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Narrativas interrompidas: um encontro com filmes do mundo árabe Por: Guaracy Araújo Contato: guaracyaraujo@gmail.com

Agradecimentos à Produção da Mostra de Cinema Árabe: Nágila Guimarães, Ana Arruda, à equipe do CCBB representada pela Adelaide Oliveira, e em especial a Izadora Fernandes

Introdução

Como falar de filmes que participam de uma Mostra de Cinema Árabe, sem prestar contas frente ao termo “árabe”?

São numerosos os riscos implícitos em um uso generalizado do termo árabe. A magistral obra de Edward W. Said, “Orientalismo” (minha principal referência em toda esta apresentação), é entre outras coisas um estudo de generalizações problemáticas que, muitas vezes emergindo no campo acadêmico, terminam por se tornar abrangentes, figurando (ou desfigurando) as culturas e sociedades de língua árabe. A isso se soma, nos últimos sessenta anos, a persistência do ponto de vista hegemônico na mídia ocidental acerca do conflito entre palestinos e israelenses (ou seja, o suposto ódio anti-semita árabe) e mais recentemente as conseqüências

Said sugere como o discurso estereotípico do Ocidente em relação ao Oriente implica.2 sócio-culturais do 11 de setembro. ortodoxo e terrorista. infelizmente. ao mesmo tempo reintroduz a história e a problematiza a partir de seminarrativas. para os patamares de conhecimento disponíveis para um ocidental médio sem algum tipo de herança oriental. indicia a mudança (a qual sempre desafia os estereótipos). o cinema seja 1 O que vale para quase todos os filmes que tive a oportunidade de ver. uma visão holística. na medida em que os estereótipos herdados de antigas divisões e do imperialismo do século XIX somaram-se a um quadro geral para o qual a rubrica adequada. de narrativas autoproblematizantes. que se superpõe a uma narrativa – pois a narrativa. Em que medida o cinema pode nos ajudar a romper tais estereótipos. favorecendo um ponto de vista mais imparcial e acolhedor? Em “Orientalismo”. Talvez nenhuma região seja hoje vítima de uma visão tão manifestamente preconceituosa quanto esta. essencialista. é a da demonização. O cinema. a partir do século XIX (mas com raízes muito anteriores) a superposição da visão sobre a narrativa – ou seja. do Líbano. que tem como um de seus leitmovits justamente a resistência da vivência à narração que tem como contrapartida a alegoria) . mesmo para aqueles que resistem mais amplamente à narração (um exemplo é “falling from earth”. ao manter uma tensão permanente entre o sincrônico e o diacrônico. na medida em que tende ao modo narrativo de exposição1. englobante. que afirmam um Oriente Médio e Próximo fundamentalista. Talvez. ao reintroduzir a diacronia no sistema.

ao Oriente Médio e ao Magreb. tensões entre o nível individual e coletivo. O cinema viabiliza e promove um tipo particular de “retorno do recalcado” em nível cultural e estético.3 a forma mais autorizada de aproximação e a melhor maneira de se ter uma relação diferenciada que não reduza o oriente a uma identidade estática. na medida em que permitirá discernir histórias e especificidades culturais (para além da comunidade de língua e religião. rompimentos. fechada. na medida em que favorece um processo de historicização que evita qualquer essencialismo. o Egito não é a Jordânia que não é a Síria que não é a Palestina etc). aos moldes do discurso orientalista denunciado por Said. O que nos afasta da desistoricização do mundo árabe – estratégia recorrente a partir do qual a cultura da região foi. imutáveis. totalizante e indiferenciada). tipificada para os interesses políticos e econômicos ocidentais a partir da imagem de um Oriente – e de um árabe. e de um muçulmano – eternos. e incapazes de mudança histórica. . tautológica e “orgânica” (ou seja. Um dos poderes do cinema consiste em tanto associar as histórias individuais à História com H maiúsculo quanto em indicar as fraturas. recorrentemente. Assim. o cinema nos permite um contraponto frente aos modos estereotípicos de visão adotados no mundo ocidental em relação às culturas de língua árabe.

encontro de públicos com o banal ou o radicalmente estranho. entre imagens. São em sua maioria co-produções de realizadores nascidos nos países em que os filmes foram filmados. O que nos impede de saída a miragem de um “cinema árabe” e nos aproxima do processo de mundialização do cinema nos últimos vinte anos. encontro entre o antes e o depois. Entendo o cinema como uma arte na qual o encontro e a composição são aspectos mais determinantes e visíveis do que em todas as demais artes. forças e povos. entre personagens ou indivíduos filmados ao acaso. se isso é aceitável. qual seria o viés temático que viabilizaria a aproximação e o destaque de elementos de interesse? . o cinema nos abre uma possibilidade de compreensão. mas com trajetórias que passaram por grandes centros de formação e difusão cinematográfica. Mas. Sempre me pareceu algo limitador o entendimento da obra cinematográfica que toma como ponto de partida a autoria e abstrai os numerosos tipos de encontro engendrados pelo cinema e seu caráter disposicional. entre realizadores. Gostaria de enquadrar sob esse ângulo os filmes que constituem o objeto desta fala. encontro entre sensibilidade e pensamento.4 Na falta de um acesso a fontes de informação textuais acerca do mundo árabe. entre fontes de financiamento. Encontro entre câmera e campo.

