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Galo que hoje canta, ainda ontem era pinto: uma análise sobre o processo de formação religiosa no candomblé

e na umbanda.
Por Cíntia Raymundo Orelha não passa a cabeça diz os antigos. As religiões de matriz afrobrasileiras se caracterizam por um complexo sistema hierárquico meritório, temporal e, principlamente, predeterminado. O candomblé possuí um sistema classificatório de formação religiosa: abiã, yawô e ebômi. Abiã é o adepto na fase inicial dos ritos iniciáticos. Ele aprenderá o que for permitido. Será integrado a comunidade e terá tempo para se certificar de suas decisões. Muitos, por determinação do orixá, continuam abiã por muito anos. O yawô é aquele com menos de sete anos de iniciação, onde o neófito é consagrado ao Orixá. Assim definiu o etnólogo Herskovits O iniciado é agora feito, um membro júnior habilitado do grupo de candomblé. Como tal, o novo iaô tem a oportunidade, não concedida a estranhos, de aprender o trabalho dos deuses e participar do culto público.. Os ebômis são os iniciados que completaram a obrigação de sete anos. São consideradas pessoas a quem deve respeito e a quem sempre devem ser ouvidas. Estruturam o que o antropólogo Vivaldo da Costa Lima denominou “princípio da senioridade”. Um complexa rede socioreligiosa construída com tempo, abnegação e merecimento. A partir da obrigação de sete anos, o ebômi se torna apto a assumir cargos dentro do axé. O cargo de santo é uma atribuíção determinada pelo odu e pelo Orixá. Pré determinado, é ancestral. Atribuíção de cargo por motivos pessoais sempre ocasiona, com o passar do tempo, brigas e rupturas. O orixá sempre faz valer a sua vontade. A relação entre o candomblecista e a divindade é fundamentada através das “obrigações”, liturgias pós iniciação que se denomina respectivamente: obrigação de 1 ano, obrigação de 3 anos e obrigação de 7 anos. Elas não necessariamente obedecem ao tempo decorrido. Uma pessoa com vinte anos de iniciada que não completou o ciclo de obrigação de sete anos não será considerada ebômi.Assim como um pessoa com seis ou menos anos jamais poderá passar pela obrigação de 7 anos.Os antigos preservaram e perpetuaram essa tradição de formação religiosa. Talvez a dinâmica do tráfico escravista possa somar as explicações para este sistema religioso. Muitos escravos poderiam ser iniciados e , posteriormente, vendidos, rompendo alianças religiosas. Para assegurar uma continuidade e preservar saberes o sistema de obrigações cíclicas se tornou eficiente para candomblé. Permitiu criar parâmetros de legitimidade e reforçar o príncipio de senioridade. Para os antigos,nenhuma pessoa pode se declarar babalorixá ou yalorixá sem passar pelo ciclo de obrigações e sem receber o decá, símbolo certificador que o adepto possuí odú e está autorizado pelos Orixás a abrir uma casa de santo. Na década de 30, o folclorista Édison Carneiro analisou casos de pessoas que se tornavam zeladores sem obedecer a uma tradição de candomblé. Muitos eram

candomblés de caboclos onde o encantado assumia a responsabilidade sobre o preparo religioso do sacerdote. Era, na época,um novo segmento, que embora fosse muito questinado, existe e possuí muitos adeptos. Atualmente, muitos desses candomblés adotam o sistema de obrigações ciclícas. O processo de formação religiosa na umbanda é caracterizado pela doutrinação. Médium e entidade seguem a doutrina de determinada casa. Há tradições de umbanda direcionada por preto velho, com forte influência africanista. Outras seguem a tradição dos caboclos, marcados pela pajelança e jurema e outros seguem uma orientação espírita e/ou esotérica. A umbanda possuí rituais de senioridade: camarinhas, firmezas, batismos e amacis. Muitas obedecem ao sistema de sete anos, com rituais ciclicos e específicos de cada tradição. Importante ressaltar que o determinante para a Umbanda são as entidades. Elas são as donas de gongá, determinam o caminho da espiritualidade do médium e a orientação da casa religiosa. Não há sacerdócio na Umbanda sem Entidade Espiritual. O médium a qual a entidade determina a abertura de uma casa deve ser preparado, passar por obrigações, saber preparar defesas, familirizar com os códigos de santo. Abrir uma casa de umbanda sem preparo signica lidar com o desconhecido, ocasionando danos a vida dos sacerdotes e de terceiros. O mais importante tanto na umbanda e no candomblé é saber que sacerdócio é ancestralidade, é comprometimento e abnegação.O candomblé chamará de odú e alguns umbandistas chamará de missão.Como diz o ditado “Galo que hoje canta, ainda ontem era pinto”, ou seja é preciso aprender para ensinar.

Qual o significado de um Igbá
Por Paulo d’Esu Na religião Yorùbá, Igbás (awọn igbá) são assentamentos de orixá (òrìṣà). Um assentamento é uma representação do orixá (òrìṣà) no espaço físico, no mundo, no aìyé. Sob o ponto de vista sacro não existem representações humanas de orixá (òrìṣà). A religião Yorùbá não tem imagens para representar suas divindades, o que representa uma divindade é o seu Igbá, ao olharmos um Igbá é como se estivéssemos olhando para a divindade. Secularmente existem representações em forma de desenhos e esculturas mas que são frutos apenas de criatividade de artistas e não tem uso sacro. Os orixá (awọn òrìṣà) são adequadamente representados por símbolos e grafismos próprios de cada um e por extensão por outros elementos como folhas, arvores, favas e contas. Mas o Igbá é a sua representação mais adequada. Vale refazer a afirmação, já explicada em outro material, de que o orixá (òrìṣà) não são elementos da natureza, assim “olhar” o vento não significa olhar para oya, olhar uma pedra não significa olhar para Xango (ṣàngó), olhar para o mar não significa olhar para yemoja, etc.. O mesmo sentimento que um católico tem ao olhar para uma imagem de um santo em sua igreja e altar, o povo de santo tem ao olhar para um igbá. É muito comum as pessoas, nos seus quartos de santo, “vestirem” seus Igbá com suas roupas de orixá (òrìṣà) como se fosse o próprio orixá (òrìṣà). Contudo, igbá são de acesso muito

não tem visibilidade pública e ficam guardados dos olhos de todos. ele não é uma lâmpada mágica que esfregamos para dali sair um orixá (òrìṣà). São usados elementos físicos comuns. . mas também no que ele representa. pratos. de uso exclusivamente sacro e ritualístico. O mesmo vale para um Igbá. Dessa maneira o seu valor não esta somente na sua existência como instrumento ritualístico. cada Igbá representa uma divindade através de um continente (Vaso. Mas o igbá não é o orixá (òrìṣà) no aìyé. barro ou madeira e serão empregados distintamente para cada divindade que ele representa. dependendo do seu status na religião e da própria tradição da casa em conduzir este ritual. Assim esse símbolo traduz em sí muito mais do que somente a lembrança da crucificação de Jesus e sim um todo da sua doutrina. Sua função não é trazer o orixá (òrìṣà) para o aìyé porque os orixá (òrìṣà) já estão presentes em nossa vida o tempo todo. de fato. Esses continentes podem ser de porcelana (substituindo cabaças). para tudo que existe no aìyé existe um duplo no Orun (ọ̀run). recipiente) e seu conteúdo. bacias e alguidares. como tigelas. O Igbá esta vinculado diretamente à uma pessoa no aìyé mas não a representa e sim ao duplo do Orun (ọ̀run). e por isso um reconhecimento de nossa Fé na religião. e esse conjunto. continente e conteúdo é específico de cada divindade. Sua função é completamente ritualística. e a ligação perene que existe entre os 2 espaços (ọ̀run-aìyé) na forma de um contínuo duplamente alimentado e da circulação. Toda religião tem símbolos e simbolismos. O iniciado no seu processo de feitura (que é distinto de uma iniciação mas muitas vezes essas expressões se confundem) poderá receber um ou vários Igbá. o Orun (ọ̀run). Ele é a ponte de ligação direta entre o aìyé e o Orun (ọòrun) entre o iniciado no aìyé e suas energias e divindades no Orun (ọ̀run). transformação e reposição de axé (àṣẹ). O Igbá é uma manifestação de Fé. não é uma religião animista. O objetivo de um Igbá é potencializar a ligação Orun-aìyé (ọ̀run-aìyé) sendo o instrumento que no aìyé representa o duplo do Orun (ọ̀run). O igbá representa apenas a ligação entre os 2 espaços. Essa religião não coloca um orixá (òrìṣà) dentro de uma sopeira. Uma cruz para os católicos representa muito também: todo o significado da paixão e do sacrifício de Jesus. o espaço físico aìyé e o espaço espiritual o Orun (ọ̀run). Ele representa o reconhecimento da existência do espaço espiritual. Nada é mais sagrado por sí só pelo seu uso e nada pode traduzir tanto da doutrina que cobre a religião Yorùbá como o entendimento da sua função.restrito. Como já foi dito ele não armazena um orixá (òrìṣà). sopeiras. dentro de toda a religião Yorùbá uma dos elementos mais importantes e significativos por traduzir a contínua relação entre o Orun (ọ̀run) e o aìyé. É uma “ponte” entre os 2 espaços. O Igbá é um elemento de ligação entre essas 2 porções e um instrumento de concentração de energia. como foi ressaltado no início. liga o físico à dimensão espiritual. O igbá é. De acordo com a metafísica Yorùbá. É usado para nos ligarmos às divindades. invólucro. a dimensão aìyé à dimensão Orun (ọ̀run). poderíamos falar muito apenas olhando para uma cruz. não existe secularismo na religião. Dessa maneira.

