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TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO

1) Materiais Estruturais a) Concreto Armado i) Concreto ii) Armaduras para Concreto Armado b) Aço c) Madeira 2) Conceito de Estrutura – Estrutura é a parte ou o conjunto das partes, que podem ser de concreto, madeira ou metal, de uma construção que se destina a resistir a cargas. Cada parte da construção, também denominada de elemento estrutural, deve resistir aos esforços incidentes e transmiti-los a outros elementos com a finalidade de conduzi-los ao solo. Este conjunto é composto de laje, viga, pilar e fundações. Sendo a primeira de apoio, a segunda de apoio e/ou ligação e a terceira peça, de recebimento e transmissão de cargas para a quarta (fundações) que irá transmitir as cargas solicitadas pela construção como um todo ao solo.
Lajes

Pilares

Vigas

Blocos de Fundação

Figura 1

NORMAS A SEGUIR

NBR 6118/80 da ABNT: Projeto e execução de obras de concreto armado procedimentos. NBR 12654/92 da ABNT: Concreto - controle tecnológico de materiais componentes – procedimentos. NBR 12655/92 da ABNT: Concreto - preparo, controle e recebimento procedimentos.

Podemos classificar os elementos de acordo com: a) As Dimensões – Conforme suas dimensões os elementos estruturais podem ser classificados em folhas, blocos e barras. i) Blocos – Possuem três dimensões com valores da mesma ordem de grandeza. Na construção civil destacam-se os blocos de fundações. ii) Folhas – As folhas possuem uma das dimensões com valor muito inferior ao das outras duas. Destacam-se ai as lajes, paredes estruturais, etc iii) Barras – possuem uma das dimensões com valor muito superior ao das outras duas. Podemos destacar as vigas e os pilares. b) A Carga – Os elementos estruturais podem ser também classificados quanto ao modo de aplicação da carga. i) Placas: (1) Lajes – Sofrem carga perpendicular à face formada pelas duas maiores dimensões. Temos basicamente dois tipos de lajes: (a) Lajes moldadas in loco (b) Lajes Pré-fabricadas (2) Paredes Estruturais – Sofrem carga paralela à face formada pelas duas maiores dimensões. ii) Barras: (1) Vigas – São barras que sofrem carga transversal ao seu eixo. (2) Pilares – São barras que sofrem carga axial de compressão. (3) Tirantes – são barras que sofrem cara axial de tração. 2) CONCRETO ARMADO O concreto armado pode ter surgido da necessidade de se aliar as qualidades da pedra (resistência à compressão e durabilidade) com as do aço (resistências mecânicas), com as vantagens de poder assumir qualquer forma,

O concreto é um material que apresenta alta resistência às tensões de compressão. surge então o chamado “concreto armado”. Assim sendo. No entanto. é imperiosa a necessidade de juntar ao concreto um material com alta resistência à tração. a argamassa é a pasta misturada com a areia. apresenta baixa resistência à tração (cerca de 10 % da sua resistência à compressão). e para impedir o escorregamento das barras nos segmentos entre fissuras. atrito: é a resistência ao escorregamento após a ruptura da adesão. a deformação lenta e a variação da temperatura. pois não basta apenas juntar os dois materiais para se ter o concreto armado. Com esse material composto (concreto e armadura – barras de aço). no que pode ser auxiliado também por barras de aço (caso típico de pilares. com o objetivo deste material. Em resumo. A aderência serve para ancorar as barras nas extremidades ou nas emendas por traspasse. Para a existência do concreto armado é imprescindível que haja real solidariedade entre ambos o concreto e o aço. isto é: εc = εs. Concreto armado = concreto simples (pasta + agregados + água) + armadura + aderência. e o concreto é a argamassa misturada com a pedra ou brita. devem ser iguais. e proporcionar a necessária proteção do aço contra a corrosão. viadutos. porém. por exemplo). resistir às tensões de tração atuantes. e que o trabalho seja realizado de forma conjunta. pode-se definir o concreto armado como “a união do concreto simples e de um material resistente à tração (envolvido pelo concreto) de tal modo que ambos resistam solidariamente aos esforços solicitantes”. As causas que mobilizam a aderência são as ações sobre a estrutura de concreto armado. o conceito de concreto armado envolve ainda o fenômeno da aderência. a deformação εs num ponto da barra de aço e a deformação εc no concreto que a circunda. limitando a abertura das mesmas. De forma esquemática pode-se indicar que concreto armado é: Esquematicamente pode-se indicar que a pasta é o cimento misturado com a água. onde as barras da armadura absorvem as tensões de tração e o concreto absorve as tensões de compressão. que é essencial e deve obrigatoriamente existir entre o concreto e a armadura. disposto convenientemente. Pode-se citar três tipos de aderência no concreto armado: adesão: é a “colagem” natural entre o concreto e o aço. Quadro 1 Com a aderência. . passarelas. a retração do concreto.com rapidez e facilidade. Concreto armado é atualmente o material mais usado na construção de estruturas de edificações e obras viárias como pontes. O trabalho conjunto do concreto e das armaduras se faz por transmissão de esforços internos de um material a outro através de tensões de aderência. sendo provocado pela rugosidade superficial natural das barras. também chamado concreto simples (concreto sem armaduras). etc.

