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Direitos da personalidade e pessoa jurídica

Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7247

Eneas de Oliveira Matos
professor e advogado do Oliveira Matos - Advogados em São Paulo, mestre em Law and Economics pela Universidade de Hamburgo (Alemanha), doutor em Direito Civil pela USP

O novo Código Civil traz alguma disposição sobre os direitos da personalidade? Diz sobre a aplicação da teoria dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas? Quais os direitos da personalidade que cabem às pessoas jurídicas? Quais as principais conseqüências trazidas com o novo Código sobre a questão dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas? Com o novo Código Civil essas são algumas das questões que surgem e mercem um debate amplo pelos aplicadores do direito, e a função do presente trabalho é justamente de colaborar com essa discussão. Definidos como "as faculdades jurídicas cujo objeto são os diversos aspectos da própria pessoa do sujeito, bem assim as suas emanações e prolongamentos", e, essencialmente, voltados à proteção da pessoa humana, a Constituição de 1988 trouxe a positivação de diversos direitos da personalidade, como os direitos "à vida, à liberdade, à segurança, à intimidade, à vida privada, à imagem, a direitos autorais, incluídas as participações individuais em obras coletivas, à reprodução da voz e da imagem (os dois últimos, como inovações) (art. 5º, caput, e incs. X, XXVII e XXVIII), assegurando o direito à indenização pelo dano moral, em caso de violação (incs. V e X)". Como aludido, portanto, a questão da positivação dos direitos da personalidade não é de tanta inovação assim, vez que a Constituição de 1988, refletindo a dita necessária releitura do direito civil conforme a Constituição, acabou por "constitucionalizar" alguns direitos da personalidade, o que é momento do direito não só de exclusividade brasileira, mas sim de tendência de política legislativa no direito comparado, na busca de maior efetividade e proteção a direitos que versam sobre o bem maior de importância: a pessoa humana. Desta feita, se há muito já se tinha o debate da aplicação dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas, com a promulgação da Carta de 1988, e a não vedação da proteção da honra somente às pessoas naturais, no art. 5º, inc. V, tal levou à interpretação da reparabilidade do dano moral causado à honra objetiva da pessoa jurídica, destacando-a como um atributo da personalidade da pessoa jurídica. O novo Código Civil traz disposição expressa sobre a aplicação dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas, pacificando a questão, o que trará algumas inovações na técnica jurídica brasileira.

2. Aplicabilidade dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas.

em regra. ergo. Assim é expresso o sempre lembrado mestre: "Os chamados direitos da personalidade e as pessoas jurídicas. . Esta exprime um valor existencial (o respeito da intimidade da vida privada da pessoa física). em suma. nos seguintes termos: "De tais elaborações decorrem." Também contrário à aplicação dos direitos da personalidade à pessoa jurídica é gustavo tepedino. Se a tutela da pessoa humana afunda as suas raízes na cláusula geral presente no art. as teses que. a despeito do tratamento diferenciado atribuído pelo ordenamento constitucional aos interesses patrimoniais e extrapatrimoniais. argumentando que há "diversidade das razões de tutela". que. o sigilo bancário. mas não com base na cláusula geral de tutela da pessoa humana. por exemplo. é também verdade que qualquer interesse referidos às pessoas jurídicas. ainda. o segredo. possuem característica notadamente extrapatrimonial. nas pessoas jurídicas. a privacidade e a informação. podem também ser em parte garantidos pelo ordenamento. Com efeito. mas recebe também uma tutela que encontra um distinto fundamento. consideram indistintamente a pessoa física e a pessoa jurídica como titulares dos direitos da personalidade. enquanto os direitos das personalidade. não somente assume significados diferentes. e qualquer aspecto ou interesse concernente à pessoa é tutelado na medida em que sejam essenciais ao seu pleno e livre desenvolvimento. a pessoa jurídica é sujeito. ex-diretor da Faculdade de Direito da UERJ. O valor do sujeito pessoa física é. É necessário adquirir consciência da identidade apenas aparente de problemáticas como. É possível remover o equívoco sobre a extensão dos direitos da pessoa humana às pessoas jurídicas. O sigilo industrial. Deve ser recusada. as pessoas jurídicas refletem interesses patrimoniais. Estes aspectos assumem valor existencial unicamente para a pessoa humana. exprimem interesses diversos. todavia. a tentativa de justificar o sigilo bancário com a tutela da privacidade. 2 Const. por exemplo. movidas embora pelo louvável propósito de ampliar os confins da reparação civil. à pessoa jurídica deve-se aplicar a mesma tutela. etc.Preliminarmente. aquele. diverso daquele do sujeito pessoa jurídica. o mais das vezes de natureza patrimonial. expressão de uma mistificante interpretação extensiva fundada em um silogismo: a pessoa física é sujeito que tem tutela. pietro perlingieri é contrário à tal aplicação. por exemplo. Daqui uma concepção dogmática e unitária da subjetividade como fato neutro. um interesse patrimonial do banco e/ou do cliente. mister considerar que a doutrina ainda debate da possibilidade da aplicação dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas. Para as pessoas jurídicas o recurso à cláusula geral de tutela dos "direitos invioláveis" do homem constituiria uma referência totalmente injustificada.

