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PEQUENOS GRANDES ERROS DFE CAMPANHA realizações do passado para elegê-lo Cuidado.

O atraente está no futuro, no que ainda não foi feito. O passado tem o poder de derrotar um candidato, raramente de elegê-lo. Este erro, frequentemente cometido, inclusive por políticos de grande nome e experiência, decorre da presunção do candidato de que o eleitor vai valorizar, da mesma forma que ele valoriza, o seu passado de realizações. Em tese, isto é, em abstrato, o argumento faz sentido.

Experiência "bate de frente" com mudança, que atrai eleitores O eleitor, de acordo com este pensamento acima, deveria sempre escolher o candidato que avaliza com seu passado de realizações as promessas que faz para o futuro, em detrimento daquele que tem pouco ou nada para mostrar do que já fez. Dito de outra forma, o candidato "experiente" deveria sempre sobrepujar seus adversários menos experientes. Confiado na solidez eleitoral deste argumento, a campanha do candidato "experiente" concentra-se na apresentação das obras e realizações, na tentativa de comprovar o quanto ele é superior aos seus adversários. Na realidade, este posicionamento da candidatura apoia-se em alguns pressupostos que, de tão óbvios, normalmente não são discutidos na equipe de campanha: 1. Pressuposto de que o eleitor valoriza mais a experiência do que a inovação; 2. Pressuposto de que a principal função da publicidade é produzir peças destinadas a lembrar o eleitor que o candidato é o autor daquelas obras e realizações; 3. Pressuposto de que o eleitor, lembrado das suas realizações, faz o seguinte raciocínio: "se ele, quando esteve no poder, foi capaz de fazer tais e tais obras, se voltar ao poder fará mais ainda, ou pelo menos vai repetir seu desempenho"; 4. Pressuposto de que este raciocínio (eleitor) / argumento (candidato) é imbatível, na comparação com os argumentos dos outros candidatos.

Ainda que estes pressupostos sejam válidos para alguns eleitores, eles não possuem igual validade para a maioria. De fato, todos eles são discutíveis. Pressuposto de que a experiência é mais valorizada que a inovação Este pressuposto "bate de frente" com o sentimento de mudar que é dominante nas eleições. Eleições são momentos de mobilização de esperanças e expectativas, sobretudo para os segmentos mais necessitados da população. Nas eleições há sempre uma nítida pré-disposição para a mudança, da parte do eleitorado. Em consequência, a candidatura identificada com a inovação e mudança encontra uma maior consonância com o sentimento da população do que aquela identificada com a continuidade, ou mesmo com a repetição do que já foi realizado. Isto não significa que as pessoas desmereçam o que já foi feito. Muito ao contrário, em geral o valorizam. Mas, já foi feito, está lá.... O atraente está no futuro, no que ainda não foi feito.

As lembrança do passado não garantem vitória ao candidato A publicidade que força o recall das realizações passadas, para muitos eleitores, produz um efeito de desconforto. Ela não apenas vai contra o sentimento dominante pela mudança, mas é percebida como uma "cobrança", um constrangimento. Ela opera com o seguinte argumento de persuasão: "você tem o dever de votar em mim porque eu já fiz tudo isto para você". Não é necessário insistir o quanto esta forma de persuasão é antipática, não apenas na política, mas em qualquer outra esfera da vida pessoal. O voto, que o eleitor considera seu, e em relação ao qual, a cada 2 ou 4 anos, sente-se livre para dele dispor como bem entender, parece-lhe que está sendo roubado por um argumento que, se ele o aceitar, não lhe dá espaço de escolha. Pressuposto "quem já fez fará novamente" Este argumento não é tão tranquilo como parece ao candidato. Primeiramente, porque suas realizações, pelo menos boa parte delas, deverão ser controvertidas. Haverá quem as conteste em si mesmas, ou a forma como foram executadas. Além

disso, o eleitor possui uma percepção intuitiva de que os tempos são outros e as condições mudaram. E o que é ainda mais importante, que outros também podem fazer, e quem sabe, mais e melhor. Implícito e contrabandeado no interior do argumento "quem fez, fará", está outro argumento bem mais discutível: "os outros não têm condições de fazer". Ora, é razoável aceitar-se o primeiro argumento, mas é uma demasia desejar que o segundo seja também igualmente aceitável para os eleitores. Pressuposto de que o argumento é imbatível De tudo que foi até agora exposto, fica claro que o argumento está longe de ser imbatível, na comparação com os outros. Ao contrário, ele possui várias fragilidades que somente aparecem quando se faz uma análise mais detalhada dos seus pressupostos. O erro, portanto, não está em usar o passado de realizações na campanha, de propô-lo como um avalista das intenções, e até mesmo de mostrá-lo como um diferencial, na comparação com outros candidatos. O erro está em basear a campanha nele, fazendo-a voltar-se para o passado e apresentar sua publicidade de maneira pesada, forçando o eleitor ao constrangimento, criando nele a sensação de que está lhe devendo o voto. A campanha tem que olhar para frente, comprometer-se com as mudanças, sintonizar com as expectativas e sentimentos do eleitor. Este deve ser o tom e o espírito que domina a sua campanha. As realizações passadas surgirão como um sub-tema, secundário e periférico ao tema central, embora funcionando como um reforço de credibilidade. O critério, para selecionar o que buscar do passado para a campanha, deve ser um "gancho" estabelecido com um projeto para o futuro. Nunca a mera rememoração do passado.

MarketingCapa Marketing Comunicar a mensagem As defesas do público em relação ao orador e seu discurso Todo discurso político se constitui numa peça de persuasão em torno de um tema público que usualmente é controvertido.

Não esqueça nunca que a sua comunicação é interessada Partindo da realidade do eleitor. Na dinâmica da campanha. Não basta pois. em relação ao discurso do político. política) Porque é tão importante caracterizar a comunicação política como um tipo de comunicação interessada? Porque a Comunicação Interessada está na origem da maioria das características da política. que é rejeitado pelo eleitor. porque A possui algo que pode lhe interessar. A própria “estrutura da situação” de uma campanha eleitoral já predispõe o ouvinte a uma posição defensiva. Em consequência a comunicação política da candidatura toma um rumo. conquistar a atenção. religião. nunca será demais enfatizar a sua “postura defensiva”. Enquadra-se naquilo que se chama de comunicação interessada. muitas vezes esquece-se dessa realidade. arte) Interessada – (economia. A comunica-se com B porque está interessado em obter algo que este possui. quando não de franca hostilidade ao orador e à sua mensagem. 2. e B aceita a comunicação. A tendência é uma posição defensiva ao discurso político Todo discurso político se constitui numa peça de persuasão em torno de um tema público que usualmente é controvertido. aquela comunicação que visa levar os ouvintes a adotar uma atitude do interesse do orador. comumente de ceticismo. educação.1. Na comunicação política. É preciso desmobilizar a desconfiança . isto é. A comunicação social pode ser classificada em: Altruísta – (amor.

como se diz na linguagem popular. O político. “para vender o seu peixe”. para então tentar persuadi-lo. É nesse jogo de posições invertidas que o verdadeiro político revela suas qualidades. revestindo a sua busca do voto numa causa nobre. ao conseguir desmobilizar a reação de defesa do eleitor. As defesas do público em relação ao orador e seu discurso (pág. O político reage à essa resistência. Essa percepção conduz a uma natural reação de defesa do eleitor.a desconfiança do eleitor . o político precisa estar preparado para superar a reação inicial de defesa e ceticismo. já previamente identificados com as ideias e a pessoa do orador. Falando sobre a realidade do público é possível quebrar o "muro" do ceticismo Assim. mesmo em situações sociais. sob a forma de desconfiança. a menos que seja feito para um público de “fiéis”. é percebido como alguém que está a se aproveitar de qualquer oportunidade. sempre enfrentará uma resistência silenciosa. mas também como verdadeira. bem intencionada e de interesse geral. afim de que seus argumentos possam ser apreciados com boa vontade. A publicidade de campanha tem que partir deste fato . e ganhar o seu voto.A comunicação interessada traz consigo além da atenção que possa despertar. ceticismo e “sovinice”.e ser capaz de apresentar uma comunicação que seja por ele percebida não somente como atraente. o discurso político. altruísta e do interesse geral. que funciona como uma defesa contra a . 2) Por essas razões. a nítida percepção do interesse egoísta do orador. em relação à entrega do recurso cobiçado pelo orador (voto). ou pelo menos com razoável neutralidade.

persuasão. deixar uma dúvida razoável na cabeça dos que resistiram. tendo já conquistado o interesse deles. não aceite provocações. ainda que sempre cuidando para estabelecer uma relação entre eles. o próximo passo é romper a barreira de defesa. desde logo. pela prioridade que atribuem a ele. São situações em que o orador tem a impressão que fala para um “muro”. 3. Por meio dele você estabelece uma base comum entre o que eles querem ouvir e o que você vai falar. é possível rompê-la. na qual estarão inevitavelmente interessadas. O eleitor não entende nunca qual é “a sua parte” neste tão falado bem comum. condição indispensável para o discurso poder ter alguma eficiência persuasiva junto ao público. Como rompê-la? Às vezes não se consegue. . e ainda. O mais aconselhável é encontrar. porém. suas vidas. Nesses casos. e encerre com elegância. Depois de desmobilizar a desconfiança tem que derrubar a barreira de defesa do ouvinte Tendo sucesso em desmobilizar a desconfiança. um problema que afeta àquelas pessoas. É através dele que você começa o “desarmamento” do auditório. e a questão que você está abordando. Os políticos tendem a adotar a “oratória do bem comum” para transformar o seu interesse no voto do eleitor em interesse coletivo. O problema está em fugir da linguagem “bem comum” porque já foi e é demasiado usada e está gasta. se possível. conclua seu discurso mais cedo. Na maioria das vezes. Depois de explorar este caminho. pelo menos para a maioria ou uma grande parte deles. você então pode explorar outros assuntos. senão para todos os integrantes do público.

com todos os riscos envolvidos numa decisão que sempre estará cercada de dúvidas e incertezas.Ao falar sobre assuntos da realidade do seu público você pode conseguir atravessar aquela barreira inicial de ceticismo e desconfiança. Você ainda não é conhecido. levando as pessoas a ouvirem com atenção os seus argumentos. Se a iniciativa escapar ao seu controle. Neste aspecto. O que importa não é ser aplaudido quando se entra. Sabedoria Política Mais importante que começar bem é terminar bem O político deve dedicar mais atenção para uma saída exitosa do que para uma entrada sob aplausos Na vida como na política. passando um atestado de sua falta de sensibilidade. difícil é terminar bem. cujo objeto vai muito além do seu interesse pessoal. que bloqueava o seu acesso à mente e ao coração deles. É você quem decide quando e como terminar. oportunidade e lucidez. você terá perdido o melhor momento para terminar. as pessoas ficam curiosas e você pode apresentar-se a elas sob a . mas sim fazer com que sua falta seja sentida quando você saiComeçar bem é muito mais fácil. o “muro de defesa”. Fala-se em senso de timing porque terminar bem supõe que o ato de encerramento seja uma iniciativa sua. Seu discurso então poderá ser percebido como uma comunicação importante. o senso de “timing” é uma das maiores provas de sabedoria política. Se conseguir levar seu público a essa disposição você terá encontrado a forma de derrubar aquela barreira. começar bem é fácil. mostrando-se autenticamente interessado no problema deles.

é relativamente simples. Todo começo . fazer com que sua falta seja sentida quando você sai" Muito raras são aquelas pessoas cuja falta é sentida depois que vão embora.pois isso é comum . sem grandes riscos e conta com poderosos sentimentos favoráveis nos outros. ao começar você não é julgado e comparado a partir de expectativas que você precisa corresponder. se for sensata. e dedique muito mais atenção a uma saída exitosa do que a uma entrada sob aplausos.e. em vez de continuar e cair na raia. Por fim. O espanhol Baltasar Gracián já pregava: "Seja cuidadoso com a forma como você termina as coisas. a advertência recai sobre o ato de terminar e não o de começar. sim. Além disso. quem começa cria nos demais uma disposição para a ajuda. como toda novidade. O político sábio e prudente reconhece quando deve abandonar a corrida. para ser como um sol que se põe. Não espere para ver as pessoas voltarem as costas para você . A sorte quase nunca acompanha quem sai até a porta de saída.afetiva e profissional . É você mesmo quem vai.a menos que o indivíduo se revele um completo desastrado . será realizada tendo em vista sua capacidade de realização.. Não espere. Mais ainda. "orientar". você é a novidade e.as mesmas que até há pouco o adulavam. O que importa não é ser aplaudido quando se entra . aos poucos. Ela é cortês para com os que chegam e costuma ser rude com os que estão indo. As pessoas sentem-se seguras numa situação com a qual estão familiarizados e têm satisfação em "ensinar". antes de serem por eles abandonados. é notícia. pois. "advertir" e "aconselhar". entretanto. Elas vão enterrá-lo vivo. atração e corteja o sentimento dos outros de transformar o que é desconhecido em familiar.e a política. As pessoas prudentes abandonam as coisas e os outros.. criando-as e definindo-as. Na política. numa atitude que. Tais observações valem para a vida pessoal .sua melhor luz. .

criando-as e definindo-as. "orientar". É você quem decide quando e como terminar. Além disso. Todo começo . Neste aspecto. se for sensata. o senso de “timing” é uma das maiores provas de sabedoria política. As pessoas sentem-se seguras numa situação com a qual estão familiarizados e têm satisfação em "ensinar". Mais ainda.e a política. você é a novidade e. sem grandes riscos e conta com poderosos sentimentos favoráveis nos outros. Tais observações valem para a vida pessoal .a menos que o indivíduo se revele um completo desastrado . como toda novidade. mas sim fazer com que sua falta seja sentida quando você saiComeçar bem é muito mais fácil. É você mesmo quem vai. você terá perdido o melhor momento para terminar. O político deve dedicar mais atenção para uma saída exitosa do que para uma entrada sob aplausos Na vida como na política.em meio ao riso de todos. O que importa não é ser aplaudido quando se entra. Por fim. é notícia. atração e corteja o sentimento dos outros de transformar o que é desconhecido em familiar.é relativamente simples. será realizada tendo em vista sua capacidade de realização. ao começar você não é julgado e comparado a partir de expectativas que você precisa corresponder. passando um atestado de sua falta de sensibilidade. com todos os riscos envolvidos numa decisão que sempre estará cercada de dúvidas e incertezas. começar bem é fácil. Você ainda não é conhecido. quem começa cria nos demais uma disposição para a ajuda. Se a iniciativa escapar ao seu controle. aos poucos. as pessoas ficam curiosas e você pode apresentar-se a elas sob a sua melhor luz.afetiva e profissional . "advertir" e "aconselhar". Fala-se em senso de timing porque terminar bem supõe que o ato de encerramento seja uma iniciativa sua. numa atitude que. oportunidade e lucidez. difícil é terminar bem. .

Rousseau.. Não espere para ver as pessoas voltarem as costas para você . Como se sabe. e dedique muito mais atenção a uma saída exitosa do que a uma entrada sob aplausos. pois. A sorte quase nunca acompanha quem sai até a porta de saída. em vez de continuar e cair na raia. no sentido original do termo. assim como Maquiavel chamou de Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. nenhum dos dois foi escrito para ser um "discurso". sua obra filosófica mais importante sobre a natureza humana. uma tese. a advertência recai sobre o ato de terminar e não o de começar. Curso prático de oratória Discurso I . como um ensaio. antes de serem por eles abandonados. em princípio não necessita ser feito com eloqüência. um texto escrito. Ambos foram escritos para serem . O político sábio e prudente reconhece quando deve abandonar a corrida. e nem mesmo exige que seja pronunciado sob a forma de uma fala. chamou de Discours sur l'inegalité. em meio ao riso de todos. eloqüentemente pronunciado em praça pública. sim. Pode ser um discurso. Ela é cortês para com os que chegam e costuma ser rude com os que estão indo. entretanto. O espanhol Baltasar Gracián já pregava: "Seja cuidadoso com a forma como você termina as coisas. Não espere.as mesmas que até há pouco o adulavam. uma teoria. fazer com que sua falta seja sentida quando você sai" Muito raras são aquelas pessoas cuja falta é sentida depois que vão embora. no seu verdadeiro sentido. O "discurso". para ser como um sol que se põe. Elas vão enterrá-lo vivo. mediante os quais uma determinada tese é apresentada.Os princípios O discurso.Na política.. significa uma seqüência logicamente articulada de argumentos. o tratado que precedeu o Príncipe. As pessoas prudentes abandonam as coisas e os outros. O que importa não é ser aplaudido quando se entra . por exemplo.e.pois isso é comum .

mal-articuladas entre si. e foi adaptado mais tarde para a oratória religiosa. A qualidade do discurso não se limita. apresentam bem uma idéia. Assim. individualmente consideradas. As partes que o integram devem possuir uma lógica própria e específica. mas não substituem a força persuasiva que a unidade lhe confere. Discurso: seqüência logicamente articulada de bons argumentos O discurso clássico. a primeiríssima exigência que você deve se fazer.lidos. à eloqüência de quem o pronuncia. O princípio da unidade do discurso: O discurso não pode ser um amontoado de frases. Aquelas qualidades enriquecem o discurso. conclusão (peroração). antes de discursar. entretanto. nem aos seus recursos de voz. . capaz de articular logicamente os argumentos. com absoluta clareza.feito para ser pronunciado oralmente perante um público determinado é de origem greco-romana. a conclusão que você deseja compartilhar com quem o ouve. A unidade é. basicamente. o que você deseja comunicar. mas devem possuir também a lógica que resulta da sua articulação num conjunto harmonioso. e menos ainda à facilidade de construção de frases atraentes. A verdadeira qualidade se encontra no ordenamento das idéias. Não se consegue isto sem a unidade do discurso. Ele subordinava-se a dois princípios (unidade e proporcionalidade) e era dividido em três partes abertura (exórdio). a mensagem que você quer comunicar. desenvolvimento. escolhidas porque. é decidir. pois. O primeiro requisito que um bom discurso precisa atender é possuir unidade. numa seqüência que conduza a uma conclusão persuasiva.

para atingir o seu objetivo de ser compreendido e persuasivo. dentre todas as que poderia usar. forçosamente. pense na situação em que você só pudesse usar uma idéia. A proporcionalidade entre as . A unidade carrega a mensagem.A unidade do discurso é o veículo mais eficiente que você possui para realizar aquela comunicação. Numa situação como esta. mais convincente. A qualidade do discurso não se limita à eloquência de um oradorEsta é então em síntese. ao longo das diferentes partes que compõem a estrutura do discurso. 2) Como definir esta unidade? Para defini-la. você. Esta é a conclusão que você deseja que eles tirem do seu discurso. a essência da mensagem que você deseja passar para seus ouvintes. assegurando que a sua integridade. Esta idéia passa a ser então o "fio condutor" do discurso. O princípio da proporcionalidade das partes do discurso Você deverá procurar estabelecer. uma relação de proporcionalidade entre as partes que o constituem. uma frase. argumentos e frases que você vai utilizar. e "afunilar" o discurso para ela. as idéias. vai procurar a idéia mais forte. e vai tentar formulá-la da forma mais clara e persuasiva que puder. coerência e consistência lógica não sejam diluídas ou perdidas. devem sustentá-la logicamente. Desde a abertura do discurso até a sua frase final. como a conclusão natural e logicamente obrigatória. agregar a ela elementos de convicção. Curso prático de oratória Discurso I Os princípios (pág. no seu discurso. que vai conferir a ele a sua unidade. para fazer a comunicação da sua mensagem.

