InterNey Blogs: Brasil ganha nova rede de blogs A blogosfera brasileira está mais madura.

Estreou hoje a InterNey Blogs, uma nova rede brasileira de blogs, que já nasce com um sistema de remuneração. Reúne 21 blogueiros de diferentes regiões do País com a proposta de permitir aos seus integrantes ganharem dinheiro com o que mais gostam de fazer - blogar. Para isso, a rede trabalhará com um sistema de anúncios que analisa o texto de cada página, de cada blog, e identifica palavras com potencial comercial e, com base nessas palavras-chaves, gera anúncios automaticamente. O empreendimento é uma iniciativa do analista de sistemas Edney Souza, do blog InterNey, e de Alexandre Inagaki, do premiado Pensar Enlouquece. Adorei ver blogs, como o Filmes do Chico, um dos meus preferidos sobre cinema, participando do projeto. Espero que, com essa empreitada, consigam fazer um trabalho cada vez mais significativo. Para complementar as informações, ontem mesmo, bati um papo por email com Alexandre Inagaki. No final, a entrevista foi também sobre jornalismo e blogs em geral ;-) Edney e Inagaki: blogueiros e empreendedores 1) Como você percebeu a necessidade da criação de um portal de blogs no Brasil? Blogs, em geral, são exércitos de um homem só. E eu, desde a época em que editava um fanzine virtual, o Spam Zine, já havia constatado que é muito mais bacana escrever fazendo parte de alguma intrépida trupe que seja composta por amigos e gente que eu admiro.

Mas o fato é que a reunião de diversos blogs em um condomínio virtual é um ovo de Colombo, uma maneira de congregar escribas de talento, fazer com que cada blog agregue novos leitores e ao mesmo criar um portal diferenciado de notícias, que será diariamente abastecido por textos inéditos e de qualidade. 2) E como ficará o Gardenal [rede de blogs]? Você saiu de lá? O Pensar Enlouquece está saindo do Gardenal porque todos os blogs do portal serão abrigados dentro do domínio http://www.interney.net, uma URL fortíssima porque possui PageRank 7 (no Brasil, só portais como UOL e Terra têm esse mesmo ranqueamento), façanha conseguida por um expert em SEO, o Edney Souza. Além disso, no InterNey Blogs estou tendo a oportunidade de convidar vários blogueiros e jornalistas que admirava há tempos para me fazerem companhia nesta empreitada. Quanto ao Gardenal, ele continuará sendo um dos melhores coletivos de blogs brasileiros, com gente fina, elegante e sincera como o Pablo Miyazawa, o Alexandre Matias, a Lia Amâncio e o Ubiratan Leal. Mas um dia, quem sabe, espero poder fazer uma joint-venture com eles. :) 3) A remuneração será via publicidade. Como vai funcionar esse sistema de publicidade? Será junto ao Adsense, ao Mercado Livre, BuscaPé etc? Existe a possiblidade de publicidade direta - um anunciante comprar um espaço, um banner, por exemplo? Vamos trabalhar basicamente com Mercado Livre e Adsense, aproveitando toda a expertise que o Edney Souza desenvolveu a ponto de ter largado seu cargo de Gerente de Sistemas a fim de se dedicar ao seu site em tempo integral, até porque ganhava muito

mais com as receitas publicitárias oriundas do Interney.net do que com o emprego convencional que ainda tinha. A pretensão do InterNey Blogs é aproveitar toda a estrutura criada pelo Edney e conciliá-la com a produção de conteúdo de qualidade, sendo que 80% das receitas arrecadadas pelo portal serão distribuídas entre os blogueiros participantes do nosso portal. Quanto à venda de banners, certamente estaremos abertos a possibilidades. O mercado publicitário paulatinamente está descobrindo que blogs possuem audiência fiel, qualificada e voltada a nichos específicos, e espero que a criação deste portal represente mais um motivo para que anunciantes percebam que blogs podem dar um retorno muito mais expressivo do que sites tradicionais, a um CPM expressivamente menor. Blogueiros do InterNey Blogs 4) Qual foi o critério de escolha dos blogs que participam do portal [ou rede de blogs]? Outros blogueiros poderão participar? Nesta primeira fase, convidei basicamente pessoas que eu admiro. Chamei, por exemplo, o Chico Fireman, que é para mim o melhor crítico cinematográfico da blogosfera. O Nelson Moraes, tremendo escritor cujo superego anabolizado o impede de publicar um livro, apesar de já ter editoras à sua disposição. O pessoal do Uma Dama Não Comenta, um dos melhores blogs de humor brasileiros. O Pedro Ivo Resende, autor de contos nonsense geniais. E assim por diante. Estamos iniciando atividades com 21 blogs, mas pretendemos dar espaço a muitos outros. Porém, para a segunda fase do empreendimento, eu e o Edney queremos, além de prosseguir oferecendo hospedagem a blogs que

