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INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM


SISTEMA DE INFORMAÇÕES

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87.1 CONCEITO, OBJETIVIDADE JURÍDICA E SUJEITOS DO


CRIME

A Lei nº 9.983, de 14 de julho de 2000, acrescentou, ao Código Penal, o art. 313-A,


contendo o seguinte tipo penal:

“Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos,


alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou
bancos de dados da Administração Pública, com o fim de obter vantagem
indevida para si ou para outrem ou para causar dano.”

A pena é reclusão, de dois a doze anos, e multa.

A proteção da norma recai sobre a segurança das informações de interesse da


Administração Pública, contidas nos sistemas informatizados e nos bancos de dados.

Sujeito ativo é apenas o funcionário público que esteja autorizado a acessar o


sistema informatizado ou o banco de dados da Administração Pública. Outro funcionário
ou o não-funcionário pode ser co-autor ou partícipe do crime.

Sujeito passivo é o Estado e também o particular que vier a sofrer dano em razão da
conduta típica.

87.2 TIPICIDADE

87.2.1 Conduta

São as seguintes as condutas incriminadas: inserir dados falsos ou facilitar sua


2 – Direito Penal III – Ney Moura Teles

inserção. E também alterar ou excluir dados corretos. Inserir é introduzir, facilitar é


tornar fácil a inserção. Alterar é modificar, excluir é eliminar. A inserção de dados falsos e
a alteração ou exclusão de dados verdadeiros constituem, à evidência, falsificação.
Normalmente realizam-se por meio de ação, mas a facilitação pode decorrer de omissão do
agente.

87.2.2 Elementos do tipo

As duas primeiras condutas típicas – inserir ou facilitar a inserção – têm como


objeto material dados falsos. Dados são informações de interesse da Administração Pública
que são armazenados ou arquivados em seus bancos de dados ou sistemas informatizados.
Estes constituem um documento virtual da administração.

Com a realização de uma das condutas, o sistema informatizado ou o banco de


dados é alimentado com dados falsos, inverídicos ou que não representam a realidade,
restando adulterado, em sua totalidade ou apenas parcialmente.

Nas outras modalidades típicas – alterar ou excluir – a conduta recai sobre dados
verdadeiros que já se encontram armazenados no sistema ou no banco de dados,
modificando-os ou simplesmente excluindo-os, adulterando, igualmente, a verdade nele
contida.

Em qualquer hipótese, a conduta do agente desfigura a realidade contida nos


arquivos.

Só pode ser realizada por funcionário que tenha autorização para acessar o sistema
informatizado ou o banco de dados aquele que esteja lotado no setor do ente público no
qual é mantido.

O crime é doloso. O agente deve estar consciente da falsidade dos dados que insere
ou cuja inserção facilita ou da modificação ou exclusão que faz em relação aos dados
verdadeiros. Age com vontade livre de realizar a conduta e com uma finalidade especial:
obter vantagem indevida para si ou para outrem ou então causar dano a alguém. Sem esse
fim, o tipo não se realiza.

Não há previsão de crime culposo, daí que não haverá fato típico quando o agente
ignora a falsidade dos dados ou desconhece que está modificando ou excluindo dados
verdadeiros, agindo negligentemente.
Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações - 3

87.2.3 Consumação e tentativa

A consumação, na modalidade típica de inserção de dados falsos, ocorre quando as


informações ingressam no sistema informatizado ou no banco de dados, dele fazendo parte.
A forma típica de alteração ou exclusão de dados verdadeiros acontece quando da efetiva
modificação ou eliminação dos dados. Se a inserção ou alteração realiza-se por meio de
várias ações separadas no tempo há crime único, porém se cada conduta repercute sobre
direitos ou deveres diversos, haverá crime continuado.

A tentativa é possível se a inserção de dados falsos, iniciada pelo agente ou por ele
facilitada, não se efetiva por circunstâncias alheias a sua vontade ou se, também por isso,
não ocorre a modificação ou exclusão dos dados.

87.2.4 Aumento de pena

Se o agente ocupa um cargo em comissão ou exerce função de direção ou


assessoramento de órgão da administração direta, de sociedade de economia mista,
empresa pública ou fundação instituída pelo poder público, a pena será aumentada de um
terço (art. 327, § 2º). Não há aumento de pena quando o agente é dirigente ou exerce
função de assessoramento em empresa privada conveniada ou contratada para executar
atividade típica da administração pública.

87.3 AÇÃO PENAL

A ação penal é de iniciativa pública incondicionada.