mecânica: é provocada pelas modificações feitas na superfície das barras de aços de elevada resistência (mossas ou saliências). Figura 2 Cimento Agregado miúdo (Areia) Agregado graúdo (Pedra/Brita) Pasta de cimento e água Argamassa (cimento e areia) Concreto simples .

valores críticos de tensões de tração são atingidos. . eleva-se significativamente a capacidade resistente da viga (Figura 4). busca-se controlar a abertura dessas fissuras. a proteção da armadura contra a corrosão só é garantida com a existência de uma espessura de concreto entre a barra de aço e a superfície externa da peça (denominado cobrimento). desde que o concreto seja convenientemente executado. A fissuração em elementos estruturais de concreto armado é inevitável. como a qualidade do concreto. Figura 3 Entretanto. Visando obter bom desempenho relacionado à proteção das armaduras quanto à corrosão e à aceitabilidade sensorial dos usuários. Porém. mesmo sob as ações de serviço (utilização). não oferecendo inconveniente grave as fissuras capilares que se formam junto às armaduras. A abertura das fissuras é o principal fator que influi na maior ou menor possibilidade da armadura ficar sujeita à oxidação.O trabalho conjunto. Figura 4 O trabalho conjunto do concreto e do aço é possível porque os coeficientes de dilatação térmica dos dois materiais são praticamente iguais. garantindo a durabilidade do conjunto. Outro aspecto positivo é que o concreto protege o aço da oxidação (corrosão). colocando-se uma armadura convenientemente posicionada na região das tensões de tração. após a tensão de tração atuante alcançar e superar a resistência do concreto à tração (Figura 3). por exemplo. Verifica-se que o perigo só aparece depois das fissuras terem atingido determinada abertura. que rompe bruscamente tão logo surge a primeira fissura. solidário entre o concreto e a armadura fica bem caracterizado na análise de uma viga de concreto simples (sem armadura). entre outros fatores também importantes relativos à durabilidade. devido à grande variabilidade e à baixa resistência do concreto à tração.

1. água e agregados. que tem a função de regular a pega do cimento. CIMENTO PORTLAND As matérias-primas básicas para a produção do cimento portland são o calcário. em geral pulverulenteo (pó). Quadro 1 Quadro 2 3. Os aglomerantes são utilizados para a fabricação de pastas (aglomerante + água). resultam das transformações de rochas graníticas por ações naturais. O clínquer é o produto resultante da calcinação até a fusão incipiente da mistura calcário e argila. Concreto = Aglomerante (cimento portland) + água + agregado miúdo (areia) Aglomerante – é um material ativo. ou seja. adicionando-se uma pequena quantidade de óxido de ferro como fundente. a argila ou o xisto. o clínquer é moído com uma portcentagem de cerca de 3% de gispsita. O calcário pode ser ocasionalmente substituído por conchas ou outros carbonatos de cálcio.1. Na fase final da produção do cimento.3. As argilas. . O calcário e a argila são triturados e moídos na proporção de cerca de quatro partes de calcário para uma de argila. CONCRETO Concreto é uma argamassa resultante da mistura em proporções ideais de cimento (aglomerante). ricas em sílica. argamassas (aglomerante + água + agregado miúdo) e concretos (aglomerante + água + agregado miúdo + agregado graúdo.1. a formação dos compostos do cimento. visando baixar a temperatura de clinqueirização. que promove a ligação entre os grãos do material inerte (agregado).

transformando a pasta num corpo sólido. quando submetidos à ação dissolvente da água.1.1 Hidratação dos compostos do cimento A presença de água junto aos compostos do cimento dá origem às reações de hidratação. Quadro 3 3. A hidratação dos compostos do cimento é levemente modificada na presença da gispsita. à transformação da pasta plástica em pasta endurecida.1.Tabela de Tipos de Cimento Fabricados no Brasil (ABCP-2002) 3. após o endurecimento.1. isto é. de endurecer quando misturados com água e resistir satisfatoriamente. Pega – é a fase inicial do processo de endurecimento. Hidraulicidade – é a propriedade que caracteriza os aglomerantes hidráulicos.1 PROPRIEDADES FÍSICAS As propriedades físicas do cimento Portland são consideradas sob três aspectos distintos: propriedades do produto em sua condição natural (em pó).1. isto é. da .

