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Quiz n.

02 (Licitação - Questão discursiva)
Determinado Ente da Federação pretendia reformar uma ponte que ligava dois municípios em que havia intenso trânsito de veículos. A estimativa seria de um gasto de R$ 10.000.000,00. Assim, publicou edital de licitação. Várias empresas apresentaram documentação de habilitação com as respectivas propostas. Porém, nenhum licitante foi considerado habilitado. A Administração concedeu prazo de 8 dias para a regularização da documentação, mesmo assim, ao final, nenhuma empresa conseguiu ser habilitada, sendo a licitação revogada. Passado algum tempo, nova licitação foi inaugurada com vários interessados comparecendo e apresentando envelopes de habilitação e proposta. Contudo, desta vez houve licitantes habilitados, mas ao examinar a proposta nenhuma delas estava compatível com o edital. Porém, no decorrer do segundo procedimento licitatório realizado, o Estado foi submetido a fortes chuvas, vindo a ponte a ser interditada pois estava em iminente perigo de desmoronamento. Analise o caso concreto abordando: - A modalidade de licitação que deve a licitação ser feita. - O ato de conceder prazo para regularizar documentação tem fundamento legal? - Qual a atitude a Administração pode tomar diante da não compatibilidade das propostas com o edital e o fechamento da ponte por motivo das fortes chuvas. Até sexta-feira!!! ===================================================== ======= Respondendo: Caros Colegas, Conforme combinamos, a resposta do Quiz n. 02 de Direito Administrativo. Coloquei novamente a questão, para facilitar a vida de vocês, e em seguida minha resposta. Meus sinceros parabéns a todos pela excelente participação. Gostei muito da resposta. Um abraço! Segue: Determinado Ente da Federação pretendia reformar uma ponta que ligava dois municípios em que havia intenso trânsito de veículos. A estimativa seria de um gasto de R$ 10.000.000,00. Assim, publicou edital de licitação. Várias empresas apresentaram documentação de habilitação com as respectivas propostas.
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666/93. 10. A Administração concedeu prazo de 8 dias para a regularização da documentação. 2 . sendo a licitação revogada.000. Passado algum tempo.A modalidade de licitação que deve a licitação ser feita. por exemplo. tendo por objetivo a observância do princípio da isonomia e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Porém. este último acrescentado com a Lei n. somente permitindo tratamento distinto nas hipóteses legalmente previstas como.520/02 foi criada nova modalidade denominada pregão. Contudo.000. para aquisição de bens e serviços comuns. 12. Prevê a Constituição que a União institua normas gerais de licitação e contratação para todos os entes da federação. vindo a ponte a ser interditada pois estava em iminente perigo de desmoronamento. Conforme o art. concurso e o leilão. tomada de preços. 37. mas ao examinar a proposta nenhuma delas estava compatível com o edital.000. Em 2002. A lei editada pela União instituindo tais normas é a Lei n. convite. no desempate das propostas. como a reforma da ponte alcançará o montante de R$ 10. ao final. Assim. nova licitação foi inaugurada com vários interessados comparecendo e apresentando envelopes de habilitação e proposta. nenhum licitante foi considerado habilitado.00 será a concorrência. Assim. mesmo assim.666/93 prevê cinco modalidades de licitação: concorrência. Resposta: A licitação é o procedimento administrativo que visa selecionar a proposta mais vantajosa para o futuro contrato. estampada no art. Analise o caso concreto abordando: . O respeito ao princípio da isonomia é de índole Constitucional. . nenhuma empresa conseguiu ser habilitada. 22 da Lei de Licitações a modalidade a ser utilizada para obras e serviços de engenharia de valor superior a R$ 1. XXVII.Qual a atitude a Administração pode tomar diante da não compatibilidade das propostas com o edital e o fechamento da ponte por motivo das fortes chuvas. todos os licitantes devem ter o mesmo tratamento dispensado.O ato de conceder prazo para regularizar documentação tem fundamento legal? . XXI da CF. 22. com o advento da Lei n.349/10. 8.Porém. A Lei n.00 a concorrênciaserá a modalidade empregada.500. art. 8. o Estado foi submetido a fortes chuvas. no decorrer do segundo procedimento licitatório realizado. desta vez houve licitantes habilitados.