Civil. Juiz do 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo e Professor Titular de Direito Civil da Faculdade de Direito da USP. por conseguinte. com os direitos da personalidade). na esteira de tal perspectiva. da atividade econômica privada. Ao revés. quando não atingem. 13. afinal. Cuida-se. Com base em tais premissas metodológicas. são eles plenamente compatíveis com pessoas jurídicas. deve ser protegida não já pelas cifras que movimenta ou pelos índices de rendimento econômico por si só considerados. como. como comunidade intermediária constitucionalmente privilegiada. com os bens jurídicos traduzidos na personalidade humana (a lesão à reputação de uma empresa comercial atinge – mediata ou imediatamente – os seus resultados econômicos. arts. repercutem exclusivamente no desenvolvimento de suas atividades econômicas. que delineou a tábua axiológica definidora do sistema e. estando a merecer. informadas pela ótica do mercado e da otimização dos lucros. por exemplo. adotadas artificialmente pela pessoa jurídica para a sua tutela (a maximização de seu desempenho econômico e de seus lucros). pois. os direitos ao nome. como entes dotados de personalidade pelo ordenamento positivo (C. tal posição não é pacífica. por isso mesmo. não se confundindo. seja merecedora de tutela jurídica apenas e tão-somente como um instrumento (privilegiado) para a realização das pessoas que. de uma tomada de posição do legislador constituinte. Daí a necessidade de uma reelaboração dogmática." Entretanto. cuja dignidade é o princípio basilar posto ao vértice hierárquico do ordenamento. e para que esta. de molde a subordinar a lógica patrimonial àquela existencial.As lesões atinentes às pessoas jurídicas. diretamente. o intérprete deve estar atento para a diversidade de princípios e de valores que inspiram a pessoa física e a pessoa jurídica. mas na medida em que se torna instrumento de promoção dos valores sociais e não-patrimoniais. as categorias da empresa. é capaz de congregar. em nada se assemelhando. em seu âmbito de ação. fazem jus ao reconhecimento de atributos intrínsecos à sua essencialidade. estremando. Nascem com o registro da pessoa . as pessoas dos sócios ou acionistas. a símbolos e à honra. trazemos os ensinamentos do saudoso carlos alberto bittar. aduzindo da compatibilidade de certos direitos da personalidade às pessoas jurídicas: "Por fim. e. técnicas de reparação específicas e eficazes. A empresa privada. as categorias atinentes à pessoa humana. de um lado. favoravelmente. de outro. percebe-se o equívoco de se imaginar os direitos da personalidade e o ressarcimento por danos morais como categorias neutras. Tampouco se pode tomar de empréstimo a ótica individualista e patrimonialista para a solução de conflitos inerentes à tutela da pessoa humana – permeados por bem outros valores. contudo. pelo que. por isso mesmo. à marca. 18 e 20). à chamada honra objetiva.