fck. A curva encontrada denomina-se Curva Estatística de Gauss ou Curva de Distribuição Normal para a resistência do concreto à compressão. as suas propriedades potenciais para a elaboração de concretos e argamassas. denominada fc. Para estimá-la em um lote de concreto. Após ensaio de um número muito grande de corpos de prova. fck.1.1. e é utilizado na determinação da resistência característica. pode ser feito um gráfico com os valores obtidos de fc versus a quantidade de corpos de prova relativos a determinado valor de fc.mistura de cimento e água (pasta) em proporções convenientes e da mistura da pasta com agregado padronizado (argamassa/concreto). ou seja.1. executados em condições específicas. O corpo de prova padrão brasileiro é o cilíndrico. As propriedades da pasta e argamassa são relacionadas com o comportamento desse produto quando utilizado. Tais propriedades se enquadram em processos artificialmente definidos nos métodos e especificações padronizados. Curva de Gauss para a resistência do concreto à compressão Na curva de Gauss encontram-se dois valores de fundamental importância: resistência média do concreto à compressão. 3. Geralmente. resistência à tração e módulo de elasticidade. são moldados e preparados corpos de prova segundo a NBR 5738 – Moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos ou prismáticos de concreto.1. os quais são ensaiados de acordo com a NBR 5739 – Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos.1 Resistência à compressão A resistência à compressão simples. Essas propriedades são determinadas a partir de ensaios. 3. e resistência característica do concreto à compressão. e a idade de referência é 28 dias. também denominada densidade de freqüência.2. é a característica mecânica mais importante. fcm. os ensaios são realizados para controle da qualidade e atendimento às especificações. O valor fcm é a média aritmética dos valores de f c para o conjunto de corpos de prova ensaiados. . com 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura.2 PROPRIEDADES MECÂNICAS As principais propriedades mecânicas do concreto são: resistência à compressão.

é determinada aplicando-se tração axial. . fctm. Há três normalizados: tração direta. valor da resistência que tem 5% de probabilidade de não ser alcançado pelos resultados de um lote de concreto. compressão diametral e tração na flexão. até a ruptura. com 15 cm de lado. para a resistência à compressão.O desvio padrão s corresponde à distância entre a abscissa de fcm e a do ponto de inflexão da curva (ponto em que ela muda de concavidade). tem-se a resistência média do concreto à tração. diametralmente opostas (Figura 6). e as extremidades são quadradas. pois foi desenvolvido por Lobo Carneiro.1. A diferença no estudo da tração encontra-se nos tipos de ensaio. 3. por ser mais simples de ser executado e utilizar o mesmo corpo de prova cilíndrico do ensaio de compressão (15 cm por 30 cm). em corpos de prova de concreto simples (Figura 5). em ensaios de corpos de prova de um determinado lote de concreto. considerado o de referência. fct. Para a sua realização. onde são colocadas tiras padronizadas de madeira. são análogos aos expostos no item anterior. fct. A seção central é retangular. e a resistência característica do concreto à tração. valor obtido da média aritmética dos resultados. Também é conhecido internacionalmente como Ensaio Brasileiro. pode-se definir fck como sendo o valor da resistência que tem 5 % de probabilidade de não ser alcançado.2 Resistência à tração Os conceitos relativos à resistência do concreto à tração direta.2. a resistência à tração direta. com 9 cm por 15 cm. fctk ou simplesmente ftk. Portanto. Portanto.1. em 1943. Figura 5 – Ensaio de tração direta b) Ensaio de tração na compressão diametral (spliting test) É o ensaio mais utilizado. a) Ensaio de tração direta Neste ensaio. o corpo de prova cilíndrico é colocado com o eixo horizontal entre os pratos da máquina de ensaio. e o contato entre o corpo de prova e os pratos deve ocorrer somente ao longo de duas geratrizes.

é um pouco maior que o obtido no ensaio de tração direta. Analisando os diagramas de esforços solicitantes. até a ruptura. pelo fato das seções carregadas se encontrarem nos terços do vão. fct. fct. Os valores encontrados para a resistência à tração na flexão. O ensaio também é conhecido por “carregamento nos terços”. encontrado neste ensaio. são maiores que os encontrados nos ensaios descritos anteriormente (tração direta e compressão diametral).sp.f. com carregamentos em duas seções simétricas. c) Ensaio de tração na flexão Para a realização deste ensaio. pode-se notar que na região de momento máximo tem-se cortante nula. nesse trecho central ocorre flexão pura. . Portanto. Figura 6 – Ensaio de tração por compressão diametral Adaptado de Mehta e Monteiro (2008) O valor da resistência à tração por compressão diametral. um corpo de prova de seção prismática é submetido à flexão.sendo aplicada uma força até a ruptura do concreto por fendilhamento. devido à tração indireta.

pode ser considerada linear (Lei de Hooke).1. Sabe-se da Resistência dos Materiais que a relação entre tensão e deformação.2.3 Módulo de elasticidade Outro aspecto fundamental no projeto de estruturas de concreto consiste na relação entre as tensões e as deformações. 2008) Figura 8 – Diagramas de esforços solicitantes (ensaio de tração na flexão) 3.Figura 7 – Ensaio de tração na flexão (MEHTA e MONTEIRO. .1. para determinados intervalos.

