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João Batista

<jmnbpt@yahoo.com>

Revisões de Trigonometria

Novembro de 2000

“Não tenho aqui espaço suficiente para dar a explicação completa.” Pierre de Fermat (1601-1665), matemático francês

REVISÕES DE TRIGONOMETRIA

João Batista <jmnbpt@yahoo.com>

Índice
PREÂMBULO....................................................................................................................................................... 5 ÂNGULOS ............................................................................................................................................................. 6 1.1. Ângulo trigonométrico.............................................................................................................................. 6 1.2. Classificação de ângulos ........................................................................................................................... 7 1.3. Arcos de circunferência ............................................................................................................................ 8 2. TRIÂNGULOS .................................................................................................................................................. 9 1.1. Semelhança de triângulos ......................................................................................................................... 9 1.2. Classificação de triângulos ..................................................................................................................... 10 3. TRIGONOMETRIA E RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ................................................................... 11 1.1. Teorema de Pitágoras ............................................................................................................................. 11 1.2. Relações trigonométricas de ângulos ...................................................................................................... 12 1.3. Fórmula fundamental da trigonometria .................................................................................................. 13 1.4. Um problema de trigonometria ............................................................................................................... 14 4. SENO, COSENO E TANGENTE COMO FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL .......................... 16 5. PROPRIEDADES IMPORTANTES DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ...................................... 18 5.1. Valores das funções trigonométricas para alguns ângulos-chave ........................................................... 18 1.2. Paridade das funções trigonométricas ..................................................................................................... 19 1.3. Sinal das funções trigonométricas .......................................................................................................... 19 1.4. Monotonia das funções trigonométricas ................................................................................................. 20 1.5. Redução ao primeiro quadrante .............................................................................................................. 22 1.6. Periodicidade das funções trigonométricas ............................................................................................. 23 1.7. Resumo das propriedades das principais funções trigonométricas ......................................................... 24 6. RELAÇÕES IMPORTANTES DE FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS .................................................. 27 1.1. Fórmulas de adição e subtracção ............................................................................................................ 27 1.2. Fórmulas de duplicação .......................................................................................................................... 28 1.3. Fórmulas de bissecção ............................................................................................................................ 28 1.4. Fórmulas de transformação ..................................................................................................................... 28 7. FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS INVERSAS ......................................................................................... 30 1.1. Arco seno: arcsen(a) ............................................................................................................................... 30 1.2. Arco coseno: arccos(a) ........................................................................................................................... 31 1.3. Arco tangente: arctg(a) ........................................................................................................................... 31 1.4. Arco co-tangente: arccotg(a) .................................................................................................................. 31 1.5. Resumo: domínio e contradomínio das funções trigonométricas inversas ............................................. 31 8. RESOLUÇÃO DE ALGUMAS EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ..................................................... 32 8.1. Resolução de equações de funções trigonométricas do tipo f(x) = y ...................................................... 32 1.2. Exemplo .................................................................................................................................................. 33 1.3. Funções trigonométricas inversas ........................................................................................................... 33 9. DERIVADAS DE FUNÇÕES CIRCULARES E RESPECTIVAS INVERSAS ........................................ 34 sen x .............................................................................................................................. 34 9.1. Estudo do lim x →0 x 9.2. Derivadas de funções trigonométricas .................................................................................................... 35 1.3. Derivadas de funções trigonométricas inversas ...................................................................................... 36 1.4. Resumo das derivadas de funções trigonométricas e trigonométricas inversas ...................................... 37 10. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS .................................................................................................................... 38 BIBLIOGRAFIA................................................................................................................................................. 41

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o(s) seu(s) nome(s).com/jmnbpt 5 . ou de outro modo deliberada ou acidentalmente omitidos por terceiros ao divulgar. Novembro de 2000 Como contactar o autor Pode contactar o autor deste texto pelo endereço. salvo para cobrir as despesas necessárias à cópia e distribuição do texto (e.b. 2.3. O conhecimento é um património que não tem dono e como tal deve ser divulgado sem restrições. e comparar as várias possíveis. 2900-450 Setúbal Tel. não se discutem neste texto funções trigonométricas hiperbólicas – seno hiperbólico. espero que sejam respeitadas integralmente.g. existe habitualmente mais que uma resolução). telefone. que em momento algum poderá ser omitida. e foram introduzidos apenas com o intuito de providenciar uma revisão dos conceitos neles abordados. e onde foi feita a correcção. Esta é uma segunda versão do texto original. identificar mais que uma resolução. Para um maior aprofundamento. no final. modificar ou corrigir este texto. 110.com> Preâmbulo Este texto resume os assuntos respeitantes a trigonometria e geometria do plano leccionada no ensino público secundário. poderá ser obtida a partir da divulgação deste texto. Arcos de circunferência 2. Foi incluído um capítulo com alguns exercícios resolvidos. substituídos. como em muitas outras coisas na Matemática. Semelhança de triângulos Declaração Este texto é do domínio público. A eles cabe acrescentar numa página nova no texto. mais especificamente ao nível de cursos superiores de Matemática e Física. ou qualquer outra. 2ºEsq.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. O meu nome e elementos de contacto não poderão ser removidos. em géneros. pode revelar-se útil no desenvolvimento de técnicas de solução de problemas. De facto. ou outro meio que sirva para armazenar e permitir a leitura deste texto). Alguns parágrafos são de leitura opcional em virtude da sua utilização pouco frequente na maior parte das aplicações em Trigonometria. esta revisão consistiu numa profunda remodelação do aspecto visual. coseno hiperbólico. alterados. do 9º ao 12º ano. Foram feitas revisões e acréscimos relativamente à primeira versão – essencialmente. Como tal. endereço de correio electrónico ou página de Internet seguintes: João Miguel Nobre Batista Avenida Luísa Tódi. os seguintes parágrafos poderão ser ignorados sem grande prejuízo para a revisão de conhecimentos fundamentais: 1. a data. Consciente de que estas condições são razoáveis.geocities. Nenhuma compensação. fotocópias. tais como os indicados na bibliografia. datado de Setembro de 1997. É desejável que o leitor tente resolver os exercícios antes de ler a resolução possível apresentada (porque em geral. suporte informático – como disquetes –. dos quais se recomenda uma reflexão adequada à compreensão dos passos envolvidos. Eventuais correcções a este texto por parte de terceiros deverão ser devidamente assinaladas pelos respectivos autores. Assim. Pressupõe-se que o leitor possui já conhecimentos razoáveis sobre as matérias abordadas. Classificação de ângulos quanto ao posicionamento (relativamente a outros ângulos) 1. – que são abordadas em contextos adequados. etc.com Web: www. recomenda-se a consulta de livros de texto aprovados e usados nas escolas. pelo menos um contacto.1. João Miguel Nobre Batista Setúbal.2. e pode ser distribuído livremente desde que as seguintes condições sejam respeitadas: 1. 265 228 384 / 91 427 0853 email: jmnbpt@yahoo. monetária. 3.

definida tal que 90º = 100 grados. serα de 0Ί a 180º. o vértice no centro da figura).. se x = α + m · 360º e y = α + n · 360º (m e n números inteiros).. visto que para ângulos entre 180º e 360º já haverá outro ângulo mais pequeno definido pelas duas rectas dadas – e que será inferior a 180º.. Outro ângulo definido pelas semi-rectas é o ângulo β. O menor ângulo α descrito pela semi-recta é o ângulo trigonométrico. medem-se os ângulos num domínio que vai de 0º a 360º (ou. fixa. α + β = 360º . de referência) completa uma volta após 360º. isto é. (1. e para o ângulo ϕ descrito pela semi-recta tem-se: ϕ = α + k · 360º. especialmente quando se usam funções trigonométricas. uma volta completa no plano define o ângulo de 360º. definidas mais adiante. Por exemplo. mas é menos utilizada que qualquer das anteriores. No plano. em particular no que toca às funções trigonométricas. e para esse efeito. é necessário indicar o símbolo " º " para distinguir da unidade radiano. No entanto. Por definição.1) em que k é um número inteiro. Assim teremos. O sentido negativo é definido pela semi-recta OA movendo-se no sentido horário. é necessário definir univocamente a aplicação que dá o ângulo definido por duas rectas que se intersectam. temos que o ângulo ao centro α é definido pela duas semi-rectas da figura 1. para que nγo haja lugar para dϊvidas.. (Existe os chamados ângulos sólidos.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. que α = π/4 = 45º. para igualar os ângulos x e y é necessário que m=0 e n=0 (por exemplo). O ângulo α aumenta se a abertura aumentar no sentido indicado pela seta. abordadas posteriormente. definido pelo quociente entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro. Há mais outra unidade de ângulo no plano. É definido de tal forma que um ângulo de π radianos é igual a 180º: π radianos = 180º.) Assim. 1. o sentido positivo atribuído aos ângulos é contrário ao dos ponteiros do relógio. e nesse caso diz-se que descreveu um ângulo de –360º. Ângulo α. É usual não indicar a unidade “radianos” quando nos referimos a um ângulo nestas unidades. em que π é o número irracional π=3. quando não há perigo de confusão. Para ângulos em unidades de grau de arco. Ângulos A β α α O vértice Figura 1. mas estão fora do âmbito desta Revisão. Na figura 2 está indicado o sentido de crescimento de um ângulo. O ângulo α é definido no sentido horário. O ângulo α é o de maior interesse em trigonometria.com> 1. que é de abertura visivelmente maior que o ângulo α. ou uma volta no sentido contrário. o qual será discutido adiante. Portanto. 6 . Ângulo trigonométrico Um ângulo pode ter o valor real que se desejar. Os ângulos de que se fala dizem respeito a ângulos no plano. o grado. No entanto. o que é equivalente. A razão para a existência desta periodicidade para ângulos prende-se com o carácter das funções trigonométricas. uma condição trivial.1415927. etc. Em trigonometria. Figura 2.1. duas voltas após 720º. definidos no espaço. de 0 a 2π radianos). é costume usar outra unidade para os ângulos em vez da indicada: é o radiano. Este é o ângulo mais pequeno definido pelas duas semi-rectas (repare que têm a mesma origem. por exemplo. no caso de um βngulo no plano. a semi-recta que dá o ângulo (com outra semi-recta.

Quando se chega a um ângulo 360º. 3) Ângulo recto: α = 90º – figura 3. 6) Ângulo giro: α = 360º – figura 3.i. nunca os dos extremos que o define. Ângulos vertic. (α = 180º) Figura 3.e. α = 89. Ângulo obtuso.c. Na verdade.a. Reparar que um ângulo agudo α toma sempre um valor entre 0º e 90º. muitos autores identificam o ângulo de 0º (ou 360º. α = 75. (α + β + α’ + β’ = 360º) 1. Ângulo nulo.4º . nunca tomando qualquer destes valores. (α = 90º) α α α Figura 3. um ângulo de 390º será equivalente a outro de 30º: 390º = 30º + 1 · 360º . Assim sendo.g. Ângulos suplementares. Para ângulos superiores a 360º. 5) Ângulo raso: α = 180º – figura 3.99º (nunca é igual a 90º ou 0º !). (α = 360º) β β α α α’ β β’ α Figura 3. e por essa razão.f. 4) Ângulo obtuso: 90º < α < 180º – figura 3.f. (α + β = 180º) Figura 3.a. Classificação de ângulos 1.b. Novamente. Ângulo agudo.com> α Figura 3.2. Ângulo raso. o que é equivalente como acabámos de ver) como ângulo raso ou giro.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo.e.d. voltamos novamente ao princípio – daí a definição periódica para o ângulo dada pela expressão (1. (α + β = 90º) Figura 3.2. quanto à abertura 1) Ângulo nulo: α = 0º – figura 3. Ângulo recto. (0º < α < 90º) α Figura 3. Ângulos complementares. opostos. Ângulo giro. (90º < α < 180º) Figura 3. 2) Ângulo agudo: 0º < α < 90º – figura 3. já se descreveu uma volta completa no plano – pelo que a abertura definida por um ângulo giro (de 360º) é a mesma que é definida pelo ângulo raso.h. (α = 0º) α Figura 3.1). 7 . o ângulo obtuso apenas toma os valores intermédios.b. Exemplos: α = 30º .a.c.d.

h. diz-se que esse ponto da circunferência descreveu o arco 68 AB . Arcos de circunferência Um arco de circunferência é definido de uma maneira semelhante à que foi feita para um ângulo no plano. e vice-versa. Temos que α = α’. O sentido positivo para os ângulos é. Dessa forma. que também são verticalmente opostos.3. 1. ou que α é complementar de β.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. quando um ponto da circunferência se desloca sobre ela do ponto A para B. por convenção. define-se um arco sobre uma circunferência. e vice-versa. Sobre uma circunferência. quanto ao posicionamento (relativamente a outros ângulos) 1) Ângulos complementares: α + β = 180º – figura 3.g. e também β = β’. Desta feita. e o negativo é o sentido horário.i. 8 . um ponto pode-se mover em dois sentidos. Naturalmente. Naturalmente. Os ângulos α e α’ dizem-se verticalmente opostos. anti-horário. 0º < α < 90º. e β também (com α + β = 90º)! 3) Ângulos verticalmente opostos: α + α’ + β + β’ = 360º – figura 3.com> 1. Diz-se que α e β são suplementares. 0º < α < 180º.2. ou que α é suplementar de β. Diz-se que α e β são complementares. e β também (com α + β = 180º)! 2) Ângulos suplementares: α + β = 90º – figura 3.b.