Assim o material e o seu conteúdo ajudam a estabelecer a relação. Não se precisa de uma Igbá para fazer uma oferenda. O principal elemento dentro de um Igbá é a pedra. É importante lembrar que um Ebós (ẹbọ). devendo ser utilizados sempre elementos completamente afins com a divindade e que traduzem a matéria original do Orun (ọ̀run). Isso tem todo o sentido. uma oferenda é um parte de um processo de transmissão e reposição de axé (àṣẹ) e os elementos utilizados são transmutados em energia. Conhecer essas relações e afinidades é parte do aprendizado de um iniciado durante sua vida e somente aqueles que as conhecem terão verdadeiro sucesso no seu trabalho ritualístico. o okuta. O ponto que esta sendo ressaltado é que o Igbá em um Ebó (ẹbọ) é o instrumento que direciona. O pedra para os Yorùbá significa a longevidade a existência perene. O Igbá não é um instrumento para “alimentar” o iniciado no aìyé. folhas e outros materiais que remetem ao orixá (òrìṣà) original. favas. sendo o Igbá um elemento de ligação ou de potencialização dessa ligação como esta sendo dito realizar isso junto a eles é fazer esse instrumento funcionar. ao coletivo que ela representa e a divindade que a protege. Entretanto muitos itens que são colocados em um igbá pode ser meramente decorativos. Dessa maneira ao se fazer isso através de um Igbá esta se fazendo chegar ao duplo do Orun (ọ̀run) referenciado por aquele Igbá a transmutação da energia dos elementos afins a ele que foram usados no sacrifício. mas não imprescindível. todo o demais é apenas decorativo. Quando coletiva chama-se Ajobó (ajọbọ) e liga uma comunidade a sua comunidade espiritual. . Os demais elementos fazem parte do enredo do orixá (òrìṣà) de maneira que não são apenas decorativos. em axé (àṣẹ). Do que é feito um Igbá? O Igbá é feito usando materiais que estão ligados à divindade que ele representa. Acima de todos os demais componentes ela receberá todo o trabalho ritual de preparação e por essa razão muitos dizem que é a única coisa importante. um Acaça é um sacrifício e pode substituir um boi. Um sacrifício por ser qualquer oferenda que vai se converter em axé (àṣẹ). entendendo que o sentido de sacrifício na religião não envolve o uso de sangue em sí. potencializa e agiliza a este ase chegar ao Orun (ọ̀run).Um dos principais usos que se dá a ele é receber os Ebós (ẹbọ). Quando individual liga a pessoa ao seu reflexo no Orun (ọ̀run). Esse aspecto de participar ativamente de Ebós (ẹbọ) é uma finalidade muito importante. O Igbá pode ser coletivo ou individual. Os demais elementos em um Igbá variam entre metais. O elemento escolhido para o continente do Igbá também terá relação direta com ele. todo sacerdote tem e usa os seus para isso. Tudo dentro de um Igbá é feito para traduzir a matéria original do Orun (ọ̀run) que foi materializada no aìyé através do iniciado ou da comunidade que o Igbá representará. que são sacrifícios de todo o tipo. mas. Um Obi é um sacrificio.

óleos e outros elementos líquidos. é criado e é por excelência o elemento fundamental na execução de um Bori mas pode não mais existir após a sua execução. O importante são as folhas. okuta. Como explicado. como explicado nunca é o orixá (òrìṣà) no aìyé. mas. O material do recipiente externo é escolhido entre algumas opções. o branco. Nada é mais próprio. O exemplo mais individualizado possível do divino é o do Igbá ori. Usamos o Igbá ori para chegar ao Ori no Orun (ọ̀run) o duplo por excelência. mas. não individualizados. Não representa o Ori que está no aìyé uma vez que esta resida na própria pessoa. Assim o verde e o azul são elementos da cor preta. o ori no Orun (ọ̀run) a divindade pessoal. Seguindo o que repetimos a exaustão. as favas.A escolha de cada elemento depende de para quem será feita a ligação. eventualmente casas e axé (àṣẹ) podem fazer variações disso. já extensivamente. despachado junto com os demais elementos utilizados e oferecidos. deveriam ser representadas apenas pelos búzios. o barro e excepecionalmente a madeira para um orixá (òrìṣà) específico. o vermelho e o preto. Estamos todo o tempo lidando com essas 2 faces do divino que é coletivo como todo o divino. o processo de reposição de axé (àṣẹ). os sacerdotes totalmente individualizado em sua manifestação. O vínculo Ọrun-aìyé Uma questão importante quando falamos de Igbá é o que ele traduz de fato e a questão de a quem pertence e o que ele traduz . Todo Igbá individualizado é composto de um recipiente com tampa (continente) contendo a pedra. mas muita gente coloca mais como um desejo de prosperidade do que um elemento de ligação de fato. O amarelo do vermelho e por assim vai. abre e fecha nossos caminhos e esta acima de qualquer orixá (òrìṣà) em nossa vida. pessoa e individualizado do que um Igbá Ori. Entendo que moedas. é um elemento de ligação e pode ser coletivo ou individualizado. guia nossos passos. muito presentes. o núcleo do Igbá e os demais elementos com água. Todas as demais cores são elementos de uma dessas 2 famílias e as representam da mesma maneira. que eram dinheiro. Uma vez realizado o Bori ele pode ser desfeito. que esta no Orun (ọ̀run) e nos protege. No processo que chamamos de Bori a oferenda ao Ori. Os aspecto coletivo-indivíduo também é uma das características marcantes da ritualística da religião. Adornos e enfeites exteriores que apenas agradam ao ego de quem faz não ajudam nisso. Para os caso das cores existe muita criativade. o Igbá é a representação no aìyé do duplo no Orun (ọ̀run). duas entidades serão alimentadas com axé (àṣẹ) o duplo do Orun (ọ̀run) e o Ori que esta no aìyé. A cabaça é substituída pela porcelana branca para os orixá (òrìṣà) fun fun. As cores desses materiais e elementos decorativos vão compor esse conjunto de forma harmoniosa. O Igbá Ori nesse processo e durante o processo. Contudo nada impede. como provavelmente na maior . Cada orixá (òrìṣà) tem os seus elementos correspondentes no aìyé. os metais e outros elementos genéricos como os búzios. para os iniciados. O igbá sem tampa são usados em assentos coletivos. Os Yorùbá reconhecem apenas 3 cores.

O Igbá físico complementa isso ligando não mais o orixá (òrìṣà) genérico mas sim o orixá (òrìṣà) individualizado no Ìyawó ao orixá (òrìṣà) origem no Orun (ọ̀run) através de uma ligação individualizada. distinguindo assim um assento coletivo de um assento individual através da ligação Ori-okuta. Dentro da ritualística devemos lembrar que a pessoa é preparada para ser ele próprio o receptáculo do orixá (òrìṣà). Um Ìyawó é um Igbá vivo do seu orixá (òrìṣà). sua finalidade. Na tradição do Candomblé onde o culto ao Ori se manteve sempre presente e importante não se faz um Bori sem que seja criada a representação no aìyé do Ori. Dito isso voltamos ao ponto de que um Igbá òrìṣà criado dentro do processo de feitura não é um Igbá genérico ou coletivo. Os Igbá são os instrumentos de amplificação dessa relação entre os 2 espaços e o acesso ao ase de cada orixá (òrìṣà). Uma determinada qualidade será feita com o okuta indo ao fogo. É claro que esse vínculo não se perde quando despachamos o Igbá.parte das vezes. o caminho coletivo e genérico e o caminho individualizado. favas e folhas. ele foi individualizado através da ligação Ori-okuta e sempre estará ligado aquele Ori. metal. na feitura de um olorixá o processo de ritual é todo voltado para a individualização. da mesma forma que nenhum vínculo de desfaz quando despachamos um Igbá ou não o temos. Esse aparato físico ritualizado na iniciação deixa de ser matéria ordinária. O Igbá é um instrumento de intensificação disso a ser criado e usado por que sabe o que esta fazendo. o seu Igbá vivo. Assim temos 2 caminhos. Não me interessa tratar aqui da forma como outras tradições religiosas da mesma base fazem isso porque muitas delas não o faziam e adotaram tardiamente copiando o que viam ou ouviam falar e muito menos o que tradições africanas que perderam a sua origem no processo de cristianização e islamização tendo que buscar em literatura suas origens. No Candomblé sempre foi feito assim. etc… A individualização nascerá nesse momento e o Igbá por excelência é a marcação desse caminho. no caso dos orixá (òrìṣà). Assim. ou fava e passa a constituir o caminho metafísico para o orixá (òrìṣà). os elementos colocados e dispostos. ele ser preservado tornando mais perene e forte o vínculo Orun-aìyé (ọ̀run-aìyé) . Mas também não é mais uma ponte para o axé (àṣẹ) genérico do orixá (òrìṣà) e sim a sua fisicalização individualida naquele Ìyawó. Já o orixá (òrìṣà) genérico será ligado através do Igbá genérico aquele que não passará pelo processo de individualização. barro. Os animais que serão usados. e isso é realizado no momento em que se cria a ligação Orun-aìyé (ọ̀run-aìyé) através do Igbá. Voltando ao ponto do coletivo individual. O processo de individualização passará pela ritualística e também por materiais. específicos daquele orixá (òrìṣà) para aquela pessoa. Dessa maneira o Igbá Ori é um exemplo vivo. do Igbá individualizado. se inicia com o genérico que é o orixá (òrìṣà) e se faz a individualização deste através da ligação Orun-aìyé (ọ̀run-aìyé) para a pessoa. Todo o processo de equilíbrio . a ritualística de elaboração. seu uso e aplicação prática. conhecido e forte do que foi dito aqui sobre o que é um Igbá. metais.

