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AVALIAÇÃO DAS IN CERTEZAS N A DETERMIN AÇÃO DA EN VOLTÓRIA DE RUPTURA DE MOHR

-
CO ULOMB

Luiz Carlos Rusilo
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT

1. IN TRODUÇÃO

As envoltórias de ruptura são utilizadas nos métodos de modelagem numérica de maciço rochosos
rochosos como critérios para a definição da transição entre o regime de comportamento elástico
do regime de comportamento plástico, a partir do estado de tensão atuante. Especificamente
para o material rochoso, uma envoltória de ruptura distingue condições onde ocorre ruptura de
condições onde esta não ocorre.

Existem várias formulações propostas para as envoltórias de ruptura. Entre estas a envoltória de
M ohr- Coulomb é expressa por uma relação linear:

) tan( c
N
ϕ σ + · τ (1)

O nde:
τ= tensão cisalhante
σ
N
= tensão normal
ϕ = ângulo de atrito interno do material
c = coesão do material

O estado de tensões a que um elemento rochoso é sub metido pode ser representada por um
círculo no espaço σ
N
x τ. N ormal mente, considera- se que o material sofreu ruptura se esse círculo
tangenciou ou superou a envoltória de ruptura, como mostra a figura seguinte.


Figura 1 - Estado de tensões em que ocorre ruptura.
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2

Caso contrário, como i lustrado pela próxima figura, o material encontra- se em regime elásti co e
portanto íntegro, desde que ele não tenha sido anteriormente submetido a um estado de tensões
que tenha ocasionado sua ruptura.


Figura 2 - Estado de tensões em que não ocorre ruptura.


2. DEFIN IÇÃO DE FATORES DE SEGURAN ÇA PARA EN VOLTÓRIAS DE RUPTURA

Uma envoltória de ruptura, como anteriormente tratado, é uma curva que sob o ponto de vista
determinísti co divide o espaço σ
N
x τ em duas regiões distintas. Assim, os infinitos círculos de
M ohr- Coulomb possívei s de representar o estado de tensão de um ponto do maciço rochoso,
dividem- se em círculos que representam estados onde ocorre ruptura e círculos onde não ocorre
ruptura do ponto.

Porém, a envoltória de ruptura não qualifica a situação do círculo de M ohr- Coulomb se este não a
tangenciou. Isto é, não é fornecida informação comparativa sobre círculos que estão a distâncias
diversas da envoltória. Para suprir essa deficiência pode- se propor o cálculo de um fator de
segurança (FS) baseado no conceito de razão entre capacidade (C) e demanda efetiva (D), tal
como na equação seguinte.

D
C
FS· (2 )

O nde:
C = capacidade (raio de um círculo de M ohr- Coulomb que tangencia a envoltória de ruptura,
representando o estado extremo de tensões que ponto do maciço rochoso pode suportar)
D = demanda (raio do círculo de M ohr- Coulomb que representa o estado de tensões do ponto
do maciço rochoso analisado)
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3

O fator de segurança assim calculado se consti tui em um adi mensional que relaciona o estado de
tensões atual com um estado de tensões limite, de ruptura, do ponto do maciço rochoso estudado.
Um problema decorrente do emprego desse modelo de capacidade e demanda é que, enquanto
a demanda tem seu valor bem determinado, a capacidade, representando o distanciamento do
círculo de M ohr- Coulomb considerado à envoltória de ruptura, não é definida de forma única.
Dentre várias possib il idades, as seguintes podem ser util izadas para o cálculo do fator de
segurança:

a) Razão entre o raio de um círculo de M ohr- Coulomb hipotético, que tangencia a envoltória de
ruptura, e o raio do círculo de M ohr- Coulomb analisado, concêntrico ao primeiro, como ilustra
a figura seguinte.


Figura 3 - Fator de segurança como a razão entre círculos de
M ohr- Coulomb concêntricos.

b) Razão entre o raio de um círculo de M ohr- Coulomb hipotéti co, com σ
3
coincidente, e que
tangencia a envoltória de ruptura, e o raio do círculo de M ohr- Coulomb analisado, tal com
pode ser observado na próxima figura.


