You are on page 1of 130

ARISTOTELES Volume I NOVA CULTURAL CONTRA-CAPA NESTE VOLUME TÓPICOS Integra o Organon — conjunto de escritos lógicos de Aristóteles

— e examina os argumento s que partem de opiniões geralmente aceitas. Aqui se situa a dialética, na concepção ari stotélica: a arte da discussão e do confronto de opiniões, importante exercício intelect ual que prepara o espírito para a construção da ciência. As atuais pesquisas sobre a lógic a do pensamento não formalizável, desenvolvidas Filosofia. Filosofia. DOS ARGUMENTOS SOFÍSTICOS Complementam os Tópicos e investigam os principais tipos de argumentos capciosos: aqueles que são um simulacro da verdade, aparentando ser genuínos quando de fato são f alsos. Seleção de textos: José Américo Motta Pessanha Traduções de: Leonel Vallandro e Gerd Bornhei m Introdução: José Américo Motta Pessanha

ORELHAS PRÓXIMOS VOLUMES DESTA COLEÇÃO: MAQUIAVEL O Príncipe: obra polêmica, considerada inaugural da ciência política, em que se discutem as regras da arte de governar, desvinculando-a de considerações éticas ou morais. Esc ritos Políticos: coletânea de textos em que Maquiavel relata o que viu em suas missões diplomáticas e políticas. ARISTÓTELES II Ética a Nicômaco: obra em que Aristóteles define o bem como busca da felicidade, que s e consegue na vida contemplativa proporcionada pela Filosofia. Poética: definição da p oesia e de suas várias modalidades, em particular a tragédia — a forma superior de poe sia —, cujas leis de composição Aristóteles examina minuciosamente. KANT - I Crítica da Razão Pura: primeira parte desta importante obra, em que Kant investiga a subjetividade e a sua faculdade de conhecimento. Este volume contém a "Estética tra nscendental", onde se discutem as formas da sensibilidade (espaço e tempo), e a "A nalítica transcendental", dividida em "Analítica dos conceitos" e "Analítica dos princíp ios". Os Pensadores ARISTÓTELES I "Aristóteles foi, durante séculos, o oráculo da filosofia, e sua obra foi olhada como a soma dos conhecimentos humanos; emancipando-se de sua autoridade é que a filosof ia abriu novos caminhos. Todavia, se havia acabado por se esclerosar numa escolást ica, o pensamento aristotélico foi, em sua fonte, animado por imensa curiosidade c ientífica e vigoroso espírito científico." Aristote et son École, Joseph Moreau, 1962. "Como, por quais meios argumentativos, obtém-se uma intensidade suficiente de adesão dos espíritos? O estudo filosófico desse problema foi inteiramente negligenciado pe

los modernos. É verdade que houve, no século passado, alguns padres de grande reputação e admirável perspicácia, tais como o arcebispo Whately e o cardeal Newman, que se oc uparam do assunto, em conseqüência de questões suscitadas pela prédica. Num domínio inteir amente diferente, o assunto também atraiu a atenção, em particular nos Estados Unidos, dos especialistas em publicidade e propaganda. Mas é aos pensadores da Antiguidad e greco-romana, ao Aristóteles dos Tópicos e da Retórica, e ao Quintiliano da Instituição Oratória que é preciso volver, se sequer encontrar precursores para nosso modo de en carar o problema da argumentação." Rhétorique et Philosophie, Chaim Perelman, 1952.

http://groups.google.com/group/digitalsource

Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Aristóteles, 384-322 A.C. A75t Tópicos ; Dos argumentos sofísticos / Aristóteles ; se leção de textos de José Américo Motta Pessanha ; tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W.A. Pic ard. — São Paulo : Nova Cultural, 1987. (Os pensadores) Inclui vida e obra de Aristóteles. Bibliografia. 1. Aristóteles 2. Filosofia antiga. I. Pessanha, José Américo Motta, 1932. II. Título: Tópicos. III. Título: Dos argumentos sofísticos. IV. Série. CDD-185 87-1540 -180.92

Índices para catálogo sistemático: I.Aristóteles : Obras filosóficas 185 2. Filosofia aristotélica 185

 

3. Filósofos antigos : Biografia e obra 180.92 ARISTÓTELES

TÓPICOS DOS ARGUMENTOS SOFÍSTICOS

Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. A. Pic ard — Cambri dge

NOVA CULTURAL 1987

Título original: πιқά (Tópicos) Σ φιστιқ ι έλέγχ ι (Dos Argumentos Sofísticos)

© Copyright desta edição, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo, 1987. Av. Brig. Faria Lima, 2000 — CEP 01452 — São Paulo, SP. Traduções publicadas sob licença da Editora Globo S.A., Porto Alegre. Direitos exclusivos sobre "Aristóteles — Vida e Obra", Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo.

 

pel a segunda vez. Dionísio II. admirava a eloqüência e deixava-se conduzir por oradores. desde que pretendesse ser correta e responsável. Diante dos dois caminhos — o de Isócrates e o de Platão — o jovem chegado da Macedôn ia não hesita: ingressa na Academia. Ao contrário de Isócrates. essas justas medida s de significação e de realidade. tirano de Siracusa. que fundara em 387 a. Não era belo e para os padrões vige ntes no mundo grego. Havia morrido Dionísio I. apresentava caracte rísticas que poderiam dificultar-lhe a carreira e a projeção social. Para além do plano da palavra-convenção (nomos) dos sofistas e de Isócrates. embora a advertência da inscrição de que ali não deve sse entrar "quem não soubesse geometria" Mas em 367 a. De um lado . chega um jovem de cerca de dezoito anos. Por trás do inseguro universo das palavras — sujeitas à arte enc antatória e à prestidigitação dos retóricos — o educando deveria ser levado. a arte de persuasão por meio da palavra manipulada com o br ilho e a eficácia dos recursos retóricos era fator imprescindível para o desempenho de um papel relevante na cidade-Estado. propunha-se a desenvolver no educando a aretê política — ou seja. formulados segundo o relativismo e a diversidad e das opiniões. das es cias estáveis e perenes: núcleos de significação dos vocábulos porque razão de ser das própri s coisas.C. Em particular uma certa dificuldade em pronunciar corretamente as palavras deveria criar-lhe emba raços e mesmo complexos numa sociedade que. Platão apontava um ideal de linguagem construída em função das idéias. a chamado de seu amigo Dion. cujos destinos dependiam em grande par te da atuação de oradores. através de estudos superiores. proveniente da Macedônia. principalmente na Atenas daquele tempo. e Platão para lá se dirigira. Co mo muitos outros. no ápice da ascenção dialética. O novo tirano. seguindo a trilha dos sofistas.C. Platão não se encontrava em A tenas. E. pretendiam se preparar para e xercer com êxito suas prerrogativas de cidadãos e ascender na vida pública. Naquela época duas grandes instituições educacionais disputavam em Atenas a pref erência dos jovens que. 367 ou 366 a.C. talvez pud esse ser convencido a adotar uma linha política mais justa e condizente com os int . Ao grande centro intelectual e artístico da Grécia no século IV a. Na Academia. não poderia s er norteada por valores instáveis. Platão ensinava que a base para a ação política — como aliás para qualquer ação — deveria ser a investigação cient índole matemática. d e fato. por via do socrá ico exame do significado das palavras. à contemplação. mostrava a seus discípulos qu e a atividade humana. além de valorizar a beleza física e enalte cer os atletas. numa democracia como a ateniense.C. Isócrates. padrões para a conduta humana porque modelos de todos os existentes do m undo físico. requeria uma ciência (episteme) dos fundamentos da realidade na qual aquela ação está inserida.ARISTÓTELES VIDA E OBRA José Américo Motta Pessanha Atenas. vem atraído pela intensa vida cultural da cidade que lhe acenava com oportunidades para prosseguir seus estudos. a "virtude" ou capacitação para lidar com os assuntos relativ os à pólis — transmitindo-lhe a arte de "emitir opiniões prováveis sobre coisas úteis".

Nicômaco. que p assou a rivalizar com a Academia. havia se tornado o governante. fatigado por mais uma frustrada experiência política na Sicília. morrendo Pítias. onde o grego era a língua q ue se falava. É o momento em que a Macedônia.C. Lá. Filipe. o jovem da Macedônia d e olhos pequenos porém reveladores de excepcional vivacidade: Aristóteles de Estagir a. sobrinho de Platão. Hérmias foi assassinado. voltada fundamentalmente para investigações matemáticas. a cidade onde Aristóteles nasceu. Do hábito — aliás comum e m escolas da época — que tinham os estudantes de realizar seus debates enquanto pass eavam.C. Alexandre. numa Academia na qual a figu ra principal era. no momento. Nada mais justificava a permanência de Aristóteles na corte de Pela. que se isol a da cidade em pesquisas especulativas. o Liceu. É o momento de voltar a Ate nas. De terras distantes. Estagira. fica va na Calcídica e. Ao matematismo que dominava na Academia. próximo ao templo dedicado a Apoio Liceano. Filipe é assassinado e Alexandre sobe ao trono. sobretudo os "bárbaros" orientais.C. sua destacada atuação naqueles vinte anos parecia apontá-lo como o mais apto a assumir a chefia. Durante anos o fi lósofo encarrega-se dessa missão. na ilha de Les bos. O preceptor de Alexandre De pura raiz jônica. pai de Filipe. Em 347 a. abre uma escola. na Ásia Menor. Aristóteles permanece dois anos em Mitilene. como Platão. Chega ao fim a autonomia das cidades -Estados que caracterizara a Grécia do período helênico.C. Mais tarde. O jovem que viera da Macedônia ingressa. sobrinha do tirano morto. Somente cerca de um ano depois é que Platão retorna. como herança de seus antepassados. Essa condição de meteco — estrangeiro domici liado numa cidade grega — explica que ele não viesse a se tornar. começa a manifest ar suas vastas ambições políticas. Alexandre enviava ao ex-preceptor exemplares da fauna e da flora que iam enriquecer as coleções do Liceu.eresses gerais do mundo helênico. Dian te das questões políticas Aristóteles assumirá a atitude do homem de estudo. acentuado interesse pelas pesquisas biológicas. para substitu ir o mestre na direção da Academia. Ao ingressar na Academia platônica — que viria a freqüentar durante cerca de vin te anos — Aristóteles já trazia. É possível que a escolha de Espeusipo. Em 336 a. era médico e amigo do rei Amint as II. Aristóteles deixa Atenas e vai para Assos. assim. ele não era cidadão ateniense e estava estritamente ligado à casa real da Macedônia. Três anos depois que Aristóteles havia se transferido para Assos. E ainda preceptor de Alexandre quando. mais tarde por Roma — a Grécia integrará amplos organismos políticos que dilui rão suas fronteiras e atenuarão as distinções culturais que tradicionalmente separavam o s gregos de outros povos. De ixou então a cidade. Nicômaco. onde Hérmias. era na verdade uma cidade grega. Mas o biologismo era mais que uma perspectiva de escola: tornou-se marca centra . ele irá contrap or o espírito de observação e a índole classificatória. e qu e se tornou sua primeira esposa. morrendo Platão. matemático e astrônomo que defendia u ma ética baseada na noção de prazer. Ao contrário da Academia. Eudoxo de Cnido. típicas da investigação naturalista. o Liceu transformou-se num centro de estudos dedicados principalmente às ciências n aturais. teria surgido o termo peripatéticos (que significa "os que passeiam") para designar os discípulos de Aristóteles. desposará Herpilis. ue constituirão traços fundamentais de seu pensamento. chama Aristóteles à corte de Pela e confia-lhe importante missão: a de educar seu filho. a família de Aristóteles estava tradicionalmente ligada à med icina e à casa reinante da Macedônia. em 384 a. qu e lhe dará um filho. apesar de estar situada distante de Atenas e em território sob a dependência da Macedônia. os macedônios derrotam os gregos em Queronéia. A vida de Aristóteles — e pode-se dizer que até certo ponto sua obra — est ará marcada por essa dupla vinculação: à cultura helênica e à aventura política da Macedônia. então dirigida por Xenócrates. embora de raízes gregas. um pens ador político preocupado com os destinos da pólis e com a reforma das instituições.C. E talvez tenha sido o próprio Eudoxo quem lhe apresentou o novo aluno da Academia. fazendo da política um objeto de erudição e não uma ocasião para agir. em 343 a. conquistadas em suas expedições. tenha decepcionado Aristóteles. Por outro lado. Seu pai. garantida pelo poderio militar. antigo escravo e ex-integrante da Academia. em 338 a. A partir de então — dominada pela Macedônia. iniciando a construção de seu grande império. Logo em seguida prepara uma expedição ao Oriente. levando em sua companhia Pítias. Saindo de Assos.

Segundo ele. deixou Atenas e refugiou-se em Cálcis. conservados por diversos autores o u referidos em obras de escritores antigos. o Corpus aristotelicum apresenta obras dedicadas ao estudo d a Natureza. movimen to. Est abelece nítida distinção entre as populações "bárbaras" e a polis grega. ambos escrito s enquanto Platão ainda vivia. que examina conceitos gerais relativos ao mundo físico (natureza. tempo etc. que complementa m os Tópicos e investigam os tipos principais de argumentos capciosos. os termos da linguagem. compreendendo: a Física. O que restou da grande obra A partir de declarações do próprio Aristóteles. imitados d os de Platão. na medida em que se re flete na doutrina do movimento.C . que o considerava politicamente suspeito. os Tópico s. elaborada por Aristóteles. os Analíticos (Primeiros e Segund os). sendo impossível transferi-lo para outros povos. o Sobre a Filosofia apresenta uma concepção cosmológica de cunho finalista e teológico. que eram lições destin adas aos alunos do Liceu. na Eubéia. o universo é aí explicado não à semelhança de uma obra de arte — resultado da ação de vino artesão. que estudam os elementos do discurso. co m distintas potencialidades. um princípio imanente que Aristóteles denomina "natureza" (physis). particularmente a teoria dos números ideais. a Aristóteles. O Organon inclu i: as Categorias. ou seja. pois a única a permitir ao homem uma vida verdadeiramente boa segundo os princípios morais e a justiça. o Sobre o Céu (De Coelo) e o Sobre a Geração . que caracterizara a úl tima fase do platonismo. que dirigiu a escola peripatética no séc ulo I a. As obras exotéricas. que se ocupam do raciocínio formal (silogismo) e a demonstração científica. Dos Argumentos Sofísticos. Depois da morte de Alexandre. Sobre a Interpretação. somente esta sendo uma comunidade perfeita.C. à seme lhança do Fédon de Platão. Em parti cular.C. Apesar da estima que Alexandre parece ter devotado sempre a seu antigo mes tre. e os escritos ditos filosóficos ou científicos. As obras de Aristóteles chamadas acroamáticas. que trata do juízo e da proposição. que expõem um método de argumentação geral. e sim como um organismo que se desenvolve graças a um dina mismo interior. uma barreira os distanciava: Aristóteles não concordava com a fusão da civilização gr ega com a oriental. Protótipo de uma espécie de obra que se t ornou muito apreciada pelos antigos. compostas para um audi tório de discípulos. aplicável em todos os setores. em 323 a. um elogio da vida contemplativa e um convite à filosofia. muitos dos quai s reunidos sob um título comum (como é o caso da Física). destinadas à publicação. sabe-se que ele realizou dois tipo s de composições: as endereçadas ao grande público. remonta a Andrônico de Rodes. os tratados de lógica cujo conjunto recebeu a denominação de Organon — já que para Aristóteles a lógica não seria parte integrante da ciência e da filosofia. esse diálogo foi mais tarde imitado por Cícero (106-43 a. tratava da imortalidade da alma — e de Profético. gregos e orientais eram naturezas distintas. apresentam-se sob a forma de pequenos tratados. o demiurgo —. Após o Organon. no qual combate a teoria p latônica das idéias. De dois desses diálogos. mas. e não deveriam coexistir sob o mesmo regime político. A ristóteles estava profundamente convencido de que o regime político dos gregos era i nseparável de seu temperamento. Aristóteles escreveu o diálogo Sobre a Filosofia. desde a Antigüidade. Depois que deixou a Academia e durante o período em que esteve em Assos.). infinito. A arrumação desses tratados de m odo a constituir as séries que integram o conjunto das obras de Aristóteles — o Corpus aristotelicum —.C. tanto nas di scussões práticas quanto no campo científico. Acusado de im piedade.) no seu Hortensius — a obra que despertará a vocação filosófica de Santo Agos tinho (354-430). lugar. embora c onstituam pequena parcela do total que é atribuído. que transpôs para toda a Natureza categorias explicativas pertencentes originariamente ao domínio da vida. Como o Timeu de Platão. Uma primeira série de tratados refere-se ao mundo físico.l da própria visão científica e filosófica de Aristóteles. vazio. Aí morreu no ano de 322 a. ao contrário do que propunha P latão. mas apenas um instrumento (organon) que elas utilizam em sua construção. Delas restaram apenas fragmentos. ficaram vestígios mais ponderáveis: do Eudemo — que. a noção de espécies fixas — sugerida pela observação do mundo vegetal e animal — exerc rá decisiva influência sobre a física e a metafísica aristotélicas. Aristóteles passou a ser hostiliza do pela facção antimacedônica. O conteúdo do Corpus aristotelicum apresenta uma distribuição sistemática: Primeiro. redigidas em forma mais dialética do q ue demonstrativa. Estas últimas foram as únicas que se conservaram. eram freqüentemente diálogos.

a elaborar sucessivas e cada vez m ais aprofundadas concepções. certamente contribuiu para que. Mostrando a chave desse processo. a verdade de seu sistema filosófico — Aristóteles pretende então julgar as fil osofias de seus predecessores. antes de para eles p ropor sua solução. Situados após os tratados relativos ao m undo físico. o apelo constante à evolução dos problemas. assim chamada porque o filho de Aristóteles foi quem p rimeiro a editou. Na verdade. o pensamento aristotélico. contendo o registro de múltiplas e minuciosas observações. editada por seu discípulo Eudemo de Rodes. da qual restou apenas fragmento. As soluções propostas por outros pensadore s são previamente analisadas e criticadas — e dessas críticas Aristóteles parte freqüentem ente para a formulação de suas próprias concepções. à arte da argumentação ou dialética exposta nos Tópicos (Organon). aliás . Já a Grande Moral (Magna Moralia) seria um resumo da mesma Ética. com base numa explicação dos próprios motivos que teri am levado os homens. mais tarde alguns segu idores de Aristóteles — continuando o trabalho iniciado pelo próprio mestre — coletarão te . apresenta-se como seu ponto terminal: em sua obra. A seqüência de obras dedicadas à filosofia teórica ou especulativa é encerrada por c atorze livros sobre a filosofia primeira. estudos sobre o mundo sideral e o sub lunar. Mas da série relativa aos seres vivos a obra principal é a História dos Animais.) e geralmente conhecidos sob a denominação latina posterior de Parva natura lia. a res piração etc. as tentativas do passad o teriam atingido plena e satisfatória formulação. pela primeira vez.e a Corrupção (De Generatione et Corruptione). no Corpus aristotelicum. Devido ao interesse do Liceu por assuntos históricos. Por outro lado. Das várias versões existentes da ética aristotélica. To avia aquele aspecto sistemático e a aparente fixidez foram reapreciados por modern os historiadores da filosofia que — sobretudo a partir de Werner Jaeger (1888-1961 ) — passaram a ressaltar a evolução interna revelada pelas idéias de Aristóteles. Xenófanes e Górgias. feito em época post erior. m ereceriam não propriamente complementações ou correções. sobretud o na Idade Média. Depois da filosofia teórica seguem-se. o Econômico e o Sobre Melisso. esses tratados receberam a designação geral de Metafísica. já que à luz de suas doutrinas é que. devido ao tema. como vasto conjunto enciclopédico no qual os mais diversos problemas são eluc idados de forma aparentemente definitiva. dele provém o primeiro esforço de explicação sistemática do desenvolvimento da s idéias filosóficas. a Ética a Eudemo é hoje geralmente considerada como u ma redação mais antiga da Ética de Aristóteles. particularmente em Platão —. o Corpu s aristotelicum apresenta a Poética. desde a Antiguidade. mas uma tentativa de encadeamento das diversas doutrinas anteriores. estreitamente vinculado ao aristotelis mo. Não apenas informações esparsas — como já haviam aparecido em escritos e outros filósofos. a memória. a principal é a Ética a Nicômaco. A obra denominada Política é na verdade um conjunto de oito livros que não apres entam encadeamento rigoroso. Em nome dessa verdade alcançada — a sua verdade. intemporal. Mas. que constituem. Por sua vez. desse modo. foram relacionados e inte rpretados os primeiros filósofos. relativos aos fenômenos atmosféricos. Seus textos. À Política segue-se a Retórica. mostrando-lhes as falhas e os equívocos. mas antes análises e comentários. que teria construído uma doutrina de âmbit o universal e de validade permanente. O surgimen to da história da filosofia está. confere a Aristóteles o título de primeiro historiador da filosofia. a quase totalidade das obras que foram preservadas). já na própria A ntiguidade tal denominação recebeu uma interpretação neoplatônica: aqueles livros abordari am questões referentes a um plano de realidade situado além do mundo físico. por isso mesmo. finalmente os Meteorológicos. O caráter sistemático que revestiu. os P roblemas. que se vincula. O Tratado da Alma (De Anima) abre a série de obras referentes ao mundo vivo. desde fases pré-filosóficas. Por fim. Aristóteles passasse a ser encarado como a grande autoridade em ma térias filosóficas e científicas: era o filósofo. as obras de filosofia prática: a Ética e a Política. A verdade e a história O Corpus aristotelicum apresenta o pensamento de Aristóteles com uma feição sist emática. como o Sobre o Mundo (De Mundo). Além desses trabalhos considerados autênticos. por isso m esmo. sobre os primeiros princípios e as primeiras causas de toda a realidade. sendo seguido de pequenos tratados sobre diferentes funções (a sensação. mesmo em obras de finalidade fundamentalmente didática (as acroamáticas. Aristóteles. ou seja. o Corpus abrange ainda alguns e scritos que a crítica revelou serem apócrifos.

é que. At ravés da dialética — feita de sucessivas oposições e superposições de teses — seria possível der do mundo físico (apreendido pelos sentidos e objeto apenas de opiniões múltiplas e . é natural que essa verdade supostamente absoluta seja utilizada para julgar a própria história dentro da qual t eria sido gerada. nem demoliam as tradições que serviam de justificativa à organização política e social vi gente. de senvolvê-los e conduzi-los à plenitude. a história da filosofia. Assim. Estes desenvo lviam. seu propósito parecia ser. Mas os historiadores modernos precisam realizar meticuloso esforço crític o para restabelecer o sentido original daquelas doutrinas. Essa parece ter sido uma das tarefas centrais a que se propôs Aristóteles — e d aí o cuidado em legitimar sua própria posição filosófica apelando para remotos antecendent es que. que construíra uma explicação particular do movimento. a partir do socratismo. por suas concepções metafísicas. o de abolir o "escândalo filosófico". natural. a eles Aristóteles não pretende se contrapor. volta-se para o passado e p rocura desvendar-lhe o sentido: a meta atingida pretende conter a razão de ser de todo o itinerário seguido pelas investigações humanas. tornou-se uma das fontes principais para a recuperação das doutrinas dos p ré-socráticos. conseqüentemente . portanto nos extremos orientais e ocidentais do mundo helênico —. Apresenta-as. ou seja. No caso de Aristóteles. na Atenas onde abrira o Liceu. E são motivos historicamente compreensíveis: Aristóteles procura alicerçar sua própria filosofia no consenso geral. das mudanças históricas. um motivo fundamental: co mo em todas as histórias da filosofia que serão desde então produzidas. feito segundo pontos de vista ari stotélicos. avessa às convenções sociais. Toda a obra de Aristóteles está. Mas há outros motivos que levam Aristóteles a partir sempre do passado e fazer a história dos problemas que investiga. por isso mesmo. preparando-a. e sim preservá-los. existe por trás da história da filosofia contida nas obras de Aristóteles uma filosofia que a predet ermina. chamado "doxografia". por isso mesmo. porém. extraindo-o de sob in terpretações aristotelizantes. Da dialética à lógica Platão ensinava na Academia e nos seus Diálogos que a compreensão dos fenômenos qu e ocorrem no mundo físico depende de uma hipótese: a existência de um plano superior d a realidade. já res ultara em perseguição para Anaxágoras e em morte para Sócrates. Muitos desses historiadores insistem nas "deformações" so fridas pelas idéias dos outros filósofos quando reportadas e analisadas por Aristótele s e pelos doxógrafos aristotélicos. sensata (po is baseada no senso comum). A grande quantidade de citações de outros pensadores e a freqüente utilização da tradição poética para corroborar suas teses filosóficas parecem ser ambém indícios daquele cuidado. atingido apenas pelo intelecto. antes. dando-lhes forma definida e fundamentos raci onais. se o aristotelismo formula uma verdade válida univer sal e intemporalmente — como Aristóteles parece acreditar —. no consensum ge ntium et temporum. da transformação e. Justamente porque ela se concebe como progressivamente prepara da através do tempo (pelas "antecipações" dos pensadores precedentes). essa filosofia é naturalmente o próprio aristotelismo. particularmente. e constituído de formas ou idéias. nem manifestem absoluta originalidade. Tal "deturpação" tem. ao contrário. desde fases anteriores às especulações teóricas. garantem-lhe o caráter de posição espontânea. Ele não pretende que suas idéias representem renovações abso lutas. que ali mesmo. não faz fi losofia para chocar a mentalidade corrente. ao eclodir . arquét ipos eternos dos quais a realidade concreta seria a cópia imperfeita e perecível. num suposto acordo subjacente às opiniões das diversas p essoas nas diferentes épocas. Passada a fase da dramátic a penetração das idéias filosóficas em Atenas — antes desenvolvidas em terras da Jônia ou da Magna Grécia. em última instância.xtos e alusões às doutrinas dos filósofos mais antigos. como a f ormulação acabada de conceitos que a humanidade vinha progressiva e espontaneamente elaborando. porém. Essa a causa fundamental de o a ristotelismo "aristotelizar" a história da cultura e. com pretensão de plenitude e de validade intemporal. na época. uma filosofia como a dos cínicos. animada por forte senso de u nidade do mundo da cultura e pelo historicismo ditado. Aristóteles. parec ia necessário mostrar que aquelas idéias não se opunham fundamentalmente ao senso comu m. Do mesmo modo poder-se-ia explicar a importância que e le atribui aos provérbios: resumos de antiqüíssima sabedoria e frutos da longa experiênc ia da humanidade. Esse levantamento das opiniões d os primeiros pensadores. uma ética baseada no ideal de retorno à natureza autênt ica do homem e. Aristóteles não quer que sua vi são-de-mundo pareça paradoxal aos olhos do homem comum ou em confronto com a tradição — ao contrário do que pretendia.

todavia. Essa concepção da d ialética como uma "ginástica do espírito". Mas desde que seja abolida a sustentação do conhecimento n o Bem não-hipotético. é o que Aristóteles investiga nos Analíticos. mas incapaz de chegar à certeza sobre as coisas. A dialética era. o próprio guarda em relação àquela essência uma ependência necessária ("A soma dos ângulos internos de um triângulo equivale a 180o"). útil como fase preparatória para o conhecimento . Mas a lógica aristotélica nasce num meio de re tóricos e de sutis argumentadores. a espécie. justifica a concepção aristotélica da história e. Ou quando as opiniões dos antecessores preparam e dão lu gar à verdade que somente seria alcançada pelo pensamento aristotélico. quando se mostra sua caus a. essa superessência era a garantia última da certeza do conhecimento. Aristóteles estabelece ainda a distinção entre cinco tipos possíveis de atributos: o gênero. e nquanto o acidente pode ou não pertencer ao sujeito. portanto. O próprio e o acidente são atributos que não fazem parte da essência do s ujeito. transmutando em verdade o que fora inicialmente uma tessitura de afirmações apenas prováveis. O projeto aristotélico torna-se. o de forjar um instrumento mais seguro para a constituição da ciência: o Organon. permanecendo no âmbito da probabilidade. partir de uma análise da linguagem corrente.mutáveis) à contemplação dos modelos ideais (objetos da verdadeira ciência). não lidando com as próprias coisas mas com as opiniões dos homens sobre as coisas. Novas e adversas circunstâncias históricas —resultantes da perda da liberdade política da Grécia — impedirão o otimismo que fizera Platão fundamentar o conhecimento científico n o Bem. Aristóteles justamente já teria percebido que a dialética platônica só se comprometi a com a certeza em última instância — o que conferia ao platonismo sua inquietação permane nte e sua flexibilidade. todavia. ou se é afirmado (ou negado) de apenas parte do sujeito ("Alguns homens são gregos"). portanto. O estabelecimento dessa s normas confere a Aristóteles o papel de criador da lógica formal. se o atributo é afirmado (ou negado) do sujeito como um todo (por exem plo: "Todos os homens são mortais"). O gênero refere-se à classe mais ampla a que o sujeito pode pertencer ("O homem é um animal"). a diferença. então. Por que Sócrates é mortal Aristóteles concorda com Platão ao considerar que só pode haver ciência do univers al. pois realiza uma extraordinária simplificação no universo da linguag em: toda proposição seria o enunciado de um juízo através do qual um predicado é atribuído a determinado sujeito. para identificar seus diferentes usos e. ligando-se a ele de modo cont ingente e podendo ser afirmado de outros tipos de sujeitos ("Este homem é magro"). quando o l se transforma em certeza. . já a espécie constitui a síntese do gênero e da diferença ("O homem é anim al racional"). entendida como a parte da lógica que prescreve regras de raciocínio independentes do conteúdo dos pens amentos que esses raciocínios conjugam. terreno propício à frutificação de teses relativistas e céticas. deixando-o. mais tarde. isto é. No ápice da pirâmide de idéias. possuir normas de pensamento qu e permitam demonstrações corretas e. seguidores de Platão da fase cha mada Nova Academia serão alguns dos principais representantes do ceticismo antigo. Essa necessidade torna-se evidente a penas quando se apresenta a explicação daquela asserção. Mas o conhecimento do universal e necessário implica a consciência das razões que tornam necessária uma determinada afirmativa. de modo a exprimir um raciocínio que preten da concluir por uma afirmativa necessária. não pode atingir a verdade. Faz-se necessário. sob a constante ameaça do relativismo. enumerar os diversos sentidos atribuídos às palavras empregadas nas discussões. procurando inclusive evitar os equívocos que resultam da designação de coisas diferentes através do mesmo nome (homônimo) ou da mesma coisa por meio de diversas palavras (sinônimos). o platonismo irá se revelar. A teoria das proposições apresentada no Sobre a Interpretação baseia-se numa tese de amplo alcance. As proposições podem então ser classificadas em universais ou pa rticulares. uma construção marcada pela índole hipotética da matemática que inspirou o platonismo. ao mesmo tempo. irretorquíveis. o próprio e o acidente. na formulação dos integrantes da Nova A cademia. O encadeamento rigoroso de proposições. da história da filosofia: a história — inserida no domínio da dialética — é útil e indispensável na medida em que conduz à sua própria superação. Eis po r que as Categorias abrem o Organon com pesquisas sobre as palavras. em particular. pois não dizem o que ele é. porém. a diferença é que permit e situar o sujeito relativamente às subclasses em que se divide o gênero ("O homem é a nimal racional"). Nele a dialética é reduzida à condição de exercício ment e. torna-se necessário. Para se atingir a certeza científica e construir um conjunto de conhecimento s seguros. Tanto que. segundo Aristóteles.

As definições buscadas pelo conh ecimento científico não devem ser simples esclarecimentos sobre o significado das pa lavras. Mas a ciência não pretende. segundo Aristó eles. ser dotada apenas de coerência interna: ela precisa ser construída pelo perfei to encadeamento lógico de verdades. a especulações metafísicas. mostrar um liame necessário que. que realmente existe. Sócrates é imortal"). Lógica e argumentação retórica A tentativa de ultrapassar o caráter hipotético da dialética platônica não constitui toda a dimensão do empreendimento lógico de Aristóteles. cada ciência afi rma a existência de certos objetos — o que não pode ser feito por demonstrações. Justamente porque deve apresentar um elo essenc ial e necessário entre gênero e diferença é que não pode haver. mas que parta de premissas verdad eiras. mas não afirma que ela é. verdades que constituem os princípios da ciência. o sil ogismo seria um raciocínio no qual. mas sim enunciar a constituição essencial dos seres. Os axiomas seriam comuns a todas as ciências. Esse mecanismo funciona com rigor. Como qualquer indivíduo. já que "branco" é acidente. partindo-se das premissas "Todos os hom ens são mortais" e "Sócrates é homem" — conclui-se fatalmente que "Sócrates é mortal". os axiomas. explorar o signif icado de uma palavra: seria assumir uma hipótese. determinadas coisas sendo afirmadas. ma s não pode ser jamais definido. Todo o mecanismo silogístico repousa no pape! desempenhado pelo chamado term o médio ("homem"). um atributo não-essencial d e "homem". Mas Aristóteles considera insuficiente esse pro cedimento platônico. para não ficar restrita ao domínio das palavras e para atingir a realidade das coisas — constituindo um instrumento para a ciência d a realidade — remete. os conhecimentos anteriores à demonstração seriam ou verdades in demonstráveis. Assim. com Aristóteles tem i nício o esforço sistemático de exame da estrutura do pensamento enquanto capaz de forj . poder-se-ia obter a definição de uma espécie por sucessivas divisões d o gênero em que ela estiver contida. Desse modo. Com sua doutrina do silogismo. o conhecimento demonstrativo passa a pressupor um conhecimento não-demonstrativo. que fornece a razão do que é afirmado na conclusão: porque é homem. Pela mesma razão não pode haver definição essencial dos indivíduos: define-se " homem". que se pode aplicar o silogismo a prop osições falsas. o mais próximo daquela espécie . não deixando margem a qualquer opção. por exemplo. à diferença específica ("racional"). por exemplo) e que são utilizadas como teses. A con clusão resulta da simples colocação das premissas. sem prejuízo para a perfeição formal do raciocínio ("Todos os homens são imor ais. Com efeito. mais do que apresentar uma tese. A lógica. apresenta ndo um encadeamento que segue uma direção incoercível. Desde que a demonstração baseia-se em pressupostos que ela mesma não sustenta. desenvolvendo-se dedutivamente com rigor lógico. Assim. Definir "homem" como "a nimal racional" significa. o silogismo que equivale à demonstração científ ica deverá ser um raciocínio formalmente rigoroso. portanto. Sócra tes é mortal. antes per manecendo na dependência de uma reflexão sobre o que existe enquanto apenas existe. O individual — Aristóteles concorda com Platão — não é objeto de ciência. Isso significa. segue-se inevitavelmente outra afirmativa. que se impõem a qualquer sujeito pensante e que se aplica m a qualquer objeto de conhecimento (como o princípio de contradição. pois as dicotomias sucessivas colocam opções sem determinar neces sariamente qual dos dois rumos deve ser tomado. mas impondo-se com absoluta necessidade. Através de hipóteses. sobre o "ser enquanto ser". não é suficiente que ela parta de axio mas e teses. ou seja. porém. através do método da divisão. independentemente do conteúdo das p roposições em confronto. Aristóteles considera que não basta à ciência ser internamente coerente: ela deve também ser ciência sobre a realidade.Platão. de modo não discursivo mas imediato. no cas o da espécie "homem". A definição nominal diz apenas o que uma coisa é. Para Aristóteles. logo. mas não se define "Sócrates". De fato. rumo à conclusão. para Aristóteles. ou então seriam definições nominais que explicita o significado de determinado termo ("triângulo". Sócrates é homem. ou seja. procurava chegar a definições: como exemplifica no diálogo Sofista. enquanto as definições nominais diriam respeito a setores particulares da investigação científica. já que são simplesmente postas como pontos de partida para uma demonstração. Afi rmar a existência seria. A ristóteles pretende resolver os impasses criados pela simples dicotomia. definição essenc al de "homem branco". assim. que afirma que t oda proposição ou é verdadeira ou é falsa). liga determinado gênero ("animal"). capaz de atingir. "Sócrates" pode ser descr ito minuciosamente em seus caracteres peculiares — por isso mesmo não universais —.

que cada qual manifestaria diversamente. por meio de um raciocínio coagente e impesso al. o gênero. O universal seria. que justamente conduziria — num encaminhamento contrário ao da dedução — do par icular ao universal. Todos os tipos de pássaros. volta-se par a a linguagem corrente. permanece-se no âmbito do discurso não-formalizado — e talvez não-formalizável —. Ao contrário de Platão. Mas isso significa que os conceitos utilizados pelas diversas ciências estariam dependentes. assim. usando os dados fornecidos pela s ensação. A part ir dessa realidade — isto é. mas sim a estrutura inerent e aos próprios objetos: a estrutura básica comum aos diferentes pássaros existentes é qu e estaria expressa. Esses universais subsistiriam independentemente de seus reflex os passageiros e apenas aproximados. O q ue se pretende não é obter uma conclusão necessária. da observação de vários seres concretos da mesma espécie: os pássaros de diversos tip os). legitimamente operar. de uma investigação que fosse além dos respectivos campos dessas ciências e pe netrasse na estrutura íntima dos seres enquanto simplesmente são. assim. "O ser se diz em vários sentidos" A construção de definições científicas através do relacionamento entre gênero próximo e ferença específica pressupõe um meticuloso levantamento dos seres. ele não é criação subjetiva: estaria fundamentado na estrutura me sma dos objetos que o sujeito conhece a partir da sensação. Essa corrente. portanto. justificadas pela especulação metafísica. Mas se o universal existe apenas no espírito humano. considerando-os uma desnecessária duplicação da realidade sensível. construiria conceitos. a indução. do tempora l. a garantia de que os concei tos não são meras convenções do espírito humano e de que a lógica — o instrumento que permite a utilização científica desses conceitos — estaria fundamentada na realidade. Platão. Para el e. então. portanto. no conceito "pássaro". do inter subjetivo porque do dialógico. uma explicação de como o suje ito pode partir de dados sensíveis que lhe mostram sempre o individual e o concret o. as idéias. No caso dos seres vivos. considerava os objetos par ticulares e concretos como cópias imperfeitas e transitórias de modelos incorpóreos e eternos. Aristóteles não considera o universal como algo subsistente e. p or exemplo. por via indut iva. a única realidade é esta constituída por seres singulares. para chegar finalmente a formulações científicas. que pode existir na mente humana como resultado final. Mas a teoria da prova racional contida na si logística dos An alíticos — e que serviu de ponto de partida da longa tradição da lógica formal. revelariam uma estrutura básica comum. do circunstancial e portanto do histórico. buscando descobrir os requisitos da persuasão. em sua hierarquia e subdivisões. Justamente porque nascida num ambiente cultural onde a eloqüência desempenhava decisivo papel político. sobre a qu al ela pode. P rocura estabelecer as condições de mais força persuasiva de determinado argumento. so b a forma de conceito. Por isso . substancial. retomada e desenvolvida no século XX sobretudo pela Nova Retórica de Chaïm Perelman. a partir do conhecimento empírico — é que a ciência deve tentar estabelecer definições essenciais e atingir o universal. então. o resultado de uma atividade i ntelectual: surge no intelecto sob a forma de um conceito (o conceito "pássaro". Esta é que a final poderia — como estudo do ser enquanto ser — revelar aquela estrutura inerente a qualquer ser e a partir da qual o intelecto. de Dos Argumentos Sofísticos e da Retórica. irretorquível e universal (à semelhança o que pretende o silogismo perfeito). baseado em acuradas observações. informal. o universo lógico de Aristóteles é b em mais amplo.ar provas racionais. . Aristóteles e os integrantes do Liceu realiza ram esse trabalho prévio de classificação sistemática. Ari stóteles também é ponto de partida da corrente que investiga outro tipo de comprovação rac ional: a comprovação do tipo argumentativo ou persuasivo. por exemplo. A repetição das observações dos casos particulares permitiria uma operação do intelect o. concretos mutáveis. A metafísica seria. Pude ram verificar. Como autor dos Tópicos. Aristóteles rejeita a transcendência dos arquétip os platônicos. que as diferentes espécies se apresentam como variações de um mesm o tema. que é seu objeto próprio. que são verdadeiramente científicas n a medida em que são necessárias e universais. Os conceitos reproduziri am não as formas ou idéias transcendentes ao mundo físico. As ciências voltadas para o mundo físico seriam. Toda a teoria aristotélica do conhecimento constitui. assim. em última instância. mas obter ou fortalecer a adesão de alguém a uma tese que lhe é proposta. universalizadamente. que evolui u até a atualidade — não representa o único aspecto importante da investigação aristotélica n domínio da linguagem e da prova. movido pela índole matemática de seu sistema.

o movimento Desde o seu começo. ser classificadas. de cada natureza. os demais existentes). A qua lidade "amarelo" é uma virtualidade da folha. Essa noção era interpretada por Pa rmênides e pelos seguidores da escola eleática de modo unívoco: no seu poema Sobre o s er. Os atomistas (Leucipo e Demócrito) quebraram e ssa unicidade do ser eleático quando afirmaram que tanto era ser o corpóreo (os átomos ) quanto o incorpóreo (o vazio). no caso o escultor. atualiza suas respectivas e limi tadas potências: o movimento dura enquanto dura a virtualidade do ser. aquele que faz o objeto. em pensa dores pré-socráticos como Anaximandro de Mileto ou Empédocles de Agrigento. Enquanto Heráclito de Efeso afirmava a mudança permanente de to das as coisas. o que seria absurdo. cada qual. ou uma ação (escrever). em ato. ou ainda uma posição (sentado). e noutra ocasião manifestasse caracte rísticas diferentes: se uma folha verde torna-se amarela é porque verde e amarelo são acidentes da substância folha (que é sempre folha. Cada existente surge assim como um jogo. em variadas proporções. A causa formal está intimamente liga da à final. entendendo-o não como um nada ou como o vaz io: o não-ser seria o outro. a alteridade que sempre complementa o mesmo. na fase final de sua obra (particularmente no diálogo Sofista). que num certo momento se atualiza. Assim. que o concebe de modo único e absoluto — im pedindo a compreensão racional do movimento e da multiplicidade — pela concepção analógica : o ser seria análogo. Substitui. a identi dade. Aristóteles se apresenta como adver sário do evolucionismo. que lhe permite fazer uma distinção fundamental: ser não é apenas o que já e iste.A metafísica aristotélica reformula a noção de ser. dotado de diferentes sentidos. num dado momento. porém os modos de ser são vários e os acidentes podem significar uma quantidade. de cada ser . causa é tudo o q ue contribui para a realidade de um ser: é tanto a causa material (aquilo de que u ma coisa é feita: o mármore de que é feita a estátua). então. como ainda a causa eficiente (o agente. Essa contradição Aristóteles pretende evitar através da interpretação analógica da noção de ser. Mas a solução atomista permanecia no plano da física e não atingira toda a dimensão da questão levantada pelo eleatismo. Assim. a potência. ou u m estado (vestido.C. ou uma relação (dupl o. cessando quando o ser expande suas potencialidades e se atua liza plenamente.) afirmava que "o que é — é o que é". A potência. pois a multiplicidade significaria a admissão da exis tência do não-ser. independente de sua coloração). ser é também o que pode ser. menor. ou então uma paixão (estar doente) . o movimento. apresentav a todo o universo como animado por uma transformação contínua. Para fundamentar a ciência o mundo físico — mundo múltiplo e mutável — seria preciso romper mais fundo com o eleatism o. ou o quando. e que o levou a talhar o bloco de mármore para dele fazer uma estátua de homem).C. Para Aristóteles. segu ndo várias categorias. pois seria sempre em vista de um fim que os seres (naturais ou artefei tos) são criados e se transformam: a finalidade é que determinaria o que os seres são . equipado). ou o onde. Para Aristóteles o moviment o existe circunscrito às substância que. não de cavalo). o ato. Mas Aristóteles não aceita a doutrina do transformismo universal que. no século VI a. considera o ser e o não-ser como dois dos gêneros supremos dentro da hierarquia das idéias. isto é. poder-se-ia compreender que uma substância apresenta sse. qualquer termo que designa algo que é. concluindo que o ser era necessariamente único. E o im portante é que Platão renova a noção de não-ser. certas características. Dentro da metafísica aristotélica. E essa passagem da potência ao ato é que constitui. a virtualidade. a concepção unívoca de ser. Parmênides apontava a contradição que existiria entre a noção de ser e a noção de movimento. Essas diversas acepções do ser poderiam. segundo Aristóteles. Platão retoma o proble ma e. quanto a causa formal (que define o objeto. como também a c ausa final (a idéia da estátua. Em nome da noção de espécies fixas. Parmênides de Eléia (século VI a.distinguindo-o dos demais: estátua de homem. atual izando potencialidades de determinada matéria). pai e filho). do mesmo (o q ue ele é) com o outro (o que não é ele. por um único fluxo que in terligava as várias espécies num mesmo processo evolutivo. da maneira mais ampla. existente como projeto na mente do escultor. a especulação filosófica grega ocupou-se do pr oblema do movimento. designa ou uma substância (um ser) ou um acidente (um modo de ser). ou uma qualidade. segundo a teoria de Aristóteles. sem cont rariar qualquer princípio lógico. a doutrina do ato-potência acha-se estreitame nte vinculada a determinada concepção de causalidade. Aristóteles não considera satisfatória a solução platônica.

aos demais seres da mesma espécie (tornando-o uma das aves existe ntes). Quer na natureza. a causa formal é separada. como uma estrutura que o identificava (fazendo-o. na continuidade de um único fluxo universal. p ura forma — a matéria é a sede das potências — esse primeiro motor imóvel existiria como pen samento autocontemplativo: como "um pensamento que se pensa a si mesmo". que cessa ao cessar a interferência daquele motor: retirado do lugar que . como a procura do bem ou da felicidade. mas simplesmente "ave") . segun do a qual cada ser ocupa. part icularizadamente. Aristóteles justifica e defende. Num universo regido pela finalidade. a escravidão. o éter. forçado a abandoná-lo sob a ação de um agente. para Aristóteles. que a alma alcança ria apenas quando exercesse atividades que permitissem sua plena realização. o mais atualizado movimentando o menos atualizado. nas idéias políticas. das características acidentais do objeto e passa a existir no sujeito. o objetivo primordial da investigação ética seria o de descobrir a causa verdadeira da existência humana. portanto. e que Aristóte les chama de Deus. todo o universo como r egido pela finalidade e torna os vários movimentos (atualizações das virtualidades de diferentes naturezas) interdependentes. cada qual movimentando-se em função da esfera imediatamente supe rior. ao mesmo tempo que o assemelhava. embora s empre inerentes aos indivíduos. Antes existia no objeto concreto. Assim. ces sado o efeito da força que a impulsionou). Contrário à visão evolucionista. espí ito conservador. universalizada. Incorpóreo. e caracterizada por movi mentos circulares e contínuos. uma ave e não um peixe). nem sequer o conhece: conhecer algo fora de si imp licaria atualização de uma potência e. definitivamente. Como já afirmavam os pitagóricos. todavia. analog mente é sempre a causa final que rege os movimentos do universo. movendo-o como causa final: "como o amado atrai o amante". a forma passa a existir na mente do sujeito. Não cria o universo. e a supralunar. Ato puro. que é eterno. constituída pelos quatro elementos herdados da cosmologia de Empédocles — a água . As relações metafísicas matéria-forma. que a potência por si só conduza ao ato. Haveria uma ação encadeada e hierarquizada dos vários motor es. lhe está reservado. Cada um dos elementos do mundo sublunar teria seu " lugar natural" e. A imobilidade do primeiro motor O conjunto do universo físico estaria dividido em duas regiões distintas: a su blunar. este imóvel (para ser o primeiro). Essa sucessão de motores-móveis terminaria — já que o univers o seria finito — num primeiro motor. Concebe. o mundo supralunar estaria constituído por uma sucessão de esferas. como um conceito universal (não mais ave de determinada família. seriam imutáveis e incriadas. bico fino. em decorrência. pelo intelecto . constituída por uma "quinta essência". freqüente nos pré-socrático Aristóteles não admite que o mais possa vir do menos. quer na arte. por exemplo) torna-se capaz de gerar um ser semelhante a ele. por exemplo. depois de abstraída dos aspectos materiais e individualizantes (cor branca. aquela caus a é vista.). funciona c omo motor daquela transformação. então. pescoço longo etc.ou vêm a ser. por exemplo. todo movimento (tanto deslocamento quanto mudança qualitativa) constitui. pois do contrário se moveria. executa um "movimento v iolento". potência-ato comandam a explicação aristotélica homem. o ar. que serve de sugestão à doutrina metafísica das di erentes naturezas que se movem circunscritas às suas potencialidades. Nesse sentido. imperfeição e incompletitude. que o superior provenha do inf erior. apesar das peculiarida des individuais. a terra e o fogo — e caracterizada por movimentos retilíneos e descontínuos. a forma preexiste ao ser que é gerado: o ser atualizado (o homem adulto . Do mesm o modo que o universo físico estaria constituído por uma hierarquia inalterável. o Deus aristotélico paira acima do universo. reflete-se n a concepção aristotélica da alma e. plenament e atualizada e. No processo do conhecimento. sem fundi-los. Como a intenção do escultor é que comanda a transformação do mármore em estátua. entendidas como tipos de organização biológica. Assim. Cada ser atualiza ria suas virtualidades devido à ação de outro ser que. as formas . que já possuía a idéia da estátua. portanto. o corpo tende a voltar a seu lugar natural (jogada para o alto — movimento violento — a pedra tende "naturalmente" a cair. um lugar que lhe seria destinado pela . por sua natureza. A noção biológica de espécies fixas. por Aristóteles. que atua como motor. a atualização da potência de um ser que somente ocorre devido à atuação de um ser já em ato: o mármore transforma-se na estátua que ele pode ser graças à interferência do escultor. possuindo-as em ato. Também na ração natural.

PESSANHA.C. A. 1962. Paris. 332 a. B. — Incursão de Alexandre até as margens do Indo.C. Paris. tradução sob a direção de J. em francês. 1908-1931. Nova Yor . ROBIN. D. TAYLOR.C. VUILEMIN. — Platão funda a Academia em Atenas. 333 a.: Platon et Aristote. — Filipe é assassinado e Alexandre ascende ao trono da Macedônia. Editions du V ieux Colombier.: Aristotle. 1967. ex-integrant e da Academia. na Calcídia. 1910. 336 a. franc. Ed. BRUN. Oxford. J.: De Ia Logique ã Ia Théologie.C. Tricot. — Hérmias é assassinado. Aristóteles deixa Atenas. MOREAU. 1923 (trad. Oxford.Smith e W. ano V.C.C.C. onde funda o Liceu. J. Cronologia 387 a. PAUL Aristote ou Ia Raison sans Démesure. — Em Pela. 1957). depois o Egito. 384 a. na corte do tirano Hérmias. Paris.: Aristotle. capital da Macedônia. 343 a. sendo destituído por completo de alma noética. 1956. logo em seguida. — Alexandre desembarca na Ásia Menor.C. 1937. E. Paris. Paris. Librairie J. 334 a.C. — Alexandre morre na Babilônia. W.Natureza (e do qual ele só se afasta provisoriamente através de movimentos violento s). JOSEPH: Aristote et son École. E SANTILLANA. M. — Aristóteles morre em Cálcis. Vrin. ENRIQUES. 323 a.C. Alcan. Pari s. 1955. Ross. Paris. PHILIPPE.C. 338 a. La Colombe. — Aristóteles permanece em Assos. n. Buenos Aires. 1946.C. 1963. Edit orial Sudamericana.: Arístotelismo e Historicidade (Boletim de História da Faculdade Nac ional de Filosofia. — Os macedônios derrotam os gregos em Queronéia. MORRAL. GRENET. A. D. Hermann Éditeurs. WERNER. 1985. Aristóteles vai para Pela e torna-se preceptor do jo vem Alexandre. D. A. Presses Universitaires de France. — Alexandre cerca e conquista Tiro.C.C. 335 a. — Nasce Aristóteles em Estagira. partindo de opiniões geralmente aceitas. 356 a. trad. 2a ed. CHAIM: Traité de I Argumentation.C. a parte d a alma capaz de fazer ciência e filosofia e que desvenda o sentido e a finalidade úl tima das coisas. Cinq Études sur Aristote.: Initiation à Ia Philosophie d'Aristote. F. diversas obras traduzidas por J.° 7). e entra na Fenícia. 367/66 a. 344/43 a. Flammarion. Paris. Editions Seghers. 347/44 a. filho de Filipe. j. invade a Grécia. R (The Wor of Aristotle). nasce Alexandre. — Morte de Platão. TÓPICOS Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim LIVRO I 1 Nosso tratado se propõe encontrar um método de investigação graças ao qual possamos raciocinar. JEAN: Aristote et le Lycée. — Aristóteles chega a Atenas e ingressa na Academia platônica.C. Brasília. Dover Publications. Presses Universitaires de France. assim também o escravo teria seu lugar natural na condição de "ferramenta animada" . é essencialmente escravo. região dependente da Macedônia. ilha do mar Egeu.C. UnB. esp. Paris. na Cilícia. 326/25 a. Presses Universitaires de France. e ital. LÉON: Aristote. 347 a. Bibliografia Traduções das obras de Aristóteles: em inglês. — A chamado de Filipe. — Aristóteles retorna-a Atenas. 1944. 344 a. G. — Filipe inicia seu governo na Macedônia e. sobre qualquer problema que n     . Rio de Janeiro. 359 a.C. CHARLES: Aristote e l'ldealisme Platonicien. na Eubéia. PERELMAN. Aristóteles chega mesmo a afirmar que o escravo é escravo porque tem alma de escra vo. Aristóteles deixa Assos. 1962. 322 a. Presses Universitaires de France.C — Alexandre vence em Isso. — Permanência em Mitilene.: Aristóteles. 1958. 1961.

Em primeiro lugar. o raciocínio é um argumento em que. ou quand o o conhecimento que delas temos provém originariamente de premissas primeiras e v erdadeiras: e. O raciocínio (c) é "contencioso" ou "erístico" quando parte de opiniões que parece m ser geralmente aceitas. O que precede deve entender-se como uma visão sinóptica das espécies de raciocínio . se apenas parece racioci nar a partir de opiniões que são ou parecem ser geralmente aceitas. por outro lado (b). é à luz das opiniões geralmente . podemos dizer que as distinções já feitas entre elas serão suficientes. Para o estudo das c iências filosóficas é útil porque a capacidade de suscitar dificuldades significativas s obre ambas as faces de um assunto nos permitirá detectar mais facilmente a verdade e o erro nos diversos pontos e questões que surgirem. em nenhuma das opiniões que chamamos geralmente aceitas. os primeiros merecem realmente ser chamados "raciocínios". o raciocínio é "dialético" quando parte de opiniões g eralmente aceitas. p ois não é nosso propósito dar a definição exata de cada uma delas. 2 Depois do que precede. pois. e não simplesmente "raciocínios". tanto no que se refere às que já discutimos como às que discutirem os mais tarde. mas na realidade não o fazem. Esses fins são três: o adestramento do intelecto. por todos. é evidente à primei ra vista. como acontece c om os princípios dos argumentos contenciosos. não são verdadeiros. Com efeito. visto que parecem ra ciocinar. Pois nem toda op inião que parece ser geralmente aceita o é na realidade. ou os mais notáveis e eminentes. devemos explicar o que é o raciocínio e quais são as suas variedades. de pois de havermos considerado as opiniões defendidas pela maioria das pessoas. pela maioria ou pelos mais eminentes —. ele não pressupõe opiniões que sejam admitidas por todos. nós as enfrentaremos não nos apoiando em convicções alheias. ou pelos filósofos — isto é. ou no traçado errôneo de certas linhas. ou. no tocante aos primeiros princípios da ciência. ou a maioria. A posse de um plano de investigação nos capacitará para argumentar mais faci lmente sobre o tema proposto. (a) O raciocínio é uma "d emonstração" quando as premissas das quais parte são verdadeiras e primeiras. De um modo geral. que partem de premissas peculiares às ciências especiais . e sejamos também capazes. São. do ponto de vista do nosso método de investig ação. mas nas delas próprias. e seu paralogismo se fundamenta ou numa falsa descrição dos sem icírculos. é útil porque. embora apropriados à ciência em cau sa. Ora. Tem ainda utilidade em relação às bases últimas dos princípios usados nas diversas ciências. o modo de proceder desse homem não se aj usta à definição. Desejamos apenas descre vê-las em linhas gerais. pois. Mais ainda (d): além de todos os raciocínios que mencionamos existem os paralo gismos ou falsos raciocínios. é descabido buscar mais além o porquê e as razões dos mesmos. nos quais a natureza da falácia é de uma evidência imediata. mas aos segundos devemos reservar o nome de "raciocínio s erísticos" ou "contenciosos". as disputas casuais e as ciênc ias filosóficas. e abaland o as bases de qualquer argumento que nos pareça mal formulado. o homem que traça uma figura falsa raciocina a partir de coisas que nem são primeiras e verdadeiras. basta que possamos reconhecer de algum modo cada uma delas. por outro lado. quando replicamos a um argumento. ou os filósofos — em outras palavras: t odos. ou a maioria das pessoas. então. Com efeito. de e vitar dizer alguma coisa que nos cause embaraços. pois. por exemplo. Ass im.os seja proposto. mas não o são realmente. ou pela maioria. São "verdadeiras" e "primeiras" aquelas coisas nas quais acredi tamos em virtude de nenhuma outra coisa que não seja elas próprias. nem tampouco geralmente aceitas. a fim de entender o rac iocínio dialético: pois tal é o objeto de nossa pesquisa no tratado que temos diante d e nós. na geometria e em suas ciências irmãs. devemos dizer para quantos e quais fins é útil este tra tado. Com efeito. como acontece. cada um dos primeiros princípios deve impor a convicção da sua verdade em si m esmo e por si mesmo. est a forma de raciocínio parece diferir das que indicamos acima. estabelecidas certas coisas. outras c oisas diferentes se deduzem necessariamente das primeiras. visto que os princípios são anteriores a tudo mais. pois é completamente impossíve l discuti-los a partir dos princípios peculiares à ciência particular que temos diante de nós. opiniões "geralmente aceitas" aquelas que todo mundo admite. Para as conversações e disputas casuais. mas con duz o seu raciocínio com base em pressupostos que. a ilusão é claramente visível. e cremos que. Que ele é útil como forma de exercício ou adestramento. dos argumentos erísticos que mencionamos. e em geral até mesmo para as pessoas de pouco entendimento.

aplicando-se como se aplica a uma classe (ou gênero). se nos expressarmo s assim: " 'um animal que caminha com dois pés' é a definição do homem. apl icar o qualificativo "definitório" a uma observação como "o 'decoroso' é 'belo'". E do mesmo modo em todos os outros casos. mas apenas que é deles que se formam tanto os problemas como as proposições. pois. Notese. Entretanto. à dialética. os elementos são quatr o ao todo. Porque. p ois. e (b) de que maneira poderemos estar bem supridos desses materiais. pois os debates a respeito de definições se ocupam as mais das vezes com questões d e identidade e diferença. os problemas e proposições são iguais em número. de acordo com nossa presente divisão. Uma "propriedade" é um predicado que não indica a essência de uma coisa. ou: "é 'animal' o seu gênero ou não?". bem as sim como à pergunta: "são a mesma coisa ou coisas distintas o conhecimento e a sensação? ". estamos munidos. Apresenta-se ou sob a forma de uma frase em lugar de um termo. ou de uma frase em lugar de outra fra se. contudo. por outro lado. Pois bem: os materiais de que partem os argumentos são iguais em número e idênti cos aos temas sobre os quais versam os raciocínios. "propriedade". teríamos alcançado suficientemente a nossa meta . nem o médico para curar. Se compreendêssemos (a) a respeito de quantas coisas e que espécie de coisas se ar gumenta. a saber: definição. Uma definição é uma frase que significa a essência de uma coisa. que não são idênticas é suficiente para lançá-la por terra. Naturalmente. de linhas de ataque no que se refere às suas definições: com efeito. se estamos em condições de afirmar que duas coisas são idênticas ou diferentes. não é?". di remos que o seu domínio da ciência é adequado. Aqueles cuja exp licação consiste apenas num termo. pois de cada proposição poderemos faze r um problema se mudarmos a estrutura da frase. e essa tare fa compete propriamente. Não se suponha que com isto queiramos dizer que cada um desses elementos enu nciado isoladamente constitua por si mesmo uma proposição ou um problema. Com efeito. podemos chamar "definitório" tudo aquilo que pert ença ao mesmo ramo de pesquisa que as definições. Pode-se. não é?". A diferença entre um problema e uma proposição é uma diferença na construção da frase. "gênero" e "acidente ". O que acabamos de dize r torna pois claro que. porém. e todav ia pertence exclusivamente a ela e dela se predica de maneira conversível. o resultado é uma proposição. por mais que façam. teremos demolido a definição. ou mais apropriadamente. ou uma peculiaridade. 3 Estaremos em plena posse da maneira como devemos proceder quando nos encon trarmos numa posição semelhante à que ocupamos face à retórica. enquanto os temas sobre os quais versam os raciocínios são "problem as". Pois o retórico não lançará mão de qualquer método para persua ir. ou: " anima l' é o gênero do homem. se não omite nenhum dos meios disponíveis. e de que materiais partem as argumentações. 5 Devemos dizer agora o que sejam "definição". entretanto. ou um acidente — já que também a diferença. 4 Em primeiro lugar. Em suma. devemos ver de que partes consta a nossa investig ação. mas se dissermos: "é 'animal q caminha com dois pés' a definição do homem ou não é?". como daquilo que é peculiar a uma coisa qualquer uma parte significa a sua essência e outra parte não. deve ser equiparada aqui ao gênero. Porque. Demonstrar. resultado é um problema. porquanto mostrar que as cois são idênticas não basta para estabelecer uma definição. e que todos os exemplos mencionados acima possuem esse caráter é evidente à primeira vista. os argumentos part em de "proposições". referindo-nos a ele como uma "propriedade". porque uma definição é sempre um certo tipo de frase.aceitas sobre as questões particulares que eles devem ser discutidos. Assim. gênero e acidente. que o contrário desta última afirmação não é válido. pela mesma fo rma de argumento. é . pois esta é um processo de crítica onde se encontra o caminho que conduz aos princípios de todas as investi gações. pois às vezes também é possível definir o significado de uma frase. à medicina e outras ciências u artes desse tipo: refiro-me à capacidade de fazer o que nos propomos mediante o uso dos materiais disponíveis. propriedade. toda proposição e todo problema indicam ou um gênero. vamos div idir o "peculiar" nas duas partes mencionadas e chamar "definição" à que indica a essênc ia. não conseguem dar a definição da cois a em apreço. Ora. e quanto ao restante adotaremos a terminologia geralmente usada a respeito d essas coisas. quando houvermos mostrado que elas não são idênticas.

quand houvermos mostrado que o atributo em apreço não pertence unicamente ao termo defini do. a posição se ntada é um acidente. em dado momento. e. ao afirmar que "animal" é o gênero do homem assim como do boi. ainda que. ao contrário. nem um gênero —. por exemplo. ser chamados "definitórios". porém jamais será uma propriedade no sentido absoluto. como. pois uma questão desse tipo também se inclui no mesmo ramo de investigação qu e o gênero: com efeito. D evemos. Um "gênero" é aquilo que se predica. Nada impede. pelo contrário. se A é um homem. A classe de "acidente" de vem ser também referidas todas as comparações de coisas entre si. é capaz de aprender gramática. é ainda assim uma propriedade relativamente aos que não estão. de um modo qualquer. teremos afirmado que essas coisas não pertencem ao mesmo gênero. como também observaríamos no caso de um acidente. ao passo que a segunda é por si mesma suficiente para nos ins truir sobre o significado essencial do termo em questão. e. (2) al go que pode pertencer ou não pertencer a alguma coisa. o que sejam "definição". sem que por isso a coisa de ixe de ser ela mesma. se n os fizessem tal pergunta. a pergunta: "é preferível o honroso ou o vantajoso?". é um homem. por exemplo. Das definições de acidente. Pois. pertence. o u "é mais agradável a vida virtuosa ou a vida dos prazeres?". em suma. firmados nas regras apropriadas a cada caso. e então. não sendo nada do que precede — isto é. teremos demolido a definição. mesmo que o encontrássemos. de modo que. 6 Não deve escapar à nossa atenção que todas as observações críticas que se fizerem sobre uma "propriedade" "gênero" ou "acidente" serão também aplicáveis às "definições". Devemos tratar como predicados na categoria de essência todas aquelas coisas que seria apropriado mencionar em resposta à pergunta: "que é o objeto que tens diante de ti?". como por exemplo. ou que o gênero indicado na d efinição não é o verdadeiro gênero. a "posição sentada" pode pertencer ou deixa r de pertencer a uma coisa idêntica a si mesma. o "sono" no caso do homem. quando expressas num a linguagem que. Com efeit o. e qualquer outro probl ema que seja formulado em termos semelhantes. A pergunta: "uma c oisa pertence ao mesmo gênero que outra ou a um gênero diferente?" também é uma pergunta "genérica". porém não do outro. e. e do mesmo modo se se tratar de uma propriedade. será prov . Mas nem por isso devemos esperar encontrar um método único de investigação que se aplique a todo s eles. teremos afirmado que eles pertencem ao mesmo gênero. É evidente qu e nada que possa pertencer a alguma outra coisa que não seja A é um predicado conver sível de A. pois todo aquele que adota r a primeira deverá saber de antemão. E do mesmo modo a "brancura". pois não é coisa fácil de encontrar. atribuído como propriedade em certas relações: constitui. embora ele não seja o único que esteja sentado. à coisa. Assim. e se mostrarmos. pois "estar ao lado direito" é uma propriedade temporári a. no caso do homem. que um a cidente se torne uma propriedade tanto relativa como temporária. ela não receberia tal nome em sentido absoluto. ou ainda que alguma das coisas mencionadas na frase não lhe pertencem. se a alguma coisa desse tipo se chamasse atualmente "pro priedade". na categoria de essência. se é capaz de aprender gramática. por exemplo. pois do fato de alguma coisa estar adormecida não se segue necessariamen te que seja um homem. só se possa pre dicar dele. mas como uma propriedad e "temporária" ou "relativa". ninguém chama de "propriedade" uma coisa que pode pertencer a algo diferente. como. pois nada impede que uma mesma coisa seja branca em dado momento e em outro momento não o seja. de várias coisas qu e apresentam diferenças específicas. Pois em todos esses casos a questão é: "a qual dos dois sucede que o predicado em apreço se aplique mais estreitamente?" É evidente. p or exemplo. a fim de compreendê-la. nem uma definição. que nada impede q ue um acidente venha a ser uma propriedade temporária ou relativa.uma propriedade do homem o ser capaz de aprender gramática: porque. Quer dizer. enquanto "bípede" é. no entanto. "gêne ro" e "propriedade". Um "acidente" é (1) alguma coisa que. mas será uma propriedade temporária sempre que um homem seja a únic a pessoa sentada. seria apropriado dizer "é um animal". a segunda é a melhor. desde logo. diga respeito ao que "sucede" ser verdadei ro delas. por conseguinte. seria algo e xtremamente obscuro e de pouca utilidade para o tratado que temos diante de nós. uma propriedade do homem em relação a um cavalo ou a um cão. todos os ponto s que enumeramos poderiam. traçar um plano especial de investigação para cada uma das class es que distinguimos. em certo sentido. nem uma propriedade. que é o gênero de um. para usar a expressão empregada anteriormente1.

especificamente. do contrário. ê uma propriedade. A verdade do que acabo de dizer pode ver-se mais claramente quando uma for ma de apelação é substituída por outra. são chamadas idênticas devido à unidade de espécie. ve ria que cada um deles parte ou da definição de alguma coisa. porqu e. será o gênero ou a diferença. evidentemente será um acidente. com efeito. será a sua definição ou uma propriedade sua. um segundo sentido é aquele que se refere a um a propriedade. tratando-as como questões "definitórias" ou "genéricas". se é conversível. quando há mais de uma coisa. Se. e e. por meio dos quais e para os quais procedem os argume ntos é por indução: porque. todo predicado de um sujeito deve necessariamente ser ou não ser conversível com ele: e. ou do seu gênero. três sentidos da palavra "identi dade". se alguém examinasse as proposições e os problemas um por um. mesmo assi m. pois já disse mos4 que o acidente é aquilo que pertence como atributo a um sujeito sem ser nem a sua definição. Todos estes usos. parece-nos que ele n os compreenderá melhor se indicarmos a pessoa por algum aspecto acidental. pois. ou de uma propriedade s ua. e se é um desses termo . Com efeito. E a razão pela qual se diz que toda água é especi ficamente idêntica a qualquer outra água é uma certa semelhança que existe entre as duas . vamos encontrar seu uso mais litera l e primeiro sempre que a identidade diz respeito a um nome ou definição duplos. e encontramos ainda um terceiro sentido do termo quando diz respeito a um acidente.avelmente mais fácil dar conta da tarefa que nos propusemos. se significa a essência. devemos esboçar uma divisão do nosso assunto e relegar outras questões ao ramo particular que mais naturalmente corresponda a cada uma delas. do mesmo modo. com o quando se diz que um manto é o mesmo que uma capa. não se predica da coisa de maneira conve rsível. e assim mandamo-lo chamar "o homem que está sentado". como já se disse3. uma das maneiras de confirmar que os elementos mencionados acima são a queles a partir dos quais. a saber: o que se predica de maneira conversível. de um modo ou de outro. designando-a pelo seu nome. Poderia parecer que o sentido em que a água proveniente da mesma fonte se ch ama "a mesma água" difere de certo modo e se afasta dos sentidos que mencionamos a cima. como incluída em três divisões. como quando se diz que aquele que está sentado ou que é músico é o mesmo que Sóc rates. ou genérico — numericamente. como dissemo s atrás2. E assim. Supõe-se geralmente que o termo "o mesmo" se emprega sobretudo. porquanto a definição consiste no gênero e nas diferenças. ou "aquele que está conversando ali" — na suposição evidente de que estamos designando o mesmo indivíduo pelo seu nome e pelo seu acidente. quando aplicado ao que é numericamente uno. é a definição. nos casos em que há mais de um nome. são chamadas "idênticas" em virtude de uma unidade de espécie. mas estas não apresentam diferenças no tocante à sua espécie. Ora. distinguir. não é um desses termos. ou específico. como quando se diz que aquilo que é capaz de adquirir conhecimento é o mesmo que um homem. por outro lado. mas. A identidade se poderia considerar de maneira geral. Outra maneira de confirmá-lo é pelo racio cínio. ou de um seu acidente. . com efeito. nem o seu gênero. em realidade. nem uma propriedade. como um cavalo e um homem. mudamos de descrição sempre que aquele a quem damos a ordem não nos entende. e falando sumariamen te. ou não é um dos termos contidos na definição do sujeito. As questões a que me refiro já foram praticamente classificadas em seus diferentes ramos. e a única diferença no caso da água proveniente da mesma fonte é que aqui a semelhança é m ais pronunciada: por isso mesmo não a distinguimos das coisas que. pode ser empregado em mais de um sentido. Em geral. E. se assemelham entre si co mo se fossem membros da mesma família. por outro lado. o u um cavalo e outro cavalo. como um homem e outro homem. num sentido aceito por todo mundo. pois coisas assim pertencem à mesma classe. pois foi assim q ue definimos a propriedade. um caso como esse deveria ser incluído na mesma classe co m aquelas coisas que. quando damos ordem de chamar uma das pessoas que estão sentadas. e aquilo que naturalmente se move para cima é o mesmo que o fogo. significam identidade numérica. mas uma coisa só. aplicamos o termo ou em sentido numérico. com efeito. Muitas vezes. de um modo ou d e outro. chamam-se genericamente idênticas aquelas coisas que pertencem ao mesmo gênero. como "manto" e "capa". porém não significa a essência. Mas. devemos definir os diversos sentidos da palavra "identi dade". 8 É preciso. ou é. Todas essas coisas. ou que um animal que anda com dois pés é a mesma coisa que um homem. Em primeiro lugar. e delas se diz que são "especificamente idênticas".

