LÁGRIMAS DE PORTUGAL

1- O SEGREDO 2-O CULTO DO ESPIRITO SANTO 3-PORQUÊ, PORTUGAL?

Pesquisadores ilustres, como René Guenón e Julios Evola, omitiram nas suas obras o passado do Portugal Templário. Há na Europa uma conspiração de silêncio. Atienza, mesmo aqui ao lado, parece ignorar factos que não pode ignorar. O tempo e a história iludem-nos. Por seis séculos, foi preciso guardar o segredo. Mas os ciclos começam, e acabam, sem que deles conheçamos a perfeita exactitude. Cumprem-se agora. Não nos mostra isso, o mundo? Pé ante pé, o Naros levanta a manta e, os segredos… espreitam. Cai a Grécia, cairá Roma, veremos de novo a Luz Citânea.

Todos os homens, que são pessoas dotadas de razão e de vontade livre e por isso mesmo com responsabilidade pessoal, são levados pela própria natureza e também moralmente a procurar a verdade. (Concílio Vaticano II, Dignitatis Humanae, 2) De vez em quando os homens tropeçam na verdade, mas a maioria deles levanta-se rapidamente e continua o seu caminho como se nada tivesse acontecido. (Winston Churchill)

As verdades só são verdades, porque disse alguém que era verdade. E quando são muitos a acreditar nessa verdade, torna-se incontestável. Inevitavelmente os que a contestam, à margem das grandes cadeias de lucro, rapidamente caem no descrédito e desaparecem. Depois de organizada a verdade, quando se torna rentável, para alguns, há que torná-la obrigatória, para todos. Aquelas verdades que estão associadas ao lado espiritual das realidades são as mais perigosas. Ninguém pode comprova-las. Remetem-nas, por isso, ao território do sonho. São, utopias. E poucos são aqueles que acreditam em utopias. Os que acreditam em utopias são criadores e, um dia, construirão Universos. Platão hoje ainda tão citado e tão actual ainda em tantas áreas da vida moderna, está certo em quase tudo mas, quando fala numa ilha do tamanho de um continente que se afundou, descaradamente, mente. Inventa um mito. A Atlântida. Donde pouco rendimento pode vir. Verdade ou mentira não interessa, está debaixo de água, não há negócio para os antiquários nem para os museus. Não há capelas nem templos para chamar peregrinos. Não há provas, é mentira. Jesus Cristo, não há provas, é verdade. Vai-se assim repetindo a história. Ao confundir as línguas confundiram-se as verdades, vingaram aquelas que mais lucros criaram. No entanto, qual Fénix, não desistem os que demandam a verdade. A era moderna permite uma velocidade nunca suspeita. Subterrâneos cibernéticos levam a cantos onde ela se esconde e, cada vez mais é possível comparar estudos científicos, ler documentos antigos com infindáveis interpretações, ter ali à mão dicionários e glossários e por isso, se inventaram as redes sociais. Substituiu-se a coscuvilhice da leitaria com muito maior alcance. E pode, tornar-se, uma arma. E, quem manda nas palavras, pode mandar no mundo. No neolítico o homem não se encontrava em pré-desenvolvimento. As interpretações dos achados arqueológicos são muitas vezes feitas a partir de premissas erradas. Surpreende, que sejam tão limitados os conceitos de quem interpreta e que, as conclusões, nunca se afastem muito umas das outras. Qualquer construção grande é sempre um templo, porque não um centro comercial ou, outra coisa? Neste extremo da Europa, na nossa mais remota antiguidade, não se encerrava Deus dentro de paredes de pedra. As nossas catedrais, quer escondidas nas entranhas onde a água esculpiu fabulosas decorações, quer sob a abobada celeste, têm milhares de anos. Mas dos Druidas, também nada sabemos. Desde o final do paleolítico que o Ocidente da Europa tem um alfabeto, isto é, um sistema de sinais que lhe permite comunicar. Glozel e Alvão não são levados a sério, porquê? Porque durante milhares de anos foi o Oriente o palco do mundo? Porque quase se convencionou que os primeiros povos foram os Indo Europeus, tal como a evolução é segundo Darwin? E a primeira língua a Fenícia? Conclusões a que já tínhamos chegado muito antes de inventados os inúmeros meios técnicos de que agora dispomos. Estão por actualizar os manuais. Cataclismos anteriores à história conhecida terão relegado para os mitos e lendas muitos dos povos desaparecidos. Sobreviventes desses cataclismos, e cada um à sua maneira, terão sido os iniciadores das futuras religiões que se desenvolveram nos diferentes continentes, todas elas com pontos comuns nas suas cosmogonias. Há rotas subterrâneas por todo o Planeta e, pelas ruínas submersas encontradas até hoje, podemos deduzir que essas rotas continuariam através de ilhas e continentes que já não existem hoje à superfície. O litoral ocidental foi o berço de todas as futuras civilizações. Aqui terão existido os primeiros santuários e daqui terá partido o conhecimento. Daqui partiu o Sangue Original, a 1ª Língua, a Palavra.

Aquele que conhecemos por Jesus Cristo e cuja memória perdura há 2000 anos apesar de toda a evolução a que temos assistido, não morreu crucificado como pretendem os defensores da morte e da cruz. Antes sobreviveu, e terá continuado a sua vida no Ocidente. Ao procurar mais e mais evidências desse facto, outras surgiram e levaram ainda mais longe conclusões a que muitos chamarão utópicas, mas que não podem ser rejeitadas. Ele aparece-nos como um deus Solar, à maneira dos heróis gregos, tendo pouco a ver com o Oriente onde o inserem. São nisso, unânimes, muitos historiadores. Terá nascido e morrido no Ocidente? Desde o séc. IV que se sabe que Jesus nasceu em Nazaré, isto é, Belém, ou Gamala, ou outro sitio próximo e, por isso, se procuram lá as provas. Não se encontram porque não existem e, porque o nome é, tão vulgar, como o nosso Zé. E havia por lá vários Zés que podiam encaixar na história. Os bocados mais convenientes podem escolher-se para a teoria que quisermos formular. Por coincidência, a imagem da virgem da lenda da Nazaré no mesmo século, viajava pela Europa, pelo Oriente e pela África. Como nos provam as evidências, Nazaré da Galileia não existia mas, o monte Siano, já lá estava, depois é que se tornou S. Braz. Muito mais próximo da costa nessa altura, isto é, a costa mais próxima dele já que lá atracavam barcos. Curioso é também que as relíquias trazidas fossem a de dois santos ligados à Arménia, primeiro estado a tornar-se cristão. Muitas das perguntas a que no inicio procurava a resposta, não eram aquelas que mais tarde por si se formularam. Nem sempre é possível retornar às páginas lidas. Muita informação se desperdiçou e não foi possível recuperá-la. Para dar utilidade ao meu trabalho, publiquei-o on-line em formato de Romance (A Estalagem do Quinto Caminho). Mas, um livro é, igual, a um ser vivo, tem seu próprio crescimento e, por vezes, ainda que escrita a palavra FIM, ainda não acabou a história. No que concerne à de Portugal arrumou-se depois nestas páginas que quiseram ser breves, para que se lhe não perca o sentido. Humilde contributo de quem muito aprendeu com nosso mestre da Utopia. Qual teia que, desfiada por aqueles a quem a verdade anima, leve a profunda investigação. Espero que a nossa história recheada de “encobertos” chegue a ver a luz do dia. Há muitos “ baús” escondidos e, neles, muitas provas se encontrarão. Temos vindo a ser criteriosamente destruídos ao longo dos tempos. Uma memória apagada permite construir muitas verdades. Se há motivos de sobra para acreditar que a fundação da Ordem do Templo e de Portugal se devem à ocultação de provas da ligação da figura histórica que conhecemos por Jesus de Nazaré ao nosso território, das quais o culto do Espírito Santo é, a mais significativa, parece-nos também razoável pensar que se a cultura Hebraica/Judaica (1) sobretudo no Noroeste Peninsular é uma das culturas autóctones que deram origem aos portugueses, é provável que em uma dessas famílias encontremos a ascendência de Jesus. Milhares de estudos apresentam provas irrefutáveis para a sua não existência Humana. Focam-se todos eles num Jesus da Galileia do qual só há indícios dos 30 aos 33 anos. Mas, se diz o coração que ele existiu e a razão não consegue prová-lo, há que procurar as provas em outro lugar. Se não há provas do Jesus histórico é, apenas, porque sempre quiseram encontra-las no local errado. Desde aquilo a que chamamos principio dos tempos, tudo se tem movido como um pêndulo. De cá, para lá… de Ocidente, para Oriente. Exactamente, ao contrário, daquilo que sempre nos ensinaram. Em resumo: O conhecimento humano desde a última glaciação desenvolveu-se de Ocidente para Oriente e não o contrario. Jesus terá voltado à Pederneira pelo mesmo motivo que voltaram D. Rodrigo e Frei Romano na lenda da Sra. da Nazaré que, ainda que muito diferente da encontrada por Frei Bernardo de Brito no cartório do mosteiro de Alcobaça no final do século dezasseis é, afinal, verdadeira. Portugal foi censurado ao longo dos anos, tal como os monges copistas, quer por ignorância, excesso de fé ou… subornos. Ave Maris
A ESTALAGEM DO QUINTO CAMINHO

outonoutubro@gmail.com

O OBJECTIVO DE ESTE OPÚSCULO É REUNIR HISTÓRIAS PERDIDAS. REUNIR TAMBÉM, RACIOCINIOS PERDIDOS QUE ANDAM POR AÍ. ANÓNIMOS, OU NÃO, TODOS SERÃO BEM VINDOS.

O SEGREDO

São muitas as colagens de factos que se apresentam nas próximas páginas. Muitas vezes usei palavras de outros, procurei dar um sentido aos textos sem os deixar afastar dos pontos que interessa focar. Todas as abordagens são superficiais, o contrário resultaria em muitas dezenas de páginas que, irremediavelmente, nos afastariam do essencial. Desta teia eliminaremos o supérfluo e os preconceitos e, deixamos apenas, um conjunto de acontecimentos para reflectir. Das muitas narrativas que se entrecruzam, registo alguns factos e algumas datas que, apesar de não provarem nada, nos mostram haver muitas coincidências e, claramente, a possibilidade de estarem estes dois temas interligados:

O grande segredo da Ordem do Templo, Jesus Cristo em território que hoje é Portugal
 Após a crucificação, a vinda de Jesus para o território a que hoje chamamos Portugal, foi um segredo guardado e escondido, ao longo dos tempos.  No espaço Lusitano sempre se preservou essa memória.  A Ordem do Templo foi instaurada por terem sido encontrados documentos que referiam esse facto.  O imenso poder da Ordem do Templo, frente ao poder papal, teve origem no conhecimento desse Segredo.  O culto do Espírito Santo conservou essa memória.

Formação da Ordem do Templo e de Portugal
D. Henrique, da família ducal da Borgonha, aderiu à Reconquista da Península Ibérica e, como recompensa pelos seus serviços, recebe em 1096 de Afonso VI o Condado Portucalense como dote de casamento com D. Teresa de Leão. Morre em 1112 e Afonso Henriques sucedelhe, tornando-se no segundo conde de Portucale. Guerra Santa, peregrinações, relíquias, pilhagens, comércio, profecias milenaristas e muitos jovens nobres desocupados, são palavras-chave para entender a época. A primeira cruzada é em 1096. Dante acusa D. Diniz de actos maléficos. Por não ter revelado o Segredo? Após o declínio da Ordem de Cristo Portugal perdeu a rota. Algo de definitivo intervém na história do nosso país a partir de 1433. Para além da morte de D. João I, que mais terá acontecido?

Jesus Cristo na ponta mais ocidental da Europa
Infindáveis páginas narram todas as impossibilidades de Jesus ter morrido naquela cruz. Muitas interpretações e teorias em relação à sua morte tornam-na de facto, duvidosa. Não há registo de que a cruz tenha sido utilizada pelos cristãos do primeiro século e apenas no século IV se tornou símbolo supremo do Cristianismo. A ligação de Jesus com o movimento zelota é, uma possibilidade, sustentada por vários autores. A crucificação não era usada para delitos comuns. Era punição capital, reservada para

crimes políticos, de insurreição. Por isso a morte deveria ser lenta, dolorosa, para servir de exemplo a quem passasse e visse os terríveis sofrimentos do supliciado. Segundo alguns historiadores, os crucificados ficavam de três dias a uma semana em indizível agonia antes de, finalmente, morrerem. Por isso se espantou Pilatos quando passadas apenas cerca de seis horas, se apresentou José de Arimateia a pedir o corpo de Jesus para sepultar. Teria ele morrido neste relativamente curto espaço de tempo? Foi a dúvida de Pilatos e a de muitos exegetas. Partindo então, da hipótese de que Jesus sobreviveu ao martírio na cruz e fugiu da Palestina, sustentam alguns que, tendo vivido na Índia a partir dos 13 anos, quando foi obrigado a fugir retornou à região em que viveu toda a sua juventude. Outros dizem que terá acabado os seus dias numa aldeia perdida no Oriente, casado e rodeado de filhos. Que terá ficado, a ensinar. Algures. Num sítio secreto. E teria ficado no Oriente, porquê? Por ter nascido lá? Se é que foi lá, que nasceu... (foi essa a pergunta que acabada a história e, escrita a palavra Fim, se insinuou no meu espírito. Completou-se agora com a 3ª parte deste “baú”) E... Ocidente, porque não? Alguns autores defendem que após a morte de Jesus, José de Arimateia teria viajado até à costa de Portugal com Maria e alguns apóstolos. Trariam com eles o Graal cujo destino era a Gália. Glastonbury é um sítio rico de histórias. Mas porque ficaria Jesus sozinho, escondido no Oriente, tão perto dos que o perseguiam, enquanto Madalena ia para França, a mãe para Portugal, José de Arimateia para a Grã-Bretanha e, o Graal sabe Deus, para onde? José de Arimateia parece ter sido um rico comerciante fenício que vinha comprar estanho à Grã-Bretanha. Nas suas viagens, teria já trazido o menino e sua mãe. No Norte de Portugal temos muito estanho e, a ponta mais ocidental da Europa, referida em tantos textos antigos, é a nossa Serra da Lua, o Monte Branco. A cultura megalítica é ainda hoje um mistério. E a Tradição Primordial também. Desde tempos imemoriais, Ophiusa guarda segredos. Na Idade Média perseguiu-se a memória de algo a que chamaram e continuamos a chamar Graal. Talvez não uma só coisa, mas várias que os anos fundiram em palavras que já não existem nas línguas actuais. As línguas são, vivas. Quando muda a realidade mudam as palavras para se lhe adaptarem. Entre a costa da Grã Bretanha e o norte da Península Ibérica há uma grande confusão nos textos coevos. Também as novelas de cavalaria criaram uma amálgama de tradições que se confundiram no tempo, dando lugar ao cenário da Távola redonda protagonizado por Artur, Lancelote, Genwere e, a malvada Morgana. Há uma história oculta de Portugal constantemente focada pelos nossos homens de letras. O mito, do império universal de Cristo, não é um mito. É uma memória. É altura de acordar essa memória e desvendar a verdadeira história de Portugal.