merecem ser melhor reconhecidos, começar a explorar alguns nichos mercadológicos: blogs sobre carros, games, gadgets. Qualquer um que tenha bom texto e que seja especialista em um destes assuntos pode inclusive entrar em contato comigo - aceitamos sugestões. :) 5) Além da remuneração, percebo uma preocupação de vocês em dar espaço a blogueiros com talento, mas, às vezes, um pouco desconhecidos do grande público. Recentemente, Pepe Cervera, blogueiro do 20 minutos, disse que, atualmente, a maior dificuldade dos criadores de conteúdo é obter leitores, ouvintes, conseguir que alguém os encontre. Você concorda com essa afirmação? Afirmação corretíssima. No dilúvio de informações da Web, ter um blog é quase como jogar uma garrafa no mar em busca de alguém que a encontre. Com o agravante de que, citando a tira publicada pelo Adão Iturrusgarai na Folha de S.Paulo ontem, é bem provável que a garrafa que você porventura achar terá uma mensagem com a frase "enlarge your penis" ou coisa do tipo. Mais que uma mensagem em uma garrafa ;-) 6) Qual o sistema de publicação de blogs utlizado no InterNey Blogs? E por que o escolheram? B2evolution. Para justificar a escolha, passo a bola ao nosso expert em assuntos técnicos, Mr. Edney: "Porque ele permite múltiplos blogs numa instalação, enquanto o Wordpress necessita de plugins para tanto. Além disso, raramente esses plugins são testados em ambientes de alto tráfego como será o caso do InterNey Blogs. Se o Wordpress possuísse múltiplos blogs em sua forma nativa provavelmente acabaria utilizando-o, mas não é o caso". Salam Pax: quando o jornalismo e os blogs andam juntos

7) Você falou de uma diferença entre o "jornalismo de blogs" e o "jornalismo de web". Você acredita que os blogs são "jornalismo"? E mais - o que difere um "blogueiro profissional" de um "blogueiro amador"? Creio que blogs podem, sim, praticar jornalismo de alta qualidade. Mas preciso fazer aqui uma breve digressão sobre o assunto, lembrando a afirmação da Rebecca Blood [ver post abaixo] de que jornalismo envolve coleta de dados, entrevistas, pesquisas e apurações. Sem os recursos técnicos e financeiros oferecidos pela mídia tradicional, um internauta dificilmente possuirá estrutura para fazer a apuração dos fatos, imprescindível para o bom jornalismo. Aqui no Brasil, ainda são raros os casos de blogueiros que produzem conteúdo inédito jornalístico, com entrevistas e matérias elaboradas pelos mesmos. Na maior parte das vezes, a blogosfera brasileira funciona como um ombudsman da imprensa, reverberando, filtrando e comentando o que foi produzido por jornais, revistas e portais. Por outro lado, a blogosfera é um ambiente desvinculado dos interesses ideológicos de uma empresa jornalística, dando a um jornalista a possibilidade de elaborar suas próprias pautas e escrever sem preocupações com leads, pirâmides invertidas ou deadlines. Enquanto há toda uma plêiade de blogs que se limitam a copiar e colar textos que encontraram em qualquer lugar, sem se preocupar com a veracidade das informações ou um mínimo de checagem de dados, é possível também encontrar excelentes blogs especializados nos mais diversos assuntos (divulgação científica (http://rodadeciencia.blogspot.com), cinema (http://www.ligadosblogues.blogspot.com), fotografia, quadrinhos). Trata-se, pois, de um admirável mundo novo no qual você já não

