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O assistente social é o profissional qualificado que, privilegiando uma intervenção investigativa, através da pesquisa e análise da realidade social, atuam

na formulação, execução e avaliação de serviços, programas e políticas sociais que visam à preservação, defesa e ampliação dos direitos humanos e a justiça social. Como campos de atuação profissional podem ser citados: equipamentos da rede de serviços sociais e urbanos das organizações públicas, empresas privadas e organizações não governamentais como: hospitais, escolas, creches, clinicas, centros de convivência; administrações municipais, estaduais, e federais; serviços de proteção judiciária; conselhos de direitos e de gestão; movimentos sociais; instâncias de defesa e de representação política. Tendo como objetivo a contribuição para a construção de uma ordem social, política e econômica pelo menos diferente da atual. Reconhecendo nos determinantes estruturais e nas dificuldades da realidade social, os limites e as possibilidades do trabalho profissional, rebelando-se contra os problemas das injustiças, que afetam os desamparados socialmente. O estado que é o representante de uma ordem social determinada, necessita da prática profissional do assistente social, para relativização da problemática social gerada pela sociedade capitalista, e para controlar ou canalizar os conflitos emergentes. Deixando a visão de que a desigualdade social é um fator natural. Naturalmente não podemos apelar para uma fórmula mágica que cura todos os males da humanidade, entrando no idealismo inútil, mas assumindo como direito inalienável da população explorada, a busca e a garantia da política social, de forma organizada e planejada. Não confundindo o assistencialismo com assistência, nem deixando a demagogia tomar conta e ofuscar a realidade. As suas ações são sempre orientadas para objetivos, metas e fins. A ação humana implica sempre um projeto que é uma antecipação ideal da finalidade que se pretende alcançar, com a inovação dos valores que a legitimam e a escolha dos meios para atingi-la. Apenas os projetos societários, aqueles que apresentam uma imagem da sociedade a ser construída, e que reclamam valores e privilegiam meios materiais e culturais para concretizar essa sociedade, possuem uma dimensão política que envolve relações de poder.

O serviço social não constitui uma unidade identitária, ele esta alicerçado na diversidade de origens e expectativas sociais, comportamentos e preferências teóricas, ideológicas e societárias distintas. Por isso, a profissão de serviço social é um espaço plural de onde poderão emergir projetos profissionais diferentes. “Toda a categoria profissional é um campo de tensões e lutas” e a afirmação de um projeto profissional não suprime divergências e contradições. Ela deve fazer-se através do debate, pela discussão, pelo confronto de idéias. A análise do projeto ético-político do serviço social se apresenta com os seguintes valores: 1- A liberdade: reconhece a liberdade como valor central, concebida historicamente como possibilidade de escolha entre alternativas concretas. Deste modo, a liberdade surge associada à autonomia, à emancipação e desenvolvimento dos sujeitos entendidos como atores providos de vontade. 2- A defesa intransigente dos direitos humanos: a equidade e a justiça social, na perspectiva da universalização do acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, a ampliação e a consolidação da cidadania constituem condição para a garantia dos direitos civis, políticos e sociais. 3- A democratização de procedimentos: o projeto reclama-se radicalmente democrático, entendendo-se democratização como a socialização da participação política e socialização da riqueza socialmente produzida. 4- Um compromisso com a competência: a competência profissional implica uma formação acadêmica qualificada que viabilize a analise concreta da realidade social imprescindível ao desenvolvimento É necessário de procedimentos com o adequados. A auto-formação permanente e o exercício de uma postura investigativa revelam-se fundamentais. romper voluntarismo, com o isolamento profissional e com as falsas interpretações acerca da direção social do projeto ético-profissional. 5- um compromisso com a qualidade dos serviços prestados: o projeto profissional radica num compromisso com a qualidade dos serviços prestados a população, o que implica uma abertura das decisões institucionais à participação dos utentes. O serviço social tem-se vindo a afirmar em contextos diversos, e a sua expansão encontra-se legitimada pela crescente massa critica e redimensionamento da formação, mas, sobretudo a reconquista dos