Uma pessoa durante o seu processo de iniciação poderá receber um ou muitos Igbás. Podemos não ter o instrumento de amplificação mas sempre teremos nosso ori e todos os orixá (òrìṣà). o seu igbá ori (que já deveria existir bem antes. outras vão adicionando isso ao longo das obrigações de 1. Nos casos em que essa pessoa não tem condições de mantê-lo em casa o Ilê Axé (Ilé àṣẹ) é o lugar natural. Esse Igbá é completamente individualizado uma vez que não encontraremos no Orun (ọ̀run) um Ori coletivo mas sempre individual de forma que ele e só tem sentido e utilidade pelo seu próprio dono. . Deveria ser um culto ao Ori. Deve se entender por enredo o conjunto de orixá (òrìṣà) que formam sua energia no aìyé e isto esta diretamente ligado ao processo de individualização. o Igbá do seu orixá (òrìṣà) e o Igbá ou assentamento do Exu bara (èṣù bara) do seu orixá (òrìṣà). mais velhos. O problema sempre surge em relação aos Igbá de orixá (òrìṣà) que despertam grandes paixões. a família e a ancestralidade mas o culto ao orixá (òrìṣà) assume proporções muito grandes. A quem pertence um Igbá? Um Igbá ori é tão pessoal que jamais deveria ser mantido no Ile. Um iniciado em uma casa terá então uma quantidade significativa de Igbás. Observe que nem todo mundo que é iniciado nessa religião será um babalorixá (babalórìṣà) ou iyalorixá (ìyalórìṣà). longe de seu dono. Esta é uma religião praticada em torno dos orixá (òrìṣà) e seu culto assume demais importância. Assim a quantidade e qualidade dos Igbá que uma pessoa terá como parte do seu “enredo” depende da sua qualidade de orixá (òrìṣà) e de seu próprio caminho na religião. Se a pessoa terá Oye de babalorixá (babalórìṣà) ou dependendo o oye que essa pessoa venha a ter. Algumas casas fazem todos esses Igbá durante o processo de iniciação. coisa que só é determinado durante o processo de feitura e consultas ao Oráculo. o conjunto de Igbás (awọn igbá) será distinto de pessoas que não terão oye – cargo sacerdotal. Acima de tudo a relação desses espaços sempre existirá e jamais estamos não assistidos. Mas. Eu entendo que o mínimo que uma pessoa deve ter após sua iniciação seria. A maior parte sera formada de egbons. nem mesmo quando seria natural que é quando a pessoa completa seus 7 anos. Deveria assim estar junto da pessoa na sua casa. A este conjunto básico outros elementos podem ser adicionados como o Igbá do seu juntó que é o seu segundo orixá (òrìṣà). a quem pertence isso. Uma pessoa não será dependente de seus Igbá. tudo depende da tradição da casa.e restituição de axé (àṣẹ) passara por eles para ir ao duplo no Orun (ọ̀run) e retornar no aìyé para quem necessita. Esta conjunto Igbá orixá + Exu bara é básico e imprescindível. a quem pertencem esses Igbás? Digo isso porque todos devem ter conhecimento do problema envolvido na posse de Igbá orixá. e os Igbá do seu enredo de orixá (òrìṣà). Muitas casas não permitem que nunca a pessoa retire os Igbá de dentro dela. 3 e 7 anos. muito antes da pessoa se iniciar).

é o orixá (òrìṣà) que escolhe onde quer ser iniciado e não a pessoa) então se submeta aos caprichos de outros. Um Igbá sempre será um ponto de vulnerabilidade. mas. Assim se a decisão de iniciação for mais consciente os problema serão menores. O Igbá e a morte Com a morte do iniciado o Igbá deixa de ter sentido. Nunca entre em nada sem avaliar tudo antes. Entendo que é um forma de ver isso. Esse jamais deveria estar em um Ilê Axé (Ilé àṣẹ). O processo ritualístico leva componentes que criam essa ligação. É entendido que seu sentido de existir é dentro daquela casa. Foram parte de um conjunto. Se você deixa para trás os seus Igbás. Mas a primeira coisa que tenho a dizer é tome cuidado com o que faz da sua vida. De maneira que não estamos discutindo a propriedade de louças e barro e sim de asé. se o Igbá vai ou não no carrego e em vitude dessa consulta muitos Igbá ficam no Ilê Axé (Ilé àṣẹ). Tem que conhecer primeiro a casa. Asé Paulo D`Èsù . principalmente o igbá ori. Existem pessoas que entendem que se deve consultar o Oráculo para saber se o orixá (òrìṣà) quer ir embora ou não. Se foi seu orixá (òrìṣà) que escolheu aquela casa (essa é a tradição. A ligação não mais existe e se você não quer conviver com um egun atrás de você é recomendado que despache tudo junto. Se quiser manter um orixá (òrìṣà) em casa que trate melhor as pessoas. não se preocupe. que faça seus Igbá na sua próxima casa. não há motivo para se manter um vínculo Orunaìyé (ọ̀run-aìyé) com um ori que não mais existe no aìyé isso vai contra o fundamento do axexe (aṣeṣe). Um Ìyawó está fortemente ligado a casa e a pessoa que o iniciou. Se a pessoa sair. Acho mais natural que tudo se vá. colocam a vaidade na frente. Segundo não se sai de um Ilê Axé (Ilé àṣẹ) por qualquer motivo fútil. Mantenha o seu respeito e sua individualidade mas vaidade por vaidade a sua deve ser a menor. Muitos as vezes nem conseguem mais entrar e ficam preocupados tendo deixado para trás seus Igbás devido a eles representarem um ponto de vulnerabilidade. assim o iniciador considera que aqueles igbá não são independentes. De fato. faça outros no próximo lugar que vai. ou seja. Isso é verdade. eles adicionaram axé casa e receberam axé da casa. todos tem razão. As pessoas se dão mal porque se precipitam. Durante uma feitura não existe apenas um processo de individualização existe também um processo de ligação com o axé (àṣẹ) da casa e do iniciador. o orixá (òrìṣà) vai com você.O mais comum é que após desavenças durante o seu período de Ìyawó a pessoa quera deixar o Ilê Axé (Ilé àṣẹ) e naturalmente queira levar consigo os seus Igbás. cada um siga sua consciência e o que aprendeu. Eu entendo que o ninguém segura ou fixa um orixá (òrìṣà) na sua casa mantendo o Igbá de um iniciado que se foi. só tem função junto ao próprio iniciado. O Igbá é uma individualização e só tem sentido. o dirigente e as pessoas que frequentam a casa.

a chegada tardia a Bahia dos yorubanos e jejes em relação aos negros bantos contribuíram para uma suposta “pureza” de culto e . por um outro lado. prolongam as que têm a mesma natureza daquelas que as precederam no tempo. Esta característica teria contribuído para uma maior organização de cultos de matriz africanas no Brasil[4]. xangôs. Possuem em comum a ritualística da possessão e a adoção de rigorosos ritos de passagem e de hierarquia meritória. [2] O candomblé possui várias tipologias de cultos. mahi. reza [1]. A estas divisões se convencionou denominar de “nações” de candomblé. chegam ao Brasil. Grande parte destes negros serviram de mão de obra escrava nas plantações de fumo e algodão na Bahia[3]. foi fundado em um terreno localizado atrás da capela de Nossa Senhora da Barroquinha. Conhecidas como religiões afro-brasileiras estes cultos se caracterizam pela heterogeneidade ritual. jejes). cambinda e caboclo. Os candomblés jejes-nagôs compreendem os modelos de candomblés nagôs/yorubanos (ketu. Candomblé é uma palavra de origem banto que significa culto. Ya Nassô[5] . benguela. o candomblé jeje e o candomblé de angola. segundo tradições orais. Assim como Claude LéviStrauss afirma: (…) o que nos observamos e devemos descrever são antes as tentativas para realizar uma espécie de compromisso entre. exclusivamente.O processo de formação do Candomblé e a construção de suas tradições Por Cíntia Raymundo (Cíntia d’Oxum) “Os mitos caminham sempre junto com a história e com ela se transformam”. ijexá. ao conjunto de mitos dos candomblés iorubás no Brasil e relata o processo mítico de invenção do candomblé. jejes e yorubás tendem a ser visto como um grupo que resistiu a mestiçagem preservando organizações sólidas de cooperação. as exigências mentais que. O mito transcrito acima pertence. Esse termo denomina complexos sistemas de cultos religiosos de matriz africana instituídos no Brasil: os cultos aos Orixás. congo. certas orientações históricas e certas propriedades do meio ambiente e. Assim Regina Celestino conclui em seu trabalho “Metamorfoses Indígenas” que abordava questões de identidades entre grupos indígenas no Rio de Janeiro. um grande contingente de negros oriundos da África Ocidental (nagôs/yorubas. principalmente às regiões Norte e Nordeste. ewe e fons). Os primeiros candomblés organizados e registrados são de origem nagô. por esta razão. étnica e social. ijebu. As principais são o candomblé ketu. Ao ajustar-se uma à outra. O candomblé da Barroquinha. Voduns e Inquices. porém seus inúmeros contatos com crioulos e caboclos permitiram novas possibilidades de formas simbólicas como os candomblés de caboclo. Compreender o processo mítico de invenção do candomblé implica em atentar para as singularidades históricas que promoveram novas formas de interação do homem iorubá com a natureza. louvor. egbá) e jejes (daomeanos. . produzindo novas simbologias litúrgicas. por um lado. Segundo alguns autores. em cada época. muxicongo. Os candomblés bantos compreendem os cultos de candomblés angola. Nos últimos anos do século XVII e na primeira metade do século XIX. estas duas ordens de realidades fundem-se e constituem então um conjunto significante. Entre eles está o candomblé da Barroquinha conhecido como Casa Branca do Engelho Velho da Federação e chamado oficialmente de Ilê Axé Iyá Nassô Oká em homenagem a uma das suas fundadoras. Os bantos tiveram seu fluxo migratório bastante diminuído no século XIX.