é necessário o 5º axioma. fazem o ângulo 90º + 90º = 180º. Isto verifica-se sempre para todos os triângulos constituídos sobre uma superfície plana(1).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Estas classificações não devem ser confundidas com as de triângulo equilátero. Consequências: z’/z obedece à mesma proporção entre os comprimentos dos lados. Semelhança de triângulos Dois triângulos dizem-se semelhantes quando são homotéticos. indo formar um triângulo. Por exemplo: se o Gabriel (no vértice de ângulo γ) quiser ir à casa da Alexandra (vértice de ângulo α). quaisquer que sejam. e os ângulos correspondentes nos dois triângulos são iguais entre si. Propriedade 1: Todos os triângulos. Sejam então três segmentos de recta. e a “quantidade que falta” seria o terceiro ângulo. Quando unidas as extremidades. γ x z β α y Figura 4. o par de triângulos considerados não são semelhantes. e que os lados são proporcionais. Naturalmente. ou três ângulos iguais entre si [AAA]. No caso das rectas paralelas. é necessário recorrer aos axiomas de Euclides enunciados no seu tratado de geometria. 9 . de comprimentos x. c) dois ângulos iguais e um lado proporcional [LAA]. Os ângulos assim formados. e equivalem-se entre si: dois triângulos com ângulos iguais entre si têm lados correspondentes com comprimento de igual proporção. A cruzarem-se. Figura 5. O efeito produzido por [LLL] ou por [AAA] é o mesmo. Então resulta que o terceiro ângulo é igual para os dois triângulos. Tem-se α = α’. Enquanto que aquelas dizem respeito a relações entre dois triângulos. e que lhe sejam perpendiculares. Propriedade 2: A soma do comprimento de dois lados quaisquer é sempre maior que o comprimento do terceiro lado. se nenhuma das três situações anteriores se verificar. que a soma dos ângulos internos seja 180º. b) dois lados proporcionais e um ângulo igual [LLA]. as últimas referem-se à caracterização de um único triângulo. isto é. β = β’. a propriedade podese tornar mais ou menos intuitiva. e resulta da definição de homotetia que foi agora apresentada. definidos a seguir. constituídas por três segmentos de recta cujas extremidades se unem. e um dos ângulos de um triângulo tem igual abertura ao do ângulo correspondente no outro triângulo: α = α’ e x’/x = y’/y. e vice-versa – ver figura 5. o terceiro ângulo não existe. a soma dos dois ângulos seria menor que 180º.1. Um triângulo. quando existe uma homotetia entre os dois triângulos – os lados dos triângulos são proporcionais entre si. isósceles e escaleno. que afirma que “duas rectas do mesmo lado de uma terceira recta. do “lado de dentro” definido pela duas rectas. Este caso é trivial. designarei de agora em diante x e y os segmentos de recta de comprimento dado pelos valores de x e y. β e γ. Semelhança de triângulos. α + β + γ = 180º . conclui-se que os dois triângulos a considerar são homotéticos: β β' γ=γ' α' α' a) três lados proporcionais [LLL]. nunca se cruzam”. A partir daqui. isto é. Seja α o ângulo mais pequeno definido pelos segmentos de comprimentos x e y. pois as rectas não se intersectam. de comprimento x. respectivamente. Das seguintes relações de semelhança. Em particular. (1) Para demonstrar esta propriedade dos triângulos. Triângulos São figuras geométricas definidas numa superfície plana. e um valor para x’/x. 2. os “Elementos”. Abusivamente.com> 2. indo directamente para lá do que passando primeiro pela casa da Beatriz (ângulo β) e indo depois até à casa da Alexandra (num percurso total dado por y + z). dois lados dos triângulos são proporcionais. Dois ângulos quaisquer são iguais. definem ângulos internos α. Aqui. percorrerá um caminho menor. y e z.

Logo. Todos os ângulos internos são iguais: α = β = γ.1).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo.2. ou seja. Caso y = z. quanto ao número de lados/ângulos iguais 1) Triângulo equilátero Todos os lados são iguais. Como a soma dos ângulos internos é sempre 180º. têm um valor inferior a 90º (mas nunca igual). por exemplo). os restantes ângulos internos são agudos. É um triângulo agudo. Claro. pois não ultrapassam 90º: a sua soma é até inferior a 90º. pois todos os ângulos são menores que 90º. Classificação de triângulos 2. que são iguais).a. forçosamente α = β = γ = 60º. 2) Triângulo rectângulo Um dos ângulos internos é recto. 2) Triângulo isósceles Temos dois lados iguais (y e z.b. isto é. 3) Triângulo escaleno Todos os lados e ângulos respectivos são diferentes. A soma dos restantes ângulos internos é inferior a 90º. quanto aos ângulos internos 1) Triângulo acutângulo Todos os ângulos internos são agudos. é “equilátero” – todos os lados medem o mesmo: x = y = z . são iguais os ângulos não comuns aos lados iguais (α e β não são comuns aos lados x e y. pois a sua soma tem de ser igual a 90º. temos α = β ≠ γ . esses dois ângulos são suplementares. e dois ângulos iguais. 3) Triângulo obtusângulo Um dos ângulos internos é obtuso. 2. Não deverá confundir estas classificações com as de semelhança de triângulos (secção 2. visto ser condição obrigatória que a soma dos três ângulos 180º. isto é. e portanto temos α = 90º.com> 2. tem entre 90º e 180º.2. visto a soma dos ângulos internos de um triângulo ter de ser 180º. que dizem respeito a relações entre dois triângulos! 10 .2. no caso da figura 6 é o ângulo α. Os restante ângulos internos são necessariamente agudos. Como o nome indica. é o caso do ângulo 90º < α < 180º.

a trigonometria dizia respeito exclusivamente à medição de triângulos. não falarei também sobre trigonometria esférica. A demonstração deste teorema pode ser efectuada através do cálculo de áreas de triângulos rectângulos e de quadrados — ver figura 7. ensino secundário. Em trigonometria. Se dividirmos esse rectângulo com uma diagonal.) formulou o seguinte teorema. chama-se hipotenusa. e tal como as funções e relações trigonométricas apresentadas a seguir. metade da área do triângulo — ab/2.com> 3.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Áreas do quadrado com comprimento l do lado. encontram aplicações cateto hipotenusa mais vastas e de maior riqueza noutras áreas como a Física (por y h exemplo. as funções trigonométricas resultantes. isto é. e que relaciona a medida dos diferentes lados de um triângulo rectângulo: a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Para um rectângulo de comprimento de base a e de altura b a área é dada pelo produto destes dois comprimentos. ter-se-á: x² + y² = h² . que tem hoje o seu nome. Limitarmo-nos-emos à trigonometria no plano. e apresentadas mais adiante. é aplicada exclusivamente ao estudo de triângulos rectângulos. A partir da área do rectângulo é fácil ver que a área de um triângulo rectângulo com comprimento da base a e altura b (direita) é metade da área do rectângulo com os mesmos comprimento dos lados. Porém. como desenvolvimentos em série de Taylor de θ α funções trigonométricas. no estudo de fenómenos periódicos) ou a Engenharia. 11 . Ou seja. apresentados na figura ao lado. 3. Teorema de Pitágoras O geómetra grego Pitágoras (570–501 a. ou seja. os lados restantes. O lado mais comprido. A área de um quadrado com comprimento do lado de valor l é dada por l2. oposto ao ângulo recto θ. então. Um triângulo rectângulo. números complexos e funções x trigonométricas hiperbólicas não serão abordados neste texto. a área de cada um é.1. os lados dos triângulos rectângulos assumem nomes particulares. chamam-se catetos. ligados ao ângulo recto. e do rectângulo com comprimentos a e b dos lados. se x e y forem o comprimento dos dois catetos e h o comprimento da hipotenusa. cateto Ainda no intuito de manter a generalidade deste texto. a×b. que se pretende uma simples revisão sobre trigonometria leccionada no Figura 6. teremos dois triângulos rectângulos. Assuntos mais elaborados (alguns dos quais leccionados em cursos universitários). com catetos de comprimento a e b. l l a b a b b a Área: l×l = l2 Área: a×b Área do rectângulo: a×b Área do triângulo: a×b/2 Figura 7. Trigonometria e relações trigonométricas Aquando da sua criação pelos matemáticos gregos. a área desse triângulo é a×b/2.C.

O quadrado que está junto ao triângulo foi escolhido de modo a ter comprimento do lado precisamente igual ao comprimento da hipotenusa do triângulo. A equação do teorema é obtida da relação das áreas ocupadas pelas figuras — ver texto. o triângulo pode ser “copiado” e “colado” aos restantes lados do quadrado de modo que se juntem as hipotenusas dos triângulos copiados aos lados do quadrado. Pelo que se disse no parágrafo anterior. no qual se inscrevem o quadrado e os triângulos — o “original” e as “cópias”. Relações trigonométricas de ângulos Na esmagadora maioria das aplicações trigonométricas relacionam-se os comprimentos dos lados de um triângulo recorrendo a determinadas relações dependentes de ângulos internos. Estas cinco figuras têm áreas dadas por h2 e xy/2. h. a área deste novo quadrado é igual ao espaço ocupado pelas figuras anteriores – o quadrado e os quatro triângulos. Então. Ora bem. x2 + 2xy + y2. 12 . a área do novo quadrado é (x+y)2. os comprimentos dos lados são iguais (h) ! h x y x h y h ⇔ y x y x x+y x+y Figura 8. as cinco figuras dentro do quadrado maior ocupam uma área que totaliza h2 + 2xy. que é justamente a anterior fórmula para o teorema de Pitágoras. Este novo quadrado tem lado com comprimento x+y — canto inferior direito da figura 8. A área do quadrado é.com> Porque é um quadrado. No capítulo 5 discutir-se-á o intervalo de aplicabilidade (já sob o ponto de vista de funções reais de variável real) de algumas das seguintes relações trigonométricas. temos x2 + 2xy + y2 = h2 + 2xy ⇔ x2 + y2 = h2 . como se vê na figura 8. em baixo à direita).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. 3. h2. O triângulo rectângulo tem lados de comprimento x e y. Isto produz uma nova figura. Assim. Como temos quatro triângulos. a área deste triângulo é xy/2. Por outro lado. Ora.2. a área ocupada pelo quadrado mais pequeno e pelos quatro triângulos rectângulos é igual à área do quadrado maior (duas últimas figuras. Observe agora a figura 8. Mas esta área é igual à do quadrado maior. apresentam-se de seguida algumas relações trigonométricas com esse fim. O teorema de Pitágoras pode ser demonstrado através de relações de áreas de triângulos e de quadrados. naturalmente. Portanto. No fim. um quadrado. ou seja. a área que todos eles ocupam é 4×xy/2 = 2xy. ou seja.

