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Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração Pós - Graduação em Necessidades Educativas Especiais 6.

ª Edição - Baião

A importância dos sistemas alternativos e aumentativos de comunicação na Paralisia Cerebral

Projecto elaborado por:

Olga Maria Lemos Pereira Gomes
N.º6840 Turma B

Sob a orientação do Professor Doutor Horácio Saraiva

Fevereiro 2011

Agradecimentos
Ao Dr. Horácio Saraiva pelo seu apoio e principalmente pelo seu “sorriso” Ao meu maridinho por toda a paciência… Aos meus companheiros de “Aventura”, Borges e Artur. À minha cara amiga Carla por toda a ajuda.

II

Resumo

Através deste trabalho pretende-se demonstrar que os Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação são importantes no desenvolvimento da comunicação na criança com Paralisia Cerebral. O estudo realizado centra-se na opinião que os docentes, quer do 1º ciclo, quer da Educação Especial, têm relativamente à importância que aos sistemas alternativos e aumentativos de comunicação têm no desenvolvimento da comunicação em crianças com paralisia cerebral. O objectivo do trabalho é demonstrar que as crianças com Paralisia Cerebral podem exprimir as suas necessidades e emoções, melhorar a sua aprendizagem social, alcançar independência e autonomia e desenvolver a fala através da Comunicação. Tentar-se-á comprovar estes aspectos através de questionários efectuados a docentes. utilização dos Sistemas Alternativos e Aumentativos de

Palavras-chave Paralisia Cerebral; Comunicação Alternativa e Aumentativa;

III

we intend to demonstrate that alternative and augmentative systems of communication are important in the development of communication of children with cerebral palsy. in the development of communication in We will try to verify these aspects through questionnaires to teachers. have in what concerns to the importance that alternative and augmentative communication has children with cerebral palsy. achieve independence and autonomy and develop speech through the use of alternative and augmentative systems of communication. whether of a cycle. or of Special Education. improve their social learning. Augmentative and Alternative Communication. The study focuses on the belief that teachers. The aim of the study is to demonstrate that children with cerebral palsy can express their needs and emotions. Key-words Cerebral Palsy. IV .Abstract Through this work.

................. 60 Figura 22 .....................A....Signos do sistema PIC......... 53 Figura 9 ...... ajudas........................ 26 Figura 2 – Signos do sistema SPC..............................A............................C permitem à criança alcançar alguma independência e autonomia ....................................... 27 Figura 3 – Signos do sistema Bliss ..C são uma ferramenta a usar em todas as situações da vida das crianças com PC ............ 59 Figura 21 .........................A........................................................ 59 Figura 20 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S...C ........Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S............ 40 Figura 5 – Varrimento simples e varrimento combinado.C que conhecem ...A. 57 Figura 17 – Caracterização da amostra em função dos S......................................................Índice de figuras Figura 1 ....A..........................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O uso de S........................ 55 Figura 13 – Caracterização da amostra em função dos temas das acções de formação frequentadas............................A...............A.....................C por parte das crianças portadoras de P...... ........................................................................ 60 Figura 23 ..............................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O quadro de símbolos favorece a socialização das crianças com PC .............C prejudicam a aprendizagem social das crianças com PC.............................................A...A... 55 Figura 14 – Caracterização da amostra em função da experiência com crianças com PC ............ 54 Figura 12 – Caracterização da amostra em função da frequência em acções de formação no âmbito da Educação Especial ...A.........A...................................................... 58 Figura 19 ........................................................................ 41 Figura 6 – Caracterização da amostra em função da idade ................................................................................ 54 Figura 11 – Caracterização da amostra em função do grupo em que leccionam ........................................... 52 Figura 7 – Caracterização da amostra em função do sexo ................................................ 61 Figura 24 ..A..C..........................................................A...................A..... ....Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S....... 56 Figura 16 – Caracterização da amostra em função do conhecimento dos S........... 62 V .C serão prejudiciais para o desenvolvimento da fala em crianças com PC ...................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S............. 61 Figura 25 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O uso do quadro de comunicação diminui a comunicação de crianças com PC . 53 Figura 10 – Caracterização da amostra em função do tempo de serviço em Educação Especial .................. 57 Figura 18 – Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação se O Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação é um conjunto integrado de técnicas................ 52 Figura 8 – Caracterização da amostra em função da experiência Profissional................................A......... 56 Figura 15 – Caracterização da amostra em função da utilização dos S... estratégias e capacidades que a pessoa com dificuldades de comunicação usa para comunicar............ 31 Figura 4 – Tecnologias de Apoio tradicional.........................C permite à criança com PC exprimir as suas emoções ......A.............................Caracterização da amostra em função da Experiência Profissional .................

.........................A................................................... 68 Figura 38 – Relação entre idade e sexo....Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação É necessário formação especializada para utilizar os S................................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os sistemas de comunicação devem ir ao encontro das necessidades e interesses das crianças com PC .............................................................................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema Bliss não é apropriado para portadores de deficiências motoras....................... 66 Figura 34 ............................ atrasos de desenvolvimento médio ou severo... 63 Figura 28 .......... 65 Figura 33 .......................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação É fundamental que os pais estejam em permanente comunicação com os profissionais que trabalham com os seus filhos...............C.....................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A interacção entre os pais e os professores é fundamental para o desenvolvimento da comunicação de crianças com PC ..........................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A participação dos pais é um entrave para a evolução/recuperação das crianças com Paralisia Cerebral ............ nomeadamente............. 65 Figura 32 ..A.........Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema SPC é uma ferramenta prática e útil porque são símbolos facilmente apreendidos e apropriados para todos os níveis etários. 69 Figura 40 – Relação entre conhecimento dos S..... tabuleiros de comunicação não permitem experiências enriquecedoras as crianças com PC.....Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A terapia da fala é importante para o desenvolvimento da comunicação em crianças com PC ................................................................... 67 Figura 36 ......................................A................... 64 Figura 30 ................................. 64 Figura 31 .........................................Figura 26 ...............................A................. 66 Figura 35 ..........................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A comunicação alternativa e aumentativa é todo o tipo de comunicação que aumente ou suplemente a fala ........................C e o nível de ensino ..... 63 Figura 29 ................................. deficiência múltipla........... 69 Figura 41 – Relação entre conhecimento dos diferentes tipos S...............................................A..........Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação As ajudas técnicas..........................................................Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema alternativo de comunicação PIC apresentam como principal desvantagem o facto de serem muito difíceis de desenhar dificultando o trabalho do professor ...... .......... 68 Figura 39 – Relação entre experiência profissional e nível de ensino .............................................................................................. 70 VI ......A............................. 67 Figura 37 ................................................................ 62 Figura 27 ...C e o nível de ensino ......Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A integração das crianças com Paralisia Cerebral em turmas do ensino regular é prejudicial ao desenvolvimento ................... surdez e afasias de adultos ..........

Lista de abreviaturas PC – Paralisia cerebral S. VII .A.A. – Sistemas alternativos e aumentativos de comunicação.C.

....4.6 – Como identificar a Paralisia Cerebral ..............................3 – Atáxica............................Espástica......... 2 1................. 16 1......... 4 1.................................................... 7 1...................................................................................4.................................................................................................... 8 1.......................................... 12 1........1 ............................................................................................................ 5 1.....2 ..... 2 1.......................... 16 VIII ..........................................4 – Classificação sintomática – Tipos mais comuns de Paralisa Cerebral e suas características ..............1 ............. 15 1................8.................................................................................................7 – Sintomas da Paralisia Cerebral ....................................Atetósica ........................................................................................................................................2– Características da Paralisia Cerebral ...Atraso Mental ...........5 – Distribuição da Paralisia cerebral ....3– Etiologia da Paralisia Cerebral............................ Lista de abreviaturas................. Índice de figuras............................... Introdução ........................................................................... Resumo........................................ 10 1................................. Parte I – Fundamentação teórica ..................................................................................................................1– Definição de Paralisa Cerebral ....... 7 1........8 – Problemas associados à Paralisia Cerebral ................................ Abstract.....................................................................................4............................................................. 8 1.................Índice Agradecimentos ......... 1 CAPÍTULO I – PARALISIA CEREBRAL ............................................

.8................1................8......Problemas Auditivos.......................................... 21 1..............................Problemas de Personalidade .............Dificuldades Específicas de Aprendizagem....1 – Tipos de sistemas .. 17 1.....................8..... 17 1..................................11...... 23 2...............8......5 .......................1.....................................................Problemas Emocionais ou de Comportamento ......................1............1...Dificuldades na Alimentação ...8. 19 1.... 27 2.................Problemas de Fala e Linguagem...Problemas nos Intestinos e Bexiga ....8.......................2....8....3.....................1.....7 ..........................2 – Sistemas de comunicação com ajuda .................... 23 2....................9 ....................................................8............. 24 2... 36 IX ....... 30 2...3 – Candidatos ao uso dos Sistemas alternativos de comunicação ........2.....Epilepsia ou Convulsões .... 20 1...4 .................1 – Sistemas alternativos e aumentativos de comunicação ......Problemas Visuais.......2 ....8.......... 26 2.....................8 ........2 – Sistemas de símbolos gráficos adaptados à Língua Portuguesa 25 2...........Sistemas alternativos de comunicação BLISS . 20 1........ 22 2............3 .............1...Problemas de Dentição . 19 1...........1 – Sistemas de Comunicação PIC .. 19 1..1............1.................. 21 Capítulo II – MEIOS ALTERNATIVOS E AUMENTATIVOS DE COMUNICAÇÃO E AJUDAS TÉCNICAS......8.................1 – Sistemas de comunicação sem ajuda .....................6 ....................1.................2........1............................Problemas de Salivação........ 22 2....12 .......8. 18 1.............1.. 18 1...................2 – Sistemas alternativos de comunicação SPC ..........10 ...

............................Considerações finais ............ 46 Parte II – Fundamentação Empírica ...................................1 – Descrição do objecto de estudo .....3..................2........2 – Vantagens e desvantagens dos Sistemas alternativos de comunicação......................................................1..................Limitações do estudo e Linhas futuras de investigação ... 72 5..... 51 5.............. 49 4.....3.............................. 75 Referências bibliográficas ...... 49 4....................................................................................................................................................................Recolha e Registo dos Dados .......................................................................1............................... 76 X .........1 – Selecção dos candidatos ao uso dos Sistemas Alternativos de Comunicação ..Amostra .................................................. 48 Capítulo IV –METODOLOGIA DE ESTUDO ................................................ 37 2.......... ......... 50 Capítulo v – RESULTADOS DO ESTUDO EMPÍRICO............................................................................1 ...........................3..................................................1.....3 .............................2– Discussão dos resultados ...........................4 .................................................................................. 70 5......5 ............Conclusão........4 – Tecnologias de Apoio ......................................................... 38 2.........................4 – Metodologia utilizada .......... 39 Capítulo III – A IMPORTÂNCIA DOS MEIOS ALTERNATIVOS NA PARALISIA CEREBRAL ........ 51 5.................... 73 Anexos ............................. 52 5...........................................2 – Objectivos e Hipóteses ................................................. 50 4..................................... 49 4......

estas pessoas necessitam de uma forma de comunicar alternativa à fala. Assim sendo. pois revelam perturbações no desenvolvimento da linguagem e da comunicação. Muitas crianças com Paralisia Cerebral. dentro das quais se inserem as crianças com Paralisia Cerebral. auto-estima e valorização pessoal. XI .” (Tetzchener & Martinsen. O motivo da escolha do tema do trabalho prende-se com o facto de considerar a Paralisia Cerebral um tema interessante e sentir curiosidade em perceber melhor a utilização dos Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação. entendem tudo o se passa à sua volta. geralmente. ocorre num ambiente social. “Desde a infância e durante toda a vida. precisam de um sistema alternativo de comunicação porque os seus problemas motores prejudicam a fala. a sua importância na vida das crianças com Paralisia Cerebral. Este é o caso das crianças com deficiência neuromotora. que lhes permita transmitir tudo aquilo que desejam. A importância deste trabalho reside na necessidade de verificar qual a funcionalidade dos Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação e de comprovar. a capacidade de um indivíduo poder expressar-se está fortemente associada aos sentimentos de autonomia. Estas crianças. do ponto de vista docente. As crianças com dificuldades de comunicação arriscam-se a ficar à margem do processo de ensino natural que. 2000). cujas capacidades cognitivas não foram afectadas.Introdução Existem muitas pessoas que não conseguem comunicar através da fala. por norma.

XII . computadores. analisar os tipos e as causas da Paralisia Cerebral e também verificar quais os problemas associados a esta deficiência. Irei. irei abordar a definição de Paralisia Cerebral. tabuleiros de comunicação.. de independência e de auto-confiança”. esta encontra-se dividida em dois capítulos: Metodologia de Estudo e Resultados do Estudo Empírico.) proporcionando-lhes mais possibilidades de realização. etc. indicar qual a pergunta de pergunta de partida e as hipóteses formuladas e explicitar a metodologia utilizada na elaboração deste projecto. Relativamente à Fundamentação Empírica. irei descrever o objecto de estudo. Na Fundamentação Teórica. analisar diferentes Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação..Este estudo está organizado em duas partes essenciais: Fundamentação Teórica. No capítulo da Metodologia de Estudo. permitem às crianças “melhorar a sua autonomia e terem experiências enriquecedoras (. (Tetzchener & Martinsen. pois é neste aspecto que assenta o meu trabalho. p. Um sistema de comunicação é uma “ferramenta para usar em todas as situações da vida”. (Equipa Técnica do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian. ainda nesta parte teórica. e Fundamentação Empírica. software. Darei neste capitulo especial ênfase aos problemas de fala e linguagem. 2000) As Ajudas Técnicas. bem como referir diversas Ajudas Técnicas para a Comunicação. realçarei a importância dos sistemas alternativos e aumentativos na paralisia cerebral. 15). dividida em dois capítulos. organizada em três capítulos. referir quais os objectivos do trabalho.. 2000. nomeadamente. Num terceiro capítulo desta parte teórica.

onde irei referir as opiniões dos diferentes professores relativamente à importância dos Sistemas Alternativos e Aumentativos de comunicação na Paralisia Cerebral. verifica-se a Discussão dos Resultados. Por fim.Salienta-se que todo o estudo está centrado em torno da importância dos Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação em diferentes aspectos da vida da criança com Paralisia Cerebral. Segue-se. no capítulo Resultados do Estudo Empírico. em que verificaremos se as hipóteses formuladas se confirmam e farei algumas considerações acerca do estudo realizado. Tratamento e Apresentação de Dados. XIII . a Análise.