direitos cívicos e sociais que acompanharam a restauração democrática da sociedade brasileira (Netto, 22). O projeto profissional é um processo continuo que se constrói no quotidiano, e que assenta numa proposta de resgate da centralidade da ética na formação profissional. A defesa e a reprodução dos princípios e valores éticos que lhe estão subjacentes exigem sujeitos profissionais ativos e autônomos. Um importante avanço foi reconhecer que o chão comum tanto do trabalho quanto da cultura profissional é a historia da sociedade. A realidade social e cultural provoca e questiona os assistentes sociais na formulação de respostas, seja no âmbito do exercício profissional, seja das elaborações intelectuais acumuladas ao longo da historia do serviço social, os saberes que construiu, as sistematizações da pratica que reuniu ao longo do tempo. Alguns outros sustentavam a idéia de que as políticas sociais deveriam ser os elementos privilegiados para se pensar a fundação do serviço social na sociedade. O assistente social é o profissional que trabalha com políticas sociais, de corte publico ou privado e não resta duvida ser essa uma determinação fundamental na constituição da profissão, impensável mais alem da interferência do estado nesse campo. Entretanto as políticas sociais publicas são uma das respostas privilegiadas a questão social, ao lado de outras formas, acionadas para o seu enfrentamento por distintos segmentos da sociedade civil, que tem programas de atenção à pobreza, como as corporações empresariais, as organizações não-governamentais, alem de outras formas de organização das próprias classes subalternas para fazer frente aos níveis crescentes de exclusão social a que se encontram submetidas. A questão social explica a necessidade das políticas sociais, no âmbito das relações entre as classes e o estado, mas as políticas sociais, por si, não explicam a questão social. Aquela é, portanto, determinante devendo traduzirse como um dos pólos chaves da formação e do trabalho profissional. A insistência na questão social esta em que ela conforma a matéria-prima do trabalho do trabalho profissional, sendo a pratica profissional compreendida como uma especialização do trabalho participe de um processo de trabalho. Ao se pensar a pratica profissional, existe a tendência de conectá-la diretamente a pratica da sociedade. Alguns qualificam a pratica do serviço

social de práxis social, ainda que esta se refira a pratica social, isto é, ao conjunto da sociedade em seu movimento e contradições. A analise da pratica do assistente social como trabalho, integrado em um processo de trabalho permite mediatizar a interconexão entre o exercício do serviço social e a pratica da sociedade. O objeto de trabalho, aqui considerado, é a questão social. É ela, em suas múltiplas expressões, que provoca a necessidade da ação profissional junto à criança e ao adolescente, ao idoso, a situações de violência contra a mulher, a luta pela terra etc. Essas expressões da questão social são a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional. Pesquisar e conhecer a realidade são conhecer o próprio objeto de trabalho, junto ao qual se pretende induzir ou impulsionar um processo de mudanças. Nesta perspectiva, o conhecimento da realidade deixa de ser um mero pano de fundo para o exercício profissional, tornando-se condição do mesmo, do conhecimento do objeto junto ao qual incide a ação transformadora ou esse trabalho. Dar conta das particularidades das múltiplas expressões da questão social na historia da sociedade brasileira é explicar os processos sociais que as produzem e reproduzem e como são experimentadas pelos sujeitos sociais que as vivenciam em suas relações sociais quotidianas. É messe campo que se da o trabalho do assistente social, devendo apreender como a questão sócia em múltiplas expressões é experienciada pelos sujeitos em suas vidas quotidianas. Geralmente, tem-se uma visão dos instrumentos de trabalho como um arsenal de técnicas: entrevistas, reuniões, plantão, encaminhamento etc. as bases teórico-metodologicas são recursos essenciais que o assistente social aciona para exercer o seu trabalho: contribuem para iluminar a leitura da realidade e imprimir rumos a ação, ao mesmo tempo em que a moldam. Assim, o conhecimento não é só um verniz que se sobrepõe superficialmente a pratica profissional, podendo ser dispensado; mas é um meio pelo qual é possível decifrar a realidade e clarear a condução do trabalho a ser realizado. Nessa perspectiva, o conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos pelo assistente social ao longo do seu processo formativo é parte do acervo de seus meios de trabalho. Embora regulamentado como uma profissão liberal na sociedade, o serviço social não se realiza como tal. Isso significa que o assistente social não detém todos os meios necessários para a efetivação de seu trabalho:

financeiros, técnicos e humanos necessários ao exercício profissional autônomo. Depende de recursos previstos nos programas e projetos da instituição que o requisita e o contrata, por meio dos quais é exercido o trabalho especializado. Em outros termos, parte dos meios ou recursos materiais, financeiros e organizacionais necessários ao exercício desse trabalho é fornecida pelas entidades empregadoras. Portanto, a condição de trabalhador assalariado não só enquadra o assistente social na relação de compra e venda da força de trabalho, mas molda a sua inserção socioinstitucional na sociedade brasileira. O assistente social não realiza seu trabalho isoladamente, mas como parte de um trabalho combinado ou de um trabalhador coletivo que forma uma grande equipe de trabalho. Sua inserção na esfera do trabalho é parte de um conjunto de especialidades que são acionadas conjuntamente para a realização dos fins das instituições empregadoras, sejam empresas ou instituições governamentais. Trabalho é uma atividade humana exercida por sujeitos de classes. É interessante que ao se pensar a pratica como trabalho, entram imediatamente em cena os sujeitos que trabalham, cidadãos, portadores de uma herança cultural, de uma bagagem teórica e técnica, de valores ético-sociais etc. alguns traços aparentemente dispersos, organizam o perfil social e histórico do assistente social. Pode-se dizer que o serviço social em uma empresa produz treinamentos, realiza programas de aposentadoria, viabiliza benefícios assistenciais e previdenciários, presta serviços de saúde, faz prevenção de acidentes de trabalho etc. o trabalho do assistente social tem um efeito nas condições materiais e sociais daqueles cuja sobrevivência depende do trabalho. Em outros termos, tem efeito no processo de produção e reprodução da força de trabalho, que é a única mercadoria que ao ser colocado em ação, ao realizar trabalho, é fonte de valor, ou seja, cria mais valor do que ela custou. É ela que esta no centro do segredo da criação da riqueza social na sociedade capitalista. E o serviço social interfere na reprodução da força de trabalho por meio dos serviços sociais previstos em programas, a parir dos quais se trabalha nas áreas de saúde, educação, condições habitacionais e outros.