por seus parentes (art. 12. vale dizer. como o direito moral sobre criações coletivas e o direito à honra). se podia soar estranho ao aplicador do direito brasileiro tal questão – dos direitos da personalidade das pessoas jurídicas -. este último vedando a utilização que o exponha "ao desprezo público". 12. vida privada e intimidade (art." Então. Direitos da personalidade e pessoa jurídica no novo Código Civil. direito ao pseudônimo (art. com o advento do novo Código Civil. de disposições sobre os direitos da personalidade no BGB. Destaque-se que os direitos da personalidade. 20). Deve-se lembrar que a codificação dos direitos da personalidade é alvo de intenso debate. Assim sendo. mas. imagem e boa-fama (todos no art. principalmente por sua característica de direito ilimitado. direito ao próprio corpo (arts. à honra. 14 e 15). mesmo sendo positivados. não podem ser vistos como amparados somente nesses casos. como visto. 3." Dirimindo tal questão. vez que inerente que são ilimitados. venceu a tese da possibilidade de aplicação dos direito da personalidade às pessoas jurídicas. ao pleito de ressarcimento pelas perdas e danos causados por ofensa a tais direitos. como lembra carlos alberto bittar. Assim. seja para exigir a tutela de emergência para fins de cessar ameaça a tais direitos. art. isso não tem sido obstáculo suficiente para a sua não positivação nos Códigos. depois da morte do titular. a proteção dos direitos da personalidade. sem notar expressamente às pessoas jurídicas. do novo Código Civil possui a seguinte dicção: "Art. 19). 20. tem-se a proteção dos direitos da personalidade. vem a seguinte questão: o que "cabe" nessa aplicação "não geral" dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas ? Nos artigos 11 a 21. art. subsistem enquanto estiverem em atuação e terminam com a baixa do registro. sem qualquer remessa. no que couber. 52. dependendo da evolução da sociedade para o nascimento e proteção através da técnica de novos direitos. pelo que qualquer enumeração será sempre exemplificativa. o novo Código traz um capítulo especialmente dedicado aos direitos da personalidade. 16 e 17. e o 18. Nesses dispositivos. parágrafo único). 21). e até. essa terá o amparo dos direitos da personalidade assim pertinentes. para fins seja de proteção direta de direitos como a honra e boa-fama.jurídica. de pronto já se tem a conclusão que desde que compatível com a estrutura da pessoa jurídica. respeitada a prevalência de certos efeitos posteriores. isso já é uma realidade insofismável. Aplica-se às pessoas jurídicas. por exemplo. direito aos escritos. no . preliminarmente. a exemplo do que ocorre com as pessoas físicas (como. à voz. vedando a utilização sem autorização). optando o legislador do novo Código Civil pelo texto de lei expresso nesse sentido. o artigo 52. 13. todos do novo Código Civil. direito ao nome (arts.

aliando-se que toda e qualquer interpretação deve ser fixada aqui no sentido de promover a inovação trazida. da mesma forma que. será admissível a proteção da honra da pessoa jurídica "morta". a símbolos e à honra. ". ainda.Código Português. Peruano. que não há disposição no novo Código que vede tal interpretação. e o Italiano. até o seu encerramento. fazem jus ao reconhecimento de atributos intrínsecos à sua essencialidade. ao segredo e ao sigilo. já era tese bem aceita em nossos Tribunais. por exemplo. são compatíveis todos aqueles direitos intrínsecos e essenciais à existência da pessoa jurídica. forçoso aduzir que tal proteção dos direitos da personalidade da pessoa jurídica. na mesma ordem fixada no artigo 12. protegendo-se desde o momento de seu registro – nascimento da pessoa jurídica -. portanto. essencialmente por três elementos a seguir: (i) reflete tendência de positivação com vistas à efetiva proteção.. no que for compatível." Por tal princípio enunciado por bittar. como. do novo Código. ainda. saber quais seriam os direitos. por seus antigo sócios. da Constituição de 1988. dentre outros. com o avanço do direito. Assim sendo. à marca. Suíço. Espanhol. os direitos ao nome. único. considerado um dos que melhor explana sobre a matéria. (ii) alcança a pessoa jurídica. Resta. vez que notoriamente podem sofrer conseqüências patrimoniais e extrapatrimoniais tendo em vista participação em antiga pessoa jurídica. por exemplo. como direitos da personalidade aplicáveis às pessoas jurídicas: honra. Sobre essa última assertiva. par. já com suas atividades encerradas. ou da colateral até o quarto grau" -. e até herdeiros. protegendose. ao revés. Podemos destacar. reputação. a exemplo do que ocorre com as pessoas físicas. marca e símbolos (direito à identidade da pessoa jurídica).. subsistem enquanto estiverem em atuação e terminam com a baixa do registro. a codificação dos direitos da personalidade no novo Código Civil deve ser vista. nome. por esse raciocínio de compatibilidade do artigo 52 – dando direitos da personalidade às pessoas jurídicas -. 4. aplicáveis às pessoas jurídicas. privacidade. a honra de pessoa já falecida poderá ser alvo de proteção a ser requerida pelos parentes – "cônjuge sobrevivente. fizerem-se necessários à . certos direitos mesmo após tal encerramento. Outrossim. Acrescentamos. a priori. . já que ilimitados.. do artigo 5º. em tese. bem como por ser a honra direito fundamental protegido constitucionalmente. com o encerramento da pessoa jurídica. a teor dos incisos V e X. e assim todos que. respeitada a prevalência de certos efeitos posteriores. dos direitos da personalidade à pessoa jurídica. Direitos da personalidade aplicáveis às pessoas jurídicas. e (iii) não afasta a proteção dada pelos direitos fundamentais. nos termos do artigo 12. propriedade intelectual. ou qualquer parente da linha reta. notadamente a honra objetiva. Nascem com o registro da pessoa jurídica. conjugam-se na aplicação unívoca de proteção do bem jurídico em tela.