Não basta. É como se você esculpisse uma estátua de uma pessoa humana com um pé descomunal. entretanto. Assim. Ela é o "fio condutor" do discurso. Não esqueça nunca: seu objetivo é comunicar aquela idéia central que você escolheria se pudesse usar apenas uma frase para a sua comunicação. É preciso também expressá-la respeitando a sua proporcionalidade. contiver uma variedade excessiva de argumentos e exemplos. você não apenas torna sua comunicação mais difícil de ser entendida. Charles De Gaulle. quanto maior e melhor for o equilíbrio que você lograr estabelecer entre as partes integrantes do discurso. de distraí-lo. Clássicos da oratória De Gaulle e a mística da liderança O político francês definiu de forma primorosa as características da liderança e os atributos pessoais que um líder deve ostentar No início da década de 30 do século passado. fazendo com que ele dê mais atenção à parte do que ao conjunto. Se uma das partes for demasiado extensa. Quem a observar vai ter sua atenção focada no pé. então apenas um . mais garantia você terá de que seus ouvintes entenderão e apreciarão a sua mensagem. Uma estrutura discursiva com partes desproporcionais tem o efeito de produzir confusão na mente de quem a ouve. O próprio conceito de beleza e de normalidade são conceitos muito ligados a "harmonia do conjunto". A mente humana está treinada para compreender e apreciar estruturas. acumular argumentos que a sustentem. cuja unidade é obtida respeitando a proporcionalidade de suas partes em relação ao conjunto. e não no conjunto do corpo. seja no tamanho ou na forma. ausência de aspectos demasiadamente acentuados.partes diz respeito à forma. "proporcionalidade das partes". como corre o risco de desviar a atenção do ouvinte.

é dotado de uma propensão inata. porque provém da mais profunda natureza . embora haja este 'dom natural de autoridade' que não pode ser adquirido. Não é raro de se encontrar homens com excepcionais qualidades intelectuais que não a possuem. como se fosse um líquido. enquanto outros. "Este fenômeno tem alguma coisa em comum com a emoção do amor. muito menos dotados. e ele depende primariamente da posse de um dom elementar. Mais estranho ainda é o fato de que a autoridade exercida por certos indivíduos muitas vezes nada tem a ver com seus dons intrínsecos e habilidades. uma questão de sentimento. em sua vida política e militar. que pode ser reforçada pelo exercício de sua habilidade. definiu de forma primorosa as características da liderança e os atributos pessoais que um líder deve ostentar. Sua trajetória pública e o desempenho por muitos anos à frente da França traduzem fielmente o conteúdo da obra. talvez mesmo desde o nascimento.major do exército francês. na falta de uma palavra mais apropriada. O fato é que certos homens possuem. Assim. a qualidade de exalar autoridade. em grande medida. "O verdadeiro líder. sugestão e impressão. "Le Fil de L'épée") revela uma profunda e madura compreensão sobre a natureza da posição e tornou-se um clássico do tema. O texto do livro (no original. embora seja impossível precisar em que consiste. de uma aptidão natural que desafia a análise." Confira trechos do livro "O Fio da Espada" "O prestígio é. a possuem num grau muito elevado. como o grande artista. Talvez o que haja de mais significativo na mensagem seja o fato de que o general. foi rigorosamente fiel aos preceitoss por ele próprio enunciados. confirmando a solidez de suas convicções e a coerência entre seu pensamento e suas ações. que não pode ser explicada sem a presença do que nós costumamos chamar de charme.

Todas religiões possuem seu 'santo dos santos' e nenhum homem é um herói para seu 'empregado de quarto'. a modéstia do orgulhoso. pois a familiaridade produz o desprezo. ao externalizar sua paixão ou seu terror. o comportamento. os grandes líderes sempre produziram cuidadosamente os efeitos de sua presença. e acima de tudo. o refúgio do fraco. "Eu não estou querendo dizer que ele deva fechar-se numa 'torre de marfim'. Nenhum militar experiente jamais subestimou a importância das aparências. O silêncio é a maior virtude do forte. mas desempenham um grande papel para determinar a reação das massas. "Sobriedade ao falar oferece um útil contraste à teatralidade de modos. Sem dúvida estas são coisas superficiais. em suma. Nada reforça mais a autoridade que o silêncio. há também alguns elementos constantes e necessários. Em primeiro lugar. O homem que é movido por desejos ou por medo é conduzido naturalmente para buscar alívio nas palavras. Falar é diluir o pensamento. remoto e inacessível a seus subordinados. para se mostrar de forma a impressionar suas audiências. ele tenta lidar com eles. Nós sabemos o quanto de estudo e planejamento Napoleão dedicava. que podem ser adquiridos ou desenvolvidos. . uma economia correspondente de palavras e gestos. não pode haver prestígio sem mistério. Esta atitude de reserva exige. Enquanto oficiais comuns contentam-se em comportar-se corretamente à frente de suas tropas. que os intriga e os agita. atraindo sua atenção. é dar vazão ao ardor. o orgulho do humilde. a prudência do sábio e o bom senso dos tolos. como uma regra. a dissipar a força.de certos indivíduos. Cada página dos 'Comentários' revela a maneira estudada com que Cezar se movia e se comportava em público. Os projetos. Se ele cede à tentação é porque. as operações mentais de um líder devem possuir sempre um 'algo' que os outros não conseguem entender.

. O silêncio é a preliminar necessária para o ordenamento do pensamento. assim como o estilo num jogador consiste na sua capacidade de mostrar mais frieza que o usual. mantendo controle sobre si. e a qualidade de um ator está em mostrar emoção. somente pode ser justificado. De Gaulle e a mística da liderança (pág. Aqueles atributos (a confiança e entusiasmo de outros) são devidos apenas aos líderes que provam o seu valor em ação. adotado pelo líder. ele pode estar seguro. a energia e a certeza que vêm com o caráter. produz pouco ou nenhum efeito. acima de tudo o mais. se ele puder trazer para a tarefa que é comum a todos. Os homens instintivamente desconfiam de um líder que fala demais. O estabelecimento da autoridade de um homem sobre outros homens. 2) "Uma vez que tudo que vier do líder é altamente contagioso. a menos que seja percebido como a forma pela qual ele oculta a sua firmeza e determinação. o verdadeiro líder não deve dizer uma palavra a mais que o necessário "O que. É precisamente do contraste entre poder interior e controle externo que a ascendência é reconhecida. Para De Gaulle. que vai estabelecer uma atmosfera de calma e alerta. Mas este hábito sistemático de reserva.enquanto que a ação exige a sua concentração. A obediência seria intolerável se aquele que a exige não a usa para produzir resultados efetivos. procuramos num líder é o poder de dominar os acontecimentos. desde que ele não diga uma palavra a mais que o necessário. que enfrentam dificuldades e as superam. quando aumenta a aposta. deixar a sua marca neles e assumir a responsabilidade por suas ações. agindo desta forma.

"O líder tem que aceitar aquela solidão que. Um dia alguém disse a Napoleão. sejam eles políticos. daí o vago senso de melancolia que acompanha o líder. profetas ou soldados. e a encarnação da esperança de atingi-los. buscam a perfeição no objetivo para o qual são convocados. são negadas aqueles que ocupam posições de grande poder. todos os que conseguem mobilizar o que há de melhor nos outros." Texto introdutório por Francisco Ferraz Campanha permanente A melhor . Esta é a base da eloqüência. os quais. Este preço alto explica aqueles casos de renúncia. Ele deve corresponder à ânsia sentida por homens que. Constantemente acontece que homens com uma história pessoal de sucesso e aplauso público subitamente abandonam o cargo. tranqüilidade e as simples alegrias às quais damos o nome de felicidade. seriam tão difíceis de entender. sempre identificaram se com grandes ideais. O preço que um líder tem que pagar pela liderança é a incessante e obsessiva auto-disciplina. Para aqueles que os seguem eles são o símbolo dos objetivos que se quer atingir. enquanto ambos olhavam um antigo e nobre monumento: 'Como ele é triste'. Napoleão lhe repondeu: 'Tão triste quanto a grandeza'. É essencial que o projeto em relação ao qual o líder concentrou todas as suas faculdades tenha a marca da grandeza (Grandeur). a disposição constante de correr riscos e uma perpétua luta interior. de outra maneira. sendo eles mesmos imperfeitos."Pessoas com este caráter irradiam um tipo de força magnética. Não há orador que não procure vestir o mais pobre dos argumentos nas roupagens da grandeza. segundo Faguet é a 'maldição dos seres superiores'. "É um fato observável que todos os líderes de homens. Contentamento. A escolha tem que ser feita e é uma escolha dura.

de maneira eficaz.Fazer o melhor uso possível dos recursos e do tempo disponíveis é portanto um desafio logístico e pessoal do candidato e da sua equipe. Há um número limitado e não expansível de meses. Esta é a grande e fundamental responsabilidade do planejamento numa campanha. seja para o Governo de um estado. seja para a Câmara de Vereadores ou até mesmo para a Presidência da República. uma imagem atraente de seu candidato e uma mensagem de governo relevante e prioritária para seus eleitores potenciais. semanas. campanhas eleitorais estão sempre lutando contra duas dificuldades críticas : recursos e tempo. os recursos que uma campanha eleitoral consegue captar são invariavelmente muito inferiores ao que necessita. horas e minutos que estão disponíveis para a realização da campanha.Na imensa maioria dos caso. com uma campanha eficiente? Na grande maioria dos casos será eleito o candidato médio que foi capaz de montar e operar uma campanha moderna e eficiente. Se não forem aproveitados. não há como recuperá-los. porque a vitória eleitoral tende a premiar a campanha mais bem organizada. que comunica. De outra parte. menos o tempo. Entretanto. e válido para qualquer campanha. numa campanha pode-se comprar tudo. Barack Obama fez uma campanha moderna e eficiente (USA/2008) Este é hoje um princípio elementar da campanha eleitoral confirmado universalmente. seja para a Câmara Federal. dias. .campanha vence Acreditar que o sucesso eleitoral dispensa planificação é cometer um erro que pode custar muito caro ao candidato Quem tem melhores chances de se eleger: um bom candidato com uma campanha desorganizada e ineficiente ou um candidato médio.

. tornando-se desfocada. A melhor campanha vence (pág. a campanha tende a ser pautada pelos adversários. de publicidade e sobretudo de estratégica. e tomar as decisões na medida em que sejam indispensáveis”.no tempo. assim como a tradição. 2) Sem o mapa da viagem que o plano proporciona.É somente por meio dele que se consegue distribuir as ações de campanha – e do candidato . experiência . para definir sua estratégia e organizar suas atividades. etc. sugere que o sucesso eleitoral dispensa planificação. Mais ainda. que as qualidades necessárias ao sucesso – flexibilidade. As resistências ao planejamento A mitologia da política. Nesta forma de pensar presume-se que o respeito a esta máxima é suficiente para resolver qualquer problema. recorrem cada vez mais ao planejamento.não apenas dispensam como não se harmonizam com a elaboração de planos. candidato ansioso e insatisfeito. pessoas tensas e cansadas. e “enfrentar os problemas na medida em que eles aparecerem. iniciativa. A forma habitual de lidar com esta realidade dinâmica e nervosa costuma ser não ignorá-la. ocorrência frequente de fatos novos e inesperados. recursos insuficientes. a lição da realidade é que as campanhas eleitorais vitoriosas. pela mídia ou pelos fatos novos. oportunismo. organizacional. mesmo para os cargos mais iniciais da carreira política. forte envolvimento emocional. Comício da vitória foi em Chicago Campanhas eleitorais têm tudo para tornarem-se caóticas: tempo limitado. Não é. Se esta é a lição da mitologia. respeitando os parâmetros de natureza financeira. desempenho público.

entre marketeiros e publicitários. Para a tomada de decisões. Argumento da teoria x prática: É cair na teoria (no sentido pejorativo do termo). no seu ritmo. dispersa. e fugir do desafio de ter que aprender a fazer de outras formas mais modernas.reações contrárias e hostis.” Argumento da experiência: “Nunca se fez plano assim e nunca precisamos. contraditória e ineficaz.” Na prática nós já sabemos o que precisa ser feito. É certo. região x. entre família e staff. como: preservar espaços já conquistados. evitar uma avaliação de desempenho.reativa. como . aquilo a que a pessoa se acostumou a fazer à sua maneira. Uma campanha ou é um empreendimento coletivo. As desculpas mais usadas para evitar a introdução do planejamento na campanha. ou entre os que têm mais experiência. gasta-se horas em reuniões Estas reações tenderão a assumir uma ou mais das seguintes desculpas que buscam basicamente manter em funcionamento fatores prejudiciais à campanha e à vitória. Uma campanha não é “concurso de beleza” entre políticos. manter a liberdade de improvisação. e com seus prazos. serão possivelmente as seguintes: Argumento do tempo: É perda de tempo. Nenhum plano vai ter o conhecimento da cidade x. ou do bairro x. arduamente construído ou não é nada mais que perda de tempo.no candidato e/ou em membros de sua equipe . entretanto. Mas perder por fazer “golos contra” é o máximo da incompetência e desqualificação política.Vai se gastar muito tempo em reuniões e escrevendo. Somente o planejamento pode controlar esta tendência para o caos que ameaça qualquer campanha. que a tentativa de introduzir o planejamento na campanha vai despertar . proteger reputações. racionalmente organizado e gerido. Perder faz parte do jogo.

O texto escrito exige maior coerência. O papel é mais exigente que o ouvido.” Argumento da rigidez: O plano vai tornar a campanha rígida e pesada. a iniciativa e a liberdade de ação. deverá ser uma das primeiras. Assegurando à campanha flexibilidade. e desde logo. É todo voltado para a prática. A eleição é muito dinâmica.fulano. portanto. adquirir o hábito de pôr as ideias no papel. Ao contrário. Tem critérios para discernir quando a experiência é útil e quando é superada. Fazer ou não um plano de campanha portanto. 3) Fazer o planejamento significa entre outras coisas. o planejamento feito com competência: Ganha tempo. precisão e objetividade do que as infindáveis . Campanhas sem planejamento estarão sempre alguns reais a menos. um imperativo e não uma opção para quem se propõe a vencer uma eleição.e certamente uma das mais importantes decisões que o candidato deverá tomar. qualidades que são indispensáveis a uma campanha eleitoral. e alguns semanas atrasadas em relação ao que se propõem. Incorpora necessariamente procedimentos para sua modificação. que está muito distante do tipo de planejamento que estamos propondo. Nenhum destes argumentos se sustenta logicamente. sem comprometer a continuidade do que está funcionando bem. por todas essas razões e outras mais. O plano vai inibir a agilidade. A melhor campanha vence (pág. O planejamento é. a toda hora acontecem coisas não previstas. além de necessário. Tomados em conjunto eles compõem uma caricatura.

tarefas que. mesmo pronto para decolar. simultaneamente. qual o prazo. o que se conseguiu até então. Tomada a decisão. Todos eles. corrijam os erros de avaliação e de procedimento. só o planejamento faz com que as decisões decidam. em vários níveis de poder. depende. Falta ainda torná-la uma realidade concreta. como financiá-las etc) e um igualmente criterioso acompanhamento de sua execução. que na próxima reunião se descobrirá que continuam abertas a discussão e sem decisão tomada. ter-se-á tomado mais uma decisão que não decide. Se não houver um cuidadoso detalhamento daquelas tarefas (quais. Planejamento. significa sempre. conversa com o staff da campanha O papel não aceita ideias “aparentemente brilhantes”. o mais das vezes.discussões em intermináveis reuniões. quem entra com o que. estão sob a responsabilidade de pessoas diferentes. portanto. Obama. gera critérios para avaliar o desempenho. impõe uma rigorosa relação entre as ações e os objetivos buscados. da realização de múltiplas tarefas coordenadas entre si. que serão introduzidas no planejamento original. Além disso. mas na prática irrealizáveis. quem é o responsável. sob diferentes aspectos da campanha. ele mantém vivas as prioridades. reflexão que precede a ação. escolha racional do que fazer e disciplina para executá-la. e os resultados. O problema está no fato de que: Cada campanha toma muitas decisões. sem desfazer os acertos conseguidos. É muito comum numa campanha gastarem-se horas numa reunião para discutir os assuntos e tomar decisões. . para sua efetivação. Cada decisão tomada. no mínimo. e cria as condições para que as inevitáveis mudanças. por outro lado. foi apenas a exteriorização da vontade política.

um plano bem concebido e uma campanha moderna e bem organizada é a diferença entre ser eleito e não ser eleito.terá sempre um tamanho maior do que as demais partes. Curso prático de oratória A Abertura As partes do discurso I As diferentes partes de um discurso cumprem as suas respectivas funções. . Se ele não for bem concebido e competentemente executado sua utilidade é minima ou nula. Se concebermos o tamanho do discurso expresso no valor 10. para a imensa maioria dos candidatos. exceder o valor 4. e a disposição de assumir também todas as consequências que ela acarreta. Ao contrário do que se pode pensar. a parte 2 .desenvolvimento . O desenvolvimento A conclusão (também chamada de peroração).. Entretanto. abertura e conclusão somadas não deveriam. mais necessário se torna o planejamento. como regra. Desde logo.procedimentos que dependem de uma atitude assumida conscientemente. Quanto mais carente de recursos for a campanha.romana) dividia o discurso em 3 partes: A Abertura (também chamada de exórdio). e a campanha dificilmente vai encontrar seu foco. Cada uma dessas partes possui funções específicas e diferentes no ato de comunicação. cujo veículo é o discurso. o plano será letra morta e o tempo e trabalho gastos para elaborá-lo terão sido perdidos. Sem esta atitude. restando o valor 6 para o desenvolvimento. A oratória clássica (Greco. É verdade que não basta ter um plano escrito. o planejamento não é um luxo ao alcance somente das campanhas “ricas e importantes”.