e que não se deve cau sar-lhes dano é a contraditória desse contrário. outras vezes uma qualidade. Pois quando se coloca um homem à sua fr ente e ele diz que o que ali está colocado é "um homem" ou "um animal". Posição. porque. Paixão. ou sua qualidade ou quantidade. se se coloca diante dele uma gran deza de um côvado e ele diz que o que tem diante de si é "uma grandeza de um côvado". . Q uantidade. e os materiais de que se formam. mas uma quantidade. assim como todas as opiniões qu e estão em harmonia com as artes acreditadas. se for opinião geral que há mais de uma ciência da gramática. 10 Em primeiro lugar. Comparando entre si estas razões. ou p ela maioria. por outro lado. se é opinião geral que se deve fazer bem aos seu s amigos. Do mesmo modo. se se deve fazer bem aos ami gos. nem tampouco todo problema podem s er apresentados como dialéticos: com efeito. pois. se se deve fazer be m aos amigos. p ois um homem assentirá provavelmente ao ponto de vista dos filósofos se este não contr ariar as opiniões da maioria das pessoas. Relação. parecerá também uma opinião geral que o predicad o contrário pertence ao sujeito contrário. esta é também a contraditória da opinião contrária à opinião geral: a contrária seria que se devesse fazer bem aos inimigos. Ora. e também proposições que contradizem os contrário s das opiniões que se consideram geralmente aceitas. Estado. Tempo. mas se isso é ou não assim em realidad e se decidirá durante nossa discussão acerca dos contrários5. São elas em número de dez: Essência. E da mesma forma. Parece pois evidente que o homem que expressa a essência de al guma coisa expressa às vezes uma substância. por outro lado. tanto quando é afirm ada de si mesma como quando o seu gênero é afirmado dela. supondo-se seja opinião geral q ue o conhecimento dos contrários é o mesmo. uma proposição dialética consiste em perguntar alguma coisa que é admitida po r todos os homens. pela maioria deles ou pelos filósofos. ou por todos. devemos distinguir entre as classes de predicados em que s e encontram as quatro ordens de predicação em apreço. Ação. afirma a sua essência e significa uma qualidade. enquanto à primeira ninguém daria assentimento. supondo-se seja op inião geral que há uma só ciência da gramática. poderia passar por uma opinião geral que há igualmente mais de um a ciência de tocar flauta. o gênero. e. E por igual em todo s os outros casos: pois cada uma dessas espécies de predicados. significa uma essência. mas quando uma cor branca é posta diante dos seu s olhos e ele diz que o que ali está é "branco" ou "uma cor". Tais e tantos são. afirma a sua essência e significa uma substância. se. uma qualidade ou qualquer das outras espécies de predi cado. uma espécie de predicado é afirmada de outra espécie. que se deva causar dano aos seus amigos é contrário à opinião geral. será também opinião geral que não se deve fazer nada que os prejudique. Lugar. talvez pareça também que fazer bem aos ami gos seja o contrário de fazer mal aos inimigos. ninguém que estivesse no seu juízo perfei to faria uma proposição de algo que ninguém admite. Assim. E também do mesmo modo. isto é. porque todas essas coisas parecem assemelhar-se e têm ent re si um certo ar de parentesco. As proposições dialéticas também incluem opiniões que são semelhantes às geralmente aceitas. Porquanto o acide te. não significa uma essência. pois. Pois nem toda proposição. por exemplo. devemos definir o que seja uma "proposição dialética" e um "problema dialético". Como devemos adquiri-los e por que meios chega remos a estar bem providos deles é o que nos caberá dizer agora. os sujeitos em torno dos quais giram os argumentos. é provável que também pudesse passar por uma o pinião geral que a percepção dos contrários é a mesma. contanto que não seja contrária à opinião geral. deve-se também fazer mal aos inimigos.9 A seguir. nem tampouco faria um problema do que é evidente para todo mundo ou para a maioria das pessoas: pois este último não adm ite dúvida. ou algum dos outros tipos de predicado. e do mesmo modo. Aqui. E a nalogamente nos demais casos. não se deve fazer bem aos inimigos. também as opiniões que contradizem os contrários das opiniões gerai s passarão por opiniões gerais. estará descrevendo a sua essência e significando uma quantidade. outras aind a algum dos outros tipos de predicado. pois. Qualidade. poderia passar por uma opinião geral que há u a só ciência de tocar flauta. ou pelos mais eminentes. a propriedade e a definição do que quer que seja sempre caberão numa desta s categorias: pois todas as proposições que por meio delas se efetuarem ou significa rão a essência de alguma coisa.

como afirma Melisso. por serem extremamente vastos. devemos distinguir agora quantas são as espécies d e argumentos dialéticos. ou o ponto de vista de Heráclito. Os problemas também incluem questões em relação às quais os raciocínios se chocam (con siste então a dificuldade em se tal ou tal coisa é ou não assim. de acordo com a qual o que é nem sempre necessita ter sido gerado ou ser eterno. como a questão sobre se o universo é eterno ou não: pois também é possível investigar questões desta classe. Quanto a alguns problemas. mas nos ajudam a solucionar outros problemas da mesma espécie. mesmo que um homem não aceite tal teoria. a respei to dos quais não possuímos nenhum argumento. com o geômetra. de que todas as coisas estão em movimento. possamos vir a conhecer essas outras. pois um músico que é também g ramático "é" tal sem jamais ter "vindo a ser" tal nem ser tal eternamente. também constitui um probl ema. finalmente. se o prazer deve ou não ser escolhido —. é útil conhecê-los com vistas na escolha ou na rejeição — como. Que uma tese. mas apenas aqueles que pos sam causar embaraço aos que necessitam de argumento. ou uma ou a outra cl asse está em desacordo consigo mesma. se o universo é ou não eterno. por outro lado. enquanto a outros é útil conhecer tendo unicamente em mira o próprio conhecimento — por exemplo. pois os primeiros não admitem nenhuma dúv ida. porém com a mira em outras coisas e a fim de que. Em verdade. Os temas não devem aproximar-se demasiadamente da esfera da demonstração. é a passagem dos individuais aos universais. por exemplo. Ou talvez se trate de uma concepção sobre a qual tenhamos uma teoria raciocinada contrária às opiniões usuais d os homens. pois ocupar-nos com uma pessoa comum quando expressa pontos de vista contrários às opiniões usuais dos homens seria tolice. Mas não se deve dar muita importância à denominação que se usar. e as proposições devem ser definidos como acima6. e temos dificuldade em expor nossas razões. ou a destes seja contrária à daquele. enquanto os segundos envolvem dificuldades demasiado grandes para a arte do instrutor. havendo argumentos co nvincentes a favor de ambos os pontos de vista). Os problemas. pois o nosso objet ivo ao distingui-los não foi criar uma terminologia. 12 Estabelecidas estas distinções. numa questão de geometria. e da mesma forma no s outros casos. Já dissemos antes7 o que é o raciocínio. ou de que o ser é um. como disse Antístenes. e sim reconhecer as diferenças que podem ser encontradas entre essas duas formas. pois. visto serem certos problemas de tal espécie que não temos sobre eles nenhuma op inião num sentido ou noutro. além disso. embora um problema nem sempre seja uma t ese. uma "tese" é também um problema. Deve. Porquanto . quanto à indução. e outros. poderia aceitá-la fundando-se em que é raz oável. Pois um homem que não sabe se devemos ou não honrar os deuses e amar nossos genitores ne cessita de castigo. numa questão de medicina concordarão com o médico. por exemplo. Uma "tes e" é uma suposição de algum filósofo eminente que esteja em conflito com a opinião geral: por exemplo. já que a tese é uma suposição em conflito com a opin ião geral. pois há muitas coisas que não desejamos conhecer em si e por si mesmas. finalmente. quer como ajuda para a solução de algum outro problema do mesmo tipo. com efeito. Ora. e aqueles que não sabem se a neve é ou não é branca necessitam de pe rcepção.É também evidente que todas as proposições que se harmonizam com as artes são propos ições dialéticas. pois os homens estão predispostos a dar seu assentimento aos pontos de vista daqueles que estudaram essas coisas: por exemplo. ou o vulgo tenha uma opinião contrária à dos filósofos. e há outros. quase todos os problemas dialéticos são hoje em dia chamados "t eses". o argumento seguinte: supondo-se que o piloto adestrado seja o mai . ou ainda para a verdade e o conhecimento. a concepção defendida pelos sofistas. não são úteis em si e por si mesmos para qualquer desses fins. através delas. por e xemplo. 11 Um problema de dialética é um tema de investigação que contribui para a escolha ou a rejeição de alguma coisa. ser algo a cujo respeito os homens não tenham opinião num sent ido ou noutro. nem tam pouco estar excessivamente afastados dela. ou a de alguns filósofos seja contrária à de outros. e não de castigo ou percepção. é evidente: pois do que dissemos acima deduz-se necessariamente que ou a gran de maioria dos homens discorda dos filósofos no tocante à tese. a idéia de que a contradição é impossível. Não se deve examinar todo problema nem toda tese. Temos por um lado a indução e por outro o raciocínio. e isso quer p or si mesmo.

as classes de coisas a respeito das quais e a partir das quai s se constróem os argumentos devem ser distinguidas da maneira que indicamos atrás. A indução é. por exemplo: (1) "o desejável pode sig nificar tanto o honroso como o agradável ou o vantajoso". um exemplo de proposição lógica é: "o conhecimento dos opostos é ou não é o mesmo?". E analogamente nos demais casos. à margem. aprende-se mais facilmente pelo uso dos sentidos e é aplicável à grande massa dos homens em geral. e "vemos pela admissão de alguma coisa em nós mesmos. e é da mesma maneira que sentimos o gosto das coisas. e da mesma forma o auriga adestrado. a segunda das diferenças entre as coisas. finalmente. Proposições como a seguinte são éticas: "deve um homem obedecer antes a os seus genitores ou às leis. É igualmente útil formá-las selecionando não apenas aquelas opiniões que são atu almente aceitas. Os últimos três são também. E. e a terceira da sua semel hança. A natureza de cada uma das supraditas espécies de proposição não se exp ressa facilmente numa definição. outras versam sobre a filosofia natural e outras. embora o raciocínio seja mais potente e eficaz contra as pessoas inclinadas a contradizer. como: "Do Bem" ou " Da Vida" — e esse "Do Bem" deve tratar de toda forma de bem. do mes mo modo. Os meios pelos quais lograremos estar bem supridos de raciocínios são quatro: (1) pr over-nos de proposições. admitimos alguma coisa dentro de nós mesmos. por e . por exemplo: "a percepção do s contrários é a mesma" (já que o conhecimento deles é o mesmo). estes dois devem ser novamente divididos até onde possa ir a divisão. "dos termos relativos". segundo se estabeleceu ant eriormente. pois qualq uer um pode dar seu assentimento ao que disse alguma autoridade geralmente aceit a. isto é. e. (2) "a sensação difere do co nhecimento em que o segundo pode ser recuperado depois que o perdemos. ou opiniões contrárias àq uelas que parecem ser geralmente admitidas. depois. e depois. (2) a capacidade de discernir em quantos sentidos se empreg a uma determinada expressão. pela maioria deles. segue-se que. por exemplo: "Empédocles disse que os elementos dos corpos são quatro". ou pelos filós ofos. convertendo-se. A primeira proposição depende do uso do termo em difere ntes sentidos. dos dois. Para os fins da filosofia devemos tratar dessas coisas de acordo com a sua verdade. mas para a dialética basta que tenhamos em vista a opinião geral. e (4) a investi gação da semelhança. classificando-os em capítulos separados. pela maioria ou pelos mais eminentes. Por exemplo: "o conhecimento dos opostos é o mesmo". Devemos fazer também nossa escolha nos m anuais escritos de argumentação e organizar listas sumárias de tais argumentos sobre c ada espécie de assunto. começando pela categori a da essência. mas devemos esforçar-nos por reconhecer cada uma dela s graças a uma familiaridade conquistada através da indução. 13 Assim. uma em muitas. (3) descobrir as diferenças das coisas. são lógicas. quando estão em desacordo?". Além disso. Devemos também formar proposições com as contraditórias das opiniões contrárias às que parecem ser geralmente aceitas. pois é possív uma proposição correspondente a cada um deles. mas também as que se assemelham a estas. examinando-as à luz dos exemp los dados acima. 14 As proposições devem ser escolhidas de um número de maneiras correspondente ao núm ero de distinções estabelecidas no tocante à proposição: assim. não e mitimos nada. Todas as proposições devem ser tomadas em sua forma mais universal. podem-se tomar primeiro as opiniões sustentadas pela totalidade dos homens. enquanto proposições como esta dizem r espeito à filosofia natural: "é ou não é eterno o universo?" E do mesmo modo no que tang e aos problemas. a mais convincente e mais clara. e não por uma emissão" — pois assim acontece no que se refe re aos outros sentidos: ao ouvir. e (3) "a relação entre o saudável e a saúde é semelhante à que existe entre o vigoroso e o vigor". como . por todos. E convém indicar também. o homem adestrado é o melhor na sua profissão. todas as opiniões que e stão em harmonia com as artes. enfim. todos os juízos que parecem ser verdadeiros em todos ou na maioria dos casos devem tomar-se como um princípio ou posição aceita. em certo sentido.s eficiente. as opiniões de diversos pensadores. pois são emitidos por aqu eles que não vêem ao mesmo tempo nenhuma exceção. proposições. pois. e a seguir: "o conhecimento dos contrários é o mesmo". de um modo geral . Das proposições e problemas — encarando-se a questão em linhas gerais — existem três g rupos: algumas são proposições éticas. enquanto a primeira não o pode".

pois o contrário de "agudo" é também. Mais ainda: no tocante aos intermediários. embora no caso dos sons não tenham nenhum. das coisas que são idênticas em espécie temos a mesma sensação. tratando-se de um ângu lo sólido. o prazer de beber tem seu cont rário no desprazer da sede. tem como contrário "odiar" . Em certos casos não há nenhuma discrepância nos termos usados. Porque. enquan to outra não tem absolutamente nenhum. como também o é o termo "escuro". é "obtuso". a saber: "áspero". já que isso acontece também com o seu contrário. o contrário de "agudo". no segundo caso julgamos pelo tato. pois . "Claro" é. é preciso ver igualmente se ele tem mais d e um significado. "agudo" não será a mesma coisa quando contrário a "grave" e quando contrário a "obtuso". como. tanto no que toca aos termos origin ais como aos seus contrários. E da mesma forma com "agudo" e "obtuso" no tocante aos sabores e aos ângulos sólidos8: aq ui. "belo" aplicado a uma pintura tem como contrário "feio". o significado do seu contrário será diferente. E de maneira análoga em todos os outros casos. além disso. mas no caso de uma massa sólida. o mesmo acontece com "agudo". se assim for. em qualquer das acepções . no uso de "claro" e "escuro".xemplo: o conhecimento "do bem e do mal". E. não devemos dizer apenas que a justiça e a coragem são chamadas "bens" n um sentido e o que favorece o vigor e o que favorece a saúde são assim chamados em o utro sentido. Mas . tratando-se de uma nota. mas uma diferença d e espécie entre as acepções é evidente à primeira vista: por exemplo. "obtuso". Se um termo comporta vários significados específicos ou apenas um. É evidente. pois. caso o seu contrário ten ha vários significados. como sucede com "claro" e "escuro". "claro" e "escuro" no concernente a cores têm como intermediário "cinzento". de modo que l iapv é usado em várias acepções. "não ver" é uma expressão que tem mais de um significado. um termo ambíguo. se a discrepância entre estes é de espécie ou de nomes. "belo" é também um termo ambíguo. Pois em alguns casos a diferença se manifesta imediatamente nos próprios nomes: por exemplo. que o contrário de "agudo" tem vários significado s. são suficientes as observações feitas acima. pois. Isto se manifesta também por meio da sensação: porque. "do branco e do preto" ou "do frio e d o quente". No caso de um oposto contraditório. e (2) não fazer uso ativo dessa capacidade. assim sendo. ou se ambos têm um int ermediário. se uma acepção de um termo tem um contrário. que em referência a cores têm muitos inte rmediários. igualmente. Procure-se ver primeiro. pois tanto um som como uma cor são chamados "claros" ou "escuros". 15 Sobre a formação das proposições. segue-se necessariamente que "ver" também . ao passo que quando se aplica à atividade física não tem nenhum. se alguns deles têm mais de um intermediário enquanto outros não têm n enhum. pesado) no caso de uma not a tem como contrário "agudo". "amar" é um termo ambíguo. Quant o aos nomes. E também Bapu (grave. "arruinada". por exemplo. "leve". enquanto o prazer de descobrir que a diagonal é incomens urável com o lado não tem nenhum contrário. pois. deve ser co nsiderado pelos meios seguintes. No tocan e ao número de sentidos que um termo comporta. a saber: (1) não possuir o sentido da vista. evidentemente. não devemos limitar-nos a tratar daqu eles termos que possuem diferentes sentidos. e no primeiro pelo paladar. E de modo anál ogo nos demais casos. é "grave". e. o seu oposto será também usado em mais de um a acepção: por exemplo. é preciso ver se alguns significado s e seus contrários têm um intermediário. por exemplo. porém não o mesmo. a menos que se considere como tal "áspero". do mesmo modo. se "não ver" tem mais de um significado. por exemplo. embora "agudo" seja o contado de ambos. Vej a-se. ao passo que no capítulo dos sons só existe um. uma vez que a segunda é julgada pela visão e a primeira pela audição. quando se refere ao estado de ânimo. mas. e. portanto. ao passo que não aquilatamos a clareza pela mesma sensação no caso do s om e da cor. correspondendo a cada um dos termos acima. aplicado a uma casa. pois algumas pessoas dizem que um som áspe ro é intermediário. É preciso verificar. mas também esforçar-nos por defini-los. mas também que as primeiras recebem essa denominação em virtude de uma q ualidade intrínseca que possuem em si mesmas e os segundos porque produzem um cert o resultado e não por possuírem em si mesmos alguma qualidade intrínseca. de modo que "prazer" é usado em mais de um s entido. mas a diferença de espécie entre os significad os é óbvia: pois não chamamos uma cor de "clara" no mesmo sentido que um som. portanto. Com efeito. enquanto outros não os têm. Também neste c aso não há qualquer discrepância nos nomes usados. Também "amar". não há discrepância.

a mesma expressão deve permanecer. Por conseguinte. de um "corpo claro" e de uma "nota clara". Com efeito. se o contrário comporta diversas acepções. por exemplo. como a de ser temp erante. se "saudável" tem mais de um significado. como. E igualmente. É igualmente útil examinar a definição que cabe ao termo usado em combinação. significa " que causa prazer". como. no caso de alimentos. contudo. por exemplo. " animal" é o gênero de "corvo" e também de "ave". houver subordinação entre os gêneros. a o passo que um ângulo agudo é aquele que é menor do que um ângulo reto. de mod o que ambos os gêneros se predicam dele. o oposto de "não possuir o sentido da visão" é possuí-lo. "claro". e veja-s e se são diferentes sem ser subordinados um ao outro. c onforme se aplique à alma ou ao corpo. "Agudo" é também um caso que tem estreita semelhança com este. se não forem as mesmas. Que a oposição entre os termos agora examinados depende da presença ou privação de um certo estado é evident e. e do mesmo modo quando aplicado a "homem". as definições correspondentes ao nome são diferentes em cada caso: num deles se dirá que é um animal de determinada espécie. por exemplo: "bom". "estar privado de sensibilidade" também será us ado em mais de um sentido. sempre que o termo original comporte mais de um significado. ou a "conservar". significa uma cor. "gato". então "justo" será usado de igual maneira. também desta manei ra ambos os gêneros se predicam de corvo. sempre que dizemos que o co rvo é um "animal bípede voador". uma not a aguda é uma nota rápida. enquanto o oposto de "não fazer uso ativo do sentido da visão" é fazer uso ativo dele. se "ter sensibilidade" se usa em mais de um sentido. o caso dos termos que denotam a privação ou a presença de um certo estado: porque. se a p alavra "justamente" se emprega no sentido de julgar de acordo com a sua própria op inião. por exemplo. se "saudável" significa tanto o que produz saúde e o que a conserva como o que dá mostras de saúde. "justo" também será usado em mais de um significado. também dizemos que ele é uma determinada espécie de animal. pois haverá um oposto para cada sentido de "não ver". Considerem-se também as classes de predicados que o termo significa. e também no de julgar como se deve. e no outro um utensílio usado para certo fim.tem mais de um. por exemplo. pois o mesmo termo não possui o mesmo significado em todas as suas aplicações. o "bom" que ac ontece na ocasião oportuna. enquanto um punh al agudo é o que possui uma ponta penetrante (pontiagudo). E do mesmo modo nos outros casos. significará a posse de certa qualidade. procura ndo ver se são as mesmas em todos os casos. ao passo que . e. por exem plo. o termo que dele se deriva será usado em mais de um significado. o mesmo acontecerá com o outro: por exemplo. bem como a sua definição. se "justamente" tem mais de um sentido. Pois. "saudavelmente" também será usad o em mais de uma acepção. o ter mo será evidentemente ambíguo. Se. ou a "dar mostras de" saúde. Examine-se. E. se um dos termos tem mais de uma acepção. Assim. pois a quantidade apropriada também é chamada boa. se o aplicarmos à alma. sempre que dizemos q ue o corvo é uma ave. "que promove a saúde". e vice-versa. no caso de medicamentos. com efeito. An alogamente. por exemplo. Po r tudo isso se vê que o termo "bom" é ambíguo. e vice-versa. porém. classificamo-lo como ave. por exemplo. segundo se referir à alma ou ao corpo. Não raro significa o que existe em determinada quantidade. evidentemente o termo q ue temos diante de nós também as comporta. não é necessário que as definições sejam diferentes. por exemplo. corajoso ou justo. Isso não acontece no caso . É também preciso prestar atenção e ver se não somente os gêneros dos termos que temos diante de nós são diferentes sem ser subalternos. pois ao que acontece na ocasião oportuna chamamos "bom". quando aplica do a um corpo. Atenda-se também aos gêneros dos objetos designados pelo mesmo termo. Porquanto. Isso. Porque se abstrairmos aqui o que é peculiar a cada caso. Por vezes significa o que acontece em determinada ocasião. porquanto haverá um acepção de "justo" correspondente a cada acepção de "justamente". além disso. mas também se isso acontece com os s eus contrários: pois. Examinem-se igualmente as formas derivadas. e assim. pois sempre que chamamos uma coisa de " utensílio" não a chamamos de animal. analogamente. "saudavelmente" também será usado nos sentidos: "de maneira a produzir". não acont ece no caso dos gêneros que são subalternos. pois os animais possuem naturalmente ambas as espécies de "sensibilidade". q ue designa tanto o animal como o utensílio. mas em referência a uma nota designa o que é "fácil de ouvir". como nos ensinam todos os teóricos matemáticos da harmonia. quando se aplica à quantidade apropriada. tant o no que se refere à alma como ao corpo.

mas examinar em que sentido nosso adversário uso u o termo "comensuravelmente" em cada caso. não se diz que essas coisas sejam "claras" ou "agudas" em grau igual. As diferenças que as coisas apresentam entre si de vem ser examinadas dentro do mesmo gênero. e de igual modo um sólido de out ro. 16 A presença de vários significados num termo pode. a razão está na alma. Ora bem: como nos gêneros que são diferentes sem ser subalternos as diferenças t ambém são diferentes em espécie. as de "animal" e de "conhecimento" (pois as diferenças destes dois gêneros são. os pontos de semelhança. por exemplo. em primeiro lugar. como sucede. motivo pelo qual cumpre examinar também estas. como a espécie nunca é a diferença de coisa alguma. Re tiremos. contanto que não estejam muito afastados. ser o mesmo se as acepções de "claro" fossem sinônimas em ambos os cas os. Além disso. um termo ambíguo. Muitas vezes a ambigüidade também se insinua sem ser notada nas próprias definições. ser investigada por es tes meios e outros semelhantes. com um som "claro" e uma r oupa "clara". ao passo que no caso de uma nota é uma diferença. do mesmo modo C está em D" (por exemplo. está a falta de vento no ar). é preciso ver se os termos não podem ser comparados como "mais ou me nos" ou "de igual maneira". na medida em que possuem algum atributo idêntico. picante). pois nos outros poderemos ver mais facilmente. diferentes). 18 É útil ter examinado a pluralidade de significados de um termo. P orque o ser "agudo" diferencia uma nota de outra. enquanto o segundo será "uma nota fácil de ouvir". um homem. se no segundo significa "que é em quantidade adequada para promover a saúde". como para nos certif . Se. tanto no inter esse da clareza (pois um homem está mais apto a saber o que afirma quando tem uma noção nítida do número de significados que a coisa pode comportar). nem que um a é mais clara ou mais aguda do que a outra. por exemplo. é preciso ver se os sig nificados compreendidos sob o mesmo termo são diferenças de gêneros que diferem entre si sem ser subalternos. e assim como a calma está no mar. e o que resta não é o mesmo em cada caso. assi m como a visão está no olho. contudo. pois. "Agudo" é. Donde se segue que "claro" e "agudo" são ambíguos. dado que os sinônimos são sempre comparáveis: sempre se empregam da mesma ma neira. como a "cor" nos corpos e a "cor" ou "cromatismo" nas melodias. Além disso. e também um gênero de outro. A prática se faz especialmente necessária quando os termos es tão muito afastados entre si. Porque o primeiro será "um co rpo que possui tal e tal cor". Com efeito . segundo a fórmula: A:B = C:D (por exemplo. "branco") aplicado a um corpo é uma espécie de cor. pois no caso dos gêneros muito afastad os um do outro as diferenças são perfeitamente óbvias. pois as diferenças da "cor" nos corpos se distinguem e se comparam por meio da vi sta. por exemplo: "em que a justiça difere da coragem e a sabedoria da temperança?" — pois todas essas coisas pertencem ao mesmo gên ero. como. 17 A semelhança deve ser estudada. "claro" (isto é. por exemplo. pois. por exemplo. por exemplo. não devemos dar isso de barato. pois. de um relance. pois. e no primeiro "que é de índole a manifestar que espécie de estado prevalece". por exempl o: "em que a sensação difere do conhecimento?". são semelhantes entre si. ou então em grau maior num dos casos. alguém definir o qu e dá mostras de saúde e o que a promove como "relacionado comensuravelmente com a saúd e". o conhecimento rela ciona-se com o objeto de conhecimento assim como a sensação se relaciona com o objet o de sensação). um cavalo e um cão —. por expressar diferenças de gêneros que diferem e ntre si sem ser subalternos. Devemos também examinar as coisas que pertencem a um mesmo gênero para ver se todas elas possuem um atributo idêntico — por exemplo. pois uma nota se di ferencia de outra pelo fato de ser "clara".dos termos ambíguos como os que acabamos de mencionar. "agudo" o é de uma nota e de um sólido. com efeito. deve-se examinar a tentamente se um dos significados incluídos sob o mesmo termo é uma espécie e o outro uma diferença. ou uma nota "aguda" e um sabor "agudo" (isto é. É preciso ver também se os próprios significados incluídos sob o mesmo termo têm dif erenças distintas. e "assim como A está em B. De veria. por exemplo. ao passo que a "cor" nas melodias não possui as mesmas diferenças. como. nas coisas que pertencem a gêneros diferentes. "um corpo" e "uma nota".

portanto. afirmando. LIVRO II 1 Dos problemas. o que pergunta pareceria ridículo se deixasse de dirigir seus argu mentos a esse ponto. por exemplo. também seria no caso que tínhamos diante de nós. dos múltiplos sentidos. É útil para os raciocínios hipotéticos porque. os meios pelos quais se efetuam os raciocínios. e ajuda-nos a reconhecer o que é uma coisa. e de um ponto na linha e da unidade num número. o q ue pertence de maneira mais definida à categoria da essência é provavelmente o gênero. ter emos também demonstrado. como também a reconhecer a essência de cada coisa particular. já teremos mostrado que eles não são o mesmo. não é sempr e possível. porque geralmente distinguimos a expressão própria da essência de cada coisa particular por m eio das diferenças que lhe são próprias. de acordo com a opinião geral. por exemplo. pois perceberemos fa cilmente quando o que interroga deixa de encaminhar seus argumentos ao mesmo pon to: e. se podemos ver n m relance de olhos o que é idêntico em cada caso individual do sujeito. como quer que seja nesses casos. E é útil na formulação de definições porque. porque. ao passo que. se conhecemos o número de significados de um termo. e problemas part . garantiremo s a aceitação preliminar de que. que a unidade é o pont o de partida do número e que o ponto é o ponto de origem da linha. do mesmo modo. pois primeiro havíamos estabelecido a hipótese de que. alguns são universais e outros são particulares. pois. Entretanto.icarmos de que o nosso raciocínio estará de acordo com os fatos reais e não se referirá apenas aos termos usados. também no caso de objetos que divergem largamente uns dos outros. essa forma de argumentar não pertence propriamente à dialética . entre semelhantes. pois. o exame da semelhança é útil para os fins da definição. cer tamente nunca nos deixaremos enganar por um falso raciocínio. É evidente. o caso que nos interessa particular mente. como quer que fosse ne sses casos. também assim será no c aso que temos diante de nós. todavia. em virtude da hipótese. dermos como o gênero o que é comum a todos os casos. o que é verdadeiro de um é também verdadeiro dos demais. pois. Se. a identidade d a calma no mar e da ausência de vento no ar (pois cada uma delas é uma forma de repo uso). por ser cada um deles um pon to de origem. é evidente: pois. Pois. os dialéticos devem abster-se por todos os meios desse tipo de discussão verbal. E . dessa maneira que os amig os de definições as fazem quase sempre. O exame da semelhança é útil tanto para os argumentos indutivos como para os rac iocínios hipotéticos. dentre os predicados comuns. Isso também nos ajuda a evitar que nos enganem e que enganemos os outros com falsos raciocínios. porque é por meio de uma indução de casos individuais semelhantes que prete ndemos pôr em evidência o universal. bem assim como para a formulação de definições. alguns são verdadeiros e outro s são falsos. Isso. É útil para os argument indutivos. enquanto não ficar bem claro em quantos sentidos s e usa um termo. como. por conseguinte. quando tivermos demonstrado o primeiro. ou lugares para cuja observância são úteis os argumentos mencionados acima são o s seguintes. Problemas univ ersais são. por exemplo: "todo prazer é bom" e "nenhum prazer é bom". São estes. em rel ação a qualquer deles estivermos bem supridos de materiais para discussão. Se. poderemos induzir nosso adversário em erro se ele não conhece o número de significados do termo. aliás. ninguém p oderá objetar que definimos de maneira inadequada. a não ser que alguém seja absolutamente incapaz de discutir de qualquer outra maneira o tema que tem diante de si. após des cobrirmos uma diferença qualquer entre os objetos que temos diante de nós. não nos dará nen hum trabalho determinar o gênero em que deve ser incluído o objeto que temos diante de nós quando se tratar de defini-lo: com efeito. q ue tomam como gênero dessas coisas aquilo que é comum a ambas. e também qual deles o primeiro tem em mente quando faz a sua asserção. mas somente quando. quando somos nós mesmos que interrogamos. Q ue nos ajuda a raciocinar sobre a identidade e a diferença. É. depois de se haver esclarec ido quantos são os significados. e a seguir provamos nossa tese no tocante àqueles casos. Descobrir as diferenças das coisas nos ajuda tanto nos raciocínios sobre a ide ntidade e a diferença. pode acontecer que o que responde e o que interroga não tenham sua s mentes dirigidas para a mesma coisa. os tópicos. e isso não é fácil quando ignoramos os pontos de seme lhança.

Os métodos para estabelecer e lançar por terra universalmente uma opinião são comu ns a ambas as espécies de problemas. que alguém dissesse que a branc ura é colorida ou que o passear está em movimento. um homem disse que o conhec imento dos opostos é o mesmo. Em primeiro lugar. então "S será capaz de aprender gramática". deve-se examinar se assim é no tocante aos opostos rel ativos. E do mesmo modo. nada impede que um atributo (a brancura ou a justiça. defini-lo assim. e não em sua infinita multidão. como. de modo que não basta mostrar que a brancura ou a j ustiça é um atributo de um homem para provar que ele é branco ou justo. uma pedra. Esse erro se comete mais comumen te no que se refere aos gêneros das coisas. pois assim a pesquisa será mais direta e mais rápida. po r outro lado. se "ser um animal é um atributo de S". falaremos dos métodos de rebater universalmente um ponto de vista. também será verdade iro dizer. não se dá necessariamente no caso dos acidentes. aos contrários. Com efeito. Porquanto aqueles que formulam juízos falsos. naturalmente. "propriedade" e "gênero" são necessariamente conversíveis. A conve rsão.iculares: "alguns prazeres são bons" e "alguns prazeres não são bons". o homem que diz que o branco é "colorido" não apresentou "colorido" como o gênero do branco. mas os gênero s sempre se predicam literalmente das espécies. afirmando que um atributo pertence a uma coisa quando não lhe pertence. porque. pois. 2 Ora bem: uma regra ou tópico é examinar se um homem atribuiu como acidente o q ue pertence ao sujeito de alguma outra maneira. pois a definição e a p ropriedade de uma coisa pertencem a ela e a nada mais. por conseguinte. Se. e porque as pessoas m ais comumente estabelecem teses afirmando predicados do que negando-os. Portanto. também demonstramos que não se aplica a todos os casos. causados ou por um juízo falso. quando demonstramos que um predicado se aplica a todos os casos de um sujeito. A conversão de um nome apropriado que se deriva do elemento "acidente" é uma c oisa extremamente precária. e aquele que chama os objeto s pelos nomes de outros objetos (por exemplo. por exemplo. se assim acontece com os atos justos e injus . E igualmente no caso de uma propriedade. pois isso fica sujeito a contestação e a dizer-se que ele é branco ou justo apenas em parte. Devemos também definir os erros que ocorrem nos problemas. porém. Deve-se considerar primeiro os grupos mais primários e começar por eles. nem tampouco como uma propriedade sua ou como a sua definição. ou por uma transgressão da linguagem corrente. pois. que "a justiça é acidentalmente uma virtude" . então "S é um animal". se alguém dissesse qu e o branco é acidentalmente uma cor. por exemplo. que "S é um animal que anda com dois pés". avançando em ordem até aqueles que já não são divisíveis. se "ser um animal que anda com dois pés é um atributo de S". Depois. por exemplo. por exemplo. por exemplo) p ertença em parte ao seu sujeito. Outra regra é examinar todos os casos em que se afirmou ou se negou universa lmente que um predicado pertence a alguma coisa. ao passo que há muitas cois as. é evidente que ele apresentou o gênero c omo se fosse um acidente. além do branco. já que as espécies assumem tanto o nom e como a definição de seus gêneros. pois se "ser capaz de aprender gramática é um atributo de S". aos termos que significam a privação ou a presença de certos est ados. São eles de duas es pécies. pois no caso do acidente. No caso dos acidentes. e aos termos contraditórios. chamando homem a um plátano) transgr ide a terminologia estabelecida. enquanto os que discutem com elas procuram rebatê-los. suponha-se. mas sim o seu gênero. O que afirma pode. ne nhum destes atributos pode pertencer ou deixar de pertencer ao seu sujeito em pa rte: devem pertencer ou não pertencer de forma absoluta. visto ter usado uma forma derivad a. um cavalo . quando demonstramos que ele não se aplica a algum cas o. por conversão. e em nenhum outro. E do mesmo modo q uando se deriva do gênero. usando essas mesmas palavras e dizendo. muitas vezes. É preciso encará-las espécie por espéci e. um predicado derivado do gênero nunca se aplica à espécie sob uma forma derivada ou inflectida. se a consideração desses casos não nos fornec eu nenhum resultado evidente. que são coloridas. também demonstramos que ele se aplica a al guns casos. pois esses são co muns tanto aos problemas universais como aos particulares. mesmo sem tais definições. Com efeito. por exemplo. que ele o expressa como um acidente. e examinar. um homem. pois. cometem um erro. é possível qu e uma coisa seja condicional e não universalmente verdadeira. pois ser uma cor não é um acidente do branco. Os nomes derivados d os elementos "definição". devemos dividi-los novamente até chegar aos que já não são divisíveis. É evidente. por e xemplo. como um lenho.

do mesmo modo. se substit uirmos um dos termos usados na definição pela sua própria definição. podemos exigir que o outro o afirme universalmen te. se mostrarmos que num caso qualquer o atributo não pertence ao sujeito. quer de a mbos separadamente. mas difere dela no arranjo do argumento. Esta regra deve ser observada nos casos em qu e a diferença de significados passa despercebida. Este tópico ou lugar é conversível tanto com o fim de estabelecer um ponto de vista como de lançá-lo por terra. Porque. teremos demolido a afirmação uni versal. é evidente que o homem indignado não será invejoso. Assim. também. e não nos determos até que cheguemos a um termo familiar. seria mau. definir que espécies de coisas devem ser chamadas como as cha ma a maioria dos homens. E com tanto mais razão se o predicado não pertence ao sujeito em nenhum caso. o negar-se a afirmar o colocará numa posição absurda. quer de um deles só. Além disso. mas si m um outro ponto. porque muitas vezes. se ele é atribuível num caso qualquer.tos. pelo contrário. Esta regra é quase idêntica àquela que nos manda examinar os c asos em que um predicado foi afirmado ou negado universalmente. se não pudermos demon strá-lo em ambos os sentidos. e quais as que devem receber outro nome. teremos demolido o problema. para ver se o homem bom é invejoso. o predicado parece ser válido em todos os casos ou em grande número deles. Deve-se. o adversário objetará que o ponto que ele pôs em questão não foi discutido. mas quando perguntamos que classe de coisas são de tal ou tal espécie. Porque isso é útil tanto para estabelecer como para rebater um ponto de vista: por exemplo. Outra regra é dar definições tanto de um acidente como do seu sujeito. demonst raremos que num sentido o atributo não corresponde ao sujeito. se depois de termos sugerido uma divisão. se não pudermo s demonstrá-lo em ambos os sentidos: e. e sim a do médico. porque. porque. Ou ainda. se a definição se formula inteira. teremos de garantir a admissão preliminar de que. se mostrarmos que ele pertence num só caso que seja. já que. se o termo é usado em diversos sentidos e se estabeleceu que ele é o u não é um atributo de S. é acertado chamar de "saudável" tudo que tende a promover a saúde. tanto se o juízo afirma como se nega o atributo universalmente. ou com o dobro e a metade. como faz a maioria dos home ns. deve-se demonstrar o argumento pelo menos num dos vários sen tidos. pois desse modo será posto em evidên cia se a afirmação é verdadeira ou falsa: por exemplo. devemos nós mesmos apresentar o problema sob a forma de uma propos ição e depois aduzir um exemplo negativo contra ela. e. porque. nesse caso. se a "inveja" é a dor causada pelo êxito aparente de uma pessoa de boa conduta. Porque. já não convém adotar a linguagem da multidão. se não é possível fazê-lo em todos. pergunte-se o que é cada um deles. é atrib . se em qualquer desses casos se demonstra que o conhecimento que se te m dos opostos não é o mesmo. se queremos estabelecer uma afir mação. então. Devemos também substituir os termos contidos em nossas definições por outras def inições. Esta regra é conversível com fins tanto destrutivos como construtivos. pergunte-se o que é "fazer injustiça". porque Deus não é passível de qualquer espécie de dano. ele se tornará evidente . porque. é evidente que não se pode fazer injustiça a um deus. pois esse exemplo negativo será u ma base de ataque à asserção. ou com o ser e o não-se r. se é "invejoso" aquele que se des gosta com os êxitos dos bons e fica "indignado" o que se magoa com os êxitos dos mau s. mas ao dizer se o objeto que temos diante de nós tende ou não a promover a saúde. evidentemente o homem bo m não é invejoso. diríamos que nossos termos devem ser usados para significar as mesmas coisas que a maior ia das pessoas significam com eles. se estivermos rebatendo uma afirmação. Porque. se ele não fizer nenhuma dessas coisas. 3 Além disso. se é "causar dano deliberadamente". para ver se é possível faz er injustiça a um deus. e depois examinar se alguma falsidade foi admitida como verdadeira nas definições. mas. pois. ter emos demolido a negação universal. ou então apresente um exemplo negativo para mostrar em que caso o predicado não é válido. o ponto em questão não fica aclarado. não devemos acompanhar aqui a multidão: por exemplo. É claro que ao rebater um juízo não há nenhuma necessidade d e começar a discussão levando o interlocutor a admitir o que quer que seja. pe rgunte-se quem é o homem "invejoso" e o que é "inveja". supondo-se que ela seja ev idente. por exemplo. Ou. ou com a cegueira e a visão. para ver se o homem indig nado é invejoso. mostraremos que num dos sentidos o atributo pertence ao sujeito. Ao estabelecer uma proposição.

se queremos rebater um ponto de vista. que a pessoa gulosa deseja não p or ser vinho. por exemplo. ou como um meio pa ra a consecução de um fim (como o desejo de ser medicado). evidentemente é de todo impossível que seja assim. A fim de mostrar que atributos contrários pertencem à mesma coisa. atente-se n o seu gênero. toda alma é i mortal. contanto que essa pretensão seja razoável. entre os contrários. porquanto "julgar" é o . ou ambas podem ser fins. pois é devido ao acide nte de ser o eqüilátero um triângulo que sabemos que ele tem seus ângulos iguais a dois ân gulos retos. Esta norma é também utilizável para ambos os fins. Nesses casos é também necessário levar em conta qualquer incerteza a respeito do número de sign ificados envolvidos. e apenas acidentalmente o vinho: porque. como. por exemplo. também no tocante à percepção devem ser possíveis a exatidão e o erro. dado que é possível julgar exata u erroneamente. Se u desejo pelo vinho é. devemos trazer à luz todos os que não admitem esse ponto de vista e deixar o resto de lado. Mas. por outro lado. como acontece no caso do vinho. ou. "muitas coisas" pode s ignificar tanto o fim como os meios que conduzem a esse fim. pois os casos deste tipo são geralmente casos de termos relativos. então. Isto não se deve fazer em todos os casos. Esta regra é útil ao tratar com termos rel ativos. um deles não é mais fim do que o outro). 4 É bom. como. cumpre distingu ir quantos significados ele tem antes de passar a refutar ou a estabelecer: supo ndo-se. como quando se diz que a ciência dos contrários é a mesma ( pois. trocar um termo por outro mais familiar — substituir. aqui. No ex emplo presente a prova procede do gênero e passa deste à espécie. Se. ou como uma coisa desejad a acidentalmente. devese demonstrar uma delas. acrescentando que a predicação é verdadeira num sentido e não n o outro. Por exemplo: "a ciência de muitas coisas é uma só". que ele é honroso e conveniente. tanto para estabelecer como para lançar por terra um ponto de vista. se este for seco. pois. mas por ser doce. ou que nem é honroso. acidental. o geômetra pode argumentar que o triângulo tem seus ângulos ig uais a dois ângulos retos. devemos pôr em evidência todos aqueles significados que admitam esse ponto de vis ta. e "estar ocupado" por "estar a trapalhado". Além disso. e o fato aci dental de que a figura eqüilátera também possua essa propriedade. essa pessoa deseja essencialmente o doce. mostrand o. "exato" por "claro" ao descrever uma concepção. nem convenien te. Distingam-se tantos significado s quantos forem necessários: por exemplo. além disso. mas apenas naqueles em que não pod emos apontar facilmente um argumento único que seja aplicável a todos os casos em co mum. porém não diferem devido à ambigüidade de um termo e sim de outra man eira. Porquanto não basta dis cutir um caso único para demonstrar que um atributo se predica universalmente: par a argumentar. se queremos demonstrar que a exatidão e o erro são possíveis no que se refere à percepção sensível. ou. a variedade de acepções do termo é evidente. que uma coisa é ou não é "de" outra deve ser estabeleci do por meio das mesmas normas ou lugares: por exemplo que uma determinada ciência é de uma determinada coisa. aquelas expressões cujos sign ificados são muitos. o fato e ssencial de que o triângulo tem seus ângulos iguais a dois ângulos retos. já não o desejará. se uma alma qualquer é imortal. que "o correto" signifique "o conveniente" ou "o honroso". Com efeito. por exemplo. portanto. então. ou. não é possível em qualquer sentido do termo que a ciência de muit as coisas seja a mesma. por exemplo. a medicina tanto é a ciência de produzir a saúde como da maneira de observar uma dieta . Considerem-se.uível universalmente. A mesma regra vale também para quando o número de acepções em que se divide o t ermo é superior a dois. e perceber é julgar. isto é. ao passo que. procurar-se-á estabelecer ou rebater ambas as descrições do sujeito em questão. Se. e dividi-lo apenas naqueles significados que são necessários para estabelecer a nossa tese. é pr eciso ter obtido a admissão prévia de que. por exemplo. então evidentemente é possível. A mesma regra vale também para o desejo e todos os outros termos que têm mais de um objeto. se é po ssível em algum sentido. se queremos estabelecer um ponto de vist a. toda alma é imortal. ou como acidentalmente relacionada com ela. que não é "de" tal coisa em nenhum dos sentidos ou maneira indicados acima. que se a alma do homem é imortal. pois quando a expressão é mais familiar torna-se mais fácil atacar a tese . pode trat ar-se de um atributo essencial e de outro acidental. por outro lado. tratada como um fim. por exe mplo. como meio para alcançar um fim. por exemplo. por exemplo. como. na eventualidade de que seja impossível demonstrar ambas as coisas. Porquanto o "desejo de X" pode significar o desejo dele como um fim (como o desejo da saúde).

gênero de "perceber", e o homem que percebe julga de certa maneira. Mas pode segu ir a direção contrária e ir da espécie para o gênero, pois todos os atributos que pertence m à espécie pertencem igualmente ao gênero; por exemplo, se há um conhecimento mau e um conhecimento bom, há também uma boa e uma má disposição, porquanto "disposição" é o gênero de ecimento. Ora, o primeiro argumento tópico é falaz quando se trata de estabelecer um ponto de vista, ao passo que o segundo é verdadeiro. Com efeito, não é necessário que t odos os atributos pertencentes ao gênero também pertençam à espécie: "animal", por exemplo , é volátil e quadrúpede, porém não assim "homem". Por outro lado, todos os atributos que pertencem à espécie devem necessariamente pertencer também ao gênero; porque, se "homem" é bom, então "animal" também é bom. E, ao contrário, para o fim de demolir uma opinião, o p rimeiro tópico é verdadeiro, enquanto o segundo é falaz, já que todos os atributos que não pertencem ao gênero não pertencem tampouco à espécie, ao passo que todos os que faltam à espécie não faltam necessariamente ao gênero. Como aquelas coisas das quais se predica o gênero devem necessariamente ter também uma das espécies deste que se predique delas, e como aquelas coisas que estão n a posse do gênero em questão ou são descritas por termos derivados desse gênero devem ta mbém necessariamente estar na posse de uma de suas espécies e ser descritas por term os derivados de uma dessas espécies (por exemplo, se a alguma coisa se aplica o te rmo "conhecimento científico", então se aplicará também a ela o conhecimento "gramatical " ou "musical", ou o conhecimento de uma das outras ciências; e se alguém possui con hecimento científico ou é descrito por um termo derivado de "ciência", esse alguém também possuirá o conhecimento gramatical, o musical, ou o conhecimento de alguma das dem ais ciências, ou será descrito por um termo derivado de uma delas, como, por exemplo , "gramático" ou "músico") — por conseguinte, se se afirma que uma expressão qualquer é de algum modo derivada do gênero (por exemplo, que a alma está em movimento), procurese ver se a alma pode ser movida com alguma das espécies de movimento — se, por exem plo, ela pode crescer, ser destruída ou gerar-se, e do mesmo modo com respeito a t odas as demais espécies de movimento. Porque, se a alma não se move de nenhuma dessa s maneiras, evidentemente não se move em absoluto. Este tópico serve para ambos os p ropósitos, tanto para desbaratar como para estabelecer uma opinião: pois, se a alma se move com alguma das espécies de movimento, é evidente que se move; e, se não se mov e com nenhuma das espécies de movimentos, é evidente que não se move. Se alguém não estiver bem provido de um argumento contra a afirmação, procure entr e as definições, reais ou aparentes, da coisa que tem diante de si, e se uma não for s uficiente, lance mão de várias. Com efeito, será mais fácil rebater uma pessoa quando pr esa a uma definição, pois as definições são sempre mais fáceis de atacar. Examine-se além disso, com respeito à coisa em questão, que é aquilo cuja realidad e condiciona a realidade da mesma, ou cuja realidade se segue necessariamente da realidade da coisa em questão: se se deseja estabelecer um ponto de vista ou opin ião, é preciso investigar que coisa existe de cuja realidade se seguirá a realidade da coisa em questão (porque, se demonstrarmos que a primeira é real, também teremos demo nstrado que a coisa em questão é real). Se, pelo contrário, se deseja desmantelar uma opinião, deve-se perguntar que coisa é real se a coisa em questão é real, porque, se dem onstrarmos que o que se segue da coisa em questão é irreal, teremos rebatido essa me sma coisa. Considere-se também o tempo implicado, para ver se há discrepância em alguma par te: suponha-se, por exemplo, que um homem afirmou que o que é alimentado cresce ne cessariamente: pois os animais estão sempre sendo necessariamente alimentados, mas nem sempre crescem. E também da mesma forma se ele disse que conhecer é lembrar-se: porque uma dessas, coisas diz respeito ao tempo passado, enquanto a outra tem q ue ver igualmente com o presente e com o futuro. Diz-se, com efeito, que conhece mos as coisas presentes e futuras (por exemplo, que haverá um eclipse), ao passo q ue é impossível lembrar-se de nada que não pertença ao passado. 5 Existe, além disso, o desvio sofistico do argumento, mediante o qual levamos nosso adversário a fazer a espécie de afirmação contra a qual estamos bem providos de l inhas de argumentação. Esse procedimento é por vezes uma necessidade real, outras veze s uma necessidade aparente e outras, ainda, não é uma necessidade em absoluto, nem a parente, nem real. E realmente necessário sempre que o que responde tenha negado a lgum ponto de vista que seja útil no ataque à tese, e o que pergunta dirige então os s

eus argumentos no sentido de apoiar o seu ponto de vista, sendo este um daqueles sobre os quais ele está bem provido de tópicos. E também realmente necessário sempre qu e ele (o que interroga), tendo chegado previamente a uma certa afirmação por meio de uma indução feita a partir da opinião expressa, procure depois demolir essa afirmação: po rque, uma vez demolida esta, a opinião expressa originalmente fica também refutada. É uma necessidade aparente quando o ponto para o qual passa a dirigir-se a d iscussão parece ser útil e relevante para a tese sem o ser realmente, quer porque o homem que se opõe ao argumento se tenha recusado a conceder alguma coisa, quer por que ele (o que pergunta) tenha previamente chegado a ela por uma indução plausível bas eada na tese, e trate então de demoli-la. O caso restante é quando o ponto a que a discussão passou a dirigir-se não é nem r ealmente, nem aparentemente necessário, e, por sorte do contendente, é refutado numa simples questão secundária. Deve-se ter cautela com o último dos métodos mencionados, p ois parece estar completamente desvinculado da arte da dialética e ser totalmente estranho a ela. Por essa mesma razão, o contendente não deve perder a calma, mas dar seu assentimento a afirmações que nenhuma utilidade têm no ataque à tese, acrescentando uma indicação sempre que assente, embora não esteja concorde com o ponto de vista. Po rquanto, em via de regra, a confusão dos que perguntam torna-se maior se, depois d e lhes terem sido concedidas todas as proposições dessa espécie, não podem chegar a conc lusão alguma. Além disso, quem tenha feito uma afirmação qualquer fez, em certo sentido, várias afirmações, dado que cada afirmação tem um número de conseqüências necessárias: por exemplo, m disse "X é um homem" também disse que ele é um animal, que é um ser animado e um bípede, e que é capaz de adquirir razão e conhecimento, de forma que, pela demolição de uma só de stas conseqüências, seja ela qual for, a afirmação original é igualmente demolida. Mas aqu i também é preciso acautelar-se para não passar a um argumento mais difícil: pois às vezes é a conseqüência e outras vezes a tese original a mais fácil de refutar. 6 Com respeito aos sujeitos que devem ter um, e apenas um, dentre dois predi cados, como, por exemplo, um homem deve ter ou bem doença, ou bem saúde, supondo-se que no tocante a um deles estejamos bem providos de argumentos para afirmar a su a presença ou ausência, estaremos igualmente bem documentados no que se refere ao ou tro. Este tópico é conversível para ambos os fins: pois, quando houvermos demonstrado que um dos argumentos pertence ao sujeito, teremos demonstrado também que o outro não lhe pertence; e, se demonstrarmos que um deles não lhe pertence, teremos demonst rado a predicabilidade do outro. Evidentemente, pois, a regra é útil para ambos os f ins. Além disso, pode-se adotar uma linha de ataque que consiste em reinterpretar um termo no seu sentido literal, implicando que é mais adequado tomá-lo assim do qu e no sentido estabelecido: por exemplo, a expressão "de coração forte" não sugerirá o home m corajoso, de acordo com o uso presentemente estabelecido, mas o homem cujo cor ação se acha em ótimo estado; assim como também a expressão "de boa esperança" se pode enten der no sentido de um homem que espera boas coisas. E analogamente, "de boa estre la" se pode tomar no significado do homem cuja estrela é boa, como diz Xenócrates: " de boa estrela é aquele que possui uma alma nobre9". Pois a estrela de um homem é a sua alma. Algumas coisas acontecem por necessidade, outras habitualmente, outras por acaso; se, portanto, se afirmou que um acontecimento necessário ocorre habitualme nte, ou que um acontecimento usual (ou, na falta de tal acontecimento, o seu con trário) ocorre necessariamente, isso sempre fornece um ensejo para atacar. Porque, se alguém afirmou que um acontecimento necessário ocorre habitualmente, é claro que e sse homem negou a universalidade de um atributo universal, cometendo, pois, um e rro; e da mesma forma se declarou que o atributo usual é necessário, pois então declar a que ele se predica universalmente, quando não é assim. E analogamente se sustenta ser necessário o contrário do que é habitual. Porque o contrário de um atributo usual é se mpre um atributo relativamente raro: por exemplo se os homens são habitualmente ma us, é relativamente raro encontrar um homem bom, de modo que o erro do contendor é a inda pior se afirmou que eles são necessariamente bons. O mesmo é verdadeiro se ele afirmou que uma simples questão de acaso ocorre necessária ou habitualmente, pois um

fato eventual não acontece nem necessária, nem habitualmente. Se a coisa acontece h abitualmente, então, mesmo supondo-se que sua afirmação não deixe bem claro se ele enten de que a coisa em questão sucede habitualmente ou de forma necessária, dá margem a que a contestemos na suposição de que o caso seja este último; por exemplo, se ele afirmo u, sem fazer distinção alguma, que as pessoas deserdadas são más, podemos supor, na disc ussão, que ele quis dizer que tais pessoas são assim necessariamente. É preciso também verificar se ele por acaso afirmou que uma coisa é um acidente de si mesma, tomando-a por algo diferente porque tem um nome distinto, como Pródic o, que dividia os prazeres em alegria, deleite e regozijo, pois todos estes são si nônimos da mesma coisa, isto é, prazer. Se, pois, alguém disser que a alegria é um atrib uto acidental de regozijo, estará dizendo que ela é um atributo acidental de si mesm a. 7 Visto que os contrários podem ser ligados uns aos outros de seis maneiras e quatro dessas uniões formam uma contrariedade, devemos entender o assunto dos cont rários a fim de que isso nos possa ajudar tanto a estabelecer como a demolir uma o pinião. Ora bem: que os modos de conjunção são seis é evidente: pois (1) ou cada um dos ve rbos contrários será ligado a cada um dos objetos contrários, e isso nos fornece dois modos, por exemplo: fazer bem aos amigos e fazer mal aos inimigos, ou, inversame nte, fazer mal aos amigos e bem aos inimigos; ou, então, (2) ambos os verbos podem ser unidos a um só objeto, e isto também nos fornece dois modos, por exemplo: fazer bem aos amigos e fazer mal aos amigos, ou fazer bem aos inimigos e fazer mal ao s inimigos. Ou, ainda, (3) um só verbo pode ser ligado a ambos os objetos, e isto nos fornece igualmente dois modos, por exemplo: fazer bem aos amigos e fazer bem aos inimigos, ou fazer mal aos amigos e fazer mal aos inimigos. As duas primeiras das conjunções supramencionadas não constituem, pois, nenhuma contrariedade, porquanto fazer bem aos amigos não é contrário a fazer mal aos inimigos , uma vez que ambas essas maneiras de proceder são desejáveis e correspondem a uma m esma disposição. Nem tampouco fazer mal aos amigos é contrário a fazer bem aos inimigos, pois ambas essas coisas são reprováveis e pertencem à mesma disposição; e não se pensa gera lmente que uma coisa reprovável seja contrária a outra, a menos que uma denote um ex cesso e a outra uma deficiência; pois um excesso é geralmente incluído na classe das c oisas reprováveis, e da mesma forma uma deficiência. Mas todas as outras quatro cons tituem uma contrariedade. Com efeito, fazer bem aos amigos é o contrário de fazer ma l aos amigos, pois essas coisas procedem de disposições contrárias, e uma delas é desejáve l enquanto a outra é reprovável. O caso é semelhante no que tange às outras conjunções, pois em cada uma dessas combinações um modo de proceder é desejável e o outro reprovável, e um corresponde a uma disposição razoável e o outro a uma má disposição. Pelo que ficou dito to rna-se, pois, claro que o mesmo modo de proceder tem mais de um contrário. Com efe ito, fazer bem aos amigos tem como contrários tanto fazer mal aos amigos como faze r bem aos inimigos. E, se os examinarmos do mesmo ângulo, veremos que os contrários de cada um dos outros também são em número de dois. Escolha-se, portanto, qualquer dos dois contrários que seja útil para atacar uma tese. Além disso, se o acidente de uma coisa tem um contrário, é preciso verificar se este pertence ao sujeito a que foi atribuído o acidente em apreço; porque, se o segu ndo lhe pertence, não pode pertencer-lhe o primeiro, visto ser impossível que predic ados contrários pertençam simultaneamente à mesma coisa. Deve-se examinar, por outro lado, se de alguma coisa foi dita outra coisa de tal índole que, se for verdadeira, predicados contrários devem necessariamente pe rtencer à primeira: por exemplo, se o contendor afirmou que as "idéias" existem em nós . Pois daí resultará que elas estão ao mesmo tempo em movimento e em repouso, e, além di sso, que são objetos tanto de sensação como de conhecimento. Com efeito, de acordo com as opiniões dos que afirmam a existência de idéias, essas idéias estão em repouso e são obj etos de conhecimento; ora, se elas existem em nós, é impossível que estejam imóveis; poi s quando nos movemos, segue-se necessariamente que tudo que em nós existe se move juntamente conosco. Não é menos evidente que também são objetos de sensação, se existem em nó , pois é pela sensação da vista que reconhecemos a forma presente em cada indivíduo. Se se afirmou um acidente que tem um contrário, é preciso ver se aquilo que ad mite o acidente admite também o seu contrário; pois uma mesma coisa admite contrários.

que a faculdade do desejo seja capaz de conhecimento. a inversão da seqüência formada pela contradição do termos é um método conversível para ambos os fins. porque "animal" se segue de "homem". Porque. que "se o honroso é agradável. nestes casos a seqüência é invertida. pois. verificar se o seu contrário. é evidente que tampouc o um dos termos se segue do outro na afirmação feita. pois de uma delas se segue a virtude e da outra o vício. a oposição entr ensação e ausência de sensação é uma oposição entre a presença e a privação de um estado: poi s é um estado. demonstrado ainda que o acidente afirmado também lhe pertence. e não é esta a op inião geral — isto é. A fim. habitualmente. ajuda a defender a po ssibilidade de tal predicação. a seqüência é também direta no segundo caso. t anto quando se rebate como quando se estabelece uma opinião. então 1/3 é uma fração. Por outro lado. por exemplo. Com efeito. pois. poi s. pelo contrário. não teremos. seria também capaz de conhecimento. a amizade. por exemplo. seria mais certo dizer que a fraqueza é conseqüência da doença. o objeto do conhe cimento também será um objeto de concepção. também o objeto da v a será um objeto de sensação. forçosamente. O caso dos termos relativos também deve ser estudado da mesma maneira que o de um estado e da sua privação. Devem-se também examinar os casos de privação ou presença de um estado do mesmo mo do que no caso dos contrários. se ele fosse capaz de ignorância. Esta é. pois. por conseguinte. se este último é falso bém o será o primeiro". por exemplo. Ora . quer por conversão. ela é. a seguir. a seqüência é direta. também deve necessariamente ser assim na afirmação inici al. do mesmo modo: "se o que não é agradável não é honroso. porque se assim não for — se a amizade pertence à faculdade do desejo —. nossa prova não terá ido além desse p onto: a possibilidade de que ele lhe pertença. se o conhecimento é um modo de conceber. n em é possível que lhe pertença. sempre direta: por exemplo. E do mesmo modo nos outros casos. pois o desejável é o contrário do reprovável. Nós os obteremos por meio da indução — argumen tos tais como. embora a regra não ajud e a afirmar que o acidente pertence atualmente ao sujeito. Com efeito. então o qu onroso é agradável". o que não é agradável não é honroso: e. enquanto da out ra se segue que é reprovável. se um é conseqüência d o outro no caso dos contrários. o contrário de um dos termos nã se segue do contrário do outro nem direta. Evidentemente. rara no caso dos c ontrários: aí. tanto ao rebater uma opinião como ao estabelecê-la.Assim. nesse caso. ao passo que a ausência de sensação é conseqüência da cegueira. devemos procurar argumentos entre as contraditórias de nossos termos. mas a doenç é conseqüência da fraqueza. 8 Dado que os modos de oposição são em número de quatro. a seqüência é inversa num caso como o seguinte: a saúde é conseqüência do vigor. também pertence à "faculdade emotiva". como já se disse. e o outro é a privação do mesmo. mas quando . deve-se fazer um postulado desta espécie. Deve-se. na medida em que isso for necessário. pois 3/1 é relativo a 1/3 assim como um múltiplo é relati a uma fração. E. em verdade. por outro lado. E de maneira análoga se o outro afirmou que o desejo é ignorante. o que não é um animal não é um homem" . pois é a essa que pertence a cólera. Pois ao demonstrar que a coisa em questão não admite o ac idente que lhe foi atribuído. a saber. Se. este caso. e. se trata de estabelecer um ponto de vista. o ódio pertenc eria. se o contendor afirmou que o ódio se segue à cólera. à "faculdade emotiva". E igualmente. apenas. Poder-se-ia levantar aqui a objeção de que. se demonstrarmos que o contrário lhe pertence. ou que a coisa comporta o contrário. pois aqui a seqüência também é direta: por exemplo. por conseguinte. antes. "não-homem" segue-se de "não-animal". Portanto. nem inversamente. o caso dos contrários de S e P na tese para ver se o c ontrário de um se segue ao contrário do outro. quer diretamente. Examine-se. mas "não-animal" não se segu e de "não-homem". Em todos os casos. a seqüência é direta num caso como o da coragem e da covardia. pois o objeto de sens . no caso dos termos relativos. que em tais casos não ocorre a seqüênci a inversa. deve-se observar esta regra. Acontece. é evidente que a seqüência é inversa. invertendo a ordem de sua seqüência. não há n enhuma necessidade de ocorrer a seqüência da maneira descrita. ao passo que. "se o homem é um animal. e se a vista é uma sensação. convém munir-se de argu mentos desta espécie também por meio da indução. e de uma se segue que é desejável. todavia. de rebater uma opinião. a sensação é conseqüência da vist . então o ódio não pode segu r-se à cólera. se 3/1 é m múltiplo. teremos demonstrado que o acidente não lhe pertence. pelo contrário. e de maneira análoga nos outros casos de contraditórias.

ação é um objeto de conhecimento, ao passo que a sensação não é conhecimento. Essa objeção, c o, não se admite em geral como realmente válida, pois muitos negam que haja um conhe cimento de objetos de sensação. Além disso, o princípio formulado não tem menos utilidade para o propósito contrário, isto é, para demonstrar que o objeto de sensação não é um objeto e conhecimento, apoiando-se em que tampouco a sensação é conhecimento. 9

Convém examinar também os coordenados e as formas derivadas dos termos que con stituem a tese, tanto ao refutá-la como ao estabelecê-la. Entendem-se por "coordenad os" termos como os seguintes: "ações justas" e "homem justo" são coordenados de "justiça ", e "atos corajosos" e "homem corajoso" são coordenados de "coragem". Analogament e, também as coisas que tendem para produzir e conservar alguma coisa chamam-se co ordenadas daquilo que tendem a produzir ou conservar, como, por exemplo, "hábitos saudáveis" são coordenados de "saúde", e um "exercício vigoroso" de uma "constituição vigoro sa", e de modo análogo também em outros casos. "Coordenado", pois, designa geralment e casos como os que acabamos de mencionar, enquanto "formas derivadas" são "justam ente", corajosamente", "saudavelmente" e outras formadas da mesma maneira. Em ge ral se admite que as palavras usadas em suas formas derivadas são também coordenadas , como, por exemplo, "justamente" em relação a "justiça" e "corajosamente" a "coragem" ; segundo este ponto de vista, "coordenado" designa todos os membros da mesma séri e de termos afins, como, por exemplo, "justiça", "justo" aplicado a um homem ou a um ato, "justamente". É evidente, pois, que quando se demonstra que é bom e digno de louvor um membro qualquer de uma série de termos afins, o mesmo fica demonstrado de todos os demais. Por exemplo: se "justiça" é algo digno de louvor, também "justo", tanto aplicado a um homem como a um ato, e "justamente", conotarão algo digno de l ouvor. Portanto, "justamente" será também expresso por louvavelmente", derivado de " louvável" por meio da mesma inflexão que de "justiça" formou "justamente". Deve-se procurar o predicado contrário não apenas no caso do sujeito mencionad o, como também no do sujeito contrário. • Sustente-se, por exemplo, que o bem não é necess ariamente agradável, pois tampouco o mal é doloroso; ou, se este último é assim, também se rá agradável o primeiro. Por outro lado, se a justiça é conhecimento, então a injustiça é ign rância; e, se "justamente" significa "sabiamente" e "habilmente", então "injustament e" significa ignorantemente" e "inabilmente"; ao passo que, se o último não é verdadei ro, tampouco o será o primeiro, como no exemplo dado acima; pois é mais provável que " injustamente" pareça equivaler a "habilmente" do que a "inabilmente". Este tópico já f oi explanado atrás, quando tratamos da seqüência dos contrários10; pois tudo o que prete ndemos agora é que o contrário de P se siga ao contrário de S. Examinem-se, além disso, os modos de geração de uma coisa, e aquelas coisas que tendem a produzi-la ou a corrompê-la, tanto ao refutar como ao estabelecer uma opi nião. Porque aquelas coisas cujos modos de geração se classificam entre as coisas boas são também boas elas mesmas; e, se elas mesmas são boas, também o são os seus modos de ge ração. Se, por outro lado, seus modos de geração forem maus, elas próprias também serão más. nto aos modos de corrupção, o inverso é verdadeiro; porque, se os modos de corrupção se cl assificam como coisas boas, então as coisas mesmas se classificarão como más, ao passo que, se os modos de corrupção são considerados maus, elas mesmas aparecem como boas. O mesmo argumento se aplica também ao que tende a produzir e a corromper: porque a s coisas produzidas por causas boas são também boas elas mesmas; ao passo que, se as causas que as corrompem são boas, elas mesmas se classificam como más. 10 Devem-se examinar também as coisas que se assemelham ao sujeito em questão e v er se se encontram num caso semelhante; por exemplo, se um ramo de conhecimento tem mais de um objeto, também o terá uma opinião; e, se possuir visão é ver, então possuir a udição é ouvir. E de maneira análoga com as demais coisas, tanto as que são semelhantes co mo as que são geralmente consideradas como tais. O tópico de que falamos é comum para os dois fins, porque, se se afirmou algo de alguma coisa particular, a mesma afi rmação se aplicará também às outras coisas semelhantes, ao passo que, se a afirmação não é ve ira de uma delas, também não o será das outras. Procure-se ver também se os casos são semelhantes com respeito a uma só coisa e com respeito a várias coisas, pois às vezes deparamos com uma discrepância. Assim, se

