You are on page 1of 308

| APOIO E PATROCÍNIOS

| FICHA TÉCNICA Autores
João Baptista da Costa Carvalho Maria José da Silva Fernandes Pedro Jorge Camões Susana Margarida Faustino Jorge

Edição

Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas fevereiro de 2012

Coordenação da edição
Roberto Ferreira

Capa e paginação

Telma Ferreira Departamento de Comunicação e Imagem da OTOC

Impressão
Pré&Press 340550/12

Depósito Legal

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| AGRADECIMENTOS

Para a publicação do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, publicação de caráter anual, editada desde 2005, muito tem contribuído a colaboração e apoio de um conjunto de individualidades e entidades, que de diversas formas se tem associado a este projeto, e a quem os autores entendem manifestar publicamente o seu reconhecimento e agradecimento, nomeadamente: • Presidentes e responsáveis financeiros das câmaras municipais que enviaram as contas para o Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade (CICF) do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave; Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins; Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC), Domingues de Azevedo; António Costa e Silva (Tribunal do Contas de Lisboa);

• • • • • •

Isabel Relvas (Tribunal de Contas de Lisboa); Fernando Flor de Lima (Tribunal de Contas dos Açores) Susana Silva (Tribunal de Contas da Madeira) Ana Rita Abreu, Maria José de Jesus e Vanessa Massa (colaboradoras do IPCA/CICF); Joana Filipe (Câmara Municipal de Ponta Delgada - Açores); Ana Teixeira, coautora do livro “POCAL Explicado”.

• • •

Entendemos ser nosso dever continuar a realçar o papel fundamental da OTOC em todo este processo que, desde 2007, ano em que terminou o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, passou a ser o suporte financeiro para a recolha de dados e todas as tarefas subjacentes permitindo a continuação de um projeto de extrema relevância para a evolução da investigação da Contabilidade Pública em geral, e da Contabilidade das Autarquias Locais em especial.

O coordenador do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses João Baptista da Costa Carvalho

3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ÍNDICE

INTRODUÇÃO....................................................................................................13 CAPÍTULO 1 O SETOR LOCAL E OS MUNICÍPIOS PORTUGUESES..............17 1.1 O Setor Local...........................................................................................................17 1.2. Caracterização geral e peso dos Municípios......................................................19 1.3 Tipologias de municípios........................................................................................21 1.4. A desconcentração de serviços – “Grupos Municipais”....................................24 1.5 Plano Plurianual de Investimentos.......................................................................25 CAPÍTULO 2 ANÁLISE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTAL DOS MUNICÍPIOS.....................................................................................................29 2.1. Introdução..............................................................................................................29 2.2. Independência financeira.....................................................................................30 2.3. Receitas Autárquicas............................................................................................40 2.3.1. Classificação económica das Receitas: receitas correntes e receitas de capital....................................................................40 2.3.2. Execução global do Orçamento da Receita...................................................40 2.3.3. Estrutura e Evolução da Receita Autárquica..................................................46 2.3.3.1 Estrutura da Receita por natureza económica: Receita Corrente e Receita de Capital......................................................................46 2.3.3.2 Estrutura e Evolução da Receita Autárquica, por capítulos económicos..........................................................................................48 2.3.3.3 Estrutura da Receita Cobrada, por grupos de municípios, atendendo à sua dimensão...............................................................51 2.3.3.4 Impacto dos Impostos Municipais na Receita Autárquica..........................54 2.4. Despesas Autárquicas..........................................................................................64 2.4.1. Classificação económica das Despesas...........................................................64 2.4.2. Execução global do Orçamento de Despesa.................................................64 2.4.3. Prazos médios de pagamento..........................................................................66 2.4.4. Evolução da execução orçamental da Despesa, por classificação económica.......................................................................................68 4

2.4.5. Estrutura da Despesa Paga...............................................................................75 2.5. Situação Financeira Global..................................................................................80 2.5.1. Comparação da receita Cobrada com a Despesa Realizada e Paga..............................................................................80 2.5.2. Saldos Orçamentais..........................................................................................88 CAPÍTULO 3 ANÁLISE FINANCEIRA, ECONÓMICA E PATRIMONIAL DOS MUNICÍPIOS...........................................93 3.1. Fiabilidade do Balanço e da Demonstração de Resultados Económicos.........................................................................................93 3.2. Análise das componentes do Balanço e da Demonstração de Resultados dos municípios................................................96 3.2.1. Estrutura e Evolução do Ativo..........................................................................96 3.2.2. Fundos Próprios................................................................................................104 3.2.3. Passivo...............................................................................................................106 3.2.4. Proveitos, custos e resultados.........................................................................118 3.3. Liquidez.................................................................................................................130 CAPÍTULO 4 EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E ENDIVIDAMENTO LÍQUIDO...............................................................................135 4.1. Introdução: Lei das Finanças Locais..................................................................135 4.2. Recurso a empréstimos bancários.....................................................................136 4.2.1. Empréstimos bancários de curto prazo..........................................................136 4.2.2. Empréstimos bancários de médio e longo prazo.........................................140 4.3. Endividamento líquido dos Municípios.............................................................143 4.4. Rácio do Endividamento Líquido do Município: Grau de utilização do limite de endividamento.....................................................150 4.4.1. Limite do Endividamento Líquido..................................................................150 4.4.2. Limite da Dívida Bancária de Médio e Longo Prazo...................................154 4.4.3. Rácio: Dívida a fornecedores/receitas totais do ano anterior............................................................................................................157

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5 O SETOR EMPRESARIAL LOCAL E OS SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS NO SETOR AUTÁRQUICO......................................................................................163 Nota introdutória........................................................................................................163 5.1 Serviços Municipalizados......................................................................................165 5.1.1. Estrutura do Ativo..............................................................................................165 5.1.2. Passivo dos SM´S.............................................................................................167 5.1.3. Endividamento dos Serviços Municipalizados...............................................170 5.1.4. Proveitos, Custos e Resultados dos Serviços Municipalizados...................................................................................174 5.1.4.1. Custos dos SM´S...........................................................................................174 5.1.4.2. Proveitos dos SM´S.......................................................................................176 5.1.4.3. Resultados económicos dos SM´S..............................................................178 5.2 Setor Empresarial Local: implicações do SNC..................................................181 5.2.1 Implicações na Estrutura Financeira das Entidades Empresariais Locais decorrentes da adoção das Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro...............................................181 5.2.1.1 Impacto no Ativo: Efeitos no Ativo não Corrente.......................................183 5.2.1.2 Impacto no Ativo: Efeitos no Ativo Corrente..............................................184 5.2.1.3 Impacto no Capital Próprio............................................................................184 5.2.1.4 Impacto no Passivo: Efeitos no Passivo não Corrente...............................185 5.2.1.5 Impacto no Passivo: Efeitos no Passivo Corrente.......................................186 5.2.1.6 Impacto nos Resultados.................................................................................186 5.3 Setor Empresarial Local........................................................................................188 5.3.1. Balanço Global das Entidades do SEL: Entidades Empresariais (EE´s) e Empresas Municipais (EM´s).............................188 5.3.1.1 Estrutura e Evolução do Ativo........................................................................189 5.3.1.2 Estrutura e Evolução do Capital Próprio......................................................198 5.3.1.3 Estrutura e Evolução do Passivo...................................................................200 5.3.2. Rendimentos, Gastos e Resultados das Entidades Empresariais Locais.............................................................................207 5.3.2.1 Evolução dos Rendimentos e Ganhos, Gastos e Perdas............................207

5.3.2.2. Resultados económicos das Entidades Empresariais Locais....................208 5.3.3. Endividamento Líquido do Setor Empresarial Local.....................................212 5.3.3.1 Análise do Setor Empresarial e dos Municípios a que correspondem.......................212 5.4. Dados económicos e financeiros dos Municípios, Empresas Municipais e serviços Municipais............................................................218 CAPÍTULO 6 RANKING GLOBAL..........................................................................247 6.1. Enquadramento e Metodologia........................................................................247 6.2. Ranking Global dos municípios........................................................................249 6.3. Evolução da Eficiência Financeira.....................................................................252 CAPÍTULO 7 RESUMO E CONCLUSÕES.............................................................255 7.1. Independência financeira dos municípios.........................................................255 7.2. Sobre a receita autárquica..................................................................................255 7.3. Sobre a despesa autárquica................................................................................256 7.4. Sobre os Saldos orçamental, corrente e saldo primário.................................257 7.5. Sobre os Ativos e os Passivos.............................................................................257 7.6. Sobre a liquidez...................................................................................................258 7.7. Sobre a dívida à banca e o endividamento liquido.........................................258 7.8. Sobre os serviços municipalizados....................................................................259 7.9. Sobre as entidades do setor empresarial local................................................260 7.10. Sobre o sistema contabilístico........................................................................260 ANEXO I ESTUDOS DESENVOLVIDOS PELOS AUTORES NO ÂMBITO DO ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES............................................263 ANEXO II GLOSSÁRIO E TERMOS CONTABILÍSTICOS...................................269 ANEXO III LISTA DOS MUNICÍPIOS (ORDENADOS PELO NÚMERO DE HABITANTES)...........................................289 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 1.01 | Caracterização dos Municípios Portugueses em perspetiva comparada...........................................................................................19 Quadro 1.02 | Número de serviços municipalizados e Entidades do Setor Empresarial Local....................................................................25 Quadro 1.03 | PPI distribuído pelas Quatro Grandes Funções, em 2010...............25 Quadro 1.04 | Funções Sociais no PPI......................................................................26 Quadro 1.05 | Funções Económicas no PPI..............................................................27 Quadro 2.01 | Independência Financeira em 2010...................................................33 Quadro 2.02 | Outros indicadores relevantes para os Municípios.........................34 Quadro 2.03 | Classificação económica da Receita Autárquica............................40 Quadro 2.04 | Orçamento e Execução da Receita Agregada................................40 Quadro 2.05 | Estrutura da receita cobrada por natureza económica: Receita Corrente e Receita de Capital.....................................................................46 Quadro 2.06 | Estrutura das receitas cobradas........................................................48 Quadro 2.07 | Estrutura das receitas cobradas em 2010 por grupos de municípios atendendo à sua dimensão............................................51 Quadro 2.08 | Estrutura das transferências correntes recebidas, por grupos de municípios............................................................................................52 Quadro 2.09 | Estrutura das transferências de capital recebidas, por grupos de municípios............................................................................................52 Quadro 2.10 | Composição dos Passivos Financeiros, pelos grupos de municípios.........................................................................................53 Quadro 2.11 | Evolução dos montantes do IMI e do IMT, nos Municípios cujo peso de receitas proveniente de impostos é superior a 50% da receita total...........56 Quadro 2.12 | Municípios com peso de receitas provenientes de impostos superior ou igual a 50% da receita total e respetiva variação do IMI e do IMT......56 Quadro 2.13 | Evolução da cobrança dos Impostos Diretos entre 2006 e 2010.......57 Quadro 2.14 | Estrutura dos Impostos Diretos cobrados em 2010.........................57 Quadro 2.15 | Taxa de Variação do IMI e do IMT de 2009 para 2010....................59 Quadro 2.16 | Classificação económica da Despesa Autárquica...........................64 Quadro 2.17 | Orçamento e Execução das Despesas Municipais..........................64 Quadro 2.18 | Variação do PMP em 2008, 2009 e 2010..........................................67 Quadro 2.19 | Prazos Médios de Pagamento entre 2008 e 2010...........................67 Quadro 2.20 | Evolução das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas............68 6 Quadro 2.21 | Taxas de Variação das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas....69 Quadro 2.22 | Evolução das Despesas Realizadas, Pagas e dos Compromissos por pagar........................................................................71 Quadro 2.23 | Estrutura dos Compromissos por Pagar.............................................72 Quadro 2.24 | Compromissos que financeiramente transitam para o ano ou anos seguintes.....................................................................73 Quadro 2.25 | Confrontação dos Compromissos por Pagar com a Dívida de Curto Prazo do Balanço..................................................................74 Quadro 2.26 | Estrutura das despesas pagas..............................................................75 Quadro 2.27 | Estrutura das Transferências para as Freguesias por grupos de municípios.............................................................................................78 Quadro 2.28 | Peso do valor das Transferências para as Freguesias no total da despesa paga.............................................................................................78 Quadro 2.29 | Receita Liquidada, Receita Cobrada, Despesa Realizada e Despesa Paga, nos exercícios de 2006 a 2010........................80 Quadro 2.30 | Indicadores da Despesa e da Receita................................................83 Quadro 2.31 | Indicadores da Despesa e Receita com base nos compromissos e liquidações.................................................................................85 Quadro 2.32 | Saldos na base de Caixa (recebimentos versus pagamentos).........89 Quadro 2.33 | Saldos na base de compromissos (liquidações versus compromissos).............................................................................90 Quadro 3.01 | Informação patrimonial e económica................................................94 Quadro 3.02 | Municípios sem registo de proveitos diferidos................................94 Quadro 3.03 | Municípios sem registo de amortizações do exercício....................95 Quadro 3.04 | Municípios que não apresentaram Dívidas a Receber de Clientes, Contribuintes e Utentes......................................................95 Quadro 3.05 | Estrutura do Balanço (ATIVO)...........................................................96 Quadro 3.06 | Estrutura dos Bens de Domínio Público...........................................97 Quadro 3.07 | Estrutura do Imobilizado Corpóreo..................................................98 Quadro 3.08 | Estrutura dos Investimentos financeiros..........................................99 Quadro 3.09 | Estrutura das Dívidas a Receber.......................................................101 Quadro 3.10 | Municípios com dívidas a receber relativas a empréstimos a terceiros, em 2010........................................................................102 Quadro 3.11 | Disponibilidades e disponibilidades reais.........................................103

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.12 | Estrutura do Balanço (FUNDOS PRÓPRIOS).................................105 Quadro 3.13 | Componentes do Passivo..................................................................106 Quadro 3.14 | Evolução dos Custos, no período entre 2006 | 2010.......................119 Quadro 3.15 | Evolução dos Proveitos, no período entre 2006 | 2010...................121 Quadro 3.16 | Informação de custos, proveitos e resultados por dimensão dos municípios....................................................................................123 Quadro 3.17 | Resultados económicos......................................................................124 Quadro 3.18 | Municípios que passaram de Resultado negativo para positivo...126 Quadro 3.19 | Liquidez Geral dos Municípios...........................................................131 Quadro 4.01 | Relação entre Passivo Financeiro de Curto Prazo utilizado e Pago, no período 2009/2010..................................................................137 Quadro 4.02 | Estrutura do Passivo Financeiro de Curto Prazo em 2009 e 2010.....138 Quadro 4.03 | Municípios que amortizaram em 2010, a totalidade dos empréstimos de curto prazo utilizados no ano.........................139 Quadro 4.04 | Municípios com dívidas de empréstimos de curto prazo................................................................................139 Quadro 4.05 | Variação dos Empréstimos bancários de MLP (receita e despesa), entre 2008 e 2010....................................................................140 Quadro 4.06 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários de MLP, no triénio 2008 – 2010 (ordem alfabética)..............................141 Quadro 4.07 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários de médio e longo prazo no ano de 2010................................................142 Quadro 4.08 | Municípios que recorreram a empréstimos bancários de MLP, em 2010 e não recorreram em 2009.........................................................143 Quadro 4.09 | Endividamento líquido global dos municípios...............................144 Quadro 4.10 | Municípios sem Endividamento Líquido, em 2010........................146 Quadro 4.11 | Municípios de Pequena Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais de n-1....................158 Quadro 4.12 | Municípios de Média Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais de n-1....................159 Quadro 4.13 | Municípios de Grande Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais de n-1....................159 Quadro 5.01 | Estrutura do ATIVO dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem....................................................................165

Quadro 5.02 | Estrutura das Dívidas a Receber dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem................166 Quadro 5.03 | Evolução das Dívidas a Receber dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010............................................166 Quadro 5.04 | Componentes do Passivo dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem....................................................................168 Quadro 5.05 | Evolução do Passivo dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010...............................................................................................168 Quadro 5.06 | Endividamento Líquido dos Serviços Municipalizados e do Global dos Municípios a que correspondem..................................................170 Quadro 5.07 | Endividamento Líquido dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010................................................................................................171 Quadro 5.08 | Estrutura dos custos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem....................................................................174 Quadro 5.09 | Evolução dos custos dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010................................................................................................175 Quadro 5.10 | Estrutura dos Proveitos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem...................................................................176 Quadro 5.11 | Evolução dos Proveitos dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010................................................................................................177 Quadro 5.12 | Informação sobre estrutura económica...........................................178 Quadro 5.13 | Evolução da situação económica dos Serviços Municipalizados........178 Quadro 5.14 | Empresas Municipais que se extinguiram ou se fundiram em 2010.......181 Quadro 5.15 | Implicações na Estrutura Financeira das EEL 2009 POC/SNC....182 Quadro 5.16 | Estrutura do Ativo não Corrente das EEL (POC/2009).................183 Quadro 5.17 | Estrutura do Ativo não Corrente das EEL (SNC/2009)..................183 Quadro 5.18 | Estrutura do Ativo Corrente das EEL (POC/2009)........................184 Quadro 5.19 | Estrutura do Ativo Corrente das EEL (SNC/2009).........................184 Quadro 5.20 | Estrutura do Capital Próprio das EEL (POC/2009)........................185 Quadro 5.21 | Estrutura do Capital Próprio das EEL (SNC/2009).........................185 Quadro 5.22 | Estrutura do Passivo não Corrente das EEL (POC/2009).............185 Quadro 5.23 | Estrutura do Passivo não Corrente das EEL (SNC/2009)..............185 Quadro 5.24 | Estrutura do Passivo Corrente das EEL (POC/2009)....................185 Quadro 5.25 | Estrutura do Passivo Corrente das EEL (SNC/2009).....................186 7

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.26 | Resultado Líquido do Período das EEL (POC/SNC 2009)...........186 Quadro 5.27 | Estrutura do Resultado Líquido do Período das EEL (POC/2009)....186 Quadro 5.28 | Estrutura do Resultado Líquido do Período das EEL (SNC/2009)....187 Quadro 5.29 | Entidades Empresariais Locais criadas em 2010...........................188 Quadro 5.30 | Evolução do Ativo não Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010........................................................189 Quadro 5.31 | Empresas Municipais que apresentam valores no AFT superiores a 50 milhões de euros em 2010...............................................190 Quadro 5.32 | Empresas Municipais que apresentam valores no AI superiores a 20 milhões de euros em 2010..................................................190 Quadro 5.33 | Empresas Municipais com Participações Financeiras – MEP em 2010......................................................................................191 Quadro 5.34 | Empresas Municipais com Outras Participações Financeiras em 2010...............192 Quadro 5.35 | Empresas Municipais com valores inscritos na rubrica de Acionistas/Sócios em 2009 e 2010..................................................193 Quadro 5.36 | Empresas Municipais com valores inscritos na rubrica de Outros ativos financeiros em 2009 e 2010.......................................................194 Quadro 5.37 | Entidades Empresariais Locais com valores inscritos no ativo não corrente na rubrica de Outras contas a receber.............................195 Quadro 5.38 | Evolução do Ativo Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010..................................................................................195 Quadro 5.49 A | Entidades Empresariais com maior variação negativa em “Outras Contas a Receber”................................................................196 Quadro 5.49 B | Entidades Empresariais com valores inscritos na rubrica de Accionistas /Sócios no Ativo Não Corrente e no Ativo Corrente....................197 Quadro 5.40 | Evolução do Capital Próprio de 2009 para 2010...........................199 Quadro 5.41 | Evolução do Passivo não Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010........................................................201 Quadro 5.41 A | Lista das EEL com maior amortização de financiamentos obtidos de MLP entre 2009 e 2010.......................................202 Quadro 5.42 | Evolução do Passivo Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010.........................................................................................................203 Quadro 5.42 A | Lista das EEL com maiores aumentos na rubrica financiamentos obtidos de CP entre 2009 e 2010............................204 8

Quadro 5.43 | Evolução de Rendimentos e Gastos das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010.......................................................207 Quadro 5.44 | Informação sobre estrutura económica dos Municípios e das Entidades Empresariais......................................................208 Quadro 5.45 | Informação sobre evolução económica das Entidades Empresariais.....................................................................................209 Quadro 5.46 | Resultados Operacionais do Setor Empresarial..........................209 Quadro 5.47 | Endividamento Líquido das Empresas Municipais e do Global dos Municípios a que correspondem................................................212 Quadro 5.48 | Evolução do Endividamento Líquido das Entidades Empresariais Autárquicas.........................................................................................212 Quadro 5.49 | Entidades Empresariais / Empresas Municipais sem endividamento líquido no final do exercício de 2010...................................213 Quadro 5.50 | Dados económicos e financeiros dos municipios, empresas municipais e serviços municipalizados, a 31.12.2010..............................218 Quadro 6.01 | Indicadores selecionados para ranking global.............................248 Quadro 6.02 | Pontuação obtida pelos municípios por dimensão no período de 2008 a 2010.............................................................252 Quadro 6.03 | Pontuação média dos dez melhores municípios..........................253

| ÍNDICE DE RANKINGS
R1 | Municípios que apresentam maior Independência Financeira (receitas próprias/receitas totais)............................................................................36 R2 | Municípios que apresentam menor independência financeira (receitas próprias/receitas totais)............................................................................38 R3 | Municípios com maior grau de execução da receita cobrada em relação à receita prevista...................................................................................42 R4 | Municípios com menor grau de execução da receita cobrada, em relação à receita prevista....................................................................................43 R5 | Municípios com menor grau de execução da receita cobrada, relativamente à receita liquidada.............................................................................45 R6 | Municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos............54

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R7 | Municípios com maior aumento de IMI de 2009 para 2010, em valores absolutos...............................................................60 R8 | Municípios com maior diminuição de IMI de 2009 para 2010, em valores absolutos................................................................61 R9 | Municípios com maior aumento de IMT de 2009 para 2010, em valores absolutos.................................................62 R10 | Municípios com maior diminuição de IMT de 2009 para 2010, em valores absolutos.................................................63 R11 | Municípios que apresentam menor peso das despesas com pessoal, nas despesas totais.....................................................77 R12 | Municípios que apresentam maior peso das despesas com pessoal, nas despesas totais.....................................................77 R13 | Municípios que apresentam maior peso do valor de transferências para Freguesias, na despesa total..............................79 R14 | Municípios com rácio Receitas liquidadas/Receitas previstas igual ou superior a 80%............................................................................86 R15 | Municípios com menor rácio Receitas liquidadas/Receitas previstas........87 R16 | Municípios com menor Passivo Exigível (Dívidas), referenciado a 2010.....109 R17 | Municípios com maior Passivo Exigível (Dívidas), reportado a 2010.........110 R18 | Municípios com maior aumento do Passivo Exigível, em 2010, em relação a 2009.....112 R19 | Municípios com maior diminuição do Passivo Exigível em 2010, em relação a 2009....................................................................................112 R20 | Municípios com menor Passivo exigível, por habitante, reportado a 2010 (menor volume de dívida por habitante)................................................................113 R21 | Municípios com maior Passivo exigível, por habitante, reportado a 2010 (maior volume de dívida por habitante)...................................114 R22 | Municípios com menor Passivo líquido exigível, por habitante, reportado a 2010 (menor volume de dívida líquida, por habitante)....................116 R23 | Municípios com maior Passivo líquido exigível, por habitante, reportado a 2010 (maior volume de dívida líquida por habitante)......................117 R24 | Municípios com Maiores Resultados Económico (valores absolutos)......127 R25 | Municípios com Menores Resultados Económicos.....................................128 R26 | Municípios com Maiores Resultados Económico por habitante...............129 R27 | Municípios com Menores Resultados Económicos por habitante............129

R28 | Municípios com maior Liquidez, referenciada a 2010.......................................132 R29 | Municípios com Menor liquidez, referenciada a 2010.......................................133 R30 | Municípios com menor Endividamento Líquido em 2010...............................147 R31 | Ranking dos Municípios com maior Endividamento Líquido, em 2010..........149 R32 | Municípios com menor índice de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior.........................................................................152 R33 | Municípios com maior índice de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior.........................................................................153 R34 | Municípios com menor peso da dívida bancária de médio e longo prazo sobre as receitas recebidos no ano n-1.................................................155 R35 | Municípios com maior peso da dívida bancária de médio e longo prazo, nas receitas recebidas no ano n-1........................................................156 R36 | Municípios com maior índice de dívida a fornecedores, relativamente às receitas totais cobradas no ano anterior, mas inferior ou igual a 50%................160 R37 | Municípios com menor índice de dívidas a fornecedores relativamente às receitas do ano anterior.........................................161 R38 | Serviços Municipalizados sem endividamento líquido no final do exercício de 2010.........................................................................................172 R39 | Serviços Municipalizados com endividamento líquido no final do exercício de 2010.........................................................................................173 R40 | Serviços Municipalizados com Resultados Económicos positivos.................180 R41 | Serviços Municipalizados com Resultados Económicos negativos.................180 R42 | Empresas Municipais com menor Passivo Exigível(dívidas) em 2010.............205 R43 | Empresas Municipais com maior Passivo Exigível (dívidas) em 2010.............206 R44 | Empresas com melhores Resultados Económicos em 2010............................210 R45 | Empresas com Piores Resultados Económicos, em 2010...................................211 R46 | Entidades Empresariais /Empresas Municipais com maior valor de endividamento líquido..............................................................................................217 R47.A | Ranking Global dos 10 melhores municípios de grande dimensão, em eficiência financeira.................................................................................................250 R47.B | Ranking Global 20 melhores municípios de média dimensão, em termos de eficiência financeira..........................................250 R47.C | Ranking Global dos 30 melhores municípios de pequena dimensão, em termos financeiros............................................................251 9

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1.01 | Peso percentual das Despesas Públicas Locais nas Despesas Totais do SPA, 1998 – 2010.................................................................20 Gráfico 1.02 | Os Municípios Portugueses, por dimensão e região NUTS 2............22 Gráfico 2.01 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Pequena Dimensão...................................................31 Gráfico 2.02 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Média Dimensão.......................................................31 Gráfico 2.03 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Grande Dimensão.....................................................31 Gráfico 2.04 | Evolução da Estrutura Financeira dos 308 Municípios....................................................................................31 Gráfico 2.05 | Evolução da Independência Financeira dos Municípios (2006 a 2010).................................................................................................................32 Gráfico 2.06 | Evolução das Receitas..........................................................................41 Gráfico 2.07 | Estrutura da receita cobrada, corrente e de capital........................46 Gráfico 2.08 | Evolução da receita cobrada, corrente e de capital.........................47 Gráfico 2.09 | Estrutura das receitas cobradas por grandes agregados económicos da receita................................................................................................49 Gráfico 2.10 | Variação das receitas de 2008 para 2009 e de 2009 para 2010......50 Gráfico 2.11 | Evolução da cobrança dos Impostos Diretos entre 2006 e 2010............58 Gráfico 2.12 | Evolução da Despesa Autárquica nas suas diferentes fases.............................................................................................65 Gráfico 2.13 | Taxas de variação das Despesas..........................................................66 Gráfico 2.14 | Evolução das taxas de Execução das Despesas................................66 Gráfico 2.15 | Número de Municípios com um Prazo Médio de Pagamentos superior a 90 dias............................................................................67 10

Gráfico 2.16 | Variação das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas..................................................................................................69 Gráfico 2.17 | Compromissos que financeiramente transitam para o ano ou anos seguintes...................................................................74 Gráfico 2.18 | Evolução da Receita Liquidada, Receita Cobrada, Despesa Realizada e Despesa Paga, nos exercícios de 2006 a 2010......................81 Gráfico 2.19 | Estrutura da Receita e da Despesa Paga e Despesa Realizada, em 2010....................................................................................82 Gráfico 2.20 | Evolução do Saldo global efectivo na base de compromissos .........................................................................................91 Gráfico 3.01 | Estrutura do Ativo em 2010................................................................96 Gráfico 3.02 | Evolução do valor patrimonial dos Bens de Domínio Publico.....................................................................................97 Gráfico 3.03 | Evolução do valor do Imobilizado Corpóreo....................................98 Gráfico 3.04 | Evolução do Passivo..........................................................................107 Gráfico 3.05 | Evolução das componentes dos Custos..........................................109 Gráfico 3.06 | Estrutura dos Custos em 2010..........................................................119 Gráfico 3.07 | Evolução das componentes dos Proveitos.......................................121 Gráfico 3.08 | Estrutura dos Proveitos em 2010......................................................121 Gráfico 3.09 | Evolução dos Resultados Económicos.............................................123 Gráfico 3.10 | Evolução dos Resultados Económicos..............................................124 Gráfico 3.11 | Evolução da Liquidez Geral dos Municípios......................................131 Gráfico 4.01 | Evolução do Passivo Financeiro de Curto Prazo.............................137 Gráfico 4.02 | Evolução dos Empréstimos bancários de MLP...............................140 Gráfico 4.03 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários no quinquénio 2006-2010.........................................................................143

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 4.04 | Evolução da dívida bruta e da dívida líquida..................................144 Gráfico 4.05 | Evolução das Receitas próprias consideradas e da dívida líquida.......150 Gráfico 4.06 | Evolução do Rácio do Endividamento líquido.................................151 Gráfico 4.07 | Evolução da dívida bancária de médio e longo prazo...................154 Gráfico 4.08 | Evolução do Rácio da Dívida Bancária............................................154 Gráfico 4.09 | Nº de Municípios com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais de n-1........................................157 Gráfico 5.01 | Estrutura do Ativo dos Serviços Municipalizados............................165 Gráfico 5.02 | Evolução das componentes do Passivo dos Serviços Municipalizados......................................................................................169 Gráfico 5.03 | Evolução da Dívida de Curto e de Médio e Longo Prazo dos Serviços Municipalizados ........................................................169 Gráfico 5.04 | Comparação da dívida líquida e suas componentes, entre SM´s e Municípios c/ SM´s...........................................................................170 Gráfico 5.05 | Evolução da dívida bruta e da dívida líquida....................................171 Gráfico 5.06 | Estrutura dos Custos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem.......................................174 Gráfico 5.07 | Evolução das componentes de Custos dos Serviços Municipalizados.................................................................175 Gráfico 5.08 | Estrutura dos Proveitos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem................176 Gráfico 5.09 | Evolução das componentes de Proveitos dos Serviços Municipalizados...................................................................................177 Gráfico 5.10 | Evolução dos Resultados Económicos.............................................178 Gráfico 5.11 | Implicações na Estrutura Financeira das EEL 2009 POC/SNC............182 Gráfico 5.12 | Evolução dos grandes agregados do Balanço.................................188

Gráfico 5.13 | Estrutura do Ativo no ano de 2009..................................................189 Gráfico 5.14 | Estrutura do Ativo no ano de 2010...................................................189 Gráfico 5.15 | Estrutura do Capital Próprio em 2009 e 2010.................................198 Gráfico 5.16 | Estrutura do Passivo no ano de 2009..............................................200 Gráfico 5.17 | Estrutura do Passivo no ano de 2010...............................................200 Gráfico 6.01 | Evolução da pontuação.....................................................................252 Gráfico 6.02 | Evolução da pontuação média dos dez melhores municípios.............252

| ÍNDICE DE ABREVIATURAS
CRP - Constituição da República Portuguesa EEL - Entidades Empresariais Locais M€ - Milhões de euros MLP - Médio e Longo Prazo NCRF - Norma Contabilística de Relato Financeiro OTOC - Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas PIB - Produto Interno Bruto POC - Plano Oficial de Contabilidade POCAL - Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais PPI - Plano Plurianual de Investimentos SATAPOCAL - Serviço de Apoio Técnico à Implementação do POCAL SEE - Setor Empresarial do Estado SEL - Setor Empresarial Local SNC - Sistema de Normalização Contabilística SPA - Setor Público Administrativo 11

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| INTRODUÇÃO

O presente Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses apresenta uma análise económica e financeira às contas das autarquias locais, a nível nacional, para o exercício económico de 2010. É já o terceiro ano que o anuário inclui também uma análise ao setor empresarial local. No entanto, e apesar da informação sobre o setor empresarial local ser já recolhida desde 2008, neste anuário apenas será efetuada a análise comparativa aos exercícios de 2009 e 2010. Tal situação deve-se ao facto de a partir de 2010 as entidades do setor empresarial local passarem a implementar o Sistema de Normalização Contabilística (Decreto-Lei n.º 158/2009 de 13 de julho) como todas as empresas privadas. A comparação com 2009 foi possível de se realizar, graças ao seu enquadramento no SNC em sede do relato das contas de 2010, no cumprimento dos requisitos de transição, Não foi possível obter a mesma informação para o exercício de 2008. Com esta publicação concretiza-se o oitavo anuário financeiro dos Municípios Portugueses, completando o período de 2003 a 2010. O Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses resulta de um trabalho em equipa que envolve atualmente dois centros de investigação onde estão integrados os autores: o Núcleo de Estudos em Administração e Políticas Públicas (NEAPP) da Universidade do Minho e o Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade (CICF) do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Entre 2004 e 2007 o Anuário era um dos outputs de um projeto de investigação aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia intitulado “A Eficiência no Uso dos Recursos Públicos dos Municípios Portugueses”, da responsabilidade do NEAAP (Núcleo de Estudos em Administração e Políticas Públicas, da Universidade do Minho). Findo o projeto, e considerando que o Anuário se afirmou como uma publicação de referência a nível nacional, contribuindo, decisivamente, para o aumento e transparência da informação contabilística pública autárquica, entenderam os autores continuar com a sua publicação, agora com apoio financeiro exclusivo da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) e sob a responsabilidade do CICF. Apresenta-se de seguida uma breve retrospetiva das edições do Anuário Financeiro dos Municípios, até à presente data. a) Ano de análise: 2003 – publicado em 2005 com base numa amostra de 175 municípios. Objetivo central – analisar o grau de cumprimento do POCAL com base na informação recolhida nos relatórios e contas; b) Ano de análise: 2004 – publicado em 2006 com base numa amostra de 289 municípios (sendo 278 do Continente, 6 do Açores e 5 da Madeira); para além dos relatórios e contas foram também analisadas as Atas que aprovam as contas bem como os Relatórios de Gestão;
13

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

c) Ano de análise: 2005 – publicado em 2007 com base na amostra total (308 municípios). Pela primeira vez, foi apresentado um conjunto de rankings dos municípios em relação a diferentes aspetos financeiros, económicos e orçamentais; d) Ano de análise: 2006 – publicado em 2008 com base numa amostra de 308 municípios. Pela primeira vez foi apresentado um ranking global dos 50 melhores municípios, tendo em conta uma combinação de 10 indicadores financeiros, económicos e orçamentais; e) Ano de análise: 2007 – publicado em 2009 com base numa amostra composta pelos 308 municípios, bem como por alguns serviços municipalizados e algumas entidades do setor empresarial local; f) Ano de análise: 2008 – publicado em 2010. Pela primeira vez foram analisadas as contas das empresas municipais (219 empresas) e de 30 serviços municipalizados. g) Ano de análise: 2009 – Publicado em 2011. Pela segunda vez foram analisadas as contas das empresas municipais (286) e 29 serviços municipalizados. O 8.º Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2009, agora publicado, analisa as contas dos 308 municípios, 304 empresas municipais e dos 29 serviços municipalizados e encontra-se organizado em seis capítulos.
14

O anuário está organizado em sete capítulos: • NO CAPÍTULO 1 apresenta-se o setor local, seguindo-se a caracterização geral dos municípios portugueses, sua tipologia, efetuando-se uma análise comparada do peso dos municípios portugueses com vários países da União Europeia. Este capítulo termina com a análise das despesas de investimento mais concretamente a análise do Plano Plurianual de Investimentos do ano de 2010. • No CAPÍTULO 2 procede-se à análise da execução orçamental, apresentando-se um conjunto de rankings sobre a execução da despesa e da receita. Nas diferentes análises são apresentados rankings que posicionam os municípios em diversos indicadores, estabelecendo-se, em alguns casos, comparações com o posicionamento em anos anteriores. • No CAPÍTULO 3 procede-se à análise da situação financeira, económica e patrimonial dos municípios apresentando-se a sua evolução nos últimos 5 anos. São também apresentados alguns rankings, estabelecendo-se, em alguns casos, comparações com o posicionamento em anos anteriores. • No CAPÍTULO 4 é analisado o endividamento líquido dos municípios, nos termos da legislação em vigor, bem como calculado o grau de utilização do limite de endividamento tendo em consideração os limites impostos. São também apresentados vários rankings.

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

• No CAPÍTULO 5 procede-se à análise da situação financeira, económica e patrimonial, dos serviços municipalizados e das empresas do setor empresarial local, estabelecendo-se comparações com o ano de 2008 e 2009 para os serviços municipalizados e 2009 e 2010 para as empresas do setor empresarial local. De referir que é ainda analisado para o ano de 2009 o impacto da passagem do POC para o SNC, • No CAPÍTULO 6, à semelhança do procedimento adotado desde o anuário de 2006, é apresentado um ranking dos 50 melhores municípios posicionados em relação a quinze indicadores selecionados pelos autores. • No CAPÍTULO 7 apresentam-se as principais conclusões às contas dos municípios e do setor empresarial local para o exercício económico de 2010. O presente documento termina com uma secção composta por três anexos, nomeadamente: • ANEXO I - Listagem dos diversos estudos elaborados pelos autores no âmbito deste projeto de investigação. • ANEXO II – Glossário de termos contabilísticos. • ANEXO III - Listagem dos municípios por número de habitantes com indicação do número de freguesias e densidade populacional
15

CAPÍTULO 1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 1 O SETOR LOCAL E OS MUNICÍPIOS PORTUGUESES

1.1 O Setor Local
O setor público português assegura a sua missão de produção, prestação e alocação de bens e serviços aos cidadãos através de várias formas organizacionais. Estes diferentes subsetores têm diferentes enquadramentos jurídico-institucionais bem como diferentes fins. Normalmente, distinguem-se dois grandes grupos quanto ao fim prosseguido pelas instituições: o setor público administrativo (SPA), que corresponde à grande maioria do setor público, o qual assegura as funções tradicionais da administração pública, que passam pela provisão de bens e serviços públicos; o setor empresarial do estado (SEE) constituído por uma miríade de entidades de natureza empresarial que deriva da necessidade de assegurar que as utilidades públicas e os monopólios naturais são mantidos na esfera pública. A organização democrática do Estado português compreende a existência de autarquias locais. O princípio da autonomia do poder local está consagrado no artigo 6.º da Constituição da República Portuguesa (CRP), desenvolvendo-se as coordenadas em que aquele se materializa na parte respeitante à organização do poder político e sob a epígrafe “Poder Local”. Assim, “a organização democrática do Estado compreende a existência de autarquias locais (art. 235.º), definindo-as como “pessoas coletivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respetivas” (art. 236.º), especificando ainda que “no continen-

te, as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas”, enquanto “as regiões autónomas compreendem freguesias e municípios1. Atualmente, existem em Portugal 308 municípios dos quais 278 no continente e 30 nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira. A atuação das autarquias locais rege-se, segundo o quadro de transferência de atribuições e competências próprias e por um conjunto de princípios incitadores de um considerável grau de autonomia na prossecução dos seus objetivos e na gestão dos seus recursos. A CRP preconiza no artigo 6.º o princípio da autonomia do poder local e a Carta Europeia de Autonomia Local define-o no artigo 3.º como a “capacidade efetiva de as autarquias locais regulamentarem e gerirem, nos termos da lei, e sob sua responsabilidade e no interesse das respetivas populações, uma parte importante dos assuntos públicos”. Nesse sentido, as autarquias locais são responsáveis, perante diversos destinatários, pela gestão dos recursos públicos locais, visando os interesses das respetivas populações/eleitores. Os municípios, legalmente definidos como autarquias locais que visam a prossecução de interesses próprios da população residente na circunscrição concelhia, mediante órgãos representativos por ela eleitos, adquiriram ao lon1. Considerando que as regiões administrativas ainda não foram criadas, podemos dizer que, no continente, as autarquias locais são constituídas da mesma forma que nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, designadamente compreendendo as freguesias e os municípios.

17

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 1

go do tempo uma grande importância histórica, política, económica, administrativa, financeira e jurídica, revelando-se de primordial importância no contexto das decisões públicas locais. Esta afirmação do poder local tem conhecido uma considerável notoriedade com a crescente transferência de atribuições e competências para os municípios. Atualmente, os municípios possuem atribuições nas seguintes áreas (artigo 13.º da Lei 159/99, de 14 de setembro): • • • • • • • • • • • • • • • Equipamento rural e urbano; Energia; Transportes e comunicações; Educação; Património, cultura e ciência; Tempos livres e desporto; Saúde; Ação social; Habitação; Proteção civil; Ambiente e saneamento básico; Defesa do consumidor; Promoção do desenvolvimento; Ordenamento do território e urbanismo; Polícia municipal; e cooperação externa.

çamento e apreciar o relatório de atividades e os documentos de prestação de contas que refletem o comportamento financeiro do município (artigo 53.º da Lei 5-A/2002, de 11 de janeiro). A Assembleia Municipal tem uma composição mista: é constituída pelos presidentes das juntas de freguesia e por membros eleitos em número igual ao daqueles mais um, não podendo, o número dos membros eleitos diretamente ser inferior ao triplo do número de membros da respetiva Câmara Municipal (artigo 42.º da Lei 5-A/2002, de 11 de janeiro). Podemos, assim, verificar que uma parte dos membros da Assembleia Municipal são eleitos diretamente e uma outra parte são membros por inerência. A Câmara Municipal é o órgão executivo colegial do município, isto é, o órgão responsável pelo planeamento e desenvolvimento das atribuições municipais, pela gestão dos assuntos do município a qual passa para além da gestão corrente por matérias de licenciamento, fiscalização e regulação. Entre outras funções, e de acordo com o artigo 64.º da Lei 5-A/2002, de 11 de janeiro, compete-lhe por lei: executar as deliberações do órgão deliberativo, elaborar e executar as opções do plano e a proposta de orçamento e elaborar e aprovar o relatório de atividades e os documentos de prestação de contas. A Câmara Municipal é constituída pelo presidente da câmara e por vereadores, cujo número varia consoante o número de eleitores da respetiva área (artigo 56.º da Lei 5-A/2002, de 11 de janeiro). Desta forma, os resultados da gestão dos recursos públicos locais resultam das ações da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal, uma vez que à primeira compete definir as principais linhas de orientação das políticas públicas locais e à segunda fazer executar tais políticas. Naturalmente, a forma como são geridos estes recursos públicos tem importantes implicações no desempenho financeiro dos respetivos municípios. Similarmente ao que ocorre na administração central, na administração municipal coexiste um setor administrativo com outros subsetores como os serviços municipalizados e, mais recentemente, o setor empresarial local (SEL). Este último é composto por empresas públicas municipais

A definição taxativa destas atribuições tem subjacente a concretização do princípio da subsidiariedade, ou seja, a prossecução das funções de interesse local pelo nível mais próximo da população que, naturalmente, conhece melhor os seus problemas e necessidades. Nesse sentido, e tendo em conta a organização dos municípios e o respetivo quadro de competências, a lei prevê a existência de órgãos locais próprios: a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal. A Assembleia Municipal constitui o órgão deliberativo do município, ou seja, o órgão que toma as grandes decisões e define as orientações do respetivo município. Entre outras competências, pertence à Assembleia Municipal acompanhar a atividade da Câmara Municipal, aprovar as opções do plano e a proposta de or18

CAPÍTULO 1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 1.01 | Caracterização dos Municípios Portugueses em perspetiva comparada
País Áustria Bélgica Dinamarca Finlândia França Alemanha Grécia Itália Holanda Portugal Espanha Suécia Reino Unido Nº Municípios 2.357 589 98 336 36.697 11.533 325 8.094 418 308 8.116 290 406 Dimensão Média (habitantes) 3.560 18.480 55.90 15.960 1.770 7.080 34.780 7.470 39.740 34.380 5.680 32.340 152.680 % Mun. Menos de 5,000 hab. 91 14 3 52 95 77 53 71 2 20 85 4 0 Despesas Locais (% PIB) 8,2% 7,1% 37,6% 22,5% 11,8% 8,0% 2,8% 15,7% 17,2% 7,2% 24,3% 25,5% 14,0% Nº Mun. 1950 3999 2669 1387 547 38814 24272 5959 7781 1015 303 9214 2281 2028 % Reforma 1950 - 2007 -41% -78% -93% -39% -5% -52% -95% 4% -59% 2% -12% -87% -80%

Nota: Estes valores dizem respeito ao nível municipal de governo (1st Tier), nos termos da classificação europeia do Comité das Regiões. Fonte: CCRE/CEMR. EU Subnational Governments: 2010 Key Figures. 2011/2012 Edition. Assim, no caso português não estão incluídas as freguesias e os serviços municipalizados.

e pelas empresas públicas intermunicipais, que são sociedades comerciais, e por outras entidades empresariais municipais e intermunicipais, que são pessoas coletivas de direito público.

semelhança de processos de reorganização territorial que muitos países europeus adotaram (duas últimas colunas). O mesmo quadro revela também que, embora a dimensão média seja alta, a percentagem de municípios muito pequenos (menos de 5.000 habitantes) é anormalmente alta. Senão vejamos: os países com dimensão municipal média equivalente à portuguesa têm apenas 4% (Suécia) e 2% (Holanda) de municípios muito pequenos. Estes dados mostram que o valor elevado da dimensão média explica-se por existirem municípios, embora poucos, de dimensão muito elevada. Em suma, isto revela a natureza muito assimétrica da realidade municipal portuguesa: municípios muito grandes a coexistirem com municípios muito
19

1.2. Caracterização geral e peso dos Municípios
Em termos de população, a dimensão média dos municípios portugueses é superior à da maioria dos países europeus. Como se observa no Quadro 1.01, a média portuguesa de cerca de 34 mil habitantes é equivalente aos valores da Grécia e Holanda e apenas é largamente ultrapassada pelos da Dinamarca e Reino Unido. Este dado é muito significativo no momento atual em que, no âmbito da reorganização da administração local, se discute a diminuição do número de municípios com o objetivo de aumentar a sua escala, à

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 1

pequenos, muitos deles mais pequenos que muitas freguesias. Apesar desta assimetria, o enquadramento legal, nomeadamente a legislação de finanças locais, é exatamente a mesmo para todos os casos. Isto explica, evidentemente, a assimetria extrema na capacidade de captar receitas próprias por parte dos municípios (dependência financeira). A análise do Quadro 1.01 apresenta uma outra marca relevante da administração local portuguesa em perspetiva comparada: a natureza centralizada do SPA (Setor Público Administrativo). As despesas locais dos municípios portugueses correspondem apenas a 7,2% do PIB, que é o segundo valor mais baixo na comparação. Este indicador de centralização também se observa quando se analisa o peso das despesas locais no total das despesas públicas. O Gráfico 1.01 permite observar a comparação dos valores referentes a Portugal com os valores referentes à média da União Europeia. O valor de Portugal não tem aumentado continuamente no sentido de diminuir a referida centralização. O que se observa é apenas uma variação que parece cíclica entre um mínimo de cerca de 13% e um máximo de 15%. Este parece ser verdadeiramente o contributo da administração local para as despesas públicas totais do SPA. Gráfico 1.01 | Peso percentual das Despesas Públicas Locais nas Despesas Totais do SPA, 1998 – 2010
30% 25% 20% 15% 10% 5%
1998 1999 2000 2001 2005 2003 2004 2005 2006 2008 2009 2010 2007

Através dessa comparação é possível ver, mais uma vez, que Portugal, com uma média de cerca de 14% em 2010, é um dos países mais centralizados de toda a União Europeia, em que a média do peso das despesas públicas se situa na ordem dos 24%. Esta centralização financeira é outra das marcas muito característica da administração local portuguesa. Em resumo, as três características marcantes da administração local portuguesa são: • • • Elevada dimensão média dos municípios; Grande amplitude e assimetria em função da dimensão; Centralização elevada da despesa pública.

Estas características conjugadas apontam claramente para a necessidade de proceder a uma reforma abrangente da administração local. As duas últimas colunas do quadro 1.01 mostram que a grande maioria dos países europeus há muito que procedeu a profundas reformas territoriais. Não por acaso, os acordos de ajuda financeira internacional (FMI, BCE e EU) exigem este tipo de reformas. Uma reorganização justifica-se completamente, desde que tenha por objetivo homogeneizar e descentralizar a realidade municipal portuguesa. O chamado Documento Verde da Reforma da Administração Local, recentemente apresentado pelo governo atual, procura atender a essas três características. Um dos seus eixos é a reorganização territorial, em que se opta claramente pela necessidade de fundir freguesias, sendo que, relativamente aos municípios assume apenas a proposta de incentivo à fusão, o que significa deixar para a decisão municipal a possibilidade de o fazer. Neste caso, serão os mais pequenos a ter fortes incentivos a adotarem estratégias de fusão para obter economias de escala. Esta estratégia pretende diminuir as diferenças entre municípios e não tanto aumentar a sua escala. Outro dos eixos é o da gestão municipal, em que se diz expressamente “ao nível das atribuições e competências a transferir, assim como dos respetivos mecanismos de

0%

Portugal União Eur opeia

FONTE: EUROSTAT, Government Statistics 20

CAPÍTULO 1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

financiamento de modo a promover uma verdadeira descentralização, a qual se pretende mais eficiente e, sobretudo, catalisadora de uma melhor articulação entre a Administração Central e a Administração Local”. Esta opção parece sugerir um objetivo dar maior peso aos municípios e aproximar Portugal dos valores médios europeus. Dada a nossa integração na EU, não é suficiente cuidar do equilíbrio financeiro setorial. O que é relevante do ponto de vista de validação das contas públicas portuguesas é o equilíbrio global das Administrações Públicas que, no geral, correspondem ao SPA. Esta necessidade de análise financeira global do setor público foi consagrada na recente alteração à atual Lei de Enquadramento Orçamental (Lei nº 52/2011 de 2011 de 17 de outubro). Os princípios que decorrem da integração no Pacto de Estabilidade e Crescimento são três: em primeiro lugar, a estabilidade orçamental que se tem de traduzir “numa situação de equilíbrio ou excedente orçamental, calculada de acordo com a definição constante do Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais, nas condições estabelecidas para cada um dos subsetores” (nº 2 do art.º 10.º-A); em segundo lugar, o princípio da solidariedade recíproca que implica uma visão global do SPA, pois “obriga todos os subsetores do SPA, através dos seus organismos, a contribuírem proporcionalmente para a realização do princípio da estabilidade orçamental, de modo a evitar situações de desigualdade” (nº 2 do art.º 10.º-B); finalmente, desta visão global decorre um princípio de transparência orçamental, que “implica a existência de um dever de informação entre as entidades públicas, por forma a garantir a estabilidade orçamental e a solidariedade recíproca” (nº 2 do art.º 10.º-C). Apesar da atual autonomia dos municípios, é notório o constrangimento na esfera financeira das autarquias locais, uma vez que existe uma margem muito grande de intervenção do governo na sua atividade financeira. Por um lado, a Lei do Orçamento pode estabelecer limites específicos de endividamento anual da administração das autarquias locais compatíveis com o saldo orçamental calculado para o conjunto do SPA, sendo que esses limi-

tes podem ser inferiores aos que resultariam das leis financeiras especialmente aplicáveis a cada subsetor. Por outro lado, embora excecionalmente, a mesma lei pode determinar transferências do Orçamento do Estado de montante inferior àquele que resultaria das leis financeiras especialmente aplicáveis a cada subsetor.

1.3 Tipologias de municípios
Embora o documento verde aponte para a definição de escalões de dimensão municipal baseados na densidade populacional, o critério ainda mais vezes usado é o que tem em conta o número de habitantes. Porque as regras do documento verde ainda são propostas para discussão, porque as diferenças entre os dois critérios não são excessivamente significativas e para manter a comparabilidade com as edições anteriores, para efeitos de realização deste anuário, os 308 municípios portugueses são agrupados em três categorias distintas tendo em atenção a sua dimensão quanto ao número de habitantes: Municípios Pequenos – com população menor ou igual a 20 000 habitantes; Médios – com população maior que 20 000 habitantes e menor ou igual a 100 000 habitantes; Grandes – com população maior que 100 000 habitantes. Considerando esta categorização, o número de municípios portugueses distribui-se da seguinte forma:
Pequenos Médios Grandes

179 Municípios 507 Habitantes (Corvo)

106 Municípios

23 Municípios 469.509 Habitantes (Lisboa) 21

20 000 Habitantes

100 000 Habitantes

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 1

A análise do Gráfico 1.02, conjugado com o mapa de Portugal a seguir apresentado, permite verificar que é no interior e nas ilhas que os municípios de pequena dimensão têm um maior peso relativo. De facto, 64% (7 em 11) dos municípios da Região Autónoma da Madeira e 79% (15 em 19) dos municípios da Região Autónoma dos Açores são pequenos, assim como 78% (45 em 58) dos municípios do Alentejo. A Região

Centro concentra 63% (63 em 100) de pequenos municípios do total das autarquias daquela região. Em contrapartida, na Região de Lisboa os pequenos municípios representam 6% (1 em 18) dos municípios da região. Na figura seguinte é apresentada a tipologia dos municípios distribuídos pelo continente e ilhas.

Gráfico 1.02 | Os Municípios Portugueses, por dimensão e região NUTS 2
120 100 80 60 40 20 0 13 0
AlentejoA

100 86 58 45 7 9 16 0 21
Centro
Pequenos

63 35 6 11
Lisboa
Médios Grandes

43 33 18 10
Norte
Total

7 31

11

15 4 0

19

lgarve

Madeira

Açores

Percentagem Pequenos Médios Grandes
1 Abrantes 2 Águeda 3 Aguiar da Beira 4 Alandroal 5 Albergaria-a-Velha 6 Albufeira 7 Alcácer do Sal 8 Alcanena 9 Alcobaça 10 Alcochete 11 Alcoutim 12 Alenquer 13 Alfândega da Fé 14 Alijó 15 Aljezur 16 Aljustrel 17 Almada 18 Almeida 19 Almeirim 20 Almodôvar

Alentejo 78% 22% 0%
21 Alpiarça 22 Alter do Chão 23 Alvaiázere 24 Alvito 25 Amadora 26 Amarante 27 Amares 28 Anadia 29 Angra do Heroísmo 30 Ansião 31 Arcos de Valdevez 32 Arganil 33 Armamar 34 Arouca 35 Arraiolos 36 Arronches 37 Arruda dos Vinhos 38 Aveiro 39 Avis 40 Azambuja

Algarve 44% 56% 0%
41 Baião 42 Barcelos 43 Barrancos 44 Barreiro 45 Batalha 46 Beja 47 Belmonte 48 Benavente 49 Bombarral 50 Borba 51 Boticas 52 Braga 53 Bragança 54 Cabeceiras de Basto 55 Cadaval 56 Caldas da Rainha 57 Calheta (R. A. A.) 58 Calheta (R. A. M.) 59 Câmara de Lobos 60 Caminha

Centro 63% 35% 2%

Lisboa 6% 33% 61%

Norte 50% 38% 12%

Madeira 64% 27% 9%

Açores 79% 21% 0%

61 Campo Maior 62 Cantanhede 63 Carrazeda de Ansiães 64 Carregal do Sal 65 Cartaxo 66 Cascais 67 Castanheira de Pêra 68 Castelo Branco 69 Castelo de Paiva 70 Castelo de Vide 71 Castro Daire 72 Castro Marim 73 Castro Verde 74 Celorico da Beira 75 Celorico de Basto 76 Chamusca 77 Chaves 78 Cinfães 79 Coimbra 80 Condeixa-a-Nova

81 Constância 82 Coruche 83 Corvo 84 Covilhã 85 Crato 86 Cuba 87 Elvas 88 Entroncamento 89 Espinho 90 Esposende 91 Estarreja 92 Estremoz 93 Évora 94 Fafe 95 Faro 96 Felgueiras 97 Ferreira do Alentejo 98 Ferreira do Zêzere 99 Figueira da Foz 100 Figueira de Castelo Rodrigo

101 Figueiró dos Vinhos 102 Fornos de Algodres 103 Freixo de Espada à Cinta 104 Fronteira 105 Funchal 106 Fundão 107 Gavião 108 Góis 109 Golegã 110 Gondomar 111 Gouveia 112 Grândola 113 Guarda 114 Guimarães 115 Horta 116 Idanha-a-Nova 117 Ílhavo 118 Lagoa (Algarve) 119 Lagoa (R.A.A) 120 Lagos

22

CAPÍTULO 1
121 Lajes das Flores 122 Lajes do Pico 123 Lamego 124 Leiria 125 Lisboa 126 Loulé 127 Loures 128 Lourinhã 129 Lousã 130 Lousada 131 Mação 132 Macedo de Cavaleiros 133 Machico 134 Madalena 135 Mafra 136 Maia 137 Mangualde 138 Manteigas 139 Marco de Canaveses 140 Marinha Grande 141 Marvão 142 Matosinhos 143 Mealhada 144 Meda 145 Melgaço 146 Mértola 147 Mesão Frio 148 Mira 149 Miranda do Corvo 150 Miranda do Douro 151 Mirandela 152 Mogadouro 153 Moimenta da Beira 154 Moita 155 Monção 156 Monchique 157 Mondim de Basto 158 Monforte 159 Montalegre 160 Montemor-o-Novo 161 Montemor-o-Velho 162 Montijo 163 Mora 164 Mortágua 165 Moura 166 Mourão 167 Murça 168 Murtosa 169 Nazaré 170 Nelas 171 Nisa 172 Nordeste 173 Óbidos 174 Odemira 175 Odivelas 176 Oeiras 177 Oleiros 178 Olhão 179 Oliveira de Azeméis 180 Oliveira de Frades 181 Oliveira do Bairro 182 Oliveira do Hospital 183 Ourém 184 Ourique 185 Ovar 186 Paços de Ferreira 187 Palmela 188 Pampilhosa da Serra 189 Paredes 190 Paredes de Coura 191 Pedrógão Grande 192 Penacova 193 Penafiel 194 Penalva do Castelo 195 Penamacor 196 Penedono 197 Penela 198 Peniche 199 Peso da Régua 200 Pinhel 201 Pombal 202 Ponta Delgada 203 Ponta do Sol 204 Ponte da Barca 205 Ponte de Lima 206 Ponte de Sor 207 Portalegre 208 Portel 209 Portimão 210 Porto 211 Porto de Mós 212 Porto Moniz 213 Porto Santo 214 Póvoa de Lanhoso 215 Póvoa de Varzim 216 Povoação 217 Proença-a-Nova 218 Redondo 219 Reguengos de Monsaraz 220 Resende 221 Ribeira Brava 222 Ribeira de Pena 223 Ribeira Grande 224 Rio Maior 225 Sabrosa 226 Sabugal 227 Salvaterra de Magos 228 Santa Comba Dão 229 Santa Cruz 230 Santa Cruz da Graciosa 231 Santa Cruz das Flores 232 Santa Maria da Feira 233 Santa Marta de Penaguião 234 Santana 235 Santarém 236 Santiago do Cacém 237 Santo Tirso 238 São Brás de Alportel 239 São João da Madeira 240 São João da Pesqueira 241 São Pedro do Sul 242 São Roque do Pico 243 São Vicente 244 Sardoal 245 Sátão 246 Seia 247 Seixal 248 Sernancelhe 249 Serpa 250 Sertã 251 Sesimbra 252 Setúbal 253 Sever do Vouga 254 Silves 255 Sines 256 Sintra 257 Sobral de Monte Agraço 258 Soure 259 Sousel 260 Tábua 261 Tabuaço 262 Tarouca 263 Tavira 264 Terras de Bouro 265 Tomar 266 Tondela 267 Torre de Moncorvo 268 Torres Novas 269 Torres Vedras 270 Trancoso 271 Trofa 272 Vagos 273 Vale de Cambra 274 Valença 275 Valongo 276 Valpaços 277 Velas 278 Vendas Novas 279 Viana do Alentejo 280 Viana do Castelo 281 Vidigueira 282 Vieira do Minho 283 Vila da Praia da Vitória 284 Vila de Rei 285 Vila do Bispo 286 Vila do Conde 287 Vila do Porto 288 Vila Flor 289 Vila Franca de Xira 290 Vila Franca do Campo 291 Vila Nova da Barquinha 292 Vila Nova de Cerveira 293 Vila Nova de Famalicão 294 Vila Nova de Foz Côa 295 Vila Nova de Gaia 296 Vila Nova de Paiva 297 Vila Nova de Poiares 298 Vila Pouca de Aguiar 299 Vila Real 300 Vila Real de Santo António 301 Vila Velha de Ródão 302 Vila Verde 303 Vila Viçosa 304 Vimioso 305 Vinhais 306 Viseu 307 Vizela 308 Vouzela

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

274 292 190 60 280 90 215 205

155 31

145

204 302 264 27 214 114 282 54 95

305 159 51 276 222 298 132 151 304 150 152 77 53

42

52 293

167 75 157 307 13 96 288 299 14 271 237 186 130 26 136 225 000 63 142 275 189 267 199 210 193 139 41 147 110 240 103 220 123 33 261 294 295 78 69 262 89 196 232 153 144 34 71 239 248 100 296 185 179 273 241 270 3 168 91 253 245 200 180 5 306 194 102 308 74 38 18 2 137 117 266 113 170 272 181 111 286 28 62 143 79 80 30 101 23 183 98 265 8 268 88 291 109 21 76 206 39 82 163 35 278 160 93 7 279 208 24 112 97 86 281 165 43 219 166 218 22 104 258 92 50 81 64 164 228 182 260 297 129 149 197 67 191 250 217 284 244 1 131 171 107 85 207 36 158 87 61 70 141 301 177 68 116 32 108 188 246 138 47 84 195 106 226

148

192 99 161 258 201 140 124 45 9 56 198 173 49 128 55 12 257 37 289 224 65 40 227 211

169

235

269 135 256

19

127 48 175 25 66 176 125 16210 17 154 247 44 187 251 252

303 4

212 243 234 133 58 229 203 221 59 105

213

255 83 230 231 121 277 115 242 134 122 202 172 216 119 290 287 224 15 120 285 57 29 283

236 16

46

249

174

184

73

146

20 11 156 254 209 118 6 95 126 238 263 72 300

Pequeno Médio Grande

178

23

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 1

1.4. A desconcentração de serviços – “Grupos Municipais”
A tendência de reforma do setor público no sentido de impor critérios de eficiência implicou um conjunto de importantes reconfigurações nas formas organizacionais de prestação serviços. Um dos aspetos mais salientes dessa tendência foi a transferência da prestação de bens e serviços para outras entidades do setor público. Tal tendência, também se verificou ao nível da administração local. Em 1998, foi aprovada a primeira legislação do setor empresarial local, incluindo a possibilidade de criação de empresas municipais e intermunicipais. Posteriormente e pela Lei 11/2008 de 20 de Fevereiro, procede-se à primeira alteração legislativa ao quadro vigente. O atual quadro legal inclui as empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas no setor empresarial local. Neste contexto, dada a profusão de atividades autárquicas transferidas para o setor empresarial local, apresentam-se, no Quadro 1.02, o número de autarquias que tinham, à data de 2010, constituído empresas municipais e/ou serviços municipalizados. Pela análise do Quadro 1.02 verifica-se que 145 municípios têm serviços descentralizados em uma ou mais empresas municipais, 167 participam numa empresa intermunicipal e 30 possuem unidades autónomas de Serviços Municipalizados. Destas entidades, a maioria tem apenas uma empresa municipal e uma unidade de serviços municipalizados. Por outro lado, 163 municípios (110 pequenos, 50 médios e 3 grandes) não possuem entidades do setor empresarial local, sendo, na sua maioria, municípios de pequena dimensão. Do exposto, e sem contabilizarmos, ainda, a participação dos municípios em Fundações, Associações e outras entidades de direito público ou privado, que não esteja incluído no sector empresarial local, verificamos que:
24

Estamos perante 1752 potenciais “grupos autárquicos”, em que o município será a designada “entidade – mãe”. Assim, as contas de 175 autarquias refletirão financeiramente, apenas, uma parte da sua atividade traduzindo, por defeito, tanto o valor do seu ativo como os montantes do passivo e, por isso, não serão a imagem fiel e fiável da real situação patrimonial e financeira do município. E este diferencial, será tanto maior, quanto maior o grau de descentralização das atribuições pelas entidades do setor empresarial autárquico. Anote-se, contudo, que a atual Lei das Finanças Locais (Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro) impõe no seu artigo n.º 6, que os municípios que detenham serviços municipalizados ou a totalidade do capital de entidades do setor empresarial local, devem proceder à consolidação do Balanço e da Demonstração dos Resultados, com os respetivos anexos explicativos incluindo, nomeadamente, os saldos e fluxos financeiros entre as entidades alvo de consolidação e o mapa de endividamento consolidado, de médio e longo prazo. Foi publicada a portaria 474/2010, de 1 de Julho que estabelece os critérios e procedimentos de consolidação das contas no SPA, tendo posteriormente o SATAPOCAL emitido uma orientação para os municípios definindo regras para a consolidação para o exercício de 2010. No entanto, foram ainda poucos os municípios que apresentaram contas consolidadas. Acresce referir que a questão da consolidação de contas entre os municípios e outras entidades locais se tornou ainda mais específica a partir de Janeiro de 2010, data em que entrou em vigor o novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC). Efetivamente, a partir de 2010 todas as entidades do setor empresarial local passaram a implementar o SNC, continuando os municípios e os serviços municipalizados a implementar o POCAL. No âmbito de uma nova reforma da contabilidade pública, a alteração ao POCAL prevista e esperada vai ter de contemplar o novo enquadramento normativo do SNC. Esta situação por si só evidencia a necessidade de se diligenciar no sentido de adaptação do POCAL e restantes Planos Públicos às Normais Internacionais de Contabilidade do Setor Público.
2. Número de municípios com serviços municipalizados e ou, com participação em entidades de setor empresarial autárquico.

CAPÍTULO 1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 1.02 | Número de serviços municipalizados e Entidades do Setor Empresarial Local
Total Serviços Municipalizadosa 0 Municípios Pequenos Municípios Médios Municípios Grandes Total de municípios Total de Empresas e SM’s
(a)

Empresas Municipaisb 0 110 50 3 163 1 49 26 6 81 2 19 14 1 34 281 3 0 3 3 6 4 0 11 3 14 >4 1 2 7 10 0 81 44 16 141

Empresas Intermunicipais 1 81 47 4 132 2 16 14 1 31 23 3 1 1 2 4 4 0 0 0 0

1 1 20 9 30 29

2 0 0 0 0

179 106 23 308 333

178 86 14 278

Existe um Serviço Municipalizado pertencente a 2 municípios (Oeiras e Amadora) Inclui 300 empresas em estritamente municipais.

(b)

1.5 Plano Plurianual de Investimentos (PPI)
Neste ponto tratamos da execução do Plano Plurianual de Investimentos, que fornece informação sobre a execução financeira dos projetos, reportada a 31 de dezembro de cada ano. O PPI deve ser organizado e estruturado por objetivos, programas, projetos e, eventualmente, ações e é elaborado numa base móvel de 4 anos. Assim, O PPI elaborado em 2010 correspondeu ao quadriénio de 2010 a 2013 e reflete os consumos financeiros dos projetos iniciados em 2010, com percussões financeiras e de tesouraria, nesse ano ou em anos subsequentes. Traduzem, ainda, os gastos monetários de projetos iniciados em anos económicos anteriores mas, cuja execução material e ou financeira se projeta em 2010 ou mesmo para além desta data. Com esta informação é possível determinar os projetos/ações que se concluem no ano económico em apreço, e quais os que continuam nos anos seguintes, bem como qual o montante total despendido em cada projeto/ação, já iniciado ou a iniciar, neste caso, em 2010. Na medida em que o Plano Plurianual de Investimentos é elaborado de acordo com a classificação funcional (Ponto 10.1 do POCAL), isso permite analisar as principais divisões de despesas. Em primeiro lugar, as funções gerais, que dizem respeitam à administração geral, proteção civil

e polícia municipal. Em segundo lugar, as funções sociais dizem respeito à educação, saúde, ação social, habitação, serviços coletivos (incluindo ordenamento do território, saneamento e abastecimento de água), cultura e desporto. Em terceiro lugar, as funções económicas de investimentos em agricultura, indústria e energia, transportes e comunicações e comércio e turismo. Por último, as outras funções que agrupam as operações da dívida autárquica e as transferências entre administrações. O Quadro 1.03 mostra essa distribuição global, revelando os valores percentuais para apreender a importância relativa de cada uma das quatro grandes categorias. Quadro 1.03 | PPI distribuído pelas Quatro Grandes Funções, em 2010
Pequenos Funções Gerais Funções Sociais Funções Económicas Outras Funções Total 9% 59% 31% 2% 100% Médios 8% 62% 29% 2% 100% Grandes 11% 68% 19% 3% 100% 2009 10% 57% 30% 3% 100% 2010 9% 63% 26% 2% 100%

As atividades classificadas como funções sociais são as que mais representatividade têm no PPI, destacando-se para as
25

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 1

Quadro 1.04 | Funções Sociais no PPI
2010 Categorias Ensino não Superior Serviços Auxiliares de Ensino Saúde Ação Social Habitação Ordenamento do Território Saneamento Abastecimento de Água Resíduos Sólidos Proteção do Meio Ambiente Cultura Desporto e Lazer Outras Atividades Total Pequenos 35,8% 0,2% 0,4% 1,7% 2,3% 20,6% 5,5% 5,4% 1,1% 4,6% 7,7% 14,0% 0,6% 100% Médios 41,8% 0,1% 0,8% 0,6% 3,2% 14,1% 8,8% 5,2% 1,0% 6,4% 5,4% 12,4% 0,1% 100% Grandes 35,6% 0,1% 0,7% 0,9% 7,8% 21,6% 2,3% 0,3% 1,2% 16,7% 5,4% 7,2% 0,0% 100% Total 38,2% 0,1% 0,7% 1,0% 4,5% 18,3% 5,8% 3,7% 1,1% 9,2% 6,0% 11,2% 0,2% 100% 2009 Total 25,3% 0,3% 0,7% 1,2% 6,0% 21,6% 6,9% 5,4% 1,4% 9,2% 8,5% 13,4% 0,2% 100% 2008 Total 12,5% 0,3% 0,7% 1,2% 10,1% 21,5% 8,3% 5,5% 1,3% 10,2% 12,1% 16,2% 0,3% 100% 2007 Total 12,0% 0,2% 1,5% 1,7% 7,5% 21,8% 10,3% 8,2% 1,2% 9,0% 11,6% 14,8% 0,2% 100%

mesmas, em média, 63% dos investimentos. Nos grandes municípios esta proporção subiu para 68% e nos pequenos baixou para 59%. As funções económicas das autarquias absorveram, em média, 26% dos investimentos. Contudo, o peso destas despesas, no PPI, variou entre 19% nos grandes municípios e 31% nos municípios de pequena dimensão. Em relação a 2009, verifica-se um grande aumento do peso das funções sociais acompanhado de uma diminuição de todas as outras, incluindo as económicas. As funções gerais e as outras têm um peso relativamente menor, não se verificando grande oscilação de peso entre as diferentes categorias de municípios (grandes, pequenos e médios). Por serem as que correspondem ao maior volume de investimentos, as funções sociais e económicas merecem uma
26

análise mais detalhada, a fazer nos quadros seguintes. O Quadro 1.04 mostra a distribuição do investimento em funções socias, por categorias de ações. O facto mais saliente nesta função é o lugar cada vez maior do investimento em ensino. Pelo segundo ano, é o investimento social mais importante com uma média de 38,2%, o que corresponde a um pouco mais do triplo do valor de 2007 (12%). A segunda categoria em importância é a dos projetos e ações de ordenamento de território e reabilitação urbana e rural, a qual absorveu, em média, 18,3% das despesas nesta função. Os gastos com o desporto e lazer estão em terceiro lugar na lista das despesas sociais, com o peso de 11,2%, o qual representou uma descida de 2,2 pontos percentu-

CAPÍTULO 1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 1.05 | Funções Económicas no PPI
2010 Categorias Agricultura, Pecuária Pescas Indústria e Energia Transportes e Comunicações Comércio e Turismo Outras Funções Total Pequenos 1,1% 8,7% 78,9% 10,4% 0,9% 100% Médios 0,4% 7,2% 85,2% 6,8% 0,4% 100% Grandes 0,1% 6,9% 88,1% 3,4% 1,6% 100% Total 0,5% 7,7% 83,7% 7,3% 0,8% 100% 2009 Total 1,3% 7,3% 81,7% 8,3% 1,4% 100% 2008 Total 2,1% 9,5% 76,8% 9,8% 1,8% 100% 2007 Total 1,2% 8,4% 77,7% 11,6% 1,1% 100%

ais em relação a 2009. Do ponto de vista financeiro, esta atividade autárquica tem adquirido, nos municípios de pequena dimensão, um peso significativo representando, em 2010, 14% do investimento realizado nesta função. Outras categorias das Funções Sociais como a proteção ao meio ambiente e cultura, apresentaram, em 2010, valores médios de investimento de, respetivamente, de 9,2% e 6%, embora os comportamentos por grupos de municípios tivessem variado de forma significativa. Assim, a proteção ao meio ambiente, nos municípios de grandes dimensões ultrapassa o peso médio, adquirindo uma relevância de 16,7%. O mesmo se passa em relação à cultura, que assume o peso de 7,7% nos municípios de pequena dimensão. Mais uma vez se verifica que o grupo dos grandes municípios apresenta um padrão de distribuição funcional diferente dos outros dois grupos, como aliás já se verificou para os investimentos em proteção do meio ambiente. Outros exemplos a citar serão: os investimentos em habitação que, embora tenham apresentado um peso médio de 4,5%, nos grandes municípios essa representatividade passou para 7,8%. Ao contrário, os investimentos em saneamento e abastecimento de água nos grandes municípios têm um peso ínfimo (2,3% e 0,3% respetivamente) na estrutura da despesa, por comparação com os valores relativos atingidos nos pequenos e médios. O peso inferior dos projetos de infraestrutura de primeira necessidade é inteiramente compreensível, pois

os municípios grandes são os mais robustos financeiramente, o que lhes permitiu resolver essas lacunas há mais anos. O Quadro 1.05 permite analisar as despesas económicas, salientando-se que, ao contrário do quadro anterior, há uma diferença clara relativamente a cada um dos três grupos. Sem surpresa, a categoria que ocupa uma percentagem maior são os investimentos em transportes e comunicações, com uma média de cerca de 83,7%, bastante superior ao do ano anterior, sendo claro que, quanto maior é o município, maior é o peso percentual desta rubrica. No grupo dos de grande dimensão o valor foi de quase 5 pontos percentuais acima da média. Assiste-se a uma clara tendência de diminuição da categoria dos investimentos ligados ao comércio e turismo, cujo valor média era de 11,6% em 2007 e situa-se apenas em 7,3% em 2010. Além disso, a parcela maior de recursos nesta categoria é atingida nos municípios pequenos, com cerca de 10,4%. Relativamente às categorias com menor peso, nos projetos de agricultura, pecuária e pesca, quanto menor é a dimensão dos municípios, maior é o seu peso percentual. O valor atingiu um máximo de 1,1% no grupo de menor dimensão, exatamente porque é o grupo dos municípios mais rurais. Por último, relativamente à indústria e energia, o maior peso continua a observar-se no grupo de pequena dimensão (8,7%), pese embora seja um grupo mais rural e de pendor menos industrial.
27

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 2 ANÁLISE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTAL DOS MUNICÍPIOS

2.1. Introdução
Neste capítulo, pretende-se evidenciar a execução orçamental dos Municípios, no ano económico de 2010, considerando o universo dos 308 Municípios. Para o efeito, são analisadas as componentes orçamentais da receita e da despesa municipal com relevância para as de maior peso na respetiva estrutura. Sempre que a recolha de dados o permita, apresentar-se-á ainda a evolução para o quinquénio 2006/2010. Na ótica da despesa, os factos financeiros objetos de análise e comparação serão a despesa prevista, os compromissos assumidos, os pagamentos efetuados, os compromissos para exercícios futuros e os compromissos por pagar. Na ótica da receita, analisar-se-á a previsão orçamental, a liquidação3, a cobrança, bem como os saldos orçamentais. Os montantes serão apreciados de forma agregada e global, por classificação económica, com especial atenção para a variação do peso de cada um, na despesa ou na receita total e, para a evolução dos valores absolutos nos cinco anos em apreço (2006 a 2010). A informação está organizada por agrupamentos de muni3. Receita liquidada verifica-se no momento do direito a cobrar ou a receber.

cípios4 de acordo com a sua dimensão, mantendo-se a classificação adotada nos anteriores relatórios, em municípios de grande, média e pequena dimensão. Sempre que a situação assim o releve, apresentar-se-á informação discriminada por município. De igual modo, se manterão as listagens simples ou, em alguns casos, hierarquizadas (rankings) de municípios, por rácios que possibilitem uma melhor caracterização do sector autárquico. A informação orçamental constante deste ponto do Anuário, apenas agrega e se reporta à atividade financeira da estrutura administrativa das autarquias em sentido estrito, sem inclusão da atividade financeira do sector empresarial local. Anota-se, finalmente, que se tem verificado nestes cinco anos em análise, um melhoramento substancial na aplicação do POCAL, nomeadamente no registo dos factos financeiros e prestação da informação orçamental, pelo que, salvo alguns pontos que serão referenciados, a informação orçamental e financeira é de elevada fiabilidade, sustentando a análise e as conclusões apresentadas.
4. No capítulo 2 no Anuário Financeiro de 2005, considerou-se que os municípios de grande dimensão eram 24 municípios. A partir do Anuário Financeiro de 2006 foi retirado do grupo dos municípios de grande dimensão o município do Funchal, que passou a ter 99 759 habitantes em 2006, continuando em 2010 com menos de 100.000 habitantes. Por outro lado, em 2007 a população de Coruche diminui de 20.191 para 19.898 habitantes (19.624 em 2008, 19.356 em 2009 e 19.087 em 2010), passando assim a município de pequena dimensão. Em 2009 o município de Cinfães passou à classificação de pequena dimensão (passou de 20.198 habitantes para 19.889, tendo em 2010 19.567 habitantes). Em 2010, Lousã e Amares passaram a ser municípios de média dimensão, com um aumento do número de habitantes de 19.721 para 20.181 e de 19.963 para 20.017, respectivamente.

29

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.2. Independência financeira5
No presente Anuário mantém-se, para se aferir o grau de independência financeira das autarquias, a adoção do rácio que relaciona as receitas próprias com as receitas totais. Considera-se que existirá independência financeira, se as receitas próprias6 representarem, pelo menos, 50% das receitas totais. Para melhor compreender a evolução deste indicador apresenta-se de forma comparada para os anos compreendidos entre 2006 e 2010 e por grupos de municípios, o peso nas receitas totais das receitas próprias, das transferências e dos passivos financeiros. A observação do Gráfico 2.04 permite concluir que, nos cinco anos referenciados, a independência financeira, considerando a globalidade dos municípios, atingiu o seu maior peso em 2007 (54%) e o menor em 2009 (45%). O valor médio deste indicador, no período considerado, foi de 50% para o universo total dos municípios. Em 2010 devido essencialmente à diminuição das receitas creditícias, o peso das receitas próprias na receita total aumentou 3% em relação a 2009 atingindo os 48% mas ficando, todavia, a níveis ainda bastante inferiores aos apresentados entre 2006 e 2008. Analisando a evolução deste indicador por grupos de municí5. Conceito que não se pode confundir com o de Autonomia Financeira, referido no artigo 3.º da Lei das Finanças Locais. 6. Desde o primeiro Anuário que se considera, que receitas próprias da autarquia são as receitas totais deduzidas das transferências e dos passivos financeiros.

pios, verifica-se que o mesmo assume um maior peso nos municípios de grande dimensão7, representando as receitas próprias, em média, 69,2% das receitas totais, isto é, mais 19,2% que a média global. Neste grupo de municípios o ano de 2006 foi o que apresentou melhor nível médio de independência financeira (73%) e o de 2009, o pior nível (64%), sendo que, em 2010, se verifica um aumento de 2 pp. situando-se nos 66%. Os recursos financeiros dos municípios de pequena dimensão dependem, essencialmente, das transferências recebidas através do FEF8 as quais representaram neste período, em média, 66,2% das receitas totais. O peso médio dos recursos próprios nas receitas totais foi apenas de 25,4% traduzindo uma independência financeira muito reduzida, nesta categoria de municípios. Nos municípios de média dimensão, as transferências do Estado e as receitas próprias contribuíram, nestes cinco anos, quase em partes iguais para a receita total, com o peso médio, respetivamente de 43,8% e 48,8%. Tendo sido, entre 2006 e 2009, o peso das receitas próprias sempre superior ao peso das transferências, em 2010 inverteu-se este diferencial contribuindo as transferências em mais 1% que as receitas próprias para as receitas totais.
7. Justificada pelo maior volume de receita fiscal auferida, nomeadamente, a proveniente do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT). Releva-se, ainda, o peso significativo, nos grandes municípios, do produto das cobranças das derramas lançadas sobre o lucro tributável (através do IRC). 8. Transferências do OE e provenientes da repartição dos recursos públicos entre o Estado e os municípios (nos termos do artigo 19.º da LFL), cujo objetivo, é exatamente providenciarem, através de subvenção criteriosa, o equilíbrio financeiro horizontal e vertical entre o exercício do poder central e poderes locais.

30

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.01 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Pequena Dimensão
60%
70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%
2006
Passivos Financeiros (12) / Receita total 24%

Gráfico 2.02 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Média Dimensão
65%

69%

67%

66%

64%

50% 40% 30%

51%

53% 45% 42%

49% 41% 44% 43%

47%

48%

28%

27% 7%

23% 13%

25% 10%

20% 10% 0%
2006 2007 4% 5% 9%

13% 5%

7%

5%

2008

2009
Transferências (06,10) / Receitas totais

2010

2007

2008

2009
Transferências (06,10) / Receitas totais

2010

Receitas próprias (01,02,04,05,07,08,09,11,13) / Receitas totais Passivos Financeiros (12) / Receita total

Receitas próprias (01,02,04,05,07,08,09,11,13) / Receitas totais

Gráfico 2.03 | Evolução da Estrutura Financeira dos Municípios de Grande Dimensão
80% 60% 40%
25% 24% 2% 5% 25% 27% 9% 28%
73%

Gráfico 2.04 | Evolução da Estrutura Financeira dos 308 Municípios
60%
54% 44% 42%

72%

71%

64%

66%

52%

50% 40% 30% 20% 10%
6%

51% 42%

45%

48% 46% 43%

20%
4%

7% 4% 2006 2007 5%

12%

7%

0%
2006 2007

0% 2008
2009
Transferências (06,10) / Receitas totais

2008

2010

2009
Transferências (06,10) / Receitas totais

2010
Receitas próprias (01,02,04,05,07,08,09,11,13) / Receitas totais Passivos Financeiros (12) / Receita total

Receitas próprias (01,02,04,05,07,08,09,11,13) / Receitas totais Passivos Financeiros (12) / Receita total

Comparando os gráficos apresentados, verifica-se que o valor do rácio da independência financeira, em média, cresceu de 2009 para 2010 em todos os grupos de municípios. Esta subida foi maior ao nível dos municípios de média dimensão (+3%) e ligeiramente menor para os municípios de pequena e grande dimensão (em ambos os casos, +2%) Como já foi referido o aumento do peso das receitas próprias e das transferências deveu-se mais à drástica dimi-

nuição das receitas creditícias e menos a um aumento absoluto daquelas receitas. Efetivamente, o peso do recurso ao crédito (passivo financeiro) nas receitas totais teve um decréscimo acentuado de 2009 para 2010. Em média, este indicador baixou 5%. A diminuição do recurso ao crédito foi mais acentuada no grupo dos municípios de média dimensão atingindo – 8%. Nos municípios de grande dimensão e pequena dimensão, esta diminuição foi de apenas 3%, em cada caso.
31

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

O Gráfico 2.05 evidencia a evolução do peso relativo das receitas próprias na receita total autárquica no período de 2006 a 2010, por grupo de municípios. Os municípios, em 2010 recuperaram ligeiramente de uma independência financeira fortemente abalada em 2009, mantendo-a, contudo, em níveis bem inferiores aos verificados entre 2006 e 2008. Gráfico 2.05 | Evolução da Independência Financeira dos Municípios (2006 a 2010)
80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%
2006 2007 2008 2009 2010

A média global do rácio de independência financeira, em 2010, foi: no grupo dos municípios de pequena dimensão de 22% (igual à verificada em 2009, -2% que em 2008 e -6% que em 2007), nos de média dimensão de 44% (+3% que em 2009, - 5% que em 2008 e -12% que em 2007) e no grupo dos municípios de grande dimensão de 60% (igual a 2009, - 6% que em 2008 e - 12% que em 2007). Relativamente à dependência dos municípios das transferências de Estado, verifica-se que, em 2010, a mesma se situou entre o mínimo de 11% (Vila Real de S. António) e o máximo de 98% (Corvo) sendo que, o peso médio das transferências de Estado nas receitas totais, considerando a globalidade dos municípios, foi de 61% (+3% que em 2009). Contudo, considerando apenas o universo dos pequenos municípios, este indicador apresentou o valor de 70 % (em 2006 foi de 65%, em 2007 de 67%, em 2008 de 70% e em 2009 68%). Nos grandes municípios, em 2010, a média do peso das transferências de Estado nas receitas totais, foi de 34% (+2pp que em 2009). Nos municípios de média dimensão, este rácio apresentou um valor médio de 52%, isto é, mais 5pp que em 2009. O peso médio dos passivos financeiros, na receita total, considerando a globalidade dos municípios, em 2010 foi de 6% (7%, em 2008 e 11% em 2009). A diminuição do peso relativo destas receitas, correspondeu ao efetivo decréscimo do volume real de empréstimos utilizados pelos municípios provocado, essencialmente, pelo controlo do limite de endividamento líquido municipal determinado no artigo 37.º da Lei das Finanças Locais, pese embora o OE de 2010 no seu artigo 38.º, tenha excecionado dos limites de endividamento, empréstimos destinados ao financiamento de investimentos no âmbito da Qualificação e Reinserção Urbana de Bairros Críticos e para aquisição de fogos ao IHRU. Ora, qualquer exceção ao limite de endividamento, poderia proporcionar um acréscimo de endividamento global, o que parece não ter sido o caso.

73%

72% 53%

71% 64%

66%
47%

52%

49%

44%

29%

28%

27%

23%

25% Grandes Médias Pequenas

Observando o Quadro 2.01 e considerando a independência financeira nos termos que acabamos de expor relativamente ao universo total da amostra, constata-se o seguinte: A independência financeira dos municípios apresenta uma amplitude entre o máximo de 87% (município de Vila Real de S. António) e um mínimo de 2% (município do Corvo); Enquanto no grupo dos grandes municípios se verifica que a independência financeira varia entre o mínimo de 37% (Barcelos) e o máximo de 86% (Lisboa), no agrupamento dos pequenos municípios constata-se uma amplitude entre 2% (Corvo) e 87% (Vila Real de S. António). Já no grupo dos municípios de média dimensão, esta variação vai desde os 18% (Baião) até aos 79% (Lagoa);
32

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 2.01 | Independência Financeira em 2010
Pequenos Nº de municípios existentes Nº de municípios analisados 179 179 Médios 106 106 Grandes 23 23 Total 308 308

Receitas próprias (01,02,04,05,07,08,09,11,13) Receitas Totais (Receitas próprias + Transferências+ Passivos Financeiros) % Média de todos os municípios % Mínima % Máxima 22% 2% Corvo 87% Vila Real de Santo António 44% 18% Baião 79% Lagoa (Algarve) 60% 37% Barcelos 86% Lisboa 33% 2% 87%

Transferências (06, 10) Receitas Totais (Receitas próprias + Transferências+ Passivos Financeiros) % Média de todos os municípios % Mínima % Máxima 70% 11% Vila Real de Santo António 98% Corvo 52% 16% Albufeira 76% Tondela 34% 14% Lisboa 57% Barcelos 61% 11% 98%

Passivos Financeiros (12) Receitas Totais (Receitas próprias + Transferências+ Passivos Financeiros) % Média de todos os municípios % Mínima % Máxima 7% 0% 85% Fornos de Algodres 5% 0% 43% Cantanhede 6% 0% 26% Sintra 6% 0% 85%

Da análise conjunta do quadro 2.01, conjugada com o que a seguir se apresenta, verifica-se que, em 2010, são 56 (49 em 2009, 74 em 2008, 77 em 2007 e 70 em 2006), os municípios que apresentam uma independência financeira igual ou superior a 50% sendo que, 17, são municípios de grande dimensão, 30 de média dimensão e 9 de pequena dimensão (Alcochete, Castro Marim, Grândola, Nazaré, Óbidos, Porto Santo, Sines, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António). Verifica-se um ligeiro aumento, em 2010, no número de municípios de pequena (+4) e média dimensão (+3) que apresentam

independência financeira igual ou superior a 50%. Este reforço poderá traduzir um caminho para uma retoma progressiva de consolidação de autonomia financeira, exigida com a Lei das Finanças Locais e com o controlo da execução orçamental estabelecido nos artigos 75º e 76.º do Decreto-Lei de execução do OE para 2010. Todavia, 6 municípios de grande dimensão apresentam um volume de receitas próprias inferior a 50% das receitas totais (Barcelos, Braga, Gondomar, Guimarães, Santa Maria da Feira e Sintra).
33

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Quadro 2.02 | Outros indicadores relevantes para os Municípios
Dimensão Pequenas Nº de municípios com receitas próprias, superiores ou iguais a 50% das receitas totais Médias Grandes Total Pequenas Nº de municípios com receitas próprias, inferiores a 20% das receitas totais Médias Grandes Total Pequenas Nº de municípios que não recorreram a empréstimos bancáriosa Médias Grandes Total Pequenas N.º de municípios com receitas provenientes das transferências, superiores a 80% da receita total Médias Grandes Total a. Inclui empréstimos de curto, médio e longo prazo 2006 6 41 23 70 50 1 0 51 42 26 5 73 45 1 0 46 2007 11 44 22 77 77 2 0 79 55 26 9 90 37 1 0 38 2008 13 41 20 74 90 1 0 91 53 19 6 78 47 1 0 48 2009 5 27 17 49 97 5 0 102 42 16 4 62 35 0 0 35 2010 9 30 17 56 89 3 0 92 61 31 6 98 50 0 0 50

Da apreciação do quadro 2.02 pode concluir-se ainda o seguinte: Em 2010, mais 13 novos municípios viram a suas receitas próprias a baixarem para níveis inferiores a 20% das receitas totais. Todavia, outros 239 dos que em 2009 estavam nesta situação ultrapassaram esta barreira melhorando o rácio para valores superiores a 20% da receita total. Desta movimentação, em 2010, resultou um saldo líquido, em 2010, de menos 10 municípios a apresentarem receitas próprias inferiores a 20% das receitas totais. A diminuição global, do número de municípios nesta situação financeira poderá ser sintoma de uma progressiva consciencialização e prática
9. Relativamente a estes 23 municípios, 12 registaram um aumento das transferências do Estado e 11 e uma diminuição do valor das mesmas

de gestão pública conducente a uma maior consolidação financeira. A forte dependência financeira das receitas externas expressa por este indicador, é essencialmente verificada nos municípios de pequena dimensão (89 em 2010), pois só em 3 de média dimensão se verificou este rácio. Desde 2009 que nenhum município de grande dimensão apresenta esta situação de dependência financeira. Os municípios com maior dependência das transferências para equilíbrio do seu orçamento são, desde 2009, exclusivamente os municípios de pequena dimensão, os quais têm apresentado, em média, esta receita com valor superior a 80% das receitas totais. O aumento drástico, em 2010 do número de municípios de pequena dimensão nesta situação, (mais 15 no global, representando +43% que em 2009),

34

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

poderá estar associado à descentralização de competências no domínio da educação (artigo 34.º do OE de 2010) repercutindo-se as correspondentes transferências financeiras nos orçamentos destes municípios. Contudo esta variação apresentou os seguintes cambiantes: efetivamente, em 2010, para 2810 novos municípios o valor das transferências passaram a representar mais de 80% da receita total, enquanto que para 13 dos 35 municípios, que em 2009 estavam nesta situação, este rácio passou a ser inferior a 80%. Desta movimentação na estrutura financeira dos municípios resultou uma variação líquida no número total de municípios de +15, com um peso das receitas provenientes das transferências superior a 80% da receita total. No Ranking seguinte (R1) são apresentados os 50 municípios com maior independência financeira referenciados ao ano de 2010, pese embora à informação prestada, se associe os anos anteriores. São municípios cujos recursos financeiros provêm mais das receitas próprias onde os impostos e taxas têm papel central e onde as transferências do Estado e empréstimos bancários se repercutem menos na estrutura da receita. O município de Lisboa encabeçou este ranking entre 2006 e 2008 com uma autonomia financeira sucessivamente de 87%, 87% e 86%11 e o município de Oeiras com 81% em 2009. A primeira posição de Vila Real de S. António deveu-se, essencialmente, a um aumento de receitas próprias de aproximadamente 29 milhões € (+166,7%), dos quais 28 milhões € (56,6% das receitas totais) corresponderam, exclusivamente, à venda de bens de investimento. Tratar-se-á, assim, de uma situação que se prevê conjuntural e muito pontual. Sugere-se que este ranking seja comparado com o ranking R6, o qual inclui apenas as receitas próprias provenientes de impostos. Lisboa, Oeiras e Lagoa (Algarve) continuam a ocupar po10. Destes 28 municípios, 21 registaram um efetivo aumento das transferências do Estado mas outros 7 apresentaram uma diminuição desta receita e dos passivos financeiros. O município com maior aumento das transferências de Estado foi Vidigueira (33,3%), seguido de Belmonte (19,3%). Nos restantes 16 o aumento foi entre os 0% e os 3%. 11. Chegando a atingir os 90% no ano de 2005.

sições cimeiras neste ranking de posicionamento em independência financeira, com níveis respetivamente de 86%, 81% e 79%. O intervalo de variação deste rácio considerando o período entre 2006 e 2010,para um ranking de 50 municípios com melhor performance apresentou maior oscilação ao nível dos valores mais baixos do indicador. Assim, o 50.º município de 2006 a 2010 apresentou, respetivamente, o valor de 57%,59%,57%, 49% e 54%. As mais significativas alterações na estrutura da receita foram mais visíveis a partir de 2009, resultante da diminuição dos proveitos advenientes dos impostos e taxas municipais e da grande variação das receitas creditícias. Centrando a observação em 2010, verifica-se que oito novos municípios integraram este grupo de 50 (Cartaxo, Castro Marim, Leiria, Olhão, Silves, Sines, Vila do Bispo e Vila do Conde) e outros oito saíram do mesmo (Alcobaça, Azambuja, Ponta Delgada, Santa Cruz, São João da Madeira, Sintra, Torres Vedras, Viseu). Há municípios que apresentam um aumento relevante do valor deste rácio de 2009 para 2010, dos quais se nomeiam: Aveiro12; Portimão13; Póvoa de Varzim14; Sines15; Cartaxo16 e Castro Marim17.
12. Há em relação a este município, duas situações concorrentes para a variação verificada do rácio. As receitas próprias aumentaram de 31,6 M€ para 35,6 M € (+4 milhões €), Contudo, as receitas totais baixaram 10,9 M€, fruto da inexistência de utilização de passivos financeiros, em 2010, quando em 2009, o município de Aveiro tinha contraído 14 milhões de passivos financeiros 13. O município de Portimão registou, também, um aumento de 2,8 M€ das receitas próprias, mas em simultâneo uma diminuição de 9,7 M€ das receitas totais. Para o aumento das receitas próprias, contribuiu principalmente o aumento dos rendimentos de propriedade (4 M€) e para a diminuição das receitas totais, contribuiu a ausência de passivos financeiros, quando em 2009 utilizou 7,8 M€. 14. Em relação à Póvoa de Varzim embora as receitas totais tenham baixado cerca de 4,7M€, fruto da diminuição das transferências de capital (-5 M€) e dos passivos financeiros (- 5,8M€), certo é que contribuiu par o aumento da independência financeira o aumento em simultâneo das receitas próprias em mais 5,4 M€ 15. No município de Sines embora as receitas totais tenham também baixado cerca de 6,9 M€ como resultado da diminuição dos empréstimos em -12 M€, a receita própria, resultante da receita fiscal, aumentou 4,7 M€, contribuindo deste modo para o aumento da independência financeira 16. Em relação ao município de Cartaxo as receitas totais aumentaram cerca de 5,5 M€ como resultado do aumento excecional dos rendimentos de propriedade em + 6,9 M€. Pese embora não haja informação mais detalhada da origem económica deste facto, não será normal um aumento desta natureza, representando 33% da receita total. Ter-se-á que avaliar como se manterá esta receita em 2011. 17.Quanto ao município de Castro Marim fruto da não utilização de empréstimos bancários, que no ano transato tinha sido na ordem dos 2 M€ e da diminuição do valor das transferências em 1,3 M€, as receitas totais baixaram cerca de 2,5 M€. Contudo, a coleta dos impostos aumentou 2 M€, influenciando desta forma positivamente o índice da independência financeira.

