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HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 10. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. 102p.

ISBN 8574903361 Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado. (pag. 07) O próprio conceito com o qual estamos lidando, ”identidade”, é demasiadamente complexo, muito pouco desenvolvido e muito pouco compreendido na ciência social contemporânea para ser definitivamente posto à prova. (pag. 08) Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. (pag. 09) Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta perda de um ”sentido de si” estável é chamada, algumas vezes, de deslocamento ou descentração do sujeito. (pag. 09) a afirmação de que naquilo que é descrito, algumas vezes, como nosso mundo pós-moderno, nós somos também ”pós” relativamente a qualquer concepção essencialista ou fixa de identidade – algo que, desde o Iluminismo, se supõe definir o próprio núcleo ou essência de nosso ser e fundamentar nossa existência como sujeitos humanos. (pag. 10) O sujeito do Iluminismo estava baseado numa concepção da pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação, cujo ”centro” consistia num núcleo interior (pag. 10) . Direi mais sobre isto em seguida, mas pode-se ver que essa era uma concepção muito ”individualista” do sujeito e de sua identidade (na verdade, a identidade dele: já que o sujeito do Iluminismo era usualmente descrito como masculino). (pag. 11) A noção de sujeito sociológico refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo interior do sujeito não era autônomo e auto-suficiente, mas era formado na relação com ”outras pessoas importantes para ele”, que mediavam para o sujeito os valores, sentidos e símbolos – a cultura – dos mundos que ele/ela habitava. (pag. 11) a identidade é formada na ”interação” entre o eu e a sociedade. (pag. 11) A identidade, nessa concepção sociológica, preenche o espaço entre o ”interior” e o ”exterior”- entre o mundo pessoal e o mundo público. (pag. 11) alinhar nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que ocupamos no mundo social e cultural. (pag. 12) 0 sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas. (pag. 12) Esse processo produz o sujeito pós-moderno, conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. (pag. 12)

15) As sociedades modernas. alterando. E o fato de que o sujeito moderno ”nasceu” no meio da dúvida e do ceticismo metafísico nos faz lembrar que ele nunca foi estabelecido e unificado como essa forma de descrevê-lo parece sugerir (pag. única”. a mudanças fundamentais. sob certas circunstâncias. (pag. 27) . Se tais sociedades não se desintegram totalmente não é porque elas são unificadas. (pag. 21) As transformações associadas â modernidade libertaram o indivíduo de seus apoios estáveis nas tradições e nas estruturas. Sem isso. 27) Descartes acertou as contas com Deus ao torná-lo o Primeiro Movimentador de toda criação. nenhum princípio articulador ou organizador único e não se desenvolvem de acordo com o desdobramento de uma única ”causa” ou ”lei”. por definição. assim. 25) Ele [Descartes] foi atingido pela profunda dúvida que se seguiu ao deslocamento de Deus do centro do universo. 17) Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado. não haveria nenhuma história. não estavam sujeitas. Esse processo é. seu caráter (ibid. constitutivamente. 16) As sociedades da modernidade tardia. mas porque seus diferentes elementos e identidades podem. (pag. mas pode ser ganhada ou perdida. ser conjuntamente articulados. por outro lado.. argumenta Laclau. sociedades de mudança constante. somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis [. portanto. 26. argumenta ele.. são caracterizadas pela ”diferença”. ele explicou o resto do mundo material inteiramente em termos mecânicos e matemáticos. (pag. o sujeito é ”indivisível” – uma entidade que é unificada no seu próprio interior e não pode ser dividida além disso. pp. às vezes.37-8). identidades – para os indivíduos. 13) As sociedades modernas são. distintiva.. elas são atravessadas por diferentes divisões e antagonismos sociais que produzem uma variedade de diferentes ”posições de sujeito” isto é. Ela tornouse politizada. descrito como constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe) para uma política de diferença. (pag. rápida e permanente. (pag. (pag. 14) as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz das informações recebidas sobre aquelas próprias práticas.à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam. (pag.]. Antes se acreditava que essas eram divinamente estabelecidas. portanto. não têm nenhum centro. (pag. 25) Raymond Williams observa que a história moderna do sujeito individual reúne dois significados distintos: por um lado. Mas essa articulação é sempre parcial: a estrutura da identidade permanece aberta. é também uma entidade que é ”singular. argumenta Laclau. a identificação não é automática. daí em diante.

