Maria Cristina Machado Kupfer Psicóloga formada pela USP Mestre em Psicologia Escolar pela USP Professora-assistente

do Instituto de Psicologia da USP, Psicanalista FREUD E A EDUCAÇÃO O MESTRE DO IMPOSSÍVEL Obra recomendada à: Estudantes do curso de Magistério nas disciplinas Psicologia Geral e História da Educação, Professores de pré-escola, 1º grau e demais profissionais da área de Pedagogia, Estudantes dos cursos de Pedagogia, Psicologia e licenciaturas em geral. editora scipione RESPONSABILIDADE EDITORIAL Luiz Esteves Sallum SUPERVISÃO E PROJETO EDITORIAL Valdemar Vello COORDENAÇÃO EDITORIAL E EDIÇÃO DE TEXTO Lidia Maria Melo Chaib todos os direitos reservados editora scipione Praça Carlos Gomes, 46 01501-040 - São Paulo - SP Caixa Postal 65.131 2* edição Agradecimentos Durante a realização deste livro contei com o apoio da Fapesp, que financiav a minha tese de doutorado, de cuja pesquisa foi extraída boa parte do material necessário a este livro. A Lino de Macedo, orientador e amigo, devo o incentivo e as discussões que contribuíram para a realizafão deste trabalho. A Luix Femando Zanin Oricchio, psicanalista, agradeço a leitura dos origin ais e as valiosas sugestões. A José Paulo Kupfer, agradeço a paciência de uma revisão crítica, cuidadosa, impre scindível. SUMÁRIO PREFÁ CIO APRESENTAÇÃO 7 INTRODUÇÃO 11 1. O PENSAMENTO DE FREUD SOBRE EDUCAÇÃO Uma vida magistral. Freud, aluno e mestre 16 - Freud e seus mestres 22 -Freud, ele próprio um mestre 30 -O Mal da história 31 -O sonho possível. Freud pensa a Educação 32 -Os primórdios da teoria psicanalítica 33 - Sexualidade e Educação - Sexualidade infantil e Educação - As pulsões parciais - A sublimação - Sublimação e educação -A educação sexual das crianças 46 O sonho impossível. A desilusão de Freud com

a Educação 50 - Por que a Educação é impossível? 50 - O problema do desprazer 55 2. PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO NA ERA PÓS-FREUDIANA Uma história de casamentos desfeitos: A aplicação da Psicanálise à Educação 63 - Os casamentos da Psicanálise com a Educação 67 3. A APRENDIZAGEM SEGUNDO FREUD 77 O desejo de saber: Uma teoria freudiana da aprendizagem Poder e desejo: A transferência na relaFão professor-aluno. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . - O professor no lugar de transferência CONCLUSÃO O encontro da Psicanálise com a Educação 78 BIBLIOGRAFIA 87 Obras de Sigmund Freud citadas 95 Obras de outros autores 96 PREFÁCIO "Vamos deixar claro para nós mesmos qual a tarefa mais imediata da Educafão. A criança deve aprender a dominar seus instintos. É impossível lhe dar liberdade para seguir sem restrições seus impulsos. Seria uma experiência muito instrutiva para os psicólogos de crianças, mas os pais não poderiam viver, e as crianças mesmas teriam grande prejuízo, de imediato e com o passar do tempo. Logo, a Educação tem que inibir, proibir, reprimir, e assim fez em todos os tempos. "

Estas afirmações de Freud, extraídas das Conferências introdutórias à Psicanálise, no introduzem o tema das relações entre Psicanálise e Educação, e da complexidade da "missão " do educador. Quando nasceu a Psicanálise, os educadores progressistas se entusiasmaram com a possibilidade de uma nova pedagogia, que, possuindo mais compreensão e conce dendo mais liberdade à criança, impedisse o surgimento das angústias e neuroses. Com o aprof undamento da pesquisa psicanalítica, logo se percebeu que essa esperança era pouco realista. A ausência de restrições e de orientação pode produzir delinqüentes, em vez de crianças saudáveis. As angústias são inevitáveis; mesmo a infância mais feliz tem seu grão de angústia. Mas a repressão excessiva dos impulsos, como bem sabemos, pode dar origem a distúrbios neuróticos. O problema, portanto, é encontrar um equilíbrio entre proibição e permissão. Como ajudar esses "monstrinhos" a se transformarem em cidadãos ca pazes de amar e trabalhar? - eis a questão fundamental da Educação. As limitações do trabalho pedagógico decorrem da própria complexidade da psique humana, dos muitos obstáculos interiores ao processo de amadurecimento, do conflito entre o desejo individual e as exigências da vida em comunidade. Afinal, como sempre lembrava Freud, em alguns anos a criança tem que se apropriar dos resultados de milhares de anos de evolução cultural h umana. Uma virtude deste livro de Maria Cristina Kup fer é a percepção que demonstra dos limites delicados da ação pedagógica. É significativo que a autora tome como fio condutor uma sentença de Freud - tão verdadeira quanto espirituosa -, segundo a qual

educar, govemar e psicanalisar são três profissões impossíveis. A partir da constatação de que as idéias de Freud sobre a Educação não podem ser dissociadas de suas descobertas p sicanalíticas, ela sintetiza as principais noções da Psicanálise: recalque, sublimação, complexo de Édipo, "pulsões" inconscientes. E o faz de modo competente, colocando em evidência o interesse dessas noções para o educad or (sendo mais feliz quando recorre diretamente a Freud, dispensando os intérprete s). A autora demonstra também audácia ao abordar a chamada "pulsão de morte" - o desejo in consciente de retomar à condição inanimada, que estaria presente em todo ser vivo -, uma das hipóteses mais especulativas de Freud, que ainda hoje não é aceita por todos os psicanalistas. Ela conclui, muito acertadamente, destacando o fenômeno da transferência. O aluno tr ansfere para o professor os sentimentos carinhosos ou agressivos da sua relação com os pais. Conscientemente ou não, o professor utiliza a ascendência que assim adq ui re sobre o aluno, para transmitir ensinamentos, valores, inquietações. Pois não é verdad e que os professores de quem mais nos recordamos, com quem mais aprendemos, são aqueles que melhor nos seduziram? Na escola como na vida, nós aprendemos por amo r a alguém. PAULO CÉSAR SOUZA Paulo César Souza é historiador, tradutor e articulista da Folha de S. Paulo. *** Atualmente, são muitos os psicanalistas que negam a possibilidade de existir uma p edagogia analítica, ou de uma psicanálise aplicada ã Educação, entendendo-se aí uma construção de métodos e de instrumentos de trabalho de inspiração psicanalítica que s e apliquem a situação de ensino propriamente dita. Isso porque a natureza da Psicanáli se, segundo esses autores, é em tudo contrária à natureza da Pedagogia. Apesar disso, Freud faz parte de uma coleção que reúne pensadores da Educação. Isso se exp licaria apenas pelo fato de Freud ter pensado a Educação para depois se retirar desse campo, enquanto psicanalista, figurando então unicamente como " "ant ipeda gogo""? Sem dúvida, não se pode trair seu pensamento e afirmar o que ele não disse. Ele foi, d e fato, um antipedagogo. Sob outro ponto de vista, no entanto, é possível assegurar, por várias razões, que Freud foi, sim, um mestre da Educação. Em primeiro lugar, porque seu peculiaríssimo modo de produzir teoria revelou a pre ciosa relação que tinha com o ato de pensar: Freud pensou com a sua mente e com o seu desejo. E ao transmitir sua teoria cunhada nessa preciosa liga do pensar c om o desejar, transformou-se num mestre extremamente eficiente. Como mestre da teoria psicanalítica, fez alastrar suas idéias, ateando fogo ao solo em que eram lançadas (como só o fazem idéias de um mestre) e modificando aos poucos, mas de modo irreversív e o cenário cultural em que hoje figuramos. Da sua relação com a produção e a transmissão do saber psicanalítico, pode-se extrair uma es pécie de pedagogia. Pode-se observar, através da construção de sua obra, um fazer de verdadeiro mestre, em que se incluem discípulos apaixonados, brigas in tes

tinas, e até atos que revelam nele uma faceta extremamente autoritária. A nós cabe a t arefa de compreender o trabalho de Freud enquanto mestre e dele extrair, se possível, alguma inspiração para a prática do dia-a-dia do professor. Em segundo lugar, pode-se dizer que Freud foi um mestre da Educação porque abriu cam inho para a reflexão sobre o que é ensinar e o que é aprender. Graças à sua experiência com pacientes, ele trouxe à luz um fenômeno que, de início, era considerado pe culiar à análise, e que logo foi estendido por ele próprio a qualquer campo em que doi s indivíduos se relacionam frente a frente e, portanto, também ao campo da Educação. Aquilo que Freud denominou transferência pode ser encontrado num contexto analítico, mas também na relação prof essor-aluno. É a partir da análise dessa relação que se pode pensar no que faz um aluno aprender. O que o faz acreditar no profes sor, permi tindo que um ensino seja eficaz. Pois, superando instituições escolares castradoras, coibitivas, " "achatadoras"" de individualidades, surgem alunos pensantes, dese josos de saber, capazes mesmo de produzir teorias. Transmitem-se, neste livro, as idéias de Freud sobre a Educação, os paradoxos por ele colocados, sua figura de mestre, sua concepção sobre o aprender. Espera-se que, munido dessas informações, o professor possa pensar, identificar-se; que possa, como um canibal, " "arrancar pedaços" dessas idéias e atribuir-lhes outros sentidos; que possa digeri-las a seu modo e com elas alimentar o seu fazer diário na sala de aula. MARIA CRISTINA KUPFER Introdução Contam-se, entre as 3.667 páginas que compõem a edição espanhola das Obras completas de Freud, menos de 20O dedicadas a reflexões, análises e críticas sobre a Educação. Além do mais, essas páginas não se encontram em um único volume dedicado eminente mente ao estudo do fenômeno da Educação, mas estão dispersas ao longo de sua obra, posta s aqui e ali, em textos versando sobre as mais diferentes questões. Essa dispersão, longe de indicar um descaso de Freud, mostra, ao contrário, que a Ed ucação é um tema que o acompanhou por toda a extensão de sua obra e jamais deixou de ser para ele motivo de reflexão, uma reflexão contínua, que o levou a dizer, em um a de suas últimas obras, que "educar, ao lado de govemar e psicanalisar, é uma profi ssão impossível". A amargura e o ceticismo embutidos nessa afirmação sempre estiveram presentes em seu s escritos, e se acentuaram no final deles. Freud era um pensador sobre cujos ombros pesava o absurdo da existência humana. No entanto, tal declaração de impossibilidade não pode nem deve ser lida apenas à luz da s características de personalidade de seu autor. Precisa ser entendida como o resultado de uma elaboração teórica rigorosa. Não é apenas uma tirada amarga do velho Freud, às voltas com um câncer de boca que o atormentou nos últimos anos de vida. Esc onde, a se acreditar na teoria psicanalítica que a sustenta, algo de profundamente

verdadeiro. Extraídas as devidas conseqüências, essa afirmação sobre a impossibilidade da Educação pode n ser necessariamente um niilismo, uma declaração paralisante, riem uma constatação de que a Educação é inútil. Pode, contudo, apontar sobretudo os limites d

a ação educativa, fazendo lembrar ao educador que seu instrumento de ação não é assim tão pod roso como supunha. O leitor interessado em saber mais exatamente por que Freud foi levado a afirmar que educar é uma profissão impossível está convidado a acompanhar, nas páginas seguintes, o curso e a evolução das idéias de Freud sobre Educação. Conhecendo o nascimento dessas idéias, o modo como se desenvolveram, seus desvios e meandros, suas sutile zas e asperezas, terá, no final, alguns instrumentos para julgar a pertinência (ou impertinência, quem sabe) do pessimismo de Freud, 12 < Sigmundo"FREUD, p. 3361, (17). Como já foi dito, as idéias de Freud sobre Educação encontram-se em textos que tratam pr incipalmente de outras questões. Pode haver, por exemplo, uma menção à Educação em um texto que trata fundamentalmente do masoquismo, ou em um outro cujo título é "Uma contribuição à discussão sobre o suicídio". Há, é claro, um motivo para isso. As idéias educacionais de Freud emergem em momentos precisos da articulação da teoria psicanalítica que ele estava, aos poucos, construindo. Depois de aportar, em determinado texto, na construção de um conceito p sican alítico, era como se Freud parasse um instante para refletir sobre as conseqüências da conceituação recém-nascida sobre o seu modo de pensar a cultura, a sociedade e a Educação. Punha-se a examinar, naquele conceito, o que era proveniente de uma pa rti cularidade do funcionamento psíquico e o que era fruto direto das influências educat ivas recebidas pelo indivíduo. Disso se deduz que as idéias freudianas sobre Educação encontram-se em íntima conexão com as idéias por ele produzidas para compor a su

a teoria psicanalítica. Toma-se necessário, assim, falar dessa teoria, para ir introduzindo, aos poucos, a s suas relações com as idéias sobre Educação. É preciso, então, começar do começo. O começo é a história da vida de Freud, sobretudo no que diz respeito à educação a que ele próprio foi submetido, uma vez que muitas de suas reflexões terão como base a sua experiência pessoal de aluno. ^ - 13 O pensamento de Freud sobre Educação #UMA VIDA MAGISTRAL: Freud, aluno e mestre Sigmund Freud nasceu no dia 6 de maio de 1856, em Freiberg, pequena cidade da Mo rávia, que, na época, pertencia à Áustria e hoje está anexada à Tchecoslováquia. Seus pais eram judeus, e foi com essa identidade cultural que Freud costumou se reconhece r ao longo de seus 83 anos de vida. Quando tinha 4 anos, sua família mudou-se para Viena, onde Freud viveu quase todo o resto de sua vida. De lá saiu aos 82 anos, para morar em Londres, onde morreu, a 23 de setembro de 1939. "* Proveniente de uma família numerosa, Freud era o mais velho dos oito filhos nascid os do segundo casamento de seu pai.

Ambos . As primeiras lições foram recebidas de sua mãe. para seu uso exclusivo.].. Essa tarefa toma impulso principalmente a partir do momento em que se inicia a escolarização de Freud. Esta paixão pela compreensão das coisas. "Essa necessidade de compreender foi estimulada de maneira a que não podia escapar". Mas pergunto a você: a salvo de quê? Não se estará a salvo na certeza de não ser um medíocre? Que importa aquilo que se teme ou se deixa de temer? Não será mais importante o fato de que as coisas sejam efetivamente como tememos que s ejam?". já é possível observar seu grande temor de c air na mediocridade. Nesse cômodo. a seu amigo de infância Emil Fluss. (22). a Freud foi destinado um pequeno cômodo. A sua inteligência foi dada uma tarefa da qual nunca recuou. exigidas re sponsabilidades e o cumprimento tácito das amplas expectativas nele depositadas. conta-nos Emest Jones. por outro lado. havia. presente de modo permanente e indelével na vi da de Freud. seu biógrafo oficial. (l). sua especiai condição de primogênito querido. p. que devia acomod ar oito pessoas." É claro que toda expectativa gera também uma espécie de temor. apenas mais três quartos. Ali pas sava a maior parte do tempo em que ficava em casa. 50.Ao ser considerado como ser privilegiado. aos 17 anos. da qual ele nunca r ecuou. além daquele escritório. dele eram. "Só pelo fato de se temer a mediocridade. Freud trabalhou e viveu durante os anos de sua formação escolar. Era um leitor infatigável chegou a comprar mais livros do que p od ia pagar. um receio de não se conse guir atender a ela. 40 anos mais tarde. isso não impedia que o som dos exercícios de piano de sua irmã chegasse até ele e o atrapalhasse. Embora ficasse sep arado do resto da casa. e stimulando-o a desejar sempre compreender". Por isso. em favor dos estudos do jovem Freud. esc reveu Jones. Emest JONES. Em uma carta que escreveu. 3. (22). 17 #Jones lembra que havia uma tarefa dada à inteligência de Freud. SigmundFREUD. Freud não foi exceção. Assim. o que provocou a primeira briga séria entre seu pai e ele. até que.. uma possível carreira de pian ista foi interrompida. e a elas seguiram-se as do pai. p. perguntava o jovem e inquieto Freud na carta ao amigo. fazendo muitas vezes as suas refeições lá mesmo. encontrou a solução de uma forma que tomou o seu nome imortal. 50. Na casa. basta recordar este episódio contado por Jones: quando a família se mudou para Viena. p. Para dar ao jovem Sigmund uma educação completa. teve seu impulso nessas primeiras experiências infantis ligadas à Emest JONES. Para se ter uma idéia do valor concedido por seus pais aos estudos. já se está a salvo dela [. "sua inteligência era constantemente desafiada com a proposição de problemas intrincados. seus p ai s jamais mediram esforços nem sacrifícios.

Graças a essa formação obtida no Gymnasium. línguas. em textos de crítica à religião. na Viena da época de Freud. A respeito dos anos passados no Gymnasium e da formação lá recebida. de 1914. grego. depois de ter atravessado uma vida escolar de sucesso. Freud aos 17 anos com sua mãe. Renato MÉZAN. já q ue pertencia a uma família com recursos econômicos precários e era. bem como uma via de destruição do espírito crítico. à cultura de um círculo de vienenses cultos a que não pertencia. assim como o introduziram nos primeiros textos bíblicos e na religião. de muitos de seus contemporâneos. a Educação foi ferramenta fundamental. Ali graduou-se. para quem a escola de sua época era sobretudo um instrumento de manutenção da autoridade do Estado. como ressalta zan é filósofo e psica. passou a representar. " "O Livro dos Livro^. característico dos judeus.< Sigmund FREUD. com o aprendizado completo de várias línguas. igualmente uma oportunidade de ascensão social. Freud de lá saiu com amplos conhecimentos so bre as culturas grega e latina. Freud precisava dessa ascensão. Depois. Freud pronuncia-s e de modo bastante laudatório. (12 . o tradicional amor aos e studos. Uma ambição revelada. finalmente. E. Em primeiro lugar. porque a Educação o introduziu à " "cultura do outro lado"".sua própria contribuição à Ciência. "Freud endossa com firmeza a disposição das disciplinas e a maneira como os conhecimentos formavam um sistema coerente". essa influência se fará sentir em anos posteriores. "Surgiram (no tempo do Gymnasium) os pri. com a distinção summa cum laude. E por quê? Mezan destaca pelo menos três motivos. Por mais arrogante que possa soar. ao contrário. no futuro. mais tarde. de 1927. 1983. Aos 9 anos. literatura alemã. aos 17 anos. Freud se declarou. judeu. (30) regular.Renato Mezan. porque preci sava ter acesso aos domínios do conhecimento de seu tempo para a eles poder acresc entar algo .que lhe fomecerá. Trata-se de um ensino cujos fundamentos eram as Humanidades. além do mais. 18 #UNIVEiióíüADE FEDtRAL UO PARA BIBUOTfCA CFNTRAL Renato Mezan é filósofo e psicanalista. sobre tudo em duas passagens de seus escritos.ensinaram-lhe as primeiras letras. Sem dúvida. das quais as três últimas gerações de brasileiros foram privadas em seus anos de educação O Gymnasium eqüivale. bastante influenciado por es sas leituras da Bíblia. como Stephan Z weig. Para Freud. o manancial que os sábios cavaram e d o qual muitos legisladores têm extraído as águas do seu conhecimento". como dizia seu pai Jakob Freud. aos antigos ginásio e colegial. esta parecia ser a ambição de Freud. p. muitas metáforas sobre 19 #a "escavação das camadas mais profundas da mente" além de ter lido uma vastíssima lista de poetas e escritores clássicos. um pouco de matemática e ciências naturais. Por Humanidades entendia-se o ensino de latim. com um pronunciado interesse por Arqueologia . Freud prestou um exame que o habilitou a freqüentar o Sperl Gymnasium. no currículo brasileiro. como "O futuro de uma ilusão". A primeira delas está no texto Psicologia do colegial. dentre os quais Shakespeare e Goethe. de modo contundente.