podemos ver ainda que: tan(α ) = sen(α ) cos(α ) cos(α ) .3. sen(α ) y A secante pode ser representada por: sec(α). d) Co-tangente de α É definida como o recíproco da tangente de α: cotan(α ) = x cateto adjacente 1 . tan(α ) = y/h y h y cateto oposto . e segundo as definições em a) e b). cscα.1) 13 . cotgα. sen(α). cotg(α). x2 x2 + y 2 = h2 ⇔ + h2 y2 h2 = 1. Pela definição de seno e de coseno de um ângulo. Pelas definições em c) e d). ou seja. = = tan(α ) y cateto oposto A co-tangente de a pode aparecer representada de uma das maneiras seguintes: cotan(α). sen(α ) = cateto oposto y = . = = ⋅ = cateto adjacente x / h h x x É usual representar a tangente de a de uma das seguintes maneiras: tanα. sen(α ) e cotg(α ) = e) Secante e co-secante de α Definem-se ainda as funções secante de α e co-secante de α como. A co-secante pode ser representada por: cosec(α). cos(α). ou seja. cosecα.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. tan(α). respectivamente: sec(α ) = h 1 = cos(α ) x e cosec(α ) = h 1 = . secα. hipotenusa h O seno de α pode aparecer com uma das seguintes representações: senα. o coseno de α aparece com uma das duas representações: cosα. 3. tg(α). c) Tangente de α É o quociente dos comprimentos do cateto oposto pelo cateto adjacente. cos(α ) = cateto adjacente x = . (3.com> a) Seno de α É o quociente do comprimento do cateto oposto ao ângulo α pelo comprimento da hipotenusa do triângulo. tgα. Fórmula fundamental da trigonometria A fórmula fundamental da trigonometria surge como um caso particular do teorema de Pitágoras. sinα. b) Coseno de α É o quociente do comprimento do cateto adjacente ao ângulo α pelo comprimento da hipotenusa do triângulo. ou seja. hipotenusa h Em geral. sin(α). csc(α). temos que: sen 2 (α ) + cos 2 (α ) = 1 . dadas acima por a) e b). cotanα.

que queríamos medir a altura h de uma torre de farol que nos é inacessível. Como fazer? Em primeiro lugar. Faz-se uma nova medição do ângulo que o cimo da torre faz com a linha de horizonte. Nela. 3. afastamo-nos uma distância apropriada – 10 metros. dividindo por sen2(α): cotan 2 (α ) + 1 = . e obteve-se o valor β = 18º.342 0. o ângulo a que a extremidade mais alta da torre faz com a linha de horizonte. e mediu-se α = 20º.1) é a fórmula fundamental da trigonometria. conhecendo-se apenas a distância entre os pontos A e B.4. no ponto A. apela-se ao leitor para que tente resolver este outro problema após compreender bem o formalismo por detrás do primeiro problema. para podermos obter os valores que tomam as funções trigonométricas para diferentes ângulos. estão ao mesmo nível. seria necessário introduzir uma correcção para compensar a diferença de alturas – mais uma vez usando relações trigonométricas. Um problema muito concreto. por exemplo. Não sabemos a distância no solo até à torre. no caso presente(2).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Para isso necessitamos de dispor de uma tabela trigonométrica ou de uma calculadora. mas possuímos um dado parecido: a distância entre dois pontos de observação. Suponhamos. De facto. e o mesmo se sucede para cos2(α). um ângulo (que não seja o ângulo recto.367 Que funções trigonométricas utilizar? Pretende-se obter a altura da torre. vem: tan 2 (α ) + 1 = 1 cos 2 (α ) 1 sen 2 (α ) . Um problema de trigonometria Por vezes não nos é possível (por quaisquer razões) encontrar os valores dos comprimentos dos lados e dos ângulos a partir dos dados disponíveis – chama-se a isto resolver um triângulo. h.309 0. Depois.com> α = 20º h=? AB = 10m β = 18º α β A 10m b = a + AB = a + 10m B a b Figura 9.940 tan(θ) 0.325 0. Na tabela seguinte estão transcritos os valores para os dois ângulos relevantes. por exemplo. Não abordarei o problema aqui. ou para a qual era incómodo e difícil efectuar directamente uma medição sobre a torre com fita métrica. ou. Da fórmula fundamental da trigonometria é ainda possível extrair outras fórmulas importantes. A e B. Qual é a altura h da torre. envolvendo a trigonometria. podemos encontrar os valores dos ângulos e lados que faltam. por exemplo. e os ângulos α e β? A equação (3. teríamos de usar mais triângulos (e obter relações entre eles) para se levar em linha de conta tal desnível. mediu-se. na verdade. O problema (2) É importante admitir aqui que os dois pontos.951 0. porque obviamente já é conhecido) e um lado de um triângulo rectângulo. θ 18º 20º sen(θ) cos(θ) 0. Consultemos uma tabela. 14 . sen2(α) = sen(α) · sen(α). dividindo-a por cos2(α). Mas se conhecermos. ou usemos uma calculadora científica para obter os valores das funções trigonométricas para os ângulos mencionados. De outro modo.

como se vê pelas duas fórmulas acima.3 metros . (a + 10) ⋅ tan( β ) = a ⋅ tan(α ) ⇔ 10 ⋅ tan( β ) = a ⋅ [tan(α ) − tan( β )] ⇔ ⇔a= 10 ⋅ tan( β ) 10 ⋅ tan(18º ) = = 83. 15 .com> sugere-nos então que usemos a função tangente para calcular a altura da torre – sabemos uma distância sobre um cateto.20 metros tan(α ) − tan( β ) tan(20º ) − tan(18º ) Por fim. temos que a altura da torre é: h = a · tan(α) = a · tan(20º) = 30. e queremos saber o comprimento de outro cateto. a Talvez possamos usar a tangente.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. E como b = a + 10. Assim. ficamos com: h = b · tan(β) = a · tan(α) . teremos: tan( β ) = h b e tan(α ) = h . Assim. visto h ser comum a tan(α) e a tan(β).

REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. que as funções trigonométricas.y) = (0.y) = (x.1) – logo sen(2π) = 0 e cos(2π) = 1.com> 4. pois. distam da origem da mesma distância. Da mesma forma que temos valores possνveis para o seno e o coseno quando α > 0. e cos(α) como cos α. Logo. igual a um) centrada na origem dos eixos coordenados. e não somente para aqueles entre 0º (ou 0 radianos) e 90º (ou π/2 radianos). era inferior a 90º e superior a 0º – pois caso contrário não teríamos um triângulo rectângulo. o ângulo α. e no caso do círculo trigonométrico. sendo r2 = x2 + y2. ou se O x XX’ usarmos radianos. Desta forma. tal como anteriormente α definidas para o triângulo rectângulo. Escrevo desta forma as coordenadas do ponto P(x.y) = (cosα. Visto a circunferência ter raio r = 1. temos ângulos descritos no sentido dos ponteiros do relógio. para o qual r = 1. como anteriormente. sobre o eixo dos XX). r Como no círculo trigonométrico o raio é r = 1. r. obtemos o ponto P(x. o quociente y/r representa o seno de α. Como se passarão as coisas com as funções tangente e co-tangente? Recordemos a definição de tangente de α: (3) (4) Daqui em diante. senα). Da mesma forma. Assim sendo. A extensão do domínios das funções trigonométricas a toda a recta real faz-se recorrendo ao círculo trigonométrico. e se α = 90º. Se α = 0º. as coordenadas são geralmente divididas por r. para o ângulo α = π radianos (meia-volta no círculo). escrever-se-á sen(α) como sen α. temos sen(π) = 0 e cos(π) = –1. 16 . Seno. isto é. o segmento [OP] tem comprimento OP = 1 . coseno e tangente como funções reais de variável real (3) Anteriormente definimos as funções YY' trigonométricas atendendo a que os seus argumentos. pelo teorema de Pitágoras(4). teríamos duas y P(x. Temos. portanto não é necessário introduzir a divisão por r nas fórmulas para as coordenadas. também é possível atribuir valores às funções trigonométricas quando α < 0. Quando temos α = 2π radianos (uma volta completa começando em α = 0. Porém. sendo r a hipotenusa.y) pois situa-se numa circunferência de raio r = 1. Prestando atenção à figura. Ele é definido por uma circunferência de raio unitário (isto é. têm o domínio restringido a 0º < α < 90º. voltamos a ter o ponto (0. As duas funções ficam então definidas para todos os valores da recta real. Na verdade. teríamos um segmento de recta.y) semi-rectas com os pontos de origem ligados por um segmento de recta. posso definir o seno e o coseno do ângulo α para todos os valores de α. e sempre que não hajam riscos de interpretação duvidosa. Temos então que: sen α = y r e cosα = x .y) são: P(x. verificamos que as funηões se repetem cada vez que adicionamos 2π radianos ao argumento (ângulo). O círculo trigonométrico e um ponto P sobre ele. veremos que sen π =1 2 e cos π =0. Nesses casos. teria de dividir as coordenadas por r. todos os pontos Figura 10. temos então que as coordenadas do ponto P(x. O triângulo Δ[OPx] é rectângulo no ângulo com o eixo das abcissas – o eixo dos XX – como se pode ver pela figura. Prosseguindo para outros valores. com o qual são perpendiculares. 0 < α < 2π. 2 De igual forma. x/r representa o coseno do ângulo α.–1). Se fosse r ≠ 1.

a “altura” de P’ é infinita (ou seja. P logo o ângulo <OPx é igual ao ângulo <OP’x’. sendo x e y as coordenadas do ponto P(x. maior será o ângulo α. O raio é r = 1. a partir do centro do sistema do ponto P’’ representa a co-tangente de α. O mesmo se passa para cotgα. Novamente o círculo trigonométrico (de raio unitário). Nesse caso. e para mais têm lados proporcionais.y) = (1. “Marca-se” cosα no eixo dos XX – o que corresponde à coordenada x do ponto P sobre a circunferência – ou seja. Estas duas funções. Sendo x = 1. Pode-se usar o seguinte como mnemónica. corresponde à sua “distância” na Figura 9. e a abcissa horizontal. obviamente. São triângulos semelhantes. Para ângulos “grandes”. Portanto. não podem ser definidas para todos os valores reais. tanα = ∞). A ordenada (“altura”) do ponto P’ representa a tangente de α. O seu valor vai corresponder ao afastamento. Portanto. De facto. pelo que existe uma descontinuidade que torna a função indefinida nesse ponto.y) = (cosα. qualquer ponto na forma α = kπ. qualquer ponto na forma α = π/2 + kπ. O senα é “marcado” no eixo dos YY. ou melhor. de eixos.com> tan α = YY' y . a sua ordenada. e corresponde à coordenada y do ponto P. situado sobre o traço horizontal tangente à circunferência no seu ponto mais “alto”. temos que(6): tan α > 1 ⇒ x ⋅ tan α > 1 ⇒ y = x ⋅ tan α > 1 . (5) (6) 17 . teríamos de recorrer à definição: sen α = y / r. Repare-se que os triângulos são semelhantes. os restantes pontos.y) = (x. tais que y > x. quando α = π/2. temos tanα > 1. A tangente de α é assinalada pela “altitude” do ponto P’. O mesmo se passa para 3π/2. à distância do ponto P’’.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Quanto mais “alto” estiver o ponto P’. Temos x · tanα > 1. (7) Além disso os limites da função tangente à esquerda e à direita de π/2 são diferentes: antes de π/2 é +8 e depois é –8. bastando y multiplicar em cima e em baixo do sinal de fracção pela constante de α proporcionalidade respeitante ao O x comprimento dos lados dos triângulos. Pelas mesmas razões cotgα fica indefinida nos pontos α = 0. α = π. e não x · tanα > x. Como x = 1 em P’. No triângulo contido na circunferência. e dentro da circunferência temos –1 < x < 1 porque os pontos P sobre a circunferência de raio r = 1 nunca vão além de x = 1 ou de x = –1. Assim. ou seja. com três ângulos P'' iguais: os ângulos nos pontos P’ e P são iguais pois OP e OP’ são colineares (têm P' a mesma direcção). e cos α = x / r. tanα). no entanto. e nesse caso a função não fica bem definida nesse ponto(7). temos tanα = y / x . sendo k um número inteiro. logo cotgα diminui – bem como a abcissa do ponto P’’. a “altura” do ponto P’ dá-nos uma medida de tanα. porque x=1 no ponto P’. temos então y = x · tanα. o ponto P’ no segundo triângulo tem abcissa x = 1 pois situa-se sobre a vertical que passa por x = 1 no eixo dos XX. são permitidos. x Prestemos agora atenção aos triângulos Δ[OPx] e Δ[OP’x’]. o quociente de comprimentos mantém-se – é igual o quociente de comprimentos dos lados para os dois triângulos. XX' Portanto – e recordando que estamos a x' usar uma circunferência de raio r = 1 – posso definir a tangente do ângulo α da forma anterior. Se assim não fosse. e assim por diante – ou seja. os lados dos triângulos são proporcionais um a um. o domνnio destas funηões deve necessariamente excluir todos estes pontos em que as funções não ficam bem definidas. Ora. α = 2π – isto é. 5π/2. Ora. e mais a semi-recta definida pelo ângulo com o eixo XX se aproxima do eixo YY. o ponto P’ tem coordenadas P’(x. senα). ou “altura” do ponto P(5). bem como Px e P’x’.

