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Encontro Nacional BETÃO ESTRUTURAL - BE2012 FEUP, 24-26 de outubro de 2012

Integração da Metodologia BIM na Engenharia de Estruturas

José Carlos Lino1
RESUMO

Miguel Azenha2

Paulo Lourenço3

O building information modelling (BIM) é atualmente reconhecido como um importante desenvolvimento na indústria da arquitetura, engenharia e construção, estando conotado com uma mudança de paradigma no processo de execução dos projetos das diferentes especialidades. No atual contexto nacional, já se podem encontrar casos práticos de aplicação desta metodologia em gabinetes de projeto, no entanto, alguns entraves têm contribuído para uma lenta adoção destes novos procedimentos de modo generalizado. É porém consensual que cada vez mais profissionais na área da construção necessitarão de adquirir conhecimentos e competências para colaborar e comunicar através das ferramentas BIM, o que necessariamente englobará o processo educativo e a formação dos engenheiros civis. Apresentam-se neste artigo alguns exemplos práticos de aplicação do BIM em projeto de estruturas, bem como uma experiência de ensino na Universidade do Minho, onde se integrou esta metodologia na transmissão de conhecimentos de betão armado. Palavras-chave: Building information modelling (BIM); Projeto de estruturas; Ensino de engenharia

1. INTRODUÇÃO Atualmente, a indústria da arquitetura, engenharia e construção (AEC), está perante mudanças e desafios relevantes, quer tecnológicos, quer institucionais, onde se inclui a proliferação da informação, a necessidade de aplicação apropriada de práticas sustentáveis, as preocupações energéticas globais, a melhoria da produtividade, nomeadamente através de práticas LEAN, entre outras [1]. Esta indústria, usualmente tradicional e avessa à mudança, está progressivamente a optar por soluções de automatização e modernização. Os engenheiros e os arquitetos do século XXI têm que saber lidar com esta rápida mudança tecnológica, partilhando informação e promovendo a comunicação interdisciplinar. O BIM é uma das tendências emergentes que vem introduzir novas metodologias na elaboração do projeto de estruturas e na produção da sua documentação, através da construção virtual do edifício

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NEWTON - Consultores de Engenharia, Porto. jclino@newton.pt; jclino@civil.uminho.pt ISISE, Univ. do Minho, Escola de Engenharia, Dep. de Engenharia Civil, Guimarães. miguel.azenha@civil.uminho.pt 3 ISISE, Univ. do Minho, Escola de Engenharia, Dep. de Engenharia Civil, Guimarães. pbl@civil.uminho.pt