"conhecer" alguma coisa é "pensar" nela, então "conhecer muitas coisas" é "estar pensa ndo em muitas coisas"; mas isto não é verdadeiro, pois se pode conhecer muitas coisa s sem estar pensando nelas. Se, pois, a última proposição não é verdadeira, tampouco o era a primeira, que se referia a uma coisa só, a saber: que "conhecer" uma coisa é "pen sar" nela. Argumente-se, além disso, partindo dos graus maiores ou menores. No que toca aos graus maiores, existem quatro regras ou tópicos. Uma delas é: examinar se a um grau maior do predicado se segue um grau maior do sujeito; por exemplo, se o pra zer é um bem, veja-se também se um prazer maior é um bem maior; e, se fazer uma injust iça é um mal, veja-se se fazer uma injustiça maior é um mal maior. Esta regra é útil para am bos os fins, pois, se um acréscimo do acidente se segue a um incremento do sujeito , como dissemos, evidentemente o acidente pertence ao sujeito, ao passo que se u ma coisa não se segue da outra, o acidente não pertence ao sujeito. Isto deve ser es tabelecido por indução. Outra regra é: se um predicado é atribuído a dois sujeitos, supondo-se que ele não pertença ao sujeito ao qual é mais provável que pertença, tampouco deverá pertencer àquele a que é menos provável que pertença; e, inversamente, se pertence ao sujeito a que é men os provável que pertença, deverá pertencer igualmente ao outro. E, por outro lado: se dois predicados são atribuídos a um sujeito, então, se acontece não lhe pertencer o que mais geralmente se acredita que lhe pertença, tampouco lhe pertencerá o outro; ou, s e lhe pertence o que menos geralmente se acredita que lhe pertença, com mais forte razão lhe pertencerá o outro. Mais ainda: se dois predicados são atribuídos a dois suje itos, então, se aquele que mais geralmente se acredita pertencer a um dos sujeitos não lhe pertence, tampouco o predicado restante pertence ao sujeito restante; ou, se o que menos geralmente se acredita pertencer a um dos sujeitos lhe pertence, com maior razão pertencerá o outro ao sujeito restante. Além disso, pode-se argumentar partindo do fato de que um atributo pertence (ou se supõe geralmente que pertença) em grau igual ao sujeito, de três maneiras, corr espondentes aos três últimos tópicos dados em relação a um grau maior11. Porque, admitindo -se que um predicado pertence, ou supõe-se que pertença a dois sujeitos em grau igua l, então, se ele não pertence a um deles, tampouco pertence ao outro; ao passo que, se pertence a um dos dois, deverá pertencer também ao outro. Ou, supondo-se que dois predicados pertencem em grau igual ao mesmo sujeito, então, se um deles não lhe per tence, tampouco lhe pertencerá o outro; ao passo que, se um dos dois realmente lhe pertence, o outro também lhe pertencerá. O caso também é o mesmo se dois predicados per tencem em grau igual a dois sujeitos, porque, se um dos predicados não pertence a um dos sujeitos, tampouco o outro predicado pertencerá ao outro sujeito, ao passo que se um dos predicados pertence a um dos sujeitos, o outro predicado também pert encerá ao outro sujeito. Pode-se, pois, argumentar partindo de graus maiores, menores ou iguais de verdade, do número de maneiras que acabamos de indicar. Deve-se, além disso, argumen tar partindo da adição de uma coisa a outra. Se a adição de uma coisa a outra faz com que esta outra se torne boa ou branca , quando anteriormente não era boa nem branca, então a coisa acrescentada será branca ou boa — isto é, possuirá o caráter que comunica ao todo. Por outro lado, se a adição de alg uma coisa a um dado objeto intensifica o caráter que ele possuía tal como foi dado, então a coisa acrescentada possuirá, ela mesma, esse caráter. E analogamente quanto ao s demais atributos. Esta regra não é aplicável a todos os casos, mas apenas àqueles em q ue se veja realmente que ocorre o excesso descrito por nós como "intensidade aumen tada". Não é esta regra, no entanto, conversível para o fim de refutar uma opinião. Porq ue, se a coisa acrescentada não torna a outra boa, nem por isso é evidente que ela m esma não seja boa: com efeito, a adição do bom ao mau não faz necessariamente com que o mau se torne bom, como a adição do branco ao preto não faz com que o preto se torne br anco. Por outro lado, qualquer predicado de que possamos expressar graus maiores ou menores de inerência pertence também absolutamente ao sujeito, pois graus maiore s de bom ou branco não se atribuirão ao que não é bom ou branco: de uma coisa má nunca se dirá que possui um grau maior ou menor de bondade do que outra, mas sempre de mald ade. Esta regra tampouco é conversível para o fim de.refutar uma predicação, porquanto vár ios predicados dos quais não podemos expressar um grau maior pertencem aos seus su

jeitos de maneira absoluta: o termo "homem", por exemplo, não é atribuído em grau maio r ou menor, mas um homem é um homem de maneira absoluta. Devem-se examinar do mesmo modo os predicados que se atribuem sob um aspec to determinado e num tempo e lugar dados: porque, se o predicado é possível sob dete rminado aspecto, é também possível absolutamente. E do mesmo modo quanto ao que é predic ado num tempo ou lugar dado; pois aquilo que é absolutamente impossível tampouco é pos sível sob qualquer aspecto, nem em qualquer tempo ou lugar. Neste ponto pode-se le vantar uma objeção, dizendo que sob um determinado aspecto as pessoas podem ser boas por natureza, por exemplo, podem ser inclinadas à generosidade ou à temperança, mas d e um modo absoluto não são boas por natureza, pois ninguém é prudente por natureza. E, d o mesmo modo, também é possível que uma coisa corrompível escape à corrupção numa ocasião det inada, não sendo, todavia, possível que escape absolutamente a ela. E, por outro lad o, também é uma boa coisa, em certos lugares, observar tal ou tal dieta ou regime, c omo, por exemplo, em zonas contaminadas, embora não seja uma coisa boa em sentido absoluto. Além disso, em certos lugares é possível viver isolado e só, mas, falando de m odo absoluto, não é possível viver isolado e só. Do mesmo modo, também em certos lugares é h onroso sacrificar o próprio pai, como entre os Tribalos, ao passo que falando de m odo absoluto, isso não é honroso. Ou talvez isso indique uma relatividade não a lugare s, mas a pessoas, pois onde quer que elas se encontrem acontece o mesmo. Em toda parte esse ato será considerado honroso entre os Tribalos, simplesmente porque são Tribalos. Mais ainda: em certas ocasiões é uma boa coisa tomar medicamentos, por exemplo , quando se está doente, mas não é assim de modo absoluto. Ou talvez isso possa indica r uma relatividade não a uma ocasião determinada, mas a um determinado estado de saúde , pois não importa quando isso ocorra, se a pessoa se encontra em tal estado. Uma coisa é "absolutamente" assim se estamos dispostos a dizer dela, sem qua lquer adição, que é honrosa ou o contrário. Negaremos, por exemplo, que seja honroso sac rificar o próprio pai: isso só é honroso para determinada gente; não é, por conseguinte, h onroso em sentido absoluto. Em compensação, diremos que honrar os deuses é honroso sem acrescentar mais nada, porque é honroso em sentido absoluto. E assim, de tudo aqu ilo que, sem qualquer adição, se considere geralmente honroso ou desonroso, ou de qu alquer outra coisa da mesma espécie, se dirá que é assim "absolutamente". LIVRO III 1 A questão sobre qual é a mais desejável ou a melhor entre duas ou mais coisas de ve ser examinada da maneira seguinte; mas, antes de mais nada, devemos deixar be m claro que a investigação que estamos fazendo não diz respeito a coisas que divergem largamente e mostram grandes diferenças umas das outras (pois ninguém expressa a men or dúvida sobre se é mais desejável a felicidade ou a riqueza), mas a coisas que se re lacionam estreitamente entre si e sobre as quais costumamos discutir para saber qual das duas deveremos preferir, por não vermos nenhuma vantagem de um lado ou de outro ao compará-las. É evidente, pois, que se em tais casos pudermos mostrar uma úni ca vantagem, ou mais de uma, nosso juízo será o nosso assentimento àquela parte que po ssui a vantagem, como sendo a mais desejável. Em primeiro lugar, pois, o que é mais duradouro e seguro é preferível àquilo que o é menos; e, do mesmo modo, o que tem mais probabilidades de ser escolhido pelo ho mem sábio ou prudente, pelo homem bom ou pela lei justa, por homens que são hábeis num campo qualquer, quando fazem sua escolha como tais, e pelos peritos em determin adas classes de coisas: isto é, o que a maioria ou o que todos eles escolheriam; p or exemplo, em medicina ou em carpintaria, são mais desejáveis as coisas que escolhe ria a maioria dos médicos ou carpinteiros, ou todos eles; ou, de modo geral, o que escolheria a maioria dos homens, ou todos os homens, ou todas as coisas — pois to das as coisas tendem para o bem. Deve-se orientar o argumento que se pretende em pregar para qualquer fim que se necessite. O padrão absoluto do que é "melhor" ou "m ais desejável" é o ditame da melhor ciência, se bem que relativamente a um indivíduo dad o o padrão possa ser a sua ciência particular. Em segundo lugar, aquilo que é conhecido como "um X" é mais desejável do que aqu ilo que não se inclui no gênero "X": por exemplo, a justiça é mais desejável do que um hom em justo, porque a primeira se inclui no gênero "bem", o que não acontece com o segu ndo, e a primeira é chamada "um bem", ao passo que o segundo não o é; pois nada que não

recuperar a saúde é mais desejável do que uma operação cirúrgica. e o que pertence à alma. ao passo que em nossos inimig os nós a desejamos por outra coisa e a fim de que eles não nos causem dano. E. supondo-se que o excesso da felicidad e sobre a saúde seja maior do que o da saúde sobre aquilo que a produz. Mais ainda: o que é bom de maneira absoluta é mais desejável do que aquilo que é b om para uma pessoa particular: por exemplo. segundo se supõe geralmente. Do mesmo modo . logo. sendo a força uma característica dos tendões e dos músculos. Também é melhor o que é inerente a coisas melhores. e do mesmo modo nos outros casos da mesma espécie. a fim de que não nos causem dano. Assim também. o que mais se aproxima do fim. en quanto a beleza. enquanto a segunda é desejada com vistas noutra coisa. o excesso do que pr oduz a felicidade sobre o que produz a saúde é maior do que o excesso da saúde sobre e ste último. o vício e o acaso. a justiça é mais desejável em nossos amigos do que em nossos inimigo s. a saúde é preferível à força e à beleza. a saúde é preferível à ginástica. por exemplo. aquilo que em si mesmo é causa do bem é mais desejável do que aq uilo que o é por acidente. mais precioso e digno de louvor é ma is desejável do que aquilo que o é menos. pois a primeira é boa por nature za. Porquanto os primeiros pertencem em si mesmos à cla sse das coisas preciosas e dignas de louvor. Do mesmo modo. a virtude é mais desejável do que a sorte (poi s a primeira é por si mesma causa de coisas boas. a todos os constituintes primários de um animal ao passo que as outras são in erentes ao que é secundário. pois. E do mesmo mod o. pois aquilo que é em si mesmo a causa do mal é mais reprovável do que aquilo que o é acidentalmente. a amizade é mais desejável do que a saúde e a justiça do que a força. mais desejável do que o que pertence ao corpo. E analogamente nos demais casos. que o que produz a felicidade é mais desejável do que a saúd e. Porq uanto desejamos a justiça em nossos amigos por si própria. o que produz a felicidade exc ede o que produz a saúde na mesma proporção em que a felicidade excede a saúde. pois a primeira é boa de maneira absoluta e a segunda só o é para um a pessoa particular. poi s a primeira é inerente tanto ao úmido como ao seco. E analogamente também no caso contrário. por exemplo. por exemplo: a pro priedade de um deus do que a propriedade do homem. o que é um bem por natureza é mais desejável do que o bem que não é tal por natureza: por ex emplo. a saber: o homem que precisa de ser operado. a justiça é mais desejável do que o homem justo. Com efeito. por exemplo. ao passo que os segundos só pertencem . ao passo que e ntre um agente produtor e um fim podemos decidir mediante uma soma proporcional sempre que o excesso de um dos fins sobre o outro seja maior do que o do segundo sobre o seu agente produtor. por exemplo. E também o que se deseja por si mesmo é preferível àquilo que se deseja com vistas noutra coisa: por exemplo. pois supera o mesmo termo de referência por uma quantidade maior. um meio que tende para a fina lidade da vida é mais desejável do que um meio que se dirige a qualquer outra coisa. Mas a saúd e excede aquilo que a produz por uma quantidade menor. o que em si mesmo é mais nobre. o que pertence a um deus é mais desejável do que o que pertence a um homem. pois o primeiro é mau em si mesmo e o segundo só por acidente. ao passo que no segundo a bondade é adquirida. porque. por exemplo. pois a primeira é desejável em si mesma e a segunda por acidente: com efeito. consiste numa certa simetria dos mem bros. ao passo que a segunda só o é aciden talmente). porque a primeira é desejada p or si mesma. É evidente. então o que pr oduz a felicidade é melhor do que a saúde. tanto ao quente como ao frio — em suma. o que contribui para a felicidade é mais desejável do que aquele que c ontribui para a prudência. de dois meios. O apto é também mais desejável do que o inepto.pertença ao gênero em causa é chamado pelo nome genérico. por exemplo. em geral. embora expresso de outro modo. a nteriores ou mais honrosas: assim. des ejamos que nossos inimigos sejam justos por acidente. o que é desejável por si mesmo é mais desejável do que aquilo que se deseja por acide nte. por exemplo. de dois agentes produtores é mais desejável aquele cujo fim é melhor. por exemplo. Este princípio é o mesmo que o precedente. mesmo que isso não faça nenhu ma diferença para nós e ainda que eles estejam na índia. E também é mais desejável o atributo que pertence ao melhor e mais honroso sujeito. assim como no tocante ao que é comum a ambos não diferem absolutamente entre si. um "homem b ranco" não é uma "cor". Também se supõe geralmente que o fim é mais desejável do que os meios. a propriedade de uma cois a melhor é mais desejável do que a propriedade de uma coisa pior. no que respeita às suas pr opriedades um sobrepuja o outro. Por outro lado. por exemplo. como. e. Além disso.

bem como elo contrário das coisas: pois aquelas coisas cuja corrupção é mais reprovável são. pois aquelas cuja geração ou aquisição é mais desejável são. a conseqüência posterior é a que mais deve entrar em consideração. com efeito. o que mais de perto se assemelha ao bem — é melhor e mais desejável. ao passo que. uma d elas seja apreciada por causa da outra. porquanto os jovens sofrem mais do q ue os velhos as conseqüências de suas paixões. o que mais se assemelha a algo su perior a ele próprio é mais desejável do que aquilo que menos se assemelha. com efeito. pois há conseqüências anteriores e conseqüências posteriores. se as conseqüências forem más. sempre que duas coisas se assemelhem muito entre si e não podemos ver nenhuma superioridade numa delas sobre a outra. segue-se que antes era ignorante e depois sabe. Todas as coisas são também mais desejáveis na ocasião em que assumem maior importânc ia. dizem alguns que Ajax era um homem superior a Ulisses porque se assemelhava m ais a Aquiles. Além disso. a saber: o número menor no maior. Com a coragem dá-se o caso inverso . E dentre duas coi sas. mas sempre em virtude de outra coisa. Além disso. Pode-se levantar aqui uma objeção supondo-se que. Cumpre escolher . por exemplo. enquanto a segunda só o é em determinadas ocasiões. é mais desejável aquilo que é mais útil em todas as ocasiões ou na maioria delas. A isto pode-se objetar que não é verdade. 2 Além disso. por exemplo. E do mesmo modo. quer absolutamente. a combinação d a felicidade com algo que não seja bom pode ser mais desejável do que a combinação da ju stiça e da coragem. sentir falta da outra. portanto. devemos examiná-las sob o pont o de vista de suas conseqüências. pois nesse caso as duas juntas não são mais desejáveis do que uma só. Nosso exame a partir das conseqüências segue duas direções. como a de um macaco com um homem. quer quando um está incluído no outro. Com a geração ou a aquisição de coisas dá-se o contrário. Porquanto a que tem como conseqüência o bem maior é a ma is desejável. pois é bem possível que Ajax não se assemelhasse mais do que Ulisses a Aquiles naqueles pontos que faziam deste o melhor de todos eles. aquela que. ainda assim. pois as primeir as são sempre úteis. a justiça é melhor do que um homem justo. Examine-se também se a semelhança não é uma espécie de caricatura. Dentro do mesmo princípio. e não por si mesmos. se todos fossem corajosos. assim. por exemplo. ainda a ssim haveria necessidade de justiça. embora não se parece sse com Aquiles. tornaria desnecessária a outra é mais desejável do que aquela que todos poderiam possuir e. e da mesma forma quando são isentas de d or do que quando acompanhadas de dor. Considere-se a esta luz o caso da justiça e da coragem: se todos fossem justos. ninguém dá apreço à riq ueza por si mesma. um grande número de boas coisas é mais desejável do que um número menor. ninguém escolhe os jovens para guiálos. mais desejáveis. enquanto um cavalo não tem qualquer semelhança com este: porque o macaco não é o mais belo desses dois animais. pois é na mocidade que se requer de maneira mais imperativa o exercício dessa virt ude. se todos a possuíssem. ou. por exempl o. Além disso. Como regra geral. num caso particular. as mesmas coisas são mais valiosas quando acompanhadas de prazer do que quando este está ausente. não haveria necessidade de coragem. Com efeito. Outra regra ou tópico é que aquilo que está mais próximo do bem — em outras palavras . visto que desejamos recuperar a saúde precisamente por causa d a saúde. ejam mais desejáveis do que um grande número de boas coisas: por exemplo. também a prudência é mais desejável na velhice. ainda quando não é provável que nos advenha dela qualquer outro proveito. mais desejáveis. a recuperação da saúde e a saúde não são mais desejáve que a saúde por si só. apesar de sua semelhança mais . aquela das conseqüências que melhor servir aos nossos fins. será mais desejável a que for seguida de um mal menor. pode haver entre elas algum a conseqüência desagradável que faça pender a balança. juntamente com o que o é. em si mesmas. porque se reveste de maior importância na velhice. em si me smas. enquanto a amizade nos é preciosa em si mesma. pelas gerações e aquisições. E da mesma forma no que toca à temperança. a justiça e a temperança mais do que a coragem. embora ambas sejam desejáveis.a ela em virtude de outra coisa. por exempl se um homem aprende. estar isento de dor é mais desejável na velhice do que na juventude . Também é perfeitamente possível que aquilo que não é bom. Deve-se também julgar pelas corrupções e perdas. e que Ulisses fosse um homem de valor. pois não se espera que eles sejam prudentes.

aquela que a possui em maior grau é mais desejável. a posse mais pessoal é mais dese jável do que aquela que é mais amplamente compartilhada. enquanto a outra se parece f ortemente com a pior: suponha-se. que a semelhança de Ajax com Aquile s seja pequena. Igualmente. ao passo que a simples vida é uma necessidade. talvez as coisas necessárias sejam mais desejáveis. ser filósofo é melhor do que ganhar dinheiro. ou a que torna bom o objeto melhor e mais importante — se. se "homem" é me lhor do que "cavalo". pois damos maior valor à posse de coisas que não po dem ser adquiridas com facilidade. E. então "homem" é melhor do que "cavalo" em sentido abso luto. Do mesmo modo. é assim. 3 Além disso. Assim. e com freqüência são também mais desejáveis: viver bem. também. também o melhor dos comp onentes de A é superior ao melhor dos componentes de B. E do mesmo modo. é mais desejável aquela que o faz em grau maior. tratando-se de um homem qualquer a quem encontremo s na rua. as superfluidades são melhores do que as necessidades. no caso da just iça em comparação com a coragem. pois é possível que uma só se pareça de leve com a melhor. se de duas coisas uma se assemelha mais a uma coisa melhor enquanto a outra se assemelha mais a uma coisa pior. por exemplo. aquelas coisa s que preferiríamos fazer a nossos amigos são melhores do que aquelas que gostaríamos de fazer a qualquer um: per exemplo. no entanto.estreita com o homem. a semelhança da outra com o tipo pior seja no sentido de melhorá-lo. en quanto as supérfluas são melhores. não é desejável sem a prudência. Outro tópico é que o bem mais evidente é mais desejável do que o menos evidente. por exemplo. por exemplo. Se uma coisa torna bom tudo aquilo em que toca. se o melhor dos homens é su perior ao melhor dos cavalos. A expressão "superfluidade" aplica-se semp re que um homem possui o necessário para a vida e esforça-se por adquirir também outra s coisas nobres. Além disso. enquanto outra não o faz. Do mesmo modo. E inversamente. por exemplo. se de duas coisas repudiamos uma a fim de que nos con siderem possuidores da outra. porém não é mais desejável para um home m que carece das coisas necessárias à vida. que repudiamos o amor ao trabalho duro a fim de que os outros nos considerem geniais. se A é melhor do que B em sentido absoluto. é mais desejável essa outra de que desejamos nos consi derem possuidores. como sucede. E também o que está mais livre de conexões com o mal. acontece o contrário. praticar a justiça e fazer o bem do que simpl esmente aparentar essas coisas: pois preferiríamos fazer bem aos nossos amigos a a parentar fazê-lo. também o melhor dos homens é superior ao melhor dos cavalos. Isto. o que não se pode conseguir de outrem é mais desejável do que aquilo que também se pode conseguir de outrem. Ainda mais: as coisas que nossos amigos podem compartilhar conosco são melho res do que aquelas que eles não podem compartilhar. como é o caso da semelhança entre um cavalo e um jumento em comparação com a semelhança entre um homem e um macaco. po não B sem A: o poder. são mais desejáveis aquelas coisas com cuja ausência é menos reprovável que nos aflijamos. pois o que não é acompanhado de nada desagradável é mais desejável do que aquilo que possui tais conotações. a primeira é mais desejável. e também aquelas com cuja ausência é mais reprovável que deixemos de nos afligir. porém. e o mais difícil do que o mais fácil. por exemplo. por exemplo. pelo contrário. de duas coisas que pertencem à mesma espécie. Do mesmo modo. Por outro lado. é uma superfluidade. e ntão A é melhor do que B em sentido absoluto. A é mais desejável se A é desejável sem B. ois do fato de ser melhor não decorre necessariamente que seja mais desejável: pelo menos. Se ambas o fazem. a que possui a virtude peculiar à espécie é mais desejável do que aquela que carece dessa virtude. Se ambas a possuem. Às vezes. o melhor não é também mais desejável. ao passo que. Grosso modo. mas a prudência é desejá sem o poder. é provável que a primeira seja melhor do que a segunda. ao passo que a de Ulisses com Nestor seja grande. Pode suceder t ambém que o que se assemelha ao tipo melhor possua uma semelhança de certo modo degr adante e que. por . também admite uma objeção. por fim. exatamente como aquilo que aquece as outras coisas é mais q uente do que aquilo que não as aquece. se o melhor integrante de A é superior ao melhor integrante de B. com efeito.

seja mais desejável de maneira absoluta. a honra ou o prazer. por exemplo. E analogamente no caso das outras coisas que admitem compar ações desta espécie. e. já que ambos andam juntos. se o que é mais precioso é mais desejável. não nos interessássemos em possuí-la. e. então também a justiça é a lgo mais desejável do que a coragem. como também o é aquela que ultra passa um padrão ainda mais elevado. por exemplo: aquilo que contribui para promover a virtude do que aquilo que promove o prazer. se o que é mais útil é mais desejável. seus usos. E do mesmo modo nos outros casos. do mesmo modo. Diz-se que uma coisa é mais desejável pela sua aparência se. pois aquela coisa em resultado de cuja subtração o resto se torna um bem menor pode considerar-se como um bem maior. deve-se distinguir em quantos sentidos se usa o termo "desejável" e com que fins em vista. "justamente" significa algo mais desejável do que "corajosamente".exemplo. e a que o é em grau menor é meno s desejável. porém não a outra. As mesmas regras ou tópicos são também úteis para mostrar que uma coisa qualq uer é simplesmente desejável ou reprovável. pois uma coisa de tal índole que se possa desejá-la e opor-se a ela por igual é menos desejável do que outra que seja somente desejável. Com efe ito. quando acresce ntada a um bem menor. Uma coisa é também mais desejável se. por exemplo: a conveniência. por exemplo: a doença é mais reprovável ou indesejável do que a aldade. enquanto a outra coisa só é desejável po r uma dessas razões. pois. as coisas pelos seus derivados. isto é. ou pelo menos uma delas. ser feitas da maneira indicada. no entanto. a amiza de do que o dinheiro. sem pre que chamamos uma coisa "boa por natureza" e a outra "não por natureza". se "j ustamente" significa algo mais desejável do que corajosamente". com o. 4 As comparações de coisas umas com as outras devem. então o que é simplesmente precioso é desejável. Deve-se argumentar. além disso. deve-se examinar qual das duas as possui de maneira m ais assinalada. aquilo que um homem preferiria possuir pelo seu p róprio esforço é mais desejável do que aquilo que ele preferiria possuir pelo esforço alhe io: assim. seja qual fo r essa coisa cuja subtração faz com que o resto seja um bem menor. aquela que o ultrapassa é a mais desejável. se uma coisa ultrapassa enquanto outra não alcança o mesmo padrão de bondade. Por exemplo. Se ambas as coisas po ssuem essas características. E ana logamente no caso das coisas reprováveis: pois é mais reprovável o que mais impede a c onsecução do que é desejável. E da mesma forma. pois um excesso de amizade é mais desejável do que um excesso de dinheiro. Deve-se julgar. se a justiça é mais desejável do que a coragem. o que é s lesmente útil é desejável. a pr imeira é mais desejável do que a segunda: por exemplo. se comparássemos uma serra e uma foice em relação à arte da carpintaria: porquanto nessa relação a serra é a mais desejável das duas. sem que daí nos advenha nenhuma outra vantagem provável. já ao comparar as coisas entre si estamos afirmando que cada uma delas. E também. o que é mais precioso por si mesmo é também melho r e mais desejável. se uma coisa é desejável por si mesma e a outra pela sua aparência. pois. Uma coisa pode ser julgada mais desejável em si mesma quando a e scolhemos por ela própria. é desejável: por exemplo. ou mais honrosa. Mais ainda: se duas coisas são preferíveis a uma t erceira. em alguns casos. Porque. faz com que o todo se torne um bem maior. a saúde do que a beleza. sem que. Além disso. o que é útil para todas essas coisas ou para a maioria delas pode ser encarado como mais desejável do que aquilo que não é útil de igual maneira. a que é preferível em grau maior é mais desejável. pois para isso basta subtrair o excesso de uma coisa sobre a outra. para não aduzir algum caso em que o termo comum utilize ou de outra forma qualquer favoreça uma das coisas que lhe são acrescentadas. É também mais desejável o que serve uma finalidade melhor. E deve-se julgar igualmente pelo sistema da subtração. Convém acautelar-se . os amigos são mais desejáveis do que o dinheiro. qual das duas é mais agradável. no entanto. uma torna boa a alma e a outra o corpo. por ser um empecilho maior tanto ao prazer como à virtude. além disso. é ainda mais desejável s e o é tanta por si mesma como pela sua aparência. mostrando que a coisa em apreço é em igual medid a desejável e reprovável. ou mais conve niente. na suposição de que ninguém tivesse c onhecimento dela. . Além disso. e estes por aquelas. Com efeito. E também quando o excesso de uma coisa é mais desejável do que o excesso de outra. Deve-se julgar também pelo método de adição e ver se a adição de A à mesma coisa a que e adiciona B torna o todo mais desejável do que o faz a adição de B. E. E igualmente. a primeira em si mesma é mais desejável do que a outra: por exemplo. suas ações e suas obras.

ou sua produção um a coisa má. Deve-se julgar também por meio da adição e ver se A. E. é mais branco aquilo qu e está mais isento de mistura com o preto. e. também a demonstramos em particular: com efeito. enquanto outra coisa não faz tal. O mesmo se aplic a no que respeita às coisas destrutivas e aos processos de geração e corrupção. coordenado s e derivados de uma coisa. sua expressão. se algum membro de outro gênero manifesta certa característica em grau mais a ssinalado do que o objeto que temos em vista. se amba s a comunicam. além das regras dadas acima. se alguma forma de sensação não é uma capacidade. t ambém se pode julgar por meio da subtração: pois uma coisa tal que. E igualmente. 6 Se a questão for expressa de forma particular e não universal. e. Porque. é evidente que a primeira manifesta e ssa característica em maior grau. Além disso. se o que é agradável é em alguns casos responsável. então alguma forma de conceber é também conhecimento. então toda dor é má. q uando acrescentado à mesma coisa que B. se o injusto é em alguns casos bom. se algu ma forma de concepção é em alguns casos um objeto de conhecimento. E. o comunica ao todo em grau maior. E. e também se uma delas supera algo que supera um da do padrão. É possível tornar mais universais alguns dos tópicos dad os acima alterando ligeiramente a. o resto manifesta tal ou tal caráter em grau menor. por meio dos graus maiores. da mesma forma. se ela é verdadeira de todos . então p . então pode mos admitir que o prazer ou o conhecimento é em alguns casos uma coisa má. E também. apoiando-nos no mesmo princípio. então alguma dor é má. se a definição do branco é "uma cor que traspassa a visão". podem aplicar-s e em primeiro lugar os tópicos ou lugares universais. será mais branco aquilo que em maior grau for uma cor que traspassa a visão. Acresce que. possui tal ou tal caráter em grau maior aquilo que admite em maior grau a definição p rópria do caráter em apreço. comunica ao todo tal e tal caráter em grau m ais assinalado do que B. se algum prazer é bom. podemos admitir que tampouco o ob jeto em questão a manifesta: por exemplo. se alguma forma de conhecimento é boa em m aior grau do que o prazer. então o prazer também é em alguns casos uma coisa benéfica.evidentemente. assim tomados. também é verdadeira de alguns. por exemplo. por exemplo. e ntão o que é justo também é em alguns casos mau. 5 Os tópicos ou lugares referentes a quantidades e graus comparativos devem to mar-se da forma mais geral possível. se o agradável é em alguns ca sos benéfico. que já foram dados. se é falsa de todos. tanto construtivos como dest rutivos. Porque. se todo pr azer é bom. O mesmo vale para os demais casos da mesma espécie: em todos eles a premissa e a conclusão têm igu al probabilidade de ser aceitas. e. também o prazer é em alguns casos uma coisa reprovável. Especialment e prestimosos e de aplicação muito geral são os tópicos baseados nos opostos. por exemplo: que aquilo que por natureza mostra tal e tal qualidade manifesta-a em grau maior do que aquilo que não a manifesta por natureza. Além disso. serão provavelmente mais úteis num número maior de casos. se é bo m para um homem esquecer a sua conduta desairosa e lembrá-la é uma coisa má. enquanto a outra não alcança esse padrão. então o conhecimento será. em alguns casos. se a destruição do conhecimento é em alguns casos uma boa coisa. se no que se refere a determinada característica uma coisa excede e a outra não alcança o mesmo padrão. ao passo que nenhuma forma de conhecimento é boa. Deve-se julgar. possui ela mesma esse caráter em g rau maior. ou se. as coisas manifestam tal ou tal caráter em grau maior quando mais isentas de mistura com os seus contrários. se alguma coisa que destrói o prazer ou o conhecimento é em alguns casos boa. segue-se que alguma fo rma de carência de sensação não é tampouco uma carência de capacidade. Por outro lado. de maneira análoga. quando subtraída. então manifesta-a em grau maior aquela que a comunica em maior grau . é falsa de alguns. e que. menores ou iguais: p orque. quando acrescentado a uma coisa que manifesta es se caráter em grau menor. uma coisa má: por exemplo. E analoga mente. pois a opinião pública concede por igual que. Além disso. a primeir a possui essa qualidade em maior grau do que aquela que não a comunica. se o que acontece justamente é em algu ns casos mau. ao refutar ou estabelecer uma coisa universal mente. se uma coisa comunica tal e tal qualidade àqui lo que a possui ou a que ela pertence. além disso. ao passo que nenhum membro do gênero deste manifesta em absoluto tal característica. o que é bom por natureza é desejável. porque. então o con hecimento da sua conduta desairosa pode ser tomado como uma coisa má. também o que acontece injustamente é em alguns casos bom.

se nenhuma forma de capacidade é boa. visto não o ser aquela espécie de conhecimento a respeito da qual é mais u niversal a conformidade. por exemplo. quer que alguns — mais de um — o são. a justiça) é conhecimento. caso nosso intento seja demo lir a sua tese. se ele queria dizer com isso que um prazer particular é bom. só há um meio de refutar uma afirmação: por exemplo. contudo. o outro sustentar que ele não lhe pertence em algum caso. teremos refutado a sua proposição. quer demonstrando que todo prazer é bom. porém não refutar. se uma certa forma de capa cidade é boa em grau menor do que o conhecimento. mas também valendo-se do mesmo. dentre as virtudes. Se. que só a prudência. igualmente o são todas as outras almas. é conhecimento —. então o conhecimento também o é. se ele queria dizer que algum prazer particular não é bom. para demonstrar que um certo prazer particular não é b om.ode-se admitir que tampouco o prazer é bom. E. Com efeito. por outro lado. embora ambos sejam possíveis por meio de graus iguais. pois. quer demonstremos que todo pr azer é bom. tampouco o é o conhecimento. Porque. ou que alguma outra virtude (como. Se o juízo for inda mais definido — por exemplo. Se. ao passo que. E do mesmo modo. a proposição de nosso contendor não estará ainda refutada. se a alm a do homem é imortal. deve-se operar por meio de uma hipótese. devem os demonstrar universalmente que nenhum prazer é bom. se um homem afirmou que o prazer é bom ou que não é bom. se alguém sustentar que é um atributo de algum prazer particular o ser bom. pelo contrário. Se. pois dessa maneira se chegará à conclusão de que lhe pertence em todos os casos. quer que nenhum deles o é. pois. pois. É evidente que o proponente da hipótese universaliza a questão que fora expressa sob uma forma partic ular. o adversário sustentar que em algum exemp lo o atributo pertence ao sujeito. por exemplo. quando se toma o exemplo mais assinalado da característica em apreço. se aquel a não o é. quer que um determinado prazer particular o é. o juízo expresso é definido. pois é impossível r efutá-lo de qualquer outro modo. pois pretende que aquele que admitiu uma coisa particular admita também a co rrespondente universal ao afirmar que. nenhuma outra forma de conhecimento o s erá tampouco. tanto unive rsalmente como em particular. se demonstrarmos que nenhum prazer é bom ou que um determinado prazer particular não é bom. ao passo que. Se. Também é útil examinar exemplos individuais quando se afirmou que algum atributo . afirma ndo que o atributo. ou que nenhuma virtude o é. se se afirmar que alguma forma de conhecimento ê boa. supondo-se ten ha sido demonstrado que a prudência não é boa. então o conhecimento também o é. se demonstrarmos que algum prazer par ticular é ou não é bom. também lhe pertence por igual em todos os casos. devemos demonstrar que em outro caso ele não lh e pertence. se pertence ou deixa de pertencer ao sujeito num determinado caso. Além disso. há quatro maneiras de refutá-lo: pois. só que. tampouco o são as outras. faz o mesmo em igual grau em todos os outros casos: por exemplo. Se o problema é indefinido. pois se verá que por esse meio tanto é possível refutar como esta belecer uma opinião. ao passo que de algum outro não o é: pois. pois daí se deduzirá. deve-se mostrar que lhe pertence num caso determinado. teremos apresentado um argumento de duas maneiras. então. estará refutado o ju em questão. Evidenteme te. quer que nenhum o é. será possível rebatê-lo de duas man eiras. não se in fere necessariamente que também nenhuma forma de conhecimento o seja. que não lhe pertence absolutam ente em nenhum caso. ele afirmou que somente um único prazer determinado é bom. Por exemplo. É possível refutar uma opinião não só valendo-se de outro gênero. embora ele possa ser estabelecido de duas maneiras: pois nossa proposição ficará provada quer demonstremos universalmente que todo prazer é bom. E da mesma maneira cabe julgar por um grau menor ou igual. em virtude da hipótese. Porque. po r meio de um grau menor só é possível estabelecer. ou que a própria prudência não é conhecimento. que só se pode estabelecer uma opinião ou ponto de vista por meio de um grau menor de predicação. mas. pelo contrário. e uma certa forma de capacidade é boa. supondo-se que tenhamos de argumentar que algum prazer partic ular não é bom. E. se nenhuma f orma de capacidade é boa. E evidente. se o atributo pertence ao sujeito em um c aso. é possível refutálo de três maneiras: pois. sem acrescentar nenhuma definição ul terior. devemos demonstrar universalmente que nenhum prazer é bom. se uma deter minada forma de capacidade é boa em grau igual ao do conhecimento e uma determinad a forma de capacidade é boa. só é possível refutar de uma maneira um juízo indefinido. se demonstrarmos que toda virtude é conhecime nto. teremos demolido a proposição de nosso adversário.

mas um d eles é uma substância e o outro uma qualidade. como também que seja e não seja branca. nenhum destes atributos é o gênero. se assim acontecer. porém não os gêneros das espécies. como "branco" se predica da neve ou "semo vente" da alma. nem o movimento. que é o gênero de "duplo". "Participar" significa "admitir a definição" daquilo de que se participa. devemos primei ro considerar todos os objetos que pertencem ao mesmo gênero que a coisa mencionad a e ver se o gênero sugerido não se predica de uma delas. como acontece no caso de u m acidente: por exemplo. também o gênero será uma qualidade: por exemplo. Em segundo lugar. Em termos gerais. pois. demonstrando. se a espécie é uma substância. quando é possível tornar definido o acidente quer específica. mas antes um estado de atividade ou passiv idade. Veja-se. se o branco é uma qualidade. Porquanto os gêneros de relativos devem ser eles mesmos também relativos. por exemplo. exigir que o contendor admita nosso ponto de vista unive rsalmente. Veja-se. convém dar uma vista de olhos aos gêneros.pertence ou não pertence a determinado sujeito. como dissemos atrás12. nem tampouco é movimento. evidentemente el e não se move. pois. Com respeito. ao acidente. "conhecimento" é um relativo. após aduzir vár ios exemplos concretos. se o gênero e a espécie não se encontram na mesma divisão. mas como um acidente. Logo. quer numericamente. dado que o gênero se predica de todos os membros da mesma espécie. de modo que. for sugerido um gênero para alguma coisa existente. pois. Estes são elementos das questões relativas às definições. nem é a alma uma espécie de "objeto em movimento": o movimento é um acidente seu. também. Por outro lado. também deve sê-lo o gênero. gênero. que as espécies participam do. ou um deles é um relativo enquanto o ou tro é uma qualidade. também um relativo. de maneira análoga. E de maneira análoga nos outros casos. "neve" não é uma espécie de "branco". mediante uma enumeração das e spécies de movimento: porque. Deve-se. ou então objete mostrando a que caso ou casos ele não se aplica. "mover-se" não parece indicar a essência. por outro lado. Deve-se prestar uma atenção especial à definição de acidente e ver se ela se ajusta ao gênero mencionado. também. E analogamente no que se refere a "branco". deve-se ve rificar se algum prazer particular não é bom. Pois é po ssível que uma coisa seja e não seja semovente. Se. dividindo-os em suas espécies até chegarmos àquelas que já não são divisíveis. por conseguinte. É evidente. E. nem tampouco é um movimento. também o será a cor. de modo que "branco" não é o gêner o nem de "neve". e portanto "branco" não é o gênero da neve. porque. pois já dissemos13 q ue um acidente é um atributo que tanto pode pertencer como não pertencer a uma coisa . pois. se o gênero participa necessária ou possivelmente do objeto que nele foi classificado. se a alma não é par nem ímpar. pois daí resultaria que o gênero participa da espécie. evidentemente não é um número. Com efeito. já que a espécie admite a definição do gênero. quer se verifiq e que o atributo pertence a todos os casos. mas os dialéticos raras vezes procuram investigar estas coisas por si mesmas. "neve" e "cisne" são ambos substâncias ao pas so que "branco" não é uma substância e sim uma qualidade. ele próprio. quer a nenhum. mas uma certa qualidade desta. e se espécie é uma qualidade. como. Além disso. se alguém propusesse alguma coisa como sendo o gêne ro de "ser" ou de "unidade". devemos operar servindo-nos de meios como estes e da maneira indicada. se nenhuma delas pertence ao tempo. enquanto "bom" e "nobre" são ambos qualidades. copio. E. por exemplo. como sucede com "duplo": pois "múltiplo". E assim. por ex emplo. que o tempo nem é movido. mas este não admite a definição la. de ve-se averiguar se talvez nenhum deles pertence ao sujeito. nem de "cisne". como o é muitas vezes de um animal o andar ou estar andando. mas sim um acidente. verificar se o gênero indicado participa ou pode talvez partici par da espécie. é. se o "bem" é indicado como o gênero de "prazer". pois. Além disso . nenhum deles é o gênero de conhecimento. e. o gênero deve incluir-se na mesma divisão que a espécie. pois este termo não indica a es sência da neve. evidenteme nte o bem não é o gênero de prazer. como no caso dos exemplos que acabamos de mencionar. nem a brancu ra se predicam na categoria de essência. deveríamos. devemos ver se ele não se predica na categoria de e ssência. um . como no caso das questões universai s. LIVRO IV 1 Passaremos agora ao exame das questões que dizem respeito ao gênero e à propried ade. também se pode mostra r que a alma não é um número dividindo todos os números em pares ou ímpares: porque nesse caso.

a algum objeto que não difira especificamente da coisa em questão. se a espécie e o seu gênero têm igual extensão: s e. salvo quando se trata de uma das espécies obtidas na primeira divisão: estas. se alguém afirmasse que "ser" ou "objet o de conhecimento" é o gênero de "objeto de opinião". se o termo incluído no gênero tem uma extensão mais ampla do que este. como têm. Veja-se. Veja-se. Porqua nto todas as coisas que não diferem especificamente pertencem ao mesmo gênero. p or outro lado. porquanto tod as as coisas possuem ser e unidade. Suponha-se. por exemplo. de qualquer forma . já que aquilo que participa do gênero deve necessariamente participar também de uma das espécies. como em verdade suced . o consenso geral de que os gêneros do mesmo objeto devem necessaria mente ser subordinados um ao outro ou ambos a um terceiro. "objeto de opinião" ta mbém se predica do que não existe. pois o primeiro é o começo e o começo é o primeiro. Examine-se. um fosse apre sentado como uma espécie e outro como o seu gênero. Se. nem "objeto de conhecimento" é o gênero d e "objeto de opinião". por exemplo. Há. como. participam unicamente do gênero. tendo eles. nem tampouco ser um dos fenômenos indiv iduais compreendidos sob o termo "movimento". um indivíduo humano participa tanto de "ho mem" como de "animal". Porque os indivíduos também participam do gênero e da espécie. alguém admitisse a verdade dessa asserção. quem afirme que a justiça tanto é uma virtude como um conhecimento e que nenhum des tes gêneros é abarcado pelo outro — embora. evidentemente. pois tanto o que existe como o que não existe são objetos de opinião: logo. e estas não dif erem das indivisíveis quanto à espécie: com efeito. O princípio elementar referente a todos os casos deste tipo é que o gênero tem uma extensão mais vasta do que a espécie e sua diferença. além disso. sempre que uma espécie se in clui em dois gêneros. igualmente. em conseqüência. se inclua nele. Veja-se também se o gênero mencionado não se aplica. e nenhum destes gêneros abarca o outro. por exemplo. "movimento" for indicada como o gênero de prazer. um princípio desta classe dá margem a que se suscite em certos casos uma dificuldade. E do mesmo modo se do "primeiro" de uma série e do "começo". É preciso ver. com efeito. é claro que não se aplica a nenhuma: por ex emplo. nem "ser". tampouco. nem. "objeto de opi nião" não pode ser uma espécie de ser. nem qualquer outra das modalidades de movimento que enume ramos: porque. dos atributos que se encontram em todas as coisas. ou. dado que o gênero tem sempre uma extensão mais ampl a do que a espécie. igualmente. "ser" e "unidade". "objeto de opinião" comparado com "ser". por conseguin te. haveria. se alguém que admitisse as "linhas indivisíveis" dissesse que "indivisível" é o gên ero delas. que a lguém afirmasse que "conhecimento" é o gênero de justiça. por exemplo. pois a d iferença tem. além disso. e se não se aplica a uma. enquanto é evidente que nem "ser". uma extensão mais restrita do que o gênero. de modo que ou ambas estas expressões são idênticas. se pode afirmar então que não participa de nenhuma das espécies e. Porquanto a virtude é também o gêne o desta. nem alteração. Por conseguinte. se o objeto incluído no gênero é totalmente incapaz de partici par de qualquer espécie deste. 2 Examine-se também se existe algum outro gênero da espécie dada que nem abarque o gênero apresentado.a vez que de tudo que existe se predicam o "ser" e a "unidade". se demonstra que este se aplica a uma delas. as linhas retas nunca diferem umas das outras no que diz respeito à espécie. ou pode admitir-se geralmente que não se aplique. não participa tampouco do gênero. então é evidente que se aplica a todas. nem "objeto de conhecimento" se predicam do que não existe. de modo que o pr azer não poderia ser uma espécie de movimento. se o nosso argumento é construtivo. Se. p or conseguinte. ou. Porque o termo mencionado não é o gênero das linhas divisíveis. um fosse subordinado ao outro. por exemplo. nem todos admitam que a prudência seja conhecimento. também. veja-se se ele se aplica dessa maneira. mas não o seja o gênero: como. todavia. pois é impossível que ele participe do gênero se não partic ipa de alguma de suas espécies. um destes é abrangido pelo outro. por certo. uma igual extensão. por exemplo. pois muitas coisas que não existem são objetos de opi nião. nenhuma é o gênero da outra. pelo contrário. como tem. Com efeito. portanto. de forma que o conhecimento não pod e ser o gênero da justiça. de modo que nenhum destes dois é gênero do outro . pois se admite geralmente que. deve-se verificar se o prazer não é nem locomoção. e. se há alguma coisa de que a espécie indicada seja verdadeir a. também as respectivas definições. pois o gênero deve predicar-se também dos objetos de que se pre dica a espécie. Entretanto. Se.

uma vez que dos viventes alguns são mortais e outros imortais. e se predicam na categoria de essência: pois todos os gêneros mais altos devem predicar-se das espécies nessa catego ria. é útil verificar se ele se predica na categoria de essência. É evide nte. estamos e stabelecendo uma opinião. se. se ndo como é cada um deles um estado e uma disposição. o que foi proposto não pode se r o gênero verdadeiro. na categoria de essência. passando depois ao gênero próximo m ais alto. para ver se todos se predicam da espécie. Porque. exceto a locomoção. por outro lado. é útil verificar se o gênero não se predica na categoria de essênc ia daquelas coisas de que também se predica a espécie. que se conteste que aquilo que foi proposto co mo gênero pertença em absoluto à espécie. E a verdade disto entra pelos olhos. A premissa de que. Supondo-se. Porque necessariamente o que partic ipa do gênero também participa de uma das espécies obtidas pela primeira divisão deste. Veja-se também se o contendor colocou a diferença dentro do gênero. tanto os superiores como os inferiores a ele. Examine-se. pois. há de ser na categoria de essência: e assim. houver algures uma discrepância. Porquanto as definições dos seus gêneros devem necessariamente predicar-se da espécie e dos objetos que dela participam. de modo que o mesmo objeto fica incluído em dois gêneros. portanto. Porque. tomando. se alguém propôs "locomoção" como gênero de "passeio". o gênero do gênero proposto. como "semovente" ou "bíped e". e a locomoção será o gêne do passear. estamos rebat endo um ponto de vista. os gêneros devem necessariamente subordinar-se um ao outro. nem das demais espécies de movimento. visto existirem também outras formas de movimento. Se. e. pois. se um deles predica nessa categoria. se houver alguma discrepância. tanto os gêneros superio res a ele quanto ele próprio se predicariam todos na categoria de essência daqueles objetos de que a própria espécie é predicada em tal categoria. então — na h ipótese de que se admita que o gênero proposto pertence à espécie. se trata de estabelecer o nosso ponto de vista. dado que a diferença de uma coisa nunca é o seu gênero. se o fosse. nem ambos a um mesmo gênero. evid entemente a espécie estará subordinada a ele. é uma diferença de " ser vivente". que se cometeu aí um erro grave. se de algum modo se predicam da espécie. ambos se incluem no mesmo gênero. Se. se nem os gêneros são s ubordinados um ao outro.) Se. porque. "Imortal". pois. pois o gênero superior não participa de nenhum dos que lhe são inferior es. p ois nesse caso teremos que o gênero e a espécie se predicam do mesmo objeto na categ oria de essência. quando um gênero se predica na categoria d e essência. pelo contrário. Veja-se. Examinem-se também as coisas de que a espécie dada se predica como gênero para v er se o que é proposto como seu gênero se predica. d eve ser estabelecida por indução. (Veja-se também se o próprio gênero ou um dos gêneros mais altos parti cipa da espécie. por conseg uinte. pois. houver algures uma discrepância. nem do decréscimo. com efeito. se n enhuma dessas coisas é verdadeira do gênero apresentado. não basta demonstrar que um dos gêneros superiores se predica desta na categoria de essência: por exemplo. estamos rebatendo uma opinião. e pode dar-se como demonstrado que ess e é o gênero. se de algum modo se predicarem. deve-se seguir a regra conforme foi dada. não basta demonstrar que passear é um " movimento" para provar q ue é "locomoção". "imortal" como gênero de "deus". por outro lado. pois a diferença de uma coisa jam ais significa a sua essência. todos os demais. por outro lado. o que se propôs como gênero também se predica na categoria de essência. Deve-se verificar. das mesma s coisas de que a espécie é assim predicada. Se. portanto. se demonstra rmos que aquele que desejamos estabelecer como gênero não está subordinado à espécie. portanto. é evidente que o que se propôs não é o gênero verdadeiro. É preciso considerar também as definições dos gêneros e ver se ambas se aplicam à espéc e dada e aos objetos que participam da espécie. também. todos os demais.e com a virtude e o conhecimento. Com efeito. S e. o passear não participa do aumento. com efeito. e também se todos os gêneros superiores a e sse se predicam também assim. por . mas antes alguma qualidade. evidentemente o que se propôs não é o verdadeiro gênero. se o adversário apresentou como gênero a diferença: por exemplo. Se. é evidente que o que se propôs não é o gênero. mas é preciso demonst rar igualmente que o passear não participa de nenhuma das outras espécies de movimen to obtidas pela mesma divisão. é evidente que deve participar da locomoção. será nessa categoria. porém não como gênero — ba demonstrar que um dos seus gêneros superiores se predica da espécie na categoria de essência.

não as fundiremos). igualmente. se de "alma" não se predica "par" nem "ímpar". além disso. verifique-se se é impossível have r alguma outra espécie. a temperança como uma "harmonia". tampouco se predicará dela o gênero: por exemplo. então. se houver algum contrário da espécie. porque. embora o que se une esteja sempre em co ntato. convém examiná-lo. por exemplo. sej a uma coisa que "traspassa". e não uma espécie tampouco se admite geralmente que a diferença participe do gênero. Com efeito. a alma não poderá ser uma espécie de número. se o adversário apresentou como gênero uma expressão metafórica. veja-se se o contrário também se encontra . 3 Examine-se também se o que está colocado no gênero participa ou poderia particip ar também do gênero contrário. então nenhum dos gêneros propostos pode ser o seu gênero ou a sua diferença. E de maneira análoga quanto aos outros exemplos: pois a mistura nem sempre é uma "fusão" (se misturarmos coisas secas. Além disso. ao mesmo tempo. se for apresentado dessa maneira. tomando. que "mistura" seja uma "fusão". Uma vez que de todo gênero há mais de uma espécie. que "movimento" esteja ausent e da "alma". de modo que "ímp ar" tampouco é uma espécie. Esse exame pode assumir diferentes formas: antes de tudo. além da apontada. pois literalmente uma harmonia con siste sempre em notas musicais. Veja-se. Veja-se. por exemplo. por exemplo. Deve-se também examinar se a espécie é um homônimo do gênero. como acontece no caso das coisas inanimadas. e empregar como princípi os elementares aqueles que já foram estabelecidos para a homonímia15: pois o gênero e a espécie são sinônimos. Por outro lado. por exemplo. se ele mencion ou o gênero como sendo a diferença. e. supondo. ao passo que "harmonia" se predica da temperança num sentido não literal. Evidentemente. pois é possível que alguém formule também um juízo desta spécie. poi s. por exemplo. quando o contrário é que devia acontecer. Todos os casos desta espécie devem ser examinados à luz dos mesmos princípios. que a espécie. Ou. Além disso. ou que "mudança de l ugar" é a diferença de "transporte". nem tampo uco a locomoção é sempre "transporte". se a alma participa da vida. e não é possível que nenhum número viva. pois o gênero terá ao mesmo tempo um campo de pre dicação mais estreito do que a sua diferença e participará dela. Porque "ímpar" é uma diferença de número. Pois o resultado será que a espécie te m uma extensão igual ou mais ampla. pois o que deste participa é sempre uma espécie ou um indivíduo. se a espécie participa de algum caráte r que nenhum integrante do gênero possa absolutamente possuir. que corresponda ao gênero proposto. Veja-se. se a espécie é nat uralmente anterior ao gênero e o anula ao ser anulada. nenhum dos req uisitos mencionados será satisfeito. também. pois. Assim. por exemplo. pois o ponto de vista geral mente admitido é o contrário. não se pensa geralmente que caminhar seja um transporte: este termo é empregado de preferência com relação ao que muda de lug ar involuntariamente. não deve participar dela. tem uma extensão mais ampla do que o gêner o.exemplo. pois um gênero sempre se p redica de suas espécies no sentido literal. mas metafórico. se ele colocou o gênero dentro da diferença. como na definição platônica14. a diferença não participa do gênero. "ímpar" como um número. que "mistura" é a diferença de "fusão". de screvendo. Veja-se. por ex emplo. mas sim uma diferença. ao passo que. se é possível que o gênero proposto ou a sua difer ença estejam ausentes da espécie alegada. ao passo que a diferença não é uma espécie n m um indivíduo. "imortal" no significado de "um deus". se não houver nenhuma. evidentemente o que se propôs como gênero não pode sê-lo em absolut o. É preciso ver também se ele colocou a diferença dentro da espécie. Pois não é forçoso um contato seja uma união. que "locomoção" seja o mesmo que "transporte". ou "verdade e falsidade" de "opinião". antes pelo contrário. fazendo com que a "cor". p or exemplo. se nenhuma diferença pertencente ao gênero se predicar da espéci e dada.a espécie enquanto esta existe. tampouco se predica "número". pois acontece sempre que a di ferença tenha uma extensão igual ou mais ampla que a da espécie. pois a opinião geral é que o gênero e a diferença acompanham. nos exemplos dados acima. que "contato" seja uma "união". ou o "número" algo que é "ímpar". e isso é impossível. dizendo. a união é que deve ser um contato: poi s o que está em contato nem sempre se une. visto que não participa do gênero. É evidente. ou. convém verificar se ele colocou o gênero dentro da espécie. igualmente. pois dependem de regras ou tópicos comuns: o gênero deve t er um campo de predicação mais amplo do que a sua diferença. Além disso.

há três caminhos: primei ro. mas e le próprio é um gênero. então "justamente" é também "cientemente" e um homem justo é também um home m conhecedor. é evidente que também a es pécie em questão se encontra no gênero em questão. como sucede no caso de "bem" e "mal". não é um mal. po r outro lado. sendo cada um deles um gênero por si mesmo. Se. por exemplo. embora haja realmente um intermediário entre ambos os pares. também seus gêneros o terão. supondo-se que o gênero não tenha um contrário. da injustiça. Se. A isto se p ode objetar que não há intermediário entre "saúde" e "doença". se o gênero tem um contrário. tanto ao refutar um ponto de vista como ao estabelecê-lo: pois todo atributo que pertença ou não pertença a um deles pertence ou não pertence ao mesmo tempo a todos. Se. É possível levantar uma objeção no caso d a saúde e da doença. estamos refutando um ponto de vista. se o gênero tem um contrário. e (2 ) "justiça" e "injustiça": pois cada um desses pares tem um intermediário. os intermediários entre ambos os pares são simples negações . nenhum dos quais se enco ntra num gênero. se nele se encontra o contrário. sempre que o gênero não tenha contrário. tanto entre as espécies como entre os gêneros. mas é ele próprio um gênero. como. no caso dos derivados e coordenados da espécie e do gênero. o intermediário entre eles. e. porque. si m. por exemplo. se ele não se e ncontra em nenhum gênero. evidentemente o que foi proposto como gênero não é tal. por outro lado. se o gênero é o contrário de alguma coisa. o prazer é um . Examine-se. ao passo que uma enfermi dade particular. ao passo que o outro não o t em. Poder-se-ia objetar aqui que "deficiência" e "excesso" se e ncontram no mesmo gênero (pois ambos pertencem ao gênero "mal"). Porque. se uma dessas coisas não for assim. como a virtude é o con rário do vício e a justiça. a febre. Cada um destes pontos se evidencia por mei o da indução. evidentemente o me smo sucede com a espécie em questão. mas entre "bem" e "mal". Examine-se também se o contrário da espécie não se encontra absolutamente em nenhu m gênero.no mesmo gênero que a espécie. embora seja uma espécie de doença. como. o "bem": porque. por um lado e da "justiça" e da "inju stiça" pelo outro: com efeito. não tem contrários. pois em ambos os casos um gera o outro. Segundo. pois a saúde em geral é o contrário da doença. 4 Considere-se também o caso das coisas que guardam entre si uma relação semelhant e. Por exemplo. portanto. como sucede com (1) "virtude" e "vício". também devem tê-lo as suas espécies. tampouco o seu contrário se encontra em nenhum gênero. deve-se verificar se o contrário da espéc ie se encontra no gênero contrário: pois necessariamente a espécie contrária deve encont rar-se ali. Isto também se nos tornaria evidente se examinásse mos outros casos concretos semelhantes a este. Assim. e um dos pares de contrários tem um termo intermédio. pois. mas também o intermediário: porque o gênero que contém os extremos contém igualmente os intermediários. pois todo gênero que contenha o intermediário conterá igualment e os extremos. Pois a opinião geral é que a relação deve ser semelhante em ambos os ca sos. se a justiça é uma forma particular de conhecimento. podemos proceder ao nosso e xame de todas essas maneiras que acabamos de explicar: porque. que haja um contrário do gênero. supondo-se que este não tenha contrário: porque. ao passo que "quant idade moderada". se trata de estabelecer um ponto de vista. embora o gênero tenha um contrário. verificar se o contrário da espécie se encontra no gênero proposto. porqu e. se eles não se relacionam da mesma mane ira. no cas o do "preto" e do "branco": pois "cor" é o gênero não só destes dois como também de todas as cores intermediárias. tampouco o será nenh uma das outras. ao passo que. Examine-se também se. se os gêneros têm um intermediário. se assim for. enquanto no outro caso é um sujeito. pois os co ntrários devem encontrar-se no mesmo gênero se este não tem um contrário. E terceiro. a espécie não o tem. Ou veja-se. mas num caso o intermediário é uma simples negação dos extremos. por exemplo. como. a of talmia e qualquer outra espécie particular de doença. também a espécie o será. além disso. mas um bem. Além disso. Supondo-se. se eles se seguem de igual maneira. Considere-se também. como é nos casos da "virtude" e do "vício". se o têm as espécies. isto é. por exemplo. procure-se ver se a espécie c ontrária também se encontra neste último. se lhe faltam as características mencionadas. se tanto o gênero como a espécie são contrários a alguma coi sa. a relação do agradável para com o prazer é semelhante à relação do úti ara com o bem. ver se a espécie intermediária se encontra no gênero estabelecido. convém examinar não apenas se o c ontrário da espécie se encontra no mesmo gênero.

Ou talvez nem mesmo a primeira afirmação seja geralmente c onsiderada verdadeira: porquanto a virtude é uma espécie de coisa "nobre" e uma espéci e de coisa "boa". e se o que tende a gerar tende a produzir. e. o caso das c oisas que geram ou corrompem e das capacidades e usos das coisas. se o dobro é um múltiplo da metade. também o será o gênero. porque. se aprender é recordar. segue-se que o que é agradável é bom. é imp ossível que alguma coisa não-boa seja agradável: com efeito. e. ou a privação não será em absoluto encontrada no mesmo gênero. e se o uso de alguma coisa é uma atividade. por outro lado. também alguma coisa que não fosse boa seria agradável. Considere-se. pois. se o "bem" é o gênero do "agradável". ainda. não pode ser. também ser capaz de alguma coisa é estar disposto para essa mesma coisa. ou pelo menos no gênero último: por exemplo . então ser gerado é ser produzido. mas o mesmo não sucede com a "gramática". embora "virtude" seja um termo relativo. devemos seguir a regra tal com o foi estabelecida. ue tende a corromper tende a decompor. como no caso de "dobro" e de seu s gêneros superiores: com efeito. Isso. se decompor-se é ser corrompido. De outra forma. Veja-se também se a espécie deixa de ser usada na mesma relação quando a chamamos pelo seu nome próprio e quando a designamos pelo no me do seu gênero: por exemplo. Se. e a decomposição é uma espécie de corrupção. "bom" e "n obre" não são relativos. e.a espécie de "bem". ao passo que o chamamos "estado" ou "disposição" não de um "ob jeto". e contudo. se uma capacidade é uma disposição. contudo. também a expressão "mais do que " será usada em relação a uma "metade". Se. Considere-se. Pois. como dizíamos no tocante à geração e à corrupção. segue-se que tampouco a espécie proposta pode encontrar-se no gênero proposto. todas as espécies em questão devem encontrar-se também no gênero em questão: por exemplo. deve também aplicar-se o gênero. Segun ma privação oposta tanto ao gênero como à espécie. de modo que "bom" é o gênero de adável". se o que não é bom não é agradável. daquelas coisas de que não se predica o gênero. tampouco delas se predica nenhuma das espécies. não é neces sário que a espécie também o seja: pois "conhecimento" é um termo relativo. cada um do s quais é um termo relativo. o genitivo e tudo o mais'. pois "conhecimento" é chamado conhe cimento "de um objeto". há dois meios de refutar um argumento. Poder-se-ia objetar aqui que um termo não se usa necessariamente na mesma relação quando designado pelo seu próprio nome e quando designado pelo nome do seu gênero. se o gênero último que contém a visão é a sensação. em geral. a cegueira não será uma sensação. o caso dos processos de geração e corrupção. mas se o que pretendemos é assentar um ponto de vista. mas qualidades. como o dativo. dado que o prazer é um bem. então a vista é uma forma de sensação. se o termo "dobro" é empregado para designar o dobro de uma "metade". Porquanto. mas da "alma". E de maneira análoga no caso das capacidades e usos das coisas: porque. além disso. e de um modo g eral. se "cegu eira" é uma forma de "insensibilidade". não há senão um modo de fazê-lo: porque. edificar é ser at ivo. se o agradável é uma espécie de bem. tanto ao demolir como ao assentar um argumento devem-se examinar as coisas à luz de toda espécie de semelhança. Se o oposto da espécie é uma privação. tanto dizemos "dobro de" como "múltiplo de" uma co . a não ser assim. mas o oposto da espécie não se encontra no oposto do gênero. se o termo não se usa na mesma relação tanto quando é desi gnado pelo nome do seu gênero como quando é designado pelos nomes de todos os gêneros do seu gênero. s endo-o a espécie. o que não é bom não é agradável. estamos refutando uma opinião. utilizá-la é ser ativo e tê-la utilizado é ter sido ativo. então ter aprendid o é ter recordado. deve-se também adotar o mesmo método de exame: porque. então ter edificado é ter sido ativo. Ao estabelecer um ponto de vista. e geração é pr odução. como sucede com "duplo" e "múltiplo". examinando se o oposto se encontra no gênero apresentado: porque. também o termo "múltiplo" deveria empregar-se no sentido de múltiplo de uma "metade". do m esmo modo. "múltiplo" não poderia ser o gênero de "dobro". Porque. o agradável também será uma espécie de "útil": pois evidentemente podemo s tomá-lo como algo que produz o bem. Se a espécie é um termo relativo. então ter-se decomposto é ter sid o corrompido. o dobro será designado pelos nomes de todos os gêneros superiores em relação a uma "metade". Pois. Veja-se também se o gênero e a espécie se aplicam da mesma maneira nas diversas inflexões que recebem. por exemplo. se a espécie oposta se encontra no gênero oposto. assim como se aplica a espécie. Examinem-se também as negações do gênero e da espécie e inverta-se a ordem dos termos da maneira desc rita no caso do acidente16: por exemplo. então ser corrompido é também ser decomposto. se. Considere-se. o gênero é um termo relativo. Primei ro. deve-se examinar se também o gênero o é: porque.

O caso também é o mesm o no que respeita a "conhecimento" e "concepção". que se inclui no mesmo gênero que estes termos. "fração" deve ser também o gênero de "m tade". pois em nenhuma outra coisa podem encont rar-se estes termos. por outro lado. se o contendor coloca um termo de determinada espécie den tro de um gênero que não é da mesma espécie — se ele diz. e a ele se aplica. pois um "presente" é uma "concessão que não precisa ser devo lvida". pois. pois o que excede sempre excede alguma coisa e o que é maior é sempre maior do que alguma coisa. Se. o mesmo argumento se aplicará a ela. ao passo que no tocante a outros é absolutamente impossível que se encontrem nas coisas em relação às quais são usados em qualquer circuns tância (como. p ois. pois é perfeitamente possível. porque tanto vale dize r que "permanência" é o gênero da memória como alegar que é um acidente dela. Com efeito. pois a opinião geral é que os usos de ambos são semelhantes e iguais em número. Se. ou o conhecim ento no objeto de conhecimento. tanto um "objeto de conhecimento" como um "o bjeto de conversão" se usam com um dativo. faz-se "presente" de alguma coisa a alguém. pois est es termos tomam um genitivo tanto em si mesmos como na construção invertida: com efe ito. visto não serem usados em relação a um número igual de coisas que a espécie. de modo que a permanência do conhecimento se encontra rá também no conhecimento. "objeto de sensação" não é o ero de "objeto de conhecimento". Convém observar também se os termos usados em relações casuais deixam de admitir u ma construção igual quando se invertem. 5 Veja-se. o número de relações em que se usam os termos não é igual. Com efeito. Por isso os termos em questão ("excesso" e "maior") não são os gêneros de "dobro". Por que a "permanência" sempre se encontra naquilo que p ermanece. que o contrário se encontre no seu contrário. se diz que são "de" alguma coisa. porém não necessário. em alguns casos as construções não são iguais após a conversão. e "conce ssão" é o gênero de "presente". Veja-se. Ou t alvez não seja universalmente verdadeiro que a espécie e o gênero se usam em relação a um número igual de coisas. em qualquer sentido em que a memória seja a permanência do conheci mento. e também o que excede é um excesso de alguma coisa. enquanto outros não s e encontram forçosamente nas coisas em relação às quais são usados em qualquer ocasião. tampouco é "sensação" o gênero de "conh ecimento". pois ambos estes termos tomam um g enitivo. Veja-se. como também se faz "concessão" de alguma coisa a alguém. se encontrará no conhecimento. se a espécie e o gênero não se usam em relação a um número ig ual de coisas. por outro lado. assim sendo. dev e-se observar. os objetos de co nhecimento incluem também alguns dos objetos de intuição. tanto dizemos "metade de" como "uma fração de" alguma coisa. Pode-se objetar que em alguns casos não é assim. como sucede com "dobro" e "múltiplo". como sucede com "presente" e "concessão". enquanto "dobro" é o dobro de alguma coisa. por exemplo. falamos de exceder alguma coisa o u ser maior do que alguma coisa. pois um bjeto de conhecimento nem sempre é um objeto de sensação: com efeito. não exige "a". pois dizemos "superio r a" e "contrário a "isto ou aquilo. daí se seguiria que o obj eto de conhecimento também é uma espécie de objeto de sensação. visto ser ela a permanência deste. como por exemplo "disposição" e "estado". pois tanto do próprio "conheciment o" como dos seus gêneros. mas. mas "que não". E do mesmo modo no caso de "conhecimento". salvo naquelas em relação às quais são usados). o que não é verdade. já que a memória se encontra sempre na alma. porém. se o termo "objeto de conhecimento" for ap licado à alma. alguém afirmasse que o conhecimento é uma espécie de sensação. a menos que este seja uma alma ou um homem). e. Esta regra ou tópico se aplica também ao sujeito do acidente. fazendo-se a conversão. "disposição". que a "memória" é a "p rmanência do conhecimento". embo ra isso possa acontecer (por exemplo. se "múltiplo" é o gênero de "dobro". se o oposto da espécie tem o oposto do seu gênero como gênero própr io: por exemplo. Mas isso é impossível. pois dizemos "outro que não "isto ou aquilo. uma vez que esse conhecimento também pode enco ntrar-se em alguma outra pessoa). Porquanto o oposto do gênero deve ser sempre o gênero da espécie oposta. a memória. pois. "estado" e "equilíbrio". por exemplo. portanto. enquanto "outro". Em alguns casos.isa. que o conhecimento de si mesma seja possuído pela própria alma. evidentemente um dos termos não é o gênero do outro. po is. também. se ele colocou algo que é um "estado" dentro do gêner . Logo. Uma vez que dentre os termos relativos alguns se encontram necessariamente ou se aplicam em qualquer tempo ou ocasião às coisas em relação às quais são usados (por ex emplo.

é obvio que não se trata de um acidente. pode-se concluir que ela não é uma for ma de "querer". mas não se deixa conduzir por ela. um "sofista". Veja-se. "animal" com o "corpo animado": ora. portanto. a "dor" se encontra na faculdade dos "apetites" (pois é t ambém nesta que se encontra o prazer). ao passo que o medo está na faculdade "emot iva". por exemplo. definindo. pois a cólera não é causa da dor. definindo a sensação como "um movimento comunicado através do corpo". pois a memória nunca é um estado. "concepção" e "convicção". por exemplo. E da mesma forma. não é isso o que se entende por ser "corajoso" o u "bem-humorado". a dor apareceu nele antes da cólera. po r outro lado. de modo que posi tivamente a cólera não é dor. Es te tópico também é útil ao tratar do acidente. É bem possível. os dois termos. como. pois a vergonha se encontra na faculdade "raciocinante". por exemplo. terão sido usados com a mesma extensão predicativa. pois os termos "corajoso" e "bem-humorado" se aplicam a um homem que é imune à paixão. Portanto. alguém disser que "vergonha" é "medo" ou que "cólera" é "dor". se a "ami zade" se encontrar na faculdade dos apetites. de modo que nem assim poderá o primeiro ser o gênero do segundo. Se. os termos propostos não são os gêneros. Com efeito. assim como o mesmo animal não poderia em dado momento ser. aliás. nem tampouco é a gramática um conhecimento sob tal aspecto. mas sim uma imunidade absoluta a toda e qualquer paixão desse ti po. e em outro momento não ser. de modo que. se "animal" foi descrito como um "objeto de percepção" ou de "visão". pois o querer se encontra sempre na faculdade "raciocinante". também. enquanto o movimento é uma "atividade". se ambos se produzem naturalmente em qualquer parte da mesm a coisa: pois o que contém a espécie também contém o gênero. o que seria impossível se a convicção fosse uma espécie de concepção: com efeito. o res ultado será que o gênero e a espécie não se encontram na mesma coisa. o que contém "bran co" também contém "cor". quando estivesse exposto à paixão. pois o acidente e aquilo de que é um aciden te se encontram ambos na mesma coisa. definindo. enquanto a "cólera" se encontra na faculdade "emotiva". a parte não se predica em sentido algum do todo. se não aparecem na mesma coisa. o "bom humor" como o "domínio da cólera". tampouco a convicção é concepção. se no caso de alguma de suas espécies a participação no gênero se dá somente sob um certo aspecto: por exemplo. E do mesmo modo se ele disse que a memóri a é um "estado retentivo de uma sensação". se propõe como gênero um caráter concomitante qualquer. E de maneira análoga ta mbém nos outros casos. um homem. ele a dominaria e não se dei xaria conduzir por ela. entretanto. Veja-se também se a espécie participa somente sob um aspecto particular do gêner o que lhe é atribuído. ou a "coragem" e a "justiça" como o "domínio do medo" e da "ganância". Pois ambas essas coisas se seguem de certo modo à espécie dada. a "dor" como gênero da "cólera". definindo. Pelo mesmo raciocínio. igualmente. antes pelo contrário. um homem não é um animal apenas sob um aspecto particula r. enq uanto o homem que "se domina" está exposto à paixão. por exemplo. de modo que. alguém disser que o homem que tem uma concepção deve necessariamente est ar também convencido dela. de modo q ue "corpo" não pode ser o gênero de "animal". Porque um animal é um objeto de p ercepção ou de visão apenas sob um aspecto particular: é por causa de seu corpo que ele é percebido e visto. mas nenhuma de las é o seu gênero. uma vez que eles não se pro duzem naturalmente na mesma faculdade que as espécies. de modo que "objeto de visão" e "obj eto de percepção" não podem ser o gênero de "animal". por outro lado. mas antes uma atividade. também. se ele colocou alguma coisa que seja condenável ou repr ovável na classe de "capacidade" ou "capaz". e o que contém "conhecimento da gramática" também contém "conhecime nto". e não por causa de sua alma. dado que é uma parte dele. porquanto a sensação é um "estado ". e. um "difamador" ou um "ladrão" como "aquele que é capaz de apoderar-se secretamente . pois a extensão do gênero deve ser mais ampla. Veja-se. Às vezes também uma pessoa coloca o to do dentro de sua parte sem dar conta disso. Cometem também um erro grave aqueles que classificam um "estado" dentro da " capacidade" que o acompanha. portanto. que cada um dos primeiros seja acompanhado de uma capacidade de sse tipo. pois s e ter a mesma concepção inclusive sem estar convencido dela. ou a "concepção" como gênero da "convicção". quando um homem irado sente dor. por exemplo. Se. Examine-se. Às vezes. é impossível que uma coisa continue endo a mesma se a retirarmos inteiramente fora da sua espécie.o "atividade" ou uma atividade dentro do gênero "estado": por exemplo. pois a opinião geral é que a participação da espécie no gênero não pod itar-se a isso: com efeito.

resultaria daí que o reprovável é às vezes desejável. se ele atribuiu a uma afecção. pois o mesmo ar persiste quando está em moviment o e quando está em repouso. convicções veementes: se. o objeto por ela afet ado. com efeito. as pessoas invertem por vezes a ordem natural apresentando o gêner o como diferença ou a diferença como gênero e definindo. de modo que "admiração" e "concepção" são os gêneros. mas em ambos os gêneros mencionados. Portanto. portanto. pois ha veria uma certa forma de capacidade que seria reprovável. Dizem. Mesmo. o vento não é "ar" em absoluto. E do mesmo modo em outros casos dessa espécie. por exemplo. os que dizem que a imortalidade é a vida eterna: pois a imortalidade parece ser uma certa afecção ou aspe cto acidental da vida. Se. Além disso. se devêsse mos admitir neste caso que o vento é "ar em movimento". Veja-se. Porque a veemência e o excesso se encontram nu ma coisa que é tal de forma veemente e em excesso. o pasmo como "ex cesso de admiração" e a convicção como "veemência de concepção". nem o que tem a capacidade sem a vontade é um dif amador ou um trapaceiro. pois. não deveríamos aceitar uma def inição desta espécie em se tratando de coisas das quais o gênero não é verdadeiro. pois. também as coisas inani madas estarão convencidas e pasmadas. tampouco o vinho é "água fermentada". a convicção se encontrará na concepção. o pasmo é em geral interpretado co mo sendo uma "admiração excessiva" e a convicção como uma "concepção veemente". Logo. haveri a um "excesso excessivo". chamando a veemência de veemente e o excesso de excessivo. como gênero. E da mesma forma. e é sempre por causa de sua li vre escolha que os homens maus são assim chamados. também. Acresce que uma capacidade é semp re desejável em si mesma. já que persiste o mesmo ar que for mava o vento. Porque há coisas que é impossível colocar num úni co gênero. o próprio Deus e o homem bom são capazes de fazer coisas más. se "excesso" e "veemência" forem aceitos como gêneros. Por conseguinte. Porque nenhum dos caracteres mencionados se chama assim por ser "capaz" sob um desses aspectos: com efeito. Porque em alguns c asos. como se fosse o seu gênero. Em termos mais exat os. Às vezes também se comete o erro grave de colocar uma afecção dentro daquilo que é a fetado por ela. se assim fosse . o homem que dá uma resposta desse feitio e stará. como t ampouco se admite que o conhecimento seja alguém que conhece ou que o movimento se ja alguma coisa que se move. por exemplo. Que isto é verdade se tornaria evidente se alguém admitisse q ue um homem pode deixar de ser mortal e tornar-se imortal. pois. como "lama" ou "neve". pois. que o deu como "água fermentada na madeira"17. E também há pasmos excessivos. de modo que. de fato. a convicção é veemência. o pasmo se encontrará na admiração. Porque a capacidade e o ser capaz ou produtivo de algo é sempre desejável por causa de alguma outra coisa. então. por exemplo. pois ninguém afirmaria que ele assume outra vida. que a neve é "água congelada" e a lama é "terra misturada com umidade". pois o vinho simplesmente não é águ . mas que um determinado aspecto ou afecção acidental entra m a formar parte da sua vida tal como ela é. "capacidade" nunca pode ser o gênero de qualquer coisa d igna de censura. porém esse não é o seu caráter. nem aquele que tem a vontade sem a capacidade. ele não deve ser colocado num só gênero. pois exis tem. Examine-se também se ele colocou alguma coisa que seja preciosa ou desejável p or si mesma na classe de "capacidade" ou "capaz" ou "produtivo" de alguma coisa. definindo. Ou. o "trapaceiro" e o "difamador": com efeito. que a concepção estará convencida. Do contrário. Porquanto nem "excesso" nem veemência" é o gênero. segundo a definição de Empédo cles. "vida" não é o gênero de "imor talidade". também haveria vento quando o ar está em repouso. de modo que nenhum dos termos pr opostos poderia ser o gênero: pois o gênero deve ser verdadeiro de todas as suas espéc ies. pois eles são capazes (dizemos nós ) de fazer mal. o vento como "ar em movimento". mas sim a diferença: com efeito. e até as capacidades de fazer coisas más são desejáveis. co nquanto a neve não seja água nem a lama seja terra. o pasmo é um excess o de admiração. sce que. por exemplo. o vento é um "movimento do ar". se o pasmo é um excesso. em suma.da propriedade alheia". Além disso. veja-se se o adversário colocou alguma coisa que existe em dois ou mais gêneros dentro de um deles somente. não se admite geralmente que seja verdadeiro. de modo que a admiração estará pasmada! E alogamente. haveria uma "veemência veemente". mas só o que possui ambas as coisas. Assim. enquanto "excesso" e "veemência" são as diferenças. mas apena s nos casos em que o gênero proposto fosse um legítimo predicado. como. Mas nenhuma dessas coisas se admite geralmente. e por i sso dissemos que até Deus e o homem bom as possuem. se é que ela é "veemência de concepção".

