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Gilberto Freyre foi um sociólogo, antropólogo e escritor, nascido em recife, 15 de março de 1900 e veio a falecer em 18 de julho de 1987.

Teve grande importância no cenário brasileiro e mundial. Sendo até nossos dias, relembrado como fundamental para reconstituição históricosocial do Brasil e de Portugal. Freyre estudou na universidade de Columbia nos estados unidos onde conhece Franz Boas, seu orientador e sua principal referência intelectual. Segui, em 1921, na faculdade de ciências políticas (inclusive as ciências sociais judiciais) da universidade de Colúmbia, cursos de graduação e pós-graduação. Em 1922 defendeu sua tese de mestrado "social life in brazil in the middle of the 19th century" (vida social no Brasil nos meados do século xix) Também foi membro da academia pernambucana de letras e da academia portuguesa de história, ensinou em várias instituições de ensino superior, tanto no Brasil como no exterior. Além de sua importância como sociólogo e antropólogo, exerceu o cargo de deputado federal, eleito por pelo estado de Pernambuco. Teve diversos artigos e livros publicados. Além de sua maior obra: Casa-grande e senzala. Podemos citar como outras grandes obras do autor: sobrados e mucambos, 1936; assucar, 1939; ordem e progresso, 1957. Brasis, Brasil e Brasília, 1968; o brasileiro entre outros hispanos, 1975, entre outros. O sociólogo Gilberto Freire inicia o primeiro capítulo falando sobre as características dos portugueses que possibilitaram a colonização. Desde as guerras com os mouros, a influência semita é visível à estrutura do português. Povo de grande mobilidade e adaptabilidade, tanto física como social, o semita impõe suas marcas ao português que já não tinha um estereótipo social ou mesmo físico determinado. “População indecisa no meio de dois bandos contendores [nazarenos e maometanos], meia cristã, meia sarracena e que ambos contava parentes, amigos, simpatias de crenças e costumes. (ALEXANDRE HERCULANO, 1853, apud, FREYRE, 2001. P. 81). Essa influência africana, estimulada pela guerra, está intrinsecamente associada ao fervor sexual e a adaptabilidade do português, pois, como diz Freyre: ''A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos, explica-a em grande parte o seu passado étnico, ou antes, cultural, de povo indefinido entre a Europa e a África. (FREYRE, 2001, p. 80). A mobilidade foi um dos segredos do português. Com uma população de insignificante número, não se explica a colonização de territórios tão distantes uns dos outros, como na África, América e Ásia, se não, pela sua mobilidade e poder de miscigenação. O português dominou territórios muito extensos e implantou-se de forma marcante em todos esses. Havia também a preocupação com as atividades específicas que cada região necessitava. Sua experiência de outras colônias foi muito importante para sanar este problema. Deslocava-se homens de acordo com suas experiências profissionais. “Os indivíduos de valor, guerreiro, administradores, técnicos, eram por sua vez deslocados pela política colonial de Lisboa como peças num tabuleiro de gamão: da Ásia para a América ou daí para a África, conforme conveniências de momento ou de religião.” (FREYRE, 2001, p. 83) Sobre a miscibilidade do português, Freyre nos remete que a dificuldade imposta pela pequena população portuguesa, foi logo suprimida pelo desejo sexual desenfreado; e estimulado pelas razões econômicas e políticas do Estado. A figura da moura-encantada, mulher morena cheia de misticismo, já estava para o imaginário português associada ao seu mais puro desejo sexual. “[...] que os colonizadores vieram encontrar parecido, quase igual, entre as índias nuas e de cabelos soltos do Brasil. (FREYRE, 2001, p. 84). A essa união com a mulher de cor, foi necessário o rompimento de alguns preceitos religiosos, como a desestruturação inicial do casamento. Mas foi de grande valia para a miscigenação da raça, ao aumento de mão de obra e até mesmo a estruturação social para os portugueses que viriam para o Brasil em períodos futuros. “Quanto a miscibilidade, nenhum povo colonizador, dos modernos, excedeu ou sequer igualou nesse ponto aos portugueses.” (FREYRE, 2001, p. 83). A família patriarcal é o fator preponderante na estruturação social e agrária no Brasil. Essa

