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BARRAGENS DE TERRA E DE ENROCAMENTO – AULA 2

Prof. Romero César Gomes - Departamento de Engenharia Civil /UFOP

Fluxo Através de Barragens de Terra
Fluxo Não Confinado: a linha de fluxo superior (linha freática) não é conhecida previamente; Linha Freática: definida como sendo o lugar geométrico dos pontos submetidos à pressão atmosférica, ou seja, de pressões u = 0.

h=z+

u γw
3 1

∆Z

2

h

u h 1 = z1 + 1 γw h2 = z2 + u2 γw

0

0

h 1 − h 2 = z 1 − z 2 = ∆z

h1 = z1 +

u1 u = z3 + 3 γw γw

u3 = z1 − z 3 = h γw

Fluxo Através de Barragens de Terra

Modelo físico utilizando corantes para a determinação das linhas de fluxo através do aterro da barragem (tomando-se linhas ortogonais a estas, obtêm-se as equipotenciais da rede de fluxo)

obtêm-se as equipotenciais e a rede de fluxo através do aterro da barragem . formando ‘quadrados curvilíneos’.Fluxo Através de Barragens de Terra Tomando-se linhas ortogonais às linhas de fluxo assim obtidas.

3 AB diretriz x x0 x0 PA = PD ∴ x 2 + z2 = − x+ 2 x0 2 ∴ x 2 + z 2 = x 2 − 4 xx 0 + 4 x 0 z2 ∴ x = x0 − 4 x0 .Método Gráfico das Redes de Fluxo • Determinação da Posição da Linha Freática – Parábola de Kozeny BC = 0.

determina-se EF (diretriz da parábola). Horizontais pelos pontos de divisão de MN (linhas auxiliares horizontais). Divisão dos segmentos GM e MN em partes iguais. determina-se o segmento MN. Vertical pelo ponto médio de AF. Interseção das linhas auxiliares horizontais e radiais: pontos da parábola básica de Kozeny . Ligação dos pontos de divisão de GM com o ponto N (linhas auxiliares radiais). determina-se o ponto E sobre o prolongamento da horizontal HC.Método Gráfico das Redes de Fluxo • Determinação Gráfica da Parábola Básica de Kozeny Procedimentos: • • • • • • • Centro no ponto G e raio GA. Vertical pelo ponto E.

10 180° 0 .Método Gráfico das Redes de Fluxo • Correções da Parábola Básica de Kozeny ⇒ Linha Freática da Rede de Fluxo Correção de Entrada: o talude de montante não é uma parábola ⇒ correção visual Correção de Saída: determinação da distância ∆a em função do ângulo β do dreno medido na escala do desenho β ∆a / a 30° 0.36 60° 0.32 90° 0.18 150° 0.26 120° 0.

Método Gráfico das Redes de Fluxo • Rede de fluxo através do aterro da barragem • • • .

mantendo-se inalteradas as dimensões verticais e multiplicando-se as dimensões horizontais pelo fator de redução de escala X (chamada seção transformada do problema ⇔ meio isotrópico (condutividade hidráulica K’) equivalente ao meio anisotrópico (condutividades hidráulicas Kx e Kz).x Kx q = K' h Procedimentos para meios anisotrópicos: Nf Nq (i) desenhar o problema de fluxo proposto em escala transformada.X Kz . como o cálculo de i depende do tamanho da malha. que será. K z x= Kx . ou seja. (ii) obter Nf e Nq da rede traçada e calcular vazão e pressões. K' = K x .Método Gráfico das Redes de Fluxo • Meios Anisotrópicos à Permeabilidade: Kx ≠ Kz X= Kz . é preciso traçar a rede de fluxo na seção real do problema (meio anisotrópico). distorcida (devido à perda da ortogonalidade entre as linhas e dos ‘quadrados curvilíneos’) : obter desta rede real os valores de gradientes hidráulicos e velocidades de fluxo. então.

Método Gráfico das Redes de Fluxo • Influência da Anisotropia na Rede de Fluxo Através da Barragem .

Método Gráfico das Redes de Fluxo • Redes de fluxo através da fundação da barragem • • • .

Método Numérico das Redes de Fluxo • Redes de fluxo através do aterro e da fundação de uma barragem 980 970 960 950 940 930 920 910 900 890 880 870 -50 Elevação (m) 10 -20 40 30 20 -10 60 50 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 Distância (m) .

Parâmetros ∆ da rede: ∆q : vazão (constante) através de cada tubo de fluxo da rede. ∆h : queda de potencial (constante) entre as equipotenciais da rede. ∆h 1 Nq . ∆q 1 Nf ∆h h ∴ h = Nq . ∆q q ∴ q = Nf . Nq : número de quedas de potencial (perdas de carga) da rede. Dado disponível a partir da geometria do problema: h : carga hidráulica total.Método Gráfico das Redes de Fluxo Parâmetros obtidos da rede de fluxo: Nf : número de tubos de fluxo da rede.

Nf Nq Pressões de água (poropressões/subpressões): u h=z+ u γw ou u P = γ w (h P − z P ) hP = nq Nq . v=Ki Cota do ponto P (fixação de um datum ou referencial ⇒ nível + baixo de água . unidade: m3/s/m) h hP Nq nq ou q h = K.1) ∴ ∆q = K∆ h a ∴ q = Kh Nf Nq (vazão por metro linear.h Gradientes hidráulicos: i Velocidades de fluxo: v i= ∆h a .Método Gráfico das Redes de Fluxo Grandezas obtidas a partir da rede de fluxo: ∆q ∆h (a x a) Vazão de percolação: q ∆q = KiA = K ∆h (a.