compreendido enquanto conjunto de processos a partir dos quais a possibilidade de atribuir sentidos a vivencias torna-se. instituições e costumes como focos estabilizadores e doadores de sentido. a relação com o poder. de alguma forma. Nos oito filmes que pude ver apenas este elemento pareceu-me capaz de suportar uma visão conjuntiva: a saber. barrada. pelo seqüestro. a autopercepção subjetiva marcada por vezes pela superficialidade. pela impotência. que circundam. que fornecem índices da especificidade de cada filme e seu vínculo a tendências sociais e históricas mais gerais: a guerra. Diversos são os catalizadores desta auto-incompreensão. a tensão decorrente entre novo e velho e a dificuldade em reconhecer a novidade. O que tem inúmeras ramificações: a dificuldade de tomar tradições. Aqui. a relação com os costumes. a guerra será nosso fio condutor. Uma das primeiras implicações da experiência expropriada é a incapacidade de contar histórias e a auto-percepção enquanto sujeitado por processos históricos gerais e incontroláveis. filmes que tangenciam. o exílio e a vida no estrangeiro. e outras vezes pelo fracasso.5 Tomarei como fio condutor o tema da expropriação da experiência. se não impossível. ao menos problemática. que geram tanto a resignação . a recorrência de personagens cuja autocompreensão parece. identidades fraturadas e lacunares. as contradições acumuladas nas identidades pessoais e a angústia decorrente de uma autoconsciência fraturada.

Assim.6 quanto a revolta. fragiliza os Estados como fomentadores de nacionalidade. direito. Falamos aqui de uma das mais dramáticas e multivocas formas de expropriação de experiência Os filmes programados para a sessão de hoje traduzem diferentes dimensões da expropriação da experiência implícita nas guerras contemporâneas. algo que parece transcender a esfera da compreensão humana e do enquadramento em algum tipo de sentido coletivamente articulável: um processo de desumanização radical gerador de uma espécie de transcendência negativa. Além disso. costumes). a guerra desmantela as instituições. traumatiza as vivências. em mais de um texto. Diga-se de passagem. esfacela qualquer agência social de auto-reconhecimento (sociedade. aparentemente incontroláveis e devastadoras: pequenos homens diante de incomensuráveis aparatos bélicos. aparentemente devido à disparidade entre seus legados individuais e o cerco por forças gigantescas. Walter Benjamim. a guerra tornou-se uma espécie de inexperienciável. aquilo que Benjamim indicou em . educação. afirma que os soldados que voltaram da Primeira Guerra Mundial não eram capazes de transmitir suas vivências e atribuir-lhes um sentido. Uma vivência particularmente significativa nesse sentido é a da guerra.

mas apenas uma solução provisória (não irei além deste ponto para não prejudicar a aqueles que não viram o filme). Vejamos como ela se apresenta nos filmes da sessão de hoje. belicista. Enfim: a guerra como esfaceladora da identidade pessoal. . insensível. Em Outra vez (Síria). Majd. o enigma é o da caracterização moral do personagem central. Impassível.7 relação à Primeira Guerra tornou-se uma tendência ainda mais perceptível a partir da Segunda Guerra Mundial e dos conflitos bélicos desde então. oficial de alta patente do exército sírio que. Assim. e a tentativa de reconciliação por detrás da ambígua presença Síria no Líbano. e desta forma o momento paradigmático a partir do qual podemos enquadrar Majd é a sua amnésia – conseqüência de um acidente com uma arma de fogo no período da ocupação síria no Líbano. a relativa incapacidade de convivência de Majd é diretamente vinculada ao rompimento de sua auto-narração individual. Aos poucos descobriremos os sentimentos por detrás da dureza. parece desconsiderar qualquer humanidade em suas ações. Mas os quadros gerais nos quais se movem os personagens indicam como a guerra é capaz de romper o tecido narrativo. Não teremos assim um final feliz. igualmente. aparentemente despido da capacidade de reconhecer o outro? Inicialmente somos convidados a vê-lo como uma reencarnação de seu pai.