Chocando-se com a idealizada pelos jesuítas. Importante para preparar a estrutura que as próximas gerações de portugueses encontrariam. Gilberto Freyre utiliza-se de palavras conclusivas e sintetiza este primeiro capitulo. no desenvolvimento físico e econômico com a mesma influência do solo deficiente e da instabilidade do clima. mandava-se vir de Portugal.105). que já havia se implantado em Ceuta na África e mantinha relações com este e outros povos africanos. os víveres não vinham em sua maioria. Desagregado de seus nutrientes. E a família colonial. Enquanto que nas regiões do nordeste a população sofre no seu desenvolvimento econômico pela monocultura. 2001. quer vindas de Portugal.. é relacionada a circunstância econômica da nossa formação patriarcal. Tudo era desequilíbrio. homens brancos das casas-grandes e negro das senzalas. e desenvolvida pelos portugueses em consequência da falta de riquezas organizadas. Alimentos muito ricos em calorias. A policultura teria provavelmente resolvido os problemas nutritivos da formação brasileira. os mantinha grandes consumidores de carne. A mulher sofre em proporção desfavoráveis com as doenças européias. Se torna uma marca de honra nas crianças as marcas da sífilis. refletindo em uma sociedade pessimamente nutrida. aliada ao sadismo imposto pela relação social dos senhores e escravas. “A vantagem da miscigenação correspondeu no Brasil a desvantagem da sifilização.119). Enfim a família rural dá rumo a colonização portuguesa no Brasil. mas também. Sobre a pobre alimentação em razão da monocultura e da inadaptabilidade ao clima. só os extremos antagônicos. Os negros “[. p. Uma consequência à colonização portuguesa quase sem gente.. da mulher ser tão impotente ao domínio do homem. 2001. agi. Grandes excessos e grandes deficiências. 2001. (FREYRE. Mas sua implantação foi improvável pela pressão de uma influência econômica. grande parte dos alimentos. pobrezas e riquezas. ou seja. a mandioca e o milho. Uma terra de alimentação instável. A mulher sempre reprimida sexual e socialmente pela figura do pai e do marido. os vastos terrenos pastoreios. diferentemente do que se dizia desde a primeira discrição do solo. Os primeiros pela natural escolha pautada em sua posição social. p. È também muito contrária aos objetivos da Companhia de Jesus que não permite: “Nenhuma individualidade nem autonomia pessoal ou de família.” (FREYRE. p. eram exceções. facilitando o comércio de escravos para sua nova colônia. A má formação alimentar em razão da monocultura de da inadaptabilidade ao solo. toda essa importação era uma tentativa de equilibrar a falta de alimentos que se encontrava nestas terras. Já em São Paulo. a sífilis só se encontra em menor importância em relação a má nutrição. Ainda assim. feita pela famosa carta de Pero Vaz de Caminha: “tudo que se planta dá”. além disso. incentiva a compra de escravos e introduz o mando político. os alimentos formados por estas terras são de pobreza química notável. por franceses e espanhóis. e também muito importantes para estruturar a singularização na formação paulistana.estrutura agrária era necessariamente escravocrata.] porque precisavam de comida que desse para os fazer suportar o duro trabalho da bagaceira. como o trigo. Nada mais natural a utilização do negro e do índio na força de trabalho e na formação da casa-grande. dificultando a vida pros colonizadores do Brasil. Há também certa variedade de produção de cereais. E notoriamente essa relação de poder do homem. o ruralismo no Brasil foi uma consequência do clima e do solo diferente para o plantio do de Portugal. A sífilis não foi uma praga importada somente por portugueses. Poucos tinham a capacidade de dar-se ao luxo de tais compras. mais . os paulistas se mantêm os mais equilibrados em virtude de sua maior divisão de terras: a agrícola e a pastoril. fora responsável pela disseminação de pragas e doenças não antes encontradas entre os autóctones. bem conservados. e para nos mostrar que somente a colonização portuguesa seria possível nas terras brasileiras. Como influência social. quer da união com gente da terra é que possibilita a fazenda. Enchentes e secas. A miscigenação fora muito importante para a formação do brasileiro. Em contrapartida. 96).” (FREYRE. Por isso.

