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Recomendações 43

Técnicas
ISSN 1415-0891
Novembro, 2002
Porto Velho, RO

Utilização de Fosfatos Naturais em
Pastagens da Amazônia
1
Newton de Lucena Costa
2
Claudio Ramalho Townsend

No processo tradicional de formação e utilização saturação por alumínio e, consequentemente,
de pastagens cultivadas na região Amazônica, apresentam alta capacidade de fixação de P,
após a queima da floresta, grande quantidade de implicando em menores taxas de absorção
nutrientes são adicionados ao solo através das pelas plantas forrageiras.
cinzas, aumentando consideravelmente sua
fertilidade e, consequentemente a produtividade A utilização de fosfatos de rocha, como fonte
das pastagens cultivadas. Contudo, com o de P, surge como uma alternativa
decorrer do tempo observa-se uma gradual tecnicamente viável, considerando-se que sua
redução nos rendimentos de forragem, com eficiência agronômica, notadamente as taxas
reflexos altamente significativos e negativos nos de dissolução, são estimuladas pela
índices de desempenho zootécnico dos rebanhos. acidez do solo. Ademais, geralmente,
estes apresentam menor custo unitário e
A baixa disponibilidade deste nutriente tem sido maior efeito residual. Recomenda-se o uso
identificada como a principal causa para a combinado de fontes de P com alta e baixa
instabilidade das pastagens cultivadas na solubilidade.
Amazônia. O alto requerimento de fósforo (P)
pelas gramíneas e leguminosas cultivadas, Deste modo, a fonte mais solúvel forneceria,
associadas com perdas pela erosão, retirada a curto prazo, o P necessário para o rápido
pelos animais sob pastejo e a competição que as crescimento inicial, período crítico de
plantas invasoras exercem, resulta na queda de competição com as plantas invasoras. A fonte
produtividade e a conseqüente degradação das menos solúvel (fosfato de rocha) liberaria o P
pastagens. Em geral, para produzir 10 toneladas paulatinamente, possibilitando maior
de matéria seca, uma pastagem extrai cerca de persistência da pastagem.
400 kg/ha de N, P2O5/ha e K2O/ha. Apesar da
reciclagem destes nutrientes através dos A eficiência agronômica dos fosfatos naturais
excrementos animais (fezes e urina) e resíduos depende, principalmente de suas
vegetais, a exportação é elevada, requerendo características físicas e químicas e,
adições de fertilizantes para a manutenção de sobretudo, da sua solubilidade. Todos os
níveis compatíveis com as exigências nutricionais fosfatos naturais brasileiros são apatíticos, ou
das plantas forrageiras. sejam, há uma predominância de fosfatos de
cálcio. O teor de P2O5 total dos concentrados
Na região Amazônica, predominam solos ácidos, fosfáticos varia de 23 a 40%, contudo, a
com baixo conteúdo de P disponível e elevada

1
Eng. Agrôn., M.Sc., Embrapa Rondônia, Caixa Postal 406, CEP 78900-970, Porto Velho, Rondônia
2
Zootec., M.Sc., Embrapa Rondônia
2 Utilização de Fosfatos Naturais em Pastagens da Amazônia

