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TEATRO

– definição, história e reflexões

rsn
2007/08
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA 

“Subi ao palco, pela primeira vez em finais
dos meados dos anos oitenta, o suor
corria--me por entre os dedos
corria dedos.. As pernas
tremiam e uma sensação de tontura
olhos. As luzes
enevoava--me os olhos.
enevoava
acenderam-se
acenderam- e a magia
aconteceu..
aconteceu
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA 

Fui mulher de cabaret parisiense
durante a II Guerra Mundial cantando
e declamando poesia para a
resistência.. Vesti a roupa simples de
resistência
vendedeira recordando um cenário
de revista à portuguesa censurada
pela Pide.
Pide.
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA 

Fuiviúva perdida num canto da
ilha e uma criada assassina,
símbolo do poder, numa peça de
Genet.. “ - Lília Bernardes
Genet
O QUE É O TEATRO? 
O Teatro é uma história que se vive.
vive. Esta
sentidos.. Não é um
vivida com todos os sentidos
suceder de imagens como o cinema cinema..
Mas antes uma construção
construção.. Encarnei
personagens, materializei angústias,
presenciei interiores.
interiores.
DEFINIÇÃO DE TEATRO… 
«Tudo é permitido no Teatro», disse
Ionesco (...)
...) Não só permitido mas
recomendado para representar os
acessórios, fazer viver os objectos, animar
os décors, concretizar os símbolos»
símbolos»..
OUTRA DEFINIÇÃO… 
Convido-os ao Teatro com uma frase de
Convido-
Sartre::
Sartre
«O teatro é de tal maneira a coisa
pública, uma coisa do público, que uma
peça escapa ao seu autor desde que o
público está na sala»
sala»..
O pano vai abrir...
abrir...
O QUE SE VÊ

 Do grego «theatron»,
teatro é «o que se
vê»..
vê»
 É a expressão da
vida social, uma força
actuante sobre a
comunidade que lhe
inspira os temas e
conflitos que procura
reproduzir..
reproduzir
O QUE SE VÊ

 O teatro terá surgido
com o fogo, partir do
momento em que o
Homem, à volta de
uma fogueira,
projectou os seus
movimentos numa
«tela», parede
côncava de qualquer
caverna..
caverna
DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO

“Perdidos no meio da floresta os membros de
determinado clã executam, periodicamente,
ritos de purificação
purificação..
Apesar de todos os membros participarem, de
entre eles destaca
destaca--se o feiticeiro a quem
compete ordenar o ritualritual..
O feiticeiro é o interlocutor das forças ocultas e
misteriosas, cujas manifestações o homem não
consegue explicar racionalmente.
racionalmente. (...
...)”
)”

José Oliveira Barata.
DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO

 O feiticeiro socorre
socorre--
se de máscaras,
gritos, evocações,
silêncios, culminando,
por vezes, com um
sacrifício..
sacrifício
SOB O TECTO DE ATENAS

 O estabelecimento de
fronteiras físicas, o surgimento
da cidade, acaba por conferir
ao teatro, enquanto
manifestação social, um lugar
físico, o próprio edifício,
assegurando--lhe uma íntima
assegurando
ligação com o poder instituído,
colocando os festivais de
teatro em conjugada relação
do poder político
político..

(Imagem, ao lado: ruínas de um teatro grego.)
SOB O TECTO DE ATENAS

 Não surpreende, pois, ver na
Grécia, após as transformações
sociais, económicas e políticas,
que possibilitam o aparecimento
da polis, sob o tecto de Atenas,
surgiu o edifício teatral grego,
construído próximo dos templos
religiosos, inserido na
arquitectura da cidade, por forma
a que ao cidadão, religião e teatro
se lhe apresentam como
manifestações da cidade as quais
participa..
participa

(Imagem ao lado: teatro da acrópole, em Atenas.)
SOB O TECTO DE ATENAS 

A cidade assinala a ruptura.
ruptura. No espaço e no tempo
tempo.. Há
uma separação entre os que nela vivem e participam das
novas relações de produção e sociais que se começam a
institucionalizar;; e os outros, aqueles que, fora da
institucionalizar
protecção das muralhas ou dos castelos senhoriais,
continuam a pertencer ao domínio social
social.. 
A cidade confere ao homem estabilidade, organização.
organização. O
destino está nas suas próprias mãos e não ao sabor do
mais forte e poderoso
poderoso.. Assim se compreende a vasta
produção dramática grega.
SOB O TECTO DE ATENAS