tendo mudado o tipo de documentação de base utilizada na construção. A introdução pelo BIM de modelos 3D paramétricos tem oferecido várias vantagens sobre as abordagens 2D tradicionais [4]. nomeadamente entre a arquitetura. especificamente no âmbito da unidade curricular “Estruturas de Betão I”. não-estruturais e geotécnicos) [1]. construção. Igualmente importantes são a capacidade para guardar informação paramétrica com relações entre os diversos elementos bem como o apoio aos fluxos de trabalho funcionais entre as diversas atividades do processo construtivo. a qual possibilita a rigorosa transmissão da informação de engenharia sem a necessidade de desenhos detalhados [3]. plantas e pormenores de forma consistente. Neste trabalho é apresentado o contributo que a Universidade do Minho tem dado nesse sentido. dadas as suas características. Esse modelo de informação digital além de conter dados sobre as características geométricas dos elementos que compõem o edifício. para produzir. essencialmente. facilmente se conseguem detetar incompatibilidades e conflitos entre os diversos elementos que compõe cada uma das especialidades tornando explícita a interdependência que existe entre as estruturas. num formato digital. alçados. manutenção. a arquitetura. processos e tecnologias interrelacionados. 1a). acessível através de software e que permite a construção virtual desse mesmo edifício. 1b). sejam elas propriedades mecânicas. ao longo da vida do edifício. como por exemplo catálogos de fabricantes e ainda introduz de 2 . análises estruturais ou análises de eficiência energética (ver Fig. Foi avaliado o impacto desta ação junto dos alunos através da realização de um inquérito. muito genericamente. no âmbito da atividade de projetista de fundações e estruturas do primeiro autor. as especialidades. O modelo digital virtual permite a produção e atualização de cortes. transformando-a de um tipo de documentos apenas legível por humanos (desenhos) para novas representações de dados que passaram a ser interpretáveis pelos computadores [5]. durante as fases do ciclo de vida de um edifício (projeto. O CONCEITO BIM O BIM pode. Tendo em conta a reconhecida importância das Universidades na formação dos futuros engenheiros. foram identificados conceitos programáticos cuja apresentação pode ser apoiada com recurso a modelos BIM. também inclui as suas propriedades e atributos. numa metodologia de partilha da informação entre todos os intervenientes. sejam o prazo ou o custo da construção. possibilitando a extração automática de listas de quantidades de materiais e permitindo uma larga gama de atividades analíticas tais como: verificação de normas e regulamentos. onde se transmitiram exemplos de aplicação à engenharia de estruturas dos conceitos estudados através de modelos BIM. desejavelmente detendo competências em técnicas emergentes como o BIM. O BIM sistematiza assim. os construtores e os donos de obra. O modelo digital virtual contém também uma série de informações relativas a outros dados.Integração da Metodologia BIM na Engenharia de Estruturas num modelo digital que apoia os arquitetos. 2. definir-se como uma tecnologia de modelação e um conjunto de processos associados. enquadrando-os com os aspetos mais consolidados do atual estado de desenvolvimento tecnológico da metodologia BIM. mas não deixando de referir também os principais entraves à sua completa implementação. comunicar e analisar modelos de uma construção (edifícios e outras obras de engenharia civil. Além disso. desconstrução) (ver Fig. as instalações elétricas ou as instalações mecânicas e hidráulicas. tendo os alunos sido incentivados a proceder à sua experimentação virtual. No atual estado de desenvolvimento e divulgação da metodologia BIM é premente a necessidade de profissionais com competências adequadas à sua aplicação prática [3]. um conjunto de políticas. apresentando-se aqui as principais conclusões. incluindo elementos estruturais. e proporciona uma metodologia para gerir o projeto do edifício e os seus dados. materializando-se na existência de um modelo digital tridimensional. São apresentados nesta comunicação alguns casos de aplicação prática deste conceito. O conceito BIM assenta. integrando tecnologicamente todos os projetistas. os engenheiros e os construtores a melhor projetarem e a melhor planearem a sua construção e operação [2].

No entanto é muito importante que o desenvolvimento teórico do BIM continue a ser estimulado pois. a normalização do modelo do produto. Já vários países assumiram o BIM nos seus quadros legislativos. construção. aproveitando a “nuvem”. mais tarde. sendo que em alguns deles esta metodologia é mesmo obrigatória para obras públicas de elevado valor [8]. b) Aplicação da abordagem BIM ao projeto [5]. o custo (5D) [6]. No caso do formato de dados para transferência de informação de objetos 3D. tão importante quanto o software de modelação BIM que escolher. uma quarta dimensão. que tende a ser uma norma de aceitação universal para a troca de dados de modelos de edifícios e que inclui a geometria. Azenha e Lourenço forma integrada e evolutiva no projeto. tem limitações. aos organismos do estado e às universidades. dados dos produtos). será a sua capacidade para comunicar. em Portugal. Figura 1. no entanto. estará. não existe nenhuma legislação nem orientação sobre o BIM. o tempo (4D) e o planeamento de obra. tais como a representação de geometrias complexas [5]. Vários pacotes de software optam por integrar estas valências (modelação BIM + análise estrutural) enquanto outros pacotes apostam em protocolar plataformas mais integradoras de comunicação que abrangem também o planeamento dos custos e mesmo o planeamento da manutenção [5]. do modo mais transparente possível. de quem inicia um primeiro contacto com este conceito e talvez a par com a intuição redutora de associar o BIM apenas a um visualizador 3D. O conceito teórico do BIM só adquire efetivamente tangibilidade quando é interpretado através de softwares que corporizam estas metodologias e as integram com os mais recentes desenvolvimentos na área das tecnologias de informação. 3 . com o software de análise estrutural e dimensionamento que utiliza. já se podem encontrar várias iniciativas transversais às empresas. a ideia de o confundir com um software. usada para representar informação de edifícios. de que é exemplo o conceito de service oriented architecture (SOA) [9]. Para o projetista de estruturas.a) BIM presente em todo o ciclo de vida do edifício Autodesk [7]). em particular nos serviços de comunicação e colaboração globais. são naturalmente exploradas do ponto de vista tecnológico. No entanto. torna essencial a agilização da troca de dados entre sistemas diferentes e a correta transmissão de informação. a estrutura do objeto e atributos de material e de desempenho. e uma quinta dimensão. A colaboração e partilha entre os diversos intervenientes no processo. porventura.Lino. esta estandardização. na sua tentativa de ser o mais abrangente possível (projeto. é feita através do formato aberto designado por Industry Foundation Classes (IFC) desenvolvido pela organização BuildingSMART [8]. Atualmente. pelo que se torna crucial a contínua promoção do estudo e desenvolvimento de linhas de investigação que identifiquem a troca de informações entre os fluxos de trabalho do projeto de edifícios e especifiquem os seus conteúdos e o seu nível de detalhe [8]. que procuram estudar boas práticas que possam vir a servir de orientação inicial para a implementação do BIM. Entre os habituais equívocos de perceção. é através de linhas de investigação e estudo que se podem traçar novos rumos e novas abordagens que.