Figura 9 – Módulo de elasticidade ou de deformação longitudinal Para o concreto. a expressão é aplicada à tangente da curva na origem. quando não existir uma parte retilínea.1. sendo esta a dificuldade de sua compreensão. agregado e zona de transição na interface entre a pasta de cimento e o agregado. o conhecimento da estrutura e das propriedades individuais dos materiais constituintes e da relação entre eles auxilia a compreensão das propriedades dos vários tipos de concreto. Desta forma. Entretanto.2 ESTRUTURA INTERNA DO CONCRETO O concreto tem uma estrutura interna altamente complexa e heterogênea. é obtido o Módulo de Deformação Tangente Inicial. Eci . . Figura 10 – Módulo de deformação tangente inicial (Eci) 3. a expressão do Módulo de Elasticidade é aplicada somente à parte retilínea da curva tensão versus deformação ou. Por isso o concreto é dividido em três constituintes: pasta de cimento hidratada.

que costumam causar fissuração. na ordem crescente de dificuldade de remoção: água capilar ou água livre. água interlamelar e água quimicamente combinada. na interface das partículas grandes de agregado e da pasta de cimento. principalmente. hidróxido de cálcio (CH). as deformações por retração ou térmicas resultam em padrões de tensão complexos. água adsorvida. A hidratação do cimento evolui com o tempo. sulfoaluminato de cálcio e grão de clinquer não hidratado. que por sua vez são determinadas mais por suas características físicas do que pelas químicas. apresenta propriedades diferentes da matriz. e deformações de retração por secagem ou por resfriamento. A zona de transição. pelo módulo de elasticidade e pela estabilidade dimensional. parte frágil da pasta.1. formando uma estrutura mais porosa e menos resistente. As deformações do concreto dependem essencialmente de sua estrutura interna.A fase agregado é a principal responsável pela massa unitária. Os vazios presentes na pasta de cimento hidratada são classificados de acordo com o tamanho: espaço interlamelar no C-S-H.3 DEFORMAÇÕES O concreto apresenta deformações elásticas e inelásticas. Quando restringidas. só superados pelos relativos ao ar aprisionado. espaço entre os componentes sólidos da pasta. vazios capilares. da densidade e da resistência do agregado. As quatro principais fases sólidas são: silicato de cálcio hidratado (C-S-H). ar incorporado. o que resulta em diferentes fases sólidas. Essas propriedades do concreto dependem. vários tipos de vazios e água em diferentes formas. A contração térmica é de maior importância nos elementos de grande volume de concreto. . no carregamento. parte resistente da pasta. consumo e tipo de cimento e da temperatura dos materiais constitutivos do traço do concreto. 3. que ocupam os maiores vazios. embora composta pelos mesmos elementos que a pasta de cimento hidratada. A classificação da água presente na pasta de cimento hidratada é baseada no grau de dificuldade ou de facilidade com que pode ser removida. que são os menores vazios. Esse fato se deve principalmente ao filme de água formado em torno das partículas de agregado. São elas. A pasta de cimento hidratada é resultado das complexas reações química do cimento com a água. Sua magnitude pode ser controlada por meio do coeficiente de expansão térmica do agregado. que alteram a relação água/cimento nessa região. que são os maiores vazios.