32) A primeira descentração importante refere-se às tradições do pensamento marxista. desenvolveu uma explicação alternativa do modo como os indivíduos são formados subjetivamente através de sua participação em relações sociais mais amplas. forneceu uma crítica do ”individualismo racional” do sujeito cartesiano. (pag. com sua reciprocidade estável entre ”interior” e ”exterior”. logo existo” (pag. 29) O cidadão individual tornou-se enredado nas maquinarias burocráticas e administrativas do estado moderno. foram obrigadas a dar conta das estruturas do estado-nação e das grandes massas que fazem uma democracia moderna. (pag. Em conseqüência. ”Cogito. (pag. Mas um dos modos pelos quais seu trabalho foi redescoberto e reinterpretado na década de sessenta foi à luz da sua afirmação de que os ”homens (sic) fazem a história. ergo sum” era a palavra de ordem de Descartes: ”Penso. aqui. (pag. a figura do indivíduo isolado. 30. 27) definia o indivíduo em termos da ”mesmidade (sameness) de um ser racional” – isto é. mas apenas sob as condições que lhes são dadas”. O estudo do indivíduo e de seus processos mentais tornou-se o objeto de estudo especial e privilegiado da psicologia. inversamente. 0 indivíduo passou a ser visto como mais localizado e ”definido” no interior dessas grandes estruturas e formações sustentadoras da sociedade moderna. em grande parte. e. uma concepção mais social do sujeito. ao século XIX e não ao século XX. constituído por sua capacidade para raciocinar e pensar. Localizou o indivíduo em processos de grupo e nas normas coletivas as quais. do modo como os processos e as estruturas são sustentados pelos papéis que os indivíduos neles desempenham. subjaziam a qualquer contrato entre sujeitos individuais. As teorias clássicas liberais de governo. argumentava. naturalmente. 31) A sociologia. uma identidade que permanecia a mesma e que era contínua com seu sujeito: ”a identidade da pessoa alcança a exata extensão em que sua consciência pode ir para trás. entretanto. (pag. (pag. então. Seus novos intérpretes leram isso no sentido de que os indivíduos não . colocado contra o panode-fundo da multidão ou da metrópole anônima e impessoal. 27. (pag. quando as ciências sociais assumem sua forma disciplinar atual. 30) Emergiu. elas adquiriam uma forma mais coletiva e social. Os escritos de Marx pertencem. (pag. é. 30) O dualismo típico do pensamento cartesiano foi institucionalizado na divisão das ciências sociais entre a psicologia e as outras disciplinas. baseadas nos direitos e consentimento individuais. 28) Mas à medida em que as sociedades modernas se tornavam mais complexas. exilado ou alienado. 30) O sujeito humano foi ”biologizado” – a razão tinha uma base na Natureza e a mente um ”fundamento” no desenvolvimento físico do cérebro humano. 32) Encontramos. para qualquer ação ou pensamento passado” (pag. um produto da primeira metade do século XX. 31) Este modelo sociológico interativo.No centro da ”mente” ele colocou o sujeito individual.