na órbita civil. O sancionamento. 5.OFENSA À HONRA OBJETIVA CARACTERIZADA .Ao adquirir personalidade.Danos morais .INDENIZAÇÃO DEVIDA . O dano moral puro é aquele em que a ofensa que lhe deu causa não traz reflexos patrimoniais. que já teve força no sentido contrário à concessão de reparação de dano moral à pessoa jurídica.INSTITUIÇÃO FINANCEIRA QUE PROTESTA INDEVIDAMENTE TÍTULO CAMBIAL . quanto aos demais direitos da personalidade da pessoa jurídica também é plenamente cabível a sua tutela.DANO MORAL . . da ofensa aos direitos da personalidade é o dever de reparar o dano moral causado.ADMISSIBILIDADE . mas sim uma ofensa a um bem jurídico extrapatrimonial. notadamente. sua reparação. a jurisprudência. deve-se aduzir que não só prejuízos extrapatrimoniais são causados no momento de ofensas aos direitos da personalidade. Nesse sentido. que vem sendo franca nesse sentido. sendo que esse. dos danos morais causados. cabendo indenização pelo dano extrapatrimonial daí decorrente. independendo. considerada assim a reputação que goza em sua área de atuação. Da mesma forma que assim no que se refere à honra. reforço terá também a jurisprudência. os direitos da personalidade. do novo Código Civil.FATO QUE ACARRETA CONSEQÜÊNCIAS DANOSAS DE ORDEM PATRIMONIAL À EMPRESA . não é necessariamente uma ofensa a um direito da personalidade. Ainda. Assim." "RESPONSABILIDADE CIVIL . vale lembrar. Reparação civil dos danos causados por ofensa aos direitos da personalidade da pessoa jurídica." Tanto assim que se tem o entendimento sumulado no Superior Tribunal de Justiça: Súmula nº 227: "A pessoa jurídica pode sofrer dano moral". da existência de prejuízos econômicos oriundos do ataque irrogado.pessoa jurídica . notadamente contra sua honra objetiva – direito da personalidade -.A honra objetiva da pessoa jurídica pode ser ofendida pelo protesto indevido de título cambial. quanto à reparação civil.proteção dos desdobramentos e desenvolvimento da "vida" das pessoas jurídicas. firmou-se de forma majoritária pela sua permissão: "RESPONSABILIDADE CIVIL . já citados. dentre eles. a pessoa jurídica faz jus à proteção legal e estatal à sua honra objetiva. nos mesmos moldes a ensejar a reparação. pelo que a teor dos artigos 12 e 52. a doutrina já tem havido como cabível a reparação do dano moral causado à pessoa jurídica. Recurso conhecido e improvido.PESSOA JURÍDICA .

nome. Carlos Alberto. b)há norma de aplicação. c)tal tutela se dará enquanto tiver existência a pessoa jurídica. à identidade.. São Paulo. Rio de Janeiro. Carlos Alberto. Diante do exposto. plenamente cabível a ação visando a reparação dos danos causados aos direitos da personalidade da pessoa jurídica. 2. advindos. por seus sócios ou herdeiros. como característica dos direitos da personalidade. ed. sendo dever o seu respeito de caráter absoluto. podemos concluir sobre os direitos da personalidade e sua aplicação às pessoas jurídicas no novo Código Civil que: a)os direitos da personalidade são elencados e protegidos expressamente. 7. . até mesmo após encerradas suas atividades. e em certos casos. Bibliografia. Assim sendo. e privacidade. provenientes de abalo na honra da pessoa jurídica. reputação. 1991. com vistas à reparação do dano causado. Revista dos Tribunais. O Direito Civil na Constituição de 1988. pelo que admissível na mesma ação o pedido de reparação de todos os danos causados pela ofensa ao direito da personalidade. incide. marca e símbolos.. 6. d)os direitos da personalidade são ilimitados. sendo plenamente cumuláveis. a Súmula nº 37 do Superior Tribunal de Justiça sobre cumulação dos danos moral e material. Bittar.podem também ser causados danos materiais. Bittar. de perda sensível nos resultados econômicos. no que for compatível. propriedade intelectual. e)no que se refere às pessoas jurídicas. Conclusões. para cessar lesão ou sua ameaça. ou principal. nesse caso. por exemplo. h)a reparação dos danos causados aos direitos da personalidade da pessoa jurídica podem ser materiais e morais. ao segredo e ao sigilo. g)a tutela dos direitos da personalidade da pessoa jurídica pode se dar em caráter ou de emergência. sendo os lembrados no novo Código a título exemplar. 2º ed. são seus direitos da personalidade todos aqueles atributos inerentes e essenciais a sua existência e desenvolvimento. dos direitos da personalidade às pessoas jurídicas. Os direitos da personalidade. f) podem ser citados exemplarmente como direitos da personalidade aplicáveis às pessoas jurídicas: honra.