cos(30º ) 3 3 2 3 Consideremos agora um triângulo (rectângulo) isósceles – α = 45º como o da figura 13. 30º. Valores das funções trigonométricas para alguns ângulos-chave Existem alguns ângulos do primeiro quadrante para os quais é possível determinar facilmente os valores tomados pelas funções trigonométricas. de imediato se encontram os valores das funções trigonométricas. torna-se necessário efectuar em primeiro lugar uma redução ao primeiro quadrante. fazendo com que sen α = 1 e cos α = 0. E Figura 12. Seja MP = 1 . α=60º Comecemos por considerar um triângulo equilátero como o C H B da figura 12. sendo r = 1 e cos α = x / r = x . cujos lados têm comprimento AB = BC = CA = 1 . os restantes ângulos cuja redução ao primeiro quadrante (discutida mais adiante) não devolve um destes ângulos. 5. α=45º N M sen(30º ) 12 1 3 = = = . Para ângulos de outros quadrantes. A respectivamente). e o resultado de redução ao primeiro quadrante. a semi-recta que define o ângulo com o semi-eixo positivo dos XX coincide com este. Sabendo então que sen(45º) = cos(45º). Um triângulo rectângulo isósceles. nomeadamente: paridade. sen(45º ) = NP MN = = cos(45º ) . Já de seguida. coseno. periodicidade. e cotgα = 1 / tanα = +∞. tangente e co-tangente. Para α = π/2 radianos. Logo. e também para ângulos do primeiro quadrante que não sejam os descritos. temos que a semi-recta coincide com o semi-eixo positivo dos YY. 0º e 90º. vem: cosα = cos(60º ) = CH = ½ .com> 5. e 90º. serão dados também os valores dessas funções trigonométricas para alguns ângulos do primeiro quadrante: 0º. é ainda possível concluir que: sen(30º ) = CH 1 = cos(60º ) = 2 AC tan(30º ) = α . 2 P Pela definição de tangente de α. Para os ângulos 0 e π/2 radianos (ou. Daqui vem que tanα = +∞ e cotgα = 0. é necessário recorrer a tabelas trigonométricas ou uma calculadora científica ou computador. Para α = 0. Propriedades importantes das funções trigonométricas Neste capítulo serão apresentadas algumas importantes propriedades das funções trigonométricas seno. MN = NP .1. MP MP Figura 13. Finalmente. os triângulos Δ[CHA] e como cosα = CH / AC e AC = 1 . O ponto H é ponto médio do segmento [BC]. O triângulo Δ[ABC] é isósceles. vem: tan(60º ) = 3 . Como a ângulos iguais se opõem lados iguais.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. 45º. monotonia. Observando a figura. vem que cos α = 1 e sen α = 0. Δ[BHA] sγo equiláteros. Daqui decorre que tanα 30º = senα / cosα = 0 . logo BH = CH = ½ . 60º. cos(30º ) = AH 3 = sen(60º ) = 2 AC . vem: sen 2 (45º ) + cos 2 (45º ) = 2 ⋅ sen 2 (45º ) = 1 ⇒ sen(45º ) = 1 2 = 2 = cos(45º ) 2 18 . e aplicando a fórmula fundamental da trigonometria. sinal. Da aplicação do teorema de Pitágoras resulta que: sen 2 (60º ) + cos 2 (60º ) = 1 ⇒ sen(60º ) = 3 . Então.

e como tal sen(–α) = –sen(α). tan(45º ) = Em resumo. sendo sempre um número não negativo. A co-tangente é ímpar A demonstração é análoga a c). a função seno é ímpar. tangente e co-tangente). caso r=1. Ora r>0. temos senα < 0. Acerca da paridade das funções trigonométricas. cos(45º ) senα cosα tanα cotgα 0 0 π/2 1 1 0 ∞ 0º 3 /3 2 /2 1 1/2 3 0 ∞ 0 90º 1 3 3 /3 30º 45º 60º Valores do argumento α (graus) 5. Ora. temos o seguinte quadro: Valores do argumento α (radianos) π/6 π/4 π/3 1/2 3/2 2 /2 3/2 sen(45º ) =1. o ângulo β+2π ainda se situa na mesma regiγo do plano (3ºQ). senα = y/r. situado no 4ºQ. b) O coseno é par Seja α = –β.y) a considerar. temos que y>0. pela figura anterior – aliás. correspondente à “altura” do ponto P(x. A tangente é ímpar Seja α = –β. isto é. prova-se que tan(–α) = –tanα – ou seja. como se pode concluir do gráfico acima. Projectando o ângulo β sobre o eixo dos YY.a. facilmente se verá que x = x’. cosα = x/r = x’/r = cosβ = = cos(–α). e β = –α ⇔ β + 2π = 2π – α. Sendo α = –β. Ora. então para α ∈ 4ºQ. Vêse facilmente que: senβ = y’/r < 0. então vem que senβ = y’/r < 0.y) do 2ºQ tem coordenadas tais que x<0 (pois encontra-se na região onde x toma valores negativos – o valor x=0 corresponde ao centro do sistema de eixos. c) d) 5. e cosβ = x’/r. tem um valor simétrico. e por conseguinte senα = y/r = –y’/r = –senβ = –sen(–α) ⇔ sen(–α) = –sen(α). ou melhor. Paridade das funções trigonométricas y Das quatro funções trigonométricas até agora discutidas (seno. Logo. repetem-se os valore e a monotonia da função em intervalos de largura 2π). e tanβ = y’/x’. a tangente é ímpar.2. y = –y’ e x = x’. Por definição senα = y/r – relembrar que o seno se “marca” no eixo dos YY. coseno. Como r>0 sempre. Sinal das funções trigonométricas 5. para um ângulo α situado no 1ºQ. o ângulo β = –α pertence ao 3ºQ. α β y' a) O seno é ímpar Seja α = –β. vem que cotg(–α) = –cotgα: a co-tangente é ímpar. Na projecção para a figura acima. tanα = y/x. Um ponto P(x. e y>0. teremos que o seno do ângulo –α. pois y’ < 0. a todos os pontos com abcissa nula (x=0). De facto.3. Ora. Analogamente.3. Logo. Figura 14. Resolva-se então a desigualdade que resulta da localização de α no 2ºQ: 19 .com> Pela definição. Seno Esta função é ímpar. então senα>0 no segundo quadrante. e como a função seno tem período 2π (isto é. Portanto. e β = –|α| = –α. situados no eixo dos YY). todas têm uma paridade bem definida. e nessa região particular (2ºQ). tem-se π/2 < α < π). Como no 1ºQ senα > 0. pois trata-se de uma distância. cosα = x/r. basta dividir seno por coseno. a função coseno é par. Logo.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. O que se sucede no 3ºQ? Seja α um ângulo positivo pertencente ao 2ºQ (ou seja. α = |β|.

isto é. se α∈2ºQ e α = –β.3. decrescem. No 1ºQ. e x a distância da projecção do ponto sobre o eixo dos XX. ±5π/2. então β∈3ºQ. as funções seno e coseno dizem-se oscilantes. tanα = y/x. e ainda 3π/2 > β + 2π ⇔ β + 2π < 3π/2. No primeiro quadrante. logo o seno de um ângulo pertencente ao 3ºQ é de facto negativo. 5. Tangente A função é ímpar. não é possível falar de monotonia da mesma maneira que o seno ou o coseno.3. Finalmente. Coseno Esta função é par..com> π/2 < α < π ⇔ –π/2 > –α > –π ⇔ 2π – π/2 > 2π – α > 2π – π ⇔ 3π/2 > 2π – α > π ⇔ ⇔ 3π/2 > 2π + β > π . . Logo. isto é. ou seja. que não faça um ângulo recto com o eixo dos XX).y)∈3ºQ tem ordenada y<0.. ou ainda: π < 2π + β < 3π/2. Quanto à tangente e à co-tangente. α = ±π. ±π. portanto tanα>0. x<0 e y<0. Com a aplicação dada pelo ângulo no plano com o eixo dos XX é uma aplicação de período 2π (isto é. 5. no 4ºQ tanα<0 porque x>0 mas y<0. temos tanα =0. ou se mantêm constantes se for caso disso. No 2ºQ. o que ocorre para os argumentos ±π/2. embora y<0. então b situa-se no 3ºQ pois é maior que π e menor que 3π/2. x>0 e y>0. tan(–α) = –tan(α). ou seja. se β = –α e α∈1ºQ. 5. não podendo portanto ser definida nesses pontos. No 3ºQ tem-se x<0 e y<0. Logo cos(α)>0. De resto. Para toda a recta real. A função não está definida para os pontos α = 0. Também no 4ºQ se tem x>0. a tangente pode tomar qualquer outro valor real. x>0. logo tanα>0. todos os pontos da forma ±kπ (com k inteiro positivo ou nulo). logo toma valores negativos no 3ºQ. α = ±2π – ou seja. se α∈2ºQ então β∈3ºQ (como vimos). para qualquer ângulo α. temos cos(α) = x/r. como queríamos demonstrar.b. mas apenas a restrições dos seus domínios.4. ±2π. sendo r>0 a distância de um ponto do plano à origem do sistema de eixos. No 2ºQ e 3ºQ. De facto. Em suma. e como vimos acima. temos o seguinte quadro: Sinal das funções trigonométricas senα cosα tanα cotgα 1ºQ 2ºQ + + + – + – + – "+" = positivo 3ºQ 4ºQ – – – + + – + – "–" = negativo 5. e aí a tangente anula-se Fora estes pontos. Então: β + 2π > π. então β∈4ºQ. Monotonia das funções trigonométricas Trata-se de se conhecer em que intervalos as funções crescem. ou seja. resulta que cos(β) = cos(–α) = –cos(α). para todo o α∈1ºQ. para qualquer ângulo α que não coincida com o eixo YY. os ângulos voltam a ser iguais ao fim de um arco de 360º = 2π radianos).. x<0. Co-tangente A função é ímpar e tem o mesmo sinal da função tangente.. De facto. em que se verifica que y = 0.. Por definição. ±3π/2. que lhe não seja paralelo (ou ainda. Naturalmente..Mas apenas x (e r) aparecem na definição do coseno. βngulos que são perpendiculares ao eixo dos XX e para os quais a tangente toma um valor infinito. ∀α∈IR. e como a função seno é par. falar-se-á disso adiante. cotgα = 1 / tanα = x / y. o que faz tanα<0. um ponto P(x. cos(α)<0 para α pertencente a qualquer destes dois quadrantes. e senβ = sen(–α) = –sen(α). Por definição. .3. pois apenas difere desta por ser a sua recíproca – isto é. para qualquer ângulo α verifica-se cos(–α) = –cos(α).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. No 2ºQ o seno toma valores positivos (recordar que y>0). A função seno é ímpar – verifica-se que sen(–α) = –sen(α). Para α=0. não têm uma monotonia que se mantenha ao longo de todo o seu domínio de aplicação.c. 20 . visto nesses casos se ter y=0.d. portanto cos(α)>0 para α∈4ºQ. De facto. esta função “dá problemas” quando x=0.