(pag. do sujeito de Descartes. utilizando os recursos materiais e de cultura que lhes foram fornecidos por gerações anteriores. numa relação um-a-um com os objetos ou eventos no mundo existente fora da língua. mas ele é constantemente perturbado (pela diferença) e está constantemente escapulindo de nós. 38. pelas formas através das quais nós imaginamos ser vistos por outros. através de processos inconscientes. Existe sempre algo imaginário” ou fantasiado sobre sua unidade. logo existo”. (pag. no espelho. 38) Assim a identidade é realmente algo formado. 40) Além disso. A teoria de Freud de que nossas identidades. 36) Naquilo que Lacan chama de ”fase do espelho”. Ela preexiste a nós. ou unificada. (pag. 1977). em vez de falar da identidade como uma coisa acabada. e não algo inato. 37) Entretanto. que são negadas. a criança que não está ainda coordenada e não possui qualquer auto-imagem como uma pessoa ”inteira”. embora o sujeito esteja sempre partido ou dividido ele vivência sua própria identidade como se’ ela estivesse reunida e ”resolvida”.poderiam de nenhuma forma ser os ”autores” ou os agentes da história. nossa sexualidade e a estrutura de nossos desejos são formadas com base em processos psíquicos e simbólicos do inconsciente. 34. Assim. na vida adulta. se vê ou se ”imagina” a si própria refletida – seja literalmente. existente na consciência no momento do nascimento. Ela permanece sempre incompleta. A língua é um sistema social e não um sistema individual. uma vez que eles podiam agir apenas com base em condições históricas criadas por outros e sob as quais eles nasceram. 35) O segundo dos grandes ”descentramentos” no pensamento ocidental do século XX vem da descoberta do inconsciente por Freud. (pag. como resultado da fantasia de si mesmo como uma pessoa unificada que ele formou na fase do espelho. O significado surge nas relações de similaridade e diferença que as palavras têm com outras palavras no interior do código da língua. e vêla como um processo em andamento. ele procura o fechamento (a identidade). permanecem com ele e encontram expressão inconsciente em muitas formas não reconhecidas. (pag. (pag. (pag. arrasa com o conceito do sujeito cognoscente e racional provido de uma identidade fixa e unificada – o ”penso. A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já está dentro de nós como indivíduos. sempre ”sendo formada” As partes femininas” do eu masculino por exemplo. 41) . de acordo com esse tipo de pensamento psicanalítico. é a origem contraditória da “identidade”. ao longo do tempo. 39) Nós podemos utilizar a língua para produzir significados apenas nos posicionando no interior das regras da língua e dos sistemas de significado de nossa cultura. Essa. 40) O significado é inerentemente instável. no ”espelho” do olhar do outro – como uma ”pessoa inteira” (Lacan. que funciona de acordo com uma ”lógica” muito diferente daquela da Razão. (pag. mas de uma falta de inteireza que é ”preenchida” a partir de nossoexterior. os significados das palavras não são fixos. seja figurativamente. está sempre em processo”. deveríamos falar de identificação.

(pag. e assim por diante. contraditórias. Assim. as lutas raciais aos negros. os movimentos pela paz e tudo aquilo que está associado com ”1968”. do conhecimento especializado dos profissionais e no conhecimento fornecido pelas ”disciplinas” das Ciências Sociais. de acordo com alguns teóricos. 135). 47) as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos. em segundo lugar. Seus locais são aquelas novas instituições que se desenvolveram ao longo do século XIX e que ”policiam” e disciplinam as populações modernas oficinas. maior o isolamento. do sujeito pós-moderno. mas são formadas e transformadas no interior da representação. 46) No mundo moderno. hospitais. mapear as mudanças conceituais através das quais. 45) Neste capítulo. 44) Cada movimento apelava para a identidade social de seus sustentadores. 1982. suas práticas sexuais e sua vida familiar. Isso constitui o nascimento histórico do que veio a ser conhecido como apolítica de identidade uma identidade para cada movimento. (pag. inacabadas. assim como sua saúde física e moral. os movimentos juvenis contraculturais e antibelicistas. (pag. sob estrito controle e disciplina. 50) . juntamente com as revoltas estudantis. as culturas nacionais em que nascemos se constituem em uma das principais fontes de identidade cultural. tanto como uma crítica teórica quanto como um movimento social. fragmentadas. (pag.O poder disciplinar está preocupado. a cultura nacional se tornou uma característica-chave da industrialização e um dispositivo da modernidade. visto como tendo uma identidade fixa e estável. p. o trabalho. que emergiram durante os anos sessenta (o grande marco da modernidade tardia). do indivíduo e do corpo. clínicas e assim por diante. (pag. foi descentrado. 42) Não é necessário aceitar cada detalhe da descrição que Foucault faz do caráter abrangente dos ”regimes disciplinares” do moderno poder administrativo para compreender o paradoxo de que. o feminismo apelava às mulheres. 48) Dessa e de outras formas. 42) O objetivo do ”poder disciplinar” consiste em manter ”as vidas. o movimento antibelicista aos pacifistas. (pag. a vigilância e a individualização do sujeito individual. (pag. o ”sujeito” do Iluminismo. 43) O quinto descentramento que os proponentes dessa posição citam é o impacto do feminismo. 43. resultando nas identidades abertas. as infelicidade e os prazeres do indivíduo”. as atividades. pois. (pag. Seu objetivo básico consiste em produzir ”um ser humano que possa ser tratado como um corpo dócil” (Dreyíus e Rabinow. em primeiro lugar. as lutas pelos direitos civis. quanto mais coletiva e organizada a natureza das instituições da modernidade tardia. os movimentos revolucionários do ”Terceiro Mundo”. O feminismo faz parte daquele grupo de ”novos movimentos sociais”. a política sexual aos gays e lésbicas. tentei. a vigilância é o governo da espécie humana ou de populações inteiras e. com base no poder dos regimes administrativos. (pag. com a regulação. prisões. escolas. quartéis.