Parte I – Fundamentação teórica 1 .

É uma condição complexa que apresenta grande variedade de situações neurológicas irreversíveis e não progressivas existindo uma multiplicidade de casos de Paralisia Cerebral. poderão existir melhorias. Paralisia Cerebral como uma perturbação do controlo neuromuscular. raramente hipotonia e ataxia.CAPÍTULO I – PARALISIA CEREBRAL 1. quer na gravidade.” (Bautista. Lite. efectuada pelo médico Dr. pois parece traduzir uma total ausência da função motora e psicológica o que não corresponde à verdade.1– Definição de Paralisa Cerebral Define-se. frequentemente acompanhados de déficit mental e epilepsia. 1997. que pode ser assim resumido: distúrbios da função motora. quer nos aspectos afectados. p. não é evolutivo. A primeira descrição de Paralisia Cerebral surge em 1843. Este autor propõe ainda quatro noções fundamentais no contexto da Paralisia Cerebral: É um distúrbio permanente que. espasticidade e/ou movimentos involuntários dos membros. pp. paralisia cerebral é um termo descritivo. considerando-se hoje. caracterizados por paralisias. habitualmente.4). Não é imutável. apesar de definitivo. 293). da postura e do equilíbrio. diferentes uns dos outros. não ser o termo “Paralisia Cerebral” o mais adequado. 2 . resultante de uma lesão cerebral estática que afecta o cérebro em período de desenvolvimento. de início na primeira infância. além de ser um termo rejeitado pelos próprios e pelas famílias. 3. logo. não específico e bastante ambíguo. devido a uma disfunção do cérebro antes que o seu crescimento e desenvolvimento estejam completos. Segundo Leitão (1983. Paralisia Cerebral é assim uma “desordem permanente e não imutável da postura e do movimento. quer nas condições sócio afectivas.

grau e localização da deficiência fisiológica. “A paralisia cerebral não é hereditária. pais saudáveis podem ter uma criança com este problema. se estes sofrerem uma lesão no cérebro. no entanto. o que significa que ocorre sempre em bebés ou crianças. Em suma. ao passo que o cérebro da criança não atingiu ainda a funcionalidade total e está em evolução. Em cada 1000 crianças que nascem 2 podem ter paralisia cerebral “. existência de movimentos involuntários). que se manifesta principalmente por perturbações motoras (paralisia. as consequências da lesão são mais graves do que as que se verificam no adulto. No caso dos adultos. A classificação é baseada no tipo de deficiência motora. incoordenação motora. são semelhantes aos das crianças com Paralisia Cerebral. há um derrame ou uma hemorragia. às quais se associa frequentemente outras perturbações e problemas. resultando vários graus de gravidade. 3 . - Pode verificar-se em qualquer fase do período de crescimento cerebral. e os efeitos.C. um aspecto importante que é diferente: o cérebro do adulto já está completamente desenvolvido. A Paralisia Cerebral é provocada por uma lesão no cérebro imaturo. Existe. a principal perturbação é a perturbação motora. Neste caso. Todas estas dificuldades podem combinar-se. 5). nalguns aspectos.(A. podemos afirmar que é uma situação orientada por uma lesão no cérebro em desenvolvimento. podendo este surgir em qualquer família.P.- Não está em relação com as capacidades intelectuais. p. sem ligação a uma causa específica.P. cujas manifestações externas variam com o local e a extensão da lesão do cérebro. pois.

a postura (equilíbrio do individuo) e o movimento (acção motora voluntária). Além das deficiências motoras. epilepsia. que por certo irão agravar e dificultar o desenvolvimento da criança. motivadoras. A lesão não é evolutiva. a criança aprende. As consequências desta lesão podem variar de criança para criança.1. perturbações da linguagem.2– Características da Paralisia Cerebral A paralisia cerebral distingue-se por um dano dominante nas funções motrizes. persistência de reflexos primitivos e atraso na aquisição das novas etapas do desenvolvimento. constrói e executa. pois as células nervosas. deficiências sensoriais da percepção e problemas de comportamento. a paralisia cerebral manifesta-se por perturbações da postura e movimentos voluntários. Em suma. Por esse motivo não há forma de alterar a área afectada. os neurónios lesados não crescem nem se mielinizam e não afectam o resto das células nervosas vivas. Através das trocas com o meio. as quais afectam o tónus (contracção muscular em repouso). A dificuldade da criança com PC em se movimentar leva a que tenha uma deficitária exploração com o mundo que a rodeia. podemos encontrar outras situações que interferem no desenvolvimento normal da criança com PC: perturbações no desenvolvimento intelectual. o que está associado ainda à realização de experiências estimulantes e enriquecedoras com o meio (a exploração deficiente do meio e o fraco conhecimento de si própria são entraves ao processo). o que prejudica o seu desenvolvimento. para que a criança tire o maior partido da experiência. dado que a medicina ainda não dá resposta a este problema. nem tem cura. Há que propiciar momentos de brincadeiras atractivas. 4 .

H. auditivas. infecções. pois os bebés são mais resistentes à falta de oxigénio. Uma delas foi formulada pelo psicanalista Sigmund Freud. causadas por micróbios (meningite).natal até aos 2/3 anos.1. perinatais ou pós-natais. devido a doenças como: a rubéola. como atrás foi referido. Segundo Finnie (2000). Pré-natais Durante a gestação e no período embrionário até ao 4º mês. Pode ser causada por hemorragias. peri-natal e pós. No período fetal do 4º mês ao final da gestação – as lesões deste período designam-se por fetopatias. verificou-se que os casos de anoxia são menos. oculares. durante ou logo após o nascimento. falta de oxigénio no cérebro. Nos últimos anos. Hoje em dia. Outra teoria era defendida pelo cirurgião ortopédico William Little e proclamava que a lesão acontecia na altura do nascimento. A falta de oxigénio durante o parto era a principal causa de Paralisia Cerebral. não é devida a qualquer deficiência dos pais ou doença hereditária. Elas podem ser: 5 . enquanto o bebé se desenvolvia.. sífilis.tendo como consequência más formações cerebrais. que acreditava que o distúrbio ocorria na fase uterina. havia duas teorias importantes acerca da Paralisia Cerebral. nascimento prematuro e icterícia grave neonatal. Pode também derivar da incompatibilidade de R. viscerais e cardíacas. Camargo (1995) refere que as causas mais comuns da lesão cerebral são infecções ou traumatismos que acontecem antes. esta última teoria foi a mais credível. traumatismo. durante o parto.3– Etiologia da Paralisia Cerebral Em termos gerais. no período vitoriano. herpes e hepatite . as causas podem ser pré-natais. As causas podem surgir durante o período pré-natal. a Paralisia Cerebral. Ou seja.

.Parasitárias: toxoplasmose -Intoxicações acidentais: devido ao óxido de carbono.Hipoglicémia . . diabetes… Peri-natais Neste período as lesões ocorrem durante o parto e são devido a: . . adaptação cardíaca. deficiência mental e icterícia. . 6 . traumatismos cranianos..Crianças hipermaturas: crianças que nascem com mais de dez meses..Incompatibilidade de R.Tumores intracraneanos/compressão . irradiações por raio X e abortos mal controlados. .Icterícia ou anemia graves .Anóxia: falta de oxigénio devido ao parto demorado. aplicação de fórceps.Cesarianas secundárias: quando se pratica uma cesariana depois de se ter tentado extrair o bebé por via normal. drogas. medicamentos incontrolados.H. Pós-natais Lesões que têm menos frequência e podem ser devido a: .Acidentes anestésicos. cordão umbilical enrolado ao pescoço. -Doenças metabólicas da mãe: álcool. enfermidades metabólicas. .Agentes imunizantes . oxigenação e mudança de temperatura).Meningites ou encefalites.Víricas: hipertonia.Agentes tóxicos . hoje esta incompatibilidade pode ser prevenida com a imunização da mãe e transfusão de sangue precoce da criança. manifestações oculares.Choque térmico: choque com a realidade (respiração.

Os movimentos das crianças são rígidos. atetósica e atáxica.1.1 . distúrbios de enervação recíprocas e padrões posturais. Esses aspectos vão dar origem a carências que se vão repercutir a vários níveis.4 – Classificação sintomática – Tipos mais comuns de Paralisa Cerebral e suas características A localização da lesão no sistema nervoso. por isso não podem estar separados. Os movimentos são de restrita amplitude e requerem um esforço excessivo. descrevem-se três tipos de síndromas: espástica. assim como a relação existente entre o tipo clínico e a lesão exacta do sistema nervoso central. bruscos e lentos. devido à complexidade funcional do quadro clínico da paralisia cerebral. muitas vezes dificulta o diagnóstico. A espasticidade pode ser repartida de diferentes formas por todo o corpo ou partes do corpo: pode afectar um só lado (hemiplegia/hemiparésia) 7 . Existe hipertonia e tendência para contracturas e deformidades.4. Este sistema é responsável pela realização dos movimentos voluntários e a sua alteração manifesta-se pela sua perda ou pelo aumento do tónus muscular. O grau de espasticidade varia com a condição geral da criança e é mais ou menos fixada em algumas posturas típicas. A neurofisiologia moderna defende que a postura e o movimento se relacionam entre si. 1. É nas partes do cérebro que se relacionam com movimento que se procuram os danos causadores da paralisia. A PC limita essencialmente a criança em dois aspectos: verbal e motor. As classificações dos tipos de paralisia cerebral variam segundo alguns especialistas.Espástica A espasticidade produz-se como consequência de lesão no córtex cerebral. Há uma dissociação de movimentos. o que leva a um reduzido poder de movimentação e à pobreza das suas vivências. Os movimentos são mudanças de postura. classicamente de acordo com o tónus muscular. sistema piramidal.

bem como da hiperflexão à hiperextensão. Existem perturbações da fala: é muito difícil compreender uma criança atetósica. dificultando a actividade voluntária. isto quer dizer que as flutuações do tónus muscular são súbitas e provocam movimentos involuntários. Abrange entre 15 a 20% da população com paralisia cerebral. Tem dificuldade em executar movimentos 8 . não podendo por isso manter uma posição estável (falta de fixação postural). 1.e o resto do corpo apresentar movimentos quase normais. há uma hipermobilidade de todas as articulações. As crianças atáxicas não conseguem medir a força e a direcção dos seus movimentos. Estas crianças têm um tónus postural de sustentação deficiente.Atetósica A atetose produz-se em consequência de uma lesão localizada no sistema extra-piramidal (lesão nos núcleos situados nos hemisférios cerebraisgânglios basais). São causados por trocas bruscas e inesperadas do tónus normal à hipertonia.4. 1. Atinge até 2% da população com paralisia cerebral. descoordenados e impulsivos.3 – Atáxica A atáxica produz-se como consequência de uma lesão localizada no cerebelo ou nas vias cerebelosas. podendo manifestar-se movimentos irregulares somente nas extremidades ou em todo o corpo (os membros inferiores geralmente rodam para dentro). A criança atetoide mostra um tónus muscular instável e flutuante (descontrolado). com uma tendência à subluxação. dos quadris e dos dedos da mão. especialmente das mandíbulas. dos ombros. Devido à falta da contracção e dos extremos limites do movimento. quando os quatro membros são afectados é a chamada tetraparésia ou então diplegia se são afectados mais os membros inferiores. Há uma hipotonia.2 . falta de coordenação dos movimentos e equilíbrio deficiente. mas a amplitude das flutuações pode variar amplamente. Caracteriza-se por uma diminuição da tonacidade muscular.4. Os movimentos dos atetósicos são espamódicos. musculatura flácida. ou vice-versa.

As reacções de equilíbrio e extensão produtiva são deficientes e lentas. quando se move um membro. este não volta à posição anterior. Estas crianças não têm movimentos involuntários constantes. Destaca uma hipertonia que em ocasiões chega a ser tão intensa que impede todo o seu movimento (parece ser uma forma severa de espasticidade). não existe o reflexo de tracção. Há também deficiência de articulação: lenta e monótona. elas conseguem realizar movimentos desajeitados e inábeis. O tremor caracteriza-se pela falta de firmeza no membro envolvido apenas quando há intencionalidade do seu uso. Acontece com mais frequência nos membros superiores. pois quando estão sentadas e imóveis. rápidos. podendo observar-se reacções de equilíbrio deficiente e/ou tremor. ou as três formas conjugadas. oscilantes e rítmicos. Apresentam espasticidade e atetose. Há rigidez quando existe uma resistência muscular exagerada devido a uma grande dureza muscular. Os movimentos são breves. do que nos inferiores. provocando marcha atípica e quedas. 9 . atáxicos e espásticos.alternados. É raro encontrar casos puros de espasticidade ou de atetose o mais frequente é uma combinação: de atetósicos e atáxicos. Estas crianças são normalmente quadriplégicas.