1983. esse desejo o responsável pelo tipo d e relação de Freud com a sua formação escolar. e tampouco a senti :le em um relato autobiográfico. entre as quais acreditávamos poder eleger aquela que agraciaríamos com nossos certamente indispensáveis serviços. 19. e com ias aptidões"". espe6 iriam despertar sua atenção na época i a trabalhar como residente no Hospital .ou tal desejo . " "Naqueles anos imnasium} não sentia nenhuma predia atividade médica. a Wilhelm Fliess .jazia como pano de fundo nos tempos do Gymnasium. É como se ele dissesse que tal "premonição" " . então. em 190O. está de novo às voltas com as invezes o assolam em relação à sua capaci." A referência aos "serviços indispensáveis" revela o tom irônico de um Freu d a quem as lutas e desilusões da vida já haviam atingido. Mas é provável que ele realmente acreditasse nisso na época da composição de formatura. relação que mencionamos ter sido elogiosa e até acrítica? Na medida em que Freud sempre soube o que fora lá buscar . em minha composição de bacharelado. com as palavras solenes de que em minha vida gostaria de contribuir para o s aber humano. gar.) meiros contatos com as Ciências. Freud. Sigmund Freud revelou ao mundo o segredo dos sonhos". [ dessa breve história da educação de intada por ele mesmo. Desi.< Sigmund FREUD."" fies anos. Em uma carta escrita. iP-*" ÜTh íei*^ Y i* ííáfiMvSsgiÉg Um trecho das palavras de Freud em Psicologia do colegial merece atenção. p. até que por fim pude vesti-la. Aqui Freud viveu e atendeu seus pacientes desde 1891 até 1938. o dr. ci tanoethe. Além disso. ainda que inconscienwerem. as decepções por ele vividas nos temide. " "sonha"" com uma placa a ser afixada em sua casa c om os seguintes dizeres: " "Neste lu. no dia 24 de julho de 1895. (12) 20 #Casa da rua Berggasse. (E que desejo inconsciente não |iente?) Por isso. A sua lemb rança é a de que a difusa premonição da "tarefa" anunciou-se a princípio vagamente. "Em vão vagais pe los [ ência. Lá. principalmente quando enfrenta difiumas disciplinas. pois htro de si aquilo que escola alguma po"jo de saber. Freud não se preocupou espeitudar Psiquiatria ou Neurologia. Creio recordar que d urante toda aquela época abriguei a vaga premonição de uma tarefa que a princípio se anu nciou veladamente. sofreu a princípi o com a idéia ninado por sua condição judaica. que sabem. Freud comentava sua recente descoberta de um método par a in terpretar sonhos. Não seria. n ão havia razão para oferecer-lhe 21 #talvez estivesse munido de serenidade ízes.não confundir com o amigo de infância Fluss -. (19) < Sigmund FREUD. p. Por isso. provavelmente qualteria sido de grande utilidade. ninguém aprende senão aquilo aprender. A segunda passagem também exemplar desse desejo de "contribuir para o saber humano " é famosa. 418.

Entra em cena o termestres. É legítimo. . uma pessoa que lhe inspirava respeito. "cuja . "faltava qualquer \ de estudo. Em seu relato . houve outros importantes professores m sobretudo de sua formação geral.Sigmund"FREUD. f eita de passagem. "A esta especiali-nos ele. Ao temp lo. listosas. Desenho de Montz Ledeli . a quem Freud se refere nos se guin"O mestre discutia sempre nossas obj ecoes tciência e amabilidade como com decisão". Trabalhou em várias de . as relações de Freud com os mesque particip arão. de mocativo. relata Freud. de estudante"".um venerado mestre. #dicos em início de carreira. . Lá permaneceu de 1876 a 1882. de acordo com suas próprias palavras. sabe-se hoje. ver as relações de Freud com seus mestres à luz das suas relaJean-Paul SARTRE. profundamente. Mas foi convencido por Brucke e seu pai a abandonar uma carreira de pesquisa pura. . por p aciente com uma paralisia nervosa sendo Ia de Ortopedia. As relações de um discípulo com seu mestre foram objeto das reflexões do próprio Freud. p. . de um modo ou de ourcurso em direção à Psicanálise. Freud destaca a sala de Meynert . naUmvenidadede VieHospital Geral de yiena.me havia interessado já. um nome que "resplandecia a o da Neuropatologia"". serão. adequada somente àqueles com melhores recursos financeiros. Foi. em varias especialidades. porém. anos depois. o que Sartre fez. por desaven:s práticas . . que a histeria não era um mal exfeminino . suas na. Mas . "dava-se pouca atenção em Vieal de observação se encontrava espalhado lias do hospital.maiores possibilidades de gad escolhe dedicar-se ao estudo das doenças eja. . As relações com Meynert. Freud foi a Paris. pr incipalmente no já citado Psicologia do colegial. uma aula de patologia experí. Freud começou a trabalhar no laboratório de Fisiologia de Emest Brucke . aqui é o seu p er curso profissional e sua andes homens de Ciência. o que obrigava o interessado a iprio mestre". pois até [ic histeria vem de hysteria.. em d encontrou em Meynert uma grande rea o segundo da série de mestres que Freud deixar para trás . (188)) salas. toldadas e cor taeud começar. Este é o primeiro mestre que Freud abandona. "útero". neste caso tangido pelas circunstâncias e não pel a superação de Brucke Projeção de um encéfalo durante como figura de autoridade.Saindo do laboratório. Embora essa observação de " ual. não se pode deixar de notar essa refeud à idéia de ser ele o próprio mestre.grande escândalo. como era de pra?reud e seus mestres epois de formado que começam. e que todo dito tem um ant o. em seu rote iro cinematográfico sobre a vida de Freud.." (Podia-se encontrar. ou seja. 2762. ingressou como aspirante no mental. contudo. Assim que se formou. A idéia básica é a de que os professores herdam as inclinações carinhosas ou agressivas antes dirigidas ao s pa is. aliás. graças que nada é casual. (35). então. -se de tal modo com as pesquisas de Char- . (li).. ou um outro com perturS as da visão sendo tratado na Oftalmolomodo". É claro :s. ecialista em anatomia do cérebro. a expor idéias elas em vigência na Neuropatologia.desta vez. à Neuropatologia. ções com o pai. interessado em conhecer lê Charcot.

que adotou caminhos mais eficazes que os de Charcot no tratamento da histeria. até não ser ei manter a amizade. os Estudos sobre a histe:anto. Sobre histeria. Sigmund (li). a Neuropatologia. < Sigmund FREUD. a pessoa te intercâmbio m ais beneficiava. comenta Freud. a quem passou a admirar. como no de Meynert. que o movimento freudiano de superação e abandono de mestres mais uma vez se repete. relat o autobiográfico. portanto 40 anos de:atos com Charcot. naturalmente. tanto devido à passagem do tempo como por causa do advento da Psicanálise. (15). (15). Parte disso parece agora bastante discutível. Nessa época. < Sigmund"FREUD. é preciso um analista. No :uer. . pode-se supor que a superação das idéias de Charcot tenha sido inevitável. contra a vontade de Freu d. também. 14 anos mais velho que eu tá Freud. Martha Ber"ays (1861-1951). ver neste livro " "Os primórdios da teoria psicanalítica"". 2768. p. ío de 1886. M as não se pode deixar de observar. Para "remover" impe dimentos n. os dois foram se distanciando. cos. p. então. Meynert. < Sigmund FREUD. de quem estava i quatro anos. tais circu nstâncias desavenças teóricas. discordavam num ponto: para Freud. 2763. ia vez. p. de outro lado. O desenvoli Psicanálise me custou depois a sua amizade. entra em cena o permanente moviapego apaixonado e de superação de cada |te-s e. (li). já está em curso de que viria a ser bastante significativa na vida slos anos em que trabalhou no laboratório de :ud conheceu Joseph Breuer um clínico geral . em 1885. 2763. Freud e Breuer uma obra conjunta. a respeiSigmund FREUD. e outra parte sucumbiu por completo à ação do tempo". como explica Psicanálise. já que desejava ardentemente criar algo : conhecimento. e com não concordava. mas era inevitável que -esse. pesquisador e especialista em anatomia do cérebro. entender sua busca contínua. Mais ao as circunstâncias que o obrigam a isso. o último a entra r no cená"escolar" de Freud: Wilhelm Fliess. FREUD. e que se tomou ite um grande amigo. "B reuer era um hoande inteligência. (15). Mas alguma coisa o imp edia coisa de natureza inconsciente. 2764. Em 1896.. p. Freud abriu seu consultório parcasou com Martha Bemays. Naturalmente." Eis aí o quarto mestre a entrar em ceitino será semelhante ao dos anteriores: preciandonado. p.10 da histeria que não hesitou em se candiação das obras de Charcot para o alemão. que lar dependência constante a um "mestre de bia ser necessário ocupar a posição de mestre 10. E não será a última vez. a observação que Freud faz a t disciplina. [il foi pres cindir dela.. "Durante anos compartilhamos to-científico. sendo eu. a :ausa da histeria era d e na tureza sexual. to da obra do mestre francês: "Nem tudo que nos ensinou se mantém d e pé. 2765. Freud o encontrou e um novo mestre. que resolve na disciplina em que se deve ser o próprio mo. Freud e sua noiva.

era subjacente a ela. nas palavras de S art re.uida. porém. Freud entra em um tre m. Freud passou a escrever cartas de iráter pessoal.adores. de a nálise. eis a interpreação que Freud deu a esse sonho: "Não preciso de proessores. Em virtude desse tipo de compreensão.a publicamente a Psicanálise. Embora não interpretasse coisa alguma. porém investida de autoridade e confiança. em 1904. você é órfão. Fliess era na realidade um otorrinolaringologista. os três d saparecem e surge o chefe do trem. Na verlade. Freud [iz que é preciso um morto para o jogo. Trata-se ie um sonho. a quem Freud admirou profundamente. interessado em descobrir a re lação entre certas doenças e a sexualidade. passaram a manter uma correspondência diári a. não quero ninguém acima de mim. as quais discutia freqüentemente com Fliess. Diz-lhe ambém que não alimente ilusões a res peito dos três jo. A interpretação dos sohos.e era por isso que estavam mortos. entre seus c olegas. Em certo momento. Freud procedeu o com com o p anos de a alg que ele próprio chamou de auto-analise. e não somente pelo abandono ou pela ruptura teóri:a. e com quem também rompeu. relação que. Mais tarde.. )uando. mas que pode ser chamado. e que confie icle. cada vez menos. De início. o contrôleur (o que em francês quer dizer "chefe Io trem"). onde tenta va refletir sobre coisas de sua ida à luz das idéias que ele vinha construindo sobre o siquismo. A aproximação entre os dois deu-se porque havia uma concordância com a qual Freud vinha contando. entre os 1887 e 1904. sem o saber. F reud recheou as cartas da época de sonhos seus e as análises que deles empreendia.. como já se disse. Isto ele próprio pôde descobrir através da correspondência que manteve. esse filme. Mas Meynert [iz que aquele é um jogo e m qu e se usam três mortos e im vivo. Como Fliess residisse em Berlim. Era necessário a Freud superar definitivamente não a relação com os mestres. Através dessa correspondência. Fliess (1858-1928) manteve Freud uma intensa relação baseada na amizade e interesses científicos comuns. trocavam idéias e reflexões científí#is. Os três o chamam de meu filho e ratam-no com indulgência. dirigido por John lusto n. acabou se baseando em outro roteiro. por volta d e 190 O. Na verdade. mas ai. cujo osto é o de seu pai (que morrera naquela época). "Os mortos somos nós. como figura " "aus ente"". . era importante que ficasse ali. Freud com Wilhelm Fliess no começo da década de 1890.Joseph Breuer (1842-1925). Agora. com justiça." Em se. com esse médico alemão. Freud pôde :ntão superar. publicou o livro que lança. o papel de analista. o nde encontraa três jogadores em volta de uma mesa: são eles Meyicrt. com a ajuda de Fliess. Sartre se valeu desse período para criar uma cena marante do que seria seu roteiro para o filme "Freud além a alma". O chee lhe diz então que aqueles três passageiros não tinham assage ns --. Cabe ao meu verdadeiro pai me ajudar. de modo definitiro. já que Fliess desempenhou. Salvo aquele jue me fez". Breuer e Fliess . que se lembre do controle de si.

Portanto. 20. não era o mesmo com aqueles que sabiam ou queriam saber. primeiro admitiu a super ioridade "daquele q o fez" para então. que ele mudou radicalmente seu modo de e a Psicanálise. em "guardião do novo saber". é inegável. decepciom tes. Nos primeiros anos do movimento psicanalítico. O pai de Freud. . um lugar de mestre. principalmente do texto escrito pelo próprio Freud. podia liberar enquanto lão de Freud... História do movimento psicanalítico.seus antigos mestres. para Freud. como obser encarar Freud feitura do mencionado rote Seu texto é visivelmente apaixonado. daí para a frente. poder ser i criador. já idoso. por assim dizer. Freud foi uma figura que despertou entre seus seguidores o mais profundo fascínio. caso se ac redi te em alguns autores. aliviado e sem culpa. com a introdução de idéias novas. ele próprio um mestre Maud Manonni se vale de muitos documentos. Pôs fim à bus:a. Um chefe de escola terrivelmente autoritário. Reencontrou. para demonstrar que Freud suportou mal o lugar de chefe de escola. em tomo de 188). A partir daquele momc to. ele tinha uma dupla relação com o saber. como po rta-voz das idéias expostas. até então compulsiva. < Jean-Paul SARTRE. Segundo Manonni. im desejo que já o habi tav a desde os tempos do Hospi:al Geral de Viena. (V). p. Maud MANONNI. Assim. Pontalis. ou seja. e o reen:ontrou em si próprio. alterando ou desvirtuando a Psicanálise. De um lado. é inegável que ali se iniciou a semea d ura das ide psicanalíticas. e não foram poucos aqueles com quem Freud rompeu por acredita r que estavam. a cupar. mas que não admitisse para si mesmo que ser o próprio mestre Embora Jean-Paul Sartre não visse consistência nas idéias va J. era capaz de a prender com aqueles que não sabiam. (27). B. aqui. 40O. seus pacientes. em seguida. Ao entender a relação entre eus mestres e seu pai. E passou. Os caminhos por eles tomados são. não significava ocupar o lugar do pai junto à sua m. Mas. Freud parecia sentir-se a meaçad o por seus discípulos. razão pela qual pode ser tomado. de outro. É preciso lembrar que esse movimento de "liber cão"" de Freud coincidiu (não sem razão) com a publi cão do livro que inaugurou a Psicanálise. ele se tomou o mestre de um grupo de discípu que aumentou até atingir propo rçõ es intemaciom Freud. Freud. Embora os ei dessa publicação tenham sido. ao tomar contato com eles por ocasião da iro. p. #Freud se transformou em chefe de uma escola. ele própr io. pôde destituí-l os de um lugar jue era na verdade o do pai. caberá Freud o papel de trans missor das idéias que ele estí articulando e desenvolvendo. Tomou-s e o organizador de uma instituição voltada para a divulgação da Psicanálise e para a formação de analistas. de um mestre-pai.

No capítulo 3 deste livro. a partir do surgimento da Psicanálise. Os suicídios se explicam psicanaliticamente. Não são poucos os casos de suicí dio (Tausk. discípulo amado em quem Freud depositou grandes esperanças. neste caso ef tuada através do rompimento. Um m estre que v véu com seus discípulos uma relação de intensidac mortal . os discípulos tiveram que lidar CQJ um homem cujo magnetismo. O primeiro sinal de um câncer no maxilar. seus mestres e seu pai. É o caso de Carl Gustav Jung. foi objeto de estudos do próprio Freud. Karl Abraham. A essa força. tam Freud dizer que está arrependido por não ter sic autoritário o suficiente. ele dec . e ntre outros. que circulava entre os pa rticipantes dos primórdios c movimento psicanalítico. à qual se s< guiram outras 32 intervenções. Oskar Pfister. mos. quando tinha 6 anos. (27). Essa força de atração. ela foi abordada quando analis. Stekel e outros dez citados por Manonni). "A aprendizagem segundo Freud". 29. tomand o o seu partido de modo quase sempre apaixonado nas disputas que assolavam com gra nd e freqüência o mundo psicanalítico da época: Emest Jones. Aqueles que ficaram í lado de Freud foram talvez sobreviventes dessa atraç. Sei mencionar o nome. e os rompimentos são o caminho possível para aqueles que escu< Maud MANONNI. (2fà O final da história Embora. numa carta de condolência a um amigo. Três anos depois. No papel c mestre. embora . < Sigmund FREUD. muitas vezes terríveis. surgiu em 1923.seja ela real. segundo o me stre. é abordado em detalhes o tema transferência.as teorias fundamentais da Psicanálise"". Outros escolheram romper d e modo definitivo com Freud e com a Sociedade Psicanalítica de Viena. Mas amb as são saídas radicai Afinal de contas. se ja ela simbólica. sua v da pessoal tenha transcorrido sem maiores desvio devem-se mencionar ainda alguns fatos significativo. p. Freud continuou a sofrer a sua ação. Freud chamou de transferência. mas que a cabou por "rejeitar todas . 1930. Carl Gustav Jung (1875-1961). que o incc modou por 16 anos.em decorrência desse fascínio. neste livro. e o obrigou a uma sofrida operação. quando rompeu com Freud. que mar caram Freud de modo especial. posições estivessem trocadas. a relação que Freud descobriu exist entre ele próprio. morreu um dos netos ma is queride de Freud. E houve também aqueles que escolheram ficar até o fim ao lado de Freud. < Mauti MANONNI. que ei tre Fr eud e seus discípulos circulou com intensidade mi xima. Na mesma época em qu a doença apareceu. p. Presidente da Associação Psicanalítica Intemacional desd e 1910 até 1914. (11). cujo brilho e inteligênc cegavam quem dele se aproximass e.