. de forma a adaptar o discurso a diferentes contextos políticos. para estruturar certos tipos de discursos. Neste sentido. Para tal. a divisão adotada pelo Prof.As partes do discurso devem cumprir funções específicasEsta divisão. dos que serão abrangidos pela sua saudação a um segmento. num desdobramento do modelo clássico. para seu público. é absolutamente necessário que você tenha um critério aceitável. ou pessoas importantes para a campanha. Mário Ferreira dos Santos divide-o então em: Exórdio Narração Divisão Confirmação Refutação Peroração Nós vamos tratar o assunto seguindo o modelo clássico. se revelará útil.Mais importante que o tamanho. excetuados os casos peculiares. porque permite e enseja a subdivisão de suas categorias. porém. do ponto de vista do seu tamanho. que separe quem deve ser citado individualmente. Há tratadistas deste assunto. como o Prof. Mário Ferreira dos Santos que dividem o discurso em 6 partes. é uma boa regra geral. a abertura é o momento do discurso em que o orador inicia o seu contato com o público. No discurso político esta parte é necessariamente precedida pela saudação às autoridades presentes. é assegurar-se de que as diferentes partes cumpram as suas respectivas funções. Mário. O prof. A abertura (exórdio) do discurso Como o próprio nome indica. exatamente porque significa um caso consistente de desdobramento da clássica divisão. para a construção de um discurso proporcional. ou coletividade. Você deve receber.

ou "meus amigos e minhas amigas". Em caso de erro ou omissão a culpa pode ser jogada sobre eles e não sobre o candidato. e por isso é importante que os "locais" façam a lista. e relatos de suas relações com ela. Mais que isso não se pode adiantar. Uma longa pausa após as saudações. deverão estar dispostas todas as demais referências individuais. Há mesmo oradores que transformam esta parte na maior porção do seu discurso. em razão da enorme variedade de situações possível. ou outra formula análoga a essas. A Abertura As partes do discurso I (pág. 2) Qual é este critério? Aquele que não ofenda os que têm justificada expectativa de serem referidos. O público precisa entender que ela não integra o seu discurso. Conforme a situação. mas alongando-se em referências pessoais. . não se limitando a citar nominalmente as autoridades. em rígida seqüência hierárquica. e de acordo com o "critério de corte" que você estabeleceu para as citações individuais. ou "companheiros e companheiras". aos de desconsideração. Políticos e autoridades locais são muito suscetíveis aos gestos de consideração. Entre um extremo e outro. esta parte. pode ser muito longa e cansativa. e nem agrida o público. uma folha de papel ou um cartão com os nomes e cargos daquelas pessoas que serão individualmente mencionadas. e muito mais ainda. de acordo com o critério previamente fixado. por isso todo o cuidado é pouco. comentários. Esta parte deve ser clara e nitidamente separada da abertura.de seus apoiadores no local. antes de iniciar o discurso. prévia ao discurso. A abertura deverá despertar todo interesse e curiosidadeNão esqueça nunca que as referências começam com a maior autoridade presente e terminam com o clássico "Senhoras e senhores".

As funções da abertura do discurso são: Criar uma empatia entre o orador e o público. contrariar sua disposição. nem demasiado complicada ou muito longa. ou . ou provocadora. Mas a abertura também não pode ser pensada fora do teor do discurso. aceitação. desde o início. e conseguir. ele deve estabelecer uma atmosfera de. pode um orador desafiar seu auditório. A primeira frase do discurso rompe com o silêncio. portanto. Não deve pois ser uma frase banal. para o tema que será abordado. capaz de. e a sua atenção. Este. espírito desarmado. ou um texto de combate num discurso de harmonia e paz. Ao iniciar o discurso você está em busca da "empatia" com seu público. Lançar o tema do discurso que deve possuir relevância para aquele público. entre o orador e seu auditório. não é ainda o momento da controvérsia. criando as condições para o início da argumentação. Como regra. boa vontade. Despertar o interesse e a curiosidade no discurso. a sua simpatia o seu interesse. ainda mais quando o faz de início. só um orador excepcional pode atrever-se a fazer isso. e dá início ao processo de revelação do pensamento do orador. isto é. de sua orientação e dos objetivos que ele busca. interesses e preocupações comuns. dividir o público em posições antagônicas. é o bastante para mostrar que só então o discurso vai começar. no mínimo tolerância e no máximo união. conquistar o apoio dos que o ouviram. Não pode ser um texto anódino num discurso de combate. Bem resolvido. confrontar suas convicções e preferências. busca-se a concordância do auditório. ao fim do discurso. Mais ainda.momento em que você pode deslocar os olhos do público para seus papéis à guisa de consulta. Tampouco precisa ser uma frase bombástica. Só excepcionalmente.

. na Bahia. estou no dever de depor." Abertura elegante. a título de exemplo. abusarás da nossa paciência?! Até quando este teu furor nos perturbará?! Até que ponto vai tua descontrolada audácia?!" Ruy Barbosa "Tudo. algumas aberturas famosas de discursos clássicos: Abertura "agressiva" em condições de apoio do auditório: Cícero contra Catilina "Até quando. de uma alcatéia faminta." Rui Barbosa foi um dos maiores oradores da história do Brasil Abertura pela excitação da curiosidade: Basílio Machado "Por que nos reunimos? Para afirmar . erudita. apoio. Não como acusado. tudo. como na sátira de George Orwell.. no qual. Catilina. A abertura "abre o discurso". 3) Veja-se. embora concebida para conquistar o máximo de simpatia. Deve pois corresponder ao "espírito do discurso". E o que afirmamos? Uma homenagem. situando o orador na posição de vítima que se defende: Carlos Lacerda "Impedido de votar.um texto irônico num discurso sobre assuntos sérios. é grande. fala-se em liberdade para matá-la. Mas quem pressuroso acode a recebê-la? Ninguém. A Abertura As partes do discurso I (pág. em . Até agora tenho ouvido apenas as razões do lobo. porque não vejo acusação digna de honesta consideração. boa vontade do público para com o orador. Venho a esta comissão como testemunha de um tempo de subversão de valores. menos os que a governam. cujos argumentos La Fontaine tornou clássicos.

finalmente. e assim são todos . não para louvá-lo. a preocupação ecológica. resumindo minhas propostas de candidato e a profissão de fé de presidente eleito.democracia para destrui-la." "Abertura cautelosa para um auditório hostil: Discurso Fúnebre de Marco Antônio sobre Cezar "Amigos. pelas mãos de Brutus e dos outros. romanos. Agora estamos em plena guerra civil. para negá-la em sua própria essência. O nobre Brutus disse a vocês que Cezar era ambicioso. aqui. ou qualquer outra assim concebida e assim dedicada. Procurarei cingir-me a tópicos essenciais. consagrados pelos votos majoritários de novembro e dezembro de 1989. em legalidade." Abertura que enuncia de imediato o tema do discurso: Fernando Collor de Mello "É meu dever apresentar-lhes. São eles: democracia e cidadania. as diretrizes do meu projeto de reconstrução nacional. a posição do Brasil no mundo contemporâneo. e. O bem que se faz é enterrado com os nossos ossos. para que tenham diante de si. sendo testados. e Cezar pagou por ela com a vida. é capaz de resistir e sobreviver. a falta era muito grave. o desafio da dívida social. se aquela nação. a inflação como inimigo maior. a reforma do Estado e a modernização econômica. com nitidez. Pois Brutus é um homem honrado. E se é verdade que era. concebida em liberdade e dedicada ao princípio de que todos os homens são criados iguais. que seja assim com Cezar." Abertura dramática situando o tema num painel histórico: Lincoln em Gettysburg "Há 87 anos. os grandes temas de meu programa. cidadãos dêem-me seus ouvidos. nossos pais criaram neste continente uma nova nação. Vim para enterrar Cezar.

Venho para falar no funeral de Cezar. Mas Brutus diz que ele era ambicioso. deste tempo e lugar. fiel e justo comigo. Um sonho de que em algum dia. disciplinados por uma paz dura e amarga. temperados pela guerra. E Brutus é um homem honrado. aos quais esta Nação foi dedicada. Eu tenho um sonho." "Abertura grandiosa: o anúncio da mudança." "Abertura poética e grandiloqüente. assim como um começo . para amigos e inimigos. que os homens são criados iguais pelo seu Criador'. apelo à Utopia: Martin Luther King "Ainda que enfrentemos as dificuldades de hoje e de amanhã. Ele era meu amigo. de um novo tempo: Kennedy discurso de posse "Celebramos hoje não a vitória de um partido. mas a comemoração da liberdade simbolizando um fim. que a tocha passou para uma nova geração de americanos nascidos neste século. Eu ainda tenho um sonho. Que a mensagem se espalhe. nas colinas vermelhas da Geórgia. orgulhosos da sua herança.eles. todos homens honrados. na nossa casa e no resto do mundo.significando renovação assim como mudança." Conhecendo o Eleitor Estude seus adversários Monte um fichário com informações de seus inimigos potenciais na busca do voto . os filhos dos escravos e os filhos dos donos de escravos estarão sentados na mesa em que todos são irmãos.que não está disposta a assistir ou permitir a gradativa destruição destes direitos humanos. Eu tenho um sonho. Eu tenho um sonho no qual vejo que um dia esta nação se levantará e cumprirá o seu princípio mais importante: 'Nós acreditamos que estas verdades são auto-evidentes. e em relação aos quais nós estamos comprometidos hoje.

sobre sua avaliação do governo. aos debates sobre a temática da campanha.Quando se começa uma campanha eleitoral. (quantitativa. e outras. sobre os seus sentimentos e opiniões a respeito de matérias importantes e que estejam em evidência na comunidade. isto é. o "ouvido". Ponha seus auxiliares e voluntários a ouvir a população. O candidato deve sempre estudar com muita objetividade e atenção os seus adversários É normal que assim seja. em que não há ainda candidaturas oficialmente estabelecidas. São as questões relativas à formação de uma equipe. às relações com o partido. às discussões sobre a contratação de um consultor. Se tiver recursos. Não obstante. probabilística) para tomar conhecimento do que está pensando o eleitor sobre os possíveis candidatos. bem como as suas reações aos possíveis candidatos. nesta coluna. A organização da candidatura e de seu instrumento de luta . O momento pré-campanha é a ocasião para "pressionar a mola". sobretudo. associações etc). à captação de recursos. mas use. mais pertinentes sempre à organização da campanha do que as relações políticas externas. use as que existem (de órgãos de imprensa. e está bem que seja. a quase totalidade dos trabalhos iniciais está voltada para as questões internas. Mesmo neste período de tempo. que nesta época começam os trabalhos de sondagem dos sentimentos e prioridades do eleitor. faça uma pesquisa de survey.deve mesmo aproveitar-se deste período anterior para ser realizada. para reunir e concentrar forças que serão liberadas quando a campanha começar.a estrutura de campanha . há questões externas à organização da sua campanha que também não podem esperar. sobre os problemas que ele quer ver resolvidos. à instalação de uma sede. Se não tiver recursos financeiros para bancar uma pesquisa própria. Já se alertou. Sua campanha . há muito que fazer nesta área da campanha.

Você deve desenvolver o hábito de montar um fichário para cada um de seus potenciais adversários.deve entrar em "modo de escuta"! Mas. A pesquisa do adversário do candidato deve ser completa. quem o apoiou. dados biográficos. Mas muita atenção para não se confundir: o resultado desta operação de escuta não é uma pesquisa. com as quais não convivem. para o mundo da realidade política que você deverá enfrentar na campanha. uma seção com informações "não confirmadas". Nele você registrará ou guardará materiais. e apoiadores. isto é o que a operação escuta captou . minuciosa e documental. Estude seus adversários (pág. com outros políticos. terá acesso a informações que não conseguiria. 2) Uma das áreas que deve ser estudada com muita objetividade e atenção é a dos seus adversários potenciais. votos obtidos em eleições. votos dados. É uma sondagem. embora não possua a precisão da pesquisa. neste arquivo. seja sob a forma de uma enquete (jovens que aplicam um breve questionário). a quem ele apoiou em outras eleições. com jornalistas e formadores de opinião. Você também deve conversar. Você terá ainda. ouvindo apenas seus auxiliares. que. entrevistas. e todas as demais informações que possam vir a ser úteis. seja sob a forma de conversas informais. Conversar com cabos eleitorais. Por pesquisa ou pela operação escuta você ficará sabendo muito sobre eles. um levantamento. Eles não lhe darão informações e sim suas opiniões! Eles devem escutar pessoas que não conhecem. atenção. que se referem a eles: reportagens. leva-o para além do fácil e descompromissado palpitismo dos que o cercam. declarações. com técnicos do partido. Não adianta nada ouvir os que já o apóiam.

Você não gastará tempo. pelos empresários. Estudar os adversários potenciais é. provavelmente se deparará com a seguinte situação: ou o adversário principal já existe. Esta última é muito mais completa. Na maioria das vezes estas informações são incorretas. a compatibilidade entre o que se alega ter sido dito e o comportamento podem reforçar a credibilidade da declaração. pelos movimentos etc. conhecê-lo.tranqüila ou contestada? Como ele é visto pela mídia. É um trabalho preliminar para identificar pontos importantes que serão investigados a seguir. ainda que o partido não o reconheça publicamente. antes de tudo. do governo. Assim como você se propõe a mudar. Você. minuciosa e documental. seus adversários também . Cada nova eleição oferece desafios que exigem mudanças. Evite pensar assim. qual a sua situação dentro do partido . inexatas e até inverídicas. Estudar o adversário é também antecipar suas ações.sob a forma de "ouvir dizer". da eleição. Estudar o adversário é além de identificá-lo. ou há vários cogitados em condição de aproximada igualdade. alguns não chegarão a ser candidatos. Mas há também ocasiões em que a sua continuidade. No primeiro caso. saber o que ele está pensando. a diversidade das fontes que a referem. Ainda não é pesquisa de investigação do adversário. com aqueles candidatos que disputam sem a menor chance de competitividade. das prioridades da população. você precisa fazer um acompanhamento de todos os que são referidos e que têm potencial de competitividade. que o cercam. Dentre os vários nomes que circulam. Isto é. você já tem definido quem deve estudar. que concorrem com outros objetivos que não o de vencer. Este trabalho é preliminar. quais as pessoas que o influenciam. pelos sindicatos. Você provavelmente pensa que já o conhece. identificá-los. de você. No segundo.

Você deve então preparar-se o melhor que puder para a pior situação: aquela em que a campanha venha a girar sobre um . aos sentimentos do eleitor. Você. a linha estratégica que estão seguindo. de sua parte. um ou dois cenários de ação. é porque não conseguiu descobrir a forma como pensam.demonstrarão a intenção de optar por novas direções. É certo que ele tentará trazer o combate eleitoral para as questões em que é mais forte. então. por igual. você deverá investir em se preparar melhor. isto é. da tentativa de pautar a campanha. e à vontade e necessidade de ganhar a eleição. Você deverá construir. Estude seus adversários (pág. Estudar os adversários é distinguir com a clareza possível os pontos fracos e fortes deles. e testá-los pelo comportamento deles. já tratada no site. entende a forma como estão raciocinando. dos flancos vulneráveis dos seus adversários. corrigir-se. de forma a conseguir equilibrar a disputa. estará tentando o mesmo. Ao estudá-los você estará em busca não somente dos pontos fracos. Em relação aos pontos fortes. Neste caso. que seriam lógicos que seus adversários seguissem. e construa outros. nos quais você não se sai tão bem como eles. de seus pontos fortes. Se suas previsões não anteciparem os comportamentos. como. É importante antecipar as ações dos adversários potenciais bem como entender sua forma de raciocínio. abandone aqueles cenários. tanto quanto você. 3) Eles estão sujeitos. Inclusive aqueles quesitos em que eles são melhores do que você. mudar. O comportamento efetivo deles lhe dirá se você está conseguindo ou não antecipar as ações deles. É a questão. à dinâmica da política. Se estiver é porque você "entrou" na cabeça deles.

o primeiro passo é a identificação do candidato com atributos que estão associados à imagem desejada. de maneira a poder conformar a sua imagem a eles Administrados os problemas relativos à aparência física e ao nome . Estas informações. Os primeiros referem-se a características .ponto forte do adversário.quando for necessário -. você deverá descobrir o estado de espírito do eleitor e estudar seu adversário. são absolutamente indispensáveis para definir o posicionamento de sua candidatura. Em paralelo. Marketing Construir a imagem Os principais atributos usados para a construção da imagem O candidato deverá fazer a sua pesquisa. Há dois tipos de atributos principais. ingressa-se então na tarefa de construção da imagem. obtidas com o máximo de precisão possível. de cujas combinações se constroem as imagens que com maior freqüência são usadas na vida política: Atributos pessoais Atributos funcionais Cada imagem que se constrói é um "mix" de atributos de natureza pessoal com outros de natureza funcional. Este conjunto de procedimentos é indispensável para situá-lo bem na campanha que virá. procurando se informar sobre os atributos mais valorizados pelo eleitor. Portanto. de cujas combinações se constroem as imagens que com maior freqüência são usadas na vida política: Cada imagem que se constrói é um "mix" de atributos pessoais e funcionais Há dois tipos de atributos principais. Não lhe basta "azeitar" sua máquina de campanha e concentrar toda a sua atenção nas questões internas da sua candidatura.