Normalmente. atetose e ataxia. podendo a fala ser normal e a visão afectada por estrabismo. Envolve todo o corpo. todos os tipos mistos de espasticidade. Estas crianças apresentam dificuldades na alimentação e alguns problemas de fala e de articulação. Nos casos em que a assimetria é muito evidente (há um lado mais afectado que outro) podem-se considerar casos de dupla hemiplegia.1. A Diplegia Implica o movimento de todo o corpo. 50). 1984. considera: ● A Quadriplegia – Tetraplegia ou Tetraparésia (Bobath. Na paralisia cerebral espástica as diferentes partes do corpo podem estar envolvidas de forma diferenciada. p. relativamente à distribuição da diminuição física. A distribuição é geralmente assimétrica. assim como. os superiores parecem muito mais afectados que os inferiores. para descrever a condição da criança com P. o controle da cabeça e a coordenação dos olhos é deficitário devido à maior incidência da diminuição das partes superiores. O domínio da cabeça. De acordo com a terminologia utilizada pela Sociedade Internacional de Paralisia Cerebral.C. as partes superiores são tão pouco afectadas que estas crianças são diagnosticadas como tendo Paraplegia cerebral.5 – Distribuição da Paralisia cerebral Na paralisia cerebral atetóide e atáxica geralmente estão envolvidas todas as partes do corpo. sendo a metade inferior a mais afectada (membros inferiores). sendo a parte superior mais afectadas que a inferior. Muitas vezes. Deste grupo fazem parte praticamente todas as crianças atetóides e muitas espásticas. quase exclusivamente. apesar de estarem envolvidos os quatro membros. as crianças espásticas. Esta é mais comum nos bebés prematuros. dos braços e das mãos é geralmente pouco afectado. Deste grupo fazem parte. podendo também encontrar-se 10 .

geralmente atinge mais o braço que a perna. Pensa-se que a maior causa desta é a prematuridade. geralmente o superior. A Hemiplegia Verifica-se quando o organismo humano é afectado de um só lado (esquerdo ou direito). a monoplegia e a hemiplegia dupla sãos tipos de paralisia cerebral menos vulgares. A Monoplegia ou Monoparésia Quando um membro é afectado. A triplegia. As hemiplegias são praticamente todas espásticas. é normal. geralmente o braço.casos de ataxia associados a uma displegia espástica. Triplegia Um dos membros. 11 . A Paraplegia ou Paraparésia É quando a metade inferior do corpo é afectada.

reflexo de massas e reflexo de afastamento). o tipo de distúrbio de enervação recíproca e a distribuição do quadro e o padrão predominante de postura e movimento. O recém.6 – Como identificar a Paralisia Cerebral Uma criança nascida em situação de alto risco deve à priori ser alvo de uma avaliação sistemática do desenvolvimento. que provocam tónus postural anormal. que são normais. Devem ser considerados três factores na avaliação da paralisia cerebral: tipo e a força do tónus muscular. 12 . porém. desenvolve a actividade reflexa postural anormal que de facto. entre as reacções primitivas (reflexo de apoio e da marcha. faz com que o seu corpo siga a direcção da gravidade. mas que podem persistir em idades anormais assim como o seu comportamento motor. reflexo de Moro ou de abraçamento. não desenvolve o tónus postural contra a gravidade. O comportamento motor pode ser definido como anormal se os padrões de postura e de movimento observados. discriminar tão cedo quanto possível. resposta de flexão tónica dos dedos. como acontece com a criança normal.nascido com paralisia cerebral. tais como: os reflexos tónicos. A detecção da deficiência na criança é crucial. Para uma detecção precoce da PC tem grande importância a avaliação das reacções posturais. sobretudo. Podemos salientar que o desenvolvimento motor normal se desenrola numa sequência de estádios. das suas potencialidades. cada vez mais elaborados e adaptados para padrões e habilidades mais finos e selectivos.1. o que implica uma avaliação cuidadosa dos seus problemas e. não correspondem aos que são encontrados em qualquer época durante a vida pós-natal de um bebé normal. nos primeiros anos de vida. de um modo geral. aproveitando a maior plasticidade do Sistema Nervoso Central.

Assim. portanto é necessário um acompanhamento.O desenvolvimento e as alterações maiores e mais rápidas ocorrem nos primeiros dezoito meses de vida. A criança com paralisia cerebral desenvolve-se num ritmo mais vagaroso. Podem existir poucas alterações nas actividades da criança durante os primeiros 12 a 18 meses. o mais cedo possível. O período sensorio-motor da criança é um período importante e extremamente rápido do desenvolvimento. 15 anos. como seguir um curso normal. tornam impossível o desenvolvimento motor normal. Este desenvolvimento e aumento da actividade anormal interferem e. O desempenho motor das crianças com PC está comprometido. Algumas crianças atetóides não aprendem a andar até que atinjam a idade de 14. A criança tenta sobreviver com um equipamento inadequado de padrões motores. O seu desenvolvimento tanto pode ser retardado. num ritmo de desenvolvimento bastante rápido. o desenvolvimento motor pode prolongar-se até à adolescência ou mesmo até à vida adulta. por uma equipa transdisciplinar. assim pode aproveitar toda a exploração em seu redor feita através da visão. Usa as mãos para a manipulação. a estimulação e colocação da criança numa cadeira adequada são tão importantes para o pequeno ser que não consegue levantar a cabeça dentro dos prazos normais. Isto acontece com algumas crianças atetóides (uma forma de paralisia cerebral caracterizada por lentidão e repetição de movimentos dos braços e das pernas. todavia. É por esta razão que o tratamento precoce. Com o tempo as dificuldades motoras tornam-se mais pronunciadas e a anormalidade dos padrões de movimento e de postura da criança tornam-se mais óbvios. dificultando o equilíbrio) e atáxicas (dificuldade no equilíbrio e na coordenação dos movimentos voluntários) que permanecem móveis e não desenvolvem facilmente contracturas e deformidades. enquanto que em circunstâncias normais esse é o tempo em que ocorrem as maiores alterações. 13 . a criança é capaz de se levantar contra a gravidade e ganha um certo equilíbrio. Em casos graves não existem mais do que pequenas alterações por um longo período e o desenvolvimento pode ser completamente estacionado num estádio muito inicial.

O desenvolvimento da criança com paralisia cerebral é assim não somente retardado. Estes são frequentemente os casos de crianças inteligentes. 14 . infelizmente. O diagnóstico da paralisia cerebral é muito difícil numa idade precoce. pode tornar-se mais gravemente afectado do que o esperado e necessitar de tratamento. como resultado da lesão (patologia). por um período mais longo. Por outro lado. este esforço. partilhados por todas as linguagens e pelas crianças que apresentam um desenvolvimento equilibrado. recorrendo às mãos para se ajudarem. No paciente atetóide e atáxico. mas que contra todas as expectativas. mostram um resultado bastante rápido e uma boa tolerância ao tratamento.usando as partes menos afectadas ou não afectadas do seu corpo para compensar. ao longo dos diferentes estádios. Isto não implica que o desenvolvimento da linguagem resulte da actividade motora. Existem características e padrões comuns de desenvolvimento. pode dizer-se que o progresso de uma criança espástica. Esses factores tornam bastante incerto o prognóstico numa idade precoce. com probabilidades de responder ao tratamento precoce. que tentam esforçadamente e muito cedo ficar sobre os pés. mas implica que as duas dimensões do desenvolvimento sejam controladas por processos semelhantes de maturação. mas desordenado e prejudicado. terá atingido o seu auge antes da idade dos 6 a 8 anos. portanto. O recém-nascido diagnosticado como caso ameno e. ou mesmo até mais tarde. Como regra geral. existem crianças que parecem estar muito gravemente afectadas. Apesar destas incertezas não se pode perder a época em que o tratamento influencia e melhora a qualidade da coordenação. o progresso de estádio para estádio pode continuar até à idade dos 15 anos. no entanto. As idades nas quais as crianças atingem marcos no desenvolvimento da linguagem correlacionam-se altamente com os marcos do desenvolvimento motor. reforça os seus padrões anormais.

Epilepsia precoce ou tardia (nem sempre existe).Tranquilidade anormal (criança mole). . . .1. .Fraqueza muscular.7 – Sintomas da Paralisia Cerebral Podemos sistematizar alguns sintomas que nos podem indicar a existência de paralisia cerebral: .Dificuldade em mamar.Deficit intelectual (nem sempre existe). .Hiperactividade.Alterações da sensibilidade. mas aumenta com o esforço para o movimento e recai em hipotonia . 15 . . Dificuldades na interacção mãe-filho. .Postura e movimentos anormais. mas também mais marcadas com o crescimento.Tónus muscular anormal: Hipertonia (espasticidade) Hipotonia (flacidez) Variações do tónus – o tónus em repouso parece normal. . não se consegue o ensino natural ao lidar com as actividades diárias. .Atrofia causadas por falta de uso. . pois os padrões da actividade reflexa não são os mesmos.Alterações sensoriais: Deficiência auditiva Deficiência visual .Alterações circulatórias.Perturbações da linguagem-fala.

de direita e esquerda e de espaço podem também estar afectadas. 298).8.Atraso Mental A lesão cerebral nem sempre afecta a inteligência da criança. De facto. simultaneamente. além das dificuldades motoras. estas crianças podem apresentar deficiências sensoriais e intelectuais. mas serão desenvolvidos de seguida. dificuldades na alimentação. o termo Paralisia Cerebral implica que a parte afectada do cérebro se relaciona com o movimento. problemas nos intestinos e bexiga. Deste modo. Bautista ( 1997.” 16 . diminuiu a incidência de deficiência mental associada nas crianças afectadas de Paralisia Cerebral. Estas dificuldades combinam-se de diversas formas e em diferentes graus. refere que “desde que começou a ser feita uma intervenção precoce. outros problemas que poderão afectar o seu desenvolvimento. Podem revelar dificuldades para ver e ouvir. problemas auditivos. que já foram referidos. que podem ter uma capacidade intelectual razoável ou um nível de inteligência baixo. problemas emocionais ou de comportamento. Existem crianças com deficiências físicas ligeiras e outras com deficiências físicas graves. 1. bem como para perceber a forma e textura dos objectos com as mãos. As noções de distância. nomeadamente: atraso mental. 1995). p. Ou seja. problemas de dentição. epilepsia ou convulsões.8 – Problemas associados à Paralisia Cerebral A criança com Paralisia Cerebral pode ter. contudo. problemas de salivação. problemas de personalidade. como também pode acontecer o inverso (Camargo. uma criança poderá ter os movimentos pouco afectados e apresentar grandes dificuldades intelectuais. de acordo com a área do cérebro atingida e com a dimensão da lesão.1 . problemas visuais. problemas de fala e linguagem.1. dificuldades específicas de aprendizagem. pode haver outras áreas afectadas que estão associadas a funções diferentes e que provocam vários problemas.

1. De acordo com (Finnie. considerava-se que muitas crianças com disartria grave tinham um atraso mental. Deste modo. Como causas deste problema. Este factor leva a que a criança. o autor citado anteriormente salienta: icterícia neonatal. que são muito 17 . o que provoca fraca coordenação nos dois olhos e imagem repetida. 2000). 1. Problemas da elaboração central. encefalopatias pós-rubéola materna. os problemas que envolvem os nervos auditivos e as áreas do cérebro relacionadas com a audição são designados de perdas de audição sensorineural. existe atraso mental em alguns tipos de Paralisia Cerebral. muitas vezes. Esse atraso verifica-se mais frequentemente em crianças com tetraplegia espástica. De qualquer forma. As deficiências visuais podem ser agrupadas da seguinte forma: “Problemas de motilidade (estrabismo e nistagmos). acarretando consequentemente a ausência da noção de relevo.8. Problemas de acuidade visual e do campo de visão.Problemas Auditivos As pessoas com Paralisia Cerebral apresentam mais problemas auditivos do que a restante população. A coordenação dos músculos do olho está frequentemente alterada. 1997). No entanto.3 .8. utilize apenas um olho. Inicialmente. sequelas de meningoencefalite. sendo os óculomotores os mais comuns. reconheceu-se que tinham capacidades intelectuais. virose no sistema nervoso central.2 .” (Bautista.Por outro lado. avaliar a inteligência de crianças com certos tipos de Paralisia Cerebral é um processo difícil porque a maior parte dos testes requer respostas verbais e motoras. quando essas crianças conseguiram comunicar através de meios de comunicação alternativos. de maneira a criar uma distinção entre estas perdas e a perda de audição provocada por infecções no ouvido. uma avaliação baseada apenas nas impressões iniciais pode levar a uma conclusão incorrecta.Problemas Visuais Em alguns casos de Paralisia Cerebral verificam-se problemas visuais.

não causando problemas sérios.8. os termos antigos “grande mal” e “pequeno mal” foram substituídos por descrições mais técnicas.8. 1. ou generalizados.comuns nas crianças. ou seja. talvez. e ataques menores. pois não há forma de reparar os nervos auditivos que foram danificados. muitas crianças com grandes limitações motoras têm que seguir. 18 . em que há um breve momento de perda de consciência. actualmente. Assim. pode causar anemias (sobretudo pela falta de ferro).Dificuldades na Alimentação Problemas de sucção. os farináceos e os sumos. associado.Epilepsia ou Convulsões As crianças com Paralisia Cerebral apresentam maior probabilidade de sofrer de epilepsia ou ter convulsões do que as restantes crianças. Podem verificar-se diferentes tipos de ataque e. Uma criança desnutrida não cresce de forma normal e a sua resposta aos estímulos que favorecem o desenvolvimento é prejudicada.4 . De facto. Uma alimentação baseada apenas em determinados tipos de alimentos. prejudicando a sua aprendizagem. depois dos seis meses. Pode também acontecer que muitas crianças sofram apenas um ou dois ataques durante a primeira infância. mastigação e deglutição são mais comuns em crianças com envolvimento total do corpo. é como afirma Finnie (2000. a perda sensorineural é mais séria do que esta última. durante muito tempo.5 . assim que nascem. 13) “Em geral. 1. ao revirar de olhos. desnutrição e infecções. as convulsões podem ser divididas em ataques gerais. Além disso. quando todo o corpo treme e a criança perde a consciência. Assim. dietas próprias para bebés. p.” A perda de consciência interfere de forma profunda no progresso da criança. como o leite e os seus derivados. Estes factores impedem que seja feita uma boa digestão. a dieta da criança deve ser elaborada tendo em conta as características clínicas e as limitações de cada uma. Alguns bebés têm tendência a ter convulsões no período neonatal. e que podem passar despercebidos aos adultos.

sobretudo quando não passa da fase primária de sucção e deglutição e não consegue mastigar.8.8. 2000) 1. (Finnie.6 .7 .Problemas de Dentição Uma vez que a criança com Paralisia Cerebral tem dificuldade em mexer a língua. Os supositórios ajudam a limpar o intestino. As crianças afectadas por Paralisia Cerebral têm dificuldade em fechar os lábios e a fazer a deglutição regular da saliva. Quanto mais tempo as fezes permanecerem no colo (intestino grosso). deve-se prevenir para que a situação não piore e devese ainda escovar sempre os dentes depois de cada refeição. ficando constantemente molhados com saliva.Problemas nos Intestinos e Bexiga Muitas vezes. Assim sendo. depois desta fase acabam por aprender a manter a boca fechada e a engolir a saliva. Contudo. provocando cáries que fazem sofrer as crianças. Isto leva a que os dentes rapidamente fiquem estragados. os problemas na alimentação e as dificuldades de mobilidade das crianças com Paralisia Cerebral causam problemas nos intestinos e na bexiga.8. É natural os bebés terem esse problema até cerca dos seis meses de vida. 2000) 1. provocando constipação ou prisão de ventre. (Finnie. maior é a absorção de água e mais duras elas ficam. Este é um problema que se trata melhor no início da vida da criança. 19 . a comida fica facilmente agarrada aos dentes.1.Problemas de Salivação As crianças com Paralisia Cerebral têm dificuldade em controlar a saliva.8 .