NOTA: Mais informações em A ESTALAGEM DO QUINTO CAMINHO (Cap.7, 15, 17, 20)

O CULTO DO ESPIRITO SANTO A par do poderoso culto de Santa Maria, esta devoção atravessou toda a Europa medieval sobretudo entre os séculos XII e XIV. As primeiras confrarias do Espírito Santo de que há notícia no território são:
SINTRA 1217 BENAVENTE 1234 ALENQUER 1296

Há que recordar que, antes de Sta. Isabel, já existia em Alenquer uma confraria. Não é muito variada a informação que encontramos. Remete-nos para um dos casais mais ilustres da nossa história ainda que, não nos conte a história, toda a verdade dos seus actos. Como insinua Dante. Atribui-se a sua invenção a Santa Isabel embora, diferentes motivos, nos sejam apresentados pelos narradores. Pretende-se que seja Alenquer, o seu berço, em 1296.  Salvo ligeiras variantes consistia a principal cerimónia da Função, Folia ou Império, na coroação com três coroas.  Coroa-se agora o Menino Imperador mas, nas versões mais antigas das festas hoje desaparecidas, como as dos Impérios dos Nobres, era coroado simbolicamente um homem pobre.  Há pão, vinho e carne para todos.  O império do Espírito Santo é uma era de fartura e de irmandade ou fraternidade. Tudo é partilhado com todos.  O símbolo é uma bandeira da cor do sangue com uma pomba da cor da lua. Chamamlhe, a bandeira de Deus e do seu povo. Ainda que muitos aprofundem esta matéria, apenas se conclui que o culto do Espírito Santo tem raízes muito anteriores.

Evidências
A Festa do Divino Espírito Santo, ou Festa de Pentecostes, é tão antiga quanto o próprio cristianismo. E, muito antes, já se celebravam as Festas das Semanas. Também Jesus se deslocou com os seus discípulos a Jerusalém para a celebração do Pentecostes. Agora a Festa do Divino é uma manifestação popular onde se une a espiritualidade e o folclore, um agradecimento ao Espírito Santo pelos dons e graças recebidas durante o ano anterior. Mas na memória das nossas gentes, em Portugal, no Brasil, nos Açores, em Goa, porque está esta festa tão enraizada? Como na Natureza, todas as coisas são simples, ainda que as mais complexas. Fios subtis ligam as partes não deixando nada ao acaso. Somos nós que as complicamos, o nosso ego. Se todos aqueles que dizem que Jesus não morreu na cruz tiverem razão e – são muitos, - se considerarmos possível que a esconder-se o faria, bem longe, do sítio onde o procuravam, se acrescentamos a isso tudo o que está publicado sobre o facto da família, bem como José de Arimateia terem vindo para a Europa após a sua morte, e todos eles já terem andado por aqui, pode começar a construir-se uma história. Apenas virtual porque não entra no argumento que conhecemos. E, no entanto, os pormenores começam a encaixar-se e os mistérios a deixarem de o ser. Quando a história se torna incompreensível, é porque alguém está a mentir.

Basta um Segredo para tecer toda a trama que tem produzido milhares de páginas ao longo dos séculos. Bastou um Segredo para que a Ordem do Templo e os reis de Portugal tivessem a rebeldia que tiveram, bastou um Segredo, em tempos em que um segredo era um Segredo, para que as raízes da nossa história ficassem perdidas nos mitos. O culto português do Espírito Santo não tem equivalente no mundo católico, era específico da Estremadura e das Beiras. Os judeus beirões do princípio do séc. XX diziam: “O Espírito Santo é nosso, não é deles” (católicos). Lia-se nesse dia o Livro de Rute nas sinagogas portuguesas, sendo Rute uma estrangeira que foi avó de David donde provirá o Messias. No culto beirão encontramos a menção da transmissão dum segredo: o mordomo cessante transmitia um segredo ao sucessor, ambos fechados na capela, mas cujo conteúdo se desconhece (porque era segredo…). Ainda que alguns refiram a palavra «arroz», o que os judeus diziam era a palavra aramaica «rôz» que quer dizer «segredo». Como poderemos arrumar as peças de uma forma lógica, concreta e possível? Apartando os véus que nos têm sempre escondido e esconderam Avalon. Vendo a História como coisa real, Homens e não Metáforas. Teria Jesus vindo morrer no Ocidente, como o Sol? Como seria o Ocidente nessa época? Quantas perguntas teriam resposta se isso fosse verdade! Vemo-nos como um país ignorado com um passado incerto, do qual os nossos filhos só conhecem as piores partes, as que incluem dinheiro e progresso, a partir do dinheiro. Esvaiu-se de poesia a história, inventou-se a electricidade e tudo ficou muito às claras. Mas afastamo-nos da Natureza e fechamo-nos em Bibliotecas e Universidades. Aproximámo-nos da palavra Cristo e afastamos a palavra Sol. Pelas suas raízes, teria Sintra muito com que o acolher. Desde sempre os bodos rituais foram um modo de renovar as boas relações entre habitantes vizinhos, entre tribos vizinhas e entre o povo e o seu Deus. Este bodo é essencialmente de pão e de vinho, num cenário da mesma cor. A comunhão do corpo do Cristo Vivo que vencera a morte. O costume de eleger ou nomear um rei para presidir a um bodo ou refeição ritual encontrase também em documentação profana antiga, fenícia e púnica, origem provável de José de Arimateia. Quanto à imagem erudita da pomba como 3ª pessoa da santissima trindade, há que procurarlhe o significado no primeiro arcano do chamado baralho cigano. Com as suas 36 cartas, bem mais antigo do que os tarôs conhecidos, preservou um conhecimento quase perdido em signos gravados, quase indecifraveis. Jesus era chamado de “ o Mensageiro de Deus”. O texto bíblico não fala de O Espírito Santo mas, de UM Espírito Santo. Também não fala da pomba como forma mas sim numa comparação. Terá sido o primeiro Bodo do Espírito Santo, no Penedo, uma festa de boas vindas? Uma celebração com Pão e Vinho? Terá sido o Segredo personificado na Pomba Mensageira? Tal como a Ordem do Templo e os primeiros Reis de Portugal, um culto sem necessidade de obedecer à Igreja. Perdido o segredo ficou Portugal órfão do sangue dos seus Reis. Contém grande mistério esta frase. É preciso que se cumprem os ciclos e se revelem os Encobertos. Cantaram isto, nossos poetas. Não é uma utopia.

PARECE TER SIDO O PRIMEIRO BRASÃO TORNADO BANDEIRA O DO REINO DE JERUSALÉM POR CONCESSÃO DO PAPA URBANO II. IDÊNTICO AO BRASÃO DA CIDADE PORTUÁRIA DE MARSELHA, O ESCUDO DO CONDADO PORTUCALENSE CONSISTIA NUMA SIMPLES CRUZ AZUL SOBRE CAMPO PRATEADO. ACRESCENTOU-LHE AFONSO HENRIQUES OS BESANTES. INICIALMENTE, 5 CONJUNTOS DE 11. UM DIA, A CRUZ AZUL E OS PREGOS DE AÇO TRANSFORMARAM-SE NAS 5 CHAGAS DE CRISTO E NOS 30 DINHEIROS RECEBIDOS POR JUDAS, GRAÇAS À BATALHA DE OURIQUE.

PORQUÊ, PORTUGAL?

Para que não se torne demasiado extenso este texto e dificulte a associação de ideias pretendida, divide-se em texto e notas. Convém ler por isso ambas as partes. A maioria das pessoas não quer saber a Verdade (3). A verdade leva a respostas cuidadosamente pensadas e muitas vezes diferentes daquelas que querem encontrar e, a cultivar o ego, ao invés de destrui-lo, contentam-se com dissertações místicas e inspirativas. “Falar outra língua é ter outra alma”, disse Carlos Magno (4) e é, por aqui, que vamos começar. Conclui um estudo recente que o idioma que se fala, muito mais do que um meio de expressão, pode moldar os pensamentos e os sentimentos. Será que algo, tão fundamental como aquilo de que se gosta, ou não, pode mudar quando muda o idioma em que nossas preferências são expressas? Parece que sim. É tão poderosa a linguagem que pode determinar o nosso pensamento. (5) Tal como o general Leónidas (6), quando transferimos a responsabilidade do nosso destino para os oráculos e contrariamos a célebre frase de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”, corremos o risco de ouvir o que queremos ouvir. Pode ser a nossa perdição como veio a acontecer ao general. Quanto mais consciente estiver de si o ser humano, a menos influências involuntárias estará submetido. As culturas ancestrais foram relegadas à condição de superstição pela filosofia da objectividade e as linguagens, que tal como as espécies são um fenómeno dinâmico e em constante transformação - como verificamos agora com a jovem linguagem informática, acabaram por cair no esquecimento. Hoje tentamos interpretar o passado à luz dos seres que somos e do conhecimento que temos mas, que seres somos? E que conhecimento temos? Os primeiros signos, gravados pelos nossos parentes do Neolítico, não são um balbuciar inocente do real, antes parecem concepções abstractas codificadas em traços simples, quem sabe semelhantes àqueles que deixaríamos hoje se sobrevivêssemos a um grande cataclismo. Os primeiros sinais que o homem deixou são, letras. Alguns milhares de anos depois chamar-lheiam os romanos latinas. Após o Dilúvio - coisa que ainda não entendemos bem, - nasceram no verdadeiro Oriente do Éden, a nossa Ibéria, todas as línguas e escritas. Apenas as Pedras, únicas testemunhas antigas, viram os grupos de homens separar-se e desenvolverem-se línguas e escritas de maneiras diferentes. Ficou na mitologia nórdica a Memória. Nas terras quentes do sul vivem os deuses e, na terra das montanhas gélidas, a norte, era o inferno. Bem diferente daquele que nos habituamos a conceber cheio de fogo e caldeirões de azeite a ferver, modelo bem aplicado mais tarde pela Inquisição. Há pelo menos seis ou sete mil anos, mas provavelmente muito mais, que o homem do neolítico ocidental tem algo semelhante àquilo a que chamamos hoje um alfabeto, isto é, um instrumento direccionado para o raciocínio. A primeira conclusão que se pode tirar é esta: uma tão lenta evolução da humanidade só pode ter sido manipulada, tal como nos estão agora a manipular o sexo e a tornar-nos autistas com o Bisfenol e os Ftalatos, por exemplo. É bom lembrar que a primeira Conferência da Terra foi em 1976 e, que fechar os olhos, não nos tem levado longe. A escrita transcendeu o tempo e o espaço, as ideias ganharam vida e correram o mundo. Homens como Platão esgrimiram com elas e provocaram, grande controvérsia. (7)

“ Como é o Sudoeste de Portugal a fonte das línguas Proto-Latinas e Shemitas que se expandiram pela Europa e Norte de África para o Oriente, ao voltarem essas mesmas línguas posteriormente ao ponto de origem, com sua linguística alterada, contribuíram para o estabelecimento da confusão existente entre elas e a língua Materna, ou seja, a Língua do sudoeste Peninsular. (8) A Língua Árabe é filha da Língua Shemita que, por sua vez, descende do Proto-Canaanita e este do primitivo idioma do território que hoje constituí o sul de Portugal. Por esta razão muitos valores fonéticos e ortográficos da Língua Árabe são semelhantes aos que já cá existiam.” O Latim foi um idioma criado pelos romanos com base no peninsular, desconcertando assim o mito que diz ser o Indo-Europeu (9) a fonte da nossa língua.Com o predomínio da igreja romana na Península, o abecedário latino conseguiu impor-se e a consequência, inevitável, da instrução cair totalmente nas mãos do clero católico foi a longa duração do Latim que fez esquecer o alfabeto do primitivo povo ibérico. Galego, Português, Castelhano e Latim, são idiomas de uma língua comum materna ibérica. Pode provar-se com factos arqueológicos e epigráficos existentes, que a emigração partiu do ocidente europeu para o oriente até à Ásia Maior. As línguas dos outros povos foram formadas da raiz do Ibérico e os próprios Hibreos descendem dos Hiberos que, no Médio – Oriente, fundaram a Nova Hibéria. O Ocidente foi o berço do Alfabeto e das Línguas. Contrariamente ao que hoje se ensina, “os primeiros sinais alfabetiformes no Egipto foram lineares e derivam do alfabeto do ocidente da Europa que nesse tempo já o manejava com segurança. Letra, após letra, foi fazendo a sua entrada no Egipto. Telhas e peças de cerâmica datando de 1.400, 3.300 e 5.500 a.C. têm inscritas letras A, E, I, O, C, X, T, M como letras capitais. Estes sinais foram indubitavelmente empregues como escrita nos fins do período que vai de 1.550 a.C. a 1.200 a.C. mas os caracteres existiam muito antes deste período. Três quartas partes deles são anteriores aos hieróglifos do Egipto. Também as línguas nórdicas tiveram sua raiz linguística da peninsular. As terras do norte foram primitivamente povoadas pelos ibérios e, os caracteres rúnicos, levemente modificados, são quase todos originários da primitiva escrita ibérica. “(10) Entre os povos da faixa atlântica é muito antigo o relacionamento, 95,6% do ADN dos nossos primos lapões é originário da Península Ibérica, o que prova haver ligações entre a Ibéria e os países nórdicos há milhares de anos. “Na Península Ibérica apenas depois do séc. III antes de Cristo tiveram os romanos a sua presença, cinco séculos antes de Roma haviam chegado os Gregos, os Fenícios e, posteriormente os Cartagineses, que foram bastantes influentes na passagem de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários primitivos da Península. Cultura, resplandecente, que causou assombro e respeito aos povos nativos do litoral com os cultos de Baal Merkart e de Tanith de Cartago, cultuados outrora na Nazaré, entre outros.” Para além de ser a nossa língua a primeira, também os Lusitanos são o único Povo que não tem uma sequência Genética herdada dos Africanos do Paleolítico. O nosso Código, diferente dos outros Povos Mediterrânicos é, além de Único, o Mais Antigo à face da Terra. Apesar de também existir no Brasil e na América do Norte o gene A25-BIS-DR2 só foi encontrado nos portugueses de origem étnica Lusitana entre os europeus. O outro gene, ainda mais particular, o A26-B38-DR13, prova sermos o povo mais antigo e sobre este, só se sabe que terá existido nos primeiros ibéricos ocidentais. Os Lusos de Camões são os descendentes de uma muito Antiga Raça que em tempos viveu sobre a Terra. Os mesmos que um dia procuraram o Preste João e o Paraíso perdido. Mas, quando empreendemos a tarefa de procurar os seus ancestrais, encontramos apenas grandes pedras erguida num contexto que ainda não conseguimos decifrar e, os primeiros sinais gravados, aqueles que desde o início dos tempos deram lugar aos primitivos alfabetos, parecem-nos bem menos primitivos do que as nossas interpretações.

