais. seja pela influência que exerceu sobre o grupo de artistas concretos paulistas. RaymonJJ^oeivy Associates. executou alguns trabalhos. pois não representa muito no mercado interno.ac. durante a guerra. entre os quais a marca e o logotipo da empresa Fotoptica. original criação neocolonial . O recente sucesso internacional da poltrona mole.JSrasíHa^ejóma^A^ surrealista^ejieobarr. seja pelo prêmio de escultura que conquistou com sua Unidade Tripartida. uma vez que seu desenho não se presta à produção em escala mais ampla. Max Bill iria adquirir importância. A estreita ligação arquiteto / móveis assegurou a formação do primeiro desenho brasileiro autônomo. que a conduziu ao consumo de formas e. que os utiliza até hoje. a perspectiva da Praça dos Três Poderes apresenta inocultáveis semelhanças com a perspectiva de Versalhes.através do Rio de Janeiro). desistiu de estabelecer em São Paulo uma sucursal de seu escritório.a.é mais simbólica dessa autonomia do que outra coisa. a indústria do mobiliário apresenta certas características de transição entre o artesanato e a indústria tal como a utilização do concreto na arquitetura. na I Bienal de São Paulo. Bernard Rudofsky. uma linha de móveis e duas ou três fachadas para lojas e magazines. portanto. de Sérgio Rodrigues.

o_país-. que dura apenas dois anos. até hoje. um pequeno grupo de cruzados quase fanáticos. denunciado e se rebelado contra essa e outras farsas. o maior pintor brasileiro. serve de índice do grau de seu oportunismo artístico.um italiano recentemente emigrado . concedendo-lhe de novo o prêmio. em 1965. logo na I Bienal. Volpi manteve digna a sua grandeza solitária e popular e hoje pode viver. Mas foi também nesse período que a consciência do dese. no primeiro. arquitetos_organizam um curso de desenho industrial. N ã o há dúvida:jnalgrado as ilusões européias sobre o Brasil. começou ! a tormãr-*se entre «^SSai^^sSSSK. N a II Bienal. Alfredo Volpi. somente ganhou o Prêmio Nacional de Pintura. Que os artistas. ainda que modestamente. que depois se mostraria mais um mecanismo de controle_do que dé incêmiv^à""ãrtê~brasileira. bem como da flexibilidade de suas espinhas dorsais. nascido em Lucca e até hoje não naturalizado brasileiro (aqui radicou-se há mais de meio século). entre os artistas concretos j e São^Paulo. repetiram a dose na VIII Bienal. devido à interferência direta de Herbert Read.é-mais-eonser-vador do. Fundanvse o M y ^ g y J b . a quem se destinava o prêmio. ambos em São Paulo.parece. atrãrcs de um mecenato orientado nxTsëntidcTde um d i r i sd s m o _ para f a s c i s t 6 i d e e maguiay. nessa época. j 2 e l a p r 1 me ira vez. críticos e intelectuais brasileiros não tenham seriamente. cultural e político. Apesar de humilhado pela necessidade e pela organização.racteriza esse período. . «o-q^l^perteneUtambém-^M^ * IX Bienal.para lhe conceder o Prêmio Nacional de Pintura. os jurados brasileiros tiraram do bolso do colete o nome de um pintor de segunda categoria . ex aequo com Di Cavalcanti. o segundo organiza a Bienal de São^Pajjlo.élicó: baste que sé diga que.A y e e o Museu de Arte Moderna. 1967. mais precisamente. dos quadros que vende: sequer expôs na última bienal*. ~ r : —————~"t—"—• — nao^arquitetos.que. ——r-—-r-—:——— g n o^jiid ustr-i a l .