A constipação intestinal crónica resulta de diversos factores, tais como: pouca ingestão de fibras e líquidos, actividade física reduzida e uso de certos medicamentos, como antiácidos e antipilécticos. A adequada ingestão de líquidos, alimentos ricos em fibras, como a fruta, as leguminosas e alimentos integrais, melhoram o funcionamento intestinal. Em geral, estas crianças também têm maior dificuldade em aprender a controlar a bexiga e algumas irão sofrer de incontinência. Existe também o perigo de retenção de urina na bexiga, que causa infecções frequentes. Nestas situações, a prevenção é muito importante. (Finnie, 2000) 1.8.9 - Problemas Emocionais ou de Comportamento Estas crianças apresentam, normalmente, um comportamento mais difícil do que as restantes. Algumas não conseguem dormir tranquilamente de noite, outras mostram-se irritadas nos primeiros anos de vida. As crianças com Paralisia Cerebral apresentam maiores problemas emocionais ou de comportamento e mais ataques de temperamento do que as restantes. Tanto as crianças que são muito activas como aquelas que têm pouca mobilidade não conseguem estar atentas por muito tempo. Assim, “problemas de hiperactividade e falta de atenção são mais comuns na criança com Paralisia Cerebral”. (Finnie, 2000, p. 17). Por isso, deve-se actuar no sentido de reduzir a sua actividade e melhorar a sua concentração. 1.8.10 - Dificuldades Específicas de Aprendizagem As crianças com Paralisia Cerebral podem ainda revelar dificuldades específicas de aprendizagem, ou seja, atrasos ou desordens manifestados nos processos de fala, linguagem, leitura, escrita, matemática ou noutras áreas escolares.

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1.8.11- Problemas de Personalidade As crianças afectadas por Paralisia Cerebral são, geralmente, muito sensíveis em termos afectivos. Revelam maior dificuldade no controlo emocional quando se verifica atraso mental associado. Nestes casos, as crianças apresentam “mudanças frequentes de humor, risos e choros injustificados, etc.” (Bautista, 1997, p. 299) Relativamente ao tipo espástico, as crianças mostram falta de vontade, sobretudo na realização de exercício físico, pois exige-lhes muito esforço. Neste sentido, é fundamental a intervenção precoce, que permite à criança habituar-se ao exercício e abandonar a falta de vontade. 1.8.12 - Problemas de Fala e Linguagem Algumas crianças com Paralisia Cerebral têm muita dificuldade para mexer os músculos responsáveis pela formação do som. Assim, a fala e a linguagem são um pouco atrasadas. (Finnie, 2000) Este último ponto constitui o objecto do nosso trabalho, pelo que será desenvolvido em pormenor mais à frente no capítulo a importância dos sistemas alternativos e aumentativos na paralisia cerebral.

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Capítulo II – MEIOS ALTERNATIVOS E AUMENTATIVOS DE COMUNICAÇÃO E AJUDAS TÉCNICAS

2.1 – Sistemas alternativos e aumentativos de comunicação

A fala é a forma de expressão mais utilizada pelas pessoas quando pretendem comunicar. No entanto, há muitas pessoas que estão impedidas de comunicar através da Fala, (como é o caso de algumas pessoas afectadas por Paralisia Cerebral) devido à impossibilidade de exercerem um controlo correcto sobre o seu aparelho fonador. Podem, contudo possuir capacidades e necessidades comunicativas idênticas às das pessoas "Falantes", se as lesões cerebrais que inibem o mecanismo da Fala, não as afectaram do ponto de vista cognitivo e emocional. Segundo Ferreira, Ponte, & Azevedo (1999, p. 21), nestes casos, a Fala não constituirá o canal ou o veículo principal do seu processo comunicativo, sendo consequentemente necessário proporcionarlhes, tão cedo quanto possível, um Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação. Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação é o conjunto integrado de técnicas, ajudas, estratégias e capacidades que a pessoa com dificuldades de comunicação usa para comunicar. Por exemplo o sistema de um indivíduo poderá conter um conjunto integrado de componentes, que incluem gestos e expressões faciais, fala e outras formas de vocalização, ajudas para a conversação e escrita, assim como estratégias específicas e capacidades que permitam usar estes modos com sucesso, numa variedade de contextos comunicativos. Uma Ajuda "aid" não é só por si um sistema de comunicação, mas sim uma componente desse sistema. Considera-se Comunicação Alternativa e Aumentativa, todo o tipo de Comunicação que aumente ou suplemente a Fala. (Ferreira, Ponte, & Azevedo, 1999)
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O termo Técnicas Aumentativas de Comunicação refere-se a quaisquer técnicas que, num processo comunicativo complementam ou reforçam a fala. Todas as pessoas usam técnicas aumentativas tais como sorrisos, contacto ocular, expressões faciais ou mesmo a escrita quando comunicam e interagem com outras pessoas. Os indivíduos gravemente afectados na fala necessitam utilizar, para além destas técnicas aumentativas vulgares, outras técnicas aumentativas mais elaboradas que se ajustem às suas necessidades comunicativas: quadros com palavras ou símbolos, sistemas com saída de voz, entre outros. Por Modo de Comunicação entende-se o canal ou o meio de comunicação mais utilizado: olhar, mímica, gesto, fala ou escrita.

2.1.1 – Tipos de sistemas
Na segunda metade da década de setenta, surgiram diferentes sistemas alternativos e/ou aumentativos de comunicação, na sua maioria sistemas gráficos. Estes sistemas, apresentam, um maior ou menor grau de abstracção tanto no que diz respeito ao grafismo ou expressão dos símbolos, como aos conceitos incluídos. Segundo Lloyd e Karlan, 1984, cit. por Ferreira, Ponte, & Azevedo, (1999), os Sistemas Aumentativos de Comunicação dividem-se em dois grandes grupos: * Sistemas de Comunicação Sem Ajuda ("Unaided") * Sistemas de Comunicação Com Ajuda ("Aided") 2.1.1.1 – Sistemas de comunicação sem ajuda Os Sistemas Sem Ajuda são constituídos por símbolos ou conjuntos de símbolos que não necessitam de quaisquer ajudas ou dispositivos e que apenas utilizam partes do corpo do indivíduo emissor, tais como a cara, a cabeça, os braços, entre outros para se expressar: o corpo de quem comunica é o veículo transmissor daquilo que se pretende comunicar. Segundo Basil & Bellacasa (1988), os Sistemas de Comunicação Sem Ajuda dividem-se em várias categorias:
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1 - Gestos de uso comum 2 - Sistemas manuais para não ouvintes (ex:Língua Gestual Portuguesa) 3 - Sistemas manuais pedagógicos (ex.: Borel Maisonny) 4 - Alfabeto manual 2.1.1.2 – Sistemas de comunicação com ajuda Os Sistemas Com Ajuda são constituídos por símbolos que necessitam de um qualquer dispositivo exterior ao sistema - como seja, uma ajuda técnica ou um outro qualquer tipo de suporte: papel, lápis, quadros de comunicação ou dispositivos electrónicos - para se suportarem e poderem ser transmitidos. Nos sistemas de comunicação com ajuda, os signos não são produzidos, são seleccionados, requerendo sempre o emprego de ajudas técnicas para transmitir as mensagens. Neste tipo de comunicação recorre-se ao uso dos mais variados dispositivos ou ajudas técnicas, tais como, tabuleiros e quadros de comunicação, relógios indicadores, máquinas de escrever adaptadas, digitalizadores e sintetizadores de Fala, computadores, entre outros, que são utilizados de acordo com as potencialidades e necessidades específicas de cada utilizador. Os Sistemas de Comunicação Com Ajuda podem agrupar-se em várias categorias: 1- Sistemas de Comunicação por objectos Constituídos por objectos de tamanho natural, miniaturas ou partes de objectos, usados como símbolos de comunicação. 2- Sistemas de Comunicação por Imagens Incluem principalmente imagens tais como fotografias e desenhos lineares. 3- Sistemas de Comunicação através de: -Símbolos Gráficos (Sistemas Gráficos):
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existem diversos signos gráficos. no entanto.1. Hoje em dia.* Pic * SPC * Rebus * Bliss * Sigsymbols * Picsyms * Oakland .Sistemas com Base na Escrita: * Par-le-silab * Alfabeto * Palavras * Frases 4. iremos descrever apenas os sistemas de signos 25 . desde quadros simples para apontar até material informático.Sistemas Combinados (utilizando símbolos gráficos e manuais) * Makaton .Sistemas de Comunicação por Linguagens codificadas: * Morse * Braille 2.2 – Sistemas de símbolos gráficos adaptados à Língua Portuguesa Os sistemas que utilizam signos gráficos estão normalmente associados à utilização das tecnologias de apoio para a comunicação.

Signos do sistema PIC: O sistema é actualmente constituído por 1300 símbolos pictográficos. O significado do símbolo é escrito. O seu grau de iconicidade torna-os fáceis de serem apreendidos e memorizados por crianças pequenas e/ou com baixo nível cognitivo. PIC e SPC porque são os mais utilizados por pessoas com dificuldades de comunicação. e com problemas de comunicação.2. 2.1 – Sistemas de Comunicação PIC O Sistema Alternativo de Comunicação PIC (Pictogram Ideogram Communication) designado em Português por Pictogramas. tal como noutros sistemas gráficos na parte superior do símbolo. Os símbolos estão agrupados segundo os seguintes temas:  pessoas  partes do corpo  vestuário e utensílios pessoais 26 . (apesar de só 400 estarem traduzidos e adaptados à língua portuguesa). símbolos pictográficos. Este sistema apresenta. supondo-se que isso facilitará o seu uso a crianças com baixos níveis cognitivos e/ou com acentuados problemas perceptivos. facilitando a comunicação com interlocutores menos conhecedores do sistema. As imagens são figuras estilizadas. Destina-se sobretudo a ser utilizado por portadores de deficiência mental. teve a sua origem no Canadá onde foi concebido em 1980 por um Terapeuta da Fala. Figura 1 . desenhadas a branco sobre fundo negro (ver figura 1). mas também alguns símbolos ideográficos.1.Bliss. Subhas Maraj. sobretudo. Os símbolos pictográficos referem-se essenciamente a objectos ou situações que podem ser esquematizados com características muito iconográficas.

contendo principalmente símbolos transparentes.1. tal 27 . Os símbolos do sistema PIC apresentam como principal desvantagem o facto de terem um pequeno grau de flexibilidade para a formação de novos significados. quando combinados entre si. Por outro lado. valoriza principalmente o efeito facilitador do fundo negro em indivíduos com problemas de percepção visual. Ponte. & Azevedo. em 1981. (Ferreira. (ver Figura2). ao sentir a necessidade de um sistema que pudesse ser facilmente aprendido por jovens que apresentavam dificuldades em fazê-lo com o Sistema Bliss. tendo sido especialmente pensado para ser utilizado por usuários da comunicação aumentativa.2 – Sistemas alternativos de comunicação SPC O sistema SPC (Símbolos Pictográficos para a Comunicação) é de origem americana (PCS .2. torna-o um sistema dispendioso de fotocopiar. e serem muito difíceis de desenhar. desenhados com um traço negro a cheio sobre fundo branco. 1999) 2. dificultando o trabalho do professor. Figura 2 – Signos do Sistema SPC É um sistema em que a maior parte dos símbolos são iconográficos. casa  casa de banho  cozinha  comida  guloseimas A investigação que tem sido feita sobre a vantagem da utilização deste sistema. o facto de os símbolos se apresentarem sobre um fundo negro.Picture Communication Symbols) e foi concebido por Roxana Mayer Johnson (Terapeuta da Fala). O significado do símbolo.

como nos outros sistemas está escrito na parte superior do mesmo para maior facilidade de compreensão nos interlocutores que não conhecem o sistema. tornando-os pouco dispendiosos. incluindo o Português. tempo. e numa versão de programa de computador (Programa Boardmaker). números e outras palavras abstractas). utilizável tanto em computador Macintosh como em PC (Windows).  Serem facilmente diferenciados uns dos outros. preposições. os símbolos foram desenhados com o objectivo de:  Serem facilmente apreendidos. está disponível numa versão impressa.  Serem facilmente reproduzíveis em fotocopiadora.  Simbolizarem as palavras e actos mais comuns usados na comunicação diária  Serem facilmente agrupados em 6 categorias gramaticais. O vocabulário do sistema SPC é composto por aproximadamente 5000 símbolos agrupáveis em 6 categorias gramaticais. Essas categorias são as seguintes: · · · · · Pessoas (incluindo pronomes pessoais) Verbos Adjectivos (sobretudo adjectivos e alguns advérbios) Substantivos Diversos (sobretudo artigos. Este sistema está traduzido em 12 línguas diferentes. 28 alfabeto.  Serem apropriados para todos os níveis etários. Com o fim de tornar o Sistema SPC uma ferramenta prática e útil para a criação de Ajudas para a Comunicação. Na nossa língua. o sistema SPC que contempla aproximadamente 5000 símbolos. Optou-se pela divisão em categorias por ser adequada à estruturação de frases simples quando os símbolos se encontram devidamente organizados na chamada de "Ajuda para a Comunicação". . cores. conjunções.