Mais ainda quando associadas a características funcionais.(virtudes e defeitos) que os indivíduos possuem (ou anunciam possuir) na sua vida privada. inevitavelmente adquirem uma projeção política. na sua escolha. pois. O eleitor busca. Já os segundos. Características pessoais e funcionais mais comuns na construção da imagem política As características pessoais que são consideradas como mais relevantes na política são as seguintes. apresentadas sob a forma de um "continuum" que cobre o espaço dela e de seu oposto. que sejam peculiares à função em disputa. Não têm. dizendo respeito às qualificações que são julgadas como compatíveis e necessárias para o exercício de cargos públicos. mas ele também vota numa pessoa que ele julga pessoalmente qualificada para a função. De nada lhe adianta escolher alguém tecnicamente apto e profissionalmente preparado. inversamente. admitindo inúmeras gradações entre os dois extremos (veja tabela abaixo). quando associadas à disputa por um cargo. combinar ambas as qualificações. É óbvio que essa diferenciação não deve ser levada ao extremo. se moralmente se trata de uma pessoa desqualificada. Atributos pessoaisOposto HonestidadeDesonestidade SinceridadeFalsidade . Características pessoais. mas tecnicamente despreparado e desqualificado para o cargo. O fato de que a imagem política se compõe de um "mix" de características pessoais e funcionais decorre da própria natureza da escolha que o eleitor exerce ao votar: ele vota em alguém que julga tecnicamente qualificado. de nada lhe adianta escolher alguém de moral inatacável. um conteúdo necessariamente político. são especificamente políticos. na pessoa do candidato que decidiu apoiar.

algumas que não foram citadas nesta lista. "sabonete" MaduroPrecipitado Os principais atributos usados para a construção da imagem (pág. tecnocrático AcessívelDistante AutoritárioDemocrático ArroganteSimples. pode-se listar também algumas das características funcionais mais freqüentemente atribuídas aos políticos. e. e que podem e devem ser agregadas. haverá. 2) Haveria muitas outras características a listar. Atributos funcionaisOposto ExperienteInexperiente FirmeFrouxo DeterminadoHesitante ConvictoVolúvel RígidoFlexível . em cada comunidade. na conformação de suas imagens (ver tabela abaixo). por certo. humilde InteligenteLimitado. "vivo"Lento.ConfiávelNão confiável HumanoFrio. "moscão" AutênticoOportunista. burro VaidosoSimples AgressivoModerado AmbiciosoDespreendido Astuto. De forma análoga.

e os possui em maior intensidade. são decisivas para orientar a formação do mix mais ajustado àquela "imagem idealizada" que os eleitores têm em relacão ao cargo.". "Espera-se de um Prefeito que seja . 3) A imagem como um composto dos atributos mais valorizados pelo eleitor O eleitor possui um conceito "idealizado" de imagem. deve ser o mais votado e ganhar a eleição. quando articulada na resposta dada pelo eleitor. e a lucidez e sutileza na análise e na interpretação dos resultados. qualificadoDespreparado Os principais atributos usados para a construção da imagem (pág. procurando saber mais. após entrevistar-se toda a amostra. e com maior profundidade. de maneira a poder conformar a sua imagem a eles. em primeiro lugar para o cargo público disputado naquela eleição. Cada candidato então deverá estar fazendo sua pesquisa.mais importantes que os eleitores vinculam aquele cargo. Em tese. então. Se.pessoais e funcionais . características pessoais adquirem uma projeção política Esta seqüência.. qual o mix de atributos mais valorizado pelo eleitor. A qualidade das pesquisas feitas. ou a mais importante. entretanto. . se deixada livre para responder. numa entrevista de pesquisa. o entrevistador exigir que o respondente liste as três mais importantes para ele. provavelmente. será enorme. ter-se-á.CompetenteIncompetente Preparado. uma definição tendencial dos atributos . seguindo-se na conclusão da frase uma seqüência de atributos de natureza pessoal e funcional. o candidato cuja imagem parecer ao eleitor que possui mais daqueles atributos. Na disputa por um cargo. e envolverá várias contradições.. ao exigir do titular do cargo atributos que se opõem entre si.

e com a sua personalidade. Enquanto. nos veículos de comunicação e na mente dos eleitores. O sucesso vai depender. em grande medida. no cenário político. da capacidade de o candidato interpretar bem o seu papel e dotar de autenticidade a sua imagem. O procedimento descrito é. Como vencer num ambiente tão competitivo? São diversas as dúvidas a serem solucionadas: • Como se posicionar num cenário sempre tão cheio de atores políticos? • Como levar ao conhecimento do eleitor a sua atuação política? • Quem são seus aliados. OBSERVAÇÃO Diagnóstico Reeleitoral A carreira política é uma constante batalha por espaço e destaque. contamos com uma equipe de consultores com ampla experiência nacional e internacional em consultoria política Leve seu problema para um especialista. de fundamental importância para a fixação da imagem do candidato. . pois. e deve ser compatível e harmônico com o posicionamento adotado por sua candidatura. O que é? A consultoria é um serviço de assessoramento com uma sistemática de trabalho pré-definida.Mas não basta por no papel a imagem idealizada do eleitor e os atributos que o candidato deva possuir. na Assessoria. o consultor fica a sua disposição. Disputa-se espaço no partido. na Consultoria existe uma rotina pré-agendada de reuniões de trabalho (semanal. adversários e inimigos? • Que imagem os eleitores tem de você? Para ajudá-lo com estas e outras dificuldades de sua carreira.

quinzenal, mensal, por exemplo). Como funciona Definição da periodicidade e do escopo da consultoria: Com base nas suas necessidades, define-se os temas a serem abordados na consultoria e a freqüência com que ocorrerão as reuniões de trabalho necessária. A forma de trabalho é semelhante a um tratamento médico. A freqüência de consultas é definida de acordo com as necessidades de tratamento. Análise do histórico e do ambiente político: Os consultores do Política para Políticos, em parceria com os assessores mais próximos e com o candidato, coletam as informações sobre o histórico do cliente e o cenário político em que está inserido. Quando necessário será recomendada a contratação de uma pesquisa para a análise da sua imagem, de seus adversários e do contexto político local. Apresentação do posicionamento e início da aplicação da estratégia Com base na análise dos dados, nas suas características pessoais e necessidades é definida estratégia que será adotada durante a consultoria. Na política, contudo, não se joga sozinho. Seus adversários fazem parte da sua estratégia. A consultoria irá definir junto com você os ajustes ao posicionamento e as defesas e contra-ataques necessários para vencer adversários e obstáculos. Consultoria Estratégica Desvie o adversário do seu interesse e da sua mensagem Esta é uma regra básica de estratégia política. Ela diz respeito ao combate político. Trata-se de uma manobra diversionista, mas que pode produzir

resultados muito importantes Seu adversário, como você, está preocupado em comunicar-se com seus eleitores potenciais, para levar a eles a sua mensagem, da melhor forma possível e pelo maior tempo que puder. No combate político, então, você sempre sai ganhando alguma coisa se consegue desviá-lo do seu rumo.

Sair do rumo é perder tempo e tempo é irrecuperável numa campanha eleitoral Saindo do seu rumo o adversário fica mais vulnerável. Ele será forçado a enfrentar situações e controvérsias para as quais não está bem preparado, às vezes terá que improvisar, ou terá que dedicar parte do seu tempo e de sua assessoria para informar-se e posicionar-se na questão, tenderá a cometer erros, e, em qualquer hipótese, você vai forçá-lo a perder horas, dias ou até mesmo semanas, para enfrentar a nova situação. Enquanto isso, você, de um lado, alimenta a controvérsia, denúncia, acusação, e, de outro, mantém seu tempo livre para tratar de levar sua mensagem para os eleitores. Cada hora perdida numa campanha é um tempo irrecuperável. Por isto, desviar o adversário daquilo que é o seu melhor interesse, e de sua mensagem, é sempre uma ação tática de combate muito eficiente. Para desviar o adversário não é necessário trazer a baila uma questão muito relevante ou uma acusação de grande gravidade. O critério é fixado pelo próprio adversário. Há candidatos de elevada sensibilidade. Basta uma acusação menor para desequilibrá-los e colocá-los numa verdadeira compulsão para responder, corrigir, ou explicar a questão. Se surgir na mídia uma referência desairosa a ele, uma suspeita de comportamento irregular numa função pública, ou sobre um item do seu currículo, seu adversário terá que perder algum tempo para decidir se responde/explica ou não; se por fim

decidir se pronunciar, vai perder tempo reunindo material para comprovar seu pronunciamento; vai gastar mais tempo preparando o que vai dizer, para quem, quando, como, etc. O resultado é que: perdeu tempo precioso; teve que provocar alterações na sua agenda; mobilizou auxiliares para ajudá-lo; conforme a situação, gastou além de tempo, recursos para produzir comerciais, ou programas de TV e rádio para responder; teve que provocar alterações na sua estratégia, que ocorrem após muitas discussões (atacar/não atacar, responder/não responder); foi forçado a deixar de lado sua preocupação principal que é a de levar sua mensagem para os eleitores. Desvie o adversário do seu interesse e da sua mensagem (pág. 2) Como se vê, desviar o adversário do seu rumo é uma ação que pode produzir resultados importantes no combate eleitoral. Se você conseguir encadear várias situações como esta em seqüência, seu adversário vai encontrar muitas dificuldades para desenvolver uma campanha como ele planejou.

Desviar o adversário do seu rumo pode produzir resultados muito importantes Nem todos os candidatos caem nesta armadilha, ainda que ela seja sempre perturbadora. Mesmo os mais experientes dedicarão tempo para avaliar as conseqüências e decidir o que fazer, porque, sendo experientes, sabem que, muitas vezes, o que parece sem importância para o candidato adquire importância para o eleitor.

Se a matéria só é importante para você. administre a situação de forma a poder voltar o mais breve possível ao foco de sua campanha. ou respondendo de forma cabal e sucinta. para o caso em que não é você quem desvia o adversário do seu rumo. Se o objetivo for desviá-lo. Você deve descobrir se esta jogada visa desviá-lo do seu rumo estratégico. ignorando. mostrando o objetivo real da jogada. e com a inteligência e garra de quem sabe os riscos que está correndo. As respostas serão diferentes.Estas recomendações devem também funcionar como advertências. Politica: Conceitos básicos Schumpeter e a disputa eleitoral como núcleo da democracia O economista foi um dos pensadores do século XX que procurou formular um conceito operacional de democracia O economista Joseph Schumpeter foi um dos pensadores do século XX que procurou formular um conceito operacional de democracia. Na maioria dos casos. ela for importante para o eleitor. De quebra. então lute. livre-se dela. ou se visa destruir sua candidatura. e não lhe traz prejuízos políticos maiores. em cada uma destas situações. trate-a como tal e encontre a forma de sair-se bem da situação com o mínimo possível de perdas. A segunda advertência é não confundir o que é importante para você com o que é importante para o eleitor. A palavra “democracia” é passível de infinitas definições. ao contrário. é ele quem está tentando isto com você. as definições originadas . ao contrário. Você terá que liquidar a questão e contra-atacar com igual intensidade. mas. minimizando. A primeira e principal advertência é entender o que o adversário está buscando. Se o objetivo for o de destruir a sua candidatura. vá preparando uma para ele. Se.

democracia é um conjunto de procedimentos Já nas ciências sociais. A principal função dos pleitos eleitorais seria. só seria de fato implementada quando os países atingissem um certo grau de bem-estar social e criassem uma cultura política democrática. Para Schumpeter. para o autor. A busca pelo voto e os empresários da política Para contornar essa situação e buscar um modo mais objetivo de definir o que seria de fato uma democracia. ou manter as políticas públicas na forma como se encontram. sem paralelo com a realidade concreta. Para Shumpeter. porém. tal como ocorre numa economia de . Tal procedimento permitiria aos eleitores corrigir os rumos da administração pública. a qualificação de um determinado regime como “democrático” estaria relacionada a pré-requisitos sociais. Esse exercício periódico. um conjunto de procedimentos que envolvem a realização de eleições periódicas e a livre competição pelo voto. segundo o autor. Schumpeter promove uma analogia entre mercado e disputa eleitoral. apenas um conjunto de valores abstratos. muitos autores procuraram vincular a noção de democracia aos fatores de desenvolvimento sócio-econômico. como regime político. a eficiência dos sistemas políticos uma vez que. geraria. a democracia é antes de tudo. Ocorre. que nunca houve consenso entre os autores a respeito da construção de indicadores precisos que pudessem relacionar a existência da democracia e a eficácia dos sistemas econômicos e sociais. Sob essa ótica. Em outras palavras. permitir que os cidadãos possam escolher seus representantes e governantes. a democracia.na filosofia política. a realização de eleições. referem-se à democracia como uma forma ideal de regime político.

2) Isso significa que um determinado número de pessoas teria que. apesar das transformações nas campanhas eleitorais. O comportamento empreendedor ao qual Schumpeter se refere. necessariamente estar dispostas a se lançar numa disputa pela conquista do voto. Para Schumpeter seria também necessária a existência de disputa pelo poder político. pois somente o exercício do voto constitui um procedimento eficaz de decisão democrática ao alcance da esmagadora maioria da população. . conduziu à sofisticação das campanhas eleitorais. o que representa um comportamento empreendedor. novamente surge a analogia entre política e economia. e os candidatos que se recusam a se render aos imperativos das novas tecnologias de comunicação estão fadados ao fracasso. sua analogia pode ser considerada atual. Aqui. Contudo. Schumpeter e a disputa eleitoral como núcleo da democracia (pág.mercado. as eleições ainda representam o núcleo dos regimes democráticos. Hoje em dia não se faz mais campanhas sem uma estratégia de marketing político. A realização de eleições periódicas. tanto nas democracias avançadas como nas democracias recentes. Para que isso ocorra. Schumpeter influenciou bastante as modernas teorias da inovação Embora as formulações de Schumpeter tenham ocorrido na metade do século XX. está ligado aos ônus de uma disputa eleitoral. não basta somente os eleitores estarem aptos a votar. os governantes procurariam atender aos anseios e expectativas dos eleitores de forma a elevar o grau de satisfação dos mesmos com a condução do país.

dentre tantos elementos que compõe o ambiente psico-social de uma eleição. o efeito da flutuação nas intenções de voto apontadas pelas pesquisas eleitorais. a parcela dos eleitores que não possuem uma escolha consolidada tende a manifestar preferência para o candidato que “está na frente”. comportamento esse que pode se acentuar com o apelo ao “voto útil”. Pois bem. quando um candidato é apontado pelas pesquisas de intenção de voto como favorito. o quadro eleitoral pode sofrer alterações a partir de fatos negativos ou positivos divulgados a respeito dos candidatos. ocorre uma transferência de intenções de voto para o primeiro colocado. ou a síndrome do “efeito adesão”. está o bandwagon-effect. estarão “desperdiçando seu voto”. nada mais é do que a tendência das preferências eleitorais se transferirem para o candidato que desponta nas pesquisas. pelos analistas e pelos candidatos. De uma hora para outra. Em outras palavras. ou por aquele candidato que está . votando em um candidato que fatalmente será derrotado. Bandwagon-effect O chamado bandwagon-effect. Esse efeito “efeito adesão” ocorre porque os eleitores acreditam que.Bandwagon-effect: a síndrome do “efeito adesão” no processo eleitoral Por que alguns eleitores tendem a manifestar preferência para o candidato que “está na frente"? É amplamente comentado pela grande imprensa. que geralmente é adotado pelo primeiro colocado. ou seja. com um percentual significativo de vantagem na preferência dos eleitores em relação aos demais candidatos. Flutuação das intenções de voto que aparece nas pesquisas existe mesmo Tais situações podem exigir mudanças de estratégias para manter a candidatura no páreo até o final da corrida eleitoral.

aplicado aos processos eleitorais. Com o tempo. como no continente europeu. Em processos eleitorais nos quais as identidades partidárias são mais enraizadas. Talvez ainda predomine. em contextos nos quais os eleitores demonstram uma baixa identificação com os partidos políticos e pouco interesse pela atividade política. essa expressão foi sendo utilizada até em eleições papais nas quais os cardeais são induzidos a direcionar seu voto para o candidato mais votado no último escrutínio. De fato. até podem ocorrer surpresas durante o processo eleitoral. numa história em quadrinhos sobre a carreira política de Theodore Roosevelt. os eleitores são menos susceptíveis ao bandwagon-effect. Gustavo Müller Marketing Clássicos da Propaganda Quando a família entra em campo: O comercial de Barbara Bush A família do candidato pode aparecer na sua publicidade As campanhas eleitorais no Brasil. entre nós. Eleitores que não têm convicção do voto acabam votando em quem está na frente Estima-se que a expressão bandwagon-effect tenha sido incorporada ao vocabulário político norte-americano em 1902.mais próximo ao líder nas pesquisas e que pode levar a disputa para um segundo turno. a concepção tradicional e latina da política. mas é preciso que fatos mais consistentes ocorram para haver um deslocamento das preferências de voto. o bandwagon-effect. como . Nestes contextos. contrariamente às dos EUA. manifesta-se com maior força. não têm o hábito e relutam muito em envolver a família do candidato na sua publicidade.

protegida num "território proibido" à campanha. para o executivo e legislativo. ainda não se descobriu. nem explorou. que foram decisivos para a sua vitória e depois para a sua permanência no cargo. o enorme potencial político representado pela família do candidato. Serra foi levado a escolher Rita Camata para sua companheira de chapa. e.uma atividade masculina e adulta. por mais de uma vez. que a sua esposa. esta concepção tradicional está dando lugar à outra mais moderna. mas também nos executivos. a esposa do Presidente. na política. a presença feminina cresce. Entretanto. Nos EUA. quando comparada com eleições anteriores. esposa do . Ninguém está mais próximo do candidato. A cada eleição presidencial. Em 2002. de modo muito especial. Roseana Sarney chegou a polarizar com Lula nas pesquisas de intenção de voto. com o comercial de Bárbara Bush. nesta concepção. e Patrícia Pillar ocupou um espaço próprio e de grande impacto favorável na candidatura de Ciro Gomes. e. Nesta coluna. em especial a mulher do candidato. por exemplo.primeiro na campanha e depois na Casa Branca. Barbara Bush apareceu em um comercial de campanha para ajudar seu marido George Bush A família.fez pronunciamentos pessoais em defesa de seu marido. No Brasil. pela esposa do candidato. vamos ilustrar. estamos ainda muito distantes da intensidade de participação dos familiares em campanhas eleitorais que ocorre nos EUA. mais credenciado para defendê-lo ou promovê-lo. para citar apenas o caso da família Clinton. Com a presença cada vez maior da mulher em todas as áreas profissionais. em eleições estaduais e municipais. deve ficar fora da política. mais autorizado a falar em seu nome. não apenas em cargos legislativos. Hillary.

(Confira mais detalhes em O Comercial Willie Horton derruba Dukakis). Trata-se de um comercial produzido para a campanha presidencial de 1988. superior. ao ponto da crueldade. em que Bush concorria contra Dukakis do partido democrata. distante das pessoas comuns O problema residia no fato de que a campanha negativa. um marco histórico no que se chama de "campanha negativa". 2) Qual era o problema? A imagem de Bush (pré-existente) era de uma pessoa fria. A imagem de Bush (pré-existente) apresentava-o como uma pessoa fria. . aristocrática. Neste comercial foi usado como locutor o famoso artista de Hollywood Charlton Heston. Bush. Aquela eleição ficou marcada como particularmente agressiva. A campanha negativa contra Dukakis agregara a esta imagem os atributos de um político agressivo contra seu adversário. tem os seus custos para quem a pratica. superior. e distante das pessoas comuns. a "campanha negativa" contra Dukakis. usou em grande escala e com êxito. um tipo de peça publicitária protagonizada pela esposa do candidato. Para amenizar esta imagem. e sobre a qual já reproduzimos várias peças e comentários. vencendo a eleição. aristocrática. "a família entrou em campo" com Barbara Bush apresentando um comercial no qual ela descrevia seu marido e manifestando seu desejo de que os americanos vissem "o George" como ela o via. com seu chefe de campanha Lee Atwater. torná-la mais humana. por mais eficiente que venha a ser para derrotar um adversário.Presidente George Bush (pai). Quando a família entra em campo: O comercial de Barbara Bush (pág.

enquanto Barbara continuava. você sabe. quanto mais você conhece George . em off. George Bush enfrentou todos os desafios que o seu país e o mundo lhe puseram pela frente. Como milhares de pessoas o vêm. junto com Margareth Thatcher. com o recuo da câmera. a voz de Charlton Heston dizendo: "Por mais de 40 anos. é verdade. eu tenho uma família muito. mas muito grande mesmo. e além disso." Aparece Barbara Bush falando para a câmera e dizendo: "Mas vocês sabem. com Walenski. tenho milhares de amigos". nas Nações Unidas. E. em off: Michael Dukakis acabou derrotado por George Bush na corrida eleitoral norte-americana "E George dizia: Bom.O Comercial O comercial abre com o som de uma música alegre e sincopada sendo tocada ao piano em off enquanto uma menina pequena aparece no vídeo correndo e. Bárbara e George são vistos brincando com os netos. e ouve-se a voz de Bárbara dizendo: "Eu gostaria que as pessoas pudessem vê-lo como eu o vejo. 3) Corte rápido para a cena de George Bush brincando com os netos depois cozinhando. ele tem mesmo. Quando a família entra em campo: O comercial de Barbara Bush (pág. fazendo o juramento de vice-presidente. A verdade é. seguidas de cenas filmadas de Bush atirando a neta para o ar e beijando-a. eu sempre adorava aquele tempo em que alguém diria a George: 'Como é que você pretende concorrer à Presidência. se você não tem uma base eleitoral fixa?'"." Corte para fotos de Bush num porta-aviões. Enquanto esta seqüência de fotos e cenas filmadas é apresentada. junto com uma mulher pobre de origem eslávica. Seguem-se cenas de um picnic de família. ouve-se.

e . Esta é uma pergunta que. o potencial de dramatização.unicamente impressos . sobretudo a imprensa. passando a ocupar. o acompanhamento in loco do evento. mais você descobre que talvez ninguém. nos dias atuais. os recursos de comunicação e propaganda política estavam restritos ao texto escrito. o texto escrito sempre foi o veículo de comunicação e propaganda mais eficiente e mais usado.Bush. Com o advento da mídia eletrônica. o texto escrito foi ultrapassado pelo rádio e pela TV como instrumento de propaganda eleitoral. Isto se deveu ao fato de que os jornais . uma posição de marcada subalternidade como instrumentos de propaganda eleitoral. agora. mas está na internet Em épocas sem rádio. Marketing A publicidade em ação A imprensa escrita ainda tem utilidade na campanha? Com o advento da mídia eletrônica. pareceria descabida e despropositada. está na internet. a flexibilidade. foi eclipsado. O jornal perdeu espaço para o rádio e TV. está mais preparado do que ele para ser presidente dos Estados Unidos" Concluída a locução. o texto escrito. . sem televisão e sem internet. Mas não se pode esquecer que o jornal. formulada há mais que 20 anos. que abundam nos meios eletrônicos: a instantaneidade.mais do que tudo .o seu imenso poder de penetração na população. aparece letreiro superimposto à tela com a frase: "George Bush uma liderança experiente para o futuro da América". neste século. Além da palavra falada em comícios e reuniões.careceram de algumas características importantes para a campanha eleitoral. Ao longo da maior parte da história política no mundo inteiro.

