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O que É flamenco?

Andressa Rocha

O que é flamenco?, 2012 Texto - Andressa Rocha Capa e projeto gráfico – Luiza Libardi Imagem da capa: Baile andaluz con emparrado, 189 José Villegas Cordero (1844–1921) fonte: http://commons.wikimedia.org/

O trabalho O que é flamenco? de Andressa Rocha foi licenciado sob Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

O que é Flamenco ?

Baile andaluz, 1893, José Villegas Cordero (1844–1921) fonte: Historia del Arte http://www.papelesflamencos.com/

O Flamenco nasceu da mistura de povos nômades e está arraigado nas manifestações folclóricas de vários povos que ao passar pelo crivo de gargantas pontuais se transformou em uma arte indiscutível e forte. Uma arte que comunica através das mãos que deslizam pela guitarra espanhola construindo melodias fortes, alegres, tristes, revoltas e proporciona aos ouvidos uma viagem aos primórdios de nosso interior. Flamenco é arte que comunica através do corpo empregando mãos, expressões faciais marcantes e os pés acompanhados por passos de um marcante sapateado. É o corpo reagir ao som da guitarra ou à letra do cante que personifica a dor, o abandono, solidão, desprezo, as alegrias, o amor, o desejo. A força dessa arte também está na forma com que sintetiza música, cante e dança em um mesmo momento com relevante carga emocional e excelência. Segundo a espanhola e andaluza Cristina Hoyos, uma das principais bailaoras, coreógrafas e atrizes que teve atuação em quase todo o mundo, Flamenco é “ uma mescla maravilhosa

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de todas as culturas que passaram pela Andaluzia que nos deixou suas marcas e que aqui se hão dado forma. A mistura é sempre boa e tudo o que há passado por esta terra se há criado algo maravilhoso chamado Flamenco.” O flamencólogo Manuel Ríos Ruiz publicou em 1988 o Dicionário Ilustrado do Flamenco e tem a seguinte definição de “Arte Flamenco”: “Considera-se que o cante, baile e toque da guitarra flamenca constituem em seu conjunto, uma arte. Seus estilos, criados sobre bases folclóricas, canções e romances andaluzes hão ultrapassado valores populares, alcançando uma dimensão musical superior, cuja interpretação requer faculdades artísticas de todas as ordens. Ainda que o flamenco, cante, baile e toque, mantenha um sentido estético sumariamente popular e próprio do povo andaluz. Suas manifestações se tornaram autênticas expressões artísticas, totalmente diferenciadas das originárias de um histórico folclórico, através das composições anônimas e pessoais que fizeram do flamenco algo estruturado e evoluído estilisticamente. Sem deixar de ser música e poesia de raiz popular, pode-se dizer, segunda a opinião da maioria dos estudiosos, que o flamenco é um folclore elevado à arte, tanto por suas dificuldades interpretativas como por sua concepção e formas musicais.”
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Aspectos históricos e origens

A bailarina de flamenco, 1892, Rafael Senet Pérez (1856-1926) Fonte: Historia del Arte

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Segundo Luiz López Ruiz, não há como falar em Flamenco, sem citar previamente o povo gitano que procede de um dos principais países do subcontinente indiano do norte, hoje o Paquistão, sendo portanto, hindus. Iniciam sua trajetória em meio à guerra, fome e perseguição no século IX. “Com o passar dos anos essa cultura foi se impondo de novo, renascendo, porque como aponta Félix Grande, o orgulho dos humilhados sobrevive o orgulho dos poderosos”. As últimas pesquisas realizadas por estudiosos e cátedras de flamencologia na Espanha, ainda segundo Ruiz, constataram que a peregrinação dos gitanos continuou por cruzar o Afeganistão, Pérsia, Armênia, limiar do Mar Negro, Turquia e toda a faixa do sul de Europa passando pela Grã Bretanha e Espanha, penetrando na Europa no século XIV. Processo lento e dificultoso, onde sofreram grandes penalidades, perseguições, e foram mal recebidos. Na Espanha, chegam no século XV:

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“Com respeito à Espanha, que é o que agora nos interessa – a mais antiga prova documental escrita com que contamos é de 1425. É uma concessão emitida pelo Magnânimo rei Alfonso V, autorizando a entrada de um grupo de gitanos em Janeiro desse ano. [...]. Outro documento testemunhal informanos de que chegaram a Andaluzia concretamente em Jaén, em 1462. Lá encontraram uma terra e uma atmosfera adequada para assentar-se”. Diferente de outros pontos da Europa, o espírito mistura de culturas, já que por séculos a Andaluzia já havia sido invadida por vários povos: fenícios, gregos, romanos e visigodos. Também árabes, judeus, cristãos e ainda afro-americanos. Gente que foi perseguia pela inquisição, fugitivos do desterro ou clandestinos. “A pureza do flamenco é fruto da decantação de sua longa história de “impurezas”, uma memória que se concretiza no último século e meio, mas que tem raízes muito antigas”. José Manuel Gamboa Importante ressaltar que ainda hoje nas cidades como Granada, Sevilla, Jerez de La Frontera, Córdoba, Huelva, Almería, Málaga, Cádiz e Jáen notamos claramente a influência desses povos, principalmente na arquitetura.Por exemplo,
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a Alhambra em Granada, último palácio árabe construído no ano de 1231, sob o reinado muçulmano de Mohammed I que prosperou 20 gerações e depois derrubados pelos reis católicos – Fernando e Isabel – em 1492. Logo se apropriaram do palácio por muito tempo. Ou os Reales Alcázares de Sevilla que são um complexo palaciano formado por várias construções de diferentes épocas. A fortificação original foi construída sobre um antigo assentamento romano, e mais tarde visigodo. Posteriormente passou a ser uma basílica paleocristã (São Vicente Mártir), onde foi enterrado São Isidoro. “Em um exercício rápido da imaginação nós poderíamos ser transferidos até Espanha árabe, porque as modulações e os melismas que definem o gênero do flamenco podem vir dos cantos monocórdios Islâmicos. Na Espanha entraram no começo do século XV, procurando climas mais quentes do que haviam encontrado nos restante do continente. Também não se pode esquecer dos legados musicais deixados pelos parentes andaluzes no Sul da Espanha, como o sistema musical judeu e melodias salmodias, os modos jônicos e frígio inspirados no canto bizantino, os antigos sistemas musicais Hindus, as canções muçulmanas e as canções populares dos mozárabes (Cristãos que conviviam com árabes em zonas árabes). ” Manuel Macías

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Outra teoria sobre a origem dos gitanos, é que entraram na Península do Sul, procedente do Reino do Marrocos, talvez da cidade de Tánger ou “Tingis”, cujos habitantes eram denominados tingitanos, de onde teria provindo o termo gitano,os quais como falamos, viviam. Há outra teoria sobre a relação dos gitanos com o Egito e a associação com o termo “egiptno”, porém nem mesmo as instituições lingüísticas concordam com o fato.De outro ponto de vista, José Maria Esteban diz que em foi em 1499, de acordo com a lei de Medina del Campo, assentou os gitanos e sua forma de viver: acompanhados da música, cerimônias, exaltações e seus lamentos.

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Etimologia da palavra

Café cantante, aprox. 1885, Emilio Beauchy ("E. Beauchy") Sevilha, Espanha fonte: Coleção Privada de C. Teixidor.

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1. Cuchillo , faca: Nome de um tipo de faca baseado no sainete “El soldado fanfarrón” escrito por González del Castillo no século XVIII: “O militar, que sacou para meu marido, um flamenco”. 2. Arte do cante e do baile da Andaluzia *gitana. Dicionário Señas da Língua Espanhola para Brasileiros, pg. 580 3. Ave de quase um metro de altura, com a cabeça, as costas e o rabo rosa com as patas e pescoço compridos. Essa se deve a Rodríguez Marín que justificou que os cantaores se vestiam com jaquetas curtas, e eram altos e quebrados de cintura, por isso que pareciam um flamingo. 4- Pertencente ou relativo à antiga região de Flandes (Norte da Bélgica). Teoria provinda de Hipólito Rossy e Carlos Almendro que afirmaram que Flamenco se deve a música polifônica da Espanha, que no século XVI teve muita influência da música dos Países Baixos, como Flandes. E o viajante George Borrow y Hugo Schuchard diziam que os gitanos
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eram de procedência germânica, o que explica que se poderia chamá-los de flamencos. 5- Camponês fugitivo ou nômade do termo árabe “FelahMengus” segundo o padre Blas Infante em seu livro “Orígenes de lo Flamenco”, reforçando as reminiscências árabes do flamenco e as conotações desta arte com o Oriente. 6- Fanfarrão - de acordo com García Matos. No século XVIII, se apelidava de flamenco todos que se comportavam de forma ostentosa e fanfarrona. 7- Gachós ou andaluzes, nome dado por Antônio Machado ou Demófilo, seu pseudônimo, aos gitanos - quais correspondem com a denominação flamencos.