Deste modo. Pode. com o objectivo de ensinar os princípios linguísticos e a estrutura da frase à criança surda. Ao seguir este sistema de cores (chave de Fitzgerald). para além da consistência no seu uso. Inclui palavras para cumprimentar algumas expressões de prazer ou repulsa. etc. O SPC é apropriado para ser utilizado. se facilitará uma eventual combinação com símbolos de outros Sistemas. pensa-se que. assim. com possibilidades de estruturar frases de maior complexidade). e outras palavras ou expressões apropriadas ao indivíduo). Tem a particularidade de apresentar temas em áreas. Proporciona também diferentes tipos de caras ou cabeças para facilitar a simbolização de algum indivíduo em particular. ela aprendia a analisar as relações funcionais entre os diferentes componentes da frase e a compreender como a ordenação das palavras na frase afecta o significado desta.· Sociais (palavras facilitadoras da interacção social. lazer. por Edith Fitzgerald. Qualquer sistema de cores poderá ser usado com este Sistema desde que seja consistente. computadores. professora de surdos. 29 . Recomendam--se no entanto. sexualidade. as cores utilizadas para o Sistema BLISS (com a chave de Fitzgerald) que são as seguintes: Pessoas : Verbos : Adjectivos : amarelo verde azul Substantivos : Diversos : Sociais : laranja branco cor-de rosa A chave de Fitzgerald começou por ser usada em 1926. tanto por pessoas cujas necessidades comunicativas sejam equivalentes a um nível de linguagem simples (necessitando de um vocabulário limitado e de estruturar frases relativamente curtas) como por pessoas com um elevado nível de linguagem (que necessitam de utilizar uma gama de vocabulário muito vasta. como a religião.

ajustando-se ao grau de necessidades comunicativas do seu utilizador. teve a noção de que os Chineses embora pudessem ter dificuldades em compreender os diversos dialectos.3. acidentados vasculares. não tinham dificuldades quando liam 30 . Charles Bliss. fazendo dele um sistema bastante completo. mas também pela grande diversidade de símbolos que oferece.1. paralisia cerebral. estando refugiado na China. não só pelas características do seu desenho que o torna acessível a todas as idades cronológicas. condições pós-operatórias. apraxias. uma língua universal que pudesse vencer algumas das barreiras culturais e incompreensões entre as nações. autismo.2. para ser utilizado com objectivos vários por pessoas que apresentam diversas deficiências. atraso mental. Grande parte da bibliografia na área da comunicação aumentativa refere investigação feita com a utilização deste Sistema. deve ser tomada com base nas condições especiais do utente. o que tornou um dos sistemas mais utilizados pelos usuários da Comunicação Aumentativa a nível mundial. suas necessidades e capacidades. o que pode constituir um obstáculo à diferenciação entre os diversos símbolos do Sistema. Problemas de percepção visual ocorrem por vezes em populações afectadas com deficiências neuromotoras. A ideia deste sistema foi finalmente concebida durante a 2ª guerra mundial quando. 2.Sistemas alternativos de comunicação BLISS Foi criado e estudado por Charles Bliss durante um período de mais de 20 anos com o objectivo de ser utilizado como Sistema de Comunicação Internacional. Como foi anteriormente referido. A decisão sobre se o Sistema SPC é ou não apropriado para uma determinada pessoa.considerar-se o SPC como um sistema flexível que pode evoluir. etc. houve uma grande preocupação em desenhar e criar símbolos apropriados a todos os níveis etários. Este sistema tem demonstrado ser apropriado. Tendo nascido perto da fronteira Russa com a Áustria. sentiu muitas vezes os problemas criados por línguas diferentes o que o fez sentir-se motivado para construir uma espécie de esperanto gráfico. incluindo afasias.

originam os cerca de 2500 símbolos Bliss actualmente existentes. Isto faz com que este sistema seja considerado adequado a indivíduos que embora não estejam bem preparados na ortografia tradicional. foi publicada a 1ª edição do seu livro "Semantografia". têm potencial para aprender e desenvolver um vasto vocabulário. ao procurarem uma linguagem que ajudasse as crianças com paralisia cerebral e sem fala. Charles Bliss sentiu ser esta a resposta . que combinadas entre si. Figura 3 – Signos do Sistema BLISS Como engenheiro químico. Em 1949.porque a sua escrita era baseada num conceito padronizado de símbolos relacionados. o que possivelmente. depois de vários anos de pesquisa. Há vários estudos publicados que referem o uso do sistema Bliss em variadas deficiências. Este sistema é constituído por um determinado número de formas básicas. atrasos de 31 . contribuiu para o modo como ele traçou o sistema e as suas bases lógicas. (hoje Hugh MacMillan Centre) em Toronto no Canadá. alguns Psicólogos e Terapeutas da Fala canadianos. Até final dos anos 60 o sistema não teve a utilização que Bliss pretendera ao concebê-lo mas em 1971. A natureza pictográfica e ideográfica de muitos dos símbolos torna-os fáceis de apreender e fixar. afásicas e débeis mentais. incluindo deficiências motoras. através de operações combinatórias das formas básicas. começaram a aplicar o sistema de Charles Bliss como Sistema de Comunicação Aumentativa no Ontario Crippled Children's Center .um sistema gráfico baseado mais no significado do que nos sons. Bliss estava envolvido dentro da lógica da linguagem expressa nos símbolos químicos e matemáticos.

Dado que a ortografia tradicional está ligada a símbolos. se torne acessível. 1989).desenvolvimento médio ou severo. Actualmente está a desenvolver-se muita investigação sobre a influência do sistema Bliss na aquisição da leitura. a configuração e a orientação dos símbolos. surdez e afasias de adultos. McNaughton. o uso do Sistema Bliss parece reforçar as capacidades para a leitura. ou ao nível das primeiras operações concretas (Chapman & Miller. Descrição do Sistema BLISS Composição dos Símbolos: Quanto à composição dos símbolos estes podem ser: -Simples: quando contêm apenas um elemento simbólico -Compostos: quando compreendem vários elementos simbólicos 32 . 1980) Boa ou moderada compreensão auditiva e boas capacidades visuais parecem ser necessárias para pessoas com afasia Saya (1979). como foi sugerido pelos estudos de caso relatados por (Silverman. demonstrou-se que estas crianças aprenderam a utilizar alguns Símbolos Bliss (Silverman. Num estudo realizado numa classe infantil com crianças de 2 anos. Alguns autores consideram para que haja sucesso na aquisição do sistema Bliss são necessárias as seguintes capacidades: Boa capacidade de discriminação visual. devendo-se estender estes critérios a outras populações. Capacidades cognitivas ao último nível pré operatório. Mc Naughton e Kates referem a necessidade de estudos que possam determinar qual o nível cognitivo mínimo em que a utilização do Sistema Bliss. de uma forma funcional. & Kates. 1978). deficiência múltipla. para conseguir distinguir pequenas diferenças em características como o tamanho.

sugerindo o conceito ou a ideia do que representam. · Arbitrários: alguns são símbolos criados por Charles Bliss. O significado destes símbolos é dado pelo conjunto de significados dos seus elementos. · Mistos: são símbolos de dupla classificação.Factores que Determinam o Significado do Símbolo: 33 . outros são os (ponto de interrogação e ponto de exclamação).Composição por sobreposição ou Sobrepostos: Símbolos que são colocados por cima de outros e o significado é dado pelo conjunto dos significados. etc. 1999) os símbolos Bliss podem dividir-se em 4 classes básicas: · · Pictográficos: são os que se assemelham ao objecto que representam.Símbolos compostos ou Mistos.1985 cit. garagem = casa + carro vestuário = tecido + protecção 2º - Composição por sequência ou Sequenciados : Existem vários elementos simbólicos colocados uns ao lado dos outros. & Azevedo. tanto podem ser vistos como ideográficos ou como pictográficos.Tipos de símbolos: (4 classes básicas) Segundo Mc. os sinais de pontuação sinais matemáticos. Naugthon. por exemplo: hospital = casa + medicina dançar = acção + pernas + música 3º . Ideográficos: são símbolos mais abstractos.aqueles que resultam da sobreposição e da sequência em simultâneo. 3 . os números e símbolos internacionalmente convencionados. como sejam as setas. Ponte.1º . 2 . (Ferreira.

pode alterar o significado) Tamanho (a mesma forma básica de tamanhos diferentes têm significados diferentes) Localização (é relativa a uma linha imaginária do "céu e da terra" e serve para orientar o desenho dos símbolos) Distância (entre as partes do símbolo) Tamanho do Ângulo (ângulo recto ou agudo têm significados diferentes) Orientação/Direcção (a orientação de um elemento do símbolo pode modificar o significado) Apontador/Indicador (identifica alguma parte ou área específica do símbolo) Números (podem ser usados com outros símbolos para aliar novos significados tais como pronomes pessoais ou símbolos relacionados com o tempo) Referência Posicional (direcção da seta.- Configuração (ligeira mudança na forma. posição do ponto) Configuração (ligeira mudança na forma pode alterar o significado) Tamanho (a mesma forma básica com tamanhos diferentes tem significados diferentes) Localização (relativa a uma linha imaginária do céu e da terra que serve para orientar o desenho dos símbolos Distância (entre as partes do símbolo) Tamanho do ângulo (ângulo recto ou ângulo agudo pode ter diferentes significados) Orientação/Direcção (a orientação do elemento do símbolo pode modificar o significado) 34 .

6. Criação de Novos Símbolos Combinação: o símbolo de "combinação" permite a criação de novos símbolos e é colocado tanto antes.Direita: Os símbolos estão organizados em mapas ou quadros de comunicação de acordo com a progressão esquerda-direita. Esquerda . à frente. Organização dos Símbolos num Mapa de Comunicação 6. etc.Ideias (inclui noções de tempo. indica-nos que o que queremos dizer é exactamente o contrário (oposto) do símbolo que seleccionámos.Apontador/Indicador (pode identificar alguma parte ou área específica do símbolo) Números (podem ser usados com outros símbolos para criar novos significados tais como pronomes pessoais ou símbolos relacionados com o tempo) Referência Posicional (direcção da seta. Oposto: o símbolo de "oposto". ontem-hoje-amanhã. etc.Acções (inclui todos os símbolos para verbos) . Natal.1. posição do ponto) 4. Páscoa.) 5. depois. Categorias de Significação: Os símbolos são agrupados em diferentes categorias: . em colunas que se relacionam 35 .Sentimentos (inclui todos os adjectivos) . quando colocado antes de um símbolo.Relações espácio-temporais (inclui antes.) . atrás.Pessoas (inclui todo o tipo de pessoas e pronomes pessoais) . como depois dos símbolos que se querem combinar.

& Azevedo. os símbolos estão colocadas em colunas de acordo com a sua função gramatical. Partículas Cor rosa Sociais (promovem a interacção social) 2. Chave de Fitzgerald Na chave de Fitzgerald. os níveis anteriormente mencionados (18 meses de idade mental ou estádio V do desenvolvimento sensório-motor) parecem ser demasiado restritivos.com categorias individuais e categorias de significação . 1980).P.. defendiam que o desenvolvimento intelectual do indivíduo candidato a um SAAC devia situar-se pelo menos no estádio V do período sensório-motor. aonde) Cor azul Adjectivos e Advérbios Cor branca . 36 . quando. Segundo Musselwhite (1986).Artigos.Substantivos (o quê. a investigação de Reichle & Yoder (1985). já referida na descrição do S.modelo da sintaxe. veio demonstrar que indivíduos ao nível de estádio IV do desenvolvimento sensório-motor foram capazes de adquirir capacidades rudimentares para comunicar através de um tabuleiro.1. (Shane & Bashir. No entanto. Preposições.2. Pessoa-Acção-Objecto-Adjectivo. Ponte. ao nível dos 18 meses de idade mental.3 – Candidatos ao uso dos Sistemas alternativos de comunicação A questão "Quais as pessoas que podem aceder ao uso de um SAAC" tem levantado polémica entre os investigadores desta área. incluindo a expressão de desejos e de necessidades. 6.C. O código de cor que actualmente está estandardizado a nível do Sistema BLISS de acordo com a chave de Fitzgerald é (Ferreira. 1999) : Cor amarela Cor verdePessoas Acções-Verbos Cor laranja .

a preocupação deve centrar-se em identificar os candidatos a quem a comunicação aumentativa possa ajudar e a partir daí determinar as técnicas aumentativas apropriadas. sugerem um prognóstico extremamente pobre no desenvolvimento da linguagem oral". mas que carecem de um meio adequado de expressão. 2. ou o fazem de uma forma pouco inteligível. como também dificultam o desenvolvimento da compreensão da Linguagem e de outras capacidades linguísticas. e cujas dificuldades motoras os impedem completamente de falar.1 – Selecção dos candidatos ao uso dos Sistemas Alternativos de Comunicação Segundo as funções anteriormente descritas podemos considerar 3 grupos de Candidatos ao Uso dos Sistemas Aumentativos de Comunicação. 37 .Shane & Bashir (1980). podemos considerar os indivíduos cujas dificuldades físicas. associadas por vezes a outras incapacidades. Com o uso destes métodos tenta-se facilitar a linguagem compreensiva. No 3º grupo referimo-nos àqueles que mostram um elevado nível de compreensão da linguagem falada. criar ou aumentar o desejo de comunicar. não só impossibilitam o desenvolvimento da Fala como veículo de expressão. teremos indivíduos sujeitos a situações traumáticas ou cirúrgicas (por ex. Musselwhite (1986). (como função temporária). Neste caso o papel dos Sistemas Aumentativos será o de proporcionar estratégias facilitadoras do desenvolvimento das capacidades básicas de representação e do comportamento de comunicação intencional. defende que em vez de decidir quem pode usar comunicação vocal e quem não pode. No 2º grupo. traqueotomias) em que a comunicação oral não é possível durante um determinado período de tempo.1. . e progressivamente proporcionar um meio para interactuar e comunicar com os outros. Consideram esse factor um "indício preliminar de incapacidade para desenvolver a fala justificando a eleição de um sistema aumentativo de comunicação”. referem que "a persistência de reflexos orais.No 1º grupo.3. avançando cada vez mais do ponto de vista funcional e simbólico.