0 m • K = 2. 7 = 2 .5 x 10 − 5.1 x 10 − 5 m 3 /s/m hP = nq Nq .0 – 1. 4 = 0.27 m 15 .Método Gráfico das Redes de Fluxo ? • vazão: q • diagrama de subpressões na base da barragem • h = 5.5 x 10-5 m/s • Nf = 4. 4 . Nq 15 ∴ q = 3.0 = 4.7 . Nq = 15 q = Kh Nf 4.h = 1 .

Ruptura Hidráulica por piping Rede de fluxo simulando a colmatação completa do sistema drenante da barragem: o fluxo atinge livremente o talude de jusante risco de piping .

Ruptura Hidráulica por piping • Ruptura Hidráulica por ‘Piping” i= ∆h ∆l ⇒ i max = ∆h ∆l min ocorre comumente em pontos de saída ou de quebra do fluxo (por exemplo: no ponto A da barragem mostrada abaixo). Neste caso. a condição de desconfinamento do ponto A implica no arraste de partículas de solo de forma sucessiva e a formação de um processo de erosão tubular regressiva (‘piping”) .

Exemplo de Ruptura de barragem por piping Barragem de Teton (EUA) barragem de terra e enrocamento com 93m de altura e 975m de extensão projeto da Federal Bureau Reclamation entrada em operação em 1975 maciço rochoso muito fraturado tratamento de fundação por trincheira de vedação e cortina simples de injeção sob o núcleo da barragem • barragem sem instrumentação (apenas medidores de vazão) • ruptura durante o enchimento rápido do reservatório • 11 vítimas fatais • • • • • .

.Exemplo de Ruptura de barragem por piping 03 de junho de 1976 • primeiros sinais de piping: surgências de água limpa através de juntas do maciço rochoso casa de força 05 de junho de 1976 ..08:30h • dois dias depois. observação de fluxo de água barrenta na região da ombreira direita da barragem .

10:30h .Exemplo de Ruptura de barragem por piping • piping ocorrendo junto ao contato da barragem com a ombreira direita e avançando pelo talude 11:20h 10:45h 05 de junho de 1976 .

11:55h .Exemplo de Ruptura de barragem por piping 05 de junho de 1976 .11:40h 05 de junho de 1976 .

12:30h .Exemplo de Ruptura de barragem por piping 05 de junho de 1976 .

Exemplo de Ruptura de barragem por piping 05 de junho de 1976 .13:30h barragem após a ruptura .

Controle da Percolação por Sistemas de Drenagem dreno de pé tapete drenante filtro inclinado e tapete drenante zoneamento do maciço (+ permeável à jusante) .

Controle da Percolação por Sistemas de Vedação • revestimento de proteção do talude de montante • tapete impermeabilizante executado à montante .

Controle da Percolação por Sistemas de Vedação • • zoneamento do maciço com núcleo impermeável • • trincheira de vedação (’cut off’) • • cortina de injeção sob o núcleo .

. filtros e transições núcleo As dimensões do filtro são ditadas pela quantidade de água a ser transportada e. tanto pode ser o material do aterro quanto o material de fundação. no caso. deve ser estimada através da rede de fluxo. os filtros operam também como drenos. basicamente.Dimensionamento dos Filtros A granulometria do filtro é ditada. pelas características granulométricas do material a ser protegido que. nestas condições. A quantidade de água a ser transportada pelos filtros. para fora da barragem.

75 mm (abertura da #4).2mm Grupo 2: materiais da base constituídos por areias siltosas ou areias argilosas e siltes e argilas arenosas. tal que: 40% ≤ P200 ≤ 85% Neste caso: D 15f ≤ 0. Todo material retido na #4 deve ser eliminado e a curva do material de base revista. • Critério 2 (determinação de D15f): o parâmetro D15f do material de filtro é determinado em função do parâmetro D85b do material de base da seguinte forma (4 grupos distintos): Grupo 1: materiais de base constituídos por siltes finos e argilas. com P200 (% passante na #200) > 85% Neste caso: D D 15f 85b ≤9 e D 15f ≥ 0.7mm .Dimensionamento dos Filtros O material do filtro deve atender as suas próprias características de filtração (auto – estabilidade) e as do solo adjacente (chamado de material de base) e tais condições se verificam sob os seguintes 5 critérios: • Critério 1 (tamanho máximo da partícula do material de base): o tamanho máximo de partícula do material de base deve ser de 4.

deve ser de 5% e não apresentar coesão D D D D D D 85f 50f 50f 35f <5 <5 35f <5 15f • Critério 5 (dimensão máxima das partículas): a dimensão máxima das partículas que constituirão o filtro deverá ser de 75 mm. passante na #200.7mm Grupo 4: materiais da base constituídos por areias siltosas ou areias argilosas e areias com cascalho. para evitar efeitos de segregação das partículas durante a sua construção.7mm) + 0. com P200 ≤ 15% Neste caso: D D 15f 85b ≤4 • Critério 3 (auto-estabilidade do filtro): verificação simultânea das seguintes condições: • Critério 4 (porcentagem máxima de finos): a porcentagem máxima do material de filtro.Dimensionamento dos Filtros Grupo 3: materiais de base tais que 15% ≤ P200 ≤ 40% Neste caso: D 15f ≤ 40 − P200 (4 40 − 15 D 85b − 0. .

Dimensionamento dos Filtros iv ≤ H Lv ih ≤ Ah Lh q = kiA .

Dimensionamento dos Filtros • Dimensionamento do Filtro Inclinado H Q = kiA ⇒ Q1 = k Av Lv ∴ Av = Q1L v kH • Dimensionamento do Tapete Horizontal Ah Q = kiA ⇒ Q1 + Q 2 = k Ah Lh Adotar FS ≥ 10 ∴ Ah = (Q1 + Q 2 )L h k .