1488-1490

1956

1490-1495

1797-1800, 1964

IDADE MEDIA

OGHAM-ORIGEM DESCONHECIDA NO TEMPO

A evolução para a complexidade do pensamento tende à simplificação das formas. Entre um quadro de Da Vinci e um de Picasso não há involução, há evolução. A complexidade tende à organização e esta há simplificação. Esses sinais foram possivelmente gravados por homens tão ou mais desenvolvidos do que nós. Muitos dos mistérios antigos só agora têm resposta porque só agora dispomos de meios para os entender.

O estudo das linguagens antigas indica que ao recuar cada vez mais no tempo, descortinamos não serem os primeiros homens sedentários tão primitivos assim.
«ELA JAZ AQUI E ESCONDE-SE AQUI R’SLIE MORREU AQUI E NO MESTRE SUMIU-SE A SUA MENTE INTEIRA»

Inscrições de há 7.000 ou 8.000 revelam um profundo conteúdo estético e filosófico. Esta inscrição, de grande beleza poética, é o epitáfio da jovem R’slie traduzida do macedónio. A Atlântida, o Dilúvio, a Guerra que houve nos Céus e que, pelos vistos, tornou a Terra em Inferno, foram sempre objecto de estudo desfasadas da realidade. Também alimentámos os deuses com sacrifícios humanos. Carne humana mas, principalmente, Sangue e, nunca nos interrogamos porquê. Tudo indica uma ancestralidade comum a todos os mitos e os primeiros signos seriam comuns a todos os sobreviventes. Mais tarde, misturaram-se as línguas e a Babel foi instaurada. Antes de nós, Lusitanos, ninguém vivia na Terra. Fomos os primeiros a chegar e somos, os mais cultos. Ou, deveríamos sê-lo. Faça uma pausa agora. A lenda de Sintra diz que “quem nasce em Portugal é por castigo ou por missão”. É preciso reflectir nestas palavras e naquelas que acaba de ler. Ninguém quer acreditar que uma ilha inteira se afundou porque não agrada essa ideia ou, incomoda, algum remorso. Perdem-se os bens e até a vida, o que também não agrada a ninguém. Apesar de não saberem bem porquê. O que nós queremos é ser seres humanos no centro de um universo vazio, contemplando-nos como Narciso e, com receio, de que a Bela Adormecida seja mais bela do que nós. Não aprendemos com a Rainha Vermelha. Mas a história, inevitavelmente, avança e começamos a ver hoje pela televisão povos a invadir a Europa pelo mar, em busca do Paraíso. E vemos também as condições políticas e climáticas a ameaçar destruir o Planeta. Diz-se, que os Pelasgos chegaram pelo litoral, vindos de um muito antigo continente que se afundou. Platão fala-nos, da Atlântida. (11) Um mito. Porquê? Também a civilização cretense se

afundou, inexplicavelmente, por volta de 1.300 a.C. (12) Os mitos, do nosso passado, são as chaves, do nosso futuro. Também os Gregos em uma época muito recuada tiveram que resistir a uma invasão feita por um povo saído do mar Atlântico, vinha de uma ilha mais vasta que a África e a Ásia reunidas. Porque não? Os textos das pirâmides foram escritos em plena expansão da civilização egípcia, há que procurar em outro local a origem. Muito antes da chegada dos afamados mareantes fenícios, já o povo dos dólmenes andara pelo litoral e subira o curso dos rios para ocupar as terras sertanejas. Com barcos e o conhecimento da navegação rasgaram a célebre estrada marítima frequentada pelos comerciantes de todas as gerações. Bastou uma guerra para que o saque do museu de Bagdad reescreva outra história. Estávamos a sair duma glaciação há 10.000 anos e, agora, estamos a entrar em outra. Agrade-nos ou não. A História cola-se como cacos de cerâmica a moldar um passado distante do real e, desaparecidas as línguas, ficaram apenas as lendas e os poemas a estimular-nos a curiosidade. Sobre a lenda de Nazaré (13), Portugal, apenas sabemos que no século IV a imagem se encontrava na posse do monge grego Ciríaco que a colocou sob a protecção de São Jerónimo (14) que, o aconselhou, a levá-la para África para a entregar a Santo Agostinho (15) que, a trouxe, para a Península Ibérica. D. Rodrigo, último rei dos Godos (16) e Frei Romano, levaramna de Mérida para a Pederneira (17) e chegaram a 22de Novembro de 711 ou 14 (interessante esta data pormenorizada de um rei que é uma lenda num acontecimento que é outra, pode não ser um acaso) ao monte hoje chamado de S. Braz. Outrora, a comunidade piscatória chamavalhe Monte Saião mas, Monte Siano, é a designação nos relatos mais antigos. Aparece na Bíblia Monte Sião, ou cidade de Sião como outra forma de nomear Jerusalém. O monte, com ocupação castreja pré-romana, é de origem magmática com 156 m de altura. Chegados ali quis Dom Rodrigo ficar sozinho e Frei Romano, com a Imagem da Virgem (18) e o cofre com as relíquias de S. Brás e S. Bartolomeu, seguiu para o Sítio. (19)

PRAIA DE NORTE, PROMONTORIO, PRAIA DA NAZARÉ, MONTE S. BRÁS

Todos os dias acenderiam uma fogueira (20), era o sinal combinado mas, houve um dia em que não houve fogueira e, depois dele, deixa de fazer sentido a história, até que 469 anos após, D. Fuas Roupinho, lugar-tenente de D. Afonso Henriques, teve a bênção de um milagre num dia de nevoeiro (21). Lenda romântica que Moisés Espírito Santo nos diz ser inspirada num poema fenício. (22)

Os nomes dos dois frades envolvidos na lenda podem ser nomes próprios ou indicar a sua origem: romano e siríaco mas, na realidade, algo relaciona a Senhora da Nazaré com Nazaré. Observemos então a Nazaré, a nossa. Ainda há pouco existe. Há três, ou quatro séculos, seria o fundo de um aquário e os peixinhos nadariam por cima do areal. Beirava então o mar a encosta da Pederneira e o Promontório do Sitio. Conquistada pelos turistas, é agora limpa e organizada. Da antiga vila piscatória imortalizada nas fotos a preto e branco pouco resta. Xailes negros e pés descalços de um povo que só o turismo dos últimos anos salvou da fome. Uma terra bonita e pobre agora mais remediada no entanto, no Neolítico, teria sido uma zona de grandes recursos, remontando a sua ocupação à pré-história. Há quase mil anos Nossa Senhora apareceu lá pelo Promontório. Nossa senhora e o Diabo. Porque andariam por lá tais criaturas de suprema importância na História dos Homens? O que poderá ligar o Monte S. Braz, o Promontório, Nossa Senhora e o Diabo? E, porquê, depois de tanto viajar, ali teria ficado esquecida aquela pequena Virgem Negra? Cedo foram estabelecidos importantes portos de mar na região (23) e, junto às dunas da zona costeira, está a Igreja de São Gião. Um mistério para a arqueologia. Do Castelo de Alfeizerão (24), originalmente a dominar um porto de mar, apenas sabemos que visava a defesa do trecho do litoral atlântico entre o promontório da Nazaré e a península de Peniche. E o Canhão ou, Cana da Nazaré, um dos maiores do Mundo, que esconderá? O vale submarino começa a definir-se próximo do promontório do Sítio e a mais de cinco mil metros no oceano profundo, afunda-se, de E para W recorta a plataforma continental. (Ver foto anterior). O levantamento biológico da flora e fauna do mar da Nazaré com influência do vale trouxe já à luz novas espécies, por enquanto apenas com alguns centímetros.

Falei há pouco de afundamentos e invasões por mar, das primeiras línguas e das primeiras escritas. Terá a nossa Nazaré copiado o nome da outra na Galileia? E dela, o que se sabemos? Que foi o local onde terá nascido Jesus e passado a sua vida até aos 30 anos, odiado pela família e vizinhos que até o quiseram atirar dum penhasco num local onde não havia penhasco. A nossa Nazaré, que esperava apenas que o mar recuasse para nos deixar também a areia onde tomamos hoje aprazíveis banhos de sol, tem uma história que vem desde os alvores da humanidade. Mas, Nazaré da Galileia, não existe na memória do século I. (25)Nenhum historiador ou geógrafo da Antiguidade menciona Nazaré antes do início do século IV, por acaso, a mesma época, em que começa a lenda de que acabamos de falar. Também no Velho Testamento não é mencionada, nem no Talmude (26), nem nos Evangelhos apócrifos ou na literatura rabínica. Também não foi incluída na lista de lugares colonizados pelas tribos de que menciona doze cidades e seis aldeias e não consta entre as 45 cidades da Galileia mencionadas por Josefo (37-100 d.C.), também entre as 63 cidades da Galileia mencionadas no Talmude não se encontra .Muitos historiadores afirmam por isso que a ausência de referências textuais a Nazaré no Velho Testamento, no Talmude, e nas obras de Josefo (27) indicam que, uma cidade chamada Nazaré, não existia nos dias de Jesus.

No entanto, em Nazaré da Galileia, tudo está de volta. Os peregrinos crédulos podem visitar a oficina de José mas, ao contrário de tantos sítios arqueológicos em Israel, aqui conta-se a presença de Jesus e da família pelos nomes dos hotéis, dos restaurantes e das igrejas. Não há uma pedra que fale da aldeia de há dois mil anos atrás que apenas na Idade Média foi identificada como a cidade de Cristo. Desde o tempo de Eusébio de Cesaréia se indaga, se a etimologia de Nazaré deriva de netser, um "ramo" ou "broto", ou se tem razão o Evangelho de Felipe (apócrifo) que deriva o nome de nazara, que significa "verdade". Há ainda especulações e indícios bíblicos de que nazareno, significando "da vila de Nazaré", era confundido com "nazireu", que significava um judeu "separado", que fez um voto de silêncio. Alguns historiadores colocaram em dúvida a tradicional associação da cidade com a vida de Jesus e sugeriram que, aquilo que era originalmente um título, Nazareno, acabou por transformar-se no nome da sua cidade natal. Iesous Nazarene não significava "de Nazaré", mas sim que seu título era "Nazareno". Nazareno terá sido uma tradução imprecisa de Nazarita, uma pessoa que havia feito um voto de santidade e, assim, se separava das massas. Mateus 2:23 afirma sobre Jesus, "E ele veio e morou numa cidade chamada Nazaré: para que se cumpra o que foi dito pelos profetas, Ele será chamado de Nazareno." Falei em afundamentos e quero também falar de passagens subterrâneas. Todos os castelos, igrejas e poços, têm lendas da sua existência. A acreditar nelas atravessarão rios e talvez oceanos mas há, nos seus abismos, também montanhas e, de montanha em montanha, certamente ter-se-ão estabelecido ligações entre a maioria dos lugares da Terra. Ao tempo de Afonso Henriques, existiam mapas de rotas subterrâneas.

YONAGUNI

MAR DO CARIBE

Estudar as lendas e os mitos é penetrar num mundo tenebroso, oculto dos olhares do profano (28). O nosso passado é rico de mistérios e os poucos eruditos que a eles se dedicaram, fecharam-nos em palavras pouco acessíveis ao vulgo, e outros que os complicaram, com o exagero das efabulações, afastaram o interesse para que ninguém deles se lembrasse. Quem sabe que rotas tomaria, o primitivo Culto do Espírito Santo? Brota das profundezas a Água que chega das Estrelas num cantar cristalino, escoa-se entre margens que alimentarão Vida. Privilegiadas as margens da foz dos rios Douro e Tejo onde Lisboa e Gaia nasceram. Simbologia traduzida em pedra no Terreiro do Paço. Porta de entrada de antigos povos vindos do mar e, de saída, por antigos subterrâneos. Lisboa, a que já teve muitos nomes, “era uma cidade edificada à beira-mar, cujas vagas se vêm quebrar contra as muralhas, admiráveis e de boa construção. A parte ocidental da cidade é encimada por arcos sobrepostos que assentam em colunas de mármore, por sua vez apoiadas em envasamentos de mármore. A cidade é, por sua natureza, muito bela.”

É urgente conhecer o passado de Portugal, reunir o Ocidente com o Oriente é fundir a Intuição com a Razão. Hoje não somos já o Éden e, por um fio, está a soberania do Porto de Graal, quem sabe o que nos espera depois desta manipulada crise? Avieno cantava na Ode Marítima que “éramos um povo sempre valoroso mas, muito mal, hierarquizado”, estigma que continua a perseguir-nos. Onde estão, aqueles que deviam dirigir-nos? Escondidos em ordens ou, sociedades secretas? (29)

Com um pouco de agilidade mental e algumas leituras em segunda mão, qualquer homem encontra as provas daquilo em que deseja acreditar... (Bertrand Russell)