há na intemporalidade. sentidos com os quais podemos nosidentificar. tão moderno como aparenta ser. assim. 51) Dos muitos aspectos que uma selecionei cinco elementos principais: resposta abrangente à questão incluiria Em primeiro lugar. de modo ambíguo. na tradição e Os elementos essenciais do caráter nacional permanecem imutáveis. há a narrativa da nação. é raramente esse povo (folk) primordial que persiste ou que exercita o poder. (pag. gênero ou raça. na continuidade. b1990. 54. apesar de todas as vicissitudes da história. ao produzir sentidos sobre ”a nação”. 55. automaticamente. (pag. nas realidades do desenvolvimento nacional. (pag. (pag. p. 58) Para dizer de forma simples: não importa quão diferentes seus membros possam ser em termos de classe. Ele constrói identidades que são colocadas. a qual. (pag. 52) Em segundo lugar. de uma forma indivisiva. o desejo de viver em conjunto e a vontade de perpetuar. 53) Tradição inventada significa um conjunto de práticas de natureza ritual ou simbólica. original. implica continuidade com um passado histórico adequado”. 55) A identidade nacional é também muitas vezes simbolicamente baseada na idéia de um povo ou folk puro. que buscam inculcar certos valores e normas de comportamentos através da repetição. uma cultura nacional busca unificá-los numa identidade cultural. do povo e de seu caráter nacional num passado tão distante que eles se perdem nas brumas do tempo. tal como é contada e recontada nas histórias e nas literaturas nacionais. a herança que se recebeu” (Renan. Ernest Renan disse que três coisas constituem o princípio espiritual da unidade de uma nação: “a posse em comum de um rico legado de memórias. constroem identidades. (pag.As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais. (pag. 56) O discurso da cultura nacional não é. para representá-los todos como pertencendo à mesma e grande família nacional. (pag. 54) Um quarto exemplo de narrativa da cultura nacional é a do mito jundacional: uma estória que localiza a origem da nação. (pag. 58) As identidades nacionais representam precisamente o resultado da reunião dessas duas metades da equação nacional – oferecendo tanto a condição de membro do estado-nação político quanto uma identificação com a cultura nacional [. 19). 56) Em seu famoso ensaio sobre o tema. (pag.] (pag. 59) . não do tempo ”real”. Mas. 50) As culturas nacionais.. mas também de símbolos e representações. (pag. 53) a ênfase nas origens. Ele se equilibra entre a tentação por retornar a glórias passadas e o impulso por avançar ainda mais em direção à modernidade. entre o passado e o futuro. mas de um tempo ”mítico”. na mídia e na cultura popular..