precisa mais depender de um jornal, um canal de TV ou uma rádio para encontrar as informações que deseja saber. Pode, graças à blogosfera, ler relatos de israelitas e libaneses sobre a guerra. Encontrou, por intermédio do blog de Salam Pax, mais informações sobre o cotidiano no Iraque durante a ocupação norteamericana do que em qualquer site ou jornal. Leu relatos sobre o que aconteceu em São Paulo no dia dos ataques do PCC, ou como estava New York em 11 de setembro de 2001. Na folha em branco quase infinita que é a blogosfera, quem tiver um mínimo de paciência e capacidade de discernimento descobrirá rapidamente que em blogs é possível encontrar de tudo, inclusive bons jornalistas, escritores, fotógrafos e ilustradores amadores que, por um motivo e outro, estão produzindo conteúdo de excelente qualidade desvinculados dos veículos tradicionais de comunicação. Sobre a questão da profissionalização, a criação do InterNey Blogs é uma tentativa de começar a remunerar blogueiros no Brasil por sua produção. A julgar pela experiência anterior do Edney com seu site pessoal, temos bons motivos para crermos que esse modelo será economicamente viável. Se formos bem sucedidos criaremos um ótimo precedente, possibilitando a blogueiros recursos que, naturalmente, resultarão em melhoras na qualidade e quantidade dos posts publicados. Pode ser blogueira, mas sem falar sobre política! 8) Aproveitando a pergunta acima. De uns dois anos para cá, alguns colunistas de jornais estão virando blogueiros e vice-versa. O que você acredita que difere o trabalho de um blogueiro de um colunista de jornal?

Recentemente todos os portais e sites de jornais recorreram ao uso de blogs, essa ferramenta tão hypada ultimamente. Mas não é difícil constatar que os "blogs" hospedados em portais não conversam efetivamente com outros blogs, uma vez que só linkam ou "trackbackam" notícias publicadas no próprio portal que lhes oferece hosting. Não interagem efetivamente com a blogosfera, assemelhando-se mais a colunas tradicionais meramente travestidas de blogs, até porque não possuem a liberdade que a ferramenta blog deveria lhes oferecer. Além disso, são tolhidos no tema dos posts (vide o caso da Soninha Francine, que foi proibida de escrever sobre política em seu blog na Folha Online). É importante ressaltar que no InterNey Blogs, os autores terão total liberdade de criação – têm seus templates próprios e escrevem sobre qualquer tema que lhes vier à mente. Ainda tergiversando sobre as diferenças entre blogueiros e colunistas de jornais, eis uma diferença fundamental: nos blogs, a repercussão de um texto surge pouquíssimo tempo após sua publicação, e vêm na forma de comentários e e-mails recebidos. Blogueiros interagem com seus leitores, escrevem posts a partir dos feedbacks recebidos, deixam comentários nos blogs daqueles que visitaram sua página. O tempo de resposta de um colunista de jornal obviamente é muito mais pausado e limitado pelas restrições impostas pelo veículo em que escreve. Filmes do Chico, um dos melhores do País 9) Como você acredita que serão os blogs daqui a 5 anos? Com a crescente pluralização da produção de conteúdo, a união de blogs em torno de coletivos como Gardenal, Insanus, Verbeat e InterNey Blogs será uma tendência crescente. RSS, ou o que quer

que seja que surja em seu lugar como agregador de conteúdo, será uma ferramenta ainda mais imprescindível. Blogs especializados em nichos cada vez mais específicos surgirão aos montes. A blogosfera já estará definitivamente consolidada como mídia, e muitos dos blogueiros revelados na Web serão absorvidos por jornais, revistas e portais tradicionais. Penso, no entanto, que a paulatina popularização da banda larga e os avanços nas técnicas de exibição de vídeos em streaming farão com que os videoblogs tornem-se o novo hype na Web, e isso em um prazo muito menor do que 5 anos. Contudo, assim como a TV não acabou com os jornais, creio convictamente que blogs e videoblogs conviverão sem maiores problemas. 6 perguntas: Edney Souza, fundador do InterNey Celebridade da blogosfera brasileira, Edney Souza largou seu emprego de gerente de sistemas da Divicom em agosto de 2005 pra viver do InterNey, seu blog. Aliado a conteúdo de extremo apelo popular (como ele mesmo admite no caso do Gerador de Números da MegaSena), um sistema financeiro de anúncios integrado por Souza entre anunciantes como Buscapé, Google e Mercado Livre são a ele uma renda maior hoje que no seu tempo de firrrma. Agora, InterNey empacotou sua solução financeira e começa a monetizar (decentemente) blogueiros de certo prestígio, numa jogada que deve dar ao rapaz um papel de padrinho da birrenta problogosfera brasileira (ele mesmo rechaça o termo). Nascido no final de fevereiro, o InterneyBlogs agrega 21 blogs de começo.