35

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R1 | Municípios que apresentam maior Independência Financeira (receitas próprias/receitas totais)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 36 Vila Real de Santo António Lisboa Oeiras Lagoa (Algarve) Seixal Albufeira Porto Sesimbra Aveiro Lagos Portimão Setúbal Póvoa de Varzim Cascais Alcochete Sines Maia Loulé Barreiro Funchal Loures Grândola Almada Cartaxo Ovar Palmela Castro Marim Vila Nova de Gaia Tavira Vila Franca de Xira Marinha Grande Faro Coimbra Olhão Óbidos Peniche Distrito Faro Lisboa Lisboa Faro Setúbal Faro Porto Setúbal Aveiro Faro Faro Setúbal Porto Lisboa Setúbal Setúbal Porto Faro Setúbal Madeira Lisboa Setúbal Setúbal Santarém Aveiro Setúbal Faro Porto Faro Lisboa Leiria Faro Coimbra Faro Leiria Leiria Dimensão P G G M G M G M M M M G M G P P G M M M G P G M M M P G M G M M G M P M 2006 76% 87% 79% 76% 79% 86% 77% 82% 65% 75% 68% 70% 69% 79% 66% 54% 73% 75% 63% 63% 73% 44% 73% 38% 58% 77% 42% 63% 66% 64% 66% 65% 68% 63% 68% 46% 2007 68% 87% 81% 80% 82% 85% 78% 85% 70% 78% 76% 74% 73% 80% 71% 46% 72% 86% 66% 59% 76% 51% 77% 59% 60% 78% 51% 52% 69% 68% 66% 68% 61% 45% 68% 52% 2008 75% 86% 75% 82% 70% 86% 79% 81% 33% 83% 63% 77% 61% 80% 71% 64% 77% 82% 57% 62% 73% 55% 72% 31% 55% 74% 46% 69% 63% 63% 58% 59% 66% 65% 72% 54% 2009 60% 72% 81% 79% 73% 70% 72% 73% 55% 68% 56% 75% 53% 70% 57% 34% 62% 67% 63% 67% 55% 58% 71% 45% 65% 60% 44% 62% 57% 63% 64% 53% 62% 48% 62% 57% 2010 87% 86% 81% 79% 78% 77% 77% 76% 76% 76% 73% 72% 71% 70% 68% 68% 67% 67% 66% 66% 66% 65% 65% 64% 63% 63% 62% 61% 61% 61% 61% 61% 60% 59% 59% 59%

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Município 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Benavente Vila do Conde Silves Ílhavo Vila do Bispo Moita Odivelas Montijo Leiria Amadora Mafra Vila Nova de Famalicão Matosinhos Porto Santo

Distrito Santarém Porto Faro Aveiro Faro Setúbal Lisboa Setúbal Leiria Lisboa Lisboa Braga Porto Madeira

Dimensão M M M M P M G M G G M G G P

2006 57% 74% 54% 68% 49% 50% 68% 69% 58% 70% 72% 57% 69% 34%

2007 72% 73% 63% 71% 59% 58% 69% 67% 64% 67% 82% 62% 76% 35%

2008 70% 70% 67% 60% 59% 50% 65% 70% 53% 67% 76% 62% 62% 55%

2009 55% 49% 44% 55% 43% 55% 64% 57% 49% 55% 76% 60% 60% 52%

2010 58% 58% 58% 58% 58% 57% 57% 56% 56% 56% 56% 55% 55% 54%

Pela observação do Ranking anterior verifica-se que há municípios dos quais destacamos Almada18, Odivelas19, Mafra20, Vila Nova de Famalicão21 e Matosinhos22, que apresentam uma diminuição significativa do valor do rácio da independência financeira de 2009 para 2010, por razões divergentes. Ou porque a receita total aumenta, essencialmente à custa de transferências de verbas, como o caso de Mafra e Vila Nova de Famalicão, ou porque a receita decai devido à descida das receitas próprias, como o caso de Matosinhos em que a venda de bens de investimento diminuiu 4,6 M€. Já em relação a Almada, a diminuição relativa da sua independência financeira deve-se ao facto das receitas terem
18. Em 2010, as receitas do município de Almada foram de 88,6 M€, mais 12M€ que em 2009. Todavia, para este aumento contribuíram, em muito, os empréstimos bancários que totalizaram 8 M€. 19. Pese embora as receitas totais do município de Odivelas tenham crescido 6M€, este aumento foi essencialmente à custa do acréscimo do valor das transferências (+6,6M€). Daí a diminuição do indicador da independência financeira. 20. A receita total do município de Mafra aumentou 2,4 M€ apesar de as receitas próprias terem baixado 10,85 M€. Contudo, as transferências correntes e de capital cresceram, respectivamente 1,9 M€ e 9,7 M€ contrariando a descida das receitas próprias. 21. A receita total do município de Famalicão aumentou 4,6 M€, como reflexo do aumento das transferências de capital em + 6,7 M€ pois, tanto as receitas fiscais, como as receitas creditícias, baixaram na totalidade 7 M€. A variação positiva da receita deve-se ainda ao aumento de algumas receitas próprias tanto correntes como de capital no valor de 5,1 M€. 22. Quanto a Matosinhos, as receitas totais diminuíram, em 2010, 4,1 M€, sendo que a venda de bens de Investimento diminuiu 4,55M€ e outras receitas – 3, 67 M€

crescido (+12 M€) fundamentalmente à custa das receitas creditícias (+8 M€). No Ranking R2 que a seguir se apresenta, figuram os 50 municípios com menor independência financeira, ou seja, com menos captação de impostos e taxas e mais dependentes das transferências do Estado. Tratando-se todos eles de municípios de pequena dimensão com orçamentos pequenos, os empréstimos bancários quando utilizados apresentam peso relevante na estrutura financeira, pese embora em termos de volume tenham menor relevância. Face a alterações na estrutura da receita dos municípios, fruto ou do aumento de receitas próprias, ou ainda da diminuição drástica das receitas creditícias ou, ainda, da variação no valor das transferências, de 2009 para 2010 saíram deste ranking 14 municípios e entraram outros 14. Saíram: Alijó, Carrazeda de Ansiães, Castelo de Paiva, Gouveia, Idanha-a-Nova, Lajes das Flores, Madalena, Miranda do Douro, Mourão, Penalva do Castelo, Ribeira Brava, Sardoal, Vila Nova de Poiares, Vila Velha de Ródão. Entraram: Alandroal, Almeida, Cabeceiras de Basto, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Manteigas, Mesão Frio, Portel, Povoação, Santa Cruz das Flores, Tarouca, Terras de Bouro, Trancoso, Vieira do Minho.
37

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R2 | Municípios que apresentam menor independência financeira (receitas próprias/receitas totais)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 38 Corvo Fornos de Algodres Mondim de Basto Lajes do Pico Barrancos Nordeste Vimioso Alfândega da Fé Santa Cruz das Flores Porto Moniz Freixo de Espada à Cinta Alandroal Cinfães Pampilhosa da Serra Tabuaço São Roque do Pico Alcoutim Murça Vinhais Figueira de Castelo Rodrigo Vila de Rei Mértola Santa Cruz da Graciosa Sabrosa Ourique Monforte Mesão Frio Meda Tarouca Alvito Distrito Açores Guarda Vila Real Açores Beja Açores Bragança Bragança Açores Madeira Bragança Évora Viseu Coimbra Viseu Açores Faro Vila Real Bragança Guarda Castelo Branco Beja Açores Vila Real Beja Portalegre Vila Real Guarda Viseu Beja Dimensão P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P 2006 4,0% -10,8% 8,2% 6,8% 18,5% 5,6% 11,8% 2,5% 6,2% 11,7% 15,8% 10,9% 10,0% 10,1% 9,0% 14,4% 13,5% 19,2% 11,0% 15,1% 11,6% 19,2% 16,5% 19,1% 10,0% 15,0% 11,9% 16,2% 16,9% 2007 4,6% 18,4% 10,4% 10,8% 5,9% 4,7% 6,0% 11,3% 10,0% 8,3% 18,1% 21,3% 14,6% 11,8% 10,3% 15,4% 13,2% 13,1% 9,8% 13,0% 13,6% 11,7% 12,6% 18,3% 18,1% 11,9% 20,8% 11,9% 20,0% 18,7% 2008 4,8% 21,1% 11,7% 9,1% 6,3% 5,3% 6,2% 10,7% 7,0% 10,1% 8,9% 16,7% 16,0% 15,9% 10,1% 13,6% 7,6% 12,2% 10,8% 14,6% 13,5% 10,6% 14,1% 18,4% 16,3% 10,9% 20,8% 10,9% 18,0% 16,9% 2009 3,8% 17,6% 10,3% 13,0% 4,8% 4,4% 7,1% 7,8% 15,3% 9,4% 6,7% 16,8% 10,9% 8,0% 8,9% 8,6% 9,8% 11,2% 11,2% 12,3% 10,0% 8,9% 13,9% 10,8% 10,2% 8,9% 18,7% 8,3% 16,9% 11,9% 2010 2,0% 3,8% 4,0% 4,8% 5,4% 5,6% 6,2% 6,2% 7,2% 7,8% 8,0% 8,5% 8,5% 8,6% 9,0% 9,7% 10,1% 10,2% 10,2% 10,8% 11,1% 11,1% 11,6% 11,7% 11,7% 11,7% 11,8% 11,9% 12,0% 12,2%

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Município 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Velas Trancoso Penedono São João da Pesqueira São Vicente Portel Mogadouro Almeida Celorico da Beira Santana Povoação Calheta (R. A. A.) Almodôvar Arronches Vila do Porto Penamacor Vieira do Minho Manteigas Cabeceiras de Basto Terras de Bouro

Distrito Açores Guarda Viseu Viseu Madeira Évora Bragança Guarda Guarda Madeira Açores Açores Beja Portalegre Açores Castelo Branco Braga Guarda Braga Braga

Dimensão P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P

2006 13,8% 13,4% 11,9% 15,3% 5,6% 14,5% 11,8% 13,7% 16,6% 7,3% 11,4% 9,4% 13,6% 11,7% 11,2% 13,1% 18,1% 11,1% 22,6% 13,8%

2007 20,4% 21,5% 20,6% 19,5% 8,2% 15,1% 14,4% 15,9% 18,8% 7,5% 46,7% 7,8% 15,1% 15,0% 17,0% 16,4% 19,2% 14,1% 18,8% 13,8%

2008 15,0% 15,6% 16,9% 17,7% 6,9% 12,8% 15,7% 13,5% 16,6% 13,1% 20,6% 12,3% 15,4% 12,9% 17,7% 12,9% 16,5% 12,7% 21,1% 18,8%

2009 14,1% 16,7% 13,6% 13,6% 8,1% 15,7% 12,5% 15,2% 19,7% 7,3% 17,0% 5,8% 10,3% 13,8% 13,2% 12,8% 20,8% 20,2% 18,6% 14,6%

2010 12,3% 12,4% 12,6% 12,8% 12,8% 12,9% 13,0% 13,0% 13,1% 13,2% 13,2% 14,3% 14,4% 14,5% 14,7% 15,1% 15,5% 16,1% 16,1% 16,3%

Analisada a estrutura da receita, dos municípios destacados no ranking supra, verifica-se que em alguns baixou abruptamente a sua independência financeira em 2010. São o caso de: Fornos de Algodres23, Mondim de Basto24; Lajes do Pico25; Santa Cruz das
23. O município de Fornos de Algodres, fez crescer excecionalmente (+499%) a sua receita, em 2010, passando de 6,69 M€, em 2009, para 40,09 M€, em 2010, com uma utilização extraordinária de empréstimo bancário, no montante de 34 M€, tendo sido amortizado, no mesmo ano, 12 M€. 24.Também no município de Mondim Basto as receitas municipais cresceram extraordinariamente em 2010, passando para 21,7 M€, quando em 2009 tinham atingindo apenas 8,2M€. Este aumento foi à custa da entrada de receitas creditícias no valor de 13,5 M€. Em 2010 a despesa paga por este município em aquisição de bens e serviços, foi de 12,7 M€, valor muito superior à receita total do ano anterior. 25. Em 2010 as receitas totais de Lajes do Pico cresceram, mais do dobro da receita do ano anterior (+ 7,6 M), essencialmente à custa dos empréstimos financeiros (5,76M€), pese embora as transferências de capital também tivessem aumentado 1,75 M€.

Flores26; Alandroal27; Mesão Frio28 e Celorico da Beira29. Em todos os casos a receita total aumentou à custa de um aumento extraordinariamente elevado de empréstimos bancários.
26. Quanto ao município de Santa Cruz Flores, o aumento líquido da receita global em mais 0,5 M€, deveu-se exclusivamente ao aumento das transferências em quase mais um milhão (0,93 M€), refletindo-se deste modo na estrutura da recita já que o total da mesma rondou os 3,8 M€ e, mais ainda, com a queda em 0,3M€ da receita proveniente da Venda de Bens de Investimento. 27. Quanto ao município do Alandroal, as receitas totais em 2010 mais que duplicaram (+9,7 M€) devido exclusivamente ao aumento extraordinário dos Passivos Financeiros que em 2009 apenas representavam 0,64 M€, em 2010 passaram para 9,65 M€ 28. Relativamente ao município de Mesão Frio, o que se verificou foi um aumento líquido da receita global em mais do dobro, ao passar de 5,6 M€ em 2009, para 11,7 M€ em 20101, à custa do aumento dos passivos financeiros em +3,9 M€ e das transferências em +2 M€ 29. No município de Celorico da Beira, as receitas totais aumentaram 50% (+4,5M€) fruto do aumento dos passivos financeiros.

39

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.3. Receitas Autárquicas 2.3.1. Classificação económica das Receitas: receitas correntes e receitas de capital
A inscrição contabilística da receita autárquica obedece ao disposto no classificador económico apresentado no Decreto-Lei n.º 26/2002, de 14 de Fevereiro, sendo agrupada de acordo com a sua natureza económica em: receitas correntes, receitas de capital e outras receitas. Em cada um destes grupos económicos a receita é ainda classificada em capítulos como a seguir se apresenta no Quadro 2.03. Quadro 2.03 | Classificação económica da Receita Autárquica
Receitas correntes 01- Impostos diretos 02- Impostos indiretos 04- Taxas, multas e outras penalidades 05- Rendimentos de propriedade 06- Transferências correntes 07- Venda de bens e serviços correntes 08- Outras receitas correntes Receitas de capital 09- Venda de bens de investimento 10- Transferências de capital 11- Ativos Financeiros 12- Passivos Financeiros 13 - Outras receitas de capital Outras receitas

15- Reposições não abatidas nos pagamentos 16- Saldo da gerência anterior 17-Operações extraorçamentais

2.3.2. Execução global do Orçamento da Receita
O Quadro 2.04 resume o valor consolidado da receita do universo total dos municípios, nas suas diferentes fases de desenvolvimento (prevista, liquidada e cobrada). Quadro 2.04 | Orçamento e Execução da Receita Agregada30
Receitas Receitas previstas (a) Receitas liquidadas (b) Receitas liquidadas/Receitas previstas (b/a) Receitas por cobrar no início do ano (c) Receitas cobradas (d) Receitas cobradas/receitas liquidadas (d)/ (b+c) Grau de execução da receita (f) = (d-c)/a Unidade: milhões de euros
30. A receita prevista, liquidada e cobrada não inclui o saldo de gerência anterior.

2006 11.126,7 7.256,4 65,2% 398,8 7.001,0 91,5% 59,3%

2007 11.215,2 7.770,5 69,3% 542,6 7.541,6 90,7% 62,4%

2008 11.572,3 8.463,7 73,1% 558,8 7.746,9 85,9% 62,1%

2009 13.001,9 8.899,5 68,4% 612,9 8.198,0 86,2% 58,3%

2010 12.995,1 8.092,9 62,3% 651,3 7.859,5 89,9% 55,5%

40

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.06 | Evolução das Receitas

14.000 € 13.000 € 12.000 € 11.000 € 10.000 € 9.000 € 8.000 € 7.000 € 6.000 € 7.001 2006 7.256 8.464 7.771 7.542 2007 7.747 2008 11.127 11.215 11.572

13.002

12.995 Receitas previstas Receitas liquidadas 8.093 Receitas cobradas

8.900

8.198

7.859 201 0

2009

Da observação dos quadros anteriores e gráfico 2.06 pode-se concluir que: A taxa de execução31 da receita atinge, em 2010, o valor mais baixo dos últimos cinco anos ao cobrar-se apenas, 55,5% da receita prevista. Tal situação refletiu-se, necessariamente, num aumento da dívida de curto prazo. Efetivamente esta aumentou, no global dos municípios, 257,4 M€ (+9,6%) Enquanto a taxa de execução da receita de 2006 para 2007 cresceu 3,1%, entre 2008 e 2010 decresceu sucessivamente -0,3%, -3,8% e -2,8%. Ora, pese embora a razão desta variação negativa, se possa, em parte, imputar a uma sobreavaliação da receita prevista face à conjuntura económica desfavorável, certo é que a receita efetivamente
31. O grau de execução da receita traduz, a razão entre a receita cobrada e a prevista em sede do orçamento corrigido e é determinante para o grau de execução da despesa, uma vez que o equilíbrio orçamental se faz pela aferição entre a despesa autorizada e a receita prevista em orçamento, sem qualquer ajustamento à receita cobrada, ou mesmo à efetivamente liquidada. Assim, a despesa efetivamente realizada e vinculada tenderá, sempre, ser superior à receita cobrada. Anota-se, contudo, que o grau de execução da receita tal como é explicitado no POCAL poderá não espelhar a verdadeira situação financeira dos municípios pois, não reconhece as receitas liquidadas e não cobradas, as quais constituem ativos de curto prazo e traduzirão, por isso, execução da receita. Assim, este indicador deverá, sempre, ser cruzado com informações adicionais obtidas do Balanço

cobrada também cresceu entre 2006 e 2009. Assim, os efeitos reais da recessão são visíveis a partir de 2010, com a receita cobrada a apresentar um valor próximo do valor recebido em 2008 e com um total de receita estimada, em termos orçamentais, inferior à estimada para 2009, reflexo da real contenção orçamental dos municípios. Embora a crise financeira se tenha pronunciado de forma objetiva na situação financeira do sector público, verifica-se que o montante global da receita estimada pelas autarquias aumentou progressivamente entre 2006 e 2009, atingindo uma taxa extraordinariamente alta neste último ano (+12,4%), mesmo numa situação de crescimento em baixa da cobrança de receita em 2008 (2,7%), em relação a 2007 (7,7%). Só as previsões orçamentais para o ano de 2010 fizeram refletir, embora tenuamente (- 01%) um cenário de eventual contração orçamental. Em 2010 a cobrança global da receita autárquica baixou 4,1%, por isso bastante mais que as previsões orçamentais. Os Rankings que a seguir se apresentam, R3 e R4, revelam o grau de execução da receita cobrada em relação à receita prevista, após orçamento corrigido.
41

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R3 | Municípios com maior grau de execução da receita cobrada em relação à receita prevista
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 São João da Pesqueira Almada Lajes das Flores Fornos de Algodres Mortágua Figueira de Castelo Rodrigo Nelas Vila do Porto Aguiar da Beira Porto Albergaria-a-Velha Mealhada Vila Franca de Xira Elvas Constância Santa Cruz das Flores Moita Castelo de Vide Oliveira de Azeméis Bragança Gouveia Benavente Montijo Sobral de Monte Agraço Baião Salvaterra de Magos Braga Grândola Arronches Idanha-a-Nova Almeirim Viseu Sintra Fafe Vila Nova de Famalicão Golegã Pombal Cascais Amares Carregal do Sal Arouca Esposende Proença-a-Nova Almodôvar Alfândega da Fé Santa Cruz da Graciosa Calheta (R. A. A.) Vouzela Marco de Canaveses Portel Dimensão P G P P P P P P P G M M G M P P M P M M P M M P M M G P P P M M G M G P M G M P M M P P P P P P M P 2006 82,6% 86,2% 67,3% -87,7% 74,5% 88,9% 89,7% 83,2% 83,2% 59,8% 76,0% 82,4% 88,6% 90,1% 77,7% 77,0% 77,4% 72,2% 71,3% 70,3% 90,0% 82,7% 88,6% 75,4% 75,6% 71,0% 69,5% 77,7% 72,1% 87,6% 72,9% 69,9% 66,6% 72,7% 63,9% 87,1% 81,9% 67,7% 60,3% 73,3% 74,6% 86,2% 73,9% 49,2% 58,6% 41,1% 53,8% 90,4% 57,2% 2007 85,4% 99,3% 79,7% 35,2% 94,5% 61,7% 85,3% 78,0% 79,2% 94,7% 68,8% 98,7% 94,5% 107,9% 86,7% 93,9% 87,5% 75,4% 58,5% 78,0% 87,5% 100,7% 97,8% 84,9% 89,2% 86,3% 79,2% 76,4% 73,5% 82,7% 80,7% 73,8% 73,9% 80,0% 83,1% 62,0% 99,2% 89,4% 64,8% 80,0% 64,7% 82,7% 84,8% 73,7% 52,6% 77,3% 47,4% 42,9% 84,7% 68,7% 2008 83,1% 91,7% 85,0% 68,0% 96,0% 64,6% 78,9% 73,4% 74,3% 71,5% 70,1% 91,3% 87,1% 92,1% 77,8% 85,6% 90,1% 94,2% 89,8% 81,1% 92,9% 95,2% 77,2% 100,5% 73,1% 84,2% 77,8% 90,7% 93,4% 76,7% 71,3% 84,0% 68,9% 83,4% 85,6% 73,0% 88,0% 89,0% 69,3% 79,0% 74,5% 72,5% 65,8% 86,1% 50,5% 81,1% 35,4% 75,4% 90,0% 81,2% 2009 91,6% 81,0% 64,8% 93,4% 75,8% 64,4% 67,1% 83,0% 82,3% 90,5% 72,6% 84,0% 85,5% 84,9% 69,0% 64,3% 81,2% 86,0% 88,2% 81,6% 82,6% 83,6% 72,0% 82,3% 79,9% 88,2% 79,4% 91,4% 88,3% 86,7% 85,0% 68,5% 59,4% 82,5% 80,7% 76,8% 71,7% 73,8% 61,3% 69,1% 57,9% 75,5% 73,8% 78,8% 58,3% 74,7% 79,4% 62,9% 86,8% 77,0% 2010 95,9% 95,4% 94,5% 94,1% 93,1% 89,4% 89,3% 87,3% 87,1% 87,0% 86,7% 86,6% 86,3% 86,0% 86,0% 85,5% 84,1% 83,7% 83,4% 83,2% 82,3% 82,3% 81,9% 81,7% 81,6% 81,2% 80,9% 80,3% 79,7% 79,6% 79,6% 79,3% 79,1% 79,0% 78,9% 78,8% 78,7% 78,7% 78,5% 78,4% 78,0% 77,9% 77,8% 77,8% 77,4% 77,4% 77,4% 77,3% 77,1% 76,9%

Fórmula: Receita cobrada/orçamento corrigido da receita 42

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R4 | Municípios com menor grau de execução da receita cobrada, em relação à receita prevista
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Trofa Portimão Guarda Vila Nova de Poiares Castanheira de Pêra Ribeira Brava Vizela Faro Covilhã Paredes Porto Santo Aveiro Figueiró dos Vinhos Alijó Castro Marim Campo Maior Castelo de Paiva Trancoso Fundão Nazaré Cartaxo Torres Novas Vila Nova de Gaia Mangualde Vila Pouca de Aguiar Lamego Câmara de Lobos Nordeste Mirandela Ourique Alvaiázere Vila Viçosa Alcanena Miranda do Douro Figueira da Foz Peso da Régua Bombarral Alter do Chão Machico Santa Comba Dão Valongo Ansião Tomar Mora Chaves Santa Cruz Lagos Mira Sertã Calheta (R. A. M.) Dimensão M M M P P P M M M M P M P P P P P P M P M M G M P M M P M P P P P P M P P P M P M P M P M M M P P P 2006 54,8% 58,8% 39,3% 52,5% 33,2% 68,2% 54,8% 47,5% 40,1% 68,8% 48,3% 29,8% 66,9% 36,1% 44,4% 62,7% 29,0% 46,2% 33,8% 40,6% 58,4% 44,0% 47,8% 51,4% 47,7% 47,7% 49,8% 58,4% 54,8% 33,2% 71,5% 61,3% 68,5% 67,4% 51,2% 51,2% 59,4% 54,8% 54,2% 50,0% 55,6% 42,0% 48,9% 45,4% 53,9% 55,9% 77,9% 57,9% 53,3% 38,4% 2007 68,8% 66,7% 32,6% 41,3% 31,6% 51,9% 75,8% 46,4% 53,4% 65,1% 82,5% 24,4% 62,8% 40,0% 58,5% 78,5% 33,5% 44,3% 39,7% 45,7% 48,4% 44,5% 56,0% 52,4% 53,4% 55,9% 49,5% 52,5% 46,5% 42,0% 68,3% 72,5% 63,2% 61,8% 51,3% 51,4% 72,2% 59,0% 54,4% 56,3% 57,6% 47,5% 59,3% 47,9% 62,8% 54,2% 79,3% 65,4% 56,4% 52,7% 2008 48,9% 59,2% 35,0% 39,8% 35,5% 39,8% 60,1% 49,3% 55,9% 63,6% 64,8% 42,0% 54,9% 44,1% 47,7% 80,3% 37,5% 49,6% 39,6% 38,7% 70,5% 49,0% 51,4% 47,5% 40,9% 62,6% 52,8% 49,0% 48,8% 43,4% 55,9% 62,3% 67,4% 53,4% 46,7% 61,8% 50,9% 51,8% 64,7% 50,7% 50,2% 77,7% 56,3% 55,6% 69,2% 62,9% 66,4% 53,7% 55,5% 54,7% 2009 40,2% 40,8% 46,5% 30,4% 30,3% 47,2% 50,5% 48,8% 38,6% 52,5% 44,7% 33,4% 41,0% 60,8% 43,3% 68,6% 44,0% 41,7% 46,5% 42,2% 28,3% 52,4% 46,4% 41,4% 44,1% 47,8% 40,3% 41,9% 51,8% 65,6% 47,0% 60,4% 64,4% 66,3% 56,5% 50,3% 52,1% 52,9% 46,2% 60,2% 50,7% 55,9% 63,9% 41,6% 50,9% 47,4% 54,8% 54,4% 56,4% 46,7% 2010 28,1% 28,2% 30,1% 31,2% 31,8% 32,2% 34,3% 34,3% 34,5% 34,6% 36,1% 36,2% 36,8% 37,2% 37,3% 37,6% 37,8% 38,1% 38,8% 39,0% 39,2% 39,2% 40,3% 40,3% 41,0% 41,4% 41,4% 42,8% 43,0% 43,7% 43,9% 44,0% 44,3% 44,5% 45,0% 45,3% 45,6% 45,8% 46,2% 46,3% 46,6% 46,6% 46,7% 47,1% 47,3% 47,3% 47,3% 47,7% 47,9% 48,0%

Fórmula: Receita cobrada/orçamento corrigido da receita 43

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Da análise das listagens anteriores conclui-se o seguinte: • Em 2010, apenas cinco municípios32 apresentam nível de execução de cobrança da receita, reportada à dotação previsional, superior a 90%. Só um deles é um município de grande dimensão (Almada), sendo os outros quatro de pequena dimensão. A maior parte dos municípios apresentam uma execução da receita inferior a 75%, sendo que, apenas 55 apresentam uma execução igual ou superior aquele nível.

te a contratualização de despesa superior à receita executada, criando não só constrangimentos de tesouraria como problemas financeiros estruturais. Estes municípios foram capacitados, através dos seus orçamentos previsionais, para comprometer e contratualizar despesa em mais de 50% do valor total da receita arrecadada e, até mesmo ao valor total da sua dotação orçamental que, pela regra do equilíbrio orçamental poderá ir ao limite dos 100% do orçamento da receita prevista ainda que não arrecadada. Pese embora, tradicionalmente, a análise da execução orçamental da receita se apresente em relação à receita prevista, não se pode deixar de fazer referência à sua execução reportada ao nível da receita liquidada34. Verificou-se, em 2010, que a taxa média de cobrança de receita em relação à receita liquidada se fixou, para a globalidade dos municípios, em 98,2% sendo que, só 20 municípios apresentaram uma execução a um nível inferior a 90%. Em 2009 foram apenas nove os municípios nesta situação e em 2008, foram 15.35 O Ranking R5, que a seguir se apresenta hierarquiza os trinta e cinco municípios que apresentam menor grau de realização de cobrança, reportada à receita liquidada.
34. Da receita liquidada, resulta, em termos patrimoniais e de imediato, um direito. 35. O aumento do número de casos, com execução inferior a 90%, não será indicador de menor eficácia dos municípios na cobrança das suas receitas, mas antes de reflexo da crise económica instalada no País.

Um número significativo de municípios, 63, apresentou uma taxa de execução da receita igual ou inferior a 50%. Estes níveis tão baixos de realização da receita autárquica são um dos pontos fracos da gestão financeira dos municípios, geradores de fortes desequilíbrios orçamentais e de ruturas financeiras, pois a aprovação das despesas ao sustentar-se nas dotações orçamentais inicialmente previstas33 e nunca reajustadas aos níveis de execução real da receita, permi32. O facto de só um número diminuto de municípios apresentar elevada taxa de execução da receita ao nível das cobranças, no nosso entender, não corresponderá a situações de desrespeito pelas normas e princípios orçamentais estabelecidos no POCAL, antes refletirá insuficiência de normas orçamentais que regulamentem uma previsão mais rigorosa da receita autárquica de modo a prevenir orçamentos excessivamente excedentários em sede de execução final dos mesmos. Seria mesmo de se equacionar uma forma de controlo e acompanhamento da execução da receita que obrigasse a reajustamentos trimestrais da mesma, de acordo com os graus de execução apresentados. A possibilidade legal de assumir despesa para além do valor da receita arrecadada, sem um controlo efetivo que não sejam as dotações orçamentais previstas, é a principal razão de desequilíbrio orçamental ex-post, e a principal origem da dívida autárquica de curto prazo. 33. Equilíbrio orçamental ex-ante: a dotação global da despesa é igual à dotação global da receita prevista.

44

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R5 | Municípios com menor grau de execução da receita cobrada, relativamente à receita liquidada
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Fundão Chaves Paços de Ferreira Guarda Entroncamento Vila Real de Santo António Vila Verde Horta Vila Nova de Poiares Silves Loures Seixal Figueiró dos Vinhos Penalva do Castelo Borba Resende Alcácer do Sal Peso da Régua Melgaço Lamego Lagos Oleiros Coimbra Ponte de Sor Santa Cruz Gondomar Chamusca Sabugal Arganil Macedo de Cavaleiros Penela Manteigas Almada Setúbal Albufeira Dimensão M M M M M P M P P M G G P P P P P P P M M P G P M G P P P P P P G G M 2006 99,9% 85,7% 89,6% 89,1% 99,9% 99,4% 76,5% 112,7% 99,8% 94,5% 87,3% 81,7% 100,0% 94,5% 100,0% 90,4% 100,8% 100,0% 99,1% 99,9% 97,2% 97,2% 86,6% 99,5% 97,6% 98,3% 99,5% 96,4% 99,9% 99,6% 103,9% 100,0% 95,4% 89,4% 99,3% 2007 97,8% 106,5% 102,7% 97,1% 88,0% 96,8% 104,9% 102,2% 99,9% 30,9% 93,4% 96,2% 99,8% 109,7% 100,0% 95,2% 97,9% 99,9% 99,9% 99,9% 99,1% 99,9% 95,6% 99,4% 98,6% 98,8% 99,7% 99,0% 99,5% 94,5% 95,3% 99,9% 93,5% 94,0% 96,7% 2008 80,8% 104,1% 105,4% 72,9% 114,1% 98,4% 95,3% 75,5% 99,5% 95,3% 89,0% 94,6% 99,7% 106,5% 100,3% 95,2% 99,6% 99,7% 100,0% 99,5% 97,2% 102,2% 98,2% 98,3% 99,0% 99,9% 99,5% 96,0% 96,5% 98,8% 99,5% 100,0% 97,7% 93,2% 97,9% 2009 92,5% 89,3% 97,0% 90,2% 99,0% 105,2% 102,4% 112,5% 99,8% 9,5% 94,0% 96,7% 99,3% 100,4% 99,9% 99,9% 99,0% 98,9% 97,7% 99,4% 85,8% 99,9% 99,2% 100,2% 99,7% 99,4% 99,9% 101,7% 97,7% 99,3% 83,5% 99,9% 99,9% 96,4% 97,4% 2010 64,2% 68,0% 70,3% 78,0% 79,3% 81,6% 82,4% 84,4% 85,2% 85,4% 85,8% 85,8% 85,8% 86,8% 87,6% 88,0% 88,1% 88,7% 89,5% 89,7% 91,4% 91,4% 91,4% 91,4% 92,0% 92,1% 92,4% 92,6% 92,8% 93,6% 94,0% 94,2% 94,3% 94,6% 94,7%

Fórmula: Receita cobrada/receita liquidada 45

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.3.3. Estrutura e Evolução da Receita Autárquica 2.3.3.1 Estrutura da Receita por natureza económica: Receita Corrente e Receita de Capital
O Quadro 2.05 e os Gráficos 2.07 e 2.08 mostram a agregação da receita pelas duas grandes classificações económicas das mesmas: Receitas Correntes e Receitas de Capital.

Quadro 2.05 | Estrutura da receita cobrada por natureza económica: Receita Corrente e Receita de Capital
Receitas Receitas correntes cobradas Receitas de capital cobradas Reposições não abatidas aos pagamentos Saldo da gerência anterior Total de receitas cobradas + saldo inicial Unidade: milhões de euros 2006 4.955,0 2.040,2 5,8 194,6 7.195,6 % 68,9% 28,4% 0,1% 2,7% 2007 5.653,4 1.876,5 11,7 228,1 7.769,7 % 72,8% 24,2% 0,2% 2,9% 2008 5.730,0 2.005,3 11,6 335,8 8.082,6 % 70,9% 24,8% 0,1% 4,2% 2009 5.745,8 2.446,2 6,0 293,2 8.491,1 % 67,7% 28,8% 0,1% 3,5% 2010 5.824,8 2.025,5 9,2 166,8 8.026,2 % 72,6% 25,2% 0,1% 2,1%

Gráfico 2.07 | Estrutura da receita cobrada, corrente e de capital

80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%
2006

68,9%

72,8%

70,9%

67,7%

72,6%

28,4%

24,2%

24,8%

28,8%

25,2%

2007

2008

2009

2010

Receitas correntes cobradas

Receitas de capital cobradas

46

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.08 | Evolução da receita cobrada, corrente e de capital36
9.000 € 8.000 € 7.000 € 6.000 € Milhões 5.000 € 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 201 0 2.040 ,2 1.876 ,5 2.005 ,3 2.446 ,2 2.025 ,5 5.653 ,4 4.955 ,0 7.001 ,0 7.541 ,6 7.746 ,9 8.198 ,0 7.859 ,5

5.730 ,0

5.745 ,8

5.824 ,8

Total Receitas Cobradas Receitas correntes cobradas Receitas de capital cobradas

36. Considerou-se como total das receitas cobradas a soma das receitas correntes com as receitas de capital, mais as reposições não abatidas aos pagamentos.

Da análise do quadro 2.05 e gráficos anteriores (2.07 e 2.08), verifica-se: • Entre 2006 e 2010, o peso médio da receita corrente e de capital, foi respetivamente de 70,6% e 26,3%. Em 2010 o peso relativo da receita corrente foi maior que o da média do período (72,6%), resultante, essencialmente, da conjugação do aumento da receita corrente (+79M€) com a diminuição da receita de capital (-421 M€). Pelas mesmas razões, em 2010, o peso da receita de capital foi inferir à média do período, cifrando-se em 25,2% A receita corrente apresentou, nestes cinco anos, um comportamento de constante crescimento, embora a taxas variáveis (+14,1%, +1,4%, +0,3%, +1,4%), enquanto a receita de capital oscilou ao longo do mesmo período entre aumento e diminuição (-8%, +6,9%, +22%, -17,2%). A receita corrente apresenta um crescimento abrupto de 2006 para 2007 e nos anos seguintes um crescimento mais

moderado e homogéneo, pelo que o montante arrecadado em 2010 foi o mais elevado do período e no montante de 5,8 mil M€. Curiosamente as linhas representativas da evolução da receita corrente e da receita de capital aproximam-se em 2009 devido à maior taxa de crescimento da receita de capital verificada nesse ano, a qual se cifrou em mais de 2,4 mil M€. Em 2010, a receita de capital volta para os níveis arrecadados em 2008, mas ainda inferiores ao arrecadado em 2006. • As reposições não abatidas aos pagamentos, sendo receitas extraordinárias que não se encontram registadas por natureza económica, embora provenham de excesso de pagamento de despesa que tanto poderá ser corrente como de capital, não apresentam peso que justifique relevância na análise. De igual modo não será relevante analisar os recursos de tesouraria disponíveis em cada ano económico e proveniente de saldos de gerência dos anos anteriores.
47

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.3.3.2 Estrutura e Evolução da Receita Autárquica, por capítulos económicos
No Quadro 2.06 apresenta-se o montante cobrado por rubrica económica da receita e o respetivo peso na receita total cobrada, entre 2006 e 2010. Face aos valores apurados, verifica-se que, em média, em 2010, os municípios receberam por habitante 739€, menos 32€ que em 2009, mas, ainda assim, valor superior ao recebido por habitante em 2008 e anos anteriores. O montante arrecadado, em média, por cidadão entre 2006 e 2009 cresceu a taxas irregulares, sucessivamente, de 7,4%, 2,7% e 5,8% evidenciando vulnerabilidade e, ou, oscilações conjunturais em algumas receitas, nomeadamente, Impostos e Taxas e Passivos Financeiros. O total das Transferências Correntes e de Capital continua a ser a receita mais representativa na estrutura da receita autárquica, tendo representado, no período em observação (2006/2010), em média, 43,2% das receitas totais (25,5% as correntes e 17,8% as de capital). O conjunto destas duas receitas apresentou crescimento contínuo no período considerado ultrapassando, em 2010, os 3,5 mil milhões de euros. Assim, com exceção para o ano de 2007, o peso conjunto destas duas receitas foi aumentando de

importância, pese embora a ligeira descida, em 2009, das transferências de capital em -0,3%. Em 2010 atingem a importância máxima registada no período com um peso global de 45,7% Contrariamente às expectativas aquando da elaboração do Anuário de 2009, as receitas provenientes dos Impostos e Taxas não mantiveram a tendência para a descida de peso na estrutura da receita, apresentando mesmo um reforço de 1,6pp, em 2010. Esta receita, cujo peso médio no período foi de 34,6%, chegou a representar 38,2% em 2007, ano de maior coleta ultrapassando os 2,8 mil milhões de euros. As cobranças sucessivas foram sendo de menor montante apresentando, em 2010, uma ligeira recuperação que se refletiu no referido aumento de peso na estrutura, atingindo os 32,6% O peso dos Passivos Financeiros, em 2010, contrariando negativamente a tendência verificada no ano anterior, desceu drasticamente, passando para perto de metade do peso que tinham alcançado em 2009, isto é, para 6,6%. O controlo do limite ao endividamento estabelecido na lei das Finanças locais fez-se sentir, de forma objetiva, na diminuição do montante total dos empréstimos utilizados em 2010, o qual ficou abaixo do montante utilizado em 2008.

Quadro 2.06 | Estrutura das receitas cobradas37
Receitas Impostos e taxas Rendimentos de propriedade Transferências recebidas Vendas de bens e serviços Outras receitas correntes Venda de bens duradouros Ativos financeiros Passivos financeiros 2 Outras receitas de capital Reposições não abatidas aos pagamentos Total Por habitante Unidade: milhões de euros
37. Não inclui o valor do saldo da gerência anterior (ver Quadro 2.05). A diferença entre o total do Quadro 2.05 e o total do Quadro 2.06 é exatamente o saldo da gerência anterior.

2006 2.500,2 159,9 3.084,1 664,9 52,5 211,4 15,0 278,4 28,8 5,8 7.001,0 661 €

% 35,7% 2,3% 44,1% 9,5% 0,8% 3,0% 0,2% 4,0% 0,4% 0,1% 100%

2007 2.878,6 189,9 3.141,3 692,1 49,7 143,7 43,0 357,4 34,3 11,7 7.541,6 710 €

% 38,2% 2,5% 41,7% 9,2% 0,7% 1,9% 0,6% 4,7% 0,5% 0,2% 100%

2008 2.739,1 238,7 3.250,0 724,2 67,1 134,9 33,6 528,8 19,0 11,6 7.746,9 729 €

% 35,4% 3,1% 42,0% 9,3% 0,9% 1,7% 0,4% 6,8% 0,2% 0,1% 100%

2009 2.537,6 252,2 3.505,8 709,4 64,6 92,1 31,8 965,0 33,5 6,0 8.198,0 771 €

% 31,0% 3,1% 42,8% 8,7% 0,8% 1,1% 0,4% 11,8% 0,4% 0,1% 100%

2010 2.560,4 258,4 3.588,6 710,2 67,0 117,1 10,8 516,4 21,5 9,2 7.859,5 739 €

% 32,6% 3,3% 45,7% 9,0% 0,9% 1,5% 0,1% 6,6% 0,3% 0,1% 100%

48

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Do quadro anterior pode-se, ainda, concluir que em 2010 a venda de bens e serviços38, e venda de bens duradouros, ao representarem 10,5% da receita total39 retoma um papel importante na formatação das condições para uma maior independência financeira, nomeadamente nos grandes municípios, pese embora a progressiva diminuição do seu peso40 relativo entre 2006 e 2009. A influência do volume de venda de bens e serviços correntes na estrutura da receita autárquica é bem diferente da influência da venda de bens de capital. Efetivamente, enquanto que a venda de bens e serviços apresentou sucessivas variações positivas, entre 2006 e 2008, não tendo sido suficiente a ligeira descida em
38. Anota-se que estando esta análise centrada nos municípios e por isso na produção de bens e serviços dos seus serviços, não se reflete nesta estrutura da receita o desenvolvimento da produção e venda de serviços desconcentrados no sector empresarial local. 39. 12,5% em 2006, 11,1% em 2007, 11,1% em 2008 e 9,8% em 2009. 40. Entre 2006 e 2008 foi a terceira maior receita autárquica, sendo destronada desta posição em 2009, face ao aumento extraordinário dos passivos financeiros. Em 2010 voltou a ser a terceira maior receita autárquica

2009 (-2%) para fazer baixar o volume de vendas aos níveis verificados nos anos anteriores a 2008 (em 2006 o volume de vendas foi de 664,9 milhão de euros e em 2009 de 709,4 milhão de euros), retomando a tendência para o crescimento em 2010 (+0,1%), já a venda de bens de capital diminuiu drasticamente entre 2006 e 2009, passando dos 211,4 milhões de euros cobrados no primeiro destes anos, para 92,1 milhões de euros em 2009. Contudo, em 2010 a venda de bens de capital apresentou uma taxa de crescimento de 27,1% cujo reflexo em termos absoluto (+25M€, isto é, 117,1M€) não foi suficiente para que esta receita chegasse ao nível do cobrado em 2008 (134,9 M€)41.
41. Na realidade, os bens imóveis disponíveis para venda (bens públicos do domínio privado da autarquia), não só serão em número limitado (naturalmente a maior parte de bens imóveis não estarão indisponíveis para venda e pertencerão ao domínio público do município), como estão sujeitos à lei da oferta e da procura sofrendo, por isso, a influência negativa da crise no mercado imobiliário. Por outro lado as sucessivas vendas verificadas nos anos anteriores vão esgotando o stock possível de imóveis disponíveis para venda

Gráfico 2.09 | Estrutura das receitas cobradas por grandes agregados económicos da receita
50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 4,0% 2006 9,5% 9,2% 9,3% 6,8% 2008 11,8% 8,7% 2009 9,0% 6,6% 2010 35,7% 38,2% 35,4% 31,0% 44,1% 41,7% 45,7% Transferências correntes e de capital Impostos e taxas 32,6% Vendas de bens e serviços Passivos financeiros

42,0%

42,8%

4,7% 2007

49

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Pela observação do gráfico 2.09 e complementado a sua leitura com o Quadro 2.06, pese embora as oscilações anuais, destacam-se claramente dos outros grupos de receita, as transferências e das receitas fiscais que, no conjunto e em média, em 2010, representaram 78,3% das receitas totais (mais 4,5 pp que em 2009). A linha de registo da primeira evoluiu sempre acima da segunda,aproximando-se uma da outra em 2007, ano em que o peso relativo das transferências desceu para 41,7% e o das receitas fiscais sobe para 38.2%. Entre 2007 e 2009 estas duas receitas evoluíram de forma divergente. As transferências mantiveram um crescimento continuado e as receitas fiscais diminuem de peso até 2009. Em 2010, o peso do valor da coleta fiscal (impostos e taxas) na estrutura da receita autárquica voltou a crescer invertendo, assim, a tendência de queda progressiva desde 2007 mas ficando, no entanto, ainda, aquém dos 35,7% verificado em 2006. Simultaneamente, o peso médio das transferências continuou em linha ascendente com o máximo de importância relativa em 2010, ao representar 45,7% das receitas totais.

Longe da importância daquelas receitas e com comportamentos bem diferenciados, aparecem a venda de bens e serviços e os passivos financeiros. As primeiras com uma linha mais estável de evolução, sem oscilações relevantes apresentando um pico de importância em 2006 (9,5%). A evolução do peso dos passivos financeiros apresenta-se mais progressiva entre 2006 e 2009, em contra ciclo com as receitas fiscais, sendo visível a aproximação das respetivas linhas gráficas em 2009 e o seu afastamento em 2010, quando baixa abruptamente o montante de receitas creditícias. Entre o período de 2006 e 2008, os empréstimos bancários tiveram, inclusive, uma importância inferior ao peso das receitas provenientes da venda de bens e serviços, tendo tido estas, um peso médio relativo de 9% e, os passivos financeiros um peso médio relativo de 5%. Em 2010, os passivos financeiros voltam a ocupar a última posição na hierarquização relativa da receita autárquica42. O gráfico 2.10 mostra de forma comparada o sentido de variação das receitas autárquicas.
42. Resultante de maior rigor no controlo do cumprimento dos limites ao endividamento e na aplicação efetiva das sanções financeiras aos municípios prevaricadores desse mesmo limite.

Gráfico 2.10 | Variação das receitas de 2008 para 2009 e de 2009 para 2010
Vendas de bens e serviços Impostos e taxas Rendimentos de propriedade Activos financeiros 90% 70% 50% 30% 10% -10% -30% -50% -70% 08-09 09-10 - 66,0 -7,4% Venda de bens duradouros Outras recei ta correntes 82,5% 76,3%

Transferências recebidas

27,1% 3,7% -3,8% -31,7% -46,5% Passivos financei ros -5,3%

0,9%

5,6% 2,5%

7,9%

2,4% -2,0%

0,1%

50

Outras recei tas de capital

-35,7%

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

2.3.3.3 Estrutura da Receita Cobrada, por grupos de municípios, atendendo à sua dimensão
No Quadro 2.07 apresenta-se o peso, por rubrica económica, da receita cobrada na receita total em 2010, distribuído por grupos de municípios de acordo com a sua dimensão. Da análise do quadro 2.07 pode-se verificar que o peso das diferentes receitas autárquicas na receita total diverge de acordo com a dimensão do município, não havendo uma distribuição homogénea. Assim, e reportando apenas ao ano de 2010: • O total das transferências recebidas (correntes e de capital) foi, para os municípios de pequena dimensão, a principal fonte de receita tendo representado, em conjunto, 65,2% das receitas totais, superando em mais 1,6pp, o peso apurado em 2009.

Para os municípios de média dimensão, as transferências representaram 48,3% das receitas totais. Peso bastante inferior ao verificado nos municípios de pequena dimensão. Apresentam, também, um aumento relativo de peso de mais 5,6 pp. em relação ao ano transato. Já para os municípios de grande dimensão, o peso das transferências no total das receitas auferidas foi, em média, de apenas 28,2%, um peso bastante inferior ao verificado nos outros grupos de municípios. Igualmente apresentam um aumento relativo de 1,9pp, em relação ao ano transato.

Sendo o valor das transferências uma receita com elevado peso nas receitas municipais relevará para esta análise, a apresentação desagregada das mesmas nos Quadros 2.08 e 2.09, tendo em atenção a sua origem.

Quadro 2.07 | Estrutura das receitas cobradas em 201043 por grupos de municípios atendendo à sua dimensão
2010 Total Nº de municípios existentes Nº de municípios analisados Impostos e taxas Rendimentos de propriedade Transferências correntes Vendas de bens e serviços Outras receitas correntes Sub-Total receitas correntes Venda de bens duradouros Transferências de capital Ativos financeiros Passivos financeiros Outras receitas de capital Sub-Total receitas capital Reposições não abatidas aos pagamentos Total 308 308 32,6% 3,3% 28,4% 9,0% 0,9% 74,1% 1,5% 17,3% 0,1% 6,6% 0,3% 25,8% 0,1% 100% Pequenas 179 179 11,6% 2,5% 36,8% 7,5% 0,6% 59,0% 2,3% 28,4% 0,0% 10,0% 0,2% 40,9% 0,1% 100% Médias 106 106 29,1% 3,8% 28,9% 11,4% 0,9% 74,0% 0,9% 19,4% 0,1% 5,1% 0,3% 25,9% 0,2% 100% Grandes 23 23 52,1% 3,3% 21,5% 7,5% 1,0% 85,5% 1,6% 6,7% 0,3% 5,7% 0,3% 14,5% 0,1% 100%

43. Em 2009 Cinfães passou de município de média dimensão para pequena dimensão e em 2010 Lousã e Amares que passaram de municípios de pequena dimensão a municípios de média dimensão.

51

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Quadro 2.08 | Estrutura das transferências correntes recebidas, por grupos de municípios
Pequenas Transferências correntes – Estado Transferências correntes – Comunitárias Transferências correntes – fundos autónomos Transferências correntes – restantes Total transferências correntes recebidas 95,5% 0,7% 1,6% 2,2% 100% Médios 93,7% 1,0% 3,2% 2,2% 100% Grandes 93,3% 0,4% 1,5% 4,7% 100% Total 94,2% 0,7% 2,2% 2,9% 100%

Quadro 2.09 | Estrutura das transferências de capital recebidas, por grupos de municípios
Pequenas Transferências capital - Estado Transferências capital - Comunitárias Transferências capital - fundos autónomos Transferências capital - restantes Total transferências de capital 67,9% 28,2% 1,0% 3,0% 100% Médios 57,7% 33,3% 2,9% 6,1% 100% Grandes 55,7% 30,1% 6,5% 7,7% 100% Total 61,7% 30,7% 2,6% 5,0% 100%

A componente mais elevada das transferências resultam da participação dos municípios na repartição dos recursos públicos através do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) e do Fundo Social Municipal (FSM), para além de uma eventual participação variável de 5% no IRS. O conjunto destas receitas, tanto transferidas a título de receita corrente como de capital representou, respetivamente, 94,2% e 61,7% das transferências totais. A maior relevância vai para o grupo de pequenos municípios, onde este peso assume respetivamente as proporções de 95,5% e 67,9%. Estas receitas pesam menos no grupo dos grandes municípios sem, contudo, deixarem de ser as mais relevantes. Verifica-se que as transferências comunitárias de apoio ao investimento para o global das autarquias representaram, em média, 30,7% das transferências de capital obtidas pelo conjunto das autarquias, tendo um peso mais elevado no grupo dos municípios de média dimensão e um menor peso no grupo dos municípios de grande dimensão. Dos 417,5
52

milhões de euros recebidos, só 54,9 milhões foram destinados a municípios de grande dimensão, 201,6 milhões de euros ao grupo de municípios de média dimensão e 161 milhões de euros ao grupo de pequenos municípios. O peso médio da receita proveniente dos impostos44 e taxas (32,6%), que, como já vimos, é o segundo na hierarquia da receita municipal, apresenta também um comportamento divergente pelos diferentes grupos de municípios tendo sido mais relevante nos de grande dimensão (com um peso médio de 52,1%, isto é, mais 3,8pp que em 2009) e menos nos municípios de pequena dimensão (com um peso médio de 11,6%). A receita resultante da venda de bens e serviços, tanto correntes como de capital, representou a terceira posição em importância relativa na estrutura da receita, com o peso médio de 10,5%. Relativamente a esta receita são os muni44. No ponto seguinte, 2.3.3.4 tratará especificamente do desenvolvimento destas receitas

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

cípios de média dimensão que apresentam melhor performance em termos relativos (12,3). Os municípios de grande dimensão dependem relativamente menos destas receitas45, cujo peso é de apenas 9,1%. O peso médio dos passivos financeiros, considerando a globalidade dos municípios, baixou de 2009 para 2010 de 11,8% para 6,6%, tendo sido no grupo dos municípios de média dimensão que mais se acentuou esta descida de peso (13,1% em 2009 e 5,1% em 2010), pois são os que mais influência apresentam deste tipo de receita. Na estrutura da receita dos municípios de pequena dimensão refletiu-se de forma acentuada o decréscimo das receitas provenientes dos empréstimos bancários, face à relevância atingida por estas receitas em 2009. Porque se trata de uma receita com grandes oscilações nos cinco anos em análise e objeto, no período em referência, de grandes alterações legislativas e de criação de mecanismos de controlo antes não aplicáveis,
45. Daí a fraca elasticidade desta receita como alternativa à diminuição da receita fiscal e mais suscetível à variação da atividade económica. Dificilmente os municípios poderão colmatar as suas dificuldades financeiras e de tesouraria, com aumento de oferta de bens e serviços, pese embora o recurso a venda de bens de capital, essencialmente imóveis, tenha sido um recurso utilizado nestes cinco anos, embora com menos impacto em 2009.

importará ainda neste ponto, apresentar o Quadro 2.10 no qual se mostra a distribuição do passivo financeiro utilizado pelos três grupos de municípios, no quinquénio em apreço. Em 2010, nos três grupos dimensionais de municípios, constata-se uma diminuição drástica da utilização das receitas creditícias, sendo maior no grupo dos municípios de média dimensão (-64,3%) e menor no grupo de municípios de pequena dimensão (-22,3%). No grupo de municípios de grande dimensão o decréscimo desta receita foi de – 39,6%. Contudo, neste período de cinco anos para o global dos municípios de maior dimensão, o volume de empréstimo bancário cresceu 212,4%, passando de 49,4 M€ em 2006, para 154,3 M€ em 2010, com um pico em 2009 de 255,4 M€. Pese embora em 2010 o volume total dos empréstimos utilizados pelos municípios de pequena e média dimensão, tenha sido superior e, respetivamente, de 201,2 M€ e 160,8 M€, certo é que, face ao valor de partida em 2006 (respetivamente 117,4 M€ e 111,6 M€) os acréscimos correspondentes foram relativamente inferiores aos do grupo de municípios de grande dimensão (respetivamente de 71.4% e 44,1%)

Quadro 2.10 | Composição dos Passivos Financeiros, pelos grupos de municípios
Passivos Financeiros Municípios Pequenos Médios Grandes Total Unidade: milhões de euros 53 2006 117,4 111,6 49,4 278,4 2007 91,8 154,9 110,7 357,4 2008 125,4 305,0 98,4 528,8 2009 259,0 450,7 255,4 965,0 2010 201,2 160,8 154,3 516,4 Variação 2009 - 2010 -22,3% -64,3% -39,6% -46,5% Variação 2006 - 2010 71,4% 44,1% 212,4% 85,5%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.3.3.4 Impacto dos Impostos Municipais na Receita Autárquica
Face ao forte impacto na receita autárquica do valor dos impostos municipais, dedica-se um ponto à análise mais detalhada desta receita, por origem e por grupos de municípios. O Ranking seguinte (R6) reflete os 35 municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos e taxas, relativamente ao total das receitas. Em 2010, encontram-se 14 municípios (mais três que em 2009) com coletas que ultrapassam os 50% das receitas totais. R6 | Municípios com maior peso de receitas provenientes de impostos46
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Lisboa Oeiras Seixal Cascais Maia Porto Grândola Loulé Loures Portimão Faro Lagoa (Algarve) Vila Nova de Gaia Tavira Odivelas Alcochete Setúbal Sesimbra Coimbra Albufeira Montijo Sines Barreiro Palmela Matosinhos Almada Castro Marim Vila Franca de Xira Benavente Porto Santo Lagos Leiria Sintra Aveiro Figueira da Foz Dimensão G G G G G G P M G M M M G M G P G M G M M P M M G G P G M P M G G M M 2006 59,2% 65,8% 55,1% 66,9% 62,0% 54,4% 27,8% 63,4% 61,3% 60,4% 48,2% 53,0% 49,2% 55,4% 62,8% 49,5% 50,4% 51,7% 47,1% 60,4% 58,7% 35,4% 41,9% 60,4% 58,6% 58,0% 26,4% 50,9% 42,9% 26,0% 55,9% 47,1% 64,8% 48,8% 41,7% 2007 69,2% 69,1% 63,6% 71,5% 54,4% 59,8% 37,2% 74,2% 62,6% 68,8% 53,4% 57,7% 39,6% 58,7% 58,0% 52,7% 56,1% 56,8% 44,6% 67,0% 58,7% 31,2% 46,5% 61,6% 66,6% 56,2% 42,0% 52,3% 47,0% 28,5% 57,3% 52,7% 59,7% 51,4% 45,4% 2008 69,8% 61,2% 53,6% 71,3% 58,4% 60,9% 40,0% 67,3% 58,8% 56,1% 45,6% 54,8% 41,2% 51,8% 57,0% 53,9% 56,8% 50,1% 47,6% 63,7% 59,7% 43,1% 41,4% 59,1% 52,2% 54,6% 31,3% 49,6% 52,6% 44,1% 61,3% 40,0% 61,3% 28,6% 43,0% 2009 57,2% 69,3% 53,8% 61,3% 53,6% 51,4% 44,6% 55,0% 43,5% 47,0% 39,6% 49,4% 40,4% 35,7% 55,6% 39,0% 51,8% 47,4% 45,0% 49,2% 42,2% 20,7% 43,5% 43,2% 44,7% 51,0% 30,0% 46,7% 40,9% 39,7% 40,4% 39,1% 55,6% 32,5% 34,8% 2010 68,5% 66,5% 62,0% 61,1% 56,0% 55,2% 55,1% 54,1% 53,1% 51,8% 51,7% 51,5% 51,1% 50,1% 49,8% 48,9% 48,8% 48,7% 48,7% 47,8% 47,7% 46,5% 46,4% 46,4% 46,2% 45,7% 45,6% 45,4% 45,1% 44,8% 44,5% 44,1% 43,6% 43,2% 42,6%

46. (Impostos diretos, Impostos indiretos e taxas) / (Receitas Correntes+Receitas de Capital+ Reposições).

54

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Do ranking anterior anota-se, em relação ao ano de 2010: Com um peso da receita de impostos superior a 60% encontram-se apenas quatro municípios (Lisboa, Oeiras, Seixal e Cascais). Sete dos primeiros catorze municípios considerados nesta listagem passaram de um peso da receita de impostos na receita total inferior a 50%, verificada em 2009, para uma razão superior a 50%, em 2010. Destes será de realçar a alteração apresentada pelos seguintes municípios: Vila Nova de Gaia, Faro, Loures, Grândola e Tavira. As razões para este aumento de peso nem sempre advém do aumento real destas receitas mas sim da diminuição de outras fazendo realçar a importância das receitas provenientes dos impostos. Em relação a Vila Nova de Gaia verificou-se um efetivo aumento das receitas fiscais em +5,1 M€, mas as receitas globais baixaram 19,1M€, exponenciando assim o aumento do peso dos impostos. Para Faro o aumento de peso dos impostos não se deveu ao aumento de seu valor, tendo-se mesmo verificado um decréscimo em 1,1M€, mas sim uma maior descida das restantes receitas no total de 12,7M€. Quanto a Loures, a receita fiscal cresceu na globalidade 2,2M€ (apesar do IMT ter diminuido1,4M€) tendo a receita global baixado ligeiramente (-0,21 M€). Grândola apresentou um aumento da receita fiscal de 3,1M€, à custa do acréscimo das taxas em 7,7M€, já que o IMT diminuiu 4M€. Tavira apresenta um aumento líquido da receita fiscal em 2,2M€, mas as receitas globais também baixaram 5,12 M€.

Com uma descida de peso mais significativa, desta receita, em relação ao período considerado temos Setúbal, Odivelas, Almada e Sintra. Setúbal devido a um decréscimo conjunto do IMI (-0,8%) e IMT (-26,3%). Já em relação a Odivelas, embora a receita fiscal tenha crescido em 1M€, a receita total aumentou 6 M€, isto é, proporcionalmente muito mais. Para Almada o aumento em 1,7M€ dos impostos diretos sobrepôs-se o aumento das receitas totais em + 12,4M€. Relativamente a Sintra apesar dos impostos diretos terem aumentado 5,3M€, em resultado do aumento dos passivos financeiros (+37,7M€) e das transferências (+10,6M€), as receitas totais aumentaram 48,5M€, isto é, proporcionalmente muito mais. Com um aumento significativo do peso destas receitas em relação à média do período considerado apresentam-se Sines, Castro Marim e Aveiro. Sines devido ao aumento conjugado do IMI (+7,6%) e IMT (38,5%). Em Castro Marim verifica-se um aumento da receita fiscal em 1,2M€ conjugado com uma diminuição da receita global em 2,5M€. Para Aveiro, o aumento do peso dos impostos resultou da efetiva subida destes em +1,4M€ e a descida líquida da receita em -10,9 M€ (os passivos financeiros baixam 14M€ e os rendimentos de propriedade aumentam 4,5M€. Os Quadros 2.11 e 2.12, a seguir apresentados poderão permitir compreender o impacto da variação da cobrança do IMI e do IMT nas oscilações do peso das receitas fiscais dos municípios do Ranking R6.
55

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Quadro 2.11 | Evolução dos montantes do IMI e do IMT, nos Municípios cujo peso de receitas proveniente de impostos é superior a 50% da receita total
Dim. 2008 IMI 99.780.693 27.118.813 16.908.105 42.006.657 17.823.969 45.153.973 2.741.890 25.098.993 27.011.369 16.111.331 7.639.697 6.974.803 33.354.344 5.650.555 IMT 111.800.123 23.299.520 9.371.242 34.790.231 7.878.298 21.687.209 3.230.870 34.849.063 19.158.622 11.245.350 5.619.930 8.496.113 9.802.930 5.709.142 2009 IMI 101.507.452 26.740.266 17.297.807 35.104.226 16.375.193 39.763.922 2.304.368 25.445.391 23.926.445 13.889.328 8.298.354 6.870.586 30.837.957 5.127.275 IMT 90.871.592 28.760.142 6.395.657 30.451.137 6.072.411 21.244.815 6.177.798 26.612.401 15.054.601 6.977.503 3.866.335 4.739.615 12.704.278 4.254.764 2010 IMI 104.660.321 28.118.775 18.454.661 41.138.667 17.978.038 42.691.507 2.454.561 26.498.629 26.084.067 14.069.339 8.635.287 7.243.777 32.702.835 5.501.347 IMT 100.214.768 17.038.355 7.199.900 36.487.844 5.889.920 30.011.321 2.125.046 20.561.954 13.661.145 6.810.761 3.368.891 5.444.065 13.666.370 6.137.045 % dos impostos nas receitas totais 2009 68,5% 66,5% 62,0% 61,1% 56,0% 55,2% 55,1% 54,1% 53,1% 51,8% 51,7% 51,5% 51,1% 50,1%

Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Lisboa Oeiras Seixal Cascais Maia Porto Grândola Loulé Loures Portimão Faro Lagoa (Algarve) Vila Nova de Gaia Tavira

G G G G G G P M G M M M G M

Unidade: euros

Quadro 2.12 | Municípios com peso de receitas provenientes de impostos superior ou igual a 50% da receita total e respetiva variação do IMI e do IMT
Variação de IMI 06 - 07 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 56 Lisboa Oeiras Seixal Cascais Maia Porto Grândola Loulé Loures Portimão Faro Lagoa (Algarve) V. N. Gaia Tavira G G G G G G P M G M M M G M 12,6% 9,8% 19,0% 23,6% 12,2% 15,2% 39,2% 26,1% 18,4% 13,2% 5,0% 3,1% 19,3% 16,8% 07 - 08 18,1% 8,9% 14,5% 13,3% 11,4% 14,6% 21,0% -6,1% 18,4% 10,4% 12,8% 2,0% 11,7% 9,4% 08 - 09 1,7% -1,4% 2,3% -16,4% -8,1% -11,9% -16,0% 1,4% -11,4% -13,8% 8,6% -1,5% -7,5% -9,3% 09 - 2010 3,1% 5,2% 6,7% 17,2% 9,8% 7,4% 6,5% 4,1% 9,0% 1,3% 4,1% 5,4% 6,0% 7,3% 06 - 07 22,8% 44,0% 32,2% 15,0% 44,2% 10,8% 79,3% 68,9% 36,2% 81,4% 32,9% 60,9% 36,4% 30,1% Variação de IMT 07 - 08 3,1% -10,5% -16,1% -13,9% -35,5% -20,5% 93,0% -25,2% -17,4% -26,6% -16,9% -28,6% -42,6% -30,8% 08 - 09 -18,7% 23,4% -31,8% -12,5% -22,9% -2,0% 91,2% -23,6% -21,4% -38,0% -31,2% -44,2% 29,6% -25,5% 09 - 2010 10,3% -40,8% 12,6% 19,8% -3,0% 41,3% -65,6% -22,7% -9,3% -2,4% -12,9% 14,9% 7,6% 44,2% Peso dos impostos nas receitas totais 2010 68,5% 66,5% 62,0% 61,1% 56,0% 55,2% 55,1% 54,1% 53,1% 51,8% 51,7% 51,5% 51,1% 50,1%

Município

Dimensão

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Em termos de variação do IMI, todos os 14 municípios para os quais, em 2010, o valor dos impostos diretos representou um peso superior a 50% das suas receitas totais, apresentaram taxas positivas de crescimento do IMI, sendo a mais relevante em termos relativos e com maior reflexo no montante da coleta, a referente a Cascais (+17,2%, isto é, +6 M€). É, contudo, de realçar o aumento absoluto da coleta do IMI para os seguintes municípios: Lisboa (+ 3,2 M€), Porto (+2,9 M€), Loures (+ 2,2 M€) e Vila Nova de Gaia (+1,9 M€). No que se refere ao IMT, será de anotar o aumento desta receita por parte dos seguintes municípios: Lisboa (10,3 %,

+ 9,3 M€), Porto (41,3 %, + 8,8 M€) e Cascais (19,8 %, + 6 M€). As reduções mais relevantes desta coleta referem-se aos seguintes municípios: Oeiras (-11,7 M€), Loulé (- 6,1 M€), Faro (-5,2M€), Grândola (- 4,1M€) e Loures (-1,4M€). Maia e Portimão viram também estas suas receitas diminuírem, respetivamente de – 182,5 mil euros e -166,7mil euros. Face ao forte impacto na receita autárquica do valor dos impostos municipais apresenta-se nos Quadros 2.13 e 2.14 e no Gráfico 2.11, o montante discriminado dos impostos diretos recebidos entre 2006 e 2010, bem como a sua variação nos dois últimos anos desse quinquénio.

Quadro 2.13 | Evolução da cobrança dos Impostos Diretos entre 2006 e 2010
Impostos diretos IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) IUC (Imposto Único de Circulação) IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) Derrama Impostos abolidos Impostos diretos diversos Total Unidade: milhões de euros 2006 856,0 132,4 649,0 281,6 138,7 1,7 2.059,3 2007 973,8 138,1 881,2 312,7 91,8 2,6 2.400,3 2008 1081,6 139,0 763,4 250,5 40,4 3,8 2.278,8 2009 1049,9 160,8 610,0 320,1 23,2 3,9 2.167,9 2010 1.108,4 170,2 616,1 267,9 13,5 1,7 2.177,8 Variação 2009 - 2010 5,6% 5,8% 1,0% -16,3% -41,8% -56,1% 0,5% Variação 2006 - 2010 29,5% 28,6% -5,1% -4,9% -90,3% 3,2% 5,8%

Quadro 2.14 | Estrutura dos Impostos Diretos cobrados em 2010
Impostos cobrados IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) IUC (Imposto Único de Circulação) IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) Derrama Impostos abolidos Impostos diretos diversos Total Pequenos 52,9% 11,2% 28,7% 6,7% 0,4% 0,0% 100% Médios 55,3% 8,8% 29,7% 5,8% 0,4% 0,0% 100% Grandes 47,7% 6,7% 27,3% 17,3% 0,8% 0,1% 100% Total 50,9% 7,8% 28,3% 12,3% 0,6% 0,1% 100%

57

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Gráfico 2.11 | Evolução da cobrança dos Impostos Diretos entre 2006 e 2010

120 0 € 1000 € 800 € Milh ões 600 € 400 € 200 € 0€ 2006 2007 2008 2009 2010 IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) Derrama

IUC (Imposto Único de Circulação)

O imposto municipal com maior peso na receita de impostos diretos é o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), o qual representou para o global dos municípios, em média nos 5 anos, 45,8% do total da coleta de impostos diretos, sendo que no ano de 2010 atingiu os 50,9% dos mesmos. O montante arrecadado, representado no gráfico por uma linha ascendente entre 2006 e 2008, cresceu nesse período 26,4%. Todavia, em 2009 apresentou uma quebra de 2,9% (- 31,7 milhões de euros) tendo, contudo, em 2010 retomado a linha ascendente e atingido o pico da coleta com 1,1 mil milhões de euros e uma taxa de crescimento de 5,6%. O IMT que representou, em média, 31,6% dos impostos arrecadados no período em apreço e, no ano de 2010, apresentou uma ponderação de apenas 28,3%. O valor global do IMT cobrado em 2010, no montante de 616,1 M€, representou 55,6% do valor arrecadado pelo IMI, sendo o segundo valor mais baixo deste quinquénio. Efetivamente, se atentarmos no gráfico 2.11, verifica-se que a representação gráfica da coleta deste imposto é dada por uma linha descendente a partir 2007 - ano em que atingiu o valor mais alto da coleta com o montante de 881,2 M€ - e até 2009, representando a descida continuada da cobrança deste imposto. Em 2010, apresenta uma ligeira subida de 1% (+6,1M€). No
58

global, entre 2006 e 2010 as autarquias perderam 5,1% do valor deste imposto (-32,9M€). Contudo, se essa perda for reportada a 2007, ano de melhor cobrança a descida já é de 30,1% e representa uma perda de 265,1M€. Outro imposto municipal cuja coleta baixou, no quinquénio em análise, foi a Derrama. Com um peso médio de 13% no total dos impostos, a perda 14,3% da coleta entre 2007 e 2010, refletiu-se negativamente na atividade financeira dos municípios. À semelhança do IMT, o ano de 2007 foi o de melhor cobrança da Derrama (312,7 M€). O valor arrecadado em 2010 (267,9 M€) foi, também, o segundo pior do período (o mais baixo tinha sido em 2008) e inferior em 16,3% ao obtido em 2009. O Imposto Único de Circulação ao longo do período tem apresentado um crescimento contínuo e homogéneo, representando, em 2010, 7,8% do total dos impostos arrecadados. Entre 2006 e 2010, cresceu 28,6%. Pelo peso que o conjunto da receita obtida com o IMI e IMT representa nos orçamentos municipais, justifica-se o reconhecimento destes valores de acordo com a dimensão dos municípios. O Quadro 2.15 mostra o valor do IMI e IMT por grupos de municípios, em 2009 e 2010.

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 2.15 | Taxa de Variação do IMI e do IMT de 2009 para 2010
IMI Municípios Pequenos Médios Grandes Total Unidade: milhões de euros 2009 92,3 413,4 544,1 1.049,9 2010 95,0 433,1 580,3 1.108,4 Variação 2009 - 2010 2,9% 4,8% 6,7% 5,6% 2009 60,9 233,6 315,5 610,0 IMT 2010 51,5 232,1 332,5 616,1 Variação 2009 - 2010 -15,5% -0,6% 5,4% 1,0%

Assim: • A observação já anteriormente notada de um crescimento global do IMI em 5,6% em 2010, reflete um crescimento desta receita, nos três agrupamentos de municípios, crescendo mais nos de grande dimensão (+6,7%) e menos nos de pequena dimensão (+2,9%). Sendo o IMI, conforme se verificou nos quadros anteriores, o imposto que maior peso tem na receita municipal e representando quase o dobro do valor do IMT, este crescimento da coleta refletiu-se positivamente nos orçamentos municipais atenuando a descida dos outros impostos e até de outras receitas municipais, como seja a diminuição dos empréstimos bancários. Do total do IMI arrecadado em 2010, 52,4% (580,3M€) pertence ao grupo dos grandes municípios e apenas 8,6% (95M€) pertence ao grupo dos pequenos. O agrupamento dos municípios de média dimensão recolheu 39,1% (433,1M€). • O montante arrecadado de IMT, apesar de em termos globais ter apresentado em 2010 um crescimento de 1% comportou-se de forma diferente nos três grupos de municípios. Assim, enquanto, nos municípios de grande dimensão apresenta uma taxa de crescimento de 5,4% (+17 M€), nos de média dimensão apresenta uma taxa de variação negativa (-0,6%), traduzida num decréscimo global da coleta em -1,5M€. Relativamente aos municípios de pequena dimensão, constata-se uma descida abrupta desta receita (-15,5%) no total de 9,4M€. Do total do IMT arrecadado, em 2010, 54% (332,5M€) pertence ao grupo dos grandes municípios e apenas 8,4% (51,5M€) pertence ao grupo dos pequenos. O agrupamento dos municípios de média dimensão recolheu 37,7% (232,1M€).
59

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R7 | Municípios com maior aumento de IMI de 2009 para 2010, em valores absolutos
IMI Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Cascais Sintra Lisboa Porto Loures Almada Vila Nova de Gaia Matosinhos Maia Coimbra Amadora Oeiras Seixal Guimarães Loulé Braga Gondomar Torres Vedras Coruche Mafra Santa Maria da Feira Ponta Delgada Funchal Póvoa de Varzim Vila Nova de Famalicão Moita Barreiro Vila Franca de Xira Montijo Ourém Vila Real de Santo António Ovar Alcochete Figueira da Foz Odivelas Dimensão G G G G G G G G G G G G G G M G G M P M G M M M G M M G M M P M P M G 2006 29.991.344 35.596.888 74.998.512 34.211.954 19.263.473 16.550.376 25.027.617 17.664.917 14.266.919 14.928.200 15.466.436 22.673.504 12.404.114 10.609.519 21.193.553 14.501.986 12.482.202 5.742.212 1.193.067 7.098.329 10.022.368 2.874.042 9.110.500 5.962.908 7.485.939 3.445.999 5.025.951 11.387.472 4.614.566 2.631.934 2.966.080 4.703.149 2.011.256 6.050.244 12.782.944 2007 37.080.483 41.813.989 84.471.307 39.402.947 22.812.998 19.282.318 29.848.046 19.865.251 16.006.038 17.281.809 16.847.740 24.905.226 14.766.441 12.312.726 26.725.736 16.174.167 12.844.386 6.403.177 1.343.312 8.500.401 11.124.459 3.700.949 11.103.568 6.764.199 8.090.506 4.038.789 5.606.096 12.830.646 5.191.567 2.914.494 3.831.382 4.986.814 1.872.132 6.528.623 14.079.437 2008 42.006.657 41.908.666 99.780.693 45.153.973 27.011.369 21.388.159 33.354.344 21.330.894 17.823.969 19.382.156 19.173.866 27.118.813 16.908.105 13.342.821 25.098.993 17.637.509 14.462.936 7.001.341 1.581.415 9.464.422 12.338.471 4.112.068 11.930.012 7.003.493 8.779.145 4.634.509 6.149.943 15.198.327 5.596.117 3.076.228 3.989.399 5.414.343 2.106.008 7.115.714 16.798.420 2009 35.104.226 42.979.344 101.507.452 39.763.922 23.926.445 22.255.714 30.837.957 20.670.614 16.375.193 20.774.716 17.815.107 26.740.266 17.297.807 12.986.916 25.445.391 17.462.569 13.777.143 6.656.732 436.116 8.903.078 11.341.176 4.206.673 11.901.406 6.761.202 9.773.569 4.822.879 6.640.626 13.864.731 4.759.877 3.113.555 4.193.464 5.297.644 1.904.711 6.963.648 16.444.871 2010 41.138.667 46.697.127 104.660.321 42.691.507 26.084.067 24.163.983 32.702.835 22.299.327 17.978.038 22.261.426 19.296.332 28.118.775 18.454.661 14.131.554 26.498.629 18.490.034 14.783.110 7.546.045 1.318.950 9.775.602 12.137.580 4.927.407 12.612.381 7.420.187 10.391.139 5.439.739 7.251.245 14.441.375 5.333.035 3.669.939 4.731.920 5.804.684 2.409.713 7.463.432 16.942.149 Variação 2009 - 2010 6.034.441 3.717.783 3.152.869 2.927.585 2.157.622 1.908.269 1.864.877 1.628.713 1.602.845 1.486.710 1.481.225 1.378.509 1.156.853 1.144.638 1.053.237 1.027.466 1.005.967 889.313 882.834 872.524 796.403 720.733 710.975 658.985 617.571 616.860 610.619 576.644 573.159 556.384 538.456 507.040 505.002 499.784 497.278

Unidade: euros 60

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R8 | Municípios com maior diminuição de IMI de 2009 para 2010, em valores absolutos
IMI 2006 14.115.223 1.640.723 5.200.861 6.650.440 4.215.304 298.604 690.998 10.993.216 428.557 533.426 1.180.467 1.189.444 291.635 877.413 1.529.184 453.083 162.303 967.296 819.102 406.663 459.370 395.211 79.500 192.511 656.853 1.877.981 2.843.148 498.854 1.053.815 85.699 2.281.486 1.720.704 240.427 125.710 339.728 2007 17.271.507 1.874.295 5.655.305 7.037.624 4.721.204 328.689 773.294 12.961.735 595.732 562.255 1.214.636 1.254.914 346.195 963.329 1.799.170 486.336 174.761 1.315.073 1.055.221 523.763 504.750 412.640 120.657 187.683 675.952 1.955.419 3.533.897 525.817 1.247.192 117.820 2.807.991 1.853.661 337.012 142.634 368.963 2008 18.368.852 2.126.687 6.936.736 9.931.426 4.216.576 358.172 858.675 15.030.680 798.066 678.003 1.325.079 1.381.669 360.943 929.641 2.163.890 565.820 219.756 1.369.177 1.105.112 535.989 522.167 483.881 152.253 200.007 806.037 2.134.026 3.771.930 588.629 1.737.176 142.133 2.937.606 2.141.835 383.788 132.348 481.108 2009 19.821.059 2.073.096 6.348.744 9.162.907 4.215.750 432.721 912.003 14.314.476 756.407 655.997 1.317.120 1.552.164 422.664 883.638 2.163.890 631.318 244.517 1.287.516 1.140.204 546.464 467.004 441.642 194.030 173.799 733.390 2.278.813 4.203.556 625.626 1.500.161 165.450 2.864.120 2.175.051 380.296 145.268 530.341 2010 18.377.385 1.105.187 5.769.351 8.770.272 3.851.076 273.566 765.461 14.194.649 643.418 544.831 1.207.355 1.442.795 316.720 777.795 2.060.187 542.048 155.764 1.200.193 1.053.307 467.567 390.052 378.288 133.705 113.711 679.683 2.226.544 4.151.466 573.647 1.451.405 117.081 2.820.523 2.139.747 345.579 113.964 499.599 Variação 2009 - 2010 -1.443.674 -967.909 -579.393 -392.635 -364.675 -159.155 -146.542 -119.827 -112.990 -111.166 -109.765 -109.370 -105.944 -105.842 -103.703 -89.270 -88.752 -87.323 -86.897 -78.897 -76.952 -63.354 -60.325 -60.088 -53.707 -52.268 -52.090 -51.979 -48.756 -48.369 -43.597 -35.304 -34.717 -31.304 -30.741

Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Albufeira Marco de Canaveses Silves Viseu Évora Campo Maior Vendas Novas Setúbal Cabeceiras de Basto Ansião Alcanena Vizela Castelo de Paiva Mealhada Tondela Sertã Crato Ponte de Sor Mangualde Serpa Alijó Alpiarça Vila do Porto Boticas Montalegre Ponte de Lima Pombal Castro Daire Câmara de Lobos São Roque do Pico Torres Novas Castro Marim Vila Franca do Campo Velas Vila Viçosa

Dimensão M M M M M P P G P P P M P M M P P P M P P P P P P M M P M P M P P P P

Unidade: euros 61

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R9 | Municípios com maior aumento de IMT de 2009 para 2010, em valores absolutos
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Lisboa Porto Cascais Funchal Vila Franca de Xira Sesimbra Sintra Matosinhos Montijo Olhão Tavira Vila Real de Santo António Santo Tirso Alenquer Gondomar Odivelas Barreiro Vila Nova de Gaia Póvoa de Varzim Aveiro Moita Seixal Santa Maria da Feira Lourinhã Lagoa (Algarve) Vila do Bispo Mafra Évora Chamusca Oliveira de Azeméis Sines Vizela Entroncamento Fafe Vila Real Dimensão G G G M G M G G M M M P M M G G M G M M M G G M M P M M P M P M M M M IMT 2006 88.311.738 24.606.472 35.108.188 9.156.343 6.740.630 4.945.841 19.714.939 13.223.566 4.103.912 3.462.138 6.344.721 3.593.359 2.541.365 2.542.340 3.670.395 10.076.521 2.920.161 12.508.986 3.931.314 4.710.819 1.976.750 8.448.477 4.585.596 1.416.296 7.396.527 2.331.622 7.904.900 4.333.937 343.124 1.352.241 663.131 604.071 882.187 1.032.718 1.640.602 2007 108.452.369 27.266.133 40.389.237 10.229.413 10.119.722 7.387.388 24.571.652 14.745.671 5.304.372 4.685.275 8.252.728 4.835.166 2.608.214 2.626.720 4.335.132 12.511.510 3.436.653 17.068.155 3.477.756 6.819.234 2.355.717 11.172.589 5.755.347 2.013.268 11.899.734 3.620.063 9.899.858 5.723.716 452.392 1.983.454 2.051.451 744.603 1.962.309 1.313.568 1.933.663 2008 111.800.123 21.687.209 34.790.231 8.581.836 9.849.139 5.565.961 19.198.511 14.992.605 4.376.626 3.722.691 5.709.142 3.682.773 2.856.186 2.564.620 2.938.464 9.206.977 2.781.326 9.802.930 3.121.144 5.550.515 2.401.092 9.371.242 6.220.078 2.209.959 8.496.113 2.567.118 7.730.208 3.841.652 529.216 2.230.202 1.373.727 768.506 1.392.420 1.400.467 1.838.184 2009 90.871.592 21.244.815 30.451.137 7.025.127 5.787.493 4.057.685 13.359.251 7.635.603 2.597.522 2.463.616 4.254.764 1.705.573 2.019.640 1.578.266 3.123.547 8.331.548 2.921.278 12.704.278 2.491.154 4.316.288 1.339.404 6.395.657 3.098.417 1.375.497 4.739.615 1.192.303 5.638.385 2.157.058 294.649 1.302.304 1.074.219 256.659 784.818 1.010.586 1.366.737 2010 100.214.768 30.011.321 36.487.844 11.020.635 8.731.740 6.861.900 16.012.707 10.116.175 4.683.840 4.478.818 6.137.045 3.001.297 3.145.430 2.692.902 4.224.402 9.343.234 3.917.033 13.666.370 3.447.309 5.233.471 2.224.164 7.199.900 3.851.988 2.095.214 5.444.065 1.791.222 6.231.604 2.725.351 829.588 1.820.279 1.487.659 664.608 1.149.333 1.354.647 1.676.395 Variação 2009 - 2010 9.343.176 8.766.506 6.036.707 3.995.508 2.944.247 2.804.216 2.653.456 2.480.573 2.086.317 2.015.203 1.882.280 1.295.724 1.125.790 1.114.636 1.100.855 1.011.686 995.755 962.092 956.155 917.183 884.760 804.244 753.571 719.717 704.450 598.919 593.219 568.293 534.939 517.974 413.440 407.949 364.515 344.060 309.658

Unidade: euros 62

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R10 | Municípios com maior diminuição de IMT de 2009 para 2010, em valores absolutos
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Oeiras Loulé Albufeira Grândola Torres Vedras Amadora Óbidos Setúbal Silves Loures Guimarães Almeirim Torres Novas Ílhavo Lagos Castro Marim Beja Braga Viseu Mangualde Ovar Valongo Alcobaça Azambuja Rio Maior Coimbra Faro Benavente Lousada Alcácer do Sal Santa Cruz Chaves Oliveira de Frades Aljezur Porto de Mós Dimensão G M M P M G P G M G G M M M M P M G M M M M M M M G M M M P M M P P M IMT 2006 18.069.784 27.565.761 12.703.467 933.656 5.716.989 12.013.204 2.993.640 7.112.204 4.340.085 17.020.390 4.076.561 1.672.689 1.807.778 2.973.862 12.982.328 1.289.031 1.782.788 7.332.541 4.365.183 309.116 2.046.712 3.572.019 2.537.852 1.750.925 735.141 10.359.483 5.086.302 2.584.930 920.809 1.256.714 1.907.943 1.132.670 244.830 1.444.211 668.352 2007 26.024.888 46.559.457 26.637.067 1.673.860 6.560.796 10.089.319 6.640.594 10.247.095 6.731.508 23.189.571 6.995.730 1.769.578 1.799.098 2.941.025 17.223.999 1.965.883 2.880.790 12.015.470 4.867.912 468.859 3.159.627 4.431.963 3.621.544 3.275.373 1.756.413 12.678.526 6.760.663 3.694.404 1.212.364 1.953.824 2.480.182 1.451.015 741.497 2.161.684 819.558 2008 23.299.520 34.849.063 21.363.241 3.230.870 5.850.013 11.928.458 5.318.061 8.918.410 6.069.256 19.158.622 7.664.315 840.671 3.422.196 1.849.819 14.286.361 1.755.030 1.932.745 9.448.859 6.170.849 631.948 2.376.463 4.109.163 4.669.042 1.258.728 1.205.492 11.006.584 5.619.930 3.686.501 1.381.640 2.146.272 2.259.117 2.299.650 276.417 1.507.352 615.177 2009 28.760.142 26.612.401 12.214.448 6.177.798 6.927.618 7.292.385 4.501.383 8.452.478 4.681.756 15.054.601 6.594.514 1.685.653 2.013.520 2.476.258 7.578.293 1.702.673 2.418.713 9.571.038 4.382.250 1.052.215 2.396.602 3.043.092 2.834.235 1.277.230 1.126.858 9.820.063 3.866.335 2.681.206 1.134.375 954.705 1.982.962 1.612.633 650.494 1.000.058 820.850 2010 17.038.355 20.561.954 8.156.207 2.125.046 3.992.180 4.914.906 2.267.188 6.228.319 3.059.674 13.661.145 5.583.612 681.925 1.011.594 1.477.188 6.623.672 789.020 1.623.551 8.816.146 3.633.726 432.933 1.803.420 2.499.301 2.304.660 751.490 625.172 9.318.844 3.368.891 2.199.833 701.152 534.254 1.578.651 1.215.342 274.126 635.247 502.577 Variação 2009 - 2010 -11.721.787 -6.050.448 -4.058.241 -4.052.752 -2.935.438 -2.377.479 -2.234.195 -2.224.159 -1.622.082 -1.393.456 -1.010.902 -1.003.727 -1.001.926 -999.069 -954.621 -913.653 -795.163 -754.892 -748.524 -619.281 -593.182 -543.792 -529.575 -525.740 -501.686 -501.219 -497.444 -481.373 -433.222 -420.451 -404.310 -397.291 -376.368 -364.811 -318.273

Unidade: euros 63

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.4. Despesas Autárquicas 2.4.1. Classificação económica das Despesas
A taxonomia das despesas públicas para todo o sector da Administração está definida no classificador económico das despesas (Decreto-Lei n.º 26/2002, de 14 de Fevereiro). As despesas são agrupadas pela sua natureza económica em despesas correntes e despesas de capital. Cada um destes grupos é constituído por um conjunto de capítulos de agregados económicos com a denominação apresentada no quadro em cima. Quadro 2.16 | Classificação económica da Despesa Autárquica
Despesas correntes 01- Despesas com o pessoal 02- Aquisições de bens e serviços 03- Juros e outros encargos 04- Transferências correntes 05-Subsídios 06- Outras despesas correntes Despesas de capital 07- Aquisição de bens de capital 08- Transferências de capital 09- Ativos Financeiros 10- Passivos Financeiros 11 – Outras receitas de capital Outras despesas

12- Operações extra-orçamentais

2.4.2. Execução global do Orçamento de Despesa
O quadro 2.17 e o Gráfico 2.12 que a seguir se apresentam permitem visualizar a evolução das diferentes fases da despesa global municipal entre 2006 e 2010. Quadro 2.17 | Orçamento e Execução das Despesas Municipais
Despesas Despesas previstas (a) Compromissos do exercício (b)c Despesas pagas do exercício (c) Despesas pagas de exercícios anteriores (d) Compromissos do exercício por pagar (e)d Compromissos a pagar em exercícios futuros (f)e Grau de execução da despesa comprometida (b/a) Grau de execução da despesa paga ((c+d) /b) Grau de execução da despesa paga em relação à despesa prevista ((c+d)/a) Despesas pagas no exercício por habitante Compromisso do exercício por pagar por habitante Unidade: milhões de euros a. Em 2006 não foram analisados os Municípios de Castro Marim e Fornos de Algodres, por informação inexistente ou insuficiente dos mapas de execução da despesa b. A partir de 2007 a análise inclui os 308 municípios c. De acordo com o POCAL deverá incluir os compromissos não pagos que transitaram dos exercícios anteriores d. Compromissos do exercício deduzidos das despesas pagas do exercício e dos exercícios anteriores e. Compromissos assumidos no exercício, mas que só se executam nos exercícios seguintes. Não constituem dívida mas apenas encargos assumidos. 64 2006a 11.309,9 9.320,4 6.616,7 375,4 2.328,3 1.601,8 82,4% 75,0% 61,8% 660 € 220 € 2007b 11.439,3 9.581,9 7.081,0 329,3 2.171,6 1.655,3 83,8% 77,3% 64,8% 698 € 205 € 2008 11.898,3 10.051,4 7.530,9 345,0 2.175,5 1.891,7 84,5% 78,4% 66,2% 741 € 205 € 2009 13.237,5 11.135,0 7.959,4 398,7 2.776,9 2.927,3 84,1% 75,1% 63,1% 786 € 261 € 2010 13.187,6 10.699,6 7.486,2 385,9 2.827,5 3.167,9 81,1% 73,6% 59,7% 740 € 266 € Variação 09 - 2010 % -0,4% -3,9% -5,9% -3,2% 1,8% 8,2% -3,5% -2,0% -5,5% -5,8% 1,8% Variação 06 - 2010 % 16,6% 14,8% 13,1% 2,8% 21,4% 97,8% -1,5% -1,9% -3,4% 12,2% 21,0%

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.12 | Evolução da Despesa Autárquica nas suas diferentes fases
14.000 € 12.000 € 10.000 € Milhões 8.000 € 6.000 € 4.000 € 2.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 201 0 Compromi ssos a pagar em exercícios futuros Compromi ssos do exercício por pagar Compromi ssos do exercício Despesas pagas Despesas previstas

No quinquénio em análise, os compromissos assumidos49 cresceram globalmente 14,8% (+ 1 379,2 M€) tendo todavia apresentada uma diminuição relativa em 2010, de -3,9% (-435,4M€). O ano de 2009 apresenta o maior crescimento da despesa, com um volume acrescido de compromissos assumidos de +1 083,6M€ (+10,8%). Comparando-se a despesa assumida com a receita cobrada50 em cada ano, conclui-se que os municípios têm, em média, autorizado despesa para além da sua capacidade de pagamento, em mais de 2,2 mil milhões de euros (2 124,8 M€ em 2006, 1 812,2 M€ em 2007, 1 968,8 M€ em 2008, 2 643 M€ em 2009 e 2 673,4 M€ em 2010), que se traduziram em compromissos sem o correspondente aprovisionamento de receita e por isso em risco de incumprimento financeiro. O valor total de despesa prevista foi, em 2010, inferior ao do ano anterior em -0,4% (-49,9M€), pese embora no período destes cinco anos tenha crescido 16,6% (+1 877,7 M€). A esta previsão em baixa da despesa, em 2010, fixando-se em 13 187,6 M€ correspondeu um decréscimo efetivo da despesa realizada51, em 3,9% (-435,4M€). O ano 2010 superou o ano de 2009 em constrangimento de tesouraria, pois o montante de 7 872,1M€ de despesa paga foi inferior em 5,8% (-486 M€) ao pago naquele ano. Efetivamente, de acordo com a informação do Quadro 2.05, os recursos financeiros disponíveis em 2010 no montante máximo de 8 026,2 M€, foram inferiores aos disponíveis em 2009 em -464,9M€. Os compromissos por pagar52, em 2010, apresentaram um aumento de 1,8% (+50,6M€), atingindo o montante de 2 827,5M€, o mais elevado do quinquénio.
49. Despesa autorizada 50. Inclui os recebimentos do ano e os saldos transitados das gerências anteriores. Quadro 2.05 do Capítulo 2.3 51. Chamaremos de Despesa Realizada o total da Despesa Paga com o total dos Compromissos Por Pagar Isto é o montante de Compromissos no Exercício. 52. Valores reflectidos no Mapa de Execução e Controlo Orçamental da Despesa. A diferença entre os valores deste mapa e os montantes considerados em dívida de curto prazo a terceiros, no Balanço, deveria ser equivalente aos montantes em dívida relacionados com operações de tesouraria, isto é divida não orçamental. Face à ausência de informação discriminativa destas verbas, em sede de prestação de contas, não foi possível aferir o seu valor, senão pela diferença aritmética dos montantes registados em cada um destes mapas.

Da observação do quadro e gráfico anteriores verifica-se que a despesa, tanto prevista como executada, tem crescido ao longo do quinquénio em análise. Comparando os dados deste quadro com os quadros apresentados no ponto 2.5 deste anuário constata-se que a receita liquidada tem sido inferior à despesa autorizada47. Aos graus de execução da receita liquidada48 de: 65,2% em 2006, 69,3% em 2007, 73,1% em 2008, 68,4% em 2009 e 62,3% em 2010, corresponderam níveis de realização da despesa, superiores a 80% dos montantes previstos: em 2006, 82,4%; em 2007, 83,8%; em 2008, 84,5%, em 2009, 84,1% e em 2010, 81,1%. Face aos elevados graus de execução da despesa, os sucessivos baixos níveis de concretização das cobranças constituíram um problema estrutural e influenciaram o desenvolvimento da dívida bruta das autarquias, sendo a causa da fraca capacidade de pagamento dos municípios. Pela comparação dos diferentes comportamentos destes níveis de execução conclui-se que, entre 2006 e 2010, a realização da despesa foi, em média, superior em 15,5%, à realização da receita. Numa ótica de equilíbrio orçamental da despesa e da receita, faz sentido comparar a despesa assumida, com a receita liquidada e não com a receita cobrada. Ao longo do quinquénio em apreço, verifica-se que se assumiu despesa muito acima da receita liquidada, o que contribui para a manutenção ou mesmo aumento do endividamento líquido de curto prazo.
47. Compromissos assumidos para o ano económico em causa. 48. Razão entre a receita liquidada e a receita prevista, apresentada no Quadro 2.04 do ponto 2.3.2 deste Anuário

65

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Os municípios, na sua generalidade, assumiram, em cada ano económico, compromissos a pagar em exercícios futuros de valor considerável. Estes débitos, a vencerem-se nos anos seguintes, representaram, em média, 28,2% das cobranças realizadas em cada ano, sendo que no ano de 2010 representaram 39,5% das mesmas e atingiram o valor de mais de 3,1 mil milhões de euros. Ora, se a este montante de compromissos para anos futuros acrescer os compromissos assumidos por pagar no montante superior a 2,8 mil milhões de euros obtém-se a soma de 5,9 mil milhões de euros53, isto é, 74% da receita arrecadada, em 2010. O Gráfico 2.13 e 2.14 apresentados anteriormente permitem comparar as taxas de crescimento das diferentes fases da despesa e comparar as respetivas taxas de execução das mesmas. Gráfico 2.13 | Taxas de variação das Despesas
60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% -10% 200 6-2007 200 7-2008 200 8-2009 200 9-2010 Compromi ssos do exercício Despesas pagas Compromi ssos a pagar em exercícios futuros Compromi ssos do exercício por pagar Despesas previstas

2.4.3. Prazos médios de pagamento54
No seguimento do ponto anterior faz sentido apresentar-se, de forma global, a adesão dos municípios ao Programa de Pagamento a Tempo e Horas a partir de 2007, avaliando-se a sua situação no que se refere ao Prazo Médio de Pagamentos (PMP). A fórmula de cálculo do PMP está definida no n.º 4 do Despacho n.º 9870/2009 do Gabinete do Ministro das Finanças e da Administração Pública, publicado a 13 de Abril, no DR n.º 71, 2ª série Parte C.” (DGAL), que refere o seguinte: “n.º 4 - É adaptado o indicador de prazo médio de pagamentos a fornecedores (PMP) previsto no n.º 6 do anexo à Resolução do Conselho de Ministros n.º 34/2008, de 22 de Fevereiro, que passa a basear-se na seguinte fórmula:
t

DF
t-3

PMP =

4
t

x365 A

t-3

Gráfico 2.14 | Evolução das taxas de Execução das Despesas
90% 82,4% 80% 77,3% 70% 75,0% 78,4% 75,1% 73,6% 83,8% 84,5% 84,1% 81,1%

em que DF corresponde ao valor da dívida de curto prazo a fornecedores observado no final de um trimestre, e A corresponde às aquisições de bens e serviços efetuadas no trimestre, independentemente de já terem sido liquidadas.” O gráfico a seguir apresentado, permite apreciar a situação existente no final de cada ano económico de 2007, 2008 e 2009. Constata-se que, entre 2008 e 2010 aumentou o número de municípios com prazo médio de pagamento superior 90 dias, passando de um total de 115 autarquias que em 2008 não cumpriram os prazos exigidos, para 138 municípios em 2009 e 161 municípios em 2010.
54. A análise apresentada neste ponto teve por base a informação publicada no site da Direcção Geral das Autarquias Locais. No Anuário anterior esta análise sustentou-se em valores provisórios. Para este Anuário foi possível obter dados definitivos. Daí que os valores históricos agora apresentados diferem dos constantes do anuário anterior

Grau de execução da despesa comprometida em relação à despesa prevista Grau de execução da despesa paga em relação à despesa comprometida Grau de execução da despesa paga em relação à despesa prevista

60%

64,8% 61,8%

66,2% 63,1% 59,7%

50% 2006 2007 2008 2009 201 0

53. Este montante comprometerá os orçamentos de despesa de 2011, cativando mais cerca de 70% da média da receita prevista

66

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.15 | Número de Municípios com um Prazo Médio de Pagamentos superior a 90 dias
180 160 140 120 100 80 60 40 20 0
21-12-2008 31-12-2009 31-12-2010

161 138 115 90 78 66 40 91 0 50 63

çaram a sentir a partir de 2008 e com maior impacto em 2010. Efetivamente, nesse ano, 52,3% (mais de metade dos municípios) apresentaram prazos superiores a 90 dias, para pagamento das suas dívidas. No quadro a seguir apresenta-se a variação do prazo médio de pagamento, por tipo dimensão de municípios. O Quadro 2.18 mostra que, em 2010, além de ter aumentado o número de municípios que apresentam um prazo médio de pagamento superior a 90 dias, aumentou o número máximo de dias que devem, em 26,5 dias, depois de ter diminuído 8,5 dias em 2009. De igual modo o prazo médio de pagamento para a globalidade dos municípios aumentou +26 dias em 2010, passando para 131,2 dias.

8

Grandes

Médios

Pequenos

Total

O gráfico anterior evidencia o agravamento dos problemas de tesouraria que, a globalidade dos municípios, come-

Quadro 2.18 | Variação do PMP em 2008, 2009 e 2010
Dimensão Nº de municípios que apresentam um PMP superior a 90 dias, em 31-12 Percentagem sobre o total de municípios Nº de municípios que apresentam um PMP superior a 90 dias, em 31-12 Percentagem sobre o total de municípios Nº de municípios que apresentam um PMP superior a 90 dias, em 31-12 Percentagem sobre o total de municípios Nº de municípios que apresentam um PMP superior a 90 dias, em 31-12 Percentagem sobre o total de municípios Nº de municípios existentes 179 36,9% 40 Médios 106 37,7% 9 Grandes 23 39,1% 115 Total 308 37,3% 44,8% 52,3% 43,5% 138 34,8% 161 16,7% 40,0% 47,2% 10 59,4% 8 -20,0% -11,1% 43,6% 50 50,3% 63 26,0% 57,5% 2008 66 Pequenos 2009 78 2010 90 15,4% 36,4% Variação 2009 - 2010 % Variação 2008 - 2010 %

Quadro 2.19 | Prazos Médios de Pagamento entre 2008 e 2010
31.12.2008 31.12.2009 Média do PMP dos Municípios que detêm um PMP superior a 90 dias Média do PMP do Total dos municípios 192,1 95,8 183,6 105,2 31.12.2010 210,1 131,2 Variação 2009 - 2010 em número de dias 26,5 26,0 Variação 2009 - 2010 % 14,4% 24,7% 67

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.4.4. Evolução da execução orçamental da Despesa, por classificação económica
No presente sub capítulo da despesa, apresenta-se a evolução da despesa autárquica entre 2006 e 2010, por rubrica económica, e nas suas diferentes fases de execução: despesa realizada55 ou compromissos do exercício56; despesa paga57; compromissos por pagar58 ; compromissos a pagar nos exercícios futuros59 O Quadro 2.20 apresenta a evolução da despesa realizada e despesa paga. O Gráficos 2.16 apresenta as respetivas taxas de crescimento. Quadro 2.20 | Evolução das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas
DESPESAS 2006
01 - Despesas com pessoal 02 - Aquisição de bens e serviços 03 - Juros e outros encargos 04 - Transferências correntes 05 - Subsídios 06 - Outras despesas correntes 07 - Aquisição de bens de capital 08 - Transferências de capital 09 - Activos financeiros 10 - Passivos financeiros 11 - Outras despesas de capital 2.060 1.910 141 454 146 113 3.634 426 46 350 40 9.320

Despesas Realizadas 2007
2.095 2.126 204 525 152 105 3.461 445 37 400 33 9.582

Despesas Pagas 2010
2.486 2.508 134 583 226 115 3.444 498 41 583 84 10.700

2008
2.184 2.324 245 550 172 130 3.496 501 38 358 54 10.051

2009
2.429 2.517 218 597 209 132 3.832 548 54 466 132 11.135

2006
2.030 1.419 128 420 118 106 1.993 356 39 344 39 6.992

2007
2.073 1.627 181 482 134 95 1.987 375 33 396 27 7.410

2008
2.154 1.782 225 506 144 121 2.089 426 31 353 44 7.876

2009
2.399 1.855 192 537 157 119 2.064 432 43 460 100 8.358

2010
2.451 1.731 105 500 149 101 1.782 369 38 577 68 7.872

Peso das Despesas Pagas nas Despesas Realizadas 2006 2007 2008 2009 2010
98,5% 74,3% 90,9% 92,5% 80,5% 93,1% 54,8% 83,5% 86,0% 98,4% 97,5% 75,0% 99,0% 76,5% 89,0% 91,9% 88,2% 90,3% 57,4% 84,4% 89,2% 98,9% 81,9% 77,3% 98,6% 76,7% 91,9% 92,1% 83,7% 92,6% 59,8% 85,0% 82,9% 98,8% 80,8% 78,4% 98,7% 73,7% 87,9% 90,0% 75,4% 89,8% 53,9% 78,9% 79,8% 98,6% 75,8% 75,1% 98,6% 69,0% 78,1% 85,7% 66,0% 88,2% 51,8% 74,2% 94,4% 99,1% 81,1% 73,6%

Total Unidade: milhões de euros

55. Chamar-se-á Despesa Realizada aos Compromissos do Exercício sendo o seu montante igual à soma das despesas pagas no exercício com os compromissos por pagar. 56. De acordo com o ponto 26.1 do POCAL, com o encerramento das contas, dever-se-ia fazer transitar para “Compromissos – exercícios futuros”, os compromissos assumidos no ano que não se concretizaram, isto é: que não originaram obrigações. Acontece que, nem sempre esta operação é realizada, o que implica manterem-se no mapa de execução da despesa compromissos que não são do ano económico em causa mas de anos económicos seguintes. Esta incorrecção no registo orçamental da despesa, embora não altere o volume dos compromissos assumidos, falseia a informação relativa ao montante em dívida e por isso o valor da despesa realizada, conforme a definimos no início deste anuário. Verifica-se, ainda, que não se tem forma de, com a informação constante nos Mapas de Execução Orçamental, detectar este erro ou omissão. Só a confrontação dos compromissos por pagar reflectidos no mapa de execução orçamental, com o passivo de curto prazo expresso no Balanço, permitirá concluir sobre a materialidade e fiabilidade da informação constante dos Mapas de Execução Orçamental e sobre compromissos assumidos para o exercício e não pagos. Acontece porém que, face à natureza informativa do Balanço, no passivo constarão, também, montantes que não representarão dívida orçamental. Estão nesta situação os valores de terceiros à guarda dos municípios, cuja contrapartida se encontra registada no activo, em disponibilidades. São valores que não podem ser considerados como dívida do município, pese embora o seu registo como passivo nos respectivos Balanços municipais. São exemplo desta situação: as garantias de clientes ou fornecedores, cauções e os impostos retidos a favor do Estado. Expurgando-se do passivo de curto prazo estas situações, poder-se-á obter a análise da conformidade da informação prestada nos mapas orçamentais, com a informação prestada em Balanço. Contudo, para a elaboração deste anuário e das edições anteriores, não tem sido possível obter informação que permita destacar do Balanço, o passivo que não se reflecte em dívida orçamental, pelo que não se pode testar a realização, cabal, das operações orçamentais, de final do período. Assim, optou-se por considerar o montante apresentado na coluna de “Compromissos assumidos e não pagos” no Mapa de Execução Orçamental, como o provável valor máximo de dívida orçamental de curto prazo. Contudo, não se poderá deixar de anotar que há capítulos económicos relativamente aos quais os Compromissos Por Pagar deveriam ser zero. São eles: Despesas com Pessoal; Activos Financeiros e Passivos Financeiros. A existência de compromissos por pagar nestas situações, estará claramente associada à falta de regularização contabilística dos saldos das contas de encargos previsionalmente assumidos, que não se concretizaram. 57. O total da despesa paga para cada ano refere-se à soma das despesas pagas do exercício e das despesas pagas dos exercícios anteriores. Por isso, os valores totais são iguais à soma dos valores das linhas c) e d) do Quadro 2. 17 58. São os Compromissos do exercício deduzidos das despesas pagas do exercício e dos exercícios anteriores. São os compromissos apresentados na linha e) do Quadro 2.17. Anota-se, que os compromissos por pagar não incluem compromissos assumidos para exercícios futuros mas, somente, os compromissos que, em cada exercício, se constituíram como obrigação para o município ou que transitaram dos exercícios anteriores e que, por conseguinte, o seu não pagamento representará dívida de curto prazo. 59. Tratam-se de despesas assumidas e contratualizadas num determinado ano económico, mas que só produzem efeitos financeiros em anos seguintes. São despesas associadas a actividades plurianuais

68

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.16 | Variação das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas
12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% -2% -4% -6% -8% Despesas Realizadas Despesas Pagas 2,8% 200 6-2007 200 7-2008 200 8-2009 200 9-2010 -3,9% -5,8% 4,9% 6,0% 6,3% 6,1% 10,8%

Em 2010, tanto os compromissos como os pagamentos apresentaram taxas de variação negativas, respetivamente de -3,9% e -5,8%. Contudo, os pagamentos decaíram mais que as despesas realizadas. Como seria de prever, as despesas realizadas e quase integralmente pagas no ano, foram as despesas com pessoal e os passivos financeiros com níveis de pagamento de 99%. O diferencial para os 100% ou se trata de anulações de compromissos, por realizar, ou pagamentos de encargos que se vencem no início do ano seguinte à sua realização. Em todo o período dos cinco anos em análise, foram as despesas com investimentos (aquisições de bens de capital) e as aquisições de bens e serviços, as despesas com níveis médios de pagamento mais baixos: respetivamente 56% e 74%. No ano 2010, estes níveis atingiram os valores mais baixos: 52% e 69%, respetivamente. O Quadro 2.21 mostra as taxas de variação das despesas realizadas e pagas, por rubrica económica.