Figura 4 - Fator de segurança como a razão entre círculos d e
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4
M ohr- Coulomb com σ
3
coincidentes.

c) Razão entre o raio de um círculo de M ohr- Coulomb hipotético, com σ
1
coincidente, e que
tangencia a envoltória de ruptura, e o raio do círculo de M ohr- Coulomb do elemento
analisado, como ilustrado na figura que segue.


Figura 5 - Fator de segurança como a razão entre círculos d e
M ohr- Coulomb com σ
1
coincidentes.

O utros critérios podem ser concebidos, sempre calculando- se a razão entre o raio de um círculo
que tangencia a envoltória de ruptura e o raio do círculo de M ohr- Coulomb em análise,
associados por uma relação predefinida.

Cada um desses fatores de segurança implicita mente assume um mecanismo de evolução de
tensões. Por exemplo, nos critérios anteriormente tratados, as hipóteses são respectivamente:

a) O desenvolvimento das tensões deve ocorrer no sentido de di minuição de σ
3
com equivalente
aumento de σ
1
até se atingir a condi ção de ruptura (ou seja, sobrecarga e desconfinamento
simultâneos do elemento).

b) O valor de σ
3
deve ser constante, ocorrendo o aumento da tensão principal maior σ
1
até a
ruptura (ou seja, manutenção da tensão de confinamento, com aumento da tensão principal
maior no elemento).

c) A tensão principal maior σ
1
deve ser mantida constante, com diminuição da tensão principal
menor σ
3
, até que ocorra a ruptura (ou seja, manutenção da tensão principal maior, com o
desconfinamento do elemento).

Podem ser definidos outros fatores de segurança dessa natureza, a partir de diversas hipóteses,
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tais como a de que a razão entre σ
1
e σ
3
mantém- se constante, ou que a proporção entre estas é
que se mantém constante etc. Podem inclusive ser definidos outros fatores de segurança que
abarcam a hipótese de ruptura à tração.

A escolha de um desses fatores de segurança para um estudo não é uma ação simp les, poi s o
pesquisador deve definir “ a priori” qual das hipóteses melhor pode representar o mecanismo de
evolução de tensões até se atingir o valor da capacidade (C) do material em estudo.

Uma alternativa à predefinição da capacidade consiste no cálculo de vários tipos de fatores de
segurança, determinando- se, posteriormente, o mínimo do conjunto calculado. Agindo- se assim,
pode- se determinar um mapa de fatores de segurança mínimo para o modelo numérico que pode
funcionar como um mapa de hipóteses de rupturas mais prováveis para cada elemento do
modelo.

As implementações computacionais do método dos elementos distintos, como o programa UDEC
desenvolvido pela Itasca Inc. , calculam apenas o fator de segurança da hipótese b) acima
descrita. Um mapa ob tido com o processamento do talude da cava final da mina do Projeto
Salobo (Rusilo, 2 0 0 3), em quartzito, é apresentado na figura que segue.


Figura 6 - Distribuição de fatores de segurança segundo o tipo
(b).

Por outro lado, adotando- se o procedimento de cálculo de múltiplos fatores de segurança, com a
adoção do valor mínimo para cada elemento do modelo, o mapa ficaria como o da próxima
figura.

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Figura 7 - Distribuição de fatores de segurança mínimos dentre
os tipos (a), (b) e (c).

N ota- se que os valores da figura anterior são menores que os apresentados pela implementação
do método dos elementos d istintos uti lizada, apresentados na figura 6 . Isto sugere que a hipótese
de ruptura adotada na implementação não é a mais adequada. Uma subrotina que identifica qual
dos tipos de fator de segurança apresentou o menor valor em cada elemento do modelo reforça a
afirmação anterior, como é apresentado na próxima figura.


Figura 8 - Distribuição de hipóteses de ruptura ma is provável
no modelo (na legenda: DY = diminuição de σ
3
, fixado σ
1
).