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Palos

Árvore genealógica do Cante fonte: http://topormedio.blogspot.com.br/

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ACEITUNERAS: Cante andaluz muito antigo usado na colheita de azeitonas. ALBOREÁ: Cante Flamenco. Pertence ao grupo dos cantes influenciados pela Soleá. Comum nos casamentos de ritual “gitano”, com letras dedicadas a exaltar a virgindade da noiva, a virtude feminina mais cuidada. ALEGRÍAS: Cante e baile flamencos de compasso misto. Próprio de Cádiz. São toques por Alegrias: Caracoles, Romeras, Cantiñas, Rosas, Mirabás. É a mais difícil e genuína de todas as danças andaluzas.

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ARRIERAS: Cante de acompanhamento ao trabalho no campo. Tem grande semelhança com a tona e se canta também sem acompanhamento. BAMBERAS: Cante de origem puramente campestre, que não tem compasso, que se canta sem guitarra e não se baila. Sua copla é de quatro versos octasílabos, ainda que algumas vezes segue um esquema diferente. É um estilo folclórico aflamencado. BANDOLÁS: Fandango abandolao próprio da serra malagueña e uma das mais antigas que se conhecem. Seu nome poderia proceder do instrumento com o qual é acompanhada, o bandolim. BULERÍAS: Cante e baile flamencos de compasso misto e ritmo vivo. Admite todo tipo de improvisação É o estilo mais flexível, rítmico e vibrante em todo o flamenco, mas é um dos bailes mais difíceis de dominar, porque é essencial ter muita graça e ritmo.
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CABALES : Estilo especial de arremate das seguiriyas com coplas de quatro versos octasílabos, sobre tons maiores. CALESERA: Cante atribuído aos condutores de carruagens. CAMPANILLEROS: Único cante que se pode cantar em coro. Sua copla é de 6 versos. É um cante aflamencado que se originou de canções religiosas andaluzas que eram entoadas no Rosário de la Aurora. CANASTERAS: Este cante é uma criação de Camarón de La Isla e de Paco de Lucía. É um cante novo, recém inventado, parecido com a estrutura dos fandangos, mas não se confirmou entre os cantes, sobrando apenas duas gravações como referência.

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CANTES DE IDA Y VUELTA: Expressão que designa o conjunto de estilos aflamencados, em especial em Cádiz e Málaga, procedentes do folclore hispano americano. Também fazem parte deste grupo a Milonga, a Vidalita, a Rumba, a Colombiana e a Guajira. A expressão “Ida y Vuelta” surgiu devido a uma crença antiga de que estes estilos chegaram à America pelos emigrantes espanhóis, na época das grandes navegações. Na America teriam sofrido variações e com o regresso à Espanha ganharam características mais próximas às suas expressões atuais. Hoje, acredita-se que seu surgimento é exclusivamente proveniente do Novo Mundo (América). CANTIÑAS: Cantes próprios de Cádiz, de compasso misto, rápido e alegre, entre os quais se destacam: As próprias Cantiñas, Caracoles, Mirabrás, Alegrias, e Romeras. CAÑA: Também muito ligadas às Soleares, é uma das formas mais antigas do Flamenco, e uma das mais puras e bonitas. Cante duro, forte, triste e melancólico. Difícil de cantar e não é bailado.
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CARACOLES: Cante de origem andaluz aflamencado do grupo das Cantiñas de Cádiz. É um baile mais adequado para a mulher por ter muitos movimentos ondulados. CARCELERAS: Cante gitano primitivo do grupo das Tonás. É interpretada sem guitarra (a palo seco). A copla é de quatro versos octossílabos. É um cante desolado, patético que evoca o tema carcerário. CARTAGENERA: Cante flamenco do grupo dos Cantes de Levante, de execução livre. Não se baila e é o mais moderno dos cantes de Levante. CHUFLAS: Cante típico e genuinamente gaditano, das bagunças da rua, das festas populares, usadas para dar humor aos contratempos do povo, Tem tom engraçado em suas letras.

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COLOMBIANAS: Cante flamenco do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Seu compasso tem influencias da guajira e da rumba cubana. CORRIDOS GITANOS: Modalidade mais antiga que deu origem as Tonás. É um cante sem acompanhamento musical, que procede dos romances populares andaluzes. DEBLA: Cante misterioso de invocação, sem acompanhamento de guitarra. Canção popular andaluza. FANDANGO: Cante flamenco procedente do folclore, sem compasso fixo, que fazem com que o guitarrista tenha que seguir bem de perto o cantor, com muitas formas e variações como os Fandangos de Huelva, Fandangos de Lucena y de Cabra, Fandangos Mineros e Fandanguillo, em toda Andaluzia. Cante chico.

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FARRUCA: É um toque que chega ao flamenco procedente da Galícia, do folclore galego, que utiliza a estrutura do tanguillo e que se executa sobre os tons menores. Alguns autores o consideram um dos Cantes de Ida Y Vuelta. Uma espetacular forma de dança, originalmente masculina. Uma das mais recentes formas no flamenco. Nunca é cantada quando tocada no idioma flamenco puro. Como dança ou solo de guitarra, é uma peça muito dramática. No baile, sobressai o sapateado, colocando a prova o virtuosismo de muitos bailaores. GARROTÍN: Cante de origem folclórico, incerto, que se aflamencou. É um baile de gitanos, não andaluz que foi incluído no repertório flamenco. É um cante festeiro que tem alguma semelhança com o ritmo dos tangos flamencos. Suas letras são ingênuas e superficiais, destacando o uso repetido do refrão que é cantado incessantemente. GRANAÍNA: Cante de Levante a partir do aflamencamento de um fandango regional. De execução livre, é costume arrematá-lo com
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a Media Granaína. Suas letras tem uma excessiva carga sentimental e sua música se apóia na ornamentação. GUAJIRA: Cante aflamencado com influência do folclore e ritmos cubano, pertence ao grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Na década de trinta e quarenta estiveram muito na moda e acompanhavam um baile de mesmo nome, hoje desaparecido. A temática de suas letras é de ambiente cubano, geralmente de forma superficial. Ritmo alegre semelhante a outros aspectos do flamenco influenciados pelo Novo Mundo. JABEGOTES: Também conhecido como cante das cinzas, é um cante abandolao, próprio da costa marinha. Está quase em desuso. JABERA: Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Cantes de Málaga). Pode-se enquadrar este cante ao grupo dos fandangos malagueños, que se cantam sem compás, dando ao intérprete a máxima possibilidade de recorrer a todos os floreios e ornamentações vocais, o que exige dele o seu máximo para executá-lo.
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JALEO: É a bulería praticada em Extremadura, com ritmos monótono e bailáveis. Foi muito utilizada por muitos guitarristas para seus concertos. LEVANTICA: Modalidade de taranta tipicamente cartagenera, que tem uma caída em tons menores. Foi exaltada pela voz peculiar de Pencho Cros. LIVIANAS: Cante flamenco do grupo das seguiriyas. Com temas campestres, apareceu no ambiente flamenco em meados do séc. XIX, e seu canto era feito sem o acompanhamento de guitarra. LORQUEÑAS: Na realidade não se trata de um “palo” propriamente dito, pois a lorqueña se apóia, em geral, na bulería. Compostas por Federico García Lorca, essas canções aflamencadas foram interpretadas por La Argentinita, com muita repercussão a copla denominada “Em El Café de Chinitas”.
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MALAGUEÑAS: Cante flamenco livre próprio da região de Málaga, sem compasso específico, interpretada e não dançada, descendente da família dos Fandangos Grandes. Cante muito compassado, melodioso e solene. MARIANAS: Cante flamenco que se origina do aflamencamento de uma canção folclórica andaluza. Compasso semelhante ao dos Tientos. Não se baila. MARTINETE: Cante flamenco do grupo das Tonás (a palo seco). Cante livre, sem compás, de um lamento tristíssimo, cantada pelos ciganos no forge, que pode levar o acompanhamento de ” yunque y martillo” (bigorna e martelo). A música soa como se o único instrumento fosse o martelo acompanhando o cantor. MEDIA GRANAÍNA: Pertence ao grupo dos cantes de Levante, mais sonora e com mais recursos, cante que não se baila.
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MILONGA: Cante aflamencado do folclore argentino de origem hispano-americana, do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Esteve muito em moda na Espanha entre os anos vinte e quarenta. Não se baila. MINERA: Cante com copla de quatro ou cinco versos octossílabos, que provavelmente apareceram nos meados do séc. XIX. Pertence ao grupo dos Cantes de Levante e dentro dele, como seu nome indica, pertence aos chamados Cantes de las Minas, com uma modulação tão definida e marcada como a da Taranta. Sua vertente mais conhecida é a das Minas de La Unión, em Murcia. Não se baila. MIRABRÁS: Cante flamenco do grupo das Cantiñas de Cádiz. Cante festeiro, próprio para bailar, vivaz e vibrante. A guitarra o acompanha com igual vivacidade.