a qualidade de santo é uma demarcação específica do laço de ancestralidade que traz informações sobre a origem do culto do Orixá pessoal de cada um. Desrespeitar o humano é também desrespeitar o orixá. Os iorubás consideram que o Homem é Natureza e suas ações podem ser lidas nos usos dos espaços ambientais. cultuada no rio Oxum localizado no Bosque sagrado de Oshogbo (Nigéria). [8] Todos os quatros elementos correspondem a uma relação de Orixás. se reconhecem e se comportam como se fossem o próprio elemento. Exemplificando: Oxum é a divindade da água doce. Xangô e Iansã. Ogum. O pioneirismo da Casa Branca do Engenho Velho é um dos principais elementos de defesa de um modelo hierárquico de cultos. No Brasil. Logumedé. os iorubás cultuam 16 orixás principais. os fundadores deste terreiro eram provenientes de uma irmandade de negros pertencentes a capela da Barroquinha [6]. rainha do brilho. . O grande ineditismo do Axé da Casa Branca foi introduzir um modelo de culto organizado em “sociedade”. Esses são ancestrais divinizados. há orixás que pertencem a mais de um elemento como é o caso de Iansã (fogo e ar). Ogum (terra e fogo) e Logum–edé (água e terra). É na tradição do uso dos recursos naturais que nasce o culto aos Orixás. Água. As pessoas então. Ossaim e Oba. A cosmovisão iorubá considera que Homem e Natureza não constituem elementos complementares. Na região onde o rio apresenta inúmeros troncos de árvores saindo de suas águas. tratamento. “pureza africana” e “pureza nagô” se tornaram indissociáveis nos discursos sobre os cultos afro-brasileiros.Oxum é moça rica. Ligados ao elemento ar tem Oxalufã e Oxaguiã (duas formas do orixá Oxalá). Quando o rio Oxum se torna mais fundo e turvo começa os cultos das denominadas Oxum mais velhas como Oxum Ijimun(nome de outra localidade por onde passa o rio). Essa está divida por quatro elementos principais: afééfé (ar. do perfume e assim são também seus filhos. A terra está relacionada aos orixás guerreiros e caçadores como Oxossi. Resumidamente. representados miticamente como deuses manipuladores de determinada força da natureza[7]. omi (água).Estes significados são dinamicamente reelaborados produzindo diferentes formas simbólicas que são perpetuadas pelos adeptos dos cultos.em Salvador no ano de 1789. A água é domínio das denominadas yabás (mães/divindades femininas) entre elas Yemonjá e Oxum. pois essas coisas não se separam. em yorubá egbé. Obaluaye. O candomblé possui um complexo de significados que são transmitidos historicamente através da oralidade. Num terreiro de candomblé. Oxumarê. Conforme descreve Ruy Póvoas. se consideram. Interessante notar que. Segundo relatos. dentre o povo de santo (…) se crê na estruturação do universo humano com base nos quatro elementos: Terra. E qualquer prática de cura. jamais se atribuirá a uma pessoa cabeça de Oxum a tarefa de remover o corpo morto de um animal em decomposição ou qualquer outra atividade que implique lidar com cheiros nauseabundos ou que promovam rejeição. Fogo e Ar. inán (fogo) e ilé (terra). reposição ou troca passa necessariamente por tal entendimento. comumente. É a individualização da relação de Ancestralidade/Orixá/Natureza que dá surgimento as chamadas “qualidades de santo”. ocasionando inúmeras quedas de raios a divindade Oxum é chamada de Opará e seus encantamentos (ofós) têm relação com Iansã (divindade dos raios). Assim. Relacionados ao fogo temos Exu. vento).

a representante entre os humanos. enfeixadas e atadas com tiras de couro ornadas de búzios. Para tal é preciso que o mundo humano se afaste do profano. Há continuidades. principia e encerra a vida. deusa feminina do panteão jeje. A lama é o elemento primordial de nossa criação. O adepto desta divindade. um cetro de fibras de dedezeiro. Será. separada da água. A maior autoridade no candomblé é o babalorixá (pai de santo) ou a yalorixá (mãe de santo). anciã dos Orixás. Há ainda divindades anteriores a pré-história como Nanã Buruku. chefes dos terreiros e principais responsáveis pelos rituais litúrgicos. Pessoas ainda para ser iniciadas são denominadas abiã (aquele que ainda vai nascer). ranzinza e austera. Tudo virá dela. deves construir. Além disso. A estratificação dos candomblés iorubás é estruturada por “tempo de santo”. ou seja. A relação de ancestralidade é materialmente dramatizada através dos ritos de possessão onde o adepto é possuído por um Orixá pessoal. portanto. Ao completar sete anos de santo. Nanã. A senioridade e a hierarquia são questões fundamentais para os iorubás. Estes se baseiam no sistema de Odu (destino). ao ferro e à guerra.pequena). aos elementos reguladores da agricultura como as chuvas e o barro. Não há ruptura entre o orun e o aiyê. com tuas próprias mãos. aquelas com menos de sete anos de santo são denominadas yawo (esposa). Eis uma significativa descrição de Nanã: Nanã. temos os babakekere (pai pequeno) ou yakekere (mãe. Como símbolo desta outorga. segundo a mitologia iorubá. um sistema binário compostos por versos denominados itans. Assim como a lenda citada no início do texto. Esses dois espaços não são distantes um do outro. ou seja. Relaciona-se com a passagem entre o céu (orum) e a terra (ayê) e com Iku ( a morte) devido sua ligação com o barro. surja a terra. morada dos Orixás. orixá ligado ao fogo. período de reclusão que dura entre 16 a 21 dias. tempo de iniciação ritualística. O culto de Nãnã é anterior a descoberta do ferro[9]. o adepto se torna egbomi (irmão mais velho). sacralizando-se. É a partir dos sete anos de santo que os predestinados a serem sacerdotes podem abrir seu própria casa religiosa. e tudo a ela será devolvido depois de cumprida a missão que for destinada a cada ser e a cada coisa. encarregada desta função: devolver à lama o que dela provém. um ancestral pessoal. assume o comando da lama para que. sólida e firme para ser habitada. elemento que. Orun é o espaço sagrado. ao ser possuído. Após. Nanã é encenada como uma velha senhora. morada dos vivos. estas pessoas respondem pela organização civil e ritual na . atividades de forja de ferro e manipulação do fogo para objetivos coletivos como alimentação de uma tribo. A ponta superior deverá ser dobrada para baixo e presa ao corpo do cetro. Tomando por exemplo um adepto de Ogum. O aiyê é o espaço físico. o popular jogo de búzios. Por isso é um Orixá relacionada a água e a terra. Dividos em 16 odus principais. os Orixás podem “visitar” o aiyê através do rito de possessão.A relação de ancestralidade é visível através de sistemas oraculares iorubás como o jogo de Ifá e o jogo de meridilogum. formando o símbolo do poder ancestral feminino do qual serás tu. aos babalorixás e yalorixás.[10] O sistema sócio-religioso iorubá é estruturado pela crença em dois espaços: o orun e o aiyê. o oráculo possibilita 256 combinações de resposta. A purificação do Homem para o contato com o sagrado é viabilizada pelo processo de iniciação denominado “feitura de santo”. No rito de possessão é encenada a relação do homem com as forças da natureza. há ritualísticas de limpezas como ebós e práticas litúrgicas fitoterápicas como agbo (água dos orixás) e omiero (água de calma). encenará lutas.

Oxaguiã estava realacionado as terras de Ejigbo. Considerando o conceito de Hobsbawn e Ranger (1984) que tradições se opõem às convenções ou rotinas pragmáticas. Toda a prática ritual do candomblé visa um objetivo central: a manutenção do axé. ao seqüestro do negro iorubá. quando de sua chegada ao Brasil. A dinâmica migratória de escravos acarretou em inúmeros processos de reesignificação simbólica da natureza dos Orixás para os iorubás. são aqueles que o povo de santo se refere como pessoas com “mão de obé (faca)”. Inúmeras outras tribos e etnias também foram trazidas ao Brasil durante o período da escravidão. termo jeje que significa senhor. responsável por zelar e resguardar o peji (altar sagrado) e o axogun. ao sofrimento. chamada candomblé”[14] A natureza é objeto significativo para entender o processo de reinvenções de tradições nos candomblés iorubás.[11] O axé tem a capacidade de ligar deidades e pessoas através do tempo e espaço. Maria Lina Teixeira reafirma que as tradições do candomblé foram inventadas como um conjunto de práticas atualizadas em função de uma continuidade do passado[12]. são pessoas fundamentais no terreiro. Em África.. sendo inventadas quando ocorrem mudanças amplas e/ou rápidas no ambiente social comportando também adaptações no intuito de conservar alguns costumes ou complexos simbólicos em condições novas.ausência dos chefes principais. Por esta razão. mágico-sagrada de toda divindade. a natureza tem papel fundamental. Ogã. Orixás e Egunguns vieram junto. O axé é força vital manipulável. trazendo consigo seus deuses e suas crenças. As ajoiês também não entram em transe e tem como função zelar pelos orixás e responder pelo bom funcionamento do ilê nas obrigações públicas e privadas.Maupoil (1943) definiu axé como força invisível. Há ainda os ogãs e ajoiês. terreiro. de todo ser e de toda coisa. Xangô era cultuado como rei do outrora próspero Reino de Oyó. Neste processo de reinvenção de tradição. A vinda forçada para o Brasil direcionou o negro à novas culturas naturais e foi preciso criar estratégias para preservação e perpetuação dos cultos dos orixás além África. o pegigã. Em meio à violência. uma convivência de indivíduos originários das mais diversas culturas africanas. Há três tipos de ogãs: o alabê. e aqui se instalaram. e sua herança religiosa seguiu com ele. a localidade dos cultos são chamadas de casa de santo. este trabalho objetiva analisar como as árvores e os bosques sagrados africanos . “O tráfico de negros no período escravocrata possibilitou. o que entoa as cantigas sagradas (orin) e dirige os toques de atabaques nas liturgias. Uniões e cruzamentos impensáveis no continente africano terminaram por acontecer no solo brasileiro”[13] “A escravidão fez com que o povo iorubá de dispersasse por todo o Novo mundo. A dinâmica escravista transatlântica deslocava pessoas e culturas. os inúmeros deuses africanos fundiram-se em uma grande religião. Por esta razão. energia que emana de todos e seres e elementos naturais. responsável pelas matanças rituais.Todas estas pessoas são tratadas como mãe ou pai e são muitos respeitadas pelo adeptos do culto. Em todos esses quatrocentos anos de convivência forçada. os negros trazidos para o Brasil cultuavam seus deuses em consonância com naturezas específicas. no Brasil. Ajoiê ou ekedi é um cargo exclusivamente feminino. barracão ou simplesmente ilê axé. Os cargos de ogã são exclusivamente masculinos e para pessoas que não entram em transe.