Em média, entre 2006 e 2010, as despesas pagas representaram 76% das despesas comprometidas ou realizadas. Em 2010 foram pagas 74% da globalidade dos compromissos do ano. Embora o ano com maior volume de pagamentos tenha sido 2009, o ano com maior nível relativo de pagamentos foi 2008, ao liquidar-se 78% da despesa realizada. Se atentarmos na evolução das taxas globais de variação das despesas realizadas e despesas pagas (gráfico 2.13) verifica-se que as mesmas foram progressivas entre 2006 e 2009.

Quadro 2.21 | Taxas de Variação das Despesas Realizadas e das Despesas Pagas
DESPESAS 01 - Despesas com pessoal 02 - Aquisição de bens e serviços 03 - Juros e outros encargos 04 - Transferências correntes 05 - Subsídios 06 - Outras despesas correntes 07 - Aquisição de bens de capital 08 - Transferências de capital 09 - Ativos financeiros 10 - Passivos financeiros 11 - Outras despesas de capital Variação Global total f. Compromissos do Exercício a pagar no exercício. 69 Variação Despesas Realizadasf 2006-2007 1,7% 11,3% 44,3% 15,5% 3,7% -7,1% -4,8% 4,5% -20,1% 14,5% -18,4% 2,8% 2007-2008 4,3% 9,3% 20,0% 4,9% 13,3% 23,6% 1,0% 12,6% 3,0% -10,7% 65,4% 4,9% 2008-2009 11,2% 8,3% -10,7% 8,6% 21,4% 1,7% 9,6% 9,4% 42,9% 30,4% 143,6% 10,8% 2009-2010 2,3% -0,4% -38,6% -2,3% 8,3% -13,4% -10,1% -9,2% -24,6% 25,0% -36,6% -3,9% 2006-2007 2,2% 14,6% 41,2% 14,8% 13,6% -9,9% -0,3% 5,5% -17,1% 15,0% -31,5% 6,0% Variação Despesas Pagas 2007-2008 3,9% 9,6% 23,9% 5,1% 7,6% 26,6% 5,2% 13,4% -4,3% -10,7% 63,2% 6,3% 2008-2009 11,3% 4,1% -14,6% 6,1% 9,4% -1,4% -1,2% 1,5% 37,6% 30,1% 128,6% 6,1% 2009-2010 2,2% -6,7% -45,5% -7,0% -5,2% -14,9% -13,6% -14,6% -10,8% 25,6% -32,2% -5,8%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Do quadro supra pode-se concluir que nos anos 2006 e 2007 a variação da despesa paga acompanhou de forma homóloga, até de forma mais favorável, a variação da despesa assumida. A partir de 2008, com exceção das despesas com pessoal e com as responsabilidades bancárias (juros e amortizações), as despesas pagas evoluíram desfavoravelmente em relação aos encargos assumidos. De maneira geral os pagamentos ou cresceram proporcionalmente menos que os encargos assumidos ou baixaram proporcionalmente mais que estas, gerando, por isso, acréscimo da dívida de curto prazo. Assim: • Relativamente aos passivos financeiros verifica-se que a taxa de variação foi a mesma para encargos assumidos e pagamentos efetuados, pois os municípios não podem deixar de liquidar dentro do ano económico as prestações previstas e assumidas, sob pena de entrarem em rutura financeira, ou insolvência. Quanto aos encargos financeiros, as taxas de variação dos pagamentos corrigidas em baixa, em relação à variação apresentada para os encargos assumidos, não traduzem pagamentos de encargos financeiros em falta mas correspondem às descidas das taxas de juro entretanto verificadas tendo os pagamentos sido, por isso, inferiores às despesas previstas60. Anota-se a variação em sentido inverso das despesas com subsídios em 2010. Enquanto os compromissos aumentaram a uma taxa de 8,3% (+17 M€) o volume de pagamentos decresceu 5,2% (-8M€). Da mesma forma, a diminuição dos pagamentos das transferências correntes e de capital, respetivamente em 37 M€ e em 63 M€ (-7% e -14,6%) foram superiores à correspondente diminuição dos compromissos assumidos nos montantes de 14 M€ (- 2,3%) e 50 M€ (- 9,2%)

No final do ano económico de 2010 do total de 1 307 M€ de transferências e subsídios autorizados, foram pagos 1 018M€ e ficaram por pagar 289 M€, isto é, 22,1% do conjunto dos subsídios e das transferências autorizadas. Também os pagamentos associados à aquisição de bens e serviços e aquisição de bens de capital evoluíram negativamente em relação aos respetivos compromissos. Assim, em 2009, os compromissos em aquisição de bens e serviços correntes crescem 8,3% e os respetivos pagamentos, apenas crescem 4,1%. Em 2010, os compromissos nesta categoria de despesa baixam 0,4% e os correspondentes pagamentos baixam 6,7%. O mesmo se passou para a aquisição de bens de capital: os encargos assumidos em 2009 aumentaram 9,6% mas os respetivos pagamentos decresceram 1,2%; em 2010 baixam os compromissos 0,3% e os pagamentos 13,6%. Por outro lado, ao analisar-se a evolução da despesa realizada em investimentos, verifica-se (Quadros 2.20 e 2.21) que, se em 2007 houve uma contenção traduzida em -173 milhões de euros, em 2008, voltou a crescer ligeiramente (+35 milhões de euros), para, em 2009 apresentar uma taxa de crescimento de 9,6% (+ 336 milhões de euros), traduzida na maior despesa de investimento do quinquénio no valor 3 832 milhões de euros. Em 2010, esta despesa volta a descer comprometendo-se menos 388M€ e representando uma taxa de diminuição de 10,1%. Em 2010 as aquisições de bens e serviços correntes, pela primeira vez no quinquénio, baixam 9 M€ ao nível da realização (-0,4%) e 124M€ ao nível dos pagamentos (-6,7%). Anota-se que no período entre 2006 e 2010 a taxa de crescimento da despesa realizada (+31,3%) foi superior à taxa de crescimento dos pagamentos (+22%) em 9,3% provocando um aumento da dívida autárquica com este grupo de despesa. A despesa por pagar, em aquisição de bens e serviços, passou de 491 milhões de euros em 2006, para 777 milhões de euros em 2010.

60. Os programas informáticos usados pela generalidade dos municípios não fazem os ajustamentos automáticos das despesa assumidas com os pagamentos efetuados, quando o processo de liquidação se dá por findo, pelo que em sede de prestação de contas, ocorrem situações em que há registo de compromissos assumidos e não pagos por omissão de correção contabilística dos mesmos.

70

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Outras despesas correntes e de capital, pelo seu carácter residual serão as que mais facilmente poderão ser reduzidas ao nível dos compromissos e ao nível dos pagamentos, pelo que as taxas de variação apresentadas não acompanham os constrangimentos financeiros e de tesouraria dos municípios.

Face à gravosa situação da dívida de curto prazo dos municípios, apresentam-se para melhor análise da mesma, os Quadros 2.22 e 2.23 a desagregação dos compromissos por pagar, por rubrica económica, relacionando-os com as correspondestes despesas que lhe estão na origem e com os pagamentos efetuados.

Quadro 2.22 | Evolução das Despesas Realizadas, Pagas e dos Compromissos por pagar
Despesas Realizadasg DESPESAS 2006 01 - Despesas com pessoal 02 - Aquisição de bens e serviços 03 - Juros e outros encargos 04 - Transferências correntes 05 - Subsídios 06 - Outras despesas correntes 07 - Aquisição de bens de capital 08 - Transferências de capital 09 - Ativos financeiros 10 - Passivos financeiros 11 - Outras despesas de capital Total 2.060 1.910 141 454 146 113 3.634 426 46 350 40 2007 2.095 2.126 204 525 152 105 3.461 445 37 400 33 2008 2.184 2.324 245 550 172 130 3.496 501 38 358 54 10.051 2009 2.429 2.517 218 597 209 132 3.832 548 54 466 132 11.135 2010 2.486 2.508 134 583 226 115 3.444 498 41 583 84 10.700 2006 2.030 1.419 128 420 118 106 1.993 356 39 344 39 6.992 2007 2.073 1.627 181 482 134 95 1.987 375 33 396 27 7.410 2008 2.154 1.782 225 506 144 121 2.089 426 31 353 44 7.876 2009 2.399 1.855 192 537 157 119 2.064 432 43 460 100 2010 2.451 1.731 105 500 149 101 1.782 369 38 577 68 2006 30 491 13 34 28 8 1.641 70 6 6 1 2.328 2007 21 499 22 43 18 10 1.474 70 4 5 6 2.172 2008 30 541 20 44 28 10 1.407 75 6 4 10 2.175 2009 30 662 26 60 51 14 1.768 116 11 6 32 2.777 2010 34 777 29 83 77 14 1.661 129 2 5 16 2.828 Pagamentos no exercícioh Compromissos por pagar

9.320 9.582

8.358 7.872

Unidade: milhões de euros g. Compromissos do Exercício h. Pagamentos no exercício sejam de compromissos em exercícios anteriores sejam compromissos assumidos no próprio ano 71

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

No final do ano económico de 2010, dos 2 828M€ em dívida a fornecedores e outros terceiros credores das autarquias, 2.438M€ (86,3%) concentravam-se em fornecedores de bens e serviços correntes (777M€) e de imobilizado (1.661M€). Esta situação foi comum ao longo dos cinco anos em análise, tendo em média 89,2% da dívida de curto prazo concentrado nos fornecimentos associados a estas duas rubricas económicas.

Para complemento do quadro anterior e melhor avaliação, atente-se na estrutura dos valores em dívida no final de cada período (compromissos por pagar) registados nos mapas de execução orçamental, por natureza económica da despesa, e os respetivos pesos na despesa realizada e na despesa paga, apresentados no quadro seguinte.

Quadro 2.23 | Estrutura dos Compromissos por Pagar
DESPESAS 01 - Despesas com pessoal 02 - Aquisição de bens e serviços 03 - Juros e outros encargos 04 - Transferências correntes 05 - Subsídios 06 - Outras despesas correntes 07 - Aquisição de bens de capital 08 - Transferências de capital 09 - Ativos financeiros 10 - Passivos financeiros 11 - Outras despesas de capital Total Estrutura dos compromissos por pagar 2006 1,3% 21,1% 0,5% 1,5% 1,2% 0,3% 70,5% 3,0% 0,3% 0,2% 0,0% 100% 2007 1,0% 23,0% 1,0% 2,0% 0,8% 0,5% 67,9% 3,2% 0,2% 0,2% 0,3% 100% 2008 1,4% 24,9% 0,9% 2,0% 1,3% 0,4% 64,7% 3,5% 0,3% 0,2% 0,5% 100% 2009 1,1% 23,8% 1,0% 2,2% 1,8% 0,5% 63,7% 4,2% 0,4% 0,2% 1,2% 100% 2010 1,2% 27,5% 1,0% 2,9% 2,7% 0,5% 58,8% 4,5% 0,1% 0,2% 0,6% 100% Peso dos compromissos por pagar nas despesas pagas 2006 1,5% 34,6% 10,0% 8,1% 24,1% 7,4% 82,3% 19,7% 16,3% 1,6% 2,6% 33,3% 2007 1,0% 30,7% 12,3% 8,8% 13,4% 10,7% 74,2% 18,5% 12,1% 1,1% 22,1% 29,3% 2008 1,4% 30,4% 8,8% 8,6% 19,5% 8,0% 67,3% 17,7% 20,7% 1,2% 23,8% 27,6% 2009 1,3% 35,7% 13,8% 11,1% 32,6% 11,4% 85,7% 26,8% 25,4% 1,4% 32,0% 33,2% 2010 1,4% 44,9% 28,1% 16,7% 51,5% 13,4% 93,2% 34,8% 5,9% 0,9% 23,3% 35,9% Peso dos Compromissos por pagar na Despesa Realizada 2006 1,5% 25,7% 9,1% 7,5% 19,5% 6,9% 45,2% 16,5% 14,0% 1,6% 2,5% 25,0% 2007 1,0% 23,5% 11,0% 8,1% 11,8% 9,7% 42,6% 15,6% 10,8% 1,1% 18,1% 22,7% 2008 1,4% 23,3% 8,1% 7,9% 16,3% 7,4% 40,2% 15,0% 17,1% 1,2% 19,2% 21,6% 2009 1,3% 26,3% 12,1% 10,0% 24,6% 10,2% 46,1% 21,1% 20,2% 1,4% 24,2% 24,9% 2010 1,4% 31,0% 21,9% 14,3% 34,0% 11,8% 48,2% 25,8% 5,6% 0,9% 18,9% 26,4%

Unidade: milhões de euros 72

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Da leitura conjunta dos quadros antecedentes conclui-se, ainda o seguinte: • No final de cada exercício económico, o peso dos compromissos por pagar, em relação à despesa realizada, foi, em média, durante o quinquénio de 24,1% tendo esta percentagem subido para 26,4%, em 2010. Este rácio assume proporções muito mais elevadas nos encargos relacionados com o Investimento (Aquisições de Bens de Capital) atingido níveis que variaram entre 40,2%, em 2008 e 48,2% em 2010. Isto é: em cada ano económico, quase metade das despesas realizadas em atividades de investimento ficaram por pagar. Relacionando a despesa não paga com a despesa paga, verifica-se que esta razão apresentou, para o quinquénio, o valor médio de 31,9%, sendo que em 2010 essa relação aumentou para 35,9%, representando a despesa por pagar mais de um terço da despesa paga. O maior volume da despesa por pagar concentrou-se ao longo do período, na despesa com investimentos, representando, em média no quinquénio, 80,5% da despesa paga nesta categoria de despesa e 65% da dívida total de curto prazo. Em 2010 a despesa por pagar representava 93,2% do volume de despesa paga do mesmo capítulo económico, mas já só representava 58,7% da dívida total de curto prazo. Entre 2006 e 2008, o vo-

lume dos encargos por pagar neste capítulo económico da despesa foi baixando sucessivamente: – 395 M€ em 2006; – 167 M€ em 2007; e – 67 M€ em 2008. Em 2009, aumentou 361 M€, correspondendo a uma variação positiva de +25,6% mas, em 2010 voltou a diminuir 107 M€. Isto é, em cada ano económico, pagou-se pouco mais de metade das dívidas aos fornecedores de imobilizado. O montante da dívida, em 2010 era de 1 782 milhões de euros e correspondeu a 48,2% da despesa efetuada (quadro 2.22) • A aquisição de bens e serviços correntes foi outra das despesas municipais com um valor significativo de compromissos por pagar. Ao longo do quinquénio, a dívida relacionada com este grupo de despesas, foi sempre aumentando: em 2007, + 8 M€ (+1,6%); em 2008 + 42 M€ (+8,4%), em 2009, +121 M€ (+22,4%), e em 2010 +115 M€ (+ 17,4%). Em média neste período, cerca de 25,9% das despesas em aquisição de bens e serviços correntes ficaram por pagar. O montante por pagar, nesta rubrica, em 2010 foi de 777 M€.

Importará avaliar, agora, o que representou neste período, no final de cada exercício, o valor global dos compromissos assumidos e não pagos, incluindo os compromissos de anos futuros61.
61. Despesa assumida, mas que só nos exercícios seguintes ocasionará dívida.

Quadro 2.24 | Compromissos que financeiramente transitam para o ano ou anos seguintes
2006 Despesas Compromissos do exercício por pagar i (a) Compromissos a pagar em exercícios futuros (b) Total (a+b) Unidade: milhões de euros i. Confiando na correcta contabilização da despesa orçamental, estes valores deverão representar em cada ano a dívida orçamental de curto prazo, excluindo a dívida de empréstimos bancários. 73 (306 municípios) 2.328,3 1.601,8 3.930,0 2007 (308 municípios) 2.171,6 1.655,3 3.826,8 2008 (308 municípios) 2.175,5 1.891,7 4.067,2 2009 (308 municípios) 2.776,9 2.927,3 5.704,2 2010 (308 municípios) 2.827,5 3.167,9 5.995,4 Variação 2009 -2010 % 1,8% 8,2% 5,1% Variação 2006 -2010 % 21,4% 97,8% 52,6%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Gráfico 2.17 | Compromissos que financeiramente transitam para o ano ou anos seguintes
7.000 € 6.000 € 5.000 € 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 201 0 Compromi ssos pagar em exercícios futuros Compromi ssos do exercício por pagar Milhões Total dos compromi ssos por pagar

Conforme se pode verificar pelo quadro 2.24 e pelo gráfico 2.17, entre 2006 e 2008 os compromissos a pagar em exercícios futuros embora em crescimento constante, mantiveram-se em montante inferior à dívida de curto prazo constituída em cada ano pelos compromissos do exercício por pagar. Contudo, entre 2008 e 2009 ambos os compromissos sobem abruptamente, sendo que o montante dos compromissos a pagar em exercícios futuros ultrapassavam o total da dívida de curto prazo já constituída, acelerando-se esse crescimento de 2009 para 2010. Neste ano, os compromissos por pagar do exercício atingem 2 827,5M€, o valor máximo do período, e os compromissos a pagar em exercícios futuros chegaram aos 3 167,9M€. Na sequência do exposto no ponto anterior, verifica-se que, no final de 2010, o total dos compromissos a pagar no exercício ou exercícios futuros totalizavam 5 995,4M€, isto é 80%

do volume da despesa paga em 2010 e 76,3% da receita cobrada neste ano. Trata-se de um volume extraordinário de encargos que, dificilmente, os orçamentos de 2011 e seguintes comportarão. No Quadro 2.25 comparam-se, em cada ano, o valor total dos compromissos orçamentais por pagar, com o passivo de curto prazo do Balanço. Da leitura deste quadro, confirma-se a permanente diferença entre o valor dos saldos das contas orçamentais de compromissos no final de cada ano económico e a dívida de curto prazo inscrita em Balanço. Esta diferença que deveria ser sempre nula representaria, caso os registos contabilísticos estivessem em conformidade, as obrigações relativas a operações de tesouraria.

Quadro 2.25 | Confrontação dos Compromissos por Pagar com a Dívida de Curto Prazo do Balanço
2006 Compromissos por pagar (orçamentais) Dívidas de curto prazo (Balanço) Diferença Unidade: milhões de euros 74 2.328,3 2.188,2 -140,1 2007 2.171,6 2.264,4 92,8 2008 2.175,5 2.436,8 261,3 2009 2.776,9 2.879,7 102,7 2010 2.827,5 3.155,1 327,6

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

2.4.5. Estrutura da Despesa Paga
A observação do Quadro 2.26 deverá estar associada à leitura dos Quadros 2.22 e 2.24 e permitirá que se salientem os seguintes aspetos: • As despesas com pessoal foram as despesas mais representativas na estrutura da despesa municipal tendo adquirido o maior peso em 2010 (31,1%) e representando relativamente menos em 2008 (27,4%), pese embora esta

despesa tenha apresentado uma variação sempre em sentido ascendente. No quinquénio 2006/2010, representou, em média 28,8% do total da despesa autárquica, peso superior a qualquer outra despesa municipal. Em termos absolutos, a despesa paga ao pessoal aumentou +421 milhões de euros, entre 2006 e 2010, tendo crescido, só em 2009, cerca de +244,4 milhões, aumento nunca experimentado nos últimos anos. Anota-se que os aumentos verificados em 2007, 2008 e em 2010 foram, respetivamente, de 43 M€, 81 M€ e 52M€.

Quadro 2.26 | Estrutura das despesas pagas62
2006 nº de municípios existentes nº de municípios analisados Despesas com pessoal Aquisição de bens e serviços Juros e outros encargos Transferências correntes Subsídios Outras despesas correntes Total de despesas correntes Aquisição de bens de capital Transferências de capital Ativos financeiros Passivos financeiros Outras despesas de capital Total de despesas de capital 308 306 29,0% 20,3% 1,8% 6,0% 1,7% 1,5% 60,4% 28,5% 5,1% 0,6% 4,9% 0,6% 39,6% 2007 308 308 28,0% 22,0% 2,4% 6,5% 1,8% 1,3% 62,0% 26,8% 5,1% 0,4% 5,3% 0,4% 38,0% 2008 308 308 27,4% 22,6% 2,9% 6,4% 1,8% 1,5% 62,6% 26,5% 5,4% 0,4% 4,5% 0,6% 37,4% 2009 308 308 28,7% 22,2% 2,3% 6,4% 1,9% 1,4% 62,9% 24,7% 5,2% 0,5% 5,5% 1,2% 37,1% 2010 308 308 31,1% 22,0% 1,3% 6,4% 1,9% 1,3% 64,0% 22,6% 4,7% 0,5% 7,3% 0,9% 36,0%

62. Dos 308 municípios, apenas 153 (49,7%) discriminaram as despesas pagas relativas a exercícios anteriores. Os restantes 155 indicaram apenas as despesas pagas totais.

75

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

A aquisição de bens de capital (despesa de Investimento), a segunda maior despesa autárquica em volume de pagamentos, apresentou, no período em análise, uma progressiva diminuição do peso relativo, no total dos pagamentos efetuados. Contudo, em termos absolutos a leitura não será tão linear. Se os pagamentos baixaram, em 2007, -6 milhões de euros (-0,3%), em 2008, voltaram a aumentar +102 milhões de euros (+5,1%), tendo todavia baixado o peso relativo no total dos pagamentos. Em 2009, à diminuição do peso relativo dos pagamentos de despesa de investimento, correspondeu, efetivamente, uma diminuição do volume de pagamentos, sendo mais abrupta essa descida em 2010, em que o peso relativo destes pagamentos (22,6%) atingem o mínimo do período (- 282M€) Com um volume de despesa paga, em 2010, muito próxima da despesa em bens de investimento, a aquisição de bens e serviços correntes foi a terceira maior despesa, na estrutura dos pagamentos das autarquias, com um peso que, no quinquénio, variou entre 20,3% em 2006 e 22,6% em 2008. Em 2010, o peso relativo dos pagamentos destas despesas baixou para 22%, correspondendo-lhe uma efetiva diminuição de pagamentos de 124 M€. Contudo, entre 2006/2010, a despesa paga cresceu 22%., isto é + 312M€. O total dos pagamentos com transferências e subsídios correntes e de capital, representaram, em 2010, 11% da despesa total paga (11,1% em 2006, 11,6% em 2007, 11,8% em 2008 e 11,6% em 2009). Anota-se que en-

quanto o peso das transferências correntes se manteve sensivelmente homogéneo durante o quinquénio, representando em média 6,3% das despesas pagas, o peso das transferências de capital baixou 0,5pp em 2010. Em conjunto o valor dos pagamentos das transferências cifrou-se em 100M€. • Os passivos financeiros (amortizações de empréstimos) representaram, em média, 5,5% do peso dos pagamentos efetuados pelas autarquias, sendo que em 2010 as amortizações efetuadas representaram 7,3% do total dos pagamentos efetuados Relativamente às restantes rubricas de despesas, importa assinalar a significativa descida de peso das despesas relativas a juros e outros encargos. Desde 2009 que o montante global de juros vem decrescendo fruto da descida das taxas de juros. E que se traduziu em -33M€ de encargos em 2009 e -87M€ em 2010.

Decorrente da análise efetuada e dos dados recolhidos dos documentos de prestação de contas dos municípios, apresentam-se, a seguir os 35 municípios com o menor e maior índice de despesa com pessoal (R11 e R12). A construção destes quadros sustentou-se nos valores apresentadas nas respetivas contas de gerência e apenas referentes ao núcleo administrativo da estrutura orgânica das câmaras municipais. Não foram consideradas as despesas homólogas das empresas municipais e serviços municipalizados, por não existir a consolidação de contas.

76

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R11 | Municípios que apresentam menor peso das despesas com pessoal, nas despesas totais
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Fornos de Algodres São Roque do Pico São João da Pesqueira Belmonte Vila da Praia da Vitória Mondim de Basto Vila Real de Santo António Batalha Lajes do Pico Alfândega da Fé Ribeira Grande Lajes das Flores Pombal Porto Moniz Montemor-o-Velho Castelo Branco Almeida Arouca Alvaiázere Caldas da Rainha Cantanhede Bragança Sabugal Ferreira do Zêzere Sernancelhe Angra do Heroísmo Pampilhosa da Serra Esposende Lamego Fundão Arcos de Valdevez Cascais Covilhã Oliveira do Bairro Lagoa (R.A.A) Dimensão P P P P M P P P P P M P M P M M P M P M M M P P P M P M M M M G M M P 2010 % 5,3% 13,9% 14,2% 15,3% 15,4% 15,9% 16,1% 16,2% 16,3% 16,6% 16,7% 17,8% 17,8% 17,9% 18,2% 18,7% 18,7% 18,7% 18,8% 19,3% 19,7% 20,0% 20,1% 20,4% 20,7% 20,8% 20,9% 21,0% 21,2% 21,4% 21,4% 21,4% 21,6% 21,9% 22,0% 2009 Posição 157 3 2 8 31 251 182 23 192 56 5 17 30 84 12 11 38 53 70 13 142 21 19 108 188 67 22 77 14 15 9 28 44 26 29

R12 | Municípios que apresentam maior peso das despesas com pessoal, nas despesas totais
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Campo Maior Sardoal Castelo de Vide Ourique Faro Alcochete Mourão Bombarral Monforte Moita Sesimbra Santiago do Cacém Borba Figueiró dos Vinhos Palmela Vendas Novas Seixal Peniche Alter do Chão Setúbal Nazaré Barrancos Alpiarça Espinho Calheta (R. A. A.) Montijo Portel Évora Olhão Benavente Redondo Cartaxo Barreiro Cadaval Lisboa Dimensão P P P P M P P P P M M M P P M P G M P G P P P M P M P M M M P M M P G 2010 % 54,5% 54,4% 52,6% 52,2% 51,8% 51,8% 51,7% 49,6% 48,9% 47,1% 46,7% 46,1% 46,0% 45,5% 45,4% 44,3% 44,3% 44,3% 43,9% 43,8% 42,9% 42,9% 42,6% 42,4% 42,4% 42,3% 42,0% 42,0% 41,9% 41,9% 41,6% 40,7% 40,7% 40,6% 40,5% 2009 Posição 7 31 4 29 36 5 14 17 54 1 20 44 105 13 46 11 18 8 34 12 158 37 53 39 146 3 66 80 55 67 45 2 21 40 22 77

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Face à existência de transferência de competências dos municípios para as Juntas de Freguesia sustentados em contratos programa, com reflexos na despesa municipal e na respetiva estrutura financeira, será pertinente apresentar o montante total de apoio financeiros dos municípios às juntas de freguesia, desagregado pelos grupos de municípios de acordo com a sua dimensão e ainda o peso desses valores no total da despesa paga.

Quadro 2.27 | Estrutura das Transferências para as Freguesias por grupos de municípios
Pequenos Transferências Freguesias - correntes Transferências Freguesias - capital Total transferências Unidade: milhões de euros 14,6 25,7 40,2 % 36,2% 63,8% 100% Médios 43,9 54,8 98,7 % 44,5% 55,5% 100% Grandes 67,1 47,7 114,9 % 58,5% 41,5% 100% Total 125,7 128,2 253,8 % 49,5% 50,5% 100%

Quadro 2.28 | Peso do valor das Transferências para as Freguesias no total da despesa paga
Dimensão Pequenos Médios Grandes Total Unidade: milhões de euros Valor das transferências - Freguesias 40,2 98,7 114,9 253,8 Total da Despesa Paga 2.005,2 3.129,1 2.737,7 7.872,0 Peso das transferências 2,0% 3,2% 4,2% 3,2%

78

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R13 | Municípios que apresentam maior peso do valor de transferências para Freguesias, na despesa total
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Braga Torres Vedras Ponte de Lima Loures Fafe Viana do Castelo Barcelos Odivelas Marco de Canaveses Lamego Horta Cinfães Santarém Vinhais Covilhã Esposende Aljezur Arcos de Valdevez Vila Franca de Xira Póvoa de Lanhoso Monção Penalva do Castelo Castro Verde Sabugal Penacova Leiria Tábua Trofa Ourém Oleiros São João da Pesqueira Viseu Aljustrel Vouzela Beja Distrito Braga Lisboa Viana do Castelo Lisboa Braga Viana do Castelo Braga Lisboa Porto Viseu Açores Viseu Santarém Bragança Castelo Branco Braga Faro Viana do Castelo Lisboa Braga Viana do Castelo Viseu Beja Guarda Coimbra Leiria Coimbra Porto Santarém Castelo Branco Viseu Viseu Beja Viseu Beja Dimensão G M M G M M G G M M P P M P M M P M G M P P P P P G P M M P P M P P M 2010 14,16% 11,70% 11,04% 10,49% 10,42% 9,66% 8,71% 8,62% 8,39% 7,43% 7,30% 7,12% 6,97% 6,96% 6,84% 6,64% 6,60% 6,59% 6,50% 6,44% 6,42% 6,40% 6,38% 6,36% 6,26% 6,02% 5,98% 5,97% 5,78% 5,72% 5,71% 5,69% 5,68% 5,66% 5,60% 79

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.5. Situação Financeira Global 2.5.1. Comparação da receita Cobrada com a Despesa Realizada e Paga
O Quadro 2.29 permite comparar os montantes da receita liquidada e cobrada63, com a despesa realizada64 e paga65, e melhor compreender o estado de saúde financeira das autarquias, na sua generalidade. Quadro 2.29 | Receita liquidada, receita cobrada, despesa realizada66 e despesa paga, nos exercícios de 2006 a 2010
Receita Liquidada 1-Corrente 2-Capital Total (1+2) Saldo inicial Total 1-Corrente 2-Capital Total (1+2) Saldo inicial Total 1-Corrente 2-Capital Total (1+2) Saldo inicial Total 1-Corrente 2-Capital Total (1+2) Saldo inicial Total 1-Corrente 2-Capital Total (1+2) Saldo inicial Total 5.127,2 2.119,1 7.246,4 201,5 7.447,9 5.880,8 1.882,2 7.762,9 236,0 7.998,9 6.391,8 2.060,0 8.451,8 347,7 8.799,5 6.381,5 2.506,0 8.887,6 305,2 9.192,8 6.002,8 2.081,1 8.083,9 175,8 8.259,7 Variação -----14,7% -11,2% 7,1% 17,1% 7,4% 8,7% 9,4% 8,9% 47,3% 10,0% -0,2% 21,7% 5,2% -12,2% 4,5% -5,9% -17,0% -9,0% -42,4% -10,2% Cobrada 4.955,0 2.040,2 6.995,2 200,4 7.195,6 5.653,4 1.876,5 7.529,9 239,8 7.769,7 5.730,0 2.005,3 7.735,3 347,3 8.082,6 5.745,8 2.446,2 8.192,0 299,2 8.491,1 5.824,8 2.025,5 7.850,3 176,0 8.026,2 Variação -----14,1% -8,0% 7,6% 19,7% 8,0% 1,4% 6,9% 2,7% 44,9% 4,0% 0,3% 22,0% 5,9% -13,9% 5,1% 1,4% -17,2% -4,2% -41,2% -5,5% Realizada 4.825,0 4.495,3 9.320,4 -9.320,4 5.206,5 4.375,4 9.581,9 -9.581,9 5.604,8 4.446,6 10.051,4 -10.051,4 6.103,2 5.031,8 11.135,0 -11.135,0 6.051,3 4.648,2 10.699,6 -10.699,6 Despesa Variação -----7,9% -2,7% 2,8% -2,8% 7,6% 1,6% 4,9% -4,9% 8,9% 13,2% 10,8% -10,8% -0,9% -7,6% -3,9% --3,9% Paga 4.220,9 2.771,2 6.992,1 -6.992,1 4.592,9 2.817,4 7.410,3 -7.410,3 4.932,6 2.943,3 7.875,9 -7.875,9 5.259,6 3.098,5 8.358,1 -8.358,1 5.037,2 2.834,8 7.872,0 -7.872,0 Variação -----8,8% 1,7% 6,0% -6,0% 7,4% 4,5% 6,3% -6,3% 6,6% 5,3% 6,1% -6,1% -4,2% -8,5% -5,8% --5,8%

Unidade: milhões de euros
63. Incluindo empréstimos utilizados. 64. Despesa autorizada e comprometida, para o ano económico em questão, incluindo a transitada de anos anteriores. Estão excluídos deste cômputo, os compromissos assumidos para anos futuros. 65. No exercício económico em questão. 66. Total da despesa autorizada que deu origem a obrigação a pagar no ano económico em apreço, mesmo que tenha transitado de anos económicos anteriores.

80

2010

2009

2008

2007

2006

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.18 | Evolução da Receita Liquidada, Receita Cobrada, Despesa Realizada e Despesa Paga, nos exercícios de 2006 a 2010

12.00 0 € Despesa Realizada 11.00 0 € 10.00 0€ Milh ões 9.00 0€ 8.00 0€ 7.00 0€ 6.00 0€ 2006 2007 2008 2009 201 0 Receita Liquidada (não incluindo saldo inicial) Receita Cobrada (não incluindo saldo inicial) Despesa Paga

em 33,3%, a sua capacidade de pagamento (durante o quinquénio este excesso andou, em média, nos 28,3% e atingiu o mínimo em 2007, com 23,3%). Tratam-se70 de situações deveras comprometedoras para a estrutura financeira das autarquias. • Ao comparar-se a despesa corrente realizada com a receita corrente liquidada, pode-se concluir sobre a situação do equilíbrio orçamental corrente71, na ótica ex-post. Verifica-se que ao longo do quinquénio a receita corrente liquidada, só se manteve superior à despesa corrente realizada entre 2006 e 2008. Em 2009 e em 2010 a despesa corrente comprometida excedeu receita corrente cobrada respetivamente em 6,2% e 3,9% (+357,4M€ e +226,5 M€). Mais se anota que em ambos os anos, estes excessos de despesa realizada em relação à receita cobrada foram manifestamente superiores ao volume de receita por cobrar, pelo que esta seria insuficiente para restabelecer o necessário equilíbrio orçamental. Da análise do comportamento dos pagamentos da despesa de capital, verificou-se que, ao longo do quinquénio, em média e em cada ano, ficou por pagar 37% da mesma. Em 2010, 39% da despesa de capital realizada, não foi paga por incapacidade financeira dos municípios, traduzindo-se numa dívida a fornecedores de imobilizado no valor de 1 813,4 milhões de euros. Em 2009, apesar do peso relativo na desta dívida ter sido inferior (38,4%) o seu valor absoluto foi maior totalizando 1 933,3 milhões de euros. Pode-se concluir daqui, o efeito nefasto para o crescimento da economia, a permanente existência de dívidas a fornecedores de imobilizado. Por outro lado, o financiamento das autarquias à custa dos fornecedores, fragiliza-as retirando-lhes capacidade de negociação e torna-as mais dependentes do mercado de oferta.

Da observação do quadro anterior e do gráfico 2.18 conclui-se o seguinte: • O valor total da despesa realizada (comprometida) foi, sempre, ao longo do quinquénio 2006/2010 manifestamente superior ao valor da receita liquidada67 (direito a receber). Este excesso de despesa relativamente à receita foi de +1.873 milhões de euros, em 2006, de +1.583 milhões de euros, em 2007, de +1.252 milhões de euros, em 2008, de +1.942 milhões de euros, em 2009 e + 2 440 milhões de euros, em 2010. Representou, em média, entre 2006 e 2010 +22% da receita liquidada. Em 2010, o excesso de despesa realizada sobre receita liquidada representou 29,5% da mesma. O cenário apresentado no ponto anterior agrava-se, ao compararem-se os valores da despesa realizada com a receita cobrada68, incluindo o saldo da gerência anterior. Verifica-se que o sector autárquico municipal, em 2010, apresentou o maior nível de despesa69, do quinquénio, relativamente à receita cobrada, excedendo •

70. Com fortes implicações nos orçamentos de anos futuros. 71. Não será pacífica esta definição de “equilíbrio orçamental corrente ex-post”. Certos relatórios de auditoria da Inspecção-Geral de Finanças avaliam este rácio pela comparação entre a receita cobrada e a despesa realizada. Não nos parece a solução mais adequada! De facto, comparam-se situações de natureza orçamental diversa. No nosso entender ao considerar-se, para efeitos de determinação do equilíbrio corrente ex-post, as despesa realizadas (geradoras de obrigações) e não as pagas (óptica de caixa), então dever-se-ão considerar para o mesmo efeito, não as receitas cobradas (óptica de caixa), mas sim as receitas liquidadas geradoras de direitos para o município.

67. Incluindo o saldo da Gerência anterior. 68. Considerando a utilização dos empréstimos bancários. 69. Pese embora em valores absolutos, tenha sido no ano de2009 que a se realizou o maior volume de despesa. Todavia, nesse ano o diferencial para a despesa cobrada, ainda assim, foi inferior ao verificado em 2010

81

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Gráfico 2.19 | Estrutura da Receita e da Despesa Paga e Despesa Realizada, em 2010

14.000 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0
Receit a Prevista Corrigida Corrente + Capital Receit a LiquidadaR ecei ta Cobrada Despesa Prevista Corrigida Despesa Realizada Despesa Paga 12.995 8.084 7.850 176 176 13.188 10.700 7.872

no período 2006/2010, foi 63,1%, isto é, + 3,6pp que a média do grau de execução do orçamento da receita74, para o mesmo período, a qual se fixou em 59,5%. Verifica-se que em 2006 e 2010, o grau de execução da despesa ficaram abaixo da média do período, atingindo o nível mais baixo em 2010, com 59,7% de despesa paga em relação à despesa prevista. A pior execução da despesa em 2010, correspondeu ao mais baixo nível de execução da receita no quinquénio, ao cobrar-se em 2010 apenas 55,5% da receita prevista75. Ao analisar-se a evolução das taxas de crescimento da despesa prevista entre 2006 e 2010, verifica-se que em sede de elaboração dos orçamentos não foram tidos em conta os sinais visíveis da diminuição da taxa de crescimento da cobrança, verificada a partir de 2008. Mais ainda, verifica-se a deficiente resposta dos orçamentos de despesa de 2010, às reduzidas taxas de execução da receita verificadas em 2009, agudizando a situação de tesouraria dos municípios ao prescindir-se da adequação da despesa prevista aos baixos índices de cobrança apresentados no ano anterior. As receitas liquidadas e não cobradas têm um peso pouco significativo na estrutura financeira das autarquias, representando, em média, nestes cinco anos 5,1% da receita total liquidada. Verifica-se que este indicador teve a sua expressão mais baixa em 2007 e 2010, exatamente com o mesmo valor de 2,9%, diminuindo a receita por cobrar de 2009 para 2010 em 66,7%.
74. Grau de execução da receita conforme POCAL: valor cobrado/dotação previsional da receita (corrigida). 75. Um fraco grau de execução de receita deveria reflectir, num fraco grau de execução da despesa. Contudo, é uma correspondência que se verifica não existir na grande maioria dos municípios

Saldo inicial

Total

Unidade: milhões de euros

No Quadro 2.30 apresentam-se alguns indicadores relativos a despesas e receitas, evidenciando-se os valores médios, máximos e mínimos. A avaliação dos níveis de execução da despesa e da receita, conforme indicador definido em POCAL, não se pode dissociar da análise da evolução dos valores orçamentais da receita e respetivas cobranças. O grau de execução da receita poderá traduzir mais, a desproporção entre o volume de receita prevista72 e a capacidade real de cobrança, que, um decréscimo do volume global da receita executada. Os valores observados suscitam os seguintes comentários: A média do grau de execução do orçamento da despesa73,
72. Normalmente associada a taxas, infundadas, de crescimento da receita global. 73. Grau de execução da despesa conforme POCAL: valor pago/dotação previsional corrigida.

82

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 2.30 | Indicadores da Despesa e da Receita
2006 Municípios existentes Municípios analisados Intervalos 308 303 28% Borba 92% Benavente 62% 28% Borba 102% Mafra 64% 0% 34% Funchal 8% 3% Coimbra 69% São Vicente 27% 12% São Vicente 64% Barrancos 31% 2007 308 306 25% Aveiro 99% Pombal 65% 24% Aveiro 118% Albufeira 68% 0% 53% Funchal 7% 3% Porto 69% Ribeira Brava 28% 9% Covilhã 53% Sardoal 28% 2008 308 308 34% Castanheira de Pêra 94% Mealhada 65% 35% Guarda 100% Sobral de Monte Agraço 67% 0% 35% Fundão 4% 3% Cartaxo 68% Castelo Branco 28% 9% Castelo Branco 58% Alcochete 29% 2009 308 308 28% Cartaxo 92% S. J. Pesqueira 62% 28% Cartaxo 93% Fornos de Algodres 63% 0% 44% Fundão 4% 2,80% Cartaxo 55% Ribeira Brava 28% 11% Ribeira Brava 53% Moita 29% 2010 308 308 24% Portimão 95,3% S. J. Pesqueira 60% 28% Trofa 96% S. J. Pesqueira 62% 0% 58% Guarda 5% 2,24% Albergaria-a-Velha 59% Mondim de Basto 21% 5% Fornos de Algodres 55% Campo Maior 31%

Mínimo Grau de execução do orçamento – Despesaj

Máximo Médio Mínimo

Grau de execução do orçamento – Receitak

Máximo Médio Mínimo

Receitas por cobrar em relação às receitas liquidadas

Máximo Médio Mínimo

Despesas de Investimento em relação às despesas totaisl

Máximo Médio Mínimo

Despesas com pessoal em relação às despesas totais

Máximo Médio

j. Razão entre despesa paga e a despesa prevista. k. Razão entre a receita cobrada e a receita prevista. l. Razão entre as despesas de investimento pagas e o total das despesas pagas no ano. Em 2010 foi considerado apenas o valor inscrito na rubrica 07.01 – Investimentos, o que explica a diminuição dos valores (nos anos anteriores apenas foi possível considerar o total inscrito na rubrica 07 – aquisição de bens de investimento). 83

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Analisando ainda os índices do quadro 2.30, verifica-se: • Os valores dos indicadores de realização da despesa e da receita, conforme imposto pelo POCAL, tenderão a ser muito semelhantes, uma vez que se tratam de graus de execução ao nível de Caixa e referenciados a iguais montantes, como os são, o total da receita e o total da despesa. Tais indicadores apenas nos informam dos valores cobrados em relação à receita prevista, e dos montantes pagos em relação a iguais montantes previstos de despesa. É esta a situação apresentada no quadro anterior, com um grau médio de realização da despesa de 62,8% e da receita de 64,8%. Esta comparação pouco nos dirá sobre a situação financeira dos municípios, pois se reporta apenas a situações de caixa. Contudo, ao analisar-se a razão dos compromissos por pagar / dívida de curto prazo, logo se verifica que o verdadeiro indicador da realização da despesa terá que ser referenciado à despesa assumida (compromissos assumidos). Analisando ainda o quadro anterior, pretende-se chamar a atenção para a existência de graus elevados de receita por cobrar, em relação à receita liquidada. Mais se verificou que são sempre os mesmos municípios a apresentarem tal situação, não sendo explícito na prestação de contas a causa desta situação, pelo que nos escusamos de concluir por uma eventual sobre orçamentação da receita. Outra situação fora do comum serão os níveis elevados de realização de investimentos em relação à despesa total, superiores a 50%, quando a média é de 28%. Estiveram nesta situação os municípios de São Vicente, Ribeira Brava, Castelo Branco e Mondim de Basto. É de anotar o facto de municípios apresentarem elevados níveis de execução da receita. Foram exemplo disso os seguintes: Mafra, Albufeira, Sobral de Monte Agraço, Fornos de Algodres e S. J. da Pesqueira. Analisada as suas contas, constata-se que os municípios com níveis de execução da receita superior a 100% apresentaram excedentes orçamentais, sobre as despesas assumidas. Assim, Mafra apresentou um excedente de 5,7 milhões de euros, Albufeira de 16,4 milhões de euros e Sobral de Monte Agraço de 0,5 milhões de euros.

O indicador do peso da despesa com pessoal mostra o diferencial de situações existentes a este nível, sendo preocupante para a saúde financeira dos municípios os níveis de despesa superior à média de 30%. Estão nesta situação 166 municípios (53,9%)

Para melhor se compreender a conjuntura financeira em que moveram os municípios durante o quinquénio de 2006/2010, apresentam-se no Quadro 2.31 os níveis de execução da despesa assumida e o nível de execução da receita liquidada. Considerando-se despesas e receitas totais com inclusão dos ativos e passivos financeiros, seria razoável, pelo menos ao nível das liquidações, que o grau de execução da despesa se aproximasse do grau de execução da receita. Ora, a observação do Quadro 2.31, permite-nos concluir por uma prática de gestão financeira bem diferente! A análise do grau de realização da despesa e da receita, respetivamente, referenciados aos compromissos assumidos e às liquidações efetuadas, podemos concluir: • No período 2006/2010, para iguais valores de previsão da despesa e da receita, o grau médio de execução da despesa reportada aos compromissos assumidos, foi de 81,9%. Índice, manifestamente superior ao verificado para a receita liquidada, que foi de 65,2%. Esta diferença de 16,7% será o peso médio de despesa que, ao longo dos quatros anos, nunca foi coberta pela receita76 Em 2010, esta diferença acentuou-se com um nível de realização dos compromissos de 80,1% e um nível de liquidação da receita de apenas 62,6%. Isto é, 17,5% da despesa realizada em 2010 foi assumida sem possibilidade de ser coberta por receita77.

76. Mantendo-se o enquadramento legal, da possibilidade de ser autorizada despesa na base da previsão da receita e, não havendo mecanismo legislativo que obrigue ao reequilíbrio orçamental aferido à execução da receita, este diferencial de execução tornar-se-á crónico, e a despesa de curto prazo tenderá a aumentar face às restrições do acesso ao crédito bancário. A concretização da despesa, independentemente da realização ou não da receita, é a razão da falta de liquidez da generalidade dos municípios. Importaria, no mais curto espaço de tempo, que fossem adoptadas medidas que, condicionassem a realização da despesa à execução do orçamento da receita. 77. A diferença acentuada da execução da despesa e da receita, já referida em momentos anteriores, que se manteve sempre entre 2006 e 2010 e mais acentuada neste último ano, dificultará a consolidação financeira das autarquias e será responsável pelo seu desequilíbrio financeiro estrutural

84

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 2.31 | Indicadores da Despesa e Receita com base nos compromissos e liquidações
Municípios existentes Municípios analisados Grau de execução da despesa comprometida Grau de execução da receita liquidadao 2006 308 306 39,8% 100,0% 81,3% 27,5% 103,9% 64,4% 2007 308 308 49,5% 100,0% 83,0% 24,4% 121,6% 67,8% 2008 308 308 50,3% 100,0% 82,8% 35,4% 101,2% 67,4% 2009 308 308 46,2% 100,2%n 82,2% 28,4% 93,8% 63,7% 2010 308 308 46,6%m 99,2% 80,1% 28,3% 97,5% 62,6%

Intervalos Mínimo Máximo Médio Mínimo Máximo Médio

m. Em 2010, apenas Campo Maior apresentou um grau de execução da despesa comprometida inferior a 50% (o grau de execução da receita liquidada também foi inferior a 50%). Assim, em 2010, dos 55 municípios que tiverem um grau de execução da receita liquidada inferior a 50%, 54 desses tiveram um grau de execução da despesa superior a 50%. n. Este grau elevadíssimo de realização da despesa pertence ao município de Serpa. Este município apresentou: dotações previsionais corrigidas de 22.462.734 € e comprometeu despesa em valor ligeiramente superior 22.498.339 €. Há aqui uma falha do sistema de controlo, pelo menos a nível informático. o. Razão entre as despesas de investimento pagas e o total das despesas pagas no ano. Em 2010 foi considerado apenas o valor inscrito na rubrica 07.01 – Investimentos, o que explica a diminuição dos valores (nos anos anteriores apenas foi possível considerar o total inscrito na rubrica 07 – aquisição de bens de investimento).

O Ranking R14 enumera os municípios, com maior grau de receita liquidada, igual ou superior a 80%, sendo que, 5 municípios apresentam uma execução da receita acima dos 90%. Para além desta listagem, deve-se referir que com níveis de execução da receita inferior a 80% mas superior ou igual a 70%, se encontram, ainda, 64 municípios: 7 de grande dimensão, 20 de média dimensão e 37 de pequena dimensão É preocupante a existência de autarquias que apresentam, ainda, execuções orçamentais com níveis de liquidação das receitas inferiores a 50%78. E em alguns casos níveis de execução na ordem dos 35%. O Ranking R15 ordena, para 2010, os municípios com grau de liquidação da receita inferior a 50% das receitas previstas. Anota-se que está nesta situação um dos grandes municípios, Vila Nova de Gaia79, que ao nível da receita apenas concretizou
78. A aplicação rigorosa das normas do POCAL, só por si, seria impeditiva desta situação, sempre associada a orçamentos excedentários. 79. A autarquia apresentou, em 2009 grandes diferenças entre a receita prevista e a receita liquidada e cobrada nas seguintes rubricas económicas: rendimentos de propriedade – rendas; transferências correntes – sociedades e quase - sociedades não financeiras; outras receitas correntes; venda de bens de investimento e 10 transferências de capital – participação em projectos co-financiados. Por outro lado, o município apresentou Passivos Financeiros utilizados muito superiores aos previstos, no orçamento inicial e corrigido. Face a esta fraca realização da receita e à manutenção de níveis elevados da realização da despesa, a dívida a Fornecedores aumentou 8% de 2008 para 2009. Em 2009,

40,4%80 da mesma e que manteve a execução da despesa ao nível de 72,1% do orçamento previsto. A despesa por pagar representou, em 2010, 40,5% da despesa assumida. Verifica-se que aos baixos níveis de concretização da receita não correspondeu, na generalidade, uma contração da despesa. Esta executou-se pelos níveis do orçamento previsional da despesa,81 aliás, como a lei permite. Este quadro atesta bem, o que já se tem vindo a anotar sobre a necessidade de se encontrar uma nova forma reguladora da despesa, para além do atual limite de endividamento líquido, que permita um maior ajustamento do grau da execução da despesa ao nível de execução da receita, permitindo uma melhor consolidação do sistema financeiro autárquico. Destes municípios, com execução da receita liquidada inferior a 50%, 14 deles apresentaram execução da despesa comprometida acima dos 80% e, 4 municípios executaram despesa no dobro da receita executada!
o montante do orçamento da despesa foi de 299.257.950 €; o montante total cobrado da receita foi de 138.828.159 € e os montantes de pagamentos foram de 143.679.193 €. O grau de execução da despesa assumida foi de 82,1% e o da despesa paga foi de 48,1%. 80. Receita Prevista = 297,1 milhões € e Receita Liquidada = 120,3 milhões € e Despesa por pagar = 86,9 milhões € 81. Igual ao Orçamento Previsional da Receita pela regra do equilíbrio orçamental ex-ante

85

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

R14 | Municípios com rácio Receitas liquidadas82/ Receitas previstas igual ou superior a 80%
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 Almada São João da Pesqueira Lajes das Flores Mortágua Fornos de Algodres Nelas Figueira de Castelo Rodrigo Vila Franca de Xira Mealhada Vila do Porto Aguiar da Beira Elvas Constância Santa Cruz das Flores Albergaria-a-Velha Moita Castelo de Vide Benavente Bragança Gouveia Salvaterra de Magos Montijo Sobral de Monte Agraço Baião Porto Paços de Ferreira Braga Sintra Oliveira de Azeméis Dimensão G P P P P P P G M P P M P P M M P M M P M M P M G M G G M Receitas liquidadas/ Receitas previstas 2006 85,9% 82,8% 67,3% 87,9% -p

2007 101,7% 85,4% 79,7% 94,7% 35,2% 85,4% 61,8% 96,3% 101,4% 78,0% 79,3% 108,9% 86,7% 93,9% 65,2% 87,8% 75,3% 102,9% 78,5% 89,4% 87,2% 97,9% 82,6% 89,1% 93,0% 61,2% 78,3% 78,6% 62,1%

2008 92,4% 83,1% 85,0% 96,1% 68,1% 79,4% 64,8% 88,6% 96,3% 73,5% 74,3% 92,9% 77,8% 85,6% 62,7% 90,5% 94,3% 97,9% 81,5% 93,2% 84,6% 77,2% 101,2% 73,2% 72,8% 67,4% 77,2% 68,1% 88,1%

2009 80,1% 91,8% 64,8% 75,8% 93,8% 67,9% 68,0% 85,7% 84,0% 83,1% 82,5% 85,2% 69,1% 64,3% 72,8% 81,4% 86,1% 84,3% 81,9% 82,6% 88,7% 72,7% 82,9% 80,1% 91,4% 69,2% 79,3% 61,4% 86,3%

2009 97,5% 95,8% 94,5% 94,1% 94,1% 89,5% 88,7% 88,0% 87,8% 87,5% 87,3% 86,6% 86,0% 85,5% 85,3% 85,3% 84,1% 83,7% 83,5% 82,7% 82,4% 82,1% 82,1% 81,9% 81,7% 81,1% 80,9% 80,6% 80,5%

89,5% 74,7% 83,0% 76,6% 89,7% 83,3% 89,4% 90,1% 77,7% 70,1% 77,2% 77,4% 92,7% 71,4% 70,7% 78,3% 82,7% 92,6% 75,6% 85,9% 71,8% 71,0% 72,3% 78,2%

p. Não foi possível recolher a informação financeira deste município em 2006.

82. Depois de deduzidas as liquidações anuladas.

86

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R15 | Municípios com menor rácio Receitas liquidadas83 / Receitas previstas
Dimensão Receitas liquidadas/ Receitas previstas versus Despesa Comprometida / Despesa Prevista 2007 Execução da despesa 97,9% 93,9% 80,6% 78,2% 71,3% 89,7% 86,9% 77,0% 80,0% 82,3% 71,5% 66,2% 78,3% 52,0% 67,5% 71,3% 66,8% 97,6% 94,4% 84,0% 79,0% 67,4% 81,6% 89,6% 91,2% 60,7% 85,4% 75,6% 93,5% 68,9% 91,9% 79,0% 84,5% 69,0% 89,7% Execução da Receita 68,9% 66,6% 31,6% 51,9% 33,5% 76,5% 65,4% 53,5% 46,4% 82,5% 41,1% 24,4% 39,9% 56,3% 78,6% 33,6% 44,4% 47,1% 49,0% 46,1% 58,2% 49,0% 53,4% 40,6% 52,6% 52,6% 62,8% 46,5% 61,1% 42,0% 72,9% 68,6% 61,6% 59,1% 56,6% 2008 Execução da despesa 75,0% 96,1% 88,2% 60,7% 68,7% 79,7% 83,0% 82,0% 92,5% 58,2% 79,3% 71,0% 80,8% 62,6% 73,1% 74,8% 81,0% 96,3% 83,0% 86,6% 85,9% 77,7% 68,2% 66,5% 89,6% 74,1% 80,6% 77,8% 99,9% 72,0% 75,9% 83,1% 79,2% 57,3% 90,1% Execução da Receita 49,6% 60,2% 35,5% 40,2% 48,0% 61,2% 63,8% 56,3% 49,6% 64,8% 40,0% 43,0% 44,1% 47,4% 80,2% 37,6% 49,7% 38,7% 70,8% 52,5% 53,7% 53,1% 41,1% 42,6% 47,9% 49,0% 55,0% 48,8% 69,0% 43,4% 62,7% 55,9% 53,5% 50,4% 50,9% 2009 Execução da despesa 73,7% 97,1% 81,4% 69,4% 68,9% 76,5% 81,9% 73,4% 89,0% 83,4% 50,9% 66,0% 85,9% 50,2% 76,7% 70,5% 76,7% 74,1% 51,1% 73,6% 82,1% 72,2% 70,4% 81,4% 66,7% 72,0% 69,3% 82,7% 96,4% 87,0% 74,1% 85,4% 77,7% 56,4% 86,5% Execução da Receita 40,8% 40,8% 30,4% 47,2% 48,0% 50,6% 52,4% 38,9% 50,7% 44,7% 30,4% 35,2% 60,9% 39,5% 62,3% 44,0% 41,8% 42,2% 28,4% 51,2% 47,5% 40,3% 44,0% 50,3% 41,7% 41,9% 41,0% 51,8% 63,5% 65,6% 60,5% 47,1% 66,2% 53,0% 61,8% 2010 Execução da despesa 84,8% 81,7% 89,1% 59,7% 63,8% 72,6% 77,0% 65,8% 72,5% 70,4% 69,5% 68,6% 76,2% 51,7% 46,6% 59,0% 77,1% 83,4% 69,0% 66,8% 72,1% 69,2% 60,2% 77,3% 68,9% 93,3% 66,8% 73,4% 77,1% 61,3% 59,9% 75,0% 70,6% 56,4% 82,0% Execução da Receita 28,3% 29,4% 31,8% 32,2% 34,5% 34,6% 34,7% 35,2% 36,0% 36,1% 36,6% 36,6% 37,3% 37,6% 37,6% 37,8% 38,2% 39,0% 39,3% 39,9% 40,4% 40,9% 41,0% 41,4% 41,5% 42,8% 42,8% 43,0% 43,5% 43,7% 43,9% 44,0% 44,5% 45,2% 45,6%

Município

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35

Trofa Portimão Castanheira de Pêra Ribeira Brava Guarda Vizela Paredes Covilhã Faro Porto Santo Vila Nova de Poiares Aveiro Alijó Castro Marim Campo Maior Castelo de Paiva Trancoso Nazaré Cartaxo Torres Novas Vila Nova de Gaia Câmara de Lobos Vila Pouca de Aguiar Fundão Mangualde Nordeste Figueiró dos Vinhos Mirandela Alcanena Ourique Vila Viçosa Alvaiázere Miranda do Douro Alter do Chão Santa Comba Dão

M M P P M M M M M P P M P P P P P P M M G M P M M P P M P P P P P P P

83. Depois de deduzidas as liquidações anuladas.

87

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

2.5.2. Saldos Orçamentais
Quando se levanta a questão do défice público e a contribuição ou não para o reforço do mesmo, por parte das autarquias, usa-se como referência o Saldo Global da administração local, relacionado com as receitas e despesas efetivas84, isto é, não financeiras. As receitas efetivas85 são todas aquelas que não dão origem a encargos futuros (isto significa que não incluem as receitas que provêm de recurso a empréstimos – passivos financeiros) e que não resultam de reembolsos de empréstimos concedidos (isto é, não incluem os ativos financeiros). De igual modo as despesas efetivas86 são aquelas que não incluem despesas com activos e passivos financeiros. Assim, será o total da despesa efectuada excluída da amortização de capital (passivos financeiros) e da despesa com compra de títulos (activos financeiros). O saldo global ou efetivo87, caso seja positivo, existe superavit, isto é, um excedente orçamental que se traduz na capacidade de financiamento da administração local.
84. Despesa efectiva = despesas corrente + despesas de capital – activos financeiros – passivos financeiros. 85. Receita efectiva = receita correntes + receitas de capital – activos financeiros – passivos financeiros 86. Anota-se contudo, que há receitas e despesas efectivas que resultam da existência de activos e passivos financeiros, mas não das operações sobre os mesmos. Estamos a falar dos dividendos que são rendimentos de propriedade e dos juros da dívida., ambas são despesa corrente 87. Saldo global ou efectivo = receitas efectivas – despesas efectivas

Caso seja negativo, então há défice, isto é, há necessidade de financiamento. Há, ainda, um outro conceito que interessa reter, pela importância que o mesmo reveste na análise da situação financeira de todos os sectores da Administração Pública: o Saldo Primário88. Ora quando do cálculo da despesa efectiva, se excluírem os juros, obtêm-se a despesa primária89. Embora a informação do valor destes indicadores na base dos recebimentos e pagamentos tenha sido a mais frequentemente utilizada nas análises à evolução da situação financeira do sector, certo é que, face à crescente dívida de curto prazo a fornecedores e, face à possibilidade de, com a implementação do POCAL, se identificarem os créditos dos municípios sobre terceiros, entende-se que aqueles saldos não deverão ser avaliados na óptica de fluxos de caixa, mas mais na óptica financeira, na base dos reais fluxos económicos (receitas liquidadas e compromissos assumidos). Assim sendo, apresenta-se o Quadro 2.32, mais a título informativo e apreciar-se-á, essencialmente, a informação prestada no Quadro 2.33 – Saldos na Base de Compromissos.
88. Saldo primário = receitas efectivas – despesas primárias ou Saldo primário = saldo global + juros 89. Despesa primária = despesa efectiva – juros. Despesa corrente primária = despesa corrente – juros

88

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 2.32 | Saldos na base de Caixa (recebimentos versus pagamentos)
Base de Caixa (recebimentos / pagamentos) 2006 (a) (b) (c) (d)=(a+b)-(c) Receitas correntes (não incluído o saldo inicial) Saldo inicialq Despesas correntes Saldo corrente N.º de municípios com saldo corrente positivo (e) (f) (g)=(e)-(f) (a)+(b)+(e) (c)+(f) (h)=(d)+(g) Receitas de capital Despesas de capital Saldo de capital Receitas totais Despesas totais Saldo orçamental N.º de municípios com saldo orçamental positivo (i) (j) (k) (l) (m) (n) (o)=(m)-(n) (p) (q)=(o)+(p) Activos financeiros (receitas) Activos financeiros (despesa) Passivos financeiros (receita) Passivos financeiros (despesas) Receitas – AF – PF Despesas – AF – PF Saldo global ou efectivo Juros e outros encargos (despesas) Saldo primário N.º de municípios com saldo primário positivo Unidade: milhões de euros q. O saldo inicial ou saldo de gerência anterior corresponde às disponibilidades de tesouraria que não foram utilizadas em pagamentos, a maior parte das vezes, por falta de tempo para o processamento dentro do mesmo ano económico. Tal situação deve-se ao facto de um volume significativo de receita da autarquia ser recebida, só, nos últimos dias de Dezembro. Assim, este saldo, será mais um saldo contabilístico e não um saldo financeiro, propriamente dito, sendo que as dívidas de curto prazo que transitam de ano, na generalidade das situações, o absorverão na totalidade. 89 4.955 200 4.221 935 257 2.040 2.771 -731 7.196 6.992 204 220 15 39 278 344 6.902 6.609 294 128 422 205 2007 5.653 240 4.593 1.300 262 1.877 2.817 -941 7.770 7.410 359 244 43 33 357 396 7.369 6.982 387 181 569 231 2008 5.730 347 4.933 1.145 247 2.005 2.943 -938 8.083 7.876 207 198 34 31 529 353 7.520 7.491 29 225 254 206 2009 5.746 299 5.260 785 212 2.446 3.098 -652 8.491 8.358 133 214 32 43 965 460 7.494 7.856 -361 192 -169 154 2010 5.825 176 5.037 964 247 2.025 2.835 -809 8.026 7.872 154 215 11 38 516 577 7.499 7.257 243 105 347 245

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 2

Quadro 2.33 | Saldos na base de compromissos (liquidações versus compromissos)
Compromissos (receita liquidada /compromissos assumidos) 2006 (a) (b) (c) (d)=(a+b)-(c) Receitas correntes (não incluído o saldo inicial) Saldo inicial Despesas correntes Saldo corrente N.º de municípios com saldo corrente positivo (e) (f) (g)=(e)-(f) (a)+(b)+(e) (c)+(f) (h)=(d)+(g) Receitas de capital Despesas de capital Saldo de capital Receitas totais Despesas totais Saldo orçamental N.º de municípios com saldo orçamental positivo (i) (j) (k) (l) (m) (n) (o)=(m)-(n) (p) (q)=(o)+(p) Activos financeiros (receitas) Activos financeiros (despesa) Passivos financeiros (receita) Passivos financeiros (despesas) Receitas – AF – PF Despesas – AF – PF Saldo global ou efectivo Juros e outros encargos (despesas) Saldo primário N.º de municípios com saldo primário positivo Unidade: milhões de euros 90 5.127 201 4.825 504 177 2.119 4.495 -2.376 7.448 9.320 4.697 37 17 46 281 350 7.150 8.925 -1.775 141 -1.634 36 2007 5.881 236 5.207 910 191 1.882 4.375 -2.493 7.999 9.582 4.611 34 38 37 358 400 7.602 9.145 -1.543 204 -1.339 60 2008 6.392 348 5.605 1.145 173 2.060 4.447 -2.387 8.800 10.051 4.794 46 34 38 528 358 8.238 9.656 -1.419 245 -1.174 48 2009 6.382 305 6.103 584 129 2.506 5.032 -2.526 9.193 11.135 5.337 21 31 54 965 466 8.197 10.615 -2.418 218 -2.199 29 2010 6.003 176 6.051 127 122 2.081 4.648 -2.567 8.260 10.700 4.824 22 11 41 516 583 7.733 10.076 -2.344 134 -2.210 28

CAPÍTULO 2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 2.20 | Evolução do Saldo global efectivo na base de compromissos
12.000 € 10.000 € 8.000 € Milhões 6.000 € 4.000 € 2.000 € 0€ 2006 -2.000 € -4.000 € Receitas – AF – PF Despesas – AF – PF Saldo global ou efectivo 2007 2008 2009 201 0

Verifica-se que, para a globalidade do setor autárquico municipal, o saldo corrente90 resultante das despesas assumidas e das receitas liquidadas é positivo, mantendo-se o equilíbrio orçamental corrente na situação ex post. Ter-se-á que anotar que só 122 municípios apresentaram este Saldo Corrente positivo. Assim, 186 autarquias, em 2010, terminaram o ano económico com um saldo corrente negativo. Nesta situação estiveram, em 2009, 179 municípios, em 2008, 135 municípios, em 2007, 117 municípios e em 2006, 131 autarquias. O facto do saldo de capital91ser negativo (- 2,6 milhares de milhão de euros, em 2010) não constituiria uma situação anómala, advindo da insuficiência crónica de recursos de capital, se o saldo corrente, fosse suficientemente excedentário para cobrir o saldo negativo de capital. O facto de o saldo corrente ter sido, ao longo do quadriénio, manifestamente, insuficiente para cobrir o saldo de capital negativo, resultou um permanente saldo global orçamental
90. Diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes 91. Diferença entre as receitas de capital e as despesas de capital

negativo92 para o sector autárquico. Em 2010 este saldo global foi de -2 344 milhões de euros. Ligeiramente melhor que o verificado em 2009, o pior do período ao apresentar -2 418 milhões de euros. Dado que para o cálculo deste saldo contribuíram todas as receitas liquidadas e despesas assumidas, poder-se-á concluir que o sector autárquico municipal, em 2010, assumiu mais de 2,3 milhares de milhão de euros de despesa, para além da sua capacidade financeira e relativamente à qual não possuía meios de pagamento: nem disponíveis, nem em créditos de curto prazo. Este será o valor do défice do sector administrativo autárquico. Relativamente ao Saldo Corrente de Caixa, deveria o mesmo apresentar-se positivo para cada município e não apenas para a globalidade destes, como acontece. Verifica-se que em cada ano económico em estudo, se detetaram municípios que não apresentaram saldo corrente de caixa positivo (51 municípios em 2006, 46 municípios em 2007, 61 municípios em 2008, 96 municípios em 2009 e 61 municípios em 2010).
92. Diferença entre as receitas totais e as despesas totais

91

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 3 ANÁLISE FINANCEIRA, ECONÓMICA E PATRIMONIAL DOS MUNICÍPIOS 3.1. Fiabilidade do Balanço e da Demonstração de Resultados Económicos
O controlo e a transparência da atividade financeira e das relações financeiras das autarquias constituem objetivos e princípios definidos pelo POCAL, bem como pelo Tribunal de Contas que através da Resolução n.º1/2004 inclui nos documentos de prestação de contas a serem apresentados, informação financeira, patrimonial e económica, muito similar à apresentada pelas empresas públicas e privadas. O balanço e a demonstração dos resultados e respetivos anexos constituem os principais mapas do sistema de contabilidade patrimonial, que se baseia na base do acréscimo ou do princípio da especialização dos exercícios 92 (accrual basis). Analisando o Quadro 3.01, com informação resumida sobre o cumprimento do POCAL, no que se refere ao sistema de contabilidade patrimonial (Balanço e Demonstração de Resultados), verificamos que houve uma evolução notável por parte dos municípios no cumprimento das obrigações decorrentes da introdu92. Ver Anexo 3 – Glossário de termos contabilísticos

ção da contabilidade patrimonial, embora persistam ainda algumas situações que carecem de melhor tratamento contabilístico, conforme veremos de seguida. Da evolução dos últimos 5 anos, podemos salientar o seguinte: • Os mapas de prestação de contas, ao longo deste quinquénio, têm evidenciado evolução do grau de cumprimento do POCAL no que respeita o sistema de contabilidade patrimonial; Todos os municípios (308) apresentam o Balanço e a Demonstração de Resultados como documentos de prestação de contas, situação que se verifica desde 2006; Desde 2008 verificamos que os 308 municípios Portugueses incluem Bens de Domínio Público no Balanço. Em 2010, contudo, 53 municípios não apresentam na conta 45 – «Bens de Domínio Público» valores relativos a terrenos e recursos naturais (63 municípios estavam nesta situação em 2009, 71 em 2008, 77 em 2007 e 89 municípios em 2006);
93

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

Quadro 3.01 | Informação patrimonial e económica
2006 N.º de municípios existentes Nº de municípios analisados Apresentam o Balanço e Demonstração de Resultados na Prestação de contas Apresentam amortizações do exercício no Mapa de Demonstração de Resultados Têm no ativo Bens de Domínio Público mas não têm qualquer valor em terrenos Têm no ativo em Bens de Domínio Público valor em património histórico artístico e cultural O Ativo apresenta valor na conta Bens de Domínio Público Os Bens de Domínio Público são superiores a 20% do total do ativo Registaram proveitos diferidos no Balanço (Passivo) Têm no Ativo valores a receber de clientes, contribuintes e utentes Apresentam no Ativo valores de existências Têm provisões do exercício (mapa de DR) Apresentam no Passivo acréscimos de custos 308 308 308 293 89 142 302 247 281 303 200 92 221 2007 308 308 308 295 77 152 306 257 289 306 215 127 251 2008 308 308 308 299 71 166 308 267 293 290 235 143 269 2009 308 308 308 303 63 171 308 270 297 289 245 155 276 2010 308 308 308 304 53 176 308 268 298 290 259 165 289

Quadro 3.02 | Municípios sem registo de proveitos diferidos Relativamente ao cumprimento do princípio da especialização do exercício, no que respeita à contabilização dos subsídios ou transferências recebidas e destinadas à aquisição de bens de investimento (que devem ser registadas como proveitos diferidos e não como proveitos do exercício) verificamos que, em 2010, apenas 10 municípios93 não têm qualquer valor registado nesta rubrica do passivo (11 em 2009, 15 em 2008; 18 em 2007 e 27 em 2006).
Município 1 2 3 4 5 6 7
93. Esta situação apenas se justificará se os municípios não receberam subsídios para investimentos em 2010 porque, de outra forma, estariam a inflacionar os resultados económicos, pois as receitas eventuais (subsídios recebidos para investimentos) se não contabilizadas em “proveitos diferidos” serão (erradamente) contabilizadas como proveitos do exercício, distorcendo o verdadeiro resultado económico

Distrito Bragança Santarém Setúbal Faro Beja Viseu Viseu Viseu Açores Bragança

Dimensão P P M P P P P M P P

Carrazeda de Ansiães Constância Moita Monchique Ourique São João da Pesqueira Tabuaço Tondela Vila do Porto Vimioso

8 9 10

94

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Apesar da obrigatoriedade do registo anual das amortizações do exercício94, foram identificados 4 municípios, que em 2010, não efetuaram este registo contabilístico (em 2009 foram 5 autarquias). Face à ausência de registo dos custos relativos à depreciação do Imobilizado, os resultados económicos destes municípios encontram-se sobreavaliados. O quadro seguinte elenca os municípios nesta situação em 2010. Quadro 3.03 | Municípios sem registo de amortizações do exercício
Município 1 2 3 4 Ílhavo Miranda do Douro Óbidos Tabuaço Distrito Aveiro Bragança Leiria Viseu Dimensão M P P P

meses e até 12 meses; provisão de 100% se a dívida está em mora há mais de 12 meses). Relativamente a esta conformidade contabilística, verificou-se uma melhoria do número de municípios que apresentaram registos nas respetivas contas patrimoniais. Relativamente às Dívidas a receber de Clientes, Contribuintes e Utentes verifica-se que 18 municípios não apresentam saldo nesta conta em 31 de dezembro de 2010, podendo muito provavelmente significar que nesses municípios a liquidação da receita é registada apenas no momento da cobrança, não obedecendo ao definido no POCAL. Quadro 3.04 | Municípios que não apresentaram Dívidas a Receber de Clientes, Contribuintes e Utentes

Ainda em cumprimento com o princípio da especialização dos exercícios devem os municípios proceder ao registo de acréscimo de custos, para refletirem no ano os custos efetivos independentemente do seu pagamento ou recebimento95. Verifica-se que 19 municípios não apresentaram, em 2010, qualquer valor nessa rubrica patrimonial. No entanto, verificou-se no período em análise um decréscimo significativo do número de municípios com este tipo de incumprimento (87 em 2006, 57 em 2007, 39 em 2008 e 32 em 2009). Os princípios contabilísticos a aplicar pelas autarquias obrigam relativamente às dívidas a receber de clientes, contribuintes e utentes que se encontrem em mora, à criação de uma provisão (atualmente no setor empresarial designada por “perdas por imparidade”) para cobranças duvidosas (provisão de 50% se a dívida está em mora há mais de 6
94. Em obediência ao princípio da especialização dos exercícios, o valor das aquisições dos bens inventariáveis são custos à medida que vão sendo depreciados ou desvalorizados. Em termos contabilísticos, o registo da desvalorização anual do imobilizado no POCAL designa-se por «Amortizações» e representa um custo que pesa cerca de 16% nos custos totais, dado o elevado valor dos ativos imobilizados. A ausência deste registo deturpa a análise do resultado económico. 95. É exemplo desta situação a contabilização das férias e subsídios de férias devidas aos trabalhadores em N+1, sendo no entanto custo do ano N.

Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Alcochete Arronches Ferreira do Zêzere Monforte Nordeste Oeiras Oleiros Penalva do Castelo Ponte da Barca Porto Santo Santa Cruz das Flores Santana Sátão Tábua Tabuaço Tondela Vidigueira Vila Nova de Poiares

Distrito Setúbal Portalegre Santarém Portalegre Açores Lisboa Castelo Branco Viseu Viana do Castelo Madeira Açores Madeira Viseu Coimbra Viseu Viseu Beja Coimbra

Dimensão P P P P P G P P P P P P P P P M P P 95

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

3.2. Análise das componentes do Balanço e da Demonstração de Resultados dos municípios 3.2.1. Estrutura e Evolução do Ativo
No Quadro 3.05, apresentam-se os valores agregados das componentes do Ativo dos Balanços dos 308 municípios.

Quadro 3.05 | Estrutura do Balanço (ATIVO)
Componentes do Ativo Bens de domínio público Imobilizado incorpóreo Imobilizado corpóreo Imobilizado em Curso Total do imobilizado Investimentos Financeiros Existências Dívidas a Receber Títulos Negociáveis Depósitos e Caixa Acréscimos de proveitos Custos diferidos Total Unidade: milhões euros 2006 11.369 63 13.024 5.739 30.195 1.110 143 816 37 604 139 86 33.130 2007 11.279 71 13.853 5.926 31.129 1.198 118 818 60 738 197 97 34.355 2008 12.164 75 14.856 5.913 33.008 1.338 116 1.074 35 673 233 198 36.675 2009 12.839 76 15.761 6.201 34.877 1.419 119 1.083 15 584 309 217 38.622 2010 13.613 81 16.345 5.958 35.996 1.613 120 1.197 14 596 410 129 40.075 Variação (%) 2009 - 2010 6,0% 6,0% 3,7% -3,9% 3,2% 13,7% 1,1% 10,5% -7,9% 2,1% 32,8% -40,8% 3,8% Variação (%) 2006 - 2010 19,7% 28,2% 25,5% 3,8% 19,2% 45,3% -16,2% 46,6% -63,1% -1,3% 195,1% 49,5% 21,0%

Gráfico 3.01 | Estrutura do Ativo em 2010 Da observação do Quadro 3.05 e do Gráfico 3.01 podemos concluir o seguinte: • Em 2010, o imobilizado (bens de domínio público, corpóreo e incorpóreo) representava, aproximadamente, 90% do Ativo Total dos Municípios, tal como já se tinha verificado nos 4 anos anteriores96. Entre 2006 e 2010 o imobilizado aumentou 5.801 milhões de euros. Os bens de domínio público e o imobilizado corpóreo97 representavam aproximadamente 83% do total do imobilizado. De 2009 para 2010 verificou-se um acréscimo de imo1% 2% 3%

4% Bens de domínio público Imobilizado corpóreo

34%

15%

Imobilizado em Curso Investimentos Financeiros Dívidas a Receber

96. Decorridos 7 anos após a obrigatoriedade de implementação do POCAL nem todo o imobilizado existente se encontra avaliado e contabilizado, pelo que, será possível que, nos próximos anos, o valor inscrito na rubrica de “Bens de Domínio Público” aumente pela inclusão do valor de bens á data ainda não inventariados ou avaliados em termos económicos. 97. Obras ainda em curso.

41%

Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos

96

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

bilizado corpóreo de 3,7%, face à progressiva absorção do imobilizado em curso que registou uma variação negativa, de 2009 para 2010 de 3,9%. Entre 2006 e 2010 o aumento bruto destas componentes do ativo, para a globalidade do setor autárquico, foi de 2.244 milhões de euros e 3.321 milhões de euros, respetivamente. • O imobilizado em curso representou aproximadamente 16% do imobilizado total do setor autárquico. De 2006 a 2010, o valor desta rubrica tem oscilado entre os 5 e os 6 milhões de euros, oscilação que deriva da transferência do imobilizado em curso para a rubrica de bens de domínio público e de imobilizado corpóreo. Como seria de esperar, o imobilizado incorpóreo tem uma fraca representatividade no ativo municipal, representando, em média, 0,2% na totalidade do imobilizado, tendo crescido 6% de 2009 para 2010 e 28,2% de 2006 para 2010.

curso continuam a representar uma parcela significativa, 14 %98. Sendo as estradas, por imposição constitucional (artigo 34.º da Constituição da República Portuguesa), Bens de Domínio Público, e os museus, bibliotecas, arquivos, bens da mesma natureza, de acordo com o Decreto-Lei n.º 477/80, de 15 de outubro, facilmente se depreenderá que existe significativo desequilíbrio proporcional entre os Bens de Domínio Público e o outro Imobilizado Corpóreo. A razão desta situação deve-se ao facto de a maior parte das vias públicas, praças e jardins, e outros bens imóveis do domínio municipal não estarem inventariados ou avaliados99. Os terrenos100 evidenciam as maiores variações de valor na estrutura dos Bens de Domínio Público, entre 2006 e 2010, refletindo uma eventual regularização cadastral e a correspondente regularização contabilística.
98. Traduzirão a existência de investimentos, ainda em execução física ou, a aguardar fecho de contas. Logo que se concluam os investimentos, estes valores poderão ser afetos ou a “Edifícios” ou a “Outras Construções”, não havendo indicações, nesta fase, sobre a natureza das mesmas. 99.Verifica-se ser reduzido, também, o valor contabilístico refletido no Ativo nas contas de registo dos bens referentes a museus, bibliotecas ou arquivos municipais. 100. Em sede de Balanço Inicial, os terrenos incluídos no Domínio Público foram uma das componentes do imobilizado de mais difícil contabilização devido à necessidade de correção do seu registo matricial e predial

O Quadro 3.06 apresenta a composição dos Bens de Domínio Público. A rubrica de “Outras Construções” continua a ser a rubrica mais representativa dos bens de domínio público, abrangendo 64,8% do saldo total desta conta. Os bens de domínio público em Quadro 3.06 | Estrutura dos Bens de Domínio Público
Bens de Domínio Público Terrenos Edifícios Outras construções Património histórico artístico e cultural Bens de domínio público em curso Outros Adiantamentos Total 2006 8,8% 1,3% 68,6% 0,7% 16,8% 3,8% 0,0% 100% 2007 9,4% 1,5% 67,1% 0,7% 17,5% 3,7% 0,0% 100% 2008 12,2% 1,5% 65,8% 0,7% 16,3% 3,5% 0,0% 100% 2009 13,5% 1,0% 65,4% 1,1% 15,6% 3,3% 0,0% 100% 2010 15,7% 1,5% 64,8% 0,8% 14,0% 3,2% 0,0% 100%

Gráfico 3.02 | Evolução do valor patrimonial dos Bens de Domínio Publico
11.000 € 10.000 € 9.000 € 8.000 € 7.000 € 6.000 € 5.000 € 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ 2006
Outras construções Terrenos Bens de domínio público em curso Outros Edifícios Património histórico artístico e cultural

Milhões

2007

2008

2009

201 0

97

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

No Quadro 3.07, é apresentada a estrutura do Imobilizado Corpóreo, o qual, em 2010, representou 45,4% do ativo total 101. As rubricas mais representativas são os terrenos, edifícios e o imobilizado em curso, com um peso global de 96,5%. Os edifícios foram a componente de maior peso (51,4%), tendo o aumento no período em análise correspondido a um crescimento do valor deste imobilizado entre 2006 e 2010. Os terrenos do domínio privado das autarquias representam 23,9% do valor total da rubrica do imobilizado corpóreo em 2010. O peso médio desta rubrica do imobilizado, no período entre 2006 e 2010, foi de 23,8%.
101. Incluiu, todavia, imóveis que pela sua funcionalidade não poderão ser alienados, mas que também não serão classificados Bens de Domínio Público.

O imobilizado em curso respeitante a investimentos em bens do domínio privado municipal, tem, igualmente, mantido ao longo do quinquénio, um peso na estrutura deste ativo, com alguma relevância, na ordem dos 19,6%. Tal situação poderá traduzir alguma estabilidade ao nível do investimento autárquico. Face à distribuição, ao longo do período, do investimento nesta área do imobilizado, estimar-se-á que a afetação deste valor, pelo imobilizado corpóreo, se efetuará a favor, essencialmente, da rubrica de edifícios e outras construções. O investimento em equipamento básico, será o menos relevante, se atentarmos ao facto de que, tal como o investimento em equipamento de transporte, resultarem do exercício de competências mais residuais das autarquias.

Quadro 3.07 | Estrutura do Imobilizado Corpóreo
Imobilizado Corpóreo Terrenos Edifícios Equipamento Básico Equipamento de Transporte Ferramentas e utensílios Equipamento Administrativo Imobilizado em Curso Adiantamentos Outros Total 2006 24,3% 45,0% 2,8% 1,1% 0,1% 0,9% 20,8% 0,3% 4,7% 100% 2007 24,0% 47,0% 2,7% 1,0% 0,1% 0,8% 20,2% 0,3% 4,0% 100% 2008 23,4% 49,1% 2,6% 1,0% 0,1% 0,8% 19,1% 0,3% 3,7% 100% 2009 23,3% 49,4% 2,5% 0,9% 0,1% 0,7% 19,4% 0,0% 3,0% 100% 2010 23,9%
Milhões

Gráfico 3.03 | Evolução do valor do Imobilizado Corpóreo
11.000 € 10.000 € 9.000 € 8.000 € 7.000 € 6.000 € 5.000 € 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 2010

51,4% 2,1% 0,8% 0,1% 0,5% 18,5% 0,2% 2,6% 100%

Edifícios Terrenos Imobili zado em Curso Outros Equipamento Básico Equipamento de Transporte Equipamento Administrativo Ferramentas e utensílios

98

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

No Quadro 3.08, apresenta-se a estrutura dos investimentos financeiros e pode-se verificar que: • Durante ano de 2010 foram adquiridos aproximadamente 173 milhões de Euros em participações de capital, na sua grande maioria participações em empresas municipais. Entre 2006 e 2010 as participações de capital aumentaram 44,1% (+384,4 M€) crescimento bastante significativo e que traduz o aumento do setor empresarial autárquico. Os investimentos em Imóveis representam 16% do saldo total da rubrica de investimentos financeiros e ocupam o segundo lugar na estrutura dos investimentos financeiros. No período entre 2006 e 2010, o investimento em imóveis, pese não ser uma atividade essencial ao escopo das autarquias, cresceu 46,1% o que se traduziu num aumento absoluto de 81,5 milhões de euros.

Verifica-se também que à semelhança do que ocorreu em 2009, em 2010 apenas 3 municípios apresentaram adiantamentos por conta de Investimentos Financeiros (municípios de Amarante, Braga e Póvoa de Lanhoso). Os investimentos financeiros atingiram em 31 de dezembro de 2010, 1.613 milhões de Euros. Entre 2006 e 2010, aumentaram 503 milhões de euros (+45,3%), apresentando uma taxa de crescimento, em 2010, de 13,7%. No entanto, os Investimentos Financeiros continuam, à semelhança dos anos anteriores, a representar um valor pouco significativo (aproximadamente 4% no total do ativo) estando incluídas, nestes montantes, as participações em capital de outras entidades, na sua grande maioria participações em empresas municipais, aquisições de obrigações e títulos de participação, e investimentos em imóveis.

Quadro 3.08 | Estrutura dos Investimentos financeiros
Investimentos Financeiros Partes de capital Obrigações e títulos de participação Investimentos em Imóveis Outras aplicações Financeiras Imobilizações em Curso Adiantamentos Total
Unidade: milhões de euros

2006 871,6 37,1 176,7 4,3 13,5 6,8 1.110,0 78,5% 3,3% 15,9% 0,4% 1,2% 0,6% 100%

2007 951,8 28,7 163,9 33,4 14,6 5,4 1.197,8 79,5% 2,4% 13,7% 2,8% 1,2% 0,5% 100%

2008 1.021,3 26,7 216,7 51,4 16,4 5,6 1.338,1 76,3% 2,0% 16,2% 3,8% 1,2% 0,4% 100%

2009 1.083,8 32,8 226,6 53,6 19,3 2,9 1.418,9 76,4% 2,3% 16,0% 3,8% 1,4% 0,2% 100%

2010 1.256,0 29,6 258,2 57,9 8,7 2,9 1.613,3 77,9% 1,8% 16,0% 3,6% 0,5% 0,2% 100%

99

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

As dívidas a receber dos municípios no final de 2010, pela totalidade dos municípios perfaziam 1.197 milhões de euros, isto é, mais 114 milhões de euros que em finais de 2009, e com uma taxa média anual de crescimento de 9,3%. Observando a composição do Ativo apresentado nos Balanços das autarquias, verifica-se que, conforme se poderá apreciar pelo Quadro 3.09, são diversas as origens e os tempos previstos de cobrança destes créditos sobre terceiros. Embora na estrutura de dívidas a receber se integrem dívidas de MLP, as duas componentes mais significativas dos créditos sobre terceiros são dívidas de curto prazo e constituídas sobre “Clientes contribuintes e utentes” e “Outros devedores”. Em 2010, representaram 82,3% do valor dos créditos a receber e totalizaram 984,6M€ Os créditos sobre Clientes contribuintes e utentes102, em 2010 cresceram 26,7% (+45,9M€), quando em 2009 tinham apresentado uma diminuição de 3,8% (-6,7M€) e traduzem o impacto da crise económica na atividade financeira dos municípios, mostrando a sua vulnerabilidade nas cobranças a terceiros dos serviços prestados. Verifica-se que 164 municípios (175 em 2009) apresentaram em 2010 valores inscritos em “clientes contribuintes e utentes de cobrança duvidosa”, no total de 19.910.146 €. Todavia, só 94 municípios apresentaram valores em “provisões para risco e encargos”, pese embora o valor registado nesta rubrica abranja muitas outras situações de cobertura de riscos de incumprimento, como se poderá verificar pelo valor inscrito de 774.847.619 € (ver comentário da página 107). A existência de registo de valores significativamente elevados em outros devedores de curto prazo103, deverá ser uma situação a contrariar de futuro, pois não permite avaliar a
102. Dispõe a lei que estes créditos com um período de mora superior a seis meses deverão originar uma provisão de 50% e às que apresentarem uma mora igual ou superior a um ano deverá corresponder uma provisão de 100%. 103. Esta rubrica poderá incluir, ainda, valores de operação de tesouraria por contrapartida de valores inscritos no passivo de curto prazo.

relevância substantiva destes créditos sobre terceiros104, cujo peso relativo tem sido o mais elevado, na estrutura das dívidas a receber. Em 2010 representou 64,1%do total da dívida a receber, com o montante de 766,8M€. Estes créditos apresentaram um crescimento anormal de 57,5% em 2008 com um acréscimo de dívida a receber de 249,6M€. As dívidas a receber de M/L Prazo, com um peso médio de 6,7% no total das dívidas a receber, após um aumento significativo em 2008 (+159,5%, +59 M€), baixam nos dois anos seguintes de 2009 e 2010, respetivamente, -4,7% e -5,7% traduzido nos montantes de -4,5M€ e -5,2M€. Em 2010, foram 21 os municípios que apresentaram registo de dívidas a receber a médio e longo prazo totalizando 86,3 M€. Destes e tal como aconteceu em 2008 e 2009, é o município de Vila Nova de Gaia que apresenta valor mais significativo (52,3M€)105 absorvendo 60,6% do total dos créditos a receber de MLP, por todo o setor autárquico municipal. Sendo possível às autarquias concederem empréstimos, verifica-se que embora não seja uma pratica generalizada, há 42 autarquias que exerceram essa competência106, não tendo sido possível identificar o tipo de destinatário das mesmas. Trata-se, contudo, de um valor insignificante na estrutura global dos ativos e no conjunto das dívidas a receber, tendo representado, em média, no período em apreço o peso de 3,4% mas que em 2010, baixou para 0,6% e totalizando 7,3M€. Anota-se, contudo, que o volume destes empréstimos cresceu, em 2009, 13,6%, apresentando um valor de 7,5 milhões de empréstimos a terceiros.
104. Anota-se que estes créditos, ao relevarem para o cálculo do endividamento líquido como fator de abate à dívida bruta do município a terceiros, conferem capacidade de endividamento às autarquias e, por isso, carecem de controlo rigoroso sobre a materialidade jurídica dos factos que lhe darão origem. 105. Trata-se de um valor anormalmente elevado comparado com os valores das receitas por cobrar obtidas dos mapas de controlo orçamental de receita, respetivamente de 594 771,9€ em 2010, 3 412 447,58€ em 2009 e 6 466 022,41€ em 2008 106. Como se poderá verificar no quadro 3.10, alguns dos empréstimos referem-se a 2008 ou anos anteriores

100

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.09 | Estrutura das Dívidas a Receber
Dívidas a Receber Dívida a receber M/L prazo Empréstimos concedidos (curto prazo) Clientes contribuintes e utentes (curto prazo) Estado e outros entes públicos (curto prazo) Administração Autárquica (curto prazo) Adiantamentos (curto prazo) Outros devedores (curto prazo) Outros (curto prazo) Total de dívidas a receber Nº de habitantes Dívida a receber por habitante Unidade: milhões de euros 2006 35,9 61,6 144,4 18,8 52,9 21,4 461,0 20,0 816 10.599.095 77 € 2007 37,0 60,0 167,7 16,7 75,2 13,3 433,9 14,6 818 10.617.575 77 € 2008 96,0 6,6 178,6 18,1 63,8 11,0 683,5 15,9 1.074 10.627.250 101 € 2009 91,5 7,5 171,9 18,9 83,2 8,4 701,6 0,0 1.083 10.637.713 102 € 2010 86,3 7,3 217,8 22,6 85,1 10,7 766,8 0,0 1.197 10.636.979 112 € 7,2% 0,6% 18,2% 1,9% 7,1% 0,9% 64,1% 0,0% 100%

A dívida do Estado às autarquias refletirá as cobranças de impostos que a DGF já efetuou a favor das autarquias e que ocorreram no final do ano económico, pelo que a sua entrega aos municípios só se refletirá em termos orçamentais no ano económico seguinte. Anota-se que o valor, em 2010, cresceu 19,6% (+3,7M€) passando de 18,9 milhões de euros em 2009 (ano em que cresceu apenas 4,4%) para 22,6 milhões de euros. Apresenta alguma relevância a dívida de terceiros inscrita

como dívida da administração autárquica, que aumentou em 2010 apenas 2,3% (+1,9M€) quando, em 2009 tinha apresentado a taxa extraordinária de crescimento de 30,4% (+ 19,4M€). Dos 85,1 milhões, a receber em 2010 pelo setor autárquico, 47,7 milhões dizem respeito ao município de Lisboa (14,6 milhões em 2008 e 46 milhões em 2009) e 8,9 milhões de euros, ao município de Almada (10 milhões em 2009 e 11,1 milhões em 2008). No total, foram 34 municípios que apresentaram dívidas a receber da administração autárquica.
101

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

Quadro 3.10 | Municípios com dívidas a receber relativas a empréstimos a terceiros, em 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 Oeiras Coimbra Palmela Sintra Torres Vedras Leiria Sousel Viseu Alpiarça Seixal Évora Setúbal Santiago do Cacém Maia São Pedro do Sul Matosinhos Rio Maior Mértola Cartaxo Montemor-o-Novo Sever do Vouga Paredes de Coura Caldas da Rainha Figueira de Castelo Rodrigo Melgaço Moura Vizela Baião Vila Nova de Famalicão Batalha Soure Vendas Novas Ponte de Lima Coruche Marvão Castelo de Paiva Aljustrel Sesimbra Oliveira do Bairro Guarda Borba Chamusca Almeirim Campo Maior Beja Lagos Distrito Lisboa Coimbra Setúbal Lisboa Lisboa Leiria Portalegre Viseu Santarém Setúbal Évora Setúbal Setúbal Porto Viseu Porto Santarém Beja Santarém Évora Aveiro Viana do Castelo Leiria Guarda Viana do Castelo Beja Braga Porto Braga Leiria Coimbra Évora Viana do Castelo Santarém Portalegre Aveiro Beja Setúbal Aveiro Guarda Évora Santarém Santarém Portalegre Beja Faro Dimensão G G M G M G P M P G M G M G P G M P M P P P M P P P M M G P M P M P P P P M M M P P M P M M 2006 0,0 1.971.759 95.000,0 0,0 0,0 54.864.526 0,0 109.185 194.258 0,0 263.654,5 95.000 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 107.636 42.410 40.699 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 62.685 0,0 26.186 0,0 17.500 16.775 21.988 0,0 0,0 0,0 0,0 21.625 7.633 0,0 0,0 27.281 7.500 9.750 0,0 109 812 Empréstimos concedidos (valores em dívida) 2007 2008 2009 0,0 2.175.995 1.875.995 2.073.891 2.187.801 2.171.735 185.000 235.000 525.000 26.406 26.406 503.931 314.653 311.724 321.135 54.864.526 360.000 360.000 50.000 125.000 232.000 109.185 0 268.887 194.258 194.258 194.258 170.000 170.000 170.000 206.913 170.961 123.469 95.000 95.000 95.000 0,0 28.385 71.326 0,0 23.008 39.469 0,0 61.264 61.264 0,0 0 0 0,0 54.775 54.775 97.431 69.437 53.783 43.597 50.862 39.751 45.488 38.519 37.816 0,0 4.145 6.495 0,0 0,0 26.858 0,0 18.000 30.154 0,0 10.610 18.181 0,0 0,0 17.023 59.053 40.091 29.711 0,0 0,0 13.780 26.186 23.568 20.949 0,0 0,0 0,0 17.500 17.500 17.500 16.775 16.775 16.775 28.769 12.235 10.419 0,0 0,0 0,0 2.714 5.127 12.371 0,0 8.868 11.821 0,0 0,0 0,0 18.888 9.345 7.267 7.633 7.633 7.633 0,0 9.000 7.731 0,0 0,0 7.000 23.229 13.959 8.488 7.125 5.875 4.750 8.775 6.987 5.362 0,0 0,0 3.200 109 109 2.041 727 727 727 2010 1.875.995 1.555.209 725.000 503.931 365.209 360.000 285.643 268.887 194.258 170.000 97.625 95.000 94.592 78.808 61.264 59.135 54.775 39.778 31.648 31.595 28.277 26.858 24.179 23.730 22.930 22.603 20.324 18.330 18.000 17.500 16.775 15.314 14.745 9.827 9.601 9.000 8.415 7.633 6.258 5.978 4.196 3.625 3.412 2.244 1.804 727

Unidade: euros 102

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

As disponibilidades são a componente do Ativo cuja fiabilidade107 será mais fácil de conferir, pois representam os valores dos saldos em caixa, em instituições financeiras e o valor em títulos negociáveis. O peso desta componente no Ativo das autarquias situou-se entre o mínimo de 0,06% no Município de Santa Marta de Penaguião, e o máximo de 15,5% no Município de Amadora, registando-se uma média global de 1,8%. O Quadro 3.11 apresenta a composição das
107. Contudo, a interpretação do valor das disponibilidades num município deverá ser efetuada com cuidado dado que o valor das mesmas inclui, para além das “reais” disponibilidades, outras, designadamente, as operações de tesouraria (cauções em bancos, de fornecedores ou clientes; impostos retidos a entregar ao Estado; etc.) que representam cobranças para terceiros ou de terceiros, não constituindo deste modo disponibilidades da entidade. Por outro lado, alguns valores de disponibilidades poderão estar consignados a projetos específicos, para os quais não se dispõem de informação. Assim, entende-se que será de toda a utilidade que a leitura do valor das disponibilidades seja efetuada em simultâneo com a informação obtida do Mapa de Fluxos de Caixa. Este distingue as disponibilidades em orçamentais e referentes a Operações de Tesouraria.

disponibilidades108 em 31 de dezembro de cada ano. Observando o quadro 3.11, e confrontando-o os valores das “disponibilidades reais” que serão as disponibilidades expurgadas dos meios monetários (cauções e operações de tesouraria) à guarda dos municípios mas pertença de terceiros, verifica-se que são manifestamente diferentes do respetivo saldo final orçamental, situação para a qual não foi possível identificar e discriminar as razões. Ficará aqui apenas esse apontamento.

108. Informação obtida através do cruzamento dos Mapas de Fluxos de Caixa com os de Operações de tesouraria, expurgando estes saldos do saldo de fluxos de caixa.

Quadro 3.11 | Disponibilidades e disponibilidades reais109
Disponibilidades Depósitos em instituições financeiras e caixa Títulos negociáveis (1) Total de disponibilidades (2) Cauções de fornecedores e clientes (3) Operações de Tesouraria (4=1-2-3) Total de disponibilidades reais Unidade: milhões de euros
109. Não foi possível recolher estes dados no mapa de fluxos de caixa relativamente a 15 Municípios em 2006, 2 Municípios em 2007, 26 Municípios em 2008, 69 Municípios em 2009 e 53 Municípios em 2010.

2006 603,6 37,2 640,8 16,9 118,0 505,9

2007 738,5 59,5 798,0 19,4 123,1 655,5

2008 673,2 34,5 707,7 20,6 123,2 563,9

2009 583,7 14,8 598,5 21,4 109,1 468,0

2010 595,9 13,7 609,5 21,0 133,6 455,0

103

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

3.2.2. Fundos Próprios
No Quadro 3.12 apresenta-se o valor global dos Fundos Próprios do universo total dos municípios. Os fundos próprios110 sendo a diferença entre o Ativo e o Passivo, representam o património líquido de cada município111. Com o início da implementação do POCAL, impôs-se às autarquias identificarem os seus Fundos Próprios a partir do Balanço Inicial. O fundo patrimonial (inicial) representou a diferença entre o Ativo e o Passivo no momento da elaboração do primeiro Balanço do município. Deste modo, o valor desta conta deveria ser igual ao longo dos cinco anos do quinquénio, o que não aconteceu, tendo o mesmo, neste período crescido 14,8% isto é, +2.775,30 milhões de euros. Este continuado aumento do fundo patrimonial deve-se, essencialmente, ao facto de alguns municípios não terem, ainda, terminado o processo de inventariação e avaliação do seu imobilizado, corrigindo e atualizando, anualmente, o Ativo por contrapartida da conta Fundo Patrimonial. Em dezembro de 2010 o fundo patrimonial era de 21.576,6 milhões de euros, mais 872,60 milhões de euros que em 2009, apresentando uma taxa de crescimento de 4,2%. A variação global dos Fundos Próprios entre 2006 e 2010 em +2 637,2 milhões de euros (+11,6%) foi inferior em 64,6 milhões de euros, ao aumento do fundo patrimonial no mesmo período. A causa desta situação esteve na diminuição sucessiva dos resultados líquidos do exercício, que entre 2006 e 2009 baixaram 890 milhões de euros apresentando, para a globalidade das autarquias, um resultado líquido negativo, em 2009, de -226,2 milhões de euros. Em 2010, os resultados líquidos, na globalidade do setor autárquico apresentou-se positivo, com o valor de 102M€ (+145% que em 2009) embora muito inferior ao verificado até 2008. Os subsídios registados no Fundo Próprio, em geral, apenas contêm os subsídios destinados a investimentos em bens
110. Os fundos próprios são constituídos por 4 grandes grupos: Fundo Patrimonial inicial ou património inicial; Fundo patrimonial adquirido proveniente dos resultados dos diferentes exercícios; Subsídios de capital recebidos e doações recebidas; Reavaliações de imobilizado. 111. Com a ressalva que no Passivo se incluem proveitos diferidos.

não amortizáveis. Da análise das contas dos 308 municípios verificou-se que, em 2010, só 86 municípios reconheceram subsídios nesta conta (77 municípios em 2009, 68 municípios, em 2008; 63 municípios, em 2007 e 56 municípios, em 2006). O valor dos subsídios registados, em 2006, foi de 52,8 milhões de euros e, em 2010, foi de 101,6 milhões de euros, apresentando um crescimento de 93,3% para o quinquénio112. Pela análise das contas verifica-se o valor considerado como Doações é materialmente relevante. Em 2010 foi de 583,3M€, mais 177,5M€ que o contabilizado em 2006, apresentando para o período considerado em acréscimo de 43,7%. Foi 181, o número de municípios que apresentaram valores na rubrica “Doações”. O município com maior peso foi Évora com 186,3 M€, seguindo-se Vila Nova de Gaia com 41,96 M€ e Amadora com 33,3 M€ As reservas de reavaliação resultariam da atualização do valor de aquisição e das respetivas amortizações acumuladas, dos ativos imobilizados113. O POCAL, contudo, condiciona as reavaliações à promulgação de leis próprias114 para o efeito. O impedimento dos municípios procederem a reavaliações de uma forma livre, tem como objetivo limitar eventuais sobreavaliações do Ativo, fazendo prevalecer o princípio da prudência. No entanto, uma vez que o CIBE, para efeitos de elaboração do primeiro inventário preparado pelas regras daquele diploma, permite reavaliar bens cujo valor atual é significativamente superior ao valor histórico, verifica-se que, em 2010, 23 municípios (19 municípios em 2009, 15 municípios em 2008, 19 em 2007, 14 em 2006 e 8 em 2005) apresentaram valor nesta conta dos fundos próprios, com o montante de 147,6 milhões de euros (- 1,2% que em 2009). Em 2009 o valor total de reservas de reavaliação foi de 149,4 milhões de euros apresentando uma diminuição, em relação a 2008 de 4.2%. Por sua vez, em 2008 o valor considerado foi de 155,9 milhões de euros, sustentado numa taxa de crescimento, 111,4%. Estas variações
112. Em 2009 cresceu 25,4%, em 2008, 24% e em 2007,24,3%. 113. Com exceção dos Investimentos Financeiros. Neste caso seriam «ajustamentos» positivos. 114. O que contraria, em parte, as atuais tendências da Contabilidade para substituir o princípio do custo histórico pela designado justo valor ou valor de mercado.