#Os bons neurologistas e psiquiatras da época conhem os limites do seu saber. Some -se a isso a curiosidade e L tenacidade judaicas. os últimos anos de vida de Freud não foram iceis. p.rti cu larmente a atenção de Freud. a passagem da paixão pelo mestre para "ser o mestre".a isso chamam coragem diante dos perigos que ameaçam minha próp ria vida. mas pouco coicciam a respeito de suas causas. morendo em conseqüência do cânce r de boca. Dentre as doenças nervosas.larou não sentir mais prazer por co Emest JONES.a Psicanálise. colocada desde o princípio. #De fato. filha de Freud e mãe de seu neto mais querido. he deu o impulso inicial. de doenças nervosas. 1938. na época. em Nar França.em que predominavam as ex cações orgânicas e psiquiátricas para doenças come psicoses. pacientes. Uma grande expectativa. desde que seu neto se fora.esta última aprendida por Freud n estágio que ele havia feito com Bemheim. desçooertas. tendo tais anos transcor rido sob o nazismo e os reparativos da Segunda Guerra Mundial. arrolar itomas e classificar as doenças nervosas. em frente ao hotel Esplanade de Londres. "Este é o segred de minha indiferença . ""ySJ-SrtfíÈí l l [f n p! j S3 O SONHO POSSÍVEL: Freud pensa a Educação Os primórdios da teoria psicanalítica Freud iniciou sua vida clínica como médico neur gista. embora :u nome brilhasse como nenhum outro e sua fama já tiesse corrido o mundo. onde viveu seu último ano de vida. contato s apaixonados com . Por causa sobretudo da perseguilo. uma determinação inquebrantárel de contribuir de modo original para a Ciência. que marcaram profundamente ur Freud já idoso. sã alguma. Freud foi obrig ado a deixar Viena. que vêm buscar ívio de seus sintomas nas mãos do doutor Freud.eus mestres. é a histeria a que chama . Sua clientela compunha-se então de pessoas a gidas em maior ou menor grau por aquilo que era c mado. (22). quase sempre mulheres. a ponto de fazê-lo co nhecer a depressãc deve-se acrescentar a guerra. uma :ducação clássica primorosa. as esquizofrenias e a histeria. no ano de 1938. A esses episódios. Freud. a criação de uma nova disci plina . Uma época final do século XIX . A perseguilo impo sta aos judeus de Viena não o poupou. É grande o número . Sinmas que variam dentro de um espectro que vai desde imitos persistentes até alucinações visuais contínu . hidroterapia. no ano de 1885. 653. banhos. Sabi am descrever. BIBUGiLCA CENJHAi. [uando estava com 82 anos de idade. massagens. intei cão. Sophia Freud (1893-1920). Mudou-se então "ara Londres. hipnose . Resultado: uma obra de vulto. Os tratamen eletroterapia.

d evido à naturez insuportável do trauma (por exemplo. pel posição diferenciada que ocupa em relação aos outrc elementos da personalidade. . ois. paralisias parciais. ões e reflexões em tomo do que viu e. sobretudo. Mas a curiosidade de Freud fê-lo erguntar-se sob re as razões que impulsionavam sua iliente. de defen der o aparelho psíquico de perturbações p erigosas sua integridade. através da fala. No caso da histeria. Ela receava que. uma estrutu rã psíquica encarregada. na maioria das vezes (razão pela qual se usava a hipnose). analisar e encontrar suas origens. a morte d uma pessoa querida).o fato de que a vida sexual se presta particularment como conteúdo para a formação d e tais traumas. issando por contrações. e aguardou até poder descobrir que era des sa naneira que a paciente expressava seu temor de ser in:errompida. tudo fi:asse mais confuso e pior do que já estava. Essas palavras surgiam sem . para nossos propósitos.parente co nexão com o contexto da sessão. ouviu de suas pacientes histéricas fo ram reunidas nos Estudos sobre a histeria. perturbaes da visão.a tese de Freud e Breuer de que há um nexo causai entre um fato desencadeante (o trauma) e os sintomas. embora o paciente não se lembre dele. no item "O sonho vnposstvel"". de calar a ioca quando uma histérica lhe disse "Fique quieto!" epetidas vezes no curso de um relato que ela lhe fazia obre seus padecimentos. tomaram Freud capaz. a Freud ocorria sobretudo ob:rvar. há uma tendência de se abandonar a forma ego e substituí-la simplesmente por eu. uma tradução mais próxima do texto de Freud.as. ^gundo ele próprio. e nas Psiconeuroses de defesa. por exemplo. de 1895 (em parceria com Breuer). O conceito de inconsciente será abordado com maiores detalhes neste livro. entre outras coisas. Atualmente. forma latina do pr onome eu. de um conquist ador. . de um avenureiro. As observa. ou o eu. típicos. inteiramente dissonan: do modo como eram tratados pela Medi cina d a época. e qualquer -utro médico as teria interpretado como uma espécie de ebeldia da paciente. É em tomo desse último ponto que passam a girar te dos os desenvolvimentos teóricos de Freud nesses pri meiros tempos da Psicanálise. o que importa. e pela impossibilidad de se descarregar idéias de conteúdo sexual .o fato de que o fator desencadeante teria sido reprimiA palavra alemã ich (eu) foi traduzida para o português como ego. é o seguinte: . . Seu espírito de investigação e sua persistência. do pela pessoa (hipótese mais de Freud do que d Breuer) e afastado da consciência. com a interrupção. ataques nervosos e convulsões. que utilizava termo s de uso corrente para designar seus conceitos. Todo esse desfile de sintomas foi encarado e avaliado ar Freud de um modo peculiar. Desses textos. se a um médico ocorreria pensar sobre as maneiras e eliminar um sintom a. pc exemplo. essa idéia inc . A explicação primordial a da defesa do eu contra uma idéia incompatível cor ele. como se diz modemamente -. de 1896.o fato de que o agente responsável pela expulsão d idéia insuportável para fora da con sciência é o ego.

é a moral. no caso da neurose obsessiva e assim por diante. u ma paralisia no braço). Elizabeth von R. queixava-se de dores nas pemas e de ificuldades para andar. porém. com essas idéias seu advento. sendo que essa transformação Freud chama "conversão".. Em todos. mão o que há de insuportável na sexualidade? A períunta freudiana irá conduzi-lo. ma s ao voltar para casa o estado do pai nha-se agravado profundamente. Através de um trabalho de investiição. Tal epiidio constituiu-se em algo traumático porque a goverinta apaixonara-se pelo patrão e se acreditava corresandida.. em seguida. que Freud comparava com o d e um arqueólogo. interrogando-a sobre o seu papel na condenação da exualidade.diz-se qu e a idéi. é uma govemanta que trabalhava na casa d( um empresário vienense. uma noite. Isso efetivalente se deu. o que vari a em cada um é o destino dado à idéia in compatível: conversão. p. saíra para uma reuião onde provavelmente encontra ria u ma pessoa por uem estava profundamente interessada. E a emoção ligada àquela iéia foi utilizada para intensificar uma dor física que se chava simultaneamente presente. (2). e que sofr ia de alucinações oi fativas acompanhadas de depressão. e. Os exemplos desses mecanismos encontram-se gene rosamente relatados nos Estudos sobre a histeria. < Sigmund FREUD. Mas ess explicação presta-se. As causas de suas dores histéri^s são encontradas numa situação de conflito: tomava )nta do pai enfermo. por isso.episódios traumátiis auxiliares -. fato que a cena desmentira . à Educaão.. tran . quando foi severamente repreendida por seu itrão. inócua. um onflito. no caso da histeria. Sexualidade e Educação A resposta a essa interrogação é aparentemente óbvia. traumática é expulsa da consciência. mas se mantém ré gistrada de algum modo no ps iquismo "não-conscien te" e. está presente o fé nômeno de divisão da consciência . 11}. "Vo que tudo indica. até chegar ao momento traumático ai.. O cheiro alucinade #a o de um charuto. Vamo: examinar alguns. ocasião em que ele fumava um charuto. Freud aos 30 anos. igualmente. a outros quadros clíni cos. O contraste entre a legria de ter estado com a pessoa desejada e a piora do ai constituiu um a situaçã o de incompatibilidade." Ora. Tratava-se de uma cena ocorrida durante o j antar i família. ligação idéia a uma outra. a foi desenterrando "camadas" .ompatível é expul sã pelo eu e tomada inócua por sua transformação soma tica (por exemplo. Mas já se prepar a. tratavase de im exemplo do mecanismo de conversão com finalidade lê defesa. se as idéias incompatíveis são quase sempre de latureza sexual. Lucy R. pode ser resgatada através do tratamenti que Freud vinha criando. Não se pense que está aí desenvolvida a idéia freudia na de inconsciente. E Freud conclui: "O resultado disso foi que a Jéia erótica foi reprimida. e se são julgadas i nsuportáveis pelo eu. Assim.

Há ainda um outro ponto desse pensamento de Freud que merece destaque: a idéia de um desprazer inerente à sexualidade. a noção de um recalque operado já n plano intrapsíquico (o eu c omo agente do recalque) fí pensar.no sentido de que trai lham junto a elas. a princípio.se: impossível e até mesmo mortal.smitida pela Educa. não o contrário. Freud che gou mes mo a pensar assim Freud em 1891. Antes de c ceituar o recalque. um desprazer .ão. No caso das neuroses. doen nervosa a moralidade . descoberto. As forças mói não vêm de encontro às tendências do indivíduo sentido de que se chocam contra elas . cori se disse aqui. Convém. a partir do momento em que Freud entende o rig< como algo necessário a o bom funcionamento psíquia as coisas se complicam.sob o domínio das pulsões. e não : mente nos neuróticos . ao mesmo tempo. f rã usar o termo que a tradução brasileira consagrou que se tomou familiar à literatura psicanalítica . nem por isso precisav ser e xcessiva. desp . que incute no indivíduo as noções de pecado e de vergonha que ele deve. Uma vida sob o in te domínio dos impulsos . em 1896. Na época em que Freud ligava. pode gerar efeitos o tros no caso dos pacientes das doenças mentais. Porque. mas n. deixa de estar pr esente e ser necessário a todo aparell psíquico "saudável". que elas Podiam ser evitadas caso a sociedade de seu tempo se propusesse a ser menos coercitiva em r elação às práticas sexuais. Bastaria recomendar uma redi cão da severidade imposta pelos educadores às criança Mas. podia responder por algo da natureza de uma neurose . necessariamente. Profilaxia das neuroses . Restava.A profilaxia ê uma medida que evita o aparecimento de um a doença. que. móvel da ação recalcadora do eu. certamente. < tender melhor o que diz Freud: em todos nós.e é este d esprazer que força à moralidade. Freud acreditou. na époi uma distinção entre "neuróticos" e "normais" prec iso acontecer um recalque. No excesso de recalque.e simples propor uma profilaxia das neuroses por meio c um processo educativo. Freud se dá conta de que há. uma idéia original. necessária. em comunhão de interesses. antes de tudo. de modo diferente.e. no trabalho clínico. Essa é. ter diante das Dráticas sexuais. É em nome da próp: sobrevivência individual e grupai que o eu opera o J calque da sexualidade. tais mo a proibição de relações sexuais an te s do casamer No entanto. no interior da própria xualidade. a educação . acreditava que as neuroses ligad: distúrbios da sexualidade resultavam de práticas soe impingidas pela moral vitoriana de seu tempo. de qualquer mode propor que a educação não fizesse uso abusivo de su autoridade.Freud ainda fazia. portant o. aí sim. se a correção ed ucativa passou a sei no entender de Freud. Freud via um per: #go. E sse recalque. simplesmente. que men um pouco mais de atenção. nos primeiros anos de sua prática clínica. um desserviço.mas vão ao < contro dessas tendências . Como entender que uma das fontes principais de prazer no ser humano possa ser.

nesse sentido. inicial. Esse recalque marcaria. Prosseguem suas tigações. diante dos olhos de qualquer analista. Dessa primeira conceituação resultou seu modo de ent ender a participação da Educação nesse conflito. não parou aí. Não se veja aí qualquer sinal de perversão no sentido usual do termo. no mome nto em que o homem adotou a postura ereta. no ponto preciso em que um paradoxo sobre a condição humana faz um nó. que a experiência clínica pôs e põe a nu até hoje. que teria ocorrido em algum momen infância da paciente? A princípio. sexual não se confunde com genital. A princípio. associando a elas um desprazer originário. de uma especulação. geradora de prazer para a criança que suga e até mesmo para a mãe que amamenta. Em seu pensamento. Freud se dedicou ao estudo das histéricas e "fechou". Freud. Mas a sexualidade é mais am pla q ue a sexualidade genital. Freud tenta responder a ele dizendo que teria havido um recalque primeiro. Essas investigações levam-no à descoberta da se dade infantil. ainda que provisoriamente. contudo.autora. as experiências sensuais da criança vividas em relação ao seu próprio corpo ou em contato com o corpo da mãe. mas ilustra o mal-estar de Freud diante da q uestão do desprazer. podia-se pensai F reud pensou . Entenda-se bem o que Freud quer dizer com sexual. Sexualidade infantil e Educação Após esses primeiros tempos. sem dúvida. que desempenha um papel de co. essa ques tão tem uma importância especial. Esta modificação teria a função de impedir o retomo ao estado anterior quadrúpede. cuja resposta ele não hesita em ir buscar na aurora da humanidade. um primeiro esquema teórico. A sexualidade genital refere-se precisamente à copula com o objetivo de procriar ou de obter prazer orgãstico. como já foi mencionado. é entendida já como um a experiência sexual. para o resgate das idéias de Freud sobre Educação. Inclui as preliminares do ato sexual. O aspecto central dessa montagem era a teoria do conflito psíquico entre o eu e um a idéi a incompatível com suas exigências. cientes se referia a uma experiência de sedução atril a um adulto.que se tratava de experiências Mas a quantidade e a intensidade das . que deverá ancorar-se a afirmação de Freud sobre a impossibilidade da Educação. inaugural da humanidade. A experiência com pacientes histéricas levou Fr uma interrogação: por que razão a maioria de su. as perversões. e sim um exercício prazeroso que o contato corporal proporciona. assim como para a reg ião anal . um paradoxo que se encontra no coração da teoria analítica. e novos conceitos vêm se agregar a os an trazendo novas conseqüências para as questões da cação. Nesse movimento ancestral. portanto. algo teria se deslocado para as zonas sexuais.razerosa? Freud teve que elaborar ao longo de toda a sua obra esse paradoxo. Pois é aí. A amamentação. Trata-se. De todo modo. tais zonas com essa interdição.

substantivo que corresponde ao verbo treiben ("impulsionar". estrutural. através dessa metáfora. Isso porque a origem. de natureza si . em A genealogia da moral. #As pulsões parciais A clínica psicopatológica coloca o médico em contato m os chamados desvios. Brasüiense. na verc de fantasia s. Freud dedic grande p arte-de sua obra ao es do das pulsões e do jogo er. PuisAo é a palavra criada para traduzir Tíieb. Como a palavra instinto "jfftn um compromisso claro com a Biologia. já que Freud costumava usar palavras da linguagem coloquial. é somática (uma re± do corpo). então havia alg experiência infantil. Dessa revisão. caso se estudem seus desequilíbrios". Freud optou pelo emp.) O termo pulsão t em uma acepção precisa no texto de Freud.referidas expe cias fizeram-no desconfiar de que se tratava. a estr utura caractetica do cristal inteiro. Freud trata de uma questão capital para a Educaçã( mostrar que o impulso sexual humano . Nietzsche. e não se confunde com o termo instinto. A melhor tradução para Trieb poderia ser impulso. porém. que são imagens que chegam a ele / "informá-lo" do que se pi em seu corpo. h de que a sexualidade humana só se cons titui no dec da puberdade.a pulsã< xual pode ser decomposta em pulsões parciais. Que rupturas Freud :sta . "impelir"). são relatos de experiências de sedução. a tradução de Trieb como pulsão. alguma coisa. No entan to. Ora. resulta um trabalho escrito por F em 1905: Três ensaios para uma teor ia sexual. (Ver a esse respeito a nota 8 do tradutor Paulo César Souza. pois acreditava ser esse o go determinante da próp constituição do psiquismo. se eram fantasias. i formato especial de cada pedaço. de F. do termo pulsão. devia. ela é sobr^ do psíquica ao apresentar-se indivíduo através dos reprei tantes das pulsões. suas rupturas. uma observação acurada permite perceber. eud mostra. anormalidades " "com o vaso de cristal quebrado"". definindo-c mo um conceito-limite ent somático e o psíquico. Um < se chama justamente "A sexualidade infantil". elas. e não como impulso. como diz Freud. acabou por ser consagrada na literat ura psicanalítica brasileira. das moléculas daquele vaso. obviamente. afont< pulsão. j entanto. Os pedaços se quebram obedendo às linhas de fo rça determinadas pela disposição igular. portanto. que muito se po: saber sobre a estrutura ps íquica. responsável pela emergên cia d fantasias. perturbações. e descreve umpn só programado ao nível do pó. Assim. ocasião em que o organismo se tom to para procriar.afinal. ser revista.

escópica. O holossexual. Freud cha ma de pulsões parciais: ulsão oral. no máximo. como acontecerá p( oc asião do desenvolvimento da genitalidade. que sucumbirão mais tarde à repressão e rão que se submeter ao domínio das práticas genitais im vistas à procriação. se "recusado" a cair sob o domínio da geniilidade. no caso da sucção do polegar. que a sexualidade humana. seja ele o prazer :gástico. e a sexualidade infant testemunha. estaria fixado a primitiva curiosidade infantil de c ontemplação de :u companheiro. rio. no entani. Para ele. ao prazer que possa vir a ser extraíc do órgão a que est iver vinculado .cou para entender a sexualidade infantil? As perrsões da sexualidade. sobretudo par a estabelecer reh ções entre os estudos de Freud e a Educação. no caso c contemplação. São interessantes as conseqüências dessa idéia de ai sência de objeto ligada às pulsões parci is. ao fim imposto pela genitaliciade. no caso do prazer de sucção. manijlação de órgãos genitais. estão present es práticas de nareza perversa. escapar facilmente d o domíni o genital. todos esses aspectos :ixarão suas marcas . configuram práticas per:rsas anotadas por Freud. que teria.ain< não foi despertado. Somente depo que estiverem reunidas para conformar que a criança buscará um objeto sexual sobre o qual dii gir . como d< monstram as perversões. como um todo. seja ele a procriação. no caso a defecação. por exemplo. se objeto pelo qual se satisfaz l h . Assim. no caso da masturbaçãc boca. d modo algum.ur não consegue obter prazer pelas vias genitais. prazer de sucção. Pode.pel objeto preciso ao qual se a genitalidade seu impulso. entre outros. no caso do olhar. cada pela que tão genital . As pulsões parciais possuem. Se a pulsa sexual não possui qualquer das fixações do instinto. Dessa característica errática das pulsões. de cerL forma. presentes na seaalidade infantil. a rigidez a ela atribuída. decorre um constatação relevante. Exibicionismos. ânus. Antes do advento e c domínio do interesse genital. cujo interesse a cópula propriamente dita . curiosidade divida aos órgãos genitais de seus companheiros. não tem. cuja ação se observa nas pré minares de qualquer ato sexual. tais pu lsões p arciais são \ vidas livremente pela criança. que estarão submetidas. As perversões adultas resultariam da permanência de ma dessas perversões parciais infa ntis. tal como vemos em ação em um adulto. um caráter errático. é na verda de compôs daquelas pulsões parciais.olho. O voyeur adulto. prazer liga5 à defecação.há sucções e manipulações no -ito "normal" -. O vo". Ela faz pens. genital próprio. A cada um desses aspectos perversos. estaria fixado ao prazer anal assim por diante. Mas ser á uma pulsão dirigida ao próprio corp( que não buscará um outro corpo. Freud descobre que. no caso da di fecação. por outro lado. no decorrer da constituição selal dos seres humanos. com o agravante de não poder obter razer de nenhuma out ra maneira que não essa. Freud revela que a pulsão sexual. anal. Disto se deduz que essas pulsões parciais não têm aij da um dirigir. Antes disso pulsão poderá se ] gar. ao contr.

por isso. Mas. do fetichista). mas o objeto não o é mais. então. proveniente da au sência de objeto e de sei caráter decomponível. c oisa c cultura se apressa em impedir. De modo aproximado. a Educação terá papel primordial no processo de sublimaç A sublimação Uma pulsão é dita sublimada quando deriva para um alvo não-sexual. a criança concentra sua atenção em tudo o que diz respeito a ess gião de seu corpo. então. Freud não teorizou mais longamente sobre os mecanismos que conduzem a uma "dessexualização"" do objeto. a pulsão sexual é passível de se di rigir a outros fins que não os propriamente sexuais: < #passível de sublimação. e é desviante por natureza. é libido). portanto. Além disso. e todas aquelas que promov em um aumento do bem-estar e da qualidade de vida dos homens. ainda assim e por isso mesmo. pode acontecer uma " "dessexualização desse objeto"". Descobre. com isso. algo como uma reserva. São elas a produção científica. Caso o desenvolvim da criança seja bem-sucedido. Para Freud. devido à pre senç a da libido. por exemplo. através da " "dessexu alizaçã o"" do objeto e da inibição de seu fim sexual. errática. toma-se possível que o indivídu o se volte para atividades "espiritualmente elevadas". Infelizmente. segundo a expressão usada por Freud. Um prazer "brando" que. que dele se desprendem: as fezes. só que de modo mais brando. neste aspecto das idéias de Freud. justific a a busca e a persistência naquela atividade sublimada. embora o objeto visado não seja sexual. No momento em que ela está sendo construída. a pulsão sexual é então capaz de envereda por caminhos socialmente úteis. já consagrado. Eis aí o ponto que interessa ao educador. é o fato de tais atividades serem impulsionadas pela libido. que há mati identificadas a princípio como partes de seu própric pó. transformada em algo temo. Haveria.e é indiferente (já que pc de ser uma mulher ou uma peça de seu vestuário. O interessante a s er observado. o objeto visado adquire um " "colorido temo"". de alguma maneira reaproveitado. É natural muitas dessas crianças desejem manipulá-las. Freud menciona em alguns textos a seguinte idéia: há um a es pécie de excesso libidinal. visa a ob jetos socialmente valorizados. que não é usado para fins diretamen te sexuais e deve ser. ou simplesmente prazeroso. a possibilidade de uma certa reciclagem dessa energia. . A energia que em purr a a pulsão continua a ser sexual (seu nome. no ca só. a pulsão parcial anal. artística. Por seu cará ter maleável. por e xemplo. se ele é intercambiável se seu objetivo pode ser atingido pelas mais diversa vias. Nesse movimento errático da pulsão em busca de um objeto. Como se estabelece ou "funciona" a sublimação? Tome-se. d cert o modo. nem sobre os motivos que levam o indivíduo a fazê-lo. a antiga ânsia sexual ainda se faz presente.