A maioria das pessoas tem um interesse reduzido pela política e pouco tempo disponível para acompanhá-la de perto.Mas. isto é. Uma campanha necessita às vezes de espaços maiores do que os disponíveis na mídia eletrônica. Há vários fatores que concorrem para o ressurgimento do jornal como mídia para cobertura da campanha e para a propaganda eleitoral : 1. 2. Nesta fase. seja como entrevista. e cuja autoridade para interpretar o quadro político. que a comunicação política atinge ao eleitor comum de duas formas: diretamente. Além disso. seja como publicidade. suas propostas. O jornal já está aumentando a sua importância como mídia eleitoral. O eleitor comum . Um destes "atalhos" é o líder de opinião. por pesquisas feitas ao longo de 5 décadas. ou por via de "líderes de opinião". mudanças estão acontecendo nesse cenário. ou está proibida (últimos dias) e resta apenas a mídia impressa como veículo. Disponibilidade de espaços Contrariamente à TV e ao rádio. a pessoa do candidato. o jornal readquire sua importância. seja como matéria própria. uma pessoa interessada e informada em política na qual ela confia. Estas pessoas usam de "mapas e atalhos cognitivos próprios" próprios para formar sua opinião e chegar a uma decisão de voto. para apresentar sua mensagem. o jornal pode abrir espaços generosos para a publicidade e para a cobertura da campanha. O jornal pode atender a esta necessidade. os espaços de propaganda em TV e rádio ou são insuficientes para o esforço final da campanha. sem gastar muito tempo recolhendo e processando pessoalmente as informações relevantes. na fase final da campanha. A imprensa e os formadores de opinião Sabemos. Este "atalho" permite-lhe atualizar-se. e para defender-se de acusações. necessitando o reforço dos jornais.

são alguns exemplos de técnicas usadas na TV para documentar argumentos. ou por telemarketing. aos fatos . O uso da matéria impressa na TV Uma vez publicada a matéria ela torna-se documental. A mídia impressa pode ser segmentada A mídia impressa não é mais uma exclusivamente uma mídia de massas. trechos da matéria que são destacados para leitura no video. utilizam largamente matérias impressas (sobre si mesmo ou sobre seus adversários) como documentos para provar um ponto de argumentação. crime etc) são exemplos de segmentações adotados pelos veículos e que podem ser explorados pela campanha. os jornais tornaram-se muito mais ágeis do que costumavam ser. Não é uma segmentação tão precisa quanto pode ser aquela atingida pela mala direta. Edições regionais ou inserções regionais. assim como os candidatos em debates. ex. Manchetes. além de TV e rádio. 2) 3. Todas as campanhas por TV. Atingir este líder de opinião é um dos objetivos mais buscados numa campanha moderna. este personagem lê jornais. A imprensa escrita ainda tem utilidade na campanha? (pág. mas o líder de opinião lê. cultura. Crescente agilidade Mesmo antes de estar na internet. ecologia. O eleitor desprevenido tende a acreditar no que vê impresso nos jornais. A tecnologia moderna viabilizou as campanhas a alcançar audiências segmentadas com o jornal. O certo é que. veículos com compromissos temáticos (p. Podem dar respostas muito mais rápidas do que antes. fotos. 5. mas é uma segmentação útil.não lê os jornais todos os dias. O eleitor tende a acreditar e fixar mais o que lê no jornal impresso 4.

gráficos. 6. mas. As matérias impressas e que aparecem pela manhã. A crescente qualificação do eleitorado também é um fator que conta na recuperação da importância da mídia impressa. de notícias curtas e comentários breves e superficiais. A imprensa como "pauteira" da mídia Exatamente por dispor de espaços generosos para desenvolver uma matéria. passam a ser "pautas" para as demais mídias repercutirem durante o dia. caricaturas. os jornais levam vantagem. no caso brasileiro atual. Além disso. Veículos de TV também patrocinam e divulgam pesquisas. Todas as denúncias e acusações que "decapitaram" candidatos à Presidência. Em primeiro lugar porque a produção da pesquisa leva um tempo que é previamente conhecido. e à vice-presidência. afetando não somente a ação dos candidatos como. neste caso. páginas insertadas. foram primeiro veiculadas. competirem em condições de maior igualdade. tornou-se uma rotina as revistas de fim de semana pautarem o trabalho de todas as mídias durante a semana seguinte. A imprensa como "termômetro" da campanha Os veículos de mídia impressa são os divulgadores por excelência das pesquisas de intenção de voto. 7. com fotos. Neste sentido. quem consegue criar fatos na imprensa. naqueles veículos da mídia impressa. permitindo a todos. com abundância de detalhes (o que não poderia ocorrer com a TV). jornais e TV. por sua divulgação pública. a imprensa consegue pautar as demais mídias em grande medida.políticos. tem assegurada a repercussão daqueles fatos no trabalho das outras mídias. Na atual campanha presidencial no Brasil. Em segundo lugar porque se o jornal publicou pela manhã a TV . podem também ser produzidas em poucas horas. Já o jornal tem a seu favor a possibilidade de conferir à cobertura política profundidade. edições especiais. o próprio mercado. Não se deve esquecer que a TV é uma "mídia de manchetes" .

adversários. separar o que vai ser usado do que não será.combinar. recursos. Os sites das empresas jornalísticas são permanentemente atualizados e trazem . Em terceiro lugar porque no jornal haverá mais espaço para análise e interpretação mais aprofundada dos resultados. Tudo que sai no jornal que está nas bancas.a edição impressa disponível para o leitor. está também na internet e tudo. através de PCs. em qualquer lugar. priorizar. listar.e o rádio vão repercutir durante o dia e a noite. inclusive as propagandas políticas. e uma multidão de outros itens que facilmente podem ser imaginados. pela internet. etc) (3) interpretar informações (extrair o significado dos dados. notebooks. tablets. quantificar. O jornal está na "rede" Hoje. apoios. com o acompanhamento de gráficos e fotos. projetos. Nada é mais necessário e mais valioso numa campanha eleitoral do que a informação confiável. identificar tendências. construir cenários. o jornal pode ser acessado. Campanha Pesquisar para Vencer Em busca da informação confiável Nada é mais necessário e mais valioso numa campanha eleitoral do que a informação confiável. descobrir novas possibilidades e perspectivas. . 8. vão ser vistas por quem acessar o jornal online.) (2) processar informações (avaliar. Na realidade uma campanha pode ser encarada como um esforço coordenado para : É preciso processar informações (1) coletar informações (sobre eleitores. Ipads e celulares. a qualquer hora.de graça ou mediante assinatura . realidade local.

que provocou a mais importante das transformações ocorridas nas campanhas eleitorais no século XX: a inclusão da pesquisa política no seu núcleo central de estratégia e decisão. Há entretanto uma enorme diferença entre fazer estimativas com base em informações confiáveis (ainda que insuficientes) e fazer estimativas com base em informações não confiáveis. Informação de má qualidade (imprecisa. realizadas por organizações ou pessoas experientes e qualificadas. nas entrevistas. em estratégias a serem seguidas. para subsidiar as decisões do candidato numa disputa eleitoral.censitárias de conteúdo etc).qualitativas. Não é possível construir uma campanha eleitoral eficiente sem informações precisas e confiáveis sobre o eleitorado. como por exemplo. incorreta) empurra a campanha para o perigoso território do “palpitismo”. nos programas de rádio e TV etc) A qualidade de uma campanha depende diretamente da qualidade da informação com a qual trabalha. nos debates. O candidato e sua equipe estão sempre fazendo estimativas. em atividades de campanha. na estratégia de comunicação e marketing. avaliações. peças) (5) comunicar informações (na publicidade de campanha. incompleta. o instrumento mais adequado para produzir e organizar as informações indispensáveis à concepção de . Foi o entendimento do papel decisivo e insubstituível da informação confiável. Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas. na intuição e na improvisação. baseada apenas na sempre discutível “experiência”. de baixa qualidade.confirmar hipóteses etc) (4) formatar informações (em projetos a serem propostos. interesses e prioridades São as pesquisas(quantitativas. no discurso do candidato. suas disposições. da intuição e do ativismo voluntarista.

jornais. avaliação da sua coerência com outras informações confirmadas. A pergunta clássica que deve ser respondida é: a quem interessa? A quem beneficia? a ocorrência ou produção daquele fato.(realizadas pela campanha ou por rádios. não se limita apenas àquelas produzidas por pesquisas. Isto não significa que se deve abandonar a busca pela informação confiável. consistência com resultados de outras pesquisas. podem reduzir significativamente a margem de incerteza. 2) Muitas vezes a campanha não dispõe de recursos e/ou tempo para realizar uma pesquisa antes de tomar uma decisão de grande importância para a candidatura. em função do conhecimento que se possui sobre o assunto.TV. sobretudo. instituições). Em mais de 90% destes casos a . Nessas situações o esforço para confirmar as informações necessárias para subsidiar a decisão deve ser ainda maior.uma estratégia vitoriosa para a campanha. Refere-se também a toda informação que circula na campanha. conversa com analistas e comentaristas políticos. entretanto. e que é julgada suficientemente importante para subsidiar decisões. a interpretação do seu significado e da sua lógica. relativas ao mesmo assunto. que é objeto de discussão nas reuniões. Informação confiável. Muito ao contrário. Em política. A informação confiável também não está só nas pesquisas realizadas Procedimentos como múltipla checagem. e. fatos ou informações sobre fatos (ocorridos ou por ocorrer) que não se revelam como auto-explicáveis devem sempre ser analisados pela ótica dos seus resultados e não da intenção. Em busca da informação confiável (pág.

para não perder o momento e as oportunidades. nestes casos. ou até precárias. não deve hesitar. A busca da informação confiável. Nestes casos. fazendo uso do seu melhor julgamento. razoável. (4) Há decisões que. O candidato. está ao alcance de qualquer campanha (pobre ou rica). inclusive o candidato. Deve tomar as decisões necessárias. (2) Quem apresenta informações deve deixar explicitado o grau de confiabilidade delas (muita. por sua importância e premência de tempo. precisam ser tomadas com poucas informações confiáveis ou com informações contraditórias. Alguns líderes políticos adquiriram uma sólida reputação pelo uso sofisticado e espirituoso deste . pouca. uma alternativa de correção. portanto. para o caso de erro. pesquisas já publicadas). Cultura Sabedoria Política O humor de Churchill O humor é sempre um sinal de inteligência e bom gosto. não há desculpa para não possuí-la. é melhor decidir com base em informações razoavelmente seguras. por antecipação. Alguns líderes políticos adquiriram uma sólida reputação pelo uso sofisticado e espirituoso deste recurso O humor é sempre um sinal de inteligência e bom gosto.identificação do beneficiado vai esclarecer as razões do fato. deve tornar-se um hábito e uma regra compartilhada por toda equipe. De nada adianta buscar uma confiabilidade que demore tanto para ser obtida que faça com que se perca o momento de usá-la. (3) O candidato tem que saber combinar confiabilidade e tempo. e da qual decorrem alguns corolários: (1) Quando a informação existe e está disponível (por exemplo. dados do censo. É aconselhável porém que prepare. nenhuma). e correndo os inevitáveis riscos.

“E se eu fosse seu marido tomava” Sobre a mentira: “Uma mentira circula por metade do globo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças” Sobre a história: “A história será generosa comigo. Churchill era mestre em frases e respostas irônicas Comunicação entre Churchill e Bernard Shaw: Bernard Shaw mandou um convite a Churchill com o seguinte recado: “Tenho o prazer e a honra de convidar V. primeiro ministro no período da II Guerra Mundial. Confronto na Câmara dos Comuns Churchill foi aparteado por uma deputada da oposição. Concedida a palavra. Venha e traga um amigo. Para a apresentação da primeira exibição de minha peça Pigmaleão. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. se houver”. Suas frases e respostas irônicas tornaram-se verdadeiros clássicos do cáustico humor inglês. se tiver”. Exa.” Churchill.recurso. o grande líder conservador da Inglaterra. Nenhum mais que Winston Churchill. Irei à segunda. Churchill respondeu com o seguinte bilhete: “Agradeço ilustre escritor pela honra do convite. Ele odiava ser interrompido quando discursava. a deputada disse: “Sr. Exa. após um demorado silêncio respondeu. Se V. fosse meu marido punha-lhe veneno no chá. como se pode perceber nos exemplos a seguir apresentados. em meio a um discurso. pois eu pretendo escrevê-la” Sobre o político: . Ministro.

e no próximo ano. Maneja ao mesmo tempo. Sabe como usá-las para manifestar o pensamento e para esconder seu . seu nome e o seu significado. todos os bebês se parecem comigo” “Engolir minhas palavras nunca me deu indigestão” “Eu fico facilmente satisfeito com o melhor” Oratoria Curso prático de oratória A oratória da sedução: aprenda a usar o poder das palavras I Domine a arte de usar as palavras como armas O político está sempre falando para um. mas amanhã de manhã eu vou estar sóbrio.“Um político necessita ter a habilidade para prever o que vai ocorrer amanhã. 2) Sobre Hitler: Churchill era um adepto do cáustico humor inglês “Se Hitler invadisse o inferno eu não hesitaria em fazer pelo menos uma referência favorável ao demônio na Câmara dos Comuns”. no próximo mês. O humor de Churchill (pág. mas precisa também ter a habilidade de explicar depois porque nada do que previu ocorreu”. Aprende a usar as palavras como armas. e você ainda será feia” Sobre virtudes e defeitos: “Ele possui todas as virtudes que me desagradam e nenhum dos vícios que eu admiro” Sobre si mesmo: “Madame. na próxima semana. Sobre a bebida (resposta a Lady Astor que o provocou): “ Eu posso estar embriagado. para poucos ou para muitos.

um pressuposto de difícil realização. busca-se mais que o voto ou o apoio. Argumentar supõe que a outra parte ouve prestando atenção. Desde logo. O discurso deve ter persuasão. a adesão incondicional. muita argumentação e lógica Seu objetivo entretanto é sempre o mesmo: persuadir. com racionalidade. persuasiva. estão sempre ostensivamente expostos. lógica e discursiva. Grande parte da atividade política exige este tipo de oratória. primacialmente. Não se seduz com argumentos. o objetivo. técnicas e objetivos. para explicar e para confundir.pensamento. para explicitar e para se evadir. A oratória convencional do político revela inevitavelmente a sua intencionalidade. do que em escutar seus argumentos. Por outro lado. Este já é. como se viu. Nada errado. a oratória convencional do político é argumentativa. As pessoas. completamente diferentes dos buscados pela oratória clássica. com certa malícia e descrédito "é conversa de político". estão mais ocupadas com seus pensamentos e desejos. convencer. Por isso se diz. na sedução. a oratória da sedução aposta na persuasão pelos sentimentos e emoções. Por isso é tão fácil "decodificar" o argumento do político: a intenção. nem nas relações afetivas. como regra. Se a oratória clássica (ainda que modernizada) funciona. estão mais interessadas em falar do que em ouvir. Busca-se nela. A oratória da sedução constitui-se a partir de princípios. nem na política. com discussão. da persuasão racional. Reduzida a seu essencial. não há nada mais anti-sedutor do que a prática da argumentação. pelo exercício de uma argumentação que se imponha logicamente à razão de quem a escuta. por si só. um nexo emocional que provoque a "entrega" do seduzido ao seu sedutor. obter a aprovação. têm dificuldades .

evitar distrações. com certa malícia e descrédito "é conversa de político". persuasiva. para explicitar e para se evadir. convencer. e tendem a perder interesse no assunto. repetição. muita argumentação e lógica Seu objetivo entretanto é sempre o mesmo: persuadir. Quando se trata de seduzir. Há regras para controlar estes riscos. linguagem simples. toda a prática da melhor oratória argumentativa deve ser esquecida. Se perderam parte do argumento. criação de expectativas e suspense. lógica e discursiva. frases curtas. a oratória convencional do político é argumentativa. A oratória da sedução: aprenda a usar o poder das palavras I Domine a arte de usar as palavras como armas O político está sempre falando para um. sentem-se confusas. Maneja ao mesmo tempo. voz clara e forte. o objetivo. obter a aprovação. anedotas. Sabe como usá-las para manifestar o pensamento e para esconder seu pensamento. Reduzida a seu essencial. porque precisam concentrar-se. Nada errado. estão sempre ostensivamente expostos. Por isso é tão fácil "decodificar" o argumento do político: a intenção. Grande parte da atividade política exige este tipo de oratória. para poucos ou para muitos. A oratória convencional do político revela inevitavelmente a sua intencionalidade. etc. Por isso se diz. uso de estórias. como impede a sedução. Aprende a usar as palavras como armas. O discurso deve ter persuasão. A oratória da sedução constitui-se a partir de .de seguir um argumento nos seus detalhes. entretanto. Ela não só não ajuda. para explicar e para confundir. quando se trata de argumentar e persuadir logicamente: discurso breve. e exemplos. seu nome e o seu significado.