104

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

traduzem a adequação dos municípios ao registo contabilístico do POCAL, não se encontrando ainda estabilizada a implementação do mesmo. O valor total das restantes reservas: reservas legais, estatutárias e reservas livres no final de 2010 era de 1.201 M€ com uma taxa de crescimento de 13,8% traduzida em +145,3 M€ que o contabilizado no final de 2009. Entre 2006 e 2010 o total destas reservas cresceu 71%, representando uma va-

riação positiva de 498,8 M€. Os resultados transitados refletem os resultados líquidos de exercícios anteriores, pela aplicação da disposição do POCAL, sobre a aplicação de resultados. Em 2010 diminuíram em 32,9 milhões de euros (-2,5%), descida bastante inferior à apresentada em 2009, refletindo a melhoria da situação dos resultados do exercício.

Quadro 3.12 | Estrutura do Balanço (FUNDOS PRÓPRIOS)
Fundos próprios Fundo Patrimonial Reservas Doações Subsídios + cedências + outros Resultados transitados Resultados do exercício Total dos Fundos Próprios Unidade: milhões de euros 2006 18.801,3 1.532,9 406,3 133,8 1.131,5 663,9 22.669,72 2007 19.682,7 883,8 433,8 172,2 1.547,7 484,7 23.204,92 2008 20.173,5 1.122,5 475,1 563,5 1.714,1 303,0 24.351,82 2009 20.704,0 1.205,1 526,9 754,5 1.534,6 -226,2 24.498,97 2010 21.576,6 1.348,6 583,8 194,2 1.501,7 102,0 25.306,94 Variação (%) 2009 - 2010 4,2% 11,9% 10,8% -74,3% -2,1% 145,1% 3,30% Variação (%) 2006 - 2010 14,8% -12,0% 43,7% 45,1% 32,7% -84,6% 11,63%

105

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

3.2.3. Passivo115
O Quadro 3.13 mostra a evolução, no quinquénio 2006/2010 das diferentes componentes do passivo considerando a totalidades dos municípios portugueses. Entre 2006 e 2010 o passivo exigível cresceu 24,7% (+ 1 638,6M€), apresentando a maior taxa de crescimento do período em 2009 (+12,6%) e uma tendência para alguma estabilização, em 2010 ao crescer apenas 3,2%. Já o passivo
115. O Passivo inclui três grandes componentes: Passivo exigível, ou sejam, as dívidas a pagar; Passivo não exigível, que inclui os «Acréscimos de Custos» e os «Proveitos Diferidos»; Passivo possivelmente exigível refletido na conta «Provisões para riscos e encargos». Quando se comenta o passivo de qualquer empresa ou entidade, refere-se as dívidas para com terceiros excluindo-se o passivo não exigível e as provisões para riscos e encargos. Incluir estas duas últimas componentes pode levar a análises financeiras erradas, nomeadamente no caso das entidades públicas, que, por regra têm valores significativos em “proveitos diferidos” devido a transferências e subsídios de capital registados como proveitos, durante a vida útil de bem, adquirido ou construído, com esse financiamento.

não exigível cresceu neste período 69,8% (+2 669,2%) com taxa anual média de crescimento de 16,9% entre 2006 e 2009, sendo que em 2010 essa taxa foi de 6,4%. Neste caso, pese embora as provisões para riscos e encargos tenha apresentado, neste período, uma taxa de crescimento de 475% foi o aumento real dos proveitos diferidos (+ 1 805,7M€, +51,7%) que foi determinante para o crescimento do passivo não exigível As dívidas de médio e longo prazo baixaram 19,8M€ de 2009 para 2010, após um aumento verificado em 2009 de 452,9M€ (em 2008 tinha crescido 288,1M€). O total em dívida a médio e longo prazo no setor autárquico municipal era, no final de 2010, de 5.120,6 M€, tendo crescido 15,1% (671,7M€) no período entre 2006 e 2010.

Quadro 3.13 | Componentes do Passivo
Passivo Dívidas a Médio e Longo Prazo Dívidas a Curto Prazo Total de dívidas a terceiros Provisões para riscos e encargos Acréscimos de Custos Proveitos diferidos Total do Passivo não Exigível Total do Passivo Unidade: milhões de euros 106 2006 4.448,9 2.188,2 6.637,1 134,7 194,0 3.494,0 3.822,7 10.459,8 2007 4.399,4 2.264,4 6.663,8 309,6 280,3 3.895,8 4.485,7 11.149,5 2008 4.687,5 2.436,8 7.124,3 311,0 447,5 4.440,0 5.198,5 12.322,8 2009 5.140,4 2.879,7 8.020,1 763,6 468,0 4.871,0 6.102,6 14.122,7 2010 5.120,6 3.155,1 8.275,7 774,8 417,4 5.299,7 6.491,9 14.767,6 Variação (%) 2009 - 2010 -0,4% 9,6% 3,2% 1,5% -10,8% 8,8% 6,4% 4,6% Variação (%) 2006 - 2010 15,1% 44,2% 24,7% 475,2% 115,1% 51,7% 69,8% 41,2%

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 3.04 | Evolução do Passivo
16.000 € 14.000 € 12.000 € 10.000 € Milhões 8.000 € 6.000 € 4.000 € 2.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 201 0 Passivo não Exigível Passivo Exigível Total do Passivo

As dívidas de curto prazo cresceram 44,2%, no período 2006/2010, apresentando em termos absolutos um aumento de 966,9M€, valor muito superior ao aumento verificado, no mesmo período, para a dívida de médio e longo prazo. Apesar de a atividade financeira das autarquias, em 2010, ter continuado a proporcionar um aumento da dívida de curto prazo com o acréscimo do volume desta em 275,4 M€ (+9,6%), o mesmo foi inferior ao verificado em 2009, ano em que a taxa de crescimento se fixou em 18,2%. O montante da dívida de curto prazo em 2010 era de 3 155,1M€. O Passivo exigível116 para a globalidade dos municípios, em 2010 cresceu 3,2%, quando em 2009, a taxa homóloga de crescimento tinha sido de 12,6%. Contudo, no período entre 2006 e 2010117 cresceu 24,7% (+1 638,6M€) passando de 6 637,1M€ para 8 275,7 M€. No passivo dos Balanços aparecem registadas informações financeiras que não se podem entender como dívidas a terceiros já exigíveis, pese embora a sua designação de passivo. A saber:
116. As dívidas por pagar de curto, médio e longo prazo. 117.Num período de implementação de regras de contenção da despesa pública, de limitação de acesso ao crédito estabelecidas em sede de Orçamento de Estado e do PEC, aplicáveis às autarquias. Foi ainda, o período, já, de pleno funcionamento da nova Lei das Finanças Locais.

Provisões para riscos e encargos118 que, representando previsões de responsabilidades119, deverão ser objeto de registo contabilístico. Tratam-se de situações que poderão, no futuro, ocasionar situação de dívida, caso ocorram certos factos. O montante da verba afeta a estes fins, em finais de 2010, foi de 774,8 milhões de euros, demonstrando um acréscimo em relação a 2009 de 5,2% (+11,2€). De salientar que, apenas 94 municípios apresentaram nos seus Balanços valores nesta conta do Passivo (72 municípios em 2009, 58 municípios em 2008, 41 municípios em 2007 e 22 municípios em 2006). Contudo, o valor total provisionado refletiu, essencialmente, os valores das provisões estabelecidas pelo município de Lisboa, o qual ao apresentar o montante de 525,3 milhões de euros em 2010, traduziu 67,8%do total das provisões de todo o setor autárquico120. Outros municípios que apresentaram valores elevados em provisões foram: Marco de Canaveses com 40,2 milhões €, Vila Nova de Gaia com 23,5 milhões € e Porto com 22,8 milhões €
118. Por exemplo, normalmente consideram-se provisões para riscos e encargos, responsabilidades potenciais referentes a processos judiciais em curso (obrigação presente que provavelmente exige um pagamento futuro). 119. Obrigações presentes como resultado de acontecimentos passados com probabilidade de exigência de serem liquidadas, embora possam não se saber o valor certo, mas com possibilidade de ser feita uma estimativa fiável do valor da obrigação. 120. Lisboa apresentou como provisões em 2008 o montante de 189 milhões de euros e em 2009 o valor de 584 milhões (+ 209,2%)

107

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

Como já referimos em 3.1 (página 94), os proveitos diferidos compreendem as receitas121 que devem ser reconhecidas como proveitos em diversos exercícios seguintes, de acordo com o princípio da especialização dos exercícios122. Esta conta, pelo volume de transferências destinadas ao investimento, tem assumido valores relevantes. Pelo seu próprio significado, não será uma verdadeira conta do passivo, embora, se encontre registada nesta parte do Balanço, por imposições de normalização contabilística aplicada ao setor público. Antes se deverá ler esta informação, como o montante de subsídios obtidos, a aplicar ou aplicados a investimentos, ainda não amortizados. Estavam nesta situação, no final de 2010, o total de 5 299,7 milhões de euros, para o conjunto das autarquias. Estes valores cresceram, entre 2006 e 2010, 1 805,7 milhões de euros (+51,7%), fruto do desenvolvimento do quadro comunitário de apoio. De referir, ainda, que esta conta representou, em média, ao longo do período, 35% do total do passivo. Quanto aos acréscimos de custos123, tratam-se de valores que decorrem, também, da aplicação de regras contabilísticas de normalização, que fazem corresponder ao momento em que juridicamente se cria uma obrigação para com terceiros, custos que se vencem em anos subsequentes. Resulta de uma operação de final de exercício que, ainda, não é praticada por todos os municípios, pese embora a sua obrigatoriedade, mas que não representa, de facto, qualquer situação de dívida já constituída para com terceiros. Como
121. Na generalidade são subsídios ao investimento. As receitas obtidas para investimento, só deverão ser reconhecidas como proveitos nos exercícios, e à medida, em que incorrerem os custos resultantes das atividades a que foram aplicadas. 122. O exemplo com significado mais relevante é o registo contabilístico dos subsídios e das transferências consignadas a investimentos específicos, provenientes do Quadro Comunitário de Apoio (QREN) ou de Contratos Programa de Desenvolvimento entre as Autarquias e Organismos da Administração Central. 123. O princípio contabilístico da especialização dos exercícios, obriga a que se considere custos do exercício, mesmo que pagos nos exercícios seguintes, os que decorrem de situações geradas no próprio exercício. É exemplo, o registo em 31 de dezembro do custo de férias e subsídio de férias, a pagar no ano seguinte.

já referimos em 3.1 (página 94), em 2010, apenas 19 municípios não cumprem com o estabelecido no POCAL. O crescente apuramento desta técnica contabilística reflete-se no crescimento dos valores apresentados nesta componente do passivo, que entre 2006 e 2010 aumentou 115,1%, isto é 223,4 milhões de euros, pese embora tenha diminuído 50,6 M€, em 2010. O aumento ocorreu, essencialmente, em 2008, ano em que, a variação dos montantes considerados foi de + 59,7% (+ 167,2 milhões de euros). Apresentam-se de seguida, os Ranking dos 50 municípios com maior e menor passivo exigível (endividamento total), bem como os Ranking dos municípios com maior variação (aumento ou redução) do passivo exigível. Apresentam-se, ainda, rankings com o indicador da dívida por habitante. Do ranking R16 verifica-se que destes 50 municípios com menor volume de dívida, 48 são de pequena dimensão e 2 de média dimensão. Já quanto ao ranking R17, estes 50 municípios (22 de grande dimensão, 27 de média dimensão e 1 de pequena dimensão) totalizam uma dívida de 4.887,6 milhões de euros, que representou 59,1% do total da dívida dos 308 municípios. O ranking 18 apresenta os 50 municípios com maior aumento do Passivo Exigível entre 2009 e 2010. A leitura desta listagem de municípios terá que ter como critério essencial à sua apreciação, não só a respetiva taxa de crescimento da dívida como o rácio do endividamento líquido de cada município124. Em 2010, é de referir ainda que dois municípios apresentaram um aumento da dívida superior a 100%: Redondo, com um aumento de 148,2% (+879.066,2 €) e Batalha, com um aumento de 100,8% (+2.319.332,9 €).
124. Informação não disponível para a elaboração deste relatório uma vez que não consta dos mapas de prestação de contas.

108

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R16 | Municípios com menor Passivo Exigível (Dívidas), referenciado a 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Penedono Cinfães Santa Cruz das Flores Castelo de Vide Viana do Alentejo Redondo Corvo Pampilhosa da Serra Vila do Porto Marvão Vila Velha de Ródão Lajes das Flores Arronches Alcoutim Santa Cruz da Graciosa Gavião Campo Maior Ponte de Sor Elvas Alvito São Roque do Pico Alter do Chão Mação Portel Murtosa Oleiros Mealhada Sernancelhe Barrancos Penalva do Castelo Penacova Fronteira Golegã Belmonte Vinhais Cuba Góis Pedrógão Grande Mora Santa Marta de Penaguião Constância Batalha Vila Nova de Foz Coa Proença-a-Nova São Brás de Alportel Vidigueira Sátão Vila Flor Aguiar da Beira Castro Verde Dimensão P P P P P P P P P P P P P P P P P P M P P P P P P P M P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P Passivo Exigível 2008 99.573 1.359.544 1.353.629 1.888.311 1.085.466 771.201 2.231.292 2.113.072 1.449.161 1.579.806 2.520.427 824.660 2.133.254 2.713.207 1.109.498 3.132.551 1.416.135 3.250.418 4.015.476 2.039.735 1.905.901 2.602.635 2.941.231 2.769.895 2.598.435 2.084.637 4.991.560 4.573.046 3.658.243 4.717.063 1.403.755 4.517.825 3.400.288 2.709.857 2.999.602 4.172.353 4.290.538 4.757.659 5.485.492 3.249.714 4.435.865 2.154.100 3.709.835 2.863.505 3.345.076 4.606.337 6.155.493 5.272.423 4.946.049 5.478.897

2006 79.950 1.097.857 2.317.060 2.833.471 2.135.671 381.111 2.175.202 2.470.115 1.711.608 1.428.324 1.933.293 901.981 1.397.525 3.212.403 1.410.601 2.153.712 1.431.411 3.131.350 4.518.853 1.807.723 2.403.422 3.316.016 5.582.262 2.441.367 2.507.923 2.574.833 6.184.581 4.220.885 2.595.353 5.468.179 2.143.055 5.737.605 3.288.739 3.979.661 3.411.435 3.827.701 4.588.305 3.630.553 6.229.571 2.515.266 4.276.551 2.101.446 2.920.795 2.254.156 2.815.672 3.339.553 7.241.127 4.747.985 5.435.915 6.214.556

2007 76.029 1.151.687 1.472.867 2.445.600 1.310.182 1.048.149 2.403.773 2.277.578 1.661.088 1.415.614 1.852.493 887.246 1.829.118 2.819.681 1.305.780 2.078.018 1.474.242 2.462.718 4.112.631 1.696.004 2.263.266 2.570.832 4.185.730 3.070.987 2.045.095 2.172.896 5.370.057 4.252.775 2.957.176 4.883.973 1.657.536 5.004.578 3.226.258 2.574.020 3.198.267 3.614.567 4.723.168 4.207.858 6.198.989 2.382.504 4.315.699 1.736.525 3.724.389 2.341.805 2.916.310 4.052.985 6.321.429 5.295.938 5.211.505 5.271.894

2009 161.925 1.722.737 1.322.124 1.745.760 875.263 592.994 1.892.422 1.796.933 1.520.439 1.672.848 2.074.735 1.905.336 1.998.072 2.402.689 1.683.901 2.981.374 1.731.678 3.025.889 4.325.114 1.828.897 2.928.466 3.212.922 3.792.778 3.639.618 2.479.179 2.607.861 4.279.126 4.041.824 4.394.908 4.372.133 2.943.396 4.481.001 4.252.291 3.688.137 3.603.216 3.867.773 4.782.759 4.593.793 5.565.999 4.937.596 4.364.654 2.300.566 5.403.905 4.451.535 4.136.913 5.054.500 5.079.387 5.459.927 5.439.434 4.750.191

2010 187.023 962.143 1.152.024 1.350.556 1.374.950 1.472.060 1.533.006 1.548.333 1.722.404 1.798.731 1.872.594 2.109.927 2.170.429 2.283.967 2.491.967 2.713.071 2.813.068 2.826.793 2.856.417 2.892.247 3.032.628 3.114.418 3.318.016 3.324.521 3.335.775 3.447.171 3.494.583 3.533.706 3.600.703 3.735.801 3.763.875 3.793.751 3.902.500 3.983.390 4.064.260 4.160.483 4.211.484 4.365.775 4.375.057 4.430.358 4.471.775 4.619.898 4.674.261 4.720.019 4.744.995 4.780.206 4.894.075 4.991.064 5.022.740 5.042.586

Unidade: euros 109

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R17 | Municípios com maior Passivo Exigível (Dívidas), reportado a 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Lisboa Vila Nova de Gaia Aveiro Portimão Porto Sintra Gondomar Funchal Loulé Cascais Covilhã Braga Loures Santarém Fundão Guimarães Maia Leiria Matosinhos Setúbal Santa Maria da Feira Coimbra Vila do Conde Faro Valongo Seixal Évora Oeiras Paços de Ferreira Odivelas Figueira da Foz Guarda Vila Real de Santo António Seia Albufeira Dimensão G G M M G G G M M G M G G M M G G G G G G G M M M G M G M G M M P M M Passivo Exigível 2006 980.959.458 229.218.279 118.224.624 26.296.031 197.291.248 93.967.246 115.290.367 82.972.410 41.035.022 35.061.111 78.279.125 91.682.110 93.413.683 53.070.408 60.914.204 83.068.317 116.606.546 88.361.267 58.642.523 86.396.195 54.248.999 70.939.961 78.185.259 52.665.956 49.687.235 54.191.898 43.472.281 78.953.412 20.501.403 65.822.458 62.119.286 46.878.859 9.701.759 46.975.007 22.258.224 2007 965.453.601 268.040.500 121.835.696 30.503.316 177.265.109 89.679.427 109.395.069 81.302.650 37.286.760 37.773.210 86.938.744 90.630.116 75.907.375 60.313.680 66.026.861 78.484.817 105.469.708 81.141.552 55.816.382 83.077.853 58.201.466 64.812.923 74.237.105 53.746.000 46.677.522 50.910.309 45.391.152 65.503.008 33.615.121 62.966.095 58.580.525 47.493.066 10.517.569 48.004.101 22.933.983 2008 1.116.070.632 277.274.417 136.159.806 58.007.031 150.153.325 90.919.951 117.454.159 92.779.795 33.923.995 37.406.819 87.924.483 89.535.145 79.594.322 60.946.606 77.055.694 76.040.223 92.995.969 81.771.098 57.338.196 75.726.187 65.558.327 66.096.489 69.661.507 62.048.361 51.520.183 60.057.433 49.463.757 71.474.019 35.971.885 59.999.901 57.192.505 52.418.492 21.522.426 48.831.773 22.210.617 2009 1.168.589.855 285.956.034 154.707.774 92.204.774 132.949.369 96.459.076 127.614.102 106.248.703 63.838.838 63.725.956 95.057.913 95.911.245 85.434.601 79.438.733 79.632.196 76.393.879 90.333.121 86.093.864 72.725.519 76.586.191 72.166.163 70.282.270 69.102.421 67.577.117 68.115.787 72.113.574 69.550.206 71.475.379 44.495.961 65.387.699 62.335.255 54.286.619 48.142.261 54.278.966 38.326.669 2010 1.097.063.256 263.038.636 161.908.874 147.925.098 141.323.003 133.888.392 130.153.798 105.082.515 95.569.939 92.799.765 88.872.032 88.686.683 85.332.191 84.370.064 83.423.413 82.400.400 81.638.784 81.523.544 80.155.008 80.012.355 76.874.043 74.015.472 72.651.186 71.725.954 70.462.495 68.399.465 68.329.197 65.929.441 64.653.422 63.424.614 62.056.421 61.608.241 60.942.897 57.742.457 56.185.102

110

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Passivo Exigível 2006 57.137.844 11.918.487 32.374.759 13.206.251 56.217.276 45.690.385 35.384.653 45.883.946 32.372.548 46.324.799 47.030.223 9.577.404 36.916.305 21.726.093 10.559.247 2007 56.677.438 14.958.277 40.847.976 14.408.230 55.185.169 45.434.931 34.955.848 48.222.374 28.167.758 45.329.807 42.893.470 16.133.799 36.604.173 27.927.111 13.829.862 2008 57.846.396 18.988.941 45.582.199 16.128.530 52.335.301 42.511.887 34.140.648 48.673.328 26.091.087 44.437.437 41.496.230 29.007.157 38.816.231 30.849.186 18.497.867 2009 58.989.890 34.754.561 51.649.866 42.693.374 51.734.951 46.275.186 41.042.953 48.929.632 32.884.570 43.217.692 36.464.408 39.735.630 40.721.905 37.866.244 29.044.535 2010 55.279.245 53.021.096 52.905.610 49.665.583 49.481.046 45.379.393 45.263.290 43.066.988 43.045.214 42.515.511 42.412.673 42.117.217 41.977.606 41.745.721 39.590.746 4.887.635.095 8.275.684.264

Município 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Amadora Paredes Portalegre Lagos Oliveira de Azeméis Vila Nova de Famalicão Chaves Barcelos Santa Cruz Marco de Canaveses Almada Trofa Espinho Cartaxo Torres Vedras

Dimensão G M M M M G M G M M G M M M M

Total do endividamento dos 50 municípios mais endividados Total do endividamento de todos os municípios Unidade: euros

Dívida por habitante: O ranking R19 apresenta a lista dos 50 municípios que tiveram maior diminuição absoluta do Passivo exigível de 2009 para 2010. Em 2010 o município que registou maior diminuição real da dívida foi Lisboa ao abater à mesma 71.526.599 € (-6,12%). Vila Nova de Gaia é o segundo município que maior redução da dívida apresentou ao conseguir baixar o valor em 22.917.398 € (-8,0%). O município da Maia apresenta também uma redução significativa da sua dívida bruta ao fazê-la baixar -8.694.337 (-9,6%) Em termos percentuais, foi o Município de Elvas, o que maior esforço de redução da dívida apresentou com uma taxa de decréscimo na ordem dos -34%. Contudo, numa escala hierarquizada pelos valores absolutos de redução, posicionou-se no 44.º município que maior redução da dívida apresentou, ao abater 1.468.697 € da mesma. Ainda

em termos percentuais, aparecem com reduções relevantes para as respetivas estruturas do passivo, os municípios de Fafe e de Porto Moniz, ao reduzirem a sua dívida respetivamente em -32,6% (-4.952.352 €) e -29,4% (-2.758.448€). As listagens que se seguem hierarquizam, cada uma delas, 50 municípios, tomando como medida de comparação a dívida per capita, obtida pelo quociente do passivo exigível de cada município, pelo número de habitantes do mesmo. Os rankings 20 e 21 listam os municípios com menor e maior passivo exigível, por habitante. Se confrontarmos os rankings 20 e 21, concluímos que no universo dos municípios portugueses, a amplitude da dívida125 municipal per capita, no final de 2010, variou entre um mínimo de 81,1 € (Penedono) e um máximo de 13.847,2 € (Fornos de Algodres).
125. Dívida bruta, sem dedução do ativo circulante.

111

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R18 | Municípios com maior aumento do Passivo Exigível, em 2010, em relação a 2009
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Portimão Sintra Loulé Cascais Paços de Ferreira Paredes Albufeira Mafra V. R. de Santo António Torres Vedras Santa Cruz Lamego Palmela Porto Matosinhos Guarda Aveiro Lagos Guimarães Almada Montemor-o-Velho Lourinhã Lousada Nazaré Viana do Castelo Nordeste Santarém Tabuaço Santa Maria da Feira Peso da Régua Chaves Faro Cartaxo F. de Castelo Rodrigo Fundão Vila Real Coimbra Tomar Vila do Conde Tarouca Seia Estremoz Setúbal Miranda do Douro Vizela Vila Franca do Campo Velas Nelas Caminha Alfândega da Fé Dimensão M G M G M M M M P M M M M G G M M M G G M M M P M P M P G P M M M P M M G M M P M P G P M P P P P P Variação em valor 55.720.324 37.429.315 31.731.101 29.073.809 20.157.462 18.266.535 17.858.433 13.256.676 12.800.636 10.546.211 10.160.644 9.219.795 8.867.748 8.373.634 7.429.489 7.321.621 7.201.099 6.972.209 6.006.521 5.948.265 5.780.510 5.663.286 5.359.813 5.230.170 5.151.973 5.128.175 4.931.331 4.776.428 4.707.880 4.424.908 4.220.337 4.148.837 3.879.477 3.812.217 3.791.217 3.748.104 3.733.202 3.614.777 3.548.765 3.541.974 3.463.491 3.442.867 3.426.164 3.394.837 3.386.812 3.333.410 3.256.966 3.236.987 3.133.124 2.762.459 Variação em % 60,4% 38,8% 49,7% 45,6% 45,3% 52,6% 46,6% 73,3% 26,6% 36,3% 30,9% 33,9% 44,3% 6,3% 10,2% 13,5% 4,7% 16,3% 7,9% 16,3% 20,2% 22,4% 30,3% 21,8% 16,5% 50,8% 6,2% 41,2% 6,5% 31,9% 10,3% 6,1% 10,2% 68,4% 4,8% 13,7% 5,3% 12,4% 5,1% 25,7% 6,4% 37,3% 4,5% 35,5% 31,7% 13,7% 43,4% 29,9% 23,3% 16,8%

R19 | Municípios com maior diminuição do Passivo Exigível em 2010, em relação a 2009
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Lisboa Vila Nova de Gaia Maia Braga Covilhã V. da Praia da Vitória Barcelos Oeiras Fafe Olhão Leiria Ribeira Grande Tondela Sines Estarreja Seixal Amadora Odemira Castelo Branco Caldas da Rainha Porto Moniz Bragança Tavira Póvoa de Varzim Rio Maior Povoação Santo Tirso Abrantes Oliveira de Azeméis Câmara de Lobos Amarante Lagoa (R.A.A) Monchique Odivelas Pinhel Montalegre Vale de Cambra São João da Madeira Ponta Delgada Condeixa-a-Nova Mogadouro Castro Daire Gouveia Elvas Alcanena Moita Penafiel Albergaria-a-Velha Porto de Mós Anadia Dimensão G G G G M M G G M M G M M P M G G M M M P M M M M P M M M M M P P G P P M M M P P P P M P M M M M M Variação em valor -71.526.599 -22.917.398 -8.694.337 -7.224.561 -6.185.881 -5.972.077 -5.862.644 -5.545.938 -4.952.352 -4.865.449 -4.570.320 -4.526.164 -4.521.215 -4.369.098 -4.297.707 -3.714.109 -3.710.645 -3.384.644 -3.349.771 -3.085.439 -2.758.448 -2.703.299 -2.701.750 -2.610.600 -2.365.936 -2.357.910 -2.352.452 -2.279.516 -2.253.906 -2.178.605 -2.139.921 -2.065.570 -1.966.705 -1.963.085 -1.871.390 -1.765.073 -1.684.547 -1.640.589 -1.631.822 -1.591.896 -1.588.474 -1.524.744 -1.491.756 -1.468.697 -1.437.138 -1.381.314 -1.372.702 -1.365.907 -1.344.566 -1.312.247 Variação em % -6,1% -8,0% -9,6% -7,5% -6,5% -24,4% -12,0% -7,8% -32,6% -12,1% -5,3% -17,2% -25,7% -15,6% -18,7% -5,2% -6,3% -17,5% -17,7% -20,1% -29,4% -15,1% -9,2% -6,5% -9,1% -6,3% -6,5% -10,8% -4,4% -9,2% -14,6% -13,7% -14,5% -3,0% -15,3% -13,7% -6,9% -9,2% -4,7% -17,2% -16,3% -15,6% -8,5% -34,0% -7,3% -4,4% -3,5% -16,3% -16,3% -14,0%

Unidade: euros 112

Unidade: euros

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R20 | Municípios com menor Passivo exigível, por habitante, reportado a 2010 (menor volume de dívida por habitante)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Penedono Cinfães Ponte de Lima Redondo Penacova Batalha Viana do Alentejo Benavente Pombal Ponte de Sor Elvas Campo Maior Oliveira do Hospital Sintra Mealhada Amarante Mafra Ovar Águeda Caldas da Rainha Almada Palmela Vila Franca de Xira Arouca Murtosa Marinha Grande Cascais Salvaterra de Magos Vila do Porto Baião Santa Cruz da Graciosa São Brás de Alportel Alcácer do Sal Fafe Serpa Porto de Mós Torres Vedras Paredes Anadia Viana do Castelo Albergaria-a-Velha Vila Nova de Famalicão Lousada Amadora Esposende Felgueiras Almeirim Seixal Vinhais Vizela Dimensão P P M P P P P M M P M P M G M M M M M M G M G M P M G M P M P P P M P M M M M M M G M G M M M G P M Dívida por habitante 2006 23,9 52,8 93,6 55,8 126,8 133,1 375,4 250,4 247,8 180,6 201,0 171,6 105,2 219,3 282,2 233,5 196,8 307,4 302,2 136,9 283,3 152,3 191,1 189,4 255,8 314,6 189,2 165,4 308,5 204,6 291,6 237,1 187,4 329,3 159,9 176,5 137,7 137,7 253,6 260,3 314,1 341,8 277,4 327,4 351,4 280,1 334,2 317,6 350,7 221,4 2007 22,9 56,2 98,1 155,4 98,1 109,1 229,6 159,1 173,4 143,2 184,6 177,8 107,7 205,0 243,0 212,1 216,3 240,3 262,2 190,0 258,2 124,7 229,5 219,1 207,6 278,1 202,1 133,8 298,5 176,0 267,6 238,4 164,6 272,2 153,4 164,7 179,1 172,3 248,6 208,8 354,8 338,2 330,0 326,8 306,5 344,5 327,9 293,6 334,1 205,8 2008 30,3 67,3 100,4 115,5 83,3 134,7 190,4 171,1 164,8 190,3 181,5 170,7 158,3 203,9 224,7 184,1 219,8 213,5 210,6 174,9 249,8 169,1 246,4 261,7 263,9 254,4 198,7 215,4 260,0 216,4 226,0 266,1 170,0 296,9 176,2 265,0 238,5 217,9 319,6 298,4 336,1 315,0 319,9 336,1 330,2 322,1 360,1 341,6 319,5 311,8 2009 49,6 86,6 107,2 89,8 175,0 143,3 153,7 185,1 182,8 178,9 196,8 208,8 228,6 212,4 191,8 237,2 247,4 241,7 248,2 290,1 219,7 313,4 248,7 247,7 250,9 262,8 336,1 320,3 273,0 333,9 341,0 320,6 402,9 283,1 398,6 327,1 372,4 397,6 298,9 341,7 316,5 341,4 367,8 345,3 378,3 399,9 370,6 404,4 390,3 432,7 2010 81,1 157,5 208,6 209,0 259,4 276,3 344,8 346,0 347,5 374,6 381,7 381,7 390,6 405,6 413,9 421,4 447,0 453,1 459,6 462,7 470,3 471,7 485,3 513,7 513,8 515,8 530,5 532,6 534,4 561,1 564,3 565,8 581,2 581,3 585,7 590,5 607,5 613,3 622,9 640,8 647,3 653,0 682,8 689,4 705,2 723,1 729,1 731,3 732,1 737,0

Unidade: euros

113

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R21 | Municípios com maior Passivo exigível, por habitante, reportado a 2010 (maior volume de dívida por habitante)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Fornos de Algodres Castanheira de Pera Corvo Freixo de Espada à Cinta Povoação Alfândega da Fé Calheta (R. A. A.) Ourique Mourão Porto Moniz Fundão Barrancos Celorico da Beira Lisboa Monchique Alandroal Penamacor Mesão Frio Sardoal Vila Franca do Campo Portalegre Mondim de Basto Vila Nova de Poiares Aveiro Torre de Moncorvo Seia Melgaço Borba Murça Vila Real de Santo António Nordeste Tabuaço Sines Monforte Covilhã Armamar Crato Vila de Rei Nisa Ribeira de Pena Lajes do Pico Manteigas Carrazeda de Ansiães Tarouca Castro Marim Fronteira Alijó Portimão Mértola Arraiolos Dimensão P P P P P P P P P P M P P G P P P P P P M P P M P M P P P P P P P P M P P P P P P P P P P P P M P P Dívida por habitante 2007 2008 6.090,7 6.654,2 3.454,9 3.973,6 5.018,3 4.572,3 3.192,5 3.615,5 1.773,5 2.132,6 2.260,7 2.954,4 2.466,3 2.800,8 2.675,6 2.600,2 2.376,2 2.616,0 1.685,3 1.823,5 2.125,6 2.496,4 1.709,4 2.155,7 2.169,2 2.354,2 1.932,1 2.279,7 2.416,6 2.363,7 1.895,2 2.016,0 1.940,8 2.176,8 1.910,7 1.999,2 2.057,0 2.111,0 2.042,6 2.051,2 1.700,0 1.920,8 1.379,5 1.721,5 1.606,2 1.833,2 1.661,1 1.862,7 1.730,8 1.876,4 1.772,5 1.819,1 1.716,4 1.797,8 1.470,3 1.854,8 1.689,5 1.759,4 570,2 1.160,9 1.775,1 1.838,3 1.566,1 1.734,8 1.706,5 1.652,9 1.948,2 1.677,1 1.654,3 1.687,6 1.735,6 1.755,0 1.788,7 1.699,4 1.392,0 1.388,8 1.012,3 1.416,6 1.401,7 1.534,8 1.412,8 1.470,9 1.404,6 1.453,0 1.468,5 1.620,4 1.269,3 1.363,2 1.341,2 1.272,2 1.549,4 1.429,7 1.074,2 1.203,2 618,4 1.162,9 1.213,3 1.442,0 1.181,3 1.435,7

2006 0,0 3.237,1 4.647,9 2.394,9 1.575,6 2.284,6 2.572,0 2.800,0 2.477,1 2.378,4 1.953,9 1.468,8 2.183,8 1.924,4 2.490,4 1.766,8 1.937,8 1.924,2 2.103,3 1.710,1 1.329,7 1.349,6 717,2 1.607,2 1.722,6 1.721,6 1.847,1 992,6 1.667,8 529,0 1.701,7 1.077,4 1.690,6 2.036,7 1.478,5 1.711,6 1.452,3 1.299,3 857,1 1.445,7 1.297,3 1.226,7 1.474,6 1.200,0 1.356,1 1.746,1 857,8 540,9 1.219,1 748,3

2009 6.861,7 3.974,1 3.784,8 4.243,8 5.496,6 3.097,8 2.875,8 2.836,5 2.946,4 3.583,4 2.593,8 2.631,7 2.476,8 2.435,2 2.285,6 2.644,1 2.229,2 2.340,4 2.244,7 2.171,5 2.202,7 2.345,5 2.243,7 2.121,6 2.024,9 2.038,0 2.004,8 1.964,5 2.013,8 2.590,1 1.893,5 1.890,1 2.047,4 1.876,5 1.841,0 1.689,3 1.654,1 1.947,0 1.895,2 1.765,2 1.771,2 1.645,2 1.433,3 1.658,5 1.716,4 1.451,1 1.725,8 1.827,5 1.364,5 1.416,3

2010 13.847,2 8.222,3 8.133,6 8.018,6 7.625,8 6.207,8 5.749,6 5.582,5 5.556,2 5.537,2 5.143,7 4.928,5 4.900,5 4.866,1 4.785,5 4.738,9 4.570,2 4.474,8 4.448,3 4.218,0 4.204,1 4.112,4 4.034,8 4.006,4 3.997,3 3.900,8 3.873,0 3.864,7 3.858,2 3.735,4 3.728,8 3.700,1 3.698,0 3.619,1 3.577,7 3.507,2 3.458,7 3.413,0 3.399,2 3.361,3 3.266,8 3.189,4 3.152,8 3.036,6 3.000,0 2.999,6 2.978,6 2.946,0 2.899,2 2.890,6

Unidade: euros 114

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Passivo Líquido (ou dívida líquida): Os rankings anteriores mostram a posição dos municípios, de acordo com o valor por habitante, da dívida bruta municipal126. Pese embora, se fale na distribuição da dívida bruta, por habitante, quando se fala na dívida per capita, faz sentido saber como se comportam os municípios para o rácio homólogo relativo à dívida líquida, calculada pela seguinte fórmula: Dívida a pagar (curto, médio e longo prazo) – existências – dívidas a receber de curto prazo - disponibilidades. E é essa informação que nos fornecem os dois Rankings subsequentes R22 e R23. No ranking R22 constam os 4 municípios cuja dívida líquida é inferior a zero, e que por isso, a dívida líquida, per
126. Sem que à mesma se tenha deduzido o ativo disponível para a liquidar (Disponibilidades e os créditos existentes a curto prazo e existências).

capita, é negativa, isto é, não existe. Estão nesta situação os seguintes municípios: Ponta Delgada, Ponte de Lima, São João da Madeira e Anadia, todos de média dimensão. Também constam desta lista dos 50 municípios com menor dívida líquida per capita, seis municípios de grande dimensão: Almada; Vila Franca de Xira; Seixal; Amadora; Sintra; Vila Nova de Famalicão. Destes 6 apenas Almada consta, igualmente, do Ranking (R31) dos 35 municípios com menor índice de endividamento liquido em relação às receitas do ano n-1 No ranking R23 de Municípios com maior Passivo Líquido exigível, por habitante, em 2010, o único município de grande dimensão constante do mesmo é Lisboa, que apresentou uma dívida líquida, por habitante, de 1.720,7 €. Recomenda-se que se comparem estes rankings com R28 e R29 (páginas 132 e 133) sobre a liquidez em que se incluem apenas os passivos de curto prazo.
115

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R22 | Municípios com menor Passivo líquido exigível, por habitante, reportado a 2010 (menor volume de dívida líquida, por habitante)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Ponta Delgada Ponte de Lima São João da Madeira Anadia Cinfães Redondo Penedono Covilhã Ovar Elvas Ponte de Sor Mealhada Salvaterra de Magos Benavente Almada Viana do Alentejo Fafe São Roque do Pico Amarante Mafra Pombal Cartaxo Penacova Marinha Grande Vila Franca de Xira Alcácer do Sal Caldas da Rainha Seixal Arouca Amadora Águeda Calheta (R. A. M.) Campo Maior Sintra Albergaria-a-Velha Viseu Batalha Ribeira Brava Castelo Branco Lousada Porto de Mós Sesimbra Penalva do Castelo Vila do Porto Vila Nova de Famalicão Moita Barreiro Vinhais Oliveira do Hospital Murtosa Dimensão M M M M P P P M M M P M M M G P M P M M M M P M G P M G M G M P P G M M P P M M M M P P G M M P M P Dívida líquida por habitante 2006 369,2 -380,8 64,6 229,9 -78,6 -610,4 -438,6 1.310,5 206,2 -319,3 -336,6 108,9 135,3 203,3 -89,8 -85,4 260,7 575,3 164,1 -16,0 208,3 807,2 67,0 109,7 162,6 22,2 71,8 191,5 127,0 1,8 263,1 792,1 -132,0 179,6 156,5 131,0 84,3 26,4 -30,4 141,9 99,0 358,3 420,9 278,1 269,2 438,8 359,0 142,3 91,6 201,0 2007 390,5 -405,5 317,8 115,6 -98,8 -900,8 -706,9 1.471,1 102,4 -632,5 -557,5 -48,7 44,6 12,3 -136,0 -235,5 215,0 443,4 144,0 1,9 121,4 153,5 -34,7 61,0 107,0 -20,4 124,4 153,3 163,3 -36,0 197,2 725,3 -144,6 154,9 241,2 69,9 64,4 -214,4 -175,6 248,2 69,5 282,7 441,7 237,0 258,7 423,2 366,5 -26,8 73,4 153,1 2008 486,0 -574,9 209,2 132,6 -95,4 -847,9 -785,5 1.218,3 84,2 -568,2 -478,7 77,8 151,4 20,3 -90,4 -374,0 229,1 326,4 140,7 90,5 98,9 -533,5 -60,2 97,5 103,3 29,8 108,5 182,9 212,9 -55,2 124,1 812,7 -74,6 165,5 287,9 7,6 92,1 178,6 -3,8 251,7 173,3 362,4 494,0 162,0 256,8 413,7 377,0 25,0 134,8 190,0 2009 462,1 -184,9 186,4 96,2 56,1 -698,6 -915,5 1.490,7 77,4 -371,9 -501,6 110,1 274,3 93,8 74,5 -179,9 237,8 -384,3 195,5 104,5 101,4 -184,7 147,5 169,0 153,3 295,6 251,7 273,9 213,5 -29,0 142,7 948,9 73,9 178,8 273,5 107,5 67,3 437,3 -198,6 26,1 236,4 477,6 415,7 158,4 306,0 418,3 420,2 148,0 174,4 104,4 2010 -165,6 -144,0 -96,3 -35,9 19,7 39,5 41,7 55,3 60,4 75,7 78,0 82,7 150,2 156,0 157,4 165,5 168,1 169,3 180,3 181,1 185,3 187,5 187,6 199,2 203,1 204,8 209,0 211,6 214,0 226,3 236,2 243,3 244,5 244,7 247,0 248,0 251,7 258,9 259,5 263,8 271,0 278,9 284,9 297,2 300,5 309,0 309,8 310,9 317,2 317,9

Unidade: euros 116

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R23 | Municípios com maior Passivo líquido exigível, por habitante, reportado a 2010 (maior volume de dívida líquida por habitante)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 Fornos de Algodres Povoação Castanheira de Pera Freixo de Espada à Cinta Alfândega da Fé Mourão Corvo Alandroal Ourique Nordeste Tabuaço Calheta (R. A. A.) Celorico da Beira Portimão Mondim de Basto Vila Franca do Campo Mesão Frio Vila Real de Santo António Barrancos Vila Nova de Poiares Aveiro Seia Porto Moniz Sardoal Murça Fundão Monchique Torre de Moncorvo Lajes do Pico Crato Penamacor Borba Velas Tarouca Melgaço Vila do Bispo Lisboa Monforte Nazaré Alijó Santana Portalegre Sines Manteigas Miranda do Douro Vila de Rei Armamar Nisa Almeida Reguengos de Monsaraz Dimensão P P P P P P P P P P P P P M P P P P P P M M P P P M P P P P P P P P P P G P P P P M P P P P P P P P Dívida líquida por habitante 2006 0,0 1.531,7 3.158,0 1.487,6 2.198,7 2.439,4 3.719,9 1.664,1 2.744,9 1.589,3 1.034,4 2.532,8 2.115,9 400,1 1.238,8 1.568,4 1.785,6 186,2 1.339,4 428,8 1.522,6 1.626,8 1.712,1 2.037,1 1.636,4 1.602,6 2.229,7 1.287,5 1.227,9 708,0 1.787,9 892,5 1.221,7 1.024,9 1.643,3 -120,8 1.629,2 1.955,4 1.224,6 815,0 284,6 1.015,7 1.428,3 1.119,7 1.103,7 1.213,8 1.669,4 715,6 -108,6 1.266,4 2007 5.923,1 1.695,6 3.348,6 2.397,6 2.156,3 2.331,9 3.703,6 1.782,7 2.637,7 1.622,0 1.479,5 2.372,3 2.090,1 457,3 1.346,5 1.804,3 1.784,7 394,9 1.507,2 1.560,7 1.600,1 1.700,8 971,6 2.003,4 1.654,3 1.804,0 2.270,3 1.282,3 1.314,5 1.034,0 1.396,7 1.362,7 1.231,6 1.104,5 1.104,8 -461,3 1.702,0 1.861,2 981,9 1.018,7 562,4 1.145,9 1.412,1 1.276,0 1.180,4 1.255,6 1.637,4 866,5 282,7 1.260,2 2008 6.517,5 2.078,0 3.815,6 2.690,4 2.851,1 2.439,9 3.866,3 1.861,4 2.575,7 1.729,1 1.675,2 2.737,2 2.250,3 1.056,5 1.690,6 1.845,0 1.928,6 -452,0 2.024,3 1.760,2 1.695,9 1.773,1 1.003,9 2.058,8 1.716,5 2.026,7 2.230,2 1.508,3 1.312,9 1.091,5 1.590,1 1.757,4 1.065,2 1.124,0 1.348,8 -355,6 1.747,9 1.497,5 904,3 1.149,5 533,7 1.140,0 1.321,8 1.290,4 1.105,0 1.314,2 1.577,8 1.092,7 809,7 1.198,1 2009 6.694,9 5.447,5 3.860,8 3.183,3 2.982,1 2.814,7 3.036,3 2.491,2 2.779,7 1.799,9 1.807,7 2.715,9 2.400,2 1.770,3 2.322,9 1.991,9 2.256,3 1.064,1 2.516,9 2.136,5 1.863,2 2.007,9 2.739,9 2.152,8 1.924,9 2.085,8 2.173,5 1.584,1 1.694,2 1.283,3 1.814,0 1.801,8 1.209,1 1.475,0 1.804,6 928,9 1.746,6 1.805,9 1.296,7 1.372,2 1.631,3 1.346,3 1.739,1 1.494,7 1.188,4 1.707,7 1.557,3 1.468,4 876,4 1.339,8 2010 6.741,9 5.141,3 3.825,4 3.434,1 3.298,2 3.114,6 2.989,8 2.977,1 2.681,1 2.658,6 2.626,7 2.587,4 2.510,6 2.473,2 2.468,8 2.315,0 2.291,0 2.229,2 2.185,7 2.184,3 2.111,2 2.094,1 2.076,8 2.034,7 2.022,2 1.994,9 1.951,8 1.920,7 1.912,3 1.887,6 1.877,5 1.817,1 1.814,3 1.810,0 1.802,6 1.795,2 1.720,7 1.682,8 1.663,9 1.650,7 1.638,0 1.590,1 1.543,2 1.530,6 1.522,8 1.516,9 1.502,3 1.474,9 1.408,3 1.398,4

Unidade: euros 117

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

3.2.4. Proveitos, custos e resultados127
Nos Quadros 3.14 e 3.15 são apresentadas a evolução dos custos e a evolução dos proveitos considerando os valores totais dos 308 municípios. Do quadro e gráficos anteriores pode-se concluir: Entre 2006 e 2010, os custos totais considerando o universo dos 308 municípios, cresceram 1 385,1 milhões de euros (+ 23,7%), totalizando, em 2010, 7.223,2 milhões de euros, -103,1milhões que em 2009. A taxa média anual de crescimento até 2009 foi de 7,9% tendo apresentado uma variação negativa de -1,4% em 2010. Das componentes dos custos destacam-se os custos com pessoal, por serem os de maior volume, representando na estrutura dos custos autárquicos, ao longo do quinquénio, um peso médio, de 32,8% e os fornecimentos e serviços externos, com um volume de gastos logo, imediatamente, a
127. Os resultados económicos de um município representam a diferença entre os Proveitos e os Custos e são apresentados de uma forma resumida na “Demonstração de Resultados por Natureza”. A “Demonstração de Resultados por Funções” não é obrigatória no sistema de contabilidade autárquica preconizado pelo POCAL. O modelo da Demonstração de Resultados por Natureza é muito similar ao utilizado na contabilidade empresarial (modelo POC), dividindo os custos, os proveitos e os resultados em «operacionais», «financeiros», «correntes» e «extraordinários», admitindo assim o balanceamento entre custos e proveitos do exercício para as várias categorias.

seguir e representando, em média, 25,8% dos gastos totais. No quinquénio 2006/2010, pese embora as restrições colocadas ao aumento de despesa com pessoal, certo é que os custos com pessoal foram os que apresentaram maior volume de crescimento no global dos custos autárquicos, ao aumentarem 447,4 milhões de euros (+22,4%). A maior parte deste aumento ocorreu no ano 2009, com um acréscimo de custos de 262,8 milhões de euros (+12,2%). O ano de 2010 foi o de menor crescimento destes custos ao aumentarem apenas 1% (+24,8M€) Os custos com os fornecimentos e serviços externos cresceram, entre 2006 e 2010, 21,9% apresentando um acréscimo de gastos de +329,9 milhões de euros. Em 2010, estes custos baixaram 62,3milhoes de euros (-3,3%) As transferências e subsídios concedidos foram outra componente de custos que cresceu, entre 2006 e 2009, a uma taxa superior à taxa média de crescimento dos custos autárquicos, aumentando nesse período + 172,2 milhões de euros (+31,3%). Porém em 2010, baixam 32,3 milhões de euros (4,5%), totalizando 690,1 milhões de euros e representando 9,6% do total dos custos autárquicos.

118

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.14 | Evolução dos Custos, no período entre 2006 | 2010
Custos Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas Fornecimentos e serviços externos Custos com Pessoal Transferências e Subsídios Concedidos Amortizações Provisões Outros Custos Operacionais Custos Financeiros Custos Extraordinários Total de custos Unidade: milhão de euros 2006 119,7 1.506,4 1.996,2 550,2 910,5 57,1 23,1 158,8 516,1 5.838,1 2007 146,2 1.680,1 2.057,0 612,4 960,2 241,0 20,8 246,1 554,9 6.518,7 2008 176,4 1.796,2 2.156,0 653,3 1.034,3 116,9 24,8 284,6 658,8 6.901,3 2009 189,2 1.898,6 2.418,8 722,4 1.086,6 167,6 29,2 204,0 610,0 7.326,3 2010 179,2 1.836,3 2.443,6 690,1 1.155,9 148,3 28,8 143,0 597,9 7.223,2 Variação (%) 2009 - 2010 -5,3% -3,3% 1,0% -4,5% 6,4% -11,5% -1,3% -29,9% -2,0% -1,4% Variação (%) 2006 - 2010 49,7% 21,9% 22,4% 25,4% 27,0% 159,8% 24,7% -9,9% 15,9% 23,7%

Gráfico 3.05 | Evolução das componentes dos Custos
3.000 € 2.500 € 2.000 € Milhões 1.500 € 1.000 € 500 €

Gráfico 3.06 | Estrutura dos Custos em 2010

3%

2%

8%

CMVMC + custos operacionais Fornecimentos e serviços externos

10%
0€ 2006 2007 2008 2009 201 0

34%

Custos com Pessoal Transferências e Subsídios Concedidos Amortizações + Provisões

Custos com Pess oal Fornecimentos se rviços externos Amortizaçõe s + Provisões Transferências e Subsídios Concedidos Custos Extraordinários CMVMC + custos operacionais Custos Financeiros

18% 25%

Custos Financeiros Custos Extraordinários

119

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

O apuramento dos registos contabilísticos e o melhor controlo dos ativos municipais com a regularização cadastral dos imóveis municipais e respetiva avaliação, têm reforçado o valor das amortizações no balanço. Assim, as amortizações, neste quinquénio aumentaram 245,4 milhões de euros (+27%). Em 2010, 4 municípios (5 em 2009, 9 em 2008, 13 em 2007 e 16 em 2006) não apresentaram valores de amortizações. Consideramos, ainda, o facto de grande parte dos municípios não terem registado nem reconhecido contabilisticamente todo o inventário de Imobilizado, então, o peso das amortizações nos custos totais, de 16% em 2010, tenderá a aumentar. De igual modo, se o melhor controlo das dívidas de clientes e utentes permitiu um melhor conhecimento dos créditos sobre terceiros, também obrigou à constituição de provisões as quais também se apuraram com a necessidade de registo das obrigações que poderão decorrer de responsabilidades, nomeadamente as inerentes a processos judiciais. Tais situações justificarão um aumento real dos custos com provisões, entre 2006 e 2010, de + 91,2 milhões de euros correspondente a uma variação positiva de 159,7%. Contudo, este custo pouca relevância tem na estrutura dos custos
120

autárquicos, representando em média 2,1%. Os custos financeiros que entre 2006 e 2008 apresentaram um crescimento global de 125,8M€ (+79,2%). Em 2009 e 2010 apresentam taxas sucessivas de decréscimo no valor de -28,3% e – 29,9%, refletindo-se estas descidas num decréscimo, para todo o período de 2006/2010, de -9,9%, tendo estes custos, neste último ano do quinquénio, um valor inferior em 15,8M€ ao apresentado no inicio do mesmo. O montante de custos financeiros contabilizados no final de 2010 e no montante de 143 M€, representou o peso médio de 3,4% na estrutura de custos. De igual modo os custos extraordinários, que pesaram, em media, na estrutura 8,7%, apresentaram, no período em causa, um acréscimo global de 81,8M€ (+15,8 %), sendo que esta variação resultou de um aumento entre 2006 e 2008 e uma progressiva diminuição em 2009 e 2010, com descidas respetivamente de 48,8 milhões de euros (-7,4%) e de 12,1M€ (-2%). O Quadro 3.15 apresenta a evolução dos proveitos, no período entre 2006/2010.

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.15 | Evolução dos Proveitos, no período entre 2006 / 2010
Proveitos Vendas de Mercadorias Vendas de Produtos Variação da Produção Prestação de Serviços Outras Situações Impostos e Taxas Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos para a própria entidade Proveitos Suplementares Outros Proveitos Operacionais Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários Total de proveitos Unidade: milhões de euros 2006 62,9 125,0 -2,1 391,3 26,9 2.539,8 2.593,3 32,0 50,0 37,7 158,4 454,7 6.469,9 2007 57,4 143,0 -1,8 421,2 30,7 2.924,9 2.669,1 26,9 75,1 33,3 189,9 433,1 7.002,8 2008 50,5 153,0 0,9 455,0 34,9 2.737,0 2.749,2 36,9 63,6 52,0 206,4 665,2 7.204,6 2009 51,7 137,2 0,9 456,5 39,9 2.583,8 3.025,8 38,4 49,4 44,7 180,8 491,1 7.100,3 2010 55,7 131,4 3,5 456,3 40,6 2.662,8 3.045,0 31,6 61,4 54,7 177,0 605,1 7.325,1 Variação (%) 2009 - 2010 0,4% 0,1% 3,1% 0,6% -17,7% 24,3% 22,4% -2,1% 23,2% 3,2% Variação (%) 2006 - 2010 2,6% 18,8% 4,8% 17,4% -1,2% 22,7% 45,2% 11,7% 33,1% 13,2%

Gráfico 3.07 | Evolução das componentes dos Proveitos
3.500 € 3.000 € 2.500 € 2.000 € 1.500 € 1.000 € 500 €

Gráfico 3.08 | Estrutura dos Proveitos em 2010

Milhões

0% 2% 2% 3% 7% Vendas + variação da produção Prestação de Serviços + outras situações 8% Impostos e Taxas Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos para a própria entidade Proveitos suplementares + outros proveitos operacionais Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários

0€ 2006 Transferências e Subsídios Obtidos Impostos e Taxas Proveitos Extraordinários Prestação de Serviços + outras situações Vendas + variação da produção Proveitos Financeiros Proveitos supl. + outros proveitos operacionais Trabalhos para a própria entidade 2007 2008 2009 201 0

42%

36%

121

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

O total dos proveitos em 2010 foi de 7.325,1 milhões de euros, + 855,2 milhões de euros que os obtidos em 2006, verificando-se uma taxa de crescimento para o quinquénio de 13,2%. Contudo, o valor verificado em 2009 representou uma descida em relação a 2008 de -104,3 milhões de euros. Em 2010 os proveitos cresceram 3,2% (+224,8 milhões de euros) em relação a 2009 superando em 120,5milhões de euros a diminuição verificada em 2009. De acordo com a análise efetuada no ponto relativo às receitas municipais, seria de prever que os proveitos mais relevantes decorressem da entrada das receitas fiscais e das transferências do Estado provenientes do FEF. Efetivamente estas duas categorias de receita são a fonte das duas principais componentes dos proveitos: Impostos e Taxas e Transferências e Subsídios Obtidos, cujo peso médio, nos proveitos totais, para o quinquénio em apreço, foi respetivamente de, 38,4% e 40,1%. Isto é, juntas representaram, em média, 78,5% dos proveitos obtidos. Contudo, enquanto considerando o período 2006/2010, os impostos e taxas crescem apenas 4,8% (+ 123 milhões de euros), as transferências e subsídios obtidos cresceram 17,4% (+451,7 milhões de euros). Esta variação não foi homogénea ao longo do período. Em 2008 e 2009, os proveitos resultantes dos impostos e taxas baixaram sucessivamente 6,4% (-187,9 milhões de euros) e 5,6% (- 153,2 milhões de euros), após um acréscimo de 15,2% (+385,1 milhões de euros) em 2007. Em contrapartida os proveitos resultantes das transferências e subsídios obtidos, cresceram, em 2009, 10,1% (276,6 milhões de euros), em 2008, 3% (80,1 milhões de euros) e
122

em 2007 tinham aumentado 2,9% (75,8 milhões de euros). Com um peso médio de 7,5% nos proveitos totais surgem com algum significado os Proveitos Extraordinários. Ao longo do período estes proveitos apresentaram oscilações na sua variação. Em 2007 e 2009 estes proveitos diminuíram respetivamente -21,6 e -174,1 milhões de euros, e em 2008 e 2010 cresceram sucessivamente 232,1 milhões de euros e 114 milhões de euros. Destas variações resultou um acréscimo de 150,4 milhões de euros (33,1%), no quinquénio em apreço. Não se dispõe de informação que possa identificar a origem essencial destes proveitos, contudo verificou-se que, em 2010, os mesmos provieram, essencialmente, de Lisboa com 132,5 milhões de euros, Matosinhos com 24,8 milhões de euros, Cascais com 24,2 milhões de euros, V. N. de Gaia com 20,5 milhões de euros e Porto com 17,45 milhões de euros. Outro proveito de referir será o resultante da prestação de serviços, cujo peso médio, no quinquénio foi de 6,2%. Em 2010 os proveitos registados foram no montante de 456,3 milhões de euros, e pela primeira vez resultaram de uma diminuição de proveitos em relação ao ano transato (0,2%)128. Contudo, entre 2006 e 2010 estes proveitos cresceram 65 milhões de euros (+ 16,6%). No Quadro 3.16 é apresentada informação sobre custos, proveitos e resultados dos municípios de acordo com a sua dimensão e para os exercícios de 2009 e 2010.
128. Será provável o efeito da crise económica sentida no país

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.16 | Informação de custos, proveitos e resultados por dimensão dos municípios
Grandes 2009 Nº de municípios População Custos com Pessoal/ /custos totais Resultados económicos Resultados económicos/ Proveitos Resultados económicos por habitante Nº de municípios com resultados negativos 23 4.454.756 34,1% 55 milhões € 2,1% 12,5 € 7 2010 23 4.457.694 35,4% 292 milhões € 10,5% 65,5 € 3 2009 104 4.516.484 31,8% (191) milhões € -6,9% -42,3 € 51 Médios 2010 106 4.563.662 32,4% (138) milhões € -4,9% -30,3 € 49 Pequenos 2009 181 1.666.473 33,4% (91) milhões € -5,3% -54,3 € 101 2010 179 1.615.623 34,0% (51) milhões € -3,0% -32,1 € 88 2009 308 10.637.713 33,0% (226) milhões € -3,2% -21,3 € 159 TOTAL 2010 308 10.636.979 33,8% 102 milhões € 1,4% 9,6 € 140

Da análise do quadro 3.16 e gráfico 3.09 salienta-se o facto de, no ano de 2010, de uma maneira geral terem melhorado os resultados económicos em todos os grupos de municípios. Para a globalidade do grupo dos municípios de pequena dimensão, apesar dos resultados económicos se manterem negativos (- 51 milhões de euros) representam um acréscimo de 40 milhões de euros em relação a 2009. É o grupo de municípios de média dimensão que apresenta o maior volume negativo de resultados económicos, – 138 milhões de euros, pese embora este número traduza uma melhoria de resultados. Relativamente ao grupo de municípios de grande dimensão, verifica-se uma subida significativa do valor dos resultados do exercício ao aumentarem, na globalidade, 237 milhões de euros. Em relação ao rácio Custos com Pessoal/Custos totais verifica-se que o mesmo cresceu, na globalidade, 0,8pp, traduzindo um aumento relativo dos custos com pessoal, sendo que em todos os conjuntos de municípios se verificou esta tendência. Nos agrupamentos de grande dimensão este rácio aumentou 1,3pp, nos de média dimensão 0,6pp e nos de pequena dimensão, também, 0,6pp.

Gráfico 3.09 | Evolução dos Resultados Económicos

700 € 600 € 500 € 400 € Milhões 300 € 200 € 100 € 0€ -100 € -200 € -300 € Resultados Económicos 2006 2007 2008 2009 2010

123

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

O Quadro 3.17 apresenta a evolução dos Resultados Económicos para 2006/2010. Antes da sua interpretação, não se pode deixar de anotar que enquanto não forem utilizados idênticos critérios de valorimetria entre os municípios, enquanto não for reconhecido no ativo todo o imobilizado e nas demonstrações de resultados as respetivas amortizações, e, enquanto não se verificar uma total correlação entre provei-

tos e custos129, a interpretação do resultado económico de um município é muito subjetiva, de significado controverso, comprometendo análises comparativas entre os diversos municípios. Entende-se que o modelo mais ajustado à realidade dos municípios, potencializador de uma gestão eficiente, seria o que conduzisse a e valorizasse um resultado líquido próximo de Zero, como indicador de máxima eficiência.
129. Esta correlação é muito controversa num contexto dos municípios em que a ocorrência de mais custos não conduz necessariamente a mais proveitos dado estes serem essencialmente de natureza fiscal.

Quadro 3.17 | Resultados económicos
2006 Proveitos Custos Resultados económicos Resultados económicos por habitante Nº de municípios com resultados negativos Unidade: euros 6.469,9 5.838,1 631,7 60 € 78 2007 7.002,8 6.518,7 484,0 46 € 85 2008 7.204,6 6.901,3 303,4 29 € 115 2009 7.100,3 7.326,3 -226,1 -21 € 159 2010 7.325,1 7.223,2 102,0 10 € 140

Gráfico 3.10 | Evolução dos Resultados Económicos
8.000 € 7.000 € 6.000 € 5.000 € Milhões 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ -1.000 € 2006 Proveitos 2007 Custos 2008 2009 Resultados económicos 201 0

124

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

O gráfico 3.10 mostra como evoluíram as curvas de proveitos e de custos, no quinquénio em apreço, constatando-se que em 2009 os custos ultrapassaram os proveitos provocando a descida dos resultados económicos a um nível inferior a zero. No ano de 2010, resultante da estabilização dos custos e da subida dos proveitos, o resultado económico, para a globalidade dos municípios, voltou a ficar positivo. Apresentaram resultados económicos positivos130, 168 dos municípios (149 em 2009, 193 em 2008, 223 em 2007 e 236 em 2006), mais 19 municípios que em 2009. Em 2010, apresentaram resultados económicos negativos, 3 municípios de grande dimensão (municípios de Barcelos, Matosinhos e Vila Nova de Gaia), 49 municípios de média dimensão e 88 municípios de pequena dimensão. Na globalidade, os municípios apresentaram, em 2010, um resultado económico positivo de 102 milhões de euros (+328,1 milhões de euros que em 2009), revertendo a situação verificada em 2009 de um resultado negativo de 226,1 milhões de euros para a globalidade dos municípios.
130. O normal seria todos os municípios apresentar resultados económicos positivos dado que mais de 70% das receitas são integralmente registadas como proveitos do exercício: todas as receitas fiscais e as transferências do Estado.

Contribuíram para esta situação 168 municípios que apresentaram resultados positivos. Em 2010, o rácio “Resultados económicos por habitante”, só se apresentou negativo em 2009 (-21€), tendo-se revelado positivo nos restantes anos do quinquénio, embora com valores sucessivamente mais pequenos. Os rankings R24 e R25 apresentam os 35 municípios com melhores e piores resultados económicos, respetivamente. Relativamente ao ranking R24, será de anotar a esforço revelado por alguns municípios na melhoria dos seus resultados económicos, transitando de uma situação de resultados negativos em 2009 para resultados positivos em 2010. Nesta situação serão relevar, nomeadamente, os seguintes municípios: Cascais, Loures, Vila do Conde, Seixal, Paredes, Barreiro, Sines, Alcácer do Sal e Cantanhede. No ranking R25, há municípios cujos resultados foram positivos em 2009 e apresentaram em 2010, resultados negativos. Estão nessa situação Tavira e Loulé. Outros embora em 2009 apresentassem resultados negativos, os mesmos desceram muito mais em 2010. Estão nesta situação: Olhão, Lagos, Albufeira, e Vila Nova de Gaia.
125

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

Quadro 3.18 | Municípios que passaram de Resultado negativo para positivo
Municípios 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 Marco de Canaveses Cascais Loures Seixal Vila do Conde Paredes Sines Barreiro Alcácer do Sal Cantanhede Portalegre Vila Franca de Xira Montijo Póvoa de Varzim Celorico de Basto Vila da Praia da Vitória Caldas da Rainha Povoação Torres Novas Porto Moniz Odemira Moimenta da Beira Chamusca Alcanena Vila Real Castelo de Paiva Calheta (R. A. A.) Alijó Castro Verde Alpiarça Crato Mesão Frio Velas Valença Sabugal Freixo de Espada à Cinta Idanha-a-Nova Aljustrel Cadaval Figueira de Castelo Rodrigo Golegã Dimensão M G G G M M P M P M M G M M P M M P M P M P P P M P P P P P P P P P P P P P P P P Resultados Económicos 2008 1.314.310,9 10.238.397,3 9.867.092,2 -4.926.785,2 7.374.932,7 643.178,0 1.772.149,7 1.426.528,0 424.509,7 -867.926,2 -1.488.210,6 12.090.547,4 -2.208.424,2 967.551,7 -405.344,7 55.497,4 2.309.846,0 -423.454,2 2.676.463,8 328.717,0 -271.656,4 2.193.834,6 914.017,6 -507.118,7 780.844,6 2.045.486,8 -29.102,7 2.286.104,1 4.142.770,9 21.797,6 11.854,0 -744.402,6 -1.557,0 181.750,4 928.835,9 -124.408,6 693.702,8 33.221,3 -210.181,1 75.855,4 65.129,3 2009 -37.694.151,3 -18.084.234,5 -14.304.622,0 -9.653.484,7 -4.634.107,0 -4.708.284,7 -3.480.504,4 -2.180.436,0 -1.823.200,1 -2.359.020,6 -4.080.974,7 -419.286,6 -2.518.285,9 -1.094.988,0 -810.669,0 -1.516.507,4 -1.619.010,6 -1.195.809,7 -197.969,0 -51.864,8 -466.305,7 -1.043.201,8 -1.751,5 -833.313,4 -1.402.590,8 -570.118,2 -141.092,8 -296.564,5 -349.125,3 -711.609,4 -946.521,8 -681.834,8 -165.788,4 -587.308,4 -348.384,3 -729.126,1 -137.002,1 -513.158,5 -6.996,8 -188.690,3 -29.343,3 2010 2.734.767,4 12.855.883,3 12.315.353,3 10.754.906,4 11.613.285,0 6.659.378,8 3.737.826,7 4.626.011,6 3.991.409,0 3.415.346,9 1.279.813,8 4.847.138,2 2.426.316,4 2.865.619,8 3.054.391,6 1.421.707,3 1.144.466,7 1.416.117,1 1.896.464,0 1.995.786,2 1.482.959,0 869.603,6 1.882.158,1 888.969,2 16.043,7 717.942,0 1.089.925,3 835.773,7 726.674,3 359.047,9 36.554,1 224.250,1 725.342,1 269.750,6 462.570,9 31.262,9 477.994,2 78.597,8 329.290,8 107.771,6 120.302,7 Variação 2009 - 2010 40.428.919 30.940.118 26.619.975 20.408.391 16.247.392 11.367.664 7.218.331 6.806.448 5.814.609 5.774.367 5.360.789 5.266.425 4.944.602 3.960.608 3.865.061 2.938.215 2.763.477 2.611.927 2.094.433 2.047.651 1.949.265 1.912.805 1.883.910 1.722.283 1.418.634 1.288.060 1.231.018 1.132.338 1.075.800 1.070.657 983.076 906.085 891.131 857.059 810.955 760.389 614.996 591.756 336.288 296.462 149.646

Unidade: euros 126

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R24 | Municípios com Maiores Resultados Económico131 (valores absolutos)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Lisboa Santa Maria da Feira Braga Sintra Castelo Branco Cascais Oeiras Loures Vila do Conde Seixal Guimarães Amadora Pombal Grândola Paredes Setúbal Almada Leiria Vila Nova de Famalicão Vila Franca de Xira Barreiro Ribeira Grande Amarante Maia Alcácer do Sal Porto Sines Mangualde Cantanhede Arouca Lousada Celorico de Basto Oliveira do Bairro Penafiel Odivelas Dimensão G G G G M G G G M G G G M P M G G G G G M M M G P G P M M M M P M M G 2008 131.131.434 5.088.348 11.249.637 7.020.104 12.265.962 10.238.397 17.854.676 9.867.092 7.374.933 -4.926.785 5.517.094 8.688.049 7.321.584 3.623.675 643.178 -3.096.012 12.254.455 10.520.508 2.868.354 12.090.547 1.426.528 4.311.090 3.710.301 10.847.646 424.510 21.891.157 1.772.150 922.432 -867.926 3.699.876 688.596 -405.345 2.385.155 3.537.188 5.024.376 2009 35.611.849 529.980 12.088.000 7.079.024 12.323.729 -18.084.234 23.339.640 -14.304.622 -4.634.107 -9.653.485 11.597.855 6.930.108 8.497.740 4.483.890 -4.708.285 1.257.274 982.027 4.344.182 1.021.084 -419.287 -2.180.436 3.428.731 1.817.006 437.270 -1.823.200 6.373.035 -3.480.504 104.098 -2.359.021 2.931.323 140.880 -810.669 3.508.472 100.630 2.457.870 2010 161.423.880 18.212.675 14.150.015 13.455.121 13.190.049 12.855.883 12.415.405 12.315.353 11.613.285 10.754.906 8.762.646 8.494.743 7.604.258 6.924.370 6.659.379 6.072.528 6.014.140 6.005.742 4.854.618 4.847.138 4.626.012 4.555.040 4.334.513 4.047.526 3.991.409 3.782.406 3.737.827 3.694.018 3.415.347 3.307.647 3.106.904 3.054.392 3.025.369 2.992.709 2.959.376 Total de 2008 a 2010 328.167.164 23.831.003 37.487.652 27.554.249 37.779.740 5.010.046 53.609.721 7.877.823 14.354.111 -3.825.364 25.877.595 24.112.900 23.423.582 15.031.936 2.594.272 4.233.790 19.250.621 20.870.433 8.744.056 16.518.399 3.872.103 12.294.862 9.861.819 15.332.443 2.592.719 32.046.598 2.029.472 4.720.548 188.400 9.938.846 3.936.380 1.838.378 8.918.996 6.630.527 10.441.622

Unidade: euros
131. Os municípios Ílhavo e Vimioso foram excluídos do ranking, pois não apresentaram amortizações no exercício de 2010 e/ou Proveitos Diferidos, podendo deste modo, erradamente, aumentar os Resultados Económicos

127

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R25 | Municípios com Menores Resultados Económicos
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Portimão Olhão Évora Lagos Albufeira Aveiro Vila Real de Santo António Paços de Ferreira Palmela Vila Nova de Gaia Espinho Matosinhos Valongo Figueira da Foz Moura Santa Cruz Trofa Tavira Covilhã Lourinhã Oleiros Felgueiras Torres Vedras Lagoa (Algarve) Ourém Loulé Mafra Almeirim Sousel Figueiró dos Vinhos Montalegre Vila Verde Ferreira do Zêzere Santa Comba Dão Barcelos Dimensão M M M M M M P M M G M G M M P M M M M M P M M M M M M M P P P M P P G 2008 -18.236.563 -5.230.778 -15.093.993 -3.099.291 878.505 -18.497.403 2.062.116 4.037.484 -2.286.487 -25.310.130 -5.449.572 -6.656.152 -2.276.330 -1.787.426 -4.488.314 -1.214.270 -6.624.903 1.323.717 142.801 -13.600.237 -3.820.131 -1.165.926 30.183 -1.913.108 -2.217.850 11.102.849 46.887 -4.643.610 -4.012.455 -3.521.301 -4.583.462 -5.092.049 -4.028.755 -4.261.754 -2.692.946 2009 -40.115.633 -10.978.976 -18.331.888 -7.142.851 -6.154.624 -21.244.711 -19.544.319 -2.189.021 -9.907.991 -3.437.187 -5.016.580 -18.097.181 -7.108.577 -8.440.120 -7.002.177 -8.383.833 -8.460.413 3.909.434 -11.378.706 -7.938.943 -5.338.911 -2.493.732 -5.424.676 -7.108.687 -2.456.249 236.799 -10.548.614 -3.925.173 -4.141.025 -4.248.235 -2.643.192 -5.494.585 -4.321.387 -3.192.664 -403.237 2010 -36.342.688 -17.344.762 -15.651.235 -15.474.440 -15.394.374 -14.383.586 -10.899.262 -10.758.547 -10.701.458 -9.883.453 -9.815.884 -8.660.627 -8.107.841 -7.239.996 -6.584.249 -6.427.924 -6.044.040 -5.816.055 -5.602.764 -5.534.557 -5.522.887 -5.410.866 -5.083.273 -5.006.193 -4.816.456 -4.811.168 -4.739.356 -4.535.078 -4.400.697 -4.319.757 -4.297.424 -4.174.798 -3.961.794 -3.923.042 -3.797.123 Total de 2008 a 2010 -94.694.884 -33.554.516 -49.077.116 -25.716.582 -20.670.493 -54.125.699 -28.381.465 -8.910.084 -22.895.936 -38.630.769 -20.282.036 -33.413.960 -17.492.748 -17.467.542 -18.074.740 -16.026.027 -21.129.356 -582.905 -16.838.668 -27.073.737 -14.681.929 -9.070.524 -10.477.766 -14.027.989 -9.490.556 6.528.480 -15.241.082 -13.103.861 -12.554.176 -12.089.293 -11.524.078 -14.761.431 -12.311.937 -11.377.460 -6.893.306

Unidade: euros 128

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R26 | Municípios com Maiores Resultados Económico por habitante132
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Corvo Alcoutim Porto Moniz Grândola Arronches Pampilhosa da Serra Penedono Mértola Lisboa Alcácer do Sal Calheta (R. A. A.) Vila Flor Sines Góis Castelo Branco Vila Nova de Paiva Castelo de Vide Vila de Rei Penamacor Povoação Sernancelhe Paredes de Coura Mangualde Chamusca Serpa Mação Murça Penalva do Castelo Celorico de Basto Ponte de Sor Vila do Conde Ribeira Grande Arouca Coruche Velas Dimensão P P P P P P P P G P P P P P M P P P P P P P M P P P P P P P M M M P P 2008 636 120 124 259 360 523 609 219 268 33 -8 302 130 -81 228 6 182 230 132 -62 110 307 44 83 -30 201 60 112 -21 162 95 140 156 117 0 2009 937 203 -20 324 284 424 680 231 74 -142 -37 215 -254 234 230 49 120 165 193 -175 229 169 5 0 204 127 103 147 -41 133 -60 110 124 81 -30 2010 1.162 788 778 506 505 405 391 354 344 314 287 279 273 259 248 246 226 224 224 207 204 187 175 174 167 166 163 161 157 150 149 144 141 140 129

R27 | Municípios com Menores Resultados Económicos por habitante
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Oleiros Sousel Portimão Mourão Figueiró dos Vinhos V. R. de Santo António Vila do Bispo Lagos Carrazeda de Ansiães Ferreira do Zêzere Porto Santo Alvaiázere Moura Montalegre Olhão Albufeira Proença-a-Nova Castanheira de Pera Redondo Espinho Avis Alter do Chão Santa Comba Dão Marvão Lajes do Pico Alandroal Évora Nordeste Trancoso Ribeira de Pena Aguiar da Beira Sabrosa Penela Vila Nova de Poiares Vila Franca do Campo Dimensão P P M P P P P M P P P P P P M M P P P M P P P P P P M P P P P P P P P 2008 -664 -755 -366 -280 -516 111 -278 -107 198 -441 -131 -466 -278 -402 -118 23 -307 -531 -156 -185 -259 3 -348 226 41 -140 -276 19 -197 -310 -293 -295 -273 43 -142 2009 -949 -791 -795 -603 -629 -1.052 -900 -244 240 -478 -396 -422 -437 -236 -245 -155 -322 -370 -90 -174 -447 -193 -262 -225 -178 -525 -337 -117 -151 -440 -194 -311 -309 29 -719 2010 -1.002 -853 -713 -685 -647 -584 -558 -521 -491 -442 -439 -432 -415 -391 -383 -379 -363 -355 -352 -348 -345 -325 -323 -311 -298 -293 -289 -283 -281 -280 -277 -275 -268 -259 -255

Unidade: euros
132. Os municípios de Óbidos, Ourique, São João da Pesqueira, Tabuaço e Vimioso foram excluídos do ranking, pois não apresentaram amortizações no exercício de 2010 e/ou Proveitos Diferidos, podendo deste modo, erradamente, aumentado os Resultados Económicos

Unidade: euros 129

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

3.3. Liquidez133
O Quadro 3.14 apresenta a evolução da liquidez geral dos municípios, no quinquénio 2006 /2010, sendo que a liquidez mede a capacidade que uma entidade tem para solver os seus compromissos a curto prazo134. Da análise do Quadro 3.19 e do Gráfico 3.11 pode-se concluir: Em todos os anos do quinquénio 2006/2010, a liquidez para a globalidade do setor autárquico apresentou-se negativa, agravando-se fortemente em 2009 e 2010, atingindo neste ano o valor mínimo do período e no montante de -1.435,2 milhões de euros, fruto do forte agravamento da dívida de curto prazo. Em 2010, a falta de liquidez das autarquias acentuou-se em 11,3% (-145,6 milhões de euros)., quando em 2009 se tinha já agravado em 71,6%. As dívidas a terceiros de curto prazo, ao longo do quinquénio foram sempre superiores aos ativos de curto prazo135, acentuando-se essa diferença em 2009 e 2010. Acresce referir que a análise dos balanços das autarquias permitem verificar que: Em 2010, se encontravam em situação de liquidez negativa, 228 municípios (229 em 2009, 197 municípios em 2008, 195 municípios em 2007 e 229 municípios em 2006). Isto é, em 2010, faltava liquidez a 74% dos municípios portugueses para pagarem as suas dívidas. Em 2010, eram 80 o número de municípios que apresentaram liquidez positiva: 7 Municípios de grande dimensão
133. Pode ser calculada do seguinte modo: (Disponibilidades + Títulos negociáveis+ Dívidas a receber de curto prazo) – Dívidas a pagar a curto prazo. Uma entidade que tenha uma liquidez positiva significa que o valor e disponibilidades e as dívidas a receber a curto prazo são suficientes para pagar os compromissos assumidos também a curto prazo. 134. Um ano. Sobre o passivo líquido, ou seja que inclui as dívidas demédio e longo prazo, o mesmo foi comentado na página 115 e rankings R22 e R23. 135. Considerando o total das dívidas a receber e as outras disponibilidades, mas não se incluindo o valor das existências.

(6 em 2009 e 12 em 2008); 22 municípios de média dimensão (22 em 2009 e 33 em 2008); 51 municípios de pequena dimensão (55 em 2009 e 66 em 2008). Isto é: só 26% dos municípios portugueses, em 2010, possuíam liquidez para pagar as suas dívidas. Nas duas listagens que a seguir se apresentam, hierarquizam-se, em cada uma delas, 35 autarquias de acordo com o maior ou menor nível de liquidez. A análise desses Rankings permite entender quais os municípios que mais contribuíram para o desequilíbrio estrutural do setor, face à falta de liquidez detetada. Foram 7 os municípios de grande dimensão que, em 2010, apresentaram melhor nível de liquidez: Almada, Amadora, Sintra, Vila Franca de Xira, Seixal, Coimbra e Braga. Dos 35 municípios elencados no Ranking R28, apenas 6 municípios (17,1%) diminuíram a sua liquidez em 2010. Houve ainda aqueles que conseguiram passar de uma falta de liquidez em 2009 para uma liquidez positiva em 2010. São exemplo: Sintra, Seixal, Figueira de Castelo Rodrigues, Mealhada, Lajes do Pico e Covilhã. Anota-se que destes 35 municípios, 29 (82,9%), reforçaram, em 2010, a capacidade de pagamento aumentando a sua liquidez e mais 45 municípios apresentaram, em 2010, liquidez positiva. No Ranking R29, listam-se os 35 municípios com menor liquidez em 2010. A apresentação para os mesmos da situação de liquidez dos anos anteriores desde 2006, permite ver a forma como a situação financeira do município evoluiu. Dos 35 municípios com menor liquidez, listados no ranking R29, 25 municípios mantiveram liquidez negativa ao longo do quinquénio. Para além destes 35 municípios que apresentam os valores mais negativos de liquidez e por isso a pior situação financeira, houve mais outros 193 municípios com liquidez inferior a zero.

130

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 3.19 | Liquidez Geral dos Municípios
Liquidez geral dos municípios 1 2 3 4 5 6 Depósitos em instituições financeiras e caixa Títulos negociáveis Dívidas a receber de curto prazo Total 1+2+3 Dívida a pagar de curto prazo Liquidez (6 =4-5) 2006 603,6 37,2 780,2 1.421,0 2.188,2 -767,2 2007 738,5 59,5 781,4 1.579,4 2.264,4 -685,0 2008 673,2 34,5 977,5 1.685,2 2.436,8 -751,6 2009 583,7 14,8 991,5 1.590,0 2.879,7 -1.289,6 2010 595,9 13,7 1.110,3 1.719,9 3.155,1 -1.435,2

Unidade: milhões de euros

Gráfico 3.11 | Evolução da Liquidez Geral dos Municípios

3.500 € 2.500 € 1.500 € Milhões 500 € -500 € -1.500 € Passivo exigível de curto prazo Activo exigível de curto prazo Liquidez 2006 2007 2008 2009 201 0

131

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 3

R28 | Municípios com maior Liquidez, referenciada a 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Amadora Almada Castelo Branco Cartaxo Ponte de Lima São João da Madeira Ovar Elvas Sintra Anadia Vila Franca de Xira Ribeira Brava Seixal Fundão Ponte de Sor Vila Verde Redondo Portalegre Lousada Coimbra Braga Aguiar da Beira São Vicente Portel Figueira de Castelo Rodrigo Penedono Arronches Tondela Mealhada Mortágua Oliveira do Hospital Penalva do Castelo Cabeceiras de Basto Lajes do Pico Covilhã Dimensão G G M M M M M M G M G P G M P M P M M G G P P P P P P M M P M P P P M 2006 52.242.996 55.365.176 18.711.631 -8.209.447 19.902.401 10.172.397 -1.502.009 9.110.027 -8.422.803 337.269 1.218.632 4.816.305 6.407.974 -26.819.880 3.081.577 33.865 4.178.201 -13.536.866 2.380.797 -14.125.487 9.721.678 967.939 -1.550.504 1.985.116 -513.507 1.467.562 2.836.006 -2.630.904 2.994.626 1.850.817 70.976 1.164.819 -4.896.186 -456.119 -332.201 2007 62.001.568 59.543.702 20.925.524 7.749.340 20.843.303 5.058.408 4.137.449 15.805.377 -9.416.077 3.833.764 11.837.036 8.075.517 9.686.966 -27.620.448 6.534.745 2.390.245 5.892.081 -15.652.484 200.282 7.193.485 4.875.145 625.187 61.428 3.245.482 -1.103.000 2.348.355 3.763.887 2.169.801 5.799.910 3.140.355 277.876 559.343 810.670 -1.739.115 -6.546.414 2008 59.618.922 51.306.987 18.379.276 37.511.071 28.086.150 6.718.213 5.595.500 14.104.010 -18.179.750 5.445.269 16.073.245 3.389.091 13.480.975 3.903.439 5.250.936 1.416.391 5.479.543 1.906.374 -758.553 4.088.579 43.452 711.274 -563.261 4.058.323 -169.988 2.581.181 3.983.242 2.047.659 2.423.581 5.102.455 59.986 199.939 2.204.905 -1.493.280 8.721.803 2009 50.556.755 20.424.851 24.472.991 27.886.932 10.526.843 8.791.191 5.216.438 9.505.825 -24.225.335 5.173.812 9.799.646 6.338.919 -2.948.737 8.436.360 5.633.471 554.877 4.461.148 4.967.148 8.022.793 1.394.499 3.240.082 1.431.927 4.426.832 3.344.830 -1.177.995 2.989.230 2.452.076 965.941 -2.645.417 1.771.055 688.398 383.074 1.254.882 -3.976.893 -1.345.942 2010 51.632.070 29.643.550 28.896.805 17.456.485 17.178.851 15.352.559 13.473.569 13.084.959 12.721.351 10.675.692 8.721.778 8.518.858 6.792.337 6.382.226 6.204.785 5.761.920 4.747.306 4.730.980 4.616.892 4.573.910 4.449.692 4.185.597 4.013.657 3.763.480 3.492.705 3.486.969 2.980.607 2.868.850 2.727.158 2.623.563 2.478.121 2.376.305 2.135.096 1.987.613 1.951.972 Variação 2009 - 2010 2% 45% 18% -37% 63% 75% 158% 38% 153% 106% -11% 34% 330% -24% 10% 938% 6% -5% -42% 228% 37% 192% -9% 13% 396% 17% 22% 197% 203% 48% 260% 520% 70% 150% 245%

Unidade: euros 132

CAPÍTULO 3

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R29 | Municípios com Menor liquidez, referenciada a 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Lisboa Portimão Cascais Seia Vila Nova de Gaia Santarém Évora Aveiro Vila do Conde Vila Real de Santo António Loulé Figueira da Foz Paredes Faro Povoação Lagos Matosinhos Valongo Trofa Porto Funchal Penafiel Oeiras Santa Maria da Feira Odivelas Paços de Ferreira Guimarães Lamego Maia Loures Torres Vedras Albufeira Santa Cruz Sesimbra Póvoa de Varzim Dimensão G M G M G M M M M P M M M M P M G M M G M M G G G M G M G G M M M M M 2006 -179.440.522 -3.676.320 5.326.508 -13.113.784 -24.762.132 -13.064.136 -9.374.655 -28.387.978 -30.124.768 -290.933 3.407.080 -30.516.547 4.551.298 -13.512.868 -2.539.694 7.267.070 17.132.649 -6.647.006 -5.064.731 -15.573.405 648.578 -17.303.922 -20.426.920 -9.711.390 -8.157.808 -1.402.837 -2.862.530 -4.096.991 -31.197.268 -4.328.613 -2.589.524 14.749.087 -3.779.015 -2.219.291 -6.321.951 2007 -266.203.019 -7.732.205 14.463.299 -15.220.451 -29.036.963 -18.853.630 -12.890.040 -36.714.677 -28.440.267 -4.394.752 16.577.507 -30.529.090 -3.486.625 -16.849.118 -1.447.002 8.806.656 11.723.943 -4.860.689 -6.520.085 -26.496.068 -11.380.349 -16.483.295 -13.718.273 -10.140.187 -4.233.433 -11.372.281 -1.072.819 -6.953.103 -30.563.632 8.780.145 -3.959.191 26.635.203 -2.824.069 -1.236.920 -87.147 2008 -202.251.387 -29.676.594 13.948.160 -5.974.011 -27.261.493 -29.019.743 -19.145.197 -27.148.236 -25.094.305 13.997.401 12.760.581 -30.777.273 -8.664.796 -23.741.645 -4.938.144 1.771 2.899.041 -11.960.085 -9.189.160 -3.014.159 -22.463.304 -21.099.625 -13.712.359 -14.771.380 -6.904.142 -12.985.767 -369.972 -8.696.360 -23.604.332 14.368.310 -3.405.006 19.786.527 479.216 -6.661.507 -7.198.292 2009 -130.044.002 -60.204.024 -33.856.777 -11.213.091 -50.021.537 -33.133.943 -31.234.577 -29.299.957 -18.238.385 -10.773.194 -15.502.526 -28.153.093 -16.975.366 -21.595.340 -28.881.948 -21.852.611 -13.610.463 -20.645.867 -18.994.106 -4.197.857 -24.384.835 -21.255.265 -20.310.726 -20.483.644 -15.640.709 -11.790.271 -11.073.339 -11.625.744 -19.807.373 -13.600.863 -11.774.053 -1.892.866 -6.942.558 -12.820.861 -11.019.609 2010 -121.177.458 -86.930.903 -60.267.735 -41.485.851 -38.829.746 -37.712.956 -36.667.823 -35.090.879 -33.814.160 -32.902.570 -32.525.144 -30.417.657 -30.091.779 -28.266.091 -27.563.581 -26.516.827 -25.084.649 -23.160.088 -22.185.776 -21.926.057 -21.862.608 -20.879.815 -20.730.105 -20.104.832 -19.902.836 -19.597.793 -19.108.262 -17.978.702 -17.731.100 -17.595.593 -17.028.950 -15.431.110 -15.173.419 -14.951.782 -13.884.040 Variação 2009 - 2010 7% -44% -78% -270% 22% -14% -17% -20% -85% -205% -110% -8% -77% -31% 5% -21% -84% -12% -17% -422% 10% 2% -2% 2% -27% -66% -73% -55% 10% -29% -45% -715% -119% -17% -26%

Unidade: euros 133

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 4 EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E ENDIVIDAMENTO LÍQUIDO

4.1. Introdução: Lei das Finanças Locais
Um dos mecanismos de financiamento dos municípios consubstancia-se no recurso ao crédito. No entanto, o imperativo de consolidação das contas públicas a atingir através da plena realização dos sucessivos PEC´s em vigor no período 2006/2010, reclamou contenção orçamental, com evidentes consequências no plano das finanças locais. Estas restrições transpostas, em cada ano económico, para o Orçamento de Estado sobrepuseram-se à própria Lei das Finanças Locais no que se refere ao controlo e limitação do acesso ao crédito. De harmonia com as disposições conjugadas dos artigos 35.º, 36.º, 37.º, 38.º e 39.º da Lei n.º 2/2007, de 15 de janeiro (LFL), todos os municípios podem aceder ao crédito de curto, médio e longo prazo quer para acorrer a dificuldades de tesouraria quer para investimentos. Contudo, a LFL estabelece limites à utilização de tais empréstimos no seu artigo 39.º e ainda as sanções a aplicar caso se encontre em situação de limite de endividamento líquido, calculado de harmonia com o disposto no artigo 36.º da Lei. Assim, no que importa ao conceito de endividamento líquido municipal, o art. 36º nº 1 da Lei 2/07 (LFL) determina que o montante do mesmo “é equivalente à diferença entre a soma dos passivos, qualquer que seja a sua forma, incluindo nomeadamente os empréstimos contraídos, os contratos de locação financeira e as dívidas a fornecedores, e a soma

dos ativos, nomeadamente o saldo de caixa, os depósitos em instituições financeiras, as aplicações de tesouraria e os créditos sobre terceiros”. Por sua vez, o nº 2 do citado art. 36º diz que “Para efeitos de cálculo do limite de endividamento líquido e do limite de empréstimos contraídos, o conceito de endividamento líquido total de cada município inclui, a) o endividamento líquido e os empréstimos das associações de municípios, proporcional à participação do município no seu capital social; b) o endividamento líquido e os empréstimos das entidades que integrem o setor empresarial local, na proporção das participações do município no capital social (alterada pela redação dada pela Lei 67-A/07 de 31.12) ”. No tocante ao limite de endividamento líquido total de cada município, o art. 37º nº 1 da Lei 2/07 (LFL) dispõe que “em 31 de dezembro de cada ano não pode exceder 125% do montante das receitas provenientes dos impostos municipais, das participações do município no FEF, da participação no IRS, da derrama e da participação nos resultados das entidades do setor empresarial local, relativas ao ano anterior.” O nº 2 do citado art. 37º dispõe que “Quando um município não cumpra o disposto no número anterior, deve reduzir em cada ano subsequente pelo menos 10% do montante que excede o seu limite de endividamento líquido, até que aquele limite seja cumprido.”.
135

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Contudo, o art. 87º da LEO dispõe que “Em cumprimento das obrigações de estabilidade orçamental, a lei do Orçamente estabelece limites específicos ao endividamento anual (...) das autarquias locais (...)”, sendo que “Os limites de endividamento (..) podem ser inferiores aos que resultariam das leis financeiras especialmente aplicáveis (...)”, ou seja, inferiores à LFL. Por seu turno, o art. 88º da LEO dispõe, também, em vista da estabilidade orçamental “ (.) a lei do Orçamento pode determinar transferências do Orçamento do Estado de montante inferior àquele que resultaria das leis financeiras especialmente aplicáveis (..)”, ou seja, inferiores à LFL. Preceitua o art. 92º nº 4 da LEO que “por efeito do não cumprimento dos limites específicos do endividamento que se preveem no artigo 87º a lei do Orçamento pode determinar a redução, na proporção do incumprimento, das transferências a efetuar, após audição prévia dos órgãos constitucional e legalmente competentes (..)”, ou seja, do município. Existe, atualmente, uma panóplia de situações que podem liberar os municípios da aplicação do limite de endividamento, possibilitando o aumento da dívida autárquica. A análise apresentada neste ponto do anuário, contempla a apreciação da dívida dos municípios e do seu endividamento líquido, independentemente das exceções ao limite do mesmo, por impossibilidade de quantificação anual dos empréstimos destinados a fins específicos e enquadrados nas referidas isenções A análise efetuada nos pontos anteriores deste anuário, a propósito da execução orçamental da globalidade das autarquias, já sinalizou um agravamento do défice decorrente de uma despesa muito superior à receita cobrada. Esta situação refletir-se-á nos quadros a apresentar nos pontos seguintes.

autarquias faz sentido abordar, neste capítulo, a utilização de empréstimos bancários no período abrangido por este anuário (2006/2010), discriminando-os de acordo com a sua temporalidade: curto e médio ou longo prazo. Se os empréstimos bancários de médio e longo prazo geram dívida que releva para o cálculo de endividamento, já os empréstimos de curto prazo, só relevarão par esse efeito caso o capital em dívida não seja liquidado dentro do ano económico em que é utilizado. Para melhor conhecimento da situação dos municípios relativamente ao recurso a receitas creditícias e respetiva dívida daí resultante subdividir-se-á este sub capítulo em duas partes: uma dedicada aos empréstimos de curto prazo e outra dedicada aos de médio e longo prazo.

4.2.1. Empréstimos bancários de curto prazo
Em 2010, 87 municípios (78 municípios em 2009) contraíram empréstimos bancários de curto prazo. Destes, apenas 29 municípios (41 em 2009) transitaram de ano económico com empréstimos de curto prazo por liquidar, contribuindo este facto para o aumento do endividamento líquido das autarquias. Desta informação resulta a conclusão que em 2010 houve um maior cuidado dos municípios no controlo do endividamento liquido no que respeita à utilização dos empréstimos de curto prazo, sendo maior o número de municípios a amortizar na integra o capital emprestado, diminuindo significativamente (- 29,3%) o número de municípios com dívida bancária de curto prazo consolidada Analisando o Mapa de Empréstimos de Curto Prazo apresentado pelos municípios, na prestação de contas e confrontando-o com os respetivos Mapas de Controlo Orçamental da Despesa e da Receita, verificou-se desconformidade de informação em 15 municípios. Contudo, da análise desses mesmos mapas foi possível aferir a informação que a seguir se apresenta no Quadro 4.01, no Quadro 4.02 e no Gráfico 4.01 e que deverá ser avaliada em conjunto.

4.2. Recurso a empréstimos bancários
Antes de se analisar a evolução do endividamento líquido do setor autárquico e a forma como contribuíram para a sua formação as diferentes componentes da dívida global das
136

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 4.01 | Relação entre Passivo Financeiro de Curto Prazo utilizado e pago, no período 2009/2010
Passivo Financeiro movimentadoa Utilizado (receita) Municípios Pequenos Médios Grandes Total Unidade: euros a. Informação obtida dos Mapas de Controlo Orçamental da Despesa e da Receita 2009 24.654.737 34.826.956 30.420.000 89.901.693 2010 24.810.950 39.433.318 52.307.000 116.551.269 Pago no exercício (despesa) 2009 27.336.575 32.527.155 29.427.417 89.291.147 2010 24.434.952 45.890.955 53.307.000 123.632.908 Utilizado - Pago 2009 -2.681.838 2.299.801 992.583 610.546 2010 375.998 -6.457.637 -1.000.000 -7.081.639

Gráfico 4.01 | Evolução do Passivo Financeiro de Curto Prazo

140 € 120 € 100 € Milh ões 80 € 60 € 40 € 20 € 0€ 2008 2009 2010 72,4 53,9 Amortizações de empréstimos bancários 89,9 89,3 123 ,6 116 ,6 Recurso a novos empréstimos bancários

137

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Quadro 4.02 | Estrutura do Passivo Financeiro de Curto Prazo em 2009 e 2010
Evolução do Passivo Financeiro de Curto Prazo Municípios Pequenos Médios Grandes Total Unidade: euros b. Informação obtida dos Mapas de Empréstimos de Curto Prazo. c. Valor cálculo pela soma do passivo transitado de 2009 com os empréstimos obtidos em 2010, deduzido dos pagamentos efetuados. Anota-se que os valores apresentados no mapa de Controlo dos Empréstimos de Curto Prazo, nem sempre conferem com a informação prestada no Balanço, com os Mapas de execução da Despesa (amortização de empréstimos), ou com os Mapas de execução da Receita (utilização dos empréstimos). Passivo transitado de 2008 12.627.121 13.572.500 0 26.199.621 Passivo transitado de 2009b 9.453.337 17.014.701 1.000.000 27.468.038 Passivo em dívida no final de 2010c 9.829.335 10.557.064 0 20.386.399 Acréscimo consolidado de Passivo de Curto Prazo -375.998 6.457.637 1.000.000 7.081.639

Da apreciação dos quadros anteriores constata-se: Em 2010 o acréscimo de utilização de crédito de curto prazo foi de +26,6 M€ (+ 29,6%) que o utilizado em 2009. Contudo, o valor da amortização da dívida de empréstimos de curto prazo cresceu +38,5% (+34,3M€), isto é, a um ritmo superior aos das utilizações em +8,8pp, fazendo diminuir o capital em dívida no final do ano económico. O total amortizado em 2010 de empréstimos de curto prazo foi de 123,6M€, valor superior ao crédito de curto prazo utilizado nesse mesmo ano no valor de 116,6M€, pois foram amortizados empréstimos de curto prazo utilizados no ano económico de 2009 e transitados em dívida para 2010. O ano económico de 2010 iniciou-se com um passivo bancário transitado de 2009, no valor de 27,5M€ e terminou com um passivo bancário de curto prazo transitado para
138

2011, no montante global de 20,4M€. No ano 2010, o setor autárquico conseguiu abater, em mais de 7M€ (25,8%), o stock da dívida bancária de curto prazo consolidada. O grupo dos grandes municípios terminou o ano de 2010 sem stock de capital em dívida relativo a empréstimos de curto prazo. Durante o ano de 2010 os municípios de média dimensão conseguiram abater, na globalidade, 38% ao stock da dívida bancária consolidada de curto prazo. Os municípios de pequena dimensão, no final de 2010, tinham um stock de dívida bancária de curto prazo superior ao verificado em 2009 em 376 mil euros, perfazendo o montante de 9,8M€. No Quadro 4.03, apresentam-se os 58 municípios que em 2010 (41 municípios em 2009) amortizaram a totalidade dos empréstimos de curto prazo utilizados no ano. Foram 16 os municípios que contraíram empréstimos de curto prazo em 2010, mas não os amortizaram, pelo menos na totalidade.