Um exemplo disso é a im portância do educador 5 processo de transformação da pulsão escópica . terísticas pode ser a obsessão por limpeza. da qual uma das c. Aqui. um papel imrtante. "não i sublimação". que a Educação tem. Caso.o que vai ocorrer c conjunto de movimentos: parte dessa pulsão será r mida (a criança deixará de manipular fezes). Nesse < Freud afirma que a pulsão anal seguiu um ou tro d no. part compor a sexualidade genital (estará present e na s f minares do ato sexual através do prazer anal) e parte sublimada. idenicado. cuja or igem. Fr eud deixa de ser idenkado com o pedagogo tradicional a partir do momenem que não p reconiza o desenraizamento do "mal". a sua canalização em direD aos valores "superiores". supressão das pulsões parciais não só é inútil como xie gerar efeitos como a neurose. Como Freud faz uso dessas idéias para pei a função da Educação. m o pecado original. cont udo. por o pio. principalmente e ntre os educadores religiosos. que versa sobre o inte< sse educaci ona l da Psicanálise.em curiosidade intelectual :r o mundo. embora disfarçada. para Freud. a argila. e di rir de forma mais proveitosa a energia que move tais alsões. neste exato momento e m < surgem suas elaborações sobre a sublimação? As bases necessárias à sublimação são fomecidas pi pulsões sexuais parciais e claramente per versas. expressa o mesmo desejo de manipular matéri. Ou seja. de outro lado. ou apoio. pode rá se transformar. mas ap um objeto dessexualizado. energia orientando a atividade. como diz Catherine Millot. aos bens culturais. de proição socialmente útil. que também via na criança um mal originário. é a antiga a dade de manipular fezes. ] efeito da repressão. " Sem perversão". É na medida em propicia sublimação. as propõe a sua utilização. diferente do da sublimação: foi transformada seu contrário. Estaria. que apostava em um bem natural bvertido depois pela cult ura. um prazer correspondente. em anseio excessivo por limpez Sublimação e educação O leitor deve estar lembrado do ponto em que o c ceito de sublimação foi introduzido : falava-se que o ráter peculiar da pulsão sexual tomava-a passível de blimação. a libido. sendo que tal curiosiide desempenha . Em um texto de 1913. A mania de limpeza é a mesma pt anal. Há. E sem sublimação. cal. os educadores poderão reduzir a coerção. porém. Freud poderia < : aparentemente identificado com o p edagogo clássi. conhecer idéias -.a alsão ligada ao olhfr . como já se sse. não existe mais objeto sexual. a repressão da p ulsão pó originar uma neurose obsessiva. mas afasio de Rousseau. Freud escreve que os lucadores precisam ser informados de que a tentativa . Port #uma ação educativa que se propusesse a desenraizar o nal"" em que nasce a criança est aria não só fadada ao ícasso como estaria atacando a fonte de um "bem" turo. diz ele. De posse dessa inforação. na atividade de esculpir em argila. de "sujar-se com ela". não há cultura. o desenvolvimento da criança não ( rã de maneira satisfatória. Nesse úli moviment o.

a nossa civilização. apenas para entender melhor suas leias. desde logo. Catherine MILLOT. Para es se s últimos. que produz uma ação educativa tão exageradamente severa. já descrita quando se olha a Educação com os olhos aber tos pela teoria da sexualidade infantil. Wilhelm REICH (1897-1917). Nas palavras de Millot. que o exemplo acima. Portanto. freudianos relativos ao conflito psíquico entre o eu e z idéia sexual incompatível.um papel muito importante no de:nvolvimento do desejo de saber.e uma grandi tentação . pemite mostrar como um educador poderia pensar e agir. Suas principais obras são Razão e revolução e Cultu a e sociedade. Mas poemos imaginar. em gritar furios amente com ela. caso insistisse em " "sujar ali as suas mãos" ". Freud fala de uma vocação da humanidade para a neurose. é neurótica As razões que levaram Freud a tal conclusão são difíceis de determinar. Sobre o desejo de saber. representada p or uma Educação seguidamente repressora. Um educador psicana liticame nte orientado" poderia. (10). ferecer argila em lugar de permitir que uma criança lanipulasse suas fezes.a neurose. Herbert MARC USE (18981979). No entanto. Espeiva q ue os educadores se encarregassem disso. como as que Reich e Marcuse desenvolveram. in stituição criada por Jacques Lacan em 1980. A hipótese de uma "vocação neurótica" da humanidade. SigmundFREUD. caso concordasse com as idéias de Freud sobre a Educa cão de crianças. descarta a ação política como sendo uma . há um certo costume . ameaçando-a om castigos. Não se ocuparia. que garante através dela a submissão das massas. Na verdade. ele escapa a explicações políticas. Crítico da civilização industrial. (33).de "aconselhar"" educadores a agir da form. Também a civilização. vero capítulo 3 deste livro. e produz efeitos semelhantes aos que podem ser produzidos pelo eu . Catherine MILLOT é psicanalista francesa e integra a Escola da Causa freudiana. conclui Fre ud. por exemplo. exagera. Freud nunca se p re ocupou em construir métodos ou :iar modos de operação baseados em suas idéias. c próprio Freud continuou a marte lar um a desconfiança refletida numa pergunta que nunca o abandonou: Pó que. ínge de se confundir com uma r eceita pedagógica. a repressão sexual é uma das armas mais importantes de que se serve a opres são política. com isso. como seriam esses procedimentos. do ponto de vi sta histórico. Tentou uma síntese do marxismo com a psicanálise e pugnou pela liberação sexual. de modo prinipal. pela via da Educação. Convém ressalvar. é semelhante à defesa que o eu mfan til levanta tão precocemente contra a pulsão sexual uma idéia que remete aos primeiros des envolvimento. contudo. a Educação sempre fo tão repressora? Freud tenta responder a ela dizendo que a hostilidade da civilização.

excessos não se curam com bo ns c onselhos. pensa Freud. até com certo entusiasmo. Fürst. um mecanismo ao alcance da consciência. se já iciste na experiência da criança algo de natureza sexual.e há sempre um mas no pensamento de Freud . a verdadeira história sobre a origem da criança? Teme-se. seu discurso ainda está carregado de otiismo. despertar de modo precoce uma sexualidad e que só d everia se apresentar na puberdade. Trata-se de uma época em que Freud começa mesmo er consultado por seus contemporâneos a respeito da elhor maneira de educar filhos. de fora. E a razão principal paisso não se liga à descrição teórica feita por Freud a speito de como se constitui a sexua lidade infantil. facilmente solucionável através do esclarecime nto de pais e educadores acerca da existência da sexualidade infantil. o se guinte: o educador é aquele que deve buscar. é que as classes sociais no poder fazem uso. que essa informação circula hoje entre nós aças exatamente à descobeita freu diana.outra pergunta desconfiada já está sendo formulada nas entrelinhas desse texto apa rentemente tão afirmativo e positivo quanto às possibilidades de uma boa educação . M. na verdade. o prainerente à ação das pulsões sexuais . escrito por Freud em r esposta a uma carta de m certo dr. Embora presente. não há quem não tenha ivido falar em complexo de Édipo.e erradamente -. Não se pode esquer. Além disso. O máximo que se pode pensar.e as necessida. o justo #ailíbrio entre o prazer individual . Assim. sociais . No entanto. o que já é cohecido no plano da vivência. em 1908. Trata-se do texto "Esclareciicnto sexual das crianças"". talvez seja mais interessante prestar tenção ao que diz Freud a respei to da atitude dos pais Sobre o complexo de Édipo. ver "Os primórdios da teoria psicanalítica" no capítulo 2 des te livro. a repressão e a sublimação despulsões. pergunta ele. a desconfiança diz respeito à possibilidade de a sublimação vir a ser operada. nos primeiros dez anos do século XX. A educação sexual das crianças Por enquanto. Era assim qu e Freud pensava. para seu educando. com fábulas como a da cegonha."causa" fundamental da repressão. o erro dos educadores e pais repousari a simplesmente em uma ignorância teórica. controlada. como faz Millot.vale dizer. pois a sublimação não é. Por que. intelectualmente. é tão comum esconder. De mais a mais. frente à educação sexual.vale dizer. Essa resposta é ma decorrência natural do fato de entender que. Hoje em dia estamos até certo ponto habituados essa idéia. Afinal de contas. Nesse artigo. em benefício próprio. nessa oca em que ele formula as relações e ntre cultura e suimação. porém. mas simples fato de ter afirmado a existência de uma selalidade infantil. apenas insinuado. ao há por que negar a ela as informações através das uais poderá dominar . Há um texto de 1907 que aborda justamente a educa[o sexual. algo absolut amente novo em sua oca. essa desconfiança ainda não impedirá Freud de declarar. A resposta de Freud é muito simples e até óbvia: as :ianças devem receber educação sexual as sim que delonstrem algum interesse pela questão. talvez . a desconfiança de Freud não passa ainde um esboço. da repressão já instalada por outros meios. responde ele. na qual este lhe pedira que se renunc iasse a respeito. Mas .

se houve esquecimento. porém. percebe-se ser esta uma tarefa bem difícil. Em que poderia estar pensando Freud? Talvez a pergunta insidiosa mencionada há pou co já estivesse agindo: por que os pais ignoram a sexualidade infantil. Por isso. A primeira é que tais afirmações p dem bem ser uma das peças para o quebra-cabeça que Freud propõe ao afirmar que a Educação é uma profissão impossível. que incidem sobre a parte infantil da sua sexualidade. mas que nem por isso deixa de ser estim ulante. uma enorme riqueza de possibilidades e de reflexões. Eis por que. Lança essa afirmação e seg ue em frente. volte a "ficar de bem". Afinal. então não bastará esclarecer os pais. No entanto. a resposta de todo psicanalista costuma ser a mesm a: através de uma análise. A segunda. E por que. Sobre essas afirmações. mais particularmente na seção intitulada "Interesse pedagógico". sem se deter nela. e o fato de e la não nos ser mais acessível. na verdade. porém mais sugestivo. é possível perceber. escreve Freud. sobre as quais nem Freud nem os psicanalistas avançam muito. na idéia de uma reconciliação com a criança que n os habita. mesmo que não seja essa a saída escolhida pelo educador. A idéia tão óbvia de que se deve informar sem mais delongas as crianças será questionada em razão daquilo que Freud chamou. será necessário fazêlos lembrar. em "Múltiplo interesse da Ps icanáli se". preferir que os pais não se ocupem do esclarecimento sexual das crianças. se eles próprios já foram crianças um dia? Talvez não se trate. Não é à toa. colocando m ai s empecilhos do que ajudando. retraduzida por Maud Manonni. " "Nós. Como? Bem. é porque houve repre ss ão. em seu estilo ele gan te. um contato do educador com sua própria infância. que Freud sugere descartar os pais dessa tarefa. ele confessa. no comportamento dos pais. para bem educar. ainda que de modo involuntário. de ignorância. E se assim for.sexual das crianças. em O mal-estar na civilização (1930). com a crian ça que há dentro dele. A certa altura. Freud dirá que as práticas educativas são determinadas pelos recalcamentos sofridos pelo educador. Raciocinando como Freud poderia ter raciocinado. "Só pode ser pedagogo aquele qu e se encontrar capacitado para penetrar na alma infantil". Freud parece estar dizendo. Veja-se aí o paradoxo entre ser necessá rio. os adultos. não compreendemos nossa própria infância. pois provavelmente eles estarão. delicadamente. que já está um tanto cansado de observar. leva a supor ser necessário que o educador se reconcilie. de t eor . e sim de esquecimento. E há razões para essa repressão. Que cada interessado tome a si essa tarefa! Estará. em 1908. ele afirma algo parecido. então. duas observações podem ser feitas. enganado quem pensar que as objeções colocadas pelo próprio Freud ao seu pe nsamento terminaram. visto que subsistem forças que ainda atuam no sentido de mantê-la. uma incompe tência para esses assuntos.

são. afirmava estar em jogo o fenômeno da divi consciência. pois se acabaria esbarrando. como. as crianças costumam tecer suas próprias explicações a respeito de como nascem os bebês. Segundo "ele. que a criança pensa com o ânus. assim. mas a lhou de modo bastante diverso. continuaram adorando suas antigas divindades! Não haveria.ias sexuais infantis. e atr avés da análise dos relatos de seus pacientes adultos."RAl < Sigmund"FREUD. caso sua própria "posição inconsciente" não os im peça. Mas a fo cão de um sistema chamado inconsciente é freuc Por volta de 1895. no inconsciente. por ele "desditas" ou questionadas. entre outras coisas. razão para informar de modo sistemático. uma ética da verdade. mas é uma pena que ele tenha se esquecido de como era mesmo essa criança! E a conclu são ao final de tudo: a Educação é uma profissão impossível. Se assim é. a verdade sobre a sexualidade. ressalta o próprio Freud. Charcot. (10). Uma dessas explicações predomina em uma determinada época. aliás. Ao observar e ouvir crianças. tanto os homens como as mulheres possuem pênis. porém. inspiradas pela Psicanáli se. e é decorrente do mom ento libidinal pelo qual a criança está passando . 1866. Se. a idéia de que existem idéias cientes não é uma invenção freudiana. se bem que elas não irão d ar ouvidos. Freud acompanhou a freqüência com q ue surgiam três tipos de explicações: as crianças nascem pelo ânus da mãe. Resta. quando Freud se defronta1 suas pacientes histéricas. mas sublimação não se promove. Freud. às escondidas. aceitaram o deus que lhes foi imposto. contudo. idéia de inconsciente que se está esbarrando o ter do. como uma espécie de "ato pe dagógico programado". Sem dúvida. ainda que soe um tanto estranho. e o coito é sempre de natureza agres siva e sádica. como já foi mei do. por ser inconsciente. . para Charcot. de que adianta tentar proporcionar a ela expliUN1VEHSIDADE FEDERAL DO PAflA BlBL"OVtCA CtM. O educador deve se reconciliar com a criança que há dentro dele. de certa forma. nota-se que todas as idéias de Freud sobre a Educação. O educador deve promover a sublimação. podendo-se dizer então .a explicação anal surge justamente quando é o ânus a mais privilegiada região do corpo. isto é. Deve-se ilustrar. um convite aos educadores para jamais escon der. p. em 1909 #cações intelectuais sobre o que se passa de fato? Talvez ela procedesse como os sel vagens "civilizados" pela Igreja. Aos olhos de seus colonizadores. O INCONSCIENTE Já se pode perceber que é. O SONHO IMPOSSÍVEL: A desilusão de Freud com a Educação Por que a Educação é impossível? Até aqui. esclarecer as crianças a respeito da sexualidade. caso isso lhes seja possível. Freud aceitou essa explicação. uma vez mais. e essas explicações dependem do momento de desenvolvimento sexual em que se encontram.

p. Ou um esquecim e nto de #vir à tivos. Estes pequenos episódios. por assim dizer. os lapsos. a divisão da consciência era fruto c flito de forças psíquicas encontradas no interior < quismo. pois sabe que a es sa ocorrência não é dada muita importância. o sintoma n< co. comprometido com o que diz. poderia o ei a alguma pulsão. am] então p ara nele caberem também os indivíduo: mais. que exigem uma teima ei sempre significa ocorrência. caso se proceda a uma análise de sua do conferencista é óbvio. vale a pena concentra r a atenção só atos falhos. Uma das decorrências dos lapsos é a de que se pode pensar que não é apenas no lapso que o inconsciente está presente. são e poderão ser esclarecidos. Através de atos falhos.. de certa forma . a consciência foi desalojada da posição de comando que vinha ocupando até então na Filosofia. entre outras manifestações. do por Freud que. que conseguiram realizar com êxito a repressão de suas tendências inconscientes. facilidade e freqüência especiais em indivíduos sãos. Muitos consideram Nietzsche. Os atos falhos são pequenas manifestações que gem em nossa fala. E. e o ato falho manifestou seu desejo de que ela já tivesse terminado. à aparência insignificante com que surgem"..importância do inconsciente. são momentos privilegi ados de emergência do inconsciente. 1552. Ele está entremeado em nossa linguagem. foi encontrando em outras formações psíquica -neuróticas a manifestação do inconsciente. o conferencist. Através deles. uma espécie de assinatura de um trata paz era. ao invés de iniciar a conferênci "Boa noite". através do estudo dos sintoma. Veja-se. O modo como se resc conflito. portanto. Alguém que fala pode expressar muito mais do que está procurando dizer. "Aceito que você se manifeste". muito pode ser dito. e que em determinada circunstância lembrança. Freud pôde entender melhor o que era e sse incons que se manifestava através desses sintomas.são da consciência era devida a uma debilidade co tá de algumas mulheres. por exemplo. com essa descoberta. assim como os sonhos e os sintomas. cosenhores em nossa própria casa . ao contrário de outros. num limite que ultrapassa a sua consciên cia. diz Freud. ao: cos. se aparecem com < Sigmund FREUD. e a dirige. Essas outras manifestações. sem que disso se possa ter conhecimento. . longe de serem casuais. às quais não se costuma d ar importância. ao invés de estar apenas começando. "contanto que você se disfarce exemplo: "Deseja manifestar seu temor ao sei Expresse-o através do temor aos cavalos". Tudo indica que ele não estava muito disposto a dar a tal conferênc ia. Para ele./r r . o resultado de uma luta entre o eu e im de natureza inconsciente. "e. Dessa forma. O que Freud nos apresenta é a idéia de que não somos iue enfattzou com° ninguém a nu s . O eu os deixa passar. par sós propósitos. isto se deve à futilidade. O caso um nome que se conhece i bem. Todo indivíduo que abre a boca es tá. Mas. Freud mostrou que não tava de uma disfunção com a qual aquelas pesso ciam. Sobre os sonhos. (8). começou dizendo "Até logo". análise mais minuciosa. e acrescenta mais /-/. mo o filosofo que mais se aproxtuma "ferida narcísica" àquelas anteriormente trazidas ma de Freud. um homem pode revelar seus mais íntimos segredos. Foi. Freud deduziu a sua existência. e. ao lado dos sin t são os sonhos e os atos falhos.

não reina soberana sobre a nossa vontade. ainda que acabe po r se q . Como se não bastasse. 470). No caso do sistema tico. e rá por se aquecer. Esse monsti pré intuído p or Freud e chamado. O j tá em determinar qual o mal menor. Agora.-CA "-""-N " RAL a do inconsciente. a "fabricação" d mas. n nece paralelamente uma forma de benefício secui o indivíduo se aquece. segundo Freud. (p.aquecer-se . tão aterradora quanto. Lisboa. e por que não dizer. contrapunha-se ao princípio do praze cípio do funcionamento psíquico ao qual ele atribuiu importância fundamental. de certa forma. O princípio do prazer é um dos dois princípios que regem. o. por exemplo. PULSÃO DE MORTE Existe algo "monstruoso" que habita as nosss nhas.será atingido. Para acompanhar a gênese da noção de pu morte. mas não estará destruído. por Copémico e por Darwin: a Terra não é o centro do como precursor da Psicanálise. 8161 "Oi . o homem não é o centro da criação. . desprazer? É fácil entender esse aparente pá: lançando mão de um ex emplo simples. Assim. 1970. a consciência não é o c entro de nosso psiquismo. A idéia de que o aparelho psíquico se organi pré de modo a obter prazer pode parecer e stranh do é gerada por um pensador como Freud. o indivíduo terá se aproximado da fogueira a de se ch amuscar nela.. ocup compreender o funcionamento das doenças n Como entender. as idéias "puras". em 1920. 466). -B. em que siti desprazer será menos intenso. como o filósofo que mais se aproxima de Freud. casi soa se aproxime demais do fogo e se deixe que nessa segunda categoria que se encaixa. J. Uma pés: esteja sentindo frio poderá fazer uso de dois r< buscar uma vestimenta qualquer que a agasal aproximar-se de uma fogueira. Nas du as situa çõc vo buscado . men tos elevados. Muitos consideram Nietzsche. algo que põe em xeque os valore s de uma de laboriosamente construída sobre os fundamc uma moral que privilegia os bens espirituais. Mas a da pode trazer também um enorme prejuíz o. embo trua radicalmente a conexão com a real idade.. ]. LAPLANCHE. A descoberta do inconsciente não é algo que faça um homem pular de alegria. sistema solar. que enfatizou como ninguém a importância do inconscient e. não recuou diante de uma out ra questão. & PONTALIS. de de morte. que freqüentemente ca usam sofrimento e. na medida em que consegue impo r-se como princípio regulador. no final das contas. e modifica-o. (p. e. O princípio da realidade é o segundo princípio que rege o funcionamento ment al. Forma par com o princípio do prazer. to.. Moraes Editores. Vocabulári o da psicanálise. tão complicada. Freud quis ir alémv sempre em busca de respostas para os fenômenos que observava através da fala de seus pacientes. será necessário abordar mais detidament< qu e Freud entendia serem o princípio do pra princípio da realidade. que traz uma espécie de " "destruição"".consegue evitar o sofrimento psíquico. que já vinha havia muito ten pando seus pensamentos. como precurso r da Psicanálise. o funcionamento mental: a atividade psíqui ca no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar prazer. analogarr loucura.