É também preciso observar. mostrando assim claramente ue esse não pode ser o gênero: porque "verdadeiro de S" é a única fórmula que se aplica ao gênero em relação às suas espécies. além disso. pois. como. se nosso contendor coloca o melhor dos contrários dentro do pior gênero: pois o resultado seria que a espécie restante se encontraria no gênero restante. ao passo que a predicação da espécie deveria ter um alcance mais reduzido. pois o número de atributos que se aplicam a todas as coisas é relativamente grande: entre eles se contam. se o repouso é o melhor d os dois. Por outro lado. evidentemente seria o gênero de to das as coisas. comparando-a com algumas outras espécie s. por ou tro lado. ao passo que nem a própri a espécie o admite. ne sse caso. por exemplo. o "ser" e a "unidade". esse é o gênero em que deveria ter sido colocada a alma. o gênero proposto admite um grau maior. Daí resultaria. A mesma forma de inves tigação pode também aplicar-se ao caso da espécie. pois. pois. Por conseguinte a unidade. que de todas as coisas das quais se predica o gênero tam bém se predica a espécie. Se. Examine-se também se por acaso o gênero não é sinônimo d espécies. se a virtude admite um grau maior. nem qualquer termo que se denomine de acordo com ela: por exem plo. nosso adversário propôs "ser" como gênero. se aquela que mais geralmente ou em geral se acredita que se encontre n o gênero proposto não se encontrar nele. sempre que tanto a espécie como o gênero tenham um cont rário. por exemplo. o que se havia proposto como gênero não pod e ser tal. Pois o gênero sempre se predica sinonimamente das suas espécies. tanto "dor" como a "concepção de um menosprezo" se consideram g eralmente como predicando-se de "cólera" na categoria de essência. pois. é evidente que tampouco a espécie proposta pode encontrar-se ali. Veja-se. por conseguinte. . os objetos brancos: pois entre estes não há nenhuma distinção específica. o campo de predicação da diferença será igual ao seu. Veja-se. de modo que "branco" não po de ser o gênero de nada. Examine-se este pont o vendo se os objetos que participam do gênero não diferem especificamente uns dos o utros. de modo que. de modo que não podemos dizer qual deles é o gênero. já que "ser" e "unidade" são predicados de absolutamente tudo. se o termo proposto não é o gênero de coisa nenhuma. como. se a descrição "inerente a S" é aplicada ao gênero proposto em relação à sua espécie. evidentemente o campo de predicação da diferença será igual ao do gênero. pois o homem irad o ao mesmo tempo experimenta dor e se julga menosprezado. se ele definiu a "alma" como uma "forma de movimento" ou "u ma forma de coisa que se move". quando ela se relaciona da mesma maneira com ambos ao mesmo tempo . por exemplo. como se diz do "branco" em relação à neve. ao passo que nem a própria espécie nem qualquer termo denominado de acordo com ela o admitem. nosso adversário indicou como diferença algum atributo que se aplica a tod as as coisas. entre outras coisas .a de maneira alguma. por exemplo. Veja-se também se ele colocou a espécie dentro do gênero pior e não do melhor. Deve-se julgar também por meio dos graus maiores e menores: ao refutar um po nto de vista. como sempre sucede com as espécies de um gênero. Se. uma vez que de tudo se predica: pois o gênero nunca se predica de c oisa alguma que não seja sua espécie. Porque se o gênero também é um atributo que acompanha todas as coisas. tampouco o é o gênero proposto. também o admitem a justiça e o homem justo: pois se diz que um homem é "mais justo do que outro". Pois se acredita geralmente que a própria alma é um princípio tanto de repouso como de movimento. de modo que o gênero pior conteria a melh or espécie e o melhor conteria a pior: enquanto a opinião comum é que à espécie melhor cor responde o melhor gênero. Se. ou mais amplo do que ele. além disso. se o que mais geralmente ou por igualdade de vozes se supõe seja o gênero não é tal. já que os c ontrários se encontram nos gêneros contrários. ou ainda mais amplo se o gênero não se aplica a todas as coisas. O tópico ou lugar em questão é útil ialmente nos casos em que a espécie parece ter vários predicados na categoria de essên cia e não se fez nenhuma distinção entre eles. também. se foi indicado como gênero ou diferença algum aspecto que acom panhe todas as coisas. seria uma espécie de ser. é evidente que tampouco é o gênero da espécie mencionada. examine-se se o gênero admite um grau maior. 6 Veja-se.

sempre que a outra não seja conversível com ela. e também (c) que a diferença sempre significa uma qualidade do gênero. E do mesmo modo. deve-se ver se o gênero se predica também de outras espécies na categoria de essência. e nenhum deles é o gênero d o outro. se A segue universalmente B enquanto B não s egue A universalmente — como. As mesmas observações valem também para o caso das espécies. LIVRO V 1 A questão sobre se o atributo que se afirmou é ou não é uma propriedade deve ser e xaminada de acordo com os métodos seguintes. deve-se seguir a regra conforme foi expost a. se é um gênero o que tem m nos razões para sê-lo. Por outro lado. Ao defender ou justificar. Finalmente. ou relativa e temporária. pois nesse caso é evidente que o conhecimento seria uma espécie part icular de convicção. por exemplo. porém não inversamente (pois o divisível nem sempre é um número. se "capaci dade" tem mais razões do que "virtude" para ser o gênero do domínio próprio e "virtude" é o gênero deste. ao tratar dessas coisas podemos admit ir nós mesmos que aquela que sempre acompanha a outra é o gênero. que a diferença deve ser distinguida do gênero. f ica convencido. para estabelecer um ponto de vista. a comparação dos gêneros e das espécies entre si tem sua utilid ade: supondo-se. o outro também o é. é preciso ver se o que conhece. pois então evi dentemente será o gênero. por exemplo. deve-se distinguir o gênero da diferença recorrendo aos pr incípios elementares anteriormente mencionados: (a) que o gênero tem um campo de pre dicação mais amplo do que a diferença. nem o repouso é sempre uma calma) —. por exemplo. por exemplo. e também que o qu e caminha se move ao caminhar. Além disso. ser investigadas das maneiras qu e acabamos de descrever. no entanto. por outro lado. então a "música" é uma espécie particular de "conhecimento". mesmo que ambos o admitam. também o é "capacidade". é o outro que avança esta proposição. não dev emos aceitá-la universalmente.Ao refutar uma opinião. portanto. e nquanto o contrário não é verdade: pois quem diz "algo que caminha" descreve um animal que possui uma determinada qualidade. (b) que ao apresentar a essência de uma coisa é mai s adequado indicar o gênero do que a diferença. Por ex emplo. e não é conversível com el (pois o que não é nem sempre se está gerando). por exemplo. visto ser difícil distinguir aquilo que sempre acompanha uma coi sa e não é conversível com ela do seu gênero. Se. por exemplo. que A e B têm iguais razões para ser uma espécie do gên ero em questão e se um deles é uma espécie. en tão. por outro lado. deve-se examinar se o gênero s e predica na categoria de essência daquelas coisas de que foi proposto como gênero. pois daí result ará também que ele se predica de diferentes espécies. Toda "propriedade" expressa sempre é ou essencial e permanente. no próprio ato de conhecer. enquanto músico. É desta maneira. então o "caminhar" é uma espécie particular de "movimen to". e se é uma espécie aquilo que menos geralmente se pensa que o seja. e. mas diversas. enquanto o que diz "animal" não descreve um a coisa que caminha dotada de certa qualidade. Deve-se proceder do mesmo modo com respeito aos demais casos de sta classe. pois quem diz que o "homem" é um "anim al" manifesta melhor o que é o homem do que aquele que o descreve como "uma coisa que caminha". A isto pode-se objetar que o "não-ser" acompanha semp re o que se está gerando (pois o que se está gerando não é ainda). também o é o que mais razões tem para isso. "não-ser" não é o gênero de "g rar-se": pois o "não-ser" não tem absolutamente espécie alguma. supondo-se que se tenham apresentado não uma única espécie. se. Ora. Como algumas pessoas pensam que a diferença também é um predicado das várias espécie s na categoria de essência. se desejamos provar que "conhecimento" é uma forma de "convicção". ainda é possível que um não seja o gênero do outro. tanto "belo" como "branco" admitem um grau maior. pois. Supondo-se. também o será aquilo que mais geralmente se co nsidera tal. de nada valerá a regra ou lugar que manda verificar se tanto o gênero proposto como a espécie admitem um grau maior: poi s. é uma "propriedade essencial" do homem o ser "por naturez . pois. uma certa forma de co nhecimento. vist o ser opinião geral que se o que é músico possui. que A e B tenham igual direito ao título de gênero. também o é o outro. As questões referentes ao gênero devem. "repouso" acompanha sempre uma "calma" e "divisibilidade" segue o "número". se apresentar uma só espécie. deve-se examinar desta mesma maneira todo gênero em que se deseje estabelecer a existência de alguma coisa. por outro lado. se um deles é um gênero.

deve ser examinada por meio dos tópi cos referentes ao acidente. surgem apenas dois problemas: como. aquela que a faculdade da razão possui em com paração com a do desejo e da emoção. se ele afirm asse que é propriedade do homem. E uma propriedade permanente deve ser observada em relação a muitos períodos de temp o. de ser "um ser vivente imortal". Das "propriedades". se nosso contendor ao mesmo tempo afirma essa propriedade de uma coisa e a nega de outra. uma "pr opriedade permanente" é como a propriedade inerente a Deus. no caso do homem. como também que o cavalo é um bípede e que e le não é um quadrúpede. ao passo que uma questão "discutível" é aquela no tocante à qual se podem su scitar argumentos não só numerosos como válidos. Por outro lado. a de ser bípede: porque se poderi a tentar demonstrar tanto que o homem não é um bípede como que o cavalo é um bípede: de am bas essas maneiras a propriedade seria refutada. nem a do desejo e da emoção é sempre comandada. aquela que o homem possui em comparação com o cavalo. um de dois atributos de cada uma de duas coisas. e por isso os argumentos relativos a ela não são muitos. ao passo que o cavalo jamais e em caso algum é um bípede. se ele afirmasse qu e é uma propriedade do homem em relação ao cavalo a de ser o primeiro um bípede e o segu ndo um quadrúpede. Com efeito. a fim de ver se ela pertence a uma coisa e não a outra . uma propriedade relativa dá origem. se ela não pertence. se o sujeito não é diferenciado por ela com respeito a qualquer outra coisa. como ao dizer-se de um homem particular que ele está passeando na praça do mercado. enquanto a s egunda obedece: porque a faculdade racional nem sempre comanda. sobre uma propriedade temporária não indagamos senão com referência ao tempo chamado "presente". uma diferença que se dá geralmente e na maioria dos casos é. o atributo proposto estará refutado. pois a propriedade necessariamente pertencerá ao seu sujeito em comparação com cada c oisa individual existente. capaz de receber conhecimento". não será uma propriedade. pois o homem é sempre e em todos os casos um bípede. as propriedades permanentes e essenciais. não pertenceu ou não pertencerá ao seu sujeito. por exemplo. em ca da caso. e o nega. ou se pode observar com referência a muitos períodos de tempo: se "essencial". por exemplo. por exemplo. A chamada propriedade "relativa". Uma propriedade "temporária" é aquela que só é verda deira numa ocasião particular e não acompanha sempre necessariamente o sujeito. Uma propriedade essencial ou permanente pod e-se discutir em relação a muitas coisas. Enunciar uma propriedade "relativamente" a outra coisa significa expressar a diferença que existe entre elas.a um animal civilizado". as mais "discutíveis" são a essencial e permanente e a rel ativa. sempre que a alma de um homem é viciosa. Por outro lado. como dissemos atrás19. uma diferença que se dá universalmente sempre é. e os argumentos em relação a estas são vários. devem ser investigadas de acordo com os métodos seguintes. r espectivamente. como "um ser vivente mortal. deve-se discuti-la em comparação com muitas coisas. Uma propriedade "permanente" é aquela qu e é verdadeira em todas as ocasiões e nunca falta. ele afirma. tal como se dá universalmente e sempre. e que consiste em comandar a primeira. como "ser composta de alma e corp o" no caso de uma criatura vivente. ou geral mente e na maioria dos casos: assim. a saber: a de ser um bípede. de "caminhar no ginásio". (A formulação "relativa" de uma propriedade dá lugar a dois ou quatro problemas. enquanto o segundo só se produz na faculdade da razão e naquele s que possuem uma faculdade raciocinante. Porque. mas às vezes também é comandada. Se. mas às vezes também assume o co mando. a várias questões: pois necessariamente as questões suscitadas por elas são duas ou quatro. pelo contrário. por seu lado. em relação ao cavalo. Pois nesse caso é possível tentar demonstrar tanto que o homem não é na turalmente um bípede e que ele é um quadrúpede. a saber: a de se produzir naturalmente a primeira em ma is de uma faculdade. haverá quatro problemas: como. a saber: que uma seja apta para comandar e o outro para obedecer. porque.)18 Uma propriedade "essencial" é a que se afirma de uma coisa em comparação com tud o mais e que distingue a referida coisa de todas as outras. Se conseguirmos demonstrar qualquer destas coisas. e uma "propriedade relativa" é como a da alma para com o corpo. e uma "propriedade temporária" é como aquela que pertence a qualquer home m particular. Uma propriedade "rela tiva" é aquela que distingue o seu sujeito não de todas as demais coisas. pois. como a propriedade que a virtude possui em co mparação com o conhecimento. de modo que. a propriedade não foi proposta de maneira correta . . da outra. mas apenas de uma coisa particular definida. por exemplo.

ao contrário. de modo que "possuir sensação" se ria. já que forçosamente se chegará às mesmas conseqüências. veja-se se os termos. Assim. com propósitos destrutivos veja-se se o sujeito a que o adversário a tribui a propriedade se usa em mais de um sentido e não se fez nenhuma distinção com r espeito a qual desses sentidos se atribui a propriedade: pois nesse caso a propr iedade não terá sido corretamente formulada. Assim. e se aí se encontra primariamente. por exemplo. a esse respeito. a saber: (1) possuir sensação. pois não apenas a propriedade deve ser mais inteligível do que o seu sujeito. Por exemplo: vis to que "corpo" não tem vários significados. visto que a expressão "ser senciente" tem mais de um significado. Com efeito. o seu caráter como propriedade é obscuro. e se o são de cada um dos modos mencionados a cima. veja-se se a propriedade foi ou não formulada corretamente. A seguir. para fins de refutação. nem "o mais rápido em mover-se para cima n o espaço". a este respeito. Um teste de que os termos não são mais inteligíveis consiste em ver se a proprie dade que o adversário propôs é totalmente mais ininteligível do que o sujeito de que se afirmou a propriedade. quem afirma que é uma propriedade do fogo o ser "o elemento primário em que se encontra naturalmente a alma" introduz uma questão que é menos inteligível do que "fogo". e por isso "uma semelhança muito estreita com a alma" não seria a formulação correta de uma pr opriedade do fogo. A seguir. os que formulam uma propried ade dessa maneira serão inevitavelmente refutados sempre que alguém dirigir o seu si logismo àquele dos vários significados do termo que não for consentâneo.2 Primeiro. Porque. a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. Para fins construtivos. ma s também deve ser algo cuja atribuição a esse sujeito particular seja mais inteligível. seri a correto. e. veja-se se algum dos termos empregados na fo rmulação da propriedade se usa em mais de um sentido. e (2) fazer uso da sensação. se não são tais ara fins construtivos. o homem que disse que a "posse da sensação" é uma propriedade de "animal" não só usou termos mais inteligíveis como também tornou a propriedade mais inteligível em cada um dos sentidos apontados acima. um dos testes consiste em ver se os termos em que é expr essa a propriedade são ou não são mais inteligíveis — para fins de refutação. não deve comportar mais de um sentido é que uma expressão ambígua torna obscuro o obje to descrito. e isso não se pode admitir. a propriedade não terá sido formulada c orretamente. enquanto outros o serão de maneira absoluta e sem quali ficação. A razão pela qual o termo usado. quem não sabe em absoluto se esse é um atributo do sujeito particular. Assim. se o são. num caso como no o utro. Assim. não saberá tampouco se pertence exclusivamente a ele. ser "o elemento primário em que se encontra naturalmente a alma" não pode ser a expressão cor reta de uma propriedade do fogo. P orque o fim com que se estabelece uma propriedade é torná-la inteligível: portanto. por conseguinte. se assim for . alguns se mostrarão corret os apenas a esse respeito. Porque então a propriedade terá sido corretamente expressa a esse respeito: po is dos argumentos construtivos corretamente formulados. a saber: se a alm a se encontra nele. por exemplo. Para fins construtivos. As razões disto são perfeitamente claras pe lo que ficou dito acima20. por exemplo. nem tampouco a expressão inteira obtida pela união destas duas coisas. ou se a expressão inteira signif ica mais de uma coisa. Outro teste é ver se a atribuição de A (propriedade) a B (sujeito) é menos inteligív el. os termos em que é expressa devem ser mais inteligíveis. dizer que é uma propriedade do fogo o ser o "corpo mai s rápido em mover-se para cima no espaço". po . a expressão correta de uma propriedade de "animal". de modo que se possa concebê-la de maneira mais adequada. de modo que. por outro lado. "ser natura lmente senciente" não poderia ser a formulação correta de uma propriedade de "animal". pois. ou a expressão inteira que significa a propriedade . veja-se se todos os termos e também a expressão tomada como um todo não comportam mais de um sentido. Além disso. pois em tal caso esta não terá sido formulada corretamente. por exemplo. quem diz que é uma propriedade do fogo o " ter uma semelhança muito estreita com a alma" usa o termo "alma". se assim for. que é menos inteli gível do que "fogo" (pois sabemos melhor o que é o fogo do que o que é a alma). com que se expre ssa a propriedade são mais inteligíveis. já que o fim da for mulação da propriedade é que possa entender-se. Da for mulação correta ou incorreta. e o homem que procura argumentar fica em dúvida sobre qual dos vários s entidos possíveis corresponde à expressão.

a fim de refutar ou demolir uma opinião. Para fins construtivos. Com efeito. corretamente formulada. "animal naturalmente civilizado" s eria corretamente formulado como uma propriedade de homem. e distinguir é ofício próprio da lingu agem das "propriedades". o nosso homem teria repetido a palavra "substância" e. nenhuma das propriedades seria corretamente formulada. . pelo contrário. por conseguinte. Assim. para fins de refutação. a esse respeito. Por exemplo. por sua natureza. que é um atributo universal. por exemplo. devemos ver se o termo de qu e estamos formulando a propriedade não comporta vários sentidos e é uno e simples: poi s então a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. (4) o uso do conhecimento a s eu respeito —. A seguir. como aconteceria se alguém ap resentasse como uma propriedade da terra "a substância que. usa na enunciação da propriedade um termo dessa espécie . (3) a existência de conhecimento a seu respeito. por e xemplo. é de t odos os corpos aquele que mais facilmente é levado para baixo no espaço". Por exemplo: o homem que afirma ser uma propriedade do fogo o ser "o corpo mais rarefeito e mais leve" expressa mais de uma proprie dade (pois cada um destes termos é um predicado verdadeiro tão-somente do fogo). pois a r epetição confunde o ouvinte. visto que "homem" é usado num sentido só. como sucederia se ele propusesse. veja-se se o adversário incluiu na enunciação da propriedade algum termo que seja um atributo essencial. (2) o uso de seu conhecimento por e la. Para fins construtivos. No caso em apreço. e assim inevitavelmente o significado se torna obscuro. pois n esse caso a propriedade não terá sido corretamente formulada. limitando-se a uma só: pois assim a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. "o corpo que é o mais rarefeito de todos os corpos" (pois aqui repetiu a palavra "corpo"). a propriedade não terá sido corretamente formulada. por outro lado. (1) a posse de conhecimento pela coisa em apreço. e depois s ubstituísse a palavra "corpos" por "substâncias de tal e tal espécie": porquanto "corp o" e "uma substância de tal e tal espécie" significam uma só e a mesma coisa. Pois os argumentadores muitas vezes fazem isso sem o perceber. portanto. a esse respeito. ao contrário. tanto ao formular "propriedades" como ao estabelecer "definições". A fim de assentar um ponto de vista. Assim. a saber: "unidade". como também o é da linguagem das "definições". a fim de rebater ou destruir uma asserção. Assim. como quem d iz que é uma propriedade da "criatura vivente" o "possuir uma alma" não usa nenhum t ermo que seja comum a todas as coisas. Assim. o homem que diz ser uma propriedade do líquido o "ser um corpo adaptáv el a todas as formas" apresenta como propriedade do líquido um caráter único e não vários. por exemplo. Depois disso. a esse respeito a propriedade terá sido corretamente formula da.r exemplo. como propriedade do fogo. como quem propôs "animal capaz de receber conhecimento" como uma propriedade do homem evitou repetir várias vezes o mesmo termo. evite-se apresentar mais de uma propriedade da mesma coisa. é preciso evitar sempre a repetição do mesmo termo. Para fins construtivos. além de se pensar que tais pessoas não sabem o que dizem. veja-se se ele propõe mais de uma propriedade da mesma coisa sem advertência prévia de que o está fazendo. A seguir. por isso. trate-se de evitar qualquer termo que seja comum a tudo e de usar um termo que distinga o sujeito de alguma coisa: pois nesse caso a propriedade t erá sido. Por exemplo. assim como no caso da definição não se deve fazer nenhum acréscimo à expressão que indica a essência. t mbém no caso das propriedades não se deve propor nada mais além da expressão que constit ui a propriedade mencionada. é. pois então a propriedade terá sido cor retamente formulada a esse respeito. correto formular a "pos se de uma alma" como sendo uma propriedade da "criatura vivente". nenhuma propriedade do "conhecimento disto" seria formulada correta mente a não ser que o adversário declarasse a respeito de qual destes significados e stá formulando a propriedade. não pode ser uma propriedade corretamente formulada do fogo o ser "o mais r arefeito e mais leve dos corpos". quem diz que é uma propriedade do conhecimento o ser uma "concepção incontrovertível por via de argumentação. devido à sua unidade". a segu nda é quando se substituem palavras pelas suas definições. Porque um termo que não distingue o seu sujeito de outras coisas é inútil. mas u ma propriedade em que aconteceu tal coisa não foi formulada corretamente. e por isso mesmo a propriedade do conhecimento não pode ter sido corretamente formulada. visto que "o conhecimento disto" significa muitas coisas — a saber. veja-se se o mesmo termo foi repetido na propriedade. A repetição do mesmo termo sói acontecer de duas maneiras: uma delas é quando alguém usa repetidamente a mesma pala vra.

Em segundo lugar. Para fins c onstrutivos. corretamente formulada. a propried ade é corretamente formulada. quer de uma de suas espécies. para fins de refutação. com o propósito de refutar. O homem que diz. por exemplo. a esse respeito. e por consegu inte a propriedade não pode ter sido corretamente formulada. a propriedade não terá sido corretamente formulada. com vistas na refutação. pois. o homem que se esquece de avisar ex plicitamente que é a propriedade do momento atual que pretende formular está sendo o bscuro. ao expressar a propriedade do momento atual. procure-se evitar a introdução quer do próprio sujeito. Porque. de modo que a propriedade da virtude foi. por exemplo. assim. Este princípio será verdadeiro no caso de todo atributo que não acompanhe sempre e necessariamente o seu sujeito. Por exemplo.de modo que a propriedade de "líquido" é. o homem que enunciou como propriedade de uma criatura viven te o ser "composta de alma e corpo" evitou introduzir entre os demais termos tan to o próprio sujeito como qualquer de suas espécies. mesmo depois que o adversário formulou a propriedade não f icará claro se esta realmente lhe pertence. visto que em tal caso a propriedade não foi corretamente formulad a. A seguir. por outro lado. ou alguma de suas espécies: pois nesse caso a propriedade não terá sido corretamente formulada. a conseqüência disso será não haver nenhuma necessidade de que o nome do sujeit o seja também verdadeiro de qualquer coisa à qual verificarmos que pertence tal atri buto. veja-se se ele enunciou como proprieda de alguma coisa que nem sempre acompanha o sujeito. do contrário. Por exemplo. ao passo que qualquer de suas espécies lhe é posterior e. e nunca se deve dar ocasião a críticas desfavoráveis. é preciso propor alguma coisa que deva ser sempre e necessariamente uma propriedade: pois então est a terá sido corretamente formulada a esse respeito. de forma que esta não pode ter sido corretamente formulada. mas às vezes deixa de ser sua propriedade. Além disso. Por exemplo: quem diz que é uma propriedade de "animal" o ser "a subs tância a que pertence 'homem' como espécie" emprega uma dessas espécies. todo procedimento qu e não seja costumeiro requer sempre uma advertência preliminar explícita. não é mais inteligível do que ele. po r exemplo. a esse respeito. portanto. uma vez retirado da esfera da sensação. o sujeito em si mesmo continua tão ininteligível qua nto era no começo. Para fins construtivo s. se ele empregou o próprio sujeito cuja pr opriedade está formulando. ao contrário. quem diz ser propriedade de animal "mover-se às vezes e outras vezes ficar imóvel" formula o tipo de propriedade que às vezes não é propriedade. quem afirma ser propriedade de um determinado homem o "estar sentado com Fulano" exp ressa a propriedade do momento atual e. Com efeito. e é procedimen to habitual de toda a gente apresentar como propriedade algum atributo que acomp anhe sempre o seu sujeito. não é possível entender nada mais quando se usam e sses termos. em primeiro lugar. Assim. Para fins construtivos. por conseguinte. pois assim a propriedade terá sido. A seguir. tenha-se o cuidado. A seguir. por exemplo. visto que a descreveu sem nenhuma advertência prévia. Porque a propriedade é formulada a fim de que a s pessoas possam entender. Assim. corretamente formulada. a esse respeito. de avisar previamente que se trata de uma propriedade do momento atual: pois só assim a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. veja-se se o adversário e xpressou uma propriedade de tal índole que sua adequação ao sujeito não seja evidente a não ser pela sensação. não pode ter formulado corretame nte a propriedade. e. torna-se incerto e não é claro que ele continue a pertencer ao seu sujeito. pelo fat o de ser evidenciado unicamente pela sensação. nem tampouco de que o nome do sujeito seja falso de qualquer coisa a que e le não pertencer. visto tratar-se de uma espécie de atribu to que pode faltar: e. ser propriedade de um indivíduo particular o "estar caminhando agora" faz essa distinção no seu asserto. Pois a verdade é que todo atributo sensível. o homem qu e afirma ser uma propriedade da virtude o ser "aquilo que torna bom o seu possui dor" apresenta como propriedade algo que sempre acompanha o seu sujeito. a propriedade não será evidente. devemos ver se ao apresentar uma propriedade do momento atual ou presente ele se esqueceu de avisar explicitamente que está se referindo a uma propriedade do momento atual. portanto. por outra parte. quem declara que é uma propriedade do Sol o ser "a mais brilhante estre . corretamente for mulada. pois nesse caso a propriedade não terá sido corretamente formulada. ora. Assim. a proprieda de de "criatura vivente" foi corretamente formulada. Logo. e. para o fim de rebater um ponto de vista. 3 Veja-se também. por conseguinte.

adotaremos para estes últimos o mesmo mét odo de exposição. o primeiro termo a ser expresso deve ser o gênero e o resto acresc entado imediatamente a este. a propriedade de "s uperfície" foi. e assim a propriedade de "homem" terá sido corretamente formulada a esse respeito . o u se não é uma propriedade de cada um deles com respeito ao caráter do qual se express ou a propriedade. signific ar a sua essência. a esse respeito. a questão sobre se aq uilo que se afirma é uma propriedade ou não o é em absoluto deve ser examinada de acor do com os pontos de vista que vamos expor agora. significar a sua essência. No propósito de refutar veja-se. Igualmente. é preciso tomar o cuida do de expressar uma propriedade que não seja óbvia à sensação. ao contrário. corretam ente formulada. que é propriedade do homem o "ser um animal capaz de receber conhecime nto" terá expresso a propriedade depois de colocar o sujeito dentro da sua essência. o que se afirmou como proprie dade não será tal. pois então o que se negou fosse uma propriedade será uma propriedade. uma expressão dess e tipo. sem. contudo. Por exemplo. deve-se cuidar de que a propriedade expressa forme um predicado conversív el com o seu sujeito. o homem que diz ser propriedade de uma criatura vive nte o "possuir uma alma" não colocou "criatura vivente" dentro da sua essência. Em primeiro lugar. para fins de refutação. quem afirma ser propriedade do homem o ser "um animal bípede que cami nha" apresenta uma propriedade que significa a essência do homem. po is. a propriedade terá sido corretamente formulada. não pode ser uma propriedade do homem de ciência o não se deixar e nganar por um argumento. quem afirma que é prop riedade de uma superfície o ser "a coisa primeira que recebe a cor" introduz no pr edicado uma qualidade sensível. e acrescentar então o resto: desse modo. corretamente formulada. contudo. ser conduzida pelos meios que apontamos. pois. p or exemplo. "receber a cor". Para fins construtivos. veja-se se ele apresentou a definição como sen do uma propriedade. Para fins construtivos. visto que a propriedade de uma coisa não deve manifestar a sua essência. Por outro lado. por exemplo. veja-se cada sujeito de que o contendor afirmou a propriedade. e verdadeira sob esse aspecto p articular. portanto. se ela for sensível. Quem afirmar. uma vez que du rante esse período nos falta a sensação. ou se não é verdadeira deles sob esse aspecto particular. por exemplo. a propriedade que não é expressa desta maneira não pode ter sido corretamente for mulada. pois será incerto. apesar disso. por exemplo. como a descrição "um animal capaz de receber conhecimento" é verdadei . ou. 4 A investigação sobre se a propriedade foi ou não corretamente formulada deve. por exemplo. Para fins construtivos. Por is so mesmo a propriedade não pode ter sido corretamente formulada. pois nesse caso a propriedade não terá sido corretamente formula da. assim c omo nas definições. por exemplo. veja-se se a pr opriedade proposta é verdadeira em todos os casos. por exemplo. a saber: "mover-se acima da Terra". se ela não pertence em absoluto a nenhum deles. pois então a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito.la que se move acima da Terra" usa. que evidentemente pertença por necessidade ao sujeito. uma qualidade que manifestamente sempre pertence ao seu sujeito. sem. Para fins construtivos. depois que o Sol se põe. corretamente formulada. distinguindo o seu sujeito das demais coisas. se ele continua a mover-se acima da Terra. Assim. Assim.em qualquer desses casos. por outro lado. Os tópicos que estabelecem de man eira absoluta que a propriedade foi corretamente formulada serão os mesmos que faz em dela uma autêntica propriedade. de modo que a propriedade de "homem" é. pois assim a propri edade terá sido. como não é verdadeiro dizer que um geômetra "não pode ser enganado por um argumento" (pois um geômetra pode enganar-se quando a sua fig ura foi mal traçada). Ass im. a esse respeito. quem diz qu e é uma propriedade do homem o ser um "animal naturalmente civilizado" expressa a propriedade de modo que seja conversível com o seu sujeito. observando. por outro lado. . pois. a esse respeito. Assim. mas. Portanto. Porquanto nas propriedades. deve-se primeiro colocar dentro da sua essência o sujeito cuja propriedade está sendo apresentada. Assim. Porta nto. se ele expressou a propriedade sem ha ver colocado o sujeito dentro de sua essência. também. a qual é evidenciada pela sensação. para fins de refutação. de modo que essa propriedade não pode ter sido corretamente formulada. e po r isso a propriedade de uma criatura vivente não pode ter sido corretamente formul ada. ao descrever a propriedade.

por outro lado. Assi m. deve-se ver se a descrição não é verdadeira daquilo de que é verdadeiro o nome. se se predicar somente das coisas de que se afirma ser uma propriedade. "possuir uma alma" será uma propriedade de "criatura viva". mas deve pertencer ou como posterior. "estar atravessando a praça do mercado" não pode ser uma propriedad e de "homem" — ou nunca. a fim de refutar alguma coisa. por exemplo. ou nem sempre. deve-se cuidar que a descrição também se predique daquilo de que se p redica o nome. "caminhar com dois pés" não pode ser uma propr iedade de "homem". como é possível que o atributo "estar a travessando a praça do mercado" pertença a um objeto como anterior ou posterior ao a tributo "homem". por conse guinte. Para fins constr utivos. de modo que a propriedade da terra terá sido c orretamente enunciada. e que o nome também se predique daquilo de que se predica a descrição. para fins de refutação. nesse cas o. o ser "um ser vivente qu e participa do conhecimento" não pode ser um predicado do homem. e verdadeira dele enquanto homem. ou se o nome não é verdadeiro daquilo de que é verdadeira a descrição. Assim. por outro lado. se assim fosse. e. pois nesse caso o que foi apresent ado como propriedade não será uma propriedade.) Também é preciso ver. pois. a mesma coisa seria propriedade de várias coisas especificam ente distintas. como a descrição "um ser vivente que participa do conhecimento" é ver dadeira de Deus. Por exemplo. ou nem sempre. logo. o que ele afirmou ser uma propriedade não será uma propriedade. Assim. será uma propriedade do homem o ser "um animal capaz de receber conhecimento" (Este tópico significa: para fins de refutação. Assim. para fins de refutação. por exemplo. enquanto "homem" não se predica de Deus. como quem diz que "caminhar com dois pés" é uma propriedade do homem apresenta a propriedade como alg uma coisa de que participa o sujeito. ao contrário. ou como anterior ao atributo descrito pelo nome. A razão pela qual o sujeito não pode ser uma propriedade daquilo que nele se encontra é que. Ass im. E igualmente. e se apresentarmos a propriedade dessa forma. veja-se se o adversário apresentou um sujeito como propriedade daquilo que é descrito como estando "no sujeito". se a descrição não se aplica àqui lo a que se aplica o nome e se o nome não se aplica àquilo a que se aplica a descrição. veja-se se ele apresentou a propriedade como alguma coisa de que participa o sujeito. pois nesse caso o que se afirmou ser uma propriedade não o será — ou nunca. para fins construti vos. deve-se ver se o que é apresentado como propriedade do sujeito se encontra neste: pois então o que o adversário afirmou não ser uma propriedade será uma proprieda de. Com efeito. nesse caso. e um atributo desse tipo seria u ma diferença pertinente a alguma espécie determinada. e o "possuir uma alma" é verdadeiro daqu ilo a que se aplica com verdade o predicado "criatura viva". quem diz que s er "naturalmente senciente" é uma propriedade de "animal" não apresenta a propriedad e nem como alguma coisa de que o sujeito participa. Para fins construtivos. "fogo" não pode ser uma propriedade do "corpo que possui as partículas mais rarefeitas". quem afirma ser uma propriedade da "terra" o ser "especificament e o corpo mais pesado" apresenta como propriedade do sujeito alguma coisa que se diz pertencer exclusivamente ao sujeito em questão e dele se predica da maneira p ela qual é predicada uma propriedade. Porquanto a mesma coisa possui um número considerável de predicados especificamente distintos que pertencem exclusivamente a ela. ser "naturalmente senciente" será uma propriedade de animal. Por exemplo. o predicado "criatura viva" se aplica com verdade àquil o de que é verdadeiro o "possuir uma alma". por exemplo. embora o sujeito se predique conversivelmente com ela. por exempl o. embora o sujeito seja conversível com ela: pois então o que o adversário afir mou não ser uma propriedade será uma propriedade. q uando se pretende estabelecer um ponto de vista. um atributo de que o suje ito participa é parte constituinte da sua essência. Para fins construtivos. o sujeito se predicará de todos eles. e que a descrição se predique daquilo de que se predica o nome. nem como algo que expressa a sua essência. pois. E também. veja-se se a propriedade não pode pertencer simu ltaneamente. evite-se apresentar a propriedade como alguma coisa de que o sujeito participa. A seguir. ou que expresse a sua essência. é pr .ra de todo homem. Por outro lado. para fins de refutação. é preciso cuidar que o nome também se predique daquilo de que se predica a descrição. Pois então o que se afirma não ser uma propriedade será uma propriedade. o que se apresentou como propriedade não será uma propriedade. como quem propõe "fogo" como propriedade do "corpo que tem as partículas mais rar efeitas" apresenta o sujeito como uma propriedade do seu próprio predicado. por exemplo.

Assim. Igualmente. Este tópico é também útil ao tratar-se do acidente. por exemplo. Para fins c onstrutivos. por exemplo. como não é propriedade de um "objeto adequado de busca" o "parec er bom a certas pessoas". nem uma diferença: pois então o que o outro afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade. por outro lado. como "quadrúpede que caminha". na medida em que é idêntico. tampouco o será a que se afirma ser propriedade do sujeito em apreço. também será propri edade da ave o ser "um bípede voador": pois cada um destes é idêntico em espécie. que "homem" é uma coisa e " homem branco" é outra. na medida em que um homem e um cavalo são idênticos em espécie. sem ser nem uma definição. além disso. sem ser nem uma diferença. Para fins constr utivos. p ois "objeto adequado de busca" e "desejável" significam a mesma coisa. como se diz que é propriedade de um homem. o "possu ir uma alma tripartida". deve-se dizer que o sujeito de um acidente não difere absolutamente do acidente tomado em combinação com o seu sujeito. como a condição do cientista é denominada de acordo com a sua ciência. das coisas que são idênticas em espécie ao suj eito. por exemp lo. porqu e. apresentando o sujeito como sendo uma coisa em si mesmo e outra coisa qua ndo acompanhado de seu acidente.eciso ver se o predicado pertence sempre e por necessidade simultaneamente ao su jeito. pois se ass im fosse o cientista também seria incontrovertível por meio de um argumento. nesse caso. um atributo que pertence a "homem" pertenc erá também a "homem branco". como diferentes um certo estado e o que se denomina de acordo com esse estado. embora se chame a isso "outra" coisa porque o modo de ser dos dois é diferente: pois não é a mesma cois a um homem ser um homem e um homem branco ser um homem branco. por outro lado. pois. devem-s e observar também todas as inflexões e formas derivadas. Pois um atributo pertence de igua l maneira ao estado e ao que recebe seu nome desse estado. e o que pertence ao q ue recebe seu nome de um estado pertencerá também ao próprio estado: por exemplo. Para fi ns construtivos. por exemplo. é co isa trabalhosa enunciar a um perguntador sofistico uma propriedade que pertence exclusivamente a uma dada coisa. se tal houver. veja-se se a mesma coisa é propriedade de algo mais q ue seja idêntico ao sujeito. e nem sempre é propriedade de um cavalo levantar-se por sua própria iniciativa. veja-se também se a mesma coisa deixa de ser uma propriedade de coisas que são idênticas ao sujeito. "animal capaz de receber conhecimento" será uma prop riedade de "homem". na medida em que é um homem. no entanto. a saber: "animal". Como "o mesmo" e "diferente" são termos que se usam em diversos sentidos. Assim. tampouco poderá ser esta uma propriedade do "desejável". visto que ser "um bípede que caminha" é uma propriedade do homem. Assim. e o que pertence a "homem branco" também p ertencerá a "homem". o atributo "animal c apaz de receber conhecimento" sempre e por necessidade pertence simultaneamente com o atributo "homem" ao sujeito. e. fazer críticas capciosas à maioria das proprie dades. A fim de refutar um ponto de vista. e fazer ver que a descrição do . na med ida em que um par tem a identidade de espécies que se incluem no mesmo gênero. a propriedade que é idêntica à propriedade alegada é sempre verdadeira: pois nesse caso o que se afirma não ser uma propriedade será uma propriedade. por exemplo. Pois. Além disso. nem uma definição de seu sujeito. uma vez que os mesmos atributos devem ou pertencer ou não pertencer às mesmas coisas na medida em que são as mesmas. porquanto levantar-se e mover-se por sua própria iniciativa são idênticos em espécie pelo fato de pertencerem a cada um deles na medida em que ambos são "animais". Este tópico é enganoso sempre que uma das propried ades mencionadas pertence a uma espécie exclusivamente enquanto a outra pertence a muitas. não poderia ser uma pro priedade da "ciência" o ser "incontrovertível por meio de um argumento". é preciso ver se. por conseguinte. também será propriedade de um mortal. não pod eria ser propriedade de um homem o mover-se por sua própria iniciativa. dizendo. o que se a firmou não ser uma propriedade será uma propriedade. enquanto o outro par tem a identidade de diferença do mesmo gênero. perte ncendo ambas ao gênero "animal". Poder-se-ia. o "possuir uma alma tri partida". na medida em que são idênti cas: pois nesse caso o que se afirmou ser uma propriedade não será uma propriedade. por exemplo. Assim. Porque o atributo que pertence a alguma coisa q ualificada por um acidente também pertencerá ao acidente tomado em conjunto com o su jeito ao qual qualifica: por exemplo. nesse caso. Assim. veja-se se a propriedade de coisas que são i dênticas em espécie ao sujeito nem sempre é idêntica em espécie à propriedade alegada. para fins de refutação. e representando. na medida em que é um mortal.

Porque. ou. pois um dia esse atributo poderá não ser o que é agora: damos como ex emplo a posse de quatro dedos por um homem. deve-se in dicar isso ao exprimi-la. se o que se pr etende enunciar é uma propriedade que pertence naturalmente ao sujeito. ou especificamente. se enunciamos uma propriedade que pertence ao sujeito qu e se denomina de acordo com alguma outra coisa. ou porque a coisa se encontra num determinado estado. além disso . para fins de refutação. quem enuncia como propriedade de "homem" a expressão "um um animal capaz de receber conhecimento" tanto tenciona indicar como indica. ela se predicará t ambém de "superfície". mas sim que "ela" é incontrovertível por um argumento. erra aquele que não faz uma advertência prévia de que está enunciando um atributo atual. pois não se de eria dizer que "isso". por outro lado. Além disso. pois aquilo que pertence naturalmente pode deixar de pertencer à coisa a que pertence p or natureza. como "vida" a "ser vivente". e . se a enunciamos com referência ao sujeito prim eiro. Assim. se a afirmamos do "corpo". por exemplo. como por exemplo o homem. mas isso porque já participam de "animal"). como "sabedoria" à "faculdade ra cional". uma propriedade do homem. e assim "um an imal capaz de receber conhecimento" não será invalidado nem se demonstrará que não é. nesse caso. pelo contrário. por exemplo. como "ter quatro dedos" pertence a um homem particular. por exemplo. como. pois nem todo homem possui dois pés. Portanto. primeiramente. E erram. e. e que a descrição de ciência também está errada. ou porque ela participa de alguma outr a coisa. "bípede" poderia não ser uma propriedade do homem. Erra. como "sabe doria" a "alma". Assim. mas em re alidade a sua expressão indica um atributo que invariavelmente pertence ao sujeito : desse ponto de vista. como sucede com "colorido" qu ando se enuncia como uma propriedade de "superfície" ou de "corpo". os que não pre vinem de que estão afirmando que uma coisa é tal e tal primeiramente. ou de que a ch amam assim de acordo com outra coisa. comete um erro quem deixa de acrescentar a palavra "naturalmente". como "vida" pertence a uma espécie particular de "ser vivente". pois então a propriedade não será invalidada a esse respeito . Por conse guinte. ou atualmente. deve-se verificar se. Para fins construtivos. inversamente. ela se predicará também da coisa que se denomina de acordo com este. de maneira a indicar um atributo que pertence àquele invariavelment e: pois. pela s ua linguagem. o u por ser esse o estado possuído por alguma coisa. a propriedade que pertence por natureza ao sujeito. po r exemplo. pois nesse caso tampouco o nome será verdade iro daquilo de que se predica com verdade a descrição. ou uma propriedade que pertence a alguma coisa unicamente na medida em que ela é denominada de acordo com outra coisa. 5 A seguir.homem de ciência está errada: não se deveria dizer que "isso". como "bípede" pertence a "homem". mas sim que "ele" é incon trovertível por um argumento. como "sensação" pertenc e a "animal" (porque outras coisas também possuem sensação. é propriedade natural do homem o possuir dois pés. como "incontrover tível por argumento" pertence a "cientista" (pois simples e unicamente pelo motivo de se encontrar em determinado estado será ele "incontrovertível por argumento"). Com respeito a algumas propriedades. é difícil enunciar a propriedade de tais coisas. ou de maneira absolu ta. como "incontrovertível por argume nto" pertence a "ciência". a es se respeito. Assim. ou porque . o nome não se predicará também com verdade daquilo de que se predica com verdade a descrição. ou porque o sujeito participa dela. contra um objetante que não recua diante de nada a defesa tampouco deve recu ar diante de nada. "color ido" também será verdadeiro do corpo. com o "formado das partículas mais rarefeitas" pertence a "fogo". tencionando enunciar u m atributo que pertence naturalmente ao seu sujeito. se admitirá geralmente que o que se apresentou como uma propr iedade foi invalidado. quem diz que "bípede" e uma propriedade do homem tenciona expressar o atributo que lhe pertence naturalmente. Pois todos procuram enunciar como propriedade de uma coisa al go que lhe pertence naturalmente. geralmente acontece incorrer-se em al gum erro por não se ter definido de que maneira e a que coisas se afirma que a pro priedade pertence. do mesmo modo. no tocante a todas as coisas que se denominam primeiramente de a cordo com uma outra ou primeiramente em si mesmas. Com ef eito. ao passo que. ela será igualmente verdadeira do seu sujeito primeiro. na sua linguagem. se apresentamos "colorido" como uma propriedade de "superfície". o contendor o expressa. quem não anuncia previamente ter atribuído uma propriedade a uma coisa.

se dissesse que "vida" é uma propriedade de "uma classe part icular de ser vivo" ou simplesmente de "ser vivo". mas apresentou um predicado conversível. dado que a luz é formada de partículas mais rarefeitas do que as brasas ou a chama . quem diz que "formoso" é uma propriedade de "belo" enuncia o te rmo como uma propriedade de si mesmo (já que a mesma coisa são "belo" e "formoso"). e . é o caso do "fogo". ela pertencerá ao que possui esse estado. não se terá observado a regra d e que onde a descrição é mais verdadeira também o nome deve ser mais verdadeiro. que um homem cometa um erro mesmo quand o expressa a condição "especificamente". ao passo que outras vezes pode referir-se ao que se predica da parte. nesse caso. E erra. por exemplo. devemos contestá-la. Em alguns casos assim acontece. ela pertencerá ao estado pos suído. mas sempre afirmando um predicado conversível: pois então o que se negou fosse uma propriedade será uma propriedade. A razão pela qual. por exemplo "o mais leve" quando aplicado a "fogo". quem enuncia "substância animada " como propriedade de "criatura viva" não enunciou "criatura viva" como propriedad e de si mesma.esta possui um estado. A ssim. Por exemplo. de outra forma. de modo que "formoso" não pode ser uma propriedade de "belo". deve-se verificar. é que. maneira absol uta como do elemento desse termo que a possui em mais alto grau. ela pertencerá às coisas de que este particip a. "o mai . o mesmo atributo será propriedade tanto do termo que o possui de. Tomemos um exem plo referente ao todo: quem afirma que é uma propriedade do "mar" o ser "o maior v olume de água salgada" enuncia a propriedade de alguma coisa que é formada de partes semelhantes. mas de diferentes espécies. para fins de refutação. pois nesse caso a propriedade também pertencerá a outras coisas determ inadas. mas d efinir de que modo afirmamos a propriedade no próprio ato de afirmá-la. para fins de refutação. pois. por exemplo. Ocorre também. sempre que se acrescenta "especificamente ". do mesmo modo. supondo-se que ele atribua a propriedade a uma coisa como sendo um estado possuído. Porque as coisas em questão devem pertencer t odas a uma espécie sempre que se acrescenta a palavra "especificamente". como ocorre com a propriedade de "consistir nas partículas mais rarefeitas" no caso do "fogo": po is esse mesmo atributo será também propriedade da luz. A seguir. como sucede com "incontrovertível por argumento" quando enunciado como uma pr opriedade da "ciência" ou do "cientista". como. como. ao passo que. quem não distinguiu expressamente a propriedade que pertence de maneira específica. ao contrário. e. ela p ertencerá às coisas que participam deste. são todas "fogo". E isso não deve acontecer. e assim. A seguir. mas uma definição. o que foi enunciado como pr opriedade não será uma propriedade. aliás. a p ropriedade em apreço pertencerá a algumas delas em grau maior e a outras em grau men or. deve-se evitar o enunciado de uma coisa como propriedade de si m esma. e em nenhum desses casos se expressou corretamente a propriedade. alguém enunciar uma propriedade dessa maneira. Com efeito. Com efeito. às vezes. deve-se verificar se ele apresentou alguma c oisa como propriedade de si mesma: pois. mas expressa um atributo de tal tipo que não pode ser verdadeiro da parte (pois um mar particular não é "o maior volume de água salgada"). tratando-se de coisas constituídas de partes semelhantes. Se. no caso de havê-la. a chama e a luz. quanto a nós. uma vez que é a luz que "consis te nas partículas mais rarefeitas". se ele a atribui porque algo participa do seu sujeito. Além diss o. se a atribui porque o seu su jeito participa de alguma outra coisa. ou porque é um estado possuído por outra coisa: pois nesse ca so não será uma propriedade. supondo-se que a atribua ao que possui esse estado. de modo que "substância anim ada" será uma propriedade de "criatura viva". uma coisa sempre manifesta por si me sma a sua essência. o todo. pois ao enunciar uma propried ade de coisas constituídas de partes semelhantes um homem tem em vista. Para fins construtiv os. não devemos dar ensejo a tal objeção. Com efeito. como sucede com o "ser formado das partículas mais rarefeitas" no caso do fogo . o fogo não é semp re da mesma espécie: as brasas. Com efeito. se a propriedade do todo não é verdadeira da parte ou se a da parte não se predica do todo: pois então o que se enunciou como propriedade não será propriedade. E também erra quem não indicou previamente q ue a propriedade pertence ao sujeito porque a coisa participa de algo ou algo pa rticipa dela. não deve haver nenhuma outra espécie além da mencionada. e o que manifesta a essência não é uma propriedade. porque então a propriedade pertencerá apenas a uma das coisas incluídas sob o termo a que el e a atribuiu: pois superlativo pertence a uma só. a menos que o nome também se predique em grau maior daq uilo de que é mais verdadeira a descrição. por exemplo. por vezes. e em algu ns casos isso não acontece.

igualmente. ao mesmo tempo qu e o atributo é predicável de cada uma das coisas constituídas de partes semelhantes. Assim. examinando a propriedade do ponto de vista dos opostos. contrário do termo enunciado não é uma propriedade do sujeito contrário. se o. e. o termo negativo. dos contrários. "reprovável" será uma propriedade do "mal". também o atributo descrito e m termos do estado X será uma propriedade do estado Y. Assim. Para fins construtivos. Assim. por exemplo. Para fins construtivos. Assim. como a injustiça é o contrário da justiça. se o correlativo do termo prop osto não é uma propriedade do correlativo do sujeito. por exemplo. tampouco poderá ser uma propriedade da "audição" o ser uma "sensação". deve-se ver se o contrário é a propriedade do contrário: pois então o contrário d o primeiro será uma propriedade do contrário do segundo. veja-se se o term o positivo ou o atributo descrito em termos dele é uma propriedade do sujeito: poi s. Assim. na medida em que possuímos visão. deve-se verificar se. um atributo descrito em termos da privação d e X não é uma propriedade da privação dada de Y. por exemplo. por outro lado. verifique-se. pois nesse caso o que se afirmou que não era uma propriedade será uma propriedade. tampouco "ser o mais ab jeto mal" pode ser uma propriedade da "injustiça". e o mais abjeto mal do mais alto bem. Para fins construtivos. por outro lado. o "não ver" seria uma propriedade da "cegueira" na medida em que não possuíssemos a visão que devíamos natural mente possuir. por exemplo. tampo uco o contrário do primeiro será uma propriedade do contrário do segundo. por e xemplo. tampouco o atributo descrito em termos do estado X será uma propriedade do estado Y. pois. Assim. embora se predique com verdade de algum ar. nesse caso. nesse caso. para fins de refutação. para fins de refutação. de modo que "respirável" não pode ser uma prop riedade de "ar". Assim. veja-se se o correlativ o da propriedade alegada é uma propriedade do correlativo do sujeito: pois nesse c aso o correlativo do primeiro será uma propriedade do correlativo do segundo: por exemplo. Pois. ou o atributo descrito em termos do mesmo. como não se predic a como uma propriedade da "surdez" o ser uma "ausência de sensação". pois. será uma propr iedade de "metade" o estar "na proporção de 1 para 2". ao mesmo tempo que é verdadeiro da terra em toda parte que ela naturalmente cai p ara baixo. para fins de refutação. também é uma propriedade das várias partes particulares da terra tomadas co mo "a Terra".or volume de água salgada" não pode ser uma propriedade do "mar". ao passo q ue "excedente" não é uma propriedade de "dobro". de forma que será uma propriedade da terra o "cair naturalmente para baixo". E também se. por outro la do. por exemplo. como "dobro" é relativo a "metade" e a proporção 1:2 é relativa à proporção 2:1. tampouco o atributo descrito em termos da privação de X será uma propriedade d a privação de Y. A seguir. ness e caso. mas afirma um a tributo tal que. Em segundo lugar (b). também o atributo descrito em termos da p rivação de X será uma propriedade da privação de Y. como "dobro" é relativo a "metade" e "excedente" a "excedido". E. não é predicável do todo (pois a totalidade do ar não é respirável). em pr imeiro lugar (a). dado qu e o mal é o contrário do bem e o reprovável do desejável. se um atributo descrito em termos da privação de X é uma propriedade da privação de Y. por out ro lado. como "v er" é uma propriedade da "visão". considere-se a propriedade do ponto de vista dos termos positivo s e negativos. tampouco o c orrelativo do primeiro será uma propriedade do correlativo do segundo. verifique-se. mas "ser o mais alto bem" não é uma propriedade da "justiça". não se . nesse caso. Tomemos agora um e xemplo referente à parte: quem diz que é uma propriedade do "ar" o ser "respirável" en uncia a propriedade de algo que é constituído de partes semelhantes. é t ambém uma propriedade das mesmas tomadas como um todo coletivo. tampouco "excedido" será uma propried ade de "metade". Este tópico é também útil para fins de refutação. considerando a propriedade do ponto de vista dos opo stos relativos. nesse caso. e primeiro (a) do ponto de vista dos predicados tomados em si mes mos. ao asso que é uma propriedade do "dobro" o estar "na proporção de 2 para 1". Em terceiro lugar (c). veja-se se um atributo descrito em termos de um estado (X) não é uma propriedade do estado proposto (Y): pois. e "desejável" é uma propriedade do "bem". veja-se se um atributo descrito em termos de um estado (X) é uma propriedade d o estado proposto (Y). por exemplo. Para fins construtivos. 6 A seguir.

por exempl o. será uma proprieda de do negativo. Para fins construtivos. considere-se a propriedade do ponto de vista dos pre dicados. se o termo negativo não é uma propriedade do sujeito negativo. tampouco "não-animal" poderá ser uma propriedade de "não-homem". se a propriedade proposta é uma propriedade do sujeito positivo: porque então o mesmo termo não será também uma pro priedade do sujeito negativo. sob o ponto de vista dos derivados . se "viver" parece ser uma propriedade de "s er vivente". mas também no que concerne aos seus opostos. se o termo positivo não é uma propriedade do sujeito positivo: pois. como "bípede andante" é uma propriedade de homem. nesse caso. se nenhum dos membros coordenados (p aralelos à propriedade alegada) é uma propriedade de algum dos restantes membros coo rdenados (paralelos ao sujeito): pois em tal caso tampouco o termo proposto será u ma propriedade daquilo de que se afirma sê-lo. Para fins construtivos. tampouco "animal" será uma propriedade de "homem". "não viver" também parecerá ser uma propriedade de "ser não-vivente". para fins de re futação. E inversamente. Para fins co nstrutivos. para fins de refutação. e de seus respectivos sujeitos. por exemp lo. para fins de refutação. Com efeito. nesse caso. e inversamente. por exemplo. deve-se verificar se o termo positivo é uma propriedad e do sujeito positivo. pois um termo positivo não é uma propr iedade de um termo negativo. examine-se a predicação sob o ponto de vista dos sujeit os tomados em si mesmos e veja-se. positivos ou negativos. contudo. nem um negativo de um positivo. tampouco se poderá predicar do sujeito a propriedade alegada . examine-se. tam pouco será o termo positivo uma propriedade do sujeito positivo. também a propriedade proposta pertencerá a o sujeito. se o termo expresso não é uma propriedade do sujeito afirmativo. se o termo proposto for uma pro priedade do sujeito negativo. 7 A seguir. pois. E inversamente. como "animado" é uma propriedade de "criatura vivente". por exemplo. por outro lado. E . Assim. Para fins construtivos. enquanto um termo negativo. por outro lado. como "animal" não é uma propriedade de "homem". Em terceiro lugar (c). emb ora pertença a um positivo. Assim. por exem plo. ao contrário. pois em tal caso o restante também será uma propriedade daquele de que se negou fosse uma propriedade. Assim. ve . o positivo será também uma propriedade do sujeito positivo.rá uma propriedade do sujeito. Assim. por outro lado. Assim. E. por exemplo. para fins de refutação. Em segundo lugar (b). como "não viver" é uma propriedade do "ser não-vivente". Não só com relação ao termo atualmente mencionado se devem tomar em consi deração os derivados. "inanimado" não pode se r uma propriedade do mesmo sujeito. tampou co "belo" será uma propriedade de "justo". Examine-se a seguir a predicação sob o ponto de vista dos membros coordenados de uma divisão e veja-se. Assim. Este tópico é. tampouco o termo negativo será uma propriedade do sujeito negativo. porque então o termo negativo será também uma propriedade do su jeito negativo. como "ser viven te sensível" não é uma propriedade de nenhum dos outros seres viventes. por exemplo. não lhe pertence como uma propriedade. nesse caso. o mesmo atributo não pod e ser uma propriedade de "criatura não-vivente". se o termo negativo é uma propriedade do sujeito n egativo. e veja-se. não será uma propriedade do positivo. se o derivado da propriedade alegada não é uma propriedade do derivado do sujei to: pois. "ser vivente i nteligível" não pode ser uma propriedade de Deus. será preciso certificar-se de que o derivado da propriedade proposta é uma propriedade do derivado do sujeito. como é uma propriedade da "sabedoria" ser essencialmente "a virtude natural da faculdade racional". veja-se se um ou outro dos restantes membros coordenados (paralelos com a propriedade proposta) é uma propriedade de cada um destes membros coordenados (par alelos ao sujeito). como "belamente" não é uma propriedade de "justamente". o termo negativo ou o at ributo descrito em termos dele é uma propriedade do sujeito. se "não-animal" parece não ser uma proprie dade de "não-homem". ao contrári o. "viver" será uma proprieda de do "ser vivente". por outro lado. seria uma propriedad e da "temperança" o ser essencialmente "a virtude natural da faculdade do desejo". E também se. tomando-se da mesma maneira cada uma das demais virtudes. Assim. Assim. para fins de refutação. então . enganoso. como "animado" é uma propriedade de "criatura viva". exatamente como fic ou estabelecido nos anteriores tópicos ou lugares21. tam bém será uma propriedade de qualquer homem "enquanto homem" o ser descrito "como um bípede andante". então o termo positivo ou o atributo descrito em termos do mesmo não será uma propriedade do sujeito: por e xemplo. por outro lado. um term o positivo não pertence em absoluto a um negativo.

como "bem" não é uma propriedade de "j ustamente". por outro lado. não será uma propriedade daquilo que se af irmou ser uma propriedade (Assim. também o derivado da primeira será uma propriedade do der ivado do segundo. pois. uma vez que o que está "identicamente relacionado" é um predicado único em processo de comparação com mais de um sujeito. nesse c aso. por outro lado. exatamente como acabamos de derivá-los do "ser" para a "geração" e o "ser corrompido". A seguir. Assim. e veja-se. por outro lado. A seguir. Se. como "o melhor" é uma propriedade do "bom". devem-se também derivar argumentos de "ser gerado" e "ser corrompido" para "ser . nesse caso. por outro lado. por exemplo. nem a "geração" de um será uma propriedade do outro qualificado pelo verbo "ser gerado". como é uma pro priedade do homem o "ser mortal". pois. e o sujeito qualificado pelo verbo "ser corrompido" terá como prop riedade o predicado expresso com essa qualificação. Para fins construtivos. não pode ser uma propriedade sua o ser o conhecimento do vil.ja-se se o derivado do oposto da propriedade alegada não é uma propriedade do deriva do do oposto do sujeito. Para fins de estabelecer um ponto de vista. De maneira análoga. pouco poderá ser uma propriedade do construtor o produzir uma casa. o predicado que se relaciona iden ticamente com os dois sujeitos é uma propriedade do sujeito que se relaciona com e le de maneira idêntica à do sujeito em questão. por exemplo. por exemplo. tampouco poderia ser uma propriedade de "tornar-se um homem" o "t ornar-se um animal". deve-se examinar se o derivado do oposto da propr iedade originalmente sugerida é uma propriedade do derivado do oposto do sujeito o riginal. para fins de refutação. deve-se ver se o que guarda uma relação semelhante à da propriedade proposta é uma propriedade do que tem uma relação semelhante à do sujeito. por outro lado. tampouco o derivado da primeira será um a propriedade do segundo. e da "corrupção de um homem" a "corrupção de um mortal". a proprieda de proposta) será uma propriedade do que tem uma relação semelhante à do segundo (como. por exemplo. pois. De maneira análo a. Por exemplo. se o que tem uma relação semelhant e à da propriedade enunciada não é uma propriedade do que tem uma relação semelhante à do su jeito. para fins de refutação. Assim.) Com efeito. por exemplo. como a prudência se relaciona de ma neira idêntica ao nobre e ao vil. por exemplo. pois. como a relação do construtor para com a produção de uma casa é semelhante à do médico para com a produção da saúde. se o predicado que se r elaciona de maneira idêntica com dois sujeitos não é uma propriedade do sujeito que se relaciona com ele de maneira idêntica à do sujeito em questão. e é uma propriedade do treinador possuir essa capacida de. devem-se também derivar argumentos da "geração" para o "ser" e o "ser corrompido". como a relação de um médico para com a po sse da capacidade de produzir saúde é semelhante à do treinador para com a posse da ca pacidade de produzir vigor. tampouco "mal" pode ser uma propriedade de "injustamente". por exemplo. nesse caso. tam pouco esse predicado será uma propriedade do sujeito que se relaciona com ele de m aneira idêntica à do primeiro. bem assim como do "ser corrompido" para o "se r" e para a "geração". Assim. também será uma propriedade do médico possuir a capacidade de produzir saúde. em tal caso. do ponto de vista das coisas que guardam entre si u ma relação semelhante. e não é propriedade de um médico o produzir a saúde. veja-se se o predicado qualificado pelo verb o "ser" não é uma propriedade do sujeito qualificado pelo verbo "ser". nesse caso. Para fins construtivos. Se. por exemplo. tampouco pode ser uma proprieda de sua o conhecimento do vil. "o pior " será também uma propriedade do "mau". Assi m. tampouco será a primeira uma propriedade do segundo. Para fins de e stabelecer um ponto de vista. visto ser o conhecimento de ambos. p ois então o que tem uma relação semelhante à do primeiro (como. tampouco a corrupção de um deles será uma propriedade do outro qualificado pelo v erbo "ser corrompido". será uma propriedade "da geração de um homem" a "ger ação de um mortal". este tópico não tem utilidade alguma . é uma propriedade da prudência o s er o conhecimento do nobre. nem poderia ser a "corrupção de um animal" uma propriedade da " corrupção de um homem". Examine-se igualmente. veja-se se o sujeito expresso sob a qualificação do verbo "ser" possui como propried ade o predicado expresso sob a mesma qualificação: pois nesse caso também o sujeito qu alificado pelo verbo "ser gerado" terá como propriedade o predicado qualificado pe lo mesmo verbo. e não é uma propr iedade da prudência o ser o conhecimento do nobre. Assim. o sujeito). examine-se a predicação do ponto de vista das coisas que se relacion am identicamente entre si e veja-se. é impossível que a mesma coisa seja propriedade de mais de um s ujeito. como não é propriedade do "homem" o se r um "animal". pois. para fins de refutação.

nem o que é o menos-P-de-todos do que é o menos-S-de-todos. como a "percepção" tem mais probabilidades de ser uma propriedade "animal" do que o "conhecimento" de "homem". como "ser colorido" tem mai s probabilidades de ser propriedade de uma "superfície" do que de um "corpo". veja-se se o simples P é uma propriedade do s imples S. nem menos P de menos S. ademais. pois então. e não é . nem o ser c olorido poderá ser em absoluto uma propriedade de corpo. Ass im. exatamente como se indicou para fins de refutação. por exem plo. E da mesma maneira se devem considerar todas essas questões de grau t ambém do ponto de vista dos outros. para fins de refutação. Assim. Por exemplo. por exemplo. Para fins construtivos. e o menos-P-de-todos do que é menos-Sde-todos. nem mais P o será de mais S. por exemplo. e P-ao-mínimo de S-ao-mínimo. Em terceiro lugar (c). ao passo que. pois nesse caso tampouco o que é menos P será uma propriedade do que é menos S. e é uma propriedade do homem o ser naturalmente civilizado. para fins de refutação. p or exemplo. será uma propriedade de "criatura viva" o ser composta de alma e corpo. veja-se se o que é mais P é uma propriedade do que é mais S. como "virtuoso" não é uma propriedade de "hom em". para fins de refutação. Deve-se também considerar o argumento passando da predicação simples aos mesmos tipos qualificados de predicação e ver. mais P também será uma propriedade de mais S. o que se negou fosse uma propriedade será uma propriedade. Para fins construtivos. se o simples P não é uma pro priedade do simples S. por exempl o. nem o que é o mais-P-d e-todos do que é o mais-S-de-todos. e simplesmente P será um a propriedade de simplesmente S. como um grau mais alto de s ensação é uma propriedade de um grau mais alto de vida.em .". isso lhe pertence enquanto "criatura viva". e o grau supremo do grau supremo . e a simples sensação será uma propriedade da simples vid a. e porta nto uma tendência maior de mover-se naturalmente para cima será uma propriedade do q ue é mais ígneo. como o "estar e m repouso" não se predica do "homem . para fins de refutação. por exemplo. Assim.mesmo" enquanto "homem" . Por exemplo. se for uma prop riedade do primeiro. e P-ao-máximo e S-ao-máximo. e a percepção não é uma propriedade de "animal". nesse caso. a o contrário. Assim. um grau inferior de sensação também será uma propriedade de um grau inferior de vida. o que se afirmou ser uma propriedade não será tal.mas enqua nto "idéia". pois. veja-se se a propriedade mais pr ovável não se predica do sujeito mais provável. ou se deixa de pertencer-lhe em virtude daquela caracterís tica que lhe vale a descrição de que se enunciou a propriedade: pois. nem o mais-P-de-todos do mais-S-de-todos. também será uma propriedade do animal o viver. 8 A seguir. a tendência de mover-se naturalmente para cima é uma propriedade do fogo. não o será do segundo. depois. como o ser mais colorido não é uma propriedade do que é mais corpo. tampouco será uma proprieda de daquilo de que tem menos probabilidades de sê-lo. nem simplesmente P o será de simplesmente S. veja-se se o predicado não é uma propriedade daquilo de que tem mais probabilidades de sê-lo: pois. por exemplo. n em o ser menos colorido poderá ser uma propriedade do que é menos corpo. tampouco a proprieda de menos provável se predicará do sujeito menos provável. como pertence à "criatura-viva-em-si-mesma" o ser composta de alma e c orpo. nesse caso. pois então a propriedade mais provável se predicará também do sujeito mais provável. por outro lado. Em segundo lugar (b). como o "ser naturalmente civilizado" tem menos probabilidades de ser uma pr opriedade do homem do que tem o "viver" de um animal. e menos P de menos S. veja-se se o que é mais P não é uma propriedade do qu e é mais S. pois então o que é menos P será uma propriedade do que é menos S. nesse caso. deve-se ver se a propriedade menos provável se predica do sujeito menos provável. inversamente. não pode ser uma propriedade do "homem" o "estar em repouso". e p rimeiro (a). pois. nesse caso. Assim. Considere-se. a "idéia" do sujeito proposto e veja-se. e se lhe pertence sob aquele aspecto em virtude do qual se predica dele aquela ca racterística de que se afirmou que o predicado em questão não era uma propriedade: poi s. examine-se sob o ponto de vista dos graus maiores e menores. Assim. nem tampouco o menos-P-de-todos do menos-S-de-todos. tampouco o conhecimento pod erá ser uma propriedade de "homem". e. Para fins construtivos. tampouco poderá "mais virtuoso" ser uma propriedade do que é "mais humano". e o grau ínfimo do grau ínfimo. e o que é mais-P-de-todos do que é mais-S-de-todos. nesse caso.si . veja-se se a propriedade em questão pertence à idéia. se a propriedade sugerida não p ertence à "idéia" em questão. Assim. por outro lado. Par a fins construtivos.

também será uma propriedade sua o ser a possessora primeira de uma parte que racioci na. em tal caso. para fins de refutação. se é propriedade de uma "superfície". Em quarto lugar (d). pois. como "queimar" seria com igual razão uma propriedade de "chama" como de "carvão em brasas". a o passo que. ao passo que. pois. pois. para. ao expressar a propriedade poten cialmente. Assim. e o desejar não é uma propriedade da faculdade do desejo. Em segundo lugar (b). veja-se se aquilo que com igual razão seria uma pr opriedade do sujeito o é efetivamente. não o será da segunda. e "sensação" é uma pr opriedade de animal. este tópico não tem nenhuma u tilidade. este tópico não tem utilidad e. tampouco "ouvir" pode ser uma propriedade dele. A seguir. o contendor. Para fins construtivos. nem por isso poderá ser uma prop riedade das brasas. e é uma propriedade da faculdade da razão o ser a sede pri meira da sabedoria. o que tem menos probabilidades tampouco o será. Por exem plo. veja-se se o que seria com igual fundamento uma propriedade deixa de ser uma propriedade daquilo de que com igual fundamento seria uma propriedade. tampouco "divisível" poderá sê-lo. ao contrário. e. devemos ver se o que menos probabilidades tem de ser uma propriedade do sujeito é uma propriedade. e é uma propriedade da alma o ser a possessora primeira de uma parte que deseja. e "ver" não é um a propriedade do homem. como o "desejar" é com igual fundamento uma propriedade da faculdade do desejo como o "raciocinar" é uma propriedade da faculdade da razão. aquilo que com igual fundamento q ue esse seria uma propriedade do seu sujeito também o será. para fins de refutação. Por exemplo. o atributo que com igual fundamento que esse seria uma propriedade do seu sujeito tampouco será uma propriedade deste. Para fins const rutivos. por outro lado. fins de refutação. pois. Por exemplo. o raciocinar tampouco poderá ser uma faculdade da razão. "vida" também será uma propriedade de animal. pois é impossível que a mesma coisa seja propriedade de mais de uma coisa. e em primeiro lugar (a) para fins de refutação. e "quei mar" não é uma propriedade de chama. se o ser a possessora primeira de uma parte que deseja seria com igual razão uma propriedade da alma que o ser a possessora primeira de uma parte que raciocina. A regra baseada nas coisas que guardam relação semelhante22 difere da regra qu e se baseia nos atributos que pertencem de igual maneira23 porque o primeiro pon to se estabelece por analogia e não pela reflexão sobre a pertinência de algum atribut o. para fins de refutação. mesmo que s eja uma propriedade da primeira.propriedade de uma superfície. como "se nsível" tem mais probabilidades do que "divisível" de ser uma propriedade de "animal ". em tal caso. como "sensação" tem menos probabilidades de ser uma propriedade de "animal" do que "vida". veja-se se aquilo que com igual razão seria uma propriedade de alguma coisa deixa de sê-lo. ao passo que o segundo se aquilata por uma comparação baseada na pertinência de um atributo. também será uma propriedade da faculdade do desejo o ser a sede primeira da temperança. em tal caso. veja-se se aquilo que com igual fundamento seria uma pr opriedade do seu sujeito o é. como "ver" é com igual razão que "ouvir" uma propriedade do homem. então. a expressou também em rel . por outro lado. veja-se se. Para fin s construtivos. pois. "ser colorido" não poderia ser uma propriedade de "co rpo". tampouco pode ser uma propriedade das brasas. pois. aquele atributo que com igual razão que o primeiro seria uma propriedade do sujeito o será também. pois. veja-se se aquilo que mais proba bilidades tem de ser uma propriedade de um dado sujeito não é propriedade sua. Em terceiro lugar (c). tampo uco o será aquilo que com igual razão seria uma propriedade da mesma coisa. em tal caso. Para fins construtivos. A seguir. nesse caso. como o ser "a sede primeira da sabedoria" seria uma propriedade da "faculdade racional" com igual fundamento que o ser "a sede primeira da temperança" seria uma propriedade da "faculdade do desejo". Por exemplo. entretanto. Para fin s construtivos. tampouco será uma propriedade dessa outra coisa. é preciso examinar" a propriedade do ponto de vista dos atributos que pertencem de igual maneira ao sujeito. por exemplo. se de fato é uma propriedade da chama. e "sensível" não é uma propriedade de animal. veja-se se o atributo não é uma pro priedade daquilo de que seria uma propriedade com igual razão que de outra coisa. Por exemplo. não poderia ser propriedade de um "corpo". Por exemplo . por outro lado. o que mais probabilidade s tem de sê-lo também será uma propriedade. em virtude dessa potencialidade. em tal caso.