Karlheinz Bergmiller. Mais tarde. não arquitetos. os dois primeiros alunos brasileiros de Uhm Alexandre Wollner e Almir Mavignier. em 1963. fruto do empenho direto do professor e crítico de arte Flexa Ribeiro. e em 1965. embora não pertencentes ao grupo acima referido. no Rio de Janeiro. embora venha realizando seus melhores trabalhos justamente no campo do design (paisagismo). juntamente com o artista gráfico Rubem Martins. para fundar o primeiro escritório de Comunicação Visual (o desenho industrial ficava a cargo de Bergmiller). reunidos em São Paulo. Em 1953. em duas ocasiões: em 1955. Cordeiro viria a optar pela carreira artística pessoal. . mas a iniciativa prática coube ao grupo de arquitetos que havia participado.Forminform e um dos nossos melhores designers nesse setor*. que teve lugar em Vi'ena. Era uma vanguarda ideologicamente empenhada — isto er^r wvoj-^ejiisto se opunha francamente ao calvinista Max Bill. de São Paulo. 1968. Este continuou na Alemanha. na fundação da Esdi . Mischa Black aconselhou <que se fundasse uma associação de desenho industrial a um grupo de designers e teóricos do design. onde se tornaria Reitor da Hochschule für Gestaltung. como pintor e cartazista. a Forminform. em Buenos Aires. na qualidade * Prematuramente falecido neste ano. Nesse mesmo ano.International Council -of Societies of Industrial Design. aquele voltou para o Brasil em companhia de um ex-assistente de Max Bill. que logo depois partiria para a Alemanha. Wollner e Bergmiller viriam a ter destacada atuação.Escola" Superior de Desenho IndustrialTdècalcicla nos molBes de Ulm. de Ulm^ e onde tornei a visitá-lo. estabelecemos contato com Tomás Maldonado. logo após a abertura dos cursos. quando me coube chefiar a delegação brasileira ao IV Congresso do Icsid . Eram pintores concretos. hoje único dirigente da. então Secretário de Educação do Governo Carlos Lacerda.um ex-romano que optara pela nacionalidade brasileira no imediato pós-guerra.

Gregotti) . equipes de desenhistas de nível médio . que..i trangeiros. Até o momento. Paris (1962). recente autor de um romance de sucesso. filiou-se ao Icsid. a ponto de. especialmente da área italiana (Van Onck. Eco. do III Congresso do Icsid.. Afinal. a associação realizou um seminário sobre o ensino de desenho industrial. plina desdobrada em quatro anos .conseguiu contatos . A escola da Guanabara já formou duas turmas. a Esdi substituí-la nas funções que lhe seriam próprias. pode ser que ainda venhamos a ter um desenho made in Brazil através do acúmulo do redesenho de detalhes: it's a mad~mãd mad mad world.uma disci-.de. dos-anqs 20. N o seu primeiro impulso de entusiasmo. é preciso lembrar que nóTtamBem somos americanos e que existe um pragmatismo latino-americano para o qual o Brasil poderia dar uma certa contribuição criativa. Nos chamados departamentos de estilo das grandes indústrias._uma_Seqüência de Desenho Industrial . principalmente europeus. acabou por chocar-se tan- . estabeleceu algumas normas para concursos e trouxe alguns conferencistas europeus.mas não. publicou três números de sua revista. a manifesta ção mais rica dêssF^pr âgm ãt i s m o é a Antropofa gia. no dizer de Antônio Callado. Intr o^ duziiam^na-EALL^Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. mas a in^ serçãcTcío designer na indústria continua a ser problemáticas cercã*3e seis milhões de dólares anuais vão para fora do país."estilistas" . em pagamento de royalties de desenhos estrangeiros. nem estender sua ação ao âmbito nacional. alguns produtos eletrodo-' mésticos foram mesmo desenhados em agências de publicidade! Como "o Brasil é um país que tem preguiça de fazer história".. observador..trabalham simplesmente no redesenho de detalhes. Produto e Linguagem. de São Paulo. criação do poeta e prosador paulista Oswald de Andrade. no Rio de Janeiro.e promoveram a fundação da A B D A s sócia ç ã o Brasileira de Desenho Industrial (1963).com o mundo industrial. por pregar a devoração utilitária de todos os valores es. com sede em São Paulo.sóhdos.