muitas divindades surgiram de cultos de rios específicos como o caso de Oxum no Rio Oxum e Yemonjá no rio Ogun e também analisar as mudanças significativas nas comidas ofertivas. uma vez que. Atento para os diferentes usos da vegetação da Mata Atlântica em substituição de espécies africanas na culinária ritual nos cultos aos Orixás no Brasil. comumente. Esse trabalho busca inserir a natureza em um dos processo mais polêmicos e debatidos sobre a temática das religião afro-brasileiras: o processo de invenção do candomblé. de espaço ambiental influenciou as comidas votivas aos deuses africanos. no qual percepções. A farta e prestigiada literatura sobre os cultos afro-brasileiros. . O último capítulo aborda as ressimbolizações dos cultos das águas. secundário. atentando para os diferentes discursos na literatura sobre cultos afro-brasileiros. valores éticos leis. O segundo capítulo aborda a readaptação de árvores e dos bosques sagrados no Brasil. mitos e outras estruturas de significação se tornam parte do diálogo de um individuo ou de um grupo com a natureza. O capítulo seguinte intitulado Como o Brasil alimenta os deuses africanos: apropriações da Mata Atlântica na culinária ritual dos candomblés iorubas.Esses discursos são ferramentas importantes para entender o processo de formação do candomblé. relega a natureza um papel figurante.[15] No primeiro capítulo apresento uma discussão bibliográfica sobre o tema. Ele busca entender a reestruturação do espaço sagrado e sua articulação com novas formas simbólicas praticadas pelos adeptos. desenvolver o que Donald Worster denomina de terceiro nível de análise da História ambiental (…) um terceiro nível de análise para o historiador. Investigo aspectos como a dendrolatria (cultos das árvores) e os diferentes usos da floresta para fins religioso. assim. Pretende-se. vem aquele tipo de interação mais intangível e exclusivamente intelectual. O terceiro capítulo aborda o uso litúrgico das ervas nos candomblés no Brasil e sua articulação com o culto da divindade Ossaim.foram readaptados no Brasil. investiga como a mudança de continente e . analisando as principais reinvenções realizadas pelos iorubas nos cultos destas duas divindades no Brasil. Identifico as diferenças entre os cultos dos orixás Oxum e Yemonjá na África e no Brasil. conseqüentemente. demonstrando. através da seleção de ervas importantes do culto que ocorreu uma articulação entre África e Novo Mundo pela ótica da etnobotânica. na fitolatria e na dendrolatria nos cultos iorubás no Brasil. As questões selecionadas para serem discutidas nessa monografia representam o anseio de realizar um trabalho de história ambiental dos candomblés iorubas. investigar como foi a resimbolização das águas nos cultos. Constituem interpretações do sagrado que nos permite conhecer os diversos tipos de agências envolvidas nas reinvenções de tradições no candomblé.

”O Candomblé da Barroquinha”. p. 47). 1999. Yedda Pessoa de. Jeferson Bacelar [organizadores].p. É Yá Nassô quem.60). intermediários entre humanos e forças da natureza e diretamente relacionados aos elementos da vida cotidiana” (Conduru. “O Olhar Distanciado”. a principal divindade dos iorubás e o orixá pessoal do rei. civilização e forma de culto específica. que se atribui às pessoas para determinar ou modificar o seu status na estratificação social do grupo a que pertencem . uma característica especial às religiões afrobrasileiras. ação de rezar . Em homenagem a esta crença começo este trabalho realizando uma restropectiva e uma análise dos escritos dos “mais velhos”.João José. liberdade e candomblé na Bahia do século XIX São Paulo: Companhia das Letras. p. Rio de Janeiro : Pallas. averbado em todos os dicionários portugueses para designar genericamente os chamados cultos afro-brasileiros na Bahia(…) vem do étimo banto Ka-n-dóm-éd ou mais freqüentemente ka-n-dómb-él-é. 2007. sincretismo. [3] Reis .pg. reafricanização. . Candomblé é igual a culto. um sacerdote africano: escravidão.”(Conduru. Claude. antes um título. [5] “Ya Nassô não é um nome próprio. [2] Lévi – Strauss. reza. É a forma particular de se pedir agô lonan (permissão para os caminhos ou para caminhar) aos pioneiros desses estudos.Entre o povo do santo acredita-se que para adentrar em qualquer local sagrado se deve pedir agô (permissão). Ya Nassô é um título altamente hono rífico . 1998.Cabe a Ya Nassô cuidar do santuário privado do Alafim . 1977.2004. 1975.enfim. Igbadu: a cabaça da existência: mitos nagôs revelados. Rio de Janei-ro: Pallas.Determina a divisão do panteão afro-brasileiro entre famílias de orixás anteriores à Idade do Ferro e posteriores ao conhecimento desse metal – o que imprime importante questão sobre antiguidade.2004. Ruy do Carmo . [1]“O termo Candomblé. de orar(. também. 215. encarrega-se do culto de Xangô.11) [8] PÓVOAS.relaizar todas as cerimônias proporciatórias do culto. Carlos Caroso. do rei de todos os iorubás. isto é. anti-sincretismo. a procedência e pertencimento de cada família de orixá a uma região. ou local de culto”(CASTRO. 1981. Awofá (Adilson de Oxalá). As religiões africanas no Brasil. O título corresponde a funções religiosas específicas e da maior significação na cultura dos iorubás. Pioneira. “zelar”. a capital da nação política dos iorubás. em Oyo. práticas terapêuticas. Domingos Sodré.32) [6] Silveira.) Logo. louvor. Roger.” (Costa Lima. Renato. 1983. São Paulo.Dentro do Quarto In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade. Salvador.14) [10] OGBEBARA. invocação. BA: CEAO.No casão. etnobotânica e comida.pg. [7] “Os orixás são ancestrais divinizados. um oiê (cargo). as oferendas. [9] “O ferro imprime. os sacrifícios. 2008 [4] BASTIDE. pelo santo do rei.. privativo da corte do Alafim de Oió.

159.La geómancie à l’ancienne côte dês esclaves. Obà n’ille Ifon alabalase oba patapata n’ille iranje. Ruy do Carmo . práticas terapêuticas.4. anti-sincretismo. dono de todas as benções que aumentam minha sabedoria. práticas terapêuticas. fizeram que muitos . Para fazer História Ambiental. etnobotânica e comida. etnobotânica e comida. 1999. Fatores históricos como o sistema escravista e a repressão policial aos cultos afro-brasileiros. é a denominação do espaço religioso no Brasil.A Volta à África. BA: CEAO. O fi l’emi asoto l’owo. Rio de Janeiro : Pallas.1991.pg. plantas.)Rio de Janeiro: Pallas.Na contramão do Orixá . Salvador. e montanhas representam forças sagradas. animais.202. p. vol. rios. árvores. Oba igbo oluwaiye re e o ke bi owu la. reafricanização. BA: CEAO.8. Ilê. Pai do Bosque Sagrado “ Oriki de Oxalá[1] Igbo em iorubá quer dizer Floresta/bosque. sincretismo. [12] TEIXEIRA. Jeferson Bacelar [organizadores]. Revela o mistério da abundância.1943. [13] PÓVOAS. Carlos Caroso. Paris: Institut d’ Éthnologie.Caroso & Serra (org. n. 1999.Sandra Medeiros. Para os iorubás. Dê-me o poder de manifestar a abundância. casa religiosa. O yi ala. rios são consideradas manifestações dos deuses e consagradas para sua adoração. Osun l’ala o fi koko ala rumo.pg. Protetor das roupas brancas eu o saúdo. Rei das roupas brancas que nunca teme a aproximação da morte. reafricanização. Donald. Salvador. Rio de Janeiro : Pallas.131. Pai do Paraíso eterno dirigente das gerações. BA: CEAO. Gentilmente alivia o fardo de meus amigos. Paisagens contendo bosques.334. Eu me faço como as Roupas Brancas. Salvador. anti-sincretismo. O yo kelekele o ta mi l’ore. Carlos Caroso.pg. Estudos Históricos. [15] WORSTER. Jeferson Bacelar [organizadores].Candomblé e a [re] Invenção de Tradições IN: Faces da Tradição afro -brasileira. Maria Lina . Pai do bosque sagrado. Rio de Janeiro.[11] Maupoil.Dentro do Quarto In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade. 213.1999. _______________________________________________ _________________ Do Igbo ao Ilê: As Árvores e os Bosques Sagrados no Brasil Por Cíntia Raymundo (Cintia d’Oxum) “Obanla o rin n’eru ojikutu s’eru. sincretismo. O gba a giri l’owo osika. Bernard. Obà igbo.pg.In: Faces da Tradição Afro-Brasileira: religiosidade. [14] EPEGA.

Essa característica se remete à atividade de caça. Moram no lado de fora da casa principal. Há . Na antiga língua germânica (teutônico) a palavra templo também era estreitamente ligada à semântica de floresta. Porém a geografia do ilê teve que se adaptar a uma lógica transatlântica: a lógica dos bosques sagrados. A palavra ilê como sinônimo de terreiro é uma prática brasileira. peji (altar sagrado). comumente. 2005). primordial para o povo iorubá. segundo os iorubás. existe uma floresta sagrada dedicada à deusa da caça Diana que se chama Nemi (nome que se refere à nemus). muitas vezes. Obaluaiye terão suas moradas no bosque sagrado dos terreiros. Òrìsà que vive tanto em casa de barro. Ogum. Oxóssi é um orixá ode. Ainda. orixá cujo culto é oriundo do Antigo Daomé. é explicado a razão de seu assentamento ser fora das casa principal. árvores sagradas.ilês fossem construídos em lugares afastados dos centros urbanos. este bosque fica pouco distante de Roma (Frazer.”[2] É essa imagem arquetipica de Oxóssi e isso reflete na escolha de seus assentamentos nos bosques sagrados. No Brasil. Oxóssi é o Orixá caçador. como em casa de folhas. assentados em pés de árvores.Oshogbo foi reconhecido como sacred grove pela Unesco em 2005. irmão mais velho de Oxossi. dos denominados povo jeje. Assim Oxossi. neles encontra-se o magnífico Santuário da divindade do panteão iorubá Oxum. Esse orixá normalmente possui uma quarto e uma cozinha especial para seus rituais. 1982). Quênia. tem domínio sobre os animais de grande porte assim como os pássaros noturnos. “Santuários ao ar livre foram os primeiros templos dos deuses. onde acontece o processo iniciático de “feitura de santo”. O bosque sagrado de Oxum. Obaluaye tem função de caçador na África. A morada de Oxossi é nas matas. Gadgil. caracterizou-se como orixá das moléstias e por esta razão. Ogum. Ogum também é caçador e sentinela por isso está sempre assentado no lado de fora da casa principal. que objetiva estreitar os laços de parentesco de santo através de rotinas regulares de preceitos litúrgicos. independente e amante da liberdade. vigia e pune os malfeitores. Os orixás têm sua preferências e seus interditos. As referências aos Bosques Sagrados são antigas. Ressalta-se também o orixá Obaluaye. Os orixás caçadores (odes) que na África possuíam moradas nos bosques também têm seus correspondentes locais nos ilês. quartos sagrados dos orixás. O ilê é um espaço estruturado conforme os desígnios dos Orixás.cozinha de santo. caçador. Ogum é irmão de Exu e com este ronda. rei da nação Ketu e patrono de todas as casas de Ketu. Assim como seus filhos é arredio. Diz um trecho de um dos seus orikis (rezas): “Oxossi. Um dos mais conhecidos Bosques Sagrados(sacred grove) é o de Oshogbo(Nigéria). A palavra que os celtas usavam para designar santuário possui raízes próximas com a palavra nemus que em latim significa ‘bosque’. a Ciência e a Cultura) reconhece a existência de florestas sagradas em regiões mundiais como: Índia. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação. No ilê . Australia. Um lugar sagrado demarcado para uma deidade era chamado de temenos em grego e templum em latim” (Chandran. não suporta ficar preso. O orixá Oxalá não gosta de barulho e de dendê. o que abre caminhos. é o guerreiro. Ogum não gosta de nada que incomode a sua caminhada. encontra-se uma salão principal. o desbravador de estradas. quarto de jogo e um quarto especial denominado roncó.