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MURCIANA: Cante com copla de quatro ou cinco versos octosílabos que pertencem ao grupo de Levante. Suas raízes vem da zona de Cartagena (Murcia), e tem um importante reflexo na província de Almería. NANA: Típica canção empregada para fazer os filhos dormirem. Cante livre que não se ajusta a uma dimensão métrica estável. Não é acompanhada de guitarra e também não se baila. Não é um autêntico cante flamenco, mas simplesmente uma canção folclórica que pode adotar ecos flamencos colaborando com quem o cante. PETENERA: Cante flamenco, provavelmente oriundo de Paterna de La Rivera (Cádiz). Canto derivado do folclore andaluz. Tem som pausado, arrogante, majestoso e sensual com acompanhamento de castanholas ou palmas com ares de tragédia e da força do destino. Este cante está envolto a uma misteriosa lenda cheia de superstição ao ponto de que alguns artistas se neguem a interpretá-lo.
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POLO: Cante flamenco muito antigo, próximo da Caña. Derivada da família das Soleares. ROAS: Cante de origem gitano no qual um grupo de homens e mulheres dispostos em uma roda celebram um ritual com tons religiosos. A roda gira no ritmo dos pandeiros e do cante. É um cante folclórico, muito parecido com a zambra. ROMANCE: Cante. Chamado também de corrido ou corrida, se originou de uma entonação especial dos romances populares andaluzes. É interpretado sem acompanhamento, e por isso é considerado por muitos o estilo mais primitivo do flamenco, fonte e manancial de todos os outros estilos de onde procederam as Tonás. Existe uma variante criada por Antonio Mairena ao compasso de Soleá por Bulerias. ROMERA: Cante flamenco festeiro do grupo das Cantiñas de Cádiz.
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Tem o mesmo compasso das Alegrias e apropriado para bailar. RONDEÑA: Cante flamenco do grupo dos Cantes Abandolaos (Málaga). Outra forma livre do flamenco. É o mais velho fandango malagueño conhecido e cantado. ROSAS: Cante praticamente em desuso. É um cante com copla de quatro versos, do grupo das cantiñas, muito parecido com as Alegrias, provavelmente nasceu em Salúcar de Barrameda. RUMBAS: Cante aflamencado do grupo dos Cantes de Ida Y Vuelta. Novamente outra forma livre no flamenco influenciado pelos ritmos do Novo Mundo. Muito popular em todo tipo de festa por ser extremamente sensual e alegremente contagioso e é um dos bailes preferidos da juventude.

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SAETAS: Estrofe de ritmo flamenco sobre temas sacros que uma só pessoa canta sem acompanhamento musical em eventos religiosos, especialmente durante as procissões da Semana Santa. Repetidamente se diz que o flamenco é uma oração; a Saeta é uma boa mostra disso. Não se baila. SEGUIRIYA: Cante flamenco, trágico, sombrio, dolorido e triste, que a princípio levava o nome de Playera. São os chamados cantos profundos do flamenco. É um dos bailes mais difíceis do flamenco, por causa do caráter do seu compasso, marcado lentamente, e ao estado de espírito emotivo que carrega. SERRANAS: Cante flamenco no mesmo grupo das Seguiriyas, porém tocada diferente, com um cante que alude o campo e a serra, melodioso e solene.44

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SEVILLANAS: Cante e baile folclórico aflamencados de origem andaluza. O baile por sevillanas é vivo e ágil, dinâmico, alegre e variado, com passos diferenciados e precisos, com fins marcados em que a música e o baile acabam simultaneamente deixando os bailarinos imóveis, adotando expressões triunfais e provocativas. O baile é executado em pares formados por homens e mulheres ou tão somente por mulheres. Cada sevillana é dividida em quatro partes, a saber: primeira, segunda, terceira e quarta. Para aprender - parte 1 Para aprender - parte 2 Para aprender - parte 3 Para aprender - parte 4 Outros vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=ll2NlPGARMc http://www.youtube.com/watch?v=Sjn9jgsCERw http://www.youtube.com/watch?v=zLURc1nrYZs http://www.youtube.com/watch?v=DIv5e2OE_QA

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SOLEARES: No singular, Soleá. Cante flamenco com compasso misto. Possui muitas variantes. Chamada mãe do flamenco, também é um tipo de cante jondo. Sua origem pode estar no séc. XIX, como cante que acompanha a um baile chamado jaleo. Contudo, pouco a pouco foi se convertendo em um cante com identidade própria. Representa com legitimidade a instituição artística dos ciganos. É um dos palos mais ricos do flamenco na atualidade, é executado no compasso ¾ e os cantores profissionais praticam as soleares, com suas variedades e complexidade para agradar aos bons aficionados do flamenco. O baile por Soleá resulta suntuoso e é especialmente apropriado para a mulher pelos muitos movimentos ondulados dos quadris e dos braços garbosos. TANGOS: Cante flamenco ao compasso de 4/4 bem marcado, rítmico e alegre. De origem desconhecida, são um dos mais antigos e básicos cantes ciganos. Estilo de dança, música e canto chamado chico, leve. Constituem um ritmo bastante rico e versátil. Como regra comum, o quaternário bem marcado entre o cante usualmente alegre e festeiro é o mais utilizado.

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Outros vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=9HVa8BNTusY http://www.youtube.com/watch?v=GgG8GocF7H0 TANGUILLO: Tango de Carnaval ou Tango de Cádiz. Compasso de 4/4. Estilo de dança e música derivado da mistura do tango com a rumba. É um cante muito gracioso, cheia de graça, airoso. O acompanhamento da guitarra é muito vivo e o baile cheio de sutilezas e improvisações garbosas. Outros vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=ka2ALMI6D00 http://www.youtube.com/watch?v=ra5RWI4tymw TARANTAS: Cante flamenco do grupo dos Cantes de Levante ou de Las Minas. Mais um estilo livre no flamenco. É um cante duro, seco, quase áspero, acompanhado de guitarra e não se baila, se escuta. TARANTOS: Cante flamenco que pertence ao grupo dos Cantes de Le32

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vante. Compasso 4/4. Muito semelhante a Taranta se difere apenas pelo toque da guitarra que o acompanha. O taranto é a forma bailável das tarantas, o baile é majestoso e profundo, com grandes possibilidades de expressão. Outro vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=rrJdHrOyTxs

TEMPORERAS: Cante flamenco que se executava nas terras baixas da Andalucía nas épocas de colheita. Cante a palo seco, sem acompanhamento de guitarra. TIENTOS: Cante jondo, derivado dos tangos. Com copla de 4 versos octossílabos, seguidos geralmente por um ou vários estribilhos de 3 versos, de medida uniforme. São conhecidos desde a metade deste século, atribuídos a Enrique el Mellizo e divulgados por Manuel Torre. Procede dos Tangos e tem o compasso igual a este, ainda que mais lento, solene, sensual e complicado. Em Cádiz era chamado Tango Tiento, ou seja tango lento. Mais tarde em Sevilla, a expressão se reduziu a Tientos. É um cante bailável, com letras sentimentais e comoventes.
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Pode ser tão profundo, quanto o seu intérprete desejar, enquanto seus movimentos e sua graça nunca permitirão que seja um baile triste. TONÁS: Cante flamenco fundamental, o mais primitivo dos conhecidos hoje e verdadeiro tronco originário de todos os outros. É cantado sem guitarra, pertence ao grupo dos Martinetes, Deblas, Carceleras. Música “básica” no flamenco, a mais antiga conhecida. Sua música, sustentada exclusivamente pela voz, é triste e patética, transmitindo com desolação e abatimento o sombrio mundo que apresenta suas letras. TRILLERAS: Cante flamenco de origem Andaluza, que se cantava nos trabalhos no campo. Também chamado Cantes de Trilha. Muito difundido na zona de Jerez. VERDIALES: Cante flamenco aparentado com o folclore, pertence ao grupo dos Abandolaos. É um fandango regional pertencente ao grupo das malagueñas. São cantados e bailados com som da
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guitarra, com acompanhamento freqüente de violinos, pandeiros, e castanholas. Usa-se os “pitos” para marcar os compassos. Os verdiales são a mostra mais antiga da música popular malagueña. VIDALITA: Cante aflamencado, mas pouco flamenca na realidade, tem caráter triste e melancólico, com temas amorosos, que fala quase sempre de desilusões, frustrações. O significado de seu nome seria ¡Oh vida!, ¡Vidita!. É também chamado de cante de ida y vuelta. VILLANCICO: Cante flamenco de tema religioso que fala sobre temas natalinos. É um cante vivo, alegre, que transmite mensagem de esperança e que pertence aos grupos dos cantes folclóricos andaluzes aflamencados. Hoje se canta ao som de bulerías. ZAMBRA: Festa mourisca com música, alegria e algazarra. Posteriormente, festa dos gitanos andaluzes. Ainda hoje se cultiva a Zambra Granadina, nas Cuevas Del Sacromonte, formada
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por três bailes de Caráter Mínimo: la Alboreá, la Cachucha, e la Mosca, que simbolizam três momentos da boda gitana. Esta mímica, refletida na dança, pretende preservar uma antiga tradição do baile. São as juergas flamencas que os ciganos fazem em suas casas. Outro vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=iwUeaxoEwGw ZÁNGANO DE PUENTE GENIL: É um estilo de fandango abandolao procedente de uma antiga modalidade folclórica da zona de Puente Genil. Cante muito difundido nos últimos tempos por Fosforito. ZAPATEADO: Baile. Consiste em um baile sóbrio de grande presença flamenca, que surge a meados do séc. XIX. É uma combinação rítmica de sons executados com a planta, salto e ponta do pé, e é interpretado por homens. Quando dançado por mulheres, estas usam traje masculino. Atualmente o Zapateado flamenco se intercala na maioria dos estilos, tanto por homens como por mulheres, muitas vezes ficando a guitarra em silêncio, para ressurgir junto com os demais elementos de acompanhamento no momento de sua maior intensidade ou arremate.
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Sapateado bastante elaborado, com velocidade, alternando um ritmo mais lento, sendo que logo após acelera-se novamente. ZARABANDA: Cante abandolao que foi gravado por El Niño Del Genil em 1911, na qual se destacou a interpretação de La Rubia de Las Perlas. Está quase em desuso. ZORONGO: Baile interpretado ao compasso de um tango lento, com um cante calmo, tranqüilo. O zorongo foi um típico baile americanos de negros, com grande sucesso em teatros, escolas de baile, festas realizadas na época romântica que já caiu em desuso. Contudo, os gitanos começaram a cultivá-lo no princípio do séc. XX, transformando-o em um palo próprio do repertório de muitos bailaores e guitarristas.