com custos adicionais de aprendizagem inicial. naturalmente. passará por uma contratualização que. responsabilização e confiança. Entre outros aspetos destacam-se os seguintes: . . Assim. o âmbito possível de uma das maiores potencialidades do BIM que é a interação colaborativa. são as questões centradas nas pessoas e nas organizações as que colocam os maiores desafios à implementação do BIM uma vez que a mudança de procedimentos e fluxos de comunicação.Responsabilização/autoridade: a necessidade de definir explicitamente novos modos de comunicar e partilhar o modelo entre os diversos projetistas e entre estes e o construtor. que se exige mais investimento pessoal.1 Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões Este projeto de arquitetura estrutural (ver Fig. sem comprometer os direitos de autor e a responsabilização de cada interveniente. . Ilustra-se de seguida a constatação prática e concreta de alguns dos aspetos referidos. Lda. 4 . Terminal de Cruzeiros de Leixões: a) visualização da estrutura sem as lâminas envolventes.Envolvimento da equipa: ainda é escassa. para comunicação visual de soluções. pelos investigadores e pelas organizações. talvez seja na alteração de conceitos e no novo modo de olhar para o modelo. 3. 2). IMPLEMENTAÇÃO PRÁTICA Existe um conjunto de barreiras e limitações que estão a inibir a adoção rápida do BIM na prática profissional. Figura 2. a proliferação desta metodologia entre equipas que conseguem o envolvimento de todos os projetistas. b) Visualização tridimensional. Muitas condicionantes são de natureza técnica e têm sido gradualmente abordadas pelos produtores de software. baseada na confiança e delegação. no nosso país. .Curva de aprendizagem lenta: além da natural complexidade do software e das múltiplas opções que este apresenta. a qual permite lidar com alterações e com incompatibilidades entre especialidades de modo imediato. 3.Investimento: a necessidade de um investimento inicial com a aquisição de um novo software bem como com a sua amortização.Integração da Metodologia BIM na Engenharia de Estruturas como sejam o BIMFORUM Portugal ou o grupo de trabalho da Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção. não é facilmente alterável [6]. desde as primeiras fases conceptuais.Interoperabilidade: caso seja necessária a comunicação entre entidades que usam diferentes plataformas tecnológicas. ao se reduzir logo à partida. No entanto. a exportação/importação entre sistemas ainda não é isenta de falhas. englobou o BIM como ferramenta preferencial de transmissão de informação. através de uma breve apresentação de projetos de estruturas modelados em BIM e realizados no gabinete NEWTON Consultores de Engenharia. . a contribuir para a redução da sua relevância e do retorno do investimento. está-se. quer com o dono de obra. quer entre projetista de estruturas e projetista de arquitetura. permita a partilha.