de_restçx Uma escola de desenho industrial deve ser uma escola de desenho de processos e não de desenho propriamente dito. que aparece bastante claro na expressão inglesa design (signo. como tem sido a tradição Bauhaus-Ulm. muitos são os desenhos no espaço e no tempo e muitas devem ser as escolas . ex-milanês e professor da FAU. encapt ^ . tal como foi recentemente proposto por Maldonado.tal como nos Estados Unidos. no Paraná e em São Paulo. Maldonado sem dúvida percebeu a erosão da idéia do desenho de produtos isolados. Suas colocações e sua arte vão cõnKêcên3õ^*HojF"ülnã""rêssurreição._ a o ^ a l ó r ^ g a f f ^ m valor tipicamente europeu herdado dos séculos-p'assãrd'IIPÂfina 1.untos_d_e ambientes na mesma linha de ex-tensão e ampliação da Bauhaus e de ÜlmT"Esfas ja~nãb possuem maior significado. A "americanização" conseqüente é evidente^jima_ilusão de elite acreditar que há um desenho industrial ideal. atualmente presidente do Icsid. ao mesmo tempo em que. as velhas falanges intelectuais da direita tentam rearticular. deveria haver uma escola prática diretamente vinculada à indústria e desvinculada da universidade (tal como está). E o desenho de processos não pode ser simplesmente confundido com métodos e metodologia.Í£tar_çoni. Em São Paulo. mas Lúcio Grinover. só serve para confundir o problema. uma vez que esses métodos se mostraram "conteudísticos". seus ninhos tradicionais. aspira introduzir no âmbito universitário um Instituto de Desenho Ambiental. . desenho e desígnio). ex-presidente da ABDI. por já trazerem dentro de si mesmos. não põF desenharem prod!Ttl?s~iMlãdõ'r"(ü"s~americant>s~o~fazem) 71ri'a's 1 •porque^íãcKestavam endereçadas ao consumo em massa e sim .to com a oligarquia paulista quanto com os comunistas. mas não percebe o erro de tentar_pro. no vácuo ideológico criado pela revolução de 64. A questão do ensino do desenho industrial. A palavrã^dêsíF nho. foi somente com o Mercado Comum" que a Europa começou a conhecer o verdadeiro consumo em massa. de resto.

cujo pioneiro. juntamente com Wollner.). Uma escola de processos deve abrir possibilidades~dê~Iinguágens e não Btoduànmer-as variantes de uma mesma linguagem oü estilo. no Brasil.ainda que sejam todos estrangeiros. muitos são os sintomas de rejeição do enxerto ulmístico.. . Bergmiller. tinham grande significação (antes do Mercado Comum. aliás. só tem significado a nova qualidade a da-. que desenhou. onde os índices de tolerância.não se comportam como na Alemanha e na Suíça. A exemplo de Rubem Martins.\zrdíx-neavíeme europeia. infelizmente. mas.. o . ex-advogado e ex-pintor.vRevner B a n ^ ^ ^ e r c e B e u isto^ííá alguns anos. sem jamais tê-la freqüentado. é coordenador do curso de Comunicação Visual. que tentei dizer em minha intervenção no IV Congresso do Icsid.. ocupado que está com os problemas técnicos ligados às cédulas do cruzeiro novo. iíãõ* s süstentou mais aprofundadamente a sua posição. . Daí a incompreensão dos que têm criticado e ridicularizado o styling norte-americano. o papel. quem melhor "canibalizou" a experiência de Ulm. N o Brasil. paradoxalmente. investir no constante aperfeiçoamento dos processos tecnológicos. recusando-se a compreender que as máquinas. não souBe praticar a antropofagia Brasileira de adaptação.. mas a ela não tem podido dedicar sua atenção. limitadíssimos (qualidade). foi Aloysio Magalhães. ESTA QÛÀLÏÏ5ÂDËliÛirdra PRODUZIDA EMM ASS A. na vã tentativa de alcançar a "qualidade européia". Foi isto mesmo. Na escola da Guanabara. que pouco tem a ver com a rr- tradicional quM\d&d't'\naüstr. Alexandre Wollner..quantklade. E oneroso e anti-social.sulados. pois esta qualidade se tornaria um privilégio de uma classe limitada de consumidores. um verdadeiro estilo.. especialmente no setor da Comunicação Visual. muito rica para o estabelecimento de uma ponte entre a Europa e a América (e o Japão: alguns indícios parecem indicar que o pragmatismo nipônico caminha para a síntese do processo). as tintas e os homens no Brasil . um pernambucano radicado no Rio.