62) A raça é uma categoria discursiva e não uma categoria biológica. mais interconectado. (pag. em realidade e em experiência. (pag. (pag. por conveniência. como resultado do crescimento da homogeneização cultural e do ”pós-moderno global”. Ela é também uma estrutura de poder cultural. deveríamos pensá-las como constituindo umdispositivo discursivo que representa a diferença como unidade ou identidade. etc. as teorias européias sobre raça. Uma cultura nacional nunca foi um simples ponto de lealdade. ela é a categoria organizadora daquelas formas de falar. está tão poderosamente deslocando as identidades culturais nacionais. (pag. 61. entendida como constituída de espécies distintas (noções que subjaziam a formas extremas da ideologia e do discurso nacionalista em períodos anteriores: o eugenismo vitoriano. 65) O que. freqüentemente pouco específico. (pag. 63) Mas mesmo quando o conceito de ”raça” é usado dessa forma discursiva mais ampla. no fim do século XX? A resposta é: um complexo de processos e forças de mudança. devemos ter em mente a forma pela qual as culturas nacionais contribuem para ”costurar” as diferenças numa única identidade. união e identificação simbólica. Isto é. daqueles sistemas de representação e práticas sociais (discursos) que utilizam um conjunto frouxo. É ainda mais difícil unificar a identidade nacional em torno da raça. de lealdades e de diferenças sobrepostas. tornando o mundo. o fascismo) têm sido substituídas por definições culturais. pode ser sintetizado sob o termo ”globalização”. — comomarcas simbólicas. por várias razões. textura do cabelo. uma única cultura ou etnia. que atravessam fronteiras nacionais.Essa idéia está sujeita à dúvida. (pag. 67) As identidades nacionais estão se desintegrando. as nações modernas teimosamente se recusam a ser determinadas por ela. 62) A Europa Ocidental não tem qualquer nação que seja composta de apenas um único povo. híbridos culturais. as quais possibilitam que a raça desempenhe um papel importante nos discursos sobre nação e identidade nacional. as noções biológicas sobre raça. quando vamos discutir se as identidades nacionais estão sendo deslocadas. • As identidades nacionais e outras identidades ”locais” ou particularistas estão sendo reforçadas pela resistência à globalização. de diferenças em termos de características físicas — cor da pele. atuantes numa escala global. que. características físicas e corporais. (pag. 63) Nos últimos anos. agora. (pag. de divisões e contradições internas. então. 67) a ”globalização” se refere àqueles processos. 59) Em vez de pensar as culturas nacionais como unificadas. integrando e conectando comunidades e organizações em novas combinações de espaço-tempo. todas. a fim de diferenciar socialmente um grupo de outro. As nações modernas são. . Assim. (pag. 64) As identidades nacionais não subordinam todas as outras formas de diferença e não estão livres do jogo de poder.

(pag. mas novas identidades – híbridas – estão tomando seu lugar (pag. (pag. O que estrutura o local não é simplesmente aquilo que está presente na cena. regionais e comunitárias têm se tornado mais importantes. 72) existem evidências de um afrouxamento de fortes identificações com a cultura nacional. (pag. e um reforçamento de outros laços e lealdades culturais. especialmente com respeito a coisas como direitos legais e de cidadania. a ”forma visível” do local oculta as relações distanciadas que determinam sua natureza (Giddens. algumas vezes. (pag. 75) Foi a difusão do consumismo. (pag.como ”consumidores” para os mesmos bens. (pag. mais as identidades se tornam desvinculadas – desalojadas – de tempos. As identidades nacionais. representam vínculos a . 69) O que é importante para nosso argumento quanto ao impacto da globalização sobre a identidade é que o tempo e o espaço são também as coordenadas básicas de todos os sistemas de representação. 71) Nas condições da modernidade…. (pag. as identificações ”globais” começam a deslocar e. mas as identidades locais. (pag. 69) Uma de suas características principais é a ”compressão espaço-tempo”. ”clientes” para os mesmos serviços. ”acima” e ”abaixo” do nível do estadonação. e o consumismo global criam possibilidades de ”identidades partilhadas”. lugares e imagens. como vimos. a apagar. que os eventos em um determinado lugar têm um impacto imediato sobre pessoas e lugares situados a uma grande distância. de forma que se sente que o mundo é menor e as distâncias mais curtas. o que está sendo discutido é a tensão entre o ”global” e o ”local” na transformação das identidades. pelas viagens internacionais. a aceleração dos processos globais. é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. 18). que contribuiu para esse efeito de ”supermercado cultural”. (pag. 1990. os locais são inteiramente penetrados e moldados por influências sociais bastante distantes deles. lugares. 71) Todas as identidades estão localizadas no espaço e no tempo simbólicos. p. ”públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. as identidades nacionais. As identidades nacionais permanecem fortes. seja como sonho. entre as nações. seja como realidade. 74) Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos. histórias e tradições específicos e parecem ”flutuar livremente”. pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados. 70) a moldagem e a remoldagem de relações espaço-tempo no interior de diferentes sistemas de representação têm efeitos profundos sobre a forma como as identidades são localizadas e representadas. 73) Os fluxos culturais.• As identidades nacionais estão em declínio. 75) Em certa medida. Colocadas acima do nível da cultura nacional. A medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas.