Como pode ser visto, em todo o modelo a hipótese de desconfinamento dos elementos é a que
apresenta fatores de segurança menores e que, portanto, se constitui no mecanismo de ruptura
mais crítico.


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3. IN CERTEZAS N A DETERMIN AÇÃO DA EN VOLTÓRIA DE RUPTURA

O s fatores de segurança, tratados no item anterior, quantificam o estado de tensão apresentado
por um dado ponto do maciço rochoso, em relação à envoltória de ruptura. Porém, a
variabilidade dos parâmetros caracterizadores da envoltória, tais como a coesão (c) e o ângulo
de atrito interno (ϕ), no caso da envoltória de M ohr- Coulomb, e a incerteza que acompanha a
sua determinação laboratorial, sugerem um tratamento estatísti co.

A partir de dados de ensaios, são obtidas correlações entre pontos (σ
3
, σ
1
), como pode ser
observado na figura que segue. N o caso da envoltória de M ohr- Coulomb, a correlação definida
pela reta média é dada pela equação:

b . a
3 1
+ σ · σ (3)

O nde a e b são constantes obtidas a partir de uma regressão linear utilizando o método dos
mínimos quadrados. A figura seguinte ilustra o p rocedimento, sobre resultados de ensaios de
compressão triaxial realizados sobre amostras de quartzito são (RUSILO , 2 0 0 3).


Figura 9 - Gráfico σ
3
x σ
1
e o critério de ruptura de M ohr-
Coulomb.

Representando- se os mesmos p ontos na forma mai s usual para a M ecânica de Rochas, no espaço
σ
N
x τ, obtêm- se os correspondentes círculos de M ohr- Coulomb de cada ponto. A partir dos
parâmetros a e b são calculados os valores da coesão (c) e do ângulo de atrito (ϕ) pelas
expressões apresentadas a seguir.

,
_

¸
¸
+

· ϕ
1 a
1 a
ArcSen
(4)
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8
( )
) cos( . 2
) sen( 1 . b
c
φ
φ −
·
(5)

A figura seguinte apresenta a envoltória de ruptura dada pela equação (1), que é a reta tangente
aos círculos de M ohr- Coulomb, representativos da população em estudo.


Figura 10 - Gráfico σ
N
x τ e o cri tério de ruptura de M ohr-
Coulomb.

Aplicando- se técnicas estatísticas podem ser obtid as além da curva média, a sua di stribuição de
probabilidade.

O método dos mínimos quadrados é normalmente executado sem se considerar os erros
associados aos valores de cada um dos pontos util izados. A hipótese usual é a de que a variável
independente não apresenta incertezas e de que a variável dependente apresenta apenas
variabilidade em torno da curva média, também não apresentando incertezas.

Para que sejam levados em conta os erros d e ambas as variáveis, são necessários doi s
procedimentos, um para a transferência da incerteza da variável independente (σ
3
) para a
variável dependente (σ
1
) e o outro, para se levar em conta as incertezas na variável dependente,
quando da aplicação do método dos mínimos quadrados.

A transferência de incertezas é realizada pela aplicação da propagação de erros (Vuolo, 19 9 2 ).
Genericamente, se x é a variável independente que apresenta erros experimentais Sx e y é a
variável dependente que apresenta erros experimentais Sy, como ilustrado na figura seguinte,
então pode ser executada a transferência dos erros de x para y, mediante a equação:

2
2
0
2
0
2
Sx
dx
dy
Sy Sy
,
_

¸
¸
+ · (6 )
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O nde:
Sy
0
2
= variância original da variável y
(dy/ dx)
0
= estimativa preliminar da derivada (dy/ dx)
Sx
2
= variância da variável x
Sy
2
= variância final de y

X
Y
Sy
Sx
0
(A)


X
Y
Sy
(B)
Figura 11 - Transferência de incertezas Sx da variável x (A),
para a variável y, compondo a incerteza Sy (B).