Falava-se. originadas nas pulsões do eu. por exemplo.e as pulsões sexuais . como è o caso da pulsão oral. por causa do uso sublimado da boca. com a dualidade pulsional. no caso do sintoma. da existência permanente de um conflito entre o eu e uma idéia incompatível com ele. Freud.o prazer. mas estará evitando o desprazer ainda maio r de se defrontar com o animal temido. O princípio da realidade funciona como uma ligação do indivíduo com a realidade e seus perigos. . ou levando um sujeito a gostar imensamente de falar.comandadas pel o eu . entre outros probl emas. Dito ainda de uma outra forma.comandadas pelo princípio do prazer. no it em s obre o inconsciente.princípio da realidade princípio do prazer -.e os princ pios de seu funcionamento . e stari a fadado à permanência e à imutabilidade. Ou o sintoma. e portanto um desprazer. não importa por que meios . o princípio do prazer e o princípio da realidade. Se o fim é. delas se destacam. ficam as funções indispensáveis à conservação do indivíduo. dirigidas e comandadas pelo princípio do prazer. Freud montou aquilo que f< chamado de dualidade pulsional. ou pulsões do eu. administra e dirige a busca do prazer. na idéia de que o aparelho psíquico está "programado" para buscar o prazer. Do lado das pulsões sexuais. pondera com ele sobre os melhores meios de obtenção do prazer. Limita ia atividade puramente pulsional. Para frente ou para trás. Caso contrário.pu soes de autoconservação e pulsões sexua is . trata-se do conflito entre as pulsões de conservação . considerando as limitações que a realidade lhe impõe: oferece-lhe o casaco. Freud pensou que estav resolvendo. pode-se falar agora da existência de um conflito entre o eu.o agasalho ou a fogueira . Do lado das pulsões de autoconservação. A teoria freudiana busca sempre dois princípios que se opõem. está sofrendo uma restrição de movimentos. para obter o desprazer menor. em torno de 1912. que não busca mais o alimento como objeto. mais precisamente até 1920. é o conflito e o movimento dele resultante que fazem o indivíduo sair do lugar. Um indivíduo que se tran ca em casa por ter medo de cachorros. durante muito tempo. então por que razão as pessoas corriqueiramente não se jogam em fogueiras para se aquecer? Naturalmente. dirigido pelo princípio da realidade. nos termos do exemplo anterior. e de idéias incompatívei s com ele. ficam aquelas que. Ao instituir um nome para as forças em luta . o bem-estar. não permite que o indivíduo se destrua. O sintoma é também uma forma de "escolher" o menor desprazer. se o casaco não estiver disponível. lutam e movimentam com isso o desenvolvimento do indivíduo.#Toda a teoria de Freud repousou. podendo estar presente nas preliminares do ato sexual. com base nos dois princípios de funcionamento psíquico. porque ao princípio do prazer opõe-se o princípio da realidade. o da origem do de prazer. que r egula. ou então. base do edifíc io sobi o qual ele pensava estar erigido o aparelho psíquico. já que essa busca costuma ser cega.

e que busca arrancar o homem da v ida. cuja face foi entrevista na repetição. de ce rto modo.a passagem para a posição bípede. por exemplo. Os feridos de guerra sonham repetidamente com si tuações desprazerosas por eles vivi das. C desprazer.. Talvez se lembre também das especulações d que Freud lançou mão para explicar as orige ns desse dei prazer . Pois bem. uma fonte de de< prazer. fazendo-o retomar ao lugar de onde veio. que m ovimenta o indivíduo. Nesse texto. Freud chamou de pulsão de morte. portanto. encena. . sem qualquer razão aparente. Freud teve que se confrontar com os fenômenos de repetição. A essa força. Ao observar. Ou seja. independente do rincípio do prazer e até mesmo oposta a ele. Essa força tem um caráter sobretudo mortal. Alguns sintomas. são claramente repetitivos. a ação da repetição fixa. era esse o tema que Freud estava estudando. com dualidade pulsional. Há algo no psiquismc que escapa ao princípio do prazer: a r epetição. contrariamente à ação do conflito. em 1920. não era inerente às pulsões sexuais mas sim o efeito residual da luta entre -as pulsões.a pulsões sexuais versus as pulsões de autoconservação. Nos fenômenos de repetição. quando publicou Além do princípio do prazer. . Freud entreviu a ação de uma força irreprimível.. na auror da humanidade. pois a vida surgiu do não-vivo..O problema do desprazer O leitor que nos acompanhou até aqui talvez estej lembrado da suspeita de Freud so bre o fato de existir no interior da própria sexualidade. a morte. É o #caso de alguns rituais obsessivos: uma mulher se vê compelida a abrir e fechar su a bolsa. lembrando com isso seu parentesco com ela. ele passou a supor que o despraze emanava do conflito entre as forças em oposição . Um homem jamais sai de casa antes de deixar determinados objetos em lugares precisa mente pre fixados por ele. toma as coisas permanentes e imutáveis e barra o caminho ao desenvolvimento. sem contudo ser aliada do princípio de realidade. e que nem por isso são abandonados. O neurótico repete sem cansar atos que lhe causam sofrimento.. Há algo no homem que anseia voltar ao estado inanimado de que a vida o arrancou. A repetição mostrou a Freud a "face da morte" em plena ação entre as forças que atuam sobr e a vida de um indivíduo. lugar por excelência da ausência de movimento. ou seja. Pois. Tais experiências repetidas são claramente desagradáveis. baseiam-se na necessidade que certas pessoas exibem de agir compulsivamente de m odo igua l e permanente. essa suspeita nunca o abandonou. e o faz repetidamente até a exaustão. Desde o princípio de seu trabalho. homogeneiza. ele afirma existir em todo ser vivo uma tendência para retomar ao est ado inorgânico. uma classe de fenômeno que o princípio do desprazer pelo co nflito não explica Freud foi obrigado a reformular o que havia pensado at< então. e Freud não conseguia entender como o indivíduo podia encontrar prazer em seu permanente exercício. finalmente. A presença da morte na vida.

n em com a consi te necessidade de renovação. na raenfim. ele há de gr essar e viver. já que. de Eros. A experiência psicanalítica levou Fr a testemunhar no comportamento humano "algo dí tranho.. Freud reúne ambas de um só lado: elas agem a serviço da vida. 536. variegad brutal a que voltou as co stas. a morte uma de suas personagens. seja da espécie. Ha mor reu de tifo. Agora. esse 5 folgazão e provocador. A idéia de um monstro estranho. à luz de uma teoria como essa a que chegou canálise? Como fazer uso de um princípio que le. p. #inseqüências para o pensamento de um educador? pode imaginar. chega a chamada da vida. no deus Logos. nada se moviment matéria está inerte . Nesse esta tudo j az em perfeita estabilidade. ai e solidariedade com o formigueiro cínico. da espécie. em última análise. ganha maior vigor com a introdução da noçãc pulsão de morte. voz inconf undível e animadora.. na verdade. coragem e alegria. no caminho que se lhe a briu pai fuga. Mas se se sobressai tar de medo. Thomas Mann.e apenas esse? Como criar istema pedagógico a partir de afirmações freudianas as que se seguem? síão seria melhor dar à morte.como na morte. terá como resultado um mer da cabeça e um gesto negativo do braço. Seu inimigo é. paradoxal em re lação ao seu ser lógico. seja do indivíduo. a luta no interior do psiquismo não se dá mais entre as pulsões do eu e as pulsões sexuais. amb as estão interessadas na conservação. e quase já quecera. Hanno Buddenbrook . Se então se levantar nele uma como que ] cepção de sua covarde falta ao dever. Es cutando atentamente. na realidade e em s pensamentos. e combatem lado a lado. por mais longe que se nha desviado no atalho estranho e quente. interessada em reconduzir o Thomas MANN. No caminho estrant quente pelo qual ele passeia e que o conduz para a s( bra. Uma descrição literária dessa luta entre as pulsões vida e a pulsão de morte pode ajudar a entender o fé meno observado por Freud. (33). e an ti tia.algo de que só se pode dar conta quando se faz a] a uma ordem de determinações que s e situa fora daq que determina o vivo: um lugar além da vida". em relação ao fato de que o homem é um ser . aberrante. o lugar que lhe cabe e . e então. (25). e precipitar à para a frente. Como educar. não há dúvida. o horr ouvirá esse brado claro. par a trás. em uma página magistral. alegre e um pouco zomba que o exorta a voltar e regressar. ao aban no ardente do enfermo. p. cuja existência atestada até então através das manifestações nconsc tes. Catherine MILLOT. no conhecimento. e eis a explicação que Mann constrói rã essa morte: "Casos de tifo costumam ocorrer da guinte maneira: aos distantes s onhos febris. indivíduo a um estado onde não existe nem a preocu cão com a sobrevivência individual. brado que lhe verr um país que deixara tão longe. o espírito será alcançado por < voz dura e vigorosa. 102. T mas Mann narra.re ud a pensar que nosso primeiro dever de viventes nar a vida suportável . a frescura e a paz. escritor com quem Freud manteve correspondência e de quem era leitor assíduo. terá de morrer". a pulsão de morte. essa recordação.£ tão grande a importância desse novo conceito que Freud é levado a formular a dualidade pulsional em novas bases. envergonhande criando nele energia renovada. ao som da voz que ouvir. fazer al guém crescer fé na vida. Em Os Buddenbrook.

são tarefas imiveis? razão dessa afirmação reside sobretudo em um paxo intransponível que a Psicanálise criou a o trazer à odos esses fenômenos. ensina a Psicanálise. a ir na direção contrária àquela que seu eu havia determinado. Contudo. po rtanto. Haveria.vale dizer. outro modo de a Psicanálise contribuir para um educador? Descartada a contribuição mais sistemática. . 2117. de controle e de descontrole.)" \ realidades do inconsciente e da pulsão da mor te. um político ou um educador estará também fadado a se perder. essa disciplina extrai seu poder de convencim ento e de submissão do ouvinte a ela. pelo disc urso dirigido à consciência. porém. r que não dizer então que a tarefa de educar se vê ias dificultada pela ação do inconscien te? Por que d julgou necessário ir além. a revelar-se. e parece mais. o que não pode ser esquecido é a i de que tais f orças.deixar voltar erfície nossa atitude inconsciente frente à morte. como já foi dito. que a palavra es capa ao falante. a direção e o controle que estão na base de qualquer sistema pedagógico. por submetê-lo à realidade de seu próprio desejo inconsciente. acaba. afirmando que a Educabem como a Política e a Psicanálise. Ao falar.. com uma conclusão. A retórica..] Si vis vitam. tais idéias podem inspirar a ação de um :ador. decepcionante: a Psicanálise não serve como fundamento para uma pedagogia. imaginar uma filosofia acionai que leve em conta a dialética da vida que ia do pensamento de Freud? Não se poderia ter em te que a repetição leva à morte. de força e de fraqueza. e m c ertos :tos. mas indica principalmente a idéia de algo que não pode ser jamais integralmente alcançado: o domínio. )ntrole do educador. ité agora reprimimos tão cuidadosamente? Isto não te constituir um progresso. A Educação exerce seu poder < Sigmund FREUD. incoerente? Impossível não é sinônimo de irrealizãvel". Não seria possível. a realidade do inconsciente ensina. característico da palavra. Seus esforços concentram-se na tentativa de estimular. mas oferece a vantagem de se mais em conta a verdade de tomar novamente a vilais suportável [. talvez. A palavra. (13). Como então construir um edifício educacional sobre uma base paradoxal. restaria ainda alguma coisa? Afinal de contas. A viagem ao país das formulações de Freud termina aqui. de Educação? im dúvida. os indivíduos a se conduzirem em uma direção por ela própria determinada. não aspira senão ao aumento desse poder de convencimento. presentes no interior do psiquisescapam ao controle dos seres humanos e. No entanto. (Se es sup ortar a vida. é ao mesmo tempo lugar de poder e s ubmissão. para mortem. através da palavra. não pode servir como princípio organizador de um sistema ou de uma metodologia e ducacional. um retrocesso. o que exortaria o ador a renovar e a privilegiar o c onflito como fonte [da . prepara-te para a morte. Aí está o paradoxo. entendida como a instituição de leis orientad oras para a construção de um discurso. A p a lavra com a qual esperava submeter. p. Da palavra. ao que tudo i ndica. não casam bem com os ideais de prolo de bem-estar e de felicidad e próprios da Educasa afirmação poderia ser rebatida lançando-se mão iciocínio diverso e de uma outra concepção e Edu). na verdade. ) diz Millot.

E que. em 1925. não i medido esforços no sentido de le var aos professomodo psicanalítico de ver a criança. Uma das psicanalistas ma is importantes do cenário psicanalítico atual. . nas primeiras quatro décadas do século XX. a minuciosos estudos"? De fato. isso aconteceu. Na Inglaterra. Antes de abordar. acorreram aos seminários e cursos de gação da Ps ic análise. cada um em sua o trabalho que tinham a desenvolver .erceira direção. [se. que se iniciou principalmente na Fr ança nos 60 e se estendeu de modo menos vigoroso ao . egunda consistiu no esforço a que se dedicaram alinalistas para transmitir a pais e professores a teoria ialítica. contudo. em um futuro não distante. lie Klein e seus discípulos dedicaram-se também a de divulgação da Psicanálise para pais. imaginando que estes. mais recente. Não se deve.. ouviram amas de rádio e televisão. físicos. Melanie KLEIN (1882-1960). de uma tentativa mais difusa de nitir a Psicanálise a todos os representantes da culn teressad os em ampliar sua visão de mundo. matemátiingüistas. não faltaram teóricos e educadore s que se lançaram à empreitada. na maioria das vezes. fomeceram novas bases teóricas ue a modema Psicanálise se apoiou.nem a paciência. embora o "derramamento" da Psicanálise sobre a cultura tenha sido amplo. pudessem evitar que as neuroses se instan em seus filhos e alunos.Freud não afirmava. Poi s. no do século XX. Nesse pento. rimeira foi a tentativa de criar uma nova discipliPedagogia Psicanalítica. não chegou a atingir de modo significativo os educadores brasileiros. às identificações e a outros temas psicanalíE. :rítica literária passou a adotar referenciais psicana". será necessário registrar al guma coisa sobre a difusão das idéias freudianas na época em que elas estavam em construção . empreendida principalc por Oskar Pfister e Hans Zulliger. UNIVERSIDADE FLüt.. a filha de [. buscando com isso um im ento a mais com que elaborar. Pioneira na análise de crianças. . Depois da morte de Freud. o cinema nutriu-se inten samente de alusões ao sciente. que "a relação entre a Educação e o tratamento psicanalíti co seguramente será submetida. Psicanálise e Educação na era pós-freudiana UMA HISTÓRIA DE CASAMENTOS DESFEITOS: A aplicação da Psicanálise à Educação -am pelo menos três as direções tomadas pelos teóinteressados no casamento da Psicanálise com a ição. entre eles is educadores. sobretudo. através de um movimento de troca.""^ uO PA8A BIBLIOTECA CENTRAL É nessa última vertente que o presente livro espera poder incluir os educadores. Anna Freud. na Suíça. com alguma atenção. consumiram livros. intelectuais de diversas procedências. cada uma dessas direções. perder as esperanças .ou seja. foi a principal representante desse grupo. É a partir d . fracassaram. de posse desse comento. não diz respeito exa tite ao casamento da Psicanálise com a Educação.

Karl Abraham. mas su a formulação se deve na verdade a um de seus discípulos. Naturalmente. uma fase anal. a idéia de uma descrição do desenvolvimento afetivo-emocional está distante do pen samento de Freud. da Psicanálise. vulgarmente. e agora o considero um acontecimento uni . Quer-se entender o que é que sente uma criança. onde predominam os interesses ligados à boca (amamentação. De modo geral. discípulo de Freud e fundador. um modelo da construção dos processos através dos quais um indivíduo se toma um ser sexuado. Como Freud a havia lido quando tinha 17 anos. E mbora natural. onde os interesses se ligam ao prazer de defecar e de manipular as fezes. destacam-se a te or ia das pulsões e o complexo de Édipo. em que a criança passa a se interessar pela existência do pênis. Freud não pretendeu descrever nada parecido com o "desenvolvimento emocional de um a criança". Karl Abraham. em meados do século I a. Esse desenvolvimento. as bases para a descrição das fases de desenvolvimento são freudianas.C. de fato. e uma fase fálica. Um corpo que se desloca acaba por perder aceleração em decorrência da ação do atrito. o que se transmite é que Freud é o responsável pela de scrição do desenvolvimento afetivo-emocional das crianças. Entre eles. costumava faze r.essa difusão que se formou a idéia que se tem hoje. a do desenvolvimento emocional. lançou mão de grandes conjuntos conceituais. Tais fases se relacionam à predominãoncia de uma determinada pulsão parcial. eram somente alusões à tragédia escrita por Sófocles. A DIFUSÃO DO COMPLEXO DE ÉDIPO O complexo de Édipo é um conceito que foi sendo gradualmente construído ao longo da ob ra de Freud. algumas reflexões em tomo de sua trama. ou por que é a gressiva? Leia-se Freud. ainda segundo os textos de divulgação. Talvez essa categoria. da Sociedade Psicanalítica. a princípio. Quer-se entender como uma criança pensa? Leia-se Piaget. deve-se esperar que em toda divulgação de idéias haja uma perda de exati dã o. o fenômeno de me apaixonar por mamãe e ter ciúme de papai. em Berlim. Freud queria. tenha s ido criada para marcar uma oposição em relação às descrições pedagógicas basicamente cognitivas ou intelectuais. sucção). Já que uma de suas descobertas mais importantes foi a idéia de que a sexualidade se constrói. que sua teoria constituísse. De fato. também em meu próprio caso. De início. entre outras coisas. escreveu a Fliess: "Descobri. anal e fálica. No entanto. Para isso. responsável pela emergência do int e resse a ela correspondente. tal constatação não deve impedir-nos de tentar resgatar essa exatidão. é assim que sua teoria está identificada em nosso meio.os homossexuais estão aí para comprová-lo -. A difusão das idéias freudianas O leitor familiarizado com os textos de divulgação das idéias freudianas terá certamente reconhecido nas pulsões parciais um parentesco com as conhecidas fase oral. não sendo determinada pela Biologia . começaria com uma fase oral. Numa carta de 15 de outubro de 1897. então era natural que ele se interessasse em descrever essa construção. No entanto.