trançando uma roupa de mariwo – uma espécie de fibra de palmeira que lhe cobriu todo o corpo. A criatura foi mordida por caranguejos. Nanã foi conquistar o reino de oxalá e se apaixonou por ele.uma conhecida lenda que conta e explica a ausência dos objetos sagrados de Obaluaye da casa principal: Um dia. que queriam saber quem era o orixá misterioso. ficando toda deformada. a mais curiosa de todas. resolveu ajudá-lo. Com este traje ele voltou a festa e despertou a curiosidade de todos. formou-se um turbilhão e o vento levantou a palha. Mas por ter transgredido uma lei da natureza. com vergonha de sua feiura. mas ela não se fez de rogada. e os dois passaram a reinar sobre os mortos”[3] . explicou tudo a nanã. que acabou ficando grávida. Ele ficou tão bêbado que se deixou seduzir por nanã. Mas este não queria se envolver com outra orixá que não fosse sua amada esposa yemanjá. Ogum percebeu o que acontecia e. Desde então os dois orixás vivem juntos. lanço-o no rio. Por isso. Todos dançavam. passou a viver longe dos outros orixás. Por sua terrível aparência. com pena. e neste momento. não suportando vê-lo. Sabendo que oxalá adorava vinho de palma. que ficava espreitando da porta. revelando um rapaz muito bonito. De tempos em tempos os orixás se reuniam para uma festa. aproximou-se. embriagou-o. deu a luz a um menino horrível. menos obaluaiyê. Yansã.

A morada das Ya mi Oxorongá são as grandes árvores dos bosques sagrados. Na África. O medo da ira de Yá mi nas comunidades africanas é tamanha que. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Yá mi Oxorongá (minha mãe feiticeira). O culto é de exclusividade masculina. a harmonia entre o poder masculino e o feminino. . quando elas chegaram sobre na Terra.A floresta tem papel central nos cultos iorubás tanto na África. quando elas vieram do além para a Terra. No Brasil. entre outras coisas. Yá mi Oxorongá assume a forma de um grande pássaro que habita as noites das florestas.[5] A ancestralidade feminina recebe o nome de Yá mi Agbá (minha mãe anciã). dançam para acalmar a ira e manter. Elas dizem. Os mortos são denominados Eguns (espíritos de mortos) ou Egungum (espíritos de mortos que foram sacerdotes do culto aos Orixás). Bahia. e somente elas detêm e manipulam este temível poder. Para que a morte volte à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos é preciso de ritos específicos executados pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório. No Brasil a casas mais antigas de culto a Egungun é Ilê Agboulá. pertencem a Yá mi Oxorongá. os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas. ao pesquisarem o rito de Xangô na África e no Brasil constataram que as yaôs ficavam encerradas na floresta para rituais de iniciação. As sociedades (egbés) que representa este poder de ancestralidade coletiva feminina são denominadas “Sociedades Geledê”. a morada dos deuses é dentro das matas. como a coruja. em Itaparica. a grande mãe. chamada também de Yá Nlá. também é o local do sombrio. quanto no Brasil. Na África os santuários. Roger Bastide e Pierre Verger. os roncós são cobertos de folhagens e muitos ainda utilizam chão batidos de terra para resgatar uma equivalência simbólica das florestas/santuários africanos. Também conhecida como eleiye (a proprietária do pássaro). aos pés de árvores sagradas. os ritos iniciáticos são realizados na floresta. um bastão chamado ìsan[4]. A floresta além de servir de morada para os Orixás. É na Floresta que moram os mortos. nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral. Pierre Verger ao estudar o culto ancestral feminino na África encontrou a seguinte lenda: O poder de íyàmi serve para o bem e para o mal Ogbè Sá sobe na árvore Ogbè Sá sobe no teto Ifá é consultado para todas as eleye. compostas exclusivamente por mulheres. Elas dizem que elas queriam ter uma residência. que quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais. os templos. faz com que a “morte se torne vida”. sete residências são os sete pilares da Terra. das forças que precisam ser controladas. As aves de hábito noturno.

semente sagrada do Orixá Xangô.elas ficarão sobre a árvore ìròkó. A árvore de ìròkó (Fícus doliaria M. quando elas tiverem tido uma reunião sobre a arère. Na África. Elas dizem. elas ficarão sobre a árvore iwó que nós chamamos orógbó. Elas dizem. òbòbò. Elas dizem. O orógbó é árvore de orobô (Garcinia livingstoni T. é resultante do temor e da restrição que sacerdotisas antigas tinham em passar certos conhecimento rituais. elas ficarão sobre a árvore de osè .Bombacaceae) é conhecida no Brasil como baobá e árvore dos mil anos. Elas dizem. Osé(Adonsonia digitata L. Elas dizem.). No Brasil. Àsùrìn é classificada como Erythrophelum guineense. inclusive África e Brasil. Elas dizem. Elas dizem. uando elas deixarem a àsùrìn. O arerê é identificada como Triplochiton nigericum. estes sete são os lugares onde farão suas residências. A árvore iyá é identificada como Daniellia oliveri. quando elas partirem de cima do orógbó.). quando elas elas deixarem ìròkó Elas dizem.Elas dizem. considerada mãe do orixá caçador Oxossi. Elas dizem. Anders. o culto ao poder ancestral feminino está relacionado a essas sete árvores. quando elas deixarem a iyá. possivelmente. o culto a Ya mi Oxorongá é muito restrito e as sociedades geledes são praticamente inexistente.)ou jaqueira(Artocarpus integrifolia L. A sétima árvore. Elas dizem que elas terão uma primeira residência. elas irão sobre a árvore iyá Elas dizem. elas ficarão sobre a árvore àsùrìn. elas ficarão sobre a árvore òbòbò. Isso.) é a mais sagrada árvore dos cultos afros. não é identificada pelo autor.. No candomblé. A Jaqueira conhecida entre o povo iorubá como Apáòká ( opa = cajado + Oka= serpente africana) é uma árvore de origem indiana.f. disseminada por diversas áreas tropicais e subtropicais. o culto a Ya mi Oxorongá é reservado a assentamento em árvores específicas como cajazeira (Spondias lútea L. elas ficarão sobre a árvore arère. Elas dizem. quando elas deixarem osè. Elas dizem. Embora a dendrolatria da jaqueira ainda seja . Apáòká é uma divindade fitomórfica. Elas dizem. que é o chefe das árvores dos campos[6] Verger identifica seis dessas árvores.

enfeitada de fitas. figueira-branca. À esta árvore é atribuída fortes valores místicos.forte no Brasil. Esta planta está disseminada por várias regiões do Brasil. rodeada por um círculo mágico – a gameleira que os ‘nagôs’ . a primeira árvore plantada foi Iroco. sendo uma planta de muito fundamento nos cultos afro-brasileiros. para o bem e para o mal”[7] Em vários terreiros da Brasil encontramos grandes e imponentes árvores Iroko plantadas no espaço sagrado. Por ser um relacionada ao poder ancestral feminino. pois ela passa a pertencer ao Orixá Exu se tornando muito quente. E o espírito de Iroco era capaz de muitas mágicas e magias.). No Brasil. Para tal é preciso cumprir rituais para que o deus se sacralize na árvore. também é denominada no Brasil como taperebá. coberta de tecidos. formando uma base característica da espécie. Após as oferendas e sacrifícios. Suas raízes se espalham. e existe desde sempre. assim se divertia. Iroco assombrava todo mundo. Grande parte dos mitos já desconsideram a maternidade de Apáòká. Um dos mitos relata uma terrível punição sofrida por uma mulher que teria tocado o Iròkò sem ter cumprido o período de abstinência sexual antes de fazer as oferendas ao deus (foi engolida pelo tronco da árvore). Deve-se observar que a árvore em si não é a divindade. Como um local santo. “No começo dos tempos. “Alguns terreiros possuem igualmente uma árvore sagrada que é vestida. Na mais velha das árvores de Iroco. o culto do Orixá Apáòká é praticamente esquecido. Roger Bastide em duas obras distintas – Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto e em Candomblé da Bahia – faz uma importante alusão ao interdito de tocar em uma árvore Iròkò consagrada. passa a ser paramentado como tal: com laços de panos brancos amarrados em seus galhos e troncos. Entre as árvores de origem africanas relacionadas ao culto de Ya mi Oxorongá estão a cajazeira conhecida em ioruba pelos nomes de igí íyeyé e okinkán. Quando não tinha o que fazer. quartinhas (recipientes com água) e sacrifícios votivos são regularmente realizados. o orixá que habita a gamaleira branca (Fícus doliaria M. guaporé. figueira brava. muitas casas religiosas proíbem o consumo dos seus frutos pelos candomblecistas. Também é conhecida como Figueira-grande. esteja onde estiver e que não se retira suas folhas depois do meio dia. mais antiga que o mogno. Outra forma de dendrolatria é o culto a Iroko. À noite saía com uma tocha na mão. Fazia muitas mágicas. sufocando o hospedeiro com o tempo para se tornar uma árvore autônoma. são colocadas oferendas: alimentos. concebendo como mãe de Oxossi a divindade Yemonjá.Tem conotação sagrada na Africa e é muito cultuada no candomblé. a gameleira substitui o verdadeiro Iroko Africano (Chlorophora excelsa). guapoí. uma morácea conhecida na África como ero iroko. assustando os caçadores. É também conhecida como figueira ou “mata pau”. a árvore deixa de ser um simples vegetal e passa a ser a morada-templo do deus Iroko. o pé de obi e o algodoeiro. morava seu espírito. Dizem que nunca se retira um pé de gameleira. Também se fala que a gameleira é a árvore primordial que foi dada aos homens. pois se origina como uma parasita. Junto a suas raízes expostas. Iroco foi a primeira de todas as árvores. brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco. O leite do seu tronco é usado na medicina caseira para para expulsar vermes e combater a hidropsia. A Gameleira é uma árvore de grande porte.