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 4.03 | Municípios que amortizaram em 2010, a totalidade dos empréstimos de curto prazo utilizados no ano
Pequenos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Alfândega da Fé Almeida Avis Barrancos Borba Celorico de Basto Cuba Freixo de Espada à Cinta Golegã Lagoa (R.A.A) Macedo de Cavaleiros Mesão Frio Moimenta da Beira Montemor-o-Novo Murça Nazaré Nordeste Paredes de Coura Ponte da Barca Serpa Tábua Terras de Bouro Valença Velas Médios Alcobaça Alenquer Câmara de Lobos Chaves Espinho Figueira da Foz Funchal Fundão Lamego Lourinhã Lousã Odemira Oliveira de Azeméis Ourém Palmela Paredes Póvoa de Lanhoso Santarém Sesimbra Trofa Valongo Vila da Praia da Vitória Grandes Barcelos Braga Cascais Coimbra Gondomar Matosinhos Odivelas Porto S. M. da Feira Sintra V. N. de Famalicão V. N. de Gaia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29

Quadro 4.04 | Municípios com dívidas de empréstimos de curto prazo
Município Portimão Évora Arcos de Valdevez Rio Maior Monção Seia São Pedro do Sul Cartaxo Ferreira do Alentejo Reguengos de Monsaraz Horta Chamusca Nisa Alandroal Celorico da Beira Vendas Novas Figueiró dos Vinhos Arruda dos Vinhos Montijo Vila Nova de Poiares Amares Povoação Ourique Monforte Ribeira Grande Mourão Vila Viçosa Armamar Santa Comba Dão Dimensão M M M M P M P M P P P P P P P P P P M P M P P P M P P P P Valor 3.000.000 2.230.000 1.300.000 1.000.000 960.000 950.000 900.000 775.000 700.000 675.000 665.000 650.317 650.000 645.000 606.000 520000 513.988 500.000 500.000 495.700 495.000 455.000 350.000 346.000 307.064 223.000 200.000 125.000 63.330

139

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

4.2.2. Empréstimos bancários de médio e longo prazo
No Quadro 4.05 apresenta-se a variação líquida da dívida bancária de MLP (o novos empréstimos deduzidos das amortizações do ano) para o período de 2008 a 2010. No final do ano de 2010, o stock da dívida à banca de MLP, diminuiu, 53,7M€ fruto da conjugação do aumento do capital amortizado em +83,3 M€ e da diminuição do recurso ao crédito em -475,3M€. Manifestou-se, assim, uma alteração radical na política gestão e acesso ao crédito bancário. As repercussões das ações referidas no ponto anterior fez diminuir o stock final da dívida bancária de MLP em 2010 de -1,5%, isto é, -70,5 M€, fixando-se o seu montante em 4 595,8M€

Relacionando esta informação com a apresentada no ponto sobre a receita conclui-se que as receitas creditícias de médio e longo prazo representaram em 2010, em média, 5%143 das receitas totais, sendo que 134 municípios não recorreram a este tipo de receita144. Por outro lado, verifica-se que o peso dos passivos financeiros de médio e longo prazo, nas receitas totais, foi maior nos municípios de pequena dimensão, ao representar 8,8% das mesmas (3,9% nos municípios de média dimensão e 3,7% nos de grande dimensão). Considerando o grupo dos 23 municípios de grande dimensão, em 2010, o maior peso das receitas creditícias de médio e longo prazo nas receitas totais quedou-se pelos 22,3% (Sintra) e o menor pelos 0% (municípios de Amadora, Barcelos, Leiria, Lisboa, Maia, Odivelas, Oeiras, Seixal e Setúbal).
143. O total dos passivos financeiros, incluindo de curto prazo representaram 6,6% 144. O valor máximo detetado foi para o município de Fornos de Algodres, em que os empréstimos de médio e longo prazo, representaram 85% das receitas totais.

Quadro 4.05 | Variação dos Empréstimos bancários de MLP (receita e despesa), entre 2008 e 2010
Empréstimos bancários4 F G F-G Recurso a novos empréstimos bancários Amortizações de empréstimos bancários Variação do Stock da Dívida à Banca Divida Bancária no final do ano Unidade: milhões de euros
5

2008 456,3 299,4 157,0 4.137,8

2009 875,1 370,3 504,8 4.666,3

2010 399,8 453,6 -53,7 4.595,8

Variação 2009 - 2010 -475,3 83,3 --70,5

Gráfico 4.02 | Evolução dos Empréstimos bancários de MLP
5.000 € 4.500 € 4.000 € 3.500 € Milhões 3.000 € 2.500 € 2.000 € 1.500 € 1.000 € 500 € 0€ 2008 2009 2010 299 ,4 456 ,3 875 ,1 370 ,3 453 ,6 399 ,8 Amortizações de empréstimos bancários Recurso a novos empréstimos bancários 4.137 ,8 4.666 ,3 4.595 ,8 Divida Bancária no final do ano

140

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

No Quadro 4.06 elencam-se os municípios que não recorreram a empréstimos bancários de médio e longo prazo no período do 2008 a 2010. O Quadro 4.07 lista os 134 municípios que não recorreram a empréstimos bancários de médio e longo prazo no ano de 2010.

Quadro 4.06 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários de MLP, no triénio 2008 – 2010 (ordem alfabética)
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Abrantes Alcácer do Sal Alcoutim Castelo de Vide Cinfães Corvo Crato Elvas Fronteira Mação Mafra Marco de Canaveses Marinha Grande Mealhada Monchique Mora Odivelas Pampilhosa da Serra Penacova Penedono Ponte de Lima Ponte de Sor Porto Santo Trancoso Trofa Velas Viana do Alentejo Vila Verde Dimensão M P P P P P P M P P M M M M P P G P P P M P P P M P P M 141

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Quadro 4.07 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários de médio e longo prazo no ano de 2010
Pequenos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 Aguiar da Beira Alcácer do Sal Alcanena Alcoutim Alijó Aljustrel Alter do Chão Alvito Barrancos Belmonte Bombarral Borba Boticas Calheta (R. A. M.) Campo Maior Carrazeda de Ansiães Castanheira de Pera Castelo de Paiva Castelo de Vide Castro Daire Castro Marim Cinfães Coruche Corvo Crato Ferreira do Alentejo Figueiró dos Vinhos Freixo de Espada à Cinta Fronteira Gavião Gouveia Horta Idanha-a-Nova Lajes das Flores Mação Meda Mira Miranda do Douro Moimenta da Beira Monção Monchique Monforte Montalegre Montemor-o-Novo 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 Mora Moura Mourão Murça Pampilhosa da Serra Paredes de Coura Penacova Penalva do Castelo Penedono Ponta do Sol Ponte de Sor Portel Porto Moniz Porto Santo Povoação Reguengos de Monsaraz Ribeira Brava Santa Comba Dão Santa Cruz das Flores Santana São Pedro do Sul São Vicente Sardoal Sátão Sernancelhe Sertã Sever do Vouga Terras de Bouro Trancoso Valença Velas Viana do Alentejo Vidigueira Vila do Porto Vila Flor Vila Franca do Campo Vila Nova de Poiares Vila Velha de Ródão Médios Abrantes Alcobaça Alenquer Anadia Arcos de Valdevez Aveiro Azambuja Barreiro Câmara de Lobos Cartaxo Castelo Branco Covilhã Elvas Espinho Estarreja Fafe Faro Figueira da Foz Ílhavo Lagos Lousã Machico Mafra Mangualde Marco de Canaveses Marinha Grande Mealhada Mirandela Oliveira de Azeméis Ovar Paços de Ferreira Paredes Ponte de Lima Portalegre Portimão Póvoa de Varzim Santarém Silves Tondela Trofa Vagos Vale de Cambra Vila do Conde Vila Verde Grandes Amadora Barcelos Leiria Lisboa Maia Odivelas Oeiras Seixal

142

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

No Quadro 4.08 apresenta-se a listagem dos 25 municípios que recorrendo a empréstimos bancários de MLP, em 2010, não o fizeram em 2009. Em 2009 estiveram nesta situação 69 municípios. Quadro 4.08 | Municípios que recorreram a empréstimos bancários de MLP, em 2010 e não recorreram em 2009
Pequenos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Alandroal Aljezur Arganil Arronches Castro Verde Celorico da Beira Constância Estremoz Fornos de Algodres Lagoa (R.A.A) Lajes do Pico Madalena Mondim de Basto Mortágua Nordeste Oleiros Redondo Vimioso Vinhais Médios Albergaria-a-Velha Caldas da Rainha Moita Grandes Almada Setúbal
100 80 60 40 20 0

Gráfico 4.03 | Municípios que não recorreram a empréstimos bancários em cada ano do quinquénio 2006-2010

73

90

78

62

98

2006

2007

2008

2009

201 0

4.3. Endividamento líquido dos Municípios
De acordo com a Lei das Finanças Locais, o endividamento líquido é calculado pela diferença entre as dívidas a pagar145 e as disponibilidades e dívidas a receber. O Quadro 4.09 apresenta a evolução do endividamento líquido global dos municípios146 (não englobando o das associações, das entidades do setor empresarial local e dos serviços municipalizados), bem como a evolução da dívida bruta global. Dado que o endividamento líquido resulta da diferença aritmética entre o passivo e o ativo circulantes147, requereria esta análise de mais elementos de confrontação que permitissem aferir da razoabilidade dos valores inscritos no ativo,
145. As dívidas à EDP, consolidadas até dezembro de 1988 são excecionadas ao abrigo da alínea c) do n.º2 do art. 61.º da LFL 146. Em termos do artigo 36º da LFL, deve ser considerado o endividamento líquido de todo o setor autárquico. Todavia não tendo possível obter a informação relativa à totalidade do setor empresarial e dos serviços municipalizados, optou-se por avaliar apenas o endividamento da autarquia em sentido estrito. De qualquer modo a dívida do setor empresarial, só será considerada para cômputo do limite de endividamento, em caso de incumprimento das regras de equilíbrio de contas previstas no regime jurídico do setor empresarial local. 147. Com exclusão da conta 27- Acréscimos e Diferimentos e da conta 3 – Existências.

O gráfico a seguir apresentado, mostra o número de municípios que em cada ano, entre 2006 e 2010, não utilizaram empréstimos bancários para suporte financeiro da sua atividade.

143

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

em dívidas de terceiros. Por outro lado, entende-se que as dívidas de terceiros que por lei exigem provisões148, não deveriam contribuir para o rácio do endividamento, na parte que deveria ser provisionada. De igual modo, os créditos sobre terceiros, utentes do serviço público autárquico, devedores há mais de doze meses, não deveriam ser relevados para este fim, pois requerem provisões a 100%. Atendendo ao facto de, para o cálculo do limite de endivida148. Estão nesta situação as dívidas dos utentes/ clientes a mais de seis meses que requerem provisões em 50%.

mento líquido de cada município, só contribui o endividamento líquido e os empréstimos das entidades que integram o setor empresarial local149 em caso de incumprimento das regras de equilíbrio de contas previstas no regime jurídico do setor empresarial, os indicadores apresentados neste capítulo e referentes ao endividamento líquido de setor autárquico, não incluem o setor empresarial local, por ausência de informação que permita identificar os casos sujeitos a englobamento. Mais se anota, que com a consolidação das contas este problema de análise ficará ultrapassado.
149. Proporcional à participação do município no seu capital social.

Quadro 4.09 | Endividamento líquido global dos municípios
2006 Dívidas a Receber Ativo Disponibilidades + Títulos Negociáveis Total (a) Dívidas a Pagar - curto prazo Passivo Dívidas a Pagar - médio e longo prazo Total da Dívida a Pagar (b) Endividamento Líquido (b-a)
Unidade: milhões de euros

2007 818 798 1.616 2.264 4.399 6.664 5.048

2008 1.074 708 1.781 2.437 4.687 7.124 5.343

2009 1.083 599 1.682 2.880 5.140 8.020 6.339

2010 1.197 610 1.806 3.155 5.121 8.276 6.470

816 641 1.457 2.188 4.449 6.637 5.180

Gráfico 4.04 | Evolução da dívida bruta e da dívida líquida
9.000 € 8.000 € 7.000 € 6.000 € Milhões 5.000 € 4.000 € 3.000 € 2.000 € 1.000 € 0€ 2006 2007 2008 2009 2010 2.188 2.264 2.437 2.880 4.449 4.399 4.687 5.140 5.121 Dívida de médio e longo prazo Dívida de curto prazo 6.637 5.180 6.664 5.048 7.124 6.339 5.343 6.470 8.020 8.276 Total da Dívida Bruta Total da dívida líquida

3.155

144

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Do quadro e gráfico anteriores pode-se, ainda, concluir o seguinte: • A dívida bruta global150dos municípios, excluindo o setor empresarial, entre 2006 e 2010, cresceu 1.639 milhões de euros (+24,7%). Em dezembro de 2010 era de 8 276 milhões de euros, mais 256 milhões de euros (+3,2%) que em 2009. Porque os municípios, no final de cada ano económico dispõem de créditos a receber e disponibilidades em caixa, que abaterão à dívida bruta, a avaliação da dívida autárquica, far-se-á, essencialmente, pela análise da dívida líquida daí resultante. Assim, em 2010, para abater à dívida bruta global, os municípios dispuseram de 1.806 milhões de ativo financeiros. Em 2010, a dívida liquida municipal era de 6.470 milhões de euros, +131 milhões de euros que em 2009, apresentando todavia uma taxa de crescimento de apenas 2,1%, significativamente inferior à taxa +18,6% apresentada em 2009. No período entre 2006 e 2009, a dívida líquida autárquica municipal cresceu 1.290 milhões de euros (+24,9%). Contribuiu para este aumento o extraordinário crescimento da dívida líquida em 2009, com +996 milhões de euros Comparando-se a informação registada no quadro 4.02 e no quadro 4.05 com a do quadro 4.09, conclui-se, para o triénio 2008/2010 O total da dívida relativa a empréstimos bancários, incluindo curto prazo, obtida dos registos dos mapas orçamentais no fim de cada um dos anos do triénio 2008/2010, foi respetivamente de 4 163,1M€ (2008), •

4 693,8M€ (2009) e 4 616,2M€ (2010), crescendo em 2009 a uma taxa de 8,7% e baixando em 2010 em 1,7%. No triénio 2008/2010, o total da dívida relativa a empréstimos bancários apresenta-se, nos mapas orçamentais, inferior à dívida bruta global registada em Balanço para cada um desses anos em: 2 960,9M€ (2008), 3 326,2M€ (2009) e 3 659,8M€ (2010). Esta diferença de valores representa o volume de dívida relativa a fornecedores e outra dívida financeira para além dos empréstimos bancários e verifica-se que a mesma cresceu 12,3% em 2009 e 10% em 2010. Mais se anota que ao invés da dívida bancária que em 2010 baixou 77,6M€, esta outra dívida aumentou, neste ano, 336M€ Entre 2008 e 2010, a dívida bruta que excedeu a dívida bancária, representou em relação à divida total, sucessivamente, 41,6% (2008), 41,5% (2009) e 44,2% (2010) e era constituída, na sua maior parte, por dívida de curto prazo: 2 411,7M€ (2008), 2 852,5M€ (2009) e 3 134,6M€ (2010). Pela análise das contas municipais verifica-se que há municípios que apresentaram um ativo circulante (dívidas a receber + disponibilidades), superior ao passivo de curto, médio e longo prazo e que por isso mesmo não só não têm endividamento líquido como deverão apresentar excedentes orçamentais. Em 2010, apresentaram-se 15 municípios nessa situação, mais dois que em 2009. O Município da Amadora é o único município de grande dimensão com endividamento líquido negativo, desde 2007.

No Quadro 4.10 apresentam-se os 15 municípios151 em apreço, mostrando-se a evolução do endividamento, em termos absolutos, e a taxa de variação entre 2006 e 2010.
151. Não foi considerado para o cálculo, conforme explicação dada no preâmbulo, a situação do setor empresarial e serviços municipalizados

150. Total da dívida de curto, médio e longo prazo, incluindo dívida bancária, fornecedores e outros.

145

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Quadro 4.10 | Municípios sem Endividamento Líquido, em 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Castelo Branco Ponte de Lima Elvas Amadora Ponte de Sor Ovar Redondo Anadia Penedono São João da Madeira Cinfães Arronches Viana do Alentejo Portel São Roque do Pico Dimensão M M M G P M P M P M P P P P P 2006 -1.640.420 -16.928.594 -6.625.599 1.064.990 -1.027.846 11.926.726 -4.176.614 7.279.027 -1.467.562 1.557.881 -1.632.872 -1.602.958 -218.796 375.088 2.244.945 2007 -9.507.146 -18.000.561 -13.443.859 -5.529.261 -4.749.749 6.014.296 -5.892.081 3.648.534 -2.348.355 7.078.479 -2.024.783 -2.257.863 -1.045.773 -447.393 1.839.308 2008 -175.225 -25.504.449 -11.869.250 -8.996.883 -3.628.049 5.067.467 -5.504.747 4.166.889 -2.581.181 4.722.334 -1.926.455 -1.961.641 -1.775.995 -1.375.323 1.383.922 2009 -10.630.167 -8.132.306 -7.404.507 -4.401.722 -4.094.234 4.691.073 -4.486.352 3.010.487 -2.989.230 4.162.718 1.116.426 -553.202 -639.526 134.249 -1.410.140 2010 -15.062.522 -14.994.991 -11.114.655 -8.889.349 -4.860.838 -4.409.060 -3.893.009 -3.697.094 -3.486.969 -2.776.541 -1.233.614 -898.208 -740.869 -575.176 -14.384 Variação 2009 - 2010 42% 84% 50% 102% 19% -194% -13% -223% 17% -167% -210% 62% 16% -528% -99% Variação 2006 - 2010 818% -11% 68% -935% 373% -137% -7% -151% 138% -278% -24% -44% 239% -253% -101%

Unidade: euros

Pela particularidade que reveste a sua situação financeira, importa referir alguns aspetos relativos à situação presente: • Só um destes municípios, Penedono não apresentou, em 2010, dívidas de médio e longo prazo no cômputo do endividamento líquido. Todos os outros apresentam em dívida, no final do ano, capital resultante de empréstimos de curto prazo. Com exceção de dois municípios, em que as dívidas a pagar de curto prazo foram manifestamente superiores às disponibilidades e em relação aos quais a cobertura das mesmas se fez pelo valor das dívidas

a receber (São João da Madeira e São Roque do Pico), nos restantes municípios, as dívidas a pagar de curto prazo, foram bastante inferiores a 50% das disponibilidades (Elvas apresenta o maior valor de disponibilidades em títulos negociáveis). O município de Ovar foi exceção pois apresentou dívida de curto prazo com valor correspondente a 52,6% dos depósitos em caixa. O Ranking R30, apresenta os 35 municípios com menor endividamento líquido, em 2010, referenciando-se a sua situação de endividamento líquido nos restantes anos do quinquénio.

146

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R30 | Municípios com menor Endividamento Líquido em 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Pampilhosa da Serra Marvão Mealhada Aguiar da Beira Santa Cruz das Flores Castelo de Vide Lajes das Flores Alvito Oleiros Penalva do Castelo Alcácer do Sal Vila do Porto Corvo Vila Velha de Ródão Murtosa Gavião Alcoutim Vinhais Campo Maior São Vicente Alter do Chão Mortágua Santa Cruz da Graciosa Sernancelhe Góis Ribeira Brava Porto Santo Mação Penacova Mora Fronteira Proença-a-Nova Barrancos Constância Belmonte Dimensão P P M P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P 2006 -3.583.631 1.125.498 2.535.435 4.402.916 1.969.916 2.181.335 250.115 975.937 1.796.655 3.647.513 413.231 1.543.019 1.860.613 903.312 1.970.261 2.028.472 1.511.864 1.384.104 -933.752 4.389.420 2.898.581 2.635.257 843.718 3.589.441 3.810.510 331.513 2.866.118 5.056.727 1.189.854 5.212.010 5.255.019 -122.627 2.405.479 2.439.749 3.096.928 2007 -3.642.013 382.689 -814.862 4.235.790 1.272.251 2.076.127 330.955 515.553 441.414 3.792.486 -269.181 1.318.973 1.949.832 1.400.773 1.508.443 1.511.391 1.088.403 -256.472 -976.852 2.897.610 2.021.582 959.245 1.084.440 3.046.888 3.508.179 -2.700.789 1.210.467 3.578.687 -521.986 4.307.925 3.991.349 -1.840.933 2.638.751 1.991.919 857.490 2008 -1.429.961 605.800 1.971.684 3.857.853 1.088.070 1.137.464 87.564 1.234.165 -669.994 4.198.793 388.489 902.935 2.041.829 1.205.600 1.870.752 2.715.832 1.265.494 374.280 -409.348 3.549.040 1.830.967 -1.343.213 926.572 3.994.325 3.223.000 2.399.262 -335.608 2.525.867 -945.029 4.296.420 3.631.736 -456.775 3.463.455 2.542.655 733.153 2009 -685.081 10.296 2.645.417 3.648.844 600.173 1.212.613 1.213.387 -1.342.258 1.246.511 3.700.575 3.794.327 882.329 1.656.452 1.425.726 1.031.979 2.271.124 1.330.056 1.486.716 816.354 2.112.220 2.217.488 1.580.072 1.249.375 2.667.039 3.394.719 5.706.266 2.574.596 3.375.461 2.546.478 4.622.211 3.512.239 1.487.543 4.229.494 3.342.586 3.235.877 2010 254.837 292.209 351.370 389.085 542.212 673.432 756.837 822.316 977.850 1.118.207 1.172.988 1.229.341 1.311.690 1.365.104 1.444.140 1.497.165 1.525.990 1.832.145 1.936.320 2.025.050 2.228.292 2.308.147 2.388.227 2.578.739 2.703.310 2.850.069 3.003.691 3.012.341 3.129.571 3.198.123 3.256.921 3.300.918 3.409.916 3.442.276 3.540.509 Variação 2009 - 2010 -137% 2738% -87% -89% -10% -44% -38% -161% -22% -70% -69% 39% -21% -4% 40% -34% 15% 23% 137% -4% 0% 46% 91% -3% -20% -50% 17% -11% 23% -31% -7% 122% -19% 3% 9% Variação 2006 - 2010 -107% -74% -86% -91% -72% -69% 203% -16% -46% -69% 184% -20% -30% 51% -27% -26% 1% 32% -307% -54% -23% -12% 183% -28% -29% 760% 5% -40% 163% -39% -38% -2792% 42% 41% 14%

Unidade: euros 147

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Desta listagem que se acabou de apresentar, há a referir o seguinte: • Estando o endividamento líquido indexado às receitas próprias do município, cobradas no ano económico anterior, é natural que da lista dos municípios com menor volume de endividamento líquido conste quase exclusivamente (apenas figura um município de média dimensão) municípios de pequena dimensão. Esta situação é uma consequência natural não se podendo da mesma concluir sobre o ato de gestão ou decisões de política financeira das autarquias Contudo, poder-se-á concluir do quadro apresentado, que destes 35 municípios, 22 melhoraram a sua situação financeira em 2010 baixando o seu endividamento líquido. Outros 13 apresentaram um agravamento da sua situação financeira com acréscimo de endividamento líquido.

Da observação da listagem do ranking R31 verifica-se: • Em 2010, desta lista de 35 municípios, 14 deles (21 municípios em 2009) diminuíram o montante da sua dívida líquida, sendo de notar a taxa de redução apresentada pelos municípios de Vila Nova de Gaia (-12%) e Maia (-12%). Em termos de valor absoluto releva-se, em 2010, o esforço de redução da dívida do município de Lisboa que abateu ao endividamento líquido 56,5 M€. Em termos absolutos o município a Maia também apresentou uma redução significativa de -23,4M€. De 2006 e 2010 apenas 7 destes municípios apresentam redução da dívida tendo-se distinguido nesta situação o município do Porto com uma redução total, no período considerado, de -58,8M€ seguido do município da Maia com uma redução de 23,2 M€, do município de Setúbal com -11,8M€, do município de Vila do Conde com – 10M€ e do município de Oeiras com -8,3M€.

A propósito desta lista será pertinente referir que em 2010, do total dos 308 municípios, 159 municípios conseguiram baixar a sua dívida líquida. Em 2009 apenas 65 municípios o tinham conseguido fazer. O Ranking a seguir ordena os municípios pelo maior montante de endividamento líquido. Contudo, para a avaliação da saúde financeira da autarquia releva menos o total da dívida e mais o peso da mesma no total de receitas a considerar para efeitos de cálculo dos limites de endividamento líquido152.
152. Nas situações em que o valor da dívida bancária de médio ou longo prazo ultrapasse os 100% das receitas consideradas para o efeito, ou o endividamento de curto prazo ultrapasse 10% das mesmas ou ainda, o endividamento líquido global, de um qualquer município ultrapasse 125% dessas mesmas receitas, então sim, serão aplicadas as sanções previstas na LFL e poderá, até, ser desencadeado um processo de saneamento financeiro da autarquia ou de reequilíbrio financeiro da mesma.

Nesta listagem de municípios, referenciada a 2010, ocorreram aumentos de endividamento líquido que, pelo seu peso e montante significativo não poderemos deixar de anotar. Assim com acréscimos de endividamento líquido superior a 50% apresentam-se: Portimão (+60% e 52,8M€), Loulé (57% e 31M€), Cascais ( 51% e 30,1M€), Albufeira(53% e 16,1M€) e finalmente Vila Real de Santo António (114% e 22,9M€) .

148

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R31 | Ranking dos Municípios com maior Endividamento Líquido, em 2010
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 11 Lisboa Vila Nova de Gaia Aveiro Portimão Porto Gondomar Cascais Sintra Loulé Santarém Dimensão G G M M G G G G M M M G G M G G G M M G M M M G G G G M M G M M M P M 2006 823.618.617 197.838.625 110.621.998 18.520.581 169.460.637 103.551.063 14.936.494 78.260.446 21.890.545 46.731.241 45.561.716 81.483.741 76.204.890 69.777.174 26.587.658 103.329.794 55.101.516 71.798.216 45.400.526 41.479.008 49.123.461 49.962.301 32.636.142 36.207.529 69.891.419 72.431.688 59.358.121 44.468.215 56.490.202 53.197.417 4.131.282 10.985.468 49.123.497 3.414.284 5.347.501 2007 842.959.952 232.002.249 115.759.052 21.753.731 153.531.307 100.615.564 4.552.562 68.817.325 7.475.536 59.111.097 52.617.260 80.906.925 70.208.845 77.579.619 18.919.134 92.904.847 37.224.221 67.422.825 43.017.214 41.751.733 51.433.130 56.035.485 33.008.563 37.882.078 65.823.971 57.957.019 55.206.854 46.142.171 54.414.770 45.032.645 -7.534.580 26.040.332 46.067.612 7.282.930 4.449.534 2008 849.974.863 177.244.262 122.342.587 51.933.740 122.110.962 111.152.104 2.625.776 74.678.352 9.911.233 79.452.968 57.805.673 80.569.363 65.257.420 63.701.089 72.094.199 79.755.156 45.536.636 62.566.709 48.540.895 53.800.289 59.658.607 62.557.329 36.721.941 40.548.179 59.242.110 64.664.035 54.628.977 47.652.649 52.363.062 46.522.795 -1.979.969 30.434.158 44.617.633 -8.379.549 12.624.036 2009 833.161.119 198.116.194 135.870.627 88.637.861 110.658.448 124.026.729 59.621.053 82.120.950 54.408.661 88.225.192 75.378.251 86.118.604 71.280.466 77.207.154 75.291.230 80.048.556 66.653.070 61.794.193 64.722.274 64.387.668 62.015.551 64.035.523 58.718.313 53.836.441 58.064.174 64.090.818 59.406.981 53.606.127 57.194.722 53.022.478 30.590.564 37.717.746 46.059.896 20.085.799 37.650.806 2010 776.589.168 174.701.399 145.922.405 141.472.225 127.023.125 120.446.700 89.771.684 86.975.487 85.397.482 83.638.705 80.315.989 79.784.425 77.084.475 74.491.961 73.955.935 70.297.109 69.846.608 67.404.446 67.000.261 66.367.914 65.034.175 63.377.945 62.490.906 62.447.252 62.018.507 60.303.976 58.995.128 56.888.755 56.302.847 50.645.297 46.671.133 44.515.542 44.359.608 42.990.167 42.049.820 Variação Variação 2009 - 2010 2006 - 2010 -7% -12% 7% 60% 15% -3% 51% 6% 57% -5% 7% -7% 8% -4% -2% -12% 5% 9% 4% 3% 5% -1% 6% 16% 7% -6% -1% 6% -2% -4% 53% 18% -4% 114% 12% -6% -12% 32% 664% -25% 16% 501% 11% 290% 79% 76% -2% 1% 7% 178% -32% 27% -6% 48% 60% 32% 27% 91% 72% -11% -17% -1% 28% 0% -5% 1030% 305% -10% 1159% 686%

10 Funchal 12 Braga 13 Guimarães 14 Covilhã 15 Leiria 16 Maia 17 Loures 18 Vila do Conde 19 Valongo 20 Santa Maria da Feira 21 Faro 22 Fundão 23 Évora 24 Matosinhos 25 Setúbal 26 Oeiras 27 Odivelas 28 Seia 29 Figueira da Foz 30 Coimbra 31 Albufeira 32 Paços de Ferreira 33 Oliveira de Azeméis 34 Vila Real de Santo António 35 Lagos Unidade: euros

149

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

4.4. Rácio do Endividamento Líquido do Município: Grau de utilização do limite de endividamento 4.4.1. Limite do Endividamento Líquido
De acordo com a Lei das Finanças Locais o endividamento líquido, em cada ano, não pode ser superior a 125% da receita arrecadada no ano anterior e resultante dos impostos municipais153, das participações do município no FEF, da participação no IRS, da derrama e da participação nos resultados das entidades do setor empresarial local. Assim, uma vez que a dívida líquida de todos os municípios,
153. Considerou-se como impostos municipais os impostos diretos, indiretos e as taxas e multas cobradas.

em 2010, foi de 6.470154 milhões de euros e o total das receitas próprias legalmente consideradas como referência155 para o cálculo do limite de endividamento foi de 5.482,5 milhões de euros, pode-se determinar um índice médio do endividamento líquido de 117%, isto é, inferior ao considerado em 2009 o qual se cifrou em 119,5%156. Assim, em 2010 em termos globais o endividamento autárquico ficou abaixo do máximo (125%) permitido pela Lei das Finanças Locais.
154. A dívida bruta foi de 8 276M€ 155. O n.º1 do artigo 37º da Lei das Finanças Locais dispõe: “O montante do endividamento líquido total de cada município, em 31 de dezembro de cada ano, não pode exceder 125 % do montante das receitas provenientes dos impostos municipais, das participações do município no FEF, da participação no IRS, da derrama e da participação nos resultados das entidades do setor empresarial local, relativas ao ano anterior” 156. Estes valores só servem de referência. Não podem ser apresentados, sequer, como valor médio, pois o indicador só é aplicável a cada autarquia individualmente e a sua leitura, só tem significado per si.

Gráfico 4.05 | Evolução das Receitas próprias consideradas e da dívida líquida

7.000 € 6.339 6.019 ,8 6.000 € Milhões 5.553 ,7 5.584 ,3 5.388 ,5 5.343 5.482 ,5

6.470 Total da dívida líquida

5.000 €

5.180

5.048

Receitas Próprias

4.000 €

3.000 € 2005 2006 2007 2008 2009 201 0

150

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 4.06 | Evolução do Rácio do Endividamento líquido
140 % 120 % 100 % 80% 60% 40% 20% 0% 2006 2007 2008 2009 201 0 85,1% 82,7% 86,5% Rácio do Endividamento líquido (média de cada ano) 119 ,5% 117 ,1% Limite de Endividamento líquido 125% 125% 125% 125% 125 %

Acrescerá, ainda, referir que desta avaliação global, para efeitos do cálculo deste rácio, não foi expurgada a dívida correspondente a empréstimos bancários157 que, pela sua finalidade, deveriam ser excluídos do cálculo do limite de endividamento (o que beneficiaria o valor do rácio). Também não foi considerado o endividamento líquido dos grupos municipais, uma vez que a LFL no seu artigo 36º refere que apenas deverá ser incluído, para efeitos de cálculo do endividamento líquido da autarquia, a dívida do setor empresarial em caso de incumprimento das regras de equilíbrio de contas previstas no regime jurídico do setor empresarial local. Assim, não tendo sido possível através das contas dos municípios e das empresas municipais obter esta informação, o endividamento líquido nos rankings que a seguir se apresenta inclui, apenas, o endividamento líquido da autarquia sentido estrito. Apresentam-se a seguir dois Rankings (R32 e R33) com a indicação respetivamente dos 35 municípios com menor índice de endividamento líquido158, e os 35 municípios com
157. Há empréstimos que não são considerados para este fim, nomeadamente aqueles que ao abrigo da anterior Lei das Finanças Locais, não contavam para a capacidade de endividamento (designadamente empréstimos destinados à habitação social, ao financiamento de ações financiadas pelo Quadro Comunitário de Apoio e ações de reabilitação urbana). Assim, não possuindo informação discriminada destes empréstimos, a análise servirá como indicador de situações extremas. 158. Calculado nos termos da Lei das Finanças Locais.

o maior índice de endividamento, nos mesmos termos. Não se consideraram neste R32 os 15 municípios apresentados no Quadro 4.10 por terem endividamento líquido negativo. Isto é, não estão endividados e apresentam excedentes orçamentais, pelo que este rácio não se lhes deve ser aplicado. Pela análise das contas, verificou-se que, em 2010, 115 Municípios159 apresentaram um endividamento líquido superior a 125% das receitas consideradas para o efeito. Do mapa infra apenas constam os 35 municípios com maior valor deste rácio. Contudo, relativamente à listagem apresentada, os valores indicados basearam-se na totalidade dos empréstimos bancários, incluindo eventualmente, aqueles que a lei permite excluir do cômputo limite de endividamento, pois não se dispôr de informação relativamente ao volume de empréstimos excluídos do cômputo do limite de endividamento. Assim, os rácios obtidos servirão como indicador de situações limite de endividamento sem se poder concluir, daí, que tenha havido assunção de empréstimos à revelia dos limites impostos por lei.
159. O nº 2 do citado art. 37ºda LFL, dispõe que “Quando um município não cumpra o disposto no número anterior, deve reduzir em cada ano subsequente pelo menos 10% do montante que excede o seu limite de endividamento líquido, até que aquele limite seja cumprido”.

151

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

R32 | Municípios com menor índice de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior160
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Mealhada Pampilhosa da Serra Aguiar da Beira Alcácer do Sal Marvão Oleiros Castelo de Vide Almada Penalva do Castelo Vinhais Alvito Santa Cruz das Flores Alcoutim Vila Velha de Ródão Murtosa Lajes das Flores Mortágua Gavião Campo Maior Vila do Porto Fafe Oliveira do Hospital Coruche Benavente Pombal Arouca Penacova Mação Tondela Sernancelhe Castro Verde São Vicente Albergaria-a-Velha Amarante Proença-a-Nova Dimensão M P P P P P P G P P P P P P P P P P P P M M P M M M P P M P P P M M P 2006 28,3% -48,2% 63,3% 3,4% 23,6% 23,6% 40,1% -23,3% 57,6% 13,6% 26,8% 47,0% 18,9% 16,6% 28,7% 7,5% 38,8% 41,4% -13,0% 31,0% 71,0% 16,4% 49,9% 35,3% 59,0% 26,9% 13,5% 62,3% 62,7% 59,8% 68,3% 56,4% 41,4% 48,1% -1,6% 2007 -9,5% -46,7% 58,0% -2,1% 8,5% 5,6% 39,5% -34,2% 61,9% -2,2% 14,9% 29,4% 13,4% 22,6% 23,8% 12,7% 14,6% 27,5% -15,7% 17,6% 56,0% 13,5% 40,6% 3,8% 30,6% 30,4% -6,3% 45,9% 43,0% 49,8% 38,0% 30,7% 63,1% 39,7% -21,0% 2008 19,9% -17,2% 60,3% 2,9% 13,7% -8,4% 25,5% -21,6% 63,0% 3,1% 34,5% 36,6% 16,4% 22,6% 26,7% 3,1% -18,6% 49,5% -6,2% 20,6% 48,4% 24,5% 35,7% 5,9% 21,5% 39,9% -10,7% 32,7% 41,7% 53,0% 3,0% 42,6% 64,4% 37,1% -5,0% 2009 29,7% -10,3% 63,5% 26,8% 0,3% 18,3% 25,8% 21,9% 63,5% 14,9% -36,6% 23,8% 21,0% 27,2% 18,9% 44,0% 23,4% 43,3% 12,6% 20,3% 60,0% 35,0% 40,5% 19,3% 27,1% 46,5% 32,2% 42,2% 62,0% 43,9% 21,0% 44,4% 72,1% 52,7% 20,8% 2010 3,4% 3,4% 6,5% 9,1% 10,7% 13,4% 14,1% 15,2% 17,9% 18,0% 18,4% 22,1% 23,0% 23,2% 25,0% 26,9% 27,2% 27,5% 28,6% 28,9% 31,2% 32,2% 34,0% 35,0% 37,7% 38,1% 39,1% 39,3% 39,4% 40,4% 41,2% 41,7% 42,2% 43,6% 43,8%

160. Apenas foi possível discriminar as receitas provenientes de transferências apenas de Estado (excetuando-se as transferências comunitárias e dos fundos autónomos) a partir de 2008.

152

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R33 | Municípios com maior índice de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Povoação Fornos de Algodres Aveiro Vila Franca do Campo Fundão Seia Vila Real de Santo António Portimão Covilhã Castanheira de Pera Celorico da Beira Vila Nova de Poiares Nordeste Santa Comba Dão Mondim de Basto Alfândega da Fé Montemor-o-Velho Santa Cruz Santarém Portalegre Trofa Calheta (R. A. A.) Espinho Alijó Lamego Nazaré Valongo Borba Cantanhede Velas Tabuaço Alandroal Paços de Ferreira Faro Mesão Frio Dimensão P P M P M M P M M P P P P P P P M M M M M P M P M P M P M P P P M M P 2006 194,4% -327,1% 285,9% 247,3% 279,8% 20,0% 49,0% 289,5% 227,0% 256,8% 53,0% 105,9% 214,6% 169,0% 177,9% 143,2% 97,4% 164,9% 120,7% 52,3% 213,3% 177,8% 139,9% 75,8% 192,1% 159,8% 130,8% 72,0% 144,9% 103,9% 131,8% 65,2% 154,8% 211,7% 2007 224,2% -331,8% 308,7% 280,8% 286,5% 42,7% 56,7% 296,8% 270,4% 261,7% 174,1% 149,9% 217,6% 175,4% 176,9% 187,6% 82,0% 183,0% 127,2% 89,0% 212,9% 197,2% 154,9% 112,6% 144,7% 141,2% 184,6% 85,7% 143,9% 142,3% 156,9% 143,2% 184,0% 206,5% 2008 270,1% 625,0% 337,0% 342,1% 311,0% 309,5% -40,2% 113,5% 289,5% 310,2% 252,6% 248,7% 172,5% 167,2% 183,1% 192,9% 189,9% 88,4% 193,6% 159,0% 156,3% 177,4% 204,9% 157,1% 123,8% 126,5% 161,9% 219,9% 161,7% 128,0% 149,2% 159,0% 144,7% 216,5% 194,2% 2009 772,6% 741,3% 437,7% 338,4% 400,2% 384,5% 139,9% 216,5% 365,7% 342,6% 306,7% 321,9% 208,8% 235,1% 321,4% 255,0% 213,1% 169,4% 274,1% 254,0% 250,5% 292,2% 258,1% 216,3% 179,2% 199,1% 230,7% 287,5% 241,5% 158,5% 188,3% 228,7% 216,5% 258,4% 262,9% 2010 704,1% 663,5% 507,4% 428,3% 407,2% 379,3% 371,2% 371,2% 316,3% 305,3% 299,5% 299,3% 294,6% 285,9% 273,3% 261,5% 255,5% 255,1% 253,2% 249,8% 244,6% 240,0% 239,0% 236,5% 236,0% 235,5% 232,5% 230,0% 229,6% 229,3% 228,8% 225,9% 225,6% 222,7% 222,4% 153

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

4.4.2. Limite da Dívida Bancária de Médio e Longo Prazo
120%

Gráfico 4.08 | Evolução do Rácio da Dívida Bancária

Para a globalidade dos municípios, a dívida total bancária de médio e longo prazo em 2010 foi de 4.595,8M€161 (em 2009, foi de 4.666,3 milhões de euros e em 2008 foi de 4.137,8 milhões de euros), o que significou uma taxa de diminuição de 1,5% (menos 70,5 milhões de euros). Considerando, para efeitos de cálculo do limite de endividamento, a receita162 recebida em 2009, no montante de 5.482,5 milhões de euros, o peso da dívida bancária de médio e longo prazo sobre as referidas receitas foi, em média, no final do ano de 2010, de 77,2% (-3,9% que em 2009). Ora, o valor deste indicador obtido para a globalidade dos municípios é, manifestamente, inferior ao limite de 100% estabelecido como limite legal. Contudo, só poderá ser apreciado como valor médio já que, este rácio, para efeitos de controlo de endividamento, só poderá ser aplicado individualmente a cada município. No ranking R34 são apresentados os 35 municípios com menor peso da dívida bancária de médio e longo prazo nos recursos próprios, definidos nos termos da LFL.
161. Obtida do Mapa de Empréstimos 162. Receitas provenientes dos impostos municipais, das participações do município no FEF, da participação no IRS, da derrama e da participação nos resultados das entidades do setor empresarial local, recebidas no ano anterior ao que se reporta o cálculo do limite do endividamento.

100% 100% 80% 60% 60,5% 40% 20% 0% 2006

100%

100%

100%

100 % Limite da Dívida Bancária

85,8% 63,8% 65,1%

84,9%

Rácio da Dívida Bancária (média de cada ano)

2007

2008

2009

2010

A análise das contas permitiu obter a informação de que 227 municípios apresentaram, em dezembro de 2010, um stock da dívida bancária inferior ao limite legal de 100% dos recursos próprios, tal como definidos na LFL. No ranking R35 são apresentados os 35 municípios com maior peso da dívida bancária de médio e longo prazo nas receitas cobradas no ano n-1 e, estabelecidas para efeitos do limite de empréstimos, nos termos da LFL. Acontece que estes 35 municípios apresentaram um stock da dívida bancária muito acima dos 100% desses recursos próprios. Embora a lei exclua deste limite os empréstimos para reabilitação urbana, para financiamento de projetos com participação de fundos comunitários e os financiamentos na recuperação de infraestruturas municipais afetadas por situações de calamidade pública, para o cálculo apresentado na listagem infra, não se procedeu a estas exclusões por ausência discriminada dessa informação. Assim, estes valores são apresentados por excesso, tendo em conta os limites estabelecidos pela lei. Para além dos 35 municípios hierarquizados no R35, mais 46 municípios apresentaram, em 2010, este indicador maior que 100% (menos 8 que em 2009), totalizando assim o número de 81 municípios, nesta situação.

Gráfico 4.07 | Evolução da dívida bancária de médio e longo prazo
7.000 € 6.019 ,8 6.000 € Milhões 5.553 ,7 5.584 ,3 5.388 ,5 5.482 ,5 Receitas Próprias

5.000 € 3.978 4.000 € 3.987 4.138

4.666

4.596

Total da Dívida bancária de m/l prazo

3.000 € 2005 2006 2007 2008 2009 201 0

154

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R34 | Municípios com menor peso da dívida bancária de médio e longo prazo163 sobre as receitas recebidos no ano n-1
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Fundão Grândola Penedono Cinfães Ponte de Sor Alcácer do Sal Penacova Ponte de Lima Campo Maior Elvas Viana do Alentejo Redondo Pampilhosa da Serra Vinhais Montemor-o-Novo Mação Sertã Castelo de Vide Mafra Cascais Vila Velha de Ródão Vila do Porto Vila do Bispo Batalha Lagoa (Algarve) Alcoutim Benavente Oeiras Idanha-a-Nova Mealhada Vila Nova de Foz Coa Caldas da Rainha Fafe Porto de Mós Alvito Dimensão M P P P P P P M P M P P P P P P P P M G P P P P M P M G P M P M M M P 2006 0,0% 86,5% 0,0% 8,5% 14,1% 14,4% 17,3% 13,7% 11,5% 13,2% 25,4% 0,8% 29,7% 26,0% 21,8% 34,6% 28,8% 39,4% 29,7% 17,2% 32,6% 33,6% 10,4% 17,9% 23,8% 36,3% 21,7% 30,3% 7,0% 61,7% 32,3% 19,6% 51,3% 23,3% 48,1% 2007 142,4% 85,0% 0,0% 8,1% 12,3% 12,5% 15,6% 13,4% 16,4% 15,2% 19,0% 0,0% 25,6% 19,8% 29,7% 33,2% 0,0% 36,8% 27,4% 0,0% 25,3% 19,8% 6,9% 11,7% 23,6% 31,1% 20,4% 28,6% 12,5% 58,2% 29,0% 20,1% 48,6% 26,5% 45,9% 2008 159,4% 72,0% 0,0% 5,7% 11,0% 10,6% 12,3% 10,6% 15,8% 12,2% 13,7% 0,0% 21,3% 16,1% 0,0% 29,7% 31,4% 38,7% 24,8% 12,4% 39,7% 29,0% 4,7% 10,3% 18,4% 30,4% 18,4% 34,1% 15,2% 44,4% 22,1% 20,2% 42,4% 26,7% 50,3% 2009 243,6% 64,7% 0,0% 4,5% 9,8% 8,4% 11,0% 12,6% 13,8% 15,4% 11,5% 0,0% 23,0% 15,9% 25,7% 25,0% 32,8% 29,4% 25,1% 19,6% 34,5% 29,4% 15,5% 19,1% 19,0% 31,7% 24,9% 33,3% 32,9% 0,0% 38,8% 18,5% 51,8% 32,5% 44,3% 2010 0,0% 0,0% 0,0% 4,0% 6,9% 7,7% 8,1% 10,4% 11,5% 14,3% 14,7% 15,5% 17,0% 20,6% 21,4% 22,5% 24,0% 24,2% 24,5% 24,9% 25,3% 25,3% 26,0% 26,3% 26,4% 27,0% 27,1% 28,0% 28,9% 29,5% 30,4% 30,9% 31,4% 31,7% 31,8%

163. O limite legal da dívida bancária de médio e longo prazo, indexado aos recursos próprios recebidos no ano anterior é, por definição da LFL, 100% desta mesma receita.

155

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

R35 | Municípios com maior peso da dívida bancária de médio e longo prazo, nas receitas recebidas no ano n-1164
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Fornos de Algodres Vila Franca do Campo Aveiro Alfândega da Fé Portalegre Mondim de Basto Calheta (R. A. A.) Cartaxo Mesão Frio Vouzela Santa Comba Dão Lajes do Pico Montemor-o-Velho Marco de Canaveses Ribeira Brava Vila Nova de Gaia Tarouca Alijó Alandroal Covilhã Tabuaço Lourinhã Vila Nova de Poiares Angra do Heroísmo Mourão Cantanhede Oliveira de Azeméis Freixo de Espada à Cinta Murça Rio Maior Santana Melgaço Celorico da Beira Povoação Machico Dimensão P P M P M P P M P P P P M M P G P P P M P M P M P M M P P M P P P P M 2006 0,0% 233,1% 137,5% 87,6% 62,0% 86,7% 89,1% 126,4% 142,5% 98,9% 123,4% 103,7% 93,7% 237,7% -166,1% 73,2% 82,8% 47,8% 173,5% 22,3% 84,0% 0,0% 129,2% 86,1% 53,9% 61,8% 168,1% 151,6% 140,2% 39,9% 147,9% 112,6% 146,8% 54,5% 2007 -207,0% 127,2% 97,9% 74,2% 80,2% 91,0% 104,1% 134,7% 106,0% 128,0% 94,5% 95,2% 241,8% 46,0% 206,5% 85,1% 80,5% 53,8% 171,9% 54,2% 81,0% 96,3% 151,0% 81,7% 72,5% 55,5% 147,0% 150,7% 130,2% 61,1% 146,4% 104,1% 196,1% 55,9% 2008 229,5% 369,3% 199,7% 76,7% 184,8% 62,4% 60,0% 246,8% 111,3% 203,8% 95,5% 89,7% 82,4% 202,5% 39,8% 179,3% 99,0% 0,0% 57,1% 215,6% 49,5% 73,0% 111,4% 158,5% 68,2% 98,8% 165,7% 150,6% 136,4% 131,3% 60,5% 114,0% 103,4% 175,9% 112,4% 2009 262,8% 325,3% 265,0% 155,6% 265,4% 72,8% 260,9% 259,0% 137,3% 233,1% 208,1% 95,0% 189,0% 226,8% 205,7% 209,7% 118,4% 195,5% 57,3% 211,2% 67,5% 169,9% 198,3% 164,5% 207,5% 101,9% 169,2% 232,8% 177,2% 173,3% 157,9% 170,9% 119,2% 174,0% 150,8% 2010 669,5% 341,9% 280,0% 279,3% 255,5% 242,1% 238,2% 231,4% 231,2% 218,5% 210,2% 206,6% 204,7% 201,9% 193,8% 193,8% 185,7% 184,9% 180,2% 176,7% 173,6% 172,6% 172,2% 171,2% 167,5% 166,6% 162,3% 160,8% 155,0% 154,2% 153,1% 151,9% 150,9% 148,6% 148,3%

164. Conforme n.2 do artigo 39.º da LFL.

156

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

4.4.3. Rácio: Dívida a fornecedores/receitas totais do ano anterior
A capacidade de solvência das autarquias locais, face ao disposto no artigo 41.º da LFL determina que um município com dívidas a fornecedores de montante superior a 50% das receitas totais do ano n-1, possa ser declarado em situação de desequilíbrio financeiro estrutural ou de rutura financeira165 Assim, procedeu-se à simulação da situação dos municípios, comparando o valor das dívidas a fornecedores em 2010, com as receitas totais do ano anterior. Para este cálculo incluiu-se a totalidade da dívida a fornecedores de curto e médio prazo. Da análise das contas, constata-se que 61 municípios (tinham sido, 60 municípios em 2009 e 55 municípios em 2008) apresentaram, em 31 de dezembro de 2010, um valor de dívidas a fornecedores166 superior a 50% das receitas totais do ano anterior, sendo que: 30, foram municípios de pequena dimensão; 29 municípios de média dimensão e 2, municípios de grande dimensão).
165. Ora nos termos da LFL, a situação de desequilíbrio financeiro estrutural ou de rutura financeira pode ser, subsidiariamente, declarada por despacho conjunto do Ministro das Finanças e do Ministro que tutela as autarquias locais após comunicação da Direção-Geral das Autarquias Locais, sempre que se verifique a situação referida no artigo 41.º da LFL. Contudo não há qualquer situação cuja iniciativa de declaração de rutura financeira tivesse partido da tutela inspetiva. 166. Considerámos Dívidas a fornecedores: Dívidas a fornecedores c/c, Dívidas a Fornecedores de Imobilizado; Fornecedores de Leasing; Dívida a outros credores, independentemente da dívida se encontrar no Balanço (Passivo) como dívida a curto ou a médio e longo prazo.

Apresentam-se, de seguida, estes 61 municípios em quadros separados, de acordo com a dimensão dos municípios. De entre os municípios de grande dimensão, apenas Lisboa e Vila Nova de Gaia apresentaram em 2009 e 2010, posição de dívidas a fornecedores suscetível de declaração de situação desequilíbrio financeiro estrutural. Havendo municípios que não estando numa situação potencial de desequilíbrio financeiro, demonstraram, ainda, em 2010, um elevado índice167 de dívidas a fornecedores, apresenta-se no Ranking (R36) os primeiros 35 municípios, com um peso de dívida a fornecedores no total das receitas cobradas ano anterior, igual ou imediatamente inferior a 50%. A conjugação desta informação com a listagem dos 61 mais endividados apresentados supra, permite concluir que foram municípios de pequena e média dimensão, com exceção de Lisboa e Vila Nova de Gaia de grande dimensão, os que se debateram com pior situação financeira, em 2009 e 2010, e que ficaram mais próximos da situação de desequilíbrio financeiro estrutural ou de rutura financeira. A listagem que a seguir se apresenta (R37) hierarquiza os 35 municípios com menor índice de dívida a fornecedores em 2010, relativamente às receitas totais recebidas em 2009.
167. Reportado à receita total recebida no ano anterior

Gráfico 4.09 | Nº de Municípios com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais do ano n-1
70 60 50 40 30 20 10 0
2006 2007 2008 2009 201 0 157 66 61 55 60 61

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

Quadro 4.11 | Municípios de Pequena Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais do ano n-1
2008 Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Povoação Vila Real de Santo António Castanheira de Pera Nordeste Celorico da Beira Porto Santo Nazaré Trancoso Vila Franca do Campo Vila do Bispo Penamacor Vila Nova de Poiares Porto Moniz Ansião Valpaços Murça Penela Vieira do Minho Figueiró dos Vinhos Peso da Régua Chamusca Tabuaço Calheta (R. A. M.) Bombarral Sertã Estremoz Borba Alpiarça Paredes de Coura Celorico de Basto 58,2% 54,6% 160,9% 18,1% 113,9% 4,5% 117,2% 38,6% 6,2% 3,7% 79,2% 82,1% 23,7% 22,4% 68,1% 39,1% 34,4% 27,0% 32,2% 33,3% 60,8% 83,0% 0,0% 28,3% 56,5% 19,5% 102,7% 68,9% 34,9% 54,9% Índice 497,6% 104,0% 150,6% 34,8% 105,9% 51,7% 115,4% 69,1% 15,0% 54,4% 86,9% 83,6% 113,7% 26,0% 76,1% 48,7% 55,9% 46,3% 50,5% 47,7% 57,8% 83,3% 20,3% 43,0% 64,9% 33,4% 45,0% 65,9% 42,4% 64,6% 2009 Dívidas a Fornecedores 25.308.981 50.851.463 7.851.650 7.525.995 10.029.443 4.689.024 17.509.146 8.620.246 7.065.215 8.952.176 8.019.612 8.136.223 3.600.966 6.962.767 11.227.676 5.205.544 4.950.306 5.859.401 4.410.292 9.011.647 7.771.417 5.146.425 4.842.765 5.157.632 8.196.054 6.407.636 6.374.717 4.455.081 6.124.150 7.932.450 2010 Receitas Cobradas n-1 6.240.339 28.856.790 4.948.992 6.864.065 9.754.909 5.430.597 21.168.869 10.688.428 8.850.676 11.591.256 10.955.248 11.399.086 5.443.128 10.999.155 17.844.221 8.395.147 8.153.421 9.773.373 7.367.244 15.062.562 13.686.427 9.078.886 8.550.408 9.397.512 15.367.119 12.192.872 12.287.101 8.757.270 12.102.060 15.768.201 Índice 405,6% 176,2% 158,7% 109,6% 102,8% 86,3% 82,7% 80,7% 79,8% 77,2% 73,2% 71,4% 66,2% 63,3% 62,9% 62,0% 60,7% 60,0% 59,9% 59,8% 56,8% 56,7% 56,6% 54,9% 53,3% 52,6% 51,9% 50,9% 50,6% 50,3%

Unidade: euros 158

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 4.12 | Municípios de Média Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais do ano n-1
2008 Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 Portimão Seia Santa Cruz Cartaxo Aveiro Valongo Paços de Ferreira Chaves Covilhã Machico Lamego Paredes Santarém Faro Figueira da Foz Lagos Vizela Évora Câmara de Lobos Funchal Vagos Trofa Penafiel Guarda Alenquer Portalegre Espinho Vila Verde Vila do Conde 65,3% 35,8% 43,2% 31,7% 116,4% 99,6% 56,3% 45,2% 59,0% 45,2% 38,6% 31,2% 114,2% 65,5% 91,0% 5,6% 19,7% 56,9% 52,9% 42,3% 39,5% 17,8% 61,4% 102,4% 27,7% 42,2% 104,8% 55,1% 49,0% Índice 98,1% 170,4% 54,3% 45,5% 73,2% 129,5% 51,8% 58,9% 35,6% 39,9% 38,4% 40,6% 87,4% 65,5% 85,7% 50,2% 43,1% 90,1% 50,4% 52,0% 49,1% 50,8% 60,8% 52,6% 53,1% 37,1% 111,0% 54,6% 37,5% 2009 Dívidas a Fornecedores 116.127.995 40.361.354 29.032.710 18.320.655 66.958.908 46.875.367 39.333.350 27.234.855 32.808.833 10.802.277 20.619.913 39.328.870 47.523.136 32.560.921 33.542.583 33.912.285 8.703.408 38.275.797 12.134.595 51.616.280 9.340.133 12.541.860 22.770.416 29.269.089 14.926.855 13.681.746 15.146.988 14.095.514 30.702.860 2010 Receitas Cobradas n-1 56.410.806 21.986.740 19.885.038 15.451.749 57.740.719 43.688.893 40.054.416 31.362.374 38.246.211 12.600.420 25.480.605 52.908.589 63.975.697 43.988.412 45.407.954 46.780.042 12.615.694 56.243.670 18.282.193 78.650.681 14.783.364 20.061.191 37.244.130 48.944.184 25.127.851 23.380.706 26.815.474 26.572.168 58.605.764

Índice 205,9% 183,6% 146,0% 118,6% 116,0% 107,3% 98,2% 86,8% 85,8% 85,7% 80,9% 74,3% 74,3% 74,0% 73,9% 72,5% 69,0% 68,1% 66,4% 65,6% 63,2% 62,5% 61,1% 59,8% 59,4% 58,5% 56,5% 53,0% 52,4%

Unidade: euros

Quadro 4.13 | Municípios de Grande Dimensão com um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais do ano n-1
2008 Município 1 2 Lisboa Vila Nova de Gaia Índice 111,2% 44,2% 108,9% 61,2% 2009 Dívidas a Fornecedores 592.399.509 75.360.499 2010 Receitas Cobradas n-1 693.075.212 138.828.159

Índice 85,5% 54,3%

Unidade: euros 159

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 4

R36 | Municípios com maior índice de dívida a fornecedores, relativamente às receitas totais cobradas no ano anterior, mas inferior ou igual a 50%
Município 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Tábua Alcobaça Armamar Reguengos de Monsaraz Torre de Moncorvo Miranda do Douro Póvoa de Lanhoso Vila de Rei Santa Comba Dão Ílhavo Tarouca Peniche Alcanena São Pedro do Sul Alijó Ribeira de Pena Alandroal Sesimbra Lagoa (Algarve) Ribeira Brava Santa Maria da Feira Torres Vedras Caminha Santana Cantanhede Olhão Vila Pouca de Aguiar Valença Entroncamento Póvoa de Varzim Mirandela Sobral de Monte Agraço Melgaço Beja Dimensão P M P P P P M P P M P M P P P P P M M P G M P P M M P P M M M P P M 2008 10,1% 48,0% 63,5% 38,2% 23,8% 37,1% 36,2% 41,1% 63,9% 73,9% 64,5% 25,1% 61,4% 31,4% 127,3% 35,8% 78,2% 26,4% 4,6% 45,6% 40,8% 11,4% 20,6% 11,2% 33,0% 19,0% 37,1% 24,3% 25,1% 45,4% 38,5% 19,9% 26,6% 21,4% 2009 28,6% 38,0% 52,2% 34,9% 30,7% 20,2% 52,4% 49,5% 43,6% 52,0% 77,3% 35,4% 46,9% 29,5% 43,5% 46,0% 112,1% 41,8% 27,5% 47,2% 35,5% 25,6% 40,5% 53,4% 63,6% 62,5% 38,1% 41,6% 38,4% 42,4% 39,3% 27,6% 34,5% 27,6% 2010 50,0% 49,0% 48,3% 47,6% 47,1% 46,9% 46,6% 46,5% 46,4% 45,8% 45,1% 44,9% 44,9% 44,2% 43,6% 43,4% 43,4% 43,1% 42,2% 41,8% 41,4% 40,6% 40,2% 39,6% 39,4% 39,3% 39,3% 39,0% 38,7% 38,6% 38,0% 37,8% 37,5% 37,5%

(Rácio: Dívidas a fornecedores/Receitas n-1) 160

CAPÍTULO 4

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R37 | Municípios com menor índice de dívidas a fornecedores relativamente às receitas do ano anterior
Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Aguiar da Beira Santa Cruz das Flores Arronches Castelo Branco São João da Pesqueira Mortágua Elvas Penalva do Castelo Pampilhosa da Serra Portel Cinfães Mealhada Santa Marta de Penaguião Anadia Castelo de Vide Sernancelhe Penedono Marvão Mértola Fafe Constância Almada Mora Lajes do Pico Braga Mogadouro Santa Cruz da Graciosa Oliveira do Hospital Vila Velha de Ródão Almodôvar Serpa Terras de Bouro Vila Franca de Xira Alcoutim Amarante Dimensão P P P M P P M P P P P M P M P P P P P M P G P P G P P M P P P P G P M 2008 0,7% 2,8% 0,7% 3,1% 1,4% 0,9% 7,2% 2,8% 2,0% 1,8% 3,9% 2,7% 0,6% 3,1% 2,5% 5,2% 0,0% 4,4% 12,8% 11,3% 4,6% 5,7% 9,4% 36,8% 10,4% 14,5% 0,5% 2,9% 5,9% 4,2% 2,2% 3,5% 5,2% 3,7% 5,0% 2009 0,1% 0,6% 0,4% 2,2% 1,8% 6,0% 4,7% 2,2% 1,7% 2,8% 6,2% 2,4% 8,6% 4,2% 4,5% 3,8% 0,0% 3,2% 5,8% 7,5% 8,4% 3,2% 12,8% 65,4% 6,7% 12,7% 0,9% 2,9% 3,4% 4,5% 10,5% 8,3% 4,3% 3,1% 15,6% 2010 0,3% 0,5% 0,5% 0,7% 0,8% 1,2% 1,4% 1,5% 1,7% 1,9% 2,1% 2,2% 2,3% 2,4% 2,6% 2,8% 2,9% 3,0% 3,0% 3,1% 3,3% 3,3% 3,4% 3,5% 3,5% 3,5% 3,8% 4,7% 4,7% 4,7% 4,8% 4,8% 4,9% 4,9% 4,9%

(Rácio: Dívidas a fornecedores/Receitas n-1) 161

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 5 O SETOR EMPRESARIAL LOCAL E OS SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS NO SETOR AUTÁRQUICO

Nota introdutória
O ano de 2010 é o quarto ano de construção deste anuário em que se apreciam o Balanço e a Demonstração de Resultados de empresas e serviços municipalizados. Contudo, a amostra de entidades observadas no ano económico de 2007 foi manifestamente diminuta em relação ao universo total das entidades empresariais do setor autárquico. Assim ,a análise da evolução das contas do setor empresarial local, no presente anuário, apenas se reportará ao período entre 2008/2010 no que refere aos Serviços Municipalizados Para o ano de 2010, foi obtida e tratada informação de 304 Empresas Municipais168 ou Entidades Empresariais Locais e de 29 Serviços Municipalizados. É uma amostra que abrangerá mais de 90% do setor empresarial autárquico169 e a totalidade dos serviços municipalizados170. No presente capítulo analisar-se-á separadamente as contas dos serviços municipalizados171 (SM´s) das restantes entida168. No final deste Capítulo consta uma listagem com “dados económicos dos Municípios” com todos os municípios e respetivas empresas municipais e serviços municipalizados. 169. Em relação ao setor empresarial, há 26 empresas que foram extintas e/ou que se fundiram, 3 relativamente às quais não foi possível recolher informação e 5 que iniciaram atividade em 2010. 170. Nesta análise abrangemos o universo de todas as que estavam em atividade em 2010. 171. Apesar da Lei n.º 53-F/2006 que aprova o regime jurídico do setor empresarial

des de setor empresarial local (SEL) face ao tratamento diferenciado dos registos contabilísticos de ambos os universos empresariais, uma vez que o Decreto-Lei n.º 158/2009 de 13 de julho, que aprovou o Sistema de Normalização Contabilística (SNC), é de aplicação obrigatória para todas as entidades do setor público empresarial, com exclusão dos serviços municipalizados. Dedicar-se-á um primeiro ponto deste capítulo aos serviços municipalizados, um segundo ao restante setor empresarial e um terceiro ponto ao endividamento líquido, englobando estes dois setores da atividade empresarial local. Por outro lado, devido à inexistência, na generalidade das situações, de balanços consolidados por grupo autárquico172, prescindimos de apresentar indicadores agregados, por grupo municipal, que exigiriam a aplicação proporcional do peso da participação municipal nas respetivas empresas. Pese embora a Lei das Finanças Locais referir que, para efeitos do cálculo do endividamento líquido, só relevam os passivos do setor empresarial local em caso de incumprimento por parte dos municípios da cobertura dos resultados operacionais negativos173, não tendo sido possível obter esta informação das contas dos municípios e ten172. Considera-se grupo autárquico o conjunto constituído pelo Município e respetivas entidades do setor empresarial incluindo os serviços municipalizados. 173. Em 2010, apresentaram resultados operacionais negativos, 19 Serviços Municipalizados e 118 Empresas Municipais, isto é, respetivamente 65,5% e 38,8% do universo considerado.

local, revogando a Lei n-º 58/98, de 18 de agosto, não enquadrar, expressamente, no SEL os serviços municipalizados, adotou-se para efeitos da presente análise a sua inclusão no mesmo, face à sua autonomia gestionária em relação aos restantes serviços autárquicos

163

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

do em atenção que, raramente, quando essa regularização é efetuada, se realiza no ano económico a que se reporta, não foi possível apurar o valor real do contributo do setor empresarial local, para o limite do endividamento líquido do setor autárquico. Em suma, a metodologia seguida neste capítulo foi a de se analisar a estrutura e a evolução174 das diferentes compo174. Seguindo-se o desenvolvimento adotado para o ponto 4 deste anuário.

nentes do Balanço e Demonstração de Resultados do setor empresarial e serviços municipalizados de modo a apresentar-se, sempre que possível, a comparação e o peso destas, com as grandezas agregadas dos municípios que tutelam as respetivas entidades empresariais ou municipais. Apresenta-se de seguida a lista dos municípios com serviços municipalizados (SM´s):

Municípios 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 164 Abrantes Albergaria-a-Velha Alcobaça Almada Anadia Angra do Heroísmo Aveiro Barreiro Caldas da Rainha Castelo Branco Coimbra Guarda Leiria Loures Maia Mirandela Montijo Nazaré Oeiras e Amadora Peniche Portalegre Santo Tirso Sintra Tomar Torres Vedras Valongo Viana do Castelo Vila Franca de Xira Viseu

Serviços Municipalizados SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Transportes Urbanos SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Transportes Urbanos SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água, Saneamento e Eletricidade SM de Água SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Transportes SM de Água, Saneamento e Eletricidade SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água, Saneamento e Eletricidade SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento SM de Água e Saneamento

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

5.1 Serviços Municipalizados 5.1.1. Estrutura do Ativo
No Quadro 5.01, apresenta-se a estrutura do ativo global dos 29 serviços municipalizados, doravante designados por SM’s, evidenciando-se, no mesmo mapa, o ativo agregado dos municípios a que pertencem os SM’s, e permitindo, assim, a comparação das respetivas estruturas do Balanço. Quadro 5.01 | Estrutura do ATIVO dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
Componentes do Ativo Bens de domínio público Imobilizado incorpóreo Imobilizado corpóreo Imobilizado em Curso Total do imobilizado Investimentos Financeiros Existências Dívidas a Receber Títulos Negociáveis Depósitos e Caixa Acréscimos de proveitos Custos diferidos Total Municípios (308) Valor 13.612,8 80,8 16.344,9 5.957,8 35.996,3 1.613,3 119,9 1.196,6 13,7 595,9 410,2 128,6 40.074,5 % 34,0% 0,2% 40,8% 14,9% 89,8% 4,0% 0,3% 3,0% 0,0% 1,5% 1,0% 0,3% 100% Municípios c/ SM’s Valor 2.412,5 18,6 3.315,8 1.027,3 6.774,2 407,6 18,3 180,4 1,0 215,7 78,7 15,5 7.691,4 % 31,4% 0,2% 43,1% 13,4% 88,1% 5,3% 0,2% 2,3% 0,0% 2,8% 1,0% 0,2% 100% Serviços Municipalizadosa Valor 75,0 1,5 623,0 80,0 779,5 7,6 8,3 153,0 0,2 83,8 10,6 0,4 1.043,5 % 7,2% 0,1% 59,7% 7,7% 74,7% 0,7% 0,8% 14,7% 0,0% 8,0% 1,0% 0,0% 100% SM's / Municípios c/ SM´s % 3,1% 8,0% 18,8% 7,8% 11,5% 1,9% 45,3% 84,8% 24,6% 38,9% 13,5% 2,8% 13,6%

Unidade: milhões de euros a. O SMAS pertencente ao município de Oeiras é responsável pelo fornecimento de água e saneamento dos municípios de Oeiras e de Amadora

Gráfico 5.01 | Estrutura do Ativo dos Serviços Municipalizados
1%

8% Imobili zado 14% 1% 1% Investimentos Financeiros Existências Dívidas a Receber 75% Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos

165

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Da análise do quadro e gráfico anterior é da maior relevância constatar que, as dívidas a receber, no conjunto dos SM´s, no valor de 153 milhões de euros, correspondeu a 84,8% das dívidas a receber pelo total das autarquias que lhe correspondem (180,4 milhões de euros). Efetivamente, enquanto que as dívidas a receber pesavam 14,7% no ativo total dos SM´s, o peso homólogo no ativo das mesmas autarquias era de apenas, de 2,3%. Naturalmente, este facto terá um enorme impacto, com efeito de redução, no cálculo da dívida líquida dos SM´s175. O
175. Como veremos mais à frente o ativo circulante é, para a globalidade dos SM´s, superior ao passivo exigível.

valor desta componente do ativo circulante diminuiu no triénio em apreço -2,8M€ (-1,8%), fruto da descida, em 2010, do montante a receber em -12,8M€ (-7,7%). Importará, ainda, analisar a estrutura das dívidas a receber dos SM´s, uma vez que se verificou que o seu valor representou, em 2010, 84,8% do valor considerado para a totalidade das autarquias que lhes correspondem. Os quadros seguintes apresentam as principais componentes das dívidas a receber (Quadro 5.02 e Quadro 5.03).

Quadro 5.02 | Estrutura das Dívidas a Receber dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
Dívidas a receber Dívidas a receber M/L prazo Empréstimos concedidos (curto prazo) Clientes contribuintes e utentes (curto prazo) Estado e outros entes públicos (curto prazo) Administração Autárquica (curto prazo) Adiantamentos (curto prazo) Outros devedores (curto prazo) Outros curto prazo Total de dívidas a receber Unidade: milhões de euros Municípios (308) Valor 86,3 7,3 217,8 22,6 85,1 10,7 766,8 0,0 1.196,6 % 7,2% 0,6% 18,2% 1,9% 7,1% 0,9% 64,1% 0,0% 100% Municípios c/ SM´s Valor 9,8 5,0 26,1 1,9 32,6 4,3 100,6 0,0 180,4 % 5,5% 2,8% 14,5% 1,1% 18,1% 2,4% 55,8% 0,0% 100% Serviços Municipalizados Valor 0,0 0,0 101,1 1,4 44,7 0,0 5,5 0,2 153,0 % 0,0% 0,0% 66,1% 0,9% 29,2% 0,0% 3,6% 0,1% 100% SM's / Municípios % 0,0% 0,0% 386,9% 75,4% 137,1% 0,2% 5,5% -84,8%

Quadro 5.03 | Evolução das Dívidas a Receber dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010
Dívidas a receber Dívidas a receber MLP Empréstimos concedidos (curto prazo) Clientes contribuintes e utentes (curto prazo) Estado e outros entes públicos (curto prazo) Administração Autárquica (curto prazo) Adiantamentos (curto prazo) Outros devedores (curto prazo) Outros curto prazo Total de dívidas a receber Unidade: euros 166 2008 (31) Valor 299.574 833.120 80.050.334 2.181.973 57.267.177 14.937 14.121.004 982.533 155.750.651 % 0,2% 0,5% 51,4% 1,4% 36,8% 0,0% 9,1% 0,6% 100% 2009 (29) Valor 0 0 105.323.807 2.541.291 51.291.164 13.067 6.433.010 213.391 165.815.731 % 0,0% 0,0% 63,5% 1,5% 30,9% 0,0% 3,9% 0,1% 100% 2010 (29) Valor 0 0 101.095.968 1.438.941 44.745.070 10.251 5.536.402 187.131 153.013.763 % 0,0% 0,0% 66,1% 0,9% 29,2% 0,0% 3,6% 0,1% 100% Variação 2009 - 2010 % ---4% -43% -13% --14% -12% -7,7%

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Em 2010, os SM´s não tinham dívidas a receber de médio e longo prazo, nem concederam empréstimos a terceiros. Detêm, contudo, um volume bastante representativo de dívidas de clientes, contribuintes e utentes, no valor de 101,1 milhões de euros, menos 4% que em 2009 e que representa 66,1% do total das dívidas a receber. Mais se anota, que o valor destes créditos sobre terceiros foi superior em +386,9% ao valor homólogo das autarquias correspondentes e representou 46,4% do valor da mesma natureza para o total do setor autárquico. O segundo crédito mais representativo que ao SM´s detêm sobre terceiros, é o valor a receber da administração autárquica, isto é, valores a receber, essencialmente, das próprias autarquias e que, na maior parte das vezes, se referirão a compensações indemnizatórias. O total considerado, em 2010, foi de 44,7 milhões de euros.As dívidas do Estado176 aos SM´s que, em 2010, totalizaram 1,4 milhões de euros, menos 4,3% que o valor em dívida em 2009, tiveram um peso diminuto (0,9%) no total das dívidas a receber.

Relativamente ao passivo, importará apreciar a componente relativa às dívidas a terceiros, já que os outros elementos, nomeadamente os “ Proveitos diferidos”, não consubstanciam, nem jurídica nem economicamente obrigações para as autarquias os SM´s. O total das dívidas a terceiros no conjunto dos SM´s foi, em 2010, de 146,9 milhões de euros, representando 10,3% do valor homólogo dos municípios que tutelam os SM´s. Baixaram, em 2010, 1,3 milhões de euros, isto é, -0,9%. Comparando a estrutura da dívida a terceiros das autarquias e dos serviços municipalizados, verifica-se que as dívidas a terceiros de mlp dos SM´s representaram, em 2010, 36,4% do total das suas dívidas a terceiros ficando os restantes 63,6% a corresponder à dívida de curto prazo, enquanto que, para as respetivas autarquias a situação foi inversa, isto é, a dívida de mlp foi, manifestamente, superior à dívida de curto prazo numa relação que, em 2010, foi de 68,1%% para 31,8%. No global dos SM´s a dívida de mlp entre 2008 e 2010 baixou 3,4% (-2M€). Quanto à dívida de curto prazo dos SM´s, no valor de 93,5 milhões de euros, verifica-se que a mesma apesar do decréscimo em relação a 2009 (-1,6%, -2 M€), em relação a 2008 cresceu 17M€, isto é 21,7%
167

5.1.2. Passivo dos SM´S
Os Quadros 5.04 e 5.05 apresentam, respetivamente, a estrutura e a evolução do Passivo do global dos SM´s e a estrutura do passivo das autarquias, que lhe corresponderam.
176. Recuperação do IVA, na generalidade dos casos.

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Quadro 5.04 | Componentes do Passivo dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
Municípios (308) Passivo Valor Dívidas a Médio e Longo Prazo Dívidas a Curto Prazo Total de dívidas a terceiros Provisões para riscos e encargos Acréscimos de Custos Proveitos diferidos Total do Passivo Unidade: milhões de euros 5.120,6 3.155,1 8.275,7 774,8 417,4 5.299,7 14.767,6 % 34,7% 21,4% 56,0% 5,2% 2,8% 35,9% 100% Valor 971,2 453,3 1.424,5 60,9 83,7 945,8 2.514,9 % 38,6% 18,0% 56,6% 2,4% 3,3% 37,6% 100,0% Valor 53,4 93,5 146,9 1,6 22,4 293,4 464,3 % 11,5% 20,1% 31,6% 0,4% 4,8% 63,2% 100,0% % 5,5% 20,6% 10,3% 2,7% 26,8% 31,0% 18,5% Municípios c/ SM´s Serviços Municipalizados SM's / Municípios

Quadro 5.05 | Evolução do Passivo dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010
2008 (31) Passivo Valor Dívidas a Médio e Longo Prazo Dívidas a Curto Prazo Total de dívidas a terceiros Provisões para riscos e encargos Acréscimos de Custos Proveitos diferidos Total do Passivo Unidade: milhões de euros 55,3 76,8 132,1 1,7 17,7 349,9 501,4 % 11,0% 15,3% 26,4% 0,3% 3,5% 69,8% 100% Valor 53,2 95,0 148,2 1,6 21,7 330,0 501,5 % 10,6% 18,9% 29,6% 0,3% 4,3% 65,8% 100% Valor 53,4 93,5 146,9 1,6 22,4 293,4 464,3 % 11,5% 20,1% 31,6% 0,4% 4,8% 63,2% 100,0% 2009 (29) 2010 (29) Variação 2009 - 2010 % 0,2% -1,5% -0,9% 3,7% 3,3% -11,1% -7,4%

168

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 5.02 | Evolução das componentes do Passivo dos Serviços Municipalizados

400 € 350 € 300 € Milhões 250 € 200 € 150 € 100 € 50 € 0€

369,3

353 ,3 317 ,4 Passivo não Exigível

132 ,1

148 ,2

146 ,9 Passivo Exigível

2008

2009

201 0

Gráfico 5.03 | Evolução da Dívida de Curto e de Médio e Longo Prazo dos Serviços Municipalizados

100 € 90 € 80 € 70 € Milhões 60 € 50 € 40 € 30 € 20 € 10 € 0€ 2008 55,3 76,8

95,0

93,5 Dívida de curto prazo

53,2

53,4

Dívida de médio e longo prazo

2009

201 0

169

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.1.3. Endividamento177 dos Serviços Municipalizados
A análise da estrutura dos custos e dos proveitos realizada no ponto anterior deste capítulo, antevia a situação que agora se observa no Quadro 5.06. O endividamento líquido do global dos serviços municipalizados foi, em 2010 negativo, isto é, o total das dívidas a pagar no valor de 146,9
177. Devido à inexistência, na generalidade das situações, de balanços consolidados por grupo autárquico, prescindimos de apresentar indicadores agregados, por grupo municipal, que exigiriam a aplicação proporcional do peso da participação municipal nas respetivas empresas. É exemplo desta omissão, a impossibilidade de se apresentar o endividamento líquido agregado, por grupo municipal. Contudo, a Lei das Finanças Locais refere que, para efeitos do cálculo do endividamento líquido, só contam os passivos do setor empresarial local em caso de incumprimento, por parte dos municípios, da cobertura dos resultados operacionais negativos. Não tendo sido possível obter essa informação das contas dos municípios, não foi apurado o efetivo valor do contributo do setor empresarial para o peso do limite do endividamento líquido.

milhões de euros, era inferior ao total das dívidas a receber com as das disponibilidades existentes, no montante de 237,1 milhões de euros. Assim, para o total dos 29 serviços municipalizados analisados, o endividamento líquido agregado foi, em 2010, de – 90,2 milhões de euros. Já os municípios, que tutelam os serviços municipalizados, apresentaram uma dívida líquida total de 1 027,3 milhões de euros, que decorreu de uma dívida bruta de 1 424,5 milhões de euros abatida de um ativo disponível no valor de apenas 397,2 milhões de euros.

Quadro 5.06 | Endividamento Líquido dos Serviços Municipalizados e do Global dos Municípios a que correspondem
Serviços Municipalizados Dívidas a Receber Ativo Disponibilidades + Títulos Negociáveis Total (a) Dívidas a Pagar - curto prazo Passivo Dívidas a Pagar - médio e longo prazo Total (b) Endividamento Líquido (b-a) Unidade: milhões de euros 153,0 84,1 237,1 93,5 53,4 146,9 -90,2 Municípios c/ SM´s 180,4 216,7 397,2 453,3 971,2 1.424,5 1.027,3 Municípios 1.196,6 609,5 1.806,2 3.155,1 5.120,6 8.275,7 6.469,5

Gráfico 5.04 | Comparação da dívida líquida e suas componentes, entre SM´s e Municípios c/ SM´s
1200 1000 800 600 400 200 0 -200
Activo circulanteD ívidas de curto prazo Dívidas de médio e longo prazo 397, 2 237, 1 453, 3 93, 5 53, 4 -90, 2 Dívida líquida 971, 2 1.027, 3 Municípios com SM's Serviços Municipalizados

170

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.07 | Endividamento Líquido dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010
2008 Dívidas a Receber Ativo Disponibilidades + Títulos Negociáveis Total (a) Dívidas a Pagar - curto prazo Passivo Dívidas a Pagar - médio e longo prazo Total (b) Endividamento Líquido (b-a) Unidade: milhões de euros 155,8 88,3 244,1 76,8 55,3 132,1 -111,9 2009 165,8 84,1 250,0 95,0 53,2 148,2 -101,7 2010 153,0 84,1 237,1 93,5 53,4 146,9 -90,2

Gráfico 5.05 | Evolução da dívida bruta e da dívida líquida

200 € 150 € 100 € Milh ões 50 € 0€ 2008 -50 € -100 € -150 € 2009 201 0 Dívida bruta total

Dívida de curto prazo

Dívida de médio e longo prazo

Dívida líq uida

171

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Da informação dos quadros e gráficos anteriores pode-se concluir que: • Na globalidade os SM´S detêm meios financeiros para liquidarem as suas dívidas apresentando um endividamento líquido negativo. Em 2010 a dívida bruta dos SM´S, no valor de 146,9 milhões de euros (- 1,3 M€ que em 2009) representou apenas 10,3% da dívida dos municípios que os tutelam. No entanto, o total do ativo disponível dos SM´s em relação ao das autarquias foi de 59,7%.

A dívida de curto prazo dos SM`s representou 20,6% da dívida homóloga do total dos municípios de que dependem e apresentou o valor de 93,5 milhões de euros (- 1,5 M€ que em 2009) A dívida de médio e longo prazo dos SM`s representou, em 2010, apenas, 5,5% da dívida homóloga dos municípios a que correspondem e foi no valor de 53,4 milhões de euros.

O Ranking R38 lista os 17 SM´s que apresentaram endividamento líquido negativo, em 2009.

R38 | Serviços Municipalizados sem endividamento líquido no final do exercício de 2010
Serviços Municipalizados 1 2 3 4 5 6 7 8 9 SMAS de Castelo Branco SMAS de Almada SMAS de Sintra SMAS de Oeiras e Amadora SMAS de Vila Franca Xira SMSBVC - S.M Saneamento Viana Castelo SMAS de Caldas da Rainha SMAS de Peniche SMA - AMBIENTABRANTES Dimensão M G G G G M M M M G M M M M M M M Total Unidade: euros 172 Endividamento Líquido 2008 -70.680.509 -16.572.800 -18.473.017 -25.117.530 -3.610.988 -145.520 -3.253.225 -3.021.059 -2.872.026 -1.786.119 -2.086.240 -808.050 -355.008 1.308.800 -1.029.925 -105.405 61.122 -148.608.620 2009 -71.149.923 -19.594.593 -19.243.661 -25.178.007 -4.176.423 -1.492.431 -2.950.296 -2.743.400 -2.684.240 -370.335 -815.590 -926.903 -430.415 554.689 -110.121 -435.448 161.784 -151.747.096 2010 -71.056.545 -20.894.675 -18.604.671 -16.001.840 -4.515.103 -3.368.834 -3.076.394 -2.919.391 -1.705.858 -1.213.614 -820.901 -548.305 -512.183 -289.865 -222.247 -173.190 -54.587 -145.923.617 Variação 2009 - 2010 % -0,1% 6,6% -3,3% -36,4% 8,1% 125,7% 4,3% 6,4% -36,4% 227,7% 0,7% -40,8% 19,0% -152,3% 101,8% -60,2% -133,7% -3,8%

10 SMAS de Leiria 11 SMAS do Montijo 12 SMA de Mirandela 13 SMAS de Anadia 14 SMEAS - Eletricidade, Água e San. de Santo Tirso 15 SM de Angra do Heroísmo 16 SMAT - Agua e Transporte de Portalegre 17 SMAS de Albergaria-a-Velha

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Apresenta-se, de seguida, a lista dos serviços municipalizados com maior endividamento líquido.

R39 | Serviços Municipalizados com endividamento líquido no final do exercício de 2010
Serviços Municipalizados 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 SMEAS - Eletricidade, Agua e San. da Maia SMAS - Alcobaça SMAS da Guarda SMAS de Aveiro SMTC - Transportes Coletivos do Barreiro SMEAS - Eletricidade, Água e San de Valongo SMAS de Viseu SMTUC - Transportes Urbanos de Coimbra SMAS de Loures SMAS de Tomar SMAS Torres Vedras Serviços Municipalizados de Nazaré (água e san) Dimensão G M M M M M M G G M M P Total Unidade: euros Fórmula: (dívidas a pagar) – (Dívidas a Receber + Depósitos em caixa e em instituições financeiras + Títulos negociáveis) Endividamento Líquido 2009 17.358.520 10.206.321 8.381.642 5.903.570 3.357.589 2.294.344 2.279.088 902.646 -3.191.128 1.890.264 218.000 265.350 49.866.206 Variação 2009 - 2010 % -5,1% 0,3% 4,8% -21,3% 6,5% 0,8% 0,2% 151,4% -158,6% -2,0% 533,0% -56,8% 11,9%

2008

2010 16.472.350 10.235.126 8.780.224 4.645.232 3.575.555 2.311.592 2.284.145 2.268.806 1.869.807 1.852.246 1.379.937 114.514 55.789.534

17.804.191 10.107.581 7.321.282 5.848.215 2.222.393 2.302.844 -446.741 2.040.370 -1.291.971 -779.325 114.514 47.827.294

173

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.1.4. Proveitos, Custos e Resultados dos Serviços Municipalizados 5.1.4.1. Custos dos SM´S
O Quadro 5.08 e o Gráfico 5.06 apresentam a estrutura dos custos dos serviços municipalizados para o universo total dos mesmos, comparando-os com os custos homólogos das autarquias que lhes deram origem. Quadro 5.08 | Estrutura dos custos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
Custos Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas Fornecimentos e serviços externos Custos com Pessoal Transferências e Subsídios Concedidos Amortizações Provisões Outros Custos Operacionais Custos Financeiros Custos Extraordinários Total de custos Unidade: milhões de euros Municípios (308) Valor 179,2 1.836,3 2.443,6 690,1 1.155,9 148,3 28,8 143,0 597,9 7.223,2 % 2,5% 25,4% 33,8% 9,6% 16,0% 2,1% 0,4% 2,0% 8,3% 100% Municípios c/ SM´s Valor 17,1 352,7 459,8 187,8 178,5 30,2 5,1 30,3 112,0 1.373,5 % 1,2% 25,7% 33,5% 13,7% 13,0% 2,2% 0,4% 2,2% 8,2% 100% Serviços Municipalizados Valor % 76,1 118,8 111,1 3,8 62,3 7,9 4,5 1,2 15,1 400,7 19,0% 29,7% 27,7% 0,9% 15,5% 2,0% 1,1% 0,3% 3,8% 100% SM's / Municípios % 445,0% 33,7% 24,2% 2,0% 34,9% 26,3% 88,4% 3,9% 13,4% 29,2%

Gráfico 5.06 | Estrutura dos Custos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Transferências e Subsídios Concedidos Custos com Pessoal Outros Custos Operacionais Amortizações 1,2% 0,9% 2,2% 2,0% 0,4% 1,1% 2,2% 0,3% Custos Extraordinários 19,0% 13,7% 13,0% 15,5% 8,2% 3,8% 25,7% 33,5% 29,7% 27,7% Municípios com SM's Serviços Municipalizados

CMVMC

174

FSE

Custos Financeiros

Provisões

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Da leitura do quadro e do gráfico supra, salienta-se o seguinte: A maior componente de custos nos SM´s foram, em 2010, os custos com o fornecimento de serviços externos pese embora o diferencial para os custos com pessoal tenha sido de apenas 2pp. Trata-se de uma situação inversa à verificada nos anos anteriores, quando os custos com pessoal eram a componente dos custos com maior peso (quadro 5.09). Os custos com pessoal nos SM´s representaram, em 2010, 27,7% do total dos custos e o custo

fornecimento e serviços de terceiros pesaram 29,7% dos custos totais. Outro custo relevante relaciona-se com o custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas, as quais representaram 19% dos custos totais. O peso das amortizações é também relevante na estrutura de custos dos SM´s, pesando em média 16,6%. Para complemento da análise efetuada o Quadro 5.09 e o Gráfico 5.07, apresenta a evolução das diferentes componentes dos custos.

Quadro 5.09 | Evolução dos custos dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010
2008 (31) Valor 65,44 92,39 94,65 1,32 62,92 4,97 2,91 2,45 7,30 334,4 % 19,6% 27,6% 28,3% 0,4% 18,8% 1,5% 0,9% 0,7% 2,2% 100% 2009 (29) Valor 74,42 114,18 115,03 1,55 60,80 6,52 4,13 1,61 12,77 391,0 % 19,0% 29,2% 29,4% 0,4% 15,6% 1,7% 1,1% 0,4% 3,3% 100% 2010 (29) Valor 76,07 118,83 111,08 3,77 62,27 7,94 4,49 1,17 15,07 400,7 % 19,0% 29,7% 27,7% 0,9% 15,5% 2,0% 1,1% 0,3% 3,8% 100% Variação 2009 - 2010 % 2,2% 4,1% -3,4% 143,0% 2,4% 21,8% 8,7% -27,5% 18,0% 2,5%

Custos Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas Fornecimentos e serviços externos Custos com Pessoal Transferências e Subsídios Concedidos Amortizações Provisões Outros Custos Operacionais Custos Financeiros Custos Extraordinários Total de custos Unidade: milhões de euros

Gráfico 5.07 | Evolução das componentes de Custos dos Serviços Municipalizados
200 € CMVMC + FSE Custos com Pessoal Amortizações + Provisões Custos Extraordinários 50 € Outros Custos Operacionais Transf. e Subsídios Concedidos

150 €

Milh ões

100 €

0€ 2008 2009 2010

175

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.1.4.2. Proveitos dos SM´S
Os Quadros 5.10 e 5.11 bem como o Gráfico 5.08 apresentam a estrutura dos proveitos dos serviços municipalizados para o universo total dos mesmos, comparando-os com os proveitos homólogos das autarquias que lhes deram origem. Quadro 5.10 | Estrutura dos Proveitos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
Proveitos Vendas de Mercadorias Vendas de Produtos Variação da Produção Prestação de Serviços Outras Situações Impostos e Taxas Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos para a própria entidade Proveitos Suplementares Outros Proveitos Operacionais Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários Total de proveitos Unidade: milhões de euros Municípios (308) Valor 55,7 131,4 3,5 456,3 40,6 2.662,8 3.045,0 31,6 61,4 54,7 177,0 605,1 7.325,1 % 0,8% 1,8% 0,0% 6,2% 0,6% 36,4% 41,6% 0,4% 0,8% 0,7% 2,4% 8,3% 100% Municípios c/ SM´s Valor 1,2 4,5 0,0 70,9 14,0 673,2 522,4 2,9 4,3 16,4 50,9 73,5 1.434,1 % 0,1% 0,3% 0,0% 4,9% 1,0% 46,9% 36,4% 0,2% 0,3% 1,1% 3,5% 5,1% 100% Serviços Municipalizados Valor 57,3 97,0 0,0 187,8 -0,9 6,9 10,0 5,5 8,1 1,5 3,0 36,2 412,5 % 13,9% 23,5% 0,0% 45,5% -0,2% 1,7% 2,4% 1,3% 2,0% 0,4% 0,7% 8,8% 100% SM's / Municípios % 2719,3% 220,1% 1,0% 1,9% 192,4% 186,7% 9,1% 5,8% 49,3% 28,8%

Gráfico 5.08 | Estrutura dos Proveitos dos Serviços Municipalizados e dos Municípios a que correspondem
60% 50% 40% 31,0% 30% 20% 10% 0,4% 0% Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos p ara a própria entidade Proveitos Suplementares Prestação de Serviços Outros Proveitos Operacionais Vendas e Variação Produção Impostos e Taxas Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários 4,9% 27,7% 3,5% 5,1% 0,3% 8,8% 36,4% Municípios com SM's Serviços Municipalizados

52,0% 46,9%

1,7%

0,2% 1,3%

0,3%

176

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Relativamente à estrutura dos proveitos, verifica-se uma grande diferenciação quanto à origem dos mesmos para as autarquias e serviços municipalizados. Assim, as principais fontes financeiras dos SM´s foram a venda de produtos e a prestação de serviços, respetivamente com o peso de 23,5% e 52% do total dos proveitos. As autarquias ao transferirem para os serviços municipalizados, as atividades produto-

ras de bens e serviços transacionáveis178, prescindem elas próprias da recolha dos proveitos respetivos, pelo que a sua própria estrutura de proveitos será disso reflexo ao apresentar um peso pouco relevante, em comparação com os SM´s, de venda de produtos e prestação de serviços.
178. Cujo preço de venda deverá, sempre, refletir o custo de todas as componentes de produção. Caso o preço de venda ao público seja inferior ao custo, por deliberação da Assembleia Municipal, aplicando-se preços sociais, os serviços municipalizados auferirão das correspondentes indemnizações compensatórias.

Quadro 5.11 | Evolução dos Proveitos dos Serviços Municipalizados em 2008, 2009 e 2010
Proveitos Vendas de Mercadorias Vendas de Produtos Variação da Produção Prestação de Serviços Outras Situações Impostos e Taxas Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos para a própria entidade Proveitos Suplementares Outros Proveitos Operacionais Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários Total de proveitos Unidade: milhões de euros 2008 (31) Valor 31,5 103,4 0,0 150,3 -0,2 8,0 9,0 4,9 11,0 0,3 4,9 28,2 351,4 % 9,0% 29,4% 0,0% 42,8% -0,1% 2,3% 2,6% 1,4% 3,1% 0,1% 1,4% 8,0% 100% 2009 (29) Valor 61,6 98,1 0,0 187,9 -0,6 8,1 9,4 6,5 6,9 1,3 3,9 28,0 411,1 % 15,0% 23,9% 0,0% 45,7% -0,1% 2,0% 2,3% 1,6% 1,7% 0,3% 0,9% 6,8% 100% 2010 (29) Valor 57,3 97,0 0,0 187,8 -0,9 6,9 10,0 5,5 8,1 1,5 3,0 36,2 412,5 % 13,9% 23,5% 0,0% 45,5% -0,2% 1,7% 2,4% 1,3% 2,0% 0,4% 0,7% 8,8% 100% Variação 2009 - 2010 % -3,4% -0,2% -14,4% 6,5% -15,3% 17,0% 19,0% -23,6% 29,5% 0,3%

Gráfico 5.09 | Evolução das componentes de Proveitos dos Serviços Municipalizados
200 € 180 € 160 € 140 € Milhões 120 € 100 € 80 € 60 € 40 € 20 € 0€ 2008 2009 2010 Trabalhos para a própri a entidade Proveitos Financeiros Outros Proveitos Operacionais Prestação de Serviços + outras situações Vendas e Variação Produção Proveitos Extraordinários Transferências e Subsídios Obtidos Proveitos Suplementares Impostos e Taxas

177

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.1.4.3. Resultados económicos dos SM´S
No Quadro 5.12 apresentam-se os resultados económicos dos SM´s em 2010 e sua comparação com os dos municípios. Quadro 5.12 | Informação sobre estrutura económica
Municípios Nº de entidades analisadas População Custos com Pessoal/custos totais Resultados económicos Resultados económicos/Proveitos Resultados económicos por habitante Nº de entidades com resultados negativos 308 10.636.979 33,8% 101.966.787€ 1,4% 9,6 € 140 Municípios com SM's 30 2.815.012 33,5% 60.673.263€ 4,2% 21,6 € 9 Serviços Municipalizados 29 2.815.012 27,7% 11.823.042€ 2,9% 4,2 € 10 Municípios + SM's 337 -30,8% 113.789.829€ 2,1% 13,8 € 150

No Quadro 5.13 apresenta-se a evolução dos resultados económicos dos SM´s

Quadro 5.13 | Evolução da situação económica dos Serviços Municipalizados
Serviços Municipalizados 2008 Nº de entidades analisadas População Custos com Pessoal/custos totais Resultados económicos Resultados económicos/Proveitos Resultados económicos por habitante Nº de entidades com resultados negativos Resultados Operacionais Custos Financeiros N.º de entidades com (Resultados Operacionais + Custos Financeiros) negativos Unidade: euros d. Em 2008 não foi possível recolher a informação do SMAS de Loures. 31 2.905.697 28,3% 17.024.971 4,8% 5,9 € 12 -6.337.406 2.446.711 22
6

2009 29 2.808.384 29,4% 20.075.828 4,9% 7,1 € 9 2.613.738 1.610.106 18

2010 29 2.815.012 27,7% 11.823.042 2,9% 4,2 € 10 -11.129.128 1.167.418 19

Variação 2009 - 2010 0 6.628 -1,7% -8.252.786 -2,0% -2,9 € 1 -13.742.867 442.688 1

178

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Gráfico 5.10 | Evolução dos Resultados Económicos

400 € 300 € 200 € 100 € 0€ 2008 -100 € -200 € -300 € Serviços Municipalizados 2009 2010 Municípios com SM's Municípios

Da informação prestada no Quadro 5.13 anota-se que 10 SM´S apresentaram, em 2010, resultados líquidos negativos e que 19 SM´s apresentaram resultados operacionais negativos num total de -11,1 milhões de euros aos quais acrescem encargos financeiros no montante de 1,2 milhões de euros. Ora e nos termos da legislação em vigor, os resultados operacionais quando negativos deveriam ser cobertos por indemnizações compensatórias

Milhões

provenientes dos municípios de tutela. Não se dispõe de informação sobre o cumprimento desta obrigação, no entanto cabe aos responsáveis diligenciar o seu cumprimento. Os Rankings R40 e R41 apresentam os serviços municipalizados, respetivamente, com resultados económicos positivos e negativos.

179

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

R40 | Serviços Municipalizados com Resultados Económicos positivos
Serviço Municipalizado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 SMAS de Oeiras e Amadora SMAS de Aveiro SMEAS - Eletricidade, Agua e San. da Maia SMAS de Almada SMAS de Sintra SMSBVC - S.M Saneamento Viana Castelo SMAS de Castelo Branco SM de Angra do Heroísmo SMAS de Caldas da Rainha SMAS de Albergaria-a-Velha SMEAS - Eletricidade, Água e San. de Santo Tirso SMAS de Peniche SMAS de Viseu SMAS Torres Vedras SMAS de Vila Franca Xira SMAS de Anadia SMAS de Leiria SMA - AMBIENTABRANTES SMAT - Agua e Transporte de Portalegre Município Oeiras e Amadora Aveiro Maia Almada Sintra Viana do Castelo Castelo Branco Angra do Heroísmo Caldas da Rainha Albergaria-a-Velha Santo Tirso Peniche Viseu Torres Vedras Vila Franca de Xira Anadia Leiria Abrantes Portalegre 2008 13.430.923 652.973 90.888 1.519.042 91.904 -200.956 402.201 -35.210 578.848 389.016 7.290 657.891 806.843 124.198 1.409.233 160.564 892.639 340.146 168.485 2009 13.673.480 484.650 515.360 2.082.002 40.583 955.534 1.804.398 -84.534 637.823 299.341 614.900 239.241 48.687 587.983 751.211 150.357 147.709 231.996 266.739 2010 6.424.747 2.195.731 1.831.467 1.805.803 1.753.181 1.332.193 1.276.241 575.047 509.763 503.150 413.496 317.147 274.187 269.572 204.196 170.444 135.565 63.680 37.357

Unidade: euros

R41 | Serviços Municipalizados com Resultados Económicos negativos
Empresa ou Serviço 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 SM de Loures SMEAS - Eletricidade, Água e San de Valongo SMAS - Alcobaça SMTC - Transportes Coletivos do Barreiro SMTC - Transportes Urbanos de Coimbra Serviços Municipalizados de Nazaré SMAS do Montijo SMAS de Tomar SMAS da Guarda SMA de Mirandela Município Loures Valongo Alcobaça Barreiro Coimbra Nazaré Montijo Tomar Guarda Mirandela 2008 --1.054.072 215.813 -725.007 654.732 -444.948 -668.226 -346.040 -483.562 -189.887 2009 15.479 -643 -260.450 -768.605 227.337 -569.384 -1.248.377 -82.564 -528.823 -155.601 2010 -3.662.924 -980.709 -946.341 -932.071 -520.848 -444.948 -229.344 -208.406 -198.154 -146.180

Unidade: euros

180

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

5.2 Setor Empresarial Local: implicações do SNC 5.2.1 Implicações na Estrutura Financeira das Entidades Empresariais Locais decorrentes da adoção das Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro
O Decreto-Lei n.º 158/2009 de 13 de Julho aprovou o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) e a sua aplicação tornou-se obrigatória para um conjunto alargado de entidades, onde se incluem as empresas públicas. É à luz daquele modelo de normalização contabilística que se apresenta, neste Anuário, a informação relativa ao setor empresarial local (SEL) para o ano de 2010. Pretendendo-se, sempre que possível, relacionar o desempenho financeiro do conjunto do setor com o desempenho homólogo em anos anteriores, na presente situação, apenas se pode apresen-

tar tal confrontação com 2009 face à mudança do sistema contabilístico operado com a introdução do SNC no ano de 2010. A comparação com 2009 pôde ser realizada, graças ao seu enquadramento no SNC em sede do relato das contas de 2010, no cumprimento dos requisitos de transição. Assim, e antes ainda de se passar à apresentação da informação financeira de SEL, procede-se à análise do impacto da aplicação do SNC na estrutura financeira das entidades do SEL, com a conversão da informação contabilística do Plano Oficial de Contabilidade (POC) em SNC. Para o efeito, analisam-se, neste ponto do presente capítulo, 264 entidades empresariais, menos 17179 que as consideradas no universo de análise no Anuário de 2009, devido à extinção de 8, fusão de 6 com outras entidades empresariais já existentes e ausência de informação em relação a 3 outras entidades empresariais.
179. Para o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2009 foram analisadas 281 entidades empresariais do SEL.

Quadro 5.14 | Empresas Municipais que se extinguiram ou se fundiram em 2010
Empresas Municipais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Basto Solidário, EM Funchal 500 Anos, EM SRU Oriental - Sociedade de Reabilitação Urbana, EM Empresa de Concepção, Execução e Gestão do Parque das Cidades, Loulé/Faro, EEIM TUM - Transportes Urbanos da Maia, EM POMBAL VIVA - Gestão e Exploração de Equipamentos Municipais, EM Acção PDL - Empresa Municipal de Urbanização, Requalificação Urbana e Ambiental e Habitação Social, EM PORTIMÃO RENOVADA SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana, EM PORTIMÃO TURIS, EM Município Cabeceiras de Basto Funchal Lisboa Loulé / Faro Maia Pombal Ponta Delgada Portimão Portimão São João da Madeira Vila Nova de Gaia Vila Nova de Gaia Vila Real de Santo António Vouzela Situação Extinta em 2010 Extinta em 2010 Extinta em 2010 Extinta em 2010 Extinta em 2010 Fundiu-se com PMUGEST Fundiu-se com Cidade Em Acção Sociedade de Desenvolvimento e Gestão De Equipamentos Urbanos Fundiu-se com Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. Fundiu-se com Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. Extinta em 2010 Extinta em 2010 Fundiu-se com Águas de Gaia, EEM Fundiu com VRSA, Sociedade de Gestão Urbana, E.M., S.A Extinta em 2010 181

10 MOBILIDADE S. JOÃO, EEM 11 CIDADEGAIA - Sociedade de Reabilitação Urbana, EEM 12 Parque Biológico de Gaia, EEM 13 VRSA SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana 14 Escola Profissional de Vouzela, Sociedade Unipessoal, Lda.