A dificuldade na aplicação da equação anterior está no fato de que a dependência entre x e y
não é conhecida. Portanto (dy/ dx) não é, também, um valor inicialmente conhecido. Contorna- se
esse problema med iante aproximações sucessivas, esti mando- se (dy/ dx) a partir de uma
regressão linear inicial, sem se levar em conta Sx e, posteriormente, aplica- se a equação até q ue
| Sy
f
2
- Sy
0
2
| seja menor que uma precisão preestabelecida.

A transferência de incertezas, ocorrendo por iterações, deve ser executada simultaneamente à
execução de regressões lineares, levando em conta a incerteza Sy. N o caso de uma reta, deve- se
resolver o sistema linear apresentado a seguir, para a obtenção dos parâmetros a e b.

1
1
1
1
]
1

¸

1
1
1
1
]
1

¸

·
1
]
1

¸



∑ ∑
∑ ∑
·
·

· ·
· ·
i
n
1 i 2
i
n
1 i
i i
2
i
1
n
1 i 2
i
n
1 i
i
2
i
n
1 i
i
2
i
n
1 i
2
i
2
i
y
Sy
1
x y
Sy
1
Sy
1
x
Sy
1
x
Sy
1
x
Sy
1
b
a
(7)

A matriz 4x4 pode ser apresentada utilizando- se uma notação simplificada:

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10
1
]
1

¸

Σ Σ
Σ Σ
·
1
1
1
1
]
1

¸

∑ ∑
∑ ∑
· ·
· ·
s x
x x
Sy
1
x
Sy
1
x
Sy
1
x
Sy
1
2
n
1 i 2
i
n
1 i
i
2
i
n
1 i
i
2
i
n
1 i
2
i
2
i
(8)

Aplicando- se esta notação, sua inversa será dada por:

1
]
1

¸

Σ Σ −
Σ − Σ
Σ − Σ Σ ·
1
]
1

¸

Σ Σ
Σ Σ

2
2 2
1
2
x x
x s
) ) x ( x s (
s x
x x
(9 )

Portanto, resolvendo- se o sistema apresentado na equação (7), são obtidos os coeficientes a e b
segundo as seguintes expressões:

) y x xy s )( ) x ( x s ( a
2 2
Σ Σ − Σ Σ Σ − Σ Σ ·
(10 )

) xy x y x )( ) x ( x s ( b
2 2 2
Σ Σ − Σ Σ Σ − Σ Σ · (11)

O nde:


·
· Σ
n
1 i
i i
2
i
y x
Sy
1
xy (12 )


3.1. DETERMIN AÇÃO DE IN TERVALOS DE CON FIAN ÇA N O EN TORN O DA EN VOLTÓRIA DE
RUPTURA

Considerando- se um dado σ
3
’ ,
1
~
σ é a estimativa do valor fornecido pela reta teórica, ou seja ,
β + σ α · σ ' .
~
3 1
.

A construção de um intervalo de confiança para o valor ) ' . (
3
β + σ α , a partir de sua estimativa
1
~
σ ,
pode então ser feita a partir da própria variância de
1
~
σ , considerando- se um σ
3
’ que não tenha
sido uti lizado na regressão:

1
]
1

¸

+ · σ
xx
2
3 3 2
R 3
2
S
) σ ' (σ
n
1
σ ) ' ( S (13)

O nde:
n = número de pontos utilizados na regressão
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11
3
σ = valor da média dos valores de σ
3
dos pontos

E


·
·
σ
− σ ·
n
1 i
n
1 i
i 3
2
i 3 xx
n
) (
S (14)

E ainda, estimando- se
2
R
σ por
2
R
s , com:

[ ]
2 n
) b * a (
s
n
1 i
2
i 3 i 1
2
R

+ σ − σ
·

·
(15)

O nde a e b são os coeficientes obtidos da regressão, que estimam α e β, respectivamente.