o obi é elemento sagrado para os iorubás relacionado-se com o deus da adivinhação Orunmilá. Com o nome de Iroco é objeto de um culto fervoroso. que.[10] Outras árvores sagradas para os iorubás são as de obi (Cola acuminata). por um lado. Diz o pesquisador e ogã José Beniste sobre o obi: Fruto usado tanto para a prática religiosa como para alimentação. São três espécies originárias da África e trazidas por escravos ao Brasil e muito usadas nas liturgias dos candomblés. 1999) uma série de textos sobre a divindade Iroko ou Loko. A árvore da noz de cola pertence a Ossaim. ao contrário. ao orixá Exu. O obi também conhecido como noz-de-cola (Cola acuminata) é uma esterculiácea relacionada as divindades Ossaim e Orumilá. A gameleira branca (Chlorofora excelsa). tendo sido utilizado com freqüência pelos escravos. Entre as divindades do céu.) e aridã (Tetrepleura tetráptera). orixá da gameleira entre os jejes: “…este deus é importante para a compreensão da religião daomeana. saberá tudo o que existe para saber a respeito da religião daomeana”.Com apenas alguns gramas reduzidos a pó. árvore abundante neste Estado. mal representa a morada ou altar de um santo. pois tal sacrilégio foi causa de grandes infortúnios para muita gente. Utilizados largamente para confecção dos rosário de opele–Ifá necessários à prática oracular do jogo de ifá. Entre estes textos se destaca o de Nina Rodriguês e de Melville Herskovits. orobô (Garcinia livingstoni T. Medje. preferencialmente. Existe diversas espécies de obi: o obi funfun (obi branco). Mais de uma mãe de terreiro exortou-me a jamais permitir que se abatesse uma gameleira em um terreiro de minha propriedade.[9] Herskovits afirma sobre Loko. permite empreender longas caminhadas e realizar trabalhos pesados sem se sentir fome ou cansaço. é o tipo da planta deus. mas a semente de seu fruto (obi) é utilizado em oferendas para diversos orixás. o obi pupa (obi vermelho) oferecido..chamam de Iroko e os ‘gêges’ de Loko. Que Loko seja o deus das árvores e que as árvores tenham uma alma explica a importância do emprego das folhas na prática medicinal e religiosa no Daomé e estabelece a declaração de um informante. Já foi usado como moeda corrente e . pelo seu alto valor nutritivo . são associados ao culto dos antepassados. A árvore pode ser um verdadeiro fetiche animado ou. entre os jejes. As árvores têm alma e são associadas aos espíritos denominados Aziza. dão a magia aos homens. se cortasse um ramo dessa árvore brotaria sangue”[8] Pierre Verger expôs no seu memorial livro Notas sobre o Culto aos Orixás e Voduns. na medida em que oferece uma visão das inter-relações dos diversos cultos no Daomé. Loko é encarregado de cuidar das árvores que se encontram na terra e suas funções são de tal modo significativas que ele tem como assistente seu jovem irmão. Os obis também se diferenciam de acordo com a quantidade de gomos: obi gbanja (obi de dois gomos) e obi abata (obi de três gomos). por outro. Anders. sacerdote: “Se alguém souber o nome e a história de todas as folhas da mata. Diz Rodrigues que: A fitolatria africana na Bahia parece ter duplo sentido.

O orobô é o fruto dos orixá Xangô e pertence ao elemento fogo.Ifá Coqueiro-da-bahia________Caboclo Bambu_________________ Orixá Oya Pinhão Branco___________ Orixás Ogum. Xangô e Exu Cactus__________________Vodum Azizã. Fruto em formato de pêssego e cuja semente em formato liso e ovalado é indispensável nas oferendas a Sángò. Ao contrário do obí . em oferendas. segundo a tradição oral. contudo a última é encontrada com mais facilidade. É utilizada em jogos divinatórios. Oxossi . Os frutos do aridã são favas que segundo os iorubás são importantíssimas para combater feitiços inclusive os das temidas Ya mi oxorongá (as mães feiticeiras). conhecida na África como iwó. Oya Jaqueira_________________Orixá Apaoka.representa a melhor garantia de um juramento feito ou de um compromisso assumido. A Xangô se oferece o fruto do orobô.culto jeje Peregum________________Orixá Ossaim Ginjeira________________Tobossi. A primeira é considerada mais apropriada pelos especialistas.[12] O aridã é uma árvore de origem africana cultivada no Brasil graças ao seu uso litúrgico nos candomblés. o deus do trovão teria se enforcado aos pés de uma árvore de obi. não abre em gomos. portanto. Pertence ao Orixá Ossaim e está ligado ao elemento Terra. sendo. O orobô apresenta duas espécies principais: a livingstoni e a Garcinia Kola. [11] O obi é um interdito do Orixá Xangô pois. é interessante ressaltar o trabalho do antropólogo Raul Lody que listou as doze árvores sagradas para os cultos afro-brasileiros.culto Casa de Minas/MA . “ Orógbó ní obí bàbá mi/O orògbó é o obi de meu pai”. Por fim. quando ralado e misturado a determinados banhos de ervas tem a capacidade de trazer prosperidade e proteção. São elas: Gameleira branca_______Orixá Iroko Mangueira_____________Orixá Oxum Pitangueira____________Orixá Ossaim e Oxum Cajazeira______________Orixá Ogum Dendezeiro_____________Orunmilá. Segundo a crença iorubá. necessário um tipo de corte especial para ser oferecido como oferenda e modalidade de jogo.

a áfrica nos quintais brasileiros. 2001. [5] http://www.Tem 1. São Paulo: Companhia das Letras.br [3] http://www. representa a África Negra. deve permanecer de pé.ceao. “Esplendor e Decadência do culto de Ìyàmi òsòròngà – Minha mãe Feiticeira. A natureza também cria tradições nas dinâmicas do espaço-tempo e na readaptação e transmutação das agências dos atores sociais. cada um puxa a sua folha para seu lado. No candomblé nada se faz sem obi e orobô. porém atesta a variedade e a enorme contribuição do cultos afro-brasileiras que.br [4] “Vara feita de um galho de árvore denominada àtóri ( Glyphaea Lteriflora) ou feita das nervuras da folha do Igi òpe ( Elais Guineensis). assim. irmãos (de santo).entre os iorubas.” (BENISTE. Talvez por estas plantas estarem ligadas às trocas comerciais transatlânticas e remeterem ao sempre nostálgico retorno a Terra Mãe.Editora Corrupio. social e etnocultural. reproduzindo.in:Artigos/Pierre Verger. Construíram. Representa a licença sagrada para o culto.sites. eles determinam o sim ou o não da aceitação das oferendas. a cabeça. Do obi depende a iniciação do adepto candomblecista.60 de altura e. as regiões de culto aos orixás do que hoje.São os ojé que se utilizam do ìsan para invocar e conduzir os espíritos Egúngún.São Paulo. parafraseando o povo de santo.A lista é variável conforme a modalidade e a localidade de culto. Nestas constantes mudanças. dando mãe (de santo).orixas. p.br/oriki_osala. .com. Ele é premissa para o culto à Ori. “Os terreiros reelaboraram a noção de família e o sentimento de pertencimento comunitário.lendas.html [2] http://www.orixas. casa (de santo) e família (de santo) aos que nada tinham.1992. [7] PRANDI. através da dendrolatria. Mitologia dos Orixás. [1] http://aps18.br/phl8/popups/snt_r2. por meio de pequenas casinholas ou quartos destinados a divindades específicas.phl. as plantas importadas da África são as que possuem maior valor simbólico como a Gamaleira. 164.nom.Pierre Fatumbi. além de impedir que as pessoas toquem em seus tecidos. entre nós conhecida como dendezeiro.2006). Eles representam a fala dos orixás.com.pdf [6] Verger. quando não utilizada. Reginaldo. Pois na tradição oral do povo de santo em Ori buruku (cabeça ruim) não se faz orixá. A partir da relação de fé proporcionada pelo advento religioso consolidaram a representação do continente negro africano no Brasil. por meio de recordações ou mesmos da invenção de práticas oriundas das terras africanas em composição com a realidade brasileira”[13].uol. ajudou a preservar diversas espécies de árvores.ufba. Embora o uso de plantas nativas do Brasil seja corriqueiro nos candomblés yorubás.

José.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.Rio de Janeiro:IPHAN. [11] BENISTE.2004.519.pg.CNFCP.2006. [10]IBDEM (25).Gráfica “O Cruzeiro”1945. [12]Ibdem. Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto. São Paulo: EDUSP. Pierre.pg.Àwon olodé: os senhores da caça.p119.2006. 1999. ______________________________________________________________________ __________________________________________ Oni Ewé: o culto de Ossaim e o uso litúrgico das plantas nos candomblés iorubás no Brasil Por Cintia Raymundo (Cintia d’Oxum) Oríkì fún Òsónyìn Ìba Òsónyìn Ìba oni èwé kó si arun Kó si akoba Àse Oríkì para Òsónyìn Elogio para o espírito do medicamento das folhas Eu elogio o dono do medicamento das folhas Me livre de adoecer Me livre da coisa negativa Eu dou graças ao dono do medicamento .Mitos Yorubás: o outro lado do desconhecido .[8] BASTIDE. RJ: Emp.Roberto. [9] VERGER. Notas sobre o Culto aos Orixás e Voduns.12. Roger.p103. p. 73. [13] Conduru.