explora a diferenciação local. 77) a globalização é muito desigualmente distribuída ao redor do globo. (pag. na verdade. (pag. (pag. por definição. no contexto britânico. A globalização é um processo desigual e tem sua própria ”geometria de poder”. mais do que nunca. A globalização retém alguns aspectos da dominação global ocidental. símbolos. mas as identidades culturais estão. 80. o Ocidente está situado apenas à distância de uma passagem aérea. agora. juntamente com o impacto do ”global”. entre regiões e entre diferentes estratos da população dentro das regiões. (pag. ao invés de pensar no global como ”substituindo” o local seria mais acurado pensar numa nova articulação entre ”o global” e ”o local”. 81) Na era das comunicações globais. 83) Num mundo de fronteiras dissolvidas e de continuidades rompidas. (pag.lugares. defensiva daqueles membros dos grupos étnicos dominantes que se sentem ameaçados pela presença de outras culturas. 78) O terceiro ponto na crítica da homogeneização cultural é a questão de se saber o que é mais afetado por ela. 81) Esta formação de “enclaves” étnicos minoritários no interior dos estados-nação do Ocidente levou a uma “pluralização” de culturas nacionais e de identidades nacionais. Há. embora isso ainda esteja dentro da lógica da compressão espaço-tempo. (pag. fornece um novo foco de identificação tanto para as comunidades afrocaribenhas quanto para as asiáticas. (pag. eventos. Elas representam o que algumas vezes é chamado de uma forma particularista de vínculo ou pertencimento. em toda parte sendo relativizadas pelo impacto da compressão espaço-tempo. (pag. 86) . o qual. agrupadas ao redor do signfficante black. Uma vez que a direção do fluxo é desequilibrada. 84) O fortalecimento de identidades locais pode ser visto na forte reação. (pag. Um bom exemplo é o das novas identidades que emergiram nos anos 70. (pag. (pag. e que continuam a existir relações desiguais de poder cultural entre ”o Ocidente” e ”o Resto”. Assim. histórias particulares. 85) a produção de novas identidades. A globalização (na forma da especialização flexível e da estratégia de criação de ”nichos” de mercado). há também uma fascinação com a diferençae com a mercantilização da etnia e da ”alteridade”. 78) A proliferação das escolhas de identidade é mais ampla no ”centro” do sistema global que nas suas periferias. 79) Por outro lado. algo que afeta o globo inteiro – seja essencialmente um fenômeno ocidental. as sociedades da periferia têm estado sempre abertas às influências culturais ocidentais e. um novo interesse pelo ”local”. pode parecer que a globalização – embora seja. (pag. 79) A globalização caminha em paralelo com um reforçamento das identidades locais. 76) ao lado da tendência em direção à homogeneização global. as velhas certezas e hierarquias da identidade britânica têm sido postas em questão.