ETAR do Ave: interação colaborativa entre o projeto do processo de tratamento e o projeto de fundações e estruturas. 3. elementos de grande dimensão e com dupla curvatura. relacionou-se com a medição exata das lâminas. como as implicações da alteração das espessuras das paredes e lajes dos reservatórios nos cálculos do processo ou na exata localização e dimensionamento dos atravessamentos de tubagens. Foi possível a partilha do modelo. modelando-a em elementos identificáveis para a análise estrutural. a comunicação com o software de análise estrutural adotado (ROBOT). ao longo dos últimos anos. exigiu uma redefinição dessa envolvente. Em consequência disso. O detalhe e os critérios definidos pelos projetistas para a elaboração do modelo.Lino. na altura em que foi iniciada a primeira fase do projeto. Figura 3. foi antecipadamente verificada e ultrapassada. essa limitação de comunicação entre softwares revelou-se talvez a principal debilidade neste processo. tem sofrido uma evolução significativa. A estrutura em si.2 ETAR do Ave No projeto da empreitada da ETAR do Ave (ver Fig. Foi particularmente importante a eficácia da análise das implicações provocadas pela atualização de espessuras e soluções estruturais no projeto base. Azenha e Lourenço A elevada complexidade das formas da envolvente. A outra grande vantagem apresentada por esta metodologia. para que estas fossem ao encontro das necessidades conjuntas dos projetistas. com uma redistribuição complexa de esforços entre os diversos elementos estruturais. permitiram o fácil entendimento e a integração do projeto no seu todo. só foi possível de calcular e analisar com todas as suas particularidades realizando uma modelação completa. O tipo de objetos e famílias associadas a estas formas menos regulares. a qual permitiu otimizar as soluções de fixação de equipamentos e definir a sua implantação. 3). foi aplicada com sucesso a metodologia BIM para colaboração entre o projeto de processo de tratamento e o projeto de fundações e estruturas. desenvolvido pela equipa de projeto de processo. levantou bastantes dificuldades à sua importação direta pelo software BIM de modelação estrutural (REVIT Structure). A fácil e dinâmica deteção de problemas e interferências entre os dois projetos. 5 . idealizada pela equipa de arquitetura. otimizando dinamicamente as soluções preconizadas. altamente hiperestática. cuja quantificação também teria sido mais difícil através de outra tecnologia. No entanto.

4). 3. A NETWON optou por assumir a realização dos seus projetos.3 INESC II Neste projeto (ver Fig. também possibilitou a inclusão. INESC II: a) Visualização das fundações. amplos desenvolvimentos por parte dos produtores de software que buscam a sua inclusão mais automatizada no BIM. por vezes. ultimamente. A dinâmica da partilha do modelo permitiu poupar tempo na elaboração das peças desenhadas do projeto mas também rentabilizar o tempo despendido no projeto. tendo-se verificado que a equipa de projeto alterou a tecnologia preferencial para a produção destes documentos. quaisquer que sejam os formatos em que estas sejam disponibilizadas. passando a mesma para o BIM e sendo o CAD encarado como complementar e. cortes. essencialmente. do faseamento construtivo. Foi assim possível. no modelo. destaca-se o facto de. que continua a estar muito conotada com o CAD 2D. alçados e pormenores selecionados. mesmo que. ao longo do tempo.Integração da Metodologia BIM na Engenharia de Estruturas A utilização deste modelo em BIM além de facilitar a análise e validação das soluções através da visualização tridimensional e de permitir a rápida extração de detalhes construtivos. a modelação é realizada sobre as bases de trabalho fornecidas (ver Fig. a pormenorização das peças em betão armado e pré-esforçado. 5). mas também o construtor e o cliente final. A automatização das principais peças desenhadas não significa que se tenha abandonado o desenho em CAD 2D. maioritariamente. em BIM. Em particular. tem merecido. desde logo. Figura 4. facilitando o entendimento pelo empreiteiro e um apurado controlo das quantidades de betão a encomendar. destaca-se a facilidade de produção das peças documentais do processo. tornando a sua utilização mais prática e a expressão do seu detalhamento mais adequada ao nosso mercado. beneficiando não só o projetista. a equipa de projetistas de estruturas ser o único interveniente a utilizar o BIM. Nestes casos. que em muito contribuiu para assegurar o cumprimento de prazos curtos. através da extração automática de plantas. 6 . 3. b) Extração automática de corte pela caixa de escadas.3 Construção em Afife Além dos vários aspetos referidos a propósito dos exemplos anteriores. a qual possibilita. a visualização 3D de cada uma das fases. para o detalhe. a contabilização dos volumes de escavação e a interação com os arranjos exteriores. Outro aspeto que começa a ser cada vez mais corrente nas fases iniciais do projeto é a importação automática do modelo da topografia do terreno. a arquitetura ou as restantes especialidades estejam a trabalhar de modo mais convencional.

