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VIOLAÇÃO DE COMUNICAÇÃO
TELEGRÁFICA OU RADIOELÉTRICA

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No inciso II do art. 151 estão definidos os crimes de violação de comunicação


telegráfica, radioelétrica e/ou telefônica.

A Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, ao regulamentar o inciso XII da


Constituição Federal, dispondo sobre as interceptações de comunicações telefônicas para
fins de investigação criminal e em instrução penal, criou um tipo de crime, no art. 10, o
qual revogou a parte final do mencionado inciso do art. 151.

A violação de comunicações telefônicas, por essa razão, será abordada adiante,


separadamente.

Assim, permanece em vigor o art. 151, II, apenas na parte que descreve violações de
comunicações telegráficas e radioelétricas, abordadas a seguir. O inciso III do mesmo
artigo define o crime de impedimento de comunicação telegráfica, radioelétrica e telefônica,
o qual, por constituir igualmente violação à liberdade de comunicação, será abordado em
conjunto com o crime do inciso II.

26.1 CONCEITO, OBJETIVIDADE JURÍDICA E SUJEITOS DO


CRIME

A descrição contida no tipo do inciso II é:

“quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação


telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro”. O tipo do inciso III é: “quem impede a
comunicação ou a conversação referidas no número anterior”. A pena cominada é
detenção, de um a seis meses, ou multa.

O bem jurídico protegido é a liberdade de comunicação e, no inciso II, também o


2 – Direito Penal II – Ney Moura Teles

sigilo, que é protegido constitucionalmente.

Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime. Os sujeitos passivos são as pessoas
que se comunicam.

26.2 TIPICIDADE

26.2.1 Conduta e elementos do tipo

São definidas as seguintes condutas proibidas: impedir, divulgar e transmitir, ou


utilizar abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica.

Impedir é interromper, obstar. Divulgar é dar conhecimento da comunicação ao


público. Transmitir é narrá-la a uma terceira pessoa, determinada. Utilizar abusivamente é
dela se servir para qualquer fim indevido. Será sempre comissiva a conduta.

Comunicação telegráfica é aquela feita através de sinalização elétrica ou


radioelétrica a ser convertida, depois, em comunicação escrita que será entregue ao
destinatário.

A interrupção, divulgação, transmissão e utilização abusiva da comunicação devem


ser feitas dolosamente e a utilização de seu conteúdo deve ser feita com dolo e
indevidamente, isto é, sem permissão dos interlocutores ou de preceito legal.

26.2.2 Consumação e tentativa

Consuma-se no momento em que a comunicação chega ao conhecimento de


terceiros, nas figuras típicas de divulgar e transmitir. Também quando o agente dela faz o
uso abusivo, ou quando é interrompida, na hipótese do inciso III. Possível, em qualquer
dos tipos, a tentativa.

26.2.3 Aumento de pena e forma qualificada

Resultando dano, econômico ou moral, para qualquer pessoa, a pena será


aumentada de metade. Quando o agente comete o crime com abuso de função do serviço
telegráfico, radioelétrico ou telefônico, a pena será de detenção de um a três anos.
Violação de Comunicação Telegráfica ou RadioElétrica - 3

26.3 AÇÃO PENAL

A ação penal é pública condicionada à representação do ofendido, exceto se o crime


é cometido com abuso de função em serviço telegráfico, radioelétrico ou telefônico, quando
será pública incondicionada.

A competência é do juizado especial criminal, permitida a suspensão condicional do


processo penal.