ainda não dispomos de outra metalinguagem senão a verbal . a iniciativa governamental e institucional muitas vezes contrabalança a iniciativa particular sulista. são merámente tópicos. n a 2. ou seja. e vai desenhar o conjunto dos talheres do Itamaraty. o que deve contar é o pensamento bruto. para dedicar-se mais à escola: surpreendentemente. se se explicitam. Tupi or not tupi that is the question. Quando a .e os sintomas de rejeição nesse setor. Nota . a Comunicação Visual já constituía uma tecnologia em progresso e em pouco tempo os alunos já dispunham de uma metalinguagem que lhes permitisse promover a crítica ao mero transplante de uma tecnologia estrangeira. transferiu-se de São Paulo para o Rio. publicado em Produto e Linguagem. assim como a verbalização é uma teç2 aisMíSSSrSÊ^f^MSsàss . na terra carioca vai encontrando mais "mercado" para o seu trabalho profissional: projetou o sistema de painéis do Museu de Arte Moderna. da Guanabara. A Comunicação Visual tem funcionado como técnica de : -—-—-— ^^sss^^gr suhstituiçãododesign. quase não se manifestam. N o Rio e em outras partes do Brasil. já dizia o famoso antropófago. ou.—: :—-— — nolõgia ae substituição para a ausência de know-howein geyrãlristo se torna mais evidente num país onde metade da população adulta ainda não domina o know-how básico: o alfabeto.Alguns dados referentes aos inícios do desenho industrial no Brasil foram extraídos do pequeno artigo O Desenho Industrial no Brasil.escola do Rio começou a operar.homem de Ulm no Brasil. Para o Desenho Industrial. de Abraham Moles. . nosso primeiro estruturalista. de autoria do arquiteto e programador visual João Carlos Cauduro. 2 a trimestre de 1965. o seu índice de canibalização. São Paulo. N o Brasil de Oswald de Andrade.

anotei uns poucos fragmentos de sua fala. Augusto de Campos e eu...... O NÃO É QUE RECUPERA." ". E uns duzentos universitários. O IMPULSO DE TER UMA CONSCIÊNCIA. na mesa. da Universidade de S.. .." ".... Paulo.. jdanovisticamente ferozes e dispostos..." ". ao lado deles. A CONSCIÊNCIA FLAGRA UM MOMENTO DE TENSÃO DESTAS COISAS.... Mas ninguém queria ouvir." N o dia 6 de junho de 1968.... buscando pensar em pungência... naquelas circunstâncias "festivas" de assassina e suicida irresponsabilidade cultural e humana." (referindo-se ao programa do Chacrinha) ".... Caetano Veloso e Gilberto Gil. O INIMIGO DENTRO: NÓS SOMOS ESSA TENSÃO.. Augusto de Campos e eu defendemos os grandes músicos com passável pugnacidade.. em boa parte. a um "massacre baiano". teve início o debate sobre o chamado "movimento tropicalista" na música popular. a Ias seis en punto de la tarde-noche.".." ". que vão reproduzidos acima.NÃO CONFUNDIR O ESTÁGIO DESSA NECESSIDADE COM A META IDEAL PARA O BRASIL. Coisas raras dizia ele em suas respostas. ESSE DESAVISO DE UMA POPULAÇÃO SUBDESENVOLVIDA PRODUZ UMA ARTE PARA A QUAL EU NÃO OUERO FECHAR OS OLHOS. O MEDO." ". presentes.. Vendo a inteligência de Caetano atuar. NÃO TER MEDO DE SER FORTE CULTURALMENTE." ". promovido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.....

Folha de S. "Formação e Informação Universitárias". Suplemento Literário de O Estado de S. setembro 69). "Situação Atual da Poesia no Brasil" foi tese que apresentefnãqúãlidâde de relator para a poesia. "Happening" (11-5-66). "Áporo. pela Fac. de Fil. em 1970._entrevistajn 2 3. julho 69). depoimento escrito a E. "Metacinema" (1968). 1969). l 2 trimestre de 1962. Milano. "A Vida em~Efígie" ^ 7 . em plaquete. número comemorativo dos 10 anos de sua Morte). Ciências e Letras de Assis. "Uma Escola de Comunicação" (16-6-68). "A_Comunicação Pensada". n 2 1. 1969. São Paulo. "A Análise dos Inícios da TV CulturaCanal 2". e nos anais do congresso. 1963. Jornal do Escritor: "Código e Repertório" (n 2 1. SP. Fil. Paulo (29-6-69). "Qorpo-Santo" (março 67) "Antiarte Artística" (17-9-67). foi publicada na edição dominical de Última Hora . . da Fac.. Altmann. "Antologia Sincrônica" (10-12-67). Paulo: "Marco Zero de Andrade" (24-10-64. Lampugnani Nigri Editóre. pela revista Alfa.. São Paulo. Paulo: Crônicas de Futebol (março 65).S. os artigos originais são de vária origem." no n 2 comemorativo do 3 9 2 aniversário do suplemento do Minas Gerais (1969).6 7 ) . O roteiro da audiofotonovela e as vinhetas visuais e verbais comentadas foram aqui publicadas pela primeira vez. em agosto de 1961. foi publicada pela revista Invenção. Ciências e Letras de Marília. "Teoria da Guerrilha Artística"~(4-6-67). que teve lugar em Assis. para o seu "Inquérito sobre a Poesia Brasileira" (3-12-66). ao II Congresso de Crítica e História Literária. de São Paulo.Nota Informativa Emendados e alterados para este livro. "Mad in Brazil" era inédito em português e foi escrito para o número que a revista Aut Aut dedicou ao nosso país (n 2 109-110. Correio da Manhã: "Entrevista a José Louzeiro^ (21-8-65). o breve depoimento sobre a nova barbárie foi para a revista O Cruzeiro.