Transformando sua leitura agradável e de fácil transcorrência. Se tratando de características únicas como o nepotismo em seu mais alto grau. como igualmente dividida por todo o território.em especial após as missões jesuíticas que avançaram nos domínios espanhóis. Também é marcante o método comparativo empregado neste capítulo. Onde será bastante preciso refutando a generalização de Freyre em torno da casa-grande e colocando o nativo como único necessário a exploração de um . Sobre a deficiência alimentar. QUADRO DE REFERÊNCIAS DO AUTOR No primeiro capítulo do livro Casa-grande e senzala que é denominado: Características gerais da colonização do Brasil: formação de uma sociedade agrária. Gilberto Freyre utiliza-se do método histórico da reconstituição dos acontecimentos históricos para explicar sua obra. e continua a acontecer na língua. 5. CONCLUSÃO DO RESENHISTA Toda a obra de Gilberto Freyre é notoriamente clássica mesmo aos olhos de grandes historiadores que se utilizaram de “Casa grande & senzala” como fonte de referências e uma de suas principais fontes para desenvolverem seus trabalhos. alguns termos se encontram em desuso já nos primeiros anos de sua obra. ele está sempre buscando analogias plausíveis para dar ainda mais credibilidade a suas teses. de clima e até mesmo. nativos e negros. Entretanto. entre portugueses. faz de suas obras um complemento. mas não define sua área de atuação o que se tratando de um território tão vasto . seja comparando a outras colonizações como a inglesa ou a espanhola. Também diz que devido aos choques antagônicos. principalmente no que se refere a visão econômica da sociedade brasileira no período colonial. O autor peca em alguns momentos quando se utiliza de generalizações não contundentes a particularidade que se dá essencialmente nas divisões históricas entre Nordeste e Sudeste. Podemos. escravocrata e híbrida. ao texto de Freyre. embora extremamente fiel as normas acadêmicas ainda nos dias de hoje. o que acarreta em dificuldades para uma leitura sem grandes pausas por algumas vezes. além é claro. o jesuíta e o fazendeiro. devido aos longos anos de sua obra e seu distanciamento da constante transformação que se deu. dialogam com o texto de Gilberto Freyre. Freyre conclui que a formação da sociedade brasileira esta pautada sob o equilíbrio entre antagonismos. neste momento. escravocrata e híbrida. Ele remonta todo o processo. nos remete ao modelo de escrita de livros romancistas. neste primeiro capítulo que é definido como “características gerais da colonização portuguesa do Brasil: formação de uma sociedade agrária. do maior deles pra formação da sociedade brasileira e fundada nas relações sociais em torno da casa-grande: o senhor e o escravo. relata a pobreza química do solo e a falta de equilíbrio dos rios. A adaptabilidade do português tida como o único dos colonizadores modernos qualificados ao clima brasileiro a e sua forma de legitimar a miscigenação. introduz a mão de obra do negro e do nativo.especificamente. Sendo especifico na exploração de cada região. por ocasião de sua moradia em países como Estados Unidos e Portugal. em que. a todo o momento. em sua última página. O Autor Caio Prado Júnior. a divisão de escravos. no qual. mesmo com o entendimento que ainda não havia uma delimitação territorial – torna-se perigoso pensarmos. no Brasil como homogêneo em suas formas de produção. em “Histórica Econômica do Brasil” e também em “Formação do Brasil Contemporâneo”. muitos desses foram vitais para a formação peculiar da sociedade brasileira. a isenção de impostos por grande parte dos poderosos e a miscigenação notória e nossa sociedade. como na proximidade do rio Amazonas. Sua forma de escrever. claramente. o bacharel e o analfabeto. são formas de se pensar a história corroboradas pelo processo de reconstituição histórica que autores posteriores como Sergio Buarque de Holanda em grande clássico: Raízes de Brasil. Em alguns momentos neste primeiro capítulo. de forma simplista e não fundamentada. fazendo referências a outras áreas do Brasil. 6. já nesse momento. seja ela escrita ou falado. os portugueses puderam se adaptar e “colonizar” com tão pouco gente este vasto território. nos utilizar de outras obras que dialogam claramente com este primeiro capítulo de Casa-grande e senzala. Como o acontece entre o católico e o herege.