Qual o sistema econômico que você montou e aplicou aos 21 primeiros blogs do Interney Blog? Hoje, temos de certo o AdSense (do Google) para páginas e uma parceria com o Mercado Livre (parte do projeto Mercado Livre Sócio) para puxar anúncios da maneira mais interessante (para os anunciantes). Desenvolvi um algoritmo que analisa o que a pessoa escreveu, analisa base se dados do Mercado Livre e procura anúncios que tenham relação com texto. Com base nesta relação, ele escolhe os melhores. O sistema não tá todo implementado. Navegue pelas categorias agora e você verá que a maioria ainda tem anúncios relacionados apenas à matéria principal da categoria (culinária, literatura ou esportes, por exemplo). Financeiramente, o contrato firmando entre Interney e os 21 blogs (até agora) é que pode ser explorado para gerar lucro a partir da audiência gerada. Na divisão, 80% fica com o blogueiro e eu recebo comissão de 20%. Quem traz mais visitantes, tem participação maior (no lucro). Sinceramente, não quero saber da grana que ele ganha, mas da audiência que atrai. Esta audiência traz credibilidade, por isto estamos valorizando aspectos e blogs de todos os assuntos. Não pegamos blogueiros novos à toa. Pegamos blogueiros com maturidade, que tem gente que trabalha com escrever e que sabe da importância da qualidade. O que interessa é conteúdo de qualidade. Se deturpar e queimar credibilidade (para atrair mais audiência e,logo, mais dinheiro), pedimos pra sair. Como foi a estruturação do IB? Hoje, estou usando o excedente de hospedagem do meu servidor para bancar o início do IB. Quando houver tráfego significativo pra

exigir mais banda, vou abater da hospedagem, assim como possíveis despesas com design, que serão discutidas entre os membros. No dia de estréia, tivemos 3 mil unique visitors. É OK pra o primeiro dia. Ainda tenho hospedagem para dobrar o tráfego do Interney, que recebe de de 3 milhões a 4,5 milhões por mês, com número de page views passando 18 milhões - o Interney é o 113º site mais acessado do Brasil, segundo levantamento feito pelo Ibope em dezembro. Queremos diversificar os assuntos (já temos cinema e culinária, entre outros). Não temos, por exemplo, blogs sobre games ou sobre carros e tunning. Existem nichos não explorados e queremos achar alguém para preencher esta lacuna. Se fosse pra chamar qualquer um, a gente tinha feito algo e colocado no ar. Podemos colocar dois blogueiros do mesmo assunto pro usuário apreciar conteúdo de boa qualidade. Ter duas ou três pessoas que escrevem bem sobre o mesmo tema não significa que estamos esgotando o conteúdo. Você pretende levar este modelo para uma consultoria de SEO, por exemplo? Muita gente me cobra serviços de SEO pelo PageRank do Interney (nível 7, assim como UOL, Terra, Globo e Mercado Livre. No Brasil, só eles são 7). Não é objetivo hoje, por que tem muita gente que faz um trabalho de SEO para enganar o usuário em todo o mundo. Você consegue usar técnicas BlackHat que dão resultados bons em curto prazo. Este tipo de profissional deixa de valorizar seu trabalho por que o resultado (do posicionamento em resultados de buscas) tem que ser a médio e longo prazo.

O Google verifica e “desarma” alguns destes truques de vez em quando. Mas, até lá, o SEO já apresentou resultados para o cliente, que fica satisfeito também no curto prazo. Não é ético e pode prejudicar quem trabalha decentemente, por que o Google pode demorar anos para perceber “a falcatrua”. Não gostaria de trabalhar num setor onde você tem que apontar pros outros e dizer que não é legal o que se está fazendo. Também não acredito que um portal grande contrate meus serviços e me pague uma quantia vultuosa. Se for pro setor, terei vários pequenos clientes. Mas, no mercado brasileiro, ainda não tem gente com conhecimento elementar suficiente para manter este tipo de trabalho (no médio prazo). Fora da web, sou um Zé Ninguém. O que talvez possa lançar é uma ferramenta que rode em outro sites com espaço para propagandas. Precisamos apenas ver como acordos comerciais deste tipo podem ser fechados. No IB, todo mundo concordou que eu ganhe, faça os cálculos, passe o relatório e deposite (o dinheiro). Existe amizade para formar confiança entre nós. (Com outras empresas), o problema é fazer um contrato com este nível de segurança. Mas esta monetização de blogs em massa te coloca como um dos principais SEOs do Brasil, não? Não me considero o principal SEO do Brasil. Só trabalhei com meu site. Precisaria ter trabalhado com uma base maior de sites para dar meu argumento. O modelo financeiro que deu certo no InterNey está rodando no IB. Todas as análises dizem que vai dar certo. Você já recebeu reclamações sobre o exagero de anúncios no Interney?