ao passo que y (o das tangentes é a recta comprimento da projecção do ponto P sobre o eixo dos YY) vai diminuindo. Terceiro quadrante: é crescente.y) sobre o P' círculo trigonométrico de raio unitário – y para o valor de senα. 5. No terceiro quadrante (π < α < 3π/2). à medida que α aumenta. Assim. vertical a tracejado.4.y) do círculo trigonométrico sobre o “eixo das tangentes”. Co-tangente O estudo da monotonia da co-tangente faz-se de modo semelhante ao efectuado para a tangente. mas com sinal negativo). a função seno torna a crescer. A conclusão a tirar daqui é que a monotonia da função tangente de α é sempre crescente em todos os pontos do seu domínio. sendo senα = y/r. porque para esses valores do argumento a tangente assume valores infinitos.y)∈3ºQ sobre o “eixo das tangentes” (a recta contém o ponto P'. para constatar que a “altura” do ponto P’. Projectando um ponto P(x. P Quarto quadrante: crescente. O eixo também (distância da projecção do ponto P sobre o eixo dos XX).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo.c.4. a função é crescente pois y aumenta com α. porque x continua a diminuir com o aumento de α. por exemplo. 2ºQ.4. a função é decrescente pois y diminui com α. projecção de P. Porém.b. ainda que com valor negativo. no Para o 3ºQ. vai aumentando. tanα aumentará também. Com efeito. Seno No primeiro quadrante (0 < α < π/2).d. a tangente não fica definida para ±π/2 (e outros valores para o argumento α que produzam ângulos com a mesma abertura). porém de valor monotonia da função negativo. Tangente O α É crescente no 1ºQ (veja-se a monotonia das funções seno e coseno acima). a função é decrescente porque y continua a diminuir à medida que aumentamos o ângulo α (recorde-se que o sentido do aumento do ângulo α é o sentido anti-horário).y) do círculo trigonométrico no eixo dos YY – vai aumentando. cresce em valor absoluto. 5. mas com sinal negativo). Conclui-se que a função é sempre decrescente em todo o seu domínio de aplicação (1ºQ. porque x começa agora a aumentar (ainda com valor negativo. segundo a recta que assenta na semi-recta definida pelo ângulo α com o eixo dos XX. Monotonia das funções trigonométricas senα cosα tanα cotgα 1ºQ 2ºQ + – – – + + – – "+" = crescente 3ºQ 4ºQ – + + + + + – – "–" = decrescente 21 . pode-se fazer a análise da monotonia da função do mesmo lado direito.4. Logo. a função seno é crescente no intervalo ]–π/2.com> O comportamento das funções trigonométricas é diverso do anterior quando se trata de restrições do domínio de aplicação. Relembrando a monotonia dos valores das coordenadas do ponto P(x. 3ºQ e 4ºQ). No segundo quadrante (π/2 < α < π). decresce em valor absoluto. No quarto quadrante (3π/2 < α < 2π). vertical a tracejado no lado direito do círculo trigonométrico representado na figura 15). Claro. e se α aumentar. Segundo quadrante: a função é decrescente (ou melhor. porque aí x<0 e y>0. No 4ºQ a tangente também é crescente. e x para o valor de cosα – y aumenta e x diminui com o ângulo α. ou seja. 5. Acerca da No segundo quadrante. nesse intervalo o valor de y – a projecção do ponto P(x. temos que tanα > 0. 5. pois estes pontos não fazem parte do domínio. Figura 15. pois nesse intervalo y cresce com o ângulo α. x vai aumentando tangente de α. a tangente de α é crescente. Coseno Primeiro quadrante (1ºQ): o coseno é decrescente porque a projecção do ponto P(x.π/2[. no 3ºQ a tangente é crescente. à medida que x diminui. que modo. Basta projectar o ponto P(x.a.y) vai-se aproximando do centro do eixo à medida que α aumenta.

Mas no 2ºQ. ou seja: sen(β) = cos(α). portanto podemos relacionar sen(α) e cos(β): temos cos(β) = –sen(α).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. São quatro. pois y>0: sen(α)>0. O mesmo se passa para os catetos de menor comprimento dos dois triângulos. senβ = y’. o 3ºQ a π < α < 3π/2. neste caso. e β∈2ºQ. respectivamente). senos com cosenos (que têm contradomínio [–1. O que resulta da redução ao primeiro quadrante das funções trigonométricas para o ângulo β? Repare-se que esta redução terá de ser tal que se relacionem funções com o mesmo contradomínio. também β forma um ângulo com o eixo dos YY. 2ºQ 1ºQ Existem certos ângulos para os quais as funções trigonométricas tomam valores fáceis de determinar. No entanto. mas no 1ºQ). +∞[ ). advém do facto de que o coseno toma valores negativos no 2ºQ e o seno valores positivos no 1ºQ. como indicado na figura 16. Seja y o comprimento da projecção do ponto P sobre o eixo dos YY. Também se pode ver que cosα = x = y’ = senβ (aqui já não há troca de sinal. e que β P resulta no ponto X’. é o coseno que diminui com o aumento de α. pois x e y’ são ambos positivos). Além disso. Ou seja. o cateto de maior comprimento no triângulo Δ[OPX] é igual ao cateto de maior comprimento no segundo triângulo. iremos descobrir o comportamento das funções trigonométricas nos restantes quadrantes. Quadrantes. No 1ºQ. Considere-se. e que convém ter sempre presente. até porque as tabelas trigonométricas 3ºQ 4ºQ apresentam ângulos que dizem respeito a esse quadrante. há equivalência geométrica entre cosα e senβ. Na figura 16. tanβ e 22 . Para α. temos: senα = y. Consideremos que o ângulo α é suficientemente pequeno para que nos seja fácil visualizar o que se segue. e que resulta no ponto X. isto é. Assim. e que β = α + π/2. pode-se constatar que senα = y = –x’ = –cosβ – ou seja. corresponde ao intervalo 0 < α < π/2. alguns desses ângulos podem cair noutros quadrantes que não o 1º. e o 4ºQ a 3π/2 < α < 2π. Quer cos(β) quer sen(α) tendem para zero quando α→0 e β→π/2 por valores acima dos indicados. No 2ºQ. pois x’ encontra-se à esquerda do ponto no eixo dos XX em que x=0). ou seja. pois x<0: cos(β)<0. talvez mais YY correcto ou mais fácil de visualizar. O sinal negativo surge porque y>0 e x’<0. como cos(α) se aproxima de 1 nessa situação. Deste modo. com α∈1ºQ e β∈2ºQ. teremos que β será também apenas um pouco maior que π/2: lembre-se que β = α + π/2. no segundo quadrante. e indicam-se de acordo com o sentido do crescimento dos ângulos – sentido anti-horário. Pode-se constatar que o triângulo definido no primeiro quadrante pelo ângulo α (o triângulo Δ[OPX]) é igual ao triângulo do segundo quadrante. o seno toma valores positivos. Sobre redução de ângulos ao primeiro rotação de π/2 radianos do primeiro triângulo em torno do quadrante. cosα = x. que assenta sobre o eixo dos YY. definido pelo ângulo β – π/2. e X' X XX cosβ = x’. Consideremos que a circunferência tem α raio r=1. pois y/r diminui com o aumento de β. acima destes valores (para que α e β continuem no 1ºQ e 2ºQ. O sinal negativo. Redução ao primeiro quadrante O círculo trigonométrico é usualmente dividido segundo regiões denominadas quadrantes. da mesma abertura que a forma com o eixo dos XX. Suponhamos que temos P' o triângulo rectângulo contido no primeiro quadrante e limitado pelo quarto de circunferência. Assim. e seja x’ o comprimento da projecção de P’ sobre o eixo dos XX. como acabo de referir. Comecemos pela função seno. o coseno toma valores negativos. e ainda para a situação em que α→0 e β→π/2. Para o coseno. e compará-lo com os valores tomados pelas funções trigonométricas para ângulos do primeiro quadrante.1] ) e tangentes com co-tangentes (de contradomínio ]–∞. que α∈1ºQ. temos que sen(α)→0 e cos(β)→0. Então. Seja x o comprimento da projecção de P sobre o eixo dos XX. e nesse caso convém reduzi-los ao 1º quadrante. Assim. e sen(β) também se aproxima de 1. como assinalado no figura 17. o 1ºQ Figura 16. o 2ºQ a π/2 < α < π. o ponto O. centro do sistema de eixos. tal que β = α + π/2. Se a for apenas um pouco maior que 0º (próximo de 0º.com> 5. por exemplo.5. senα = –cosβ. o seno diminui. Tudo isto pode ser visto de outro modo. o segundo triângulo resulta de uma Figura 17. por outro lado.

a tangente tem sempre a mesma monotonia (crescente). 23 . isto é. a função seno ainda está em crescimento (ramo crescente). por definição de tangente. Mas. Ou seja.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. ou decrescente. e para o ângulo β a função já está em decrescimento. e para os quais a função toma as mesmas características de monotonia: nesse ponto. Então. e cosθ = –cosα. terão certas características. e podemos descobrir as relações recorrendo a um raciocínio geométrico como o atrás descrito. tgθ = y/x = senθ / cosθ. senθ>0 e cosθ>0. a função é crescente. e para os quais se verificam as mesmas características de monotonia (crescente ou decrescente). consoante o valor do argumento da função. para o ângulo α. que têm por argumento um ângulo no plano. como se poderá facilmente verificar: ao fim de uma volta completa (arco de 2π radianos). A projecção de dois ângulos.6. por exemplo. definida por YY senα = y/r. Por outras palavras. No 1ºQ. a função toma o mesmo valor que para o ângulo α. No 3ºQ. pelo que não é necessário preocuparmo-nos com esse pormenor. senθ <0 e cosθ<0. logo tgθ>0. O mesmo se passa para (8) Repare-se: α + 2π corresponde a uma volta completa. logo tgθ>0. Ora. a tangente repete os mesmos valores. relativamente a 2π. num círculo trigonométrico de raio r=1.com> cotgβ relacionam-se com tanα e cotgα de modo semelhante. E quanto à monotonia? Como se viu acima. Consideremos a função seno do ângulo α. a função retoma os mesmos valores. Periodicidade das funções trigonométricas Em virtude das características da aplicação “menor ângulo de uma semi-recta com o semi-eixo positivo dos XX” (centrada na origem dos eixos). isto é. temos senα = y. mais um arco α. voltamos a cair no ângulo α. respectivamente) ao fim de arcos múltiplos de π. O mesmo se passa para outro ângulo β + 2π. é a mesma. e (8) XX também está em crescimento . ou seja. a redução ao primeiro quadrante resulta em senθ = –senα. as funções trigonométricas. nomeadamente a repetição periódica de valores. α∈1ºQ e β∈2ºQ. e com a mesma monotonia. O mesmo se passa para a função coseno. as funções trigonométricas são periódicas. os valores repetem-se com a mesma monotonia (crescente e decrescente. e como tal voltamos a ter os mesmos valores para a função ao fim de um número inteiro de períodos. ou de imediato por cálculos algébricos: tg β = y ' sen β cos α = = = − cotg α x' cos β − sen α e cotg β = 1 = − tg α . para um ângulo α α α + 2π. tg β Para outros quadrantes. têm funções trigonométricas. Figura 18. tgθ = senθ / cosθ = senα / cosα = tgα – ou seja. Os resultados para outros quadrantes encontram-se resumidos no seguinte quadro: Redução de funções trigonométricas ao primeiro quadrante sen(β) cos(β) tg(β) cotg(β) 2º quadrante β = π/2 + α cos(α) –sen(α) –cotg(α) –tg(α) α = Ângulo do 1º quadrante 3º quadrante β=π+α –sen(α) –cos(α) tg(α) cotg(α) β = Ângulo a converter 4º quadrante β = 3π/2 + α –cos(α) sen(α) –cotg(α) –tg(α) 5. e sugere-se que o leitor os realize a título de exercício. por outro lado. o tratamento é semelhante. e com o mesmo sentido de crescimento (monotonia). senβ = senα. senθ>0 e cosθ<0 – logo tgθ<0. sendo α∈1ºQ tal que θ = α + π. Mas no 3ºQ. apenas período π. tal que β = π – α (ou seja β é tal que o arco que resta até π β é igual a α). Acerca da periodicidade das As funções tangente e co-tangente. ao fim de uma volta completa os valores de seno repetem-se. No 2ºQ. Mas. Assim.

14. ±2π. • os traços verticais mais finos.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. π=3. +1] Nos pontos máximo e mínimo do círculo trigonométrico (circunferência de raio r = 1). Gráfico da função f(α) = senα para α∈]–π/2. e as funções tangente e co-tangente têm período π (os valores repetem-se com a mesma monotonia ao fim de meia volta ao círculo trigonométrico). tangente e co-tangente. Seno de α • • • • • f(α) = senα = y / r Função ímpar. ±3π/2. etc. a análise é semelhante. positiva no 1º e 2ºQ. a tangente tem período π. onde existentes. Resumo das propriedades das principais funções trigonométricas Nesta secção far-se-á um resumo das principais propriedades das funções trigonométricas mais frequentemente usadas: seno. Domínio: ] –∞ . Período: 2π Figura 19. temos senα = 1 e senα = –1. Logo. coseno. a função pode ter por argumento qualquer número real. +∞ [ Ou seja. 3π/2=4. Nesses pontos. negativa no 3º e 4ºQ. os valores repetem-se com a mesma monotonia ao fim de uma volta completa). No que se segue.7. Contradomínio: [–1 . e não 2π como o seno ou o coseno.57. • IR e ] –∞ . decrescente no 2º e 3ºQ.+ π/2[ .71. 2π=6. Para a co-tangente. Monotonia: crescente no 1º e 4ºQ. +∞ [ denotam toda a recta dos números reais. como facilmente se poderá constatar (sugere-se como exercício de demonstração para o leitor). • as assimptotas horizontais são representadas a traço mais fino.7. (9) π/2=1.com> o 4ºQ. tem-se y = 1 e y = –1.)(9).a. respectivamente. 5.28. 24 . 5. representam pontos múltiplos ou submúltiplos de π (±π/2. Em resumo: as funções seno e coseno têm período 2π (isto é.

b. Monotonia: crescente no 3º e 4ºQ.+∞[.+ π/2[ .7. Contradomínio: [–1 . Coseno de α f(α) = cosα = x / r – função par. Figura 21. k = 0. negativa no 2º e 4ºQ. Contradomínio: ]–∞ . Tangente de α f(α) = tgα = y / x – função ímpar.+ π/2[ .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. estritamente crescente em todo o domínio. positiva no 1º e 4ºQ. ±2. Domínio: ] –∞ .} . Gráfico da função f(α) = cosα para α∈]–π/2..7. Domínio: IR\{kπ+π/2. +∞ [. decrescente no 1º e 2ºQ. 5. Período: π.c. ±1. negativa no 2º e 3ºQ.. 25 .com> 5. Positiva no 1º e 3ºQ.. +1]. Período: 2π Figura 20. Gráfico da função f(α) = tgα para α∈]–π/2.