Pietro. São Paulo. São Paulo. São Paulo. ed. Jorge. 1979. 99 ss. Dano moral. de Antônio Chaves. Manual de Direito Civil. 2. Coimbra.. Perlingieri. Tomo IV. ed. Antônio. Malheiros. Renovar. 1998. Sérgio. São Paulo. Revista dos Tribunais. 1980. 2. Os danos extrapatrimoniais. Direito ao cadáver e a partes do mesmo. Miranda. ed. Mattia. coord. Gusso. Programa de Responsabilidade Civil. 1998. Dano moral indenizável. 2. 1995. 1997. Tepedino.. Santos. 2000. 3º ed. Giuffrè. Direitos da personalidade: aspectos gerais. de Estudos de Direito Civil. Esterilização e operações cirúrgicas para "mudança de sexo". BITTAR. Limongi. São Paulo. Sérgio. Cavalieri fiho. Salvi. Coimbra Editora. Revista dos Tribunais. 1996. Pietro. coord. R. Perfis do direito civil: introdução ao direito civil constitucional. Renovar. Perlingieri. Cahali. atualizada e ampliada do livro Dano e indenização. 81. Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. de Estudos de Direito Civil. Saraiva. em pp. Juarez de Oliveira. 1996. Direitos Fundamentais. em Temas de Direito Civil. Yussef Said. de Antônio Chaves. Revista dos Tribunais. Milano. 1994. 1979. Fábio Maria de. 1º vol. em pp. trad. 2001. São Paulo. ao próprio corpo e às partes do mesmo (transplantes). Antonio Jeová. 1999. Severo.. de Maria Cristina De Cicco. La responsabilità civile. 1979. Reparação civil por danos morais.Forense. 139 ss. Revista dos Tribunais. Direitos à vida. revista. São Paulo. 1998. França. Cesare. Edizioni Scientifiche Italiene. Napoli. Chaves. Dano moral indenizável.. Tendenze e metodi della civilistica italiana. Gustavo. p. A tutela da personalidade no ordenamento civilconstitucional brasileiro. São Paulo.. Método. Notas . São Paulo. Moacir Luiz. Carlos Alberto.