por si só. Se perderam parte do argumento. um pressuposto de difícil realização. anedotas. Este já é. Há regras para controlar estes riscos. porque precisam concentrar-se. criação de expectativas e suspense. Desde logo. Quando se trata de seduzir. sentem-se confusas. repetição. entretanto. e exemplos. Se a oratória clássica (ainda que modernizada) funciona. nem nas relações afetivas. evitar distrações. como regra.princípios. têm dificuldades de seguir um argumento nos seus detalhes. completamente diferentes dos buscados pela oratória clássica. voz clara e forte. Ela não só não ajuda. Por outro lado. uso de estórias. busca-se mais que o voto ou o apoio. do que em escutar seus argumentos. não há nada mais anti-sedutor do que a prática da argumentação. a oratória da sedução aposta na persuasão pelos sentimentos e emoções. Argumentar supõe que a outra parte ouve prestando atenção. estão mais ocupadas com seus pensamentos e desejos. técnicas e objetivos. Busca-se nela. quando se trata de argumentar e persuadir logicamente: discurso breve. na sedução. com discussão. primacialmente. como impede a sedução. nem na política. e tendem a perder interesse no assunto. com racionalidade. pelo exercício de uma argumentação que se imponha logicamente à razão de quem a escuta. frases curtas. estão mais interessadas em falar do que em ouvir. como se viu. da persuasão racional. linguagem simples. etc. Não se seduz com argumentos. 2) . As pessoas. A oratória da sedução: aprenda a usar o poder das palavras I (pág. um nexo emocional que provoque a "entrega" do seduzido ao seu sedutor. a adesão incondicional. toda a prática da melhor oratória argumentativa deve ser esquecida.

e. comunicando-nos com a sua sensibilidade. confundir e envolver. para expressar nossos sentimentos. use uma adulação sóbria para gratificá-los. A oratória da sedução usa as palavras para despertar emoções nas pessoas. para entrar no mundo de quem deseja seduzir Na comunicação usual. de medo e desejo. Neste contexto a palavra assemelha-se à música e se diferencia do ruído. de forma a que cada um a entenda a sua forma e a sinta com o grau de intensidade que experimentar. envolva-os em uma atmosfera de esperança. apazigue medos e inseguranças. Não se trata de falar de concordâncias e discordâncias e sim de amor e ódio. as emoções que você vai despertar e explorar são emoções fortes. idéias e opiniões. Mas atenção. O discurso da sedução focaliza naquilo que as pessoas querem ouvir.Seduzir com palavras O candidato deve sair de seu mundo pessoal. sem chamar a atenção e sem provocar reações defensivas. mantenha sua linguagem vaga. Na oratória da sedução temos que conseguir sair do nosso mundo pessoal. deve provocar sensações. usando palavras carregadas de significados. de justiça e injustiça. falamos a maior parte do tempo sobre nós mesmos. pois pessoas emocionáveis são mais fáceis de atrair e conquistar.. . Explore as emoções que eles sentem. para entrar no mundo do outro que queremos seduzir. Não há outra porta por onde entrar no mundo do outro. A oratória da sedução deve ser capaz de fazer uma audiência experimentar uma mesma emoção e compartilhá-la pelo contágio. e tendo acesso à sua psicologia.. acima de tudo. use pausas de silêncio para valorizar o que diz e para manter a atenção.

e tantas outras curiosidades normais após toda a exposição pública e controvérsias ensejadas pela campanha. Durante a campanha era o candidato quem buscava a mídia. Ao mesmo tempo. com quem vai trabalhar. A realidade determina qual a hora de usar uma ou outra.É com base em sentimentos desta intensidade que um público. o que pretende fazer. desconfiada de que estava sendo usada. como a oratória da argumentação fala para o cérebro. As pessoas querem conhecê-lo mais e melhor. sempre tendo em vista um objetivo político É preciso primeiro colocar-se na situação do candidato eleito. a segunda busca a aprovação. esclarecer controvérsias. o que é mais importante. transforma-se numa entidade política. saber o que pensa. há uma enorme curiosidade da população sobre o novo governante. apresentar suas idéias e projetos. Da parte do vitorioso há. numa coletividade dominada por um sentimento que pode levá-la à ação. Marketing Comunicar a mensagem Pós-eleição Tome o cuidado para não falar demais neste momento de transição A regra é falar apenas o necessário. Ainda mais . Ambas são importantes e necessárias ao arsenal do político. apresentar sua imagem. a primeira busca seduzir e conquistar. quem a procurava para defender-se. composto de pessoas individuais. garante-lhe os melhores espaços nos veículos. o desejo de explorar esta súbita boa vontade e disposição dos veículos ao máximo para aumentar a sua popularidade. após uma eleição dura e disputada. Candidato eleito fala. tem tempo para ele. A mesma mídia que antes se apresentava arredia. como é compreensível. inverte-se de imediato a equação. entre outros objetivos. e. A oratória da sedução fala para o coração. agora o procura. mas evita abordar determinadas questões Vitorioso.

Ele não deve nunca esquecer que "cada decisão anunciada equivale a uma redução da sua liberdade e um enfraquecimento do 'elemento surpresa' com o qual conta para valorizar sua futura administração". antes de abrir a boca. Infringir esta regra acarreta graves conseqüências. O que falar. informar-se sobre a realidade do cargo que vai assumir. precisa também 'alimentar' a mídia com algumas informações para começar a construir a imagem do novo governo. com que objetivo falar. quando falar. há limites para este sigilo e reserva. são interrogações que ele deve necessariamente fazer-se. 2) A regra a ser seguida é simples de enunciar. e nem sobre certas questões. pesar as pressões. o candidato vitorioso vai falar apenas o que é necessário Falar . em relação ao titular do cargo que vai ocupar. sempre tendo em vista um objetivo político. "Ele precisa 'lançar balões de ensaio'. Por outro lado." Pós-eleição Tome o cuidado para não falar demais neste momento de transição (pág. ele também sabe que precisa manter muitas questões (exatamente aquelas em que a mídia está mais interessada) sob reserva.sabendo que esta situação não vai durar por muito tempo. quanto falar. mas difícil de ser seguida: Falar apenas o necessário. reavaliar as promessas de campanha e organizar a sua estratégia para o breve período transição-posse-início-primeiros 100 dias. Mas atenção. para quem falar. deve também dar início ao processo de ocupação de espaço. avaliar pessoas. isto é. mas não pode falar demais. Precisa ganhar tempo para pensar. O candidato eleito tem que falar. deixar vazar informações para sentir as reações a elas. necessita também tomar algumas decisões para reduzir a ansiedade e pressões dos aliados e apoiadores. Como sempre.

Risco maior ainda porque os repórteres e jornalistas o assediam constantemente e buscam seduzi-lo para obter revelações inéditas e impactantes. uma "verdade". e correspondem a tanta curiosidade da população. torna-se de imediato uma manifestação de "mau gosto". "vaidade". "maldade". e a tentação de falar. oportunidade. "arrasadora". não ser levado a sério. a "teimosia" e a "ironia" se forem publicadas ou divulgadas pela mídia. com a vitória. O eleito sente-se justificadamente como uma celebridade. conquistou a admiração dos eleitores pela vitória. Qualquer "gracinha" sua passa a ser "brilhante". "arrogância". Tentar recuperar a imagem e a credibilidade depois de tê-la abalada é muito mais difícil. e que. E o fato é que a "gracinha". de uma pessoa cuja palavra não pode ser levada a sério. qualquer comentário irônico. em poucas semanas. tornou-se "banal". para a maioria. a impressão que fica. qualquer crítica. . a "magia do poder" o reveste com os atributos da inteligência. de aparecer e de ser notícia é muito grande. Não esqueça nunca que a primeira impressão é.demais é o grande risco. "hipocrisia". com muito esforço conseguiu vencer. qualquer tirada. "genial". Risco ainda maior porque. brilho. O resultado agregado de algumas inconfidências desta natureza que venham a ser divulgadas é a constituição de uma imagem negativa: a imagem de quem fala demais. Não é raro observar-se um candidato que. espirituosidade. Este o risco-síntese de quem fala demais: tornar-se banal. uma "necessidade indiscutível". como também porque é humano e gratificante ser tratado como alguém cujas palavras são esperadas. de quem não está à altura do cargo. a "tirada". não apenas porque o candidato passa a ter os veículos à sua disposição. qualquer insistência e teimosia.

Diante de uma situação como esta. Como a ideia torna-se rapidamente um "objeto de desejo". Outras vezes. durante a campanha. os demais candidatos não têm outra alternativa a não ser adotá-la também. sendo popular.Estrategia Pequenos/grandes erros Tornar-se refém de uma promessa irrealizável Este é um alerta válido para qualquer tipo de governante. na busca por aqueles votos indispensáveis à vitória. que. sem maiores preocupações. O problema é agravado pelo fato de que logo um dos candidatos. É um dos mais perigosos e letais erros cometidos durante um governo Nesta altura já é muito tarde para alertá-lo a evitar fazer promessas irrealizáveis. o que pode parecer uma forma habilidosa de não se comprometer com ela. ela é neutralizada como argumento eleitoral. sem . Na medida em que todos os candidatos se comprometem com a ideia. seja ela mais ou menos possível de realizar. incorpora a ideia e com ela identifica sua candidatura. "surge" uma ideia. do tipo "a ideia é boa. "Objeto de desejo" do eleitorado pode virar promessa impossível É muito difícil porque. é um dos candidatos que tem a "ideia genial" e compromete-se com uma medida que ele sabe ser popular. opor-se à ela é cortejar a impopularidade certa e adotar uma atitude cautelosa. não é contestada por ninguém e fica à mão para ser abraçada por uma candidatura. Frente a esta situação os candidatos ficam numa posição frágil. No calor da campanha. muitas vezes. é muito difícil ao candidato. recusar-se a fazer aquela promessa que vai ao encontro do que os eleitores desejam. mas precisa ser mais estudada".

Fique certo que este será o tema que vai persegui-lo na próxima eleição. seus adversários na próxima eleição vão se encarregar de refrescar a memória do eleitorado. cumpriu outras Muitos políticos. vão acabar esquecendo-se ou relevando. as pessoas vão buscar uma explicação. Ganhando a eleição. invariavelmente. Dão-se mal. Fica comprovado que você enganou os eleitores. no final das contas. se esquecerem. sem ter todas as informações sobre sua viabilidade É melhor admitir que a promessa é impossível no início do mandato ou ela vai explodir na eleição Esta saída é o oposto da primeira: reconhecer logo o erro a . por ter-se comprometido com um projeto. e que. evidencia-se com dados e números que a promessa foi além das possibilidades de execução. 2) Reconhecer publicamente seu erro. mentindo para se eleger. ou incapacidade de reconhecer erros publicamente.dar-se ao trabalho de estudar previamente a sua viabilidade. por absoluta ojeriza à possibilidade de retratação pública. Consultados os auxiliares e funcionários. Que fazer diante de uma situação como esta? Apostar que as pessoas não vão dar grande importância. Tornar-se refém de uma promessa irrealizável (pág. preferem esta saída. porque: As pessoas normalmente não esquecem. Na medida em que você nem cumpre a promessa. aquela promessa ressurge como um pesadelo. nem dá explicações. porque se você não cumpriu aquela promessa. As consequências são as mesmas nos dois casos. Pode estar certo que a explicação que vão encontrar lhe será sempre negativa: você não cumpriu para agradar"certos" interesses ou porque usou o dinheiro para outras coisas.

Reconhecer logo não significa imediatamente. finalmente.fim de retirá-lo da pauta de discussão e impedir que ele seja usado na próxima campanha contra você. é preferível o primeiro porque você reconstitui sua relação com seus eleitores na base da verdade. É a saída heroica. também você consegue tirar da pauta de discussão. você está "sacando" do seu capital político inicial. Você tem que aceitar que. Reconhecendo logo. É para evitar este desgaste. ou aceita o desgaste futuro de fim de governo e da próxima campanha. E no início de seu mandato. Ou aceita o desgaste de início. pelo menos um mês. como vimos. que. feito o erro na campanha. porque. contando com 4 anos para compensá-lo. Mesmo assim. para fazer este reconhecimento. Dentre os dois. talvez. no início do mandato. você também estará dando uma demonstração de sinceridade e honestidade. Mas vai conseguir. ao lado desta matéria. É inevitável. Você deve esperar algum tempo. que muitos governantes optam pela primeira saída. que deve ser grande. dá prova de sinceridade e coragem e "desativa" a bomba de efeito retardado preparada para explodir na próxima eleição. você não vai conseguir resolvê-la completamente. fica livre daquele "estigma". é a pior de todas. ao fim de seu . Somente cabe adotá-la naquelas condições em que a promessa feita trate de matéria de tal importância que justifique o sacrifício de outros projetos por ela. tão logo assumiu o poder. você terá muitas outras positivas a divulgar. Você decide sacrificar outros projetos do seu governo para se concentrar na realização daquela promessa Esta é a terceira saída do problema. Não tem como escapar do desgaste: ou um ou outro. inegavelmente negativa. Apesar de tudo isto. você sofrerá um desgaste político. você terá que pagar por ele.

É um dos mais perigosos e letais erros cometidos por um governante. Como regra geral. Estrategia O caminho da derrota Reconheça logo os sinais de que sua campanha vai mal . o sacrifício pode ser justificado e você poderá sair vitorioso de seu mandato. O desgaste político de ter abandonado ou dado pouca importância a outros projetos. é a da segurança pública. nitidamente prioritária para os eleitores. a redução ou postergação de projetos em troca de uma concentração da ação do governo na segurança pública que produza resultados visíveis. ou sem que a população perceba os resultados conquistados. escolha entre a segunda e a terceira saída. Entretanto. Nesta situação você também corre o risco muito sério de. um avanço considerável para mostrar aos eleitores. se a promessa é. De qualquer forma. há também um desgaste. porque ela não é uma saída. ainda que não tão relevantes. Há situações em que as pessoas podem aceitar. chegar ao fim do mandato sem obter grandes resultados. O exemplo mais comum e frequente de opção por esta saída ocorre quando a questão central. porque envolve menos riscos e preserva mais a integridade de seu projeto de governo. em hipótese alguma. no sentimento da população. a segunda sempre será a preferível. não aceite. de bom grado. você troca o não cumprimento de uma promessa pelo cumprimento precário de várias outras.mandato. e. Evite a primeira saída. mesmo concentrando seu governo na realização daquela promessa. Como nas demais. tornar-se refém de uma promessa irrealizável. De certa forma. depois de uma cuidadosa e inteligente análise de situação. sem controvérsias.

Portanto. a publicidade.É sempre melhor começar bem uma campanha política. E. para reverter o quadro. algumas vezes não é mais possível evitar o desastre eleitoral porque. então. Os sinais são visíveis e auto-evidentes. falou. E é altamente recomendável prestar atenção aos primeiros sintomas de que as coisas não estão funcionando como deveriam Quando a campanha eleitoral já está em pleno andamento é fácil perceber se ela está indo bem ou mal. é de fundamental importância começar bem. está em falta. no momento. O mais eloquente deles é a queda ou incapacidade de crescer nas pesquisas de intenção de voto. No início da campanha é bem mais difícil identificar os sinais negativos. Durante a campanha. pela falta de consistência. como regra. de uma "cirurgia" delicada e de alto risco. O que importa assinalar é que se trata. o candidato já se posicionou na campanha. O que não significa que não se possa fazer uma mudança nos rumos da campanha com sucesso. Pois é aí que o candidato deve ter a . o que torna qualquer mudança muito vulnerável à crítica. a imagem e o comportamento do candidato em meio ao combate eleitoral e a uma batalha ainda mais intensa: a que se dá dentro da equipe de campanha. Nessa fase. Afinal. será necessário vencer um desafio enorme: revisar a estratégia. Nessa fase. comprometeu-se e propôs sua imagem. evitar começar mal. credibilidade e seriedade. mudar de rumo com a campanha em andamento é uma questão muito delicada porque o eleitor pode não entender ou aceitar a mudança. acima de tudo. mudar de rumo é sempre muito delicado Além disso. tende-se a dar maior importância aos aspectos favoráveis. Com muita facilidade contabiliza-se como certos os apoios prometidos e tem-se a ilusória impressão de que haverá tempo suficiente para conquistar tudo o que.

definindo o posicionamento da candidatura. equipamentos. perdendo um tempo precioso e irrecuperável. Com eles. É fundamental. pesquisa. Há que se . Reconheça logo os sinais de que sua campanha vai mal (pág. dar a partida com uma provisão satisfatória para bancar as despesas indispensáveis de início (sede. a candidatura "patina" no amadorismo e na colaboração voluntária. 2) Tais recursos bastam para começar. comunicação.sensibilidade de perceber os primeiros sinais de que a campanha não está indo bem. veículos. São esses recursos básicos que permitem à campanha tomar forma. despesas com deslocamentos. a fim de poder corrigi-los imediatamente. pode-se montar uma estrutura minimamente satisfatória para as providências iniciais nas áreas de pesquisa. organização interna e. mas só para começar. entretanto. O teste das 25 palavras: Está relacionado à capacidade de dar uma resposta competente à seguinte pergunta: Quem vai votar em você e por quê? É preciso responder: quem é seu eleitor e por que merece seu voto. ainda não há campanha. Ou não há campanhaSe o candidato não for capaz de responder esta pergunta de maneira convincente e persuasiva em 25 palavras. e outras). Os primeiros sinais Falta de recursos: Não é necessário começar com todos recursos necessários para toda a campanha. para o planejamento das ações de captação de recursos. pessoal mínimo. Sem eles. estratégia. principalmente. impressão de material. O sucesso na captação de recursos é talvez o mais forte indicador da competência do candidato e da sua viabilidade eleitoral.

a razão maior pela qual o candidato deve ser votado. Excesso de reuniões: Na fase inicial da campanha as reuniões são frequentes. o relato do que foi realizado e a discussão do que deve ser corrigido e aperfeiçoado. tornar as pessoas conhecidas e formar uma equipe. pois. concisa e convincente. Os consultores políticos norte-americanos James Carville e Paul Begala forjaram uma expressão muito apropriada para tal situação.oferecer ao eleitor razões fortes para merecer o seu voto. Ela precisa. Há muito que fazer no início da campanha e o tempo." Campanha Campanha passo a passo A terceira fase da campanha: a consolidação da candidatura O principal objetivo desta fase é levar a candidatura para as ruas e fixar junto . bem como a deliberação sobre o que é urgente fazer. desde que não se limitem a discussões. E é normal que sejam assim. a resposta é a mensagem da candidatura. bastante apropriada para encerrarmos esta coluna: "Quem sabe. pois cumprem a função de deliberar. a ponto de os responsáveis pelos setores reclamarem que as reuniões prejudicam as atividades. ser facilmente entendida pelo eleitor e retida na memória tanto quanto a identidade do candidato . O problema é quando as reuniões se sucedem e o trabalho não aparece. ser clara. necessariamente. Quem não sabe. embora não pareça escasso no começo. As reuniões continuarão sendo necessárias e importantes.o trabalho deve começar a aparecer. Passadas as reuniões iniciais e delineada a organização básica . confrontos e deliberações e incorporem à agenda.aquilo que o diferencia dos demais. sempre será inferior às necessidades.mediante a qual as responsabilidades já podem ser atribuídas . faz. Assim. se reúne.