2 1 6 BENJAMIN. Gilberto .19. 174. Luigi .16 251 ARANHA.2 5 .2 6 4 ARTAUD. J .1 5 4 .ÍNDICE ONOMÁSTICO ABRAMO. 150. BALZAC. 244. 1 6 7 .2 6 1 24. Alceu Maynard de .1 3 0 AULETE.83 AZEREDO. 171.1 6 5 .1 7 9 AGU. 1 5 2 . 262 ANTONIONI. Antônio . 1 1 8 . 159. 2 5 . Guilherme de . Tarsila d o . Dante .2 7 . d e . 1 3 2 . 2 1 . E . 2 3 . Reyner . 160. 1 1 4 ALTMANN.8 1 BASTOS. 131-133. 2 6 3 BARBOSA.2 1 6 ALMEIDA. Oliveira . Antonin . M á r i o de . G . 200 BARRETO. 116. Antônio Soares . 47. 27. 2 1 5 BEETHOVEN. 151-156. M a n u e l . 122-125.76 ANDRADE.182. 216. Luís Carlos . 1 8 4 BADEN POWELL . 31. 259.2 4 6 ARISTÓTELES . 132. Radá .167 AMARAL. 1 5 8 .122. . 103.2 4 9 BENSE.7 7 AMARAL.4 7 . 1 4 3 1 3 1 . Lima . 179. Paulo Mendes de .2 0 .2 1 . Luís . 150n. 1 6 3 ARAÚJO.2 4 4 AUTUORI.1 6 2 BELMONDO. 123 BÀCCÓLÓ. 162n.138 ALMEIDA. Caldas . R u y 152. 149. Ludwig van . 155.1 3 BANDEIRA. 150. T h e .2 2 5 AMORA. 162. O s w a l d de . Walter . Jean-Paul .150 ARAÚJO JORGE. Ronaldo . H o n o r é . Abelardo ("Chacrinha") . 153.5 9 . M a x . 57. BANHAM. 1 0 2 . 29. 1 5 4 n BEATLES.154. BARBOSA.1 7 6 . 6 0 . M i c h e l a n g e l o 14. 171 ANDRADE.255 ALIGHIERI. 1 2 3 .