O direito civil na Constituição de 1988. v. ou seja. pelo que a interpretação que deve prevalecer é sempre a favorável aos direitos fundamentais. pelo que a honra dessa pessoa jurídica estaria abalada. sofre acusações na imprensa. Carlos Alberto. Pietro. Da mesma sorte: ubi commoda. 157-158 de seu Perfis do direito civil: introdução ao direito civil constitucional. Cfr. Limongi. O interesse restaria claro no caso hipotético em que certa empresa. Antônio. 52 c. O direito civil na Constituição de 1988. 57. 52-53 de A tutela da personalidade no ordenamento civil-constitucional brasileiro. parágrafo único. 403. 13 de seu Os direitos da personalidade. no direito italiano. pp. p. 11 e ss. 102-103. Manual de Direito Constitucional. miranda. 64. e sendo seus sócios já falecidos. cit. podem também pleitear sua proteção pelos direitos da personalidade. pp. e aqui sem dúvida é a que certos direitos sim permanecem após o encerramento da pessoa jurídica e podem ser protegidos a teor do disposto no art. 55-59.. Em pp.. p. 08 09 Conforme trecho já transcrito neste trabalho: bittar. Direitos da personalidade: aspectos gerais. legitimidade passiva e ativa após encerramento das atividades da pessoa jurídica. bittar. à reputação e à privacidade.c. esterilização e operações cirúrgicas para mudança de sexo. salvi. ao próprio corpo e às partes do mesmo (transplantes). citando o direito ao nome. arts. Em pp. incisos V e X. bittar. pp. ob. Direito à vida. Nesse sentido. Fábio Maria de. Carlos Alberto. Carlos Alberto.. Tendenze e metodi della civilistiva italiana. já encerrada. p. perlingieri. pp. sobre alguns direitos da personalidade que pode a pessoa jurídica ser titular. do novo Código. 02 03 chaves. 39 ss. 07 06 05 04 Em p. p. e mattia. p. por exemplo. 1º vol. tomo IV. Carlos Alberto. direito ao cadáver e a partes do mesmo. já vinha sendo realizada no direito brasileiro antes do novo Código a partir da interpretação do artigo 5o. Outrossim. pp. pp. Jorge. e seus sócios já falecidos. 50-52. deve-se repetir que a proteção da honra objetiva da pessoa jurídica. 81. La responsabilità civile. 56-57. 144-149. a contar de um direito fundamentalà honra. R. Em seu O direito civil na Constituição de 1988.01 frança. ibi incommoda: da mesma forma que os sócios podem responder por obrigações da empresa mesmo após o seu encerramento. 13 de seu Os direitos da personalidade. há interesse de seus herdeiros na proteção desse direito da personalidade da pessoa jurídica ofendida. 13 12 11 10 Poder-se-ía questionar de um direito à vida das pessoas jurídicas e de um direito à . em Temas de Direito Civil. Manual de Direito Civil.. Cesare. ou seja.. bittar. há alguns anos. por exemplo.

com. p. Contrário à posição de que somente ofensa aos direitos da personalidade podem gerar reparação civil por dano moral. 79-81.4º T. portanto. 143 e ss. v.91. ano 9.. ementa. o que. pp. confundindo-se com o direito à livre iniciativa.Impossibilidade. STJ . V. Teresina. 09. TJDF . severo.940. Desa. 16. Dano moral indenizável.". em BAASP. alcançando o objetivo almejado pelo autor.uol.e. que é de lançar perguntas: mais uma se lança aqui. 228. Reparação civil por danos morais. o direito à integridade da pessoa jurídica se confunde com direito ao respeito as seus direitos patrimoniais e extrapatrimoniais.1996. j.2005) Elaborado em 09. maioria de votos. n. Acesso em: 31 maio 2008. Dano moral indenizável.Minas Gerais. Sérgio. Ruy Rosado de Aguiar. Entretanto.. Narcizo Pinto. 797. 2. A indenização a título de dano moral só se justifica quando a vítima é pessoa física. Carlos Alberto. pp.oliveiramatos. rel. v. Nancy Andrighi. 1996. Esp. com efeito.. Eneas de Oliveira. Rel.96). santos. não há como considerá-lo em relação a uma pessoa jurídica. in BolAASP nº 2000.10. Cível nº 41.11. Direitos da personalidade e pessoa jurídica .u.u.. 724/123.3º Câm. pois caracterizando-se esse tipo de dano por um sofrimento de natureza psíquica.asp?id=7247>. j. Antonio Jeová. Rela. "Dano moral . 37 e ss. Yussef Said. por si só.. Moacir Luiz. Os danos extrapatrimoniais.9. Des. 5º Câm. 342 e ss. Sérgio. Sobre a reparação do dano moral causado à pessoa jurídica. pp. e gusso. já seria suficiente para uma tese. Ap. Maio.. assim. este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: MATOS. 33-4 -e.8. Disponível em: <http://jus2. bem como.DF.com. bittar. cahali. 2005. Informações bibliográficas: Conforme a NBR 6023:2000 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).09. ementa.2 93/96 . pp. pp. não é o fim deste trabalho. 18 17 16 15 14 Sobre o autor Eneas de Oliveira Matos E-mail: Entre em contato Home-page: www. Rec. Ap. TJRJ. v. com direito ao seu pleno e regular funcionamento.br Sobre o texto: Texto inserido no Jus Navigandi nº797 (8. Jus Navigandi. .. v. cavalieri fiho. haja vista que "vida" para a pessoa jurídica é a qualidade de ter reconhecimento como sujeito de direito. 1970/77 .integridade: na verdade a compatibilidade aqui seria discutível.. Min.br/doutrina/texto.033-2 . tal questão. Programa de Responsabilidade Civil.1995. j. p. RT.2005. de 25.Pessoa jurídica . 167-168. 8 set. observadas as restrições legais. Dano moral. nº 60. 4.