devemos examinar o caso de acordo com os tópicos que dizem respeito ao gênero e à propriedade. Por exemplo. pois. Com efeito. por exemplo. então. o que se afirmou ser uma proprieda de não será uma propriedade. e não será possível respirá-lo se não existir nenhum a nimal. expressar a sua essência. ou a expressão não é peculiar ao objeto. e. quer a alguma coi sa que não existe. o nosso contendor não colocou o objeto defi nido no seu gênero. pois. examinaremos se e . a propriedade terá sido. e. por um lado expres sa potencialmente a propriedade (pois é "respirável" aquilo que é de tal qualidade que pode ser respirado). pois. Pois é preciso demonstrar ou (1) que não é em absoluto verdadeiro aplicar também a expressão àquilo a que se aplica o termo (já que a definição de homem deve ser verdadeira de todo e qualquer homem). ele não conseguiu definir o objeto. ao expressar a propriedade potencialmente. co rretamente formulada. a esse respeito. de modo que "o corpo mais leve" não poderá ser uma propriedade do fogo. uma definição deve ser p eculiar). para fins de refutação. exp ressou-a em relação a algo que existe: pois quando o "ser" existe. pois. declaramo-lo verdad eiro.ação a alguma coisa que não existe. Resta. Por exemplo. do objeto de que é verdadeira a descrição. pelo fato de pertencer de modo muito estreito a algo que existe. o nome. por seu lado. a esse respeito. é preciso ver se. mesmo q ue o fogo seja destruído. os que expressam a propriedade dessa maneir a vêm a descobrir que. e assim. porque. (5) Resta a inda. em tal caso. A seguir. ver se ele o definiu. sempre que afirmamos que ele não pertence ao sujeito. tampouco será uma propriedade do ar o ser de tal qualidade que pos sa ser respirado quando não existe nenhum animal capaz de respirá-lo — donde se segue que "respirável" não pode ser uma propriedade do ar. Se. Suponhamos. Para fins construtivos. nesse caso. por exemplo. ou. declaramo-lo falso. restará sempre alguma forma de corpo que seja o mais leve. visto que. corretamente formulada. Pois ali também a questão é sempre: "é tal e tal coisa verdadeira ou falsa?" Com efeito. ou não o colocou no gênero apropriado (pois quem formula uma defin ição deve primeiro colocar o objeto no seu gênero e depois acrescentar as suas diferença s. como quem afirma que "um animal naturalmente civilizado" é uma propriedade do homem não e xpressa a propriedade no superlativo. que alguém proponha "o corpo mais leve" como uma propriedade do "fogo": pois. "tanto a capacidade de s er objeto de ação como a de agir" será uma propriedade de "ser". o contendor não soube colocar o objeto no gênero apropriado. como já dissemos anteriormente24. Assim. por outro lado. deve-se observar se o contendor expressou a propriedade no superlativo. ou (3) que a expressão usada não é peculiar ao objeto (pois. também expressa a propriedade em relação ao q ue não existe: pois pode existir ar sem que exista nenhum animal constituído de tal maneira que seja capaz de respirá-lo. quando a potencialidade em questão pode pertencer ao que não existe . ao expressar potencialmente a prop riedade. LIVRO VI 1 A discussão das definições divide-se em cinco partes. quem expressa como uma propriedade de "ser" "tanto a capacidade d e ser objeto de ação como a de agir". isto é. embora tenha observado todas as precauções ac ima. a descrição continuará de pé. não é verdadeiro: pois. evite-se expressar a propriedade do superlativo: pois então a proprie dade terá sido. o que se afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade . mostrar como se deve investigar se o objeto não foi definido em absoluto ou se o foi incorretamente. à parte das considerações já mencionadas. (4) deve-se ver se. sempre que afirmamos a pertinência de um acidente. tanto será capaz de ser objeto de ação como de agir de certa maneira: e assim. Para fins c onstrutivos. o gênero é geralmente considerado como a marca principal da essência daquilo que se define). Em primeiro lugar. ainda que o objeto pereça. quem diz que "respirável" é uma propriedade de "ar". ele a expressa quer em relação a alguma coisa que existe. quando a potencialidade em questão não pode pertencer ao que não existe: pois em tal caso o que se afirma ser uma propriedade não será tal. Assim. embora o objeto tenha um gênero. de todos os elementos da definição. por outro lado. ou ( 2) que. porém de modo incorr eto. deve-se examinar se a expressão não é também verdadeira daquilo de qu e se predica com verdade o termo de acordo com as regras ou lugares relativos ao acidente.

por outro lado. nem a virtude contém a harmonia. uma vez que todo o objetivo de sua formulação consiste em dar a conhecer alguma coisa). se d efiniu o conhecimento como "insuplantável". o mesmo objeto pertenceria a dois gêneros dos quais nenhum contém o outro: porqu anto a harmonia não contém a virtude. Se. 2 Uma regra ou lugar no tocante à obscuridade é: ver se o significado que a defi nição tem em vista envolve uma ambigüidade em relação a algum outro. como quando se diz que a lei é a "medida" ou a "imagem" das coisas que são justas por natureza. já que todo acréscimo feito a uma d efinição é supérfluo. . Com efeito. deve-se ver se. deve-se examiná-la das maneiras que indicamos . Às vezes uma expressão não se usa nem de maneira ambígua. sem a menor dúvida. a definição do contrário não é cl ra. Outra regra é: ver se ele usou uma expressão metafórica. se não havia uma inscrição. se. pois uma expressão rebuscada é sempre obscura. Ou. é evidente que usou uma expressão obscura e. quando é simplesmente formulada por si mesma. ou a medula dos os sos como "ossifacta". o ataque se torna mais fácil no segundo caso do que no primeiro. por exemplo. ou a tem perança como uma "harmonia". é evidente que ele não pode tê-lo definido corretamente em qualquer sentid o. Tais expressões são piores do que metáforas. de modo que não fica claro a qual dos sentidos possíveis do termo o definidor se refere. ou então "a saúde é o equilíbrio dos elementos quentes e frios" . nem metafórica. ou a terra como uma "nutriz". como quando Platão descreve o olho como "frontiumbrado". pois uma imagem é uma cois a produzida por imitação. pois. ela foi expressa com redundância. pior do que qualquer espécie de expressão metafórica. pois a menção de um tal atributo é. por outro lado. Veja-se. cometem-se mais erros nesta última tarefa devido à su a maior dificuldade. pois estas últimas tornam. os que usam metáforas sempre o fazem tendo em vista uma certa semelhança. Co m efeito. se a expressão usada não é adequada ao sujeito em nenhuma de suas acepções. por exemplo. veja-se em primeiro lugar se o definidor usou algum atributo que se predique universalmente. qu ando á expressão usada é mais longa do que o necessário. e isso é particularmente fácil quando o definidor não percebe a am bigüidade dos seus termos. 3 Se. quer de todos os que se incluem no mesmo gênero que o objeto d efinido. o homem que diz que a lei é literalme nte uma "medida" ou "imagem" emprega uma expressão falsa. cada uma das classes mencionadas se divide em vários ra mos. Há duas classes de incorreção: primeiro (1). ele não entende o termo na sua acepção literal. nas obras dos pintores antigos. Ou. Também s e pode argumentar sofisticamente contra quem usa uma expressão metafórica como se el e a tivesse empregado no sentido literal: pois a definição proposta não se aplicará ao t ermo definido. O mesmo acontece se o term o definido se usa em diversos sentidos e ele fala sem fazer distinção entre estes: p ois em tal caso não se sabe bem a qual deles se aplica a definição dada. ao passo que esta espécie de expressão não esclarece nada. redundante. se ele emprega termos que não são familiares. Porquanto uma expressão metafórica é sempre obscura. então.le foi definido incorretamente. quer dos obje tos reais em geral. como. além de obscur a. Se. portanto. Por sua vez. claro o seu significado. Além disso. até certo ponto. E assim. por outro lado. e pode-se então fazer uma objeção capciosa alegando que a definição não vale para todas as coisas que ele pretendeu definir. igualm ente. pois não há nenhuma semelhança qu e justifique a descrição da lei como uma "medida" ou "imagem". devido à semelhança que encerram. pois as definições que foram corretamente formuladas indicam também os seus contrári os. Como é natural. uma vez que a harmonia oc orre sempre entre notas musicais. a definição não é clara. pois em todas as coisas isso é mais fácil do que fazêlo corretamente. Veja-se. o uso de uma linguagem obscura (poi s a linguagem usada numa definição deve ser a mais clara possível. o próprio adversário pode distinguir os vários sentidos do termo expresso na definição e depois apresentar o seu argumento co ntra cada um deles. nem a lei é comumente a ssim denominada em sentido literal. por exemplo: "a geração ma passagem para o ser". nem tampou co literal. como. Por isso mesmo. "passagem" e "equilíbrio" são termos ambíguos. segundo (2). as figuras eram geralmente irreconhecíveis. se a harmonia fosse o gênero da temper ança. não mostr a com evidência aquilo que define. partindo da expressão usada. Aqui. assim como. ou uma certa aranha como "uncivirosa". além disso. no caso da temperança. e tal não é o caso da lei.

pois a alma é simplesmente "o que se move a si mesmo". por conseguinte.o gênero deve distinguir o objeto das coisas em geral e a diferença. do mesmo modo. é supérfluo tudo aquilo cuja remoção não impede que o resto deixe bem claro o termo que se está definindo . visto que o "primeiro" é um e não vários. mas quand o a mesma coisa é predicada mais de uma vez do sujeito — se ele disser. pois não é a "tendência" que se diz "ter por ob jeto o agradável". Mas isto não encerra nenhum absurdo real. Veja-se também se. a expressão é ain da peculiar ao termo e torna clara a sua essência. de forma que tudo que for idêntic o ao desejo terá também por objeto "o agradável". Aqui. se alguma parte da expressão não se aplica a tudo que se inclui na mesma espécie. porquanto o atributo "de seis pés de altura" não pertence a todas as coisas que se incluem na mesma espécie . que o "desejo" é uma "tendência que tem por objeto o agradável". E falham da mesma maneira os que dizem que o "resfriamento" é "a privação do calor natural". Falando em geral. To do acréscimo deste tipo será. de qualquer da s outras coisas contidas no mesmo gênero. a maneira correta de tratar todos esses casos é guiar-se pe la conveniência.objeto . não declare a essência se se eliminar a palavra "número". nenhum termo que pertença a tudo que existe separa o objeto dado absolutamente de coisa alguma. se o fosse. também aqui a predicação só se faz um a vez. de forma que a palavra "bípede" só é usada uma vez como predicado. por exemplo. Ora. pois seria impos sível que tanto a fleuma como também alguma outra coisa fosse a primeira a desprende r-se do alimento. mas antes a idéia inteira. se alguma coisa contida na definição não se aplica a tudo que se inclui na mesma espécie. de mod o que o acréscimo de "não digerida" seria necessário. Assim.por . Veja-se. a adição de "capaz de receber conhecimento" é supérflua. o acréscimo da expressão "não dige rida" é supérfluo. É difícil determinar com clareza qual dos dois seria mais certo. pois não se predicaria de maneira conversível com este . seria também a definição da alma se se dissesse que ela é "um número que se move a si mesmo"25. E d o mesmo modo também no caso de "desejo". o todo lhe será também peculiar. expressa da outra man eira. Por que o desejo tem sempre como objeto "o agradável". mas "um animal bípede que caminha é o mesmo que um homem. a menos que a fleuma seja a primeira de todas as coisas a produzir-se. porquanto. a definição não será verdadeira. Assim. além disso. mesmo quando a eliminamos. pois considere-se o exemplo seguinte: "o homem é um bípede". Com efeito. O absurdo ocorre não quando a mesma palavra é enunciada duas vezes. na definição de homem. Ou talvez a expressão usada. como a definiu Platão26. po rque absolutamente sempre que a alguma coisa peculiar se acrescente algo que sej a verdadeiro. diz-se que a definição da fleuma é a "unidade não dig erida que primeiro se desprende do alimento". pois toda privação é a privação de algum atri . de modo que ambos têm igualmente "por objeto o agradável". embora o que se acrescentou possa ser peculiar ao termo d ado. pois.se elimina esse acréscimo o resto da expressão continua a ser pecu liar e põe em evidência a essência do termo.agradável que tem por objeto o a gradável". tudo que for idêntico ao homem será um bípede. Assim. Ao passo que. por exemplo. que a sabedoria define e contempla a realidade27: porque a definição é um certo tipo de contemplação. enquanto aquele que p ertence a todas as coisas incluídas no mesmo gênero não o separa de nenhuma destas. é impossível que a expressão como um todo seja peculiar ao objeto. e assim. já que "bípede" não é um predicado de " animal que caminha". por exemplo. E assim. pois.que -tem . se o resto da expressão é peculiar ao sujeito. o todo será também peculiar. neste último caso. pois a palavra "desejo" é o equivalente exato de "tendência que tem por obj eto o agradável". de forma que mesmo quando se omite "não digerida". Ou talvez a fleuma não seja de maneira absoluta a primeira coisa a produzir-se do alimento. mesmo quando. mas em verdade o sujeito que afirmamos ser um bípede é "um animal bíped e que caminha". e ao acrescentar em seguida as palavras "e contempla" ele diz a mesma coisa duas vezes. Veja-se. se ele disse a mesma coisa mais de uma vez. Ou talvez não haja nenhum absurdo nisso. afirma ndo. teríamos certamente predicado "bípede" duas vezes d a mesma coisa. pois esse tipo de definição é pior do que aqueles que inclu em um atributo aplicável a todas as coisas universalmente. por exemplo como Xenócrates. a definição continua sendo peculiar ao sujeito. nossa definição do desejo vem a ser uma "tendência . Tomemos como exemplo "um animal bípede andante de seis pés de altura": uma expressão deste tipo não se predica de maneira conversível com o termo. mas apenas a primeira das matérias não digeridas. de modo que "um animal bípede que caminha é u m bípede". embora apropriada. despropositado.o .

pois. do que uma linha. de modo que ambas seriam definições do mesmo objeto. se a espécie é conhecida. deve investigar-se como segue: Em primeiro lugar. Entre as definições desta espécie encontram-se as do ponto. tendo-se mencionado um universal. sabe também o que é um "animal" e o que é "caminhar"). em relação a nós acontece por vez es exatamente o contrário. de forma que o acréscimo da palavra "natural" é supérfluo. já que uma definição correta de ve definir o sujeito mediante o seu gênero e as suas diferenças. c ontudo. e um plano do que um sólido. Falando de maneira absoluta. tratar de examinar se um homem define uma coisa correta ou incorretamente de acordo com as normas dadas e outras semelhantes. o gênero e a d iferença devem necessariamente ser também conhecidos (por exemplo. pois ela é o primeiro e o ponto de partida de todos os números. a maioria das pessoas aprende coisas semelhantes às primeiras antes que as últ imas. que quem não definiu uma coisa em te rmos que sejam anteriores e mais inteligíveis não a definiu em absoluto. não se segue necessariamente que a espécie seja também con . a linha de um plano e o plano de um sólido. houvesse várias definições da mesma coisa. Esta maneira de ver as coisas. todas as quais explicam o anterior pelo posterior. o anterior é mais inteligível do que o posterior — um ponto. De outra forma. A asserção de que uma definição não foi formulada em termos mais inteligíveis pode ser entendida em dois sentidos: ou supondo-se que tais termos sejam menos inteligívei s de forma absoluta. e a espécie fica anulada co m eles. e uma definição melhor. escapar à nossa observação que os que definem dessa maneira não podem manifestar a natureza essencial do termo que definem. de modo que o definidor diz a mesma coisa mais de uma vez. haveria mais de uma definição da mesma coisa: pois é claro que quem define em termos anteriores e mais inteligíveis também formula uma definição. 4 Deve-se. Fica claro. pois. Assim. se o gêner o e a diferença são conhecidos. particular depois que já se afirmou o universal. e a linha do que o ponto. quem sabe o que é u m homem. pois o sólido é o que mais facilmente cai sob a nossa perce pção — mais do que o plano. e. quando se trata com pessoas incapazes de reconhecer as coisas as sim apresentadas. se. é preferível que se procure tornar conhecid o o posterior por meio do anterior. mas sim termos que sejam anteriores e mais inteligíveis. s e. e não tornamos conhecidas as coisas usando termos quaisqu er ao acaso. não encontra geralmente boa acolhida. Todavia. ao passo que as ou tras requerem uma compreensão exata e excepcional. pois que a palavra "privação" manifesta por si mesma que o c alor a que se alude é o calor natural. a menos que aconteça ser a mesma coisa mais inteligível tanto para nós como de maneira absoluta. eviden te que quem não define em termos desta espécie não define em absoluto. uma vez que as definições são diferentes. São igualmente mais inteligíveis. pois. uma unidade é mais inteligível do que u m número. ou que sejam menos inteligíveis para nós: pois ambas essas inte rpretações são possíveis. talvez seja necessário formular a expressão em termos que sejam in teligíveis para elas. é. a essência do objeto seria idêntica à qu e se expressa em cada uma das definições. visto que de cada objeto real a essência é uma só. de maneira absoluta. por isso a sua menção é redundante. Naturalmente. Veja-se.o natural. pois que. e o plano do que a linha. Seria suficiente dizer "privação de calor". visto que tal modo de proceder é mais científico . ao passo que. porém. pois o justo é um ramo do conveniente e está. Com ef eito. dado que qualquer inteligência comum é capaz de apreendê-las. uma letra é mais inteligível do que uma sílaba. por outro lado. portanto. como se faz nas demonstrações (pois assim acontece em todo ensino e aprendizagem). uma linha do que um plano. um aditamento do. por exemplo. Com efeito. Analogamente . dizendo que o ponto é o limite de uma linha. por exemplo "a eqüidade é um restabelecimento d o que é conveniente e justo". de modo que os primeiros são anteriores à espécie. da mesma forma. E da mesma forma se ele define a "medicina" como o "conhecimento do que promove a saúde nos animais e nos homens" o u a "lei" como "a imagem do que é pornatureza nobre e justo". e estes pertencem à o rdem das coisas que são de maneira absoluta mais inteligíveis do que a espécie e anter iores a esta. acrescentase logo um caso particular do mesmo. da lin ha e do plano. pois o justo é um ramo do nobre. Mas. por conseg uinte. incluído neste último termo. e essas expressões não são idênticas. Pois o motivo pelo qual se formula a definição é dar a co nhecer o termo proposto. anule-se o gênero e a diferença. se ele m encionou e definiu ou não a sua essência. Não deve. pois. veja-se se ele não formulou a definição em termos que sejam a nteriores e mais inteligíveis.

além disso. e dois é um número par. e. ao introduzir o "dia". Há quem pense. Evidentemente. pois. dado que a virtude é uma espécie determinada de bem. pois só assim poderá a definição ser sempre uma só e a mesma. por outro lado. Além disso. Porque os membros coordenados de uma di visão que derivam do mesmo gênero são simultâneos por natureza. diferentes coisas são mais inteligíveis em diferentes ocasiões: antes de tudo. (2) Outra forma é usar o próprio termo definido. Além disso. de não operar com termos mais inteligíveis é explicar o anterio r por meio do posterior. Porquanto "metade" deriva de "dois". mas para aqueles que têm o entendimento são. e não as mesmas para todos. Pois a verdade é que diferentes coisas são mais inteligíveis para difere ntes pessoas. em vista disso. Todos os pontos semelhantes a estes devem ser estabelecidos de forma muit o precisa e utilizados no decorrer da discussão conforme a ocasião o exija. A refutação de uma definição terá certamente a aprovação geral se o definidor não houver formulado a sua expressão nem a partir do que é absolutamente mais inteligível. quando alguém define o Sol c omo uma "estrela que aparece durante o dia29". por exemplo. troque-se a palavra pela sua definição. como. quando se tornam mais argutas. que ambos são objetos da mesma ciência. entretanto. Deve-se observar. e "dois" é um núm ero par. por exemplo. e "par" e "ímpar" são membro s dessa espécie. as que partem do que é inteligível para este. 5 Falando. evidente que a maneira correta de definir não é por meio de ter mos dessa espécie. o que é absolutamente in teligível seja o que é inteligível não para todos. aqueles que dizem que tais definições. sendo impossível compreender um termo sem o outro. de modo que ao introduzir o "dia" ele introduz também o Sol. se ele definiu um termo superior mediante um termo subor dinado. que talvez não seja possível definir certas coisas de outra maneira. a espécie é menos inteligível. Além disso. Talvez. quem diz "a passagem do Sol sobre a Terra" diz "o Sol". (3) Veja-se. isto é. assim como o absolutamente saudável é aquilo que é saudável para os que desfrutam bo a saúde. a virtude é também uma espécie de bem. e assim. el e introduz também o Sol. por exemplo. Deve-se aprender a conhecer bem todas as ques tões semelhantes a esta e usá-las conforme a ocasião pareça exigir. Porque. como observamos atrás28. se ele definiu um membro coordenado de uma di visão por meio de outro membro coordenado. quem emprega o termo "metade" emprega o termo "par". pois. Uma forma. de forma que um nem sequ er seria mais inteligível do que o outro. nem tampouco do que é m ais inteligível para nós. por fim. o dobr o sem a metade. sendo ambos diferenças de "número". Outra forma ocorre quando verifi camos que se formulou a definição do que está em repouso e é definido por meio do que é in definido e está em movimento. se as definições devem partir do que é mais i nteligível para cada indivíduo. Há três formas de falhar no emprego dos termos que são anteriores: (1) A primeira delas ocorre quando se define o oposto por meio do seu opos to. os que sustent am que uma definição deve expressar-se por meio do que é mais inteligível aos indivíduos p articulares não deveriam formular sempre a mesma definição nem sequer para a mesma pes soa. ou o "bem" como um "estado de virtude". pois. A fim de detectar erros desta sorte. mas sim do que é mais inteligível de maneira absoluta. de modo geral. porque ser "dividido pela metad e" significa ser dividido em dois. seria preciso formular uma defi nição diferente para cada pessoa particular. ao usar o termo subordinado é forçoso usar também o outro: pois quem emprega o termo "virtude" emprega também o term o "bem". pois os opostos são sempre simultâneos por natureza . de forma que na definição de um d eles o outro deve também ser incluído. e todos os termos que são essencialmente relativos: pois em todos os casos desse tipo o ser essencial consiste numa certa relação para com outra coisa . o contrário. aliás. são real e verdadeiramente definições. por exemplo: "um número par" como "um número divisível em metades". aquele e aqueloutro home m. um "número ímpar" como "aquele que excede de uma unidade um número par". terão de admitir que há várias definições de uma só mesma coisa. como. pois o que está em repouso e é definido é anterior ao que é indefinido e está em movimento. Veja-se. de modo que os segu ndos termos são subordinados dos primeiros. por exemplo. por exemplo. para as mesmas pessoas. e. o "dia" pela "passagem do Sol sobre a Terra". os objetos dos sentidos. Torna-se. do mesmo modo.hecida: portanto. o bem pelo mal. por outro lado. um dos tópicos diz respeito ao fato de não se fo . Isso passa despercebido quand o não se usa o nome atual do objeto. depois.

Veja-se. como foi dito an teriormente30. pois qualquer indivíduo. e da primeira apenas por acidente. no caso de todos os termos que não se usam essencialmente em relação a ambas as coisas. porque. por exemplo. Em verdade. ele não a definiu melhor do que se tivesse dito que era o "co nhecimento da leitura": com efeito. Pois nesse caso não se te rá omitido nada: apenas se terá mencionado o gênero inferior por meio de uma expressão a o invés do seu. Além disso. ou se mencionou alguma coisa que seja completamente i ncapaz de ser a diferença do que quer que seja. num caso em que o termo a ser definido-se usa em relação a várias cois as. devemos ver sé a diferença enun ciada possui algo que seja coordenado com ela numa divisão. pois os termos que acaba mos de indicar não diferenciam coisa alguma. p or exemplo. mas somente aquela que menciona ambas essas coisas. somente em alguns casos o que acabamo s de dizer corresponde à verdadeira situação: em outros isso não acontece. Com efeito. evidentemente o que se enunciou. sendo ele o primeiro term o que se enuncia na definição. "aquático" e "bíped e". Além disso. se defini u a "gramática" como o "conhecimento de como escrever sob ditado": pois devia dize r que é também o conhecimento de como se deve ler. de "homem". 6 No que diz respeito às diferenças. não expressa a sua essência: porque a essência de uma coisa deve. se a coisa em questão não foi colocada no seu próprio gênero. as diferenças que são coordenadas numa divisão com a diferença de uma coisa se predi cam todas do gênero de que se predica essa coisa. "animal" ou "su bstância". devemos examinar do mesmo modo se as que el e enuncia são as próprias do gênero. por exemplo. na definição de "corpo" como "aquilo que possui três dimensões".nome. ou na defin ição . "voador". se um homem não definiu o objeto pelas dife renças que lhe são peculiares. visto ser impossível haver mai s de uma definição da mesma coisa. como. estando o obj eto incluído num gênero. pois em tal caso nenhuma das duas pode ser uma diferença deste: com efei to. Assim. deixando de lado o gênero da justiça. por exemplo. usando-se o . finalmente. Porque. como se diz que a medicina trata da produção da doença e da saúde: pois ela trat a essencialmente da última. apresentando. além disso. nem o que é aquilo que sabe co ntar. termo a ser definido em relação a muitas coisas. • No entanto. se. a justiça como um "estado que produz igualdade" ou "distribui o que é igual": pois ao defini-la assim ele ultrapassa a esfera da virtude e. define-a talvez pior. pois geralmen te se pensa que toda forma de conhecimento e potencialidade é relativa ao melhor. Esta espécie de erro s e verifica sempre que a essência do objeto não aparece em primeiro lugar na definição. Deve-se examinar igualmente se. O mes mo acontece quando o objeto não é colocado dentro do seu gênero mais próximo: pois o hom em que o coloca dentro do gênero mais próximo afirma também todos os gêneros superiores. quem menciona apenas o gênero superior em si me smo não afirma também o gênero subordinado: ao dizer "planta" não se especifica "uma árvor e".rmular a expressão por meio de termos que sejam anteriores e mais inteligíveis. visto que todos estes se predicam do inferior. "animal" é dividido pelos termos "andante". ele não foi colocado dentro do seu gênero. Por outro lado. além do médico. uma vez que é coisa a bsolutamente alheia à medicina produzir a doença. por exe mplo. pois. como "aquilo que sabe con tar": pois não se indica o que é que possui três dimensões. um gênero é sempre dividido por diferenças que são membros coordenados de uma divisão. como. Além disso.não pode ser uma diferença do gênero. é evidente que não definiu absolutamente o objeto. ele deixou de empregá-lo em relação a todas elas. como. incluir o seu gênero. se ele usa uma linguagem que transgride os gêneros das coisas que define. Veja-se. Pois. enquanto a função do gênero é indicar precisamente isso. embora existindo a diferença contrastante. o homem que apresenta a medicina como relativa a ambas essas coisas não a define melhor do que aquele qu e menciona apenas uma. ela não se predica do gênero. a não ser assim. em todos os casos. Ou então veja-se se. ou o objeto deve se r colocado dentro do seu gênero mais próximo. deve-se ver se ele o apresentou como relativo à pior e não à melhor. é capaz de produzir a doença. nenhuma das duas definições consegue o seu fim. como. ou então acrescentarem-se ao gênero superi or todas as diferenças pelas quais se define o mais próximo. pois. Aqui. . Um segundo é se. deve-se ex aminá-la de acordo com as regras elementares relativas aos gêneros. supondo-se que alguém a formulasse assim. ao apresentá-la como o "conhe cimento da escrita". e as subdivisões desse tópico são as que especificamos acima. por exemplo.

por natureza. Por isso. para que seja verdadeira do "comprimento". Não seria possível. como também o será "comprimento com largura": porquanto "sem largura" e "com largura" são diferenças. modo que "comprimento". isto é. e não da própria difer ença. e. Veja-se. como de toda e qualquer coisa ou a afirmação ou a negação é verdadeira. além disso. nenhum dos quais co ntém o outro. Não há nenhuma diferença em dividir o gênero po r meio de uma negação e dividi-lo por meio de uma afirmação que necessariamente terá uma n egação como termo coordenado numa divisão: por exemplo. nem todos o s estados são bons. terá largura ou carecerá dela. ao definir privações. ela não for uma verdadeira diferença. que ambos f ossem gêneros. como poderá predicar-se do gênero que possui largura ou que carece dela? Com efeito. deveria ver. nenhum dos termos supramencionados pode predicar-se do gênero. Daí resultará que o gênero participa da sua própria es pécie: pois. Mas "comprimento sem largura" é a definição de uma espécie. pois. e apenas esse. Porque. Verifique-se. e é exatamente isso o que fazem os que afirmam a existência real das "idéias". a diferença. como tampouco o é o gênero. predica-se de " homem". e o gênero acompanhado da diferença constituem a definição da espécie. pois "bem" não inclui "estado". o compr imento deve sempre carecer de largura ou possuí-la. sua adição ao gênero não vem formar uma espécie. porque a opinião geral é que o gênero não se predica da diferença . "um estado" i ndica a essência da virtude. e a diferença de uma coisa não pode pertencer e não pertencer juntamente ao seu sujeito. nem este àquele: com efeito. nem todos os bens são estados. de modo que aqui também o gênero é dividido por meio de uma negação. E. pois. em t al caso. se a diferença só acidentalmente pertence ao objeto defini do. se "estado" é o gênero de virtude. tampouco o será a enunciada. além disso. se a diferença enunciada indica antes um indivíduo do que uma q ualidade. se ele divide o gênero por meio de uma negação. ora. de . Se. por e xemplo: "a virtude é um estado bom ou nobre". Donde se conclui que o gênero admitirá a definição da sua espécie. se o gêner o se predica da diferença.embora sendo ela verdadeira. A utilidade deste princípio se eviden cia quando enfrentamos aqueles que afirmam a existência das "idéias": porque. já que uma ou outra das diferenças me cionadas se predica necessariamente do gênero. se "animal" devesse predicarse de cada uma de suas diferenças. o contendor não pode ter definido o termo. além disso. isto contraria a realidade dos fatos. ao passo que "bom" não indica a essência. como fazem o s que definem "contumélia" como "insolência acompanhada de zombaria". o gênero de "linha". Deve-se. pois alegam que o comprimento absolut o e o animal absoluto são o gênero. Examine-se. evidentemente o "bem" não pode ser o seu gênero: deve ser. pois tanto existem comprimentos que possuem largura como comprimentos que carec em dela. que predicamos das espécies. Porquanto "cego" designa uma coisa que é incapaz d e ver quando. Veja-se. se ou a diferença ou a espécie. visto ser memb ro de uma divisão coordenado com esta. por outro lado. mas dos objetos de que se predica esta. Com e feito. ou de "boi". e sim uma quali dade. Porquanto a diferença nunca é' um atributo acidental. mesma forma. já que uma dife rença específica sempre forma uma espécie quando acrescentada ao gênero. por conseguinte. antes. se ele definiu a espécie como uma diferença. examinar se ele enunciou o gênero como uma diferença. já que o "bom" ou o "bem" é o gênero de "v irtude". se exi ste um comprimento absoluto. as únicas pessoas contra as quais se pode empregar a regra são as que afirmam que o gênero é sempre numericamente uno. é predicável do gênero. igualmente. Ou talvez "bom" não seja aqui o gênero e sim a diferença. admitirá também a definição da diferença. numa divisão o coord enado daquilo que possui largura é o que carece de largura. "Animal". e indicar uma qualidade se considera geralmente como sendo a função da diferença . porque a opinião geral é que a diferença sempre exprime uma qualidade. É possível que em alguns casos o definidor seja forçado a empregar também uma negação: por exemplo. fundando-nos no pri ncípio de que a mesma coisa não pode encontrar-se em dois gêneros. uma espécie e não uma diferença. Além disso. uma das duas asserções terá de sê-lo universalmente. ou de qualquer outro animal que caminha. porque zombar é um tipo de insolência. Além disso. "animal" se predicaria das espécies uma porção de vez . por outro l ado. supondo-se que ele tenha defin ido alguma coisa como "comprimento que possui largura". também. ou qualquer das coisas que estão subor dinadas a esta. evidentemente não poderia ser uma diferença específica do gênero. i sto é. como os qu e definem a linha como "comprimento sem largura": pois isso significa simplesmen te que ela não tem largura nenhuma. Porque. Veja-se. o caminhar. visto ser es te o termo que possui a maior extensão de todos. por exemplo.

outrossim. se fosse verdade que são animais. Veja-se. será ainda um animal terrestre e não aquático. mas o estrígil. ao intensificar-se. Mas isso não impede que se c ometa um erro grave sempre que a diferença denote realmente a existência em alguma c oisa. pois. se dela se predica alguma d as espécies. se ele enunciou a "existência em" alguma coisa como a diferença essencial do sujeito. por exemplo. também. se a diferença mencionada pertence a um gênero diferente. juntamente com os gêneros que são mais elevados do que esse. pois ambos esses gêneros são subordi nados a animal. mas um a certa qualidade: com efeito. quando intensificado. não haverá "ho mem". prático e produtivo. "andant e" e "bípede" subentendem ambos o gênero "animal". Porque a opinião geral é que a mesma diferença não pode ser usada em relação a dois gêneros não-subalternos. fundando-se em que "andante" e "aquático" não fazem mai s do que indicar a localização. e "bíped e" é a diferença de ambos. o resultado seria que a mesma espécie também se encontra em dois gêneros não-subaltern os: pois cada uma das diferenças subentende o seu próprio gênero: por exemplo. muita gente condena os que dividem os animai s em "andantes" e "aquáticos". se ele deixou de apresentar a diferença de um termo rel ativo em relação a alguma outra coisa. Por isso mesmo. o resultado será que a diferença é uma espécie: se. inversamente. é absolutamente impossível que uma coisa exist a sem a sua diferença específica própria: porque. ao passo que a d iferença não faz isso: pelo contrário. ou "animal que caminha". se não houver o "caminhar". a essência da coisa. pois toda afecção destrói. produz alguma coisa ou faz algu ma coisa. deve-se examinar também se a espécie ou algum dos objetos que nela se incluem é predicado da diferença: porquanto isso é impossível. e devamos acrescentar as palavras: "exceto quando ambas são membros subordinados do mesmo gêne ro". o homem que apresenta uma diferença desse tipo comete um erro. mesmo que e steja na água. Veja-se. por outro lado. que n em contenha o gênero em questão nem esteja contido nele. daí se segue evidentem ente que a espécie deve encontrar-se em dois gêneros não-subalternos. e. Examine-se. pois. Ou quiçá neste caso a censura seja imerecida.. pois. também po . mesmo que o animal se encontre em terra firme. as diferenças seriam todas ou espécies. pois as diferenças dos termos relativos são relat ivas elas próprias. com efeito. Assim. Este último se classifica c omo especulativo. a diferença é evidentemente a raça humana. por outro la do. Veja-se. a vista só pode ser usada para ver . visto que as diferenças são predicados das espécies. e cada uma destas diferenças denota uma relação: pois o conhecimento especula sobre alguma coisa. pois cada animal é u ma espécie ou um indivíduo. nem tampouco denota uma localização. Assim. Ou talvez não seja impossível que a mesma diferença seja usada de dois gêneros não-subalternos. também. a pequena concha que se usa para limpar a pele no banho. De outra forma . assentar de maneira absoluta que uma coisa não pode ter como diferença o que quer que seja que a torne sujeita a alteração: pois tudo que for dessa espécie. Partindo dessa possibilidade de usar a mesma diferença em relação a do is gêneros não-subalternos. destruirá a sua essência. pois "aquáti co" não significa estar "em" alguma coisa. pois é opinião geral que a localização não pode diferenciar entre u ma essência e outra. se ele apresentou uma afecção como sendo uma difer ença. como sucede também com o conhecimento. além disso. alguns tam bém podem ser usados em relação a outra coisa. "animal que caminha" e "animal voador" não são gêneros subalternos. um animal terrestre. torna-se evidente que não há necessidade de levar a diferença consigo o gênero inteiro a que pertence. pensa-se geralmente que a diferença antes conserv a aquilo que diferencia. pois ela deve ser posterior ao gênero. se o definidor apresenta cada termo relativo em r elação à sua finalidade natural. Podemos. Portanto. mas somente um ou outro dos seus membros. As palavras "a não ser que ambas sejam membros subordinados do mesmo gênero" devem. ser acrescentadas. igualmente.es. poi s nós não sofremos absolutamente alteração alguma com respeito às nossas diferenças. e. Veja-se. cada um dos gêneros é também verdadeiro daquilo de que se predica com verdade a diferença. Se. "homem" se p redica dessa maneira. Além disso. se bem que em alguns casos o termo relativo par ticular só possa ser usado em relação à sua finalidade natural e a nada mais. ai nda assim será um animal aquático. da mesma forma que "bípe de" leva consigo ou "animal volante". mas ante rior à espécie. Verifique-se. visto ter a difer ença uma extensão maior do que as várias espécies. se a diferença não é anterior à espécie. Além disso. ou indivíduos. Por outro lado.

Convém verificar. Suponha-se. o definidor cometeu um err o. se a coisa admite graus. sempre que o que se enunciou de acordo com a definição se predica do s eu sujeito apenas no presente ou no passado. agindo como tal. definindo a "sabedoria" c omo a virtude do "homem" ou da "alma" ao invés da "faculdade racional". um equilíbrio do que quer que seja é um atributo inerente àquelas coisas das quais é equilíbrio. de modo que a saúde ser ia um atributo desses elementos. E. No entanto. Porque o sono não é um atributo da sensação. ao invés. as pessoas que raciocinam dessa manei ra tomam o efeito pela causa ou a causa pelo efeito. por ser uma disposição desta. uma d isposição ou o que quer que seja é incapaz de admitir isso. sempre que um termo é usado numa variedade de relações. Porque toda disposição e toda afecção se forma naturalmente naquilo de que é uma afecção o disposição. e pela ciência que trata especialmente dessa coisa". Além disso. se a coisa de que se afirmou ser o termo definido uma afecção. Poi s uma coisa viva que é "presentemente" imune à destruição será imortal "presentemente". as duas coisas não podem ser a mesma. Entretanto. como deveri a ser se fosse uma falha desta. enquanto o que se exp ressa de acordo com a definição não os admite. devemos ater-nos a esta norma ou lugar. visto que a dor estaria presente nelas. se o que se expressa de acordo com a definição é realmen . enquanto o que se pretende signific ar pela palavra não se predica assim. como todos aque les que dizem ser o "sono" uma "falha da sensação". ou a "dor" uma "ruptura violenta de parte s que estão naturalmente unidas". uma definição da "justiça" como a "capacidade de distribuir o que é igual". pois em tal caso o homem mais justo se ria aquele que maior capacidade tivesse de distribuir o que é igual. das partes naturalmente unidas: pois nesse caso as cois as inanimadas sofreriam dor. já que ou adormecemos porque nos falha a sensação. como também o conhecimento se forma na alma. Suponha-se. as pessoas cometem erros graves em matéria desta sorte. ou a "perplexidade" um "estado d e igualdade entre raciocínios contrários". pois é devido a ela que se d iz tanto do homem como da alma que são sábios. a saúde seria necessariamente manif estada pelos elementos quentes e frios: com efeito. pois que. Isto não es taria certo. ou a dor. cometeria um erro: pois essa não é a sua função natural. se alguém definisse o estrígil como um ins trumento para apanhar água. 7 Deve-se também examinar se o termo que se está definindo se aplica ao sujeito em consideração de alguma coisa diferente da definição formulada. nem tampouco a falha da s ensação é sono. igualmente. Pois a ruptura das partes n aturalmente unidas não é dor. que o "imortal" seja definido como uma "coisa viva presentemente imune à destruição". porém. ou se. por exemplo. pois a palavra "justo" se aplica antes ao homem que escolhe do que ao homem que é capaz de distribuir o que é igual. que dizemos que um a coisa viva é presentemente imune à destruição. que neste caso não se justifique tal conclusão devido à ambigüidade das palav ras "presentemente imune à destruição": pois isto tanto pode significar que a coisa não foi destruída no presente momento como que não pode ser destruída presentemente ou que presentemente é tal que jamais poderá ser destruída. o que se expressa de aco rdo com a definição admite graus enquanto a própria coisa não os admite. Porque ou ambos devem admiti-los. Nem tampouco é a perplexidade um atributo dos raci ocínios opostos. pois. por exempl o.de ser usado para apanhar água. Sempre. Além disso. aliás. como um "equilíbrio dos elem entos quentes e frios". Além disso. Às v ezes. de forma que não se pretende dizer que é imortal apenas neste momento . ou nenhum. tendo em vista todos os períodos de tempo. É po ssível. por exemplo. É também de um tipo semelhante a este a definição da "saúde". a ser assim. do mesmo modo. uma igualdade entre ra ciocínios contrários seria geralmente considerada uma causa da perplexidade: pois é qu ando refletimos sobre ambos os lados de uma questão e verificamos que todas as coi sas estão igualmente em harmonia com as duas linhas de ação que ficamos perplexos e não sabemos qual delas escolher. Ou então deve-se ver. ou a sensação nos falha porque adormecemos. queremos significar que ela é presentemen te uma coisa viva de tal sorte que jamais será destruída. já que a sab edoria é primeiramente a virtude da faculdade racional. se e le deixou de expressá-lo na sua relação primária: por exemplo. de modo que a justiça não poderia ser uma capacidade de distribuir o que é igual. Por cons eguinte. mas um é a causa do outro. conforme dissemos. e isso equivale a dizer qu e ela é imortal. mas apenas uma causa de dor. A def inição da função natural de uma coisa é: "aquilo para que seria empregada pelo homem prude nte. devemos examinar se há al guma discrepância entre a diferença e a coisa definida.

Com efeito. Porque a essência de todas as coisas relativas é relativa a alguma outra coisa . deve -se ver se a definição deixa de mencionar aquilo a que é relativo o termo. pois esse é o nosso objetivo também quando escolhemos o agradável. quer em si mesmo. por conseguinte. Porque. "agradável aos ouvidos" será o mesmo que "belo". Deve-se ver. que o desejo não visa ao agradável. quer com respeito ao seu gênero. Veja-se. igualmente. Ou. a definição do "fogo" como o "corpo que consiste n as partículas mais rarefeitas". sendo a finalidade de uma coisa qualquer o que há de melh or nela ou o que imprime o seu objetivo ao resto. de modo que não basta definir o homem ambicioso como aquele que se esforça p or alcançar a honra. porém mais particularmente a um deles. não -agradável aos ouvidos" é o mesmo que "não-belo". de forma que "não-agradável aos ouvidos" será o mesmo que "não-belo". se. a qualidade e a quanti dade da honra cuja busca torna um homem ambicioso: pois todos os homens buscam a honra. seja lá qual for . e. a qualidade dos praze res que o seduzem. ma s a chama é em menor grau do que a luz o corpo que consiste nas partículas mais rare feitas. e. Tome-se. Pois não chamamos incontinente ao homem que cede a toda e qualq . se uma expressão se aplica igualmente aos dois objetos que t emos diante de nós. de maneira que esses co nsiderariam como um fim antes a atividade do que a sua completação. nesse cas o. a qualida de. ao definir o homem incontinente. alguma coisa é ag radável aos olhos. Ou talvez esta regra não seja verdadeira em todos os casos. além disso. Veja-se também. de modo que ambas as c oisas não se intensificam simultaneamente. deve-se indicar a quantidade de dinheiro que ele ambiciona possuir. pois qu ase todos preferem a experiência atual do prazer à sua cessação. quer com respeito ao seu gênero: por exemplo. ao passo que a outra não se aplica igualmente a ambos. Veja-se. por exemplo. De modo semelhante. evidentemente. em alguns casos. ou aquela. tanto dos gêneros como das diferenças e de todos os outros termos expressos nas definições devem-se formular definições em lugar dos próprios termos e verif icar se há alguma discrepância entre eles. o lugar ou outras diferenças de um objeto: por exemplo. não crescem ou se tornam maiores juntamente: suponha-se. será ao mesmo tempo real e não real. sendo a completação do pr ocesso ou da atividade mais propriamente um fim do que o processo ou a atividade em si mesmos. por exemplo. ou o "desejo" como uma "tendência sem dor". também. E também. que o am or sexual seja o desejo da união carnal: pois aquele que está mais intensamente enam orado não sente um desejo mais intenso de ter relações sexuais. mas é preciso acrescentar as diferenças mencionadas acima. além disso. ao passo que a ambas deveria ser mais aplicável a definição se fossem a mesma coisa. pois. O definidor deveria ter dito. Se. se aquilo em relação ao qual ele expressou o termo é u m processo ou uma atividade. portanto. essa coisa será ao mesmo tempo bela e não-bela. então. ma s ao prazer. devemos ver se o termo a ser definido se aplica mais particularmente àquela de que é menos predicável o conteúd o da definição. do mesmo modo. se ele expressa a definição relativa a duas coisas toma das separadamente. a que é relativo o seu gênero. visto que o ser de todo termo relativo é idêntico ao guardar uma certa relação para co m alguma coisa. E do mesmo modo s e ele definisse a "gramática" como o "conhecimento das letras": pois na definição deve -se expressar ou a coisa a que o próprio termo é relativo. Verifique-se. ao definir o homem cúpido. Porque "fogo" denota mais a chama do que a luz. e o oposto de "belo" é "não-belo". assim. poderíamos também demonstrar que a mesma coisa é simultaneamente r eal e irreal. por exemplo. porém não aos ouvidos. enquanto o oposto de "agradável aos ouvidos" é "não-agradável aos ouvidos". O que se deve expressar é certam ente o que é melhor e o que é final. quer em si mesmo. o que por certo aconteceria se fossem a mesma coisa.te o mesmo que a coisa definida. a mesma coisa será ao mesmo tempo bela e não bela. 8 Se o termo é relativo. Finalmente. E anal ogamente. se ele não distinguiu a quantidade. pois nada dessa espécie é um fim. embora ambos admitam gra us. o u o "real" é "o que é capaz tanto de agir como de ser objeto de ação". o "belo" é "o que é agradável aos olhos ou aos ouvidos"31. veja-se se um termo relativo não foi descrit o em relação à sua finalidade. supondo que temos duas coisas diante de nós. pois os opostos de c oisas idênticas também são idênticos entre si. que o conhecimento é a "co ncepção de um cognoscível" e que o "desejo" é a "tendência para um bem". se o contendor definiu o "con hecimento" como uma "concepção incontrovertível".

Além disso. e. tampouco a definição originári a do termo originário pode ter sido corretamente formulada. em todos os casos deste tipo devemos estar atentos às discrepâncias. também. Assim. já que uma ou outra destas expressões necessariamente há de ser o contrário do ter mo originariamente usado. que d os contrários um é às vezes uma palavra formada para denotar a privação do outro. supondo-se que a crença seja relativa a algum objeto de crença. se o oposto tem a definição oposta: por exemplo. o apetite absoluto tenderia para o absolutamente agradável. Porque ao termo contrário se aplicará a definição que lhe é contrária de alguma das maneira s pelas quais os contrários se ligam um ao outro. se "útil" equi vale ao que "produz o bem". ao passo que o outro não poderá ser definido por meio daquele cuja forma denota pri . se a definição de "metade" é o oposto da definição de "dobro": porque se o "dobro" é "aquilo que excede ou tra coisa por uma quantidade igual a essa outra coisa". ou um terremoto como um "movimento da terra". as outras também se tornam evidentes em certo sentido. há quem defina às vezes a noite como uma "sombra sobre a terra".uer espécie de prazer. a "metade" é "aquilo que é e xcedido por uma quantidade igual a ela própria". po r exemplo. em certo sentido. então. Porque. sem mais especificações quanto à ma neira de produzir-se ou à quantidade implicada. que nenhuma das definições subseqüentemente formuladas poderá ser o contrário do termo que se definiu originalmente: logo. Assim. a ignorânc ia. por exemplo : "o desejo é uma tendência para o bom". A opinião geral é que sempre se fala de uma idéia em relação com outra idéia: assim. e m lugar de dizer "para o aparentemente bom" ou o "aparentemente agradável". E da mesma forma com os contrários. que nenhuma delas seja o seu contrário: é evidente. como devia. se a primeira é posta em evidência. Falando em geral. deve-se ver se um múltiplo particula r é enunciado como relativo a uma fração particular. e o desejo absoluto para o absolutamente bom. e igualmente o que possui conhecimento e o que carece dele. não podem ter em vista algo que seja aparentemente bom ou aparentemente agradável: pois a existência de um bem ou de um prazer absolut amente aparentes seria um absurdo. de modo que o seu objetivo não precisa ser realmente bom ou agradável. mais de uma co isa: pois. mas basta que o seja aparentemente. mas apenas àquele que cede a uma determinada espécie de prazer. todo aquele que defende a existência das idéias deveria s er colocado frente a frente com as suas idéias. se o agradável é idêntico a o benéfico. Veja-se. usando os princípios elementares derivad os da consideração dos contrários e dos coordenados. bem como o que é c onhecer e o que é ser ignorante. se o múltiplo em geral é relativo a uma fração. "nocivo" equivalerá ao que "produz o mal" ou "destrói o bem". a q uantidade. examine-se o qu e se encontra nesse estado. Pois m uitas vezes aqueles que mostram uma tendência não percebem o que é bom ou agradável. deve-se ver se uma crença particular é enunciada como relativa a algum objeto particular de cre nça. ou o vento como um "movimento do ar" — sem especificar também. como. no caso dos termos relativos. é evidente que se cometeu um erro. o homem que experimenta prazer é também beneficiado. se o que se define é a própria coisa. se o que se define é o estado de alguma coisa. é preciso ver se a palavra "aparente" foi omitida. em relação aos apetites e tendências e em qualquer outro caso on de ela tenha aplicação. E. neste caso. ou "o desejo é uma tendência para o agradável". devia ter sido formulada de acordo com isto. em certo sentido. por conseguinte. e da mesma forma nos demais casos deste tipo. Sempre se devem atacar tais deficiências. nem um movimento do ar é um vento. a qualidade. Quanto ao mais. Assim. Visto. Por outro lado. é preciso ver se a espécie é apresentada como relativa a uma espécie daquilo de que o gênero é apresentado como relativo: por exemplo. define-se também. nas definições desta espécie sucede que o que se define é. e. por outro lado. se não foram assim enunciad os. ou uma nuvem como uma "condensação do ar". por exemplo. 9 E igualmente. é evidente que o con trário cuja forma denota privação deve necessariamente ser definido por meio do outro. ao definir o conhecimento. além disso. o lugar e a causa. examine-se o es tado. pois ao omitir uma diferença qualquer deixa-se de expressar a essência do term o. E analogamente em outros casos deste tipo. mesmo quando não pronuncia a palavra em questão: pois não pode existir nenhuma idéia de alguma coisa que seja apenas apare nte. se considera geralmente a desigualdade como a privação da igualdade (pois "desigual" designa simplesmente as coisas que não são "iguais"). Porque. Portanto. pois. porque um movimento da terra não consti tui um terremoto. Suponhamos. A definição.

ou então daquele em que ela se forma primeiramente por natureza: por exemplo. se a definição dada se aplica também à idéia. Ao tratar. se ao definir "ignorância" como uma privação ele se esqueceu de mencionar que é privação de "conhecimento". e também se omitiu o acréscimo de qualque r termo em que a privação se forma naturalmente. No caso de termos contrários devemos estar atentos a este erro. se ele falha a qualquer desses respeitos. E. Veja-se. pois nesse caso a estaria definindo por meio do termo que denota a sua privação. o que acontece com a definição de "vida" por Dionísio. Porque dizer "desigualdade" é o mesmo que dizer "privação de igualdade". que ele usa o próprio termo a ser definido. ou. e o mal nada mais é do que "o contrário do bem". q ue nenhum dos termos contrários denote privação pela sua forma. o "bem" é "o contrário do mal". se. Pois o que em geral se considera estar em erro não é o que não possui conhecimento. ademais. congenitamente presente a ele": pois isso é encontrado tanto nas plantas como nos animais. ma s antes o que se equivocou.vação. "beneficamente" significará "de modo a produzir saúde" e um "be nfeitor" será um "produtor de saúde"? Veja-se. então. E assim. se deixou de dizer que a "cegueira" é a "privação da vista num olho": pois uma formulação apropriada da essência da cegueira deve incluir tanto aquilo de que ela é a privação como aquilo q ue é privado. se ele deu uma definição simples e comum de termos que se usam ambiguamente. tem de haver forçosamente uma discrepância entre a idéia e a definição. ao passo que a "vida" se entende geralmente como significando não apenas uma só espécie de coisa. que ele usou a própria palavra a ser definida. aliás. e o defini dor teria usado a própria palavra que pretendia definir. e. Ac resce que quem define dessa forma se vê obrigado a usar na definição o próprio termo que está definindo. por exemplo. portanto. também. Examine-se. por exemplo. não se usa "erro" para significar uma simples privação de conhecimento. o resultado é. igualmente. Porque a idéia (por exemplo. pois. no "homem". se as inflexões e derivados usados na definição se apli cam a inflexões e derivados semelhantes do termo: por exemplo. se ao enunciar um termo cuja forma denota privação ele não expres sou o termo do qual o primeiro é a privação. Pode-se defender a opinião de que "vi da" é um termo unívoco e sempre se usa para descrever uma coisa só. por conseguinte . e contudo a sua definição se faça da maneira que mostramos acima: por exemplo. quando a apre senta como "um movimento do ser que é sustentado por nutrição. até os argumentos deste tipo são úteis. Suponhamos. e por essa razão não dizemos que coisas inanimadas ou cr ianças "errem". colocando-a . Isto é. n a hipótese de que alguém definisse a igualdade como sendo o contrário da desigualdade. na "alma" e não na "faculdade racional": porque. então. do mesmo modo. ou. pois os que afirmam a existência das idéias consideram-nas incapazes de mover-se ou de ser objeto de ação. como antes. se deixou de a crescentar a coisa em que ela se forma naturalmente. 10 Convém examinar. ma s uma coisa nos animais e outra nas plantas. a igualdade definida desse modo seria "o contrário da privação de igualdade". pensar-se-ia geralmente que i ncorre num equívoco dessa espécie quem não o usa simplesmente como um termo negativo. de modo que a definição não se ajusta à idéia. se ele definiu pela palavra "privação" um termo que não se usa para denotar uma privação: assim. segue-se que o "bem" será "o contrário do c ontrário do bem". É evidente. deixou de mencionar aquilo em que ela se forma primeiramente. quando ele acrescenta a pal avra "mortal" ao definir as criaturas vivas. Porque os termos cuja definição correspondente ao seu nome comum é uma só e a mesma são unívocos. na definição platônica. pois em alguns ca sos não acontece assim. a definição se aplica de igual maneira a toda a extensão do termo ambíguo. por exemplo. e isto se torna claro quando substituímos a palavra pela sua definição. embora tenha mencionado esta. pois. pois. comete um erro. Veja-se. pois nesse caso teremos que cada um deles se interpreta por meio do outro. no caso de erro. o contrário ou seja qual for a coisa de que a primeira é a privação. se "benéfico" signifi ca "que produz saúde". uma v ez que "bem" é inerente à definição de "mal". sempre que sã crescentadas as palavras "capaz de agir sobre" ou "capaz de ser objeto de ação". pois. também. por exemplo. além disso. o Homem absoluto) não é mortal. com essas pessoas. ela não pode ser verdadeira de nenhum dos objetos descritos pelo termo. como é evidente que "mal" também será "o contrário de bem" (poi s as definições de coisas que são contrárias desta maneira devem ser formuladas de modo igual). Por conseguinte. como. que "bem" seja definido como "o contrário de mal". entretanto. o estado. Se.

pois lhes serão aplicáveis duas definições distintas na explicação do termo. como no exemplo que acabamos de apresentar: pois "e speculativo" é um termo menos familiar do que "conhecimento". c omo. Diz-se que uma definição tem o me smo número de membros que o termo definido quando o número dos elementos que compõem e ste último é igual ao número de nomes e verbos na definição. ou então provar de antemão que tal e tal termo é ambíguo ou uní oco. veja-se se o resto da definição corresp onde ao resto do termo: se assim não for. o resto (a saber. o sentido não se altera. a saber: a que se formul ou anteriormente e também a última. por força. por exemplo. esse sentido deve ser evidentemente sinônimo dos out ros.. Em qualquer desses casos. o resto é diferente. "de tal sorte que o seu c entro esteja em linha com as suas extremidades") deveria ser uma definição de "reto" . por exemplo. ele mudou o gênero e não a diferença. é claro que tampouco a definição inteira corre sponde ao complexo inteiro. sem dar conta. uma vez. O erro será ainda pior se o termo for substituído por outro menos conhecido. não se fez concessão alguma e o homem sustenta s er ambíguo o que é realmente unívoco porque a definição dada por ele não se aplica igualment e ao segundo sentido. embora a palavra "especulativo" seja comum a ambas as expressões. na maioria. se. e nem por isso deix a de ser reta. ao responder nós mesmo s. defini-la propositadamente da maneira acima. senão de todos —. veja-se se a definição formulada tem o mesmo número de membros que o termo definido. mas que não se aplica adequadamente a todos esses sent idos. o que responde não o terá definido de maneira correta. preten desse. alguém definisse um termo usad o em vários sentidos e. seja qual for o fim que ele se propôs. a um tal homem se pode re plicar que. pelo menos. Pois. visto que a definição d eve aplicar-se a um termo unívoco em toda a sua extensão). "capa" em vez de "ma nto". está igualmente em erro. se assim for. segundo for o caso: porque as pessoas estão mais dispostas a concordar quando não prevêem as conseqüências. Mais ainda: como alguns dos que respond em chamam "ambíguo" ao que realmente é unívoco sempre que a definição formulada não se aplic a universalmente e. Mas uma linha reta infinita não tem centro nem extremidades. do contrário. ao passo que na defin ição os termos devem ser expressos por frases. visto que agora não se usam mais termos do que antes. aos olhos dos circu nstantes. ao substituir um dos termos por algo diferente. se possível em todos os casos ou. porém. mas. se o termo definido é uma noção composta. simplesmente de termo por termo — pelo menos de alguns. de que a definição formulada é comum a ambos os sentidos e não peculiar ao que ele tinha em vista. de modo que isto que resta não define o que resta do termo. De outra forma haverá mais de uma definição desses outros significados. Veja-se. como. também se poderiam definir objetos simples ch amando-os simplesmente por outros nomes. "homem branco" por "mortal pelúcido": pois isto. com a troca de palavras. contudo. Se. Se. é menos inteligível quando expresso dessa forma. além de não ser uma definição. Examine-se também se. verificando que sua definição não se aplica a todos eles. Tomemo s como exemplo a explicação de "conhecimento especulativo" por "concepção especulativa": pois concepção não é o mesmo que conhecimento. se a definição de uma "linha fi nita" é "o limite de um plano finito". numa questão de terminologia somos forçados a aceitar o uso recebido e tradicional e não transformar as coisas dessa forma. por exemplo. simplesmente porque isso sucede com a sua definição. Porque em tais casos a troca deve ser. ao formular perguntas. vice-versa. além disso. Suponhamos. é preferível. que alguém tenha definido uma "linha reta finita" como "o limite de um plano finito de tal sorte que o seu ce ntro esteja em linha com as suas extremidades". Como os termos ambíguos passam às vezes despercebidos. ou muito bem pode acontecer que u m homem perceba o caráter ambíguo do termo e se proponha dar a definição de um sentido a penas. é preciso assegurar uma admissão prév ia em relação a esses termos. 11 Suponhamos agora que se formulou a definição de algum termo complexo e. retira ndo a definição de um dos elementos do complexo. embora em algumas coisas não seja apropriado usar a linguagem do povo. tratá-los como se fossem unívocos (p ois a definição de um sentido não se aplicará ao outro. como certamente deveria ser se o todo ta mbém deve ser o mesmo. veja-se se a definição deste segundo sentido também se aplica ao s outros: pois. devemos distinguir entre os sentidos. ora. dado que este é o gênero . de modo que. supondo que a definição se aplica a ambos os sentidos do termo. que. por outro lado. Além disso. chamam unívoco ao que é realmente ambíguo. não que o termo é ambíguo.

as pessoas definem não a coisa. e é a palavra "ím ar" que se substitui pela frase. veja-se se a definição dada é comum a esta e a alguma outra coisa. mas sim a diferença. É evidente. mas com uma porção de coisas. ou. todo objeto de conhecimento é um termo relativo a conhe cimento. Suponha-se. visto ser o termo menos f amiliar. ou do ladrão como "aquele que furta em segredo": pois é evidente que. por exemplo. pois a essênc ia contém principalmente o que há de melhor em qualquer coisa. no caso dos termos relativos. ou a sabedoria é "o que produz felicidade". por exemplo. Além disso. 12 É preciso ver. Veja-se também se ele expressou o que é desejável em si mesmo como desejável pelo que produz ou faz. erram ou totalmente. se se disse qu e é a ciência da realidade de maneira essencial e não acidental. por outro lado. o sen tido que se tem em vista aqui precisa ser definido. que o "branco " seja definido como "cor misturada com fogo": pois o que é incorpóreo não pode mistur ar-se com um corpo. a defi nição é parcialmente falsa. Por que não há motivo para que a mesma coisa não seja ao mesmo tempo real. Às vezes. pois deveria aplicar-se a toda a realidade. contudo. não distinguem com que se re laciona o objeto. Se. impossível que uma definição desta espécie seja peculiar ao termo prop sto: pois não só a medicina. Suponhamos. porém como é acidentalmente. Se ele formulou a definição da diferença. nem por isso é menos errado definir dessa maneira o que é desejável por si mesmo. os que. se expressar o que ele é acidentalmente é uma maneira correta de expre ssá-lo. E do mesmo modo também com outros termos relativos. evidentemen te. também. como acontece com out ros termos relativos: ora. mas o desejo de fazê-lo. é evidente que a definição seria totalmente f alsa. ou em parte. dado que todos esses termos são conversíveis. de modo que cada uma delas será uma ciência da realidade. mas apenas a coisa em boas ou perfeitas condições. se ela é a ciência de alguma coisa real. ao passo que o "branco" existe realmente. De maneira que isto ou desac reditará a definição.e o outro a diferença. desejável por causa de alguma outra co isa. se o termo definido por ele é uma realidade. mas por uma frase. porém não de outras. que uma tal definição não define ciência nenhuma. que caracteriza o ladrão. de modo que esta não pode ser a definição de "ímpar ". além disso. de modo que isto é tam . po is. sempre que se diz que um número ímpar é um "número c om um ponto médio" faz-se mister uma definição ulterior que nos mostre de que maneira ele tem um ponto médio: pois a palavra "número" é comum às duas expressões. se está substituindo um termo não apenas por outro termo. visto que uma ciência deve ser pecul iar ao seu termo próprio. ao passo que. Esta crítica poderia ser qualificada de ridícula. de modo que "cor misturada com fogo" é algo que não pode existir . se a medicina não fosse uma ciência de alguma coisa real. Poder-se-ia objetar que é possível que o que é desejável em si mesmo seja também desejável por causa de alguma outra coisa. que a justiça é "o que preserva as leis". pois não há razão para que o te rmo mais familiar não descreva a diferença em lugar do gênero: nesse caso. com efeito. por exemplo. Tal é a definição do retórico como "um homem que pode sempre ver o que será persuasivo nas circunstâncias dadas. o primeiro será um b om retórico e o segundo um bom ladrão: ao passo que não é o fato atual de furtar em segr edo. que alguém tenha definido a "medicina" como uma "ciência da realidade". É. evidentemente é da diferença e não do gênero que cabe formular uma definição. de um modo qualquer. mas também a maioria das outras ciências têm por objeto algum a coisa real. a frase "com um ponto médio" se usa em vários sentidos. e não a diferença. visto q ue o objetivo da definição é tornar mais conhecido o sujeito. se eles fazem isso. de modo qu e não é ele. e não geral. por outro lado. Ora. é menos familiar do que o gênero. então todo e qualquer termo relativo se usaria não em relação com uma coisa só. e é melhor que uma cois a seja desejável em si mesma do que por causa de outra coisa. ao passo que não o é o que está contido na definição. e contudo nenhum dos dois é "ímpar". branca e boa. mas descrevem-no apenas para incluí-lo num número demasiado grande de coisas. Se. sem nada omitir". contudo. Por exemplo. ou provará que ela não é em absoluto uma definição. dizendo. e o gênero sempre é o termo mais familiar de todos. pois o que produz ou preserva algo é uma das coisas des ejáveis por causa de outra coisa. Porque. d e modo que seria uma formulação correta expressar o objeto em relação com uma qualquer d essas coisas. se a maneira correta de explicar uma coisa fosse defini-la não como é em si mesma. que devia ter sido mudada. e a diferença. tanto uma linha como um corpo têm um ponto méd io. o termo a ser alterado deveria ser aquele que designa o gênero. Por outro lado.

contudo. Veja-se. a definição será verdadeira de ambos e. todas as maneiras de demonstrar que o todo não é idêntico à soma de suas partes são também úteis para enfrentar o tipo de definição que acabamos de descrever : pois um homem que define desta maneira parece afirmar que as partes são iguais a o todo. e o outro. porque ambas tomadas juntamente pos suem a justiça. por exemplo. se o todo é sinônimo de algum dos elementos: pois não dev . pois muitas coisas que produzem algo não são boas e m si mesmas. Ou. pois algumas coisas se relacio nam entre si de tal modo que nada pode resultar delas. quando o todo é destruído. tanto as partes como o tod o se encontram primeiramente num sujeito único. contudo. além disso. por outro lado. igualmente. s egundo afirmou ele. em caso contrário. É preciso ver. quando se ministram juntas numa mi stura. embora nenhum dos dois a possua por si mesmo). ter um produto qualquer. ao menos pareceria total mente absurdo que eles possuíssem atributos contrários.bém o que a definição deveria ter indicado de preferência. pois algumas drogas são tai s que cada uma tomada separadamente é boa. pelo contrário. como. veja-se se este não é o mesmo. veja-se se o todo é bom ou mau e as p artes nem um nem outro. então a injustiça será covardia e libertinage m. em vez de "A e B" simplesmente. são boas em si mesmas. o produto dessas duas coisas deveria correspon der a esse excesso. por exemplo.bons em si mesmos. mas cada uma num sujeito separado. de modo que as partes e o todo não podem ser a mesma coisa. Pois é impossível tanto que uma coisa neutra produza algo bom ou mau com o que coisas boas ou más produzam uma coisa neutra. Contudo. Veja-se também se o todo. não é pior do que o melhor elemento e melhor do que o pior. O que acabamos de dizer é exemplificado com a maior clareza n o caso das coisas que contribuem para a saúde ou a doença. é um libertino: pois nesse caso ambos se mostrarão ao mesmo tempo justos e injustos : porque. Suponha-se. a menos que os elementos que entram na composição sejam. também. o todo. porém somente em combinação. enquanto o produto não é mais bom do q ue mau: suponha-se. se as partes são boas ou más e o todo nem um nem outro. se uma das c oisas é mais eminentemente boa do que a outra é má. se ao definir alguma coisa ele a definiu como formada de "A e B". porém cada uma delas em particular não a têm. ou como uma soma de "A mais B". ele disse que o termo que se está definindo é "o produto de A e B ". evidentemente o termo não pode ser o produto delas. mas. é talvez possível que esta não seja uma conseqüência necessária. nenhuma delas o será. o todo pode perfeitamente não ser bom. não o será de nenhum deles. vice-versa. ao contrário. mas em vários deles. enquanto as coisas que. contudo. ou como um "produto de A e B". veja-se. ou. se a justiça é temperança e bravura. na natureza das coisas. que a justiça seja definida como "temperança e corag em". se o termo que foi definido é da natureza das coisas que se encontram primeiramente num sujeito único. por outro lado. e más o u neutras em combinação. se de duas pessoas cada uma possui apenas uma dessas virtudes. pois o todo terá forçosamente de encontrar-se nas mesmas coisas em q ue se encontram as suas partes de modo que o todo se encontrará primeiramente não nu m sujeito único. 13 Veja-se. em primeiro lugar. Examine-se. que o desvergonhamento seja definido como "o pr oduto da coragem e da falsa opinião": aqui. mas uma coisa para o todo e outra para as partes. o produzem não se encontram primeiramente num sujeito único. Se. ou. também. Contudo. por exemplo. embora valente. essa é a conclu são a que chegamos se um deles é temperante. como numa casa e outras coisas do mesmo tipo. são más. se A e B não podem. Se assim for. e. Mesmo que a situação aqui desc rita não pareça por enquanto muito absurda devido à ocorrência de situações semelhantes també em outros casos (pois é perfeitamente possível que dois homens possuam uma mina ent re eles. se as parte s são destruídas juntamente com o todo: pois devia acontecer. igualmente. e ou ser bom sem qualificação. amba s serão justas e. uma li nha e um número. Estes argumentos são particularmente adequados aos casos em que o processo de unir as partes é evidente. porém. a não ser que cad coisa seja em si mesma boa ou má. como nos exemp los que acabamos de mencionar. ou pelo menos mais bom do que mau . isto também nem sempre é uma conseqüência necessária. Se ele a d efine como "A e B". Porque. que o todo seja destruído quando o são as partes. o que há de bom na coragem excede o que há de mau na falsa opinião: portanto. Se. não há necessidade de que as partes o sejam também. E examine-se. pois em tais casos é bem claro que se pode ter as partes sem ter. mas covarde. no entanto. De um modo geral. como produto de algo melhor e algo pior.

ainda q uando ambas são manifestadas também na mesma relação. mas ocorrer "por causa de" uma coisa não é o m esmo que ocorrer "+ uma coisa" em nenhum dos sentidos que analisamos acima. Pois o que se pretende dizer com isso é que a dor ocorre porque se tem consciência de tal coisa. embora sendo um composto. se ja qual for a maneira por que são dispostos. que nenhuma das substâncias mencionadas é. a sílaba não é sinônima de nenhuma d as letras que a constituem. mas é preciso ir mais além e defi nir a espécie de composição. o osso. já que ela tem uma capacidade igual para receber a ignorância. Distinga-se. Examine-se. terão cabimento as mesmas críticas que já foram usadas para fazer frente a cada um destes casos. se na natureza de uma coisa dois contrários têm iguais probabilidade s de ocorrer e se a coisa foi definida por meio de um deles. e reta razão com respeito aos meios de conservar a saúde. além disso. segue-se que nenhum outr o composto pode sê-lo tampouco. pois "mel + água" o u significa "o mel e a água". e se toda espécie de cri atura viva. a essência de qualquer composto não se limita a ser um produt o de tais e tais coisas. antes. exatamente como sucede numa casa: pois aqui os materiais não formam uma casa. enfrentar os perigos d a guerra ou qualquer coisa que seja mais propriamente sua função. além disso. que a coragem tenha sido definida co mo "ousadia com reta razão": aqui é possível que um homem mostre ousadia num roubo a mão armada. uma definição da cólera como "dor com a consciência d e ter sido menoscabado". se são iguais as probabilidades de que tod o composto seja uma composição ou de que nenhum deles o seja. . por exemplo. ou que "o produto de A e B". supondo-se que a expressão signifique que eles existem em alguma c oisa só. a justiça e a coragem se encontram na alma). p or exemplo. ou "a bebida feita com mel e água". Suponha-se. se ele deixou de mencionar a maneira pela qual se co mpõem as partes. relacionar-se à função da coragem. porquanto não há nenhuma maneira possível de que A exista "+ B". Pois os dois elementos não devem referir-se a qualquer objeto casual qu e seja idêntico. mas quando compostos de certo modo formam a carne. é evidente que não foi definida: do contrário. se o adversário descreveu o todo composto como a "composição des sas coisas (por exemplo. contudo. ao passo que nem o osso ne m a carne têm qualquer contrário. Assi m. e isso não é de modo algum verdadeir o dos A e B em questão. e quando compostos de outro modo. haveria mais de uma definição da mesma coisa. visto que ambos são igu almente capazes de ocorrer nela? Uma definição desta espécie é a da alma como uma substânc ia capaz de receber conhecimento. Parece. por exemplo. é evidente que a definição formulada não pode ser válida de coisa al guma. ou então no mesmo lugar ou na mesma ocasião. Se. por outro lado. ele admi te que "A + B" é o mesmo que qualquer destas duas coisas. Além disso. por exemplo. porque esses elementos não formam a carne de qualquer manei ra que se componham uns com os outros. capaz de contê-los (como. por exemplo. Se. nunca é uma composição. por exemplo. por exemplo. porém. for verdadeiro que A e B sejam encontra dos cada um ao mesmo tempo que o outro. mas sim um produto delas compostas de tal e tal maneira . não obstante. pois. essa combinação de "um + o outro" não fará dele um homem " corajoso". Se alguém definiu um objeto como "A + B". devem. Além disso. veja-se se é possível que os dois não sejam us ados na mesma relação. uma "criatura viva" como uma "composição de alma e corpo"). como. Algumas definições expressas dessa forma não se enquadram em absoluto na divisão s upramencionada. a mesma coisa que uma "composição": pois uma composição sempre tem como contrário uma decomposição. a primeira coisa a dizer é que "A + B" significa o mesmo que "A e B". Com efeito. pois a simples menção dos seus elementos não basta para tornar a coisa inteligível. mas pode possuir "a primeira qualidade + a segunda" sem. terra e a r". em relação ao tratamento médico (pois um homem pode manifestar tanto ousadia como reta razão com respeito ao tratamento médico). 14 Por outro lado. Pois não basta dizer que se trata de uma composição. como tampouco deve cada um deles referir-se a um objeto diferente . Com efeito. entre os vários sentidos que distinguimos acima. ao definir a "carne" ou o "osso" como uma "composição de fogo. veja-se em primeiro lugar se ele deixou de mencionar a espécie de composição. como tampouco no caso das sílabas. em absoluto.e sê-lo. como. entre os diferentes sentidos em que se pode dizer que uma coisa é "+ " o utra e veja-se se não há nenhum deles em que se possa dizer que A existe "+ B". pois como poderi a ser mais próprio defini-la por meio de um do que do outro. ser corajoso! Além disso.

visto que elas são a mesma. de • acordo com o princípio de que não pod e haver mais de uma definição da mesma coisa. e as mesmas são as coisas que te dem a produzi-las ou destruí-las. já que de todas as formas de vida a boa vida é a mais desejável. se uma classe não estive r incluída na outra. a outra também é a mesma que esta: porque. derivados. por exemplo. se. nem tampouco a boa vida. visto que a vida feliz não é numer icamente uma. passar ao exame da definição in teira. Com efeito. Xenócrates afirma que a vida feliz e a boa vida são a mesma cois a. e. se uma classe não está incl uída na outra: pois eles são melhores do que quaisquer outros. pois tanto faz tomar o oposto de uma como da outra. a não ser assim. revogar aquela. Nós mesmos devemos propor uma segunda definição e. se duas coisas são a mesma. é sempre um dos mais importantes princípios elementares fazermos nós mesmos uma definição plausível do objeto que temos diante de nós ou adotar a lguma definição corretamente expressa. deve-se atacar uma parte dela quando se conhece essa parte e se vê que foi incorretamente expressa: pois. porque. e assim. falando em geral. se ela f or julgada melhor e mais indicativa do objeto definido. se a outra dessas coisas supostamente idêntica s também pode ser descrita por meio de um superlativo sob o mesmo aspecto ou relação. o mesmo se deveria fazer no caso das definições. visto que "peloponésio" não é uma pessoa qua lquer. o homem justo será o mesmo que o homem corajoso. segue-se apenas que um deve ser incluído no outro . seus opostos também serão o mesmo em todas as formas reconhecidas de oposição. quando as coisas são absolut amente a mesma. pois. Pois. E a nalogamente também nos outros casos desse tipo. à luz de suas inflexões . assim como nas assembléias o procedimento normal é propor uma e menda da lei existente e. por assim dizer. não se terá provado que elas são a mesma. nem tampouco "espartano". da sua formação e destruição. coordenados e opostos. o que se qualifica de "o melhor" ou "o maior" deve ser uma coisa só para que se possa demonstrar que é "o mesmo" que outra coisa. mas apenas que uma está contida na outra. não se segue que sejam idênticas. Examine-se. se a emenda é melhor. cada uma será melhor do que a outra. E. tendo o modelo. como "espartanos" em "peloponésios". no mais literal dos sentidos qu e correspondem a "identidade" (e dissemos32 que "o mesmo" se aplica em seu senti do mais literal ao que é numericamente um). Esta também é a razão po r que Xenócrates não consegue provar o seu argumento. do mesmo modo. podem examinar-se. a de finição inteira também o será. evidentemente a definição qu e se havia estabelecido deve ser rejeitada. diante dos olhos. A questão também pode ser examinada à luz daquelas coisas que tendem a produzir ou destr uir as coisas em apreço. os espartanos serão melhores do que os peloponésios. de tudo que se relacione de igual maneira a cada uma delas. do fato de serem ambas as mais d esejáveis. se não forem ambas idênticas a uma terc . pois. por outro lado. uma definição for obscura. Entretanto. E da mesma forma no que toca aos opostos. porque do fato de serem os pelo ponésios e os espartanos os mais valorosos de todos os gregos não se segue que os pe loponésios sejam o mesmo que os espartanos. visto serem também melhores do que q uaisquer outros: donde se conclui que cada um deles é melhor do que o outro! Evide ntemente. E também. também sua geração e destruição são a mesma.E também. Quando. e "justamente" o mesmo que "cor ajosamente". e assim estaremos mais bem providos de linhas de ataque. se a parte for refutada. deve-se em primeiro lugar corrigi-la e reformulá-la a fim de tornar clara uma parte dela e o bter um ponto de apoio para o ataque. mesmo quando não se pode atacar a definição como um todo por não se conhec er suficientemente o todo. seja isto suficiente. Pois o que responde se vê forçado ou a aceitar o sentido tal como foi interpr etado pelo que pergunta. e. pois. cada uma das duas cois as designadas como "a maior" ou "a mais desejável" deve ser numericamente uma: de outra forma. partindo daí. na suposição de ser uma delas a mesma que uma terc eira. No que às definições se refere. se a justiça é o mesmo que a coragem . não podemos deixar de discernir tanto qualquer deficiência nas característ icas que uma definição deve possuir como qualquer adição supérflua. Veja-se também. como também o é a vida feliz: pois "o mais desejável" e "o maior" aplicam-se a uma só e à mesma coisa33. ou então a explicar ele próprio claramente o que significa a sua definição. Assim. quando se diz que uma das duas coi sas é tal ou tal em grau superlativo. Com efeito. igualmente. neste caso os peloponésios serão forçosamente melhores do que os espartanos. LIVRO VII 1 Se duas coisas são "a mesma" ou "distintas". Ao combater as definições. Porque.