pode durar. o candidato deve começar sua ação "corpo-a-corpo" com o eleitor. com o lançamento e as medidas de repercussão já executadas . mantendo contato estreito com cabos eleitorais. todo o tempo disponível. com o máximo de racionalidade. O contato direto com o eleitor é o objetivo central da terceira fase Tendo. Em primeiro lugar. Na fase de consolidação.legislativo ou executivo .ao eleitorado uma organização que a sustente Essa etapa. vereadores.e dispondo dos recursos econômicos e humanos básicos para operar .e o nível da eleição . Já aos candidatos a cargos executivos. deputados. Conforme o cargo em disputa . três semanas. é preciso consolidar a base de apoio. cidades e regiões.estão dadas as condições minimamente indispensáveis para levar o candidato às ruas. então. que antecede o período da propaganda eleitoral gratuita. um instrumento fundamental para aproveitar. passadas essas três semanas.prefeitos. líderes comunitários e políticos que apóiam a candidatura . Seu principal objetivo é levar a candidatura para as ruas e fixar junto ao eleitorado uma organização que a sustente. inicia-se nesse momento uma operação de campanha que se estenderá até o dia da eleição. a candidatura já posicionada. as atividades do candidato já deverão estar bem definidas em sua agenda. que criarão as oportunidades. a próxima fase deverá priorizar a gravação de programas de rádio e TV para a propaganda eleitoral gratuita. Em segundo lugar. auxiliado pelos apoiadores.federal ou . aproximadamente. é preciso ter resolvido bem o financiamento inicial da campanha e a constituição da equipe de coordenação. Para que isso seja possível. a fim de estabelecer seu contato com o eleitor. Para os cargos legislativos.

de bairros etc) .estadual . pela astúcia. que distribuem material de campanha. associações de empresários. e foram capazes. associações profissionais. ele deve ser usado para provar prestígios setoriais: nas vilas populares . tiveram em última análise mais sucesso do que os . É óbvio que o "corpo-a-corpo" acontece com o apoio de auxiliares. Assim. entre a lógica da vida pública e a da vida privada. em tais casos. sindicatos. circular pelo centro das cidades visitadas oferece a chance de encontrar o cidadão comum e criar as "photo ops" . Já candidatos a cargos executivos . Assim. o contato direto sempre será muito limitado.o "corpo-a-corpo" terá maior ou menor prioridade na campanha.para mostrar prestígio nestes segmentos. a circunscrição eleitoral é muito vasta. que não honraram suas palavras. Além disso. Estes príncipes.na atual eleição.devem programar o "corpo-a-corpo" com outros critérios.para demonstrar que é bem recebido pelos mais pobres .e em organizações sociais(clubes de futebol. “Como é louvável um príncipe que mantém a sua palavra e vive com integridade! Assim mesmo. Mandato As Leis do Poder Uma explicação de Maquiavel para a visão negativa da política e dos políticos Pensador italiano sustenta a irremovível diferença que existe. Como. recebem pedidos e ajudam o candidato a cumprir sua agenda. a experiência dos nossos tempos mostra que os príncipes que não mantêm a sua palavra. tiveram muito sucesso em seus governos.oportunidades de imagens que conseguem ganhar as páginas dos jornais e o noticiário das TVs. Presidente e governadores . de confundir as mentes das pessoas. candidatos a cargos legislativos em todos os níveis devem atribuir alta prioridade ao contato direto com o máximo de eleitores.

e. Tomás de Aquino e na filosofia escolástica. no . este preceito seria errado e condenável. No núcleo básico do pensamento político de Maquiavel. na Suma Teológica de Sto.” (Maquiavel – O Príncipe Cap. Rompia Maquiavel com o pensamento dominante da Idade Média.príncipes que fizeram da lealdade o fundamento do seu poder. na sua cúpula. Lógicas da vida pública e da vida privada são muito diferentes Tornava-se assim impossível para Maquiavel a existência de uma mesma ética. mas. Se os homens fossem bons. encontra-se. não apenas uma radical diferença entre as duas esferas. na sua base. pelos séculos vindouros. mediante o qual o universo era penetrado por uma ordem hierárquica que vinha de Deus. que. consolidado de forma genial e definitiva.” “Por isso. mediante a qual. XVIII) O parágrafo do Príncipe permite entender as razões. seria o “código” da ortodoxia do pensamento cristão. pelas quais Maquiavel sustenta a irremovível diferença que existe. um governante prudente não deve manter sua palavra. quando aplicado em outra esfera da vida. quando as razões que o fizeram comprometê-la não mais existirem. você também não está obrigado a manter a sua para com eles. como a presença de uma “alquimia política”. à esfera familiar e à esfera política. quando fazê-lo for contra o seu interesse. como eles são maus e não honrarão as suas palavras com você. entre a lógica da vida pública e a da vida privada. Ortodoxia que se assentava no princípio conhecido como “A Grande Corrente do Ser”. que se apoia na prática. aplicável com igual validade. Com Maquiavel começa então uma análise da política. até o mais inferior dos seres. o que é virtude numa esfera tende a tornar se vício e defeito.

2) No Príncipe. foi analisada com excepcional objetividade e crueza. Certos comportamentos totalmente recomendáveis e elogiosos na vida privada. Com Maquiavel rompe-se uma tradição de pensamento político que vinha desde a Grécia Clássica. passando por Roma. transforma se no seu oposto na vida política. revelados ou racionalmente concebidos. gasta mais do que poderia. no seu desejo de agradar a todos. e por toda a Idade Média Europeia. mostram-se necessários e até indispensáveis na vida pública. e. Já o governante “sovina” gera poucas expectativas. e. cujos pressupostos básicos eram os mesmos. se adotada literalmente pelo governante. como dele só se esperava o . Cardeal Mazzarino. ele demonstra como uma virtude da vida privada. O que o “sovina” fizer para o povo será recebido como uma agradável surpresa O governante liberal. Cardeal Richelieu. a vida pública possui uma natureza muito diferente da vida privada. Esta contradição entre virtudes e defeitos na vida privada e na vida pública. para cobrir o déficit. Uma explicação de Maquiavel para a visão negativa da política e dos políticos (pág. Guicciardini. se transpostos para a vida pública. inversamente. e não em princípios religiosos e filosóficos. revelam-se catastróficos.comportamento humano como evidenciado na realidade e na história. tendo que depois criar novos impostos e coletá-los avidamente. Para Maquiavel e para os pensadores da “escola realista” da política que viriam a seguir(como Baltasar Gracián. por Maquiavel. comportamentos censuráveis nas relações privadas. Mandeville). por exemplo.

Na vida privada o que se disse ontem tem que ser mantido amanhã. que esta diferença é real.pior. a sovinice. acreditando que devam ser os mesmos que devam regular a vida pública. produziu efeitos políticos desastrosos. já terá vivido. Maquiavel usa vários exemplos análogos a este. sujeito a variadas condições. e. foram instrumentais para o sucesso político. na vida pública uma contingência comum. Por não compreender a diferença de natureza que existe entre as duas esferas de . na vida pública a capacidade de mudar de opinião é não só natural como indispensável. provavelmente. É nessa diferença que reside a ambiguidade da política para o cidadão comum. para justificar a paradoxal relação existente. enquanto que a liberalidade. um defeito na vida privada. Em resumo. na vida privada a promessa feita é um compromisso moral. literalmente transposto para a vida pública. na vida privada mudar de partido é uma falta de princípios. se não por teoria por experiência. transforma o governante num antipático e autoritário arrecadador. na sua carreira situações como as descritas por Maquiavel. entre virtudes e defeitos na vida privada e na vida pública. torna-se uma virtude na vida pública. enquanto que outros comportamentos menos virtuosos. O cidadão comum continua cultivando os valores da vida privada. Qualquer político sabe. e a sua tendência de encará-la de maneira negativa e pejorativa. Provavelmente constatou que o “comportamento virtuoso” da vida privada. na vida pública é um compromisso político. gastando pouco não precisará aumentar os impostos. Além disso. aquilo que fizer para o povo será sempre recebido como uma agradável surpresa e dobrada satisfação. uma virtude na vida privada. enquanto o político e o governante são forçados a administrar aquela inevitável contradição.

tendo que agir levando em conta a lógica própria da esfera pública. É ela que obriga o político a viver duas vidas: com os eleitores cultivando os valores e virtudes da vida privada. e compreender melhor as peculiaridades da carreira política. Os políticos. “parecer” aos eleitores que adotam os comportamentos determinados pelos valores da esfera privada. Esta é uma “brecha” perceptiva que não se elimina. Seria preciso que os eleitores adquirissem um maior conhecimento. Uma explicação de Maquiavel para a visão negativa da política e dos políticos (pág. e uma imagem negativa dos políticos. Existe uma “brecha” perceptiva que obriga o político a viver duas vidas É por causa dela que um ataque à honra pessoal do político é tão devastador. pelo menos. permanece esta “brecha” perceptiva entre o eleitor e o político. praticando a “lógica do poder”. porque nenhum político se atreve a explicá-la ao eleitor ( até porque estaria liquidado politicamente no momento em que o fizesse). sem a qual não sobrevive na selva política. com os outros políticos e governantes. É a partir dela que os políticos recorrem às ações e técnicas do marketing político. e conquista a sua confiança. para entender o problema como tal. . por seu lado. sofisticação e experiência sobre a vida política.vida e. podendo liquidar com uma carreira. O eleitor tende então a desenvolver uma visão pejorativa da atividade política. sem preconceito. 3) É desta “brecha” estrutural que provêm os preconceitos para com a atividade política e os políticos. por meio dos quais é visto como um deles. precisam.

. não vai longe. não precisam recorrer na vida privada.torna o político demasiado rígido para a intrínseca plasticidade da vida política. entre ética e corrupção.como a ideológica. para fazer alianças e coalizões sem as quais não conseguirá governar. em última análise. estando sempre a um passo da censura pública. etc. como regra. onde reina a ambiguidade. Atente-se que não estamos nos referindo ao contraste entre honestidade e desonestidade. Por outro lado. matérias que estão longe de possuir aquela característica de escolha apocalíptica. para com eles esgrimir no cotidiano da vida política. Mesmo os políticos mais honestos têm que recorrer a expedientes aos quais. tolerar comportamentos desonestos. para esconder sua estratégia. Ao contrário. Na política poucas são as vezes em que se decide entre o mal absoluto e o bem absoluto. São eles que. também muito dificilmente logrará sucesso. Significa apenas admitir que a esfera pública possua uma lógica própria. para se proteger das promessas. Não é preciso ser desonesto para ter sucesso político. conferem sentido à sua carreira e às suas atividades. Reconhecer esta diferença não significa. A “nobre arte da política” transforma-se então num setor de atividades. como alertou Maquiavel há cinco séculos. Os valores e princípios morais são indispensáveis ao político.separando com segurança “o joio do trigo”. Entretanto quem os utiliza. A maior parte do tempo decide-se sobre o mal menor e o bem possível. um político que queira se comportar na esfera política como se comporta na vida privada. A absoluta intransigência moral . a desonestidade é um caminho que conduz ao desastre político e pessoal. porém. diferente da vida privada.

Acima de tudo. por exemplo). atenção. o novo membro deve evitar "falar demais". o primeiro mandato na casa. não é aconselhável desprezá-las completamente. do tipo: "vá com jeito. porque cada casa legislativa é única nas suas regras internas. nas suas tradições e procedimentos. É. O novo legislador deve descobrir quais são as regras internas. tanto aquele que pela primeira vez foi eleito. Sua postura inicial deve ser a de quem procura conhecer e se adaptar a uma estrutura que já existia antes dele. as tradições e procedimentos da Casa Quem já havia passado por uma função legislativa. Hoje não têm a mesma vigência. como se verá. embora. um aprendiz. não necessariamente na carreira do político. . vá com calma. em outra Casa. O novo membro será colega de vários outros que se reelegeram e que são "veteranos" naquela Casa. embora com as condições peculiares de um detentor de mandato popular Vamos tratar como legislador de primeiro mandato. Estas lições já foram praticamente regras. os códigos de comportamento. "alguma" é o termo. dar opinião sobre tudo. Mas. ingressa na nova já com alguma experiência e conhecimento.Mandato O legislador e o legislativo O legislador de primeiro mandato Ele é um novato. Há certas advertências que são praticamente universais. portanto. procure seguir a maioria" ou "um político nunca é derrotado pelo discurso que não fez". como o de um legislador que foi eleito para outra casa legislativa (de vereador para deputado estadual ou de deputado estadual para federal. nos seus códigos de comportamento.

a receita é uma só: fazer amigos e trabalhar duro. pode inviabilizar a convivência e comprometer a qualidade do trabalho legislativo. não o são. ou mesmo do ângulo do Executivo. Fazer amigos dentro da Casa é de fundamental importância. Tantas advertências sobre o comportamento talvez pareçam excessivas e descabidas para quem olha a política de fora. 2) Neste aspecto. sobretudo dos mais antigos. se não for amenizada por regras de convivência civilizada e cortês. Trata-se de se tornar conhecido.Espera-se dele mais reserva e humildade. Antes de fixar reputação fora. como sinais de sabedoria. De qualquer forma. Todos são iguais. no Legislativo o mandato de cada um é igual ao de qualquer outro. deferência e consideração. independentemente da cor partidária dos colegas. Ouvindo-os. Esta condição jurídico-política. conquista-se a reputação dentro da Casa. os membros estão permanentemente em contato e o resultado do trabalho é sempre uma deliberação coletiva. O novo membro deve ter em mente que sua primeira prioridade deve ser a de estabelecer uma boa reputação junto aos seus colegas. O legislador de primeiro mandato (pág. devem mostrar-se muito bem informados sobre o assunto. procurando-os para orientações sobre procedimentos. conquistando a confiança. em condições de trazer novos conhecimentos ou novos enfoques sobre a matéria. Novos membros devem evitar subir à tribuna até que chegue o momento em que tenham alguma coisa de realmente importante a dizer. algumas regras são consideradas como quase religiosas para os . Não devem também esperar demais. mas quando decidirem falar. embora dentro da Casa. O fato é que o Legislativo é diferente. de forma sutil. mostrando seu respeito. Para tal.

conquistar confiança (muitas das ações legislativas e decisões pessoais se sustentam na palavra). "O que for conveniente para a maioria deve ser respeitado" A casa legislativa só funciona pelo princípio da maioria. não é como parece aos que não são familiarizados com este Poder. "Os acordos celebrados entre os líderes devem ser respeitados" Estes são apenas alguns exemplos de regras consideradas sagradas nos legislativos. nas questões não políticas da Casa. mas com os seus eleitores. Estes sentimentos compartilhados criam o espírito de coleguismo que. nunca com os colegas. Entretanto. como eles do seu. dar opinião sobre tudo "Não ser demagogo com os colegas" . e sobretudo o sentimento de que seu trabalho é pouco conhecido e pouco valorizado pela população.você terá que viver com estas pessoas todos os dias. Trabalhar muito. e do Plenário para debater. a importância destas regras de cortesia e civilidade é própria do legislativo. Trabalhar muito significa principalmente dedicar-se às atividades . enfrentar a possibilidade de não se eleger.legisladores. o novo membro deve também trabalhar muito.um pouco de demagogia é aceita. Você deve sempre evitar discrepar da maioria. por isso ele tem tanta importância. por exemplo: O novo legislador deve evitar "falar demais". que o novo membro não deve descumprir. Além de fazer amigos. como as seguintes. usar da Tribuna para discursar. Legisladores compartilham muitas experiências. como se expor ao eleitorado. por exemplo. dentro do Legislativo. "Nunca machuque/ofenda um colega se puder evitar" . no Executivo é uma raridade e exceção. vai precisar dos votos ou apoio deles.