ao mostrar numerosas vezes as discussões entre amigos de Abu Amar acerca dos diversos atores e processos sociais. Mas tal redenção será possível? Como abandonar o circuito de uma identificação que a guerra afirmou e que a . ou melhor: de uma espécie de redenção da condição anterior de mujahideen. O documentário “Reciclar”. Tudo é discutido: o sentido da jihad. Trata-se claramente de um personagem em busca de uma reciclagem. é ainda mais pungente nesse sentido. Mas a reciclagem de que fala o filme é muito mais a do personagem. da Jordânia. de uma forma admiravelmente articulada e nuançada – como poucas vezes poderemos ver em um filme feito nos Estados Unidos. falemos de Abu Amar. por exemplo. Abu Amar é um ex-mujahideen que tenta sobreviver com pequenos serviços de carreto e coleta de materiais recicláveis. políticos e bélicos que incidem sobre o Oriente Médio.8 As fraturas ocasionadas pela guerra na possibilidade de uma autoatribuição da experiência individual são ainda mais patentes nos outros dois filmes da sessão de hoje. gostaria de salientar um aspecto notável deste filme: o modo como desconstrói as figuras estereotípicas do “fundamentalista furioso” e da incapacidade de compreensão das sociedades da região em relação aos processos e dinâmicas mais gerais que os cercam. as diferentes acepções e modos de envolvimento com o islã e seu valor. a presença das potências ocidentais. Mas. Antes de passar ao tema que me interessa.

Como liberar-se de uma identidade de terrorista em potencial? A solução do personagem não deixa de ser significativa: ele tenta publicar um livro – figuração de sua tentativa de escapar da identificação redutora. existe uma nacionalidade palestina? Em diversos países do Oriente Médio aqueles que nasceram na Palestina recebem em seus vistos a aposição de uma “nacionalidade indeterminada”. uma americana. reatar as pontas de seu passado coletivo e de sua identidade individual. que pode ser concomitante com a incapacidade de um indivíduo em servir-se de seu passado pessoal ou coletivo como forma de resistência. parecem apenas circular em torno de uma condição insuperável . Ela deseja. Pois afinal. muitas vezes a expropriação da experiência é a incapacidade de liberar-se de uma identidade prefigurada e pré-determinada. ao que parece.. New York? Ou uma palestina? Mas. De toda forma.. Soraya é. Ela tenta. Ambos os aspectos podem ser vistos em “O sal desse mar”. viver na . Mas todas as iniciativas parecem levar a lugar nenhum. pouco saberemos sobre a vida da personagem antes de sua chegada à Palestina.9 atual configuração das relações entre o ocidente liderado pelos Estados Unidos tende a eternizar? Um ex-mujahideen deverá ser um atual membro da Al-qaeda. Em resumo: a guerra como fratura da identidade social do sujeito.desesperadora e irredimível permanência do estereótipo. não é assim? Eis o nó do problema. dado que nasceu no Brooklyn. para o espanto de todos que conhece.

Ao final: a guerra (e a ocupação) como formas de expropriação da experiência política do sujeito. apesar de seu passaporte americano. assim como o povo palestino de modo geral. Juntos os dois percorrerão um périplo no qual Soraya só poderá recuperar sua condição de palestina agindo contra as duras leis da ocupação israelense e confinamento palestino. Expropriada é a palavra que melhor descreve Soraya. expropriada dos signos de seu passado coletivo e mesmo da herança do avô. ainda que totalmente carregada de negatividade. Expropriada de uma nacionalidade própria. no exterior. socialmente. historicamente. Seu contraponto é Emad. em quase todos os filmes que vi a figura daquele que vive .10 Palestina. palestino cujo único desejo é estudar e viver no Canadá. E termina. não apenas nestes filmes quanto em outros que participam na Mostra. Em “O sal desse mar” outro elemento paradigmático é o exílio e a ida para o exterior. mas que tem seu visto de saída sistematicamente negado. expropriada geograficamente. ao sugerir sua condição de mulher guetizada nos EUA. Como vi os filmes com legendas em inglês. Se der: Outras formas de expropriação da experiência podem ser indicadas... uma das palavras mais recorrentes foi “abroad”. O périplo de Soraya termina por sua reafirmação da identidade palestina. No exterior. também. no aeroporto.

por parte da produção do show. O responsável pelo Teatro inicialmente oferece-lhe um apoio restrito. de grafittis pela cidade. daquele que viveu no exterior. ele questiona o uso. e sobretudo daqueles que querem viver no exterior é uma constante. Tentando realizar um show com músicos do cenário underground local. ele procura a direção do Teatro Nacional da cidade. A dureza das condições sociais produz o dilema tão comum para brasileiros de classes médias: buscar oportunidades em países com maior nível de desenvolvimento social ou tentar a sorte em uma sociedade mais desigual e opressiva? Dilema que é ainda mais agudo pelos limites impostos por sociedades muito restritivas em termos de liberdades individuais. Em uma cena magistral de Microfone todos estes elementos são dispostos de forma exemplar: Khamel. é um expatriado que volta ao Egito e busca se integrar ao circuito artístico de Alexandria. ele afirma que os artistas são socialmente transgressivos e que afrontam as instituições. Em seguida. Ao ponto de ser satirizada em uma das canções que ouvimos em “Microfone”: aqueles que viajam para obter um PHD em venda de cachorro-quente. Interpelado por Khamel. Mas. quando Khamel responde afirmando que a cidade está infestada de cartazes da eleição recente. o personagem principal.11 no exterior (normalmente. nos EUA ou na Europa – o Canadá parece ser hoje um destino atraente). o . na confecção de cartazes do show. Mas depois nega até mesmo isso.