argumentam que o hibridismo. e essas. 91) Por outro lado. unificadas ou trans-históricas. obviamente. 89) As culturas híbridas constituem um dos diversos tipos de identidade distintivamente novos produzidos na era da modernidade tardia. 93) A outra forma importante de revival do nacionalismo particularista e do absolutismo étnico e religioso é. (pag. Este conceito descreve aquelas formações de identidade que atravessam e intersectam as fronteiras naturais. 87) Em toda parte. da representação e da diferença e. (pag. (pag. 92) Numa era em que a integração regional nos campos econômicos e políticos. irrevogavelmente. o “fechamento” e a Tradição. e a dissolução da soberania nacional. sim. (pag. que retiram seus recursos. de diferentes tradições culturais. e que são o produto desses complicados cruzamentos e misturas culturais que são cada vez mais comuns num mundo globalizado. da politica. para se restaurar a coesão. estão emergindo identidades culturais que não são fixas. conseqüentemente. Ela tem um efeito pluralizante sobre as identidades. Outras aceitam que as identidades estão sujeitas ao plano da história. mais poliuicas. assim. o produto de várias histórias e culturas interconectadas. a “dupla consciência” e o relativismo que implica. menos fixas. e tornando as identidades mais posicionais. tentando recuperar sua pureza anterior e recobrir as unidades e certezas que são sentidas como tendo sido perdidas. (pag. Outras. o colapso dos regimes comunistas na Europa Oriental e o colapso da antiga União Soviética foram seguidos por um forte revivaldo nacionalismo étnico. (pag. porque elas são. com a indeterminação. estão andando muito rapidamente na Europa Ocidental. 89) Algumas pessoas argumentam que o “hibridismo” e o sincretismo — a fusão entre diferentes tradições culturais — são uma poderosa fonte criativa. mais plurais e diversas. entretanto. 88) Tradução. Entretanto. produzindo novas formas de cultura. 94) . existem também fortes tentativas para se reconstruírem identidades purificadas. o efeito de contestar e deslocar as identidades centradas e “fechadas” de uma cultura nacional. (pag. 88) A diferença é que elas não são e nunca serão unficadas no velho sentido. frente ao hibridismo e à diversidade. parece então que a globalização tem. mas sem a ilusão de um retorno ao passado. também tem seus custos e perigos. gravitam ao redor daquilo que Robins (seguindo Homj Bhabha) chama de “Tradução”. alimentado por idéias tanto de pureza racial quanto de ortodoxia religiosa. mais apropriadas à modernidade tardia que às velhas e contestadas identidades do passado. Algumas identidades gravitam ao redor daquilo que Robins chama de “Tradição”. Essas pessoas retêm fortes vínculos com seus lugares de origem e suas tradições. pertencem a uma e. produzindo uma variedade de possibilidades e novas posições de identificação. (pag. (pag. emtransição.Como conclusão provisória. ao mesmo tempo. o fenômeno do “fundamentalismo”. compostas por pessoas que foram dispersadas para sempre de sua terra natal. mas que estão suspensas. ao mesmo tempo. seu efeito geral permanece contraditório. é improvável que elas sejam outra vez unitárias ou “puras”. entre diferentes posições. a varias casas (e nao a uma “casa” particular).

constitui. uma reversão notável. 96. o marxismo. obviamente. que o nacionalismo e a etnia eram formas arcaicas de apego – a espécie de coisa que seria ”dissolvida” pela força revolucionária da modernidade. em sua velha forma nacionalista. mais variados e mais contraditórios do que sugerem seus protagonistas ou seus oponentes. Entretanto. uma virada bastante inesperada dos acontecimentos. ao lado da globalização e a ela intimamente ligado. também viu o capitalismo como o agente involuntário da ”modernidade” previa um tal resultado. (pag. descentramento do Ocidente. De acordo com essas ”metanarrativas” da modernidade. apesar de toda sua oposição ao liberalismo. desde há muito. (pag. davam a entender que o apego ao local e ao particular dariam gradualmente vez a valores e identidades mais universalistas e cosmopolitas ou internacionais. sob muitos aspectos. (pag. Os deslocamentos ou os desvios da globalização mostram-se. isto também sugere que. em suas diferentes formas. 97) . aos mitos nacionais e às ”comunidades imaginadas”. uma das mais poderosas fontes de contra-identificação em muitas sociedades e regiões pós-coloniais e do Terceiro Mundo. (pag. algumas vezes de variedades mais híbridas ou simbólicas.A reafirmação de ”raízes” culturais e o retorno à ortodoxia têm sido. do ”local”. à tradição e às raízes. os apegos irracionais ao local e ao particular. que. pois. a globalização pode acabar sendo parte daquele lento e desigual. a globalização não parece estar produzindo nem o triunfo do ”global” nem a persistência. embora alimentada. Entretanto. mas continuado. tem seu paralelo num poderoso revival da ”etnia”. 97) Tanto o liberalismo quanto o marxismo. afinal. seriam gradualmente substituídos por identidades mais racionais e universalistas. pelo Ocidente. na verdade. 95) A tendência em direção à ”homogeneização global”. mas também freqüentemente das variedades exclusivas ou ”essencialistas” mencionadas anteriormente. Nada nas perspectivas iluministas modernizantes ou nas ideologias do Ocidente nem o liberalismo nem. 95) O ressurgimento do nacionalismo e de outras formas de particularismo no final do século XX.