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

No quadro 5.15 apresentam-se as variações ocorridas nas rubricas do ativo, do capital próprio e do passivo das 264 Entidades Empresariais Locais (EEL) decorrentes da aplicação do SNC apresentado retroativamente para 2009. Face a esses

ajustamentos, em média, o capital próprio registou um aumento na ordem dos 50%, e o ativo um aumento de 0,6%. Já o passivo apresenta uma diminuição de valor de 17,4%. Analisam-se de seguida as principais razões destas variações.

Quadro 5.15 | Implicações na Estrutura Financeira das EEL 2009 POC/SNC
2009 POC Ativo Capital Próprio Passivo 2.927.438.958 780.187.988 2.147.250.970 2009 SNC 2.944.113.544 1.170.299.947 1.773.813.597
Unidade: milhões de euros

Ajustamentos de Transição 16.674.586 390.111.959 -373.437.373

Variação (%) 0,6% 50,0% -17,4%

Gráfico 5.11 | Implicações na Estrutura Financeira das EEL 2009 POC/SNC

Unidade: milhões de euros

182

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

5.2.1.1 Impacto no Ativo: Efeitos no Ativo não Corrente
Nas demonstrações financeiras comparativas de 31/12/2009 verificou-se um aumento de 23 milhões de euros no peso total do ativo não corrente, pela aplicação das normas contabilísticas e de relato financeiro. Com a adoção do SNC, passou a ser obrigatório reconhecer a recuperação e liquidação futuras da quantia escriturada de ativos e passivos, nomeadamente as relacionadas com os impostos sobre o rendimento, de acordo com as disposições da NCRF 25. Deste modo, verificou-se o reconhecimento de ativos por impostos diferidos nas demonstrações financeiras comparativas do período de 2009, no montante de 9 milhões de euros. Os ativos fixos tangíveis diminuíram 302 milhões de euros, contrariando a tendência verificada nos ativos intangíveis, que aumentaram 182 milhões de euros. Estas alterações podem ser explicadas pela transferência de itens do ativo fixo Quadro 5.16 | Estrutura do Ativo não Corrente das EEL (POC/2009)

tangível para o ativo intangível e pelo reconhecimento do goodwill, resultante da concentração de atividades empresariais. Os investimentos financeiros e as imobilizações corpóreas também foram reagrupados em itens distintos do ativo não corrente, nomeadamente nas rubricas de propriedades de investimento180 e em participações financeiras. Nas demonstrações financeiras comparativas de 31/12/2009 as propriedades de investimento registaram um valor de 180181 milhões de euros, valor que resultou da reclassificação de alguns itens do ativo fixo tangível cuja finalidade não era a utilização na produção ou fornecimento de bens ou serviços.
180. A NCRF 11 define as propriedades de investimento como uma propriedade (terreno e/ou edifício) detida pelo dono ou locatário para obter rendas ou para valorização do capital. 181. Esta variação também pode ser explicada pela mensuração das propriedades de investimento, a qual pode ser determinada pelo modelo do justo valor ou pelo modelo do custo. Pelo modelo do justo valor, o imóvel é valorizado pelo seu valor de mercado, cujas variações são levadas a resultados no período (§ 37 da NCRF 11). Neste modelo não há lugar a depreciações. No modelo do custo, o imóvel é valorizado pelo seu custo, deduzido das depreciações acumuladas e de eventuais perdas por imparidade. A utilização do modelo do justo valor aproxima os bens do seu real valor; no entanto, pode ter um impacto positivo no resultado das entidades, via não reconhecimento de depreciações e/ou aumento de justo valor, ou um impacto negativo, via reduções de justo valor.

Quadro 5.17 | Estrutura do Ativo não Corrente das EEL (SNC/2009)
Componentes do Ativo não Corrente Ativos Fixos Tangíveis 1,6% Propriedades de Investimento Goodwill Ativos Intangíveis Ativos Biológicos Participações Financeiras - MEP Participações Financeiras - Outros Acionistas/Sócios Outras Contas a Receber Outros Ativos Financeiros Ativos por Impostos Diferidos Total ativo não corrente Unidade: milhões de euros 183 2009 SNC 1.518,2 180,3 10,1 213,2 0,1 22,7 5,5 1,2 2,8 11,4 8,9 1.974,2 76,9% 9,1% 0,5% 10,8% 0,0% 1,1% 0,3% 0,1% 0,1% 0,6% 0,4% 100%

Componentes do Ativo não Corrente Imobilizado Incorpóreo Imobilizado Corpóreo Investimentos Financeiros Dívidas a Receber MLP Total ativo não corrente Unidade: milhões de euros

2009 POC 31,7 1.820,6 58,7 12,0 1.923,0

94,7% 3,1% 0,6% 100%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.2.1.2 Impacto no Ativo: Efeitos no Ativo Corrente
Nas demonstrações financeiras comparativas de 31/12/2009 verificou-se que o ativo corrente das Entidades Empresariais Locais sofreu um decréscimo de 34,5 milhões de euros. A rubrica de Inventários registou uma variação negativa de aproximadamente 700.000 Euros, resultante da obrigatoriedade de as entidades mensurarem os seus inventários pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido, de acordo com as disposições do § 28 da NCRF 18. Os acréscimos de proveitos, anteriormente enquadrados na rubrica “Acréscimos e diferimentos”, foram reclassificados na rubrica de “Outras contas a receber” e os títulos negociáveis na rubrica de “Outros Ativos Financeiros”. Quadro 5.18 | Estrutura do Ativo Corrente das EEL (POC/2009)
Componentes do Ativo Corrente Existências Dívidas a Receber CP Títulos Negociáveis Depósitos e Caixa Acréscimo de Proveitos Custos Diferidos Total ativo corrente
Unidade: milhões de euros

5.2.1.3 Impacto no Capital Próprio
A adoção das (NCRF) provocou um grande impacto nas rubricas de capital próprio das Entidades Empresariais Locais que viram os seus capitais próprios aumentarem significativamente, principalmente pela inclusão dos subsídios ao investimento em rubrica de capital próprio, de acordo com as disposições do § 12 da NCRF 22. Em POC, os subsídios ao investimento eram contabilizados como proveitos diferidos e estavam reconhecidos no passivo. A decisão de reconhecer estes subsídios em rubrica de capital próprio teve como fundamento a desigualdade existente entre entidades portuguesas e outras entidades que não seguiam as disposições da IAS 20, e que por esse motivo melhoravam o desempenho dos seus rácios financeiros ao incluírem os subsídios ao investimento em rubrica de capital próprio. Verificou-se, por outro lado, uma diminuição da rubrica “Capital” de 2,9 milhões de euros, resultante da obrigatoriedade de deduzir para efeitos de apresentação no balanço o eventual saldo da conta 261 Accionistas c/ subscrição com subscrição ou 262 Quotas não liberadas, de acordo com as disposições do § 8 da NCRF 27. A rubrica “Capital” evidencia deste modo o valor do capital subscrito e realizado, de forma diferente do que acontecia no POC, em que a rubrica “Capital” evidenciava o valor do capital subscrito, independentemente de estar ou não realizado. A obrigatoriedade de aplicar o método da equivalência patrimonial em detrimento do método do custo na mensuração das participações financeiras em subsidiárias e associadas, de acordo com as disposições do § 42 da NCRF 13 e do § 8 da NCRF 15, originou um aumento de 4,7 milhões de euros decorrentes dos ajustamentos de transição pela diferença entre as quantias atribuídas às partes de capital correspondentes às frações dos capitais próprios que representavam no início do período, e as quantias pelas quais se encontravam expressas. As Reservas de reavaliação passaram a denominar-se Excedentes de revalorização. Os Resultados transitados registam uma variação negativa de 8 milhões de euros, resultantes da anulação de itens do ativo in-

2009 POC 202,8 564,0 0,6 113,5 41,0 82,6 1.004,4

20,2% 56,2% 0,1% 11,3% 4,1% 8,2% 100%

Quadro 5.19 | Estrutura do Ativo Corrente das EEL (SNC/2009)
Componentes do Ativo Corrente Inventários Ativos Biológicos Clientes Adiantamentos a fornecedores Estado e outros Entes Públicos Acionistas/Sócios Outras Contas a Receber Diferimentos Outros Ativos Financeiros Caixa e Depósitos Bancários Total ativo corrente
Unidade: milhões de euros

2009 SNC 202,1 0,1 174,6 7,4 18,4 7,7 404,0 42,3 1,2 112,0 969,9

20,8% 0,0% 18,0% 0,8% 1,9% 0,8% 41,7% 4,4% 0,1% 11,5% 100%

184

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

tangível e do ativo tangível, que de acordo com a NCRF 6 e com a NCRF 7, respetivamente, não cumprem os critérios de reconhecimento de ativos. O Resultado líquido do período registou uma variação negativa de aproximadamente 266 000 Euros, variação que será explicada no ponto 5.2.1.6 do presente capítulo. Quadro 5.20 | Estrutura do Capital Próprio das EEL (POC/2009)
Componentes do Capital Próprio Capital Prémios de Emissão Reservas Subsídios + Doações + Cedências Resultados Transitados Resultado Líquido do Exercício Total capital próprio
Unidade: milhões de euros

5.2.1.4 Impacto no Passivo: Efeitos no Passivo não Corrente
O total do passivo não corrente aumentou aproximadamente 83 milhões de euros com a adoção das NCFR, aumento este decorrente de reclassificações de dívidas, anteriormente consideradas no passivo corrente. A rubrica de financiamentos obtidos sofreu uma variação positiva de aproximadamente 39 milhões de euros pela inclusão das rendas das locações financeiras182, com um período de vencimento superior a um ano. Foram reconhecidos passivos por impostos diferidos no montante de 69,4 milhões de euros, resultantes da liquidação futura de diferenças temporárias tributáveis nomeadamente as resultantes da contabilização de excedentes de revalorização183. Quadro 5.22 | Estrutura do Passivo não Corrente das EEL (POC/2009)
Componentes do Passivo não Corrente Provisões Financiamentos Obtidos Outras Contas a pagar MLP Total passivo não corrente Unidade: milhões de euros 2009 POC 49,9 748,6 104,1 902,5 5,5% 82,9% 11,5% 100%

2009 POC 804,1 0,5 64,2 98,7 -163,1 -24,2 780,2 103,1% 0,1% 8,2% 12,6% -20,9% -3,1% 100%

Quadro 5.21 | Estrutura do Capital Próprio das EEL (SNC/2009)
Componentes do Capital Próprio Capital Realizado Outros Instrumentos de Capital Próprio Prémios de Emissão Reservas Legais Outras Reservas Resultados Transitados Ajustamentos em Ativos Financeiros Excedentes de Revalorização Outras Variações no Capital Próprio Resultado Líquido do Período Total capital próprio Unidade: milhões de euros 2009 SNC 801,2 63,4 0,5 7,9 24,7 -155,1 4,7 32,0 415,1 -23,9 1.170,3 68,5% 5,4% 0,0% 0,7% 2,1% -13,3% 0,4% 2,7% 35,5% -2,0% 100%

Quadro 5.23 | Estrutura do Passivo não Corrente das EEL (SNC/2009)
Componentes do Passivo não Corrente Provisões Financiamentos obtidos Acionistas/Sócios Passivos por Impostos Diferidos Outras Contas a Pagar Total passivo não corrente Unidade: milhões de euros
182. Nas locações financeiras, é aplicado o princípio contabilístico da substância sobre a forma, sendo que em substância estamos perante um financiamento, ficando com o locatário todos os riscos e vantagens associados à detenção do ativo. 183. Aquando da contabilização de um excedente de revalorização, o valor do ativo contabilístico é aumentado. No entanto, o valor fiscal do ativo não é aumentado, uma vez que o acréscimo das depreciações, como consequência da revalorização, não é aceite em termos fiscais, de acordo com as disposições do Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de Setembro. Temos, assim, um ativo contabilístico superior ao ativo fiscal, o que origina uma diferença temporária tributável, obrigando ao reconhecimento de um passivo por impostos diferidos (§§ 5 e 15 da NCRF 25).

2009 SNC 51,0 788,4 11,0 66,2 69,4 985,9 5,2% 80,0% 1,1% 6,7% 7,0% 100%

185

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.2.1.5 Impacto no Passivo: Efeitos no Passivo Corrente
O passivo corrente das Entidades Empresariais Locais sofreu um decréscimo considerável decorrente da transferência dos subsídios ao investimento, anteriormente considerados na rubrica de proveitos diferidos, para o capital próprio, tal como já foi enunciado no ponto “5.2.1.3 – Impacto no Capital Próprio”. O valor inscrito na rubrica de financiamentos obtidos aumentou, via inclusão do valor das rendas vincendas a um período inferior a um ano. A rubrica de outras contas a pagar inclui as dívidas a fornecedores de investimentos, os acréscimos de gastos e outras dívidas a pagar que não estão relacionadas com as atividades operacionais das entidades. O valor inscrito nesta rubrica do passivo corrente foi superior ao registado em POC, pois absorveu parte dos 73 milhões de euros que estavam inscritos na rubrica de acréscimos de custos.

Quadro 5.25 | Estrutura do Passivo Corrente das EEL (SNC/2009)
Componentes do Passivo Corrente Fornecedores Adiantamentos Estado e Outros Entes Públicos Acionistas/ Sócios Financiamentos Obtidos Outras Contas a Pagar Diferimentos Passivos Financeiros Detidos para Negociação Outros Passivos Financeiros Total passivo corrente
Unidade: milhões de euros

2009 SNC 199,4 80,4 14,6 21,6 200,0 210,9 55,2 0,18 5,8 787,9 25,3% 10,2% 1,8% 2,7% 25,4% 26,8% 7,0% 0,0% 0,7% 100%

5.2.1.6 Impacto nos Resultados
As Entidades Empresariais Locais apresentaram nas demonstrações financeiras comparativas do exercício de 2009 resultados líquidos do período superiores em 265.880 euros aos apresentados de acordo com o POC. Os custos e proveitos extraordinários foram reclassificados respetivamente em outros gastos e perdas e em outros rendimentos ou ganhos e, as diversas classes de custos e proveitos, doravante designadas por gastos e rendimentos, foram reagrupadas consoante a sua natureza operacional e financeira.

Quadro 5.24 | Estrutura do Passivo Corrente das EEL (POC/2009)
Componentes do Passivo Corrente Financiamentos Obtidos Fornecedores Adiantamentos Estado e Outros Entes Públicos Outras Contas a Pagar Acréscimo de Custos Proveitos Diferidos Total passivo corrente
Unidade: milhões de euros

2009 POC 183,3 242,6 79,4 15,2 149,0 73,1 502,2 1.244,7 14,7% 19,5% 6,4% 1,2% 12,0% 5,9% 40,3% 100%

Quadro 5.26 | Resultado Líquido do Período das EEL (POC/SNC 2009)
2009 POC Resultado Líquido do Período
Unidade: euros

2009 SNC -23.884.599

Ajustamentos de Transição 265.880

-24.150.479

186

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.27 | Estrutura do Resultado Líquido do Período das EEL (POC/2009)
Componentes do Resultado Líquido do Período Custos CMVMC FSE Custos com Pessoal Amortizações Provisões Outros Custos Operacionais Custos Financeiros Custos Extraordinários Impostos sobre o Rendimento Total de Custos Unidade: milhões de euros 2009 POC 61,3 435,6 247,5 94,7 8,9 16,7 41,3 14,0 4,9 925,0 Componentes do Resultado Líquido do Período Proveitos Vendas e Prestações de Serviços Variação da Produção Transferências e Subsídios Obtidos Trabalhos para a própria entidade Proveitos Suplementares Outros Proveitos Operacionais Proveitos Financeiros Proveitos Extraordinários Total de Proveitos Resultado Líquido do Período 2009 POC 622,6 2,9 169,2 7,6 25,1 12,9 7,9 52,6 900,8 -24,2

Quadro 5.28 | Estrutura do Resultado Líquido do Período das EEL (SNC/2009)
Componentes do Resultado Líquido do Período Vendas e Serviços Prestados Subsídios à Exploração Ganhos/Perdas Imputados de Subsidiárias, Associadas e Empreendimentos Conjuntos Variação nos Inventários da Produção Trabalhos para a Própria Entidade CMVMC Fornecimentos e Serviços Externos Gastos com Pessoal Imparidade de Inventários (perdas/reversões) Imparidade de Dívidas a Receber (perdas/reversões) Provisões (aumentos/reduções) Outros Rendimentos e Ganhos9 Outros Gastos e Perdas10 Resultado Antes de Depreciações, Gastos de Financiamento e Impostos Gastos/Reversões de Depreciação e amortização Resultado Operacional (Antes de Gastos de Financiamento e Impostos) Juros e Rendimentos Similares Obtidos Juros e Rendimentos Similares Suportados Resultado Antes de Impostos Imposto Sobre o Rendimento do Período Resultado Líquido do Período
Unidade: milhões de euros

2009 SNC 690,4 165,3 0,6 1,3 9,7 -63,8 -477,6 -247,4 -0,1 -5,1 -3,8 73,9 -27,3 116,2 -94,2 21,9 3,5 -46,1 -20,7 -3,3 -24,0

187

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.3 Setor Empresarial Local
Neste ponto do Anuário analisam-se os valores e os indicadores associados à atividade financeira das entidades pertencentes ao SEL184 reportados ao final do ano de 2010, para um universo185 de 304 entidades sendo que 180 são Empresas Municipais, 50 são Entidades Empresariais Locais, 36 Sociedades Anónimas, 18 Sociedades Unipessoais por Quotas e 20 Entidades Intermunicipais. Das 304 entidades observadas, cinco iniciaram atividade durante o período de 2010 e uma186 não apresentou as demonstrações financeiras comparativas para 2009. Assim a amostra objeto de valoração para a construção deste anuário respeita a 304 entidades do SEL para o período de 2010 e 298 para o período de 2009. Quadro 5.29 | Entidades Empresariais Locais criadas em 2010

5.3.1. Balanço Global das Entidades do SEL: Entidades Empresariais (EE´s) e Empresas Municipais (EM´s)
Uma vez que o universo do SEL tanto inclui empresas municipais como outras entidades empresariais adotaremos, doravante, para designar este universo em análise, a sigla EE´s/ EM´s. O Gráfico 5.12 apresenta o volume em milhões de euros, dos principais agregados do Balanço Global do SEL, verificando-se, em 2010, um aumento nas rubricas do ativo e do capital próprio, e um ligeiro decréscimo nas rubricas do passivo.

Gráfico 5.12 | Evolução dos grandes agregados do Balanço
3.317 3.461

Entidades Empresariais Locais criadas em 2010 Vitrus Ambiente, EM Ambiolhão - Empresa Municipal de Ambiente de Olhão, EM Terra Cidade, E.E.M STR URBIS - Sociedade de Gestão Urbana de Santarém, EM S.D.M. S.A - Sociedade de Desenvolvimento Municipal da Ilha de Santa Maria, E.E.M

Município Guimarães

Área de Competência Ambiente
2.048 2.030

Olhão

Ambiente
1.431 1.269 2009 2010

Santana

Promoção Local

Santarém

Gestão Urbana Desenvolvimento Municipal

Vila do Porto

Unidade: milhões de euros
184. Definido à luz da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, que aprovou o Regime Jurídico do Setor Empresarial Local. 185. Não estão aqui incluídos os serviços municipalizados, pese embora na introdução ao presente capitulo se tenha considerado que em termos substantivos serão entidades que potencialmente podem pertencer ao SEL. O facto de não terem sido abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 158/2009 de 13 de Julho que aprovou o SNC não permitiu proceder à integração da sua informação contabilística na informação prestada pelas entidades empresariais locais. 186. LT – Sociedade de Reabilitação Urbana, EM do Município de Santarém.

188

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

5.3.1.1 Estrutura e Evolução do Ativo
Os gráficos a seguir apresentados esquematizam o peso no ativo total, do ativo corrente e do ativo não corrente verificando-se alterações relevantes nos respetivos valores de 2009 para 2010. Efetivamente o ativo não corrente reforça a sua relevância em 5pp passando a representar 73% do ativo total, em detrimento do ativo corrente que perde peso equivalente passando a representar 27% do mesmo ativo total. Esta variação Gráfico 5.13 | Estrutura do Ativo no ano de 2009
Total do ativo corrente 32%

de peso reflete a simultaneidade de duas situações: aumento real do ativo não corrente em 12% (+268,9M€) e a diminuição do ativo corrente em também 12%, mas -124,8M€. No Quadro 5.30 apresenta-se a estrutura do ativo não corrente para o global das 304 entidades empresariais, a comparação das respetivas componentes do ativo e as variações estruturais mais relevantes, entre 2009 e 2010. Gráfico 5.14 | Estrutura do Ativo no ano de 2010
Total do ativo corrente 27%

Total do ativo não corrente 60%

Total do ativo não corrente 73%

Quadro 5.30 | Evolução do ATIVO NÃO CORRENTE das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010
Componentes do Ativo não Corrente Ativos Fixos Tangíveis Ativos Fixos Tangíveis em Curso Propriedades de Investimento Goodwill Ativos Intangíveis Ativos Biológicos Participações Financeiras - MEP Participações Financeiras - Outros Acionistas/Sócios Outros Ativos Financeiros Ativos por Impostos Diferidos Outras Contas a Receber Total do ativo não corrente Unidade: milhões de euros 189 2009 (298) Valor 1.561,6 9,6 183,6 10,1 397,8 0,1 23,1 5,5 1,2 44,2 21,0 2,8 2.260,55 % 69,08% 0,43% 8,12% 0,45% 17,60% 0,00% 1,02% 0,24% 0,05% 1,96% 0,93% 0,12% 100% 2010 (304) Valor 1.677,60 21,10 222,09 0,19 526,83 0,07 29,25 3,66 11,24 10,83 23,00 3,55 2.529,42 % 66,32% 0,83% 8,78% 0,01% 20,83% 0,00% 1,16% 0,14% 0,44% 0,43% 0,91% 0,14% 100% Variação 09-10 % 7,4% 119,5% 21,0% -98,1% 32,4% -4,5% 26,7% -33,1% 857,2% -75,5% 9,6% 27,9% 12%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Da análise do quadro antecedente conclui-se o seguinte sobre a constituição e evolução do ativo não corrente pertencente ao SEL: Em 2010, 66,3% do ativo não corrente era constituído por ativos fixos tangíveis, no total de 1 677,6M€. Este valor representou um acréscimo em relação a 2009 de 7,4% (+116 M€) que, com o acréscimo verificado, também, em ativos fixos tangíveis em curso em 119,5% (+11,5 M€), traduz um aumento de investimento realizado com impacto financeiro em 2010. Mais se releva o facto de cinco empresas municipais absorverem 34,2% do valor dos ativos fixos tangíveis, apresentando valores superiores a 50 M€, neste item. A entidade que maior valor apresenta em ativos fixos tangíveis, é a Águas de Gaia, EEM, com 183,98M€. O investimento realizado com repercussões financeiras em 2010 refletiu, ainda, o aumento significativo de 32,4% em ativos intangíveis (+129 M€) os quais passaram a representar 20,8% do total do ativo não corrente. Em termos absolutos foi o ativo que mais cresceu em 2010. Seis entidades empresariais absor-

vem 94,3% do total dos ativos intangíveis considerados neste universo de análise, sendo de anotar os valores registados pela VALORSUL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA, de 204,08M€ e pela TRATOLIXO - Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM, de 142,69M€. Anota-se, ainda, que a empresa que apresentou maior aumento de valor neste item, em 2010, foi a AC - Águas de Coimbra, EEM, com +191 milhares de euros, pese embora o total considerado, no montante de 363.386 euros, ser manifestamente inferior ao das seis empresas com maior relevância neste ativo. Outros ativos não correntes que apresentam uma evolução positiva, com elevadas taxas de crescimento são: propriedades de investimento com +21% (+38,5M€), participações financeiras MEP187 com +26,7% (+6,2M€) e accionistas/sócios com +857,2% e +10 M€.
187. O Livro Branco do Setor Empresarial Local, recomenda uma “Reflexão sobre a eventual proibição de aquisição, pelas empresas do SEL, de participações em entidades terceiras, evitando assim o fenómeno de um “SEL indireto” ou em segunda linha”.

Quadro 5.31 | Empresas Municipais que apresentam valores no AFT188 superiores a 50 milhões de euros em 2010
Empresa Municipal Águas de Gaia, EEM CMPEA - Empresa de Aguas do Município do Porto, EM AGERE - Águas, Efluentes e Resíduos, EM AC - Aguas de Coimbra, EEM ICOVI - Infraestruturas e Concessões da Covilhã, EMM Município Vila Nova de Gaia Porto Braga Coimbra Covilhã Ativos Fixos Tangíveis 183,98 138,5 112,41 73,84 64,19

Unidade: milhões de euros

Quadro 5.32 | Empresas Municipais que apresentam valores no AI superiores a 20 milhões de euros em 2010
Empresa Municipal VALORSUL - Valorização e Trat. de Resíduos Sólidos, S.A. TRATOLIXO - Tratamento de resíduos sólidos, EIMe INDAQUA FEIRA - Indústria e Gestão de Águas, S.A. INDAQUA MATOSINHOS - Gestão de Águas de Matosinhos, S.A. VRSA - Sociedade de Gestão Urbana, E.M., S.A Águas de Gaia, EEM Município Loures Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Santa Maria da Feira Matosinhos Vila Real de Santo António Vila Nova de Gaia Ativos Intangíveis 204,08 142,69 74,02 33,52 21,95 20,66

Unidade: milhões de euros e. Empresa constituída pelos municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra.
188. Ativos Fixos Tangíveis.

190

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Face às repercussões que poderá ter na constituição por via indireta de um subsidiário SEL, por via da criação de empresas por parte das entidades empresariais locais, apresenta-se a listagem das empresas locais com participações financeiras, relevando-se o valor do capital assumido pela EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos

do Alto Tâmega e Barroso, S.A.( 11,3M€), AGERE - Águas, Efluentes e Resíduos, EM ( 5M€) , ICOVI - Infraestruturas e Concessões da Covilhã, EEM ( 3,8M€), VRSA - Sociedade de Gestão Urbana, EM S.A. (2,8M€), EPUL - Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (2 M€) e Foz Coainvest - Energia, Turismo e Serviços, EM (1,6M€).

Quadro 5.33 | Empresas Municipais com Participações Financeiras – MEP em 2010
Participações Financeiras - MEP 11.310.164 5.051.140 3.751.771 2.800.506 2.034.948 1.545.240 576.759 409.480 343.718 298.264 165.887 150.000 141.108 86.853 76.467 64.555 50.218 50.000 49.000 45.492 44.968 40.478 24.756 24.500 23.666 23.446 23.152 19.279 16.224 5.050 25 29.247.113,78

Empresa Municipal EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, S.A. AGERE - Águas, Efluentes e Resíduos, EM (Braga) ICOVI - Infraestruturas e Concessões da Covilhã, EEM (Covilhã) VRSA - Sociedade de Gestão Urbana, EM S.A. (Vila Real de Santo António) EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa Foz Coainvest - Energia, Turismo e Serviços, EM Coliseu Micaelense - Soc Prom. Eventos culturais ETE - Empresa de Turismo Estoril, EM S.A. FUTURLAGOS - Entidade Empresarial Municipal para o Desenvolvimento, EEM Figueira Domus - Empresa Municipal de Gestão de Habitação da Figueira da Foz, EM Pavimafra - Infraestruturas e Rodovias, EM PFR Invest - Sociedade de Gestão Urbana, EM AIN - Agroindustrial do Nordeste, S.A VFC Empreendimentos - Empresa Municipal de Atividades Desportivas, Recreativas e Turísticas, EM Vila Solidária - Empresa Municipal de Habitação Social, EM Culturpico, EM Velasfuturo - Empresa Publica Municipal de Gestão de Equipamentos, EM Madalena Progresso, EEM EML - Empresa Municipal Urbanização, Requalificação Urbana e Ambiental e Habitação Social de Lagoa, EM ABTT - Aguiar da Beira Termas e Turismo, EEM Municípia, S.A. - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, S.A. Espaço Povoação - Empresa Municipal de Atividades Desportivas, Recreativas e Turísticas, EM Praia em Movimento, EM Nordeste Ativo, EM TUB - Transportes Urbanos de Braga, EM Lamego Convida - Gestão de Equipamentos Municipais, EEM Companhia das Águas das Caldas de Arêgos, EM S.A. Nazaré Qualifica, EM Tegec Trancoso Eventos Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos Culturais e de Lazer, EEM Proruris - Desenvolvimento Rural de Vinhais, EEM H.S.N. - Empresa Municipal de Habitação Social do Concelho de Nordeste, EM Unidade: euros

Município Vila Real Braga Covilhã Vila Real de Santo António Lisboa Vila Nova de Foz Côa Ponta Delgada Cascais Lagos Figueira da Foz Mafra Paços de Ferreira Mirandela Vila Franca do Campo Vila Franca do Campo Lajes do Pico Velas Madalena Lagoa (R.A.A) Aguiar da Beira * Povoação Vila da Praia da Vitória Nordeste Braga Lamego Resende Nazaré Trancoso Vinhais Nordeste Total

* Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro Do Sul; Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu. 191

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Pelas mesmas razões se apresenta a lista das entidades empresariais locais que subscreveram participações financeiras que representam participações de capital em entidades que não são nem subsidiárias nem associadas ou em empreendimentos conjuntos. Quadro 5.34 | Empresas Municipais com Outras Participações Financeiras em 2010
Empresa Municipal AMBILITAL - Investimentos Ambientais no Alentejo EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, S.A. Companhia das Águas das Caldas de Arêgos, EM S.A. AVEPARK - Parque de Ciência e Tecnologia, S.A. PARKURBIS - Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã, S.A. Penafiel Verde - Entidade Empresarial Local, EEM COMBANIMA - Espaços Municipais EM Penafiel Ativa, EEM POVOAINVEST - Empresa Municipal de Habitação Social, EM Rumo 2020, EM Trofa Park - Empresa de Reabilitação Urbana e Desenvolvimento Económico, EEM URBHORTA – Const. Gest. Expl. Proj. Desenvolvimento Empresarial. EM Sabugal Empresa Municipal de Gestão Espaços Culturais Desportivos Turísticos e de Lazer, EM EIMRAM - Empresa Intermunicipal da Região Autónoma da Madeira, EIM EDEAF - Empresa Municipal de Desenvolvimento de Alfandega da Fé, EM PROENÇATUR - Empresa de Turismo de Proença, EM Logica - Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, EM Academia das Artes da Maia - Produções Culturais, EM Geodesis - Promoção Gestão Turística de Vila Rei - EM Resíduos do Nordeste, EIM PRIMUS - Promoção e Desenvolvimento Regional, S.A. WRC - Agência de Desenvolvimento Regional, S.A. Matadouro Regional de Mafra, S.A. ECALMA - Empresa Municipal de Estacionamento e Circulação de Almada, EM Ambisousa – Empresa Intermunicipal de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos, EIM TERNISA - Termas da Fadagosa de Nisa, EM EPAVE - Escola Profissional do Alto Ave, Sociedade Unipessoal, Lda. EPVL - Escola Profissional da Mealhada, Lda. Foz Coainvest Energia Turismo e Serviços, EM ENASEL - Turismo e Cinegética, S.A. Gesruda - Gestão de Equipamentos Municipais e Prestação de Serviços, EM Escola Profissional Amar Terra Verde, Lda. Unidade: euros
* Alcácer do Sal, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines.

Município * Vila Real Resende Guimarães Covilhã Penafiel Santa Comba Dão Penafiel Povoação Cartaxo Trofa Horta Sabugal Funchal Alfândega da Fé Proença-a-Nova Moura Maia Vila de Rei ** Porto Coimbra Mafra Almada *** Nisa Póvoa de Lanhoso Mealhada Vila Nova de Foz Côa Sousel Arruda dos Vinhos Vila Verde Total

Outras Participações Financeiras 1.859.000 715.977 322.134 271.100 114.195 55.000 54.395 51.700 48.938 32.699 25.000 24.500 21.827 13.003 10.700 10.000 5.250 5.000 5.000 3.750 2.494 1.000 1.000 998 510 500 500 499 275 249 200 130 3.657.523

** Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Vimioso e Vinhais. *** Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel

192

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Porque acionistas/sócios é um item que apresenta um crescimento extraordinário e traduz dívida dos municípios ao setor empresarial local por via da não realização das suas obrigações enquanto acionistas ou sócios, releva-se a lista das entidades empresariais que demonstram créditos sobre acionistas. Este item aumentou, na globalidade 10M€, montante este totalmente da responsabilidade da empresa Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A., a qual apresenta um registo de 10,3M€ em 2010 contra zero valor em 2009.

O único ativo não corrente que apresenta uma diminuição com algum significado, pese embora não tenha sido relevante para o sinal da variação do agregado, foi outros ativos financeiros com -75,5% e -33,4M€. Apresenta-se a lista das empresas que contribuíram para esta diminuição, sendo de relevar a influência da empresa Valorsul Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e Oeste, S.A., ao baixar o valor deste item em -30,7M€.

Quadro 5.35 | Empresas Municipais com valores inscritos na rubrica de Acionistas/Sócios em 2009 e 2010
Empresa Municipal PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. VFC Empreendimentos - Empresa Municipal de Atividades Desportivas, Recreativas e Turisticas, EM EPAVE - Escola Profissional do Alto Ave, Sociedade Unipessoal, Lda Unidade: euros Município Braga Portimão Vila Franca do Campo Póvoa de Lanhoso Acionistas/ Sócios 2009 1.094.030,79 0,00 37.312,08 42.623,29 Acionistas/ Sócios 2010 884.030,79 10.352.683,53 799,75 0,00

193

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Quadro 5.36 | Empresas Municipais com valores inscritos na rubrica de Outros ativos financeiros em 2009 e 2010
Outros Ativos Financeiros 2009 0 0 0 0 24.213 355.971 541.963 500 400.000 2.494 500 929.290 500.000 32.015.366 91.167 14.296 50.000 1.058 696.613 7 2.500 51.615 2.677.162 0 500 2.724.516 73.234 183.563 1.125.593 Total Unidade: euros * Almeirim, Alpiarça, Benavente, Cartaxo. Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos **Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Vimioso e Vinhais. 194 42.462.121 Outros Ativos Financeiros 2010 500 1.005.744 11.523 868.506 6.713 271.286 541.963 500 200.000 2.494 500 929.290 500.000 1.272.635 182.541 0 50.000 0 696.613 7 2.500 15.000 0 110.000 500 2.750.281 103.815 184.425 1.125.594 10.832.930

Empresa Municipal Alfandegatur - Empresa de Desenvolvimento Turístico de Alfândega da Fé, EM Ecoleziria - Empresa Intermunicipal para o Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM EMEC - Empresa Municipal de Educação e Cultura de Barcelos, EM BRAVAL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A. Campomaior XXI, EM ETE - Empresa de Turismo Estoril, EM S.A. EMCEL - Empresa Municipal Celoricense - Gestão de Espaços Culturais e Sociais, EM Gestão de Equipamentos do Município de Chaves, EEM Figueira Grande Turismo, EEM Fundão Turismo, EM Fundão Verde - Espaços e Jardins, EM Leirisport Desporto Lazer e Turismo, EM Infraquinta - Empresa de Infraestruturas da Quinta do Lago, EM Valorsul- Valorização e Trat. de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e Oeste, SA Academia das Artes da Maia - Produções Culturais E.M. Espaço Municipal- Renovação Urbana e Gestão do Património, EEM Tecmaia - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, S.A. EM Fluviario de Mora - Empresa Municipal, EEM Óbidos Requalifica - Entidade Empresarial Municipal, EEM Pmugeste - Pombal Manutenção Urbana, EM Cmpea - Empresa de Águas do Mun. do Porto, EM Eprm - Escola Profissional de Rio Maior, Lda. Águas de Santarém S.A. EM Sabugal - Empresa Municipal de Gestão Espaços Culturais Desportivos Turísticos e de Lazer, EM Taviraverde - Empresa Municipal de Ambiente, EM Foz Coainvest - Energia Turismo e Serviços, EM Amigaia - Agência Municipal de Investimento de Vila Nova de Gaia, EEM Resíduos do Nordeste, EIM EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, SA

Município Alfândega da Fé * Barcelos Braga Campo Maior Estoril Celorico da Beira Chaves Figueira da Foz Fundão Fundão Leiria Loulé Loures Maia Maia Maia Mora Óbidos Pombal Porto Rio Maior Santarém Sabugal Tavira Vila Nova de Foz Coa Vila Nova de Gaia ** Vila Real

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

No quadro 5.37 apresentam-se as entidades empresariais que registam valores na rubrica “Outras contas a receber”. O maior valor registado pertence à empresa GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM, com 1,7M€. Quadro 5.37 | Entidades Empresariais Locais com valores inscritos no ativo não corrente na rubrica de Outras contas a receber
Entidades Empresariais Locais TEMA - Teatro Municipal de Aveiro EM BRAGAHABIT - EM de Habitação de Braga, EM ALBIGEC - Empresa de Gestão de Equipamentos Culturais Desportivos e de Lazer, EM GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM TRATOLIXO - Tratamento de resíduos sólidos, EIM Unidade: euros Município Aveiro Braga Castelo Branco Lisboa Braga Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Total Outras Contas a Receber 2010 -SNC 178.500,00 886.760,00 84.932,00 1.671.197,00 103.550 621.178 3.546.117

No Quadro 5.38, apresenta-se a estrutura do ativo corrente das 304 entidades empresariais, a comparação das respetivas componentes do balanço e as variações estruturais mais relevantes, entre 2009 e 2010. Quadro 5.38 | Evolução do ATIVO CORRENTE das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010
Componentes do Ativo Corrente Valor Inventários Activos Biológicos Clientes Adiantamentos a Fornecedores Estado e outros Entes Públicos Accionistas/Sócios Outras Contas a Receber Diferimentos Activos Financeiros Detidos para Negociação Outros Activos Financeiros Activos não Correntes Detidos para Venda13 Caixa e Depósitos Bancários Total do ativo corrente Unidade: milhões de euros 195 221,0 0,1 204,4 7,6 20,6 7,8 416,0 43,5 0,0 1,2 0,0 134,4 1.056,52 2009 (298) % 20,92% 0,01% 19,35% 0,72% 1,95% 0,73% 39,37% 4,12% 0,00% 0,11% 0,00% 12,72% 100% Valor 215,5 1,3 220,0 5,3 20,8 30,3 240,2 37,0 0,0 2,0 11,2 148,2 931,68 2010 (304) % 23,13% 0,14% 23,62% 0,57% 2,23% 3,25% 25,78% 3,97% 0,00% 0,21% 1,20% 15,91% 100% Variação 09-10 % -2,5% 955,4% 7,6% -30,9% 0,8% 290,8% -42,3% -15,0% 3,7% 69,1% 10,3% -12%

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Da análise do quadro antecedente conclui-se o seguinte sobre a constituição e evolução do ativo corrente pertencente ao SEL: • O decréscimo dos créditos registados em “Outras contas a receber”, no montante de -175,8M€ (-42,3%) foi determinante para a descida do ativo corrente do SEL em -12% (-124,8M€). Tratando-se de um forte ativo disponível a curto prazo, cujo peso é o mais relevante na estrutura do ativo corrente (25,8%), a sua variação deve ser analisada com a variação dos rendimentos obtidos e com a estrutura do cash-flow e com as dívidas a pagar. Ora se atentarmos para a variação das contas a pagar correntes, verifica-se que as mesmas aumen•

taram 181,2% (+1 564,6M€) em 2010, sinal da falta de liquidez do SEL. No quadro seguinte apresentam-se as empresas com maior variação negativa neste registo. Outros dois ativos correntes que apresentaram descida de valor, em 2010, foram os diferimentos com -15% (-6,5M€) e os inventários com -2,5% e -5,5M€.

Em termos de variações positivas de elementos deste agregado do ativo, releva apontar o aumento do valor em accionistas/sócios em +290,8% (+22,5M€). Apresenta-se no quadro 5.46B a listagem das entidades empresariais que registam valores nesta rubrica do activo corrente e não corrente.

Quadro 5.39 A | Entidades Empresariais com maior variação negativa em “Outras Contas a Receber”
Outras Contas a receber 2009 210.854.086 20.423.892 2.214.217 1.628.642 2.281.029 4.641.922 Outras Contas a receber 2010 1.090.228 13.421.065 510.204 754 790.938 3.390.839

Entidades Empresariais Locais Mafratlântico - Vias Rodoviárias, EM TRATOLIXO - Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM PRIMUS - Promoção e Desenvolvimento Regional, SA EML - Empresa Municipal Urbanização Requalificação Urbana e Ambiental e Habitação Social de Lagoa EM EPVL - Escola Profissional da Mealhada, Lda. Educa - Empresa Municipal de Gestão e Manutenção de Equipamentos Educativos de Sintra EM Unidade: euros

Município Mafra Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Porto Lagoa Mealhada Sintra

Diferença -209.763.858 -7.002.827 -1.704.012 -1.627.888 -1.490.091 -1.251.082

196

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.39 B | Entidades Empresariais com valores inscritos na rubrica de Accionistas /Sócios no Ativo Não Corrente e no Ativo Corrente
Entidades Empresariais Locais GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa EEM Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. GAIASOCIAL -Entidade Empresarial Municipal de Habitação, EEM EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa LISBOA OCIDENTAL SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana EM GAIANIMA Equipamentos Municipais EEM PORTOVIVO, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, SA PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM Municípia, SA - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, SA MS MATOSINHOS SPORT - Empresa Municipal de Gestão e Equipamentos Desportivos e de Lazer, EM TERNISA - Termas da Fadagosa de Nisa, EM INDAQUA FEIRA - Indústria e Gestão de Águas, SA CULTURGUARDA Gestão da Sala de Espetáculos e Atividades Culturais, EM (TMG) ECALMA - Empresa Municipal de Estacionamento e Circulação de Almada EM HABISOLVIS - Empresa Municipal de Habitação Social de Viseu, EM PALMELA DESPORTO - Empresa Municipal Gestão de Espaços e Equipamentos Desportivos Municipais, EM TURRISESPAÇOS-Empresa Mun. de Gestão Equipamentos Culturais e Desportivos do Município de Torres Novas, EEM EPAVE - Escola Profissional do Alto Ave, Sociedade Unipessoal, Lda ALFANDEGATUR - Empresa de Desenvolvimento Turístico de Alfandega da Fé, EM CampoMaior XXI, EM Resialentejo - Tratamento e Valorização de Resíduos, EIM VRSA, Sociedade de Gestão Urbana, E.M., S.A Sociedade Termal de Monção, Unipessoal, Lda EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, SA VFC Empreendimentos - Empresa Municipal de Atividades Desportivas, Recreativas e Turisticas, EM VOUGAPARK - Parque Tecnológico e de Inovação do Vouga EM Culturpico EM Unidade: euros * Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro Do Sul; Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu. **Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa 197 Município Lisboa Portimão Vila Nova de Gaia Lisboa Lisboa Vila Nova de Gaia Porto Braga * Matosinhos Nisa Santa Maria da Feira Guarda Almada Viseu Palmela Torres Novas Póvoa de Lanhoso Alfândega da Fé Campo Maior ** Vila Real de Santo António Monção Vila Real Vila Franca do Campo Sever de Voga Lajes do Pico Acionistas/ Sócios 12.300.000 10.352.684 4.965.652 3.333.374 2.506.569 2.357.598 2.093.712 1.094.031 900.685 376.587 346.379 319.345 259.619 129.962 93.124 59.378 27.608 14.201 12.277 5.556 3.796 2.500 2.494 1.221 800 607 600

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Outro ativo corrente que apresentou uma variação positiva foi o item de Clientes, a qual traduz os créditos de curto prazo existentes sobre os mesmos. Esta conta aumentou 7,6%, isto é, +15,6M€ e apresenta um peso relevante na estrutura do ativo corrente ao representar 23,6% do mesmo. Um dos ativos disponíveis a curto prazo que interessa relevar face à notoriedade do seu registo no balanço com as alterações introduzidas com o SNC, são os ativos não correntes detidos para venda. O total contabilizado no SEL com esta atribuição foi de 11,2M€ e o seu peso na estrutura do ativo não corrente foi de 1,2%. Pela especificidade desta conta importa apontar as entidades que a movimentam. A saber: TECMAIA - PARQUE DE CIENCIA E TECNOLOGIA DA MAIA S A EM ; IN - AGROINDUSTRIAL DO NORDESTE, SA e a PORTO LAZER, EM. É ainda de notar o peso excessivo das disponibilidades em

Caixa e depósitos bancários189 no final do ano económico, tanto de 2009 como de 2010 sendo que foram superiores neste último. Efetivamente em 2009 representaram 12,7% do total do ativo corrente e em 2010 15,9% do mesmo, traduzidos respetivamente nos montantes de 134,4M€ e 148,2M€.

5.3.1.2 Estrutura e Evolução do Capital Próprio
O gráfico a seguir apresentado compara as componentes do capital próprio, constatando-se que a estrutura se mantém sem grande alteração de 2009 para 2010, sendo de realçar o peso excessivo no capital próprio das rubricas “Outras variações no capital próprio” e “Excedentes de revalorização” que, em conjunto, pesam mais que 36,6%.
189. Num momento em que o pagar a tempo e horas deu origem a legislação enquadradora dos prazos de pagamento dos serviços e institutos públicos, face aos constrangimentos criados na economia com o mau pagamento do setor público, estes saldos de disponibilidades não se ajustam ao facto de existir um volume significativo de dívidas de curto prazo, também no final de cada ano económico

Gráfico 5.15 | Estrutura do Capital Próprio em 2009 e 2010
80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% -10% -20% Capital Realizado e Outros Inst. CP (1+2) Reservas legais e Outras Reservas (4+5) -12,1% -11,1% Resultados Transitados (6) Ajustamentos, Excedentes e Variações (3+7+8+9) Resultado Líquido (10) -1,6% -0,3% 3,3% 4,1% 37,7% 36,6% 72,6% 70,7%

2009 2010

198

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.40 | Evolução do Capital Próprio de 2009 para 2010
Componentes do Capital Próprio Valor Capital Realizado (1) Outros Instrumentos de Capital Próprio (2) Prémios de Emissão (3) Reservas Legais (4) Outras Reservas (5) Resultados Transitados (6) Ajustamentos em Activos Financeiros (7) Excedentes de Revalorização (8) Outras Variações no Capital Próprio (9) Resultado Líquido do Período (10) Total do capital próprio Unidade: milhões de euros 857,3 64,4 0,5 11,0 30,8 -153,4 4,5 42,9 431,0 -20,1 1.269,02 2009 (298) % 67,56% 5,08% 0,04% 0,87% 2,43% -12,09% 0,36% 3,38% 33,96% -1,59% 100% Valor 946,1 65,9 0,5 12,0 46,7 -159,3 4,8 61,7 456,2 -3,9 1.430,73 2010 (304) % 66,13% 4,60% 0,03% 0,84% 3,27% -11,13% 0,34% 4,31% 31,88% -0,27% 100% Variação 09-10 % 10,4% 2,2% -1,1% 8,7% 51,4% -3,8% 6,9% 43,8% 5,8% -80,8% 13%

No Quadro 5.40 apresenta-se a estrutura do capital próprio das entidades empresariais em análise bem como a sua evolução entre 2009 e 2010. Conforme apresentado no ponto 5.1 deste capítulo, a adoção das NCRF provocou um grande impacto nas rubricas de capital próprio das Entidades Empresariais Locais aumentando de forma significativa os seus capitais próprios, pela inclusão dos subsídios ao investimento nas rubricas de capital. Para além deste facto verifica-se, ainda, um aumento significativo do capital realizado (+10,4% e +88,8M€). Acresce referir que esta rubrica foi expurgada, em sede de implementação do SNC, do saldo da conta 261 - Accionistas c/ subscrição ou 262 - Quotas não liberadas. Esta conta de capital próprio evidencia deste modo, apenas, o valor do capital subscrito e realizado, contrariamente ao que acontecia no POC. Em termos relativos a componente “Outras reservas”, foi a que apresentou maior variação ao crescer 51,4%, apresentando em termos absolutos o acréscimo de 15,9M€. Pela análise das contas verifica-se que só a empresa local Va-

lorsul - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e Oeste, S.A190 apresentou um aumento nesta rubrica de 17,3 M€, sendo por isso a principal responsável pela variação positiva desta rubrica. Outra rubrica do capital próprio a relevar será a de “Excedentes de revalorização” a qual representa essencialmente as “reservas” de reavaliação e que aumentaram 43,8% (+18,8M€), em 2010. Pese embora em termos relativos a variação da rubrica “Outras variações no capital próprio” tenha sido pouco relevante (5,8%), em termos reais apresenta o valor significativo de 25,2M€. Neste item com o SNC passou-se a registar os subsídios ao investimento atribuídos às EM’s que, anteriormente pelo POC eram classificados como proveitos diferidos. Inclui, ainda, e com relevante impacto os ajustamentos por impostos diferidos. As empresas que mais
190. Pela análise das contas desta empresa presume-se que pode ter havido deliberação, em relação aos resultados de 2010, de transferir o valor de resultados transitados para reservas livres pois, apresentou em 2009 resultados transitados de 16 milhões de euros e um resultado líquido de 6 milhões. No ano de 2010 a Valorsul não apresentou valores em resultados transitados, pelo que se pode inferir que os resultados transitados de 2009 tenham sido transferidos para a rubrica “Outras reservas”, enquanto reservas livres.

199

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

contribuíram para esta variação, embora com sinal contrário, foram: empresa AMBIOLHÃO-EMPRESA MUNICIPAL DE AMBIENTE DE OLHÃO, EM com -9.019.224,75 euros e a AGUAS DE GAIA - ENTIDADE EMPRESARIAL LOCAL EEM com 46.717.346,56 euros. O resultado líquido do período registou uma variação positiva de 80,8%, isto é, de 16,3M€., tendo 139 entidades apresentado diminuição dos resultados em relação a 2009.

5.3.1.3 Estrutura e Evolução do Passivo
Os gráficos a seguir apresentados esquematizam o peso no passivo total, do passivo corrente e do passivo não corrente verificando-se alterações relevantes nos respetivos valores de 2009 para 2010. O passivo não corrente diminui de relevância em 2pp passando a representar 55% do passivo total, em favor do passivo corrente que ganha peso equivalente em 2pp, passando a representar 45% do mesmo passivo total. Esta variação de peso reflete a simultaneidade de duas situações: diminuição real do passivo não corrente em 5% (-59,3M€) e o aumento do passivo corrente em também 5% e 41,6M€.

Gráfico 5.16 | Estrutura do Passivo no ano de 2009
Total do passivo corrente 43%

Gráfico 5.17 | Estrutura do Passivo no ano de 2010
Total do passivo corrente 45%

Total do passivo não corrente 57%

Total do passivo não corrente 55%

200

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.41 | Evolução do Passivo não Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010
2009 (298) Valor Fornecedores Provisões Financiamentos Obtidos Accionistas/ Sócios
f

Componentes do Passivo não Corrente

2010 (304) % Valor 0,57 39,40 790,59 10,23 0,60 105,52 164,45 1.111,36 % 0,1% 3,6% 71,1% 0,9% 0,1% 9,5% 14,8% 100%

Variação 09-10 % 164,6% -28,2% -6,5% -7,2% 210,0% 32,0% -8,2% -5%

0,2 54,9 845,1 11,0 0,2 80,0 179,2 1.170,62

0,0% 4,7% 72,2% 0,9% 0,0% 6,8% 15,3% 100%

Estado e outros Entes Públicos Passivos por Impostos Diferidos Outras Contas a Pagar Total do passivo não corrente Unidade: milhões de euros

f. As empresas que apresentam passivo desta natureza são: PEB – Empresa Parque de Exposições de Braga, EM (198.184€), HABEVORA GESTÃO HABITACIONAL EEM (9.961.344€) e AGROINDUSTRIAL DO NORDESTE, .SA. (68.843€)

No Quadro 5.41 apresenta-se a estrutura do passivo não corrente das 304 entidades empresariais, a comparação das respetivas componentes do balanço e as variações estruturais mais relevantes, entre 2009 e 2010. Da análise do quadro antecedente sobre a constituição e evolução do passivo não corrente pertencente ao SEL, conclui-se que em 2010, 71,1% do passivo não corrente era constituído por financiamentos obtidos, no total de 790,6M€. Este valor representou uma diminuição em relação a 2009 de 6,5% (-54,5M€) que, com os decréscimos verificados, tam-

bém, em provisões e outras contas a pagar respetivamente em 28,2% (-15,5 M€) e 8,2% (-14,8M€), foram determinantes para a diminuição líquida do passivo não corrente em 59,3M€ e para a anulação dos efeitos do aumento dos passivos por impostos diferidos (+25,5M€). Anota-se que 43 empresas apresentam dívidas de médio e longo prazo a outros credores que não os bancos e 25 entidades empresariais diminuíram em 2010 o saldo desta rubrica. No Quadro 5.41 A listam-se as empresas com maior amortização de empréstimos de médio e longo prazo.
201

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Quadro 5.41 A | Lista das EEL com maior amortização de financiamentos obtidos de MLP entre 2009 e 2010
Entidades Empresariais Locais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 MAFRATLÂNTICO - Vias Rodoviárias EM EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa VALORSUL-Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e Oeste, SA AGERE - EM de Águas, Efluentes e Resíduos, EM FIGUEIRA DOMUS - Empresa Municipal de Gestão de Habitação da Figueira da Foz EM TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, SA EM CMPEA - Empresa de Aguas do município do Porto, EM EMEL- Empresa Publica Municipal de Estacionamento de Lisboa, EM PFR INVEST - Sociedade de Gestão Urbana EM EHATB - Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, SA EIMRAM - Empresa Intermunicipal da Região Autónoma da Madeira – Invest. e Serv. Intermunicipais, EIM AC - Aguas de Coimbra EEM Azores Parque SA TERMALISTUR Termas de S. Pedro do Sul, EEM LEIRISPORT Desporto Lazer e Turismo EM Coimbra Inovação Parque - Parque de Inovação em Ciência em Tecnologia, Saúde, EM, SA TIP - Transportes Intermodais do Porto, ACE PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM TUB - Transportes Urbanos de Braga, EM FIGUEIRA GRANDE TURISMO -EEM TROFA PARK - Empresa de Reabilitação Urbana Desenvolvimento Economico Inovação Empresarial e Gestão de Equipamento, EEM GIATUL Empresa Municipal para Gestão de Infraestruturas em Atividades Turísticas Em VRS - Vila Real Social, Habitação e Transportes, EM ECOBEIRÃO - Sociedade para o Tratamento de Resíduos Sólidos do Planalto Beirão, EIM SA NATURTEJO - Empresa de Turismo EIM Matadouro Regional de Mafra, SA TAVIRAVERDE - Empresa Municipal de Ambiente, EM GESAMB - Gestão Ambiental e de Resíduos, EM AVEPARK - Parque de Ciência e Tecnologia, SA AMBIOUREM - Gestão de Espaços e Equipamentos Municipais, EEM EMAC - Emp de Ambiente, EM PROENÇATUR - Empresa de Turismo de Proença, EM Municípia, SA - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, SA MMPO - Mercado Municipal de Portalegre, SA AMBILITAL - Investimentos Ambientais no Alentejo Município Mafra Lisboa Loures Braga Figueira da Foz Maia Porto Lisboa Paços de Ferreira Vila Real Funchal Coimbra Ponta Delgada São Pedro do Sul Leiria Coimbra Porto Braga Braga Figueira da Foz Trofa Mafra Vila Real Santa Comba Dão Castelo Branco Mafra Tavira Évora Guimarães Ourém Cascais Proença-a-Nova * Portalegre ** Amortização de Financiamentos Obtidos (Passivo não Corrente) -148.900.000,0 -10.000.000,0 -6.767.058,1 -1.459.950,7 -1.450.664,2 -1.394.694,0 -1.250.000,0 -1.194.698,0 -1.044.082,4 -954.223,0 -890.346,0 -842.164,0 -779.711,8 -655.634,0 -624.988,6 -594.500,0 -580.227,7 -550.000,0 -533.269,0 -436.979,1 -428.571,4 -416.406,0 -409.595,1 -347.455,0 -250.000,0 -248.400,0 -235.248,5 -197.319,0 -190.398,4 -176.025,1 -164.565,5 -160.669,6 -147.775,7 -146.538,0 -133.183,6

Unidade: euros * Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro Do Sul; Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu. ** Alcácer do Sal, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines

202

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

No Quadro 5.42 apresenta-se a estrutura do passivo corrente das 304 entidades empresariais, a comparação das respetivas componentes do balanço e as variações estruturais mais relevantes, entre 2009 e 2010. Da análise do quadro antecedente conclui-se o seguinte sobre a constituição e evolução do passivo corrente do SEL: • O aumento do passivo exigível em 61M€ foi ocasionado, essencialmente, pelo acréscimo de dívidas a fornecedores em +32,1M€ (+15,2%), outras contas a pagar em +14M€ (+5,8%), responsabilidades com financiamentos em +9,7M€ (+4,1%) e dívidas ao Estado em +7,3M€ (+44,1%).

Contribuíram para a diminuição do passivo corrente o decréscimo de valor das seguintes rubricas: adiantamentos a clientes em -15,8M€ (-19,6%), accionistas/sócios em -5M€ (-22,4%); e diferimentos em -3,8M€ (-6%). As componentes com maior peso no passivo corrente foram: Outras contas a pagar com o peso de 27,9%; Financiamentos obtidos com um impacto de 26,9%; e Fornecedores com um peso de 26,5%.

No Quadro 5.42 A listam-se as entidades empresariais locais (EEL) com maior aumento de empréstimos de curto prazo.

Quadro 5.42 | Evolução do Passivo Corrente das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010
2009 (298) Componentes do Passivo Corrente Valor Fornecedores Adiantamentos de Clientes Estado e Outros Entes Públicos Accionistas/ Sócios Financiamentos Obtidos Outras Contas a Pagar Diferimentos Outros Passivos Financeiros Total do passivo corrente
g

2010 (304) % Valor 24,1% 9,2% 1,9% 2,5% 27,0% 27,6% 7,0% 0,7% 100% 243,2 65,1 24,0 17,1 246,8 256,5 57,3 8,8 919,0 % 26,5% 7,1% 2,6% 1,9% 26,9% 27,9% 6,2% 0,9% 100%

211,1 80,9 16,7 22,1 237,1 242,5 61,1 5,9 877,4 Unidade: milhões de euros

g. Com o SNC, esta rubrica engloba o valor das rendas vincendas num período inferior a um ano. 203

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Quadro 5.42 A | Lista das EEL com maiores aumentos na rubrica financiamentos obtidos de CP entre 2009 e 2010
Entidades Empresariais Locais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 ESUC - Empresa de Serviços Urbanos de Cascais E M EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa PFR Invest - Sociedade De Gestão Urbana EM TRATOLIXO - Tratamento de resíduos sólidos, EIM AGERE - EM de Águas, Efluentes e Resíduos, EM Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. EGEAC - Empresa De Gestão De Equipamentos E Animação Cultural EM Coimbra Inovação Parque - Parque de Inovação em Ciência em Tecnologia, Saúde, EM, SA TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia SA EM Município Cascais Lisboa Paços de Ferreira Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Braga Portimão Lisboa Coimbra Maia Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Golegã e Salvaterra de Magos Braga Guimarães Covilhã Lisboa Porto * Azambuja Tavira Sever do Vouga Barcelos Penafiel Guimarães Ourém Vila Verde Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacem e Sines Braga Trofa Paredes Santarém Nordeste Ponta Delgada Esposende Castelo Branco Braga Vila Nova de Gaia Aumentos de Financiamentos Obtidos (Passivo Corrente) 4.471.684 4.345.000 4.216.487 4.077.736 2.361.089 1.970.413 1.865.144 1.562.500 1.399.753 1.376.695 1.151.492 834.128 815.000 720.986 711.360 530.482 478.705 469.500 435.304 435.277 420.000 394.900 375.508 375.329 340.338 340.000 280.321 276.000 250.000 249.009 243.570 239.977 238.000 235.180 202.440

10 Águas do Ribatejo, EIM 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 TUB - Transportes Urbanos de Braga, EM Vimágua - EIM de Água e Saneamento de Guimarães e Vizela Nova Covilhã, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana, EM GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa EEM TIP - Transportes Intermodais Do Porto, ACE Municípia, SA - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, SA EMIA - EM de Infraestruturas de Azambuja, EM TAVIRAVERDE - Empresa Municipal de Ambiente, EM VOUGAPARK - Parque Tecnológico e de Inovação do Vouga EM EMEC - Empresa Municipal de Educação e Cultura de Barcelos E.M. PENAFIEL VERDE Entidade Empresarial Local EEM AVEPARK - Parque de Ciência e Tecnologia, SA AMBIOUREM - Gestão de Espaços e Equipamentos Municipais EEM Escola Profissional Amar Terra Verde, LDA

25 REGI - Planeamento e Desenvolvimento Regional, EIM 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM TROFAGUAS Serviços Ambientais E M AMIPAREDES - Agência Municipal de Investimento de Paredes, EM SA AGUAS DE SANTAREM EM, SA Nordeste Activo EM CIDADE EM ACÇÃO - Sociedade de Desenvolvimento e Gestão de Equipamentos Urbanos EAMB - Esposende Ambiente EEM NATURTEJO Empresa de Turismo EIM Teatro Circo de Braga, SA GAIANIMA - Equipamentos Municipais EEM

Unidade: euros * Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro Do Sul; Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu. 204

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Apresentam-se a seguir dois rankings com a listagem as 35 entidades empresariais locais (EEL) com menor passivo exigível e as 35 com maior passivo exigível. R42 | Empresas Municipais com menor Passivo Exigível 191(dívidas) em 2010
Empresas Municipais SRU -Sociedade De Reabilitação Urbana de Olhão, EEM Caça e Turismo de Terras de Vimioso, LDA. Geodesis - Promoção Gestão Turística de Vila Rei - EM LT - Sociedade De Reabilitação Urbana, EM Promovicente - Gestão, e promoção cultural, EM Pec-Tsm - Parque Empresarial da Cortiça, EM Centro de Negócios de Ourém, EM Serpobra SRU Sociedade de Reabilitação Urbana, EM SPRLP - Sociedade Promoção e Requalificação, S.A Sociedade Termal de Monção, Unipessoal, LDA. Évora Viva SRU- Sociedade de Reabilitação Urbana, EM Mobitral Mobílias Tradicionais Alentejanas, EM Terra de Paixão, EEM Merturis - Empresa Municipal de Turismo, EEM Penaparque 2 - Gestão e Promoção de Equipamentos Municipais, EM Ferimo - Sociedade Imobiliária, S.A. Vimioso 2003 - Atividades Artesanais e Turísticas, EM Gondomar Coração de Ouro, EM CDN - Gestão e Promoção do Parque Empresarial, EM S.A. ADL - Águas de Longroiva, E.M Terra Cidade, EEM ABTT - Aguiar da Beira Termas e Turismo, EEM Monteges - Gestão de Equipamentos Sociais, EM Mercados de Olhão, EPM Ribeirapera- Soc. para o desenvolvimento de Castanheira de Pera, S.A. Marina da Vila - Indústrias de Marinas e Recreio, EM PERM - Parque Empresarial de Recuperação de Materiais das Terras, EIM EMPDS - Empresa Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social, EM Expobeja - Sociedade Gestora do Parque de Feiras e Exposições, EM Fesnima - Empresa Pública de Animação de Olhão, EM WRC - Agência de Desenvolvimento Regional, S.A. Fozcoactiva - Gestão de Equipamentos Desportivos e Culturais, EM Campomaior XXI, EM Gesruda - Gestão de Equipamentos Municipais, EM Madalena Progresso, EEM Município Olhão Vimioso Vila de Rei Santarém São Vicente Santa Maria da Feira Ourém Serpa Lages do Pico Monção Évora Ferreira do Alentejo Alcobaça Mértola Penacova Seixal Vimioso Gondomar Vila Nova da Barquinha Meda Santana Aguiar da Beira Sobral de Monte Agraço Olhão Castanheira de Pera Vila Franca do Campo São João da Madeira Belmonte Beja Olhão Anadia Vila Nova de Foz Coa Campo Maior Arruda dos Vinhos Madalena 2009 329 720 54.243 921 803.118 2.148 4.896 11.125 11.785 15.213 25.196 13.965 27.409 45.450 3.029 34.450 17.673 27.739 39.298 31.731 75.144 77.266 74.098 903 54.866 54.781 22.224 87.276 108.995 200.886 60.830 1.791 2010 11 615 666 1.058 1.114 2.121 5.828 7.299 9.735 9.956 16.709 17.515 18.450 23.163 23.417 25.111 26.723 29.961 33.016 36.706 38.466 39.669 40.092 41.763 45.164 47.524 50.168 50.640 52.905 56.793 56.976 68.184 71.651 75.911 77.535

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Unidade: euros

191. Passivo exigível = Passivo não corrente + Passivo Corrente - Provisões - Diferimentos - Passivos por Impostos Diferidos

205

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

R43 | Empresas Municipais com maior Passivo Exigível (dívidas) em 2010
Empresas Municipais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa VALORSUL- Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A. TRATOLIXO - Tratamento de resíduos sólidos, EIM Águas de Gaia, EEM INDAQUA FEIRA - Indústria e Gestão de Águas, S.A. AGERE – Empresa Municipal de Águas, Efluentes e Resíduos, EM VRSA, Sociedade de Gestão Urbana, E.M., S.A INDAQUA MATOSINHOS - Gestão de Águas de Matosinhos, S.A. PFR INVEST - Sociedade de Gestão Urbana, EM GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM VIMÁGUA - EIM de Água e Saneamento de Guimarães e Vizela PORTOVIVO, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, S.A. CMPEA - Empresa de Águas do Porto, EM Águas do Ribatejo, EIM EMEL- Estacionamento de Lisboa, EM Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana E.M., S.A. AC - Águas De Coimbra, EEM GAIANIMA - Equipamentos Municipais, EEM ADC - Aguas da Covilhã, EM LEIRISPORT - Desporto Lazer e Turismo, EM TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia S.A EM FIGUEIRA DOMUS - Empresa Municipal de Gestão de Habitação, EM CIDADE EM AÇÃO - Sociedade de Desenvolvimento TERMALISTUR - Termas de S Pedro Do Sul, EEM Resíduos do Nordeste, EIM EMAC – Empresa Municipal de Ambiente, EM EMPET - Parques Empresariais de Tavira, EM TAVIRAVERDE - Empresa Municipal de Ambiente, EM TIP - Transportes Intermodais do Porto, ACE Mercado Municipal de Faro Azores Parque, S.A. HABEVORA - Gestão Habitacional, EEM ECOBEIRÃO - Sociedade para o Tratamento de Resíduos Sólidos EIM, S.A. TUB - Transportes Urbanos de Braga, EM HPEM - Higiene Pública, EM Município Lisboa Loures Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Vila Nova de Gaia Santa Maria da Feira Braga Vila Real de Santo António Matosinhos Paços de Ferreira Lisboa Guimarães Porto Porto Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Golegã e Salvaterra de Magos Lisboa Portimão Coimbra Vila Nova de Gaia Covilhã Leiria Maia Figueira da Foz Ponta Delgada São Pedro do Sul * Cascais Tavira Tavira Porto Faro Ponta Delgada Évora Santa Comba Dão Braga Sintra 2009 217.218.203 186.286.714 111.909.214 62.543.966 72.480.617 64.683.852 58.563.382 31.918.243 30.583.426 42.422.901 28.587.000 16.698.472 33.675.128 16.468.398 23.400.406 12.305.867 26.177.066 13.210.071 21.287.251 22.631.645 19.049.586 18.622.290 16.006.510 16.016.670 6.144.728 14.096.869 15.163.191 13.094.693 25.669.971 14.346.217 14.209.271 11.792.632 11.534.564 11.089.082 9.192.242 2010 205.534.767 187.476.845 151.406.095 85.373.968 78.116.235 59.640.996 52.356.947 43.085.839 34.759.237 34.705.977 30.153.213 28.189.915 28.076.085 26.731.307 26.051.382 25.445.107 24.551.037 23.179.077 22.977.570 22.247.794 19.857.616 16.811.343 16.629.092 15.416.275 13.305.106 13.096.692 13.016.197 12.978.482 12.755.690 12.213.359 12.118.355 11.777.471 11.238.030 10.748.221 10.606.335

Unidade: euros * Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Coa, Vimioso e Vinhais. 206

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

5.3.2. Rendimentos, Gastos e Resultados das Entidades Empresariais Locais 5.3.2.1 Evolução dos Rendimentos e Ganhos, Gastos e Perdas
Nos Quadro 5.43 é apresentada a variação dos rendimentos e dos gastos do universo total das entidades empresariais locais entre 2009 e 2010. Quadro 5.43 | Evolução de Rendimentos e Gastos das Entidades Empresariais, em 2009 e 2010
Estrutura de Rendimentos e Gastos Vendas e Serviços Prestados Subsídios à Exploração Ganhos/Perdas Imputados de Subsidiárias, Associadas e Empreendimentos Variação nos Inventários da Produção Trabalhos para a Própria Entidade CMVMC Fornecimentos e Serviços Externos Gastos com Pessoal Imparidade de Inventários (perdas/reversões) Imparidade de Dívidas a Receber (perdas/reversões) Provisões (aumentos/reduções) Imparidade de Investimentos não Depreciáveis/Amortizáveis) Aumentos/Reduções de Justo Valor Outros Rendimentos e Ganhos Rendimentos e Ganhos em Investimentos não Financeiros Outros Gastos e Perdas Gastos e Perdas em Investimentos não Financeiros Resultado Antes de Depreciações, Gastos de Financiamento e Impostos Gastos/Reversões de Depreciação e Amortização Imparidade de Investimentos Depreciáveis/ Amortizáveis Resultado Operacional (Antes de Gastos de Financiamento e Impostos) Juros e Rendimentos Similares Obtidos Juros e Gastos Similares Suportados Resultado Antes de Impostos Imposto Sobre o Rendimento do Período Resultado Líquido do Período Unidade: milhões de euros 207 2009 (298) Valor 773,1 175,6 0,6 5,7 9,7 -75,6 -511,2 -273,7 -0,1 -5,1 -4 -0,2 0 87 0 -31 0 150,74 -118,3 0 32,43 3,7 -50,1 -13,97 -6,2 -20,16 2010 (304) Valor 844,1 164 0,8 -9,8 10,7 -83 -506,7 -292,2 -0,6 -11,1 -4 -0,2 0,7 74,2 0 -27,5 -0,3 159,16 -115,5 0,3 43,9 3,3 -46,7 0,53 -4,4 -3,86

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Da análise do quadro antecedente conclui-se o seguinte sobre a evolução dos rendimentos e gastos: O resultado líquido em 2010 do SEL melhorou 80,9% passando de -20,16M€ para -3,86M€. Contribuíram para o aumento dos rendimentos o acréscimo do produto das vendas e serviços prestados em +71M€ (+9,2%), pese embora outros rendimentos e ganhos não associados à atividade mais operacional das empresas, tenha diminuído 12,8M€ (-14,8%) e os subsídios à exploração tenham baixado 11,6M€ (-6,6%). mo de gastos manifestado com:

Aumento do valor reconhecido como dívidas incobráveis, na rubrica “Imparidade de dívidas a receber”, em +6M€ (+115,1%); É contudo de relevar a diminuição de gastos em fornecimentos e serviços externos, em -4,5M€, em outros gastos e perdas com -3,5M€ e ainda, a diminuição de gastos com juros e gastos similares suportados em -3,4M€.

5.3.2.2. Resultados económicos das Entidades Aquele aumento de rendimentos permitiu suportar o acrésci- Empresariais Locais
Nos Quadros 5.44, 5.45 e 5.46 comparam-se alguns indicadores económicos dos municípios e SEL.

Aumento de gastos com pessoal em +18,5M€ (+6,7%);

Quadro 5.44 | Informação sobre estrutura económica dos Municípios e das Entidades Empresariais
Municípios Nº de entidades analisadas População Resultados económicos Resultados económicos/Vendas + prestações de serviços Resultados económicos por habitante Nº de entidades com resultados negativos 308 10.636.979€ 101.966.786€ 15,7% 9,6 € 40 Entidades Empresariais 304 7.705.546€ -3.855.984€ -0,5% -0,5 € 129 Municípios + EE/ EM´s 612 -98.110.801€ 15,2% 9,1 € 169

Unidade: euros 208

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 5.45 | Informação sobre evolução económica das Entidades Empresariais
Entidades Empresariais 2009 Nº de entidades analisadas População Resultados económicos Resultados económicos/Vendas + prestações de serviços Resultados económicos por habitante Nº de entidades com resultados negativos Unidade: euros 298 7.695.884€ -20.156.932€ -2,6% -2,6 € 143 2010 304 7.705.546€ -3.855.984€ -0,5% -0,5 € 129

Variação 09 - 10 6 9.662€ 16.300.947€ 2,1% 2,1 € -14

Pelos indicadores apresentados no quadro 5.44, conclui-se que as EE/EM´s demonstram uma baixa rentabilidade, com resultados económicos negativos, pese embora se tenha verificado uma forte melhoria da situação económica, com uma diminuição do prejuízo em cerca de 16,3 milhões de euros. Enquanto que em 2010, cerca de 42,6% das entidades empresariais apresentaram resultados negativos, o mesmo só aconteceu a 13% dos municípios. Observando o Quadro 5.45, conclui-se que a situação económica das entidades empresariais em 2010 melhorou em relação a 2009, com resultados económicos menos gravosos e com entidades a melhorarem a sua performance. Efetivamente, 14 entidades empresariais passaram de resultados negativos em 2009 para resultados positivos em

2010, perdendo cada habitante, em média, menos 2,1€ com a atividade de SEL. Observando o Quadro 5.46, constata-se que 133 entidades empresariais (42,6%) obtiveram resultados operacionais positivos apresentando na sua globalidade o valor de 43,9M€. Este valor não foi contudo suficiente para contrariar o total dos gastos em juros e outros valores similares no montante de 46,7M€ para todo o SEL. Verifica-se, no entanto, uma melhoria global dos resultados operacionais em 35,5%. Os rankings R44 e R45 apresentam em cada situação, as 35 empresas com melhores ou com piores resultados económicos.

Quadro 5.46 | Resultados Operacionais do Setor Empresarial
Entidades Empresariais Locais Resultado Operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) Juros e Gastos Similares Suportados N.º de entidades com Resultados Operacionais + Custos Financeiros negativos Unidade: euros 209 2009 32.434.245 -50.132.149 150 2010 43.942.530 -46.748.085 133

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

R44 | Empresas com melhores Resultados Económicos em 2010
Empresa Municipal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 VALORSUL- Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa, EM EHATB - Empreendimentos Hidrelétricos do Alto Tâmega e Barroso, SA AGERE - Empresa Municipal de Águas, Efluentes e Resíduos, EM Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana, EM, SA Foz Coainvest - Energia Turismo e Serviços, EM CMPEA - Empresa de Águas do Porto, EM Vimágua - Água e Saneamento de Guimarães e Vizela, EIM Águas de Santarém, EM, SA Mafratlântico - Vias Rodoviárias, EM Ambilital - Investimentos Ambientais no Alentejo, EIM GESAMB - Gestão Ambiental e de Resíduos, EIM INDAQUA MATOSINHOS - Gestão de Águas de Matosinhos, SA EMPET - Parques Empresariais de Tavira, EM Braval - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA EMEL- Estacionamento de Lisboa, EM INOVA - Emp de Desenv Ecónomo e Social de Cantanhede, EM Eco lezíria - Empresa Intermunicipal para o Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM Resíduos do Nordeste, EIM Culturangra, EEM Ambisousa – Empresa Intermunicipal de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos, EIM Águas do Ribatejo, EIM Águas de S.João, EM, SA Coimbra Inovação Parque - Parque de Inovação em Ciência em Tecnologia, Saúde, EM, SA Centro de Negócios de Ourem, EM EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, EM TIP - Transportes Intermodais do Porto, ACE EMARP - Aguas e Resíduos de Portimão, EM ArealDourado - Eventos, EM Porto Santo Verde - Resíduos Sólidos e Limpeza, EM Pavimafra -Infraestruturas e Rodovias, EM EMAC - Empresa Municipal de Ambiente, EM EIMRAM - Empresa Intermunicipal da Região Autónoma da Madeira, EIM Parques Tejo - Parqueamentos de Oeiras, EM Águas de Gaia - Entidade Empresarial Local, EEM Município Loures Lisboa Vila Real Braga Portimão Vila Nova de Foz Coa Porto Guimarães Santarém Mafra * Évora Matosinhos Tavira Braga Lisboa Cantanhede Almeirim ** Angra do Heroísmo *** **** São João da Madeira Coimbra Ourém Lisboa Porto Portimão Porto Santo Porto Santo Mafra Cascais Funchal Oeiras Vila Nova de Gaia 2009 6.422.261 204.977 1.954.507 2.626.827 727.713 -390.216 536.132 93.796 342.227 -2.653.238 963.719 483.660 1.171.915 208.509 181.373 107.939 68.788 290.921 311.504 -711.192 402.719 28.713 263.375 -369.115 -11.092 891.382 224.308 1.220.214 -29.529 109.039 715.646 42.358 546.602 122.677 619.874 2010 6.027.785 5.170.941 3.686.984 2.994.549 1.456.695 1.269.616 1.191.690 917.938 905.502 840.663 755.033 691.870 660.332 604.493 579.973 536.856 465.376 421.206 418.450 407.731 396.507 355.305 349.408 320.645 285.709 285.100 278.607 243.737 220.230 219.462 195.741 178.406 174.007 166.321 150.041

Unidade: euros * Alcácer do Sal, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines ** Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Coa, Vimioso e Vinhais *** Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel **** Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Golegã e Salvaterra de Magos 210

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R45 | Empresas com piores Resultados Económicos, em 2010
Empresa Municipal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 VRSA, Sociedade de Gestão Urbana, EM, SA SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano, EM, SA GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM HPEM - Higiene Pública, EM Porto Lazer, EM PORTOVIVO, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, SA AC - Águas de Coimbra, EEM LEIRISPORT - Desporto Lazer e Turismo, EM TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, EM, SA Feira Viva Cultura e Desporto, EEM Moveaveiro, EM Frente MarFunchal, Gestão e Exploração de Espaços Púb, EM GAIANIMA - Equipamentos Municipais, EEM AVEPARK - Parque de Ciência e Tecnologia, SA Fagar - Faro Gestão de Águas e Resíduos, EM Hotel Turismo da Guarda, LDA ADC - Aguas da Covilhã, EM INDAQUA FEIRA - Indústria e Gestão de Águas, SA TERNISA - Termas da Fadagosa de Nisa, EM Figueira Grande Turismo, EEM Matosinhoshabit - Habitação de Matosinhos, EEM Municípia - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, SA VALICOM - Gestão de Infraestruturas de Telecomunicações, EIM TRATOLIXO - Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM GAIAURB - Gestão Urbanística e da Paisagem de Gaia, EEM MINHOCOM - Gestão de Infraestruturas de Telecomunicações, EIM EPMAR - Empresa Publica Municipal de Águas Públicas e Resíduos, EM PROVIVER, EM PROENÇATUR - Empresa de Turismo de Proença, EM Fortaleza de Cascais, EM ALFÃNDEGATUR - Empresa de Desenvolvimento Turístico de Alfândega da Fé, EM REGI - Planeamento e Desenvolvimento Regional, EIM AIN - Agro-Indústrial do Nordeste, SA EMA - Estádio Municipal de Aveiro, EM CDR - Cooperação e Desenvolvimento Regional, EIM Município Vila Real de Santo António Oeiras Lisboa Sintra Porto Porto Coimbra Leiria Maia Santa Maria da Feira Aveiro Funchal Vila Nova de Gaia Guimarães Faro Guarda Covilhã Santa Maria da Feira Nisa Figueira da Foz Matosinhos * Concelhos de Viana do Castelo, Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Vila Nova de Gaia ** Vieira do Minho Vila Verde Proença-a-Nova Cascais Alfândega da Fé *** Mirandela Aveiro Setúbal 2009 -3.583.816 -3.320.580 -2.214.728 40.584 -4.968.682 -2.093.712 664.230 -1.164.744 -158.050 -1.713.235 -1.002.605 -167.368 -295.858 -518.920 -402.931 13.368 -974.655 -270.089 -300.469 231.553 -138.301 -419.737 -35.676 -449.132 -655.406 -24.408 -246.242 -285.547 -298.457 74.825 -202.592 -346.853 -242.796 -478.059 -57.982 2010 -4.528.177 -2.988.900 -2.444.615 -2.201.443 -2.136.081 -2.109.918 -1.469.834 -1.397.601 -1.183.037 -1.057.248 -983.577 -934.808 -778.189 -748.660 -718.005 -649.923 -538.116 -535.298 -523.013 -521.993 -511.669 -491.754 -462.062 -429.043 -361.832 -351.136 -350.949 -349.923 -347.957 -340.146 -339.992 -317.669 -303.470 -294.710 -293.550

Unidade: euros * Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro do Sul, Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu ** A Associação de Municípios do vale do Minho (Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira) detém 51% do capital social desta empresa e os restantes 49% foram subscritos pelos parceiros privados deste projeto. *** Alcácer do Sal; Grândola, Odemira, Santiago do Cacem e Sines 211

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.3.3 Endividamento Líquido do Setor Empresarial Local 5.3.3.1 Análise do Setor Empresarial e dos Municípios a que correspondem
O endividamento do setor empresarial local (SEL), apresenta-se de forma autónoma e ainda, referenciado ao número de municípios que lhes correspondem. Assim, para o global das 304 empresas analisados, o en-

dividamento líquido do SEL, foi de 1 146,5 milhões de euros e representou 23,8% do endividamento líquido dos municípios de tutela, o qual foi de 4 817,7 milhões de euros. Observando-se o quadro 5.48 verifica-se que, na globalidade, o SEL em 2010 agravou o seu endividamento líquido em 88,5M€ (+8,4%), por via da diminuição do seu ativo exigível em 114,5M€ (-14,4%), já que o total das dívidas a pagar, baixaram 26M€ (-1,4%).

Quadro 5.47 | Endividamento Líquido das Empresas Municipais e do Global dos Municípios a que correspondem
EE / EM`s (304) Contas a Receber Ativo Meios Financeiros Líquidos + Instrumentos Financeiros Detidos para Negociação Total (a) Contas a Pagar - Correntes Passivo Contas a Pagar - Não Correntes Total (b) Endividamento Líquido (b-a) Unidade: milhões de euros 531,3 150,2 681,5 861,5 966,4 1.828,0 1.146,5 Municípios (150) 989,8 417,6 1.407,4 2.426,1 3.799,0 6.225,1 4.817,7

Quadro 5.48 | Evolução do Endividamento Líquido das Entidades Empresariais Autárquicas
2009 Contas a Receber Ativo Meios Financeiros Líquidos + Instrumentos Financeiros Detidos para Negociação Total (a) Contas a Pagar - Correntes Passivo Contas a Pagar - Não Correntes Total (b) Endividamento Líquido (b-a) Unidade: milhões de euros 660,4 135,6 796,0 816,3 1.037,7 1.854,0 1.058,0 2010 531,3 150,2 681,5 861,5 966,4 1.828,0 1.146,5

212

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Da informação dos quadros anteriores, pode-se ainda concluir que, em 2010: • A dívida bruta do SEL, com o valor de 1 146,5 milhões de euros, representou 29,4%, da dívida bruta do conjunto dos municípios que o tutela. A dívida bruta de curto prazo do setor empresarial, no montante de 681,5 milhões de euros, representou 48,4%, da dívida homóloga do total dos municípios de que depende e diminuiu cerca de 14,4%.

A dívida de médio e longo prazo do setor empresarial, no valor de 966,4 milhões de euros, representa 25,4% da dívida homóloga dos municípios que o tutelam e apresentou uma taxa de decréscimo de -6,9%. Da aplicação do processo de cálculo do endividamento líquido nos termos da LFL, verificou-se que 111 entidades do setor empresarial autárquico, menos 11 que em 2009, apresentaram endividamento líquido igual ou inferior a zero.

No Quadro 5.49 listam-se as mesmas, identificando-se os municípios a que pertencem.

Quadro 5.49 | Entidades Empresariais / Empresas Municipais sem endividamento líquido no final do exercício de 2010
Entidades Empresariais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Habitar S. João - Entidade Empresarial Municipal de Habitação, EEM SPRLP - Sociedade Promoção e Requalificação, SA Promovicente - Gestão, e promoção cultural, EM Terra Cidade, EEM CASFIG - Coordenação das Habitações, EM Vitaguiar - Apoio ao Desenvolvimento Agro-industrial, EM Madalena Progresso, EEM Geodesias - Promoção Gestão Turística de Vila Rei - EM POVOAINVEST - Empresa Municipal de Habitação Social, EM Moiral Mobílias Tradicionais Alentejanas, EM Caça e Turismo de Terras de Vimioso, LDA Santa Cruz XXI - Gestão de Equipamentos Municipais e Prestação Serviços, EM Terra de Paixão, EEM ISERBATALHA - Gestão de Equipamentos Urbanos, Cultural e Inserção, EM Aveiro Expo - Parque de Exposições, EM Nazaré Qualifica, EM CDN - Gestão e Promoção do Parque Empresarial, EM SA PRORURIS – EM de Desenvolvimento Rural de Vinhais, EEM Ovar Forma - Ensino e Formação, EM Municípios São João da Madeira Lajes do Pico São Vicente Santana Guimarães Vila Pouca de Aguiar Madalena Vila de Rei Povoação Ferreira do Alentejo Vimioso Santa Cruz Alcobaça Batalha Aveiro Nazaré Vila Nova da Barquinha Vinhais Ovar Dimensão M P P P G P P P P P P M M P M P P P M

213

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Entidades Empresariais 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 214 Penaparque 2 - Gestão e Promoção de Equipamentos Municipais, EM Monteges - Gestão de Equipamentos Sociais, EM Merturis - Empresa Municipal de Turismo, EEM SOCIOHABITAFUNCHAL, Empresa Municipal de Habitação, EM ABTT - Aguiar da Beira Termas e Turismo, EEM Vimioso 2003 - Atividades Artesanais e Turísticas, EM Gondomar Coração de Ouro, EM EPAVE - Escola Profissional do Alto Ave, Sociedade Unipessoal, LDA Pec-Tsm - Parque Empresarial da Cortiça, EM SRU -Sociedade de Reabilitação Urbana de Olhão, EEM LT - Sociedade De Reabilitação Urbana, EM TURIMONTESINHO – Promoção Turística, EEM Sociedade Termal de Monção, Unipessoal, LDA CULTURVAL - Gestão de Equipamentos Culturais de Vila Real, EM ADL - Águas de Longroiva, EM Marina da Vila - Indústrias de Marinas e Recreio, EM WRC - Agência de Desenvolvimento Regional, SA MUSAMI - Operações Municipais do Ambiente, EIM NOVBAESURIS - Empresa Municipal de Gestão e Reabilitação Urbana, EM, SA Anima Cultura - Soc Unipessoal, LDA Expobeja - Sociedade Gestora do Parque de Feiras e Exposições, EM MELSPORT - Melgaço Desporto e Lazer, EM AMIPAREDES - Agência Municipal de Investimento de Paredes, EM SA ESPROSER - Escola Profissional, SA Sabugal - Gestão de Espaços Culturais, Desportivos, Turísticos e de Lazer, EM Fesnima - Empresa Pública de Animação de Olhão, EM Fortaleza de Cascais, EM Vitrus Ambiente, E.M., SA Quinta de Tuberais - Ensino Profissional de Cinfães - Sociedade Unipessoal, LDA EMUNIBASTO, EM OURÉM VIVA - Gestão de Eventos, Serviços e Equipamentos, EEM HABISOLVIS - Habitação Social, EM HABITÁGUA - Serviços Domiciliários, LDA

Municípios Penacova Sobral de Monte Agraço Mértola Funchal Aguiar da Beira Vimioso Gondomar Póvoa de Lanhoso Santa Maria da Feira Olhão Santarém Vinhais Monção Vila Real Meda Vila Franca do Campo Anadia Ribeira Grande Castro Marim Ponta Delgada Beja Melgaço Paredes Sernancelhe Sabugal Olhão Cascais Guimarães Cinfães Cabeceiras de Basto Ourém Viseu Oeiras

Dimensão P P P M P P G M G M M P P M P P M M P M M P M P P M G G P P M M G

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Entidades Empresariais 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 ASTAQ Técnica, EIM EPF - Ensino Profissional de Felgueiras, LDA Mercados de Olhão, EPM Serpobra SRU Sociedade de Reabilitação Urbana, EM STR-URBHIS - Sociedade de Gestão Urbana, EM, SA PMUGESTE- POMBAL MANUTENÇÃO URBANA EM Empresa Metropolitana de Estacionamento, EEM FLUVIARIO de Mora, EEM SRU-Fátima - Sociedade de Reabilitação Urbana, EEM MATOSINHOSHABIT - Habitação de Matosinhos, EEM Ribeira Grande Mais - Habitação Social, Requalificação Urbana e Ambiental, EM EPRM - Escola Profissional de Rio Maior, LDA Vila Solidária - Empresa Municipal de Habitação Social, E.M Águas de Santarém, EM,SA EMGHA - Emp de Gestão do Parque Habitacional de Cascais, EM Centro de Negócios de Ourém, EM DOMUSSOCIAL - Empresa de habitação e manutenção do município do Porto, EEM MMPO - Mercado Municipal de Portalegre, SA EMES - Estacionamento, EM ECALMA-Estacionamento e Circulação, EM INFRATROIA - Infraestruturas, EM ArCASCAIS - Emp Gestora do Aeródromo de Cascais, EM ALBIGEC - Empresa de Gestão de Equipamentos Culturais, Desportivos e de Lazer, EM TUMG - Transportes Urbanos, EM PRIMUS - Promoção e Desenvolvimento Regional, SA GF - Gestão de Projetos e Fiscalização de Obras, SA Figueira Parques - Estacionamento, EM EPVL - Escola Profissional da Mealhada, LDA Sintra Quorum - Gestão de Equipamentos Culturais e Turísticos, EEM IMOHÍFEN-Mediação Imobiliária, SA NATURTEJO - Empresa de Turismo, EIM Viseunovo - SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana de Viseu, SA Loulé Concelho Global, EM, Unipessoal, SA

Municípios Tomar Felgueiras Olhão Serpa Santarém Pombal Maia Mora Ourém Matosinhos Ribeira Grande Rio Maior Vila Franca do Campo Santarém Cascais Ourém Porto Portalegre Sintra Almada Grândola Cascais Castelo Branco Marinha Grande Porto Lisboa Figueira da Foz Mealhada Sintra Lisboa Castelo Branco Viseu Loulé

Dimensão M M M P M M G P M G M M P M G M G M G G P G M M G G M M G G M M M 215

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

Entidades Empresariais 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 EMDB - Empresa Municipal de Desportos, EM AMIGAIA - Investimento, EEM PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga, EM Logica - Sociedade Gestora do Tecnológico, EM ESUC - Emp. De Serviços Urbanos de Cascais, EM INFRAQUINTA - Empresa de Infraestruturas, EM Centro de Estudos Diogo Dias Melgaz, Unipessoal, LDA Municípia - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação, SA BRAGAHABIT - Habitação de Braga, EM Resíduos do Nordeste, EIM Parques Tejo - Parqueamentos de Oeiras, EM Gestão de Obras Públicas da Câmara Municipal do Porto, EEM PRODESO - Ensino Profissional, LDA Vougapark - Parque Tecnológico e de Inovação, EM

Municípios Barcelos Vila Nova de Gaia Braga Moura Cascais Loulé Cuba * Braga ** Oeiras Porto Coimbra Sever do Vouga Barcelos Almeirim Porto Lisboa Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa Maia Vila Nova de Gaia Amadora Évora Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel Portimão Lagos

Dimensão G G G P G M P -G -G G G P G M G G -G G G M -M M

100 EMEC - Empresa Municipal de Educação e Cultura, EM 101 Ecolezíria -Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM 102 APOR - Agência para a Modernização, SA 103 Lisboa Ocidental, SRU, Sociedade de Reabilitação Urbana, EM 104 Resialentejo – Tratamento e Valorização de Resíduos, EIM 105 EEA - Empresa de Engenharia e Aeronautica, SA 106 Gaiasocial - Habitação, EEM 107 Escola Intercultural das Profissões e do Desporto, EM 108 GESAMB - Gestão Ambiental e de Residuos, EIM 109 Ambisousa – Empresa Intermunicipal de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos, EIM 110 EMARP - Aguas e Resíduos de Portimão, EM 111 Futurlagos - Desenvolvimento, EEM

* Abrantes; Aguiar Da Beira; Alvaiázere; Arganil; Boticas; Bragança; Cabeceiras De Basto; Carregal Do Sal; Cascais; Covilhã; Ferreira Do Zêzere; Figueira Da Foz; Fundão; Góis; Guarda; Lamego; Leiria; Loulé; Mafra; Maia; Mangualde; Mourão; Oeiras; Olhão; Oliveira Do Hospital; Paços De Ferreira; Paredes; Penacova; Penamacor; Ponta Delgada; Ponte Da Barca; Portalegre; Portimão; Santa Marta De Penaguião; Santiago Do Cacém; São João Da Madeira; São Pedro do Sul, Sernancelhe; Sesimbra; Sever Do Vouga; Silves; Sines; Sintra; Tavira; Trofa; Vale De Cambra; Vieira Do Minho; Vila De Rei; Vila Do Conde; Viseu ** Alfândega da Fé, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Coa, Vimioso e Vinhais 216

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Apresenta-se, de seguida, a lista das 35 empresas municipais com maior endividamento líquido. R46 | Entidades Empresariais /Empresas Municipais com maior valor de endividamento líquido
Entidades Empresariais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 VALORSUL- Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA EPUL - Empresa Publica Urbanização Lisboa, EM TRATOLIXO - Tratamento de Resíduos Sólidos, EIM Águas de Gaia, EEM INDAQUA FEIRA - Indústria e Gestão de Águas, SA AGERE - Empresa Municipal de Águas, Efluentes e Resíduos, EM VRSA, Sociedade de Gestão Urbana, EM, SA INDAQUA MATOSINHOS - Gestão de Águas de Matosinhos, SA PFR INVEST - Sociedade de Gestão Urbana, EM EMEL- Estacionamento de Lisboa, EM Vimágua - Água e Saneamento de Guimarães e Vizela, EIM TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia SA, EM PORTOVIVO, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa 13 Portuense, SA 14 LEIRISPORT - Desporto Lazer e Turismo, EM 15 Águas do Ribatejo, EIM 16 CIDADE EM AÇÃO - Sociedade de Desenvolvimento, SA FIGUEIRA DOMUS - Empresa Municipal de Gestão de Habitação, 17 EM 18 ADC - Aguas da Covilhã, EM 19 TERMALISTUR - Termas de S Pedro do Sul, EEM 20 CMPEA - Empresa de Águas do Porto, EM 21 EMPET - Parques Empresariais de Tavira, EM 22 GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa, EEM 23 Mercado Municipal de Faro, SA 24 TAVIRAVERDE - Empresa Municipal de Ambiente, EM 25 GAIANIMA - Equipamentos Municipais, EEM 26 AC - Águas de Coimbra, EEM 27 SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano, EM, SA 28 Azores Parque, SA 29 Ambiolhão - Ambiente de Olhão, EM 30 TIP - Transportes Intermodais do Porto, ACE 31 TUB - Transportes Urbanos de Braga, EM 32 EMIA - EM de Infraestruturas de Azambuja, EM 33 HABEVORA - Gestão Habitacional, EEM 34 Mafratlântico - Vias Rodoviárias, EM 35 Praia em Movimento, EM Município Loures Lisboa Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra Vila Nova de Gaia Santa Maria da Feira Braga Vila Real de Santo António Matosinhos Paços de Ferreira Lisboa Guimarães Maia Porto Leiria Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Golegã e Salvaterra de Magos Ponta Delgada Figueira da Foz Covilhã São Pedro do Sul Porto Tavira Lisboa Faro Tavira Vila Nova de Gaia Coimbra Oeiras Ponta Delgada Olhão Porto Braga Azambuja Évora Mafra Vila da Praia da Vitória Endividamento Líquidoh 2009 2010 163.440.665 155.577.050 160.650.381 137.225.272 67.555.425 110.971.101 52.095.675 71.729.352 53.972.802 59.808.004 51.125.686 48.691.851 48.857.286 46.863.778 26.868.782 37.534.985 27.740.362 29.340.422 20.095.905 21.190.540 21.537.444 19.962.894 17.667.971 18.724.599 14.713.186 18.516.538 10.968.683 15.494.153 17.861.254 16.104.628 15.926.338 7.146.458 13.120.322 23.138.019 11.958.296 11.000.704 349.796 10.116.625 8.430.819 8.292.016 0 8.609.885 7.832.527 6.526.455 7.123.183 -13.027.656 2.803.766 18.025.704 17.901.904 17.336.704 16.524.746 16.020.622 15.859.448 14.939.885 12.888.753 12.833.750 12.421.104 11.977.228 11.451.843 10.969.901 10.334.687 9.288.835 9.185.919 8.969.296 8.061.709 7.783.820 7.311.731 7.306.625 7.247.568 7.226.357 Variação 09 -10 % -4,8% -14,6% 64,3% 37,7% 10,8% -4,8% -4,1% 39,7% 5,8% 5,4% -7,3% 6,0% 22,5% -3,3% 58,1% 6,7% -10,3% -1,5% -6,2% 80,4% -2,2% -46,3% 0,2% 4,1% 3036,1% 2,2% 10,2% 10,8% --6,4% -0,6% 12,0% 2,6% -155,6% 157,7%

Unidade: euros h. Contas a pagar - (Contas a Receber + Meios Financeiros Líquidos + Instrumentos Financeiros Detidos para Negociação) 217

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5

5.4. Dados económicos e financeiros dos Municípios, Empresas Municipais e Serviços Municipais
É apresentado no quadro seguinte a informação económica e financeira dos municípios, serviços municipalizados e empresas municipais, estando agrupados por grupo autárquico. Quadro 5.50 | Dados económicos e financeiros dos municípios, empresas municipais e serviços municipalizados no exercício de 2010
Tipo CM SMA CM CM EEM CM CM SMAS CM CM EM CM Soc. CM EEM SMAS CM CM CM CM EM Designação M Abrantes Ambientabrantes M Águeda P Aguiar da Beira ABTT - Aguiar da Beira, Termas e Turismo P Alandroal M Albergaria-a-Velha Albergaria-a-Velha M Albufeira P Alcácer do Sal EMSUAS - Serviços Urbanos de Alcácer do Sal P Alcanena Empresa de Melhoramentos de Alcanena M Alcobaça Terra de Paixão Alcobaça P Alcochete P Alcoutim M Alenquer P Alfândega da Fé Alfandegatur - Empresa de Desenvolvimento Turístico EDEAF-Empresa Municipal de Desenvolvimento Resultados Operacionais -1.944.210 -198.587 -556.561 -1.637.058 -9.268 -1.346.099 -3.044.486 -591.992 -17.377.081 3.774.135 -34.515 1.110.844 6.634 4.403.862 -27.092 -2.277.883 -1.405.018 907.381 971.896 1.707.647 -284.422 Resultados Líquidos 253.203 63.680 -1.205.167 -1.679.583 -7.821 -1.731.153 -3.665.977 503.150 -15.394.374 3.991.409 -38.222 888.969 6.634 2.152.700 -27.104 -946.341 -707.913 2.337.186 -326.032 626.554 -339.992 Dívidas de CP 3.921.968 468.349 4.702.884 448.059 39.669 4.667.641 1.022.479 64.857 24.945.079 4.691.910 501.539 5.887.281 349.914 17.791.554 3.450 13.911.974 3.929.395 495.088 15.116.013 1.244.145 517.131 Dividas MLP 14.988.050 0 7.493.119 4.574.682 0 13.635.414 5.971.331 0 31.240.023 998.689 0 12.471.414 0 12.429.578 15.000 2.171.219 4.800.778 1.788.879 10.142.228 17.933.586 2.228.012 Passivo Exigível 18.910.018 468.349 12.196.003 5.022.740 39.669 18.303.055 6.993.810 64.857 56.185.102 5.690.599 501.539 18.358.695 349.914 30.221.133 18.450 16.083.193 8.730.173 2.283.967 25.258.240 19.177.731 2.745.144 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 13.292.456 -1.705.858 10.497.463 389.085 -39.046 16.427.950 4.258.844 -54.587 46.671.133 1.172.988 106.255 17.955.588 271.559 19.491.467 -12.866 10.235.126 8.028.765 1.525.990 23.832.044 16.788.782 2.385.048 67% -46% 6% -226% 42% -98% 9% -218% -79% --83% 23% 116% 261% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 10% -15% 0% -43% 6% -23% 27% -45% -49% --24% 5% 59% 9% --

EM

-231.741

-289.384

226.862

829.290

1.056.152

767.664

--

--

218

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 20.316.573 6.508.198 8.885.563 9.041.407 -339.423 -20.894.675 8.078.622 236% 79% 125% 15% --94% Índice Fornecedores / Receitas n-1 44% 13% 25% 3% --27%

Tipo CM CM CM CM EM SMAS CM

Designação P Alijó P Aljezur P Aljustrel G Almada ECALMA -Estacionamento e Circulação Almada P Almeida Almeida Municípia -Reabilitação Urbana, Desenvolvimento Económico e Gestão de Equipamentos M Almeirim P Almodôvar P Alpiarça P Alter do Chão P Alvaiázere P Alvito G Amadora Escola Intercultural das Profissões e do Desporto M Amarante M Amares M Anadia Anadia WRC - Agência de Desenvolvimento Regional Angra do Heroísmo M Angra do Heroísmo Culturangra P Ansião M Arcos de Valdevez P Arganil

Resultados Operacionais 1.384.812 344.299 -992.363 2.894.063 -240.220 450.155 -941.951

Resultados Líquidos 835.774 653.396 78.598 6.014.140 -241.387 1.805.803 -672.252

Dívidas de CP 9.387.132 1.383.373 3.486.256 3.727.716 159.973 830.757 4.096.160

Dividas MLP 15.887.508 5.462.953 6.642.554 38.684.958 44.928 8.914.133 5.565.667

Passivo Exigível 25.274.639 6.846.326 10.128.811 42.412.673 204.901 9.744.890 9.661.827