142 Maria Ester .66 CORDEIRO. George . José Aderaldo . Damiano .20 CAMPOS. tonio . CALDER. Charles .134. 2 6 1 BERIO.160n CASTRO.2 1 6 DESCARTES. Haroldo de .262 CAVALCANTI.118.35. 23. BERCEO BERGMAN. .22. 247. Guilhermino . 161n. 1 6 8 BILAC.150. Marx . René . 38.47. 2 5 0 Karlheinz .259 CAMÕES.122.236 CALLADO. E . 2 1 . Ernesto . Antônio . André . 1 9 .240 CASSIRER.38.128.63 CASTELO.2 2 4 BERTOLINO. 35. 108.21.176. Sérgio BONAPARTE. 2 4 9 BRETON.1 4 . 168 CABAU. Pedro . BUFFET.1 5 3 Ademir .2 3 .1 8 6 DA GUIA.83.34 114 BERGMILLER. Augusto de .1 8 3 .1 6 4 BUONAROTTI. CUMMINGS. Walt . Émile . 103 Jacques . Paulo Planet . CÂNDIDO DE MELLO E SOUZA.1 9 5 . 257 CORRÊA.2 4 0 Eleazar .1 6 4 BRITO. João Carlos . 130 CHAPLIN.118.2 5 8 .7 7 BUARQUE DE HOLANDA. 248 CARVALHO.240 CROCE.2 2 . Emiliano . 1 1 8 BRECHT. 2 5 7 DIAS. Waldemar .127. Ingmar .171 CORREIA. Ribeiro .1 5 6 DI CAVALCANTI. 1 5 0 n . 111-114. 104.2 5 8 BLOTA J R . Mischa . . Luís . Charles .182 Alexander .24. Luciano . José Celso . Carlos - 27. Edgard .2 5 6 . 228 Marguerite . 9 6 DEMY. Miguel Ângelo .224. Luís de . 70. Fidel .221 COUTO.224 FIávio de . M. Olavo . Michel .1 1 . A n - Arnault . E .1 2 Pierre . 109.224.26. 2 5 8 BIZZARRI.131 CAUDURO. Guido .2 3 4 DELFINO.1 3 2 Napoleão . 116-118.5 5 DORÉ.2 4 0 BILL.150n.1 5 3 CÉSAR. Edoardo . Benedetto .2 9 . DONGA .3 9 .1 1 8 BUARQUE.BENVENISTE. DANIEL. Mário da Silva . 168.59 BUENO. Antônio . CARVALHO.1 9 7 DE FIORE. 245. 154 .1 7 3 BLACK. Antônio .2 3 6 .227 CASTRO ALVES. Gustave -16 DRUMMOND DE ANDRADE. CONFÚCIO . 100. BOULEZ. 24. 2 2 4 BRAGA. Alves . 103. Ernst .16 BUTOR. Jacques .1 7 8 CROS.2 4 0 DISNEY.1 5 0 .213 CUKOR. Berthold . 263 CAMPOS.122. 26.155 COZZELLA.

Stan .1 3 8 FLAUBERT. 178. Friedrich .2 2 1 HORYLKA. Rubens . Marcel . Franklin . Pedro .5 8 DUPRAT. GIL. 178. Thomas Alva . 251 224. Michel - F o x . Sierguiei .16.7 7 ESCOSTEGUY.246 ESTEVAM. JACOB.23-26. Estelinha . 240 Jean-Luc . 118 GUARNIERI.1 1 8 GRACIANO.1 3 FREIRE. 143. 8 3 . Wadih . Andrée . GENINHO .2 4 9 Wesley .225 François .205 HOPPER. 259 EDISON. José Lino . Régis . 133. HAVELANGE. FALCÃO.251 ENGELS. Eco. 215 EISENSTEIN. GRINOVER.60 GOUDOT.Werner HELOU.25. Cândido de . Camargo . João .7 4 Hermelindo .260 George . 178 João Mendonça - 200. 72 Oliver . Lúcio .2 1 . 130 Ivo.132.157n HEIDEGGER.47 . Umberto . 224 GONÇALVES.83 Laudelino -138 FUCHS.235 Carlos . 181.150 HARDY.259 GOELDI. 263 GILBERTO. GOMES. W . 225 GIOTTO .215.69.234 GREGOTTI.2 0 8 GETZ.118 GUTENBERG. GRIFFITH.128. HEisENBERG. Rogério . Gustave .2 1 4 EFÍSIO .157n GRÜNEWALD.178 155.47. 183 FLEXA RIBEIRO .2 2 4 DUPRAT. Eugène .240.29. Clóvis . 156. RALPH . 1 0 2 . DUKE LEE.2 9 .12. Carlos .203-205 Fernando .2 4 0 DUNCAN.2 0 GARRINCHA . Gilberto-38.12. W . DUCHAMP.34.246 GULLAR. Ferreira . FIAMINGHI.22 EINSTEIN. GROSZ.56. FERREIRA. 137. Vittorio . 16 Albert . D . INDIANA.56 GUERCHMAN.2 5 8 FOUCAULT.47.2 4 5 Oswaldo . Johannes .20 IKOMA. Ledo .23.242 IONESCO.13 EPSTEIN.200 HEARTFIELD.2 3 5 GODARD. . Isadora .213 João .2 4 5 FIGUEIREDO.1 6 8 HEINE. John . 164. 201 Sílvia . Martin . William .242 169 HOMERO . Heinrich .2 2 GARIBALDI . Dercy .1 3 5 Robert .