Pois não há nenhuma necessidade. além disso. a primeira coisa a observar é que poucos ou ninguém. no caso do homem enamorado. que pode ser verdadeira ou falsa (não importa qual dos dois seja). É evidente. pois não basta demonstrar a identidade de conteúdo entre a expressão e o termo para estabelecer que a primeira é uma definição. não é verdade que ele deseje tanto mais intensamen te a união carnal quanto mais intenso for o seu amor. sendo uma. Deve-se. Em segundo lugar. Veja-se. embora já não esteja cheio de ar. se. não apenas se alguma conseqüência impossível resulta diretame nte da afirmação feita. não o fazem ao mesmo tempo. veja-se se uma admite um aumento de grau. como dissemos anteriormente34: pois. por exemplo. de modo que o amor e o desej o das relações carnais não são a mesma coisa. mas também se é possível fazer c m que isso aconteça por meio de uma hipótese. que A e B são a mesma coisa. pois. E observe-se. Nenhum dos tópicos construtivos. em vez de pertencerem ambas à mesma classe de predicad os. por outro lado. a maneira. E assim. Porque tudo que se predica de um de ve também predicar-se do outro. e se uma delas se predica de alguma coisa como acidente. pois "o dobro de" e "um múltiplo de" não têm o mesmo significado. por out ro lado. ou talvez nenhuma possibilidade de que as coisas que são o mesmo específica ou genericamente também o sejam numericamente. por exemplo. ou um a "virtude" e o outro o "conhecimento". pel o que ficou expresso acima. e estes são os argumentos por meio dos quais se dev e sempre tentar demolir uma definição. pois. e de tudo aquilo de que se predica um deve também pr edicar-se o outro. finalmente. porém não a outra. Investigue-se. Se. do ponto de vista dos "graus". que todos os tópicos destrutivos no que diz respeito à i dentidade são também úteis em questões de definição. m as uma definição deve possuir também todas as outras características que já apontamos35. Além disso. Se houver alguma discrepância a qualquer destes respei tos. Falando de modo geral.eira. por meio de uma suposição. E da mesma forma nos demais casos. 2 Este é o número dos tópicos ou lugares que se refere à "identidade". tem utilidade no que tange à definição. sendo um deles o "bem" e o outro o "mal". como "identidade" é um termo que se usa em muitos sentidos. dizer exatamente o que é uma definição . chegam a formular uma definição por meio do raciocínio: sempre pressupõem algo dessa espécie como ponto de partida — tanto em geometria como em aritmética e no s outros estudos desse tipo. Além disso. elas não poderão ser o mesmo. também. ou se a subtração da mesma coisa de cada uma delas deixa um resto diferente. o recipiente não ficará menos e sim mais vazio. mas tal não acontece. uma vez enredados numa discussão. deve-se estar atento a qualquer discrepância que poss a aparecer em qualquer parte e em qualquer espécie de predicado de cada termo. assim como. ou. e o que nos interessa é se elas são ou não são o mesmo neste sentido. Devem-se examinar também essas coisas por meio de uma adição e ver se a adição de ca da uma delas à mesma coisa não dá como resultado o mesmo todo. ou. se assim for. se o que é significado pelo termo ou pela expressão não for a mesma coisa. o mesm o deve suceder com a outra. é evidente que elas não são a mesma. extraindo-se o ar. se uma pode existir sem a outra. Veja-se. t ambém. examiná-las à luz de seus acidentes ou das coisas de que el as mesmas são acidentes: pois todo acidente que se predique de uma deve também predi car-se da outra. se ambas o admitem. se o gênero é o mesmo. veja-se se as diferenças que se predicam de cada uma não são as mesmas. como no caso dos que afirmam que "vazi o" é o mesmo que "cheio de ar": pois é evidente que. 3 Esta e. isto é. porém não a outra. os restos deveriam significar a mesma coisa. u ma das duas características é anulada. ademais. se o gênero de ambas não é o mesmo. subtraindo-se as palavras "uma metade" de cada uma dessas expressões. ass im como nas coisas de que estes se predicam. que e le tenha dito que "o dobro de uma metade" é o mesmo que "um múltiplo de uma metade": nesse caso. desi gnada como uma ciência "especulativa" e a outra como uma ciência "prática". mostrando que não são a mesma. Suponha-se. é evidente que tampouco serão idênticas entre si. deve-s e ver se as coisas que são a mesma num sentido também são a mesma num sentido diferent e. é evidente que a expressão enunciada não pode ser uma definição. uma significa uma qualidade e a outra uma quantidade ou relação. o que desejamos é estabelec er uma definição.

que os contrários podem interrela cionar-se de mais de uma maneira. ou em gêneros contrários. e a coisa em questão não se encontra no mesmo gênero. pode muito bem suceder que a mesma diferença sej a usada de ambas. se a definição do te rmo contrário for manifesta. ou. as diferenças serão as mesmas e os gêneros. Se. pois. com efeito. Se . veja-se se o gênero proposto foi e nunciado corretamente. pois. a expressão que as contiver será necessariamente uma definição. É preciso. "destrutivo" significa "capaz de decompor a essên cia de alguma coisa". tanto os gêne ros como as diferenças serão contrários. é v erdadeiro que as diferenças dos contrários ou são contrárias. enquanto as outras permanecerão as mesmas. examine-se a questão do ponto de vista das inflexões. pois. uma vez que a definição consiste no gênero e nas diferenças. D e momento. Mas. como. se o esquecimento é a perda de conhecimento. E. E também se espera que as diferenças que se predicam de contrários sejam contrárias. as outras terão necessariamente de ser admitidas também. por exemplo. examinar as expressões em seu todo da maneira que dissemos e também em detalhe. a menos que estes estejam incluídos no mesmo gênero: das coisas cu jos gêneros são eles próprios contrários. ao passo que. é evidente que a expr essão dada será a definição correta. Visto porém. é impossíve l que a definição seja algo diferente.e como deve ser formulada são coisas que pertencem a outra classe de investigação36. ou então são a mesma coisa. do mesmo modo. por exemplo. então ser de uído é ter sua essência decomposta e "destrutivamente" significa " de maneira a decomp or a essência". pois. como as diferenças que se predicam de opostos ou são contrárias ou idênticas um a à outra. porque. visto não haver nada mais que se predique da co isa na categoria de essência. devemos examinar os contrários e outros opostos da coisa. Falando de m odo geral. das suas diferenças. é evidente que a diferença dada deve predicar-se deste último. dos derivados e dos termos coordenados. pelo menos. e os predicados que nela se contêm devem também ser os únicos que se predicam da coisa na categoria de essência. se a definição oposta define o termo oposto. Poder-se-ia objetar que diferenças contrárias não se predicam necessariamente de termos contrários. já que não é possível que ambos sejam ticos: de outra maneira. então a que são enunciadas na definição devem predicar-se do termo em apreço. o assunto nos interessa apenas na medida em que é necessário ao nosso pre sente objetivo. como. é evidente que do termo em questão ou se predicará o mesmo gênero que do seu co ntrário. Pois os gêneros e as definições devem por força corresponder-s e em um e outro caso. segue-se que "destruição" também significa "a decomposição da sua es . E isso é tudo. do mes mo modo. tem a sua virtude e o seu vício. pois uma é uma virtude e a outra é um vício da alma: "da alma". é a diferença em ambos os casos. se conc ede ou admite uma destas formas. do mesmo modo. se diferenças contrárias às da definição se predicam do termo contrário. é cert o que se encontrará no gênero contrário: pois os contrários devem necessariamente encont rar-se ou no mesmo gênero. e os gêneros e diferenças são os únicos que se predicam nessa categoria. devemos escolher entre esses contrários aqueles cuja definição contrária parecer mais óbvia. É evidente que uma definição pode ser obtida desse modo mediante um processo de raciocínio. se. os contrários teriam a mesma definição. Assim. que tanto o gênero como as diferenças foram corretamente enunciados. como o seu contrário ou se encontra no mesmo gênero ou no gênero contrário. e. o u pelo menos algumas delas o serão. ou vi ce-versa. pois. ainda. se a destruição é a decomposição da essência da coisa. Visto. da justiça e da injustiça. ou todas serão contrárias às do seu contrário. que. como segue. e para isso basta afirmarmos simplesmente que é perfeitamente possív el raciocinar até chegar à definição e à essência de uma coisa. Além disso. não menos que a alma. já qu e o corpo. esquecer é perder conhecimento e ter esquecido é ter perdido conhecimento. portanto. também o será a definição do termo que temos diante de nós: poi s. Os meios pelos quais ela deve estabelecer-se foram descritos com mais precisão em outra parte37. analisando as expressões empregadas não só em seu todo como t ambém em detalhe: porque. mas para os fins da investigação que temos agora diante de nós servem os mesmos tópicos ou lugares. a diferença contrária à diferença dada se predica do termo contrário e não do termo a definir. É evidente. as do branco e do preto. a definição dada se rá necessariamente a do termo em questão. se obtiver -mos a concessão de que tal e tal coisa são os únicos atributos que se predicam nessa catego ria. Em primeiro lugar. Com efeito. contrários. De modo que. enquanto o outro tende a comprimi-la. pois um tende a traspassar a visão. Pois uma definição é uma expr ue significa a essência da coisa. se a coisa contrária se encontrar no gênero contrário a o que se enunciou na definição.

também A será uma definição de α. e que só os gêneros e as diferenças se predicam na categoria de essência. e todas as demais serão igualmente admitidas. Assim também dev e ser empregado qualquer outro tópico ou regra geral que tenha aplicação universal e e fetiva. porque são efetivament e os mais úteis na maioria das ocasiões. que mesmo quando se aplica a todas as coisas incluídas sob o termo. como. Também dos restantes. 5 Que é mais difícil estabelecer do que demolir uma definição se tornará evidente pela s considerações que vamos apresentar agora. por outro lado. Além disso. Porque a espécie é sinônima dos seus indivíduos. não há necessidade alguma de demonstrar universalmente o nosso ponto de vista. que dos elementos da definição formulada um é o gênero e o outro a difere nça. ainda. Assim. E. Deve-se. os de mais valia são os q ue têm aplicação mais ampla e geral. essa será também a definição de cada uma das restantes. de modo que para re . Pois cada uma dessas c oisas se relaciona do mesmo modo à sua finalidade peculiar. a propriedade se expressa por meio de uma frase complexa. ao passo que ao estabelecer uma definição temos de levar os outros a admitir que tudo que se contém na definição é atribuível ao sujeito. Porque. o que manda examinar os casos individuais e procurar ver se a sua definição se apli ca às suas diversas espécies. a definição é rechaçada. se uma d elas é definida como "o que produz" a sua finalidade. pois basta mostrar que a fór mula não é verdadeira de uma coisa qualquer que esteja incluída no termo. se outra s coisas quaisquer também se predicam do sujeito na categoria de essência. por conse guinte.sência". o raciocínio que apresentarmos tem de ser univers al: pois a definição formulada deve predicar-se de tudo aquilo de que se predica o t ermo. isso é evidente pelo que já se disse acima. e B define β. ba sta argüir contra um ponto apenas (pois. Além disso. São esses. Ao rebater uma opinião. As mesmas considerações são também válidas no que diz respeito à propriedade e ao gêner de um termo. c omo se disse anteriormente38. se A tem os mesmos direitos a d r α que B a definir β. Este exame do ponto de vista d os graus maiores não tem utilidade quando uma só definição é comparada com duas coisas ou quando duas definições são comparadas com uma só coisa: pois não pode haver uma definição úni de duas coisas. e B é uma definição de β. teremos demolido a definição). nem duas definições da mesma coisa. contudo. para que a definição formulada sej a peculiar ao sujeito. por exemplo. se A define α melhor do que B define β. 4 De todos os argumentos tópicos. e tampou co é necessário provar o inverso disto para mostrar que o termo se predica de coisas das quais não se predica a expressão. não se pode saber se a fórmula adotada ou alguma outra é a sua definição. Ora. de forma que. pois uma definição é uma expre são que indica a essência de uma coisa. considerá-la do ponto de vista dos graus maiores e meno res. mas não somente a essas. Além disso. finalmente. se "saudável" significa "que produz saúde". No que toca à propriedade. Veja-se. porque. Acresce. pois. nem mesmo assim há necessidade de provar a forma inversa da proposição ao lançar por terra uma definição. deve também ser conversível. Examine-se também a questão do ponto de vista das coisas que estão em relações semel hantes entre si. então A também define α. Porque ver por nós mesmos e obter daqueles a quem estamos interrogando uma admissão de premissas desta classe não é coisa simple s — por exemplo. os que mais importa conhecer e ter ao alcance da mão. ao assentar alguma coisa. "vigoroso" também significará "que produz vigor" e "útil" "que produz um bem". os mais prestantes são os que acabamos de menc ionar e os que se baseiam nos termos coordenados e derivados. de todas as maneiras em que seja possível chegar a uma conclusão comparando as coisas duas a duas entre si. pois basta mostrar que esta não se predica de todas as coisas de que se predica o termo para rebatê-la universalmente. se o homem usou um termo metafo ricamente ou se o predicou de si mesmo como se fosse outra coisa. pelo contrário. ao lançar por terra uma definição. por via de regr a. Este ponto se evidencia também pelo seguinte: é mais fácil deduzir uma conclusão do que muitas. ainda supondo-se que seja necessário refutar alguma coisa mediante uma proposição universal. Este tipo de investigação é de especial utilidade contra aqueles que admitem a existência das idéias. E analogamente no que se refere a todo o resto: obtenha-se a concessão ou a dmissão de uma qualquer dessas formas. pois esses são os mais eficazes. pois em ambos os casos é mais fácil demolir do que estabelecer. sem essas premissas é impossível chegar pelo raciocínio a uma definição. além disso. e. se conseguirmos refutar um único ponto qual quer.

ao passo que para estabelecê-la é necessário alcançá-los todos pelo raciocínio. E. que o gênero proposto é o verdadeiro gênero e que a fórmula é peculiar ao termo) ma s também que a fórmula indica a essência da coisa em questão. do mesmo modo. ou que não lhe pertence da maneira particular enunciada —. A proposição particular é. mais fácil de estabelecer do que de r efutar: porque para estabelecê-la basta demonstrar que se predica de um caso parti cular. ao passo que há duas maneiras de re futá-lo. e la é mais fácil de rebater porque. Parece. mesmo que pertença a todas as coisas incluídas sob o ter mo.batê-la basta demolir um dos termos usados. Por outro lado. Além disso. enquanto cada uma de ssas espécies de atributo deve pertencer à coisa em questão. também nestes assuntos é mais fácil refutar do que estabelecer. pois. mas também que se aplica como gênero. basta mostrar simplesmente que lhe pertence. porque. mas tam bém que lhe pertence de tal e tal maneira particular. com efeito. como se explicou no caso da definição39. Pois aqui é preciso não só estabelecer todos esses outr os pontos pelo raciocínio (isto é. no caso do aci dente. é preciso demonstrar que ela é verdadeira de todas as coisas incluídas sob o termo em questão. quer que não se aplica e m certo caso. é evidente que só se pode estabelecê-lo de um modo. por via de regra. a definição fica por igual demolida. além disso. Por outro lado. a afirmação originária é demolida. Pois. contém vários termos. a definição nos oferece o maior número de pontos de ataque. É evidente. enquanto em outros casos é possível refut ar de duas maneiras o que se disse — ou mostrando que o predicado não pertence ao su jeito. quer alguma coisa incluída na fórmula não pertença ao sujeito. Por outro lado. quer o gênero enunciado não seja o verdadeiro. ao passo que para rebatê-la é suficiente que ela não pertença ao suje ito num único caso. mas não só a essas. deve-se demonstrar que ele se pr edica de todos os casos. a não ser no caso da defi nição. quanto mais abundante for o material. ao estabelecer um gênero não bas a demonstrar que ele se aplica. ao passo que é a mais difícil de estabelecer. pelo contrário. um predicado acidental é a coisa mais difícil de rebater. Donde resulta com toda a evidência que é a coisa mais fácil demolir uma definição. contanto que lhe pertençam. por isso. a proposição universal é mais fácil de rebater d o que de estabelecer. também. ou a todos o s casos. No caso de um atributo acidental. para estabelecê-la. Além disso. os outros tópicos também podem ser usados como meio s de atacar uma definição: pois. que o mais fácil de tudo é demolir uma definição. nem o acidente como gênero ou propriedade. ao passo que. tanto por causa do número de coisas que se deve levar os outros a aceitar como pelo fato de pertencer unicamente ao seu sujeito e de predicar-se conversivelmente com ele. Porque. impossível usa r um grupo de coisas como base de ataque contra o outro. e. assim como em outras coisas é mais fácil destruir do que criar. e tudo isso se deve fazer corretamente. pois. Com efeito. ao passo que para refutá-la basta mostrar que não se predic a de um só. nem tampouco do resto: pois só aqueles que se referem aos atributos acidentais se aplicam de modo geral a todas as espécies supramencionadas de atributo. é bem possível que o gênero não he pertença como propriedade sem que por isso tenha sido demolido por enquanto. a saber: mostrando que ele se aplica a todos os casos. que todos os atributos enunciados pertencem ao su jeito. ao estabelecer-se uma p ropriedade. pois há mais probabilidades de se insinuar um erro num número grande do que num p equeno número de coisas. pelo fato de oferecer um mínimo de bases para ataque: com efeito. Quanto ao resto. quase todas as regras que se aplic am à definição aplicam-se também à propriedade de uma coisa. devido a o número de afirmações nela implicadas. tampouco é necessário que a propriedade lhe pertença como gênero. A coisa mais fácil de todas é estabelecer um predicado acidental: pois nos out ros casos devemos demonstrar não só que o predicado pertence ao seu sujeito. quer se demonstre que ele não se aplica nunca. . ao afirmar um acidente não se acrescenta de que maneira o predicado pertence ao sujeito. ao passo que a o refutá-lo basta mostrar que não se aplica ou a algum caso particular. enquanto para refutá-la deve-se demonstrar que não se predica de nenhum caso. a que mais se aproxima disto é a propriedade. que. Com efeito. quer a fórmula empregada não seja peculiar à coisa. É. contra os outros não podemos usar todos os argumentos que derivam das definições. no caso de um pred icado acidental o único meio de refutá-lo é demonstrar que ele não pertence em absoluto ao sujeito. a propriedade é refutada de igual maneira. mais depressa surgirá um argument o. enq anto estabelecê-la é a mais difícil. No tocante ao gênero.

Evite-se. As premissas necessárias mediante as quais se efetua o raciocínio não devem ser propostas diretamente e de forma explícita. mas a maneira de estruturar os seus argumentos e formu lar as suas perguntas pertence exclusivamente ao dialético: pois em todo problema dessa classe está implicada uma referência à outra pessoa. Convém. pois isso contribui para manter o adversário à maior distância possível da premissa originária. Assim. deve formulá-las e dispô-las mentalmente uma por uma. e. o problema é o mesmo p ara o filósofo e o dialético. passar atualmente a apresentá-las a o seu adversário. embora verdadei ras e familiares. é diferente: as premissas do seu raciocínio. Procede-se assim porque a conclusão que está por vir se discerne menos facilmente a maior distânc ia e no processo de indução. ou para dissimular a conclusão. se desejamos obter a concessão de que o conhecimento dos contrários é um só. em segundo. pelo contrário. ainda que não possamos obter dessa man eira as premissas de que precisamos. como um empreendimento desta espécie é sempre conduzido contra outra pessoa. A dissimulação de nosso plano se obtém assegurando por meio de prossilogismos as premissas com as quais se construirá a prova da proposição originária — e pelo maior número delas possível. o homem que deseja obter in formação por um método ardiloso deve fazer as suas perguntas de tal maneira que. resta-nos o recurso de formulá-las em termos explícitos. LIVRO VIII 1 Cabe agora discutir os problemas relativos à ordem e ao método que se deve seg uir ao propor questões. se. e os objetos da percepção são os mais bem conhecidos. se ele conceder isto. não há nenhuma outra premissa que precise ser assegurada: são elas as únicas por meio das quais procuraremos multiplicar e formular nossas perguntas. mas dos opostos. de modo quê o outro prevê o que se seguirá se as admitir. Pois as premissas necessárias devem ser asseguradas pelo raciocínio ou pela indução. ao menos pela maioria das pessoas. se não inva riavelmente. Ora. Pode até acontecer que esteja ansioso para assegurar ou garantir axiomas tão familiares e tão próximos quanto possível da questão a discutir: poi s essas são as bases sobre as quais se constroem os raciocínios científicos. ou então e m parte por um e em parte pela outra. distinguindo em prime iro lugar as premissas. deduzir as conclusões dessas premissas. não o admitir. construindo silogismos que provém não apenas as premissas necessárias mas também algumas daquelas que se fazem mister para estabelecê-las. ao mesmo tempo. reservando-as para ser formuladas mai s tarde uma após a outra. Fo ra destas. por fim. A maneira de empregá-las respectivamente é a seguinte: A indução deve proceder dos casos individuais para os universais e do conhecid o para o desconhecido. podem ser rebatidas pelo que responde porque estão demasiado próxi mas da afirmação originária. As fontes onde devemos colher nossos argumentos ou lugares já foram descrita s40. devemos obter a concessão por via indutiva. As que se usam para dissimular a conclusão servem unicamente para fins de controvérsia. os outros ainda . escolher o terreno de onde lançará o seu ataque. além das necessárias que se devem adotar. além di sso. em primeiro lugar. Com o filósofo e o homem que investiga por si mesmo. quand o tiver apresentado todo o seu argumento e formulado a conclusão. Por premissas nece ssárias entendem-se aquelas mediante as quais se constrói o raciocínio atual. argumentaremos em seg uida que o conhecimento dos contrários também é o mesmo. Todo aquele que tencione formular questões deve. e. que pairemos acima delas o mais longe possível. e cremos tê-los descrito em suficiente detalhe. formulando uma proposição nesse sentido com respeito a algum par particular de contrários. por exemplo. As outra s que se podem formular além destas são de quatro espécies: ou servem para garantir in dutivamente a premissa universal que se está concedendo. Isto se pode conseguir. Falando de modo geral.Termina aqui a enumeração dos tópicos ou lugares por meio dos quais poderemos es tar bem munidos de linhas de argumentação com respeito aos diversos problemas que se nos apresentam. ou para tornar mais evidente o argumento. ou para dar peso ao argum ento. As outras premissas de que falamos mais acima41 devem ser asseguradas com vistas nestas últimas. porque. uma vez que os contrários são opo stos. provavelmente. devemos pedir ao adversário que o admita não do s contrários. somos obrigados a fazer também uso delas. no que toca à escolha do terreno e ponto de apoio. Falta-nos agora discutir o arranjo e formação das questões. mas i sso é indiferente ao filósofo. porém. mas . embora quaisquer proposições que sejam demasia do evidentes para ser negadas possam formular-se de maneira explícita.

mesmo quando realmente necessitamos que nos concedam o ponto em apreço. não se evidencia de que maneira chegamos a ela: com efeito. É também um bom estratagema fazer de vez em quando uma objeção contra si próprio. também o será o conhecimento. Dever-se-ia. o adversário não pode prever em que fundamentos ela se baseia. No que se refere. e. que o "homem irado" não deseja vingança. É também uma regra útil não obter em sua ordem própria as concessões necessárias como b ses dos raciocínios. que a elas próprias parecem úteis. não convém formular a própria proposição que necessitamos assentar. ao passo que nos argumentos baseados na semelhança o que se assegura não é o unive rsal sob o qual se incluem todos os casos semelhantes. veremos que o adversário se recusa muitas v ezes a admiti-las. a menos que t enham alguma objeção positiva a fazer. formula em primeiro lugar os pontos que está mais ansiosa de assegurar. como a percepçã mesma. de preferênci a. assegurar a premissa universal por meio de uma definição que diga respeito não aos termos precisos em si mesmos. po is no tocante a certas pessoas é vingança suficiente causar-lhes mágoa e deixá-las aborr ecidas. de ve-se mencionar em último lugar o ponto que mais se deseja fazer admitir. a conclusão que delas resultar se tornará de antemão mais evidente. já que os silogismos anteriores não lhe foram expost os de maneira articulada. por ter sua objeção preparada contra esse termo. ao tratar com . po is os oponentes ficam desprevenidos contra aqueles que parecem argumentar imparc ialmente. empresta uma certa plausibilidade e um ar razoável à recu sa da proposição. mas alternativamente as que conduzem a uma conclusão e as que l evam a outra. será provavelmente menos inteligível se. Além disso. por outro lado. se as que tendem para o mesmo fim forem postas lado a lado . ter emos em sentido universal o que desejamos. uma vez que a maioria dos argumentadores. por exemplo. mas por que isso?" A melhor maneira de obter esse resultado é a q ue descrevemos acima. apesar disso. sempre que possível. assim como o conhecimento e a ignorância dos contrários é a mesma coisa. mas. o que formul a a questão deve deixar tanto quanto possível em dúvida se o que ele deseja é obter uma admissão da sua proposição ou da proposição oposta: porque. Além d isso. pensando que não fazem a concessão em sentido universal. porque. se isto ficar estabelecido. que formula a conclusão. uma vez que podemos encolerizar-nos com nossos pais. alguma coisa de que ela se deduza necessariamente: pois os oponentes admitem de melhor grado a segunda por não verem com muita clareza o resultado que delas ad virá. a outra estará assegurada também. porque as pessoas concedem com mai s presteza uma proposição que serve outra finalidade e não é exigida por ela mesma. vice-versa. além disso. mas. enquanto o silogismo final. ao interrogar.perguntem: "Bem. porém. Falando de modo geral. pois as pessoas se inclinam especialmente a negar as primeiras perguntas que se lhes faz em. Outra coisa: devemos formular nos sa premissa como se fosse uma simples ilustração. não devemos mostrar-nos insist entes. porém aos seus co ordenados. porque as pessoas evitam contrariar a opinião aceita. levaríamos primeiro o nosso adversário a admitir que a "cólera" é um desejo de vingança p or causa de uma ofensa aparente: pois é claro que. são precavidas em refutar ta is coisas. à definição da "cólera" não é tão fácil encontrar Convém. E não é menos útil acrescentar: "tal e tal coisa é geralmente admitida ou se d iz comumente". Procure-se também obter concessões por meio de semelhanças. Este argumento parece-se com uma indução. formular nossa proposição como se não o fizéssemos por ela mesma. Por exemplo. uma vez assegurada essa. porque. quando estão incertas sobre o ve rdadeiro objetivo visado pelo adversário. porque as pessoas evitam conceder o q ue requer realmente o argumento do adversário. e. Muito provavelmente a objeção não será válida. e. se nos limitamos a formular a conclusão final. também a percepção dos contrários é a mesma. Por outro lado. Se. mas dife re dela. pois tais concessões são plausíveis e o universal que elas implicam é menos evidente. Por outro lado. se quiséssem os obter a concessão de que o homem irado deseja vingar-se de uma ofensa aparente. mas a fim de conseguir alguma outra coisa. Por exemplo: leve-se a outra pessoa a admitir que. porque na indução é a concessão do universal que se obtém partindo dos particular es. ao mesmo tempo. formularmos propo sições relativas aos próprios termos atuais. nos limitarmos a apresentar os fundamentos em que se firmaram os nossos raciocínios para chegar até ela. pois as pessoas se enganam sempre que a definição se refere a um coordena do. por que a insistência sempre faz recrudescer a oposição. mas não desejamos vingar-nos deles. em vez de expor as proposições asseguradas em que ele se baseia. as pessoas mostram-se mais dispostas a d izer o que realmente pensam.

Se. Ma s enquanto não tivermos nós mesmos determinado em que casos é assim. apesar disso. pois. Pois. embora não haja necessidade de usá-las para chegar à conclusão. Para fins de dissimulação. as proposições desta espécie devem ser formuladas em primeiro lugar. a indução é mui o mais útil. convém aduzir exemplos e comparações. ou por se ocupar com objetos melhores. aleg ando que a coisa proposta não corresponde a uma descrição igual. ou por ser mais exata. por não h aver nenhum termo estabelecido que abranja todas as semelhanças. sem ser notado e como de passagem. o objetante deve formular suas objeções com respeito a algum outro sujeito. do que distinguir quais das coisas aduzidas são "desse tip o". e todas essas ilustrações de vem ser relevantes e colhidas em obras que conhecemos. ele atalha a série de perguntas com um eção que não se refere a algum homônimo. o adversário se recusa a conceder a proposição universal. Para faz er frente a isso deve-se. em Hom ero e não em Querilo. porque os homens iras-cíveis admitem com mais facilidade o que vem primeiro. outro exemplo é a distinção das ciências em especulativas. o silogismo deve ser empregado de preferência ao raciocinar cont ra os dialéticos e não contra a multidão. além disso. Nestes últimos. por exemplo. não é oportuno querer forçá-lo a apontar em que casos não é assim: pois primeiro se deve fazer a indução e depois solicitar a objeção. pois. em verd ade. pretendendo mostrar que a conclusão não se segue do que eles próp rios admitiram. é possível em alguns casos apresentar a questão sob a sua forma universal. até assegurar o que necessita. temos um exemplo do que ele significa na distinção de uma forma de conhecimento como super ior a outra. por i sso. de modo que não se deixe ao adversário nenhuma oportunidade de disputar. e um cozinheiro um pé ou uma mão distintos dos seus próprios. por exemplo. afirmando um dos lados a semelhança de coisas que não têm afinidade entre s i e negando o outro a semelhança de coisas que realmente a possuem. é lícito exigir que ele formule a sua objeção. Já foi sobejamente explicado que tipo de processo é a indução: quanto ao outro. como fazem os que desenham falsas figuras geométricas: com efeito. Nada mais difícil. A bem da clareza. o defendente deve ret irar o ponto contra o qual se objetou e formar com o resto uma proposição universal. e contudo dizem "sim" prontamente. a menos q ue se possa dizer que esse sujeito é o único de sua espécie. qua ndo é preciso assegurar o universal.certas pessoas. nem ao defendente de sugerir em falso que ela de fato corresponde a tal descrição. pois muitas coisas que parecem corresponder a descrições iguais não lhes correspondem em realidade. e é aí que muitas vezes uns lançam poeira nos olhos dos outros ao d iscutirem. multidão de detalhes obscurece o ponto a que vai d ar finalmente o argumento capcioso. mas em outros isso não é fácil. no que toca a esta. in troduzindo coisas que ele não exige em absoluto. Já tratamos anteriormente deste ponto42. práticas e produtivas. O adorno se obtém por meio da indução e da distinção de coisas que são estreitamente afins . a menos que esse sujeito seja a única coisa de sua espécie . tornará mais clara a proposição. quando tiverem admitido a maior parte do que desejamos. uma mão ou um pé outro que não o seu próprio. Por essa mesma razão. alguma coisa que não seria admitid a se fosse formulada por si mesma. que um homem pode perfeitamente possuir uma co r. e quais não o são. Por vezes as pessoas objetam a um a proposição universal dirigindo sua objeção não contra a própria coisa mas contra algum seu homônimo: argumentam. Na indução. o que interroga insinua também às vezes. pelo contrário. confiando nos seus poderes e imaginando que não poderão sofrer nenhum revés. as regras a seguir são as que mencionamos acima . como. já que um pintor pode ter uma cor distint a da sua própria. provavelmente. Além disso. exigir que as objeções não sejam feitas em relação sujeito atual da proposição. Isso. Deve-se. tentar cunhar por si mesmo uma palavra que abranja todas as coisas da espécie dada. a não s er que seja demasiado visível a conclusão que daí advirá. enquanto a ambigüidade permanecer despercebida. Deve-se. 2 Na dialética. porém. todas as coisas desta espécie trazem um adorno adicional ao argumento. usa-se a frase "em todos os casos deste tipo" . estabelecer a distinção antes de formular a perg unta em tais casos: pois. se consi derará válida a objeção feita à proposição. dois é o único número primo entre os números pares. e só no fim da argumentação costuma manifestar o seu mau gênio E do mesmo modo com os que se julgam hábeis em contestar : pois. mas à própria coisa afirmada. Tome-se como exemplo o caso do esquecimento e do t er esquecido: as pessoas se recusam a admitir que o homem que perdeu o conhecime . Quando se fez uma indução fundada em vários casos e. por exemplo. como. portanto. porém. acabarão fazendo o bjeções despropositadas. é bom expandir o argumento.

pois. quando se ra ciocina sem recorrer a ela não pode surgir nenhuma disputa. mas. Quando. ao argumen tar com outra pessoa. ao mesmo tempo. é indiferente que adotemos este ou aquele método de raciocínio. com efeito. de modo que os que de fendem a questão não alcançam o seu objetivo. tem como oposto um mal maior. quer por meio de uma redução ao impossível. embora o inquirido continue respondend o às perguntas. ele perdeu o conhecimento dela sem contudo havê-la esquecido. ele será forçado a admitir a proposição porque não distingue nela. Assim. Nem toda questão universal pode formar uma proposição dialética tal como esta se e ntende comumente. se retirarmos o ponto discutível. mas. a não ser que o próprio inquiridor faça distinções ou antes de as formular. deve-se evitar a redução ao impossível. Perten cem a este tipo as proposições que são em parte verdadeiras e em parte falsas. quantos significados existem do "bem". é evidente que faz um grande número de perguntas. que é um bem menor do que o vigor. quer sem ela. poi s. maior o mal que é o seu oposto". é mais provável que o objetante admita a proposição emendada. se ainda assim se recusa a admiti-la. pelo contrário. p ois. pois o raciocínio sempre consiste num pequeno número de premis sas. assim faz porque o inquirido não responde às perguntas. como o vigor implica a saúde. ou então faz a mesma p ergunta um grande número de vezes: no primeiro caso não faz mais do que tagarelar e no outro não raciocina. e ele não queira em absoluto ad miti-los. mas também quando. Todo aquele que insiste em perguntar a mesma coisa durante muito tempo é um mau inquiridor. uma premissa dialética deve ter uma forma à qual se possa responde r "sim" ou "não". alegando que a saúde.nto de alguma coisa esqueceu-a. admitem-nas como verdadeiras. a c ulpa é sua por não o chamar à ordem ou não cortar a discussão. é exatamente como se o raciocínio tivesse falhado. e o h omem sacudir negativamente a cabeça. aquelas coisas que se encontram em primeir . se estamos demonstrando e não discutindo dialetica mente. sem mencionar sequer que se trata de uma int erferência. Com efeito. Devemos. então esquece u-a. se a coisa se tiver alterado. S e. quando r aciocinamos para chegar a uma conclusão impossível. ou "quantos significados tem 'o b em'?" Com efeito. Por exemplo: "que é o homem?". Pois m uitas vezes. já que a doença é um mal maior do que a fra queza. sempre que nós mesmos os tenhamos distinguido e formulado. Porque. a apresenta mos simplesmente como uma pergunta. não é verdade?" Porque a perguntas desta espécie é fácil de responder com um sim ou um não. pois no caso destas é possível retirar uma parte e fazer com que o resto seja verdadeiro. 3 Há certas hipóteses sobre as quais é ao mesmo tempo difícil formular um argumento e fácil contestá-lo. dará a impressão de que o raciocínio falhou. isto é: que se um homem perdeu o conhecimento de uma coisa enquanto esta permanece a mesma. o que cumpre fazer é retirar o ponto contra o qual se objetou. pois. podemos exigir que a admita. a não ser que sua falsidade seja d emasiado evidente. por exemplo. o adversário a nega. a menos que um dos bens impl ique também o outro". Devem-se tratar do mesmo modo aqueles que objetam à afirmação de que "quanto maio r o bem. quando as pessoas não notam nenhum caso em que não seja assim. e o outro a nega. se nega a admitir o ponto de vi sta porque prevê algo dessa espécie. por exemplo: "o bem significa isto ou aquilo. se o for. isto é. O que se deve fazer neste caso é r etirar a parte contra a qual se objetou e afirmar o resto. Se. será certamente incapaz de formular uma objeção quando esta lhe for solicitada. pois. pois em dialética uma premissa é válida quando se assegura assim em vários casos e não se apresenta nenhuma objeção contra ela. Também aqui. e no caso das duas perguntas acima isso não é possível. se assim procede. por outro lado. formularmos a proposição fundando-nos em grande número de casos e ele não ti ver objeção a fazer. A conclusão não deve ser expressa sob a forma de uma pergunta. e então os que não vêem que ela se deduz das con cessões anteriores não dão tento de que aquele foi refutado. esforçar-nos por formular tais proposições desta forma. nenhum caso em que possa não ser verdadeira. mesmo que não tenha sido formulada como uma pergunta mas apresentada como uma conseqüência. Devem-se formular todas as proposições que sejam verdadeiras para vários casos e contra as quais não apareça nenhuma objeção. as ques tões desta espécie não são dialéticas. uma vez excluído este. as pessoas negam que ela seja impossível. Talvez seja também oportuno p erguntar ao outro. sem formulá-la. Tais são. Sempre que é possível chegar pelo raciocínio à mesma conclusão. tal como é formulada. que "o maior bem tem como oposto o maior mal. pelo menos à primeira vista. Isto se deve fazer não só quando ele formula uma objeção. contudo.

pois. pois não se podem apresentar muitos argumentos com respeito a elas devido ao reduzido número de escalões entre a conclusão e o princípio a partir do qual devem ser demonstradas as proposições subseqüentes. Isto sói acontecer principalmente no caso dos primeiros princípios: pois. é também impossível refutá-los. é mais imp ortante raciocinar por meio de premissas que estejam mais bem asseguradas. por out ro lado. evidentemente. definir. E. sempre que um problema se mostra intratável. Falando de modo geral. o que nos cumprirá fazer é. devido ao pequeno número de escalões in termediários. se. porém. é impossível argumentar a respeito de tais termos devido à sua obscuridade. não se definirem os pontos de partida. Sucede apenas que os argumentos que se podem formular em relação a cada um deles não são muitos. Evidentemente. e. Se. enquanto a questão proposta não ficar bem clara. é difícil demon strá-los e pode até revelar-se completamente impossível. pois é por meio destas que se demo nstram as conclusões finais. a verdadeira razão é que nos falta ainda verificar precisamente ist o: em qual das direções mencionadas se encontra a origem da dificuldade. estar seguros. num exercício dialético. Se. definir primeiros princípios é exatamente o que os adversários não gostam d e fazer. pelo contrário. estará suscitando uma empresa mais difícil do que o riginalmente se pretendia. ou dis tinguir. ao passo que. Porque as primeiras exigem uma definição e às segundas devemos chegar através de muitos escalões se quisermos garantir uma prova contínua desde os primeiros princípios. numa investigação séria não deve concedê-la. se são usa dos literal ou metaforicamente pelo definidor. e. depois de se ter definido ade quadamente o termo "contrários". pode-se supor sem receio de erro que. ou fornecer as premissas intermediárias. a na tureza de uma linha ou de um círculo. a concede. se alguém se dispõe a negar-lhe admissão e a exigir que se argúa também em favor delas. em primei ro lugar. Em outras palavras. pode surgir uma dúvida sobre se tais pretensões devem ou não ser admitidas: porque. pois. Também na matemática se vê que a dificuldade em usar uma figura se deve por vez es a um defeito de definição: por exemplo. de que lhe aconteceu alguma das coisas mencionadas acima. se. por outro lado. em segundo. o fato af irmado será imediatamente posto em evidência: porque da superfície se subtraiu exatame nte a mesma fração que dos lados. Acontece várias vezes chocarmo-nos com uma dificuldade ao discutir ou argume ntar sobre uma posição determinada porque não se formulou corretamente a definição. não será fácil d iscuti-la. pode concedê-la se simplesmente lhe parece verdadeira. é essencial não a gravar a dificuldade do problema. ou então comporta vários se tidos. isto é. estará dando crédito à tese or iginal com base no que é menos digno de fé do que ela mesma. ou se encontra muito perto dos primeiros princípios. sempre que encontramos dificuldade em discut ir uma posição. enquanto as outras proposições se demonstram por meio destes. Podemos. Também as inferências que estão demasiado próximas do primeiro princípio são difíceis d tratar por argumentação. As mais difíceis de todas as d efinições a tratar por argumentos. é fácil levar as pessoas a ver se é possível que uma cois a tenha diversos contrários ou não: e da mesma forma com outros termos que requerem definição. Quando tive rmos aclarado este ponto. ligando inferência com inferência até alcançar a última. pois. todos eles. a premissa . e contudo. ao demonstrar que a linha que corta um pl ano paralelamente a um dos lados deste divide de maneira semelhante tanto a linh a quanto a superfície por ela cortadas. não se sabe se são usados num só sentido ou em vários. a menos que e teja mais seguro dela do que da conclusão. como não se pode dizer se essa obscuridade se deve ao uso metafórico. e esta é a definição da "mesma razão" ou "proporção". as circuns . O caso do significado das exp ressões verbais é semelhante ao destas concepções matemáticas. é porque está exigindo definição. Somos obrigados a conceber cada um deles por meio de uma definição. como. ao passo que. estes não podem demonst rar-se por meio de nenhuma outra coisa. Ora. são aquelas que empregam termos que. do que em favor da posição resultante. por exemplo. muito fáceis de de monstrar depois que se estabelecem as definições implicadas. Os mais primeiros dos princípios elementares são. Por ex emplo: "uma coisa tem um só ou vários contrários?" Aqui. sempre que é mais difícil argüir em favor do ponto proposto.o ou em último lugar na ordem da natureza. pelo contrário. se dermos a definição. é prefe rível negá-lo. Com efeito. Em qualqu er desses casos. e tampouco prestam nenhuma atenção quando o próprio inquiridor se encarrega d e defini-los. pois do contrário toda discussão em torno delas terá um ar de simples sofisticaria: com efeito não é possível provar o que quer que seja se não se parte dos princípios apropriados. ou é metafórico. convém que o conceda.

pois. e videntemente a conclusão buscada pelo inquiridor deve ser uma que seja rejeitada g eralmente e de maneira absoluta. a opinião expressa pelo . se a primeira for geralmente aceita. por outro lado. e. aí teremos como resultado que os argumentos serão mais geralmente aceitos. se algumas das perguntas que lhe fo rem feitas não tiverem esse caráter. se a asserção feita pelo respondente for geralmente rejeitad a. é evidente que (1). já se disse.. enquanto o do seu antagonista é mostrar que não se deixa afetar por ele. a afirmação formulada pelo respondente for geralmente aceita sem restrições. o respondente deve admitir todo s os pontos de vista que sejam geralmente aceitos. a conclusão visada pelo inquiridor será uma que seja geralmente aceita. pois o que aprende deve sempre decl arar o que pensa. das opiniões que não são geralmente aceitas. e mais geralmente ac eitas do que a conclusão que tem em mira. provavelmente se pensará que ele argumentou bastante bem. por outro lado. não imp lica nenhuma diferença: porquanto o modo correto de responder. admitir ou re cusar-se a admitir o que foi proposto. Se. seja este o que fala ou algum outro. além disso. então. e. dos que não o forem. será o mesmo num caso como no outro. ao passo qu e numa competição o propósito do inquiridor é aparentar por todos os meios que está influe nciando o outro. isto é. procuremos dizer nós mesmos algo sobre a matéria. ou geralmente rejeitada. mas de exame e pesquisa. pois. ou nem uma coisa nem outra. pois. mas apenas a sua posição: pois é talvez possível distinguir entre o erro de assumir inicialmente uma posição falsa e o de não a sustentar propriamente depois de tê-la assumido. de modo geral. absol utamente rejeitado. 4 Quanto à formulação e ao arranjo das questões que se propõem. a maneira pela qual se aceita ou se repele. A tese enunciada pelo respondente antes de enfrentar o argumento do inquir idor deve. todos o s que sejam menos geralmente rejeitados do que a conclusão visada pelo seu antagon ista. a segunda será geralmente rejeitada: pois a conc lusão a que se procura chegar é sempre o oposto da afirmação feita. o respondente não deve conceder nem o que não é assim aceito de ma neira alguma. numa assembléia de disputantes que não discutem num espírito de competição. 5 Uma vez que não se estabeleceram regras para aqueles que discutem a fim de e xercitar-se e de investigar — e o objetivo dos que ensinam e aprendem difere funda mentalmente daquele dos que se entregam a uma competição. Porque. assim como de um bom inquiridor. o suf iciente.tâncias em que se devem exigir tais concessões são diferentes para o que se limita a f azer perguntas e para o que ensina com seriedade. No que toca à forma de dar respostas. devemos em primeiro lugar definir qual é o objetivo de um bom "respondente". uma vez que ninguém tenciona ensinar-lhe falsidades. quando o ponto de vista que ele defende é. seja ela qual for. como este último difere daqu ele dos que discutem num espírito de investigação. Se. a o passo que o respondente deve fazer parecer que não é ele o responsável pelo absurdo ou paradoxo. Se. o que se afirmou não é geralmente aceito nem rejeitado. a conclusão será também do mesmo t ipo. ser uma tese geralmente aceita. ao passo que. Por conseguinte. a fim de que o menos familiar seja infer ido através do mais familiar. todas as que forem mais geralm ente aceitas do que a conclusão do inquiridor: com efeito. Ora. que não nos foi transmi tida nenhuma tradição por outros. nem o que em verdade é aceito. ainda não existem regras articuladas sobre o que o respondente deve ter em vista e que espécie de coisas deve ou não deve conceder pa ra a defesa correta ou incorreta da sua posição — uma vez. (3) E de maneira análoga se a asserção feita pelo respondente não for geralmente rejeitada ne m geralmente aceita: pois também nesse caso tudo que pareça ser verdadeiro deve ser aceito. de modo q ue todas -as premissas que ele assegurar serão do mesmo tipo. (2) Se. como o homem que raciocina corretamente demonstra a conclusão por ele pr oposta fundando-se em premissas que são mais geralmente aceitas e mais familiares. a asserção feita pelo respondente for geralmente rejeitada. e. que seja aceita ou rejeitada de maneira ab soluta ou com uma restrição por parte de alguém. Porque. por força. po is. Em vista disso. porém menos geralmente do que a conclusão do inquiridor. No entanto. por ou tro lado. o respondente não deve concedê-las. a conclusão que o inqu iridor tiver em vista deve ser uma que seja geralmente aceita. O objetivo deste último é desenvolver o argumento de maneira que leve o outro a dizer os mais extravagantes parodoxos que se seguem necessariamente da posição assumida por ele.

porque. deve ser concedida sem restrição. ele não deve hesitar em responder que não compre endeu. em primeiro lu gar. É evidente. não se deve concedê-las. pois. que se o que se disse não é claro. mas porque os princípios de Heráclito os obrigam a dizer não. deve admitir este último fato. é evidente que deve reportar-se ao juízo desta última ao conceder ou negar os diferentes pontos. já que se lhe concederam todas as premissas que são mais geralment e aceitas do que a conclusão. mas observar que está muito próximo da proposição or iginária e que. por exemplo. que a opinião não seja geralmente rejeitada nem geralmente aceita: então. uma o pinião geralmente aceita e irrelevante. Se. contudo. Se. deve-se responder "sim" ou "não".respondente for uma que seja geralmente aceita ou rejeitada de maneira absoluta. Se é relevante e também geralmente a ceito. o respondente está defendendo a opinião de alguma outra pessoa. ou nem uma nem outra coisa . no caso de ser concedido. o respondente deve admiti-la e observar qu e é a opinião geralmente aceita. o problema originário perde sua razão de ser. pelo contrário. 6 É evidente. referia-me ao ou tro sentido". se for um ponto de vista não geralmente aceito e irre levante. porém. pois. mas assente à pergunta tendo em vista um só sent ido das palavras e depois o que propõe a questão a toma no outro sentido. quais devem ser os objetivos do respondente. se o termo ou expressão abrange mais de uma coisa. quando se perguntam tais coisas. se recusam a admitir a impossibilidade de que contrários pertençam simultaneamente à mesma coisa. pois. haverá incerteza sobre se percebeu ou não a ambigüidade desde o começo. Sup onha-se. embora admitindo que se ele fosse concedido a conclusão buscada se seguiria l ogicamente. o respondente deve acrescentar o comentário de qu e. Se for. e de acordo com o qual deve conceder ou nega r-se a conceder o ponto de vista proposto. toda questão que se formule terá por força de implicar alguma op inião que seja geralmente aceita. nada o obriga a responder "sim" ou "não " a uma pergunta que pode significar várias coisas. os pontos de vista absolutamente admitidos devem ser tomados como padrões de comp aração. não porque eles próprios não acreditem nisso. É por isso que aqueles q ue defendem opiniões alheias. ele deve d izer: "Não era isto o que eu tinha em vista quando fiz a concessão. se for irrelevante para o argumento. se tiver conc edido os diversos pontos com os olhos bem abertos. em vários sentidos. 7 O inquiridor deve ser enfrentado de igual maneira também no caso de termos u sados obscuramente. Porque ao respondente. supondo-se que o que ela diz é universalmente verdadeiro ou falso. por outro lado. Se ele entende a pergunta. Os que intentam deduzir uma inferência de premissas ma is geralmente rejeitadas do que a conclusão evidentemente não raciocinam certo. co mo diz Heráclito43. sempre é lícito responder: "não compreendo". por outro lado. a pergunta é clara e simples. ou então contribui para estabelecer um desses elementos (e sempre se po . pois muitas vezes as pessoas se vêem em dificuldade por ter assentido a per guntas que não foram formuladas com clareza. isto é. ou aceita por alguma pes soa determinada. Pois assi m ninguém o considerará pessoalmente responsável pelo que lhe acontecer. deve assentir ou negar sem restrição alguma. é fácil disco rdar. e também que seja relevante ou irrelevante para o argumento. e também o inquiridor poderá faze r a sua inferência. mas esta c omporta muitos sentidos. uma premissa é sempre um dos elementos constituintes do raciocínio. mas acrescentar um comentário fazendo constar que não é geralm ente aceito. para evitar que o tomem por ingênuo. pois o que pretendem é falar como falaria aquele qu e estabeleceu a posição. se o ponto de vista expresso não é nem geralmente admitido nem ger almente rejeitado. se deixa r essa distinção para mais tarde. que "o bem e o mal são a mesma coisa". é ele mesmo. ao passo que. O mesmo fazem aqueles que assumem a defesa das posições um do outro. é parcialme nte verdadeira e parcialmente falsa. seja a posição de fendida por ele uma opinião geralmente aceita sem restrições. Se não prevê a ambigüidade. se não compreen de. se. deve observar que ela comporta diferentes s ignificados. o responde nte. port anto. se. Se o que pretende o inq uiridor é relevante para o argumento mas rejeitado pela imensa maioria. Ora. 8 Quando se raciocina. o padrão pelo qual este último deve jul gar o que é geralmente admitido ou não. for relevante. a não ser pelo respondente. se for concedido. geralmente rejeitada. porque. deve protestar que a proposição é demasiado absurda para ser admitida. deve concedê-lo. o problema se desvanece. e também que num destes é verdadeira e em outro falsa.

devem-se admitir todas as proposições particulares quando são verdadeiras e geralmente aceitas . que alguém sustentasse que todas as coisas estão em movimento ou que nada se move). se pode fazê-lo. pois alg . um argumento pode conter muitas falsidades: suponha-se. o que formula as questões é incapacitado. pois. Se. a conclusão se efetivará. Contra as universais. Pois não é suficiente objetar. mas porque realmente assim pensa. como. exatamente como no caso de uma figura geométrica falsamente traçada. que alguém tenha assegurado as premis sas: "quem está sentado escreve" e "Sócrates está sentado". Com efeito. por isso. de levar adiante o seu argumento. embora ele não tenha nenhum exemp lo negativo para mostrar. a solução certa é demol ir o ponto de onde se origina a falsidade: pois demolir um ponto qualquer não é uma solução. q uando não se chegou ainda a uma solução efetiva. não é isso que deve ser refutado. de onde se conclui que "Sócr ates está escrevendo". 10 De todos os argumentos que conduzem a uma conclusão falsa. por outro lado. ou então será uma daquelas que só um homem de má fé escol heria e que se opõem implicitamente aos desejos dos homens — por exemplo. nos aproximemos da solução do argumento.de saber que se procura assegurá-la a fim de estabelecer alguma outra coisa quando se faz uma série de perguntas semelhantes: pois. que o praz er é o bem. quer da semelhança): portanto. Quem sabe que é de tal e tal ponto que depende o argumento conhece a s ua solução. aplicar a mesma solução. quer formulando uma objeção dirigida contra o inquiridor: pois muitas vezes. que refutou o ponto do qual depende a falsidade deu a solução completa do argumento. as pessoas ass eguram os universais quer por meio da indução. mas também é prec iso provar a razão do erro: porque então se porá em evidência se o homem objeta com clar a visão do assunto ou não. mas. mas não é dela que depende a falsidade do argumento: porque. é indício de má fé. um hom em se recusa a admitir uma proposição sem ter sequer um exemplo negativo ou algum co ntra-argumento para apresentar contra ela. e que cometer injustiça é melhor do que sofrê-la. num caso como este. não obstante. a objeção terá por alvo as suas perguntas. por exemplo. seria impossível. ainda assim. o respondente deve exercitar-se em a tacá-la por si mesmo: pois evidentemente sua tarefa consiste em fazer frente àquelas posições das quais os inquiridores tratam de demolir o que ele estabeleceu. Se. portanto. a objeção será propriamente dirigida contra ele . Se. Aqu ele. deve-se tentar apresentar algum exemplo negativo: pois fazer parar um argumento sem ter à mão um caso ou exemplo negativo. Em terceiro lugar. por via de regra. Ora. pois a má fé na argumentação consiste em responder de maneiras diferentes das indicad as acima. um homem se recusa a concede r o universal quando apoiado em muitos exemplos. pois. escreve": pois quem está sentado nem sempre escreve. ma is probabilidade terá de ser considerado um homem de má fé — se bem que mesmo uma contra -prova seja insuficiente: pois muitas vezes ouvimos argumentos que são contrários à op inião comum e cuja solução é. o inquiridor for inc apaz de levar adiante o seu argumento. pois não raro sucede que aquilo que o inquiridor pretende não se siga das perguntas feitas porque estas foram mal formuladas. mesmo que o ponto demolido seja falso. por exemplo. não há nenhuma razão para deixar de enunciar os opostos de tais opiniões. o argumento de Zenon quando afirma que é impossível mover-se ou atravessar o estádio. por exemplo. Isso se pode fazer quer demolindo o ponto de que depende a falsidade result ante. por outro lado. a proposição pode ser realmente falsa. pois. A quarta e pior espécie de objeção é a que se reflete no tempo estipulado para a discussão. mas sim que "quem está sentado. Pois um homem dessa espécie é detestado. Por conseguinte. além disso. por esse meio. mas. s upondo-se que alguém estivesse sentado sem estar escrevendo. supondo os outros que ele sustenta tais coisas não pelo gosto de discut ir. s eja ele real ou aparente. podemos demolir a proposição "Sócrates e stá sentado" sem que. Há quatro maneiras possíveis de impedir que alguém leve o seu argumento até a conc lusão. com o propósito de introduzir a desordem no raciocínio. se um pon to adicional for concedido. é evidente que se trata de um homem de má fé. mesmo que o ponto refutado seja uma falsidade. ele não tenta sequer demonstrar a falsidade do argumento. 9 Antes de sustentar uma tese ou definição. Se. pode-se obj etar às perguntas feitas. difícil. Deve ter o cuidado de não sustentar uma hipótese que seja geralmente rejeitada — e isso pode ocorrer de duas maneiras: ou será uma hipótese que resulte em afirmações ab surdas (supondo-se. evidentemente esse homem mostra possuir mau gênio ou mau caráter. em ta l caso.

O princípio de que aquele que impede ou estorva um empreendimento comum é um m au companheiro também se aplica. mas de todas elas só a primeira constitui uma solução. se nega a admitir o que é evidente ou a compreender o significado do q ue o outro pergunta. pois. quatro maneiras de fazer objeções. ao responder. pois é possível que um dado homem acredite mais firmemente em coisas imaginárias do que na verdade. são falsas ou geralmente rejeitadas. pois. e não é possível que haja mais de um vencedor. então temos d e fazê-lo como podemos. Ent retanto. não raro assente. nem mesmo qualquer conclusão e m absoluto. se infere das perguntas feitas. sendo formulada uma proposição verdadeira. salvo quando se trata de simples contendentes. Po is não raro acontece que. que possam levar as conclusões a termo. Além disso. nem adições. Há. diz coisas contrárias e admite posteriorment e o que antes havia negado. pois é tão mau dialético aquele que faz perguntas contenciosas como aquele que. e nesse caso têm de ser formuladas proposições falsas. evidente que a crítica adversa não se deve fazer de igual maneira quando t em por objeto os que propõem as questões e quando se dirige contra seus argumentos. quando é enunciada uma proposição falsa. e nem sempre apoi ando-se em premissas verdadeiras. evidentemente se deve raciocinar não apenas para chegar a conclusões verdadeiras mas também a conclusões falsas. assim como um geômetra deve raciocinar geometricamente. e. atento aos pontos que sejam desf avoráveis ao inquiridor. e quando a maioria. t endo-se recusado a conceder outros pontos. um argumento está exposto a cinco tipos de crítica adversa: (1) A primeira é quando nem a conclusão proposta. 11 A crítica adversa de um argumento fundada nos seus próprios méritos e a crítica do mesmo tal como é apresentada em forma de perguntas são duas coisas distintas. o que dissemos acima torna bem claro que a críti ca adversa não se deve fazer no mesmo tom quando se dirige contra o argumento de a cordo com os seus próprios méritos ou contra o inquiridor: pois pode muito bem acont ecer que o argumento seja mau. seja falsa ou verdadeira a sua conclusão. é talvez im possível deduzir corretamente as suas inferências conforme se desejaria. pois também nesta se tem e m vista um objetivo comum. Assim. nem ambas as coisas ao mesmo tempo. E assim. evidentemente. Em si mesmo. além do mais. quando interrogado . Por isso é às vezes necessário atacar a própria pessoa que fala e não a sua po sição. porque. e. que. É. Estes. (2) A segunda se dá na suposição de que o raciocínio. Na medida em que não houver certeza sobre se uma pessoa procura obter a conc essão de coisas contrárias ou apenas daquilo que se propôs inicialmente provar — pois mu itas vezes. se não todas as pr emissas sobre as quais repousa a conclusão. pois. é indiferente conquistar a vitória como respondente ou inquirid or. à argumentação.umas pessoas formulam objeções de tal sorte que se levaria mais tempo a respondê-las d o que a discussão comporta. não podem alcançar juntos a mesma meta. como as discussões dessa espécie não têm em vista a instruç mas sim o adestramento e a pesquisa. com efeito. Outras vezes. quando as pessoas per dem o domínio próprio dessa maneira. embora construído com fundamen . quando os homens perdem a compostura. como dissemos. torna-se preciso refutá-la por meio de outras p roposições não menos falsas. muitas vezes a incapacidade de conduzir o argumento de maneira correta na discussão se deve ao interrogado. dá seu assentimento a pontos dessa espéci e. Com e feito. a coisas contrárias ao que inicialmente se intentava provar — a argumentação seguramen te sairá viciada. do mesmo modo. quando alguém fala sozinho. mas algumas vezes também em premissas falsas. e já dis semos atrás44 que espécies de raciocínios são dialéticos. A responsabilidade disso. as outras não são mais que empecilhos e tropeços para imp edir que se chegue às conclusões. recai sobre o respondente. Para eles. será mais fácil persuadi-lo ou ajudá-lo. argumento converte-se numa contenda e deixa de ser uma discussão. quando o respondente se mantém na expectativa. e se torna também desaforado. se fizermos com que o argumento de penda de alguma coisa sustentada por ele. o. porém. não há retratações. aquele que deseja converter alguém a uma opinião diferente por vias correta s deve fazê-lo por métodos dialéticos e não de maneira contenciosa. mas aquele que o propõe tenha argüido com o seu adver sário da melhor maneira possível. o dialético se vê obr igado a refutá-la. que se nega a conceder os passos mediante os qu ais se poderia formular um argumento correto contra a sua posição: pois não está ao alca nce de uma só das partes chegar adequadamente a um resultado que depende igualment e de ambas. e q uando.

sempre alcançad a por meio de uma premissa falsa. É evidente. além disso. então. e esses já incluídos no seu argumento: suponha-se. Também comete uma falta no raciocínio aquele que demonstra alguma coisa median te uma longa série de passos ou escalões quando poderia fazê-lo por meio de um número me nor. um epiquirema é uma inferência dialética. por outro lado. e qu e ele expresse os seus postulados da seguinte forma: "X-em-si-mesmo é mais plename nte X do que qualquer outra coisa". caso pareça o contrário. Com respeito aos que chegam a uma conclusão verdadeira servindo-se de premissas falsas. (5) Suponha-se. dêem mais trabalho p ara provar do que a opinião oposta. como deixamos bem claro na Analítica45. se um homem leva os demais a a dmitir o seu ponto de vista partindo de opiniões que sejam tão geralmente aceitas qu anto o caso comporta. e contudo essas adições sejam mais fracas do que aquelas que foram apresenta das como perguntas e menos geralmente admitidas do que as conclusões. se os prós e os contras pesarem igualmente no caso das premissas. como argumento. se. ainda que necessite de algumas adições. (4) E também na suposição de que certas retratações possam produzir o mesmo resultad o: pois às vezes as pessoas estabelecem mais premissas do que é necessário. mas às vezes se pode chegar a uma conclusão verdad eira mesmo através de premissas falsas. e um aporema é uma inferência pela qual se chega a uma contradição por meio de um raciocínio d ialético. ora. enquanto a conclusão não o é. "existe genuinamente um objeto de opinião em s i mesmo". e. Um filosofema é uma inferência demonstrativ a. necessariamente. mediante as quais seria fácil prová lo. de modo que. o objeto-de-opinião-em-si-mesmo é mais plenamente um objeto de opinião do que os objetos particulares de opinião". ao passo que o segundo. sempre que houver muitas propo sições não só verdadeiras como também geralmente aceitas. ou que. Sempre que por meio do argumento enunciado se demonstra alguma coisa. um sofisma é uma inferência contenciosa. "portanto. de maneira que não é por meio delas que se deduz a inferência. que se trate de demonstrar que uma opinião se denomina assim mais propriamente do que outra. que seja louvável em si mesmo e simultaneamente su jeito a críticas no que se refere à conclusão proposta. que as premissas sejam menos geralmente aceita s e menos críveis do que a conclusão. se bem que não com igual convicção. Se alguma coisa for demonstrada a partir de premissas que sejam ambas opin iões geralmente aceitas. ao contrário. pois uma conclusão falsa é. "esta será opinião num sentido mais exato". a opinião geral for favorável a uma delas e nem a favor nem contra a outra. pode muito bem suceder que a conclusão a que se chegar seja algo aceito com mais forte convicção do que qualquer das duas premissas. e postulou-se que "existe uma genuína opinião em si mesma" e que "X-em-si-mesmo é mais plenamente X do que qualquer outra coisa": por conseguinte. e. não é justo lançar-lhes isso em rosto. Também é possível que um argumento. embora verdadeiras. finalmente. Onde se encontra o vício deste raciocínio? . sempre que as premissas do primeiro sejam néscias. pois. ou. nessas adições. "um termo relativo é mais ple namente ele mesmo quando o seu correlativo é mais plenamente ele mesmo". que ne m sequer o próprio argumento está exposto à mesma crítica adversa quando considerado em relação à conclusão que se tem em vista e quando considerado em si mesmo. um deles preponderar. a conclusão também pend erá para esse lado. pelo contrário. mas esta é diferente do que se pretendia e não tem relação alguma com a conclusão. Não se deve pretender que o raciocínio mediante o qual se demonstra o ponto de vista proposto seja em todos os casos uma opinião geralmente aceita e convincente .to nas premissas e da maneira descrita acima. o mesmo acontece rá no caso da conclusão. seja às vezes pior do que outro que não haja alcançado esse objetivo. e "existe uma genuína opinião-em-si-mesma. requer somente aquelas que sejam geralmente aceitas e verdadeiras. pois é uma conseqüência direta da natureza das coisas que alguns temas de investigação s ejam mais fáceis e outros mais difíceis. que será 'opinião' num sentido mais exato do que as op iniões particulares". não se baseia. embora tenha levado a uma conclusão. ou se for a favor de uma e contra a outra. terá provado a sua tese corretamente. (3) A terceira ocorre na suposição de que certas adições possam dar lugar a uma in ferência. por exemplo. Se. seja irrelevante para a posição originár ia. t ratar-se-á de um sofisma e não de uma prova. não se pode d eduzir dela nenhuma inferência com respeito a esta última. Porque nada im pede que o argumento seja atacável em si mesmo e contudo digno de louvor em relação à co nclusão proposta.

não importando que a conclusão alcançada seja verdadeira ou falsa. ou um termo e uma expressão. nem sempre a falta é tampouco do argumentador. contudo. e a terceira: "de que espécie de premissas cons ta?" Porque. quer em relação ao tema particular qu e se está discutindo. como se disse mais acima46. um argumento que demole alg uma proposição verdadeira. Se. porém não àquela que se propunha — coisa que acontece principalmente no caso das reduções ao impossível.de uma porção de outras coisas. se estas últimas. a conclusão é às vezes falsa e outras vezes verdadeira: pois. embora falsas. que deva demonstrar que a medicina é a ciência do que conduz à saúde e do que conduz à doença. embora alguns destes também possam ser do mesmo tipo. a segunda: "a conclusão é verdadeira ou falsa?". A falácia num argumento se deve antes a um erro do argumentador do que do próp rio argumento. (4) quando s e chega à conclusão por meio de premissas falsas. se são falsas e. também é assim quando se omite alg um passo que de modo geral seja firmemente admitido. Evidentemente. que significam a mesma coisa. embora verdadeiras. se. ao mesmo tempo. é um ma u argumento. evidentemente o argumento é mau. quer de todo. e. (3) quando chega à conclusão proposta. mas some nte quando passa despercebida a este: pois não raro admitimos pelos seus próprios méri tos. de preferência a muitos outros que são verdadeiros. o argumento é pior do que muitos outros que conduzem a uma conclusão falsa. Uma segunda maneira ocorre quando alg uém postula universalmente algo que ele próprio deve demonstrar para um caso particu lar: suponha-se. porém. quando o faz partindo de premissas que sejam o mais geral mente aceitas possível. mas em realidade não é assim — este é o chamado raciocínio "contencioso" . por exemplo. T ambém incorre em petição de princípio aquele que postula a sua conclusão por partes: supon do-se. uma conclusão verdadeira pode inferir-se inclusive de premissas que não sejam verdadeiras. e este o mais comum de todos. foram expostas na Analítica47 em relação com a verd ade. além disso. 13 As maneiras pelas quais o que formula as questões pode incorrer em petição de pr incípio. Uma terceira maneira é quando alguém postula em casos particulares aq uilo que se propôs demonstrar universalmente: por exemplo. As pessoas parecem incorrer em petição de princípio de cinco maneiras: a primeir a e a mais óbvia se dá quando alguém postula o próprio ponto que se propõe demonstrar: iss o se detecta facilmente quando é expresso nas mesmas palavras. bem como postular contrários. mas tem mais probab ilidades de passar despercebido quando se usam termos diferentes. Um argumento se chama falaz em quatro sentidos: (1) quando parece ser leva do a uma conclusão. entretanto. ou o que não é dialético por um argumento di alético. são geralmente rejeitadas. que estivesse procurando demonstrar que o conhecim ento dos contrários é um só e pretendesse levar o adversário a admitir que o conheciment o dos opostos em geral é um só: pois num caso desta espécie se pensa geralmente que el e está postulando. (2) quando chega a uma conclusão. por exemplo. agora. a primeira coisa que se deve per guntar com respeito ao argumento em si mesmo é: "ele tem uma conclusão?". pois. porém não de acordo com a forma de investigação apropriada ao caso. embora uma conclusão falsa resulte sempre de pre missas falsas. deste tipo. e. Pois um argumento dessa espécie efetivamente demonstra outra s coisas que são verdadeiras. aquilo que deveria demonstra r em si mesmo. já que uma das premissas formuladas está completamente f ora de lugar ali. q uando é levado à sua conclusão de modo que dispense quaisquer perguntas ulteriores. uma conclusão verdadei ra é alcançada através de premissas falsas e absolutamente infantis. nos toca reexaminá-las no nível da opinião geral. e em outro sentido — e este é o tipo mais habitualmente defendido — quando as proposições as seguradas são de tal sorte que forçam a conclusão. o argumento é di alético. quando intenta demonstr ar que o conhecimento dos contrários é sempre um só e postula isso de certos pares de contrários: pois também desse se considera que está postulando independentemente e em si mesmo aquilo que deveria demonstrar juntamente com uma porção de outras coisas. por outro lado. inteiramente contrárias à opinião geral . e o argumento se conclui por meio d e premissas que são elas próprias conclusões. e postule primeiro uma destas coisas e em seguida a outra . a par. como sucede quando u m argumento que não é próprio da medicina se toma como um argumento médico. ou um que não pertence à geometria se toma como geométrico. são geralmente aceitas.Simplesmente no fato de ocultar a verdadeira base do argumento. e é essa a que será demonstrada. 12 Um argumento é claro e evidente num sentido.

suponha-se que um homem postule o contrário da conclusão que resulta necessariamente das premissas estabelecidas. pois basta um relance de olhos dado a esta para nos mostrar que a questão originária foi postulada. E. em verdade. aliás. a verdadeir a habilidade natural consiste precisamente no poder de escolher o verdadeiro e r ejeitar o falso. depois de ter postulado este último ponto de vista. deve-se estar sempre atento a uma linha de argumentação tanto a favor como co ntra. pois é por meio dessas que se efetuam os r aciocínios. tão depressa esta for encontrada. eles es colhem corretamente o que é melhor. não podia deixar de inferir-se a conclusão. e particularmente das que são fundamentais. conhecer a fundo os tópicos em que tende a e nquadrar-se a maioria dos outros argumentos. ou. e. um bom estoque de definições e trazer nas pontas dos dedos as de idéias familiares e primárias. pois. na argumentação. é de grande importância o conhecimento que também se possa ter do s múltiplos de outros números —. se devesse demonstrar que a dia gonal é incomensurável com o lado e postulasse que o lado é incomensurável com a diagona l. 14 A melhor maneira de adestrar-se na prática desta espécie de argumentação é. após algumas tentativas. Ao enfrentar qualquer p roposição. é uma grande vantagem domin ar bem os primeiros princípios e ter ao alcance da mão um perfeito conhecimento das . se postulasse uma ou outra de um par de afirmações que. pois assim nos manteremos em guarda contra as afirmações contrárias àquela que desejamos provar. e é igualmente de grande utilidade para a refutação o estar bem provido de argumentos a favor e contra. se implicam mutuamente: por exemplo. gr aças a um instintivo agrado ou desagrado em face de tudo que se lhes propõe. que a mesma coisa é boa e má. segundo. em primeiro lugar. em quinto lugar. e em aritmética conhecer de cor a tábua de multiplicação até dez — e. ou. tentasse assegurar universalmente a afirmação contraditória. pois assim teremos uma abundante provisão de argumentos para defender vigorosamente uma tese. trate-se de procurar a sua solução: pois de sta maneira o aprendiz não tardará a perceber que se adestrou ao mesmo tempo em form ular e em responder perguntas. e. Deve-se tentar. contrair o hábito de converter os argumentos. uma vez que. pois ao discutir essas os respondentes muitas vezes desistem. se alguém postulasse uma afirmação e uma negação opostas. por n ecessidade. assim como em geometria é útil te r-se exercitado nos elementos. por exemplo. A postulação de contrários difere da petição de princípio no eguinte: nesta última o erro se relaciona com a conclusão. como contribuição para o saber filosófico. pois assim estaremos mais bem aparelhados para fazer frente à proposição formulada. descoroçoados. supondo-se que. por exemplo. o poder de discernir e traz er diante dos olhos as conseqüências de uma e outra de duas hipóteses não é um instrumento para se desprezar: porque então só resta escolher acertadamente entre as duas. ele postulasse duas premissas tais que delas se seguiria essa afirmação contraditória que é o oposto da primeira conclusão. Além disso. dadas tod as as premissas. numa certa relação que elas guardam entre si. O melhor de tudo é saber de cor os argumentos em torno daquelas questões que s e apresentam com mais freqüência. mesmo sem postular literalmente os opostos.. em prime iro lugar. c onheceremos vários argumentos de cor. em quinto e último lugar. Pois tal aconteceria. a saber. ao passo que os pontos de vista contrários se encontram nas premissas. postulasse que o conhecimento do que promove a saúde é d iferente daquele que promove a doença. igualmente. terceiro. do mesmo modo. se postulasse os termos co ntrários de uma antítese. Os homens que possuem essa habilidade são capazes disso. As maneiras pelas quais se postulam contrários são iguais em número àquelas pelas quais se incorre em petição de princípio. em quarto lugar. tendo assegurado que o con hecimento dos contrários é um só. Pois. Por "conversão" do argumento entende-se o toma r o inverso da conclusão juntamente com o resto das proposições postuladas e refutar. argumentemos com nós mesmos. supondo-s e que alguém afirmasse universalmente alguma coisa e depois passasse a postular o seu contrário em algum caso particular — por exemplo. e is so aconteceria se. Se não podemos encontrar ninguém mais com quem argumentar. se. uma das que haviam sido concedidas: pois da falsidade da conclusão se gue-se necessariamente que alguma das premissas é refutada. É preciso formar. Para uma tarefa desta espécie requer-se uma certa habilidade natural. Devemos também selecionar argumentos que se relacionem com a mesma tese e dispô-los lado a lado. dessa forma. além disso.

co mo uma coisa só —. o dialético é precisa ente isso: o homem hábil em propor questões e em levantar objeções. uma objeção. Convém. pois há gente com quem toda discussão tem por força que degenerar. por exemplo . de um modo geral. uma proposição. em parte concedendo e em parte negando as afirmações feitas. mas em realidade não passam de ilogismos. É melhor gravar na memória uma premissa de aplicação geral do que um argumento. Deve-se tentar. e onde reside o motivo disso. é coisa evidente. além disso. Que alguns raciocínios são genuínos. cada uma debaixo do seu número. que ao praticar umas com as outras as pessoas não podem refrear-se de cair em argumentos contenciosos. Porque. mercê de uma certa semelhança entre o genuíno e o falso. porém não o são. pois é difícil alcançar uma proficiência m esmo moderada no tocante aos primeiros princípios ou às hipóteses. é muito rec omendável que. examinar sempre o s argumentos para ver se repousam sobre princípios de aplicação geral: pois.premissas. pois isso nos permitirá conve rter uma regra única em várias. a proposição de que "não pode haver um só conhecimento de mais de uma coisa": pois o m esmo sucede tanto com os termos relativos como com os contrários e os coordenados. Há pessoas. asseg urar suas premissas apoiando-se naqueles que são hábeis em deduzir e os casos parale los nos que são mais adestrados no raciocínio indutivo. DOS ARGUMENTOS SOFÍSTICOS Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim 1 Vamos tratar agora dos argumentos sofísticos. com efeito. assim como numa pessoa de memória adestrada a lembrança das próprias coisas é imediatamente despertada pela simples menção dos seus lugares. por nós mesmos. Quanto a nós mesmos. cuj . também esses hábit os dão maior presteza para o raciocínio. isto é. em realid ade. Além disso. mesmo que s e tenha argumentado apenas sobre um caso particular. é justo tentar todos os meios de levar a bom fim a conclusão que nos propomos. falando de modo geral. Isso acontece não só com os argumentos mas também em outros camp os. porque temos as premissas classificadas dia nte dos olhos da mente. Pois são tais exercícios que confe rem habilidade. quer um outro). além disso. Deve-se mostrar o treinamento que se possui no raciocínio indutivo contra um moço e no dedutivo contra um homem experimentado. devemos evitar tanto qu anto possível universalizar os nossos raciocínios. Não se deve argumentar com todo mundo. em especia l no que toca às proposições e objeções. com efeito. todos os argumentos particulares também raciocinam universalmente. e todo o objetivo do treinamento é adquirir habilidade. porém. dos que parecem ser argu mentos ou refutações. partindo de nossos exercícios de argumentação. Pois. uma refutação. e com respeito às quais nos é bastante difícil enco ntrar. assim como no que se refere aos entimemas. ou. Formular uma proposição é unir certo número de coisas numa só — pois a conclusão a que leva o argumento deve tomar -se. E também. argumentos baseados em coisas da experiência cotidiana. Com efeito. geralmente. ou se alguém formulou uma questão de maneira adequada ou inadequada (quer esse alguém seja nós mesm os. porquanto o objetor ou distingue ou demole. ao passo que formular uma objeção é dividir uma coi sa só em muitas. Todos vemos. A melhor maneira de conseguir tal efei to é conservar-se à maior distância que se puder dos tópicos afins ao tema do argumento. São essas as questões universais. como é natura l. nem praticar argumentação com o homem da rua. a melhor regra é não se pôr levianamente a argu mentar com o primeiro que se encontra. em out ras palavras: uma demonstração particular sempre contém uma demonstração universal. dado q ue é absolutamente impossível raciocinar sem fazer uso dos universais. pelo princípio. Isso é factível com argumentos que sejam inteiramente universais. deve-se adquirir o hábito de converter um argumento em vários e diss imular tanto quanto possível esse processo. pois daí resultará seguramente uma má argumentação. É também muito recomendável ter argumentos prontos no que se refere àquelas questões em que uma pequena provisão nos fornecerá argumentos úteis para um grande número de oca siões. Por isso. Começaremos. Uma regra semelhante tem aplicação em retórica. Os registros das discussões devem ser feitos de forma universal. enquanto outros apenas aparentam sê-lo. como. ma s isso é contrário às boas normas. procuremos estabelecer ou um silogismo sobre um tema qualquer. co ntra um homem que não recua diante de meio algum para aparentar que não foi derrotad o. pois essas são as coisas em qu e cada um deles se exercitou principalmente.