Finalmente, o intervalo de confiança, da reta de regressão, no ponto '
3
σ será:

2
1
xx
2
3 3
R 2 / p ; 2 n 1
S
) ' (
n
1
s . t
~
1
]
1

¸
σ − σ
+ t σ

(16 )

O nde t
n- 1; p/ 2
é o valor de t de Student, para (n - 2 ) pontos e probabilidade p/ 2 .

Pode- se constatar que variando- se '
3
σ , o intervalo de confiança varia, sendo mínimo quando
'
3
σ =
3
σ . A região interior ao intervalo é a “ Região de Confiança” para o valor de ) ' . (
3
β + σ α .
O u seja, o intervalo garante, sob a confiança igual a (1 - p), q ue a envoltória de ruptura de M ohr-
Coulomb está contida dentro dos seus limites superi or e inferior.

Um intervalo com ma ior aplicação prática é o que possa garantir, sob a confiança (1 - p), que um
valor experimental de
1
ˆ σ , obtido para dado σ
3
’ , esteja contido entre seus l imites. Para sua
definição, deve- se considerar que o valor experimental σ
1
’ a ser previsto ocorrerá em torno de
) ' . (
3
β + σ α , cuja estimativa é
1
~
σ . Uma vez que o ponto σ
3
’ considerado não foi utilizado no
cálculo da regressão, implica que σ
1
’ e
1
~
σ são independentes. Logo, o desvio existente entre σ
1
’ e
1
~
σ terá a variância dada por:

1
]
1

¸

+ + ·
1
]
1

¸

+ + · σ − σ · σ − σ
xx
2
3 3 2
R
xx
2
3 3 2
R
2
R 1
2
1
2
1 1
2
S
) σ ' (σ
n
1
1 σ
S
) σ ' (σ
n
1
σ σ )
~
( S ') ( S )
~
' ( S (17)

Sendo
1
~
σ uma estimativa de σ
1
’ , pode- se afirmar que, sob o nível de confiança de (1 - α), o valor
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12
experimental de
1
ˆ σ estará contido no intervalo descrito pela seguinte expressão:

2
1
xx
2
3 3
R 2 / ; 2 n 1 1
2
1
xx
2
3 3
R 2 / ; 2 n 1
S
) ' (
n
1
1 s . t
~
ˆ
S
) ' (
n
1
1 s . t
~
1
]
1

¸
σ − σ
+ + + σ ≤ σ ≤
1
]
1

¸
σ − σ
+ + − σ
− − α α
(18)

Variando- se σ
1
’ , obtêm- se as curvas externas às do intervalo de confiança da curva teórica. A
área delimitada pelas duas curvas constitui a denominada “ Região de Previsão” para σ
1
’ .


Figura 12 - Representação esquemática da região de
confiança e de previsão.

Finalmente, a banda de confiança, acima da qual o valor experimental
1
ˆ σ encontra- se, sob a
confiança (1 - α), dado o valor de σ
3
’ é definida pela equação seguinte.

2
1
xx
2
3 3
R 2 / ; 2 n 1 3
S
) ' (
n
1
1 s . t
~
) ( conf
1
]
1

¸
σ − σ
+ + + σ · σ
− p
(19 )


3.2. IMPLEMEN TAÇÃO EM MÉTODOS DE MODELAMEN TO N UMÉRICO

Aplicando- se o equacionamento anteriormente apresentado, obtêm- se curvas de probabilidade,
denominadas bandas de confiança, as quais são curvas cujos eixos passam pelo centro de massa
da nuvem de pontos analisada e que, cada uma d elas, delimita o espaço em regiões onde ocorre
ruptura e onde não ocorre ruptura, sob um dado valor de probabilidade.

A figura seguinte apresenta algumas das infinitas curvas. Percebe- se que a envoltória de ruptura
deterministi camente definida nada mais é que a curva correspondente à probabilidade de 50 %
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de ruptura. Em outras palavras, dado um círculo de M ohr- Coulomb a ser analisado e apenas a
envoltória de ruptura, se aquele tangenciar a envoltória, o que se pode afirmar é que há 50 % de
probabilidade de o ponto do maciço rochoso por ele representado não estar rompido, mas 50 %
de probabilidade de estar rompido.