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Cante

Festival Flamenco, 2007, Aguijarro (Antonio Guijarro Mora) O cantor Camarón de la Isla e o violonista Paco de Lucía fonte: http://commons.wikimedia.org/

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Mais do que um símbolo musical da multimilenária cultura andaluza, o cante jondo («canto fundo»), tal como o seu epíteto indica, exprime – através de uma ambiência sonora cristalizada ao longo de séculos e assimilada na escrita pianística de um Albéniz ou de um Granados – o que de mais profundo encerra o espírito popular. Cúmplice das penas e das alegrias do seu povo, o cantaor esconjura com «voz de sangre», através das sentidas letras e dos longos e dolorosos melismas, como num ritual, as angústias que lhe assaltam a alma, crendo que quem o escuta comungará, por empatia, da sua dor e que esta será, assim, mitigada. A importância do cante na cultura flamenca, todavia, não se esgota no carácter confessório da interpretação. Possuído pelo duende, esse “espíritu oculto de la dolorida España” (Lorca: I, 1067), o cantaor percorre os recônditos meandros do inconsciente colectivo. Obedecendo a cânones há muito estabelecidos, não só constrói uma representação de si próprio
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e do seu povo o que é, de certo modo, revelador da propensão dos andaluzes, como sustenta Ortega y Gasset, para um certo «narcisismo colectivo» (Ortega y Gasset, 1961: 112) , mas também invoca por via de imagens atávicas os mistérios das antiquíssimas religiões que outrora fecundaram o imaginário andaluz. Na realidade, os estudiosos da matéria da Andaluzia, como J. M. Caballero Bonald, D. E. Pohren, J. Caro Baroja ou Fernando Quiñones, são unânimes em considerar que o cante encarna a permanente demanda de uma obscura e inefável essência destilada pela antiguidade das suas raízes culturais. Apesar da relativa escassez de vestígios arqueológicos sobre Tartesso – mítico reino de Gérion e de Argantónio que terá germinado no Sudoeste peninsular em finais da Idade do Bronze (de 2000 a. C. a 700 a. C.) e prosperado posteriormente na primeira Idade do Ferro (séculos VIII-VI a. C.) – muitos são os que crêem ver nele, e nos contactos estabelecidos com o resto do mundo mediterrânico, o berço civilizacional de uma Andaluzia ávida por festejar a sacralidade da vida, ansiando, simultaneamente, por habitar o sombrio labirinto da morte. Não obstante a miscigenação (ou mezcla, como se lhe referiu o poeta Félix Grande) de povos que viriam posteri40

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ormente a ocupá-la (gregos, cartagineses, romanos, vândalos, muçulmanos, judeus e ciganos), a Andaluzia saberia edificar, a partir da integração de materiais heterogéneos, a sua própria identidade espiritual, marcadamente distinta daqueloutras das restantes regiões hispânicas. O cante jondo, apesar de ser fruto desse hibridismo (a nível musical, as influências orientais, particularmente a árabe, a semita e a cigana, são notórias), soube reter tal prístina ânsia dionisíaca. É esta natureza ao mesmo tempo pagã, primeva e intuitiva do cante que cativou a atenção de poetas e músicos. Um desses poetas, Federico García Lorca, figura de estatura ímpar no panorama literário espanhol do século XX, soube operar uma ruptura com a visão meramente folclorista do flamenco partilhada por alguns dos seus conterrâneos – nomeadamente Melchor de Palau, Salvador Ruedas e Manuel Machado, que em 1912 publicara um livro de coplas intitulado, justamente, Cante Jondo. A relação de Lorca com o «andaluzismo» não se cinge a um manusear curioso dos elementos castiços e potencialmente poéticos da cultura andaluza. Pelo contrário, a sinceridade da escrita lorquiana, a sedução incontida, obsessiva até, pelos temas e imagens da Andaluzia mítica e onírica trai a sua total identificação com o espírito a que aludimos. A somar a isso, ligam-no estreitos laços ao mundo do café cantante onde aprenderá a partilhar, ao lado de cantaores, bailores
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e tocaores, dos verdadeiros valores religiosos e estéticos contidos na arte flamenca. Em 1922, o poeta granadino, cuja formação musical lhe permitiu aceder a um conhecimento mais aprofundado do cancioneiro espanhol, profere uma conferência – «El cante jondo: primitivo canto andaluz» – que denunciará desde logo o fascínio pelos cantares flamencos. Nela, Lorca não só ensaia um enquadramento teórico para o conjunto de poemas composto em Novembro do ano anterior (e que chegará às mãos do público apenas em 1931 sob o título Poema del Cante Jondo), como ainda procura, em certa medida, elaborar um esboço de uma teoria da arte. Baseado no credo de que as alusões atávicas do mundo tartéssio, tornadas manifestas através do duende, provavam a atemporalidade e a perenidade da arte andaluza, Lorca defenderá que o cante jondo, possuído, na sua postura extática, pelas forças ocultas do amor e da morte, revela uma realidade transcendente.

Bibliografia: A. Álvarez de Miranda: La metáfora y el mito (1963); J. C. Baroja: Los pueblos de españa (1946); J. M. C. Bonald: Luces y sombras del flamenco (1975);
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De Zuleta: Cinco poetas españoles (1971); F. G. Lorca: Obras completas (1973); id.: Poema del Cante Jondo – Romancero Gitano (1992); J. Ortega y Gasset: Obras completas (1961); D. E. Pohren: Lives and Legends of Flamenco (1964); Fernando Quiñones: El Flamenco: Vida y Muerte (1971); E. F. Stanton: The Tragic Myth: Lorca and «Cante Jondo» (1978). António Lopes: www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/ cante_jondo.htm

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A supremacia do baile flamenco

Spanish Dancer, 1880 - 1881, John Singer Sargent (1856 - 1925) fonte: www.artrenewal.org

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O baile espanhol quase se iguala ao flamenco, a máxima expressão de nossos bailes. Não se trata de um sentimento, e sim de uma técnica eminentemente pessoal. Não é um baile de cenário, nem de grandes espaços como o castelhano, o catalão, aragonês, vasco ou galego. Esses bailes regionais costumam ser executados quase que exclusivamente efetuando movimentos de translação ou dando graciosos passos aos que respiram um certo ar campeiro, são e ingênuo, e em geral, em grupos. Em troca, o flamenco apenas necessita de espaço. O bailaor genuíno quase não de move do lugar, acompanhando a dança com movimentos de braços e mãos. É uma dança eminentemente plástica, solitária, que expressa intensas paixões aos que dão forte destaque. É necessário um grande senso de ritmo e um temperamento peculiar para compenetrar-se e sentir a música. O que os flamencos chamam, com uma palavra muito profunda, es45

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tar “interao”. Estar “interao” consiste não só em conhecer o ritmo que tem que levar em cada baile, mas saber em que momento é preciso avisar ao guitarrista, com um gesto ou um passo, as mudanças que se quer fazer, passar para as falsetas, desplantes, médios desplantes, etc. Assim, não é raro ver como uma mesma dança, ao ser repetida a música, muda e fica diferente da anterior. Esses bailes não contam com uma coreografia determinada, e o bailarino não improvisa tanto, como superficialmente se afirma. Ele dispõe de recursos, variações, que, como eles dizem, cabem dentro do mesmo ritmo que interpretam. É um erro crer que o flamenco é apenas problema de temperamento e de intuição, próprio para improvisadores, “pseudo-bailaoras/es”, como as convulsões não admissíveis nos tablados tradicionais, e que, na realidade, desaforaram o baile. Soltar os cabelos como Lola Flores, não é bailar flamenco. Não bastam os alvoroços das saias, agarrar-se aos babados, lançar os cravos dos cabelos, girar sem ritmo, nem medida, como louca. Dizem que um braço de Malena, um movimento de suas mãos, valem por todas as voltas e revoltas que dão as “pseudo46