Sim. Os anúncios atrapalham a leitura, sim. Mas nunca me causou nenhum tipo de problema. Meu foco é conteúdo. Não escrevo só pra atrair visitantes. Escrevo para coisas que as pessoas querem ler. O visitante vai mesmo que esteja poluído por que sabe que o material é interessante para ser lido. Existe uma tolerância grande do usuário brasileiro de maneira geral. Não existe esta tolerância quando o post engana o usuário, colocando diversos anúncios no caminho sem entregar o conteúdo prometido no início. Você se considera um problogger? Nunca me chamei de problogger por que o Brasil criou uma bolha com o cara fazendo anúncio só para catar clique. Sou um blogueiro profissional, mas se arracansse tudo que não é blog, daria pra viver muito bem. Eu obtenho lucro suficiente para viver. Agora, não gosto de usar o termo ProBlogger. Quem é, vive em meio às polêmicas. Não quero saber quem ganha quanto com o AdSense. Não vou discutir o que faço com o dinheiro ganho. Acho que tem pessoas que fazem por merecer as críticas, mas tem um grande exagero de falar que todo mundo é “comunista comedor de criancinhas”. Não quero discutir se aquilo é bom ou ruim para ganhar dinheiro com blogs. Uso isto pra falar de outros tipos de conteúdo. Princípios de um projeto web, segundo a BBC Bacana essa lista de princípios da BBC para os seus projetos web. Não conhecia. Alguns tópicos são bem manjados. Outros bem interessantes. Gostei do 3º, 6º e 8º. Mas o melhor é o 2º.

1) Desenvolva produtos que respondam às necessidades da audiência. Antecipe as necessidades não satisfeitas dos usuários com novos produtos que estabeleçam novos padrões. 2) Os melhores sites fazem apenas uma coisa, mas verdadeiramente bem - faça menos, mas com perfeição. 3) Não tente fazer tudo sozinho - aponte links para outros sites de qualidade. Seus usuários o agradecerão. Utilize o conteúdo e as ferramentas de outras pessoas para melhorar o seu próprio site e vice-versa. 4) Faça pequenas apostas, volte a êxitos do passado, mate os erros e rápido. 5) Trate todo a web como um "campo de criatividade" - não limite a sua criatividade ao seu próprio site. 6) A internet é uma "conversação". Adote um tom relaxado, de conversa. Admita seus erros. 7) Todo o site é tão bom quanto a sua pior página - tenha certeza da adoção e a manutenção das melhores práticas editoriais em todo o site. 8) Tenha certeza de que todo o seu conteúdo pode ser linkado, para sempre. 9) Lembre-se que sua avó nunca utilizará o Second Life - ela terá uma vida online em breve, mas com necessidades diferentes dos "early adopters" [consumidores ávidos por novidades]. 10) Aumente os caminhos de acesso ao seu conteúdo. Otimize seu site para ter um rank alto no Google.

11) Um design e uma navegação consistentes não significam necessariamente um único layout para todos. Os usuários devem saber sempre que estão em uma das suas páginas, mesmo quando elas são distintas. 12) Acessibilidade não é uma opção extra. Sites desenvolvidos desde o começo pensando na acessibilidade funcionam melhor para todos os usuários. 13) Deixe que os usuários colem o seu conteúdo na "parede de suas casas virtuais" - Incentive seus usuários a pegar pedaços de seu conteúdo por meio de links ao seu site. 14) Aponte links para discussões na web, mas não seja hospedeira delas. Seja palco somente de discussões que tenham uma base lógica. 15) A personalização deve ser discreta, elegante e transparente. Afinal de contas, são dados dos usuários. Trate de respeitá-los. Web abre espaço para pesquisa de vídeos A World Wide Web (ou rede mundial de computadores) está inundada de vídeos digitais, mas muitas vezes não conseguimos encontrar os arquivos que queremos ou navegar até o que pode nos interessar. É um desperdício, pois se pudéssemos pesquisar os vídeos na internet, eles poderiam se tornar o conteúdo de uma emissora global, assim como o hipertexto da web, depois de organizado e restringido por pesquisa, tornando-se matéria de uma biblioteca universal. Precisamos, como afirma Suranga Chandratillake, co-fundador da Blinkx, empresa de São Francisco, de um controle remoto dos vídeos da web, um tipo de TV Guide eletrônico. E é exatamente isso que ele oferece.

