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Descentralização para Desenvolvimento : O caso de Goa pós-colonial http://www.youtube.

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Cena do primeiro filme em língua Concani «Nirmonn» (destino)

Panchayati Raj em Goa
Teotónio R. de Souza Conferência no Colóquio “Economia Social e Solidária” ULHT, 1 de Junho de 2011

O pôr do sol visto da Capela da Senhora do Monte na Velha Goa

(imagem do filme – The Other – de Francisco Veres Machado)

Em 24 horas tinha sido substituída a bandeira nacional em Goa. A operação militar foi comandada ( em todos os 3 ramos das forças armadas) por 7 goeses, incluindo somente 1 hindu, e todos eles lusófonos, para além das competências militares! O governo militar foi substituído por administração civil após 6 meses e uma modificação (Nº 12) à Constituição da República em 1962 criou o estatuto de território da União para Goa.

Operação Vijay 18-19 de Dezembro 1961

Foram nomeados pelo Primeiro Ministro J. Nehru dois médicos goeses, Dr. Pundalik Gaitonde para representar o norte de Goa, e Dr. António Colaço para representar o sul de Goa no Parlamento indiano.

Os primeiros passos democráticos

62% dos goeses votaram nas primeiras eleições livres para os primeiros gram panchayats em Outubro de 1962. Logo a seguir e no mesmo ano uma nova modificação (XIV) à Constituição aprovou a criação da Assembleia Legislativa com 30 deputados eleitos.

A base democrática

A politica de governação local teve lenta evolução na Índia independente. Durante as primeiras décadas as prioridades do governo da União eram a segurança nacional e criação de grandes infra-estruturas da indústria. Só nos anos 90 começa a legislação em favor de consolidação de Panchayati Raj como política de descentralização para melhor desenvolvimento e resolução de conflitos sociais.

A evolução da política de descentralização – anos 90

Foram na base comunal / religiosa entre dois partidos locais. Ganhou o partido MGP predominantemente hindu e de castas baixas. Obteve 16 assentos. O partido maioritariamente católico UG ganhou 12 assentos. Perdeu o partido nacional Congresso que governava a Índia e tinha proposto uma maioria de candidatos brâmanes hindus.

Eleições para a 1ª Assembleia do Governo em 1963

O partido MGP ganhara as eleições com a promessa de integração de Goa no estado vizinho de Maharashtra. A Oposição dominada pelo partido UG (United Goans) de maioria católica propôs Opinion Poll . Ganhou com apoio dos bramanes hindus . Votaram 172,191 contra integração e 138,170 em favor.

Referendo Opinion Poll - 1967

O referendo reforçou a política de nãosectarismo religioso e a identidade de Goa na base da língua Konkani. Em 1977 Goa entra na política nacional com vitória do partido Congress e torna possível a autonomia de Goa como Estado federal em 30 de Maio de 1987 com Assembleia de 40 deputados.

Politica de coligação

Os militantes da base são a espinha dorsal de qualquer partido político, e estes surgem das localidades. Para além do comité central, o partido deve ter os comités de panchayats, mulheres, jovens, e urnas eleitorais – comentava Raut do partido MGP (Maharashtravadi Gomantak Party)

A base local dos partidos políticos

Enquanto Goa teve 3 ministros–chefes entre 1963-1989, teve 6 só em 1990 , dois deles demitidos com acusações de corrupção. O governo passou a ter 14 ministros, 1 por cada 50,000 eleitores.

Instabilidade governativa

A participação nas eleições de 1994 subiu de 68.7 % para 70 %. Os eleitores pedem mais desenvolvimento local e menos enriquecimento pessoal dos ministros e políticos em poder. A nova tendência é de eleger deputados independentes e responsáveis aos eleitores.

Menos corrupção, mais desenvolvimento

O decreto-lei de 1994 transferiu a jurisdição de Panchayati Raj para um novo Departamento (Directorate), retirando-a às autoridades fiscais (Collectors) como até então. http://www.goa.gov.in/departments/panch ayats.html http://www.panchayat.gov.in/

Departamento de Panchyati Raj

Goa está dividida em Norte com 6 BDs e Sul com 5 BDs. Cada BD tem um chefe (BDO=Block Development Officer) com sua equipa administrativa. Todos os BDOs reportam-se ao Director de PR

Zonas / Blocos de Desenvolvimento BD (Block Development)

Zona Norte e Zona Sul tem cada uma a sua assembleia ou Zilla Parishad
Zilla Parishad do Norte com 30 membros eleitos Zilla Parishad do Sul com 20 membros eleitos

Zilla Parishad em cada Zona

Mais autonomia para governação local
Quem exerce influência nas localidades?

Poderes e Funções de Panchyats

Resultado do desenvolvimento local e controlo dos políticos: De 30% de alfabetismo em 1961 Goa atingiu 76 % em 2001 e 87% em 2011, incl. 92.1% masc. e 81.84 fem. Goa tem 50% de economia de serviços especialmente na áreas associadas ao turismo: transportes, alojamento, restauração. Só 24 % da população dedica-se à agricultura, comparado com 60 % no período colonial. Mas a produção agrícola aumentou de 50,000 toneladas para 200,000 toneladas com melhoria de irrigação e semente.

190 panchayats das freguesias [Gram /Village Panchayats]

Soter D’Souza foi membro de Gram Panchayat da freguesia de Socorro na provincia de Bardez no norte de Goa e descreve em 2 entrevistas com o jornalista Frederick Noronha a sua experiência e os desafios do sistema Panchayati Raj: http://youtu.be/93QWYwIeCaI Part 1 http://youtu.be/Mk9FfnePi7M Part 2

Os melhores ideiais têm os seus desafios e problemas de funcionamento

A coordenação das Instituições de Panchayati Raj é feita pelo Governo da União através do Ministry of Panchayati Raj criado em Maio de 2004. Protocolos de cooperação têm sido assinados com os países vizinhos, mas também com Noruega. Um portal digital do Ministério e-Panchayat permite o planeamento e fiscalização electrónicos de todas as PRI da Índia, em todos os Estados.

Ministério Federal de PRI

Faleiro, V., Patriotism in Action: Goans in India’s Defence Services, Goa 1556, 2010. Fernandes, Aureliano, “Local Power in Colonial and Contemporary Goa” Lusotopie XV (2), 151-173 Narayan, R. & D’Cruz, Sharon, Triumph of Secularism,: Battle of the Opinion Poll in Goa, Vasco da Gama, Goa Publications, 2011. Rubinoff, A., The construction of a political community, Delhi, Sage Publications, 1998.

Referências bibliográficas