Co-tangente de α f(α) = cotgα = x / y – função ímpar. Figura 22. k = 0.. estritamente decrescente em todo o domínio.}. Domínio: IR\{kπ. Positiva no 1º e 3ºQ.d..com> 5.7. ±1. Período: π. ±2.. negativa no 2º e 4ºQ. Contradomínio: ] –∞ .+ π/2[ . +∞ [. 26 .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Gráfico da função f(α) = cotgα para α∈]–π/2.

α e β. temos finalmente: cos(β + α) = cosα · cosβ + senα · senβ.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Fórmulas de adição e subtracção Sejam OA e OB dois vectores com origem no ponto O e extremidade no ponto A e B. Calculemos de seguida sen(β – α). No final deste capítulo é apresentada uma tabela com os resultados aqui obtidos. como se poderá constatar observando a mesma figura.1. e cuja escrita pode ser simplificada. Igualmente. sen(β – α) = cos[π/2 – (β – α)] = = cos(π/2 – β +α) = cos[α – (β – π/2)] = = cosα · cos(β – π/2) + senα · sen(β – π/2) = = cosα · [cosβ · cos(π/2) + senβ · sen(π/2)] + senα · sen(β–π/2). respectivamente. o comprimento do cateto adjacente a α é cosα. 27 .com> 6. senβ) = cosα · senβ + senα · cosβ Fazendo equivaler as duas expressões para o produto interno dos dois vectores. ou determinadas funções que envolvem funções trigonométricas de um ângulo. as coordenadas dos vectores coincidirão com as coordenadas dos pontos A e B. respectivamente. senβ). e o ponto B tem coordenadas (cosβ. Algumas dessas relações podem envolver. tem coordenadas (cosα. senα) · (cosβ. funções trigonométricas de somas de ângulos. com isto em mente. 6. O cateto adjacente ao ângulo α é simultaneamente o cateto oposto ao ângulo β – logo. YY B A e β – α é o ângulo que OB faz com OA . porém deixarei que a leitura das secções seguintes permita ao leitor o esclarecimento destes pontos. vem ainda(10): cos(β + (–α)) = cosα · cosβ – senα · senβ. Para dois ângulo suplementares (isto é. Círculo trigonométrico. Nesta curta introdução não adiantarei muito mais. o produto interno dos dois vectores pode ainda ser escrito como: (cosα. cosα = senβ. (10) Recorde-se as propriedades de paridade das funções seno e coseno do ângulo α: cos(-α) = cos(α) e sen(-α) = -sen(α). Relações importantes de funções trigonométricas Em muitos casos sucede-se que ocorram relações que envolvam funções trigonométricas diferentes das que temos visto até aqui. Fazendo agora β – α = β + (–α). Relações trigonométricas para dois ângulos suplementares.0). temos que OA • OB= OA ⋅ OB ⋅ cos( β − α ) . Visto os vectores terem origem no ponto O(0. e notando que OA = OB = 1 (visto que o círculo trigonométrico tem raio r=1 – ver figura 19). por exemplo. senα = = cosβ β O α XX Figura 23. de raio r = 1. β h α cosα = senβ Figura 24. verifica-se que o seno de um ângulo é igual ao coseno do outro ângulo. O ponto A. e que fazem ângulos α e β com o eixo dos XX. Observe a figura 24: supondo que a hipotenusa é h=1. cuja soma é π/2 radianos). senα = cosβ. senα). Pela definição de produto interno de dois vectores. pela figura 23.

tg( β + α ) = tg β + tg α 1 − tg β ⋅ tg α e tg( β − α ) = tg β − tg α . sen(β – α) = cosα · senβ + senα · cosβ. Lembrando a paridade das funções seno e coseno.. 2 2 2 Novamente. invertível.3. comecemos por definir a seguinte mudança de variáveis. Fórmulas de transformação Interessa. cos(π/2)=0 e sen(π/2)=1. Assim. O seno tem período 2π (isto é. Fórmulas de duplicação Neste caso.1 para arcos α + β = 2α. transformar somas ou diferenças de senos ou de cosenos em produtos de funções trigonométricas. vem(11): cos 2 (α / 2) = 1 + cos α 1 + cos α ⇔ cos(α / 2) = ± .1)). logo há que incluir as duas possibilidades. por vezes. 1 + tg β ⋅ tg α 6. e por conseguinte sen(β – π/2) = sen(β + 3π/2). 2 2 Para obter sen(α/2). T: a=α+β T b=α–β (11) O sinal ± aparece porque os quadrados de números simétricos são iguais. 2 Aplicando a transformação de variável 2β = α. Portanto. Substituindo agora β + α por β – (–α).2. voltamos a usar a relação (3. temos: cos(–α) = cosα e sen(–α) = –senα. senθ = sen(θ + 2π) ). Logo.1): sen 2 (α / 2) + cos 2 (α / 2) = 1 ⇔ sen 2 (α / 2) + 1 + cos α 1 − cos a 1 − cos α = 1 ⇔ sen 2 (α / 2) = ⇔ sen(α / 2) = ± . sen(β + α) = . Fórmulas de bissecção Neste caso. e usam-se as fórmulas obtidas em 6. O cálculo de tg(β ± α) faz-se dividindo sen(β ± α) por cos(β ± α). faz-se α = β e aplicam-se as fórmulas obtidas em 6. e a fórmula fundamental da trigonometria (relação (3. vem: sen(β – α) = sen(β + (–α)) = cos(–α) · senβ – sen(–α) · cosβ. Para tal. para obter tg(α/2) divide-se sen(α/2) por cos(α/2): tg (α / 2) = sen(α / 2) 1 − cos α =± cos(α / 2) 1 + cos α 6. Fica então: sen(2α) = 2 · senα · cosα cos(2α) = cos2α – sen2α tg (2α ) = 2 ⋅ tg α 1 − tg 2 α . Faz-se esta redução ao primeiro quadrante: sen(β – π/2) = sen(β + 3π/2) = –cosβ. cos(2 β ) = cos 2 β − sen 2 β = 2 cos 2 β − 1 ⇔ 2 cos 2 β = 1 + cos(2 β ) ⇔ cos 2 β = 1 + cos(2 β ) . 28 .4.com> Ora. 6. = cosa · (0 · cosβ + 1 · senβ) + senα · (–cosβ) = cosα · senβ – senα · cosβ. como de resto resulta da definição de tangente de um ângulo.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. faz-se a substituição 2β = α..2.

Os resultados obtidos neste capítulo são resumidos no seguinte tabela: Fórmulas de adição sen(β + α) = cosα · senβ + senα · cosβ cos(β + α) = cosα · cosβ – senα · senβ tg( β + α ) = tg β + tg α 1 − tg β ⋅ tg α Fórmulas de subtracção sen(β – α) = cosα · senβ – senα · cosβ cos(β – α) = cosα · cosβ – senα · senβ tg( β − α ) = tg β − tg α 1 + tg β ⋅ tg α Fórmulas de duplicação sen(2α) = 2 . por exemplo. senα . T’: α= T’ a+b 2 a −b 2 β= Aplicando agora a transformação T’: ⎛a b⎞ ⎛a b⎞ sen α + sen β = sen⎜ + ⎟ + sen⎜ − ⎟ = ⎝ 2 2⎠ ⎝ 2 2⎠ = sen(a / 2) ⋅ cos(b / 2) + cos(a / 2) ⋅ sen(b / 2) + sen(a / 2) ⋅ cos(b / 2) − cos(a / 2) ⋅ sen(b / 2) = = 2 ⋅ sen(a / 2) ⋅ cos(b / 2) Da aplicação da transformação T resulta: ⎛α + β ⎞ ⎛α − β ⎞ sen α + sen β = 2 ⋅ sen⎜ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ Para calcular senα – senβ. usa-se a paridade da função seno e substitui-se –senβ por sen(–β). Logo. bem como para outras relações entre as funções – como o produto de funções. cosα cos(2α) = cos2α – sen2α tg (2α ) = Fórmulas de bissecção sen(α / 2) = ± cos(α / 2) = ± tg (α / 2) = ± 1 − cos α 2 1 + cos α 2 1 − cos α 1 + cos α 2 ⋅ tg α 1 − tg α 2 Fórmulas de transformação ⎛α + β sen α + sen β = 2 ⋅ sen⎜ ⎝ 2 ⎞ ⎛α − β ⎞ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎛α − β sen α − sen β = 2 ⋅ sen⎜ ⎝ 2 ⎛α + β cos α − cos β = 2 ⋅ sen⎜ ⎝ 2 tan α − tan β = ⎞ ⎛α + β ⎞ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎞ ⎛α − β ⎞ ⎟ ⋅ sen⎜ ⎟ ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎛α + β ⎞ ⎛α − β ⎞ cos α + cos β = 2 ⋅ cos⎜ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ 2 ⎠ ⎝ ⎝ 2 ⎠ sen(α + β ) tan α + tan β = cos α ⋅ cos β sen(α − β ) cos α ⋅ cos β 29 .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo.com> Daqui resulta ainda a transformação inversa. ⎛α − β ⎞ ⎛α + β ⎞ sen α − sen β = 2 ⋅ sen⎜ ⎟ ⋅ cos⎜ ⎟ 2 ⎠ ⎝ ⎝ 2 ⎠ O mesmo método é usado para calcular cosα + cosβ e cosα – cosβ.

existe pelo menos uma recta r que intersecta duas ou mais vezes o gráfico da função – ver figuras 23 e 24. No entanto. Trata-se de procurar qual o arco (ângulo). deve-se escolher uma restrição do domínio da função seno tal que os seus elementos representem todos os valores que é possível a função seno tomar. a introdução de valores fora do intervalo [–1. usando a função arco seno de uma calculadora científica que suporte essa função. numa função não injectiva.1. Tal não se passa para a função seno quando se toma por domínio toda a recta dos números reais. as respectivas inversas não são injectivas(12) quando se toma o domínio das funções trigonométricas – ou seja. os contradomínios das funções restringida e não restringida devem ser coincidentes. Como sen(π/6)=1/2. Como se pode ver pelo gráfico da função seno (página 24). obtemos valores dentro deste intervalo. não nos é possível definir uma aplicação inversa para a função seno. Devido às propriedades de periodicidade das funções trigonométricas. cujo seno é 1/2. Desse modo. Desse modo. esta função devolve o arco(13) cujo seno é a. e de nenhum outro. secante e co-secante. +π/2] – que é o usado convencionalmente. para o mesmo argumento. isto é. interessa considerar um domínio para a função inversa em que todos os elementos desse intervalo sejam imagem da “função” arco seno. As funções periódicas são não injectivas. Se tivermos senα=1/2. +π/2]. mas cada elemento do domínio só pode originar um único valor. +1]. para o qual a cada elemento do domínio corresponda um valor que não é imagem desse. isto é. Como a função devolve resultados no intervalo [–1. 30 . (12) Para uma função injectiva. em geral em intervalos de medida igual ou maior ao período da função. para que a aplicação seja bem definida. há que restringir esta classe de aplicações a um domínio onde as funções trigonométricas sejam injectivas. r r Figura 23. o contradomínio do seno: o argumento a só pode tomar valores dentro desse intervalo. (13) Figura 24. De facto. “Arco”. Então. Esse domínio deve também ser escolhido por forma a que todos os seus elementos tenham imagem no contradomínio da função trigonométrica. suponhamos que se pretende calcular arcsen(1/2). porque assim para um valor do domínio dessa aplicação existe uma infinidade de valores possíveis. é necessário que as funções trigonométricas inversas tenham um domínio restrito. Pode acontecer que vários elementos do domínio da função dêem origem ao mesmo valor. Obviamente. Função não injectiva. coseno. ou “ângulo” – têm aqui o mesmo significado. qualquer recta horizontal r intersecta uma única vez o gráfico de uma função. +1] o contradomínio da função seno – isto é. Para que a aplicação fique bem definida. então o resultado é: arcsen(1/2)=π/6. +π/2]. e π no caso da tangente e co-tangente). +1] como argumento da função arco seno produz uma informação de erro na calculadora. então arcsen(1/2)=α. θ = arcsen(a). no intervalo [–π/2. Funções trigonométricas inversas Esta classe de funções representa a aplicação inversa para cada função trigonométrica já discutida. estas devolvem como solução uma infinidade de ângulos possíveis. e que caem no intervalo referenciado. De facto. Função injectiva. Por exemplo. [–π/2.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. elemento do domínio. dois valores distintos. 7. sendo [–1. é necessário que cada valor do seu domínio devolva um único resultado. por exemplo. para um determinado argumento das funções trigonométricas inversas. a imagem da aplicação da função a qualquer ponto do seu domínio cai sobre este intervalo –. O arco seno tem domínio [–1. Tal intervalo é. +1]. é possível definir uma função inversa da função seno para um domínio restrito em que haja injectividade. porque uma aplicação não pode ter. Suponhamos que a = senθ. separados de um número inteiro de períodos da função trigonométrica original (2π no caso do seno. Arco seno: arcsen(a) Por definição. isto é. o ângulo θ é definido como o arco cujo seno é a.com> 7. O contradomínio é uma restrição do domínio do seno: [–π/2. a função é não injectiva porque temos infinitos ângulos que possuem o mesmo valor da função seno. Assim.