NOTAS Há, segundo o Zohar, quatro níveis de decifração hermenêutica no estudo das Sagradas Escrituras. Este método de extracção do sentido através de quatro leituras sucessivas era já utilizado por Filon de Alexandria, por volta do ano zero. Oriente-Ocidente Oriente vem do latim oriens ‘o sol nascente’, de orior, orire, ‘surgir, tornar-se visível’. Ocidente vem do latim occidens, ‘o sol poente’, de occ-cidere, de op, ‘embaixo etc’, e cadere, ‘cair’. Europa é de provável origem semita, do acádico erebu ‘entrar, por-se’ (dito do sol), erebchamshai, ‘por do sol’ e, nessa hipótese, quer dizer exactamente Ocidente. Ásia viria também do acádico asu, ‘ir-se, surgir’ (dito do sol), significando exactamente o mesmo que Oriente. Ásia e Europa, Oriente e Ocidente, são sinónimos. O nome Europa está sem dúvida ligado ao mito que relaciona gregos e fenícios: Zeus, em forma de touro, rapta uma mulher fenícia, a bela Europa. Vem do Oriente o nome Europa, porém, não se sabe como. Num labirinto de mitologias escondem-se as origens humanas. Temos sido induzidos a pensar que tal como o sol nasce no Oriente e morre no Ocidente, também a cultura nasce no Oriente e morre, no Ocidente. No entanto muitos contestam a primazia da Ásia e afirmam que as cidades mais antigas do mundo estariam na América e, apesar de muitas tradições como a suméria, a persa e a hebraica colocarem o paraíso perdido na Mesopotâmia, inúmeras outras insistem em colocá-las no extremo Ocidente. Para além do mito da Atlântida que cativou profundamente Platão em sua velhice e revela uma participação primordial do Ocidente na civilização humana, vários outros mitos orientais como o do famoso Paraíso de Amida, colocam o Paraíso no Ocidente. Atlas, o atlante, está ligado ao Jardim das Hespérides que quer dizer Ocidente, o Paraíso. A bipartição Oriente - Ocidente, difícil de ser penetrada, é uma construção intelectual continuada e longa. (1)Moisés Espírito Santo - Especialista na análise etnológica e sociológica e no estudo científico da Igreja Católica, cuja obra em Sociologia e Etnologia das Religiões está classificada, pela Biblioteca Nacional de França, como "forme savante à valeur internationale", portadora da herança científica da tradição sociológica da escola de Émile Poulat (EHESS) na análise da Igreja Católica, que demonstra, de modo sistemático, em termos científicos, que o Catolicismo Romano (Igreja Católica/Vaticano) é um sistema artificial e arbitrário, sem fundamentos que lhe dêem validade ontológica descrevendo, na linha de Alain Peyrefitte, que esteve e continua a estar no fundamento do atraso estrutural dos países católico - romanos em relação aos países cristãos protestantes. Segundo Moisés Espírito Santo: “As culturas que deram origem aos portugueses são a Púnica/Fenícia/Cananeia, comum a todo o território, a mais antiga e melhor estruturada no Noroeste Peninsular, a Hebraica/Judaica, sobretudo no Noroeste Peninsular, também uma cultura autóctone, sendo a Romana e, posteriormente, a Berbere, as duas culturas invasoras do território português a partir do Sul: todos os outros povos derivam da mitologia dos historiadores e arqueólogos tradicionais, e dos contemporâneos que repetem os tradicionais, que utilizavam métodos rudimentares e prémodernos na análise da realidade social. Assim, salvo estas quatro culturas: Fenícia/Púnica Hebraica/Judaica - Berbere/Moura - Romana, todos os povos pré-romanos e pós-romanos são povos míticos, inventados pelos historiadores e arqueólogos tradicionais, como os Cónios, Brácaros, Célticos, Coelernos, Equesos, Gróvios, Interamicos, Leunos, Luancos, Límicos, Narbasos, Nemetatos, Gigurri, Pésures, Quaquernos, Seurbos, Tamagani, Taporos, Zoelas ou os Turodos, derivados de uma abordagem mítica, não racional, pré-científica, sem conceitos racionais, sem métodos racionais e sem uma explicação racional, na análise das populações do território português, baseada, sobretudo, em documentos escritos latinistas católico - romanos ou de um crioulo latinista. A influência celta, goda, sueva, visigoda ou moçárabe é inexistente em Portugal e na Galiza: aquilo que os historiadores tradicionais de Portugal e Espanha chamaram celtas são, na realidade, os púnicos ou fenícios: uma cultura autóctone. Constata-se, portanto, que os púnicos/fenícios são os portugueses antigos, os lusitanos, a cultura estrutural mais antiga, comum a todo o território português desde o Minho ao Algarve, de onde deriva grande parte das várias gerações de portugueses e os portugueses actuais, mas melhor estruturada na civilização das citânias, castros e cividades, no Noroeste Peninsular.”

“Grande parte das palavras púnicas/hebraicas passaram à escrita em caracteres latinos: a escrita do ocupante, proveniente do Sul, que nunca dominou as povoações do Noroeste Peninsular, cuja civilização púnica era, estruturalmente, baseada na oralidade, apesar de terem sido os inventores da escrita, que era utilizada, sobretudo, nas trocas comerciais : civilização dos castros, das citânias e das cividades, conhecida por cultura castreja. Muitas teses demonstram que a língua original do Noroeste da Ibéria era o hebraico e o fenício/púnico (língua similar ao hebraico) e que o termo Sefarad, que é o termo judaico para Portugal e Espanha, se relaciona com a palavra hebraica Sefer (Livro), que, por sua vez, se relaciona com o termo Safira (há uma relação entre 'Sêfer' e 'Safira'), visto que, originalmente, segundo a tradição judaica, o livro da Torá existia numa espécie de livro em Safira azul (2): a cor da nobreza europeia, da qual os judeus sefarditas antigos, os 'marranos' ibéricos do Noroeste Peninsular, estarão na sua origem, das Casas Grandes e dos Pazos da Galiza, cujo símbolo era «Santiago Mata-Mouros», que é, na realidade, a latinização de 'Jacob': Tiago, o símbolo unificador dos judeus da Diáspora, Santiago 'O MataMouros', símbolo unificador dos clãs familiares do Noroeste da Península Ibérica (que não eram os 'senhores da guerra' cristãos, mas a nobreza da Tribo de Judá, clãs familiares de origem judaica) em oposição ao Centro e Sul romano e berbere, e que, depois, conquistaram, de modo progressivo, o Centro e o Sul romano e berbere pela via administrativa de conquista territorial e pela guerra.” (2) Conhecendo hoje o avanço relativo à tecnologia dos cristais em que vários milhares de CD’s podem ser armazenados em um cristal de poucos centímetros, é muito curioso estar a Torá escrita numa Safira, bem como os registos Akashicos numa Esmeralda. (3) Uma aturada pesquisa sobre a Verdade leva-nos a concluir que, ainda que muito tenham os nossos filósofos reflectido, enquanto não conhecermos melhor o tempo e o espaço teremos que aceitar as palavras claras de Platão: "Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso é aquele que as diz como não são." (Crtas., 385b;v.Sof.,262 e; Fil., 37c). No entanto, a maioria prefere ouvir Nietzsche, ainda que não saiba que ele existe e, considerar que, a verdade, é um ponto de vista ("Como Filosofar com o Martelo"). Para encontrar a Verdade é, necessário, conhecermos todas as hipóteses. A Hipótese desempenha o papel de fio condutor para a construção do conhecimento e, apesar do seu carácter provisório, é base da argumentação científica e desempenha uma série de funções dentro da pesquisa. O raciocínio humano vale-se desse recurso diante do interesse em adquirir um conhecimento que ainda não tem, ou diante da necessidade de superar o impasse produzido pela formulação de um problema. Procura-se uma solução adequada ao mesmo tempo que todas as outras são, progressivamente, descartadas. Longe de ser uma proposição evidente por si mesma, a Hipótese é uma asserção provisória que pode, ou não, ser verdadeira. Corresponde a uma resposta possível, a uma suposição ou solução provisória mediante a qual a imaginação se antecipa ao conhecimento. Quando determinadas hipóteses conseguem reunir em conjuntos maiores e, coerentes, uma diversidade de factos e, particularmente quando se mostrarem sustentáveis, ou válidas as relações propostas para estes factos, ocorre a formação de uma teoria. Destas relações propostas e das hipóteses primordiais são deduzidas novas hipóteses e, desta forma, se consolida uma nova teoria. Um enunciado que em um momento, ou dentro de um determinado referencial teórico, pode ser considerado uma hipótese, em outro momento pode ser considerado uma lei e, em um terceiro momento, ser encarado como uma conjectura. Ao longo deste estudo, somadas as evidências, pretendo demonstrar que a hipótese que apresento é tão valida como as conhecidas até agora. Ou seja, para nenhuma existem provas, cientificas e, o facto de não existirem provas, torna esta hipótese uma possibilidade, que espera ser verificada. (4) Carlos Magno filho mais velho de Pepino, o Breve, primeiro rei carolíngio, nasce em Aachen em 742 ou, 747 ou, 748. Com a morte de Pepino o reino foi dividido entre ele e seu irmão Carlomano de quem rapidamente se livrou, ao que consta, mandando-o envenenar. Coisa comum na época. Agora a informação faz o mesmo papel, e não há culpados. Com o patrocínio da Igreja Católica esteve constantemente envolvido em batalhas durante o seu reinado. Converteu ao cristianismo os povos conquistados e massacrou aqueles que se recusaram a converter. Como desculpa das suas atrocidades, Carlos Magno anunciava que assassinava, destruía, pilhava, matava, desgraçava e roubava dinheiro em nome de Deus. Um dos seus objectivos era também conquistar a Península Ibérica mas, nunca o conseguiu. Para unificar e fortalecer o seu império, revolucionou a educação. Surgiria mais tarde dessa semente a filosofia cristã da escolástica e, nos séculos XII e XIII, muitas das escolas que haviam sido fundadas nesse período, especialmente as escolas catedrais, ganharam a forma de universidades medievais.

Um estudo comparado e que não precisa de ser muito atento, revela que quem conta um conto lhe acrescenta mais um ponto. Tal como quem faz um bolo. Mais isto ou aquilo consoante a imaginação. Se apenas assim for, não é grave, a imaginação nunca é grande, podemos ficar com uma ideia da pureza da história original. Mas se a ela acrescentarmos o desejo de enaltecer aquele que paga, aquilo a que se chama hoje dar graxa, (e já aqui se vê que interpretações diferentes podemos dar destas duas expressões, “enaltecer” e ”dar graxa”) ou, nos convier por algum motivo, dizer uma coisa diferente da verdade, aí é que a ponta da meada começa a desaparecer. Quando uma história se torna incompreensível, é porque alguém está a mentir. Conhecemos milhares de anos de guerras e sabemos que a forma mais segura de dominar e controlar um território conquistado, quando se não matam todos os seus antigos ocupantes, é a deportação massiva dos seus habitantes para centenas e milhares de quilómetros de distância do seu território natal. Para o lugar destes, vinham outros. Com eles iam e vinham seus usos e costumes, suas leis, seus deuses. Suas línguas. Mortos os mais velhos, sedentos sempre os jovens do que é novo, poucos anos são precisos para que os pensamentos se alterem. Quem escreveu a História? Durante todos estes milhares de anos poucos souberam escrever. Por coincidência souberam-no, sempre, aqueles que estavam de alguma forma ligados ao poder. Ainda hoje, ler é coisa de poucos. Conta-se a história dos que venceram, difama-se a história dos vencidos. Tal como vencidas as cidades se lhes ateava o fogo até que tudo a cinzas ficasse reduzido. Reduziam-se assim a cinzas, as Memórias. Vão renascendo qual Fénix, aqui e ali, para que a Historia dos Homens não se perca. (5) Praticamente tudo o que se sabe dos primeiros séculos sabe-se através de cópias dos séculos seguintes. Por ignorância, excesso de fé ou, subornos, os monges copistas foram alterando os manuscritos dos primeiros séculos. Tudo o que se sabe sobre o Ocidente da Europa são meras especulações, deformadas quer pelas más intenções dos homens ao escreverem as palavras, quer pela sucessão dos tempos que alteraram as linguagens e em muitos casos as suprimiram por completo. Extinguiram-nas. Com elas extinguiu-se o pensamento desses povos. Sabemos hoje que a linguagem é tão poderosa que pode determinar o nosso pensamento. Estudos recentes provam que os nossos gostos mudam consoante a língua em que nos exprimimos. Se os pensamentos moldam a nossa mente e se ela age em conformidade com a língua com que fala, então a língua molda a nossa mente e só através do estudo aprofundado das línguas poderemos chegar à forma como se expressa a consciência humana que, nos últimos 10.000 anos, tem insistido muito em banquetes e orgias. Se analisarmos isto, profundamente, concluímos que o mundo é ainda mais confuso do que aquilo que parece. (6) O General Leónidas, rei de Esparta, na segunda invasão dos persas à Grécia, foi ao Oráculo de Delfos perguntar qual a possibilidade do exército espartano apenas com 300 homens enfrentar cinco mil persas no desfiladeiro das Termópilas. A pitonisa entregou-lhe um papel psicografado em que ele leu: “Vais. Vencerás. Não morrerás lá”. E o general foi para a guerra e morreu com seus 300 espartanos. O filho, chamado também Leónidas, foi a Delfos pedir contas ao oráculo. Ao mostrar o papel psicografado, a pitonisa do templo leu: “Vais. Vencerás? Não. Morrerás lá”. (7) Platão (428-347 a.C.) salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens. A sua moral baseou-se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. O Padre-nosso foi copiado de Platão. Quem conhece bem a obra de Platão percebe os traços comuns entre a mesma e o cristianismo. Filon inspirouse em Platão e, a Igreja, na obra de Filon, que helenizou o judaísmo de Platão, tendo sido este o intermediário entre os metafísicos e os cristãos. Foi ele quem concebeu a ideia da separação do corpo e da alma, e pôs aquele na dependência desta. Foi o criador do sistema filosófico da decadência moral do homem ao fazer dos sentidos uma ameaça, do mundo um mal, e da eternidade o delírio, o sonho. Originário de uma antiga família aristocrática ateniense, é com Aristóteles uma das referências fundamentais do pensamento ocidental. Platão definiu o que a cultura daí em diante entenderia por Razão".

(8) Língua do sudoeste Peninsular GLOZEL E ALVÃO

Como nos pode estranhar uma língua escrita, tão antiga, no sudoeste peninsular quando Estrabão nos dizia que os Turdetanos tinham leis escritas desde há mais de 6 000 anos? Há tradições antigas que indicam uma origem ocidental do alfabeto e não oriental. Tácito afirma: "Os fenícios ganharam a reputação de inventar uma forma de escrita que simplesmente receberam." Também Diodoro Sículo repete uma tradição já antiga, quando escreve: "Os fenícios não foram os primeiros a fazer a descoberta de letras, mais não fizeram do que mudar a sua forma…” Na mesma obra Diodoro menciona que os fenícios tinham descoberto uma maravilhosa ilha atlântica durante as suas excursões fora de Gibraltar, os sobreviventes da catástrofe que ainda existiam nas Ilhas Canárias, os Guanches, (e possivelmente outros), possuíam um sistema de caracteres que os fenícios poderiam ter confiscado. Os próprios egípcios terão derivado os elementos da sua escrita “a partir de uma ilha no oeste”. Antigos papiros egípcios atribuem a invenção da escrita ao deus Thoth, que governou no ocidente. Declaram que Thoth veio de uma Ilha de Fogo. O Papiro de Turim (1700 a.C.) lista Thoth como um dos dez reis que reinou durante o "reinado dos deuses", mais de 12.000 anos atrás. Estrabão, o historiador grego, regista que Tartessos (na costa atlântica de Espanha) tinham registos escritos que remontam 7.000 anos antes de seu tempo (500 a.C.), o que equivale a dizer que a escrita era utilizada no sudoeste 9.500 anos atrás. Do Turduli turdetanos ele diz: "… são os mais cultivados de todos os ibéricos, que empregam a arte de escrever, e escreveram livros contendo memórias dos tempos antigos, e também poemas e leis estabelecidas no verso, para o qual eles reivindicam uma antiguidade de seis mil anos." (Estrabão, Geografia, Bk. iii). Evidência sólida indica que foram os antigos fenícios do Oriente Próximo que derivaram o seu alfabeto de antigas fontes ocidentais, e não vice-versa. Tudo que é necessário é olhar as datas e fazer as contas. Até a Idade do Bronze Final os fenícios não usavam um alfabeto mas, as inscrições encontradas no Dólmen de Alvão, em Portugal, têm pelo menos 6.000 anos de idade e, sinais gravados nos objectos da cultura Vinca foram datados de, aproximadamente, 4000 a.C. Fortes indicadores mostram a existência muito real de uma antiga cultura, sem nome, no Ocidente, familiarizada há muito com a arte de escrever. Não podemos deixar de lembrar os calendários com 20.000 anos de idade e as rochas pintadas em Azilian com 12.000 anos, ambos precursores do início da escrita de acordo com especialistas em antropologia e paleografia. As inscrições nas Ilhas Canárias parecem também compostos por 24 caracteres e um certo número de ideogramas. Os índios Aymara que viviam ao longo das margens do Lago Titicaca na América do Sul estavam em posse de uma forma de escrita ideográfica quando os conquistadores espanhóis apareceram. Alguns destes sinais correspondem, exactamente, aos encontrados nas inscrições das Ilhas Canárias e entre os tuaregues e berberes do Norte de África.