e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos. Portanto. contados da ocorrência da emergência ou calamidade. assim. IV .nos casos de emergência ou de calamidade pública. A contratação direta nesta hipótese não deve decorrer da desídia administrativa.666/93. O art. indo na contramão do entendimento majoritário da doutrina: as INFORMATIVO 24 TCU . nenhum licitante conseguiu ser habilitado. 48 da Lei de Licitações estabelece que quando todos os licitantes foreminabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas. equipamentos e outros bens. após esse ato. Nesse caso. sendo possível realizarcontratação direta sem licitação (licitação dispensável). III.No procedimento da concorrência os licitantes comparecem apresentando dois envelopes lacrados à comissão. Verifica-se que. nesse caso foi lícita a revogação da licitação (art. agiu corretamente a comissão ao conceder prazo para a juntada de novos documentos de habilitação. posteriormente. realiza contratação direta alegando situação emergencial. Hipótese que não ocorreu na questão em tela Destaque-se jurisprudência do TCU que relativiza sobremaneira considerações acima.Contratação emergencial decorrente da desídia administrativa Representação oferecida ao TCU apontou possíveis irregularidades na“contratação emergencial de empresa para prestação de serviços de 3 . quando o agente público não toma as providências cabíveis no tempo correto e. vedada a prorrogação dos respectivos contratos. 27 ao 31) e outro contento a proposta. serviços. Primeiro serão abertos os envelopes de habilitação. seria possível a concessão de novo prazo para apresentação de novas propostas. obras. todos os licitantes apresentaram propostas incompatíveis com o edital. quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas. provocando o fechamento da ponte é possível que esteja caracterizada situação emergencial e. um contendo a documentação de habilitação (art. 48. a administração poderáfixar aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a apresentação de nova documentação ou de outras propostas. No entanto. da Lei n. 49). deve decorrer de fatores imprevisíveis que não tiveram como causa a inércia do administrador público. A emergência não deve ser “provocada”. para depois proceder à abertura dos envelopes de proposta somente daqueles considerados habilitados. conforme prevê o art 24. públicos ou particulares. conforme prevê o art. Na nova tentativa de realizar a licitação. 8. em razão das chuvas que atingiram o Ente Federativo.

não se tenha originado. Benjamin Zymler. o relator propôs e a Segunda Câmara decidiu considerar improcedente a representação. acerca da responsabilidade dos gestores.596/2008-2. por entender que a situação de emergência teria resultado. o que teria evitado duas contratações emergenciais consecutivas da empresa Montana Soluções Corporativas Ltda. devendose analisar. a conduta do agente público que não adotou. haja vista a alternância das contratações. o relator frisou que a proposta da unidade instrutiva baseava-se “em antiga jurisprudência deste Tribunal. o relator chamou a atenção para o fato de que “A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE DE CONTAS EVOLUIU. 06. com a consequente aplicação de multa. total ou parcialmente. No entanto. no sentido de que também é possível a contratação direta quando a situação de emergência decorre da falta de planejamento.2010 . da falta de planejamento. em virtude de decisões proferidas ou pelo Poder Judiciário ou pelo TCU ou por decisão do próprio órgão. as providências cabíveis. da morosidade na condução do certame. tempestivamente. da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos públicos. A unidade técnica propôs a rejeição das justificativas apresentadas pelos responsáveis. Decisão n. e. o relator não vislumbrou qualquer intenção do DNPM.gestão de sistemas de informação pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM”. dada como de emergência ou de calamidade pública. 4 . Ao final. Também com base nas informações prestadas pelos gestores e nos documentos constantes dos autos. No caso concreto. Min. Na verdade. o relator entendeu que não se deveria atribuir-lhes culpa por eventual demora. haja vista a presença de vícios insanáveis. para fim de responsabilização. MEDIANTE ACÓRDÃO N. TC-029. rel. posteriormente. na verdade. o DNPM se viu obrigado a anular tais certames.07.º 46/2002 – PLENÁRIO” . o que acarretara as contratações emergenciais. Acórdão n.º 3521/2010-2ª Câmara. da empresa CPM Braxis. O Diretor-Geral e o Diretor de Administração foram chamados em audiência. ao realizar os contratos emergenciais em comento. divergindo do entendimento da unidade técnica no sentido de sancionar os gestores chamados em audiência. da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos disponíveis” . Em seu voto. de privilegiar determinada empresa.º 347/94 – Plenário. para a prestação de serviços técnicos especializados em informática”. em razão da suposta“não adoção de providências cabíveis para que fosse promovido o procedimento licitatório com a devida antecedência. uma vez que os processos de licitação abertos com vistas a contratar os referidos serviços não lograram êxito por motivos alheios às atribuições funcionais dos responsáveis. segundo a qual a dispensa de licitação é cabível desde que a situação adversa.