1 Retração por Secagem e Fluência Denomina-se retração a redução de volume que ocorre no concreto.1. mesmo na ausência de tensões mecânicas e de variações de temperatura. 3. 3. 3.2 Expansão Expansão é o aumento de volume do concreto.1. Porém. Por conta disso.4 FATORES QUE INFLUEM NAS PROPRIEDADES DO CONCRETO Os principais fatores que influem nas propriedades do concreto são: Tipo e quantidade de cimento. A retração por secagem é a deformação associada à perda de umidade. poucos dias após o lançamento.3. No entanto. a fluência e a retração ocorrem ao mesmo tempo.3. no início tem-se retração química. em estruturas massivas (por exemplo: barragens). A deformação associada à mudança de temperatura depende do coeficiente de expansão térmica do material e da magnitude de queda ou de elevação de temperatura.3.1. A fluência é o fenômeno do aumento gradual da deformação ao longo do tempo. A não ser sob condições extremas de temperatura. que ocorre em peças submersas e em peças tracionadas.3. as estruturas comuns de concreto sofrem pouco ou nenhum dano com as alterações da temperatura ambiente.3 Deformações térmicas Em geral. granulometria e relação agregado-cimento. . sólidos se expandem com o aquecimento e se retraem com o resfriamento. Qualidade da água e relação água-cimento.3. sob um dado nível de tensão constante.1. as decorrentes tensões capilares anulam a retração química e. Tipos de agregados. Procedimento e duração do processo de mistura. Corresponde ao comportamento do concreto como sólido verdadeiro. em seguida. Nas peças submersas. devido à fluência.1. Presença de aditivos e adições. a combinação do calor produzido pela hidratação do cimento e condições desfavoráveis de dissipação de calor resultam em grande elevação da temperatura do concreto. o fluxo de água é de fora para dentro. provocam a expansão da peça. No caso de muitas estruturas reais. 3. e é causada por uma acomodação dos cristais que formam o material.4 Deformação imediata A deformação imediata acontece por ocasião do carregamento e ocorre de acordo com a Teoria da Elasticidade.

temperatura etc.1. Forma e dimensões dos corpos de prova.5.3.1.item 25.1 Controle estatístico por amostragem parcial Para este tipo de controle são retirados exemplares de algumas betonadas.5.1. sendo que as amostras devem ter no mínimo seis exemplares para os concretos do Grupo I e doze exemplares para os concretos do grupo II.1.5 Ensaios do Concreto A amostragem do concreto para ensaios de resistência à compressão deve ser feita dividindo-se a estrutura em lotes que atendam a todos os limites da tabela abaixo: Tabela – Valores para formação de lotes de concreto (NBR12655 . 3. Idade do concreto. 3.Condições e duração do transporte e do lançamento. umidade.5. Condições de adensamento e de cura. devem ser adotadas as seguintes ações corretivas: . Definido o lote. o controle da resistência pode ser feito de duas maneiras distintas: 3.3) Existência de não-conformidades em obras executadas 3. e aplica-se a casos especiais.2 Controle estatístico por amostragem total Para este tipo de controle são retirados exemplares de cada betonada.3 ACEITAÇÃO DA ESTRUTURA (NBR 6118:2003) (NBR 6118 . não havendo limitação para o número de exemplares do lote.1. que inclui eventuais interrupções para tratamento de juntas. Tipo e duração do carregamento.Tabela 2) Solicitação principal dos elementos da estrutura Limites superiores Volume de concreto Número de andares Tempo de concretagem Compressão ou compressão e flexão 50 m3 1 3 dias de concretagem (*) Flexão simples 100 m3 1 (*) Este período deve estar compreendido no prazo total máximo de sete dias. 3.5.1 Ações corretivas No caso da existência de não-conformidades.

sendo: c . no todo ou em parte.1. b) no caso negativo. hipóteses de cálculo consideradas que possam acarretar divergências entre os valores calculados e as reais solicitações. considerando os valores obtidos nos ensaios.3. 3.2 Não conformidade final Constatada a não-conformidade final de parte ou do todo da estrutura.6 RESISTÊNCIA DE CÁLCULO A resistência do concreto para fins de cálculo é minorada através de coeficientes de ponderação. tabela 12. procedendose a seguir nova verificação da estrutura visando sua aceitação. divididos pelo coeficiente de ponderação no estado limite último (ELU) c.a) Revisão do projeto para determinar se a estrutura.3. pode ser considerada aceita. levando em conta: possíveis diferenças entre a resistência dos materiais na estrutura e aquelas obtidas em ensaios padronizados. imprecisões nas correlações de resistência utilizadas nos projetos. deve ser escolhida uma das seguintes alternativas: a) determinar as restrições de uso da estrutura. avaliação da simultaneidade das ações. os quais tem por finalidade cobrir as incertezas que ainda não possam ser tratadas pela estatística. tais como: incerteza quanto aos valores considerados para a resistência dos materiais utilizados. Os valores de cálculo da resistência do concreto à compressão e tração são os respectivos valores característicos adotados para projeto.1. erros cometidos quanto a geometria da estrutura e de suas seções. b) providenciar o projeto de reforço. Há casos em que pode também ser recomendada a prova de carga.4. c) decidir pela demolição parcial ou total.item 12. c) não sendo eliminada a não-conformidade. dispersão na qualidade dos materiais. aplica-se o disposto em 25. varia (NBR6118 . se houver também deficiência de resistência do concreto cujos resultados devem ser avaliados de acordo com a NBR 12655.3.1.1) O coeficiente de ponderação de acordo com a qualidade do concreto.5. devem ser extraídos e ensaiados testemunhos conforme disposto na NBR 7680. desde que não haja risco de ruptura frágil. 3. avaliação inexata das ações.