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bailaoras”. Observa-se que quando os bailarinos, com seus sapateados, saltos, velocidades, temperamento, desaforos, se afastam das linhas tradicionais, cheias de dignidade, sobriedade, estilo, plasticidade pura e completa, então, na mesma medida, perdem personalidade até confundir-se com o comum e não fazem possível o acento pessoal, tão prórpio do flamenco, qual se permitia falar do canto de Chacón, o de Torres, o baile de La Malena, de La Macarrona… O flamenco exige uma técnica complicada que não se pode suprir com a improvisação. Uma técnica distinta da acadêmica, de códigos e preceitos impessoais. No flamenco, a transmissão da técnica é pessoal. Comunicam-se os segredos uns aos outros diretamente, constituindo uma arte que tem que desentranhar captando, vendo e ouvindo integralmente o que zelosamente se tem guardado desde velhos tempos. As raízes autênticas é o único que possibilita a recriação, como sucede com todos os de entronca mente popular, onde nunca se diz duas vezes a mesma coisa de maneira idêntica. A diferença é fundamental. No baile clássico se aprecia facilmente como, a medida que o esforço técnico é maior, a expressão vai desaparecendo, até converter ao artista em uma
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marionete. Em troca, o flamenco de baile de tablado, por conseguinte não popular, a técnica, ao aperfeiçoar-se, ajuda mais a expressão, porque é uma técnica pessoal. Com um baile de cintura para baixo e outro de cintura para cima. O vocabulário dos bailes flamencos podem resultar limitadíssimos a primeira vista, composto de transições bruscas, de sobressaltos que se assemelham ao soluço de gestos sincopados, de convulsões espasmódicas, de descargas elétricas, de impetuosidade indecifrável, que muitas vezes conserva o aspecto de uma autêntica briga. É tal sua riqueza em improvisos, que alguns, desconsideradamente, situam esses bailes em um campo próximo a secreção interna. Inarticulável de um ponto de vista acadêmico, não considera capaz de colocar limites exatos à paixão. Todo seu mundo, entretanto, é o mais puro mundo da dança; apenas sai das regiões do ritmo, sem os quais não é possível fazer dança, compassos nem melodias. O ritmo serve de veículo para a melodia, de estrutura para a harmonia, de base para todas as metamorfoses do bailarino. E se é verdade que só o ritmo, como diz Levinson, não é arte, também é verdade que, sem ritmo, este tão pouco existe.

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O flamenco é ritmo e complexo. Há nele nebulosos sentimentos escuros. O absurdo é querer fechá-lo em moldes emprestados pela Academia Nacional de Dança de Paris. Assim como Debussy e Falla fugiram de moldes de sonatas, superando-os, nossos grandes intérpretes do flamenco estão virtualmente por cima das fábricas de danças. Sem esquecer que o ritmo do flamenco é mediterrâneo: complexo. Complexidade que explica sua riqueza. Por outro lado, é sabido que, historicamente, a dança coral, a dança provisional, a dança orgástica, a dança em conjunto, em geral é anterior a dança do solista. Os três elementos fundamentais das velhas danças primitivas – que sobrevivem nas danças regionais-, são: erótico, religioso e guerreiro, que são atos coletivos. Não existem orgias solitárias, e para perder-se na êxtases comum, é necessário uma multidão. As danças antigas, gregas e romanas, foram danças representativas, danças de artifício e representação, como foi a medieval da morte. No mundo primitivo, quando aparece um solista, não é em virtude de sua própria personalidade, senão em represen49

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tação do gênio da tribo, do espírito, de algo que não é dele. Pelo contrário, no baile flamenco: guitarra, sapateado, pitos e em tudo o que às vezes fazem os membros do corpo, inclusive a língua, nariz, as unhas…, pouco vem de fora, tem como centro sua própria alma, e em uma relação que não se rompeu com o imediato natural. Sua raiz pessoal, se não crê a dança em si, tem a virtude da recriação, que é própria da arte humana, sublinhando sempre com seu “toque” pessoal tudo que se baila. No mais profundo do flamenco, não se observa nenhuma adaptação. Não há necessidade das gesticulações teatrais. Está, inclusive, nas fronteiras de uma arte não figurativa. É dança, em sua significação abstrata, com um espírito que está tão perto do intuitivo ou instintivo como tudo o que é autenticamente pessoal, tem o sentido do corpo, do estilo e da forma que só dá o espírito.

Bibliografia: Vicente Marrero, El enigma de España em la danza española. Angel Alvarez Caballero, El baile flamenco.
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Guitarra

Juan el de la Vara & Paco de Lucía, 1972, Cachava fonte: http://commons.wikimedia.org/

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Segundo os estudos realizados por diversos especialistas, pelo que tudo indica, uma das primeiras referências se encontra em “La Explicación de la guitarra”, obra publicada pelo gaditano Juan Antonio de Vargas e Gusmán em 1773. Contudo, nesta época somente se pode falar do que posteriormente se denominaria a existência de guitarristas “por lo fino”. Realmente os primeiros aspectos de aproximação das seis cordas no flamenco chegam com figuras como as de El Murciano, Trinitário Huertas, Bernardo Troncoso, José Toboso e sobretudo, o almeriense Julián Arcas, pai de uma soleá que leva seu nome. Nesta primeira época de guitarristas ainda situados entre o toque “por lo fino” e “por lo flamenco”, seguem os da chamada Escuela Eclética, na qual destacam-se o inventor de “la cejilla” (pestana da guitarra), o maestro Patiño de Cádiz, Antônio Peréz, de Sevilla, Paco el Barbero, de Sevilla e Paco el de Lucena de Córdoba.

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A partir deste momento começam a surgir os primeiros especialistas no toque “por lo flamenco”, como Juan Gandulla Habichuela, de Cádiz, Javier Molina, de Jerez e Miguel Borrul, de Castellón. Mas o grande guitarrista do final do séc. XIX e princípio do séc. XX é Ramón Montoya Salazar (Madrid, 1880-1948). A ele se deve a criação para a guitarra da grande maioria dos palos flamencos e ele é considerado o primeiro revolucionário da técnica e a harmonia, até o ponto que se converteu no primeiro concertista flamenco da história. Seu legado é aproveitado por uma geração de tocadores inigualáveis, moldando a etapa dos grandes criadores individuais. Nesta época surgem Niño Ricardo, Manolo de Huelva, Perico el de Lunar, Esteban Sanlúcar, Melchor de Marchena, Sabicas e Diego Del Gastor. De todos eles o maior maestro de todos os tempos é Paco de Lucía, líder indiscutível da última geração de guitarristas. Junto ao Paco de Lucía destacam-se também Manolo Sanlúcar e Victor Monge Serranito, um triângulo de tocadores que revolucionaram o conceito da guitarra flamenca. Pertencem a esta escola indiscutivelmente os novos va53

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lores do toque, como o almeriense Tomatito, o jerezano Gerardo Nuñez, o Catalán Juan Manuel Cañizares e o cordobés Vicente Amigo. Referência Bibliográfica: Guia de Flamenco de Andalucía.

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Glossário
A ABANICO: Leque pequeno para usar no baile. ABANDOLAO: Voz típica que se aplica por um toque por malagueñas, tocada no compasso de um fandango. O nome pode proceder também de bandoleros, muito freqüentes em sua época na Serrania de Ronda, em Córdoba. ACABALLADO: É chamado assim os guitarristas de Andalucía oriental à sucessão de muitas notas efetuadas com grande velocidade, quando o mesmo não consegue dar as cinco notas necessárias. ACENTO: Nota do compás sobre a qual se exerce maior força. Com esta medida se pode diferenciar inclusive dois palos submetidos exatamente aos mesmo tempo, como é o caso do fandango e da soleá. ACOMPAÑAMIENTO: Trabalho que faz o guitarrista
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quando tem que seguir o cante ou o baile. Um bom guitarrista de acompanhamento deve conhecer ambas as facetas do flamenco, assim como o cantor ou bailaor o qual acompanha neste momento. ACORDE: Conjunto de três ou mais sons diferentes e combinados harmonicamente. A COMPÁS: Indica o estilo dos cantes que se executam marcando claramente o ritmo e a batida do estilo correspondente. AFICIONADO/A: Pessoa que tem muita afinidade com a arte flamenca, a vê e a estuda com prazer. Também denomina o intérprete (toque, baile ou cante) que não o exerça profissionalmente. AFILLA: Tipo de voz rouca, forte, intensa, dentro do Cante Flamenco. A mais apropriada para o cante gitano e jondo. AFINAR: Tensão das cordas da guitarra para que o som seja adequado. Isso deve ser feito freqüentemente antes de tocar o instrumento.