bem como as especificações e a comunicação [10]. FORMAÇÃO E PROCESSO EDUCATIVO No contexto da indústria AEC. b) Modelo tridimensional em alvenaria estrutural. estruturas. através de unidades curriculares de modelação ou desenho. etc. análise de sustentabilidade. para uma aprendizagem em equipa. Azenha e Lourenço Figura 5. A formação de engenheiros tem vindo a alterar-se de uma posição tradicional. seja explicitamente. para visualização fora do ambiente da sala de aula. cada vez mais empresas necessitarão de técnicos com conhecimentos e competências para colaborar e comunicar através das tecnologias BIM 3D/4D/5D. a) Construção do modelo sobre uma arquitetura 2D. A compreensão natural da importância do BIM e o investimento necessário para a sua aprendizagem inicial. aos alunos de Estruturas de Betão II. mesmo em países com já longo registo nesta tecnologia [3. em paralelo ou mesmo independentemente das tecnologias mais tradicionais de CAD [10]. Na Universidade do Minho deu-se continuidade a uma experiência piloto realizada em 2010. em formato IFC. nomeadamente na temática específica de estruturas de betão armado [11]. A falta de pessoal com competências BIM é apontada como um dos maiores entraves à sua divulgação geral. gestão e planeamento da construção. com modelos em que os alunos podem ir explorando e testando os conhecimentos específicos de cada temática (arquitetura. com o apoio do BIM. baseada num currículo em que se privilegiava a transmissão de teoria. ainda tardam em substituir os processos de desenho tradicional e CAD pelo BIM [3]. 10]. O BIM deverá ser introduzido nos cursos de engenharia civil como uma evolução natural das ferramentas de visualização e comunicação. distinguindose da abordagem já comunicada em [11] em dois aspetos fundamentais que se detalham de seguida. modelos de partes de estruturas de betão armado. tendo um deles (viga com pré-esforço) sido disponibilizado. terá que emergir dos alunos. de transmissão de conhecimentos relativos a estruturas de betão armado. Outros cursos de engenharia civil optam por associar esta temática a uma cadeira de opção do último ano ou até a cursos de pós-graduação. Nessa data foram apresentados. através do apoio continuado a todas as unidades curriculares ao longo do curso. constatando-se que esta tecnologia se pode revelar de grande utilidade na transmissão do conhecimento. que incluem a aplicação prática. O conceito de aplicação de BIM na transmissão de conhecimento foi posteriormente alargado à unidade curricular de Estruturas de Betão I. Diversos estudos têm sido realizados a avaliar a oportunidade de ensino desta nova tecnologia nos cursos de engenharia civil e a incentivar o seu uso. 7 . Na engenharia mecânica e projeto industrial. orientada para a resolução de problemas com múltiplas soluções. seja implicitamente. hidráulica.). 4. apesar de diversas alterações curriculares recentes. dando ao BIM uma conotação de tópico complexo ou sofisticado [3].Lino. Muitos cursos de engenharia civil. a modelação paramétrica de sólidos já substituiu a abordagem clássica ao desenho técnico e já se reduziu o conteúdo programático da geometria descritiva [3]. claro que. devidamente enquadrados e motivados pelos docentes. medições e orçamentos.

emulando tomografias em tempo real ao longo da estrutura. b) Corte dinâmico. procedeu-se à modelação. numa fase em que. A disponibilização do modelo BIM em simultâneo com a apresentação do seu desenho tradicional. b e c. quer do ponto de vista da sua perceção das vantagens do uso de BIM. com utilização pouco amigável. da dificuldade de grande parte dos alunos lidarem com os softwares de visualização BIM. . em BIM. os alunos são. que se resolveu explorar no âmbito desta iniciativa. para a qual os alunos dispõem de justificação detalhada de cálculo e disposições construtivas. com alçados longitudinais e cortes. em betão armado. informação didática para mais fácil apreensão pelo aluno. em anos letivos anteriores. Tekla BIMSight: a) Corte dinâmico. nomeadamente: . quer através da ativação/desativação de partes do modelo – Fig. O segundo aspeto de diferenciação prendeu-se com a constatação. . 6a e 6b. poderá apresentar-se como uma mais-valia.Integração da Metodologia BIM na Engenharia de Estruturas Em primeiro lugar. Tal aspeto relacionava-se. b) Vista do modelo BIM com armaduras coloridas. 8 . essencialmente. quer do ponto de vista da compreensão da forma de operação. e navegá-las de forma interativa. este novo visualizador permitiu melhorar aspetos formativos relativamente à abordagem anterior. d) Notas comentadas no ambiente BIM. 7d. Figura 6. Além de ser mais fácil de utilizar do que os visualizadores anteriormente adotados. Com esta abordagem é possível que o aluno de forma interativa possa selecionar imagens previamente preparadas para realçar aspetos formativos. incluindo no modelo.Gravação prévia de vistas que permitem realçar alguma zona ou detalhe quer através do ângulo de visão.Distribuição de notas com comentários em partes do modelo. com a necessidade de recorrer a softwares gratuitos. 6c. c) Corte dinâmico. quer da sua usabilidade [11]. quer do ponto de vista pedagógico. ao invés de produzir vários exemplos avulsos ilustrativos da pormenorização construtiva. com três tramos. Foi recentemente lançado um visualizador gratuito com capacidades alargadas por parte da Tekla. Figura 7.Detalhe da armadura no modelo com colorações específicas de alguns varões – Fig. que combinadas com as vistas gravadas permitem aumentar a qualidade da transmissão de conteúdos – Fig. c) Vista gravada. do exemplo contido nos apontamentos da unidade curricular (exercícios resolvidos [12]). Tekla BIMSight: a) Vista do modelo BIM com armaduras coloridas. confrontados com a importância da pormenorização em betão armado.Cortes dinâmicos. disponíveis gratuitamente. . denominado Tekla BimSight. que permitem transmitir os detalhes de supressão de armaduras e a sua montagem – Figs 7a. relativo ao dimensionamento completo de uma viga contínua. pela primeira vez.