1 Agregados Os agregados podem ser definidos como os “materiais granulosos e inertes que entram na composição das argamassas e concretos” (BAUER. deve ser consultada a NBR 9062. Eles são muito importante para a trabalhabilidade do conreto. adensamento manual ou concretagem deficiente pela concentração de armadura deve ser adotado c multiplicado por 1. Sendo material inerte.4 (para combinações de ações normais). Os agregados artificiais são aqueles que passaram por algum processo para obter as características finais. como as pedras ou britas.1. Os agregados são classificados quanto à origem em naturais e artificiais. e são os materiais de menor custo dos concretos. Areia natural Seixo rolado Agregados naturais miúdo (areia) e graúdo (seixo rolado).1 (majorar a necessidade de armadura). 3.7. e o agregado graúdo tem diâmetro máximo superior a 4. como as areias. . Os agregados naturais são aqueles encontrados na natureza. como areias de rios e pedregulhos.1 QUALIDADE DOS MATERIAIS c por 3.8 mm. no caso de testemunhos extraídos da estrutura. e graúdo. Admite-se. Para execução de elementos estruturais com más condições de transporte. também chamados cascalho ou seixo rolado Figura 9.c = 1. os agregados são chamados de miúdo.1.1 (minorar os resultados).7.8 mm. Para elementos estruturais pré-moldados e pré-fabricados. é responsável por promover mais resistência ao concreto. Na classificação quanto às dimensões (granulometria). O agregado miúdo tem diâmetro máximo igual ou inferior a 4. Podem ser considerados como “enchimento”. como as britas originárias da trituração de rochas.7 FATORES QUE INFLUEM NA RESISTÊNCIA DO CONCRETO 3.1. 1979).1. São muito importantes no concreto porque cerca de 70 % da sua composição é constituída pelos agregados. dividir 1.

Os agregados graúdos (britas) têm a seguinte numeração e dimensões máximas. .8 a 9. . .brita 2 – 19 a 38 mm.pedra-de-mão .> 76 mm.brita 0 – 4. .5 mm.brita 3 – 38 a 76 mm. .5 a 19 mm.brita 1 – 9. .

normais ou pesados. Agregados graúdos de forma achatada exigem muita argamassa para melhor trabalhabilidade.Agregados gráudos artificiais (Fonte: www.1. No passado era comum a mistura de britas 1 e 2 para a confecção de concretos. Segundo a NB-1. A forma das partículas dos agregados tem importância fundamental nas propriedades do concreto.br/ Brita%203. com uso superior a 50 % do consumo total de agregado graúdo nos concretos. aqueles que têm alta densidade (britas de hematita e barita). argila expandida e as escórias). O diâmetro máximo deve ser inferior a ¼ da distância entre as faces laterais das forma e 1/3 da espessura das lajes.2 vezes superior ao diâmetro máximo. o diâmetro máximo para misturas de concreto deve atender às seguintes condições: Nas vigas o espaçamento entre armaduras deve ser 1. Deve se apresentar isenta de resíduos industriais. detritos e impurezas que prejudiquem as reações químicas do cimento. chamadas reações de hidratação. Tem também a função de lubrificar as demais partículas para proporcionar o manuseio do concreto.mbv-mineracao.7.2 Água A água é necessária no concreto para possibilitar as reações químicas do cimento. Podem ainda serem classificados quanto à massa.htm). permitindo composições mais trabalháveis com menor teor de água. enquanto a água de amassamento só tem ação durante a hidratação do cimento. Os agregados devem estar isentos de impurezas para não prejudicar a aderência com a pasta. Quadro 4 - 3. mais resistentes. Concretos executados com seixos ou com britas de maior diâmetro produzem concretos com menor exigência de água e. porém. a grande maioria dos concretos feitos para as obras correntes utiliza apenas a brita 1 na sua confecção.com. As britas são os agregados graúdos mais usados no Brasil. hoje no Brasil. que irão garantir as propriedades de resistência e durabilidade do concreto. apresentar resistência mecânica superior a pasta (para concretos convencionais) e uma granulometria contínua. o que implica um maior consumo de cimento. A água que vai entrar em contato com o concreto tem ação constante. O diâmetro máximo dos agregados tem grande importância nas composições das misturas para concretos e argamassas. areias e seixos) e pesados. Normalmente a água potável é a indicada para a confecção dos concretos. diminuindo o volume de pasta de cimento. Sendo os leves aqueles que têm baixa densidade (pedra-pomes. . Assim os agregados podem ser leves. normais (britas. conseqüentemente.1. Os grãos esféricos são de melhor trabalhabilidade.