Em 190O. nessa época. Nossos sonhos testemunham isso. O rei Éc pó. Mas. em tomo de 1921 Eis o resumo feito por Freud de Édipo-rei. e os tebanos. a despeito de todas as objeções que a razão levanta contra a pressuposição do destino". que o complexo de Édipo vai muito além.vão preencher quando chegar sua hora de ..]. A predição do oráculo cumpriu-se". podemos entender o poder de atração de Édipo-rei. menção a essa idéia: "Se o destino de Édipo nos como é porque poderia ter sido o nosso e porque o oráculo si pendeu sobre nossas cabeças igual maldição antes q" nascêssemos. Na citação acima. serr saber. Horrorizado diante dos crimes que. adivinhou o enigma da Esfinge. isto é..]. uma estrutura vazia. cometera. em busca do reme dio. Aqui já se esboça a idéia de que o Édipo é uma estrutura. Se assim for. Nesse momento começa a tragédií de Sófocles.. Chegando às imediações de Tebas. concedendo-lhe a mão de Jocasta. co nsultou um oráculo. pois um oráculo profetizara que a criança. Durante muito tempo. ainda não está inteiramente cor truído o complexo de Édipo. Os m ensageiros trazem z resposta na qual o oráculo declara que í peste cessará no momento em que o ma tador de Laio for expulso do territóric nacional.versal do início da infância. mas no caminho encontrou-se com o rei Laio e o ma tou em uma disputa. que o aconselhou a não voltar à sua pátria. decidem os tebano: cons"ult ar o oráculo. que se encontra à p. porque estava destinado a matar seu pai e a casar-se com sua mãe. que terá a sua forma fin nos textos de 1921 até 1931. engen drando com sua mãe e esposa dois filho: e duas filhas. O que Freud nos adian em A interpretação dos sonhos. Recolhido por alguns pastores. Fr eud menciona um oráculo que profere uma sentença antes do nascimento de uma criança.pai. filho . (6). que fechava o caminho para a cidade. Talvez estivesse reservado a todos nós di gir a nossa mã e nosso primeiro impulso sexual e a nos pai o primeiro sentimento de ódio e o prim eiro dese destruidor. Desejoso de conhecer sua verdadeira origem. rei de Tebas. uma espécie de roteiro prévio que a s personagens . A ação da tragédia se constitui exclusivamente no descobrimento paulatino e retardado com suprema arte [. assassina ria o próprio pai. é um Édipo que descreve as colorações a #Deve-se dizer. em A interpretação dos sonhos. mesmo que não ocorra tão cedo quanto nas crianças que se tom am histéricas [. e também nos Três e satos. que o educou como a um príncipe. afastou-se daquela cidade. em agradecimento.. no entanto. um conjunto de relaç ões anteriormente dado. Édipo foi levado ao rei de Corint o. ainda por nascer. Acreditando que sua pátria fosse Corin to. foi abandonado ao nascer sobre o monte Citerón. sendo Tebas asso lada por uma peste. há no SigmundFREUD. filho de Jocasta e de Laio. que matou seu pai e casou-se com sua mãe. até que. Freud. 506 de A interpreto cão dos sonhos: "Édipo. não é s não a realização de nossos desejos infantis". coroaram-no rei. Édipo a rranca os próprios olhos e foge de sua pátria. de que Édipo é o assassino de Laio e ac mesmo tempo seu filho e de Jocasta. reinou digna e pacificamente. mãe.

de 1917. Ou sej a. No entanto. em 1873. A pedagogia psicanalítica era. Pfister sabia muito bem qu um analista deve confiar a outros a estrutur ação da visa de mundo e da concepção de vida. Mais ainda. O efeito mais impe tante desse livro não foi. Corresponderam-se partir daí. para Pfi ter. tomar-se autoritário e piorar as coisas. sendo este definido nos te mos da religião que professava. Como pastor. se tomar pai). com exceção dos casos muito graves) aprende m algo com a travessia.Freud o afirmou dive rsas vezes . por exemplo. tr atava-se. duas orientações são ba tante claras: o educador deve funcio nar como analist.essas identificações . essa estrutura prefixada tem uma função precisa: as cria nças que a atravessam (e quase todas o fazem. (34). e sim a criação < que viria a ser mais tarde a psicanálise de crianças. pessoas segundo modelos fomecidos pelo pai e pela mãe.não são meras imitações daquilo que fazem papai e mamãe. No pensamento de Pfister. Aprendem a ser uma mulher ou um homem (mesmo que um homem aprenda a ser uma mulher e "prefira" esse papel ao que coincidiria com seu sexo bi ológico). ainda. O que pretendia Pfister? Em "O campo da Pede nálise". de uma estrutura através da qual o ser humano define-se como s er sexuado. para p der reduzi-las e dominá-las.uma "visão d mundo" (uma Weltanschauung). curiosamente. O Édipo tem caráter constitutivo. em outras palavras. até a morte de F reud. ou seja. por sua vez. Note-se.entrar em cena. era natural que não . Oskar PF1STER. que ele deve se conduzir de modo bem mas culino. e é por isso que não basta ensinar aos pais como proceder diante de seus filhos para que a passagem pelo Édipo seja bem-sucedida. de usar a Psicanálise para conduzir as forças incon cientes ao caminho do bem. não podem esquecer sua orientação mora. nascido na Suíça. Em 1908. que essas cópias de modelo . constitui. conforma. Se dizemos a um pai. As identificações são processos inconscientes. foi um p tor protestante que encontrou na Psicanálise um insti mento auxiliar na educação de jovens sob a sua tutela paróquia que dirigia em Zurique. Oskar Pfister (1873-1956). em 1939. portanto. Os casamentos da Psicanálise com a Educação Oskar Pfister. Mas os educadore: diz Pfister. Aprendem. submetendo-as à "vontac da personalidade moral". uma pedag gia que poderia descobrir as "i nibições prejudiciais oc sionadas pelas forças psíquicas inconscientes". Trata-se. Ou então. como articular seu desejo com uma lei huma na universal que o regulamenta: a lei do incesto. caso se esteja diante de um pai que teve problemas com o próprio pai quando menino (pois suas antigas relações estarão de alguma maneir a presentes e atuarão de modo inconsciente no momento em que ele. ele poderá exagerar. in (38). Oskar PFISTER. iniciou cc Freud um contato que se transformou log o depois ( amizade e profunda cooperação. ao mesmo tempo que deve lembrar-se de que persegt um fim moral. pois a Psicanálise na é . a "ori entação" poderá ser inócua. o pastor defendeu a aplicação práti de uma técnica psicanalítica especial para a Educaçãc também para a terapia de crianças. o e stabelecime to de uma pedagogia psicanalítica. para ele. ou por quem quer que venha a ocupar e ssa função.

na verdade. Trabalhando sem colaboradores. como uma fonte de alegria de apoio nos momentos de perigo". da falta de amizade s. mas em se desejar ao mesmo tempo ouvir a manifestação livre do inconsciente e produzir seu represamento moral. Para isso. com tudo o que lhe É próprio: interpretação. tive de proceder com cautela. de 1946). Tal c omo seu mestre. como paradigma para seus alunos. p. um suíço que também trabalhou com Pfister. que praticou ao lado de suas atividades como mestre-escola "iluminado" pela Psic análise. fazia uso d o dia gnóstico que encontra para prescrever medidas a serem tomadas pela escol Uma de su as preferidas era recomendar para a crian uma mudança de ambiente familiar. 25 m (36). diagnosticar e e caminhar para tratamento as crianças difíceis. #"edagogia e a Psicanálise se separam nitidamente. o u outra! Pfister não propõe. co-no permitir que ele " "fale livremente para poder ser in. escritas na primeira metade do século. mas m uito pouco se conhece hoje em dia de seus escritos sobre Psicanálise e Educação. transferência etc. interessava-se sobretudo em transmitir a seus aluno "a re ligião como salvação. quando julgava s esse ambiente o principal causador de sintomas. assim como de roubos ii pulsivos e de outros sintomas similares. o casamento oficiado por Pfister não durou muito. Tive a "sorte principiante". Pfister imaginava ser necessário colocar-s como modelo.stá em se deseja r uma direção moral para a Educação. seu . é ur transposição da situação clínica para um gabinete dent da escola.erpretado". a Ps icanálise era objeto de um ataque maciço na Suíça. Zulliger simplesmente psicanalisava seus ai nos. nessa época. Hans Zulliger. Zulliger passou para a história como o criador de uma adaptação do teste de Rorschach . pró movendo então uma identificação com ele como idea de vida e de pensamento.para crianças. " "Como. a partir de 1911 parece ter seguido o mesmo destino. desapareceram tanto do cenário psicanalítico como do pedagógico. O que ele recomenda.nome está ligado ao advento da psicanálise de crianças. se essa "liberdade" já tem uma direção urefixada. descrito c um de seus livros (As criança s difíceis. dos sentimentos de culpa < Hans ZULLIGER. Ora. Ou uma coisa .pudesse renunciar ela. preparei-me para esta tarefa. narra Zulliger. consegui liberar alguns alunos de minha classe de suas inibições no campo da aprendizagem. provocados pela masturbaçao. uma variante do método psicanalítico aplicado à escola. A única variante talvez consista na propo sição desse casamento do método psicanalítico com a moral. Ou. da hostilidade e da agressão. se o fim é a moralidade bem-comportada e definida de saída pelo educador-modelo? A questão não . é nesse ponto em que ." O que se observa no trabalho de Zulliger. cuja prática é hoje a de testa r. i Zulliger conta-nos que obteve bons resultados na aplicação da Psicanálise em crianças de 12 ou 13 anos dentro do sistema público oficial. Incontinência notuma é a incapacidade de reter a unna durante a noite. é o uso do próprio método. encont . "Seguindo sempre o exemplo de Pfister. Suas obras.o teste dos borrões de tinta . da incontinência notuma. Possivelmente por causa dessa "incompatibilidade de gênios". de fato. submetendo-me a um tratamento psicanalít ico e lendo várias vezes as obras de Freud"". COTIO propiciar ao aluno uma "l iberdade associativa". Pode-se supor que a direção tomada pela psicolog escolar. então.

repetido de modo invertido. O título desse livro de Anna FREUD é Introdução à Psicanálise para educadores (21).pois a criança não está ainda formada. O gabine em que a criança é atendi da é um " "apêndice"" da escol. e p ode vir a sofrer transformações -. Anna Freud. mobiliadas com o indisper sável. Zulliger batalhou ardu: mente para acabar com o s casti gos pesados aplicade com muita freqüência nas escolas. o confinament dos mais rebel des em verdadeiras celas de prisão. Ao invés de levar a Psicanálise à Educação. a idéia de que o analista devia ocupar um lugar de autoridade frente à criança. talvez. (37). Freud com sua filha Anna. dar livre fluxo ao incons ciente. dispensando o castigos corporais. Para essa posição de mestre. então. vií velmente mais clínicas do que pr o priamente pedagóg cas. Ela é a autora de u m dos primeiros livros de divulgação da Psicanálise escritos diretamente para professo res. " Poder-se-ia dizer. ao mesmo tempo. nem os ngimentos " "sutis"" foram banidos da maioria das íções brasile iras que tratam das crianças rebeldes -atoras! jue tudo indica. 97.uma de suas raízes em práticas como as de Zulliger. Maud MANONNI. portanto. resolveu tomar de empréstimo os métodos pedagógicos de influência sobre a criança. pints das de um monótono azul. p. uma psicanálise de crianças pedagógica. ulliger vivesse hoje. mas c um "ajuntamento". Supondo que não podia seguir os princípios clássicos in stituídos por Freud para a análise de adultos . ou então em celas negras sem janelas e sem me veis. Zulliger criticou duramente tais práticas. diante de um casamento. Anna Freud colaborou ativamente. o drama de Pfíster: não há como comandar e. quando idas extremas acabavam por ser os confinamenaa criança assim educada acabará por ceder. Vê-se aqui. Isso porque não se observa aí a ação da Psicanáli sobre a classe como um todo. . em 1928. "convencê-la" de que está doente e de que precisa da ajuda do analista. que Zulliger contribuiu c forma significativa para a transformação de certas prát cas educativas correntes em seu tempo. criou. < HansZUWGER. denunciar) do o caráter enganoso e falsam ente educativo dessas me didas. apenas para retomar seus comportamentos f os assim que se veja livre daquilo que não passaum constrang imento . Mostrou que de nada adiantava conversar com es sãs crianças em tom calmo e amistoso. de transmi ssor de "verdades" sobre a criança que ela julga serem desconhecidas pela Educação. a Psicanálise tem comparecido aos encontros marcados na condição de mestre. ao contrário. nem sobre a relação c professor com o aluno "difícil". Na verdade. por exemplo. e tampouco sobre i métodos pedagógicos propriamente ditos. tais como as d< castigos violentos. Sem dúvida. (27). talvez ficasse bastante desaniLO constatar que nem os cast igos corporais. Mas o interessante de se notar é que Anna Freud acabou propondo um casamento "às ave ssas". Era também contrári às formas mais" "sutis" de subjugamento das crianças d fíceis. Defendeu. dizia r. A Psicanálise aí exercida não invade os limites escolare Não se está. que começavam a se desenvolver já em sua épocí Tais formas sutis eram. a Psicanálise até hoje nunca se i"" verdadeiramente com a Educação. como se f azia em uma casa de corre #a como exemplar e por ele mencionada. e não de uma verdadeira ao da agressividade.

A desco berta freudiana " "perrba a paz do mundo e o sono dos homens". ludoterápicos e psicopedagógicos. Mais uma vez é preciso fazer as ressalvas de sempre: n a Psicanálise beneficiam-se a queles cuja posição inisciente permite "escutar" o discurso psicanalítico. o surrealismo. depois. Dialoga com a Antropologia. ou seja. paradoxalmente. naquil o q ue passou a ser visto como doença. A partir dos anos 50. Além diss o. No Brasil. sem dúvida. subverterá um pouco esse cenário de "doen". na Europa. casar-se com a Educação. Através de obras de divulgação. foi a idéia de seleção que predominou entre nós. fon oaudiológicos. de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos. inegavelmente (embora Freud quisesnegá-lo). psicanalista vinda da Al emanha a convite de Erit Jones. de uma itica excessivamente c orretiva. a realização de um desejo . a Psinálise. a entrada em cena de Melanie ein. Ao menor sinal de problemas "psicológicos". a escola recorria imediatamente a especialistas. quando tais informações não colidem com o desejo xmsciente de nada querer saber. um instrumento de dominação e de seleção". Melie Klein levou muitos pais e educadores ingleses a surtar melhor a s manifestações sádicas e agressivas das inças.e istanto na análise como no decorrer do seu desenvolviinto individual. assume a responsab ilidade de ter influenciado muitas oduções culturais de seu tempo. para estigmatizá-las e segregá-las do conví#com as demais. que era o de coloca r a Psicanálise a serviço de todos. por exemplo. aceita o :bate com a cultura. "O sonho freudiano. Uma de suas preocupais era dar ênfase à vida de fantasia das crianças . portanto. as instituições pa ra reeducação de crianças com desvios de comportamento começaram a se multiplicar. Mas a insistência sobre temas psicanalíticos acabou por colocar ênfase nos distúrbios de comportamento. Fantasia: encenação imaginária em que o indivíduo está presente e que figura. por exempl o. de modo algum. Para a grande maioria dos psicanalistas de hoje. acabou por fazer da análise. entendida como um co rpo acumulado de colecimentos sobre a constituição do psiquismo. para a a psicanalítica. a Psicanálise é convocada apenas para selecionar crianças para classes especiais. talvez. E isso é feito através de testes psicolóos que guardam com a Psicanálise uma influência ineta e cada vez mais tênue! Sía Inglaterra de 1925. Essas ressalvas de Catherine Millot são. que passavam a diagnosticar e a bombardear o aluno com tratamentos psicomotores. ela apontou a necessidade se encarar as manifestações de fantasia como algo :rent e à constituição dessas crianças. Co mpromete-se m seu lugar de saber produzido no e pelo século XX.A intenção de Anna Freud era transmitir aos professores um conhecimento que os ajuda sse a trabalhar com seus alunos.o pode. Psicanal ista de crianças voltada. a liratura e até com as ciências exatas. sobre a naalidade. observa Manonni. entre as quais se sia. crianças "normais". a Educação. pel o viés institucional. Millot é a psicanalista da atualidade que elhor representa a posição de u ma Psicanálise que . Melanie Klein pôde primei ro arrancar "sicanálise de crianças e. e até mesmo inpensável a elas. Atualmente . cercando a escola de um sem-número de "muletas" em que se apoiar. a viga Estra do trabalho em que d escreveu e discutiu com nestria as relações entre Psicanálise e Educação: Freud \tipedagogo.

J. com base nesse pensamento. esta só poderia dizer respe ito a um período anterior à escolarização.será necessário deitá-lo em um diva. Millot demonstra que. J. (33)controle da situação em suas mãos" presumir o objetivo "heóico" Se pos doutrinas pedagógicas" ada exatamente na negação do inconsciente e na afirlação dos poderes da consciência e da r . definitivamen influência nesse sentido. então. -" A vitória. habitua lmente a cargo dos pais. O não à primeira pergun ta já fora enunciado pelo próprio Freud. 1)9. Ou uma afirmação de limites. Vocab ulá rio da Psicanálise.e. a resposta à segund a pergunta também será negativa. N ão há como evitar a passagem conflitiva pelo complexo de Édipo. 1970. em seu texto Análise terminável e interminável. Millot dedicou-se ao estudo das relações entre a Psicanális e e a Educação. Moraes Editores. A Educação regular não teria. passados 30 anos da publicação da anál ise do pequeno Hans (texto onde expunha suas esperanças nesse sentido).vale dizer frent e a seu próprio desejo . em última análise. Pode haver uma educação analítica no sentido de a educação ter uma perspectiva profilática em relação às neuroses? #2. Não há como evitar a castr ação. quando a criança chegasse a essa educação regular. 228. ]6o. uma vez que. No entanto. de Magritte. A única aplicação possível é a aplicação da Psicanálise à clínica psicanalí se queira tirar proveito da eficácia da Psicanálise como instrumento de transformação do homem frente a sua própria existência . teoricamente. p. (33). Freud s*e mostrou a princípio entu=" siasmado. sua"formacao já estaria concluída. Millot responde com um sonoro "não"". uma vez que a criança de 7 anos. de Magritte. mesmo que Freud tivesse mantido suas esperanças em relação a uma educação profilática das neuroses. não. Catherine MILLOT. mas um reconhecimento de impotência. &PONTAUS. Lisboa. A Psicanálise que Freud desenvolveu naquele período confirmou que os conflitos psíquicos são inevitáveis. Pode haver uma educação psicanalítica que se inspire no método psicanalítico e o transp onha para a relação pedagógica? A todas essas perguntas. em relação a esse aspecto. LAPLANCHE. Portanto. Assim. Mas aplicar. p. propondo-se a responder a três questões: 1. p. A Educação não pode se propor aos mesmos fins de um trata mento analítico. Vamos nos deter agora na argumentação tecida por Millot para justificar sua resposta negativa à terceira pergunta. Que não se veja nessa afirmação u a demonstração de prepotência ou de arrogância. Note-se que a Educação a que se refere a primeira pergunta é a Educação pré-escolar. pois o que se interpõe entre a medida pedagógica e os resultados que se obtém é o inconsciente do pedagogo e Catherine MILLOT. já terá ultrapassado o período decisivo da resolução do complexo de Édipo. de um desejo inconsciente. Pode haver uma educação analítica no sentido de visar aos mesmos fins de um tratam ento psicanalítico (resolução do complexo de Édipo e superação da castração)? 3. Diz ela: Nenhuma teoria pedagógica permite que se calculem os efeitos dos métodos postos em ação. Ao descobrir o pape l da rep ressão no desenvolvimento das neuroses.-B. supôs inicialmente que uma educação que levasse em conta descobertas psicanalíticas poderia ser menos repressora e com isso evitar as neuroses do mundo adulto. Freud renu nciou a elas. A duração apunhalada.

transmitir a sicanálise ao educador. Abordar esse tema a partir de uma perspectiva frei diana é. Ao invés de abordar. como no tempo de Anna reud. no entend er de Freud. Resta. Por que a criança pergunta tanto? A criança que pergunta por que chove. o que. como parecem entender os ue. Pode-se. a edagogia Psicanalítica. No entanto. não" mos encontrar nenhum texto escrit o por Freud. abandonar a esecificidad e de seu papel. partir de um determinado momento. pode-se apenas at conhecimento. pode-se adotar um outro caminho.. bu scar resposta para a s< guinte pergunta: o que se busca quando se quer aprei der algo? Só a partir dela pode-se refletir sobre o que é processo de aprendizagem. finalmente. em 1928. ocupam posições bastante antagônicas entre si (o rofessor precisa trabalhar com o recalque a seu serviço. abilita uma criança para o mundo do conhecimento? .. A transmissão da Psicanálise ao educador oderá. por que exi: tem noite e dia. estudam o tema. contudo. fazer o mesmo. que. nos dias de hoje. Nessa vida à pergunta por quê. Freud. A aprendizagem 3 O DESEJO DE SABER: Uma teoria freudiana da aprendizagem Anna Freud buscou transmitir aos educadores uma ção daquilo que seria. Mas. por sua própria posição frente determinantes p. gostava de pensar nos "desejante < saber"". O ue poderia ser. livrar alguém de seus sintomas e que. que d votam a nça ca das neuroses. para Freud. como foi feito até hoje. Freud. Não se trata. em qu e circunstâncias essa busca do cohecimento se toma possível? \ *\ r * Sobre o desejo de saber. pois o p rocesso depende d razão que motiva a busca de conhecimento. produzir efeitos de natureza diversa na ostura do professor. o desenvolvimento i criança. ou mesmo propor-se a uma stematização desse saber em uma pedagogia analítica. para Freud.). ver " "Uma recordação de infância de Leonardo da Vinci". máximo. o desenlvimento da criança em termos de fases psicossexuais "ral. o objetivo essa t ransmiss ão não é. e t . o fenômeno da aprendiza:m? Em outras palavras. Não se trata também de transrmar professores em analistas. de criar uma nova disciplina. Professores e analistas. aplicar esse conhecimento diretamente no trato j m os alunos. de S igmund FREUD. então. anal etc. nquanto o analista precisa levantá-lo ali onde ele está rov ocando uma neurose). Si preocupações eram predominantemente as de um clíi co interessado em livrar as pessoas do peso das neuro: (embora ele tenha descoberto depois que se pode. [ias. especificamente. e as cria s.azão? É preciso deixar os exageros à parte para buscar um onto de equilíbrio em que o educad or possa beneficiar: do saber psicanalítico sem. no enuá-las!). antes de mais nada. tendoem mente todas as ressalvas feitas e centralizando a iscussão em aspectos menos co nsiderados até agora. (9). por que. atualmente. portanto. quicos que levam alguém a ser um categoria incluem-se os cientistas. bombardeiam < pais com por quês. assim. M Sobre o tema aprendizagem.