3 . variados estudos sugerem que.Como suplemento à linguagem verbal D.Como facilitador da linguagem C. 5 . 2 .Os sistemas aumentativos permitem a aplicação de estratégias (por ex.3.Os sistemas aumentativos podem servir vários objectivos: A. havendo menos hipóteses de ser distorcida.Como sistema de comunicação provisório B. 38 . pelo contrário.Os sistemas aumentativos podem fornecer dois "inputs" simultâneos (normalmente o visual e o auditivo) 2 . estratégias essas importantes no processo de ensino/aprendizagem.2.Os Sistemas aumentativos não são sistemas de comunicação habituais e por isso não podem ser tão rapidamente reforçados pelos indivíduos falantes.Os sistemas aumentativos não inibem o desenvolvimento da linguagem verbal.1. eles podem reforçar a Fala e/ou o desenvolvimento da linguagem (Silverman.: apontar os símbolos ou modelar com gestos ou sinais).As outras pessoas podem hesitar em aceitar o uso de um sistema aumentativo e podem sentir que isso representa desistir da comunicação vocal. os inputs visuais mantêm-se por um período de tempo mais longo e a emissão é mais demorada que a linguagem oral.2 – Vantagens e desvantagens dos Sistemas alternativos de comunicação Vantagens: 1 .Como um sistema de comunicação inicial 4 . 1989).Os sistemas aumentativos são normalmente mais estáticos. Desvantagens: 1 .

mesmo que estas não possam ser expressas através dos modos tradicionais ". dão-lhes amor. já referidos anteriormente.Os sistemas aumentativos podem ser mais caros. Por exemplo. as pessoas que falam.3 . que implicam a utilização de um dispositivo de suporte de símbolos para que o utilizador consiga transmitir as suas mensagens. Musselwhite (1986). 39 . pelo facto de ser necessário adquirir equipamentos e/ou treinar pessoas a ensinar e a receber as mensagens." Rick Creech 2. realça:" É necessário que os técnicos e os usuários dos Sistemas Aumentativos tenham juntos o objectivo de educar o público a reconhecer as capacidades comunicativas das pessoas com deficiência severa.pensem nisso por 1 minuto. Esta é a parte triste.Os outros podem ser incapazes de receber e interpretar a mensagem. comida. existem os Sistemas de Comunicação Aumentativa Com Ajuda. não esperam muito dos que não podem falar. 5 . Para concluir transcreve-se uma mensagem transmitida por um usuário de AAC.4 – Tecnologias de Apoio Podemos falar de Ajudas Técnicas ou de Tecnologias de Apoio quando nos referimos aos instrumentos tecnológicos que podem ser utilizados por pessoas com Paralisia Cerebral. calor. E não esperam grande coisa da parte deles. é semelhante à forma como tratam os cães de estimação. e que favorecem o exercício e desenvolvimento das suas capacidades funcionais. Qual será a diferença? As pessoas tratam bem dos seus cães. quando não estão ocupadas. atenção.1. tratam as pessoas que não falam. casa. através do uso de um sintetizador de voz: " A forma como as pessoas que falam. 4 . senão dedicação e obediência.Os outros podem não ter disponibilidade para despender o tempo necessário para receber e interpretar as mensagens. contribuindo para melhorar a sua qualidade de vida.

palavras. símbolos gráficos ou fotografias (figura 4).” (Ferreira. Deste modo. (Tetzchener & Martinsen. p. 2000). 52) Existem Ajudas Técnicas tradicionais que são. as Ajudas Técnicas ou Tecnologias de Apoio devem facilitar o uso do sistema de comunicação e devem ser adaptadas. Podem ser utilizadas diferentes técnicas de selecção de símbolos de um tabuleiro. geralmente. como de suportarem eficazmente o processo de interacção / comunicação com o ambiente. 43 Assim.Assim. A selecção directa pressupõe que o utilizador aponte directamente para o 40 . não só às dificuldades como também às capacidades e necessidades do utilizador. Ponte. A escolha da técnica de selecção depende do grau de dificuldade motora do utilizador. as Ajudas Técnicas fazem parte do sistema de comunicação e devem proporcionar à criança uma oportunidade de sucesso quando esta não é capaz de comunicar pelos meios naturais. 2000. verifica-se a selecção directa e a selecção por varrimento. constituindo um apoio fundamental para o processo de ensino / aprendizagem. p. & Azevedo. não só a possibilidade de transmitir a mensagem. Figura 4 – Tecnologias de Apoio Tradicional Fonte: Tetzchner e Martinsen. tabelas ou tabuleiros com letras. 1999. “Estas ajudas técnicas devem oferecer.

2000) 41 . O método de selecção por varrimento pode ser automático ou dirigido. portanto. recorrer ao varrimento combinado. 44) Quando o utilizador tem um vocabulário muito alargado. Quando a luz ou cursor se encontram na opção desejada. No varrimento automático existe uma luz ou um cursor que se move automaticamente entre as opções. Pode ainda seleccionar o símbolo recorrendo a um dispositivo.símbolo. enquanto que no varrimento combinado existem conjuntos de opções. p. as opções da tabela são percorridas umas a uma. (Tetzchener & Martinsen. No varrimento simples. Em relação ao varrimento dirigido. podendo utilizar o olhar. primeiro são seleccionadas umas linha e depois cada uma das opções dessa linha. o método de varrimento simples é muito demorado. que é mais rápido e eficaz. Deve. o dedo ou outra parte do corpo (selecção directa sem ajuda). O varrimento automático ou dirigido pode ser simples ou combinado . verifica-se a utilização de dois ou mais comutadores. o utilizador activa um comutador. Figura 5– Varrimento simples e varrimento combinado Fonte: Tetzchner e Martinsen (2000. um para deslocar a luz ou cursor e outro para seleccionar a opção. Por exemplo. como um ponteiro de cabeça ou um ponteiro luminoso (selecção directa com ajuda).

aquele que apresenta maior rapidez na escolha de símbolos é a selecção directa. uma vez que existem computadores com programas de signos gráficos. o PIC e o SPC. ligar e desligar a televisão. descrever de forma sucinta. etc. etc. os computadores podem ainda ser programados para serem usados com tecnologia de controlo ambiental. para abrir uma porta. Os computadores Apple Macintosh e os IBM têm sistemas operativos diferentes. & Azevedo (1999). & Azevedo (1999). poesia. que são o Bliss. As pessoas com dificuldades de comunicação que recorrem a um sistema de signos gráficos para comunicar poderão escrever cartas. Ponte. ou seja. de seguida. hoje em dia já existem muitos programas que são compatíveis com estes computadores. 2000) Ferreira. conduzindo.. Porém. consequentemente. (Tetzchener & Martinsen. Ponte. Estes programas permitem o uso dos sistemas de signos mais usados. acender e apagar luzes. Os computadores têm também uma finalidade educativa e lúdica. que podem ser feitos com diferentes materiais e que são constituídos 42 . o que pode reduzir a escolha dos programas. pois permitem a realização de trabalhos escolares e jogos.  Tabuleiros de comunicação Os tabuleiros e quadros de comunicação são dispositivos de suporte de símbolos. de todos os métodos de selecção de símbolos referidos.Segundo Ferreira. relatórios. fazer encomendas. referem alguns tipos de ajuda para a comunicação usados nas actividades pedagógicas que iremos. a uma maior rapidez na transmissão da mensagem. Para além de serem um apoio para a comunicação. As mais recentes Ajudas Técnicas são constituídas por dispositivos que utilizam a tecnologia dos computadores.

electrónicos. Os quadros de comunicação podem ser manuais.  Relógio indicador O relógio indicador é um dispositivo com um ponteiro. como os relógios indicadores.  Digitalizadores de fala Digitalizadores de fala são todos os dispositivos que permitem a gravação e emissão de fala ou outros sons. eléctricos. digitalizadores de fala e computadores. que suporta os símbolos e permite a sua escolha através do varrimento circular. que é um factor bastante importante para o desenvolvimento de todas as crianças.  Brinquedos adaptados Os brinquedos adaptados destinam-se a crianças com grandes deficiências motoras e dificuldades de manipulação. Assim.  Soluções informáticas integradas 43 . distribuídos de acordo com um critério funcional e adequados às necessidades de comunicação do utilizador. estes brinquedos irão proporcionar-lhes a participação em actividades lúdicas. tais como.  Avisador sonoro O avisador sonoro é um aparelho electrónico simples que transmite um sinal sonoro quando é pressionado. que as impedem de controlar os objectos. feitos. por exemplo. por exemplo. Este aparelho pode ser utilizado quando a criança pretende chamar a atenção de alguém ou dar início a uma situação comunicativa. de cartão plastificado.por imagens ou símbolos. Esta escolha é efectuada através do ponteiro que gira quando é accionado um manípulo controlado pelo utilizador.

seus periféricos e software ou programas para a comunicação (que são descritos no ponto seguinte). Essas tecnologias são: computador Macintosh. teclado de conceitos.Soluções informáticas integradas são tecnologias de apoio que se baseiam num microcomputador. Os mesmos autores destacam ainda alguns Programas para a comunicação e treino motor:  Programa FoCA Este programa foi desenhado para os computadores Apple Macintosh. “Willy the Worm” (Willy a Lagartinha). “Piece by Piece” (Peça a Peça). “JigSaw Pictures” (Figuras em Puzzle). “Start to Scan” (Início de Treino de Varrimento). assim como o treino do varrimento. descritas resumidamente pelos autores anteriormente referidos. “Match Scan” (Emparelhamento por Varrimento). “Make it Sound” (Produzir Sons).  Programa Games 2 Play 44 .  Programa “Switch Intro” Este programa foi concebido para crianças que começam a utilizar o manípulo para trabalhar no computador. écran táctil. realizando diversas actividades. o utilizador poderá colocar determinados símbolos em programas de texto ou de desenho. Permite a realização rápida e fácil de tabelas ou quadros de comunicação. impressora. interface. software ou programas.  Programa Boardmaker Este programa é constituído pelo conjunto dos símbolos do Sistema de Comunicação SPC. o utilizador poderá fazer o treino de causa-efeito. e o seu objectivo consiste num apoio aos Sistemas de Comunicação Alternativa e Aumentativa. “Hidden Pictures” (Figuras Escondidas). tais como: “Colors” (Cores). Com este programa. manípulos. “Step by Step” (Passo a Passo). nomeadamente o PIC e o SPC. Através deste software.

tendo em conta as suas limitações motoras. Ponte. um teclado alternativo ou um manípulo. Os utilizadores poderão jogar usando diferentes dispositivos: o rato. O principal objectivo destes jogos é divertir as crianças. Os jogos que fazem parte deste Programa são: “Soccer” (Futebol). “The Treasure Island” (A Ilha do Tesouro). também são educativos. “The Blocker” (O Bloqueador). “Twin Pictures 1 and 2” (Figuras Gémeas 1 e 2). um écran táctil.Este programa possibilita a utilização em simultâneo de mais do que um utilizador. Normalmente. “The Rabbit Race” (A Corrida dos Coelhos). “Tic-Tac-Toe” (Jogo do Galo). (Ferreira. “Jokus Up” (Em cima do Jokus). requer dois jogadores. porém. mas também existem actividades em que pode jogar apenas um. & Azevedo. “Formula 1” (Corrida de Fórmula 1). “Gragster”. 1999) 45 . “Target Shooting” (Tiro ao Alvo).