O excesso de água. além de melhorar a resistência a meios agressivos. durante a mistura. ao penetrar no interior do concreto destrói a sua estrutura. devendo ser aplicados na quantidade correta. Para fins de projeto utiliza-se a resistência do concreto aos 28 dias (fc28). A partir desta idade o incremento da resistência é variável de acordo com o tipo de cimento e geralmente pequeno. por efeito de gravidade. diminuição da resistência e corrosão da armadura. 3. g) Incorporadores de ar: produzem bolhas de ar melhorando a trabalhabilidade e impermeabilidade. ficando como adicional à segurança.1.3 Cimento A composição química do cimento influencia na evolução da resistência dos concretos. .7. 3.7. A finura também influencia na evolução da resistência (cimentos mais finos fornecem maiores resistências iniciais).2 IDADE DO CONCRETO A resistência do concreto aumenta com a idade. deixa uma rede de canalículos na massa o que facilita a penetração da água no concreto.4 Aditivos São adicionados aos constituintes convencionais do concreto.1. e) Retardadores: Reduzem o início da pega por algumas horas permitindo a concretagem de grandes volumes sem juntas.1. 3. Os tipos mais comuns são: d) Plastificantes e superplastificantes: reduzem a quantidade de água necessária para conferir a trabalhabilidade desejada. quando se busca alguma propriedade especial. aumentando a resistência. caso contrário provocam endurecimento muito rápido. f) Aceleradores: Aceleram a pega e o endurecimento do concreto. A evolução da resistência à compressão com a idade deve ser obtida através de ensaios especialmente executados para tal. devido ao mecanismo de hidratação do cimento. Esta.1. na superfície do concreto.Um dos mecanismos de deterioração do concreto é devido à penetração da água em concreto que não são suficientemente compactados. após o adensamento. controle do tempo de pega e do aumento da resistência e redução do calor de hidratação.7.1. como aumento da plasticidade.

3.35 1.7.15 360 1.00 90 1. pois o excesso de água na mistura deixa após o endurecimento vazios na pasta de cimento.20 1. Dizse que a resistência do concreto é inversamente proporcional à relação água/cimento.65 0.40 0. pode-se adotar os valores indicados na NBR 6118 item 12.20 Evolução da resistência do concreto em função da idade. segundo a Lei de Abrams.1. .3.3. Comparação da evolução da resistência do concreto em função do tempo para dois tipos de cimentos nacionais (valores experimentais) Idade do concreto (dias) Cimento Portland Comum Cimento Portland de Alta Resistência 3 0.55 7 0.00 1. Curva de Abrams que indica a variação da resistência em função da relação água/cimento .75 28 1.3 RELAÇÃO ÁGUA/CIMENTO É o principal fator que influencia na resistência do concreto.Na ausência de dados experimentais. em caráter orientativo.

25%).1. módulo de elasticidade do concreto.45%) e “B” de alta resistência ( c rup = 0.8 PROPRIEDADES DO CONCRETO 3. DIAGRAMA TENSÃO DEFORMAÇÃO O diagrama tensão x deformação acima mostra as curvas para dois concretos: “A” de baixa resistência ( c rup = 0.2 DURABILIDADE Para garantir uma adequada durabilidade a uma estrutura de concreto armado.8. de acordo com a nova NBR 6118. a ser usado no cálculo.1.1 TRABALHABILIDADE A trabalhabilidade do concreto deve ser compatível com as dimensões da peça a ser moldada.1.1. relação a/c.8.3.3 RESISTÊNCIA MECÂNICA O concreto a ser especificado nos projetos. com a distribuição e densidade das armaduras e com os processos de lançamento e adensamento a serem usados.8. Percebe-se que o concreto A apresenta uma deformação superior ao concreto B na ruptura.20 a 0. O concreto pré-misturado deverá ser fornecido com base na resistência característica. adotar um cobrimento mínimo de concreto e especificar parâmetros para a dosagem do concreto tais como. (NBR 6118) O diagrama tensão-deformação à compressão.30 a 0. dimensão máxima do agregado graúdo e tipo de cimento. 3. o projetista deve considerar o nível de agressividade do meio ambiente onde a obra vai ser executada. 3. Os capítulos seguintes tratarão destes assuntos com mais detalhes. . será suposto como sendo o simplificado da figura abaixo. deverá apresentar uma resistência característica fck não inferior a 20 MPa.