(9) Aplica-se aos proto-indo-europeus que falavam uma hipotética língua proto-indo-europeia e às línguas indo-europeias da Idade do Bronze (3º a 2º milénio a.C.) que ainda não se tinham separado. A classificação como indo-europeu refere-se apenas a matérias linguísticas e, não necessariamente, a etnias ou culturas. Das onze línguas mais faladas no mundo, seis são indo-europeias: inglês, espanhol, português, russo, francês e alemão, consequentemente os indo-europeus são a família predominante na Terra. Os povos da Europa, América, Índia e Oceânia, têm origens indo-europeias. (10) Alfabetos glozel e alvão. pdf – Adobe Reader (11) Platão, na história da Atlântida ou Atlantis, conta que os Atlantes conheciam a escrita. Estrabão por seu lado afirma, que os povos Turdetanos – descendentes directos dos Tartesicos – conservavam anais históricos e leis, escritas numa gramática que remontava a mais de 6 000 anos antes do seu tempo. A arqueologia académica acredita ser uma mera invenção de Estrabão, no entanto apareceram na Ibéria muitos testemunhos de inscrições gravadas ou pintadas em covas, em dólmenes e em diversos objectos de osso e cerâmica cujas datas remontam, a mais de 4 000 anos antes de Cristo (6 000 anos antes do presente). Mostram, evidências claras, do uso de caracteres de escrita linear alfabética num claro contexto paleolítico. (12) Uma das mais interessantes características das ruínas da cidade Cnossos, em Creta, a maior ilha do Mar Egeu e centro da civilização minóica, é o fato de que os palácios e as cidades não são amuralhados, o que transmite a ideia de uma civilização pacífica e sem rivais. Em peças de decoração ficaram retratadas cerimónias semelhantes àquelas a que se referiu Platão, pode ser um indício da ligação entre Creta e Atlântida. Divergente é, o facto, de ter a Atlântida desaparecido no mar em uma única noite, o que não aconteceu em Creta mas aconteceu na ilha de Tera. As construções eram extremamente avançadas para os padrões da época: frescos em quase todas as divisões, fontes, água corrente no interior das casas… E, tal como em Cnossos, não revelavam o menor sinal de actividade militar. Relatos dos antigos escribas egípcios e chineses descrevem as nuvens que cobriram os céus no ano da erupção. Para que tal nuvem tenha chegado até a China, a sua causa tem que ter sido realmente catastrófica. E a erupção que soterrou a ilha terá sido de proporções gigantescas. Apesar de manter contactos com egípcios, assírios e outros povos do mediterrâneo, a civilização minóica simplesmente desapareceu, dela restou apenas uma sombra nas lendas gregas, civilização que transmitiu seu conhecimento tanto para as civilizações do Oriente Próximo quanto para os romanos, como se, os minóicos, apesar de seu desenvolvimento material e moral, tivessem ficado isolados em termos culturais, mesmo enquanto os gregos influenciaram e foram influenciados continuamente. Algo está errado nestas datas. (13) Graças ao profundo trabalho do Dr. Moisés Espírito Santo, ficamos a saber que a lenda da Nazaré tem na sua origem um poema fenício. Como alcaide de um castelo, o de Porto de Mós, parece não ter existido D. Fuas Roupinho. Ainda assim, há muitos pormenores que nos fazem pensar. Porquê, entre tantas coisas, trazer esta imagem e estas relíquias? E porque teriam vindo para a Pederneira? Porque ficou D. Rodrigo no monte Siano e Frei Romano no Promontório? O monte S. Braz, outrora chamado Monte Siano, eleva-se a 156 metros e dele se abrange quase toda a costa. O Promontório divide a praia. A Sul, alberga a vila recente de uns 300 anos, é o mar dos pescadores. A Norte, os ventos agrestes e as ondas terríveis, não a tornam convidativa. A encosta arenosa a que se encosta é menos visível e, verifiquei lá do alto do S. Brás, que para ter visibilidade total da orla marítima, há que estar nesses dois pontos. É curioso. E também o é, acenderem todos os dias uma fogueira. Pode ter muitas interpretações. Frente ao Promontório estende-se uma das fracturas mais importantes do planeta que desce num abismo a mais de 5.000 metros de profundidade, o Canhão da Nazaré. Se pensarmos nos Himalaias, a aproximarem-se quase 9.000 metros do céu e, com o esforço da mente enchermos tudo de água, até que deles nada se veja, percebemos que tudo o que está por fora se altera mas, o que fica por dentro, não mudará tanto.

A divulgação da narrativa do milagre trouxe um aumento de peregrinos ao pequeno templo do Sítio, contribuindo para o crescimento do povoado e para a multiplicação do número de milagres atribuídos à Virgem da Nazaré, com o consequente acréscimo da quantidade de oferendas dos fiéis. Por outro lado, esteve na origem de novas práticas devocionais, pois cada vez mais romeiros procuravam ver a marca da pata do cavalo gravada na rocha do promontório. Outros levavam consigo pedaços de terra da gruta onde a imagem da Senhora estivera escondida durante séculos. Vários factores contribuíram para a rápida aceitação da narrativa por parte dos devotos. Entre eles contam-se o prestígio do mosteiro de Alcobaça enquanto guardião de alguns dos mais antigos manuscritos do Reino, a possibilidade de comprovar as afirmações do monge através de vestígios concretos, a cor escura da imagem que por si só confirmava a antiguidade da mesma, o enquadramento da lenda dentro dos esquemas das narrativas cavaleirescas e de origem dos santuários, ou ainda o facto de a lenda ir ao encontro das necessidades de maravilhoso sentidas pelos devotos e transportar consigo uma carga simbólica apreciável (cf. dicotomia fiel/infiel, bem/mal, salvação/perdição, cosmos/caos, etc.). Existem contudo, outros factores que devem ser tidos em linha de conta para compreender a incorporação desta narrativa na memória colectiva dos portugueses. Em primeiro lugar, a sua transmissão por meios diversificados e de grande capacidade difusora. Assim, ao sucesso da oralidade dos primeiros anos, que comportou alterações da versão monástica, correspondeu uma extraordinária divulgação por meios impressos a partir da década de 1620. No final do século XVII, a lenda da Senhora da Nazaré tinha já sido publicada em mais de uma dezena de obras, em língua portuguesa e espanhola. Não esqueçamos ainda a sua divulgação por meios iconográficos. A Senhora, que até ali era vista como uma Virgem do Leite, passou a ser constantemente representada na cena do milagre do cavaleiro. Esta imagética foi levada ao extremo através da sua permanente inclusão em retábulos, bandeiras, círios, medalhas, medidas e registos e outros objectos de grande capacidade evocativa. A estratégia resultou em pleno, sobretudo a partir de meados do século XVII, quando os registos iconográficos foram legitimados pela associação da heráldica da Casa Real portuguesa. Um outro aspecto propiciatório foi, obviamente, o conjunto das peregrinações ao santuário, que serviu como factor de actualização, comemoração e evocação cíclica do milagre. Por último, talvez o factor mais interessante tenha sido a capacidade de silenciamento das memórias concorrentes do santuário. Logo na primeira metade do século XVII se começou a desenhar uma certa contestação à sua memória histórica, por parte do Mosteiro de Alcobaça, uma vez que esta anulava os direitos senhoriais dos bernardos sobre o Sítio. Contudo, a intervenção da Coroa, salvaguardando os direitos jurisdicionais da Confraria da Senhora e do Rei sobre o local, veio reforçar a autenticidade atribuída à pressuposta doação de D. Fuas e ao seu conteúdo. Hoje, sabe-se que o documento da Doação de D. Fuas, que nunca foi encontrado, não tem qualquer fundamento histórico. Não existe nenhum manuscrito coevo que confirme a existência daquele cavaleiro. A imagem da Senhora, trabalho de oficina regional datado dos séculos XIV – XV, também não permite aceitar, sem reservas, a historicidade duma das mais belas lendas portuguesas. In A construção da memória nos centros de peregrinação, Communio. (*) Pedro Penteado – Mestre em História Moderna. Técnico Superior dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Responsável pelo tratamento documental do arquivo histórico da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré. (14) O responsável pela precária tradução dos escritos hebraicos que compuseram a Vulgata latina no final do séc. III d.C.foi São Jerônimo. As Bíblias que temos hoje em nossas mãos são o resultado de um extenso recortar e colar de “manuscritos antigos”. O que temos em nossa casa é, uma cópia traduzida, de outra tradução mal feita. Mas alguns dos erros estão em partes consideradas fundamentais para “provar” que Jesus era o messias prometido pelos escritos judeus. Era pouco vulgar traduzir livros no tempo antigo no entanto, o Novo Testamento, pouco tempo depois de escrito começaram as traduções a aparecer. Entre 100 e 150 d.C. a Bíblia foi traduzida para o Latim e para o Siríaco. Para o Copta (um dialecto egípcio) nos anos 200, para o Arménio e o Georgiano nos anos 400, etc. Existem mais de 5000 manuscritos do Novo Testamento, com tão grande número de manuscritos é inevitável que haja variações entre eles. Fica a questão da importância destas variações. Do século quatro depois de Cristo, há milhares de “manuscritos antigos” da Bíblia, mas não da época de Cristo ou dos apóstolos. Todos os manuscritos anteriores a esse período estranhamente pereceram. Qualquer estudioso dirá que não existem dois manuscritos exactamente idênticos.

Temos dificuldade em definir qual é realmente a palavra de Deus porque os casos em que um parágrafo aparece em um “manuscrito antigo” mas não aparece em muitos outros, são incontáveis. Aparecem também frases nitidamente contraditórias. A Igreja católica remete, para a fé, as interpretações da verdadeira palavra imutável de Deus. Em 1915, entre os tesouros perdidos no Genocídio em que foram desterrados e assassinados ferozmente pelo menos 1.500.000 Arménios, encontravam-se milhares de valiosos manuscritos. Foram XX séculos de ferocidade. (15) “ O Catolicismo Romano português tem origem norte-africana e foi sistematizado, sobretudo, por Agostinho de Hipona. “ Com a sua doutrina do pecado original, de ver o corpo, o sexo e a fruição da vida como pecaminosos, de ver a sociedade civil como 'Mundo'/'Século' (cosmo visão que alguns pensadores do Ocidente tornaram erudita e requintada, para actualizar essas bases do Catolicismo nas sociedades contemporâneas: por exemplo, com a obra 'Ser e Tempo' de Martin Meidegger, com a noção de 'Mundo da Vida', para designar a trama da sociedade envolvente e de ver os seres humanos como 'seres – para – a - morte' que, imersos na sociedade, tomam "o ser por Deus" - a noção de «Mundo» como 'pecado' sistema malévolo que se tornou requintado e actualizado na contemporaneidade com o sistema do poder e do dinheiro do Opus Dei, por exemplo), considerada também entidade social pecaminosa, com um tipo de rituais em que a «salvação» do crente só se atinge numa situação de opróbrio e alheada da «confusão do Mundo», impondo a noção medieval, pré-moderna, pré-iluminista, de que o «Mundo não tem solução»), ficando, assim, na realidade, sem qualquer tipo de validade ontológica, sem fundamento, porque se demonstra que, na realidade, o Catolicismo Romano é um sistema arbitrário e autofágico, caudilheiro, caciquista, ditatorial, gregário, que se mantém e reproduz através dos símbolos, das crenças e dos rituais que lhe servem de fundamento - a denominada 'religião popular', cuja identidade é muito diferente da Teologia Católico - Romana, apesar da 'religião popular' ser, de modo permanente, reapropriada pela Igreja Católica, numa repetição secular que é um reflexo do modo como o Império Romano se impôs : controlava as populações autóctones através da sua estrutura política, administrativa e jurídica. Por exemplo, o termo popular 'missa' para designar a 'eucaristia' advém do termo jurídico do magistrado romano: "Ite, missa est" (Ide, a sentença já está dada). Portanto, o Catolicismo Romano é um produto arbitrário de fenómenos sociais e culturais artificiais, uma fusão arbitrária de elementos sociais díspares (porque não é um sistema com elementos identitários unívocos, com uma relação identitária entre os seus símbolos os seus rituais...) proveniente de várias culturas díspares do Mediterrâneo, ao qual se acrescenta um conjunto de valores irracionais, medievos, os valores da morte (a Mãe - Igreja: uma Mulher Velha) contra os valores da vida (o Pai Jovem e Saudável - o Judaísmo, a Tora, que escolhe a Vida): desprezo e flagelação do corpo, advindo da construção artificial de uma antropologia filosófica de oposição entre a alma e o corpo: a dualidade entre o corpo e a mente não existe na cultura bíblica, que, por sua vez, exalta a saúde, a frugalidade e o bem-estar do corpo; adopção intransigente da Bíblia latinista/vulgata católico - romana obscurantista e traduzida com muitas falácias e erros por São Jerónimo; valores malévolos, de opróbrio, cujo sistema, praticado ao extremo, deu origem à Inquisição nos países ibéricos, que se implantou sobretudo no Sul e no Centro de Portugal, onde estava melhor sedimentado o Império Romano, e que teve fraca expressão no Noroeste Peninsular. “ (16) D. Rodrigo é o lendário "último rei dos Godos". Figura extremamente obscura do ponto de vista histórico e, sobre a qual, pouco pode ser dito com certeza. Foi rei da Hispânia de 710 a 711 e com ele terminou o Reino Visigótico de Toledo. Como nos conta a lenda, terá fugido nessa altura para a Pederneira. Porquê para a Pederneira? E, entre tantas coisas possíveis, porque levou esta imagem e as relíquias daqueles dois santos arménios? Depois de tanto esforço, abandoná-las-ia D. Rodrigo? (17) A designação de Lagoa da Pederneira advém, segundo alguns, do nome de uma povoação homónima desaparecida há muito, situada na margem poente perto da barra, a sudeste da actual Pederneira. Outros, defendem a tese de que o nome se deve à existência na zona de afloramentos sedimentares contendo calhaus de pederneira, pedra que percutida por metal produz faísca, com 3.000 graus C., sendo por isso de grande utilidade para acender o fogo, em qualquer lugar. Devido às condições do seu porto, terá sido muito próspera. Os vestígios de pesca em são muito antigos e os portos de mar sucederam-se uns aos outros à medida que o mar foi recuando. Em toda a extensão dos Coutos de Alcobaça, principalmente na orla a que mais tarde se chamaria Lagoa da