na página 25.com> 7.5. Os extremos do domínio da função arco co-tangente são excluídos porque nesses pontos a co-tangente não está definida (tem valor infinito). se um ângulo a tem por coseno cosα = a.2. e o argumento a pode tomar qualquer valor real. A tangente é periódica. +1] a ∈ [–1. e os valores permitidos para o argumento desta “função situam-se no intervalo [–1. tal como a tangente. de período π. +π/2[ ]0. O arco coseno é assim a “função inversa” da função coseno.3. como se pode observar pelo seu gráfico. 7. Resumo: domínio e contradomínio das funções trigonométricas inversas Função arcsen(a) arccos(a) arctg(a) arccotg(a) Domínio a ∈ [–1.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. pois o coseno só toma valores neste intervalo. Arco tangente: arctg(a) O arco tangente é o ângulo (arco de circunferência) cuja tangente é igual ao argumento da aplicação: é a “função inversa” da tangente. Logo. então arccos(a) = α. –π/2 e +π/2. pode tomar todos os valores reais: a∈ IR. A co-tangente. é periódica e tem período π. há que procurar uma restrição do domínio da função coseno em que se possa definir inequivocamente a aplicação coseno. 7. +π/2[. A função coseno não é injectiva. +1]: é forçoso que –1 ≤ a ≤ 1. são excluídos. Por convenção. +π[. a. o intervalo usado é [0. +π]. +π]. Note-se que os extremos do intervalo. +π[ 31 . +π] ]– π/2. pois nesses pontos a tangente não está definida (toma valores infinitos). Arco co-tangente: arccotg(a) É o ângulo cuja co-tangente é igual ao argumento – a “função inversa” da co-tangente.4. uma restrição do domínio da função coseno. O arco coseno tem por domínio [–1. O argumento. O arco coseno é definido como o arco cujo seno é igual ao argumento da função. +1] a ∈ IR a ∈ IR Contradomínio [–π/2. na página anterior). O intervalo de valores tomado pelo arco co-tangente é ]0. Assim. Arco coseno: arccos(a) A maneira de definir esta “função” é a mesma que foi utilizada para definir o arco seno. +π/2] [0. 7. sendo forçosamente não injectiva (ver nota sobre funções injectivas e não injectivas. +1]. O contradomínio convencionado para o arco coseno é [0. O intervalo que é usado para definir esta função é ]– π/2.

Acerca da periodicidade das complementares. 8. Assim. como se constata. ou quando x=180º–α. N 8. em virtude da periodicidade das funções trigonométricas. Resolução de algumas equações trigonométricas Trata-se de resolver equações do tipo f(x)=y. +1]. têm-se duas soluções possíveis. os ângulos devem ser iguais (o que é trivial).com> 8. k ∈ I . senx = y Como a função seno tem período 2π. são solução geral de cosx=cosα: cos x = cos α ⇔ x = ±α + k ⋅ 360º . k ∈ I . há duas soluções para x: α e –α. as soluções que distam entre si de um múltiplo inteiro do período também são solução. em radianos: sen x = sen α ⇔ x = α + k ⋅ 2π ou x = π − α + k ⋅ 2π.1. De facto. Nesses casos. ou outras funções quaisquer) nem sempre é fácil. sob pena de a equação não ter solução. y=senα representa a “altura” do ponto P que se projecta sobre o eixo dos YY. Porém. são válidos os valores de a separados de múltiplos inteiro do período. e é frequentemente impossível. ângulos que somam 180º – ver página 8) são iguais. k ∈ I . Devido ao facto do coseno ter período 2π. No intervalo [0. x terá de se situar no intervalo [–1.a. N (14) Lembrar que cosα = cos(-α).b. +2π]. caso y∈[–1. logo para que a equação tenha solução tem de se verificar que y∈[–1.1. Naturalmente. x pode-se provar que os senos de dois ângulos complementares (isto é. Ora. a e b. 32 . Mas. para que nesse intervalo se verifique que os cosenos de dois ângulos sejam iguais. Façamos y=cosα. a essa projecção correspondem pelo menos dois ângulos. ou ambas. a equação fica: senx = senα. pode-se fazer y = senα.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. A partir daqui funções seno e coseno. +1].1. Logo. com recurso a calculadoras programáveis e/ou computadores. podem-se obter mais soluções adicionando (ou subtraindo) ao argumento múltiplos do período da função. Resolução de equações de funções trigonométricas do tipo f(x) = y Este tipo de equações tem como solução geral um intervalo. Há que notar que a resolução analítica de equações de funções trigonométricas (ou que envolvam funções trigonométricas inversas. +1]. ou em alternativa métodos gráficos – por exemplo. entre 0º e 360º. Como se vê. ou – devido à paridade da função coseno – devem ser simétricos(14). Atendendo à periodicidade do seno. YY P y 8. Logo. e y um valor real. pode-se sobrepor os gráficos das funções seno e a tangente e procurar os pontos em que os gráficos das respectivas funções se seccionam ou osculam (embora estes últimos sejam mais difíceis de determinar “a olho”) para determinar as soluções da equação senx=tgx. se α e β são Figura 27. há que utilizar métodos numéricos. β=180º–α. o seno de x é igual ao seno de α quando x=α. como a função seno é limitada. Logo. N ou. sendo f(x) uma função trigonométrica ou trigonométrica inversa. e temos senβ = senα. cosx = y O método de resolução é semelhante ao anterior. vem então: sen x = sen α ⇔ x = α + k ⋅ 360º ou x = 180º −α + k ⋅ 360º . β α –α XX No caso da figura 27.

e a resolução continuava de maneira análoga à descrita. tal como a tangente.d. Começa-se por resolver a equação em ordem a x: cos(5 x + 75º ) = cos 25º ⇔ 5 x + 75º = ±25º + k ⋅ 360º . Exemplo O cálculo de uma equação de qualquer dos tipos anteriores pode não ser apenas algo como “senx=α”. Chama-se ainda a atenção para o pormenor dos intervalos de aplicação: se dentro desse intervalo a função não for injectiva. usar-se-ia cos65º no lugar de sen25º. (15) Ângulos cuja soma é 90º.com> ou ainda.1. Calcula-se a solução geral da maneira semelhante à anterior. No nosso caso o ângulo suplementar de 25º é 65º. Funções trigonométricas inversas Seja f(α) uma função trigonométrica (seno. ou π/2 radianos – ver página 8.. consiste em aplicar a função trigonométrica f(α) inversa de g(x). Procuremos a solução de: cos(5x+75º) = cos25º. Um processo alternativo.3. NB: neste exemplo. k ∈ I . Da aplicação deste método resulta: g( x) = α ⇔ f [g( x)] = f(α ) ⇔ x = f(α ) . coseno. .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. k ∈ I . e cosα = senβ. por exemplo. ou π radianos. De qualquer modo. k ∈ I . N 8. tgx = y A tangente tem período 180º. pois apenas podemos comparar argumentos de funções iguais. a solução em radianos é determinada trivialmente. 8. É possível.c. a resolução continua a ser a mesma. A resolução da equação g(x) = α pode ser feita de um modo similar para as alíneas anteriores.1. teríamos de mudar o seno para coseno. α + β = π/2. tem período π radianos. 33 .1. se tem senα = cosβ. k ∈ℵ Se em vez de cos25º tivéssemos sen25º. A solução geral é igual à indicada em 8. que figurem de ambos os lados da equação a mesma função. por exemplo. O resultado em radianos é: tg x = tg α ⇔ x = ±α + k ⋅ π. não é possível definir a função inversa. N 8. que por vezes se pode revelar útil. a solução será dada em graus. A solução geral é dada por: x = −10º + k ⋅ 72º ou x = 16º + k ⋅ 72º . Em vez de x pode aparecer algo como “ 5x+75º ”.2.) e g(x) a inversa de f(x). ou outro polinómio de x. tentar encontrar qual o argumento a da função trigonométrica inversa que é igual a α. para dois ângulos suplementares(15). N 8. Recordemos que. Logo.c: cotg x = cotg α ⇔ x = ±α + k ⋅ π.. e nesse caso a equação escreve-se: g(x)=g(α). em primeiro lugar. logo este método não é aplicável. aos dois membros da equação – para tal é necessário. em radianos: sen x = sen α ⇔ x = ±α + k ⋅ 2π. cotgx = y A co-tangente.

cujo domínio é toda a recta real. tem-se que AC < TC < compr. Dividindo por senx.π/2[ . + sen x x →0 Figura 28. com amplitude em radianos. sen(x+h)–senx é um infinitésimo com h.0[ teríamos |senx| < |x|. Para x∈]–π/2. < sen x cos x 68 Como lim 1 = 1 . 2 Então.com> 9. Comecemos por estudar alguns limites que interessarão para o levantamento de indeterminações aquando do cálculo de derivadas. Pode-se então concluir que senx < x. TC o comprimento do arco TC . deve ser contínua em todo o seu domínio. Estudo do lim x →0 sen x . (16) O domínio de tgx (e cotgx) excluí alguns pontos. As funções tgx e cotgx também são contínuas em todo o seu domínio. Como x é agora qualquer elemento do conjunto dos números reais. conclui-se que senx é contínua em todo o seu domínio. sendo OC = 1 e sen x = AC . ficamos agora com: 1< x 1 . Porém. x →0 + Comparemos x. pois resultam do divisão de funções contínuas nos respectivos domínios(16). 68 sendo TC o comprimento do segmento de recta [TC] e compr.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. e como |sen(h/2)| < |h/2| e |cos(x+h/2)| ≤ 1. Pela figura 28. Também cosx é contínua: pode-se verificar imediatamente da identidade cosx = sen(π/2 – x). e verifica-se o limite anterior. Da figura 28 resulta: AC < compr. 9. vem: senx < x < tgx. a tangente é contínua nos restantes pontos do seu domínio. x A circunferência tem raio r = OC = 1 . TC = x . senx e tgx quando x∈]0. h →0 68 68 lim [sen( x + h) − sen( x)] = 0 . compr. Seja x∈]0. Tal verifica-se nas funções trigonométricas e nas respectivas funções inversas. sen( x + h) − sen x = 2 ⋅ sen h h⎞ ⎛ ⋅ cos⎜ x + ⎟ . justamente onde o denominador se anula: tgx = senx / cosx. Calculemos o lim f( x) . 34 . Derivadas de funções circulares e respectivas inversas Para que uma função seja diferenciável. e TB = tg x .π/2[. e vai servir para provar que a função definida por f(x)=senx é contínua para qualquer x real. Ora. temos então que x→0 cos x x lim =1. excepto o ponto x=0. TC < TB 68 x O A T Como AC = sen x . temos: 2 2⎠ ⎝ sen( x + h) − sen x ≤ 2 ⋅ h ⋅1 = h .π/2[ um ângulo do primeiro quadrante. TC . A desigualdade é válida para x∈]–π/2. no círculo trigonométrico. Estudo do sen x x →0 x lim B C Seja a função f(x) = senx / x .1.