Os vídeos se multiplicaram em redes sociais como o YouTube e o MySpace, assim como nos sites de notícias e entretenimento devido ao surgimento do compartilhamento de vídeos, vídeos produzidos por usuários, armazenagem digital gratuita e redes de banda larga e WiFi. Atualmente, devido à proliferação de arquivos de grande volume, os vídeos são responsáveis por mais de 60% do tráfego na internet, segundo a CacheLogic, uma empresa de Cambridge, na Inglaterra, que comercializa "sistemas de entrega de mídia" para provedores de serviço de internet. "Imagino que dentro de dois anos esse número atingirá 98%", disse Hui Zhang, cientista da computação da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh. Mas os mecanismos de pesquisa como o Google, desenvolvidos durante a primeira era da rede, baseada em texto, têm um desempenho insatisfatório no que se refere à pesquisa nessa maré cada vez mais alta de vídeos. Isso se explica pelo fato de que eles não pesquisam os vídeos em si, mas sim coisas associadas a eles, incluindo textos de uma página web, "metadados" usados pelos computadores para exibir ou entender as páginas (como palavraschave ou rótulos semânticos que descrevem diferentes conteúdos), sufixos do arquivo de vídeo (como .mpeg ou .avi), ou títulos e legendas. Nenhum desses métodos é muito eficiente. Muitos vídeos da internet possuem pouco texto ou textos ocultos, e os videoclipes não têm metadados. Quando os possuem, induzem a erros. Os tocadores de vídeo modernos não revelam os sufixos do arquivo de vídeo, e os títulos e legendas capturam com imperfeição as palavras faladas no vídeo.

As dificuldades em saber que vídeos estão em qual lugar desafiam o crescimento dos vídeos na internet. "Se houver centenas de milhões de horas de conteúdo em vídeo on-line precisamos encontrar uma maneira eficiente e escalável de pesquisá-lo", disse Chandratillake. A história de Chandratillake é atípica no Vale do Silício. Ele nasceu no Sri Lanka em 1977 e passou a infância entre a Inglaterra e diversos países do sul da Ásia onde trabalhava seu pai, professor de química nuclear. Em seguida, ele estudou processamento distribuído na Kings College, em Cambridge, tornando-se posteriormente diretor de tecnologia da Autonomy, empresa especializada em algo chamado "computação baseada em significado". Esse histórico talvez já indicasse uma abordagem original em relação à pesquisa quando Chandratillake fundou a Blinkx em 2004. Sua solução não rejeita nenhum dos métodos de pesquisa de vídeos já utilizados, mas os complementa transcrevendo as palavras pronunciadas em um vídeo e pesquisando-as. Trata-se de uma façanha: o reconhecimento eficaz da fala é um "problema incomum" na linguagem dos cientistas da computação. A tecnologia de reconhecimento de fala da Blinkx emprega redes neurais e machine learning (aprendizagem de máquina) usando "modelos ocultos de Markov", um método de análise estatística em que as características ocultas de algo são estimadas a partir do que é conhecido. Chandratillake chama isso de "pesquisa contextual", e diz que funciona muito bem porque os significados dos sons da fala não são nítidos quando considerados por si só. "Pense na frase 'recognize speech’ (reconhecer fala)”, ele escreveu em uma mensagem de email. "Os fonemas ('rek-un-nise-peach') são bastante semelhantes aos contidos na frase 'wreck a nice beach' (destruir uma bela praia).