Pederneira, existem vestígios pré-históricos. Em 1315 o mar fazia um grande lago que chegava à torre de D. Framondo, hoje Macarca e Valado, fazendo-se embarcações a nordeste do lago, no Porto do Monte de S. Brás. No século XVI o mar batia nas faldas das serras da cela, Águas Belas e Famalicão e nos meados do século XVII chegava ainda ao lugar hoje Quinta Nova, junto a S. Gião, atingindo os contrafortes da serra onde se levanta a Pederneira. Durante os séculos catorze e quinze, devido à desflorestação das encostas, em seu torno e nas bacias hidrográficas dos rios que aí desaguavam, a Lagoa sofreu um progressivo e profundo assoreamento que levou por vezes ao encerramento da barra, causando a morte das abundantes espécies de peixes e de moluscos que durante séculos alimentaram as populações da região. A barra situava-se no local hoje denominado Pontes da Barca, a sul da Nazaré. No século XV e nos primeiros tempos do século XVI, os estaleiros da Pederneira ganharam um incremento tal na construção de naus e caravelas, que havia quem as tomasse entre as melhores que sulcavam os mares. No tempo de D. Manuel, as águas interiores ainda permitiam embarcações de três mastros e no tempo de D. Afonso V ainda o porto podia admitir iates e outros barcos. A Pederneira foi um dos mais afamados portos de pesca, um dos mais activos estaleiros depois da Ribeira das Naus. No início do século dezassete a Lagoa acabou por desaparecer quase por completo dando mais tarde lugar a férteis campos aluviais. A perseguição que os piratas, principalmente os holandeses, faziam aos navios que vinham para o reino carregados de pimenta e outras especiarias e de ricas e variadas mercadorias asiáticas contribuiu para a acentuada decadência da Pederneira. Em todo o litoral os ataques eram de tal maneira que chegavam mesmo a aprisionar no mar os pescadores, roubando das desprevenidas casas o dinheiro e roupas. À decadência do velho burgo da Pederneira começou a corresponder um maior incremento da vizinha povoação da praia, cujas construções aumentaram consideravelmente em fins do século XVIII, muitas das quais construídas à custa dos materiais das abandonadas casas da Pederneira. Uma vez desaparecido o receio dos piratas, os pescadores da Pederneira estabeleceram-se na actual praia da Nazaré. As construções marítimas ficaram entretanto reduzidas ao fabrico de barcos, batéis e batelinhos, embarcações feitas de madeira de pinho, com as quilhas de sobro. No ano de 1682, ainda não existia nenhuma habitação na praia da Nazaré. As primeiras casas para banhistas foram construídas no século XIX. (18) A história da imagem da Senhora da Nazaré foi pela primeira vez publicada em 1609 por Frei Bernardo de Brito na Monarquia Lusitana, Tomo Segundo. Terá encontrado no cartório do seu mosteiro uma doação territorial de 1182 na qual constava a história da imagem, transcrita de um pergaminho escrito cerca do ano de 714. É uma Virgem Negra com a cara e as mãos pintadas de cor morena com parte das costas e dos lados alisados, o que indica a intenção original de encaixala numa estrutura com lados e costas que a faria parecer estar sentada num trono. Terá sido venerada nos primeiros tempos do cristianismo em Nazaré. Uma Virgem Negra é uma escultura ou uma pintura da Virgem Maria com feições europeias mas com a pele do rosto e das mãos de cor escura, ou negra. Apareceram por quase toda Europa nos séculos doze e treze ligadas a lendas que lhes atribuíam grande antiguidade, existem cerca de 400 em igrejas e museus. São também relacionadas com a polémica Maria Madalena, como é o caso de Kali Sara, a Sara Negra, como foi denominada pelos ciganos em França. O culto à “Virgem Negra” tornou-se muito popular entre os Cátaros e entre os Templários. Durante a Idade Média a Igreja dirá que imagens da “Virgem Negra” eram uma deturpação satânica de nossa senhora. Também os cépticos dizem que a cor negra das estátuas se deve “às velas que escureciam as imagens”. No ano 40 terá aparecido de forma milagrosa a Santiago Maiora Virgen del Pilar, em Saragoça, Espanha. Mas mais ainda antiga é a de Nossa Senhora da Nazaré que, segundo a lenda, foi esculpida por São José quando o Menino Jesus era ainda um Bebé de mama e, mais tarde, São Lucas tê-la-á pintado. Mas, onde? Segundo as crónicas da época, Brito Alão nasceu em 1570. Desde muito novo dedicou-se ao culto e ao estudo da história de Nossa Senhora da Nazaré. Muito antes dos círios da Região Oeste (freguesias dos concelhos de Sintra, Mafra e Torres Vedras), Alhandra prestava culto à imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Baseada nestes estudos nasce em 1628, pela primeira e única vez, a ligação de Alhandra ao este culto mariano, em a Antiguidade da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Foram-se as informações. Mas esta ligação é curiosa.

O Padre Mendes Boga alude ao roubo de obras de arte que durante séculos foram guardadas na igreja de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio, e à fuga do mordomo da Casa da Nazaré com a imagem que só voltou ao seu santuário a 6 de Setembro de 1812. Nestas andanças se fazem os mistérios e, as obras de arte, e os documentos originais, mudam-se para as colecções particulares. (19) S. Braz – Morreu em 316. Foi bispo de Sebaste na Arménia. Morre em Capadócia, Baixa Arménia. Padroeiro dos animais selvagens. S. Bartolomeu – Morte provável em Albanopolis, na Arménia. Decapitado e esfolado vivo, crucificado e deitado ao mar no sul da Itália por ter convertido o rei da Arménia. Difícil haver relíquias físicas. Foi um dos 12 apóstolos, o 6º. (7º em S. João), Nataniel “ dom de deus”, “deus deu”. Originário de Canaã na Galileia, a sua ascendência é discutível. Bar-Talmay, filho de Talmay, ou Bar-Ptolomeu, filho de Ptolomeu (a cultura grega tinha grande influência na época na Judeia). A tradição diz que trazia consigo o perdido Evangelho Herético de Matias (ou Mateus) escrito em Hebraico. As poucas anotações que restaram indicam que este Evangelho era bastante diferente dos evangelhos gregos gentis (Mateus, Marcos, Lucas e João. Apenas restam fragmentos dos evangelhos heréticos. Seriam estas as relíquias, trazidas por D. Rodrigo? Onde estarão? (20) Considerando os pontos estratégicos em que se colocaram, a fogueira terá sido de facto um sinal. Mas, um sinal para quem? As lendas são, misturas de histórias, em línguas perdidas. (21) Aqui introduz o cronista a possibilidade de virem a ser encontradas a imagem e as relíquias. (22) NAZARÉ- VISTA À LUPA vídeo http://nazare-portugal.blogspot.com/search/label/mois%C3%A9s%20esp%C3%ADrito-santo (23) “… A partir duma capela à Senhora da Luz, perto de Aljubarrota e do que foi o porto lusitano fenício de Cós, deparamo-nos com um santuário megalítico à Lua (ainda quase intacto) e com resquícios do mito da Descida de Ishtar aos Infernos …” (24) O Prof. Moisés Espírito Santo fez recuar a data da fundação do Castelo de Alfeizerão ao tempo dos Fenícios, sustentando que o topónimo tem origem nos dialectos Púnicos que, segundo afirma, os Lusitanos falavam. À fortificação estaria associada uma estrutura portuária ainda não identificada. O Prof. Vasco Gil Mantas defende a tese de que em virtude de alguns achados e vestígios arqueológicos, e, interpretando o geógrafo Ptolomeu, junto a Alfeizerão ter-se-ia localizado Araducta, cidade lusitana. O mesmo autor reconhece ao porto romano de Alfeizerão a capacidade de ter servido não só a navegação de longo curso, atlântica, como a de cabotagem “certamente activa ao longo de toda a costa lusitana e muito bem adaptada ao sector costeiro entre Peniche e a Nazaré, com as suas várias lagunas abrigadas e facilitando as comunicações com o interior” (Mantas, 1996c, 1, p. 705). (25) Referências textuais fora da Bíblia não ocorrem até cerca de 200 d.C., quando Sexto Júlio Africano, citado por Eusébio de Cesareia (História da Igreja 1.7.14), menciona “Nazara” como sendo uma vila na "Judeia" e a localiza perto de uma “Cochaba”, até agora não identificada. Esta curiosa descrição não bate com a tradicional localização de Nazaré na Baixa Galileia. O primeiro a difundir a ideia errada de associar o título de Jesus com a cidade de Nazaré na Galileia foi Mateus. De acordo com o Novo Testamento era a terra natal de José e Maria, o local da Anunciação, e também o local onde Jesus passou a sua vida desde que voltou do Egipto em algum ponto de sua infância, até os seus 30 anos. (Mateus 1:18-2:23). No Evangelho de João, 1:46, Natanael (S. Bartolomeu) pergunta: "Pode algo de bom sair de Nazaré?" O sentido desta questão tem sido debatido. Considerando que as “relíquias” de S. Bartolomeu vieram para a Pederneira, podemos pôr a hipótese de ser ele oriundo desta região e, a discutida afirmação de Jesus "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira", terá sido um mero reconhecimento. Os nazarenos da galileia não acreditaram em Jesus, tentarem até matá-lo atirando-o de um penhasco (Lucas 4:29) e também, ao longo da sua história, estiveram sempre contra os cristãos. Do ponto de vista académico questiona-se agora quando no período romano Nazaré veio a existir, ou seja, se os assentamentos lá começaram antes ou depois do ano 70 d.C. Terá sido apenas no século VI que lendas sobre a Virgem Maria começaram a despertar interesse no local e, apenas em 1968, foi inaugurada a Basílica da Anunciação que passou a ser o maior templo cristão construído no Médio Oriente.

No oriente, quando se interessaram pela mãe de Jesus, há muito que era cultuada entre nós. Talvez D. Rodrigo trouxesse a imagem, “de volta”, para a Pederneira. Encontrei na wikipedia a informação de que, estudos arqueológicos muito recentes, dizem que foi descoberta em Nazaré da Galileia uma inscrição possivelmente do século II que atesta um culto a Nossa Senhora desde os primórdios do cristianismo, onde se pode ler “Xé Maria”, Avé Maria. Procurei muito e nada mais encontrei sobre esta inscrição mas, recordou-me o mote do Carnaval de 2010 da Nazaré, a nossa:“X’Ándar, X’Ósir, X’Óstar”, reinado entregue a Luís Mendes “Xiri” e Odete Robalo. Os Nazarenos, a quem tem sido atribuída ascendência fenícia, têm uma pronúncia única e um muito particular modo de ser. Amálgama de vidas, é preciso conviver com a gente da praia, para conhecê-los. 'Xandar o barco pó Norte 'Xandar o barco pó Sul… O nazarês não é uma linguagem, é um estado de espírito, disse-me ainda há dias um nazareno. Sempre em festa, têm muito a ver com a cultura cigana que, em interessantes estudos recentes, terá tudo a ver com a Judaica. Dos muitos milhares de habitantes de Nazaré da Galileia apenas 31,3% são cristãos. Na nossa Nazaré, devem ser todos. Não é uma cruz o símbolo original do Cristianismo mas sim um peixe. Jesus, o Nazareno, não foi um humilde carpinteiro que se rodeou de meia dúzia de pescadores que o seguiram na sua esquizofrenia, como diríamos hoje. Não eram um grupo de saloios, eram homens cultos com conhecimento das matemáticas. É preciso compreender a história de Judas Iscariotes a quem Jesus dá uma ordem clara: “Um de vós me trairá”. E também, dos doze apóstolos, doze. Peixes e outras alegorias referentes ao mar, e ao “pescar almas”, serão imortalizados nas lendas do Rei Artur e na figura do “Rei-Pescador” muito comuns nas alegorias medievais. Dagan o deus meio peixe meio homem, e os desaparecidos Povos do Mar, terão de ser interpretados de formas mais criativas.

BURACO NEGRO

Assim se cria a ilusão Arquétipo de todas as formas de existência com que Deus continua a tentar criar o Mundo, que vivenciamos, a Vesica Piscis é a base da Geometria Sagrada. Ainda que o progresso não o possa explicar, verificamos que os nossos ancestrais já sabiam muito…

A título de curiosidade e, pela importância das lendas, transcrevo: “UMA MUNDO VISÃO PISCATÓRIA” de José Maria Trindade, Mestre em Ciências da Educação, Especialização em Educação e Diversidade Cultural,
Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria.