Mas a descoberta implica entender que. a partir desse momento " "descobrem" que o mund< se divide em homens e mulheres. Vamos acompanhar. os los únicos jamais atravessariam a angústia de castrai. ao que ela. Essa descoberta não é própria mente uma descoberta. depois de algumas evasivas. que a pergunta pelas origens detonada depois que um irmão n ascia. de 3. justamente porque envolve angústia. Lqui perdi. (V essa angústia das perdas Freud chamou de angústia castração.odo o resto. e isso quando riança já tinha mais ou menos 2 anos (antes. SigmundFREUD.. já que menino s e meninas terãc tido oportunidade. Pode-se di zer que a descoberta da diferença sexual itômica da criança não depende de sua observação. E ele: "Se perguntar a um homem. que se aí meninas não são iguais a eles. respond Freud. mas não claramente sexuais. ela lhe diz que precisa perguntar as horas a um pasMelanie KLEIN. is da passagem pelo complexo de Édipo. a princípio. Pergunta depois ao pai. ou dito do modo clássico. a gênese dessas prec cupações em uma criança. pode-se destacar um :mplo dessa afirmação. Freud mesmo perc ebeu isso e buscou determinanmais estruturais para isso que. antes dela. de início. quando #scerem. É claro e as coisas não são assim tão simples." poderia ser o "pensamento" inconsciente de ia criança que está fazendo a descoberta da diferença uai anatômica. Só que a abordagem dia é difícil. por e xemplo. "A influência do esclarecimento sexual e o afrouxamento da autorida de no desenvolvimento intelectual das crianças". Sejamos mais precisos. de onde viemos e pa ra onde vá mos. Mais tarde. <ío entanto. e pode vir a fa ltar aos hons. e o Édipo é. para Freud. ele apenas servou. " tá to faz". Se até então. tal coecimento não tinha esse poder detonador).. " O ra"". andando na rua com a irl. A angústia provém de uma nova compreensão de :igas perdas à luz desse novo sentimento de perda. que afirma -editar em Deus. Há. Um menino de mais ou menos 5 anos pergunta à mãe Deus existe. depois de terem extraído das relações com o i e a mãe as referências necessárias a essa definição. o que angustia não é a constatação de e algo falta às mulheres. com Freud. Meninos poderiam pensar. está na verdade interessada em dois porquês fun damentai s: por que nascemos e por que morremos. ponde "não". o processo através do qual uma menina "define" como mulher e o menino como homem (ou e-versa ). podem vir a sê-lo. no já foi dito. (J). Os . i um relato de Melanie Klein. terá un resposta. se ass im fosse. de observar que são diferentes. . É essa gústia que a faz querer saber. 3reud achava. Essa busca dos determinantes mais estruturais ou-o justamente a d esenvolve r melhor um dos aspeemais importantes de sua teoria: o complexo de Édi. em seres com pênis < seres sem pênis. alguma coisa falta. (23). A criança descobre diferenças que a angustiam. Então o menino lhe diz: " "Vai perguntar a um h mem ou a uma mulher ?". Essas festigações são sexuais. replica a irmã. as fe. e sei agora que também perdi o sei o. A diferença está na interpretação dada a esse fato. um momento capital e decisivo na vj da de todo ser humano: o momen to da descoberta da quilo que ele chama de diferença sexual anatômica. os meninos e meninas acreditavam que todo os seres humanos eram ou deviam ser pr ovid os de pé nis. sante.trumentos de que a criança pode dispor são o que :ud chamou de " "investigações sexuais infantis"".

a energia aí concentrada para objetos não -sexuais. associada a "pulsões de domínio" e a "pulsões de ver". inicialmente.a entrada na escola -. controvertidas. pensava existir em todo ser humano essa pulsão. as primeiras investigações são sempre si xuais e não podem deixar de sê-lo: o que está em jogo a necessidade que tem a criança de definir. por que m puseram no mundo.E se perguntar a uma mulher terá outra!" Mais do que sobre a existência de Deus. contudo. esse menii extraiu informações sobre aquilo qu e ele supõe ser r presentativo das posições feminina e masculina. um lugar sexual. Toda? Não. Precisam nada saber sobre isso. E o que tem isso a ver com a pergunta " "de onde vi( mos e para onde vamos"? Acontece que esse lugar sexual é situado. por exemplo. Palavras de Freud. Não porque lhes d izem que é "feio". Um homem fica alucinado com o que vê nas asas de uma mosca. o ver e o sublimar. pode-se. mas por que precisam renunciar a um saber sobre a sexualidade. Freud diz ainda que essa investigação sexual sublimada se associa com algo que ele c hamou. porque têm pênis!). submetida às leis da constituição do ser humano. pode-se dizer. não? E até mesmo. "pensará" ele. seu lugar no mundo. E esse lugar é. é claro) a um deslocamento dos interesses sexuais pa ra os não-sexuais. antes c mais nada. mais oi menos aos 7 anos. preocupações. Mais do que isso. algumas coisas poderão ter acontecide com as investigações sexuais infantis. A princípio. pode correr o risco de ser classificada c omo s . Perguntam então sobre outras coisas para poder continuar pen sando sobre as questões fundamentais. Saber associa-se com dominar. extrair daí o mais importante: o desejo de saber as socia-s e com o dominar. a principie em relação aos pais. O que se espera é que. para atender a quais expectativas i esperand o que eu me tome o quê?" (para ondi vamos?). se trans mudaria em sadismo e agressividade. cortando-os em pedaços. de Machado de Assi s. Retenha-se o essencial. #Vamos por partes: sublimai. e sã pela rua (literalmente) aplicando esse novo conhecimei to: homens pensam diferente de mulheres (provave mente. pois a força de pulsão continua estimulando essas crianças. por assim dizer. Assim. E porque não podem mais saber sobre a sexualidade. Mas não podem deixar de perguntar. Desviam. o Édipo está presente. em relação àquil que os pais esperam que ele seja. Bem. as investigações sexuais são reprimidas. Para saber o que há lá den tro. as perguntas sobre a origem das coisas esta riam na base das investigações se xuais infantis. E não é a Educação a maior responsável por isso. a princ pio. a investigação sexual cai a sob o domínio da repressão. Encontra-se um bom exemplo no poema "A mosca azul". Para Freud. que. ao final da época do conflito edipiano. O "de onde viemos" eqüivale a "qual é a mi nha origem em relação ao desejo d e vocês?. De novo. mas a criança que vai à escola para aprender í ler e a escrever não parece denuncia r nenhuma dessa. Até esse momento . Sem cair em discussões acadêmi cas a respeito da validade conceituai de termos como pulsão de domínio. uma criança que passa seu tempo caçando bichinhos. As crianças deixam de lado a questão sexual por uma necessidade própria e inerente à sua constituição. procedem (não de modo consciente. de pulsão de domínio. Em relação ao deseji dos pais. Parte dela "sublima-se" em "pulsão" de saber. Para Freud. En igmáticas. disseca-a e a destrói. Do mesmo modo.

Ou. MACHADO DE ASSIS. Tud o isso se associa com a idéia de curiosidade. embora menos comentada. (24). um elemento central estudado por Fi a fantasia da cena primária. a pulsão visua em relação a elas o mesmo estatuto. como é a noção de saber. Mas. a m os ca. Ao contrári o. (31)." O importante a ser ressaltado é a filiação da curk de intelectual à curiosidade sexual. Não é preciso ir muito longe para belecer essa filiação. de conhecimen É claro que. Ao descrever o processo de emergência do dês saber. anal e mas. como afirmo zan numa conferência sobre o olhar.ádica e agressiva. E é importante que o educador esteja ciente dessa dimensão. < jet o dessa pulsão é. para Freud. Na constituú sexualidade. a personagem destrói. presente em todo ato de conhecimento: a dimensão da curiosidade "sádica" propiciada pela pulsão de domínio. sia Freud não ficou indiferente a essa dimensão da de domínio e localizou aí a ação da pulsão de or rã nós. Mas já se disse que essa pulsão. sublimada. Para satisfazer aos educadores animados com uma pulsão de saber mais "intensa". relaciona-se. após a associação com a pulsão de domínic "pulsão de sa ber". na qual essa relação sexual "é objt u ma visão pela qual o sujeito imagina (põe em inu a sua origem". c zer de viajar (ver coisas distantes e novas) etc. A inteligência emerge a partir de um apoio sobre . porque sublimada. Veja-se novamente "A mosca azul". trai ma-se. po de-se ir um pouquinho mais longe no desenvolvimento teórico da pulsão de domínio. p. diante da manifestação dessa "fac tal" do saber na conduta investigadora de uma ei a tendência é negá-la e reprimi-la. não está senão exercendo sua "pulsão de domínio". Melhor diido. há um susto considerável quando se per presença da morte em algo sempre tão identificac a vida. então. quando. que o sujeito representa não somente st gem mas ta mbém se imagina personagem. é u Renato MEZAN. foi dito também que a investigação sex ual. atrav identificação com uma das personagens em cena. Natüralmenu só essa face mortal que uma determinada criança i algo certamente não vai bem. igualmente. com o ver. a objetos de modo j "São seus derivados o prazer de pesquisar. Não se quer dizer com isso que s e deva aplaudir toda tentativa infantil de sair por aí decepando bichos. a de morte nã o se encontra nunca em estado "p apresentando-se antes em combinações com outr. que. na verdade. ou cena de relação : entre os pais. 161. essa cena primária imã da. em geral. então. Basta lembrar o termo bíblico #BIBLIOTECA CENTRAL ignar que houve uma relação sexual: Adão conheceu ode-se dizer. na medida em e se trata da sublimação de parte da pulsão sexual viil. pecto constante e constitutivo delas. o gosto pela leitura. uma da universais. são restos da sexualidade. a mola propula do desenvolvimento intelectual é sexual. sublimada. nas palavras de Manonni. a matéria de que se alimenta a inteligência em i trabalho investigative é sexual. Transforma-se em curiosidade dirigida. Na ânsia de saber. mata. à imagem fan tá da cena primária. O visual não é um elemento acessório ou secui nas esferas das pulsões sexuais. realizada em Muito tem sido dito sobre as pulsõe s oral. É através dessa fantasia. O que se pretende destacar é que o modo de lidar com isso depende da compreensão que se tenha desses atos. o int< pela observação da natureza.

Mas. co mo também é conhecida a fonte atribuída por Fn esse poder de influência. por exemplo. para a Psicanálise. uma idéia bastante conhecida. aquele discurso não se impôs por ele mesi pela dose de verdade que o acompanhou (muito ao c trário. que pode ou não iropiciar aprendizagem.estos sexuais"". Pouco importa agora que esse profes sor esteja ensinando. de uma calmaria que teria desviado a frota de Cabral < seu destino. ela não aprene sozinha. por exemplo. do pai em particular. o Descobrimento do Brasil. do aluno para o professor. . e nós. O ato de aprender sempre pressupõe uma relação com utra pessoa. vimos alguns determinantes que levam ma criança a querer aprender. Até aqui. deixan do completamente de lado os conteúdos que transitam do professor para o aluno e. E no caso de não haver sequer um livro ensinando. nem sempre esse encono é feliz. Vamos nos concentrar agora nesse com. Será que. mas tomado intencionalmen pelos portugueses. Então por quê? Se não é a verdade por eles anui da. Até mesmo o autodidatismo (visto pela Psicanálise :omo um sintoma) supõe a figura imaginada de alguém que está transmitindo. Então. imaginada por ele. o aprender como descoberta aparentemente espontâneo supõe um diálogo interior entre o aprendiz e alguma figura qualquer. o "descobrimento"" casual do Brasil era uma < lavada mentira!). Ora. É nesse ponto que se situa uma difença radical da teoria psicanalítica em relação a qualicr teoria cognitiva sobre o desenvolvimento da inteliincia. por isso. através de um livr o. Evidentemente. Graças a essa importância. mais uma vez. sua credibilidade? Freud nos mostra que um professor pode ser ou quando está revestido por seu aluno de uma impo cia especial. são os professores e geralmente as pessoa: têm a tarefa de educar que tomarão para a criança gar dos pais. eventualmente. Não há dúvida de que o Bi sil não foi "descoberto"". em razão Octave MANONNI. o mestre pá ter em mãos um poder de influência sobre o aluno. com< vê agora. Não há ensin o sem profesor. a pergunta "O que è aprender ?" suõe. naturalmente. e que herda i sen . As gerações de brasileiros hoje com 40 anos ou mais aprende"-m mif r Brasil foi descoberto "por acaso". É preciso que haja um professor para que es: aprendizado se realize. (28). nesse espaço entre professor e aluno. ou ela se conserva como algo pre< só. aquele saber. uma marca pr esente na busca de conhecimento? í é preciso dizer qual é a resposta dos adultos de hoje discurso dos primeiros professores calou fundo em to os que o autorizara m e nele acreditaram. é. a pergunta "O que é aprender?" envolve a relação professor-aluno. " "No decorrer do período < tência. Contudo . Aprender é a prender com alguém. incluindo a de Piaget. que possa servir de supo rte par a esse diálogo. cocado numa determinada posição. acreditávamos lês. Para as gerações mais novas. Por isso. os critérios para a liação do que era verdadeiro eram assentados pelo prio professor. devemos jogar fora todo o vel curso primário? O que restou daque les tempos em q todo dia se ia para a escola escutar daquela primeira p fessora ensinamentos nos quais não se acredita mais? l acaso os alunos de ontem denigrem h oje a imagem de primeira professora. isso parece s um absurdo inimaginável. então qual é a fonte da qual extraem seu pode convencimento. a presença de um professor. mesmo porque esses conteúdos não têm nenhum valor de verdade. a que ensina.

pode-se dizer que. mas at< po nto. porém. para dize-lo . Freud estava diante de mifestação inconsciente. formação que é transmitida de um para o outro. a partir de um dado m< to da análise. que esta as condições para o aprender. no de Análise fragmentária de uma histeria . de que latesse nele. pé. Em Psicanálise. em A interpretação dos sonhos. mencionar o temor. sião da resolução do complexo de Édipo. no s aquele rosto aparecia modificado. em 1929. Se não era Freud o responsável por H. relacionava-se com Freud como se el< seu pai: com medo de sua autoridade. Freud se deu conta da constância com que a ência também ocorria nas diferentes relações esdas pelas pessoas no decorrer de suas vidas. PODER E DESEJO: A transferência na relação professor-aluno Freud mencionou a palavra transferência. Assim. A citação acim: ciona justamente "uma relação afetiva primitiva dirigida ao pai". sejam quais forem c teúdos. a transferên ci a era perpor aqueles pacientes. se beneficiarão da influência que esse último e sobre a criança. restos diumos. Bem. lomento algum. não se focalizam os conteúdos. É isso o 5 autoriza a substituir a expressão "relação paciente" pela expressão "relação professorsão transferências?". eram transfer idos para o só modificados pelo trabalho do próprio sonho. Por isso. isto está correto. na da imic a transferência se dirija ao analista ou a qualtra pessoa. que a transferência é uma manifestação do ente.timentos que a criança dirigia a esse último n. trata-se de um feque permeia qualquer relação humana. chega a afirmar que ela está presente também 10 professor-aluno. Ou e nvelhecido. Vi rosto de uma pessoa durante o dia e. por exemplo. pode-se perceber que a ênfase dac Freud ao estudo da relação entre um professo r e u no não estava no valor dos conteúdos cognitive transitam entre essas duas pessoas . que constitui. sferido Mais tarde. da perspectiva psica ca. pai transferido para Freud. meira vez.vale dizer. dá-se a esse campo o nome de ti renda. nos quais a palavra afeto deixa de ter tanta i t anciã. por exe um determinad o paciente. I n 190O. E ele próprio respondia: "São reedições dos s e fantasias despertadas e tomadas conscientes o desenvolvimento da análise e que trazem coularidade caract erí stica a substituição de uma nterior pela pessoa do médico. à noite. o diurr bre onavam com antigas Ou com outro nome. Encomo "a repetição de protótipos infantis vivida ia sensação de atualidade acentuada". por isso mesmo. injustifica do." Até aqui. ada no campo específ ico da relação médicote. O sonhe balhava" aquele resto diumo para ele tran Freud começou a notar que a figi analista também funcionava como um rest o qual o paciente "trabalhava". mas o campo estabelece entre o professor e seu aluno. Os e ducai investidos da relação afetiva primitivamente dirigi pai. Ou. transferindí ele imagens que se relaci viv do paciente com outras pessoas. Para ele. então quem era? Freud respondeu: talvez o . em determinado to. É por isso que se pode oje. um bom ento da análise desse inconsciente. Os esquemas desenvolvidos posteriormeni próprio Freud apontam numa direção um pou ct rente. Ali. podia acontecer de ele. Embora o p Freud não se conduzisse de modo autoritário com #-nte. ele escreveu que alguns acontecimen dia. esc riO1. Fretiaí. ênfase freudiana está concentrada sobretudo nas r< afetivas entre professores e alunos. perguntava Freud. d ba .