178 MENDES. 2 9 LEMOS. JOBIM. KUBRIK. 69. 104. Claude .2 2 5 JOFRE. 169. 103.1 2 5 Antonio Carlos . KORZIBSKI. 170. 2 2 8 JOYCE. 175.2 5 8 Stan .233 Gilka . 112.167. Alfred .69. 2 4 6 LÊNIN.7 5 .2 4 4 JAKOBSON. MACHADO. 260 MALLARMÉ. Rubem .224 MÉLIÈS. Almir .4 5 Leconte de .258 MCCARTHNEY.213 MAGALHÃES. Paul . 114. 13. LOEWY.11. 11.3 8 .1 5 0 KAZUKO-135 KENNEDY. 151.23. 36.264 Roman . 12 LOITMAN . 249 MALDONADO.4 7 KLIASS. João Carlos . 1 8 5 Luís XV . 33. 59. 184 MARTINS. 132.4 7 KOFFKA.47. 108. 124. 1 6 9 . 36. Aloysio . 6 9 . LITTRÉ.1 1 8 . 180. D i b . P a u l . Juarez .2 2 3 .12. Felicia . 1 0 8 . 115-118. John . Júlio .2 4 5 LEMINSKI. Júlio . R o y . 261 MAVIGNIER.2 3 0 . Georges .1 6 3 .145 MACHADO DE Assis. JIMENEZ. Jean-Pierre . Philippe . 1 6 1 . Henry - LUDSKANOV . 178 MEDAGLIA. 179 Carlos .1 7 5 JASPER JOHNS .258.1 0 1 . 27. 164. Tomás .176 MARX. José Maria 132. Wladimir Ilitch . 144. 179. 1 0 3 . 108. 34. 2 4 4 Juan Ramón . .3 4 LUFTI.16 MELLO NETO.JACOPETTI.1 7 4 LÊVI-STRAUS.258. LISLE. 174 MCLUHAN. 1 3 0 KLEE.139 Raymond .261 MAIAKOVSKI. 185.3 4 LOUZEIRO. 114. Stéphane .1 7 5 José .1 6 4 JACQUET . 71.7 7 KNIGHT.2 3 .38. Arthur . 180. Filippo Tommaso 164. 2 4 2 LISBOA.138 MACHADO.7 1 Pedro . Paulo . Karl .58 José Pedro . 224. LAUREL. KILKERRY.181 JAMES. 132. 181.74. Gilberto .4 7 LICHTENSTEIN. 184. 70.172.2 4 9 LEIRNER. Émile . Stanley .13.133. 141. 35. Wladimir . 133. James . 133.21.2 4 6 LÉAUD.4 7 L'HERITIER. 240 MACHADO. 123. 47. 109. Fernando . João Cabral de 27. LACERDA.2 1 3 LE PARC.1 9 .29. 249 MARINETTI. 70. Marshall . 100-104. Éder . 63. 174. Kòller . 177.256 José . "Juó BANANERE" (Alexandre Marcondes Machado) .4 7 .

164 P i c a s s o . 181 Pelé (v.2 4 4 .132.127-130.115. F. Diogo .240 O p p e n h e i m e r . 228. 133. Robert . Friedrich 185 Nolde. Piet .22 Mendes. Luiz Ângelo . Cândido .262 M o n d r i a n . 220.2 5 4 Pacheco. Edson Arantes ("Pe190.179. 234 P o u n d . Monticelli Mozart. Alex . 118. 257 Rebolo 234 13.59 P i n o . 70. 264 Q u i s s a k Jr.251 P r a d o . Luís Carlos . N a s c i m e n t o .75 Oldenburg.14. .2 0 N i e t z s c h e . Charles Sanders Santhiago .163 R a y m o n d .151 P r e s t e s .23 P e d r o s a . 224.122. Edson Arantes do) L e ã o .102.248 P e s s o a . 20. 123 P i n t o . 15 242 Man . 236 M o n t é n é g r o . Herman . Pablo . 73.240 Nei Cidade . 23-25. Rauschenberg Ray.178. Ezra . Poe.47 Pistoletti 245 lé") Neto.175. 15.103. Luigi-28.179.21.256 M i r ò . 132. 131. José Joaqim de (Qorpo-Santo) . Wolfgang Amadeus - 56 Nascimento. 216. 2 4 6 R a m u z .47.14. J. 177.123. Claes .19. 234 Penn. 23. Paulo .118. Jaime .229 Coelho . 27.1 2 3 M o l e s . 121. Abraham .57. José Bonifácio Coutinho .Murilo . Edgar Allan .130.16 READ..101-103. 69. Arthur . Emil . Tulo Hostílio .208 P a u l o P a e s .13. 22n.249 P o r t i n a r i .153. José .184 P i c a b i a . 243 Willy Correia de .19. Oliveira. Juan .178.12. 178. 118 O v a l l e .163. 63. 172.124 P i r a n d e l l o . 14.143 Propércio 153 Qampos Palmério.1 1 .6 3 N o g u e i r a . 31.153n.118. 172. 29. Francis .154. C . Mário . 167.65. 171 1 M i l l e r . Herbert . Fernando . Erwin .153. 180-185 P i s c a t o r . 203. 150. José . 103.118. 189.235 P e i r c e . 182. Wlademir Dias . 22.