é o ponto terminal de um trabalho que começou muito antes. confirmar hipóteses etc formatar informações . E ninguém ganha uma eleição apostando na incerteza Uma campanha pode ser encarada como um esforço coordenado para : coletar informações . construir cenários. separar o que vai ser usado do que não será. a votação. Sem ela. no discurso do candidato. Estrategia Consultoria Estratégica Abasteça sua campanha com informações confiáveis Nada é mais necessário e valioso numa campanha eleitoral do que a informação qualificada. em atividades de campanha. Trata-se da matéria-prima da corrida eleitoral. listar.em projetos a serem propostos. realidade local. oculta da opinião pública. priorizar. levar a sério o trabalho das Comissões é um pré-requisito fundamental para aquela "reputação interna". O Plenário.extrair o significado dos dados. é valorizada sobremaneira pelos legisladores. descobrir novas possibilidades e perspectivas. em estratégias a serem seguidas.avaliar. Esta parte do trabalho legislativo. combinar.na publicidade da campanha. recursos.da Comissão que o membro integra. Portanto. nas estratégias de comunicação e marketing (peças) comunicar informações . . identificar tendências. apoios. as estratégias e decisões passam a ser amparadas pelos palpites. projetos.sobre eleitores. O trabalho legislativo que resulta em produção é feito nas Comissões. adversários e inúmeros outros itens que facilmente podem ser imaginados processar informações . quantificar etc interpretar informações .

baseada apenas na sempre discutível experiência. censitárias. na intuição e na improvisação.e em informações não confiáveis. interesses e prioridades Abasteça sua campanha com informações confiáveis (pág. de baixa qualidade. realizadas por organizações ou pessoas experientes e qualificadas. Foi o entendimento do papel decisivo e insubstituível da informação confiável para subsidiar decisões do candidato durante a disputa eleitoral que provocou a mais importante das transformações ocorridas nas campanhas no século 20: a inclusão da pesquisa política no núcleo central de estratégia. Refere-se . 2) Em busca da informação confiável São as pesquisas (quantitativas.ainda que insuficientes . incompleta e incorreta) empurra a campanha para o perigoso território dos palpites.nos debates. qualitativas. Há. avaliações. Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas. o instrumento mais adequado para produzir e escalonar as informações indispensáveis à concepção de uma estratégia vitoriosa para a campanha. Informação confiável. Não é possível construir uma campanha eleitoral eficiente sem informações precisas e confiáveis sobre o eleitorado. não se limita apenas àquelas produzidas por pesquisas. entretanto. suas disposições. nos programas de rádio e TV etc) O acesso às pesquisas permite traçar estratégias e decisões A qualidade de uma campanha depende diretamente da qualidade da informação com a qual a equipe trabalha. O candidato e sua equipe estão sempre realizando estimativas. da intuição e do ativismo voluntarista. uma enorme diferença entre fazer isso com base em informações confiáveis . Informação de má qualidade (imprecisa. de conteúdo etc). entretanto. nas entrevistas.

jornais. em função do conhecimento que se possui sobre o assunto.que não se revelam auto-explicáveis devem sempre ser analisados pela ótica dos seus resultados e não da intenção.não há desculpa para não possuí-la . consistência com resultados de outras pesquisas (realizadas pelo partido ou por rádios. Em política. podem reduzir significativamente a margem de incerteza. Muitas vezes a campanha não dispõe de recursos e/ou tempo para realizar uma pesquisa antes de tomar uma decisão de grande importância para a candidatura. fatos ou informações sobre fatos . o esforço para confirmar as informações deve ser ainda maior. A busca da informação confiável. A pergunta clássica que deve ser respondida é: A quem interessa ou beneficia a ocorrência ou produção daquele fato? Em mais de 90% dos casos a identificação do beneficiado vai esclarecer as razões do fato. Nessas situações. pobre ou rica.ocorridos ou por ocorrer . TV e instituições especializadas).por exemplo. é objeto de discussão nas reuniões e é julgada suficientemente importante para subsidiar decisões. Isto não significa que se deve abandonar a busca pela informação confiável. e. e origina alguns corolários: Quando a informação existe e está disponível . Muito ao contrário. avaliação da sua coerência com outras informações confirmadas. Procedimentos como múltipla checagem.também a toda informação que circula na campanha. relativas ao mesmo assunto. portanto . inclusive pelo candidato está ao alcance de qualquer campanha. conversa com analistas e comentaristas políticos. sobretudo. pesquisas já publicadas . dados do censo.que deve tornar-se um hábito e uma regra compartilhada por toda equipe. a interpretação do seu significado e da sua lógica.

por sua importância e premência de tempo. De nada adianta buscar uma confiabilidade tão demorada para ser obtida que faça com que se perca o momento de usá-la. para não perder o momento e as oportunidades. É. Há decisões que.Quem apresenta informações deve deixar explicitado seu grau de confiabilidade . precisam ser tomadas com poucas informações confiáveis ou com dados contraditórios. não necessariamente na carreira do político.muita. ou até precárias. as tradições e procedimentos da Casa Quem já havia passado por uma função legislativa. porém. É aconselhável. Nestes casos. que prepare. em outra Casa. O candidato precisa saber combinar confiabilidade e tempo. fazendo uso do seu melhor julgamento e correndo os inevitáveis riscos. tanto aquele que pela primeira vez foi eleito. O novo legislador deve descobrir quais são as regras internas. um aprendiz. Mandato O legislador e o legislativo O legislador de primeiro mandato Ele é um novato. portanto. embora com as condições peculiares de um detentor de mandato popular Vamos tratar como legislador de primeiro mandato. por antecipação. ingressa na nova já com alguma . como o de um legislador que foi eleito para outra casa legislativa (de vereador para deputado estadual ou de deputado estadual para federal. nenhuma. é melhor decidir com base em informações razoavelmente seguras. razoável. uma alternativa de correção para o caso de erro. os códigos de comportamento. pouca. O candidato não deve hesitar a tomar as decisões necessárias. o primeiro mandato na casa. por exemplo).

Hoje não têm a mesma vigência.experiência e conhecimento. procure seguir a maioria" ou "um político nunca é derrotado pelo discurso que não fez". Não devem também esperar demais. Fazer amigos dentro da Casa é de fundamental importância. Sua postura inicial deve ser a de quem procura conhecer e se adaptar a uma estrutura que já existia antes dele. mas quando decidirem falar. o novo membro deve evitar "falar demais". conquistando a confiança. Há certas advertências que são praticamente universais. O novo membro deve ter em mente que sua primeira prioridade deve ser a de estabelecer uma boa reputação junto aos seus colegas. deferência e consideração. Mas. não é aconselhável desprezá-las completamente. mostrando seu respeito. devem mostrar-se muito bem informados sobre o assunto. Acima de tudo. Espera-se dele mais reserva e humildade. vá com calma. Antes de fixar reputação fora. conquista-se a reputação dentro da Casa. nos seus códigos de comportamento. em condições de trazer novos conhecimentos ou novos enfoques sobre a matéria. nas suas tradições e procedimentos. sobretudo dos mais antigos. independentemente da cor partidária dos colegas. . O novo membro será colega de vários outros que se reelegeram e que são "veteranos" naquela Casa. embora. como sinais de sabedoria. atenção. porque cada casa legislativa é única nas suas regras internas. do tipo: "vá com jeito. Ouvindo-os. Estas lições já foram praticamente regras. dar opinião sobre tudo. Para tal. Trata-se de se tornar conhecido. Novos membros devem evitar subir à tribuna até que chegue o momento em que tenham alguma coisa de realmente importante a dizer. procurando-os para orientações sobre procedimentos. "alguma" é o termo. a receita é uma só: fazer amigos e trabalhar duro. como se verá.

mas logo dele se diferenciou. Fala-se. de forma sutil. não o são. os membros estão permanentemente em contato e o resultado do trabalho é sempre uma deliberação coletiva. determina a linguagem. do candidato como um produto. como uma campanha de vendas. com absoluta naturalidade. usada em campanhas eleitorais. A linguagem corrente. é um processo de . no Legislativo o mandato de cada um é igual ao de qualquer outro. é uma evidência da origem comercial do marketing político. Esta condição jurídico-política. Marketing A publicidade em ação Marketing político e marketing comercial (I) Grande parte dos erros políticos de campanha provêm da insistência em desconhecer as diferenças entre esses dois tipos de marketing O marketing político nasceu do marketing comercial. o comportamento do candidato e suas propostas. ou mesmo do ângulo do Executivo. Muitas vezes o candidato é comparado a um produto e a campanha ao esforço coordenado para vender esse produto A analogia do ato de votar com o ato de comprar é quase obrigatória e. se não for amenizada por regras de convivência civilizada e cortês. a campanha eleitoral. Todos são iguais. da campanha como o esforço coordenado para vender o produto.Tantas advertências sobre o comportamento talvez pareçam excessivas e descabidas para quem olha a política de fora. embora dentro da Casa. De qualquer forma. a propaganda. pode inviabilizar a convivência e comprometer a qualidade do trabalho legislativo. Afinal. Grande parte dos erros políticos de campanha provêm da insistência em desconhecer estas diferenças. em grande medida. O fato é que o Legislativo é diferente.

mas não descreve uma mesma realidade. O eleitor. um poder quase “mágico” de persuasão dos eleitores. é uma das decisões mais equivocadas que se comete. mesmo encarado como um comprador. na melhor das hipóteses. Ela é apropriada porque há semelhanças muito importantes entre o ato de comprar e o de votar. ou. e ao publicitário que a concebe e dirige. Marketing . a substituir. pelo insucesso eleitoral. afetiva. na maioria dos casos. como a altruísta. é útil sobretudo porque impõe ao candidato uma postura ativa. responsável. diferentemente de outros tipos de comunicação não interessada. o agente da comunicação busca provocar uma reação no seu público alvo que lhe favoreça. A primeira consequência é atribuir-se à publicidade de campanha. identifica características comuns. empurrando-o para o esforço de persuadir eleitores. A analogia portanto é apropriada e útil. a subordinar a estratégia política à estratégia de vendas. A insistência em desconhecer ou ignorar estas diferenças. é um comprador completamente diferente do consumidor comercial. As diferenças entre o marketing comercial e o político são. isto é. Aponta semelhanças. mas não passa de uma analogia. e o hábito de tratar o eleitor como se fora um consumidor de um produto comercial.comunicação interessada. o que acarreta consequências muito mais graves para a campanha do que uma análise superficial revelaria. pelo menos tão importantes quanto as semelhanças. porém. Ela equivale. O ponto crítico destas diferenças localiza-se no lado do comprador (eleitor). educativa. em termos práticos.

O candidato-produto acaba sendo transformado em ator A terceira consequência diz respeito ao candidato. vencerá provavelmente aquele que tiver a melhor publicidade. ele tende a ser transformado em um ator que deve representar. o papel que lhe está reservado no “script” publicitário da campanha. nem o eleitor é tão manipulável. por trás da imagem que lhe foi cuidadosamente apresentada pela publicidade eleitoral. 2) A segunda consequência é o contraponto da primeira : o eleitor é visto como um indivíduo cuja decisão de voto será basicamente determinada pela qualidade da campanha publicitária que lhe será oferecida. Encarado como um produto. O fato entretanto é que nem a publicidade possui aquele poder mágico. na campanha política. Se todos os candidatos adotarem o mesmo procedimento. Isto ocorre porque. e até a pessoa do candidato. Se entretanto. Esta cadeia de consequências entretanto. subordina a estratégia política à publicitária. disciplinadamente. Somente o marketing político isto é. pelo fato de que nela é tão legítimo promover o “seu produto” quanto atacar os “produtos concorrentes”. e nem o candidato pode ser reduzido a um ator representando um papel. o uso das técnicas publicitárias como um instrumento de comunicação de uma estratégia política para divulgar a mensagem certa para o público certo. pode preparar uma candidatura para enfrentar este . sempre chega o momento em que o eleitor é levado a procurar o candidato.político e marketing comercial (I) (pág. diferentemente das campanhas comerciais. um dos candidatos competitivos (chance de vencer) estruturar a sua publicidade a serviço de uma estratégia política correta suas chances de vencer a eleição são muito maiores.

sobretudo. uma insistente divergência de perspectivas e. as circunstâncias. O político vai para a frente de combate. o imprevisto. é o assessor que todos gostariam de ter. No início do trabalho. firmes convicções e que desfruta de considerável liberdade para opinar Teoricamente. nem sempre é assim. Teoricamente. e tem-se a certeza de sua lealdade e dedicação. vive . Está sempre exposto à mídia. por seu lado. O político vive o momento. ao enfrentamento com outros políticos. na prática. análises e dados. Pode-se contar com ele para falar a verdade. Suas sugestões são bem acolhidas e ele tem a satisfação de presenciar seu chefe utilizar seu trabalho e apoiar-se no julgamento dele. torna-se mais imediatista. Ele goza de uma latitude ampla para seu trabalho e é estimulado a dizer o que pensa. uma aguda discordância sobre prioridades. Campanha A função da Assessoria O erro do assessor II: forçar sua pauta de prioridades Esse é o equívoco típico do assessor de personalidade forte. O político vai para a frente de combate e o assessor fica na retaguarda. suscetível a surtos de emocionalismo. daí as diferenças O problema aparece com o tempo. naturalmente. Em conseqüência. uma divisão de trabalho entre chefe e assessor. tudo vai bem. mais intolerante e cada vez mais impaciente. ainda que dolorosa. O assessor. Porque. enquanto o assessor fica na retaguarda com a incumbência de pensar grande e mais adiante. pensar estrategicamente e municiar seu chefe com estudos. ainda que isso implique falar verdades incômodas. mais sensível às críticas.momento da verdade. É então que começa a ocorrer um afastamento entre os dois. Cria-se.

Manifestando-se estes sinais. a pressão do enfrentamento parece-lhe situado em outro mundo e suas idéias e sugestões são vistas como teóricas. revela-se mais sensível às críticas . ríspido e impaciente nos contatos.na linha de frente.isto é. inoportunas. vis-à-vis seu assessor. esteja certo. o assessor vive o seu dilema crucial: Mantém sua posição mais distante . Para o político. Para o político. torna-se mais seco. carecendo de realismo. Ela já não tem mais tanto tempo para conversar e discutir.outra realidade.as mesmas que antes acolhia com tanta boa vontade . opera nos bastidores. trabalha num ritmo diferente que lhe permite escapar às pressões do imediatismo. O sinal visível desta situação é a mudança de comportamento do político. da realidade.não mais consulta seu assessor sobre certas matérias. pouco úteis. pensa estrategicamente e desenvolve um senso crítico ainda mais exigente e apurado ao identificar os erros que seu chefe comete pela especial condição em que se encontra . críticas feitas a posteriori. com o benefício do tempo já passado e. instalou-se um sério problema de trabalho e relacionamento entre você e seu chefe. Ele está muito mais protegido desta pressão da dinâmica política.tentando assim preservar divisão do trabalho estabelecida de início ou Passa a acompanhar o político na sua realidade cotidiana . de senso de timing e. portanto. Ainda que não sejam ditas desta forma. a palavra do assessor perde força porque ele. as críticas de seu assessor são críticas ex post facto . assim. são recebidas como a antipática fórmula "Eu não disse?". não vivendo os desafios do momento. 2) Frente a esta situação estabelecida. O erro do assessor II: forçar sua pauta de prioridades (pág.

Na primeira alternativa, consegue preservar sua visão de conjunto, as condições de pensar estratégicamente. O risco deste curso de ação, porém, é ser crescentemente percebido como descartável, desnecessário. Nesse caminho, a divergência sobre prioridades tende a cristalizar-se e o afastamento a aumentar. Para evitar que isso ocorra, o assessor tende a forçar mais ainda sua pauta de prioridades sobre o chefe, o que torna tudo ainda pior. O político vive o imprevisto, é sensível e impaciente. O assessor pensa estrategicamente e desenvolve sua habilidade analítica Na segunda alternativa, o assessor reconquista a sintonia de trabalho com seu chefe, ambos consensuam as prioridades e ele mergulha no mundo do político, reproduzindo no seu trabalho o mesmo imediatismo, tornando-se prisioneiro do conjuntural, do circunstancial, perdendo aquela condição de contraponto estratégico ao político, com a qual podia proteger sua retaguarda, pensar alternativas e manter as visões de conjunto e de longo prazo. Ao adotar a segunda alternativa, na realidade, deixa de ser um assessor político para tornar-se um auxiliar. Esta condição significa não apenas um rebaixamento na sua auto-estima. Mais que isto, ela equivale a uma mudança radical na sua forma de viver. Como assessor estratégico, trabalhando no gabinete, sua vida pessoal adquiria regularidade e previsibilidade. Trabalhava dentro de horários razoavelmente fixos, preservava seus fins de semana, tinha liberdade para fixar sua agenda e seus trabalhos. Como companheiro do político, tal condição de vida não subsiste. Sua agenda é a do seu chefe, seus trabalhos perdem a continuidade, seu tempo estará sempre à disposição de uma chamada telefônica, sua mala sempre deverá estar pronta para a viagem não prevista, etc.

A resistência do assessor em mudar a divisão do trabalho original fundamenta-se, em grande parte, no desejo de possuir uma vida pessoal organizada, previsível e regular. Mas este é um argumento que, não tendo legitimidade na relação entre político e assessor, jamais é articulado. O erro do assessor II: forçar sua pauta de prioridades (pág. 3)

Uma conversa aberta, franca e sincera costuma resolver tudo Por isso, a saída é deslocar a discussão para o campo das prioridades - a razão por que o assessor tende a forçar sua pauta, a tentar impô-la ao seu chefe como a mais racional e a mais correta politicamente. Ora, como o chefe sabe que o que está em discussão não se limita às prioridades - uma vez que há componentes pessoais embutidos e escondidos dentro daquela discussão - sua reação é negativa: ele dá mais uns passos em seu afastamento do assessor. O assessor deve evitar esse erro. Ao detectar os primeiros sinais do problema, deve preparar-se para conversar aberta e sinceramente com seu chefe. Deve chegar a um acerto com ele, mediante o qual passa a se envolver mais na frente de combate, mas não ao ponto de perder as condições de exercer bem as funções para as quais foi contratado. Trata-se de reformular aquela divisão do trabalho original para poder preservá-la. A franqueza ao abordar o assunto - antes que ele se agrave - e a disposição para aceitar as reformulações necessárias vai assegurar a sintonia entre ambos, junto da equilibrada e racional negociação das prioridades. Mandato Dicas úteis para governar Saiba esperar: nunca decida quando em dúvida

Agir com prudência é a prova máxima da sabedoria e o atestado definitivo de um verdadeiro líder Na grande maioria dos casos, saber esperar é uma virtude política adquirida pelo exercício da disciplina. É uma virtude que não é inata, que se adquire pelo autocontrole. O impulso mais forte que age sobre um político sempre será o de agir.

Gracián: "Domine a si mesmo que você dominará os outros" Políticos, geralmente, são pessoas agitadas, sempre com pressa, ocupadas, correndo contra o tempo. Ter uma grande quantidade de compromissos torna-se uma obsessão. Significa que ele está desempenhando bem sua função, de que é necessário e de que é importante. Em ação, está "acumulando", parado, está perdendo. Este traço comportamental tende, com o tempo, a levá-lo a encarar a espera, o tempo necessário à reflexão, ao planejamento, como "perda de tempo". Em geral, o político prefere agir sobre os fatos, assim que eles ocorrem, e, se necessário, corrigir suas ações posteriormente, do que refletir, planejar e adotar uma estratégia que oriente as suas ações quanto ao seu timing, conteúdo e forma. Por outro lado, a sabedoria política ensina que a maior virtude do político é a prudência. E uma das marcas da prudência é saber esperar e ter paciência para evitar agir impulsionado pela emoção. As palavras de Baltasar Gracián(1601/1658), o jesuíta espanhol que, com um realismo que se aproxima de Maquiavel, ensina nas suas máximas as lições para o sucesso na vida real: "Domine a si mesmo que você dominará os outros" e "Caminhe pelos espaços abertos do tempo, em direção ao centro, onde se encontra a oportunidade". É, pois, prudente adquirir a virtude da paciência, a arte de

.Maquiavel Há situações em que é melhor deixar passar a tempestade do que tentar agir em meio a ela. sua dúvida é uma certeza para quem observa. Em situações de dúvida sobre a propriedade e acerto da ação é melhor não agir. O médico sábio sabe quando prescrever os medicamentos e quando deve evitar prescrever. E como afirma Churchill. sob este mesmo título. 2) Decisões tomadas no calor da emoção costumam deixá-lo mal quando a situação se acalma e volta ao normal. Maquiavel alerta: "que não se adiam guerras inevitáveis". sabedoria e maturidade para não aplicar remédios à doença. mas não há nada que se possa fazer para deixá-la novamente límpida. não é contemporizar com o inevitável. Espere o momento em que as dúvidas sejam superadas pelas certezas. porém. Saber esperar é provar autodomínio. Saiba esperar: nunca decida quando em dúvida (pág.esperar. Saber esperar." . Se você tem dúvidas sobre o sucesso de sua ação. É preciso habilidade. tema que já foi tratado nesta coluna. o hábito de escolher o melhor momento para agir. principalmente para o seu adversário. e esperar que a natureza corrija o mal. Como diz Gracián: "É preciso muito pouco para turvar a água de um córrego. Nunca parta para a ação se não estiver racionalmente convencido de que é prudente agir. nem tampouco esconder a hesitação e a fraqueza. a não ser deixando-a quieta". É a marca da excelência e da superioridade. segurança e sabedoria. "o contemporizador é uma pessoa que alimenta o crocodilo na esperança de que ele o coma por último". Gracián era um jesuíta espanhol"Muitas vezes os remédios agravam a doença. O atestado definitivo da liderança. sob as vestes da prudência.