solubilidade medida por extratores tradicionais é hiperfosfato não mostrou grande eficiência,
muito baixa, quando comparada com a dos mesmo sendo superior ao tratamento
superfosfatos, termofosfatos e mesmo com a de testemunha.
alguns fosfatos naturais estrangeiros.
Para pastagens de A. gayanus cv. Planaltina
Para que o P seja liberado da apatita torna-se e Brachiaria brizantha cv. Marandu, a aplicação
necessário a reação entre o fosfato aplicado e o de 200 kg/ha de P2O5, sob a forma de
solo. A liberação de P é proporcional à superfosfato triplo ou termofosfato de Yoorin,
intensidade dessa reação e, por isso, é resultou em maiores rendimentos de forragem e
conveniente proporcionar o máximo de contacto quantidades absorvidas de P, enquanto que os
entre as partículas do fosfato natural e o solo. para os fosfatos naturais de Patos de Minas e
Deste modo, assumem grande importância o Olinda não se observou efeito significativo de
grau de moagem do fosfato, o modo de doses (100 ou 200 kg de P2O5/ha). O
aplicação e a sua incorporação ao solo. Para superfosfato triplo e o termofosfato de Yoorin
fontes de baixa solubilidade recomenda-se a foram as fontes que apresentaram maiores
aplicação sob a forma de pó, o qual deve ser índices de eficiência agronômica, seguindo-se
incorporado para se obter o máximo contacto os fosfatos naturais de Olinda e Araxá, ficando
com as partículas do solo. o de Patos de Minas com a menor eficiência
agronômica. Para Acacia angustissima e
A eficiência da utilização de fosfatos naturais Leucaena leucoocephala, a utilização de 100 kg
está diretamente relacionada à capacidade da de P2O5/ha, sob a forma de fosfato natural de
planta em absorver P do solo e utilizá-lo mais Araxá e Olinda proporcionaram incrementos
eficientemente em seu metabolismo. superiores a 100% no rendimento de matéria
seca, número e peso de nódulos.
Em geral, a resposta das diversas espécies
forrageiras depende da sua velocidade de A determinação dos níveis mais adequados de
crescimento, da sua exigência em P e da sua fosfatos naturais para a recuperação de
capacidade em desenvolver seu sistema pastagens, tem sido objetivo de diversos
radicular, principalmente em condições experimentos conduzidos na região Amazônica.
adversas do solo. Em geral, observa-se que a aplicação de
pequenas quantidades de P (50 a 100 kg de
A resposta diferenciada à fertilização fosfatada P2O5/ha) resultam, em pelo menos, o dobro da
determina o manejo mais adequado para cada produção de forragem em pastagens
planta forrageira. Em condições de elevada degradadas. Embora se verifiquem aumentos
acidez, Panicum maximum cv. Makueni tem gradativos no rendimento de forragem com a
baixo desenvolvimento, mesmo em níveis aplicação de doses maiores, pelo menos no
elevados de P. Já, Andropogon gayanus cv. curto prazo (um a dois anos), não há
Planaltina apresenta excelente adaptação aos necessidade de adição de quantidades
solos ácidos, apesar de responder superiores a 100 kg de P2O5/ha.
significativamente à calagem. Deste modo, P.
maximum é uma espécie mais exigente em Para pastagens degradadas de B. brizantha cv.
nutrientes, sendo recomendada para solos com Marandu, a aplicação de 50 kg de P2O5/ha, sob
baixa acidez e bem supridos em P. a forma de fosfato natural parcialmente
Potencialmente, uma fonte de P de baixa acidulado, implicou num acréscimo de 42% no
solubilidade não seria eficiente para esta rendimento de forragem.
espécie, ocorrendo o inverso quanto ao A.
gayanus. A utilização de fosfatos naturais é uma prática
tecnicamente viável para aumentar a
Em Rondônia, para pastagens de P. maximum, disponibilidade de forragem ou para recuperar a
o uso tanto do superfosfato triplo como do capacidade produtiva das pastagens
superfosfato simples, aplicados isoladamente degradadas ou em vias de degradação. Em
ou combinados entre si, e/ou em combinação geral, aplicações periódicas de pequenas
com fosfato de rocha parcialmente acidulado, quantidades de fósforo (50 a 100 kg de
mostraram-se eficazes no aumento da P2O5/ha), resulta, em pelo menos, o dobro da
produtividade de forragem da pastagem, ficando produção de forragem em pastagens
a escolha das fontes na dependência de seus degradadas, com reflexos altamente positivos e
custos. A relação 1:1, entre a fonte mais e significativos na capacidade de suporte e,
menos solúvel, mostrou-se mais efetiva em consequentemente, no desempenho animal.
comparação com 1:2 e 2:1. A utilização do
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No entanto, a adoção de práticas de manejo equilíbrio do ecossistema, podem ser
que envolva a utilização de germoplasma considerados como a chave para assegurar a
forrageiro com baixo requerimento de nutrientes produtividade das pastagens cultivadas por
e com alta capacidade de competição com as longos períodos de tempo, nas áreas de floresta
plantas invasoras e sistemas e pressões de da região amazônica.
pastejo compatíveis com a manutenção do

Recomendações Exemplares desta edição podem ser Comitê de Presidente: Newton de Lucena
adquiridos na: Costa
Técnicas, 43 Embrapa Rondônia
Publicações Secretária: Marly Medeiros
Endereço: BR 364, km 5,5 Normalização: Alexandre Marinho
Caixa Postal 406, CEP 78900-970 Membros: Claudio R. Townsend,
Porto Velho, RO Marilia Locatelli, Maria Geralda de
Fone: (69) 222-0014 Souza, José Nilton M. Costa, Júlio
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,
PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Fax: (69) 222-0409 César F. Santos, Vanda Gorete
E-mail: sac@cpafro.embrapa.br Rodrigues,

1ª Edição Expediente Supervisor Editorial: Newton de
1ª Impressão 2002 Lucena Costa
Tiragem 100 exemplares Revisão de texto: Ademilde
Andrade Costa
Editoração Eletrônica: Marly
Medeiros