Natanael.anha vida novamente. : será ele o responsável. ele não renunciou a o sentido que seu desejo já havia conferido a essa forma vazia.dirigido ao pai. foi extraído d a obra No olho do outro. apodera-se delas e as infiltra [com seu próprio sentido] dotando-as de uma nova significação". E prossegue: "É aí que Freud fala pela primeira vez de transferência de sentido. "São. pela morte (acidental) que seu pai terá mais tarde. chamada " "Homem de Areia"". continua Miller. que o desejo do sonho investe com um novo significado". não se convenceu com essa expli:ação. 998. o sonho é uma formação que pode ser usada como . interpretação dos sonhos. fala-se na transferência de sentimentos. p. formas esvaziad as de seu sentido. " "Freud explica como o sonho se apodera do que chama de restos diumos. um professor pode tomar-se a figura a quem dereçados os interesses de seu aluno porque é e uma transferência. a personagem Natanael relata uma reordação de infância. que pode interessar mais de perto los educadores. perguntando i sua mãe sobre esse homem terrível. diz Jacques-Alain Miller. o termo parece distanciar-se do sentido em que pode ser encontr ado nas primeiras formulações de Freud. recordações do que ocorreu no dia anterior: o sonho se apodera destes elementos para montá-los com um valor diferente. na relação pedagós. Toda a análise feita por Freud em A interpretação dos sonhos não vem à toa. lê Oscar Cesarotto. Na verdade. Sem pre que chegava a hora de lormir. usando o próprio material de Freud. muitas vezes são até insignificantes. Por que seu desejo? Porque esa figura tinha já assumido um lu gar n as relações imaginárias de Natanael com seu pai: era ele. hoje.* modo: toda uma série de acontecimentos psí. Nesse livro estão reproduzidos dois textos de um escritor do começo do século XIX. Nata nael transferiu um sentido que se relacionara com um desejo . po r extensão. No plano do sonho. quem sempr e o afastava do pai (hora de dormir!). A. COTIO se alguém tivesse jogado areia neles". sua mãe lhe dizia: "Crianças! Para a cama. Um dia. quero apen as dizer que vocês estão sololentos e não conseguem manter os olhos abertos. contudo. para a cama! O Homem de Areia vem vindo. assustadora. No primeir o co nto. oderia ser a visão de Freud sobre a transferência . a idéia de que o aprendizado tem como fundamento a transferência está cada vez mais presente entre os analistas engajados na formação psicanalítica de outros analistas. Tomado como ma nifestação do inconsciente. aiBUOTLCA CtNíRAl pode-se avançar um pouco mais nessa análise. com uma significação diferente daquela que tinha no momen to de sua primeira emergência". ouviu dela a seguinte resposta: "Quando eu digo que o Homem de \reia vem vindo.provavelmente agre ssivo . Para essa figura. Hoffmann. agora não mais como mas como relação atual com a pessoa do médi. em "Homem de Areia"". É comum ouvi-los dizer qu e determinado aluno está estabelecendo uma transferência com seu professor-analista. O desejo opera um deslocamento: ut iliza formas estranhas a ele. já posso perceê-lo!" Natanael fez dessa per son nagem uma imagem orrível. no entender de Natanael. chamado E.o analítica e. E o que se transfere são as cias vividas primitivamente com os pais. o Homem de Aieia. T. (4). Associava-a aos passos que por vezes escuta va subindo as escadas. portanto. Ao contrário. (32). Um outro exemplo. Sigmund FREUD. em sua leitura do termo transferência como ele aparece em A Jacques-Alain MILLER. Nesse contexto.

toma-se possível a identificação. < HOFFMANN. que sentido desejo transfe re? Como é que. não são exteriores ao inconsciente do sujeito. podemos dizer que na relação Quando alguém "deposita" algo em alguém está em jogo aquilo que Freud chamou de invest imento sobre o outro. mas é escutada através dessa especial posição ocupa no inconsciente do sujeito. já que é essa visão espe . em razão dessa transferência de do operada pelo desejo. Por isso. E foi a partir dess e "inves tiito" que a palavra do professor ganhou poder. colh idos pe la transfe:ia. o fato de haver professores que a parecem ter de especial. paslo a ser escutada! " desejo transfere sentido e poder à figura do profesque funciona como um mero sup orte esvaziado de sentido próprio enquanto pessoa. O importante é idéia de que o desejo inconsciente busca aferr "formas" (o re sto diumo. a transferência se produz quand sejo de saber do aluno se aferra a um elemento p lar. então essas figuras passaa fazer parte de seu cenário inconsciente. Mas. em parte. Instalada a transf erência. ocorre também uma tran. que é a pessoa do professor. in (20). tais figuras ficam inevitavelm ente gad as de uma importância especial. cia de poder. na realidade. a transferência de sentido que ocorre entre os restos diumos e os elementos do sonho ocorre igualmente em relação ao analista e. mas ic quer que digam será escutado a partir desse lugar e estão colocados. Essa formulação tem implicações tanto para o a como para o professor. o professo esvaziá-las e colocar aí o sentido que lhe int Tra nsferir é então atribuir um sentido especial àqi gura determinada pelo desejo. os meranismos do sonho estão presentes na análise. tomada do ti próprio Freud. Miller afirma que a transferência. professor-aluno. que é a pessoa do analist a. Já veremos em detalhes o que isso sij para um p rofessor. só explica. amplia a noção de que um clichí eótipo calcado na figura dos pais) é transferido figura do analista e do mestre. Assim. Assim. i analista como o professor tomam-se depositários c que pertence ao analisando ou ao aluno. cam o percurso intelectual de alguns alunos. tanto que só aqu ele aluno se ressou pela Geografia. pois segue seus princípios gerais. professor está sendo visto. já que seu :erreno de ação é ta mbém o inconsciente. Isso signifi|ue o analista ou o professor. em 1932. Em deco dessa "posse". Essa concepção de transferência. se produz q uando o desejo se aferra a um elemento muito particular. um professor q ue d esou seu gosto por essa matéria! Não era nenhum ide teórico do assunto. Sua fala deixa de ser inteiram ente :tiva. no ginásio. em última análise. Graças a esse investimento.modelo para qualquer manifestação do incons:iente. m as que. Freud. #ímã outra conseqüência: se o analisando ou o aluno çem-se ao analista ou professor atribu indo-lhe um ido conferido pelo desejo. E é dessa imp cia que emana o poder que inegavelment e têm s indivíduo. A idéia de transferência mosrue aquele professor em especial foi "investido" peesejo daquele aluno. em relação ao professor. o analista. Quan/ezes não ouvimos dizer que alguém optou por ser jrafo porque teve. no sentido psicanalítico. de modo análogo. Parafraseando-o.

#. de se ar geógrafo. Ocupar o lugar designado ao professor pela tran rência: eis uma tarefa que não deixa de ser income visto que ali seu sentido enquanto pessoa é "esvazia" para dar lugar a um outro que ele desconhece. não se pode esquecer. Nem o 10 quer. não é cil usá-lo para libertar um "escravo" que se escravi por livre e espontânea "vontade". e fundará aí sua autorida Sua missão será submeter seu aluno a essa figura d e rr tre. gravar informações.. proíbe qualquer contesta desse ideal.. abusar do poder seria eqüivale m usá-lo para subjugar o aluno. por sina l. Em outras palavras . e não do desejo. Basta isso. aceitar o modelo lhe confere o aluno. com esse poder em mãos. assim como o fizeram os pais desse alu O problema é que..a deque. es pelhar fielmente o nhecimento do professor. O que o pedagogo faz é pedir à criança c venha tão-somente dar fundamento a uma d outr previamente concebida. pode saber dele. se estiver especialmente atento à sua emergênPoderá também saber como esse desejo se construiu maneira descrita anteriormente.. Tudo o que esse 10 quer é que seu professor "suporte" esse lugar em ele o colocou.AÍ. já se"está falando sempre.. ação é impossível! BIBUOTtCA CtNTRAl Conclusão #O ENCONTRO DA PSICANÁLISE com A EDUCAÇÃO: Um desafio m maio de 1939. Aqui. suportar a importância daí erm da e conduzir seu aluno em direção à supe ração d importância. eclipsar-se para permitir que esse alum ga seu curso. simultaneamente. pois esse é consciente). cessa o poder desejante aluno. fazendo-o sobrepor-se àquele que movia seu . na verdade. caso do professor. a Educação fica subordinada à imag de um ideal estabelecido logo de início pelo pedagog que. O professor no lugar de transferência Se fosse o caso de seguir estritamente as idéias aci bastaria dizer que cabe ao pr ofessor renunciar a um j delo determinado por ele próprio. embora essa "ação" simplesmente permanecer ali onde o colocam. p" apoiar a ". Cedendo a essa tentação. ano de sua morte. no a colocá-lo em destaque. normatizante. vmvcn.a mola propulsora do aprender? sse desejo e seu sentido singular escaparão sempre ao :essor. impor-lhe seus próp valores e idéias. Dele o professor pod erá ter por vezes alguns bes.. Nesse caso. do :jo inconscien te. o aluno poderá apren conteúdos. A História mo que a tentação de abusar do poder é muito grande. O homem da rua dificilmente admi- . Mas con hecer do Io singular como se realiza esse desejo naquele alu:m especial é. O professor entenderá sua tare fa como uma c tribuição à formação de um ideal que tem uma fun reguladora. no fundo.mins ser pedir demais ao professor que u9o al^nlnS" JLógica com seu desejo anula ^ " r at?az± como uma simples marione^cSTo aCtá brandir a seu bel-prazer? " *£ Pum *. ou smo impossível.:_. uU PARA BIBLIOTECA CENTRAL De fato. que seu professor saiba do desejo o move (nem mesmo.". não é nada fácil. Freud escreveu uma carta a Charles Berg: "O senhor compreende eu abrigue certas suspeitas contra a técnica daqueles listas que se dedicaram à popularização da PsicanáliEsta me parece uma tarefa sumamente difícil. mas provavelmente não S£ dessa relação como sujeito pensante. por exemplo. impor seu pró] desejo. tarefa do analista.Jtu"yt: .

invisível aos seus o lhos. por exemplo. no entanto. é claro. em qualquer atividad e humana. Contudo.^i. por isso. pelo aluno. pois qualquer metodologia imp dem. na ve rdade. temos que supor que essa ransmissão poderá gerar efeitos no inconsciente do ou"inte. Em razão. :ais como o inconsciente e a p ulsão de morte. :eud. daquilo que está sendo ass naquele instante.). e muito menos sobre os efeitos de nossas palavras abre nosso ouvinte (ou sobre nosso leitor. se icreditamos no inconsciente. através prova. previsibilidade. Ele pode saber o que se passa. controlada com rigor oi Aprende que pode organizar seu saber. não há como criar uma metodologia peda -psicanalítica. Queria dar uma aula e depois pedir s alunos que demonstrassem. há. Há uma espécie de montagen ciadora. que a Psicanálise pó mitir ao educador (e não à Pedagogia. Por acreditar que o incor introduz. das descobertas psicanalíticas. ainda que não saibamos exatamente quais sejam. O ic Freud pretendia era ensinar. no final da vida. exatamente como um :dagogo clássico. instituída. Falar sobre a hipótese do inconsiente a alguém poderá resultar . esta bilidad e. uma certa metodolog teoria da técnica. Na análise. Não sabelos o que ele fará com aquelas idéias. UNIVERSIDADE N:. o educador inspirado pc psicanalíticas renuncia a uma atividade exc essi1 programada. Talvez por estar pensando como um mestre clássico.prova. i junto de condições para a emergência de manif do inconsciente. ?reud concluiu. teria sido mais ei às suas próprias idéias. Pode-se dizer. que movimentos de desejo o farão gostar mais [isso e menos daquilo. p. ic haviam entendido e assimilado corretamente seu :nsamento. um modo de ver e de sua prática educativa. A realidade do inconsciente os ensina que não temos controle total sobre o que diemos. através de uma. como instituído) uma ética.. que um homem do TO não poderia compreender a Psicanálise. Freud percebeu que isso era impossível. É um saber . mas i controle sobre os efeitos que produz sobre seus Fica sabendo qu e pode ter uma noção. Caso descasse um pouco seu foco de atenção. tenha deixado de lado ma posição mais propriamente psicanalítica. Pensar assim leva o professor a tanta importância ao conteúdo daquil o qu e ens a passar a vê-los como a ponta de um iceberg m\ profundo.u:-:". o que n pá. justamente. 3430. n se mostrará disposto a aceitar a importância que icedemos aos impulsos primários.. o imprevisto. Mas não conhece tas repercussões inconscientes de sua presença < ensinamentos. a que outras as asDciará. mas não sabe por quais caminhos < em análise acabará finalmente por enveredar. o que se desvanece.na rejeição da hipótese pelo ouvinte.e isso é até provável . o im rável. Lü PAKA BIBLIOTtCA CHNTRAL de aplicar a Psicanálise. não se po< Sigmund"FREUD. (18). para onde d < gir uma cura. ao fazer aquela afirmação. caso se pense de modo mais o psicanal ista n ão tem controle sobre os efeitos c duz. nem aceia hipótese da existência ativa de um inconsciente.e assimilará nossa concepção da mente inconsciente. Mas ela constitui. Do mesmo modo. A Psicanálise talvez nca chegue a se tomar popular"".

Nada mais se p rar dela. pode ser extraída até mesmo da vida de Freud. consciente de seus poderes e limites. como a Antropolo Filosofia.que pode g pendendo. afinal. inteiro. sabendo que. de ensinar o catecismo a acreditando no que faz. como certamente achara" Mas será muito caso se observe. metáfora de Freud. embora acrescente outra: -a de permanecer tranqüilo. para formar seu pensamento. esta é uma lição que. que. das possibilidades s de cada educador. a atuação da Psicanálise. o do "assassinato" do mestre. pois tira dos ombros do professor uma carga de controle excessiva e i ndesejável. Matar o mestre para se tomar o mestre de si mesmo. às escondidas (vale domínios do inconsciente). Cessa < tanto. o quanto é difícil. se for atacado. a substância. Ouvirão o que lhes convier e jogarão fora o que isso implique uma rebeldia consciente. em igualdade de condi diversas outras disc iplinas. ihecer que seus selvagens. scorreu amplamente sobre esse poder de que los educadores e professores. pode ser até mesmo li bertadora. de nos terão de lançar mão para pensar sozinhos. se o professor decidir pautar sua conprincípios psicanalíticos. Ela precisa reprimir ir. Mas um educador esclarecido verá nessa idéia uma espécie de referência. naturalmente.e izada. caso se queira ser coerente com aquil o constitui essencialmente: a aventura freudians Pode ser pouco. e sobre a tentabusar dele. uma po sição . oferecido pelo agar"" de professor . que manterão a fimodos de pensar subjetivos. Ele deve ser capaz. no caso. seus recortes s. continuarão adodeuses antigos. a busca é a única posição possílotada. humilde e impotente frente à tarefa de ajudar outro ser hum . itro entre o que foi ensinado e a subjetividade m é que toma possível o pensamento r enovação. se bem analisada e compreendida. Falou também que é desse poder igogia extrai sua eficácia. os alunos. já vimos. Ou seja. Pode contribuir. com o auxíli o c Psicanálise. ou sem tentar reprimir tais ativida:erá compreendido que essa "rebeldia" é imara o futuro desenvolvimento intelectual de s. fessor psicanaliticamente orientado poderá suinais desse culto aos "deuses" de seu s alunos sesperar. Precisa da energia libidinal sublimada . Ao contráque e stão em jogo forças que ele não conhece ididade. uma filosofia lho. que habita diferentemente cada um :ará sendo preservado cada vez que um profes:iar ao controle. Como fazer uso do controle e ao mesrenunciar a ele? Embora talvez não exista resessa pergunta. Estará preservado cada vez que um profesuser a desocupar o lugar de poder em que um loca necessariamente no início de uma relação a. Talvez não se possa imaginar uma pedagogia organizada em tomo de um princípio como e sse. nem por isso irimir tais manifestações agressivas. Esse :sejante. embora deseja #losição de renúncia ao poder. mas que são muito importantes para a superação do professor como figura de autoridade e indispensáveis para o surgimento do aluno como ser pensante. aos efeitos de seu poder sobre is.aquela posição que perlém controlar outros. a m até ria. com paixão mesmo. Será essa. a geração de novos conhecimentos. festação perversa ou delinqüente. Ouvirão o que um de acordo com seus desejos.

v. que fazem sentido par a ele. usá-lo-á. 3(18) "Carta a Charles Berg". 1. Obras de outros autores . v. pela via de transmissão única aberta entre ele e o professor . 2. 1. (8) Conferências introdutórias à Psicanálise. por assim dizer.a via da tr ansfe rência . 1914. v. o pa ssará por ele. 1910. guiado por seu dese jo. (3) Psiconeuroses de defesa. que não se preocupem tanto com métodos. v. v. (15) Autobiografia. Da visão psicanalítica decorrem as seguintes posições: Ao professor. 1915.fatos inegáveis -. que muita: vezes constituem tentativas de inculcar. 1. renunciar às iprias certezas. interessado em denunciar os abusos institu cionais da Educação. 3. 190O. 2. retalhar. 1901. v. 1925. a precariedade e a decadência de nosso ensino . (6) A interpretação dos sonhos. A tradução direta do alemão foi realizada por Luis López-Ballesteros y de Torres.ano a atingir seu mais radical compromisso com a vida: ser um indivíduo livre e pr odutivo. 1914. v. a todo custo. 1909. da grita por instituições de ensino mais livres c menos arcaicas. 1913. (11) Historiado movimento p sicanalítico. (17) Análise terminável e interminável. 1937. v. 2. 3. 1895. v. BIBLIOGRAFIA Obras de Sigmund Freud citadas A edição das Obras completas de Sigmund Freud que serve de referência às citações foi public ada em três volumes pela Biblioteca Nueva. saincom um saber do qual tomou verdadeiramente q ue constituirá a base e o fundamento para futu:res e conhecimentos. que se engancham em seu desejo. v. O que se deseja é sugerir aos pedagogo. 1. cabe o esforce imenso de organizar. (19) Correspondência completa de S. humanizadoras. 1. 3. v. O objetivo é apontar caminhos que a política desconsidera. de Madrid. que. v. 1986. Não é isso que se pretende. (12) Psicologia do colegial. A cada aluno cabe desarticular. um conheciment o s upervalorizado pelos professores. em 1973. 1. ingerir e digerir aqueles elementos tr ansmitidos pelo professor. (13) Considerações sobre a guerra e a morte. poderia entender as idéias deste livro como um convite ao laissez-faire. 3. Ima go. v. (2) Estudos sobre a histeria. 1930. contudo. 2. 1939. 1873. articular. #n professor souber aceitar essa "canibalização" bre ele e seu saber (sem. 1896. v. 1905. Pela via de transferência. v. tomar lógico seu campe de conhecimento e transmiti-lo a seus alunos. .encontram eco nas profundezas de sua existência de sujeito do inconsciente. 2. A abertura de oportunidades de relações autênticas. (4) Análise fragmentária de uma histeria. v. 2. 2. v. 1908. (7) "Teorias sexuais infantis". v. (1) "Carta sobre o ensino secundário". O pedagogo zeloso das questões políticas. (5) " Três ensaios para uma teoria sexual. nãc depende somente de métodos pedagógicos sofisticados da denúncia das ideologias embutidas nos conteúdos escolares. Freud a Wilhelm Fliess: Rio de Janeiro. 1920. (9) Uma recordação de infância de Leonardo da Vinci. (16) Mal-estar na civilização. (14) Além do princípio do prazer. já que é nelas que se encontra seu então estará contribuindo para uma relação de aprendizagem autêntica. (10) "Múltiplo interesse da Psicanálise".

Freud. l? grau e demais licenciaturas. MILLER. NES. JÍIN. Paidós. São Paulo. [ANN. vlANONNI. Rio de iciro. FUN ARTE. Seuil. Vida e obra de Sigmund Freud. FUNDAMENTOS PARA O MAGISTÉRIO Livros que focalizam a fundamentação teórica indispensável à formação pedagógica dos professo de pré-escola. Seuil. . Freud anti-pedagogue. íUD. Paidós. Seuil. Lisboa. Paris. os componentes metodológicos. desejando transformar o futuro. No olho do outro. 1987. lês enfants difficiles. Rio de Janeiro. Paris. Oscar. Melanie. 1986. Introduction ai Psicoanalisis para educafes. PENSAMENTO E AÇÃO NO MAGISTÉRIO A série Pensamento e Ação no Magistério baseia-se numa concepção global da Educação e propõeabordar de forma integrada a teoria e a prática educacionais. Hans. (38) et alii. 3. Brasiliense. Zahar. Jean-Paul. 1981. "A medusa e o telescópio ou Berggasse 19". 1ANONNI.Fundamentos. Rio de Janeiro. La théorie comme fiction. 1976. MILLOT. Freud: a trama dos conceitos. Anna. 1970. et alii. Recursos Didáticos e Mestres da Educação . 198 7. precisam compreender o passado e o presente. Contribuições à Psicanálise. "El Psicoanalisis y Ia educación". Rio de Janeiro. FREUD antipedagogo foi editado pela Zahar. Cada livro encerra a experiência concreta de educadores muito atuantes. 1962. Paris. Percurso de Lacan: uma introdução. ) SARTRE. Maud. ACHADO DE ASSIS. MEZAN. 1950. Zahar. Obras comples.NTAARD. Paris. Emest.indicam a ên fase dada a cada um desses aspectos. História dei Psicoanalisis. pensador da cultura. História dei Psicoanalisis. ic Limonad. Oskar. L"Arche. Catherine. José Aguilar. v. In Revista de Pedagogia. São Pau. Un commencemente quin"en fivit pás. SPA. J. com freqüência só divulgada pela tradição oral. Perspectiva.üAROTTO. Octave.d. Joaquim Maria. 1932 . Livros do rasil. s. Freud além da alma. São Paulo. 1968. São Paulo. 1977. Bue"-"--tK"h (37) ZULLIGER. 1984. São Paulo. MESTRES DA EDUCAÇÃO Obras que dão uma visão histórica e filosófica da atuação de mestres que se dedicaram ou con tribuíram para a Educação. 1980. Renato. São Paulo. Educação impossível. rancisco Alves. contudo. ) PFISTER. 1961. 1987. Jacques Alain. Buenos Aires. Imprescindíveis a todos os educadores que. Oi Buddenbrook. Thomas. Mestre Jou. Nova Fronteira. Buenos Aires. Os três selos abaixo . 1979. 1981. Temas voltados para a elaboração dos mais variados recursos auxiliares no processo d e ensino-aprendizagem. sem esquecer. Conferência proferida no curso O Olhar. em 1987.

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