Dessa forma. somente Ossaim sabe os encantamentos (ofó) delas. o sangue escuro que vem dos vegetais. governa a floresta. Um dos mais conhecidos mitos iorubás justifica esse pertencimento: Ossaim era o filho caçula de Iemanjá e Oxalá e. Ossaim é uma divindade de extrema significação. assim sabia qual delas curava doenças. sua capacidade de agitar ou acalmar uma pessoa. com um pássaro de ferro na extremidade da haste central representando seu poder de feitiçaria. Por tradição. As folhas no sistema litúrgico iorubá pode ser classificadas de acordo com os quatro elementos da natureza: ar. O emblema de Ossaim é uma haste central de ferro rodeada de outras seis. As áreas consagradas a Ossaim nos candomblés iorubás são os pequenos recantos e as passagens mais isoladas das florestas. construindo edificações . não admitia depender dos serviços de Ossaim. Ossaim é considerado o senhor do Igbo. as folhas do fogo (ewé inã). orixá que domina os ventos. onde só determinados sacerdotes (babalossaim) podem entrar. as folhas cultivadas em jardins ou estufas. mas as plantas selvagens. vivia no mato. Dessa divisão.[2] Ossaim é o orixá masculino do ar livre. Assim Iansã fez. ou seja. Os outros orixás invejavam Ossaim por isso. o Oni Ewé (dono das folhas). fogo e água. sendo sempre recebido com carinho pelo rei de cada tribo. de uma maneira ou de outra. para que as folhas voassem em direção a todos os Orixás para que cada um desses tivesse suas folhas particulares. as folhas da água (ewé omi) e as folhas da terra (ewé ilé ou ewé igbo). Xangô. seja em forma de folhas. terra. Ossaim exclamava “ewé àsa” (minhas folhas). do contato mais íntimo e misterioso com a natureza. O uso litúrgico das folhas é um dos mais complexos rituais e requer sacerdotes especializados denominados babalossaim. Senhor do axé (força ) existentes nas folhas e nas ervas. As folhas ou ervas sagradas pertencem ao Orixá Ossaim. pois praticamente todos os rituais importantes utilizam. Esse tipo de reza permitiu que Ossaim reservasse para si o segredo das folhas. as folhas são reclassificadas quanto a sua propriedade de ser quente ou fria. por isso viajava pelo mundo inteiro. A cerimônia onde as folhas de ossaim são colhidas e encantadas são denominadas sassayim. desde pequeno. ele não se aventura nos lugares onde o homem modifica os espaços. É bastante cultuado no Brasil sendo o Orixá da cor verde. existe as folhas do ar (ewé afééfé). Seu domínio estende-se ao reino vegetal. mel e cachaça. Tinha uma habilidade especial para tratar qualquer doença. às plantas. Em meio a ventania . Embora cada orixá possua suas folhas. onde corre o sumo. e por isso pediu sua esposa Iansã. quando é quente se . juntamente com Oxossi.Axé[1] A fitolatria é uma característica central dos candomblés iorubás. Em troca dos suas curas . As folhas são consideradas sagradas e sua utilização é um dos principais awó (segredo) dos sacerdotes. da floresta e o patrono do curandeirismo e da medicina. espalhando todas as folhas se Ossaim. não são consideradas adequadas ao Orixá Ossaim. Quando a folha é fria é denominada de ewé erro. Assim. que crescem livremente sem a intervenção do homem. infusões para uso externo ou de bebida ritualística. mais especificamente às folhas.Ossaim aceitava fumo. Soprou forte seu afééfe (vento). que era temperamental. trazia vigor ou deixava as pessoas mais calmas. Ele recebeu de Olodumaré o segredo das folhas.

Oxum. Pertence aos orixás Oxalá e Oxum. Pertencente ao orixá Ogum e ao elemento terra/masculino. É uma das plantas que entra nas misturas vegetais para “abrir a fala” dos orixás. As folhas quentes são relacionadas aos orixás da terra e do fogo e seus banhos devem ser. conhecida como salsa-da-praia no Brasil. ewé ogbò. do pescoço aos pés. fecundantes/ fecundáveis. sendo 8 folhas gerais (fixas) e 8 folhas variáveis conforme o carrego de santo[3] de cada pessoa. esquerda/direita. awùrepépé. segundo a classificação de Pessoa de Barros. é uma planta originária da Améria tropical. As plantas de origem asiáticas compreendem: . gbòrò ayaba. As ewé inã e as ewé afééfé são consideradas folhas fecundantes e as ewé ilé e ewé omi são consideradas folhas fecundáveis. Muito utilizada na culinária do norte do país. negativo/positivo. Essas folhas juntamente com elementos com ossum. tètèregun. wagi e efum constituem elementos primordiais e sua ocorrência no Brasil dependeu. A planta awùrepépé (Spilanthes acmella) é nativa da América do Sul e encontrada em todo Brasil. Ya Orí (mãe das cabeças) é um dos títulos desse Orixá. além de entrar na indumentária de muitos Orixás como Ossaim. constitui de outra readaptação vegetal na liturgia iorubá.) Ker Gawl) é popularmente conhecida como dracena.denomina ewé gun. As folhas masculinas são consideradas folhas positivas e da direita (ewé apa òtún) e as folhas femininas são compreendidas como folhas negativas e de esquerda (ewé apa òsí). pejis e assentamentos de Orixás. da utilização nas seitas religiosas. rínrín. Yemonjá está relacionada ao culto de orí(cabeça). mistura de sangue vegetal fundamental em vários aspectos da liturgia dos candomblés iourubás. É uma folha representativa dos ritos de passagem e inserida nos cultos aos Orixás no Brasil. As folhas frias estão relacionadas aos orixás do elemento ar e do elemento água como Oxalá. é compreendido de 16 folhas. O agbó sagrado. é uma planta de origem africana e largamente difundida no Brasil. ewé òwù. É uma folha protetora dos espaços. O gbòrò ayaba (Ipomoeapes-caprae). As folhas também se classificam quanto às suas características masculino/feminino. principalmente. Yemonjá. pau-d’água e coqueiro-de-vênus. é considerada a “folha da vida e da morte”. Dentre as plantas oriundas do continente americano ou nativas do Brasil estão: A folha de pèrègun (dracena fragans (l. jambu e treme-treme. exceto em casos especiais. [4] são: pèrègun. planta nativa do Brasil conhecida como cana -do -brejo. As oito folhas gerais. Constitui ainda uma folha para decoração dos salão públicos. demarcando ambientes sagrados. Pertence ao Orixá Yemonjá e ao elemento água. O tètèregun (Costus spicatus Swartz). O peregun possui grande importância na liturgia dos candomblés iorubas. nativo. Nesse recebe os nomes de agrião-do-pará. entrando nas liturgias de iniciação. Essas folhas são as recomendadas para os chamados banhos da cabeça aos pés. toto.

É substituído no Brasil pelo pemba brasileira(giz). pertence aos orixás Oxossi e Ossaim. elemento muito utilizado na culinária brasileira.dofonodelogum. Isso.Oxum é aptebi (título honorífico no culto de Ifá) do culto do deus da advinhação. Yemonjá e Oxalá. responsável pelo fluxo menstrual e pelo útero. onde o yaô é trazido ao salão público.Essa planta está articulada com os olhos pois Oxum é a única divindade feminina relacionada ao culto de Ifá. Esses elementos simbolizam a iniciação sagrada nos candomblés nagôs. o algodão tem ampla utilidade nas liturgias dos candomblés. cipó-de-leite ou orelha de macaco. por isso as práticas oraculares recorrem freqüentemente a essa planta.com.kit. Originária da África tropical.No Brasil seu sucedâneo é o urucum. Efum. trazida pelos iorubas para o Brasil. possivelmente.sites. esta planta está aclimatada no país . uagi e ossum. wagi e ossum são três elementos africanos largamente utilizados no Brasil. sendo freqüentemente importado da Nigéria. é recomendada para acalmar as pessoas e no combate à histeria. cultivada no Brasil devido sua adaptação ao clima tropical. se deve ao fato do Orixá Oxum ser considerada o orixá do amor. folha conhecida no Brasil como algodoeiro. O efum é um pó mineral branco. Esse triplo momento relaciona-se diretamente com o efum.htm [3] Conjunto de orixás particulares de cada pessoa . também é uma planta utilizada em trabalhos para fins amorosos. O ossum é um pó vermelho de origem vegetal. A folha de ewé ogbò (Periploca nigrescens). Na festa pública. Planta de fundamental importância nos candomblés iorubas. [1]www.filhosdegandhirj. as grandes feiticeiras africanas. o algodão é indicado para combater disfunções do ciclo menstrual e dores no útero. Pertence aos Orixás Oxum. estando articulada ao elemento água. É uma das plantas utilizadas para alterar o estado de consciência dos filhos de santo.O ewé òwù (Gossypium barbadense). conhecida no Brasil como alfavaquinha de cobra e/ou oriri de Oxum. Dentre as de origem africanas estão: A folha de rínrín (Peperomia pellucia). Na fitoterapia.net/texto_deuses. Representam as três cores da iniciação: o branco. Planta originária da Ásia e.br/orikifunorisas [2] http://www. ou seja. o oriri de Oxum além de ser uma planta voltada para vidência de jogo de búzios. O tótó (Apinia zerumbet) é conhecida no Brasil como a folha de colônia. pertence aos Orixá Oxalá e Orumilá sendo representante do elemento ar.O wagi é o pó vegetal azul e seu uso é largamente usado no Brasil. Planta originária da China. conhecido no Brasil como pemba africana. signo feminino do sistema oracular de Ifá. é uma planta de origem africana que se proliferou por todo o Brasil. O ewé ogbó é popularmente conhecido no Brasil como rama-de-leite. três aparições públicas do yaô. No Brasil. Pertence ao Orixá Oxum .uol. O algodão é uma planta pertencente ao odu Osá. o rito compreende “três saídas”. largamente. o azul e o vermelho. Osá é o principal signo das Ya mi oxorongá.

E.Ewe Orisa: uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé Jeje-Nagô .31.pg..& Napoleão.[4] BARROS. Bertrand Brasil. ... 2 ed.. J. 2003. Rio de Janeiro.