“A mundo visão tradicional dos pescadores é marcada por uma rigorosa separação entre o mar e a terra. Separação reforçada por uma realidade que acentua a dicotomia masculino feminino, quer na divisão do trabalho, quer na arrumação simbólica do cosmos e do espaço social. O Mar e a Terra funcionam para os pescadores da Nazaré como arquétipos fundamentais na sua mundo visão. Nas casas dos pescadores não se misturava a carne e o peixe na mesma refeição. Esta prática evoca crenças e práticas semelhantes entre os esquimós, que também tinham uma concepção dualista do universo, resultado de um modo de vida caracterizado por um contraste total entre o Verão, em que as famílias se dispersavam para se dedicarem à pesca, e o Inverno, em que se concentravam em terra (Mauss, 1904). Segundo os pescadores nazarenos, a mistura dos dois alimentos provocava bichos na barriga. Os bichos estão associados à matéria putrefacta e à impureza. Impureza que resulta da confusão de categorias (Douglas, 1981) e do perigo de se juntar o que para a cultura piscatória deve manter-se separado: o que pertence ao Mar e o que pertence à Terra. Esta dicotomia é estruturante da mundivisão da comunidade piscatória da Nazaré confirmada pelos mitos de origem, e pela rígida divisão sexual do trabalho. Estes mitos, situados no “tempo em que deus

andavapelo mundo” acentuam uma oposição muito marcada entre a terra e o mar, o masculino e o feminino. “Um dia o Senhor precisou de vir cá baixo à terra. E disse: - Olha São Gregorino, agora ficas no meu lugar que eu vou dar uma visita à terra. Nosso Senhor veio à terra e quando subiu ó céu pra se sentar no lugar dele, ele não quis dar a cadeira ó Senhor... São Gregorino é o diabo. – Dá–me o meu lugar São Gregorino! Eu emprestei-to, não to dei. – Ele antão disse pó senhor: - Quem vai ó mar perde o seu lugar. – Disse ótra vez o Senhor: - Dá-me o lugar São Gregorino, que eu não to dei, eu emprestei-to. – Quem vai ó vento perde o seu assento. Nisto foi julgado. O Mar e a Lua foi contra o Senhor. O Sol e a Terra foi a favor do Senhor. E quando foi o julgamento, o Senhor disse pó Sol: - Tu Sol, serás a rosa mais brilhante em todo o mundo! Tu Terra, serás a terra que dás pão ós meus filhos! Tu Lua, andas adebaixo de todo o tempo! Tu Vento, soprarás de noite e de dia que nunca tens sossego! – E disse pó Mar: - E tu Mar, nunca terás sossego, nem de noite, nem de dia! – E ele é que respondeu pó Senhor: - Também heide comer muitas barbas! - E o Senhor disse-lhe: - Adebaixo do meu poder.” A rebeldia do Mar perante Deus é um tema frequente noutras mitologias. O Mar é ele próprio um deus por direito próprio, ou de onde surgiram os deuses, nas mais antigas mitologias, e a emergência de uma divindade superior obrigou à redefinição do seu papel nas várias mitologias até à sua subordinação. 10 de 12 Mas os mitos podem ser lidos de muitas maneiras. E há uma outra leitura que pode ser feita: quando São Gregorino diz para Deus: “Quem vai ao mar, perde o lugar”, a verdade é que a mesma expressão se ajusta a uma realidade social que é a da comunidade piscatória, onde a ausência do homem no mar, justifica o papel dominante da mulher, não só em casa, mas na comunidade em geral. A clivagem masculina – feminino que marca profundamente a cultura dos pescadores da Nazaré pode ainda ser observada nas cegadas. Nas cegadas, enquanto o pescador, trajado a rigor é representado como uma figura austera, de porte altivo, e se canta a sua coragem na luta contra o mar e o seu passado de sacrifício, a mulher é representada como uma zaragateira, sempre envolvida nalguma discussão. Detentora do poder, é ela que deve carregar a culpa e servir de bode expiatório no altar onde a Imago do Pai é celebrada. E ainda que em contexto de inversão, o do Carnaval, é extraordinário como a comunidade, que segundos antes se ria às gargalhadas com as cenas hilariantes em que se ridiculariza a mulher, muda subitamente quando se evoca a figura do pescador, e o ambiente se torna solene - quase religioso. (26) O Talmude discute uma grande variedade de assuntos - uns sublimes, outros mundanos - mas todos, de alguma forma, reflectem o relacionamento e envolvimento de Deus com este Seu mundo. Oculto em suas lições e ditames, escondem-se profundos segredos e ensinamentos espirituais e místicos. (27) Flávio Josefo escreveu a história dos acontecimentos judeus na época em que Jesus viveu. Os falsificadores aproveitaram-se então de seus escritos e acrescentaram: “Naquele tempo nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos. Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã, que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa”. Depois deste trecho, passa a expor um assunto bem diferente no qual refere-se a castigos militares infligidos ao populacho de Jerusalém. Mais adiante, fala de alguém que conseguira seus intentos junto a uma certa dama fazendo-se passar como sendo a humanização do deus Anubis, graças aos ardis dos sacerdotes de Ísis. As palavras a Flávio atribuídas são as de um apaixonado cristão. Flávio jamais escreveria tais palavras, porquanto, além de ser um judeu convicto, era um homem culto e dotado de uma inteligência excepcional. O próprio Padre Gillet reconheceu em seus escritos ter havido falsificações nos textos de Flávio, afirmando ser inacreditável que ele seja o autor das citações que lhe foram imputadas. Além disso, as polémicas de Justino, Tertuliano, Origines e Cipriano contra os judeus e os pagãos demonstram que Flávio não escreveu nem uma só palavra a respeito de Jesus. Estranhando o seu silêncio, classificaramno de partidário e faccioso. No entanto, um escritor com o seu mérito escreveria livros inteiros acerca de Jesus, e não apenas um trecho. Bastaria, para isto, que o fato realmente tivesse acontecido. Seu silêncio, no caso, é mais eloquente do que as próprias palavras. Adaptado

(28) Do Parque Natural das Serras d'Aires e Candeeiros, apenas um habitante conhece os seus mistérios, a Aranha Cavernícola Nesticus lusitanicus. Único local do mundo em que habita. Da infiltração resulta uma vasta e complexa rede de cursos de água subterrâneos que modelam grutas e algares, mais de 1500 cavidades. Circulando pelas galerias qual engenheiro, qual designer, gota a gota a Água usa o calcário e cria formas de rara beleza, estalactites, estalagmites, colunas… Rios subterrâneos, de incomensurável beleza quem sabe, caminhos para sumptuosas catedrais, esculpidas directamente pela mão de Deus. Pouco visível à superfície, abunda no subsolo e é o maior reservatório subterrâneo de água doce do país, daqui vai a água que se bebe em Lisboa, desde 1880. A Região de Lisboa compreende integralmente os distritos de Leiria, Lisboa, e a metade norte do de Setúbal. Limita a norte com a Região Centro; a nordeste, leste e a sul com o Alentejo, e a sul e oeste com o Oceano Atlântico. O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros abrange os municípios de Alcobaça e Porto de Mós no Distrito de Leiria e Alcanena, Rio Maior, Santarém, Torres Novas e Ourém no Distrito de Santarém. Foi sempre o litoral sítio privilegiado de ocupação. Aí nasceram civilizações e os primeiros subterrâneos que cavaram rotas. Encontramos pontos coincidentes quando encontramos lendas que unem pontos como por exemplo Lisboa, Sintra, Peniche, Nazaré, Tomar. As formações calcárias albergam grutas. Algumas maravilhosamente enfeitadas de estalactites e estalagmites, pequenas e grandes catedrais talvez outrora usadas como santuários druidas mas, que sabemos nós dos Druidas? Muitas estarão ligadas entre si, pequenas, estreitas, mas a facilitar o caminho ao homem construtor. Há que cavar a montanha. A montanha e o homem. Pequeno desafio para o homem que enfrenta o Homem. Entre rotas subterrâneas, aéreas ou marinhas, os homens conheceram outros homens e negociaram com eles segredos ou bens Do miradouro mais alto da Estremadura, fortificação natural que se eleva a 666 m de altitude, entranhas ricas em algares, grutas, lagoas residuais, necrópoles e fósseis pré-históricos, a Serra de Montejunto contempla a imensidão. A oeste envoltas no azul do mar estão as Berlengas, a noroeste o Sítio da Nazaré, a sudeste os verdes das Lezírias do Tejo e, a sul, o mundo encantado de Al-Shantara, hoje apenas Sintra, a assinalar o limite ocidental da Europa. No Monte da Lua, sobranceira, a Cruz Alta vê entre brumas o mar e a história dos homens, do alto dos seus 529 metros. MONTE S. BRÁS CHINA MEXICO

Se observarmos estas fotos podemos deixar voar imaginação. As estonteantes pirâmides de Gize não são únicas. Também o não são as do México. Há, afinal também, pirâmides na Europa e na China mas, nos últimos séculos ou milhares de anos, têm estado disfarçadas de montes.

Em resumo, ARRÁBIDA, LISBOA, SINTRA, AZOIA, PENEDO, CABO CARVOEIRO, PENICHE, a “COSTA SACRALIZADA DA NAZARE”, OURÉM e, consequentemente TOMAR, estão ligadas por rotas subterrâneas, mapas que ao tempo de Afonso Henriques existiriam. É do conhecimento desses mapa, que nasce, a Lenda da Nazaré Sobre Sintra e seus mistérios pode consultar-se Vítor Manuel Adrião, escritor esotérico português, consultor de investigação filosófica e histórica, formado em História e Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa, tendo feito especialização na área medieval pela Universidade de Coimbra. Presidente Fundador da Comunidade Teúrgica Portuguesa e Director da Revista de Estudos Teúrgicos Pax, Adrião é profundo conhecedor da História Medieval do Sagrado, sendo conferencista de diversos temas relacionados ao esoterismo, às religiões oficiais, aos mitos e tradições portuguesas, às Ordens de Kurat (em Sintra) e do Santo Graal, das quais também faz parte. (29) “A Ordem de Cristo não tem graus, templo, rito, insígnia ou passe. Não precisa reunir, e os seus cavaleiros, para assim lhes chamar, conhecem-se sem saber uns dos outros, falam-se sem o que

propriamente se chama linguagem. Quando se é escudeiro dela não se está ainda nela; quando se é mestre dela já se lhe não pertence. Nestas palavras obscuras se conta quanto basta para quem, que o queira ou saiba, entenda o que é a Ordem de Cristo – a mais sublime de todas do mundo”. “Não se entra para a Ordem de Cristo por nenhuma iniciação, ou, pelo menos, por nenhuma iniciação que possa ser descrita em palavras. Não se entra para ela por querer ou por ser chamado; nisto ela se conforma com a fórmula dos Mestres: «Quando o discípulo está pronto, o Mestre está pronto também». E é na palavra «pronto» que está o sentido vário, conforme as ordens e as regras. “Fiel à sua obediência — se assim se pode chamar onde não há obedecer — à Fraternidade de quem é filha e mãe, há nela a perfeita regra de Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Os seus cavaleiros – chamemos-lhes sempre assim – não dependem de ninguém, não obedecem a ninguém, não precisam de ninguém, nem da Fraternidade de que dependem, a quem obedecem e de que precisam. Os seus cavaleiros são entre si perfeitamente iguais naquilo que os torna cavaleiros; acabou entre eles toda a diferença que há em todas as coisas do mundo.” Fernando Pessoa, Tratado do Subsolo Jesus histórico Que bem escondido está há 2000 anos o Jesus, histórico, que não sabemos ainda hoje onde nasceu e morreu. Não sabemos quando e nem sequer sobre o seu nome há consenso. Pesquisar Cristo é mais do que caminhar pela cultura e pela religiosidade humana, é adentrar os mistérios do Graal e do Porto do Graal. O homem moderno, detentor do poder da tecnologia, continua a ajoelhar diante do altar erguido pelos seus atemorizados ancestrais e, a baixar a cabeça, aos intermediários de Deus. Uma minoria muito privilegiada e desde sempre detentora de uma arma muito poderosa: a Cultura. No Apocalipse João escreveu: “Se alguém acrescentar alguma coisa nisto, Deus castigará com as penas descritas neste livro; se alguém cortar qualquer coisa, Deus cortará sua parte na árvore da vida e na cidade santa descrita neste livro”. Eram habituais as falsificações como vemos A orla Mediterrânica, o norte da África, o sul da Europa e a Ásia Menor estavam repletas de Messias e Cristos a partir do século II antes de nossa era. Milhares de pessoas os seguiam e neles acreditavam. Para que tanto desassossego exista sobre este tema, tão fácil afinal de clarificar se a Igreja nisso atentasse, uma coisa é certa: Ainda que em documentos não se encontrem referências dignas de crédito, autênticas e aceitáveis pela história, Jesus foi, seguramente, alguém real que viveu e respirou como nós, algures. A política existe desde que o homem se tornou inteligente. Cabe aqui citar Woody Allen: “O mágico fez um gesto e desapareceu a fome, fez outro e desapareceu a injustiça, fez um terceiro e desapareceram as guerras. O político fez um gesto e desapareceu o mágico”. No interesse de alguns, a existência de Jesus transformou-se naquilo que hoje conhecemos. Tentou apagar-se-lhe a memória de modo a que, convenientemente, perdurasse. Tal como diz hoje Bento XVI, no prefácio do seu livro Jesus de Nazaré, encontra-la “pressupõe uma decisão da fé que não pode surgir de um método puramente histórico”. Os historiadores mostram que a chamada religião cristã nasceu em Alexandria e não em Roma ou Jerusalém, eu concluo que terá sido mais para cima e, mais à esquerda. Há alguma coerência em cada um dos Evangelhos considerados verdadeiros mas, se os compararmos e se compararmos os evangelistas com outras fontes, externas a eles, o resultado é trágico. Fascinantes pelas extravagâncias que chegam a conter, os Evangelhos Apócrifos são um território proibido. Num Jesus é um menino mágico, faz passarinhos de barro, e depois de bater palmas, põe-nos a voar. Em outro Jesus também menino roga uma maldição e faz cair morta uma criança que o perseguia. Numa cena de infância, Jesus quer brincar com um grupo de crianças mas elas fogem dele e refugiam-se numa casa. Jesus pergunta à dona da casa onde estão as crianças e para protegê-las, ela diz que não há ninguém. O barulho que ele está a ouvir na outra divisão é de bodes. Ordena Jesus então: "Deixa os bodes saírem". A mulher abre a porta e descobre… Bodes. Aquilo que não parece verdade pode muito bem sê-lo, principalmente se nos lembrarmos de que quem conta um conto aumenta-lhe um ponto. Se Jesus foi o adulto de que há “boatos”, alguém com um conhecimento desconhecido, paranormal dir-se-ia hoje, é natural que tivesse em criança atitudes menos compreendidas por aqueles com quem convivia. Talvez fosse precisamente esse o motivo pelo qual se manteve distante do local onde veio a aparecer para cumprir a sua missão que, não sabemos ainda hoje qual seria, tal a forma engenhosa como foram ao longo do tempo misturados e camuflados os registos. O ministério de Jesus começa apenas com o seu baptismo no rio Jordão por João Batista.