 Aristóteles é o teórico
que, a nível da polis
grega, mais
agudamente intuiu
qual a função da
tragédia e da
comédia..
comédia
SOB O TECTO DE ATENAS 

As definições de mimésis de Aristóteles
(imitação da realidade) ou de catarsis
(purificação das paixões) vão ultrapassar
de longe o estrito significado da polis
grega para chegarem aos nossos dias
como ponto de referência obrigatório
sempre que se fala de novas perspectivas
da estética rural
rural..
SOB O TECTO DE ATENAS

 A «Poética» (obra de
Aristóteles) estabelece e
codifica uma espécie de
balanço da experiência
teatral anterior, não
enjeitando propor uma
teoria própria e ousada
se pensarmos nas suas
repercussões..
repercussões
TEATRO EM PORTUGAL

LISBOA, PORTO E FUNCHAL

 A Ópera aparece
em Portugal pela
primeira vez em
1682.. Em 1735 é
1682
inaugurado o Teatro
da Trindade, em
Lisboa, seguindo-
seguindo-se a
Ópera do Tejo (1755)
1755)
e que desmoronou
com o terramoto
terramoto..
TEATRO EM PORTUGAL 

No Porto, em 1762
1762,, abre as portas o Teatro da
Guarda enquanto Lisboa acende as luzes do
Teatro do Salitre
Salitre.. 
O Porto volta à cena no palco do São João
(1789
1789)). 
Em 1793,
1793, Lisboa era proprietária do lugar de
honra da Ópera – o TEATRO SÂO CARLOS – mas
o Funchal, três anos antes (1790
1790)) inaugurara
um dos melhores teatros do país – o TEATRO
GRANDE – edificado junto ao Palácio de São
Lourenço, ocupando grande parte do Largo da
Restauração..
Restauração
TEATRO EM PORTUGAL

 A actividade teatral, no Funchal,
era enorme
enorme..
 Ao longo das décadas surge um
grande número de casas de
espectáculo como “A Comédia
Velha”, o “Teatro do Bom Gosto”,
o “Prazer Regenerado”, a
“Sociedade Dramática Concórdia”,
o grupo “Tália e Marte”, o “Teatro
Esperança”, o “Teatro Circo”, o
“Pavilhão Paris”, entre outros
outros..
 Quase todos foram demolidos
pela abertura de ruas ou
encerrados por questões política,
exemplo do Teatro Grande, numa
época marcada por tumultos entre
constitucionais e absolutistas
absolutistas..
TEATRO EM PORTUGAL

DE "MARIA PIA" A "BALTAZAR DIAS" 
O Teatro D. Maria Pia, foi inaugurado a 11 de Março de
1888. 
Em 1910, a Câmara Municipal do Funchal muda-
muda-lhe o
nome para Manoel Arriaga, ex-ex-deputado pela Madeira, e
na altura presidente da República. Manoel Arriaga recusa
a homenagem 
O Teatro passa a chamar-
chamar-se Funchalense. 
Com a morte do governante, voltam a baptizá-
baptizá-lo de
Manoel Arriaga. 
Só nos anos 30, por deliberação da autarquia é chamado
Baltazar Dias, em homenagem ao poeta madeirense.
REFLEXÕES

 «A Tragédia é a imitação da
acção, elevada e completa,
dotada de extensão, numa
linguagem temperada, com
formas diferentes em cada
parte, que se serve da acção e
não da narração, e que, por
meio da comiseração e do
temor, provoca a purificação
de tais paixões
paixões..»,

Aristóteles, Poética, 1449 b)
REFLEXÕES

 «Na minha primeira peça «A
Cantora Careca» que pretendia
ser logo à partida, uma
paródia do teatro e,
consequentemente, uma
paródia a um certo tipo de
comportamento humano, foi aí
que à medida que mergulhei
no banal, até às suas últimas
consequências, utilizando os
clichés mais gastos da
linguagem de todos os dias,
procurei atingir a expressão
estranha em que me parece
banhar--se toda a nossa
banhar
existência..»
existência
Ionesco