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AFLAMENCARSE: Fenômeno pelo qual uma estrofe ou canção de qualquer gênero adquire características flamencas. AGACHONAR: Vocábulo com o qual jogam os gitanos para referir-se ao cante que não soa a gitano ou às pessoas que não pertencem a sua raça. AGUDO: Som das notas que se executam sobre as três primeiras cordas, também chamadas de cordas primas. A GUSTO: é a grata situação em que se encontra o cantor, bem acompanhado pelo toque e rodeado de interessados que o escutam com prazer e jalean sabendo o que estão fazendo. AIRE: Termo que descreve a expressividade, a atmosfera ou caráter geral de uma performance flamenca. AJONDAR: Quando um bom cantor abre mão de seu saber e de seus recursos e imprime em seu canto a força. AL AIRE: Guitarra. Tocar sem pestana. ALE, OLÉ: Existe uma corrente que acredita que a ex57

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pressão venha da palavra árabe: Alá /Olé! AL DESCUBIERTO: Situação difícil que se encontra um cantor, quando não consegue acompanhar o toque, porque o tocador não toca na velocidade necessária e porque não termina o canto a tempo. ALZAPÚA: Técnica que consiste em apertar com o dedo polegar repetidamente uma mesma corda de som grave na guitarra flamenca. ANDALUCÍA – Compreende a região sul da Espanha. É uma comunidade autônoma formada pelas províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla , a capital. A Andalucia é o berço do Flamenco. ÁNGEL: É a graça e a simpatia, o encanto de uma pessoa. No flamenco diz-se que tem Ángel quem canta, baila ou toca, em sua feição podemos ir para outra dimensão, do céu ao inferno, reconhecendo o Ángel de cada um. A PALO SECO: Cantes sem o acompanhamento da guitarra, só com uma voz (na canção lírica se chama capela). APAGAR: Momento em que uma nota deve deixar de
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soar. APORREAR: Modo de tocar guitarra em que a mão direita somente emprega golpes e rasqueados. APUNTAR: Cantar baixo, chamando o cantor, ou entoar um canto sem lançar-se, mas sabendo o que se canta. ARABESCO: No cante, são adornos que introduzem o cantor na melodia. No baile é a posição dos dedos separados da bailaora antes de desenhar o compasso no ar. ARMONÍA: União e combinações de som simultâneos e diferentes. Arte de formar e casar acordes. ARO: Parte lateral de uma guitarra. É complicada de fazer, pois há que dobrar a madeira para moldá-la. AROS /PENDIENTES: Argolas/Brincos. ARPEGIADO: Técnica de toque na guitarra empregada para interpretar acordes com notas consecutivas e não simultâneas. A primeira das cordas se toca com o polegar e as restantes com os demais dedos alternados.

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ARRANCARSE: Começar a execução de um cante ou baile flamenco. ARREGLO: São os arranjos ou modificações que se realizam sobre um baile ou um cante, de acordo com as qualidades de quem o interpreta. ARRIBA: É chamado toque por arriba ao que se executa sobre os tons graves, sobre mi/fa ou mi/si. ASI SE BAILA: Assim que se baila! ASI SE TOCA: Assim que se toca! ASI SE CANTA: Assim que se canta! B BAILAOR/A: dançarino(a) que baila flamenco. BAILE: É a denominação habitual que se emprega pra designar a dança flamenca. Elipse do baile flamenco. BAJAÑI: Palavra pertencente a língua caló, muito utilizada pelo povo cigano e significa “guitarra”.
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BASE RÍTMICA: Pontos rítmicos sobre os que se apóia o compás, normalmente associados a uma série de acordes que definem o palo. BATA DE COLA: Traje de mulher andaluza em determinadas festas, ou figurino usado por bailarinas dependendo do baile. Caracteriza-se por uma saia ou vestido com cauda. BINARIO: Cada uma das subdivisões de um compás, em que uma parte se divide em duas colcheias. BLANCAS: Na linguagem coloquial flamenca se chamam assim as três primeiras cordas da guitarra, que também denominam-se primas. BOCA: Orifício central da guitarra, por onde se emite o som. BORDÓNS: São os instrumentos musicais de corda. Na guitarra flamenca, chama-se assim a última corda, a sexta, a mais grossa que as demais. Por extensão, se aplica o nome as três cordas superiores, que se chamam “bordones”. BRACEOS: Movimentos executados com os braços, du61

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rante o baile flamenco. C CABAL: Pessoa autêntica e interessada que sabe calibrar a qualidade do que se vê ou o que se escuta no flamenco. CABEZA: Parte superior da guitarra, na qual se encontra o cravelhame e que está um pouco inclinada para trás para manter as cordas adequadamente para não produzir vibrações inúteis. CAFÉ CANTANTE: Local onde serviam bebidas e ofereciam recitais de cante, baile e guitarra. Durante seu apogeu, na segunda metade do sec. XIX, contribuíram para difundir a pratica profissional do flamenco. E sua decadência ocorreu nos primeiros anos do séc. XX. CAÍDA: Chama-se assim o término de um cante, que se faz baixando muito a voz sem perder o ritmo e o compasso. CAJÓN: Caixa acústica de madeira oca usada por percussionistas. CALÓ: língua falada pelos ciganos na Espanha, em Por62

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tugal, e no Brasil; calão, cigano, gitano, lusitano-romani, romani-ibérico, romenho. [É diferente de qualquer outro romani, uma vez que conta com um vocabulário ativo de cerca de 100 palavras do romani, com estrutura do português e do espanhol]. CAMBIO: Modificação habitual em certos estilos utilizadas para acabá-los melhor fazendo-os mais ágeis e vivos. CAMELAR: significa “galantear” ou amar, querer, desejar. No ambiente gitano é uma palavra muito utilizada entre os apaixonados. CAÑI: De raça gigana. No folclore nacional é muito conhecido o pasodoble España Cañi. CANTAOR: Artista que canta flamenco. Cantor ou cantora, e se distingue assim de qualquer outro estilo de cante. CANTE: No flamenco nunca se utiliza a palavra canto, como nos outros tipos de música, somente cante para designar o termo que se refere ao canto musical em si e na ação de cantá-lo. CANTE AD LIBITUM: Cante executado à vontade , ao
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gosto do cantor, sem ajustar-se a nenhum compasso. CANTES A PALO SECO: Cante interpretado sem o acompanhamento da guitarra, nem acompanhamento musical de nenhum tipo. A única música é a própria voz. CANTE ALANTE: Cante que se executa para ser ouvido sem baile. O cantador se situa na parte dianteira do cenário. CANTE BONITO: É o cante que realiza um cantor para lhe dar prazer e para satisfazer uma audiência pouco exigente. CANTE CAMPERO: São denominados os cantes de origem camponesa, como os fandangos regionais e todos os que levam um nome relacionado com o trabalho agrícola. CANTE CARO: É o cante bom, de interpretação impecável e que está isento de qualquer floreado banal. CANTE CHICO: Expressão subjetiva que denomina os cantes menos solenes e mais apropriados para o baile. CANTE DE ATRÁS: Cante que se executa para acompanhar o baile. O cantador se situa ao fundo do cenário.

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CANTE FESTERO: É o tipo de cante alegre, vivo, rítmico e animado, como as alegrias, as bulerías, as rumbas e os tangos. CANTE GITANO: Denominação muito subjetiva, que não se refere ao conteúdo, mas somente ao cante cantado por elementos da raça cigana. CANTE GRANDE: Expressão subjetiva de denomina os estilos mais solenes do cante. Cante exímio, bem interpretado. CANTE LIBRE: é o que não se ajusta ao compasso, deixando o cantor interpretar livremente. CANTE JONDO: Inclui os estilos com ressonâncias arcaicas. São cantes mais solenes e de grande força expressiva, primitivos, com base em sentimentos transcendentais e profundos. CANTE P’ALANTE: É o cante em que o cantor fica à frente dos tocadores perto do público; é um cante que se escuta e não se baila. CANTE P’ATRÁS: É o cante em que o cantor fica atrás
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dos tocadores, cobrindo uma função de acompanhamento do baile. CANTES DE LAS MINAS: Dentro dos cantes de Levante tem especial significado os das comarcas mineras de Almería, Jaéne Múrcia, que são as cartageneras, as mineras, as tarantas e os tarantos. CANTES DE LEVANTE: São todos os cantes de Murcia e da zona de Andalucía oriental ou de Levante. São os estilos próprios das comarcas de Granada (granaína e média granaína), Málaga (malagueñas e verdiales), Almería (tarantas e tarantos), Jaén (tarantas) e Murcia (tarantas, cartajeneras e mineras) e os fandangos regionais de todos esses lugares. CANTES DE TRIANA: Considerada como vértice do triângulo fundamental do flamenco, triângulo que se completa com Jerez e Cádiz, se conhecem como tal os que se consideram próprios do bairro sevillano, como as tonas, as siguiriyas, as soleares e os tangos. CANTES DE UTRERA: é considerado uma das sedes do canto especializado, neste caso das soleares. CANTIÑEAR: Não é exatamente cantar mas simples66

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mente entoar o cante em voz baixa ou a meia voz, com mais estilo e sem reservas. CASTAÑUELAS: Castanholas CASTAÑETAZO: Golpe seco e desafiante que produz a bailaora com as castanholas, sobretudo com a mão esquerda. CASTELLANA: Ou estribillo característico das Alegrias – No baile por Alegrías é a parte que corresponde ao estribillo do cante por castellana. Se compõe de paseíllo, marcajes, remate e cierre. CATALUÑA: Comunidade autônoma espanhola, situada a nordeste da Península Ibérica que faz fronteira ao norte com a França, à leste com o Mar Mediterrâneo, ao sul com a Comunidade Valenciana e a oeste com Aragón. Esta situação estratégica favoreceu a relação intensa com o restante dos países mediterrâneos e com a Europa continental. A Capital da Cataluña é a cidade de Barcelona. CEJILLA: Peça que se fixa sobre o braço da guitarra para subir o tom. CIERRE: (Fechamento) Determina a ação de fechar uma
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seqüência de movimentos. Utiliza-se como sinal para dar por finalizada uma parte do baile e dar entrada a outra. CLAVIJERO: Zona superior do braço da guitarra na qual são inseridas as cravelhas para afinar o instrumento. COLÍN: Bata de Cola pequena. COLGADO: Movimento do corpo, braços ou mãos que encerra o compasso de marcação rítmica. COLMAO: Estabelecimento de comidas e bebidas que substituíram os cafés cantantes a partir de sua decadência. Lá aconteciam reuniões de cante, baile e toque flamencos, denominadas popularmente de juergas. COMPÁS: É quando se interpreta um cante ou um baile seguindo estritamente os ritmos e as cadências do palo abordado, levando em conta o acompanhamento da guitarra. COPLA: Verso ou composição poética breve que faz as letras das canções mais populares e entre elas, as que compõe o cante flamenco; geralmente com versos octossílabos acompanhados de rima assonante nos pares. Estrofe de quatro.