Alguns críticos afirmam que Jesus é mero plágio das “histórias” de deuses pagãos como Mitra (persa – romano), Horus (egípcio), Krishna (hindu – indiano) ou Attis (Frígia – Roma). Entre Jesus e o deus pagão Dionísio há muito em comum. Ambos foram colocados numa manjedoura com fraldas e os cristãos primitivos afirmavam que Jesus tinha nascido numa caverna, como Dionísio, e não num estábulo. Podia tornar água em vinho, viajaram de burro e deram de comer a uma multidão num ermo, sofreram e foram objecto de escárnio. Também a afirmação de que depois da ressurreição Jesus apareceu aos seus discípulos é baseada em superstições pagãs. Na mitologia Romana, Rómulo nascido de uma virgem, apareceu ao seu amigo na estrada antes de ser levado para o céu (em grande número de mitos e lendas pagãs e até em histórias Judaicas, se encontra o tema de ser levado para o céu.) Afirmou-se também que Apolónio de Tyana, nascido mais ou menos ao mesmo tempo, apareceu aos seus discípulos depois de ter ressuscitado. Realizou também muitos milagres idênticos aos de Jesus como o exorcismo de demónios, e trazer à vida uma rapariga morta. É provável que os Evangelhos tenham sido compostos para enquadrar Jesus no que está previsto no versículo 17 do salmo 22. Aquele que os cristãos adoram, tal como os índios do Peru, é na verdade o Sol sob o nome de Jesus Cristo. Também a sua relação ainda hoje desconhecida com a Ordem do Templo estabelece ligações ao paganismo, através do personagem consagrado na história com o nome de Bernardo de Claraval. O antigo rito do baptismo determinava que o catecúmeno voltasse o rosto em primeiro lugar para o Ocidente. Inúmeros estudos demonstram que, depois da crucificação, terá vivido Jesus em outros lugares. Apresentam provas e todos têm razão, no entanto todas apresentam um Jesus mais velho, casado e a ensinar algures. Um passado obscuro, um presente fulgurante e, um futuro insondável. E isso criou um mito. Uma luz que acendeu e apagou. E entre estes dois momentos, alguém falou de Amor, de Igualdade, e de Justiça. Ressuscitar em segredo, porquê? Tornar legais as piores atrocidades da história, foi o efeito da ressurreição. Depois dela Jesus foi visto varias vezes e, pelos relatos dessas situações, se depreende que era de carne e osso ainda que disfarçado ou, seu irmão gémeo, Tiago. “E por dizerem (regozijantes): “Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus”, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém, o fato é que não o mataram. ” Alcorão, Surata An-Nissah. Versículos 157 e 158. Em João 19:39-40, descreve-se que Yeshua foi ungido com especiarias como manda a tradição funerária hebraica, porém em Marcos 16:1 encontra-se que as especiarias foram compradas e preparadas, porém não foram usadas. Com Jesus já morto e sepultado, os sacerdotes dizem a Pilatos: "Ordena pois que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, para que os discípulos não venham roubá-lo e depois digam ao povo: Ele ressuscitou dos mortos" (Mateus 27:64). Idêntico em Mateus e em Pedro: "...para que os discípulos não venham roubá-lo..." Percebe-se nos relatos bíblicos que Jesus não queria morrer, que o seu julgamento foi diferente do habitual e que, reaparece vivo, com as marcas dos pregos.Em nenhum momento Jesus se declarou Deus. No Codex Sinaiticus e outros manuscritos antigos, as palavras “e foi elevado aos céus” estão totalmente ausentes. Apenas diz: “E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles.” Não há nenhuma referência à Ascensão no texto original do Evangelho. Foram adaptados alguns textos dos quais não é possível identificar o autor, apresentam-se entre aspas. “No Extremo Oriente, onde as maiores religiões são o Budismo, o Xintoísmo, o Taoísmo e o Confucionismo, Jesus é considerado como mais uma personagem da mitologia religiosa ocidental, a par com Thor, Zeus e Osíris. Se Jesus não foi uma personagem histórica, de onde veio toda a história do Novo Testamento em primeiro lugar? O nome Hebreu para os Cristãos sempre foi Notzrim. Este nome é derivado da palavra hebraica neitzer, que significa broto ou rebento – um claro símbolo Messiânico. Já havia pessoas chamadas Notzrim no tempo do Rabi Yehoshua ben Perachyah (c. 100 A.C.) Apesar de os modernos Cristãos afirmarem que o Cristianismo só começou no primeiro século depois de Cristo, é claro que os Cristãos do primeiro século em Israel se consideravam como sendo a continuação do movimento Notzri, que existia acerca de 150 anos. Os primeiros Cristãos acreditavam que o Messias iria

nascer em Belém. Esta crença é baseada numa má interpretação de Miquéias_5.2, que simplesmente nomeia Belém como a cidade onde a linhagem Davidiana começou. Como os primeiros Cristãos acreditavam que Jesus era o Messias, eles automaticamente acreditaram que ele tinha nascido em Belém. Mas porque é que os Cristãos acreditavam que ele tinha vivido em Nazaré? A resposta é bem simples. Os primeiros Cristãos de língua Grega não sabiam o que a palavra "Nazareno" significava. A forma primitiva Grega desta palavra é "Nazoraios", que deriva de "Natzoriya", o equivalente aramaico do Hebreu "Notzri" (lembre-se que "Yeishu ha-Notzri" é o original Hebreu para "Jesus, o Nazareno".) Os primeiros Cristãos conjecturaram que "Nazareno" significava uma pessoa de Nazaré, e assim assumiuse que Jesus tinha vivido em Nazaré. Mateus2.23 ” e ele veio e morou numa cidade chamada Nazaré para que se cumpra o que foi dito pelos profetas e será chamado de Nazareno”. “Seria natural que aqueles que o omitiram tivessem falado dele abundantemente. No entanto, a história não tem registo da sua existência nem as maravilhas que fez. Os autores que seriam seus contemporâneos omitiram-no completamente. Os documentos históricos que o mencionam fazem-no esporadicamente e mesmo assim revelam-se rasurados, e falsificados, pelo que de nada adiantam. A interpretação da Bíblia e da mitologia comparada não resiste a uma confrontação com a história. Flávio Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetónio e Plínio, teriam feito em seus escritos referências a Jesus Cristo. Todavia, tais escritos após serem submetidos a exames grafo técnicos, revelaram-se adulterados no todo ou em parte, para não se falar dos que foram totalmente destruídos. Além disso, as referências feitas a Crestus, Cristo ou Jesus, não são feitas exactamente a respeito do Cristo dos Cristãos. Seria mesmo difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos cristãos, visto que esse era um nome comum na Galileia e Judeia. Filon de Alexandria, apesar de ter contribuído poderosamente para a formação do cristianismo, é totalmente contrário à existência de Cristo. Filon havia escrito um tratado sobre o Bom Deus — Serapis —, tratado este que foi destruído. Os evangelhos cristãos a ele muito se assemelham, e os falsificadores não hesitaram em atribuir as referências como sendo feitas a Cristo. “ “ Por séculos, os romanos se divertiram vendo prisioneiros de guerra lutando entre si nos circos. Em um único mês, o imperador Diocleciano fez quarenta mil homens se matarem no Coliseu, mais de mil por dia, enquanto uma multidão exaltada bebia vinho misturado com mel e chumbo, fumava ópio, fazia negócios e copulava com prostitutas e prostitutos, na maioria pré- adolescentes. A quantidade de sangue e de órgãos esquartejados não os incomodava e em parte era coberta pelo fedor de vômito, já que os romanos, para continuar se enchendo de comida e bebida, tinham o hábito de enfiar dois dedos na garganta para vomitar o que acabavam de ingerir. Constantino é aquele que adota o cristianismo como religião oficial do Império. O mesmo imperador que mandou matar o próprio filho, a mulher, o sogro e o cunhado. Reza a lenda que Jesus apareceu para ele e lhe prometeu vitória na batalha em troca da adoção do cristianismo como única religião do "mundo civilizado" e do uso do símbolo da cruz, alçado de forma triunfante na batalha.” “Flávio Josefo, nascido no ano 37, e escrevendo até 93 sobre judaísmo, cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a respeito de Jesus Cristo. Justo de Tiberíades, igualmente não fala em Jesus Cristo, conquanto houvesse escrito uma história dos judeus, indo de Moisés ao ano 50. Os Gregos, os romanos e os hindus dos séculos I e II jamais ouviram falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos historiadores ou escritores judeus ou romanos, os quais viveram ao tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, se ocuparam dele expressamente. Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos quanto a qualquer movimento religioso ocorrido na Judeia, chefiado por Jesus.” “O conhecimento mostra que as religiões, para se firmarem, têm-se valido muito mais da força física do que da fé. “Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”. São palavras de St. Agostinho. À menor suspeita, arrastavam o criminoso para um escuro e nauseabundo calabouço onde as mais infames torturas lhe eram infligidas. Depois arrastavam-no à praça pública, para ser queimado vivo, o que decerto, causava muito prazer, ao populacho cristão. Desse modo, a Igreja tornou-se um verdugo desumano, exercendo o seu poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em que escrevia uma das mais terríveis páginas da história da humanidade.” “Este estudo demonstra que Jesus Cristo foi concebido no século II para cumprir um programa messiânico elaborado pelos profetas e pelos compiladores do Velho Testamento e das lendas, sob o seu

pretenso nome. Vê-se, então, que os passos de Jesus pela terra aconteceram conforme o Talmude, para que se cumprissem as profecias do judaísmo. Mateus 1:2 descreve-nos um Jesus Cristo que nasce milagrosamente, apenas para que se cumprissem as escrituras. Em 2:5 diz que nasceu em Belém, porque foi ali que os profetas previram que nasceria. Em 2:14 deixa-o fugir para o Egipto, para justificar estas palavras: “Meu filho será chamado do Egipto”. Em 2:23 faz José regressar a Nazaré porque Jesus deveria ser nazareno. Em 3:3 promove o encontro de Jesus com João Batista, porque Isaías predissera-o. Em 4:4 Jesus foi tentado pelo diabo, porque as escrituras afirmaram que tal aconteceria e que ele resistiria. Em 4:14 leva Jesus para Cafarnaum para conferir outra predição de Isaías. Em 4:12 Jesus diz que não se deve fazer aos outros senão aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito, porque isto também estava na lei dos profetas. Em 7:17 Jesus cura os endemoninhados, conforme predissera Isaías. Em 11:10-14 Jesus palestra com João Batista porque assim predissera Elias. Em 12:17 Jesus cura as multidões, quando pede que não propalem isso, igualmente dando cumprimento às palavras de Isaías. Em 12:40 permanece sepultado durante três dias porque os deuses do paganismo, os deuses solares ou redentores, também estiveram; como Jonas, que foi engolido por uma baleia, a qual depois de três dias jogou para fora, intacto como se nada tivesse acontecido. E tudo isto aconteceu em um mar onde não há possibilidade de vida para esse cetáceo, portanto, só poderia acontecer graças aos milagres bíblicos. Em 13:14 diz que Jesus falava por meio de parábolas, como Buda também o fez. Assim também falavam os antigos taumaturgos, para que apenas os sacerdotes entendessem; assim só eles seriam capazes de interpretar para os incautos e crédulos religiosos, e, afinal, porque Isaías assim o previa. Em 21:14 Jesus entra em Jerusalém montado em um burreco, conforme as profecias. Em 26:54 Jesus diz que não foi preso pelo povo quando junto dele se assentou no templo para ensinar, porque também estava previsto. Em 27:9 Judas trai a Jesus, vendendo-o por trinta dinheiros e recebendo à vista o preço da traição. Em 27:15 os soldados repartem entre si as roupas do crucificado. Lucas 23:27 diz que Jesus mandou comprar espadas, para que assim fosse confundido com os malfeitores comuns, porque assim estava previsto. Em seguida, diz que Jesus, ao ensinar aos seus apóstolos, afirmava que tudo o que lhe acontecesse era, para que estivesse de acordo com o que escreveram Moisés e os profetas e, como estava descrito nos salmos. Em 24:44-46 diz que Jesus afirmou “Como era necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse ao terceiro dia, dentre os mortos”. Para ficar de acordo com as previsões testamentárias, João 19:27 diz que Jesus teve sede e pediu água. Em 19:30, ao beber a água, disse que era vinagre e exclamou: “Tudo se cumpriu”. Em 19:32-37 diz que não lhe quebraram nenhum osso, apenas o feriram com a lança para verificar se havia expirado. E isto também estava predito. Por ai, percebe-se que tudo ali é puro simbolismo, e que Jesus foi idealizado apenas para cumprir as escrituras. Está ai uma prova de que a existência de Jesus nada mais é do que uma fabulação. Tertuliano, baseando-se em Isaías, disse que ele era feio, ao passo que Agostinho afirmou que ele era bonito.” “Paulo apresenta um Apolo que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato. Em Actos dos Apóstolos 18, lê-se: “Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloquente e muito douto nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Na epístola I aos Coríntios, diz: “Apolo era igual a Jesus”. Apolo, João Baptista, Jesus e Natanael / Bartolomeu (filho de Ptolomeu, que sabia onde ficava Araducta), conheciam-se, provavelmente de outras paragens. Ver Nota (19) e (24)

Muitos autores põem a hipótese de ter Jesus estudado na Índia, ou no Egipto mas, no litoral ocidental, existiam antigos santuários de uma muito antiga religião que vagamente conhecemos por Druidismo. Aí terá Jesus passado a sua infância. Não vamos aqui enumerar as múltiplas possibilidades. Terá ido a Jerusalém por volta dos doze anos para visitar José, provavelmente doente, pois dele não volta a ouvir-se falar. O episódio do templo, em que Jesus fala com os doutores, é muito esclarecedor. Mostra que foi um momento fortuito, certamente os doutores interessar-se-iam logo por tal criança, da qual haveria hoje registos se tivesse continuado a frequentar tal companhia. Também mostra que a preocupação de Maria estava certa, não pelos seus “prodígios” aos quais devia estar habituada, mas sim com receio de que devido à sua pouca idade desse mais nas vistas do que o conveniente. Terá retornado

ao Ocidente, até que já adulto terá ido, provavelmente, de uma aldeia piscatória para outra, provavelmente Cafarnaum. Cidade bíblica na margem norte do Mar da Galileia onde perto passava a importante Via Maris (Estrada do Mar), que ligava o Egipto à Síria e ao Líbano e que passava por Cesareia Marítima. Estranho é que até ao século XVIII tenha sido ignorada. Para os leitores de novelas policiais é, nítido, que por detrás de tudo isto está um plano. O fato de Buda não ser o messiasesperado pelos judeus não desqualifica o budismo em nada. O facto de Jesus não ter rescuscitado e não ser Deus, torna-o muito maior como Homem e, a sua mensagem de amor ensinanos que, tal como ele, podemos ser Deuses.

P.S.. Casualmente, a deitar o açúcar no café, ainda há dias me perguntaram: - Sabes que por baixo do farol havia uma gruta? Tinha uma grande mesa de pedra, enorme. Conta a minha avó, que quando vieram os primeiros pescadores de Aveiro, pela praia, paravam ali a comer. Nós reunimos histórias e as histórias reúnem-se sozinhas. - Quem sabe lá, iria ter, o subterrâneo que começa por baixo da Capela da Memória? Agora com uma grade de ferro pois parece que desapareceu um padre, que por lá se aventurou e, o cão, que mandaram no seu encalço. Foi por acaso ali que D. Rodrigo encontrou Frei romano morto e deixou enterradas a imagem e as “relíquias”, que de tão longe tinham trazido, apesar do risco. Responderá a maioria: - Não tem nada a ver uma coisa com a outra. - Talvez.

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