Percebe- se também pela figura, que quanto mais abaixo o círculo de M ohr- Coulomb, da
envoltória de ruptura, menos provável é que ocorra a ruptura e, após superada a envoltória,
quanto mais acima estiver o círculo de M ohr- Coulomb, maior a probabilidade de que a ruptura
ocorra.


Figura 13 - Curvas de probabilidade de ruptura em torno da
reta média.

A consideração das curvas de probabilidade de ruptura pode ampliar, portanto, o conceito de
envoltória de ruptura, no seu aspecto prático, pois as envoltórias de ruptura partem de uma
concepção teórica, para a obtenção de uma envol tória concreta a partir de ensaios laboratoriais,
os quais contém a variabil idade natural do material analisado. Pode também permitir a análise
em termos de confiabilidade da estrutura estudada, uma vez que associa os resultados da análise
numérica aos níveis de incerteza da resistência mecânica do material levantada em laboratório.

A implementação de uma envoltória probabilística de ruptura pode ser executada em programas
de modelagem numérica, e são várias as possibilid ades de atuação de tal envoltória em modelos,
pois pode- se obter a informação da probabilidade de ruptura de cada elemento componente do
modelo e também pode a envoltória instruir o algoritmo que, sob uma dada probabilidade, o
elemento se rompeu.

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14

4. APLICAÇÕES

4.1. MAPA DE PROBABILIDADES DE RUPTURA

Com a definição das bandas de confiança para a envoltória de ruptura, pode- se proceder ao
cálculo de probabil idades de ruptura de cada elemento do modelo, dados seus estados de
tensão, a curva média de regressão linear e de seus parâmetros de dispersão. Trata- se de uma
operação sobre a equação que define uma banda de confiança dada pela equação 19 , na qual
deve- se encontrar a probabilidade p que gera um intervalo de confiança que passa pelo ponto

3
, σ
1
).

O processo de cálculo desenvolvido segue os seguintes passos:

a) Dadas as tensões σ
1
e σ
3
, calcula- se σ
1
’ , a partir de σ
3
, segundo a equação ob tida da
regressão linear.

b) Considerada a expressão de ) σ ( conf
3
, calcula- se o valor de t de Student pela expressão:

2
1
xx
2
3 3
R
3 1
;p 2 n
S
) σ (σ
n
1
1 . s
b) σ * (a σ
t
1
]
1

¸

+ +
+ −
·

(2 0 )

O nde:
n = número de pontos utilizados na regressão
a, b = parâmetros da regressão
3
σ = valor médio dos
3
σ usados para a regressão

c) Uma vez que o t de Student é função apenas de α, conhecido n - 2 , a inversa da função de
distribuição de probabilidade de t fornece o valor da probabilidade p, que é a probabilidade
de ruptura.

d) O s procedimentos a), b) e c) são executados para todos os elementos do modelo e os valores
de α podem ser listados ou apresentados em forma gráfica.

Ilustrando este processo, é apresentado um mapa de probabilidades de ruptura na figura
seguinte.

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Figura 14 - Distribui ção das probabil idades de ruptura no
modelo numérico.


4.2. CRITÉRIO DE RUPTURA PROBABILÍSTICO

A implementação de um critério de ruptura probabilístico baseia- se no fato de que a envoltória de
ruptura média é apenas uma das infinitas curvas de probabilidade de ruptura que podem ser
extraídas de uma série de ensaios de compressão triaxial sobre corpos de prova de rocha. Sendo
a curva média, a que representa 50 % de probabi l idade de ruptura de um elemento do material.
Portanto, outras curvas descritas pela equação de da banda de confiança (equação 19 ) podem
ser utilizadas para realizar análises de estabilidade em níveis de confiabilidade diferentes.

Processando- se o modelo numérico com essa envoltória probabilística, é obtido o resultado do
comportamento do modelo sob valores diversos de confiabilidade.