EEM

-61.023

-60.893

135.486

90.235

225.722

39.618

--

--

CM CM CM CM CM CM CM EM CM CM CM SMAS SA SM CM EEM CM CM CM

-5.306.822 1.099.082 267.900 -757.343 -3.523.698 217.980 5.530.975 109.481 4.869.074 2.036.560 -586.252 26.223 -91.224 -380.058 1.332.548 422.984 -327.218 2.059.220 137.965

-4.535.078 811.703 359.048 -1.073.004 -3.255.719 68.249 8.494.743 88.268 4.334.513 973.123 -469.381 170.444 -39.517 575.047 214.786 407.731 -439.217 2.566.432 791.824

1.645.760 753.794 5.278.164 975.925 2.665.279 1.466.969 12.536.523 499.218 1.756.988 3.537.452 1.059.493 102.909 54.613 1.968.609 3.503.068 927.192 6.993.723 6.789.047 2.163.928

8.530.162 6.471.058 7.024.498 2.138.492 3.682.245 1.425.278 42.742.722 4.303 10.733.780 9.415.251 6.978.598 0 2.363 47.677 23.438.856 0 10.532.745 11.886.466 7.394.365

10.175.922 7.224.852 12.302.662 3.114.418 6.347.524 2.892.247 55.279.245 503.522 12.490.768 12.952.703 8.038.091 102.909 56.976 2.016.286 26.941.924 927.192 17.526.468 18.675.513 9.558.293

8.471.168 6.166.078 10.991.120 2.228.292 6.243.510 822.316 -8.889.349 -4.756.736 10.003.901 7.631.859 -3.697.094 -512.183 -65.268 -222.247 25.327.252 237.329 16.957.334 17.587.635 7.032.982

72% 64% 195% 46% 109% 18% -13% -44% 102% -30% ---185% -219% 110% 84%

8% 5% 51% 13% 32% 25% 9% -5% 21% 2% ---9% -63% 17% 12% 219

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 10.315.594 4.516.647 8.904.140 -898.208 7.959.846 154% 38% 115% -19% 100%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 48% 9% 15% 1% 35%

Tipo CM CM CM CM CM

Designação P Armamar M Arouca P Arraiolos P Arronches P Arruda dos Vinhos Gesruda - Gestão de Equipamentos Municipais e Prestação de Serviços

Resultados Operacionais 932.878 3.849.356 -312.276 1.360.994 -849.722

Resultados Líquidos 261.554 3.307.647 -476.215 1.602.308 -628.256

Dívidas de CP 3.157.755 1.427.245 1.707.109 88.030 5.177.236

Dividas MLP 8.058.946 3.989.355 8.286.399 2.082.400 4.289.319

Passivo Exigível 11.216.701 5.416.600 9.993.509 2.170.429 9.466.556

EM

1.829

1.112

75.911

0

75.911

15.310

--

--

M Aveiro Aveiro Expo EM - Parque de Exposições EMA - Estádio EM Municipal de Aveiro EM Moveaveiro TEMA- Teatro EM Municipal de Aveiro SMAS Aveiro Soc. CM CM EM CM CM EM EM CM CM Teatro Aveirense, Lda. P Avis M Azambuja EMIA - Infraestruturas de Azambuja M Baião G Barcelos EMDB - Empresa Municipal de Desportos EMEC - Empresa Municipal de Educação e Cultura P Barrancos

CM

-4.917.835 106.281 -285.910 -940.275 -147.186 -2.654.055 -69.672 -2.017.803 -2.076.506 134.877 854.582 1.384.632 -237.766 78.453 -9.041 1.702.486 -1.513.042 -1.694.786 16.409

-14.383.586 73.577 -294.711 -983.578 -147.219 2.195.731 -72.839 -1.657.847 -3.141.137 392 -15.421 -3.797.123 -175.477 72.279 -301.734 4.626.012 -932.071 -1.338.030 10.088

50.301.388 822.167 5.708.224 3.367.693 403.125 4.535.484 241.176 2.345.286 6.679.911 1.307.617 2.258.405 15.351.479 239.125 2.020.307 1.010.205 14.116.915 4.170.088 2.754.901 250.719

111.607.486 0 390.240 133.359 8.594 2.284.473 195.300 3.575.649 10.407.793 8.672.190 5.347.417 27.715.509 0 0 2.590.498 22.633.429 4.916 1.864.998 21.800

161.908.874 822.167 6.098.464 3.501.052 411.719 6.819.957 436.475 5.920.935 17.087.704 9.979.807 7.605.822 43.066.988 239.125 2.020.307 3.600.703 36.750.343 4.175.005 4.619.898 272.519

145.922.405 -18.397 4.852.192 3.248.178 16.582 4.645.232 77.366 5.373.793 15.015.060 7.311.731 6.387.406 30.785.685 -499.379 -1.754.401 3.409.916 33.475.631 3.575.555 3.759.472 -16.044

507% ------82% 100% -57% 67% --96% 115% -53% --

116% ------17% 17% -10% 26% --9% 34% -25% --

M Barreiro Transp. Colectivos SMTC do Barreiro CM P Batalha IserBatalha - Gestão de Equip. EM Urb., Cultural e Inserção 220

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 25.744.970 258.364 -78.086 146% --Índice Fornecedores / Receitas n-1 37% ---

Tipo CM EM EM

Designação M Beja EMAS - Água e Saneamento Expobeja - Sociedade Gestora do Parque de Feiras e Exposições Inovobeja - Empresa Municipal de Desenvolvimento P Belmonte EMPDS-Promoção e Desenvolvimento Social M Benavente P Bombarral P Borba P Boticas G Braga AGERE - Águas, Efluentes e Resíduos BRAGAHABIT - Habitação PEB - Empresa Parque de Exposições de Braga TUB - Transportes Urbanos BRAVAL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos Teatro Circo de Braga M Bragança MMB - Mercado Municipal de Bragança P Cabeceiras de Basto Emunibasto P Cadaval M Caldas da Rainha Caldas da Rainha

Resultados Operacionais 514.031 122.336 -27.217

Resultados Líquidos -1.967.160 88.757 -27.217

Dívidas de CP 10.194.045 2.473.341 52.825

Dividas MLP 16.483.776 753.053 80

Passivo Exigível 26.677.821 3.226.394 52.905

EM CM EM CM CM CM CM CM EM EM EM EM SA SA CM EM CM EM CM CM SMAS

15.844 -1.317.495 -7.707 -1.458.885 -446.133 -562.198 -595.387 27.755.373 3.968.388 -261.212 8.951 180.964 695.322 41.968 2.190.417 -23.990 1.201.862 9.079 -264.920 536.264 112.929

11.025 -1.100.248 -7.462 -1.307.584 -808.190 -273.069 -733.360 14.150.015 2.994.549 -256.974 34.136 28.633 579.973 19.365 1.509.249 -48.104 54.650 6.142 329.291 1.144.467 509.763

77.229 1.464.946 50.640 2.412.510 5.453.819 6.727.260 840.441 4.452.566 12.108.225 645.365 939.441 8.241.641 2.406.011 865.939 5.455.375 300.455 1.824.735 406.662 2.982.122 6.247.360 1.541.336

173.971 2.518.444 0 3.715.697 4.010.478 7.177.486 4.251.022 84.234.117 47.532.772 0 527.011 2.506.581 4.453.387 353.245 9.702.133 939.157 9.224.290 0 2.889.181 6.047.092 0

251.200 3.983.390 50.640 6.128.207 9.464.296 13.904.746 5.091.463 88.686.683 59.640.996 645.365 1.466.452 10.748.221 6.859.398 1.219.183 15.157.508 1.239.612 11.049.026 406.662 5.871.303 12.294.452 1.541.336

126.296 3.540.509 26.099 4.799.881 8.957.627 12.792.079 4.004.474 79.784.425 48.691.851 -1.078.256 -518.617 7.783.820 4.228.084 840.362 11.215.732 1.086.554 7.089.195 -102.103 4.940.313 10.541.789 -3.076.394

-74% -35% 150% 230% 61% 104% ------53% -66% -70% 54% --

-31% -10% 55% 52% 8% 4% ------11% -8% -28% 19% -221

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 8% 57% -66% 40% 21% -39% -18% 7% 119% -36% ----

Tipo CM CM EM CM CM CM EM CM EM CM CM CM EM CM EM EM EM

Designação P Calheta (R. A. A.) P Calheta (R. A. M.) Empreendimentos Sol-Calheta M Câmara de Lobos P Caminha P Campo Maior CampoMaior XXI M Cantanhede INOVA - Emp. de Desenv Econom e Social de Cantanhede Carrazeda P de Ansiães P Carregal do Sal M Cartaxo Rumo 2020 G Cascais Arcascais - Emp. Gestora do Aeródromo de Cascais EMAC - Emp. de Ambiente EMGHA - Emp. de Gestão do Parque Habitacional de Cascais ESUC - Emp. De Serviços Urbanos de Cascais Fortaleza de Cascais ETE- Emp. De Turismo do Estoril Tratospital - Tratamento de Resíduos Hospitalares, Unipessoal, Lda. P Castanheira de Pêra RIBEIRAPERA-Sociedade para o Desenvolvimento de Castanheira de Pera

Resultados Operacionais 1.365.006 -712.007 10.688 2.757.448 -1.351.480 -1.195.624 -118.076 4.216.216 301.692 -3.247.043 -2.705.285 -4.147.839 188.670 14.415.743 28.434 430.455 662

Resultados Líquidos 1.089.925 383.518 1.145 2.864.402 -791.470 -756.689 -118.102 3.415.347 465.376 -3.178.003 -2.679.587 57.796 20.407 12.855.883 13.669 178.407 -9.517

Dívidas de CP 940.826 4.878.701 417.737 12.253.037 9.198.520 2.036.122 70.070 6.845.454 2.937.592 2.047.642 643.236 19.611.186 3.259.131 63.076.217 894.992 11.098.314 523.426

Dividas MLP 9.145.616 7.808.827 309.986 9.137.026 7.359.455 776.946 1.581 30.549.910 3.828.798 6.644.123 5.418.269 22.134.536 2.600.000 29.723.548 0 1.998.378 0

Passivo Exigível 10.086.442 12.687.529 727.723 21.390.063 16.557.975 2.813.068 71.651 37.395.364 6.766.389 8.691.765 6.061.505 41.745.721 5.859.131 92.799.765 894.992 13.096.692 523.426

Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 9.215.141 11.774.409 537.920 13.648.750 11.379.521 1.936.320 29.879 35.575.400 5.522.979 5.934.239 4.802.786 4.678.050 654.725 89.771.684 -363.938 4.317.923 -269.777 240% 149% -123% 108% 29% -230% -77% 87% 49% -75% ----

EM EM EM SA Soc. CM SA

459.234 -338.863 -74.924 0 -1.292.219 5.165

5.829 -340.146 -100.344 0 -1.077.917 3.832

7.900.961 96.298 3.132.820 0 8.164.088 16.518

142.192 60.307 742.720 0 3.557.867 28.647

8.043.153 156.605 3.875.540 0 11.721.955 45.164

-800.501 -100.199 1.038.661 0 11.391.047 16.275

----305% --

----159% --

222

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 336.115 -15.062.522 --46% Índice Fornecedores / Receitas n-1 -1%

Tipo

Designação

Resultados Operacionais 40.663 14.885.328

Resultados Líquidos 31.722 13.190.049

Dívidas de CP 209.514 1.690.934

Dividas MLP 474.622 13.834.283

Passivo Exigível 684.136 15.525.217

Prazilandia -Turismo e Ambiente CM M Castelo Branco ALBIGEC - Empresa de Gestão de Equipamentos EM Culturais, Desportivos e de Lazer SMAS Castelo Branco EM CM CM CM CM EM SA CM CM P Castelo de Paiva P Castelo de Vide P Castro Daire P Castro Marim NOVBAESURIS Empresa Municipal de Gestão e Reabilitação Urbana P Castro Verde P Celorico da Beira EMCEL - Empresa Municipal Celoricense - Gestão de Espaços Culturais e Sociais P Celorico de Basto Qualidade de Basto - Empresa para o Desenvolvimento do Tecido Económico Local P Chamusca M Chaves Gestão de Equipamentos do Município de Chaves P Cinfães Quinta de Tuberais - Ensino Profissional de Cinfães G Coimbra

14.323

10.532

82.882

0

82.882

-374.161

--

--

4.484 934.065 679.185 1.304.983 -921.038

1.276.241 717.942 825.636 993.239 -1.087.297

1.218.019 5.679.029 193.300 3.275.463 5.072.430

0 10.161.650 1.157.256 4.977.250 5.833.576

1.218.019 15.840.679 1.350.556 8.252.713 10.906.006

-71.056.545 14.005.730 673.432 6.992.411 5.203.449

-178% 14% 69% 61%

-30% 3% 21% 36%

9.097

7.625

266.950

21.544

288.494

-74.806

--

--

832.330 -1.032.326

726.674 -1.886.108

1.249.959 9.303.372

3.792.627 13.364.484

5.042.586 22.667.856

3.625.272 22.042.256

41% 299%

7% 103%

EM

44.969

2.684

1.686.280

135.746

1.822.026

1.589.563

--

--

CM

282.846

3.054.392

8.233.811

12.881.388

21.115.199

15.390.559

144%

50%

EM

22.812

2.389

3.433.896

15.676

3.449.572

3.121.465

--

--

CM CM EEM CM EM CM

2.599.625 1.020.476 5.900 2.641.631 12.160 -341.726

1.882.158 -17.009 2.541 9.830 9.787 2.633.667

8.923.634 27.337.480 603.447 494.807 110.171 18.390.827

4.436.361 17.925.810 0 467.336 75.000 55.624.644

13.359.995 45.263.290 603.447 962.143 185.171 74.015.472

11.910.781 24.858.229 451.311 -1.233.614 -102.073 50.645.297

133% 119% --10% -75%

57% 87% -2% -16% 223

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 10.334.687 66.400 ---

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 ---

Tipo

Designação AC Aguas de Coimbra TC Turismo de Coimbra Coimbra Inovação Parque - Parque de Inovação em Ciência em Tecnologia, Saúde PRODESO - Ensino Profissional Transportes Urbanos de Coimbra P Condeixa-a-Nova P Constância P Coruche P Corvo M Covilhã ICOVI - Infraestruturas e Concessões ADC - Aguas da Covilhã Nova Covilhã, SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana Parkurbis, Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã P Crato P Cuba Centro de Estudos Diogo Dias Melgaz M Elvas M Entroncamento M Espinho M Esposende EAMB - Esposende Ambiente

Resultados Operacionais -1.492.331 -120.918

Resultados Líquidos -1.469.834 -124.922

Dívidas de CP 9.777.239 608.614

Dividas MLP 14.773.799 0

Passivo Exigível 24.551.037 608.614

EEM EM

EM SA

485.526

320.646

1.636.111

5.687.500

7.323.611

1.073.375

--

--

SA SMTC CM CM CM CM CM EEM EM EM

8.141 -1.552.732 -1.696.453 -107.401 1.213.001 455.655 -4.699.562 113.980 -182.313 -9.348

6.880 -520.848 -973.506 47.571 2.676.830 588.904 -5.602.764 68.461 -538.116 -16.515

413.040 2.515.848 3.486.840 284.555 1.843.407 113.160 12.428.099 871.058 10.357.118 1.292.297

0 227.107 4.156.460 4.187.220 5.213.057 1.419.845 76.443.933 674.196 12.620.452 0

413.040 2.742.955 7.643.300 4.471.775 7.056.464 1.533.006 88.872.032 1.545.254 22.977.570 1.292.297

-1.273.622 2.268.806 6.638.620 3.442.276 4.657.617 1.311.690 74.491.961 4.203 15.859.448 1.263.094

--91% 79% 34% 82% 316% ----

--24% 3% 7% 6% 86% ----

SA CM CM Soc. CM CM CM CM EEM 224

-82.191 -198.006 -142.599 -131 -2.271.680 -1.078.199 -9.353.826 775.315 83.076

-120.014 36.554 -114.691 -8.621 -1.478.127 -454.742 -9.815.884 729.437 45.468

230.177 1.613.803 1.232.636 375.164 886.113 5.932.953 15.264.957 4.543.472 2.009.773

1.700.000 5.323.616 2.927.846 0 1.970.304 9.803.651 26.712.649 10.405.260 5.062.146

1.930.177 6.937.419 4.160.483 375.164 2.856.417 15.736.603 41.977.606 14.948.731 7.071.919

1.642.531 5.557.887 3.810.574 -978.714 -11.114.655 9.295.509 39.055.803 13.352.284 4.840.597

-93% 84% --81% 109% 239% 94% --

-17% 18% -1% 39% 56% 18% --

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido Índice Fornecedores / Receitas n-1 -25% 53% 68% --

Tipo

Designação ESPOSENDE 2000 Actividades Desportivas e Recreativas M Estarreja P Estremoz M Évora HABEVORA Gestão habitacional Évora Viva, SRU Sociedade de Reabilitação Urbana SITEE - Sistema Integrado de Transportes e Estacionamento de Évora MME - Mercado Municipal de Évora M Fafe M Faro FAGAR - Faro Gestão de Aguas e Resíduos TMF - Teatro Municipal de Faro Ambifaro -Agência para o Desenvolvimento Económico de Faro Mercado Municipal de Faro M Felgueiras ACLEM - Arte, Cultura e Lazer EMAFEL - Ambiente de Felgueiras EPF - Ensino Profissional de Felgueiras P Ferreira do Alentejo MOBITRAL - Mobílias Tradicionais Alentejanas P Ferreira do Zêzere

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EEM CM CM CM EEM

8.352 -1.158.253 -3.192.871 -14.181.718 135.437

6.010 -938.507 -2.270.608 -15.651.235 3.546

232.489 6.029.692 6.499.598 42.506.114 293.709

75.000 12.616.922 6.170.327 25.823.083 11.483.762

307.489 18.646.614 12.669.925 68.329.197 11.777.471

183.566 14.970.012 8.876.986 62.490.906 7.306.625

-124% 93% 220% --

EM

-54.723

-54.723

16.709

0

16.709

5.781

--

--

EM SA CM CM EM EM SA SA CM EM EM Soc. CM EM CM

14.535 -131.190 3.463.600 -176.067 -606.961 -288.865 49.378 83.238 -4.582.996 -50.767 -235.081 13.526 86.268 10.042 -3.940.866

-41.087 -131.277 2.184.863 -2.686.305 -718.005 -291.491 41.389 -220.849 -5.410.866 -167.903 -237.425 2.211 195.179 9.816 -3.961.794

1.803.195 80.781 2.759.456 34.957.871 9.846.360 534.146 786.002 12.213.359 8.864.712 1.049.481 171.423 950.101 1.988.687 17.515 3.141.552

0 0 7.465.192 36.768.083 0 30.455 750.000 0 14.688.552 3.298.466 0 3.800 6.662.253 0 7.537.629

1.803.195 80.781 10.224.648 71.725.954 9.846.360 564.601 1.536.002 12.213.359 23.553.264 4.347.947 171.423 953.901 8.650.940 17.515 10.679.181

1.106.116 10.512 7.419.137 65.034.175 3.716.639 265.113 1.406.277 11.977.228 18.212.536 3.476.222 15.645 -136.119 7.280.145 -10.871 10.300.086

--31% 223% ----79% ---78% -158%

--3% 74% ----20% ---9% -32% 225

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 56.302.847 1.259.977 16.020.622 4.727.535 -451.911 3.953.574 99.325 7.778.988 33.626.794 11.979.005 3.256.921 83.638.705 1.338.497 -37.998 63.377.945 206% ----52% -140% 663% 176% 82% 203% --407%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 74% ----20% -60% 18% 31% 5% 66% --36%

Tipo CM EEM EM EM EM CM EM CM CM CM CM CM EM EM CM

Designação M Figueira da Foz Figueira Grande Turismo Figueira Domus Gestão de Habitação Figueira PARANOVA Figueira Parques Estacionamento Figueira de Castelo P Rodrigo Figueira Cultura e Tempos Livres P Figueiró dos Vinhos P Fornos de Algodres Freixo de Espada P à Cinta P Fronteira M Funchal Frente MarFunchal, Gestão e Exploração de Espaços Públicos Sociohabitafunchal Habitação M Fundão Viverfundão - Promoção e Gestão das Condições Estruturais e Infraestruturais Fundão Turismo Fundão Verde - Espaços e Jardins Mercado Abastecedor da Cova da Beira P Gavião P Góis P Golegã G Gondomar Gondomar Coração de Ouro

Resultados Operacionais -5.611.544 -523.512 620.253 25.200 50.904 877.191 -22.151 -4.210.767 -736.421 35.590 147.980 877.011 -915.631 -3.820 1.816.968

Resultados Líquidos -7.239.996 -521.994 4.446 -71.903 35.614 107.772 -14.759 -4.319.757 -958.420 31.263 259.205 350.383 -934.809 -3.822 -23.340

Dívidas de CP 36.171.230 3.658.826 7.111.384 1.700.623 186.731 1.935.701 207.464 5.310.257 1.215.125 4.048.239 336.991 43.306.418 1.576.183 255.832 13.663.242

Dividas MLP 25.885.190 1.303.186 9.699.959 3.077.131 0 7.446.280 645 3.713.355 33.933.473 10.952.045 3.456.760 61.776.097 700.000 0 69.760.171

Passivo Exigível 62.056.421 4.962.013 16.811.343 4.777.754 186.731 9.381.980 208.109 9.023.612 35.148.598 15.000.285 3.793.751 105.082.515 2.276.183 255.832 83.423.413

EEM

266.169

-31.904

517.809

5.162.780

5.680.589

5.315.848

--

--

EM EM SA CM CM CM CM EM 226

26.413 2.632 121.657 241.648 817.885 8.397 4.912.506 20.872

5.978 265 -27.275 303.494 1.096.599 120.303 293.213 19.220

483.445 81.503 867.516 399.182 963.564 1.885.143

1.118.791 72.905 2.892.142 2.313.888 3.247.920 2.017.357

1.602.236 154.409 3.759.658 2.713.071 4.211.484 3.902.500 130.153.798 29.961

1.263.796 75.015 3.663.571 1.497.165 2.703.310 3.661.067 120.446.700 -43.037

---28% 47% 77% 199% --

---5% 13% 26% 14% --

15.709.212 114.444.586 29.961 0

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 15.434.375 28.969 9.578.330 -357.596 377.431 39.207.793 2.714.165 172% -52% --190% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 15% -10% --60% --

Tipo CM EM CM EM EM CM EM

Designação P Gouveia DLCG - Desporto, Lazer e Cultura P Grândola Infratroia - Infraestruturas SAP - Serviço de Apoio a Praias M Guarda Culturguarda Gestão da Sala de Espetáculos e Actividades Culturais Guarda Cidade Desporto Guarda Hotel Turismo da Guarda G Guimarães CASFIG - Coordenação das Habitações Vitrus Ambiente AVEPARK - Parque de Ciência e Tecnologia P Horta Hortaludus - Gestão e Exploração de Equipamentos Urbhorta - Const. Gest. Expl. Proj. Desenv. Emp. P Idanha-a-Nova M Ílhavo M Lagoa (Algarve) P Lagoa (R.A.A) EML - Urbanização, Requalificação Urbana e Ambiental e Habitação Social M Lagos Futurlagos - Desenvolvimento

Resultados Operacionais -109.835 265 6.421.071 140.439 -23.845 -2.667.871 -9

Resultados Líquidos 398.272 263 6.924.370 104.072 -23.845 107.586 -829

Dívidas de CP 4.333.385 372.606 2.085.852 283.323 21.525 31.555.794 791.847

Dividas MLP 11.633.895 0 9.732.302 0 408.035 30.052.447 2.624.895

Passivo Exigível 15.967.280 372.606 11.818.154 283.323 429.560 61.608.241 3.416.742

EM SMAS Soc. CM EM EM SA SA CM EM EM CM CM CM CM EM CM EEM

1.128 -469.634 -645.082 11.427.767 19.885 -9.171 -657.116 -1.588.330 -1.591 51.444 283.106 3.870.987 -4.630.433 1.334.760 1.899 -13.815.155 -98.681

0 -198.154 -649.924 8.762.646 3.001 -9.182 -748.661 -2.104.740 -6.974 18.828 477.994 3.114.429 -5.006.193 134.010 86 -15.474.440 65.573

225.836 4.085.715 777.128 24.424.187 105.168 114.672 1.449.816 2.944.840 456.595 64.299 2.368.463 17.500.666 12.488.918 3.747.385 306.869 34.132.590 6.353.407

650.000 6.047.395 0 57.976.213 18.382 0 4.676.644 6.471.581 0 2.243.000 4.474.604 16.629.205 4.925.596 9.219.093 2.189.366 15.532.993 0

875.836 10.133.110 777.128 82.400.400 123.550 114.672 6.126.460 9.416.421 456.595 2.307.299 6.843.068 34.129.871 17.414.513 12.966.478 2.496.235 49.665.583 6.353.407

535.962 8.780.224 582.908 77.084.475 -3.803 -101.402 5.961.344 6.322.398 334.654 1.909.673 6.099.682 24.071.634 15.184.754 12.461.348 1.705.460 42.049.820 -11.756.913

---119% ---87% --46% 164% 81% 188% -156% --

---22% ---16% --12% 46% 42% 20% -72% -227

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 70.334 756.837 -27%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 -6%

Tipo

Designação Lagos-em-Forma Gestão Desportiva P Lajes das Flores Ocidentalmais Equipamentos Económicos, Culturais, Desportivos e de Lazer P Lajes do Pico Culturpico SPRLP - Sociedade Promoção e Requalificação M Lamego Lamego Convida Gestão de Equipamentos Municipais G Leiria Leirisport - Desporto, Lazer e Turismo Leiria G Lisboa EMEL - Estacionamento de Lisboa GEBALIS - Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa EGEAC - Gestão de Equipamentos e Animação Cultural EPUL - Urbanização de Lisboa Lisboa Ocidental, SRU, Sociedade de Reabilitação Urbana GF - Gestão de Projectos e Fiscalização de Obras Imohífen-Mediação Imobiliária M Loulé Infralobo - Empresa de Infra-Estruturas

Resultados Operacionais 1.516 -240.465

Resultados Líquidos 305 -301.372

Dívidas de CP 283.135 428.036

Dividas MLP 0 1.681.892

Passivo Exigível 283.135 2.109.927

EEM CM

EM

0

0

0

0

0

0

--

--

CM EM SA CM EEM CM EM SMAS CM EEM EEM EM EM EM

107.382 -8.804 -3.595 1.183.092 43.974 9.090.436 -178.227 -3.101.760 74.520.795 944.297 -1.292.122 147.858 9.667.165 742

-1.378.500 -9.041 -3.595 -885.467 20.657 6.005.742 -1.397.601 135.565 161.423.880 536.856 -2.444.615 285.100 5.170.941 24.522

206.475 168.865 9.735 22.153.873 299.647 16.445.704 1.818.814 6.186.526 435.651.545 20.778.319 34.310.526 4.684.043 155.526.628 416.442

9.024.886 70.000 0 14.282.786 414.474 65.077.841 20.428.979 1.865.445 661.411.710 5.273.063 395.451 0 50.008.139 2.500.000

9.231.361 238.865 9.735 36.436.659 714.121 81.523.544 22.247.794 8.051.972 1.097.063.256 26.051.382 34.705.977 4.684.043 205.534.767 2.916.442

7.037.273 131.673 -1.950 32.261.488 406.118 73.955.935 17.901.904 -1.213.614 776.589.168 21.190.540 12.421.104 1.177.762 137.225.272 -2.114.535

161% --236% -153% --170% ------

3% --81% -23% --85% ------

SA SA CM EM 228

-139.707 -5.035 -6.294.832 24.162

-144.490 -5.333 -4.811.168 29.244

142.547 194.261 42.697.602 1.360.008

0 0 52.872.337 112.696

142.547 194.261 95.569.939 1.472.704

-447.365 -470.886 85.397.482 117.128

--126% --

--34% --

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 1.361.484 -Índice Fornecedores / Receitas n-1 --

Tipo

Designação Inframoura - Empresa de Infra-Estruturas Infraquinta - Empresa de Infra-Estruturas Loulé Concelho Global G Loures Gesloures - Gestão de Equipamentos Sociais Loures Parque - Estacionamento VALORSUL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos Loures M Lourinhã M Lousã M Lousada Lousada Seculo XXI - Actividades Desportivas e Recreativas P Mação Macedo P de Cavaleiros M Machico P Madalena Madalena Progresso M Mafra Giatul - Gestão de Infra-Estruturas em Actividades Turísticas Mafratlântico - Vias Rodoviárias Pavimafra - Infra-Estruturas e Rodovias Matadouro Regional de Mafra G Maia

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EM

61.254

47.743

1.662.447

376.367

2.038.813

EM SA CM EM EM SA SM CM CM CM EM CM CM CM CM EEM CM EM EM EM SA CM

126.780 -151.501 14.557.586 36.193 -155.769 11.045.697 -478.358 -5.758.615 -1.132.099 1.779.976 -125.347 960.105 1.959.914 2.754.335 600.106 2.196 -11.966.711 183.461 1.653.211 396.689 108.679 4.227.345

71.136 -145.229 12.315.353 16.305 -117.255 6.027.785 -3.662.924 -5.534.557 -714.355 3.106.904 -124.657 1.115.630 1.750.646 2.203.224 174.588 2.019 -4.739.356 37.019 840.663 195.741 63.546 4.047.526

1.289.588 251.328 30.596.255 502.883 181.148 37.360.054 12.702.505 10.634.246 4.210.551 8.555.730 353.004 1.588.604 6.200.876 11.209.621 1.396.452 77.535 19.987.000 177.458 9.178.023 2.057.942 738.555 29.072.774

110.245 1.327.841 54.735.936 0 0 150.116.791 2.484.921 20.322.772 5.543.289 14.468.749 0 1.729.412 14.079.798 12.750.835 4.900.530 0 11.343.074 6.451.882 0 58.126 388.007 52.566.010

1.399.833 1.579.169 85.332.191 502.883 181.148 187.476.845 15.187.427 30.957.018 9.753.840 23.024.479 353.004 3.318.016 20.280.674 23.960.456 6.296.983 77.535 31.330.074 6.629.339 9.178.023 2.116.068 1.126.562 81.638.784

-834.417 -485.369 69.846.608 286.543 30.575 155.577.050 1.869.807 22.561.994 8.035.976 9.851.858 211.408 3.012.341 16.811.143 15.483.110 5.905.849 -6.275 21.572.089 6.215.236 7.247.568 621.624 735.155 70.297.109

--72% ----192% 91% 51% -39% 128% 180% 123% -63% ----124%

--27% ----36% 32% 33% -16% 25% 86% 14% -35% ----25% 229

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido -163.645 --

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 --

Tipo

Designação Empresa Metropolitana de Estacionamento Espaço Municipal Renovação Urbana e Gestão do Património Maiambiente Academia de Artes da Maia - Produções Culturais TECMAIA - Parque de Ciência e Tecnologia EEA - Empresa de Engenharia e Aeronáutica Maia M Mangualde P Manteigas Marco de CanaM veses M Marinha Grande TUMG - Transportes Urbanos P Marvão G Matosinhos Matosinhoshabit Habitação de Matosinhos MS Matosinhos Sport - Gestão de Equipamentos Desportivos e de Lazer Indaqua Matosinhos - Gestão de Águas M Mealhada EPVL - Escola Profissional da Mealhada P Meda

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EEM

3.356

6.815

131.100

0

131.100

EEM EEM EM

108.219 176.009 -150.544

139.008 101.775 -117.691

2.691.806 1.951.991 607.096

0 38.537 0

2.691.806 1.990.529 607.096

2.046.538 809.627 290.382

----

----

EM

-345.211

-1.183.038

7.044.751

12.812.865

19.857.616

18.724.599

--

--

SA SMEAS CM CM CM CM EM CM CM EEM

-16.388 711.390 2.481.842 -598.993 639.665 -247.393 36.666 -1.633.778 -13.820.699 -484.701

-16.388 1.831.467 3.694.018 -370.381 2.734.767 478.533 29.440 -1.035.678 -8.660.627 -511.669

87.399 2.561.646 6.978.050 2.120.544 3.668.911 3.399.512 247.779 227.903 42.760.840 2.862.998

0 20.129.533 10.353.972 4.410.538 38.846.600 5.731.068 96.580 1.570.827 37.394.168 0

87.399 22.691.179 17.332.022 6.531.082 42.515.511 9.130.579 344.359 1.798.731 80.155.008 2.862.998

-2.242.881 16.472.350 16.085.700 4.997.688 40.719.747 6.618.647 -426.013 292.209 62.447.252 -187.056

--140% 116% 212% 51% -11% 84% --

--37% 36% 14% 14% -3% 32% --

EM

-25.824

-36.725

1.638.626

305.190

1.943.816

639.278

--

--

SA CM Soc. CM 230

2.684.394 -119.020 7.617 -889.545

660.332 948.882 3.328 -821.160

11.366.423 416.055 324.708 3.936.042

31.719.416 3.078.529 30.645 3.510.600

43.085.839 3.494.583 355.353 7.446.642

37.534.985 351.370 -468.830 6.798.021

-3% -114%

-2% -30%

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido Índice Fornecedores / Receitas n-1 --

Tipo

Designação Nova Meda - Empresa Gestora de Equipamentos Municipais ADL Águas de Longroiva - Exploração e Gestão de Águas Termais P Melgaço Melsport - Melgaço Desporto e Lazer P Mértola Merturis - Turismo P Mesão Frio P Mira P Miranda do Corvo P Miranda do Douro Miranda Cultural e Rural M Mirandela AIN - Agro-Indústrial do Nordeste Metropolitano Ligeiro de Mirandela Mirandela P Mogadouro P Moimenta da Beira M Moita P Monção Matadouro Regional de Monção Sociedade Termal de Monção P Monchique P Mondim de Basto P Monforte P Montalegre P Montemor-o-Novo M Montemor-o-Velho

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EEM

-101.531

-101.574

96.537

0

96.537

60.778

--

EM

7.927

9.584

36.706

0

36.706

-62.177

--

--

CM EM CM EEM CM CM CM CM EM CM SA SA SMA CM CM CM CM EM Soc. CM CM CM CM CM CM

124.393 5.326 2.149.110 38.908 106.339 717.220 244.309 1.295.687 -27.076 2.334.832 -275.570 -100.958 296.998 -2.774.831 1.031.141 2.391.479 1.484.231 -36.002 3.090 -950.011 1.646.719 -258.775 -5.186.887 2.375.100 -1.256.575

1.079.184 3.990 2.486.284 30.744 224.250 932.502 556.355 1.048.773 -27.367 864.810 -303.471 -121.417 -146.180 -2.317.926 869.604 1.973.914 1.707.347 -40.440 2.973 -1.127.912 524.400 -184.814 -4.297.424 1.827.150 -1.006.409

7.167.931 178.386 661.337 23.163 552.876 4.215.754 3.906.827 6.836.917 96.830 10.085.629 151.782 1.728.676 30.531 1.019.094 4.705.322 4.524.212 6.036.423 258.055 9.956 2.862.030 2.728.005 1.793.446 2.479.655 4.313.543 9.725.736

11.253.598 0 8.196.978 0 9.139.114 3.232.268 3.296.940 6.118.189 0 11.009.245 609.068 0 0 7.119.164 7.433.863 25.397.113 11.219.444 21.787 0 8.692.759 17.291.248 3.327.879 8.618.527 3.668.676 24.601.575

18.421.529 178.386 8.858.315 23.163 9.691.990 7.448.022 7.203.767 12.955.106 96.830 21.094.874 760.850 1.728.676 30.531 8.138.259 12.139.185 29.921.325 17.255.867 279.841 9.956 11.554.789 20.019.252 5.121.324 11.098.182 7.982.219 34.327.311

15.826.953 -85.993 8.083.541 -37.523 8.791.818 6.496.012 6.357.627 9.909.757 5.313 19.729.089 186.313 1.698.267 -548.305 6.657.244 10.569.409 28.638.757 15.872.449 134.950 -54.171 11.065.670 19.518.491 4.914.131 9.566.296 6.880.754 30.716.915

214% -69% -222% 78% 108% 130% -127% ---63% 138% 137% 131% --133% 273% 105% 69% 50% 256%

38% -3% -10% 35% 32% 47% -38% ---4% 31% 15% 26% --28% 33% 18% 12% 21% 33% 231

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 19.001.707 -820.901 3.198.123 -167.061 2.308.147 9.358.905 -788.853 10.520.947 11.003.034 1.444.140 20.109.713 -21.638 114.514 13.420.393 10.707.598 725.913 14.105.247 108.268 4.567.164 8.375.918 83% -58% -27% 79% -222% 212% 25% 235% --164% 132% -295% --63%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 20% -3% -1% 22% -11% 62% 11% 83% --18% 32% -110% --35%

Tipo CM SMAS CM EEM CM CM EM CM CM CM CM EM SM CM CM EM CM EM EM CM

Designação M Montijo Montijo P Mora Fluviario de Mora P Mortágua P Moura Logica - Sociedade Gestora do Tecnológico P Mourão P Murça P Murtosa P Nazaré Nazaré Qualifica Nazaré P Nelas P Nisa TERNISA - Termas da Fadagosa de Nisa P Nordeste HSN - Habitação Social do Concelho de Nordeste Nordeste Activo P Óbidos Óbidos Patrimonium - Gestão e Produção Atividades Equip. Culturais, Educação Projetos Valorização Turística Óbidos Requalifica M Odemira G Odivelas Municipália - Gestão de Equipamentos e Património

Resultados Operacionais 2.413.481 -535.818 -1.208.410 5.329 1.087.123 -5.517.105 30.287 -2.357.800 1.141.166 1.685.024 -1.438.454 4.128 -542.832 -2.232.591 -847.906 -601.700 -1.045.193 10.977 88.563 2.115.547

Resultados Líquidos 2.426.316 -229.344 -990.669 3.741 392.747 -6.584.249 27.888 -2.324.839 965.177 1.232.315 -2.483.640 2.155 -444.948 -2.263.317 -516.165 -523.014 -1.507.753 8.775 2.053 2.735.187

Dívidas de CP 6.705.826 2.203.863 315.598 146.946 223.287 5.028.876 772.857 2.710.351 5.255.929 1.184.211 18.745.954 118.027 605.879 2.298.629 6.133.341 1.135.016 8.145.118 113.995 3.213.142 7.708.573

Dividas MLP 14.288.998 0 4.059.459 0 4.931.711 5.651.434 0 7.936.217 8.064.648 2.151.564 10.475.006 0 0 11.753.535 7.619.292 0 7.075.511 0 1.770.349 5.848.186

Passivo Exigível 20.994.824 2.203.863 4.375.057 146.946 5.154.997 10.680.310 772.857 10.646.568 13.320.577 3.335.775 29.220.961 118.027 605.879 14.052.164 13.752.633 1.135.016 15.220.629 113.995 4.983.491 13.556.759

EEM

18.048

1.229

804.074

11.716

815.790

449.394

--

--

EEM CM CM EM

-5.891 1.639.117 3.336.309 -109.340

5.902 1.482.959 2.959.376 -126.705

69.268 2.622.069 24.332.322 409.480

1.695.503 13.282.844 39.092.292 0

1.764.770 15.904.913 63.424.614 409.480

1.380.422 13.916.919 58.995.128 105.031

-67% 115% --

-8% 36% --

232

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 60.303.976 502.134 54% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 23% --

Tipo CM EM

Designação G Oeiras Oeiras Viva-Gestão de Equipamentos Sócio Culturais e Desportivos Parques Tejo - Parqueamentos de Oeiras SATU - Oeiras - Sistema Automático de Transporte Urbano HABITÁGUA - Serviços Domiciliários Oeiras e Amadora P Oleiros M Olhão SRU-Reabilitação Urbana de Olhão Ambiolhão - Ambiente de Olhão Fesnima - Animação de Olhão Mercados de Olhão M Oliveira de Azeméis Gedaz - Gestão de Equipamentos Desportivos P Oliveira de Frades M Oliveira do Bairro M Oliveira do Hospital M Ourém Ambiourém - Gestão de Espaços e Equipamentos SRU-Fátima - Sociedade de Reabilitação Urbana Ourém Viva - Gestão de Eventos, Serviços e Equipamentos Centro de Negócios de Ourém

Resultados Operacionais 8.836.158 158.039

Resultados Líquidos 12.415.405 132.409

Dívidas de CP 26.355.570 675.620

Dividas MLP 39.573.871 500.000

Passivo Exigível 65.929.441 1.175.620

EM EM SA Soc. SMAS CM CM EEM EM EM EM CM EEM CM CM CM CM EEM

227.331 -2.099.547 34.375 6.766.293 -5.690.635 -7.596.385 55 0 4.416 -40.629 4.032.479 -380.899 -193.952 2.694.439 1.466.901 -3.399.115 41.256

166.321 -2.988.901 18.736 6.424.747 -5.522.887 -17.344.762 44 0 2.352 -38.572 284.399 -285.839 -53.915 3.025.369 901.944 -4.816.456 19.078

371.792 7.574.885 545.730 9.160.874 1.103.095 13.257.075 11 0 56.793 41.763 10.193.622 310.983 2.202.767 4.104.079 825.629 13.336.957 817.207

109.675 1.850.000 21.242 0 2.344.076 21.960.622 0 9.019.225 0 0 39.287.424 0 3.862.351 11.623.933 6.032.340 24.071.807 0

481.466 9.424.885 566.972 9.160.874 3.447.171 35.217.697 11 9.019.225 56.793 41.763 49.481.046 310.983 6.065.117 15.728.012 6.857.969 37.408.764 817.207

-1.119.297 9.288.835 -112.039 -16.001.840 977.850 32.716.669 -50.044 8.969.296 -98.963 -148.399 44.359.608 272.520 5.528.834 13.236.055 3.554.220 30.354.798 150.688

----13% 167% ----183% -71% 119% 32% 137% --

----8% 39% ----20% -18% 18% 5% 31% --

EEM

-205.570

-208.157

632.675

33.423

666.097

-171.879

--

--

EEM EM

-101.847 284.297

-105.671 285.710

406.197 5.828

16.554 0

422.750 5.828

-105.906 -301.935

---

---

233

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 13.845.655 -4.409.060 -28.544 44.515.542 481.176 29.340.422 25.221.715 179% -22% -226% --82%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 32% 11% -98% --17%

Tipo CM CM EM CM EM EM CM

Designação P Ourique M Ovar Ovar Forma - Ensino e Formação M Paços de Ferreira Gespaços - Gestão de Equipamentos Desportivos PFR Invest - Gestão Urbana M Palmela Palmela Desporto Gestão de Espaços e Equipamentos Desportivos P Pampilhosa da Serra M Paredes Amiparedes - Agência Municipal de Investimento P Paredes de Coura P Pedrógão Grande P Penacova Prnaparque 2 - Gestão e Promoção de Equipamentos M Penafiel Penafiel Activa Penafiel Verde - Entidade Empresarial Local P Penalva do Castelo P Penamacor P Penedono P Penela M Peniche Peniche P Peso da Régua P Pinhel

Resultados Operacionais 907.742 1.482.371 6.919 -2.366.963 62.089 585.969 -10.458.289

Resultados Líquidos 1.319.510 1.397.298 3.206 -10.758.547 24.765 27.226 -10.701.458

Dívidas de CP 4.318.588 4.175.567 536.006 39.735.673 1.056.280 5.604.321 8.869.680

Dividas MLP 9.735.559 9.064.509 6.375 24.917.749 509.091 29.154.916 20.013.072

Passivo Exigível 14.054.147 13.240.076 542.381 64.653.422 1.565.371 34.759.237 28.882.752

EM

12.543

2.790

281.522

0

281.522

57.977

--

--

CM CM EM SA CM CM CM EM CM EEM EEM CM CM CM CM CM SMAS CM CM 234

1.781.288 -3.368.181 3.426 1.776.591 -34.507 2.015.182 -8.094 3.111.349 33.275 150.366 1.475.672 1.736.548 1.094.599 -2.113.189 319.667 -619.339 -332.096 -881.365

1.634.860 6.659.379 -214 1.711.044 27.272 1.975.512 -8.176 2.992.709 3.381 43.398 1.327.482 1.203.386 1.262.148 -1.644.472 -193.825 317.147 -759.387 -624.577

285.225 41.629.729 325.829 6.147.132 982.119 3.113.269 23.417 22.933.777 659.740 4.683.217 241.289 8.056.399 187.023 5.221.214 6.852.973 365.377 9.104.944 4.325.351

1.263.107 11.391.367 0 4.107.045 3.383.656 650.606 0 14.926.104 0 303.526 3.494.512 3.736.864 0 4.184.274 6.256.563 0 9.202.784 6.045.971

1.548.333 53.021.096 325.829 10.254.176 4.365.775 3.763.875 23.417 37.859.881 659.740 4.986.743 3.735.801 11.793.263 187.023 9.405.488 13.109.537 365.377 18.307.728 10.371.322

254.837 41.483.145 -89.014 9.565.249 3.989.853 3.129.571 -30.645 35.805.919 66.074 2.560.135 1.118.207 10.291.758 -3.486.969 6.623.302 11.109.577 -2.919.391 12.275.759 9.842.334

3% 129% -114% 88% 39% -125% --18% 134% -76% 130% 106% -103% 109%

2% 74% -51% 15% 24% -61% --2% 73% 3% 61% 45% -60% 30%

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 127.360 8.496.805 -161.011 28.516.870 9.185.919 -38% -104% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 -14% -10% --

Tipo

Designação Falcão Cultura, Turismo e Tempos Livres M Pombal Pmugest - Pombal Manutenção Urbana M Ponta Delgada Azores Parque Cidade em Acção - Sociedade de Desenvolvimento e Gestão de Equipamentos Urbanos Coliseu Micaelense - Soc. Prom. Eventos Culturais Anima Cultura P. Delgada Social Const. Expl. Gest. Equip. Sociais P Ponta do Sol P Ponte da Barca Embarca - Cultura, Desporto e Lazer M Ponte de Lima P Ponte de Sor

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EM CM EM CM SA

-140.868 11.233.337 34.253 1.055.933 279.805

-144.178 7.604.258 24.120 2.276.196 8.592

171.891 5.979.309 208.895 5.106.187 908.288

0 7.261.955 0 27.658.670 11.210.067

171.891 13.241.264 208.895 32.764.857 12.118.355

SA

486.659

8.151

953.377

15.675.715

16.629.092

16.524.746

--

--

SA Soc. Soc. CM CM EM CM CM CM

143.988 1.446 6.053 143.118 -395.801 0 -1.060.290 960.820 -496.642 133.447 -214.977 -157.557 -35.587.664 -5.307

35.073 1.062 1.306 769.777 896.822 0 -2.290.885 2.505.402 1.279.814 64.360 37.357 -39.406 -36.342.688 243.737

884.366 241.069 260.885 2.250.661 4.421.794 0 2.994.045 1.482.846 11.139.997 66.803 765.945 112.485 92.555.954 3.034.939

4.439.966 0 0 3.007.328 6.738.211 0 2.183.860 1.343.947 41.765.614 1.208.902 141.868 3.212.036 55.369.144 0

5.324.332 241.069 260.885 5.257.989 11.160.005 0 5.177.905 2.826.793 52.905.610 1.275.706 907.812 3.324.521 147.925.098 3.034.939

5.186.466 -75.691 10.654 3.870.569 8.329.780 0 -14.994.991 -4.860.838 33.125.255 -310.560 -173.190 -575.176 141.472.225 -11.610.829

---81% 108% --72% -38% 250% ---7% 371% --

---32% 27% -8% 9% 59% --2% 206% --

M Portalegre MMPO - Mercado SA Municipal de Portalegre Agua e Transportes SMAT de Portalegre CM P Portel CM EM M Portimão EMARP - Águas e Resíduos de Portimão Portimão Urbis SGRU - Sociedade de Gestão e Reabilitação Urbana G Porto

EM SA CM

2.197.397

1.456.696

16.349.389

9.095.718

25.445.107

3.533.655

--

--

1.061.277

3.782.406

33.426.770

107.896.233

141.323.003

127.023.125

93%

6%

235

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 8.061.709 -304.491 -1.153.145 12.888.753 6.600.063 -1.916.602 -435.419 --------

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 --------

Tipo

Designação TIP - Transportes Intermodais do Porto DOMUSSOCIAL Empresa de Habitação e Manutenção Gestão de Obras Públicas da Câmara Municipal do Porto CMPEA - Águas do Porto Porto Lazer APOR - Agência para a Modernização PRIMUS - Promoção e Desenvolvimento Regional Portovivo, SRU Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense M Porto de Mós P Porto Moniz AM - Aquário da Madeira P Porto Santo ArealDourado Eventos Porto Santo Verde - Resíduos Sólidos e Limpeza M Póvoa de Lanhoso EPAVE - Escola Profissional do Alto Ave M Póvoa de Varzim Varzim Lazer P Povoação Espaço Povoação Empresa Municipal de Atividades Desportivas, Recreativas e Turísticas POVOAINVEST Empresa Municipal de Habitação Social

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

ACE EEM EEM EM EM SA SA

433.795 -3.109 15.016 1.439.473 -2.055.231 -112.977 1.879

278.608 37.634 9.280 1.191.690 -2.136.082 -32.044 1.191

9.934.627 7.194.299 4.401.042 26.201.085 7.743.543 147.035 307.492

2.821.063 0 0 1.875.000 0 0 0

12.755.690 7.194.299 4.401.042 28.076.085 7.743.543 147.035 307.492

SA CM CM EM CM EM EM CM Soc. CM EM CM

-1.879.274 2.015.301 1.761.176 -149.970 -2.208.494 227.851 295.547 -647.939 15.296 1.336.141 -84.048 1.513.528

-2.109.918 1.588.339 1.995.786 -212.207 -1.926.627 220.231 219.462 148.799 9.525 2.865.620 -87.339 1.416.117

8.972.836 3.014.984 3.832.489 1.087.544 4.815.116 241.440 505.077 7.875.378 537.696 22.445.863 239.754 27.884.281

19.217.079 3.888.983 2.783.160 1.356.578 2.557.894 13.500 315.585 4.885.937 0 15.139.569 0 7.370.795

28.189.915 6.903.967 6.615.650 2.444.121 7.373.010 254.940 820.662 12.761.315 537.696 37.585.432 239.754 35.255.076

18.025.704 6.242.221 5.069.882 2.352.829 3.003.691 148.854 544.865 10.695.435 -44.921 29.023.609 62.651 34.934.376

-51% 126% -71% --111% -93% -704%

-16% 66% -86% --47% -39% -406%

EM

88.682

75.817

583.637

75.000

658.637

229.025

--

--

EM

10.698

10.721

702.817

0

702.817

-9.041

--

--

236

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 3.300.918 1.184.468 -3.893.009 16.119.281 9.889.937 224.127 433.613 2.850.069 8.437.162 20.577.412 -189.996 22.015.745 143.546 44% --69% 196% 122% --49% 132% 171% -169% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 13% -5% 48% 31% --42% 43% 26% -10% --

Tipo CM EM CM CM CM EM SA EM SA CM CM CM EM CM EM

Designação P Proença-a-Nova Proençatur - Empresa de Turismo P Redondo Reguengos P de Monsaraz P Resende Companhia das Águas de Caldas de Arêgos Tur Arêgos P Ribeira Brava P Ribeira de Pena M Ribeira Grande Ribeira Grande Mais - Habitação Social, Requalificação Urbana e Ambiental M Rio Maior DESMOR - Gestão Desportiva de Rio Maior EPRM - Escola Profissional de Rio Maior P Sabrosa P Sabugal Sabugal - Gestão de Espaços Culturais, Desportivos, Turísticos e de Lazer Salvaterra M de Magos P Santa Comba Dão Combanima - Espaços Municipais Profiacademus - Escola Profissional M Santa Cruz Santa Cruz XXI Gestão de Equip. Munic. e Prest. Serv.

Resultados Operacionais -4.385.032 -333.157 -2.519.441 -339.491 386.757 -71.883 -3.285 -1.904.393 -2.159.588 5.086.023 67.792 -499.390 8.728

Resultados Líquidos -3.109.356 -347.957 -2.297.036 -222.319 480.335 -81.685 -4.208 -650.411 -1.921.320 4.555.040 55.362 943.533 6.565

Dívidas de CP 1.848.671 798.635 595.240 8.752.434 4.306.346 270.685 150.335 6.899.670 5.427.398 9.191.730 559.799 3.634.269 366.933

Dividas MLP 2.871.348 482.009 876.821 9.244.345 7.684.432 42.228 416.947 11.368.927 7.077.149 12.595.976 0 20.098.564 0

Passivo Exigível 4.720.019 1.280.644 1.472.060 17.996.780 11.990.778 312.914 567.283 18.268.597 12.504.547 21.787.706 559.799 23.732.833 366.933

SQ CM CM EM CM CM EM Soc. CM EM

1.514 -1.358.029 701.703 2.454 128.615 -2.959.648 -64.302 -23.572 -4.490.852 6.139

926 -1.763.517 462.571 9.471 486.655 -3.923.042 -77.539 -35.604 -6.427.924 1.647

311.497 4.143.310 2.650.732 104.938 2.507.625 6.866.975 467.390 490.550 27.783.550 78.570

0 5.148.432 8.552.188 0 3.483.680 12.984.340 105.498 83.333 15.261.664 0

311.497 9.291.742 11.202.920 104.938 5.991.305 19.851.315 572.888 573.883 43.045.214 78.570

-194.092 5.255.529 8.981.732 -97.236 5.034.877 17.659.136 503.120 342.149 30.435.083 -12.363

-80% 73% -53% 286% --255% --

-32% 16% -14% 46% --146% --

237

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 2.388.227 57.825 542.212 263.800 66.367.914 1.173.885 -47.679 73% -22% -150% ---

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 4% -0% -41% ---

Tipo

Designação Santa Cruz da Graciosa Emp Transp Colectivos Graciosa Santa Cruz das P Flores Flores Invest Santa Maria G da Feira Feira Viva Cultura e Desporto PEC-TSM - Parque Empresarial da Cortiça Indaqua Feira - Indústria e Gestão de Águas P Sociedade de Turismo de Santa Maria da Feira P Santa Marta de Penaguião Terra Cidade M Santarém LT - Sociedade de Reabilitação Urbana Scalabisport - Gestão de Equipamentos e Actividades Desportivas Águas de Santarém STR-URBHIS - Sociedade de Gestão Urbana M Santiago do Cacém M Santo Tirso Santo Tirso São Brás P de Alportel São João M da Madeira Habitar S. João - Habitação Águas de S. João

Resultados Operacionais 332.715 29.141 -6.461 11.872 19.916.698 -1.311.630 -1.400

Resultados Líquidos 198.882 24.191 -347.032 0 18.212.675 -1.057.248 -1.110

Dívidas de CP 203.532 30.159 38.239 30.369 30.610.961 1.410.320 2.121

Dividas MLP 2.288.435 91.832 1.113.785 300.000 46.263.082 566.063 0

Passivo Exigível 2.491.967 121.992 1.152.024 330.369 76.874.043 1.976.383 2.121

CM Soc. CM SA CM EEM EM

SA

2.819.762

-535.298

7.544.775

70.571.460

78.116.235

59.808.004

--

--

SA CM CM EEM CM EM EM EM SA EM SA CM CM SMEAS CM CM EEM EM SA 238

55.299 -627.991 -817.042 -43.237 -2.551.345 -8.121 98.609 1.253.616 2.202 -112.777 -2.118.178 130.728 -2.901.961 -747.113 1.656 459.268

33.105 -625.289 -1.282.465 -43.529 -847.339 -8.121 67.685 905.503 1.783 398.490 -2.108.422 413.496 -2.957.041 144.965 1.457 349.408

301.210 734.966 5.172.791 38.466 41.767.032 1.058 639.759 3.486.970 90.795 6.179.177 11.600.682 2.639.586 726.282 3.535.452 100.408 1.432.249

0 3.695.392 9.601.803 0 42.603.033 0 0 1.391.418 0 14.701.608 22.401.165 3.758.112 4.018.713 12.576.018 0 0

301.210 4.430.358 14.774.594 38.466 84.370.064 1.058 639.759 4.878.388 90.795 20.880.785 34.001.848 6.397.698 4.744.995 16.111.470 100.408 1.432.249

274.966 4.313.406 12.619.429 -3.446 80.315.989 -53.249 155.000 -256.348 -157.717 19.186.694 25.535.885 -289.865 4.087.871 -2.776.541 -28 530.141

-72% 201% -253% ----104% 92% -53% -26% ---

-2% 40% -74% ----21% 21% -5% 26% ---

P Santana

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 6.774.710 13.872.157 14.939.885 -14.384 3.560.294 2.025.050 -2.655 42.035 7.894.550 4.226.489 56.888.755 263.005 36.625.485 3.211 2.578.739 -89.209 6.875.848 -155.329 10.105.829 28.039.881 62.018.507 570.977 4.160.145 -1.561.147 25.367.474 19.786.614 89% 140% -0% -42% --182% 58% 379% -61% -40% -55% -98% 104% 130% -60% -107% 171% Índice Fornecedores / Receitas n-1 1% 44% -18% -29% --21% 14% 184% -29% -3% -5% -53% 43% 34% -21% -22% 18% 239

Tipo

Designação São João da Pesqueira P São Pedro do Sul Termalistur - Termas P São Roque do Pico P Cais Invest P São Vicente PROMOVICENTE - Gestão, Particip, Prom. e Divulg. Cult. Grutas de São Vicente - Madeira P Sardoal P Sátão M Seia EMCR - Cultura e Recreio G Seixal FERIMO - Sociedade Imobiliária P Sernancelhe ESPROSER - Escola Profissional P Serpa Serpobra SRU, Sociedade de Reabilitação Urbana P Sertã M Sesimbra G Setúbal CDR - Cooperação e Desenvolvimento Regional P Sever do Vouga Vougapark - Parque Tecnológico e de Inovação M Silves P Sines

Resultados Operacionais 1.920.499 -1.834.424 146.802 -194.503 2 635.933 -2.026 -100 -193.796 1.296.318 -2.882.342 16.943 15.701.017 -3.014 743.612 69.412 1.994.214 2.415 -3.170.130 -2.450.332 2.679.448 -249.024 220.500 126.630 -3.327.197 292.154

Resultados Líquidos 1.858.800 -904.218 -197.590 -461.699 -4.810 465.730 -2.026 -1.166 -259.823 1.083.150 -3.784.718 2.687 10.754.906 278 1.209.193 55.268 2.509.392 2.044 -1.660.900 -1.238.581 6.072.528 -293.551 213.469 109.244 855.535 3.737.827

Dívidas de CP 123.974 9.770.749 2.839.011 1.382.597 1.221.512 2.975.125 1.114 82.410 1.847.356 1.669.830 42.339.554 741.466 24.981.643 25.111 345.917 288.813 956.930 7.299 8.382.724 19.749.630 22.620.044 573.749 2.250.058 507.980 11.039.671 7.705.452

Dividas MLP 6.921.448 5.694.075 12.577.264 1.650.032 2.800.000 6.038.706 0 0 6.263.102 3.224.245 15.402.903 180.695 43.417.822 0 3.187.789 10.262 6.032.154 0 2.485.424 13.088.099 57.392.310 0 3.836.939 1.032.806 19.525.738 15.956.602

Passivo Exigível 7.045.422 15.464.824 15.416.275 3.032.628 4.021.512 9.013.831 1.114 82.410 8.110.458 4.894.075 57.742.457 922.161 68.399.465 25.111 3.533.706 299.076 6.989.084 7.299 10.868.147 32.837.729 80.012.355 573.749 6.086.997 1.540.786 30.565.409 23.662.055

CM CM EEM CM EM CM EM SA CM CM CM EM CM SA CM SA CM EM CM CM CM SA CM EM CM CM

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 86.975.487 3.875.334 71% --

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 17% --

Tipo CM

Designação

Resultados Operacionais 21.304.966 -191.794

Resultados Líquidos 13.455.121 135.679

Dívidas de CP 34.191.554 9.143.503

Dividas MLP 99.696.838 0

Passivo Exigível 133.888.392 9.143.503

G Sintra EDUCA - Gestão e Manutenção de EEM Equipamentos Educativos Sintra Quorum - Gestão EEM de Equipamentos Culturais e Turísticos EMES EM - Estacionamento HPEM - Higiene EM Pública SMAS Sintra Sobral de Monte CM P Agraço Monteges - Gestão EM de Equipamentos Sociais CM M Soure CM SA CM CM CM CM EM EM CM CM SMAS CM CM CM EEM CM 240 P Sousel ENASEL - Turismo e Cinegética P Tábua P Tabuaço P Tarouca M Tavira EMPET - Parques Empresariais Tavira Verde - Ambiente P Terras de Bouro M Tomar Tomar M Tondela P Torre de Moncorvo M Torres Novas Turriespaços Gestão de Equipamentos Culturais e Desportivos M Torres Vedras

-3.549

-10.521

537.740

0

537.740

-469.664

--

--

26.898 -2.175.476 252.930 -2.357.655 11.503 1.774.616 -4.562.203 -53.390 -3.126.546 1.631.108 -1.283.369 -2.931.629 1.265.095 326.624 -420.538 913.016 -366.735 1.889.471 -376.421 -3.746.042 12.968 -1.404.644

-2.676 -2.201.443 1.753.181 -2.201.629 10.948 1.144.657 -4.400.697 -63.758 -2.921.136 1.284.797 -1.535.680 -5.816.055 604.494 65.396 -720.627 585.182 -208.406 1.396.934 -1.700.283 1.896.464 12.058 -5.083.273

83.879 10.606.335 7.985.896 2.450.144 40.092 4.043.086 1.292.441 532.351 4.869.514 5.201.003 4.408.668 6.902.290 7.943.197 2.611.088 967.507 9.462.073 2.861.885 3.927.080 7.236.146 15.123.327 339.874 19.378.119

0 0 1.612.662 4.328.064 0 8.003.702 4.292.506 0 4.981.372 11.165.264 12.918.933 19.910.769 5.073.000 10.367.394 5.013.021 23.253.562 0 9.127.447 11.243.927 21.355.563 0 20.212.627

83.879 10.606.335 9.598.559 6.778.208 40.092 12.046.788 5.584.946 532.351 9.850.886 16.366.267 17.327.602 26.813.059 13.016.197 12.978.482 5.980.527 32.715.635 2.861.885 13.054.527 18.480.073 36.478.890 339.874 39.590.746

-326.104 2.821.080 -18.604.671 5.455.668 -31.258 11.866.532 4.615.662 414.054 8.822.811 14.716.883 14.638.762 24.299.137 12.833.750 11.451.843 5.472.345 26.787.775 1.852.246 6.258.597 16.022.774 32.447.410 88.361 34.971.325

---100% -128% 91% -118% 229% 210% 127% --72% 145% -39% 167% 170% -101%

---38% -27% 23% -50% 57% 45% 18% --5% 31% -14% 47% 37% -41%

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido Índice Fornecedores / Receitas n-1 --81% -63%

Tipo

Designação Promotorres - Promoção de Eventos e Gestão de Equipamentos Torres Vedras P Trancoso TEGEC - Gestão de Equipamentos Culturais e de Lazer M Trofa Trofa Park - Reabilitação Urbana, Desenvolvimento Económico e Inovação Trofaguas - Serviços Ambientais M Vagos M Vale de Cambra Aguas do Caima P Valença Interminho - Sociedade Gestora de Parques Empresariais M Valongo Vallis Habita - Gestão de Empreendimentos Habitacionais Valongo P Valpaços P Velas Velasfuturo - Gestão de Equipamentos Culturais, Desportivos Económicos e Lazer P Vendas Novas P Viana do Alentejo

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EM SMAS CM EEM CM

8.707 -1.099.374 -2.251.785 -100.146 -5.835.435

0 269.572 -2.846.901 -106.123 -6.044.040

668.391 2.160.985 8.769.458 584.770 23.494.180

0 2.262.593 5.764.669 0 18.623.037

668.391 4.423.579 14.534.127 584.770 42.117.217

112.103 1.379.937 13.155.158 501.284 40.808.813

--157% -245%

EEM

122.453

65.472

2.001.295

2.597.093

4.598.388

1.013.605

--

--

EM CM CM EEM CM EM CM EM SMEAS CM CM

223.372 -2.730.342 1.275.835 0 -218.762 -94.898 -9.425.900 -12.561 -2.061.001 -3.169.310 655.890

59.926 -3.642.020 947.920 0 269.751 -117.257 -8.107.841 6.346 -980.709 -2.496.595 725.342

7.347.955 9.456.114 6.528.887 0 6.504.053 903.965 26.622.323 182.476 2.507.985 10.409.976 7.229.684

2.959.156 6.223.298 16.087.948 0 5.807.322 0 43.840.172 649.747 0 6.492.506 3.533.950

10.307.110 15.679.412 22.616.835 0 12.311.375 903.965 70.462.495 832.223 2.507.985 16.902.482 10.763.634

6.674.898 10.845.204 19.194.714 0 11.194.634 760.118 67.000.261 222.624 2.311.592 14.589.417 10.237.681

-104% 169% -111% -232% --127% 229%

-63% 30% -39% -107% --63% 30%

EM

-79.894

-79.963

415.070

0

415.070

73.391

--

--

CM CM

-2.855.449 -737.139

-2.376.335 -653.715

3.769.704 601.216

3.543.403 773.734

7.313.107 1.374.950

6.453.254 -740.869

110% -14%

34% 6%

241

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 35.172.591 -3.368.834 4.618.290 12.175.050 267.854 555.904 15.296.185 2.843.224 7.226.357 4.476.532 -6.550 9.582.500 67.404.446 1.229.341 46.056 55.238 3.544.893 22.569.794 -4.515.103 25.682.080 94% -90% 144% --181% --78% -147% 177% 29% --46% 45% -428%

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 22% -7% 60% --36% --46% -77% 52% 8% --14% 5% -80%

Tipo CM SMSB CM CM EM EM CM EM EM CM EM CM CM CM EEM Soc. CM CM SMAS CM

Designação M Viana do Castelo Viana Castelo P Vidigueira P Vieira do Minho EPMAR - Águas Públicas e Resíduos Vieira Cultura e Turismo Vila da Praia da M Vitória Praia Ambiente Praia em Movimento P Vila de Rei GEODESIS - Promoção Gestão Turistica de Vila Rei P Vila do Bispo M Vila do Conde P Vila do Porto SDMSA - Sociedade Desenvolvimento Municipal Emp. Trans.p Colectivos Stª Maria P Vila Flor G Vila Franca de Xira Vila Franca Xira Vila Franca do P Campo Marina da Vila - Indústrias de Marinas e Recreio VFC Empreendimentos - Empresa Municipal de Actividades Desportivas, Recreativas e Turisticas Vila Solidária - Empresa Municipal de Habitação Social

Resultados Operacionais 2.030.028 1.258.674 81.532 -1.220.553 -351.589 29.289 41.002 65.242 214.989 297.449 1.388 -3.138.462 12.739.946 -1.036.124 23.646 -54.337 1.945.460 8.196.576 -524.505 -4.648.790

Resultados Líquidos 1.168.379 1.332.193 -97.346 -1.296.968 -350.950 23.191 1.421.707 5.356 727 668.962 1.206 -3.041.914 11.613.285 -1.306.187 20.543 -55.140 2.029.245 4.847.138 204.196 -2.848.324

Dívidas de CP 12.516.501 797.491 683.473 6.803.757 1.240.125 467.765 9.414.808 1.057.920 918.998 3.937.663 666 9.004.136 39.060.900 645.501 165.419 90.334 1.807.806 3.954.952 508.259 7.106.482

Dividas MLP 23.889.296 317.179 4.096.733 7.270.677 0 202.212 9.048.772 3.831.273 9.530.461 2.154.563 0 1.692.743 33.590.286 1.076.902 4.361.800 0 3.183.258 31.291.572 0 20.497.774

Passivo Exigível 36.405.797 1.114.670 4.780.206 14.074.434 1.240.125 669.977 18.463.580 4.889.193 10.449.459 6.092.226 666 10.696.879 72.651.186 1.722.404 4.527.219 90.334 4.991.064 35.246.524 508.259 27.604.255

EM

65.339

53.983

47.524

0

47.524

-62.233

--

--

EM

38.109

2.142

2.862.734

0

2.862.734

338.099

--

--

EM

128.615

115.758

416.809

0

416.809

-249.348

--

--

242

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 157.511 72.362 5.750.404 --86% Índice Fornecedores / Receitas n-1 --27%

Tipo

Designação Fundação Escola Profissional V. F. Campo Atlântico Vila Vila Nova P da Barquinha CDN - Gestão e Promoção do Parque Empresarial de Vila Nova da Barquinha Vila Nova de Cerveira Vila Nova G de Famalicão Vila Nova P de Foz Côa Fozcoainvest - Energia, Turismo e Serviços P Fozcoactiva - Gestão Equipamentos Desportivos e Culturais G Vila Nova de Gaia Águas de Gaia Amigaia - Investimento Gaianima Gaiasocial - Habitação Gaiaurb - Gestão Urbanística e da Paisagem P Vila Nova de Paiva Vila Nova P de Poiares Vila Pouca de P Aguiar Vitaguiar - Apoio ao Desenvolvimento Agro Indústrial M Vila Real

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

Fund. SA CM

101.086 10.578 970.658

61.107 -1.299 872.291

629.641 293.173 2.329.424

388.739 48.148 4.246.657

1.018.379 341.321 6.576.082

EM SA

10.962

10.962

33.016

0

33.016

-25.056

--

--

CM CM CM EM

504.243 7.013.325 389.735 1.161.392

749.907 4.854.618 53.653 1.269.616

2.062.682 9.636.841 1.967.601 602.363

6.860.250 35.742.552 2.706.660 0

8.922.932 45.379.393 4.674.261 602.363

8.128.476 38.953.363 4.542.549 403.958

96% 83% 58% --

10% 16% 18% --

EM

-84.468

-84.910

68.184

0

68.184

36.153

--

--

CM EEM EEM EEM EEM EEM CM CM CM

-3.884.960 3.713.625 7.564 -8.487 175.154 -364.255 948.476 -328.379 246.021

-9.883.453 150.042 2.592 -778.189 -13.536 -361.832 1.569.718 -1.989.132 1.126.814

74.840.681 39.586.391 204.471 13.561.044 4.559.256 2.402.950 2.001.671 8.799.839 5.821.535

188.197.954 45.787.577 0 9.618.034 1.133.864 80.396 5.603.571 9.555.247 6.366.445

263.038.636 85.373.968 204.471 23.179.077 5.693.120 2.483.346 7.605.242 18.355.086 12.187.981

174.701.399 71.729.352 -507.359 10.969.901 -2.876.877 2.005.680 6.723.833 16.611.841 9.290.060

195% -----136% 299% 94%

54% -----32% 71% 39%

EM CM

5.476 780.064

3.507 16.044

212.910 11.973.999

0 19.122.904

212.910 31.096.904

-6.043 27.124.592

-137%

-33% 243

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 --

Tipo

Designação CULTURVAL - Gestão de Equipamentos Culturais EMARVR - Água e Residuos de Vila Real MERVAL - Gestão de Merc. e Prom. de Proj. de Des. local VRS - Vila Real Social, Habitação e Transportes Vila Real de Santo P António VRSA, Sociedade de Gestão Urbana P Vila Velha de Ródão M Vila Verde Proviver Escola Profissional Amar Terra Verde P Vila Viçosa P Vimioso Vimioso 2003 - Actividades Artesanais e Turisticas de Vimioso Caça e Turismo de Vimioso P Vinhais ProRuris – EM de Desenvolvimento Rural de Vinhais Turimontesinho – Promoção Turística M Viseu Habisolvis - Habitação Social Viseunovo - SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana de Viseu

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido

EM

-78.759

-80.731

253.155

0

253.155

-54.324

--

EM

172.000

-34.811

7.382.602

2.320.754

9.703.357

5.591.856

--

--

EM

-42.844

-38.880

131.676

0

131.676

30.912

--

--

EM CM EM SA CM CM EM Soc. CM CM

65.469 -12.120.838 -3.367.018 -231.044 -5.162.515 -279.411 151.500 -786.301 3.596.468

1.680 -10.899.262 -4.528.178 98.362 -4.174.798 -349.923 55.856 -1.049.361 3.619.600

538.645 50.855.299 21.393.797 385.715 6.444.849 1.480.315 3.459.167 2.042.682 1.201.640

4.612.398 10.087.598 30.963.151 1.486.879 21.811.357 1.163.500 1.327.922 4.088.667 4.755.205

5.151.043 60.942.897 52.356.947 1.872.594 28.256.206 2.643.815 4.787.089 6.131.349 5.956.845

4.997.877 42.990.167 46.863.778 1.365.104 16.049.437 1.139.668 1.448.522 4.707.175 4.769.294

-371% -23% 81% --81% 68%

-176% -5% 53% --27% 14%

EM

-10.667

-10.663

26.723

0

26.723

-39.446

--

--

Soc. CM EEM EEM CM EM

4.939 807.812 4.292 46.904 1.472.793 9.417

4.305 -182.022 3.755 42.491 -1.072.932 15.855

615 1.970.416 101.558 125.237 13.696.457 128.976

0 2.093.843 0 0 25.815.061 36.242

615 4.064.260 101.558 125.237 39.511.517 165.219

-10.986 1.832.145 -28.092 -53.679 27.255.743 -110.816

-18% --71% --

-11% --14% --

SA

-71.516

-68.547

90.731

0

90.731

-479.803

--

--

244

CAPÍTULO 5

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido 2.284.145 13.112.193 13.620.761 747.923 -129% 213% -Índice Fornecedores / Receitas n-1 -69% 16% --

Tipo SMAS CM CM EEIM

Designação Viseu M Vizela P Vouzela PISOESTE - Parque de Inertes e Serviços do Oeste Ecolezíria -Tratamento de Resíduos Sólidos Naturtejo - Empresa de Turismo GESAMB - Gestão Ambiental e de Residuos EIMRAM - Investimentos e Serviços Intermunicipais Vimágua - Água e Saneamento Lemo Laboratório de Ensaios de Materiais de Obras MUSAMI - Operações Municipais do Ambiente PERM - Parque Empresarial de Recuperação de Materiais Astaq Técnica Douronorte Ambiente - Gestão Ambiental Águas do Ribatejo, EIM Ambilital - Investimentos Ambientais no Alentejo Ambisousa - Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos

Resultados Operacionais -1.957.249 698.606 -3.021.787 -189.824

Resultados Líquidos 274.187 895.709 -2.514.355 -284.684

Dívidas de CP 4.080.623 8.758.828 1.788.438 934.968

Dividas MLP 1.086.000 5.304.074 14.001.552 1.861.092

Passivo Exigível 5.166.623 14.062.902 15.789.990 2.796.060

EIM

545.493

421.206

553.120

175.855

728.975

-1.877.379

--

--

EIM

3.337

-10.068

477.371

0

477.371

-471.870

--

--

EIM

841.979

691.870

690.420

140.525

830.945

-5.197.886

--

--

EIM EIM

205.106 2.031.601

174.007 917.938

912.442 6.607.887

925.134 23.545.326

1.837.577 30.153.213

1.393.746 19.962.894

---

---

EIM

-148.355

-182.473

1.043.590

190.592

1.234.183

220.216

--

--

EIM

7.756

6.997

130.785

0

130.785

-66.951

--

--

EIM EIM EIM EIM EIM

-1.500 101.047 0 886.983 831.708

-1.200 75.241 0 355.306 755.033

50.168 255.529 0 9.231.307 2.651.813

0 0 0 17.500.000 1.196.969

50.168 255.529 0 26.731.307 3.848.782

168 -115.469 0 17.336.704 1.033.649

------

------

EIM

243811,82

396507,9

1076034,16

281370,06

1357404,22

-5371860,03

--

--

245

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Índice de Endividamento Endividamento Líquido liquido

CAPÍTULO 5 Índice Fornecedores / Receitas n-1 --

Tipo

Designação MINHOCOM - Gestão de Infraestruturas de telecomunicações REGI - Planeamento e Desenvolvimento Regional Resialentejo – Tratamento e Valorização de Resíduos Resíduos do Nordeste TRATOLIXO - Tratamento de Resíduos Sólidos VALICOM - Gestão de Infraestruturas de Telecomunicações ECOBEIRÃO - Sociedade para o Tratamento de Resíduos Sólidos do Planalto Beirão Municípia - Empresa de Cartografia e Sistemas de Informação EHATB - Empreendimentos Hidrelétricos do Alto Tâmega e Barroso

Resultados Operacionais

Resultados Líquidos

Dívidas de CP

Dividas MLP

Passivo Exigível

EIM

-235851,76

-351136,03

1178117,94

0

1178117,94

1069004,52

--

EIM

-324.029

-317.669

1.334.483

394.637

1.729.120

1.286.997

--

--

EIM EIM EIM EIM

45.635 499.577 8.077.975 -323.457

48.137 418.450 -429.043 -462.062

795.911 13.305.106 42.703.353 1.551.718

0 0 108.702.742 0

795.911 13.305.106 151.406.095 1.551.718

-2.186.699 -1.080.584 110.971.101 1.219.598

-----

-----

EIM SA

77.956

20.505

4.326.469

6.911.561

11.238.030

2.360.779

--

--

SA

-593.488

-491.754

1.722.066

975.425

2.697.491

-1.003.007

--

--

SA

3.852.503

3.686.984

1.294.436

6.653.193

7.947.629

6.270.266

--

--

Unidade: euros CM: Câmara Municipal SMA: Serviço Municipalizado de Água SMAS: Serviços Municipalizado de Água e Saneamento EM: Empresa Municipal EIM: Empresa Intermunicipal SA: Sociedade Anónima Soc.: Sociedade por Quotas

246

CAPÍTULO 6

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 6 RANKING GLOBAL

6.1. Enquadramento e Metodologia
Desde o Anuário de 2005 e uma vez verificado que o índice de conformidade já era elevado, têm sido apresentados alguns Rankings que ordenam os municípios em diferentes aspetos financeiros, orçamentais, económicos e patrimoniais. Nesse contexto, e após a apresentação de rankings que posicionam os municípios em diferentes perspetivas desde 2006 é apresentado um Ranking global que ordena os Municípios em função da eficiência na utilização dos recursos financeiros. Em 2006 e 2007 o ranking global era constituído por um conjunto de 10 indicadores, tendo a partir de 2008 o número de indicadores selecionados passado para 15. Neste anuário de 2010 é também apresentado um ranking global dos municípios elaborado com base no conjunto de 15 indicadores aplicados desde 2008. Estes 15 indicadores foram identificados como sendo os que melhor permitirão avaliar a gestão financeira, económica, patrimonial e orçamental dos municípios. Tal como no ano anterior, foi seguida a seguinte metodologia: para cada indicador foi atribuída uma pontuação de 10 pontos aos 25 melhores municípios, 9 pontos do 26º ao 50º, 8 pontos do 51º ao 75º e assim sucessivamente. Deste modo foram pontuados 250 municípios por cada indicador92. Aos 58 municípios com pior rácio não se atribui pontuação Cinco dos indicadores, por se entenderem mais relevantes, nomeadamente no que se refere às exigências da Lei das Finanças Locais, tiveram peso 2 e os outros peso 1. Deste modo, o máximo de pontuação de um município será de 200 pontos; Os indicadores selecionados são os apresentados no Quadro 6.01.

92. Seguindo a metodologia aplicada, só é possível atribuir pontos aos 250 municípios com melhor rácio. Se se dá 10 pontos aos 25 primeiros, 9 aos 25 que se seguem, e assim sucessivamente, 10x25 = 250.

247

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 6

Quadro 6.01 | Indicadores selecionados para ranking global
Nº do Indicador 1 Indicador Dívidas a terceiros por habitante Fonte de Informação Balanço (passivo) Rácio Dívidas totais a pagar Nº de habitantes Dívidas totais a pagar a curto prazo Menor rácio Dívidas a receber a curto prazo + Disponibilidades Dívidas totais a pagar – (Dívidas a receber + Disponibilidades) Nº de habitantes Resultado operacional 2010 Nº de habitantes Custos com pessoal Custos operacionais Balanço (passivo) Dívidas de curto prazo 2010 - dívidas de curto prazo 2009 Maior diminuição Maior redução dos empréstimos 1 Menor endividamento líquido por habitante Maior resultado operacional por habitante Menor rácio 2 Ordem de pontuação Menor dívida a terceiros por habitante Peso

2

2

Liquidez

Balanço (passivo e ativo)

3

Endividamento líquido por habitante Resultado operacional por habitante Peso dos custos com pessoal nos custos operacionais Diminuição das dívidas de curto prazo Diminuição dos Passivos Financeiros Grau de execução da receita liquidada relativamente às despesas comprometidas Prazo médio de pagamentos

Balanço (passivo)

2

4

DR1

1

5

DR

1

6

7

Balanço (Passivo) Mapas de controlo orçamental de despesa e da receita

Dívidas a instituições de crédito 2010 – Dívidas a instituições de crédito 2009 Receitas liquidadas - receitas anuladas Despesas comprometidas

2

8

Maior grau

1

9

DGAL

Prazo médio de pagamentos [Receita total - ativos financeiros (receita) - passivos financeiros (receita)] -[Despesa total - ativos financeiros (despesa) - passivos financeiros (despesa)] + [Juros e outros encargos (despesa)] Dívidas totais a pagar – (Dívidas a receber + Disponibilidades) Receitas Cobradas n-1 (impostos diretos, indiretos e taxas + transferências obtidas Estado)

Menor prazo médio de pagamento

1

10

Saldo primário na ótica dos compromissos

Mapas de controlo orçamental de despesa e da receita

Maior saldo primário

1

11

Índice de endividamento líquido

Balanço e Mapa de controlo orçamental da receita

Menor índice de endividamento líquido

1

248

CAPÍTULO 6 Nº do Indicador Indicador Fonte de Informação

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Rácio Ordem de pontuação Maior diminuição Peso

12

Diminuição do endividamento líquido

Balanço

Endividamento líquido 2010 – Endividamento líquido 2009 Dividas a instituições de crédito Receitas Cobradas n-1 (impostos diretos, indiretos e taxas + transferências obtidas Estado) Dívida a fornecedores (curto, médio e longo prazo) Receitas cobradas n-1 (receitas correntes + transferências de capital) Receita cobrada líquida

2

13

Peso das dívidas a instituições de crédito nas receitas n-1

Balanço e Mapa de controlo orçamental da receita

Menor peso

1

14

Peso das dívidas a fornecedores nas receitas n-1

Balanço e Mapa de controlo orçamental da receita

Menor peso

1

15

Grau de execução da receita cobrada relativamente à despesa paga

Mapas de controlo orçamental de despesa e da receita

Maior grau Despesa paga (exercício + exercícios anteriores)

1

6.2. Ranking Global dos municípios
Com base nestes pressupostos, no ranking R 47A são apresentados os 10 primeiros municípios de grande dimensão com melhores indicadores de eficiência financeira mantendo-se desde 2009 oito deles e entrando em 2010 os municípios de Barcelos, Seixal, Maia e Loures. No Ranking

47B são apresentados os 20 primeiros municípios de média dimensão, também com melhores indicadores de eficiência financeira aparecendo repetidos 14 municípios, em relação a 2009. No ranking R 47C, apresentam-se os 30 primeiros municípios de pequena dimensão com melhor eficiência financeira, constando 20 municípios que já constavam no ranking homólogo de 2009.
249

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 6

R47.A | Ranking Global dos 10 melhores municípios de grande dimensão, em eficiência financeira
Município 1 1 3 4 5 6 7 8 9 10 Amadora Vila Franca de Xira Almada Braga Barcelos Seixal Oeiras Vila Nova de Famalicão Maia Loures Distrito Lisboa Lisboa Setúbal Braga Braga Setúbal Lisboa Braga Porto Lisboa Posição 2009 5 2 3 6 11 20 4 8 19 12 Pontuação 2010 154 154 153 143 136 134 133 132 120 115

R47.B | Ranking Global 20 melhores municípios de média dimensão, em termos de eficiência financeira
Município 1 2 2 4 5 5 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 16 18 19 20 250 Anadia Elvas Ovar Castelo Branco Fafe Tondela Mealhada Albergaria-a-Velha Ponte de Lima Bragança Oliveira do Hospital Abrantes Marinha Grande Amarante Vila Verde Arouca Salvaterra de Magos Pombal Odemira Amares Distrito Aveiro Portalegre Aveiro Castelo Branco Braga Viseu Aveiro Aveiro Viana do Castelo Bragança Coimbra Santarém Leiria Porto Braga Aveiro Santarém Leiria Beja Braga Posição 2009 2 5 3 1 14 15 9 11 16 26 6 19 18 25 24 12 31 7 62 38 Pontuação 2010 180 173 173 171 166 166 161 158 147 144 141 140 139 138 134 131 131 127 120 119

CAPÍTULO 6

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

R47.C | Ranking Global dos 30 melhores municípios de pequena dimensão, em termos financeiros
Município 1 2 3 3 3 6 7 8 9 10 11 12 12 12 15 16 17 17 19 20 21 22 22 24 25 26 27 28 29 30 Penalva do Castelo Cinfães Castelo de Vide Pampilhosa da Serra Penedono Portel Aguiar da Beira Coruche Arronches Viana do Alentejo Ponte de Sor Alcácer do Sal Marvão Murtosa Santa Cruz das Flores Gavião Sernancelhe Vila do Porto Mortágua Oleiros Sever do Vouga Boticas Mogadouro Vinhais Sátão Alcoutim Redondo Góis Mora Castro Daire Distrito Viseu Viseu Portalegre Coimbra Viseu Évora Guarda Santarém Portalegre Évora Portalegre Setúbal Portalegre Aveiro Açores Portalegre Viseu Açores Viseu Castelo Branco Aveiro Vila Real Bragança Bragança Viseu Faro Évora Coimbra Évora Viseu Posição 2009 19 32 14 1 2 23 33 19 12 8 16 53 4 3 9 29 4 4 19 29 37 68 65 27 19 14 31 49 56 75 Pontuação 2010 173 168 159 159 159 158 156 155 149 148 147 145 145 145 143 141 140 140 137 136 135 133 133 132 131 130 129 128 127 125

251

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 6

6.3. Evolução da Eficiência Financeira
Medir a eficiência de um município não é tarefa fácil e tem um elevado grau de subjetividade. A forma mais correta de medir a eficiência de um município seria comparar as despesas com os outputs, como a qualidade dos serviços prestados e a utilidade dos investimentos. Neste anuário mediu-se a eficiência financeira através de um “cabaz” de rácios apresentados em 6.1. Com base nesses indicadores e analisando o quadro 6.02, onde se somou a pontuação de todos os municípios pelos

três grupos em termos de dimensão (pequenos, médios e grandes), verifica-se que os grandes municípios têm uma pontuação média mais elevada em comparação com os municípios de média e pequena dimensão. No entanto, se analisarmos apenas os dez melhores municípios de cada um destes grupos (pequenos, médios e grandes), e conforme quadro 6.03, os municípios de média dimensão têm melhor pontuação, ou seja, melhor eficiência financeira. Por outro lado, do quadro 6.03, e gráfico 6.02 concluiu-se ainda que o ano 2010 em termos de eficiência financeira foi melhor que o 2008 e 2009 aproximando-se de 2007, ano de melhor eficiência financeira dos últimos quatro anos.

Quadro 6.02 | Pontuação obtida pelos municípios por dimensão no período de 2008 a 201093
Dimensão Grandes Médios Pequenos Total 2007 110,2 93,3 84,3 89,3 2008 104,2 86,5 89,0 89,3 2009 95,7 83,6 91,7 89,3 2010 108,6 88,5 87,3 89,3

Gráfico 6.01 | Evolução da pontuação
120

110

100

90

80 2007 Grandes 2008 Médios 2009 Pequenos 201 0

93. Fórmula: Soma da pontuação obtida pelos municípios de cada dimensão / nº de municípios de cada dimensão.

252

CAPÍTULO 6

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Quadro 6.03 | Pontuação média dos dez melhores municípios
Dimensão Grandes Médios Pequenos Total 2007 139,2 166,1 160,3 155,2 2008 131,9 153,2 162,8 149,3 2009 120,3 155,9 165,9 147,4 2010 137,4 163,9 158,4 153,2

Gráfico 6.02 | Evolução da pontuação média dos dez melhores municípios
170 160 150 140 130 120 110 2007 Grandes 2008 Médios 2009 Pequenos 201 0 Total

253

CAPÍTULO 7

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| CAPÍTULO 7 RESUMO E CONCLUSÕES

Da análise apresentada nos pontos antecedentes deste documento, julga-se pertinente apresenta o seguinte resumo:

7.2. Sobre a receita autárquica
Em 2010 a cobrança global da receita autárquica baixou 4,1%, isto é, bastante mais que as previsões orçamentais, para esse ano. A taxa de execução da receita atingiu, em 2010, o valor mais baixo dos últimos cinco anos ao cobrar-se, apenas, 55,5% da receita prevista. Tal situação refletiu-se num aumento da dívida de curto prazo em +9,6% (257,4 M€) para o global dos municípios. Em média a participação das autarquias nos impostos estaduais para aplicação na atividade corrente dos municípios, representou 71,3% das transferências obtidas. Este rácio será bom revelador da dependência financeira dos municípios, da participação nos impostos estaduais. A segunda maior receita municipal foi a proveniente da coleta de Impostos e Taxas e apresentou, no quinquénio 2006/2010 o peso médio de 36,6% nas receitas totais. Tendo diminuído de peso, em 2008 e em 2009, respetivamente em – 2,8% e – 4,4%, voltou a aumentar de importância relativa em 2010 em + 1,6%, sem todavia ter atingido o peso médio do período ficando nos 32,6%. Em 2010 verificou-se um crescimento global do IMI em 5,6% com reflexos diferentes nos três agrupamentos de
255

7.1. Independência financeira dos municípios
A independência financeira dos municípios apresentou uma amplitude entre o máximo de 87% e um mínimo de 2%. No grupo dos grandes municípios, o indicador da independência financeira variou entre o mínimo de 37% e o máximo de 86%, no agrupamento dos pequenos municípios entre 2% e 87% e no grupo dos municípios de média dimensão entre 18% e 79%. Estando o indicador da independência financeira associado ao peso das receitas próprias e das transferências na receita total, anota-se que em 2010 a variação positiva do mesmo se deveu, essencialmente, à drástica diminuição das receitas creditícias e menos a um aumento absoluto daquelas receitas. Efetivamente, o peso das receitas creditícias nas receitas totais baixou 5% de 2009 para 2010. Em 2010, só 56 municípios (49 em 2009, 74 em 2008, 77 municípios em 2007 e 70 municípios em 2006) demonstraram independência financeira igual ou superior a 50%. Em 2010, para 50 municípios, as receitas provenientes das transferências do Estado representavam 80% das receitas totais.

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 7

municípios. Assim, nos de grande dimensão o aumento foi de +6,7% e nos de pequena dimensão de +2,9%. Sendo o IMI, o imposto que maior peso tem na receita municipal e representando quase o dobro do valor do IMT, este crescimento da coleta refletiu-se positivamente nos orçamentos municipais atenuando a descida dos outros impostos e até de outras receitas municipais, como seja a diminuição dos empréstimos bancários. O peso dos Passivos Financeiros (receitas creditícias), em 2010, contrariando a tendência verificada no ano anterior, desceu drasticamente (-5,2%), passando para perto de metade do peso que tinham alcançado em 2009, isto é, para 6,6%. O controlo do limite ao endividamento estabelecido na lei das Finanças locais fez-se sentir, de forma objetiva, na diminuição do montante total dos empréstimos utilizados em 2010, o qual ficou, inclusive, abaixo do montante utilizado em 2008. Face à rigidez da estrutura da receita, mantém-se a convicção que a consolidação financeira do setor autárquico, ter-se-á que fazer pela ótica da despesa, promovendo-se economia de consumo, rentabilização de recursos e maior eficácia na utilização dos meios.

sucessivamente em dívida de curto prazo consolidada. Face aos elevados graus de execução da despesa, os sucessivos baixos níveis de concretização das cobranças constituíram um problema estrutural e, influenciaram o desenvolvimento da dívida bruta das autarquias, sendo a causa da fraca capacidade de pagamento dos municípios. Pela comparação dos diferentes comportamentos destes níveis de execução, conclui-se que, entre 2006 e 2010, a realização da despesa foi, em média, superior em 15,5%, à realização da receita. Em média, entre 2006 e 2010, as despesas pagas representaram 76% das despesas comprometidas ou realizadas. Em 2010 foram pagos 74% da globalidade dos compromissos do ano. O prazo médio de pagamento para a globalidade dos municípios aumentou 24,7%, (+26 dias) em 2010, passando de 105,2 dias para 131,2 dias. Os compromissos a pagar em exercícios futuros, em 2010, aumentaram 8,2%, apresentando o valor absoluto de 3.167,9 milhões de euros, o maior valor verificado entre 2006 e 2010. Em 2009 já tinham crescido 54,7%, em 2008 14,3% e em 2007, + 3,3%. Em cada ano económico, do quinquénio em apreço, pagou-se pouco mais de metade das despesas com investimentos, ficando-se a dever quase outra metade. O montante da dívida, em 2010 era de 1 782 milhões de euros e correspondeu a 48,2% da despesa efetuada. O volume de investimentos em 2010 desceu 10,1% (-388,3 M€). No final de 2010, o total dos compromissos a pagar no exercício ou exercícios futuros totalizavam 5 995,4M€, isto é 80% do volume da despesa paga em 2010 e 76,3% da receita cobrada neste ano. Trata-se de um volume extraordinário de encargos que, dificilmente, os orçamentos de 2011 e seguintes comportarão. A despesa por pagar, em aquisição de bens e serviços, passou de 491 milhões de euros em 2006, para 777 milhões de

7.3. Sobre a despesa autárquica
Entre 2007 e 2009 a despesa realizada (assumida) cresceu, respetivamente, + 261,5 milhões de euros (+2,8%) em 2007, +469,5 milhões de euros (+4,9%) em 2008 e +1.083,6 milhões de euros (10,8%) em 2009. Contudo, em 2010 o total desta despesa diminuiu 435,4 milhões de euros (-3,9%). Comparando-se a despesa realizada com a receita cobrada, verificou-se que os municípios ao longo do quinquénio 2006/2010 têm autorizado despesa para além da sua capacidade de pagamento em mais de 2 mil milhões de euros: +2.155,5 milhões em 2006, +1.825 milhões em 2007, +1.968,7 milhões em 2008, +2.643,9 milhões em 2009 e +2.673,3 milhões em 2010), que se têm traduzido
256

CAPÍTULO 7

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

euros em 2010 (+ 286 milhões de euros, + 58,2%). As Despesas com Pessoal foram as despesas mais representativas na estrutura da despesa municipal pesando, em 2010, 31,1% dos gastos totais e traduzindo um aumento de 2,4% em relação a 2009. Em 2010 a amortização de empréstimos no valor de 577 milhões de euros foi superior ao montante de utilização de novos empréstimos o qual se cifrou em 516,4 milhões de euros e inferior em 448,7 milhões de euros, ao volume utilizado em 2009. A diferença acentuada da execução da despesa e da receita, que se manteve sempre presente, entre 2006 e 2010 e se acentuou neste último ano, impediu a consolidação financeira das autarquias e acentuou o desequilíbrio financeiro estrutural.

de curto prazo. Este será o valor do défice do setor administrativo autárquico.

7.5. Sobre os Ativos e os Passivos
As dívidas a receber, no final de 2010, pela totalidade dos municípios perfaziam 1.197 milhões de euros, isto é, mais 114 milhões de euros que em finais de 2009, e com uma taxa média anual de crescimento de 9,3%. Os créditos sobre Clientes contribuintes e utentes em 2010 cresceram 26,7% (+45,9M€), quando em 2009 tinham apresentado uma diminuição de 3,8% (-6,7M€) e traduzem o impacto da crise económica na atividade financeira dos municípios, mostrando a sua vulnerabilidade nas cobranças a terceiros dos serviços prestados. Em 2007 e 2008 estes créditos também apresentaram um aumento, mas muito menos significativo: +16,1% em 2007 (+23,3M€) e +6,5% em 2008 (+10,9M€). A existência de registo de valores significativamente elevados em outros devedores de curto prazo, deverá ser uma situação a contrariar de futuro, pois não permite avaliar a relevância substantiva destes créditos sobre terceiros cujo peso relativo tem sido o mais elevado, na estrutura das dívidas a receber. Em 2010 representou 64,1%do total da dívida a receber, com o montante de 766,8M€. As dívidas de curto prazo cresceram 44,2%, no período 2006/2010, apresentando em termos absolutos um aumento de 966,9M€, valor muito superior ao aumento verificado, no mesmo período, para a dívida de médio e longo prazo. As dívidas a terceiros de curto prazo, ao longo do quinquénio foram sempre superiores aos ativos de curto prazo acentuando-se essa diferença em 2009 e 2010. O Passivo exigível para a globalidade dos municípios, em 2010 cresceu 3,2%, quando em 2009, a taxa homóloga de crescimento tinha sido de 12,6%. Contudo, no período en257

7.4. Sobre os Saldos orçamental, corrente e saldo primário
Verifica-se que, para a globalidade do setor autárquico, o saldo corrente resultante das despesas assumidas e das receitas liquidadas é positivo, mantendo-se o equilíbrio orçamental corrente na situação ex post. Contudo, o mesmo, em 2010, baixou 78,3% em relação ao valor apresentado no final de 2009, fruto de uma descida da receita muito superior à descida da despesa. Ter-se-á que anotar que só 122 municípios apresentaram este Saldo Corrente positivo. Assim, 186 autarquias, em 2010, terminaram o ano económico com um saldo corrente negativo. Em 2010 o saldo global foi de -2 344 milhões de euros, ligeiramente melhor que o verificado em 2009, o pior do período ao apresentar -2 418 milhões de euros. Dado que para o cálculo deste saldo contribuíram todas as receitas liquidadas e despesas assumidas, poder-se-á concluir que o setor autárquico municipal, em 2010, assumiu mais de 2,3 mil milhões de euros de despesa, para além da sua capacidade financeira e relativamente à qual não possuía meios de pagamento: nem disponíveis, nem em créditos

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 7

tre 2006 e 2010 cresceu 24,7% (+1 638,6M€) passando de 6 637,1M€ para 8 275,7 M€. O total em dívida a médio e longo prazo no setor autárquico municipal era, no final de 2010, de 5.120,6 M€, tendo crescido 15,1% (671,7M€) no período entre 2006 e 2010. Na globalidade, os municípios apresentaram, em 2010, um resultado económico positivo de 102 milhões de euros (+328,1 milhões de euros que em 2009), revertendo a situação verificada em 2009 de um resultado negativo de 226,1 milhões de euros para a globalidade dos municípios. Contribuíram para esta situação 168 municípios que apresentaram resultados positivos.

31 municípios de média e 44 municípios de pequena dimensão). Destes, 58 municípios liquidaram no mesmo ano económico o crédito utilizado. Os restantes 29 municípios transitaram de ano económico com empréstimos de curto prazo por liquidar, contribuindo este facto para o aumento do endividamento líquido das autarquias. Em 2010 o acréscimo de utilização de crédito de curto prazo foi de +26,6 M€ (+ 29,6%) que o utilizado em 2009. Contudo, o valor da amortização da dívida de empréstimos de curto prazo cresceu +38,5% (+34,3M€), isto é, a um ritmo superior aos das utilizações em +8,8pp, fazendo diminuir o capital em dívida no final do ano económico. O ano económico de 2010 iniciou-se com um passivo bancário, de curto prazo, transitado de 2009 no valor de 27,5M€ e terminou com um passivo bancário de curto prazo transitado para 2011 no montante global de 20,4M€. No ano 2010, o setor autárquico conseguiu abater, em mais de 7M€ (25,8%), o stock da dívida bancária de curto prazo consolidada. No final do ano de 2010, o stock da dívida à banca de MLP, diminuiu, 53,7M€ fruto da conjugação do aumento do capital amortizado em +83,3 M€ com a diminuição do recurso ao crédito em -475,3M€. Assim, o stock final da dívida bancária de MLP em 2010 diminuiu -1,5%, isto é, -70,5 M€, fixando-se o seu montante em 4 595,8M€. Os empréstimos de médio e longo prazo representaram em 2010, em média, 5% das receitas totais, sendo que 134 municípios não recorreram a este tipo de receita. O total da dívida relativa a empréstimos bancários, incluindo curto prazo, obtida dos registos dos mapas orçamentais no fim de cada um dos anos do triénio 2008/2010, foi respetivamente de 4 163,1M€ (2008), 4 693,8M€ (2009) e 4 616,2M€ (2010), crescendo em 2009 a uma taxa de 8,7% e baixando em 2010 em 1,7%. Em 2010, a dívida liquida municipal era de 6.470 milhões de euros, +131 milhões de euros que em 2009, apresen-

7.6. Sobre a liquidez
Em todos os anos do quinquénio 2006/2010, a liquidez da globalidade do setor autárquico apresentou-se negativa, agravando-se fortemente em 2009 e 2010 e atingindo neste último ano o valor mínimo do período no montante de -1.435,2 milhões de euros, fruto do forte agravamento da dívida de curto prazo. Em 2010, a falta de liquidez das autarquias acentuou-se em 11,3% (-145,6 milhões de euros)., quando em 2009 se tinha já agravado em 71,6%. Em 2010, encontravam-se em situação de liquidez negativa, 228 municípios (229 municípios em 2009, 197 municípios em 2008, 195 municípios em 2007 e 229 municípios em 2006). Isto é, em 2010 faltava liquidez a 74% dos municípios portugueses para pagarem as suas dívidas.