Nossos sistemas usam nosso conhecimento sobre quais palavras geralmente aparecem em alguns contextos, além de tudo que sabemos a respeito de um determinado clip, para melhorar a capacidade de adivinhar o que cada fonema realmente significa". Embora redes neurais e aprendizagem de máquinas não sejam novidades, sua aplicação em pesquisas de vídeos é exclusiva da Blinkx, e muito original. Mas a pesquisa do blinkx é boa? Ao visitar o site blinkx.com, a primeira coisa que vemos é o "video wall", ou mural de vídeos, com 25 telinhas tremeluzindo, cada uma exibindo um clip de vídeo popular, inserido naquela hora (o mural representa uma poderosa percepção do senso coletivo de nossa cultura popular). Para fazer um teste, digitei a frase "Chronic – WHAT – cles of Narnia" o refrão do digital short exibido no programa "Saturday Night Live" chamado "Lazy Sunday" (Domingo de Preguiça), uma paródia ao rap encenada por dois preguiçosos de Nova York. Eu queria uma frase que um navegador da web conheceria mais prontamente do que o título real de um vídeo. Eu também sabia que "Lazy Sunday", apesar de toda sua fama, seria difícil de encontrar: a NBC Universal havia veiculado a paródia ao rap gratuitamente na internet depois de exibi-la na televisão em dezembro de 2005, mas no mês passado a empresa insistiu que o YouTube o retirasse do ar. Entretanto, o Blinkx encontrou oito ocorrências de "Lazy Sunday" quando fiz a pesquisa na semana passada. O Google Video, por sua vez, não encontrou nenhuma. Ao digitar "Lazy Sunday" na caixa de pesquisa por palavras-chave da página do Google, recuperei centenas de resultados -- mas muitos eram comentários sobre o vídeo e outros tanto nada tinham a ver com o "Saturday Night Live”.

A Blinkx, que recebeu mais de US$ 12,5 milhões de investidores privados, ganha dinheiro licenciando sua tecnologia para outros sites. Embora a Blinkx tenha mais de 80 parceiros como esses, incluindo Microsoft, Playboy, Reuters e MTV, ela raramente revela os termos de suas negociações. Chandratillake contou que alguns autorizados pagam a Blilnkx diretamente, enquanto outros dividem a receita e outros fazem ambas as coisas. A Blinkx revelou os detalhes de uma negociação: a ITN, uma emissora de notícias britânica, dividirá a receita gerada por propagandas inseridas nos seus vídeos. Apesar da inovação da Blinkx, há pelo menos três obstáculos óbvios ao sucesso da empresa. Em primeiro lugar, o fato de o Google Video não ser tão bom agora não significa que não irá se aprimorar: afinal de contas, quando a Blinkx foi fundada, ela primeiramente empregou a aprendizagem de máquina às pesquisas em desktops de computadores pessoais, um projeto que foi abandonado quando o Google e a Microsoft lançaram suas próprias ferramentas de pesquisa em desktop. Em segundo lugar, ainda que o Google não consiga desenvolver uma pesquisa eficaz de vídeos, o que é improvável, essa área ainda estará saturada: TruVeo, Flurl, ClipBlast e outras empresas estão todas trabalhando em diferentes fatias desse mercado. Finalmente, a Blinkx pode não avançar o suficiente na pesquisa de conteúdo de vídeos: a empresa pesquisa os sons, mas não as imagens. Esta é a dificuldade mais grave. "Como a Blinkx dá ênfase ao reconhecimento da fala, existe uma enorme quantidade de conteúdo multimídia que ela não consegue contemplar, como fotografias", disse John R. Smith, gerente sênior do departamento de gerenciamento inteligente de informações da T.J.

Watson Research Center da IBM, em Hawthorne, N.Y. "Mas o pior é que a fala não é um indicador muito bom do que está sendo mostrado em um vídeo". Smith contou que está desenvolvendo um mecanismo experimental de pesquisa de vídeos chamado Marvel, que também usa a aprendizagem de máquina, mas organiza informações visuais, além da fala. Mas, pelo menos por enquanto, a Blinkx lidera no setor de pesquisas de vídeos: é capaz de pesquisar mais de 7 milhões de horas de vídeos e é o maior repositório de vídeos digitais da web. "A pesquisa é nossa navegação, nossa interface com a internet", afirmou John Battelle, diretor da Federated Media Publishing e autor de "The Search", um relato sobre a criação do Google. Com a Blinkx, podemos ter essa interface para vídeos digitais, e chegar um pouco mais perto da visão de Chandratillake de um controle remoto universal.