4.3. AN ÁLISE ESTOCÁSTICA DE MODELOS N UMÉRICOS

Essa aplicação, apresentada aqui apenas teoricamente, pode ser considerada como a ampliação
do escopo das duas aplicações anteriormente tratadas e, consiste no cálculo dos desvios dos
fatores de segurança de cada elemento do modelo numérico.

Ela leva em conta não só a envoltória de ruptura, determinada a partir de ensaios, e suas bandas
de confiança e os estados de tensão de cada elemento, mas também os seus respectivos desvios,
decorrentes das incertezas provenientes dos demais parâmetros geomecânicos, tais como o
módulo de deformabilidade e o coeficiente de Poisson, como ilustra a figura a seguir.

Avaliação das Incertezas na Determinação da Envoltória de Ruptura de Mohr- Coulomb
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16
0 10 20 30 40 50
σ
0
10
20
30
σ
Bandas de
Confi ança para
a Previ são de y'
Ret a de
Regressão
Estado de Tensão
em um Elemento
3
1

Figura 15 - Envoltória de ruptura com suas bandas de
confiança e o ponto representativo do estado de tensão de um
elemento do modelo numérico com suas incertezas.

N essas condições, a avaliação da confiabilidade poderia ser feita pelo método de capacidade e
demanda, onde ambos são variáveis aleatórias.

Entretanto, esta aplicação enfrenta dois problemas quanto à sua interpretação.

O primeiro refere- se propriamente ao cálculo das incertezas de σ
1
e de σ
3
, que não é uma tarefa
simp les, pois são conhecidas apenas as incertezas dos parâmetros geomecânicos do problema
em estudo, sendo necessário todo o desenvolvimento e imp lementação de um equacionamento
específico para que possa ser executada a propagação de erros.

O utro problema relaciona- se ao resultado de ta l i mplementação. M esmo q ue seja desenvolvido o
equacionamento proposto no parágrafo anterior, seu resultados serão apresentados em relação a
cada elemento, e não por meio de um índice glob al representativo da condição geral do modelo
numérico.


5. CO N CLUSÃO

Considerando- se as envoltórias de ruptura sob o ponto de vista determinístico, existem
dificuldades quanto à qual ificação da condição estrutural de pontos do maciço rochoso não
rompidos. N esse sentido, o presente artigo ap resenta propostas de cálculo de fatores de
segurança que podem ser utilizados para esse fim, bem como, uma metodologia de cálculo
simultâneo desses fatores de segurança, que permite a identificação do menor dos fatores de
Avaliação das Incertezas na Determinação da Envoltória de Ruptura de Mohr- Coulomb
Luiz Carlos Rusilo
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segurança obtidos, com a vantagem de permitir a identificação do mecanismo mais crítico de
ruptura para cada elemento, no caso de um modelamento numérico.

Sob o ponto de vista estatístico, existe ainda o problema das incertezas na determinação de
envoltórias de ruptura experimentais ob tidas a p artir de resultados de ensaios de laboratório.
Essas incertezas podem ser levadas em conta nas análises de estab il idade e, em especial em
modelamentos numéricos, mediante o procedimento proposto de cálculo de intervalos de
confiança para a envoltória de ruptura experimentalmente determinada.

N esse sentido, este artigo apresenta possívei s apli cações. A primeira, refere- se à confecção de
um mapa de probabilidades de ruptura de um modelo numérico, fornecendo informações de
modo rápido sobre as condição de estabilidade do modelo, elemento a elemento. A segunda
aplicação refere- se à possibil idade de análise de modelos numéricos com a adoção, não da reta
de regressão como envoltória de ruptura como normalmente ocorre, mas sim com suas bandas de
confiança. A terceira demanda o desenvolvimento de um equacionamento específico ao métod o
numérico a ser aplicada e tem como resultados, valores da condição estrutural em pontos do
modelo numérico.

Finalmente, deve- se notar que, embora o estudo tenha sido realizado com a envoltória linear de
M ohr- Coulomb, o procedimento pode ser generalizado para outros tipos de envoltórias.


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