Aqui. Nestas culturas a relação com a experiência pode ser entendida a partir da figura do pária. pode-se dizer tudo o que quiser. -uma especificidade dos filmes assistidos: é curioso reparar como as cinematografias terceiro-mundistas de modo geral são capazes de conferir um sentido mais agudo à expropriação da experiência do que o cinema dos países da Europa ocidental e dos EUA. o que é expropriado é a possibilidade de colocar em circulação significações coletivamente compartilhadas. Creio que esta percepção é mais arraigada nas classes médias de sociedades que vivenciam de forma mais dramática e tensa o conflito entre narrativas possíveis e englobantes – países cuja relação com os processos da modernidade é mais ambígua e multívoca. Ou seja... contanto que não se diga. de . de modo a insumar uma experiência coletiva... daquele que foi expulso de uma narrativa. será definitiva a expropriação da experiência? Estamos todos condenados a uma incapacidade congênita de contar nossa própria história? Obras e cinematografias diferentes apresentarão posições diferentes frente a esta pergunta. neste caso o que está em questão é a liberdade de expressão.. Mas. crucial para uma sociedade democrática.12 responsável pelo Teatro diz: mas ora..

por assim dizer. mas que corresponda a eles. Se o cinema apresenta a crise da experiência e assim a problematiza. Não que nos dê respostas mas que nos permita posicionamentos. e a apresentação de personagens que. que conceitue) a tais questionamentos. tipificadoras da personagem. não devemos esperar dele que responda (ou seja. comprometimentos: devemos esperar do cinema mais em termos éticos e menos em termos de . Em um texto de 1991 Fredric Jameson sugere justamente como a cultura produzida no terceiro mundo é parece mais familiarizada com o estranhamento. exibe-se uma intensidade na expropriação sem paralelo. parece apresentar um sentido mais dramático para a perda da experiência.13 uma história e das condições de acesso a conteúdos transmissíveis – á experiência. Já o cinema dos países nos quais a modernidade fez uma passagem triunfante e menos problematizada (não menos problemática. faça juz a eles. quero dizer) podem-se perceber duas direções: a simples manutenção das formas clássicas. Mas. nesta pequena mostra de filmes falados em árabe que pude assistir. surfam sobre a superfície das identidades e se acomodam em diversas narrativas – se relacionam com a experiência de uma forma que poderíamos chamar de turística.

as identidades de todos os personagens parecem ser parciais e submetidas a constantes voltas cujo enquadramento é dado não só pelos segredos mas por um contraste mais sutil entre tradição e novidade. Papel perfeitamente cumprido pelos oito filmes que tive a oportunidade de ver desta mostra. tornando impossível um desfecho conciliatório no qual um dos pólos teria a supremacia e englobaria o outro). sem que esses mundos sejam apresentados no filme como dispondo de alguma superioridade no único terreno em que eles podem ser comparados ali: o terreno moral (os dois universos são igualmente desqualificados deste ponto de vista.refém das mulheres que ocupam a casa abandonada e que é incapaz ao final de definir sua identidade diante dos dois pólos opostos representados por sua origem classe média e ocidentalizada e sua condição feminina que lhe faculta a .14 conhecimento. Se precisar: Em Segredos Enterrados (Tunísia). e entre um mundo racionalmente orientado (o das classes altas ocidentalizadas) e um mundo obscuro e semiracional centrado em regras de conduta desprovidas de conteúdo. A incompatibilidade dos dois mundos é demonstrada pela personagem Salma.

Duplicidade e lacuna em relação à feminilidade reaparecem em “Que mundo maravilhoso” (Marrocos) a partir dos constantes deslocamentos identitários vividos pelos personagens.15 aproximação com o pólo arcaizante. É a sua condição intermediária entre os dois pólos que deflagra as tensões e a impossibilidade de que as lacunas (os inumeráveis segredos carregados pelas mulheres que habitam a casa) sejam colmatadas. numa permanente cisão entre o “é” de uma realidade dura e perigosa e o dever-ser das aspirações e projetos. . Aqui a duplicidade é menos um objeto do que uma condição: a daqueles que são obrigados pela pobreza a viver vidas duplicadas e excêntricas. e em especial pela personagem Kenza. aparentemente inconciliáveis.