2 5 6 R o s a . Valéry.259 V a r g a s . Erika .154. 2 5 1 Reichert.1 7 9 Rosa. 2 2 4 V o l p i . 1 6 0 R i v e l i n o .132 S c h e m b e r g . 1 0 9 . 177. S h a p i r a . 119. Stockhausen. 257 Seralli - . Caetano .57 Santos. Mário .63 V i l l a . 3 8 . Tarzan Toüorov.1 3 .196 Cláudio . 2 2 4 Taterka. 164N Vermeer 234 Antônio Carlos de . Toledo. José da . Alegra .2 5 5 R o d r i g u e s . Giambattista . 249 S a u s s u r e . 2 1 2 R o c h a . 2 6 3 V e r d i .L o b o s . Tzvetan . Pompeu de . Sarraute. Stàmpfli 245 Steinberger. Ferdinand de . 1 6 7 . 208. 109.253-255 V e l o s o . Glauber.1 7 4 . Pietro - Dirio .5 6 . 168. Heitor .60 R o s e n f e l d . Willy . Tania .8 1 .135 S e u r a t . Plínio .e . Andres .28 S a r t r e . 171 S p e n g l e r . Nestor Goular R e s n a i s . 244 Paul . 157n.127 245 Vico. 233. Manuel dos (v. 5 6 . Nilton . Sena. 130. 5 5 . 165 S o u z a .56. Segal .4 7 . "Garrincha") Santoro. 35 Tolstói. Silva. Jean-Paul . 1 0 3 .102. N e l s o n .242. Anatol . Alain . Getúlio . . João Guimarães . E r i k . 164n Samaniego Sani. '• 122. 123. Rubens Rudofsky. Nelson . Salazar.173 S a t i e . 1 7 5 . 181. 1 3 . Eduardo - 83 Solano .246 Léon . 132 Noel .66 .43.1 2 RIBEIRO. 246.Jasia .156n.78 V e r k a u f .27.83 29 Bernard .214 12 Ubaldi. Louise de . 130-133.244 Karlheinz .157n Seto. SHRAPNELL Shaw. Giusepp. Cassiano . Roberto .1 7 6 .1 7 2 Sousândrade.2 4 5 R e i s F i l h o .175 . 1 3 1 . 209 Nathalie .256 Antônio de Oliveira .1 4 1 Amélia . 183 V a l m o r i n .1 5 9 . 225 S a n t o s . 39 George Bernard .2 4 6 R o d r i g u e s . Georges . Heráclio .164 Rossi. 2 0 4 R o d r i g u e s .253 S a l g a d o . 122n. 79 Cláudio .2 0 .203.2 1 1 .8 3 R i c a r d o .2 9 .244 29 Sócrates - Joaquim de . Oswald .1 2 .214 V a n O n c k . Ribeiro. Glauco .160 S a l e s . Alfredo . 235-238. Sérgio .

167.176 William Buttler Mário K .2 2 234 70 Zanini. Orson .174 W i e s e r . Whitehead. 74.243.175 W e l l e s .1 6 W e b e r n .2 3 . . 119 Yeats. 261 Xisto.29. Alfred North . Tom . 172.Richard .258. Anton .47 Wagner. P e d r o .67 W i e n e r . 119. G . Norbert . Zipf. . Alexandre . Wolfgang .62. 244 Wollner. Wesselman.

de AJmeida Formato 14 x 21 cm Papel de Capa Cartão Supremo 250 g/m2 Papel de Miolo Pólen Soft 80 g/m2 Número de Páginas 272 Impressão Lis Gráfica . Sato Amanda E.Título Contracomunicação Autor Décio Pignatari Capa Plínio Martins Filho e Ana Paula Fujita Ilustração da Capa Luiz Fernando Machado Revisão Geraldo Gerson de Souza Editoração Eletrônica Aline E.

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