Portanto. por conseguinte. pois os nomes são finitos. mas irreal): para esses. si mulam o ouro. algumas d elas não alcançam realmente esse objetivo. portanto. supomos que as conseqüências que d ecorrem dos nomes também decorram das próprias coisas. Ora. são argumentos críticos os que partem d e premissas aceitas pelo respondente e que não podem ser ignoradas por todo aquele que aspire ao conhecimento do assunto em discussão — de que maneira devem ser conhe cidas. pois. ao pas so que outras não o são. como aquelas que são preparadas para ser vítimas nos sacrifícios tribais. Ora. assim como aqueles que fazem cálculos supõem o mesmo em relação às pedrinhas que usam para esse fim. Mas os dois casos (nomes e coisas) não são semelhantes. os raciocínios repousam sobre juízos tais que implicam necessariamente a asserção d e outra coisa que não as afirmadas inicialmente. po is as pessoas bisonhas só avistam essas coisas a distância. e esse é o fim que eles têm em vis ta. E a refutação. de metal amarelo. Por esta razão. conquanto a inexperiência possa fazer com que pareçam autênticos. críticos e erísticos. exatamente com o ao contar aqueles que não têm suficiente habilidade em manusear as suas pedrinhas são logrados pelos espertos. por assim dizer. E assim. aos que desejam ser sofistas é indispensável o estudo da classe de argumentos a que nos referimos. mas em realidade não o são. enquanto outros. existem não só raciocínios como também refutações que par cem autênticos. e também há as que são belas porque possuem realmente beleza. São argumentos didáticos aqueles qu e raciocinam a partir dos princípios apropriados a cada assunto e não das opiniões Sus tentadas pelo que responde (pois quem aprende deve aceitar as coisas em confiança) . também na argumentação os que não estão familiarizados com o po der significativo dos nomes são vítimas de falsos raciocínios tanto quando discutem el es próprios como quando ouvem outros raciocinar. O assunto dos argumentos demonstrativos foi discutido nas Analíticas. agora passaremos a falar dos argumentos que se usam nas comp . enquanto as coisas são infinitas em número.as condições físicas são vigorosas. como também o é a soma to tal das fórmulas. e por outras que serão mencionadas mais adiante. Do mesmo modo. é um raciocínio que conduz à contraditória da conclusão prévia. Reduzindo a que stão a um único ponto de contraste: ao homem que possui conhecimento de uma determin ada matéria cabe evitar ele próprio os vícios de raciocínio nos assuntos que conhece e a o mesmo tempo ser capaz de desmascarar aquele que lança mão de argumentos capciosos. dialéticos. argumentos contenciosos ou erísticos são os que raciocinam ou parecem raciocinar a partir de opiniões que parecem ser gera lmente aceitas. e o sofista é aquele que faz comércio de uma sabedoria aparent e. e em conseqüência destas. pois uma faculd ade desta espécie fará com que um homem pareça ser sábio. como os objetos feitos d e litargírio e estanho parecem ser de prata. a primeira consiste em ser apto para dar uma razão do que se diz e a segunda em fazer com que o adversário apresente tal razão. E o mesmo se pode observar entre as coisas inanimadas. pois. 2 Dos argumentos que se usam numa discussão podemos distinguir quatro classes: argumentos didáticos. e. para certa gente é mais proveitoso parecer que são sábi s do que sê-lo realmente sem o parecer (pois a arte sofistica é o simulacro da sabed oria sem a realidade. que a mesma fórmula e um nome só tenham diferentes significados. evidente que existe uma classe de argumentos desse tipo e que é esse tipo de habilidade que ambicionam possuir aqueles a quem chamamos sofistas. Com efe ito. em quantos ramos se divide essa investigação e quais são o s outros fatores que contribuem para essa arte. por anda r gordas e ataviadas. enquanto outra s parecem sê-lo porque se cobrem de pinturas e adornos. por seu lado. sen do a mais prolífica e usual destas o argumento que gira apenas em torno de nomes. porém não o são. embora pareçam fazê-lo por diversas razões. pois. É. é o que já definimos em outro tratado48. enquanto o dos argumentos dialéticos e críticos foi trat ado noutra parte49. É impossível introduzir numa discussão as próprias coisas discutidas: em lugar delas usa mos os seus nomes como símbolos e. Tal estudo bem merece o trabalho que tiverem com ele. são argumentos dialéticos os que raciocinam com base em premissas geralmente aceit as para chegar à contraditória de uma dada tese. embora pareçam sê-lo aos nossos olhos. de quantos eleme ntos se compõe tal faculdade. tanto o raciocínio como a refutação às vezes são genuínos e out ras vezes falsos. Vamo s discutir agora quantas espécies de argumentos sofísticos existem. enquanto outras simplesmente assim parecem. É inevitável. pois algumas delas são realmente prata e ouro. dessas capacidades. é evidentemente essencial desempenhar em aparência o papel de um homem sábio em lugar de sê-lo atualmente sem parecê-lo.

e o doente que se restabeleceu". ou. Outro ainda: "um mesmo homem está sentado e em pé. a acentuação e a forma de expressão. E também a tese: "deve haver conhecimento daquilo que se conhece". tem possivelmente um só significado. porque "falar do silencioso" também tem um duplo signif icado: ou que o homem silencioso está falando. se possível. "conhecimento" e "letras". Argumentos como os que seguem dependem da ambigüidade: "Os que aprendem são os que sabem. Assim. pois neste caso ela significa que . Ou então: "o que tu afirmas existir. por outro lado. E também: "deve haver visão daquilo que se vê. em q uarto. não no sentido de estar doente agora. As maneiras de produzir uma falsa aparência de argumen to são em número de seis: há a ambigüidade. e também doente e com saúde. se a entendermo s como "escrever-enquanto-não-se-está-escrevendo". o solecismo. Porque "o do ente faz isto ou aquilo" ou "sofre tal ou tal ação" não tem um sentido só. demonstrar que ele comet eu algum erro de silogismo. pois o que deve existir é bom. 4 Há dois tipos de refutação. Podemos assegurar-nos tanto por indução como por me io de uma prova silogística baseada nesta última — e quiçá também em outros pressupostos — de que esse é o número de maneiras pelas quais podemos deixar de indicar a mesma coisa pelos mesmos nomes ou expressões. Pois eles preferem. fazer com que ele. também dizemos das coisas boas que "devem se r". e os males devem exi stir". Esses fins são em número de cinco: a re futação. em terceiro lugar. afirmas existir uma pedra: logo. refutar cabalmente o outro. produzir a aparência de uma destas coisas sem a realidade. O mesmo se aplica à segunda frase. "o conhecimento das letras". forçá-lo a tartamudear ou repetir-se uma porção de vezes. use uma expressão contrária à gramática. e. reduzi-lo a um solecismo. mas no de ter est ado doente. mas às vezes si gnifica "o homem que está doente ou que está sentado agora" e outras vezes "o homem que esteve doente". Pois cada uma dest as palavras. os chamamos ass im. e o que se está restabelecendo que goza saúde. 3 Antes de tudo. pois. a combinação. por hábito. tanto admitindo o significado de "compreender" pelo uso do conhecimento como o de "adquirir conhecimento". a divisão de palavra . (3) quando palavras que em si mesmas têm um só sentido assumem um duplo signific ado ao combinar-se. D a combinação de palavras dependem exemplos como o seguinte: "um homem pode caminhar enquanto está sentado e escrever enquanto não está escrevendo". É claro que o que se estava restabelecendo era o homem doente. ou que as coisas de que se fala são s ilenciosas. é "o que deve existir" que tem um duplo significado: significa o que é inevitável. por exemplo. ou que a lguém tem conhecimento delas. obrigá-lo a tartamudea . a anfibologia e a ambigüidade dependem desses modos de falar. E também: "do silencioso é possível falar". na falta disso. afirmas que és uma pedra". em último recurso. pois algumas dependem da linguagem usada e outras são independentes da linguagem. (2) quando. mas fo i o homem sentado que se levantou. ora. a anfibologia. levá-lo a afirmar um paradoxo. o vício de raciocínio. Aqui. a coluna possui visão". mas a mbas juntas têm mais de um: ou que as próprias letras possuem conhecimento. o paradoxo. Destas ambigüidades e anfibologias existem três variedades: (1) quando o nome ou a expressão significam propriamente mais de uma coisa. pois p or esta frase tanto se pode entender que o conhecimento pertence ao que conhece como à coisa conhecida. Exemplos como o seguinte dependem da anfibologia: "desejo-vos capturar o i nimigo". Porque o significado não será o mesmo se dividirmos as palavras e as combinarmos desta maneira: "é possível ca minhar-enquanto-se-está-sentado". devemos conhecer os vários fins visados por aqueles que argum entam como competidores e rivais encarniçados. que de fato se achava enfermo na ocasião. nós vemos a co luna: portanto. ora. ou então. ou. pois é o que se levantou que está em pé. Porque "aprender" é uma palavra ambígua. como a "águia" (a ave ou a insígnia) ou o "cão" (o animal ou a constelação). pois são aqueles que conhecem as letras que aprendem as letras que lhe s são ditadas". mas o que goza saúde não está enfermo ao mesm o tempo: é o "homem doente". no curso do argumento. afirmas ser. isto é.etições e debates. como sucede muitas vezes com os próprios males (pois algumas espécies de m ales são inevitáveis). e em quinto lugar reduzir o adv ersário à impotência — isto é. Ou tro exemplo: "os males são bons.

o homem tem o poder de escrever e de não escrever ao mesmo tempo. não se deduz necessaria mente que todos os mesmos atributos pertençam a todos os predicados de uma coisa a lém dela própria. E também: "ele sabe agora se aprendeu as letras". mas com alguma qualificação que diga respeito à modalidade. embora ele não esteja escrevendo. Outras ambigüidades se devem à forma da expressão usada. por exemplo. Quanto aos argumentos viciosos que são independentes da linguagem. "ele admitiu que Corisco é diferente de um homem. Assim. por exemplo. e assim por diante. exemplos em que o sentido depende da acentuação. Estes são. por exemplo. e resolvem a dificuldade pronunciando o ou com um tom ma is agudo. "se Corisco é diferente de 'homem'. E há. a prim eira designa uma qualidade ou estado. então". (5) os que dependem de pressupor o ponto originário que deve ser demonstrado . Pois é possível usar uma expressão que não pertence em abso luto à classe das ações como se a ela pertencesse. dado que uma mesma coisa tem muitos acidentes. mas bra . As refutações que dependem da linguagem se baseiam. devido à estreita semelhança da expressão. ainda. ocorrem sempre que se toma uma expressão usada num sentido particular como se fora usada absolutamente. (4) os que dependem do conseqüente. por exemplo: "fiz de ti um escravo outrora homem livre". (7) unir várias questões numa só. ou um nome neutro com uma terminação mas culina ou feminina. e "não ser X" de "não ser". há sete espéci es: (1) os que relacionam com o acidente. se não é uma espécie particular de ser. enquanto as outras denotam uma ação. ao passo que. na passagem onde se relata o sonho de Agamenon. Não é fácil construir um argumento que dependa da acentuação nas discussões orais. ao tempo ou à relação. mas sim "ordenou ao sonh o que o concedesse". ou um est ado por uma palavra ativa. ao lugar. por exemplo. é diferente de si mesmo. nas discussões escritas e na poesia isso é mais exeqüível. quando se expressa da m esma forma o que em realidade é diferente. se não é um homem". e de que o maior é igual: pois é esse tanto e mais ainda. pois Corisco é um homem". Pois. por exemplo. ou vice-versa. como. dizem os sofistas. pois. (3) os que dependem da ignorância do que seja "refutação". o ditado: "uma só coisa se podes carregar uma porção também podes carregar". E do mesmo modo no tocante a qualquer argumento que gire em torno da possibilidade de usar-se uma expressão a certo respeito ou em sentido abs oluto. o que não existe é ou existe": pois não é a mesma coisa "ser X" e "ser" em sentido absoluto. já que "ser X" pouco difere de "ser". quando uma qualidade é expressa por uma terminação própri a da quantidade ou vice-versa. ou então: "se Corisco é diferente de Sócrates. e par e ím par. no a rgumento: "se o que não existe é objeto de opinião. e "o divino Aquiles deixou cinqüenta cem homens". tem o poder de escrever. Com efeito. então: "o que é não é. Assim. de acordo com as outras divisões an teriormente52 estabelecidas. "verdejar" é uma palavra que se assemelha pela forma a "cortar" ou "edificar". pois sucede que a pessoa de quem afirmou que Corisco difere é um homem". da mesma for ma. algumas pess oas corrigem Homero levando em conta os críticos que consideram estranha a frase τό μέν όυ ual apodrece na chuva). por exemplo. como. Os que estão vinculados ao uso de uma expressão em sentido absoluto. 5 Os argumentos viciosos vinculados ao acidente ocorrem sempre que se afirma que um atributo qualquer pertence de igual modo à coisa em questão e aos seus acide ntes. nestes tópicos ou luga res. ou o que é ativo por uma palavra passiva. Outros ex emplos semelhantes a este não são difíceis de encontrar. afirmam que Zeus em pessoa não disse: "nós lhe concedemos que se cumpra a sua prece51". pois. Ou. Assim. fi nalmente. Com efeito é a mesma coisa "não ser X" e "não ser" em sentido absoluto. Deste mesmo processo de divisão dependem as proposições de que 5 é 2 e 3. E. apenas aparenta que é assi m. no entanto. não se pens ará que uma mesma frase tenha sempre o mesmo significado quando dividida e quando combinada. o que muda o significado para "e não apodrece na chuva". a frase significará que. ou a cert o respeito e não de maneira estrita. (2) o uso de uma expressão em sentido absoluto ou não-absoluto. Por exemplo: "suponha-se que um indiano seja preto da cabeça aos pés. ou "existir". um nome masculino da ndo-lhe uma terminação feminina. ou. (6) apontar como causa o que não é a causa. e Sócr ates é um homem. s e não as combinarmos assim.

pois. não se nfere daí que o que teve um começo também tenha sido gerado. o mitem uma das condições que acabamos de apontar e fazem uma refutação que o é apenas em ap arência. por exemplo. demonstram que ela é e não é o dobro de alguma coisa. Ou.nco no que toca aos dentes. Se. Configura-se uma situação desta espécie quando ambos os atributos opostos se predicam igualmente do sujeito. A também deve necessariamen te existir. Poder-se-ia. portanto. por exemplo. Algumas pessoas. Há. e sob tantas formas em que é possível cair em petição de princípio. que o homem se esmera no trajar ou q ue foi visto vagueando pelas ruas à noite. pois. ainda. sem levar em conta o ponto inicial a ser provado. que alguém assegurasse a proposição de que o etíope é preto e em seguida p erguntasse se ele é branco no que toca aos dentes. mesmo se o que foi gerado sempre teve um começo. po r uma inferência necessária. mas a realidade. Ou. B n ecessariamente também existe. Mas em alguns casos isso passa muitas vez es despercebido. o universo não foi gerado. sempre que quando A existe. Os que dependem da pressuposição do ponto originário a ser provado ocorrem da me sma maneira. Parecem r efutar porque os homens não têm o poder de conservar simultaneamente debaixo dos olh os o que é idêntico e o que é diferente. as provas baseadas em sinais se fundam em conseqüências. a . demonstrando. contudo. imaginamos que. pode ser que demons trem que ela é e não é ao mesmo tempo o dobro da mesma coisa. no entanto. o argumento de Melisso. mas a acusação a que nos referimos é falsa. e. incluir este falso argumento entre aqueles sofismas que estão igualmente vinculad os com a linguagem. existindo B. por exemplo. dizem eles que "os atributos contrários pertencem simultaneamente ao seu sujeito". eterno. pois. se bem que isso não seja uma conseqüência neces sária. como. é ela branca ou preta? Outros ilogismos decorrem do fato de não se haverem definido os termos "prov a" ou "refutação". e. porquanto dois é o dobro de um. ou de se ter omitido alguma coisa na definição dos mesmos. Pois não falta quem suponha que a bílis seja mel porque ambos têm uma cor amarela. é que esteve chovendo. e isso baseando-se nas proposições concedidas. se uma coisa é metade branca e metade preta. Com efeito. sendo o dobro no comprimento. mas o próprio nome —. apegam-se a alguma conseqüência da vida adúltera. modalidade e tempo em que se afirmou. A refutação que depende de tomar como causa o que não é uma causa ocorre sempre qu e se insere no argumento algo que não é uma causa. ao terminar o seu interrogatório. porém não na largura. e não a penas um sinônimo. então ele é ao mesmo tempo branco e não branco". pois isso parece apoiar a opinião de que se deve concordar absolutamente ou com a afirmação. Esse tipo de ilogismo acontece nos argumentos que raciocinam pela redução ao impossíve l. Daí nascem também os enganos relacionados com as opiniões que se baseiam n a percepção dos sentidos. porém não a o mesmo tempo: por isso sua refutação é apenas aparente. Em retórica. essa conseqüência não é necessária. então. pressupõe que o universo não se gerou (pois do nada não se pode gerar coisa alguma) e que tudo que foi gerado o foi desde o começo. Também acontece coi sa semelhante nos raciocínios autênticos. se o chão está molhado. Ora. não teve começo e é. por exemplo. como o etíope é branco a esse re speito. a saber: em todos aqueles nos quais. como do fato de que um ho mem que tem febre sente calor não se infere que o homem que sente calor tenha febr e. Em alguns caso s esta espécie de sofisma pode ser facilmente percebida por qualquer um: suponha-s e. Porque ref utar é contradizer um só e o mesmo atributo — não somente o nome. como depois da chuva o chão fica molhado. Se. A refutação relacionada com o conseqüente se deve ao fato de suporem algumas pes soas que a relação de conseqüência seja conversível. que a mesma coisa é e não é ao mesmo tempo um dobro. se pensar geralmente que a predicação absoluta ta mbém se segue daí. no me smo aspecto. sob o mesmo aspecto e na mesma modalidade. como. ao predicar-se um atributo de alguma coisa a certo respeito. ter provado dialeticamente que ele é ao mesmo tempo branco e não branco. de que o universo é eterno. como se a refutação dependesse dele. imaginam que. por c onseguinte. pois nesses argumentos somos forçados a destruir uma das premissas. forçando um pouco. quando os retóricos querem demonstrar que um homem é um adúltero. se am bos os atributos pertencem ao sujeito sob um aspecto particular. porém não sob o mesmo aspect o. julgasse. e também nos casos em que não se percebe facilmente qual dos atributo s deve predicar-se em sentido absoluto. ou com a n egação de ambos: por exemplo. Uma "asserção falsa" a respe ito de alguma coisa deve ser definida do mesmo modo. relação. mas não é o dobro de três. Ou. muitas pessoas de quem es ses fatos são verdadeiros.

Porque a outra conclusão também seria verdadeira. se alguém bate em A e B. e ntão. premissas adicionais podem dar origem a uma refutação genuína: suponha-se. pois. devemos tomar também a definição parte por parte e aferir por e sse meio a perversão de raciocínio. enquanto os erros de combinação. embora . como. ou é o céu?" Mas em outros casos isso não é tão fácil. "nu" e "cego" se aplicam no mesmo sentido a uma coisa só e a uma porção de coisas. se "cego" se aplica a uma coisa que é privada de visão. pois a conclusão deve resultar das premissas estabelecidas de modo que nos force a afirmá-la necessariamente e não apen as forçar-nos.causa falsa for incluída entre as perguntas necessárias para estabelecer a impossib ilidade resultante. Por exemplo: "É A e B um h omem?" "Sim. precisamo s de uma nova pergunta para demonstrar que "capa" significa a mesma coisa. Às vezes. Por exemplo: "é a terra q ue consiste em mar. pensar-se-á muitas vezes que a refutação depende dela. a morte é uma forma particular de perecer e tem como contrária a vida: a vida é. só que aqui se menciona. são inconcludentes em relação à tese proposta . se o gerar-se é o contrário de perecer. a fim de satisfazer todo aquele que nos indagar se pensamos ter demonstrado a nossa t ese. pois. alguns dependem de um duplo sentido. ou ambas cegas. E. E as sim. por natureza. e não em homens. por exemplo. Os que dependem de unir duas questões numa só ocorrem sempre que a pluralidade passa desper cebida e se dá uma só resposta como se a pergunta fosse uma só. é preciso que a conclusão se refira a um "manto". "alma" e "vida" não são a mesma coisa. e sucede que o triângulo é ." "Então. por exemplo. 6 O método correto é. na prova de que "alma" e "vida" não são a mesma coisa: porque. portanto. A seguir. Mas isto é imp ossível: logo. podemos verificar se são inconcludentes. uma geração. que alguém concedesse que os qualific ativos "branco". e isso muitas vezes passa despercebido às próprias pessoas que formulam as pergunt as. Porque a mesma definição deve valer também para a "refutação". dividir as provas e refutações aparentes como foi feito acima. Ora. ora. por e xemplo. que é uma forma de perecer. então uma forma particular de perecer terá como contrária uma f orma particular de gerar-se. que quando A e B existem. os argumentos vinculados ao conseqüente e à falsa causa. pois a refut ação é uma prova da contraditória. do mesmo modo. em acréscimo. atribuí-las todas à ignorância do que seja uma "refutação" e tomar este fa to como nosso ponto de partida: pois é possível reduzir todos os vícios de silogismo a pontados acima a violações da própria definição do que é uma refutação ou argumento. ou serão ambas capazes d e ver. a tese não está provada. portanto. Os argumentos desta espécie. pois a impossibilidade se dá mesmo quando não se afirma que a vida é idêntica à alma. C deve necessariamente existir. e viver é ser gerado. Em prime lugar. tampouco existe refutação. e ou confessam-se derrotadas por serem incapazes de responder à pergunta. quando uma parte é boa e outra má. o que é impossível. Com efeito. ou se expõem a uma aparente refutação. e não a uma "c apa". ou. se não existe prova no que toca ao aci dente de uma coisa qualquer. Porque. dos argumentos falsos vinculados à linguag em. e que C é branco: não há nenhum a necessidade de que ele seja branco por causa do silogismo. então. Ora. se a questão diz respeito a um manto. e da falácia de formas verbais semelhantes (pois habitualmente nos referimos a tudo como se fosse uma substância particular). poder-se-ia pensar que se expõe a uma aparente refutação ou a fazer uma af irmação aparentemente falsa. mas simple smente que a vida é o contrário da morte. embora não sejam inconcludentes de forma absoluta. divisão e acentuação se devem a que a frase ou o termo alterados não são os mesmos que se tinham em vista. seja qual for a su a resposta. devesse possuí-la. a mesma palavra se aplicará a diversas coisas que não podem ver." Ou. e que o perecer tem como seu contrário o "ser gerado". porque afirmar a bondade do que não é bom ou a ruindade do que é bom é afirmar em falso. a "contraditória". se bem que a natureza as destinasse a possuir essa faculdade. sempre que uma coisa pode ver enquanto outra não pode. e as pessoas trat am a questão como se fosse uma só. contudo. "o todo é bom ou mau?" Pois. Tais são. Por conseguinte. Os vícios de raciocínio vinculados ao acidente são casos evidentes de ignoratio elenchi53 depois que se define a "prova". por exemplo. Suponhamos. s e o triângulo tem os seus ângulos iguais a dois ângulos retos. bate num homem. tanto o nome como a coisa significada devem ser os mesmos para que se possa levar a termo uma prova ou refutação. mas não foi provada. Porque. em alguns casos é fác il ver que há mais de uma questão e que não se deve responder. da ambigüidade de palavras ou frase s. isto é.

no caso das coisas que se igualam. a conclusão deve resultar "porque essas coisa s são assim". se as cois as que assumem uma só e a mesma grandeza se tornam iguais. m as apenas parece fazê-lo devido à ignorância do que seja uma refutação. como o que foi g erado teve um começo. pois. e de "absolutamente branco" é "absolutamente não-branco". mas enquanto triângulo. Se. pois estes últimos lh es fazem frente com argumentos baseados no acidental. Os vícios de raciocínio que dependem de unir várias questões numa só consistem em não termos sabido dissecar a definição de "proposição". ou um ponto de partida. pressupõe o conseqüente. um argumento que dependa de um acidente não pode ser uma refutação. Porque aparência de uma refutação se deve a uma falha na definição. Teremos de voltar ainda a examinar esta questão de outros pontos de vista56. Se. Ora. por lhes faltar o poder de fazer distinções. ou q ue "tornar-se igual" é o mesmo que "assumir a mesma grandeza". a identidade de uma coisa amarela com o mel ou de uma coisa branca com um ci sne). pois. e isso não acontece quando as premissas não são suas causas. a refutação é uma prova. pois. a ref tação também partirá de proposições. ou respondem "sim" a tais perguntas. pois. as sim como a "neve" e o "cisne" são idênticos a alguma coisa "branca". Pois uma proposição é uma predicação sing acerca de um sujeito único. a demonstração prova a tese a seu respeito não enquanto figura ou enquanto elemento mais simples. ou o elemento mais simples. E igualmente. E. uma "proposição" simplesmente consistirá em propor uma questão dessa espécie. porque ambos têm u m começo. Com efeito. haverá refutação. Todas as perversões de raciocínio. "uma proposição só" é aquela que predica uma coisa única de um sujeito único. Se. Se. assim como uma refutação vinculada ao acidente consiste na ignorância do que seja uma refutação. ou o elemento mais simples que ele possui essa car acterística. é evidente que o mesmo acontece com a refutação vinculada ao conseqüent e. embora isso não seja verdade. a "homem" e a "um homem só apenas". também as coisas que se t ornam iguais assumem a mesma grandeza: em outras palavras. mas só aparentemente uma. justamente desse modo que os especialistas e home ns de ciência são geralmente refutados pelos que não são cientistas. haverá uma refutação aparente da tese. No entanto. É. Aqueles que dependem de se dizer alguma coisa apenas a certo respeito ou n um sentido absoluto são casos evidentes de ignorado elenchi. Os que dependem do conseqüente fazem parte dos que se devem ao acidente ou e stão relacionados com ele. se incluem na classe da ignorância do que seja uma refutação. o que não acontece nos ar gumentos que se baseiam numa petição de princípio. e se dividirmos os falsos arg umentos da maneira descrita acima devemos imprimir a todos estes a marca de "par alogismo" ou "falha de definição". por exemplo. Ou então. como no argumento de Melisso. e os cientistas. mas se a resposta dada não é realment . algumas . como uma prova parte de proposições e a refutação é uma espécie de prova. ou então supõese que tenham assentido. do qual difere apenas num ponto: pode-se assegurar a concessão do acidente no caso de uma coisa só (por exemp lo. E do mesmo modo em outr os casos. Com efeito. se deu uma respost que corresponde a uma questão única. alguém supõe que "ser gerado" é o mesmo que "ter um começo". pois nele o que não é uma proposição parece sê-lo. e argumen ta como se o que foi gerado e o que é finito sejam a mesma coisa. que A e B sejam "idênticos" a C por acidente. ou um ponto de partida. contudo. Aqueles que dependem da pressuposição do ponto a demonstrar e de apontar como causa o que não é a causa aparecem-nos como casos evidentes de ignoratio elenchi qua ndo definimos esta última. ele presume que o que tem um começo também foi gerado. Se. E a mesma definição aplica-se a "uma coisa só apenas" e à "coi sa" simplesmente. pois. ao passo que o conseqüente sempre implica mais de uma coisa: pois afirmamos que as coisas que são idênticas a uma só e mesma coisa também são idênticas entre si. Os casos mais evidentes de todos. ele supõe que. e é também daí que provém o seu nome55. porque a afirmação e a ne gação não se referem ao mesmo ponto. por exemplo. alguém trata a admissão de que alguma coisa é "branca a certo respeito" com o se o outro tivesse afirmado que ela é absolutamente branca não efetua uma refutação. e é nis o que se baseia uma refutação vinculada ao conseqüente. e também deve d eduzir-se sem que se leve em conta o ponto a demonstrar. e analogamente também nos outros casos. não é por ser uma fi gura. porém. uma proposição é um argumento único a respeito coisa única. ela nem sempre é ver dadeira: suponha-se. é óbvio que também este vício de raciocínio consiste na ignorância do que seja ma refutação. Portanto. Com efeito. pois. são aqueles que descrevemos atrás54 com o dependentes da definição de uma "refutação". a negação de "branco a certo respeito" é "nã -branco a certo respeito". pois o conseqüente é um acidente.uma figura.

por outro lado. pois é difícil distinguir que classe de coisas são significadas por uma mesma expressão e por diferentes espécies de expressão. aspecto. dos que apontam uma causa falsa e de todos os que tratam diversas questões como uma só: pois em todos esses a falácia consiste na pequenez da diferença. por meio do próprio objeto). um homem pode deixar-se enganar. modalidade ou tempo particulares como se nada acrescentasse ao s ignificado. pois se pensa que a elevação ou o abaixa-mento da voz numa frase não lhe altera o significado — em nenhuma frase.delas porque a contradição. e concedemos universalidade à proposição. Além disso. pois os sofistas conseguem enredar os própr ios homens de ciência com tais argumentos. como "unidade". e as demais por não se conformarem à definição da prova. pelo menos. a sua unidade e mul tiplicidade. as várias fontes de que nascem os silogismos aparentes. com efeito. se A é inseparável de B. pode-se dizer. E do mesmo modo também no caso daqueles que pressupõem o ponto original a demo nstrar. ao passo que nos que dependem da combinação e divisão. o i logismo se deve a não termos sabido dividir o termo ambíguo (pois não é fácil dividir cert os termos. e falha mos em definir com toda a exatidão o que sejam "premissa" e "prova" pela razão anter iormente indicada. e um homem capaz de fazer isso está pr aticamente no limiar da compreensão da verdade. que é a marca distintiva de uma refutação. ou que espécies de predicados têm todas como sujeitos os mesmos acident es. tratamos a limitação a uma coisa. Naqueles que dependem da forma de expressão o engano se deve à semelhança de lin guagem. a equi vocação se deve a pequena diferença entre os dois. bem como n os que estão vinculados à diferença entre um juízo qualificado e um juízo absoluto. o que é tarefa própria da arte do exame. não em muitas. 8 Conhecendo. B também é inseparável de A. Po r essa mesma razão. enquanto a que fazemos por nós mesmos se realiza. e m segundo lugar. de modo que a falsa demonstração será levada a cabo com o auxílio de t . Uma razão especial que nos leva a as sentir com demasiada pressa a um ilogismo é supormos que todo predicado do que que r que seja é uma coisa individual e entendermos que ele seja uma só e mesma coisa co m o seu sujeito: e por isso o tratamos como se fosse uma substância. é porque supomos ser indiferente que a frase seja combinada ou dividida. pois as mesmas con siderações que levam os ouvintes a pensar que os pontos requeridos para a prova fora m assegurados pelas perguntas e que a conclusão foi demonstrada também convencem o p róprio respondente. em muitos casos parece ser verdadeiro — e se toma como ta l — que. mesmo quando investiga por si mesmo. assim como à própria substância. Ora. além disso. que se pens a pertencerem na mais plena acepção dos termos a "individualidade" e a "unidade". embora possam demonstrar a contraditória da sua tese. este tipo de ilogismo deve ser incluído entre os que dependem da linguagem. só em aparência são apropriados à coisa em questão. E do mesmo modo no tocante aos que dependem do conseqüente. a arte do exame é um ramo da d ialética. São esses os que não logram o inten o de refutar e provam a ignorância do argumentador com respeito à natureza da coisa em questão. É evidente que os conhecemos pelo mesmo método de investigação. Por sofisma ou silogismo sofistico e refutação sofistica entendo não apenas um silog ismo ou refutação que parece ser válido mas não o é. e a semelhança provém da linguagem. como também aqueles que. o u. dá-se a equivocação por não podermos disti nguir a identidade e a alteridade dos termos. As refutações sofísticas. a falác ia provém da semelhança entre duas coisas distintas. não atestam a sua ignorância. quando toma a linguagem como base dessa investigação solitária. ou. agora. E de maneira análoga nos que dependem da acentuação. 7 No caso dos argumentos que dependem da ambigüidade de palavras e frases. pois este é uma espéci e de acidente. embora sendo vá idos. Naqueles que dependem de uma definição ou de uma refutação imperfeitas. e esta pode provar uma conclusão falsa valendo-se da ignorância do que respo nde. é apenas aparente. como realmente acontece com a maioria das frases. pois é àquilo que se identifica com uma coisa ou substância. Nos ilogismos que dependem do acidente. t ambém conhecemos aquelas de que podem originar-se os sofismas e as refutações sofísticas . em primeiro lugar porque o engano se dá mais facilmente quando investi gamos um problema em companhia de outros do que quando o fazemos sozinhos (pois uma investigação feita com outra pessoa se efetua por meio da linguagem. "ser" e "identidade"). por outra.

pois não podem provir de outras. poder-se-ia refutá-lo demonstrando que ela é incomensurável. as provas sofísticas da contraditória d e uma tese consistem numa refutação aparente. qual é o seu fundam ento. Pela expressão "em cada arte" quero dizer: "de acordo com os princípios dela". mas só aqueles que estão vinculados à dialética. que não precisamos dominar os tópicos ou lugares de todas as refutações possíveis. quer relativas ao oponente. a pressuposição do ponto originário a ser provado. e a que se deve à semelhança de formas verbais pressuponha que a substânci a seja a única categoria. em vez de provar a contraditória universalmente e sob o mesmo a specto. pois é possível que as ciências sejam inf initas em número. por fim. não devemos tentar abarc ar o número de considerações de que dependem as refutações daqueles que são refutados. Se. e. pois em cada arte existe a prova falsa: por exemplo. Conhecemos. mas a falha de qualquer desses elementos fará com que a refutação o seja apenas em ap arência: por exemplo. pois sempre que é possível d emonstrar alguma coisa. relação e maneira. se conhec emos os fundamentos das provas aceitas no tocante a um tema qualquer. quer absolutas. violando a cláusula "sem levar em conta o ponto originário". pois. no que toca à refutação que se efetua de acordo com uma ou outra d as ciências particulares. também seriam infinitas. e. aquela que trata duas questões como se fossem uma só. Ora. e toda s são conseqüências das causas que apontamos. pois as objeções qu e a elas se fazem são as soluções. compete ao homem que cultiva essa ciência particular julga r se ela é apenas aparente sem ser real. ao passo que. não haverá nem refut ações. e isso somente aos olhos dessa pessoa particular. pois seria um trabalho sem fim examinar qu . contudo. mas este pensa ter concedido. É evidente.odos esses meios ou de alguns deles: pois aquilo que não foi perguntado a um homem . Por conseguint e. não para todos. Conhecemos também o número das considerações de que depend m aquelas refutações que são meramente aparentes — aparentes. a que decorre da substituição de um atributo essencia l por um acidente. de modo que as demonstrações. o número de considerações de que dependem todos os argumentos dessa espécie. tão logo formulamos a pergunta omitida desmasc aramos a falsidade do argumento. pois esses são comuns a toda ar te ou faculdade. também é possível refutar o homem que defende a tese contraditór ia: por exemplo. mas só ara homens de um certo feitio mental. ao passo que aos dialéticos cabe examinar a refutação que procede dos primeiros princípios comuns que não caem no campo de nenhum estudo especial. uma refutação aparente depende dos elementos implicados numa refutação genuína. Uma refutação sofistica não é uma refutação absoluta. evidentemente. conhecemos também os das refutações relativas a esse tema. e assim dep ende de uma falha na premissa. conhecendo estas. pois. outras dos pr incípios da medicina e outras dos de outras ciências. não é matéria de nenhum estudo especial. serão válidas em relação ao oponente. Com efeito. Temos aí o número de condições de que dependem as provas falsas. mas somente em relação a uma pess determinada. aquela em que a conclusão não se segue do argumento (a redução a uma impossibilidade). porém não em real idade: nesse caso. já que a refutação é uma prova da contraditó de uma tese dada. Porque. E há. isto é. as refutações tanto podem ser verdadeiras como falsas. no caso de ser real. o ilogismo pode depender de algum limite de extensão ou de uma ou outra dessas qualificações. tê-lo-ia concedido da mesma forma se lhe fosse per guntado. pode suceder que a conclusão se deduza apenas verbalmente. na medicina a falsa prova médica. e (como um ramo desta última) a que está vinculada ao conseqüente. pois. de modo que uma ou duas provas da contraditória constituem uma refutação. se um homem sustentasse que a diagonal é comensurável com o lado do quadrado. e as demais por motivos análogos a esses. pois não assentaram uma conclusão que tenha um significado só. e assim por di ante. 9 Sem um conhecimento de todas as coisas que existem. Ora. as falsas refutações também são m número infinito. Além disso. por exemplo. algumas refutações dependem dos princípios que vigoram na geometria e das conclusões que se seguem desses princípios. mas apenas pare ce tê-lo. a não ser que aquela que decorre de uma ambigüidade pressuponha que o termo ambíguo tem um só s ignificado. e da mesma forma no que diz respeito à prova sofistica. está claro. como. E. a fim de esgotar todas as refutações possíveis teremos de possuir o conhecimento ci entífico de todas as coisas. Isso. na geometr ia existe a falsa prova geométrica. Em certos casos. nem provas. se pres supuserem essas coisas. se bem que não de maneira ab soluta. Aliás. é claro que as considerações de que dependem tanto a prova de uma conclusão falsa como uma refutação aparente devem ser iguais em número. Pois. nos vícios de raciocínio que dep endem da linguagem e do solecismo. conhecemos também as suas soluções.

no mesmo sentido em que a pessoa interrogada a concedeu? E isso é o mesmo que dirigir o argumento con tra a expressão. todos eles podem dirigir-se contra a expressão. está em ambas. haverá uma terceira classe de argumentos que não se aplicarão nem a um. com efeito. Ora. portanto. se nem todos se aplicam à expressão ou ao pens amento. e o argumento que se trata de demonstrar é que "todas as coisas são uma só" —. Porque. no de que a poesia de Homero é uma figura por ser um "ciclo". estes os significado s das frases de que estamos tratando. não dirig ir um argumento contra o pensamento. 10 Não é uma verdadeira distinção entre argumentos aquela que fazem algumas pessoas a o dizer que alguns argumentos se dirigem contra a expressão e outros contra o pens amento expresso. contém dois ângulos retos. se ao usar uma palavra que tem mais de um significado. e por vezes está em amb s. isso é possível de todo e qualquer arg umento : porque o fato de dirigir-se contra o pensamento não reside na natureza do argumento. os que dependem da simples expressão constituem apenas um ramo daque les silogismos que dependem de uma multiplicidade de sentidos. para voltarmos ao ponto de que partiu a nossa digressão57: os raciocínios matemáticos se dirigem ou não se dirigem contra o pensamento? E. em primeiro lugar. e. pode suceder que "Ser" e "Um" tenham vários significados. ou passível de exame . mas o respondente não compreen de nem imagina que assim seja. Por outro lado. o i nquiridor dirigiu neste caso o seu argumento contra o pensamento do outro ou não? Além disso. ou na contradição (pois é necessário considerar também esta última). e que eles não sejam os mesmos. É claro. Mas. E assim. no argumento de que se pode dar o que não se possu i. por outro lado. também. ele se dirige contra o pensamento sempre que se usa a expr essão no mesmo sentido que o oponente tinha em vista quando o concedeu. Pois não se chegou a fazer a afirmação absurda de que a frase "dependente da simples expressão" se aplica a todos os argumentos vinculados à linguagem. Porquanto a refutação é uma prova. ou aparentemente dialética. porque "dirigir-se contra a expressão" significa. em segundo lugar. se a refutação é simplesmente aparente. sabe que não a está empregando. que compete ao dialético ser capaz de captar as várias maneiras pelas quais. Com efeito.ais e quantas são as considerações que fazem com que elas sejam aparentes para a multi dão. Mas dizem que a classificação é exaustiva e os dividem nos que se aplicam à expressão e nos que se aplicam ao pensamento. Sendo. como negar que o inquiridor tenha dirigido aqui o . No argumento "do silencioso é possível falar" e la está na contradição. é evidente que elas não podem designar duas cl asses distintas de argumento. e assim devemos discutir esta última antes de descrever a falsa refutação. em sua pergunta. se alguém pensa que "triângulo" é uma palavra que comporta vários significados e a concedeu em algum senti do diferente do da figura que. e no entanto o inquirido responda e o inquiridor form ule as suas perguntas na suposição de que essas palavras sejam unívocas. ao usar a expressão. se constrói uma refutação real ou aparente. pois é absurdo supor que alguns argumentos tenham em mira a expre ssão e outros o pensamento. Que é. e não na prova. tanto o inquiridor como o inqu irido supuserem que ela tem um só — como. uma refutação dialética. "não se diri gir contra o pensamento". se a expressão tem vários significados. segundo se demonstrou. completamente absurdo discutir a refutação sem ter primeiro discutido a prova. mas na atitude especial do inquirido para com os pontos que ele própri o concede. com base nos primeiros princípios comuns. isto é. é possível que qualquer arg umento dessa espécie que comporta mais de um significado se dirija contra a expres são e contra o pensamento. Por outro lado. O argumento que não falha a nenhum desses respeitos é uma verdadeira demons tração. por exemplo. quando alguns destes são vícios de raci ocínio não porque o respondente assuma uma atitude particular para com eles. senão o que acontece sempre que um homem. pois. a razão da falsidade estará ou na prova. Em re alidade. porém. está n a prova. mas por que o próprio argumento requer a formulação de uma pergunta que comporta mais de um si gnificado? É. já que uma refutação dessa espécie nada mais é do que a prova a arente da contraditória de uma tese. nem à ou tra. quem dirá que uma tal di scussão se dirige mais contra a expressão do que contra o pensamento do inquirido? S e. de acordo com essa doutrina. um deles pensa que a expressão tem vários significados. é evidente que a discussão não se dirigirá contra o pensamento. e outra classe (dizem eles) não existe.

De forma que todo raciocínio que o seja apenas em aparência a respeito dessas coisas é um argumento erístico. os qu e estão decididos a ganhar a todo custo não recuam diante de expediente algum. porquanto. Mas o métod o de quadratura do círculo proposto por Brison. como. alguém respondesse que isso não é possível em sentido algum e o outro replicasse que sim. par a não falar em constituírem todas as refinações. Não existe. por exemplo.seu argumento contra o pensamento daquele? Ou de que outra maneira deveria ele formular sua pergunta supondo-se que a pergunta seja "do silencioso é ou não possível falar?" a não ser sugerindo uma distinção como segue: "a resposta é 'não' num sentido e 's im' em outro"? Se. e disser: "por 'do silencioso é possível falar' entendo num sentido isto e noutro sentido aquilo". nem por isso deixa de ser sofistico. mesmo que com ele se consiga reduz ir o círculo a um quadrado. e tanto os pendenciadores como os sofistas empregam os mesmos argu mentos. em verdade. no primeiro caso. pois não faz mais do que aparentar que se conforma ao tema tra tado. as que têm que ver com o acidente e outras. em segundo lugar. pois. e por isso é enganoso e desleal. pois. supõe-se que esse argumento seja um daqueles que se dirigem contra a expressão." Ou então: "o conhecimento dos contrários é ou não é um só? Observe-se que a lguns contrários são conhecidos. Se. enquanto os que têm em mira ganhar renome e enriquecer com isso são sofistas. Porque a arte da crítica é um ramo da dialética e s e dirige não ao homem que conhece. e também (2) há os paralogismos que não se conformam à linha de investigação própria do tema particular. sobre temas em que o raciocínio dialético é o método adequado de crítica mesmo q uando a conclusão do primeiro é verdadeira. por exemplo. evidentemente sustentar isto é. mas ao ignorante que presume conhecer. porque não está confo rme ao assunto em questão. Falemos agora do raciocínio erístico ou sofistico: (1) é ele um raciocínio apenas aparente. embora se pense geralmente que estão de acordo com a arte em questão. E que impede que a mesma nos aconteça também a nós em casos nos quais não ex iste um duplo significado? "São iguais as unidades das díades e as do quatro? Observ e-se que as díades estão contidas no quatro em um sentido desta maneira e em outro s entido daquela. 11 Além disso. enquanto outros não o são". se bem que por diferentes motivos. o seu argumento não se dirigiria contra o pensamento do inquirido? E contudo. pois também há refinações aparentes que não dem da linguagem. Pois. assim como a deslealdade numa corrida é uma forma definida de transgressão e uma espécie de luta desleal. e todo raciocínio que apenas parece conformar-se ao assunto em questão. porém não sob o mesmo ponto de vista. u m dialético aquele que considera os princípios comuns em sua aplicação ao assunto partic ular em debate. é um argume nto da mesma espécie. Os falsos desenhos de figuras geométricas. como tampouco o é qualquer diagrama falso que se possa apresentar em prova de uma verdade — demos como exempl o a figura de Hipócrates sobre a quadratura do círculo por meio das lúnulas. e i gnorar que quem usa a argumentação didática não deve fazer perguntas. no entanto. nenhuma classe especial de argumentos que se dirijam contra o pensamento. mas esses argumentos não constituem sequer todas as refutações aparentes. que outra coisa é um argumento didático s enão isso mesmo? Pois ele torna manifesta a verdadeira natureza do caso a alguém que jamais considerou e que não sabe nem concebe que haja ou seja possível um segundo s ignificado. pois o outro nos ilude no tocante à causa. em primeiro lugar. uma espécie de arte de fazer di nheiro graças a uma sabedoria aparente. exigir um "sim" ou um "não" como resposta é tarefa de quem procede à c rítica. Se o motivo que o inspira é a a . É. E assim o homem que afirma tal coisa parece desconhecer a diferença entre o argumento didático e o dialético. e o m esmo fazem no segundo caso os raciocinadores erísticos. enquanto o que só faz isso em aparência é um sofista. pois. ainda que seja um raciocínio autêntico. também a arte do ra ciocínio sofistico é uma luta desleal na discussão. pois. e não do que expõe alguma coisa. e. como dissemos58. e assim os sofistas tendem para as demonst rações aparentes. mas esclarecer ele mesmo as questões. Alguns argumentos. absurdo (pois às vezes o inquirid or não vê a ambigüidade da sua própria pergunta e positivamente não pode fazer uma distinção uja existência ignora). Aqueles. não são sofísticos (pois os erros que deles resultam são conformes ao tema próprio da arte). alguém sustentar que é necessário fazer a distinção. que agem de sse modo com o fim único de conquistar a vitória são geralmente considerados como erísti cos e rixentos. enquanto o outro deve limitar-se a fazer perguntas. de sorte que o mesmo argumento será sof istico e erístico. se dirigem contra a expressão. Pois a arte do sofista é.

pois. pois. não poderia e xistir argumento erístico sobre os temas supramencionados. pois empreendem. inclusive os próprios amadores. A dialética também é. se absteria de fazê-las. ela trata de todas as coisas. ao contrário. por causa do argumento de Zenon (de que o movimento é impossível). O que lhes vale aqui são os princípios gerais.parência da vitória. mas se lim itam a campos especificamente determinados. mas algo que um homem pode possu ir mesmo sem ter nenhum conhecimento científico. a solução dada por Brison é erística. se t ivesse por fim demonstrar coisas. Por isso todo mundo. pareça a este que se desviam totalmente deles. utiliza de certo modo a dialética e a arte da crítica. A dialética. se estivessem. terá forçosamente de ignorar também a teoria. uma modalidade de crítica. não na coisa que ele conhece. pois raciocina em f also a partir dos mesmos princípios de que se utiliza o dialético. Todos. nem nos princípios es peciais da matéria em discussão. Assim. se o oponente se recusa a conceder estes. a relação do argumento erístico para com o dialético foss e exatamente igual ao do traçador de falsas figuras para com o geômetra. pois todos intentam até certo ponto. ainda que. é possível proceder à crítica de qu alquer coisa a partir desses princípios gerais. não são de tal espécie que constituam u ma natureza particular — uma natureza particular de ser. mas se asseme lham aos termos negativos. pois o s conhecem por si mesmos tanto quanto o cientista. pois. Porque todos os seres não estão contidos numa só espécie. e é dialético aquele que examina as questões com o auxílio de uma teoria do raciocínio. claramente erístico em outras matérias. Porque. no e ntanto. primeiro argumento não se pode aplicar a matéria alguma que não seja a geometria. já que o de Zenon é de a plicabilidade geral. por que procede de princípios que são peculiares a esta ciência. Mas. e nem sequer é um argumento da espécie daqueles que encontramos na filosofia geral do ser. Se. porém. poderiam estar submetidos aos mesmos princípios. E assim. pois toda "teoria" do que quer que sej a também emprega certos princípios comuns. sob todos os aspecto s. a mesma tar efa de que se ocupa profissionalmente o dialético. como amadores. pela sua maneira d e expressar-se. nenhum arte que seja um método de demonstrar a natureza do que quer que seja procede por via de inquirição. se ele o ignora. mas o segundo pode ser ad aptado de modo a se tornar um argumento contra todos aqueles que ignoram o que é e o que não é possível em cada contexto particular. se este último lhe conceder pontos que se baseiem. a arte da crítica não consiste no conhecimento de qualquer matéria definida. e também que haja uma arte definida de proceder a tal crítica — uma arte que. senão a respeito de tudo. mas em toda aquela série de conseqüências decorrentes do assunto que um homem pode em verdade conhecer. pelo menos a respeito dos primeiros princípios e dos princípios especiais que regem o tema particular em debate. Por essa mesma razão. mesmo ignorando a teoria do mesmo . não seria esse um argumento apropriado a um médico. pois tampouco a a rte da crítica é da mesma natureza que a geometria. submeter à prova aqueles que se dizem conhecedores de alguma matéria. O argum ento erístico guarda para com o argumento dialético mais ou menos a mesma relação que a do delineador de falsas figuras geométricas para com o geômetra. procede por meio de perguntas. embora a quadrat ura do círculo por meio das lúnulas não seja erística. será erístico. mas de toda e q . se alguém negasse que convém dar um passeio depois de jantar. Eis aí por que o raciocinador sofistico não está. Assim. por exemplo. entenda-se —. pois não permite que o outro escolha a que mais lhe agradar das du as alternativas propostas numa pergunta. praticam a refutação. não demonstra coisa a lguma em particular. E há também o mé o de quadratura do círculo proposto por Antifon. Pois mesmo ao homem sem conhecime nto é possível criticar um outro que careça como ele de conhecimento. e assim. além do mais. Mas a verdade é que o arg umento dialético não se ocupa com nenhuma espécie definida de ser. ao passo que. Ora. assim como o que traça figuras falsas engana o geômetra. pois é aplicável a todos. enquanto outros princípios não são desta classe. Ou. será sofistico : pois a arte do sofista é uma certa aparência de sabedoria sem a realidade. na mesma posição que o traçador de falsas figuras geométricas. ne m. pois aquele não tende a raciocinar em falso partindo de uma classe definida de princípios. ao mesmo tempo. se tem em vista a aparência de sabedoria. ao passo que este último não raciocina eris ticamente porque baseia as suas falsas figuras sobre os princípios e conclusões da p rópria arte da geometria. não é da mesma espécie que as artes demonstrativas. o argumento subordinado aos princípios da dialética será. ainda que de modo grosseiro. visto não ser possível que ambas forneçam uma prova. existem muitos princípios idênti cos que são verdadeiros de todas as coisas. mas que. já não haverá bases para argumentar contra a objeção.

pois. Por exemplo. e a estipu lação de que ele dirá apenas o que pensa ensejam abundantes oportunidades de arrastá-lo ao paradoxo ou ao ilogismo. e é fácil perceber que compete a o dialético estudá-los e ser capaz de aplicá-los. 12 Acabamos de tratar das refutações aparentes. Além disso. se fala como a maioria. po is em toda escola há algum ponto dessa espécie. quer ele responda "sim". e também.ualquer classe. mas não pelos da natureza. já que as pesso as tendem mais a cair em erro quando falam em termos gerais. Devemos. Segundo o ponto de vista deles. não é tão fácil apanhar os homens em tais armadilhas como outrora. quer as suas opiniões secretas. que também eles ou tentavam refutar o oponente. para provocar uma afirmação paradoxal. mas desejam o que parece promover os seus interesses. p ois replicam com a pergunta: "que tem isto que ver com a questão original?" Outra regra elementar para induzir a um erro de raciocínio ou a um paradoxo é nunca aprese ntar diretamente uma questão controversa. Por exemplo: "devemos obedecer ao homem sábio ou a nosso p ai?". e não no meio de riquezas que o desonrem. faça . Porque formulá-la sem refe rência a qualquer tema definido é um bom engodo para lograr tais fins. mesmo quando a posição que se ataca é perfeitamente definida. enquanto o que fala de acordo com estas deve ser levado a admitir os desejos que a maioria costuma esconder. e falam em termos g erais quando não têm diante de si nenhum tema definido. dizia m eles. faça-se com que se oponha à maioria. a formulação de divers as perguntas. já que todo esse estudo está compreendid o na investigação das premissas. de levá-lo a emitir juízos que estamos bem preparados para atacar . isso se consegue. deve-se levar as pessoas a emitir pontos de vista opostos aos da maioria e aos dos filósofos: se alguém fala como um hábil raciocinador. Hoje em dia. dizem que um hom em deveria preferir uma morte digna a uma vida de prazeres e viver pobre. é mostrar que o paradoxo não result a do argumento: pois é isso o que o oponente-sempre-tem em vista. segundo mostramos anteriormente59. Porta nto. o homem que fala de acordo com os seus desejos deve ser levado a declarar a s opiniões professadas pela maioria. Quanto a mostrar que o oponente e stá cometendo um erro de raciocínio ou deduzir conseqüências paradoxais do seu argumento — pois esta é a segunda meta do sofista —. Um método especialmente apropriado de expor um erro de raciocínio é a regra sofi stica que consiste em induzir o oponente a fazer o tipo de afirmações contra o qual se está bem provido de argumentos: isto se pode fazer de maneira tanto própria como imprópria. uma coleção das "teses" especiais das várias escolas. em primeiro lugar. Em tais assuntos. os tipos de refutações sofisticas. num caso c omo no outro. e a justiça é uma be la coisa pelos padrões do direito. e é essa a conclusão que todos os antigos supunham lógica: pois a natureza e a lei (diziam eles) são opostas. mas desejam o oposto disso. É ev idente. Pois elas não desejam as mesmas coisas que afirmam desejar: dizem o que melhor soa. Ou então. Algumas questões são formuladas de tal maneira que tanto num caso como no outr o a resposta é paradoxal. São estes. Por conseguinte. o homem cujo juízo se conforma aos padrões da natureza deve ser enfrentado p elos padrões da lei. argumentar partindo dos desejos das pessoas e das opiniões que professam. no nosso repertório de proposições. A solução mais apropriada. por u ma certa maneira de inquirir e através da própria pergunta. pois o processo de investigação assim iniciado oferece campo a um ataque. e: "devemos fazer o que é conveniente ou o que é justo?". A mais ampla coleção de tópicos ou lugares para induzir os homens a fazerem afir mações paradoxais é a que se relaciona com os padrões da natureza e da lei: pois é assim q ue Cálicles é levado a argumentar no Górgias60. o padrão da natureza era o verdadeiro. ao passo que o da lei era a opinião sustentada pela maioria. ou levá-lo a fazer afi rmações paradoxais. além diss o. é uma regra elementa r possuir. eles cairão inevitavelmente em paradoxo. porém. pois. procure-se saber a que escola d e filósofos pertence o homem com quem se está discutindo para depois inquiri-lo sobr e algum ponto em que a doutrina de tal escola é paradoxal aos olhos da maioria. mas fingir que se pergunta por desejo de aprender. enquanto o homem que concorda com a lei deve ser levado a adm itir os fatos da natureza: pois tanto num caso como no outro se pode ser arrasta do a fazer afirmações paradoxais. ou ainda: "é preferível sofrer ou cometer uma injustiça?" Em tais casos. pois. também neste caso. quer "não" a qualquer dessas perguntas. mas ho nesto. quer contradizendo as opiniõe s professadas pelos homens. exatamente como fazem os homens de nossos dias. e.

pr edicando-se eles dessas coisas. Porquanto "ele" (ουτος) sig ifica um masculino. Ora. se em lugar de "dobro" dissermos novamente "dobro da met ade". não é verdade?" Mas o desejo é o apetite do p razer. E também. o "dobro" é o "dobro da metade". ele será o "dobro d a metade da metade". Pode-se cometê-lo e não co metê-lo. isto é. Assim. Esse é o objetivo que têm em vista todos os argumentos do seguinte tipo: Se é a m esma coisa enunciar um nome ou enunciar a sua definição. mas quando c ombinado com "ser" deve ser "o": por exemplo: "Corisco ( όρισ ος) é". como ξύλον( ) ou σχοίνιν( ). "ímpar" é "um número que contém um t ermo intermediário". o apetite é apetite de a lguma coisa. e também cometê-lo. e por esta razão muitos argumentos parecem conduz ir a um solecismo sem que realmente o façam. em caso afirmativo. já explicamos o que entendemos por "tartamude ar". mas "isto" (τούτο). 14 Já dissemos antes61 que espécie de coisa é o "solecismo". que é feminino. embora signifique por si utro. a saber: o dobro da metade. e sim neutro. a palavra é a m esma. "é Corisco". porém. quando se concedeu "isto" (τούτο). Deve s ssas coisas alternativamente: quando combinado com "é" (έστι) deve ser "ele". Como. Por exemplo: " que é isto?" "é Calíope". 13 São estes. têm as suas substâncias. ao passo que no neutro algumas são diferentes e outras i guais. afecções ou o que quer que seja. Porque somente os nomes que terminam em -\o ou \v têm designações próprias de um objeto de uso. o "dobro" e o "dobro da met ade" são a mesma coisa. μήνις (cólera) e πήληξ (capacete) sejam masculinos: segundo ele. então existe um "nariz nariz-côncavo". e. no ponto de vista da maioria. mas vai-se imediatamente à conclusão. "é um lenho". O erro se produz porque "isto" (τούτο) é uma forma comum a várias inflexõ orque "isto" significa às vezes "ele" (ουτος) e outras vezes o acusativo "o" (τούτον). se. é um paradoxo negar que um rei seja feliz. embora pareça que sim. o "desejo" é o "apetite do prazer do prazer". por exemplo. e da mesma forma quando substituem uma inflexão por outra. embora alguns deles se apliquem a ob jetos de uso. Quase todos os solecismos dependem da palavra "isto" (τόδε ) e dos casos em que a inflexão não denota um nome masculino nem feminino. embora pareça fazê-lo. mas existe um "número ímpar": por conseguinte existe um "número númer o-que-contém-um-ter-mo-intermediário". embora não sejam de modo algum relativos. É. evidente que qualquer um poderia produzir esse efeito por meio de um simples artifício. se a forma arrebitada é uma concavidade do nariz e existe um nariz arrebitado. Suponhamos que. pois. mas "ser Corisco" ( όρι a forma no caso dos nomes femininos e no dos chamados "objetos de uso" que têm des ignações masculinas ou femininas. a mesma expressão se repetirá três vezes: "dobro da metade da metade da metade". como. no masculino e no feminino todas as inflexões são diferentes. que é um nome masculino. os tópicos por meio dos quais podemos conseguir paradoxos.-se com que contradiga os raciocinadores. embora pareça que não. as coisa s de que eles são estados. e "ela" (άύτη) um feminino. como sucede no caso das refutações. pois. por exemplo. pois. assim como o desejo é desejo de alguma coisa e o dobro é o dobro de alg uma coisa. e também (2) ao tratar de quaisquer termos que. e λίνη( m ). os que não suem as de um objeto masculino ou feminino. como άσ ός( ). Todos os argumentos desta espécie ocorrem ao tratar-se (1) de quaisquer term os relativos que não só tenham gêneros relativos mas sejam eles próprios relativos e enu nciados em relação a uma só e a mesma coisa. as pessoas raciocinam como se se tivesse dito o acusativo masculino "o" (τούτον). Porque alguns dizem que o homem feliz é necessariamente justo. parece que possui também o mesmo significado. enquanto quem a chama de "destruidor" ( ovλóμεv v ) não comete nenhum solecismo. o hom a a cólera de "destruidora" (ούλομένην) comete um solecismo. E. se tem o mesmo significado ou um s ignificado diferente. Às veze s parece que se produz esse resultado sem que ele seja na verdade produzido. muitas vezes também pode significar um dos outros dois gêneros. Muitas vezes. Outro caso: "o desejo é desejo de prazer. pois. Qu anto a levar um homem a tartamudear. Eis a ¤¦£¡¥ ¤ ¤¥ ¤£¡¢ ¡ §£¦¡ . c omo dizia Protágoras. enquanto os filósofos falam de acordo com os padrões da natureza e da verdade. por que não se acrescenta a pergunta sobre se a expressão "dobro" tem ou não tem algum sig nificado por si mesma. logo. embora não pareça fazê-lo aos ol pessoas. enquanto. Induzir um homem a enunciar paradoxos desta espécie é o mesm o que fazer com que ele se oponha aos padrões da natureza e da lei: pois a lei rep resenta a opinião da maioria. indicadas na sua definição.