EXCLUSÃO SOCIAL E O SEU ENFRENTAMENTO A exclusão social, fenômeno generalizado no mundo globalizado em praticamente todas as sociedades nos traz a triste realidade da privação, falta de acesso a serviços de educação e saúde, enfim, a falta de perspectivas que leva os marginalizados economicamente, territorialmente e culturalmente a ingressar o submundo do narcotráfico, prostituição e delinqüência. As energias e o potencial criativo de milhões de jovens perdidos pela falta de acesso a educação e formação profissional constituem perdas irreparáveis na tarefa de construir uma força de trabalho diligente e disciplinada, condição primordial para o desenvolvimento. Por outro lado, a desarticulação de famílias e comunidades pelos efeitos prolongados do desemprego, falta de renda e de oportunidades de ascensão social e de auto – realização repercute profundamente em todo o tecido da organização social, impedindo manifestações de cooperação e solidariedade pilares de uma sociedade integrada e coesa. A exclusão social pode ser analisada sob três dimensões: primeira, a dimensão material e objetiva da desigualdade social e econômica; segunda, refere – se à ética da injustiça social e dos preconceitos; e a terceira dimensão, subjetiva, de sofrimentos impostos a milhões de seres humanos. A complexidade dos problemas e a diversidade dos atores sociais envolvidos exigem analises e estudos interdisciplinares que devem orientar as políticas dos diferentes setores – saúde, educação, trabalho, lazer, habitação e administração pública. O trabalho não deve ser encarado apenas como o ganha pão de cada dia, mas como o espaço no qual cada pessoa possa elaborar suas experiências, horizontes e expectativas de vida. O desemprego e o trabalho precário e informal além de desestruturar a família e a comunidade, impossibilitam pensar o futuro, a carreira, enfim, um projeto individual, da família e da sociedade. Os programas oficiais e das ONGs encaram o problema da exclusão de modo parcial, privilegiando ora a geração de renda (bolsa escola, cesta básica etc.), ora a questão de emprego via frentes de trabalho. Nenhum desses programas atinge o objetivo de inclusão social, por omitir a dimensão central do fenômeno – a perda de auto – estima e de identidade de pertencer a um grupo social organizado.

A inclusão torna – se viável somente quando, através da participação em ações coletivas, os excluídos são capazes de recuperar sua dignidade e conseguem - além de emprego e renda – acesso à moradia decente, facilidades culturais e serviços sociais, como educação e saúde. A exclusão social é, portanto, uma situação de não realização de algumas ou de todas essas dimensões: “é o não ser”, “o não estar”, “o não fazer”, “o não criar”, “o não saber” ou “o não ter”. A percepção dualista de exclusão e inclusão, como se fossem fenômenos polarizados e mundos separados confunde a política com sentimentos de caridade; a cidadania com filantropia; e os direitos humanos com ajuda humanitária, o que leva, em ultima analise, a perda dos direitos de cidadania dos excluídos. Trata – se de dois processos sociais com dinâmicas assimétricas e diferentes. Enquanto a inclusão social é produto de políticas publicas dirigidas concretamente para o resgate e a incorporação da população marginalizada, oferecendo condições e acesso a organização social, como produtores e consumidores, cidadãos com plenos direitos e senhores de seu destino, a exclusão é o resultado de uma dinâmica “perversa” de acumulação e reprodução do capital, cada vez mais aceleradas pela concentração de capitais no regime de mercados e espaços globalizados. A exclusão é inerente ao sistema capitalista, como fenômeno universal e inevitável, expandindo – se em ritmo e intensidade diferentes, ao acompanhar os ciclos de expansão e recessão da economia. Por isso, o papel do Estado, em todos os níveis do poder publico, é fundamental na definição de estratégias de combate à exclusão, sem cair no assistencialismo populista. Tarefa primordial constitui o aprimoramento da eficácia da administração pública, o zelo pela igualdade jurídica; o desempenho dos investimentos sociais; criando cooperativas e redes de apoio mutuo, em reforço aos movimentos sociais que buscam sua inclusão. Uma política dinâmica de inclusão social não depende apenas das diretrizes e ações do governo federal. Ela deve ser desenvolvida também em nível local e micro regional através de iniciativas de cooperação e de autogestão. Também, não se pode descuidar da dimensão afetiva e intersubjetiva que responde aos desejos de encontrar-se com os outros na

comunidade, a confiança em si e nos outros e assim a auto – estima para ser feliz. Finalmente, será imprescindível a reestruturação das famílias e das comunidades locais, rompendo com a abordagem fragmentada, setorializada e estanque das disciplinas acadêmicas. Para mudar a cultura da exclusão e da pobreza, devemos reconstruir as relações sociais pervertidas por um sistema econômico social e ambientalmente desumano e insustentável.