há muitas pessoas que estão impedidas de comunicar através da fala. a 46 . a comunicação alternativa poderá ser o seu único meio de expressão. Muitas delas. Essa avaliação deverá ser feita numa fase inicial. o envolvimento motor é tão grave que até mesmo a expressão facial ou a linguagem gestual são prejudicadas. a comunicação só é possível através de gestos. têm grande dificuldade para a comunicação. Para aquelas pessoas que não conseguem falar. mas também durante a implementação e uso do sistema. devido à impossibilidade de exercerem um controlo correcto sobre o seu aparelho fonador. Nesses casos. pois por causa da disartria não se pode compreender o que elas tentam falar. 2000) As crianças com tetraplegia espástica ou coreoatetose apresentam dificuldade para articular a palavra . Quando a fala não pode ser um veículo da linguagem torna-se fundamental proporcionar. devemos ter em conta determinados critérios e com base numa avaliação cuidadosa de quem o vai utilizar. apesar de entenderem a linguagem falada. sendo que a fala é a forma de expressão da linguagem mais utilizada pelas pessoas quando pretendem comunicar entre si. Em algumas crianças. um sistema alternativo ou aumentativo de comunicação. No entanto.Capítulo III – A IMPORTÂNCIA DOS MEIOS ALTERNATIVOS NA PARALISIA CEREBRAL A linguagem desempenha um papel fundamental na comunicação entre membros da espécie humana.disartria. No momento de escolhermos um sistema aumentativo ou alternativo de comunicação. já que qualquer utilizador poderá estar em constante evolução. expressões faciais e vocalizações. podendo ser necessário misturar ou combinar os vários sistemas aumentativos ou alternativos (Tetzchener & Martinsen. como é o caso de crianças com paralisia cerebral. dado que o papel da linguagem é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e para a interacção social. o mais precocemente possível.

mas a sua linguagem interna. da capacidade motora. Existe. O tratamento numa criança com paralisia cerebral deve iniciar-se tão cedo quanto possível uma vez que. do grau de desenvolvimento e da aprendizagem. assim. a necessidade de uma equipa multidisciplinar que actue sobre estes problemas. frequentemente recorre-se à utilização de próteses ou outro material ortopédico. que por comprometimentos motores a sua linguagem oral(fala) e linguagem gráfica (escrita) encontram-se prejudicadas. à terapia ocupacional e de fala. favorecendo expressões significativas de pensamento. défices sensoriais. Para a criança com paralisia cerebral a possibilidade da comunicação alternativa leva a uma interacção mais satisfatória com o mundo. caso contrário. O tratamento envolverá diferentes aspectos. ideias. sentimentos e desejos encontram-se em processo de construção. interfaces e softwares que possibilitem a comunicação e facilitem todo o processo de aprendizagem. as dificuldades e problemas consolidar-se-ão. Existem recursos alternativos como sistemas de linguagem e adaptações como apontadores de cabeça ou de queixo que foram desenvolvidos para ajudar estas crianças a comunicar. Para finalizar este capítulo e em jeito de conclusão direi que para que haja uma escolha acertada do meio alternativo de comunicação é necessário proceder a um diagnóstico da capacidade intelectual.ponto de somente as pessoas mais próximas serem capazes de compreendêlas. as pesquisas em engenharia de reabilitação têm procurado dar resposta utilizando o computador como recurso para o desenvolvimento de equipamentos. da personalidade. desde a motricidade. isto é os seus pensamentos. Cada vez mais. do nível de comunicação. 47 .

Parte II – Fundamentação Empírica 48 .

consequentemente. nomeadamente: Demonstrar que com a utilização dos sistemas alternativos e aumentativos de comunicação as crianças com Paralisia Cerebral superam as suas limitações comunicativas e que exprimem mais facilmente os seus sentimentos e emoções. no sentido de responder à seguinte pergunta de partida: Qual a importância dos meios alternativos de comunicação no desenvolvimento das crianças com Paralisia Cerebral? 4. decidimos centrar o objectivo do nosso estudo nas crianças com Paralisia Cerebral. Todavia. pretendemos analisar o modo como estas conseguem expressar os seus sentimentos e emoções. afectam a sua capacidade para falar. Por conseguinte. desenvolver a interacção social.2 – Objectivos e Hipóteses O presente projecto de investigação tem por objectivo principal analisar a relevância dos Sistemas Alternativos de Comunicação no desenvolvimento das crianças.1 – Descrição do objecto de estudo As crianças com Paralisia Cerebral apresentam dificuldades de movimento que. estes aspectos serão estudados no nosso projecto de investigação. Assim. Ao definir como objecto de estudo a comunicação de crianças com Paralisia Cerebral. 49 . o nosso objectivo geral é susceptível de ser traduzido em objectivos mais específicos.Capítulo IV –METODOLOGIA DE ESTUDO 4. Analisar diferentes Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação. - Demonstrar a importância da interacção entre pais e profissionais. alcançar alguma independência e mesmo desenvolver a fala.

compreender a importância dos meios alternativos de comunicação.4 – Metodologia utilizada Este estudo pretende. realizado junto dos Professores do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Cinfães. A primeira parte (caracterização Sócio demográfica) é constituída por onze questões e caracteriza a amostra a nível pessoal e profissional. 4.2001. O questionário utilizado pretende avaliar a importância dos Sistemas alternativos e aumentativos nas crianças com Paralisia Cerebral. que vão ser o fio condutor de todo o trabalho:  Hipótese operacional 1: Os professores do 1º ciclo e da Educação Especial consideram importantes os sistemas alternativos e aumentativos na comunicação de crianças com Paralisia Cerebral.  Hipótese operacional 2 : Os professores da Educação Especial têm mais conhecimento dos sistemas alternativos e aumentativos de comunicação que os professores do 1º Ciclo. das 50 . de acordo com a pergunta de partida e os objectivos propostos. 4. O respectivo inquérito é composto por duas partes.Deste modo. .3.Amostra A amostra. 2000. 2005). com um estudo exploratório. Hill & Hill. sob a perspectiva docente. citados por D’Oliveira. limitando a amostra ao Agrupamento de Escolas de Cinfães e ao distrito de Viseu. formulámos as seguintes hipóteses. uma vez que a probabilidade relativa de um sujeito ser incluído na amostra é desconhecida e será igualmente de conveniência (Vicente et al. e da Educação Especial do distrito de Viseu recorrendo ao inquérito por questionário e respectiva análise de conteúdo. A segunda parte é constituída por 20 questões. Neste trabalho será utilizada a estatística descritiva. dada a facilidade de recolha será uma amostra não probabilística.

Recolha e Registo dos Dados Os questionários foram distribuídos directamente aos professores do 1º Ciclo do Agrupamento de Escolas de Cinfães e da Educação Especial que leccionam no distrito de Viseu. versão 18). concordo e concordo totalmente. 51 . É um questionário do tipo Likert. Uma rigorosa pesquisa de dados é fundamental em qualquer investigação. O tratamento dos dados quantitativos foi realizado através do programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences (SPSS). com cinco opções de resposta. O Projecto de Investigação seguiu. foram recolhidos cinquenta devidamente preenchidos. uma metodologia de carácter quantitativo. sendo utilizados os seguintes instrumentos: pesquisa bibliográfica e questionários. as quais se distribuem da seguinte forma: discordo totalmente.1 . dos quais. discordo. na qual assentou toda a parte teórica e conceptual do nosso estudo recorri a questionários para responder à pergunta de partida. vinte e dois foram preenchidos por professores a leccionarem no 1º Ciclo e vinte e oito forma preenchidos por professores de Educação Especial. procedemos à sua análise.quais 15 são relativas à temática dos sistemas alternativos e aumentativos de comunicação e 5 dizem respeito ao envolvimento de pais e terapeutas. Dos cem questionários entregues. então. Após recolhermos os questionários. Capítulo v – RESULTADOS DO ESTUDO EMPÍRICO 5. nem discordo nem concordo. Para além de uma revisão bibliográfica e pesquisa documental.

5. correspondem a 6% da totalidade dos inquiridos. 12. 7. o que corresponde a 56%. Figura 7 – Caracterização da amostra em função do sexo 52 . no que respeita à idade. Aos indivíduos com idades inferiores a 25 anos. pelos inquiridos que se situam na faixa etária que vai dos 36 aos 45 anos de idade. 28 têm entre 25 e 35 anos. 3.2– Discussão dos resultados Figura 6 – Caracterização da amostra em função da idade Pela análise da Figura 6. mais de metade dos inquiridos. enquanto os indivíduos com idades superiores a 45 anos. com uma diferença percentual para quase metade. que corresponde a 24%. logo seguidos. correspondem 14% da amostra.

Figura 9 . e ainda. 2. através dos dados presentes na figura 7. verifica-se que a grande maioria. possui o curso do magistério primário. 33. 18. que corresponde a 4%. do efectivo amostral é do sexo feminino.Relativamente ao sexo. que corresponde a 2% detêm a grau de bacharelato. sendo os restantes. tendo em conta os valores apresentados na figura 8. 22. que corresponde a 14% e uma pequena minoria. que corresponde a 36%. 17. 7. Figura 8 – Caracterização da amostra em função da experiência Profissional Já no que respeita a habilitações profissionais.Caracterização da amostra em função da Experiência Profissional 53 . seguidos do indivíduos com licenciatura. 1. surge ainda uma percentagem significativa de indivíduos com mestrado. 66%. que correspondem 34%. que corresponde a 44%. constata-se que quase metade da amostra possui uma pós graduação.

quase metade dos inquiridos. 14. correspondente a 44%. verifica-se que. 44% dos professores inquiridos lecciona no 1º CEB e por isso não tem tempo de serviço na Educação Especial. o que corresponde a 9 e 10% referem que têm entre 11 e 15 anos de serviço. o que é correspondente a 5 dos inquiridos dentro do universo da amostra. enquanto que. 18% tem mais de 15 anos de serviço. correspondente a 28% tem entre 5 e 10 anos. Figura 11 – Caracterização da amostra em função do grupo em que leccionam 54 . Figura 10 – Caracterização da amostra em função do tempo de serviço em Educação Especial De acordo com os dados que constituem a figura10 fica a saber-se que. 22. lecciona há menos de 5 anos.No que diz respeito ao tempo de serviço. 40% tem menos de 5 anos de serviço na Educação Especial e 16% tem entre 5 e 10 anos de experiência. pela análise da figura 9.

os restantes 44% pertencem à Educação Especial.Relativamente ao grupo disciplinar. dos professores inquiridos 60% afirmam que já frequentaram acções de formação em Educação Especial. através dos dados presentes na figura 11. em número de 22. o que corresponde a 28. Figura 13 – Caracterização da amostra em função dos temas das acções de formação frequentadas 55 . 56% dos inquiridos pertencem ao 1º ciclo. Figura 12 – Caracterização da amostra em função da frequência em acções de formação no âmbito da Educação Especial A figura 12 revela que os valores relativos à formação em Educação Especial. em contrapartida 40% responderam negativamente. verifica-se que.

não possui qualquer tipo de formação em Educação Especial. o que corresponde a 27 dos inquiridos. respondeu afirmativamente nas mais diversas áreas. num total de 54%. Assim.C. correspondente a 40%. sendo de realçar.A. Autismo. Figura 14 – Caracterização da amostra em função da experiência com crianças com PC À semelhança dos resultados obtidos relativamente à formação em Educação Especial. Paralisia Cerebral e Multideficiência. o que corresponde a 60%. CIF. Sendo ainda de referir que 20 dos inquiridos. a maioria. 48% dos inquiridos afirma já ter trabalhado com crianças portadoras de Paralisia Cerebral e 52% responde negativamente. Figura 15 – Caracterização da amostra em função da utilização dos S.A. em número de 30. também quanto ao facto de já terem trabalhado com alunos portadores de Paralisia Cerebral os valores são aproximados.Relativamente à formação e temas da mesma.C por parte das crianças portadoras de P. 56 . Inclusão.

A. dos 31 que responderam afirmativamente. correspondente a 62%.Dos indivíduos que responderam afirmativamente à questão anterior. no que concerne ao conhecimento dos sistemas alternativos e aumentativos.A. revela-nos que. em percentagem de 38%. constata-se pela análise da figura 17. Figura 16 – Caracterização da amostra em função do conhecimento dos S.A. Figura 17 – Caracterização da amostra em função dos S. os restantes 19 responderam negativamente.C que conhecem No que diz respeito à figura 17. que dos restantes.C. 31 dos inquiridos respondeu afirmativamente. sobre o conhecimento dos sistemas alternativos e aumentativos.C Relativamente à figura 16.A.A.A. 40% refere que os alunos com PC utilizavam S. 32% referem que 57 .

Na análise individual aos itens da segunda parte do questionário estabelecemos logo o cruzamento destas variáveis com o nível de ensino que lecciona para ter uma visão mais geral das diferentes opiniões dos professores de grupo diferente. Relativamente à pergunta A. as quais apresentamos e discutimos de seguida.conhecem os sistemas SPC e PIC.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S.A. 4% conhecem o PIC e 2% conhecem o Bliss. Figura 18 – Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação se o Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação é um conjunto integrado de técnicas.A. conhecem SPC.C. PIC e Bliss. conhecimento dos S. De acordo com os objectivos definidos e com as hipóteses levantadas no início do nosso estudo. realizámos diversos cruzamentos entre as variáveis: idade. a existência de várias relações significativas entre algumas variáveis. 18%. conhecem o SPC. 22%. Figura 19 . Testámos e verificámos. estratégias e capacidades que a pessoa com dificuldades de comunicação usa para comunicar. habilitações profissionais.C permite à criança com PC exprimir as suas emoções 58 . sexo. nem discorda nem concorda com a afirmação.A. verificou-se que 42% dos inquiridos concorda totalmente com a afirmação. 6%.A. 34% concorda e verifica-se ainda que uma percentagem considerável de docentes do 1º ciclo. ajudas. pelo teste do Qui – quadrado. nível de ensino que lecciona e acções de formação frequentadas.

C prejudicam a aprendizagem social das crianças com PC.C permitem à criança com PC exprimir as suas emoções. Também aqui se verifica que 18% dos docentes do 1º ciclo não tem opinião formada sobre esta questão. 80%. Figura 20 .A.Pela análise da figura 19. verifica-se que a maioria dos professores.A.A. 59 .A.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O uso de S. quer do 1º ciclo quer da Educação Especial concordam ou concordam totalmente que os S.