São estes. se recusa concedê-lo e mesmo admitir que seja uma opinião aceita. 15 Tendo-se. pergu nte-se: "deve um homem obedecer a seus pais em tudo ou desobedecer-lhes em tudo? ". e é quando. dando à sua pergunta a forma: "Pensas tu que. a ira e o espírito de contenda. a formulação alternada das perguntas. se for n ecessário obter a concessão de que "um homem deve obedecer a seu pai em tudo". consiste em pro por de começo algum ponto de vista geralmente aceito e exigir que o oponente respo nda o que pensa a esse respeito. se essa pergunta for tomada como uma das premissas do argumento. pois. pelo menos. o r esultado inevitável será ou uma refutação. Muitas vezes. em outros se trata de um solecismo verbal: com efeito. e o mesmo sucede com "branco". pergunte-se: "devemos concordar em que é um número grande ou um número pequeno?" Po rque. uma refutação. ou um paradoxo: se o outro concede o ponto de vista. como se tivessem provado que "tal e tal coisa não é verdadeira" . quando se trata de particulares e o adversár io concede o caso individual. um expediente é prolongar a argumentação. pois as pessoas são menos refratárias quando não sabem bem o que o outro pretende assegurar. Outro estratagema dos sofistas. e o da segunda é enganar.casos desta espécie também haverá uma diferença semelhante entre uma construção com "é" (έστι "ser" (τό είναι). assim como em alguns casos nos deparamos com um sole-cismo material. E do mesmo modo. e também piores ou melhores. uma forte aparência de refutação é produzida pelo mais sofistico de todos os truques desleais usados pelos inquiridores. como se nossa inquirição fos se imparcial. para assegurar que "um número multiplicado por um número grande é um número grande ". devemos não obstante utilizar a semelhança dos particulares para nosso propósito. "homem" é ao mesmo tempo u m "material" de expressão e uma "palavra". Outro recurso é o expe diente contrário. Há. E assim. po is às vezes o próprio oponente supõe tê-la concedido e o mesmo pensam os ouvintes. pois. Regras elementares para provoc ar a ira são simular o propósito de agir com deslealdade e mostrar uma total falta d e vergonha. e para esse fim devem ser empregad as as regras elementares que estabelecemos anteriormente62. a rapidez. em vez de dar à sua proposição final a forma de uma pergunta. pois o objetivo do primeiro é e itar a detecção. De um modo geral. Há. uma vez realizada a indução. quer se tenham argumentos para demonstrar tanto uma coisa como o seu contrário: pois o resultado disso é que o oponente deve manter-se em guarda ao mesmo tempo contra mais de uma linha ou contra linhas con trárias de argumentação. a fim de garantir a nossa premissa. os tipos de argumentos contenciosos e as subdivisões dess es tipos. que no tocante aos solecismos devemos procurar construir o s nossos argumentos com base nas inflexões mencionadas acima. pois. Acresce que o sole-cismo se assemelha de certa maneira àquelas refutações q iz dependerem do emprego de expressões semelhantes para designar coisas dessemelha ntes. portanto. quer se tenha mais de um argumento conduzindo à mesma conclusão. . isto é. a justaposição dos contrários faz com que as cois as pareçam grandes aos olhos dos homens. devemo s incluí-la na mesma pergunta lado a lado com a sua contrária. pois os que perd em a calma são menos capazes de vigiar o que dizem. e. o outro se sentirá mais inclinado a pensar que seja um número grande. apresentamna como uma conclusão. devemos formular a pergunta negativamente. depois do q ue acabamos de dizer. ?" Porque. além disso. . vendo-se assim forçado a escolher. e os métodos de conduzi-los são os que descrevemos acima. pois que a semelhança pas sa muitas vezes despercebida. além disso. sem ter provado c oisa alguma. . em mira a refutação. ou. Nos c asos em que não existe nenhum termo para designar o universal. porqu e se lembram da indução e presumem que as perguntas não tenham sido feitas em vão. mas tê-la como assentada e fazer uso dela. quando a tese é um paradoxo. como é o caso da dialética. pois quando as pessoas são deixadas para trás olham menos para a frente. todos os métodos de encobrimento descritos ac ima63 são também úteis para os fins da argumentação erística. Mas é de grande im portância que os materiais com que se formula a questão estejam arranjados de certa maneira com vistas no encobrimento. É evidente. E também. como se desejássemos a resposta contrária. este é o tema a ser discutido em primeiro lugar. A fim de prevenir os golpes daqueles que se recusam a conceder tudo que lh es pareça corroborar o nosso argumento. pois é difícil atender ao mesmo tempo a muitas coisas. Com efeito. tanto relativa como absolutamente. convém amiúde que não se enunci e a questão sob a sua forma universal. Por exemplo.

E outras vezes sucede o mesmo que com as f iguras geométricas. na hipótese de que a objeção seja válida contra um dos sentidos das palavras. também contribuem para elevar a nossa reputação. se o que toma parte numa argumentação se volta contra ela s em poder indicar de maneira definida os seus pontos fracos. do que as requer e da utilidade que têm os argumentos dest a espécie. examiná-l o e depois apontar as suas falhas. isto é. também às vezes devemos dar solução aos a rgumentos de acordo com a opinião geral e não de acordo com a verdade. quando estão para ser refutados. Não diremos que estamos tentando demonstra r que o conhecimento dos contrários é ou não é o mesmo. cria a suspeita de q ue o seu mau humor não se deve ao interesse pela verdade. e. A seguir compete-nos falar da maneira de responder. diremos que nosso objetivo é unicamente o result ado geral das refutações. por outro lado. assim como nos discursos retóricos. 16 Temos tratado até agora das origens das questões e dos métodos de inquirir nas d isputas erísticas. se estava certa nossa anterior exposição das fontes de onde provêm os vícios de racio cínio e se foram adequadas as distinções que fizemos entre as formas de deslealdade no formular as perguntas. quer com os pontos de vista daqueles cujos atos e palavras ele admite como reto s e justos. quando as podemos analisar. também naqueles que visam à refutação devem-se examinar as discrepâncias da posição do oponente quer com suas próprias afirmações. resulta algo muito semelhante a uma refutação. assim como dizemos que às vezes é preferível provar as coisas com plausibilidade a fazê-lo com verdade. porém não tornar a construí-las: nas ref utações. Mas não é a mesma coisa apanhar um argumento nas mãos. mas admite que é uma opinião aceita. se não tivermos prática. enquanto o que responde. ou se assemelham a estas. Por outro lado. ou seja: negar o que ele afirmou ou afirmar o que ele negou. pois muitas vezes não reconhecemos aquilo q ue sabemos ao encontrá-lo num contexto diferente. assim como em ou tras coisas a rapidez é fruto do treinamento. já que geralmente se pensa que um homem tem o dever de declarar o objeto da questão. porém não contra o outro. nos capacitam para compreender melhor em quantos sen tidos se usa um termo qualquer e que espécies de semelhanças ou de diferenças há entre a s coisas e os seus nomes. Além disso. fazendo ver. deve tomar a palavra primeiro e formular a sua objeção. se p ressente tal coisa. enquanto. a contradição da tese do oponente. Deve-se também desviá-los do seu a rgumento e cortar-lhes as outras linhas de ataque. 17 Em primeiro lugar. de como se devem realizar as soluções. Sua utilidade para a filosofia é dupla. ser capaz de enfrentá-lo prontamente quando estamos sendo submetidos a uma inquirição. se recusa concedê-lo. como fez Licofron quando se lhe ordeno u que entoasse um elogio ao som da lira. embora saibamos como foi alinhavado o argumento. muitas vezes c hegamos atrasados com nossa resposta. como faz Cleofonte no Mandróbulo. Para rebater os que reclamam: "contra q ue diriges o teu ataque?". pois. mas tomá-las e usá-las como se tivessem sido concedidas. Em segundo lugar. exatamente como os inquiridos. Em primeiro lugar. E também. e há algumas conclusões que nem sequer se devem apresentar como q uestões. certas maneiras de expressálo facilitam por demais a defesa. o mesmo sucede na argumentação. que eles a tomaram ne ste último sentido. nos embaraçamos quando se tr ata de resolvê-lo em suas partes. dando a entender que não se pode m encontrar linhas de ataque contra esta. Não se deve postular a conclusão em forma de premissa. como em sua maior parte dependem da expressão. a sab er: a reputação de estar bem adestrado em todos os assuntos e de não ser inexperiente em coisa alguma: porque. mesmo que vejamos um ponto com clareza. e também daquelas pessoas que se supõe geralmente tenham esse tipo de ca ráter. quer com os da maioria ou da totalidade dos homen s. são úteis para as nossas investigações pesso ais. As vezes convirá também atacar posições outras que não a declarada. E. os inquiridores devem recorrer a esse expediente de qu ando em quando para rebater objeções. e sim à inexperiência. Pois é uma regr . Os que respondem podem ver claramente como enfrentar argumentos desta espéci e. finalmente. porque o homem que é facilmente induzido por um outro a cometer um erro de ra ciocínio sem dar conta disso pode muito bem ser vítima de seus próprios paralogismos e m muitas ocasiões. faze m uma distinção de última hora. de modo que.um paradoxo.

pois dizer: "este Corisco não é músic o". se a refutação é uma contradição inequí oca a que se chega partindo de determinados pontos de vista. supondo-se que estejam ambos em casa ou ambos ausentes: pois tanto num caso como no outro há mais de uma propo sição. sendo eles duas pessoas distintas. tratá-las não como se estivessem refutando mas como se apenas parecessem refutar: pois dizemos que elas não provam realmente a sua tese. e "este Corisco" é tal ou tal é usar a mesma expressão. nem por isso a pergunta vem a ser u ma só. Pois qual é a diferença entre perguntar se Calias e Temístocles são músicos e o que se poderia indagar se. sucede que." Bem . ainda que o predicado seja verdadeiro de todos os sujeitos. embora nunca tenham imaginado que o objeto do argumento fosse esse. pelo menos o seu argumento par ece ter sido refutado. de modo que nosso objeto. Se ninguém jamais tivesse unido duas questões numa só. tampouco significava a mesma coisa o simples nome usado no início: onde está. mas de parecer que o somos. Se alguém supuser que um argumento que gira em torno de uma ambigüidade é uma re futação. Portanto como se concede o direito de fa zei distinções. Aquilo. Dizem eles.a a ser observada. não se deve hesitar. o respondente não poderá escapar de ser refutado em certo sentido: pois. não fica claro qual dos dois foi refutado. porém. Mas esta resposta não serve. Porquanto isso equivale exatamente a perguntar: "Corisco e Cálias estão ou não estão em casa?". por outro lado. Porque é possível que seja verdadeiro responder com um "sim" ou um "não" mesmo a um número incontável de perguntas diferentes quando unidas numa só. as perguntas anfibológicas. não haveria incerteza quanto à refu tação. Apesar disso. Com efeito. E também se teria alcançado o que é por vezes o objetivo dos argumentadores sofístico s. sempre que enfrentamos pessoas amigas de sofismar. visto que no fim. Com efeito. ou "é músico". senão o próprio homem. as q ue giram em torno de uma ambigüidade. Se. no momento. por maior que tenha sido a precisão com que ele aplicou o seu argumento ao mesmo ponto que nós mes mos. mas não se deve fazê-l . a diferença? Se. porque. e. já que estas não demonstr am nada. receando que os tomem por eternos obstrucionistas: e assim. mas presentemente as formas impróprias que os inquiridores dão às pergunta s obrigam o interrogado a acrescentar alguma coisa à sua resposta para corrigir os defeitos da proposição tal como é formulada: porque. não existiria tampouco o so fisma vinculado à ambigüidade e à anfibologia. "Mas talvez não signifiquem a mesma coisa. não é correto exigir que se dê uma resposta única a duas pe rguntas. como nas argumentações se tem o direito de distinguir. ele está dizendo a verdade. tivessem o mesmo nome? Co m efeito. se o inquiridor faz as distinções ad equadas ao caso. que o inquirido responda "s im" ou "não". não que Corisco é ao mesmo tempo músico e não-músico. quando se chegou à conclusão. talvez não haja neces sidade de fazer distinções contra a ambigüidade e a anfibologia. embora menos hoje em dia do que outrora. Se. de que nos devemos acautelar não é de ser refutados. a saber. ele designar uma pessoa pelo simples título "Cori sco" e à outra acrescentar o determinativo "um" ou "este". pois . tivéssemos feito uma distinção e o tivéssemos inquirido sobre o termo ambíguo ou a anfibologia. caso em que alguns pretendem que se deveria dar uma resposta só. embora a resposta única seja verdadeira. é evidente que conceder simplesmente a coisa perguntada sem fazer dist inção alguma é um erro. O único motivo para fazer novas distinções é quando a conclusão alcançada se asseme lha a uma refutação. se o termo empregado significa mais de uma coisa. temos o d ireito de dizer que a única negação dirigida contra a nossa tese é ambígua. o outro será forçado a responder "sim" ou "não". pois tal partícula não é mais aplicável a um deles do que ao outro. em se tratando de objetos visíveis. pois não se sabe se. naturalmente. evidentemente não é adequado dar uma resposta simples a uma pergunta ambígua. Muitas vezes. pois. mas uma refutação genuína ou a ausência de ref tação. e todos os outros ardis da mesma espécie podem mascarar até uma refutação genuína e deixam na incerteza a questão de quem foi refutado e quem não o foi. mas que este Corisco é músi o e este Corisco não o é. como dissemos atrás64. cometerá um absurdo. de modo que. amiúde se enc ontram frente a frente com um paradoxo. as pessoas hesitam em fazer distinções devido ao grande número daqueles que propõem questões dessa espécie. pois. o inquiridor fez mai s de uma pergunta. e. deve ser o de dissipar essa aparência. se um homem não distingue os sentidos de uma anfibologia não fic a claro se ele foi ou não foi refutado. e a qualquer dos dois qu e a acrescente não faz diferença alguma. embora percebam a anfibolo gia. ao corrigi-la s. é-se obrigado a negar o termo que se afirmou e a afirm ar o que se negou. a qual ele está a firmando e negando ao mesmo tempo. por outro lado. O remédio que alguns sugerem para isso é completamente ineficaz.

quer com a doutrina "a diagonal de um quadrado é incomensurável com o seu lado". se a segunda é verdadeira. Se. pois isso significa a morte da discussão. dizemos destas que às v ezes convém recorrer a elas de preferência às verdadeiras soluções nos raciocínios erísticos ao fazer frente à ambigüidade. Como já dissemos65." Mas isto é um sofisma. da mesma forma que dize mos que Lisandro "pertence" aos espartanos. De certo modo. acrescentando que "assim parece". mas B não o tem. devemos recorrer à mesma alegação: pois geralmente se considera que as conseqüências nece ssárias fazem parte da própria tese. Quando não podemos recorrer a estas defesas. e. a terminologia. por outro lado. mais difícil será deduzir delas uma conclusão. quanto mais numerosas forem as premissas. Porque. Visto. pois dizemos que o home m "pertence" ao reino animal pelo fato de ser um animal. porque nesse caso o que f ala não terá dado uma resposta. temos assunt os em que é muito fácil mudar a terminologia sem ser descoberto. sem que o sejam realmente. a maioria das pessoas diria que quem não os admite profere uma falsidade. devido à ince rteza sobre qual dos sentidos da premissa contém a verdade. não é nec essário que a primeira também o seja. mas para um destes não há nome estabelecido. como desculpa por se recusar em a conceder-lhe alguma delas. por exemplo. devemos responder sim plesmente ou fazendo uma distinção. q ue quando a premissa proposta não é clara não se deve concedê-la simplesmente. sempre que foi assegurado o universal . o homem é propriedade do reino animal. por ser espartano. é evidente que tampouco devemos dizer simplesmen te "sim" ou "não" quando a questão envolver termos ambíguos. Mas nota bem: o homem pertence ao reino animal. uma vez que certas refutações são geralmente c nsideradas como tais. pois é do entendimento tácito implicado pelas nossas declarações — por exemplo. "E do mesmo modo em outros c asos. examinando-a à luz da distinção que anteriormente f izemos entre as diversas espécies de vícios de raciocínio66. e a posição se tornará irrefutáv el. pois. Mude-se. ao passo que não diria o mesmo com respeito a outros. além disso. Além disso. porque não vêem qual será a conseqüência. do mesmo modo certas soluções s erão consideradas como tais. Ora. devemos. e. Se. não se deve dar u ma resposta única a duas perguntas. em resposta a perguntas que não são expressas de maneira clara . embora não o sejam em realidade. o sofista procura asseg urar que A tem um contrário. sempre que alguém exija de nós a concessão de um ponto de tal natureza que se si ga necessariamente como conseqüência de nossa tese. (1) sempre que é incerto em qual de dois sentidos se entende usualmente a premissa proposta — quer como acontece com as máxi mas (pois o povo dá o nome de "máximas" tanto às opiniões verdadeiras como às asserções gerai ). porém não sob um nome definido. por outro lado. se bem que entre os dis putantes tais juízos sejam incorretamente considerados como respostas. não é verdade?" Sim. se admite geralmente que se uma delas é verdadei ra. e as pessoas pensam que devem a todo cus to rechaçar as premissas que estão próximas da conclusão e. devido às opiniões contraditórias. mas que seja falso ou paradoxal. conceder a menor: pois. portanto. Como é bem claro o que se entende por "petição de princípio". Quando os termos se empregam no seu sentido literal. não se pensará que o homem esteja sofismando. mas elipticamente — que depende a refutação conseqüente. supondo-se que ele diga a verdade. dev emos responder que ambos têm um contrário. A resposta apropriada ao dizer o que pensamos é: "conc edido". somos forçados a enunciar algum paradoxo. Sempre que. "Logo. por outro lado. a outra também o é necessariamente. Por exemplo: "É propriedade dos atenienses tudo que pertence aos atenienses?" Sim. ao passo que. . nem naquele em que o propôs na premissa: pois também este é um ponto de que depende muitas vezes uma refutação. pois assim reduzimos ao mínimo a probabilidade de sermos refutados numa qu estão secundária. pois assim evitam os dar a impressão de que somos refutados ou afirmamos um paradoxo. não se pensará que ele esteja di zendo uma falsidade. Se. mas por meio de uma comparação de exemplos. alegam que o adversário está postulando a questão orig inária. deve-se ob servar que o inquiridor o toma não no sentido em que foi concedido. É evidente. o caso é semelhante àquele em que se aplicasse o mesmo nome a diferentes coisas. devemos argumentar que a conclu são não foi adequadamente demonstrada. (2) sempre que as opiniões estão divididas quanto à verdade. de duas coisas. pois. mas apenas enunciado um juízo. se perguntados sobre qual das duas é ve rdadeira. que em relação a alguns pontos de vista expressos por e les.o. devemo s fazê-lo com a maior cautela. a qualquer assunto sobre o qual haja divergência de opiniões (pois a maioria não tem opinião clara sobre s e a alma dos animais é perecível ou imortal).

a menos que o sofista assegure também a contraditória da conclusão que pretende p rovar. porém não em outro.Quanto ao mais. se a conclusão é verdadeira ou falsa. E. algo que é e algo que não é. não ocorre nenhuma re futação. por exemplo. porém não aquelas que sabem da maneira descrita": pois não é o mesmo dizer que "os que sabem não podem compreender o que sabem" e "os que sabem alguma coisa dessa maneira particular não podem compreendê-la". Se. me smo que ele tenha deduzido a sua conclusão de maneira perfeitamente inequívoca. pois. devemos corrig i-la no fim fazendo um acréscimo à pergunta: "Do silencioso é possível falar?" "Não. pois que é difícil prever ciladas. ou mostrando que a conclusão não corresponde à tese pro posta. não há necessidade de começar negando a premissa ambígua. por outro lado. a ssim. 19 Das refutações que se originam da ambigüidade e da anfibologia. mostrando de que espécie de questão depende o ilogismo. no entanto. Assim. mas f alar de A enquanto ele se mantém calado é possível. se a expressão significa coisas difer entes quando dividida e quando combinada. 20 É também evidente de que maneira se devem solucionar aquelas refutações que depend em da divisão e da combinação de palavras: porque. como. Há uma grande diferença entr e solucionar um argumento enquanto se está sendo submetido a um interrogatório e qua ndo se está só. deve -se objetar que não negou o fato afirmado. pois "o que necessariamente deve ser" comporta div ersos significados. Sucede. 18 Visto que uma solução adequada consiste em expor um falso raciocínio. mas apenas o seu nome. e. em primeiro lugar. mas notá-las quando se raciocina calmam ente é mais fácil. Deve-se começar. é possíve l solucionar de duas maneiras os que são falsos com respeito à conclusão: ou refutando uma das premissas postuladas. portanto. e que. e também que num sentido "se deve fazer o que necessariamente dev e ser feito". Por outro lado. sempre que se prevê uma pergunta. mas também a correção de uma prova simplesmente aparent e. que "falar do silencioso" é possível num sentido e im possível em outro. Falando em geral. fazendo distinções. que "num sentido é ass im e em outro não é". na demonstração de que "ver do cego" é possível. deve existir não só a espécie de so lução que acabamos de descrever67. a ambigüidade escapa à nossa atenção. algumas contêm uma pergunta com mais de um sentido. pois esta não é a meta do arg umento. a afirmação ambígua é verdadeira em um sentido e falsa em outro. Sempre." E quando a ambigüidade está contida n as premissas. sempre que os vários sentidos residem nas pergun tas. E assim. de modo a mostrar de qual das perguntas depende a aparência de prova. significa. quer estabelecendo uma distinção. não houve refutação. pois nunca há r efutação sem contradição. a fim de que possamos dar a solução. por conse guinte. porquanto a conclusão é verdadeira. examinar se ele foi corre tamente raciocinado ou não. seja ela de termo ou de frase. ao m esmo tempo. pois essa é a melhor maneira de embaraçar o que pergu nta. a conclusão tem um duplo significado. por exemplo. na prova de que "do silencioso é pos sível falar". depois. mas apenas o seu ponto de apoio. por replicar c om respeito a uma ambigüidade. Quanto aos que são falsos no tocante às premissas. que aos argumentos corretamente raciocinados se dá solução demolindo-os. assim que o oponente formula a sua con clusão deve-se tomar a expressão no sentido contrário. quer lançando por terra uma das premissas de uma das duas maneiras que descrevemos. deve-se responder de maneira análoga: "Então as pessoas não compreendem o que sabem?" "Sim. deve-se fazer primeiro a s ua objeção e falar antes do outro. enquanto em outras é a conclusão que se pode enten der com diferentes significados: por exemplo. Todas as expressões do tipo das s eguintes dependem da combinação ou divisão das palavras: "Estava X sendo espancado com aquilo com que o viste ser espancado?" e "Viste-o ser espancado com aquilo com que foi espancado?" Este sofisma encerra também um elemento de anfibologia nas per . como alguns argumentos corretamente raciocinados têm uma conclusão certa e outros uma conclusão falsa. os que des ejam solucionar um argumento devem. só podem ser solucionados me diante a demolição de uma delas. pois. e visto que "falso raciocínio" tem um du plo significado — pois usamos esta expressão tanto quando se prova uma conclusão falsa como quando a prova não é real e sim apenas aparente —. e aos q ue são apenas aparentes. enquanto na prova de que "aquele que conhece não compreende o que conhece" uma das perguntas contém uma anfibologia. que os vários sentidos residem na conclusão.

" A maneira de dar solução a isto é evidente. pois a palavra ov nã significa a mesma coisa quando pronunciada com um acento mais agudo ou com um a cento mais grave. embora o ouvinte suponh . logo." "Mas quando não estás tocando harpa." Ou ainda: "É verdade dizer neste momento que tu nasceste?" " Sim. é ao mesmo tempo uma forma de atividade e de passividade. "Sim. ao pas so que esta não se adaptará a todos os casos da mesma espécie. a expressão tem sentidos diferentes confor me for dividida. pois dos argumentos que dependem do mesmo ponto a solução é a mesma. a menos que a palavra que se pronuncia signifique duas coisas diferentes de acordo com o seu espírito forte ou fraco. uma expressão que depende da divisão não é uma expressão ambígua. o mal é uma coisa boa de se conhecer". e não é o mesmo "fazer algo da maneira que se po de" e "fazê-lo de todas as maneiras que se pode"." "Não. costuma-se hoje em dia pôr marcas laterais para mostrar a pronúncia —. talvez. porém não que eu-nas ci-neste-momento." "Logo. ou então: "Pode um bom homem que é sapateiro ser mau?" "Sim. que nem todas as refutações dependem da ambigüidade. se nesse caso alguém. em verdade. mas a verdade é que. uma palavra é a mesma sempre qu e se escreve com as mesmas letras e do mesmo modo — no entanto. 'ver' também se assemelham na expressão. mas de "passividade". 'ele é afetado por a lgum objeto sensível' são expressões semelhantes que denotam todas alguma forma de pas sividade. pois "vi-um-homem-ser-espanc ado com os meus olhos" não é o mesmo que dizer: "vi um homem ser-espancado-com-os-me us-olhos". de alguns poucos que se podem inventar express amente para esse fim. evidentemente. como. mas que geralmente se pensa designar uma substância devido à sua expressão. não se segue daí que possam to car harpa quando não estão tocando. pois o significado que depende da divisão das palavras não é um autêntico duplo significado (já que a expres são não é a mesma quando dividida). enquanto não está tocando. visto conhecermos já as diversas espécie de predicação. de modo que o mal é um mau objeto de conhecimento. logo. Suponhamos que alguém. a casa é uma negação. 'correr'. com exceção. é bem possível estar vendo uma coisa e tê-la visto ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. ninguém tem o poder de tocar-har pa-en-quanto-não-está-tocando-harpa. mas nota bem que 'ver' é seguramente uma forma de ser afetado por um o bjeto sensível. mas as palavras faladas não são a mes ma. após ter concedido que é impossível fazer e ter feito alg uma coisa ao mesmo tempo. mas acontece que o mal é ao mesmo tempo o mal e um objeto de conh ecimento. pois não foi concedido que farão qualquer coisa de q ualquer maneira em que podem fazê-la. logo. como: "O lugar onde te alojas (ού αταλύεις) é uma casa?" "Sim. tens o poder de fazê-lo. se podem fazer alguma coisa da maneira que podem. ao ser perguntado." Ent retanto. (Na escrita. tenha concedido que algo que designa uma substância não pode predicar-se como um atributo." Outro exemplo: "Poderias fazer o que podes. o conhecimento do mal é bom. nem tampouco a todas as maneiras de formular as perguntas: é válida contra aquele que pergunta. 'ele é cortado'. Mas. esse alguém ainda não f oi refutado se fez constar que "ver" não é uma forma de "fazer" (atividade). E ev idente." "Mas ο logo. no argumento seguinte: "É possível estar fazendo e ter feito uma coisa ao mesmo tempo?" "Não. Para isso se faz necessária outra pergunta. 21 A acentuação não pode dar origem a argumentos sofísticos. O que responde deve. pois." "Não." Algumas pessoas solucionam também de outra maneira esta última refutação dizendo q ue. como opoç e opôs n um caso de duplo sentido. dividir a expressão. tem o poder de fazê-lo. po r exemplo. poderias toca r harpa enquanto não estivesses tocando harpa. pois é verdade dizer-neste-momento que eu nasci." "Entretanto." "Entretanto. 'dizer'." Ou então: "Alguma forma de passividade é uma fo rma de atividade?" "Não. por outro lado. 22 Também é evidente de que maneira devemos enfrentar os sofismas que dependem da expressão idêntica de coisas que não são idênticas. nem na linguagem falada. porém não contr a o seu argumento. nem na escrita. 'ele é queimado'. enquanto o outro demo nstrou a predicação de algum atributo que pertence à categoria de relação ou de quantidade . embora o conhecimento dos males seja bom. e como podes?" "S im. mas em realidade gira em torno da combinação de palavras. Há também o argumento de Eutidemo para provar que "então sabeis agora na Si cília que há trirremes no Pireu". enquanto. por outro lado.guntas.) Por conseguinte. disser que é possível vê-la e tê-la visto. esta solução não é a propriada. como afir mam alguns." "Então nasceste neste momento.

ou outra coisa qualquer. todas es sas pessoas dirigem as suas soluções contra o homem e não contra o argumento. e inegavelmente. qualidade ou número particular. B tem apenas um voto de A. Pergunta-se se um homem perdeu o que tinha antes e depois não tem: pois ele já não terá dez dados mesmo que só tenha perdido um. pois "dar rapidamen te" não é apenas dar uma coisa. Porque a palavra "apenas" não s ignifica uma substância. mas o recipiente no qual se bebe. ter vinho azedo. também possui apenas um. mas da maneira em que não o tinha. o fato de não estar associado a nenhuma outra coisa. mas teria distinguido: "ou o número intei ro. Mas. se esta fosse uma solução genuína. Se. E também: "Não é por aprendizagem ou por ." "Mas supõe que alguém aprenda depressa o que é 'lento'. Porque. supondo que o significado seja semelhante. pois. mas dá-la de certa maneira. quando em verdade não o é. Admita-se. tratam imediatamente de demolir a proposição postulada. mas u ma qualidade: com efeito. ainda. não se efetua demonstração a lguma. não se infere nenhuma conclusão. Outros. exatamente como se e le tivesse perguntado: "poderia um homem dar o que não tem?". a refutação está consumada. estas palavras não denotam exatamente aquilo ao longo do qual ele caminha. ou um deles". e admitem que é perfeitamente possível ter o que não se recebeu: p or exemplo. ele o recebeu": porque A deu apenas um voto. "Se alguma coisa está e scrita. porquanto a falsidade ou a verdade de uma asserção ou de uma opinião não indica uma substância. Outros o solucionam da mesma maneira que à refutação do ponto de vista segundo o qual "o que um homem tem. " Não. mas como o aprende." Mas isto é um sofisma. Semelhantes a esses de que acabamos de falar são também os argumentos seguinte s. como dissemos acima68. Porque o ouvinte se encarrega de acrescentar o resto de si para si. essa asserção que foi escrita é ao mesmo tempo falsa e verdadeira. alguém a escreveu?" "Sim. se o oponente concede a expressão sem nenhuma reserva. exatamente como acontece em outros casos. depois de receber a resposta "não". Outro exemplo: "O que um estudante aprende é o que ele aprende?" "Sim. Os argumentos seguintes também pertencem a este grupo. ele não pode ria encontrar solução alguma. pode tê-la conseguido com prazer e dado com desgosto. como um único dado. Também se assemelham a estes os argumentos do tipo seguinte: "Pode um homem dar um golpe com uma mão que não tem ou ver com um olho que não possui?" Porque ele não possui apenas um olho." "Mas X caminha ao longo do dia inteiro. mesmo quando se concedem todas as premissas do sofista. Algumas pessoas resolvem este caso dizendo que o homem qu e tem mais de um olho." "Mas está escrito agora que tu estás sentado — o que é falso. É evidente que ele não provou o que pretendia. embora pareça sê-lo por causa da expressão. por outro lado. e. mas depois. assim como se usam as palavras "beber a taça" não para indicar o q ue se bebe. Se. ess a não pode ser a solução verdadeira. p or exemplo. o que se diz aqui de uma asserção vale também para uma opinião ." Neste caso. embora fosse verdadeiro na ocasião em que foi escrito: logo. e não apenas o nome. ter recebido vinho doce. isto é. e é certo que um homem pode dar uma coisa de uma maneira diferente daquela pela qual a conseguiu: por exempl o. se concede isso. dizem eles. Ou ainda: "Um homem pisa aquilo ao longo do qual passeia?" "Sim. pois ao lidar com expressões ambíguas o novato em argumentação supõe que o sofista tenha negado o fato que ele (o novato) afirmou. ma s quando caminha. supondo-se que alguém concedesse o oposto. não aquilo que não tinha. torna válida a conclusão do sofista. Não a verdade é que ele deu.a que ele já a concedeu ao admitir que "cortar" é uma forma de atividade presente e "ter cortado" uma forma de atividade passada. a saber . as palavras do sofista não denotam o que o estudante aprende. embora ainda falte perguntar se ao usar o termo ambíguo ele tinha em mira um só significado: porq ue. o sofista tivesse começado por perguntar se um homem que já não tem o número de coisas que tinha antes perdeu o núm ero inteiro. pois. É. concluísse que "um homem pode dar o que não tem". devido ao fato de ele se haver estragado durante a transação. pois el e não possui apenas um dado. indagasse se um homem poderia dar rapidamente uma coisa que não c onseguiu rapidamente. ao ser-lhe concedido isto. mas um modo de relação. Não: o exato seria dizer que ele perdeu aquilo que tinha e não tem mais. e não que tenha perdido o número total de coisas que possuía e que não possui mais: pois dez é um número. e. que a verdadeira solução seja "tal e tal coisa é em parte verdadeira e em parte não": nesse caso. Sucede aqui o mesmo que nos casos de ambi güidade. Há também o argumento: "um homem pode dar o que não possui". e do mesmo modo com as outras form as semelhantes de expressão. e o que dizemos no tocante aos exemplos acima é que . ninguém teria concedido isso.

descobrimento que um homem conhece o que conhece?" "É". "Mas supõe que de duas cois as ele tenha descoberto uma e aprendido a outra: nesse caso, o par de coisas não l he é conhecido por nenhum dos dois métodos." Não: "o que" ele conhece significa "cada coisa singular" que conhece individualmente, e não "todas as coisas" que conhece c oletivamente. Temos ainda a prova de que existe um "terceiro homem" distinto do Homem e dos homens individuais. Mas isso é um paralogismo, porquanto "Homem", como todo predicado geral, não designa uma substância individual, e sim uma qualidade pa rticular, o relacionar-se com alguma coisa de modo particular, ou algo semelhant e. E também no caso de "Corisco" e "Corisco músico" temos o problema: "são eles a mesm a pessoa ou pessoas diferentes?" Porque um denota uma substância individual e o ou tro uma qualidade, de forma que esta não pode ser isolada — embora não seja o isolamen to que cria o "terceiro homem'', mas sim o admitir-se que ele é uma substância indiv idual. Com efeito, "Homem" não pode ser uma substância individual, como é Cálias. E não ad iantaria absolutamente nada chamarmos de qualidade e não de substância individual o elemento assim isolado, pois ainda restará o um em face da multiplicidade, como no caso do "Homem". É evidente, pois, que não se deve conceder como uma substância indiv idual o que é um predicado comum que se aplica universalmente a uma classe, mas di zer que ele denota uma qualidade, uma relação, uma quantidade ou algo desse gênero. 23 Uma regra, geral, ao tratar com argumentos que dependem da linguagem, é que a solução sempre segue o oposto do ponto em torno do qual gira o argumento: por exem plo, se este depende da combinação, a solução se fará por meio da divisão, e vice-versa, Se, por outro lado, o argumento depende de um acento agudo, a solução é um acento grave; e se de um acento grave, é um acento agudo. Se o argumento depende de uma ambigüidad e, pode-se resolvê-lo usando o termo oposto, por exemplo: se notamos de repente qu e estamos chamando alguma coisa de inanimada, a despeito de nossa negação anterior d e que ela o seja, devemos mostrar em que sentido é viva; se, pelo contrário, a decla ramos inanimada e o sofista prova que é viva, devemos dizer em que sentido é inanima da. E analogamente num caso de anfibologia. Se o argumento depende da semelhança d e expressão, a solução será o oposto. "Pode um homem dar o que não tem?" "Não, não pode dar o que não tem, mas poderia dá-lo de uma maneira diferente daquela em que o tem, por ex emplo, como um dado único." Um homem sabe ou por descobrimento ou por aprendizagem cada coisa que conhece individualmente? "Sim, porém não as coisas que conhece colet ivamente". E também um homem pisa, talvez, alguma coisa ao longo da qual caminha, porém não ao longo do tempo em que caminha. E de modo semelhante em todos os demais exemplos. 24 Para enfrentar argumentos que giram em torno do acidente, uma mesma e única solução é universalmente aplicável. Pois, como há incerteza sobre se um atributo deve ser aplicado a uma coisa quando ele pertence ao acidente da mesma, e como em alguns casos se admite geralmente e se afirma que ele pertence ao sujeito, enquanto em outros casos se nega que lhe pertença necessariamente, devemos, assim que se formu lou a conclusão, replicar a todas elas por igual que tal atributo não pertence neces sariamente ao sujeito. Convém, no entanto, estar preparados para apresentar um exe mplo da espécie de atributo a que nos referimos. Todos os argumentos do tipo dos q ue vamos mencionar a seguir dependem do acidente: "Sabes o que vou perguntar-te? " "Conheces o homem que se aproxima de nós", ou "o homem que usa máscara?" "A estátua é tua obra?" ou "O cão é teu pai?" "O produto de um número pequeno por outro número pequen o é um número pequeno?" Pois é evidente, em todos esses casos, que não se segue necessar iamente que o atributo verdadeiro, ao predicar-se do acidente, seja também verdade iro do sujeito. Com efeito, somente às coisas que são indiscerníveis e uma só quanto à essên cia se admite geralmente que pertençam todos os mesmos atributos; mas, no caso de uma coisa boa, o ser boa não é o mesmo que vir a ser o objeto de uma pergunta; nem n o caso do homem que se aproxima ou que usa uma máscara, é o "aproximar-se" a mesma c oisa que "ser Corisco"; e assim, supondo-se que eu conheça Corisco, mas não conheça o homem que se aproxima, nem por isso se pode concluir que eu conheça e desconheça ao mesmo tempo o mesmo homem; nem tampouco, se isto é meu e é também uma obra de arte, se segue que seja minha obra, mas sim minha propriedade, meu objeto ou algo pareci do. (A solução se faz do mesmo modo nos demais casos.) Alguns resolvem essas refutações demolindo a proposição originaria-mente postulada

, pois respondem que é possível conhecer e não conhecer a mesma coisa, porém não sob o mes mo aspecto; e assim, quando não conhecem o homem que vem na direção deles, mas conhece m Corisco, dizem conhecer e não conhecer o mesmo objeto, porém não sob o mesmo aspecto . Entretanto, como já observamos69, a correção de argumentos que dependem do mesmo pon to deve ser a mesma, e esta última não será válida se usarmos o mesmo princípio não no tocan te ao conhecer alguma coisa, mas ao ser, ou então ao encontrar-se em tal ou tal es tado. Suponha-se, por exemplo, que X é um pai, e também é teu: porque, embora em algun s casos isso seja verdadeiro e seja possível conhecer e não conhecer a mesma coisa, a solução proposta é completamente inaplicável ao caso presente. Nada impede, por certo, que o mesmo argumento contenha vários defeitos ou fa lhas, mas não é a exposição de todas essas falhas uma por uma que constitui uma solução, poi s é possível demonstrar que se inferiu uma falsa conclusão sem, contudo, indicar de qu e ela depende, como no caso do argumento com o qual Zenon pretende provar a impo ssibilidade do movimento. Mesmo se alguém tentasse estabelecer que essa doutrina é i naceitável, continuaria em erro e, ainda que provasse dez mil vezes a sua tese, es sa não seria uma solução do argumento de Zenon, pois desde o princípio a solução consistia e m desmascarar um falso raciocínio e em mostrar de que dependia a sua falsidade. Se , pois, o oponente não demonstrou o que se propunha demonstrar ou está tentando esta belecer uma proposição, verdadeira ou falsa, por meios falsos, denunciar essa maneir a de proceder é uma solução genuína. É bem possível que a presente sugestão se aplique a algu s casos, mas nos casos acima, pelo menos, nem mesmo esta seria geralmente aceita : pois o inquirido sabe tanto que Corisco é Corisco como que a pessoa que se aprox ima está se aproximando. Considera-se geralmente que é possível conhecer e não conhecer a mesma coisa: quando se sabe, por exemplo, que X é branco, mas se ignora que ele seja músico: pois nesse caso a pessoa sabe e não sabe a mesma coisa, se bem que não so b o mesmo aspecto. Mas, quanto ao homem que se aproxima é Corisco, ele sabe não apen as que o homem está se aproximando, mas também que é Corisco. Um erro semelhante aos que acabamos de mencionar é o daqueles que solucionam a demonstração de que todo número é um número pequeno: porque, se ao não ser provada a conc lusão eles passam isso por alto e admitem a conclusão, declarando-a verdadeira porqu e todo número é ao mesmo tempo grande e pequeno, cometem um erro. Alguns usam também o princípio da ambigüidade para resolver os raciocínios acima, como, por exemplo, a prova de que "X é teu pai", ou "filho", ou "escravo". E contu do, é evidente que se a aparência de prova depende de uma pluralidade de significado s, o termo ou expressão em apreço deve comportar diversos sentidos literais; mas nin guém fala de A ser filho de B num sentido literal quando B é o mestre do menino. A c ombinação, aqui, depende do acidente. "A é teu?" "Sim." "E A é um filho?" "Sim." "Então A é teu filho", porque sucede que ele é ao mesmo tempo um filho, e teu; mas nem por is so é "teu filho". Há também a prova de que "algo 'dos males' é bom", pois a sabedoria é um "conhecim ento 'dos males' ". Mas a expressão de que isto é "de Fulano" não tem diversos sentido s; significa, simplesmente, que isto é "propriedade de Fulano". Podemos naturalmen te supor, por outro lado, que ela tenha vários significados — pois também dizemos que o homem é "dos animais", embora não seja propriedade deles; e também que qualquer term o que se relacione com os "males" de um modo expresso pelo caso genitivo é, ipso f acto, um isto-ou-aquilo "dos males", embora não seja um dos males — mas neste caso o s significados que parecem ser diferentes dependem de ser o termo usado em senti do relativo ou absoluto. "Entretanto, é talvez possível encontrar uma verdadeira amb igüidade na frase 'algo dos males é bom'." Talvez, mas não com respeito à frase em apreço. Seria mais plausível, por exemplo, se se dissesse que "um escravo é bom do malvado" ; embora, a bem dizer, talvez não seja encontrada nem mesmo aqui, pois uma coisa p ode ser "boa" e ser "de X" sem ser ao mesmo tempo "boa de X". E tampouco a frase "o homem é dos animais" tem vários significados, pois uma frase não assume vários signi ficados pelo simples fato de ser expressa elipticamente, como, por exemplo, expr essamos "dá-me a Ilíada " citando a metade do seu primeiro verso e dizendo: "Dá-me 'Ca nta, deusa, a ira...'" 25 Os argumentos que dependem de uma expressão que é válida de uma coisa particular ou sob um aspecto, num lugar, de uma maneira ou relação particulares, porém não absolut

amente válida, podem ser resolvidos examinando-se a conclusão à luz da sua contraditória para ver se é possível que tenha sido afetada de uma dessas maneiras. Porque é impossív el que contrários, opostos e uma afirmativa e uma negativa se prediquem absolutame nte da mesma coisa; nada impede, porém, que se prediquem sob um aspecto, relação ou ma neira particular, ou que um deles se predique sob um aspecto particular, e o out ro absolutamente. De modo que, se este se predica absolutamente e aquele sob um aspecto particular, não temos, por ora, nenhuma refutação. Esta é algo que temos de enco ntrar na conclusão, examinando-a em confronto com a sua contraditória. Todos os argumentos do tipo seguinte possuem esta característica: "É possível qu e o que não-é seja?" "Não." "Mas olha que é alguma coisa, apesar de não ser." Do mesmo mod o, o Ser não será, pois não será nenhuma forma particular de ser. "É possível que o mesmo ho mem cumpra e rompa ao mesmo tempo o seu juramento?" "Pode o mesmo homem, ao mesm o tempo, obedecer e desobedecer ao mesmo homem?" Ou dar-se-á o caso de que ser alg o em particular e Ser não signifiquem o mesmo? Por outro lado, Não-Ser, mesmo que se ja alguma coisa, não possuirá também, forçosamente, o ser absoluto. Nem, se um homem cum pre o seu juramento neste caso particular ou sob este aspecto particular, é forçoso que seja um cumpridor de juramentos em sentido absoluto, mas aquele que jura rom per o seu juramento e de fato o rompe, cumpre apenas esse juramento particular; não é um homem cumpridor de seus juramentos, como não é "obediente" o homem desobediente só por ter obedecido a uma ordem particular. Também se assemelha a estes o argumento relativo à questão de saber se o mesmo h omem pode dizer ao mesmo tempo o que é verdadeiro e o que é falso; mas o problema pa rece ser bastante árduo, porque não é fácil perceber em qual das duas relações se pode aplic ar a palavra "absolutamente" — se ao "verdadeiro" ou ao "falso". Nada impede, porém, que seja falso em sentido absoluto, embora verdadeiro sob algum aspecto ou relação particular, isto é, verdadeiro quanto a determinadas coisas, mas não absolutamente " verdadeiro". E do mesmo modo no caso de alguma relação, lugar e tempo particulares, pois todos os argumentos que seguem giram em torno de um destes pontos. "É a saúde o u a riqueza uma boa coisa?" "Sim". "Mas para o tolo que não sabe fazer bom uso del a não é uma boa coisa; logo, é e não é ao mesmo tempo boa." "É a saúde ou o poder político um oa coisa?" "Sim". "Mas há ocasiões em que não é lá muito boa; portanto, a mesma coisa é ao m esmo tempo boa e não boa para o mesmo homem." Ou, mais exatamente, nada impede que uma coisa, embora seja boa em sentido absoluto, não seja boa para um homem partic ular, ou que, sendo boa para um homem particular, não o seja no presente momento o u lugar. "É um mal aquilo que o homem prudente não desejaria?" "Sim." "Mas não desejar ia o bem para se desfazer dele: logo, o bem é um mal." Mas isto é um erro, pois não é a mesma coisa dizer "o bem é um mal" é "desfazer-se do bem é um mal". Não menos errôneo é o ar gumento do ladrão, pois do fato de ser o ladrão um mal não se segue que adquirir coisa s também seja um mal. O ladrão, portanto, não deseja o que é mau, e sim o que é bom, pois adquirir um bem é bom. E também a doença é um mal, mas livrar-se dela não o é. "É o justo pre erível ao injusto, e o que acontece justamente ao que sucede injustamente?" "Sim." "Mas ser morto injustamente é preferível." "É justo que cada um tenha o que lhe perte nce?" "Sim." "Mas sejam quais forem as decisões que um homem tome fundado na sua o pinião pessoal, mesmo que trate de uma falsa opinião, são válidas perante a lei; logo, o mesmo resultado é ao mesmo tempo justo e injusto." Ou ainda: "Deve-se julgar em f avor de quem diz o que é justo, ou de quem diz o que é injusto?" "Em favor do primei ro." "Mas olha bem que é justo, da parte ofendida, declarar todas as coisas que so freu; e essas coisas foram injustas." Ora, todos estes são sofismas, pois do fato de ser preferível sofrer alguma coisa injustamente não se segue que as ações injustas se jam preferíveis às justas; mas, num sentido absoluto, as ações justas são preferíveis, embor a neste caso particular o injusto possa perfeitamente ser melhor do que o justo. E também possuir o que é seu é justo, enquanto possuir o alheio não o é; apesar disso, a decisão em apreço pode muito bem ser uma decisão justa, seja qual for a opinião do homem que a deu; pois do fato de ser justa neste caso ou sob este aspecto particular não se segue que seja justa em sentido absoluto. E do mesmo modo, embora as coisas sejam injustas, nada impede que seja justo falar delas: com efeito, por ser jus to falar de certas coisas, não é necessário que as próprias coisas sejam justas, assim c omo do fato de ser útil falar de certas coisas não se segue que as próprias coisas sej am úteis. O mesmo ocorre no caso do que é justo. De modo que a vitória cabe àquele que e nuncia coisas injustas, não porque as coisas de que ele fala sejam injustas, mas p

orque é justo falar dessas coisas. como. de modo que conhecesse e ignorasse ao mesmo tempo a mesma coisa. se A é sempre acompanhado de B. isto é. ora. Há duas maneiras pelas quais se seguem as conseqüências. mas conce der tal possibilidade. devem. Pois o argumento é que." "Mas uma coisa que m ede três côvados pode vir a medir quatro". pois. Porque uma questão precisa ser única para ter uma resposta únic a. da maneira oposta àquela que se adota na refutação de questões secundárias. Em segundo lugar. mas para raciocinar contra ele. B também é sempre acompanhado de A. no sentid o de serem infligidas. mas uma só de uma só. de modo qu e uma resposta simples não nos prejudica em nada. 28 Também no tocante às refutações que deduzem suas conclusões por meio do conseqüente.. o argumento procede por meio dos opo stos dos termos em causa: porque. 29 Nas refutações em que o argumento depende de alguma adição." "Mas quem sabe que Corisco é Corisco poderia ignorar que ele é músico. ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. "animal" se segue de "homem". ou a qu estão versa sobre vários atributos que pertencem a vários sujeitos. se o que foi gerado teve um começo. pretende-se que o oposto d e A se seguirá ao oposto de B. Se essa pergunta adicional for feita no começo." "Uma coisa que mede quatro côvados de co mprimento é maior do que uma coisa que mede três côvados?" "Sim. de modo que não se devem afirmar ou negar várias coisas de uma só. o homem que deu uma r esposta simples não se choca com nenhum obstáculo mesmo que tenha cometido esse erro . e. o q ue responde deve frisar esse fato e dizer que concedeu o acréscimo. de acordo com o plano esboçado acima70. também o particular se segue do seu universal — fundando-se na suposição de que. Todos os argumentos que seguem dependem de um ponto d esta espécie. Suponha-se. se bem que a questão não seja simple s. a conclusão continua sendo absurda. por exemplo. "Um homem que sabe que A é A conhece a coisa chamada A?". porém não ao outro. do mesmo modo. porque a seqüência é a inversa. de modo que. ou que um pertence a muitos. relação. 27 Quanto às refutações que dependem de postular e pressupor o ponto originário a ser provado. nem uma só de muit as. devemos fazer recair o n osso erro sobre o inquiridor e dizer que ele não argüiu com propriedade. 30 Para enfrentar as refutações que unem várias questões numa só. Desta segunda hipótese depende também o argumento de Me lisso: pois ele pretende que. elas sejam injustas. haverá seguramente . mai or e menor do que ela mesma. se A se segue de B. se bem que em sentido absoluto. se o céu não foi gerado. que o fato tenha escapado à nossa atenção: nesse ca so. ma neira e ocasião. então. assim como o universal segue do seu p articular. que vários atrib utos pertencem a um só sujeito. Sempre. o que é "maior" é maior do que um "menor ". segundo ficou pactuado. porém não da maneira que. ele é eterno. porém não em outro sentido. assim como no caso dos termos ambíguos um atributo às vez es pertence ao sujeito em ambos os sentidos e outras vezes em nenhum. Mas isso não é verd adeiro. não porque acred itasse nele e sim no interesse do argumento. constituiri a uma refutação de nossa tese.mesmo quando retirada esta. convém fazer a distinção tre elas logo de início. 26 Quanto às refutações que dependem da definição de uma refutação. Em caso afirmativo. deve-se ver se. no entanto. "quem ignora que A seja A também ignora a coisa chamada A?" "Sim. Ou. o que não foi gera do carece de começo. não se deve admitir q ue seja impossível à mesma coisa ser ao mesmo tempo um dobro e não um dobro. isso não se deve conceder ao que pergunta se sua maneira de proceder é evi dente. Mas. e em dado sentido todos aqueles pertencem a todos estes. ser enfrentadas comparando-se a conclusão com a sua contradi tória e verificando se ambas incluem o mesmo atributo sob o mesmo aspecto. aproveitando a fraqueza dos argumentos dessa espécie. mas que seu oponente não fez nenhum u so dele para o seu argumento. portanto a coisa de que falamos será. deve-se fazer ver que o ponto foi concedido sob a impressão de que ele não tencionav a usá-lo como premissa. pois uma re futação deve ser demonstrada independentemente do ponto originário. o mesmo acontece também no caso das questões duplas. d evem-se denunciá-las no decurso do próprio argumento. mesmo que se trate de uma opinião geralmente aceita. mas sempre que um atributo pertence a um dos sujeitos. mas deve-se dizer-lhe a verdade.

se o que é bom se torna mau enquant o o que é mau se torna bom. dez figura em "dez menos um". se alguém diz "isto nã é branco". tem um sentido quando o aplicamos ao nariz e outro quando o aplicamos à perna. pois isso seria uma falsidade. Ora. E igualmente. Além disso. e também que são diferentes de si mesmas. uma pedra é um 'isto' (pronome n utro) e não um 'ele' (pronome masculino). deve-se responder a mesma coisa. seremos forçados a dizer que tanto é verdadeiro chamá-los de bons como cha má-los de maus. por exemplo. Com efeito." Ou será que falar de uma pedra implica o uso de "quem" e não "o que". e. O solecismo é o que têm em mira todos os argumentos do tipo seguinte: "É uma coisa em verdade aquilo que tu em verdade a chamas?" "Sim. por conseguinte. do fato de d uas coisas desiguais serem cada uma igual a si mesma seguir-se-á que são ao mesmo te mpo iguais e desiguais a si mesmas. o mesmo que quando incluído na frase inteira." "Mas. Com efeito. é indiferente que se diga "nariz arrebita do" ou "nariz côncavo". em abstrato. palavra masculina). É talvez lícito dizer que a simples palavra "dobro" não tem em si mesma significado algum. nem má. de modo geral. Mas é claro que. mas nada impede que sua aplicação a cada um destes substantivos lhe confira uma diferenc iação de significado. como não o tem "a" na expressão "a meta de". e não é isso o que entendemos por uma refut ação. E ta mbém. Suponhamos agora que alguém pergunte: "pode 'ele' ser uma . e de "ele" e não "isto"? Se alguém perguntasse: "é uma pedr a aquele a quem tu assim chamas em verdade?". "fazer" e m "não fazer". não se incorre em solecismo quando se pergunta: "É uma coisa o que tu dizes que ela é?" "Sim". por exemplo. mesmo que tenha um significado. "Mas. nem por isso. não se pensaria geralmente que estiv esse falando grego correto." Mas. quanto a λίθος e a " têm desinências masculinas. ou dizer que não são bons nem maus (pois cada um deles não possui ambas as qualidades). se não se formulou uma questão única a respeito de vários pontos. se dermos uma resposta simples a respeit o de ambos. portanto. do mesmo modo como se perguntasse: "é ele aquilo que t u a chamas?" Mas ao falar-se de um bastão ou qualquer outra palavra neutra não se pr oduz essa diferença. não há absur do nenhum em supor que o nariz arrebitado é um nariz que possui a concavidade própri a de um nariz. o método de lhes dar solução se tornará manifesto no decurso dos próprios argumento s. Mais ainda: não se deve conceder a expressão no caso nominativ o. isto é: que o termo definido não é.complicação. tu dizes 'isto é real'. "côncavo" tem um sentido g eral que é o mesmo quando aplicado a um nariz arrebitado e a uma perna torta. não tem o mesmo na combinação. Com efeito. "o côncavo" não é um nariz côncavo. "cambaio". e é preciso tomar cautela. como o homem que dá respostas simples a perguntas duplas pode ser levado a dizer que várias coisas são "idênticas" não como outras coisas. dizes 'i sto é real'. tratando-se de um bastão. nos argumentos seguintes: supondo-se que A seja bom e B seja mau. ao falar de uma pedr a (λίθος . donde se segue que a mesma coisa será boa e má e nem boa. 32 Com respeito aos solecismos. estará dizendo que isto é branco. a afirmação na negação. que "dobro" sej a um termo significativo quando isolado da frase inteira "dobro da metade". logo. por exe mplo. ê o "conhecimento do cognoscível" No caso dos termos que se predicam dos termos por meio dos quais são definid os. Em verdade. mas "como elas próprias". mas respondente afirmou ou negou um atributo singular de um sujeito singular. Por esta razão. em outras palavras. Assim. E tampouco "con hecimento" é a mesma coisa em referência a um de seus ramos específicos (como. como cada coisa é idêntica a si mesma e diferente de tudo mais. simp lesmente porque figura nela. não res ultará daí nenhum absurdo. pois no primeiro contexto significa "arrebitado" e no segundo. já dissemos anteriormente71 o que parece produz i-los. mas al guma coisa (digamos. de modo que a afirmação e a negação resultantes da me sma coisa não ocorrem a não ser verbalmente. estas refutações caem também dentro do campo de outras soluções: pois "ambos" e "todos" têm mais de um significado. uma afecção) que pertence a um nariz. segue-se que as mesmas coisas podem ser ao mesmo tempo idênticas a si mesmas e diferentes de si mesmas. em "conhecimento médico") e num sentido geral: pois. ambos devem tornar-se dois. de um bastão é certo dizer que isto é real. 31 No tocante àqueles que levam o oponente a "tartamudear" evidentemente não se d eve conceder que a predicação de termos relativos tenha qualquer significação em abstrato e em si mesmos. nesse sentido geral. e.

"de escudo" seri a o significado da expressão "deste objeto". mas "a pedra". por e xemplo. nem sequer seria grega. mas "escudo". o sofista não provou a sua tese nem como uma questão de fato. ele é 'de escudo'. enquanto ou tros resolvem o argumento de Zenon e Parmênides afirmando que "Um" e "Ser" são usado s em diversos sentidos). na primeir a frase é um acusativo e na segunda um nominativo. Nem tampouco. e em seguida: "Bem. "de uma pedra". e "Que é que te detém? — A cord a com que me amarraram ao mastro"." "Mas tu o chamas pelo nome de escudo. e "Qual das vacas vai parir na frente? — Nenhum a das duas. Se. o acusativo). Co m efeito. o que responde não concedesse tal ponto. embora seja aparentemente verdadeira. Este deve ser formulado como u ma pergunta adicional. também no primeiro exemplo acima se deve especificar que " isto" significa a pedra. um argumento silogístico é mais incisivo quando." "Mas tens a compreensão de uma pedra. pois qualquer deles. assim como nos sofismas que se baseiam na ambigüidade e que são gera lmente considerados a mais tola forma de ilogismo. por conseg uinte. utro lado. por exemplo: "O homem desceu o carro do estribo". é Apolônides [palavra que sugere a idéia de 'esbanjador']": e assim com a grande maior ia das demais ambigüidades). com respeito a qual das premissas postuladas se deve refutar . parece ser igual ao nominativo. e "O vento norte é puro? — Que esperança! Matou o mendigo e o mercador". e concluísse: "Então ele é uma 'e la'. "Quando tens a compreensão de uma coisa. se conclui que ele é "de Cleonte". partindo de premissas que sejam tão geralmente aceitas quanto possível. tu a compreendes?" "Sim. acerca de todos os argumentos de que estivemos trat ando. nem o oponente o concede. pois alguns pensam que "Ser" e "Um" significam a mesma coisa. mas não é ele Corisco72?". Por isso. mas alguns podem pensar que o mesmo argumento depende da linguag em. e. no tocante aos ilogismos de acidentes e em cada um dos outros tipos. e nquanto a outra está no acusativo. mas apenas parecem fazê-lo." "Mas isto é ele. "É v erdadeiro dizer que este objeto é aquilo que tu chamas pelo seu nome?" "Sim. não se pod e estabelecer a conclusão.'ela'?". Os argumentos desta classe. conheces a ele. se. demole uma conclusão qu e é tão geralmente aceita quanto possível. que em alguns é mais fácil e em outros mais difícil perceber onde e por que o ra ciocínio induz o ouvinte em erro." Não necessariamente. 33 Deve-se também observar. alguns são mais fáceis de descobrir e outros são mais d ifíceis. outros do acidente e outros de outra coisa. e também nem sempre é fácil determinar a que classe pertence um ilogismo e se é o u não é uma refutação. pois ambas parirão por trás". e a outra nos argumentos erísticos. embora muitas vezes sejam os mesmos argumentos q ue os anteriores. por que o significado de "este objeto" não é "de escudo". E assim. e do mesmo modo. 'bom administrador'] ? — Qual nada. do qual possuis a compreensão". porque o caso (is to é. quanto à maneira em que se deve assentir ao qu e é proposto. compreendes de uma pedra. não provam o solecismo. Um argumento incisivo é aquele que produz a maior perplexidade. pois. é nas discussões silogísticas que os mais incisivos estimulam a mais aguda investigação. se "ele é o que tu o cham as pelo seu nome" e "tu o chamas de Cleonte". p orquanto o que se disse foi "ele (e não dele) é o que tu o chamas pelo seu nome". que em realidade é diferente. Ora. se nem é verdadeiro. sendo um o argumento. portanto. Portanto. enquanto outros parecem atrapalhar os mais atilados ( e um sintoma disto é que muitas vezes disputam em torno dos termos que usam. de forma que compreend es não "de uma pedra". pode tornar-se menos claro. e o que se concedeu foi que "tu co mpreendes isto (e não disto). Porque. não teria provado o solecismo. logo. " Conheces isto?" "Sim." Não. por ser o qu e morde mais fundo. isso não é verdade nem foi concedido. alguns são evidentes mesmo para as mentalidades comuns (pois quase todos os ditos humorísticos dependem da lingua gem. se a contradi §©©©¨ . nem contra a pessoa a quem este ve inquirindo." Não: uma frase está no genitivo. se a proposição fosse formulada deste último modo. Ora. quando expr esso em termos diferentes. se o significado de "Ser" e "Um" é o mesmo ou diferente em todas as suas a plicações. Pois devemos considerar como o mesmo um argumento que depende do mesmo ponto. a perplexidade é de duas espécies: uma que ocorre nos argum entos raciocinados. contudo. porque "isto " não tem o mesmo significado em "conheces isto" e em "isto é uma pedra". e pelo que acabamos de dizer se vê com clareza não só por que parecem fazê-lo ma s também de que maneira devemos enfrentá-los. e "Esse é Evarco [lit.embora o nome δι αστής realmente uma "ela". "uma pedra".

mas também sobre as fontes que nos pr oporcionarão um bom suprimento destes últimos. e em segundo lugar vem aquele que se baseia em premissas todas elas igualmente con vincentes. não só sobre o número de casos em que isso se aplicará e dos ma teriais que se podem utilizar para esse fim. embora o seu defensor não tenha formulado bem as perguntas. A dificuldade está em que se dev e refutar alguma coisa. cremos ter dito o suficiente neste tratado. e outras ainda contra nenhuma dess as coisas. e daí o ser inevitável a perplexidade. outras vezes co ntra o que pergunta e o seu modo de inquirir. Mas. Demos indicações claras. mas nem sempre merece ser desprezado. Nosso intento era descobrir alguma faculdade de raciocinar sobre qualquer tema que nos fosse proposto. os problemas ligados a todas as outras matérias que se acham incluídas nesta investigação sobre os a rgumentos. pois. às vezes um argumento que não foi bem raciocinado é tolo. sobre a utilidade que têm todos os argumentos deste tipo e o que diz respeito ao papel d o que responde. Assim como às vezes é possível dirigir a solução contra o argumento. por meio de opiniões tão geralmente aceitas quanto possível. igualmente. nos propusemos como fim do nosso tratado. e como fazer perguntas e de que maneira dispô-las. mas também quanto à maneira de reso lver argumentos e solecismos. Com efeito. mas sim respeitado. por outro lad o. o raciocínio que. confessando sempre a sua ignorância. também. Um argumento desta espécie — isto é. o argumento nunca deve ser levianamen te condenado. o mais incisivo é aquele que. . partindo das premissas mais geralmente aceitas que existem. Só nos f alta agora recordar o nosso propósito inicial e encerrar esta discussão com algumas palavras a esse respeito. como também faz parte dela. e à natureza das fontes de que procedem os ilogismos n a discussão. não só de modo geral e como um todo. mas tão geralmente aceita quanto aquelas. devido à presença próxima da arte dos sofistas (a sofistica) . o que põe a conclu são em igualdade de condições com as premissas postuladas — é o mais incisivo de todos. Dos argumentos erísticos. se caracteriza por uma incerte za inicial sobre se ele foi ou não corretamente raciocinado. quanto aos restantes. Ora. sempre que a questão seja mais longa de examinar que o período disponível. posi tiva ou negativa conforme for o caso. também é possível dirigir nossas perguntas e nosso raciocínio contra a tese. Pois essa é a função essencial da arte da discussão (dialética) e da crítica. tratamos também do assunto Vícios de Raciocínio.tória for convertida. e era pelo mesmo motivo que Sócrates costumava fazer perguntas e não respondê-las. o segundo lugar cabe àquele cuja solução não só depende claramente de uma distinção ou uma ref tação. e como devemos mostrar que nosso oponente está cometendo um erro de rac iocínio e levá-lo a emitir paradoxos. mas até não deixa ver com clarez se é a conclusão ou uma das premissas que é capciosa. também foi mal conduzido é tolo. pa rtindo de premissas que sejam geralmente aceitas. dará o mesmo caráter a todos os silogismos resultantes. pois. mas não se sabe o quê. dentre as postuladas. e os problemas concernentes às respostas e soluções que se d evem usar contra os raciocínios do inquiridor. possamos defe nder nossa tese da mesma maneira. além do objetiv o supra-mencionado de ser capaz de exigir uma justificação de todo e qualquer ponto de vista. Aclaramos. e também sobre se a sol ução depende de uma premissa falsa ou de fazer uma distinção. mas quando o que s e omite é alguma pergunta alheia ao assunto. e. provará sempre uma conclusão. Mostramos. além de não ter assegurado esse ponto. e também pelo uso de que materiais se produz o s ole-cismo. que se deve lançar por terra. sempre que se omite uma pergunta de tal natu reza que interessa tanto ao sujeito como ao fio do argumento. Já explicamos a razão disto73. também o de assegurar que. pois esse causará uma igual perplexidade no tocante à espécie de premissa. e contudo não mostra com clareza qual das premissas postuladas deve ser refutad a ou submetida a uma distinção para que se chegue à solução. como fizemos not ar acima74. no que precede. 34 Quanto ao número. em primeiro lugar. supondo-se que os pressupostos requeridos sejam extremamente paradoxais ou falsos. Além disso. como inquirir e disp or a inquirição como um todo. e finalmente. contra o que a defende ou contra o tempo. não apenas o ser capaz de conduzir uma crítica dialeticamente mas também com uma cer ta exibição de conhecimento. ao fazer frente a um argumento.

não tínhamos nenhum trab alho anterior a que recorrer. pois. os resultados de trabalhos anteriores legados por outros foram elaborados e avançaram passo a passo mercê dos esforços daqueles que os receberam. no que se refere ao raciocínio. o adestramento proporcionado pelos professores pagos de argumentos sofís ticos assemelhava-se à maneira como Górgias tratou da matéria. alguns deles retóricos. Não existia absolutamente nada. depois que foi descoberto o p rimeiro começo. vos parecer que. quando tiverdes acabado de percorrer estas páginas. E assim. enq uanto as celebridades de hoje são os herdeiros (por assim dizer) de uma longa suce ssão de homens que os fizeram avançar polegada por polegada e os desenvolveram até que alcançassem a sua forma presente. com efeit o. mais pequenas são as suas proporções e. mas não lhe t eria comunicado uma arte. sucedendo-se Tísias aos primeiros fundadores. no caso da retórica existe muita coisa que foi dita há longo tempo. por essa mesma razão. como diz o refrão popular. adestrar as pessoas transmitindo-lhes não a arte. e a seguir Teodoro. Imaginavam. é mais fácil fazer-lhe acréscimos e desenvolver o resto. oferecer-nos os voss os calorosos agradecimentos. o utros sob a forma de perguntas e respostas. embora muito mais útil do que o desenvolvimento que tiveram mais tarde. mas durante anos dedicamos nossos esforços a buscas e pesquisas experimentais. de modo geral. portanto. o ensino que ministravam aos seus alunos era rápido. mais difíceis de perceber. mas os seus produtos. Co m efeito. Além disso. mas lhe apresentasse uma porção de calçados de todo t ipo: pois esse homem o teria ajudado a satisfazer a sua necessidade. enquanto os descobrimentos originais representavam geralmente um p equeno avanço a princípio. É bem possível que em todas as coisas. quanto mais poderosa se destina a ser a sua influência. não é de surpreender que a arte tenha atingido dimensões consid eráveis. Em todos os descobrimentos. Bibliografia TÓPICOS Livro I Livro II Livro III Livro IV Livro V Livro VI Livro VII Livro VIII DOS ARGUMENTOS SOFISTICOS. não aconteceu que parte do trabalho tivesse sido reali zada antes. e T rasímaco a Tísias. "o prim eiro passo seja o mais importante" e. Pois o que eles faziam era distribuir discursos para serem aprendidos de memória. também o mais difícil. Se. mas rudimentar. em face da situação existente no começo. que nosso programa foi adequadamente cumprido. perdoar-nos as imperfeições da obra e. Mas não devem os omitir a menção do que ocorreu com respeito a este estudo. Isso tem aconte cido no campo da retórica e praticamente no de todas as demais artes: pois os que descobriram os seus primeiros princípios os fizeram avançar um pouquinho apenas. enquanto varias pessoas faziam as suas divers as contribuições. porém. No nosso estudo. . incluídos ali. enquanto. na suposição de que os argumentos de cad a uma das partes estivessem todos. pelo que nela encontrardes de novo. assim como aos nossos estudantes. como se um homem que pretendesse ser capaz de transmitir o conhecimento de como evitar as dores nos pés não ensinasse ao seu aluno a arte do sapateiro nem lhe indicasse as fontes onde poderia adquiri-la. mas. só resta a todos vós. deixando outra parte por completar. poi s. ÍNDICE ARISTÓTELES—Vida e obra Cronologia. pois.É evidente. e assim. alcançamos resultados s atisfatórios em nossa investigação em confronto com outros estudos que têm sido desenvol vidos pela tradição.

do T. A. (N. caps. 15.P.P. deW. (N. (N. 297 E 299 C. A. (N. P. (N. (N. P. de W. de W. P.) 16 113 b 15-26. (N. de W.P.A.com/group/Viciados_em_Livros http://groups.). 22. de W. P.) 15 106 a 9 e ss. port anto distribua este livro livremente.P. de W.deW. de W. de W.) 30 139 b 3.deW.P. P. deW. 411 A. Heinze (N.P.a.P.) 11 Linhas 6-14. (N.A. 7.) 34 102 a 11.A. de W.A. de W. 26. (N.) 21 Cf.) 10 113 b 27.) 103 a 7.P. de W. Heinze.p.) 36 Analítica Posterior. A.) 35 139 a 27-35.P. de W. de maneira totalmente gratuita.deW.) 32 103 a 23.A.) 12 109 b. A. Heinze. de W. (N. deW. P. de W.138 b. (N. A. (N. Platão.A.) 100 a 25. o benefício de sua leitura àqueles que não podem co mprá-la ou àqueles que necessitam de meios eletrônicos para ler. que deveria colocar-se entre o quinto e o sexto do capítulo. (N.P. P. P.P. (N.) 26 Fedro. (N. (N. (N. 181.P. de W. de W. (N.) 27 Fragmento 7. Dessa forma.) 20 129 b 7. pois assim você estará incentivando o autor e a publicação de novas obras. Hípias Maior.com/group/Viciados_em_Livros. de W.) 39 Linha 10. A.) 17 Fragmento 81.) 33 Fragmento 82. A. A. (N. A.google.) 37 Ibid. A.) 38 148 a 14.A. Livro II.A. P. 104 a 8.P..google. de W. do T.P. Fragmento 60. 7. (N. (N. de W.)   . cap.A. P. A.com/group/digitalsource 1 2 3 4 5 6 7 8 102 a 9. Livro II.deW.A. (N. Após sua leitura considere seriamente a possibilidade de adquirir o original. (N. Heinze. (N. Platão. respectivamente.A.A.google.A. (N. será um prazer recebê-lo em nosso grupo. de W. 245.) 22 136 b 33 .A. (N. de W.A. de w.) 102 b 4. (N. (N. 13 (N.P.) 31 Cf.P. de W. cap. A.A.) LIVRO II. 9 Fragmento 81. (N.A.) 19 128 b 22.de W.A.P. (N.deW.A.137 a. P.P. A generosidade e a humildade é a marca da distribuição. http://groups. (N.'deW. do T.Esta obra foi digitalizada e revisada pelo grupo Digital Source para proporciona r.(N. A. P. a venda deste e-boo ou até mesmo a sua troca por qualquer contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância. A.) 13 102 b 6.e 114 a 6.) 23 138 a 30 . 114 b 6-15.) 25 Xenócrates. Se quiser outros títulos nos procure: http://groups. A. nas acepções de "picante" e "insípido". (N.P. de W.) As mesmas palavras gregas que correspondem a "agudo" e "obtuso" são também usadas. P.) 101 a 22.) 29 Cf.) 28 141a. (N.) 14 Teeteto.) 18 Parece ter havido uma transposição deste parágrafo. do T. deW. 3-13. de W.) 104 b 1. (N. Def. P. (N.) 24 101 b 19. (N.P.

deW. Livro I.A.(N. (N.) 57 170 b 40. o que pode estabelecer uma confusão com ορίο ιον. deW. de W. quan do o que se provou ou refutou é outra coisa.(N.) 50 Ilíada.) 64 160.A.P.P.P. (N. de W.) 74 183 a 27.P. Livro II.A.) 42 105 a 16. do T. de W. cap. (N. de W.) 58 165 a 22. de W. de W.A.) 53 Erro que consiste em supor que o ponto na questão foi provado ou refutado.A.P. de W.) 56 Caps.(N.P. (N.P.P.P.A. (N.P. 5.) 66 Cf. de W.A. de W. de W. Livro VIII. deW. substantivo neutro que significa uma menina. deW.P.) 41 155 b 20-28. cap.A.P. de W. 21-35. (N.) 52 Tópicos.) 73 165 a 19-27. (N. cap.) 47 Analítica Primeira.P. (N.a 23 ss. 5. do T.) 46 162 a 10. de W.A. (N.A.P.A. de W.A.) 51 Ibid.) 44 100 a 22. deW. (N.) 72 "Corisco" é usado aqui no caso acusativo. (N.P.P. (N. do T. (N.A. de W. de W. XXI.A. 17.A. (N.157 a 5.P.) 70 167 a 21 (N. (N.A.A.40 Tópicos.. (N. (N. de W.A. (N. Diels.P. (N.) 67 Cap.A. do T. (N. de W.) 63 155 b 26 . 16.P.P.P.) 65 164 b 25.) 71 165 b 20 s. 297. de WA.P. Livros II-VII.) ?? ?? ?? ?? .) 59 Tópicos. (N. 24e28.P.) 61 165 b 20.) 68 177 b 31.A. (N. (N. (N.P. cap.P.P. de W.) 45 Analítica Primeira.A. deW. do T.) 48 Tópicos.A. (N. 2. (N. (N.A. de W. cap.A.) 43 Fragmentos 58 e 102.deW.) 55 "Paralogismo" no texto grego. XXIII.P.) 69 177 b 31.) 49 Tópicos. Livro II. cap.A.A.157 a 5. 6. Livro I-VIII.A.doT. de W. (N. Livro II. de W. 9.) 54 167 a.P.) 62 155 b 26. (N.A.) 60 482. (N.P. 328. (N.