sendo u(x) diferenciável num intervalo aberto ]a. então a função cos[u(x)] é diferenciável em ]a. Por isso. sendo u=u(x) uma função diferenciável num intervalo aberto.b[. Derivadas de funções trigonométricas Apliquemos esta definição para obter as derivadas das funções trigonométricas e das respectivas inversas.b[ e (cos[u(x)])' = –u' · sen[u(x)] .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. vem: ⋅ cos 2 2 (sen x)' = lim h →0 ( x + h) − x ( x + h) + x ⋅ cos ⎡ ⎛ sen(h / 2) h ⎞⎤ 2 2 = lim ⋅ lim ⎢cos⎜ x + ⎟⎥ . Com efeito. (17) NB: a função é derivada em ordem à variável. x sen x x x = 1 . logo lim(cosθ) = cos(limθ). temos(17): (sen[u(x)])' = u' · cos[u(x)] . com x ≠ + kπ. (senx)' = 1 · cosx = cosx. h h →0 Sabendo que sen( p ) − sen(q ) = 2 ⋅ sen 2 ⋅ sen p−q p+q . e derivando (temos u(x) = π/2 – x). Em particular. sen(− x) − sen( x) sen( x) 1 =1. N cos x 2 2 Derivando senx/cosx. 9. x! 35 .a. 9. Derivada do coseno Sabendo que cos(x) = sen(π/2–x). a função g(x) = x / senx é par. 9.2. Derivada do seno Aplicando a anterior definição de derivada de uma função.2.com> Ora. Com efeito.c. 2 ⎠⎦ h h/2 h →0 h →0 ⎣ ⎝ A função coseno é contínua. tal como para o seno.b. Derivada da tangente A função y=tgx tem por derivada y' = 1/cos2x = 1 + tg2x. k ∈ I .2. e aplicando a regra da derivação da função composta. g(− x) = lim −x −x x = = = g( x) . a derivada da função f(x) no ponto x é: f '(x) = lim f( x + h) − f( x) h h→0 9. temos: y' = cos 2 x − sen x ⋅ (− sen x) cos x = cos 2 x + sen 2 x cos x 2 = 1 cos 2 x . e lim = lim + sen x x→0 sen x x →0 x →0 + + Por definição. vem: (cosx)' = –1 · cos(π/2 – x) = –sen(x) . Assim.2. temos: (sen x)' = lim sen( x + h) − sen( x) . y = tg x = sen x π . Em particular.

se y=tg[u(x)]. temos: y' = sen 2 u 9. +π/2[ .1).2. Derivada da co-tangente Obtém-se da mesma forma que a da tangente. 9. 36 .com> π/2 π/2 –π/2 3π/2 Figura 29. y∈]–π/2. u' .a. Em particular. (18) Sendo g inversa de f. 9. então cos y = − 1 − sen 2 y e y' = − . sabendo que cotgx = cosx/senx. sendo y=arcsen(u) e u=u(x) funções diferenciáveis. temos: y' = u' cos 2 u . = ( x)' cos(y) Pela fórmula fundamental da trigonometria. com u=u(x). A regra da derivação da função composta inversa18 dá então: x' = cos(y) ⇒ y' = 1 1 . Daqui segue então que: y' = (cotgx)' = 1/sen2x = 1 + cotg2x. então f' = 1/g' .REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. se y=cotg[u(x)]. y∈]π/2. 1 Se tivéssemos y∈]π/2. Derivadas de funções trigonométricas inversas Vejamos agora as derivadas de algumas funções trigonométricas. Então. 1 − x2 Por fim. temos: y' = (arcsen(u))' = u' 1− u2 . com y∈]–π/2.3. Visto que y=arcsen(x).d. +π/2[ Figura 30. então x=sen(y). Derivada do arco seno Seja y=arcsen(x). 3π/2[ Em particular. 3π/2[ . relação (3. temos cos(y) = 1 − sen 2 y .3. y' = 1 1 − sen y 2 = 1 1− x2 .

9.c. e y=arctg(u).com> 9. y' = (arccotg(u))' = − u' 1+ u2 . e y=arccos(u).4.3. y=arccotg(u). u=u(x) é uma função diferenciável(19). com derivada no seu domínio de aplicação. Então. y' = (arccos(u))' = − u' 1− u2 1 . Derivada do arco tangente Seja u=u(x) uma função diferenciável. e cujo contradomínio está necessariamente contido no domínio das respectivas funções trigonométricas e trigonométricas inversas – ver secção 7. 9.d. Derivadas de funções trigonométricas (sen(u))' = u'(x) · cos(u) (cos(u))' = –u' · sen(u) ⎛ 1 ⎞ u'⋅ cos(u) (cosec(u))' = ⎜ ⎜ sen(u) ⎟ = − ⎟ sen 2 u ⎝ ⎠ u' 1− u2 u' 1− u2 ' cos 2 u u' (cotg(u))' = sen 2 u ⎛ 1 ⎞ u'⋅ sen(u) (sec(u))' = ⎜ ⎜ cos(u) ⎟ = ⎟ cos 2 u ⎝ ⎠ u' 1+ u2 u' 1+ u2 ' ' (tg(u))' = u' ' Derivadas de funções trigonométricas inversas (arcsen(u))' = (arccos(u))' = − (arctg(u))' = (arccotg(u))' = − ⎞ ⎛ 1 u' (arccosec(u))' = ⎜ ⎟ ⎜ arcsen(u) ⎟ = − ⎠ ⎝ u 1− u2 ⎞ ⎛ 1 u' (arcsec(u))' = ⎜ ⎟ ⎜ arccos(u) ⎟ = ⎠ u 1− u2 ⎝ (19) Isto é. Então. 9.3. y' = − . sendo u=u(x) uma função diferenciável. Derivada do arco coseno Seja y=arccosx ⇔ x=cosy. Resumo das derivadas de funções trigonométricas e trigonométricas inversas Na tabela que se segue. 37 . y' = (arctg(u))' = u' 1+ u2 .b.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Então. 1− u2 Em particular.3.5. Derivada do arco co-tangente Seja u=u(x) função diferenciável.

com> 10. Tente explicar por suas próprias palavras o que é dado e o que é pedido no problema. Se o ângulo α não fosse recto.00 × 10 3 km ≅ 2000km . Na verdade. do início ao fim. temos: d = 300 2 + 2 × 6380 × 300 = 2. O avião faz uma aproximação a um ângulo de 60º do lado esquerdo da pista onde pretende aterrar. 1. Vaivém Poder-se-ia resolver este problema de maneiras mais complicadas. tantas vezes quantas as necessárias até que se torne perfeitamente claro para si. O ângulo α é recto porque a recta a que pertence o segmento de comprimento d é perpendicular ao raio da Terra – é tangente à superfície. Os instrumentos de bordo indicam que o ponto de aterragem está a uma distância de 30km em linha recta e a um ângulo de 45º para a esquerda da direcção em que o avião se desloca. se começarmos a fazer um desenho baseado nos dados do problema veremos que até é parecido com o problema do farol na secção 3. escreva a expressão para a distância do horizonte àquela altitude. Assim. e sempre que possível.. Se não consegue explicar por si próprio ou a outra pessoa o que leu. ou ambas as coisas! Leia o problema. e calcule o seu valor.. 2.4! 38 . porque: 1) a solução deve ser bem definida (um só valor. R α d R h Repare-se que não surge uma solução do tipo d = ± . Um vaivém em órbita terrestre descreve um trajecto tipicamente circular a uma altitude de cerca de 300km acima da superfície. Exercícios resolvidos Apresentam-se de seguida alguns exercícios. nesse caso já seria necessário recorrer a fórmulas trigonométricas. Uma aeronave prepara-se para aterrar numa pista (poderia ser o vaivém do exercício anterior. ignore a altitude do avião acima do solo).REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. b) do local onde irá cruzar o eixo da pista de aterragem até ao ponto de aterragem. temos: R 2 + d 2 = ( R + h) 2 ⇔ d 2 = h 2 + 2 Rh ⇔ d = h 2 + 2 Rh . isto é. Alguns conselhos: • Ao tentar resolver um problema. Pretende-se determinar a distância d. Considere apenas a projecção no solo do trajecto do avião (ou seja.). o que simplificou significativamente os cálculos. • Resolução: Seja R o raio da Terra e h a altitude do vaivém acima da superfície da Terra. Aplicando o teorema de Pitágoras. verá que isso contribui para uma melhor visualização da situação e pode ajudar imenso a perceber o que se pede e a encontrar uma solução! Leia o problema uma vez. Sabendo que o raio da Terra é 6380km. com uma resolução possível. ou a(s) parte(s) que não percebeu. do que é pedido. um valor bem definido). 2) trata-se de distâncias – valores reais positivos. Seria um bom exercício para o leitor tentar obter uma relação entre o ângulo α e a distância d. não nos devemos deixar intimidar. Apela-se para que o leitor procure outras resoluções válidas.. uma distância qualquer tem espacial em órbita.. Figura 31. Embora pareça difícil. que faça um desenho ou esquema relacionado com o problema. Calcule a distância do avião a) ao eixo da pista de aterragem. é bem possível que não tenha percebido a informação dos dados. mas em particular foi possível usar aqui o teorema de Pitágoras. Resolução: O exercício exige já um á-vontade considerável nos assuntos versados até ao capítulo 5. leia novamente o exercício e tente perceber: • quais os dados do problema. • o que é pedido para determinar. Depois.

B ao ponto onde este intersecta o eixo da pista de aterragem e C ao ponto de aterragem. Mas. fazendo com ela um ângulo de 60º. A ao ponto onde está o avião. y é o comprimento da hipotenusa BC do triângulo BDC. a um ângulo de 45º (para a esquerda) com a direcção a que viaja o avião (figura do lado direito). com efeito. y 30km 45º x 60º Esta é toda a informação que é dada no problema. Este problema é. neste caso. O cateto CD deste triângulo tem comprimento dado por y·sen(60º). 39 . semelhante ao problema do farol na secção 3. Além disso. C y D 30km 45º x 60º B A Chamemos. para facilitar a discussão. Comecemos então a ver o que se poderá usar e no quê.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. duas. e pedem-nos para calcular outra distância – ou. este cateto (CD) é também um cateto do triângulo ADC.com> O avião aproxima-se da pista pelo lado esquerdo. A distância a calcular na alínea a) corresponde a x e a distância y corresponde ao cálculo da alínea b). pelo que se tem: y ⋅ sen(60º ) = 30 ⋅ sen(45º ) .4: conhecemos dois ângulos e sabemos uma distância. sabemos que o ponto de aterragem está. Temos então algo assim (figura do lado esquerdo): 60º 30km 45º 60º Por outro lado. os instrumentos informam que o ponto de aterragem está a 30km (em linha recta!). pelas indicações dos instrumentos de bordo.

A altura da rede é 1. Os comprimentos dos catetos AD e BD são.2 – 12. α = arctan 1. 40 .58º = 2º34'38. Na notação sexagesimal. a partir da linha de fundo? Resolução: Rede α O ângulo pedido é o ângulo α.96km. e y·cos(60º)=12. O quociente entre as duas distâncias dá a tangente do ângulo α: 1. na linha lateral. 3) Num campo de ténis.07m e a distância desde o extremo do campo. o comprimento x é simplesmente 21.07m. 34 minutos e 38.58º) e com a fracção do ângulo em notação sexagesimal (2º 34' 38.com> Consultando a tabela na página 19. “minuto” e “segundo” significam minuto de arco e segundo de arco. respectivamente: 30·cos(45º) = 21. é de 23. Qual é o ângulo entre o chão e o topo da rede.2km. Logo.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. o ângulo α é. 23. no vértice do triângulo.25km. o arco cuja tangente é dado por este quociente. por definição.07m = tan α . Ou seja. ou seja: 2 graus.77 O resultado é apresentado em duas notações: em graus (2.25 = 8. a rede constitui o cateto oposto ao ângulo α e o segmento desde a linha de fundo até à rede constitui o cateto adjacente ao mesmo ângulo. respectivamente. a distância entre a rede central e a linha de fundo é de 23. A altura da rede é 1.77m Por fim.5km.77m. vemos então que y = 24.77m.9" 23.9".9 segundos).07 = 2. Na figura.

Maria Augusta Neves.da. Alfredo Gomes Alves.com> Bibliografia • • • • “Matemática – Formulário”. “Trigonometry”.REVISÕES DE TRIGONOMETRIA João Batista <jmnbpt@yahoo. Manuel Alberto M.469-476. “Matemática/10ºano – 2º volume”. 41 . Edições Silabo. 1990. P. Macmillan Educational Company. Vance.22. E. “Matemática/12ºano”. Porto Editora. Ferreira. pgs. Isabel Amaral. Collier’s Encyclopedia vol. Alfredo Gomes Alves. Maria Teresa Vieira. L. Lisboa. 1994 (8ª edição). 1991 (3ª edição). Porto Editora. Maria Teresa Vieira. Porto. Maria Augusta Neves.