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CUADRO FLAMENCO: Grupo de artistas de flamenco, composto por cantores, guitarristas e dançarinos reunidos para uma apresentação. Uma pequena “juerga”. CUERDAS: São os fios que fazem uma guitarra tocar, eram fabricadas com tripas antigamente, hoje são feitas de fibra sintética. E ÉBANO: Tipo de madeira, muito dura e muito cara, que os fabricantes de guitarras utilizam para a fabricação de diapasões. ECO: Conjunto dificilmente definido de sons claramente atribuídos a um cantor determinado. Somente é atribuído um eco concreto aos maiores cantores. EDAD DE ORO: Chama-se assim o período que vai mais ou menos de 1870 a 1920, considerado pela literatura flamenca como a mais importante na definição e estruturação de estilos e também a época que se contempla a aparição de mais figuras, especialmente do cante. ENGORDAR: Truque do bom guitarrista que consiste
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em adicionar a um acorde, pulsações em trasto coincidentes com o tom do acorde inicial. ENTRADA : entrada do dançarino ESCOBILLA: Parte do baile dedicada ao sapateado. ESCUELA: Estilo imposto por um criador genial e seguido por muitos que dele aprenderam ou nele se inspirou. ESO ES: Isso! Vamos! ESTRIBILLO: estribilho, frase musical D DECIR: Cantar. Em especial cantar com um estilo peculiar, conferindo ao cante intensidade e comunicação plenas. DESPLANTE: Arremate que se dão golpeando com os pés em geral ao final da melodia. Seção de uma dança, assim como em “desplante por bulerias”, per formada após a chamada . Pode variar desde muitos passos até vários compassos dependendo da coreografia. Atitude ou caráter que se dá à postura final de um passo.
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DIAPASÓN: É um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para afinar instrumentos e vozes através da vibração de um som musical de determinada altura. Utilizado no braço da guitarra flamenca para realizar as pulsações. DUENDE: Encanto misterioso e inefável do cante. É uma expressão poética que dá nome à magia intrínseca do flamenco, um estado sublime de inspiração, quase um êxtase, um transe, que se apresenta de forma inesperada, sem justificação aparente e que não tem duração fixa. Para os flamencos, é um estado de exaltação que se manifesta nos seus intérpretes. É um sentimento que se observa, sobretudo nos palos por fiesta. F FALDA: saia FALDA COM VOLANTES: Saia de babados. FALSETAS: Frases melódicas que o guitarrista flamenco executa intercalando o cante. Também pode ser a introdução para um baile ou para uma seqüência de escovilla. FEMENINO: Vocábulo típico da linguagem flamenca,
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que se refere aos sons das três primeiras cordas de uma guitarra que se chamam também de sons agudos. FIESTA: É uma reunião de aficionados e intérpretes das mais distintas expressões da arte flamenca, reunião na qual se interpreta uma atmosfera cordial e amistosa, sem bagunças e com o máximo de respeito. FARALÁ: É uma espécie de babado que enfeita o traje feminino ou de passeio, especialmente nas populares feiras andaluzas, em que todo mundo, principalmente as mulheres, se vestem com os trajes típicos e entre eles o traje de “faraloes”, que é uma traje de cigana. FLAMENCO: Termo com o qual se designa o conjunto de cantes e bailes formado pela fusão de certos elementos do orientalismo musical andaluz dentro dos peculiares modos expressivos gitanos. O Flamenco é uma manifestação cultural que se originou na Andaluzia, com uma existência de aproximadamente dois séculos. A origem do nome Flamenco em seu significado atual, que aparece documentado já ao final do séc. XVIII, está ainda sem resolver. O flamenco é atualmente dividido em 3 categorias:

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Flamenco Jondo – Flamenco antigo. É a forma mais tradicional do flamenco. Flamenco Clássico – Flamenco tocado de forma mais moderna que utiliza técnicas novas tanto para a (guitarra flamenca) quanto para a dança flamenca e para o cante flamenco. Flamenco contemporâneo – Trata-se do flamenco jondo e clássico somados aos jazz e ao fusion. FLOREAR: É o toque de duas ou três cordas da guitarra com três dedos, sucessivamente e sem parar. FLOREO: movimento das mãos na dança flamenca. FONDO: Parte posterior da caixa de ressonância de uma guitarra, que somente é feita de madeira de cipreste. FUERZA: Característica do guitarrista que mede o nível de vibrações que é capaz de extrair de uma corda com um só golpe. G GACHÓ: Palavra pertencente ao idioma caló, cigano,
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que quer dizer homem, e mais especificamente o amante de uma mulher, também utilizada pelos ciganos com um tom um tanto depreciativo para referir-se a um cante que não soa como cigano. GITANOS: Povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do séc. XV. Ciganos. GLOSOLALIAS: Elementos vocais simples. As mais usuais no flamenco são os “ayes”, ou seja ¡ay!, ¡ay!, ¡ay!, repetidamente enquanto se canta. Ou também iniciar um cante entoando a voz com expressões como “tara tan tran, tran tran tran” (característico nas alegrias de Espeleta) ou as “trajili trajili” que alguns empregam nas bulerías. GUARACHA: Divertida variante do som cubano, muito alegre e descontraído, provável antecedente da rumba flamenca. GUITARRA: A guitarra flamenca é uma mescla da guitarra mourisca e da guitarra castellana. É uma guitarra mais ligeira que a clássica, construídas com madeiras mais leves, com uma caixa de ressonância menor, normalmente feita da madeira de cipreste.

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H HASSA: Expressa incentivo ao bailarino, músico, como dizer: Está ótimo, vamos! HERMÉTICA: Historicamente se chama assim a época primitiva em que o flamenco era executado na intimidade das famílias ciganas. HONDO: das profundezas, profundo I IDA OU COLETILLA: (saída) Parte final do baile. É composto de paseíllo, remates e cierre. INTRATONAL: Variação de um mesmo tom. J JACARANDA: Madeira da árvore Jacarandá utilizada para a construção do aro e do fundo da guitarra flamenca. JALEAR: Ato de acompanhar e animar o baile, cante e guitarra com palmas, gritos de incentivos, com um conjunto de vozes, expressões e exclamações ou outros elementos que se empregam para jalear. São gritos instintivos, espontâneos,
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locuções admirativas e interjeições, sendo exemplos: Olé!, Ezo!, Así se canta!, Arza!, Vamos ayá! JÍPIO: É um grito agudo e prolongado, como um profundo “ai” que se prolonga e se retorce nos extremos do cante, dando-lhe uma profunda autenticidade. JONDO: Adjetivo que se aplica ao cante flamenco mais puro. Variação do hondo, mais associado a dança flamenca. (cante…). JONDURA: Força expressiva do flamenco em sua interpretação mais emotiva.JUERGA: Festa ou reunião de aficionados e interpretes de um bom flamenco em um ambiente idôneo para a melhor manifestação do baile, cante e guitarra. Festa flamenca onde cantaores, tocadores e bailaores colocam em prática suas artes. J LAÍNA: Tipo de voz fina do cante flamenco. LASTIMAR: Na arte flamenca diz-se que quem lastima é o interprete capaz de emocionar ao que escuta.

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LATIGO: Forma de produzir um som arrastado do pé ao solo; Escovar. LETRA: Conjunto de versos que formam a “copla”. Parte do baile que corresponde à letra da música, se compõe de: llamada (chamada), marcajes (marcações), paseíllos (passeios), desplantes e remates. Termina em algumas ocasiões com uma pequena escobilla e um cierre. LLAMADA: chamada : movimento da dança sinalizando mudança. Determina a ação de chamar. Utiliza-se como sinal para que o cantaor comece a cantar. LUTHIER: Nome que recebe o construtor de instrumentos musicais, entre os quais pode estar a guitarra. M MACHO: Estribilho de alguns cantes. Estrofe que se acrescenta a alguns cantes para melhor finalizá-los. Equivale a troca. MANTILLA: Manto usado na cabeça, geralmente de rendas.

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MANTOCILLO: Mantón pequeno (formato de um quadrado). MANTÓN: Xale grande de seda com grandes franjas. MARCAJE: Determina ação de marcar. É utilizada para marcar a letra do cante. MARCANDO: movimentos do dançarino durante a música MASCULINO: Vocábulo típico da linguagem flamenca que se refere ao som que emitem as três últimas cordas da guitarra, também conhecidas como graves. MELISMA: Grupo de notas sucessivas cantadas sobre a mesma sílaba, como adorno ou floreio da voz. MOÑO: Coque de cabelo (penteado) N NATURAL: Uma classe de voz própria do cante flamenco. Voz de peito.