. A Figura a seguir ilustra os diagramas de tensão num caso simples de aplicação de tensões prévias de compressão numa viga. é obtido em laboratório ensaiando-se corpos-de-prova padronizados do material.85f ck 2. onde a idéia básica é aplicar tensões prévias de compressão nas regiões da peça que serão tracionadas pela ação do carregamento externo aplicado.c 0.5 c (‰) Diagrama tensão ( c) x deformação ( c) simplificado para concreto Obs: O diagrama tensão x deformação experimental de um concreto qualquer.0 3. as tensões de tração são diminuídas ou até mesmo anuladas pelas tensões de compressão pré-existentes ou pré-aplicadas. CONCEITO DE CONCRETO PROTENDIDO O concreto protendido é um refinamento do concreto armado. Com a protensão contorna-se a característica negativa de baixa resistência do concreto à tração. Desse modo.

Esse sistema de protensão é geralmente utilizado na produção intensiva de grande quantidade de peças nas fábricas. antes que haja a aderência entre o concreto e a armadura ativa. Decorridas algumas horas ou dias. destinada à produção de forças de protensão. . isto é. tendo o concreto a resistência mínima necessária.4) define: Elementos de concreto protendido: “aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão com a finalidade de. o esforço que estirou a armadura é gradativamente diminuído.Aplicação de protensão numa viga biapoiada A NBR 6118/03 (item 3. por exemplo. São diversos os sistemas de protensão aplicados nas fábricas e nos canteiros de obra. fios isolados ou cordoalhas.1. em condições de serviço. a protensão se faz pelo estiramento (tracionamento) da armadura ativa (armadura de protensão) dentro do regime elástico. No sistema de pré-tensão. Terminado o estiramento o concreto é lançado para envolver a armadura de protensão e dar a forma desejada à peça. impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado limite último (ELU)”. o que faz com que a armadura aplique esforços de compressão ao concreto ao tentar voltar ao seu estado inicial de deformação zero. Armadura ativa (de protensão): “constituída por barra. na qual se aplica um pré-alongamento inicial”.

2005 ALVES. ocorre e deve ser controlada).São Paulo . em lajes de pavimento com cordoalha engraxada e diversas outras estruturas protendidas. o concreto apresenta boa durabilidade. BAUER. CHING. Y. b) Conservação: em geral. Técnicas de construções ilustradas. da UFG/Ed.. da UCG.. São Paulo: Zigurate Editores.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA . Tecnologia das Construções – Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. REBELLO. 2000 ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.FACULDADE DE ENGENHARIA Departamento de Engenharia Civil – UNESP . Concepção estrutural e arquitetura. Rio de Janeiro: Livros técnicos e científicos editora. 2006.Campus de Bauru/SP. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ABCI .Um outro sistema de protensão é a pós-tensão. relativamente à resistência. C.(NBr) REGO. g) Resistência a choques e vibrações: os problemas de fadiga são menores. b) Reformas e adaptações são de difícil execução.pdf YAZIGI.Disponível em http://www. A. José D.Editora Projeto . os seus componentes são facilmente encontrados e relativamente a baixo custo.1990. 2007. . 4 ed. A Técnica de Edificar – Sinduscon SP – Editora PINI.ufsm. BASTOS. Vol 1 e 2.A. P. e) Segurança contra o fogo: desde que a armadura seja protegida por um cobrimento mínimo adequado de concreto. Fundamentos do Concreto Armado – Notas de aula . L. onde a força de protensão é aplicada após a peça estar concretada e com o concreto com resistência suficiente para receber a força de protensão.br/decc/ECC1006/Downloads/FUNDAMENTOS. em função de várias características positivas. Editora Bookman. em vigas de pontes. d) Transmite calor e som. c) Adaptabilidade: favorece à arquitetura pela sua fácil modelagem. Isaia. F. W. desde que seja utilizado com a dosagem correta. Materiais de construção civil e princípios de ciência e engenharia de materiais. sendo as principais as seguintes: a) Peso próprio elevado. 2006. É muito importante a execução de cobrimentos mínimos para as armaduras. d) Rapidez de construção: a execução e o recobrimento são relativamente rápidos. Materiais de Construção – 8 ed. o concreto armado também apresenta desvantagens. f) Impermeabilidade: desde que dosado e executado de forma correta. Porto Alegre. Goiania: Ed. P. BIBLIOGRAFIA BÁSICA IBRACON – Instituto Brasileiro do Concreto. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONCRETO ARMADO O concreto armado é um material que vem sendo largamente usado em todos os países do mundo. Materiais de construção Vol 1 e 2. NADIA V.S. São Paulo: Editor Geraldo C."Manual Técnico de Alvenaria" . 2ed. Esse sistema é utilizado na produção limitada de peças nas fábricas.S. 1987. 2001 . Por outro lado. c) Fissuração (existe. em todos tipos de construção. como por exemplo: a) Economia: especialmente no Brasil.