C permitem às crianças alcançar alguma independência ou autonomia. Figura 21 .A.A.C serão prejudiciais para o desenvolvimento da fala em crianças com PC 60 . Figura 22 .A. sejam professores do 1º ciclo ou da Educação Especial.Podemos. afirmar que 80% dos docentes inquiridos Discorda totalmente ou discorda desta afirmação.A. através da leitura desta figura.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S. 18% não tem opinião formada e que 2% dos docentes do 1º ciclo concorda com esta afirmação.A.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S.C permitem à criança alcançar alguma independência e autonomia.A. concorda ou concorda totalmente que os S. Na figura 21 verifica-se que a grande maioria dos inquiridos. numa percentagem de 86%.

Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O uso do quadro de comunicação diminui a comunicação de crianças com PC. Relativamente à afirmação anterior. uma grande maioria dos inquiridos concorda ou concorda totalmente que o quadro de símbolos favorece a socialização das crianças com PC. em percentagem de 84%. 46% dos inquiridos discorda totalmente.A figura 22 elucida bem a opinião dos professores relativamente a afirmação. 30% discorda e também neste ponto 16% dos docentes do 1º ciclo nem discorda nem concorda. Figura 24 . 61 . Figura 23 . figura 23.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O quadro de símbolos favorece a socialização das crianças com PC.

A. 62 . constata-se que a grande maioria dos docentes 78% discorda totalmente ou discorda da afirmação. no seguimento de respostas anteriores. já a maioria dos professores da Educação Especial responderam concordar ou concordar totalmente em percentagem de 50%. os professores do 1º ciclo maioritariamente responderam que nem discordavam nem concordavam. tabuleiros de comunicação não permitem experiências enriquecedoras as crianças com PC.Observando a figura 24. nomeadamente.A.A. dos inquiridos. Figura 26-Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação As ajudas técnicas. ao desconhecimento desta afirmação.C são uma ferramenta a usar em todas as situações da vida das crianças com PC Pela análise da figura 25. Figura 25 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os S.A. no que se refere ao uso dos S.C em todas as situações da vida da crianças com PC.

63 .Observando a figura 26. A figura 27 revela que a grande maioria dos inquiridos. de ressalvar que os docentes de Educação Especial 32% discorda totalmente em contrapartida 18% do professores do 1º ciclo concorda.A. 92%. deficiência múltipla.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação Os sistemas de comunicação devem ir ao encontro das necessidades e interesses das crianças com PC. concordam que os S.C devem ir ao encontro dos interesses e necessidades dessas crianças. surdez e afasias de adultos. constata-se que a opinião dos docentes é divergem relativamente à afirmação. Figura 28 .A.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema Bliss não é apropriado para portadores de deficiências motoras. Figura 27 . atrasos de desenvolvimento médio ou severo.

Observamos na figura 28 que relativamente às afirmações específicas de cada um dos sistemas referidos na parte teórica do trabalho.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema SPC é uma ferramenta prática e útil porque são símbolos facilmente apreendidos e apropriados para todos os níveis etários. Figura 30 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação O sistema alternativo de comunicação PIC apresentam como principal desvantagem o facto de serem muito difíceis de desenhar dificultando o trabalho do professor. Figura 29 . 62% dos inquiridos concorda ou concorda totalmente com a afirmação. 64 . Relativamente ao sistema SPC. De referir que 28% dos docentes do 1ºCiclo não tem opinião. 36% dos docentes do 1º Ciclo nem discorda nem concorda com a afirmação em contrapartida 32% do docentes da Educação especial discorda totalmente desta.

De referir que a maioria dos docentes de 1º Ciclo. nem discorda nem concorda com a afirmação. verifica-se que 32% dos professores do 1º ciclo nem discorda nem concorda com a afirmação e 32% dos professores da Educação Especial concorda totalmente com esta.Em relação à figura 30. 70% dos inquiridos concorda ou concorda totalmente que a comunicação aumentativa e alternativa aumenta ou suplementa a fala. Figura 31 . Pela análise da figura 31.A. 65 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação É necessário formação especializada para utilizar os S. 28%.C.A.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A comunicação alternativa e aumentativa é todo o tipo de comunicação que aumente ou suplemente a fala. Figura 32 .

Pela análise da figura 33. ao invés 34% dos professores do 1º ciclo têm opinião contrária.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A participação dos pais é um entrave para a evolução/recuperação das crianças com PC. constatamos que 38% do professores de Educação Especial é da opinião que não é necessário ter formação especializada para utilizar os sistemas aumentativos e alternativos de comunicação.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação É fundamental que os pais estejam em permanente comunicação com os profissionais que trabalham com os seus filhos.Na figura acima representado. 66 . Figura 34 . pode-se concluir que 94% dos docentes inquiridos discorda da afirmação que os pais são um entrave à recuperação destes crianças. Figura 33 .

Figura 36 . quer do 1º ciclo quer da Educação Especial.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A integração das crianças com PC em turmas do ensino regular é prejudicial ao desenvolvimento da comunicação. são unânimes em concordar que é fundamental que os pais estejam em comunicação permanente com os profissionais que trabalham com os seus filhos. Pela análise do gráfico 30 verifica-se que. todos os docentes são unânimes em concordar que a interacção entre pais e professores é fundamental. Figura 35 . 67 .Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A interacção entre os pais e os professores é fundamental para o desenvolvimento da comunicação de crianças com PC. que os professores.Relativamente ao envolvimento dos pais e terapeutas. verifica-se pela figura 34.

verifica-se que a maioria dos docentes discorda que inserir este alunos em turmas regulares seria prejudicial ao desenvolvimento da sua comunicação. Quanto à Terapia da Fala. somente 2% dos inquiridos não se manifestou favoravelmente mas também não se manifestou desfavoravelmente. a figura 37 demonstra que a maioria concorda que esta é importante no desenvolvimento da comunicação nestas crianças.Opinião dos docentes dos diferentes grupos face à afirmação A terapia da fala é importante para o desenvolvimento da comunicação em crianças com PC. Figura 38 – Relação entre idade e sexo 68 . Efectuamos também outros cruzamento de variáveis e a seguir mostramos a sua relação de dependência. Figura 37 .Em relação à figura36.

Figura 40 – Relação entre conhecimento dos S.C nível de ensino 69 .Pela análise da figura 38 verificamos que não há relação entre a idade e o sexo. embora neste caso a experiência esteja mais repartida. verifica-se portanto que a maioria dos docentes da educação Especial tem menos de 5 anos de serviço e que relativamente ao 1º Ciclo uma percentagem considerável tem entre 5 e 10 anos de serviço. Embora a amostra seja maioritariamente feminina.A. Figura 39 – Relação entre experiência profissional e nível de ensino Há relação entre a experiência Profissional e o grupo onde lecciona. e se situe na faixa etária entre os 25 e os 35 anos de idade.A.

3 .A. só 6 responderam afirmativamente. não só pelos professores da Educação Especial como do 1º ciclo.Na figura 40. quando passamos a uma análise mais detalhada da figura 41. concluímos que os sistemas SPC e PIC são os mais conhecidos. enquanto que professores do 1º Ciclo. que afirmaram ter conhecimento. os professores concordam que Sistemas de Comunicação Alternativos e Aumentativos contribuem para o desenvolvimento da criança com Paralisia Cerebral. em percentagem de 6%. contrapondo com uma quase totalidade dos professores de Educação Especial. 5. correspondendo a 12%.Considerações finais Assim. 70 . tipos de sistemas alternativos e aumentativos. conclui-se: Os sistemas de comunicação mais conhecidos são o SPC e o PIC.C nível de ensino Por outro lado. de uma forma geral. Importa também referir que 32% dos professores do 1º ciclo não respondeu a esta pergunta porque não conhecem nenhum dos sistemas referidos. após o estudo realizado podemos concluir que.A. Os professores de Educação Especial têm grande parte menos de 5 anos de serviço e tem quase todos pós graduação. excepção feita a 3 destes. Figura 41 – Relação entre conhecimento dos diferentes tipos S. Analisando sumariamente todos os gráficos. verifica-se que existe relação entre estas duas variáveis. revelam um grande desconhecimento.

nas mais diversas áreas.A. - Relativamente às hipóteses formuladas.C que os professores de Educação Especial. É também fundamental que haja um trabalho efectivo na compreensão das necessidades e desejos da criança. (estas foram comprovadas) podemos afirmar que na opinião dos docentes. quer do 1º Ciclo quer da Educação Especial. sobretudo por parte dos professores.C enquanto os professores do 1º ciclo acham que precisam de formação específica. Os professores de Educação Especial acham que não é necessária formação para trabalhar com S. Consideramos que no trabalho com crianças com dificuldades comunicativas é preciso tempo. alcançar alguma independência e autonomia através do quadro de comunicação.- Os professores de Educação Especial tem mais formação.A. de maneira a desenvolver um trabalho verdadeiramente válido. Os professores do 1º ciclo conhecem menos o S. que os professores do 1º ciclo. que responda eficazmente às necessidades das crianças com PC e se conduza a progressos significativos. as crianças com Paralisia Cerebral conseguem. A aprendizagem social da criança é melhorada com o uso do quadro de símbolos. julgo que as crianças com PC conseguirão. Eles são capazes de pedir tudo aquilo que necessitam através de um quadro. paciência e dedicação. de facto. O papel dos pais e terapeutas é essencial e a partilha de responsabilidades e decisões. de facto.A. exprimir as suas emoções e necessidades com o uso do quadro de comunicação. para que esta se possa sentir feliz e valorizada.A. 71 . Relativamente à questão da autonomia. por isso conclui-se que há necessidade de formação específica por parte dos profissionais que trabalham com estas crianças e jovens.

Limitações do estudo e Linhas futuras de investigação Foram diversas as limitações para a realização deste estudo. facilitam a integração deste tipo de crianças na sociedade. No entanto.C. Pode-se dizer ainda que em um trabalho de pós graduação sempre é possível que ocorram falhas na sua elaboração. 72 .A. Considera-se que seria interessante para um futuro estudo abordar esta mesma temática mas aumentar a amostra para tornar os resultados ainda mais significativos. e por este tipo de abordagem requer mais tempo de análise. Considero como outra limitação a dificuldade na recolha dos questionários. Para finalizar. Ainda seria relevante um tipo de análise que comparasse os resultados obtidos com esta amostra com outra amostra de outra parte do país.5.4 . estas limitações não constituíram impedimento para validar os resultados do estudo efectuado e as conclusões que se retiraram a partir da análise dos mesmos. fazer um estudo de caso para aferir de que forma os S.A. por exemplo uma grande cidade. pois o tempo é exíguo.

Consequentemente. a Comunicação Alternativa e Aumentativa permite às pessoas com dificuldades de comunicação obter uma melhor qualidade de vida. desejos. Deste modo. funcional.Conclusão Após a realização deste trabalho. a selecção de um sistema deve basear-se na individualidade de cada pessoa. Um Sistema Alternativo e Aumentativo de Comunicação deve ser. deve servir para preencher as necessidades comunicativas do utilizador. acima de tudo. as potencialidades da criança devem ser desenvolvidas ao máximo para compensar as suas dificuldades. As pessoas com dificuldades motoras poderão adaptar-se à sociedade e ser membros da sua comunidade social. interesses e sentimentos. nomeadamente. Assim. Constata-se que não existe uma cura para a Paralisia Cerebral. De facto. estas pessoas sentirão mais igualdade a nível social.5 . para a vivência e transmissão de experiências. Considera-se que aquilo que torna as pessoas independentes é a sua capacidade para exprimir necessidades.5. ou seja. As pessoas que não possuem esta capacidade poderão viver sentimentos de inferioridade e frustração. concluí-se que os Sistemas Alternativos e Aumentativos de Comunicação são fundamentais no desenvolvimento da criança com Paralisia Cerebral que tem graves limitações motoras. Por isso. Este é determinante no seu percurso de vida. através do uso de um sistema de comunicação. a capacidade comunicativa torna as pessoas activas e autónomas em diferentes aspectos e situações da sua vida. ter maior controlo sobre as suas acções e desenvolver a auto-estima. mas existe a possibilidade de melhorar. 73 .

apercebi-me que alcancei uma aprendizagem rica e “cresci” como pessoa e como profissional. Quando ultrapassei esta dificuldade. A maior dificuldade que senti neste trabalho foi o parco tempo para a realização deste projecto de investigação e prendeu-se basicamente com a recolha dos questionários. no qual a cooperação entre os pais e os diversos especialistas intervenientes na reabilitação da criança é fundamental.A criança poderá. de facto. apresentar melhorias se houver um trabalho constante e insistente. 74 .

Anexos 75 .

Basil. S. Finnie.. Bautista. Analysing Language and Communication in the Child. M.P. C. São Paulo: Manole. N.Guia para os Pais e Profissionais de Saúde e Educação (p. Chapman. Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral. 5). Necessidades Educativas Especiais. A criança com paralisia cerebral . Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral.. & Azevedo. In R. A criança com paralisia cerebral . (1988). Artes gráficas. R. L. P. In K. (s.P. (1997). (2000). São Paulo . Camargo. J. São Paulo: Editora Pensamento. Manual de Ajuda para Pais de Crianças com Paralisia Cerebral.Referências bibliográficas A. & Miller. In A.C. (1999). Bobath. Schiefebush. Comunication Aumentativa.. (1995). & Bellacasa. Lisboa: Dinalivro. Ferreira. (1984). K.P. Inovação Curricular na Implementação de Meios Alternativos de Comunicação em crianças com Deficiência Neuromotora Grave. (1980).C.d.. 76 . Bautista.).Guia para os Pais e Profissionais de Saúde e Educação. Necessidades Educativas Especiais. M. R. Lisboa: Secretariado Nacional para Reabilitação e Intergração das Pessoas com deficiência. Bobath. M.Brasil: Manole. C.P. Madrid: Inserso. M. O manuseio em casa da criança com Paralisia Cerebral. Ponte.

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