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O OLÉ: É um grito de entusiasmo diante da obra bem executada, mas não é só no flamenco que se usa, mas também com maior profusão nas touradas. Por outro lado, era um baile andaluz muito antigo, proveniente das danças ciganas. ÓPERA FLAMENCA: Espetáculo flamenco de cante, baile, e guitarra que proliferou nos anos de 1920 a 1936 por toda Espanha, organizado por empresários profissionais, e apresentado quase sempre em praças de toros e grandes teatros. P PANTALONES: Calças compridas. PALMAS: Palmas são tocadas para acompanhar a música e o baile flamenco. Existem vários tipos: abafada (sorda), dobrada (redoblás), viva, natural. PALMEROS: Pessoas especializadas em “tocar” palmas, cuja função tem uma suma importância, pois tem que seguir o compás com todo rigor.. As palmas dão a base rítmica para os bailaores e músicos.
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PALILLO: Castanholas do baile flamenco que foram instrumento da orquestra de Lucero Tena, que era muito boa em seu manejo. Não são usadas no flamenco puro. PALO: Nome que recebe cada modalidade tradicional, do cante, baile e toque flamenco. PALOSANTO: Tipo de madeira utilizada pelos construtores para distintas partes da guitarra. É um dos materiais mais apreciados para a fabricação de guitarra. PAQUERO: Chama-se assim a gíria flamenca para os guitarristas que seguem a escola criada por Paco de Lucía. PASEÍLLO: (Passeio) Determina a ação de passear. Utiliza-se na saída e na letra do cante, para unir as diferentes partes dos bailes e para tomar tempo entre as partes. Predomina a utilização dos braços e pode vir acompanhado de marcações do ritmo com os pés. PASO DE CIGÜEÑA: É um característico passo de baile flamenco. PEINETA: Pente pequeno, usado como enfeite nos
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penteados. PEINETÓN: Peineta grande. PELLIZCO: Comoção que produzem determinados cantes ou bailes no ânimo das pessoas que os escutam ou presenciam. PEÑAS FLAMENCAS: Entidades constituídas em forma de associação por aficionados pela arte flamenca, para a exaltação e difusão do cante, baile e toque flamencos. Tiveram seu apogeu a partir do início dos anos 60 em toda a Andaluzia, estendendo-se por toda Espanha e diversos países estrangeiros. Nas Peñas, a arte flamenca é o tema contínuo das reuniões e dos recitais, tanto de intérpretes consagrados como de novas promessas. PERICÓN: Abanico grande. PICADOS: Escalas flamencas na guitarra. PICO: Xale triangular. PITOS: Estalar de dedos para marcação do ritmo. Som produzido pelo estalo do dedo meio com o polegar.
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PLANTA: Sola do pé. PLAYERAS: Nome antigo dos cantes por seguiriya. Termo pouco empregado. POR DERECHO: Expressão utilizada para significar a interpretação fiel de um cante. POR LO BAJINI: Diz-se do cante que se faz a meia voz, quase como um sussurro. PUERTO DE CÁDIZ: Foi na época de César que o Porto de Cádiz adquiriu notoriedade e esplendor, exportando carnes/pescados conservados em sal e vinhos para Roma e outras províncias européias e africanas. A história torna-se um tanto obscura entre o século IV e o século XV em que a coroa Espanhola estabeleceria o Primeiro Porto na Bahia de Cádiz, fundando a Cidade de Puerto Real e conferindo-lhe exclusividade mercantil. Foi uma etapa de primazia do comércio africano que tomou o final do século XV e permaneceu em alta durante todo o século XVI. Entretanto com as grandes navegações e o sucesso do descobrimento de um novo continente, as portas foram abertas a um novo comércio: o das províncias de “ultramar”.
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PUNTA: Ponta dos pés PUNTEADO: Técnica de dedilhado. Q QUEJÍOS: Ayes (ais) que se executam no cante ao princípio, meio e final (lamentação). R RAJO: Tonalidade especial da voz que imprime maior emoção ao cante. RASGUEADO: Técnica empregada pelos guitarristas flamencos onde as cordas do violão se roçam de baixo para cima usando todos os dedos. REBOTE: Salto pequeno executado antes de certos golpes dos pés no solo. REDONDA: Voz flamenca. REDOBLE: No baile flamenco é um sapateado leve, cujo
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com se parece com o redobre do tambor, ou o que se consegue com a guitarra. REMATE: (Arremate) Determina a ação de arrematar (enfatizar) um movimento ou uma combinação de movimentos. É utilizado para dar ênfase à queda do cante, nos momentos em que o cantaor respira e para finalizar uma seqüência de passos. Está constituído de diferentes e expressivos movimentos que incluem fortes sons de pés. RICARDERO: São conhecidos assim os guitarristas que seguem fielmente a escola de Niño Ricardo. RITOS: Rituais. S SALÍA: Começo do cante. SALIDA: Saída do dançarino. Salida/Entrada (Saída/ Entrada) Corresponde à entrada do cante (do canto). Termina-se normalmente com um cierre (fechamento). É composta de paseíllos (passeios), marcajes (marcações), desplante, cierres e em algumas ocasiões uma pequena escobilla (sapateado).

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SILENCIO: No baile de Alegrías é a parte que corresponde ao toque melódico em tom menor da guitarra. É composto de paseíllos e marcajes. Termina com uma chamada para dar início à “Castellana”. SOMBRERO: Chapéu SON: Acompanhamento do cante ou baile mediante palmas, e ou castanholas, golpes, etc. (compasso). SONANTA: Guitarra. SONÍOS NEGROS: Ecos profundos, assustadores, surpreendente emanados de uma voz enduendada, de um cantor. T TABLAO: Cenário para atuação dos artistas. Estabelecimentos como Bares e Restaurantes, onde se podem apreciar apresentações de flamenco. Os tablaos são os sucessores dos cafés cantantes. TACÓN: Salto do pé, parte do pé em movimento.. TACONEO: Sapateado flamenco. Série de sons no com85

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passo e rítmicos que se conseguem golpeando o chão com os saltos dos sapatos. TEMPLE: Cantiñeos que o cantaor utiliza para encontrar o tom que a guitarra lhe dá. TERCIO: Cada um dos versos que constam em uma copla de cante. TOCAOR: Guitarrista flamenco. Tocador de guitarra. TOMA QUE TOMA: Toma que toma! TOQUE: Ação e efeito de tocar a guitarra flamenca. TORSIÓN: Movimento característico do baile flamenco, que compõe uma figura difícil e forçada mas de grande qualidade estética. Consiste em retorcer o corpo tomando a cintura como eixo e orientando o resto em distintas direções. V VAMOS ALLA: Vamos! Anda! VAMO YA: Vamos! já!
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VOZ AFILLÁ: Denominação que se aplica ao tipo de voz rouca, grave e rasgada, mais apropriada para o cante gitano e jondo, por alusão ao cantaor El Fillo, que segundo a tradição oral possuía este tipo de voz. VOZ DE FALSETE: Voz artificial utilizada para cantar quando não se tem qualidades naturais para fazê-lo. VOZ LAÍNA: Designa a voz de tom agudo, fino. VOZ NATURAL: Consiste em cantar com uma voz natural, tal como soa ao falar, sem utilizar impostações espaciais ao interpretar o cante. Também se chama de voz fácil. Z ZAMBRA: Festa mourisca com música, alegria e algazarra. Posteriormente, festa dos gitanos andaluzes. Ainda hoje se cultiva a Zambra Granadina, nas Cuevas Del Sacromonte, formada por três bailes de Caráter Mínimo: la Alboreá, la Cachucha, e la Mosca, que simbolizam três momentos da boda gitana. Esta mímica, refletida na dança, pretende preservar uma antiga tradição do baile. São as juergas flamencas que os ciganos fazem em suas casas.
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ZAPATEADO: Baile. Consiste em um baile sóbrio de grande presença flamenca, que surge a meados do séc. XIX. É uma combinação rítmica de sons executados com a planta, salto e ponta do pé, e é interpretado por homens. Quando dançado por mulheres, estas usam traje masculino. Atualmente o Zapateado flamenco se intercala na maioria dos estilos, tanto por homens como por mulheres, muitas vezes ficando a guitarra em silêncio, para ressurgir junto com os demais elementos de acompanhamento no momento de sua maior intensidade ou arremate. Sapateado bastante elaborado, com velocidade, alternando um ritmo mais lento, sendo que logo após acelera-se novamente. ZORONGO: Baile interpretado ao compasso de um tango lento, com um cante calmo, tranqüilo. Teve grande popularidade no séc. XVIII.

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Andressa Rocha é jornalista e pesquisadora acadêmica, especialista em Teorias da Comunicação pela PUC e Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política. Estudou na Universidade de Sevilla, se especializando em Teorias do Flamenco, curso oferecido pela Bienal de Flamenco em 2006. Escreveu para a Revista da Folha de SP e Rolling Stone Brasil matérias sobre Flamenco e colobora para a revista Top Destinos.