neste caso do dimensionamento de betão armado (ver Fig. por exemplo. as inerentes ao investimento e à curva de aprendizagem. ao diferente estado de maturidades em que se encontram os diversos intervenientes num projeto e também à complexificação da modelação estrutural de formas menos correntes. A implementação prática desta metodologia junto dos projetistas de estruturas começa a ser evidente. na promoção do seu uso. que eleva o trabalho colaborativo. Retira-se a ilação de que apesar de este visualizador ser bastante mais amigável do que versões anteriores. seja no que diz respeito à melhoria da sua compreensão das matérias em causa. entre outras. e foi também disponibilizado para visualização durante o período de estudo. 8b). de forma implícita. 8c). O BIM deixou de ser encarado como apenas uma mera mudança tecnológica e de software para passar também a uma mudança de procedimentos. b) e c) Resultados parciais do inquérito aos alunos de Estruturas de Betão I. Azenha e Lourenço O modelo BIM foi apresentado aos alunos durante uma aula teórica. 9 . poderá ainda tornar-se mais alargada. 8a). Foi elaborado um inquérito sobre estas experiências e sobre a sua integração na unidade curricular. aos direitos de propriedade e de responsabilização pelo modelo. 5. poderá ser útil dedicar algum tempo à formação específica sobre a utilização propriamente dita do mesmo. efetua-se uma análise breve das principais ilações. para além de orientar os alunos na exploração do modelo tridimensional. Figura 8. Em primeiro lugar.Lino. Esta percentagem reduziu-se para 65% quando questionados sobre se a sua própria experiência pessoal de manipulação do modelo também teria contribuído para o aumento dessa compreensão. no âmbito pedagógico. Com base nas respostas dos 65 alunos que assistiram à aula em que o modelo foi apresentado e realizaram a experimentação virtual do mesmo. confirmou-se a perceção generalizada de que se trata de uma matéria muito relevante para a prática profissional (96% consideram relevante ou muito relevante numa escala de 5 opções) bem como para reduzir os erros na obra (93% consideram relevante ou muito relevante) (ver Fig. a qual irá impelir as entidades promotoras do ensino e da formação profissional de engenheiros civis a iniciar a sua inclusão explícita nos currículos e bases programáticas ou. fora do horário letivo. 93% concordaram e concordaram totalmente (também numa escala de 5 opções) que a apresentação BIM ajudou a aumentar a sua compreensão. de instrumento de avaliação através de questões colocadas numa vista do modelo ou numa nota comentada. para um novo patamar. minimizando o tempo de aprendizagem individual por parte dos alunos. integrando as tecnologias de informação. nomeadamente. A exploração das novas potencialidades dos visualizadores BIM. que foi distribuído aos alunos tendo sido recolhidas as suas opiniões em relação à eficácia desta ação. a comunicação das atividades de engenharia e arquitetura entre os diversos intervenientes e processos que se desenrolam ao longo do ciclo de vida de um edifício. Começa a sentir-se a necessidade de adquirir competências a nível profissional. veio receber um novo incentivo com as potencialidades do BIM. seja à sua perceção da pertinência da temática BIM. Em relação ao aumento da compreensão deste conteúdo. CONCLUSÕES De um modo irrevogável. em horário não presencial. Um primeiro aspeto relevante a destacar dos resultados dos inquéritos é o desconhecimento generalizado do conceito BIM dado que apenas 12% revelaram já conhecer o BIM (ver Fig. tendo ainda que lidar com dificuldades. transmitindo mais informação para além da informação visual. a). ao servir.

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