É também muito importante para as entendermos as relações antagônicas e seus equilíbrios. patriarcal. em total equilíbrio entre ambos. remontando os fatos a partir de todo o período colonial. antropologia. e como agia com os seus escravos. espanhola e inglesa. Mas Freyre aborda sua importância social para a formação dessa sociedade híbrida que se dá nessas terras. como do nativo na estruturação da sociedade agrária. não encontrado de início por estas “bandas”. Gilberto Freyre trata da formação da sociedade brasileira a partir das contribuições das raças branca. Particulariza o escravo. Sendo referência para se desenvolver e reconstituir as questões sociais. ainda que o seja assim o tratamento imposto pelos portugueses. mesmo que pendendo mais para um dos lados. Através da relação entre os primeiros portugueses e as índias que tem início a povoação num clima de “intoxicação sexual”.terreno úmido e uma região na qual o negro é praticamente inadaptável. Como entre Europa e África em que os portugueses se encontram. Ele introduz de forma bastante contundente a importância não só do negro. dela resultando uma sociedade agrária. e chamando-os de “bugres”. Casa-grande e senzala. Os portugueses legitimaram sua violência contra os índios considerando-os hereges. além é claro da falta do ouro. Sua historiografia comparativa através de analogias é de grande ajuda para esclarecer a formação da sociedade brasileira. não apenas dos colonizadores. Utilizando neste primeiro capítulo de comparações entre as colônias das Américas: portuguesa. O texto de Casa-grande e senzala é um dos pioneiros no rompimento com uma historiografia européia. Casa-Grande e Senzala mostra a importância da casa grande na formação sociocultural brasileira utilizada como uma metáfora do Brasil colonial. cuja sociedade teve seu inicio na atividade econômica. a monocultura açucareira. As índias foram muito úteis como procriadoras caboclas oferecidas para o colonizador português. escravocrata e híbrida. que produziu a base do que seria a sociedade brasileira. Nesta cisão. È portando essencial para toda produção historiografia se tratando de Brasil. no centro universitário uniabeu. Que acontece por consequência do português. mas também dos jesuítas que teriam praticado uma espécie de extermínio indireto das populações locais. E resenha sobre o primeiro capítulo da grande obra do sociólogo Gilberto Freyre. Freyre crítica os modos exploração impostos pela colonização portuguesa e personaliza o comportamento do nativo e do negro. especialmente ao período de colonização. No segundo capítulo Gilberto Freyre fala sobre o papel dos indígenas na formação social brasileira ele mostra os índios como vítimas. não encontrar estruturas econômicas. porem não deixa de falar de suas brutalidades. índia e negra. da formação de uma sociedade agrária. a mulher índia seria a base da família brasileira. como as que a colonização hispânica encontrou nas sociedades estruturadas dos Incas e Astecas. supriram o grande problema da colonização: a falta de mulheres brancas. escravocrata e hibrida. a serviço dos plantadores de açúcar e admite mesmo que os jesuítas defenderam os . e história. o europeu. Vinicius Cardoso da Silva é graduando do terceiro período de história. dar maior atenção aos antagonismos que Casa-grande e senzala sintetiza de forma bastante clara. ele tambem trata da figura do Senhor de engenhos como uma pessoa fundamental para o processo civilizatório do Brasil. escravista e mestiça. não visto somente como uma mercadoria. Esta obra é indicada para professores e alunos de sociologia. Assim. Ou para aqueles que buscam conhecer a formação da sociedade brasileira. os bandeirantes paulistas. a vida ou a formação colonial brasileira. Definido por: Características gerais da colonização portuguesa no Brasil: formação de uma sociedade agrária. Ele mostra que foi a partir dessa sujeição do africano ao português. tanto nas relações de trabalho como sexuais. Gilberto Freyre não ignora que quem escravizava os índios e os matava eram os portugueses e mamelucos.

Diante de todos esses assuntos abordados fica impossível não perceber a importância desta obra. e nos mostra que foi no Brasil que aconteceu o aprofundamento das relações em uma fusão cultural e racial entre brancos e negros. expondo partes da nossa história que não eram privilegiados por outros autores até então. o veículo da colonização através do sexo forçado pelo senhor à mucama resultando no filho mulato. . pois ela nos dá uma grande contribuição para o entendimento de como ocorreu à formação da sociedade brasileira. Assim como o branco português. mostrando o modo de vida da sociedade colonial. Mas insiste no caráter artificial das missões jesuítas.índios contra essa violência. descrevendo os seus hábitos e costumes. o negro africano. por sua ligação “intima” com a casa-grande. Nos capítulos finais Gilberto Freyre fala da relação da sociedade que se desenvolveu no nordeste com o escravo africano. também foi apresentado como colonizador principalmente o escravo doméstico.

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