7.7. Sobre a dívida à banca e o endividamento liquido
Em 2010, 87 municípios contraíram empréstimos bancários de curto prazo (12 municípios de grande dimensão,
258

CAPÍTULO 7

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

tando todavia uma taxa de crescimento de apenas 2,1%, significativamente inferior à taxa +18,6% apresentada em 2009. Em 2008, esta taxa de crescimento tinha sido de +5,8% enquanto que em 2007 e em 2006 se tinha verificado uma descida da dívida autárquica, respetivamente de -2,5% e de -3,1%. Em 2010, do total dos 308 municípios, 159 municípios conseguiram baixar a sua dívida líquida. Em 2009 apenas 65 municípios o tinham conseguido fazer. Em 2010 houve um maior cuidado dos municípios no controlo do endividamento liquido no que respeita à utilização dos empréstimos de curto prazo, sendo maior o número de municípios a amortizar na integra o capital emprestado, diminuindo significativamente (- 29,3%) o número de municípios com dívida bancária de curto prazo consolidado. Assim, uma vez que a dívida líquida de todos os municípios, em 2010, foi de 6.470 milhões de euros e o total das receitas próprias legalmente consideradas como referencia para o cálculo do limite de endividamento foi de 5.482,5 milhões de euros, pode-se determinar um índice médio do endividamento líquido de 117%, isto é, inferior ao considerado em 2009 o qual se cifrou em 119,5%. Assim, em 2010 em termos globais o endividamento autárquico ficou abaixo do máximo (125%) permitido pela Lei das Finanças Locais. A análise das contas permitiu obter a informação de que 227 municípios apresentaram, em dezembro de 2010, um stock da dívida bancária inferior ao limite legal de 100% dos recursos próprios, tal como definidos na LFL. 61 Municípios (tinham sido, 60 municípios em 2009 e 55 municípios em 2008) apresentaram, em 31 de dezembro de 2010, um valor de dívidas a fornecedores superior a 50% das receitas totais do ano anterior, sendo que: 30, foram municípios de pequena dimensão; 29 municípios de média dimensão e 2, municípios de grande dimensão).

7.8. Sobre os serviços municipalizados
As dívidas a receber, pelo conjunto dos SM´s, no valor de 153 milhões de euros corresponderam a 84,8% das dívidas a receber pelo conjunto das autarquias que tutelares (180,4 milhões de euros), representaram 14,7% do ativo total e refletiram uma diminuição, em relação a 2009, de 12,8 milhões de euros (-7,7%). O volume mais representativo destas dívidas advém de clientes, contribuintes e utentes e apresentaram o valor de 101,1 milhões de euros, menos 4% (-4,2 milhões de euros) que em 2009. O total das dívidas a terceiros no conjunto dos SM´s foi, em 2010, de 146,9 milhões de euros, representando 10,3% do valor homólogo dos municípios que tutelam os SM´s. Baixaram, em 2010, 1,3 milhões de euros, isto é, -0,9%. As dívidas a terceiros de mlp dos SM´s representaram, em 2010, 36,4% do total das suas dívidas a terceiros ficando os restantes 63,6% a corresponder à dívida de curto prazo, enquanto que, para as respetivas autarquias a situação foi inversa, isto é, a dívida de mlp foi, manifestamente, superior à dívida de curto prazo numa relação que, em 2010, foi de 68,2% para 31,8%. Entre 2008 e 2010, a dívida de mlp dos serviços municipalizados baixou 3,4% (-2M€). A dívida de curto prazo dos SM´s, no valor de 93,5 milhões de euros, apresentou, em 2010, decréscimo de 1,6%, isto é, -2 M€ e foi inferior às dívidas a receber as quais cobriram por completo estas obrigações, transformando aquela dívida bruta em dívida líquida negativa. Comparando os Passivos com as dívidas a receber e as disponibilidades, na globalidade os serviços municipalizados detêm meios financeiros para liquidar as suas dívidas, ou seja, não contribuem para o endividamento líquido dos municípios. Em 2010, baixaram os custos com pessoal -3,4% (-3,9M€) e os custos financeiros -27,5% (-0,5M€). Os
259

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAPÍTULO 7

restantes custos aumentaram, sendo de anotar o crescimento dos fornecimentos e serviços de terceiros em +4,6M€ (4,1%), o aumento das transferências e subsídios concedidas em +2,2M€ (+143%) e o aumento dos custos extraordinários em +2,3 M€ (+18%). As principais fontes financeiras dos SM´s foram a venda de produtos e a prestação de serviços, respetivamente com o peso de 23,5% e 52% do total dos proveitos. Os proveitos na globalidade cresceram 0,3% em 2010. Em contrapartida, os custos cresceram 2,5%.

acréscimo do produto das vendas e serviços prestados em +71M€ (+9,2%), pese embora outros rendimentos e ganhos não associados à atividade mais operacional das empresas, tenham diminuído em 12,8M€ (-14,8%) e os subsídios à exploração tenham baixado 11,6M€ (-6,6%). Os gastos com pessoal aumentaram 18,5 milhões de euros (+6,7%), totalizando no final de 2010, 292,2 milhões de euros, e, os gastos em Fornecimentos e Externos apresentaram um total de 506,7 milhões de euros, baixando 4,5 M€ relativamente a 2009. As EE/EM´s demonstram uma baixa rentabilidade, com resultados económicos negativos, pese embora se tenha verificado uma forte melhoria da situação económica, com uma diminuição do prejuízo em cerca de 16,3 milhões de euros. Enquanto que em 2010, cerca de 42,6% das entidades empresariais apresentaram resultados negativos, o mesmo só aconteceu a 13% dos municípios. Para o global das 304 empresas analisados, o endividamento líquido do setor empresarial local, foi de 1 146,5 milhões de euros e representou 23,8% do endividamento líquido dos municípios de tutela, o qual foi de 4 817,7 milhões de euros. Em 2010, o SEL viu agravado o seu endividamento líquido em 88,5M€ (+8,4%), por via da diminuição do seu ativo exigível em 114,5M€ (-14,4%), já que o total das dívidas a pagar, baixaram 26M€ (-1,4%). Da aplicação do processo de cálculo do endividamento líquido nos termos da LFL, verificou-se que 111 entidades do setor empresarial autárquico, menos 11 que em 2009, apresentaram endividamento líquido igual ou inferior a zero. A situação económica das entidades empresarias em 2010 melhorou em relação a 2009, com resultados económicos menos gravosos e com entidades a melhorarem a sua performance. Efetivamente, 14 entidades

7.9. Sobre as entidades do setor empresarial local
A adoção do novo Sistema de Normalização Contabilística provocou um grande impacto nas rubricas de Capital Próprio das Entidades Empresariais Locais aumentando de forma significativa os seus capitais próprios, pela inclusão dos subsídios ao investimento nas rubricas de capital. Para além deste facto verifica-se, ainda, um aumento significativo do capital realizado (+10,4% e +88,8M€). Acresce referir que esta rubrica foi expurgada, em sede de implementação do SNC, do saldo da conta 261 – Acionistas com subscrição ou 262 – Quotas não liberadas. Esta conta de capital próprio evidencia deste modo, apenas, o valor do capital subscrito e realizado, contrariamente ao que acontecia no POC. As dívidas a fornecedores cresceram em +32,1M€ (+15,2%), outras contas a pagar em +14M€ (+5,8%), encargos com financiamentos em + 9,7M€ (+4,1%) e dívidas ao Estado em +7,3M€ (+44,1%). O resultado líquido de 2010, para o global do SEL, melhorou 80,9%, passando de -20,16M€ para -3,86M€. 165 Entidades apresentaram um aumento dos resultados em relação a 2009. Contribuíram para o aumento dos rendimentos o
260

CAPÍTULO 7

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

empresariais passaram de resultados negativos em 2009 para resultados positivos em 2010, perdendo cada habitante, em média, menos 2,1€ com a atividade de SEL.

7.10. Sobre o sistema contabilístico
A aplicação do novo Sistema de Normalização Contabilística por parte das entidades locais (SEL) alterou significativamente os modelos contabilísticos de prestação de contas e, sobretudo, nova terminologia e novas regras de registo e de valometria. Esta alteração facilita a comparação com outras empresas, como por exemplo empresas do Setor Empresarial do Estado (ver Anuário do SEE; OTOC; 2011). No entanto, dificulta a comparação da evolução da situação económica e financeira de 2010 com anos anteriores (contas elaboradas com base no POC) e, mais grave, com as contas dos municípios cujas contas são elaboradas de acordo com o POCAL, sistema muito próximo do POC). Deste modo, para efeitos da necessária consolidação de contas, será de grande utilidade que o Setor Autárquico adira à nova reforma da contabilidade pública e participe na elaboração do novo sistema de normalização contabilística pública (SNCP) que, tudo indica, será da responsabilidade da Comissão de Normalização Contabilística (CNC) uma vez extinta recentemente a CNCAP (Comissão de Normalização Contabilística da Administração Pública). É relevante o índice de aplicação do POCAL por parte dos municípios, permitindo uma elevada fiabilidade nos rankings e quadros apresentados. No entanto, é fundamental, para uma ainda maior fiabilidade, que as contas dos municípios sejam certificadas por um Revisor Oficial de Contas e que o registo contabilístico e elaboração dos Mapas de prestação de contas, sejam da responsabilidade de um Técnico Oficial de Contas. Este Anuário, referente às contas dos Municípios de 2010, foi publicado em Fevereiro de 2012. A muitos leitores poderá parecer um elevado desfasamento do tempo. Contudo, se continuarem os atuais prazos estabelecidos para a divulga-

ção das contas dos municípios e se continuar o mesmo modelo de prestação de contas, será difícil em futuras edições diminuirmos o tempo entre a data de publicação do anuário e o ano a que o mesmo se reporta. De facto, infelizmente vários municípios continuam a não disponibilizar as contas nos seus sites ou disponibilizam muito tarde ou disponibilizam somente uma parte da informação. Por esse motivo, obriga o autores do anuário a recolher a informação em falta junto do Tribunal de Contas. Por outro lado, é elevada a quantidade de informação que constitui um processo de prestação de contas dos municípios, dificultando a recolha e seleção de informação pretendida para este anuário. Do exposto, entendemos que será importante antecipar o prazo de apresentação das contas, uniformizar modelos de doumentos, melhorar o tipo de informação, incluindo indicadres obrigatórios, e, por último, disponibilizar essa informação nos sites das instituições públicas, para que a mesma seja mais útil para a tomada de decisões.

261

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ANEXO I ESTUDOS DESENVOLVIDOS PELOS AUTORES NO ÂMBITO DO ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES

2011:

RIBEIRO, Nuno; JORGE, Susana; CERVERA, Mercedes( 2011); «Factores determinantes do endividamento na administração local portuguesa: evidência empírica nos municípios do Alto Trás-os-Montes»; XVI Congreso AECA – Nuevo modelo económico: Empresa, Mercados y Culturas, Granada (Spain), FERNANDES, Maria José, GOMES, Patrícia e CARVALHO, 21-23 September. [ISBN 978-84-96648-53-1] João. (2011). Toward the use of quantitative performance information by politicians in top managers’ performance LOURENÇO, Rui P.; JORGE, Susana; SÁ, Patrícia Mou- evaluation: case studies in three larger Portuguese municira(2011) e; «Transparência institucional e financeira do SEL palities. Comunicação apresentada na 8th ENROAC confeem Portugal: análise da informação disponibilizada nos sí- rence, 1-3 Junho, Lisboa, Portugal. tios Web»; 6ª Conferência Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação (CISTI); Hotel Casino, Chaves, Portugal; 15- RIBEIRO, Nuno; JORGE, Susana; «Fatores Determinantes 18 Junho. [ISBN 978-989-96247-5-7] do Endividamento dos Municípios do Alto Trás-os-Montes(2011)»; XIII Accounting and Auditing Congress, ACIM 2011 JORGE, Susana; PATTARO, Anna Francesca; SÁ, Patrícia – A Change in Management; Porto (Portugal); 18-20 May, . Moura e; LOURENÇO, Rui (2011); «Local Government financial transparency in Portugal and Italy: a comparative NOGUEIRA, Sónia; JORGE, Susana(2011); «Necessidades de exploratory study on its determinants»; 13th Biennial CI- informação para as tomadas de decisão internas e a utilidade GAR Conference – Bridging public sector and non-profit do relato financeiro autárquico: o caso do município de Brasector accounting, Ghent (Belgium), 9-10 June. gança»; XIII Accounting and Auditing Congress, ACIM 2011 – A Change in Management; Porto (Portugal); 18-20 May,. GOMES, Patrícia; FERNANDES, Maria José e CARVALHO, João (2011). “Uso e utilidade da contabilidade de custos para PATTARO, Anna Francesca; JORGE, Susana; LOURENÇO, a gestão autárquica”. Revista del Instituto Internacional de Rui; SÁ, Patrícia Moura e; «Local Government online fiCostos, Nº 8, Enero/Junio: 73-92. ISSN 1646-6896. nancial transparency: a comparative analysis of Portuguese and Italian municipalities»; XV IRSPM Conference
263

GOMES, Patrícia; FERNANDES, Maria José e SILVA, Carina. (2011). Accounting information and voters’ behaviour: empirical research in Portuguese municipalities. Comunicação apresentada na 13th Biennial CIGAR Conference, 9-10 de Junho, Ghent, Bélgica.

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

– Value, Innovation and Partnership, Dublin (Ireland), 1113 April 2011. [track on Transparency and Accountability] FERNANDES, M. J., GOMES, P. e Silva, C. (2011). “Influ“Influence of accounting information in the re-election of local government politicians: an empirical research”; 13th Biennial CIGAR Conference, 9-10 de Junho, Ghent, Bélgica. FERNANDES, M. José, GOMES, Patrícia e CARVALHO, João (2011). “Toward the use of quantitative performance information in top managers? Performance Evaluation: case studies in three Portuguese municipalities”; 8th ENROAC conference, 1-3 Junho, Lisboa, Portugal. CARVALHO, João; GOMES, Patrícia e FERNANDES, M. José. (2011). “The main determinants of the use of the cost accounting system in Portuguese local government”. Financial Accountability and Management (forthcoming). 2010: GOMES, Patrícia; FERNANDES, Maria José; CARVALHO, João. (2010). “Influence of Contextual and Technical Factors on the activity and output-based Cost System use: Evidence from Portuguese Local Government”; 33th Annual Congress of the European Accounting Association, Istanbul, Turkey, 19-21 May.
264

FERNANDES, M.J, GOMES, P. e CARVALHO, J. (2010). The use of output-oriented performance information by local politicians in top managers? performance evaluation: case studies. 6th International Conference on Accounting, Auditing and Management in Public Sector Reforms, em Copenhaga, Dinamarca, 1-3 Setembro. LOURENÇO, Rui P.; SÁ, Patrícia Moura e; JORGE, Susana (2010); «Transparência nas Câmaras Municipais Portuguesas: informação divulgada nos sítios da Região Centro»; 10ª Conferência da Associação Portuguesa de Sistemas de Informação (CAPSI); Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Viana do Castelo, Portugal; 20-22 Outubro. GOMES, Patrícia; CARVALHO, João. e FERNANDES, Maria José. (2009). “Determinantes da adopção e desenvolvimento do Sistema de Contabilidade de Custos nos municípios Portugueses”. Portuguese Journal of Accounting and Management, No.8: pp.11-42. JORGE, Susana, PATTARO, Anna F.; LOURENÇO, Rui P.; SÁ, Patrícia Moura (2010); «Citizens’ demands and Local Government transparency: a comparative analysis of Portuguese and Italian municipalities’ online financial information»; 10th CIGAR Workshop, “Stakeholders and key actors in the Public Sector financial management and accounting reforms”; University of Tampere, Finland, September 16-17.

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

2009: JORGE, Susana (2009; «Local government accounting system and efficiency: analyses in Portuguese municipalities»; presented at PhD Conference – 12th Biennial CIGAR Conference – New Challenges for Public Sector Accounting; Modena, Italy, May 27. JORGE, Susana (2009); «Local government accounting system and efficiency: analyses in Portuguese municipalities»; 12th Biennial CIGAR Conference – New Challenges for Public Sector Accounting; Modena, Italy, May 28-29. 2008: CAMÕES, Pedro, JORGE, Susana; CARVALHO, João; FERNANDES, M. José (2008). “Measuring Portuguese Local Government Relative Efficiency: a re- analysis”, in Susana Jorge (ed.), Implementing Reforms in Public Sector Accounting, Coimbra University Press, 517pp., 2008, ISBN 978-989-8074-39-3. JORGE, S; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2008); «From cash to accruals in Portuguese local government accounting: what has truly changed»; Tékhne – Revista de Estudos Politécnicos (Polytechnic Studies Review); Vol. VI, nº10; IPCA; Dezembro.

CARVALHO, J.; JORGE, S.; FERNANDES, M. J.; CAMÕES, P. (2008); «Análise Orçamental dos Municípios Portugueses: situação entre 2005 e 2006»; 6º Congresso Nacional da Administração Pública “Os Grandes Passos da Reforma”; INA, Lisboa, 29 e 30 Outubro. CAMÕES, P.; JORGE, S.; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2008); «Does Accounting Compliance Improve Financial Performance? An Econometric analysis of Portuguese Local Government»; European Group of Public Administration (EGPA) Conference; Rotterdam; The Netherlands; 3-6 September. 2007: JORGE, S.; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2007); «From cash to accruals in Portuguese local government accounting: what has truly changed»; submetido a Tékhne – Revista de Estudos Politécnicos (Polytechnic Studies Review). JORGE, S.; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2007); «Governmental Accounting in Portugal: why accrual basis is a problem»; Journal of Public Budgeting, Accounting and Financial Management; Vol.19; N.4; Winter; pp.411-446 CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J.; JORGE, S.; CAMÕES, P. (2007); «A Nova Lei das Finanças Locais e o reforço da
265

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

consolidação orçamental»; 5º Congresso Nacional da Administração Pública; Instituto Nacional de Administração; Lisboa; Outubro. CAMÕES, P.; JORGE, S.; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2007); «Measuring Portuguese Local Government Relative Efficiency: a re-analysis»; 11th CIGAR Biennial – Implementing Reforms in Public Sector Accounting: Problems, Changes and Results, Faculty of Economics; University of Coimbra, Portugal, June. CARVALHO, J.; CAMÕES, P.; JORGE, S.; FERNANDES, M. J. (2007); «Conformity and Diversity of Accounting and Financial Reporting in Portuguese Local Government»; Canadian Journal of Administrative Sciences; Vol. 24, Issue 1; March (May); pp.2-14. 2006: CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J.; CAMÕES, P.; JORGE, S. (2006); «Conformidade e fiabilidade das contas dos municípios portugueses»; 4º Congresso Nacional da Administração Pública; Instituto Nacional de Administração; Lisboa; Novembro. CARVALHO, J.; JORGE, S.; FERNANDES, M. J. (2006); «New Local Government Accounting in Portugal»; Public Money and Management; Vol. 26; N.4; September; pp.211-216.
266

CARVALHO, J.; JORGE, S.; FERNANDES, M. (2006): “Contributo do POCAL para o aumento da transparência nas contas dos Municípios Portugueses”; Jornal de Contabilidade nº 354, APOTEC, Setembro, p. 296-301. JORGE, S.; CAMÕES, P.; CARVALHO, J.; FERNANDES, M. J. (2006); «Portuguese Local Government Relative Efficiency: a DEA Approach»; 8th CIGAR Workshop – Performance Measurement in the Public Sector, Hamburg, Germany, September. JORGE, S; CARVALHO, J; FERNANDES, M. J. (2006); «Compliance with the New System of Local Government Accounting in Portugal»; in Accounting reform in the Public Sector: mimicry, fad or necessity?; E. Lande and J. C. Scheid (eds.); Expert Comptable Media. CARVALHO J. (2006); «Fiscalización del Tribunal de Cuentas portugués a los municipios. Resultados y recomendaciones»; VI Simposium de Fiscalización, auditoria y control de la gestión de los fondos públicos, Mérida, Abril. FERNANDES, M. J.; CARVALHO, J.; JORGE, S.; CAMÕES, P. (2006); «The Relevance of the Accounting System to Municipal Decision-Making in Portugal: an Empirical Analysis of the Internal Use of Information»; 4th International Conference on Accounting, Auditing an Management in Public Sector Reforms, EIASM, Siena, Setembro.

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

CAMÕES, P. (2006); «A Transparência e a Utilidade das Contas Públicas em Portugal: o Caso das Autarquias Locais», VIII Congresso Prolatino, Vila da Feira, 7 e 8 de Abril.

Notas:

1. É ainda de assinalar a defesa de uma tese de doutoramento elaborada com base na informação disponível nos 2005: Anuários dos Municípios de 2003 a 2010: Título da Tese de Doutoramento: «Motivações do Gestor CARVALHO, J., FERNANDES, M. J., JORGE, S., GUZMÁN, C. e Instrumentos Contabilísticos Utilizados (2005); «El uso de los indicadores de gestión en la memoria na Gestão dos Resultados: O Caso das Autarquias Locais» de las cuentas de los Municipios Portugueses», XIII Congreso Autora: Augusta da Conceição Santos Ferreira de la Asociación Española de Contabilidad y Administración, Orientador: João Carvalho Oviedo, Setembro, submetido a Jornal da ASEPUC. Instituição: Universidade de Aveiro e Universidade do Minho Data: 25 de Janeiro de 2011 2. Conforme assinalado, os autores já publicaram sete Anuários Financeiros dos Municípios, referentes a 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, todos com o apoio e patrocínio das entidades assinaladas na capa deste 8º Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses.

267

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ANEXO II GLOSSÁRIO E TERMOS CONTABILÍSTICOS

Nota Introdutória
Dado que as contas das entidades do Setor Empresarial Local (SEL) analisadas neste Anuário são já apresentadas no contexto do novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC), este Glossário contempla novos termos usados nesse contexto em comparação com o do POCAL, evidenciando diferenças quando consideradas relevantes.

desse valor seja permanente. Aquela amortização extraordinária não deve ser mantida se deixarem de existir os motivos que a originaram”. O montante anual destes ajustamentos (reforço ou constituição) aparece na Demonstração dos Resultados por naturezas, na rubrica de custos “Provisões do Exercício”, sendo que as anulações aparecem nos proveitos na rubrica “Proveitos Extraordinários – reduções de amortizações e provisões”. No Balanço os valores acumulados (aumentos deduzidos de diminuições) respetivos aparecem a deduzir às rúbricas do Ativo. No contexto do SNC os ajustamentos foram divididos em dois tipos, pelo facto de se admitir que alguns ativos possam ser mensurados ao justo valor (e.g. propriedades de investimento, participações financeiras e instrumentos financeiros). Assim, há ajustamentos que decorrem de alterações no justo valor e que podem ser aumentos ou diminuições; há outros que resultam de testes feitos aos ativos a fim de avaliar se estão em imparidade, ou seja, se a sua quantia recuperável é inferior à quantia escriturada. Neste último caso, se a imparidade se verificar, devem evidenciar-se Perdas por Imparidade, definidas como “o excedente da quantia escriturada de um ativo, ou de uma unidade geradora de caixa, em relação à sua quantia recuperável”. O SNC dedica a NCRF 12 à temática da imparidade de ativos.
269

Ajustamentos
No âmbito do POCAL aparecem ainda com a designação de “Provisões”. Representam ajustamentos que se revelam necessários efetuar, no final de cada exercício económico, nos valores de certas rúbricas do Ativo, devido ao facto do seu valor recuperável para a entidade, ao momento, ser inferior ao valor reconhecido no Balanço. No Ativo Circulante tais ajustamentos resultam fundamentalmente de perdas potenciais (prudência) nos valores das existências, dívidas a receber e títulos negociáveis. No Ativo Imobilizado resultam perdas extraordinárias de valor, previstas no ponto 4.1.10 do POCAL: “Quando à data do balanço os elementos do ativo imobilizado corpóreo e incorpóreo, seja ou não limitada a sua vida útil, tiverem um valor inferior ao registado na contabilidade, devem ser objeto de amortização correspondente à diferença, se for de prever que a redução

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

Os aumentos/reduções de justo valor, assim como as perdas por imparidade acumuladas são implicitamente consideradas nas quantias escrituradas no Balanço. No que concerne aos valores do exercício, os aumentos de justo valor aparecem líquidos das respetivas reduções em rubrica própria nos “Resultados antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos”. Já as perdas por imparidade, também líquidas das respetivas reversões ocorridas no exercício, aparecem em rúbricas distintas, conforme respeitem a inventários, dívidas a receber, investimentos não depreciáveis/amortizáveis e investimentos depreciáveis/amortizáveis. Neste último caso, ainda que dentro do “Resultado Operacional”, aparecem individualizadas após os “Resultados antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos”, junto com os gastos/reversões de depreciação e de amortização. Ver: Ativo, Balanço, Demonstração dos Resultados

mesmo exercício. A Amortização/Depreciação Acumulada aparece implícita nas rubricas respetivas no Balanço, já que estas apresentam-se pela quantia escriturada (líquida das depreciações/amortizações acumuladas). Ver: Balanço, Demonstração dos Resultados

Amortização de empréstimos (amortização financeira)
Despesa relativa à quantia despendida para amortização de uma dívida contraída anteriormente. O valor das amortizações financeiras encontra-se no mapa de execução orçamental (Despesa/Passivos Financeiros). Por outro lado, este valor implica diminuição do Passivo no Balanço (empréstimos/financiamentos obtidos).

Amortização/Depreciação do Imobilizado (amortização económica)
Parcela referente ao valor depreciado do imobilizado sujeito a desgaste ou depreciação. O valor da depreciação do exercício designa-se por Amortização do Exercício. O valor acumulado da depreciação designa-se por Amortização Acumulada. O valor da amortização do exercício encontra-se no mapa Demonstração dos Resultados e o valor da amortização acumulada no Balanço/Ativo, na coluna AA (ou AP). No SNC define-se como a imputação sistemática da quantia depreciável/amortizável de um ativo durante a sua vida útil. O termo “Amortização” está associado aos Ativos Intangíveis, enquanto o termo “Depreciação” é usado com referência ao desgaste dos Ativos Fixos Tangíveis. A Amortização/Depreciação do Exercício apresenta-se na Demonstração dos Resultados (por naturezas) numa rúbrica isolada após “os Resultados antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos”, em que os valores aparecem deduzidos das respetivas reversões/anulações ocorridas no
270

Ativos
Na Administração Pública, os ativos são recursos controlados por uma entidade (proprietária ou administradora) – incluindo os do património histórico, artístico e cultural – em consequência de acontecimentos passados e a partir dos quais se espera que fluam para a entidade benefícios económicos futuros ou potencial de serviço. O Ativo corresponde à componente POSITIVA do Balanço Patrimonial de uma autarquia. Conforme modelo definido pelo POCAL, do Ativo obtém-se informação do valor bruto (AB), dos ajustamentos acumulados (atualmente ainda designados de “Provisões”) e desgaste acumulado do Imobilizado (AA) e do valor líquido (AL), referentes ao ano N e também do valor líquido do exercício anterior. Numa entidade do SEL, sujeita ao SNC, o Ativo é também a componente POSITIVA do Balanço financeiro da entidade. Porém, de acordo com o modelo de Balanço preconizado pelo SNC, o Ativo apresenta-se desde logo com o va-

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

lor líquido (designado de “Quantia Escriturada”) dos itens nele incluídos, apresentando também uma comparação dos valores do ano corrente (N) com os do ano imediatamente anterior (N-1). O ativo pode dividir-se em três grupos gerais: Ativo Fixo (Imobilizado Corpóreo, Imobilizado Incorpóreo, Investimentos Financeiros e Bens de Domínio Público) No contexto do SNC é designado de Ativo Não Corrente (Ativos Fixos Tangíveis, Propriedades de Investimento, Ativos Intangíveis, Goodwill, Ativos Biológicos, Participações Financeiras e Outros). Ativo Circulante (Existências, Dívidas a Receber e Disponibilidades) No SNC é designado de Ativo Corrente (Inventários, Ativos Biológicos, Contas a Receber e Meios Financeiros Líquidos) e os itens a serem aqui reconhecidos obedecem a critérios que não se cingem ao prazo para a sua detenção (ou seja, até 1 ano). Assim, é Ativo Corrente todo o elemento “…que satisfaça qualquer dos seguintes critérios: Se espera que seja realizado, ou se pretende que seja vendido ou consumido, no decurso normal do ciclo operacional da entidade; Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado; Se espere que seja realizado num período de doze meses após a data do balanço; ou Seja caixa ou um ativo equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou o uso para liquidar um passivo pelo menos doze meses após a data do balanço”. Acréscimos e diferimentos (Acréscimos de Proveitos e Custos Diferidos), atendendo à base de acréscimo ou especialização dos exercícios

No SNC este grupo não aparece em separado no Balanço, sendo incluído no Ativo Corrente. Os acréscimos (de rendimentos) são considerados “Outras contas a receber” e os diferimentos (Gastos a reconhecer) são apresentados em rubrica com a designação própria. Ver: Balanço

Ativos Financeiros
Pelo Decreto-Lei nº 26/2002, de 14 de fevereiro, ativos financeiros são “…operações financeiras quer com a aquisição de títulos de crédito, incluindo obrigações, ações, quotas e outras formas de participação, quer com a concessão de empréstimos e adiantamentos ou subsídios reembolsáveis”. São assim despesas com a aquisição de ativos, em empresas públicas, associações, fundações, sociedades de economia mista, entre outras, de acordo com a legislação em vigor e cláusulas contratuais. O valor das aquisições deste tipo de ativos num exercício económico encontra-se nos mapas orçamentais (Despesa/Ativos Financeiros) e o valor acumulado no Balanço/Ativo/Investimentos Financeiros. No SNC os Ativos Financeiros (correntes/não correntes) são apresentados no Balanço e definem-se como quaisquer ativos que sejam: “a) Dinheiro; b) Um instrumento de capital próprio de uma outra entidade; c) Um direito contratual: i) De receber dinheiro ou outro ativo financeiro de outra entidade; ou ii) De trocar ativos financeiros ou passivos financeiros com outra entidade em condições que sejam potencialmente favoráveis para a entidade; ou
271

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

d) Um contrato que seja ou possa ser liquidado em instrumentos de capital próprio da própria entidade e que seja: i) Um não derivado para o qual a entidade esteja, ou possa estar, obrigada a receber um número variável dos instrumentos de capital próprio da própria entidade; ou ii) Um derivado que seja ou possa ser liquidado de forma diferente da troca de uma quantia fixa em dinheiro ou outro ativo financeiro por um número fixo de instrumentos de capital próprio da própria entidade. Para esta finalidade, os instrumentos de capital próprio da própria entidade não incluem instrumentos que sejam eles próprios contratos para futuro recebimento ou entrega dos instrumentos de capital

próprio da própria entidade.”

Balanço
O balanço é o mapa contabilístico que relata a posição financeira e patrimonial de uma entidade, normalmente reportado ao final do exercício económico, e apresenta, devidamente agrupados e classificados, os ativos, os passivos e os fundos próprios da entidade. No POCAL, tal como nos outros planos oficiais de contabilidade no âmbito da Administração Pública, o modelo de Balanço é horizontal, como o que a seguir se apresenta:

Balanço Ativo AB Fixo – Imobilizado Fixo – Bens de Domínio Público Investimentos Financeiros Circulante – Existências Circulante – Dívidas a receber Circulante – Disponibilidades Acréscimos e diferimentos Total A B A-B AA AL (n) AL (n-1) Fundos Próprios Património Reservas e Resultados Transitados Resultado Líquido Passivo Dívidas a pagar – Médio/longo prazo Dívidas a pagar – curto prazo Acréscimos e diferimentos Total Fundos próprios e Passivo Ano N Ano N-1

AB: Ativo Bruto; AA: Amortizações e Ajustamentos; AL: Ativo Líquido 272

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Já no âmbito do SNC, o modelo de Balanço é vertical, apresentando, como referido, o Ativo pelos valores líquidos/quantias escrituradas. Os Fundos Próprios (ou Património Líquido) são aqui designados de Capital Próprio:
Balanço Rúbricas ATIVO Ativo Não Corrente Ativos Fixos Tangíveis Propriedades de Investimento Goodwill Ativos Intangíveis Participações Financeiras Outros Ativo Corrente Inventários Ativos biológicos Clientes Outras contas a receber Diferimentos Meios Financeiros Líquidos TOTAL DO ATIVO CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO Capital Próprio Capital realizado Ações (quotas) próprias Outros instrumentos de Cap. Próprio Prémios de emissão Reservas Resultados Transitados Excedentes de revalorização Outras variações no Cap. Próprio Resultado Líquido do Período TOTAL DO CAPITAL PRÓPRIO Passivo Passivo Não Corrente Provisões Financiamentos Obtidos Outras contas a pagar Passivo Corrente Fornecedores Diferimentos Outras contas a pagar TOTAL DO PASSIVO TOTAL DO CAPITAL PRÓPRIO E DO PASSIVO 273 NOTAS DATAS 31.xx.N 31.xx.N-1

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

Foi inserida uma coluna adicional para Notas, destinada a indicar o número correspondente à nota explicativa do Anexo onde será incluída informação complementar sobre o item respetivo. Ver: Ativo, Passivo, Fundos Próprios

Base de Acréscimo ou de Especialização dos Exercícios
Diz-se que um sistema contabilístico funciona na base de acréscimo quando permite apresentar contas numa ótica financeira, patrimonial e económica. Neste sentido, os subsistemas contabilísticos cujos mapas são elaborados nesta ótica (Contabilidade Financeira, Patrimonial e Contabilidade de Custos) registam operações financeiras (direitos e entradas de fundos e responsabilidades e saídas de fundos), económicas (proveitos, custos e resultados) e patrimoniais (Ativo, Passivo e Fundo Próprio). O Balanço, a Demonstração dos Resultados e os mapas de custos são exemplos de documentos de prestação de contas elaborados na base do acréscimo ou da especialização dos exercícios. Designa-se por “base do acréscimo ou da especialização dos exercícios” (Accrual basis) porque uma despesa apenas é registada como custo ou perda no momento em que há consumo dos recursos ou em que diminui o património da entidade; por seu turno, uma receita apenas é registada como proveito ou ganho no exercício em que é percebido o benefício económico, no exercício em que esse recurso foi utilizado como custo (permitindo, deste modo, um balanceamento entre custos e proveitos) ou no momento em que aumenta o património da entidade. No SNC o regime do acréscimo (periodização económica) é considerado um pressuposto subjacente à elaboração das demonstrações financeiras de uma entidade económica, a fim de que estas satisfaçam os seus objetivos de utilidade a um vasto conjunto de utentes na tomada de decisões económicas. Segundo o parágrafo 22 da Estrutura Conceptual do SNC, “Através deste regime, os efeitos das transações e de
274

outros acontecimentos são reconhecidos quando eles ocorram (e não quando caixa ou equivalentes de caixa sejam recebidos ou pagos), sendo registados contabilisticamente e relatados nas demonstrações financeiras dos períodos com os quais se relacionem. As demonstrações financeiras preparadas de acordo com o regime de acréscimo informam os utentes não somente das transações passadas envolvendo o pagamento e o recebimento de caixa, mas também das obrigações de pagamento no futuro e de recursos que representem caixa a ser recebida no futuro”. No âmbito da base/regime do acréscimo, o Balanço inclui: no Ativo, “Acréscimos de Proveitos” no POCAL, que no SNC correspondem a “Devedores por acréscimos de rendimentos” (dívidas a receber relativas a proveitos/rendimentos já reconhecidos, mas cuja receita e recebimento ainda não ocorreram); no Ativo, “Custos Diferidos” no POCAL, que no SNC correspondem a Diferimentos “Gastos a reconhecer” (despesas e pagamentos que já ocorreram, mas cujo custo/gasto eventualmente associado ainda não foi incorrido); no Passivo, “Acréscimos de Custos” no POCAL, que no SNC correspondem a “Credores por acréscimos de gastos” (dívidas a pagar relativas a custos/gastos já reconhecidos, mas cuja despesa e pagamento ainda não ocorreram); no Passivo, “Proveitos Diferidos” no POCAL, que no SNC correspondem a Diferimentos “Rendimentos a reconhecer” (receitas e recebimentos que já ocorreram, mas cujo proveito/rendimento eventualmente associado ainda não foi percebido). Exemplos: A aquisição de um computador será despesa no exercício económico do compromisso (compra), será pagamento no momento da saída de fundos e será um custo diferido (gasto a reconhecer no SNC) por vários exercícios à medida que o mesmo perde valor económico (ou seja, durante o período de utilização em que são registadas as amortizações).

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Um subsídio/transferência obtido/a para a aquisição desse computador, será receita no exercício em que for atribuído (direito a receber), recebimento quando for efetivamente recebido e proveito de vários exercícios (proveito diferido no POCAL; outras variações no capital próprio no SNC), pela percentagem das amortizações efetuadas ao longo da sua vida útil (regularização do subsídio por afetação do proveito/rendimento diferido aos proveitos/rendimentos do exercício corrente). Conceitos utilizados neste sistema contabilístico: Direitos e Obrigações, Recebimentos, Pagamentos, Saldo de Tesouraria, Dívidas a Pagar, Dívidas a Receber, Custos e Proveitos, Resultados. Ver: Balanço, Ativo, Passivo

as fases anteriores do direito a receber e dos compromissos a pagar (situação financeira). Neste sentido, o sistema contabilístico regista operações de direitos e entradas de fundos e de compromissos e saídas de fundos. Os Mapas de Execução Orçamental e Mapa de Fluxos de Caixa (no âmbito do subsistema de Contabilidade Orçamental) são exemplos de documentos de prestação de contas elaborados num sistema em base de caixa modificada. Os principais termos utilizados num sistema contabilístico elaborado nesta base são: Direitos (ou Liquidações) e Obrigações (ou Compromissos), Recebimentos, Pagamentos, Saldo de Tesouraria, Compromissos por Pagar e Direitos por Cobrar.

Bens de Domínio Privado
O domínio privado pode ser definido como o conjunto de bens que não encontram integrados no domínio público, ou seja: a) Estão, em princípio, sujeitos ao regime de propriedade estatuído na lei civil e, consequentemente, submetidos ao comércio jurídico correspondente (aceção objetiva); b) São livremente adquiridos e não obedecem a uso tipificado; c) São alienáveis, penhoráveis, prescrevíeis e expropriáveis.

Base de Caixa
Diz-se que um sistema contabilístico funciona na base de caixa quando tem como objetivo único apresentar contas numa ótica de caixa, ou seja, tem preocupação pela apresentação da situação de tesouraria, reconhecendo as transações apenas quando recebidas ou pagas. Neste sentido, no sistema contabilístico são registadas apenas entradas e saídas de fundos. O Mapa de Fluxos de Caixa (no âmbito do subsistema de Contabilidade Orçamental) é o documento de prestação de contas mais importante elaborado na base de caixa. Os termos mais utilizados num sistema contabilístico elaborado nesta base são: Recebimentos, Pagamentos e Saldo de Tesouraria.

Bens de Domínio Público
Segundo o artigo 202.º, n.º 1 do Código Civil, “uma coisa é tudo aquilo que pode ser objeto de relações jurídicas”. Por sua vez, o n.º 2 do mesmo artigo refere que se consideram fora do comércio todas as coisas que não podem ser objeto de direitos privados, tais como as que se encontram no domínio público e as que são, por sua natureza, insuscetíveis de apropriação individual. Em Portugal, podemos dizer que determinados bens do
275

Base de Caixa Modificada (base de caixa e compromissos)
Diz-se que um sistema contabilístico funciona na base de caixa modificada quando tem como objetivo único apresentar contas numa ótica de caixa, registando ainda

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

domínio público o são de acordo com a sua própria natureza, que a lei se limita a reconhecer como uma realidade preexistente (são exemplos o espaço aéreo, as águas marítimas territoriais, os rios, os lagos e as praias). Outros bens são considerados públicos por vontade da Administração, porque já existiam ou porque foram adquiridos ou construídos por uma pessoa coletiva de direito público e só depois tornados dominiais. É o que acontece com as autoestradas, linhas férreas, aeroportos, entre outros. O artigo 84.º da Constituição da República Portuguesa (CRP) refere no seu n.º 1 que pertencem ao domínio público: “As águas territoriais com os seus leitos e os fundos marinhos contíguos, bem como os lagos, lagoas e cursos de água navegáveis ou flutuáveis, com os respetivos leitos; As camadas aéreas superiores ao território acima do limite reconhecido ao proprietário ou superficiário; Os jazigos minerais, as nascentes de águas mineromedicinais, as cavidades naturais e subterrâneas existentes no subsolo, com exceção das rochas, terras comuns e outros materiais habitualmente usados na construção; As estradas; As linhas férreas nacionais; Outros bens como tal classificados por lei.” A definição de Património do Estado é dada pelo artigo 2º do Decreto-Lei n.º 477/80, de 15 de Outubro, onde se refere que, para efeitos de inventário do património do Estado, se deve considerar “o conjunto de bens do seu domínio público e privado, e dos direitos e obrigações com conteúdo económico de que o Estado é titular, como pessoa coletiva de direito público.” Por sua vez, o artigo 4º do Decreto-Lei supracitado re276

fere quais os bens de domínio público que devem fazer parte do inventário do Estado, que são: “a) As águas territoriais com os seus leitos, as águas marítimas interiores com os seus leitos e margens e a plataforma continental; b) Os lagos, lagoas e cursos de água navegáveis ou flutuáveis com os respetivos leitos e margens e, bem assim, os que por lei forem reconhecidos como aproveitáveis para produção de energia elétrica ou para irrigação; c) Os outros bens do domínio público hídrico referidos no Decreto n.º 5787-4I, de 10 de maio de 1919, e no Decreto-Lei n.º 468/71, de 5 de novembro; d) As valas abertas pelo Estado e as barragens de utilidade pública; e) Os portos artificiais e docas, os aeroportos e aeródromos de interesse público; f) As camadas aéreas superiores aos terrenos e às águas do domínio público, bem como as situadas sobre qualquer imóvel do domínio privado para além dos limites fixados na lei em benefício do proprietário do solo; g) Os jazigos minerais e petrolíferos, as nascentes de águas mineromedicinais, os recursos geotérmicos e outras riquezas naturais existentes no subsolo, com exclusão das rochas e terras comuns e dos materiais vulgarmente empregados nas construções; h) As linhas férreas de interesse público, as autoestradas e as estradas nacionais com os seus acessórios, obras de arte, etc.; i) As obras e instalações militares, bem como as zonas territoriais reservadas para a defesa militar; j) Os navios da armada, as aeronaves militares e os carros de combate, bem como outro equipamento militar

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

de natureza e durabilidade equivalentes; l) As linhas telegráficas e telefónicas, os cabos submarinos e as obras, canalizações e redes de distribuição pública de energia elétrica; m) Os palácios, monumentos, museus, bibliotecas, arquivos e teatros nacionais, bem como os palácios escolhidos pelo Chefe do Estado para a Secretaria da Presidência e para a sua residência e das pessoas da sua família; n) Os direitos públicos sobre imóveis privados classificados ou de uso e fruição sobre quaisquer bens privados; o) As servidões administrativas e as restrições de utilidade pública ao direito de propriedade; p) Quaisquer outros bens do Estado sujeitos por lei ao regime do domínio público.” Em geral, os bens são administrados pelo Estado, podendo também se administrados pelo Município e Freguesia e pelas Regiões Autónomas. A inclusão dos bens de domínio público no Balanço de uma entidade pública tem subjacentes dois conceitos: a) Benefício – apesar de poderem não implicar a obtenção de benefícios futuros diretos à entidade (no caso de bens de domínio público que não apoiem a entidade na prestação direta dos seus serviços), proporcionam benefícios à comunidade ao longo de diversos anos, encerrando portanto um potencial para prestação de serviço público; b) Controlo – a entidade pública deverá ter poderes e capacidade para gerir e manter esse bem. O POCP prevê uma nova conta de Imobilizado, a conta 45, para os denominados Bens de Domínio Público.

Contabilidade de Custos
É o subsistema contabilístico onde se apuram os custos (ou custos e proveitos, designando-se, neste caso, por Contabilidade Analítica) por cada função, atividade e cada bem ou serviço naquelas incluído. Os principais documentos extraídos deste subsistema contabilístico são os mapas CC (Contabilidade de Custos) definidos no ponto 12 do POCAL. A informação produzida pela Contabilidade de Custos revela-se fundamental para as tomadas de decisão internas, designadamente no que concerne ao estabelecimento de tarifas e preços para os bens e serviços fornecidos em gestão direta pela autarquia, que, segundo a Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro), artigo 16º, nº1, “…não devem ser inferiores aos custos direta e indiretamente suportados com a prestação desses serviços e com o fornecimento desses bens”. O funcionamento do sistema assenta na base do acréscimo ou especialização dos exercícios, bem como no uso do classificador funcional para os custos, sendo os custos indiretos afetos às funções, bens e serviços, em função dos respetivos custos diretos (sistema de base única de imputação). As entidades podem optar por utilizar um método de registo digráfico, caso em que deverão optar pelo uso das contas da Classe 9. Ver: Custos e Perdas versus Proveitos e Ganhos, Digrafia

Contabilidade Orçamental
É o subsistema contabilístico onde se registam a aprovação e modificações do Orçamento (receita e despesa) e as fases de controlo e execução do mesmo, até aos pagamentos e recebimentos. Os principais documentos de prestação de contas extraídos deste subsistema contabilístico são o Mapa de Controlo Orçamental da Despesa, o Mapa de Controlo Orçamental da Receita, o Mapa de Fluxos de Caixa e os respetivos anexos (Notas sobre o processo orçamental e respetiva execução). No âmbito do POCAL destaca-se também o mapa da Execução Anual do Plano Plurianual de Investimentos (PPI).
277

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

As despesas e receitas seguem genericamente uma classificação económica, de acordo com as suas naturezas, podendo as despesas seguirem também uma classificação funcional (particularmente relevante no âmbito do PPI) e orgânica. Os registos contabilísticos aqui efetuados assentam na base de caixa ou na base de caixa modificada. Este subsistema contabilístico não existe no SNC. Ver: Base de Caixa, Base de Caixa Modificada

Ver: Base de Acréscimo, Balanço, Demonstração dos Resultados.

Custos e Perdas versus Proveitos e Ganhos
No POCAL um custo é um consumo de recursos, enquanto uma perda representa uma diminuição do valor de um recurso (geralmente de caráter extraordinário). Ambos se traduzem numa diminuição dos Fundos Próprios ou Património Líquido. No SNC os Custos são designados de “Gastos”. De acordo com o parágrafo 69 da Estrutura Conceptual do SNC, um gasto é definido como uma diminuição nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxo ou deperecimento de ativos ou na incorrência de passivos, que resulte numa diminuição do capital próprio, e que não seja relacionada com distribuições aos participantes no capital próprio. O parágrafo 76 esclarece que a definição de gastos engloba as perdas que se distinguem dos gastos porque, enquanto estes resultam do decurso das atividades correntes (ou ordinárias) da entidade (e.g. deperecimento de ativos fixos tangíveis), as perdas podem, ou não, surgir no decurso das atividades ordinárias, resultando geralmente de atividades de caráter extraordinário (e.g. as que resultam de desastres como os incêndios e as inundações). São custos/gastos e perdas de uma entidade todas as operações registadas na Classe 6, conforme as contas que se seguem:

Contabilidade Patrimonial
É o subsistema contabilístico onde se registam todas as operações que alteram, qualitativa e quantitativamente, a estrutura patrimonial, económica e financeira de uma entidade, designadamente através de alterações no Ativo, Passivo e Fundos Próprios. Os principais documentos de prestação de contas extraídos deste subsistema contabilístico são o Balanço, a Demonstração dos Resultados (por naturezas) e os respetivos anexos (Notas ao Balanço e à Demonstração dos Resultados). Para uso interno o subsistema permite também obter vários Balancetes das diferentes massas que compõem o Balanço, bem como dos custos e os proveitos. É um subsistema próximo da contabilidade empresarial, que permite reconhecer direitos, obrigações, custos e proveitos, assentando na base do acréscimo ou especialização dos exercícios. É o sistema abrangido pelo SNC, que abrange um conjunto de Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro.
278

ANEXOS POCAL 61 – Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas (momento do consumo ou venda) 62 – Fornecimentos e serviços externos (por regra, no momento da obrigação) 63 – Transferências e subsídios correntes concedidos e prestações sociais (momento da autorização) 64 – Custos com o Pessoal (ano de reconhecimento como custo) 65 – Outros custos e perdas operacionais (ano de reconhecimento como custo) 66 – Amortizações do exercício (momento do desgaste, normalmente registadas unicamente em 31 de dezembro) e ajustamentos do exercício (momento da desvalorização das existências e investimentos financeiros, bem como da provável não cobrança de direitos já registados como proveitos; normalmente registadas em 31 de dezembro) 67 – Provisões do exercício (as provisões são normalmente registadas ou atualizadas em 31 de dezembro) 68 – Custos e perdas financeiros (ano de reconhecimento como custo)

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 SNC 61 – Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas (momento do consumo ou venda) 62 – Fornecimentos e serviços externos (por regra, no momento da obrigação) 63 – Gastos com pessoal (ano de reconhecimento como gasto) 64 – Gastos de depreciação e de amortização (momento do desgaste, normalmente reconhecidos unicamente em 31 de dezembro) 65 – Perdas por imparidade (momento da imparidade dos ativos fixos tangíveis, propriedades de investimentos e inventários, bem como da provável não cobrança de direitos já registados como rendimentos; normalmente reconhecidas em 31 de dezembro) 66 – Perdas por reduções de justo valor (momento da redução do justo valor das propriedades de investimento, investimentos financeiros e instrumentos financeiros; normalmente reconhecidas em 31 de dezembro) 67 – Provisões do período (as provisões são normalmente registadas ou atualizadas em 31 de dezembro) 68 – Outros gastos e perdas (ano de reconhecimento como gasto)

69 – Custos e perdas extraordinários (ano de reconhecimento como custo)

69 – Gastos e perdas de financiamento (ano de reconhecimento como gasto)

No âmbito do POCAL um proveito é um benefício económico ou aumento de potencial de serviço, derivado da venda, prestação de serviços, cobrança de impostos e taxas e de outras receitas. Um ganho é uma variação patrimonial positiva, geralmente de carácter extraordinário. Ambos se traduzem num aumento dos Fundos Próprios ou Património Líquido. No SNC os Proveitos são designados de “Rendimentos”. O parágrafo 69 da Estrutura Conceptual do SNC define um rendimento como um aumento nos benefícios económicos durante o período contabilístico, na forma de influxo ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resulte num aumento no capital próprio que não seja relacionado

com as contribuições dos participantes no capital próprio. Os parágrafos 72 e 73 também esclarecem que a definição de rendimentos engloba réditos e ganhos. Os réditos provêm do decurso das atividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade (e.g. vendas e prestações de serviços, juros e dividendos). Já os ganhos representam outros itens que satisfaçam a definição de rendimentos e podem, ou não, provir do decurso das atividades correntes (ou ordinárias), resultando geralmente de atividades de caráter extraordinário (e.g. os que provêm da alienação de ativos não correntes). São proveitos e ganhos de uma entidade todas as operações registadas na Classe 7, conforme as contas que se seguem:
279

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 POCAL 71 – Vendas e prestação de serviços (momento do reconhecimento do direito) 72 – Impostos e taxas (momento da liquidação ou reconhecimento do direito) SNC 71 – Vendas (momento do reconhecimento do rendimento) 72 – Prestações de serviços (momento do reconhecimento do direito)

ANEXOS

73 – Proveitos suplementares (momento do reconhecimento do direito) 74 – Transferências e subsídios obtidos (momento do reconhecimento do direito) 75 – Trabalhos para a própria entidade (momento do reconhecimento do gasto associado) 76 – Outros proveitos ou ganhos operacionais (momento do reconhecimento do rendimento) ------78 – Proveitos e ganhos financeiros (ano de reconhecimento como proveito) 79 – Proveitos e ganhos extraordinários (ano de reconhecimento como proveito)

73 – Variações nos inventários da produção (reconhecidas em 31 de dezembro; valor do custo dos inventários produzidos no exercício e não vendidos, se positiva; valor dos inventários produzidos no exercício anterior e vendidos no exercício corrente, se negativa) 74 – Trabalhos para a própria entidade (momento do reconhecimento do gasto associado) 75 – Subsídios à exploração (momento do reconhecimento do direito) 76 – Reversões (momento em que as razões que levaram às perdas por imparidade, provisões e aumentos extraordinários de amortizações/depreciações se deixarem de verficar; normalmente reconhecidas em 31 de dezembro) 77 – Ganhos por aumentos de justo valor (momento do aumento do justo valor das propriedades de investimento, investimentos financeiros e instrumentos financeiros; normalmente reconhecidos em 31 de dezembro) 78 – Outros rendimentos e ganhos (ano de reconhecimento como rendimento) 79 – Juros, dividendos e outros rendimentos similares (ano de reconhecimento como rendimento)

Os custos/gastos e perdas e os proveitos/rendimentos e ganhos são apresentados na Demonstração dos Resultados que, mostrando a diferença entre eles, evidencia o Resultado Económico (lucro ou prejuízo) da entidade. Nas entidades sujeitas ao SNC o lucro é frequentemente usado como medida de desempenho, ou como base para outras mensurações, tais como o retorno do investimento. No contexto da Administração Pública em geral e das autarquias em particular, o resultado económico representado pelo lucro/prejuízo não é suficiente para avaliar o desempenho da entidade, já que o balanceamento (matching) entre custos e perdas e proveitos e ganhos é questionável, conduzindo à necessidade de considerar outros indicadores de natureza mais operacional, para avaliar esse desempenho. Ver: Demonstração dos Resultados
280

Demonstração dos Resultados
A demonstração dos resultados é o mapa contabilístico que relata o desempenho económico de uma entidade, normalmente reportado ao final do exercício económico, e apresenta, devidamente agrupados e classificados, os custos e perdas e os proveitos e ganhos (classificados por naturezas), evidenciando o Resultado Líquido do Exercício. No POCAL os resultados são classificados em correntes e extraordinários, desdobrando-se os primeiros em operacionais e financeiros. Embora não apresente a Demonstração dos Resultados por funções, o POCAL admite que esta seja de elaboração facultativa pelas autarquias locais. O modelo de Demonstração dos Resultados por naturezas do POCAL é o que a seguir se apresenta:

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Exercícios N N-1

CUSTOS E PERDAS 61 – Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 62 – Fornecimentos e serviços externos 64 – Custos com o Pessoal 63 – Transferências e subsídios correntes concedidos e prestações sociais 66 – Amortizações do exercício 67 – Provisões do exercício 65 – Outros custos e perdas operacionais (A)………………… 68 – Custos e perdas financeiros (C)………………… 69 – Custos e perdas extraordinários (E)………………… Resultado Líquido do Exercício PROVEITOS E GANHOS 71 – Vendas e prestação de serviços 72 – Impostos e taxas Variação da Produção 75 – Trabalhos para a própria entidade 73 – Proveitos suplementares 74 – Transferências e subsídios obtidos 76 – Outros proveitos ou ganhos operacionais (B)………………… 78 – Proveitos e ganhos financeiros (D)………………… 79 – Proveitos e ganhos extraordinários (F)………………… Resultados operacionais: Resultados financeiros: Resultados correntes: Resultado líquido do exercício:

(B)–(A) (D–B)–(C–A) (D)–(C) (F)–(E)

No que concerne ao SNC, as entidades do SEL são obrigadas a elaborar ambas as Demonstrações dos Resultados, por naturezas e por funções. Embora em ambas prevaleça uma lógica de apresentação dos gastos e rendimentos atendendo à sua origem ou naturezas, na Demonstração dos Resul-

tados por Funções os gastos operacionais são organizados atendendo às atividades a que se destinam na entidade económica (e.g. administrativos, de distribuição, de aprovisionamento, …). Adicionalmente, neste mapa evidencia-se o Resultado Bruto, que é a diferença entre as Vendas e Presta281

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

ções de Serviços e o Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas. No contexto das entidades do SEL, a Demonstração dos Resultados (seja por naturezas ou por funções) é uma demonstração financeira que retrata o desempenho económico da entidade, demonstrando fundamentalmente a lucratividade da entidade num dado período. Permite determinar as alterações potenciais nos recursos económicos que seja provável a entidade controlar no futuro e é útil na formação de juízos de valor acerca da eficácia com que a entidade pode empregar recursos adicionais.

De forma diversa do POCAL, a Demonstração dos Resultados por naturezas do SNC não aparece organizada segundo a lógica das contas; adicionalmente os rendimentos apresentam-se, em muitos casos, líquidos de gastos, e vice-versa. Evidencia-se o Resultado Operacional (separando o Resultado antes de depreciações, dos Gastos/reversões de depreciação e de amortização), o Resultado antes de Impostos e o Resultado Líquido do Período. O modelo de Demonstração dos Resultados por naturezas do SNC é o que a seguir se apresenta:

RENDIMENTOS E GASTOS Vendas e serviços prestados Subsídios à exploração Variação nos inventários da produção Trabalhos para a própria entidade Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumida Fornecimentos e serviços externos Gastos com pessoal Imparidade de inventários (perdas/reversões) Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) Provisões (aumentos/reduções) Outras imparidades (perdas/reversões) Aumentos/reduções de justo valor Outros rendimentos e ganhos Outros gastos e perdas Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos Gastos/reversões de depreciação e de amortização Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos) Juros e rendimentos similares obtidos Juros e gastos similares suportados Resultado antes de impostos Imposto sobre o rendimento do período Resultado líquido do período

NOTAS

PERÍODOS N N-1

282

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Tal como no Balanço, também na Demonstração dos Resultados foi inserida uma coluna adicional para Notas, destinada a indicar o número correspondente à nota explicativa do Anexo onde será incluída informação complementar sobre o item respetivo. Ver: Custos e Perdas versus Proveitos e Ganhos

Despesas versus Receitas
Uma despesa é uma aquisição de um bem ou serviço em que a última fase do processo é o pagamento. Na Administração Pública as despesas dividem-se em dois grandes grupos: Despesas de Capital e Despesas Correntes. As Despesas de Capital são todas aquelas que alteram o património duradouro da entidade/Estado, traduzindo assim o seu enriquecimento e contribuindo para a formação do capital fixo e para o bem-estar coletivo (e.g. investimentos e reembolso de empréstimos). As Despesas Correntes são as que revelam carácter permanente e que afetam o património não duradouro da entidade, determinando a redução dos ativos líquidos; são todas as despesas com bens e serviços de consumo corrente (e.g. despesas com pessoal), objeto de uso final, incluindo juros e atribuição de subsídios para utilização imediata. As despesas são transformadas em custos/gastos quando os bens/serviços adquiridos forem consumidos ou desgastam pelo uso. Por exemplo, quando se adquire uma viatura estamos perante uma despesa no momento da sua aquisição e será custo/gasto durante os anos em que se utiliza e consequentemente se desgasta (amortizações/depreciações). De acordo com o pressuposto da base de acréscimo ou especialização dos exercícios, a viatura vai gerar proveitos/rendimentos durante vários exercícios ao serviço da entidade, pelo que o seu custo/ gasto deverá será repartido também por esses exercícios. Estamos perante uma receita quando é reconhecido o direito o cobrar determinada importância.

Tal como para as despesas, na Administração Pública as receitas também se dividem em dois grandes grupos: Receitas de Capital e Receitas Correntes. As Receitas de Capital alteram o património duradouro da entidade/Estado; são receitas cobradas ocasionalmente, isto é, que se revestem de carácter transitório e que, regra geral, estão associadas a uma diminuição do património duradouro ou aumento dos ativos e passivos de médio/ longo prazos (e.g. venda de imóveis e empréstimo a longo prazo). As Receitas Correntes incidem sobre o património não duradouro e provêm de ganhos do período orçamental (quer aumentos nos ativos financeiros – e.g. juros, quer reduções no património não duradouro – e.g. vendas de bens) e esgotam-se no período de um ano; são aquelas que, regra geral, se renovam em todos os períodos financeiros. As receitas são transformadas em proveitos/rendimentos no exercício económico que causaram custos/gastos ou foi necessário o consumo de recursos para a obtenção desse proveito/rendimento. Por exemplo, uma transferência corrente recebida será proveito/rendimento do exercício uma vez que se destina à aquisição e pagamento de bens e serviços (custos/gastos) nesse exercício. Uma transferência de capital é uma receita no exercício que se reconhece o direito a cobrar, mas um proveito diferido (rendimento a reconhecer) pelos exercícios em que o valor de aquisição do bem financiado vai diminuindo por desgaste (durante os anos em que se amortiza o bem). No âmbito do subsistema de Contabilidade Orçamental, algumas grandezas importantes são as seguintes: Despesa efetiva = despesas corrente + despesas de capital – ativos financeiros – passivos financeiros Receita efetiva = receitas correntes + receitas de capital – ativos financeiros – passivos financeiros Despesa primária = despesa efetiva – juros Despesa corrente primária = despesa corrente – juros
283

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

Saldo global ou efetivo = receitas efetivas – despesas efetivas Saldo primário = receitas efetivas – despesas primárias ou Saldo primário = saldo global + juros Ver: Custos e Perdas versus Proveitos e Ganhos

4. O montante de empréstimos das associações de freguesias releva igualmente para os limites estabelecidos na presente lei para os empréstimos das respetivas freguesias.”

Exercício Económico Endividamento Líquido Municipal
Segundo o artigo 36º da Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro): “1. O montante de endividamento líquido municipal, compatível com o conceito de necessidade de financiamento do Sistema Europeu das Contas Nacionais e Regionais (SEC95), é equivalente à diferença entre a soma dos passivos, qualquer que seja a sua forma, incluindo nomeadamente os empréstimos contraídos, os contratos de locação financeira e as dividas a fornecedores, e a soma dos ativos, nomeadamente o saldo de caixa, os depósitos em instituições financeiras, as aplicações de tesouraria e os créditos sobre terceiros. 2. Para efeitos de cálculo do limite de endividamento líquido e do limite de empréstimos contraídos, o conceito de endividamento líquido total de cada município inclui: a) O endividamento líquido e os empréstimos das associações dos municípios proporcional à participação do município no seu capital social; b) O endividamento líquido e os empréstimos das entidades que integram o sector empresarial local, proporcional à participação do município no seu capital social, em caso de incumprimento das regras de equilíbrio de contas previstas no regime jurídico do sector empresarial local. 3. Para efeitos do disposto no n.º 1, não são considerados créditos sobre terceiros os créditos que não sejam reconhecidos por ambas as partes e os créditos sobre os serviços municipalizados e entidades que integrem o sector empresarial local.
284

Período correspondente à execução orçamentária, financeira e patrimonial. Em Portugal o exercício económico coincide com o ano civil, quer para as entidades da Administração Pública, quer para as sujeitas ao SNC (aqui designado de “período económico”).

Fundo de Coesão Municipal
Trata-se uma subvenção geral que representa 50% do FEF, e que “…visa reforçar a coesão municipal, fomentando a correção de assimetrias, em benefício dos municípios menos desenvolvidos, onde existam situações de desigualdade relativamente às correspondentes médias nacionais, e corresponde à soma da compensação fiscal (CF) e da compensação da desigualdade de oportunidades (CDO) baseada no índice de desigualdade de oportunidades (IDO)” (artigo 23º, nº1, da Lei das Finanças Locais, Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro).

Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF)
Trata-se de uma subvenção geral resultante da repartição dos recursos públicos entre Estado e municípios, cujo valor é igual a 25,3% da média aritmética simples da receita proveniente dos impostos sobre o rendimento de pessoas singulares (IRS) e coletivas (IRC) e sobre o valor acrescentado (IVA). É constituído do seguinte modo, nos termos do artigo 21º da Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro): “1. O FEF é repartido da seguinte forma:

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

50% como Fundo Geral Municipal (FGM); 50% como Fundo de Coesão Municipal (FCM). 2. A participação geral de cada município no FEF resulta da soma das parcelas referentes ao FGM e ao FCM. 3. (…)”.

de deduzir todos os seus passivos. Entre as componentes principais dos Fundos Próprios destacam-se o Património (que no SNC encontra correspondência no Capital Realizado), Reservas de Reavaliação (que encontram paralelo nos Excedentes de Revalorização no SNC) e outras Reservas (legais, estatutárias, subsídios, doações), Resultados Transitados e Resultado Líquido do Exercício (no SNC designado de “Resultado Líquido do Período”). Ver: Activo, Passivo, Balanço

Fundo Geral Municipal
De acordo com o artigo 22º da Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro), “Corresponde a uma transferência financeira do Estado que visa dotar os municípios de condições financeiras adequadas ao desempenho das suas atribuições, em função dos respetivos níveis de funcionamento e investimento.” Representa 50% do FEF.

Limite do Endividamento Líquido Municipal
Segundo o artigo 37º da Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro): “1. O montante de endividamento líquido total de cada município, em 31 de dezembro de cada ano, não pode exceder 125% do montante de receitas provenientes de impostos municipais, das participações do município no FEF, da participação no IRS, da derrama e da participação nos resultados das entidades do sector empresarial local, relativas ao ano anterior. 2. Quando um município não cumpra o disposto no número anterior, deve reduzir em cada ano subsequente pelo menos 10% do montante que excede o seu limite de endividamento líquido, até que aquele limite seja cumprido.”

Fundo Social Municipal
Conforme o artigo 24º, nº1, da Lei das Finanças Locais (Lei nº 2/2007, de 15 de janeiro), “…constitui uma transferência financeira do Orçamento do Estado consignada ao financiamento de despesas determinadas, relativas a atribuições e competências dos municípios associadas a funções sociais, nomeadamente na educação, na saúde ou na ação social.”

Fundos Próprios
Os Fundos Próprios representam a diferença entre o Ativo e o Passivo do Balanço de uma entidade, numa determinada data, pelo que também se podem designar por “Património Líquido”. No âmbito do SNC esta componente do Balanço designa-se por “Capital Próprio” ou “Situação Líquida”. O parágrafo 49(c) da Estrutura Conceptual define Capital Próprio como o interesse residual nos ativos da entidade depois

Passivo (e Provisões)
Na Norma Internacional de Contabilidade do Setor Público (NICSP) 1, o passivo é definido como o conjunto das “… obrigações presentes da entidade provenientes de acontecimentos passados, cuja liquidação se espera que resulte num exfluxo de recursos da entidade que incorporam benefícios económicos ou potencial de serviço”.
285

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

No POCAL o Passivo corresponde à componente NEGATIVA do Balanço Patrimonial de uma autarquia. No SNC a que estão sujeitas as entidades do SEL, o Passivo também é a componente NEGATIVA do Balanço apresentado numa perspetiva financeira de aplicações de fundos (Ativos) face às origens (Passivo e Capital Próprio). O passivo é constituído por três grandes componentes: Provisões para Riscos e Encargos no POCAL, designadas apenas de Provisões no SNC Uma Provisão pode ser definida como um Passivo de tempestividade e/ou montante incertos. As Provisões (para Riscos e Encargos no POCAL) são responsabilidades derivadas dos riscos de natureza específica e provável (e.g. relativas a processos judiciais em curso). De acordo com o SNC (NCRF 21, parágrafo 13), “Uma provisão só deve ser reconhecida quando cumulativamente: (a) uma entidade tenha uma obrigação presente (legal ou construtiva) como resultado de um acontecimento passado; (b) seja provável que um exfluxo de recursos que incorporem benefícios económicos será necessário para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa fiável da quantia da obrigação”. As Provisões para Riscos e Encargos (acumuladas) no POCAL apresentam-se no Balanço numa rubrica individualizada entre os Fundos Próprios e as Dívidas a Pagar a médio/longo prazos; as Provisões (acumuladas) do SNC estão incluídas no Passivo Não Corrente. Dívidas a pagar a médio/longo prazos e a curto prazo No POCAL o critério relevante é o prazo de pagamento:
286

até um ano é a curto prazo, a mais de um ano é a médio/ longo prazos. No SNC as dívidas dividem-se, respetivamente, em Passivo Não Corrente e Passivo Corrente e, além do prazo, outros critérios são atendidos para a classificação. “Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer um dos seguintes critérios: Se espera que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade; Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado; Deva ser liquidado num período até doze meses após a data do balanço; ou A entidade não detenha um direito incondicional de diferir a liquidação o passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço.” Todos os outros passivos são, por defeito, não correntes. Acréscimos e diferimentos (Acréscimos de Custos e Proveitos Diferidos), atendendo à base de acréscimo ou especialização dos exercícios Dado o elevado valor nesta componente nas contas dos Municípios (nomeadamente no que concerne aos Proveitos Diferidos, onde se incluem as Transferências e Subsídios de Capital consignados), no âmbito do POCAL não se deve considerar o Passivo como sinónimo de dívidas a pagar, já que os Proveitos Diferidos não são exigíveis. No SNC este grupo não aparece em separado no Balanço, sendo incluído no Passivo Corrente. Os acréscimos (de gastos) são considerados “Outras contas a pagar” e os diferimentos (Rendimentos a reconhecer) são apresentados em rubrica com a designação própria. Ver: Balanço

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

Passivos Financeiros
O Decreto-Lei nº 26/2002, de 14 de fevereiro, define passivos financeiros como “…as receitas provenientes da emissão de obrigações e de empréstimos [titulados ou não] contraídos a curto e a médio e longo prazos”. São assim receitas provenientes de títulos a curto e médio/longo prazos, derivados financeiros e empréstimos a curto e médio/longo prazos, quer da Administração Central, quer de sociedades financeiras, ou da União Europeia ou ainda de países terceiros. O valor deste tipo de passivos num exercício económico encontra-se nos mapas orçamentais (Receita/Passivos Financeiros) e o valor acumulado no Balanço/Passivo/Dívidas a Terceiros. No SNC os passivos financeiros (correntes/não correntes) são apresentados no Balanço e definem-se como quaisquer passivos que sejam: “a) Uma obrigação contratual: i) De entregar dinheiro ou outro ativo financeiro a uma outra entidade; ou ii) De trocar ativos financeiros ou passivos financeiros com outra entidade em condições que sejam potencialmente desfavoráveis para a entidade; ou b) Um contrato que seja ou possa ser liquidado em instrumentos de capital próprio da própria entidade e que seja: i) Um não derivado para o qual a entidade esteja ou possa estar obrigada a entregar um número variável de instrumentos de capital próprio da própria entidade; ou ii) Um derivado que seja ou possa ser liquidado de forma diferente da troca de uma quantia fixa em dinheiro ou outro ativo financeiro por um número fixo dos instrumentos de capital próprio da própria entidade. Para esta finalidade, os instrumentos de capital próprio da própria entidade não incluem instrumentos que sejam eles próprios contratos para futuro recebimento ou entrega dos instrumentos de capital próprio da própria entidade.”

Sistema de Controlo Interno
A Norma n.º6 da International Federation of Accountants (IFAC) dispõe que “O Sistema de Controlo Interno é o plano de organização e todos e métodos e procedimentos adotados pela Administração de uma entidade para auxiliar a atingir o objetivo de gestão e assegurar, tanto quanto for praticável, a metódica e eficiente conduta dos seus negócios, incluindo a aderência às políticas da administração, salvaguarda dos ativos, a prevenção e deteção de fraudes e erros, a precisão e plenitude dos registos contabilísticos e a atempada preparação de informação financeira fidedigna”. O ponto 2.9.1 do POCAL estabelece os elementos constituintes do Sistema de Controlo Interno a adotar por uma autarquia local: “… o plano de organização, políticas, métodos e procedimentos de controlo, bem como todos os outros métodos e procedimentos definidos pelos responsáveis autárquicos, que contribuam para assegurar o desenvolvimento das atividades de forma ordenada e eficiente, incluindo a salvaguarda dos ativos, a prevenção e deteção de situações de ilegalidade, fraude e erro, a exatidão e a integridade dos registos contabilísticos e a preparação oportuna de informação financeira fiável”. Já o ponto 2.9.2 estabelece os objetivos dos métodos e procedimentos de controlo: “a) A salvaguarda da legalidade e regularidade no que respeita à elaboração, execução e modificação dos documentos previsionais, à elaboração das demonstrações financeiras e ao sistema contabilístico; b) O cumprimento das deliberações dos órgãos e das decisões dos respetivos titulares; c) A salvaguarda do património; d) A aprovação e controlo de documentos; e) A exatidão e integridade dos registos contabilísticos e, bem assim, a garantia da fiabilidade da informação produzida; f) O incremento da eficiência das operações; g) A adequada utilização dos fundos e o cumprimento dos limites legais à assunção de encargos; h) O controlo das aplicações e do ambiente informáticos; i) A transparência e a concorrência no âmbito dos mercados públicos; j) O registo oportuno das operações pela quantia correta, nos documentos e livros apropriados e no período contabilístico a que respeitam, de acordo com as decisões de gestão e no respeito das normas legais.”
287

ANEXOS

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

| ANEXO III LISTA DOS MUNICÍPIOS (ORDENADOS PELO NÚMERO DE HABITANTES)

Municípios de Grande Dimensão
Densidade Populacional do Município 5527,4 1447,2 1885,9 4944,1 1135,1 1957,1 1892,6 970,2 1331,9 3769,3 7125,4 2711,1 2361 N.º de Habitantes 2006 509.751 428.470 307.444 227.790 197.567 185.279 170.626 173.946 171.881 170.677 174.511 169.104 166.013 2007 499.700 437.471 310.086 221.800 196.467 186.947 173.406 175.063 172.904 171.472 173.413 169.122 166.148 2008 489.562 445.872 312.742 216.080 195.035 188.244 175.837 176.154 173.910 172.021 172.110 169.261 166.103 2009 479.884 454.188 315.382 210.558 193.630 189.606 178.332 177.183 174.878 172.609 170.828 169.303 165.991 2010 469.509 461.981 317.711 204.788 192.171 190.625 180.741 177.940 175.625 172.948 169.475 169.228 165.758

Município

Distrito

Nº. Freguesias 53 20 24 15 18 6 6 62 12 10 11 10 11

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Lisboa Sintra Vila Nova de Gaia Porto Loures Cascais Seixal Braga Gondomar Oeiras Amadora Matosinhos Almada

Lisboa Lisboa Porto Porto Lisboa Lisboa Setúbal Braga Porto Lisboa Lisboa Porto Setúbal

289

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Guimarães Odivelas Santa Maria da Feira Vila Franca de Xira Maia Vila Nova de Famalicão Coimbra Leiria Setúbal Barcelos Braga Lisboa Aveiro Lisboa Porto Braga Coimbra Leiria Setúbal Braga 68 7 31 11 17 49 31 29 8 89 673,4 6000,0 691,8 459,1 1753,7 674,4 411,5 229,6 547,2 328,3 162.572 148.906 145.247 137.915 135.700 133.663 139.083 127.035 122.554 124.468 162.618 151.358 146.347 140.091 138.226 134.336 137.212 127.919 123.564 124.498 162.636 153.584 147.406 142.163 140.859 134.969 135.314 128.537 124.459 124.555 162.592 155.827 148.449 144.123 143.371 135.536 133.426 129.191 125.293 124.576

ANEXOS 162.313 158.143 149.337 146.052 145.791 135.959 131.446 129.745 126.013 124.395

Municípios de Média Dimensão
Número de Freguesias 5 34 10 40 24 20 30 8 17 14 6 38 19 24 12 11 Densidade Populacional do Município 1329,2 196,7 1294,2 286,2 559,0 192,2 521,9 2119,5 258,1 367,5 1302,1 336,7 440,0 503,3 816,3 87,2 Número de Habitantes 2006 94.344 98.167 99.759 91.238 86.539 76.696 76.795 78.610 66.453 73.559 71.019 72.129 71.365 70.915 66.216 63.905 2007 95.706 98.619 99.214 91.390 86.810 77.203 77.052 78.277 68.709 73.347 71.374 71.984 71.322 70.427 66.463 64.798 2008 97.138 99.016 98.583 91.362 87.142 77.556 77.320 77.893 70.867 73.100 71.596 71.841 71.210 69.920 66.655 65.444 2009 98.522 99.470 97.793 91.460 87.417 77.997 77.553 77.529 73.061 72.919 71.844 71.648 71.075 69.377 66.919 66.085 2010 99.852 99.737 98.543 91.319 87.632 78.262 77.784 77.130 75.277 72.601 71.955 71.465 70.885 68.745 67.105 66.646

Município 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 290 Valongo Viseu Funchal Viana do Castelo Paredes Torres Vedras Vila do Conde Barreiro Mafra Aveiro Moita Penafiel Oliveira de Azeméis Santo Tirso Póvoa de Varzim Loulé

Distrito Porto Viseu Madeira Viana do Castelo Porto Lisboa Porto Setúbal Lisboa Aveiro Setúbal Porto Aveiro Porto Porto Faro

ANEXOS Densidade Populacional do Município 139,6 273,4 112,7 165,9 204,5 95,7 508,9 290,4 395,1 801,1 289,8 275,8 135,9 41,4 244,2 37,0 208,1 123,1 92,1 280,1 131,7 148,2 216,2 501,9 158,4 345,8 138,2 61,6

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Número de Habitantes 2006 60.619 64.384 64.054 63.372 61.471 59.471 58.922 58.664 57.511 55.692 48.110 54.733 55.597 55.420 53.780 54.574 52.270 50.183 52.946 48.611 50.423 49.912 48.822 47.130 44.791 43.341 44.667 44.264 2007 61.758 64.246 63.878 63.229 61.514 59.764 58.954 58.739 57.730 55.985 50.236 55.041 55.643 55.114 53.696 54.254 52.587 50.606 52.553 49.330 50.296 49.892 49.021 47.429 45.687 43.828 44.618 44.191 2008 62.820 64.092 63.630 63.135 61.582 59.858 58.976 58.698 57.983 56.333 52.371 55.275 55.641 54.780 53.600 53.909 52.823 50.890 52.101 49.881 50.131 49.857 49.171 47.723 46.536 44.319 44.527 44.121 2009 63.861 63.933 63.435 63.023 61.677 59.968 58.995 58.675 58.205 56.603 54.525 55.508 55.617 54.469 53.603 53.626 53.017 51.133 51.635 50.454 50.015 49.742 49.379 48.022 47.396 44.795 44.421 44.030 2010 64.946 63.709 63.149 62.879 61.620 59.934 58.895 58.625 58.359 56.870 56.641 55.685 55.480 54.111 53.493 53.270 53.212 51.284 51.145 50.989 49.897 49.698 49.441 48.225 48.180 45.254 44.258 43.834 291

Município 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 Palmela Ponta Delgada Santarém Figueira da Foz Amarante Pombal Felgueiras Faro Ovar Paços de Ferreira Sesimbra Marco de Canaveses Alcobaça Évora Fafe Castelo Branco Caldas da Rainha Ourém Covilhã Portimão Vila Real Águeda Vila Verde Lousada Alenquer Olhão Ponte de Lima Guarda

Distrito Setúbal Açores Santarém Coimbra Porto Leiria Porto Faro Aveiro Porto Setúbal Porto Leiria Évora Braga Castelo Branco Leiria Santarém Castelo Branco Faro Vila Real Aveiro Braga Porto Lisboa Faro Viana do Castelo Guarda

Número de Freguesias 5 22 28 18 40 17 32 6 8 16 3 31 19 19 36 25 16 18 31 3 30 20 58 25 16 5 51 55

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Densidade Populacional do Município 73,8 572,7 119,9 117,8 575,1 288,7 54,9 99,4 207,0 464,3 135,9 53,9 698,4 375,3 145,9 29,0 29,6 175,5 143,7 43,5 81,7 139,5 56,5 27,4 369,7 1340,5 258,9 167,2

ANEXOS

Município 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 292 Chaves Ílhavo Montijo Tomar Trofa Albufeira Abrantes Cantanhede Marinha Grande Santa Cruz Torres Novas Silves Câmara de Lobos Esposende Angra do Heroísmo Bragança Beja Ribeira Grande Anadia Fundão Tondela Lagos Benavente Santiago do Cacém Peniche Espinho Estarreja Albergaria-a-Velha

Distrito Vila Real Aveiro Setúbal Santarém Porto Faro Santarém Coimbra Leiria Madeira Santarém Faro Madeira Braga Açores Bragança Beja Açores Aveiro Castelo Branco Viseu Faro Santarém Setúbal Leiria Aveiro Aveiro Aveiro

Número de Freguesias 51 4 8 16 8 5 19 19 3 5 17 8 5 15 19 49 18 14 15 31 26 6 4 11 6 5 7 8

Número de Habitantes 2006 44.277 40.349 40.952 42.575 40.029 37.244 40.700 38.860 38.428 34.854 37.180 35.625 35.688 35.148 35.115 34.628 34.776 30.012 31.660 31.176 30.921 28.025 27.098 29.919 28.488 30.649 28.332 25.921 2007 44.192 40.819 41.210 42.295 40.338 38.175 40.349 38.931 38.533 35.985 37.101 35.931 35.969 35.358 35.116 34.489 34.610 30.447 31.559 31.062 30.852 28.502 27.719 29.698 28.595 30.065 28.300 26.101 2008 44.039 41.271 41.432 41.951 40.680 38.966 39.987 38.920 38.599 37.121 36.968 36.165 36.119 35.552 35.065 34.375 34.387 30.852 31.422 30.867 30.698 28.890 28.312 29.482 28.615 29.481 28.195 26.279 2009 43.897 41.711 41.623 41.689 41.022 39.809 39.623 38.953 38.697 38.269 36.814 36.443 36.279 35.716 34.993 34.259 34.193 31.226 31.284 30.701 30.546 29.298 28.890 29.311 28.656 28.866 28.110 26.414 2010 43.645 42.117 41.779 41.386 41.333 40.612 39.212 38.844 38.762 37.837 36.698 36.677 36.419 35.807 34.858 34.081 33.952 31.608 31.133 30.462 30.325 29.714 29.459 29.076 28.668 28.227 28.010 26.560

ANEXOS Densidade Populacional do Município 60,7 176,2 293,2 41,8 160,5 96,5 38,3 152,2 14,6 1005,7 107,6 184,2 147,8 163,8 274,3 53,3 71,2 51,7 103,6 1641,6 202,4 83,4 80,1 34,6 2742 88,8 91,1 96,2

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Número de Habitantes 2006 27.285 25.157 23.835 25.278 24.840 25.022 25.674 26.484 25.626 24.078 24.950 24.031 23.718 24.591 22.966 24.466 23.874 24.348 22.766 20.896 21.915 21.748 21.778 22.477 21.706 21.265 21.792 21.248 2007 27.082 25.377 24.390 25.410 25.030 25.089 25.559 26.177 25.510 24.274 24.820 24.175 23.933 24.482 23.244 24.413 23.773 24.028 22.826 21.329 22.099 21.800 21.807 22.279 21.741 21.398 21.714 21.220 2008 26.844 25.616 24.875 25.394 25.156 25.153 25.458 25.863 25.365 24.477 24.766 24.230 24.107 24.360 23.504 24.251 23.663 23.731 22.937 21.751 22.215 21.841 21.822 22.118 21.762 21.491 21.627 21.155 2009 26.634 25.786 25.383 25.412 25.286 25.216 25.350 25.550 25.221 24.676 24.699 24.312 24.247 24.270 23.741 24.081 23.559 23.448 22.985 22.169 22.313 21.890 21.842 21.978 21.797 21.582 21.509 21.141 2010 26.433 25.928 25.874 25.388 25.387 25.257 25.218 25.175 25.089 24.840 24.628 24.407 24.371 24.128 23.953 23.861 23.418 23.128 23.013 22.536 22.398 21.913 21.860 21.852 21.780 21.672 21.354 21.083 293

Município 96 97 98 99 Seia Lourinhã Lagoa Tavira

Distrito Guarda Lisboa Faro Faro Santarém Leiria Bragança Viseu Beja Braga Coimbra Braga Aveiro Aveiro Aveiro Viana do Castelo Aveiro Portalegre Santarém Santarém Aveiro Lisboa Santarém Portalegre Aveiro Santarém Coimbra Viseu

Número de Freguesias 29 11 6 9 8 13 37 24 17 7 14 29 11 9 6 51 20 10 4 1 8 9 14 11 1 6 21 18

100 Cartaxo 101 Porto de Mós 102 Mirandela 103 Lamego 104 Odemira 105 Vizela 106 Montemor-o-Velho 107 Póvoa de Lanhoso 108 Vagos 109 Vale de Cambra 110 Oliveira do Bairro 111 Arcos de Valdevez 112 Arouca 113 Portalegre 114 Almeirim 115 Entroncamento 116 Mealhada 117 Azambuja 118 Rio Maior 119 Elvas 120 São João da Madeira 121 Salvaterra de Magos 122 Oliveira do Hospital 123 Mangualde

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Densidade Populacional do Município 130,2 304,7 76,5 145,8 115,4 244,2

ANEXOS

Município 124 Vila da Praia da Vitória 125 Machico 126 Soure 127 Lousã 128 Baião 129 Amares

Distrito Açores Madeira Coimbra Coimbra Porto Braga

Número de Freguesias 11 5 12 6 20 24

Número de Habitantes 2006 20.582 21.204 20.672 18.273 21.152 19.632 2007 20.728 21.115 20.579 18.786 20.911 19.756 2008 20.858 21.032 20.470 19.245 20.686 19.853 2009 20.919 20.923 20.406 19.721 20.436 19.963 2010 20.999 20.823 20.278 20.181 20.138 20.017

Municípios de Pequena Dimensão
Número de Freguesias 17 22 33 19 8 3 3 10 10 31 17 11 7 9 38 12 Densidade Populacional do Município 81,8 107,7 91,1 54,9 17,1 146,2 304,5 132,3 14,8 32,9 72,0 77,3 20,0 143,7 23,5 173,4 Número de Habitantes 2006 20.774 19.986 19.738 19.270 20.191 16.194 18.341 17.080 18.540 18.900 17.744 16.896 17.340 16.968 17.017 17.492 2007 20.494 19.871 19.646 19.224 19.898 16.813 18.444 17.422 18.494 18.730 17.701 16.893 17.203 16.858 16.897 17.258 2008 20.198 19.767 19.530 19.188 19.624 17.464 18.539 17.737 18.407 18.541 17.635 16.857 17.078 16.785 16.766 16.992 2009 19.889 19.652 19.408 19.169 19.356 18.113 18.587 18.058 18.326 18.319 17.523 16.817 16.915 16.660 16.624 16.708 2010 19.567 19.508 19.257 19.173 19.087 18.764 18.650 18.353 18.228 18.071 17.412 16.756 16.755 16.529 16.455 16.450

Município 130 Cinfães 131 132 133 134 135 136 137 Celorico de Basto Monção São Pedro do Sul Coruche Alcochete Vila Real de Santo António Condeixa-a-Nova

Distrito Viseu Braga Viana do Castelo Viseu Santarém Setúbal Faro Coimbra Évora Vila Real Braga Coimbra Portalegre Aveiro Bragança Vila Real

138 Montemor-o-Novo 139 Valpaços

140 Cabeceiras de Basto 141 142 143 Penacova Ponte de Sor Castelo de Paiva

144 Macedo de Cavaleiros 145 Peso da Régua 294

ANEXOS Densidade Populacional do Município 120,5 42,9 155,9 350,9 16,6 91,2 34,4 13,6 49,8 84,2 117,1 33,5 114,1 122,0 173,0 27,5 109,7 63,2 150,7 67,4 16,6 66,7 75,6 107,2 86,2 44,2 71,0 164,8

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Número de Habitantes 2006 16.839 16.732 15.789 15.139 16.296 15.426 15.967 15.805 15.628 14.525 14.647 15.043 14.700 14.324 14.701 14.811 13.622 14.283 13.856 13.674 14.214 13.523 13.635 13.248 11.876 13.722 13.041 11.795 2007 16.743 16.618 15.918 15.367 16.233 15.527 15.841 15.660 15.505 14.595 14.719 14.930 14.699 14.305 14.581 14.658 13.686 14.193 13.858 13.681 14.089 13.556 13.591 13.269 12.232 13.595 13.038 12.064 2008 16.630 16.503 15.993 15.583 16.120 15.629 15.663 15.455 15.334 14.638 14.740 14.837 14.657 14.308 14.480 14.500 13.755 14.077 13.809 13.681 13.979 13.528 13.495 13.295 12.569 13.453 13.004 12.314 2009 16.577 16.390 16.056 15.777 16.022 15.691 15.512 15.270 15.162 14.694 14.732 14.735 14.588 14.295 14.383 14.324 13.830 13.936 13.819 13.691 13.845 13.509 13.427 13.302 12.902 13.315 12.978 12.586 2010 16.447 16.248 16.123 16.000 15.884 15.784 15.359 15.044 14.983 14.733 14.718 14.634 14.522 14.295 14.261 14.141 13.864 13.806 13.757 13.695 13.682 13.462 13.310 13.295 13.223 13.149 12.921 12.849 295

Município 146 Caminha 147 Castro Daire

Distrito Viana do Castelo Viseu Leiria Açores Beja Açores Castelo Branco Beja Guarda Lisboa Viseu Vila Real Santarém Viana do Castelo Leiria Évora Coimbra Braga Leiria Setúbal Setúbal Viseu Leiria Coimbra Faro Vila Real Viana do Castelo Lisboa

Número de Freguesias 20 22 4 5 8 13 14 7 22 10 9 17 10 16 3 13 5 21 5 2 5 12 8 4 1 19 25 4

148 Batalha 149 Lagoa (R.A.A) 150 Moura 151 152 153 Horta Sertã Serpa

154 Gouveia 155 Cadaval

156 Nelas 157 Vila Pouca de Aguiar 158 Alcanena 159 Valença

160 Nazaré 161 162 Estremoz Miranda do Corvo

163 Vieira do Minho 164 Bombarral 165 Sines 166 Grândola 167 Sátão

168 Ansião 169 170 171 Mira São Brás de Alportel Alijó

172 Ponte da Barca 173 Arruda dos Vinhos

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Densidade Populacional do Município 15,5 8,5 191,8 95,7 55,7 37,2 60,9 108,4 106,1 25,0 59,4 80,7 91,6 143,4 13,7 208,8 49,3 14,5 73,0 90,5 28,0 13,2 39,8 135,2 6,9 19,6 20,1 38,5

ANEXOS

Município 174 175 176 Sabugal Alcácer do Sal Ribeira Brava

Distrito Guarda Setúbal Madeira Aveiro Évora Coimbra Coimbra Viseu Madeira Évora Viseu Leiria Viseu Açores Vila Real Lisboa Viseu Santarém Viseu Viseu Guarda Bragança Viseu Aveiro Castelo Branco Guarda Beja Viana do Castelo

Número de Freguesias 40 6 4 9 2 18 15 9 8 5 12 9 15 5 35 3 20 7 12 7 29 28 10 4 17 27 5 18

Número de Habitantes 2006 13.769 13.354 12.565 12.820 12.164 12.973 12.403 12.361 11.886 11.554 11.755 11.301 11.775 11.089 11.793 10.185 11.030 11.157 10.634 10.635 10.512 10.583 10.277 9.804 10.561 10.182 9.710 9.579 2007 13.533 13.191 12.599 12.733 12.225 12.799 12.331 12.310 11.939 11.551 11.723 11.332 11.681 11.135 11.610 10.346 10.985 11.073 10.630 10.633 10.422 10.460 10.217 9.850 10.352 10.009 9.576 9.485 2008 13.261 13.017 12.600 12.643 12.288 12.667 12.307 12.263 11.907 11.557 11.660 11.377 11.561 11.164 11.402 10.525 10.941 10.976 10.640 10.599 10.338 10.289 10.153 9.847 10.147 9.840 9.460 9.396 2009 13.002 12.836 12.583 12.547 12.352 12.525 12.240 12.209 11.864 11.594 11.580 11.397 11.439 11.177 11.216 10.694 10.900 10.896 10.635 10.606 10.264 10.182 10.079 9.881 9.952 9.672 9.333 9.301 2010 12.738 12.707 12.546 12.427 12.387 12.382 12.162 12.134 11.828 11.604 11.500 11.427 11.301 11.183 10.999 10.879 10.845 10.801 10.609 10.577 10.140 10.049 10.003 9.883 9.703 9.498 9.225 9.176

177 Sever do Vouga 178 179 Vendas Novas Arganil

180 Tábua 181 Santa Comba Dão 182 Calheta (R.A.M.) 183 Reguengos de Monsaraz 184 Vouzela 185 Óbidos 186 Resende 187 Vila Franca do Campo 188 Montalegre 189 Sobral de Monte Agraço 190 Moimenta da Beira 191 192 193 Chamusca Oliveira de Frades Carregal do Sal

194 Trancoso 195 Mogadouro

196 Mortágua 197 Murtosa 198 Idanha-a-Nova 199 Pinhel 200 Aljustrel 201 Melgaço 296

ANEXOS Densidade Populacional do Município 66,3 13,0 47,1 79,4 44,1 21,7 16,1 182,5 34,1 167,2 82,7 61,5 33,4 86,5 85,0 47,1 12,2 114,4 29,3 65,2 13,6 19,3 90,8 46,9 12,6 27,4 50,1 26,0

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Número de Habitantes 2006 9.367 9.728 9.233 8.752 8.708 9.065 9.134 8.296 8.683 8.050 8.357 8.650 8.342 8.235 8.369 8.393 8.354 8.252 8.202 7.722 7.772 8.106 7.457 7.941 7.842 7.625 7.483 7.765 2007 9.315 9.573 9.170 8.723 8.694 8.977 8.981 8.352 8.643 8.122 8.360 8.571 8.291 8.258 8.326 8.322 8.252 8.168 8.115 7.735 7.785 8.024 7.491 7.827 7.710 7.546 7.447 7.631 2008 9.257 9.388 9.126 8.686 8.656 8.849 8.829 8.359 8.572 8.170 8.323 8.482 8.295 8.266 8.277 8.229 8.132 8.075 7.997 7.733 7.782 7.905 7.562 7.716 7.536 7.432 7.380 7.506 2009 9.224 9.232 9.046 8.645 8.627 8.710 8.685 8.397 8.514 8.228 8.312 8.378 8.294 8.263 8.198 8.171 8.031 7.997 7.908 7.737 7.767 7.815 7.618 7.617 7.419 7.343 7.338 7.365 2010 9.167 9.019 8.969 8.611 8.586 8.566 8.544 8.428 8.421 8.283 8.276 8.260 8.246 8.245 8.119 8.105 7.934 7.926 7.805 7.745 7.726 7.703 7.672 7.531 7.277 7.275 7.272 7.215 297

Município 202 Paredes de Coura 203 Vinhais 204 Ferreira do Zêzere 205 Vila Nova de Cerveira 206 Vila Viçosa 207 Proença-a-Nova 208 Torre de Moncorvo 209 Ponta do Sol 210 Celorico da Beira 211 212 213 214 215 216 217 218 219 Vila Nova da Barquinha Tarouca Penalva do Castelo Campo Maior Alpiarça Santana Mondim de Basto Ferreira do Alentejo Santa Marta de Penaguião

Distrito Viana do Castelo Bragança Santarém Viana do Castelo Évora Castelo Branco Bragança Madeira Guarda Santarém Viseu Viseu Portalegre Santarém Madeira Vila Real Beja Vila Real Viseu Castelo Branco Beja Guarda Coimbra Leiria Portalegre Bragança Évora Braga

Número de Freguesias 21 35 9 15 5 6 17 3 22 5 10 13 3 1 6 8 6 10 14 5 5 17 4 7 10 19 4 17

220 São João da Pesqueira 221 Belmonte 222 Castro Verde 223 Vila Nova de Foz Côa 224 Vila Nova de Poiares 225 Alvaiázere 226 Nisa 227 Vila Flor 228 Borba 229 Terras de Bouro

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Densidade Populacional do Município 11,7 10,3 14,4 5,4 58,9 8,9 31,6 64,3 16,8 38,5 12,8 17,7 23,2 21,4 40,9 36,4 43,4 12,5 45,6 77,1 29,3 45,1 25,9 31,3 10,9 18,4 14,7 14,4 Número de Habitantes 2006 7.117 7.317 7.492 7.685 7.217 7.442 7.157 6.771 7.419 6.959 7.402 6.827 7.026 6.493 6.711 6.376 6.258 6.723 6.336 6.091 6.262 6.359 6.104 6.313 6.187 5.963 6.246 5.689 2007 7.107 7.242 7.397 7.514 7.153 7.319 7.117 6.795 7.253 6.901 7.213 6.747 6.895 6.497 6.640 6.399 6.297 6.638 6.287 6.121 6.225 6.271 6.060 6.219 6.123 5.922 6.141 5.707 2008 7.108 7.182 7.295 7.332 7.071 7.163 7.049 6.818 7.061 6.824 7.015 6.676 6.744 6.472 6.571 6.399 6.316 6.542 6.235 6.117 6.161 6.204 6.011 6.109 6.039 5.886 6.024 5.702 2009 7.084 7.102 7.159 7.178 7.002 7.045 6.953 6.843 6.916 6.752 6.844 6.607 6.621 6.461 6.495 6.399 6.353 6.459 6.191 6.099 6.108 6.132 5.975 6.014 5.968 5.864 5.916 5.696

ANEXOS

Município 230 Portel 231 Arraiolos 232 Miranda do Douro 233 Mértola 234 Armamar 235 Almodôvar 236 Ribeira de Pena 237 Povoação 238 Mação 239 Figueiró dos Vinhos 240 Almeida 241 242 243 Redondo Carrazeda de Ansiães Castro Marim

Distrito Évora Évora Bragança Beja Viseu Beja Vila Real Açores Santarém Leiria Guarda Évora Bragança Faro Vila Real Viseu Açores Guarda Coimbra Madeira Guarda Viseu Viseu Vila Real Évora Beja Faro Évora

Número de Freguesias 8 7 17 9 19 8 7 6 8 5 29 2 19 4 15 7 6 17 6 3 13 17 17 9 6 4 3 3

2010 7.057 7.047 7.029 7.025 6.911 6.909 6.870 6.839 6.715 6.676 6.627 6.528 6.476 6.441 6.421 6.391 6.384 6.362 6.143 6.074 6.062 6.041 5.928 5.925 5.899 5.819 5.801 5.687

244 Sabrosa 245 Vila Nova de Paiva 246 Madalena 247 Figueira de Castelo Rodrigo

248 Penela 249 São Vicente 250 Aguiar da Beira 251 Tabuaço

252 Sernancelhe 253 Murça 254 Alandroal 255 Vidigueira 256 Monchique 257 Viana do Alentejo 298

ANEXOS Densidade Populacional do Município 47,8 17,3 57,4 19,4 11,7 30,4 70,9 9,5 16,5 52,5 7,9 16,1 18,5 38,6 11,4 81,6 7,9 9,8 29,8 26,8 103,0 16,1 156,9 10,2 30,8 27,5 13,0 30,0

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010 Número de Habitantes 2006 5.598 5.935 5.549 5.879 5.988 5.423 5.589 5.916 5.349 5.276 5.678 5.524 5.453 5.368 5.348 4.838 5.007 4.975 4.772 4.728 4.388 4.499 4.524 4.540 4.157 3.776 4.252 3.906 2007 5.614 5.829 5.565 5.788 5.872 5.447 5.567 5.783 5.336 5.291 5.551 5.446 5.370 5.317 5.295 4.879 4.968 4.914 4.732 4.705 4.390 4.446 4.432 4.416 4.111 3.811 4.142 3.878 2008 5.616 5.736 5.574 5.712 5.754 5.421 5.533 5.632 5.323 5.307 5.426 5.368 5.317 5.237 5.231 4.910 4.931 4.857 4.681 4.674 4.401 4.380 4.357 4.283 4.069 3.853 4.027 3.857 2009 5.619 5.666 5.569 5.642 5.626 5.437 5.475 5.522 5.333 5.330 5.331 5.299 5.234 5.173 5.152 4.938 4.871 4.801 4.654 4.656 4.378 4.321 4.274 4.161 4.028 3.879 3.928 3.829 2010 5.609 5.570 5.557 5.556 5.512 5.452 5.431 5.376 5.330 5.323 5.236 5.199 5.158 5.080 5.062 4.950 4.804 4.730 4.631 4.613 4.387 4.236 4.182 4.035 3.963 3.908 3.844 3.794 299

Município 258 Velas 259 Boticas 260 Vila do Porto 261 Meda

Distrito Açores Vila Real Açores Guarda Castelo Branco Faro Santarém Castelo Branco Faro Açores Beja Bragança Portalegre Guarda Évora Açores Portalegre Bragança Açores Beja Madeira Coimbra Vila Real Coimbra Leiria Açores Portalegre Açores

Número de Freguesias 6 16 5 16 12 5 2 12 4 7 6 20 4 16 4 4 8 14 6 4 1 5 7 10 3 5 5 5

262 Oleiros 263 Vila do Bispo 264 Golegã 265 Penamacor 266 Aljezur 267 Nordeste

268 Ourique 269 Alfândega da Fé 270 Sousel 271 Fornos de Algodres

272 Mora 273 Santa Cruz da Graciosa 274 275 276 Avis Vimioso Lajes do Pico

277 Cuba 278 Porto Santo 279 Góis 280 Mesão Frio 281 Pampilhosa da Serra 282 Pedrógão Grande 283 São Roque do Pico 284 Gavião 285 Calheta (R.A.A.)

ANUÁRIO FINANCEIRO DOS MUNICÍPIOS PORTUGUESES 2010

ANEXOS

Município 286 Freixo de Espada à Cinta 287 Constância 288 Sardoal 289 Castelo de Vide 290 Crato 291 Manteigas 292 Mourão 293 Marvão

Distrito Bragança Santarém Santarém Portalegre Portalegre Guarda Évora Portalegre Portalegre Castelo Branco Viseu Portalegre Leiria Portalegre Portalegre Castelo Branco Faro Beja Açores Madeira Beja Açores Açores

Número de Freguesias 6 3 4 4 6 4 3 4 4 4 9 3 2 4 3 3 5 2 4 4 1 7 1

Densidade Populacional do Município 15,3 46,2 40,2 13,8 8,9 28,8 12,2 21,5 9,1 10,0 24,1 10,1 45,5 7,2 12,1 15,6 5,2 10,2 37,0 30,9 9,7 22,0 29,6

Número de Habitantes 2006 3.931 3.793 3.897 3.748 3.835 3.768 3.370 3.619 3.553 3.630 3.346 3.251 3.317 3.190 3.286 3.160 3.272 2.723 2.546 2.706 1.767 1.513 468 2007 3.892 3.775 3.858 3.739 3.766 3.714 3.384 3.556 3.499 3.534 3.322 3.231 3.250 3.129 3.230 3.131 3.186 2.724 2.570 2.679 1.730 1.529 479 2008 3.834 3.751 3.808 3.701 3.707 3.650 3.387 3.489 3.442 3.450 3.286 3.211 3.176 3.087 3.160 3.080 3.104 2.720 2.583 2.645 1.697 1.534 488 2009 3.789 3.726 3.759 3.677 3.621 3.579 3.395 3.413 3.364 3.371 3.265 3.201 3.110 3.052 3.088 3.041 3.033 2.706 2.609 2.616 1.670 1.535 500 2010 3.734 3.716 3.704 3.646 3.553 3.509 3.395 3.328 3.302 3.295 3.226 3.174 3.038 3.013 3.000 2.988 2.967 2.704 2.625 2.564 1.634 1.543 507

294 Alter do Chão 295 Vila Velha de Ródão 296 Penedono 297 Arronches 298 Castanheira de Pêra 299 Monforte 300 Fronteira 301 Vila de Rei 302 Alcoutim 303 Alvito 304 Santa Cruz das Flores 305 Porto Moniz 306 Barrancos 307 Lajes das Flores 308 Corvo

30 0